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Likkutei Torah · Parshas Shir HaShirim · Maamar 25

ביאור ע״פ באתי לגני

Explicação do versículo “Entrei no meu jardim”

  • 13 parágrafos · 92 seções
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A ideia central

O estudo da Torá por sua própria causa, com profundidade e especialmente depois da meia-noite, atrai para Zeir Anpin não apenas o brilho contraído de Chochmá, que conduz o mundo por meio do Nome Elokim, mas também a essência do intelecto de Abá; para isso, a fonte precisa estar acima da própria Chochmá: o “fragrante” de Atik, simbolizado pela mirra e pelas especiarias do versículo.

O maamar em resumo

O maamar explica, cláusula por cláusula, Cântico dos Cânticos 5:1. A noite é um período de descida, e a meia-noite dá início à ascensão. Zeir Anpin, “o Santo, bendito seja Ele”, contém apenas um ponto oculto do intelecto de Abá e Imá, pois, da perspectiva de quem dá, tudo o que está abaixo é como nada. Durante os seis dias, esse ponto chega por meio de Elokim, a contração; no Shabat, o próprio intelecto de Abá é revelado, e Havayá se manifesta. O estudo da Torá por sua própria causa age como o Shabat: D'us “estuda diante” de quem aprende, e o intelecto essencial de Abá entra em Zeir Anpin; o estudo profundo confere intelecto às “letras” e suaviza os juízos de Leah, e o estudo depois da meia-noite retifica Rachel. Para atrair a essência de Chochmá, é necessária uma fonte acima dela, assim como um mestre se vale de uma mente mais elevada do que sua ideia. O olfato, o “nariz de Atik”, está acima do paladar, que corresponde a Chochmá. Mirra e especiarias representam afastar-se do mal e praticar o bem. O favo de mel são os anjos, elevados por meio das almas; o vinho e o leite nutrem Zeir Anpin; os “amigos”, Israel, atraem a própria Luz Infinita; os “amados” sedentos são Zeir Anpin e Nukvá. À meia-noite, o jardim recebe do próprio Éden.

Esquema

  1. O cabeçalhoExplicação do versículo “Entrei no meu jardim”.¶1
  2. A noite, a meia-noite e o intelecto ocultoO ciclo de descida até a meia-noite e de ascensão da meia-noite até a oração da manhã. Zeir Anpin contém o intelecto de Abá e Imá apenas como um ponto oculto, envolto em duas coberturas, pois, da perspectiva de quem dá, tudo o que está abaixo é como nada.¶2
  3. Elokim, o Shabat e a Torá lishemahDurante os seis dias, Chochmá chega aos atributos por meio de Elokim, os trinta e dois caminhos da contração; no Shabat, o próprio intelecto de Abá é revelado, e Havayá se acrescenta a Elokim. O estudo da Torá por sua própria causa produz o mesmo efeito: “Elevai as mãos em santidade” atrai a luz de Abá para Zeir Anpin.¶3
  4. Leshem hei: suavizar LeahUma segunda interpretação de lishmah: o estudo com contemplação e profundidade atrai do Yessod de Abá e infunde intelecto nas letras do pensamento, suavizando os juízos de Leah na alma e em todos os mundos.¶4
  5. Por que a partir de ChochmáA Luz Infinita repousa em Chochmá, que é ayin e nada oculta, enquanto os mundos inferiores recebem por meio do véu de Biná; por isso, a centelha divina em cada judeu repousa na Chochmá da alma.¶5
  6. O estudo depois da meia-noiteÀ meia-noite, Rachel desceu e Leah está em estado de juízo; o estudo da Torá depois da meia-noite atrai luz para Rachel, preparando sua ascensão pela manhã, e suaviza Leah.¶6
  7. Uma fonte acima de Chochmá: mirra e especiariasAssim como um mestre precisa de uma mente mais elevada do que sua ideia, para atrair Chochmá aos atributos é necessária uma fonte acima dela. O olfato, abrangente e que nunca se esgota — o “nariz de Atik” — está acima do paladar, que corresponde a Chochmá; a fragrância resulta da suavização das severidades por meio de uma raiz elevada. Por isso, Yitschac sentiu o cheiro das “vestes”, interpretadas como “traidores”. A mirra representa afastar-se do mal; as especiarias, praticar o bem.¶7–9
  8. Favo de mel, vinho e leiteO favo de mel são os anjos, dos quais as almas recebem temor e amor na oração, e que são elevados por meio das almas como águas femininas. O vinho e o leite são o intelecto de Imá e de Abá, que nutrem Zeir Anpin até que cada atributo contenha um conjunto completo de dez, permitindo que a bondade flua para os mundos inferiores.¶10–11
  9. Os amigosAs almas de Israel são os “amigos”: o estudo da Torá por sua própria causa atrai a própria Luz Infinita, revestida em Chochmá, para dentro da alma. Por isso, quem se ocupa da Torá está isento da oração.¶12
  10. Os amados e a meia-noite no jardimOs dodim, Zeir Anpin e Nukvá, têm sede e são revigorados pela água e pelo vinho das severidades de Imá; os re'im acima são como o azeite, unidos para sempre. À meia-noite, o Santo, bendito seja Ele, aparece no jardim e atrai para ele a essência do Éden — a Chochmá superior, acima do rio medido.¶13

Conceitos-chave

Zeir Anpinז״א
A configuração dos seis atributos emocionais, aqui “o Santo, bendito seja Ele”, por meio de quem o mundo é conduzido. Recebe o intelecto de Abá e Imá, em geral apenas como um ponto oculto.
O intelecto de Abáמוחין דאבא
O intelecto de Chochmá. Durante a semana, apenas um brilho contraído dele chega a Zeir Anpin por meio do Nome Elokim; no Shabat e por meio do estudo da Torá por sua própria causa, sua essência é atraída para dentro.
Yesh e ayinיש ואין
Para quem recebe, seu próprio nível é real, e o que está acima é “nada”; para quem dá, o nível superior é real, e tudo o que está abaixo é considerado nada. Por isso, o que desce do alto é apenas um mero ponto.
Lishmahלשמה
Estudo da Torá “por sua própria causa”, interpretado também como leshem hei, “pela hei”: estudo profundo que atrai do Yessod de Abá e suaviza os juízos de Leah.
Leah e Rachelלאה ורחל
Duas configurações femininas. Leah são as letras do pensamento, a Malchut de Tevuná, e está em estado de juízo; Rachel desce à noite e é retificada, preparando sua ascensão pela manhã, por meio do estudo depois da meia-noite.
Olfato e paladarריח וטעם
O paladar é interior, limitado e se esgota, correspondendo a Chochmá; o olfato é abrangente e nunca se esgota — o “nariz de Atik”, acima de Atsilut. A mirra e as especiarias do versículo são fragrâncias, uma fonte acima de Chochmá.
Águas femininasמיין נוקבין
O despertar de baixo. Os anjos ascendem por meio das almas como águas femininas, que atraem para baixo as águas masculinas do alto.
Amigos e amadosרעים ודודים
Os re'im, que nunca se separam, correspondem ao nível do azeite e do ato de comer, a absorção na fonte; as almas de Israel se assemelham a eles. Os dodim, Zeir Anpin e Nukvá, unem-se apenas em certos momentos e, por isso, têm sede.

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O cabeçalho ¶1

1ביאור ע״פ באתי לגני

Uma explicação do versículo “Vim ao Meu jardim”.

Explicação

O título identifica o versículo que este discurso explica, Cântico dos Cânticos 5:1. Os parágrafos seguintes abordam o versículo frase por frase: a mirra e as especiarias, o favo de mel e o mel, o vinho e o leite, os “amigos” e os “amados”.

O parágrafo 1 em resumo

O título identifica o versículo que o discurso explicará: “Vim ao Meu jardim”.

Marei mekomot

  1. 1
    באתי לגני · Song of Songs 5:1

A noite, a meia-noite e o intelecto oculto ¶2

2הנה עד חצות לילה הוא בחי׳ ירידה ומחצות ואילך מתחיל עליית שחרית ובמנחה התחלת הירידה מעט מעט עד לילה ותתן טרף לביתה ראש לשועלים

Ora, até a meia-noite é o nível da descida, e da meia-noite em diante começa a ascensão de Shacharit; e em Minchá começa a descida, pouco a pouco, até a noite: “Ela dá alimento (teref) à sua casa”, “uma cabeça para as raposas”.

Explicação

O dia e a noite têm um ritmo de descida e ascensão: até a meia-noite, o fluxo divino desce; a partir da meia-noite, começa a ascensão, que se completa na oração da manhã, e, a partir de Minchá, a descida recomeça. As duas expressões descrevem o que ocorre à noite: como a mulher valorosa que “dá alimento à sua casa” enquanto ainda é noite, o nível superior desce para sustentar o inferior e se torna “uma cabeça para as raposas”, o ponto mais elevado de um domínio inferior.

(ועיין מזה בזהר ר״פ שלח דקנ״ו ב׳ ובפ׳ אמור ד״צ ע״א בשעתא דכנס״י [דכנסת ישראל] אתערת כו׳ ובמק״מ [ובמקדש מלך] ובהרמ״ז [ובהרב משה זכות] שם. ובהרמ״ז [ובהרב משה זכות] ר״פ צו שבלילה רחל יורדת לבריאה בזמן הגלות בסוד גלות ובזמן ביהמ״ק [בית המקדש] לתת טרף כו׳

(E veja-se a esse respeito no Zohar, no início da Parashat Shelach, fólio 156b, e na Parashat Emor, fólio 90a, [sobre] “Na hora em que a Congregação de Israel (Knesset Yisrael) desperta”, etc., e no Mikdash Melech e no Ramaz ali. E no Ramaz, no início da Parashat Tzav: à noite, Rachel desce ao Mundo de Beriá (Criação); no tempo do exílio, no mistério do exílio, e no tempo do Templo Sagrado, para dar alimento, etc.

Explicação

O Zohar sobre Emor ensina que aquele que se levanta à meia-noite para estudar Torá, na hora em que a Congregação de Israel desperta para preparar a casa do Rei, junta-se a ela e é contado entre “os de sua casa”. O Ramaz acrescenta que, à noite, Rachel, a configuração feminina de Malchut, desce ao Mundo de Beriá: no exílio, como parte do próprio exílio, e, nos tempos do Templo, para prover sustento.

ועיין בזח״ג [בזהר חלק ג] בפ׳ בהר דק״ז סע״ב [סוף עמוד ב] מצורע דנ״ב ע״ב ויקרא די״ג ע״א. ח״א [חלק א׳] לך לך דצ״ב סע״א [סוף עמוד א] ויחי דרל״א ע״א ח״ב [חלק ב׳] בא דל״ז ב׳ בשלח דמ״ו א׳ תרומה דקע״ב סע״ב [סוף עמוד ב]).

E veja-se no Zohar, Parte III, Parashat Behar, fólio 107, final do lado b; Metzora, fólio 52b; Vayikra, fólio 13a. Parte I: Lech Lecha, fólio 92, final do lado a; Vayechi, fólio 231a. Parte II: Bo, fólio 37b; Beshalach, fólio 46a; Terumah, fólio 172, final do lado b.)

Explicação

Esta é uma lista de outras passagens nas três partes do Zohar em que se discutem a noite, a meia-noite e o serviço a elas associado.

והנה הקב״ה [הקדוש ברוך הוא] ז״א [זעיר אנפין] שהוא מדות הנהגות העולם ובו מלובש המוחין דאו״א [דאבא ואימא] והמוחין המלובשים בו הוא בחינת עלמא דאתכסיא.

Ora, o Santo, bendito seja Ele, é Zeir Anpin, que são os atributos (midot) pelos quais o mundo é conduzido; e nele está revestido o intelecto (mochin) de Abá e Imá (Chochmá e Biná). O intelecto nele revestido é o nível do mundo oculto (alma de'iskasya).

Explicação

O discurso volta-se agora ao seu tema principal. “O Santo, bendito seja Ele” é a configuração de Zeir Anpin, as emoções divinas através das quais D'us conduz o mundo; o intelecto de Abá e Imá, a Chochmá e a Biná divinas, está revestido nele, mas esse intelecto permanece “o mundo oculto”.

(ר״ל [רוצה לומר] שהחכמה נעלמת בהמדות ועיקר הגילוי בעולמות הן המדות כו׳ כי חו״ב [חכמה ובינה] נקרא עלמא דאתכסייא הנסתרות לה׳ אלקינו וזו״נ [וזעיר אנפין ונוקבא] הן הנגלות דהיינו שע״י המדות הוא הנהגת העולמות.

(Isto é, Chochmá está oculta nos atributos, e a principal revelação nos mundos são os atributos, etc. Pois Chochmá e Biná são chamadas de mundo oculto: “As coisas ocultas pertencem a Havayá, nosso D'us”; e Zeir Anpin e Nukvá são “as coisas reveladas”, isto é, é por meio dos atributos que os mundos são conduzidos.

