Likkutei Torah · Parshas Shir HaShirim · Maamar 20
צאינה וראינה בנות ציון במלך שלמה בעטרה שעטרה…
Sai e contempla, ó filhas de Tsion
A ideia central
A Torá, dada no “dia de seu casamento”, é pão, vinho e azeite. O pão fortalece até mesmo a alma fraca, enosh, para dominar a alma animal, e une a Luz Infinita aos mundos; o vinho é a contemplação, que revela a Divindade oculta e acende uma alegria ardente; o azeite é o brilho sereno da essência de Chochmá. Esse brilho, o objetivo principal, provém da “coroa”, a vontade suprema, alcançada nesta ordem: “faz a vontade Dele como a tua vontade” por meio do vinho, para que “Ele faça a tua vontade como a vontade Dele”.
O maamar em resumo
Os Sábios interpretam “o dia de seu casamento” como a Outorga da Torá; por isso, o Alter Rebe começa explicando a Torá por meio de Tehilim 104:15: o pão sustenta, o vinho alegra e o azeite faz o rosto brilhar. Enosh é o homem em sua fraqueza, atraído por prazeres que são apenas o refugo da santidade; no Alto, enosh é Metatron, o anjo que se eleva no Shabat e se renova a cada semana como a erva. A Torá é “pão”: dá força à alma divina para dominar a alma animal e une a Luz Infinita aos atributos, fazendo paz no Alto e embaixo, pois tem sua raiz em Kéter. O “vinho” é a contemplação na oração: revela que o mundo nada é diante de D'us, desperta o amor e traz a alegria com que se deve cumprir as mitsvot, “faz a vontade Dele como a tua vontade”. O “azeite” é o brilho da sabedoria nova: o ratzo ardente do vinho existe em função de seu shov duradouro. Esse brilho emana da coroa, a vontade suprema que circunda todos os mundos, à qual a pessoa chega ao sair em direção ao pão da Torá, depois ao seu vinho e, então, contemplar a coroa.
Esquema
- Pão, vinho e azeiteO versículo da coroa e a Outorga da Torá; a Torá como pão, vinho e azeite, e duas perguntas sobre o versículo em Tehilim. Enosh é fraqueza: os prazeres físicos são o refugo da santidade, e quem se deixa atrair por eles perde tanto o amor limitado quanto o amor ilimitado a D'us.¶1–2
- Enosh, ish e adamAdam representa a plenitude, ish os sentimentos, enosh a alma fraca. No Alto, adam e ish descrevem o próprio D'us, ao passo que enosh é Metatron, o naar que se eleva a Atsilut no Shabat e volta a descer, como a erva que é cortada e torna a crescer; no homem, enosh é a fraqueza diante da inclinação.¶3–7
- A Torá como pãoAssim como o pão une a alma ao corpo, a Torá fortalece a alma divina e une a Luz Infinita às Sefirot; ela é o próprio “pão” de D'us. Os Dez Mandamentos dão vida às dez expressões da Criação e fazem paz no Alto e embaixo, pois a Torá tem sua raiz em Kéter. Os Dois Pães e as oferendas de paz de Shavuot expressam isso.¶8–14
- Sair e o vinho da contemplação“Vai, come” significa dedicar a mente à Torá e sair da prisão do corpo por meio da oração contemplativa. “Faz a vontade Dele como a tua vontade” é uma vontade que nasce do entendimento, e “anula a tua vontade” aplica-se depois da oração. O vinho revela o segredo de que o mundo é anulado diante de D'us e traz a alegria da Torá e das mitsvot, pelas quais Israel atrai a essência de D'us para Malchut.¶15–24
- O azeite da sabedoriaA alegria do vinho se eleva de baixo como o fogo, por meio do sangue; o brilho do azeite desce do Alto como a luz de Chochmá, serena e em autoanulação, como o gelo sobre os Chayot. O ratzo do vinho existe em função do shov duradouro do azeite; por isso, o versículo diz “para fazer brilhar”.¶25–30
- A coroaA coroa é a vontade suprema, a luz que circunda, a chupá de onde emana o brilho da essência de Chochmá. É chamada de mãe dele porque se chega a ela nesta ordem, por meio da alegria do entendimento; e é vista ao sair: primeiro o pão da Torá, depois seu vinho e, então, contemplando a coroa.¶31–33
Conceitos-chave
- Pão, vinho e azeiteלחם ויין ושמן
- Três níveis da Torá: o pão, que sustenta até mesmo os fracos e une a Luz Infinita aos mundos; o vinho, a contemplação que revela a Divindade oculta e traz alegria; e o azeite, o brilho da própria essência de Chochmá.
- Enoshאנוש
- O nome mais baixo do homem, que denota fraqueza e enfermidade da alma; no Alto, é Metatron, o anjo de Yetsirá que reveste o fluxo dos dias de semana.
- Faz a vontade Dele como a tua vontadeעשה רצונו כרצונך
- Primeiro, a vontade humana por D'us, nascida da contemplação e da atração da vontade suprema para Chochmá; depois, D'us faz a vontade da pessoa semelhante à Sua própria, um amor além da razão.
- Corrida e retornoרצוא ושוב
- O anseio ardente da alma (o vinho) e a serena descida da luz por meio de Chochmá (o azeite); o primeiro existe em função do segundo.
- A coroaעטרה
- A vontade suprema, o nível de Kéter, uma luz que circunda, acima da luz interior do pão e do vinho da Torá; a chupá de onde flui o brilho do azeite.
- Paz no Alto e embaixoשלום בפמליא של מעלה ובפמליא של מטה
- O estudo da Torá por sua própria causa une a Luz Infinita às Sefirot no Alto e fortalece a alma divina diante da alma animal embaixo; sua fonte é a coroa.
Pão, vinho e azeite ¶1–2
1צאינה וראינה12 בנות ציון במלך שלמה בעטרה שעטרה לו אמו ביום חתונתו. וארז״ל [ואמרו רבותינו זכרונם לברכה] ביום חתונתו זה3 מתן תורה.
“Saí e contemplai, ó filhas de Tsion, o rei Shlomó, com a coroa com que sua mãe o coroou no dia de suas núpcias.” E nossos Sábios, de abençoada memória, disseram: “‘No dia de suas núpcias’: isto se refere à Outorga da Torá.”
O maamar começa com o versículo de Shir HaShirim, no qual as filhas de Tsion saem para ver o rei Shlomó usando a coroa que sua mãe colocou sobre ele em suas núpcias. A Mishná interpreta “o dia de suas núpcias” como a Outorga da Torá; assim, todo o maamar tratará do que a Torá realiza entre D'us e Israel.
ולהבין זה יש להקדים תחלה ענין התורה. דהנה ידוע דהתורה נמשלה לכמה דברים ללחם ויין ושמן כמ״ש לכו לכמו בלחמי ושתו ביין מסכתי
Para compreender isso, é preciso primeiro introduzir [uma explicação sobre] a questão da Torá. Pois é sabido que a Torá é comparada a várias coisas: pão, vinho e azeite, como está escrito: “Vinde, comei do meu pão e bebei do vinho que misturei”
Antes de explicar a coroa, o Alter Rebe começa por apresentar o que é a Torá. Ela é comparada a três coisas: pão, vinho e azeite; o versículo de Mishlei, no qual a Sabedoria convida as pessoas a comerem seu pão e beberem seu vinho, fornece as duas primeiras.
(ועיין ברכות דנ״ז סע״א [סוף עמוד א]4 ובמסכת ע״ז דל״ה ע״א) וכן נקרא שמן וכמ״ש ברבות בשיר השירים ע״פ לריח שמניך5 כו׳.
(e veja Berachot, página 57, final da face a, e o tratado Avodah Zarah, página 35, face a). Ela também é chamada de azeite, como está escrito em [Midrash] Rabbah sobre Shir HaShirim, a respeito do [versículo] “Pois a fragrância de teus azeites”, etc.
As passagens talmúdicas citadas falam da Torá como vinho: um sábio da Torá que sonha com vinho vê um bom sinal, e a Congregação de Israel fala do “vinho da Torá”. O Midrash sobre o versículo “Pois a fragrância de teus azeites” compara a Torá ao azeite.
ולהבין ג׳ בחי׳ אלו דודאי שינוי השמות לחם ויין ושמן הם בחי׳ ומעלות שונות שיש בתורה.6
[É preciso] compreender estes três níveis, pois certamente os diferentes nomes — pão, vinho e azeite — correspondem a aspectos e qualidades distintas que existem na Torá.
Os diferentes nomes não são meros sinônimos: pão, vinho e azeite devem representar três qualidades distintas dentro da Torá. O maamar se propõe a definir cada uma delas.
הענין הוא ע״פ מ״ש ויין ישמח לבב אנוש7 להצהיל פנים משמן ולחם לבב אנוש יסעד.
A explicação segue o que está escrito: “E o vinho alegra o coração do homem (enosh), para fazer o rosto resplandecer pelo azeite, e o pão sustenta o coração do homem.”
O versículo-chave, de Tehilim 104, menciona os três juntos, cada um com seu efeito: o vinho alegra, o azeite faz o rosto resplandecer e o pão sustenta. A palavra usada aqui para “homem” é enosh, o que se revelará importante.
ויש להבין ההפרש בין בחינת שמחה הנמשך מבחי׳ יינה של תורה8 לבחי׳ צהלה הנמשך מבחי׳ שמן
É preciso compreender a diferença entre o nível de alegria que provém do nível do “vinho” da Torá e o nível de resplendor que provém do nível do “azeite”.
A primeira pergunta: qual é a diferença entre a alegria que provém do “vinho” da Torá e o resplendor que provém de seu “azeite”?
(ולכאורה שניהם ענין שמחה כמ״ש והעיר שושן צהלה ושמחה)9 גם צ״ל [צריך להיות / צריך לומר / צריך להבין] לשון להצהיל דהל״ל [דהוה ליה למימר] ושמן יצהיל פנים
(pois, aparentemente, ambos são uma questão de alegria, como está escrito: “E a cidade de Shushan estava radiante e alegre”). Também é preciso compreender a expressão “para fazer resplandecer”: deveria ter dito “e o azeite fará o rosto resplandecer”.
A pergunta se torna mais aguda diante do versículo de Esther, no qual resplendor e alegria aparecem lado a lado, como quase sinônimos. Uma segunda pergunta diz respeito à gramática: o versículo diz “para fazer resplandecer”, e não simplesmente “o azeite faz o rosto resplandecer”.
אבל לשון להצהיל משמע שיין משמח כו׳ בשביל להצהיל פנים משמן ולכאורה יין ישמח בפ״ע [בפני עצמו] אף אם לא יהיה שמן. והנה תחלה צ״ל [צריך להיות / צריך לומר / צריך להבין] ענין ולחם לבב אנוש יסעד.
Mas a expressão “para fazer resplandecer” implica que o vinho alegra, etc., a fim de fazer o rosto resplandecer pelo azeite; contudo, aparentemente, o vinho alegra por si só, mesmo que não haja azeite. Agora, primeiro é preciso [explicar] a questão de “e o pão sustenta o coração do homem”.
A forma “para fazer resplandecer” sugere que o vinho alegra com um propósito: para que então o rosto resplandeça por meio do azeite. No entanto, o vinho alegra por si só, haja ou não azeite. Antes de responder, o Alter Rebe começa pela terceira cláusula, sobre o pão.
פי׳ כי אנוש יש בו ב׳ פירושים הא׳ לשון איש והב׳ לשון חלישות כמ״ש (ירמיה י״ז) עקוב הלב מכל10 ואנוש הוא דפי׳ לשון חלישות וחולי.
A explicação: a palavra enosh tem dois sentidos. O primeiro é o sentido de “homem” (ish), e o segundo é o sentido de fraqueza, como está escrito (Jeremias 17): “O coração é mais tortuoso que tudo, e é enosh”, isto é, fraqueza e doença.
Enosh pode simplesmente significar “homem”, mas também está relacionado à fraqueza e à enfermidade, como no versículo em Yirmeyahu, que chama o coração de “anush”, doente. Aqui, o maamar emprega o segundo sentido.
והיינו לפי שעקוב הלב מכל שהוא לשון עיוות ועיקום דהיינו שנמשך אחר תאוות ותענוגים גשמיים ששרשם ומקורם מבחי׳ המזלות אין לך עשב שאין לו מזל11 כו׳
Isto é, porque “o coração é mais tortuoso que tudo”, expressão que denota distorção e tortuosidade, ou seja, que ele é atraído por desejos e prazeres físicos, cuja raiz e fonte estão no nível dos mazalot (constelações), [como se diz:] “Não há erva que não tenha um mazal”, etc.
O coração é “tortuoso” quando é atraído por desejos e prazeres físicos. Estes provêm dos mazalot, as forças celestiais por meio das quais cada coisa na natureza recebe sua força vital, como diz o Midrash: toda erva tem um mazal acima dela.
והמזלות מקבלים משמרי האופנים שנפל שמה בבחי׳ שבה״כ [שבירת הכלים] מבחי׳ פסולת כו׳ וכנודע ע״פ וכל קרבי12 כו׳
E os mazalot recebem dos resíduos dos Ofanim, que caíram ali no âmbito da quebra dos recipientes (shevirat hakeilim), a partir do nível do refugo, etc., como é conhecido [da explicação] sobre “e todas as minhas entranhas”, etc.:
Os mazalot, por sua vez, recebem dos “resíduos” dos Ofanim, uma classe de anjos, daquilo que caiu naquele lugar inferior durante a quebra dos recipientes. Assim, os prazeres físicos extraem sua força vital dos resíduos da santidade, como ensina uma conhecida explicação do versículo “e todas as minhas entranhas [bendizei Seu santo Nome]”.
שהחיות הנמשך ומתלבש בתענוגי עוה״ז [עולם הזה] הוא רק כמו בחי׳ פסולת הנדחה ע״י בירור בקרביים ומעיים
a força vital que é atraída e revestida nos prazeres deste mundo é apenas como o nível do refugo que é expelido pela seleção feita nas entranhas e nos intestinos.
Essa explicação compara a força vital presente nos prazeres mundanos ao refugo que os órgãos digestivos separam do alimento e expelem.
ולכן כמו שאין ערוך הפסולת לגבי מה שנתברר מהמאכל שנעשה ממנו חיות לאדם ונכלל בבחי׳ אדם משא״כ הפסולת שנדחה אינו ראוי אפילו למאכל בהמה רק כו׳.
Portanto, assim como o refugo não tem comparação com aquilo que foi selecionado do alimento, do qual se forma a força vital para a pessoa e que se torna incluído nela, enquanto o refugo expelido não é apropriado nem mesmo como alimento para um animal, mas apenas etc.,
Na analogia, a parte refinada do alimento torna-se a própria força vital da pessoa e é absorvida por ela, ao passo que o refugo não é apropriado nem mesmo para os animais. Os dois não têm comparação.
כמו כן לפי ערך זה אין ערוך תענוגי עוה״ז [עולם הזה] בכלל לגבי תענוג רוחני אפילו בג״ע [בגן עדן] התחתון עד שכדאי כל יסורי גיהנם כו׳
assim também, na mesma proporção, os prazeres deste mundo em geral não têm comparação com o prazer espiritual, mesmo no Gan Eden inferior, a ponto de valerem todos os sofrimentos de Gehinnom [por ele], etc.
Na mesma proporção, os prazeres deste mundo nada são em comparação com o prazer espiritual, mesmo no nível mais baixo do Gan Eden. A distância é tão grande que, como diz o texto, valeria a pena suportar todos os sofrimentos de Gehinnom por ele.
ולכן כל הישר הולך ראוי לו למאוס בתענוגי עוה״ז [עולם הזה] בבחי׳ אתהפכא או אתכפיא עכ״פ [על כל פנים] ולהיות טעמו וראו כי טוב13 ה׳ וכמ״ש ראה נתתי לפניך את החיים14 וכו׳ ואת המות כו׳
Portanto, quem anda com retidão deve desprezar os prazeres deste mundo, por meio de is’hapcha (transformação) ou, pelo menos, de itcafya (subjugação), e estar [no estado de] “Provai e vede que Havayá é bom”, como está escrito: “Vede, coloquei diante de vós a vida”, etc., “e a morte”, etc.,
Por isso, a pessoa reta deve rejeitar os prazeres mundanos: idealmente, transformando seu desejo em santidade (is’hapcha) e, no mínimo, subjugando-o (itcafya). Em vez disso, deve chegar a provar a bondade da Divindade em si. A Torá coloca diante da pessoa uma escolha entre a vida e a morte.
ובחרת בחיים15 ונודע שבחינת הגשמיות נקרא מות והרוחניות נקרא חיים ועל זה נאמר לאהבה את16 ה׳ אלקיך כי הוא חייך.1718
“e escolherás a vida”. E é sabido que a dimensão física é chamada morte, e a espiritualidade é chamada vida. E a respeito disso está dito: “para amar Havayá, teu D'us, pois Ele é tua vida”.
A dimensão física é chamada “morte”, e a espiritualidade, “vida”. O versículo seguinte pede que se ame D'us “pois Ele é tua vida”: um amor que se fundamenta no reconhecimento de D'us como fonte da própria vida.
O maamar começa com o versículo da coroa e com a interpretação dos Sábios de “suas núpcias” como a Outorga da Torá; em seguida, aborda a Torá como pão, vinho e azeite (Tehilim 104:15) e levanta duas perguntas sobre alegria e resplendor. Começa por “o pão sustenta o coração de enosh”: enosh é o homem em sua fraqueza, atraído pelos prazeres físicos, que são apenas o refugo da santidade, quando deveria escolher a vida e amar D'us como fonte de sua vida.
Igueret HaKodesh (final do capítulo 20), para o qual remete a nota da Kehot, acrescenta que o mazal que “golpeia” uma planta e lhe ordena crescer só atua depois que ela brotou, fazendo-a crescer de pequena a grande; o poder de fazer surgir algo do nada está na terra, provindo de uma fonte muito mais elevada.
Marei mekomot
- 1צאינה וראינה · הנחה אחרת בסה״מ תקס״ז ע׳ קע. באוה״ת שה״ש ע׳ שצא ואילך עם הגהות אחרות. קצת הערות שם ע׳ שפט. הדרוש במאמרי אדה״א נ״ך ע׳ רסו מיוסד על ד״ה זה. בסה״מ תרכ״ט (הוצאת תשנ״ב) ע׳ קעג מציין שד״ה זה שייך למתן תורה. ראה להלן בהוספות להערות וציונים השוואה לד״ה זה.
- 2צאינה וראינה · Song of Songs 3:11
- 3ביום חתונתו זו מ״ת · Taanit 26b:6–7
- 4ועיין ברכות דנ״ז סע״א · באוה״ת שה״ש כרך ב ע׳ שצב מעתיק מהגמרא ”הרואה יין בחלום כו׳ אם ת״ח לעולם יפה לו שנאמר ושתו ביין מסכתי”.
- 5לריח שמניך · Shir HaShirim Rabbah 1:3–4
- 6לחם ויין ושמן הם בחי׳ ומעלות שונות שיש בתורה · בארוכה באמרי בינה שער הק״ש פנ״ג ואילך. — משיחות פ׳ מקץ תשנ״ב ע׳ 195.
- 7ויין ישמח לבב אנוש · Psalms 104:15
- 8
- 9והעיר שושן צהלה ושמחה · Esther 8:15
- 10
- 11אין לך עשב שאין לו מזל · Bereshit Rabbah 10:6
- 12וכל קרבי · Psalms 103:1
- 13טעמו וראו כי טוב ה׳ · Psalms 34:9
- 14ראה נתתי לפניך את החיים · Deuteronomy 30:15
- 15ובחרת בחיים · Deuteronomy 30:19
- 16לאהבה את ה׳ אלקיך כי הוא חייך · Deuteronomy 30:20
- 17לכו לחמו בלחמי · Proverbs 9:5
- 18
2והנה אהבה זו היא הנמשכת מבחי׳ ממכ״ע [ממלא כל עלמין] שזהו בחי׳ למען חייך ולכן האהבה מוגבלת בכלי.
Ora, este amor é aquele que se estende do nível da luz que preenche todos os mundos (memalê kol almin), que corresponde ao nível de “por causa da tua vida”; por isso, este amor é limitado e contido num recipiente.
O amor descrito há pouco — amar D'us “porque Ele é a tua vida” — provém da luz que preenche todos os mundos, a luz que dá vida a cada mundo na medida própria dele. Como é um amor pela fonte da própria vida, é limitado e pode ser contido no coração, como num recipiente.
ויש בחי׳ אהבה הבאה מחמת התבוננות באור א״ס [אין סוף] ב״ה עצמו הסוכ״ע [הסובב כל עלמין] דלית מחשבה תפיסא ביה כלל וחיות כל העולמות הוא רק מבחי׳ הארה בעלמא שאמר והי׳ [והיה] העולם אמירה לבד כו׳
E há um nível de amor que vem da contemplação da própria Luz Infinita (Or Ein Sof), bendita seja Ele, a luz que circunda todos os mundos (sovev kol almin), que nenhum pensamento pode apreender de modo algum; a força vital de todos os mundos provém apenas de um mero vislumbre, [daquele] “Ele falou, e o mundo veio a existir”, uma mera fala, etc.
Um amor mais elevado vem da contemplação da própria Luz Infinita, que circunda todos os mundos e está além de qualquer apreensão. Em comparação, a vida de todos os mundos é um mero vislumbre, como uma única fala: “Ele falou, e o mundo veio a existir.”
ואי לזאת יהי׳ [יהיה] נכספה וגם כלתה נפשו1 להיות בבחי׳ ביטול ממש אליו ית׳ לבדו שאין בכח הל ב להכיל האהבה.
E, por isso, sua alma desejará ardentemente e até se consumirá, a fim de estar em estado de verdadeira autoanulação (bitul) somente diante Dele, bendito seja Ele, pois o coração não tem capacidade para conter esse amor.
Essa contemplação leva a alma a desejar ardentemente, até que ela “se consuma” — expressão de Tehilim 84 —, ansiando por se anular inteiramente somente diante de D'us. Esse amor transborda do coração, que não pode contê-lo.
אבל אם ח״ו [חס ושלום] נמשך אחר תאוות הגשמיות ע״ז [על זה] נאמר עקוב הלב מכל2 שאין לך עיקום ועיוות גדול מזה ולא די שאין לו בחי׳ כלות הנפש הנ״ל
Mas, se, D'us não o permita, ele se deixa atrair por desejos físicos, a respeito disso foi dito: “O coração é mais tortuoso do que tudo”; não há tortuosidade nem distorção maior do que essa. E não somente lhe falta o nível de a alma se consumir mencionado acima,
Em contrapartida, quem se deixa atrair por desejos físicos é o “coração tortuoso” de Yirmeyahu, e não há tortuosidade maior. Falta-lhe o amor mais elevado, no qual a alma se consome.
וכמו שאמר אני ה׳ לא שניתי3 ואיך אתם בני יעקב לא כליתם בכלות הנפש לבחי׳ זו דלא שניתי כו׳.
como está escrito: “Eu, Havayá, não mudei”; como é que vocês, filhos de Yaakov, não se consumiram, com a alma se consumindo por esse nível de “Eu não mudei”, etc.;
O versículo de Malachi é interpretado como uma reprimenda: se D'us é imutável, está além de toda mudança, como os filhos de Yaakov não se “consumiram” (kelitem, da mesma raiz de klot hanefesh) em seu anseio por Ele? O sentido simples do versículo é: “vocês não foram consumidos”.
אלא אף גם האהבה ראשונה דבחי׳ ובחרת בחיים4 ולמען חייך השליך ממנו וכמ״ש אותי עזבו מקור מים חיים5 לחצוב להם בורות
mas, além disso, ele também afastou de si o primeiro amor, o nível de “e escolherás a vida” e “por causa da tua vida”, como está escrito: “A Mim abandonaram, fonte de águas vivas, para cavar para si cisternas,
Tal pessoa perde até mesmo o primeiro amor, mais baixo, baseado em “escolher a vida”. Yirmeyahu a descreve como alguém que abandona D'us, fonte de águas vivas, para cavar cisternas para si.
נשברים הם כל תענוגיחם ואהבת גשמיים הנמשכים משבה״כ [משבירת הכלים] ונקרא בורות נשברים כו׳ ומחמת ההתקשרות בתענוגים גשמיים ממילא נחלש כח הנפש ואין לו אהבה האלקית.
que se quebraram”: são todos os seus prazeres e o amor pelas coisas físicas, que provêm da quebra dos recipientes e [por isso] são chamados “cisternas quebradas”, etc. Como consequência natural de seu apego aos prazeres físicos, a força da alma se enfraquece, e ele não tem amor a D'us.
