Likkutei Torah · Parshas Shir HaShirim · Maamar 33
הנה ענין מדלג על ההרים הוא עד״מ שההפרש…
“Saltando sobre as Montanhas”
A ideia central
O estudo da Torá pode atrair o sovev, a luz que está além de todos os mundos e que só chega por meio de um “salto” através do espaço vazio do tsimtsum, para dentro do memalê, a luz que desce passo a passo pelos mundos. Isso só ocorre depois que a oração primeiro eleva a alma ao autossacrifício sem limites: “Uma só é ela, minha pomba”; e então: “A voz do meu amado! Eis que ele vem.”
O maamar em resumo
Um salto, ao contrário de uma caminhada, ergue ambos os pés do chão e deixa o espaço vazio sob eles. Assim, os mundos não poderiam ter vindo da Luz Infinita por uma cadeia de causa e efeito: era necessário haver um tsimtsum e um espaço vazio, e somente então o kav, atraído da Malchut da Luz Infinita. Isso é “saltar”; tudo desde Atsilut para baixo, mesmo através da parsa, é uma cadeia ordenada de descida. Essa cadeia é o memalê, a luz que preenche cada mundo segundo sua medida, e, por isso, os mundos podem mudar. O sovev, a essência da luz, não muda; diante dele, o alto e o baixo são iguais, e por isso D'us zela por cada detalhe, como Bilam não conseguiu compreender. O sovev brilha dentro do memalê por meio do estudo da Torá: a Mishná, a “rainha”, em Yetsirá; as Baraitot, as concubinas; as leis do Talmud, as “donzelas” de Beriá, onde Chochmá está oculta na escuridão. Mas isso só ocorre depois da oração: a alma que, por meio da contemplação e da força dos alimentos refinados, entrega-se “com toda a sua força” eleva-se a Biná; então, o estudo da Torá atrai o sovev para dentro do memalê.
Esquema
- Saltar e caminharUm salto deixa um espaço vazio entre os pés e o chão. Os mundos não poderiam ter vindo da Luz Infinita por causa e efeito; por isso, primeiro houve um tsimtsum e um espaço vazio, e depois o kav, atraído da Malchut da Luz Infinita: isso é “saltar”. Dentro dos mundos, mesmo através da parsa entre Atsilut e Beriá, a descida é uma cadeia ordenada, assim como a alma está revestida no corpo.¶1–3
- Memalê e sovevDesde Atsilut para baixo, a luz preenche cada mundo segundo sua medida, assim como o intelecto desce às emoções, à fala e até à escrita; portanto, os mundos mudam. O sovev, a essência da luz, não muda: diante dele, o alto e o baixo são iguais, e por isso D'us zela por cada detalhe, algo que o erro de Bilam negava. No Tempo Vindouro, o sovev será revelado, e o corpo viverá do esplendor da Shechiná.¶4–5
- Rainhas, concubinas e donzelasO sovev brilha dentro do memalê por meio do estudo da Torá. A Mishná, a “rainha”, corresponde aos atributos emocionais de Yetsirá, onde a revelação é constante e clara; as Baraitot, as concubinas, correspondem a Nétsach, Hod e Yessod, que são exteriores e tênues, e se multiplicam no exílio; as leis do Talmud Babilônico são as “donzelas” de Beriá, onde Chochmá está oculta: “Quem forma a luz e cria a escuridão”. Quando Malchut se eleva ao Rei, elas se elevam com ela.¶6–7
- Oração, o despertar de baixoAtraí-lo para baixo requer um despertar de baixo no Shemá e na oração. A contemplação durante Pesukei deZimra torna a alma achas, incluída em echad, e leva-a ao amor “com toda a sua força”, ao autossacrifício sem limites, natural à alma divina assim como o pé obedece à cabeça; a força dos alimentos permitidos refina centelhas das kelipot nogá, e até o intelecto do lado animal consente. Sem isso, “quem diz: ‘Não tenho senão a Torá’ não tem nem mesmo Torá”.¶8–10
- Elevar-se a Biná“Uma só é ela para sua mãe”: a alma se eleva a Biná, o nível do pensamento no qual as almas têm sua raiz, e toda a cadeia descendente se eleva com ela. “Pura é ela para aquela que a deu à luz”: os refinamentos, cuja raiz nos alimentos provém de Tohu, são completados. A oração primeiro eleva mayin nukvin, e então o estudo da Torá atrai o sovev para dentro do memalê: “A voz do meu amado! Eis que ele vem.”¶11
Conceitos-chave
- saltoדילוג
- A passagem da Luz Infinita para Atsilut, que não constitui uma cadeia contínua: primeiro a luz se retrai por completo, deixando um espaço vazio, e então um kav é atraído de sua Malchut, como um salto que deixa o ar sob os pés.
- a cadeia descendente dos mundos (hishtalshelut)השתלשלות
- Descida por causa e efeito, como os elos ligados de uma corrente. Ela rege tudo desde Atsilut para baixo, mesmo através da parsa entre Atsilut e Beriá, que é como a luz que brilha através de uma tela.
- memalê e sovevממלא כל עלמין / סובב כל עלמין
- Memalê é o brilho que preenche cada mundo segundo sua medida, de modo que os mundos podem mudar; sovev é a essência da luz, diante da qual o alto e o baixo são iguais. O estudo da Torá atrai o sovev para dentro do memalê.
- Mishná, Baraita e Talmudמשנה, ברייתא, תלמוד
- As “rainhas”, “concubinas” e “donzelas” do versículo: a Mishná em Yetsirá (Chessed, Guevurá e Tiféret), as Baraitot “fora do corpo” (Nétsach, Hod e Yessod) e as leis do Talmud Babilônico em Beriá, onde Chochmá está oculta.
- achas e echadאחת / אחד
- Achas, “uma” no feminino, é Nukvá, o lado receptivo, e a alma enquanto receptora; echad é Zeir Anpin. Por meio da oração, achas é incluída em echad.
- mayin nukvin e mayin duchrinמיין נוקבין / מיין דוכרין
- As “águas femininas” elevadas de baixo e as “águas masculinas” atraídas para baixo em resposta: “nenhuma gota desce do alto sem que duas gotas subam de baixo”.
- autossacrifício (mesirut nefesh)מסירות נפש
- Amor “com toda a sua força”, sem limites, natural à alma divina como parcela de D'us. É isso que permite ao estudo da Torá atrair o sovev para baixo.
- refinamento das kelipot nogáבירור מקליפת נוגה
- As centelhas presentes nos alimentos permitidos, cuja raiz está no Mundo de Tohu, são refinadas e elevadas quando se ora com a força que o alimento proporcionou.
Saltar e caminhar ¶1–3
1הנה ענין מדלג על ההרים1 הוא עד״מ [על דרך משל] שההפרש בין הילוך לדילוג שמי שהוא הולך כדרכו הרי רגליו עומדות על הארץ ממש
Ora, o significado de “saltando sobre os montes” é, por meio de uma analogia, [o seguinte]: a diferença entre caminhar e saltar é que aquele que caminha como de costume mantém os pés apoiados diretamente no chão.
O maamar começa com uma expressão de Shir HaShirim 2:8, onde o amado vem “saltando sobre os montes, pulando sobre as colinas”. Para explicar o que significa “saltar”, o Alter Rebe primeiro compara caminhar e saltar: quem caminha mantém os pés no próprio chão.
ואף בשעה שהוא הולך הוא מגביה רק רגלו אחת אבל רגלו השנית עומדת על הארץ
Mesmo enquanto caminha, ele ergue apenas um pé, enquanto o outro permanece apoiado no chão.
Ao caminhar, ergue-se apenas um pé de cada vez, enquanto o outro permanece firme no chão. Não há nenhum instante em que quem caminha esteja completamente fora do chão.
ואף מי שהוא רץ במרוצה היינו רק שהוא מגיה רגלו במהירות גדול אבל מ״מ [מכל מקום] רגל אחת ימין או שמאל עומדת על הארץ ורגלו השני׳ [השניה] באויר
E mesmo quem corre velozmente, isto é, apenas ergue o pé com grande rapidez, ainda assim tem um pé — direito ou esquerdo — apoiado no chão, enquanto o outro está no ar.
Correr é mais rápido, mas não difere em natureza: por mais rápidos que sejam os passos, um dos pés, direito ou esquerdo, está sempre tocando o chão, enquanto o outro está no ar. (A forma impressa מגיה é evidentemente um erro tipográfico por מגביה, “ergue”, a palavra usada na parte anterior.)
אבל הדילוג הוא שמגביה כל גופו ושני רגליו מן הארץ ונעשה חלל ומקום פנוי ואויר בין רגליו לארץ עד שאח״כ [שאחר כך] עומדות רגליו על הארץ.2
Mas saltar é quando a pessoa ergue todo o corpo e ambos os pés do chão, formando-se um vazio, um espaço vazio e ar entre os pés e o chão, até que, depois, os pés voltem a se apoiar no chão.
Saltar é diferente em natureza: todo o corpo e ambos os pés deixam o chão, de modo que, por um instante, há um intervalo — um espaço vazio de ar — entre os pés e o chão; somente depois os pés aterrissam. É nesse intervalo que a analogia se apoiará.
O Alter Rebe estabelece uma analogia física para a palavra “saltar”: ao caminhar e até ao correr há sempre contato com o chão, ao passo que, num salto, todo o corpo deixa o chão e se abre um espaço vazio antes de os pés voltarem a pousar.
As expressões usadas para designar o intervalo, “um vazio e um espaço vazio” (chalal e makom panui), são precisamente os termos empregados para o espaço deixado pelo tsimtsum (contração). O parágrafo seguinte aplica a analogia exatamente nesses termos.
Marei mekomot
- 1הנה ענין מדלג על ההרים · המאמר כאן כנראה שזהו הנחת הר״פ כמו שנדפס שם ע׳ קסח, עם שינויים קלים. הנחת כ״ק אדה״א בסה״מ תק״ע ע׳ יב. וראה ביהל אור ע׳ קצ שמציין לד״ה זה הנחת הר״פ ומוסיף: ”שכ׳ אות באות משמו”. בהנחות הר״פ ע׳ קעג נמצא אחר מאמר זה ד״ה ולתוס׳ ביאור ענין מקרא משנה ותלמוד, ובאוה״ת שה״ש כרך ג ע׳ תתקסט מציין ”ושייך לד״ה ששים המה מלכות בלקו״ת בשה״ש דרוש השני”. באוה״ת וארא ע׳ קמח מציין למאמר זה ”בביאור ע״פ ששים המה מלכות בד״ה הנה ענין מדלג על ההרים” וכ״ה בכ״מ. וכ״ה באוה״ת שה״ש כרך ג ע׳ תתקסה ”לביאור דששים המה כו׳ בד״ה לבאר ענין מדלג” ושם הגהות. בסיום ד״ה וישמע יתרו תרמ״ז ע׳ פ׳ מציין כ״ק אדמו״ר מוהרש״ב שהמאמר מיוסד על ד״ה זה. ראה להלן בהוספות להערות וציונים השוואה לד״ה זה. ראה אוה״ת ענינים ע׳ רפה ואילך. הגהות לד״ה פתח אליהו תרנ״ח ע׳ נו (שם הוא על הנדפס באוה״ת שה״ש כרך ג ע׳ תתקסה) סה״מ תרס״ו ע׳ קפד ואילך. המשך תער״ב ח״א ע׳ כו ואילך.
- 2
2ועד״ז [ועל דרך זה] יובן הנמשל ענין מדלג כי הנה כדי שיהיה התהוות עולמות אבי״ע [אצילות בריאה יצירה עשיה] מאור א״ס [אין סוף] ב״ה לא היה יכול להיות על ידי השתלשלות עילה ועלול
Da mesma forma, compreenderemos o correspondente na analogia: o sentido de “saltar”. Pois eis que, para que os mundos de Atsilut, Beriá, Yetsirá e Assiá viessem a existir a partir da Luz Infinita (Or Ein Sof), bendito seja Ele, isso não poderia ocorrer por meio de uma cadeia descendente de causa e efeito (hishtalshelut),
Agora o Alter Rebe aplica a analogia ao que ela ilustra (o nimshal): o surgimento dos quatro mundos. Ele começa com o problema: os mundos não poderiam provir da Luz Infinita por uma cadeia gradual de causa e efeito, na qual cada nível desce do nível acima.
כי מאחר שהוא א״ס [אין סוף] איך יכול להתהוות מזה עולם ע״י השתלשלות שהרי העלול יש לו ערך לעילתו משא״כ העולמות לגבי א״ס [אין סוף] ב״ה
pois, sendo infinito (Ein Sof), como poderia um mundo vir a existir a partir d’Ele por meio de hishtalshelut? Afinal, um efeito tem relação com sua causa, o que não ocorre com os mundos em relação ao Infinito, bendito seja Ele.
Em qualquer cadeia de causa e efeito, o efeito guarda alguma relação e proporção com sua causa. Os mundos finitos não têm relação alguma com o Infinito; portanto, nenhuma cadeia gradual poderia jamais conduzir d’Ele a um mundo.
ולכן היה צ״ל [צריך להיות / צריך לומר / צריך להבין] צמצום ומקום פנוי1 כמבואר בתחלת ספר ע״ח [עץ חיים]2 דהיינו שמתחלה צמצם אורו לגמרי שנסתלק ונכלל האור במקורו במאור ונעשה חלל ומקום פנוי ואח״כ [ואחר כך] נתגלה קו וחוט והארת הקו הוא ממלכות דאור א״ס [אין סוף] ב״ה
Por isso, foi necessário haver um tsimtsum (contração) e um espaço vazio, conforme explicado no início do livro Etz Chaim. Isto é: primeiro, Ele contraiu completamente Sua luz, de modo que ela se retirou e foi incluída em sua fonte, no Luminar, e surgiu um vazio, um espaço vazio; depois, foram revelados um kav e um chut (linha e fio). E o brilho do kav provém da Malchut (soberania) da Luz Infinita, bendito seja Ele,
A resposta é o tsimtsum ensinado no início de Etz Chaim: primeiro, D'us retirou inteiramente Sua luz, de modo que ela foi absorvida de volta em sua fonte, o Luminar, deixando um vazio; somente então uma linha delgada de luz foi revelada nele, o kav, também chamado chut, “fio”. Essa linha provém da Malchut da Luz Infinita, seu aspecto último e mais baixo.
