LikuteiTorah.comA Parashá chassídica

Likkutei Torah · Parshas Bamidbar · Maamar 11

וספרתם לכם ממחרת השבת וגו׳ תספרו חמשים יום

“E contareis para vós desde o dia seguinte ao Shabat”

  • 12 parágrafos · 93 seções
  • cerca de 55 min de estudo
  • 139 fontes

Começar o maamar Baixar PDFPDF · 724 KB

Seu progresso 0 de 93 seções

A ideia central

A Contagem do Ômer abrange dois tipos de fluxo divino. A “cevada”, oferecida em Pêssach, é um fluxo medido: a compreensão de D'us que cada alma recebe de acordo com sua capacidade. O “trigo”, oferecido em Shavuot, é a revelação da própria essência de D'us, “Eu, que sou Eu”, acima de toda compreensão. Ao contar quarenta e nove dias, fazemos essa essência descer, passo a passo, até a “cevada”, inclusive à alma animal; então, o quinquagésimo portão vem por si só.

O maamar em resumo

O maamar pergunta por que a Torá diz “cinquenta dias” quando apenas quarenta e nove são contados, e por que contamos “dois dias” em vez de “o segundo dia”. A resposta é dada por meio dos dois grãos. A cevada, o Ômer de Pêssach, representa o fluxo que alimenta os anjos da Carruagem de Yechezkel. Ele provém de Malchut, o hei do Nome, dividido como o sopro nas articulações da boca, de modo que cada anjo permaneça em seu nível fixo e seu amor e temor ardam abertamente, a partir da compreensão. Na alma, isso corresponde à compreensão da grandeza de D'us, “cada um segundo sua própria medida”. O trigo, os Dois Pães de Shavuot, é um conhecimento acima da razão, como o vínculo de um bebê com seu pai. No Sinai, a revelação de “Eu, que sou Eu” levou Israel para além de todo limite de compreensão (“Egito”), e ela permanece conosco na Torá e nas mitsvot, as vinte e duas letras. A Contagem atrai essa essência para dentro da cevada, inclusive para a alma animal. Os quarenta e nove portões de Biná, sete atributos cada um composto de sete, são contados cumulativamente como um único fluxo proveniente do quinquagésimo portão, que vem por si só em Shavuot.

Esquema

  1. Duas perguntas e as asas separadas da CarruagemPor que “cinquenta dias”, e por que “dois dias” e não “o segundo dia”? O Ômer de cevada e os Dois Pães de trigo estabelecem o contexto da resposta. As asas dos Chayot, com seu amor e temor elevando-se, são separadas por nível, pois sua força vital provém de Malchut, o hei, que se divide como o sopro nas articulações da boca. Sua dimensão interior, o palato, proveniente de Chochmá, é compartilhada por todos eles; seu amor e temor ardem abertamente, como os Serafim e as vacas que cantaram ao transportarem a Arca.¶1–3
  2. Cevada: o fluxo medidoO fluxo dos anjos é “cevada”: é seu alimento, é “a medida do hei”, que mantém cada anjo em seu nível, e sua grafia com sin sugere tremor. Ele depende da oferenda do Ômer de todo Israel, pois a alma divina é “o primeiro de Seus frutos”, e desce ainda mais, até a alma animal. Na alma, a cevada é a compreensão conforme a capacidade de cada pessoa; o trigo é um conhecimento acima da razão, como um bebê que chama “Abá”.¶4–5
  3. Trigo: a revelação de “Eu, que sou Eu”O conhecimento oculto desperta um amor acima da compreensão. No Sinai, as almas do povo saíram voando a cada enunciação — o autossacrifício que a revelação da essência de D'us desperta. “Egito” é todo limite de compreensão e o confinamento do corpo, e o baal teshuvá rompe esses limites. No Sinai, eles “viram o que é ouvido”; a Torá e as mitsvot provêm da própria Luz Infinita e são seus recipientes. Os Dois Pães são as vinte e duas letras da Torá, “Meu pão”, alcançadas ao se caminhar além do próprio nível atual.¶6–9
  4. A Contagem e o quinquagésimo portãoOs cinquenta portões de Biná são quarenta e nove níveis — sete atributos, cada um composto de sete — e um quinquagésimo portão que inclui todos eles e tem sua raiz em Kéter. Contar atrai a revelação de “Eu” para a cevada e para a alma animal. Contamos cumulativamente porque cada dia atrai mais do único fluxo, e a contagem dos quarenta e nove traz por si só o quinquagésimo em Shavuot.¶10–11
  5. Letras exteriores e interioresA cevada corresponde às cinco articulações da boca, e o trigo, às vinte e duas letras da Torá; exterior em contraste com interior, como explicam outros discursos. É assim que a criança aprende, por meio do trigo, a chamar “Abá”.¶12

Conceitos-chave

Cevada (se’orah)שעורה
O fluxo divino medido, “a medida do hei” (Malchut). Ele nutre os anjos em seus níveis fixos e, na alma, é a compreensão da grandeza de D'us segundo a capacidade de cada pessoa. É revelado em Pêssach.
Trigo (chitah)חטה
Um conhecimento acima do intelecto, como o vínculo de um bebê com seu pai. Seu valor numérico é vinte e dois, correspondente às letras da Torá, por meio das quais a essência de D'us é revelada em Shavuot.
“Eu, que sou Eu” (Anochi)אנכי מי שאנכי
A própria essência de D'us, que nenhum pensamento pode apreender. Foi revelada na Outorga da Torá e permanece revestida na Torá e nas mitsvot.
O mundo revelado (alma de’isgalya)עלמא דאתגליא
Malchut, o hei do Nome, o nível em que a divindade se manifesta aos seres criados. É a fonte do amor e temor ardentes e revelados dos anjos.
Os cinquenta portões de Bináנ׳ שערי בינה
As formas de contemplar a grandeza de D'us: quarenta e nove, sete atributos cada um composto de sete, contados no Ômer, e um quinquagésimo que inclui todos eles e os une à sua Fonte.
Mitsráyim, o “estreito do mar”מצרים — מצר ים
No Alto, o estreitamento do “mar” de Chochmá aos limites da compreensão dos seres criados. Embaixo, o confinamento do corpo. A revelação de “Eu” tira a pessoa de ambos.
Os cinco pontos de articulaçãoה׳ מוצאות הפה
Garganta, palato, língua, dentes e lábios, entre os quais o sopro da fala se divide. Do mesmo modo, o “sopro de Sua boca” divide-se nos quatro acampamentos de anjos e em um quinto nível interior.

Ir para o texto

Duas perguntas e as asas separadas da Carruagem ¶1–3

1וספרתם לכם ממחרת השבת וגו׳ [וגומר] תספרו חמשים יום. להבין כ״ז [כל זה] וכי חמשים יום סופרים והלא אין סופרים כי אם מ״ט יום (וע׳ [ועיין] מזה בתוספות במנחות פרק רבי ישמעאל דס״ה ע״ב).

“E contareis para vós desde o dia seguinte ao Shabat”, etc.; “contareis cinquenta dias.” Para compreender tudo isso: contamos, então, cinquenta dias? Afinal, contamos apenas quarenta e nove dias! (Veja também a esse respeito Tosafot, em Menachot, capítulo Rabi Yishmael, fólio 65b.)

Explicação

O maamar começa com o versículo que ordena a Contagem do Ômer a partir do dia seguinte a Pessach, que diz: “contareis cinquenta dias”. Na prática, contamos apenas quarenta e nove dias; a primeira pergunta, portanto, é por que a Torá fala em cinquenta. Tosafot, a que a observação entre parênteses remete o leitor, apresenta essa mesma dificuldade.

גם להבין פי׳ הספירה היום יום אחד לעומר היום שני ימים לעומר וכו׳ שהם שבוע אחד וכן שני שבועות וכו׳ וכן כולם.

Também é preciso compreender o sentido da Contagem: “Hoje é um dia do Ômer”, “Hoje são dois dias do Ômer”, etc., “que são uma semana”; e, do mesmo modo, “duas semanas”, etc., e assim por diante.

Explicação

Uma segunda pergunta diz respeito à formulação da contagem. Dizemos “dois dias”, “três dias” e assim por diante, somando todos os dias contados até então, e também somamos as semanas.

ולכאורה כך היה ראוי לומר היום יום ראשון לעומר היום יום שני לעומר היום יום שלישי כו׳.

E, aparentemente, seria adequado dizer assim: “Hoje é o primeiro dia do Ômer”, “Hoje é o segundo dia do Ômer”, “Hoje é o terceiro dia”, etc.

Explicação

Seria de esperar que cada dia fosse nomeado como uma nova etapa: “o primeiro dia”, “o segundo dia”, “o terceiro dia”. O maamar responderá a essa pergunta perto do final.

הנה ענין הספירה כי בפסח היו מקריבים העומר משעורים שהוא ראשית קצירכם בזמן ההוא ושתי הלחם מחטים בשבועות שהוא זמן בכורי קציר חטים ומקציר שעורים עד קציר חטים צריך לספור.

Ora, o sentido da Contagem é que, em Pessach, ofereciam o Ômer de cevada, que é “o início de vossa colheita” naquela época, e, em Shavuot, as Duas Pães de trigo, época em que ocorre “o início da colheita do trigo”; e é preciso contar desde a colheita da cevada até a colheita do trigo.

Explicação

Este é o contexto simples: em Pessach, oferecia-se o Ômer de cevada, o primeiro cereal a amadurecer, e, em Shavuot, ofereciam-se as Duas Pães de trigo, o início da colheita do trigo. A Contagem abrange o período entre uma colheita e a outra. O maamar explicará adiante a cevada e o trigo como dois tipos de fluxo divino.

וביאור ענין זה הנה במרכבת יחזקאל כתיב ופניהם וכנפיהם פרודות מלמעלה (עיין מזה בזח״ג [בזהר חלק ג] פנחס דרכ״ט סע״א [סוף עמוד א] ודף רכ״ג סע״א [סוף עמוד א] ובת״ז [ובתיקוני זהר] תיקון נ״ו בתחלתו וסוף תיקון ה׳ ובעה״ק [ובעבודת הקודש] ח״ד פי״ט).

E a explicação desse assunto é a seguinte: na Carruagem de Yechezkel está escrito: “E seus rostos e suas asas estavam separados no alto.” (Veja a esse respeito Zohar, Parte III, Pinchas, fólio 229, fim do lado a, e fólio 223, fim do lado a; Tikkunei Zohar, Tikkun 56, no início, e no final do Tikkun 5; e Avodas HaKodesh, Parte IV, capítulo 19.)

Explicação

Para explicar isso, o Alter Rebe recorre à visão de Yechezkel da Carruagem Divina, as sagradas Chayot (criaturas viventes), cujos rostos e asas estavam “separados no alto”. A observação entre parênteses enumera passagens do Zohar, do Tikkunei Zohar e de Avodas HaKodesh que tratam desse versículo.

פי׳ וכנפיהם עפיפתם והסתלקותם למעלה ליכלל במקורם באהבה ויראה וכדכתיב אחרי ה׳ ילכו כאריה ישאג.

O sentido de “e suas asas” é seu voo e seu afastamento para o alto, para serem incluídas em sua fonte, com amor e temor, como está escrito: “Após Havayá caminharão; como um leão, ele rugirá.”

Explicação

As “asas” dos anjos representam seu voo para o alto: seu anseio de ascender e ser absorvidos em sua fonte. O que os eleva é o amor e o temor, as duas “asas” de todo serviço divino. O versículo “como um leão, ele rugirá” é trazido como imagem desse impulso ascendente.

פי׳ כאריה שבמרכבה ששואג והומה קדוש וגו׳ [וגומר] וכל חפצו וכל ישעו להתכלל ולהתבטל במציאות וכן שור גועה כו׳.

Isto é, “como um leão”: o leão da Carruagem, que ruge e clama “Sagrado”, etc.; todo o seu desejo e toda a sua salvação consistem em ser incluído e anulado em sua [própria] existência. E, do mesmo modo, o boi muge, etc.

Explicação

A face de leão da Carruagem clama “Sagrado” porque anseia ser absorvida e perder sua própria existência em sua fonte. O mugido do boi expressa o mesmo anseio.

ועד״ז [ועל דרך זה] נאמר וישרנה הפרות כו׳ הלך וגעו (בש״א [בשער א׳] סי׳ ו׳ ב׳), הוא פני שור שבמרכבה

E, nesse mesmo sentido, está dito: “E as vacas seguiram em linha reta”, etc., “mugindo enquanto caminhavam” (em I Samuel, capítulo 6, 2): essa é a face do boi na Carruagem.

Explicação

Quando os filisteus devolveram a Arca a Israel, as vacas que puxavam a carroça seguiram em linha reta pela estrada, mugindo enquanto caminhavam. Seu mugido é aqui associado à face do boi na Carruagem. (A nota da Kehot indica o versículo como I Samuel 6:12.)

הנה בחי׳ זו של כנפיהם הם פרודות מלמעלה כל אחד ואחד לפי מדרגתו שמדרגת האחד מובדלת ומופרדת מחבירו וכדכתיב פני אריה אל הימין באהבה הוא מחנה מיכאל.

Ora, este nível de “suas asas” é o de estarem “separadas acima”, cada uma segundo sua própria categoria, pois a categoria de uma é distinta e separada da de sua companheira, como está escrito: “a face de um leão à direita”: com amor; este é o acampamento de Michael.

Explicação

Estas asas estão “separadas”: cada anjo se eleva segundo sua própria categoria fixa, distinta de todas as demais. A face do leão, à direita, é o amor; ela corresponde ao acampamento do arcanjo Michael.

O parágrafo 1 em resumo

O parágrafo apresenta duas perguntas sobre a Contagem do Ômer: por que a Torá diz “cinquenta dias” e por que contamos somando os dias. Começa a resposta com a Carruagem de Yechezkel, cujos anjos ascendem em amor e temor (suas “asas”), cada qual separadamente, conforme seu nível.

Aprofundar

De acordo com as passagens citadas nas notas da Kehot, extraídas de Or HaTorah, o Zohar (Pinchas) deriva os quatro rostos das quatro letras de Havayá e as quatro asas das quatro letras de Ado-nai. Avodas HaKodesh explica “separados” como separados do Mundo de Atsilut, à semelhança do rio que “dali se dividiu e se tornou quatro braços”, e explica “asa” (kanaf) como uma cobertura. O final do Tikkun 5 chama as asas de letras, estendidas para receber os sinais vocálicos.

