Torah Ohr · Parshas Bereishis · Maamar 6
ויאמר ה׳ אלקים הן האדם היה כאחד ממנו…
“E D'us disse: Eis que o homem se tornou como um de nós”
A ideia central
Conhecer o mal não causa dano “acima”, onde o conhecimento é abrangente e mantém o mal à parte; mas, para o homem, cujo conhecimento é interior, isso significa misturar-se com o mal. Por isso, D'us proibiu a Árvore do Conhecimento, impediu o homem de alcançar a vida eterna depois que se misturou com o mal e o enviou a refinar o mundo por meio da luta, em vez de fazê-lo por meio da luz pura.
O maamar em resumo
O maamar pergunta por que a Árvore do Conhecimento “abriu seus olhos”, por que D'us impediu o homem de comer da Árvore da Vida e como a serpente sabia o que aconteceria se comessem. A resposta se baseia na diferença entre o conhecimento abrangente (makif) e o conhecimento interior (pnimi). Acima, o bem e o mal são conhecidos apenas de modo abrangente, de forma que o mal permanece separado, assim como o olíbano dá vida às outras especiarias sem se misturar com elas. O homem é um ser interior: tudo o que conhece torna-se parte dele; portanto, conhecer o mal significou misturar-se com ele, dando início à longa guerra entre o bem e o mal em cada geração. D'us queria que o homem permanecesse inteiramente santo e refinasse o mundo atraindo tanta luz que as centelhas caídas fossem absorvidas por si mesmas, como uma vela diante de uma tocha. Depois do pecado, a vida eterna da Árvore da Vida, que provém de Kéter, acima das distinções, teria tornado eterno também o mal que havia nele. Por isso, o homem foi enviado a “trabalhar a terra” e refiná-la por meio do labor, da oração e do poder separador de Chochmá. A serpente, cuja raiz está na Árvore do Conhecimento, compreendeu tudo isso e disse a Chavá uma verdade astuta.
Esquema
- As perguntasPor que a Árvore do Conhecimento abriu os olhos, por que impedir o homem de comer da Árvore da Vida e como a serpente sabia? A resposta começa assim: acima, o bem e o mal são conhecidos, mas não se misturam.¶1–2
- Conhecimento abrangente e interiorO conhecimento acima é abrangente e mantém o mal separado (a aranha no palácio do rei, a Havdalá, o olíbano); a Árvore do Conhecimento é conhecimento interior, no qual o bem e o mal realmente se misturam.¶3–4
- A natureza interior do homem e a guerra contra o malComo o homem absorve aquilo que conhece, conhecer o mal o misturou com ele, produzindo uma luta de vaivém ao longo das gerações e, no sentido simples, a consciência do desejo.¶5–7
- Por que o homem foi impedido de comer da Árvore da VidaA Árvore da Vida, cuja raiz está acima da quebra, em Kéter, teria tornado eterno o mal que havia nele; em vez disso, o mal precisa ser separado por meio de Chochmá e de suas guevurot, até que a morte seja tragada para sempre.¶8–9
- A expulsão e o trabalho de refinamentoSomente o incenso não pode remover a culpa; o homem foi enviado a trabalhar a terra e refinar as centelhas, ao passo que, originalmente, ele as teria absorvido por meio da luz dos 248 mandamentos positivos, como uma vela diante de uma tocha.¶10–11
- Refinamento por meio da luz e da guerraNa época do Templo e para Adam antes do pecado, as centelhas eram atraídas por si mesmas; depois do pecado, é preciso conquistá-las por meio do labor e da oração: “o momento da oração é o momento da batalha”.¶12
- Como a serpente sabiaA serpente, cuja raiz está na Árvore do Conhecimento, compreendeu a proibição e, para não ser absorvida pela luz de Adam, levou o homem à luta ao dizer uma verdade astuta.¶13
- Acréscimo: Adam nas câmaras; a descida de YehudáSegundo o Arizal, Adam caiu por simplesmente concordar em olhar para dentro das câmaras da impureza; segundo Rabi Avraham, filho do Maguid, Yehudá “desviou-se” para o domínio das kelipot a fim de elevar centelhas.¶14
Conceitos-chave
- Abrangente e interior (makif e pnimi)מקיף ופנימי
- O conhecimento ou a luz abrangente atua sobre algo desde acima, sem entrar nele, e por isso permanece separado; o conhecimento interior é absorvido e se torna parte de quem conhece. Essa é a chave do maamar para explicar por que conhecer o mal prejudica o homem, mas não os anjos.
- A Árvore do Conhecimento do bem e do malעץ הדעת טוב ורע
- O nível da mistura, no qual o bem e o mal se atraem e se fundem; ele surge da quebra dos recipientes.
- Refinamentos (beirurim)בירורים
- O trabalho de separar as centelhas de santidade do mal em que estão aprisionadas e elevá-las: a tarefa do homem depois do pecado, realizada por meio do labor, da alimentação, da oração e das mitsvot.
- Uma vela diante de uma tochaכנר בפני האבוקה
- A imagem do refinamento por meio da luz: quando se revela santidade em medida suficiente, as centelhas caídas são absorvidas por ela por si mesmas, sem luta.
- Chochmá como julgamentoחכמה נקראת דין
- Como “por meio de Chochmá elas são refinadas”, Chochmá contém guevurot que separam o bem do mal, ao contrário de Kéter, que é misericórdia simples e não faz distinções.
- Centelhas de santidadeנצוצי קדושה
- A vitalidade santa que caiu no domínio do mal e o sustenta; quando é retirada e elevada, a kelipá deixa de existir.
As perguntas ¶1–2
1ויאמר ה׳ אלקים הן האדם12 היה כאחד ממנו לדעת טוב ורע ועתה פן ישלח ידו כו׳. י״ל א׳ מהו שע״י עה״ד נפקחו עיניהם להיות כאלקים יודעי טו״ר.3
“E D'us disse: Eis que o homem se tornou como um de nós, conhecendo o bem e o mal; e agora, para que não estenda a mão etc.” Cabe perguntar, em primeiro lugar: o que ocorreu para que, por meio da Árvore do Conhecimento, seus olhos se abrissem e eles se tornassem como D'us, conhecendo o bem e o mal?
O maamar começa com as palavras de D'us depois que Adam e Chavá comeram da Árvore do Conhecimento. A primeira pergunta é: por que comer um fruto deveria “abrir-lhes os olhos” e torná-los “como D'us, conhecendo o bem e o mal”? Que tipo de conhecimento é esse, e por que viria de comer?
וגם מ״ש ה׳ אלקים ועתה פן ישלח ידו ולקח גם מעץ החיים ואכל וחי לעולם ומה איכפת לו בזה הרי מה שצוה אותו שלא לאכול הוא ג״כ כדי שלא ימות.
E também [é preciso compreender] o que D'us disse: “E agora, para que não estenda a mão e tome também da Árvore da Vida, e coma, e viva para sempre” — por que isso Lhe importaria? Afinal, aquilo que Ele lhe ordenou não comer também tinha por finalidade que ele não morresse.
A segunda pergunta: D'us então expulsa o homem para que não coma da Árvore da Vida e viva para sempre. Mas a proibição original de D'us tinha justamente a intenção de mantê-lo vivo (“no dia em que comeres dela, certamente morrerás”); por que, então, D'us Se preocuparia agora em impedi-lo de viver para sempre?
O Alter Rebe começa com duas dificuldades no versículo: o que significa “conhecendo o bem e o mal” e por que D'us impediria o homem de alcançar a vida eterna depois do pecado.
Marei mekomot
- 1ויאמר . . הן האדם הי׳ כאחד ממנו · ראה לעיל בציונים והערות לכ״ק אדמו״ר זי״ע. עם הגהות באוה״ת בראשית כרך ו תתרנז, א (מלקו״ת לג״פ כז, כב). נמצא בגוכתי״ק הצ״צ בבוך משנת תקע״א-ב, ומתחיל ”הן האדם”. ומאמר זה הוא משבת פ׳ בראשית תקע״ב. ראה לקמן בהערה לדף ו, א ד״ה ”שאדה״ר”. כמה שינויים נרשמו לקמן וכן ציונים אחדים בשולי הגליון. להתחלת המאמר ראה אוה״ת ואתחנן ע׳ קמג. בענין עה״ד טו״ר המבואר במאמר זה מצויין בלקו״ת שלח מג, א. קרח נב, ב.
- 2ויאמר ה׳ אלקים הן האדם · Genesis 3:22
- 3נפקחו עיניהם להיות כאלקים יודעי טו״ר · Genesis 3:5
Além disso, e esta é a pergunta principal: como a serpente soube disso — “que no dia em que comerdes dela, vossos olhos se abrirão” — o que, na verdade, é assim?
A pergunta principal: a serpente disse a Chavá que comer abriria os olhos deles, e o maamar mostrará que isso era de fato verdade. Como a serpente soube algo que D'us não havia contado ao homem?
