Likkutei Torah · Parshas Shir HaShirim · Maamar 26
אני ישנה ולבי ער קול דודי דופק פתחי לי כו׳
“Estou dormindo, mas meu coração está desperto”
A ideia central
No exílio, Israel “dorme”: as letras da Torá e da oração ainda carregam a Luz Infinita, mas ela está oculta. Contudo, D'us, o “coração” de Israel, permanece desperto; e, assim como um coração só libera aquilo que primeiro recebe, Seu fluxo responde ao nosso despertar de baixo, enquanto, além dele, o “orvalho” da vontade superna é revelado plenamente quando a pessoa já fez tudo o que podia.
O maamar em resumo
O maamar explica Shir HaShirim 5:2. O exílio é um sono, no qual “nossos sinais”, as letras da Torá e da oração, não são vistos, embora, como cavalos, carreguem a Luz Infinita que circunda todos os mundos para dentro da alma. D'us é chamado de coração de Israel, e não de seu cérebro, porque o coração só libera aquilo que primeiro recebe; assim, Seu fluxo depende de um despertar de baixo: o amor do Shemá, um verdadeiro desejo (chefetz) somente por D'us, que atrai Seu deleite para a Torá e as mitsvot. Os quatro nomes da noiva são etapas desse amor: “minha irmã”, o amor natural liberto do corpo; “minha amada”, Israel “alimentando” D'us com sua autoanulação, assim como o alimento digerido se torna o sangue que une a alma ao corpo, o que é possível porque Israel “surgiu no pensamento”; “minha pomba”, um olhar para o Rei que jamais se sacia; “minha perfeita”, Israel tornando D'us “completo”, como se O tivesse feito, formando os recipientes de Seus atributos. Tudo isso é causado por “minha cabeça está cheia de orvalho”, um despertar do alto que vai além do despertar de baixo: “Abre para Mim como a ponta de uma agulha, e Eu abrirei para ti como a entrada do Ulam.”
Esquema
- Sono, sinais e letrasO exílio é um sono, no qual “nossos sinais”, as letras da Torá e da oração, não são vistos. As letras são “cavalos” que carregam a Luz Infinita que circunda todos os mundos para dentro da alma; no futuro, ela será vista abertamente. Contudo, “meu coração está desperto”: D'us é chamado de coração de Israel.¶1–2
- Por que o coração, e não o cérebroO fluxo do coração é um circuito: ele recebe o sangue formado a partir do alimento, contrai-se sobre ele e se abre para enviá-lo, constituindo sua pulsação constante, enquanto o cérebro apenas dá. Assim, D'us é chamado de coração: Seu fluxo para a criação depende do despertar de baixo.¶3–5
- O amor do Shemá e o deleite supernoO despertar de baixo é “E amarás”: chefetz, um desejo que encontra deleite somente em D'us, e não mero ratzon. Em resposta, a vontade e o deleite interiores de D'us são atraídos para a Torá e para as mitsvot físicas; por isso, o jugo do Céu precede o jugo das mitsvot.¶6–8
- O coração desperto no exílio e a pulsaçãoMesmo no exílio, a vontade do coração permanece, e o deleite é atraído para a Torá e as mitsvot, embora oculto; D'us realiza maravilhas “sozinho”. Na ocultação, a oração substitui os sacrifícios. Além do pulsar interior do coração, há uma pulsação exterior, a bondade de D'us, aludida em dofek, cujas letras formam pakad.¶9–10
- “Minha irmã, minha amada”: libertar o amor e “comer”“Minha irmã” é o amor natural da alma divina, que deve ser libertado da prisão do corpo. “Minha amada” significa que Israel “alimenta” D'us: a autoanulação dos anjos e das almas no Shemá e em suas bênçãos é a “comida” Dele, a alma absorvida no corpo do Rei.¶11–14
- Construir os atributosAssim como o alimento se torna sangue e une a alma ao corpo, a autoanulação une a Luz Infinita ao “corpo” dos atributos; até Chessed e Chochmá precisam ser “construídos”. A força vem da raiz de Israel no pensamento dentro do pensamento, acima da fala divina da qual provêm os mundos e as Sefirot, assim como a palavra divina no alimento é mais elevada que a do homem.¶15–19
- “Minha pomba”: o olhar que jamais se saciaO nível mais elevado de “minha pomba” é um olhar constante para a glória do Rei, como as jornadas incessantes de Avraham, que jamais se sacia, pois D'us é infinito e renova a criação a partir do nada; isso traz alegria e deleite em D'us.¶20–22
- “Minha perfeita”: como se Me tivésseis feitoIsrael é o “gêmeo” de D'us e O torna “completo”. Formar os recipientes, Chessed e Guevurá, por meio da bondade e do subjugar e transformar a sitra achra revela Sua perfeição, como se O tivessem feito.¶23–25
- “Minha cabeça está cheia de orvalho”O orvalho, que nunca é retido, é um despertar do alto que não depende do despertar de baixo, a “cabeça” que apenas dá. Na dimensão interior, ele só é revelado depois do despertar de baixo em sua plenitude: a ponta da agulha e a entrada do Ulam.¶26–27
- No serviço divinoA pessoa só pode aperfeiçoar aquilo que vai de Chochmá para baixo; a vontade da alma, como a vontade superna, está além de seu alcance, mas é revelada quando ela já fez tudo o que podia. Uma lista de fontes sobre “Estou dormindo” encerra o maamar.¶28–29
Conceitos-chave
- Nossos sinais, nossas letras (osiyos)אותותינו / אותיותינו
- As letras da Torá e da oração, que “trazem” a Luz Infinita da ocultação à revelação e a carregam, como cavalos, aonde de outro modo não poderia chegar; no exílio, elas não são vistas.
- O coração de Israelלבן של ישראל
- D'us é chamado de coração, e não de cérebro, porque o coração só libera aquilo que primeiro recebe; assim, Seu fluxo de vida depende do despertar de baixo.
- Despertar de baixo / despertar do altoאתערותא דלתתא / אתערותא דלעילא
- O serviço humano que suscita uma resposta divina e a própria resposta divina; um despertar do alto depende do despertar de baixo, mas um despertar mais elevado, o “orvalho”, não depende dele.
- Desejo (chefetz) e vontade (ratzon)חפץ / רצון
- Ratzon pode existir mesmo sem desejo interior, como no consentimento sob pressão; chefetz é um desejo que encontra deleite naquilo que deseja, e essa é a qualidade do amor do Shemá.
- Ser absorvido no corpo do Reiלאשתאבא בגופא דמלכא
- A completa autoanulação e inclusão da alma na Divindade, chamada de “comer” no Alto, como o alimento que se torna o sangue da alma.
- Pensamento dentro do pensamentoמחשבה שבמחשבה
- O mais elevado dos três níveis de pensamento: o intelecto e o entendimento reais, onde as almas de Israel têm sua raiz; os mundos e as Sefirot provêm do nível inferior da fala dentro do pensamento.
- Dofek e pakadדפק / פקד
- A pulsação, a extensão exterior do pulsar do coração, cujas letras formam pakad, a lembrança atenta e a bondade de D'us.
- Orvalhoטל
- Um fluxo divino que nunca é retido, proveniente da vontade superna, além do despertar de baixo, atraído para “minha cabeça”, Chochmá.
- A ponta de uma agulha e a entrada do Ulamכחודה של מחט / כפתחו של אולם
- Tudo o que está ao alcance da pessoa, de Chochmá para baixo, é como a ponta de uma agulha diante do Infinito; quando ela o abre plenamente, D'us abre uma entrada como a passagem sem porta do salão do Templo.
Sono, sinais e letras ¶1–2
1אני ישנה ולבי ער קול דודי1 דופק פתחי לי כו׳. וברבות בשה״ש [בשיר השירים] אני ישנה מן הקץ2 ובזהר פ׳ אמור (צ״ה ע״א)
“Estou dormindo, mas meu coração está desperto; a voz do meu amado bate à porta: ‘Abre para mim…’”, etc. E no Midrash Rabá sobre Shir HaShirim: “‘Estou dormindo’ — em relação ao Fim.” E no Zohar, Parashat Emor (95a):
O maamar começa com as palavras da noiva em Shir HaShirim 5:2. São apresentadas duas interpretações de “Estou dormindo”: o Midrash sobre Shir HaShirim entende que Israel está dormindo em relação ao Fim, isto é, ao tempo da redenção (enquanto o coração está desperto para a redenção); e o Zohar, em Parashat Emor, entende que se refere ao exílio.
אני ישנה בגלותא3 והענין כי הנה הגלות דומה לשינה כמו שהשינה הוא ע״י שנתסם מראה עיניו.
“Estou dormindo — no exílio.” A explicação é: eis que o exílio se assemelha ao sono. Assim como o sono ocorre quando a visão dos olhos fica fechada,
Segundo a interpretação do Zohar, o próprio exílio é o sono. O Alter Rebe explica a comparação: quem dorme está vivo, mas sua visão está fechada e ele não vê.
כך הנה בגלות נאמר אותותינו לא ראינו פי׳ אותותינו כמו אותיותינו דהיינו אותיות התורה והתפלה כי הנה כתיב (ישעיה מ״ה י״א) האותיות שאלוני על בני ועל פועל ידי תצוני4.
assim, no exílio se diz: “Não vimos nossos sinais.” O sentido de “nossos sinais” (ososeinu) é semelhante a “nossas letras” (osiyoseinu), isto é, as letras da Torá e da oração. Pois está escrito (Isaías 45:11): “As letras (ha’osiyos), perguntai-Me acerca de Meus filhos e ordenai-Me acerca da obra de Minhas mãos.”
O versículo “Não vimos nossos sinais” (Salmos 74:9) é um lamento sobre o exílio. O Alter Rebe interpreta ososeinu, “nossos sinais”, como osiyoseinu, “nossas letras”, referindo-se às letras da Torá e da oração, e fundamenta essa leitura em Isaías 45:11, onde ha’osiyos é entendido como “as letras”.
והענין הוא כי הנה אותיות הוא מלשון אתא בקר5 שהן המביאות והממשיכות אור א״ס [אין סוף] ב״ה מההעלם אל הגילוי
A explicação é que osiyos (letras) deriva da expressão “A manhã chega” (asa); pois elas são aquilo que traz e atrai a Luz Infinita (Or Ein Sof), bendito seja Ele, do ocultamento para a revelação,
A palavra osiyos está ligada a asa, “chega”, como na expressão “A manhã chega” (Isaías 21:12). As letras são aquilo que “traz”: conduzem a Luz Infinita para fora do ocultamento e para a revelação.
להיות גילוי אור א״ס [אין סוף] ב״ה ממש בנפש האדם למטה שלכן נקראו האותיות בשם סוסים כמ״ש במ״ת [במתן תורה] כי תרכב6 על סוסיך כו׳ שהן אותיות התורה ונמשלו
para que haja uma revelação efetiva da Luz Infinita, bendito seja Ele, na alma do homem aqui embaixo. Por isso, as letras são chamadas de “cavalos”, como está escrito a respeito da Outorga da Torá: “Quando cavalgas Teus cavalos”, etc., que são as letras da Torá. E elas são comparadas
O propósito dessa condução é que haja uma revelação real da Luz Infinita na alma humana neste mundo. Por isso, as letras são chamadas de “cavalos”: Habacuc 3:8, “Quando cavalgas Teus cavalos”, é interpretado como uma referência à Outorga da Torá, e os cavalos são as letras da Torá.
כמו סוס לגבי רוכבו שכשם שהסוס רץ ומוליך את הרוכב למקום שאין הרוכב מגיע לשם מצד טבעו בעצמו כך האותיות הן כסוס לגבי רוכבו הוא אור א״ס [אין סוף] ב״ה הסוכ״ע [הסובב כל עלמין]
a um cavalo em relação ao seu cavaleiro: assim como o cavalo corre e leva o cavaleiro a um lugar ao qual ele não chegaria por sua própria natureza, as letras são como um cavalo em relação ao seu cavaleiro, que é a Luz Infinita, bendito seja Ele, a luz que circunda todos os mundos (sovev kol almin),
O cavalo é inferior ao cavaleiro, mas o leva a lugares aos quais ele jamais chegaria por conta própria. Aqui, o cavaleiro é a Luz Infinita que circunda todos os mundos (sovev), o nível de Divindade elevado demais para entrar nos mundos; as letras a conduzem aonde, de outro modo, ela não chegaria.
שהוא למעלה מעלה מגדר ההשתלשלות והתלבשות המדרגות ולית מחשבה תפיסא בי׳ [ביה] שאינו מתלבש כלל בירידת והשתלשלות סדר המדרגות כ״א [כי אם] ע״י שנתפס ומתלבש באותיות התורה
que está muito, muito acima dos limites da cadeia descendente dos mundos (hishtalshelut) e do revestimento dos níveis; e “nenhum pensamento pode apreendê-la”, pois ela não se reveste de modo algum na descida e na progressão encadeada da ordem dos níveis, a não ser quando é apreendida e revestida nas letras da Torá.
Essa luz está muito acima de toda a ordem descendente dos níveis e transcende a apreensão de qualquer pensamento. Ela não entra de modo algum nessa ordem de níveis; só é “apreendida” ao revestir-se nas letras da Torá.
(ועמ״ש בד״ה ויאמר משה אכלוהו היום7 ובד״ה נר חנוכה כו׳ מזוזה מימין8 ובד״ה לריח שמניך9 וע׳ [ועיין] בע״ה שער א׳ פ״ד) וזהו האותיות שאלוני על בני כו׳
(E veja o que está escrito no discurso que começa com “E Moshe disse: ‘Comei-o hoje’”, e no discurso que começa com “A lamparina de Chanucá”, etc., “a mezuzá à direita”, e no discurso que começa com “Pelo aroma dos teus óleos”; e veja Emek HaMelech, Sha’ar 1, capítulo 4.) E este é [o sentido de] “As letras, perguntai-Me acerca de Meus filhos”, etc.:
O trecho entre parênteses encaminha o leitor a três outros discursos que desenvolvem o tema das letras da Torá, e a Emek HaMelech, uma obra de Cabalá, Sha’ar 1, capítulo 4. Em seguida, o texto retorna ao versículo de Isaías sobre as letras.
האותיות עצמן הן הן המשכות על בני שבאותיות התורה והתפלה נשמך גילוי זה בנפש האדם למטה להיותה משכלת ומתבוננת בגדולת א״ס [אין סוף] ב״ה שכשמו כן הוא אין לו סוף ואין ערוך אליו כו׳.10
As próprias letras são os canais pelos quais a revelação desce “sobre Meus filhos”; pois, por meio das letras da Torá e da oração, essa revelação é atraída para a alma do homem aqui embaixo, de modo que ela compreenda e contemple a grandeza do Infinito (Ein Sof), bendito seja Ele, que, assim como é Seu Nome, assim Ele é: não tem fim, e nada se compara a Ele, etc.
As próprias letras são os canais que fazem a divindade descer “sobre Meus filhos”. Por meio do estudo da Torá e da oração, a revelação alcança a alma, permitindo-lhe compreender e contemplar a grandeza do Infinito, cujo próprio Nome, Ein Sof (“sem fim”), expressa o que Ele é: ilimitado e incomparável.
O exílio é comparado ao sono, no qual já não se vê. Aquilo que deixamos de ver são nossos “sinais”, as letras da Torá e da oração, que, como cavalos, conduzem a Luz Infinita — acima de todos os níveis — para dentro da alma humana.
Aqui se encontram duas imagens: osiyos como aquilo que “traz” (de asa, “chega”) e as letras como cavalos que levam o cavaleiro para além do que ele poderia alcançar por si mesmo. Ambas expressam que as letras, embora sejam a forma mais baixa e concreta de expressão, são aquilo que transmite o sovev, a luz que nenhum nível da ordem descendente pode conter.
Marei mekomot
- 1
- 2אני ישנה מן הקץ · Shir HaShirim Rabbah 5:2:1
- 3אני ישנה בגלותא · Zohar, Emor 25:123–26:131
- 4
- 5אתא בקר · Isaiah 21:12
- 6
- 7ויאמר משה אכלוהו היום · Exodus 16:25
- 8מזוזה מימין · Shabbat 22a:2
- 9לריח שמניך · Song of Songs 1:3
- 10
2וכולא קמי׳ [קמיה] כלא ממש ואי לזאת תכלה אליו הנפש בבחי׳ ביטול ממש להיות גילוי אור א״ס [אין סוף] ב״ה למטה כמו למעלה.
E “tudo diante Dele é realmente como nada”. Portanto, a alma ansiaria por Ele até definhar, em estado de verdadeira autoanulação (bitul), para que a Luz Infinita (Or Ein Sof), bendito seja Ele, se revele embaixo como em cima.
Contemplar que tudo diante de D'us é como nada desperta na alma um anseio tão intenso que parece fazê-la definhar, em completa autoanulação. Por meio disso, a Luz Infinita se revela embaixo tal como em cima.
אך בגלות אותותינו לא ראינו שאינו נראה ונגלה גילוי אור א״ס [אין סוף] ב״ה הסוכ״ע [הסובב כל עלמין] בבחי׳ גילוי ממש בעולם
Mas, no exílio, “não vimos nossos sinais”: a revelação da Luz Infinita, bendito seja Ele — a luz que circunda todos os mundos (sovev kol almin) —, não é vista nem revelada no mundo como uma revelação efetiva,
No exílio, porém, essa revelação da luz que circunda não é vista abertamente no mundo. Esse é o sentido de “não vimos nossos sinais”.
como será no Tempo Vindouro, “pois olho a olho verão”, etc., e “a glória de Havayá será revelada, e toda carne verá”, etc.
O contraste é com o Tempo Vindouro, quando, como diz Isaías, a Divindade será vista “olho a olho” e “toda carne verá” a glória de Havayá. Então, a revelação será visível até aos olhos físicos.
אך מ״מ [מכל מקום] ולבי ער ופי׳ בזהר ולבי דא קוב״ה [קודשא בריך הוא] וכ״כ [וכן כתב] ברבות בשה״ש [בשיר השירים] גבי ולבי ער איכן מצינו שנק׳ הקב״ה [הקדוש ברוך הוא] לבן של ישראל3 מן הדין קרא דכתיב צור לבבי וחלקי אלקים לעולם.45
Ainda assim, “mas meu coração está desperto”. E o Zohar explica: “‘E meu coração’ — isso é o Santo, bendito seja Ele.” E assim está escrito no [Midrash] Rabbah sobre Shir HaShirim, a respeito de “mas meu coração está desperto”: “Onde encontramos que o Santo, bendito seja Ele, é chamado o coração de Israel? Neste versículo, como está escrito: ‘A Rocha do meu coração e minha porção é Elokim para sempre.’”
