Likkutei Torah · Parshas Shir HaShirim · Maamar 12
הנך יפה רעיתי יפה עיניך יונים כו׳
“Eis que és bela, minha amada; teus olhos são pombas”
A ideia central
O amor de Israel por D'us é também a maneira pela qual Israel O “sustenta”: uma vontade despertada na mente e no coração atrai a Luz Infinita para o único pensamento da criação e, daí, até cada alma, assim como o alimento permite que a alma viva no corpo. O versículo diz “bela” duas vezes porque há uma beleza que Israel cria por meio de seu próprio serviço, “faremos”, e uma beleza maior que D'us atrai do Alto, “ouviremos”.
O maamar em resumo
O maamar pergunta por que “Eis que és bela” é dito duas vezes e o que significa ra’yasi. Apresenta dois sentidos: “minha sustentadora” e “minha amiga”, e mostra que ambos são um só. Todos os mundos provêm de um único pensamento divino, “Reinarei”, uma contração imensa para D'us; desde a criação, ele só é renovado quando Israel desperta Nele a vontade de Se revestir nele, por meio de seu próprio amor e vontade. Há duas vontades na pessoa: ratzon, oculta na mente (“como Tirtzah”), e re’usa deliba, o desejo do coração, sua “tradução” (ra’yasi). Unidas, elas atraem a luz para Chochmá, o Pai Supremo, e dali para as almas, o “pé”, de modo que D'us é “nosso Pai” e “nosso Pastor”. A seção 3 compara a beleza da alma a uma imagem de três cores: branco, o amor de Avraham; vermelho, o temor de Yitzchak; verde, a compaixão de Yaakov — todas presentes na oração. Esta é a primeira “bela”, “faremos”; a segunda, “ouviremos”, é a beleza atraída do Alto. “Teus olhos são pombas” significa que Israel contempla a unicidade de D'us em tudo, e o olhar de D'us lhes dá vida, até mesmo “na fome”.
Esquema
- Dois sentidos de ra’yasiAs duas ocorrências de “Eis que és bela” correspondem a “faremos” e “ouviremos”. Ra’yasi significa “minha sustentadora”, conforme o Midrash e a imagem do pastor, e “minha amiga”, no sentido de amizade e amor; os dois sentidos concordam.¶1
- Sustentar D'us como o alimentoO alimento une a alma ao corpo por meio do cérebro. Todos os mundos existem por meio de um único pensamento, “Reinarei”, uma grande contração para D'us; desde a criação, Israel atrai a Luz Infinita para dentro dele ao despertar, por meio de seu amor, a vontade de D'us de Se revestir nele.¶2–4
- A vontade da mente e o desejo do coraçãoRatzon, a vontade oculta na mente (“como Tirtzah”), e re’usa deliba, o desejo do coração que a revela como uma tradução (ra’yasi), quando unidas, como em ve’ahavta, “luz dupla”, atraem a vontade suprema para o único pensamento, e a luz para Chochmá e Biná.¶5–6
- Nosso Pai, nosso PastorA luz na Chochmá suprema, Abá, flui para as almas, o “pé”, assim como a vida flui do cérebro para os pés; D'us é “nosso Pai” e “Pastor”, e Sua vontade e a vontade dos justos tornam-se uma só. Outra interpretação: Chochmá revestida nos atributos emocionais, o “céu”.¶7
- Três cores da almaA beleza requer três cores: branco, o amor natural de Avraham; vermelho, o temor de Yitzchak; verde, a compaixão de Yaakov, que “redime” Avraham. Presentes juntas nas orações dos Patriarcas, elas permitem que a alma se eleve sem fim.¶8–9
- Dois tipos de beleza; teus olhos são pombasA primeira “bela” é o próprio serviço de Israel, “faremos”; a segunda, “ouviremos”, é a beleza atraída dos atributos supremos, Israel no Alto. Como pombas que se contemplam mutuamente, Israel vê em tudo que não há ninguém além Dele.¶10
- Olho a olho; vida na fomeO olhar de Israel para o Alto e o olhar de D'us para baixo impedem que a força vital desça às kelipot. A vida vem da Torá, “pão”, e do que sai da boca de D'us; acima de tudo, vem da fome e da sede de D'us, como em Yom Kipur, acima do comer.¶11–12
Conceitos-chave
- Minha sustentadora e minha amiga (ra’yasi)רעיתי
- O maamar interpreta ra’yasi tanto como “minha sustentadora”, pois Israel “sustenta seu Pai no céu”, quanto como “minha amiga”, por causa do amor; é o amor de Israel que sustenta.
- O único pensamentoמחשבה אחת
- Todos os mundos provêm de um único pensamento divino, “Reinarei”, o nível de Malchut; para D'us Se revestir nele é necessária uma contração imensa, que a vontade de Israel desperta.
- Vontade (ratzon) e o desejo do coração (re’usa deliba)רצון ורעותא דליבא
- Ratzon é a vontade oculta na mente; re’usa deliba, sua “tradução” aramaica, é a mesma vontade revelada no coração. O maamar requer ambos juntos.
- Abá, a Chochmá supremaאבא – חכמה עילאה
- Quando a Luz Infinita Se reveste na Chochmá suprema, chamada Abá, D'us é “nosso Pai”, e as almas, “um filho é a perna de seu pai”, recebem Dele como os pés recebem do cérebro.
- Três coresג׳ גוונים
- Branco, vermelho e verde: amor (Avraham), temor (Yitzchak) e compaixão (Yaakov). A beleza é a combinação das três, não qualquer uma delas isoladamente.
- “Faremos” e “ouviremos”נעשה ונשמע
- A primeira “bela” é a beleza proveniente do próprio serviço de Israel; a segunda, maior, é a beleza atraída dos próprios atributos de D'us.
- Vida na fomeולהחיותם ברעב
- A vida mais profunda da alma vem da própria fome e sede de D'us, como em Yom Kipur, que está acima do nível do comer.
Dois sentidos de ra’yasi ¶1
1הנך יפה רעיתי123 יפה עיניך יונים כו׳. הנה ענין הכפל ב״פ הנך יפה וגו׳. הוא שהא׳ כנגד נעשה והב׳ כנגד נשמע.
“Eis que és formosa, minha amada, [és] formosa; teus olhos são pombas, etc.” O sentido da repetição, “Eis que és formosa, etc.”, duas vezes, é que a primeira corresponde a “faremos” (na’aseh), e a segunda, a “ouviremos” (nishma).
O maamar começa com Shir HaShirim 1:15, em que a amada é elogiada duas vezes: “Eis que és formosa.” De imediato, apresenta sua tese: os dois elogios correspondem às duas expressões que Israel pronunciou ao receber a Torá: “faremos” e “ouviremos”.
והנה רעיתי יש בו שני פירושים4 ושניהם עולים בקנה אחד. האחד הוא כמארז״ל במדרש שה״ש ע״פ5 לסובתי כו׳ רעיתי מפרנסתי הן שירעו אותי בשני תמידין בכל יום וארז״ל ישראל מפרנסין6 לאביהם שבשמים.
Ora, ra’yasi (“minha amada”) tem dois sentidos, e ambos se harmonizam. O primeiro é conforme disseram nossos Sábios, de abençoada memória, no Midrash sobre Shir HaShirim, a propósito do versículo “À minha égua, etc.”: “Ra’yasi: são aqueles que me sustentam (mefarnesasi), pois me alimentam (yir’u) com duas oferendas tamid todos os dias.” E nossos Sábios, de abençoada memória, disseram: “Israel sustenta seu Pai no céu.”
Ra’yasi, que geralmente significa “minha amada”, é interpretada de duas maneiras que, no fim, se harmonizam. O Midrash sobre “À minha égua” (o texto impresso לסובתי é um erro por לסוסתי, conforme a nota de Kehot o lê) relaciona a palavra a ra’ah, “alimentar” ou “apascentar”: Israel são os “sustentadores” de D'us, que o “alimentam” com as duas oferendas diárias, e os Sábios dizem que Israel sustenta seu Pai no céu.
וכתיב רועה ישראל האזינו7 דהפי׳ שהוא ית׳ רועה ומפרנס נש״י (וכמ״ש ביחזקאל) (ל״ד י״ד) במרעה טוב ארעה אותם וכתיב ותשב באיתן קשתו8 כו׳
E está escrito: “Ó Pastor de Israel, dá ouvidos”, o que significa que Ele, bendito seja, é o pastor e sustentador das almas de Israel (como está escrito em Yechezkel) (34:14): “Em boa pastagem as apascentarei.” E está escrito: “E seu arco permaneceu firme, etc.”,
A mesma raiz dá origem a ro’eh, “pastor”: D'us é o pastor de Israel, que alimenta e sustenta suas almas, como dizem Tehilim 80 e Yechezkel 34. O versículo “E seu arco permaneceu firme” é citado pelas palavras que vêm em seguida: “de lá vem o pastor”.
משם רועה אבן ישראל וכתיב ביחזקאל (ל״ד י״ב) כבקרת רועה עדרו כו׳ כן אבקר9 את צאני ואומרים זה בפייט בר״ה והיינו לפי שאז הוא בחינת הרועה בשושנים וכמ״ש בבהמ״ז רוענו זוננו פרנסנו.
“de lá vem o pastor, a pedra de Israel.” E está escrito em Yechezkel (34:12): “Como um pastor examina seu rebanho, etc., assim examinarei minhas ovelhas”, e recitamos isso no piyut de Rosh Hashaná. Isso se deve ao fato de que então se manifesta o nível de “Aquele que apascenta entre os lírios”, como dizemos no Bircat Hamazon: “Apascenta-nos, alimenta-nos, sustenta-nos.”
A bênção de Yaakov a Yosef termina com “de lá vem o pastor, a pedra de Israel”, e Yechezkel compara D'us a um pastor que examina seu rebanho; essas palavras são retomadas na oração de Rosh Hashaná Unesaneh Tokef. Em Rosh Hashaná, D'us é “Aquele que apascenta entre os lírios”, e no Bircat Hamazon pedimos que Ele nos apascente, alimente e sustente: apascentar é sustentar.
והפי׳ השני ברעיתי הוא כפשוטו לשון ריעות ואהבה כמ״ש או רעך אשר כנפשך10 וכתיב למען אחי ורעי11 וכתיב זה דודי וזה רעי.121314
O segundo sentido de ra’yasi é seu significado simples, um termo de amizade (re’us) e amor, como está escrito: “ou teu amigo, que é como tua própria alma”; e está escrito: “Por causa de meus irmãos e de meus amigos”; e está escrito: “Este é meu amado, e este é meu amigo.”
O segundo sentido é o mais simples: ra’yasi deriva de re’us, amizade e amor, a proximidade expressa em “teu amigo, que é como tua própria alma”. No próprio Shir HaShirim, a Comunidade de Israel chama D'us de “meu amigo” (re’i).
