Torah Ohr · Parshas Vayechi · Maamar 4
חכלילי עינים מיין ולבן שנים מחלב
Vermelho nos olhos por causa do vinho, e brancura dos dentes por causa do leite
A ideia central
A Torá é o vinho que traz à tona o amor oculto e ilimitado da alma por D'us e o eleva ao amor em deleites; e é o leite que, após um exame honesto de si mesmo, faz crescer o amor e o temor até que o coração se transforme.
O maamar em resumo
O maamar explica a bênção de Yaakov a Yehudá — “vermelho nos olhos por causa do vinho, e brancura dos dentes por causa do leite” — como duas forças da Torá. Pergunta como o vinho pode “alegrar D'us” e responde com a afirmação dos Sábios: “o vinho entra, um segredo sai”. Há dois amores por D'us. Ahavat olam provém da contemplação de como a soberania de D'us cria e sustenta todos os mundos; a alma pode contê-lo, por isso ele se desvanece quando a mente se volta para outra coisa. Ahavá rabá tem sua raiz na fonte da alma no próprio D'us, acima de todos os mundos; a alma não pode contê-la, por isso ela permanece oculta, embora nunca seja interrompida. A Torá, sabedoria e vontade de D'us, é o vinho que abre as contrações divinas e traz esse amor oculto à revelação. Mais elevado ainda é o amor em deleites, o olhar dirigido à glória do Rei: os “olhos vermelhos”, revelados no Shabat após o esforço da semana, que inclui ambos os amores, “para mim, para mim”. Os “dentes” representam o exame cuidadoso de si mesmo, que tritura e peneira o serviço divino; então o “leite” da Torá faz crescer o amor e o temor, e os dentes se tornam “brancos”: o refinamento se torna claro e sem esforço.
Esquema
- Vinho e leite na ToráComo o vinho pode “alegrar D'us”? O vinho e o leite são dois aspectos da Torá, e há dois amores: ahavat olam e ahavá rabá.¶1–2
- Ahavat olam: amor extraído dos mundosContemplar como a soberania de D'us dá vida a todos os mundos, nos Pesukei deZimrah e no Shemá, conduz a “E amarás”: uma mudança de vontade em direção a D'us.¶3–8
- Ahavá rabá: o amor ocultoAhavá rabá provém da raiz da alma em D'us, acima de todos os mundos; a alma não pode contê-la, por isso ela permanece oculta, mas nunca é interrompida. Como ela é revelada?¶9–12
- O vinho da Torá revela o segredoA luz do amor está oculta na Torá; o estudo da Torá “abre os yudim” e revela na alma a Vontade Suprema, que é ahavá rabá.¶13–14
- Vermelho nos olhos: amor em deleitesOs “olhos” representam o olhar dirigido à glória do Rei, o amor em deleites, revelado no Shabat após o esforço durante a semana; o paladar que saboreia diz “para mim, para mim”, enquanto ambos os amores se elevam juntos.¶15–17
- Brancura dos dentes por causa do leiteOs “dentes” representam o exame de si mesmo, que tritura e peneira o serviço divino; então o “leite” da Torá faz crescer o amor e o temor e transforma o coração, até que o refinamento aconteça sem esforço.¶18–21
Conceitos-chave
- Ahavat olamאהבת עולם
- Amor por D'us que provém da contemplação de como Ele cria e sustenta todos os mundos. A alma pode contê-lo, mas ele é interrompido quando a mente se volta para outras coisas.
- Ahavá rabáאהבה רבה
- O amor oculto enraizado na fonte da alma, uma parte do próprio D'us. Está além da capacidade da alma e nunca é interrompido; a Torá o revela como amor “com todas as tuas forças”.
- Amor em deleitesאהבה בתענוגים
- O amor mais elevado, o olhar “dirigido à glória do Rei”, revelado no Shabat; inclui tanto ahavat olam quanto ahavá rabá e as transcende.
- A Vontade Supremaרצון העליון
- A vontade de D'us, fonte da criação, ocultada pelas contrações e revelada por meio do estudo da Torá e das mitsvot; dentro da alma, ela é ahavá rabá.