As “cisternas quebradas” são os prazeres e amores físicos, que provêm da quebra dos recipientes e, portanto, são literalmente “quebrados”. O apego a eles enfraquece naturalmente a alma, até que já não resta amor a D'us.
וכמ״ש כשל בעוני6 כח7 שע״י העונות נכשלש ונתחלש כח הנפש וכמ״ש כי אם עוונותיכם8 היו מבדילים ביניכם לבין אלקיכם ולא עוונות ממש
Como está escrito: “A força tropeça por causa da minha iniquidade”: por causa das iniquidades, a força da alma tropeça e se enfraquece. E como está escrito: “Mas as vossas iniquidades fizeram separação entre vós e vosso D'us”; e [isso se refere] não a iniquidades propriamente ditas
O versículo de Tehilim diz que a força tropeça por causa da iniquidade, e Yeshayahu diz que as iniquidades fazem separação entre Israel e D'us. O Alter Rebe interpreta essas “iniquidades” não como pecados propriamente ditos.
אלא גשמי׳ [גשמיים / גשמיות / גשמית] הגוף וחומריותו (כי עון לשון עיקום והיינו כענין עקוב הלב כנ״ל. והעיקר הוא מה ששמים אור לחשך וחשך לאור מר למתוק ומתוק למר9.
mas a fisicalidade do corpo e sua materialidade (pois avon, “iniquidade”, denota tortuosidade, como na expressão “o coração é tortuoso”, mencionada acima. E o principal é que tomam a luz por escuridão e a escuridão por luz, o amargo por doce e o doce por amargo.
São a fisicalidade e a grosseria do corpo: a palavra avon, “iniquidade”, significa tortuosidade, como o coração tortuoso. O cerne do problema é a inversão dos valores descrita em Yeshayahu: tomar a luz por escuridão e o amargo por doce.
ולכן נקרא זה אנוש לשון כאב וחולי שכמו שהחולה טועם מתוק למר כו׳ ומתאוה דוקא למאכלים הרעים. כך עד״ז [על דרך זה] חולי הנפש ונקרא חולת אהבה שתאוות העולם עריבים עליו ואינו טועם טעם באלקות כמ״ש טעמו וראו כי טוב1011 ה׳)
Por isso, isto é chamado enosh, termo que denota dor e doença: assim como um doente sente o doce como amargo etc. e anseia precisamente por alimentos nocivos, assim também é, da mesma maneira, a doença da alma, chamada “enferma de amor”: os desejos do mundo lhe são agradáveis, e ele não sente sabor algum na divindade, como está escrito: “Provai e vede que Havayá é bom”);
É por isso que o coração é chamado anush, doente. Assim como o paladar do doente fica alterado, fazendo-o desejar alimentos nocivos, a doença da alma faz com que os desejos mundanos lhe pareçam doces e a divindade, insípida. O texto chama essa doença de “enferma de amor”, tomando emprestada a expressão de Shir HaShirim: trata-se de uma doença no amor da alma.
הוא שנעשה מסך מבדיל שמגביל ומלביש את הנפש עד שמורידה לימשך אחריה ואין לה יכולת לעלות ולצאת ממנה:12
é isso que se torna uma tela separadora, que limita e reveste a alma, até fazê-la descer e ser atraída por ele, sem que ela tenha capacidade de elevar-se e sair dele.
A fisicalidade do corpo torna-se uma tela que separa a alma de D'us. Ela confina a alma e a arrasta atrás do corpo, até que a alma já não tenha forças para elevar-se e libertar-se.
O parágrafo distingue dois amores a D'us: um amor inferior e limitado, que provém da luz que preenche todos os mundos, e um amor mais elevado, que surge da contemplação da Luz Infinita que circunda todos os mundos e leva a alma a se consumir de anseio. Quem se deixa atrair pelos prazeres físicos perde ambos, pois a grosseria do corpo se torna uma barreira separadora que enfraquece a alma: esse é o coração chamado enosh, enfermo.
Os dois amores correspondem às duas modalidades da luz divina mencionadas aqui: a luz que preenche todos os mundos é medida para cada mundo, de modo que o amor que desperta pode ser contido pelo coração; já a luz que circunda todos os mundos está além de toda medida, e, por isso, o amor que desperta é um anseio que ultrapassa a capacidade do coração.
Marei mekomot
- 1נכספה וגם כלתה נפשו · Psalms 84:3
- 2
- 3אני ה׳ לא שניתי · Malachi 3:6
- 4
- 5אותי עזבו מקור מים חיים · Jeremiah 2:13
- 6
- 7כשל בעוני כחי · Psalms 31:11
- 8כי אם עונותיכם היו מבדילים · Isaiah 59:2
- 9
- 10כך עד״ז חולי הנפש . . וראו כי טוב ה׳) · באוה״ת שה״ש כרך ב ע׳ שצג מובא זה בשינוי לשון: ”כן הוא חולי הנפש שתאות העולם עריבים עליו להיות נטבע במצולת הזמן ונשכח ממנו העיקר, כמ״ש כי נעים נאוה תהילה וכתיב כמו חלב ודשן תשבע נפשי)”.
- 11טעמו וראו כי טוב ה׳ · Psalms 34:9
- 12
Enosh, ish e adam ¶3–7
2. Ora, nesse estado, a pessoa é chamada enosh. Pois há vários nomes [para o ser humano]: enosh, ish e adam, e adam é o mais elevado de todos.
Começa a seção 2. O hebraico tem várias palavras para designar um ser humano: enosh, ish e adam, e adam é o mais elevado. Enosh designa o ser humano no estado enfraquecido descrito acima.
כמ״ש בפ׳ תזריע (דמ״ח) כי אדם הוא בחינת שלימות כמ״ש זכר ונקבה בראם3 ויקרא את שמם אדם כו׳. וידוע איך בחיבור דו״נ [דכר ונוקבא] משפיע ומקבל יש שלימות וגילוי הארה עליונה.
Como está escrito na Parashá Tazria (página 48), adam é o nível da plenitude, conforme está escrito: “Macho e fêmea Ele os criou, e chamou o nome deles Adam”, etc. E é sabido que, na união do masculino e do feminino, do doador e do receptor, há plenitude e a revelação de uma luz superior.
O Zohar, na Parashá Tazria, ordena os nomes e afirma que adam é o mais elevado. Adam denota plenitude: a Torá dá o nome Adam ao masculino e ao feminino juntos, e a união do doador com o receptor produz plenitude e a revelação de uma luz superior.
גם אדם לשון אדמה לעליון45 ואיש הוא למטה מבחינת אדם ודרך כלל איש היינו בחי׳ המדות אהוי״ר [אהבה ויראה] כמ״ש לפי שכלו יהולל איש.6
Além disso, adam está relacionado à expressão “serei como (adameh) o Altíssimo”. E ish está abaixo do nível de adam; em termos gerais, ish é o nível dos atributos emocionais (midot), amor e temor, conforme está escrito: “O ish é louvado segundo seu intelecto”.
Adam também está relacionado a adameh, “serei como” o Altíssimo. Ish é um nível inferior, geralmente o das emoções, amor e temor; o versículo em Mishlei louva um ish “segundo seu intelecto”, pois as emoções recebem sua medida do intelecto que as orienta.
O parágrafo abre a segunda seção ordenando os nomes do ser humano (enosh, ish, adam), para que enosh, o estado enfraquecido da alma, possa ser compreendido em relação aos níveis superiores de ish (as emoções) e adam (plenitude, semelhança com o Altíssimo).
Marei mekomot
- 1יש כמה שמות אנוש איש אדם · ראה גם אוה״ת ויקרא כרך ד ע׳ א׳מח ואילך. [סה״מ תרכ״ט (הוצאת תשנ״ב) ע׳ קעא ואילך].
- 2כמה שמות אנוש איש אדם ואדם גבוה מכולן · Zohar, Tazria 22:105–23:115
- 3זכר ונקבה בראם · Genesis 5:2
- 4אדם לשון אדמה לעליון · נסמן לעיל יא, ג.
- 5אדמה לעליון · Isaiah 14:14
- 6לפי שכלו יהולל איש · Proverbs 12:8
4ואדם היינו כשיש לו מוחין דגדלות1 כו׳. ומ״מ [ומכל מקום] גבי איש נמי כתיב אשרי איש ירא את2 ה׳ כו׳ גבור בארץ כו׳.
E adam é quando possui o intelecto expandido (mochin degadlut), etc. No entanto, também a respeito de ish está escrito: “Feliz o homem (ish) que teme Havayá”, etc., “poderoso na terra”, etc.
Adam é a pessoa cujo intelecto está plenamente desenvolvido, o estado “expandido” ou maduro da mente (mochin degadlut). Ainda assim, ish também tem verdadeiro valor: o salmo louva o ish que teme D'us e promete que sua descendência será poderosa na terra.
אבל אנוש הוא למטה מכולם דהיינו אדרבה כשהוא בבחינת חלישות כח הנפש כנ״ל מלשון עקוב הלב מכל3 ואנוש כו׳ וכ״ה בזהר תרומה (קס״ח א׳) ע״פ מה אנוש כי תזכרנו4 כו׳
Mas enosh está abaixo de todos eles: isto é, ao contrário, quando se encontra num estado de fraqueza da força da alma, como mencionado acima, conforme a expressão “O coração é mais tortuoso que tudo, e é enosh”, etc. E assim também está no Zohar, Terumah (168a), sobre [o versículo] “Que é enosh, para que Te lembres dele”, etc.
Enosh está abaixo de ambos, e não apenas num grau inferior: é o oposto da força, uma fraqueza na força da alma, o coração “doente” de Yirmeyahu. O Zohar, na Parashat Terumah, diz o mesmo sobre o versículo “Que é enosh, para que Te lembres dele”: enosh não estava em sua força.
והנה כמ״כ [כמו כן] למעלה דהנה הקב״ה [הקדוש ברוך הוא] כתיב ועל דמות הכסא דמות כמראה אדם5 כו׳ וכתיב ה׳ איש מלחמה.6
E eis que o mesmo se aplica também Acima: a respeito do Santo, bendito seja Ele, está escrito: “E sobre a semelhança do Trono, uma semelhança como a aparência de um homem (adam)”, etc.; e está escrito: “Havayá é um homem (ish) de guerra.”
Os mesmos três nomes se aplicam também Acima. D'us, tal como aparece sobre o Trono na visão de Yechezkel, é chamado adam, e o Cântico do Mar O chama ish, “um homem de guerra”.
אבל אנוש הוא בחינת מט״ט [מטטרון] כמ״ש בפרשה פנחס (דרי״ז)7 ע״פ אנוש כחציר ימיו89 כו׳ שהוא בחי׳ המלאך הנ״ל שנאמר בו נער הייתי גם זקנתי10 כו׳. ונמשל לחציר.
Mas enosh é o nível de Metatron, como está escrito na Parashat Pinchas (página 217), sobre [o versículo] “Enosh, seus dias são como a erva”, etc.: este é o nível do anjo mencionado acima, a respeito de quem se diz: “Fui jovem (naar) e também envelheci”, etc. E ele é comparado à erva.
Enosh Acima é Metatron, o anjo principal do Mundo de Yetsirá. O Zohar, na Parashat Pinchas, interpreta “enosh, seus dias são como a erva” como referência a esse anjo, a respeito de quem também se diz: “Fui jovem e também envelheci.” A comparação com a erva é explicada a seguir.
כי הנה החציר הוא העשב שקוצרים אותו כמה פעמים וחוזר ונגדל במעט זמן וחוזרים וקוצרים אותו ונקרא אספסתא (בגמרא דחזקת הבתים)11
Pois a erva (chatzir) é a planta que se corta várias vezes e volta a crescer em pouco tempo, sendo então cortada de novo; ela é chamada aspasta (no Talmud, no [capítulo] Chezkas HaBatim).
Chatzir é uma gramínea forrageira que é cortada e logo volta a crescer, repetidamente. O Talmud, no capítulo Chezkas HaBatim de Bava Batra, chama-a aspasta.
והנה כמו כן בחינת מלאך הנ״ל שהוא המלביש לבחינת אור ההמשכה הנמשך בששת ימי החול יום ראשון בחי׳ חסד כו׳. שבחי׳ החסד מתלבש במלאך הנ״ל ונקרא לכך מנעל דשכינתא כו׳.12
E eis que, de modo semelhante, o nível do anjo mencionado acima é aquele que reveste a luz do fluxo que é atraído durante os seis dias da semana, sendo o primeiro dia o nível de Chessed (bondade), etc. O nível de Chessed reveste-se nesse anjo e, por isso, ele é chamado “o sapato da Shechiná (Presença Divina)”, etc.
Metatron é o revestimento por meio do qual o fluxo divino passa durante os seis dias da semana, cada dia conduzindo um atributo, começando com Chessed no primeiro dia. Como o atributo de Chessed se reveste nele, ele é chamado “o sapato da Shechiná”, o revestimento mais inferior, por meio do qual a Presença Divina desce.
Depois de definir adam (o intelecto maduro) e ish (as emoções), o parágrafo mostra que enosh é o oposto da força. Em seguida, aplica esses nomes Acima: adam e ish descrevem o próprio D'us, enquanto enosh é Metatron, o anjo de Yetsirá que reveste o fluxo dos dias da semana e é comparado à erva que é cortada e volta a crescer.
O Zohar em Pinchas (217b), citado pelo texto, interpreta o versículo inteiro de Tehilim 104:15 à luz desse tema: “alegra o coração de enosh” refere-se ao jovem que chega à velhice e retorna como antes; “o rosto”, aos rostos chamados o grande rosto e o pequeno rosto; e “óleo”, ao fluxo do Mundo Vindouro. O maamar se baseia nessa passagem.
Marei mekomot
- 1ואדם . . מוחין דגדלות · ראה בהוספות להערות וציונים.
- 2אשרי איש ירא את ה׳ · Psalms 112:1
- 3
- 4מה אנוש כי תזכרנו · Psalms 8:5
- 5ועל דמות הכסא דמות כמראה אדם · Ezekiel 1:26
- 6ה׳ איש מלחמה · Exodus 15:3
- 7כמ״ש בפרשה פנחס (דרי״ז) · ”פי׳ אנוש הוא נער מט״ט” — אוה״ת שה״ש ע׳ שצ. וע׳ שצג. ובד״ה פתח ר׳ חייא תקס״ו ע׳ שו ואילך. מט״ט דיצירה נק׳ אנוש ונקרא נער. ראה לעיל פ׳ פנחס עט, ב. פ׳ האזינו עו, ד וש״נ.
- 8
- 9אנוש כחציר ימיו · Zohar, Pinchas 13:84–15:107
- 10נער הייתי גם זקנתי · Psalms 37:25
- 11בגמ׳ דחזקת הבתים · Bava Batra 28b:9
- 12
5ונקרא נער כלומר כמו שהנער שכלו ומדותיו קטנים ביותר לגבי אדם הגדול כן ויותר מכן אין ערוך בחי׳ מדות דיצי׳ [דיצירה]
Ele é chamado naar, um jovem. Isto é: assim como o intelecto e os atributos emocionais de um jovem são muito pequenos em comparação com os de um homem adulto, assim também — e ainda mais — os atributos emocionais de Yetsirá não se comparam
Metatron é chamado naar, um jovem. A mente e as emoções de um jovem são pequenas em comparação com as de um homem adulto; e os atributos emocionais de Yetsirá estão ainda mais distantes dos de Atsilut.
שהוא בחי׳ מט״ט [מטטרון] שהחסד מתלבש בהשפעה גשמיות לגבי מדות דאצילות ששם גילוי אור א״ס [אין סוף] ובכל שבת שהוא בחי׳ עליות העולמות מתעלה ג״כ בחי׳ מלאך הנ״ל לאצילות כנודע בענין מה יפו פעמיך בנעלים1 כו׳.
(que é o nível de Metatron, no qual Chessed se reveste num fluxo físico) com os atributos emocionais do Mundo de Atsilut (Emanação), onde há a revelação da Luz Infinita (Or Ein Sof). E a cada Shabat, que é a ascensão dos mundos, o nível daquele anjo também ascende a Atsilut, como é sabido a respeito de “Como são belos os teus passos com sandálias”, etc.
Em Metatron, Chessed se reveste num fluxo físico, o sustento do mundo, enquanto em Atsilut a própria Luz Infinita é revelada. Ainda assim, a cada Shabat, quando todos os mundos ascendem, esse anjo também ascende a Atsilut, como se sabe pela explicação de “Como são belos os teus passos com sandálias”: as “sandálias” são Metatron, a sandália da Shechiná.
O parágrafo explica por que Metatron é chamado naar: os atributos de Yetsirá, onde o fluxo se torna físico, são como os de uma criança em comparação com os de Atsilut. Ainda assim, no Shabat ele ascende a Atsilut.
Marei mekomot
- 1מה יפו פעמיך בנעלים · Song of Songs 7:2
6וזהו גם זקנתי1 דסליק לסיבו23 שהוא עלי׳ [עליה] גדולה מבחי׳ נער ואנפי זוטרא לבחי׳ אנפי רברבי וזקנה כו׳.
E é isto também “e também envelheci”: ele ascende à velhice, o que constitui uma grande elevação do nível de naar e da “face pequena” (anpei zutra) ao nível da “face grande” (anpei ravrevei) e da velhice, etc.
“E também envelheci” refere-se à ascensão do Shabat: o Zohar diz que o jovem “ascende à velhice”. Ascender da “face pequena” à “face grande”, como o Zohar denomina um nível menor e um nível maior das “faces” do Alto, é uma grande elevação.
אך בחול חוזר ונמשך להיות בבחינת נער שהוא אנפי זוטרי כו׳ ולכך נאמר כחציר ימיו4 כמו שחציר גדל תמיד מחדש כך זה האנוש מתחדש תמיד להיות בחי׳ נער.
Mas, durante a semana, ele volta a ser atraído para baixo, ao nível de naar, que é a “face pequena”, etc. Por isso se diz: “seus dias são como a erva”: assim como a erva cresce continuamente de novo, também este enosh renova-se constantemente para estar no nível de naar.
Durante a semana, o anjo desce novamente ao nível de um jovem. Por isso se diz: “seus dias são como a erva”: como a erva que torna a crescer depois de ser cortada, ele renova-se constantemente como naar.
O parágrafo completa a imagem: Metatron ascende no Shabat (“velhice”, a face grande) e desce durante a semana (“juventude”, a face pequena); essa renovação semanal explica por que seus dias são comparados à erva.
Marei mekomot
- 1גם זקנתי · Psalms 37:25
- 2דסליק לסיבו · זח״ג (ריז, רע״ב). [כ].
- 3דסליק לסיבו · Zohar, Pinchas 13:84–15:107
- 4כחציר ימיו · Psalms 103:15
E pode-se saber [isso], pois contamos: “Hoje é o primeiro dia da semana”, “o segundo dia” etc., até “o dia de Shabat é o sétimo dia”.
Uma prova baseada no salmo diário: antes dele dizemos: “Hoje é o primeiro dia da semana”, e assim por diante, até “Shabat é o sétimo dia”.
וקשה הרי2 כבר עברו רבבות ימים משימ״ב [מששת ימי בראשית] עד עתה וא״כ [ואם כן] איך אומרים היום יום ראשון כו׳
Isto é difícil: certamente já se passaram miríades de dias desde os seis dias da Criação até agora; então, como dizemos: “Hoje é o primeiro dia” etc.?
A dificuldade: incontáveis dias se passaram desde a Criação; em que sentido, então, cada domingo é “o primeiro dia”?
אלא מפני שבשבת העלי׳ [העליה] של בחי׳ נער שר העולם באצילות ושם למעלה מבחי׳ זמן ע״כ [על כן] כל יום א׳ הוא ממש יום ראשון
Mas isso se deve ao fato de que, no Shabat, a ascensão do nível do naar, o Príncipe do Mundo, ocorre em Atsilut, onde ele está acima do nível do tempo. Portanto, cada primeiro dia é verdadeiramente um primeiro dia,
A resposta: no Shabat, o jovem, o Príncipe do Mundo, ascende a Atsilut, que está acima do tempo. Assim, cada domingo é verdadeiramente um novo começo.
כמו יום א׳ של ששת ימי בראשית שנתחדש הזמן מלמעלה מהזמן כך מתחדש כל יום ראשון שאחר השבת.
como o primeiro dia dos seis dias da Criação, quando o tempo foi novamente trazido à existência a partir do que está acima do tempo; assim também é renovado cada primeiro dia que vem depois do Shabat.
No primeiro dia da Criação, o próprio tempo foi trazido à existência a partir de um nível acima do tempo. Do mesmo modo, a cada domingo depois do Shabat, o tempo começa novamente.
שהשבת הוא העלי׳ [העליה] באצי׳ [באצילות] שלמעלה3 מהזמן וביום א׳ נמשך בבחי׳ מט״ט [מטטרון] ו״ק [ו׳ קצוות] דיצי׳ [דיצירה] בחי׳ זמן וא״כ [ואם כן] הרי אנוש כחציר4 ימיו5 שגידולו
Pois o Shabat é a ascensão a Atsilut, que está acima do tempo, e no primeiro dia a influência é estendida ao nível de Metatron, as seis extremidades (vav ketzavot) de Yetsirá, o nível do tempo. Sendo assim, “enosh, seus dias são como a erva”, cujo crescimento
No Shabat, o anjo ascende acima do tempo; no domingo, o fluxo desce novamente a Metatron, os seis atributos emocionais (“extremidades”) de Yetsirá, que corresponde ao domínio do tempo. Por isso o versículo diz: “enosh, seus dias são como a erva”.
רק6 ו׳ ימים ובשבת עולה ונכלל בלמעלה מהזמן וחוזר ונמשך אחר כך ו׳ ימים אחרים וה״ז [והרי זה] כחציר כו׳
dura apenas seis dias; no Shabat, ele ascende e é incluído no que está acima do tempo, e depois é novamente trazido para baixo por outros seis dias; e isso é “como a erva” etc.
Seu crescimento dura apenas seis dias. No Shabat, ele ascende e é absorvido no que está acima do tempo; depois desce por outros seis dias, como a erva que é cortada e volta a crescer.
(ומה שנמשל עלייתו באצילות בשם קצירה היינו שבעלייתו שם הוא בבחי׳ ביטול כנר בפני האבוקה7 כו׳ וע״ש [ועיין שם] בפרשה פנחס) (דרי״ז ע״ב) בפי׳ ואיננו89 כו׳.
(E a razão pela qual sua ascensão a Atsilut é comparada a “cortar” é que, ao ascender para lá, ele se encontra em um estado de autoanulação (bitul), como uma vela diante de uma tocha etc. Veja ali, na Parashat Pinchas) (p. 217, lado b), sobre a explicação de “e ele já não existe” etc.
A ascensão é comparada a “cortar”, e não a crescer, porque em Atsilut o anjo é completamente anulado, como a chama de uma vela diante de uma tocha, como se tivesse sido cortado. O Zohar, em Pinchas, explica assim as palavras seguintes do versículo, “e ele já não existe”: ele é absorvido em um espírito oculto e superno.
והנה הרי מובן מזה איך שאין ערוך לשון אנוש שהוא בחי׳ מלאך בעל גבול כו׳ לגבי בחינת איש10 ואדם שנאמר ה׳ איש כו׳
Ora, disso se compreende como o termo enosh, que corresponde ao nível de um anjo limitado etc., não tem qualquer comparação com o nível de ish e adam, sobre o qual se diz: “Havayá é um homem (ish)” etc.,
A conclusão: enosh, um anjo limitado, não tem comparação com ish e adam no Alto, que, como em “Havayá é um homem de guerra”, referem-se ao próprio D'us.
שהוא בחינת א״ס [אין סוף] קדמון ונצחי וכן מובן גם כן לפ״ז [לפי זה] לפי ערך באדם שלמטה כשנקרא אנוש מורה על חלישות כחו וירידה ממדרגת בחינת איש ואדם כו׳
que é o nível do Infinito (Ein Sof), primordial e eterno. E, correspondentemente, compreende-se também o mesmo, em proporção, a respeito do homem abaixo: quando é chamado enosh, isso indica a fraqueza de sua força e uma descida do grau do nível de ish e adam etc.
Ish e adam, Acima, denotam o Infinito, que não tem princípio nem fim. Correspondentemente, quando um ser humano é chamado enosh, isso significa que sua força se enfraqueceu e que ele decaiu do grau de ish e adam.
Isto é, como foi explicado acima longamente a respeito de “O coração é mais tortuoso que tudo, e é enosh”: a fraqueza ocorre quando ele não tem força para prevalecer sobre sua inclinação.
Como a seção 1 explicou longamente, essa fraqueza significa não ter força para superar a própria inclinação.