Ainda que Israel durma no exílio, “meu coração está desperto”. O Zohar interpreta “meu coração” como o Santo, bendito seja Ele, e o Midrash prova, a partir de “a Rocha do meu coração” (Tehilim 73:26), que D'us é chamado o coração de Israel; o coração que permanece desperto durante o sono do exílio é o próprio D'us.
O ideal é que a Luz Infinita se revele embaixo como em cima; no exílio, ela está oculta e só será vista abertamente no Tempo Vindouro. Ainda assim, “meu coração está desperto”: D'us, chamado o coração de Israel, permanece desperto dentro do exílio.
Marei mekomot
- 1עין בעין יראו · Isaiah 52:8
- 2ונגלה כבוד הוי׳ וראו כל בשר · Isaiah 40:5
- 3איכן מצינו שנק׳ הקב״ה לבן של ישראל · Shir HaShirim Rabbah 5:2:1
- 4צור לבבי וחלקי אלקים לעולם · Psalms 73:26
- 5
Por que o coração, e não o cérebro ¶3–5
3וזהו לבבתני אחותי כלה. ועמ״ש מזה בד״ה ביום השמע״צ [השמיני עצרת] והיינו שהלב הוא חיות כל האברים שבו משכן הדם הוא הנפש1 המחיה את כל הגוף כך הקבה הוא הוא חיינו ואתה מחיה את כולם.2
E este é [o significado de] “Conquistaste meu coração (libavtini), minha irmã, noiva.” E veja o que está escrito sobre isso no discurso que começa com “No dia de Shemini Atseret”. Isto é: o coração é a força vital de todos os membros, pois nele se encontra o sangue, que é a alma que dá vida ao corpo inteiro. Assim, o Santo, bendito seja Ele, é a nossa própria vida, e “Tu dás vida a todos eles”.
A palavra libavtini, “conquistaste meu coração”, vem de lev, coração, e é relacionada aqui ao fato de D'us ser o coração de Israel. O coração dá vida a todos os membros porque nele se encontra o sangue, que “é a alma”; assim, D'us é a nossa própria vida, como diz o versículo: “Tu dás vida a todos eles”.
אך להבין למה נקרא עד״מ [על דרך משל] בשם לב דוקא ולא בשם מוח עד״מ [על דרך משל] שהרי גם המוח הוא משפיע החיות לכללות הגוף דתלת שליטין אינון מוחא ולבא וכבדא34
Mas [é preciso] compreender por que Ele é chamado, por analogia, especificamente pelo nome “coração”, e não, por analogia, pelo nome “cérebro”; pois o cérebro também transmite força vital ao corpo como um todo, uma vez que “há três governantes: o cérebro, o coração e o fígado”.
A pergunta é por que a analogia se refere especificamente ao coração, e não ao cérebro, já que o cérebro também dá vida ao corpo inteiro. O Zohar enumera três “governantes” do corpo: o cérebro, o coração e o fígado.
אך אינו דומה סיבוב והילוך השפעת החיות שמן הלב לאברים להילוך ההשפעה שמן המוח לאברים כי הנה על הלב נאמר כל הנחלים הולכים אל הים כו׳.56
Mas o circuito e o curso do fluxo da força vital do coração para os membros não são iguais ao curso do fluxo do cérebro para os membros. Pois, a respeito do coração, está escrito: “Todos os rios correm para o mar”, etc.,
A resposta começa assim: o fluxo proveniente do coração percorre um circuito, ao contrário do fluxo unidirecional proveniente do cérebro. O versículo “Todos os rios correm para o mar” (Ecclesiastes 1:7), que continua “para lá retornam, para correr”, é aplicado ao coração.
D'us é chamado de coração de Israel porque o coração é a sede da vida. Em seguida, o parágrafo pergunta por que se usa a analogia do coração, e não a do cérebro, e começa a responder com base no curso circular do fluxo proveniente do coração.
Tanya, Iggeres HaKodesh 31, para o qual remete a nota da Kehot, desenvolve a mesma imagem: a força vital sai do coração junto com o sangue para todos os membros e retorna a ele; as almas de Israel são chamadas de membros da Shechiná, que é chamada de “coração”, como em “a Rocha do meu coração”.
Marei mekomot
- 1הדם הוא הנפש · Deuteronomy 12:23
- 2ואתה מחיה את כולם · Nehemiah 9:6
- 3דתלת שליטין אינון מוחא ולבא וכבדא · Zohar, Terumah 45:491–46:499
- 4דתלת שליטין אינון מוחא ולבא וכבדא · Zohar, Toldot 6:57–7:60
- 5
- 6
“e ao lugar para onde vão, para lá voltam a ir”: pois o sangue é conduzido de todos os membros ao coração, retorna do coração e é novamente conduzido a todos os membros.
A segunda metade do versículo, “ao lugar para onde vão, para lá voltam”, descreve a circulação. O sangue flui de todos os membros para o coração e sai novamente do coração para todos os membros.
וגם הנה השפעת החיות שמן הלב לאברים הוא מן הדם שהוא הנפש והדם מתהווה מן המאכל שמתעכל ונעשה דם הנפש ממש.
Além disso, a transmissão da força vital do coração aos membros provém do sangue, que é a alma; e o sangue vem a existir a partir do alimento, que é digerido e se torna o próprio sangue da alma.
Uma diferença adicional: a força vital do coração é transmitida pelo sangue, que “é a alma”, e esse sangue é formado a partir do alimento digerido. O coração transmite aquilo que primeiro recebe de baixo.
Dois aspectos distinguem o coração do cérebro: seu fluxo é um circuito, retornando a ele dos membros, e aquilo que transmite é o sangue que primeiro recebeu do alimento.
Marei mekomot
- 1
5והנה תחלת בישול המאכל הוא בכבד ששם נעשה דם ומתברר ומהמובחר שולח ללב ואזי נסגר הדם בתוך הלב ואח״כ [ואחר כך] נפתח הלב ע״י כח ההמשכה שנמשך מן המוח ופותח את הלב להמשיך הדם בכל האברים
Ora, o início da digestão do alimento ocorre no fígado: ali ele se transforma em sangue e é refinado, e o melhor [dele] é enviado ao coração. Então o sangue fica encerrado dentro do coração e, depois, o coração é aberto pela força de expansão que se estende do cérebro e o abre, para conduzir o sangue a todos os membros.
Isso segue a fisiologia conhecida na época do Alter Rebe: o alimento é primeiro processado no fígado, que produz e refina o sangue e envia o melhor dele ao coração. O sangue fica encerrado dentro do coração até que uma força que se estende do cérebro abra o coração e o envie aos membros.
ולכן הלב דופק תמיד שמחמת סגירה ופתיחה הנל שהן תמיד כי תמיד מתרר ונשלח דם חדש מן הכבד אל הלב ונסגר ואח״כ [ואחר כך] נמשך כח מן המוח ופותחו
Por isso, o coração bate constantemente, em razão desse fechamento e dessa abertura mencionados acima, que são contínuos; pois sangue novo é constantemente refinado e enviado do fígado ao coração, onde fica encerrado, e depois uma força se estende do cérebro e o abre.
O batimento cardíaco é explicado como esse fechamento e essa abertura constantes. Sangue novo continua chegando do fígado e fica encerrado; então a força proveniente do cérebro abre novamente o coração.
ולכן הוא רצוא ושוב1 תמיד בבחי׳ סגירה ופתיחה וזהו הדפק שדופק הלב תמיד מחמת זה
Por isso, há constantemente “corrida e retorno” (ratzo vashov), na forma de fechamento e abertura; e isso é o pulso com que o coração bate continuamente, por causa disso.
A expressão “corrida e retorno” (ratzo vashov), usada a respeito dos anjos chamados Chayot na visão de Ezequiel, descreve esse ritmo. O pulso é a alternância do coração entre fechar-se e abrir-se.
נמצא שהשפעת החיות שמן הלב לאברים מדם הנפש שבו היינו מה שמקבל החיות מן הכבד שאותו הדם נסגר בתוכו ואח״כ [ואחר כך] נפתח כו׳.
Conclui-se que o fluxo de força vital do coração aos membros provém do sangue da alma que está dentro dele, isto é, da força vital que ele recebe do fígado: esse sangue fica encerrado dentro dele e, depois, ele se abre etc.
Assim, aquilo que o coração dá aos membros é o sangue da alma que primeiro recebeu do fígado: ele recebe, fecha-se e então se abre e dá.
משא״כ המשכת החיות שמן המוח לאברים היא המשכה והשפעה לבדה ובזה יובן מה שהקב״ה [שהקדוש ברוך הוא] נקרא עד״מ [על דרך משל] בשם לב דוקא כי כל השפעות החיות שמשפיע לברואיו באתעדל״ת [באתערותא דלתתא] דוקא תליא מילתא כנודע.
Em contrapartida, a extensão da força vital do cérebro aos membros é apenas uma extensão e uma dádiva. Com isso, compreender-se-á por que o Santo, bendito seja Ele, é chamado, por analogia, especificamente de “coração”: pois, em todos os fluxos de força vital que concede às Suas criaturas, tudo depende especificamente de um despertar de baixo (it’aruta dil’tata), como é sabido.
O cérebro apenas dá; o coração dá aquilo que primeiro recebeu. Por isso D'us é chamado de “coração”: o fluxo de força vital que Ele concede às criaturas depende de um despertar de baixo, daquilo que primeiro é elevado a Ele, assim como o coração primeiro recebe e depois dá.
O pulso do coração decorre de receber o sangue, fechar-se sobre ele e depois abrir-se para enviá-lo adiante, enquanto o cérebro simplesmente dá. D'us é chamado de coração porque o fluxo de vida que concede ao mundo depende do despertar de baixo, do serviço daqueles que estão abaixo.
A analogia é precisa em ambos os lados: a emissão do coração depende do alimento que é elevado a ele por meio do fígado, assim como o fluxo divino depende do serviço elevado de baixo; e a força que abre o coração vem do cérebro, que dá sem primeiro receber.
Marei mekomot
- 1
O amor do Shemá e o deleite superno ¶6–8
E esse despertar de baixo é o que está escrito: “E amarás Havayá, teu D'us, com todo o teu coração e com toda a tua alma.” “E amarás” (veahavta) deriva do termo avá (“querer”),
O despertar de baixo é o amor ordenado no Shemá. A palavra veahavta, “e amarás”, está ligada a avá, “querer”; portanto, aqui o amor significa um desejo voluntário.
דהיינו ראותא דליבא בחשיקה וחפיצה שיהי׳ [שיהיה] כל רצונו וחפצו להיות הוי׳ הוא אור א״ס [אין סוף] ב״ה ממש בבחי׳ אלקיך
isto é, a vontade do coração (reuta deliba), com anseio e desejo: que toda a sua vontade e todo o seu desejo sejam para o Nome Havayá, que é a própria Luz Infinita (Or Ein Sof), bendito seja Ele, para que esteja no nível de “teu D'us”,
É a vontade do coração (reuta deliba), um desejo ardente de que Havayá, a própria Luz Infinita, se torne “teu D'us”, isto é, o D'us de cada um.
דהיינו בגילוי הנפש כאלו הוא לנוכח ורצון וחפץ זה יהי׳ [יהיה] בכל לבבך ובכל נפשך שלא יהי׳ [יהיה] רצון וחפץ אחר זולתו וכמ״ש מי לי בשמים ועמך לא חפצתי2 כו׳.
isto é, revelado na alma, como se Ele estivesse presente diante [dele]. E essa vontade e esse desejo devem ser “com todo o teu coração e com toda a tua alma”, de modo que não haja outra vontade nem outro desejo além Dele, como está escrito: “Quem tenho nos céus? E, contigo, nada desejo”, etc.
“Teu D'us” significa que Ele está revelado na alma, como se estivesse presente diante de alguém. “Com todo o teu coração e com toda a tua alma” significa que não há outro desejo além deste, como no versículo: “Quem tenho nos céus? E, contigo, nada desejo.”
O despertar de baixo exigido pela analogia do coração é o amor do Shemá: uma vontade e um desejo do coração de que a Luz Infinita seja revelada como “teu D'us”, sem nenhum outro desejo além desse.
Marei mekomot
- 1ואהבת את הוי׳ אלקיך בכל לבבך ובכל נפשך · Deuteronomy 6:5
- 2מי לי בשמים ועמך לא חפצתי · Psalms 73:25
7וכל צרכי עוה״ז [עולם הזה] שצריך האדם להשתמש בהם לחיי גופו יהיו בע״כ [בעל כרחך] וכמאן דשדי בתר כתפוי כי בע״כ [בעל כרחך] אתה חי ולא מחפץ האמיתי.
E todas as necessidades deste mundo de que a pessoa precisa servir-se para a vida de seu corpo devem ser atendidas contra a sua vontade, como quem “as lança para trás dos ombros”; pois “contra a tua vontade vives”, e não por desejo verdadeiro.
As necessidades mundanas a que a pessoa precisa atender por causa do corpo devem ser satisfeitas somente por necessidade, como algo que se lança por cima do ombro, sem desejo verdadeiro. As palavras da Mishná, “contra a tua vontade vives”, descrevem isso: a alma vive no corpo não por seu próprio desejo verdadeiro.
וזהו לא חפצתי כו׳ שיש הפרש בין חפץ לרצון שרצון נקרא מי שרוצה הדבר אף שלא מרצונו וחפצו האמיתי
E este é [o sentido de] “nada desejo”, etc. Pois há uma diferença entre chefetz (desejo) e ratzon (vontade): ratzon se diz de quem quer algo mesmo que não seja por sua vontade e seu desejo verdadeiros;
O versículo usa chafatzti, “desejo”, e o Alter Rebbe explica o motivo. Ratzon, “vontade”, pode descrever o querer algo mesmo quando não é o desejo interior verdadeiro da pessoa.
ואף מי שכופין אותו עד שיאמר רוצה אני123 נקרא רצון אצלו שרוצה מ״מ [מכל מקום] אבל חפץ נק׳ חפץ ורצון האמיתי
e até mesmo aquele a quem coagem até que diga “eu quero” tem, da sua parte, ratzon, pois, apesar de tudo, ele quer. Mas chefetz denota desejo e vontade verdadeiros,
Até mesmo o consentimento obtido sob pressão conta como ratzon: a lei fala de coagir uma pessoa até que diga “eu quero”, e isso constitui consentimento válido. Chefetz, “desejo”, é mais restrito e se refere somente a uma vontade interior verdadeira.
דהיינו שיש לו חפץ ותשוקה מחמת שמוצא קורת רוח ותענוג באותו הדבר שרוצה וע״ז [ועל זה] נאמר ועמך לא חפצתי4 בלשון חפץ ולא בלשון רצון שכל חפצו וכל ישעו יהי׳ [יהיה]
isto é, quando ele tem desejo e anseio porque encontra satisfação e deleite naquilo que quer. E a esse respeito foi dito: “E junto a Ti nada desejo (chafatzti)”, usando a linguagem de chefetz, e não a de ratzon: que todo o seu desejo e toda a sua esperança sejam
Chefetz é querer algo com anseio, porque se encontra satisfação e deleite nisso. Por isso o salmo diz “junto a Ti nada desejo (chafatzti)”, empregando a palavra que significa desejo, e não a palavra que significa vontade: todo o desejo da pessoa é por D'us.
רק לדבקה בו ית׳ שהוא מקור החיים ומקור התענוגים ועמ״ש בפי׳ וכל גבולך לאבני חפץ5 בד״ה ושמתי כדכד וע״ז [ועל זה] אומרים באמת ויציב ואהוב וחביב ונחמד ונעים כו׳
somente apegar-se a Ele, bendito seja, que é a fonte da vida e a fonte dos deleites. Veja também o que está escrito na explicação de “E todos os teus limites serão de pedras de desejo (avnei chefetz)”, no discurso que começa “E farei [as tuas janelas] de kadkod”. E a esse respeito dizemos em [a bênção] “Verdadeiro e firme”: “e amado, querido, desejado e agradável”, etc.,
Esse desejo é somente apegar-se a D'us, a fonte da vida e do deleite. O texto remete a um discurso sobre “pedras de desejo (chefetz)” e, em seguida, observa que a bênção após o Shemá, “Verdadeiro e firme”, descreve “esta coisa” com palavras de amor e deleite: amado, querido, desejado, agradável.
הדבר הזה והיינו הדבר הזה שבק״ש [שבקריאת שמע] ואהבת את6 ה׳ אלקיך בכל לבבך ובכל נפשך והיו הדברים האלה7 כו׳.
“é esta coisa”. E esta é “esta coisa” que se encontra no Shemá: “E amarás Havayá, teu D'us, com todo o teu coração e com toda a tua alma, e estas palavras serão”, etc.
“Esta coisa” naquela bênção é o conteúdo do Shemá: “E amarás Havayá, teu D'us, com todo o teu coração e com toda a tua alma.” Assim, as palavras de deleite da bênção descrevem o amor que o Shemá ordena.
O amor do Shemá é definido como chefetz, um desejo que encontra deleite naquilo que quer, em contraste com ratzon, que pode existir mesmo sem desejo interior. Esse desejo deve dirigir-se somente a D'us, enquanto as necessidades do corpo são atendidas apenas por necessidade.
O caso jurídico citado nessa nota mostra quão amplo é ratzon: no Talmud, segundo Rashi e o Rambam, o consentimento dado sob coação (“eu quero”) ainda conta como vontade. Chefetz não pode ser produzido dessa maneira, pois só existe onde a pessoa encontra deleite; e é essa qualidade que o Alter Rebbe exige do amor a D'us.
Marei mekomot
- 1כופין אותו עד שיאמר רוצה אני · Rosh Hashanah 6a:7
- 2כופין אותו עד שיאמר רוצה אני · Rashi on Leviticus 1:3
- 3כופין אותו עד שיאמר רוצה אני · Mishneh Torah, Divorce 2:20
- 4ועמך לא חפצתי · Psalms 73:25
- 5וכל גבולך לאבני חפץ · Isaiah 54:12
- 6ואהבת את ה׳ אלקיך בכל לבבך ובכל נפשך · Deuteronomy 6:5
- 7והיו הדברים האלה · Deuteronomy 6:6
8והנה באתערותא דלתתא זו אתעדל״ע [אתערותא דלעילא] גילוי פנימיות רצונו ית׳ וחפצו האמיתי להיות המשכת התורה והמצות וכמ״ש ויקם עדות ביעקב1 ותורה שם בישראל ונמשך בהן עונג העליון
Ora, por meio deste despertar de baixo [vem] o despertar do alto (isarusa dileila): a revelação da dimensão interior (pnimiyut) de Sua vontade, bendito seja Ele, e de Seu verdadeiro desejo de que a Torá e as mitsvot sejam atraídas para baixo, como está escrito: “Ele estabeleceu um testemunho em Yaakov e pôs uma Torá em Israel”; e o deleite supremo é atraído para dentro delas,
O despertar de baixo suscita um despertar do alto: a revelação da vontade interior e do verdadeiro desejo de D'us de que haja Torá e mitsvot, como em “Ele estabeleceu um testemunho em Yaakov”. O deleite supremo, o próprio prazer de D'us, é atraído para dentro delas.