Explicação

Chochmá permanece oculta mesmo quando atua através das emoções, e aquilo que se revela nos mundos são os atributos emocionais. O versículo “As coisas ocultas pertencem a Havayá, nosso D'us, e as coisas reveladas, a nós” é entendido à luz disso: as coisas ocultas são Chochmá e Biná, e as reveladas são Zeir Anpin e Nukvá, por meio dos quais os mundos são governados.

ולכן אפילו בחינת המוחין דאו״א [דאבא ואימא] המתלבשים בז״א [בזעיר אנפין] הן נעלמות בבחינת העלם כו׳ ועוד זאת כי גם בהמדות עצמן אין המוחין מתגלים רק ע״י שמתלבשים בנה״י [בנצח הוד יסוד] דאבא ואימא שהן בחי׳ לבושים להמוחין וע״י לבושים אלו הם מתלבשים בהמדות וכמ״ש בע״ח [בעץ חיים] שער למ״ד פ״ב [פרק ב׳]

Portanto, mesmo o nível do intelecto de Abá e Imá que está revestido em Zeir Anpin permanece oculto, em estado de ocultação, etc. E mais ainda: mesmo nos próprios atributos, o intelecto só se revela ao revestir-se em Nétsach, Hod e Yessod de Abá e Imá, que são o nível de vestimentas para o intelecto; e, por meio dessas vestimentas, eles se revestem nos atributos, conforme está escrito em Etz Chaim, Sha'ar 30, capítulo 2.

Explicação

Assim, até mesmo o intelecto que está dentro de Zeir Anpin permanece oculto. Além disso, ele chega às emoções apenas por meio de intermediários: as três sefirot inferiores de Abá e Imá — Nétsach, Hod e Yessod — que servem de vestimentas para o intelecto, como explica Etz Chaim.

ונמצא א״כ [אם כן] כי חב״ד [חכמה בינה ודעת] דז״א [דזעיר אנפין] דמצד אבא יש עליהם ב׳ כיסויים וב׳ מסכים כו׳ ועיין שער ל״א פ״ח [פרק ח׳] וע׳ [ועיין] בהרמ״ז [בהרב משה זכות] ר״פ בהעלותך) (בדף קמ״ח ע״ב) בד״ה ת״ח [תא חזי] אילנא דחיי.

Conclui-se, então, que Chochmá, Biná e Daat de Zeir Anpin, que provêm do lado de Abá, têm duas coberturas e dois véus sobre si, etc.; veja-se Sha'ar 31, capítulo 8; e veja-se o Ramaz, no início da Parashat Beha'alotcha) (no fólio 148b), na passagem que começa: “Vem e vê: a Árvore da Vida”.

Explicação

A conclusão é que o intelecto que Zeir Anpin recebe do lado de Abá está envolto em duas coberturas, que o texto também chama de dois véus. São indicadas outras fontes em Etz Chaim e no Ramaz sobre o Zohar a esse respeito.

והנה ידוע ג״כ בענין כי אל דעות שמלמטה למעלה אצל המקבל נקרא למטה היש ומה

Ora, também é sabido, a respeito do assunto de “Pois um D'us de conhecimentos (de'ot)”, que, de baixo para cima, do ponto de vista do receptor, o nível inferior é chamado yesh (existência), e aquilo que

Explicação

Introduz-se agora um princípio geral, ligado ao versículo “Pois Havayá é um D'us de conhecimentos”, cujo plural é interpretado como duas perspectivas de conhecimento. Do ponto de vista daquele que recebe, olhando para cima, seu próprio nível inferior é o que lhe parece real (yesh), e aquilo que está acima dele, fora de seu alcance, parece nada (ayin).

שלמעלה הוא אין מפני שאינו מושג משא״כ מלמעלה למטה אצל המשפיע נקרא למעלה היש וכל מה שלמטה נק׳ אין כי כלא חשיב לגביה.

o que está acima é ayin (nada), porque não é apreendido; ao passo que, de cima para baixo, do ponto de vista de quem transmite, o que está acima é chamado yesh, e tudo o que está abaixo é chamado ayin, pois é considerado como nada em relação a ele.

Explicação

Do ponto de vista de quem transmite, olhando para baixo, dá-se o inverso. O nível superior é a existência real, e tudo o que está abaixo dele é considerado nada em comparação com ele.

שהרי מבחי׳ התחתונה שבמשפיע נשפע להמקבל ומזה לבד כל התהוותו ולכן ארז״ל [אמרו רבותינו זכרונם לברכה] רגלי החיות כנגד כולם כו׳

Pois, com efeito, do nível inferior dentro de quem transmite [o fluxo] é transmitido ao receptor, e somente disso provém toda a sua formação. Por isso, nossos Sábios, de abençoada memória, disseram: “As pernas dos chayot (criaturas sagradas) correspondem a todos eles”, etc.,

Explicação

A razão é que toda a existência do receptor provém somente do nível inferior de quem transmite. O Talmud ilustra isso ao descrever os chayot, as criaturas sagradas que sustentam o Trono: diz-se que somente suas pernas equivalem a todas as distâncias abaixo delas, da terra até os céus.

שוקי החיות כנגד כולן כו׳ ועד״ז [ועל דרך זה] גם כאן מה שנמשך ממוחין דאו״א [דאבא ואימא] לז״א [לזעיר אנפין] אינו אלא בחי׳ הארה ונקודה בעלמא מלובשת בז״א [בזעיר אנפין].

“as canelas dos chayot correspondem a todos eles”, etc. E, da mesma forma, também aqui: aquilo que é transmitido do intelecto de Abá e Imá a Zeir Anpin é apenas o nível de um resplendor e de um mero ponto, revestido em Zeir Anpin.

Explicação

O Talmud prossegue parte por parte, dizendo o mesmo das canelas e de cada parte mais elevada. Aplicando aqui esse princípio, aquilo que Zeir Anpin recebe do intelecto de Abá e Imá é apenas um resplendor, um mero ponto, revestido nele, enquanto o próprio intelecto permanece muito acima.

O parágrafo 2 em resumo

O parágrafo começa estabelecendo o pano de fundo da noite e da meia-noite, o momento do estudo de Torá que o discurso elogiará, e então apresenta sua premissa: o intelecto de Abá e Imá está oculto em Zeir Anpin, que recebe dele apenas um mero ponto, pois, do ponto de vista do doador, tudo o que está abaixo é como nada.

Aprofundar

As duas perspectivas — yesh abaixo e ayin acima para o receptor, yesh acima e ayin abaixo para o doador — são a interpretação que o Alter Rebe dá ao plural de'ot: dois tipos de conhecimento, um inferior e outro superior. A parábola de Chagigá mostra a perspectiva do doador, segundo a qual até mesmo a parte mais baixa de um nível superior supera tudo o que está abaixo dela.

Marei mekomot

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Elokim, o Shabat e a Torá lishemah ¶3

3וזהו ענין שם אלקים שנזכר במעשה בראשית בכל יום מששת ימי בראשית. כי הנהגת המדות הם ששת ימי בראשית יהי אור יהי רקיע כו׳

E este é o sentido do Nome Elokim, mencionado na obra da criação em cada um dos seis dias da criação. Pois a condução dos atributos emocionais (midot) corresponde aos seis dias da criação: “Haja luz”, “Haja um firmamento” etc.,

Explicação

Isso explica por que o Nome Elokim é mencionado no relato da criação em cada um dos seis dias. Os seis dias correspondem aos seis atributos emocionais que governam o mundo, e a expressão de cada dia — como “Haja luz” e “Haja um firmamento” — manifesta um deles.

וכולם בחכמה עשית שהחכמה מתלבשת במדות אלא שהמשכה זו הוא ע״י שם אלהים שהוא בחינת צמצום

e “Tu fizeste todos eles com Chochmá (sabedoria)”, pois Chochmá se reveste nos atributos; mas essa transmissão se dá por meio do Nome Elokim, que é o nível do tsimtsum (contração)

Explicação

Chochmá de fato alcança os atributos, como afirma o versículo “Tu fizeste todos eles com sabedoria”. Mas é transmitida por meio de Elokim, o Nome associado ao tsimtsum, de modo que apenas uma medida limitada dela chega até eles.

(ול״ב אלקים דעובדא דבראשית הם ל״ב נתיבות החכמה שהחכמה מתחלקת לל״ב נתיבות והם בחי׳ צמצום והעלם כו׳) לצמצם ההמשכה משא״כ בשבת שהיא התגלות מוחין דאבא

(e os trinta e dois [Nomes] Elokim da obra da criação correspondem aos trinta e dois caminhos de Chochmá, pois Chochmá se divide em trinta e dois caminhos, que são o nível de contração e ocultação etc.), para contrair a transmissão. Em contrapartida, no Shabat, há a revelação do intelecto (mochin) de Abá

Explicação

As trinta e duas ocorrências de Elokim no relato da criação correspondem aos trinta e dois caminhos da sabedoria do Sefer Yetzirá: Chochmá divide-se em canais, o que constitui, por si só, uma forma de contração e ocultação. O Shabat é diferente, pois nele o próprio intelecto de Abá se revela.

(שז״א [שזעיר אנפין] מלביש לעצמיות המוחין דאבא כו׳ וכן המל׳ [המלכות] עולה במקום אבא במנחה וגם במוסף היא במקום אימא ממש ומקבלת מז״א [מזעיר אנפין] שבתוכו אור אבא ממש. וע׳ [ועיין] פע״ח [פרי עץ חיים] שער העמידה)

(pois Zeir Anpin reveste a essência do intelecto de Abá etc.; e, da mesma forma, Malchut (soberania) ascende ao lugar de Abá na oração de Minchá, e também em Musaf ela se encontra no próprio lugar de Imá e recebe de Zeir Anpin, dentro do qual está a própria luz de Abá. Veja Pri Etz Chaim, Sha'ar HaAmidah)

Explicação

No Shabat, Zeir Anpin reveste a essência do intelecto de Abá, e não apenas uma radiação dele. Nas orações do Shabat, Malchut ascende: em Musaf, ao lugar de Imá, e em Minchá, ao lugar de Abá; ela recebe de Zeir Anpin a própria luz de Abá. Cita-se, a esse respeito, o Portão da Amidá de Pri Etz Chaim.

(ס״פ י״ד) וע׳ [ועיין] בהרמ״ז [בהרב משה זכות] פ׳ פקודי (דר״כ ע״ב) בענין מזמור שיר ליום השבת טוב להודות כו׳

(fim do capítulo 14). Veja também o Ramaz sobre a Parashat Pekudei (fólio 220b), a respeito de “Um salmo, um cântico para o dia de Shabat: é bom agradecer” etc.

Explicação

A referência a Pri Etz Chaim é ao final do capítulo 14. O Ramaz, em seu comentário à Parashat Pekudei do Zohar, trata, nesse contexto, do salmo do dia de Shabat: “É bom agradecer a Havayá”.

לכן נאמר בשבת ויכל אלהים וכתיב אח״כ [אחר כך] ביום עשות הוי׳ אלהים כו׳. והנה עד״ז [על דרך זה] הוא ג״כ ענין עסק התורה לשמה כי אורייתא מחכמה נפקת

Por isso, a respeito do Shabat, está dito: “E Elokim concluiu”; e depois está escrito: “No dia em que Havayá Elokim fez” etc. Ora, o mesmo se aplica ao estudo da Torá por seu próprio mérito (lishmá), pois “a Torá provém de Chochmá”.

Explicação

Por isso, nos versículos sobre o sétimo dia, acrescenta-se o Nome Havayá: depois de “E Elokim concluiu”, vem “No dia em que Havayá Elokim fez”, uma revelação mais elevada do que a de Elokim por si só. O estudo da Torá por seu próprio mérito funciona da mesma maneira, pois a Torá provém de Chochmá.

ולכן על ידי אתערותא דלתתא כל העוסק בתורה למטה לשמה הקב״ה [הקדוש ברוך הוא] שהוא ז״א [זעיר אנפין] קורא ושונה כנגדו שהוא ענין המשכת מוחין לז״א [לזעיר אנפין] מעצמיות מוחין דאבא כו׳

E, portanto, por meio de um despertar de baixo, quando alguém se dedica aqui embaixo à Torá por seu próprio mérito, o Santo, bendito seja Ele — que é Zeir Anpin — lê e estuda diante dele. Isso corresponde à transmissão do intelecto a Zeir Anpin a partir da essência do intelecto de Abá etc.,

Explicação

Quando alguém aqui embaixo estuda Torá por seu próprio mérito, esse despertar de baixo faz com que o Santo, bendito seja Ele — que é Zeir Anpin — “leia e estude diante dele”. Nos termos da Cabalá, Zeir Anpin recebe então intelecto da essência do intelecto de Abá.

שלמעלה מעלה מהארת החכמה המתלבשת במדות ע״י שם אלקים להנהגת העולמות וחיותן כו׳ שהוא רק בחי׳ צמצום

que está muito, muito acima da radiação de Chochmá que se reveste nos atributos por meio do Nome Elokim, para a condução dos mundos e sua força vital (chayut) etc., a qual é apenas o nível do tsimtsum.

Explicação

Essa essência é muito superior à radiação de Chochmá que passa pelo Nome Elokim para conduzir os mundos e lhes dar vida. Essa radiação é apenas uma luz contraída.