Marei mekomot

  1. 1
    וספרתם לכם · משנת תקס״ד — ראה רשימת המאמרים שם ע׳ שמט הערה 59. הנחת כ״ק אדמו״ר האמצעי ממאמר זה נדפס בסידור שז, ג. הגהות באוה״ת במדבר ע׳ רי. כרך-ו ע׳ א׳תשכ. וראה אוה״ת אמור-ג ע׳ תתעב. תוספת ביאור שם ע׳ תתעג. המאמר באריכות מכ״ק אדה״א הוא ד״ה להבין ענין ספירה ומ״ת במאמרי אדה״א — כרך שבועות ע׳ שצו. כמה ענינים מהמאמר נתבארו בביאה״ז להצ״צ-א ע׳ שפא ואילך. ד״ה זה מובא כמה פעמים בדרושי הצ״צ בשם ”וספרתם לכם דגבי שבועות”.
  2. 2
    וספרתם לכם · Leviticus 23:15
  3. 3
  4. 4
    וכי חמשים יום סופרים והלא אין סופרים כי אם מ״ט יום · Tosafot on Menachot 65b:2:1
  5. 5
    העומר משעורים · Menachot 68b:2–4
  6. 6
    ראשית קצירכם · Leviticus 23:10
  7. 7
    ושתי הלחם · Leviticus 23:17
  8. 8
    ושתי הלחם מחטים · שם כג, יז.
  9. 9
    בכורי קציר חטים · Exodus 34:22
  10. 10
    ופניהם וכנפיהם פרודות · Ezekiel 1:11
  11. 11
    ופניהם וכנפיהם פרודות מלמעלה · Zohar, Pinchas 49:303–51:314
  12. 12
    ופניהם וכנפיהם פרודות מלמעלה · Zohar, Pinchas 32:178–35:188
  13. 13
    ופניהם וכנפיהם פרודות מלמעלה · Tikkunei Zohar 89b:5
  14. 14
    בזח״ג פנחס דרכ״ט סע״א · ”משמע ד׳ פנים נמשכים מד׳ אותיות הוי׳ וד׳ כנפים מד׳ אותיות אד׳” — אוה״ת נ״ך-א ע׳ שצג.
  15. 15
    ובת״ז תיקון נ״ו בתחלתו · ”ענפין דאילנא מתפרשין כו׳ וכנפיהם פרודות כו׳” — אוה״ת נ״ך-א ע׳ שצג.
  16. 16
    וסוף תיקון ה׳ · ”שהכנפים הם האותיות והם פרושות לקבל עליהם הנקודות” — אוה״ת נ״ך כרך א ע׳ שצג.
  17. 17
    ובעבה״ק ח״ד פי״ט · ”פי׳ פרודות שנפרדים מעולם האצי׳ וזהו ע״ד ומשם יפרד והי׳ לד׳ ראשים כו׳ ושם פי׳ כנף כסוי כנף אביו כסותא” — אוה״ת נ״ך-א ע׳ שצג.
  18. 18
    אחרי ה׳ ילכו כארי׳ ישאג · Hosea 11:10
  19. 19
  20. 20
    פני אריה אל הימין · Ezekiel 1:10
  21. 21
    בתו׳ מנחות סה, ב · ד״ה כתוב אחד. — ”ואם תאמר והלא לא ספרינן אלא מ״ט יום, וי״ל שלא צוה הכתוב לספור חמשים, דהכי אמר קרא עד ממחרת השבת השביעית שהוא יום חמשים תספרו, אי נמי חמשים יום תספרו אוהקרבתם דבתרי׳ קאי והכי קאמר עד ממחרת השבת השביעית תספרו ולא עד בכלל נ׳ יום והקרבתם מנחה חדשה” עכ״ל התוס׳. ובגיליון הגמרא שם מציין לעיין ברא״ש פסחים סוף פרק ערבי פסחים סימן מ׳ מ״ש על תירוצים הללו ותירץ באופן אחר.

2ופני שור מחנה גבריאל מהשמאל ביראה. ופני נשר היא מדה ממוצעת בחי׳ רחמנות כנשר יעיר קנו כו׳.

E “a face de boi”, o acampamento de Gavriel, [está] “à esquerda”, com temor. E “a face de águia” é um atributo intermediário, o nível da compaixão: “Como a águia desperta seu ninho”, etc.

Explicação

A face de boi, à esquerda, representa o temor; ela é o acampamento do arcanjo Gavriel. A águia fica entre os dois como expressão da compaixão, como a águia no cântico de Moshê, que desperta seu ninho e paira sobre seus filhotes.

ועל זה נאמר ואשא אתכם על כנפי נשרים וגו׳ [וגומר] כי מחמת שהיו ישראל במצרים בחומר ובלבנים בגשמיות לא היו ראוים לזכות להמעלה הגדולה ויתירה שזכו במתן תורה פנים בפנים דבר ה׳ וגו׳ [וגומר]

E a respeito disso foi dito: “E Eu vos carreguei sobre asas de águias”, etc. Pois, visto que Israel estivera no Egito, em argamassa e tijolos, imerso na materialidade, não era digno, por seu próprio mérito, de alcançar a grande e superior distinção que mereceu na Outorga da Torá, quando “Havayá falou face a face”, etc.,

Explicação

No Sinai, D'us disse a Israel: “Eu vos carreguei sobre asas de águias.” Imersos no trabalho físico do Egito, não eram dignos, por seu próprio mérito, da revelação na Outorga da Torá, quando D'us lhes falou “face a face”.

כ״א [כי אם] ע״י בחי׳ רחמנות שהם כנפי נשרים שעי״ז ואביא אתכם אלי (ועמ״ש בפ׳ בלק סד״ה מי מנה עפר יעקב).

mas somente por meio do nível da compaixão, que são “asas de águias”, por meio das quais “Eu vos trouxe a Mim”. (E veja o que está escrito na Parashá Balak, no final do discurso que começa com “Quem contou o pó de Yaakov”.)

Explicação

Eles alcançaram isso somente por meio da compaixão, as “asas de águias”, pelas quais D'us os trouxe para Si. O trecho entre parênteses remete a um maamar em Likkutei Torah, Balak.

והטעם שכנפיהם פרודות הוא מפני שכל שפעם וחיותם הוא מבחי׳ מל׳ [מלכות] ית׳ וכדכתיב מלכותך מכ״ע [מלכות כל עולמים] המרומז באות ה׳ משמו ית׳

E o motivo de suas asas serem “separadas” é que todo o seu fluxo e sua força vital provêm do nível de Sua Malchut (soberania), bendito seja Ele, como está escrito: “Teu reino é um reino de todos os mundos”, aludido na letra hei de Seu Nome, bendito seja Ele,

Explicação

Agora é explicado por que os níveis dos anjos são distintos. Sua força vital provém da Malchut de D'us, Seu reinado, “um reino de todos os mundos”. Malchut é aludida na hei final do Nome Havayá.

וכדכתיב בהבראם בה׳ בראם שהוא בחי׳ רוח פיו ית׳ כי וברוח פיו כל צבאם כמו, עד״מ [על דרך משל] הבל היוצא מן הפה

e como está escrito: “Quando foram criados” (behibar’am): “com [a letra] hei Ele os criou”. Este é o nível do “sopro de Sua boca”, bendito seja Ele, pois “pelo sopro de Sua boca todo o seu exército” [foi criado]: como, por exemplo, o sopro que sai da boca,

Explicação

Os Sábios interpretam a palavra behibar’am (“quando foram criados”) como “com uma hei Ele os criou”: a criação ocorreu por meio da letra hei, isto é, por meio de Malchut. Trata-se da fala divina, chamada “o sopro de Sua boca”, como o sopro que carrega as palavras de uma pessoa.

וכמאמר באתא קלילא דלית ביה מששא וה׳ זו הוא בחי׳ ה׳ מוצאות הפה דהיינו כמו שהבל הדיבור מתחלק לה׳

e, como diz a expressão: “com uma letra leve, na qual não há substância”. E esta hei é o nível dos cinco pontos de articulação da boca; isto é, assim como o sopro da fala se divide em cinco

Explicação

A hei é chamada “uma letra leve, na qual não há substância”, pois é pronunciada somente com o sopro. Seu valor numérico, cinco, também aponta para os cinco pontos de articulação da boca — a garganta, o palato, a língua, os dentes e os lábios — entre os quais se divide o sopro da fala.

מוצאות עד״מ [על דרך משל] כך בחי׳ רוח פיו ית׳ מתחלק להיות מדרגות חלוקות ומובדלות זו מזו ד׳ מחנות שכינה מחנה מיכאל פני אריה כו׳ כנגד ד׳ מוצאות.

pontos de articulação, por meio de uma analogia, assim também o nível do “sopro de Sua boca”, bendito seja Ele, divide-se para formar níveis distintos e separados uns dos outros: os quatro acampamentos da Shechiná (Presença Divina), o acampamento de Michael, “a face de um leão”, etc., correspondentes a quatro pontos de articulação.

Explicação

Do mesmo modo, o “sopro” divino divide-se em níveis distintos e separados: os quatro acampamentos da Shechiná, liderados por Michael e pelos outros, que correspondem a quatro dos cinco pontos de articulação. O quinto é explicado no parágrafo seguinte.

O parágrafo 2 em resumo

O parágrafo completa a descrição das faces da Carruagem — o boi, que representa o temor, e a águia, que representa a compaixão e carregou Israel até o Sinai — e explica por que os níveis dos anjos são distintos. Sua vida provém de Malchut, a hei do Nome, “o sopro de Sua boca”, que se divide, assim como o sopro se divide nos cinco pontos de articulação, em quatro acampamentos distintos.

Aprofundar

A Guemará em Menachot deduz de behibar’am que este mundo foi criado com a letra hei. A expressão “com uma letra leve” vem do início do hino aramaico Akdamut, como observa a nota da Kehot, e Or HaTorah a explica ali.

Marei mekomot

  1. 1
    ופני שור · Ezekiel 1:10
  2. 2
    ואשא אתכם על כנפי נשרים · Exodus 19:4
  3. 3
    בחומר ובלבנים · שם א, יד.
  4. 4
    בחומר ובלבנים · Exodus 1:14
  5. 5
    פנים בפנים דבר ה׳ · Deuteronomy 5:4
  6. 6
    מלכותך מכ״ע · Psalms 145:13
  7. 7
    בהבראם · Genesis 2:4
  8. 8
    בה׳ בראם · Menachot 29b
  9. 9
    וברוח פיו כל צבאם · Psalms 33:6
  10. 10
    כמו עד״מ הבל היוצא מן הפה · ראה המשך בששה״ק תער״ב ח״ב ע׳ א׳כג. סו״ס דרמ״צ קצט, ב (בשולי העמוד).
  11. 11
    באתא קלילא · ריש אקדמות. נתבאר באוה״ת ויקרא-ג ע׳ תתנב.
  12. 12
    כנגד . . ד׳ מוצאות . . בחי׳ גיכ״ק · ראה סה״מ — תרס״ו ע׳ יב.
  13. 13
    כנשר יאיר קנו · Deuteronomy 32:11

3ומוצא הה׳ הוא בחי׳ גיכ״ק מוצא החיך בחי׳ עושה שלום במרומיו כי מיכאל שר של מים וגבריאל שר של אש ואין המים מכבים כו׳

E o quinto ponto de articulação corresponde ao nível das letras gimel, yud, kaf e kuf, a articulação do palato, ao nível de “Ele faz paz nas Suas alturas”: pois Michael é o príncipe da água e Gavriel, o príncipe do fogo, e a água não apaga [o fogo], etc.,

Explicação

O quinto ponto de articulação, o palato (as letras gimel, yud, kaf e kuf), corresponde ao nível a respeito do qual se diz: “Ele faz paz nas Suas alturas”. Michael é o príncipe da água (bondade) e Gavriel, o príncipe do fogo (severidade), mas a água não apaga o fogo.

מפני השפעה הכללית שבהם ממקור חוצבם אשר לבחינה זו כולם כאחד עונים באימה ואומרים קדוש כו׳.

por causa do fluxo geral que há neles, proveniente da fonte da qual foram talhados; nesse nível, todos juntos respondem com temor e dizem: “Santo”, etc.

Explicação

Eles coexistem porque um fluxo geral e abrangente chega a todos a partir da única fonte da qual foram talhados. Nesse nível, todos são um e respondem juntos: “Santo”, nas palavras da bênção matinal Yotzer.

וזהו בוערות כמראה הלפידים היא מתהלכת בין החיות כו׳ פי׳ היא מתהלכ׳ [מתהלכת] ה׳ מתהלכ׳ [מתהלכת] דהיינו לפי שנמשך בהם השפעת בחי׳ הה׳ לפיכך בוערים ואומרים קדוש.

E este é [o significado de] “ardendo como a aparência de tochas; ela se move entre os Chayot”, etc. O significado é: “ela (hi) se move”: o hei se move. Isto é, como o fluxo do nível do hei é atraído para eles, eles ardem e dizem: “Santo”.

Explicação

Yechezkel diz que o fogo “se move entre os Chayot”. O Alter Rebe faz um jogo de palavras com hi (“ela”), lendo-a como a letra hei: como o fluxo do hei, Malchut, se move entre os Chayot, eles ardem e clamam: “Santo”.

(וז״ל [וזה לשונו] הזהר בראשית דמ״א ע״ב היא מתהלכת מאן היא דא רוחא קדישא אתר דנפקו מינה ואיהי נהיר לון והיינו בחי׳ מלכות שהיא בחי׳ ה׳ דשם הוי׳

(E estas são as palavras do Zohar, Bereshit, fólio 41b: “‘Ela se move’: quem é ‘ela’? É o espírito santo (rucha kadisha), o lugar de onde eles emanaram, e que brilha para eles.” E este é o nível de Malchut (soberania), que é o nível do hei do Nome Havayá.

Explicação

O Zohar pergunta quem é “ela” e responde: o espírito santo, o lugar de onde os Chayot emanaram e que brilha para eles. O Alter Rebe identifica isso com Malchut, o hei final do Nome Havayá.