A abertura apresenta as questões do maamar: por que o versículo diz duas vezes “Eis que és formosa” — correspondendo a “faremos” e “ouviremos” — e qual é o sentido de ra’yasi. São apresentados dois sentidos: Israel como os “sustentadores” de D'us e Israel como Seu amigo amoroso; os dois sentidos, afirma o texto, se harmonizam.
Segundo as notas de Kehot, outra transcrição deste discurso e uma explicação dele estão impressas em Sefer HaMaamarim 5564, e Or HaTorah sobre Shir HaShirim contém resumos, notas e outra transcrição. O discurso anterior sobre “À minha égua”, em Likkutei Torah, já interpreta ra’yasi como “meu sustentador”: por meio da Torá e das mitsvot, Israel atrai vida e a Luz Infinita para os mundos, assim como o alimento leva vida do cérebro aos demais membros.
Marei mekomot
- 1הנך יפה רעיתי · הנחה אחרת בסה״מ תקס״ד ע׳ קלד. ביאור שם ע׳ קלט. קיצורים והגהות באוה״ת שה״ש כרך ג ע׳ תתקא, ע׳ תתקד. הנחה אחרת שם ע׳ תתקז. ראה אוה״ת שה״ש כרך ב ע׳ תריג. וראה ג״כ אוה״ת אחרי ע׳ תקפג. סידור ד״ה ועשו להם ציצית ג, ג.
- 2הנך יפה רעיתי · Song of Songs 1:15
- 3
- 4יש בו שני פירושים · באוה״ת פ׳ שלח ע׳ תקפג מציין לכאן ע״ש. ובפ׳ תצא ע׳ תתקסט ושם מבאר פי׳ חיבה וריעות.
- 5במדרש שה״ש ע״פ לסוסתי · פ״א.
- 6ישראל מפרנסין · נסמן לעיל יא, ד.
- 7רועה ישראל האזינה · Psalms 80:2
- 8ותשב באיתן קשתו · Genesis 49:24
- 9
- 10או רעך אשר כנפשך · Deuteronomy 13:7
- 11למען אחי ורעי · Psalms 122:8
- 12זה דודי וזה רעי · Song of Songs 5:16
- 13
- 14
Sustentar D'us como o alimento ¶2–4
2והענין כמו עד״מ למטה שהתקשרות והתחברות הנשמה עם הגוף הוא ע״י המזון שכשאוכל לחמו שמתברר האכילה במעיו בבירור אחר בירור עד שהמובחר שבמאכל נתהפך לדם הנפש ועולה ללב ומהלב עולה המובחר אל המוח.
A questão é a seguinte, por meio de uma analogia do que ocorre abaixo: a ligação e união da alma com o corpo se dá por meio do alimento. Pois, quando uma pessoa come seu pão, aquilo que ela come é refinado em suas entranhas, refinamento após refinamento, até que a parte mais escolhida do alimento se transforma no sangue da alma e sobe ao coração; e, do coração, a parte mais escolhida sobe ao cérebro.
Antes de aplicar a ideia ao Alto, o texto descreve como o alimento mantém a alma unida ao corpo. A digestão refina o alimento em etapas, até que sua melhor parte se torne “o sangue da alma”, o sangue que transporta a vida; ele sobe ao coração, e sua parte mais refinada sobe do coração ao cérebro.
O parágrafo apresenta a analogia sobre a qual se baseia o maamar: o alimento liga a alma ao corpo, enquanto sua essência refinada sobe da digestão ao coração e do coração ao cérebro.
3וכמ״כ יובן למעלה כי הנה א״ס ב״ה אין ערוך אליו כלל וגם כל הנאצלים כלא חשיבי וכל התהוותם רק מבחינת מחשבה אחת לבד שעלה במחשבתו ית׳ אנא אמלוך כו׳
Assim também se compreenderá em relação ao Alto. Pois o Infinito (Ein Sof), bendito seja Ele, não tem absolutamente nada que se compare a Ele, e mesmo todos os emanados são considerados como nada; toda a sua vinda à existência provém apenas do nível de um único pensamento, que surgiu em Seu pensamento, bendito seja Ele: “Eu reinarei, etc.”
Aplicando a analogia ao Alto: nada pode ser comparado a D'us, e mesmo os níveis emanados mais elevados são considerados como nada diante Dele. Toda a existência provém de um único “pensamento” que surgiu em Sua mente, por assim dizer: “Eu reinarei” — o desejo de ser Rei sobre um mundo.
שמחשבה זו היא חיות כל העולמות ולפי שמחשבה זו הוא להיות בחי׳ מל׳ ע״כ נאמר אחת היא יונתי1 כו׳ וזהו סוף מעשה במחשבה תחלה.
Pois esse pensamento é a força vital de todos os mundos. E como esse pensamento consiste em haver o nível de Malchut (soberania), por isso está dito: “Uma só é ela, minha pomba, etc.” E este é [o sentido de] “o último na ação, o primeiro no pensamento”.
Esse único pensamento é a vida de todos os mundos. Como seu conteúdo é a realeza de D'us, Malchut, o Cântico pode chamar Malchut de “Uma só é ela, minha pomba”: um único pensamento. A frase de Lecha Dodi, “o último na ação, o primeiro no pensamento”, expressa o mesmo: aquilo que vem por último na ordem da criação foi a primeira intenção.
A aplicação começa: todos os mundos existem por meio de um único pensamento divino, “Eu reinarei”, que corresponde ao nível de Malchut; este é o “uma só” de “Uma só é ela, minha pomba”.
Marei mekomot
- 1אחת היא יונתי · Song of Songs 6:9
De modo semelhante, toda a duração da destruição do Santo Templo é considerada verdadeiramente como um único instante para Ele, bendito seja, como está escrito: “Por um instante escondi de ti o Meu rosto, etc.”
O tempo nada significa para D'us: todo o longo exílio desde a destruição do Templo é, para Ele, “um instante”, como diz Isaías. A comparação mostra quão pequena é, em relação a Ele, a única ideia da criação.
ואי לזאת הרי מחשבה זו האחת צמצום גדול ועצום מאד הוא אצלו ית׳ ובתחלת הבריאה הי׳ זה בחסד חנם ועכשיו צריכים להמשיכו ולעשות רצון אצלו ית׳ להתלבש במחשבה זו והכח הזה בנש״י לפי שעלו במחשבה2
Por conseguinte, esse único pensamento constitui para Ele, bendito seja, uma contração (tsimtsum) grande e imensa. No início da criação, isso ocorreu por bondade concedida gratuitamente; agora, porém, é preciso fazê-lo descer e suscitar n’Ele, bendito seja, a vontade de Se revestir nesse pensamento. E esse poder está nas almas de Israel, pois elas ascenderam no pensamento.
Para D'us, investir-Se nesse único pensamento é, portanto, uma imensa auto contração. Na criação, Ele o fez por bondade que ninguém havia merecido; desde então, isso precisa ser feito descer por meio de uma vontade despertada n’Ele, e as almas de Israel têm o poder de despertá-la, pois elas próprias “ascenderam no pensamento”.
וזהו ענין ישראל מפרנסין שמשיכים גילוי אור א״ס במחשבה עילאה כמו שע״י המאכל מתחזק המוח שה״ז התחברות הנשמה עם המוח ומהמוח מתפשט ללב ולכל האברים כך
Este é o significado de “Israel sustenta”: eles fazem descer a revelação da Luz Infinita (Or Ein Sof) ao pensamento supremo. Assim como, por meio do alimento, o cérebro se fortalece — o que representa a união da alma com o cérebro — e, a partir do cérebro, isso se estende ao coração e a todos os membros, assim também...
É assim que Israel “sustenta” D'us: faz descer a revelação da Luz Infinita ao pensamento supremo. Retoma-se a analogia do alimento: ele fortalece o cérebro, que une a alma a este; do cérebro, a força vital se estende ao coração e aos membros.
הנה למעלה ממחשבה עילאה נמשך ומתפשט אח״כ בכל הט׳ מאמרות כו׳ אך הנה במה ממשיכים
Acima, a partir do pensamento supremo, isso é então atraído e se espalha por todas as nove declarações, etc. Mas por meio de que eles fazem isso descer?
Acima, da mesma forma, a luz do pensamento supremo se espalha depois pelas “nove declarações”: as nove vezes em que aparece “E D'us disse” no relato da criação — os Sábios contam “No princípio” como a décima —, por meio das quais o mundo foi criado. O texto pergunta então como Israel faz isso descer.
היינו פי׳ השני דרעיתי לשון אהבה וריעות שע״י שמעוררים בחי׳ הרצון אליו ית׳ שלא להיות חפץ ורצון אחר כמ״ש מי לי בשמים ועמך לא חפצתי3 כו׳ עי״ז מעוררים ג״כ רצה״ע שישפיל א״ע להתלבש במחשבה זו:
Isto é, o segundo significado de ra’yasi: um termo de amor e amizade. Ao despertarem o nível da vontade dirigida a Ele, bendito seja, de modo a não ter nenhum outro desejo ou vontade, como está escrito: “Quem tenho eu nos céus? E, além de Ti, nada desejo, etc.”, por meio disso também despertam a vontade suprema, para que ela Se rebaixe e Se revista nesse pensamento.
A resposta é o segundo significado de ra’yasi: amor. Quando a pessoa nada deseja senão D'us — “Quem tenho eu nos céus? Além de Ti, nada desejo” —, essa vontade abaixo desperta a vontade suprema para que ela Se rebaixe e Se revista no pensamento da criação.
O parágrafo explica “Israel sustenta seu Pai nos céus”: o único pensamento da criação é uma grande contração para D'us e, desde a criação, só é renovado quando Israel desperta n’Ele a vontade de Se revestir nele. Israel faz isso por meio do próprio amor e da própria vontade, o segundo significado de ra’yasi.
Este é o princípio do despertar de baixo: no início, a criação veio somente da iniciativa de D'us, como “bondade concedida gratuitamente”; desde então, a vontade suprema responde à vontade que Israel desperta em si. Seu poder de despertá-la vem de sua raiz, pois eles “ascenderam no pensamento”.
Marei mekomot
- 1הסתרתי פני רגע ממך · Isaiah 54:8
- 2שעלו במחשבה · Bereshit Rabbah 1:4
- 3מי לי בשמים ועמך לא חפצתי · Psalms 73:25
A vontade da mente e o desejo do coração ¶5–6
2. Ora, está escrito: “Tu és formosa, minha amada, como Tirtsá.” O assunto é que há dois níveis de vontade. O primeiro é a vontade que repousa ocultamente na mente;
A seção 2 começa com Shir HaShirim 6:4, que chama a amada de formosa “como Tirtsá”, um nome que soa como ratzon, “vontade”. O texto distingue dois tipos de vontade; o primeiro está oculto na mente.
