Torah Ohr · Parshas Megillas Esther · Maamar 12
חייב אינש לבסומי בפוריא עד דלא ידע בין…
A pessoa é obrigada a embriagar-se em Purim
A ideia central
Em Purim, o autossacrifício dos judeus — um despertar de baixo que começou por iniciativa deles num tempo de ocultação — alcançou a própria Essência de D'us, acima da cadeia descendente dos mundos e acima de todo Nome. Assim, Purim completou a aceitação da Torá iniciada no Sinai, e sua alegria transcende a razão, “até que não saiba”; contudo, essa grande luz permanece revestida na natureza, razão pela qual o trabalho não é proibido e nenhum Nome de D'us aparece na Meguilá.
O maamar em resumo
O maamar pergunta por que a alegria de Purim, que transcende a razão, supera a das festas mais sagradas, e por que a aceitação da Torá no Sinai é considerada forçada. Explica que a Torá é “a parábola do Primordial”: assim como a parábola é o único caminho até a ideia que ela transmite, a Torá é o caminho para apreender a essência de D'us, acima de memalê e sovev. Cada alma necessita de uma porção da parábola proporcional à necessidade de sua raiz; por isso, o estudo precisa estar “à mão” no Gan Eden, e aquele que poderia estudar e não o faz é “extirpado”. Receber a Torá exige bitul. No Sinai, isso foi despertado pelo amor que veio do alto, quando a montanha foi suspensa sobre eles “como uma tina”; sob Haman, os judeus entregaram a vida por iniciativa própria, movidos por um amor acima da razão que alcança a essência de D'us. Um bitul iniciado de baixo atrai uma luz mais elevada, como em “a semente da mulher primeiro dá à luz um macho”; por isso, a alegria de Purim está acima de Daat. Mas essa luz está revestida na natureza, assim como o próprio milagre de Purim; por isso, o trabalho é permitido, a proibição de Mordechai não foi aceita e a Meguilá, cuja luz está acima dos Nomes, não menciona nenhum deles.
Esquema
- Por que a alegria de Purim é maior e por que o Sinai foi “forçado”A alegria de Purim supera a das festas, que são mais sagradas e proíbem o trabalho; e o Talmud chama de forçada a aceitação no Sinai e de voluntária a aceitação nos dias de Achashverosh. Ambas as questões precisam ser explicadas.¶1
- Perguntas sobre a Torá e seu estudoO que é a Outorga da Torá; por que as almas no Gan Eden precisam ter seu estudo “à mão”; e por que aquele que poderia estudar e não o faz é julgado como “extirpado”, se basta estudar um capítulo de manhã e à noite?¶2–3
- A Torá, parábola do PrimordialO Primordial é a essência de D'us, acima de memalê e sovev. A Torá, que provém de Chochmá, onde a Luz Infinita está revestida, é sua parábola; cada nível de compreensão é uma parábola para o nível acima dele, sem fim; a luz que ela revela provém de Atik, a dimensão interior de Kéter.¶4–10
- As respostas sobre o estudo da ToráSem a parábola inteira, não se pode apreender a ideia que ela transmite; por isso, o estudo precisa estar “à mão”. Quanto mais profunda a sabedoria, mais parábolas ela requer; cada alma necessita da medida exigida por sua raiz, e aquele que poderia estudar mais e não o faz carece de parte de sua parábola.¶11–13
- Sinai: bitul despertado do altoA revelação exige bitul: “faremos” antes de “ouviremos”. Ainda imaturo no Êxodo, Israel foi levado a isso pelo amor revelado do alto, quando a montanha foi suspensa sobre eles como uma tina (como a chupá antes do kidushin); em Purim, o autossacrifício partiu deles próprios.¶14–15
- Yehudi, Mordechai e a mirra puraTodos os judeus são Yehudim por seu reconhecimento e bitul, e Mordechai, mor deror, é sua fonte. O almíscar, feito do sangue de um animal, ilustra a transformação do desejo animal, e a controvérsia sobre comê-lo corresponde a dois níveis de teshuvá.¶16–18
- A arrogância de Haman e o autossacrifício dos judeusHaman, herdeiro de Amalek, personifica a arrogância, raiz de todos os traços negativos, e procurou destruir os judeus por causa de seu bitul. Todo judeu, mesmo o mais baixo, pode entregar a vida em vez de separar-se de D'us.¶19–20
- O autossacrifício alcança a EssênciaA Torá apresenta uma razão para o amor — “Ele é a tua vida” — que diz respeito somente ao resplendor que dá vida aos mundos; o autossacrifício não tem razão, pois provém da Essência, que está acima desse resplendor. Esse bitul é aquilo que Purim completou da Outorga do Sinai.¶21–23
- Por que Purim completa o SinaiUm bitul iniciado de baixo atrai uma luz mais elevada do que aquele despertado do alto, como em “a semente da mulher primeiro dá à luz um macho”; Mah e Ban, Moshe e Eliyahu, Moshe e Aharon ilustram essa diferença.¶24
- A alegria além do conhecimentoA alegria das festas atrai uma luz medida por meio da cadeia descendente dos mundos e permanece dentro de Daat. A alegria de Purim provém da Essência, diante da qual o amaldiçoado e o abençoado são iguais; por isso, ela alcança “até que não saiba”.¶25–27
- Por que o trabalho é permitido em PurimO descanso do trabalho é uma elevação de níveis e pertence à cadeia descendente dos mundos. A luz de Purim é mais elevada, mas, no exílio, está revestida na natureza, como os milagres ocultos e a santidade do talit; Mordechai desejava que ela fosse revelada como em Yom Kipur, mas o povo não pôde aceitar a proibição.¶28–36
- Nenhum Nome na MeguiláComo o noivo que se hospeda num curtume por causa da noiva, o amor de D'us desce ao revestimento da natureza; por isso, nenhum Nome aparece. A luz da Meguilá está acima dos Nomes, razão pela qual ela não será anulada, e sua leitura atrai essa luz para baixo.¶37–39
Conceitos-chave
- A parábola do Primordial (mashal hakadmoni)משל הקדמוני
- Um nome para a Torá: assim como a parábola é o único caminho até a ideia que ilustra, a Torá é o caminho pelo qual a alma apreende a essência de D'us, o Primordial.
- O Primordial do mundo (kadmono shel olam)קדמונו של עולם
- O ser e a essência de D'us, que não pertencem de modo algum à categoria dos mundos, acima tanto da luz que preenche todos os mundos quanto da luz que os circunda.
- Autoanulação (bitul)ביטול
- Deixar de lado a própria vontade e o próprio senso de identidade diante de D'us, como em “faremos” antes de “ouviremos”; somente onde há bitul a Luz Infinita pode ser revelada.
- Autossacrifício (mesirut nefesh)מסירות נפש
- A disposição de entregar a vida em vez de separar-se da unidade de D'us. Provém de um amor acima da razão e alcança Sua essência, além da luz que dá vida aos mundos.
- Despertar de baixo e do altoאתערותא דלתתא / אתערותא דלעילא
- Uma iniciativa que começa com a pessoa e atrai uma resposta do alto, como em Purim, em contraste com uma iniciativa do alto que desperta uma resposta de baixo, como no Sinai.
- Mah e Banמ״ה וב״ן
- Dois Nomes de D'us na Cabalá: Mah (“o quê?”) representa o verdadeiro bitul; Ban, a descida e um bitul menor. O maamar os utiliza para “dar à luz um macho” e “dar à luz uma fêmea”.
- Revestimento (hislabshut)התלבשות
- Uma luz revelada não abertamente, mas dentro de um revestimento, como o milagre de Purim estava revestido na natureza; quanto mais elevada a luz, mais baixo é o lugar em que ela está revestida.
Por que a alegria de Purim é maior e por que o Sinai foi “forçado” ¶1
1חייב אינש לבסומי בפוריא12 עד דלא ידע בין ארור המן לברוך מרדכי. וצ״ל [וצריך להיות / וצריך לומר / וצריך להבין] מפני מה שמחת פורים גדולה הרבה משמחת יום טוב
“A pessoa é obrigada a embriagar-se em Purim até não distinguir [a diferença] entre ‘Maldito é Haman’ e ‘Bendito é Mordechai’.” Agora é preciso compreender por que a alegria de Purim é muito maior que a alegria de Yom Tov.
O maamar começa com a decisão de Rava no Talmud de que, em Purim, é preciso beber até já não se conseguir distinguir “Maldito é Haman” de “Bendito é Mordechai”. Pergunta por que a alegria de Purim deveria ser muito maior que a alegria das próprias festas da Torá.
(דחייבי׳ [דחייבין] בהו בשמחה מדאורייתא ועכ״ז [ועם כל זה] ודאי אין לבסומי כ״כ [כל כך]. וכמ״ש הרמב״ם [הרבי משה בן מימון]3 גבי שמחת יו״ט [יום טוב] לא ימשך ביין4 כו׳) שנעשה בהם ניסים לאבותינו כמו בפסח קי״ס [קריעת ים סוף] ובשבועות מ״ת [מתן תורה] כו׳.5
(pois nelas [nas festas] somos obrigados a alegrar-nos por determinação da Torá, e, ainda assim, certamente não se deve embriagar-se a tal ponto, como escreve o Rambam a respeito da alegria de Yom Tov: “não se deve deixar levar pelo vinho”, etc.), nas quais foram realizados milagres para nossos antepassados, como em Pêssach, com a Abertura do Mar dos Juncos, e em Shavuot, com a Entrega da Torá, etc.
Nas festas, a própria Torá ordena a alegria; ainda assim, o Rambam determina que mesmo então a pessoa não deve deixar-se levar pelo vinho. Portanto, é preciso explicar a alegria sem limites de Purim. As festas também recordam grandes milagres, como a Abertura do Mar em Pêssach e a Entrega da Torá em Shavuot.
ובמעלה הרי היו״ט [היום טוב] קדושים יותר שאסורים בעשיית מלאכה. משא״כ בפורים דמרדכי גזר ולא קבלו עלייהו.6
E, quanto à sua grandeza, certamente as festas são mais sagradas, pois nelas é proibido realizar trabalho, ao contrário de Purim, pois “Mordechai decretou, mas eles não aceitaram sobre si”.
Surge uma segunda dificuldade: em santidade, as festas estão acima de Purim, pois nelas o trabalho é proibido. Em Purim, o trabalho é permitido: Mordechai decretou que não se trabalhasse, mas, como relata o Talmud, o povo não aceitou essa proibição sobre si.
ויובן בהקדים ענין וקבל היהודים7 את אשר החלו לעשות. דפי׳ החלו היינו בשעת מתן תורה.
Isso será compreendido após introduzir o tema de “E os judeus aceitaram aquilo que haviam começado a fazer”. Pois “haviam começado” significa no momento da Entrega da Torá.
Para responder, o maamar primeiro explica o versículo “E os judeus aceitaram aquilo que haviam começado a fazer”. “Aquilo que haviam começado” refere-se à Entrega da Torá no Sinai; assim, em Purim, os judeus completaram uma aceitação que começara naquele momento.
וכמאמר רז״ל [רבותינו זכרונם לברכה] ע״פ קימו וקבל היהודים8 קיימו מה שקבלו כבר9 כי בשעת מתן תורה כפה עליהם הר כגיגית כו׳.
Como disseram nossos Sábios, de abençoada memória, a respeito do versículo “Os judeus confirmaram e aceitaram”: “Confirmaram aquilo que já haviam aceitado”. Pois, no momento da Entrega da Torá, “Ele suspendeu a montanha sobre eles como um barril”, etc.
O Talmud interpreta “Os judeus confirmaram e aceitaram” como “confirmaram aquilo que já haviam aceitado”. O contexto é o ensinamento talmúdico de que, no Sinai, D'us suspendeu a montanha sobre o povo como um barril virado, de modo que a primeira aceitação da Torá ocorreu sob coação.
ומכאן מודעא רבא לאורייתא אלא דהדר וקבלוה בימי אחשורוש כו׳. וצ״ל [וצריך להיות / וצריך לומר / וצריך להבין] מפני מה נחשב מה שכפה עליהם הר כו׳ יותר אונס ממעשה דאחשורוש.1011
“E daí decorre uma grande alegação de coação (moda'a rabba) contra a Torá”, exceto que “eles a aceitaram novamente nos dias de Achashverosh”, etc. Agora é preciso compreender por que o fato de Ele ter suspendido a montanha sobre eles, etc., é considerado uma coação maior que o episódio de Achashverosh.
Como a Torá foi aceita inicialmente sob tamanha coação, o Talmud diz que disso decorre “uma grande alegação de coação” (moda'a rabba), uma base legal para alegar que o compromisso não era vinculante; porém, nos dias de Achashverosh, os judeus a aceitaram novamente por vontade própria. O maamar pergunta por que o Sinai é considerado uma coação maior que os dias de Achashverosh, quando o decreto de Haman ameaçava todos os judeus de morte.
O maamar começa com duas perguntas: por que a alegria de Purim, que ultrapassa a razão, supera a das festas, que são mais sagradas e proíbem o trabalho; e por que a aceitação da Torá no Sinai é considerada forçada, enquanto a aceitação nos dias de Achashverosh, sob ameaça de morte, é considerada livre.
Moda'a é um termo legal: uma declaração de que um compromisso está sendo assumido sob coação, o que o invalida. O maamar responderá que o que tornou “forçada” a aceitação no Sinai não foi o temor, mas um amor avassalador revelado do Alto, enquanto em Purim o autossacrifício veio dos próprios judeus.
Marei mekomot
- 1חייב אינש לבסומי בפוריא · הנחת כ״ק אדמו״ר הצ״צ בבוך תקע״א בכותרת ”פורים יום א׳ תשא”. נדפס בסה״מ תקע״א ע׳ קכד. וראה שם ע׳ קלו. באוה״ת מג״א (תש״נ) ע׳ רפח המאמר עם הגהות. ראה לעיל בציונים לכ״ק אדמו״ר זי״ע. באוה״ת מג״א ע׳ רעט מתחיל לבאר הקושיא הראשונה, ע״ש בארוכה.
- 2חייב אינש לבסומי בפוריא · Megillah 7b:7–8
- 3וכמ״ש הרמב״ם · הל׳ יו״ט פ״ו ה״כ.
- 4לא ימשך ביין · Mishneh Torah, Rest on a Holiday 6:20
- 5בפסח קי״ס ובשבועות מ״ת כו׳ · בסה״מ תקע״א ע׳ קכד ”וכן בסוכות בענני כבוד”.
- 6דמרדכי גזר ולא קבלו עלייהו · Megillah 5b
- 7וקבל היהודים · Esther 9:23
- 8קימו וקבל היהודים · Esther 9:27
- 9וכמאמר רז״ל ע״פ קימו . . מה שקיבלו כבר · Shabbat 88a:5
- 10יותר אונס ממעשה דאחשורוש · בספה״מ תקע״א ע׳ קכה ”וזה פלא לכאורה דהרי בימי אחשורוש הי׳ אונס יותר כי המן ביקש להשמיד את כל היהודים כו׳”.
- 11בלקו״ש ח״ז ע׳ 27 הערה 55 העיר · בלקו״ת ויקרא ד, ג מציין כ״ק אדמו״ר הצ״צ לד״ה זה בשם ”דרוש פורים” — וי״ל שלכן נק׳ דרוש זה בשם ”דרוש פורים” סתם — אף שישנם כמה דרושים המדברים בעניני פורים — כי במצוה זו [עד דלא ידע] מתבטא ענין פורים. אלא שמ״מ אינו מציין ל”דרוש המתחיל חייב אינש כו׳ עד דלא ידע” — אף שכוונתו ב”דרוש פורים” הוא לענין ”חייב כו׳ עד דלא ידע” שבפורים — כי אז, מכיון שאופן הציון בכ״מ הוא ל”ד״ה כו׳”, לא הי׳ ניכר שמרמז בזה איזה ענין, ובמילא לא היינו יודעים שכוונתו היא (גם) לענין ”חייב כו׳ עד דלא ידע”, כ״א לדרוש המתחיל חייב כו׳, ולכן מציין ל”דרוש פורים”. עכ״ל ע״ש. ובלקו״ת תזריע כא, ג מציין לד״ה זה: לד״ה עד דלא ידעי בין כו׳.
Perguntas sobre a Torá e seu estudo ¶2–3
2והנה מתחלה צ״ל [צריך להיות / צריך לומר / צריך להבין] מהו ענין מתן תורה. וגם מה שארז״ל [שאמרו רבותינו זכרונם לברכה] אשרי מי שבא לכאן ותלמודו בידו1 הלא בג״ע [בגן עדן] מתענגים מגילוי אוא״ס [אור אין סוף] ב״ה. ומה שייך בזה שיהיה דוקא תלמודו בידו שהם הלכות שנתלבשו בענינים גשמיים.
Ora, primeiro é preciso compreender qual é o significado da Entrega da Torá. E também o que disseram nossos Sábios, de abençoada memória: “Feliz é aquele que chega aqui com seu estudo na mão.” Certamente, no Gan Éden, [as almas] deleitam-se com a revelação da Luz Infinita (Or Ein Sof), bendito seja Ele. Que relação há, então, com isso, o fato de que alguém deve chegar especificamente [com] seu estudo na mão, que consiste em leis revestidas de assuntos físicos?
Duas perguntas adicionais: qual é o significado interior da Entrega da Torá, e por que os Sábios elogiam aquele que chega ao Mundo Vindouro “com seu estudo na mão”? No Gan Éden, as almas já se deleitam com a revelação da luz infinita de D'us; por que, então, deveria importar que a pessoa traga consigo as leis da Torá, que tratam de coisas físicas?
O parágrafo pergunta qual é o verdadeiro significado da Entrega da Torá e por que o estudo da Torá, que trata de assuntos físicos, deveria ter importância para as almas que já se deleitam com a luz de D'us no Gan Éden.
Marei mekomot
- 1שארז״ל אשרי . . ותלמודו בידו · Pesachim 50a:7–8
3וגם מ״ש רז״ל [רבותינו זכרונם לברכה]1 שכל מי שאפשר לו לעסוק בתורה ואינו עוסק עליו נאמר כי דבר2 ה׳ בזה הכרת תכרת הנפש.
E também aquilo que nossos Sábios, de abençoada memória, disseram: que todo aquele que pode ocupar-se com a Torá e não se ocupa, a respeito dele foi dito: “Pois desprezou a palavra de D'us […] a alma será certamente extirpada.”
Uma terceira questão diz respeito ao ensinamento dos Sábios de que aquele que pode estudar Torá e não o faz está incluído no versículo “Pois desprezou a palavra de D'us […] a alma será certamente extirpada.” Ser “extirpado” (caret) está entre as penas mais graves mencionadas pela Torá.
וזה תמוה לכאורה דמאחר שמי שא״א [שאי אפשר]3 לו לעסוק בתורה כ״כ [כל כך] יוצא י״ח [ידי חובתו] בפרק א׳ שחרית ופרק א׳ ערבית א״כ [אם כן] למה יהי׳ [יהיה] האפשר לו לעסוק ואינו עוסק גדול עונו כ״כ [כל כך] לומר עליו הכרת תכרת כו׳.
À primeira vista, isso é intrigante. Uma vez que aquele que não pode ocupar-se tanto com a Torá cumpre sua obrigação com um capítulo pela manhã e um capítulo à noite, por que o pecado daquele que pode ocupar-se com ela e não se ocupa seria tão grande a ponto de se dizer a seu respeito: “será certamente extirpado”, etc.?
A dificuldade é a seguinte: o Talmud ensina que um capítulo pela manhã e outro à noite cumprem o dever de estudar Torá, e isso basta para quem não pode estudar mais. Por que, então, aquele que dispõe de mais tempo, mas não o aproveita, é julgado com tamanha severidade, como alguém que despreza a palavra de D'us?
Mas a questão é a seguinte: a Torá é chamada “a parábola do Primordial”, como está escrito: “Como diz a parábola do Primordial: dos perversos sai a perversidade.”
A resposta começa aqui: a Torá é chamada “a parábola do Primordial”, conforme as palavras de David a Shaul: “Como diz a parábola do Primordial: dos perversos sai a perversidade.” Uma parábola é o meio pelo qual se apreende uma ideia mais profunda, e o maamar mostrará que a Torá é esse meio para apreender o próprio D'us.
O parágrafo pergunta por que deixar de estudar Torá quando se poderia fazê-lo é julgado com tamanha severidade, visto que um pouco de estudo cumpre a obrigação, e apresenta a chave para todas as questões: a Torá é “a parábola do Primordial”.
Marei mekomot
- 1מ״ש רז״ל · Sanhedrin 99a:19
- 2כי דבר ה׳ בזה · Numbers 15:31
- 3דמאחר שמי שא״א · ראה אוה״ת נ״ך כרך ע׳ תרמו.
- 4כאשר יאמר משל הקדמוני · I Samuel 24:14
- 5בפרק א׳ שחרית ופרק א׳ ערבית · Menachot 99b:16–17
A Torá, parábola do Primordial ¶4–10
4והוא מ״ש והאלקים אנה לידו.12 וכן שלמה המלך ע״ה [עליו השלום] אמר להבין משל ומליצה3 כו׳. והענין כי פי׳ הקדמוני היינו קדמונו של עולם4 שהוא אור א״ס [אין סוף] ב״ה עצמו.
E é isso que está escrito: “Mas D'us fez com que lhe sobreviesse.” E também o rei Shlomo, de abençoada memória, disse: “Para compreender um provérbio e um enigma”, etc. A questão é que o significado de “o Primordial” é o Primordial do mundo (kadmono shel olam), que é a própria Luz Infinita (Or Ein Sof), bendito seja Ele.
O provérbio “Do perverso procede a perversidade” é associado ao versículo da Torá sobre uma morte acidental: “Mas D'us fez com que lhe sobreviesse”; e também o rei Shlomo fala de compreender “um provérbio e um enigma”. Agora, o maamar define o termo: “o Primordial” significa kadmono shel olam, Aquele que precede o mundo, a própria Luz Infinita.
כי בחי׳ סובב כל עלמין וממלא כל עלמין זהו מה שנמשך ממנו ית׳ הארה להיות חיות להעולמות.
Pois o nível da luz que circunda todos os mundos (sovev kol almin) e da luz que preenche todos os mundos (memalê kol almin) é aquilo que é emanado Dele, bendito seja, como um raio de luz, para ser a força vital dos mundos.
A luz que “preenche todos os mundos” (memalê) e a luz que “circunda todos os mundos” (sovev) não são a essência de D'us, mas uma irradiação emanada Dele para dar vida aos mundos. A primeira penetra cada mundo de acordo com sua capacidade; a segunda é grande demais para penetrar e influencia os mundos de fora.
O parágrafo define “o Primordial” como a própria Luz Infinita, em contraste com as duas luzes, memalê e sovev, que são apenas uma irradiação Dele dirigida aos mundos.
Marei mekomot
- 1והאלקים אנה לידו · Exodus 21:13
- 2והאלקים אנה לידו · Makkot 10b:3–4
- 3להבין משל ומליצה · Proverbs 1:6
- 4קדמונו של עולם · Rashi on I Samuel 24:14
5וא״כ [ואם כן] בחי׳ זו היא שייך לעולמות. כי גם בחי׳ סובב הוא בחי׳ ששייך לעלמין שהוא מה שמחיה העולמות רק שהוא בחי׳ אור מקיף. וממכ״ע [וממלא כל עלמין] הוא בחי׳ אור פנימי.
Se assim é, esse nível está relacionado aos mundos. Pois também o nível da luz que circunda todos os mundos (sovev kol almin) é um nível relacionado aos mundos, uma vez que é aquilo que lhes dá vida, apenas sendo o nível de uma luz circundante (Or Makif); e a luz que preenche todos os mundos (memalê kol almin) é o nível de uma luz interior (Or Pnimi).
Ambas essas luzes estão relacionadas aos mundos. Sovev também dá vida aos mundos, mas como uma luz circundante (Or Makif), que os influencia de fora, enquanto memalê é uma luz interior (Or Pnimi), que penetra neles.
אבל מהותו ועצמותו1 ית׳ אינו בגדר עלמין כלל ולא שייך לומר עליו סוכ״ע [סובב כל עלמין] כו׳ ולכן נק׳ קדמונו של עולם.2
Mas Seu ser e Sua essência, bendito seja Ele, não estão de modo algum na categoria dos mundos, e não cabe dizer a Seu respeito que Ele é sovev kol almin, etc. Por isso, Ele é chamado de o Primordial do mundo.
O próprio ser e a essência de D'us, porém, não pertencem de modo algum à categoria dos mundos; nem sequer é correto chamá-Lo de “Aquele que circunda todos os mundos”. Por isso, Ele é chamado de o Primordial do mundo: Ele precede e transcende qualquer relação com o mundo.
Como memalê e sovev são ambos definidos por sua relação com os mundos, o parágrafo reserva o nome “Primordial do mundo” para a essência de D'us, que não tem tal relação.
Marei mekomot
- 1אבל מהותו ועצמותו · ראה ד״ה ועשית חג שבועות תש״ה ע׳ 186.
- 2ולכן נק׳ קדמונו של עולם · בהנחת כ״ק הצ״צ נוסף: ”(כי קדם אינו כמו תחלה שהתחלה יש לה אמצע וסוף והיינו בבחי׳ השתלשלות שחכמ׳ נק׳ ראשית כו׳ אבל הקדם הוא שהוא יחיד ומיוחד ואין עוד מלבדו והוא קדמון לכל הקדומי׳)”.
6והתורה שנק׳ משל הקדמוני היינו שהתורה היא משל לבחי׳ קדמונו של עולם שכמו שע״י המשל יושג הנמשל כך ע״י שתלמודו בידו יזכה לגלוי מבחי׳ זיו ואור מא״ס [מאין סוף] ב״ה מה שלמעלה מבחי׳ סוכ״ע [סובב כל עלמין] וממכ״ע [וממלא כל עלמין].
E a Torá, que é chamada “a parábola do Primordial do mundo”, isto é, a Torá é uma parábola do nível do Primordial do mundo. Assim como, por meio da parábola, apreende-se aquilo que ela ilustra, assim também, por ter seu estudo em mãos, a pessoa merecerá uma revelação do nível do esplendor e da luz do Infinito (Ein Sof), bendito seja Ele: aquilo que está acima do nível de sovev kol almin e memalê kol almin,
Assim como a parábola é o meio de apreender a ideia que ela ilustra, a Torá é o meio de apreender o Primordial. Por ter o estudo “em mãos”, a alma merece uma revelação do esplendor de D'us proveniente de um nível acima tanto de sovev como de memalê.