אך פי׳ רוחא קדישא היינו כדאיתא בפרדס ערך רוח שהמל׳ [שהמלכות] נקרא רוח הקדש כשמקבלת מחכמה שהיא נק׳ קדש ולכן בחי׳ זו היא גיכ״ק מוצא החיך שהוא נמשך מבחי׳ חכמה כמבואר בסמוך),

Mas o significado de “espírito santo” é o que se encontra no Pardes, na entrada “Ruach”: Malchut é chamada ruach hakodesh (espírito santo) quando recebe de Chochmá (sabedoria), que é chamada kodesh (santidade); portanto, este nível é [o das letras] gimel, yud, kaf e kuf, a articulação do palato, que é atraída do nível de Chochmá, como será explicado adiante.)

Explicação

De acordo com o Pardes, Malchut é chamada “espírito santo” quando recebe de Chochmá, que é chamada kodesh (“santidade”). Por isso, este nível é o palato, que recebe de Chochmá, como as linhas seguintes explicam.

והמשכה והשפעה זו נרמזת במלת ופניהם שיש עליו טעם זקף גדול שהוא הפסק מאמר להפסיק בין ופניהם לוכנפיהם כמ״ש רש״י [רבי שלמה יצחקי] לומר שפניהם פי׳ פנימיותם אינם פרודות

E esta atração e este fluxo são aludidos na palavra “ufneihem” (“e seus rostos”), que leva o sinal de cantilação zakef gadol, uma pausa na frase que separa “e seus rostos” de “e suas asas”, como escreve Rashi; isto é, seus rostos, ou seja, sua dimensão interior (pnimiyut), não estão separados

Explicação

Neste versículo, a palavra “ufneihem” (“e seus rostos”) leva o sinal de cantilação zakef gadol, que a separa de “e suas asas”, como Rashi observa. O Alter Rebe interpreta isso como indicando que seus rostos, sua dimensão interior, não estão separados.

כמו כנפיהם, שפנימיותם הוא בחי׳ גיכ״ק מוצא החיך כי חכו ממתקים כתיב ששם הוא בחי׳ המתיקות והטעמים

como suas asas; pois sua dimensão interior corresponde ao nível das letras gimel, yud, kaf e kuf, a articulação do palato, pois está escrito: “Seu palato é doçura”; ali está o nível da doçura e dos sabores (te’amim),

Explicação

A dimensão interior dos anjos corresponde ao palato, a respeito do qual se diz: “Seu palato é doçura”. O palato é o lugar da doçura e do sabor.

כי חיך אוכל יטעם שהוא בחי׳ חכמה כו׳, ולפי שהשפעת אהבה ויראה הנמשך להם להיות כגחלי אש בוערות ולומר קדוש וברוך וימלוך כו׳

pois “o palato prova o alimento”, o que corresponde ao nível de Chochmá, etc. E, como o fluxo de amor e temor que é atraído para eles os torna “como brasas de fogo ardentes” e os leva a dizer “Santo”, “Bendito” e “Reinará”, etc.,

Explicação

“O palato prova o alimento”: provar corresponde ao nível de Chochmá. A frase prossegue tratando da origem do amor e do temor dos anjos, que os torna como brasas ardentes e os leva a proclamar os louvores “Santo”, “Bendito” e “Reinará”.

הוא מבחי׳ ה׳ זו שהוא עלמא דאתגליא דהיינו מחמת השגתם באור א״ס [אין סוף] ב״ה הנמשך בעלמא דאתגליא ושהוא ממכ״ע [ממלא כל עלמין] וסוכ״ע [וסובב כל עלמין] כו׳.

provém do nível desta hei, que é o mundo revelado (alma de’isgalya), isto é, em virtude de sua compreensão da Luz Infinita (Or Ein Sof), bendito seja Ele, que é atraída para o mundo revelado, e de que ela é a luz que preenche todos os mundos (memalê kol almin) e a luz que circunda todos os mundos (sovev kol almin), etc.,

Explicação

Este amor e temor provêm da hei, chamada “mundo revelado” (alma de’isgalya), o nível em que a Divindade se manifesta aos seres criados. Os anjos apreendem a Luz Infinita que é atraída para esse nível: como ela preenche todos os mundos e circunda todos os mundos.

ולכן גם אהבתם ויראתם הוא בהתגלות ובתשוקה מורגשת. וכמ״ש מראיהם כגחלי אש בוערות כו׳ כלומר כגחלי אש אשר האש עודנה קשורה בגחלת ומתלהטת בו.

por isso, também o amor e o temor deles se manifestam abertamente e com um anseio perceptível. Como está escrito: “Sua aparência é como brasas de fogo ardente”, etc.; isto é, como brasas em que o fogo ainda está ligado à brasa e arde nela.

Explicação

Como o amor e o temor deles provêm da compreensão, manifestam-se e são sentidos: são um anseio consciente. São como brasas ardentes, em que o fogo ainda se prende à brasa e arde nela, mantido aceso por aquilo que o alimenta.

(ועיין מזה ברבות בהעלותך פט״ו [פרק ט״ו / פרשה ט״ו] דרס״ג ע״ד [עמוד ד׳] ובשה״ש [ובשיר השירים] רבה ר״פ צאינה וראינה ובזהר ח״ג [חלק ג׳] פ׳ צו ד׳ א׳ ב׳ ובת״ז [ובתיקוני זהר] ד״ג סע״ב [סוף עמוד ב] ד׳ ב׳ ועמ״ש מענין אש בד״ה בפ׳ נסכים)

(E veja sobre isso em Rabbos, Behaalosecha, capítulo 15, fólio 263, coluna d; e em Shir HaShirim Rabbah, no início da [seção] “Ide e contemplai”; e no Zohar, Parte III, Parshas Tzav, fólio 4, lados a e b; e em Tikkunei Zohar, fólio 3, fim do lado b, [e fólio] 4b; e veja o que está escrito sobre o tema do fogo no discurso sobre a passagem das libações.)

Explicação

O parêntese reúne fontes paralelas: o Midrash sobre a aparência das Chayot como brasas de fogo; o ensinamento de que o fogo e a neve no alto não se extinguem mutuamente; o Zohar e o Tikkunei Zohar sobre este versículo; e um discurso em Likkutei Torah sobre o tema do fogo. (O fólio indicado para o Zohar não pode estar correto, pois Parshas Tzav começa no fólio 27; a nota da Kehot indica Parte III, Parshas Tzav, fólio 31b.)

וזהו ענין שרפים עומדים ממעל לו פי׳ ממעל כלומר במקום פתוח לרוחה דהיינו בגילוי עוז ותעצומות האהבה וכן בפרות שנשאו את הארון בימי דוד כתי׳ [כתיב] וישרנה הפרות כו׳

E este é o significado de “Serafins estão acima Dele”: “acima” quer dizer, isto é, num lugar amplo e aberto; ou seja, com a revelação da força e da intensidade do amor. O mesmo se aplica às vacas que transportaram a Arca nos dias de David, sobre as quais está escrito: “E as vacas seguiram em linha reta”, etc.,

Explicação

Isaías viu “Serafins em pé acima Dele”. O Alter Rebe interpreta “acima” como um lugar amplo e aberto: a força do amor deles manifesta-se abertamente. As vacas que transportaram a Arca são um caso semelhante.

הלוך וגעו מפני שנשאו את הארון שהוא בחי׳ עלמא דאתגליא נשפע עליהם שפע אלקי להיות משוררות וגועות וכו׳

“mugindo enquanto caminhavam”: como transportaram a Arca, que corresponde ao nível do mundo revelado, um fluxo divino lhes foi concedido, de modo que cantaram e mugiram, etc.

Explicação

Como as vacas transportaram a Arca, que representa o mundo revelado, um fluxo divino veio sobre elas, e seu mugido tornou-se canto. Segundo a nota da Kehot, os Sábios identificam o canto que elas entoaram.

(עיין ברבות וירא ס״פ נ״ד ובפרק אין מעמידין דכ״ד ב׳ ובזח״א [ובזהר חלק א] פ׳ חיי שרה דקכ״ג ובפ׳ תרומה דקל״ח א׳):

(Veja em Rabbos, Vayera, fim do capítulo 54; e no capítulo Ein Ma’amidin, fólio 24b; e no Zohar, Parte I, Parshas Chayei Sarah, fólio 123; e em Parshas Terumah, fólio 138a.)

Explicação

O Midrash e o Talmud discutem que canto as vacas entoaram. Segundo a nota da Kehot, o Zohar compara as vacas que transportavam a Arca às Chayot que carregam o Trono Divino.

O parágrafo 3 em resumo

O quinto ponto de articulação, o palato, é a dimensão interior compartilhada por todos os Chayot, atraída de Chochmá, onde Michael e Gavriel estão em paz. Desse hei, o mundo revelado, os anjos recebem amor e temor revelados e ardentes, que se manifestam nos Serafim e até nas vacas que cantaram ao carregar a Arca.

Aprofundar

Igueret HaKodesh 12 explica “Ele faz paz nas Suas alturas” da mesma maneira: Michael (bondade, água) e Gavriel (severidade, fogo) são opostos, mas uma grande luz proveniente do Infinito, superior a todos os atributos, os inclui em sua fonte, e eles se tornam um. Likkutei Torah, Shelach (sobre as libações) explica que os Serafim provêm do elemento divino do fogo e, por isso, ardem continuamente. Quanto às vacas e David, a nota da Kehot observa que o episódio ocorreu antes do reinado de Saul; pela cronologia dos versículos, David tinha então dezessete anos, e alguns dos Sábios dizem que as vacas cantaram “Agradecei a Havayá”, o cântico que David mais tarde determinou que fosse entoado diante da Arca.

Marei mekomot

  1. 1
    עושה שלום במרומיו · Job 25:2
  2. 2
    מיכאל שר של מים · שהש״ר ג, ד״ה צאינה וראינה. השמטות לזח״א רסג, א. ע׳ באגה״ק שלו (רס״י יב). ועל״ק ואתחנן (ח, א). שהש״ר פ׳ צאינה מיכאל שר של שלג, גבריאל שר של אש. תנחומא ויגש סי׳ ו מיכאל מן המים וגבריאל מן האש והן עומדין לפני השכינה כו׳ — אר״ש כל הרקיע של מים והמלאכים של אש ומשרתיו אש לוהט ואין המים מכבין את האש וכו׳, ואפשר ע״ז כוונתו הק׳ מ״ש כאן. [כ].
  3. 3
    מיכאל שר של מים וגבריאל שר של אש ואין המים מכבים · Shir HaShirim Rabbah 3:11:1
  4. 4
    עונים באימה ואומרים קדוש · ברכת יוצר.
  5. 5
    כמראה הלפידים · Ezekiel 1:13
  6. 6
    ופניהם שיש עליו טעם זקף גדול · Rashi on Ezekiel 1:11
  7. 7
    חכו ממתקים · Ezekiel 1:13
  8. 8
    חכו ממתקים · Song of Songs 5:16
  9. 9
    חיך אוכל יטעם · Job 12:11
  10. 10
    כגחלי אש בוערות · Ezekiel 1:13
  11. 11
    מראיהם כגחלי אש בוערות · Bamidbar Rabbah 15:7
  12. 12
    מראיהם כגחלי אש בוערות · Tikkunei Zohar 4b:7
  13. 13
    ועיין מזה ברבות בהעלותך פט״ו דרס״ג ע״ד · ”א״ר ברכי׳ הכהן בי רבי: הברק הזה תולדות האש שלמעלן הוא, והוא יוצא ומבהיק את כל העולם כולו, שנאמר ודמות החיות מראיהם כגחלי אש כו׳ ומן האש יוצא ברק ומבהיק את כל כל העולם כולו, ואני צריך לאורה שלכם ולמה אמרתי לך כדי להעלותך עכ״ל” — אוה״ת נ״ך-א ע׳ שצג.
  14. 14
    ובשה״ש רבה ע״פ צאינה וראינה · ”תני רשב״י הרקיע של שלג כו׳ שנאמר רקיע כעין הקרח הנורא החיות של אש שנאמר ודמות החיות מראיהן כגחלי אש כו׳ ולא זה מכבה זה כו׳” — אוה״ת נ״ך-א ע׳ שצד.
  15. 15
    ובזהר ח״ג פ׳ צו ד׳ ל״א ב׳ ובת״ז ד״ג סע״ב ד׳ ב׳ · ”ודמות החיות מראיהם כגחלי אש, בנקודי אורייתא דעלייהו אתמר, ודמות החיות מראיהם כגחלי אש, אלין אינון נקודין בוערות כמראה הלפידים אלין אינון טעמי כו׳ ושכינתא כלילא מכולהו עלה אתמר היא מתהלכת בין החיות עכ״ל” — אוה״ת נ״ך-א ע׳ שצד. ושם ע׳ שצג ”בת״ז שם פי׳ החיות שרשם מחכ׳ והחכמה תחי׳ והם חיות האותיות והם הנקודות כו׳”.
  16. 16
    ועמ״ש מענין אש בד״ה בפ׳ נסכים · לקמן פ׳ שלח מ, ב.
  17. 17
    שרפים עומדים ממעל לו · Isaiah 6:2
  18. 18
    בפרות שנשאו את הארון בימי דוד · I Samuel 7:2
  19. 19
    וישרנה הפרות · I Samuel 6:12
  20. 20
    וישרנה הפרות · Zohar, Chayei Sara 5:23–6:28
  21. 21
    וישרנה הפרות · Zohar, Terumah 20:211–22:219
  22. 22
    וישרנה הפרות כו׳ הלוך וגעו · Bereshit Rabbah 54:4
  23. 23
    מפני שנשאו הארון שהוא בחי׳ עלמא דאתגליא · בסה״מ תרכ״ו שם ע׳ סז שיכלו לומר שירה היינו מצד שהוליכו הארון שהוא בחי׳ תורה קו האמצעי המבריח מן הקצה אל הקצה לכן יכלו לומר שירה, ע״ש. וראה יהל אור ע׳ שנד.
  24. 24
    ברבות וירא ס״פ נ״ד . . ובפרק אין מעמידין דכ״ד ב׳ · ”שהשירה שאמרו הוא אז ישיר משה ובנ״י את השירה הזאת, ובמד״ר למדו זה מג״ש שנא׳ בשירה זו כי גאה גאה ונאמר בפרות הלוך וגעו, שאותיות אחה״ע מתחלפין כנודע” — ד״ה וישרנה הפרות תרכ״ו ע׳ סג. ראה אוה״ת סידור ע׳ יא ע״ש ובסה״מ תרכ״ז ע׳ מז. סה״מ תר״ל ע׳ קיח ואילך. סה״מ תרל״ה-א ע׳ קע.
  25. 25
    ובזח״א פ׳ חיי שרה דקכ״ג ובפ׳ תרומה דקל״ח ע״א · דשם פי׳ שזהו דוגמת חיות הנושאות את הכסא. — אוה״ת בשלח ע׳ תקו. וראה סידור עם דא״ח לאדה״א דף קפו, א. ובבאה״ז לאדה״א דף יג, ב. לשון הזהר נעתק באוה״ת מטות ע׳ א׳רסט, ע״ש.
  26. 26
    כנגד . . ד׳ מוצאות . . בחי׳ גיכ״ק · ראה סה״מ — תרס״ו ע׳ יב.
  27. 27
  28. 28

Cevada: o fluxo medido ¶4–5

4ב והנה השפעה והמשכה זו שנמשכת במלאכים להיות אריה שואג ושור גועה ולהיות בוערים כו׳ ועונים ואומרים קדוש כו׳

2. Ora, esse fluxo e essa emanação que se estendem aos anjos, de modo que o leão ruja e o boi muja, que eles ardam etc. e respondam dizendo “Santo” etc.,

Explicação

A segunda seção começa dando um nome ao fluxo divino descrito até aqui: o fluxo que chega aos anjos, fazendo o leão rugir e o boi mugir, inflamando-os e levando-os a responder “Santo”.