ולא מעצם אור א״ס [אין סוף] ב״ה דאם היה הגילוי מעצמותו ית׳ הי׳ [היה] חוזר לקדמותו בלי שום עלמין וז״ש [וזהו שכתוב] מלכותך מלכות3 כל עולמים שמבחי׳ מלכותך4 הי׳ [היה] התהוות כל העלמין ע״י קו״ח [קו וחוט] (וענין מלכות דאור א״ס [אין סוף] עיין בע״ח [בעץ חיים])
e não da essência da Luz Infinita, bendito seja Ele; pois, se a revelação viesse de Sua essência, bendito seja Ele, tudo retornaria ao estado anterior, sem mundo algum. E isto é [o sentido de] o que está escrito: “Teu reinado é o reinado de todos os mundos”: do nível de “Teu reinado” veio a existir o conjunto de todos os mundos, por meio do kav e do chut. (E, a respeito da Malchut da Luz Infinita, veja Etz Chaim)
O kav não pode provir da essência da Luz Infinita, pois uma revelação da essência faria tudo retornar ao estado anterior à criação, sem mundo algum. Assim, o versículo “Teu reinado é o reinado de todos os mundos” (Salmos 145:13) é interpretado como dizendo que todos os mundos vêm a existir a partir do “reinado” de D'us, Sua Malchut, por meio do kav; em seguida, o texto remete a Etz Chaim para explicar o que significa “a Malchut da Luz Infinita”.
(שמ״א פ״ג [פרק ג׳]) וז״ל [וזה לשונו] וכאילו נאמר דרך משל שהוא בחינת מלכות שבמלכות ואע״פ [ואף על פי] שאין כן כי אין שם דמות וספירה ח״ו [חס ושלום] רק לשכך האוזן נדבר כך5 עכ״ל [עד כאן לשונו]:
(Sha’ar 41, capítulo 3); estas são suas palavras: “É como se disséssemos, por meio de uma analogia, que se trata do nível da Malchut dentro da Malchut. E, embora não seja assim, pois ali não há imagem nem sefirá, D'us não o permita; falamos dessa maneira apenas para aquietar o ouvido.” Fim da citação.
Etz Chaim é citado para qualificar a expressão: falar da “Malchut dentro da Malchut” do Infinito é apenas uma analogia, pois não há imagem nem sefirá alguma no Infinito. Essa linguagem é usada apenas “para aquietar o ouvido”, isto é, para oferecer ao ouvinte algo que possa compreender.
Os mundos não poderiam provir do Infinito por uma cadeia gradual, pois o finito não tem relação com o Infinito. Por isso, primeiro foi necessário haver um tsimtsum, uma retirada completa que deixou um vazio; somente então surgiu um kav extraído da Malchut da Luz Infinita, e não de sua essência: esse é o padrão do salto.
Etz Chaim insiste que um nome de sefirá como Malchut é emprestado quando aplicado à Luz Infinita, e o Alter Rebe o cita para que “a Malchut da Luz Infinita” não seja entendida literalmente. Outra transcrição deste discurso acrescenta aqui que nenhum nome de sefirá se aplica à essência de D'us e que, mesmo em relação à Luz Infinita, só pode ser usado sem número.
Marei mekomot
- 1צמצום ומקום פנוי · Sefer Etz Chaim 1:3–4
- 2בתחלת ספר ע״ח · ראה לעיל הוספות לויקרא נא, ב.
- 3
- 4שמבחי׳ מלכותך הי׳ התהוות כל העלמין ע״י קו״ח · בהנחת הר״פ ע׳ קסט יש כאן הוספה: ”וכל שם ספירה לא שייך לקרא בעצמותו ומהותו רק בבחי׳ אוא״ס שם שייך לקרא בשם ספירה אבל לא בבחי׳ ע״ס, כי גם בבחי׳ אור א״ס ב״ה אין מספר ואף בעקודים היה הכל עקוד בכלי אחד רק אח״ז יחשב לעשר ספירות בעולם נקודים זת״ז, אבל באור א״ס ב״ה לא יש מספר לספי׳ רק כי באוא״ס ב״ה שייך לקרא בשם ספירה, וקודם שנברא העולם היה הוא ושמו בלבד, אבל בעצמותו ומהותו לא שייך שם ספי׳ כלל”. על קטע זה מהנחת הר״פ מיוסד ההגהות באוה״ת שה״ש כרך ג ע׳ תתקסה, ומובא כמה פעמים בדא״ח.
- 5וכאילו נאמר דרך משל שהוא בחינת מלכות שבמלכות ואע״פ שאין כן כי אין שם דמות וספירה ח״ו רק לשכך האוזן נדבר כך · Sefer Etz Chaim 42:3
3ועל זה נאמר קול דודי כו׳ מדלג1 כי הנה אורייתא מחכמה נפקת וההתגלות וההמשכה מאור א״ס [אין סוף] ב״ה לבחי׳ חכמה בא בבחי׳ דילוג2 דוקא
E sobre isso se diz: “A voz do meu amado”, etc., “saltando”. Pois eis que “a Torá emanou de Chochmá (sabedoria)”, e a revelação e a extensão da Luz Infinita (Or Ein Sof), bendito seja Ele, ao nível de Chochmá ocorrem especificamente por meio de um salto,
O versículo “A voz do meu amado… saltando” é agora aplicado a esse salto. A Torá tem sua origem em Chochmá, e a revelação da Luz Infinita em Chochmá, o primeiro nível revelado, ocorre especificamente por meio de um salto.
שהרי צריך להיות מקודם חלל ומקום פנוי ואח״כ [ואחר כך] נמשך הקו ה״ז [הרי זה] בחי׳ דילוג כמשל הדולג שקודם נעשה חלל ומקום פנוי ואויר בין רגליו לארץ (ועמ״ש סד״ה קול דודי3 גבי מדלג ומקפץ)
pois primeiro deve haver um vazio e um espaço vazio, e depois o kav é estendido. Esse é o nível do salto, como na analogia de alguém que salta: primeiro forma-se um vazio, um espaço vazio e ar entre seus pés e o chão (e veja o que está escrito ao final do discurso que começa com “A voz do meu amado”, a respeito de “saltando” e “pulando”),
Um salto significa que primeiro há um vazio e somente depois o kav é estendido para dentro dele, assim como quem salta primeiro deixa um espaço de ar entre os pés e o chão. O parêntese remete ao final do discurso “A voz do meu amado”, anteriormente em Likkutei Torah sobre Shir HaShirim, a respeito das palavras “saltando” e “pulando”.
ואח״כ [ואחר כך] יעמדו רגליו על הארץ משא״כ בהילוך וכך הוא למעלה שההמשכה מא״ס [מאין סוף] ב״ה לחכמה נמשך שלא ע״י דרך וסדר ההשתלשלות
e depois seus pés ficam sobre o chão; isso não ocorre ao caminhar. Assim também é no Alto: a extensão do Infinito (Ein Sof), bendito seja Ele, a Chochmá não se estende pelo caminho e pela ordem da cadeia descendente dos mundos (hishtalshelut).
Depois do intervalo, quem salta aterrissa; ao caminhar, em contrapartida, o contato com o chão nunca se interrompe. Assim também é no Alto: a luz que chega a Chochmá vinda do Infinito não passa pela cadeia ordenada, etapa por etapa, dos mundos.
כי לשון ההשתלשלות הוא כמו שלשלת4 אשר טבעת זה אחוז ואדוק בזה בלי שום הפסק בינתיים משא״כ בהתגלות הנ״ל והתהוות העולמות מא״ס [מאין סוף] ב״ה היה
Pois o termo hishtalshelut é como uma corrente (shalshelet), na qual um elo está preso e ligado ao seguinte, sem qualquer interrupção entre eles. Já a revelação mencionada acima e a formação dos mundos a partir do Infinito, bendito seja Ele, tiveram
Hishtalshelut, o termo para essa cadeia descendente, deriva de shalshelet, “corrente”, cujos elos se ligam uns aos outros sem qualquer intervalo. A revelação em Chochmá e a formação dos mundos a partir do Infinito são diferentes, como explica a parte seguinte.
צריך להיות תחלה הסתלקות האור לגמרי והגבהתו למעלה ואח״כ [ואחר כך] בא ההתגלות לחכמה דרך קו וחוט זהו בחי׳ הדילוג וכ״ז [וכל זה] הוא בההמשכה מא״ס [מאין סוף] ב״ה לאצי׳ [לאצילות]
de ser precedidas pela retirada completa da luz e por sua elevação ao Alto; depois, a revelação chegou a Chochmá por meio do kav e do chut. Esse é o nível do salto. E tudo isso se dá na extensão do Infinito, bendito seja Ele, a Atsilut.
Aqui, a luz primeiro se retirou por completo e foi elevada para longe; somente depois uma revelação chegou a Chochmá através do kav: uma interrupção seguida de um novo começo, que é o significado de “salto”. O Alter Rebe limita isso a uma etapa: a extensão do Infinito a Atsilut.
אבל כל המשכות בעולמות אבי״ע [אצילות בריאה יצירה עשיה] אפילו מאצי׳ [מאצילות] לבי״ע [לבריאה יצירה עשיה] לא נק׳ בחי׳ דילוג כי הוא דרך השתלשלות5 והגם שבאצי׳ [שבאצילות] איהו וחיוהי וגרמוהי חד
Mas todas as extensões dentro dos mundos de Atsilut, Beriá, Yetsirá e Assiá, inclusive de Atsilut a Beriá, Yetsirá e Assiá, não são chamadas de nível de salto, pois ocorrem pela via da hishtalshelut. E embora em Atsilut “Ele e Suas forças vitais e Seus recipientes sejam um”,
Dentro dos quatro mundos, mesmo de Atsilut para Beriá, Yetsirá e Assiá, a descida não é um salto, mas uma cadeia. Em seguida, ele apresenta uma dificuldade baseada na conhecida expressão de que em Atsilut “Ele e Suas forças vitais e Seus recipientes são um”.
היינו עצמותו והאור והכלים הכל אחד וא״כ [ואם כן] איך יכול להיות מזה השתלשלות עולמות בי״ע [בריאה יצירה עשיה] שהם בעלי גבול מ״מ [מכל מקום] בכלים דאצי׳ [דאצילות] גם כן שייך בחינת גבול
isto é, Sua essência, a luz e os recipientes são todos um; sendo assim, como pode surgir disso uma cadeia descendente dos mundos de Beriá, Yetsirá e Assiá, que são limitados? Ainda assim, também nos recipientes de Atsilut existe o aspecto da limitação.
Se a essência de D'us, a luz e os recipientes de Atsilut são todos um, como podem mundos limitados descender de Atsilut elo após elo? A resposta é que os recipientes de Atsilut já possuem um aspecto de limitação, de modo que deles pode decorrer um mundo finito.
ולכן שלשים כלים דזו״נ [דזעיר אנפין ונוקבא]6 מתלבשים בבי״ע [בבריאה יצירה עשיה] ממש ונעשים נשמה להן (וכמשל הנשמה שמתאחדת עם הגוף וכשיש מכאוב ברגל מרגשת הנשמה אף שהגוף גשמי והנשמה רוחנית כך ע״ס [עשר ספירות] דבי״ע [דבריאה יצירה עשיה] הם גופים וכלים לכלים דאצי׳ [דאצילות] שנעשים נשמה להן)
Por isso, trinta recipientes de Zeir Anpin e Nukvá estão efetivamente revestidos em Beriá, Yetsirá e Assiá e tornam-se uma alma para eles. (Como na analogia da alma, que se une ao corpo: quando há dor no pé, a alma a sente, embora o corpo seja físico e a alma, espiritual. Assim, as Dez Sefirot de Beriá, Yetsirá e Assiá são corpos e recipientes para os recipientes de Atsilut, que se tornam uma alma para eles.)
Portanto, trinta recipientes de Zeir Anpin e Nukvá de Atsilut estão eles próprios revestidos nos mundos inferiores e tornam-se sua alma. O parêntese compara isso à alma e ao corpo, que estão tão unidos que a alma sente a dor no pé, embora a alma seja espiritual e o corpo físico; assim, as Dez Sefirot dos mundos inferiores servem de corpos para os recipientes de Atsilut.
וכמו שדרך גילוי והתלבשות הנשמה בגוף הוא בדרך השתלשלות שבהראש מאיר יותר מן מה שמאיר בידים ובידים יותר מברגלים כך הוא סדר התלבשות למ״ד כלים דאצילות בבי״ע [בבריאה יצירה עשיה] שבבריאה מאיר גילוי בחי׳ עליונה יותר
E assim como a maneira pela qual a alma se revela e se reveste no corpo segue a cadeia descendente dos mundos (hishtalshelut) — pois na cabeça ela brilha mais do que nas mãos, e nas mãos mais do que nos pés —, assim também é a ordem em que os trinta recipientes de Atsilut se revestem em Beriá, Yetsirá e Assiá: em Beriá, brilha a revelação de um nível mais elevado,
Essa descida segue o padrão da alma no corpo, que é graduado: ela brilha mais na cabeça, menos nas mãos e ainda menos nos pés. Do mesmo modo graduado, os recipientes de Atsilut se revestem nos mundos inferiores, com um nível mais elevado revelado em Beriá do que nos mundos abaixo dela.