Pois “Quem é forte? Aquele que conquista sua inclinação”, para que seja como está escrito: “E amarás com todo o teu coração (levavchá)”, isto é, com as duas inclinações. [E também Acima:
A verdadeira força consiste em dominar a própria inclinação, como diz a Mishná em Avot, para que a pessoa possa amar D'us “com todo o seu coração”, expressão que os Sábios interpretam como referindo-se às duas inclinações, a boa e a má. A nota entre colchetes, que começa aqui, aplica isso também ao plano superior.
הנה ביצירה דהוא בחי׳ אנוש שם עיקר בחי׳ עה״ד [עץ הדעת] טו״ר [טוב ורע] כמ״ש הרמ״ז [הרב משה זכות] ר״פ וישלח ובמק״מ [ובמקדש מלך] פ׳ מקץ קצ״ד א׳]:17
em Yetsirá, que é o nível de enosh, encontra-se o lugar principal do nível da Árvore do Conhecimento do bem e do mal, como escreve o Ramaz no início da Parashat Vayishlach e no Mikdash Melech, sobre a Parashat Miketz, 194a.]
Yetsirá, o mundo de enosh, é o lugar principal da Árvore do Conhecimento do bem e do mal, onde o bem e o mal estão misturados, como escrevem o Ramaz e o Mikdash Melech, comentários cabalísticos sobre o Zohar. Assim, enosh, também Acima, é o nível em que o bem e o mal se confrontam.
A contagem semanal dos dias mostra que Metatron ascende acima do tempo no Shabat e desce ao domínio do tempo a cada domingo, como a erva que é cortada e volta a crescer. Enosh é, portanto, um nível limitado diante de ish e adam, que no Alto são o próprio D'us; no homem, enosh significa fraqueza diante da inclinação, que a verdadeira força supera.
O Zohar (3:216b) interpreta “enosh, seus dias são como a erva” e “Eu era jovem e também envelheci” como renovação: como uma árvore cujos ramos antigos são cortados e voltam a crescer de suas raízes, e como D'us renovando diariamente a obra da Criação. O Alter Rebe aplica essa imagem ao ciclo semanal de Metatron.
Marei mekomot
- 1ותדע שהרי אנו מונין היום יום ראשון בשבת · ראה דרך מצותיך מצות הלל קנא, א. סה״מ תרע״ח ע׳ רסט. סה״מ תש״ד ע׳ 192.
- 2וקשה הרי עברו רבבות ימים · ראה ד״ה והוא עומד עליהם תרס״ג ע׳ נז. וראה שם ע׳ רלו. וראה סה״מ תש״ה ע׳ 167. שיחת ח״י כסלו תש״מ. לקו״ש חי״ב ע׳ 100. סה״ש תנש״א ע׳ 550.
- 3שהשבת הוא העלי׳ באצי׳ שלמעלה מן הזמן · ראה לקו״ש חי״ז ע׳ 60 הערה 31.
- 4כחציר · Zohar, Bereshit 7:70–8:83
- 5אנוש כחציר ימיו · Psalms 103:15
- 6שגידולו רק ו׳ ימים · ע׳ זח״א (יח, ב). [כ].
- 7בפני האבוקה וע״ש בפרשה פנחס (דרי״ז ע״ב) בפי׳ ואיננו כו׳ · באוה״ת שה״ש ע׳ שצד: ”והן הן הנק׳ חציר בזהר שם, ואנוש ג״כ כחציר ימיו מטעם הנ״ל, והיינו בעלייתו בשבת כו׳)”. והנה.
- 8ואיננו · Zohar, Pinchas 13:84–15:107
- 9ואיננו · Psalms 103:16
- 10ה׳ איש · Exodus 15:3
- 11עקוב הלב מכל ואנוש הוא · באוה״ת שה״ש ע׳ שצד נמצא כאן הגהה: ”(ולכן נא׳ גבי אנוש אז הוחל כו׳ וכמ״ש הרמב״ם שאנוש עצמו מן הטועים הי׳ וכו׳)”.
- 12עקוב הלב מכל ואנוש הוא · Jeremiah 17:9
- 13איזהו גבור הכובש את יצרו · אבות ד, א. אדר״נ כג, א.
- 14איזהו גבור הכובש את יצרו · Pirkei Avot 4:1
- 15ואהבת בכל לבבך · Deuteronomy 6:5
- 16בכל לבבך בשני יצריך · Mishnah Berakhot 9:5
- 17
A Torá como pão ¶8–14
8ג והנה יש מקוה לישראל על זאת1 היינו ע״י התורה שנקרא לחם ועל זה נאמר ולחם לבב אנוש יסעד.2 שיסעד לבב אנוש וחלוש הזה ויחזקנו להיות בו כח ועוז לכבוש גם לנפשו הבהמית.
3. Ora, “há esperança para Israel quanto a isso”, isto é, por meio da Torá, que é chamada de pão. A respeito disso foi dito: “e o pão sustenta o coração de enosh”: que sustente este coração de enosh, que é fraco, e o fortaleça, para que tenha poder e força para subjugar até mesmo sua alma animal.
A seção 3 começa apresentando o remédio para enosh. Tomando emprestadas as palavras de Ezra, “há esperança para Israel quanto a isso”: a Torá, chamada de pão, “sustenta o coração de enosh”, fortalecendo o coração fraco até que ele possa subjugar até mesmo a alma animal.
והיינו לפי שהתורה נקרא עוז וכמ״ש ה׳ עוז לעמו יתן3 שנותנת כח ועוז בנה״א [בנפש האלקית] להתגבר על חומריות הגוף ונפש הבהמית וגסותו לצאת ממסגר אסיר4
Isso porque a Torá é chamada de “força” (oz), como está escrito: “Havayá dará força ao Seu povo”; ela dá poder e força à alma divina para prevalecer sobre a materialidade do corpo, sobre a alma animal e sua grosseria, a fim de sair da prisão do cativo
A Torá é chamada oz, “força”, como em “Havayá dará força ao Seu povo”. Ela dá à alma divina poder para prevalecer sobre a grosseria do corpo e da alma animal, e para romper seu confinamento, como um prisioneiro que sai de sua cela.
(וכמ״ש מזה בד״ה בחדש השלישי5 לצאת6 בנ״י [בני ישראל] מארץ מצרים. בפרשת יתרו ע״ש [עיין שם] באריכות) ולכך נקרא התורה לחם עד״מ [על דרך משל] הלחם גשמי שסועד הלב ומחזקו.
(como é explicado a esse respeito no discurso que começa com “No terceiro mês depois de os filhos de Israel terem saído da terra do Egito”, em Parashat Yitró; veja ali a explicação detalhada). Por isso a Torá é chamada de pão, por analogia com o pão físico, que sustenta o coração e o fortalece.
O Alter Rebe remete ao tratamento mais completo que fez no discurso sobre “No terceiro mês”, o versículo que introduz a Outorga da Torá. É por isso que a Torá é chamada de pão: como o pão físico, ela sustenta e fortalece o coração.
והיינו שמקשר ומחבר חיי הנפש באברי הגוף שאם ירעב ולא יאכל כל היום יתחלש ויסתלק קצת כחות חיי נפשו ועל ידי הלחם יסעד הלב ותשוב נפשו אליו
Isto é, ele liga e une a vida da alma aos membros do corpo; pois, se alguém passar fome e não comer durante todo o dia, ficará enfraquecido, e algumas das forças vitais de sua alma se retirarão; e, por meio do pão, o coração é sustentado e sua alma retorna a ele
O pão liga a vida da alma aos membros do corpo. Quem passa o dia sem comer fica fraco, como se parte de sua força vital estivesse se retirando; quando come, seu coração é sustentado e sua vitalidade retorna.
(והעיקר נקרא ע״ש [עיין שם] הלב שבו דם הנפש שהנפש מתלבשת בדם שבלב כו׳ ומבואר במ״א דדוקא לחם סועד הלב הגם שהבשר מרבה דם יותר מהלחם עכ״ז [עם כל זה] לחם דוקא סועד הלב ומחזקו ומגביהו להתקשר עם המוח)
(e é chamado sobretudo pelo nome do coração, no qual está o sangue da alma, pois a alma se reveste do sangue que está no coração etc. E é explicado em outro lugar que é especificamente o pão que sustenta o coração: embora a carne aumente mais o sangue do que o pão, ainda assim é especificamente o pão que sustenta o coração, o fortalece e o eleva para que se ligue ao cérebro).
Diz-se que o pão sustenta o coração porque o coração contém o sangue, e a alma se reveste do sangue. Em outro lugar, explica-se que, embora a carne produza mais sangue, somente o pão sustenta verdadeiramente o coração e o eleva para que se ligue à mente.
וכך בחי׳ לחמה של תורה והוא עשוי מחטה בחי׳ כ״ב אותיות התורה כמנין חט״ה7 ולכן בשבועות מביאין שתי הלחם מחטים
Assim também é o nível do “pão” da Torá: ele é feito de trigo (chitá), que corresponde às vinte e duas letras da Torá, pois chitá tem valor numérico de vinte e dois. Por isso, em Shavuot, os Dois Pães são oferecidos de trigo,
O “pão” da Torá é feito de trigo, chitá, cujas letras somam vinte e dois, o número de letras da Torá. Por isso os Dois Pães oferecidos em Shavuot, a festa da Outorga da Torá, são feitos de trigo.
והוא גם כן התחלת קציר חטים כמ״ש במ״א8 הנה הוא מחזקו ונותן כח ועוז לנפש האלקית להתגבר על חומריות הגוף ונפש הבהמית.
e também é o início da colheita do trigo, como é explicado em outro lugar. Ele o fortalece e dá poder e força à alma divina para prevalecer sobre a materialidade do corpo e sobre a alma animal.
Shavuot também marca o início da colheita do trigo. Como o pão de trigo, a Torá fortalece a pessoa e dá à alma divina poder sobre o corpo e a alma animal.
והנה התורה נקרא ג״כ לחמי שהוא בחי׳ לחם אצלו ג״כ כביכול (ואף שנאמר ולחם לבב אנוש י סעד דהוא בבחי׳ מלאך מט״ט [מטטרון] הנ״ל מ״צ הרי בחינת אדם ג״כ צריך ללחם כו׳
Ora, a Torá também é chamada de “Meu pão”, pois ela é, por assim dizer, o nível de pão também para Ele. (E embora esteja escrito: “e o pão sustenta o coração de enosh”, que corresponde ao nível do anjo Metatron mencionado acima, [ainda assim,] o nível de adam também precisa de pão etc.:
A Torá é chamada de “Meu pão”, como se fosse pão também para D'us. O parêntese que começa aqui explica que, embora o versículo fale do pão que sustenta enosh, o nível de Metatron, até mesmo o nível superior de adam precisa de pão.
היינו בחינת ממכ״ע [ממלא כל עלמין] שמקבל אור וחיות מבחינת סוכ״ע [סובב כל עלמין] ע״י התורה ומצות ועמ״ש מזה בד״ה ראשי המטות9 רק שאפילו לבב אנוש וחלוש גם כן יסעד הלחם)
isto é, o nível da luz que preenche todos os mundos (memalê kol almin), que recebe luz e força vital do nível da luz que circunda todos os mundos (sovev kol almin) por meio da Torá e das mitsvot; veja o que está escrito sobre isso no discurso que começa com “Os cabeças das tribos”. Somente que o pão sustenta também o coração do enosh, o fraco.
Acima, o “pão” é o que permite à luz que preenche todos os mundos receber da luz que circunda todos os mundos, e isso ocorre por meio da Torá e das mitsvot (como se explica no discurso “Os cabeças das tribos”). O ponto do versículo é somente que o pão sustenta também o coração fraco do enosh.
וענין שייכות בחי׳ זו למעלה הענין דכמו צורך האדם ללחם הוא שלפי שהנפש הוא רוחני והגוף הוא גשמי ואינו
E como esse nível se aplica Acima é o seguinte: assim como a necessidade do homem de pão decorre do fato de que a alma é espiritual e o corpo é físico, e não é
Agora, o Alter Rebe explica por que “pão” se aplica também Acima. A pessoa precisa de pão porque a alma e o corpo são de naturezas inteiramente distintas: uma é espiritual, o outro é físico.
ממהות וערך נפש רוחני ע״כ [על כן] בכדי שיהי׳ [שיהיה] התחברות והתקשרות הנפש בגוף צ״ל [צריך להיות / צריך לומר / צריך להבין] ע״י ממוצע המחברם והוא הלחם שנעשה ממנו דם ומקשר הנפש להתלבש בדם כו׳.
da essência e da categoria de uma alma espiritual, portanto, para que a alma se una e se ligue ao corpo, isso precisa ocorrer por meio de um intermediário que os una; e esse é o pão, do qual se forma o sangue, e ele liga a alma para que se revista no sangue, etc.
Dois elementos tão distintos só podem se unir por meio de um intermediário. O pão é esse intermediário: transforma-se em sangue, e a alma se reveste no sangue.
O parágrafo apresenta a Torá como o “pão” que sustenta o coração fraco de enosh: assim como o pão une a alma ao corpo, a Torá dá força à alma divina para prevalecer sobre a alma animal. Os Dois Pães de trigo de Shavuot expressam essa ideia, e a Torá também é “Meu pão”, necessário até mesmo no nível de adam.
Anteriormente, em Likkutei Torah (Bamidbar 10c), ao qual remete a nota da Kehot, o Alter Rebe explica que os Dois Pães são associados ao versículo “Vinde, comei do meu pão”: Israel deve “comer” o pão da Torá que lhe é próprio a partir do “Meu pão”, para que a Torá revele o próprio D'us; e o trigo representa as vinte e duas letras da Torá.
Marei mekomot
- 1יש מקוה לישראל על זאת · Ezra 10:2
- 2ולחם לבב אנוש יסעד · Psalms 104:15
- 3ה׳ עוז לעמו יתן · Psalms 29:11
- 4ממסגר אסיר · Isaiah 42:7
- 5בד״ה בחדש השלישי · תו״א סו, א. ראה גם אוה״ת ויקרא כרך א ע׳ רנ שמציין לתו״א הנ״ל.
- 6
- 7כ״ב אותיות . . חטה · Chagigah 14a
- 8בשבועות מביאין שתי הלחם . . כמ״ש במ״א · Leviticus 23:17
- 9בד״ה ראשי המטות · לעיל פ׳ מטות.
9וכך הוא למעלה בכדי שיהי׳ [שיהיה] נמשך אור א״ס [אין סוף] ב״ה להתלבש בנאצלים ונבראים שהרי מצד עצמו לאו מכל אלין מדות איהו כלל ואנת חכים ולא בחכמה ידיעא.1
Assim é no Alto: para que a Luz Infinita (Or Ein Sof), bendito seja Ele, seja atraída para baixo e revestida nos seres emanados e criados (pois, em Si mesmo, Ele não é de nenhum desses atributos, de modo algum, e “Tu és sábio, mas não com uma sabedoria conhecida”),
O mesmo se dá no Alto. A Luz Infinita precisa ser atraída para baixo e revestida nos seres emanados e criados; contudo, em Si mesmo, D'us não é nenhum desses atributos, de modo algum, como afirma o Tikkunei Zohar: “Tu és sábio, mas não com uma sabedoria conhecida.”
וכמו שאין ערוך גוף גשמי לגבי הנפש הרוחניות כן ויותר מכן אין ערוך בחי׳ חכמה כו׳ ומדות כו׳ לגבי אין סוף ב״ה.
e, assim como um corpo físico não tem comparação com a alma espiritual, também — e ainda mais — o nível de Chochmá (sabedoria) etc. e os atributos emocionais (midot) etc. não têm comparação com o Infinito (Ein Sof), bendito seja Ele.
A distância entre D'us e até mesmo Sua Chochmá e Seus atributos emocionais é maior do que a distância entre um corpo físico e uma alma espiritual. Nem mesmo as Sefirot mais elevadas têm comparação com o Infinito.
O parágrafo aplica ao Alto a analogia entre corpo e alma: o Infinito está absolutamente além até mesmo das Sefirot de Chochmá e dos atributos, em medida maior do que uma alma está além de um corpo; por isso, é necessário um intermediário para que Ele Se revista neles.
Marei mekomot
- 1לאו מכל אלין מדות איהו כלל ואנת חכים ולא בחכמה ידיעא · Tikkunei Zohar 17b:3–4
10ולכן כדי שיהי׳ [שיהיה] התקשרות והתחברות א״ס [אין סוף] ב״ה במדות הוא ע״י לחם המקשר ומחבר להיות הוא ית׳ מתלבש בהן כנשמתא לגופא כו׳.
Portanto, para que o Infinito (Ein Sof), bendito seja Ele, se una e se ligue aos atributos, isso se dá por meio do “pão”, que liga e une, de modo que Ele, bendito seja, Se revista neles como uma alma num corpo, etc.
Para que o Infinito se ligue aos atributos e Se revista neles como uma alma num corpo, é preciso haver um “pão” que os ligue e una.
וזהו כי אמרתי עולם חסד יבנה1 שצריך להיות החסד יבנה כדי להיות בחי׳ קיום העולם. כי להיות התהוות העולמות הוא ע״י מדות עליונות שעקרן החסד.
E este é [o sentido de] “Pois eu disse: o mundo será edificado com bondade (Chessed)”: é preciso que Chessed seja “edificado”, para que haja o nível da permanência do mundo. Pois a vinda dos mundos à existência se dá por meio dos atributos superiores, dos quais o principal é Chessed.
O salmo diz: “o mundo será edificado com Chessed”. O mundo vem à existência por meio dos atributos superiores, dos quais o principal é Chessed; portanto, o próprio Chessed precisa ser “edificado” para que o mundo perdure.
O parágrafo conclui que é necessário um “pão” para ligar o Infinito aos atributos, e entende “o mundo será edificado com Chessed” como significando que o atributo de Chessed, por meio do qual o mundo existe, precisa ele próprio ser edificado.
Marei mekomot
- 1כי אמרתי עולם חסד יבנה · Psalms 89:3
11וגם ע״י בחי׳ חב״ד [חכמה בינה ודעת] המתלבשות בהן וכמארז״ל [וכמאמר רבותינו זכרונם לברכה] בעשרה דברים נברא העולם1 בחכמה בתבונה ובדעת וארז״ל [ואמרו רבותינו זכרונם לברכה] בראשית נמי מאמר הוא2 ד בראשית
E também por meio do nível de Chochmá (sabedoria), Biná (entendimento) e Daat (conhecimento), que estão investidos neles, como disseram nossos Sábios, de abençoada memória: “Com dez coisas o mundo foi criado: com sabedoria, com entendimento e com conhecimento.” E nossos Sábios, de abençoada memória, disseram: “‘No princípio’ também é uma declaração”, pois “No princípio”
O mundo foi criado não apenas por meio dos atributos emocionais, mas também por meio de Chochmá, Biná e Daat investidos neles, conforme o Talmud enumera sabedoria, entendimento e conhecimento entre as dez coisas pelas quais o mundo foi criado. O Talmud também afirma que “No princípio” é, por si só, uma das dez declarações da Criação.
היינו בחי׳ חכמה שאפי׳ [שאפילו] חכמה נקרא ג״כ מאמר לבד לגבי א״ס [אין סוף] ב״ה וכנ״ל בענין גופא לגבי נשמתא כו׳.
é o nível de Chochmá: até mesmo Chochmá é chamada apenas de uma declaração em relação ao Infinito (Ein Sof), bendito seja Ele, como mencionado acima a respeito do corpo em relação à alma, etc.
“No princípio” representa Chochmá. Chamá-la de declaração significa que até mesmo Chochmá, a fonte do intelecto, não passa de uma única declaração em comparação com o Infinito, assim como o corpo em relação à alma.
O parágrafo acrescenta que a Criação também se dá por meio do intelecto (Chochmá, Biná e Daat), e que até mesmo Chochmá conta apenas como uma “declaração” diante do Infinito.
Marei mekomot
- 1בעשרה דברים נברא העולם · Chagigah 12a:13–14
- 2בראשית נמי מאמר הוא · Rosh Hashanah 32a:19–20
12ולכך כדי שיהיה נבנה בחי׳ החסד והחכמה הוא ע״י כי אמרתי דהיינו ע״י הדיבור בד״ת [בדברי תורה] שנקרא לחם עד שהוא בחי׳ לחמי ממש להמשיך אור א״ס [אין סוף]
Portanto, para que o nível de Chessed e Chochmá seja “construído”, isso se dá por meio de “Pois eu disse”, isto é, falando palavras de Torá, que é chamada de pão, a ponto de ser verdadeiramente o nível de “Meu pão”, para atrair a Luz Infinita (Or Ein Sof)
Assim, os atributos de Chessed e Chochmá são “construídos” por meio de “Pois eu disse”, isto é, quando a pessoa fala palavras de Torá. Essa fala é o “pão”, de fato o próprio pão de D'us, “Meu pão”, que atrai a Luz Infinita para os atributos.
ב״ה במדות עליונות דאצילות שצ״ל [שצריך להיות / שצריך לומר / שצריך להבין] ג״כ ע״י בחי׳ לחם זה דוקא [ועמ״ש מזה סד״ה לסוסתי ובד״ה באתי לגני] ולחם אפילו לבב אנוש יסעד להמשיך חיות והמשכת אור א״ס [אין סוף] ב״ה גם למטה בבחי׳ אנוש
bendito seja Ele, para os atributos supernais do Mundo de Atsilut (Emanação), que também devem receber especificamente por meio deste nível de pão [e veja o que está escrito a respeito disso ao final do discurso que começa “À minha égua” e no discurso que começa “Vim ao meu jardim”]. E o pão sustenta até mesmo o coração de enosh, para atrair a força vital e a atração da Luz Infinita, bendito seja Ele, também abaixo, no nível de enosh,
Mesmo os atributos supernais de Atsilut recebem a Luz Infinita somente por meio deste “pão” (o texto faz referência aos discursos “À minha égua” e “Vim ao meu jardim”). E o pão também sustenta enosh: a Torá atrai a força vital até o nível mais baixo.
שהוא בחי׳ נער ושר העולם להיות ההמשכה והחיות נמשך גם כן בעולמות תחתונים עד שעי״ז נמשך רחמים וטוב בעולם והשפעת חסד ומזון גשמי׳ [גשמיים / גשמיות / גשמית] גם כן לעולם
que é o nível de naar e do Príncipe do Mundo, de modo que o fluxo e a força vital também sejam atraídos para os mundos inferiores, até que, por meio disso, compaixão e bondade sejam atraídas para o mundo, bem como uma influência de bondade e sustento físico para o mundo
Esse nível é Metatron, o jovem e Príncipe do Mundo. Por meio dele, o fluxo chega aos mundos inferiores, trazendo compaixão e bondade, benevolência e até sustento físico ao mundo.
(e veja o final de Parshas Vayikra) (página 25b), sobre o versículo “Gotejai, ó céus, lá do alto”, etc., até “e o sustento dos seres humanos se encontra no mundo”.
O Zohar, ao final de Parshas Vayikra, explica assim o versículo “Gotejai, ó céus, lá do alto”, até concluir que o sustento dos seres humanos se encontra no mundo.
והרעיפו הוא כמ״ש יערוף כמטר לקחי3 דקאי על התורה וכמ״ש במ״א4 וכמו שהוא למעלה כך הוא גם כן למטה בנפש דלחם אפילו
E “gotejai” é como está escrito: “Minha instrução gotejará como a chuva”, que se refere à Torá, conforme explicado em outro lugar. E, assim como é no Alto, também é abaixo, na alma: o pão sustentará até mesmo
“Gotejar” evoca “Minha instrução gotejará como a chuva”, um versículo sobre a Torá; portanto, o sustento que goteja dos céus depende do estudo da Torá. O que é verdadeiro no Alto também é verdadeiro na alma, abaixo.
לבב אנוש וחלש יסעד עד שהחלש יאמר גבור אני5 להיות גבור הכובש את יצרו6 והכל ע״ח [עץ חיים] לחמה של תורה.
o coração de enosh, mesmo quando fraco, até que “o fraco diga: ‘Sou poderoso’”: poderoso por dominar sua inclinação. E tudo isso se dá por meio do pão da Torá.
O pão sustenta até mesmo o coração mais fraco, até que o fraco possa dizer, nas palavras do profeta: “Sou poderoso”, poderoso no sentido de dominar sua inclinação. Tudo isso vem por meio do pão da Torá.
ואפי׳ [ואפילו] מי שהוא בחינת אדם גם כן צריך ללחם זה כנ״ל בנמשל וכן הוא למטה שכדי להיות המשכת אור אין סוף בנפש א״א [אי אפשר] רק על ידי התורה:
E mesmo quem está no nível de adam também precisa deste pão, como mencionado acima a respeito da correspondência [no Alto]. E assim também é abaixo: é impossível atrair a Luz Infinita para a alma a não ser por meio da Torá.