נקרא בשם שעורה כי שעורה הוא מאכל בהמה פי׳ מאכל והשפעת המלאכים הנקראים בשם בהמות וחיות פני אריה פני שור כו׳

são chamados de se’orah (cevada), pois a cevada é alimento para os animais; isto é, o alimento e o fluxo dos anjos, que são chamados pelos nomes de “bestas” e “criaturas vivas” (chayot): a face de um leão, a face de um boi etc.

Explicação

Esse fluxo é chamado “cevada” porque a cevada serve de alimento aos animais (o Talmud fala da cevada como ração para cavalos e jumentos). Os anjos são chamados “bestas” e “criaturas vivas”, pois as faces da Carruagem são um leão, um boi e assim por diante; portanto, o fluxo que os nutre é a sua “cevada”.

ונקרא שעורה על שם שעור ה׳ פי׳ שיעור ומדה הנמשך מבחי׳ הה׳ (ועמ״ש בענין בה״א [בית הלל אומרים] נברא העוה״ז [העולם הזה] בד״ה ראו כי ה׳ נתן לכם השבת)

E é chamada se’orah por alusão a shi’ur hei (a medida da hei), isto é, a medida e o limite que se estendem do nível da hei. (Veja também o que está escrito sobre o tema de “este mundo foi criado com a hei” no discurso que começa: “Vede, pois Havayá vos deu o Shabat.”)

Explicação

Uma segunda razão para esse nome: a palavra se’orah pode ser dividida em shi’ur (medida) e hei. Trata-se do fluxo medido da hei, Malchut. O parêntese remete ao discurso em Likkutei Torah, Beshalach, que trata de como este mundo foi criado com a letra hei.

והיינו בחינת היא מתהלכת בין החיות להיות בוערים ולהיות מראיהם כגחלי אש ונמשך בשיעור ומדה להתחלק לד׳ מחנות השכינה לכל אחד במדרגתו ולהיות מדרגת האחד מובדל ומופרד מחבירו

Isto é o aspecto de “ela se move entre as Chayot”, fazendo com que ardam e que “sua aparência seja como brasas de fogo”; e esse fluxo se estende em medida e limite, para ser dividido nos quatro acampamentos da Shechiná (Presença Divina), a cada um segundo seu nível, de modo que o nível de um seja distinto e separado do de seu companheiro.

Explicação

Esse fluxo medido é o que “se move entre as Chayot” e as inflama. Por chegar em medida, divide-se nos quatro acampamentos, cada qual mantido em seu próprio nível; por isso, as asas dos anjos são “separadas”.

וכן מדרגת כל אחד ואחד היא נקצבת במדה שנמדד לו מששת ימי בראשית שלכן נקראו המלאכים עומדים שעומדים כל ימיהם במדרגה אחת בלי שום גירעון ותוספת ובלי שום שינוי.

Da mesma forma, o nível de cada um deles é determinado pela medida que lhe foi estipulada desde os seis dias da Criação. Por isso os anjos são chamados “os que estão de pé”: todos os seus dias permanecem em um único nível, sem qualquer diminuição ou acréscimo e sem qualquer mudança.

Explicação

O nível de cada anjo foi fixado na Criação e nunca sobe nem desce. Por isso, o profeta Zacarias chama os anjos de “estes que estão de pé”, enquanto ao homem com quem fala são dadas “posições para caminhar” entre eles.

ושעורה בשין שמאלית כתיב מלשון וסביביו נשערה מאד וקדמונים אחזו שער (איוב י״ח כ׳ [כתב]) ודומיהם שהוא ענין רעדה כי וגבורתך ידברו וזעים וחלים מחיל כסא וכו׳

E se’orah escreve-se com um sin, com o ponto à esquerda, derivando da expressão “e ao redor d’Ele desencadeia-se uma grande tempestade (nis’arah)” e “os que vieram antes foram tomados de horror (sa’ar)” (Jó 18:20), e expressões semelhantes, que denotam tremor; pois “falam de Teu poder” e “tremem e estremecem de temor diante do Trono” etc.

Explicação

A palavra se’orah escreve-se com um sin, o que a liga a palavras que significam tempestade e estremecimento nos Salmos e em Jó. O serviço dos anjos é marcado por tremor e temor: eles “falam de Teu poder” e estremecem diante do Trono Divino.

(ועמ״ש עוד מענין שער בשמאל ושער רישיה ושער בימין זה השער בפ׳ שלח בפ׳ ציצית ע״פ אני כו׳, ומזה יובן גם כאן שאח״כ [שאחר כך] בימי ספירת העומר ממשיכים מ״ט שערי בינה הוא שער בימין בחינת חסדים כו׳).

(Veja também o que está escrito sobre o tema de se’ar com o ponto à esquerda, “e o cabelo (se’ar) de Sua cabeça”, e sha’ar com o ponto à direita, “esta é a porta (sha’ar)”, em Parshas Shelach, no trecho de tzitzit, sobre o versículo “Eu…”, etc. Com isso também se compreenderá aqui que, depois, durante os dias da Contagem do Ômer, fazemos descer os quarenta e nove portões (sha’arei) de Biná (entendimento), que é sha’ar com o ponto à direita, o nível de chassadim (bondades) etc.)

Explicação

O parêntese contrasta se’ar (“cabelo”), escrito com sin, à esquerda, com sha’ar (“portão”), escrito com shin, à direita, e remete a um discurso em Likkutei Torah, Shelach. Conclui-se que os quarenta e nove portões de Biná que descem durante a Contagem são um “portão à direita”, um fluxo de bondade, em contraste com o tremor da “cevada” dos anjos.

והנה השפעת והמשכת בחינת שעורה הנ״ל במלאכים תלויה בעבודת ישראל למטה שבזמן שבית המקדש היה קיים היו מקריבים עומר השעורים והניף הכהן את העומר ובאתערותא דלתתא

Ora, o fluxo e a emanação do nível da cevada mencionado acima, que chegam aos anjos, dependem do serviço de Israel embaixo. Pois, quando o Templo Sagrado existia, ofereciam o Ômer de cevada, e o cohen movia o Ômer; e, por meio do despertar de baixo

Explicação

A “cevada” dos anjos depende daquilo que Israel faz embaixo. Na época do Templo, isso se realizava por meio do Ômer: a oferta de cevada que o cohen movia diante de D'us.

אתעדל״ע [אתערותא דלעילא] הוא חסד עליון שע״י הארת בחינת חסד עליון מלמעלה מאור א״ס [אין סוף] ב״ה נעשה העלאת בחי׳ עומר היא בחינת עלמא דאתגליא ומקטיר הקומץ באש של מעלה כו׳,

[surge] um despertar do alto, que é o Chessed supremo: por meio da iluminação do nível do Chessed supremo, do alto, da Luz Infinita (Or Ein Sof), bendito seja Ele, ocorre a elevação do nível do Omer, que é o nível do mundo revelado, e o punhado é queimado no fogo do alto, etc.;

Explicação

Nas palavras do Zohar, um despertar de baixo suscita um despertar do alto. Aqui, trata-se do Chessed supremo que vem da Luz Infinita e eleva o Omer. Em seguida, o cohen queimava um punhado dele sobre o altar, onde era consumido pelo fogo que descia do céu.

ועי״ז נשפע בחי׳ השעורה להיות מאכל בהמה במלאכים שיהיה להם בחינת בוערים כמראה הלפידים ולהיות שואגים קדוש וברוך וימלוך כו׳.

e, por meio disso, o nível da cevada desce para servir de alimento aos animais entre os anjos, para que tenham a qualidade de “arder como a aparência de tochas” e rugirem “Santo”, “Bendito” e “Ele reinará”, etc.

Explicação

Por meio dessa oferenda, a “cevada” desce aos anjos como alimento. Ela lhes proporciona o ardor, como tochas, e seus louvores de “Santo”, “Bendito” e “Ele reinará”.

ולכן העומר בא מתרומת הלשכה שהיה לכל ישראל חלק בו להיות השפעה זו ע״י כל ישראל

Portanto, o Omer provinha da terumat halishkah (contribuição para a câmara do Templo), na qual todo Israel tinha uma parte, para que esse fluxo viesse por intermédio de todo Israel.

Explicação

Por esse motivo, o Omer era comprado com os fundos da câmara do Templo, provenientes das contribuições de todo o povo. Cada judeu tinha uma parte nele, de modo que o fluxo para os anjos vinha por intermédio de todo Israel.

כי קדש ישראל לה׳ ראשית תבואתה (בירמיה סימן ב׳ ג׳) ופירש״י [ופירש רש״י] ות״י [ותרגום יונתן] שם קדש היינו תרומה ראשית תבואתה זהו העומר והיינו

Pois “Israel é santo para Havayá, o primeiro de Seus frutos” (em Yirmiyahu, capítulo 2, versículo 3); e Rashi e o Targum Yonasan explicam ali: “santo” significa terumá; “o primeiro de Seus frutos” é o Omer. E isto é

Explicação

Yirmiyahu chama Israel de “santo para Havayá, o primeiro de Seus frutos”, e Rashi e o Targum explicam a passagem em termos da terumá e do Omer. Portanto, o próprio Israel é como a terumá e o Omer.

כי עצם נפש האלקית היא בחינת תרומה (כמ״ש ברבות פ׳ בראשית ר״פ י״ד ע״פ וייצר כו׳)

porque a própria essência da alma divina é do nível da terumá (conforme está escrito em Rabbos, Parshas Bereishis, no início do capítulo 14, a respeito do versículo “E Ele formou”, etc.),

Explicação

A própria essência da alma divina é como a terumá, a porção santa separada da produção. O Midrash, ao comentar “E Ele formou [o homem]”, chama o primeiro homem de chalá do mundo, e chalá é denominada terumá.

וגם כי תרומה גדולה ניטלת באומד ובמחשבה כמ״ש במשנה פ״ק [פרק קמא] דתרומות מ״ז ובגמרא פ״ק [פרק קמא] דגיטין (דל״א א׳) והוא ענין נשמות עלה במחשבה,

e também porque a terumá grande é separada por estimativa e por pensamento, conforme consta na Mishná, capítulo 1 de Terumos, mishná 7, e na Guemará, capítulo 1 de Gittin (folio 31a); e esta é a ideia de que “as almas surgiram no pensamento”.

Explicação

A terumá grande pode ser separada por estimativa, e até somente pelo pensamento. Isso corresponde às almas, que “surgiram no pensamento” antes da criação do mundo.

אך יש בה ג״כ מבחינת ראשית תבואתה עומר שעורים מאכל בהמה ע״ד [על דרך] מ״ש אדם ובהמה תושיע הוי׳ ופי׳ בגמרא פ״ק [פרק קמא] דחולין (דף ה׳ ע״ב)

Mas nela há também [algo] do nível de “o primeiro de Seus frutos”: o Omer de cevada, alimento para animais, conforme o sentido do que está escrito: “O homem e o animal, Tu salvas, Havayá”, que a Guemará, no capítulo 1 de Chullin (folio 5b), explica:

Explicação

A alma também tem um segundo aspecto, semelhante ao Omer de cevada, alimento para animais. O versículo “O homem e o animal, Tu salvas” alude a isso, conforme explica a Guemará em Chullin.

שמשימים את עצמם כבהמה דכאי רוח ועוד כמ״ש לקמן דבתחלה נמשך הנפש מבחינת אופנים מסטרא דבעירו דכיא כו׳ ולזאת

que eles se fazem como um animal, abatidos de espírito. E ainda, conforme será escrito adiante, a princípio a alma é atraída do nível dos Ofanim, “do lado do animal puro”, etc. E por isso

Explicação

A Guemará explica que se trata de pessoas sábias no conhecimento, que se fazem como um animal, humildes e abatidas de espírito. Além disso, conforme o maamar explicará adiante, a alma é inicialmente atraída dos Ofanim, uma categoria de anjos, “do lado do animal puro”.

הנה בחי׳ נפש האלהי׳ [האלקים] שבישראל הוא בחינת ראשית ההמשכה שעל ידה נמשך בחינת התבואה והשעורים הנ״ל לעולם המלאכים בתוספת אור וגילוי זיו המתחדש מדי שנה בכל פסח כמארז״ל [כמאמר רבותינו זכרונם לברכה] בפסח על התבואה

o nível da alma divina em Israel é o nível do primeiro fluxo descendente, por meio do qual o nível dos produtos da terra e da cevada mencionados acima é atraído ao mundo dos anjos, com um acréscimo de luz e uma revelação de brilho que se renova a cada ano, em cada Pêssach, como disseram nossos Sábios, de abençoada memória: “Em Pêssach, pelos produtos da terra.”

Explicação

Portanto, a alma divina é o “primeiro” por meio do qual a cevada flui aos anjos, trazendo-lhes luz adicional, renovada a cada Pêssach. É quando, segundo a Mishná, o mundo é julgado quanto aos produtos da terra do ano.