כמו עד״מ [על דרך משל] גילוי הנשמה במוחין שבראש כו׳ והגם שצריך להיות פרסא מפסקת בין אצילות לבריאה אעפ״כ [אף על פי כן] לגבי הצמצום ומקום פנוי שבין א״ס [אין סוף] ב״ה לאצילות
como, a título de analogia, a revelação da alma no intelecto (mochin) que está na cabeça, etc. E embora deva haver uma divisória (parsa) separando Atsilut de Beriá, ainda assim, em comparação com o tsimtsum e o espaço vazio que há entre o Infinito (Ein Sof), bendito seja Ele, e Atsilut,
Beriá é como o cérebro na cabeça, onde a alma se revela mais. O Alter Rebe acrescenta então uma ressalva: de fato, há uma divisória, a parsa, entre Atsilut e Beriá, mas ela não se compara ao tsimtsum e ao espaço vazio entre o Infinito e Atsilut.
שהוא הנקרא דלוג אין הפרסא נקרא בשם דילוג כלל רק בחינת השתלשלות שהפרסא הוא כמו אור המאיר דרך המסך
que é chamado de salto, a divisória não é chamada, de modo algum, de “salto”, mas apenas de um nível da cadeia descendente dos mundos; pois a divisória é como uma luz que brilha através de uma tela,
Em comparação com o tsimtsum, que é o “salto”, a parsa ainda faz parte da cadeia descendente dos mundos. Ela é como uma luz que brilha através de uma tela: a tela atenua a luz, mas não a interrompe.
וכמו שמתלבש השכל בלבוש המשל שאע״פ [שאף על פי] שהוא העלם והסתר מ״מ [מכל מקום] לא היה תחלה סילוק כל עצם האור
e como o intelecto se reveste no invólucro de uma analogia: embora isso constitua ocultação e encobrimento, ainda assim, não houve antes uma retirada de toda a essência da luz.
Uma segunda ilustração: quando uma ideia se reveste numa analogia, fica oculta dentro de um invólucro; ainda assim, a ideia não foi primeiro retirada. A ocultação é real, mas nada foi retirado de antemão.
כי אדרבה עצם האור נמשך ומאיר דרך המסך וכן עצם השכל מתלבש בהמשל כ״א [כי אם] שיש מחיצה ומסך כדי שיוכל המקבל לקבל
Ao contrário, a própria essência da luz é transmitida e brilha através da tela, e assim também a própria essência do intelecto se reveste na analogia; há apenas uma divisória e uma tela, para que o receptor possa receber.
Ao contrário, a própria luz atravessa a tela, e a própria ideia está presente na analogia. A tela ou divisória existe somente para que o receptor, que não conseguiria captar diretamente a luz ou a ideia, possa recebê-la.
אבל מאור א״ס [אין סוף] ב״ה המאציל לאצי׳ [לאצילות] צריך להיות תחלה הסתלקות כל האור למקורו והגילוי נמשך אחר כך
Mas, da Luz Infinita, bendito seja Ele, o Emanador, para Atsilut, deve haver primeiro uma retirada de toda a luz para sua fonte, e a revelação é transmitida depois,
Da Luz Infinita, o Emanador, para Atsilut, o processo é diferente por natureza: toda a luz deve primeiro retirar-se para sua fonte, e somente depois uma revelação é transmitida.
רק הארה דרך קו כנ״ל וזהו הנק׳ דלוג ונק׳ למעלה מסדר ההשתלשלות (ועמ״ש ע״ז [על זה] ג״כ בד״ה פתח אליהו):7
somente uma irradiação, por meio do kav (linha de luz), como mencionado acima. E isso é chamado de salto, e é chamado de acima da ordem da cadeia descendente dos mundos. (E veja também o que está escrito sobre isso no discurso que começa com “Eliyahu abriu”.)
O que é então transmitido é somente uma irradiação, por meio do kav, e isso é chamado de “salto”; também é chamado de “acima da ordem da cadeia descendente dos mundos”. O texto conclui remetendo ao discurso “Eliyahu abriu”, que trata do mesmo tema.
Aplicando o versículo à analogia, o Alter Rebe distingue dois tipos de descida. Do Infinito a Atsilut há um verdadeiro salto: uma retirada completa seguida de uma nova revelação por meio do kav. Dentro dos mundos, de Atsilut para baixo e até mesmo através da parsa, a descida é uma cadeia contínua, como a luz que atravessa uma tela ou uma ideia revestida numa analogia.
O que distingue a parsa do tsimtsum é se a luz primeiro se retira: uma tela ou uma analogia oculta aquilo que passa por ela, enquanto o tsimtsum primeiro remove completamente a luz, de modo que o que vem depois é apenas um brilho. Por isso, os recipientes de Atsilut, que já possuem um aspecto de limitação, podem ligar-se a Beriá, Yetsirá e Assiá como uma cadeia, enquanto o Infinito chega a Atsilut somente por meio de um salto.
Marei mekomot
- 1קול דודי כו׳ מדלג · Song of Songs 2:8
- 2בא בבחי׳ דילוג שהרי צריך להיות מקודם חלל ומקום פנוי · בענין הדילוג ראה אוה״ת וארא ע׳ קמח. ד״ה וישמע יתרו תרמ״ז ע׳ עד.
- 3סד״ה קול דודי · לעיל טו, ב.
- 4כי לשון ההשתלשלות הוא כמו שלשלת · ראה גם לעיל פ׳ ברכה צה, ב.
- 5אפילו מאצי׳ לבי״ע . . דרך השתלשלות · ראה באוה״ת פ׳ ראה ע׳ תשפז. שלא יוקשה ממה שנתבאר לעיל מ, ג ע״ש.
- 6ולכן שלשים כלים דזו״נ דאצי׳ · ראה אוה״ת ויקהל ע׳ ב׳קעג. ד״ה תקעו תר״ו ע׳ רפח.
- 7בד״ה פתח אליהו · תו״א יג, ג ואילך.
Memalê e sovev ¶4–5
4ב והנה מאצילות ולמטה נק׳ בשם ממלא כל עלמין ודרך השתלשלות כי בחי׳ כלים דמל׳ [דמלכות] הם
2. Ora, de Atsilut para baixo, é chamado “a luz que preenche todos os mundos (memalê kol almin)”, e [desce] pela cadeia descendente dos mundos (hishtalshelut). Pois o nível dos recipientes de Malchut é
Começa uma nova seção (numerada 2). De Atsilut para baixo, a luz divina é chamada memalê kol almin, a luz que preenche todos os mundos, e desce por uma cadeia contínua (hishtalshelut), em vez de por um salto. A razão começa aqui: os recipientes de Malchut de Atsilut são, eles próprios, o nível dos mundos inferiores.
בחי׳ בי״ע [בריאה יצירה עשיה] ובחי׳ מל׳ [מלכות] מקבלת מכל ע״ס [עשר ספירות] דאצילות כידוע שמבחי׳ מל׳ [מלכות] דחסד דאצי׳ [דאצילות] נעשה חסד דמלכות דאצי׳ [דאצילות] ומספי׳ [ומספירה / ומספירות] מל׳ [מלכות] דגבורה דאצי׳ [דאצילות] נעשה גבורה דמל׳ [דמלכות] דאצי׳ [דאצילות]
o nível de Beriá, Yetsirá e Assiá, e Malchut recebe de todas as Dez Sefirot de Atsilut. Como é sabido, do nível de Malchut de Chessed (bondade) de Atsilut passa a existir o Chessed de Malchut de Atsilut; e da sefirá de Malchut de Guevurá (contenção) de Atsilut passa a existir a Guevurá de Malchut de Atsilut.
Malchut, a última sefirá de Atsilut, recebe de todas as dez Sefirot que estão acima dela. Cada sefirá possui seu próprio aspecto de Malchut: de Malchut de Chessed provém o Chessed contido em Malchut; de Malchut de Guevurá, a Guevurá contida em Malchut.
לכן שייך לומר בכלל ממכ״ע [ממלא כל עלמין] הגם שעולמות בי״ע [בריאה יצירה עשיה] הם בע״ג [בעלי גבול / בעל גבול] יש בכלל מאתים מנה ובחי׳ ממכ״ע [ממלא כל עלמין] והשתלשלות הוא דרך עו״ע [עילה ועלול] (וכבר נת׳ [נתבאר] שמ״מ [שמכל מקום] יש פרסא מפסקקת כו׳)
Por isso, é apropriado dizer, de modo geral, “a luz que preenche todos os mundos”. Embora os mundos de Beriá, Yetsirá e Assiá sejam finitos, “duzentos incluem cem”; e o nível da luz que preenche todos os mundos e da hishtalshelut se dá pela relação de causa e efeito. (E já foi explicado que, apesar disso, há uma divisória que separa, etc.)
Como Malchut contém algo de toda Atsilut e seus recipientes são o nível dos mundos inferiores, pode-se falar, de modo geral, de toda a ordem desde Atsilut para baixo como memalê. Embora Beriá, Yetsirá e Assiá sejam finitos, aplica-se o princípio rabínico “duzentos incluem cem”: o maior inclui o menor. O trecho entre parênteses lembra que essa cadeia ainda contém uma divisória (parsa) entre Atsilut e Beriá, conforme explicado na seção anterior.
ובחי׳ הארה וזיו מאור מל׳ [מלכות] דאצי׳ [דאצילות] מאיר ומחיה כל עולם ויש הארה והתלבשות בכל עולם לפי ערך המקבל דרך עו״ע [עילה ועלול].
E a irradiação e o brilho da luz de Malchut de Atsilut iluminam e dão vida a cada mundo; há uma irradiação e um revestimento em cada mundo de acordo com a capacidade de quem recebe, pela relação de causa e efeito.
Por meio dessa cadeia, uma irradiação da luz de Malchut de Atsilut ilumina cada mundo e lhe dá vida. Em cada mundo, ela se reveste de acordo com aquilo que esse mundo é capaz de receber, passo a passo, pela relação de causa e efeito.
וכמו ד״מ [דרך משל] מן השכל נשתלשלו המדות והשכל נתלבש במדות ובמחשבה דבור ומעשה וגם במעשה הכתב נתגלה השכל1 וכותבין דבר שכל בכתב וא״כ [ואם כן] השכל
Assim, por exemplo, os atributos emocionais (midot) se desenrolam em cadeia a partir do intelecto, e o intelecto se reveste nos atributos emocionais, no pensamento, na fala e na ação; e até mesmo no ato de escrever o intelecto se revela, pois se escreve por escrito uma ideia intelectual. Portanto, o intelecto
Uma analogia da alma humana: as emoções provêm do intelecto em uma cadeia, e o intelecto se reveste nas emoções e, depois, no pensamento, na fala e na ação. Ele chega até mesmo ao ato físico de escrever, pois a pessoa registra uma ideia por escrito, e a ideia se revela no que ela escreve.
עצמו נשתלשל ע״י עילה ועלול עד שנשתלשל ונתלבש עצם השכל במעשה הכתב נתגלה השכל נמצא יש ערך לעשייה גשמיות של מעשה הכתב עם השכל הרוחני.
desceu em si mesmo por meio de causa e efeito, até que a própria essência do intelecto desceu e se revestiu no ato de escrever, [e] o intelecto se revelou. Portanto, há uma relação entre a ação física de escrever e o intelecto espiritual.
Assim, o próprio intelecto desceu passo a passo, por meio de causa e efeito, até que sua própria essência se revestiu e se revelou no ato de escrever. Portanto, mesmo o ato físico de escrever guarda uma relação com o intelecto espiritual; é isso que significa uma cadeia de causa e efeito.
De Atsilut para baixo, a luz divina é memalê, descendo por uma cadeia ininterrupta de causa e efeito: Malchut de Atsilut, que recebe de todas as dez Sefirot, reveste-se nos mundos inferiores, assim como uma ideia desce pelas emoções, pelo pensamento e pela fala até aparecer inclusive no ato físico de escrever.
O contraste com a seção anterior é deliberado: entre o Ein Sof e Atsilut não há relação, daí o salto; já entre o intelecto e a palavra escrita há uma relação, por mais distante que seja, daí a cadeia. Outra transcrição deste discurso refina a analogia: o movimento do dedo contém mais do que o intelecto, mas o intelecto se reveste verdadeiramente nele; um gesto espontâneo da mão demonstra isso com ainda mais clareza.
Marei mekomot
- 1במעשה הכתב נתגלה השכל · בסה״מ תק״ע ע׳ יג: ”(ואעפ״י שהתנועה באצבע כבר יש בה מלבד השכל, אבל השכל מלובש ממש בתנועה זו עכ״פ כמו הרצון שמתלבש ביד לזרוק, ויותר ראי׳ מענין הרמז ביד שאינה בתנועה רצונית רק ממילא לפי אופן השכל שבמוח שבא ומראה פתאום ביד כו׳)”.
5וכ״ש [וכל שכן] משכל למדות ולפי ערך השכל כן נשתלשלו המדות וקטן ששכלו מעט גם מדותיו בדברים קטנים כך בעולמות נשתלשל
E ainda mais no caso do intelecto e dos atributos emocionais: conforme a medida do intelecto, assim também os atributos emocionais descem; e uma criança cujo intelecto é pequeno tem emoções também voltadas para coisas pequenas. Assim, nos mundos, a luz desceu numa cadeia
Se até o ato físico de escrever guarda relação com o intelecto, quanto mais os sentimentos, que seguem o intelecto em proporção: uma criança pequena, cujo intelecto é limitado, tem emoções relativas a coisas pequenas. O mesmo ocorre nos mundos, onde a luz desce numa cadeia.
האור ומאיר בכל עולם לפי ערכו ומחיה ומהווה אותם בבריאה מאיר יותר בגילוי וכו׳ עד עשייה שם נתצמצם האור ומחמת זה יכול להיות שינויים בעולמות
e brilha em cada mundo conforme sua medida, dando-lhes vida e trazendo-os à existência. Em Beriá, brilha com maior revelação, etc., até Assiá; ali, a luz é contraída. E por causa disso podem ocorrer mudanças nos mundos,
A luz brilha em cada mundo conforme a medida daquele mundo, dando-lhe vida e existência: mais abertamente em Beriá, menos nos mundos abaixo dela, até que, em Assiá, é contraída. Como a revelação difere de um mundo para outro, podem ocorrer mudanças nos mundos.