O parágrafo aplica a definição: a Torá, “a parábola do Primordial”, dá à alma acesso a uma luz superior às luzes que se relacionam com os mundos.
7ואינו בגדר עלמין כלל. כי הנה בהשגת התורה יש רבוי מדרגות אין קץ בעילוי אחר עילוי כמו מהות ההשגות שבג״ע [שבגן עדן] התחתון אינן ערוך למהות ההשגה שמשיגים בג״ע [בגן עדן] העליון
e não está de modo algum na categoria dos mundos. Pois, na compreensão da Torá, há inúmeros níveis, sem fim, cada um mais elevado que o anterior. Por exemplo, a natureza das compreensões no Gan Éden inferior não tem comparação com a natureza da compreensão alcançada no Gan Éden superior.
Essa luz superior está além da categoria dos mundos. A própria compreensão da Torá tem níveis sem fim, cada um além do anterior: aquilo que as almas apreendem no Gan Éden inferior não pode sequer ser comparado ao que é apreendido no Gan Éden superior.
ולכן ההשגות שבג״ע [שבגן עדן] התחתון לגבי השגה שבג״ע [שבגן עדן] העליון הוא רק כמו ערך המשל לגבי הנמשל.
Portanto, as compreensões no Gan Éden inferior, em relação à compreensão no Gan Éden superior, são apenas como a relação de uma parábola com aquilo que ela ilustra.
Assim, a compreensão inferior está para a superior como uma parábola está para a ideia que ela ilustra.
O parágrafo mostra que a relação entre parábola e ideia se repete em cada nível da compreensão da Torá, começando pelo Gan Éden inferior e o superior.
8ועד״ז [ועל דרך זה] יש מדרגות אין קץ וגם למעלה מג״ע [מגן עדן] העליון. וכמ״ש וקדושים בכל יום1 יהללוך סלה.
Do mesmo modo, há níveis sem fim, mesmo acima do Gan Eden superior, como está dito: “E os santos Te louvam todos os dias, selá.”
A ascensão prossegue sem fim, mesmo acima do Gan Eden superior. O maamar encontra isso nas palavras da Amidá: “os santos Te louvam todos os dias, selá”; versões paralelas deste maamar explicam que os “santos” são as almas no Gan Eden, que não têm corpo.
וכמ״ש בלקוטי הש״ס [הששה סדרים] להאריז״ל [להאר״י זכרונו לברכה]2 על מארז״ל [מאמר רבותינו זכרונם לברכה] צדיקים אין להם מנוחה3 לא בעוה״ז [בעולם הזה] ולא בעוה״ב [בעולם הבא] שנאמר ילכו מחיל אל חיל.45
E, como está escrito em Likkutei HaShas, do Arizal, de abençoada memória, sobre o ensinamento de nossos Sábios, de abençoada memória: “Os justos não têm repouso, nem neste mundo nem no Mundo Vindouro, como está dito: ‘Eles vão de força em força.’”
Likkutei HaShas, do Arizal, comenta o ensinamento que encerra o Talmud: os justos não têm repouso neste mundo nem no Mundo Vindouro, pois “eles vão de força em força”. Mesmo no Mundo Vindouro, a alma continua a ascender de um nível ao seguinte.
O parágrafo demonstra, com base na liturgia e nos ensinamentos dos Sábios, que a ascensão da alma prossegue sem fim, mesmo além do Gan Eden superior.
A formulação do Talmud é “os estudiosos da Torá não têm repouso”; a nota da Kehot explica que “os justos” segue a versão do Shelah em sua introdução Beis Chochmah, e que a transcrição em Sefer HaMaamarim 5571 traz “estudiosos da Torá”. O Alter Rebe discute o comentário do Arizal em Iggeres HaKodesh 17.
Marei mekomot
- 1וקדושים בכל יום · בסה״מ תקע״א ע׳ קכז ובאוה״ת מג״א ע׳ רפט כ׳ ”וקדושים הן הנשמות שבלא גוף בג״ע” ע״ש.
- 2בלקוטי הש״ס להאריז״ל · סוף ברכות. ראה גם תניא אגה״ק סי׳ יז.
- 3צדיקים אין להם מנוחה · סוף ברכות. וע״פ גירסת השל״ה בהקדמה בית חכמה (יז, א). עמק המלך שער דיקנא קדישא פ״ח (סא, ג). וראה לעיל פ׳ שמות מט, א. ובלקו״ש חי״ד ע׳ 179. חט״ו ע׳ 137 הערה 5. בסה״מ תקע״א ע׳ קכז הגירסא ”ת״ח”.
- 4ילכו מחיל אל חיל · Psalms 84:8
- 5אין להם מנוחה לא בעוה״ז ולא בעוה״ב שנאמר ילכו מחיל אל חיל · Berakhot 64a:12–13
9וכל השגה לגבי מה שלמעלה ממנה נק׳ משל. וז״ש [וזהו שכתוב] בשלמה וידבר שלשת אלפים משל.1 פי׳ על כל דבר מד״ת [מדברי תורה].2
E toda compreensão, em relação ao que está acima dela, é chamada de parábola. E é isso que está escrito sobre Shlomo: “E ele falou três mil parábolas”; isto é, sobre cada assunto das palavras da Torá.
Cada nível de compreensão, quando comparado ao nível acima dele, é apenas uma parábola. Por isso, os Sábios interpretam “ele falou três mil parábolas”, a respeito de Shlomo, como três mil parábolas sobre cada assunto da Torá.
דהיינו שהדבר הזה מושג בג״ע [בגן עדן] התחתון כך ובג״ע [ובגן עדן] העליון דבר זה עצמו הוא בענין רוחני ונעלה יותר עד שבחי׳ ראשונה הוא רק
Isto é, este assunto é apreendido no Gan Eden inferior desta maneira, enquanto no Gan Eden superior este mesmo assunto se encontra numa forma mais espiritual e mais elevada, até que o primeiro nível é apenas
Por exemplo, um assunto da Torá é compreendido de uma maneira no Gan Eden inferior, enquanto no Gan Eden superior esse mesmo assunto é apreendido de uma forma muito mais espiritual e elevada. A primeira compreensão torna-se, então, nada além de uma parábola para a segunda.
כמו משל לבד לבחי׳ זו והשיג כך שלשת אלפים מדרגות על כל דבר מדברי תורה. ובאמת נאמר יהללוך סלה בלי קץ כו׳ וזהו ולתבונתו אין מספר.34
como uma mera parábola para este nível. E, desse modo, ele apreendeu três mil níveis em cada assunto das palavras da Torá. E, na verdade, foi dito: “Eles Te louvam, selá”, sem fim, etc. E este é o sentido de “E Seu entendimento não tem número”.
Shlomo apreendeu três mil desses níveis em cada assunto da Torá. Contudo, na verdade, os níveis não têm fim, como indica “selá” em “Eles Te louvam, selá”, e como diz o versículo a respeito de D'us: “Seu entendimento não tem número”.
O parágrafo generaliza: cada nível de compreensão é uma parábola para o nível acima dele; assim, as três mil parábolas de Shlomo são três mil níveis de cada ensinamento, e essa escada não tem fim.
Marei mekomot
- 1וידבר שלשת אלפים משל · I Kings 5:12
- 2וידבר שלשת אלפים משל. פי׳ על כל דבר מד״ת · Eruvin 21b:21
- 3ולתבונתו אין מספר · Psalms 147:5
- 4חיל — וכל השגה לגבי מה שלמעלה ממנה נק׳ משל · בהנחת כ״ק הצ״צ נוסף: ”כמו המשל שהוא בדמות הנמשל רק במציאות מגושם ממנו כו׳ כן הוא כל השגה לגבי שלמעלה הימנה הגם שהם הכל בבחי׳ א׳ רק שזה באופן גשמי כו׳ ונק׳ משל)”.
Ora, “a Torá provém de Chochmá (sabedoria)”, e ela é a fonte e a raiz de todos os níveis de compreensão mencionados acima, como está escrito: “E um rio sai do Éden”, etc.
O Zohar ensina que a Torá “provém de Chochmá”, a sabedoria de D'us, e que essa Chochmá é a fonte de todos os níveis de compreensão descritos acima. Na Cabalá, Éden, no versículo “um rio sai do Éden”, representa Chochmá, a fonte da qual tudo o mais flui.
ובחי׳ ח״ע [חכמה עילאה] עצמה3 היא בחי׳ משל לבחי׳ קדמונו של עולם ממש כי הגם שאור א״ס [אין סוף] ב״ה מרומם ומתנשא לאין קץ מבחי׳ חכמה וכל הע״ס [העשר ספירות] שראשיתן היא בחי׳ חכמה נק׳ בזהר רזא דשמא קדישא4
E o nível da Chochmá superior (Chochmá Ilaá), em si, é um nível de parábola para o próprio nível do Primordial do mundo. Pois, embora a Luz Infinita (Or Ein Sof), bendita seja Ele, seja exaltada e elevada infinitamente acima do nível de Chochmá, e todas as Dez Sefirot, cuja primeira é o nível de Chochmá, sejam chamadas no Zohar de “o mistério do Nome santo” (raza dishma kadisha),
Até mesmo a Chochmá superior (Chochmá Ilaá), a primeira das Sefirot, é apenas uma “parábola” para o Primordial. A Luz Infinita está infinitamente acima de Chochmá, e o Zohar chama as dez Sefirot de “o mistério do Nome santo”: um nome, não a essência.
כמו השם שקוראים לאדם שאינו נוגע לעצמותו ומהותו כלל (וכמש״ל [וכמה שכתוב לעיל] פ׳ תרומה בד״ה מי יתנך) מ״מ [מכל מקום] אור א״ס [אין סוף] ב״ה שורה ומתלבש בחכמה5 עלאה.
como o nome pelo qual uma pessoa é chamada, que não toca em nada sua essência e seu ser (como explicado acima, na Parashat Terumá, no discurso que começa com “Mi yitencha”), ainda assim a Luz Infinita, bendita seja Ele, repousa e Se reveste na Chochmá superior.
O nome de uma pessoa não toca em nada sua essência, mas, ainda assim, ela responde a esse nome. Da mesma forma, embora a Luz Infinita esteja além de Chochmá, repousa e Se reveste, ainda assim, na Chochmá superior.
כמ״ש הוי״ה בחכמה. ולכן התורה דמחכמה נפקת נקראת משל הקדמוני דכמו המשל אע״פ [אף על פי] שאינו ממהות הנמשל כלל עכ״ז [עם כל זה] הנמשל מלובש בתוך המשל ובו
Como está escrito: “Havayá em Chochmá...” E, por isso, a Torá, que provém de Chochmá, é chamada “a parábola do Primordial”. Pois, assim como uma parábola — embora não seja, de modo algum, da mesma natureza que aquilo que ilustra — contém, ainda assim, aquilo que ilustra, revestido nela, e por meio dela
O versículo “Havayá, com Chochmá [fundou a terra]” é interpretado como significando que D'us está presente em Chochmá. Por isso, a Torá, que provém de Chochmá, é “a parábola do Primordial”: a parábola não é da mesma substância que seu ensinamento, mas este está revestido nela.
ועל ידו דוקא ישיגו הנמשל. כך החכמה והתורה היא לבוש לאוא״ס [לאור אין סוף] ב״ה. וכמ״ש עטה אור כשלמה.6
é especificamente por meio dela que se compreende aquilo que é ilustrado. Assim, Chochmá e a Torá são uma vestimenta para a Luz Infinita, bendita seja Ele, como está escrito: “Ele Se envolve de luz como de uma vestimenta.”
Somente por meio da parábola se compreende o ensinamento. Do mesmo modo, Chochmá e a Torá são uma vestimenta para a Luz Infinita, como diz o versículo: D'us “Se envolve de luz como de uma vestimenta”.
לכן ע״י עסק התורה יוכל ליהנות מזיו אור א״ס [אין סוף] ב״ה ממש מבחי׳ קדמונו של עולם.
Portanto, por meio do estudo da Torá, a pessoa pode desfrutar do próprio esplendor da Luz Infinita, bendita seja Ele, do nível do Primordial do mundo.
Portanto, o estudo da Torá permite à pessoa desfrutar do próprio esplendor da Luz Infinita, do nível do Primordial do mundo.
(והענין כמ״ש באגה״ק [באגרת הקודש] ד״ה אשת חיל עט״ב [עטרת בעלה]7 והנה אור זה הגנוז לצדיקים לעתיד לבוא הנק׳ בשם נועם ה׳ וצחצחות להתענג כו׳. שהוא הארה מבחי׳ עתיק שבו הוא בחי׳ הצחצחות כמבואר בע״ח [בעץ חיים] והוא בחי׳ פנימי׳ [פנימיות / פנימית] הכתר.
(O assunto é como está escrito em Iggeret HaKodesh, no trecho que começa com “Eishes chayil ateres baalah”: “Ora, esta luz, que está oculta para os justos no Mundo Vindouro, chamada ‘o deleite de D'us’ e ‘tzachtzachot’ (radiâncias deslumbrantes), para deleitar”, etc.; ela é uma irradiação do nível de Atik, no qual está o nível das tzachtzachot, como explicado em Etz Chaim; e é o nível da dimensão interior (pnimiyut) de Kéter (a Coroa).
Um longo parêntese fundamenta isso em Iggeret HaKodesh, que fala da luz ocultada para os justos no Mundo Vindouro, chamada “o deleite de D'us” e “tzachtzachot” (radiâncias deslumbrantes). O maamar a identifica como uma irradiação do nível de Atik, a dimensão interior de Kéter (a Coroa, o nível da vontade e do deleite acima do intelecto), onde Etz Chaim situa as tzachtzachot.
דהנה רצון העליון הוא נק׳ סוכ״ע [סובב כל עלמין] כמבואר במ״א בענין כל אשר חפץ8 ה׳ עשה ורצון העליון נק׳ כתר. ולכן כתר הוא מלשון כתרו את בנימין9 דפי׳ מקיף והיינו סוכ״ע [סובב כל עלמין] אך זהו הבחי׳ שבכתר שנק׳ שורש הנאצלים.
Pois a vontade suprema é chamada sovev kol almin (a luz que circunda todos os mundos), como explicado em outro lugar a respeito de “Tudo o que D'us desejou, Ele fez”; e a vontade suprema é chamada Kéter. Portanto, Kéter deriva da expressão “eles cercaram (kitru) Binyamin”, que significa circundar, e isso é sovev kol almin. Mas esse é o nível dentro de Kéter chamado raiz dos seres emanados.
A vontade suprema é chamada sovev, a luz que circunda todos os mundos, como em “Tudo o que D'us desejou, Ele fez”: Sua vontade faz com que tudo passe a existir. Ela também é chamada Kéter, palavra relacionada a “eles cercaram (kitru) Binyamin”, pois uma coroa circunda; esse nível exterior de Kéter é “a raiz dos seres emanados”, a fonte das Sefirot de Atsilut.
אמנם בחי׳ עתיק שהוא פנימי׳ [פנימיות / פנימית] הכתר הוא למעלה מבחי׳ זו כי הוא בחי׳ תחתונה שבא״ס [שבאין סוף]10 לכן לא שייך לקרותו אפילו שרש לנאצלים.
No entanto, o nível de Atik, que é a dimensão interior de Kéter, está acima desse nível, pois é o nível mais baixo dentro do Ein Sof; por isso, não convém chamá-lo sequer de raiz dos seres emanados.
Atik, a dimensão interior de Kéter, é ainda mais elevado: é o nível mais baixo do próprio Ein Sof e, portanto, não pode sequer ser chamado de raiz daquilo que é emanado.
וזהו פי׳ עתיק יומין11 שנעתק ונבדל מבחי׳ ימות עולם כמ״ש המתנשא מימות עולם12 ובחי׳ זו הוא הנק׳ קדמונו של עולם13 שאינו בגדר עלמין שהוא מובדל ומרומם גם מהיות נק׳ סוכ״ע [סובב כל עלמין] שזה אינו
E este é o significado de Atik Yomin (o Ancião dos Dias): que está afastado (ne’etak) e separado do nível dos dias do mundo, como está escrito: “Aquele que Se eleva acima dos dias do mundo.” Este nível é chamado de o Primordial do mundo, que não se enquadra na categoria dos mundos, pois está separado e elevado até mesmo acima de ser chamado de a luz que circunda todos os mundos (sovev kol almin), pois isso é
O nome Atik Yomin (o Ancião dos Dias) é entendido como ne’etak, “afastado”, dos “dias” do mundo, como na oração matinal: “Aquele que Se eleva acima dos dias do mundo.” Este é o nível chamado de o Primordial do mundo, que está além até mesmo de ser a luz que circunda todos os mundos.
רק הבחי׳ השנית שבכתר הנק׳ שרש הנאצלים דהיינו בחי׳ סוכ״ע [סובב כל עלמין] וגם נק׳ ע״י קדמונו של עולם שהוא נמשך ממל׳ [ממלכות] דא״ק [דאדם קדמון] כו׳ ואיך זוכים הצדיקים לגילוי אור זה זהו ע״י הלבושים הנעשים מהתורה ומצות כמש״ש [כמה שכתוב שם] באגה״ק [באגרת הקודש].
apenas o segundo nível dentro de Kéter, chamado de raiz dos seres emanados, isto é, o nível de sovev kol almin. Atik Yomin também é chamado de o Primordial do mundo, pois é emanado da Malchut (soberania) de Adam Kadmon etc. E como os justos merecem a revelação dessa luz? Isso se dá por meio das vestimentas feitas da Torá e das mitsvot, conforme está escrito ali em Igueret HaKodesh.
Sovev é apenas o segundo nível, exterior, dentro de Kéter. Atik Yomin é chamado de o Primordial do mundo porque deriva da Malchut de Adam Kadmon (Homem Primordial), o nível que precede Atsilut; e os justos merecem sua revelação por meio das “vestimentas” feitas da Torá e das mitsvot, conforme explica Igueret HaKodesh.
וזהו שנק׳ התורה משל הקדמוני. וגם עלזה נאמר ועתיק יומין יתיב14 לבושיה כתלג חיור. דלבושיה קאי על התורה שנמשלה לשלג שהוא עד״מ [על דרך משל] קרישת המים כך הוא ענין המשל שמעלים על הנמשל.
E é por isso que a Torá é chamada de “parábola do Primordial”. E também a isso se refere o que está escrito: “E o Ancião dos Dias sentou-Se; Sua vestimenta era branca como a neve.” “Sua vestimenta” refere-se à Torá, que é comparada à neve: assim como a neve é, por assim dizer, água congelada, assim também a parábola oculta aquilo que ilustra.
É por isso que a Torá é chamada de parábola do Primordial. A visão de Daniel — “o Ancião dos Dias sentou-Se; Sua vestimenta era branca como a neve” — expressa a mesma ideia: a vestimenta é a Torá, comparada à neve, que é água congelada, assim como uma parábola confere à ideia que contém uma forma sólida que a oculta.
וכמ״ש פי׳ לבושיה כתלג בפרשת אחרי ע״פ כי ביום הזה יכפר15 ע״ש [עיין שם] בד״ה הנה חיי כו׳. ולכן איתא בזהר ענין ת׳ עלמין16 דכסופין דירתין צדיקייא שנק׳ ארבע מאות שקל כסף17 עובר לסוחר.18
E como está escrito a respeito do significado de “Sua vestimenta como a neve”, na Parashat Acharei, sobre o versículo “Pois neste dia ele fará expiação”; veja ali, no discurso que começa com “Hinei chayei” etc. Por isso, o Zohar trata dos quatrocentos mundos de anseio (almin dikesufin) que os justos herdarão, chamados de “quatrocentos siclos de prata (kesef), correntes entre os mercadores (over lasocher)”.
O significado de “Sua vestimenta como a neve” é explicado em Likkutei Torah, Parashat Acharei, na explicação do discurso sobre “Pois neste dia ele fará expiação”, que começa com “Hinei chayei”. O Zohar trata dos quatrocentos “mundos de anseio” (kesufin, palavra relacionada a kesef, prata) que os justos herdarão, aludidos nos “quatrocentos siclos de prata” que Avraham pagou pela Gruta de Machpelá.
כי סוחר לשון סחור19 דפי׳ מקיף לסוכ״ע [לסובב כל עלמין] ועלמין דכסיפין ותענוג עליון דירתין צדיקייא לעתיד לבא הוא מבחי׳ שלמעלה מבחי׳ סוכ״ע [סובב כל עלמין] כנ״ל וזהו עובר לסוחר):
Pois socher, “mercador”, está relacionado a sechor, “ao redor”, que significa aquilo que circunda, [referindo-se] a sovev kol almin; e os mundos de anseio e o deleite supremo que os justos herdarão no Mundo Vindouro provêm do nível que está acima do nível de sovev kol almin, como mencionado acima. E isto é “over lasocher”.)
A palavra socher, “mercador”, é entendida como sechor, em aramaico “ao redor”, que significa aquilo que circunda, isto é, sovev. O deleite dos justos no Mundo Vindouro é “over lasocher”, que ultrapassa a luz circundante, pois provém do nível acima de sovev.
O parágrafo explica por que a Torá é a parábola do Primordial: a Luz Infinita está revestida em Chochmá, a fonte da Torá, de modo que o estudo da Torá dá acesso à luz do Primordial. O longo parêntese identifica essa luz como Atik, a dimensão interior de Kéter, que está além até mesmo de sovev e é revelada aos justos por meio das vestimentas da Torá e das mitsvot.
O parêntese distingue dois níveis dentro de Kéter: um exterior, a vontade suprema, raiz de Atsilut, que é sovev; e um interior, Atik, o nível mais baixo de Ein Sof, fonte das tzachtzachot. Kehot observa que essa descrição de Atik segue Etz Chaim, Shaar Drushei ABYA, capítulo 1. Em Iggeret HaKodesh 29, a carta aqui citada, a vontade suprema também é chamada dimensão exterior e “posterior” do deleite supremo.
Marei mekomot
- 1אורייתא מחכמה נפקת · Zohar II, 121a
- 2ונהר יצא מעדן · Genesis 2:10
- 3ההשגות — ובחי׳ ח״ע עצמה · באוה״ת בראשית כרך ז תתנט, ב דכאן בתו״א מבאר דשורש הראשון לבחי׳ משלים אלו הוא חכמה עילאה, ושם [באוה״ת] משמע דע״י המשל אינו מושג רק הדמות ע״ד אסשא״מ, וכאן בתו״א משמע קצת שע״י משל הקדמוני יושג המהות, ע״ש.
- 4נק׳ בזהר רזא דשמא קדישא · ראה לעיל מט, ד.
- 5ה׳ בחכמה · Proverbs 3:19
- 6עטה אור כשלמה · Psalms 104:2
- 7באגה״ק ד״ה אשת חיל עט״ב · סי׳ כט.
- 8כל אשר חפץ ה׳ עשה · Psalms 135:6
- 9כתרו את בנימין · Judges 20:43
- 10עתיק . . בחי׳ תחתונה שבא״ס · ע״ח שער דרושי אבי״ע פ״א. למה שנתבאר כאן בענין עתיק — ראה סה״מ תקס״ה ח״ב ע׳ תתקמ ואילך. [ובמקבילו באוה״ת בראשית כרך ג##]. סה״מ תרל״ו ע׳ שטז ואילך.
- 11פי׳ עתיק יומין · ראה דרך מצותיך מצות וידוי תשובה פרק ב (לח, ב).
- 12המתנשא מימות עולם · ברכת יוצר. ראה לקו״ת אמור לא, ד בענין ימות עולם.
- 13הוא הנק׳ קדמונו של עולם · ראה באוה״ת נ״ך כרך ג ע׳ א׳קעב שמבאר מה שכתוב כאן.
- 14ועתיק יומין יתיב · Daniel 7:9
- 15ע״פ כי ביום הזה יכפר · לקו״ת אחרי כז, ג.
- 16איתא בזהר ענין ת׳ עלמין · פ׳ חיי שרה קכג, ב בתוספתא. ראה לעיל כד, ג. ושם בשם אד״ר קכח, ב (וראה אוה״ת פ׳ חיי שרה ע׳ קטו, ב).
- 17ארבע מאות שקל כסף · Genesis 23:16
- 18דירתין צדיקייא שנק׳ ארבע מאות שקל כסף עובר לסוחר · Zohar, Idra Rabba 3:14–6:25
- 19לשון סחור · Avodah Zarah 17a
As respostas sobre o estudo da Torá ¶11–13
11וזהו שארז״ל [שאמרו רבותינו זכרונם לברכה] אשרי מי שבא לכאן ותלמודו בידו.1 דכמו בנמשל ומשל. א״א [אי אפשר] לעמוד על הנמשל אם לא שיבין מתחלה את המשל אז עי״ז יעמוד על הנמשל.
E é isso que disseram nossos Sábios, de abençoada memória: “Feliz aquele que chega aqui com seu estudo na mão.” Pois, assim como ocorre com o tema ilustrado e sua parábola, é impossível chegar ao tema ilustrado sem primeiro compreender a parábola; somente então, por meio dela, chega-se ao tema ilustrado.
Isso responde à pergunta sobre “seu estudo na mão”. Não se pode alcançar a ideia ilustrada por uma parábola sem primeiro compreendê-la; somente por meio dela se chega à ideia.
ואם יחסר מלהשיג איזו דברים2 מהמשל לא יוכל להשיג את הנמשל כלל (מאחר שהנמשל אין אופן להשיגו כ״א [כי אם] ע״י המשל א״כ [אם כן] כשאינו מבין כל המשל בטוב אין דרך לעמוד על הנמשל).
E, se lhe faltar a compreensão de alguns aspectos da parábola, não poderá compreender de modo algum o tema ilustrado (uma vez que não há maneira de compreender o tema ilustrado senão por meio da parábola, quando não se compreende bem a parábola inteira não há como chegar ao tema ilustrado).
Se alguém não apreende partes da parábola, não pode compreender a ideia de modo algum, pois a parábola é o único caminho até ela.
ועד״ז [ועל דרך זה] כיון שהתורה היא היא בחי׳ המשל שעי״ז יושג קדמונו של עולם ע״כ [על כן] צ״ל [צריך להיות / צריך לומר / צריך להבין] תלמודו בידו3 כשבא לכאן
Do mesmo modo, visto que a Torá é, ela própria, o nível da parábola por meio da qual se apreende o Primordial do mundo, é necessário que o estudo esteja na mão da pessoa quando ela chegar aqui,
Como a Torá é a parábola por meio da qual se apreende o Primordial do mundo, a alma precisa chegar ao Mundo Vindouro com seu estudo “na mão”.