(ועיין בזח״א [בזהר חלק א] ויחי דרכ״ו ע״ב בפי׳ תבואתה בה״א [בית הלל אומרים]. וע׳ [ועיין] מק״מ [מקדש מלך] שם) ומתוספת וריבוי גילוי אור והזיו שבעולם המלאכים נמשך ומשתלשל למטה מטה לנפש הבהמית שבישראל (ועיין לקמן סוף הדיבור) שתתהפך מחשוכא לנהורא וכו׳

(E veja Zohar, Parte I, Vayechi, fólio 226b, sobre a explicação de “tevu’asah” (“Seus produtos”), escrito com um hei; e veja Mikdash Melech ali.) E do acréscimo e da intensificação da revelação de luz e brilho no mundo dos anjos, [a luz] é atraída e desce cada vez mais, até a alma animal em Israel (e veja abaixo, no final do discurso), para que ela se transforme de escuridão em luz, etc.,

Explicação

O Zohar observa que, naquele versículo, tevu’asah (“Seus produtos”) está escrito com um hei; segundo a nota da Kehot, isso alude ao hei final do Nome. Da luz intensificada dos anjos, um fluxo desce cada vez mais, até a alma animal, para que sua escuridão se transforme em luz.

דהיינו לשבע מדות הקדושות שממשיכים בז׳ שבועות ימי הספירה וכל אחד כלולה מז׳ כו׳ (וכמ״ש לקמן):

isto é, nas sete santas midot (atributos emocionais), que atraímos durante as sete semanas dos dias da Contagem, cada uma delas composta de sete, etc. (como está escrito abaixo).

Explicação

A alma animal é refinada nas sete santas midot, que são atraídas durante as sete semanas da Contagem, cada midá compreendendo todas as sete: quarenta e nove ao todo.

O parágrafo 4 em resumo

O parágrafo chama de “cevada” o fluxo destinado aos anjos: ele é seu alimento e é “a medida da hei”, o fluxo medido de Malchut que mantém cada anjo em seu nível fixo, e a grafia da palavra sugere tremor e temor. Esse fluxo depende da oferta do Ômer feita por Israel, pois a alma divina é “a primeira de Seus frutos”; dos anjos, ele chega à alma animal, para ser refinado nos sete atributos contados ao longo das sete semanas.

Aprofundar

A nota da Kehot cita Or HaTorah e Biurei HaZohar, do Tzemach Tzedek, sobre a observação do Zohar a respeito de tevu’asah: a hei é a hei final do Nome, que é a primeira quando se conta de baixo para cima. Isso corresponde à alma como “a primeira de Seus frutos”, o início do fluxo que vem de baixo. O discurso sobre “Vede, pois Havayá vos deu o Shabat”, ao qual o texto se refere, trata de que o Mundo Vindouro foi criado com o yud, e este mundo, com a hei.

Marei mekomot

  1. 1
    שעורה הוא מאכל בהמה · Pesachim 3b
  2. 2
    שעור ה׳ פי׳ שיעור · Zohar, Balak 6:67–78
  3. 3
    בד״ה ראו כי ה׳ נתן לכם השבת · לקו״ת פ׳ בשלח א, א.
  4. 4
    נק׳ המלאכים עומדים · Zechariah 3:7
  5. 5
    וסביביו נשערה מאד · Psalms 50:3
  6. 6
  7. 7
    וגבורתך ידברו · Psalms 145:11
  8. 8
    ושער רישי׳ · Daniel 7:9
  9. 9
    זה השער · Psalms 118:20
  10. 10
    בפ׳ שלח . . ע״פ אני · לקמן מז, א. ועיין באוה״ת ויקרא אמור ע׳ קעד.
  11. 11
    מ״ט שערי בינה · Rosh Hashanah 21b:11–12
  12. 12
    והניף הכהן את העומר · Leviticus 23:11
  13. 13
    ומקטיר הקומץ · Menachot 67b
  14. 14
    באש של מע׳ · Eruvin 63a
  15. 15
    העומר בא מתרומת הלשכה · שקלים רפ״ד.
  16. 16
    העומר בא מתרומת הלשכה · Mishnah Shekalim 4:1
  17. 17
  18. 18
    קדש היינו תרומה ראשית תבואתה זהו העומר · Rashi on Jeremiah 2:3
  19. 19
    וייצר · Bereshit Rabbah 14:1
  20. 20
    תרומה גדולה ניטלת באומד ובמחשבה · Gittin 31a:1–2
  21. 21
    נשמות עלה במחשבה · Bereshit Rabbah 1:5
  22. 22
    נשמות עלה במחשבה · Bereshit Rabbah 1:4
  23. 23
    אדם ובהמה תושיע ה׳ · Psalms 36:7
  24. 24
  25. 25
    כמארז״ל בפסח על התבואה · ר״ה פ״א, מ״ב.
  26. 26
    בפסח על התבואה · Mishnah Rosh Hashanah 1:2
  27. 27
    ועיין בזח״א ויחי דרכ״ו ע״ב · ”תבואת ה׳ כתיב רמיז לה׳ אחרונה דשם” — אוה״ת אמור ע׳ קסג. וראה גם ביאה״ז להצ״צ-א ע׳ שפא. ע׳ שפג” ר״ל ה׳ אחרונה דשם שהיא קדמאה מלמטה למעלה”. וראה גם ביהל אור ע׳ רעא.
  28. 28
    בפי׳ תבואתה בה״א · Zohar, Vayechi 33:347–34:356
  29. 29
    ובאתדל״ת אתעדל״ע · Zohar II, 135b
  30. 30
  31. 31

5ג והנה כל זה הוא בחינת שעורה שמתגלה בפסח ראשית קצירכם שהוא ענין השגת הנפש בחי׳ גילוי אור א״ס [אין סוף] ב״ה בעלמא דאתגליא איך הוא ממכ״ע [ממלא כל עלמין] וסכ״ע [וסובב כל עלמין] וכו׳ לכל נפש כפי אשר תוכל שאת השגתה.

3. Ora, tudo isso é o nível da cevada, que se revela em Pessach, “o início de vossa colheita”: isto é, a compreensão da alma quanto ao nível da revelação da Luz Infinita (Or Ein Sof), bendito seja Ele, no mundo revelado — como ela preenche todos os mundos (memalê kol almin) e circunda todos os mundos (sovev kol almin), etc. — para cada alma na medida em que ela é capaz de suportar em sua compreensão,

Explicação

A terceira seção resume: “cevada”, revelada em Pessach, é compreensão. A alma apreende a Divindade tal como ela se manifesta no mundo revelado: como a Luz Infinita preenche e circunda todos os mundos, cada alma na medida de sua capacidade de apreensão.

כאשר יעמיק האדם בדעתו ויתבונן בגדולתו ית׳ כל חד לפום שעורא דיליה (וע׳ [ועיין] בפי׳ קצירה במא״א [במאורי אור] אות ק׳ סל״ב ועמ״ש בד״ה והי׳ [והיה] מספר בנ״י [בני ישראל] לידת המוחין כו׳).

quando a pessoa aprofunda sua reflexão e contempla a grandeza de D'us, bendito seja, “cada um segundo a sua própria medida (shi’ura)”. (E veja a explicação de ketzirá (colheita) em Me’orei Or, letra kuf, seção 32; e veja o que está escrito no discurso que começa “E será o número dos filhos de Israel”, sobre o nascimento do intelecto (mochin), etc.)

Explicação

Isso ocorre quando a pessoa contempla profundamente a grandeza de D'us, “cada um segundo a sua própria medida”, nas palavras do Zohar; a palavra para medida, shi’ura, faz eco a se’orah, cevada. O parêntese remete a Me’orei Or sobre “colheita”, que, conforme cita a nota da Kehot, chama a colheita de nascimento das almas por Malchut, e ao discurso “E será o número dos filhos de Israel”, anteriormente em Likkutei Torah, Bamidbar.

אך בשבועות הוא גילוי בחינת חטה שהוא גילוי מה שלמעלה מהדעת והשגה וכמארז״ל [וכמאמר רבותינו זכרונם לברכה] עץ הדעת חטה היתה שאין התינוק יודע לקרות אבא עד שיטעום כו׳

Mas em Shavuot há a revelação do nível do trigo, que é a revelação daquilo que está acima do conhecimento (Daat) e da compreensão, conforme disseram nossos Sábios, de abençoada memória: “A Árvore do Conhecimento era trigo”, pois “um bebê não sabe chamar ‘Abá’ (pai) até provar”, etc.

Explicação

Shavuot revela o “trigo”: aquilo que está acima do conhecimento e da compreensão. Os Sábios disseram que a Árvore do Conhecimento era trigo, pois um bebê ainda não consegue dizer “Abá” até provar o sabor do grão.

שידיעת התינוק שקורא אבא ואימא אינה ידיעה נגלית בהשגה והבנה המושכלת בטעם מושג ומובן שהרי אינו יודע איך הוא אביו ולמה צריך לאהוב אותו

Pois o conhecimento do bebê, quando chama “Abá” e “Imá”, não é um conhecimento revelado, acompanhado de compreensão e entendimento intelectual por meio de uma razão apreendida e compreendida; pois ele não sabe de que modo aquele é seu pai, nem por que deve amá-lo.

Explicação

O conhecimento que um bebê tem de seu pai não é uma questão de entendimento. Ele não consegue explicar de que modo aquele é seu pai nem por que deveria amá-lo.

אלא שקורא אבא מפני שנפשו קשורה בנפש אביו בלי שום טעם ודעת ולא עוד אלא שההתקשרות ההוא חזק מאד שיש לו געגועים אחר אביו וקשה עליו פרידתו עד שגועה בבכיה ונותן את נפשו ממש בבכייתו.

Em vez disso, chama-o “Abá” porque sua alma está ligada à alma de seu pai, sem qualquer razão ou conhecimento. Além disso, esse vínculo é muito forte: ele sente saudades do pai, e a separação dele lhe é difícil, até que irrompe em choro e entrega a própria alma ao chorar.

Explicação

Ele chama “Abá” porque sua alma está ligada à alma de seu pai, acima de qualquer razão, como diz a Torá a respeito de Yaakov e Binyamin: uma alma estava ligada à outra. O vínculo é tão forte que ele sente saudades do pai e chora inconsolavelmente quando estão separados.

O parágrafo 5 em resumo

O parágrafo contrasta os dois grãos. A cevada, revelada em Pessach, é a compreensão da Divindade, medida segundo a capacidade de apreensão de cada pessoa. O trigo, revelado em Shavuot, é um conhecimento acima do intelecto, como o vínculo de um bebê com seu pai: não se baseia em razão, mas é muito forte.

Aprofundar

A nota da Kehot traz o comentário de Or HaTorah de que “colheita” aqui também significa a luz que é atraída para a compreensão revelada da alma, e que a Guemará, no final do quarto capítulo de Sukkah, fala da colheita como a recompensa que é atraída para baixo.

Marei mekomot

  1. 1
    ראשית קצירכם . . שעו״ד · נמצא מפרש ג״כ קציר מה שנמשך האור בגילוי בהשגת הנפש, וכ״מ בגמרא ספ״ד דסוכה דקצירה זהו השכר הנמשך — אוה״ת ויקרא-א ע׳ קנח. וראה שם בכרך-ב ע׳ תקפח.
  2. 2
    ראשית קצירכם · Leviticus 23:10
  3. 3
    כל חד לפום שיעורא דילי׳ · Zohar I, 103b
  4. 4
    במאו״א א׳ ק׳ סל״ב · ”קצירה נק׳ לידת המל׳ את הנשמות כי הזריעה היא הורתן והקצירה לידתן” — אוה״ת ויקרא-א ע׳ קנח. וראה שם ע׳ קצח. שם כרך-ב ע׳ תקפח.
  5. 5
    בד״ה והי׳ מספר בנ״י · לעיל ה, ד .
  6. 6
    עה״ד חטה היתה שאין התינוק · Berakhot 40a:14
  7. 7

Trigo: a revelação de “Eu, que sou Eu” ¶6–9

6והיינו מפני שהדעת ההוא שנתחדש בתינוק מחמת החטה הוא ענין גילוי הדעת הנעלם שלמעלה מעלה מן הדעת המושג והמובן ולכן ההתקשרות שלו חזקה מאד עד מיצוי הנפש ממש,

Isso se deve ao fato de que aquele conhecimento (Daat), recém-formado no bebê por causa do trigo, é uma revelação do conhecimento oculto, muito, muito acima do conhecimento que pode ser apreendido e compreendido; por isso, seu vínculo é muito forte, a ponto de ocorrer uma verdadeira efusão da alma.

Explicação

O Alter Rebe explica por que o vínculo do bebê é tão forte. O conhecimento que o trigo desperta nele é um “conhecimento oculto”, superior ao conhecimento apreendido pela mente; por isso, o vínculo chega ao ponto em que a alma se derrama.

כי אהבה זו נפלאתה מאד מכאשר תוכל הנפש שאת השגתה ואין כח בנפש לכלוא את הרוח האהבה שיסודתה ושרשה שממנה לוקחה הוא הדעת הנעל׳ [הנעלם] שהוא עליון וגבוה מהדעת המתפשט בכחות הנפש והשגתה

Pois esse amor é extraordinariamente maravilhoso, além do que a alma é capaz de suportar em sua compreensão, e a alma não tem força para conter o espírito do amor, cuja base e raiz, de onde se origina, é o conhecimento oculto, mais elevado e sublime do que o conhecimento que se estende às faculdades da alma e à sua compreensão;

Explicação

Um amor como esse está além de tudo o que a alma pode compreender, e ela não consegue contê-lo. Sua raiz é o conhecimento oculto, que está acima do conhecimento que se estende às faculdades da alma.

אלא הוא גילוי בחינת ההעלם עצמו להיות ביטול כחות הנפש שתהא הנפש נכספה וגם כלתה כו׳

mas é uma revelação do próprio nível do oculto, de modo que as faculdades da alma sejam anuladas, e que a alma anseie e até desfaleça etc.

Explicação

O que se revela é o próprio oculto; por isso, as faculdades da alma se anulam diante dele. A alma “anseia e até desfalece”, nas palavras do Salmo.

(ועמ״ש מענין פי׳ מוחין דאבא שלמעלה מדעת המושג בד״ה להבין מ״ש בהגדה מצה זו כו׳).