שכשיתבונן המשכיל בגדולת א״ס ב״ה נולד ונתעורר הרצון במוחו ועיין בס׳ ש״ב פי״ו ועדיין הוא שורה במוחו ואינו מתפשט בלבו ממש וזהו הנקרא רצון בלה״ק
pois, quando uma pessoa dotada de entendimento contempla a grandeza do Infinito, bendito seja Ele, a vontade nasce e desperta em sua mente; veja Sefer Shel Beinonim, capítulo 16. Ela ainda repousa em sua mente e não se estende de fato ao coração. Isso é chamado ratzon (“vontade”) na Língua Sagrada.
Contemplar a grandeza de D'us faz nascer na mente a vontade de se voltar a Ele, mas ela pode permanecer ali, sem realmente penetrar no coração. Tanya (chamado aqui por seu primeiro título, Sefer Shel Beinonim), capítulo 16, discute esse amor na mente; a palavra hebraica para essa vontade mental é ratzon.
(וכנודע דגלגלתא נקרא רצון כמ״ש והיה על מצחו תמיד לרצון2 ועמ״ש בד״ה תקעו בחדש גבי רצון העליון שלמעלה מעלה מבחינת חכמה והוא מתגלה בראש השנה שהוא בחינת ראש וגלגלתא דחפיא על מוחא כו׳ ע״ש).
(Como é sabido, o crânio (Gulgalta) é chamado ratzon, como está escrito: “E estará sempre sobre sua testa, para favor (leratzon)”; veja também o que está escrito no discurso que começa “Toquem o shofar na Lua Nova”, a respeito da vontade suprema, que está muito, muito acima do nível de Chochmá (sabedoria) e se revela em Rosh Hashaná, que é o nível da cabeça, e “o crânio que cobre o cérebro” etc.; veja lá.)
O parêntese acrescenta um paralelo cabalístico: Gulgalta, o “crânio” que cobre o cérebro supremo, é chamado ratzon, assim como a placa na testa do Sumo Sacerdote era “para favor (leratzon)”. Essa vontade suprema, mais elevada que Chochmá, revela-se em Rosh Hashaná, a “cabeça” do ano.
והב׳ כשהרצון נמשך בבחי׳ גילוי בלב ממש אזי נק׳ רעותא דליבא3 והוא תרגום של רצון שבלה״ק
O segundo é quando a vontade é atraída de forma revelada para o próprio coração; então é chamada re’usa deliba (“o desejo do coração”), e é a tradução (Targum) de ratzon na Língua Sagrada,
O segundo tipo de vontade é revelado no coração. Em aramaico, é chamado re’usa deliba, “o desejo do coração”, e re’usa é a palavra que o Targum, a tradução aramaica, emprega para o hebraico ratzon.
assim como a função do Targum é explicar a Língua Sagrada e revelá-la, conforme disseram nossos Sábios, de abençoada memória: “Se não fosse pelo Targum deste versículo, eu não saberia o que ele diz etc.”
Uma tradução existe para explicar e revelar o original: Rav Yosef disse que, sem o Targum de certo versículo, não saberia o que ele significa. Do mesmo modo, o desejo do coração é a “tradução” que revela a vontade oculta na mente.
כמ״כ הרעותא דליבא זהו הגילוי של הרצון שבמוח כי כשמתגלה הרצון ונמשך בלב זהו גילוי יותר שהלב גשמי וקרוב לגוף יותר מהמוח כמש״כ בסש״ב ח״א פי״ו
Da mesma forma, o desejo do coração é a revelação da vontade que está na mente; pois, quando a vontade se revela e é atraída para o coração, isso constitui uma revelação maior, visto que o coração é mais físico e está mais próximo do corpo do que a mente, conforme está escrito em Sefer Shel Beinonim, Parte I, capítulo 16.
O coração é mais físico do que a mente e está mais próximo do corpo; por isso, uma vontade que o alcança é uma revelação mais plena. Tanya, Parte I, capítulo 16, é citado a esse respeito.
וזהו בחי׳ רעיתי לשון ריעות וחיבה והוא רעותא דליבא וזהו יפה את רעיתי בחי׳ הרעותא דליבא.
E este é o nível de ra’yasi, termo que denota amizade e afeição; é re’usa deliba, o desejo do coração. E este é [o significado de] “Tu és formosa, minha amada (ra’yasi)”: o nível do desejo do coração.
Essa vontade revelada no coração é ra’yasi, derivada de re’us, amizade: o aramaico re’usa e o hebraico ra’yasi têm som semelhante. Assim, “Tu és formosa, minha amada” louva o desejo do coração.
כתרצה כבחי׳ הרצון שבמוח והיינו כשמתחברים הב׳ רצונות של הלב והמוח ביד וזהו ואהבת בכל לבבך6 ואהבת ב״פ אור78 היינו ב׳ רצונות הנ״ל.
“Como Tirtsá (kesirtzah)”: como o nível da vontade (ratzon) na mente. Isto é, quando as duas vontades, a do coração e a da mente, se unem. E este é [o significado de] “E amarás com todo o teu coração”; e ve’ahavta (“e amarás”) equivale [numericamente] a duas vezes or (“luz”), isto é, às duas vontades mencionadas acima.
“Como Tirtsá”, derivado de ratzon, é a vontade na mente, e o versículo louva as duas vontades juntas: a mente e o coração desejando a D'us como um só (o texto impresso traz ביד, lido aqui como ביחד, “juntos”). A palavra ve’ahavta, “e amarás”, equivale a 414, duas vezes or, “luz” (207): duas luzes, correspondentes às duas vontades.
A seção 2 explica “Tu és formosa, minha amada, como Tirtsá” por meio de dois níveis de vontade: ratzon, a vontade oculta na mente, e re’usa deliba, o desejo revelado do coração, sua “tradução”. O ideal é a união entre ambas, aludida em ve’ahavta, “duas vezes luz”.
A nota da Kehot sobre ve’ahavta remete ao ensinamento do Arizal de que, ao recitar ve’ahavta no Shemá, deve-se ter a intenção de atrair duas luzes para a Coroa (Kéter) de Nukvá, pois duas luzes equivalem numericamente a ve’ahavta; e a Torah Ohr (33c), onde a alma é o pavio e as mitsvot são o óleo, e a “dupla luz” de ve’ahavta é o amor “com todas as tuas forças” e a alegria de uma mitsvá.
Marei mekomot
- 1יפה את רעיתי כתרצה · Song of Songs 6:4
- 2והי׳ על מצחו תמיד לרצון · Exodus 28:38
- 3אזי נק׳ רעותא דלבא · ראה תשובות וביאורים מכ״ק אדמו״ר סי׳ כ (נדפס בקובץ ליובאוויטש חוברת טו). ספר הערכים חב״ד כרך א ע׳ תרט ואילך.
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- 5אלמלא תרגומו דהאי קרא · Megillah 3a:10
- 6ואהבת בכל לבבך · Deuteronomy 6:5
- 7ואהבת ב״פ אור · ע׳ ס״פ במדבר (יט, ד) נ׳ מאדמו״ר. [כ]. ראה שער הכוונות כוונת ק״ש. פע״ח שער הק״ש פכ״ג. וראה תו״א לג, ג.
- 8ואהבת ב״פ אור · Pri Etz Chaim, Gate of the Recitation of the Shema 23:6
6והנה עי״ז שנש״י מתעוררים במוח ולב להיות רעיתי כתרצה עי״ז מעוררים כן למ עלה גילוי רצון העליון במחשבה הא׳.
Ora, por meio de as almas de Israel serem despertadas na mente e no coração para serem “minha amada, como Tirtsá”, elas despertam igualmente Acima a revelação da vontade suprema no pensamento primordial.
Quando a vontade de Israel desperta tanto na mente quanto no coração — “minha amada, como Tirtsá” —, ela desperta Acima a revelação da vontade suprema no pensamento único da criação.
ונקרא רעיתי פרנסתי כמשל המאכל שגורם התפשטות והתחברות הנשמה במוח ומשם ללב ולכל האברים כך נמשך למעלה גילוי אור א״ס בחכמה ובינה תרין ריעין12 כו׳.
E isso é chamado ra’yasi, parnasasi (“minha sustentadora”), conforme a analogia do alimento, que provoca a expansão e a união da alma com o cérebro, e daí com o coração e todos os membros; assim, Acima, a revelação da Luz Infinita (Or Ein Sof) é atraída para Chochmá e Biná, os “dois companheiros (trein rei’in)”, etc.
Por isso, ra’yasi também significa “minha sustentadora”. Assim como o alimento permite que a alma se expanda pelo cérebro e, daí, pelo coração e pelos membros, o amor de Israel atrai a Luz Infinita para Chochmá e Biná, chamadas de “dois companheiros” (trein rei’in), expressão que ecoa ra’yasi.
Os dois sentidos de ra’yasi se unem: o amor de Israel (“minha amada”) é aquilo que “sustenta” D'us, atraindo a vontade suprema para o pensamento da criação e a Luz Infinita para Chochmá e Biná, assim como o alimento sustenta o corpo por meio do cérebro.
Likkutei Torah sobre Re’eh, ao qual a nota da Kehot remete, explica que o yud do Nome, Chochmá, é autoanulação, e a hei superior, Biná, é contemplação; esses dois níveis são chamados “um ponto em seu palácio” e “dois companheiros”, e a pessoa precisa de ambos juntos em seu serviço, abaixo como Acima.
Marei mekomot
- 1תרין ריעין · זח״ג (ד, א). וע״ל ר״פ ראה. [כ].
- 2תרין ריעין · Zohar, Vayikra 2:29–3:41
Nosso Pai, nosso Pastor ¶7
7והנה עי״ז כשנמשך האור בח״ע אזי נמשך ג״כ המשכת ח״ע ורצון העליון המלובש בה גם בכל נש״י והוא כמו עד״מ כשמתחזק המוח ע״י המאכל ונמשך בו חיות הנפש
Ora, por meio disso, quando a luz é atraída para Chochmá (sabedoria) superior, também se estende o fluxo de Chochmá superior e da vontade suprema nela revestida a todas as almas de Israel. É como, a título de analogia, quando o cérebro é fortalecido pelo alimento e a força vital da alma é atraída para ele:
Quando a luz alcança Chochmá superior, ela flui adiante, junto com a vontade suprema nela revestida, para cada alma de Israel. A analogia é a do cérebro que, fortalecido pelo alimento, envia vida por todo o corpo.
אזי נמשך ומתפשט מהמוח החיות לכל אברי הגוף אף גם בבחי׳ הרגלים שיש לו כח להגביה רגליו ומעמידו על רגליו כו׳
então a força vital é atraída e se espalha do cérebro para todos os membros do corpo, até mesmo ao nível dos pés, de modo que a pessoa tem força para erguer os pés, e isso a põe de pé, etc.