כמאמר אשר קדשנו במצותיו אשר הוא מלשון באשרי2 כי אשרוני בנות34 שהוא לשון שבח והילול ע״ד [על דרך] וטוב ויפה הנאמר באמת ויציב ואהוב וחביב ונחמד ונעים כו׳.
como na expressão “que (asher) nos santificou com Seus mandamentos”: asher deriva da expressão “Em minha felicidade (be’oshri), pois as filhas me chamarão feliz (ishruni)”, que é uma expressão de louvor e exaltação, à semelhança de “e bom e belo”, que se diz em [a bênção] “Verdadeiro e firme”: “e amado e estimado, deleitável e agradável”, etc.
A bênção sobre uma mitsvá diz “que (asher) nos santificou”, e o Tikkunei Zohar relaciona asher a be’oshri, “em minha felicidade”, as palavras de louvor de Leah. As mitsvot expressam, assim, o deleite de D'us, como também as palavras de louvor na bênção “Verdadeiro e firme”.
שנמשך עונג העליון מאור א״ס [אין סוף] ב״ה הסוכ״ע [הסובב כל עלמין] שהוא מקור חיי החיים מקור התענוגים להתלבש בתורה
Pois o deleite supremo é atraído da Luz Infinita (Or Ein Sof), bendito seja Ele, a luz que circunda todos os mundos (sovev kol almin), que é a fonte da vida de [toda] vida, a fonte dos deleites, para revestir-se na Torá
Esse deleite provém da própria luz que circunda todos os mundos, a fonte da vida de toda vida e de todos os deleites. Ele é atraído para baixo a fim de revestir-se na Torá.
ומצות שלפנינו הנגלות לנו המלובשות בענינים גשמיים5 אשר כח זה להיות המשכה זו שלמעלה מעלה מן ההשתלשלות יורדת ומתלבשת למטה מטה באתעדל״ת [באתערותא דלתתא] זו תליא
e nas mitsvot que estão diante de nós, reveladas a nós, revestidas em assuntos físicos. E esta capacidade — de que essa atração, que está muito, muito acima da cadeia descendente dos mundos (hishtalshelut), desça e se revista muito, muito abaixo — depende deste despertar de baixo.
Ela também se reveste nas mitsvot que efetivamente cumprimos, revestidas em coisas físicas. A capacidade de algo que está muito acima de toda a ordem descendente chegar ao nível físico mais baixo depende deste despertar de baixo.
(ועמ״ש ג״כ מזה בביאור ע״פ יונתי6 בפי׳ כי קולך ערב ומראך נאוה7 ובד״ה ואהיה אצלו אמון89 בפי׳ ואהיה שעשועים יום יום ועמ״ש בד״ה אוסרי לגפן10 ובפסוק וזכרתם את כל מצות11 ועמ״ש בד״ה הבאים ישרש12 בפי׳ כי תהיו אתם ארץ חפץ13 כו׳)
(E veja também o que está escrito sobre isso na explicação sobre [o versículo] “Minha pomba”, a respeito do significado de “pois tua voz é doce e tua aparência é formosa”; e no discurso que começa “E eu estava junto a Ele como um pupilo”, a respeito do significado de “e eu era [Seu] deleite dia após dia”. E veja o que está escrito no discurso que começa “Atando [seu jumentinho] à videira” e sobre o versículo “E vocês se lembrarão de todos os mandamentos”. E veja o que está escrito no discurso que começa “Os que vêm, Ele fará criar raízes”, a respeito do significado de “pois vocês serão uma terra desejável”, etc.)
O parêntese enumera outros discursos sobre o mesmo tema: o deleite de D'us com a voz e a aparência de Israel, a Torá como Seu “deleite dia após dia”, “Atando seu jumentinho à videira”, o versículo sobre lembrar todos os mandamentos e Israel como “uma terra desejável (chefets)”.
ולכן אמרו רז״ל [רבותינו זכרונם לברכה] שבתחלה יקבל עליו עול מלכות שמים14 ואח״כ [ואחר כך] עול מצות15 כי א״א [אי אפשר] לקבל עול מצות ולהיות נמשך בהן עונג העליון ב״ה כ״א [כי אם] ע״י קבלת עול מלכות שמים תחלה והיינו ואהבת שבפ׳ רעשונה.161718192021222324252627
E por isso nossos Sábios, de abençoada memória, disseram que primeiro se deve aceitar sobre si o jugo do reino dos Céus e depois o jugo das mitsvot. Pois é impossível aceitar o jugo das mitsvot e que o deleite supremo, bendito seja Ele, seja atraído para dentro delas, a não ser por meio da aceitação primeiro do jugo do reino dos Céus; e isso é “E amarás”, na primeira seção.
Por isso a Mishná ensina que, no Shemá, primeiro se aceita o jugo do reino dos Céus e só depois o jugo das mitsvot. O deleite supremo só pode ser atraído para dentro das mitsvot depois de “E amarás”, da primeira seção, que é o despertar de baixo.
Por meio do amor expresso no Shemá, a vontade interior e o deleite de D'us são atraídos para a Torá e para as mitsvot físicas. É por isso que o jugo do Céu, o amor da primeira seção, deve preceder o jugo das mitsvot.
Tanya, capítulo 37, ao qual a nota remete, explica que cumprir uma mitsvá com um objeto físico que estava sob a kelipá nogá atrai a Luz Infinita para este mundo físico; é assim que uma luz “muito, muito acima” da cadeia dos mundos vem a revestir-se “muito, muito abaixo”.
Marei mekomot
- 1ויקם עדות ביעקב · Psalms 78:5
- 2אשר הוא מלשון באשרי · ת״ז (ת״ל) עד, ב. [כ].
- 3באשרי כי אשרוני בנות · Genesis 30:13
- 4באשרי כי אשרוני בנות · Tikkunei Zohar 74b:2
- 5המלובשות בענינים גשמיים · Tanya, Likkutei Amarim 37:7
- 6בביאור ע״פ יונתי · לעיל כ, ג ואילך.
- 7כי קולך ערב ומראך נאוה · Song of Songs 2:14
- 8ובד״ה ואהיה אצלו אמון · לעיל פ׳ במדבר.
- 9ואהיה אצלו אמון · Proverbs 8:30
- 10אוסרי לגפן · Genesis 49:11
- 11וזכרתם את כל מצות · Numbers 15:39
- 12הבאים ישרש · Isaiah 27:6
- 13כי תהיו אתם ארץ חפץ · Malachi 3:12
- 14שבתחלה יקבל עליו עול מלכות שמים · ברכות פ״ב, מ״ב.
- 15יקבל עליו עול מלכות שמים ואח״כ עול מצות · Mishnah Berakhot 2:2
- 16בד״ה ביום השמע״צ · לעיל סוכות פב, ג.
- 17שהלב הוא חיות כל האברים · באוה״ת בראשית כרך ו דף תתרנח, א הקשה דשם נתבאר שהחיות הוא בלב, ומפרש, הכוונה בלקו״ת כאן הוא על הפתיחה והסגירה שבלב שז״ע דפיקא דלבא, וזהבא מן הרוח חיים שבחלל הב׳ שבלב שהוא מוליך האידי׳ למוח כמ״ש חכמי המחקר ע״ש. וראה אגה״ק בתניא סי׳ לא.
- 18ואתה מחי׳ את כולם · Nehemiah 9:6
- 19דתלת שליטין אינון · Zohar II, 153a
- 20וגם הנה השפעת החיות שמן הלב · ראה אגה״ק סי׳ לא. תו״א ז, ד.
- 21ואהבת את ה״א · Deuteronomy 6:5
- 22מי לי בשמים · Psalms 73:25
- 23בעל כרחך אתה חי · אבות ד, כא.
- 24הפרש בין חפץ לרצון · ראה לעל כח, ד.
- 25כופין אותו עד שיאמר רוצה אני · Rosh Hashanah 6a:7
- 26בד״ה ושמתי כדכד · לעיל פ׳ ראה כו, א ואילך.
- 27באתעדל״ת אתעדל״ע · Zohar I, 235a
O coração desperto no exílio e a pulsação ¶9–10
9ועמ״ש מזה בד״ה ראיתי והנה מנורת זהב12 והנה על בחי׳ אתעדל״ת [אתערותא דלתתא] ועתעדל״ע זו נאמר ולבי ער3
E veja o que está escrito sobre isso no discurso que começa: “Vi, e eis uma menorá toda de ouro.” Ora, a respeito deste nível de despertar de baixo e despertar do alto, diz-se: “mas meu coração está desperto”:
O texto se refere ao discurso sobre a visão de Zechariá da menorá de ouro. Em seguida, afirma que “mas meu coração está desperto” se refere a esse par: o despertar de baixo e o despertar do alto que lhe responde.
כי הגם שאני ישנה4 בגלותא שאותותינו לא ראינו כנ״ל מ״מ [מכל מקום] אף בגלותנו לא עזבנו ה׳ מבחי׳ רעותא דליבא בחי׳ רצון ותשוקה שיש
pois, embora “eu esteja dormindo — no exílio”, em que “nossos sinais não vimos”, como mencionado acima, ainda assim, mesmo em nosso exílio, D'us não nos deixou sem o nível da vontade do coração (re’usa deliba), o nível da vontade e do anseio que existe
Mesmo no sono do exílio, quando “nossos sinais não vimos”, D'us não nos tirou a vontade do coração (re’usa deliba).
בכל נפש מישראל לעורר את האהבה עד שתחפץ להתפשט מלבושים שבנוגה ובאתעדל״ת [ובאתערותא דלתתא] זו נמשכה אתעדל״ע [אתערותא דלעילא] המשכת עונג העליון בתומ״צ [בתורה ומצות] אלא שהן בבחי׳ העלם ולא בגילוי.
em toda alma de Israel, para despertar o amor, até que ela deseje despir-se das vestes que estão em nogá. E, por meio desse despertar de baixo, foi atraído o despertar do alto: a atração do deleite supremo para a Torá e as mitsvot, embora permaneçam ocultos, e não revelados.
Toda alma judaica tem uma vontade e um anseio capazes de despertar o amor, a ponto de desejar despir-se das vestes de nogá, o âmbito das coisas mundanas permitidas que reveste a alma. Por meio disso, o despertar do alto atrai o deleite supremo para a Torá e as mitsvot, embora, no exílio, ele permaneça oculto e não revelado.
“Meu coração está desperto” no exílio significa que a vontade do coração de amar D'us permanece em toda alma judaica e, em resposta, o deleite supremo continua a ser atraído para a Torá e as mitsvot, apenas oculto.
Or HaTorah, citado na nota, concilia este maamar (proferido na Parashat Beshalach 5568), no qual o sono significa apenas que não vemos nossos sinais, enquanto no alto D'us ainda “realiza grandes maravilhas sozinho”, com o discurso da Parashat Chukat 5564, no qual o sono é entendido literalmente. Ambos são verdadeiros: no alto, nos mundos espirituais, as maravilhas continuam, e despertar do sono significa que elas sejam reveladas embaixo.
Marei mekomot
- 1בד״ה ראיתי והנה מנורת זהב · לעיל פ׳ בהעלותך לד, ד.
- 2ראיתי והנה מנורת זהב · Zechariah 4:2
- 3ולבי ער · Song of Songs 5:2
- 4כי הגם שאני ישנה . . שאותותינו לא ראינו . . לעושה נפלאות גדולות לבדו · ראה באוה״ת על מארז״ל וענינים ע׳ סב וז״ל: (ומתורץ הסתירה מד״ה אני ישנה בשלח תקס״ח [הנדפס בלקו״ת כאן, וראה גם סה״מ תקס״ח ע׳ יד הנחות הר״פ ע׳ פט] דמשמע דשינה רק לא ראינו אותותינו אבל יש למעלה לעושה נפלאות לבדו, ובאני ישנה חקת תקס״ד [סה״מ תקס״ד ע׳ קנה אוה״ת שה״ש ע׳ תצז] משמע שינה כפשוטו שלמטה סובלי׳ כו׳ וכ״מ בגמרא, דשניהם אמת דיש למעלה היינו ברוחניו׳) ולעורר משינה היינו להיות גלוי למטה, ע״ש.
E este é [o significado de] “Nossos sinais não vimos”: “não vimos” especificamente, pois não é visto nem revelado aos olhos de carne, literalmente “olho a olho”.
A ênfase está em “não vimos”: os sinais existem, mas não são visíveis aos olhos físicos, “olho a olho”.
אבל מ״מ [מכל מקום] אותותינו קיימות שהן אותיותינו דהיינו אותיות התורה ותפלה הנמשכות למטה מאור א״ס [אין סוף] ב״ה.
Mas, ainda assim, “nossos sinais” permanecem, pois são “nossas letras”, isto é, as letras da Torá e da oração, que são atraídas para baixo da Luz Infinita (Or Ein Sof), bendito seja Ele.
Nossos sinais — as letras da Torá e da oração — continuam existindo e atraindo a Luz Infinita para baixo, mesmo no exílio.
וע״ז [ועל זה] נאמר לעושה נפלאות3 גדולות לבדו שממשיך נפלאות גדולות תמיד אלא שהן בבחי׳ לבדו דהיינו בבחי׳ העלם
E a esse respeito está dito: “Àquele que faz grandes maravilhas sozinho”: Ele atrai constantemente grandes maravilhas, mas elas estão no nível de “sozinho”, isto é, no nível da ocultação.
A expressão do salmo “que faz grandes maravilhas sozinho” é interpretada assim: D'us realiza constantemente grandes maravilhas, mas “sozinho”, oculto, conhecido somente por Ele.
כי תפלה במקום קרבנות תקנום45 רק שע״י הקרבנות אשה ריח ניחוח לה׳ היה עי״ז גילוי שכינה ממש בבהמ״ק [בבית המקדש] והיה
Pois [os Sábios] instituíram a oração em lugar dos sacrifícios; apenas, por meio dos sacrifícios, “uma oferta de fogo, um aroma agradável a Havayá”, havia, por meio disso, uma revelação efetiva da Shechiná (Presença Divina) no Templo Sagrado, e havia
Os Sábios instituíram a oração em lugar dos sacrifícios. Por meio dos sacrifícios, havia uma revelação manifesta da Shechiná no Templo Sagrado.
אש יורד מלמעלה אריה דאכיל קורבנין67 משא״כ ע״י התפלה נעשה המשכה זו בבחי׳ העלם ועמ״ש מזה סד״ה צו את8 בנ״יט ואמרת אליהם את קרבני9 כו׳
fogo descendo do alto, “um leão que devorava as oferendas”; ao passo que, por meio da oração, essa atração ocorre em estado de ocultação. E veja o que está escrito a esse respeito no final do discurso que começa “Ordena aos filhos de Israel e dize-lhes: ‘Minha oferenda’”, etc.
Fogo descia do céu sobre o altar, que o Zohar descreve como um leão que consumia as oferendas. A oração atrai o mesmo fluxo, mas ocultamente; o texto remete a um discurso sobre “Minha oferenda” para mais detalhes.
אבל מ״מ [מכל מקום] גם ע״י התפלה מתעלה הנפש לאשתאבא בגופא דמלכא ולהמשיך משם חיים וחסד שפע אור א״ס [אין סוף] ב״ה הנעלם ומתלבש באותיות התורה והתפלה ולא עוד
Mas, ainda assim, também por meio da oração a alma ascende “para ser absorvida no corpo do Rei” e, de lá, atrair vida e bondade, o fluxo da Luz Infinita (Or Ein Sof), bendito seja Ele, que está oculta e revestida nas letras da Torá e da oração. E não só isso,
Mesmo assim, por meio da oração a alma se eleva “para ser absorvida no corpo do Rei”, anulada na Divindade, e atrai vida e bondade da Luz Infinita, oculta nas letras da Torá e da oração.
אלא שקול דודי דופק10 הוא על היד והיינו הארה והמשכה בבחי׳ חיצוניות שהוא חיצונית ההארה מן הלב שכמו שנמשך בדפיקא דליבא בבחי׳ פנימיות כך מתראה המשכה זו בבחי׳ חיצוניות דפיקא על היד
mas “a voz do meu amado bate (dofek)”: isso é [o pulso] na mão, isto é, uma irradiação e uma atração no nível da dimensão exterior (chitsoniyut), que é a dimensão exterior da irradiação proveniente do coração. Pois, assim como ela é atraída no pulsar do coração no nível da dimensão interior (pnimiyut), essa atração também se manifesta no nível da dimensão exterior: uma pulsação na mão.
Além disso, “a voz do meu amado bate (dofek)” é interpretada como o pulso sentido no punho. O próprio batimento cardíaco é o fluxo interior; o pulso na mão é sua extensão exterior.
והנה בבחי׳ פנימיות בדפיקא דליבא נמשכו המשכת התורה והמצות ויקם עדות ביעקב11 כו׳ ובבחי׳ חיצוניות הן המשכות חסדי ה׳
Ora, no nível da dimensão interior, no pulsar do coração, são atraídas as influências da Torá e das mitsvot: “Ele estabeleceu um testemunho em Yaacov”, etc. E, no nível da dimensão exterior, são atraídos os atos de bondade de D'us
O fluxo interior, o “batimento do coração”, é a Torá e as mitsvot. O fluxo exterior, o “pulso na mão”, é a bondade constante de D'us para conosco.
עמנו תמיד כעל כל אשר גמלנו12 לעושה נפלאות גדולות וגו׳ [וגומר] נותן לחם לכל בשר כו׳ הזן את העולם כולו בטובו בחן ובחסד כו׳18
conosco constantemente, “segundo tudo o que Ele nos concedeu”: “Àquele que realiza grandes maravilhas”, etc., “que dá pão a toda carne”, etc., “que sustenta o mundo inteiro com Sua bondade, com graça e com benevolência”, etc.
Exemplos dessa bondade exterior são extraídos de versículos e orações: todo o bem que D'us nos concedeu, Suas grandes maravilhas, o pão dado a toda carne e o sustento do mundo inteiro com graça e benevolência, como na Bênção após as Refeições.