ואם אדם ששמע הצווי מהקב״ה לא הכיר בזה רק כפשוטו שאמר לו ה׳ אלהים כי ביום אכלך ממנו מות תמות2 והנחש לא נזכר כלל ששמע הצווי הזה
Pois Adam, que ouviu a ordem do Santo, bendito seja Ele, não percebeu isso, mas [a entendeu] apenas segundo seu sentido simples — que D'us lhe disse: “Pois no dia em que comeres dela, certamente morrerás”; e não se menciona de modo algum que a serpente tenha ouvido essa ordem.
Adam ouviu a ordem diretamente de D'us, mas entendeu apenas seu sentido simples: a advertência de que morreria. Em nenhum lugar se diz que a serpente tenha ouvido a ordem.
וגם אם שמע כשנצטווה אדם מאין היה בו בינה יתירה להבין דבר מתוך דבר יותר מהאדם עצמו. אם לא שנאמר שגבוה הוא מהאדם וכ״ז פלאי.3
E mesmo que a tenha ouvido quando Adam recebeu a ordem, de onde lhe veio uma compreensão superior, para deduzir uma coisa de outra, mais do que o próprio Adam? A menos que se diga que ela é superior ao homem — e tudo isso é espantoso.
Mesmo que a serpente a tenha ouvido às escondidas, como poderia deduzir dela mais do que o próprio Adam? Isso implicaria que a serpente é superior ao homem, o que é espantoso, pois o homem era a coroa da criação.
הנה תחלה יתבאר מ״ש האדם היה כאחד ממנו לדעת טו״ר4 שהוא מאמר ה׳ להמלאכים ומשמע שלמעלה יודעים את הטוב ואת הרע גם שניהם.
Agora, primeiro explicaremos o que está dito: “O homem se tornou como um de nós, conhecendo o bem e o mal”, declaração de D'us aos anjos; e isso implica que, no alto, conhecem o bem e o mal, ambos.
O Alter Rebe começa sua resposta com a expressão “como um de nós”. D'us está falando aos anjos, os seres superiores, e a expressão implica que eles, “no alto”, também conhecem tanto o bem quanto o mal.
אבל מ״מ אינן מעורבים זה בזה כי גלוי וידוע שזה טוב וזה רע ומובדל הרע מן הטוב אע״פ שידוע שם הטו״ר.
No entanto, eles não estão misturados uns com os outros, pois é claro e sabido que isto é bem e aquilo é mal, e o mal está separado do bem, embora ali se conheçam o bem e o mal.
No entanto, no alto, conhecer o mal não significa estar misturado a ele: cada um é claramente reconhecido pelo que é, e o mal permanece separado do bem.
משא״כ בחי׳ עה״ד טו״ר היינו בחי׳ תערובת הטוב עם5 רע שהרע יונק מהטוב והטוב מהרע והיו לאחדים.
Isso não ocorre com o nível da Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal, que é o nível em que o bem está misturado ao mal, o mal se nutre do bem e o bem do mal, e eles se tornam um.
A Árvore do Conhecimento representa um tipo diferente de conhecimento: o bem e o mal se misturam, cada um se nutrindo do outro, até se fundirem. Foi isso que o homem assimilou ao comer.
O parágrafo formula a pergunta central sobre como a serpente soube o que o ato de comer produziria e começa a respondê-la, distinguindo o conhecimento do bem e do mal “no alto”, onde permanecem separados, da Árvore do Conhecimento, na qual se fundem.
A mistura do bem e do mal provocada pelo pecado é um tema fundamental da Chassidut: antes do pecado, o mal era uma realidade separada, fora do homem; depois, entrou no próprio homem, de modo que o bem e o mal dentro dele se nutrem um do outro.
Marei mekomot
- 1
- 2כי ביום אכלך ממנו מות תמות · Genesis 2:17
- 3אם לא שנאמר שגבוה הוא מהאדם וכ״ז פלאי · ראה בלקו״ש ח״י ע׳ 16.
- 4האדם היה כאחד ממנו לדעת טו״ר · Genesis 3:22
- 5עה״ד טו״ר היינו בחי׳ תערובת הטוב עם הרע · ראה מאמרי אדה״א דברים ח״ד ע׳ א׳קעו ואילך. סה״מ תרמ״ח ע׳ קצח ואילך. ד״ה כי אתם עוברים תרנ״א ע׳ קצז. ובארוכה ד״ה ושבתה במאמרי אדה״א ויקרא ח״ב ע׳ תדש. ובסה״מ תרס״ב ע׳ ש ואילך. סה״מ עזר״ת ע׳ פט. ד״ה בלע המות תשכ״ה בתחלתו.
Conhecimento abrangente e interior ¶3–4
3וצ״ל דהרי פי׳ עץ הדעת טוב ורע היינו לשון ידיעה וא״כ למה נעשה תערובת טו״ר מחמת הדעת בטו״ר הלא למעלה ג״כ ידוע הטו״ר.
É preciso compreender: afinal, a expressão “Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal” significa conhecimento; sendo assim, por que o conhecimento do bem e do mal provocou uma mistura entre eles? No alto também se conhece o bem e o mal!
Uma dificuldade: “Árvore do Conhecimento” significa conhecer. Se conhecer o bem e o mal faz com que se misturem, por que isso não provoca uma mistura no alto, onde também se conhecem o bem e o mal?
אך ההפרש בזה הוא ענין ההפרש בין מקיף לפנימי כי בחי׳ ידיעת הטו״ר שלמעלה היא בבחי׳ מקיף בלבד
A diferença, porém, é a diferença entre o envolvente e o interior: o conhecimento do bem e do mal no alto está apenas no aspecto envolvente.
A resposta está na distinção entre makif, “envolvente”, e pnimi, “interior”. Algo conhecido de modo envolvente é apreendido de fora e do alto, sem ser absorvido; algo conhecido de modo interior é assimilado por quem o conhece. No alto, o conhecimento do bem e do mal é apenas envolvente.
ולכן יכול להיות הבדלה בין טוב לרע שידע את הרע ולא יחליפנו ולא ימירנו1 בטוב ח״ו.
Por isso pode haver separação entre o bem e o mal: Ele conhece o mal, mas não o trocará nem o substituirá pelo bem, D'us não o permita.
Como é apenas envolvente, o conhecimento no alto mantém separados o bem e o mal: o mal pode ser conhecido sem ser confundido com o bem. A formulação toma emprestada a lei da Torá que proíbe trocar um animal consagrado, o bem pelo mal ou o mal pelo bem.
כענין שממית בידים תתפש2 והיא בהיכלי מלך שאע״פ שהיא בהיכלי מלך אבל יודע הוא ומכירה ששממית היא.
Como no caso de “A aranha, que se apanha com as mãos, encontra-se nos palácios do rei”: embora esteja nos palácios do rei, ele sabe e reconhece que é uma aranha.
O versículo sobre a aranha no palácio do rei ilustra isso: uma aranha pode ser encontrada até num palácio, mas quem a vê sabe que ela é apenas uma aranha. Estar presente no mesmo lugar não apaga sua identidade.
O parágrafo apresenta a chave do maamar: o conhecimento “no alto” é envolvente (makif) e, por isso, mantém distintos o bem e o mal, ao passo que a Árvore do Conhecimento representa o conhecimento interior.
A distinção entre makif e pnimi atravessa toda a Chassidut: uma luz envolvente atua sobre algo sem penetrar nele, enquanto uma luz interior é absorvida e moldada por quem a recebe. Aqui, isso explica por que o mesmo “conhecimento do mal” é inofensivo no alto e prejudicial no homem.
Marei mekomot
- 1ולא יחליפנו ולא ימירנו · Leviticus 27:10
- 2שממית בידים תתפש · Proverbs 30:28
4ויש הבדלה בין טוב לרע כמאמר המבדיל בין קודש לחול.1 והיינו מצד שיודע טו״ר בבחינת מקיף עליהם ולכן אינם מתערבים יחד.
E há uma separação entre o bem e o mal, como diz a bênção: “Que separa entre o sagrado e o profano”. Isto é, como Ele conhece o bem e o mal de modo a envolvê-los, eles não se misturam.
A separação entre o bem e o mal no alto é como na bênção de Havdalá: “Que separa entre o sagrado e o profano”. Como o conhecimento de D'us sobre eles os envolve do alto, permanecem distintos.
וכענין בחינת לבונה זכה2 שבי״א סממני הקטורת3 שהעשרה סממנים הם י׳ נצוצי קדושה המובלעים בקליפות והי״א היא לבונה היא בחינת מקיף עליהם ואינה מתלבשת בפנימיותם.6
Isso se assemelha ao nível do frankincenso puro entre as onze especiarias do incenso: as dez especiarias são dez centelhas de santidade absorvidas nas kelipot, e a décima primeira, o frankincenso, é o nível que as envolve e não se reveste em seu interior.
Uma segunda ilustração: o incenso do Templo tinha onze especiarias. As dez são comparadas a centelhas de santidade absorvidas dentro das kelipot (as cascas de ocultação), enquanto a décima primeira, o frankincenso, representa uma luz que as envolve sem entrar em seu interior.
