Torah Ohr · Parshas Mikeitz · Maamar 10
מי כה׳ אלקינו המגביהי לשבת המשפילי לראות בשמים ובארץ
“Quem é como D'us, nosso D'us, que Se eleva para sentar-Se, que Se abaixa para ver...”
A ideia central
As Escrituras chamam tanto a mitsvá quanto a alma de lâmpada. A contemplação da alma divina acende um amor que consome até mesmo a alma animal, como o óleo que sobe pelo pavio e é consumido na chama; as mitsvot elevam a alma de baixo, como vestimentas envolventes, e a luz da Torá atrai a Luz Infinita de cima para baixo, de modo que D'us Se revele embaixo como em cima.
O maamar em resumo
Provérbios chama uma mitsvá de lâmpada e a alma de “a lâmpada de D'us”, e o maamar pergunta o que cada lâmpada representa. A lâmpada recebe esse nome por causa de seu pavio; o óleo alimenta a chama e é consumido nela, e o pavio une a chama ao óleo. “Com todo o teu coração” significa com as duas inclinações: cada pessoa tem uma alma divina e uma alma animal, cada qual composta de intelecto e emoção, e as duas inclinações são as emoções que nascem do intelecto de cada alma. Quando a alma divina contempla, na Shemá, que toda a criação provém somente da Malchut de D'us e nada altera Nele, ela dá origem a um amor ardente. A alma divina é o pavio, e o intelecto da alma animal, como o óleo, é atraído por ela e consumido nesse amor: essa é a lâmpada da alma. A lâmpada de uma mitsvá eleva a alma animal de fora, como uma vestimenta envolvente, como o talit e os tefilin antes da oração e como a caridade. A Torá, em contraste, atrai a Luz Infinita de cima para baixo por meio de Chochmá, como na Torá de Rav Yehudá. A mitsvá é o pavio que retém a luz da Torá, e o versículo inicial nomeia ambos os movimentos.
Esquema
- Duas lâmpadas e como uma lâmpada ardeAs Escrituras chamam tanto a mitsvá quanto a alma de lâmpada. A lâmpada recebe esse nome por causa de seu pavio; o óleo alimenta a chama e é consumido nela, e o pavio une a chama ao óleo.¶1–2
- Duas almas, duas inclinações“Com todo o teu coração” significa com as duas inclinações. Cada alma é sobretudo intelecto; as emoções que nascem do entendimento da alma divina constituem a boa inclinação, e as que nascem do raciocínio físico constituem a má inclinação, que deve ser subjugada.¶3–6
- A contemplação da Shemá“Nosso D'us”, o poder que cria e sustenta os mundos, emana de Havayá, a Luz Infinita. A criação é contínua, mas nada altera em D'us, pois provém somente de Sua Malchut, Seu “Nome”.¶7–9
- A lâmpada da almaA contemplação profunda faz cessar o pensamento da alma vital sobre assuntos físicos e dá origem a um amor ardente. A alma divina é o pavio, e o intelecto da alma vital é o óleo, consumido no amor a D'us.¶10–11
- A lâmpada de uma mitsváAs mitsvot são vestimentas envolventes que vinculam e elevam a alma animal, como uma pedra numa funda, o talit e os tefilin antes da oração, e a caridade, que atrai de cima uma bondade infinita.¶12–13
- A Torá é luzA Torá atrai a Luz Infinita de cima para baixo por meio de Chochmá, sem ocultação, de modo que o mundo se anule diante de D'us mesmo enquanto existe, como na Torá de Moshé, de Rabi Shimon ben Yochai e de Rav Yehudá.¶14–19
- Pavio, óleo e luz juntosA luz da Torá se prende à mitsvá, seu pavio; após a contemplação, o intelecto da alma vital torna-se o óleo atraído para esse pavio e se transforma na sabedoria divina da Torá, refinando o mundo físico.¶20–21
- Explicação do versículo inicial“Que Se eleva para sentar-Se” é a ascensão por meio das mitsvot, elevando o yud do hei e fazendo uma morada para D'us; “que Se abaixa para ver nos céus e na terra” é a Torá, Escrita e Oral, que revela D'us como algo que se vê.¶22–23
Conceitos-chave
- A lâmpada da almaנר ה׳ נשמת אדם
- A contemplação da alma divina acende um amor ardente; a alma é o pavio que une essa chama à alma animal, cujo intelecto é atraído por ela e consumido nela, como o óleo.
- A lâmpada de uma mitsváנר מצוה
- As mitsvot são vestimentas envolventes (makifim) que vinculam a alma animal à Luz Infinita e a elevam para além do que seu próprio entendimento pode alcançar.
- A Torá é luzתורה אור
- A Torá atrai a Luz Infinita de cima para baixo por meio de Chochmá, onde ela é revelada sem ocultação.
- As boas e más inclinaçõesיצר טוב ויצר הרע
- As emoções que nascem do intelecto da alma divina, que contempla D'us, e do intelecto da alma animal, que apreende o mundo físico.
- Makif (nível envolvente)מקיף
- Um nível que atua sobre a pessoa de fora e a eleva, como faz uma vestimenta ou uma funda que lança uma pedra para o alto.
- Kelos hanefesh (a alma sendo consumida)כלות הנפש
- Um anseio por D'us tão intenso que a alma está pronta para ser consumida, assim como o óleo é consumido numa chama.
Duas lâmpadas e como uma lâmpada arde ¶1–2
“Quem é como D'us, nosso D'us, que Se eleva para sentar-Se, que Se abaixa para ver nos céus e na terra?” Ora, está escrito: “Pois uma mitsvá é uma lâmpada, e a Torá é luz.”
O maamar começa com um versículo dos Salmos que louva D'us como Aquele que Se eleva e também Se abaixa para ver os céus e a terra; ao final, o maamar interpreta cada metade desse versículo como um dos dois movimentos que ele descreve. Em seguida, cita o versículo dos Provérbios que chama uma mitsvá de lâmpada e a Torá de luz — a imagem que o maamar desenvolve por inteiro.
הרי שהמשיל הכתוב את המצוה לנר וכתיב נר הוי״ה נשמת אדם5 שהנשמה נמשלה לנר. וצריך להבין מהו ענין הנר של מצוה ומהו הנר של הנשמה.
Vemos, portanto, que o versículo compara a mitsvá a uma lâmpada. E está escrito: “A lâmpada de D'us é a alma do homem”: a alma é comparada a uma lâmpada. Precisamos compreender o que significa a lâmpada de uma mitsvá e o que é a lâmpada da alma.
Dois versículos dos Provérbios falam de uma lâmpada: uma mitsvá é uma lâmpada, e a alma do homem é “a lâmpada de D'us”. O maamar pergunta o que significa cada uma dessas lâmpadas e em que a lâmpada de uma mitsvá difere da lâmpada da alma.
O parágrafo apresenta o versículo de abertura e a pergunta do maamar: as Escrituras chamam tanto a mitsvá quanto a alma de lâmpada, e é preciso compreender o que significa cada uma delas.
As notas da Kehot registram que, segundo um manuscrito, este maamar foi dito em Shabat Chanucá, em Liadi, no ano de 5567, o que se harmoniza com seu tema, a lâmpada. Observam também que os discursos do Rebe do Meio sobre Bereshit tratam do maamar por inteiro e incluem a explicação que se encontra aqui.
Marei mekomot
- 1מי כה׳ אלקינו · Psalms 113:5
- 2מי כה׳ אלקינו המגביהי · באחד מכת״י מצויין שנאמר שבת חנוכה בליאדי שנת תקס״ז. וראה מפתח המאמרים בסה״מ תקס״ז הערה 13. ראה גם מאמרי הצ״צ הנחות תרט״ו ע׳ קצט. נתבאר בהמשך יונתי פרק ד׳ סה״מ תר״ם ע׳ תצא. ראה לעיל בציונים לכ״ק אדמו״ר זי״ע. הגהות נדפסו ביהל אור ע׳ תלח ואילך. קיצור באוה״ת בראשית כרך ה תתקלא, א. תתקלב, א. כרך ז תתתסב, ב. לכללות מאמר זה ראה מאמרי אדה״א בראשית ע׳ שסא, והביאור שבתו״א נכלל שם. ד״ה זה נזכר לקמן קיד, א. לקו״ת ויקרא א, ד. ואילך. הסוגריים בהמאמר נמצאים גם בבוך 1824 שנכתב בחיי אדה״ז.
- 3המשפילי לראות בשמים ובארץ · Psalms 113:6
- 4כי נר מצוה ותורה אור · Proverbs 6:23
- 5נר הוי׳ נשמת אדם · Proverbs 20:27
2והנה ענין הנר הוא שקרוי ע״ש הפתילה כי היא עיקר הנר. אך אין נר בלא שמן.
Ora, a questão da lâmpada é a seguinte: ela recebe o nome do pavio, pois [o pavio] é a parte essencial da lâmpada. No entanto, não há lâmpada sem óleo.
Antes de aplicar a imagem, o maamar descreve o funcionamento de uma lamparina a óleo. Ela recebe o nome do pavio porque ele é seu elemento central; no entanto, sem óleo, não há lâmpada alguma.
שהשמן הוא הגורם להיות הדלקת הנר בנחת שיהא שוהה ומתעכב זמן מה. ואילולי השמן הי׳ דולק מהר ובמרוצה. והיינו ע״י שהשמן נמשך אחר הפתילה.
Pois o óleo é o que faz a lâmpada arder suavemente, de modo que a chama permaneça e dure por algum tempo; não fosse o óleo, ela arderia depressa e de forma precipitada. Isso ocorre porque o óleo é atraído pelo pavio.
O óleo faz a chama arder lenta e continuamente por muito tempo; sem ele, o pavio se inflamaria e se consumiria de imediato. O óleo faz isso ao ser atraído para cima, acompanhando o pavio.
והוא נשרף ונכלה באור הנאחז בפתילה עד שהוא כלה לגמרי ולא נשאר ממנו כלום מפני שהוא עולה כולו באש. ומ״מ הפתילה היא עיקר הנר.
E [o óleo] é queimado e consumido pela luz que se prende ao pavio, até ser inteiramente consumido, sem que reste dele coisa alguma, pois sobe por completo no fogo. Ainda assim, o pavio é a parte essencial da lâmpada.