Mesmo uma pessoa no nível de adam precisa deste pão, assim como ocorre com a correspondência no Alto. A Luz Infinita só pode ser atraída para a alma por meio da Torá.
O parágrafo explica que falar palavras de Torá é o “pão” que atrai a Luz Infinita para os atributos supernais e, por meio de Metatron, para o mundo, trazendo até mesmo sustento físico; na alma, o mesmo pão fortalece até os fracos para que dominem a inclinação, e mesmo quem está no nível de adam precisa dele.
O Zohar ao final de Vayikra, citado no texto, interpreta “Gotejai” à luz de “Minha instrução gotejará como a chuva” e diz que se trata da chuva, que é o sustento de todos. Uma nota de Or HaTorah, citada na nota da Kehot, acrescenta que lechem (pão) tem o mesmo valor numérico que mazla e que o anjo chamado enosh recebe esse sustento, como diz o Zohar em Pinchas.
Marei mekomot
- 1הרעיפו שמים ממעל · Isaiah 45:8
- 2הרעיפו שמים ממעל · Zohar, Vayikra 65:435–66:445
- 3יערוף כמטר לקחי · Deuteronomy 32:2
- 4ועיין ס״פ ויקרא . . וכמ״ש במ״א · ראה לעיל פ׳ האזינו עג, א. ובאוה״ת שה״ש ע׳ שצה הגהה בארוכה יותר וז״ל: ”ועיין בזהר ס״פ ויקרא ע״פ הרעיפו שמים ממעל כו׳ שזהו בחי׳ מזון ולחמה של תורה שהתורה היא מן השמים, ושמים ג״כ מקבלים זה ממעל משום דבמזלא תליא מלתא כי לחם גימט׳ מזלא ואח״כ ושחקים יזלו צדק ומהן מקבל המזון בחי׳ אנוש ומלאך הנ״ל כדאיתא בזהר פ׳ פנחס דרי״ז, ואזי אח״כ תפתח ארץ לתתא כו׳ ומזונייהו דבני נשא אשתכח בעלמא, הרי שהשפעת מזון גשמי תלוי בזה דעסק התורה ולחם רוחני, כי הרעיפו הוא כמ״ש יערוף כמטר לקחי דקאי על התורה ע״ש)”.
- 5החלש יאמר גבור אני · Joel 4:10
- 6גבור הכובש את יצרו · Pirkei Avot 4:1
13וזהו וידבר אלקים את כל הדברים האלה לאמר.1 פירוש כל הדברים האלה היינו כללות כל התורה כולה שכלולה2 בעשרת הדברות3 וכמ״ש הרמב״ן [הרבי משה בן נחמן] שבעשרת הדברות יש תר״ך אותיות.45
E este é [o sentido de] “E D'us falou todas estas palavras, dizendo”. “Todas estas palavras” significa sua expressão geral e coletiva de toda a Torá, que está incluída nos Dez Mandamentos, como escreve o Ramban: nos Dez Mandamentos há 620 letras.
O versículo que introduz os Dez Mandamentos diz que D'us falou “todas estas palavras”. O Alter Rebe entende que “todas” se refere à Torá inteira, contida nos Dez Mandamentos; estes têm 620 letras, número que o Midrash associa às 613 mitsvot e a mais sete.
לאמר פי׳ כדי שיהיה על ידי זה קיום וחיות לעשרה מאמרות6 כנ״ל בענין לחמי וכו׳.
“Dizendo” (lemor) significa: para que, por meio disso, haja sustentação e força vital para as Dez Expressões, como mencionado acima a respeito de “Meu pão” etc.
Lemor, “dizendo”, é entendido como o propósito da Outorga da Torá: que, por meio dela, as dez expressões da Criação recebam sustentação e vida — o “pão” (“Meu pão”) explicado acima.
וז״ש [וזהו שכתוב] רז״ך (סנהדרין צ״ט ב׳) על פסוק או יחזיק במעוזי7 יעשה שלום לי שלום יעשה לי8 שהעוסק בתורה לשמה משים שלום בפמליא9 של מעלה ובפמליא של מטה פי׳ בפמליא של מעלה
E é isto que nossos sábios, de abençoada memória, disseram (Sanhedrin 99b) sobre o versículo: “Ou que se apodere da Minha fortaleza, que faça paz Comigo; paz fará Comigo”: aquele que se ocupa da Torá por sua própria causa faz paz na corte celestial e na corte terrena. “Na corte celestial”
O Talmud entende a repetição de “paz” no versículo de Yeshayahu como indicação de que quem estuda Torá por sua própria causa faz paz em duas “cortes”: uma no Alto e outra embaixo.
היינו בחינת התקשרות והתחברות אור א״ס [אין סוף] בחכמה ובתבונה כו׳ שבהן נבראו ונאצלו כו׳ שנקרא פמליא של מעלה.
significa o vínculo e a união da Luz Infinita (Or Ein Sof) com Chochmá e Tevuná (entendimento) etc., por meio das quais [os mundos] foram criados e emanados etc., o que é chamado de corte celestial.
A paz na corte celestial é o vínculo entre a Luz Infinita e as Sefirot de Chochmá e Tevuná, por meio das quais todas as coisas foram criadas e emanadas.
ופי׳ בפמליא של מטה היינו בנה״א [בנפש האלקית] בגוף שכובש גם לנפשו הבהמית מפני העוז והכח שניתוסף לניצוץ האלקי ע״י לחמה של תורה.
E “na corte terrena” significa na alma divina dentro do corpo, que também subjuga sua alma animal, devido à força e ao poder acrescentados à centelha divina pelo pão da Torá.
A paz na corte terrena ocorre na pessoa: a alma divina dentro do corpo ganha força por meio do pão da Torá e subjuga até mesmo a alma animal.
O parágrafo aplica a ideia da Torá como pão à Outorga da Torá: os Dez Mandamentos contêm a Torá inteira, que foi dada para que as dez expressões da Criação fossem sustentadas por ela; e o estudo da Torá por sua própria causa faz paz tanto no Alto — entre a Luz Infinita e as Sefirot — como embaixo — entre a alma divina e a alma animal.
Anteriormente em Likkutei Torah (Shir HaShirim 10d), para onde aponta a nota de Kehot, o mesmo versículo é explicado: a paz na corte terrena é a união e revelação de Atsilut nos mundos inferiores, e a paz na corte celestial é o vínculo da luz do Emanador com os seres emanados por meio de Yessod.
Marei mekomot
- 1וידבר אלקים את כל הדברים האלה לאמר · Exodus 20:1
- 2כל התורה כולה שכלולה בעשה״ד · רש״י שמות כד, יב. אבן עזרא שם כ, א בשם ר״ס גאון (וראה של״ה ר״פ יתרו בשם הקדמונים).
- 3כל התורה כולה שכלולה בעשרת הדברות · Rashi on Exodus 24:12
- 4וכמ״ש הרמב״ן שבעשרת הדברות יש תר״ך אותיות · Exodus 20:13
- 5שבעשרת הדברות יש תר״ך אותיות · Bamidbar Rabbah 13:16
- 6לעשרה מאמרות · Pirkei Avot 5:1
- 7ע״פ או יחזיק במעוזי · ראה גם לעיל י, ד.
- 8או יחזיק במעוזי יעשה שלום לי שלום יעשה לי · Isaiah 27:5
- 9
14והנה עיקר הטעם לזה שהתורה ביכולתה לחבר אור א״ס [אין סוף] בנאצלים ונבראים. היינו לפי שהתורה שרשה בבחינת רצון העליון שהוא בבחינת כתר תר״ך עמודי אור
Ora, a razão principal pela qual a Torá tem a capacidade de unir a Luz Infinita (Or Ein Sof) aos seres emanados e criados é que a Torá está enraizada no nível da vontade suprema, que é o nível de Kéter (a Coroa), os 620 pilares de luz;
Por que a Torá tem o poder de unir a Luz Infinita aos mundos criados? Porque está enraizada na vontade suprema, o nível de Kéter, a Coroa. As letras de Kéter somam 620, os “620 pilares de luz”, o mesmo número das letras dos Dez Mandamentos mencionadas pouco antes.
דהיינו בחינת כשעלה ברצונו הפשוט להאציל ולברוא כו׳ שזהו מקור כל העולמות והוא למעלה גם מבחינת החכמה ועי״ז הרצון העליון נמשך אור א״ס [אין סוף] בחכמה
isto é, o nível de “quando surgiu em Sua vontade simples emanar e criar”, etc., que é a fonte de todos os mundos e está acima até mesmo do nível de Chochmá (sabedoria). Por meio dessa vontade suprema, a Luz Infinita é atraída para Chochmá,
Kéter é a vontade simples de D'us de emanar e criar, a fonte de todos os mundos, e está acima de Chochmá. Por meio dessa vontade, a Luz Infinita chega a Chochmá.
וכן בתבונה ובדעת כו׳ (כי הכתר הוא בחי׳ ממוצע המחבר אור א״ס [אין סוף] ב״ה עם הנאצלים כנודע)
e igualmente para Tevuná (entendimento) e Daat (conhecimento), etc. (pois Kéter é o nível de um intermediário que une a Luz Infinita, bendito seja Ele, aos seres emanados, como é sabido).
Por meio dela, a luz também chega às outras sefirot intelectuais. Kéter serve de intermediário entre a Luz Infinita e os seres emanados, pois toca ambos.
ועל זה נאמר פותח את ידיך1 ומשביע לכל חי רצון א״ת [אל תקרי] ידיך אלא יודיך2 ועל ידי זה משביע לכל חי מבחי׳ רצון העליון.
A respeito disso foi dito: “Abres Tua mão e satisfazes todo ser vivente [com] vontade (ratzon).” Não leias yadecha, “Tua mão”, mas yudecha, “Teus yuds”; e, por meio disso, Ele satisfaz todo ser vivente a partir do nível da vontade suprema.
O salmo diz que D'us abre Sua mão e satisfaz todo ser vivente com ratzon, que o Alter Rebe interpreta como a própria vontade suprema. O Tikkunei Zohar interpreta yadecha, “Tua mão”, como yudecha, “Teus yuds”, a letra yud, por meio da qual o fluxo da vontade suprema chega a todo ser vivente.
E isso corresponde ao que está escrito: “que o homem (adam) cumprirá e viverá por eles”: o nível de luz e força vital é atraído também para o Adam supremo, etc. E este é [o sentido de] “como se Me tivessem feito”.
A respeito das mitsvot, a Torá diz que “o homem (adam) as cumprirá e viverá por elas”: ao cumpri-las, luz e vida são atraídas para o “Adam supremo”, a configuração divina na forma de homem. Por isso, o Zohar atribui a D'us estas palavras a respeito de quem cumpre as mitsvot: “como se Me tivesse feito”.
וזהו ענין שתי הלחם שהקריבו בעצרת שעל ידי בחי׳ שתי הלחם שהקריבו למטה נמשך לכללות נשמות ישראל בחינה סעודת הלב (ועמ״ש בפ׳ שלח בד״ה ענין הנסכים)
E este é o assunto dos Dois Pães que foram oferecidos em Atseret [Shavuot]: por meio dos Dois Pães oferecidos embaixo, o nível de “sustentar o coração” foi atraído para as almas de Israel como um todo (e veja o que está escrito na Parashat Shelach, no discurso que começa “O assunto das libações”).
Os Dois Pães oferecidos em Shavuot (Atseret) expressam isso: por meio dos pães oferecidos embaixo, as almas de Israel como um todo receberam o “sustento do coração”, a força que o pão da Torá proporciona.
והיינו לחבר אור האלקי בכללות נשמות ישראל ולכבוש את היצה״ר [היצר הרע] על ידי הכח והעוז הזה כנ״ל והוא ענין השלום בפמליא של מטה וכמ״כ [וכמו כן] באתערותא דלעילא כמים הפנים לפנים6 כן לב האדם כו׳
Isto é, unir a luz divina às almas de Israel como um todo e subjugar a inclinação para o mal por meio desse poder e vigor, como mencionado acima; e este é o assunto da paz na família embaixo. E igualmente, no despertar do alto, [como] “Assim como a água [reflete] o rosto diante do rosto, assim também o coração do homem”, etc.,
Isso une a luz divina às almas e lhes dá força para subjugar a inclinação para o mal: a “paz na família embaixo”. E, assim como a água reflete de volta o rosto de quem olha para ela, o despertar de baixo provoca um despertar correspondente do alto.
נעשה למעלה בחי׳ לחמי לעשות שלום בפמליא של מעלה התלבשות אור א״ס [אין סוף] בחכמה ובתבונה כו׳
acima, passa a existir o nível de “Meu pão”, para fazer paz na família em cima: o revestimento da Luz Infinita em Chochmá e em Tevuná, etc.
Acima, a Torá torna-se “Meu pão”, fazendo paz na família em cima: a Luz Infinita reveste-se em Chochmá e Tevuná.
(ואפ״ל [ואפשר לומר] שזהו ענין שלמי צבור שני כבשים שהקריבו בשבועות ושתי הלחם7 ע״ג שני הכבשים.8 כי שלמים9 הוא בחי׳10 שלשום וכמ״ש בזהר ויקרא) (די״א סע״ב [סוף עמוד ב] ודי״ב)
(E pode-se dizer que este é o assunto das oferendas comunais de paz: os dois cordeiros que eram oferecidos em Shavuot, com os Dois Pães sobre os dois cordeiros. Pois shelamim, “oferendas de paz”, corresponde ao nível de shalom, “paz”, como está escrito no Zohar, Vayikra) (página 11, fim do lado b, e página 12).
O Alter Rebe sugere que as oferendas comunais de paz de Shavuot — dois cordeiros que eram erguidos junto com os Dois Pães — expressam a mesma ideia, pois a palavra shelamim (oferendas de paz) deriva de shalom (paz), como explica o Zohar sobre a Parashá Vayikra.
והיינו שמבחי׳ שתי הלחם שהן תורה שבכתב ותורה שבעל פה נמשך להיות שלום בפמליא של מעלה ובפמליא של מטה
Isto é, do nível dos Dois Pães, que são a Torá Escrita e a Torá Oral, resulta a paz na família do Alto e na família de baixo.
Os Dois Pães representam a Torá Escrita e a Torá Oral. Deles provém a paz tanto no Alto quanto embaixo, correspondendo aos dois cordeiros.
ולכן שלמי צבור הנזכר הן קדשי קדשים עיין בזהר ר״פ צו ובפי׳ הרמ״ש שם בענין קדשי קדשים
Portanto, as oferendas comunais de paz mencionadas são santíssimas (kodshei kodashim); veja o Zohar no início da Parashá Tzav e o comentário do Ramash ali, sobre o assunto das coisas santíssimas.
Por isso, essas oferendas comunais de paz têm o status de “santíssimas”, o grau mais elevado de santidade, diferentemente das oferendas de paz comuns. O texto remete ao Zohar no início da Parashá Tzav e ao comentário ali de “Ramash”, uma abreviação que não aparece em nenhum outro lugar deste maamar; provavelmente é um erro de impressão por Ramaz (Rabi Moshe Zacuto), cujo comentário sobre o Zohar o Alter Rebe cita dessa mesma forma em outros lugares.
ויובן שכל בחי׳ ההם ישנן בבחי׳ השלום שנמשך ע״י התורה ועמ״ש בביאור ע״פ החלצו מאתכם11 כו׳.
E ficará claro que todos aqueles níveis estão presentes na paz que é atraída por meio da Torá. E veja o que está escrito na explicação sobre [o versículo] “Armai-vos dentre vós”, etc.
Todos os níveis de santidade aqui aludidos estão presentes na paz que a Torá produz. O texto remete à explicação sobre “Armai-vos dentre vós” para mais detalhes.
O parágrafo explica que a Torá pode unir a Luz Infinita aos mundos porque está enraizada em Kéter, a vontade suprema, o intermediário entre D'us e todos os seres emanados. Em seguida, interpreta as oferendas de Shavuot — os Dois Pães (a Torá Escrita e a Torá Oral) e os dois cordeiros das oferendas de paz — como a paz que a Torá estabelece em cima e embaixo.
O Zohar sobre Vayikra (12a), citado no texto, explica a oferenda de paz por meio das dez declarações da Criação e das dez declarações da Outorga da Torá, consideradas em conjunto como uma só, para que o mundo perdure e nele haja paz; isso corresponde à interpretação, neste maamar, de “dizer” como dar vida às dez declarações da Criação por meio dos Dez Mandamentos.
Marei mekomot
- 1פותח את ידיך · Psalms 145:16
- 2א׳ת ידיך אלא יודי״ך · Tikkunei Zohar 7b:2
- 3אשר יעשה אותם האדם וחי · Leviticus 18:5
- 4כאלו עשאוני · Vayikra Rabbah 35:7
- 5כאלו עשאוני · Zohar, Bechukotai 2:12–4:19
- 6כמים הפנים לפנים · Proverbs 27:19
- 7שני כבשים . . ושתי הלחם · Leviticus 23:19
- 8ושתי הלחם ע״ג שני הכבשים · Leviticus 23:20
- 9שלמים · Zohar, Vayikra 25:179–191
- 10כי שלמים הוא בחי׳ שלום · ראה אוה״ת ויקרא כרך א ע׳ כ.
- 11בביאור ע״פ החלצו מאתכם · לעיל פ׳ מטות פז, ד.
Sair e o vinho da contemplação ¶15–24
15וזהו ענין במלך שלמה במלך שהשלום שלו1234 כו׳. ד ועתה צריך להבין ענין ויין ישמח לבב אנוש. ויובן זה ע״פ ביאור לשון הלכו לחמו בלחמי5 כו׳ מהו ענין הליכה זאת.
E este é o significado de “ao Rei Shlomo”: ao Rei a Quem pertence a paz (shalom), etc. 4. Agora é preciso compreender o sentido de “E o vinho alegra o coração do homem”. Isso será compreendido mediante a explicação da expressão “Ide, comei do meu pão”, etc.: o que significa esse “ir”?
O Midrash interpreta “Rei Shlomo” como “o Rei a Quem pertence a paz”, o próprio D'us; assim, o Rei coroado no versículo é Aquele que faz a paz por meio da Torá. A seção 4 volta-se então ao vinho, começando pelo versículo “Ide, comei do meu pão”: o que significa esse “ir”?
אך פי׳ לכו היינו שצריך לילך מביתו כו׳ ואף מגופו ועצמותו הם הנאת עניני עוה״ז [עולם הזה] וכל כיוצא בו ולשום כל שכלו
Mas o significado de “Ide” é que é preciso sair de casa, etc., e até mesmo do próprio corpo e da própria essência — isto é, do prazer nos assuntos deste mundo e em tudo o que se assemelha a isso — e dirigir todo o intelecto
“Ide” significa deixar a própria “casa” e até mesmo o corpo e o próprio ser, isto é, o prazer nas coisas mundanas, e dedicar toda a mente à Torá.
רק בתורה שלא ישאר מן שכלו כלל ואפי׳ [ואפילו] מעט ובעניני עוה״ז [עולם הזה] ישים רק מעט משכלו ועי״ז יתעלה במחשבתו ישראל עלה במחשבה6 כ״א [כל אחד / כל אחת] לפי מדרגתו.
somente à Torá, de modo que não reste nada de seu intelecto, nem mesmo um pouco; e que dedique apenas um pouco de seu intelecto aos assuntos deste mundo. Por meio disso, elevar-se-á em Seu Pensamento (“Israel surgiu no Pensamento”), cada um segundo o seu nível.
Apenas uma pequena parte da mente deve ser dedicada aos assuntos mundanos. Por meio disso, a pessoa se eleva no Pensamento de D'us, a raiz de Israel (“Israel surgiu no Pensamento”), cada um segundo o seu nível.
O parágrafo relaciona “Rei Shlomo” à paz feita por meio da Torá e, em seguida, introduz a seção 4, sobre o vinho, explicando o “ir” de “Ide, comei do meu pão”: abandonar o interesse próprio e dedicar a mente à Torá.
Marei mekomot
- 1במלך שלמה במלך שהשלום שלו · שהש״ר פ״א, יט. פ״ג, כ. שמ״ר פנ״ב, ד.
- 2במלך שלמה במלך שהשלום שלו · Shir HaShirim Rabbah 3:11
- 3במלך שלמה במלך שהשלום שלו · Shir HaShirim Rabbah 1:11
- 4במלך שלמה במלך שהשלום שלו · Shemot Rabbah 52:5
- 5לכו לחמו בלחמי · Proverbs 9:5
- 6ישראל עלה במחשבה · Bereshit Rabbah 1:4
16ולכן אנו רואים שלעתים ע״ה [עם הארץ] מצליח בדרכו יותר. מפני שהוא אינו משים שכלו בעניניו לפי שאין לו שכל
Portanto, vemos que, às vezes, um ignorante (am haaretz) tem mais sucesso em seus empreendimentos, porque não aplica seu intelecto às suas atividades, já que não possui intelecto;
Isso explica por que, às vezes, um ignorante tem mais sucesso nos negócios: ele não investe neles seu intelecto.
אבל מי שיש לו שכל ומשים כל שכלו בעניני עוה״ז [עולם הזה] יותר מדאי ע״כ [על כן] אינו מצליח
mas aquele que possui intelecto e aplica todo o seu intelecto às questões deste mundo, mais do que é apropriado, por isso não tem sucesso.
Uma pessoa ponderada que dedica toda a sua mente às questões mundanas, mais do que é apropriado, não tem sucesso por essa razão.
רק ישים כל שכלו בדעת התורה לפי מדרגתו הן בנגלה הן בפנימיות ובעניני מו״מ [משא ומתן] לא יעמיק יותר מדאי כו׳ וזהו לכו לחמו.1
Em vez disso, que aplique todo o seu intelecto ao conhecimento da Torá, de acordo com seu nível, tanto na [Torá] revelada quanto em sua dimensão interior (pnimiyut); e, nas questões de negócios, que não se aprofunde demais, etc. E isto é: “Ide, comei”.
Em vez disso, deve dedicar sua mente à Torá, tanto aos seus ensinamentos revelados quanto à sua dimensão interior, cada qual de acordo com seu nível, sem se aprofundar demais nos negócios. Isto é: “Ide, comei”.
אבל לפי שאפשר להיות העסק בתורה שלא לשמה להתגדל כו׳ לכן אמר עוד לכו כו׳
Mas, como é possível estudar Torá sem que seja por sua própria causa, para tornar-se importante, etc., por isso o versículo diz ainda: “Ide”, etc.,
Mas a Torá pode ser estudada por motivos errados, para que a pessoa se torne importante. Por isso, o versículo acrescenta outro “ir”.
בלחמי לשון יחיד לצאת מטורי דפרודי2 לבחינת רשות היחיד שהוא ית׳ יחידו של עולם ועיקר הליכה זו הוא על ידי התבוננות בתפלה באור א״ס [אין סוף] ב״ה הסובב כל עלמין וממלא כל עלמין ואיך שנשגב שמו לבדו3
“do meu pão” (bilchmi), no singular: sair das “montanhas da separação” para o nível de reshut hayachid, o “domínio do Único”, pois Ele, bendito seja, é o Único do mundo. E a essência desse ir ocorre por meio da contemplação na oração sobre a Luz Infinita (Or Ein Sof), bendito seja, que circunda todos os mundos (sovev kol almin) e preenche todos os mundos (memalê kol almin), e sobre como “Seu Nome somente é exaltado”,
“Meu pão” está no singular: o pão do Único. O estudo da Torá deve conduzir para fora das “montanhas da separação”, o domínio da multiplicidade, para reshut hayachid, entendido como o domínio do Único, D'us. Esse ir ocorre principalmente por meio da contemplação na oração sobre a Luz Infinita, que circunda e preenche todos os mundos, e sobre como somente Seu Nome é exaltado.
רק הודו על ארץ כו׳ ויתפעל על ידי זה באהבה לצאת ממאסר הגוף הגשמי לדבקה בו והוא הנקרא הילוך
somente “Seu esplendor está sobre a terra”, etc. Por meio disso, ele será despertado com amor para sair da prisão do corpo físico e apegar-se a Ele; e é isso que se chama “ir”
Somente um vislumbre d’Ele, “Seu esplendor”, alcança a terra. Essa contemplação desperta um amor que anseia por sair da prisão do corpo e apegar-se a D'us; é isso que significa “ir”.