שע״י שמשיג המשל היטיב אז דוקא יוכל לחזות בהנמשל שהוא נועם הוי״ה4 להשביע בצחצחות5 נפשו כו׳. משא״כ כשאין בידו המשל אין לו דרך להשיג בחי׳ הנמשל הנ״ל.
pois, ao apreender bem a parábola, somente então se pode contemplar o tema ilustrado, que é “a agradabilidade de D'us”, para “saciar sua alma com tzachtzachot”, etc. Em contrapartida, quando a parábola não está em sua mão, não há como apreender o nível do tema ilustrado mencionado acima.
Somente apreendendo bem a parábola a alma pode contemplar aquilo que ela transmite: “a agradabilidade de D'us”, o deleite com que os justos “saciam suas almas com tzachtzachot”. Sem a parábola, não há caminho para esse deleite.
O parágrafo responde à pergunta do parágrafo 2: o estudo da Torá é a parábola por meio da qual a alma apreende o Primordial do mundo; por isso, ela precisa levar consigo seu estudo ao Gan Eden.
Marei mekomot
- 1אשרי מי שבא לכאן ותלמודו בידו · Pesachim 50a:7–8
- 2ואם יחסר מלהשיג איזו דברים · ראה בסה״מ תקע״א ע׳ קכז בארוכה.
- 3ע״כ צ״ל תלמודו בידו · בסה״מ תקע״א ע׳ קכח מדייק ”וזהו שאמ׳ ותלמודו בידו כל התלמוד דוקא ולא אמרו סדר א׳ או מס׳ א׳ כי כל המשל צריכים להשגת הנמשל”.
- 4נועם הוי״ה · Psalms 27:4
- 5להשביע בצחצחות · Isaiah 58:11
12ובזה מתורץ ומובן משארז״ל [מה שאמרו רבותינו זכרונם לברכה] דכל מי שאפשר לו לעסוק בתורה ואינו עוסק עליו נאמר הכרת תכרת כו׳.
Com isso, fica resolvido e compreendido o que disseram nossos Sábios, de abençoada memória: que todo aquele que pode dedicar-se à Torá e não se dedica, a seu respeito foi dito: “será certamente extirpado” etc.,
O mesmo princípio resolve agora a questão do parágrafo 3: por que se diz que aquele que poderia estudar Torá e não estuda será “extirpado”.
אע״ג [אף על גב] דמי שא״א [שאי אפשר] לו די לו בפרק א׳ שחרית ופרק א׳ ערבית. והענין כמו ע״ד [על דרך] דוגמא בנמשל ומשל שלמטה שבשכל האדם.
embora, para quem não pode, baste um capítulo pela manhã e um capítulo à noite. A questão é semelhante ao exemplo da coisa ilustrada e à parábola, aqui embaixo, no intelecto humano.
Isso vale embora, para quem não pode estudar mais, baste um capítulo pela manhã e um capítulo à noite. A explicação decorre do modo como as parábolas funcionam no pensamento humano comum.
הנה לא כל השכליים הנק׳ נמשל הם שוים לענין המשלים. שיש שכל ונמשל אשר יכולים לעמוד עליו ע״י משל אחד ופשוט וקל.
Nem todas as ideias chamadas de coisa ilustrada são iguais no que diz respeito às parábolas. Há uma ideia, uma coisa ilustrada, à qual se pode chegar por meio de uma única parábola, simples e fácil.
Nem toda ideia requer as mesmas parábolas: pode-se chegar a uma ideia simples por meio de uma única parábola fácil.
ויש שכל גדול יותר שכדי להשיגו הוא ע״י משלים יותר. וגם המשל הוא נעלה ועמוק יותר
E há uma ideia maior, cuja compreensão exige mais parábolas; e a própria parábola também é mais elevada e profunda
Uma ideia maior requer mais parábolas para ser compreendida, e parábolas mais profundas e elevadas.
(וכמו שידוע מענין משלי שלמה. וכן בר׳ [ברבי] מאיר אמרו משמת ר״מ [רבי מאיר] בטלו מושלי משלים.1 כי מי שחכמתו עמוקה יותר נצרך למשלים יותר כדי לעמוד על ידם על עומק חכמתו.
(como se sabe a respeito das parábolas de Shlomo. E também disseram sobre Rabi Meir: “Quando Rabi Meir morreu, cessaram os que contavam parábolas.” Pois aquele cuja sabedoria é mais profunda necessita de mais parábolas, para que, por meio delas, se possa chegar à profundidade de sua sabedoria.
As muitas parábolas de Shlomo ilustram isso, assim como a afirmação da Mishná: “Quando Rabi Meir morreu, cessaram os que contavam parábolas.” Quanto mais profunda a sabedoria de alguém, mais parábolas são necessárias para transmiti-la.
וכשאין החכמה עמוקה א״צ [אין צריך / אינו צריך] למשל ויכולים להשיגה בלי משל. ולכן כל שהחכמה עמוקה יותר נצרך יותר לרבוי משלים עד שיעמדו עליה עד שלחכמת שלמה היה צ״ל [צריך להיות / צריך לומר / צריך להבין] שלשת אלפים משל.2 ואצל ר״מ [רבי מאיר] תילתא משלי3 כו׳):
E quando a sabedoria não é profunda, não há necessidade de parábola, e é possível compreendê-la sem parábola. Portanto, quanto mais profunda a sabedoria, maior a necessidade de numerosas parábolas para que se possa chegar a ela, a ponto de a sabedoria de Shlomo exigir três mil parábolas. E, no caso de Rabi Meir, um terço [de seu ensinamento consistia em] parábolas etc.)
Uma ideia superficial não necessita de parábola alguma; quanto mais profunda, mais parábolas exige. Assim, a sabedoria de Shlomo necessitou de três mil parábolas, e um terço do ensinamento de Rabi Meir consistia em parábolas.
O parágrafo começa a responder à questão de negligenciar o estudo da Torá por meio de um princípio do pensamento humano: quanto mais profunda uma ideia, mais numerosas e profundas devem ser as parábolas necessárias para transmiti-la.
Marei mekomot
- 1משמת ר״מ בטלו מושלי משלים · Sotah 49a:15–16
- 2שלשת אלפים משל · I Kings 5:12
- 3תילתא משלי · Sanhedrin 38b:22
13וכך הנה גם למעלה הרי אין כל השגות של הנשמות שוים. ויש בהם מדרגות ומעלות אין קץ
Assim também é acima: as compreensões das almas não são todas iguais, e entre elas há níveis e graus sem fim,
Assim também é acima: as compreensões das almas no Gan Eden não são iguais, e há entre elas níveis sem fim.
וכמארז״ל [וכמאמר רבותינו זכרונם לברכה] שכל צדיק נכוה מחופתו של חבירו12 (ולכן מי שדי לו בפרק א׳ שחרית ופרק א׳ ערבית שדי לו במשל זה לערך ההשגה של שרש נשמתו).
como disseram nossos Sábios, de abençoada memória: cada justo “é queimado pelo dossel de seu companheiro” (e, portanto, para aquele a quem basta um capítulo pela manhã e um capítulo à noite, esta parábola basta, em relação à compreensão da raiz de sua alma).
Os Sábios dizem que cada justo é “queimado” pelo dossel de seu companheiro no Mundo Vindouro, sinal de quão diferentes são seus níveis. Portanto, aquele a quem basta um capítulo pela manhã e um à noite é alguém cuja alma, por sua raiz, necessita apenas dessa medida de parábola para alcançar seu próprio nível de compreensão.
והיינו דוקא כשא״א [כשאי אפשר] לו לעסוק כו׳ שזו הוראה שדי לו בזה.
E isso se aplica especificamente quando não lhe é possível dedicar-se, etc., pois isso indica que o suficiente para ele é isto.
Isso se aplica somente quando ele realmente não pode estudar mais; as próprias circunstâncias indicam que isso basta para sua alma.
(או דכיון שא״א [שאי אפשר] לו ועוסק כל מה שאפשר לו ישלים לו הקב״ה [הקדוש ברוך הוא] לבוש ומשל להשיג על ידו מה שצריך להשיג. ואיתא כה״ג [כהאי גוונא] בזוהר פ׳ אמור דק״א ע״ב3 קוב״ה [קודשא בריך הוא] אשלים ליה4 כו׳ ע״ש [עיין שם])
(Ou: visto que não lhe é possível e que se dedica tanto quanto pode, o Santo, bendito seja Ele, completará para ele uma vestimenta e uma parábola por meio das quais poderá apreender o que precisa apreender. Algo semelhante é encontrado no Zohar, Parashat Emor, fólio 101b: “O Santo, bendito seja Ele, completa para ele”, etc.; veja ali.)
Alternativamente, quando alguém que não pode estudar mais faz tudo o que está ao seu alcance, D'us mesmo completa para ele a vestimenta e a parábola de que necessita para apreender o que deve. O Zohar, em Parashat Emor, diz algo semelhante: “O Santo, bendito seja Ele, completa para ele”.
אבל מי שאפשר לו לעסוק בתורה זהו הוראה שנשמתו מבחי׳ שיוכל להשיג הרבה למעלה לכן צ״ל [צריך להיות / צריך לומר / צריך להבין] המשל ג״כ גדול ורב מאד כשיעור הזמן שאפשר לו לעסוק בתורה שהיא בחי׳ משל הקדמוני.
Mas, para aquele que pode dedicar-se à Torá, isso indica que sua alma pertence a um nível capaz de apreender muito do que está acima. Portanto, a parábola também deve ser muito grande e abundante, na proporção do tempo em que lhe é possível dedicar-se à Torá, que é o aspecto da “parábola do Primordial”.
Mas a própria capacidade de uma pessoa estudar mais demonstra que sua alma pode apreender níveis muito mais elevados. Por isso, sua parábola — a Torá que deve estudar — precisa ser correspondentemente ampla, na proporção do tempo de que dispõe para isso.
וכשאינו עוסק כ״ז [כל זה] שאפשר לו לעסוק הרי הוא מחסר מן המשל הצריך. ולכן עליו נאמר הכרת תכרת כו׳.
E, quando não se dedica durante todo o tempo em que poderia fazê-lo, fica aquém da parábola necessária. Por isso, a respeito dele foi dito: “será certamente extirpado”, etc.
Quando alguém nessa situação não estuda durante todo o tempo em que poderia, falta-lhe parte da parábola de que necessita; por isso se diz a seu respeito: “será certamente extirpado”.
דהיינו שמחמת חסרון שחסר בבחי׳ משל הקדמוני לא יוכל להשיג נועם ה׳ כו׳ שהוא הנמשל
Isto é, por causa do que lhe falta no aspecto da “parábola do Primordial”, não poderá apreender “a doçura de D'us”, etc., que é aquilo que a parábola ilustra
Ser “extirpado” significa aqui que, por lhe faltar a parábola completa do Primordial, ele não pode apreender “a doçura de D'us”, precisamente aquilo que a parábola transmite.
(וגם הקב״ה [הקדוש ברוך הוא] לא ישלים לו לבוש ומשל שחסר כיון שהיה אפשר לו לעסוק ולא עסק ועל זה נאמר כי דבר5 ה׳ בזה כו׳):6
(E também o Santo, bendito seja Ele, não completará para ele a vestimenta e a parábola que lhe faltam, uma vez que lhe era possível dedicar-se e ele não se dedicou; e a respeito disso foi dito: “Pois desprezou a palavra de D'us”, etc.)
D'us tampouco completará para ele a vestimenta que lhe falta, pois ele poderia ter estudado e não o fez. Esse é o sentido de “desprezou a palavra de D'us”.
O parágrafo responde à terceira pergunta: cada alma necessita de uma parábola proporcional à sua raiz. Aquele que não pode estudar mais tem o suficiente, ou recebe de D'us o que falta; aquele que poderia estudar mais e não o faz fica sem a parábola de que sua alma necessita e, assim, não pode alcançar o deleite que ela transmite.
Marei mekomot
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- 5כי דבר ה׳ בזה · Numbers 15:31
- 6בפרק א׳ שחרית ופרק א׳ ערבית · Menachot 99b:16–17
Sinai: bitul despertado do alto ¶14–15
14והנה ישראל זכו למתן תורה1 על ידי יסורים דגלות מצרים בחומר ובלבנים.2 והקדימו נעשה לנשמע3 כי א״א [אי אפשר] להיות גילוי והמשכה מאור א״ס [אין סוף] ב״ה
Ora, Israel mereceu a Outorga da Torá por meio dos sofrimentos do exílio do Egito, “com argamassa e tijolos”. E antepuseram “faremos” a “ouviremos”, pois não pode haver revelação e atração da Luz Infinita (Or Ein Sof), bendito seja Ele,
Israel mereceu a Torá por meio dos sofrimentos do Egito, “com argamassa e tijolos”, como ensina o Talmud: a Torá foi dada por meio de sofrimentos. No Sinai, disseram “faremos” antes de “ouviremos”, pois a Luz Infinita só pode ser revelada e atraída onde há bitul, autoanulação.
אלא במקום שיש בחי׳ בטול דוקא (דלכך אור א״ס [אין סוף] ב״ה שורה בחכמה דוקא4 לפי שהיא בחי׳ בטול כח מ״ה [מה] כנודע).
senão num lugar em que haja especificamente o nível de autoanulação (bitul) (e é por isso que a Luz Infinita, bendito seja Ele, repousa especificamente em Chochmá (sabedoria), pois ela é o nível de bitul, “a força de mah” (koach mah), como é sabido).
É por isso que a Luz Infinita repousa especificamente em Chochmá: Chochmá é koach mah, “a força de mah (o quê?)”, a abertura desprovida de ego daquele que se considera nada.
וזהו ענין הקדמת נעשה לנשמע שהוא בחי׳ הבטול שמבטל רצונו מכל וכל כאלו אין לו רצון בפ״ע [בפני עצמו] רק שירצה כל מה שהוא רצון העליון ב״ה
E este é o sentido de antepor “faremos” a “ouviremos”: trata-se do nível de bitul, no qual a pessoa anula por completo a própria vontade, como se não tivesse vontade própria, querendo apenas tudo o que é a Vontade Suprema, bendito seja Ele.
Dizer “faremos” antes de ouvir o que foi ordenado é a essência do bitul: deixar inteiramente de lado a própria vontade e querer somente o que D'us quer.
וזהו בחי׳ עבודה ואותו תעבדו.5 שהעבד אין לו דעה בפ״ע [בפני עצמו] רק את אשר יאמר רבו עושה.
E este é o nível de serviço, “e a Ele servireis”: pois um servo não tem opinião própria, mas faz tudo o que seu senhor lhe diz.
Esta é a postura de um servo, como em “e a Ele servireis”: um servo não tem opinião própria, mas faz o que seu senhor lhe diz.
וע״י שהקדימו בחי׳ נעשה שהוא בטול זה יוכל להיות ונשמע דהיינו לקבל הגלוי והאור מאין סוף ברוך הוא.
E, por terem anteposto o nível de “faremos”, que é esse bitul, pôde haver “e ouviremos”, isto é, receber a revelação e a luz do Infinito (Ein Sof), bendito seja Ele.
Somente por se anularem primeiro em “faremos” o povo pôde chegar a “ouviremos”, isto é, receber a revelação da Luz Infinita.
(וזהו שקשרו להם שני כתרים כנגד נעשה ונשמע6 שהן בחינת שני המדרגות הנ״ל שבכתר הבחי׳ העליונה נק׳ קדמונו של עולם כנ״ל. והבחינה השנית נקראת סובב כל עלמין וממלא כל עלמין)
(E é por isso que lhes ataram duas coroas, correspondentes a “faremos” e “ouviremos”: esses são os dois níveis em Kéter (a Coroa) mencionados acima. O nível superior é chamado de Primordial do mundo, como mencionado acima, e o segundo nível é chamado de a luz que circunda todos os mundos (sovev kol almin) e a luz que preenche todos os mundos (memalê kol almin).)
O Talmud relata que os anjos ataram duas coroas a cada judeu, uma por “faremos” e outra por “ouviremos”. O maamar as relaciona aos dois níveis em Kéter descritos acima: o superior, o Primordial do mundo, e o inferior, sovev e memalê.
אך כדי שיבאו לבחי׳ בטול זה דהקדמת נעשה לנשמע. שהרי ביציאת מצרים היו עדיין בבחי׳ קטנות
Mas, para que chegassem a esse nível de bitul, de antepor “faremos” a “ouviremos” — pois, na saída do Egito, ainda se encontravam num estado de pequenez (katnut)
Mas como poderiam alcançar tamanho bitul? Na saída do Egito, ainda se encontravam num estado de katnut, “pequenez”, de imaturidade espiritual.
(כמש״ל [כמה שכתוב לעיל] בד״ה זכור את אשר עשה לך עמלק כו׳) ואיך יבאו לבחי׳ בטול גדול כזה
(como explicado acima, no discurso que começa “Lembra-te do que Amalek te fez”, etc.) —, como poderiam chegar a um nível de bitul tão elevado?
Esse estado foi explicado num discurso anterior, sobre “Lembra-te do que Amalek te fez”. Como poderiam, então, elevar-se a um bitul tão elevado?
הנה לזה היה ענין שכפה עליהם הר כגיגית שהוא בחי׳ וימינו תחבקני דהיינו התגלות אהבה העליונה מלמעלה על ישראל
Por isso houve o episódio de Ele manter a montanha suspensa sobre eles como uma cuba, que corresponde ao nível de “e Sua mão direita me abraça”: isto é, a revelação do amor sublime, vindo do alto, sobre Israel,
A resposta está na montanha mantida suspensa sobre eles “como uma cuba”: ela representa “e Sua mão direita me abraça”, uma revelação, vinda do alto, do amor de D'us que envolve Israel.
como está escrito: “Eu os amei, diz D'us” (veja, no discurso que começa com “E farás vestes sagradas”, o que está escrito ali sobre o significado de “Eu os amei”, etc.).
Este é o amor expresso em “Eu os amei, diz D'us”; um discurso anterior, sobre “E farás vestes sagradas”, explica esse versículo.
שאהבה זו תחבקני לכנס״י [לכנסת ישראל] ומקפת אותו מכל צד אפי׳ [אפילו] לבחי׳ אחוריים עד שאינו מניחו לפנות ממנו ומוכרח להיו׳ [להיות] עומד עמו פב״פ [פנים בפנים].
Pois esse amor “abraça” a Comunidade de Israel (Knesset Yisrael) e a cerca por todos os lados, até mesmo no nível das costas (achorayim), a ponto de não deixá-la afastar-se Dele, obrigando-a a permanecer face a face com Ele.
Esse amor abraça a Comunidade de Israel por todos os lados, até mesmo por trás, de modo que ela não pode afastar-se e tem de permanecer diante de D'us, face a face.
דהיינו שע״י אהבה עליונה זו נתעורר ג״כ האהבה בנשמות ישראל עד שבאו למעלה ומדרגה שהקדימו נעשה כו׳
Isto é: por meio desse amor sublime, também foi despertado o amor nas almas de Israel, até que alcançaram o nível e a condição de antepor “faremos” etc.
Esse amor vindo do alto despertou, em resposta, o amor nas almas de Israel, até que elas alcançaram o nível de dizer “faremos” primeiro.
וכמ״ש כמים הפנים לפנים כן לב האדם אל האדם9 פי׳ לב האדם העליון הוא מ״ש ועל דמות הכסא10 דמות כמראה אדם שהוא בחי׳ רמ״ח מצות עשה דאינון רמ״ח אברים דמלכא.11
Como está escrito: “Assim como a água [reflete] o rosto, face a face, assim é o coração do homem para com o homem.” O sentido é: o coração do Homem supremo; é isto que está escrito: “E sobre a semelhança do trono, uma semelhança como a aparência de um homem”, que corresponde ao nível das 248 mitsvot positivas, que são “os 248 membros do Rei”.
Assim como a água reflete um rosto, o coração do “Homem” supremo desperta o coração do homem abaixo. O Homem supremo é a semelhança sobre o Trono na visão de Ezequiel, constituída pelas 248 mitsvot positivas, chamadas “os 248 membros do Rei”.
O parágrafo explica a Outorga da Torá: a revelação requer bitul, que Israel demonstrou ao dizer primeiro “faremos”; mas, como ainda eram espiritualmente imaturos, D'us primeiro revelou Seu amor do alto — mantendo a montanha suspensa sobre eles “como uma tina” — e despertou em resposta o amor e o bitul deles.
A nota da Kehot remete ao Tikkunei Zohar, Tikkun 30, para os 248 mandamentos positivos como “os 248 membros do Rei”; as 365 proibições, chamadas de 365 tendões no parágrafo seguinte, completam a imagem do Homem supremo.
Marei mekomot
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15ושס״ה לא תעשה הם שס״ה גידים. אל האדם היינו בחי׳ אדם שבבי״ע [שבבריאה יצירה עשיה] כמ״ש ודמות פניהם פני אדם.1
E as 365 proibições são os 365 tendões. “Ao homem” refere-se ao nível do homem em [nos mundos de] Beriá, Yetsirá e Assiá, como está escrito: “E a aparência de seus rostos era o rosto de um homem.”
O Homem superno é formado pelas 248 mitsvot positivas como membros e pelas 365 proibições como tendões. “Ao homem” é a forma humana nos mundos inferiores de Beriá, Yetsirá e Assiá, como Ezequiel diz a respeito dos seres da Carruagem: “a aparência de seus rostos era o rosto de um homem.”
הנה הוא כמים הפנים לפנים דהיינו שע״י התגלות אור האהבה מלמעלה בחינת אהבתי אתכם על ידי זה מתעורר גם כן האהבה מלמטה למעלה והוא העלאת כנסת ישראל בכלות הנפש אליו ית׳ (וכמ״ש משכני אחריך נרוצה2 כו׳).
É “como a água [reflete] o rosto para o rosto”: isto é, pela revelação da luz do amor do alto, o nível de “Eu vos amei”, também desperta o amor de baixo para cima; e isso é a ascensão da Comunidade de Israel (Knesset Yisrael), no anseio da alma até seu esgotamento (kelot hanefesh), em direção a Ele, bendito seja (como está escrito: “Atrai-me, correremos após Ti” etc.).
Assim, o versículo descreve um reflexo: o amor revelado do alto, “Eu vos amei”, desperta em resposta um amor que se eleva de baixo. Trata-se do anseio da Comunidade de Israel por D'us, até kelot hanefesh, “o esgotamento da alma”: um anseio tão intenso que a alma deixaria o corpo para unir-se a Ele, como em “Atrai-me, correremos após Ti.”
ולכן נק׳ כנסת ישראל כלה ע״ש [עיין שם] כלות הנפש וכמ״ש אחותי כלה מה טבו דדיך מיין3 כו׳.
Por isso, a Comunidade de Israel é chamada de noiva (kallah), por causa do esgotamento (kelot) da alma, como está escrito: “Minha irmã, [minha] noiva, quanto melhores são as tuas carícias do que o vinho” etc.
É por isso que a Comunidade de Israel é chamada kallah, “noiva”, palavra que se lê como kelot, o anseio da alma até o esgotamento, como em Cântico dos Cânticos: “Minha irmã, [minha] noiva.”
וזהו ענין על כל דבור פרחה נשמתן.4 שע״י הדבור והגילוי מלמעלה פרחה נשמתן בבחינת בטול לאור א״ס [אין סוף] ב״ה.
E este é o sentido de “A cada enunciação, suas almas voaram”: pela enunciação e pela revelação do alto, suas almas voaram, num estado de autoanulação (bitul) diante da Luz Infinita (Or Ein Sof), bendito seja Ele.
Isso explica o ensinamento dos Sábios de que, a cada enunciação de D'us no Sinai, as almas do povo voaram: a revelação do alto os levou ao bitul completo diante da Luz Infinita.
(ועיין מ״ש כיוצא בזה בפרשת לך לך5 בפי׳ מארז״ל [מאמר רבותינו זכרונם לברכה] בשעה שהדבור יוצא מפי הקב״ה [הקדוש ברוך הוא] חשות.6 חשות היינו בחי׳ שתיקה ובטול כו׳).
(Veja também o que está escrito em sentido semelhante na Parashat Lech Lecha, a respeito do significado do dito de nossos Sábios, de abençoada memória: “Quando a enunciação sai da boca do Santo, bendito seja Ele, eles ficam em silêncio (chashot).” Chashot é o nível do silêncio e do bitul etc.)
Uma ideia paralela aparece no discurso sobre a Parashat Lech Lecha, a respeito do ensinamento dos Sábios de que os anjos da Carruagem ficam “em silêncio” (chashot) quando a enunciação sai de D'us: seu silêncio é bitul diante da revelação.
וזהו ענין שכפה עליהם הר הוא בחינת אהבה עליונה שנק׳ הר (כמ״ש במ״א בענין אברהם שקראו הר.7 ובענין אהרן א׳ ה״ר ן׳). כגיגית שהוא בחי׳ דבר המקיף סחור כל עלמין שעי״ז נתעורר בהם האהבה
E este é o sentido de Ele ter mantido a montanha suspensa sobre eles: trata-se do nível do amor superno, chamado montanha (como está escrito em outro lugar a respeito de Avraham, que a chamou de montanha; e a respeito de Aharon: alef, har (montanha), nun). “Como uma tina”: este é o nível de algo que abrange, “circundando todos os mundos” (sechor kol almin), por meio do qual o amor foi despertado neles
A montanha suspensa sobre Israel é o amor superno, chamado “montanha” (har): Avraham, que personificava o amor, chamou de montanha o local do Templo, e o nome Aharon contém as letras de har. A “tina” é algo que circunda por todos os lados, o nível que envolve todos os mundos; esse amor abrangente despertou neles o amor.
(ובזה יתורץ מה שאומרים מקדש עמו ישראל על ידי חופה וקדושין.8 והקשו למה שינו הסדר להקדים חופה לקדושין.9 אלא כי החופה הוא בחינת מקיף והוא ענין שכפה עליהם הר כגיגית שזה בחינת התגלות המקיף כנ״ל.