À medida que o óleo sobe, é consumido pela chama até não restar nada dele, pois ele sobe por inteiro no fogo. Mesmo assim, o pavio, e não o óleo, é a parte principal da lâmpada.
לפי שהאור הדולק הוא ע״י שנאחז בפתילה. ואלו היה האור נטבע בשמן היה כבה רק שהפתילה היא המחברת את האור אל השמן כשהשמן נמשך אחר הפתילה:
Pois a luz ardente se produz por se prender ao pavio. Se a luz ficasse imersa no óleo, apagar-se-ia; é o pavio que liga a luz ao óleo, quando o óleo é atraído pelo pavio:
A chama só pode arder prendendo-se ao pavio; se ficasse imersa no óleo, apagar-se-ia. O pavio é o elo que liga a chama ao óleo, à medida que o óleo sobe por ele.
O parágrafo apresenta as partes de uma lâmpada e como elas atuam em conjunto: o óleo alimenta a chama e é consumido por ela, mas isso só ocorre por meio do pavio, que liga a chama ao óleo.
Cada parte da lâmpada recebe seu significado mais adiante no maamar: o pavio representa a alma divina e, na segunda aplicação, a mitsvá; o óleo representa a Chochmá da alma vital; e a chama representa o amor ardente a D'us (parágrafos 11 e 21).
Duas almas, duas inclinações ¶3–6
3ולהבין משל זה בנמשל בנר מצוה ונר הוי״ה נשמת אדם. צריך להקדי׳ ענין ואהבת וגו׳
Para compreender essa analogia tal como se aplica à lâmpada de uma mitsvá e à “lâmpada de D'us, a alma do homem”, devemos primeiro explicar o assunto de “Amarás”, etc.,
Para aplicar a imagem da lâmpada à mitsvá e à alma, o maamar começa explicando o mandamento de amar D'us “com todo o coração”.
בכל לבבך בב׳ יצריך1 ביצ״ט וביצה״ר שלכאורה אינו מובן איך ישוב היצה״ר לאהבה את הוי״ה ע״י האדם והלא לא ישמע אליו.
“com todo o teu coração (levavecha)”: com as duas inclinações, com a inclinação para o bem e com a inclinação para o mal. À primeira vista, isso não se entende: como pode a inclinação para o mal voltar-se para amar D'us por intermédio da pessoa? Certamente não lhe dará ouvidos!
Os Sábios interpretam “teu coração” (levavecha, com uma letra duplicada) como referindo-se às duas inclinações, de modo que também se deve amar D'us com a inclinação para o mal. Isso suscita uma pergunta: por sua natureza, a inclinação para o mal resiste a D'us; como, então, pode a pessoa levá-la a amá-Lo?
אך הענין2 הוא כי הנה ביאור ענין יצ״ט ויצה״ר3 הוא כי נודע שיש בכל אדם ב׳ נפשות נפש אלהית ונה״ב וכל נפש מתחלקת לשנים. שהם שכל ומדות.
Mas o assunto é o seguinte. A explicação da inclinação para o bem e da inclinação para o mal é que, como se sabe, há duas almas em cada pessoa: a alma divina e a alma animal; e cada alma se divide em duas partes, que são o intelecto e os atributos emocionais (midot).
A resposta começa com um princípio conhecido: cada pessoa tem duas almas, uma alma divina e uma alma animal. Cada alma tem duas partes: o intelecto e os atributos emocionais (midot).
O parágrafo passa da imagem à sua aplicação, perguntando como a inclinação para o mal pode participar do amor a D'us, e começa a resposta apresentando as duas almas, cada uma composta de intelecto e emoção.
Uma nota da Kehot cita a demonstração de Yahel Or de que os atributos emocionais são aquilo que se chama “inclinação”: o Talmud fala de D'us “conquistando Sua inclinação” ao ser paciente com os perversos; como D'us não tem uma inclinação no sentido comum, a palavra deve referir-se aos atributos, Chessed e Guevurá de Atsilut.
Marei mekomot
- 1ואהבת וגו׳ בכל לבבך בב׳ יצריך · Deuteronomy 6:5
- 2אך הענין . . כי ה׳ הוא אלקינו · מובא באוה״ת בלק ע׳ תתקנב.
- 3יצ״ט ויצה״ר · Yoma 69b:15
Ora, o núcleo da alma é o intelecto. Pois, em seu núcleo, a alma divina é uma alma pensante, que contempla constantemente e compreende a Luz Infinita (Or Ein Sof), bendito seja Ele.
Cada alma é definida sobretudo por seu intelecto. A alma divina é, por natureza, uma mente que contempla constantemente e apreende a Luz Infinita (Or Ein Sof), a luz de D'us tal como transcende todos os limites.
ואין לה השכלה אחרת. והמדות אהוי״ר הנולדות מן השכל והשגה זו הן הנקראות בשם יצ״ט.2
Ela não tem outro [objeto de] pensamento. E os atributos emocionais (midot), o amor e o temor, que nascem desse intelecto e dessa compreensão, são chamados de inclinação para o bem.
A alma divina não pensa em nada mais. O amor e o temor a D'us que brotam dessa compreensão são aquilo a que se refere a inclinação para o bem.
O parágrafo define a inclinação para o bem: o amor e o temor que nascem quando a alma divina, cuja essência é o intelecto, contempla a Luz Infinita.
Uma nota da Kehot acrescenta que a alma divina também possui atributos emocionais, mas nela eles constituem um nível do intelecto (mochin) relacionado aos atributos.
Marei mekomot
- 1כי נה״א עיקרה היא נפש המשכלת · ראה לקו״ת בחוקותי מז, ג ובמ״מ לשם.
- 2והמדות . . הן הנקראות בשם יצ״ט · גם בנה״א יש מדות, אלא שם המדות הם בחי׳ מוחין השייכים למדות (ד״ה אלה המשפטים, וזאת התרומה עת״ר ע״ש בארוכה). ראה בקיצורים והערות לתניא ע׳ פה (הוצאה חדשה ע׳ ##).
5וכן עיקר נה״ב היא המשכלת ומשגת גשמיות עוה״ז1 וחומריותן שהוא זלעו״ז לעומת נה״א. שהשכל המלובש בענינים גשמיי׳ הוא הפך ממש מן השכל שבנה״א.
Da mesma forma, o núcleo da alma animal é [a faculdade] que pensa sobre e compreende a fisicalidade deste mundo e sua materialidade, que são “um oposto ao outro” em relação à alma divina. Pois o intelecto revestido de assuntos físicos é exatamente o oposto do intelecto da alma divina,
A alma animal é estruturada da mesma maneira: seu núcleo também é um intelecto, mas um que pensa sobre e apreende o mundo físico. A expressão “um oposto ao outro” significa que ela é a contraparte exata da alma divina, pois uma mente revestida de assuntos físicos é exatamente o oposto da mente da alma divina.
שהיא בחי׳ חכמה עליונה בחי׳ חכים ולא בחכמה ידיעא.2 למעלה מן השכל המושכל ומושג בגשמיות.
que é o nível da Chochmá superior (sabedoria), o nível de “sábio, mas não com uma sabedoria cognoscível”, acima do intelecto concebido e apreendido em termos físicos.
A mente da alma divina provém da Chochmá superior, que o Tikkunei Zohar descreve como “sábio, mas não com uma sabedoria cognoscível”: uma sabedoria diferente de qualquer sabedoria que possamos conhecer. Ela está acima de toda compreensão apreendida em termos físicos.
O parágrafo apresenta a alma animal como a contraparte da alma divina: ela também é essencialmente intelecto, mas seu intelecto se ocupa do mundo físico e é exatamente o oposto da sabedoria divina da alma divina.
Como as duas almas estão “uma oposta à outra”, intelecto contra intelecto e emoção contra emoção, o remédio apresentado no maamar atua por meio do intelecto: quando a compreensão da alma divina prevalece, o pensamento da alma animal pode ser transformado (parágrafos 10, 11 e 21).
Marei mekomot
- 1וכן עיקר נה״ב היא המשכלת ומשגת גשמיות עוה״ז · ראה לקו״ת צו יג, סע״ב.
- 2חכים ולא בחכמה ידיעא · Tikkunei Zohar 17b:3–4
6והשכל המושכל ומושג בגשמיות ע״פ שכל אנושי הוא שקר1 והפך ממש מחכמת אלהות שהיא חכמת אמת2 והמדות הנולדות משכל הגשמי הן הנק׳ בשם יצה״ר3
E o intelecto concebido e apreendido em termos físicos, por meio da razão humana, é falsidade, o exato oposto da sabedoria divina, que é a sabedoria da verdade; e os atributos emocionais (midot) que nascem do intelecto físico são aquilo que se chama de má inclinação.
O raciocínio que apreende as coisas somente em termos físicos, por meio da lógica humana, é chamado de falsidade porque é o exato oposto da sabedoria divina, a sabedoria da verdade. As emoções que se desenvolvem a partir desse raciocínio físico são aquilo que se chama de má inclinação.
וצריך האדם לאכפייא לון שלא יתנהג ע״פ מדות שנולדו מן השכל הגשמי. רק ואהבת את4 הוי״ה אלקיך בכל לבבך. היינו בהגביר כח נה״א המשכלת.
A pessoa deve subjugá-las, para não conduzir sua vida de acordo com os atributos emocionais nascidos do intelecto físico, mas somente [de acordo com] “Amarás Havayá, teu D'us, com todo o teu coração”. Isto é, fortalecendo o poder da alma divina pensante.
A pessoa deve subjugar essas emoções e não permitir que governem sua conduta. Em vez disso, deve viver segundo “Amarás Havayá, teu D'us, com todo o teu coração”, e faz isso fortalecendo o poder de pensamento da alma divina.
O parágrafo define a má inclinação como as emoções que nascem do raciocínio físico e apresenta o remédio: subjugá-las e amar D'us com todo o coração, fortalecendo a mente da alma divina.
Uma nota de Kehot cita Or HaTorah, que acrescenta que até os filósofos admitiam que a razão humana não pode apreender de modo algum a divindade, assim como a mente não pode imaginar o que existe além da esfera mais externa dos céus; isso demonstra como o intelecto é limitado para apreender o espiritual.