A vida proveniente do cérebro alcança até os pés, os membros mais baixos, dando à pessoa força para erguê-los e ficar de pé.
וגם בכל צער וכאב שברגל מרגיש תומ״י במוחו כו׳ כמ״כ למעלה כשנמשך אור א״ס להתלבש בח״ע נק׳ אבינו כי ח״ע נק׳ אבא123 והצדיקים נקראים בניו כמ״ש בנים אתם לה׳ אלקיכם4
E também, qualquer aflição ou dor no pé é sentida imediatamente no cérebro, etc. Assim também no Alto: quando a Luz Infinita (Or Ein Sof) é atraída para revestir-se em Chochmá superior, Ele é chamado “nosso Pai”, pois Chochmá superior é chamada Abá (Pai), e os justos são chamados Seus filhos, como está escrito: “Vós sois filhos de D'us, vosso D'us.”
O cérebro sente imediatamente qualquer dor no pé; assim, o vínculo funciona nos dois sentidos. Também no Alto, quando a Luz Infinita se reveste em Chochmá superior, chamada Abá, “Pai”, pela Cabalá, D'us é “nosso Pai”, e os justos são Seus filhos.
והיינו כי ברא כרעא דאבוה56 הוא בחינת רגל ועמ״ש ע״פ והארץ הדום רגלי78 וכשנתלבש אור א״ס ב״ה במחשבה עילאה
Isto é, “o filho é a perna (kar’a) de seu pai”: ele corresponde ao nível do pé (regel). Veja também o que está escrito sobre o versículo “E a terra é o escabelo de Meus pés”. E, quando a Luz Infinita, bendito seja Ele, se reveste no pensamento superior,
A expressão aramaica “o filho é a perna de seu pai” faz dos filhos o “pé” do Pai, que executa aquilo que a cabeça concebe. O texto remete à discussão de “a terra é o escabelo de Meus pés” e retorna ao pensamento superior.
אזי מתפשט ונמשך בבחינת רגל כמו שאנו רואים שהמחשבה נמשכת בהרגל להטותה ככל אשר תחפוץ
então ela se espalha e é atraída ao nível do pé, como vemos que o pensamento se estende até o pé para dirigi-lo aonde quer que deseje.
Quando a Luz Infinita está no pensamento superior, ela também alcança o “pé”, assim como o pensamento da pessoa move seu pé para onde ela deseja.
והיינו דוקא כשנתלבש אור א״ס ב״ה בח״ע אזי נק׳ אבינו כו׳ וזהו שאומרים אבינו מלכנו רוענו כו׳
Isto é, somente quando a Luz Infinita, bendito seja Ele, se reveste em Chochmá superior é que Ele é chamado “nosso Pai”, etc. E é isso que dizemos: “nosso Pai, nosso Rei, nosso Pastor”, etc.
D'us é chamado “nosso Pai” precisamente quando Sua luz está em Chochmá superior. As palavras da oração “nosso Pai, nosso Rei, nosso Pastor” reúnem os nomes Pai e Pastor.
פי׳ שזהו שנק׳ הקב״ה רועה שמפרנס הנשמות שנמשך ומאיר חכמתו ורצונו ית׳ בנשמות שהן בחי׳ רגל וכמ״ש פותח את ידך9 יודיך ח״ע ומשביע לכל חי רצון כו׳
Isto significa que o Santo, bendito seja Ele, é chamado Pastor porque sustenta as almas: Sua sabedoria e Sua vontade, bendito seja Ele, são atraídas para as almas e brilham nelas, pois elas correspondem ao nível do pé. Como está escrito: “Abres Tua mão (yadecha)”: Teu yud (yudecha), Chochmá superior; “e satisfazes todo ser vivo [com] vontade (ratzon), etc.”
D'us é chamado Pastor porque sustenta as almas, o “pé”, fazendo Sua sabedoria e Sua vontade brilharem nelas. O versículo “Abres Tua mão (yadecha)” é lido como yudecha, “Teu yud”: o yud do Nome de D'us, Chochmá superior, que “satisfaz todo ser vivo com ratzon”, vontade.
להיות מתקרבים יחד הרצון של הקב״ה עם הרצון של הצדיקים והיו לאחדים ממש שאין להם רצון אחר זולתי מה שרוצה הקב״ה.
de modo que a vontade do Santo, bendito seja Ele, e a vontade dos justos se aproximem e se tornem verdadeiramente uma só, sem que tenham outra vontade além daquilo que o Santo, bendito seja Ele, deseja.
A vontade concedida aos seres vivos é a própria vontade de D'us; ela se aproxima da vontade dos justos até que ambas sejam uma só, de modo que eles nada queiram além daquilo que Ele quer.
וכמ״כ הקב״ה עושה רצון יראיו10 ועמ״ש בד״ה כי עמך מקור חיים11 בענין השקיפה ממעון קדשך מן השמים וברך את12 כו׳
E, da mesma forma, o Santo, bendito seja Ele, faz a vontade daqueles que O temem. Veja o que está escrito no discurso que começa “Pois contigo está a fonte da vida”, a respeito de “Olha desde tua santa morada, desde os céus, e abençoa, etc.”
Isso também ocorre no sentido inverso: D'us faz a vontade daqueles que O temem (Salmos 145:19). O texto remete ao discurso sobre “Pois contigo está a fonte da vida” para o versículo “Olha desde tua santa morada, desde os céus”.
וענין מן השמים היינו כמש״כ בפי׳ מפרנסים לאביהם שבשמים (ועוי״ל בענין רעיתי כתרצה שהם ב׳ בחי׳ דחו״ב הנזכר ע״פ ראה אנכי13 כו׳ נקודה בהיכליה כו׳ ע״ש וזהו ותשב באיתן14 כו׳.
E o significado de “desde os céus” é conforme o que foi escrito ao explicar “sustentam seu Pai que está nos céus”. (E pode-se ainda dizer, a respeito de “minha amada, como Tirtsá”, que elas são os dois níveis de Chochmá e Biná mencionados no versículo “Vê, Eu [ponho diante de ti], etc.”: “um ponto em seu palácio, etc.”; veja lá. E esse é [o significado de] “E seu arco permaneceu firme (eitan), etc.”
“Desde os céus” é entendido à luz de “sustentam seu Pai que está nos céus”. Um comentário entre parênteses propõe outra leitura: “minha amada” e “como Tirtsá” são Chochmá e Biná, chamadas “um ponto em seu palácio”; e o arco de Yossef que “permaneceu firme em eitan” alude a elas.
משם דייקא רועה אבן כו׳ שעי״ז מעוררים למעלה ההמשכה בחו״ב ועי״ז אח״כ משם רועה אבן15 וכו׳ וכנ״ל) (ועיין בפ׳ ויחי דרל״א ע״ב).
“De lá”, especificamente, “é o pastor, a pedra, etc.”: pois, por meio disso, despertam no Alto a emanação para Chochmá e Biná e, por meio disso, depois, “de lá é o pastor, a pedra, etc.”, como mencionado acima.) (E veja [o Zohar,] Parshas Vayechi, fólio 231b.)
“De lá”, especificamente: o amor e a vontade de Israel despertam a emanação para Chochmá e Biná; somente então, “de lá”, vem “o pastor, a pedra”, o fluxo que os sustenta. O texto cita o Zohar sobre Vayechi a respeito de “de lá é o pastor, a pedra de Israel”.
עוי״ל כי אביהם שבשמים היינו אור אבא המלובש בז״א שנק׳ שמים16 חו״ג והיינו כי התנהגות העולמות ע״י המדות
Pode-se ainda dizer que “seu Pai que está nos céus” é a luz de Abá (Pai) revestida em Zeir Anpin, chamado shamáyim (“céus”): Chessed e Guevurá. Isto é, a condução dos mundos se dá por meio dos atributos emocionais (midot);
Outra interpretação: “seu Pai que está nos céus” é a luz de Abá, Chochmá, revestida em Zeir Anpin, os atributos emocionais, chamado shamáyim, “céus”, que os Sábios interpretam como esh e mayim, fogo e água (Chagigah 12a): Guevurá e Chessed. Os mundos são conduzidos por meio desses atributos.
אך צריך להמשיך בהם גילוי ח״ע כמ״ש בד״ה באתי לגני ועל כן אור המשכה זו הוא ע״י ב׳ הבחינות שבאדם הרצון שבמוח והרעותא דליבא וזהו ענין יפה את רעיתי כתרצה:
mas é preciso atrair para eles a revelação da Chochmá superior, conforme está escrito no discurso que começa “Vim ao meu jardim”. Portanto, a luz dessa emanação vem por meio dos dois níveis existentes na pessoa: a vontade no cérebro e o desejo do coração. E este é o significado de “Tu és bela, minha amada, como Tirtsá”.
Os atributos precisam da luz revelada de Chochmá em seu interior, e essa luz vem por meio das duas vontades existentes na pessoa: a vontade na mente e o desejo do coração. Isto é “Tu és bela, minha amada, como Tirtsá”.
A seção 2 conclui: quando a Luz Infinita é atraída para Chochmá superior, Abá, ela flui para as almas, o “pé”, e D'us é “nosso Pai” e “nosso Pastor”; Sua vontade e a vontade dos justos tornam-se uma só. Essa atração é provocada pelas duas vontades da pessoa, na mente e no coração.
Entre as passagens do Zohar citadas na nota da Kehot para “Chochmá superior é chamada Abá”, o Zohar sobre Ki Seitzei (3:278b) interpreta “o temor do pecado precede a sabedoria” como Imá, teshuvá, que precede Chochmá, “o Abá superior”, e deriva daí “Vós sois filhos de D'us, vosso D'us”. O discurso de Torah Ohr sobre “Os céus são Meu trono, e a terra é o escabelo de Meus pés” chama a Comunidade de Israel de “pé”, com as mesmas duas provas, “Vós sois filhos” e “o filho é a perna de seu pai”, e mostra que o pé tem uma virtude que falta à cabeça: ele leva a cabeça aonde ela deseja ir.
Marei mekomot
- 1ח״ע נק׳ אבא · Zohar III, 290a
- 2ח״ע נק׳ אבא · Zohar, Ki Teitzei 7:51–11:61
- 3ח״ע נק׳ אבא · Zohar, Kedoshim 4:38–39
- 4בנים אתם לה׳ אלקיכם · Deuteronomy 14:1
- 5ברא כרעא דאבוה · Yevamot 3a:2–4
- 6ברא כרעא דאבוה · Tosafot on Yevamot 3a
- 7ועמ״ש ע״פ והארץ הדום רגלי · ישעי׳ רס״י סו. [כ]. תו״א פ׳ בראשית.
- 8והארץ הדום רגלי · Isaiah 66:1
- 9פותח את ידיך · Psalms 145:16
- 10רצון יראיו · Psalms 145:19
- 11בד״ה כי עמך מקור חיים · תו״א פ׳ מקץ.