(ולבונה היא ג״כ חיות להם אבל לפי שהחיות הזה שהיא מחיה אותם הוא רק ע״י שהיא בבחי׳ מקיף בלבד עליהם ע״כ אינה מתערבת עמם כלל וכולה טוב).
(E o frankincenso também é uma força vital para elas; mas, como essa força vital que lhes dá vida atua somente por estar num aspecto exclusivamente envolvente, por isso não se mistura com elas de modo algum, e é inteiramente bom.)
O frankincenso também lhes dá vida; no entanto, como o faz apenas de fora, como uma luz envolvente, não se mistura com elas e permanece inteiramente bom.
והנה המקיף הוא גם דוחה את החיצונים כנראה בציור האילן4 שבפרד״ס במקיפים ופנימיים שמעמד ומצב הקליפות אחוריהם אל המקיף כו׳. משא״כ בחי׳ עה״ד טו״ר הוא בחי׳ פנימי5 ואז הטוב מעורב עם הרע ממש.
Ora, o envolvente também repele as forças externas, como se vê no diagrama da Árvore no Pardes, nos envolventes e interiores, onde a posição e a postura das kelipot é com as costas voltadas para o envolvente etc. Isso não ocorre com o nível da Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal, que é um nível interior; nesse caso, o bem está de fato misturado ao mal.
A luz envolvente também repele as forças externas (negativas): num diagrama cabalístico da Árvore das Sefirot, as kelipot são desenhadas com as costas voltadas para as luzes envolventes. Em contraste, a Árvore do Conhecimento representa o conhecimento interior, no qual o bem e o mal estão verdadeiramente misturados.
O parágrafo ilustra o conhecimento envolvente por meio da Havdalá e do frankincenso do incenso, mostrando que uma luz envolvente pode dar vida ao mal sem se misturar com ele, e o contrasta com o conhecimento interior da Árvore do Conhecimento.
Em outro lugar (Torah Ohr, Toldos), o Alter Rebe explica que a força vital que penetra nas kelipot é “absorvida” dentro delas, enquanto o frankincenso é a luz envolvente que as ilumina de cima de sua consciência. Likkutei Torah, Balak, cita esta passagem: a Árvore do Conhecimento é Daat em seu modo interior, enquanto Daat em seu modo envolvente repele a nutrição das forças externas.
Marei mekomot
- 1המבדיל בין קודש לחול · Pesachim 104a:7–8
- 2לבונה זכה · Exodus 30:34
- 3י״א סממני הקטורת · Keritot 6a:22–23
- 4ציור האילן · הכוונה לכאורה לציור שבסוף ספר פעמון ורימון (אמ״ד תכ״ח). וראה הנסמן בסידור עם דא״ח ריב, א הערה 99. הערות וביאורים אהלי תורה גליון א׳קל בסופו.
- 5שו״ה אחוריהם — עה״ד טו״ר הוא בחי׳ פנימי · בלקו״ת בלק סט, ב מציין לכאן: ”שעה״ד טו״ר הוא הדעת שבבחי׳ פנימי׳ משא״כ הדעת שבבחי׳ מקיף הוא אדרבה דוחה יניקת החיצונים”.
- 6וכענין בחי׳ לבונה זכה · ראה לקמן כ, ג. אוה״ת שמות כרך ז ע׳ ב׳תקסח. ובהמשך זאת חנוכת המזבח תר״מ פרק יז שאפשר שנק׳ זכה ע״ש ז״ך אותיות שהרי זהו האותיות הנמשכים להחיות הקליפות בבחי׳ מקיף, ע״ש. ראה לקו״ת תזריע כג, ד. המשך תער״ב פרק רי.
A natureza interior do homem e a guerra contra o mal ¶5–7
5וז״ש הן האדם היה כאחד ממנו.1 פי׳ שהוא היה ג״כ כאחד ממנו פי׳ כמו שבבחי׳ אחדות דהיינו למעלה ידוע הטו״ר כן היה גם הוא ע״י שטעם מעה״ד המעורב טו״ר.
Isto é o que significa: “Eis que o homem se tornou como um de nós”. Isto é, ele também se tornou como um de nós — quer dizer, assim como no nível da unidade, isto é, no alto, se conhece o bem e o mal, assim também aconteceu com ele, por ter provado da Árvore do Conhecimento, na qual o bem e o mal estão misturados.
Agora o versículo é explicado: “como um de nós” significa que o homem, ao comer da Árvore do Conhecimento, passou a conhecer o bem e o mal tal como são conhecidos no alto, no âmbito da unidade.
אבל לו הדבר מזיק כי הרי האדם הוא מבחי׳ פנימי׳ ומיד שידע הוא מן הרע ע״י שטעם מעה״ד הרי יתערב עמו ויהי׳ הוא ממש מעורב ברע.
Mas para ele isso é prejudicial, pois o homem pertence ao nível interior e, assim que conhece o mal por ter provado da Árvore do Conhecimento, mistura-se com ele e fica realmente misturado ao mal.
Para o homem, porém, isso é prejudicial, pois ele é um ser pnimi: aquilo que conhece, assimila. Uma vez que conheceu o mal, este passou a fazer parte dele.
לא כמו שהוא למעלה שאעפ״י שיודעים גם את הרע מ״מ מובדל הוא ומרוחק מן הטוב ואין לו התקרבות כו׳ לפי שהוא בבחי׳ מקיף.
Não como é no alto, onde, embora também se conheça o mal, ele permanece separado e distante do bem, sem qualquer proximidade [com ele] etc., pois se encontra no aspecto envolvente.
No alto é diferente: o mal é conhecido, mas permanece distante do bem, porque ali o conhecimento é envolvente.
אבל האדם שהוא מבחי׳ פנימי כשידע גם הוא מן הרע אזי יתערב הוא גם הוא ממש2 עם הרע
Mas o homem, que pertence ao nível interior, quando também conhece o mal, então ele próprio fica realmente misturado ao mal.
Por ser interior, o homem não pode conhecer o mal à distância; conhecê-lo significa misturar-se a ele.
כי בבחי׳ פנימי׳ א״א להיות כ״כ מובדל הרע כנ״ל ואז הוא קשה מאד להפריד את הרע אלא מלחמה עצומה היא ולאם מלאם יאמץ3 פעמים זה גובר ופעמים שכנגדו גובר.
Pois, no nível interior, é impossível que o mal permaneça tão separado, como explicado acima; então é muito difícil separar o mal. Trata-se, antes, de uma guerra tremenda: “uma nação será mais forte que a outra”; às vezes uma prevalece, e às vezes prevalece sua oponente.
Uma vez que o mal se misturou dentro dele, separá-lo é muito difícil; isso se torna uma guerra constante, como no caso dos gêmeos de Rivcá, em que “uma nação será mais forte que a outra”: quando uma se eleva, a outra cai.
כאשר מצאנו ראינו בנשמות ישראל מראש הדורות עד עתה שהיו כמה עתים משונים פעמים בדור א׳ היו נשמות שבמעלה עליונה ונצחו את הרע.
Como constatamos e vimos nas almas de Israel, desde as primeiras gerações até agora, houve muitos períodos diferentes: às vezes, numa mesma geração, havia almas de nível elevado que derrotavam o mal,
A história confirma isso: algumas gerações tiveram almas elevadas que venceram o mal.
O parágrafo aplica essa distinção ao homem: conhecer o mal é inofensivo no alto, mas, como o homem é um ser interior, conhecer o mal significa absorvê-lo, transformando sua vida numa luta entre o bem e o mal.
Isso explica o retrato do “beinoni” em Tanya, no qual o bem e o mal travam uma guerra contínua; a raiz dessa guerra está na natureza interior e absorvida do conhecimento humano depois do pecado.
Marei mekomot
- 1הן האדם היה כאחד ממנו · Genesis 3:22
- 2אבל האדם . . אזי יתערב הוא גם הוא ממש · ראה ביאוה״ז לצ״צ כרך ב ע׳ תרמח.
- 3ולאם מלאם יאמץ · Genesis 25:23
6ובדור אחר היו רשעים גדולים שגבר הרע מאד. והיינו כי כולם נמשכים מאדה״ר והיה בו ג״כ שינויים אלו פעמים גבר הוא ופעמים גבר הרע עליו.
e, em outra geração, havia grandes perversos, nos quais o mal prevalecia muito. Isso ocorre porque todos descendem de Adam, o primeiro homem, e essas mesmas mudanças também ocorreram nele: às vezes ele prevalecia, e às vezes o mal prevalecia sobre ele.
Outras gerações tiveram grandes perversos. Essa alternância é herdada de Adam, a raiz de todas as almas, que também teve momentos em que prevaleceu e momentos em que o mal prevaleceu sobre ele.
וכ״ז היה לפי שהוא בבחי׳ פנימיות ומיד שידע מן הרע נתערב עמו ממש וא״כ הוא מלחמה גדולה וקשה להפרידו מאד אלא עת כך ועת כך כנ״ל.