(Com isso, fica esclarecido o que dizemos: “Que santifica Seu povo Israel por meio da chupá e do kidushin.” Perguntaram por que a ordem foi alterada, colocando a chupá antes do kidushin. A chupá, porém, é o nível do que abrange (makif), e corresponde a Ele ter mantido a montanha suspensa sobre eles como uma tina, que é o nível da revelação do que abrange, como mencionado acima.)
Isso também resolve uma questão sobre a bênção do noivado, que louva D'us como “Aquele que santifica Seu povo Israel por meio da chupá e do kidushin”, embora, na prática, o noivado (kidushin) ocorra antes do pálio nupcial (chupá). A chupá representa a luz abrangente, como a montanha suspensa sobre Israel como uma tina.
ולכן הוצרך להקדים החופה לקדושין שכדי שיבואו לקבלת התורה שהוא בחינת הקדושין הוא על ידי המשכת המקיף תחלה10 שעל ידי זה באו לבחינת הבטול להקדים נעשה כו׳. ואז יוכל להיות ההמשכה והגילוי בחינת התורה כנ״ל).
Portanto, foi necessário colocar a chupá antes do kidushin: para que chegassem à recepção da Torá, que corresponde ao kidushin, era preciso primeiro atrair o que abrange; por meio disso, chegaram ao nível de bitul, colocando “faremos” em primeiro lugar etc. Então pode haver a extensão e a revelação, o nível da Torá, como mencionado acima.)
A recepção da Torá corresponde ao kidushin. Para alcançá-la, a luz abrangente, a chupá, teve de vir primeiro e conduzi-los ao bitul expresso por “faremos”; só então a Torá poderia ser estendida e revelada.
וזהו פירוש מה שאמרז״ל [שאמרו רבותינו זכרונם לברכה] מכאן מודעא רבא לאורייתא.11 דהיינו שהתעוררות זו בלבם לקבלת התורה בבחי׳ מסירת נפש ובטול עד שהקדימו נעשה לנשמע לא היה זה מצדם בבחירה ורצון אשר מעצמם לבד
E este é o significado do que disseram nossos Sábios, de abençoada memória: “Daqui [vem] uma grande alegação de coação contra a Torá.” Isto é: esse despertar em seus corações para receber a Torá em um estado de autossacrifício (mesirut nefesh) e autoanulação (bitul), a ponto de terem antecipado “faremos” a “ouviremos”, não veio de sua parte, por escolha e vontade próprias, exclusivamente de si mesmos,
Este é o significado da “alegação de coação”: o despertar de seus corações para aceitar a Torá com autossacrifício e autoanulação não veio apenas de sua própria escolha livre.
אלא שעל ידי הגילוי מלמעלה דבחי׳ אהבתי אתכם על ידי זה דוקא נתעורר בהם הרצון והאהבה כו׳.
mas, sim, por meio da revelação do alto, do nível de “Eu os amei”: foi precisamente por meio disso que a vontade e o amor foram despertados neles, etc.
Isso foi despertado pela revelação do alto de “Eu os amei”. É isso que faz com que se trate de uma espécie de coação: não por temor, mas por um amor revelado com uma força à qual não podiam resistir.
ואע״פ [ואף על פי] כן הדר וקבלוה ברצון גמור בימי אחשורוש.12 שהיה מסירת נפש בכל ישראל מעצמם שלא ע״י התעוררות מלמעלה בתחלה ע״ד [על דרך] גלוי בחינת וימינו תחבקני.
E, ainda assim, “aceitaram-na novamente” com plena disposição nos dias de Achashverosh. Pois houve autossacrifício em todo o povo de Israel, por iniciativa própria, sem que primeiro houvesse um despertar do alto, à maneira de uma revelação do nível de “e Sua mão direita me abraça”.
Nos dias de Achashverosh, em contraste, todo o povo de Israel entregou-se a D'us por iniciativa própria, sem qualquer revelação prévia de “Sua mão direita me abraça”. Por isso se diz que aceitaram a Torá novamente com plena disposição.
דהא אז היה בחינת הסתר פנים (ע״ד [על דרך] ועת לרחק מחבק)13 וכמארז״ל [וכמאמר רבותינו זכרונם לברכה] אסתר מן התורה מנין14 דכתיב ואנכי הסתר אסתיר פני15 ביום ההוא. ואם כן היה בחינת אתערותא דלתתא מצד עצמם וזהו הדר וקבלוה ברצון גמור:16
Pois então era o nível do ocultamento da Face (à maneira de “e há um tempo de afastar-se do abraço”), como disseram nossos Sábios, de abençoada memória: “Onde se encontra Esther na Torá? Como está escrito: ‘E certamente ocultarei [haster astir] Minha face naquele dia.’” Portanto, era o nível de um despertar de baixo (isarusa dilesata), por iniciativa deles mesmos; e isto é “aceitaram-na novamente” com plena disposição.
Naquela época, a Face de D'us estava oculta — “um tempo de afastar-se do abraço” — e os Sábios encontram até mesmo o nome Esther no versículo “Certamente ocultarei [haster astir] Minha face”. Assim, seu autossacrifício foi um despertar de baixo, inteiramente por iniciativa própria, e é isso que constitui a aceitação plena e voluntária.
O parágrafo explica a “coerção” no Sinai como um amor avassalador revelado do alto, que despertou o amor e o bitul de Israel, enquanto a aceitação nos dias de Achashverosh, uma época de ocultação, veio do autossacrifício do próprio Israel e, por isso, foi plenamente voluntária.
A ordem de chupá antes de kidushin na bênção espelha a ordem no Sinai, conforme o maamar a apresenta: primeiro a luz abrangente (a montanha, a chupá), depois o bitul de “faremos” e, somente então, a própria Torá (kidushin).
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- 16
Yehudi, Mordechai e a mirra pura ¶16–18
16וביאור הענין1 יובן ע״פ מ״ש איש יהודי2 כו׳ ושמו מרדכי כו׳ איש ימיני. וצ״ל [וצריך להיות / וצריך לומר / וצריך להבין] דימיני
A explicação do assunto será compreendida à luz do que está escrito: “Um homem judeu (ish Yehudi)”, etc., “e seu nome era Mordechai”, etc., “um homem benjaminita (ish Yemini)”. Agora é preciso compreender: uma vez que “Yemini”
A explicação começa com o versículo que apresenta Mordechai: “Um homem judeu (ish Yehudi) … e seu nome era Mordechai … um homem benjaminita (ish Yemini).” O maamar pergunta como um só homem pode ser chamado tanto de “Yehudi” quanto de “Yemini”.
פי׳ שהוא משבט בנימין כדפי׳ רש״י [רבי שלמה יצחקי] ואם כן למה קרי ליה יהודי דהוא על שם שבט יהודה.
significa que ele era da tribo de Binyamin, como Rashi explica, por que então é chamado “Yehudi”, nome derivado da tribo de Yehudah?
Como Rashi explica, “Yemini” significa que ele era da tribo de Binyamin; por que, então, chamá-lo “Yehudi”, nome derivado da tribo de Yehudah?
גם צ״ל [צריך להיות / צריך לומר / צריך להבין] דבגזרת המן נאמר להשמיד להרג3 כו׳ היהודים והרי בשבע ועשרים ומאה מדינה מלכות אחשורוש היה גם מכל השבטים אפרים ומנשה
Também é preciso compreender: a respeito do decreto de Haman, está dito: “para destruir, matar”, etc., “os judeus (haYehudim)”. Mas, certamente, nas cento e vinte e sete províncias do reino de Achashverosh havia também [judeus] de todas as tribos, Efraim e Menasheh.
Do mesmo modo, o decreto de Haman visava “os judeus” (Yehudim), mas em todas as 127 províncias do império havia judeus de cada tribo, como Efraim e Menasheh.
אלא שנקראו כולם יהודים מפני בחינת הבטול שיש בהם לאור א״ס [אין סוף] ב״ה. כמו שאנו אומרים בשמונה עשרה מודים אנחנו לך.
A resposta é que todos eram chamados Yehudim por causa do nível de autoanulação (bitul) diante da Luz Infinita (Or Ein Sof), bendito seja Ele, que havia neles, como dizemos na Shemoneh Esreh: “Agradecemos (modim) a Ti”.
A resposta: todos eram chamados Yehudim por causa de seu bitul diante da Luz Infinita. O nome deriva de hoda’ah, reconhecimento, como na frase da Amidá: “Agradecemos (modim) a Ti”.
שעל שם זה נק׳ יהודי כמ״ש לאה הפעם אודה את4 ה׳ ע״כ [על כן] קראה שמו יהודה.
Por essa razão alguém é chamado Yehudi, como está escrito [que] Leah [disse]: “Desta vez agradecerei (odeh) a D'us; por isso chamou seu nome Yehudah”.
Leah deu a seu filho o nome Yehudah, dizendo: “Desta vez agradecerei (odeh) a D'us”; um judeu é chamado Yehudi por causa desse reconhecimento.
(ויש בכל אחד מישראל בחינת הודאה ובטול זה. וכמש״ל [וכמה שכתוב לעיל] פרשת ויחי ע״פ יהודה אתה56 שזהו בחי׳ ומדרגת שמונה עשרה שהוא בחינת כריעות והשתחואות וכמאמר ואנחנו כורעים ומשתחוים ומודים).
(E em cada um de Israel existe esse nível de reconhecimento (hoda’ah) e bitul, conforme explicado acima na Parshas Vayechi, sobre o versículo “Yehudah, tu …”: trata-se do nível e grau da Shemoneh Esreh, que consiste em inclinar-se e prostrar-se, como se diz: “E nos inclinamos, prostramo-nos e agradecemos.”)
Todo judeu possui esse reconhecimento e bitul. Um maamar anterior, sobre “Yehudah, tu”, associa-os à Shemoneh Esreh, a oração da Amidá, com suas inclinações e prostrações, como em “nos inclinamos, prostramo-nos e agradecemos”.
ולכן נק׳ מרדכי איש יהודי. פי׳ שר ליהודים7 כמו איש הר הבית89 כי הוא היה מקור הבטול כמארז״ל [כמאמר רבותינו זכרונם לברכה] מרדכי מן התורה מנין10 דכתיב מר דרור11 ומתרגמינן מירא דכיא.
Por isso Mordechai é chamado “ish Yehudi”. O sentido é: senhor dos judeus, como “o ish do Monte do Templo”, isto é, seu encarregado, pois ele era a fonte do bitul; conforme disseram nossos Sábios, de abençoada memória: “Onde Mordechai é mencionado na Torá? Como está escrito: ‘mirra pura (mor deror)’, que traduzimos [para o aramaico] como ‘mira dachya’.”
Mordechai é chamado “ish Yehudi” no sentido de líder dos judeus, como “o ish do Monte do Templo”, seu encarregado, pois ele era a fonte do bitul deles. Os Sábios encontram Mordechai na Torá em “mor deror”, mirra pura, que a tradução aramaica verte como “mira dachya”, nome semelhante a Mordechai.
ומר זה12 לדעת הרמב״ם [הרבי משה בן מימון]13 ושאר מפרשים הוא (רק הראב״ד [הראב״ד] והרמב״ן [והרבי משה בן נחמן]14 פי׳ בע״א [באופן אחר]) מושק15 הנזכר בגמ׳ [בגמרא] פ׳ כיצד מברכין16 שהוא דם חיה ידוע שנקרש בחטוטרת שבצוארה17 ונעשה בושם הנק׳ מר.
E essa mirra (mor), segundo o Rambam e outros comentaristas (somente o Raavad e o Ramban a explicam de outra maneira), é o almíscar mencionado na Guemará, no capítulo Keitzad Mevarchin: o sangue de um determinado animal (chayah yadua), que coagula na corcova de seu pescoço e se transforma numa especiaria chamada mor.
Segundo o Rambam e outros, esse mor é o almíscar mencionado pelo Talmud nas leis das bênçãos sobre fragrâncias: o sangue de um determinado animal, que coagula numa corcova em seu pescoço e se transforma numa especiaria aromática. O Raavad e o Ramban explicam a palavra de outra maneira.
והיינו במדות הנפש בחי׳ אתכפייא ואתהפכא ממרירו למיתקו כי הדם הוא הנפש החיונית נפש המתאוה וכשמהפך תאוותיו הבהמיות מתענוגי עוה״ז [עולם הזה] להיות כל חפצו ותענוגיו בה׳ זהו ענין שנעשה ממנו בושם.18
E nos atributos emocionais (midot) da alma, este é o nível de submissão e transformação (iskafya e is’hapcha), do amargo ao doce. Pois o sangue é a alma vital, a alma que deseja; e quando a pessoa transforma seus desejos animais, afastando-os dos prazeres deste mundo, de modo que todo o seu desejo e deleite estejam em D'us, isso é o que significa que dele se faz uma especiaria.
Na alma, isso é iskafya e is’hapcha: subjugar e transformar o amargo em doce. O sangue representa a alma vital e desejante; quando a pessoa afasta seus desejos animais dos prazeres mundanos, de modo que todo o seu desejo e deleite estejam em D'us, o “sangue” se tornou uma especiaria perfumada.
O parágrafo explica por que todos os judeus, e sobretudo Mordechai, são chamados Yehudim: o nome significa reconhecimento e bitul diante de D'us, e Mordechai, a “mirra pura”, é sua fonte. O almíscar, uma especiaria formada do sangue de um animal, ilustra a transformação do desejo animal em deleite em D'us.
A nota da Kehot registra que “a corcova de seu pescoço” segue a explicação do Rosh sobre a passagem em Berakhos, enquanto Rashi descreve ali o almíscar de outra maneira, e que há variantes na leitura do texto do Talmud.
Marei mekomot
- 1וביאור הענין · הובא באוה״ת מג״א ע׳ רצ. ונתבאר בד״ה מצה זו תר״מ פרק כו ע׳ קעב.
- 2איש יהודי · Esther 2:5
- 3להשמיד להרג · Esther 3:13
- 4הפעם אודה את ה׳ · Genesis 29:35
- 5פרשת ויחי ע״פ יהודה אתה · מה, ג.
- 6יהודה אתה · Genesis 49:8
- 7פי׳ שר ליהודים · באוה״ת מג״א ע׳ רצא: כי איש לשון שררה.
- 8איש הר הבית · משנה רפ״ק דמדות מ״ב. ובתויו״ט שם. ראה גם אוה״ת בראשית כרך ג תקמה, א ואילך.
- 9איש הר הבית · Mishnah Middot 1:2
- 10מרדכי מן התורה מנין · Chullin 139b:12–13
- 11דכתיב מר דרור · Exodus 30:23
- 12ומר זה · ראה לקו״ת פ׳ נשא כא, ב.
- 13ומר זה לדעת הרמב״ם . . ועל דרך זה יש לפרש מחלוקת הפוסקים · הנחה אחרת מקטע זה נדפס בסה״מ תקע״א ע׳ קמג.
- 14והרמב״ן · Exodus 30:23
- 15לדעת . . מושק · הל׳ כלי המקדש פ״א ה״ג. וראה בפי׳ הרדב״ז שם, ובפי׳ ע״ת מרבינו אברהם בן הרמב״ם ע״פ זה. וראה בברכת הנהנין לרבינו הזקן פרק יא הל׳ ה׳ שכ׳ שקורין פיזו״ם ואסור לאכלו משום חשש דם, ע״ש. וראה באוה״ת פ׳ כי תשא ע׳ א׳תתקמד. ראה בד״ה מצה זו תר״מ פרק כו בארוכה. ובסידור כז, ב שהוא חי׳ טמאה ע״ש. ראה טור או״ח סרי״ו.
- 16בגמרא כיצד מברכין · Berakhot 43a
- 17בחטוטרת שבצוארה · כפי׳ הרא״ש שם, אבל רש״י שם פי׳ ”מן הרעי של חי׳”, בגמרא שלפנינו הגירסא ”שמן חי׳”. אבל ברי״ף וברש״י וברא״ש ובדקדוקי סופרים בשם כ״י מינכן הגי׳ ”שהוא מין חי׳”. וראה במעדני יום טוב שם. ולעיל בהערה ד״ה והרמב״ן.
- 18
17ועל דרך זה יש לפרש מחלוקת הפוסקים1 במור הנ״ל שרבינו יונה מתירו2 אפילו באכילה ויש אוסרים אותו באכילה3 דס״ל [דסבירא ליה / דסבירא להו] שלא נתהפך אלא ריחו
Por esse caminho, pode-se explicar a divergência entre as autoridades haláchicas a respeito da mirra mencionada acima: Rabbeinu Yonah a permite até mesmo para ser comida, enquanto alguns a proíbem como alimento, pois sustentam que somente seu aroma foi transformado.
As autoridades haláchicas divergem a respeito desse almíscar: Rabbeinu Yonah permite até mesmo comê-lo, enquanto outros, identificados na nota da Kehot como o Raza"h (Rabbi Zerachyah HaLevi), proíbem comê-lo, sustentando que somente seu aroma foi transformado.
אבל גופו אסור באכילה. והרר״י [והרב רבינו יונה] ס״ל [סבירא ליה / סבירא להו] שחזר לגמרי להיות היתר. וכמ״ש בטור א״ח [אורח חיים] סימן רי״ו.
Mas sua substância é proibida como alimento; Rabbeinu Yonah, por sua vez, sustenta que ela se tornou inteiramente permitida, como está escrito no Tur, Orach Chaim, seção 216.
Segundo essa opinião, sua substância permanece proibida como alimento, enquanto Rabbeinu Yonah sustenta que ela se tornou inteiramente permitida. O Tur registra a divergência em Orach Chaim 216.
ומחלוקתם ע״פ חסידות תלוי בענין הנזכר בגמ׳ [בגמרא] ביומא (דף פו ע״ב) גבי תשובה אם זדונות נעשו כשגגות או כזכיות כי שניהם ענין א׳ שהוא מה שהרע נהפך לטוב.
Segundo a Chassidut, a divergência entre eles depende da questão mencionada na Guemará em Yoma (página 86b), a respeito da teshuvá (retorno): se as transgressões deliberadas se tornam como transgressões involuntárias ou como méritos. Pois ambas dizem respeito à mesma questão: a transformação do mal em bem.
A Chassidut relaciona a divergência às duas afirmações do Talmud sobre a teshuvá: que ela transforma transgressões deliberadas em transgressões involuntárias ou em méritos. Ambas descrevem o mal sendo transformado em bem, em graus diferentes.
שהרי חיה ידוע הנ״ל הוא ידעוני הנזכר בתורה בפרש׳ [בפרשת] שופטים שהוא מקליפות הטמאות כמ״ש ושאל אוב וידעני4 ודרש אל המתים.56
Pois o animal “certo” (yadua) mencionado acima é o yid'oni mencionado na Torá, na Parashat Shoftim, que pertence às kelipot impuras, como está escrito: “ou quem consulta um ov ou um yid'oni, ou consulta os mortos”.
Rashi explica que o yid'oni, uma prática de feitiçaria proibida pela Torá na Parashat Shoftim, utilizava o osso de um animal chamado yadua; o maamar identifica com ele o animal “certo” (yadua) de que provém o almíscar, de modo que este vem das kelipot impuras. O almíscar é, assim, um exemplo de algo proveniente do lado da impureza que se transforma em aroma.
O parágrafo interpreta a divergência haláchica sobre o almíscar como uma parábola da teshuvá: se o mal apenas é atenuado ou se é inteiramente transformado em bem.
Marei mekomot
- 1יש לפרש מחלוקת הפוסקים · ראה גם לקמן קו, ד. לקו״ת נשא כב, ד בשם ”פי׳ הגאונים והרמב״ן”.
- 2שרבינו יונה מתירו · Berakhot 43a
- 3ויש אוסרים אותו באכילה · הרז״ה.
- 4ושאל אוב וידעני · Deuteronomy 18:11
- 5כשגגות או כזכיות · בסה״מ תקע״א: כזכיות או כשגגות.
- 6
18ולכן זה שיהיה הבושם הלז מותר אפילו באכילה הוא כמו שבתשובה מאהבה הזדונות נעשו כזכיות1 שהרע נהפך לגמרי להיות טוב ממש.
Portanto, o fato de esse almíscar ser permitido até mesmo para ser ingerido é semelhante ao [caso em que], por meio da teshuvá motivada pelo amor, os pecados deliberados se tornam como méritos, pois o mal é inteiramente transformado em bem verdadeiro.
O fato de o almíscar ser permitido até como alimento corresponde à teshuvá motivada pelo amor, por meio da qual os pecados deliberados se tornam méritos: o mal é completamente transformado em bem verdadeiro.
ועל זה אמרו במקום שבעלי תשובה עומדים2 אין צדיקים גמורים יכולים לעמוד. אבל בתשובה שלא מאהבה רבה הזדונות הם כשגגות
E a respeito disso disseram: “No lugar em que se encontram os baalei teshuvá, os perfeitamente justos não podem se encontrar.” Mas, na teshuvá que não é motivada por um grande amor, os pecados deliberados são como os involuntários,
É por isso que os Sábios dizem que onde se encontram os baalei teshuvá, aqueles que retornaram, nem mesmo os perfeitamente justos podem se encontrar. A teshuvá que não é motivada por um grande amor transforma os pecados deliberados apenas em involuntários.
אבל לא נתהפכו לגמרי להיות טוב וזהו מ״ד [מיין דוכרין] שהמור הנ״ל אע״פ [אף על פי] שריחו טוב מ״מ [מכל מקום] לא חזר להיות מותר באכילה כו׳.
mas não foram inteiramente transformados em bem. E esta é [a opinião] daquele que sustenta que a mirra mencionada acima, embora tenha um bom aroma, ainda assim não se tornou permitida para ser ingerida etc.
Esses pecados não são inteiramente transformados em bem. Isso corresponde à opinião de que a mirra, embora tenha um bom aroma, não se tornou permitida como alimento.
O parágrafo completa a correspondência: a teshuvá motivada pelo amor transforma inteiramente o mal, como o almíscar permitido como alimento, enquanto uma teshuvá menor apenas o suaviza, como o almíscar cujo aroma, e somente ele, se transformou.
Marei mekomot
- 1כזכיות · Yoma 86b
- 2במקום שבעלי תשובה עומדים · Berakhot 34b:22–23
A arrogância de Haman e o autossacrifício dos judeus ¶19–20
19והנה מרדכי שנק׳ מירא דכיא היינו שהוא מקור הבטול שהוא בחי׳ יסוד אבא1 שחכמה היא כח מ״ה [מה] ובחכמה אתברירו. ולכן נק׳ איש יהודי דוקא.
Ora, Mordechai, que é chamado mira dachya (mirra pura), é a fonte da autoanulação (bitul), que corresponde ao nível de Yessod (fundamento) de Abá (Chochmá); pois Chochmá é koach mah (“o poder de mah”), e “por meio de Chochmá eles são refinados”. Por isso, especificamente, ele é chamado “ish Yehudi”.
Mordechai, chamado mira dachya, “mirra pura”, é a fonte do bitul. Em termos cabalísticos, ele é Yessod de Abá, o canal de Chochmá; Chochmá é koach mah, o poder da abnegação, e “por meio de Chochmá eles são refinados”. Por isso, especificamente, ele é chamado “ish Yehudi”.
והנה המן הי׳ [היה] לעומת זה של בחי׳ זו דוקא כמו שאמר למי יחפוץ המלך לעשות יקר יותר ממני2 שהיה יש ודבר בעיניו ונפרד מאחדותו ית׳ לומר אני ואפסי עוד3
E Haman era precisamente o oposto desse nível, como disse: “A quem desejaria o rei honrar mais do que a mim?” Pois, aos seus próprios olhos, ele era um algo e uma entidade (yesh vedavar), separado da unidade Dele, bendito seja, a ponto de dizer: “Eu sou, e não há ninguém além de mim”.
Haman era o oposto exato desse bitul: perguntou: “A quem desejaria o rei honrar mais do que a mim?” Aos próprios olhos, era um “algo” cheio de importância, separado da unidade de D'us, dizendo, por assim dizer: “Eu sou, e não há ninguém além de mim”.
כי היה מזרע עמלק4 וכתיב ראשית גוים עמלק5 כי ז׳ אומות הכנעני והחתי כו׳ שבפסוק הם ז׳ מדות רעות6 תאות ורציחה כו׳.
Pois ele era da descendência de Amalek, e está escrito: “Amalek é o primeiro das nações”. Pois as sete nações mencionadas no versículo — “o cananeu e o hitita”, etc. — correspondem a sete traços negativos: desejo desenfreado, homicídio, etc.
Haman descendia de Amalek, a quem a Torá chama de “o primeiro das nações”. Neste ensinamento, as sete nações de Canaã mencionadas nos versículos representam sete traços negativos da alma, como o desejo desenfreado e o homicídio.
ועמלק הוא גסות הרוח והוא ראשית להם. כי גסות הרוח היא שרש כל המדות רעות.7
Amalek é a arrogância (gasut haruach), e é o primeiro entre eles, pois a arrogância é a raiz de todos os traços negativos.
Amalek representa gasut haruach, a arrogância, que é “a primeira” entre os traços negativos porque é a raiz de todos eles.
O parágrafo contrapõe Mordechai, a fonte do bitul, a Haman, herdeiro de Amalek, a arrogância que é a raiz de todo traço negativo.
A Kehot cita o Pri Etz Chaim do Arizal, Shaar HaPurim, cap. 5, sobre Mordechai como Yessod de Abá. Na versão de Or HaTorah, o Tsemach Tsedek acrescenta por que a arrogância é a raiz dos outros traços: por se considerar um “algo”, a pessoa deseja tudo para si; já quem se sentisse supérfluo no mundo não teria nada a desejar.
Marei mekomot
- 1מרדכי . . יסוד אבא · ראה פע״ח שער הפורים פ״ה.
- 2למי יחפוץ . . ממני · Esther 6:6
- 3אני ואפסי עוד · Isaiah 47:8
- 4מזרע עמלק · Esther 3:1
- 5ראשית גוים עמלק · Numbers 24:20
- 6כי ז׳ אומות . . ז׳ מדות רעות · ראה לעיל צה, א.
- 7שרש כל המדות רעות · באוה״ת מג״א ע׳ רצא: (שלפי שהוא יש בעיניו ע״כ הוא בעל תאווה הכל לעצמו כו׳ וכיוצא) משא״כ אם הי׳ כמותר בעולם למה לו להתאוות: ולכן.
20ולכן המן שהוא בחי׳ גסות רצה להשמיד ולהרוג את כל היהודים שהם בבחי׳ בטול הפך היש והגסות.