- 12השקיפה ממעון קדשך מן השמים וברך את · Deuteronomy 26:15
- 13ע״פ ראה אנכי · לעיל ר״פ ראה.
- 14ותשב באיתן · Genesis 49:24
- 15משם רועה אבן · Zohar, Vayechi 43:450–462
- 16אור אבא המלובש בז״א שנק׳ שמים · מובא באוה״ת ויקרא כרך ב ע׳ תקסח.
Três cores da alma ¶8–9
8ג והנה פי׳ הנך יפה רעיתי1 פי׳ כמו שלמטה בגשמיות עיקר היופי והנוי הוא בציור ומראה הכולל ג׳ גוונים יחד שאז הוא עיקר הנוי והתפארת
3. Ora, o significado de “Eis que és bela, minha amada”: isto quer dizer que, assim como aqui embaixo, nas coisas físicas, a essência da beleza e do encanto está numa imagem e numa aparência que incluem juntas três cores, pois então há a essência do encanto e do esplendor;
A seção 3 explica “Eis que és bela” a partir do mundo físico: a verdadeira beleza está numa imagem que combina várias cores.
והם דרך כלל ג׳ גוונים לבן, אדום וירוק2 שכאשר הם נכללים יחד אז הציור נאה ומהודר משא״כ גוון לבן לבדו או גוון אדום לבדו אין בו שלימות התפארת כ״כ
e, de modo geral, essas são três cores: branco, vermelho e verde. Quando estão combinadas, a imagem é bela e esplêndida; ao passo que a cor branca sozinha ou a cor vermelha sozinha não possui um esplendor tão completo.
As três cores básicas são branco, vermelho e verde, e cada uma, isoladamente, não tem a plenitude de beleza que sua combinação proporciona.
(Como no que está escrito: “Como a aparência do arco que, etc.”; e é sabido que as três cores do arco-íris são branco, vermelho e verde (chivar, sumak e yarok); e veja [o Zohar,] Parshas Noach, fólio 71b.)
O arco-íris apresenta essas mesmas cores, chamadas em aramaico chivar, sumak e yarok. Yechezkel descreve a glória divina “como a aparência do arco”, e o Zohar sobre Noach (71b) fala das cores nele vistas.
פי׳ גוון לבן שבכנ״י הוא מדת האהבה והחסד לאהבה את ה׳ ולדבקה בו שאהבה הוא בחי׳ כסף
Isto é, a cor branca na Comunidade de Israel é o atributo do amor e da bondade: “amar a D'us e apegar-se a Ele”; pois o amor corresponde ao nível da prata (kesef),
Nas almas de Israel, o branco representa o amor e a bondade, o desejo de apegar-se a D'us. O amor é chamado kesef, “prata”, porque kesef está relacionado a nichsof, anseio.
כמו נכסוף נכספתה לבית אביך6 שהוא גוון לבן ובמ״א נתבאר שזהו ענין האהבה הטבעית7 המושרשת בכ״א מישראל שלפיכך נמשל לגוון לבן שהוא גוון עצמי8 ואינו מורכב.
como em “ansiastes intensamente (nichsof nichsafta) pela casa de teu pai”; e isso corresponde à cor branca. Em outro lugar, explica-se que se trata do amor natural enraizado em cada judeu, que por isso é comparado à cor branca, pois esta é uma cor essencial e não composta.
As palavras de Lavan a Yaakov, “ansiastes (nichsof nichsafta) pela casa de teu pai”, mostram essa relação, e a prata é branca. O branco é uma cor em si, não uma mistura, e por isso representa o amor natural enraizado em cada judeu.
כך הוא ענין האהבה הנ״ל שהיא מצד עצמיות הנשמה שלמעלה משכל המושג כו׳ אך אחר האהבה והכוסף והתשוקה הנ״ל צריך להשפיל א״ע
Assim também é o amor mencionado acima, que provém da própria essência da alma, acima do intelecto que pode ser compreendido, etc. Mas, depois do amor, do anseio e do desejo mencionados acima, é preciso rebaixar-se
Esse amor natural provém da essência da alma, acima do entendimento. Mas o anseio, por si só, não basta: depois dele, é preciso rebaixar-se.
בבחי׳ שמאל דוחה9 בבחי׳ יראה ועמ״ש ע״פ השמים כסאי1011 כו׳ וזהו גוון האדום שבהנשמות שהוא מבחי׳ גבורה והם ב׳ בחי׳ דאברהם אוהבי12 ופחד יצחק.1314
na modalidade de “a esquerda repele”, na modalidade do temor; e veja o que está escrito sobre o versículo “Os céus são Meu trono, etc.” E esta é a cor vermelha nas almas, que provém do nível de Guevurá (contenção). São esses os dois níveis de “Avraham, que Me ama”, e “o Temor de Yitzchak”.
Isto é “a esquerda repele”: o temor, que contém a pessoa. É o vermelho na alma, proveniente de Guevurá. Amor e temor são as qualidades de Avraham, a quem D'us chama “que Me ama”, e de Yitzchak, cujo D'us é chamado “o Temor de Yitzchak”.
A beleza requer uma combinação de cores. Na alma, o branco é o amor essencial por D'us, a qualidade de Avraham, e o vermelho é o temor, o rebaixamento próprio de Guevurá, a qualidade de Yitzchak.
Likkutei Torah sobre Acharei, citado na nota da Kehot, explica por que o branco é “essencial”: ele é a própria coisa, enquanto o vermelho e o verde são tinturas acrescentadas a ela; assim, as luzes, antes de serem limitadas pelos recipientes, não têm atributo definido. A nota também remete a Sefer HaMaamarim 5564, onde Avraham corresponde ao nível do branco.
Marei mekomot
- 1ג) והנה פי׳ הנך יפה רעיתי · באוה״ת פ׳ שלח ע׳ תקפג מציין: ”הנה היופי הוא דוקא בכמה גוונין וכמשנ״ת בד״ה הנך יפה רעייתי הנ״ל [— הכוונה לכאן] יעו״ש דדרוש ההוא מתקשר ושייך לדרוש זה [— הגהות על ד״ה ועשו להם ציצית שבסידור ג, ג]”. תוכן סעיף זה מובא באוה״ת כי תצא ע׳ תתקסט.
- 2והם דרך כלל ג׳ גוונים לבן אדום וירוק · באוה״ת שלח ע׳ תקפג מציין לכאן: ”כלול מד׳ גוונין לבן ואדום וירוק ככרתי כו׳ והן ד׳ חיות שבמרכבה פני ארי׳ פני שור פני נשר פני אדם כו׳”. וראה באוה״ת שה״ש כרך ג ע׳ תתקו (הנחה אחרת ממאמר זה ”יש בחי׳ גוון רביעי והוא גוון תכלת שהוא בחי׳ קבעומ״ש לקשר ג׳ לבושי הנפש מחדו״מ בתומ״צ”.
- 3כמראה הקשת · Ezekiel 1:28
- 4חיוור סומק וירוק · Zohar, Noach 33:259–34:272
- 5וע׳ בפ׳ נח דע״א ב׳ · ראה אוה״ת פ׳ נח כרך א כא, ב.
- 6נכסוף נכספתה לבית אביך · Genesis 31:30
- 7ובמ״א נתבאר שזהו ענין האהבה הטבעית · ראה אוה״ת פ׳ נח כרך א עב, א.
- 8לגוון לבן שהוא גוון עצמי · ראה לעיל פ׳ אחרי כח, ג ובמ״מ לשם. וראה בסה״מ תקס״ד ע׳ קלו שאברהם הוא בחי׳ לבן. וראה במ״מ לשם.
- 9שמאל דוחה · Sotah 47a:6–7
- 10ע״פ השמים כסאי · תו״א ב, ג ואילך.
- 11השמים כסאי · Isaiah 66:1
- 12אברהם אוהבי · Isaiah 41:8
- 13ופחד יצחק · באוה״ת שה״ש כרך א ע׳ קעג מציין כאן לזח״א קלז, ב.
- 14ופחד יצחק · Genesis 31:42
9וגוון שלישי הוא בחי׳ הירוק שהוא הממוצע בין שני גוונין ההפכיים הנ״ל והיינו מדתו של יעקב
A terceira cor é o nível do verde, que é o intermediário entre as duas cores opostas mencionadas acima. Esse é o atributo de Yaakov,
A terceira cor, o verde, faz a mediação entre o branco e o vermelho, o amor e o temor. É o atributo de Yaakov.
שהיא מדת הרחמים לעורר רחמים על נפשו בראותו גדולת ה׳ ית׳ אשר לגדולתו אין חקר1 ויתבונן בירידת נפשו מעיקרא רמה2 כו׳ ועי״ז יכמרו רחמיו אשר רחמנות זו ממוצעת בין חו״ג
que é o atributo da compaixão: despertar compaixão por sua alma ao ver a grandeza de D'us, bendito seja Ele, “cuja grandeza é insondável”, e contemplar a descida de sua alma de uma altura elevada, etc.; e, com isso, sua compaixão é despertada. Essa compaixão é intermediária entre Chessed e Guevurá,
O atributo de Yaakov é a compaixão: a pessoa vê a grandeza ilimitada de D'us e o quanto sua própria alma desceu, nas palavras do Talmud, “de um alto telhado a um poço profundo” (o texto impresso traz מעיקרא רמה, lido como מאיגרא רמה), e é movida à compaixão por ela. Essa compaixão fica entre Chessed e Guevurá.
כי מה שיכמרו רחמיו ויחם לבו מאד זהו כעין בחי׳ גבורה כו׳ ומ״מ עיקרה מטה כלפי חסד ואהבה (וע׳ בפרדס שער3 הגווני׳ ספ״ג וספ״ב).
pois o fato de sua compaixão se comover e de seu coração se aquecer intensamente é semelhante ao nível de Guevurá, etc.; ainda assim, sua essência pende para Chessed e o amor. (E veja Pardes, Sha’ar HaGevanim (O Portão das Cores), fim do capítulo 3 e fim do capítulo 2.)
Comover-se profundamente, com o coração aquecido, assemelha-se a Guevurá, mas a compaixão pende para a bondade e o amor. Pardes, a obra clássica de Cabalá de Rabi Moshe Cordovero, aborda esse verde em seu Portão das Cores.
והנה מדה אחת אינו יפה כ״א כשיש כל הג׳ מדות ביחד שע״י יוכלו להיות מהלכים4 לעלות בעילוי אחר עילוי כו׳.
Ora, um único atributo não é belo; somente quando os três atributos estão juntos; pois, por meio disso, eles podem ser “os que caminham” (mehalchim), para ascender de elevação em elevação, etc.
Nenhum atributo isolado é belo; somente os três juntos permitem que a pessoa continue a subir, nível após nível. Essas almas são “os que caminham” (mehalchim, Zechariá 3:7), sempre avançando, ao contrário dos anjos, que “permanecem de pé”.