Tudo isso se deve ao fato de ele pertencer ao nível interior: assim que conheceu o mal, ficou realmente misturado com ele; portanto, é uma grande guerra, e é muito difícil separá-lo. Em vez disso, há um tempo para uma coisa e um tempo para a outra, como explicado acima.
Tudo isso decorre da natureza interior do homem: uma vez que conheceu o mal, este se misturou verdadeiramente a ele, e a luta para separá-lo oscila de um lado para o outro — “um tempo para isto e um tempo para aquilo”.
O parágrafo atribui as alternâncias entre o bem e o mal ao longo das gerações à mistura interior de Adam com o mal depois do pecado.
7וכן גם עפ״י פשוט שמקודם היו ערומים והיו עסוקים בתשמיש להוליד בנים ולא יתבוששו1 כמו שהיו אוכלים ושותים
Assim também, segundo o sentido simples: antes, estavam nus e mantinham relações conjugais para gerar filhos, e “não se envergonhavam”, assim como comiam e bebiam,
O mesmo ponto no sentido simples: antes do pecado, Adam e Chava estavam nus e não sentiam vergonha; encaravam a união conjugal para ter filhos como se come e bebe, como um ato simples.
כי מצות ה׳ היא ולא היו יודעים כלל שיש תאוה בזה2 אבל אחר שאכל עה״ד וידעו שיש תאוה בזה אזי קשה לפרוש כו׳.
pois era um mandamento de D'us, e eles não sabiam absolutamente que havia desejo nisso; mas, depois que ele comeu da Árvore do Conhecimento e souberam que havia desejo nisso, tornou-se difícil abster-se, etc.
Para eles, era simplesmente cumprir o mandamento de D'us de procriar; nada sabiam sobre luxúria. Depois de comer da Árvore do Conhecimento, tornaram-se conscientes do desejo e, desde então, tornou-se difícil conter-se.
O parágrafo apresenta a mesma ideia no sentido simples da narrativa: a Árvore do Conhecimento trouxe consciência do desejo, de modo que aquilo que antes era puro tornou-se uma questão de luta.
Marei mekomot
- 1ולא יתבוששו · Genesis 2:25
- 2ולא היו יודעים כלל שיש תאוה בזה · ראה בלקוטי שיחות ח״ו ע׳ 199 הערה 28.
Por que o homem foi impedido de comer da Árvore da Vida ¶8–9
8ולכן לא רצה הקדוש ברוך הוא שיטעם האדם מעה״ד כי לו הדבר מזיק כנ״ל והיה רוצה שלא ידע ממציאת הרע כלל ויהיה כולו קדוש ולא רצה להכניסו במלחמה עצומה הזאת.
Portanto, o Santo, bendito seja Ele, não quis que o homem provasse da Árvore do Conhecimento, pois isso lhe seria prejudicial, como explicado acima. Ele queria que não conhecesse de modo algum a existência do mal e que fosse inteiramente santo, e não quis introduzi-lo nessa tremenda guerra.
Isso responde à primeira pergunta. D'us proibiu a Árvore do Conhecimento não apenas como uma prova, mas porque conhecer o mal prejudicaria o homem, que absorve aquilo que conhece. D'us queria que o homem permanecesse inteiramente santo, sem jamais ser atraído para a luta contra o mal.
אבל אחר שכבר טעם מעה״ד ונתערב ברע אז אמר פן ישלח ידו ולקח גם מעה״ח ואכל וחי לעלם.1
Mas, depois que já havia provado da Árvore do Conhecimento e se misturado com o mal, então Ele disse: “Para que não estenda a mão, tome também da Árvore da Vida, coma e viva para sempre.”
Somente depois que o homem já havia comido e se misturado com o mal D'us manifestou preocupação com a Árvore da Vida.
פי׳ שחשש עוד מעתה שכבר נתערב ברע ולקח גם מעה״ח ששרשו מבחי׳ שלמעלה מהשבירה שמשם הוא שהיה התחלת המיתה והתהוות עה״ד טו״ר משא״כ מה שלמעלה מהשבירה הוא עה״ח ואם יאכל גם ממנו וחי לעולם.
Isto é, Ele passou a temer que, agora que já se havia misturado com o mal, [ele] também tomasse da Árvore da Vida, cuja raiz provém do nível acima da quebra — pois foi de lá que vieram o início da morte e a formação da Árvore do Conhecimento do bem e do mal; em contrapartida, aquilo que está acima da quebra é a Árvore da Vida — e, se também comesse dela, viveria para sempre.
A Árvore da Vida tem sua raiz acima da “quebra dos recipientes” (a ruptura cósmica primordial da qual se originam, segundo a Cabalá, o mal e a morte). A Árvore do Conhecimento, com sua mistura de bem e mal, provém da quebra; a Árvore da Vida provém de um nível intocado por ela, e comer dela concede vida eterna.
פי׳ כי הרי באמת בבחי׳ זו נאמר אם צדקת מה תתן לו (איוב לה) ורבו פשעיך מה תעשה לו2 וא״כ אף שמעורב ברע הרי גם אם רבו פשעיך כו׳
Isto é, pois, na verdade, a respeito desse nível foi dito: “Se fores justo, o que Lhe darás?” (Jó 35), “e, se numerosas forem as tuas transgressões, que Lhe farás?” Portanto, mesmo estando misturado com o mal, ainda assim, mesmo que “numerosas sejam as tuas transgressões”, etc.,
Nesse nível elevado, o pecado não faz diferença: como diz Jó, a retidão do homem nada acrescenta a D'us e seus pecados nada Lhe fazem. Assim, até mesmo um homem repleto de pecados poderia receber dele a vida eterna.
ויכול להיות וחי לעולם ואז גם הרע שבו יהיה לו קיום לעולם מאחר שהוא בבחי׳ פנימי׳ והרע מעורב כו׳
ele poderia “viver para sempre”; então, também o mal que há nele teria existência para sempre, uma vez que ele pertence ao nível interior e o mal está misturado [nele], etc.,
Mas, como agora o mal está misturado dentro do homem, a vida eterna para o homem significaria também vida eterna para o mal que há nele.
וא״א לו להפרידו מעליו. א״כ כשיהיה הוא חי לעולם אזי גם הרע שבו יהיה לו קיום לעולם.3
e é impossível separá-lo de si. Portanto, quando ele viver para sempre, também o mal que há nele terá existência para sempre.
O homem não pode separar de si o mal, portanto, se vivesse para sempre, o mal também seria preservado para sempre.
O parágrafo responde à segunda pergunta: D'us impediu o homem de comer da Árvore da Vida porque, uma vez que o mal se misturara nele, torná-lo eterno também tornaria eterno o mal que havia nele.
A “quebra dos recipientes” (shevirat hakelim), segundo o ensinamento do Arizal, é a fonte das centelhas que caíram na kelipá; a Árvore do Conhecimento pertence a esse domínio, enquanto a Árvore da Vida pertence ao domínio acima dele, indiferente aos atos do homem.
Marei mekomot
- 1פן ישלח ידו ולקח גם מעה״ח ואכל וחי לעלם · Genesis 3:22
- 2ורבו פשעיך מה תעשה לו · Job 35:6
- 3
9וזהו היפך הכוונה שהרי צ״ל בלע המות לנצח1 שיהיה ובערת הרע2 כמאמר והרשעה כולה בעשן תכלה שזה יהיה לימות המשיח.
E isso é o oposto da intenção, pois deve cumprir-se: “Ele tragará a morte para sempre”; deve haver “eliminarás o mal”, como diz a expressão: “e toda a perversidade se dissipará como fumaça” — o que ocorrerá nos dias de Mashiach.
A vida eterna para o mal contradiz o propósito de D'us, que é abolir o mal e a morte: “Ele tragará a morte para sempre” e “toda a perversidade se dissipará como fumaça” (uma expressão das preces dos Dias Temíveis), nos dias de Mashiach.
Pois toda a duração do exílio é o tempo dos refinamentos e da separação do mal; isso ocorre por meio do nível de Chochmá, pois “por meio de Chochmá eles são refinados”, para separar o mal do bem.
Até então, o exílio é o período dos “refinamentos” (beirurim): separar o bem que está misturado e apartá-lo do mal. Isso se dá por meio de Chochmá, como diz o Zohar: “por meio de Chochmá eles são refinados”.
ולכן נק׳ החכמה דין. שלא כמו שדימו המקובלים הראשונים שהחכ׳ כולה חסד שהרי היא מקור חסד.
Por isso Chochmá é chamada de julgamento — e não como imaginaram os primeiros cabalistas, que Chochmá é inteiramente bondade, por ser a fonte de Chessed.
Por separar, Chochmá é chamada “julgamento” (din), que diferencia e estabelece limites. Os primeiros cabalistas pensavam que Chochmá era pura bondade, uma vez que Chessed emana dela.
והחייט5 המציא שיש בה ג״כ דין ושבחו האר״י ז״ל6 שכך מבואר בזוהר באדרא כחמרא דשקיט7 ושכיך על דורדיי׳ כו׳.