Portanto, Haman, que representa o nível da arrogância, quis destruir e matar todos os judeus, que se encontram num estado de autoanulação (bitul), o oposto do yesh (sentimento de existência própria) e da arrogância.
Por isso Haman, a própria personificação da arrogância, procurou destruir todos os judeus: seu bitul era exatamente o oposto de sua presunção.
ואם היו כופרים ח״ו [חס ושלום] לא היו עושי׳ [עושים] להם כלום שהרי לא גזר רק על היהודים.
E, se tivessem renunciado [à sua fé], D'us não permita, nada lhes teria acontecido, pois ele decretou apenas contra os judeus.
O decreto de Haman visava os judeus enquanto judeus; se tivessem renunciado à sua fé, nada lhes teria acontecido.
אך כולם כאחד לא עלה על דעתם מחשבת חוץ ח״ו [חס ושלום] ומסרו נפשם על אחדותו ית׳
Mas todos eles, como um só: nenhum pensamento de [se afastarem] lhes passou pela mente, D'us não permita, e entregaram a vida pela unidade d'Ele, bendito seja.
Ainda assim, a ideia de abandonar sua fé nem sequer passou pela mente de qualquer um deles; todos, como um só, estavam dispostos a dar a vida pela unidade de D'us.
וזהו בחי׳ בטול הנ״ל וישנו בכח בכל אחד מישראל ואפי׳ [ואפילו] קל שבקלים יכול למסור נפשו בפועל ממש1 שלא ליפרד מאחדותו ית׳ בשום אופן בעולם.
E este é o nível de bitul mencionado acima, que existe em potencial em cada judeu; até mesmo o mais baixo dos baixos pode entregar a vida na prática, para não se separar de Sua unidade, bendito seja, de modo algum no mundo.
Este é o bitul descrito acima, presente em potencial em cada judeu: até mesmo o mais baixo dos baixos pode efetivamente dar a vida, em vez de se separar da unidade de D'us.
ומה שעובר שאר עבירות היינו מפני הרוח שטות2 שמטעהו לחשוב שאינו נפרד מהקב״ה [מהקדוש ברוך הוא] על ידי עבירה ההיא כיון שלובש ציצית ומניח תפלין.3
E o fato de alguém cometer outros pecados se deve ao espírito de insensatez, que o induz ao erro, fazendo-o pensar que não se separa do Santo, bendito seja Ele, por meio daquele pecado, uma vez que usa tzitzit e coloca tefilin.
Por que, então, essa pessoa comete outros pecados? Porque um “espírito de insensatez” a engana, levando-a a pensar que o pecado não a separa de D'us, já que continua usando tzitzit e colocando tefilin.
O parágrafo mostra que o autossacrifício dos judeus na época de Haman revelou o bitul oculto em cada judeu, que faz até mesmo o mais humilde deles estar disposto a morrer antes de se separar de D'us.
Tanya, cap. 18, para o qual aponta a nota da Kehot, atribui essa disposição ao “amor oculto” no coração de cada judeu, herdado dos Patriarcas e presente até mesmo em quem tem pouca compreensão de D'us.
Marei mekomot
- 1ואפי׳ קל שבקלים יכול למסור נפשו בפועל ממש · Tanya, Likkutei Amarim 18
- 2הרוח שטות · Sotah 3a
- 3ואם היו כופרים ח״ו לא היו עושים להם כלום · וכ״ה במגילת סתרים ע״פ וקבל היהודים. וכ״ה בשערי אורה שער הפורים צ, ב. ובד״ה וקבל היהודים תרע״ח ע׳ רד. ובד״ה וקבל היהודים תשי״א (נדפס בסה״מ מלוקט ח״ג ע׳ סח).
O autossacrifício alcança a Essência ¶21–23
21והנה בחינת מסירת נפש נמשך מחמת אהבה המסותרת שהיא למעלה מן הדעת ולכן לא נזכר בתורה טעם על1 מסירת נפש רק על אהבה נאמר טעם כמ״ש לאהבה את2 הוי׳ אלקיך כי הוא חייך.
Ora, o nível do autossacrifício (mesirut nefesh) deriva do amor oculto, que está acima de Daat (conhecimento). Por isso, a Torá não menciona nenhuma razão para o autossacrifício; somente para o amor é apresentada uma razão, como está escrito: “amar Havayá, teu D'us […] pois Ele é a tua vida”.
O autossacrifício provém do “amor oculto” presente em toda alma judaica, que está acima de Daat, a razão. Por isso, a Torá apresenta uma razão para amar D'us — “pois Ele é a tua vida” —, mas nenhuma para o autossacrifício.
O parágrafo atribui o autossacrifício a um amor que está acima da razão, e por isso a Torá não apresenta uma razão para ele.
Marei mekomot
- 1טעם על מס״נ · ראה לקו״ת ויקרא ד, ג. סה״מ תרל״ד ע׳ קז. סה״מ תרנ״ט ע׳ יג. וראה הערת כ״ק אדמו״ר בסה״מ תש״ט ע׳ 121.
- 2לאהבה את הוי׳ אלקיך · Deuteronomy 30:20
22ואין זה טעם על מסירת נפש כיון שהטעם הוא כי הוא חייך והרי מסירת נפש הוא להשליך חייו מנגד.
E isso não constitui uma razão para o autossacrifício (mesirut nefesh), pois a razão é “pois Ele é a tua vida”, ao passo que o autossacrifício consiste em abandonar a própria vida.
“Pois Ele é a tua vida” não pode ser a razão para o autossacrifício, pois o autossacrifício significa renunciar à própria vida.
אלא הענין שאין שייך טעם ושכל על מסירת נפש כי המס״נ [המסירות נפש] נלקח1 מבחינ׳ [מבחינת / מבחינה] שלמעלה מן הדעת כי
Antes, a questão é que razão e intelecto não se aplicam ao autossacrifício, pois o autossacrifício provém de um nível que está acima de Daat (conhecimento). Pois
Razão e intelecto não se aplicam de modo algum ao autossacrifício, porque ele provém de um nível acima de Daat.
הנה פירוש כי הוא חייך היינו מה שהוא ית׳ ממכ״ע [ממלא כל עלמין] וסוכ״ע [וסובב כל עלמין] שעי״ז מחיה ומהוה כ״ע [כל עלמין] וכבר נת׳ [נתבאר] לעיל דבחינת ממלא וסובב הוא
o significado de “pois Ele é a tua vida” é que Ele, bendito seja, é a luz que preenche todos os mundos (memalê kol almin) e a luz que circunda todos os mundos (sovev kol almin), por meio das quais dá vida a todos os mundos e os traz à existência. E já foi explicado acima que o nível de memalê e sovev é
“Ele é a tua vida” refere-se a D'us como memalê e sovev, as luzes por meio das quais Ele dá vida aos mundos e os traz à existência. Como explicado acima, estas são apenas um fulgor Dele.
רק הארה לבד ממנו ית׳ אבל מהותו ועצמותו ית׳ אינו בגדר עלמין כלל אפילו להיות סובב וממלא לעלמין.
apenas um mero fulgor Dele, bendito seja; mas Seu ser e Sua essência, benditos sejam, não se enquadram de modo algum na categoria dos mundos, nem mesmo [a ponto de] serem sovev e memalê para os mundos.
O ser e a essência de D'us não se enquadram de modo algum na categoria dos mundos, nem mesmo no sentido de serem a luz que os circunda ou preenche.
כי לא זה היא עיקר האלקות2 מה שהעולמות מתהוים ממנו ומקבלים חיותם ממנו ית׳. שהרי אתה הוא עד שלא נברא העולם3 ולאחר שנברא בשוה ממש.4
Pois a essência da Divindade não consiste em os mundos virem à existência a partir Dele e receberem Dele sua força vital (chayut), bendito seja. Pois “Tu és Ele antes de o mundo ser criado”, e depois de ele ser criado, exatamente da mesma maneira.
A Divindade não consiste essencialmente em os mundos virem à existência e receberem Dele sua vida. Como dizem as bênçãos matinais: “Tu és Ele antes de o mundo ser criado”; e, depois de ele ser criado, Ele é exatamente o mesmo.
O parágrafo mostra que a razão da Torá para o amor — “Ele é a tua vida” — diz respeito apenas ao fulgor que dá vida aos mundos, ao passo que o autossacrifício alcança a essência de D'us, que está além de qualquer relação com os mundos.
Sefer HaMaamarim 5655, citado na nota da Kehot, ilustra isso com uma pedra preciosa: seu valor não está em seu brilho, e a luz que ela emite provém apenas de seu aspecto mais exterior; assim também, a essência de D'us não está ali para brilhar nos mundos.
Marei mekomot
- 1כי המס״נ נלקח מבחי׳ שלמעלה מן הדעת · באוה״ת שמות כרך ז ע׳ ב׳תקעג מציין ע״ז ”ור״ל למעלה מהטעם ושכל המושג”.
- 2כי לא זה היא עיקר האלקות · Song of Songs 8:1
- 3אתה הוא עד שלא נברא העולם · נוסח ברכת השחר — ע״פ תדבא״ר פכ״א.
- 4וכבר נתבאר · באוה״ת פ׳ יתרו ע׳ תתמב מציין ע״ז ”נמצא בחי׳ היותו סוכ״ע וממכ״ע להיות העולמות זהו כלא חשיב לגבי מהו״ע שאינו בגדר עלמין כלל, אלא שממהו״ע נמשך ג״כ הארה זו שיהי׳ סוכ״ע וממכ״ע”, ע״ש. וכ״ה בסה״מ תרס״ח ע׳ קפא.
23וגם אילו לא היה בורא העולמות היה הכל שוה לפניו ית׳ אלא מה שמחיה ומהוה העולמות זהו רק הארה ממנו ית׳ וכמ״ש במ״א דלכך נק׳ הבריאה יש מאין.
E mesmo que Ele não tivesse criado os mundos, tudo seria igual diante Dele, bendito seja. Pois aquilo que dá vida aos mundos e os traz à existência é somente um raio emanado Dele, bendito seja; como está escrito em outro lugar, por isso a criação é chamada “algo a partir do nada” (yesh me’ayin).
Mesmo que D’us não tivesse criado os mundos, nada seria diferente para Ele. O que dá vida e existência aos mundos é somente um raio emanado Dele, e por isso a criação é chamada yesh me’ayin, “algo a partir do nada”.
שבחי׳ התהוות היש הוא רק ע״י הארה לבד שנק׳ אין לגבי מהותו ועצמותו יתברך (כמש״ל [כמה שכתוב לעיל] פ׳1 שלח ד״ה וירא ישראל) וכמ״ש ואתה מחיה את כלם.2
Pois o nível da formação do yesh (algo) ocorre somente por meio de um mero raio, chamado ayin (nada) em relação ao Seu Ser e à Sua Essência, benditos sejam (como escrito acima, na Parashat Shelach, no discurso que começa com “Vayar Yisrael”); e como está escrito: “E Tu (ve’atah) dás vida a todos eles.”
O “algo” provém de um mero raio, que é “nada” (ayin) em relação à Sua Essência. O texto impresso aqui diz “Parashat Shelach”, mas o discurso “Vayar Yisrael” encontra-se em Torah Ohr, Parashat Beshalach (61d), como indica a leitura “Beshalach” na nota da Kehot; e o versículo “Tu dás vida a todos eles” expressa a mesma ideia.
פירוש ואתה היינו כ״ב אותיות3 דבר ה׳ מא׳ ועד תי״ו וה׳ מוצאות שעל ידי האותיות מחיה את כולם.
O significado de “E Tu (ve’atah)” são as vinte e duas letras da palavra de D’us, de alef a tav, e os cinco pontos de articulação, pois é por meio das letras que Ele dá vida a todos eles.
A palavra ve’atah, “e Tu”, é interpretada letra por letra: de alef a tav estão as vinte e duas letras da fala de D’us, e hei — cinco — alude aos cinco pontos de articulação da boca. Por meio dessas letras, D’us dá vida a todas as coisas.
והאותיות הם רק הארה לבד כמו האותיות באדם הן רק לבושי הנפש כו׳. וא״כ [ואם כן] מהותו ועצמותו ית׳4 הוא למעלה גם מבחי׳ ומדרגה זו הנזכר
E as letras são apenas um mero raio, assim como as letras no ser humano são apenas vestimentas da alma etc. Portanto, Seu Ser e Sua Essência, benditos sejam, estão acima até mesmo deste nível e grau mencionado [em]
As letras são apenas um raio, assim como as letras de uma pessoa — sua fala — são apenas vestimentas de sua alma. Portanto, a Essência de D’us está acima até mesmo do nível mencionado em “pois Ele é a tua vida”.
כי הוא חייך כי זהו רק היותו ממלא וסובב ומזה נמשך לאהבה כי הוא חייך. וכמ״ש נפשי אויתיך5 כמ״ש בתניא (פמ״ד).6
“pois Ele é a tua vida”, porque isso se refere somente ao fato de Ele ser memalê e sovev, e disso decorre o amor de “pois Ele é a tua vida”, como está escrito: “Minha alma, anseio por Ti”, conforme explicado no Tanya (capítulo 44).
“Pois Ele é a tua vida” refere-se somente a D’us como memalê e sovev; daí decorre o amor expresso em “Minha alma, anseio por Ti”, ansiando por D’us como a pessoa anseia pela própria vida, conforme explica o Tanya, cap. 44.
אבל המס״נ [המסירות נפש] להשליך חייו מנגד נמשך שלא ליפרד ממהותו ועצמותו ית׳ שהוא למעלהמחיי החיים וקמיה כלא ממש חשיבי ואתה הוא קודם שנברא כו׳.
Mas o autossacrifício (mesirut nefesh), lançar a própria vida para longe, decorre [da vontade] de não se separar de Seu Ser e de Sua Essência, benditos sejam, que estão acima da Vida das vidas; diante Dele, [tudo] é considerado como verdadeiramente nada, e “Tu és o mesmo antes de o mundo ter sido criado” etc.
O autossacrifício, abrir mão da própria vida, provém da vontade de não se separar de Sua Essência, que está acima da Vida de todas as vidas e diante da qual tudo é como nada.
והנה כ״ז [כל זה] הוא שיש בכח כל א׳ מישראל (כי הנצוץ אלהות שבנשמה הוא ג״כ נמשך מבחי׳ שלמעלה מהשכל וכמו שכתוב במ״א ועיין בע״ח [בעץ חיים] שמ״א פ״ג [פרק ג׳]7 והכוונה כי יש נצוץ כו׳)
E tudo isso está ao alcance de cada um de Israel (pois a centelha de Divindade na alma também deriva de um nível acima do intelecto, como está escrito em outro lugar; veja também Etz Chaim, Shaar 41, capítulo 3; a intenção é que há uma centelha etc.).
Essa capacidade está presente em todo judeu, pois a centelha de Divindade na alma também provém de um nível acima do intelecto. A nota da Kehot explica que a referência a Etz Chaim (Shaar 41, cap. 3) segue a edição de Shklov de 5560; outras edições trazem a referência em Shaar 42, cap. 1.
ולכן היה אז מסירת נפש בפו״מ [בפועל ממש] אצל כל ישראל שלא ליפרד מאחדותו יתברך. וזהו ואת מאמר מרדכי8
Por isso, naquele tempo houve autossacrifício em atos concretos entre todo o povo de Israel, para não se separarem de Sua unidade, bendita seja. E este é o significado de “E a palavra de Mordechai…”,
Por isso, no tempo de Haman, todo o povo de Israel estava pronto, em atos concretos, a dar a vida em vez de se separar da unidade de D’us. Esse é o significado das palavras da Meguilá: “E a palavra de Mordechai [Esther cumpriu].”
pois Mordechai era a fonte da autoanulação (bitul), “ish Yehudi”, como mencionado acima. E isso é: “E os judeus aceitaram aquilo que haviam começado a fazer”:
Mordechai, o “ish Yehudi”, era a fonte do bitul deles. E isso explica: “os judeus aceitaram aquilo que haviam começado a fazer”.
שבמתן תורה שהקדימו נעשה לנשמע ועל כל דבור פרחה נשמתם שהוא בחי׳ בטול ומס״נ [ומסירות נפש] שלכך זכו למ״ת [למתן תורה] התגלות אלקות.11
pois, na Outorga da Torá, eles antepuseram “faremos” a “ouviremos”, e, a cada enunciado, suas almas voaram para fora — o que corresponde ao nível de bitul e autossacrifício; e foi por isso que mereceram a Outorga da Torá, a revelação da Divindade.
No Sinai, antepor “faremos” a “ouviremos” e ter as almas voando para fora a cada enunciado foram expressões de bitul e autossacrifício; por meio delas, Israel mereceu a Outorga da Torá, uma revelação da Divindade. Aquilo que começou ali foi aceito plenamente em Purim.
O parágrafo mostra que o autossacrifício alcança a Essência de D’us, além do raio que dá vida aos mundos. Essa capacidade está presente em todo judeu; foi revelada no tempo de Haman por meio de Mordechai e liga Purim ao bitul do Sinai.
Marei mekomot
- 1כמש״ל פ׳ בשלח ד״ה וירא ישראל · לעיל סא, ד ואילך.
- 2ואתה מחי׳ את כולם · Nehemiah 9:6
- 3פי׳ ואתה היינו כ״ב אותיות · ראה שער היחוד והאמונה פ״ב.
- 4וא״כ מהותו ועצמותו ית׳ · בלקו״ת ויקרא ג, ב מציין לכאן.
- 5נפשי אויתיך · Isaiah 26:9
- 6כמ״ש בתניא (פמ״ד) · ראה באוה״ת ויקרא כרך ג ע׳ תשמא. ובליקוט פירושים — חיטריק.
- 7בע״ח שמ״א פ״ג · דפוס שקלאב תק״ס. ובדפוסים אחרים שמ״ב פ״א.
- 8ואת מאמר מרדכי · Esther 2:20
- 9מקור הבטול איש יהודי · בהמשך מצה זו תר״ם ספכ״ו הוסיף כ״ק מהר״ש קיצור: שכ״י גם משארי שבטים נק׳ יהודי ע״ש ביטול, ומרדכי מירא דכיא מקור הביטול נק׳ איש יהודי, ולעו״ז הי׳ המן גס הרוח ראשית כל מדה״ר, ועמדו במס״נ שזהו מבחי׳ אהבה מוסתרת שלמעלה משכל, כי ע״פ שכל לאהבה את ה׳ כי הוא חייך ממכ״ע וסוכ״ע. אמנם זהו רק הארה לבד, ואתה קודם שנה״ע כו׳ בשוה ומזה נמשך בחי׳ זו, והוא מבחי׳ ניצוץ האלקי שבנשמה, עכ״ל.
- 10וקבל היהודים את אשר החלו לעשות · Esther 9:23
- 11שנמשך . . וזהו וקבל היהודים כו׳ · בד״ה מצה זו תר״מ פרק כז מוסיף ”וכמ״ש וקבל קבלה גמורה, וכ״ז הוא ע״י היותם יהודים שעמדו בהודים להיות בבחי׳ הביטול”.
Por que Purim completa o Sinai ¶24
24וכך היה בימי אחשורוש הבטול הזה ביתר שאת כי במ״ת [במתן תורה] היה בטול זה מחמת כח האתעדל״ע [האתערותא דלעילא] שכפה עליהם הר כו׳. וכמים הפנים כו׳.
E assim, nos dias de Achashverosh, houve essa autoanulação (bitul) com uma elevação ainda maior. Pois, na Outorga da Torá, esse bitul foi causado pela força do despertar do alto (itaruta dileila), quando Ele suspendeu a montanha sobre eles, etc., e “como a água reflete o rosto”, etc.
Nos dias de Achashverosh, o mesmo bitul manifestou-se com maior força. No Sinai, foi produzido por um despertar do alto — a montanha suspensa sobre eles —, ao qual o amor deles apenas correspondeu, “como a água reflete o rosto.”
אבל בימי אחשורוש היה הבטול מצד עצמם בחינת אתעדל״ת [אתערותא דלתתא] תחלה. ולכן גם ההמשכה שנמשך עי״ז הוא ממקום עליון יותר עד שהגילוי שבמ״ת [שבמתן תורה] נק׳
Mas, nos dias de Achashverosh, o bitul partiu deles próprios: primeiro houve um despertar de baixo (itaruta diletata). Portanto, também a emanação que foi atraída por meio disso veio de um lugar mais elevado, a ponto de a revelação na Outorga da Torá ser chamada
No tempo de Achashverosh, o bitul começou por iniciativa dos próprios judeus, com um despertar de baixo. Por isso, aquilo que ele atraiu veio de um lugar mais elevado, tanto que a revelação no Sinai é chamada apenas de começo.
רק החלו התחלה לגבי אור ההמשכה שנמשך להם בפורים שנק׳ וקבל שזהו הגמר וזהו וקבל היהודים כו׳.
apenas “começaram”, um começo, em comparação com a luz da emanação que foi atraída para eles em Purim, chamada “aceitaram”, que é a conclusão. E é este o sentido de “E os judeus aceitaram”, etc.
Em comparação com a luz atraída em Purim, chamada “aceitaram” — a conclusão —, no Sinai eles apenas “começaram”. Este é o sentido de “E os judeus aceitaram o que haviam começado a fazer”.
(והענין הוא דהנה כתיב מה ראו על ככה1 ומה הגיע אליהם. מ״ה [שם מ״ה] הוא בחינת בטול ומ״נ [ומיין נוקבין] הגיע אליהם כנודע שיש מ״ה [שם מ״ה] וב״ן [ושם ב״ן].2 ב״ן [שם ב״ן] הוא בחינת ירידה והשתלשלות להיות התהוות יש ודבר.
(A explicação é a seguinte: está escrito: “O que (mah) viram para que isso acontecesse, e o que (mah) lhes sobreveio?” Mah é o nível de bitul, e mayin nukvin (águas femininas) lhes sobrevieram, como é sabido que há Mah e Ban. Ban é o nível de descida e da cadeia descendente dos mundos (hishtalshelut), que faz surgir algo e uma entidade (yesh vedavar).
Este longo parêntese interpreta o versículo “O que (mah) viram... e o que (mah) lhes sobreveio?” por meio do Nome Mah — o Nome Havayá expandido com o valor numérico 45 —, que representa bitul, em contraste com o Nome Ban (52), que representa a descida pela cadeia dos mundos até que surja algo separado. A abreviatura מ״נ é lida aqui como mayin nukvin, as “águas femininas” de um despertar de baixo; porém, como as linhas seguintes falam deste Mah e bitul como aquilo que lhes sobreveio, e em outro lugar Torah Ohr interpreta o versículo como “Mah lhes sobreveio”, a leitura dessas duas letras é incerta.
ומ״ה [ומה] הוא בחי׳ בטול כח מ״ה [מה]. ומ״ה [ומה] ובטול זה הגיע אליהם דהנה אף שבימי אחשורוש היה הבטול באתעדל״ת [באתערותא דלתתא] מצד עצמם היינו שההתחלה היה מהם.
E Mah é o nível de bitul, a “força de Mah” (koach mah). E este Mah e bitul lhes sobrevieram: pois, embora nos dias de Achashverosh o bitul tenha ocorrido por meio de um despertar de baixo, por iniciativa deles próprios — isto é, o começo partiu deles —,
Mah é bitul, koach mah, e este Mah “lhes sobreveio”. Embora em Purim o bitul tenha começado pelos próprios judeus, ainda assim lhes foi concedido, como explica a parte seguinte.
אבל ודאי שאלמלא עוזרו3 כו׳. א״כ [אם כן] נמשך ג״כ אתעדל״ע [אתערותא דלעילא] להולדת בטול זה וזהו מה ראו כו׳ ומה הגיע אליהם. משא״כ במ״ת [במתן תורה] היה ההתחלה באתעדל״ע [באתערותא דלעילא].
certamente, porém, “se Ele não o ajudasse”, etc. Portanto, também foi atraído um despertar do alto para dar origem a esse bitul. Este é o sentido de “o que viram”, etc., “e o que lhes sobreveio”. Em contrapartida, na Outorga da Torá, o começo se deu por meio de um despertar do alto.
Como dizem os Sábios a respeito da inclinação ao mal, a pessoa não conseguiria vencê-la “se D'us não a ajudasse”; assim, também veio um despertar do alto para dar origem a esse bitul. Este é o sentido de “o que viram... e o que lhes sobreveio”, ao passo que, no Sinai, o começo veio do alto.
והחילוק הוא ע״ד [על דרך] אשה מזרעת תחלה4 יולדת זכר דכנסת ישראל נקראת אשה וכשהתחלת ההולדה הוא ע״י אתעדל״ת [אתערותא דלתתא] ואח״כ [ואחר כך] באתעדל״ת [באתערותא דלתתא] אתעדל״ע [אתערותא דלעילא] אזי יולדת זכר שהוא בחי׳ מ״ה [שם מ״ה] ובטול אמתי.
A diferença é semelhante ao princípio de que “[quando] a mulher emite sêmen primeiro, dá à luz um menino”. Pois a Comunidade de Israel é chamada “mulher”; e, quando o início do nascimento se dá por meio de um despertar de baixo e, depois desse despertar de baixo, vem um despertar do alto, ela dá à luz um menino, que é o nível de Mah e do bitul verdadeiro.
A diferença é ilustrada pelo ensinamento talmúdico de que, quando o sêmen da mulher vem primeiro, ela dá à luz um menino. A Comunidade de Israel é a “mulher”: quando o processo começa com um despertar de baixo, que então desperta um despertar do alto, o resultado é um “menino”, o nível de Mah e do verdadeiro bitul.
משא״כ בשעת מ״ת [מתן תורה] שהיה ההתחלה ע״י אתעדל״ע [אתערותא דלעילא] שכפה עליהם הר כגיגית ואע״פ [ואף על פי] שע״י אתעדל״ע [אתערותא דלעילא] זו נתעוררו באתעדל״ת [באתערותא דלתתא] ובטול להקדים נעשה לנשמע מ״מ [מכל מקום] כיון שהוא על דרך איש מזריע תחלה לכן יולדת נקבה שהוא בחי׳ ב״ן [שם ב״ן].
Em contrapartida, na época da Outorga da Torá, quando o começo se deu por meio de um despertar do alto, ao Ele suspender a montanha sobre eles como um barril, embora esse despertar do alto os tenha despertado a um despertar de baixo e ao bitul, levando-os a antepor “faremos” a “ouviremos”, ainda assim, como isso ocorreu à maneira de “[quando] o homem emite sêmen primeiro”, ela dá à luz uma menina, que é o nível de Ban.