ועמ״ש בד״ה שניך כעדר הרחלים56 כו׳ ובביאור ע״פ וידעת היום גבי ונאספו שמה כל העדרים7 כו׳ וכל המדות האלו בתפלה איתנהו
E veja o que está escrito no discurso que começa “Seus dentes são como um rebanho de ovelhas, etc.”, e na explicação sobre “Saiba neste dia”, a respeito de “E ali se reuniriam todos os rebanhos, etc.” Todos esses atributos estão presentes na oração,
O texto remete a duas discussões sobre “rebanhos”: o discurso sobre “Seus dentes são como um rebanho de ovelhas” e a explicação sobre “Saiba neste dia”, a respeito do poço onde “se reuniriam todos os rebanhos”. Os três atributos estão presentes na oração.
כי תפילות אבות תקנום8 שהם אברהם יצחק יעקב שהם מקור הג׳ מדות אלו ומפני כך כל המדות האלו חג״ת איתא בתפלות שתקנו האבות כנ״ל
pois “as orações foram instituídas pelos Patriarcas”, que são Avraham, Yitzchak e Yaakov, fontes desses três atributos. Portanto, todos esses atributos — Chessed, Guevurá e Tiféret — estão presentes nas orações instituídas pelos Patriarcas, como mencionado acima.
O Talmud ensina que os Patriarcas instituíram as orações diárias: Avraham, a oração da manhã; Yitzchak, a oração da tarde; e Yaakov, a oração da noite. Como eles são as fontes de Chessed, Guevurá e Tiféret, as três qualidades estão presentes na oração.
וזהו ליעקב אשר פדה את אברהם9 כי מדת אהבה מדת אברהם10 בלתי מדת רחמנות שהוא מדת יעקב111213 אינו נחשב ליפה
E este é o sentido de “a Yaakov, que redimiu Avraham”: pois o atributo do amor, o atributo de Avraham, sem o atributo da compaixão, que é o atributo de Yaakov, não é considerado belo;
As palavras de Yeshayahu, “a Yaakov, que redimiu Avraham”, são interpretadas como dizendo que Yaakov redimiu Avraham. O amor de Avraham, sem a compaixão de Yaakov, ainda não é belo, e a compaixão o “redime”.
אבל כשיש התכללות זו המדה בג׳ מדות אזי היא יפה ויוכלו לעלות עד אין קץ ועמ״ש סד״ה שניך כעדר הרחלים וזהו כל המדות חג״ת אהבה ויראה ורחמנות אז הוא יפה כמו למטה במראות.14
mas, quando esse atributo está incluído nos três atributos, então ele é belo, e eles podem ascender sem fim. E veja o que está escrito no fim do discurso que começa “Seus dentes são como um rebanho de ovelhas”. E assim é: [com] todos os atributos — Chessed, Guevurá e Tiféret, amor, temor e compaixão —, ele então é belo, como abaixo, nas aparências.
Quando o amor se integra aos três atributos, torna-se belo e pode ascender sem fim, assim como um quadro é belo quando suas cores se combinam.
O verde, a compaixão de Yaakov, é o meio-termo entre o amor e o temor. Somente os três juntos, presentes nas orações instituídas pelos Patriarcas, tornam bela a alma e permitem que ela ascenda sem fim.
A nota da Kehot cita Or HaTorah: esse verde é “como o açafrão e como a gema de um ovo”, uma verdadeira mescla de vermelho e branco, como explicou Rashbi: “o verde inclui o branco e o vermelho”. Likkutei Torah sobre Emor (“E contareis”) explica “Yaakov, que redimiu Avraham” a respeito de alguém cujo coração é como pedra, tão preso ao mundo que a contemplação não o leva ao amor; o conselho é despertar grande compaixão por sua alma. Tanya, capítulo 45, ensina o mesmo caminho: despertar grande compaixão, o atributo de Yaakov, pela centelha divina na própria alma, que desceu tão longe de sua fonte, por meio do que se pode chegar ao amor revelado, como em “a Yaakov, que redimiu Avraham”.
Marei mekomot
- 1לגדולתו אין חקר · Psalms 145:3
- 2מעיקרא רמה · Chagigah 5b
- 3בפרדס שער הגוונים ספ״ג · ”ופ״ב, שהירוק הזה הוא הירוק כמוריקא וכחלמון ביצה שהוא ממש כללות אדום ולבן, וכן פי׳ הרשב״י ירוק כליל חיוור וסומק” — אוה״ת שה״ש כרך א ע׳ קעג.
- 4מהלכים · Zechariah 3:7
- 5בד״ה שניך כעדר הרחלים · ראה לקמן לח, א ואילך ”ע״י הצירוף והתכללות נמשך בהן כח וחיות מה שלמעלה מערך הכח והחיות של כל אות בפ״ע”.
- 6שניך כעדר הרחלים · Song of Songs 6:6
- 7ונאספו שמה כל העדרים · Genesis 29:3
- 8תפלות אבות תקנום · Berakhot 26b:4–5
- 9ליעקב אשר פדה את אברהם · Isaiah 29:22
- 10מדת אהבה מדת אברהם · Isaiah 41:8
- 11רחמנות מדת יעקב · Bereshit Rabbah 78:8
- 12מדת יעקב · Zohar, Lech Lecha 24:248–259
- 13מדת יעקב · Zohar, Shmini 4:40–49
- 14
Dois tipos de beleza; teus olhos são pombas ¶10
10והנה זה הוא היפה הראשון הוא בחי׳ נעשה1 שהוא יפה על ידי עשיה שלנו באהבה ויראה ורחמנות לדבקה בו ולבטל רצונך מפני רצונו23 ביטול במציאות
Ora, este é o primeiro “belo”: é o nível de “faremos” (naassê), pois é belo por meio de nossa própria ação, com amor, temor e compaixão, para nos apegar a Ele e “anular tua vontade diante da vontade Dele”, uma anulação da própria existência (bitul bimetziut).
O primeiro “Eis que és bela” é “faremos”: a beleza que criamos por meio de nosso próprio serviço, com amor, temor e compaixão, a ponto de pôr de lado nossa própria vontade diante da vontade de D'us, como ensina a Mishná. Trata-se da anulação da própria existência, e não apenas de desejos particulares.
אבל יפה השני4 גדולה מבחינת יפה הראשון כמו שאמרו רז״ל הבא לטהר מסייעין לו5 הרבה שבא לטהר ולהתקדש והוא ענין המשכות המדות העליונות בחי׳ ישראל אשר בך אתפאר6 והוא בחינת ישראל דלעילא
Mas o segundo “belo” é superior ao nível do primeiro “belo”, como disseram nossos Sábios, de abençoada memória: “Aquele que vem purificar-se é ajudado” grandemente, pois veio purificar-se e santificar-se. E isso é a atração dos atributos supernais, o nível de “Israel, em quem Me glorifico (espa’er)”, que é o nível de Israel do Alto (Yisrael dile’eila),
O segundo “belo”, “ouviremos”, é superior. Os Sábios dizem que aquele que vem purificar-se recebe ajuda do Alto; essa ajuda é a atração dos próprios atributos supernais de D'us, chamados “Israel do Alto”, sobre quem está dito: “Israel, em quem Me glorifico”.
כי שרית עם אלקים7 כחתן יכהן פאר8 לך ה׳ הגדולה והגבורה9 והתפארת וכנס״י היינו שמקבלת הפאר מבחי׳ ישראל דלעילא וזהו ענין הנך יפה השנ ועמ״ש עוד מזה ע״פ ועשו להם ציצית1011 כו׳
“pois lutaste com Elokim”; “como um noivo se adorna com glória (pe’er)”; “Teus, D'us, são a grandeza, o poder e o esplendor (Tiféret)”. E a Comunidade de Israel é quem recebe a glória do nível de Israel do Alto. Este é o significado do segundo “Eis que és bela”. E veja também o que está escrito sobre isso no versículo “E farão para si tsitsit, etc.”
O nome Israel evoca “lutaste com Elokim”; os atributos supernais são a “glória” (pe’er) do noivo e o esplendor (Tiféret) de “Teus, D'us, são a grandeza, o poder e o esplendor”. A Comunidade de Israel recebe essa glória de Israel do Alto, e esse é o segundo “belo” (o impresso traz השנ, que deve ser lido como השני, “o segundo”).
(ועמ״ש סד״ה בהעלותך את הנרות12 בענין שיורד ע״פ מדותיו13 דהיינו מדותיו של הקב״ה ועמ״ש סד״ה אני ישנה1415 גבי פתחי לי כחודה של מחט ואני אפתח לך כו׳ ועמ״ש בד״ה
(E veja o que está escrito no fim do discurso que começa “Quando acenderes as lâmpadas”, a respeito de “que escorre pela orla de suas vestes (middosav)”, isto é, os atributos (midot) do Santo, bendito seja Ele. E veja o que está escrito no fim do discurso que começa “Estou dormindo”, a respeito de “Abre para Mim [uma abertura] como o buraco de uma agulha, e Eu abrirei para ti, etc.”. E veja o que está escrito no discurso que começa
Começa uma longa série de referências entre parênteses. Uma delas trata do óleo que escorre pelas vestes de Aharon, middosav, entendido como os atributos (midot) de D'us; outra trata do Midrash em que D'us diz: “Abre para Mim uma abertura como o buraco de uma agulha, e Eu te abrirei” uma entrada ampla.
כי תצא16 בענין פי׳ יפת תואר ומ״ש בענין ורחל היתה יפ״ת ויפת מראה17 בד״ה אם לא תדעי לך1819 כו׳ ועמ״ש בד״ה כה תברכו20 בענין יאר ה׳ פניו אליך21 ובביאור ע״פ אלה מסעי2223 בענין תתן אמת ליעקב24 כו׳
“Quando saíres”, sobre o significado de “bela de forma” (yefat to’ar); e o que está escrito sobre “E Rachel era bela de forma e bela de aparência”, no discurso que começa “Se não sabes, etc.”. E veja o que está escrito no discurso que começa “Assim abençoareis”, a respeito de “Que D'us faça resplandecer Seu rosto sobre ti”, e na explicação sobre “Estas são as jornadas”, a respeito de “Darás verdade a Yaakov, etc.”
Seguem-se mais referências: sobre “bela de forma” em Ki Seitzei; sobre Rachel, “bela de forma e bela de aparência”; sobre a Bênção Sacerdotal, “Que D'us faça resplandecer Seu rosto sobre ti”; e sobre “Darás verdade a Yaakov”.