O Chayat inovou que também há julgamento nela, e o Arizal, de abençoada memória, o elogiou, pois assim está explicado no Zohar, na Idra: “como vinho quieto e repousado sobre suas borras”, etc.
Rabi Yehudá Chayat (um cabalista da expulsão da Espanha, comentarista de Maarechet HaElokut) ensinou que Chochmá também contém julgamento, e o Arizal endossou isso, citando a imagem do Zohar do vinho repousado sobre suas borras: o vinho límpido se separa do sedimento que fica embaixo.
כי מאחר שיש בירורים להפריד הרע וזהו ע״י גבורות וע״ז נאמר (תהלים צד) אשרי הגבר8 אשר תיסרנו יה שגם היסורים שהם לתועלת העברת הרע הוא מבחי׳ י״ה וכידוע שהיסורים הם לתועלת הפרדת הרע.
Pois, uma vez que há refinamentos para separar o mal, e isso se dá por meio das guevurot, a respeito disso foi dito (Salmos 94): “Feliz o homem a quem Tu, Yah, castigas” — também os sofrimentos, que servem para remover o mal, provêm do nível de Yah; e, como é sabido, os sofrimentos servem para separar o mal.
A separação do mal é feita por meio das guevurot (forças de severidade). O versículo “Feliz o homem a quem Tu, Yah, castigas” mostra que até o sofrimento, que serve para remover o mal, provém do Nome Yah (cujas letras Yud-Hei correspondem a Chochmá e Biná).
Pois as kelipot são comparadas a uma sanguessuga, que, ao sugar sangue, morre imediatamente; e é isso que se diz (Provérbios 30): “A sanguessuga tem duas filhas.”
As kelipot (forças de ocultação) são como uma sanguessuga: assim que sugam o sangue de que precisam, morrem. Do mesmo modo, quando a kelipá recebe sua porção, fica separada e se desprende.
וזהו ג״כ ענין שעיר המשתלח.11 וכן וישלח יעקב12 וגו׳ מנחה לעשו אחיו13 עזים מאתים14 כו׳ שבזה שנותן לו חלקו הוא מפרידו.
E este é também o sentido do bode enviado para longe. Do mesmo modo: “E Yaacov enviou”, etc., “um presente a seu irmão Essav: duzentas cabras”, etc. — pois, ao lhe dar sua porção, ele o separa.
Essa é a ideia por trás do bode enviado a Azazel em Yom Kipur e do presente de cabras de Yaacov a Essav: dar ao mal a porção que lhe cabe separa-o da santidade.
וכך צ״ל לאחר שכבר טעם האדם מעה״ד ונתערב ברע אזי צריך לבירורי׳ עד שיפרידו ע״י שיקחו כל נצוצי קדושה שבו כו׳.
Assim também, depois que o homem já provou da Árvore do Conhecimento e se misturou com o mal, são necessários refinamentos até que ele seja separado, retirando-se todas as centelhas de santidade que há nele, etc.
Do mesmo modo, uma vez que o homem se misturou com o mal, é necessário um processo de refinamento até que o mal seja separado dele, extraindo-se todas as centelhas de santidade que há nele.
וכ״ז הוא ע״י החכ׳ שבחכ׳ אתברירו. לפי שיש בה גם בחי׳ גבורות להיות תיסרנו יה וכמ״ש (דברים ח) כאשר ייסר איש15 את בנו16 כו׳.
E tudo isso se dá por meio de Chochmá, pois “por meio de Chochmá eles são refinados”. Isso porque também há nela o nível das guevurot, para que “Tu, Yah, castigues”, como está escrito (Deuteronômio 8): “Assim como um homem castiga seu filho”, etc.
Esse refinamento é realizado por Chochmá, que contém guevurot; daí “Tu, Yah, castigas” e “assim como um homem castiga seu filho”, isto é, um castigo que vem do amor e visa purificar.
משא״כ בחינת כתר שלמעלה מחכמה הוא רחמים פשוטים וכחשיכה כאורה17 ולכן פן ישלח ידו ולקח גם מעה״ח ואז וחי לעולם מאחר דאם צדקת מה תתן לו18 כו׳
Em contrapartida, o nível de Kéter, que está acima de Chochmá, é misericórdia simples, e “as trevas são como a luz”. Por isso [Ele disse]: “Para que não estenda a mão, tome também da Árvore da Vida” e então “viva para sempre”, pois “se fores justo, o que Lhe darás?”, etc.
Kéter (a Coroa), acima de Chochmá, é misericórdia simples, que não faz distinções: para ela, “as trevas são como a luz”. A Árvore da Vida provém de lá, portanto concederia vida eterna independentemente dos atos do homem.
ולפי שהוא מבחי׳ פנימית וא״כ הרע קשור ואדוק בו ויהי׳ גם לו קיום ולא זו היא הכוונה כנ״ל.
E, como ele pertence ao nível interior, o mal está, portanto, ligado e aderido a ele, e também teria existência — o que não é a intenção, como explicado acima.
Como o mal está ligado ao homem por dentro, também ganharia permanência, o que é o oposto da intenção de D'us.
O parágrafo explica por que o mal não deve tornar-se eterno: o objetivo é removê-lo, por meio do poder separador de Chochmá e de suas guevurot, enquanto a Árvore da Vida provém de Kéter, que não distingue entre o bem e o mal.
O Arizal (Etz Chaim) cita Minchat Yehudah, de Rabi Yehudá Chayat, segundo o qual Chochmá é din, e relaciona isso à imagem da Idra Zuta do vinho repousado. Likkutei Torah (Re'eh) explica que esse din em Chochmá é a “linha de medida”, a Guevurá suprema que permite que a Luz Infinita seja revelada apenas na medida do bitul.
Marei mekomot
- 1בלע המות לנצח · Isaiah 25:8
- 2ובערת הרע · Deuteronomy 13:6
- 3דבחכמה אתברירו · הובא באגה״ק סכ״ח בשם זוה״ק וראה ע״ח שי״ח פ״ה, של״ט ד״א. סהמ״צ להצ״צ מצות מחצית השקל, שם איסור אכילת בעל מום (הערת כ״ק אדמו״ר זי״ע בספר המאמרים תש״א ע׳ 79, ובסה״מ תש״ח ע׳ 206). וראה גם אוה״ת נ״ך כרך ב ע׳ תתקפא.
- 4דבחכמה אתברירו · Tanya, Iggeres HaKodesh 28:5
- 5והחייט · פי׳ לספר מערכת האלקות לר׳ יהודא ב״ר יעקב חייט מערכת אלקות פ״ד. מובא גם בלקו״ת פ׳ ראה לא, א. בענין חכמה נק׳ דין ראה ביאוה״ז להצ״צ כרך ב ע׳ תשיח ואילך. וראה לקמן קז, ג ובמ״מ לשם. ובתורת חיים בראשית לא, ד.
- 6ושבחו האר״י ז״ל · ע״ח שי״ג פ״ה.
- 7בזהר באדרא כחמרא דשקיט · Zohar III, 288a
- 8
- 9
- 10שו״ה שתי בנות · בגוכתי״ק נוסף ”שע״י שמוצצי׳ דם שונאיהם של ישראל אזי מיד מתים הקליפות”.
- 11שעיר המשתלח · Leviticus 16:10
- 12וישלח יעקב · Genesis 32:4
- 13מנחה לעשו אחיו · Genesis 32:14
- 14עזים מאתים · Genesis 32:15
- 15
- 16כאשר ייסר איש את בנו · בגוכתי״ק: כאב את בנו יוכיח.
- 17וכחשיכה כאורה · Psalms 139:12
- 18דאם צדקת מה תתן לו · Job 35:7
A expulsão e o trabalho de refinamento ¶10–11
10וכמ״ש בזוהר גבי רבי אחא1 מכפר טרשא שכיפר בקטורת על מקום שהיה הנגף שם ואמרו לו שלא הועיל כי עדיין בחיובא אשתכח.
Como está dito no Zohar a respeito de Rabi Acha de Kefar Tarsha, que expiou com incenso por um lugar onde havia uma praga, e lhe disseram que isso não havia ajudado, pois “ainda são considerados culpados”.
O Zohar conta que Rabi Acha chegou a Kefar Tarsha durante uma praga e usou o incenso para detê-la; disseram-lhe que isso não ajudara de verdade, porque o povo ainda era culpado. Queimar incenso pode afastar o destruidor, mas não remove o mal em si.
“Estaria bem se tivessem feito teshuvá”, etc. Portanto, imediatamente: “Ele o expulsou do Jardim do Éden, para trabalhar a terra de onde fora tomado.”
Somente a teshuvá teria ajudado de verdade. Do mesmo modo, o homem não podia simplesmente tornar-se imortal com seu mal; por isso D'us o expulsou imediatamente do Éden para “trabalhar a terra de onde fora tomado”.
דהיינו עבודת הבירורים ע״י זריעה חרישה וקצירה ואח״כ באכלו ממנו ואו׳ אחד ואהבת הוא מברר ומעל׳ כו׳.