כמו קיץ וחורף בנין הבית וחורבנו וימות המשיח כל זה הוא מחמת שהוא רק הארה שמאיר בכל עולם ומחיה אותם בבחי׳ ממלא וא״כ [ואם כן] ממילא אין הגילוי בשוה בכל העולמות
como o verão e o inverno, a construção do [Sagrado] Templo e sua destruição, e os dias de Mashiach. Tudo isso se deve ao fato de que há apenas um raio que brilha em cada mundo e lhes dá vida, no nível de memalê kol almin. Portanto, segue-se naturalmente que a revelação não é igual em todos os mundos,
Exemplos de mudança são o verão e o inverno, a construção e a destruição do Templo, e os dias de Mashiach. Tudo isso é possível porque o que brilha nos mundos é apenas um raio, no nível de memalê kol almin, que não é revelado igualmente em toda parte.
רק בצמצום בכל עולם לפי ערכו ככה נתגלה בחי׳ ממלא ולבעבור זה יש שנויי׳ [שנויים] לפי ערך הגילוי אכן בחי׳ סוכ״ע [סובב כל עלמין]
mas sim [com contração] em cada mundo conforme sua medida; assim é revelado o nível de memalê kol almin. Por isso há mudanças, conforme a medida da revelação. No entanto, o nível da luz que circunda todos os mundos (sovev kol almin)
Memalê kol almin é revelado em cada mundo somente por meio de contração, na medida daquele mundo, e é por isso que há mudanças, de acordo com a medida da revelação. Sovev kol almin, a luz que circunda todos os mundos, é diferente.
שהוא עצם האור הרי לגבי עצמותו ומהותו אני הוי׳ לא שניתי1 מעלה ומטה שוין גשמיות ורוחניות
que é a essência da luz: em relação à Sua essência e ao Seu ser, “Eu, Havayá, não mudei”; o alto e o baixo são iguais, a materialidade e a espiritualidade,
Sovev kol almin é a própria essência da luz, e em relação à essência de D'us nada muda, como diz o versículo: “Eu, Havayá, não mudei” (Malachi 3:6). Para Ele, o alto e o baixo, o físico e o espiritual, são iguais.
כמו קודם שנברא העולם וכמו ד״מ [דרך משל] זיו השמש שמאיר יכול להיות מסכים המסתיר את האור והזיו
como antes de o mundo ser criado. Por exemplo, o brilho do sol que ilumina: pode haver telas que ocultem a luz e o brilho,
Para Ele, é como antes de o mundo ser criado: a criação não provoca mudança alguma Nele. A analogia é a do sol, cujos raios podem ser bloqueados por telas.
אבל מכל זה אין שום שינוי בעצם השמש כמ״כ [כמו כן] לגבי עצם אור א״ס [אין סוף] אשר את השמים והארץ אני מלא2 אין שום שינוי והסתר כחשכה כאורה3 כלאר חשיבי קמיה.
mas tudo isso não provoca mudança alguma no próprio sol. Do mesmo modo, em relação à essência da Luz Infinita (Or Ein Sof), da qual [se diz]: “Eu preencho os céus e a terra”, não há mudança nem ocultação alguma; “a escuridão é como a luz”, e ambos são considerados como nada diante Dele.
As telas ocultam a luz do sol, mas nada mudam no próprio sol. Do mesmo modo, a essência da Luz Infinita (Or Ein Sof), que preenche os céus e a terra (Jeremiah 23:24), não sofre mudança nem ocultação alguma: “a escuridão é como a luz” (Psalms 139:12), e tudo é como nada diante Dele.
רק כשנסתר ונתצמצם האור העצם ונמשך רק הארה ומאיר הזיו דרך דילוג וחלל ומקום פנוי כנ״ל אז שייך שינויים כנ״ל
Somente quando a luz essencial é ocultada e contraída, e apenas um raio é atraído, e o brilho ilumina por meio de um salto, de um vazio e de um espaço vazio, como mencionado acima, é que se aplicam mudanças, como mencionado acima.
A mudança pertence somente ao âmbito em que a luz essencial foi ocultada e contraída e apenas um raio é atraído. Trata-se do raio que vem através do “salto”, do vazio e do espaço vazio descritos na primeira seção.
אבל לע״ל [לעתיד לבוא] כשיהיה התגלות האור מבחי׳ סכ״ע [סובב כל עלמין] יקום גם גוף הגשמי בתחית המתים וליהנות מזיו השכינה ולחיות בלא אכילה ושתיה
Mas no Tempo Vindouro, quando houver a revelação da luz do nível de sovev kol almin, até mesmo o corpo físico se erguerá na Ressurreição dos Mortos, [e] deleitar-se-á com o esplendor da Shechiná (Presença Divina) e viverá sem comer nem beber.
No Tempo Vindouro, quando a luz de sovev for revelada, até mesmo o corpo físico se erguerá na Ressurreição dos Mortos. Ele se deleitará com o esplendor da Shechiná e viverá sem comer nem beber; a parte seguinte explica a razão.
כי בפני עצם האור אין שום הסתר כלל ולבעבור זה יכול להשגיח על כל פרטי פרטים וכמ״ש מה׳ מצעדי גבר כוננו4 ואין אדם נוקף אצבעו5 וכו׳ ידע מה בחשוכא6 ונהורא עמיה שרא
Pois, diante da essência da luz, não há ocultação alguma. Por isso, Ele pode velar por cada mínimo detalhe, como está escrito: “Por Havayá são firmados os passos do homem”; e “A pessoa não machuca o dedo”, etc.; [e] “Ele sabe o que há na escuridão, e a luz habita com Ele”.
Diante da essência da luz, nada está oculto; por isso, a Providência de D'us alcança cada mínimo detalhe. São trazidas três fontes: “Por Havayá são firmados os passos do homem” (Psalms 37:23); a afirmação do Talmud de que uma pessoa não machuca o dedo aqui embaixo sem que isso tenha sido decretado sobre ela lá em cima; e o versículo de Daniel: “Ele sabe o que há na escuridão, e a luz habita com Ele”.
כי לפני עצמותו מעלה ומטה שוין הכל כלא חשיבי קמיה וזהו המגביהי לשבת המשפילי לראות7 בשמים ובארץ8 אשר לבעבור שעצמותו מגביהי לשבת סכ״ע [סובב כל עלמין] ואינו בערך עלמין כלל
Pois, diante de Sua essência, o alto e o baixo são iguais; tudo é considerado como nada diante Dele. E este é [o sentido de] “Aquele que está entronizado no alto, que olha para baixo, sobre o céu e a terra”: porque Sua essência está “entronizada no alto”, sovev kol almin, e não tem relação alguma com os mundos,
Diante de Sua essência não há alto nem baixo; tudo é como nada diante Dele. Este é o sentido de Psalms 113:5–6: porque Ele está “entronizado no alto”, como sovev, além de qualquer relação com os mundos, Ele “olha para baixo”, para a terra, assim como para os céus.
לכן אין שום הפרש בין שמים וארץ ועל דבר זה נסמית עינו של בלעם הרשע9 באמרו ומספר את רובע ישראל10 והיינו לפי טעותו11 שההתהוות הוא דרך השתלשלות והתלבשות בעלמין
portanto, não há diferença alguma entre o céu e a terra. E foi por isso que o olho do perverso Bilam ficou cego, quando ele disse: “e o número da quarta parte (rova) de Israel”. Isto é, segundo seu erro, a existência vem a ser pelo processo da cadeia descendente dos mundos (hishtalshelut) e pelo revestimento nos mundos,
Assim, para Ele não há diferença entre o céu e a terra, e foi neste ponto que Bilam ficou cego. O Talmud interpreta suas palavras “o número do rova de Israel” (Numbers 23:10) como uma referência a D'us contando as uniões conjugais de Israel e aguardando a gota da qual se forma uma pessoa justa; Bilam pensou que era impróprio que o Santo e Puro contemplasse tal coisa, e seu olho ficou cego. Seu erro foi pensar que a criação ocorre apenas por uma cadeia descendente e pelo revestimento nos mundos.
לכן יש חילוק מעלה ומטה ורחוק אצלם ה׳ בתכלית שישתלשל כ״כ [כל כך] למטה בהשגחה פרטיות בארץ מתחת כמו בשמים ממעל ולכן אומרים על השמים כבודו12
portanto, há uma distinção entre o alto e o baixo, e, aos olhos deles, é extremamente remoto que D'us desça tão baixo, exercendo Providência particular sobre a terra abaixo como sobre os céus acima. Por isso, dizem: “Sua glória está acima dos céus”.
Se a criação ocorresse somente por tal cadeia, haveria uma distinção real entre o alto e o baixo, e pareceria extremamente improvável que D'us descesse tão baixo a ponto de velar pelos detalhes da terra como faz pelos céus. É por isso que aqueles que compartilham esse erro dizem: “Sua glória está acima dos céus” (Psalms 113:4): Ele é exaltado demais para olhar para baixo.
אבל באמת במקום גדולתו שם ענותנותו שמחמת שמגביהי לשבת משפילי לראות אשר לגבי סוכ״ע [סובב כל עלמין] ושאין בגדר עלמין כלל אין שום הפרש מעלה ומטה וכלא ממש חשיבי ומתחת זרועות עולם13 כו׳:
Mas, na verdade, “onde está Sua grandeza, ali está Sua humildade”: por estar “entronizado no alto”, Ele “olha para baixo”. Pois, em relação a sovev kol almin, que não está de modo algum dentro dos limites dos mundos, não há diferença alguma entre o alto e o baixo, e estes são considerados verdadeiramente como nada; e “por baixo estão os braços do mundo”, etc.
Na verdade, “onde está Sua grandeza, ali está Sua humildade”: precisamente por estar entronizado no alto, Ele olha para baixo. Para sovev, que está inteiramente além dos limites dos mundos, não há diferença entre o alto e o baixo; tudo é verdadeiramente como nada. Assim, “por baixo estão os braços do mundo” (Deuteronomy 33:27), entendido aqui como o alcance Dele até o que há de mais baixo.
Como memalê kol almin é um raio contraído, revelado de maneira diferente em cada mundo, os mundos estão sujeitos a mudanças; sovev kol almin, a essência da luz, permanece imutável e igual no alto e embaixo, de modo que a providência de D'us alcança cada detalhe do mundo mais inferior. Bilam, que pensava que a criação era apenas uma cadeia descendente, não podia compreender isso.
O parágrafo transforma a analogia do salto num ensinamento sobre a providência: como a luz alcança os mundos por meio de um salto a partir daquilo que não tem relação com eles, nada é baixo demais para ela, e Sua transcendência é precisamente o motivo pelo qual Ele olha para baixo. A Ressurreição é apresentada como o tempo em que esse nível de sovev kol almin será revelado no próprio corpo físico.
Marei mekomot
- 1אני הוי׳ לא שניתי · Malachi 3:6
- 2את השמים והארץ אני מלא · Jeremiah 23:24
- 3כחשכה כאורה · Psalms 139:12
- 4מה׳ מצעדי גבר כוננו · Psalms 37:23
- 5ואין אדם נוקף אצבעו · Chullin 7b:15–16
- 6ידע מה בחשוכא · Daniel 2:22
- 7המגביהי לשבת המשפילי לראות · Psalms 113:5
- 8המגביהי לשבת המשפילי לראות בשמים ובארץ · Psalms 113:5–6
- 9ועל דבר זה נסמית עינו של בלעם הרשע · Niddah 31a:21–22
- 10ומספר את רובע ישראל · Numbers 23:10
- 11ועל דבר זה נסמית . . והיינו לפי טעותו · בסה״מ הנחות הר״פ ע׳ קע: ”אבל העכומ״ז אומרים רם על כל גוים הוי׳ לפי טעותם”. ובענין בלעם נכתב שם להלן אחר תיבת על השמים כבודו. וראה בהנחה אחרת בסה״מ תק״ע ע׳ טז.
- 12על השמים כבודו · Psalms 113:4
- 13ומתחת זרועות עולם · Deuteronomy 33:27
Rainhas, concubinas e donzelas ¶6–7
Ora, para que o nível de sovev brilhe dentro do nível de memalê, isso se dá por meio do estudo da Torá: “A voz do meu amado! Eis que ele vem.”
Um novo passo: a luz de sovev vem brilhar dentro de memalê por meio do estudo da Torá. O versículo “A voz do meu amado! Eis que ele vem” é aplicado a isso.
כי מתניתין מלכתא ובעסקו בתורה ואומר טהור וכו׳ אני המשנה המדברת בפיך והגילוי מאיר מאור א״ס [אין סוף] במשנה בתדירא ו״ק [ו׳ קצוות] מקננין ביצירה ופסקי הדינין הם בחי׳ מדות דיצירה והמדות ששה קצוות מאירין
Pois “a Mishná é uma rainha”; e, quando alguém se dedica à Torá e diz “puro”, etc., “sou eu, a Mishná, que fala em tua boca”. E a revelação da Luz Infinita (Or Ein Sof) brilha constantemente na Mishná. As seis extremidades (vav ketzavot) nidificam em Yetsirá, e as decisões haláchicas são o nível dos atributos emocionais (midot) de Yetsirá; e os atributos emocionais, as seis extremidades, brilham
A Mishná é chamada “uma rainha”, isto é, Malchut; e, quando a pessoa estuda e decide “puro”, e assim por diante, é a própria Mishná que fala por sua boca. Na Mishná, a revelação da Luz Infinita brilha constantemente, pois suas decisões pertencem aos atributos emocionais de Yetsirá, o mundo onde as seis extremidades, Zeir Anpin, “nidificam”.