ועמ״ש ע״פ מה יפית ומה נעמת25 אהבה בתענוגים26 וכ״ז הוא ענין הנך יפה בנשמע היינו בחינת יופי הנמשך מלמעלה ועמ״ש בביאור ע״פ יונתי27 בענין ומראך נאוה)28
E veja o que está escrito sobre o versículo “Quão bela és e quão agradável, amor em deleites”. Tudo isso é o significado de “Eis que és bela” por meio de “ouviremos”: isto é, o nível de beleza que é atraída do Alto. E veja o que está escrito na explicação sobre “Minha pomba”, a respeito de “e tua aparência é graciosa”.)
A última referência trata de “Quão bela és e quão agradável, amor em deleites”. Todos esses lugares dizem respeito ao segundo “belo”, a beleza que é atraída do Alto e corresponde a “ouviremos”.
והנה מ״ש עיניך יונים29 הוא עד״מ30 כמו זוג יונים31 אחד זכר ואחת נקבה והנקבה מקבלת השפעה מהזכר כך ע״ד משל למעלה הקב״ה נמשל לחתן32 וכנסת ישראל נמשלה לכלה והם נקראו בחינת מקבלים מהקב״ה
Ora, o que está escrito, “teus olhos são pombas”, é, por meio de uma analogia, como um casal de pombas, uma macho e outra fêmea, sendo que a fêmea recebe influência do macho. Assim também, por meio de uma analogia, no Alto: o Santo, bendito seja Ele, é comparado a um noivo, e a Comunidade de Israel é comparada a uma noiva; elas são chamadas de nível dos que recebem do Santo, bendito seja Ele.
Passando a “teus olhos são pombas”: as pombas vivem aos pares, e a fêmea recebe do macho. Assim, D'us é comparado a um noivo, e a Comunidade de Israel, a uma noiva que recebe Dele.
וכמו יונים שמסתכלים זע״ז כך מכל דבר יוכלו להסתכל ולראות שאין עוד מלבדו3334 והוא אחד כנ״ל ולהיות ביטול במציאות עד שיהיה בטל רצונך כו׳.
E, assim como as pombas se contemplam mutuamente, também de tudo se pode contemplar e ver que “não há nada além Dele” e que Ele é Um, como mencionado acima, e alcançar a anulação da própria existência, até que “tua vontade” seja anulada, etc.
Assim como um casal de pombas se contempla mutuamente, Israel pode olhar para tudo e ver que nada existe além de D'us e que Ele é Um, até que sua própria vontade seja posta de lado.
וזהו עיניך יונים כי הנה היונים הם זכר ונקבה שמסתכלים תמיד זה בזה ומתענגים בראייתם זה את זה כך כנ״י היא בבחי׳ לאסתכלא ביקרא דמלכא353637 ומכל דבר יוכלו לראות ולהסתכל שאין עוד מלבדו.
E este é [o significado de] “teus olhos são pombas”: pois as pombas são macho e fêmea, que se contemplam constantemente e se deleitam ao ver um ao outro; assim, a Comunidade de Israel está no nível de “contemplar a glória do Rei” e, de tudo, pode ver e contemplar que não há ninguém além Dele.
As pombas contemplam-se constantemente e se deleitam nisso; assim, a Comunidade de Israel “contempla a glória do Rei”, expressão do Zohar também usada no Tanya, e vê a unicidade de D'us em todas as coisas.
O primeiro “belo” (“faremos”) é a beleza do serviço próprio de Israel; o segundo (“ouviremos”) é superior: a beleza que D'us atrai de Seus próprios atributos. “Teus olhos são pombas” descreve Israel contemplando a glória de D'us em tudo, assim como as pombas se contemplam mutuamente.
Outra transcrição deste discurso, citada na nota da Kehot a partir de Or HaTorah, interpreta naassê como “faremos para nós” a beleza e o esplendor, servindo a D'us com as três cores, de baixo para cima. Sefer HaMaamarim 5564 acrescenta que o versículo termina com “teus olhos são pombas” para explicar por que o rosto supernal resplandece em virtude do rosto da Comunidade de Israel abaixo, embora não haja comparação entre criatura e Criador.
Marei mekomot
- 1והנה זה הוא היפה הראשון הוא בחי׳ נעשה · באוה״ת שה״ש כרך ג ע׳ תתקו (הנחה אחרת מהמאמר): ”וז״ש שהנך יפה הלזו הראשון הוא מאמר נעשה שאמרו ישראל בקבלת התורה פי׳ נעשה לנו אנחנו בעצמינו היופי והת״ת ע״י העבודה שיעבדו את ה׳ בג׳ גוונין הנ״ל שבא מלמטה למעלה שמפארי׳ הם בעצמן א״ע כנ״ל”.
- 2ולבטל רצונך מפני רצונו · אבות ב, ד.
- 3ולבטל רצונך מפני רצונו · Pirkei Avot 2:4
- 4אבל יפה השני · ראה אוה״ת שה״ש כרך ב ע׳ תריג שמציין לכאן ע״ש בארוכה.
- 5הבא לטהר מסייעין לו · Shabbat 104a:5
- 6ישראל אשר בך אתפאר · Isaiah 49:3
- 7כי שרית עם אלקים · Genesis 32:29
- 8כחתן יכהן פאר · Isaiah 61:10
- 9לך ה׳ הגדולה והגבורה · I Chronicles 29:11
- 10ע״פ ועשו להם ציצית · בסידור שער הציצית.
- 11ועשו להם ציצית · Numbers 15:38
- 12סד״ה בהעלותך את הנרות · לעיל פ׳ בהעלותך ל, ד.
- 13שיורד ע״פ מדותיו · Psalms 133:2
- 14סד״ה אני ישנה · לקמן לה, א.
- 15אני ישנה · Song of Songs 5:2
- 16בד״ה כי תצא · לעיל פ׳ תצא לו, א.
- 17ורחל היתה יפ״ת ויפת מראה · Genesis 29:17
- 18בד״ה אם לא תדעי לך · תו״א כג, ב.
- 19אם לא תדעי לך · Song of Songs 1:8
- 20בד״ה כה תברכו · לעיל פ׳ נשא כו, ד.
- 21יאר ה׳ פניו אליך · Numbers 6:25
- 22ובביאור ע״פ אלה מסעי · לעיל פ׳ מסעי.
- 23אלה מסעי · Numbers 33:1
- 24תתן אמת ליעקב · Micah 7:20
- 25ועמ״ש ע״פ מה יפית ומה נעמת · אוה״ת שה״ש כרך ב ע׳ תריג. וראה אגה״ק סי׳ יח.
- 26מה יפית ומה נעמת אהבה בתענוגים · Song of Songs 7:7
- 27בביאור ע״פ יונתי · לקמן כ, ד.
- 28ומראך נאוה · Song of Songs 2:14
- 29עיניך יונים · Song of Songs 4:1
- 30והנה מ״ש עיניך יונים הוא עד״מ · בסה״מ תקס״ד ע׳ קלז הוא באריכות יותר: ”וזהו שמסיים עינייך יונים, פי׳ בא ליתן טעם על סיבת ההשתל׳ דהארת פנים עליונים מפני הארת פנים תחתונים דכנס״י אע״פ שאין ערוך כלל בין נברא לבורא כו׳, לפי שעיניך יונים, וביאור ענין זה יובן עד״מ”.
- 31עד״מ כמו זוג יונים · ראה גם תו״א מז, ג.
- 32הקב״ה נמשל לחתן · Taanit 26b
- 33וכמו יונים שמסתכלים . . שאין עוד מלבדו · מובא באוה״ת שה״ש כרך א ע׳ שלז. וראה שם מה שכתב בשם כ״ק אדה״א.
- 34אין עוד מלבדו · Deuteronomy 4:35
- 35לאסתכלא ביקרא דמלכא · עסש״ב (רפ״ט). ובזח״א (לח, ב. קצט, א). [כ].
- 36לאסתכלא ביקרא דמלכא · Zohar, Bereshit 51:6–54:17
- 37לאסתכלא ביקרא דמלכא · Zohar, Miketz 8:127–9:138
Olho a olho; vida na fome ¶11–12
11והנה כתיב כי עין בעין יראו.1 פי׳ עין הראשון הוא ההסתכלות מלמטה למעלה והב׳ הוא השפעה מלמעלה לראות עין בעין כדרך שבא לראות2 כך בא ליראות וזהו עין ה׳ אל יראיו3 למיחלים לחסדו כו׳
Ora, está escrito: “Pois olho a olho verão.” Isto é: o primeiro “olho” é o olhar de baixo para cima, e o segundo é a influência concedida do Alto, para que vejam olho a olho: “assim como alguém vem para ver, também vem para ser visto”. E este é [o sentido de] “O olho de D'us está voltado para os que O temem, para os que esperam por Sua bondade, etc.”,
“Olho a olho verão”, de Isaías, descreve dois olhos: o olhar de Israel para o Alto e o olhar de D'us, Sua influência concedida, para baixo. A regra talmúdica de que aquele que vem ao Templo “para ver” também vem “para ser visto” expressa esse olhar mútuo; assim também: “O olho de D'us está voltado para os que O temem, para os que esperam por Sua bondade.”
ועי״ז להציל ממות נפשם4 דהנה כתיב רגליה יורדות מות5 שלפעמים יורד השפע של בחינת ממכ״ע להיכלות הקליפות וכמ״ש ראה נתתי לפניך היום את החיים6 ואת הטוב ואת המות ואת הרע ובחרת בחיים7 כו׳ וכמ״ש במ״א
e, por meio disso, “para salvar a alma deles da morte”. Pois está escrito: “Seus pés descem à morte”: às vezes, o fluxo do nível da luz que preenche todos os mundos (memalê kol almin) desce aos palácios das kelipot (cascas), como está escrito: “Vê, coloquei hoje diante de ti a vida e o bem, e a morte e o mal; escolhe a vida, etc.”, e como está escrito em outro lugar.
O versículo seguinte diz que isso salva “a alma deles da morte”. O fluxo divino de memalê kol almin, a luz que dá vida a cada mundo, pode às vezes descer ao domínio das kelipot, as forças que ocultam a Divindade, como diz Provérbios: “Seus pés descem à morte”; a escolha da Torá entre a vida e a morte refere-se a isso.
אבל על ידי המיחלים לחסדו אזי יציל ממות נפשם נפשם הוא בחי׳ ממכ״ע שלא יהיו רגליה יורדות
Mas, por meio dos “que esperam por Sua bondade”, Ele então salva “a alma deles da morte”: “a alma deles” é o nível da luz que preenche todos os mundos, para que “seus pés” não “desçam”.
Por meio daqueles que esperam por Sua bondade, D'us salva “a alma deles”, que o texto identifica com a luz que preenche todos os mundos, de descer às kelipot.
וכמ״ש רחצתי את רגלי8 ועמ״ש ע״פ והארץ הדום רגלי9 ולהחיותם ברעב10 דהנה כתיב כי לא על הלחם לבדו11 יחיה האדם וגו׳ לחם היינו בחינת התורה.