(עמ״ש במ״א ע״פ אם בחקתי תלכו45 וע״פ כה אמר כו׳ ונתתי לך מהלכים67 כו׳ וע״פ למען אנסנו הילך בתורתי)8 וכשיהיה עסק התורה אחר כך בבחינה זו להיות הילך בתורתי אז יתעלה מעלה מעלה
(veja o que está escrito em outro lugar sobre [o versículo] “Se andardes nos Meus estatutos”, e sobre “Assim disse”, etc., “e Eu te darei lugares para andar”, etc., e sobre “para que Eu os teste, se andarão na Minha Torá”). E, quando depois disso seu estudo da Torá estiver nesse nível, de modo a “andar na Minha Torá”, ele se elevará então cada vez mais.
Em outros lugares, são explicados nesse sentido outros versículos sobre “andar”. Quando o estudo da Torá vem depois de uma oração assim, torna-se “andar na Minha Torá” e eleva a pessoa cada vez mais.
(דהגם שנת׳ [שנתבאר] למעלה דהתורה לבב אנוש וחלש יסעד והרי בחינת לבב אנוש היינו אף שאין לו אהבה כלל עדיין להיות לכו ממאסר הגוף מ״מ [מכל מקום] ודאי זה אמת
(Pois, embora tenha sido explicado acima que a Torá sustenta o coração de enosh, o fraco, e que o nível de “coração de enosh” se refere até mesmo a alguém que ainda não tem amor algum para “ir” e sair da prisão do corpo, isso certamente é verdadeiro;
Um esclarecimento: foi dito anteriormente que a Torá sustenta até mesmo o coração fraco de enosh, isto é, alguém que ainda não tem amor a D'us. Isso continua sendo verdadeiro.
אבל הרי גם בחינת אדם צריך ג״כ ללחם והוא בחינת לכו לחמו בלחמי ממש והתורה שבבחי׳ זו תגביה הנפש ביתר שאת9 כו׳ ועמש״ל [ועיין מה שכתוב לעיל] בד״ה יונתי בענין כי קולך ערב10 כו׳).
Mas certamente também o nível de adam precisa de pão, e este é o nível de “Ide, comei do meu pão” em sentido pleno; a Torá nesse nível elevará a alma a uma altura ainda maior etc. E veja o que está escrito acima, no discurso que começa com “Minha pomba”, a respeito de “pois tua voz é doce” etc.)
Mas até mesmo a pessoa no nível de adam precisa de pão; para ela, isso é “Ide, comei do meu pão” em sentido pleno: a Torá estudada após essa “ida” eleva a alma a uma altura muito maior. O texto se refere à explicação de “Minha pomba… pois tua voz é doce”.
וזהו ענין משארז״ל [מה שאמרו רבותינו זכרונם לברכה] עשה רצונו כרצונך11 כדי שיעשה רצונך כרצונו12 פי׳ רצונו הוא בחי׳ רצון העליון
Este é o sentido do que nossos Sábios, de abençoada memória, disseram: “Faze a vontade Dele como a tua vontade, para que Ele faça a tua vontade como a vontade Dele.” “A vontade Dele” é o nível da vontade suprema,
Este é o sentido da Mishná: “Faze a vontade Dele como a tua vontade, para que Ele faça a tua vontade como a vontade Dele.” “A vontade Dele” é a vontade suprema, o nível de Kéter (a Coroa).
שהוא למעלה מעלה אפילו מבחינת חכמה עילאה כנ״ל וכידוע שבחינת וענין הרצון למעלה אינו כמו באדם שרוצה דבר מצד שחסר לו הדבר ולכך נולד רצונו ע״פ השכל.
que está muito, muito acima até mesmo do nível da Chochmá suprema (sabedoria), como mencionado acima. Como se sabe, o nível e a natureza da vontade no Alto não são como os de uma pessoa, que deseja algo por lhe faltar esse algo, de modo que sua vontade surge conforme o intelecto,
A vontade suprema está muito acima até mesmo da Chochmá suprema. A vontade humana nasce da carência: a pessoa deseja algo porque não o possui; por isso, sua vontade segue seu raciocínio.
שהטעם והשכל יחייב איך שצריך לאותו דבר ולכך יומשך הרצון אליו. משא״כ למעלה שהוא ית׳ שלימותא דכולא13 ואין לך דבר שחוץ ממנו וכלום חסר כו׳.
pois a razão e o intelecto determinam que ela precisa daquele algo, e por isso a vontade se dirige a ele. Não é assim no Alto, pois Ele, bendito seja, é a perfeição de tudo, nada existe fora Dele e absolutamente nada Lhe falta etc.
A mente conclui que a pessoa precisa daquilo, e a vontade vem em seguida. A D'us nada falta: Ele é a perfeição de tudo, e nada existe fora Dele; portanto, Sua vontade não surge de razões.
O parágrafo explica os dois “ires” do versículo: dedicar a mente à Torá em vez de às questões mundanas e, além disso, sair do domínio da separação por meio da oração contemplativa, para que a Torá se torne “meu pão”, o pão do Único. Em seguida, começa a explicar a Mishná “Faze da vontade d’Ele a tua vontade”, mostrando que a vontade de D'us, diferentemente da vontade humana, está acima de toda razão.
Marei mekomot
- 1לכו לחמו · Proverbs 9:5
- 2מטורי דפרודי · Zohar I, 158a
- 3נשגב שמו לבדו · Psalms 148:13
- 4ע״פ אם בחקתי תלכו · לעיל פ׳ בחקותי מה, א.
- 5אם בחקתי תלכו · Leviticus 26:3
- 6וע״פ כה אמר כו׳ ונתתי לך מהלכים · תו״א פ׳ וישב.
- 7ונתתי לך מהלכים · Zechariah 3:7
- 8למען אנסנו הילך בתורתי · Exodus 16:4
- 9ביתר שאת · Genesis 49:3
- 10כי קולך ערב · Song of Songs 2:14
- 11עשה רצונו כרצונך · אבות ב, ד. ביהל אור ע׳ תלו מציין לכאן.
- 12עשה רצונו כרצונך כדי שיעשה רצונך כרצונו · Pirkei Avot 2:4
- 13שהוא ית׳ שלימותא דכולא · ראה עבודת הקודש ח״א רפ״ח.
17ולכן בחי׳ הרצון שלו ית׳ הוא למעלה מהשכל ואינו מושג כלל. והנה כדי שיהיה רצון האדם נמשך אליו ית׳ לדבקה בו הוא מתחלה ע״י התבוננות טעם ושכל מה שמתבונן בגדולת א״ס [אין סוף] ב״ה.
Portanto, o nível de Sua vontade, bendito seja Ele, está acima do intelecto e não pode ser apreendido de modo algum. Ora, para que a vontade de uma pessoa se dirija a Ele, bendito seja Ele, a fim de apegar-se a Ele, isso ocorre inicialmente por meio da contemplação, da razão e do intelecto: ao contemplar a grandeza do Infinito (Ein Sof), bendito seja Ele.
Assim, a vontade de D'us está acima do intelecto e não pode ser apreendida. A vontade de uma pessoa por D'us, porém, começa com o intelecto: contemplando a grandeza do Infinito.
וכמ״ש בזהר וירא1 (דק״ג ב׳) ע״פ נודע בשערים.2 לפום מה דמשער בלביה כו׳ וע״ז [ועל זה] אמרו עשה רצונו כרצונך.3
Como está escrito no Zohar, Vayera (página 103b), a respeito de [do versículo] “Conhecido nos portões”: “conforme o que se mede em seu coração”, etc. E sobre isso disseram: “Faz a vontade Dele como a tua vontade.”
O Zohar interpreta “Seu marido é conhecido nos portões” (she’arim) como significando que D'us é conhecido por cada pessoa “conforme o que ela mede (mesha’er) em seu coração”. É a isso que a Mishná se refere ao dizer: “Faz a vontade Dele como a tua vontade.”
פי׳ כרצונך שהוא למטה מהשכל ונמשך מהשכל. כך עשה רצונו להתבונן בגדולת ה׳. ומההתבוננות יומשך הרצון לה׳.4
Isto é: “como a tua vontade”, que está abaixo do intelecto e dele se origina; assim, “faz a vontade Dele” contemplando a grandeza de D'us, e da contemplação surgirá a vontade por D'us.
“Como a tua vontade” é a vontade humana, que está abaixo do intelecto e decorre dele. Dessa maneira, a pessoa “faz a vontade Dele”: contemplando a grandeza de D'us, nasce da contemplação uma vontade por D'us.
O parágrafo apresenta o primeiro sentido de “Faz a vontade Dele como a tua vontade”: como a vontade humana decorre da compreensão, a pessoa desperta em si uma vontade por D'us contemplando Sua grandeza, cada qual segundo a medida de seu coração.
Marei mekomot
- 1כמ״ש בזהר וירא (ק״ג ב׳) · ראה לעיל פ׳ מטות פה, ב.
- 2נודע בשערים · Proverbs 31:23
- 3עשה רצונו כרצונך · Pirkei Avot 2:4
- 4
18וגם פי׳ עשה רצונו וכו׳. פי׳ שע״י עסק התורה תמשיך רצונו העליון ב״ה שיתלבש בחכמה ובתבונה כו׳.
Há também [outra] explicação de “Faze a vontade Dele”, etc.: por meio do empenho na Torá, atrairás Sua vontade suprema, bendito seja Ele, para que se revista de Chochmá (sabedoria) e de Tevuná (entendimento), etc.
Uma segunda leitura de “Faze a vontade Dele como a tua vontade”: por meio do estudo da Torá, a pessoa atrai a vontade suprema de D'us para que se revista de Chochmá e Tevuná, os níveis do intelecto.
וא״כ [ואם כן] הרי תעשה רצונו להיות כרצונך כמו שרצונך הוא בבי׳ [בביה] חכמה כך תעשה רצון העליון שעם היות שמצד עצמו גבהו דרכיו למעלה מבחי׳ ח״ע [חכמה עילאה] כנ״ל עכ״ז [עם כל זה] עי״ז יתלבש בבחינת חכמה בכדי שאח״כ [שאחר כך] יעשה רצונך כרצונו.
Se assim é, fazes com que a vontade Dele seja como a tua vontade: assim como a tua vontade está no nível de Chochmá, também fazes com que a vontade suprema — que, embora por si mesma “seus caminhos sejam elevados” acima do nível de Chochmá suprema (Chochmá Ilaá), como mencionado acima —, ainda assim, por meio disso, se revista no nível de Chochmá, para que depois Ele faça a tua vontade como a Sua vontade.
Nesse sentido, faz-se com que “a vontade Dele” seja como “a tua vontade”: a vontade humana se encontra no nível de Chochmá, e, por meio da Torá, a vontade suprema, embora por si mesma muito acima até da Chochmá suprema, também passa a revestir-se de Chochmá. O propósito é a segunda parte da Mishná: que D'us então faça a tua vontade como a Sua.
פי׳ שכמו שרצונו הוא הגבה למעלה מבחי׳ הטעם והחכמה ונקרא רצון העליון.1 כך יפעל ויעשה הוא ית׳ להיות רצונך ג״כ בבחי׳ זו
Isto é: assim como a vontade Dele é elevada acima do nível da razão e da sabedoria, sendo chamada vontade suprema, assim também Ele, bendito seja, agirá e fará com que a tua vontade esteja nesse nível.
Assim como a vontade de D'us está acima da razão e da sabedoria, Ele fará com que a vontade da pessoa também se eleve acima da razão.
והוא מה שיאיר בך מבחי׳ אה״ר [אהבה רבה] הבאה מלמעלה שהיא בחינת אהבת בכל מאדך2 בלי גבול שלמעלה מבחי׳ האהבה הנמשך ע״פ השכל לפום מאי דמשער הנ״ל
E isso é o que brilhará em ti do nível do grande amor (ahavá rabá) que vem do Alto: o nível do amor “com toda a tua força”, sem limites, acima do nível do amor que decorre do intelecto, “conforme aquilo que se pode avaliar”, mencionado acima.
Esse é o “grande amor” (ahavá rabá) que brilha na pessoa vindo do Alto: o amor “com toda a tua força”, sem limites. Ele é superior ao amor que a pessoa desenvolve por meio de sua própria compreensão, “conforme aquilo que se pode avaliar em seu coração”.
(עמ״ש סד״ה אני ישנה3 ולבי ער4 בענין ואני אפתח לך כפתחו של אולם. ועמ״ש בד״ה זה יתנו5 כל העובר על הפקודים6 והנה בחי׳ זו דשיעשה רצונך כרצונו זהו ענין עטרה שערה לו כו׳ וכדלקמן)
(Veja o que está escrito ao final do discurso que começa com “Eu durmo, mas meu coração está desperto”, a respeito de “e abrirei para ti como a abertura do Ulam”; e veja o que está escrito no discurso que começa com “Isto darão todos os que passarem entre os recenseados”. Ora, este nível, de que “Ele faça a tua vontade como a Sua vontade”, é o conceito da “coroa com que [sua mãe] o coroou”, etc., como será explicado adiante.)
O texto remete a dois outros discursos para ampliar esse tema. Acrescenta que esse nível — D'us fazer com que a vontade da pessoa seja como a Sua — é a “coroa” do versículo inicial, que será explicada mais adiante.
ואח״כ [ואחר כך] אמר עוד בטל רצונך7 כו׳ כי הנה בחי׳ זו שיעשה רצונך כרצונו בבחי׳ אה״ר [אהבה רבה] כ״ז [כל זה] שייך בשעת התפלה דוקא שאז נותן לבבו בעיון תפלה ובפסוד״ז [ובפסוקי דזמרה] בהתבוננות כדי להגיע לאהבה ואח״כ [ואחר כך] יאיר בו גם אה״ר [אהבה רבה] הנ״ל.
Depois, ele disse ainda: “Anula a tua vontade”, etc. Pois esse nível, em que “Ele faça a tua vontade como a Sua vontade” na forma do grande amor, aplica-se especificamente durante a oração, pois então a pessoa concentra o coração na oração e nos Pesukei deZimrá, com contemplação, a fim de alcançar o amor; depois, também brilhará nela o grande amor mencionado acima.
A Mishná prossegue: “Anula a tua vontade”. O nível superior do grande amor vindo do Alto pertence ao momento da oração, quando a pessoa se concentra e contempla, especialmente nos Pesukei deZimrá, para alcançar o amor; depois disso, o grande amor brilha nela.
אך אחר התפלה וכמו בעסקו בכל היום במו״מ [במשא ומתן] ודאי גילוי אהבה זו חולפת ועוברת וע״כ [ועל כן] אמר בטל רצונך.
Mas, depois da oração, como quando a pessoa se ocupa de negócios durante todo o dia, a revelação desse amor certamente passa e se vai. Por isso, ele disse: “Anula a tua vontade”:
Depois da oração, quando a pessoa está ocupada com seu trabalho ao longo do dia, esse amor revelado inevitavelmente se desvanece. Para esse momento, a Mishná diz: “Anula a tua vontade”.
היינו לבטל רצונות הזרות בתאוות גופניים ועניני עוה״ז [עולם הזה] החומריי׳ [החומריים] לאכפייא לסט״א [לסטרא אחרא] מה שהוא נגד רצון
isto é, anular as vontades estranhas, os desejos corporais e as questões materiais deste mundo, a fim de subjugar a sitra achra (o outro lado), tudo aquilo que se opõe à vontade
Isso significa deixar de lado as vontades “estranhas”, os desejos físicos e as preocupações materiais, subjugando assim a sitra achra, tudo aquilo que se opõe à vontade de D'us.
ה׳ שלזה עכ״פ [על כל פנים] יוכל כל אדם להגיע גם בעת עסקו במו״מ [במשא ומתן] הגם שכבר חלף ועבר גילוי האה״ר [האהבה רבה] עכ״ז [עם כל זה] יכול לבטל כל רצון זר עכ״פ [על כל פנים].
de D'us. Pois isso, ao menos, toda pessoa pode alcançar, mesmo enquanto está ocupada com seus negócios: embora a revelação do grande amor já tenha passado e desaparecido, ainda assim ela pode, ao menos, anular toda vontade alheia.
Isso, ao menos, toda pessoa pode alcançar, mesmo em meio aos negócios: embora o grande amor tenha passado, ela ainda pode deixar de lado toda vontade alheia.
O parágrafo oferece uma segunda leitura da Mishná: o estudo da Torá atrai a vontade suprema para Chochmá (“a vontade Dele como a tua vontade”), para que D'us, por sua vez, eleve a vontade da pessoa acima da razão, por meio do grande amor (“a tua vontade como a vontade Dele”), a “coroa” do versículo inicial. Como esse amor pertence à oração e se desvanece depois, a Mishná acrescenta “Anula a tua vontade”, algo que qualquer pessoa pode fazer até mesmo enquanto trabalha.
Marei mekomot
- 1פי׳ שכמו שרצונו . . ונקרא רצון העליון · ראה אוה״ת שמות כרך ח ע׳ א׳תתקע ושם מציין לכמה מקומות בתו״א ולקו״ת שמבואר ענין זה.
- 2אהבת בכל מאדך · Deuteronomy 6:5
- 3סד״ה אני ישנה · לקמן לד, ד. ראה באוה״ת שה״ש כרך ב ע׳ שצז הגהה אחרת.
- 4אני ישנה ולבי ער · Song of Songs 5:2
- 5בד״ה זה יתנו · אולי הכוונה לתו״א פו, ג ואילך.
- 6זה יתנו כל העובר על הפקודים · Exodus 30:13
- 7בטל רצונך · Pirkei Avot 2:4
19וזהו שאמר אח״כ [אחר כך] גם בטל רצונך כו׳ והיינו אף שלא בשעת התפלה. דאלו בעת התפלה שנפשו צמאה לה׳ אין שייך לשון ביטול רצון זר.
E é por isso que ele disse em seguida também: “Anula a tua vontade”, etc.; isto é, mesmo fora do momento da oração. Pois, durante a oração, quando sua alma tem sede de D'us, não se aplica a expressão “anular uma vontade alheia”,
A afirmação da Mishná “Anula a tua vontade” refere-se ao período fora da oração. Durante a oração, quando a alma tem sede de D'us, não há vontade alheia a ser posta de lado.
כי אז אין לו רק לב אחד כו׳. רק אפילו אח״כ [אחר כך] שחלפה נעימות האה״ר [האהבה רבה] ושייך רצון זר עכ״ז [עם כל זה] בטל רצונך עכ״פ [על כל פנים]. כדי שיבטל רצון אחרים1 הם הקליפות וסט״א [וסטרא אחרא].
pois então ele tem apenas um coração, etc. Mas mesmo depois, quando a doçura do grande amor já passou e pode surgir uma vontade alheia, ainda assim, “anula a tua vontade”, ao menos; “para que Ele anule a vontade dos outros”: estas são as kelipot e a sitra achra.
Nesse momento, o coração é inteiramente uno, voltado apenas para D'us. Depois, quando a doçura do grande amor se desvaneceu e outros desejos podem surgir, é preciso ainda assim pôr de lado a própria vontade; então D'us “anulará a vontade dos outros”, isto é, das kelipot e da sitra achra.
O parágrafo explica por que a Mishná fala em anular a própria vontade somente depois desse nível superior: durante a oração, não há nada alheio a ser posto de lado; mas, depois, a pessoa ainda precisa subjugar a própria vontade, para que também seja subjugada a vontade das kelipot.
Marei mekomot
- 1שיבטל רצון אחרים · Pirkei Avot 2:4
20וענין ביטול רצונם היינו ע״ד [על דרך] מארז״ל [מאמר רבותינו זכרונם לברכה] מלאך רע עונה אמן1 בעל כרחו. והוא ענין בכל לבבך בשני יצריך2 כו׳.
A anulação da vontade deles segue a linha do ensinamento de nossos Sábios, de abençoada memória: “O anjo mau responde ‘Amém’ contra a própria vontade.” E este é o sentido de “com todo o teu coração”: com as duas inclinações, etc.
Anular a vontade das kelipot é como ensina o Talmud: o anjo mau tem de responder “Amém” contra a própria vontade, à bênção de um lar judaico no Shabat. Isso também é amar D'us “com todo o teu coração”, com as duas inclinações, incluindo a má.
וזהו ענין ויין ישמח לבב אנוש. כי הנה ארז״ל [אמרו רבותינו זכרונם לברכה] נכנס יין יצא סוד3 וענין הסוד הוא דבר המוסתר ומוצנע.
E este é o sentido de “E o vinho alegra o coração do enosh”. Pois nossos Sábios, de abençoada memória, disseram: “Entrou o vinho, saiu o segredo.” Um segredo é algo oculto e escondido.
Agora o maamar retoma o vinho do versículo. Os Sábios dizem: “Entrou o vinho, saiu o segredo”, e um segredo é algo oculto.
O parágrafo conclui a discussão da Mishná (até mesmo a inclinação má é levada a servir a D'us contra a própria vontade) e começa a explicação do vinho com o ensinamento dos Sábios de que, quando o vinho entra, o segredo sai.
No Talmud, esse ensinamento se baseia na guematria: yayin (vinho) e sod (segredo) têm ambos o valor numérico de setenta.
Marei mekomot
- 1מלאך רע עונה אמן בע״כ · Shabbat 119b:3
- 2בכל לבבך בשני יצריך · Mishnah Berakhot 9:5
- 3נכנס יין יצא סוד · Eruvin 65a:19–20
21וכך הנה העולם נראה ליש ודבר ובאמת היא בטל במציאות לגבי אור ה׳ המהווה אותו רק שביטול זה מוסתר וזה הוא בחינת הסוד.
Assim também, o mundo parece ser algo, uma entidade; mas, na verdade, é anulado em sua existência em relação à luz de D'us que o traz à existência. Só que essa anulação está oculta, e este é o nível do “segredo”.
O “segredo” aqui é que o mundo, que parece algo real e independente, na verdade é anulado diante da luz divina que constantemente o traz à existência. Essa anulação está oculta aos olhos.
ועל ידי יין שהוא בחינת ההתבוננות יצא הסוד בגילוי להיות נמשך מזה בחינת אהבה לאור וחיות זה המוסתר וכמ״ש לאהבה כו׳ כי הוא חייך.1
E, por meio do “vinho”, que é o nível da contemplação, o segredo vem à revelação, de modo que disso resulta amor por essa luz oculta e por essa força vital (chayut), como está escrito: “amar”, etc., “pois Ele é a tua vida”.
“Vinho” é a contemplação: ao contemplar, a pessoa traz à luz a verdade oculta, e disso resulta amor pela luz divina oculta e por sua força vital, como diz o versículo: amar a D'us “pois Ele é a tua vida”.
וזה הוא בחינת ומדרגת עשה רצונו כרצונך הנ״ל שהוא המשכת הרצון באדם על ידי ההתבוננות שהוא בחינת יין (ועמ״ש מזה בד״ה לריח שמניך) והנה יין הוא הגורם שמחה.
Este é o nível e o grau de “Faze a Sua vontade como a tua vontade”, mencionado acima: a atração da vontade para dentro da pessoa por meio da contemplação, que é o nível do “vinho” (e veja o que está escrito sobre isso no discurso que começa com “Pelo aroma de teus óleos”). Ora, o vinho é o que causa alegria.
Esta é a primeira interpretação de “Faze a Sua vontade como a tua vontade”: uma vontade por D'us suscitada por meio da contemplação, que é o “vinho”. E o vinho traz alegria.
והיינו כידוע שקיום התורה ומצות צ״לבשמחה דוקא כמ״ש בשמחה ובטוב לבב.2 וכן בתורה חדאי נפשאי לך קראי3 כו׳ וכן ונשמח בדברי תורתך כו׳
Isto é, como se sabe, o cumprimento da Torá e das mitsvot deve ser especificamente com alegria, como está escrito: “com alegria e com bom ânimo”. E assim também em relação à Torá: “Alegra-te, minha alma; por ti li [as Escrituras]”, etc.; e também: “e nos alegraremos com as palavras da Tua Torá”, etc.
Como se sabe, a Torá e as mitsvot devem ser cumpridas com alegria; a Torá censura o serviço a D'us sem “alegria e bom ânimo”. O mesmo vale para o estudo da Torá: Rabi Sheshet dizia, depois de revisar seu estudo: “Alegra-te, minha alma”; e a liturgia fala de nos alegrarmos com as palavras da Torá.
והדרך להגיע לשמחה זו הוא על ידי ההתבוננות שעם היות שהתומ״צ [שהתורה ומצות] הן בחינת רצון העליון שלמעלה מבחינת חכמה ומבחינת התבוננות עכ״ז [עם כל זה] על ידי ההתבוננות ידיע לשמוח מזה.
E o caminho para alcançar essa alegria é por meio da contemplação: embora a Torá e as mitsvot sejam o nível da vontade suprema, que está acima do nível de Chochmá (sabedoria) e acima do nível da contemplação, ainda assim, por meio da contemplação, ele saberá como se alegrar com isso.