Isto é, o trabalho dos refinamentos por meio de semear, arar e colher; depois, quando come do que produziu e diz “Um” e “Amarás”, ele refina e eleva [isso], etc.
“Trabalhar a terra” é o trabalho de refinamento: por meio de arar, semear e colher, o homem produz alimento e, ao comê-lo e depois servir a D'us, dizendo o Shemá (“Um”, “Amarás”), refina e eleva as centelhas desse alimento.
O parágrafo explica a expulsão do Éden: o mal deve ser verdadeiramente removido, e não apenas contido; por isso o homem foi enviado para “trabalhar a terra” e refinar as centelhas de santidade por meio de seu trabalho e serviço divino.
O Rebe Maharash (Sefer HaMaamarim 5634) cita esta passagem juntamente com Iggeres HaKodesh 26, segundo a qual o principal propósito da Torá e das mitsvot é refinar as centelhas.
Marei mekomot
- 1וכמ״ש בזהר גבי רבי אחא · Zohar I, 101a
- 2ולכן מיד וישלחהו מג״ע . . ושמה יברר הבירורים · מובא בסה״מ תרל״ד ע׳ קמג ושם מציין לאגה״ק סי׳ כו שעיקר עסק התורה והמצות הוא לברר הניצוצות.
- 3וישלחהו מג״ע לעבד את האדמה אשר לקח משם · Genesis 3:23
Então ele precisa ir efetivamente à terra de onde foi tomado; ali comerá e ali realizará os refinamentos.
Depois do pecado, o homem precisa de fato descer à terra, o lugar da mistura, comer ali e ali realizar o refinamento.
אך צ״ל איך היה מתחלה כוונתו ית׳ כשלא ידע האדם מטו״ר כלל מאחר שיש מציאת הרע בעולם א״כ איך יתבררו הבירורים שזה צ״ל ע״י האדם.
Mas é preciso entender qual era, desde o início, a intenção d'Ele, bendito seja, quando o homem não conhecia de modo algum o bem e o mal. Uma vez que o mal existe no mundo, como, então, seriam refinadas as centelhas, tarefa que deve ser realizada pelo homem?
Uma pergunta: o mal já existia no mundo antes do pecado. Se Adam nunca deveria conhecer o mal, como as centelhas presas nele seriam refinadas, se essa é a tarefa do homem?
אך הענין כי אז היה באופן אחר ממש שלא בדרך מלחמה אלא ע״ד מ״ש ויניחהו בג״ע לעבדה זה2 רמ״ח מ״ע להמשיך אור א״ס בג״ע וע״י רבוי התגלות האור
A questão é que, então, isso se daria de uma maneira inteiramente diferente, não por meio da guerra, mas à maneira do que está escrito: “Ele o colocou no Jardim do Éden para trabalhá-lo” — isto é, as 248 mitsvot positivas —, para atrair a Luz Infinita ao Jardim do Éden; e, por meio da abundante revelação da luz,
Antes do pecado, o refinamento deveria ocorrer de uma maneira completamente diferente, sem guerra. Adam foi colocado no Éden “para trabalhá-lo”, o que o Zohar e o Targum explicam como as 248 mitsvot positivas; por meio delas, ele atrairia a Luz Infinita ao Éden.
ממילא יתעלו נצוצי3 קדו׳ שנפלו ונתערבו ברע ויהיו נכללים בתוך האורות עליונים שימשיך האדם כנר בפני האבוקה שאם האבוקה קטנה אזי נר הסמוך לה יוכלל4 בה
as centelhas de santidade que caíram e se misturaram com o mal se elevariam por si mesmas e seriam incluídas nas luzes supremas que o homem atrairia, como uma vela diante de uma tocha: se a tocha for pequena, uma vela próxima a ela poderá ser incluída nela,
A intensidade dessa luz revelada atrairia automaticamente as centelhas caídas para o alto e as absorveria, assim como uma pequena vela é absorvida pela chama de uma tocha.
ואם ירחיקוהו מעט לא יתכלל בה מפני שהאבוקה קטנה. אבל אם תהיה5 האבוקה גדולה אזי אע״פ שיהיה הנר רחוק יהיה מתכלל בה.
mas, se ela fosse afastada um pouco, não seria incluída na tocha, porque a tocha é pequena. Porém, se a tocha fosse grande, ainda que a vela estivesse distante, seria incluída nela.
Quanto maior a tocha, mais distante pode estar uma vela e ainda assim ser absorvida. A luz de Adam seria tão grande que atrairia até mesmo as centelhas distantes, sem que ele jamais precisasse confrontar o mal.
O parágrafo descreve o plano original: antes do pecado, o homem refinaria o mundo não lutando contra o mal, mas atraindo, por meio das mitsvot, uma luz tão grande que as centelhas caídas seriam absorvidas nela por si mesmas.
Surgem dois modos de refinamento: “por meio da guerra”, pelo envolvimento direto com o mal, e “por meio da luz”, quando o aumento da santidade absorve as centelhas por si mesmo. Likkutei Torah (Bamidbar) também aborda a ideia de elevar as centelhas por meio de uma revelação maior.
Marei mekomot
- 1את האדמה אשר לקח משם · Genesis 3:23
- 2ויניחהו בג״ע לעבדה זה [בגוכתי״ק: זו] רמ״ח מ״ע · Genesis 2:15
- 3וע״י רבוי התגלות האור ממילא יתעלו נצוצי קדושה · ראה גם בלקו״ת במדבר ג, ד. וראה גם לקו״ש ח״כ ע׳ 215 הערה 32.
- 4שו״ה כנר — יוכלל · בגוכתי״ק: יכלה.
- 5שו״ה תהיה — תהיה · בגוכתי״ק: יהי׳.
Refinamento por meio da luz e da guerra ¶12
12וע״ד שהיה בזמן שבהמ״ק היה קיים שהרי ארז״ל לא גלו ישראל1 אלא כדי שיתוספו עליהם גרים דהיינו להעלות נצוצות ומה היה נעשה אם לא חטאו ולא היו גולים.
Isso se assemelha ao que ocorria no tempo em que o Beit Hamikdash existia. Pois nossos Sábios, de abençoada memória, disseram: “Israel foi exilado somente para que se acrescentassem convertidos a eles”, isto é, para elevar centelhas. O que teria acontecido, então, se não tivessem pecado e não tivessem sido exilados?
Um exemplo da história judaica. O Talmud diz que Israel foi exilado para que se juntassem a ele convertidos, o que a Chassidut interpreta como a elevação de centelhas de santidade dispersas entre as nações. Como, então, essas centelhas teriam sido elevadas se Israel nunca tivesse pecado nem sido exilado?
אלא ע״כ צ״ל שאז היו נכללים הנצוצות2 ממילא כנר בפני האבוקה כמו נעמה העמונית3 וכן כל העמים באו לשמוע חכמת שלמה וכמ״ש במלכת שבא4 כו׳.
Necessariamente, devemos dizer que, então, as centelhas seriam incluídas por si mesmas, como uma vela diante de uma tocha — como Naamá, a amonita; e também todas as nações vinham ouvir a sabedoria de Shlomo, como está escrito a respeito da Rainha de Sheva, etc.
A resposta: nos tempos do Beit Hamikdash, as centelhas eram atraídas por si mesmas, como uma vela absorvida por uma tocha. Naamá, a amonita (uma esposa do rei Shlomo, que o Talmud conta entre as “boas pombas” de Amon), juntou-se a Israel, e todas as nações, inclusive a Rainha de Sheva, vieram ouvir a sabedoria de Shlomo.
והיינו לפי שאז היה אבוקה גדולה עד״מ ע״כ ממילא מתכללים בה הנצוצות ואם היה נמשך בהמ״ק כן יותר היו כולם מתבררים עד״ז
Isto é, porque então havia, por assim dizer, uma grande tocha; por isso, as centelhas eram incluídas nela por si mesmas. Se o Beit Hamikdash tivesse continuado naquele estado por mais tempo, todas teriam sido refinadas dessa maneira,
O Beit Hamikdash era uma “grande tocha” de divindade revelada, e por isso as centelhas eram absorvidas por si mesmas. Se aquele estado tivesse durado, todas as centelhas teriam sido refinadas dessa maneira, sem exílio.
como está escrito a respeito do Futuro Vindouro (Sofonias 3): “Então darei aos povos uma língua clara”, etc., e “as nações caminharão à tua luz”, etc.
Isso ocorrerá no futuro messiânico, como os profetas anunciam: as nações se voltarão a D'us com uma língua clara e caminharão à luz de Israel, atraídas pela própria luz revelada.
וכך היה ענין האדם כשלא היה חוטא שהיה כולו קדוש כי גם גופו נלקח7 ממקום המזבח89 וממנו נעשו10 רמ״ח אבריו בלול בשמן כו׳
E assim era com o homem quando não pecara: era inteiramente santo, pois seu corpo também foi tomado do lugar do altar, e dele foram feitos seus 248 membros, “misturados com óleo”, etc.