וזהו ענין דפ״ק [דפרק קמא] אותיות פק״ד13 שמזה נמשך להיות וה׳ פקד את שרה14 פקד פקדתי אתכם15 ו את העשוי לכם במצרים ועמ״ש ע״פ אלה פקודי1617 כו׳ אשר פקד ע״פ משה:19
E este é o sentido de dofek (דפק, pulsação), cujas letras são as mesmas de pakad (פקד, lembrou): pois disso resulta que “Havayá lembrou (pakad) Sara”, [e] “Certamente me lembrei (pakod pakadti) de vocês e do que lhes fizeram no Egito”. Veja também o que está escrito sobre [o versículo] “Estes são os registros (pekudei)”, etc., “que foram registrados (pukad) pela palavra de Moshê”.
A palavra dofek (דפק, “bate”) tem as mesmas letras que pakad (פקד, “lembrou”), a palavra usada quando D'us lembrou Sara e quando disse a Moshê: “Certamente me lembrei de vocês”. A “pulsação” exterior é a providência atenta de D'us e a redenção; o texto remete ao discurso sobre “Estes são os registros (pekudei)” para maiores explicações.
No exílio, nossos “sinais” estão ocultos; ainda assim, as letras da Torá e da oração continuam atraindo a Divindade, como D'us realiza maravilhas “sozinho”. Além desse fluxo interior, há um fluxo exterior: o “pulso” da bondade e da providência de D'us, insinuado em dofek, cujas letras formam pakad.
Na passagem de Likkutei Torah, Pekudei, citada na nota, pakad é explicado como as letras de dofek e identificado com o “verso” (achorayim) do Nome Havayá escrito com yuds, o Nome Av (72) em Chochmá; esse “verso” totaliza 184. O pulso irradia de Abá, com a Luz Infinita dentro dele, e por isso pulsa constantemente.
Marei mekomot
- 1אותותינו לא ראינו · Psalms 74:9
- 2אותותינו לא ראינו לא ראינו דייקא · באוה״ת שה״ש כרך ב ע׳ תקכד מציין לכאן. וראה גם באוה״ת וירא כרך ד תשנב, ב ואילך.
- 3לעושה נפלאות · Psalms 136:4
- 4תפלה במקום קרבנות תקנום · Berakhot 26a:17
- 5תפלה במקום קרבנות תקנום · Berakhot 26b:7
- 6ארי׳ דאכיל קורבנין · Zohar I, 6b
- 7אריה דאכיל קורבנין · Zohar, Vayikra 40:278–41:285
- 8סד״ה צו את בנ״י · לעיל פ׳ פנחס עו, ב.
- 9ואמרת אליהם את קרבני · Numbers 28:2
- 10קול דודי דופק · Song of Songs 5:2
- 11ויקם עדות ביעקב · Psalms 78:5
- 12כעל כל אשר גמלנו · Isaiah 63:7
- 13דפ״ק אותיות פק״ד · קהלת יעקב ערך דפק בשם כתבי האריז״ל. סה״מ תקס״ח ע׳ כא. ראה לעיל פקודי ז, ד.
- 14וה׳ פקד את שרה · Genesis 21:1
- 15פקד פקדתי אתכם · Exodus 3:16
- 16ע״פ אלה פקודי · לעיל בפ׳ פקודי.
- 17אלה פקודי · Exodus 38:21
- 18נותן לכם לכל בשר · Psalms 136:25
- 19
“Minha irmã, minha amada”: libertar o amor e “comer” ¶11–14
11ב והנה על התעוררות בחי׳ רעותא דליבא זו אמר הכתוב פתחי לי אחותי רעיתי1 אחותי היא האהבה הטבעית2 המסותרת בלב כ״י [כנסת ישראל] ובנפשם האלקי׳ שטבע זו היא מחמת מקור חוצבה ושרשה שהיא חלק אלוה ממעל3 ממש
2. Ora, a respeito do despertar deste nível da vontade do coração (re’uta deliba), o versículo diz: “Abre para mim, minha irmã, minha amada (ra’yasi).” “Minha irmã” é o amor natural oculto no coração da Congregação de Israel e na alma divina; essa natureza se deve à fonte da qual foi talhada e à sua raiz, pois ela é, literalmente, “uma parte de D'us acima”,
A segunda seção do maamar volta-se para “Abre para mim, minha irmã, minha amada”, o chamado para despertar a vontade do coração. “Minha irmã” é o amor natural oculto em cada coração judeu e na alma divina; ele é natural porque a raiz da alma é “uma parte de D'us acima”.
כי חלק4 ה׳ עמו ולכן נקרא אהבה הטבעית זו בשם אחותי שהיא כאהבת אח ואחות שאהבתם היא בטבעם מחמת תולדותם.
pois “a parte de Havayá é Seu povo”. Portanto, esse amor natural é chamado de “minha irmã”, pois se assemelha ao amor entre irmão e irmã, cujo amor é natural, em virtude de seu nascimento.
O versículo “a parte de Havayá é Seu povo” exprime a mesma ideia. O amor é chamado de “irmã” porque se assemelha ao amor entre irmão e irmã, que é inato, e não conquistado.
ואמר פתחי לי שאהבה זו צריך לפתוח ולהוציאה ממסגר ומאסר הגוף והנפש הבהמית ע״י בחי׳ רעותא דלבא לעורר את האהבה כו׳ וכנ״ל
E diz: “Abre para mim”, pois esse amor precisa ser aberto e retirado da prisão e do confinamento do corpo e da alma animal, por meio do nível da vontade do coração, “para despertar o amor”, etc., como mencionado acima.
“Abre para mim” significa que esse amor oculto precisa ser aberto e libertado da prisão do corpo e da alma animal. Isso se realiza por meio da vontade do coração, que “desperta o amor”, como explicado anteriormente.
(ועוד נתק ענין אחותי בד״ה כי תבאו אל הארץ5 בפ׳ בהר וענין רעיתי נת׳ [נתבאר] שם באופן אחר) ורעיתי פי׳ פרנסתי ע״ד [על דרך] מארז״ל [מאמר רבותינו זכרונם לברכה] ישראל מפרנסין67 כו׳
(E o tema de “minha irmã” é explicado mais adiante no discurso que começa “Quando vierdes à terra”, na Parashá Behar; e o tema de “minha amada” é explicado ali de outra maneira.) E ra’yasi significa “minha provedora” (parnasati), conforme a afirmação de nossos Sábios, de abençoada memória: “Israel sustenta”, etc.
O parêntese remete a um discurso na Parashá Behar que explica mais sobre “minha irmã” e apresenta outra explicação para “minha amada”. Aqui, ra’yasi (“minha amada”) é interpretado como “minha provedora”, da raiz ligada à alimentação, conforme a afirmação do Zohar de que Israel “sustenta” seu Pai no Céu.
ועמ״ש רועה ישראל האזינה8 כו׳ שהקב״ה [שהקדוש ברוך הוא] כביכול רועה וניזון מישראל שישראל עושין לו מרעה ומזון.
E veja o que está escrito sobre “Pastor (ro’eh) de Israel, dá ouvidos”, etc.: o Santo, bendito seja Ele, por assim dizer, pasta (ro’eh) e é alimentado por Israel, pois Israel lhe proporciona pastagem e alimento.
A mesma ideia é lida em “Pastor (ro’eh) de Israel”: ro’eh também significa “pastar”, de modo que D'us, por assim dizer, é alimentado por Israel. O serviço de Israel é Sua pastagem e Seu alimento.
וכמ״ש אכלתי יערי עם דבשי910 דקאי על ק״ש [קריאת שמע] וברכתויה (כמ״ש פ׳ פנחס דרכ״ו ע״ב) יערי אלו המלאכים כי שרפים עומדים11 נקר׳ [נקרא / נקראת / נקראות] עצי שטים עומדים12 וכולם עומדים ביראה כו׳.
E como está escrito: “Comi meu ya’ri (favo de mel) com meu mel”, o que se refere ao Shemá e às suas bênçãos (como está escrito na Parashá Pinchas, fólio 226b): “meu ya’ri” — estes são os anjos, pois os “Serafins em pé” são chamados de “madeira de acácia em pé”, e “todos eles permanecem de pé com temor”, etc.
O versículo “Comi meu ya’ri com meu mel” é interpretado, seguindo o Zohar na Parashá Pinchas, como uma referência ao Shemá e às suas bênçãos. Ya’ri é entendido como ya’ar, “floresta”, e se refere aos anjos: os Serafins são descritos como estando “em pé”, como as vigas de acácia “em pé”, árvores de uma floresta, e todos os anjos permanecem de pé com temor.
והיינו מה שאומרים בברכת יוצר איך שהמלאכים מקדישים כו׳ והאופנים ברעש גדול13 כו׳ שתשוקתם וחפצם
E é isso que dizemos na bênção de Yotzer: como os anjos santificam, etc., e “os Ofanim com grande estrondo”, etc.; seu anseio e desejo
É isso que descreve a bênção de Yotzer, antes do Shemá: os anjos santificando D'us e os Ofanim elevando-se “com grande estrondo”. Isso expressa seu anseio e desejo.
להתכלל באור ה׳ א״ס [אין סוף] ב״ה ובטלים אליו ית׳ שביטול והתכללות זה נקרא בשם אכילה כמו המאכל עד״מ [על דרך משל] שנבלע באברים באברים ומתאחד עם דם הנפש.
é serem incluídos na luz de D'us, o Infinito (Ein Sof), bendito seja Ele, e anulam-se diante Dele, bendito seja. Essa anulação (bitul) e inclusão são chamadas de “comer”, à maneira da analogia com o alimento, que é absorvido pelos membros, membro a membro, e se torna um com o sangue da alma.
Os anjos anseiam ser incluídos na luz de D'us e anulam-se diante Dele. Essa anulação é chamada de “comer”, pois se assemelha ao alimento que é absorvido por cada membro e se torna um com o sangue da alma.
“Abre para mim, minha irmã” convoca a libertação do amor natural e inato da alma divina, que está confinado pelo corpo. Ra’yasi significa que Israel “alimenta” D'us, e “Comi minha floresta” descreve como a autoanulação dos anjos nas bênçãos do Shemá é o “alimento” de D'us.
A imagem de “comer” prepara os passos seguintes do maamar: assim como o alimento se torna o sangue que une a alma ao corpo, a autoanulação dos anjos e das almas torna-se, por assim dizer, o alimento de D'us e, por meio dela, a Luz Infinita se une ao seu “corpo”, os atributos divinos.
Marei mekomot
- 1פתחי לי אחותי רעיתי · Song of Songs 5:2
- 2פתחי לי אחותי . . היא האהבה הטבעית · ראה לקו״ש ח״כ ע׳ 40 בהערה.
- 3חלק אלוה ממעל · Job 31:2
- 4כי חלק ה׳ עמו · Deuteronomy 32:9
- 5בד״ה כי תבואו אל הארץ · לעיל פ׳ בהר לט, ג ואילך. וראה לעיל יב, ג.
- 6ישראל מפרנסין · זח״ג (ז, ב). [כ].
- 7ישראל מפרנסין · Zohar, Vayikra 13:97–16:104
- 8רועה ישראל האזינה · Psalms 80:2
- 9אכלתי יערי עם דבשי · Song of Songs 5:1
- 10אכלתי יערי עם דבשי · Zohar, Pinchas 57:348–60:357
- 11שרפים עומדים · Isaiah 6:2
- 12עצי שטים עומדים · Exodus 26:15
- 13והאופנים ברעש גדול · Isaiah 6:3
E “meu mel” — estas são as almas, que são os frutos da floresta (ya’ar), e nelas há doçura e deleite: “do forte saiu doçura”; “uma terra que mana leite e mel” etc.
“Meu mel” refere-se às almas, os “frutos” da floresta, que possuem doçura e deleite. Os versículos “do forte saiu doçura” e “uma terra que mana leite e mel” são citados por causa dessa doçura.
והיינו מה שאומרים בק״ש [בקריאת שמע] שמע ישראל2 דקאי על הניצוץ אלקות ורמ״ח תיבין דק״ש [דקריאת שמע] כנגד רמ״ח אברי האדם שיהיו רמ״ח אברי האדם בטלין ונכללים באדם העליון ועל דמות הכסא דמות כמראה אדם3 כו׳.
E é isso que dizemos no Shemá: “Ouve, ó Israel”, que se refere à centelha de Divindade. As 248 palavras do Shemá correspondem aos 248 membros do homem, para que os 248 membros do homem sejam anulados e incluídos no Homem Supremo, “e sobre a semelhança do trono, uma semelhança como a aparência de um homem” etc.
No Shemá, “Ouve, ó Israel” refere-se à centelha de Divindade na alma. As 248 palavras do Shemá correspondem aos 248 membros de uma pessoa, para que todos sejam anulados e incluídos no Homem Supremo, a “semelhança como a aparência de um homem” sobre o trono, na visão de Ezequiel.
As almas, “meu mel”, são a doçura que D'us “come”: no Shemá, a centelha de Divindade na alma e, por meio das 248 palavras do Shemá, todos os 248 membros são incluídos no Homem Supremo.
Marei mekomot
- 1מהעז יצא מתוק · Judges 14:14
- 2שמע ישראל · Deuteronomy 6:4
- 3ועל דמות הכסא דמות כמראה אדם · Ezekiel 1:26
13ונקרא בחי׳ זאת בזוה״ק [בזוהר הקדוש] לאשתאבא בגופא דמלכא1 דהיינו להיות בבחי׳ ביטול והתכללות ממש באור ה׳ א״ס [אין סוף] ב״ה כמו המאכל שנעשה ממנו דם שמתאחד עם דם הנפש ממש.
E esse nível é chamado no sagrado Zohar de “ser absorvido no corpo do Rei”, isto é, estar num estado de verdadeira autoanulação (bitul) e inclusão na luz de D'us, o Infinito (Ein Sof), bendito seja Ele, como o alimento do qual se forma o sangue, que se torna um com o próprio sangue da alma.
O Zohar chama esse nível de ser “absorvido no corpo do Rei”: uma completa autoanulação e inclusão na luz de D'us, como o alimento que se transforma em sangue e se une ao próprio sangue da alma.
וכך יהיו כל כחותיו רק לה׳ לבדו וכמ״ש מי לי בשמים ועמך לא חפצתי2 כו׳ וכל כחות הנפש הבהמיות כח המתאוה כו׳ יהיו בבחי׳ אתכפייא ואתהפכא כו׳.
E assim, todos os seus poderes serão exclusivamente para D'us, como está escrito: “Quem tenho eu nos céus? E, contigo, nada desejo”, etc. E todos os poderes da alma animal — o poder do desejo, etc. — estarão no estado de serem subjugados (iskafya) e transformados (is’hapcha), etc.
Então, todos os poderes da pessoa são exclusivamente para D'us, como em “contigo, nada desejo”. Os poderes da alma animal, como seus desejos, são primeiro subjugados (iskafya) e depois transformados (is’hapcha).
A autoanulação da alma é a “absorção no corpo do Rei” mencionada pelo Zohar: todos os poderes da pessoa são dedicados a D'us, e os poderes da alma animal são subjugados e transformados.
Marei mekomot
- 1לאשתאבא בגופא דמלכא · Zohar I, 217b
- 2מי לי בשמים ועמך לא חפצתי · Psalms 73:25
14ואזי תשוב הנפש לאלקים ותתהפך לבחי׳ אלקו׳ [אלקות] ממש עד שלא יהיה לה חיות ותענוג אחר זולת לה׳ לבדו
E então a alma retornará a D'us e será transformada em divindade propriamente dita, até que não tenha nenhuma outra força vital ou deleite além [daquilo que é] para D'us somente.
Então, a alma retorna a D'us e é transformada na própria divindade, até que não tenha vida nem prazer além daquilo que é para D'us.
והוא הבאה מחמת ההתבוננות נפש המשכלת שמתבוננת בגדולת א״ס [אין סוף] ב״ה אשר אין ערוך אליו ית׳ וכולא קמיה כלא חשיבא וכטפה מים בים האוקיינוס ואי לזאת תבטל הנפש במציאות אליו ית׳
E isso provém da contemplação da alma intelectual, que contempla a grandeza do Infinito (Ein Sof), bendito seja Ele, com Quem nada se compara, bendito seja Ele, e “tudo diante d’Ele é considerado como nada”, como uma gota d’água no oceano. Por isso, a alma será anulada em sua existência diante d’Ele, bendito seja Ele,
Isso provém da contemplação da grandeza do Infinito pela alma intelectual: nada se compara a Ele, tudo diante d’Ele é como nada, como uma gota no oceano. Ao perceber isso, a percepção que a alma tem de sua própria existência é anulada diante d’Ele.
וישליך מנגד כל החיות וכל התענוגים אשר לא לה׳ המה לדבקה בו לבדו ית׳ באור א״ס [אין סוף] ב״ה ממש מקור החיים ומקור התענוגים בלי שום תערובות זר ופניות דלגרמיה כו׳ רק בבחי׳ ביטול והתכללות באלקות ממש.
e lançará de lado toda a força vital e todos os deleites que não são para D'us, para apegar-se somente a Ele, bendito seja Ele, à própria Luz Infinita (Or Ein Sof), bendito seja Ele, fonte da vida e fonte dos deleites, sem nenhuma mistura estranha nem interesses em benefício próprio, etc., mas somente num estado de autoanulação (bitul) e inclusão na própria divindade.
A pessoa lança de lado todo prazer que não seja para D'us e apega-se à própria Luz Infinita, fonte da vida e de todo deleite. Isso ocorre sem nenhuma mistura estranha nem interesse próprio, mas somente com pura autoanulação e inclusão na divindade.
A transformação da alma em divindade provém da contemplação da grandeza do Infinito, que anula a percepção que a alma tem de si mesma e não lhe deixa outro prazer senão apegar-se a D'us.
Construir os atributos ¶15–19
15והנה כמו שהמאכל המתעכל ונעשה דם הוא המתאחד עם דם הנפש ומחבר ומקשר השראת נפש בגוף לתת ל ו חיים כך ע״י אתעדל״ת [אתערותא דלתתא] בבחי׳ ביטול
Ora, assim como o alimento que é digerido e se transforma em sangue é aquilo que se une ao sangue da alma e une e vincula a presença da alma no corpo, para lhe dar vida, assim também, por meio de um despertar de baixo em estado de autoanulação (bitul)
Aplica-se a analogia: o alimento digerido transforma-se em sangue, une-se ao sangue da alma e, assim, vincula a alma ao corpo e lhe dá vida. Do mesmo modo, um despertar de baixo no modo de autoanulação produz um efeito no Alto.