Marei mekomot
- 1והשכל המושכל . . הוא שקר · מובא בביאוה״ז להצ״צ כרך ב ע׳ תתקג. ע״ש.
- 2שהיא חכמת אמת · ראה באוה״ת דרושים לסוכות ע׳ א׳תשטז שמוסיף ע״ז ”וכמ״ש ג״כ גבי חכמי המחקר שאלקות אינו מושג בשכל אנושי כלל כמו שהאבן היא פחותה משתשיג בשכל כך השכל כו׳ ועז״נ החקר אלוה תמצא ע׳ בח״ה סוף שער היחוד כיון שנמנע משכלינו להשיג כו׳ וכמו שהוכיחו בראיות ברורות שמחוץ לכיפת השמים אין שום מקום ואויר כלל, ובשכל להשיג זה איך ומה הוא א״א שיושג בשום אופן כלל וזה מורה שהשכל קצרה ידו מאד להשיג חכמת הרוחניות” ע״ש.
- 3הנק׳ בשם יצה״ר · ע׳ בהערות וקיצורים לתניא ע׳ פא. ובספר המאמרים תש״א ע׳ קטו, וביהל אור ע׳ תלח.
- 4
A contemplação da Shemá ¶7–9
7ומתבונן באוא״ס בפסוק ראשון דק״ש שמע ישראל.1 שמע לשון הבנה2 כי הוי״ה הוא אלהינו פי׳ אלהינו הוא ענין3
E contempla a Luz Infinita (Or Ein Sof) no primeiro versículo do Shemá: “Ouve, ó Israel.” “Ouve” é um termo que indica entendimento: que Havayá é nosso D'us (Elokeinu). O sentido de “nosso D'us” é a questão de
A alma divina se fortalece por meio da contemplação, começando pelo primeiro versículo do Shemá. “Ouve” (Shemá) significa aqui “entende”: deve-se entender que Havayá é nosso D'us (Elokeinu), e o maamar agora explica o que significa “nosso D'us”.
ההתהוות בחי׳ ממכ״ע וסוכ״ע הוא נמשך מבחי׳ הוי״ה היה הוה ויהיה שהוא אוא״ס ב״ה שהוא בחי׳ אין והתהוות היש הוא מאין ממש.
dar existência, o nível da luz que preenche todos os mundos (memalê kol almin) e da luz que circunda todos os mundos (sovev kol almin). Isso é atraído do nível de Havayá — “Ele foi, Ele é e Ele será” — que é a Luz Infinita, bendito seja Ele, o nível de áyin (nada); e a criação de algo (yesh) se dá verdadeiramente a partir do nada.
“Nosso D'us” (Elokeinu) é o poder que dá existência aos mundos, tanto a luz que preenche cada mundo quanto a luz que circunda todos eles. Esse poder é atraído de Havayá, o Nome que significa “Ele foi, Ele é e Ele será”, a própria Luz Infinita, chamada áyin (“nada”) porque está além de qualquer apreensão; assim, a criação é verdadeiramente algo a partir do nada.
O parágrafo apresenta o conteúdo da contemplação da alma divina: o Shemá ensina que o poder que cria e sustenta os mundos (“nosso D'us”) provém de Havayá, a Luz Infinita, que dá existência a tudo a partir do nada.
Or HaTorah, citado nas notas da Kehot, interpreta “nosso D'us” como “nossa força e nossa força vital”, a luz que preenche todos os mundos e a luz que os circunda, e identifica “Havayá, nosso D'us” com Chochmá e Biná, sendo Biná a fonte de ambas. O Rebe do meio explica “Ouve” como discernir claramente na mente e no coração.
Marei mekomot
- 1שמע ישראל · Deuteronomy 6:4
- 2שמע לשון הבנה · Zohar III, 138b
- 3פי׳ אלקינו הוא ענין ההתהוות בחי׳ ממכ״ע וסוכ״ע · באוה״ת בלק שם ”אלקינו כוחינו וחיותינו והוא ענין ממכ״ע וסוכ״ע היינו כי הוי׳ אלקינו הוא חכמה ובינה אשר בינה הוא סוכ״ע וממכ״ע”. וכ״ה ביהל אור ע׳ תמ ושם יש הג״ה לכאן.
8והתהוות זו נמשך תמיד יש מאין1 כמאמר ובטובו מחדש בכל יום תמיד כו׳. והוא הוי״ה אחד אתה הוא קודם שנבה״ע2 ואתה הוא כו׳.
Essa criação, algo a partir do nada, é continuamente emanada, como se diz: “E em Sua bondade Ele renova a cada dia, continuamente”, etc. E Ele, Havayá, é Um: “Tu és Ele antes de o mundo ser criado, e Tu és Ele”, etc.
A criação não é um único acontecimento do passado: a criação de algo a partir do nada continua a cada instante, como diz a oração da manhã, que D'us “em Sua bondade renova” a criação a cada dia. No entanto, D'us permanece Um e imutável, como diz a oração: “Tu és Ele antes de o mundo ser criado, e Tu és Ele” desde que foi criado.
שאין התהוות העולמות פועלים בו שום שינוי ח״ו. לפי שאינו דומה מעשה הקב״ה למעשה בו״ד.
Pois a criação dos mundos não provoca nenhuma mudança n’Ele, D'us nos livre, porque a obra do Santo, bendito seja Ele, não é como a obra de carne e sangue.
A criação dos mundos não provoca nenhuma mudança em D'us. A razão é que a maneira de D'us agir não é como a de um ser humano.
שמעשה אנוש הנה כח הפועל ממש הוא בנפעל. כמו עד״מ כשעושה דבר פונה א״ע ומעמיק שכלו בדבר שהוא עושה.
Pois, na obra de um ser humano, o poder do criador está efetivamente na coisa criada. Por exemplo, quando faz algo, ele se volta [para isso] e aprofunda o intelecto naquilo que está fazendo.
Quando uma pessoa faz algo, o próprio poder dela entra efetivamente naquilo que faz: ela volta sua atenção para isso e põe seu intelecto naquilo.
O parágrafo afirma que a criação é contínua, mas não provoca nenhuma mudança em D'us, e começa a explicar por quê, contrastando-a com a criação humana, na qual o próprio poder do criador entra na coisa criada.
Um maamar anterior sobre Miketz (Torah Ohr 36a), citado nas notas da Kehot, apresenta o mesmo argumento em contraste com a alma, que é afetada pelo que acontece ao corpo porque está verdadeiramente revestida nele.
Marei mekomot
- 1והתהוות זו נמשך תמיד יש מאין · ראה מאמרי אדה״א בראשית ע׳ שעד.
- 2אתה הוא קודם שנבה״ע · בתפלת השחר. וראה לעיל לו, א ובהנסמן לשם.
9וע״כ הדבר שעושה פועל בו שינוי בכח שכלו. אבל התהוות העולמות מאוא״ס ב״ה אין פועלים בו שום שינוי ח״ו. וה׳ אחד כמו קודם שנבה״ע.
Portanto, aquilo que ele produz provoca nele uma mudança, na potência de seu intelecto. Mas a vinda dos mundos à existência a partir da Luz Infinita, bendito seja Ele, não provoca Nele mudança alguma, D'us não o permita; e Havayá é Um, tal como antes da criação do mundo.
Como a mente de quem cria está investida em sua obra, a obra o transforma. A criação a partir da Luz Infinita é diferente: ela não provoca mudança alguma em D'us, que permanece Um, tal como antes da criação do mundo.
לפי שבשכמל״ו שכל התהוות העולמות וקיומם וחיותן אינן אלא מבחי׳ מלכותו ית׳ שבמה שהוא מלך עליהם מחיה ומהוה אותם דהיינו בחי׳ שמו ית׳ בלבד.
Pois [o sentido de] “Bendito seja o nome da glória de Seu reino para todo o sempre” é que toda a vinda dos mundos à existência, sua existência e sua força vital provêm somente do nível de Sua Malchut (soberania), bendito seja Ele: por ser Rei sobre eles, Ele lhes dá vida e os traz à existência. Isso é apenas o nível de Seu Nome, bendito seja Ele.
A razão está nas palavras ditas após o primeiro versículo do Shemá: “Bendito seja o nome da glória de Seu reino para todo o sempre”: toda a criação, sua existência e sua vida provêm somente da Malchut de D'us, de Seu ser Rei sobre os mundos. Isso é apenas Seu “Nome”, a maneira como Ele Se relaciona com eles, e não Sua essência; por isso, a criação não toca o próprio D'us.
O parágrafo explica por que a criação não provoca mudança alguma em D'us: os mundos são criados e sustentados somente por Sua Malchut, Seu “Nome” como Rei sobre eles, e não por Sua essência.
A lâmpada da alma ¶10–11
E é ali [em Sua Malchut] que se aplica o poder do Criador: “Pela palavra de D'us foram feitos os céus”, pois “a palavra do rei governa”. Está escrito: “Teu reinado é o reinado de todos os mundos”,
Somente no nível de Malchut se pode falar do “poder do Criador” de D'us: os céus foram feitos “pela palavra de D'us”, assim como um rei age apenas por sua palavra, pois “a palavra do rei governa”. As Escrituras chamam Seu reinado de “o reinado de todos os mundos”.
יחיד חי העולמים מלך כנודע. וכאשר יעמיק האדם שכלו ומחשבתו בזה בעומק בינתו ובעומקא דלבא.
“o Único, Vida dos mundos, Rei”, como é sabido. E quando a pessoa aprofunda seu intelecto e pensamento nisso, na profundidade de seu entendimento e no íntimo do coração,
A expressão das orações, “o Único, Vida dos mundos, Rei”, transmite a mesma ideia: é o reinado de D'us que dá vida aos mundos. O maamar agora se volta à pessoa que medita sobre tudo isso com sua mente e desde o íntimo do coração.
אזי תבטל הנפש החיונית מהשכלתה בגשמיות4 בתגבורת הנפש האלהית המשכלת ומתבוננת בגדולת א״ס ב״ה להוליד
então a alma vital deixará de pensar em assuntos físicos, devido à prevalência da alma divina, que pensa e medita sobre a grandeza do Infinito (Ein Sof), bendito seja Ele, para gerar
Essa meditação fortalece a alma divina e, à medida que ela prevalece, a alma vital, que anima o corpo, deixa de pensar em assuntos físicos. A contemplação da grandeza do Infinito pela alma divina gera então uma emoção, descrita na parte seguinte.