ולכן הן נק׳ אין וכלא חשיב לגבי עצמיות המוחין דאבא כנ״ל (ועיין בזהר ויקרא) (די״ג ע״א) שעל עסק התורה נאמר שאו ידיכם קדש וברכו את הוי׳.

E, por isso, são chamados de áyin, nada, e considerados como nada em relação à essência do intelecto de Abá, como mencionado acima. (E veja o Zohar, Vayikra) (fólio 13a), pois a respeito do estudo da Torá foi dito: “Erguei as mãos [à] santidade (kodesh) e bendizei Havayá.”

Explicação

Em comparação com a essência do intelecto de Abá, essas emanações contraídas são chamadas de áyin, nada, conforme o princípio exposto acima. O Zohar sobre Vayikra aplica ao estudo da Torá o versículo: “Erguei as mãos à santidade e bendizei Havayá.”

את תברך לקב״ה [לקודשא בריך הוא] כו׳ והיינו כנ״ל שממשיכים לז״א [לזעיר אנפין] הנק׳ הקדוש ב״ה מבחי׳ אור אבא שהוא בחי׳ קדש העליון ועמ״ש מזה בד״ה צאינה וראינה וגם בענין כי אל דעות

“Tu bendizes o Santo, bendito seja Ele”, etc. Isto é, como mencionado acima: extrai-se para Zeir Anpin, chamado o Santo, bendito seja Ele, do nível da luz de Abá, que é o nível da santidade suprema (kodesh). E veja o que está escrito a esse respeito no discurso que começa “Saí e contemplai”, e também sobre o tema de “Pois um D'us de conhecimentos”:

Explicação

O Zohar prossegue dizendo que tal pessoa bendiz o Santo, bendito seja Ele, a partir do lugar chamado santidade suprema. Isto é, quem estuda atrai para Zeir Anpin, chamado “o Santo, bendito seja Ele”, a luz de Abá, que é o kodesh supremo.

הנה התורה היא המשכת דעת עליון וכנודע שהתורה נק׳ תורת אמת כו׳ שממשיכים בז״א [בזעיר אנפין] ע״י עסק התורה.

Ora, a Torá é a extensão do Daat superior e, como é sabido, a Torá é chamada “uma Torá de verdade”, etc.; é isso que se atrai para Zeir Anpin por meio do estudo da Torá.

Explicação

A mesma ideia se aplica às duas espécies de conhecimento em “um D'us de conhecimentos”: a Torá faz descer o Daat superior para Zeir Anpin. A Torá, chamada “uma Torá de verdade”, é aquilo que a pessoa atrai para Zeir Anpin por meio de seu estudo.

O parágrafo 3 em resumo

O parágrafo contrapõe o fluxo contraído de Chochmá por meio do Nome Elokim durante os seis dias à revelação do intelecto essencial de Abá no Shabat. Mostra também que o estudo da Torá por seu próprio mérito, assim como o Shabat, transmite esse intelecto essencial a Zeir Anpin.

Aprofundar

Na passagem do Zohar citada, o kodesh de “Erguei as mãos ao kodesh” é Eden, a fonte de onde sai o rio para regar o jardim, chamado de kodesh supremo. O Alter Rebe o identifica com a luz de Abá; assim, o estudo da Torá eleva as mãos a Chochmá e atrai sua bênção para Zeir Anpin.

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  4. 4
    ל״ב נתיבות החכמה · Sefer Yetzirah 1:1
  5. 5
  6. 6
    מזמור שיר ליום השבת טוב להודות · Psalms 92:1–2
  7. 7
    ויכל אלהים · Genesis 2:2
  8. 8
    ביום עשות הוי׳ אלהים · Genesis 2:4
  9. 9
  10. 10
    תורת אמת · Malachi 2:6
  11. 11
  12. 12

Leshem hei: suavizar Leah ¶4

4ועוד פי׳ לשמה לשם ה״א להמשיך הארה היוצא מיסוד דאבא להמתיק דיני לאה כמ״ש בפע״ח [בפרי עץ חיים] שער י״ז ריש שער הנהגת הלימוד

Uma explicação adicional: lishmah (“por sua causa”) [significa] leshem hei, “por causa da hei”, para atrair a luminosidade que emana do Yessod (fundamento) de Abá, a fim de adoçar os juízos de Leah, conforme está escrito em Pri Etz Chaim, Sha'ar 17, no início de Sha'ar Hanhagas HaLimud (O Portal da Conduta do Estudo).

Explicação

Esta é uma segunda interpretação de lishmah, “por sua causa”: a palavra pode ser dividida em leshem hei, “por causa da hei”. O objetivo desse estudo é atrair a luminosidade que emana do Yessod de Abá e, assim, adoçar os juízos de Leah, conforme explica Pri Etz Chaim na seção sobre a conduta no estudo da Torá.

והיינו ע״י הלימוד בעיון ובהעמקה כי לאה היא בחי׳ אותיות המחשבה מל׳ [מלכות] דתבונה תחתית המדרגה דתבונה והתגלותה בחי׳ אותיוך המגלים כל דבר

Isto se dá por meio do estudo com contemplação e profundidade. Pois Leah é o nível das letras do pensamento, a Malchut (soberania) de Tevunah, o degrau mais baixo de Tevunah, e sua revelação: o nível das letras, que revelam cada assunto.

Explicação

Isso se realiza por meio do estudo com contemplação e profundidade. Leah, uma configuração feminina, é “as letras do pensamento”: ela é a Malchut, o nível mais baixo, de Tevunah (a parte inferior de Biná), e Malchut é o nível que expressa e revela, assim como as letras revelam uma ideia.

ולכן נק׳ דינים וגבורות מחמת שהם מגבילים השכל לבלתי יתפשט בלי גבול וגם הם לבדם אין בהם שום שכל והראיה שיוכל לחשוב אותיות מבלי שיודע השכל שבהם

Por isso são chamadas juízos (dinim) e severidades (guevurot), pois limitam o intelecto, para que não se estenda sem limite. Além disso, por si mesmas não contêm intelecto algum; a prova disso é que se pode pensar em letras sem conhecer o intelecto que nelas está.

Explicação

As letras são chamadas juízos e severidades porque confinam uma ideia a limites definidos, impedindo-a de se estender sem limite. Por si mesmas, não contêm entendimento algum, como demonstra o fato de que se pode percorrer palavras na mente sem compreender seu significado.

והנה ידוע שמוחין שבעולם התחתון הוא בחי׳ אותיות לגבי עולם העליון וכמ״ש בד״ה ועתה יגדל נא גבי כאשר דברת לאמר וכשלומד תורה אף שהוא מבין

Ora, é sabido que o intelecto (mochin) do mundo inferior corresponde ao nível das letras em relação ao mundo superior, conforme está escrito no discurso que começa “E agora, rogo, que [ela] se engrandeça”, a respeito de “conforme falaste, dizendo”. E quando alguém estuda Torá, embora compreenda,

Explicação

Cada nível de intelecto é apenas “letras” em comparação com o nível acima dele; essa ideia é desenvolvida no discurso sobre o versículo “E agora, rogo, que o poder de D'us se engrandeça, conforme falaste, dizendo”. Do mesmo modo, o estudo da Torá que envolve compreensão, mas não profundidade, permanece no nível das letras.

אך שהוא שלא בעיון הוא נק׳ בחי׳ אותיות ואין בו התגלות כ״כ [כל כך] וכדי להמתיק דיני לאה

como, porém, o faz sem contemplação, é chamado o nível das letras, e nele não há tanta revelação. E, para adoçar os juízos de Leah,

Explicação

O estudo que proporciona compreensão, mas não se aprofunda, é chamado “letras” e revela pouco. Adoçar os juízos de Leah significa introduzir intelecto genuíno nessas letras.

להביא מוחין בתוך האותיות צריך להמשיך הארה מיסוד אבא הענין ידוע שמוח העיון ומוח הזכרון הוא בחי׳ חכמה שלמעלה מהבינה ונקר׳ [ונקרא / ונקראת / ונקראות] משכיל שמשם בא השכל

para introduzir intelecto nas letras, é preciso atrair uma luminosidade do Yessod de Abá. É sabido o seguinte: a faculdade mental da contemplação e a faculdade mental da memória correspondem ao nível de Chochmá (sabedoria), que está acima de Biná (entendimento), e são chamadas maskil (a fonte do intelecto), pois é de lá que vem o intelecto.

Explicação

Para isso, é preciso atrair do Yessod de Abá, isto é, de Chochmá. As faculdades da contemplação profunda e da memória pertencem a Chochmá, que está acima de Biná e é chamada maskil, a fonte de onde provém o entendimento.

וצריך ללמוד בעיון עד שיומשך שכל מבחי׳ חכמה שבו מה שהיה תחלה צפון ונעלם ונעשו מוחין להאותיות ונמתקו דיני לאה ונעשה כן בכל העולמות מוחין להאותיות.

E é preciso estudar com contemplação até que o intelecto seja atraído do nível de Chochmá que há dentro de si — aquilo que antes estava oculto e escondido — e que ele se torne intelecto para as letras; assim, os juízos de Leah são adoçados. E o mesmo ocorre em todos os mundos: tornam-se intelecto para as letras.

Explicação

Portanto, é preciso estudar profundamente até que emerja a compreensão que antes estava oculta em Chochmá da própria alma. Isso confere às letras um intelecto interior e adoça os juízos de Leah; o mesmo ocorre em todos os mundos.

O parágrafo 4 em resumo

Um segundo sentido do estudo da Torá lishmah: o estudo profundo e contemplativo atrai do Yessod de Abá, que é Chochmá, e introduz intelecto nas letras do pensamento, adoçando os juízos de Leah na alma e em todos os mundos.

Aprofundar

O texto considera o próprio ato de contemplação da pessoa como o ato que atrai o Yessod de Abá para Leah: o que ocorre em Chochmá da alma, afirma o texto, ocorre “do mesmo modo em todos os mundos”. Os juízos de Leah são os limites das letras sem intelecto; eles são adoçados não pela remoção das letras, mas por preenchê-las com entendimento.

Marei mekomot

  1. 1
    ועוד פי׳ לשמה לשם ה״א · בהבא להלן ראה גם מאמרי אדה״ז הקצרים ע׳ תקסז. ובארוכה אוה״ת על מארז״ל וענינים ע׳ שלח. וראה מאמרי אדה״ז — ענינים ע׳ רעו.
  2. 2
    בד״ה ועתה יגדל · לעיל פ׳ שלח לח, ב ואילך.
  3. 3
    ועתה יגדל נא · Numbers 14:17
  4. 4
    צריך להמשיך הארה מיסוד אבא · מובא באוה״ת ואתחנן ע׳ שכא.

Por que a partir de Chochmá ¶5

5ולכן עיקר ההמשכה צ״ל [צריך להיות / צריך לומר / צריך להבין] מבחי׳ חכמה יסוד אבא כי בחכמה שורה אור א״ס [אין סוף] ע״ד [על דרך] מ״ש דבאצי׳ [דבאצילות] איהו וגרמוהי חד משא״כ בבי״ע [בבריאה יצירה עשיה] הוא ע״י מסך מבדיל

Portanto, a principal transmissão deve provir do nível de Chochmá (sabedoria), o Yessod (fundamento) de Abá. Pois a Luz Infinita (Or Ein Sof) repousa em Chochmá, conforme o que está escrito: no Mundo de Atsilut (Emanação), “Ele e Seus recipientes” (ihu vegarmohi) são um; ao passo que em Beriá, Yetsirá e Assiá isso ocorre por meio de uma tela divisória,

Explicação

A transmissão deve provir principalmente de Chochmá, especificamente do Yessod de Abá, porque a Luz Infinita repousa em Chochmá sem ficar oculta. Em Atsilut, “Ele e Seus recipientes” são um; já nos mundos inferiores de Beriá, Yetsirá e Assiá, a luz chega por meio de uma tela que a separa.

דהיינו ע״י התלבשות גמור דרך הבינה דאצילות ואף שבאצילות מאיר ג״כ ע״י החכמה כולם בחכמה עשית מ״מ [מכל מקום] חכמה דא״ק [דאדם קדמון] המלובשת בחכמה דאצילות (ע׳ [עיין] ע״ח שמ״ז פ״ג [פרק ג׳])

isto é, por meio de um revestimento completo através da Biná (entendimento) de Atsilut. E embora em Atsilut também haja iluminação por meio de Chochmá — “Tu fizeste todos eles com Chochmá” —, ainda assim, a Chochmá de Adam Kadmon que está revestida na Chochmá de Atsilut (veja Etz Chaim, Sha'ar 47, chapter 3)

Explicação

Essa tela é o revestimento completo da luz na Biná de Atsilut antes de ela alcançar os mundos inferiores. Atsilut também recebe por meio de Chochmá, como afirma “Tu fizeste todos eles com Chochmá”; porém, a Chochmá de Adam Kadmon, o nível primordial acima de Atsilut, que está revestida na Chochmá de Atsilut, não é uma tela.