No Sinai, o processo começou do alto, com a montanha suspensa sobre eles. Embora isso tenha despertado neles o bitul e a declaração “faremos”, como ocorreu à maneira de “o sêmen do homem vir primeiro”, o resultado foi uma “menina”, o nível de Ban.
כי גם שם ב״ן [שם ב״ן] הוא בחי׳ בטול היש וכנודע מענין משה ואליהו שאליהו בגימטריא ב״ן [שם ב״ן] והיה בו בטול הגוף עד שעלה בסערה כו׳
Pois também o Nome Ban é o nível da autoanulação (bitul) do yesh, como se sabe pelo assunto de Moshe e Eliyahu: Eliyahu tem valor numérico igual a Ban (52), e nele houve a anulação do corpo, a ponto de subir num vendaval, etc.;
Ban também representa o bitul do yesh, a sensação de ser uma entidade independente: Eliyahu, cujo nome tem valor numérico 52, como Ban, anulou tanto o próprio corpo que subiu aos céus num vendaval.
ומ״מ [ומכל מקום] בטול דבחי׳ משה שהוא בחי׳ מ״ה [שם מ״ה] ממש כמ״ש ונחנו מה היה גדול יותר מבטול דאליהו כו׳. או י״ל [יש לומר] החילוק בין הבטול דשעת מ״ת [מתן תורה] לבטול דבימי אחשורוש
e, no entanto, o bitul do nível de Moshe, que é o próprio nível de Mah, como está escrito: “E o que (mah) somos nós?”, foi maior que o bitul de Eliyahu, etc. Ou pode-se dizer que a diferença entre o bitul no momento da Outorga da Torá e o bitul nos dias de Achashverosh
Ainda assim, o bitul de Moshe, que disse “O que (mah) somos nós?”, o próprio nível de Mah, foi maior que o bitul de Eliyahu. O maamar apresenta então uma segunda explicação para a diferença entre Sinai e Purim.
ע״ד [על דרך] שנתבאר במ״א גבי משה ואהרן שבשניהם נאמר ונחנו מה ומ״מ [ומכל מקום] משה הוא מ״ה [שם מ״ה] דמ״ה [דשם מ״ה] ואהרן ב״ן [שם ב״ן] דמ״ה [דשם מ״ה] ובחי׳ בטול דב״ן [דשם ב״ן] דמ״ה [דשם מ״ה] זהו בחי׳ הנק׳ יולדת נקבה לגבי בטול מ״ה [שם מ״ה] דמ״ה [דשם מ״ה] שהוא בטול עליון יותר כו׳.
segue a linha do que foi explicado em outro lugar a respeito de Moshe e Aharon: sobre ambos está dito “E o que somos nós?”, e, no entanto, Moshe é Mah de Mah e Aharon é Ban de Mah; e o nível do bitul de Ban de Mah é o nível chamado “ela dá à luz uma fêmea”, em comparação com o bitul de Mah de Mah, que é um bitul mais elevado, etc.
Em outro lugar, explica-se que Moshe e Aharon disseram ambos “O que somos nós?”, mas Moshe é Mah de Mah e Aharon é Ban de Mah. O bitul de Ban de Mah corresponde a “dar à luz uma fêmea”, em comparação com o bitul mais elevado de Mah de Mah.
והנה על כל פנים מובן שהבטול ומס״נ [ומסירות נפש] דכללות ישראל בימי אחשורוש היה גדול יותר במדרגה מבחי׳ הבטול דשהקדימו נעשה כו׳ והיינו בחי׳ אשה מזרעת תחלה יולדת זכר.
Em todo caso, compreende-se que o bitul e o autossacrifício (mesirut nefesh) do povo judeu como um todo nos dias de Achashverosh foram de um nível mais elevado que o nível do bitul de terem anteposto “faremos”, etc.; este é o nível de “a mulher emite sêmen primeiro, dá à luz um macho”.
De qualquer modo, o bitul e o autossacrifício de todo o povo judeu nos dias de Achashverosh foram maiores que o bitul de “faremos” em Sinai: é o caso de “a mulher emite sêmen primeiro, dá à luz um macho”.
והנה כמו שהוא בענין הבטול כך הוא ג״כ בענין עצם גלוי האור שלמעלה שהוא בחי׳ התורה נק׳ במ״ת [במתן תורה] החלו לעשות לגבי פורים שנק׳ וקבל כו׳ הדר וקבלוה כו׳ שהוא גלוי עליון יותר ממקור התורה שנקראת משל הקדמוני כנ״ל.
E assim como é com respeito ao bitul, assim também é com respeito à própria revelação da luz do alto, que é o nível da Torá: na Outorga da Torá, ela é chamada “começaram a fazer”, em comparação com Purim, que é chamado “aceitaram”, etc., “voltaram a aceitá-la”, etc.; trata-se de uma revelação mais elevada, proveniente da fonte da Torá, que é chamada “a parábola do Primordial”, como mencionado acima.
O mesmo se aplica à luz revelada do alto, a Torá. Em Sinai, foi apenas “começaram”; em Purim, quando “voltaram a aceitá-la”, a revelação veio de um nível mais elevado, a fonte da Torá, chamada “a parábola do Primordial”.
כי אשה מזרעת תחלה יולדת זכר משא״כ איש מזריע תחלה יולדת נקבה. וזהו תורה צוה לנו משה מורשה5 מאורשה כו׳ ושייך בחינה זו גם באור התורה ע״פ מ״ש בע״ח [בעץ חיים] שי״א פ״א6 כי עתיק יומין כו׳
Pois “a mulher emite sêmen primeiro, dá à luz um macho”, ao passo que, quando “o homem emite sêmen primeiro, ela dá à luz uma fêmea”. E isso é “Moshe nos ordenou a Torá, herança (morashá)”; [leia-se] “desposada” (me'orasá), etc. Este nível também se aplica à luz da Torá, conforme o que está escrito em Etz Chaim, Shaar 11, capítulo 1, que Atik Yomin, etc.,
Os Sábios interpretam “Moshe nos ordenou a Torá, herança (morashá)” como me'orasá, “desposada”: Israel está desposado com a Torá; portanto, a imagem do masculino e do feminino também se aplica à luz da Torá. O maamar fundamenta isso no relato de Etz Chaim sobre Atik Yomin.
ובחי׳ מ״ה [שם מ״ה] שבו כו׳ ע״ש [עיין שם] [ועיין מ״ש בביאור ע״פ שימני כחותם]7 וזהו מה ראו כו׳ ומה הגיע אליהם מה ראו היינו בחי׳ הבטול ומה הגיע אליהם היינו בחי׳ התורה דמחכמה נפקת כח מ״ה [מה] שהיא בחי׳ משל הקדמוני כנ״ל):89
e o nível de Mah que há nele, etc.; veja lá [e veja o que está escrito na explicação sobre o versículo “Põe-me como um selo”]. E isso é “o que viram”, etc., “e o que lhes aconteceu”: “o que viram” é o nível do bitul, e “o que lhes aconteceu” é o nível da Torá, que emana de Chochmá (sabedoria), koach mah, que é o nível da “parábola do Primordial”, como mencionado acima.)
Atik Yomin contém um nível de Mah; assim, também a Torá pode provir do nível masculino mais elevado. “O que viram” é o bitul, e “o que lhes aconteceu” é a Torá, que provém de Chochmá, koach mah, “a parábola do Primordial”.
O parágrafo explica por que Purim completou o Sinai: no Sinai, o bitul foi produzido do alto, enquanto nos dias de Achashverosh começou de baixo; e um bitul que começa de baixo atrai uma revelação mais elevada, como na imagem de “a mulher emite sêmen primeiro e dá à luz um menino”. Assim, a Torá novamente aceita em Purim veio de uma fonte mais elevada.
Kehot cita Or HaTorah (Vayikra, vol. 2, p. 500), que declara explicitamente a conclusão: Atik de Atsilut é constituído de Mah e Ban; o Mah nele é “o masculino de Atik” e o Ban, “o feminino de Atik”. Assim, por meio de “e os judeus aceitaram”, a Torá foi atraída de “o masculino de Atik”. A referência a Etz Chaim (Shaar 11, ch. 1) segue a edição de Shklov de 5560; em outras edições, é o Portão de Atik, Shaar 12, ch. 1. Sobre Mah e Ban, Kehot cita Etz Chaim, Shaar Shevirat HaKelim (Shaar 9), ch. 7.
Marei mekomot
- 1מה ראו על ככה · Esther 9:26
- 2כנודע שיש מ״ה וב״ן · ראה ע״ח שער שביה״כ, ש״ט פ״ז. אוה״ת נצבים ע׳ א׳רלג. וראה בספר הליקוטים ממאמרי הצ״צ ערך מ״ה.
- 3אלמלא עוזרו · Kiddushin 30b:7
- 4אשה מזרעת תחלה · Berakhot 60a:14
- 5תורה צוה לנו משה מורשה · Deuteronomy 33:4
- 6ע״פ מ״ש בע״ח שי״א פ״א · דפוס שקלאב תק״ס. ובדפוסים אחרים שער עתיק שי״ב פ״א. ראה באוה״ת פ׳ בלק ע׳ א׳תרסד. וראה הלשון באוה״ת ויקרא כרך ב ע׳ תק ”וז״ל וי״ל כי עת״י דאצי׳ כל עצמותו נעשה משני בחי׳ אלו שהם מ״ה וב״ן ובחי׳ מ״ה שבו הוא הנק׳ עתיק דדכורא ובחי׳ הב״ן שבו היא הנק׳ נקבה דעתיק עכ״ל. וא״כ בימי הפורים ע״י וקבל היהודים היה המשכת התורה הנק׳ משל הקדמוני מבחי׳ יולדת זכר היינו שיהי׳ הגילוי מבחי׳ עתיק דדכורא” ויש שם קיצור. וכ״ה בסה״מ תרכ״ו (הוצאת תשמ״ט) ע׳ עז.
- 7ועיין מ״ש בביאור ע״פ שימני כחותם · לקו״ת שה״ש מו, ב.
- 8בחי׳ משל הקדמוני כנ״ל) · ראה בד״ה מצה זו תר״מ פרק כז סיום המשך הפי׳ למה ראו על ככה, ובסופו יש קיצור מהסעי׳: קיצור. במ״ת כפה עליהם הר אתעדל״ע שמעורר אתעדל״ת לכן נק׳ החלו לעשות, נגד בימי אחשורוש שהי׳ קבלה גמורה שהי׳ אתעדל״ת תחלה, וזהו מ״ה ראו על ככה, ועי״ז מה הגיע אליהם שהי׳ גילוי עליון יותר, וע״ד יולדת זכר, חכמה כח מ״ה, וז״ע יר״ע ויר״ת שרשה מיר״ע, ולכן בזאת יבא אהרן אל הקדש, וגם בינה יתירה י״ה דעת״י ע״ד אד׳ מי בינה דעתיק כו׳. עכ״ל.
- 9שו״ה כו׳ — (והענין הוא דהנה כתיב · קטע מכאן מובא באוה״ת ויקרא כרך ב ע׳ תצט.
A alegria além do conhecimento ¶25–27
25ועפ״ז [ועל פי זה] יובן מארז״ל [מאמר רבותינו זכרונם לברכה] חייב אינש לבסומי בפוריא עד דלא ידע כו׳. ששמחת פורים עצומה ויתירה מהשמחה שביו״ט [שביום טוב].1
De acordo com isso, compreender-se-á o ensinamento de nossos Sábios, de abençoada memória: “A pessoa é obrigada a embriagar-se em Purim até não saber”, etc.: a alegria de Purim é mais intensa e maior do que a alegria de Yom Tov.
Agora se explica o ensinamento inicial: a alegria de Purim é mais intensa do que a alegria de Yom Tov e, por isso, bebe-se “até não saber”.
כי הנה על כל יו״ט [יום טוב] כתיב רננו צדיקים2 בהוי״ה. וכמבואר בזוהר תרומה (ד׳ קל״ז ע״ב) דלכך אומרים מזמור זה בשבתות וימים טובים.
Pois, a respeito de todo Yom Tov, está escrito: “Cantai jubilosamente, ó justos, em Havayá”, como é explicado no Zohar, Terumah (página 137b): é por isso que este salmo é recitado nos Shabatot e nas festas.
A respeito de toda festa está escrito: “Cantai jubilosamente, ó justos, em Havayá”; o Zohar explica que é por isso que esse salmo é recitado no Shabat e nas festas.
והנה הוי״ה הוא בחי׳ השתלשלות העולמות יו״ד חכמה ה׳ בינה כו׳ ורננו בהוי״ה היינו שממשיכים תוספת אור וגלוי מלמעלה מהשתלשלות בסדר ההשתלשלות.
Ora, Havayá é o nível da cadeia descendente dos mundos (hishtalshelut): o yud corresponde a Chochmá (sabedoria), o hei a Biná (entendimento), etc. E “cantai jubilosamente em Havayá” significa que se atrai um acréscimo de luz e revelação de acima da cadeia descendente para dentro da ordem da cadeia descendente.
Havayá, o Nome de quatro letras, corresponde à cadeia descendente: seu yud é Chochmá, seu primeiro hei é Biná, e assim por diante. Cantar “em Havayá” significa atrair luz adicional de acima da cadeia descendente para dentro de seus níveis ordenados.
וכמו שכתבתי במ״א על פסוק שוש אשיש בהוי״ה3 דהפי׳ שכנ״י [שכנסת ישראל] מפעילים השמחה בשם הוי׳ כו׳.
Como escrevi em outro lugar a respeito do versículo “Regozijar-me-ei grandemente em Havayá”: seu significado é que a Comunidade de Israel (Knesset Yisrael) provoca a alegria no Nome Havayá, etc.
Da mesma forma, “Regozijar-me-ei grandemente em Havayá” significa que a Comunidade de Israel provoca alegria dentro do Nome Havayá.
ועד״ז [ועל דרך זה] הוא פירוש רננו צדיקים בהוי״ה. וצדיקים היינו צדיק עליון וצדיק תחתון.4 והנה תוספת אור זה הוא ג״כ בשיעור ומדה (ע״פ קו המדה כו׳)
Do mesmo modo, este é o significado de “Cantai jubilosamente, ó justos, em Havayá”. “Justos” significa o tsadic superior e o tsadic inferior. Ora, esse acréscimo de luz também vem numa medida e dimensão (de acordo com a linha de medida, etc.),
“Os justos”, no plural, refere-se a dois níveis: um tsadic superior e um inferior; na Cabalá, “tsadic” designa a sefirá de Yessod. Essa luz adicional também vem numa medida fixa, “de acordo com a linha de medida”.
מאחר שנמשך בהשתלשלות חו״ב [חכמה ובינה] ואינו ערוך למהותו ועצמותו ית׳ הפשוט בתכלי׳ [בתכלית] הפשיטו׳ [הפשיטות] וסדר ההשתלשלו׳ [ההשתלשלות] הוא רק כטפה מן הים כו׳
pois é atraído através da cadeia descendente de Chochmá e Biná, e não tem comparação com Seu ser e essência, bendito seja Ele, que é simples na mais absoluta simplicidade; e a ordem da cadeia descendente é apenas como uma gota no oceano, etc.
Como é atraída através de Chochmá e Biná, essa luz é limitada e não tem comparação com a essência de D'us, que é absolutamente simples; toda a cadeia descendente é como uma gota no oceano em comparação com Ele.
ולכן מצות שמחת יו״ט [יום טוב] שנאמר ושמחת בחגך5 היא בגבול ומדה בשלמי שמחה אין שמחה אלא בבשר ועכשיו משחרב בהמ״ק [בית המקדש] אין שמחה
Portanto, a mitsvá da alegria de Yom Tov, sobre a qual está dito: “E te alegrarás em tua festa”, é limitada e medida: com as oferendas pacíficas de alegria, pois “não há alegria senão com carne”; e agora que o Templo Sagrado foi destruído, “não há alegria
Por isso, a mitsvá da alegria da festa é medida. Na época do Templo, era cumprida com oferendas pacíficas, pois “não há alegria senão com carne”; após a destruição do Templo, com vinho.
אלא ביין וברביעית יין6 יוצא ידי חובת שמחת יו״ט [יום טוב] שהשמחה היא בגבול ושיעור (וכמו שלמעלה תוספת האור מתלבש בחו״ב [בחכמה ובינה] כו׳ כך הוא למטה שהשמחה מתלבשת בהדעת כו׳)
senão com vinho”; e com um revi'it de vinho a pessoa cumpre sua obrigação de alegrar-se em Yom Tov, pois a alegria é limitada e medida (e, assim como acima a luz adicional se reveste em Chochmá e Biná, etc., também abaixo a alegria se reveste em Daat (conhecimento), etc.).
Um revi'it, uma pequena medida de vinho, cumpre a obrigação, pois essa alegria é limitada. Assim como acima a luz adicional se reveste em Chochmá e Biná, abaixo a alegria se reveste em Daat, consciência, e permanece dentro desse limite.
משא״כ שמחת פורים שהשמחה גדולה יותר למעלה מהדעת עד דלא ידע כו׳ והוא מפני ענין המבואר למעלה שע״י המס״נ [המסירות נפש] שהיה בהם אז כל השנה שהוא בחי׳ שלמעלה מהטעם ודעת
Em contrapartida, a alegria de Purim é uma alegria maior, acima de Daat, “até que não saiba”, etc. Isso se deve ao assunto explicado acima: por meio do autossacrifício (mesirut nefesh) que havia neles naquele período, ao longo de todo o ano — um nível acima da razão e de Daat —,
A alegria de Purim é maior, acima de Daat, “até que não saiba”. Isso se deve ao autossacrifício que os judeus demonstraram durante todo aquele ano, acima da razão e do entendimento.
הנה באתעדל״ת [באתערותא דלתתא] ובטול זה הגיעו למעלה מעלה בעצמות א״ס [אין סוף] ב״ה שלמעלה מעלה מגדר ההשתלשלות שאינו בגדר סובב וממלא כו׳ שמזה דוקא נמשך בחי׳ המס״נ [המסירות נפש] כנ״ל באריכות.7
por meio desse despertar de baixo (isarusa dilesata) e dessa autoanulação (bitul), eles alcançaram alturas elevadíssimas, chegando à própria Essência do Ein Sof (o Infinito), bendito seja Ele, muito acima dos limites da cadeia descendente dos mundos (hishtalshelut), fora das categorias de sovev e memalê; e é especificamente dessa Essência que provém o nível do autossacrifício, como explicado acima extensamente.
Por meio desse despertar de baixo e desse bitul, eles alcançaram a própria Essência do Ein Sof, muito acima da cadeia descendente dos mundos e além de sovev e memalê; é dessa Essência, como explicado, que provém o próprio autossacrifício.
O parágrafo responde à primeira pergunta: a alegria das festas atrai uma luz medida através da cadeia descendente e, assim, permanece dentro dos limites de Daat, enquanto a alegria de Purim provém da essência do Ein Sof, alcançada por meio do autossacrifício, e por isso transcende a razão.
A Kehot observa que o Tur e o Shulchan Aruch (Orach Chaim 529), ao apresentar a decisão de que hoje a alegria das festas se cumpre com vinho, não mencionam medida alguma para o vinho.
Marei mekomot
- 1ששמחת פורים עצומה ויתירה מהשמחה שביו״ט · ראה לקו״ת נצבים מח, א שמציין לכאן.
- 2רננו צדיקים בה׳ · Psalms 33:1
- 3שוש אשיש בהוי״ה · Isaiah 61:10
- 4כי הנה על כל יו״ט . . וצדיקים היינו צדיק עליון וצדיק תחתון · מובא בביאוה״ז להצ״צ כרך ב ע׳ תשכח.
- 5ושמחת בחגך · Deuteronomy 16:14
- 6משחרב בהמ״ק אין שמחה אלא ביין וברביעית יין · Pesachim 109a:5
- 7
Portanto, a alegria proveniente desta revelação está acima de Daat (conhecimento); isto é, “até que não saiba [a diferença] entre ‘Maldito seja Haman’ e ‘Bendito seja Mordechai’”,
Assim, a alegria que provém desta revelação está acima de Daat, e isso significa “até que não saiba a diferença entre ‘Maldito seja Haman’ e ‘Bendito seja Mordechai’”.
כי בהגלות נגלות הארת עצמותו ית׳ כולם שוים ממש וכחשכה כאורה כמ״ש גם חשך לא יחשיך.2
pois, quando a radiância de Sua essência, bendito seja Ele, se revela abertamente, todos são verdadeiramente iguais, e “a escuridão é como a luz”, conforme está escrito: “Nem mesmo a escuridão obscurece”.
Quando a radiância da essência de D'us se revela, todas as distinções são verdadeiramente iguais diante dela; “a escuridão é como a luz”, como diz o salmo: “Nem mesmo a escuridão obscurece para Ti”. A alegria que daí provém está, portanto, além do conhecimento que distingue Haman de Mordechai.
O parágrafo explica a própria decisão: a alegria de Purim provém da essência de D'us, diante da qual luz e escuridão são iguais; por isso, ela ultrapassa o conhecimento que distingue Haman de Mordechai.
Marei mekomot
- 1עד דלא ידע בין ארור המן לברוך מרדכי · Megillah 7b:7–8
- 2גם חשך לא יחשיך · Psalms 139:12
27וכמ״ש אם צדקת מה תתן לו1 ורבו פשעיך מה תעשה לו.2 אמנם לענין איסור עשיית מלאכה הוא דוקא ביו״ט [ביום טוב] ולא בפורים וכמארז״ל [וכמאמר רבותינו זכרונם לברכה] ולבסוף כתיב לעשות אותם ימי משתה ושמחה3 ואילו יו״ט [יום טוב] לא כתיב.45
Como está escrito: “Se és justo, que Lhe dás?” e “Se as tuas transgressões são muitas, que Lhe fazes?” No entanto, quanto à proibição de realizar trabalho, ela se aplica especificamente em Yom Tov, mas não em Purim, como disseram nossos Sábios, de abençoada memória: “E, por fim, está escrito: ‘para fazer deles dias de banquete e alegria’, enquanto ‘Yom Tov’ não está escrito.”
Antes da revelação da essência de D'us, a retidão e o pecado não fazem diferença para Ele, como Eliú diz a Jó: “Se és justo, que Lhe dás?” O maamar volta agora à segunda pergunta: por que o trabalho é proibido em Yom Tov, mas não em Purim, quando o Talmud observa que o versículo posterior da Meguilá fala de “dias de banquete e alegria” e omite as palavras “Yom Tov”.
O parágrafo conclui a explicação da alegria de Purim e introduz a segunda pergunta: por que as festas proíbem o trabalho, enquanto Purim não.
Marei mekomot
- 1אם צדקת מה תתן לו · Job 35:7
- 2ורבו פשעיך מה תעשה לו · Job 35:6
- 3לעשות אותם ימי משתה ושמחה · Esther 9:22
- 4וכמארז״ל . . ואילו יו״ט לא כתיב · נסמן לעיל צח, א.
- 5ולבסוף כתיב לעשות אותם ימי משתה ושמחה ואילו יו״ט לא כתיב · Megillah 5b:10–11
Por que o trabalho é permitido em Purim ¶28–36
28והענין כי היא הנותנת כי הנה ענין איסור דעשיית מלאכה שהוא עליות השכל והמדות לשרשן שזהו ענין השביתה והוא ענין עליות העולמות כנודע מענין
A questão é que este próprio ponto é a razão. Pois a proibição de realizar trabalho — que corresponde à elevação do intelecto e dos atributos emocionais (midot) à sua raiz — constitui o repouso e a elevação dos mundos, como se sabe a partir do conceito de
O próprio ponto já apresentado é a razão. Abster-se de realizar trabalho no Shabat e nas festas representa a elevação do intelecto e das emoções à sua raiz, bem como a elevação dos mundos, conforme expresso em “pois nele Ele repousou”.
כי בו שבת1 כו׳ כ״ז [כל זה] אינו שייך אלא בההארה שבסדר ההשתלשלות דשייך שם מעלה ומטה במדרגה.
“pois nele Ele repousou”, etc.: tudo isso se aplica somente à irradiação que se encontra na ordem da cadeia descendente dos mundos (hishtalshelut), na qual há níveis superiores e inferiores.
Tudo isso se aplica somente à irradiação que se encontra na cadeia descendente dos mundos (hishtalshelut), na qual há níveis superiores e inferiores entre os quais se pode ascender.
O parágrafo explica que o repouso do trabalho é uma elevação do inferior ao superior, o que só tem sentido dentro dos níveis ordenados da cadeia descendente dos mundos.
Marei mekomot
- 1כי בו שבת · Genesis 2:3
29ולכן ששת ימים תעשה מלאכה ואח״כ [ואחר כך] ביום השביעי שהוא מדרגה יותר נעלית הרבה תשבות להיות עליות העולמות ממדרגה שלמטה למדרגות עליונות יותר
Portanto, “seis dias trabalharás” e, depois, “no sétimo dia”, que é um nível muito mais elevado, “descansarás”, para que haja a ascensão dos mundos de um nível inferior a níveis mais elevados.
Os seis dias de trabalho e o sétimo dia de descanso correspondem à ascensão dos mundos: no Shabat, um nível muito mais elevado, eles sobem de níveis inferiores a níveis superiores.
וכן עד״ז [על דרך זה] בכל היו״ט [היום טוב] שנמשך בהם תוספת אור וגלוי ועי״ז שייך איסור מלאכה ושבתון מהמלאכה שהוא בחי׳ עשייה למדרגה העליונה המתגלה אז וכ״ז [וכל זה] אינו אלא בסדר השתלשלות דשייך שם מדרגת מעלה ומטה רוחניים.
E assim também, da mesma maneira, em todas as festividades, nas quais é atraído um acréscimo de luz e revelação; por isso, aplica-se a proibição do trabalho e o descanso do trabalho, que corresponde ao nível da ação, em relação ao nível superior que então se revela. Tudo isso existe apenas na ordem da cadeia descendente dos mundos (hishtalshelut), onde há níveis espirituais superiores e inferiores.
As festividades também atraem uma luz adicional e, por isso, nelas o trabalho também é proibido: o trabalho corresponde ao nível da “ação”, que cede lugar ao nível superior então revelado. Tudo isso pertence à cadeia descendente dos mundos, onde há níveis espirituais superiores e inferiores.