והתכללות עד שתתהפך לבחי׳ אלקות ממש נמשך חיות ואור א״ס [אין סוף] ב״ה כביכול להתחבר ולהתקשר בבחי׳ גופא הן הם מדותיו ית׳ כמ״ש בזהר וכמה גופין תקינת לון12 כו׳
e de integração, até que se transforme em verdadeira Divindade, são atraídas a força vital e a Luz Infinita (Or Ein Sof), bendito seja Ele, por assim dizer, para se unirem e se vincularem ao nível de um “corpo” — que são Seus atributos (midot), bendito seja Ele —, como está escrito no Zohar: “E muitos corpos fizeste para eles”, etc.:
Quando a alma se anula e se transforma em Divindade, a força vital e a Luz Infinita são atraídas para baixo e se vinculam, por assim dizer, a um “corpo”, que são os atributos de D'us. A fonte é o Tikkunei Zohar: “muitos corpos fizeste para eles”.
חסד דרועא ימינא גבורה כו׳ שמדות חסדו וגבורותיו ית׳ הן בבחי׳ גוף לגבי הנשמה הוא אור א״ס [אין סוף] ב״ה בעצמו ובכבודו דלאו מכל אלין מדות כלל כו׳.
“Chessed (bondade) é o braço direito; Guevurá (contenção)”, etc. Pois os atributos de Seu Chessed e de Suas Guevurot, bendito seja Ele, são como um corpo em relação à alma, que é a própria Luz Infinita, bendito seja Ele, em Sua própria glória, que “não é de nenhum desses atributos”, etc.
Naquela passagem, Chessed é o braço direito e Guevurá, o esquerdo, e assim por diante: os atributos são como um corpo, enquanto a alma que neles reside é a própria Luz Infinita, que não é nenhum desses atributos.
Assim como o alimento vincula a alma ao corpo, a autoanulação da alma vincula a Luz Infinita ao seu “corpo”, os atributos divinos, que são para essa luz como o corpo é para a alma.
Marei mekomot
- 1וכמה גופין תקינת לון · ת״ז בהקדמה (פתח אלי׳).
- 2וכמה גופין תקינת לון · Tikkunei Zohar 17a:15–16
16ואפי׳ [ואפילו] בחכמה עילאה כתיב כולם בחכמה עשית1 שנחשבת כעשייה גשמיות. וכמ״ש כי אמרתי עולם חסד יבנה2 שהחסד צריך להיות נבנה ומתהווה להיות התלבשות אור א״ס [אין סוף] ב״ה במדת החסד
E mesmo a respeito da Chochmá superna está escrito: “Com Chochmá fizeste todos eles”, pois ela é considerada como uma ação física. E, como está escrito: “Pois eu disse: ‘O mundo será construído com bondade (Chessed)’”, pois o Chessed precisa ser construído e vir a existir, para que a Luz Infinita (Or Ein Sof), bendito seja Ele, se revista no atributo de Chessed;
Até mesmo a sefirá mais elevada, a Chochmá superna, é descrita como algo “feito”, como em “Com Chochmá fizeste todos eles”: em comparação com o Infinito, ela é como uma ação física. Do mesmo modo, “o mundo será construído com bondade” significa que o próprio Chessed precisa ser construído, para que a Luz Infinita se revista nele.
וכן בשאר המדות ובחכמה (ועמש״ל [ועיין מה שכתוב לעיל] מזה בד״ה לסוסתי)3 ובנין זה הוא מאתעדל״ת [מאתערותא דלתתא] זו שהיא בבחי׳ ביטול והתכללות ממש שכמו שא״א [שאי אפשר] להיות התקשרות הנפש עם הגוף מן המאכל עד שמתעכל ונעשה דם שמתאחד עם דם הנפש ממש.
e assim também com os outros atributos (midot) e com a Chochmá. (Veja também o que foi escrito acima a esse respeito no discurso iniciado por “À minha égua”.) E essa construção provém deste despertar de baixo (isaruta dilesata), que se encontra num estado de verdadeira autoanulação (bitul) e inclusão. Pois, assim como não pode haver ligação entre a alma e o corpo por meio do alimento antes que ele seja digerido e se torne sangue, que se une ao próprio sangue da alma,
O mesmo se aplica aos outros atributos e à Chochmá; o texto remete ao discurso “À minha égua”. Essa “construção” provém do despertar de baixo em completa autoanulação, assim como a alma só se liga ao corpo por meio do alimento que foi digerido e se tornou sangue.
כך א״א [אי אפשר] להיות המשכות החיות מאא״ס [מאור אין סוף] ב״ה ולהיות התלבשות אור א״ס [אין סוף] ב״ה בחכמה ובחסד מחמת אתערותא דלתתא כ״א [כי אם] שתהיה בבחי׳ ביטול והתכללות ממש עד שתשוב הנפש בבחי׳ אלקות ממש כנ״ל:
assim também não pode haver a atração da força vital da Luz Infinita, bendito seja Ele, nem o revestimento da Luz Infinita, bendito seja Ele, na Chochmá e no Chessed, por meio de um despertar de baixo, a menos que este se encontre num estado de verdadeira autoanulação e inclusão, até que a alma retorne ao estado de Divindade propriamente dita, como mencionado acima.
Da mesma maneira, a Luz Infinita só é atraída para Chochmá e Chessed por meio de um despertar de baixo que consista em completa autoanulação, até que a alma se torne a própria Divindade.
O revestimento da Luz Infinita na Chochmá, no Chessed e nos demais atributos precisa ser “construído”, e essa construção provém do despertar de baixo que envolve completa autoanulação, pois somente o alimento digerido liga a alma ao corpo.
Marei mekomot
- 1כולם בחכמה עשית · Psalms 104:24
- 2כי אמרתי עולם חסד יבנה · Psalms 89:3
- 3לסוסתי · Song of Songs 1:9
17אך להבין הטעם לכל זה מאין הוא הכח הזה לנפש המלובשת בגוף לאתעדל״ת [לאתערותא דלתתא] כזו להתאחד עם אלקות ולהמשיך חיות ואור א״ס [אין סוף] ב״ה במדותיו הקדושות יובן בביאור הטעם שהמאכל הגשמי
Mas, para compreender a razão de tudo isso — de onde vem à alma revestida de um corpo o poder de, por meio de um despertar de baixo (isarusa dilesata) como esse, unir-se à divindade e atrair a força vital e a Luz Infinita (Or Ein Sof), bendito seja Ele, para Seus atributos sagrados (midot)? — isso será compreendido explicando-se a razão pela qual o alimento físico,
A pergunta agora é de onde vem à alma revestida de um corpo o poder de unir-se à divindade e atrair a Luz Infinita para os atributos sagrados de D'us. A resposta virá da analogia do alimento físico.
שהוא מדצ״ח [מדומם צומח חי] שהם למטה ממדרגת האדם שהוא מדבר ועליו יחיה האדם אלא היינו מפני שעל כל מוצא פי1 ה׳ שבמאכל יחיה האדם והמוצא פי ה׳ הוא הוא המחייהו.
que pertence aos reinos mineral, vegetal e animal, inferiores à categoria do homem, que é um ser falante, e por meio do qual, ainda assim, o homem vive. Isso se deve ao fato de que “por tudo o que sai da boca de Havayá” que há no alimento “vive o homem”; e “aquilo que sai da boca de Havayá” é precisamente o que lhe dá vida.
O alimento provém dos reinos mineral, vegetal e animal, todos inferiores ao homem, o ser falante; ainda assim, o homem vive dele. Isso ocorre porque “aquilo que sai da boca de Havayá” presente no alimento — a palavra divina que lhe dá existência — é o que o sustenta.
אך הנה האדם יש בו ג״כ מוצא פי ה׳ ולמה צריך עוד למוצא פי׳ ה׳ שבמאכל.
Mas eis que o homem também tem em si “aquilo que sai da boca de Havayá”; por que, então, precisa ainda de “aquilo que sai da boca de Havayá” que há no alimento?
Isso suscita uma pergunta: o próprio homem tem em si uma palavra divina; por que, então, precisa da palavra divina presente no alimento?
אך הענין הוא דכתיב אחור וקדם צרתני23 אחור למע״ב [למעשה בראשית]4 כו׳ ולכן המוצא פי ה׳ שבמאכל הוא ממדגות עליונות וגבוהות יותר ולזאת יש בו כח להמשיך המשכות חיות נפש האדם והתקשרותה ותהלבשותה בגוף.
Mas a explicação é que está escrito: “Atrás e à frente Tu me formaste”: “atrás”, na obra da criação, etc. Portanto, “aquilo que sai da boca de Havayá” que há no alimento provém de níveis mais elevados e sublimes, e por isso tem o poder de atrair os influxos da força vital da alma humana, bem como sua ligação e seu revestimento no corpo.
“Atrás e à frente Tu me formaste”: os Sábios explicam “atrás” como último na obra da criação, pois o homem foi criado depois de tudo o mais. O que veio antes na criação provém de níveis mais elevados da palavra divina; por isso, a palavra presente no alimento tem uma fonte mais elevada que a do homem e o poder de ligar sua alma ao corpo.
O poder da alma de atrair a Luz Infinita é explicado por meio do alimento: embora seja inferior ao homem, o alimento o sustenta porque a palavra divina que nele se encontra provém de um nível mais elevado, uma vez que o homem foi criado por último.
Marei mekomot
- 1שעל כל מוצא פי ה׳ · Deuteronomy 8:3
- 2אחור וקדם צרתני · Psalms 139:5
- 3אחור וקדם צרתני · Eruvin 18a:15–16
- 4אחור למע״ב · עירובין (יח, א). [כ].
Ora, assim como na analogia — o alimento físico dá vida ao homem e une a alma do homem ao seu corpo por causa de “aquilo que sai da boca de Havayá” que nele se encontra — assim
A analogia é agora aplicada. O alimento físico dá vida à pessoa e liga sua alma ao seu corpo por causa da palavra divina que nele se encontra.
הוא בנמשל באתערותא דלתתא זו בבחי׳ ביטול והתכללות שנקרא בשם אכילה למעלה שממשיך חיות ואור א״ס [אין סוף] ב״ה להתלבש בבחי׳ גופא חסד דרועא ימינא גבורה כו׳
é no que a analogia ilustra: com este despertar de baixo (isarusa dilesata), em estado de autoanulação (bitul) e inclusão, que é chamado de “comer” no Alto, atrai a força vital e a Luz Infinita (Or Ein Sof), bendito seja Ele, para se revestirem no nível de um “corpo” — “Chessed (bondade) é o braço direito, Guevurá (contenção)”, etc. —
Na correspondência, o despertar de baixo no modo de autoanulação, chamado de “comer” no Alto, atrai a força vital e a Luz Infinita para se revestirem no “corpo” dos atributos divinos: Chessed como o braço direito, Guevurá como o esquerdo, e assim por diante.
הוא מפני מוצא פי׳ ה׳ הוא כח וחיות אלקות שיש לישראל בשרשם שהוא ממדרגות עליונות שבאור א״ס [אין סוף] ב״ה כי ישראל עלה במחשבה.2
isso se dá por causa de “aquilo que sai da boca de Havayá”, que é o poder divino e a força vital que Israel possui em sua raiz, proveniente dos níveis superiores da Luz Infinita, bendito seja Ele; pois “Israel ascendeu no pensamento”.
Isso funciona por causa da “palavra divina” que se encontra em Israel: o poder divino em sua raiz, proveniente dos níveis superiores da Luz Infinita. Esse é o significado de “Israel ascendeu no pensamento”: eles precedem os mundos no pensamento de D'us.
Assim como a palavra divina no alimento liga a alma ao corpo, a raiz divina de Israel, que “ascendeu no pensamento”, é o que confere à sua autoanulação o poder de ligar a Luz Infinita aos atributos divinos.
Marei mekomot
- 1מוצא פי׳ ה׳ · Deuteronomy 8:3
- 2ישראל עלה במחשבה · נסמן לעיל פ׳ נצבים מז, ג.
19ופי׳ עלה במחשבה כי יש ג׳ מיני מחשבות כמ״ש כי לא מחשבותי מחשבותיכם1 לשון רבים מחשבה שבמחשבה דהיינו שחושב מחשבת שכל והבנה ודבר שצריך בו עיון הלב.
E o significado de “subiu ao pensamento” é que há três tipos de pensamentos, como está escrito: “Pois Meus pensamentos não são os vossos pensamentos” — no plural. [Há] pensamento dentro do pensamento, isto é, quando se pensa uma ideia de intelecto e entendimento, um assunto que requer reflexão do coração.
Para explicar “subiu ao pensamento”, o Alter Rebe distingue três tipos de pensamento, observando que o versículo diz “pensamentos”, no plural. O primeiro é “pensamento dentro do pensamento”: pensar com verdadeiro intelecto e entendimento sobre um assunto que exige profunda reflexão.
ודבור שבחשבה שחושב דברים בעלמא שאין בהם רק צירופי אותיות ואין מלובש בהם שום שכל והבנה.
E [há] fala dentro do pensamento, quando se pensa em meras palavras, nas quais há apenas combinações de letras, sem que nelas esteja revestido qualquer intelecto ou entendimento.
O segundo é “fala dentro do pensamento”: pensar apenas em palavras, meras combinações de letras sem qualquer entendimento.
ומעשה שבמחשבה הוא כח המדמה שהוא רק דמיון לכל מה שרואה במעשה גשמיות ובפועל ממש.
E ação dentro do pensamento é a faculdade da imaginação, que é apenas uma representação imaginária de tudo o que se vê em ações físicas e em atos concretos.
O terceiro é “ação dentro do pensamento”: a imaginação, que representa atos físicos concretos que a pessoa viu.
ועלה במחשבה היינו מחשבה שבמחשבה שהיא מחשבה עליונה (ועמ״ש ע״פ ויכתוב משה2 את מוצאיהם3 ובד״ה יונתי בחגוי הסלע.45 ובד״ה אם בחקתי תלכו67 ועמ״ש מענין ב׳ בחי׳ שבמחשבה בד״ה שובה ישראל עד)89
E “subiu ao pensamento” significa pensamento dentro do pensamento, que é o pensamento supremo. (E veja o que está escrito sobre [o versículo] “E Moshe escreveu suas jornadas”, e no discurso que começa “Minha pomba, nas fendas da rocha”, e no discurso que começa “Se caminhardes em Meus estatutos”; e veja o que está escrito sobre o assunto dos dois níveis do pensamento no discurso que começa “Volta, ó Israel, até”.)
“Israel subiu ao pensamento” refere-se ao mais elevado desses níveis: pensamento dentro do pensamento, o pensamento supremo. O parêntese remete o leitor a quatro outros discursos, sendo o último sobre os dois níveis do pensamento.
ושרש התהוות העולמות והתלבשות אור10 א״ס [אין סוף] ב״ה בבחי׳ חכמה וחסד הוא מבחי׳ דבור ואמירה שבמחשבה כמ״ש
E a raiz da formação dos mundos e do revestimento da Luz Infinita (Or Ein Sof), bendito seja Ele, nos níveis de Chochmá (sabedoria) e Chessed (bondade), provém do nível da fala e da enunciação dentro do pensamento, como está escrito,
Em contraste, a raiz da formação dos mundos e do revestimento da Luz Infinita em Chochmá e Chessed é um nível inferior: a fala, ou “enunciação”, dentro do pensamento.
כי אמרתי עולם כו׳ ויאמר אלקים יהי אור כו׳ והן הן צירופי אותיות נמשכות מאור א״ס [אין סוף] ב״ה להאציל כלים די״ס [די׳ ספירות] כמבואר במ״א
“Pois Eu disse: ‘O mundo…’”, etc., [e] “E Elokim disse: ‘Haja luz’”, etc. E estas são precisamente as combinações de letras que se estendem da Luz Infinita, bendito seja Ele, para emanar os recipientes das dez Sefirot, como é explicado em outro lugar.
Assim, a Escritura fala da criação como uma enunciação: “Pois Eu disse: ‘O mundo…’” e “E Elokim disse: ‘Haja luz’”. Essas enunciações são as combinações de letras que se estendem da Luz Infinita para emanar os recipientes das dez Sefirot.
ולכן יש כח בשרש נש״י [נשמות ישראל] שהוא מבחי׳ מחשבה שבמחשבה להמשיך חיות ואור א״ס [אין סוף] ב״ה ע״י שבטל ונכלל ממש באלקות באתעדל״ת [באתערותא דלתתא] זו והוא הוא בבחי׳ המאכל שמתעכל ונהפך לדם הנפש וממשיך חיות כו׳.
Portanto, a raiz das almas de Israel, que provém do nível de pensamento dentro do pensamento, tem o poder de atrair a força vital e a Luz Infinita, bendito seja Ele, por meio de sua efetiva autoanulação e inclusão na Divindade, através desse despertar de baixo (itaruta dil’etata); e isso é exatamente como o alimento que é digerido, transforma-se no sangue da alma e atrai força vital, etc.
Portanto, a raiz das almas de Israel, que está no pensamento dentro do pensamento, acima da fala que é a raiz das Sefirot, tem o poder de atrair a Luz Infinita para elas quando a alma se anula na Divindade. Isso é exatamente como o alimento, cuja palavra divina provém de um nível mais elevado e, por isso, dá vida quando se transforma no sangue da alma.
וזהו כי אמרתי עולם חסד יבנה11 שהחסד נבנה ע״י כי אמרתי אמירה בלב שלי שישראל עלה במחשבה
E este é [o significado de] “Pois Eu disse: ‘O mundo — Chessed será construído’”: Chessed é construído por meio de “Pois Eu disse” — uma enunciação em Meu coração, de que “Israel subiu ao pensamento”.
Daí, “Pois Eu disse: ‘O mundo — Chessed será construído’”: Chessed é construído por meio de “Eu disse”, uma enunciação no coração de D'us, de que Israel subiu ao pensamento. O pensamento de D'us sobre Israel é o que constrói o atributo de Chessed.
(ועמ״ש מזה לעיל בד״ה לסוסתי וע׳ [ועיין] בפי׳ הרמ״ז [הרב משה זכות] בפ׳ תולדות בדף קל״ה על ענין בעשרה מאמרות נברא העולם והלא במאמר אחד יכול להבראות12 כו׳ ע״ש [עיין שם]) ופי׳
(E veja o que foi escrito sobre isso acima, no discurso que começa com “À minha égua”; e veja o comentário de Ramaz sobre a Parashat Toldot, no fólio 135, a respeito do tema: “Com dez enunciados o mundo foi criado — mas não poderia ter sido criado com um único enunciado?”, etc.; veja ali.) E o significado de
O parêntese remete ao discurso “À minha égua” e ao comentário de Ramaz sobre o Zohar, Parashat Toldot, no fólio 135, acerca da pergunta da Mishná: por que o mundo foi criado com dez enunciados, quando poderia ter sido criado com um único.