שם בגילוי ובתדירא כידוע שהתגלות אור א״ס [אין סוף] בחכמה ואורייתא מחכמה נפקת וכל הדינין כשר ומותר וכו׳ המבוארים במשניות הם ע״י חכמה אתברירו מברר הטוב מרע ומאיר שם עצם
ali de modo revelado e constante. Como é sabido, a revelação da Luz Infinita está em Chochmá (sabedoria), e “a Torá proveio de Chochmá”; e todas as leis — “casher” e “permitido”, etc. — explicadas nas Mishnayot são “esclarecidas por meio de Chochmá”: ela separa o bem do mal, e a própria essência de
Esses atributos emocionais brilham em Yetsirá de modo manifesto e constante. A Luz Infinita é revelada em Chochmá, a Torá provém de Chochmá, e as leis da Mishná — “casher”, “permitido” e as demais — são “esclarecidas por meio de Chochmá”, que separa o bem do mal.
הגילוי ומברר ופוסק הדין שמותר לאכול ועי״ז נתעלה הדבר ההוא או להיפוך וע״ז [ועל זה] נאמר והבדלתם בין הבהמה הטהורה2 וכו׳ משא״כ בברייתא ההאאה והגילוי בהם מועטת ואין בתדירא וכמשל ההולך אל פלגשו וכו׳
a revelação brilha ali, e ela esclarece e decide a lei de que [uma coisa] é permitida para consumo; por meio disso, aquela coisa é elevada, ou ocorre o contrário. E a respeito disso foi dito: “Distinguireis entre o animal puro”, etc. Em contraste, nas baraitot, a iluminação e a revelação são pequenas e não constantes, como na analogia de alguém que vai à sua concubina, etc.
Quando uma decisão declara que é permitido consumir algo, esse algo é elevado; quando é proibido, ocorre o contrário. É essa separação a que se refere o versículo: “Distinguireis entre o animal puro e o impuro” (Leviticus 20:25). Nas baraitot, em contraste, a luz e a revelação são pequenas e não constantes, como um homem que vai à sua concubina apenas de vez em quando.
כי המשניות הם בחי׳ חג״ת [חסד גבורה תפארת] שהם כלים אמצעים תפארת גופא3 וכו׳ אכן ברייתות הם בחי׳ נה״י [נצח הוד יסוד] שהם לבר מגופא כלים חיצוני׳
Pois as Mishnayot correspondem a Chessed, Guevurá e Tiféret, que são os recipientes intermediários: “Tiféret é o corpo”, etc. As baraitot, porém, correspondem a Nétsach, Hod e Yessod, que estão “fora do corpo”, recipientes exteriores.
As Mishnayot correspondem a Chessed, Guevurá e Tiféret, os recipientes intermediários do corpo, sendo Tiféret o próprio corpo. As baraitot correspondem a Nétsach, Hod e Yessod, que estão fora do corpo propriamente dito: são recipientes exteriores.
לכן נקרא ברייתא לשון חוצה ומתלבשים גם בעשי׳ [בעשיה] לכן נתרבו הברייתות דוקא בזמן הגלות כי אז מטי רגלין ברגלין4 בחי׳ נה״ח
Por isso, é chamada de baraita, expressão que significa “exterior”, e esses níveis também se revestem em Assiá. Por isso, as baraitot se multiplicaram especificamente durante o exílio, pois então “os pés alcançam os pés”, o nível de Nétsach, Hod e Yessod;
O próprio nome baraita significa “exterior”, e esses níveis se revestem até mesmo em Assiá, o mundo mais baixo. Por isso, as baraitot se multiplicaram durante o exílio, quando “os pés alcançam os pés”, os níveis inferiores; נה״ח, impresso no texto, aparentemente é um erro de impressão por נה״י, Nétsach, Hod e Yessod, mencionados na parte anterior.
ולכן ההארה והגילוי בהן מועט. אכן מקודם היה הכל נכללין במשנה וע״ד [ועל דרך] מ״ש אילפא ולא פשיטנא ליה ממתניתין5 כו׳.
e, portanto, a iluminação e a revelação nelas são pequenas. Antes, porém, tudo estava incluído na Mishná, conforme o que Ilfa disse: “e não o resolvo com base na Mishná”, etc.
É por isso que a luz nas baraitot é pequena. Originalmente, porém, tudo estava contido na Mishná, como afirmou Ilfa: que poderia resolver qualquer questão sobre as baraitot de Rabi Chiya e Rabi Oshaya com base na Mishná (Taanis 21a).
O estudo da Torá é o que faz sovev brilhar dentro de memalê. A Mishná, enraizada nos atributos emocionais de Yetsirá, contém uma revelação constante e, por meio de suas decisões, eleva aquilo que permite; as baraitot, enraizadas nos recipientes exteriores de Nétsach, Hod e Yessod e revestidas até mesmo em Assiá, contêm apenas uma revelação pequena. Elas se multiplicaram no exílio, embora originalmente tudo estivesse contido na Mishná.
Chamar a Mishná de rainha e comparar a baraita a uma concubina ecoa o versículo “Sessenta são as rainhas e oitenta as concubinas” (Song of Songs 6:8), que Or HaTorah relaciona a este discurso. A revelação constante e central da Mishná contrasta com a revelação ocasional e exterior da baraita, que se expandiu à medida que o exílio alcançou os “pés”.
Marei mekomot
- 1קול דודי הנה זה בא · Song of Songs 2:8
- 2והבדלתם בין הבהמה הטהורה · Leviticus 20:25
- 3תפארת גופא · Tikkunei Zohar 17a:16–17
- 4מטי רגלין ברגלין · Zohar II, 255a
- 5אילפא ולא פשיטנא ליה ממתניתין · Taanit 21a:5
7ועלמות הוא הלכות תלמוד בבלי ע״י שמותיב ומפרק ניתוספו דינים חדשים ומדמה מילתא למילתא ותלמוד בבריאה שמאיר שם חכמתו יתברך וכמ״ש בע״ח [בעץ חיים] אימא מקננא בבריאה123 ונקרא עלמין לשון העלם
E “donzelas” (alamos) são as leis do Talmud Babilônico: por meio de objeções e respostas, acrescentaram-se novas leis, e compara-se uma questão a outra. O Talmud está em Beriá, onde brilha Sua Chochmá (sabedoria), bendito seja Ele, como está escrito em Etz Chaim: “Imá (Biná) nidifica em Beriá”. E são chamados alamin, expressão que denota ocultação (he’elem).
Depois da Mishná, “a rainha”, e das baraitot, comparadas às concubinas, vêm as “donzelas” (alamos), o terceiro grupo do versículo “Sessenta são as rainhas, oitenta as concubinas e donzelas sem número” (Cântico dos Cânticos 6:8): são as leis do Talmud Babilônico, que se desenvolveram por meio de perguntas e respostas e da comparação entre um caso e outro. O Talmud tem sua raiz em Beriá, onde Imá, isto é, Biná, “nidifica”, e brilha a Chochmá de D'us; a palavra alamin é entendida como relacionada a he’elem, ocultação.
וכמו שאיתא יוצר אור זהו יצירה4 ובורא חושך עולם הבריאה נקרא חושך והטעם לזה כי יצירה ששם מקננין ו״ק [ו׳ קצוות] דאצילות
Conforme está dito: “Que forma a luz” — isto é, Yetsirá (Formação); “e cria a escuridão” — o Mundo de Beriá (Criação) é chamado de escuridão. A razão para isso é que em Yetsirá, onde nidificam as seis extremidades (vav ketzavot) de Atsilut,
A expressão “Que forma a luz e cria a escuridão” (Isaías 45:7, recitada diariamente nas bênçãos matinais) é entendida como uma afirmação sobre os mundos: “forma” (yotser) indica Yetsirá, e “cria” (borê), Beriá; assim, Yetsirá é chamada de luz, e Beriá, de escuridão. A explicação começa por Yetsirá, o mundo onde se encontram os seis atributos emocionais de Atsilut.
שהם מדותיו יתברך יכולין לירד ולהתלבש שהמקבל יכל לקבל חסד ממש במדה ומרגיש הטוב הגם שאין ערוך לעצם החסד דאצי׳ [דאצילות] כי ביצירה הם בע״ג [בעלי גבול / בעל גבול] אעפ״כ [אף על פי כן] שייך לשון אור שהמקבל מקבל על בוריו.
que são Seus atributos emocionais (midot), bendito seja Ele, podem descer e revestir-se, de modo que quem recebe possa receber bondade efetiva, em medida, e sentir o bem. Embora não haja comparação com a essência do Chessed de Atsilut, pois em Yetsirá eles são finitos, ainda assim aplica-se o termo “luz”, porque quem recebe recebe-a claramente.
Os atributos emocionais podem descer e revestir-se, de modo que quem recebe possa receber bondade real, em medida, e sentir sua qualidade benéfica. Embora isso não se compare ao próprio Chessed de Atsilut, pois em Yetsirá os atributos são finitos, ainda assim é chamado de “luz”, porque aquilo que se recebe é recebido claramente.
אכן בחי׳ חכמתו אין יכול להשתלשל כ״כ [כל כך] למטה ולכן כל מה שמשיג השגה אינו משיג לשרשו ולעמקו
No entanto, o nível de Sua Chochmá não pode descer tanto na cadeia descendente; por isso, tudo o que alguém compreende, não o compreende [até] sua raiz e sua profundidade.
A Chochmá de D'us, porém, não pode descer tanto pela cadeia dos mundos. Portanto, aquilo que se compreende dela não é compreendido até sua raiz e profundidade.
כי חכמתו ובינתו ודעתו של אור א״ס [אין סוף] ב״ה שבאצי׳ [שבאצילות] אינו יכול לבא בהתגלות כלים בע״ג [בעלי גבול / בעל גבול] חכים ולא בחכמה ידיעא5
Pois a Chochmá, a Biná e a Daat da Luz Infinita (Or Ein Sof), bendito seja Ele, que está em Atsilut, não podem revelar-se em recipientes finitos: “sábio, mas não com uma sabedoria que possa ser conhecida”.
O intelecto de Atsilut — sua Chochmá, Biná e Daat — não pode ser revelado em recipientes finitos. A expressão “sábio, mas não com uma sabedoria que possa ser conhecida” significa que a sabedoria de D'us está além de qualquer sabedoria que possa ser conhecida.
ולכן אף שלמעלה באצי׳ [באצילות] שם חכמה מאיר יותר אבל בהתגלות למטה בבריאה בע״ג [בעלי גבול / בעל גבול] נקרא בורא חושך ויצירה נק׳ אור כי חכמתו אינו יכול לקבל בע״ג [בעלי גבול / בעל גבול]
Portanto, embora acima, em Atsilut, a Chochmá brilhe mais, quando se revela abaixo, em Beriá, que é finita, é chamada de “cria a escuridão”, enquanto Yetsirá é chamada de “luz”; pois o finito não pode receber Sua Chochmá.
Assim, embora a Chochmá brilhe com maior intensidade acima, em Atsilut, quando chega à Beriá finita, ela aparece como escuridão — “cria a escuridão”. Yetsirá, que contém apenas os atributos emocionais, é chamada de luz, pois o finito pode recebê-los, mas não pode receber Sua Chochmá.
ולכן על תלמוד בבלי נאמר במחשכים6 הושיבני7 כי לבעבור שתלמוד הוא טעמי המשנה וחכמתו ית׳ זהו במחשכים כי אין יכול לבא בהתגלות שיבינו הטעם על מכונו ושרשו.
Por isso, a respeito do Talmud Babilônico, foi dito: “Ele me fez habitar em lugares tenebrosos”; pois, como o Talmud trata das razões da Mishná e de Sua Chochmá, bendito seja Ele, isso é “em lugares tenebrosos”, pois não pode revelar-se de modo que se compreenda a razão em seu fundamento verdadeiro e em sua raiz.
É por isso que o Talmud Babilônico é associado a “lugares tenebrosos” (Lamentações 3:6, conforme explicado em Sanhedrin 24a). O Talmud apresenta as razões da Mishná, que são a Chochmá de D'us, e elas não podem ser reveladas de modo que alguém compreenda plenamente uma razão, em seu verdadeiro fundamento e em sua raiz.
ולכן תפלה8 ש״י נק׳ יוצר אור שמאיר בה מדותיו משא״כ תפילין של ראש שהוא בחי׳ מוחין נק׳ ובורא חושך שהתגלות מחכמתו ית׳ בא בהעלם ואין מאיר בגילוי ממש
Por isso, os tefilin do braço são chamados de “Que forma a luz”, pois neles brilham Seus atributos emocionais; ao passo que os tefilin da cabeça, que correspondem ao nível do intelecto (mochin), são chamados de “e cria a escuridão”, pois a revelação de Sua Chochmá, bendito seja Ele, vem de forma oculta e não brilha em revelação efetiva.
O mesmo padrão se manifesta nos tefilin. Os tefilin do braço, nos quais brilham os atributos emocionais, são associados a “Que forma a luz”; e os tefilin da cabeça, que correspondem ao intelecto, a “e cria a escuridão”, pois a revelação da Chochmá vem de forma oculta.
(ואפשר להבין ענין זה ע״ד [על דרך] דוגמא ממ״ש במ״א בענין אספקלריא המאירה ואספקלריא שאינה מאירה דבחי׳ עליונה ביותר לא יכול לבוא בהתגלות ע״י אספקלריא המאירה כ״א [כי אם] ע״י אספקלריא שאינה מאירה וכמ״ש בישעי׳ [בישעיה] ואראה את אד׳9 אע״פ [אף על פי] שמשה אמר כי לא יראני10 כו׳.
(Este assunto pode ser compreendido por meio de uma analogia com o que está escrito em outro lugar a respeito do “espéculo que ilumina” e do “espéculo que não ilumina”: o nível mais elevado não pode vir à revelação por meio do espéculo que ilumina, mas somente por meio do espéculo que não ilumina. Como está escrito em Isaías: “E vi Ado-nai”, embora Moshe tenha dito: “Pois nenhum homem Me verá”, etc.