Adam antes do pecado era assim: inteiramente santo. O Midrash diz que seu corpo foi tomado do lugar do altar e que seus 248 membros foram feitos “misturados com óleo”, como uma oferenda de farinha; isto é, seu próprio corpo era sagrado.
והיה עומד בג״ע ושם היה מוסיף אורות וממילא היו הקליפות כלים ע״י שהיו הנצוצי קדושה כלים מהם אבל הדבר היה11 שלא ע״י מלחמה כו׳.
Ele permanecia no Jardim do Éden e ali acrescentaria luzes; por si mesmas, as kelipot deixariam de existir, à medida que as centelhas de santidade fossem retiradas delas. Mas isso não ocorreria por meio de guerra, etc.
No Éden, ele acrescentaria luz, e as kelipot desapareceriam quando as centelhas de santidade que as sustentam fossem extraídas, sem nenhuma batalha.
משא״כ אחר שחטא אזי צ״ל הבירורים ע״י עבודה ומלחמה שעת צלותא שעת קרבא כנ״ל וצריך לירד אל מקום הקליפות ושם יבררם וזהו את האדמה אשר לקח משם.12
Em contrapartida, depois que pecou, os refinamentos precisam ocorrer por meio de trabalho e guerra — “a hora da oração é a hora da batalha” —, como explicado acima; ele precisa descer ao lugar das kelipot e refiná-las ali. E isso é “a terra de onde foi tomado”.
Depois do pecado, o refinamento requer esforço e guerra. A expressão do Zohar “a hora da oração é a hora da batalha” descreve a oração como o campo dessa luta. O homem precisa descer ao lugar das kelipot, “a terra de onde foi tomado”, e refiná-las ali.
O parágrafo ilustra os dois modos de refinamento: nos tempos do Beit Hamikdash e para Adam antes do pecado, as centelhas eram absorvidas pelo poder da luz revelada; depois do pecado, precisam ser conquistadas por meio de trabalho e guerra.
Em Torah Ohr, Toldos, o Alter Rebe explica que refinar o bem a partir do mal exige que uma grande luz brilhe ali, para que as centelhas sejam atraídas; Yitschak queria que isso acontecesse por meio da revelação no próprio Essav, em vez do trabalho de Yaacov, em paralelo aos dois modos descritos aqui.
Marei mekomot
- 1לא גלו ישראל · Pesachim 87b:14
- 2שו״ה אם — היו נכללים הנצוצות · בגוכתי״ק: הי׳ נכלל הנצוצים.
- 3נעמה העמונית · Bava Kamma 38b:2–3
- 4וכמ״ש במלכת שבא · I Kings 10:1
- 5
- 6והלכו גוים לאורך · Isaiah 60:3
- 7גופו נלקח · Zohar, Chayei Sara 17:133–19:205
- 8גופו נלקח ממקום המזבח · Sanhedrin 38b
- 9גופו נלקח ממקום המזבח · Pirkei DeRabbi Eliezer 12:1
- 10שו״ה וממנו — נעשו · בגוכתי״ק: עשו.
- 11שו״ה אבל — הדבר היה · בגוכתי״ק ליתא.
- 12את האדמה אשר לקח משם · Genesis 3:23
Como a serpente sabia ¶13
13ובזה יובן גם מה שהנחש ידע מזה. כי הנה אדה״ר עצמו שהיה כולו קדוש למעלה מעה״ד טו״ר לא ידע ממציאת הרע כלל כנ״ל.
Com isso também compreenderemos como a serpente sabia disso. Pois o próprio Adam, o primeiro homem, que era inteiramente santo, acima da Árvore do Conhecimento do bem e do mal, não sabia absolutamente da existência do mal, como explicado acima.
Agora se responde à pergunta principal: como a serpente sabia o que a ingestão provocaria? Adam, inteiramente santo e acima da Árvore do Conhecimento, nada sabia da existência do mal.
אבל הנחש שהוא עצמו נלקח מבחי׳ עה״ד טו״ר וידע מזה וידע שמה שצוה1 לאדם שלא יאכל2 ממנו היה בכדי שלא יהיה לו ידיעה3 ברע כלל שלא יצטרך לכנוס עמו במלחמה כלל.
Mas a serpente, que ela própria provinha do nível da Árvore do Conhecimento do bem e do mal, sabia disso; e sabia que [D'us] ordenara a Adam que não comesse dela para que ele não tivesse conhecimento algum do mal e, assim, não precisasse entrar em guerra com ele.
A serpente, porém, provinha da própria Árvore do Conhecimento, o domínio em que o bem e o mal estão misturados, e por isso compreendia o que Adam não compreendia: que a proibição visava impedir que Adam tivesse qualquer conhecimento do mal e, assim, poupá-lo de lutar contra ele.
וחרה לו מאד על שכ״כ נשמרים ממנו אף שלא לידע ממנו שלא יכשל בו והשיא עצות בנפשו שמוטב לו שיכנס האדם בזה ויהיה מלחמה ואז פעמים שיגבור גם הוא
E ela ficou muito contrariada por se protegerem tanto dela — a ponto de nem sequer quererem conhecê-la, para não tropeçar nela —, e deliberou em seu íntimo que seria melhor para ela que o homem entrasse nisso e houvesse uma guerra, pois então, por vezes, também ela prevaleceria,
A serpente ressentia-se por ser evitada de maneira tão completa. Raciocinou que, se o homem entrasse nessa mistura e houvesse uma guerra, ao menos por vezes ela venceria.
וכמ״ש (קהלת ח) עת אשר שלט האדם באדם4 כו׳ משלא ידע האדם מזה כלל ואז יהיה הטוב המעורב בו נכלל באדה״ר כנר בפני האבוקה והוא ימות ויפסד לגמרי ובא בערמומית לחוה
como está escrito (Eclesiastes 8): “Um tempo em que o homem domina sobre o homem”, etc. — em vez de o homem não saber absolutamente disso; pois então o bem que nela estava misturado seria absorvido por Adam como uma vela diante de uma tocha, e ela morreria e pereceria por completo. Por isso, aproximou-se de Chavá com astúcia,
“Um tempo em que o homem domina sobre o homem para seu mal” é interpretado como os momentos em que o mal no homem prevalece. Mas, se o homem jamais conhecesse o mal, sua grande luz absorveria o bem que havia dentro da serpente, “como uma vela diante de uma tocha”, e a serpente, privada de toda vitalidade, pereceria. Por isso, aproximou-se de Chavá com astúcia.
וכמ״ש (בפר״א פי״ג) בא ס״מ ורכב על הנחש5 כו׳. ואמר6 כי ידע אלקים כי ביום אכלכם ממנו7 וגו׳ והייתם כאלקים ידעי טו״ר.
como está escrito (em Pirkei deRabbi Eliezer, cap. 13): “Samael veio e montou na serpente”, etc. E ela disse: “Pois D'us sabe que, no dia em que comerdes dela”, etc., “sereis como D'us, conhecedores do bem e do mal.”
O Midrash diz que Samael (o anjo do mal) montou na serpente, isto é, usou-a como veículo. A serpente disse a Chavá que, ao comer, eles seriam “como D'us, conhecedores do bem e do mal”.
וכן הוא עפ״י האמת ולא אמר שקר כנ״ל רק שבערמה דבר זה כי הוא אמר והייתם כאלקים למעליותא. אבל באמת זהו חסרון.
E, de fato, isso é verdadeiro, e ela não mentiu, como explicado acima; apenas o disse com astúcia, pois apresentou “sereis como D'us” como uma vantagem, quando, na verdade, isso é uma deficiência.
Isso era verdade; a serpente não mentiu. Sua astúcia consistiu em apresentar como vantagem aquilo que, na verdade, era uma falha.
אף שיהי׳ יודע טו״ר כאלקים הנה למעלה אין זה פוגם כלל אף שיודע טו״ר מ״מ הרע נבדל לפי שלמעלה הוא בחי׳ מקיף משא״כ אם האדם שהוא מבחי׳ פנימי8 יהי׳ יודע מטו״ר לו יהי׳ הדבר מזיק כנ״ל:9
Embora ele viesse a conhecer o bem e o mal como D'us, isso não constitui defeito algum no Alto: ainda que conheça o bem e o mal, o mal permanece separado, pois no Alto ele está no nível do abrangente. Mas, se o homem, que pertence ao nível interior, conhecesse o bem e o mal, isso lhe seria prejudicial, como explicado acima:
Conhecer o bem e o mal é inofensivo “no Alto”, onde o conhecimento é abrangente e o mal permanece separado. Para o homem, cujo conhecimento é interior, isso significa misturar-se ao mal, como explicado anteriormente.
O parágrafo resolve a questão central: a serpente, enraizada na Árvore do Conhecimento, compreendia seu efeito e enganou Chavá dizendo a verdade, apresentando como virtude aquilo que, para o homem, era na realidade prejudicial.
A motivação da serpente decorre da imagem anterior da vela e da tocha: no plano original, o mal simplesmente se dissolveria quando suas centelhas fossem absorvidas pela luz de Adam; assim, a única possibilidade de sobrevivência do mal era levar o homem a uma guerra em que ele pudesse prevalecer por vezes.