מרוח בינתה והתבוננותה אהבה עזה כרשפי אש5 לדבקה בו ית׳ בדביקה וחשיקה וחפיצה בהתלהבות עצומה עד כלות הנפש כמ״ש נכספה וגם כלתה נפשי6 וגו׳.7
do espírito de seu entendimento e de sua contemplação um amor intenso, como labaredas de fogo, para apegar-se a Ele, bendito seja, com apego, anseio e desejo, em ardor imenso, até que a alma se consuma (kelot hanefesh), como está escrito: “Minha alma anseia e até se consome”, etc.
De seu entendimento, a alma divina gera um amor intenso, como labaredas de fogo: um anseio de apegar-se a D'us tão intenso que a alma está pronta para consumir-se (kelot hanefesh). O salmista o descreve: “Minha alma anseia e até se consome”.
O parágrafo conclui a contemplação — D'us cria por meio de Sua palavra, Sua Malchut — e descreve seu efeito: a alma vital deixa de pensar em assuntos físicos, e a alma divina gera um amor ardente que anseia até que a alma se consuma.
Yahel Or, citado nas notas da Kehot, explica que a cessação do pensamento da alma vital sobre assuntos físicos é o refinamento de Chochmá e Biná da kelipá nogá, o bem e o mal misturados da Árvore do Conhecimento. Isso é mais fácil do que refinar suas emoções, pois a quebra dos recipientes ocorreu principalmente nas sete Sefirot inferiores, e não nas três superiores.
Marei mekomot
- 1ושם שייך כח הפועל · ביהל אור ע׳ תמ מציין לעיין בלקו״ת בד״ה ה׳ לי בעוזרי פ״א. ובד״ה כי תצא דרוש הראשון ספ״ב. ובד״ה כי תצא דרוש השני פ״ב. וראה בארוכה במאמרי אדה״א בראשית ע׳ שעח ואעפ״י שבכל מעשה בראשית נאמר בהם כמו ענין כח בעשי׳ ופעולה גשמיית ע״ש.
- 2בדבר ה׳ שמים נעשו · Psalms 33:6
- 3דבר מלך שלטון · Ecclesiastes 8:4
- 4וכאשר יעמיק . . אזי תבטל הנפש החיונית מהשכלתה בגשמיות · היינו בירור חו״ב שבק״נ בירור עה״ד טו״ר, דלכאורה בירור זה בקל יותר מבירור המדות כו׳ כי עיקר שבה״כ הי׳ בז״ת משא״כ בג״ר ולכן בקל יותר הם מתבטלים לגבי קדושה כו׳ — יהל אור ע׳ תמ.
- 5אהבה עזה כרשפי אש · Song of Songs 8:6
- 6נכספה וגם כלתה נפשי · Psalms 84:3
- 7מלכותך מכ״ע · Psalms 145:13
“E, além de Ti, nada desejo na terra; minha carne e meu coração se consomem”, etc. Então, a Chochmá (sabedoria) da alma vital será como o óleo que é atraído pelo pavio,
O anseio do salmista continua: com D'us, nada deseja na terra, e sua carne e seu coração se consomem. Quando esse amor arde na alma divina, a Chochmá da alma vital, seu poder de pensar, torna-se como o óleo que é atraído pelo pavio.
שהיא נר ה׳ נשמת אדם3 שהנשמה היא הפתילה המחברת אור האהבה עזה ורשפי אש להאיר בנה״ב עד שתכלה ותכסוף ג״כ לדבקה בו בדביקה חשיקה כו׳.
que é “a lâmpada de D'us, a alma do homem”: a alma é o pavio que une a luz do amor intenso e das labaredas de fogo, para iluminar a alma animal, até que ela também se consuma e anseie por apegar-se a Ele, com apego e anseio, etc.
O pavio é a alma divina, “a lâmpada de D'us”: ela une a chama de seu amor ardente à alma animal, para que a luz brilhe dentro dela. Então, a alma animal também se consome e anseia por apegar-se a D'us, assim como o óleo se consome na chama.
ולהיות ואהבת וגו׳ בכל לבבך4 וגדול יהי׳ כח כלות הנפש הבהמית ביתר שאת בבחי׳ שמן הנכלה ועולה עד שנעשה ממנו כולו אש של אור הנר
E assim haverá “Amarás”, etc., “com todo o teu coração”; e grande será a força da alma animal para consumir-se (kelot hanefesh) com intensidade ainda maior, à maneira do óleo que se consome e sobe, até que tudo se torne o fogo da luz da lâmpada,
Desse modo, cumpre-se “Amarás... com todo o teu coração”, com as duas inclinações. O próprio anseio da alma animal torna-se intenso “com intensidade ainda maior”, como o óleo que se consome por inteiro e se transforma totalmente na chama da lâmpada.
ע״י בחי׳ צעק לבם5 והוא התהפכות בחי׳ האש שבה. ורשפי אש אהבה עזה כו׳. וזהו נר של הנשמה שהיא מהתבוננות נפש האלהית עצמה:
por meio do nível de “seu coração clamou”, que é a transformação do fogo que há nela, e das “labaredas de fogo”, um amor intenso, etc. E esta é a lâmpada da alma, que provém da contemplação da própria alma divina.
Isso acontece por meio de “seu coração clamou”: o próprio fogo da alma animal transforma-se em amor ardente por D'us. Esta é a lâmpada da alma, que provém da própria contemplação da alma divina.
O parágrafo aplica a imagem da lâmpada à alma: a alma divina é o pavio, o intelecto da alma vital é o óleo e o amor é a chama; por meio dele, a própria alma animal se consome no amor a D'us, e isso é “a lâmpada da alma”.
Yahel Or, citado nas notas da Kehot, identifica “a Chochmá da alma vital” como a Chochmá de nogah, o intelecto da alma animal que pode ser elevado à santidade. A imagem corresponde de perto: o óleo não é a fonte da chama, mas é aquilo que a chama consome e transforma em luz.
Marei mekomot
- 1ועמך לא חפצתי בארץ · Psalms 73:25
- 2כלה שארי ולבבי · Psalms 73:26
- 3נר ה׳ נשמת אדם · Proverbs 20:27
- 4ואהבת וגו׳ בכל לבבך · Deuteronomy 6:5
- 5צעק לבם · Lamentations 2:18
- 6ואזי תהי׳ החכ׳ שבנפש החיונית כשמן · היינו חכמה דנוגה כמ״ש בהביאור — יהל אור ע׳ תמ.
A lâmpada de uma mitsvá ¶12–13
12וענין נר של המצוה היא שהמצוה יש לה סגולה פרטית1 להעלות את נה״ב2 ולקשרה באוא״ס ב״ה3 כמא׳ אק״ב בקדש העליון שהוא למעלה מן ההשתלשלות.
E a questão da lâmpada da mitsvá é que a mitsvá possui uma virtude especial (segulá) para elevar a alma animal e vinculá-la à Luz Infinita, bendito seja Ele, conforme as palavras “Que nos santificou com Seus mandamentos”: com a santidade suprema, que está acima da cadeia descendente dos mundos (hishtalshelut).
A lâmpada de uma mitsvá atua de modo diferente: uma mitsvá tem uma força especial (segulá) para elevar a alma animal e vinculá-la à Luz Infinita. A bênção recitada sobre uma mitsvá — “Que nos santificou com Seus mandamentos” — fala de uma santidade suprema, acima de toda a cadeia dos mundos.
Pois as mitsvot são vestimentas e são chamadas de “vestimentas reais”, por serem níveis abrangentes (makifim), que circundam e vestem a alma desde a cabeça
As mitsvot são chamadas de vestimentas, “vestimentas reais”, porque são makifim, níveis abrangentes: circundam e vestem a alma, assim como a roupa cobre o corpo.
ועד רגלה להיות צרורה בצרור החיים את6 ה׳ ממש שעי״ז מעלה את הנפש כמו האדם כשהוא לבוש יכולין להמשיך אותו ע״י לבושו.
até os pés, para que ela esteja “atada no feixe da vida com D'us”, verdadeiramente. Por meio disso [a mitsvá] eleva a alma, assim como, quando uma pessoa está vestida, é possível puxá-la pela roupa.
Vestida pelas mitsvot da cabeça aos pés, a alma fica “atada no feixe da vida com D'us”. Assim como se pode puxar uma pessoa pela roupa, a mitsvá, como vestimenta, eleva a alma consigo.
O parágrafo apresenta a lâmpada de uma mitsvá: as mitsvot são vestimentas abrangentes que vinculam a alma animal à Luz Infinita e a elevam, assim como uma pessoa pode ser puxada pela roupa que veste.
O Mitteler Rebe, citado nas notas da Kehot, explica que a santidade de “Que nos santificou com Seus mandamentos” é a santidade mais elevada, acima de todos os níveis superiores de santidade. Por isso o maamar pode dizer que uma mitsvá vincula a alma àquilo que está acima de toda a cadeia dos mundos.
Marei mekomot
- 1שהמצוה יש לה סגולה פרטית · ראה אוה״ת פ׳ מטות ע׳ א׳רעא.
- 2וענין נר של המצוה . . להעלות את נה״ב · ביהל אור ע׳ תמה יש הגה״ה לכאן.
- 3ולקשרה באוא״ס ב״ה · ראה ד״ה לולב וערבה בהמשך תרס״ו.
- 4כי המצות הם לבושין . . זורקין אותו למעלה יותר · מובא באוה״ת נ״ך כרך א ע׳ לא.
- 5את — כמא׳ אק״ב בקדש העליון · בארוכה במאמרי אדה״א בראשית ע׳ שצא: ובחי׳ קדושה זו דהיינו קדושה העליונה ביותר שלמעלה מכל בחי׳ קדושו׳ העליונות ע״ש.
- 6צרורה בצרור החיים את ה׳ · I Samuel 25:29
13וכן כצרור אבן במרגמה.1 שע״י שצרור בחרט זורקין אותו למעלה יותר. הכלל שכל בחי׳ מקיף הוא העלאה למעלה.
Assim também, “como uma pedra presa numa funda”: por estar presa numa bolsa, ela é lançada mais alto. A regra é que todo nível de makif é uma elevação para cima.