כי אמרתי עולם שהאמירה באה לבחי׳ עולם בעשרה מאמרות שנברא העולם יהי אור יהי רקיע13 כו׳.
“Pois Eu disse: ‘O mundo’” significa que o enunciado chega ao nível de “mundo”, por meio dos dez enunciados com os quais o mundo foi criado: “Haja luz”, “Haja um firmamento”, etc.
“Pois Eu disse: ‘o mundo’” significa que o enunciado divino desce ao nível de “mundo” por meio dos dez enunciados da Criação: “Haja luz”, “Haja um firmamento” e os demais.
ומזה נמשך חיות העולמות בפנימיות ובחיצוניות. בפנימיות ויקם עדות ביעקב14 כו׳ ובחיצוניות קול דודי דופק15 אותיות פק״ד פקד פקדתי16 כו׳.
E disso é atraída a força vital dos mundos, na dimensão interior (pnimiyut) e na dimensão exterior (chitsoniyut): na dimensão interior, “Ele estabeleceu um testemunho em Yaakov”, etc.; e, na dimensão exterior, “a voz do meu amado bate à porta” (dofek), cujas letras formam pakad: “Certamente Me lembrei” (pakod pakadti), etc.
Disso flui força vital para os mundos de duas maneiras. O fluxo interior é a Torá e as mitsvot: “Ele estabeleceu um testemunho em Yaakov”; o fluxo exterior é “a voz do meu amado bate à porta” (dofek), cujas letras formam pakad, indicando a providência de D'us.
וזהו האותיות שאלוני על בני ועל פועל ידי תצוני17 על בני בבחי׳ פנימיות ועל פועל ידי בבחי׳ חיצוניות:
E este é [o significado de] “As letras, perguntai-Me acerca de Meus filhos, e acerca da obra de Minhas mãos ordenai-Me”: “acerca de Meus filhos”, no nível da dimensão interior, e “acerca da obra de Minhas mãos”, no nível da dimensão exterior.
Assim se explica o versículo das letras: “acerca de Meus filhos” refere-se ao fluxo interior, e “acerca da obra de Minhas mãos”, ao fluxo exterior.
“Israel subiu ao pensamento” significa que as almas têm sua raiz no pensamento dentro do pensamento, acima da fala divina da qual provêm os mundos e as Sefirot. Por isso, sua autoanulação pode construir o atributo de Chessed e atrair vida para os mundos, tanto interior como exteriormente.
Os três níveis de pensamento correspondem à ordem do alimento e do homem: assim como o alimento, criado antes, tem uma palavra divina mais elevada que a do homem e, por isso, o sustenta, as almas, enraizadas no pensamento dentro do pensamento, são mais elevadas que a fala que cria os mundos e as Sefirot; por isso, seu serviço “constrói” as próprias Sefirot.
Marei mekomot
- 1כי לא מחשבותי מחשבותיכם · Isaiah 55:8
- 2ע״פ ויכתוב משה · לעיל פ׳ מסעי צא, ב ואילך.
- 3ויכתוב משה את מוצאיהם · Numbers 33:2
- 4ובד״ה יונתי בחגוי הסלע · לעיל טז, ד.
- 5יונתי בחגוי הסלע · Song of Songs 2:14
- 6ובד״ה אם בחקותי תלכו · לעיל בחקותי מה, א.
- 7אם בחקתי תלכו · Leviticus 26:3
- 8בד״ה שובה ישראל עד · לעיל שבת שובה סו, ב.
- 9שובה ישראל עד · Hosea 14:2
- 10יהי אור · Genesis 1:3
- 11כי אמרתי עולם חסד יבנה · Psalms 89:3
- 12בעשרה מאמרות נברא העולם והלא במאמר אחד יכול להבראות · Pirkei Avot 5:1
- 13יהי רקיע · Genesis 1:6
- 14ויקם עדות ביעקב · Psalms 78:5
- 15קול דודי דופק · Song of Songs 5:2
- 16פקד פקדתי · Exodus 3:16
- 17האותיות שאלוני על בני ועל פועל ידי תצוני · Isaiah 45:11
“Minha pomba”: o olhar que jamais se sacia ¶20–22
20ג והנה באתערותא דלתתא זו שע״י בחי׳ פתחי לי אחותי רעיתי1 יעלה ויבא ויגיע למדרגה יותר עליונה הוא בחי׳ יונתי והוא בחי׳ עיניך יונים כמו זוג יונים שמסתכלים תמיד זה בזה ונהנים בראייתם זע״ז [זה עם זה / זה על זה].
3. Ora, por meio deste despertar de baixo (isarusa dilesata), que se dá pelo nível de “Abre para mim, minha irmã, minha amada”, a pessoa se elevará, virá e alcançará um nível ainda mais elevado, o nível de “minha pomba” (yonasi). E este é o nível de “teus olhos são pombas”: como um par de pombas que se contemplam constantemente e sentem prazer ao se verem.
Começa a terceira seção. O despertar de “Abre para mim, minha irmã, minha amada” conduz a um nível mais elevado, “minha pomba”, que é “teus olhos são pombas”: como um par de pombas que se contemplam constantemente e sentem prazer ao se verem.
Além do despertar de “minha irmã, minha amada”, há o nível mais elevado de “minha pomba”: um olhar mútuo e constante de amor.
Marei mekomot
- 1פתחי לי אחותי רעיתי · Song of Songs 5:2
21ולא זזה חיבתם מלהסתכל זה בזה. כך יהיה האדם בבחי׳ זו שהוא בחי׳ לאסתכלא ביקרא דמלכא1 לאסתכלא תדיר. ועל זה נאמר עיני האדם לא תשבענה.2
E a afeição deles nunca cessa de se contemplarem. Assim também deve ser a pessoa neste nível, que é o nível de “contemplar a glória do Rei”, contemplando constantemente. E a isso se refere o que foi dito: “Os olhos do homem nunca se satisfazem.”
Assim como o amor das pombas nunca as impede de se contemplarem, a pessoa neste nível “contempla a glória do Rei”, expressão do Zohar, constantemente. Esse é o sentido de “os olhos do homem nunca se satisfazem”.
פי׳ עיני האדם הוא האדם הגדול בענקים זה אברהם אבינו34 שעליו נאמר הלוך ונסוע5 תדיר בלי הפסק תמיד הלוך ונסוע ממדרגה למדרגה עד הנגבה שנקרא אברהם אוהבי6 ותמיד לא זזה חיבתו להמקום ב״ה.
O significado de “os olhos do homem” é: “o grande homem entre os gigantes” — este é Avraham, nosso pai, sobre quem foi dito: “indo e viajando”, constantemente, sem interrupção, sempre “indo e viajando” de nível em nível, até o sul (ha-negbah); [ele é aquele] que é chamado “Avraham, que Me ama”; e sua afeição pelo Onipresente, bendito seja Ele, nunca cessou.
“Homem” aqui é Avraham, chamado “o grande homem entre os gigantes”. Ele prosseguiu “indo e viajando”, sem pausa, de nível em nível, em direção ao “sul”, associado na Cabalá ao amor; ele é chamado “Avraham, que Me ama”, e seu amor por D'us nunca cessou.
ולכן אמרו רז״ל [רבותינו זכרונם לברכה] בכל יום7 יהיה בעיניך דברי תורה כחדשים8 שלא שבעתם העין. (ועמ״ש בפ׳ בחקתי בפי׳ ואכלתם ולא תשבעו)9 והיינו מחמת התבוננותו בגדולת א״ס [אין סוף] ב״ה שאין לו סוף כו׳.
Por isso, nossos Sábios, de abençoada memória, disseram: “Todos os dias, as palavras da Torá devem ser aos teus olhos como novas”, sem que os olhos tenham se saciado delas. (E veja o que está escrito na Parashá Bechukotai sobre o significado de “Comereis, mas não vos satisfareis”.) E isso se deve à contemplação da grandeza do Infinito (Ein Sof), bendito seja Ele, que não tem fim, etc.,
Daí o ensinamento dos Sábios de que as palavras da Torá devem parecer novas todos os dias, de modo que os olhos nunca se saciem delas. O trecho entre parênteses remete à discussão sobre “comereis, mas não vos satisfareis”. Essa insaciabilidade decorre da contemplação da grandeza do Infinito, que não tem fim.
ואין ערוך עליו ית׳ דכולא קמיה כלא כו׳ וכטפה מים אוקיינוס כו׳ והוא המחדש בטובו בכל יום תמי מע״ב [מעשה בראשית] מאין ליש ממש והתחדשות זו היא רק הארה בעלמא הודו וזיוו של שמו על ארץ10 כו׳
e não há comparação com Ele, bendito seja, pois “tudo diante d'Ele é como nada”, etc., e [é] como uma gota d'água [no] oceano, etc. E Ele é Quem “em Sua bondade renova a cada dia, constantemente, a obra da Criação”, trazendo-a do nada absoluto à existência; e essa renovação é apenas um mero fulgor: “Seu esplendor”, e o resplendor de Seu Nome, “está sobre a terra”, etc.,
Nada se compara a Ele; tudo diante d'Ele é como nada, como uma gota no oceano. Ele renova a Criação a cada dia, trazendo-a do nada à existência, e até mesmo essa renovação é apenas um fulgor: “Seu esplendor”, o resplendor de Seu Nome.
שהזיו מתחדש מאין ממש מאין תמיד ותמיד הוא מתחדש ולזאת וקדושים בכל יום יהללוך סלה קדושים אלו הנשמות שלמעלה בכל יום תמיד יהללוך סלה
pois o fulgor é renovado do nada absoluto, continuamente do nada, e está constantemente sendo renovado. Portanto: “E os santos Te louvarão todos os dias, sêla”: “santos” — estas são as almas no alto; “todos os dias”, constantemente, “eles Te louvarão, sêla”,
Como o fulgor é constantemente renovado a partir do nada, há sempre mais a contemplar. Assim, os “santos”, as almas no alto, louvam D'us todos os dias, “sêla”, expressão que os Sábios explicam como “sem interrupção”.
בלי הפסק11 ממדרגה למדרגה עד רום המעלות למעלה עד אין קץ וסוף ולמטה עד אין תכלית.
sem interrupção, de nível em nível, até o auge dos níveis — para cima, sem limite nem fim, e para baixo, sem medida.
O louvor delas ascende de nível em nível sem fim, para cima e para baixo, pois não há limite para a grandeza de D'us.
O nível de “minha pomba” consiste em contemplar constantemente a glória de D'us, sem jamais se saciar, como na jornada interminável de Avraham, pois D'us é infinito e renova a Criação a partir do nada a cada instante.
Marei mekomot
- 1לאסתכלא ביקרא דמלכא · Zohar II, 247b
- 2עיני האדם לא תשבענה · Proverbs 27:20
- 3האדם הגדול בענקים זה אברהם אבינו · Joshua 14:15
- 4האדם הגדול בענקים זה אברהם אבינו · Rashi on Joshua 14:15
- 5הלוך ונסוע · Genesis 12:9
- 6אברהם אוהבי · Isaiah 41:8
- 7בכל יום יהי׳ בעיניך ד״ת כחדשים · Deuteronomy 11:13
- 8בכל יום יהיה בעיניך דברי תורה כחדשים · Rashi on Exodus 19:1
- 9ואכלתם ולא תשבעו · Leviticus 26:26
- 10הודו וזיוו של שמו על ארץ · Psalms 148:13
- 11סלה בלי הפסק · Eruvin 54a:12–13
22ואי לזאת לא תשבע עין מלראות ולאסתכלא ביקרא דמלכא תדיר ולהיות שש ועלז בה בראיה זו
E, por isso, o olho não se saciará de ver, de contemplar constantemente a glória do Rei e de alegrar-se e exultar com essa visão,
Como D'us é infinito, o olho nunca se sacia de contemplar a glória do Rei, e a pessoa se alegra e exulta com essa visão.
ולהתענג על ה׳ הוא אור א״ס [אין סוף] ב״ה המתגלה בנפשו המשכלת שהיא קרבת ה׳ ממש וצדיק באמונתו12 זו יחיה כו׳ כמ״ש בסש״ב [בספר של בינונים] פל״ג.
e de “deleitar-se em Havayá”, que é a Luz Infinita (Or Ein Sof), bendito seja Ele, revelada em sua alma intelectiva, o que constitui uma proximidade real de D'us; e “o justo viverá por sua fé”, etc., como está escrito em Sefer Shel Beinonim (Tanya), capítulo 33.
Ele se deleita em D'us, a Luz Infinita tal como é revelada em sua alma intelectiva, o que constitui uma verdadeira proximidade de D'us. Isso é “o justo viverá por sua fé”: como explica Tanya, capítulo 33, a alegria dessa fé eleva e sustenta a alma.
O olhar da “minha pomba” traz alegria e deleite em D'us, a Luz Infinita revelada na mente, o que constitui uma verdadeira proximidade de D'us e a vida dos justos por meio da fé.
Em Tanya, capítulo 33, citado no texto, o Alter Rebe chama essa contemplação de “proximidade de D'us” propriamente dita e traz o ensinamento de que Chabakuk fundamentou todos os 613 mandamentos em um só: “o justo viverá por sua fé”. Quando o coração da pessoa se alegra na fé na unidade de D'us, a força dessa alegria eleva sua alma.
Marei mekomot
- 1וצדיק באמונתו . . יחי׳ · Habakkuk 2:4
- 2וצדיק באמונתו · Tanya, Likkutei Amarim 33:7
“Minha perfeita”: como se Me tivésseis feito ¶23–25
23ובאתערותא דלתתא זו אתעדל״ע [אתערותא דלעילא] כך ממש עין ה׳ אל יראיו1 למיחלים לחסדו ע״י עיני תמיד אל2 ה׳ כו׳
E por meio desse despertar de baixo (isarusa dilesata), o despertar do alto (isarusa dileila) corresponde exatamente a ele: “O olho de Havayá está sobre os que O temem, sobre os que esperam por Sua bondade”, por meio de “Meus olhos estão sempre voltados para Havayá”, etc.
A resposta do Alto corresponde exatamente ao despertar de baixo. Quando os olhos de uma pessoa estão “sempre voltados para Havayá”, então “o olho de Havayá está sobre os que O temem”: o olhar constante de “minha pomba” é correspondido pelo olhar de D'us.
ומזה נמשך עוד בעילוי אחר עילוי עד שיהיה בבחי׳ תמתי שארז״ל [שאמרו רבותינו זכרונם לברכה] ברבות בשה״ש [בשיר השירים] תמתי תאומתי345 שכנס״י [שכנסת ישראל] הם תאומתו של
E disso se estende ainda mais, numa ascensão após outra, até que se alcance o nível de “minha perfeita” (tamasi), sobre o qual nossos Sábios, de abençoada memória, disseram em [Midrash] Rabbah sobre Cântico dos Cânticos: “tamasi — minha gêmea (te’umasi)”, pois a Congregação de Israel (Knesset Yisrael) é a gêmea de
A partir daqui, ele se eleva ainda mais, até “minha perfeita” (tamasi). O Midrash interpreta tamasi como te’umasi, “minha gêmea”: a Congregação de Israel é a gêmea de D'us.
המקום ב״ה שהקב״ה [שהקדוש ברוך הוא] נקרא בשם חתן וכנס״י [וכנסת ישראל] בשם כלה המזדווגת להחתן ונעשית לו תאומתו ואין מקרא יוצא מידי פשוטו שנקרא תמתי מלשון שלימות
o Onipresente, bendito seja Ele; pois o Santo, bendito seja Ele, é chamado “noivo”, e a Congregação de Israel, “noiva”, que se une ao noivo e se torna sua gêmea. Contudo, “um versículo não se afasta de seu sentido simples”: ela é chamada tamasi a partir do termo [que significa] perfeição,
D'us é chamado de noivo, e a Congregação de Israel, de noiva, que se une a Ele e se torna Sua gêmea. Contudo, o sentido simples de tamasi permanece: deriva de tam, inteireza e perfeição.
שהיא משלמת אותו ית׳ כביכול להיות נקרא בשם תם ושלם ובלעדי כנס״י [כנסת ישראל] אין לו תמות ושלימות אמיתי כביכול כי דכר בלא נוקבא נקרא פלג גופא6 (ע׳ [עיין] בזהר ויקרא ד״ז ע״ב).
pois ela O completa, bendito seja Ele, por assim dizer, de modo que Ele seja chamado “íntegro e completo”; e, sem a Congregação de Israel, Ele não possui verdadeira inteireza e completude, por assim dizer, pois “um homem sem mulher é chamado meio corpo” (veja o Zohar, Vayikra, fólio 7b).
Israel completa D'us, por assim dizer, de modo que Ele seja chamado íntegro; sem a Congregação de Israel, falta-Lhe verdadeira inteireza, pois, nas palavras do Zohar, “um homem sem mulher é chamado meio corpo”.
ועל זה אמרו רז״ל [רבותינו זכרונם לברכה] ע״פ ועשיתם אתם אתם כתיב מעלה אני עליכם7 כאילו עשאוני כו׳. וביאור ענין זה דלכאורה אינו מובן איך שייך עשיי׳ [עשייה] כלפי מעלה.
E a respeito disso nossos Sábios, de abençoada memória, disseram sobre o versículo “E fareis (osam)”: “Está escrito atem (‘vós’): Eu vos atribuo isso como se Me tivésseis feito”, etc. E a explicação deste assunto é que, à primeira vista, não se compreende como se pode aplicar a ideia de “fazer” ao Alto.
Este é o sentido da interpretação dos Sábios de “e fareis” como “vós”: “Eu vos atribuo isso como se Me tivésseis feito.” Mas é difícil compreender como a ideia de “fazer” pode se aplicar a D'us.
אך הענין הוא כי שלימות הבורא מה שנקרא רחום וחנון ארך אפים וכו׳ לא בא לידי גילוי כ״א [כי אם] בהתהוות העולמות והברואים שנמשך ונתלבש אור א״ס [אין סוף] ב״ה דלאו מכל מדות כו׳ בבחי׳ מדת החסד ורחום וחנון כו׳.
A explicação, porém, é que a perfeição do Criador — o fato de Ele ser chamado “compassivo e gracioso, lento para Se irar”, etc. — só se revela com a vinda à existência dos mundos e das criaturas, nos quais a Luz Infinita (Or Ein Sof), bendito seja Ele, que “não pertence a nenhum dos atributos”, etc., é atraída e revestida no nível do atributo de Chessed (bondade) e de “compassivo e gracioso”, etc.