(E veja o que está escrito sobre o significado dos mochin de Abá, que estão acima do conhecimento apreendido, no discurso que começa: “Para compreender o que está escrito na Hagadá: ‘Esta matsá’” etc.)

Explicação

O parêntese remete a um discurso em Likkutei Torah, Tzav, sobre “Esta matsá”, da Hagadá. Ele explica que os mochin de Abá — o intelecto de Chochmá — estão acima do conhecimento apreendido.

והנה ככל הדברים האלה וככל המשל הזה כך הוא ענין גילוי בחי׳ חטה בשבועות ע״י מתן תורה שעל כל דבור פרחה נשמתן

Ora, de acordo com tudo o que foi dito e com toda essa analogia, assim também é a revelação do nível do trigo em Shavuot, por meio da Outorga da Torá, quando “a cada declaração, suas almas voaram para fora”;

Explicação

O “trigo” de Shavuot é como o conhecimento do bebê. Na Outorga da Torá, como afirma o Talmud, a cada declaração de D'us, as almas do povo voavam para fora deles.

והיינו בחי׳ מסירת נפש למסור נפשו באחד מחמת גילוי בחי׳ אנכי מי שאנכי הוא בחי׳ עצמותו ומהותו שאינו בגדר תפיסא והשגה כלל דלית מחשבה תפיסא בי׳ [ביה] כלל.

isto é, o nível do autossacrifício (mesirut nefesh): entregar a própria alma ao declarar “Um”, em virtude da revelação do nível de “Eu (Anochi), Quem Eu sou”, que é o nível da essência e do ser de D'us, não sujeito de modo algum aos limites da apreensão e da compreensão, pois “nenhum pensamento pode apreendê-Lo” de modo algum.

Explicação

Isso é autossacrifício: a disposição de entregar a própria alma ao declarar D'us “Um” no Shemá. Ele decorre da revelação de “Eu (Anochi), Quem Eu sou”, a própria essência de D'us, que, nas palavras do Tikkunei Zohar, “nenhum pensamento pode apreender de modo algum”.

O parágrafo 6 em resumo

O parágrafo explica o “trigo” como a revelação de um conhecimento oculto, superior ao intelecto, que desperta um amor além da compreensão e diante do qual as faculdades da alma se anulam. Foi isso que ocorreu no Sinai: a revelação da essência de D'us, “Eu, Quem Eu sou”, fez as almas do povo voarem para fora; esse é o nível do autossacrifício.

Aprofundar

O discurso em Likkutei Torah, Tzav, ao qual o texto se refere, relaciona a matsá de Pêssach com os mochin de Abá e transmite o mesmo ensinamento: um bebê não consegue chamar “Abá” até provar o gosto do grão. Sobre entregar a alma ao declarar “Um”, a nota da Kehot remete às responsa do Rashba, ao Bach sobre o Tur (Orach Chaim, início da seção 61) e a Pri Etz Chaim (Sha’ar Kerias Shema, capítulo 12).

Marei mekomot

  1. 1
    נכספה וגם כלתה · Psalms 84:3
  2. 2
    מענין — בד״ה להבין מ״ש בהגדה · לעיל צו יב, ב.
  3. 3
    כי הנה מצרים למעלה · ראה לקו״ש חי״ח ע׳ 428.
  4. 4
    שעל כל דבור פרחה נשמתן · Shabbat 88b:6–7
  5. 5
    למסור נפשו באחד · ראה שו״ת הרשב״א ח״ה, נה. ב״ח טור או״ח רסס״א. פע״ח ש׳ הק״ש פי״ב.
  6. 6
    דלית מחשבה תפיסא בי׳ · ת״ז בהקדמה (פתח אלי׳ ואמר).
  7. 7
    דלית מחשבה תפיסא בי׳ כלל · Tikkunei Zohar 17a:10–12

7ובזה יובן מ״ש אנכי ה׳ אלהיך אשר הוצאתיך מארץ מצרים. ולכאורה אין זה שבח ומעלה כ״כ [כל כך] לפני המקום שהיה הוצאת יש מיש.

Com isso, podemos compreender o que está escrito: “Eu sou Havayá, teu D'us, que te tirei da terra do Egito.” À primeira vista, isso não constitui um louvor e uma distinção tão grandes diante do Onipresente, pois foi a retirada de algo de algo.

Explicação

O maamar volta-se agora ao primeiro dos Dez Mandamentos. Tirar Israel do Egito parece um feito menor do que criar o mundo: deslocou um povo que já existia de um lugar para outro — “algo de algo”.

והלא גדלה מעלתו אשר עשה שמים וארץ שבריאתם הוא יש מאין וגם שמים לרום וארץ לעומק וכו׳.

Afinal, é maior a Sua distinção por ter feito o céu e a terra, cuja criação é algo do nada, e também “os céus para a altura e a terra para a profundidade”, etc.

Explicação

Criar o céu e a terra do nada, vastos em altura e profundidade, parece ser um louvor maior. Por que, então, D'us Se apresenta no Sinai por meio do Êxodo?

אך יובן עם הנ״ל כי הנה מצרים למעלה הוא מצר ים דהיינו מה שים החכמה הוא בבחי׳ מצר וגבול בגדר השגת הנבראים בגדולתו ית׳ והיינו בגילוי זיו והארתו הודו על ארץ ושמים כו׳.

Isso, porém, será compreendido à luz do que foi dito acima. Pois, no Alto, Mitsráyim (Egito) é meitzar yam (o estreito do mar): isto é, o mar de Chochmá (sabedoria) encontra-se num estado de estreiteza e limite, dentro dos limites da compreensão das criaturas acerca de Sua grandeza, bendito seja; e isso se dá na revelação de Seu esplendor e de Sua luz, “Sua majestade está sobre a terra e os céus”, etc.:

Explicação

No Alto, “Mitsráyim” é interpretado como meitzar yam, “o estreito do mar”. O “mar” ilimitado de Chochmá é estreitado para se ajustar àquilo que as criaturas conseguem apreender da grandeza de D'us: Seu esplendor, que brilha sobre a terra e os céus.

איך שהוא ממלא כל עלמין וסובב כל עלמין וכו׳, אבל בהתגלות אנכי מי שאנכי הרי הוצאתיך מארץ מצרים למעלה מעלה מגדר ההשגה

como Ele preenche todos os mundos (memalê kol almin) e circunda todos os mundos (sovev kol almin), etc. Mas, com a revelação de “Eu, que sou quem sou”, “Eu te tirei da terra do Egito”: muito, muito acima dos limites da compreensão.

Explicação

Mesmo a compreensão de como D'us preenche e circunda todos os mundos ainda constitui esse “estreito”. A revelação de “Eu, que sou quem sou” — a essência de D'us — tirou Israel dele, muito além dos limites da compreensão; nisso ela supera a criação do mundo.

וכן יש בחי׳ מצרים למטה כשהאדם בבחי׳ מצר וגבול כל אחד לפי מה שהוא נתון בתוך מאסר הגוף המגבילו שלא לצאת חוץ לגדרו וגבולו.

Da mesma forma, há um nível de Mitsráyim embaixo: quando a pessoa se encontra num estado de estreiteza e limite, cada qual segundo sua condição, encerrada na prisão do corpo, que a restringe para que não ultrapasse seus limites.

Explicação

Embaixo, cada pessoa tem seu próprio “Mitsráyim”: o corpo, como uma prisão, restringe-a aos seus limites; e o grau dessa restrição varia de uma pessoa para outra.

משא״כ בהגלות נגלות בנפשו בחי׳ אנכי מי שאנכי אזי תכסוף ותכלה אליו לצאת מנרתיקה הוא מאסר הגוף במסירת נפש ממש למסור נפשו באחד וזהו מעלת ומדרגת בעל תשובה כו׳.

Mas, quando o nível de “Eu, que sou quem sou” se revela verdadeiramente em sua alma, ela então anseia e desfalece por Ele, para sair de sua bainha — que é a prisão do corpo — com autossacrifício efetivo, entregando a própria alma ao proclamar “Um”; e essa é a distinção e o grau do baal teshuvá (aquele que retorna), etc.

Explicação

Quando “Eu, que sou quem sou” se revela em sua alma, ela anseia por sair da “bainha” do corpo, com autossacrifício, ao proclamar “Um” no Shemá. Essa é a grandeza especial do baal teshuvá, que, segundo o Talmud, ocupa um lugar ao qual nem mesmo os justos completos podem chegar.

O parágrafo 7 em resumo

O parágrafo explica por que “que te tirei do Egito” é um grande louvor a D'us. “Egito” representa todo limite da compreensão das criaturas, e a revelação da essência de D'us no Sinai elevou Israel para além dele. Na pessoa, o Egito é o confinamento do corpo, rompido pelo anseio ao autossacrifício — o nível do baal teshuvá.

Aprofundar

O Talmud (Berakhot 34b), citado na nota da Kehot, demonstra a grandeza dos baalei teshuvá com base em “Paz, paz, ao distante e ao próximo”: aquele que estava distante é saudado primeiro. O mesmo versículo é o tema do discurso mencionado no parágrafo seguinte.

Marei mekomot

  1. 1
    שמים לרום וארץ לעומק · Proverbs 25:3
  2. 2
    הודו על ארץ ושמים · Psalms 148:13
  3. 3
    מעלת ומדריגת בע״ת · Berakhot 34b
  4. 4
    אנכי ה״א · Exodus 20:2

8ולכן במתן תורה היו רואים את הנשמע ושומעין את הנראה דהיינו מה שהיה בבחי׳ שמיעה מרחוק

Portanto, na Outorga da Torá, “viram o que é ouvido e ouviram o que é visto”: isto é, aquilo que estivera no nível da audição à distância,

Explicação

No Sinai, segundo a Mechilta, “viram o que é ouvido e ouviram o que é visto”. A audição representa o conhecimento à distância, o conhecimento daquilo que não se pode ver.

שהוא בחי׳ ההעלם בא לידי גילוי וראיה ומה שהיה בבחי׳ ראיה והשגה נסתלק למקורו לבחי׳ ההעלם בחינת שמיעה לפי שאז היה גילוי ההעלם עצמו כנ״ל (ועמ״ש בד״ה וידעת היום בענין שלום שלום לרחוק ולקרוב).

que é o nível do oculto, veio à revelação e à visão; e aquilo que estivera no nível da visão e da compreensão retirou-se para sua fonte, para o nível do oculto, o nível da audição; pois então houve a revelação do próprio oculto, como mencionado acima. (E veja o que está escrito no discurso que começa “E saberás neste dia”, sobre o tema de “Paz, paz, ao distante e ao próximo”.)

Explicação

Aquilo que estava oculto, conhecido apenas pela audição, tornou-se revelado como visão; e aquilo que fora visto e compreendido retirou-se para o oculto, porque então o próprio oculto foi revelado. O parêntese se refere ao discurso “E saberás neste dia”, em Likkutei Torah, Va’eschanan, sobre “Paz, paz, ao distante e ao próximo”.

והנה בחי׳ ומדרגה זו נמשכה לישראל במתן תורה שנתינת התורה היא גילוי בחי׳ זו שהתורה והמצות הם נמשכין מאור א״ס [אין סוף] ב״ה עצמו ממש מבחי׳ ההעלם

Ora, este nível e grau foi transmitido a Israel na Outorga da Torá, pois a entrega da Torá é a revelação deste nível: a Torá e as mitsvot provêm da própria Luz Infinita (Or Ein Sof), bendito seja Ele, verdadeiramente, do próprio nível do oculto

Explicação

Este nível foi transmitido a Israel por meio da Outorga da Torá, pois a Torá e as mitsvot provêm da própria Luz Infinita, do oculto.

עצמו שלמעלה מעלה מבחי׳ הארה שבירידת המדרגות וסדר ההשתלשלות בעלמא דאתגלייא כי התורה והמצות עליהם נאמר אם בחקותי תלכו בחי׳ אותיות שבחקיקה כו׳ כמ״ש במ״א.

que está muito, muito acima do nível da irradiação presente na descida dos níveis e na ordem da cadeia descendente dos mundos (hishtalshelut), no mundo revelado. Pois sobre a Torá e as mitsvot foi dito: “Se caminhardes nos Meus estatutos (bechukotai)”, o nível das letras gravadas (chakikah), etc., como explicado em outro lugar.

Explicação

Elas não provêm da irradiação que desce através da cadeia dos mundos até o mundo revelado. Por isso se diz a respeito delas: “Se caminhardes nos Meus estatutos”; a palavra para estatutos (chukim) sugere letras gravadas (chakikah), que são uma só coisa com aquilo em que são gravadas, como explica outro discurso.

הגם שמלובשים בענינים גשמיים מ״מ [מכל מקום] הרי אור א״ס [אין סוף] ב״ה עצמו מלובש בהם כמו עד״מ [על דרך משל] הנשמה שמתלבשת בגוף וכח הראיה שבמוח מלובש בעין וכח השמיעה המלובש באזן גשמי שהעין והאזן עם היותם

Embora estejam revestidas de coisas físicas, ainda assim a própria Luz Infinita, bendito seja Ele, está revestida nelas; como, a título de analogia, a alma que se reveste no corpo, e a faculdade da visão no cérebro, que está revestida no olho, e a faculdade da audição, revestida no ouvido físico: pois o olho e o ouvido, embora sejam

Explicação

Embora as mitsvot estejam revestidas de coisas físicas, a própria Luz Infinita está revestida nelas. É como a alma no corpo, ou as faculdades da visão e da audição do cérebro, que estão revestidas no olho e no ouvido físicos.

גשמים נעשים כלים להיות פועל בהם כח הראיה והשמיעה שבמוח לצאת מן ההעלם אל הגילוי כך התורה והמצות הם בחי׳ כלים לאור א״ס [אין סוף] ב״ה המלובש בהם שבהם ועל ידם מתגלה אור א״ס [אין סוף] ב״ה בגילוי ממש.

físicos, tornam-se recipientes para que a faculdade da visão e da audição no cérebro atue neles e passe do ocultamento à revelação. Assim, a Torá e as mitsvot são recipientes para a Luz Infinita, bendito seja Ele, que está revestida nelas, de modo que nelas e por meio delas a Luz Infinita, bendito seja Ele, se revela de fato, em revelação manifesta.