Uma segunda imagem: uma pedra presa numa funda voa muito mais alto do que uma pedra arremessada com a mão. A palavra hebraica para “presa” (tzeror) é a mesma que aparece em “atada no feixe da vida”, e a regra é que tudo o que envolve algo (um makif) o eleva.
ולכן לובשין טלית ותפלין קודם התפלה להמשיך בחי׳ מקיף2 למעלה להעלות את נה״ב בתפלה כנודע שאין התחתון עולה למעלה עד שיורדת תחלה הארה מלמעלה. והתפלה היא עליית נה״ב.
Por isso, veste-se o talit e os tefilin antes da oração, para atrair um nível de makif do alto, a fim de elevar a alma animal durante a oração; pois, como se sabe, o inferior não sobe até que primeiro desça uma iluminação do alto. E a oração é a ascensão da alma animal.
É por isso que o talit e os tefilin, que são makifim, são vestidos antes da oração: eles atraem uma luz envolvente que eleva a alma animal durante a oração. Como se sabe, o inferior não pode subir até que primeiro desça uma iluminação do alto, e a oração é a ascensão da alma animal.
ולכן התפלה היא נוסחא אחת בכל יום כל ימי חייו של אדם הקצובים לו ימי שנותינו בהם שבעים שנה3 הם כפי נצוצות נפש הבהמיית שצריכין להעלות (משא״כ נפש האלהית היא נצחית) וכל יום נעשה בחי׳ חדשה.
Por isso, a oração tem um único texto todos os dias, [durante] todos os dias da vida de uma pessoa que lhe foram concedidos: “os dias dos nossos anos são setenta anos” correspondem às centelhas da alma animal que precisam ser elevadas (o que não ocorre com a alma divina, que é eterna); e a cada dia surge um novo aspecto.
A oração mantém o mesmo texto todos os dias da vida de uma pessoa porque cada dia de seus anos concedidos corresponde a centelhas da alma animal que ela deve elevar; a alma divina, em contraste, é eterna. A cada dia surge um novo aspecto da alma animal.
וצריך להעלות גם אותו נצוץ שמתחדש והכל היא העלאה אחת (משא״כ לימוד התורה צריך דוקא ללמוד בכל יום דבר חדש)4
Também é preciso elevar essa centelha que se renova, e tudo isso constitui uma única elevação (o que não ocorre com o estudo da Torá: é preciso especificamente estudar algo novo todos os dias).
A nova centelha de cada dia também precisa ser elevada, mas, como a elevação de cada dia é do mesmo tipo, a mesma oração serve. O estudo da Torá é diferente: é preciso estudar algo novo todos os dias.
ולכן כל המצות נקראות בשם צדקה5 כי צדקה תרומם גוי6 שע״י הצדקה וחסד שעושין למטה להחיות רוח שפלים7 ועני חשוב כמת.8
Por isso, todas as mitsvot são chamadas de tsedacá (caridade), pois “a tsedacá eleva uma nação”: por meio da tsedacá e da bondade que se pratica aqui embaixo, para reanimar o espírito dos humildes — e o pobre é considerado como morto —,
Pela mesma razão, todas as mitsvot são chamadas de tsedacá (caridade), pois “a tsedacá eleva uma nação”. A caridade e a bondade reanimam o espírito dos humildes, e o pobre é considerado como se estivesse morto.
כן ויותר מכן לאין קץ נמשך רוח חיים מלמעלה מחיי החיים ב״ה להחיות מתים ממש בבחי׳
assim, e infinitamente mais do que isso, uma força vital é atraída do alto, do Vivente da vida, bendito seja Ele, para reviver os verdadeiramente mortos, na qualidade de
Em resposta, uma força vital é atraída do alto, de D'us, o “Vivente da vida”, infinitamente maior do que a ajuda prestada aqui embaixo, para reviver os verdadeiramente mortos.
ימין מקרבת9 וימינו תחבקני10 ממש באור המקיף שמלמעלה לרומם ולהעלות את הנפש למעלה מעלה באוא״ס ב״ה ממש וזהו ענין נר מצוה:
“a mão direita aproxima”, e “Sua mão direita me abraça”, literalmente, com a luz envolvente que vem do alto, para exaltar e elevar a alma cada vez mais alto, até a Luz Infinita, bendito seja Ele, propriamente dita. E este é o significado da lâmpada de uma mitsvá.
Esse reviver ocorre como o abraço da mão direita de D'us, a mão que “aproxima”: uma luz envolvente do alto que eleva a alma cada vez mais alto, até a própria Luz Infinita. É isso que significa a lâmpada de uma mitsvá.
O parágrafo explica como as mitsvot elevam a alma animal: como luzes envolventes, à semelhança do talit e dos tefilin antes da oração e da pedra numa funda, e como tsedacá, que atrai do alto uma bondade infinita que eleva a alma até a Luz Infinita.
O Rebe do meio, citado nas notas da Kehot, formula a pergunta de modo mais preciso: certamente uma alma pode concentrar-se por iniciativa própria na unidade de D'us durante o Shemá; então, por que o talit e os tefilin precisam vir primeiro? A resposta apresentada aqui é que uma ascensão de baixo necessita que primeiro desça uma luz envolvente do alto.
Marei mekomot
- 1כצרור אבן במרגמה · Proverbs 26:8
- 2טלית ותפלין . . בחי׳ מקיף · ראה ד״ה לולב וערבה תרס״ו הנ״ל. יהל אור ע׳ תמ. ”דודאי יש בכח הנשמה באדם לכוון בק״ש ביחו״ע בכוונה ורעותא דלבא כו׳, ולמה הוצרך להקדים בתחלה מצות טו״ת דוקא כו׳” — מאמרי אדה״א בראשית ע׳ שצד.
- 3ימי שנותינו בהם שבעים שנה · Psalms 90:10
- 4ללמוד בכל יום דבר חדש · Zohar I, 12b
- 5כל המצות נקראות בשם צדקה · להלן מב, ג.
- 6צדקה תרומם גוי · Proverbs 14:34
- 7להחיות רוח שפלים · Isaiah 57:15
- 8ועני חשוב כמת · Nedarim 64b:6
- 9ימין מקרבת · Sotah 47a
- 10וימינו תחבקני · Song of Songs 2:6
A Torá é luz ¶14–19
14אך התורה אור1 הוא המשכת אוא״ס ב״ה מלמעלמ״ט.2 והיא אור וגילוי3 אוא״ס ב״ה ממש שלמעלה מעלה מהשתלשלות שירידת והדרגת סדר השתלשלות היא בחי׳ העלם והתלבשות אוא״ס ב״ה להיות התהוות מהות אחר מהות באופנים ומינים שונים.
Mas “Torá é luz” significa atrair a Luz Infinita (Or Ein Sof), bendito seja Ele, de cima para baixo. É a própria luz e revelação do Or Ein Sof, bendito seja Ele, que está muito acima da cadeia descendente dos mundos (hishtalshelut); pois a descida e a gradação da ordem da hishtalshelut constituem o nível de ocultação e revestimento do Or Ein Sof, bendito seja Ele, para que uma entidade venha a existir após outra, em modos e espécies diferentes.
A Torá atua na direção oposta: em vez de elevar a alma de baixo, atrai a Luz Infinita de cima para baixo. Ela revela o próprio Or Ein Sof, que está muito acima da cadeia dos mundos, enquanto essa cadeia, descendo etapa por etapa, constitui uma ocultação da Luz Infinita, revestida camada após camada para que cada espécie de criatura possa vir a existir.
O parágrafo contrapõe a Torá às mitsvot: a Torá é uma revelação da Luz Infinita vinda de cima, além da cadeia dos mundos, cuja estrutura inteira é uma ocultação dessa luz.
Yahel Or, citado nas notas da Kehot, interpreta o versículo como uma única imagem: a mitsvá é o pavio e a Torá é a luz. O maamar desenvolve precisamente essa ideia nos parágrafos 20 e 21.
Marei mekomot
- 1אך התורה אור · ביהל אור ע׳ תמא ”והנה יש לפרש ותורה אור דהמצוה היא הפתילה והתורה היא אור” ע״ש בארוכה.
- 2התורה . . מלמעלמ״ט · ראה ד״ה זה היום תרנ״ז קרוב לסופו. ראה יהל אור ע׳ תמא שיש הגה״ה לכאן.
- 3והיא אור וגילוי אוא״ס ב״ה ממש . . ולא אור וגילוי · מובא באוה״ת ויקרא כרך ב ע׳ תרפו.
Como está escrito: “Ele fez da escuridão Seu esconderijo”: isto é, escuridão e ocultação, e não luz e revelação. E sobre a Torá está dito: “Ele revela profundezas que vêm da escuridão.”
A cadeia descendente dos mundos é a “escuridão” na qual D'us Se oculta: uma ocultação, e não uma revelação. A Torá, em contrapartida, é descrita como revelando “profundezas que vêm da escuridão”.
וממעמקים קראתיך3 הוי״ה. וזהו תכלית בריאת האדם להמשיך על נפשו אוא״ס ב״ה שלמעלה מן ההשתלשלות.
E também: “Das profundezas clamei a Ti, Havayá.” E este é o propósito da criação do homem: atrair para sua alma a Luz Infinita (Or Ein Sof), bendito seja Ele, que está acima da cadeia descendente dos mundos (hishtalshelut),
O versículo “Das profundezas clamei a Ti” é citado em seguida, com a mesma palavra que designa profundidade. O propósito da criação do homem é atrair para sua própria alma a Luz Infinita que está acima de toda a cadeia dos mundos.
להיות אור א״ס ב״ה שורה למטה כמו למעלה כמ״ש אני ראשון ואני אחרון4 ומבלעדי אין אלהים. כלומר כשם שאני ראשון קודם שנבה״ע.
para que a Luz Infinita, bendito seja Ele, repouse abaixo como acima, como está escrito: “Eu sou o primeiro e Eu sou o último, e além de Mim não há D'us.” Isto é, assim como “Eu sou o primeiro”, antes de o mundo ter sido criado,
O objetivo é que a Luz Infinita repouse abaixo como acima. As palavras de Isaías, “Eu sou o primeiro e Eu sou o último”, descrevem D'us como o mesmo antes e depois do mundo; o maamar agora explica como isso se aplica ao período intermediário.