אבל בעצמותו ומהותו ית׳ שאינו בגדר עלמין כלל אין שייך כלל בחי׳ שביתה שהוא עליות המדרגות
Mas, em Sua essência e Seu ser, bendito seja Ele, que não se enquadram de modo algum na categoria dos mundos, não se aplica de modo algum o conceito de descanso, que é a ascensão dos níveis.
Na essência de D'us, que está além da categoria dos mundos, o descanso — a ascensão de um nível a outro — não tem significado algum.
שהרי מעלה ומטה שוין אצלו לגמרי שהעשייה גשמיות עם ח״ע [חכמה עילאה] שניהן שוין ממש כלא חשיבי
Pois, diante Dele, o superior e o inferior são inteiramente iguais: o [Mundo de] Assiá (Ação) físico e a Chochmá superior (Chochmá Ilaá) são ambos verdadeiramente iguais, considerados como nada.
Diante Dele, o superior e o inferior são inteiramente iguais: o Mundo físico de Assiá e a Chochmá superior são ambos como nada.
ולכן גבי שבת נא׳ [נאמר] שבת להוי״ה. וכנ״ל בענין רננו צדיקים בהוי״ה. ולכן בפורים מותר בעשיית מלאכ׳ [מלאכה] כו׳.
Portanto, a respeito do Shabat, está dito: “um Shabat para Havayá”, conforme mencionado acima sobre “Cantai jubilosamente, justos, em Havayá”. E por isso, em Purim, é permitido realizar trabalho, etc.
Por isso, o Shabat é chamado “um Shabat para Havayá”: pertence ao Nome Havayá, à cadeia descendente, assim como a alegria da festividade é “em Havayá”. E por isso o trabalho é permitido em Purim, cuja luz provém de além desse nível.
(ועמ״ש בד״ה למנצח על השמינית1 בענין ששאל מין2 א׳ לר׳ [לרבי] יהושע3 כתיב כי בו שבת4 כו׳. והלא הקב״ה [הקדוש ברוך הוא] מוריד גשמים ומצמיח דשאים כו׳ והשיב לו משל מעירוב והוצאה שברשות א׳ א״צ [אין צריך / אינו צריך] עירוב והוצאה כך כל העולם שלו הוא.
(E veja o que está escrito no discurso que começa com “Lamenatzeach al hasheminit”, a respeito de certo herege que perguntou a Rabi Yehoshua: “Está escrito: ‘pois nele Ele descansou’, etc.; mas o Santo, bendito seja Ele, faz chover e faz crescer a vegetação”, etc. E ele lhe respondeu com uma parábola sobre eruv e o transporte de objetos: dentro de um único domínio não é necessário eruv, nem se coloca a questão do transporte; assim também, o mundo inteiro é Dele.
Daqui em diante, segundo a nota da Kehot, o texto parece ser um comentário do Tsemach Tsedek. Ele cita o midrash em que um herege perguntou como se pode dizer que D'us descansa no Shabat quando Ele faz chover e crescer a vegetação; a resposta foi dada por meio de uma parábola sobre eruv: quem vive sozinho num pátio pode transportar objetos por todo ele, e o mundo inteiro é Dele.
ולכאורה אינו מובן התירוץ שהרי שאר כל ל״ח אבות מלאכות זולת מלאכת ההוצאה אינן תלויות בחילוק רשויות כלל שאסור לחרוש ולזרוע ברה״י [ברשות היחיד] כמו ברה״ר [ברשות הרבים].
À primeira vista, a resposta não é compreensível, pois todas as outras trinta e oito categorias primárias de trabalho, exceto o trabalho de transportar, não dependem de modo algum da distinção entre domínios; pois é proibido arar e semear num domínio privado, assim como num domínio público.
A resposta parece intrigante: das trinta e nove categorias de trabalho, somente o transporte depende dos domínios, ao passo que arar e semear são proibidos até mesmo num domínio privado.
אלא שהתירוץ הוא כי ענין השביתה לא שייך רק בסדר ההשתלשלות שיש שם מדרגות רבות כמו חילוק רשויות
A resposta, porém, é que o conceito de descanso se aplica somente na ordem da cadeia descendente dos mundos, onde há muitos níveis, como na distinção entre domínios;
O verdadeiro ponto da resposta é que o descanso se aplica somente na cadeia descendente dos mundos, onde há muitos níveis, como no caso de domínios separados.
אבל בבחי׳ המקיף את כל העולמות בשוה הרי כל העולם כולו שלו הוא והכל בבחי׳ השוואה אחת לפניו כחשכה כאורה5 הרי בבחי׳ זו לא שייך ענין שביתה כו׳ וע״ש [ועיין שם]. ומזה יובן יותר למ״ש לענין הא דפורים מותר בעשיית מלאכה.
Mas, no nível que circunda todos os mundos igualmente, o mundo inteiro é inteiramente Seu, e tudo se encontra em um único estado de igualdade diante Dele: “a escuridão é como a luz”; nesse nível, não se aplica o conceito de descanso etc.; veja ali. A partir disso, compreender-se-á melhor o que foi escrito a respeito de Purim permitir a realização de trabalho.
No nível que circunda todos os mundos igualmente, o mundo inteiro é um único domínio e tudo é igual diante Dele: “a escuridão é como a luz”; ali, o descanso não tem significado. Isso esclarece ainda mais por que o trabalho é permitido em Purim.
אך עדיין צריך למודעי דא״כ [דאם כן] דהא דפורים מותר בעשיית מלאכה הוא מפני שכשהגילוי הוא מבחי׳ עליונה יותר אין שייך איסור מלאכה א״כ [אם כן] איך מרדכי גזר בעשיית מלאכה ורצה שיהיה פורים יו״ט [יום טוב] לאסור במלאכה.
Mas isso ainda requer esclarecimento: se é assim, se Purim permite a realização de trabalho porque, quando a revelação provém de um nível mais elevado, não se aplica a proibição de trabalho, como Mordechai decretou a respeito da realização de trabalho e desejou que Purim fosse um Yom Tov, no qual o trabalho é proibido?
Resta uma dificuldade: se o trabalho é permitido em Purim porque sua revelação provém de um nível mais elevado, por que Mordechai decretou a proibição de trabalho e desejou fazer de Purim um Yom Tov?
ובודאי לא עלה על דעתו למעט במדרגת הגלוי שלא יהיה מבחי׳ עליונה כ״כ [כל כך]. ועוד דבכמה דרושים דלעיל מבואר דפורים ויוה״כ [ויום הכפורים] בחד דרגא אינון דכמו שבמקדש ביוה״כ [ביום הכפורים] היה גורלות גורל6 א׳ להוי״ה כו׳
Certamente, não lhe ocorreu diminuir o nível da revelação, de modo que ela não proviesse de um nível tão elevado. Além disso, em vários maamarim acima, explica-se que Purim e Yom Kipur estão no mesmo nível: assim como no Templo, em Yom Kipur, havia sorteios, “um sorteio para D'us” etc.,
Certamente, ele não pretendia rebaixar a revelação. Além disso, maamarim anteriores ensinam que Purim e Yom Kipur estão no mesmo nível: em Yom Kipur, no Templo, lançavam-se sortes, “um sorteio para D'us”.
כן נק׳ פורים ע״ש [על שם] הפור הוא הגורל כו׳ עמש״ל [עיין מה שכתוב לעיל] בד״ה כי אברהם לא ידענו.7 וגם מהא דאיתא דכל המועדים בטלים לע״ל [לעתיד לבוא] חוץ מימי הפורים ויוה״כ [ויום הכפורים] משמע כן.
assim, Purim é chamado por causa do pur, “isto é, a sorte” etc.; veja o que foi escrito acima no maamar que começa com “Ki Avraham lo yeda'anu”. Isso também está implícito no que se afirma: todos os festivais serão anulados no Futuro Vindouro, exceto os dias de Purim e Yom Kipur.
Purim é chamado por causa do pur, “isto é, a sorte”; e o ensinamento dos Sábios de que todos os festivais serão anulados no Futuro Vindouro, exceto Purim e Yom Kipur, também mostra que são semelhantes.
והרי יוה״כ [יום הכפורים] אסור בעשיית מלאכה יותר משאר היו״ט [היום טוב]. והענין הוא דעם היות כי אמת נכון הדבר דהא דפורים אין בו איסור בעשיית מלאכה כביו״ט [כביום טוב] הוא מפני שהאור מבחי׳ עליונה הרבה יותר מביו״ט [מביום טוב].
Ora, Yom Kipur proíbe a realização de trabalho mais do que os outros festivais. O assunto é o seguinte: embora “a coisa seja verdadeira e certa”: o fato de Purim não ter proibição de realizar trabalho, como em Yom Tov, deve-se a que a luz provém de um nível muito mais elevado do que em Yom Tov,
No entanto, Yom Kipur proíbe o trabalho mais do que os outros festivais. A resposta começa assim: é de fato verdade que Purim permite o trabalho porque sua luz é muito mais elevada do que a de Yom Tov.
מ״מ [מכל מקום] מצד א׳ יש בקדושת יו״ט [יום טוב] מעלה יתירה משא״כ בפורים. והוא בהקדים מש״ל [מה שכתוב לעיל] )(בד״ה כי אברהם לא ידענו)
ainda assim, sob um aspecto, há uma superioridade adicional na santidade de Yom Tov, que não existe em Purim. Isso [será compreendido] introduzindo primeiro o que foi escrito acima (no maamar que começa com “Ki Avraham lo yeda'anu”)
Ainda assim, sob um aspecto, a santidade de Yom Tov tem uma vantagem sobre Purim. Para explicar isso, o maamar recorda o maamar anterior, “Ki Avraham lo yeda'anu”.
בענין הטעם שבזמן הגלות על הרוב כל הניסים והנפלאות נעשים דרך הטבע וכמו נס דפורים שלא היה דבר נראה לעין שהוא למעלה מהטבע
a respeito da razão pela qual, durante o exílio, na maioria das vezes, todos os milagres e maravilhas ocorrem por meio da natureza, como o milagre de Purim, no qual nada era visível aos olhos que estivesse acima da natureza,
Aquele maamar pergunta por que, durante o exílio, a maioria dos milagres ocorre por meio da natureza, como o milagre de Purim, no qual nada de sobrenatural aconteceu de modo visível.
משא״כ בזמן הבית שהיו ניסים יוצאים מהטבע שהוא מפני שנסתלקו המדות דאצי׳ [דאצילות] שהיו מאירים פב״פ [פנים בפנים] בזמן הבית ונשארה ההארה ממקום עליון יותר שלמעלה מהמדות ע״כ [על כן] צריך להתלבש בדברים תחתונים
ao passo que, no tempo do Templo, havia milagres que transcendiam a natureza. Isso se deve ao fato de que os atributos emocionais (midot) de Atsilut, que brilhavam face a face no tempo do Templo, se retiraram, e restou a irradiação de um lugar mais elevado, acima das midot; por isso, ela precisa revestir-se em coisas inferiores,
No tempo do Templo, os milagres transcendiam abertamente a natureza. Durante o exílio, os atributos emocionais (midot) de Atsilut, que brilhavam “face a face” no tempo do Templo, se retiraram, e restou somente uma irradiação de um lugar mais elevado, que precisa revestir-se em coisas inferiores.
שהוא ע״פ הטבע מפני שמרוב מדרגתו הגבוה אין לו כלום במה להתלבש אלא במקום היותר נמוך.
que se dá segundo a natureza: pois, devido à grandeza de seu nível elevado, não tem absolutamente nada em que se revestir, exceto no lugar mais baixo.
Essa radiância superior se reveste na natureza precisamente por ser tão elevada: não tem onde repousar senão no lugar mais baixo.
O parágrafo explica por que o descanso do trabalho pertence às festividades, mas não a Purim, cuja luz transcende os níveis da cadeia descendente dos mundos; em seguida, apresenta a dificuldade relativa ao decreto de Mordechai e a Yom Kipur, e começa a resposta com o princípio de que, no exílio, a luz mais elevada se reveste na natureza.
A Kehot observa que a transcrição do Tsemach Tsedek termina na referência a “Lamenatzeach al hasheminit” e que o que vem a seguir parece ser um comentário dele próprio. Observa também que Likkutei Torah, o Sidur e Bereishit Rabá identificam Rabi Akiva como aquele a quem fizeram a pergunta, e registra a observação do Rebe de que, entre os Tanaim, era Rabi Yehoshua (ben Chanania) quem costumava responder aos hereges (ver Chagigá 5b).
Marei mekomot
- 1בד״ה למנצח על השמינית · לקו״ת תזריע כא, ג. וראה גם לקו״ת שה״ש כג, ד. וראה בסידור שער המילה. עד כאן נמצא בהנחת הצ״צ, וכנראה שמכאן ואילך הוא הגה״ה מהצ״צ.
- 2ששאל מין אחד · Bereshit Rabbah 11:6
- 3לר׳ יהושע · Chagigah 5b
- 4כי בו שבת · Genesis 2:3
- 5כחשכה כאורה · Psalms 139:12
- 6גורלות גורל א׳ להוי״ה · Leviticus 16:8
- 7בד״ה כי אברהם לא ידענו · לעיל צג, ג.
30וכנזכר המשל שם מענין פני אריה כו׳ ע״ש [עיין שם] ונמצא עם היות דניסים אלו שבהתלבשות הם ממקום עליון יותר.
Como no exemplo mencionado ali, acerca do “rosto de um leão” etc.; veja ali. Conclui-se que, embora esses milagres revestidos [pela natureza] provenham de um lugar mais elevado,
O maamar anterior ilustra isso com um exemplo extraído de “o rosto de um leão”. Conclui-se que os milagres revestidos pela natureza provêm de um lugar mais elevado.
אעפ״כ [אף על פי כן] ודאי יש ג״כ מעלה יתירה כשהניסים הם בהתגלות שלא ע״י לבוש הטבע כלל שהרי זהו התגלות אלקות נראה לעין ולכן קובל הנביא אותותינו לא ראינו1 כו׳.
não obstante, certamente há também uma superioridade adicional quando os milagres se revelam sem passar de modo algum pelo revestimento da natureza, pois isso é uma revelação da Divindade visível aos olhos. Por isso, o profeta lamenta: “Nossos sinais não vimos” etc.
Ainda assim, os milagres abertos, que de modo algum são revestidos pela natureza, têm uma vantagem própria: são uma revelação da Divindade que os olhos podem ver. É por isso que o salmista lamenta no exílio: “Nossos sinais não vimos”.
O parágrafo pondera os dois tipos de milagre: os revestidos pela natureza provêm de um lugar mais elevado, mas os milagres abertos têm a vantagem de serem vistos.
Marei mekomot
- 1אותותינו לא ראינו · Psalms 74:9
31וע׳ [ועיין] בזהר ר״פ ויקרא1 ע״פ שאל לך אות23 כו׳ שכוונתו שהניסים שבהתלבשות הם ע״י אות4 ה׳ אחרונה דשם הוי״ה ונק׳ העמק שאלה שמתלבשת בלבושים המסתירים.
E veja-se no Zohar, no início de Parashat Vayicrá, sobre o versículo “Pede para ti um sinal”, etc.: sua intenção é que os milagres revestidos [na natureza] vêm por meio da letra hei final do Nome Havayá, chamada “pede-o nas profundezas”, pois ela está revestida de vestimentas que ocultam.
O Zohar, no início de Vayicrá, sobre as palavras de Isaías a Achaz, “Pede para ti um sinal… pede-o nas profundezas ou nas alturas”, ensina que os milagres revestidos na natureza vêm por meio da hei final do Nome Havayá (Malchut), chamada “pede-o nas profundezas”, porque está revestida de vestimentas que ocultam.
והניסים נגלים הם ע״י אות י׳ דשם הוי״ה ונק׳ הגבה למעלה א״כ [אם כן] הרי הניסים שבהתגלות הן בחי׳ הגבה למעלה
E os milagres revelados vêm por meio da letra yud do Nome Havayá, chamada “nas alturas”. Portanto, os milagres revelados são do nível de “nas alturas”,
Os milagres revelados vêm por meio da yud do Nome, Chochmá, chamada “nas alturas”; portanto, os milagres manifestos pertencem ao nível de “nas alturas”.
וכמ״ש ג״כ לקמן בס״ד [בסייעתא דשמיא] גבי פסח (בד״ה להבין מפני מה)5 אלא שמעלה יתירה זו הוא רק ענין ההתגלות בלי לבוש
como também está escrito adiante, com a ajuda do Céu, a respeito de Pêssach (no discurso que começa “Lehavin mipnei mah”). Mas essa superioridade adicional consiste apenas em ser revelado sem uma vestimenta;
Isso também é explicado adiante, a respeito de Pêssach, no discurso “Lehavin mipnei mah”. Mas a vantagem dos milagres manifestos consiste apenas em serem revelados sem uma vestimenta.
אבל בעצם האור הרי מבואר דבניסים שבהתלבשות הוא ממקום עליון יותר הרבה שזהו פי׳ כי אתה אבינו כי אברהם6 שהוא בחי׳ המדות עליונות לא ידענו כו׳ ע״ש [עיין שם].
mas, quanto à própria luz, está explicado que, nos milagres revestidos [na natureza], ela provém de um lugar muito mais elevado. E este é o sentido de “Pois Tu és nosso Pai, pois Avraham”, que é o nível dos atributos supernais, “não nos conhece”, etc.; veja ali.
Quanto à própria luz, os milagres revestidos na natureza provêm de um lugar muito mais elevado. Esse é o sentido de “Pois Tu és nosso Pai, pois Avraham não nos conhece”: Avraham representa os atributos supernais, e, no exílio, a luz provém de além deles, de “nosso Pai”.
O parágrafo distingue duas vantagens: os milagres manifestos se destacam por sua visibilidade, como “nas alturas” da yud, enquanto os milagres revestidos na natureza provêm de uma luz mais elevada, além dos atributos representados por Avraham.
Marei mekomot
- 1בזהר ר״פ ויקרא · ב, א. וראה ביאוה״ז להצ״צ כרך ב ע׳ שטז.
- 2שאל לך אות · Isaiah 7:11
- 3שאל לך אות · Zohar, Vayikra 1:1–7
- 4שבהתלבשות הם ע״י אות ה׳ אחרונה דשם הוי״ה · בלקו״ש חט״ז ע׳ 358 הערה 54 מציין: ”ובאוה״ת אחרי (ס״ע תקסד) בשם הרמב״ן (לך יז, א. וארא ו, ב) דנסים המלובשים בטבע הם משם שד״י. וראה פיה״מ מהדו״ב פקל״ט (צב, ריש ע״ב)”.
- 5בד״ה להבין מפני מה · לקו״ת צו טז, א.
- 6כי אתה אבינו כי אברהם · Isaiah 63:16
32וכעין זה הוא ג״כ ענין הפרש שבין קדושת יו״ט [יום טוב] לפורים כי הנה מה שיו״ט [שיום טוב] אסור במלאכה היינו מפני השראת קדושה עליונה למטה שבששת ימי המעשה נמשך האור והחיות ע״י ההתלבשות בעשייה
Algo semelhante ocorre também com a diferença entre a santidade de Yom Tov e Purim. O fato de ser proibido realizar trabalho em Yom Tov deve-se ao repouso de uma santidade superior aqui embaixo: durante os seis dias da semana, a luz e a força vital (chayus) são atraídas por meio de sua vestimenta [no Mundo de] Assiá (Ação),
Uma distinção semelhante se aplica à santidade de Yom Tov em comparação com Purim. O trabalho é proibido em Yom Tov porque uma santidade superior repousa aqui embaixo: nos dias da semana, a luz e a força vital vêm revestidas em Assiá, o Mundo da Ação.
משא״כ ביו״ט [ביום טוב] נמשך מעולם הבריאה כו׳. וכמ״ש בפע״ח [בפרי עץ חיים] שער מקראי קדש פ״ג [פרק ג׳] וזהו בחי׳ השבתון מהמלאכה והעשייה.
ao passo que em Yom Tov ela é atraída do Mundo de Beriá (Criação), etc., como está escrito em Pri Etz Chaim, Shaar Mikra'ei Kodesh, capítulo 3. Este é o nível de repouso do trabalho e da ação.
Em Yom Tov, a luz é atraída do Mundo superior de Beriá, como explica o Pri Etz Chaim do Arizal, e esse é o significado de repousar do trabalho e da “ação”.
וא״כ [ואם כן] בפורים שלא נאסר בעשיית מלאכה היינו מפני שאין למטה הגילוי מעולם הבריאה כמו ביו״ט [ביום טוב]
Assim, o fato de não ser proibido realizar trabalho em Purim deve-se a que aqui embaixo não há a revelação proveniente do Mundo de Beriá, como em Yom Tov,
O trabalho não é proibido em Purim porque sua luz não é revelada aqui embaixo a partir do Mundo de Beriá, como em Yom Tov.
אלא ע״י התלבשות ומ״ש גם כן גבי ר״ח [ראש חודש] דמותר בעשיית מלאכה (ע׳ [עיין] בד״ה והיה מדי חדש בחדשו1 כו׳).
mas apenas por meio de revestimento; e o mesmo se aplica ao que está escrito a respeito de Rosh Chodesh, que é permitido realizar trabalho (veja o maamar que começa com “Vehayah midei chodesh bechodsho”, etc.).
Em Purim, a luz vem apenas revestida, como em Rosh Chodesh, quando também é permitido trabalhar; o maamar “Vehayah midei chodesh bechodsho” explica isso.
וא״כ [ואם כן] מצד זה יש מעלה יתירה ביום טוב שבא האור בהתגלות משא״כ בפורים הוא בהתלבשות והוא דוגמת מעלת הנס שבהתגלו׳ [שבהתגלות] על הניסים שבהתלבשות.
Assim, sob esse aspecto, Yom Tov possui uma vantagem adicional: a luz vem em revelação, ao passo que em Purim ela vem revestida. Isso se assemelha à vantagem de um milagre revelado sobre os milagres revestidos [na natureza].
Sob esse aspecto, Yom Tov tem uma vantagem: sua luz vem abertamente, enquanto a de Purim vem revestida, assim como um milagre aberto tem vantagem sobre um milagre revestido na natureza.
ולכן נק׳ יו״ט [יום טוב] מקרא קדש משא״כ פורים. אמנם מצד עצם האור שבהלבוש הרי מבואר שבפורים הוא המשכת אוא״ס [אור אין סוף] ב״ה ממש ע״י המס״נ [המסירות נפש] העצום שלמעל׳ [שלמעלה] מעלה מהאור שביו״ט [שביום טוב].
Por isso, Yom Tov é chamado de “santa convocação” (mikrá kódesh), ao contrário de Purim. Contudo, quanto à própria luz que está dentro do revestimento, foi explicado que em Purim ocorre a atração do próprio Or Ein Sof, bendito seja Ele, por meio do imenso autossacrifício (mesirut nefesh), que está muito, muito acima da luz de Yom Tov.
Por isso, Yom Tov é chamado de mikrá kódesh, “santa convocação”, mas Purim não. Ainda assim, a luz dentro do revestimento de Purim é o próprio Or Ein Sof, atraído pelo imenso autossacrifício daquela época, e está muito acima da luz de Yom Tov.
O parágrafo resolve o paradoxo: Yom Tov tem a vantagem de sua luz ser revelada abertamente a partir de Beriá, razão pela qual o trabalho é proibido; já a luz muito superior de Purim vem revestida, como um milagre oculto na natureza.
Marei mekomot
- 1בד״ה והיה מדי חדש בחדשו · לקו׳ת ברכה צז, ב ואילך.
33וגם זה ההתלבשות אינו העלם גמור רק כמו דוגמת הנס דפורים שאע״פ [שאף על פי] שלא היה דבר נראה לעין
E esta vestimenta também não constitui um ocultamento completo, mas é como o exemplo do milagre de Purim: embora nada fosse visível aos olhos,
Esta vestimenta não é um ocultamento total, como mostra o milagre de Purim: exteriormente, nada de sobrenatural foi visto.
שהוא למעלה מהטבע רק ע״י אהבת אסתר מ״מ [מכל מקום] נראה בחוש שכל הסיבות היו רק למעלה מהטבע רק שנשתלשל ובא להתלבש בדרך הטבע.
que estava acima da natureza, mas que ocorreu somente por meio do amor por Ester; ainda assim, vê-se claramente que todas as causas estavam inteiramente acima da natureza, apenas descendo em uma cadeia e vindo a se revestir pelo caminho natural.
Tudo parecia acontecer por meio do amor do rei por Ester; no entanto, pode-se ver claramente que todas as causas estavam acima da natureza; elas apenas desceram e se revestiram em acontecimentos naturais.
וא״כ [ואם כן] אין זה העלם גמור וכך ע״ד [על דרך] זה גם גלוי אוא״ס [אור אין סוף] ב״ה בפורים מאיר על כל א׳ מישראל בחי׳ כי אתה אבינו כו׳.
Se assim é, não se trata de um ocultamento completo. E, da mesma forma, a revelação da Luz Infinita (Or Ein Sof), bendito seja Ele, em Purim também brilha sobre cada um de Israel: o nível de “Pois Tu és nosso Pai”, etc.
Portanto, o ocultamento não é completo. Do mesmo modo, a revelação da Luz Infinita em Purim brilha sobre cada judeu, no nível de “Pois Tu és nosso Pai”.
עוד יובן דוגמא לכ״ז [לכל זה] ממ״ש בפ׳ שלח (סד״ה והיה לכם לציצית)1 דכ׳ [דכתב] האריז״ל [האר״י זכרונו לברכה]2 שקדושת הטלית גדלה מעלתה במאד מאד על קדושת הציצית שהן
Pode-se compreender ainda um exemplo de tudo isso a partir do que está escrito na Parashat Shelach (no final do discurso que começa com “Vehayah lachem letzitzis”): o Arizal, de abençoada memória, escreveu que a santidade do talit é muitíssimo superior à santidade dos tsitsit, que são
Um exemplo encontra-se em um discurso sobre tsitsit na Parashat Shelach: o Arizal escreve que a santidade do talit é muito superior à dos tsitsit, que são apenas fios que dele se estendem.
רק נימין נמשכים מהטלית רק שמפני גודל מעלת קדושתה אינה יכולה להתלבש בטלית הגשמי׳ [הגשמיים / הגשמיות / הגשמית] ממש
apenas fios que se estendem do talit; porém, devido à grandeza de sua santidade, ela não pode revestir-se no próprio talit físico,
Como a santidade do talit é tão grande, ela não pode revestir-se na própria veste física, como a santidade dos tsitsit se reveste nos fios.