Explicação

O olho e o ouvido, embora físicos, tornam-se recipientes por meio dos quais as faculdades do cérebro atuam e passam à revelação. Do mesmo modo, a Torá e as mitsvot são recipientes nos quais a própria Luz Infinita se revela verdadeiramente.

O parágrafo 8 em resumo

No Sinai, a visão e a audição foram trocadas, o que demonstra que o próprio oculto foi revelado. Essa revelação permanece com Israel na Torá e nas mitsvot, que provêm da própria Luz Infinita, e não da cadeia dos mundos, e que, como o olho e o ouvido, são recipientes nos quais essa Luz se revela de fato.

Aprofundar

A nota da Kehot (baseada em Likkutei Sichos) observa que, na formulação da Mechilta, “viram” parece referir-se apenas ao que é ouvido, e “ouviram” apenas ao que é visto, conforme este maamar a interpreta. Outra passagem de Likkutei Torah (Haazinu) e o maamar “Vechol ha’am”, de 5704, indicam, em vez disso, que eles viram e ouviram tanto o que é visto quanto o que é ouvido.

Marei mekomot

  1. 1
    רואים את הנשמע · מכילתא יתרו רפ״ט.
  2. 2
    רואים את הנשמע ושומעין את הנראה · Mekhilta DeRabbi Yishmael, Tractate Bachodesh 9:1
  3. 3
    בד״ה וידעת היום · לקו״ת ואתחנן ח, א.
  4. 4
    שלום שלום לרחוק ולקרוב · Isaiah 57:19
  5. 5
    אם בחקותי תלכו · Leviticus 26:3
  6. 6
    בחי׳ אותיות שבחקיקה כו׳ כמ״ש במ״א · ראה לעיל פ׳ בחקותי מה, א.
  7. 7
    הלשון במכילתא היא · רואין ושומעין הנראה. משמע ש”רואין” קאי רק על הנשמע, ו”שומעין” רק על הנראה וכן מוכח בלקו״ת במדבר י, ג. סה״מ — תרכ״ט ע׳ קצח. ד״ה שלח תער״ב. ועוד. (אבל בלקו״ת האזינו (עז, ג) משמע (וכ״ה בד״ה וכל העם תש״ד פ״ג) שהיו רואין ושומעין בין הנראה ובין הנשמע). — לקו״ש ח״ו ע׳ 120 הערה 6.

9וזהו בחי׳ שתי הלחם שהיו מקריבין מחטה בשבועות כי חטה היא בחי׳ כ״ב אתוון דאורייתא ושתי הלחם על שם הפסוק לכו לחמו בלחמי וגו׳ [וגומר]

E este é o nível dos Dois Pães, que eram oferecidos de trigo em Shavuot; pois o trigo (chitá) é o nível das vinte e duas letras da Torá, e os Dois Pães [são assim chamados] por causa do versículo: “Vinde, comei (lachmu) do Meu pão (lachmi)”, etc.

Explicação

Os Dois Pães de trigo oferecidos em Shavuot expressam isso. A palavra chitá (trigo) tem valor numérico vinte e dois (chet 8, tet 9, hei 5), o número das letras da Torá, e o Zohar chama o trigo de expressão geral e coletiva das vinte e duas letras. Os pães evocam o versículo em que a sabedoria convida: “Vinde, comei do Meu pão”.

פי׳ לחמו אתם לחם תורתכם בלחמי דוקא דהיינו להיות גילוי תורתו בחי׳ אנכי מי שאנכי.

Isto é, “lachmu”: comei, vós, o pão da vossa Torá “do Meu pão”, especificamente; ou seja, que a revelação da Sua Torá seja o nível de “Eu, Quem Eu sou”.

Explicação

“Comei do Meu pão” significa que a Torá estudada por uma pessoa deve ser “Meu pão”, o próprio pão de D'us. Nela se revela “Eu, Quem Eu sou”, a essência de D'us.

וכמ״ש והיו הדברים האלה אשר אנכי מצוך וגו׳ [וגומר]. והיינו ע״י בחי׳ לכו. וכמ״ש אם בחקתי תלכו

Como está escrito: “E estas palavras, que Eu (Anochi) te ordeno”, etc. E isso se dá por meio do nível de “Vinde (lechu)”. Como está escrito: “Se andardes (telechu) nos Meus estatutos”,

Explicação

Assim, o versículo diz: “estas palavras, que Eu (Anochi) te ordeno”: a palavra Anochi alude ao fato de que as palavras da Torá contêm “Eu, Quem Eu sou”. Isso se alcança por meio de “Vinde” (lechu), isto é, por meio de andar, como em “Se andardes (telechu) nos Meus estatutos”.

דהיינו להיות בבחי׳ הליכה מן המקום אשר עמד שם ולמסור נפשו באחד וכמ״ש שמע ישראל וגו׳ [וגומר] ה׳ אחד. והיו הדברים וגו׳ [וגומר]:

isto é, estar no nível de andar para além do lugar em que se estava e entregar a própria alma em “Um”, como está escrito: “Ouve, Israel, etc., Havayá é Um. E estas palavras serão”, etc.

Explicação

“Andar” significa sair do lugar em que se estava, sem permanecer no nível atual, e entregar a própria alma em “Um”, na Shemá. Logo depois da Shemá vem “E estas palavras serão”: a Torá que contém a essência de D'us.

O parágrafo 9 em resumo

Os Dois Pães de trigo representam as vinte e duas letras da Torá, por meio das quais se revela a essência de D'us, “Eu, Quem Eu sou”. Alcança-se isso ao “andar” para além do próprio nível atual e ao entregar a própria alma em “Um”, na Shemá.

Aprofundar

A respeito do trigo como as vinte e duas letras, a nota da Kehot também remete a Ta’amei HaMitzvos do Arizal (início de Emor) e a Pri Etz Chaim (Sha’ar Chag HaShavuos, capítulo 1). A passagem do Zohar ali citada (Balak) também explica a cevada como “a medida do hei”, a mesma interpretação apresentada acima na segunda seção.

Marei mekomot

  1. 1
    חטה היא בחי׳ כ״ב אתוון · Zohar III, 188b
  2. 2
    לכו לחמו בלחמי · Proverbs 9:5
  3. 3
    אנכי מי שאנכי · ראה ס׳ מאמרי אדה״ז — פרשיות ע׳ רט. וש״נ.
  4. 4
    והיו הדברים האלה · Deuteronomy 6:6
  5. 5
    אם בחקתי תלכו · Leviticus 26:3
  6. 6
    שמע ישראל · Deuteronomy 6:4

A Contagem e o quinquagésimo portão ¶10–11

10ד אך כדי להגיע למעלה ומדרגה זו להיות בחי׳ גילוי אנכי מי שאנכי בשבועות זמן מתן תורתנו צריך לספור ספירת העומר והוא שהכתוב אומר תספרו חמשים יום כי

4. Mas, para alcançar essa distinção e esse nível — que haja o nível da revelação de “Eu, que sou Eu” em Shavuot, “o tempo da Entrega da nossa Torá” — é preciso contar a Contagem do Ômer. E é isso que o versículo diz: “contareis cinquenta dias”. Pois

Explicação

A quarta seção retorna à pergunta inicial. Para alcançar a revelação de “Eu, que sou Eu” em Shavuot, é necessária a Contagem do Ômer; esse é o sentido de “contareis cinquenta dias”.

הנה נ׳ שערי בינה שהוא ענין גילוי אור א״ס [אין סוף] ב״ה להיות בחי׳ התבוננות בגדולת א״ס [אין סוף] ב״ה הם מ״ט בחינות והם מרומזים בפסוק לך ה׳ הגדולה וגו׳ [וגומר]

os cinquenta portões de Biná (entendimento), que são a revelação da Luz Infinita (Or Ein Sof), bendito seja Ele, para que haja contemplação da grandeza do Infinito (Ein Sof), bendito seja Ele, são quarenta e nove níveis, e estão aludidos no versículo: “Tua, Havayá, é a grandeza”, etc.,

Explicação

Os “cinquenta portões de Biná” são os caminhos de contemplação da grandeza de D'us, o entendimento por meio do qual a Luz Infinita é revelada à mente. Quarenta e nove deles estão insinuados no versículo “Tua, Havayá, é a grandeza, o poder, a beleza...”, que enumera os sete atributos.

שהם ז׳ מדות עליונות וכל אחד כלול מז׳ הרי מ״ט ושער החמשים הוא שער העליון הכולל כל הבחינות שבשער ההוא כלולים כל המ״ט בחינות והיו לאחדים באחדות אחד ואינן ענפין מתפרדין

que são os sete atributos superiores (midot), cada um composto de sete; assim, são quarenta e nove. E o quinquagésimo portão é o portão supremo, que inclui todos os níveis: nesse portão, os quarenta e nove níveis estão incluídos e “tornam-se um” numa unidade única, e não são “ramos que se separam”

Explicação

Sete atributos, cada um incluindo os sete, somam quarenta e nove. O quinquagésimo portão está acima de todos eles e inclui a todos: nele, os quarenta e nove são um, não ramos separados.

כמו למטה (וז״ל [וזה לשונו] הע״ח [העץ חיים] שער א״א [אריך אנפין] פי״ד [פרק י״ד / פרשה י״ד] ויש שער נ׳ הכולל כל המ״ט כו׳ וכ״ה בהרמ״ז [בהרב משה זכות] פ׳ אמור בדף צ״ו ע״ב ובפ׳ פנחס בדף רנ״ג ע״א ובפ׳ בראשית בדף ח׳ ע״א בד״ה אזדמנת למהוי.

como acontece abaixo. (Estas são as palavras de Etz Chaim, Sha’ar Arich Anpin, capítulo 14: “E há um quinquagésimo portão, que inclui todos os quarenta e nove”, etc. E assim também consta no Ramaz, Parshas Emor, fólio 96b, e Parshas Pinchas, fólio 253a, e Parshas Bereishis, fólio 8a, no comentário que começa “Izdamnas lemehevei”.

Explicação

Abaixo, os níveis se ramificam e ficam separados uns dos outros. O parêntese cita Etz Chaim e o comentário do Ramaz sobre o Zohar a respeito do quinquagésimo portão, que inclui os quarenta e nove.

וכן הוא ג״כ באריכות בפרדס שער השערים פ״ה) והשער ההוא הוא שער המחבר כל המ״ט שערים למקורן ושרשן במאצילן ב״ה

E assim também consta extensamente no Pardes, Sha’ar HaShe’arim, capítulo 5.) E esse portão é o que une todos os quarenta e nove portões à sua fonte e raiz em seu Emanador, bendito seja Ele,

Explicação

O Pardes discute o mesmo tema extensamente. O quinquagésimo portão une os quarenta e nove portões à sua raiz em D'us, seu Emanador.

כי בו ועל ידו נמשך גילוי בחי׳ אנכי מי שאנכי הוא בחי׳ עצמיות אור א״ס [אין סוף] ב״ה לכל המ״ט שערים

pois nele e por meio dele é atraída a revelação do nível de “Eu, que sou Eu”, que é o nível da própria essência da Luz Infinita, bendito seja Ele, a todos os quarenta e nove portões.

Explicação

Por meio do quinquagésimo portão, a própria essência da Luz Infinita, “Eu, que sou Eu”, chega aos quarenta e nove portões.

(ע׳ [עיין] בפרדס שם פ״ז [פרק ז׳] בשם הת״ז [התיקוני זהר] והוא סוף תיקון כ״ב כ״ע [כתר עליון] איהו שלימו דחמשין שערי בינה כו׳ וכ״ה בע״ח [בעץ חיים] שם ועיין לעיל בפ׳ יתרו בד״ה מראיהם ומעשיהם)

(Veja o Pardes, ali, capítulo 7, em nome do Tikkunei Zohar; encontra-se no fim do Tikkun 22: “Kéter Elyon (a Coroa Suprema) é a conclusão dos cinquenta portões de Biná”, etc. Assim também consta em Etz Chaim, ali. E veja acima, em Parshas Yisro, no discurso que começa “Sua aparência e suas ações”.)

Explicação

O Tikkunei Zohar ensina que Kéter, a Coroa Suprema, é a conclusão dos cinquenta portões de Biná; portanto, o quinquagésimo portão alcança aquilo que está acima do intelecto. O texto também remete a um discurso sobre Parshas Yisro (em Torah Ohr).

ולכך כתיב תספרו חמשים יום להיות אחוזים בשער החמשים שבו ועל ידו יהיה גילוי אנכי וספירה זו היא המשכה למטה לבחי׳ עומר השעורים שיהא גילוי אנכי גם בבחי׳ עומר השעורים למטה.

Por isso está escrito: “contareis cinquenta dias”, para estar ligado ao quinquagésimo portão, no qual e por meio do qual haverá a revelação de “Eu” (Anochi). E essa Contagem é uma atração para baixo, até o nível do Ômer de cevada, para que haja a revelação de “Eu” também no nível do Ômer de cevada abaixo.

Explicação

É por isso que a Torá diz “contareis cinquenta dias”: por meio da contagem, a pessoa se liga ao quinquagésimo portão, por meio do qual “Eu” é revelado. A Contagem atrai essa revelação para baixo, até o nível do Ômer de cevada.

כי הנה כל אדם יש לו נפש החיונית שהיא הבהמיות מבחי׳ בהמה וגם נפש אלהית כד אתיליד יהבין ליה נפשא מסטרא דבעירא דכיא זכה יתיר כו׳

Pois toda pessoa possui uma alma vital, cuja natureza é animal, do nível de um animal; e também uma alma divina: “Quando nasce, dão-lhe uma alma do lado do animal puro; se merecer mais”, etc.,

Explicação

Toda pessoa possui uma alma vital, de natureza animal. Mesmo a alma divina, em seu primeiro nível, vem “do lado do animal puro”, como ensina o Zohar; e, com mérito maior, a pessoa recebe níveis mais elevados da alma.

וכמ״ש בזהר ר״פ משפטים (דצ״ד ע״ב) ושפעה וחיותה מבחינת שעורים מאכל בהמה כו׳, וכדי שתהא גם נפשו הבהמית ברצונה ליכלל באחד ולמסור נפשו כו׳

como está escrito no Zohar, no início da Parashat Mishpatim (fólio 94b); e seu fluxo e força vital provêm do nível da cevada, alimento dos animais, etc. E, para que também sua alma animal deseje, por vontade própria, ser incluída no Um e entregar sua alma, etc.,

Explicação

A vida dessa alma provém da “cevada”, alimento dos animais. O objetivo é que até mesmo a alma animal queira, por vontade própria, ser incluída no Um e entregar-se.