Este parêntese apresenta uma analogia com o que é explicado em outro lugar sobre o “espéculo que ilumina” e o “espéculo que não ilumina”. O nível mais elevado só pode ser visto por meio do espéculo que não ilumina; assim, Isaías pôde dizer “Vi Ado-nai” (Isaías 6:1), embora Moshe tivesse dito: “Nenhum homem Me verá” (Êxodo 33:20).
ואספקלריא שאינה מאירה היא בחי׳ חושך לגבי האור דאספקלריא המאירה. ועד״ז [ועל דרך זה] הוא ענין הנ״ל דיוצר אור ובורא חושך11 דלפי שביצירה אין מאיר רק ו״ק [ו׳ קצוות] דאצילות ע״כ [על כן] מבחינה זו יוכל להיות הגילוי על בוריו
E o espéculo que não ilumina corresponde ao nível de escuridão em comparação com a luz do espéculo que ilumina. O assunto mencionado acima, “que forma a luz e cria a escuridão”, segue esse mesmo princípio: como em Yetsirá brilham apenas as seis extremidades de Atsilut, a revelação desse nível pode ser clara,
Em comparação com o espéculo que ilumina, o que não ilumina é escuridão. Do mesmo modo, como em Yetsirá brilham apenas os seis atributos emocionais de Atsilut, sua revelação ali pode ser clara, como através do espéculo que ilumina.
כמו עד״מ [על דרך משל] ע״י אספקלריא המאירה ע״כ [על כן] נק׳ יוצר אור אבל חב״ד [חכמה בינה ודעת] דאצי׳ [דאצילות] שעז״נ [שעל זה נאמר] מאד עמקו מחשבותיך.12 הנסתרות לה׳ אלקינו.13 לכן א״א [אי אפשר] שיאירו בבחי׳ גילוי בבי״ע [בבריאה יצירה עשיה] ע״ד [על דרך] בחי׳ אור ממש.
como, por exemplo, por meio do espéculo que ilumina; por isso é chamado “que forma a luz”. Mas Chochmá, Biná e Daat de Atsilut, a respeito das quais está dito: “Quão profundos são os Teus pensamentos” [e] “As coisas ocultas pertencem a Havayá, nosso D'us”, não podem, portanto, brilhar em revelação em Beriá, Yetsirá e Assiá como luz propriamente dita.
Por isso Yetsirá é chamada “que forma a luz”. Mas o intelecto de Atsilut, a respeito do qual está dito “Quão profundos são os Teus pensamentos” (Salmos 92:6) e “As coisas ocultas pertencem a Havayá, nosso D'us” (Deuteronômio 29:28), não pode brilhar nos mundos inferiores como luz real e manifesta.
וע״כ [ועל כן] נאמר ובורא חושך שבבריאה אשר שם נמשך מחב״ד [מחכמה בינה ודעת] דאצי׳ [דאצילות] א״א [אי אפשר] להיות הגילוי כ״א [כי אם] עד״מ [על דרך משל] אספקלריא שאינה מאירה או בחי׳ חשוך והעלם יותר) (ועמ״ש סד״ה צאינה וראינה בעטרה כו׳)
E por isso se diz “e cria a escuridão”: em Beriá, onde [a luz] é atraída de Chochmá, Biná e Daat de Atsilut, a revelação só pode ocorrer, por analogia, como através do espéculo que não ilumina, ou como um nível de escuridão e ocultação ainda maior.) (E veja o que está escrito no final do discurso iniciado por “Ide e vede”, sobre “com a coroa”, etc.)
Por isso Beriá, que recebe do intelecto de Atsilut, é chamada “escuridão”: sua revelação se assemelha à do espéculo que não ilumina, ou a uma escuridão e ocultação ainda mais profundas. Também se faz referência ao final do discurso “Ide e vede”, sobre “a coroa”.
ומפני זה ג״כ נק׳ עלמות לשון עלמה שהיא בתולה ואיש לא ידעה14 מאחר שטיפת החכמה אין מא יר בתוכה בגילוי ממש.
E por essa razão também são chamadas alamot, expressão derivada de almah (donzela), que é virgem e “nenhum homem a conhecera”, pois a gota de Chochmá não brilha dentro dela em revelação propriamente dita.
É também por isso que as leis do Talmud são chamadas alamot, de almah, donzela “que nenhum homem conhecera” (Gênesis 24:16). A “gota” de Chochmá não brilha em Beriá em revelação manifesta.
אך אעפ״כ [אף על פי כן] נתגלה איזה הארה אכן לא על בוריו לכן ובורא חושך שהתגלות הארה כמו בחושך עד״מ [על דרך משל] שנתבטל מהותו ואין רואה שום דבר היטב רק מה שרואה איזה דבר אין רואה על בוריו
Contudo, apesar disso, algum esplendor é revelado, mas não claramente. Por isso se diz “e cria a escuridão”: a revelação do esplendor é como na escuridão, por analogia, quando o próprio ser fica anulado e nada é visto bem; antes, aquilo que se vê não é visto com clareza
Ainda assim, algum esplendor é revelado ali, embora não claramente; esse é o sentido de “cria a escuridão”. É como enxergar no escuro, quando o próprio ser fica como que anulado e nada é visto bem: aquilo que se vê não é visto com clareza.
ועל מכונו ואין מקיף את הדבר שרואה בעיני ראי׳ [ראיה] שלו (ועיין מ״ש במ״א בענין משגיח מן החלונוץ מציץ מן החרכים)15 וזהו לרקמות תבל למלך בתולות אחריה רעותיה16
nem em seu devido lugar, e não se apreende por inteiro, com os olhos, aquilo que se vê. (E veja o que está escrito em outro lugar a respeito de “Ele olha pelas janelas, espia pelas grades”.) E este é [o sentido de] “Em vestes bordadas ela é conduzida ao Rei; atrás dela, as donzelas, suas companheiras”:
Na escuridão, tampouco se vê algo em seu devido contexto nem se apreende plenamente com os olhos; também se faz referência ao versículo “Ele olha pelas janelas, espia pelas grades” (Cântico dos Cânticos 2:9). O versículo “Em vestes bordadas ela é conduzida ao Rei; atrás dela, as donzelas, suas companheiras” (Salmos 45:15) é agora interpretado nesses termos.
כי בהלכות שהם נקראים עלמות שהם שבעה היכלות דבריאה והם נקראים בתולות שלא קיבלה ההארה בתוכה בהתגלות רק בבחי׳ ביטול מהותה
pois as leis, que são chamadas alamot, correspondem aos sete palácios (heichalot) de Beriá e são chamadas “donzelas” (betulot), porque ela não recebeu o esplendor dentro de si em revelação, mas somente mediante a anulação de seu próprio ser.
As leis chamadas alamot correspondem aos sete palácios (heichalot) de Beriá e são as “donzelas” do versículo. São chamadas donzelas porque o esplendor não entrou nelas abertamente; elas o receberam somente por meio da anulação de seu próprio ser.
כי מ״מ [מכל מקום] איזה הארה יש מאיר אך לא יכול לבא בהתגלות בכלי בע״ג [בעלי גבול / בעל גבול] אשר לבעבור זה נתבטל המהות
Pois, apesar disso, alguma irradiação brilha; porém, ela não pode vir à revelação dentro de um recipiente finito, e, por isso, o ser é anulado.
Alguma irradiação brilha ali, mas não pode ser revelada dentro de um recipiente finito. Por isso, o ser do recipiente que a recebe é anulado diante dela.
ולכן נק׳ אחריה רעותיה וכשיש עליה לבחי׳ מלכות ותובל למלך כו׳ אז נתעלים גם ז׳ היכלות הנ״ל מובאות לך ממילא
E, por isso, são chamadas “atrás dela, suas companheiras”. E, quando há uma elevação ao nível de Malchut (soberania), “ela é conduzida ao Rei” etc., então os sete palácios mencionados acima também se elevam: “são conduzidos a Ti” por si mesmos,
Por isso, elas são “atrás dela, suas companheiras”: seguem a rainha, Malchut. Quando Malchut se eleva, “ela é conduzida ao Rei”, os sete palácios se elevam com ela, “conduzidos a Ti” naturalmente.
כי לא קיבלו ההשפעה תוך תוכם ואין מאיר בה בהתגלות בתוך הכלי שאין הכלי יכול להגביל אורה
pois não receberam a influência em sua interioridade mais íntima, e ela não brilha nelas de modo revelado dentro do recipiente, pois o recipiente não pode conter sua luz;
Elas se elevam junto com ela, não porque tenham recebido a luz interiormente. A luz não brilha abertamente dentro do recipiente, pois este não pode contê-la.
אך מחמת ההתגלות שיש מובאות לך ממילא (ועמ״ש במ״א ע״פ והנה רבקה יוצאת17 וע׳ [ועיין] בפ׳ ויקהל קצ״ז ב׳ פקודי רל״ה א׳ רל״ח א׳ ועיין פ׳ אחרי ס״ז ב׳):
mas por causa da revelação que há, “são conduzidos a Ti” por si mesmos. (E veja o que está escrito em outro lugar sobre o versículo “E eis que Rivká vinha saindo”; e veja na Parashat Vayakhel, 197b; Pekudei, 235a, 238a; e veja Parashat Acharei, 67b.)
Em vez disso, por causa da revelação que ali existe, elas são conduzidas junto por si mesmas. O parêntese final remete a um maamar sobre “E eis que Rivká vinha saindo” (Genesis 24:15) e aos fólios da Parashat Vayakhel, Pekudei e Acharei.
As leis do Talmud Babilônico, as “donzelas”, têm sua raiz em Beriá, onde o intelecto de Atsilut brilha apenas de forma oculta: por isso, Beriá é “escuridão”, e Yetsirá, que contém os atributos emocionais, é “luz”, como no caso do espelho que brilha e daquele que não brilha. Recebendo o esplendor somente por meio da autoanulação, os sete palácios de Beriá são as donzelas que acompanham a rainha e ascendem com ela quando Malchut sobe ao Rei.
Há aqui um paradoxo: a Chochmá é superior aos atributos emocionais, mas, abaixo, é chamada de escuridão, pois o finito não pode contê-la — assim como a visão mais elevada só é possível por meio do espelho que não brilha. Na passagem indicada pela nota da Kehot (Likkutei Torah, Shir HaShirim 4c), o Alter Rebe apresenta a mesma ideia por meio da relação entre um mestre e seu aluno: a fala do mestre é luz para o aluno, enquanto o pensamento do mestre ainda é escuridão para ele.
Marei mekomot
- 1וכמ״ש בע״ח אימא מקננא בבריאה · ש׳ סדר אבי״ע פ״ג. ת״ז (ת״ו) כג, א. [כ].
- 2אימא מקננא בבריאה · Sefer Etz Chaim 47:3–4
- 3אימא מקננא בבריאה · Tikkunei Zohar 23a:11–13
- 4יוצר אור זהו יצירה · ע״ל שחורה הא׳ פ״ב (ד׳ סע״ג). [כ].
- 5חכים ולא בחכמה ידיעא · Tikkunei Zohar 17b:3–4
- 6על תלמוד בבלי נאמר במחשכים · Sanhedrin 24a:18–19
- 7במחשכים הושיבני · Lamentations 3:6
- 8ולכן תפלה של יד נק׳ יוצר אור · ראה משנת חסידים מס׳ תפלת הבריאה פ״א מ״ז. ובסה״מ תק״ע ע׳ כב מציין למ״ש במשנת חסידים דכשאומר יוצר אור צריך למשמש בתפלה של יד.
- 9ואראה את אד׳ · Isaiah 6:1
- 10כי לא יראני · Exodus 33:20
- 11יוצר אור ובורא חושך · Isaiah 45:7
- 12מאד עמקו מחשבותיך · Psalms 92:6
- 13הנסתרות לה׳ אלקינו · Deuteronomy 29:28
- 14בתולה ואיש לא ידעה · Genesis 24:16
- 15משגיח מן החלונוץ מציץ מן החרכים · Song of Songs 2:9
- 16לרקמות תבל למלך בתולות אחריה רעותיה · Psalms 45:15
- 17והנה רבקה יוצאת · Genesis 24:15
Oração, o despertar de baixo ¶8–10
8ג והנה להמשיך ע״י עסקו בתורה כל הנ״ל צריך להיות מקודם אתעדל״ת [אתערותא דלתתא] ע״י ק״ש [קריאת שמע] ותפלה וכידוע שתפלה היא ח״י ברכאן דצלותא שמחברת ח״י חוליות שבשדרה מראש עד הרגלים וזה נעשה ע״י העלאת מ״ן [מיין נוקבין] שבק״ש [שבקריאת שמע].
3. Ora, para atrair para baixo tudo o que foi mencionado acima por meio do estudo da Torá, deve haver primeiro um despertar de baixo (itorerutá deletata), por meio do Shemá e da oração. Como é sabido, a oração consiste nas dezoito bênçãos da oração, que unem as dezoito vértebras da coluna, da cabeça aos pés; e isso se realiza por meio da elevação de mayin nukvin (águas femininas) no Shemá.
Começa uma terceira seção (numerada 3). Para atrair tudo isso para baixo por meio do estudo da Torá, é necessário primeiro um despertar de baixo, por meio do Shemá e da oração: as dezoito bênçãos da Amidá unem as dezoito vértebras da coluna, da cabeça aos pés, e isso é provocado pela elevação de mayin nukvin, as “águas femininas”, o anseio ascendente da alma, no Shemá.
Antes que o estudo da Torá possa atrair para baixo a revelação descrita acima, deve haver um despertar de baixo no Shemá e na oração, cujas dezoito bênçãos unem toda a “coluna”, da cabeça aos pés, por meio do mayin nukvin elevado no Shemá.
A ordem é importante: primeiro vem a oração, o despertar de baixo, e só então o estudo da Torá atrai para baixo a luz do alto. O parágrafo final do maamar retoma essa sequência.