Como está escrito: “Lavei meus pés”; e veja o que está escrito sobre o versículo “E a terra é o estrado dos Meus pés”. “E para mantê-los vivos na fome”: pois está escrito: “Pois o homem não vive somente de pão, etc.”; “pão” é o nível da Torá.
“Lavei meus pés” fala de pés que não voltarão a se sujar. O versículo prossegue: “e para mantê-los vivos na fome”; a Torá diz que o homem não vive somente de pão, e “pão”, aqui, é a Torá.
“Olho a olho”, de Isaías, é o olhar mútuo de Israel e D'us. O olho de D'us voltado para aqueles que esperam por Sua bondade impede que a força vital divina “desça” às kelipot e lhes dá vida mesmo “na fome”.
A nota da Kehot observa que o versículo dos Salmos traz ulechayosam, “e para mantê-los vivos”, sem o hei adicional de ulehachayosam, a forma como é citado em muitos lugares na Chassidut.
Marei mekomot
- 1כי עין בעין יראו · Isaiah 52:8
- 2כדרך שבא לראות · Chagigah 4b:5
- 3עין ה׳ אל יראיו · Psalms 33:18
- 4להציל ממות נפשם · Psalms 33:19
- 5רגלי׳ יורדות מות · Proverbs 5:5
- 6ראה נתתי לפניך היום את החיים · Deuteronomy 30:15
- 7ובחרת בחיים · Deuteronomy 30:19
- 8רחצתי את רגלי · Song of Songs 5:3
- 9והארץ הדום רגלי · Isaiah 66:1
- 10ולהחיותם ברעב · תילים (לג, יט), שם אי׳ ולחיותם בלא ה׳. [כ]. כ״ה בכ״מ בדא״ח.
- 11כי לא על הלחם לבדו · Deuteronomy 8:3
12וזהו ענין הנך יפה בנעשה ולא זה בלבד הוא החיות כי על כל מוצא פי ה׳ הוא בחי׳ ההשפעה שנמשך מלמעלה
E este é o significado de “Eis que és bela” até “faremos”. Mas isso, por si só, não é a força vital; antes, “por tudo o que sai da boca de D'us”: este é o nível da influência que é atraída do Alto,
O primeiro “bela”, “faremos”, dá vida como o pão: a Torá que estudamos. Mas a vida também vem “por tudo o que sai da boca de D'us”, a influência do Alto, que é o segundo “bela”, “ouviremos”.
דהיינו הנך יפה בנשמע ע״ד השמע לאזניך מה שאתה מוציא מפיך1 ואזי נק׳ התורה מוצא פי ה׳ ודברי אשר שמתי בפיך2 תען לשוני אמרתך3 וכמ״ש במ״א סד״ה
isto é, “Eis que és bela” até “ouviremos”, à maneira de “Faze teus ouvidos ouvirem aquilo que tua boca pronuncia”. Então a Torá é chamada “o que sai da boca de D'us” e “Minhas palavras que coloquei em tua boca”; “Minha língua responderá à Tua palavra”. E, conforme está escrito em outro lugar, no final do discurso que começa
O Talmud pede a quem recita o Shemá que “faça seus ouvidos ouvirem aquilo que sua boca pronuncia”. Assim também é com a Torá: quando a pronunciamos, ela é “o que sai da boca de D'us”, Suas palavras colocadas em nossa boca, e nossa língua apenas “responde” à Sua palavra.
להבין מ״ש ביום4 השע״צ וזהו לחיותם ברעב5 שהחיות שלהם הוא מבחי׳ הרעב6 גופא מה שהם רעבים וצמאים אליו ית׳ וז הו רעבים גם צמאים7 נפשם בהם תתעטף פי׳ נפשם מבואר למעלה.
“Para entender o que está escrito: ‘No oitavo dia, uma assembleia (atzeret).’” E este é [o significado de] “para mantê-los vivos na fome”: a força vital deles vem do próprio nível da fome, do fato de estarem famintos e sedentos por Ele, bendito seja. E este é [o significado de] “Também famintos e sedentos, sua alma desfalece dentro deles”. O significado de “sua alma” é explicado acima.
Depois de mencionar o discurso sobre Shemini Atzeret, o texto interpreta literalmente “para mantê-los vivos na fome”: a própria fome e sede por D'us é o que lhes dá vida. Esta é a alma que “desfalece” dentro deles, conforme diz Salmos 107.
“Desfalece dentro deles” é como está escrito: “Nossa alma espera por D'us”. E este é [o significado de] “Ele te afligiu e te fez passar fome, e te alimentou com o maná, etc.”, “pois por tudo o que sai, etc.”
Esse desfalecimento é anseio, como em “nossa alma espera por D'us”. Assim, no deserto, D'us primeiro fez Israel passar fome e depois o alimentou com o maná, para ensinar que o homem vive “por tudo o que sai da boca de D'us”.
ועמ״ש סד״ה ויאכילך את המן11 ועוד אפשר לומר בענין להחיותם ברעב שזהו ענין יוהכ״פ שנאמר בו ועניתם את נפשותיכם12 כי הוא למעלה מבחי׳ אכילה כו׳
E veja o que está escrito no final do discurso que começa “E te alimentou com o maná”. Também é possível dizer, a respeito de “para mantê-los vivos na fome”, que isso se refere a Yom Kipur, sobre o qual está dito: “E afligireis vossas almas”, pois ele está acima do nível da alimentação, etc.
Outra interpretação: “vivos na fome” refere-se a Yom Kipur, o jejum descrito como “afligireis vossas almas”, que está acima do nível da alimentação.
כי אכילה הוא מה שמתברר המאכל ונהפך לדם ונכלל בבחינת חיצוניות הלב כמו שכל הקרבנות היו רק על מזבח החיצון
Pois a alimentação consiste em o alimento ser refinado e transformado em sangue, sendo incluído no nível da dimensão exterior (chitsoniyut) do coração, assim como todos os sacrifícios eram oferecidos somente no altar exterior.
A alimentação funciona por meio do refinamento: o alimento se transforma em sangue e se incorpora à dimensão exterior do coração. Do mesmo modo, todos os sacrifícios eram oferecidos no altar exterior.
אבל פנימיות הלב הוא למעלה מבחינת אכילה וכמ״ש בד״ה ביום השמיני שלח.1314 וע״ז נאמר ולהחיותם ברעב כו׳ כנ״ל והיינו ע״י עין ה׳ אל יראיו כו׳:15
Mas a dimensão interior (pnimiyut) do coração está acima do nível da alimentação, conforme está escrito no discurso que começa “No oitavo dia, ele despediu”. E sobre isso está dito: “e para mantê-los vivos na fome, etc.”, como mencionado acima; e isso se dá por meio de “o olho de D'us está voltado para os que O temem, etc.”
A dimensão interior do coração está acima da alimentação, como explica o discurso sobre “No oitavo dia, ele despediu”, e recebe vida da própria fome. Essa vida vem por meio de “o olho de D'us está voltado para os que O temem”.
O primeiro “bela” (“faremos”) é a vida proveniente do “pão”, a Torá; o segundo (“ouviremos”) é a vida proveniente do que sai da boca de D'us. A vida mais profunda é a própria fome e sede da alma por D'us, como em Yom Kipur, que está acima da alimentação e alcança o coração interior.
A nota de Kehot cita outra transcrição (Sefer HaMaamarim 5564): nos dias de Mashiach, a vida deles não virá de modo algum do alimento, mas da própria fome, pois, no fato de estarem famintos e sedentos pelo D'us vivo, estará o fluxo da vida de sua alma; assim como Moshe, na montanha, durante quarenta dias, “não comeu pão”, mas seu corpo viveu do alimento do Alto.
Marei mekomot
- 1השמע לאזניך מה שאתה מוציא מפיך · Berakhot 13a:28–30
- 2ודברי אשר שמתי בפיך · Isaiah 59:21
- 3תען לשוני אמרתך · Psalms 119:172
- 4סד״ה להבין מ״ש ביום השמע״צ · לעיל סוכות פא, ד.
- 5לחיותם ברעב · Psalms 33:19
- 6וזהו לחיותם ברעב שהחיות שלהם הוא מבחי׳ הרעב · ראה ס׳ מאמרי אדה״א במדבר ח״א ע׳ רס. לקו״ש חכ״ט ע׳ 313 וע׳ 332 ובהערות לשם מציין ”וראה תו״א ר״פ לך”.
- 7רעבים גם צמאים · Psalms 107:5
- 8נפשנו חכתה לה׳ · Psalms 33:20
- 9ויענך וירעיבך ויאכילך · Deuteronomy 8:3
- 10כי על כל מוצא · Deuteronomy 8:3
- 11סד״ה ויאכילך את המן · לעיל פ׳ עקב טז, א.
- 12ועניתם את נפשותיכם · Leviticus 23:32
- 13בד״ה ביום השמיני שלח · לעיל שמע״צ פו, ד.
- 14ביום השמיני שלח · I Kings 8:66
- 15בסה״מ תקס״ד ע׳ קלח · ”ולהחיותם ברעב פי׳ לא יהי׳ חיותם ממזון ומאכל כלל בימות המשיח אלא יהי׳ חיותם מן הרעב גופא, כי במה שהיו רעבים וצמאים לאל חי בזאת יהי׳ שפע חיות נפשם, דהיינו ע״ד שהי׳ משה בהר מ׳ יום לחם לא אכל כו׳ ואעפי״כ הי׳ גופו חי וקיים ממזונא דלעילא כו׳ והענין הוא כמ״ש”. רעבים גם צמאים. וראה אוה״ת שה״ש כרך ג ע׳ תתקיב.
Terminou o maamar?
Marque-o como estudado; ele conta para a semana e para o siyum do ano.
Na avodá
Contemplar a grandeza de D'us até que nasça na mente uma vontade por Ele, e deixá-la descer ao coração, desejando nada além Dele; esse amor é a maneira pela qual um judeu “sustenta” D'us. Rezar com as três qualidades — amor, temor e compaixão pela própria alma em sua descida —, pois uma só, isoladamente, não é bela. Deixar de lado a própria vontade em favor da Dele, olhar para tudo e ver que não há ninguém além Dele, e sentir fome e sede de D'us.
Perguntas para conversar
- Como a mesma palavra, ra’yasi, pode significar tanto “minha sustentadora” quanto “minha amiga”, e por que o maamar diz que os dois sentidos concordam?
- Por que a vontade que nasce na mente precisa descer ao coração, e o que a comparação com uma tradução (Targum) acrescenta?
- Por que o amor sozinho, sem temor e compaixão, não é chamado de belo, e como Yaakov “redime” Avraham?
- Qual é a diferença entre a beleza de “faremos” e a beleza de “ouviremos”?
- Em que sentido a fome e a sede de D'us podem, elas próprias, ser uma fonte de vida?