O parágrafo apresenta o propósito da criação do homem: atrair para a alma, por meio da Torá, a Luz Infinita que está além da cadeia dos mundos, para que ela se revele abaixo como acima.
Likkutei Torah (Vayikra 1d), que faz referência a este maamar, explica “Eu sou o último” como a Malchut de D'us, o fim de todos os níveis, que está revestida nos mundos inferiores e faz com que pareçam separados; e “Eu sou o primeiro” como o nível de ayin e de Chochmá, que é bitul. No futuro, explica, isso será revelado abaixo como acima, “olho a olho”.
Marei mekomot
- 1ישת חושך סתרו · Psalms 18:12
- 2מגלה עמקות מני חשך · Job 12:22
- 3וממעמקים קראתיך · Psalms 130:1
- 4אני ראשון ואני אחרון · Isaiah 44:6
16ואחרון לאחר שנברא העולם. כן מבלעדי דהיינו באמצעות בשעת בריאת העולם יהי׳ אור א״ס ב״ה נמשך למטה שיהי׳ בטול העולם במציאות כמו קודם שנברא ואחר שנברא והיינו ע״י התורה כי אורייתא מחכמה נפקת.12
e “último”, depois que o mundo foi criado. Assim, “além de Mim” (mibaladai), isto é, no meio, no momento da criação do mundo, a Luz Infinita, bendito seja Ele, será atraída para baixo, de modo que haja a anulação (bitul) do mundo em sua existência, como antes de ter sido criado e depois de ter sido criado. E isto se dá por meio da Torá, pois “a Torá provém de Chochmá”.
Assim como D'us é o “primeiro” antes da criação e o “último” depois dela, “além de Mim” refere-se ao período intermediário, enquanto o mundo existe: também então a Luz Infinita deve ser atraída para baixo, para que o mundo seja anulado diante Dele, como se não tivesse sido criado. Isto se dá por meio da Torá, pois “a Torá provém de Chochmá”, o nível em que a Luz Infinita se revela.
O parágrafo entende “além de Mim” como o período em que o mundo existe e afirma que, mesmo então, o mundo pode ser anulado diante de D'us como antes da criação, por meio da Torá, que provém de Chochmá.
Marei mekomot
- 1אורייתא מחכמה נפקת · Zohar II, 121a
- 2אורייתא מחכמה נפקת · Zohar, Yitro 21:378–22:389
17וכמ״ש לכבודי בראתיו.1 כבו״ד בגימטריא ל״ב2 הם ל״ב נתיבות חכמה.34 בראתיו בחי׳ תלמוד. יצרתיו בחי׳ משנה. ועשיתיו בחי׳ מקרא.
E, como está escrito: “Por Minha glória (kevodi) Eu o criei.” Kavod (glória) tem o valor numérico de trinta e dois: estes são os trinta e dois caminhos de Chochmá. “Eu o criei” corresponde ao nível do Talmud; “Eu o formei”, ao nível da Mishná; e “Eu o fiz”, ao nível das Escrituras (Mikrá).
O versículo de Isaías diz que D'us criou, formou e fez [todas as coisas] “para Minha glória” (kevodi). A palavra kavod tem o valor numérico de trinta e dois, aludindo aos “trinta e dois caminhos de Chochmá”; os três verbos, que ecoam os mundos de Beriá, Yetsirá e Assiá, são aqui associados ao Talmud, à Mishná e às Escrituras.
שכולם הם בבחי׳ חכמה ואור א״ס ב״ה שורה ומתגלה בחכמה5 שאין שם שום הסתר פנים.
Pois todos eles estão no nível de Chochmá, e a Luz Infinita (Or Ein Sof), bendito seja Ele, repousa e Se revela em Chochmá, onde não há ocultação da Face alguma.
As três partes da Torá provêm de Chochmá, e em Chochmá a Luz Infinita repousa e Se revela sem qualquer ocultação. Assim, a Torá, em todas as suas partes, contém uma revelação de D'us sem ocultação.
O parágrafo mostra que a Torá, em todas as suas partes — Escrituras, Mishná e Talmud —, tem sua raiz em Chochmá, onde a Luz Infinita se revela sem ocultação.
A nota da Kehot remete à glosa em Tanya, capítulo 35, que explica, conforme o Alter Rebe ouviu de seu mestre, por que a Luz Infinita se une até mesmo a Atsilut somente por meio de Chochmá: D'us é o verdadeiro Um, além de Quem nada existe, e esse é o nível de Chochmá.
Marei mekomot
- 1לכבודי בראתיו · Isaiah 43:7
- 2כבו״ד בגימטריא ל״ב · זהר ח״ג לג, א.
- 3כבו״ד בגימטריא ל״ב הם ל״ב נתיבות חכמה · Zohar, Tzav 20:145–22:156
- 4ל״ב נתיבות חכמה · Sefer Yetzirah 1:1
- 5ואור א״ס ב״ה שורה ומתגלה בחכמה · ראה תניא פרק לה בהגה״ה.
18ושם הוא בחי׳ אני ה׳ לא שניתי1 כמו קודם שנברא העולם. ולכן רב יהודא דכולי תנויי׳ בנזיקין2 הוה לזכות את הזכאי. ולחייב את החייב.
E ali está o nível de “Eu, D'us, não mudei”, como antes de o mundo ser criado. Portanto, Rav Yehudá, cujo estudo inteiro era [na ordem de] Nezikin, [estudava] para absolver o inocente e condenar o culpado,
Em Chochmá, revelada por meio da Torá, D'us é “Eu não mudei”, tal como antes da Criação. Isso explica Rav Yehudá, em cuja época, segundo o Talmud, todo o estudo era da ordem de Nezikin (leis civis e de danos): ao decidir quem era inocente e quem era responsável, ele realizava a obra de separar.
להפריד ביניהם. בכדי להפריד החיצונים מהקדושה ויתפרדו כל פועלי און3 כו׳. ולכן היה פטור מן התפלה4 לפי שהיתה תורתו אומנתו5 כר׳ שמעון בן יוחאי וחביריו.
separando-os, a fim de separar as forças exteriores da santidade, e “todos os que praticam a iniquidade serão dispersos”, etc. Portanto, ele estava isento da oração, pois a Torá era sua ocupação, como no caso de Rabi Shimon ben Yochai e seus colegas.
Separar o inocente do culpado na lei da Torá separa as forças exteriores da santidade, para que “todos os que praticam a iniquidade sejam dispersos”. Por isso Rav Yehudá estava isento da oração, como Rabi Shimon ben Yochai e seus colegas, cujo estudo da Torá era sua ocupação integral.
והיינו מפני שרב יהודא היה אדם גדול מאד עד שאמר עליו שמואל אין זה ילוד אשה6 דאימתא דמאריה עליה שהי׳ בחינת ביטול לאוא״ס ב״ה שהמשיך עליו בק״ש.
Isso se devia ao fato de Rav Yehudá ser um homem muito grandioso, tanto que Shmuel disse a respeito dele: “Este não é filho de uma mulher”, pois o temor de seu Mestre estava sobre ele: ele se encontrava num estado de autoanulação (bitul) diante da Luz Infinita (Or Ein Sof), bendito seja Ele, que atraía sobre si ao recitar o Shemá.
A grandeza de Rav Yehudá explica isso: Shmuel disse a respeito dele: “Este não é filho de uma mulher”, pois o temor de seu Mestre estava sobre ele. Ele se encontrava num estado de bitul diante do Or Ein Sof, que atraía sobre si por meio do Shemá.
(כי מן הק״ש לא היה פטור ואפילו ר׳ שמעון בן יוחאי וחביריו אלא מן התפלה)
(Pois ele não estava isento da recitação do Shemá; e mesmo Rabi Shimon ben Yochai e seus colegas [estavam isentos] somente da oração.)
Entre parênteses, o maamar acrescenta que Rav Yehudá não estava isento do Shemá; mesmo Rabi Shimon ben Yochai e seus colegas estavam isentos somente da oração. O Shemá, por meio do qual o bitul é atraído sobre a pessoa, continua sendo para todos.
והיתה תורתו ג״כ בבחי׳ בטול ממש בבחי׳ ואשים דברי בפיך.7 ודברי אשר שמתי בפיך8 וכמארז״ל מתניתין מלכתא.9
E sua Torá também se encontrava num estado de verdadeira autoanulação, no nível de “E pus Minhas palavras em tua boca” e “Minhas palavras, que coloquei em tua boca”; e, como disseram nossos Sábios, de abençoada memória: “Nossa Mishná é uma rainha”,
O próprio estudo da Torá de Rav Yehudá era bitul: por assim dizer, as palavras de D'us eram colocadas em sua boca, como dizem os versículos. Por isso os Sábios chamam a Mishná de “rainha”.
בחי׳ מלך שמצוה וגוזר שיהי׳ הפסק כך10 כי מלך במשפט יעמיד ארץ11 לזכות את הזכאי כו׳. שיש ב׳ בחי׳. בחי׳ עבד שלומד כדי שידע רצון המלך.
o nível de um rei, que ordena e decreta que a decisão seja assim, pois “um rei estabelece a terra por meio da justiça”, para absolver o inocente, etc. Pois há dois níveis: o nível de um servo, que estuda a fim de conhecer a vontade do rei,
A Mishná é como um rei que decreta que a decisão seja assim, pois “um rei estabelece a terra por meio da justiça”. Há dois tipos de estudiosos: um servo, que estuda para descobrir a vontade do rei e, como diz a parte seguinte, um rei.
O parágrafo mostra como a Torá atrai a luz imutável de D'us: Rav Yehudá, inteiramente anulado diante de D'us, estudava as leis de danos para que suas decisões separassem o mal da santidade, e sua Torá era como o decreto de um rei.
Toras Shmuel, citado nas notas da Kehot, explica que, ao absolver o inocente e condenar o culpado em seu estudo de Nezikin, Rav Yehudá separava a kelipá da santidade e provocava o mesmo julgamento no alto: “cada coisa em seu devido lugar”; acrescenta que o estudo das leis resgata o oprimido das mãos do opressor.