אינו נק׳ מסך כלל שאינו מסתיר ומעלים אור א״ס [אין סוף] ב״ה מפני שהוא בחי׳ אין והחכמה מאין תמצא כח מ״ה [מה]

não é chamada de tela de modo algum, pois não oculta nem encobre a Luz Infinita, bendito seja Ele, porque é o nível de ayin (nada): “e Chochmá é encontrada a partir de ayin”, [pois Chochmá é] ko'ach mah (a potência do “quê”).

Explicação

Chochmá não oculta a Luz Infinita, porque Chochmá é ayin, um estado de nada e de autoanulação. O versículo é entendido como “Chochmá é encontrada a partir de ayin”, e a palavra Chochmá é lida como ko'ach mah, “a potência do quê”: uma capacidade que ainda não é algo definido.

ולכן ניצוץ אלקות שבכל א׳ וא׳ מישראל הוא מלובש בבחי׳ חכמה שבו מחמת דלית מחשבה תפיסא ביה כלל ולכן אינו יכול להתלבש אלא בבחי׳ חכמה כמ״ש בסש״ב [בספר של בינונים] פי״ח.

Portanto, a centelha de Divindade que se encontra em cada um de Israel está revestida no nível de Chochmá que há nele, pois “nenhum pensamento pode apreendê-Lo de modo algum”; por isso, ela não pode ser revestida senão no nível de Chochmá, conforme está escrito em Sefer Shel Beinonim (Tanya), capítulo 18.

Explicação

Como “nenhum pensamento pode apreender” D'us de modo algum, a centelha divina em cada judeu só pode repousar na faculdade de Chochmá da alma, que está acima da compreensão. Tanya, capítulo 18, explica que essa é a raiz do amor a D'us oculto em cada judeu.

O parágrafo 5 em resumo

O parágrafo explica por que a transmissão deve provir de Chochmá: somente Chochmá, por ser ayin, não oculta a Luz Infinita; pela mesma razão, a centelha divina em cada judeu repousa na Chochmá da alma.

Aprofundar

Chochmá não funciona como tela porque aquilo que está revestido nela é a Chochmá de Adam Kadmon, um nível acima de todos os mundos. A mesma estrutura aparece na alma: a centelha de Divindade repousa em sua Chochmá porque nenhum pensamento pode apreendê-Lo.

Marei mekomot

  1. 1
    דבאצי׳ איהו וגרמוהי חד · ראה בכ״ז מאמרי אדה״ז הקצרים ע׳ תמג. ובארוכה אוה״ת הנ״ל ע׳ שלט.
  2. 2
    כולם בחכמה עשית · Psalms 104:24
  3. 3
    והחכמה מאין תמצא · Job 28:12
  4. 4
    דלית מחשבה תפיסא ביה כלל · Tikkunei Zohar 17a:10–12

O estudo depois da meia-noite ¶6

6והנה איתא בפע״ח [בפרי עץ חיים] שי״ז פ״ב [פרק ב׳] בפי׳ ויהי בחצי הלילה ויחרד האיש וילפת והנה אשה שוכבת מרגלותיו כו׳ ולכן ויחרד האיש כו׳ והיינו לפי שנדחית רחל למטה ולאה היא דינים וגבורות

Ora, está declarado em Pri Etz Chaim, Sha'ar 17, capítulo 2, na explicação de “E aconteceu à meia-noite que o homem se assustou e se virou, e eis que uma mulher jazia a seus pés”, etc.: por isso “o homem se assustou”, etc.; isto é, porque Rachel foi empurrada para baixo, enquanto Leah representa julgamentos e severidades (guevurot).

Explicação

Pri Etz Chaim interpreta o versículo de Ruth sobre Boaz despertando à meia-noite em termos cabalísticos. À meia-noite, Rachel, a configuração de Malchut, foi empurrada para baixo, enquanto Leah, a outra configuração feminina, representa julgamentos e severidades; por isso “o homem se assustou”.

ולכן נשתבחו אותם העוסקים בתורה אחר חצות שעי״ז ממשיך האור לזו״נ [לזעיר אנפין ונוקבא] דהיינו לבחי׳ רחל לתקנה לעליית שחרית וכמ״ש בזהר אמור (ד״צ ע״א)

E, por isso, são louvados aqueles que se dedicam à Torá depois da meia-noite, pois, por meio disso, atraem luz para Zeir Anpin e Nukvá, isto é, para o nível de Rachel, a fim de retificá-la para sua ascensão na oração da manhã, como está escrito no Zohar, Emor (folio 90a);

Explicação

Aqueles que estudam Torá depois da meia-noite são louvados porque seu estudo atrai luz para Zeir Anpin e Nukvá, isto é, para Rachel, e a retifica para que ela possa ascender na oração da manhã. O Zohar sobre Emor fala desse estudo à meia-noite.

וגם שאז נמתקים דיני לאה עיין בזהר הרקיע פ׳ בא (בדף ל״ז ע״ב) ועיין בפי׳ הרמ״ז [הרב משה זכות] בפ׳ אמור שם ידוע כו׳ אבל העיקר כו׳:

e também porque então são adoçados os julgamentos de Leah. Veja Zohar HaRakia sobre Parshas Bo (on folio 37b), e veja o comentário do Ramaz sobre Parshas Emor, ali: “É sabido”, etc., “mas o principal”, etc.

Explicação

O estudo depois da meia-noite também adoça os julgamentos de Leah. Zohar HaRakia, um comentário sobre o Zohar, e o Ramaz são citados a esse respeito.

O parágrafo 6 em resumo

A descrição de Pri Etz Chaim sobre a meia-noite: Rachel desceu e Leah carrega julgamentos; o estudo da Torá depois da meia-noite restaura Rachel para a ascensão da manhã e adoça os julgamentos de Leah.

Aprofundar

O Talmud também louva o estudo da Torá à noite: sobre aquele que estuda à noite, um fio de bondade é atraído durante o dia (Chagigah 12b), e a Shechiná se volta para ele (Tamid 32b). A descrição cabalística aqui explica o que esse estudo realiza nos mundos superiores.

Marei mekomot

  1. 1
    ויהי בחצי הלילה ויחרד האיש · Ruth 3:8
  2. 2
    העוסקים בתורה אחר חצות · Chagigah 12b
  3. 3

Uma fonte acima de Chochmá: mirra e especiarias ¶7–9

7ב אך כיצד יגיע לבחינה זו להיות ע״י עסקו בתורה המשכת עצמיות חכמה עילאה הנה לזה צריך להמשיך מבחי׳ יותר גבוה מבחי׳ ח״ע [חכמה עילאה] דאצילות עד שמחמתו יומשכו מוחין דאבא למטה לז״א [לזעיר אנפין]

2. Mas como se chega a esse nível, de modo que, por meio do estudo da Torá, se atraia a própria essência da Chochmá superior (Chochmá Ilaá)? Para isso, é preciso atrair de um nível superior ao da Chochmá superior de Atsilut, de modo que, por sua força, o intelecto (mochin) de Abá seja atraído para baixo, até Zeir Anpin.

Explicação

A seção 2 pergunta como o estudo da Torá pode atrair a própria essência da Chochmá superior. A resposta é que sua fonte deve estar num nível ainda superior à Chochmá de Atsilut, o que então faz o intelecto de Abá descer até Zeir Anpin.

וכמו עד״מ [על דרך משל] הרב שצריך להסביר לתלמידו איזה שכל עמוק שמוכרח להיות שכלו בעצמו גדול יותר הרבה

Assim, por exemplo, um mestre que precisa explicar ao aluno algum conceito profundo: é necessário que seu próprio intelecto seja muito maior,

Explicação

A analogia é a de um mestre que explica uma ideia profunda. Ele só pode fazê-lo porque sua própria mente é muito maior do que a própria ideia.

וגם בשעת ההשפעה מוכרח לעורר עצמיות שכלו להתייעץ איך להשפיע השכל העמוק להתלמיד שהוא קטן הרבה מהרב כו׳

e, também no momento de transmitir, precisa despertar a essência de seu intelecto para ponderar como transmitir o conceito profundo ao aluno, que é muito menor que o mestre, etc.

Explicação

Além disso, enquanto ensina, ele precisa despertar as profundezas de seu intelecto para descobrir como apresentar a ideia profunda a um aluno muito inferior a ele.

ועד״ז [ועל דרך זה] יובן גם כאן בהנמשל שכדי להיות המשכת ח״ע [חכמה עילאה] בהמדות צ״ל [צריך להיות / צריך לומר / צריך להבין] מקור ההמשכה מלמעלה מהחכמה וזהו ענין אריתי מורי עם בשמי.

E, da mesma forma, também se compreenderá aqui, no caso correspondente: para que a Chochmá superior seja atraída para os atributos emocionais (midot), a fonte dessa atração precisa estar acima da Chochmá. Este é o sentido de “Recolhi minha mirra com minhas especiarias”.

Explicação

Assim também no plano superior: para que a Chochmá superior alcance os atributos emocionais, a atração precisa começar acima da Chochmá. O versículo alude a isso com “Recolhi minha mirra com minhas especiarias”, que são fragrâncias.

כי הנה הריח הוא מחוטם וטעם הוא בפה וחיך. הרי הריח גבוה יותר במדרגה שהחוטם יותר נעלה.

Pois o olfato provém do nariz, enquanto o paladar está na boca e no palato. Portanto, o olfato é de nível superior, pois o nariz está numa posição mais elevada.

Explicação

A fragrância é percebida pelo nariz, e o paladar, pela boca e pelo palato; além disso, o nariz está situado mais acima no rosto. Assim, o olfato representa um nível acima do paladar, que o próximo parágrafo identifica com a Chochmá.

O parágrafo 7 em resumo

A seção 2 começa explicando que, para atrair a essência da Chochmá aos atributos, é necessária uma fonte acima da Chochmá, assim como um mestre precisa recorrer a uma mente superior à ideia que transmite. As fragrâncias do versículo — mirra e especiarias — apontam para essa fonte superior.

Marei mekomot

  1. 1
    וכמו עד״מ הרב · מובא באוה״ת פ׳ שלח ע׳ תריז ומציין לכאן.
  2. 2
  3. 3
    כי הנה הריח הוא מחוטם · קטע מכאן באוה״ת בראשית כרך ד דף תתלא, ב.

8וז״ש [וזהו שכתוב] ותהלתי אחטם לך וגם אנו רואים בחוש שהטעם הוא ע״י לעיסת המאכל ואז דייקא טועם החיך והגרון וגם כשהחיך טועם שוב אינו ראוי למאכלץ.

E este é [o sentido de] “E por Minha glória Me refrearei por ti”. Também vemos concretamente que o sabor surge por meio da mastigação do alimento, e é precisamente então que o palato e a garganta sentem o sabor; além disso, depois que o palato provou, o alimento já não é próprio para ser comido.

Explicação

O versículo “E por Minha glória Me refrearei por ti” emprega uma palavra relacionada a chotem, nariz, e o Zohar diz que esse versículo se refere a Atik Yomin. O sabor, em contrapartida, requer mastigação: somente então o palato e a garganta sentem o sabor, e o alimento provado é consumido.

משא״כ כל זה בריח שתיכף ומיד מגיע לו הריח וגם כשהוא שלם ולכן אין הדבר כלה שחוזר ומריח כמה פעמי׳ [פעמים] וכך למעלה טעמים בחכמ׳ [בחכמה] גבי טנת״א [טעמים נקודות תגין אותיות]

Já com o olfato nada disso ocorre: o aroma chega a ele de imediato, enquanto [a coisa] ainda está inteira; por isso, ela não é consumida, e pode-se voltar a cheirá-la muitas vezes. E assim também é no alto: os ta’amim (sabores) estão em Chochmá, no que diz respeito aos ta’amim, nekudot, tagin e otiot (os sinais de cantilação, as vogais, as coroas e as letras),

Explicação

O aroma chega à pessoa de imediato, enquanto a coisa ainda está inteira; assim, ela não se consome e pode ser cheirada repetidas vezes. No alto, os “sabores” estão em Chochmá: dos quatro elementos do texto da Torá — ta’amim (os sinais de cantilação, literalmente “sabores”), nekudot (vogais), tagin (coroas) e otiot (letras) —, os ta’amim pertencem a Chochmá.

שהיא ראשית האצילות משא״כ הריח הוא למעלה מאצילות חוטמא דעתיק (כמ״ש באדרא דק״ל ע״ב) (ופי׳ דכמו עד״מ [על דרך משל] הריח הוא בחי׳ מקיף משא״כ הטעם הוא בחי׳ פנימי

que é o início de Atsilut; ao passo que o olfato está acima de Atsilut, o nariz de Atik (chotma de’Atik) (como está escrito na Idra, fólio 130b). (E a explicação é: assim como, por analogia, o olfato é o nível de makif (circundante), enquanto o sabor é o nível de pnimi (interior),

Explicação

Chochmá é o início de Atsilut, enquanto o olfato está acima de Atsilut, no “nariz de Atik” descrito na Idra. Segue-se outra explicação: o olfato é como uma luz circundante, que toca de fora, e o sabor é como uma luz interior, que penetra.