O caminho para essa alegria é a contemplação. A Torá e as mitsvot são a vontade suprema, além do alcance de qualquer compreensão; ainda assim, contemplar precisamente esse fato dá à pessoa motivo para se alegrar.
O parágrafo explica o vinho como contemplação: ele revela o “segredo” de que o mundo nada é diante da luz divina que o sustenta e, assim, desperta amor e alegria. Como as mitsvot devem ser cumpridas com alegria, a contemplação é o caminho para essa alegria, embora as próprias mitsvot estejam além da compreensão.
Marei mekomot
- 1לאהבה כו׳ כי הוא חייך · Deuteronomy 30:20
- 2בשמחה ובטוב לבב · Deuteronomy 28:47
- 3חדאי נפשאי לך קראי · Pesachim 68b:13
22והוא מ״ש אשר קדשנו במצותיו. אשר מלשון הילול1 ושבח כמו באשרי כי אשרוני.23 כי זהו דבר יפה עד מאד להלל מה שקדשנו במצותיו שהן הן בחינת רצון העליון שלמעלה אפילו מהשגת חכמה עילאה.
E isto é o que se diz: “Que nos santificou com Seus mandamentos”. Asher é uma expressão de aclamação e louvor, como em “Em minha felicidade, pois me chamaram feliz (ishruni)”. Pois é algo extremamente belo louvar [a Ele] por nos ter santificado com Seus mandamentos, que são eles próprios o nível da vontade suprema, acima até mesmo da apreensão da Chochmá suprema (Chochmá Ilaá).
A bênção sobre uma mitsvá, “Que nos santificou com Seus mandamentos”, começa com asher, que o Tikkunei Zohar associa ao louvor, como nas palavras de Lea quando nasceu Asher. É apropriado louvar D'us por nos santificar com as mitsvot, que são Sua vontade suprema, além até mesmo da Chochmá suprema.
O parágrafo mostra a alegria das mitsvot na formulação da bênção: asher denota louvor, e o louvor é por termos sido santificados com as mitsvot, que são a própria vontade suprema.
Marei mekomot
- 1אשר מלשון הילול · ת״ז (ת״ל — עד, ב). ושם ריש (תט״ל). [כ].
- 2באשרי כי אשרוני · Genesis 30:13
- 3באשרי כי אשרוני · Tikkunei Zohar 74b:2
23וכן בעוסקו בתורה כשיתבונן שעל ידי עסק זה מתגלה בנפשו בחינת רצון העליון הנ״ל והרי רצונו כרצונך מזה ישמח ויגל עד מאד.
Assim também, quando se ocupa com a Torá: ao contemplar que, por meio desse estudo, o nível da vontade suprema mencionado acima se revela em sua alma, de modo que “a vontade Dele é como a tua vontade”, ele se alegrará e exultará imensamente com isso.
O mesmo se aplica ao estudo da Torá: quando a pessoa contempla que, por meio de seu estudo, a vontade suprema se revela em sua alma, de modo que a vontade de D'us se torna “como a sua vontade”, ela se alegra muito.
ובחינת התבוננות זאת היינו בחינת יינה של תורה שמשמח לבב אנוש. וזהו ענין וישמחו בך ישראל מקדשי שמך.
E esse nível de contemplação é o “vinho” da Torá, que alegra o coração de Enosh. Este é o sentido de “e Israel, que santifica Teu Nome, se alegrará em Ti”.
Essa contemplação é o “vinho” da Torá, que alegra o coração de Enosh. A oração de Yom Tov expressa isso: “Israel, que santifica Teu Nome, se alegrará em Ti”.
פירוש מקדשי שמך היינו כי שמך הוא בחי׳ מלכות שהוא בחינת ממכ״ע [ממלא כל עלמין] מלכותך מלכות כל עולמים1 שהחיות המתלבש בעולמות הוא
O sentido de “que santifica Teu Nome” é que “Teu Nome” é o nível de Malchut (soberania), que corresponde à luz que preenche todos os mundos (memalê kol almin), “Teu reinado é o reinado de todos os mundos”, pois a força vital (chayut) revestida nos mundos é
“Teu Nome” é Malchut, a luz que preenche todos os mundos, que o salmo descreve como um reinado sobre todos os mundos. O texto passa agora a descrever a força vital que esse nível proporciona aos mundos.
רק בחינת זיו והארה בעלמא כמו אותיות השם בלבד ונש״י [ונשמות ישראל] הם ממשיכים גילוי בחינת קדש העליון סוכ״ע [סובב כל עלמין] בבחינת מל׳ [מלכות]
apenas um nível de mero brilho e fulgor, como somente as letras de um nome. E as almas de Israel atraem a revelação do nível da santidade suprema, a luz que circunda todos os mundos (sovev kol almin), para o nível de Malchut
A força vital dentro dos mundos é apenas um fulgor, como as letras de um nome, que nada são em comparação com a pessoa nomeada. As almas de Israel “santificam” esse Nome ao atrair para Malchut a santidade suprema, a luz que circunda todos os mundos.
(והיינו ע״י תורה ומצות. וזהו ענין ישמח לבב אנוש שהמל׳ [שהמלכות] כשמתלבשת בבי״ע [בבריאה יצירה עשיה] בנער מט״ט [מטטרון] נעלא דשכינתא נקרא ג״כ אנוש על שמו כי רגליה יורדות2 כו׳ ועל ידי יינה של תורה נמשך להיות ישמח לבב אנוש).
(isto é, por meio da Torá e das mitsvot. E este é o sentido de “alegra o coração de Enosh”: quando Malchut se reveste em Beriá, Yetsirá e Assiá, no jovem Metatron, “o sapato da Shechiná (a Presença Divina)”, ela também é chamada Enosh, em referência ao nome dele, pois “seus pés descem”, etc.; e, por meio do vinho da Torá, ocorre que “alegra o coração de Enosh”).
Isso é feito por meio da Torá e das mitsvot. Quando Malchut desce aos mundos inferiores através de Metatron, “o sapato da Shechiná”, ela também é chamada Enosh, em referência a ele, como diz Mishlei: “seus pés descem”; e o vinho da Torá faz esse Enosh se alegrar.
וזהו וישמחו בך שממשיכים מבחי׳ מהו״ע [מהותו ועצמותו] לבחינת שמך ועמ״ש מזה ע״פ אוסרי לגפן עירה3 והכח הזה בנשמות ישראל להמשיך מבחי׳ קדש העליון הוא כי עלו במחשבה4
E este é o sentido de “se alegrará em Ti”: eles atraem do nível do Seu próprio ser e essência para o nível de “Teu Nome”. (E veja o que está escrito sobre isso a respeito de [o versículo] “Amarrando seu jumentinho à videira”.) E esse poder nas almas de Israel, de atrair do nível da santidade suprema, existe porque elas “se elevaram no Pensamento”,
“Se alegrará em Ti” significa atrair da própria essência e do próprio ser de D'us (“Tu”) para “Teu Nome”. As almas de Israel podem atrair de uma altura tão elevada porque “se elevaram no Pensamento”, no Pensamento de D'us anterior à Criação.
והיינו בחי׳ מחשבה סתימאה שבה התלבשות התענוג שהתענוג השראתו בחכמה ונשמות ישראל נמשכים מפנימית ח״ע [חכמה עילאה] שהרי נקראו בנים למקום5 ועד״מ [ועל דרך משל] הבן הרי הטפה נמשכת מהמוחים ששם השראת כח השכל.
isto é, o nível do “Pensamento oculto” (machshavá setimá), no qual está revestido o deleite (taanug), pois o deleite repousa em Chochmá; e as almas de Israel emanam da dimensão interior (pnimiyut) da Chochmá suprema, pois são chamadas “filhos do Onipresente”. A título de analogia, num filho, a gota provém do cérebro, onde reside a força do intelecto.
Esse Pensamento é o “Pensamento oculto”, no qual está revestido o deleite de D'us, pois o deleite repousa em Chochmá. As almas de Israel provêm da dimensão interior da Chochmá suprema, razão pela qual são chamadas filhos de D'us: assim como um filho provém da mente do pai, onde reside a força do intelecto.
O parágrafo aplica a alegria da contemplação ao estudo da Torá e interpreta “Israel, que santifica Teu Nome, se alegrará em Ti” como Israel atraindo a essência de D'us (“Tu”), a luz que circunda todos os mundos, para Malchut (“Teu Nome”). Isso é possível porque as almas estão enraizadas no Pensamento oculto e no deleite de D'us, na dimensão interior da Chochmá suprema.
Marei mekomot
- 1מלכותך מלכות כל עולמים · Psalms 145:13
- 2רגלי׳ יורדות · Proverbs 5:5
- 3אוסרי לגפן עירה · Genesis 49:11
- 4עלו במחשבה · Bereshit Rabbah 1:4
- 5נקראו בנים למקום · Pirkei Avot 3:14
24ולכן יש תענוג בהמשכת הטפה והתענוג דוקא בגמר ביאה1 שהתענוג הוא מההשפעה כענין יותר משהעגל כו׳ הפרה רוצה להניק.2
Portanto, há deleite na emissão da gota, e o deleite ocorre especificamente no término da união, pois ele provém da doação, como em: “Mais do que o bezerro [quer mamar], etc., a vaca quer amamentar.”
Prosseguindo com a analogia do pai e do filho: o deleite que uma pessoa sente ao transmitir vida surge ao se completar o ato, pois o deleite está em dar. O Talmud diz o mesmo a respeito da vaca, que deseja amamentar ainda mais do que o bezerro deseja mamar.
וכן בנשמות ישראל עד״מ [על דרך משל] שנקרא ג״כ אור זרוע לצדיק3 מלובש בהן בחנית התענוג עליון ולפיכך ביכלתו להמשיך בחינת המשחה ותענוג עליון
Assim também, por meio de uma analogia, ocorre com as almas de Israel, que também são chamadas “luz semeada para o justo”: nelas está revestido o nível do deleite superior, e por isso ele tem o poder de atrair para baixo o nível da unção e o deleite superior.
As almas de Israel, chamadas “luz semeada para o justo”, carregam dentro de si o deleite superior de D'us. Por isso, uma alma pode atrair para baixo a “unção” superior e o deleite, o nível que o maamar chamará de óleo.
וזהו וישמחו בך כו׳ בבחי׳ פנימיות תענוג עליון ועי״ז ביכולתם להיות מקדשי שמך ג״כ להמשיך בחינת קדש זה בבחינת מלכות.
E este é o sentido de “se alegrarão em Ti”, etc., no nível da dimensão interior (pnimiyut) do deleite superior. E, por meio disso, elas também podem ser “as que santificam Teu Nome”, atraindo esse nível de santidade para o nível de Malchut (soberania).
“Israel se alegrará em Ti” refere-se a essa dimensão interior do deleite superior. Por meio dela, também podem ser “as que santificam Teu Nome”, atraindo essa santidade para Malchut.
ה להצהיל פנים משמן. פי׳ יין ישמח. אבל צהלת פנים הוא מן השמן זהו פשוטו.
5. “Para tornar o rosto radiante com óleo.” O significado é: o vinho alegra, mas a radiação do rosto vem do óleo. Este é o sentido simples do versículo.
A seção 5 passa à segunda parte do versículo. Seu sentido simples é: o vinho alegra, enquanto a radiação do rosto vem do óleo.
O parágrafo conclui a explicação do “vinho”: as almas de Israel, enraizadas no deleite superior de D'us, podem atraí-lo para baixo, alegrando-se em D'us e santificando Seu Nome. A seção 5 introduz então a segunda parte do versículo: “para tornar o rosto radiante com óleo.”
Marei mekomot
- 1בגמר ביאה · ראה מאמרי אדה״א נ״ך ע׳ מט: ”ואעפ״י שלענין חיוב מיתה בג״ע הוא רק הכנסת עטרה לבד, זהו מפני בחי׳ גילוי היחוד דיסוד שהוא די בזה, אבל לענין בחי׳ התענוג שביסוד אינו אלא בגמר ביאה דוקא” ע״ש.
- 2יותר משהעגל כו׳ הפרה רוצה להניק · Pesachim 112a:12
- 3אור זרוע לצדיק · Psalms 97:11
O azeite da sabedoria ¶25–30
25והנה ההפרש בין שמחה לצהלת פנים דלכאורה ע״י היין ג״כ כשישמח יאדימו הפנים. אך הנה ענין מה שהיין משמח
Ora, a diferença entre a alegria e o esplendor do rosto: aparentemente, também por meio do vinho, quando a pessoa se alegra, seu rosto fica ruborizado. Mas o sentido de o vinho alegrar
A questão é: qual é a diferença entre a alegria e o esplendor do rosto, se o vinho também faz o rosto ficar ruborizado?
היינו שפעולת היין להביא מן ההעלם אל הגילוי ולכך הוא ממשיך גילוי פנימית הדם מה שהיה בבחינת העלם ע״י היין בא אל הגילוי
é que a ação do vinho consiste em trazer [as coisas] do ocultamento à revelação. Por isso, ele faz aflorar a revelação da parte interior do sangue: aquilo que estava oculto vem, por meio do vinho, à revelação.
O vinho age trazendo à luz aquilo que estava oculto. Assim, revela a parte interior do sangue, que estava encoberta.
ולכן יאדים הפנים ולפי שחיות הנפש מלובש בדם וע״כ [ועל כן] בפנימיות הדם מלובש חיות פנימי מהנפש יותר מהחיות המלובש בחיצוניות הדם ולכן על ידי היין מתגלה פנימית החיות מההעלם אל הגילוי מחמת גילוי פנימית הדם.
Por isso, o rosto fica ruborizado. E, como a força vital (chayut) da alma está revestida no sangue, na parte interior do sangue está revestida uma força vital mais interior da alma do que aquela revestida na parte exterior do sangue; portanto, por meio do vinho, a força vital interior é revelada, passando do ocultamento à revelação, em virtude da revelação da parte interior do sangue.
Por isso o rosto fica ruborizado. A força vital da alma está revestida no sangue, e na parte interior do sangue está revestida uma força vital mais interior do que na parte exterior; assim, quando o vinho faz aflorar a parte interior do sangue, revela-se a força vital interior da alma.
O parágrafo define a alegria provocada pelo vinho em termos fisiológicos e espirituais: o vinho traz do ocultamento à revelação a parte interior do sangue e, com ela, a força vital interior da alma; por isso o rosto fica ruborizado.
26וזהו ענין השמחה. נמצא ענין שמחה הבאה מהיין הוא מחמת גילוי פנימית הדמים. אמנם ענין צהלת פנים אינו נמשך כלל מסיבת הדמים
E este é o conceito de alegria. Conclui-se que a alegria proveniente do vinho se deve à revelação da dimensão interior do sangue. A luminosidade do rosto, porém, não provém de modo algum do sangue;
A alegria do vinho provém da revelação da dimensão interior do sangue. A luminosidade do rosto nada tem a ver com o sangue.
רק הוא ענין הארת פנים שבא באדם מצד אור החכמה שמאיר בו כמ״ש חכמת אדם תאיר פניו1
em vez disso, é uma irradiação do rosto que chega à pessoa da luz de Chochmá (sabedoria) que brilha nela, como está escrito: “A sabedoria do homem ilumina seu rosto”,
É uma luz que vem da sabedoria que brilha na pessoa, como diz Kohelet: “A sabedoria do homem ilumina seu rosto”.
וכמו שהשיב ר׳ [רבי] יהודה למטרוניתא שראתה פניו צהובים ואמרה לו מורה ורוי ואמר לה שאינו שותה יין כלל
como quando Rabi Yehudá respondeu à matrona que viu seu rosto radiante e lhe disse: “Um mestre, e embriagado!”; ele lhe respondeu que não bebia vinho de modo algum,
O Talmud conta que uma matrona viu o rosto radiante de Rabi Yehudá e zombou dele, dizendo que um mestre devia estar embriagado. Ele respondeu que não bebia vinho.
אלא חכמת אדם תאיר פניו2 (נדרים מ״ט ב׳) וכמו שאמרו בר׳ [ברבי]3 אבוה דנהירין אנפוי מפני שמצא תוספתא חדתא4 כו׳.
mas, antes, “a sabedoria do homem ilumina seu rosto” (Nedarim 49b); e como disseram sobre Rabi Avahu que seu rosto resplandecia porque encontrara uma nova Tosefta, etc.
Ele lhe disse que seu rosto brilhava por causa da sabedoria. De modo semelhante, o Talmud Yerushalmi conta que o rosto de Rabi Avahu resplandecia porque ele encontrara uma nova Tosefta, um novo ensinamento.
והרי זהו בחינת הארת הפנים שאינו בא מחמת קיבוץ הדמים אלא בא ונמשך אור מלמעלה שמאיר ומצהיב הפנים
Este, portanto, é o nível da irradiação do rosto, que não provém do acúmulo do sangue; ao contrário, uma luz vem e é atraída do Alto, iluminando o rosto e fazendo-o resplandecer:
Essa luminosidade não provém do acúmulo de sangue no rosto; é uma luz que desce do Alto e faz o rosto resplandecer.
והיינו אור המשכיל שכל חדש והוא הנקרא שמן שהוא למעלה מבחינת יין כמארז״ל [כמאמר רבותינו זכרונם לברכה] שמן שצף5 על גבי יין6 נחלקו אם הוא חיבור כו׳.
isto é, a luz de quem apreende uma nova percepção. E isso é chamado “óleo”, que está acima do nível do vinho, como disseram nossos Sábios, de abençoada memória: quanto ao óleo que flutua sobre o vinho, eles divergiram sobre se estão unidos [um ao outro], etc.
É a luz da apreensão de uma nova percepção, e isso é “óleo”. O óleo está acima do vinho, como mostra a Mishná: o óleo flutua sobre o vinho, e os Sábios divergem sobre se os dois são considerados unidos.
וזהו להצהיל פנים משמן דוקא (והיינו כי שמן הוא למעלה מבחינת מים עם היות כי מים הוא גם כן בחינת חכמה
E é por isso que se diz “tornar o rosto radiante”, especificamente “com óleo” (isto é, porque o óleo está acima do nível da água; embora a água também corresponda ao nível de Chochmá,
Assim, o versículo diz que o rosto se torna radiante especificamente “com óleo”. O óleo está acima da água, embora a água também corresponda a Chochmá.
אך שמן הוא מקור החכמה כו׳ ועיין מה שכתוב בד״ה בהעלותך את הנרות78 בפירוש שמן משחת קדש9 ובד״ה מנורת זהב1011 ועל פסוק כי אתה נרי).1213
o óleo é a fonte de Chochmá, etc. Veja também o que está escrito no discurso que começa “Quando acenderes as lâmpadas”, a respeito do significado de “óleo sagrado de unção”, no discurso que começa “um candelabro de ouro” e sobre o versículo “Pois Tu és minha lâmpada”).
O óleo é a fonte de Chochmá. O texto remete a três outros discursos nos quais o óleo é explicado dessa maneira.
והנה שרש ענין ההפרש בין הארת פנים שבא משמחת היין ובין הארת פנים שבא רק מצד הארת החכמה
Ora, a raiz da diferença entre o brilho do rosto que provém da alegria do vinho e o brilho do rosto que provém apenas da iluminação de Chochmá
Agora, o Alter Rebe apresenta a raiz da diferença entre os dois tipos de brilho: aquele que provém do vinho e aquele que provém da sabedoria.
היינו במה שמן הדם עולה החיות הפנימי בפנים מלמטה למעלה בבחינת קיבוץ והעלאה. וזהו בא בבחינת רשפי אש חמימות בוער כשלהבת ועולה ומתגלה בפנים.
é que, do sangue, a força vital interior sobe ao rosto, de baixo para cima, como reunião e elevação; isso vem sob a forma de chispas de fogo, um calor ardente como uma chama, que sobe e se revela no rosto.
O brilho do vinho sobe de baixo para cima: a força vital interior no sangue se reúne e sobe ao rosto, como uma chama ardente, “chispas de fogo”.
אבל בחי׳ הארת פנים שמאיר מן החכמה מאיר ובא מלמעלה למטה ואין בזה שום רשפי אש כי החכמה נקרא כח מ״ה [מה] שהוא בחינת ביטול וכו׳:
Mas o brilho do rosto que irradia de Chochmá brilha e vem de cima para baixo, e nele não há chispas de fogo, pois Chochmá é chamada ko’ach mah, “o poder do quê”, que é o nível da autoanulação (bitul), etc.
O brilho da sabedoria desce de cima para baixo e não contém fogo, pois Chochmá é ko’ach mah, “o poder do quê”, que é autoanulação: não afirma a si mesma.
O parágrafo distingue as duas luminosidades do rosto: a do vinho ascende de baixo, como a força vital interior do sangue, ardendo como fogo; a do óleo desce do Alto como a luz de uma nova sabedoria, serena e anulada. Por ser a fonte de Chochmá, o óleo está, portanto, acima do vinho.
A expressão ko’ach mah interpreta a palavra chochmah como duas palavras: ko’ach (poder, potencial) e mah (o quê). A sabedoria ainda não está definida: é apenas um “quê”; nesse sentido, é autoanulação, pois não afirma nada por si própria.
Marei mekomot
- 1חכמת אדם תאיר פניו · Ecclesiastes 8:1
- 2
- 3כמו שאמרו בר״א דנהירין · ירוש׳ שבת פ״ח, ה״א. ע״ל מסעי (צג, רע״ב). וש״נ. [כ].
- 4דנהירין אנפוי מפני שמצא תוספתא חדתא · Jerusalem Talmud Shabbat 8:7
- 5שמן שצף ע״ג יין · Shabbat 5b:5
- 6שמן שצף על גבי יין · Mishnah Tevul Yom 2:5
- 7בד״ה בהעלותך את הנרות · לעיל בהעלותך ל, ג.
- 8בהעלותך את הנרות · Numbers 8:2
- 9שמן משחת קדש · Exodus 30:25
- 10ובד״ה מנורת זהב · לעיל בהעלותך לד, ג.
- 11מנורת זהב · Zechariah 4:2
- 12וע״פ כי אתה נרי · תו״א מ, ד.
- 13כי אתה נרי · II Samuel 22:29
27ויובן כ״ז [כל זה] הענין בעבודה שבלב זו תפלה1 שמחמת ההתבוננות באה השמחה ברשפי אש שלהבת2 התלהבות והתלהטות הלב והוא ענין קיבוץ פנימיות החיות שבדם כנ״ל
Tudo isso será compreendido em “o serviço do coração, que é a oração”: por meio da contemplação vem a alegria, em lampejos de fogo, uma chama de entusiasmo e fervor do coração; e isso é a reunião da força vital interior que está no sangue, mencionada acima,
A diferença se manifesta na oração, o “serviço do coração” dos Sábios. A contemplação traz uma alegria que arde como fogo, o fervor e a emoção do coração: a força vital interior no sangue que se reúne e se eleva.
כמו יין ישמח כנ״ל. וזהו עבודת חיות הקדש שבמרכבה עליונה דכתיב בהו בוערות כמראה הלפידים3 כו׳.
como “o vinho alegra”, mencionado acima. E este é o serviço dos Chayot sagrados da Carruagem suprema, sobre os quais está escrito: “ardendo como a aparência de tochas”, etc.
Isso se assemelha à alegria provocada pelo vinho. É o serviço dos Chayot, os anjos sagrados da visão da Carruagem de Yechezkel, descritos como ardendo como tochas.
O parágrafo aplica a imagem do “vinho” à oração: a contemplação traz uma alegria ardente e ascendente, como o serviço dos Chayot, os anjos flamejantes da Carruagem.
Marei mekomot
- 1בעבודה שבלב זו תפלה · Taanit 2a:11
- 2רשפי אש שלהבת · Song of Songs 8:6
- 3בוערות כמראה הלפידים · Ezekiel 1:13
28ובכל הפרשה נאמר בהן וכנפיהן שר״ל [שרוצה לומר] בחינת אהוי״ר [אהבה ויראה] בהתפעלות התלהבות והתלהטות לעוף כלפי מעלה להבטל וליכלל באור השכינה המאיר עליהם כו׳
E ao longo de toda a passagem se diz a respeito deles: “e suas asas”, isto é, o nível do amor e temor em excitação, entusiasmo e ardor, para voar para o alto, anular-se e incluir-se na luz da Shechiná (a Presença Divina) que brilha sobre eles, etc.
Ao longo da visão de Yechezkel, mencionam-se as “asas” das Chayot; elas representam o amor e o temor em excitação e ardor, elevando-se para se dissolver na luz da Shechiná que brilha sobre elas.