A resposta é que a “perfeição” do Criador — ser chamado compassivo, gracioso e lento para Se irar — só se revela quando os mundos e as criaturas vêm à existência. Então, a Luz Infinita, que está além de todos os atributos, é atraída para baixo e revestida no atributo de Chessed e na compaixão e graça.
O nível de “minha perfeita” é Israel como “gêmea” de D'us, que O torna “íntegro”, por assim dizer. É este o sentido de “como se Me tivésseis feito”, dito pelos Sábios: os atributos de compaixão e graça de D'us só se revelam na criação, quando a Luz Infinita se reveste neles.
Marei mekomot
- 1עין ה׳ אל יראיו · Psalms 33:18
- 2עיני תמיד אל ה׳ · Psalms 25:15
- 3תמתי תאומתי · וע׳ זח״ג (רצו, א). [כ].
- 4תמתי תאומתי · Shir HaShirim Rabbah 5:2:2
- 5תמתי תאומתי · Zohar, Idra Zuta 36:172–39:183
- 6דכר בלא נוקבא נקרא פלג גופא · Zohar, Vayikra 13:97–16:104
- 7ועשיתם אתם אתם כתיב מעלה אני עליכם · Leviticus 26:3
24והמשכה זו באתעדל״ת [באתערותא דלתתא] תליא כנ״ל כי חסד דרועא ימינא12 ע״י צדקה וחסד שישראל עושין למטה.
E essa emanação depende do despertar de baixo, como mencionado acima. Pois Chessed (bondade), “o braço direito”, se dá por meio da caridade e da bondade que Israel pratica aqui embaixo.
Essa emanação da Luz Infinita para os atributos depende do despertar de baixo. Chessed, “o braço direito”, é atraído por meio da caridade e da bondade que Israel pratica aqui embaixo.
וגבורה דרועא שמאלא ע״י בחי׳ שמאל דוחה שהוא בחי׳ אתכפייא סט״א [סטרא אחרא] נעשה שמאלו תחל לראשי שגורם נשיאת
E Guevurá (contenção), “o braço esquerdo”, se dá por meio do nível de “a mão esquerda afasta”, que é o nível de subjugar (iskafya) a sitra achra (o outro lado): [então] torna-se “Sua mão esquerda está sob minha cabeça”, o que provoca a elevação
Guevurá, “o braço esquerdo”, é atraída por meio de “a mão esquerda afasta”: a subjugação (iskafya) da sitra achra, o lado oposto à santidade. Isso provoca “Sua mão esquerda está sob minha cabeça”, que eleva a cabeça.
ראש בבחי׳ הסתלקות דאסתלק יקרא דקוב״ה [דקודשא בריך הוא] וע״י אתהפכא סט״ע [סטרא אחרא] בועשה טוב גורם בחינת וימינו תחבקני3 הוא בחי׳ ימינו וחסדו של הקב״ה [הקדוש ברוך הוא].
da cabeça, no nível da ascensão (histalkut), quando “a glória do Santo, bendito seja Ele, ascende”. E, por meio da transformação (it’hapcha) da sitra achra, mediante “e pratica o bem”, provoca-se o nível de “e Sua mão direita me abraça”, que é o nível da mão direita e da bondade do Santo, bendito seja Ele.
A elevação é a ascensão na qual “a glória do Santo, bendito seja Ele, ascende” quando a sitra achra é subjugada. Transformar (it’hapcha) a sitra achra por meio de “praticar o bem” provoca “e Sua mão direita me abraça”: a mão direita e a bondade de D'us.
כמ״ש אהבתי אתכם אמר4 ה׳ שהיא המקפת את הנפש כאדם החובק את חבירו מאחוריו ומקיפו שאינו מניחו להפרד ממנו כך הוא האהבה הבאה מלמעלה
Como está escrito: “Eu os amei, diz Havayá”: é [o amor] que envolve a alma. Assim como alguém que abraça seu próximo por trás e o envolve, não permitindo que ele se separe de si, assim é o amor que vem do Alto,
Esse é o amor de D'us, “Eu os amei, diz Havayá”, que envolve a alma. É como alguém que abraça um amigo por trás e o segura, de modo que ele não possa se separar.
שהיא למעלה מכדי שתוכל נפש האדם שאת ואינה מתלבשת ומתעלמת בתוך הנפש רק שהיא מקפת וסובבת אותה עד שתהא צרורה ומוקפת בצרור החיים את5 ה׳ ממש לבלתי הפרד ממנו.
que está além do que a alma humana pode suportar; ele não se reveste nem se oculta dentro da alma, mas a envolve e circunda, até que ela fique atada e envolvida “no vínculo da vida com Havayá”, verdadeiramente, para jamais se separar Dele.
Esse amor do Alto é maior do que uma alma humana pode conter; por isso, não entra na alma, mas a circunda, até que ela fique “atada no vínculo da vida com Havayá”, para jamais se separar.
Os atos de Israel atraem a Luz Infinita para Chessed e Guevurá: a bondade atrai Chessed, a subjugação da sitra achra atrai Guevurá, e sua transformação atrai a “mão direita” de D'us, que abraça — um amor do Alto que envolve a alma.
Marei mekomot
- 1חסד דרועא ימינא · ת״ז שם.
- 2חסד דרועא ימינא · Tikkunei Zohar 17a:16–17
- 3וימינו תחבקני · Song of Songs 2:6
- 4אהבתי אתכם אמר ה׳ · Malachi 1:2
- 5בצרור החיים את ה׳ · I Samuel 25:29
E este é [o sentido de] “como se Me tivésseis feito”: refere-se à criação de Chessed (bondade) e Guevurá (contenção), que são o nível dos recipientes e uma morada para a habitação da Luz Infinita (Or Ein Sof), bendito seja Ele.
“Como se Me tivésseis feito” refere-se à criação de Chessed e Guevurá, que são recipientes e uma morada para a Luz Infinita.
כי אור בלא כלי אינו אור הנגלה ומושג כלל ואין העולמות יכולים לקבלו והתהוות העולמות הוא כדי להראות גילוי שלימותו ית׳ רחום וחנון כו׳.
Pois a luz sem um recipiente não é, de modo algum, uma luz revelada e apreensível, e os mundos não podem recebê-la; a vinda dos mundos à existência tem por finalidade manifestar a revelação de Sua perfeição, bendito seja Ele, “compassivo e gracioso” etc.
A luz sem um recipiente não pode ser revelada nem apreendida, e os mundos não podem recebê-la. A finalidade da criação é revelar a perfeição de D'us: que Ele é compassivo e gracioso.
ולכן עשיית הכלים נחשבת כאלו עשאוני ממש2 להיות המשכת גילוי שלימותו ית׳ שהוא ע״י התלבשות
Portanto, a criação dos recipientes é considerada literalmente “como se Me tivésseis feito”, pois permite que seja atraída a revelação de Sua perfeição, bendito seja Ele, que ocorre por meio do revestimento
Assim, a criação dos recipientes é considerada como verdadeiramente “fazer” D'us, por assim dizer, pois permite que a revelação de Sua perfeição seja atraída.
אור א״ס [אין סוף] ב״ה בבחי׳ כלים בחכמה ובחסד ע״י אתעדל״ת [אתערותא דלתתא] של ישראל. (ועמ״ש עוד מענין יונתי תמתי3 בסמוך בד״ה ששים המה מלכות4 כו׳):
da Luz Infinita, bendito seja Ele, no nível dos recipientes, em Chochmá (sabedoria) e em Chessed, por meio do despertar de baixo (it’aruta dil’tata) de Israel. (E veja também o que está escrito adiante sobre “minha pomba, minha perfeita”, no maamar próximo, que começa com “Sessenta são as rainhas” etc.)
Essa revelação ocorre quando a Luz Infinita se reveste em recipientes, em Chochmá e em Chessed, por meio do despertar de baixo de Israel. O parêntese remete a um maamar próximo sobre “Sessenta são as rainhas”, para mais informações sobre “minha pomba, minha perfeita”.
Israel “faz” D'us, por assim dizer, ao criar os recipientes, os atributos nos quais a Luz Infinita é revelada; sem recipientes, a luz não poderia ser revelada, e a criação existe para manifestar Sua perfeição.
Or HaTorá, citado na nota, tira a conclusão: criar os recipientes das dez Sefirot por meio do cumprimento das mitsvot, para que a luz seja atraída para eles, é como se “de fato Me tivessem feito”; isso mostra até que ponto chega o poder do serviço da pessoa.
Marei mekomot
- 1וזהו כאילו עשאוני · בסה״מ תרל״ג שם: ”שאינו מובן למה נאמר כאלו עשאוני בכ״ף הדמיון לבד”.
- 2ולכן עשיית הכלים נחשבת כאילו עשאוני ממש · ”דהיינו שעשיית הכלים דע״ס ע״י קיום המצות שעי״ז יומשך בהם האור מאדון יחיד כו׳ הוא מעלה זה כביכול כאלו עשאוני ממש, הרי עד היכן מגיע כח העבודה כו׳” — אוה״ת פ׳ תבוא ע׳ תתשה. וראה באוה״ת פ׳ ואתחנן ע׳ רסא מביא קטע מכאן.
- 3יונתי תמתי · Song of Songs 5:2
- 4ששים המה מלכות · Song of Songs 6:8
“Minha cabeça está cheia de orvalho” ¶26–27
26אך הנה הגורם לכל בחי׳ הללו הוא מ״ש שראשי נמלא טל.1 והענין הוא דכתיב אהיה כטל לישראל2 לא כגשמים שנצרים לפעמים מחמת מעשה התחתונים
Mas eis que aquilo que dá origem a todos esses níveis é o que está escrito: “pois minha cabeça está cheia de orvalho”. E a explicação é que está escrito: “Serei como o orvalho para Israel” — não como a chuva, que às vezes é retida por causa dos atos dos seres inferiores;
O que torna possíveis todos esses níveis é “pois minha cabeça está cheia de orvalho”. D'us diz: “Serei como o orvalho para Israel”, e não como a chuva, que às vezes é retida por causa dos atos daqueles que estão abaixo.
אבל טל אינו נעצר לעולם אפילו שנים כשני אליהו שאמר אם יהיה טל ומטר3 כו׳ ואעפ״כ [ואף על פי כן] לא פעל אלא עצירת המטר ולא הטל.
mas o orvalho nunca é retido, nem mesmo em anos como os anos de Eliyahu, que disse: “não haverá orvalho nem chuva”, etc.; e, ainda assim, ele só conseguiu fazer cessar a chuva, não o orvalho.
O orvalho nunca é retido. Mesmo quando Eliyahu declarou que não haveria nem orvalho nem chuva, apenas a chuva cessou, não o orvalho.
A fonte de todos os níveis descritos é o “orvalho” de “minha cabeça está cheia de orvalho”: um fluxo divino que, diferentemente da chuva, nunca é retido por causa dos atos humanos.
Marei mekomot
- 1שראשי נמלא טל · Song of Songs 5:2
- 2אהי׳ כטל לישראל · Hosea 14:6
- 3אם יהיה טל ומטר · I Kings 17:1
27והטעם כי הנה יש אתעדל״ע [אתערותא דלעילא] שתלוי באתעדל״ת [באתערותא דלתתא]. ויש אתעדל״ע [אתערותא דלעילא] שאינו תלוי כלל באתעדל״ת [באתערותא דלתתא] כי אתעדל״ע [אתערותא דלעילא] זו היא מדרגה עליונה מאד נעלה באור א״ס [אין סוף] ב״ה הסוכ״ע [הסובב כל עלמין] כו׳.
E a razão é que há um despertar do alto (isarusa dileila) que depende do despertar de baixo (isarusa dilesata), e há um despertar do alto que não depende de modo algum do despertar de baixo; pois esse despertar do alto é um nível supremo e sumamente elevado na Luz Infinita (Or Ein Sof), bendito seja Ele, a luz que circunda todos os mundos (sovev kol almin), etc.,
A razão é que há dois tipos de despertar do alto: um que depende do despertar de baixo e outro que não depende dele. O segundo provém de um nível supremo da luz que circunda todos os mundos.
שאין אתעדל״ת [אתערותא דלתתא] מגעת לשם ואינה נחשבת שם למאומה וכחשיכה כאורה1 ומשם יורד הטל. ולכן אין לו מעצור ממעשה התחתונים שאינו מעכבו חטא ועון כלל כי למענו ית׳ יעשה ולפניו כחשיכה כאורה.
ao qual o despertar de baixo não chega e onde não é considerado absolutamente nada, e “a escuridão é como a luz”; de lá desce o orvalho. Por isso, nada o detém por causa dos atos dos seres inferiores, pois o pecado e a transgressão não o impedem de modo algum; Ele, bendito seja, age por Sua própria causa, e diante Dele “a escuridão é como a luz”.
O despertar de baixo não alcança esse nível e ali não conta para nada; ali, “a escuridão é como a luz”. O orvalho vem de lá, por isso o pecado não o impede: D'us age por Sua própria causa.
(E veja o que está escrito sobre isso no final do discurso que começa com “Escutai, ó céus”.) E este é [o sentido de] “minha cabeça está cheia de orvalho” — “minha cabeça”, especificamente. Pois, como foi explicado acima a respeito de “mas meu coração está desperto”, não há
Após a referência ao discurso “Escutai, ó céus”, o texto observa que o versículo diz especificamente “minha cabeça” e recorda o contraste explicado anteriormente entre o coração e o cérebro.
דומה ההשפעה והילוך החיות שמהלב אל האיברים להשפעה שמהמוח לאיברים שההמשכה מהלב יש בה העלאה תחלה ואח״כ [ואחר כך] הוא המשכה משא״כ ההשפעה מהמוח היא המשכה לבדה.
semelhança entre o fluxo e o curso da força vital (chayus) do coração para os membros e o fluxo do cérebro para os membros: pois a extração do coração primeiro inclui uma elevação e, depois, é um fluxo para baixo; ao passo que o fluxo do cérebro é apenas um fluxo para baixo.
O fluxo do coração primeiro se eleva até ele e só então se dirige para fora; o fluxo do cérebro, por sua vez, apenas se dirige para fora.
ולכן ענין הטל שהוא האתעדל״ע [האתערותא דלעילא] שלמעלה מאתעדל״ת [מאתערותא דלתתא] נקרא שרשי נמלא טל הוא בחי׳ מוחא ועיין זח״ג [זהר חלק ג] פ׳ שלח (דקס״א ע״ב)
Por isso, o conceito do orvalho, que é o despertar do alto acima do despertar de baixo, é chamado “minha cabeça está cheia de orvalho”, que corresponde ao nível do cérebro (mocha). Veja também o Zohar, Parte III, Parshas Shelach (fólio 161b).
Assim, o orvalho, o despertar do alto que não depende do despertar de baixo, é chamado “minha cabeça”, o nível do cérebro, que dá sem primeiro receber. O texto remete ao Zohar, Parshas Shelach.
וזהו שארז״ל [שאמרו רבותינו זכרונם לברכה] פתחו לי כחודה של מחט45 ואני אפתח לכם כפתחו של אולם ורמזו בזה למ״ש בפ״ב [בפרק ב׳] דמדות כל השערים שבמקדש היו להם דלתות חוץ משל אולם6.
E é isto que disseram nossos Sábios, de abençoada memória: “Abri para Mim como o orifício de uma agulha, e Eu abrirei para vocês como a abertura do Ulam (Salão)”. Com isso, aludiram ao que está declarado no segundo capítulo de [Tratado] Middos: “Todos os portões do Templo tinham portas, exceto o do Ulam”.
Isso explica a afirmação dos Sábios: “Abri para Mim como o orifício de uma agulha, e Eu abrirei para vocês como a abertura do Ulam”, o grande salão de entrada do Templo. A alusão é à Mishná em Middos: todos os portões do Templo tinham portas, exceto o do Ulam.
והענין הוא כי הנה7 השערים הם שערי ההשפעה להמשיך חיות ומזון לעולם והדלתות הם לסגור השער כו׳ (עמ״ש מזה בד״ה והבדילה הפרכת)89 כי לפעמים השערים נסגרים לפי מעשה התחתונים
E a explicação é a seguinte: os portões são os portões do fluxo, pelos quais se fazem fluir força vital e sustento para o mundo, e as portas servem para fechar o portão, etc. (Veja o que está escrito sobre isso no discurso que começa com “E o véu separará”.) Pois, às vezes, os portões se fecham em função dos atos dos seres inferiores;
Os portões representam os canais pelos quais fluem a força vital e o sustento para o mundo, e as portas servem para fechá-los. Às vezes, esses portões se fecham por causa dos atos dos que estão embaixo.
אבל פתח האולם לא היו בו דלתות שתמיד היה פתוח לפי שהוא רומז לההשפעה היוצאת תמיד בלי הפסק ובלי מעצור ממעשה התחתונים שאין אתעדל״ת [אתערותא דלתתא] מגעת עד שם
mas a abertura do Ulam não tinha portas, pois estava sempre aberta, já que alude ao fluxo que emana constantemente, sem interrupção e sem ser detido pelos atos dos seres inferiores, porque o despertar de baixo não chega até lá.
O Ulam não tinha portas e estava sempre aberto, aludindo a um fluxo que nunca cessa nem é impedido pelos atos humanos, pois o despertar de baixo não o alcança.
אך זהו דוקא בהשפעה הנשפעת לעוה״ז [לעולם הזה] הגשמי שהיא מושפעת מבחי׳ חיצוניות של עולמות עליונים אבל בבחי׳ פנימיות עולמות עליונים צריך להיות תחלה כל האתעדל״ת [האתערותא דלתתא] כולה
Mas isso se aplica especificamente ao fluxo que chega a este mundo físico, que provém do nível da dimensão exterior (chitsoniyut) dos mundos superiores. Porém, no nível da dimensão interior (pnimiyut) dos mundos superiores, é preciso primeiro que haja todo o despertar de baixo, por completo,
Isso se aplica somente ao fluxo para este mundo físico, que provém da dimensão exterior dos mundos superiores. Quanto à dimensão interior dos mundos superiores, o despertar completo de baixo precisa vir primeiro.