ולכן הריח הוא קצת בחי׳ נצחי שלא יפסק ויכלה כמו שיכלה הטעם שכשהחיך טועם ש וב אינו ראוי למאכל שלפי שהטעם הוא בחי׳ פנימי הוא מוגבל ומצומצם יותר מן הריח.

e, portanto, o olfato é, em certa medida, do nível do eterno, que não cessará nem se consumirá como o sabor se consome, pois, depois que o palato prova, o alimento já não é próprio para ser comido; como o sabor é do nível interior, ele é mais limitado e contraído do que o olfato.

Explicação

Por ser circundante, o olfato é, de certo modo, como o eterno: nunca se consome. O sabor, por ser interior, é limitado e se consome ao ser provado.

וכך למעלה שבאצילות הוא התלבשות האורות בכלים שהכלים מגבילים האור אבל בחי׳ עתיק הוא למעלה מהכלים ונק׳ א״ס [אין סוף] לגבי האצילות כנודע וזהו ענין לבעל החוטם אני מתפלל כו׳ ובפי׳ הספ״ד [הספרא דצניעותא] לתלמיד האריז״ל [האר״י זכרונו לברכה])

E assim também é no alto: em Atsilut, as luzes se revestem nos recipientes, e estes limitam a luz; porém, o nível de Atik está acima dos recipientes e é chamado Ein Sof (infinito) em relação a Atsilut, como é sabido. Este é o sentido de “Ao Mestre do Nariz eu oro”, etc. (E isso é explicado no comentário sobre o Sifra deTzniusa, feito por um discípulo do Arizal, de abençoada memória.)

Explicação

Da mesma forma, no alto, em Atsilut as luzes se revestem em recipientes que as limitam; Atik, porém, está acima dos recipientes e, por isso, é chamado “infinito” em relação a Atsilut. Este é o sentido do relato do Zohar de que Rav Hamnuna Sava orava “ao Mestre do Nariz”; a seguir, é citado um comentário sobre o Sifra deTzniusa, uma seção do Zohar.

(פ״א דק״ח ע״א) כתב כי אוירא שע״ג [שעל גבי] קרומא דמחפיא על מו״ס [מוחא סתימאה] ממשיך דרך החוטם (וע׳ [ועיין] בי״ד סי׳ ל״א ס״ג ושם ס״ט ט״ו בשם שבילי אמונה)

(capítulo 1, fólio 108a), ele escreveu que o ar (avira) que está sobre a membrana que cobre Mocha Stima’ah (o cérebro oculto) se estende através do nariz. (E veja Yoreh De’ah, seção 31, parágrafo 3, e ali, parágrafos 9 e 15, em nome de Shevilei Emunah.)

Explicação

Esse comentário escreve que o ar (avira) acima da membrana que cobre Mocha Stima’ah, o cérebro oculto, se estende através do nariz. O parêntese se refere ao Shulchan Aruch, Yoreh De’ah, seção 31, e a observações ali que citam o livro Shevilei Emunah. Onde nosso texto traz “ושם ס״ט ט״ו” (“e ali, parágrafos 9 e 15”), a edição de Kehot traz “ושם ס״ק ט״ו”, subparágrafo 15 de um comentário ali, e remete à nota do Rebe sobre essa referência.

וא״כ [ואם כן] מובן שע״י החוטם עולה הריח למעלה מעלה גם ממו״ס [ממוחא סתימאה] וזהו ענין שהנשמה נהנית ממנו עפמ״ש [על פי מה שכתוב] בע״ח [בעץ חיים] שער א״א [אריך אנפין] ספ״ז שבאוירא מאיר הדעת דע״י [דעתיק יומין]

Se assim é, compreende-se que, através do nariz, o aroma ascende muito, muito alto, até mesmo acima de Mocha Stima’ah. Este é o sentido de [se dizer] que a alma obtém prazer dele, conforme o que está escrito em Etz Chaim, Sha’ar Arich Anpin, final do capítulo 7: que em avira brilha o Daat de Atik Yomin,

Explicação

Assim, o olfato alcança até mesmo um nível superior a Mocha Stima’ah. Por isso os Sábios dizem que o olfato é aquilo de que a alma, e não o corpo, obtém prazer; e Etz Chaim afirma que o Daat de Atik Yomin brilha nessa avira.

והוא נשמה דא״א [דאריך אנפין] וע׳ [ועיין] מזה בביאור דפ׳ ציצית ועמ״ש מענין זה דריח בד״ה אלה מסעי כו׳ בענין ירדן יריחו ובד״ה וישלח יהושע מן השטים כו׳.

e ele é a alma (neshamá) de Arich Anpin. E veja sobre isso a explicação da seção de Tzitzit; veja também o que está escrito sobre esse tema do olfato no discurso que começa “Estas são as jornadas”, etc., a respeito do “Jordão [em] Jericó”, e no discurso que começa “E Yehoshua enviou de Shittim”, etc.

Explicação

Esse Daat é a “alma” de Arich Anpin. O texto então enumera outros discursos sobre o olfato: a explicação da seção de Tzitzit, “Estas são as jornadas”, sobre o Jordão em Jericó (Yericho, que evoca reiach, aroma), e “E Yehoshua enviou de Shittim”.

O parágrafo 8 em resumo

O olfato é situado acima do sabor: o sabor, uma faculdade interior e limitada, corresponde a Chochmá, enquanto o olfato, circundante e que nunca se consome, corresponde ao “nariz de Atik”, acima dos recipientes de Atsilut e até mesmo acima de Mocha Stima’ah.

Aprofundar

A Idra relaciona “E por Minha glória Me refrearei por ti” a Atik Yomin e descreve o nariz de Atik como a fonte através da qual o sopro de vida chega a Zeir Anpin. Likkutei Torah sobre Sh’lach desenvolve esse tema: a emanação chamada nariz e olfato se estende da Luz Infinita, e o Santo, bendito seja Ele, é chamado “o Mestre do Nariz” como sua essência e fonte.

Marei mekomot

  1. 1
    ותהלתי אחטם לך · Isaiah 48:9
  2. 2
    כמ״ש באדרא דק״ל ע״ב · נתבאר לעיל פ׳ שלח נא, ד. וראה גם ד״ה והניף ידו תשי״א.
  3. 3
    עתיק . . למעלה מהכלים · זח״ג (רפח, ב) אקרי אין. ובע״ח דרושי אבי״ע (פ״א). [כ].
  4. 4
    לבעל החוטם אני מתפלל · זח״ג (קל, ב). [כ].
  5. 5
    לבעל החוטם אני מתפלל · Zohar, Idra Rabba 9:63–10:73
  6. 6
    שהנשמה נהנית ממנו · Berakhot 43b:3
  7. 7
    בביאור דפ׳ ציצית · ראה לעיל פ׳ שלח מט, ג ואילך.
  8. 8
    בד״ה אלה מסעי · לעיל מסעי פט, ב.
  9. 9
    ובד״ה וישלח יהושע מן השטים · לעיל פ׳ שלח נא, ד.
  10. 10
    ושם ס״ק ט״ו · ראה הערת כ״ק אדמו״ר בהערות וציונים לעיל יט, ד.

9וזהו וירח את ריח בגדיו לבושים שהוא מקיף וגם בגדיו לשון בוגדיו כמ״ש במדרש שהוא מן ההיפוך כמשל דברים החריפים כשממתיקים אותם נעשים מוטעמים ביותר כך ע״י המתקת הגבורות נעשה הריח

E este é [o sentido de] “E sentiu o aroma de suas vestes (begadav)”: vestes, que são makif (abrangentes). Além disso, begadav é uma expressão de bogdav (seus traidores), como está escrito no Midrash; pois vem do sentido oposto, como na analogia de coisas picantes que, quando adoçadas, se tornam extremamente saborosas. Assim também, por meio do adoçamento das severidades (guevurot), surge o aroma.

Explicação

É por isso que Yitschac “sentiu o aroma de suas vestes”: as vestes são um nível abrangente, como o olfato. Os Sábios interpretam begadav, “suas vestes”, como bogdav, “seus traidores”, pois o aroma mais refinado provém do sentido oposto, do adoçamento daquilo que era áspero, assim como alimentos picantes se tornam os mais saborosos depois de adoçados.

כי הגבורות שרשן גבוה משבירת הכלים עקודים נקודים כו׳ והיינו על ידי תיקון שם מ״ה [שם מ״ה] כו׳ (ועמ״ש מזה בפ׳ תולדות ע״פ ראה ריח בני כו׳)

Pois a raiz das severidades é elevada, proveniente da quebra dos recipientes, [nos mundos de] Akudim, Nekudim etc.; isto é, por meio da retificação do Nome Máh etc. (E veja o que está escrito sobre isso na Parashat Toldot, a respeito do versículo “Vê, o aroma de meu filho” etc.)

Explicação

As severidades têm uma raiz elevada, na quebra dos recipientes nos mundos primordiais de Akudim e Nekudim, e são reparadas por meio do Nome Máh, o princípio da retificação. Quando são adoçadas, sua elevada raiz emite o aroma.

ועד״ז [ועל דרך זה] נאמר לע״ל [לעתיד לבוא] על יצחק כי אתה אבינו שכעת הוא מדת הדין ואח״כ [ואחר כך] נמתק ע״י ישראל כו׳

E, da mesma forma, a respeito do Tempo Vindouro, será dito sobre Yitschac: “Pois tu és nosso pai”; pois agora ele é o atributo do julgamento, e depois será adoçado por meio de Israel etc.

Explicação

O mesmo padrão aparece no ensinamento talmúdico de que, no Tempo Vindouro, Israel dirá a Yitschac: “Pois tu és nosso pai”. Yitschac é agora o atributo do julgamento, e no futuro esse julgamento será adoçado por meio de Israel.

(וע׳ [ועיין] בלק״ת [בלקוטי תורה (להאריז״ל)] בישעי׳ [בישעיה] ע״פ ולא בכסף תגאלו כו׳) ומורי. הוא סור מרע. ובשמי. הוא ועשה טוב כו׳.

(E veja o Likkutei Torah do Arizal sobre Isaías, a respeito do versículo “E não com dinheiro sereis resgatados” etc.) E “Minha mirra” é “Afasta-te do mal”, e “Minha especiaria” é “e faze o bem” etc.

Explicação

O Likkutei Torah do Arizal sobre Isaías é citado a respeito desse tema. Em seguida, as duas fragrâncias do versículo são interpretadas como os dois aspectos do serviço divino: “Minha mirra” é “Afasta-te do mal”, e “Minha especiaria” é “e faze o bem”.

(וע׳ [ועיין] מ״ש בד״ה ויושט המלך לאסתר מענין ששה חדשים בשמן המור וששה חדשים בבשמים כו׳ ועוד מענין מור בד״ה חייב אינש לבסומי בפוריא) (ולקמן) ובד״ה נשא את ראש בני גרשון. גבי ענין מררי:

(E veja o que está escrito no discurso que começa com “E o rei estendeu a Ester”, sobre o tema de “seis meses com óleo de mirra e seis meses com especiarias” etc.; e também, sobre o tema da mirra, no discurso que começa com “A pessoa é obrigada a embriagar-se em Purim”) (e abaixo), e no discurso que começa com “Faz o censo dos filhos de Gershon”, a respeito do tema de Merari.

Explicação

São citadas outras discussões sobre a mirra: o discurso sobre a preparação de Ester com “seis meses com óleo de mirra e seis meses com especiarias”, o discurso sobre embriagar-se em Purim e o discurso sobre o censo dos filhos de Gershon, a respeito de Merari, nome que, assim como mor (mirra), evoca mar, amargo.

O parágrafo 9 em resumo

O aroma provém do adoçamento das severidades, cuja raiz é muito elevada; por isso Yitschac sentiu o aroma das “vestes” de Yaakov, interpretadas como “traidores”, e, no versículo, a mirra representa afastar-se do mal, enquanto a especiaria representa fazer o bem.

Aprofundar

Interpretar begadav como bogdav mostra que o aroma mais intenso se eleva daquilo que estava distante e foi transformado, assim como o que é áspero se torna extremamente saboroso quando adoçado. A raiz das severidades na quebra dos recipientes explica por que seu adoçamento alcança o nível do olfato, que está acima do paladar.