ולאתהפכא חשוכא לנהורא צריך שיהיה גם בה גילוי בחי׳ אנכי כדי שעי״ז תכסוף ותכלה אליו ית׳ בביטול מהותה כו׳.

e, para que a escuridão seja transformada em luz, é preciso que também nela haja uma revelação do nível de “Eu”, para que, por meio disso, ela anseie e suspire por Ele, bendito seja, com a anulação de sua própria essência, etc.

Explicação

Para que a escuridão da alma animal se transforme em luz, a revelação de “Eu” também precisa alcançá-la. Então, ela também anseia por D'us, até que sua própria essência seja anulada.

O parágrafo 10 em resumo

A Contagem é o caminho para alcançar “Eu, que sou Eu” em Shavuot. Contamos os quarenta e nove portões de Biná, sete atributos, cada um composto de sete, enquanto o quinquagésimo portão, que inclui todos eles e tem sua raiz em Kéter, une-os à essência de D'us. Por meio da contagem, essa revelação é atraída para baixo, até a “cevada”, para que até mesmo a alma animal passe a ansiar por D'us.

Aprofundar

A nota da Kehot cita Or HaTorah: seguindo o Ramaz, Shavuot recebe esse nome por causa dos quarenta e nove níveis que nela são revelados como incluídos no quinquagésimo portão, enquanto as sete semanas da Contagem são os próprios quarenta e nove portões de Biná, e não o quinquagésimo portão, como explica o Pardes em Sha’ar HaShe’arim, capítulo 5.

Marei mekomot

  1. 1
    אך כדי . . תספרו חמשים יום · ראה לקו״ש ח״ג ע׳ 996.
  2. 2
  3. 3
    והיו לאחדים · Ezekiel 37:17
  4. 4
    כלולים כל המ״ט . . בהרמ״ז פ׳ אמור . . ובפ׳ בראשית · מובא באוה״ת אמור כרך-ג ע׳ תתעג, וכ״ש ”וי״ל דמשנ״ת שם [= הכוונה ללקו״ת כאן] הוא ע״ד שכ׳ הרמ״ז שם [בפ׳ בראשית] ובפ׳ אמור דצ״ו שחג השבועות ע״ש שבו מתגלים המ״ט בחי׳ הכלולים בשער הנ׳ אבל שבעה שבועות דספירת העומר הם מ״ט שע״ב ממש ולא בחי׳ שער החמשים וכמבואר בפרדס שער השערים פ״ה”.
  5. 5
    ע׳ בפרדס . . כתר עליון איהו שלימו דחמשין שערי בינה כו׳ · נתבאר באוה״ת פ׳ אמור-ג ע׳ תתעד.
  6. 6
    איהו שלימו דחמשין שערי בינה · Tikkunei Zohar 68b:5
  7. 7
    שבו ועל ידו יהי׳ גילוי אנכי · ובאוה״ת פ׳ אמור-ג ע׳ תתעג ”ואין זה סותר למ״ש במ״א ששער החמשים אין בנו כח להמשיך אלא שנמשך ממילא בחג השבועות כו׳” ע״ש.
  8. 8
    כד אתיליד יהבין ליה נפשא מסטרא דבעירא דכיא זכה יתיר · Zohar, Mishpatim 2:4–13
  9. 9
    לך ה׳ הגדולה · I Chronicles 29:11
  10. 10
  11. 11
  12. 12

11והמשכה זו היא מעט מעט מתחלה יום אחד כו׳ ואח״כ [ואחר כך] אומרים שני ימים כו׳, הרי יש כאן שני ימים שנמשכו למטה ואין אומרים יום שני לפי שאין זו בחי׳ והמשכה מדרגה אחרת

E esta atração para baixo ocorre pouco a pouco: primeiro, “um dia” etc., e depois dizemos “dois dias” etc. Assim, há aqui dois dias que foram atraídos para baixo; e não dizemos “o segundo dia”, pois isso não constitui outro nível, uma atração para baixo de outro grau;

Explicação

Isso responde à segunda pergunta inicial. A atração para baixo ocorre pouco a pouco, e dizemos “dois dias”, em vez de “o segundo dia”, porque cada dia não é um novo nível, mas mais do mesmo fluxo.

אלא הכל הוא המשכת בחי׳ ומדרגות שער החמשים הכולל ומיוחד במקורו רק שנמשך מעט מעט וכשסופרין וממשיכין כל המ״ט בחי׳ ממילא מגיעין בשבועות לשער החמשים ונעשים חמשים יום בשבועות,

ao contrário, tudo isso é a atração para baixo dos níveis e graus do quinquagésimo portão, que os inclui [a todos] e está unido à sua fonte; apenas é atraído para baixo pouco a pouco. E, quando contamos e atraímos para baixo todos os quarenta e nove níveis, chegamos, naturalmente, em Shavuot, ao quinquagésimo portão, e eles se tornam cinquenta dias em Shavuot.

Explicação

Todos os quarenta e nove níveis são atraídos a partir do único quinquagésimo portão, que está unido à sua fonte. Quando os quarenta e nove já foram contados, chega-se em Shavuot ao quinquagésimo portão por si só; assim, o versículo pode falar de “cinquenta dias”.

אך א״צ [אין צריך / אינו צריך] לספור ולהמשיך לעומר אלא מ״ט בחינות כדי לחבר ולקשר ענפין דמתפרדין למטה ולהעלותן ולקשרן למקורן ושרשן ולייחדן במאצילן ב״ה ע״י שער החמשים וכו׳:

Mas, para a contagem do Ômer, é necessário contar e atrair para baixo apenas quarenta e nove níveis, a fim de unir e vincular os “ramos que se separam” abaixo, elevá-los, vinculá-los à sua fonte e raiz e uni-los ao seu Emanador, bendito seja Ele, por meio do quinquagésimo portão etc.

Explicação

Contam-se apenas quarenta e nove, porque o trabalho da Contagem consiste em vincular os “ramos” separados abaixo à sua raiz. O quinquagésimo portão, por meio do qual eles são unidos a D'us, não precisa ser contado.

O parágrafo 11 em resumo

O parágrafo responde às duas perguntas iniciais. Contamos cumulativamente (“dois dias”, e não “o segundo dia”) porque cada dia atrai para baixo mais do único fluxo do quinquagésimo portão; e a Torá diz “cinquenta” porque a contagem dos quarenta e nove conduz, por si só, ao quinquagésimo em Shavuot.

Aprofundar

Como observa a nota da Kehot ao parágrafo anterior, citando Or HaTorah, em outro lugar é dito que não temos poder para atrair para baixo o quinquagésimo portão, que é atraído por si só em Shavuot; e Or HaTorah explica que isso não contradiz o presente maamar.

Letras exteriores e interiores ¶12

12ועוד יובן ענין ההפרש בין בחי׳ שעורה שעור ה׳ מוצאות הפה ובין בחי׳ חטה שהוא ג״כ כ״ב אותיות התורה שזהו ע״ד [על דרך] שנתבאר בד״ה

E, além disso, será compreendida a diferença entre o nível da cevada, “a medida do hei”, isto é, os cinco pontos de articulação da boca, e o nível do trigo, que também corresponde às vinte e duas letras da Torá: isso segue a linha do que foi explicado no maamar que começa com

Explicação

Uma nota de conclusão apresenta outra maneira de compreender a diferença entre os grãos. A cevada é “a medida do hei”, os cinco pontos de articulação da boca, ao passo que o trigo corresponde às vinte e duas letras da Torá. Ambos são letras, mas de tipos distintos, conforme explicam outros maamarim.

כי תשמע בקול בענין מפתחות החיצוניות ומפתחות הפנימיות ועמש״ל [ועיין מה שכתוב לעיל] בד״ה וארשתיך לי בענין חצר החיצונה וחצר הפנימית כו׳

“Pois ouvirás a voz”, a respeito das chaves exteriores e das chaves interiores; e veja o que foi escrito acima, no maamar que começa com “E desposar-te-ei”, a respeito do pátio exterior e do pátio interior, etc.;

Explicação

O Talmud compara a Torá sem temor a D'us a um tesoureiro a quem foram confiadas as chaves interiores, mas não as exteriores; o maamar “Pois ouvirás a voz” explica esses dois tipos de chaves. O maamar “E desposar-te-ei” (o maamar anterior) explica o pátio exterior e o pátio interior.

ע״ש [עיין שם] ועמ״ש בד״ה אני ישנה בענין האותיות שאלוני על בני כו׳ והיינו מ״ש כאן שע״י בחינת חטה יודע לקרות אבא כו׳:

veja ali. E veja o que foi escrito no maamar que começa com “Estou dormindo”, a respeito de “as letras: pergunta-Me acerca de Meus filhos”, etc. É isso que se diz aqui: que, por meio do nível do trigo, [a criança] sabe chamar “Abá”, etc.

Explicação

O maamar “Estou dormindo” discute as letras, lendo o versículo “Pergunta-Me… acerca de Meus filhos” com ha’osiyos como “as letras”. É a isso que o maamar se referia ao dizer que, por meio do trigo, a criança sabe chamar “Abá”.

O parágrafo 12 em resumo

O parágrafo de conclusão remete a outros maamarim que explicam a diferença entre a cevada e o trigo como letras exteriores e interiores: os cinco pontos de articulação da boca, em contraste com as vinte e duas letras da Torá. Isso se relaciona ao que foi dito sobre a criança que aprende a chamar “Abá”.

Marei mekomot

  1. 1
    מפתחות החיצוניות ומפתחות הפנימיות · Shabbat 31b:1
  2. 2
    אני ישנה · Song of Songs 5:2
  3. 3
    האותיות שאלוני על בני · Isaiah 45:11

Terminou o maamar?

Marque-o como estudado; ele conta para a semana e para o siyum do ano.

Baixar PDFPDF · 724 KB

Na avodá

Contemplar a grandeza de D'us proporciona a cada pessoa “cevada” segundo sua própria medida, mas esse não é o objetivo. É preciso “caminhar”, ir além do próprio nível atual e estar disposto a entregar a própria alma ao dizer “Um” no Shemá, para que a revelação de “Eu” alcance até a alma animal. A Contagem, dia após dia, atrai essa essência para os sete atributos do coração, até que ele se transforme de escuridão em luz.

Perguntas para conversar

  1. Por que a Torá diz “cinquenta dias” quando apenas quarenta e nove são contados, e como o quinquagésimo portão resolve isso?
  2. Como o chamado “Abá” de um bebê demonstra a diferença entre cevada e trigo, entre compreensão e conhecimento acima da razão?
  3. Por que tirar Israel do Egito, “algo de algo”, é um louvor maior do que criar o céu e a terra do nada?
  4. Em que sentido a Torá e as mitsvot são “recipientes” para a Luz Infinita, como o olho e o ouvido são para a visão e a audição?
  5. Por que o fluxo dos anjos depende do Ômer oferecido por todo Israel, e o que acrescenta o fato de a alma divina ser “o primeiro de Seus frutos”?

Idioma

Tamanho do texto

Tema

Como estudo

Calendário

Mostrar

Abreviaturas

Toque numa abreviatura, ou ligue Por extenso. Num Kindle não dá para pousar numa palavra: é assim que se lê.

PDF

CompletoHebraico, tradução, explicações e notas · PDF · 724 KBSó o textoO hebraico e a tradução · PDF · 235 KB
Os livros inteiros, prontos para imprimir

Idioma

EnglishEspañolFrançaisעבריתPortuguêsРусский

Envie-nos uma sugestão

Correções, ideias, perguntas. Deixe seu e-mail para podermos responder.

Enviamos por e-mail ao editor, com a página em que você está. Nada é publicado.

Índice

Likkutei Torahלקוטי תורה

Parshas Bamidbarבמדבר

  1. 1וידבר ה׳ אל משה במדבר סיני…“Havayah spoke to Moshe in the Wilderness of Sinai”
  2. 2ביאור הדברים הנה אית רצון ואית…Explanation of the matters: “There is will and there is will”
  3. 3מבן עשריםFrom Twenty Years Old
  4. 4וידבר ה׳ אל משה במדבר סיני…“And Havayah spoke to Moshe in the wilderness of Sinai”
  5. 5להבין ביאור הדברים הנ״ל בענין במדבר…To understand the explanation of the matters above concerning “in the Wilderness of Sinai”
  6. 6והיה מספר בנ״י כחול הים אשר…“And the number of the children of Israel shall be as the sand of the sea…”
  7. 7ביאור הדברים ע״פ והיה מספר בני…Explanation of the words on “And the number of the children of Israel shall be”
  8. 8ביאור מעט ע״פ כי גדול יום…A brief explanation on “For great is the day of Yizre’el”
  9. 9וארשתיך לי לעולםAnd I Will Betroth You to Me Forever
  10. 10ביאור מעט ע״פ וארשתיך ליA brief explanation of “And I will betroth you to Me”
  11. 11וספרתם לכם ממחרת השבת וגו׳ תספרו…“And you shall count for yourselves from the morrow of the Shabbos”
  12. 12בישעיה סי׳ י״א ז׳“And the lion, like the ox, shall eat straw” (Isaiah 11:7)
  13. 13ביאור על הדרוש וספרתם לכם דחג…An explanation of the discourse “And you shall count for yourselves” of the Festival of Shavuos
  14. 14בשעה שהקדימו ישראל נעשה לנשמע יצתה…When Israel put “we will do” before “we will hear”
  15. 15ביאור על בשעה שהקדימוAn explanation of “At the time when they put ‘we will do’ first”
  16. 16ענין שניתנה התורה על הר סיני…The Torah Was Given on Mount Sinai
  17. 17וידבר אלקים את כל הדברים האלה…And G‑d Spoke All These Words
  18. 18ביאור על הדברים הנ״לAn explanation of the matters mentioned above
  19. 19דרוש לשבועותA discourse for Shavuos: “And I was with Him a nurturer”
  20. 20ביאור ע״פ ואהיה אצלו אמוןAn explanation of “And I was with Him as a nursling (amon)”
  21. 21וענין ממושבותיכם תביאו לחם תנופה שתיםThe meaning of “From your dwellings you shall bring bread of waving, two [loaves]”