Marei mekomot
- 1אני ה׳ לא שניתי · Malachi 3:6
- 2רב יהודה דכולי תנויי׳ בנזיקין · Berakhot 20a:4
- 3ויתפרדו כל פועלי און · Psalms 92:10
- 4הי׳ פטור מן התפלה · Shabbat 11a:8
- 5שהיתה תורתו אומנתו · ראה אוה״ת ויקרא ע׳ רנו. לקו״ש חי״ז ע׳ 307. 356 ואילך.
- 6אין זה ילוד אשה · Niddah 13a:23
- 7ואשים דברי בפיך · Isaiah 51:16
- 8ודברי אשר שמתי בפיך · Isaiah 59:21
- 9מתניתין מלכתא · Beitzah 28b:14–15
- 10שיהי׳ הפסק כך · בתורת שמואל תרכ״ז ע׳ רעא (הוצאת תש״ס ע׳ רצז) מבאר זה ”כמו״כ ע״י הלימוד שלמד בסדר נזיקין וזיכה את הזכאי וחייב את החייב עי״ז הפריד הקליפה מהקדושה להיות יתפרדו כל פועלי און כו׳. נמצא שע״י דבורו בתורה גרם למעלה לזכות את הזכאי כו׳ וז״ע בחי׳ משפט שיהי׳ כל דבר על מכונו” עכ״ל ע״ש. וראה שם ע׳ שפ ”היינו כי ע״י לימוד דינים עי״ז מציל העשוק מיד עשקו”.
- 11מלך במשפט יעמיד ארץ · Proverbs 29:4
19ובחי׳ מלך שבעת לימודו הוא הגוזר ומצוה לעצמו כו׳ וז״ש ויהי בישרון מלך1 לפי ששכינה היתה מדברת2 מתוך גרונו של משה.
e o nível de um rei, que, no momento de seu estudo, é ele próprio quem decreta e ordena, etc. E é isso que está escrito: “E houve um rei em Yeshurun”, pois a Shechiná (a Presença Divina) falava de dentro da garganta de Moshe.
O segundo tipo de estudioso é como um rei: enquanto estuda, ele próprio decreta a lei. O maamar aplica “Houve um rei em Yeshurun” a Moshe, pois a Shechiná falava de sua garganta.
וכך ר׳ שמעון בן יוחאי וחביריו ורב יהודא לפי מדרגתו. שכפי ערך בטול נפשו לאור א״ס ב״ה.
E assim também Rabi Shimon ben Yochai e seus companheiros, e Rav Yehudah segundo seu nível: pois, na proporção da autoanulação (bitul) da alma diante da Luz Infinita, bendito seja Ele,
Rabi Shimon ben Yochai e seus companheiros, e Rav Yehudah em seu próprio nível, eram assim: quanto mais plenamente a alma de uma pessoa se anula diante da Luz Infinita, mais dessa luz é atraída para sua Torá.
ככה היתה המשכת אור א״ס ב״ה בתורתם ועבודתם. והמשנה המדברת בפיהם היא דבר ה׳ ממש. ועי״ז נמשך בטול העולם במציאות למטה כמו למעלה:
assim era a atração da Luz Infinita, bendito seja Ele, para a Torá e o serviço deles. E a Mishná que falava por suas bocas era verdadeiramente a palavra de D'us. Por meio disso, a anulação do mundo em sua existência é atraída para baixo, assim como acima.
Assim, a Mishná pronunciada por tais sábios é verdadeiramente a palavra de D'us, e por meio dela a existência do mundo é anulada abaixo, tal como acima.
O parágrafo completa o contraste entre o servo e o rei: naqueles cujas almas estão inteiramente anuladas, como Moshe, Rabi Shimon ben Yochai e Rav Yehudah, a Luz Infinita fala através de sua Torá, e o mundo abaixo é anulado tal como acima.
O maamar anterior em Torah Ohr (38a), ao qual a nota da Kehot se refere, fala de uma atração do alto para baixo semelhante à vinda do próprio rei para cá, por meio da qual a Luz Infinita flui espontaneamente; e interpreta “que Eu (Anochi) te ordeno” como “Eu, Quem Eu sou”.
Marei mekomot
- 1ויהי בישורון מלך · Deuteronomy 33:5
- 2ששכינה היתה מדברת · נסמן לעיל לח, א.
Pavio, óleo e luz juntos ¶20–21
20והנה אור התורה הזה נאחז ומתחבר במצוה כי כל התורה שלפנינו הן תושב״כ ושבע״פ עיקרן ויסודותן היא במצות שע״ז נאמר ותמלא כדה ותעל.1
Ora, essa luz da Torá se prende à mitsvá e se une a ela, pois toda a Torá que temos diante de nós, tanto a Torá Escrita quanto a Torá Oral, tem sua essência e seus fundamentos nas mitsvot. A respeito disso, foi dito: “E ela encheu seu jarro e subiu.”
A luz da Torá se prende à mitsvá, assim como a chama se prende ao pavio, pois a essência e o fundamento de toda a Torá, Escrita e Oral, são as mitsvot. Rivká, que “encheu seu jarro e subiu”, é a imagem disso.
כ״ד ספרין דאורייתא23 כו׳ שהן בחי׳ כד שנשאב מים העליון4 חכמה עלאה של א״ס ב״ה שהוא עד אין קץ ותכלית וע״ז נאמר והיו הדברים האלה5 אשר אנכי מצוך. אנכי דייקא.
“Os vinte e quatro (kaf-dalet) livros da Torá”, etc., que correspondem ao nível de um jarro (kad), com o qual se extrai a água superior — a Chochmá superior do Infinito (Ein Sof), bendito seja Ele —, que não tem fim nem limite. A respeito disso, foi dito: “E estas palavras que Eu (Anochi) te ordeno serão”: “Anochi”, especificamente.
Seu jarro (kad, cujas letras representam vinte e quatro) corresponde aos vinte e quatro livros das Escrituras, que extraem as águas superiores, a Chochmá infinita do Infinito. Por isso o versículo diz: “estas palavras que Eu (Anochi) te ordeno”: os mandamentos provêm do próprio “Eu” de D'us.
O parágrafo une as duas luzes: a luz infinita da Torá é sustentada pelas mitsvot, assim como os vinte e quatro livros das Escrituras são um “jarro” que extrai as águas superiores de Chochmá.
Or HaTorá, citado nas notas da Kehot, acrescenta que esse jarro é o jarro de Yessod, que corresponde aos vinte e quatro livros da Torá Escrita.
Marei mekomot
- 1ותמלא כדה ותעל · Genesis 24:16
- 2כ״ד ספרין דאורייתא · Tikkunei Zohar, Tikkun 21 · 47a:12–14
- 3כ״ד ספרין דאורייתא · Tikkunei Zohar 47a:12–14
- 4כד שנשאב מים העליון · ראה אוה״ת נ״ך כרך ב ע׳ תתכט: וכד דיסוד זהו כ״ד ספרין של תושב״כ ע״ש.
- 5והיו הדברים האלה · Deuteronomy 6:6
21והמצוה היא הפתילה שמתלבשת בנפש השכלית והחיונית להעלות׳ ולקשרה באור התורה שהיא בחי׳ חכים ולא בחכמה ידיעא1 הפך שכל אנושי ובה שורה א״ס ב״ה כמ״ש ה׳ בחכמה יסד ארץ.2
E a mitsvá é o pavio, que se reveste na alma intelectual e vital, para elevá-la e ligá-la à luz da Torá, que é o nível de “sábia, mas não por uma sabedoria conhecida”, o oposto do intelecto humano, e na qual repousa o Infinito, bendito seja Ele, como está escrito: “D'us fundou a terra com sabedoria.”
Agora a imagem se completa: a mitsvá é o pavio. Ela se reveste na alma intelectual e vital da pessoa, para elevá-la e ligá-la à luz da Torá, uma sabedoria diferente da sabedoria humana, na qual repousa o Infinito, como em “D'us fundou a terra com sabedoria”.
אך צריך להקדים התבוננות של נפש האלקית היא נר ה׳ נשמת אדם3 כדי להיות ואהבת וגו׳ בכל לבבך4 כי רוח אייתי רוח5 ואמשיך רוח וכמ״ש אם ישים אליו לבו6 וגו׳
Mas é preciso primeiro [dedicar-se à] contemplação da alma divina, que é “a lâmpada de D'us, a alma do homem”, para que haja “Amarás”, etc., “com todo o teu coração”; pois “um espírito traz um espírito e atrai um espírito”, e como está escrito: “Se ele voltar o coração para Ele”, etc.,
Primeiro, porém, a alma divina, “a lâmpada de D'us”, deve contemplar, para despertar o amor “com todo o teu coração”. Como diz o Zohar, um espírito de baixo traz e atrai um espírito do alto; o versículo “Se ele voltar o coração para Ele” é citado nesse mesmo sentido.
עד שתהיה חכמה שבנפש החיונית בחי׳ השמן הנמשך אחר הפתילה של מצוה להתכלל ממש באור התורה שתתהפך ממש מהפוך אל הפוך משכל אנושי המושג לשכל חכמת התורה חכמת אלהית בחי׳ חכים ולא בחכמה ידיעא כו׳
até que a Chochmá da alma vital se torne o nível do óleo que é atraído pelo pavio da mitsvá, para ser verdadeiramente absorvida na luz da Torá, de modo que se transforme verdadeiramente de um extremo ao seu oposto: do intelecto humano apreensível ao intelecto da sabedoria da Torá, a sabedoria divina, o nível de “sábia, mas não por uma sabedoria conhecida”, etc.
O objetivo é que a Chochmá da alma vital se torne o óleo atraído pelo pavio da mitsvá, até ser absorvida na luz da Torá. Ela é transformada de um extremo ao outro, do raciocínio humano à sabedoria divina da Torá.
שלכן נתלבשה בענינים גשמיים וכל ענינים גשמיים כלולים בה כמו כל צמח האדמה ופרי העץ בסדר זרעים.
É por isso que [a Torá] se reveste em assuntos físicos, e todos os assuntos físicos estão incluídos nela, como tudo o que cresce da terra e o fruto da árvore, na ordem de Zeraim (Sementes),
É por isso que a Torá se reveste em assuntos físicos: sua ordem de Zeraim (Sementes) trata de tudo o que cresce da terra e dos frutos das árvores.