9וז״ש [וזהו שכתוב] אחת היא יונתי1 פי׳ שצ״ל [שצריך להיות / שצריך לומר / שצריך להבין] בחי׳ אחת ואחת הוא לשון נוק׳ [נוקבא] שמקבלת מאחד ז״א [זעיר אנפין].
E este é [o sentido de] “Uma só é ela, minha pomba”. Isto é, deve haver o nível de achas (“uma”, no feminino); e achas é um termo para Nukvá (o feminino), que recebe de echad (“um”), Zeir Anpin.
O versículo “Uma só é ela, minha pomba” (Cântico dos Cânticos 6:9) descreve esta preparação: a alma deve alcançar o nível de achas, “uma” na forma feminina. Achas representa Nukvá, o aspecto feminino que recebe, e que recebe de echad, “Um”, isto é, Zeir Anpin.
וע״י העלאת מ״נ [מיין נוקבין] למטה בבחי׳ אחת אז רוח אייתי רוח ואמשיך רוח2 וזהו יונתי ע״ש [עיין שם] עיניך יונים3 ע״י אסתכלותא ביקרא דמלכא בא
E, por meio da elevação de mayin nukvin (águas femininas) abaixo, no nível de achas, então “espírito traz espírito e atrai espírito”. E isto é “minha pomba”, assim chamada por causa de “teus olhos são pombas”: por meio de contemplar a glória do Rei, chega-se
Quando mayin nukvin são elevados de baixo nesse estado de achas, então, nas palavras do Zohar, “espírito traz espírito e atrai espírito”: o despertar de baixo atrai uma resposta do alto. “Minha pomba” evoca “teus olhos são pombas” (Cântico dos Cânticos 4:1), pois chega-se a achas contemplando a glória do Rei.
לבחי׳ אחת ע״י התבוננותו בפסוד״ז [בפסוקי דזמרה] משובח ומפואר עדי עד שמו הגדול פי׳ כל השבחים והתפארות מריש כל דרגין עד אין קץ זהו עדי עד הוא
ao nível de achas, por meio de sua contemplação nos Versículos de Louvor (Pesukei deZimra): “louvado e glorificado para todo o sempre é Seu grande Nome”. O sentido é: todos os louvores e glorificações, desde o início de todos os níveis até o infinito, que é “para todo o sempre”, são
Essa contemplação é a contemplação em Pesukei deZimra, os Versículos de Louvor, cuja bênção inicial termina com “louvado e glorificado para todo o sempre é Seu grande Nome”. O Alter Rebe interpreta “para todo o sempre” como todos os louvores e glórias, desde o início de todos os níveis até o infinito.
רק מבחי׳ שמו הגדול היינו רק בחי׳ הארה וזיו מעצמותו ישתבח שמך לעד שכל בחי׳ השתלשלות מרום המעלות הכל הוא בחי׳ שמך.
somente do nível de “Seu grande Nome”, isto é, somente o nível de um esplendor e brilho de Sua essência. “Que Teu Nome seja louvado para sempre”: todos os níveis da hishtalshelut, desde as alturas mais elevadas, são todos o nível de “Teu Nome”.
Todos eles provêm somente de “Seu grande Nome”, mero esplendor e brilho de Sua essência. Da mesma forma, a bênção final, “Que Teu Nome seja louvado para sempre”, afirma que toda a cadeia descendente dos mundos, desde as alturas mais elevadas, é apenas “Teu Nome”.
“Uma só é ela, minha pomba” descreve a preparação da alma: ao contemplar em Pesukei deZimra que todos os níveis da criação, por mais elevados que sejam, são apenas um brilho de Seu Nome, a alma se torna achas, a Nukvá receptora, e eleva mayin nukvin, atraindo uma resposta do alto.
O par achas e echad representa a relação da alma com D'us por meio de Nukvá e Zeir Anpin: a alma se torna receptora, unida ao Um. Contemplar que toda a hishtalshelut é apenas “Seu Nome” possibilita isso, pois mostra que cada nível dos mundos é mero esplendor da essência.
Marei mekomot
- 1אחת היא יונתי · Song of Songs 6:9
- 2רוח אייתי רוח ואמשיך רוח · Zohar, Terumah 64:660–66:669
- 3עיניך יונים · Song of Songs 4:1
10והנה ע״י התבוננות בפסוד״ז [בפסוקי דזמרה] באריכות אז הוא בא לבחי׳ אחד ואהבת וכו׳1 כל מאדך בלי גבול מס״נ [מסירות נפש] ולבעבור זה אומרים לשם יחוד קוב״ה [קודשא בריך הוא] ושכינתיה היינו שגם למטה צריך להיות יחוד מס״נ [מסירות נפש].
Ora, por meio da contemplação prolongada nos Versículos de Louvor (Pesukei deZimrá), a pessoa chega então ao nível de echad (“Um”) e [a] “Amarás”, etc., “com toda a tua força”, sem limite: autossacrifício (mesirut nefesh). Por isso dizemos: “Pela unificação do Santo, bendito seja Ele, e de Sua Shechiná (Presença Divina)”; isto é, também abaixo deve haver uma unificação por meio do autossacrifício.
A contemplação prolongada nos Versículos de Louvor conduz a pessoa ao nível de echad, o “Um” do Shemá, e a “Amarás Havayá, teu D'us… com toda a tua força” (Deuteronômio 6:5), um amor sem limites, que é autossacrifício. É por isso que dizemos: “Pela unificação do Santo, bendito seja Ele, e de Sua Shechiná”: uma unificação também deve ocorrer abaixo, e ela se concretiza por meio do autossacrifício.
גם במה ששוכן בתחתונים ע״י העלא׳ [העלאת / העלאה] מ״נ [מיין נוקבין] בלי גבול ובכל מאדך אז ע״י אתעדל״ת [אתערותא דלתתא] אתעדל״ע [אתערותא דלעילא] יחוד סובב וממלא ובלא זה אין יכול להיות התגלות סובב בממלא ואין יכול להמשיך ע״י למודו התגלות הסובב מה
Também naquilo que habita nos mundos inferiores, por meio da elevação de mayin nukvin (águas femininas) sem limite, e “com toda a tua força”, então, por meio do despertar de baixo (isarusa dilesata), [vem] um despertar do alto, a unificação de sovev e memalê. Sem isso, não pode haver revelação de sovev dentro de memalê, e não se pode atrair, por meio de seu estudo, a revelação de sovev, que
“Aquilo que habita nos mundos inferiores” é a Shechiná (a palavra provém da raiz “habitar”). Quando a pessoa eleva mayin nukvin, o anseio ascendente da alma, sem limite e “com toda a tua força”, esse despertar de baixo desperta um despertar do alto: a união de sovev, a luz que está além dos mundos, com memalê, a luz que está dentro deles. Sem isso, sovev não pode ser revelado dentro de memalê, e o estudo da Torá não pode atrair a revelação de sovev.
שהוא קדוש ומובדל ואין בגדר עלמין כלל והאומר אין לי אלא תורה אפילו תורה אין לו.2
que é santo e separado, e não se encontra de modo algum dentro dos limites dos mundos. E aquele que diz: “Não tenho nada além da Torá” não tem sequer Torá.
Sovev é “santo e separado”, além dos limites de qualquer mundo, e por isso o estudo comum não o alcança. Aplica-se aqui a afirmação do Talmud de que aquele que diz “Não tenho nada além da Torá” não tem sequer Torá (Yevamos 109b): o estudo da Torá sem o autossacrifício da oração não pode atrair essa revelação.
כ״א [כי אם] כשיש לו מס״נ [מסירות נפש] בלי גבול בחילא יתיר יותר מהכלי אז ממשיך ע״י עסק התורה התגלות סובב (ועמ״ש מזה בביאור ע״פ והנה מנורת זהב3 כולה וגולה על ראשה4 כו׳)
Mas quando há nele autossacrifício sem limite, com uma força extraordinária, maior do que o recipiente [pode conter], então ele atrai, por meio do estudo da Torá, a revelação de sovev. (E veja o que está escrito a respeito disso na explicação do versículo: “E eis que havia um candelabro todo de ouro, e sua taça no alto”, etc.)
Somente quando a pessoa manifesta autossacrifício sem limite, com uma força maior do que o recipiente pode conter, seu estudo da Torá atrai a revelação de sovev. O parêntese remete à explicação, em outra parte de Likkutei Torah, da visão de Zechariá do candelabro de ouro com sua taça no alto (Zechariá 4:2).
ולכן שייך הלשון יחוד קוב״ה [קודשא בריך הוא] ושכינתיה שנעשה יחוד מ״נ [מיין נוקבין] ומ״ד [ומיין דוכרין] לשון הגמרא אין טפה יורדת מלמעלה שאין טיפיים עולים מלמטה.16
Portanto, cabe a expressão “a unificação do Santo, bendito seja Ele, e de Sua Shechiná”, pois ocorre uma unificação de mayin nukvin e mayin duchrin (águas masculinas); nas palavras da Guemará: “Nenhuma gota desce do alto sem que duas gotas subam de baixo.”
É por isso que a fórmula fala em unir “o Santo, bendito seja Ele, e Sua Shechiná”: trata-se da união de mayin nukvin, que sobem de baixo, com mayin duchrin, as “águas masculinas” que fluem do alto em resposta. O Talmud diz o mesmo a respeito da chuva (Taanis 25b), e o Zohar cita a formulação apresentada aqui: nenhuma gota desce do alto sem que duas gotas subam de baixo para encontrá-la.
וע״י תפלה נעשה הבירור מק״נ [מקליפת נוגה] כי מחמת שאכל המאכלים המותרים ניתוסף בו כח וחיות ובכח זה הוא מתפלל ואומר שמע ישראל כו׳5
E, por meio da oração, ocorre a depuração (birur) de kelipat nogá. Pois, como comeu alimentos permitidos, foram acrescentadas a ele força e força vital; e com essa força ele reza e diz: “Ouve, ó Israel”, etc.,
A oração também realiza a depuração (birur) das centelhas contidas em kelipat nogá, o domínio no qual o bem e o mal estão misturados e do qual as coisas permitidas recebem sua vitalidade. O alimento permitido que a pessoa comeu acrescenta-lhe força e força vital, e é com essa mesma força que ela reza e diz: “Ouve, ó Israel” (Deuteronômio 6:4).
ואהבת וכו׳ עי״ז נתבררו הניצוצים מק״נ [מקליפת נוגה] ונכלל בחי׳ אחת בחי׳ אחד וע״י התבוננות בתפלה מאיר הנשמה בהגוף שלא תהיה שום מונע מהגוף אכן המס״נ [המסירות נפש] הוא מצד נשמה נפש אלקית
“Amarás”, etc. Por meio disso, as centelhas de kelipat nogá são depuradas, e o nível de achas é incluído no nível de echad. E, por meio da contemplação na oração, a alma ilumina o corpo, de modo que o corpo não ofereça obstáculo algum. Contudo, o autossacrifício provém da alma, da alma divina,
Quando essa força é empregada no Shemá e em “Amarás”, as centelhas presentes no alimento são depuradas de kelipat nogá, e achas, a alma receptora, é incluída em echad, o Um. A contemplação na oração faz a alma iluminar o corpo, de modo que o corpo já não a impede; mas o próprio autossacrifício provém da alma, da alma divina.
כי חלק וגו׳ [וגומר]6 שהנשמה הוא חלק7 הוי׳ ברא כרעא דאבוה ממש שאין שום מניעה מחמת הרגל ד״מ [דרך משל] ולכל אשר יחפוץ הראש
pois “a porção”, etc.: a alma é uma porção de Havayá; “o filho é a perna de seu pai”, literalmente, de modo que a perna não oferece impedimento algum, a título de analogia; e para onde quer que a cabeça deseje
A alma divina é capaz de autossacrifício porque é “a porção de Havayá” (Deuteronômio 32:9) e, no verdadeiro sentido da expressão talmúdica, “o filho é a perna de seu pai”. A analogia que se segue é a da perna, que nunca resiste à cabeça.
להושיט את הרגל אם במקום קר או במקום חם היא בטלה ועושה מחמת כי היא באחדות ממש עם הראש וכל החיות שלה בטל לשם.
estender o pé, seja para um lugar frio ou para um lugar quente, ele se anula e o faz, porque está em verdadeira unidade com a cabeça, e toda a sua força vital está anulada diante dela [da cabeça].
Quer a cabeça mova o pé para o frio, quer para o calor, o pé simplesmente cede e o faz, porque é verdadeiramente um com a cabeça, e toda a sua força vital está anulada diante dela. Sua obediência decorre dessa unidade, não de uma decisão própria.
ככה ממש הנשמות חלק אלקים וכרעא דאבוה ויש בזה בכח כל נפש למס״נ [למסירות נפש] ממש רק המניעה הוא מחמת נפש השכלית של בהמיות.
Exatamente assim são as almas, uma porção de D'us e “a perna de seu pai”; e, por isso, está ao alcance de toda alma [chegar] ao verdadeiro autossacrifício. Apenas, o impedimento decorre da alma intelectual da animalidade.
Assim são as almas: cada uma é uma porção de D'us e, por assim dizer, “a perna de seu pai”; por isso, toda alma tem dentro de si a capacidade de alcançar o verdadeiro autossacrifício. O que a impede é apenas a alma intelectual do lado animal, a mente que pertence à natureza animal da pessoa.
אכן ע״י התבוננות בתפלה כנ״ל אז גם נפש השכלית תסכים ע״ז [על זה] לאשתאבא בגופא דמלכא89 מי לי בשמים ועמך לא חפצתי בארץ10
No entanto, por meio da contemplação na oração, como mencionado acima, também a alma intelectual consentirá nisso, “ser absorvida no corpo do Rei”: “Quem tenho eu nos céus? E, contigo, nada desejo na terra.”