Marei mekomot
- 1שו״ה עצמו — שמה שצוה · בגוכתי״ק: שאשר ציוו.
- 2שו״ה יאכל — היה · בגוכתי״ק בהכת״י ליתא.
- 3שו״ה יאכל — ידיעה · בגוכתי״ק: נגיעה.
- 4
- 5בא ס״מ ורכב על הנחש · Pirkei DeRabbi Eliezer 13:2
- 6שו״ה ואמר — ידע . . וגו׳ · בגוכתי״ק: יודע . . ליתא.
- 7כי ידע אלקים כי ביום אכלכם ממנו · Genesis 3:5
- 8שו״ה פנימי — לו · בגוכתי״ק: ולו.
- 9שו״ה כי — למעליותא . . שיהיה יודע · בגוכתי״ק הנ״ל: למעלה . . שיהיו יודעי.
Acréscimo: Adam nas câmaras; a descida de Yehudá ¶14
14בלק״ת מהאר״י ז״ל נת׳ הענין שאדה״ר היה הולך בהיכלות1 כי בחי׳ אדם היה למעלה גם מרשב״י2 כי היה בערך אחר ממש שהרי היה יציר כפיו של הקב״ה.
Em Likkutei Torah do Arizal, de abençoada memória, explica-se que Adam, o primeiro homem, caminhava pelos Heichalot, pois o nível de Adam era ainda mais elevado que o de Rabi Shimon bar Yochai, uma vez que ele pertencia a uma ordem inteiramente distinta, pois era obra das mãos do Santo, bendito seja Ele.
Um complemento do Likkutei Torah do Arizal: antes do pecado, a alma de Adam era tão elevada, por ser obra das próprias mãos de D'us, que ele podia caminhar pelos “palácios” celestiais (heichalot). Seu nível pertencia a uma ordem inteiramente distinta, acima até mesmo de Rabi Shimon bar Yochai, autor do Zohar.
ובהיכלות הטומאה לא רצה להביט כלל והשיאו הנחש שעכ״פ יביט מה יש בהם3 ועי״ז נכשל ונפל בתאוה אליהן.
Ele não queria sequer olhar para os palácios da impureza; mas a serpente o persuadiu a, ao menos, olhar o que havia neles, e, por isso, ele tropeçou e caiu no desejo por eles.
Ele evitava olhar para os palácios da impureza, mas a serpente o convenceu a, ao menos, olhar o que havia ali. O simples olhar, mesmo com uma intenção elevada, levou-o a tropeçar e a cair no desejo por eles.
וכן שמעתי מהק׳ ר׳4 אברהם בן הה״מ ז״ל ע״פ ויט יהודה עד איש עדולמי ושמו חירה5 שמחמת מעשה דיוסף אזי ויט.
Também ouvi isso do santo Rabi Avraham, filho do Maguid, de abençoada memória, a respeito [do versículo]: “E Yehudá se desviou para junto de um homem de Adulam, cujo nome era Chirah”: por causa do episódio de Yossef, ele então “se desviou”.
Um ensinamento paralelo de Rabi Avraham “o Anjo”, filho do Maguid de Mezritch: Yehudá “se desviou” para junto do homem de Adulam após a venda de Yossef.
פי׳ ויט היינו שנטה למטה בהיכלות הקליפות6 עד איש עדולמי כדי להעלות נצוצות משם7 וזהו ענין הכוונה דנפילת אפים כו׳:
Isto é, “se desviou” significa que desceu aos palácios das kelipot, “para junto de um homem de Adulam”, a fim de elevar centelhas de lá; e este é o sentido da intenção da prostração sobre o rosto, etc.:
Yehudá desceu ao domínio das kelipot para elevar centelhas de lá. Esse também é o significado interior de “prostração sobre o rosto” (nefilat apayim, a oração de Tachanun), na qual se desce a fim de elevar centelhas das regiões inferiores.
O parágrafo final acrescenta o relato do Arizal de que Adam caiu ao concordar em simplesmente olhar para os palácios da impureza, bem como um ensinamento de Rabi Avraham o Anjo sobre a descida de Yehudá para elevar centelhas, paralela à missão do homem após o pecado: refinar por meio da descida.
O Tzemach Tzedek registra ter ouvido do Alter Rebbe que o nível de Adam era superior ao do Baal Shem Tov, do Arizal e até de Rabi Shimon bar Yochai. Likkutei Torah (Tzav) explica que até as almas mais elevadas, provenientes da união de Abá e Imá de Atsilut, estão em relação à alma de Adam como Beriá está em relação a Atsilut. O Zohar diz que Yehudá desceu ao nível da serpente.
Marei mekomot
- 1שאדה״ר הי׳ הולך בהיכלות · באוה״ת ענינים ע׳ פו: ”וכן שמעתי הלשון מרבינו ז״ל שאמר בענין אדה״ר, שאדה״ר הי׳ הולך בהיכלות כי בחי׳ אדם הוא למעלה מהבעש״ט והאריז״ל וגם מרשב״י כי הי׳ בערך אחר ממש שהרי הי׳ יציר כפיו של הקב״ה ע״כ”, ע״ש. המשך וככה תרלז פרק קכט. סה״מ תרס״ח ע׳ קצד. ובאוה״ת וישב כרך ו תתרפה, ב מסיים ”כזה״ל שמענו מרבינו ז״ל פ׳ בראשית תקע״ב”. ענין זה נזכר בלקו״ת צו ח, ג. יז, ד.
- 2גם מרשב״י · ראה באוה״ת פ׳ וישב כרך ו שם שהי׳ למעלה מעלה מהבעש״ט והאריז״ל וגם מרשב״י. וראה גם בדרוש ג׳ מיני אדם באוה״ת פ׳ בלק ע׳ תתקע, ובלקו״ת פ׳ צו ח, ג כי הרי אפילו הנשמות הגבוהות מאד שמיחוד או״א דאצילות שזהו נשמה דאצילות הוא כערך הבריאה לגבי אצילות ממש נגד נשמת אדה״ר כנ״ל (ועיין בזהר תרומה דף קס״ז ע״ב). עכ״ל. ובדף ח, ב מביא שם בשם ספר הגלגולים פי״ט שאדם הראשון קודם החטא הי׳ לו נשמה לנשמה מאצילות ע״ש. בהגה״ה כת״י על תו״א מציין ללקו״ת פ׳ צו ח, ב בהביאור ואכלתם אכול דשם נמצא בשינוי לשון קצת.
- 3והשיאו הנחש שעכ״פ יביט מה יש בהם · Zohar II, 193b
- 4וכן שמעתי מהק׳ ר׳ [בגוכי״ק: מר׳] אברהם בן הה״מ · וכ״ה גם באוה״ת בראשית כרך ו שם.
- 5ויט יהודה עד איש עדולמי ושמו חירה · Genesis 38:1
- 6פי׳ ויט היינו שנטה למטה בהיכלות הקליפות · באוה״ת חנוכה כרך ב שכו, א מציין לזח״א קפו סע״א שנטה עד דרגא דחויא, ע״ש.
- 7כדי להעלות נצוצות משם · ראה בסה״מ תרכ״ט ע׳ יא [בהוצאת תשנ״ב ע׳ יג] שז״ע גלות השכינה ע״ש. בענין יהודה ותמר ראה במאמרי אדה״ז על מאמרז״ל ע׳ רכד שכ׳ שגם ביהודה לא היה כוונה רק לש״ש בלבד . . בכדי שיתגבר עליו אח״כ בניצוח גדול יותר. וראה גם ביאוה״ז להצ״צ כרך א ע׳ קלז. דרך מצותיך לב, ב. סה״מ תרס״ט ע׳ קכג.
Terminou o maamar?
Marque-o como estudado; ele conta para a semana e para o siyum do ano.
Na avodá
Depois do pecado, a pessoa está interiormente misturada com o bem e o mal; sua vida, portanto, é uma luta na qual ora prevalece um lado, ora o outro. Sua tarefa é “trabalhar a terra de onde foi tomada”: ocupar-se do mundo físico, comer e trabalhar nele e, por meio da oração (“o momento da oração é o momento da batalha”), do Shemá e das mitsvot, refinar e elevar as centelhas de santidade que nele se encontram. A história de Adam também ensina cautela: Adam caiu por simplesmente concordar em olhar para dentro das câmaras da impureza.
Perguntas para conversar
- Qual é a diferença entre o conhecimento abrangente e o interior, e por que conhecer o mal prejudica o homem, mas não os anjos?
- Por que a vida eterna da Árvore da Vida teria sido prejudicial depois do pecado, e como isso se relaciona ao fato de Kéter ser “misericórdia simples”?
- Como a imagem de uma vela diante de uma tocha descreve o modo original pelo qual o mundo deveria ser refinado, e em que difere do refinamento “por meio da guerra”?
- Por que Chochmá é chamada “julgamento”, e o que isso ensina sobre o sofrimento e a purificação?
- Em que sentido a serpente disse a verdade, e onde residia sua astúcia?