וכן במתן תורה כתיב וכל העם רואים את הקולות1 ואת הלפידים2 כי הנה הקולות והלפידים לא באו כדי להפחיד את ישראל
Do mesmo modo, a respeito da Outorga da Torá está escrito: “E todo o povo viu os sons e as tochas.” Pois os sons e as tochas não vieram para assustar Israel;
O mesmo se aplica à Outorga da Torá: o povo “viu os sons e as tochas”. Estes não tinham a intenção de assustar Israel.
אלא היו ענין ובחינת אתערותא דלעילא ברשפי אש לעורר את האהבה בישראל באתעדל״ת [באתערותא דלתתא] שיתלהבו נפשותם ברפיש אש התשוקה לה׳ אחד ולזה היו הקולות והלפידים להלהיב כנ״י [כנסת ישראל].
pelo contrário, eram um despertar do alto, em chamas de fogo, para despertar o amor em Israel como um despertar de baixo, de modo que suas almas se inflamassem com chamas do fogo do anseio pelo D'us único. Para isso vieram os sons e as tochas: para inflamar a Comunidade de Israel (Knesset Yisrael).
Eram um despertar do alto, em chamas de fogo, destinado a despertar o amor de Israel como um despertar de baixo, para que suas almas ardessem de anseio pelo D'us único.
O parágrafo identifica o “vinho” ardente do amor tanto nas asas das Chayot — amor e temor que se elevam para dissolver-se na Shechiná — quanto nos sons e nas tochas do Sinai, que vieram inflamar as almas de Israel com anseio.
Marei mekomot
- 1וכל העם רואים את הקולות · Exodus 20:18
- 2וכל העם רואים את הקולות ואת הלפידים · Exodus 20:15
29וכן הי׳ [היה] שעל כל דיבור פרחה נשמתן1 שהקולות והלפידים הלהיבו בנפשותם התלהבות אורה ושמחה בבחי׳ כלות הנפש ממש עד שפרחה נשמתם על כל דבור כו׳ וכ״ז [וכל זה] הוא בחינת שמחה בהתבוננות כמו יין ישמח כנ״ל.
E assim foi: a cada enunciado, suas almas saíam deles, pois os sons e as tochas inflamaram em suas almas um entusiasmo de luz e alegria, num estado de efetivo esgotamento da alma, até que suas almas saíam a cada enunciado etc. Tudo isso é o nível da alegria por meio da contemplação, como “o vinho alegra”, mencionado acima.
A cada um dos Dez Mandamentos, as almas de Israel saíam deles, como relata o Talmud. Os sons e as tochas haviam despertado neles uma alegria tão intensa que a alma efetivamente expirava; e esta é a alegria da contemplação, o “vinho”.
אבל הנה בבחי׳ החכמה להיות כי אור החכמה מאיר מלמעלה למטה ובאה בבחי׳ ביטול המציאות הפך ההתלהבות וזהו שנאמר בחיות הקדש ועל ראשי החיה רקיע2 כעין הקרח הנורא.
Mas, no nível de Chochmá (sabedoria), como a luz de Chochmá brilha de cima para baixo, ela vem na forma de anulação da existência, o oposto do entusiasmo. E é isso que se diz a respeito dos Chayot sagrados: “E sobre as cabeças dos Chayot havia um firmamento, semelhante à cor do gelo temível (kerach).”
Chochmá atua de maneira oposta: sua luz desce do alto e produz anulação, o oposto da excitação. Yechezkel a descreve como um firmamento “semelhante ao gelo temível” sobre as cabeças dos Chayot.
פי׳ קרח כמו עד״מ [על דרך משל] הקרח הגשמי שנגלדו בו המים כך בחי׳ החכמה ממשכת בראשי החיות בחי׳ ביטול במציאות עד דאגלידו מיא3 ונעשו כעין הקרח
O significado de kerach: assim como, por meio de uma analogia, o gelo físico, no qual a água se solidificou, assim o nível de Chochmá atrai para as cabeças dos Chayot o nível da anulação da existência, até que “as águas se solidificaram” e se tornaram semelhantes ao gelo;
Assim como a água congela e se torna gelo, Chochmá atrai para os Chayot uma anulação tão completa que seu movimento ardente cessa, como se “as águas congelassem”.
e este é o nível do ponto do chirik, que fica sob as letras, pois chirik contém as letras de kerach, sendo o nível da anulação sob as letras.
Trata-se da vogal chirik, um ponto colocado sob as letras, cujas letras (chet, reish, kuf) são as de kerach, gelo: uma anulação que se encontra sob as letras, abaixo de toda expressão.
O parágrafo contrasta a alegria ardente do Sinai, quando as almas saíam a cada enunciado (o “vinho”), com a anulação serena produzida por Chochmá, figurada pelo firmamento semelhante ao gelo sobre os Chayot e pelo chirik, o ponto sob as letras.
O Sefer HaBahir, citado na nota da Kehot, diz: “Não leia chirik, mas kerach.” A nota da Kehot também remete ao Siddur e aos discursos para Shemini Atzeres, nos quais isso é citado em nome de Rabi Avraham, filho do Maguid.
Marei mekomot
- 1שעל כל דבור פרחה נשמתן · Shabbat 88b:6–7
- 2ועל ראשי החי׳ רקיע · Ezekiel 1:22
- 3עד דאגלידו מיא · Zohar I, 77a
- 4חרק · Sefer HaBahir 43
- 5חרק אותיות קר״ח · ספר הבהיר סי׳ מג. ראה סידור סג, ד. ולעיל בדרושים לשמע״צ בשם הקדוש רבי אברהם בן הרב המגיד נ״ע.
30ואזי נאמר בחיות בעמדם תרפינה כנפיהם1 פי׳ שכנפיהם בהתלהבות אהוי״ר [אהבה ויראה] תרפינה למטה כי מתבטלים ממציאות שלהם ועומדים בבחי׳ ביטול לגמרי.
E então se diz dos Chayot: “Quando estavam de pé, baixavam as asas”: isto é, suas asas, [que estavam] inflamadas de amor e temor, baixam, pois eles se anulam em sua própria existência e permanecem num estado de completa autoanulação (bitul).
Yechezkel diz então que, quando os Chayot ficaram imóveis, baixaram as asas. Seu amor e temor ardentes se aquietam porque eles estão totalmente anulados e já não existem para si mesmos.
וזהו להצהיל פנים משמן2 דלכאורה אינו מובן הלשון להצהיל כו׳ והל״ל [והוה ליה למימר] ושמן יצהיל פנים כמו שאמר ולחם כו׳ יסעד ויין ישמח345678910 כו׳ וכמ״ש לעיל.
E isso é “para tornar o rosto radiante com o óleo”. Pois, aparentemente, a expressão “tornar radiante” etc. não é compreensível: deveria ter dito “e o óleo tornará o rosto radiante”, assim como diz “e o pão” etc. “sustenta”, e “o vinho alegra” etc., conforme foi escrito acima.
Isso responde à pergunta levantada na seção 1: por que o versículo diz “tornar radiante”, em vez de “o óleo tornará radiante”, seguindo o padrão de “o pão sustenta” e “o vinho alegra”?
אך הענין הוא לפי שכל עיקר בחי׳ ויין ישמח הוא כדי שיהיה אח״כ [אחר כך] להצהיל פנים משמן
Mas a questão é que toda a essência do nível de “o vinho alegra” é para que, depois, haja “para tornar o rosto radiante com o óleo”.
A resposta: a alegria produzida pelo vinho existe em função da radiância que vem do óleo.
כי כל עיקר השמחה ברשפי אש התשוקה בתחלה בבחינת רצוא11 שהוא נקרא יין הוא רק
Pois toda a essência da alegria nos lampejos do fogo do anseio no início, no modo de ratzo (correr para adiante), que é chamado vinho, é apenas
A alegria e o anseio ardentes iniciais, o ratzo da alma, seu “correr para adiante” em direção a D'us — o “correr e retornar” dos Chayot na visão de Yechezkel — são o “vinho”. São apenas um meio para o que vem depois.
כדי שיהיה אחר כך בחינת השוב והוא בחינת ההמשכה וגילוי אור הבא על ידי החכמה שהוא בחינת חכמת אדם תאיר פניו12 כו׳
para que, depois, haja o modo de shov (retorno), que é a extensão e revelação da luz que vem por meio de Chochmá (sabedoria), o nível de “A sabedoria do homem faz seu rosto resplandecer” etc.
Esse objetivo é o shov, o “retorno”: a extensão da luz por meio de Chochmá, a radiância serena da sabedoria que faz o rosto resplandecer.
נמצא שמהכוון העקרי הוא בחינת השוב שהוא בחינת להצהיל פנים משמן כי בזה יש קיום יותר.
Conclui-se que a intenção principal é o modo de shov, que é o nível de “tornar o rosto radiante com o óleo”, pois nisso há maior permanência.
Assim, o objetivo principal é o shov, a radiância proveniente do óleo, pois ela é mais duradoura do que o fogo passageiro da excitação.
אך בהיות שא״א [שאי אפשר] שיבא לבחינת שוב אלא א״כ [אם כן] קדם לו בחינת הרצוא ברשפי אש דוקא והיינו כדי לצאת ממאסר הגוף שזהו על ידי ההתבוננות ורשפי אש כו׳
Mas, como é impossível chegar ao modo de shov a menos que antes o preceda o modo de ratzo, especificamente em lampejos de fogo, isto é, para sair da prisão do corpo, o que se dá por meio da contemplação e dos lampejos de fogo etc.
No entanto, não se pode alcançar o shov sem antes passar pelo ratzo ardente, porque somente isso, nascido da contemplação, rompe a alma para fora da prisão do corpo.
(עמ״ש בד״ה ונקדשתי בתוך13 בנ״י [בני ישראל] ובד״ה והיה לכם לציצית)14 ע״כ [על כן] אמר תחלה ויין ישמח ואחר כך להצהיל שהוא עיקר המכוון כו׳
(Veja o que está escrito no discurso que começa “E serei santificado entre os filhos de Israel” e no discurso que começa “E será para vocês como tsitsit”.) Portanto, primeiro diz “o vinho alegra” e depois “tornar radiante”, que é a intenção principal etc.
É por isso que o versículo coloca primeiro o vinho e depois “tornar radiante”, que é o propósito principal. O texto remete a dois outros discursos.
(וע׳ [ועיין] מענין ויין ישמח כו׳ בזהר ויחי דר״מ ע״א שמיני ל״ט ע״א15 קרח קע״ז ב׳. פנחס דרט״ז סע״ב [סוף עמוד ב] דרי״ז סע״א [סוף עמוד א]. ויקרא י״ב ע״ב. משפטים קכ״ד ב׳. פקודי דרמ״ו סע״א [סוף עמוד א]).16
(E veja sobre o tema de “e o vinho alegra”, etc., no Zohar: Vayechi, página 240a; Shemini, 39a; Korach, 177b; Pinchas, final da página 216b e final da página 217a; Vayikra, 12b; Mishpatim, 124b; Pekudei, final da página 246a.)
O texto enumera passagens do Zohar que discutem “e o vinho alegra”.
(ועמ״ש בד״ה אסרי לגפן עירה1718 אסר יו״ד שבחינת יו״ד הוא ח״ע [חכמה עילאה] הוא אוסר ומקשר לבחינת גפן כו׳ ע״ש [עיין שם]) ובכ״ז [ובכל זה] יובן מה שאנו אומרים
(E veja o que está escrito no discurso que começa com “Atando seu jumentinho à videira”: osri, “atando”, é asar yud, “o yud ata”, pois o nível do yud é a Chochmá suprema (Chochmá Ilaá), que ata e conecta ao nível da “videira”, etc.; veja lá.) E com tudo isso será compreendido o que dizemos,
O discurso sobre “Atando seu jumentinho à videira” interpreta osri, “atando”, como asar yud, “o yud ata”: o yud, que é a Chochmá suprema, liga-se à “videira”, o vinho. Isso também explica uma frase das orações, citada a seguir.
כי באור פניך נתת לנו תורת חיים כו׳ כי התורה מחכמה נפקת והוא בחינת הארת פנים
“Pois, pela luz de Teu rosto, deste-nos uma Torá de vida”, etc., pois a Torá emana de Chochmá, e esse é o nível da iluminação do rosto.
“Pela luz de Teu rosto, deste-nos uma Torá de vida”: a Torá provém de Chochmá, e Chochmá é a “luz do rosto”.
(ועוי״ל [ועוד יש לומר] ע״ד [על דרך] שנתבאר לעיל בפי׳ עשה רצונו כרצונך שהוא הרצון הנולד ונמשך מהשכל וההתבוננות שזהו בחינת יין והיינו כדי שעי״ז אח״כ [אחר כך] יעשה רצונך כרצונו רצון העליון שלמעלה מהשכל וזהו בחינת העטרה דלקמן
(E pode-se dizer ainda, de acordo com o que foi explicado acima sobre o significado de “Faze tua vontade como a vontade Dele”: trata-se da vontade que nasce e se deriva do intelecto e da contemplação, que é o nível do vinho; e isso é para que, por meio disso, depois “Ele faça tua vontade como a vontade Dele”, a vontade suprema, que está acima do intelecto; e esse é o nível da coroa [explicado] adiante.
Pode-se dizer de outra maneira: “vinho” é a primeira interpretação de “Faze tua vontade como a vontade Dele”, uma vontade que nasce da contemplação. Seu propósito é que D'us então faça tua vontade como a vontade Dele, a vontade suprema, acima do intelecto, que é a “coroa” explicada adiante.
וזהו ג״כ בחי׳ שמן שהוא מקור החכמה שלמעלה מהבינה והדעת ושכל המושג ומובן נמצא מה שיין משמח שהוא בחי׳ עשה רצונו כרצונך תכליתו הוא להצהיל פנים משמן דהיינו ענין שיעשה רצונך כרצונו כו׳ וכדלקמן בפי׳ מצהלות חתנים מחופתם):
E esse também é o nível do óleo, que é a fonte de Chochmá, acima de Biná, Daat e do intelecto que pode ser apreendido e compreendido. Portanto, a alegria proporcionada pelo vinho, que é o nível de “Faze tua vontade como a vontade Dele”, tem por finalidade “tornar o rosto radiante com óleo”, isto é, o conceito de “Ele fará tua vontade como a vontade Dele”, etc., como [será explicado] adiante sobre o significado de “a radiante alegria dos noivos sob sua chupá”.)
Essa vontade suprema também é “óleo”, a fonte de Chochmá, acima de Biná, Daat e de tudo o que pode ser compreendido. Assim, a alegria proporcionada pelo vinho (“faze tua vontade como a vontade Dele”) conduz à luminosidade do óleo (“Ele fará tua vontade como a vontade Dele”), como será explicado sobre “a radiante alegria dos noivos sob sua chupá”.
O parágrafo responde à pergunta inicial sobre “tornar radiante”: o vinho, o ratzo ardente que nasce da contemplação, existe em função do óleo, o shov sereno da radiância de Chochmá, que é o objetivo principal e mais duradouro, mas não pode ser alcançado sem passar pelo vinho. Nos termos da Mishná, “faz a vontade d'Ele como a tua vontade” leva a “Ele fará a tua vontade como a vontade d'Ele”.
Marei mekomot
- 1תרפינה כנפיהם · Ezekiel 1:24
- 2להצהיל פנים משמן · Psalms 104:15
- 3ויין ישמח · Zohar, Vayechi 62:630–63:641
- 4ויין ישמח · Zohar, Shmini 5:59–6:70
- 5ויין ישמח · Zohar, Korach 5:22–7:29
- 6ויין ישמח · Zohar, Pinchas 10:58–12:70
- 7ויין ישמח · Zohar, Pinchas 12:70–80
- 8ויין ישמח · Zohar, Vayikra 25:191–27:200
- 9ויין ישמח · Zohar, Mishpatim 25:549–27:558
- 10ויין ישמח · Zohar, Pekudei 46:505–47:515
- 11רצוא · Ezekiel 1:14
- 12חכמת אדם תאיר פניו · Ecclesiastes 8:1
- 13ונקדשתי בתוך · Leviticus 22:32
- 14והיה לכם לציצית · Numbers 15:39
- 15שמיני ל״ט ע״א · ראה גם לעיל סוכות פ, א הלשון, וראה ביאוה״ז להצ״צ כרך ב ע׳ תתנא.
- 16(ועיין מענין ויין ישמח . . פקודי דרמ״ו סע״א) · ראה אוה״ת שה״ש כרך ב ע׳ שצ שמעתיק כמה מהלשונות שבמ״מ.
- 17בד״ה אסרי לגפן עירה · תו״א פ׳ ויחי.
- 18אסרי לגפן עירה · Genesis 49:11
A coroa ¶31–33
31ו ומעתה נבוא לענין הפסוק צאינה וראינה1 כו׳ בעטרה שעטרה לו אמו כי הנה עטרה הוא בחי׳ רצון העליון2 כמ״ש כצנה רצון תעטרנו3 שהוא בחי׳ מקיף עליון
6. Agora chegamos ao tema do versículo “Saí e contemplai”, etc., “a coroa com que sua mãe o coroou”. Pois a coroa é o nível da vontade suprema, como está escrito: “Como com um escudo, Tu o coroarás com vontade”, que é o nível de uma luz abrangente suprema (makif),
A seção 6 chega à coroa do versículo inicial. A coroa é a vontade suprema, como diz o salmo: “Tu o coroarás com vontade”. Ela é um makif, uma luz abrangente que circunda, em vez de penetrar.
והוא בחי׳ כתר תורה והוא למעלה מבחינת לחם ויין שהוא מה שנמשך בבחינת א״פ [אור פנימי] משא״כ עטרה הוא מבחינת גילוי אור א״ס [אין סוף] עצמו הסוכ״ע [הסובב כל עלמין] (וע״ד [ועל דרך] מ״ש בזהר ר״פ בהעלותך)
e é o nível da “coroa da Torá”. Está acima do nível do pão e do vinho, que são aquilo que é atraído como luz interior (Or Pnimi), ao passo que a coroa provém do nível da revelação da própria Luz Infinita (Or Ein Sof), a luz que circunda todos os mundos (sovev kol almin) (e na linha do que está escrito no Zohar, no início da Parashat Behaalotecha)
Ela é a “coroa da Torá”, superior ao pão e ao vinho, que são uma luz interior (Or Pnimi) que penetra nos recipientes. A coroa é a revelação da própria Luz Infinita, a luz que circunda todos os mundos.
(p. 148b), sobre o significado de “E ele é como um noivo que sai de sua chupá”: “O que é sua chupá? Esta é a coroa com que sua mãe o coroou”, etc.
O Zohar, no início de Behaalotecha, explica “como um noivo que sai de sua chupá”: a chupá é “a coroa com que sua mãe o coroou”.
ומבואר לעיל בד״ה לסוסתי שבחי׳ חופה הוא סוכ״ע [סובב כל עלמין] ועמ״ש מזה ג״כ בד״ה תורה צוה7 וע׳ [ועיין] בזהר בראשית ד״ח ע״א8
E foi explicado acima, no discurso que começa “À minha égua”, que o nível da chupá é a luz que circunda todos os mundos; e veja também o que está escrito a esse respeito no discurso que começa “A Torá ordenou”; e veja o Zohar, Bereshit, p. 8a.
O discurso anterior, “À minha égua”, explicou que a chupá é a luz que circunda todos os mundos. O texto também remete a outro discurso e ao Zohar.
ולכן ארז״ל [אמרו רבותינו זכרונם לברכה] אלעתיד לבוא צדיקים יושבים ועטרותיהם בראשיהם9 שלעתיד יומשך ויתגלה אור א״ס [אין סוף] הסובב כל עלמין בבחי׳ גילוי
Por isso nossos Sábios, de abençoada memória, disseram que, no tempo vindouro, os justos se sentarão com suas coroas sobre a cabeça: pois, no tempo vindouro, a Luz Infinita que circunda todos os mundos será atraída e revelada de modo manifesto.
É por isso que os Sábios descrevem o Mundo Vindouro como aquele em que os justos se sentam com coroas sobre a cabeça: então a luz que circunda todos os mundos será revelada abertamente.
והנה מבחינת בעטרה שעטרה לו אמו ביום חתונתו נמשך בחי׳ להצהיל פנים משמן וכמאמר קול מצהלות חתנים מחופתם.10
Ora, do nível de “a coroa com que sua mãe o coroou no dia de seu casamento” provém o nível de “para fazer o rosto resplandecer com óleo”, como na expressão: “o som da jubilosa celebração (mitsahalot) dos noivos que saem de sua chupá”.
Da coroa provém o resplendor do óleo, como diz a bênção nupcial: “a jubilosa celebração (mitsahalot) dos noivos que saem de sua chupá”: o resplendor provém da chupá, a coroa abrangente.
O parágrafo identifica a coroa do versículo com a vontade suprema, uma luz abrangente (a chupá), superior à luz interior do pão e do vinho da Torá. Ela será revelada abertamente no tempo vindouro, e dela provém o resplendor do “óleo”.
Em Or HaTorah (Inyanim, p. 70), citado na nota da Kehot, o Tzemach Tzedek, referindo-se a este maamar, fala de duas coroas, dois níveis de vontade: a vontade inferior, a Tiféret de Imá que se torna uma coroa para Zeir Anpin, como a vontade extraída do intelecto; e a vontade suprema do próprio Kéter, atraída a Zeir Anpin por meio de Abá e Imá.
Marei mekomot
- 1צאינה וראינה · Song of Songs 3:11
- 2עטרה הוא בחי׳ רצון העליון · אוה״ת ענינים ע׳ ע שמציין לכאן: ”ולפי מה ששמענו ע״פ צאינה וראינה בנות ציון . . ושם נת׳ [— הכוונה לכאן] בעטרה שעטרה הם ב׳ עטרות והוא ב׳ בחי׳ רצון הא׳ הנק׳ רצה״ת והוא ת״ת דאי׳ שנעשה כתר לז״א כמשל רצון הנמשך מהשכל, והב׳ בחי׳ רצה״ע דכתר ממש שנמשך ג״כ לז״א באמצעות או״א” ע״ש.
- 3כצנה רצון תעטרנו · Psalms 5:13
- 4והוא כחתן יוצא מחופתו · Psalms 19:6
- 5כחתן יוצא מחופתו · Zohar, Introduction 13:123–14:132
- 6מאן איהו חופתו דא איהו עטרה שעטרה לו אמו · Zohar, Beha'alotcha 1:1–2:5
- 7בד״ה תורה צוה · לעיל פ׳ ברכה צד, ג.
- 8בזהר בראשית ד״ח ע״א · ע׳ לעיל יא, ד ובמ״מ לשם.
- 9צדיקים יושבים ועטרותיהם בראשיהם · Berakhot 17a:12
- 10קול מצהלות חתנים מחופתם · Ketubot 8a:6
32והענין כי הנה ארז״ל [אמרו רבותינו זכרונם לברכה] נובלות חכמה שלמעלה תורה.1 פירש שהתורה כמו שירדה למטה נמשכה מבחינת אחוריים דח״ע [דחכמה עילאה] כמ״ש באגה״ק [באגרת הקודש] ד״ה עוטה אור2
A explicação é a seguinte: nossos Sábios, de abençoada memória, disseram: “Os frutos caídos da sabedoria do Alto são a Torá.” Isso significa que a Torá, tal como desceu aos mundos inferiores, deriva do nível do “dorso” (achorayim) da Chochmá suprema (Chochmá Ilaá), conforme está escrito em Iggeres HaKodesh, na epístola que começa “Ele Se envolve em luz”.
O Midrash chama a Torá de “os frutos caídos da sabedoria do Alto”: a Torá, tal como chegou até nós, deriva do “dorso” da Chochmá suprema, seu aspecto exterior, como explica Iggeres HaKodesh na epístola “Ele Se envolve em luz”.
וזהו בחינת התורה שנק׳ לחם ועמ״ש בענין דומה דודי לצבי3 מה צבי מחזיר ראשו לאחוריו כו׳
E este é o nível da Torá chamado pão. (Veja também o que está escrito a respeito de “Meu amado é como uma gazela”: assim como a gazela volta a cabeça para trás, etc.)
Esse nível exterior da Torá é o que se chama “pão”. O texto o compara à gazela de Shir HaShirim, que volta a cabeça para trás: uma revelação que vem por detrás, por assim dizer.
אמנם בחינת להצהיל פנים היינו ענין יאר ה׳ פניו שיומשך בהתורה גילוי עצמיות ח״ע [חכמה עילאה] ממש שלמעלה מבחי׳ נובלות חכמה כו׳
Mas o nível de “fazer o rosto resplandecer” corresponde a “Que Havayá faça Seu rosto brilhar”: que se estenda à Torá a revelação da própria essência da Chochmá suprema, que está acima do nível dos “frutos caídos da sabedoria”, etc.,
“Fazer o rosto resplandecer”, porém, é o “rosto” da Bênção Sacerdotal, “Que Havayá faça Seu rosto brilhar”: a revelação dentro da Torá da própria essência da Chochmá suprema, acima de seus “frutos caídos”.
como em “A sabedoria do homem faz seu rosto brilhar”, o que ocorre por meio da grande revelação de uma nova luz proveniente da fonte da sabedoria, que flui, etc.