כמו בציצית ולכן אין בטלית הגשמית שום קדושה כלל ומותר להשתמש בה דברי חול3 משא״כ בציצית.
como ocorre nos tsitsit; por isso, o talit físico não possui santidade alguma, e é permitido usá-lo para fins mundanos, ao contrário dos tsitsit.
Portanto, o talit físico não possui santidade e pode ser usado para fins mundanos, ao passo que os tsitsit não podem.
O parágrafo mostra que a vestimenta da luz de Purim não é um ocultamento total e ilustra, por meio do talit e de seus tsitsit, como uma santidade maior pode ser menos visível do que uma menor.
Kehot remete ao Shaar HaKavanos do Arizal (sobre tsitsit, Derush 2) e ao Pri Etz Chaim (Shaar HaTzitzis, cap. 3), onde se encontra o ensinamento sobre o talit e os tsitsit.
Marei mekomot
- 1סד״ה והי׳ לכם לציצית · לקו״ת שלח מד, ב.
- 2דכ׳ האריז״ל · ראה שער הכוונות ענין הציצית דרוש ב׳ בתחלתו. פע״ח שער הציצית פ״ג.
- 3ומותר להשתמש בה דברי חול · ראה שו״ע אדה״ז סי׳ כא. ובלקו״ש חי״ט ע׳ 421. חל״ו ע׳ 158.
34וכך עד״ז [על דרך זה] האור הנמשך בפורים גדלה מעלתו במאוד מאד על האור שמאיר ביו״ט [ביום טוב] ולכן שמחת פורי׳ [פורים] גדלה במאד משמחת יו״ט [יום טוב] כנ״ל
E assim também, a luz que é atraída em Purim é muito, muito superior à luz que brilha em Yom Tov; por isso, a alegria de Purim é muito maior que a alegria de Yom Tov, como mencionado acima;
Assim também, a luz atraída em Purim é muito maior que a luz de Yom Tov e, por isso, a alegria de Purim é muito maior.
רק שמפני גודל האור בבחי׳ א״ס [אין סוף] ממש אינו יכול להאיר בגלוי כמו האור המאיר ביו״ט [ביום טוב] ולפיכך אין איסור בעשיית מלאכה בפורים משא״כ ביו״ט [ביום טוב].
somente que, devido à grandeza da luz, que está no nível do próprio Ein Sof (o Infinito), ela não pode brilhar abertamente como a luz que brilha em Yom Tov; por isso, não há proibição de realizar trabalho em Purim, ao contrário do que ocorre em Yom Tov.
Mas, por ser a luz do próprio Ein Sof, ela não pode brilhar abertamente como a luz de Yom Tov; assim, em Purim não há proibição de trabalho, ao passo que em Yom Tov há.
O parágrafo aplica a analogia do talit: a luz de Purim é maior, mas não pode ser revelada abertamente; por isso, proporciona maior alegria, mas não traz proibição de trabalho.
35ומרדכי דגזר בעשי׳ [בעשיה] מלאכה בפורים רצה שיהי׳ [שיהיה] ב׳ המעלות בפורים שהאור הגדול הזה יאיר ג״כ בגילוי
E Mordechai, que decretou a respeito da realização de trabalho em Purim, desejava que houvesse em Purim ambas as vantagens: que essa grande luz também brilhasse de forma revelada,
Ao decretar a proibição de trabalhar em Purim, Mordechai desejava que Purim tivesse ambas as vantagens: sua grande luz e também sua revelação aberta.
ע״ד [על דרך] שהאור שביו״ט [שביום טוב] מאיר בגלוי וכמו בחי׳ יוה״כ [יום הכפורים] שהוא בחד דרגא עם פורים שמאיר בו ג״כ בבחי׳ האור הגדול הזה
à maneira como a luz de Yom Tov brilha de forma revelada; e como o nível de Yom Kipur, que está no mesmo nível que Purim, no qual também brilha o nível dessa grande luz.
Ele desejava que a luz de Purim brilhasse abertamente, como a luz de Yom Tov, à semelhança de Yom Kipur, que está no mesmo nível que Purim e no qual também brilha essa grande luz.
וזהו ענין הגורל במקדש כו׳ ששם אין עונות מבדילין וזדונות נעשו כזכיות1 ונק׳ שבת שבתון שהוא למעלה מבחי׳ שבת
E este é o significado do sorteio no Templo, etc., pois ali os pecados não separam, e os pecados deliberados tornam-se como méritos; e é chamado “um Shabat de Shabatot” (Shabat Shabatón), que está acima do nível de Shabat,
Este é o significado dos sorteios realizados no Templo em Yom Kipur: nesse dia, os pecados não separam de D'us, os pecados deliberados tornam-se como méritos, e ele é chamado “um Shabat de Shabatot”, acima até mesmo de Shabat.
כמ״ש במ״א (בד״ה האזינו השמים) והרי האור מאיר בגלוי שלכן יוהכ״פ [יום הכפורים] אסור בעשיי׳ [בעשייה] מלאכה יותר מיו״ט [מיום טוב]
como está escrito em outro lugar (no maamar que começa com “Ha'azinu hashamayim”). E a luz brilha de forma revelada, razão pela qual em Yom Kipur é proibido realizar trabalho mais do que em Yom Tov.
Em Yom Kipur, essa luz brilha abertamente, razão pela qual o trabalho é proibido de modo mais estrito do que em Yom Tov; o maamar “Ha'azinu hashamayim” explica isso.
לכן עד״ז [על דרך זה] רצה מרדכי שיהיה בפורים ג״כ מאיר בחי׳ זו בגלוי. ולכן רצה לגזור בעשיית מלאכה.
Por isso, de modo semelhante, Mordechai desejava que também em Purim esse nível brilhasse de forma revelada. E, portanto, desejava decretar a respeito da realização de trabalho.
Mordechai desejava, portanto, que também em Purim esse nível se revelasse abertamente, e por isso procurou proibir o trabalho.
ולא קבלו עלייהו כי ביוה״כ [ביום הכפורים] שהוא דאורייתא מי מונע ומי מעכב וג״ז [וגם זה] הוא ע״י קדימת עשי״ת [עשרת ימי תשובה] וממעמקים קראתיך2 כו׳
Mas eles não aceitaram isso sobre si. Pois, em Yom Kipur, que é da Torá, quem pode impedir e quem pode obstar? E isso também se dá por meio dos Dez Dias de Teshuvá que o precedem, e “Das profundezas clamei a Ti”, etc.,
Mas o povo não aceitou. Yom Kipur é ordenado pela Torá, portanto nada pode impedir sua revelação; além disso, ela é preparada pelos Dez Dias de Teshuvá e pelo clamor a D'us “das profundezas”.
ויום אסו׳ [אסור] באכילה ושתיה כו׳ אבל בפורי׳ [בפורים] אין לנו כח להמשיך בחי׳ זו בגלוי ממש.
e é um dia em que comer e beber são proibidos, etc. Mas em Purim não temos força para atrair esse nível em revelação efetiva.
É também um dia sem comer nem beber. Em Purim, porém, não temos força para atrair esse nível para uma revelação efetiva.
O parágrafo explica o decreto de Mordechai: ele desejava que a grande luz de Purim se revelasse abertamente, como a de Yom Kipur, mas o povo não podia aceitar isso, pois em Purim faltam o mandamento da Torá, os Dez Dias de Teshuvá e o jejum que tornam possível a revelação de Yom Kipur.
Marei mekomot
- 1וזדונות נעשו כזכיות · Yoma 86b:3
- 2ממעמקים קראתיך · Psalms 130:1
36ועוד מפני שהענין היה בימי הגלות שזה גורם בחי׳ ההתלבשות כו׳ שאותותינו לא ראינו1 וכמו שגם הנס נתלבש כו׳ כנ״ל.
E, além disso, porque o acontecimento ocorreu nos dias do exílio, o que provoca o nível de estar revestido etc., pois “não vimos nossos sinais”, assim como também o milagre foi revestido etc., conforme mencionado acima.
Uma razão adicional: o milagre ocorreu no exílio, o que por si só faz com que a luz esteja revestida — “não vimos nossos sinais” —, assim como o próprio milagre de Purim esteve revestido pela natureza.
והגם דלעיל נת׳ [נתבאר] דמצד עצם האור שבפורים אין שייך איסו׳ [איסור] עשיית מלאכה משום שהוא מבחי׳ שלמעלה מגדר התחלקות מדרגות מעלה ומטה את״ל [אם תמצא לומר] דפורים ויוה״כ [ויום הכפורים] חד דרגא אינון ויוה״כ [ויום הכפורים] אסור במלאכה עכצ״ל [על כרחך צריך לומר] דמצד האור
E, embora tenha sido explicado acima que, no que diz respeito à própria luz de Purim, não se aplica a proibição de realizar trabalho, pois ela provém de um nível acima dos limites da divisão em níveis superiores e inferiores: se se disser que Purim e Yom Kipur estão no mesmo nível, e que em Yom Kipur o trabalho é proibido, é forçoso dizer que, no que diz respeito à luz
Foi dito acima que a própria luz de Purim está além da distinção entre superior e inferior, de modo que não se aplica a ela a proibição de realizar trabalho. Mas, se Purim e Yom Kipur estão no mesmo nível e em Yom Kipur o trabalho é proibido, é preciso dizer que isso se aplica somente à luz tal como está acima.
כמו שהוא למעלה הוא כך אבל כשנמשך להאיר בגלוי באבי״ע [באצילות בריאה יצירה עשיה] ודאי לא כמו שמאיר באצי׳ [באצילות] כך מאיר בבריאה כו׳
tal como está acima, assim é; mas, quando é atraída para brilhar de forma revelada em Atsilut, Beriá, Yetsirá e Assiá, certamente não brilha em Beriá da mesma maneira que brilha em Atsilut etc.
Quando essa luz é atraída para brilhar abertamente nos quatro mundos, certamente não brilha em Beriá como brilha em Atsilut.
וא״כ [ואם כן] מצד התגלותו בעולמות שייך ענין שבתון שהיא עליית המדרגות כו׳. וזהו איסור המלאכה ביוה״כ [ביום הכפורים].
Sendo assim, no que diz respeito à sua revelação nos mundos, aplica-se o conceito de repouso, que é a elevação dos níveis etc. E esta é a proibição de realizar trabalho em Yom Kipur.
Portanto, em sua revelação nos mundos, aplica-se o repouso — a elevação de um nível a outro —, e esta é a proibição de realizar trabalho em Yom Kipur.
ומרדכי גזר גם בפורים ולא קבלו עלייהו משום שבפורים אין מאיר למטה בהתגלות מעולם הבריאה כמו ביו״ט [ביום טוב] כ״א [כי אם] ע״י התלבשות כו׳ כנ״ל.
E Mordechai decretou também em Purim, mas eles não aceitaram o decreto para si, porque em Purim [a luz] não brilha abaixo de forma revelada a partir do Mundo de Beriá, como em Yom Tov, mas somente por meio de estar revestida etc., conforme mencionado acima.
Mordechai decretou o mesmo para Purim, mas o povo não aceitou o decreto, porque em Purim a luz não brilha abertamente abaixo, a partir do Mundo de Beriá, como em Yom Tov, mas somente revestida.
O parágrafo concilia as duas afirmações: a luz de Purim e a de Yom Kipur estão, em si mesmas, além dos níveis, mas, quando reveladas nos mundos, provocam a elevação que proíbe o trabalho; em Purim, a luz permanece revestida e, por isso, a proibição não foi aceita.
Marei mekomot
- 1אותותינו לא ראינו · Psalms 74:9
Nenhum Nome na Meguilá ¶37–39
37והנה בכ״ז [בכל זה] יובן הטעם שלא נזכ׳ [נזכר] שם1 הוי״ה במגלה ולא שאר שמות של הקב״ה [הקדוש ברוך הוא] והענין הוא6
Agora, com tudo isso, será compreendido o motivo pelo qual o Nome Havayá não é mencionado na Meguilá, nem os outros nomes do Santo, bendito seja Ele. A questão é
Tudo isso explica por que a Meguilá nunca menciona o Nome Havayá, nem qualquer outro Nome de D'us. A explicação que se segue baseia-se numa parábola do Zohar.
ע״ד [על דרך] המשל המבוא׳ [המבואר] בזהר ס״פ בחקתי2 גבי לכלתם34 כתי׳ [כתיב] כמשל החתן שהולך ללון לבורסקי בשביל הכלה כו׳
à luz da parábola explicada no Zohar, no final de Parashat Bechukotai, a respeito de “lechalotam” (“destruí-los”), conforme está escrito: como na parábola do noivo que vai pernoitar num curtume por causa da noiva, etc.;
O Zohar, sobre o versículo “Não os destruirei… (lechalotam)”, interpreta a palavra, segundo sua grafia, como kallasam, “sua noiva”. Compara D'us a um noivo que vai pernoitar num curtume, um lugar de mau cheiro, por causa de sua noiva, que está ali.
ע״ש [עיין שם] כן מל׳ [מלכות] דאצי׳ [דאצילות] נשפלת למטה מאד בעולמות תחתוני׳ [תחתונים] ומתלבשת בק״נ [בקליפת נוגה] ולמטה יותר וכמארז״ל [וכמאמר רבותינו זכרונם לברכה] גלו לבבל שכינה עמהם.5
veja lá. Assim, Malchut (soberania) de Atsilut é rebaixada muitíssimo, até os mundos inferiores, e se reveste em kelipat nogá, e ainda mais abaixo, conforme disseram nossos Sábios, de abençoada memória: “Foram exilados para a Babilônia; a Shechiná (Presença Divina) estava com eles.”
Assim, Malchut de Atsilut, a Shechiná, desce muito baixo, aos mundos inferiores, e se reveste em kelipat nogá, a casca na qual o bem e o mal estão misturados, e ainda mais abaixo; conforme dizem os Sábios: “Foram exilados para a Babilônia; a Shechiná estava com eles.”
O parágrafo começa a explicar por que nenhum Nome de D'us aparece na Meguilá, por meio da parábola do Zohar sobre o noivo que pernoita num curtume por causa de sua noiva.
Kehot observa que Ibn Ezra, Tosafot e o Shulchan Aruch assinalam que a Meguilá não menciona o Nome, e que Pri Etz Chaim, do Arizal (Shaar HaPurim, cap. 6), fala especificamente do Nome Havayá; as palavras “nem os outros nomes” são um acréscimo deste maamar. Também aponta para Pirkei DeRabbi Eliezer, cap. 25, além da parábola do Zohar.
Marei mekomot
- 1שם הוי׳ · כ״ה בפע״ח (שער הפורים פ״ו). וראה גם משנת חסידים מס׳ אדר פ״ו מ״ג. תו״א ק, ב (ושם [דהיינו כאן] מוסיף: ולא משאר שמות של הקב״ה). קכא, ב. בסה״מ תקס״ה (כרך א ע׳ שצז) ואוה״ת אסתר (ע׳ דש) מוסיף: וגם לא שם אלקים ואד׳. — לקו״ש חכ״א ע׳ 201.
- 2בזהר ס״פ בחקתי · קטו, ב. ולהעיר מפדר״א פכ״ה. וראה בלקו״ש ח״ז ע׳ 40.
- 3לכלתם · Leviticus 26:44
- 4לכלתם · Zohar, Bechukotai 14:53–16:61
- 5גלו לבבל שכינה עמהם · Megillah 29a:4
- 6שלא נזכר שם הוי׳ במגילה · Shabbat 115b:3–4
38ועכ״ז [ועם כל זה] החתן העליון בחי׳ חסד שלמעלה נמשך ויורד לשם וא״כ [ואם כן] אדרבה אז נראה ונפלאה האהבה יותר ועד״ז [ועל דרך זה] הוא ג״כ התלבשות הנס בלבוש הטבע כו׳
E, apesar disso, o Noivo superno, o nível de Chessed (bondade) que está acima, é atraído e desce até lá. Sendo assim, pelo contrário: então o amor é visto e se torna ainda mais maravilhoso. Do mesmo modo ocorre também com o revestimento do milagre na vestimenta da natureza, etc.,
Ainda assim, o Noivo superno, o Chessed que está acima, desce àquele lugar inferior, e assim Seu amor se torna ainda mais visível. O revestimento do milagre de Purim na natureza é o mesmo: um sinal de grande amor.
שהוא מעוצם האהבה הולך ג״כ להתלבש בבית הבורסקי שהוא לבוש הטבע כו׳ וע״כ [ועל כן] לא נזכר שם הוי״ה במגלה מפני שאז הי׳ [היה] הכלה הכלולה בתכלית השפלות שמסתתרת כו׳.
pois, pela intensidade do amor, Ele também vem revestir-Se na casa do curtidor, que é a vestimenta da natureza, etc. E por isso o Nome Havayá não é mencionado na Meguilá, pois então a noiva, a que está plenamente integrada (kelulá), encontrava-se na mais extrema baixeza, oculta, etc.
Pela intensidade de Seu amor, Ele “hospeda-Se na casa do curtidor”, a vestimenta da natureza. O Nome Havayá não é mencionado na Meguilá porque a noiva, Malchut, estava então na mais extrema baixeza e oculta.
ע״כ [על כן] מוכרח להיות גלוי החסד שלמעלה ג״כ בבחינת התלבשות לירד לשם אל המקום אשר הם ולכן לא נז׳ [נזכר] השמות שהוא בחי׳ הגלוי שבלי לבוש כו׳.
Portanto, é necessário que a revelação do Chessed que está acima também se dê revestida, para descer até lá, ao lugar onde eles estão; por isso os Nomes não são mencionados, pois eles representam o nível da revelação sem vestimenta, etc.
Assim, a revelação do Chessed que está acima também precisa vir revestida, descendo até onde eles estão. Portanto, os Nomes, que são revelação sem vestimenta, não são mencionados.
אך כמו שבהמשל הנה ירידה זו הוא מורה על עוצם האהבה כמ״ש בזהר שם. כמו״כ [כמו כן] האור המלובש במגלה זו הוא למעלה מבחי׳ שמות.
Mas, assim como no exemplo essa descida indica a intensidade do amor, conforme está escrito no Zohar ali, também a luz revestida nesta Meguilá está acima do nível dos Nomes.
Mas, assim como no exemplo a descida revela a profundidade do amor, também a luz revestida na Meguilá é superior ao nível dos Nomes.
O parágrafo explica a ausência dos Nomes de D'us como a descida do amor ao ocultamento: a luz revestida na Meguilá está, na verdade, acima do nível dos Nomes.
39ותדע שהרי ארז״ל [אמרו רבותינו זכרונם לברכה] שהנביאים עתידים להבטל לע״ל [לעתיד לבוא]1 ומגלת אסתר לא תבטל2 אע״פ [אף על פי] שאין בה שם ובנביאים יש שמות הרבה3 אלא הענין
E saiba [que é assim]: pois nossos Sábios, de abençoada memória, disseram que os Profetas serão anulados no Futuro Vindouro, mas o Rolo de Ester não será anulado, embora nele não haja Nome algum, enquanto nos Profetas há muitos Nomes. Mas a questão é
Uma prova de que a luz da Meguilá está acima dos Nomes: os Sábios dizem que os livros dos Profetas serão anulados no Futuro Vindouro, mas o Rolo de Ester não, embora os Profetas estejam repletos dos Nomes de D'us e não haja nenhum na Meguilá.
כי השם שהוא גלוי הארה שבסדר ההשתלשלות יו״ד חכ׳ [חכמה] ה׳ בינה כו׳ הוא רק כטפה מהים לגבי עצמיות אוא״ס [אור אין סוף] ב״ה וכמו שם האדם שאין זה עצמיותו.
que o Nome, que é a revelação do brilho dentro da ordem da cadeia descendente dos mundos (hishtalshelut) — yud, Chochmá (sabedoria), hei, Biná (entendimento), etc. — é apenas como uma gota do oceano em comparação com a própria essência da Luz Infinita (Or Ein Sof), bendito seja Ele; tal como o nome de uma pessoa, que não é sua essência.
Um Nome de D'us, como Havayá, cujas letras correspondem a Chochmá, Biná e às demais, é a revelação de um brilho dentro da cadeia descendente dos mundos. Em comparação com a essência da Luz Infinita, é como uma gota do oceano, assim como o nome de uma pessoa não é sua essência.
אבל בפורים ע״י המס״נ [המסירות נפש] הגיעו לעצמות א״ס [אין סוף] ב״ה שלמעלה מבחי׳ שם הוי״ה ועמש״ל [ועיין מה שכתוב לעיל] בד״ה ובבואה לפני המלך4 בענין א״ת [אל תקרי] שמות אלא שמות5 כו׳
Mas em Purim, por meio do autossacrifício (mesirut nefesh), eles alcançaram a Essência do Ein Sof (o Infinito), bendito seja Ele, que está acima do nível do Nome Havayá. E veja o que foi escrito acima no discurso que começa com “Uv'vo'ah lifnei hamelech”, a respeito de “Não leia shamos (desolações), mas shemos (nomes)”, etc.;
Em Purim, por meio de seu autossacrifício, os judeus alcançaram a Essência do Ein Sof, acima até mesmo do Nome Havayá. O discurso anterior, “Uv'vo'ah lifnei hamelech”, desenvolve esse tema por meio do jogo de palavras dos Sábios: “Não leia shamos (desolações), mas shemos (nomes).”
ע״ש [עיין שם] א״כ [אם כן] האור המלובש במגלה זו היא למעלה מבחי׳ השמות אלא שמ״מ [שמכל מקום] ההתלבשות בהמגלה הוא ע״י לבושי׳ [לבושין / לבושים] שלמט׳ [שלמטה] מבחי׳ השמות בסיפור המעשה דמרדכי ואסתר ואחשורוש והמן ושתי.
veja ali. Sendo assim, a luz revestida nesta Meguilá está acima do nível dos Nomes; contudo, o revestimento na Meguilá se dá por meio de vestimentas abaixo do nível dos Nomes, no relato dos acontecimentos de Mordechai e Ester, Achashverosh, Haman e Vashti.
Assim, a luz revestida na Meguilá está acima dos Nomes, embora suas vestimentas — o relato de Mordechai e Ester, Achashverosh, Haman e Vashti — estejam abaixo do nível dos Nomes.
אסתר הוא בחי׳ מל׳ [מלכות] דאצי׳ [דאצילות] כשמסתתרת בראש הבריאה ושבע נערותיה הראויות לתת לה מבית המלך6 הן ז׳ היכלות דבריאה.
Ester é o nível de Malchut de Atsilut quando está oculta na cabeça do [Mundo de] Beriá; e “suas sete moças, dignas de lhe serem dadas da casa do rei” são os sete palácios (heichalot) de Beriá.
Em termos cabalísticos, Ester é Malchut de Atsilut oculta na “cabeça” do Mundo de Beriá, e suas sete moças “da casa do rei” são os sete heichalot, os palácios de Beriá.
מרדכי הוא בחי׳ יסוד אבא. וענין קריאת המגלה הוא כמו קורא בתורה שקורא וממשיך גלוי האור:7
Mordechai é o nível de Yessod de Abá. E a leitura da Meguilá é como alguém que lê a Torá: ele lê e atrai a revelação da luz.
Mordechai é Yessod de Abá. Ler a Meguilá é como ler a Torá: por meio da leitura, atrai-se a revelação da luz nela oculta.
O parágrafo conclui que a ausência dos Nomes de D'us na Meguilá mostra que sua luz está acima dos Nomes, provindo da Essência alcançada por meio do autossacrifício; a história é a vestimenta dessa luz, e a leitura da Meguilá a atrai para baixo.
Como cita Kehot, o Rebe explica (Likkutei Sichos, vol. 7) que, por meio da leitura da Meguilá, atrai-se uma revelação de luz a partir do próprio ocultamento — “que não há Nome algum na Meguilá” — e que essa revelação é da Essência do Ein Sof, acima do nível dos Nomes. O Rebe também observa que o Cântico dos Cânticos, igualmente, não menciona o Nome de D'us.
Marei mekomot
- 1שהנביאים עתידים להבטל לע״ל · ירושל׳ מגילה פ״א ה״ה.
- 2ומגלת אסתר לא תבטל · Jerusalem Talmud Megillah 1:8
- 3ובנביאים יש שמות הרבה · ראה בארוכה בלקו״ש חכ״א ע׳ 201 הערה 45, ובהערה 46 שם שגם בשה״ש לא נזכר שם ה׳.
- 4ועמש״ל בד״ה ובבואה לפני המלך · לעיל צו, א.
- 5א״ת שמות אלא שמות · Berakhot 7b:10–11
- 6הראויות לתת לה מבית המלך · Esther 2:9
- 7שקורא וממשיך גלוי האור · בלקו״ש ח״ז ע׳ 40 ואילך סעי׳ ג: ד. ה. אַז פון דעם העלם ”שאין שום שם במגלת אסתר” ווערט (דורך קריאת המגילה) נמשך אַ גילוי אור ואדרבה: דער גילוי וואָס קומט דערפון איז אַ גילוי פון עצמות א״ס ב״ה וואָס איז ”למעלה מבחי׳ שמות” עכ״ל ע״ש. ובהערה 46: שלמעלה גם מבחי׳ האור שלא נגע בו הצמצום שממנו נמשך הקו.
Terminou o maamar?
Marque-o como estudado; ele conta para a semana e para o siyum do ano.
Na avodá
Todo judeu, mesmo o mais baixo, possui a força do autossacrifício, que não lhe permite separar-se de D'us; quando uma pessoa peca, é somente porque um espírito de insensatez a leva a pensar que o pecado não a separa Dele. E aquele que tem tempo para estudar Torá precisa aproveitá-lo, pois sua alma necessita da parábola inteira para alcançar “a doçura de D'us”.
Perguntas para conversar
- Por que o maamar chama a Torá de “parábola”, e o que isso implica sobre o estudo das leis que tratam de assuntos físicos?
- Como a aceitação da Torá no Sinai pode ser chamada de “forçada”, se o que moveu o povo foi o amor, e não o temor?
- Por que um bitul que começa de baixo atrai uma luz mais elevada do que aquele despertado do alto?
- Como a luz de Purim pode ser maior que a de Yom Tov se somente em Yom Tov o trabalho é proibido?
- O que a ausência do Nome de D'us na Meguilá ensina sobre Sua presença em tempos de ocultação?