וכל בעלי חיים בסדר קדשים. כדי לברר ולהפך הכל בקדושה. וימלא כבוד7 ה׳ את כל הארץ הלזו הגשמית כו׳:
e todos os seres vivos, na ordem de Kodashim (Coisas Santas), a fim de refinar tudo e transformá-lo em santidade. “E a glória de D'us preencherá toda a terra”, esta terra física, etc.
Sua ordem de Kodashim (Coisas Santas) trata dos animais. Tudo isso tem por objetivo que tudo o que é físico possa ser refinado e transformado em santidade, até que “a glória de D'us preencha toda a terra”, esta terra física.
O parágrafo reúne as duas lâmpadas: a mitsvá é o pavio, o intelecto da alma vital é o óleo e a Torá é a luz. Por meio da contemplação e das mitsvot, a sabedoria da alma vital é transformada na sabedoria divina da Torá, e o mundo físico é refinado e elevado à santidade.
A ordem é importante: primeiro vem a contemplação, que desperta o amor e faz do intelecto da alma vital o “óleo” atraído pelo pavio; então, a mitsvá o liga à luz da Torá. Como as leis da Torá abrangem os produtos da terra e os animais, a própria mente da alma vital, que lida com assuntos físicos, pode ser absorvida nela.
Marei mekomot
- 1חכים ולא בחכמה ידיעא · Tikkunei Zohar 17b:3–4
- 2ה׳ בחכמה יסד ארץ · Proverbs 3:19
- 3נר ה׳ נשמת אדם · Proverbs 20:27
- 4ואהבת וגו׳ בכל לבבך · Deuteronomy 6:5
- 5רוח אייתי רוח · Zohar II, 162b
- 6אם ישים אליו לבו · Job 34:14
- 7וימלא כבוד ה׳ · Numbers 14:21
Explicação do versículo inicial ¶22–23
22וזהו המגביהי לשבת.1 פי׳ המגביה י׳ הוא י׳ שבה׳ שהדל״ת הוא בחי׳ דלית. דלית ליה מגרמיה כלום נעשה2 ה׳ ע״י היו״ד3 שבתוכה
E este é [o sentido de] “Aquele que Se eleva para sentar”. A explicação: hamagbihi significa “eleva o yud (י)”, o yud que está no heh (ה). Pois o dalet (ד) é o nível de dalit (“não há”): “não possui absolutamente nada próprio”; ele se torna um heh por meio do yud que está dentro dele.
O maamar retorna ao versículo inicial. Interpreta hamagbihi (“Aquele que Se eleva”) como hamagbiah yud, “Aquele que eleva o yud”: a letra heh (ה) é um dalet (ד) com um pequeno yud dentro. O dalet sugere dalit, “não há”, aquilo que “nada possui de próprio”; ele se torna um heh somente por meio do yud que está dentro dele.
והיינו בחי׳ המצוה שמצדק נעשה צדקה. וצדקה תרומם גוי4 ע״י שמגביה את בחי׳ היו״ד שבה׳ למעלה מעלה באוא״ס ב״ה ממש.
E este é o nível da mitzvá, pois de tzedek (צדק) vem tzedaká (צדקה); e “a tzedaká eleva uma nação”, elevando o nível do yud no heh cada vez mais alto, até a própria Luz Infinita (Or Ein Sof), bendito seja Ele.
Este é o serviço da mitzvá: tzedek (צדק), “retidão”, torna-se tzedaká (צדקה), “caridade”, ao receber um heh. E “a tzedaká eleva”, pois ela eleva o yud que está dentro daquele heh cada vez mais alto, até a própria Luz Infinita.
לשבת להיות בחי׳ מכון לשבתך5 דהיינו שתהא שם השראת אוא״ס ב״ה ממש שהיא בחי׳ ישיבה
“Para sentar”: tornar-se o nível de “um lugar para Tua morada”, isto é, que ali repouse a própria Luz Infinita, bendito seja Ele, o que corresponde ao nível de sentar,
“Para sentar” significa tornar-se “um lugar para Tua morada”, onde a própria Luz Infinita vem repousar. Sentar é a imagem desse repouso.
דהיינו בחי׳ ירידה והשפלה אצלו כביכול וכמ״ש וישב ה׳ מלך לעולם.6 כי להיות מלך לעולם היא בחי׳ ישיבה והשפלה כי על מי ימלוך כו׳.
isto é, um nível de descida e rebaixamento da parte d’Ele, por assim dizer; conforme está escrito: “D'us senta como Rei para sempre (le’olam).” Pois ser Rei sobre o mundo (le’olam) corresponde ao nível de sentar e rebaixar-Se, pois sobre quem Ele reinaria? etc.
Sentar é rebaixar-Se, como um rei que se senta em seu trono: para D'us, por assim dizer, ser Rei sobre o mundo é uma descida, pois um rei precisa de pessoas sobre as quais reinar. Assim, “D'us senta como Rei” descreve D'us rebaixando-Se para governar o mundo.
O parágrafo interpreta a primeira metade do versículo inicial como o serviço das mitzvot: elas elevam o yud que está dentro do heh até a Luz Infinita e, assim, estabelecem uma morada onde a Luz Infinita repousa; para D'us, isso é um rebaixamento, como um rei que se senta para reinar.
Yahel Or, citado nas notas da Kehot, explica por que o maamar fala em elevar o yud do heh: para que não se pense que essa ascensão é um afastamento da luz, a elevação é descrita também como uma elevação do heh. O Mitteler Rebbe observa que hamagbihi, terminando em yud, parece estar no feminino, e explica que esse yud é o ponto de ayin da Chochmá dentro de Kéter.
Marei mekomot
- 1המגביהי לשבת · Psalms 113:5
- 2פי׳ המגביה י׳ . . נעשה ה׳ · ראה יהל אור ע׳ תלח ”ור״ל שלא תאמר עלי׳ זו היא הסתלקות האור . . עז״א שהוא הגבהת הה׳ ג״כ” ע״ש. וראה במאמרי אדה״א בראשית ע׳ תכג ”דלכאורה יפלא מ״ש המגביהי ביו״ד שהוא לשון נוק׳ הל״ל המגביה לשבת, אלא יו״ד זה הוא בחי׳ נקודה דאין דחכמה שבכתר” ע״ש. לקו״ת שלח מד, ד.
- 3נעשה ה׳ ע״י היו״ד · פרדס שער כ״ז ספ״ז בשם הרע״מ.
- 4וצדקה תרומם גוי · Proverbs 14:34
- 5מכון לשבתך · Exodus 15:17
- 6וישב ה׳ מלך לעולם · Psalms 29:10
23וזו היא העלאה שע״י המצות ממטה למעלה. אבל התורה אור היא המשכה מלמעלה למטה המשפילי לראות בשמים1 תושב״כ. ובארץ תושבע״פ.
E esta é a elevação que as mitsvot realizam, de baixo para cima. Mas “a Torá é luz” é uma transmissão de cima para baixo: “que Se abaixa para ver nos céus”, a Torá Escrita, “e na terra”, a Torá Oral.
Tudo isso é a ascensão de baixo para cima que as mitsvot realizam. A Torá é o movimento oposto, uma transmissão de cima para baixo; essa é a segunda parte do versículo: “que Se abaixa para ver nos céus” é a Torá Escrita, e “na terra” é a Torá Oral.
ושם הוא לראות בחי׳ ראיה והתגלות אוא״ס ב״ה למטה כמו למעלה. ולא בחי׳ שמע ישראל2
E ali é “ver”: o nível da visão e da revelação da Luz Infinita, bendito seja Ele, embaixo como em cima, e não o nível de “Ouve, Israel”,
Na Torá, a Luz Infinita não é apenas compreendida, mas “vista”: ela se revela embaixo com a mesma clareza que em cima. Isso vai além de “Ouve, Israel”.
דהיינו התבוננות שבנפש האלהית שהיא בחי׳ שמיעה בלבד אלא כמ״ש כי עין בעין יראו3 וגו׳:
isto é, a contemplação na alma divina, que é apenas o nível da audição; mas, como está escrito: “Pois verão olho a olho”, etc.
“Ouve, Israel” representa a contemplação da alma divina, que é apenas como ouvir falar de algo, em vez de vê-lo. A Torá traz uma revelação semelhante à visão, como na promessa: “Pois verão olho a olho”.
O parágrafo interpreta a segunda parte do versículo inicial como a transmissão da Luz Infinita pela Torá, uma revelação semelhante à visão, que supera a “audição” da contemplação da alma divina.
Assim, o maamar relaciona o versículo inteiro: “eleva-Se para sentar” é a ascensão por meio das mitsvot, e “abaixa-Se para ver nos céus e na terra” é a descida da luz da Torá, Escrita e Oral. A passagem de Likkutei Torah citada nas notas associa essa visão à revelação futura: “Pois verão olho a olho”.
Marei mekomot
- 1המשפילי לראות בשמים · Psalms 113:6
- 2שמע ישראל · Deuteronomy 6:4
- 3כי עין בעין יראו · Isaiah 52:8
Terminou o maamar?
Marque-o como estudado; ele conta para a semana e para o siyum do ano.
Na avodá
Antes da oração, veste-se o talit e os tefilin, atraindo uma luz envolvente que eleva a alma animal; em seguida, contempla-se na Shemá como toda a criação provém somente da palavra de D'us, até que o amor da alma divina acenda também o intelecto e as emoções da alma animal. Ao mesmo tempo, guardam-se as mitsvot, especialmente a caridade, que elevam a alma para além do alcance do entendimento, e estuda-se Torá diariamente, aprendendo algo novo, para que a Luz Infinita seja atraída para a própria vida.
Perguntas para conversar
- Por que o pavio, e não o óleo, é a parte essencial da lâmpada, e o que isso revela sobre o papel da alma divina?
- Como, segundo o maamar, a má inclinação pode chegar a amar D'us, e por que a mudança começa em seu intelecto?
- Em que difere a maneira pela qual as mitsvot elevam a alma da maneira pela qual a Torá atrai a luz de D'us para baixo?
- Por que a oração é a mesma todos os dias, enquanto o estudo da Torá deve trazer algo novo a cada dia?
- Qual é a diferença entre estudar Torá como servo e estudá-la como rei, e como o bitul de Rav Yehudá a explica?