Marei mekomot

  1. 1
    וזהו וירח · קטע מכאן מובא באוה״ת בראשית כרך א דף קמח, ב.
  2. 2
    וירח את ריח בגדיו · Genesis 27:27
  3. 3
    שהוא מקיף · באוה״ת שם מוסיף: ”היינו כמ״ש שהריח גבוה מן הטעם שטנת״א טעמים הוא או״פ וריח הוא מקיף כו׳”.
  4. 4
    בגדיו לשון בוגדיו · Sanhedrin 37a:7–8
  5. 5
    ע״פ ראה ריח בני · ראה אוה״ת תולדות קנה, ב.
  6. 6
    יצחק כי אתה אבינו · ע׳ שבת (פט, ב). ישעי׳ (סג, טז). [כ]. ראה אוה״ת תולדות קמח, ב.
  7. 7
    על יצחק כי אתה אבינו · Shabbat 89b:4–5
  8. 8
    כי אתה אבינו · Isaiah 63:16
  9. 9
    בלק״ת בישעי׳ · להאריז״ל סי׳ נב.
  10. 10
    ולא בכסף תגאלו · Isaiah 52:3
  11. 11
    סור מרע · Psalms 34:15
  12. 12
    ששה חדשים בשמן המור וששה חדשים בבשמים · Esther 2:12
  13. 13
    חייב אינש לבסומי בפוריא · Megillah 7b:7–8
  14. 14
    (ולקמן) ובד״ה נשא את ראש · לעיל פ׳ נשא. ותי׳ לקמן — ראה לעיל במ״מ לב, ג שבבוך 4 (לקו״ת מהדו״ק) מאמר זה בפ׳ אחרי.
  15. 15
    נשא את ראש בני גרשון · Numbers 4:22

Favo de mel, vinho e leite ¶10–11

10אכלתי יערי עם דבשי. יערי כל עץ נחמד כו׳ מלאכים שהנשמות מקבלים מהם ביוצר אור ובאהבה כו׳ כמשל אימת המלך מפני שרואה שרים רבים נופלים ומשתחוים לפניו ואהבתו מפני התקרבותו.

“Comi o Meu favo de mel com o Meu mel.” Ya’ri: “toda árvore aprazível”, etc.; [isto é,] os anjos, dos quais as almas recebem nas [bênçãos] Yotzer Or e Ahavah, etc.; como na analogia do temor ao rei, por se verem muitos ministros caindo e prostrando-se diante dele, e do amor por ele, por se ser aproximado [dele].

Explicação

A cláusula seguinte, “Comi o Meu favo de mel com o Meu mel”, é explicada. Ya’ri, “Meu favo de mel”, evoca ya’ar, uma floresta de árvores, e essas árvores são os anjos, dos quais as almas recebem nas bênçãos matinais Yotzer Or, que descreve o louvor dos anjos, e Ahavah, sobre o amor de D'us. A parábola é a de um súdito que sente temor ao ver grandes ministros curvarem-se diante do rei, e amor quando o rei o aproxima de si.

כך אהבת עולם אהבתנו חמלה גדולה ויתירה כו׳ וקרבתנו לשמך הגדול ישראל עלו במחשבה והמלאכי׳ [והמלאכים] מרוח פיו כו׳ והכל כמשל האכיל׳ [האכילה] שמחיה את האדם

Assim também: “Com amor eterno Tu nos amaste; grande e abundante compaixão”, etc., “e nos aproximaste de Teu grande Nome”: Israel elevou-se no [pensamento de D'us], enquanto os anjos [provêm] “do sopro de Sua boca”, etc. E tudo isso é como a analogia do alimento, que dá vida à pessoa;

Explicação

Do mesmo modo, a bênção do amor que precede o Shemá fala do “amor eterno” de D'us e de Ele nos aproximar, o que evoca amor. As almas de Israel elevaram-se no pensamento de D'us antes da criação, ao passo que os anjos provêm do “sopro de Sua boca”, uma fonte inferior; e toda essa relação é comparada à alimentação, que mantém a pessoa viva.

וגם המאכל יש לו תיקון ועלייה ע״י האדם שמדומם צומח חי נכלל בבחי׳ אדם כך

e o alimento também recebe retificação e elevação por meio da pessoa, pois o mineral, o vegetal [e] o animal são incluídos no nível do ser humano. Assim também:

Explicação

A alimentação também beneficia o alimento: a matéria mineral, vegetal e animal é elevada quando se torna parte de um ser humano.

הנה הנשמות מקבלים מהמלאכים ומ״מ [ומכל מקום] עי״ז גם המלאכים מתתקנים ונק׳ עבודה שמתעלים ג״כ בבחי׳ מ״ן [מיין נוקבין] ברחם הנוק׳ [הנוקבא] ע״י הנשמות ונמשך מ״ד [מיין דוכרין] ומברר את המ״ן [המיין נוקבין] והיו לבשר אחד.

as almas recebem dos anjos e, ainda assim, por meio disso os próprios anjos também são retificados; e isso é chamado avodá (serviço), pois também eles são elevados como o nível de mayin nukvin (águas femininas) no ventre de Nukvá, por meio das almas; e mayin duchrin (águas masculinas) são atraídas para baixo e refinam as mayin nukvin, “e tornam-se uma só carne”.

Explicação

Do mesmo modo, as almas recebem dos anjos, mas estes são elevados por meio disso, e isso é chamado avodá, serviço. Eles se elevam por meio das almas como mayin nukvin, “águas femininas”, o despertar de baixo, em Nukvá; isso atrai mayin duchrin, “águas masculinas”, o influxo do alto, que as refina até que os dois se tornem um.

(ועיין בהרמ״ז [בהרב משה זכות] בזהר פרשה אמור ד״צ ע״א בד״ה מאן ביתה ונפקדים בתוך יסודה כו׳ ע״ש [עיין שם]):

(E veja o Ramaz sobre o Zohar, Parashat Emor, fólio 90a, na passagem que começa “Quem são os de sua casa”: “e são depositados dentro de seu Yessod”, etc.; veja ali.)

Explicação

O Ramaz é citado a propósito das palavras do Zohar “Quem são os de sua casa”, ditas sobre aqueles que se unem à Congregação de Israel à noite. Ali, ele fala dos que são “depositados dentro de seu Yessod”, o que se relaciona à elevação das almas como águas femininas.

O parágrafo 10 em resumo

O favo de mel são os anjos, dos quais as almas recebem amor e temor nas orações matinais; assim como o alimento é elevado por quem o come, os anjos são elevados por meio das almas como águas femininas, que atraem as águas masculinas do alto.

Aprofundar

A parábola do rei associa a bênção Yotzer Or ao temor, ao se verem os anjos curvando-se, e a bênção Ahavah ao amor, por se ser aproximado. Os anjos se beneficiam dessa relação porque as almas, enraizadas no pensamento de D'us, são superiores aos anjos, que provêm do sopro de Sua boca.

Marei mekomot

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11שתיתי ייני עם חלבי. ייני מוחין דאימא. חלבי מוחין דאבא המלובשי׳ [המלובשים] במוחין דאימא (כעין מ״ש במ״א בפי׳ מקרא קדש)

“Bebi Meu vinho com Meu leite.” “Meu vinho” é o intelecto (mochin) de Imá; “Meu leite” é o intelecto de Abá, que está revestido no intelecto de Imá (semelhante ao que está escrito em outro lugar na explicação de mikrá kódesh, “uma convocação sagrada”).

Explicação

A expressão “Bebi Meu vinho com Meu leite” é explicada assim: o vinho é o intelecto de Imá (Biná), e o leite é o intelecto de Abá (Chochmá), que está revestido no intelecto de Imá. Um ponto semelhante é apresentado em outro lugar na explicação da expressão mikrá kódesh, “uma convocação sagrada”.

והיינו מוחין ליניקה לגדל הולד כי ז״א [זעיר אנפין] כשהוא בבחי׳ עיבור הוא תלת כלילן גו תלת.

Isto é, o intelecto para a amamentação (yeniká), a fim de fazer a criança crescer. Pois Zeir Anpin, quando está no estado de gestação (ibur), é “três incluídos em três”.

Explicação

O leite é o intelecto da amamentação, que faz a criança crescer. A Cabalá descreve o desenvolvimento de Zeir Anpin em etapas análogas às de uma criança; na gestação, ele está dobrado, “três incluídos em três”, com seus atributos contidos uns nos outros.

ואח״כ [ואחר כך] בחי׳ לידה. ואח״כ [ואחר כך] בחי׳ יניקה שהמדות דז״א [דזעיר אנפין] מקבלים מחו״ב [מחכמה ובינה] ועי״ז מתגדלים איבריו בבחי׳ ע״ס [עשר ספירות] כו׳

Depois [vem] o estágio do nascimento e, depois, o estágio da amamentação, no qual os atributos emocionais (midot) de Zeir Anpin recebem de Chochmá e Biná e, por meio disso, seus membros crescem até o nível das Dez Sefirot, etc.

Explicação

Depois vem o nascimento e, em seguida, a amamentação, quando os atributos de Zeir Anpin recebem de Chochmá e Biná. Por meio disso, seus “membros”, isto é, os atributos, crescem até que cada um se torne uma estrutura completa de dez Sefirot.

אך אינו פרצוף אבא עצמו רק המלובשים בז״א [בזעיר אנפין] ממש (ועמ״ש מזה בד״ה ע״פ השמים מספרים) ואינו מוחין דאימא.

Mas não se trata do próprio Partzuf de Abá, e sim apenas daqueles [aspectos dele] que estão efetivamente revestidos em Zeir Anpin (e veja o que está escrito sobre isso no discurso sobre o versículo “Os céus proclamam”); e não é o intelecto de Imá.

Explicação

O leite não é o Partzuf de Abá como um todo, mas apenas aquilo dele que está revestido em Zeir Anpin; e é distinto do intelecto de Imá, que corresponde ao vinho. Sobre este ponto, cita-se o discurso sobre “Os céus proclamam”.

והכל שתיתי ייני עם חלבי שנבלע במקורו למעלה כו׳ (ועמ״ש במ״א בביאור מאמר הזהר פ׳ שלח) (דקע״א ע״א) ומסגיאו חלבא דיניק כו׳

E tudo isso é “Bebi Meu vinho com Meu leite”: isto é, ele é absorvido em sua fonte no alto, etc. (E veja o que está escrito em outro lugar na explicação da declaração do Zohar, Parshas Shelach) (fólio 171a), “e, da abundância do leite que ele mama”, etc.:

Explicação

Beber os dois juntos expressa sua absorção na fonte no alto. O Zohar sobre Shelach apresenta a imagem de uma mãe amamentando seu filho: da abundância do leite que ele mama, sua boca se enche e ele cresce; então, ele derrama o leite de volta na boca de sua mãe, num fluxo que retorna à sua fonte.

איך ע״י המשכת החלב במדות דז״א [דזעיר אנפין] שעי״ז מתגדלים המדות ומתכללים להיות החסד כלול מע״ס [מעשר ספירות] עד״מ [על דרך משל] עי״ז נשפע ג״כ למטה בבי״ע [בבריאה יצירה עשיה] רבוי ההשפעות מבחי׳ החסד כו׳

como, por meio da condução do leite aos atributos de Zeir Anpin, que assim crescem e se incluem mutuamente, de modo que Chessed (bondade), por exemplo, compreende dez Sefirot, também flui, por meio disso, para baixo, para Beriá, Yetsirá e Assiá, uma abundância de influências do nível de Chessed, etc.

Explicação

O texto explica como isso acontece: o leite conduzido aos atributos de Zeir Anpin faz com que cresçam e se incluam mutuamente, de modo que Chessed, por exemplo, compreenda dez Sefirot. Por meio disso, uma abundância de bondade também flui para os mundos inferiores de Beriá, Yetsirá e Assiá.

ועמ״ש מענין חלב בפ׳ שלח בד״ה ויאמרו כו׳ טובה הארץ גבי פי׳ זבת חלב ודבש ובפ׳ ויחי ע״פ ולבן שנים מחלב.

E veja o que está escrito sobre o tema do leite em Parshas Shelach, no discurso que começa “E disseram”, etc., “A terra é boa”, a respeito da explicação de “que mana leite e mel”; e em Parshas Vayechi, sobre o versículo “e dentes brancos de leite”.

Explicação

São mencionadas outras discussões sobre o leite: o discurso sobre as palavras de Yehoshua e Calev de que a terra é boa, uma terra “que mana leite e mel”, e o discurso sobre a bênção de Yaakov a Yehudá, “dentes brancos de leite”.

ובפ׳ תרומה בד״ה מי יתנך כו׳. ובד״ה וארא אל אברהם כו׳ גבי פי׳ באל שדי מלשון ברכות שדים כו׳

E em Parshas Terumah, no discurso que começa “Quem dera que fosses”, etc.; e no discurso que começa “E apareci a Avraham”, etc., a respeito da explicação de “como Kel Shaddai”, derivado da expressão “as bênçãos dos seios (shadayim)”, etc.

Explicação

Além disso, há o discurso sobre “Quem dera que fosses para mim como um irmão, que mamou nos seios de minha mãe”, e o discurso sobre D'us ter aparecido aos Patriarcas “como Kel Shaddai”. Ali, Shaddai é relacionado a shadayim, os seios que amamentam.

ושם נת׳ [נתבאר] ענין עיבור ולידה ויניקה בעבודת ה׳ ועיין בפרדס בערכי הכינויים ערך חלב ובשער ח׳ פ״ו ובזהר משפטים (דקכ״ב ע״ב) בענין רחוצות בחלב ובאדרא רבא דקל״ו ע״ב:

E ali se explica o conceito de gestação, nascimento e amamentação no serviço a D'us. Veja também o Pardes, em Sha'ar Erchei HaKinuyim, verbete “leite”, e em Sha'ar 8, capítulo 6; e o Zohar, Mishpatim (folio 122b), sobre o conceito de “banhadas em leite”; e a Idra Rabba, folio 136b.