עד היכן שכחה מגעת ואח״כ [ואחר כך] דוקא מתגלה ויורדת בבחי׳ פנימי׳ [פנימיות / פנימית] עליונה ומאד נעלה מה שאין אתערותא דלתתא מגעת עד שם וזהו שאמרו רז״ל [רבותינו זכרונם לברכה] פתחו לי כחודה של מחט ואני אפתח לכם כפתחו של אולם.
até onde sua força alcança; e somente depois se revela e desce um nível interior supremo e muito elevado, ao qual o despertar de baixo não chega. E é isso que nossos Sábios, de abençoada memória, disseram: “Abri para Mim como a ponta de uma agulha, e Eu abrirei para vocês como a abertura do Ulam.”
Somente quando a pessoa fez tudo o que podia é que se revela um nível interior supremo, ao qual o despertar de baixo jamais poderia chegar. Esse é o sentido da ponta da agulha e da abertura do Ulam: nossa pequena abertura é respondida com uma abertura muito além dela.
O orvalho é um despertar do alto que não depende do despertar de baixo, a “cabeça” que apenas dá. Para este mundo, ele flui independentemente dos atos; porém, na dimensão interior, só vem depois do despertar de baixo em sua plenitude, como em “Abri para Mim como o orifício de uma agulha”.
Marei mekomot
- 1כחשיכה כאורה · Psalms 139:12
- 2האזינו השמים · Deuteronomy 32:1
- 3שראשי נמלא טל · Song of Songs 5:2
- 4פתחי לי כחודה של מחט · נסמן לעיל כד, ב. ע״ל קרח (נה, א). וש״נ. [כ].
- 5פתחו לי כחודה של מחט · Shir HaShirim Rabbah 5:2:2
- 6
- 7כי הנה . . מגעת שם · ראה אוה״ת חנוכה כרך ב שכח, ב.
- 8בד״ה והבדילה הפרוכת · תו״א יב, ג.
- 9והבדילה הפרכת · Exodus 26:33
No serviço divino ¶28–29
28ולהסביר זה הענין בעבודת ה׳. הנה נודע כי ראשית ההשתלשלות הוא מחכמה ולמטה. ומחכמה ולמטה הנה הנפש האלקית היא מתלבשת בגוף ונפש הבהמית
E, para explicar este assunto no serviço a D'us: sabe-se que o início da cadeia descendente dos mundos (hishtalshelut) parte de Chochmá (sabedoria) e abaixo. De Chochmá para baixo, a alma divina está revestida no corpo e na alma animal,
A ideia é agora aplicada ao serviço de D'us da pessoa. A cadeia descendente dos mundos começa com Chochmá e, de Chochmá para baixo, a alma divina está revestida no corpo e na alma animal.
וצריך האדם להגביר הנפש האלקית ולהוציאה ממסגר הגוף ונפש הבהמית. אך רצון שבנפש הוא בבח׳ [בבחי׳] רצון עליון שהוא למעלה מההשתלשלות.
e a pessoa deve fortalecer a alma divina e libertá-la da prisão do corpo e da alma animal. Mas a vontade (ratzon) que há na alma está no nível da vontade superior, que está acima da cadeia descendente dos mundos.
A pessoa deve fortalecer a alma divina e libertá-la da prisão do corpo e da alma animal. Mas a vontade que há na alma corresponde à vontade superior, que está acima de toda a cadeia descendente.
No serviço da pessoa, tudo de Chochmá para baixo está dentro da ordem descendente e dentro de seu poder de refinamento, enquanto a vontade da alma corresponde à vontade superior, acima dessa ordem.
A vontade superior, acima de Chochmá, é o nível de Kéter, a vontade e o deleite divinos acima do intelecto; portanto, a vontade da alma, que corresponde a ela, não está revestida no corpo como estão seu intelecto e suas emoções.
29וכך רצון זה אינו מתלבש בנפש הבהמית כלל. אך אינו שורה ומתגלה בנפש האדם בבחי׳ גילוי עד שיעשה כל מה שבכחו
Assim, essa vontade (ratzon) não se reveste de modo algum na alma animal. Mas ela não repousa nem se revela na alma da pessoa de forma manifesta até que ela faça tudo o que está ao seu alcance.
A vontade da alma, assim como a vontade suprema que ela reflete, não se reveste de modo algum na alma animal. Mas ela não se revela na pessoa até que esta tenha feito tudo o que está ao seu alcance.
והנה אין בכח נפשו להגביר כ״א [כי אם] מחכמה ולמטה דהיינו שי שים עיקר חכמתו בחכמת התורה וכן מדותיו שהוא אהוי״ר [אהבה ויראה] כו׳ יהיו רק לה׳ לבדו.
Ora, não está ao alcance da alma da pessoa fortalecer [isso], exceto a partir de Chochmá (sabedoria) e abaixo: isto é, que ela dedique a parte principal de sua sabedoria à sabedoria da Torá e, da mesma forma, que seus atributos emocionais (midot), que são amor e temor etc., sejam somente para D'us.
O que a pessoa pode fortalecer por seu próprio esforço limita-se ao que está de Chochmá para baixo: ela pode dedicar seu intelecto à sabedoria da Torá e dirigir suas emoções, seu amor e temor, somente a D'us.
משא״כ הרצון שהוא בבחי׳ מקיף ואינו מלובש כלל בנפש אין בכח נפשו לשנותו רק כשיהי׳ [כשיהיה] שלימות מחכמה ולמטה כל מה שיש בכח הנפש אזי ממילא יאיר ויתגלה אור הרצון עליון ב״ה ברצון הנפש בבחי׳ גילוי
Mas, quanto à vontade, que está no nível de uma [luz] circundante (makif) e não se reveste de modo algum na alma, a alma da pessoa não tem poder para mudá-la. Porém, quando houver perfeição de Chochmá para baixo, em tudo o que está ao alcance da alma, então, por si só, a luz da vontade suprema, bendito seja Ele, brilhará e se revelará na vontade da alma, de forma manifesta.
A vontade é um nível circundante (makif), não encerrado dentro da alma, de modo que a pessoa não pode mudá-la diretamente. No entanto, quando ela aperfeiçoa tudo de Chochmá para baixo, a luz da vontade suprema brilha por si só na vontade de sua alma e ali se revela.
(וכמשנ״ת [וכמו שנתבאר] לעיל בד״ה צאינה וראינה1 בפי׳ עשה רצונו כרצונך כדי שיעשה רצונך כרצונו2 ועמ״ש בד״ה כי תצא בפי׳ מ״ש בזהר מאן דקטיל לחויא יהבין ליה ברתא דמלכא כו׳).
(Conforme explicado acima, no discurso que começa “Ide e contemplai”, sobre o sentido de “Faze da vontade Dele a tua vontade, para que Ele faça da tua vontade a vontade Dele”. E veja o que está escrito no discurso que começa “Quando saíres”, sobre o sentido do que é dito no Zohar: “Aquele que mata a serpente recebe a filha do Rei” etc.)
O parêntese remete a um discurso sobre a Mishná: “Faze da vontade Dele a tua vontade, para que Ele faça da tua vontade a vontade Dele”, e a um discurso sobre a afirmação do Zohar de que aquele que mata a serpente recebe a filha do Rei.
ובזה יובן פתחו לי כחודה של מחט דהיינו מבחי׳ ההשתלשלות מחכמה ולמטה שהוא בחי׳ חודה של מחט לגבי אור א״ס [אין סוף] ב״ה הסכ״ע [הסובב כל עלמין] שאין
Com isso se compreenderá “Abri para Mim como a ponta de uma agulha”: isto é, a partir do nível da cadeia descendente dos mundos (hishtalshelut), de Chochmá para baixo, que é como “a ponta de uma agulha” em relação à Luz Infinita (Or Ein Sof), bendito seja Ele, a luz que circunda todos os mundos (sovev kol almin), à qual não há
Isso explica “Abri para Mim como a ponta de uma agulha”: tudo o que está na cadeia descendente, de Chochmá para baixo, não passa de uma ponta de agulha em comparação com a Luz Infinita que circunda todos os mundos.
ערוך עליו ית׳ כי נשגב שמו לבדו3 רק הודו וזיו של שמו על ארץ ושמים כו׳.
comparação possível, bendito seja Ele, pois “Seu Nome, somente, é exaltado”; apenas “Seu esplendor” e o brilho de Seu Nome “estão sobre a terra e os céus” etc.
Essa luz está além de qualquer comparação: “Seu Nome, somente, é exaltado”, e somente seu esplendor, um brilho de Seu Nome, alcança a terra e os céus.
ואני אפתח לכם כפתחו של אולם היינו אתערותא דלעילא העליונה שלמעל׳ [שלמעלה] מההשתלשלות ורצון זה הוא הגורם להיות נמשך ממנו רעותא דלבא לעורר את האהבה
“E Eu abrirei para vocês como a abertura do Ulam”: isto é, o supremo despertar do alto (isarusa dileila), acima da cadeia descendente dos mundos. E essa vontade é o que faz com que dela se estenda a vontade do coração (re’uta deliba), “para despertar o amor”,
“Eu abrirei para vocês como a abertura do Ulam” é o supremo despertar do alto, além da cadeia descendente. Essa vontade suprema é o que faz com que se estenda a vontade do coração, a vontade que “desperta o amor”.
בבחי׳ אחותי4 רעיתי567 יונתי תמתי8 מחמת שראשי נמלא טל שהטל שהוא מבחי׳ רצון העליון בה נמשך ונתלבש בבחי׳ ראשי היא בחי׳ חכמה כו׳
no nível de “minha irmã, minha amada, minha pomba, minha perfeita”, porque “minha cabeça está cheia de orvalho”: pois o orvalho, que provém do nível da vontade suprema, bendito seja Ele, estende-se e se reveste no nível de “minha cabeça”, que é o nível de Chochmá etc.
Esse amor possui os níveis de “minha irmã, minha amada, minha pomba, minha perfeita”, e todos eles surgem porque “minha cabeça está cheia de orvalho”: o orvalho, proveniente da vontade suprema, estende-se até “minha cabeça”, que é Chochmá.
וד״ל [ודי למבין] (ועיין ברבות ע״פ אני ישנה91011121314 כו׳ שמות פ׳ ב׳. ק״כ ב׳.15 ר״פ תרומה.16 ס״פ פקודי ובשה״ש [ובשיר השירים] ע״פ אני ישנה ובקהלת ע״פ דברתי אני17 עם לבי18 באסתר ע״פ בימי אחשורות זהר ר״פ האזינו ובהרמ״ז [ובהרב משה זכות] שם.19
E isso basta para quem compreende. (E veja [Midrash] Rabbah sobre [o versículo] “Estou dormindo”, etc.: Shemos, capítulo 2; 120b; o início de Parshas Terumah; o final de Parshas Pekudei; e sobre Shir HaShirim, a respeito de “Estou dormindo”; e sobre Koheles, a respeito de “Falei com meu coração”; sobre Esther, a respeito de “Nos dias de Achashverosh”. Zohar: o início de Parshas Haazinu, e no Ramaz ali;
“Isso basta para quem compreende” encerra a explicação. O parêntese lista então passagens de Midrash Rabbah (sobre Shemos, Terumah, Pekudei, Shir HaShirim, Koheles e Esther) e do Zohar, com o comentário do Ramaz, que explicam “Estou dormindo”.
וירא קי״ב א׳ בשלח מ״ו20 א׳ צו ל״ג ב׳21 אמור כ״ה א׳ שלח קע״ד ב׳22 פינחס רל״ג2324 א׳ כנרשם בספר בית אהרן ע״פ אני ישנה):2526
Vayera 112a; Beshalach 46a; Tzav 33b; Emor 25a; Shelach 174b; Pinchas 233a; conforme registrado no livro Beis Aharon sobre “Estou dormindo”.)
A lista prossegue com outras passagens do Zohar, conforme registradas no livro Beis Aharon sobre este versículo. A nota da Kehot cita a passagem de Emor como fólio 95a, o local citado no início do maamar.
A vontade da alma só se revela quando a pessoa fez tudo o que pode de Chochmá para baixo, “a ponta de uma agulha”. Então, a vontade suprema, o orvalho em “minha cabeça”, abre “como a abertura do Ulam” e dá origem à vontade do coração e a todos os níveis de amor; uma lista de fontes sobre “Eu durmo” encerra o maamar.
As notas mostram, com base em Or HaTorah, a variedade de interpretações de “Eu durmo”: em Shemos Rabbah, dormir afastado das mitsvot como alguém que terminou seu trabalho, mas permanecer desperto para os atos de bondade; no Zohar e no Ramaz, dormir como a partida dos mochin, as luzes intelectuais, da Congregação de Israel. A interpretação própria do maamar é a do exílio, no qual os sinais estão ocultos, enquanto o coração, D'us, permanece desperto.
Marei mekomot
- 1צאינה וראינה · Song of Songs 3:11
- 2עשה רצונו כרצונך כדי שיעשה רצונך כרצונו · Pirkei Avot 2:4
- 3כי נשגב שמו לבדו · Psalms 148:13
- 4אחותי · Zohar, Sh'lach 45:314–46:322
- 5אחותי רעיתי · Zohar, Beshalach 3:39–4:52
- 6אחותי רעיתי · Zohar, Tzav 20:145–22:156
- 7אחותי רעיתי · Zohar, Pinchas 67:390–69:399
- 8
- 9ברבות ע״פ אני ישנה · ”אני ישנה מן המצות ולבי ער לגמילות חסדים” — אוה״ת שה״ש כרך ב ע׳ תפה.
- 10אני ישנה · Shir HaShirim Rabbah 5:2:1
- 11אני ישנה · Shemot Rabbah 2:5
- 12אני ישנה · Shemot Rabbah 33:3
- 13אני ישנה · Zohar, Ha'Azinu 1:1
- 14אני ישנה · Zohar, Emor 25:123–26:131
- 15שמות פ׳ ב׳ ק״כ ב׳ · ”ע״פ וירא מלאך ה׳ אליו כו׳ מתוך הסנה. הה״ד אני ישנה מן המצות. הי״מ פי׳ שעשיתי מצות כאדם שעשה כבר מלאכתו וגמרה וישן לו” — אוה״ת שה״ש כרך ב ע׳ תפז.
- 16ר״פ תרומה · ”אני ישנה מן המצות אבל זכות אבותי עומדת לי ולבי ער היינו האהבה המסותרת שיש בכל אחד” — אוה״ת שה״ש כרך ב ע׳ תצא.
- 17
- 18דברתי אני עם לבי · Kohelet Rabbah 1:16
- 19זהר ר״פ האזינו ובהרמ״ז שם · דף רפו, א ”אני ישנה אמרה כנסת ישראל (הוא פרצוף הפנימי דמלכות שנק׳ כנסת ישראל) אני ישנה מפקודי אורייתא בזמנא דאזלינא במדברא, ופי׳ הרמ״ז ידוע שסוד השינה הוא הסתלקות המוחין שהם סוד הנשמה למעלה, וכך היתה רחל במדבר שחסרו ממנה אורות אבא שהם פקודי אורייתא ושהם מכוננים אותה כמ״ש בפסוק ה׳ בחכמה אבא יסד ברתא” — אוה״ת שה״ש כרך ב ע׳ תפח.
- 20בשלח מ״ו א · ”כד אתפליג לילא שארי מלכא למיקם ונ״ב ויקץ כישן הוי׳ בסוד הדורמיטא, ומטרוניתא לזמרא נ״ב רחל ואתי מלכא ואקיש לתרעא דהיכלא ואמר פתחי לי אחותי רעייתי” — אוה״ת שה״ש כרך ב ע׳ תפט.
- 21צו ל״ג ב׳ · ”פתחי לי בצלותא דאתמר בה אדני שפתי תפתח דאיהו אחותי רעייתי ולית רעייתי אלא פרנסתי כו׳” — אוה״ת שה״ש כרך ב ע׳ תצ.
- 22שלח קע״ד ב׳ · ”עד כאן לעילא מכאן ולהלאה לתתא בר האי דרא דכתיב ותתצב אחותו מרחוק אחותו דמאן אחותו דהאי איהו דקרא לכנ״י אחותי כד״א פתחי לי אחותי”.
- 23ועיין ברבות ע״פ אני ישנה . . פנחס רל״ג א׳ · כל הקטע בשינויים קלים באוה״ת שה״ש כרך ב ע׳ תפה.
- 24פנחס רל״ג א׳ · ”כך ישראל כל זמן דאינון אטימין ליבא ולא פתחין בתיובתא לא סלקין ריחא ולא אפיק לון מגו גובין. אבל כד פתחין בתיובתא מיד סלקין ריחא כו׳ פתחי לי אחותי רעייתי” — אוה״ת שה״ש כרך ב ע׳ תפט.
- 25אמור צ״ה א׳ · ”אני ישינה בגלותא דמצרים דהוו בני ישראל בשעבודא דקשיו. כתב המק״מ נ״ב אני ישינה בסוד דורמיטא שהוא הסתלקות המוחין כן היתה נוקבא בסוד נקודה בלי מוחין וזהו אני ישנה” — אוה״ת שה״ש כרך ב ע׳ תפח. ובע׳ תפט כ׳ ”ובפ׳ אמור צה״א א׳ פי׳ ולבי ער לנטירא להו דלא ישתצון בגלותא, וכתב הרמ״ז כי המוחין שלה נסתלקו ללב ז״א ולכן הוא נעור להאיר לנוק׳ כו׳”. וראה באוה״ת שם ע׳ תצז. ושם ע׳ תקיג בפי׳ הרמ״ז. שם ע׳ תקכד.
- 26
Terminou o maamar?
Marque-o como estudado; ele conta para a semana e para o siyum do ano.
Na avodá
Amar D'us com um desejo verdadeiro, de modo que todo o desejo da pessoa seja somente por Ele, e cuidar das necessidades do corpo apenas por necessidade. Aceitar o jugo do Céu antes do jugo das mitsvot. Contemplar a grandeza do Infinito até que a alma se anule diante Dele. Fazer tudo o que estiver ao próprio alcance, de Chochmá para baixo, dedicando o intelecto à sabedoria da Torá e o amor e o temor somente a D'us; então a vontade superna se revela por si mesma na vontade da alma.
Perguntas para conversar
- Por que o maamar chama D'us de “coração” de Israel, em vez de “cérebro”, e o que o modo como o coração recebe e dá ensina sobre o funcionamento do fluxo divino?
- Qual é a diferença entre ratzon e chefetz, e por que o amor do Shemá precisa ser chefetz?
- Como a analogia do alimento que se torna o sangue da alma explica o poder da autoanulação de atrair a Luz Infinita para os atributos divinos?
- Em que sentido Israel pode “fazer” D'us, e como o maamar responde à dificuldade de aplicar a Ele a ideia de “fazer”?
- Se o orvalho não é retido pelas ações humanas, por que a revelação interior ainda exige primeiro o despertar de baixo em sua plenitude?