A contemplação na oração leva até mesmo essa alma intelectual a consentir em “ser absorvida no corpo do Rei”, expressão do Zohar (1:217b). Sua atitude passa a ser a do salmo: “Quem tenho eu nos céus? E, contigo, nada desejo na terra” (Psalms 73:25).
ואדרבה אז נתעלה יותר א״ח [אשת חיל] עטרת בעלה כמבואר במ״א והלימוד שבכל יום עולה בתפלה של אותו היום ותפלה של כל השבוע עולה בתפלה של שבת
Pelo contrário, então ela se eleva ainda mais: “a mulher virtuosa é a coroa de seu marido”, conforme explicado em outro lugar. E o estudo de cada dia ascende na oração daquele dia, e a oração de toda a semana ascende na oração de Shabat.
Além de consentir, a alma intelectual então se eleva ainda mais, como em “a mulher virtuosa é a coroa de seu marido” (Proverbs 12:4), ponto que o texto diz ser explicado em outro lugar. O mesmo padrão de ascensão vincula estudo e oração: o estudo de cada dia se eleva na oração daquele dia, e a oração de toda a semana se eleva na oração de Shabat.
לכן ע״י יונתי היינו בחי׳ הסתכלות ביקרא דמלכא נעשה תמתי תמימות ושלימות בכל הבחי׳ יחוד קוב״ה [קודשא בריך הוא] ושכינתי׳ וע״י מס״נ [מסירות נפש] כנ״ל נעשה ונתגלה יחוד סובב בממלא כנ״ל.111213141517
Portanto, por meio de “minha pomba”, isto é, o nível de contemplar a glória do Rei, realiza-se “minha perfeita” (tamati): inteireza e perfeição em todos os níveis, a unificação do Santo, bendito seja Ele, e de Sua Shechiná. E, por meio do autossacrifício mencionado acima, realiza-se e revela-se a unificação da luz que circunda todos os mundos (sovev kol almin) dentro da luz que preenche todos os mundos (memalê kol almin), como mencionado acima.
Assim, “minha pomba”, a contemplação da glória do Rei, produz “minha perfeita” (tamati) (Song of Songs 6:9), inteireza e perfeição em todos os níveis, que é a unificação do Santo, bendito seja Ele, e de Sua Shechiná. E, por meio do autossacrifício descrito acima, realiza-se e revela-se a união de sovev kol almin dentro de memalê kol almin.
A contemplação nos Versículos de Louvor conduz ao amor do Shemá “com toda a tua força”, um autossacrifício sem limites que une o Santo e Sua Shechiná abaixo; somente esse despertar de baixo permite que o estudo da Torá atraia sovev para dentro de memalê. A alma divina está naturalmente pronta para isso, como uma perna que obedece à cabeça, e a oração leva até o intelecto da alma animal a consentir, de modo que aquilo que está abaixo se eleve e se torne uma coroa.
A passagem do Zohar citada na nota de Kehot (3:247b, no Raaya Mehemna) reproduz a afirmação de Taanis na mesma forma que aqui: “nenhuma gota desce do alto a menos que duas gotas subam ao seu encontro”, numa discussão sobre as gotas sagradas atraídas do alto. Aqui explica-se por que a unificação deve começar abaixo: os mayin nukvin elevados na oração são o que desperta os mayin duchrin.
Marei mekomot
- 1ואהבת וכו׳ בכל מאדך · Deuteronomy 6:5
- 2אין לי אלא תורה אפילו תורה אין לו · Yevamot 109b:5–6
- 3בביאור ע״פ והנה מנורת זהב · לעיל פ׳ בהעלותך.
- 4והנה מנורת זהב כולה וגולה על ראשה · Zechariah 4:2
- 5שמע ישראל כו׳ · Deuteronomy 6:4
- 6כי חלק וגו׳ · Deuteronomy 32:9
- 7שהנשמה הוא חלק הוי׳ · בהנחת הר״פ ע׳ קעב נוסף: בני בכורי ישראל.
- 8לאשתאבא בגופא דמלכא · זח״א (ריז, ב). [כ].
- 9לאשתאבא בגופא דמלכא · Zohar, Vayechi 19:134–20:147
- 10מי לי בשמים ועמך לא חפצתי בארץ · Psalms 73:25
- 11ועמ״ש במ״א ע״פ והנה רבקה יוצאת · ראה מאמרי אדה״ז על מארז״ל ע׳ רד-רי.
- 12וע׳ בפ׳ ויקהל קצ״ז ב׳ פקודי רל״ה א׳ רל״ח א׳ ועיין פ׳ אחרי ס״ז ב׳ · נעתקו ביהל אור ע׳ קעו.
- 13אחת היא יונתי · Song of Songs 6:9
- 14רוח אייתי רוח ואמשיך רוח · Zohar II, 162b
- 15עיניך יונים · Song of Songs 4:1
- 16אין טפת יורדת מלמע׳ · Taanit 25b
- 17אשת חיל עטרת בעלה · Proverbs 12:4
Elevar-se a Biná ¶11
11וזהו אחת היא לאמה כשהיא בבחי׳ אחת הנכללת בחד כנ״ל אז היא עולה לבחי׳ אמה בינה אם הבנים1 כי הנה בדבר ה׳ שמים נעשו2 והנה ד״מ [דרך משל] באדם הדבור נמשך ממחשבה.
E isto [é o significado de] “Uma só é ela para sua mãe”: quando ela está no nível de achas, que está incluído no Um (chad), como mencionado acima, então ascende ao nível de “sua mãe”, Biná (entendimento), “a mãe dos filhos”. Pois, eis que “Pela palavra de Havayá foram feitos os céus”; e eis que, a título de analogia, numa pessoa a fala deriva do pensamento.
O versículo prossegue: “Uma só é ela para sua mãe” (Cântico dos Cânticos 6:9): quando a alma é achas, incluída no Um, ela ascende à “sua mãe”, que é Biná, chamada “a mãe dos filhos” (Salmos 113:9). Para mostrar por que isso constitui uma ascensão, o texto recorda que os céus foram feitos “pela palavra de Havayá” (Salmos 33:6), e que, numa pessoa, a fala deriva do pensamento.
אכן הנשמות עלו במחשבה וכשנשמתו הגיע לבחי׳ אחת ושגם הגוף מסכים על מס״נ [מסירות נפש] יחדו קב״ה [קודשא בריך הוא] ושכינתי׳ שנכלל בבחי׳ אחד אז עולה כל השתלשלות ונתעלו למקורן ושרשן
No entanto, as almas ascenderam no pensamento. E quando a alma dele alcançou o nível de achas, e também o corpo consente no autossacrifício (mesirut nefesh), o Santo, bendito seja Ele, e Sua Shechiná (Presença Divina) se unem, pois ela está incluída no nível de echad; então toda a cadeia descendente dos mundos (hishtalshelut) ascende, e eles são elevados à sua fonte e raiz.
As almas, em contraste, “ascenderam no pensamento”, um nível acima da fala divina que criou o mundo. Assim, quando a alma de uma pessoa alcança achas e o corpo também consente no autossacrifício, o Santo e Sua Shechiná se unem, e toda a cadeia descendente dos mundos ascende, com todos os seus níveis elevados à sua fonte e raiz.
וזהו ברה היא ליולדתה3 בינה אם הבנים וע״י תורה ותפלה נגמר כל הבירורין וברה היא ונכללים ועולים ליולדתה כנ״ל אשר נתבררו הבירורים מק״נ [מקליפת נוגה] ע״י שאכל המאכלים אשר שרשם מק״נ [מקליפת נוגה]
E isto é: “Pura (barah) é ela para aquela que a deu à luz”: Biná, “a mãe dos filhos”. E, por meio da Torá e da oração, todos os refinamentos (birurim) são concluídos, e “pura é ela”, e eles são incluídos e ascendem “àquela que a deu à luz”, como mencionado acima; pois os refinamentos foram refinados da kelipá nogá por meio de ele ter comido os alimentos cuja raiz provém da kelipá nogá,
Isto é: “Pura (barah) é ela para aquela que a deu à luz” (Cântico dos Cânticos 6:9), sendo aquela que a deu à luz Biná, a mãe. Barah é interpretada como birur, refinamento: por meio da Torá e da oração, todos os refinamentos são concluídos, e as centelhas refinadas são incluídas e ascendem a Biná, pois foram extraídas da kelipá nogá quando a pessoa comeu alimentos cuja raiz se encontra na kelipá nogá.
ובזה הכח התפלל אחד ואהבת וכו׳ וידוע כי שרשם הוא מעולם התהו כי לא על הלחם לבדו4 יחיה האדם
e com essa força ele rezou “Um” e “Amarás”, etc. E é sabido que sua raiz está no Mundo de Tohu, pois “não só de pão vive o homem”,
Com a força daquele alimento, ele rezou as palavras do Shemá: “Um” e “Amarás”. É sabido que a raiz dessas centelhas está no Mundo de Tohu, o mundo que precedeu o nosso mundo ordenado; e o versículo “não só de pão vive o homem” (Deuteronômio 8:3) aponta para isso.
כי על כל מוצא פי הוי׳ יחיה האדם שהמוצא פי הוי׳ שבמאכלים הם גבוהים יותר בשרשם
mas “de tudo o que sai da boca de Havayá vive o homem”: pois aquilo que sai da boca de Havayá nos alimentos é mais elevado em sua raiz.
O versículo conclui que o homem vive “de tudo o que sai da boca de Havayá”: o que verdadeiramente nutre é a expressão divina contida no alimento. Essa expressão no alimento é mais elevada em sua raiz, pois provém de Tohu.
ולכן כשמתפלל במס״נ [במסירות נפש] בכח המאכלים כנ״ל אז נכלל הכל ונעשה מזה אח״ז [אחר זה] התגלות סובב בממלא העלאת מ״נ [מיין נוקבין] כנ״ל והמשכת מ״ד [מיין דוכרין] כנ״ל.
Portanto, quando ele reza com autossacrifício, pela força dos alimentos, como mencionado acima, tudo é então incluído, e disso decorre posteriormente a revelação de sovev dentro de memalê: a elevação de mayin nukvin (águas femininas), como mencionado acima, e a descida de mayin duchrin (águas masculinas), como mencionado acima.
Assim, quando uma pessoa reza com autossacrifício, utilizando a força do alimento, tudo é incluído e elevado; disso decorre a revelação de sovev dentro de memalê. Este é o processo descrito acima: a elevação de mayin nukvin de baixo e, em resposta, a descida de mayin duchrin do alto.
ולכן ע״י תפלה שהיא העלאת מ״נ [מיין נוקבין] מקודם אז ע״י עסקו בתורה נמשך התגלות סובב בממלא קול דודי הנה זה בא5 וכו׳:
Portanto, por meio da oração, que é a elevação de mayin nukvin realizada primeiro, então, por meio de seu estudo da Torá, é atraída a revelação de sovev dentro de memalê: “A voz do meu amado! Eis que ele vem”, etc.
O maamar conclui retomando a ordem com que esta seção começou: a oração, a elevação de mayin nukvin, deve vir primeiro; depois, o estudo da Torá atrai a revelação de sovev dentro de memalê. Isto é: “A voz do meu amado! Eis que ele vem” (Cântico dos Cânticos 2:8), o versículo cujas palavras seguintes, “saltando sobre os montes”, deram início ao maamar.
O restante do versículo completa o quadro: a alma que se tornou achas ascende à “sua mãe”, Biná, o nível do pensamento no qual as almas têm sua raiz; e “pura é ela” significa que os refinamentos obtidos por meio da alimentação e da oração são concluídos e elevados até lá. Assim, a oração com autossacrifício eleva mayin nukvin, e depois o estudo da Torá atrai sovev para dentro de memalê: “A voz do meu amado! Eis que ele vem”.
Na transcrição de Sefer HaMaamarim 5570 à qual a nota da Kehot remete, barah é explicado como refinamento e pureza na mais perfeita beleza, como em “clara como o sol”. A afirmação de que as centelhas dos alimentos permitidos provêm de Tohu, cuja raiz é mais elevada, explica por que a oração proferida com a força desses alimentos pode elevar tudo até Biná.
Marei mekomot
- 1אמה בינה אם הבנים · Psalms 113:9
- 2בדבר ה׳ שמים נעשו · Psalms 33:6
- 3ברה היא ליולדתה · Song of Songs 6:9
- 4כי לא על הלחם לבדו · Deuteronomy 8:3
- 5קול דודי הנה זה בא · Song of Songs 2:8
Terminou o maamar?
Marque-o como estudado; ele conta para a semana e para o siyum do ano.
Na avodá
A oração deve preceder o estudo. Deve-se contemplar longamente, durante Pesukei deZimra, que todos os níveis, desde o mais alto dos altos, são apenas um brilho de Seu Nome, até que a alma se entregue no Shemá “com toda a sua força”; e deve-se dedicar a essa oração a força obtida dos alimentos permitidos, para que suas centelhas sejam refinadas. Somente o estudo da Torá que vem depois de tal oração atrai a luz que está além dos mundos, pois “quem diz: ‘Não tenho senão a Torá’ não tem nem mesmo Torá”; o estudo de cada dia se eleva na oração daquele dia, e a oração de toda a semana se eleva na oração de Shabat.
Perguntas para conversar
- Por que a passagem da Luz Infinita para Atsilut é chamada de “salto”, enquanto a passagem de Atsilut para Beriá não o é, embora uma parsa as separe?
- Se o sovev não muda e, diante dele, o alto e o baixo são iguais, o que isso explica sobre a providência de D'us sobre cada detalhe, e qual foi o erro de Bilam?
- Por que o Talmud Babilônico, que transmite a Chochmá de D'us, é chamado de “lugares escuros”, enquanto as decisões da Mishná brilham claramente?
- Por que a oração com autossacrifício deve preceder o estudo da Torá para que o estudo atraia o sovev para baixo?
- Como a alimentação de alimentos permitidos se torna parte da elevação da alma na oração?