Explicação

Ali, diz o texto, gestação, nascimento e amamentação são explicados como etapas no serviço de uma pessoa a D'us. Outras fontes são o Pardes, sobre o termo “leite”; o Zohar, sobre “banhadas em leite”; e a Idra Rabba.

O parágrafo 11 em resumo

O vinho e o leite são o intelecto de Imá e de Abá, tal como nutrem Zeir Anpin e fazem seus atributos crescer, até que cada um se torne um conjunto completo de dez Sefirot; assim, a bondade flui abundantemente para os mundos inferiores.

Aprofundar

O Zohar sobre Mishpatim, citado aqui, descreve os olhos de Zeir Anpin, vermelhos de julgamento, sendo “banhados em leite”: a brancura de Atik brilha em Imá, ela se enche de leite e amamenta todos; o leite flui constantemente e nunca cessa. Assim, o leite representa a bondade que vem do alto e suaviza o julgamento.

Marei mekomot

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Os amigos ¶12

12אכלו רעים. נשמות ישראל נקראו רעים לז״א [לזעיר אנפין] כמ״ש למען אחי ורעי והענין הוא כי למוד התורה לשמה להמשיך אור א״ס [אין סוף] ב״ה למטה.

“Comei, amigos.” As almas de Israel são chamadas “amigos” de Zeir Anpin, como está escrito: “Por causa de meus irmãos e de meus amigos.” E o assunto é que o estudo da Torá em prol dela mesma [serve] para atrair a Luz Infinita (Or Ein Sof), bendito seja Ele, para baixo.

Explicação

A expressão “Comei, amigos” refere-se às almas de Israel, chamadas “amigos” de Zeir Anpin, como em “Por causa de meus irmãos e de meus amigos”. Estudar Torá em prol dela mesma atrai a Luz Infinita para baixo.

תורתו אומנתו פטור מתפלה. מפני שהוא המשיך אור א״ס [אין סוף] ב״ה ממש. כי ואהיה אצלו אמון כו׳

[Aquele cuja] Torá é sua ocupação está isento da oração, pois atraiu para baixo a própria Luz Infinita, bendito seja Ele. Pois “Eu estava junto a Ele como um amon”, etc.,

Explicação

Por isso, o Talmud isenta aquele cujo estudo da Torá é sua ocupação integral de interrompê-lo para rezar: por meio de seu estudo, ele atraiu para baixo a própria Luz Infinita. A Torá diz de si mesma: “Eu estava junto a Ele como um amon”.

ושעשועי את בני אדם שהם טעמי מצות שהם בחכמה וחכמה הוא עדן שהוא תענוג הגם שלא נתגלה למטה וזהו ודברי ממש אשר שמתי בפיך

“e meus deleites estavam com os filhos dos homens”: estes são os motivos das mitsvot, que estão em Chochmá (sabedoria); e Chochmá é Éden, que é deleite, embora isso não tenha sido revelado embaixo. E isto é “e Minhas palavras”, literalmente, “que coloquei em tua boca”.

Explicação

A Torá prossegue: “e meus deleites estavam com os filhos dos homens”; esses deleites são os motivos das mitsvot, enraizados em Chochmá, que é chamada Éden, deleite, embora esse deleite esteja oculto embaixo. Assim, a Torá na boca da pessoa é, literalmente, “Minhas palavras”: as próprias palavras de D'us.

ונמצא אור אס ב״ה שוה ממש למטה בנפש כמו למעלה ובכל בי״ע [בריאה יצירה עשיה] בכולם נמשך אור

Conclui-se que a Luz Infinita, bendito seja Ele, é realmente a mesma embaixo, na alma, que em cima; e em todos os mundos de Beriá, Yetsirá e Assiá, em todos eles, é atraída a luz

Explicação

Conclui-se que a Luz Infinita na Torá é a mesma na alma embaixo e em cima. Ela é atraída por todos os mundos de Beriá, Yetsirá e Assiá.

א״ס [אין סוף] בה עד למטה בנפש האדם ומעורר ע״י אתעדל״ת [אתערותא דלתתא] התלבשו׳ אא״ס [אור אין סוף] ב״ה בחכמה כי כולם בחכמה עשית ולכן גם נשמות דצדיקים הם כמו רעים דלעילא:

do Infinito, bendito seja Ele, até embaixo, na alma do homem; e, por meio do despertar de baixo, ele provoca o revestimento da Luz Infinita, bendito seja Ele, em Chochmá, pois “Tu fizeste todos eles com Chochmá”. Portanto, também as almas dos tsadikim são como os “amigos” de cima.

Explicação

Ela alcança a alma humana, e, por meio do despertar da pessoa de baixo, provoca o revestimento da Luz Infinita em Chochmá. É por isso que as almas dos tsadikim são como os “amigos” de cima.

O parágrafo 12 em resumo

Os “amigos” são as almas de Israel: por meio do estudo da Torá em prol dela mesma, elas atraem a própria Luz Infinita, revestida em Chochmá, para dentro da alma, de modo que a luz embaixo é a mesma que em cima; assim, as almas dos tsadikim são como os “amigos” de cima.

Marei mekomot

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Os amados e a meia-noite no jardim ¶13

13שתו ושכרו דודים. פי׳ דודים הם זו״נ [זעיר אנפין ונוקבא] כמ״ש בזהר (ויקרא דף ד׳ ע״א) והיינו לפי שיחודם הוא לעתים ואינן בבחי׳ רעים דלא מתפרשין ולכן הם בבחי׳ צמאון שהצמאון מיסוד האש כלתה נפשי.

“Bebei e embriagai, amados (dodim).” O sentido é: os dodim são Zeir Anpin e Nukvá, como está escrito no Zohar (Vayikra, fólio 4a). Isto é, como sua união ocorre [somente] em determinados momentos, eles não estão no nível de re'im (amigos), “que jamais se separam”. Por isso, encontram-se num estado de sede, pois a sede provém do elemento do fogo: “minha alma desfalece (kalsah)”

Explicação

Explica-se aqui a última cláusula, “Bebei e embriagai-vos, amados”: os dodim, “amados”, são Zeir Anpin e Nukvá, cuja união ocorre somente em determinados momentos, diferentemente dos re'im, “amigos”, o nível de Abá e Imá, “que jamais se separam”. Assim, os dodim encontram-se num estado de sede, um anseio ardente como em “minha alma desfalece”.

ולרוות הצמאון שתו מים הוי כל צמא לכו למים (ועמ״ש בד״ה והי׳ [והיה] מספר בנ״י [בני ישראל]) ואעפ״כ [ואף על פי כן] אח״כ [אחר כך] ושכרו לעורר גבורות דאימא יין המשמח שנעשה חסדים למטה אשר ברא ששון ושמחה שהוא בחי׳ יין.

E, para saciar a sede, “bebei” água: “Ah! Todos os sedentos, vinde às águas” (e veja o que está escrito no discurso que começa “E será o número dos filhos de Israel”). No entanto, depois vem “e embriagai-vos”: para despertar as severidades (guevurot) de Imá, o vinho que alegra, as quais se transformam em bondades (chasadim) embaixo, “que criou alegria e júbilo”, que é o nível do vinho.

Explicação

A água sacia a sede, como em “Ah! Todos os sedentos, vinde às águas”. Em seguida vem “embriagai-vos”: o vinho desperta as severidades de Imá, que trazem alegria e se transformam em bondades embaixo, como na bênção nupcial Àquele “que criou alegria e júbilo”.

משא״כ גבורות דזו״נ [דזעיר אנפין ונוקבא] שמשם יוכל להיות יניקת החיצונים לפי שהם גבורות דלתתא וכמו בחי׳ רשפי אש.

Isso não ocorre com as severidades de Zeir Anpin e Nukvá, das quais as forças externas podem extrair sustento, pois são severidades de baixo, como o nível de “chispas de fogo”.

Explicação

As severidades de Zeir Anpin e Nukvá são diferentes. Por serem severidades de um nível inferior, como “chispas de fogo”, podem dar às forças que se opõem à santidade um ponto de apoio do qual extrair sustento.

ע״ז [על זה] אמר כל צמא לכו למים כו׳ אבל בחי׳ יין הוא בחי׳ שמחת הנפש בה׳ ועמ״ש בד״ה אסרי לגפן שהוא בחי׳ חמר חוורין עתיק כו׳.

A respeito disso se diz: “Todos os sedentos, vinde às águas”, etc. Mas o nível do vinho é o nível da alegria da alma em D'us. E veja o que está escrito no discurso que começa “Atando à videira”, que se trata do nível de chamar chivarin (vinho branco), Atik, etc.

Explicação

Para essas severidades inferiores, a solução é a água: “Todos os sedentos, vinde às águas”. O vinho, porém, representa a alegria da alma em D'us, e outro discurso o identifica com o “vinho branco” de Atik.

אך עכ״ז [עם כל זה] זהו שייך בבחי׳ דודים משא״כ לעילא בבחי׳ רעים הוא בחי׳ שמן דבחד קטירא אתקטרנא הוינא אכלו רעים אכילה הוא הבלעה במקורו

Ainda assim, tudo isso diz respeito ao nível dos dodim; ao passo que, acima, no nível dos re'im, trata-se do nível do óleo, pois “com um único vínculo fui ligado”; “comei, amigos”: comer é ser absorvido em sua fonte.

Explicação

Tudo isso pertence ao nível dos dodim. No nível superior dos re'im, a imagem é a do óleo, que expressa um vínculo que jamais se rompe: “com um único vínculo fui ligado”; e os amigos “comem”, sendo que comer significa ser absorvido na fonte.

ולכן גם נשמות ישראל כמו רעים דלעילא ועמ״ש מענין מעלת השמן על בחי׳ יין בד״ה צאינה וראינה כו׳ בזהר פי׳ פסוק באתי לגני כו׳

E, portanto, também as almas de Israel são como os “amigos” do alto. E veja o que está escrito sobre a superioridade do óleo em relação ao nível do vinho no discurso que começa “Saí e contemplai”, etc. No Zohar, a explicação do versículo “Vim ao Meu jardim”, etc.:

Explicação

Por isso, as almas de Israel são comparadas aos “amigos” do alto. A superioridade do óleo em relação ao vinho é discutida no discurso “Saí e contemplai”, e as explicações do Zohar sobre “Vim ao Meu jardim” são indicadas a seguir.

(ח״א [חלק א׳] קס״ד סע״א [סוף עמוד א] דרל״ט ע״ב דרמ״ח א׳ ח״ג [חלק ג׳] ד״ג ע״ב ד״ד ע״א דרכ״ו א׳ ב׳. וע״ש [ועיין שם] דר״מ ע״ב דרמ״א א׳ וסע״ב [וסוף עמוד ב] דרמ״ב א׳ דרמ״ד א׳).

(Parte I, fólio 164, final do lado a; fólio 239b; fólio 248a. Parte III, fólio 3b; fólio 4a; fólio 226a e b. E veja ali, fólio 240b; fólio 241a e final do lado b; fólio 242a; fólio 244a.)

Explicação

Essas são as passagens do Zohar, nas Partes I e III, em que se explica o versículo “Vim ao Meu jardim”.

(ועמ״ש במ״א ע״פ מאמר הזהר פ׳ בראשית) (דכ״ז ע״ב) ע״פ אעשה לו עזר כנגדו דא משנה אתתא דההוא נער כו׳

(E veja o que está escrito em outro lugar sobre a declaração do Zohar, Parshas Bereishis) (fólio 27b), a respeito de “Farei para ele uma ajudadora correspondente a ele”: “Esta é a Mishná, a esposa daquele jovem”, etc.,

Explicação

Indica-se outro comentário, sobre a explicação do Zohar de que “Farei para ele uma ajudadora correspondente a ele” se refere à Mishná, “a esposa daquele jovem”, o anjo Metatron.

מענין בפלגות לילא קוב״ה [קודשא בריך הוא] אתי לאשתעשע עם צדיקייא בג״ע [בגן עדן] שאז נמשך הגילוי מעצמיות ח״ע [חכמה עילאה] כו׳ וכן משמע בזהר פ׳ בא (דל״ו ע״ב)

sobre o tema de “À meia-noite, o Santo, bendito seja Ele, vem deleitar-se com os tsadikim no Gan Éden”: então, a revelação é atraída da essência da Chochmá superior (Chochmá Ilaá), etc. E isso também está implícito no Zohar, Parashat Bo (fólio 36b),

Explicação

Essa discussão trata do ensinamento do Zohar de que, à meia-noite, o Santo, bendito seja Ele, vem deleitar-se com os tsadikim no Gan Éden, e explica que, nessa hora, a revelação vem da essência da Chochmá superior. O Zohar sobre Bo implica o mesmo.

דאיתא התם בשעתא דקב״ה [דקודשא בריך הוא] אתחזי על גנתא כל גנתא אתכנש ולא מתפרש מעדן כו׳ והיינו דההמשכה הקצובה בג״ע [בגן עדן] הוא מבחי׳ ונהר יוצא מעדן להשקות את הגן.

onde se afirma: “Na hora em que o Santo, bendito seja Ele, aparece sobre o jardim, todo o jardim se reúne e não se separa do Éden”, etc. Isto é, o fluxo medido no Gan Éden provém do nível de “E um rio sai do Éden para regar o jardim”.