É o rosto resplandecente de “a sabedoria do homem”, que resulta de uma grande revelação de nova luz proveniente da própria fonte da sabedoria, a fonte que flui, em Mishlei.
וזהו ענין עוסק בתורה לשמה לשם התורה עצמה שיהיה אור א״ס [אין סוף] ב״ה שורה ומתגלה בה וזהו להצהיל פנים משמן7 דייקא
E este é o sentido de alguém que se ocupa com a Torá por sua própria causa: em prol da própria Torá, para que a Luz Infinita (Or Ein Sof), bendito seja Ele, repouse nela e nela se revele. E isto é “fazer o rosto resplandecer”, especificamente “com óleo”,
Isto é estudar Torá “por sua própria causa”, em prol da própria Torá: para que a Luz Infinita repouse nela e nela se revele. Por isso, o resplendor vem especificamente “do óleo”.
כי שמשן הוא מקור הח״ע [החכמה עילאה] ועצמיותה ושרשה וכמשנ״ת [וכמו שנתבאר] לעיל ומשם דייקא נמשך בחי׳ להצהיל פנים יאר ה׳ פניו כו׳
pois o óleo é a fonte da Chochmá suprema, sua essência e sua raiz, conforme explicado acima; e é especificamente de lá que provém o nível de “fazer o rosto resplandecer”, “Que Havayá faça Seu rosto brilhar”, etc.
O óleo é a fonte da Chochmá suprema, sua essência e sua raiz, conforme explicado anteriormente; e é somente de lá que provém o rosto resplandecente da Bênção Sacerdotal.
אך עכ״ז [עם כל זה] בחי׳ להצהיל ומצהלות חתנים נמשך מחופתם דוקא שהוא מבחי׳ סוכ״ע [סובב כל עלמין] שמשם נמשך הגילוי להיות בחי׳ להצהיל פנים משמן
Ainda assim, o nível de “fazer resplandecer” e o “júbilo resplandecente dos noivos” provêm especificamente “de seu pálio nupcial”, que corresponde ao nível da luz que circunda todos os mundos (sovev kol almin); é de lá que provém a revelação que constitui o nível de “fazer o rosto resplandecer com óleo”;
No entanto, o resplendor, o “júbilo resplandecente dos noivos”, vem “de seu pálio nupcial”: da luz que circunda todos os mundos, que provoca a revelação do resplendor proveniente do óleo.
דהיינו שע״י בחי׳ עטרה וחופה הנ״ל נמשך להיות גילוי בחי׳ עצמיות ח״ע [חכמה עילאה] הנקרא שמן מה שלמעלה מבחי׳ נובלות כו׳
isto é, por meio do nível da coroa e do pálio nupcial mencionados acima, ocorre a revelação do nível da essência da Chochmá suprema, chamada óleo, que está acima do nível dos “frutos caídos”, etc.
Assim, é por meio da coroa e do pálio nupcial, a luz que circunda, que se revela a essência da Chochmá suprema, chamada óleo, acima do nível dos “frutos caídos” da Torá.
(ועמ״ש מזה בד״ה תורה צוה הנ״ל ועיין בזהר ויקרא) (דף ז׳ ע״ב)8 ע״פ כשמן הטוב9 כו׳ ובזהר הרקיע שם ור״פ אמור (דפ״ח)
(E veja o que está escrito sobre isso no maamar que começa “A Torá ordenou”, mencionado acima; e veja o Zohar, Vayikra) (página 7b), sobre [o versículo] “Como o óleo precioso”, etc., e no Zohar HaRakia, nesse mesmo lugar, e no início de Parshas Emor (página 88).
O texto remete ao maamar “A Torá ordenou” e ao Zohar sobre “Como o óleo precioso sobre a cabeça”, que explica o óleo precioso como o óleo sagrado da unção, que flui de Atik Kadisha sobre a cabeça do Rei.
גם י״ל [יש לומר] במש״כ [במה שכתוב]10 ועיקר העטרה היינו גילוי אור אבא בחינת שמן שהוא ע״ד [על דרך] מ״ש בע״ח [בעץ חיים] שכ״ב פ״ג [פרק ג׳]11 ומתפארת דאבא נעשה לו נשמה כו׳ וכתר אמיתי נעשה12 כו׳
Também se pode dizer, a respeito do que está escrito, que a essência da coroa é a revelação da luz de Abá, o nível do óleo, conforme o que está escrito em Etz Chaim, Sha’ar 22, capítulo 3: “E da Tiféret de Abá é feita uma alma para ele”, etc., “e é feito um Kéter verdadeiro”, etc.;
Uma explicação alternativa: a essência da coroa é a revelação da luz de Abá (Chochmá), que é o óleo. Etz Chaim diz que a alma da coroa de Zeir Anpin é feita da Tiféret de Abá, enquanto o Kéter verdadeiro é feito do próprio Arich Anpin.
ע״ש [עיין שם] וע׳ [ועיין] בזהר אמור (דק״ב סע״ב [סוף עמוד ב])13 ובפי׳ הרמ״ז [הרב משה זכות] שם גבי וכדין ירית מלכא לאו״א [לאבא ואימא]14 כו׳ ע״ש [עיין שם] אך עיקר המכוון כאן הוא כנ״ל והכל עולה בקנה א׳.
veja ali. E veja o Zohar, Emor (final da página 102b), e o comentário de Ramaz ali, sobre “e então o Rei herda Abá e Imá”, etc.; veja ali. Mas a intenção principal aqui é a mencionada acima, e tudo converge para um mesmo ponto.
O Zohar em Emor, com o comentário de Ramaz, também fala do Rei “herdando” Abá e Imá quando é coroado. Mas a explicação principal é a apresentada acima, e as duas leituras concordam.
אך מכל מקום נקרא בעטרה שעטרה לו אמו כי אף שהעטרה עצמה היא למעלה מעלה מבחי׳ אימא
Ainda assim, é chamada “a coroa com que sua mãe o coroou”, pois, embora a própria coroa esteja muito, muito acima do nível de Imá
Por que, então, a coroa é chamada aquela “com que sua mãe o coroou”, quando ela está muito acima de Imá (Biná)?
(וכמ״ש הרמ״ז [הרב משה זכות] וכמ״ש ג״כ במק״מ [במקדש מלך] פ׳ אחרי בדף ס״ו ע״ב)15 שהיא בחי׳ יין ישמח כמ״ש אם בנים שמחה16 עכ״ז [עם כל זה] שעטרה לו אמו.
(como escreve Ramaz, e como também está escrito em Mikdash Melech, em Parshas Acharei, página 66b), que [Imá] é o nível de “o vinho alegra”, como está escrito: “uma mãe alegre com filhos”; apesar disso, é aquela “com que sua mãe o coroou”.
Imá é o nível de “o vinho alegra”, a alegria do entendimento, conforme o salmo a chama de “uma mãe alegre com filhos”. Mesmo assim, a coroa vem por seu intermédio.
כי להיות גילוי והמשכת עטרה זו צ״ל [צריך להיות / צריך לומר / צריך להבין] כסדר המדרגות וכמאמר עשה רצונו כרצונך כדי שיעשה רצונך כרצונו17 ונת׳ [ונתבאר] למעלה בפי׳ שיעשה רצונך כרצונו שהוא ענין גילוי בחינת רצון העליון שלמעלה מהחכמה
Pois a revelação e a extensão desta coroa devem seguir a ordem dos níveis, como no dito: “Faze a Sua vontade como a tua vontade, para que Ele faça a tua vontade como a Sua vontade.” E foi explicado acima que “Ele fará a tua vontade como a Sua vontade” é a revelação do nível da vontade suprema, que está acima de Chochmá,
A razão é que a coroa só pode ser revelada em ordem, passo a passo, como na Mishná: “Faze a Sua vontade como a tua vontade, para que Ele faça a tua vontade como a Sua vontade.” Conforme explicado acima, “Ele fará a tua vontade como a Sua vontade” é a revelação da vontade suprema, acima de Chochmá.
דהיינו המשכת הכתר שהרצון העליון שהוא רצונו יומשך ויתגלה ברצון התחתון שנקרא רצונך וכדי שיהיה בחינה זו צ״ל [צריך להיות / צריך לומר / צריך להבין] תחלה עשה רצונו כרצונך.
isto é, a extensão de Kéter: que a vontade suprema, que é “a Sua vontade”, seja estendida e revelada na vontade inferior, chamada “a tua vontade”. E, para que esse nível se concretize, é preciso primeiro “Faze a Sua vontade como a tua vontade”.
Isto é, a extensão de Kéter, da vontade suprema (“a Sua vontade”) para a vontade inferior, humana (“a tua vontade”). Para que isso aconteça, primeiro é preciso “Faze a Sua vontade como a tua vontade”.
והוא על ידי התבוננות בחינת יין ישמח שעי״ז מולידים הרצון התחתון. והוא גורם לגילוי רצון העליון.
E isso ocorre por meio da contemplação, o nível de “o vinho alegra”, pela qual nasce a vontade inferior; e ela provoca a revelação da vontade suprema.
Esse primeiro passo ocorre por meio da contemplação, o “vinho” que alegra, que dá origem à vontade inferior; e esta, por sua vez, provoca a revelação da vontade suprema.
וזהו בעטרה שעטרה לו אמו כו׳. (וז״ש [וזהו שכתוב] בזהר אמור) (דצ״ד ע״א)18 והאי יין מעטרא למלכא בעטרוי19 הה״ד [הדא הוא דכתיב] שעטרה לו אמו.
E isto é “a coroa com que sua mãe o coroou”, etc. (E é isto que está escrito no Zohar, Emor) (página 94a): “E este vinho coroa o Rei com Suas coroas, como está escrito: ‘com que sua mãe o coroou.’”
Por isso a coroa é aquela com que “sua mãe o coroou”: a alegria do entendimento (Imá, o vinho) conduz à coroa. O Zohar, em Emor, o declara explicitamente: “este vinho coroa o Rei com Suas coroas.”
ועיין מה שכתוב בד״ה ויקהל משה2021 מענין רצון התחתון שהוא כלי לגילוי רצון העליון כו׳ ועל ידי עטרה זו נמשך בחינת להצהיל פנים משמן כו׳
E veja o que está escrito no discurso que começa com “E Moshe reuniu”, a respeito da vontade inferior ser um recipiente para a revelação da vontade superior, etc. E por meio desta coroa vem o nível de “para fazer o rosto resplandecer com óleo”, etc.
O discurso “E Moshe reuniu” explica como a vontade inferior é um recipiente para a revelação da vontade superior. Por meio desta coroa vem o resplendor do óleo.
וענין במלך שלמה מלך שהשלום שלו נתבאר למעלה שעי״ז נמשך שלום בפמליא של מעלה ובפמליא של מטה. ומקור בחינת שלום זה נמשך מבחי׳ העטרה וכתר תורה.2223
E a questão de “do Rei Shlomo”, o Rei a quem pertence a paz, foi explicada acima: por meio disso, a paz é atraída para a corte do Alto e para a corte de baixo. E a fonte deste nível de paz provém do nível da coroa e da coroa da Torá.
E “o Rei Shlomo”, o Rei a quem pertence a paz, foi explicado anteriormente: por meio da Torá, há paz no Alto e embaixo. A fonte dessa paz é a coroa, a coroa da Torá.
O parágrafo explica por que o resplendor proveniente do óleo vem da coroa: a Torá tal como a temos é o “fruto caído” da Chochmá suprema, ao passo que o resplendor é a revelação da própria essência da Chochmá, que só vem por meio da coroa e do pálio nupcial que circundam. A coroa é chamada “sua mãe” porque se chega a ela por uma sequência: a alegria do entendimento (Imá, vinho, “faz Sua vontade como a tua”) dá origem à vontade humana, que então se torna um recipiente para a vontade suprema.
A nota de Kehot cita Or HaTorá: “o óleo é o mochin de Abá, que desceu de Atik Kadisha por meio do mazla e, de lá, entrou em Abá”. O Zohar em Emor (95a) associa a coroa ao vinho da Torá, o vinho do kidush: “este vinho alegra o Rei, e este vinho coroa o Rei com Suas coroas”.
Marei mekomot
- 1נובלות חכמה שלמעלה תורה · Bereshit Rabbah 17:5
- 2כמ״ש באגה״ק ד״ה עוטה אור · וראה גם בקו״א לתניא ד״ה דוד זמירות.
- 3דומה דודי לצבי · Song of Songs 2:9
- 4חכמת אדם תאיר פניו · Ecclesiastes 8:1
- 5יאר ה׳ פניו · Numbers 6:25
- 6ממקור החכמה הנובע · Proverbs 18:4
- 7להצהיל פנים משמן · Psalms 104:15
- 8ועיין בזהר ויקרא (דף ז׳ ע״ב) · נזכר גם לעיל פ׳ פקודי ו, ג. וראה באוה״ת כרך ג ע׳ תשלג נעתק הלשון ”פי׳ שמן הם המוחין דאבא וירדו מע״ק דרך המזלא ומשם נכנס באבא עכ״ל” ע״ש.
- 9כשמן הטוב · Psalms 133:2
- 10במש״כ · לקמן כז, ב.
- 11בע״ח שכ״ב פ״ג · בדפוס שקלאוו תק״ס. לפנינו שכ״ג (ש׳ מוחין דצלם) וצ״ל רפ״ז וכאן ט״ס פ״ג. [כ].
- 12ומתפארת דאבא נעשה לו נשמה כו׳ וכתר אמיתי נעשה · Sefer Etz Chaim 23:7
- 13אמור (דק״ב סע״ב) · באוה״ת שה״ש כרך ב ע׳ שפה מציין דשם פי׳ הרמ״ז עטרה הוא כתר דז״א.
- 14וכדין ירית מלכא לאו״א · Zohar, Emor 40:252–42:260
- 15במק״מ פ׳ אחרי בדף ס״ו ע״ב · באוה״ת שה״ש ע׳ שפד ”ופי׳ המק״מ דעטרה זו באה מתפארת דעתיק ע״י בינה דאריך” ע״ש.
- 16אם בנים שמחה · Psalms 113:9
- 17עשה רצונו כרצונך כדי שיעשה רצונך כרצונו · Pirkei Avot 2:4
- 18אמור (דצ״ד ע״א) · צ״ל צה. [כ]. וראה באוה״ת שה״ש כרך ב ע׳ שפד.
- 19והאי יין מעטרא למלכא בעטרוי · Zohar, Emor 25:123–26:131
- 20בד״ה ויקהל משה · תו״א פ׳ ויקהל.
- 21ויקהל משה · Exodus 35:1
- 22
- 23
33והנה כדי להיות גילוי בחינת עטר זו צ״ל [צריך להיות / צריך לומר / צריך להבין] צאינה וראינה1 צאינה בבי״ע [בבריאה יצירה עשיה] וכמו עד״מ [על דרך משל] שאבן טוב2 המבהיק ביותר א״א [אי אפשר] לראות ולהביט בו נגד השמש ממש
Ora, para que haja a revelação deste nível da coroa, é preciso “Sair e contemplar”: “sair” para os mundos de Beriá, Yetsirá e Assiá. Pois, por exemplo, uma pedra preciosa que cintila intensamente não pode ser vista nem contemplada diretamente, diante do sol;
Para ver a coroa, é preciso “sair” de Atsilut para os mundos inferiores de Beriá, Yetsirá e Assiá. Não se consegue ver adequadamente uma pedra preciosa muito brilhante diante do próprio sol.
רק דייקא במקום שאין שם אור כ״כ [כל כך] וגם כמו שא״א [שאי אפשר] להסתכל באור האבוקה מקרוב ממש אלא מרחוק כו׳
mas, especificamente, num lugar onde não haja tanta luz; e também porque é impossível contemplar a luz de uma tocha estando realmente muito perto, mas somente de longe, etc.
Ela só pode ser vista num lugar com menos luz; e não se pode contemplar uma tocha de muito perto, apenas à distância. Da mesma forma, a coroa só pode ser vista “de fora”.
(גם יש לומר דוגמא לזה ממ״ש בע״ח [בעץ חיים] של״א3 פ״א בשם הזהר בפי׳ ותתצב אחותו מרחוק.4 מרחוק ה׳ נראה לי כי כל אורות אבא הם מרחוק ולא מקרוב5 כו׳ ובפע״ח [ובפרי עץ חיים] שער העמידה ס״פ י״ג)
(Pode-se também dizer que há um exemplo disso no que está escrito em Etz Chaim, Sha’ar 31, capítulo 1, em nome do Zohar, sobre o sentido de “E sua irmã ficou de pé à distância”, [e] “De longe Havayá me apareceu”: pois todas as luzes de Abá são de longe, e não de perto, etc.; e em Pri Etz Chaim, Sha’ar HaAmidah, final do capítulo 13.)
Etz Chaim apresenta uma ideia semelhante em nome do Zohar: os versículos “Sua irmã ficou de pé à distância” e “De longe Havayá me apareceu” ensinam que todas as luzes de Abá (Chochmá) são vistas de longe, e não de perto.
ועוי״ל [ועוד יש לומר] כפשוטו בפי׳ צאינה שזהו ענין לכו לחמו כו׳ כי עם היות דהעטרה היא שעטרה לו אמו שהיא בחי׳ אם הבנים שמחה6 וישמחו בך כו׳
Pode-se ainda dizer, segundo o sentido simples, que o significado de “Sair” é o assunto de “Ide, comei”, etc. Pois, embora a coroa seja aquela “com que sua mãe o coroou”, que corresponde ao nível de “uma mãe feliz com seus filhos” e “se alegrarão em Ti”, etc.,
Uma segunda interpretação, mais simples: “Sair” é o “Ide” de “Ide, comei do meu pão”. A coroa vem da “mãe”, a mãe feliz com seus filhos, e Israel se alegra em D'us.
אך שמחה זו היא בחי׳ יינה של תורה כנל וכמו שא״א [שאי אפשר] לשתות יין אליבא ריקנא כך מתחלה צ״ל [צריך להיות / צריך לומר / צריך להבין] ולחם לבב אנוש יסעד7
essa alegria é o nível do “vinho” da Torá, como mencionado acima; e, assim como é impossível beber vinho de estômago vazio, primeiro é preciso haver “e o pão sustenta o coração do homem”,
Essa alegria é o vinho da Torá. Assim como não se deve beber vinho de estômago vazio, primeiro é preciso ter o pão que sustenta o coração do homem.
והיינו לכו לחמו בלחמי8 וזהו צאינה כו׳ ואח״כ [ואחר כך] ויין ישמח כו׳ להצהיל פנים וזהו וראינה בעטרה שעטרה לו אמו ביום חתונתו910111213 כו׳
isto é, “Ide, comei do meu pão”; e isto é “Sair”, etc. Depois, “e o vinho alegra”, etc., “para fazer resplandecer o rosto”; e isto é “e contemplai a coroa com que sua mãe o coroou no dia de seu casamento”, etc.
Assim, “Sair” é “Ide, comei do meu pão”; em seguida vem o vinho que alegra e faz o rosto resplandecer. Isso é “contemplai a coroa com que sua mãe o coroou no dia de seu casamento”, isto é, a Entrega da Torá.
(ועיין מענין צאינה וראינה בעטרה כו׳ בזח״א [בזהר חלק א] ויחי רמ״ו א׳ רמ״ח סע״ב [סוף עמוד ב] ח״ב [חלק ב׳] וארא כ״ב א׳ תרומה קל״ד א׳ ח״ג [חלק ג׳] אמור צ״ח א׳ נשא קמ״ח ב׳ בלק ר״ט14 א׳):
(E veja sobre o assunto de “Sair e contemplar a coroa”, etc., no Zohar, Parte I, Vayechi 246a e final de 248b; Parte II, Va’era 22a, Terumah 134a; Parte III, Emor 98a, Nasso 148b, Balak 209a.)
O texto enumera passagens do Zohar que tratam de “Sair e contemplar a coroa”.
O parágrafo final interpreta “Sair e contemplar” de duas maneiras: é preciso sair para os mundos inferiores para ver a coroa, assim como uma pedra preciosa ou uma tocha só podem ser vistas à distância; e, numa interpretação mais simples, “Sair” significa primeiro comer o pão da Torá e depois beber seu vinho, chegando assim a contemplar a coroa concedida no dia da Entrega da Torá.
No discurso “U’Sfartem”, de 5677, citado na nota da Kehot, esta passagem é explicada por meio da imagem de um sinete gravado numa pedra preciosa: as letras não podem ser discernidas na própria pedra, embora constituam a essência do sinete, e só aparecem quando impressas na cera. Assim, em Atsilut, onde “Ele e Seus recipientes são um”, Kéter não pode ser apreendido até que se “saia” para as câmaras de Beriá.
Marei mekomot
- 1צאינה וראינה · Song of Songs 3:11
- 2כדי להיות גילוי בחינת עטרה . . וכמו עד״מ שאבן טוב · מובא בד״ה וספרתם עזר״ת ע׳ קצב שמציין לכאן: ”שכדי לראות בעטרה שעטרה לו כו׳ שהוא אור הכתר, צ״ל צאינה מאצי׳ בהיכלות דברי׳ שם דוקא תוכלו לראות כו׳, וכמו עד״מ החותם אותיות החקוקים על אבן טוב הרי על האבן טוב אינם ניכרים האותיות עם היות שזהו עצם החותם, רק כשנחתמים על השעוה אז נראים האותיות כו׳, ועד״ז באצי׳ דאיהו וגרמוהי חד זהו כמשל בהירת האב״ט שם לא יהי׳ ההשגה באור הכתר אלא ע״י צאינה בהיכלות דברי׳ כו׳” עכ״ל שם.
- 3בע״ח של״א · בדפוס שקלאוו תק״ס. לפנינו של״ב. [כ].
- 4ותתצב אחותו מרחוק · Exodus 2:4
- 5כי כל אורות אבא הם מרחוק ולא מקרוב · Sefer Etz Chaim 32:3–4
- 6אם הבנים שמחה · Psalms 113:9
- 7ולחם לבב אנוש יסעד · Psalms 104:15
- 8לכו לחמו בלחמי · Proverbs 9:5
- 9בעטרה שעטרה לו אמו ביום חתונתו · Zohar, Vayechi 72:752–73:761
- 10בעטרה שעטרה לו אמו ביום חתונתו · Zohar, Vaera 1:1–8
- 11בעטרה שעטרה לו אמו ביום חתונתו · Zohar, Emor 35:167–171
- 12בעטרה שעטרה לו אמו ביום חתונתו · Zohar, Beha'alotcha 1:1–2:5
- 13בעטרה שעטרה לו אמו ביום חתונתו · Zohar, Balak 44:432–440
- 14ועיין מענין צאינה וראינה . . בלק ר״ט א׳ · הרבה מ״מ אלו נעתקו באוה״ת שה״ש כרך ב ע׳ שפב ואילך.
Terminou o maamar?
Marque-o como estudado; ele conta para a semana e para o siyum do ano.
Na avodá
A pessoa deve dedicar sua mente principalmente à Torá, tanto aos seus ensinamentos revelados quanto à sua dimensão interior, e apenas um pouco aos negócios. Na oração, deve contemplar a grandeza de D'us até que o amor se acenda, e depois estudar Torá nesse espírito, por sua própria causa. Quando o amor se apaga durante o dia de trabalho, pode ao menos deixar de lado todo desejo estranho. Deve cumprir a Torá e as mitsvot com alegria, que advém da contemplação de que elas são a própria vontade de D'us. A ordem é primeiro o pão, depois o vinho: o estudo da Torá fortalece até mesmo quem ainda não tem amor e, por meio dele, a pessoa chega à alegria e ao brilho.
Perguntas para conversar
- Por que o Alter Rebe insiste que a alegria do vinho existe em função do brilho do azeite e, ainda assim, que não se pode alcançar o brilho sem primeiro passar pelo vinho?
- Como a imagem de Metatron que se eleva no Shabat e desce a cada domingo explica tanto o versículo “seus dias são como a erva” quanto a maneira de contar os dias da semana?
- Qual é a diferença entre as duas interpretações de “Faz a vontade Dele como a tua vontade”, e como cada uma leva a “Ele fará a tua vontade como a vontade Dele”?
- Por que “Anula a tua vontade” só se aplica fora da oração, e o que isso ensina sobre as horas de trabalho e negócios?
- Em que sentido é preciso “sair” para ver a coroa, e como as analogias da gema e da tocha explicam isso?