Explicação

O Zohar sobre Bo diz que, quando o Santo, bendito seja Ele, aparece sobre o jardim, todo o jardim se reúne e não se separa do Éden. Em condições normais, o Gan Éden recebe um fluxo medido: “um rio sai do Éden para regar o jardim”.

אבל בשעתא דקב״ה [דקודשא בריך הוא] אתחזי על גנתא נמשך בגנתא מעצמיות בחי׳ עדן ממש שלמעלה מבחי׳ ומדרגת ונהר יוצא מעדן להשקות את הגן כו׳

Mas “na hora em que o Santo, bendito seja Ele, aparece sobre o jardim”, é atraído para o jardim da própria essência do nível de Éden, que está acima do nível e da categoria de “E um rio sai do Éden para regar o jardim”, etc.

Explicação

Mas, quando Ele aparece sobre o jardim, este recebe da própria essência do Éden, um nível acima do rio que sai do Éden.

וזהו כענין משנ״ת [מה שנתבאר] בד״ה ששים המה מלכות יתרון בחי׳ ומעין מבית ה׳ יצא על בחי׳ ונהר יוצא כו׳ ע״ש [עיין שם] באריכות וע״ד [ועל דרך] שנת׳ [שנתבאר] במ״א בד״ה

E isso é semelhante ao que foi explicado no discurso que começa “Sessenta são as rainhas”: a superioridade do nível de “E uma fonte sairá da Casa de Havayá” sobre o nível de “E um rio sai”, etc.; veja ali a explicação extensa. E segue a mesma linha do que foi explicado em outro lugar, no discurso que começa

Explicação

O discurso “Sessenta são as rainhas” faz uma distinção semelhante: a fonte que sairá da Casa de Havayá é superior ao rio que sai do Éden. Há outro paralelo em um discurso mencionado na parte seguinte.

להבין מ״ש בהגדה מצה זו יתרון בחי׳ מוחין דאבא על מוחין דאימא. ואפשר שזהו ענין מעין גנים.

“Para compreender o que é dito na Hagadá, ‘Esta matsá’”: a superioridade do nível do intelecto (mochin) de Abá sobre o intelecto de Imá. E é possível que esse seja o significado de “uma fonte de jardins”:

Explicação

Esse discurso, sobre a matsá da Hagadá, explica a superioridade do intelecto de Abá sobre o de Imá. Talvez esse também seja o significado de “uma fonte de jardins”.

מעין דוקא. וע״ש [ועיין שם] עוד בזהר פ׳ בא (דל״ו ע״א) ר׳ [רבי] שמעון אמר בשעתא דאתפליג ליליא כו׳ ובפי׳ הרמ״ז [הרב משה זכות] שם.

“uma fonte”, especificamente. E veja também ali, no Zohar, Parashat Bo (fólio 36a): “Rabbi Shimon disse: Na hora em que a noite se divide”, etc.; e no comentário de Ramaz ali.

Explicação

É chamada “uma fonte”, especificamente: uma origem que brota, em vez de um rio que flui dela. Também são citados o Zohar sobre Bo e o comentário de Ramaz, a respeito da hora “em que a noite se divide”.

ועיין בזהר הרקיע פ׳ ויקרא (בדף י״ג) בד״ה שאו ידיכם כו׳ שבחצות הלילה נעשה זיווג או״א [אבא ואימא] ליתן מוחין כו׳

E veja Zohar HaRakia sobre Parashat Vayikra (no fólio 13), na passagem que começa “Erguei as mãos”, etc.: à meia-noite ocorre a união de Abá e Imá, para conceder intelecto, etc.

Explicação

Zohar HaRakia é citado pelo ensinamento de que, à meia-noite, Abá e Imá se unem a fim de conceder intelecto.

ועיין מזה בפע״ח [בפרי עץ חיים] שער ק״ש [קריאת שמע] שעל המטה ספ״ו ופרק י״א בד״ה ליקוטים. ועיין מק״מ [מקדש מלך] רפ צו (בדף כ״ו ע״ב).

E veja sobre isso em Pri Etz Chaim, Sha'ar Krias Shema she'al HaMitah (O Portão da leitura do Shemá ao deitar-se), fim do capítulo 6, e capítulo 11, na seção que começa “Likkutim”. E veja Mikdash Melech no início de Parashat Tzav (no fólio 26b).

Explicação

O Portão da leitura do Shemá ao deitar-se, de Pri Etz Chaim, e Mikdash Melech sobre Tzav são fontes adicionais sobre o que ocorre à meia-noite.

ועיין בזהר הרקיע פ׳ ויחי בפי׳ מ״ש בתוספתא שבזהר פ׳ ויחי שם (דרל״ב סע״א [סוף עמוד א]) שרגא דדליק אתחזי בליליא ביממא אסתתרת כו׳ ע״ש [עיין שם].

E veja Zohar HaRakia, sobre a Parashat Vayechi, na explicação do que é dito na Tosefta do Zohar, ali, sobre a Parashat Vayechi (fólio 232, fim do lado a): “Uma lâmpada que arde é vista à noite; durante o dia, fica oculta”, etc.; veja ali.

Explicação

A Tosefta do Zohar sobre Vayechi fala de “uma lâmpada que arde”, vista à noite e oculta durante o dia. A explicação do Zohar HaRakia sobre isso é citada, pois também trata de uma luz revelada à noite.

ועמ״ש בד״ה להבין ענין משמח חתן בפ׳ צו פי׳ וענין כשמחך יצירך בגן עדן מקדם כו׳ ועמ״ש בד״ה וילקט יוסף בענין האי אור זרע ליה קוב״ה [קודשא בריך הוא] בגנתא כו׳ ע״ש [עיין שם]:

E veja o que está escrito no discurso que começa “Para compreender o assunto de ‘Aquele que alegra o noivo’”, na Parashat Tzav, [sobre] a explicação e o sentido de “Como alegraste Tua criatura no Jardim do Éden de outrora”, etc.; e veja o que está escrito no discurso que começa “E Yosef reuniu”, sobre o assunto de “Esta luz, o Santo, bendito seja Ele, semeou no jardim”, etc.; veja ali.

Explicação

São indicados mais dois discursos: um sobre a bênção nupcial “Como alegraste Tua criatura no Jardim do Éden de outrora”, e outro sobre a luz que “o Santo, bendito seja Ele, semeou no jardim”.

O parágrafo 13 em resumo

Os dodim, Zeir Anpin e Nukvá, têm sede e são revigorados pela água e pelo vinho; os re'im superiores, unidos para sempre, são comparados ao óleo, e seu comer significa ser absorvido na fonte. À meia-noite, o Santo, bendito seja Ele, aparece no jardim e atrai para dentro dele da essência do Éden, a Chochmá superior, acima do rio delimitado.

Aprofundar

O Zohar sobre Bo, citado aqui, acrescenta que do Éden brotam fontes que seguem por muitos caminhos, e que o jardim é chamado “feixe da vida”, onde os tsadikim encontram deleite. O contraste entre o rio delimitado e a essência do Éden retoma o tema de todo o discurso: o estudo depois da meia-noite atrai da essência da Chochmá de Abá, e não apenas de sua luz medida.

Marei mekomot

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Na avodá

Estudar Torá por sua própria causa e em profundidade, até que surja uma compreensão nova da Chochmá da própria alma: esse estudo atrai a essência da Chochmá superior para Zeir Anpin e suaviza os juízos de Leah em todos os mundos, enquanto o estudo sem profundidade permanece no nível das “letras”. O estudo da Torá depois da meia-noite é especialmente elogiado, pois retifica Rachel e suaviza Leah. O serviço divino tem duas partes, a mirra e as especiarias: afastar-se do mal e praticar o bem.

Perguntas para conversar

  1. Por que Zeir Anpin recebe apenas um “ponto” do intelecto de Abá e Imá, e como o princípio de yesh e ayin, da perspectiva de quem dá e de quem recebe, explica isso?
  2. Como o acréscimo do Nome Havayá nos versículos sobre o Shabat ilustra o que o estudo da Torá por sua própria causa realiza?
  3. O que distingue o estudo “com contemplação e profundidade” do estudo que compreende, mas permanece no nível das letras, e o que cada um deles produz no alto?
  4. Por que a atração de Chochmá precisa vir de um nível acima de Chochmá, e como a parábola do mestre e o contraste entre o olfato e o paladar ilustram isso?
  5. Qual é a diferença entre os “amigos” que comem e os “amados” que bebem, e por que as almas de Israel são comparadas aos amigos?

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Índice

Likkutei Torahלקוטי תורה

Parshas Shir HaShirimשיר השירים

  1. 1שיר השירים אשר לשלמה ישקנו מנשיקות…The Song of Songs, which is Solomon’s
  2. 2שיר השירים אשר לשלמהThe Song of Songs, which is Solomon’s
  3. 3לריח שמניך טובים שמן תורק שמך…For Fragrance, Your Oils Are Good
  4. 4לריח שמניך טובים שמן תורק שמך…For the fragrance of your goodly oils
  5. 5שחורה אני ונאוה בנות ירושלים וגו׳“I am black and comely, O daughters of Jerusalem”
  6. 6שחורה אני ונאוה בנות ירושלים כאהלי…“I Am Black, yet Comely, O Daughters of Jerusalem”
  7. 7ביאור ענין שחורה אני ונאוהAn Explanation of “I Am Black, yet Comely”
  8. 8ביאור הדברים ע״פ שחורה אני ונאוהAn Explanation of the Matters on “I Am Black, Yet Comely”
  9. 9לסוסתי ברכבי פרעה דמיתיך רעיתי“To My Mare Among Pharaoh’s Chariots I Have Likened You, My Beloved”
  10. 10לסוסתי ברכבי פרעה דמיתיך רעיתיTo My Mare Among Pharaoh’s Chariots
  11. 11נאוו לחייך בתורים צוארך בחרוזים“Your Cheeks Are Comely with Torim, Your Neck with Strings of Beads”
  12. 12הנך יפה רעיתי יפה עיניך יונים…“Behold, You Are Fair, My Beloved; Your Eyes Are Doves”
  13. 13קול דודי הנה זה בא מדלג…“The Voice of My Beloved! Behold, He Comes, Leaping over the Mountains”
  14. 14ולהבין ענין מדלג על ההרים מקפץ…To Understand “Leaping over the Mountains, Skipping over the Hills”
  15. 15יונתי בחגוי הסלע בסתר המדרגהMy dove, in the clefts of the rock, in the hidden place of the step: show me your appearance
  16. 16ביאור ע״פ יונתי בחגוי הסלע וגו׳An explanation of the verse “My dove, in the clefts of the rock”
  17. 17עוד ביאור הדברים ע״פ יונתי בחגוי…A further explanation of “My dove, in the clefts of the rock”
  18. 18צאינה וראינה בנות ציון במלך שלמה…Go Out and Gaze, O Daughters of Zion
  19. 19להבין ענין הטעם למה שהאתדל״ע הבאה…To Understand Why the Arousal from Above That Follows the Arousal from Below
  20. 20צאינה וראינה בנות ציון במלך שלמה…Go Out and Gaze, O Daughters of Zion
  21. 21ביאור הדבריםAn Explanation of the Matter: “Keser Is Above All the Ten Sefiros”
  22. 22לבבתני אחותי כלהYou Have Captured My Heart, My Sister, My Bride
  23. 23ביאור על פסוק לבבתניAn Explanation of the Verse “You Have Captured My Heart”
  24. 24באתי לגני אחותי כלה אריתי מורי…“I Have Come into My Garden, My Sister, [My] Bride”
  25. 25ביאור ע״פ באתי לגניAn Explanation of the Verse “I Have Come into My Garden”
  26. 26אני ישנה ולבי ער קול דודי…“I Am Asleep, but My Heart Is Awake”
  27. 27להבין ביאור הדברים ע״פ אני ישנה…To Understand the Explanation of “I Am Asleep, but My Heart Is Awake”
  28. 28הסבי עיניך וגו׳“Turn Away Your Eyes”
  29. 29שניך כעדר הרחלים שעלו מן הרחצה…Your Teeth Are Like a Flock of Ewes That Have Come Up from the Washing
  30. 30ששים המה מלכות ושמונים פילגשים ועלמות…There are sixty queens, and eighty concubines, and maidens without number
  31. 31לבאר הדברים ע״פ ששים המה מלכות…“There Are Sixty Queens”
  32. 32ששים המה מלכות ושמונים פילגשים כו׳There are sixty queens and eighty concubines
  33. 33הנה ענין מדלג על ההרים הוא…“Leaping upon the Mountains”
  34. 34מה יפו פעמיך בנעלים כו׳
  35. 35מי יתנך כאח לי יונק שדי…
  36. 36שימני כחותם על לבך כו׳
  37. 37ביאור על זה
  38. 38כי על כל כבוד חופה
  39. 39ביאור הדברים ע״פ כי על כל…
  40. 40תנו רבנן כיצד מרקדין לפני הכלה…
  41. 41כי כאשר השמים החדשים כו׳
  42. 42ביאור ע״פ כי כאשר השמים כו׳