- Os yudim (contrações)יודי״ן (צמצומים)
- As contrações da Luz Infinita, aludidas em “Tu abres a mão (yadecha)”, que a Torá abre para que a Vontade Suprema seja revelada.
- Dentes e leiteשינים וחלב
- O exame de si mesmo, que tritura e peneira os próprios atos e sentimentos, seguido pelo alimento da Torá, que faz crescer o amor e o temor.
Vinho e leite na Torá ¶1–2
“Olhos avermelhados pelo vinho, e dentes brancos pelo leite.” Ora, a respeito do vinho está escrito: “Meu vinho, que alegra D'us”, etc.
O maamar começa com a bênção de Yaakov a Yehudá: seus olhos são avermelhados pelo vinho e seus dentes, brancos pelo leite. O Alter Rebe recorda primeiro que as Escrituras descrevem o vinho como algo que “alegra D'us”, o que suscita uma pergunta.
ולהבין מהו בחי׳ יין המשמח אלקים ואיך יהיה כחו גדול כ״כ לשמח אלקים. הנה אמרו נכנס יין יצא סוד.5
Para compreender: qual é o nível do vinho “que alegra D'us”, e como pode seu poder ser tão grande a ponto de alegrar D'us? Ora, [os Sábios] disseram: “Entra o vinho, sai um segredo”.
O vinho pode alegrar as pessoas, mas como pode alegrar D'us? A resposta começa com a afirmação dos Sábios: “Entra o vinho, sai um segredo”: a palavra para vinho (yayin) e a palavra para segredo (sod) têm ambas o valor numérico de setenta, e o maamar mostrará que o vinho é a Torá e o segredo é um amor oculto na alma.
O parágrafo cita o versículo que o maamar explica, pergunta como o vinho pode “alegrar D'us” e aponta a afirmação “Entra o vinho, sai um segredo” como a chave.
Segundo a nota da Kehot, outras transcrições deste maamar aparecem em Sefer HaMaamarim 5565 e no Torah Ohr de Lemberg, e Likkutei Torah faz referência a ele várias vezes. Likkutei Torah sobre Vayikra cita a interpretação deste maamar de “Entra o vinho, sai um segredo”: por meio do vinho da Torá, revela-se a ahavá rabá oculta na alma.
Marei mekomot
- 1חכלילי עינים · הנחה אחרת בסה״מ תקס״ה כרך א ע׳ קסז. והנחה אחרת בתו״א לעמבערג ג, ג. וראה גם מאמרי אדה״ז הקצרים ע׳ תלג. ראה לעיל בציונים לכ״ק אדמו״ר זי״ע. [המאמר באוה״ת ויחי שסה, ב הוא לשון התו״א עם הגהות]. קיצורים באוה״ת כרך ו תתשמא, ב. וראה כרך ז תתתעה, ב. פלח הרמון בראשית קכז, ד. בלקו״ת שה״ש לו, א ד״ה הסבי עיניך מציין כמה פעמים לד״ה זה. בסה״מ תרס״ט ע׳ קיז מציין לד״ה זה.
- 2חכלילי עינים מיין · Genesis 49:12
- 3הנה גבי כתיב יין המשמח · בבוך 414: הנה כתיב יין המשמח.
- 4תירושי המשמח אלקים · Judges 9:13
- 5נכנס יין יצא סוד · Eruvin 65a:19–20
A explicação é que na Torá há dois níveis: vinho e leite, como está escrito: “Vinde, comprai e comei”, etc., “sem dinheiro e sem preço, vinho e leite”.
Vinho e leite são duas dimensões da Torá, como mostra o chamado de Isaías: “Vinde, comprai… sem dinheiro e sem preço, vinho e leite.” O versículo é interpretado como referindo-se à Torá, que se adquire gratuitamente, e menciona as duas imagens de nosso versículo: vinho e leite.
Para explicar o assunto: há dois amores, ahavat olam (“amor ao mundo”) e ahavá rabá (“grande amor”). Ahavat olam é o amor revelado.
Para explicar essas duas dimensões, o Alter Rebe introduz dois tipos de amor a D'us: ahavat olam e ahavá rabá. Ahavat olam é o amor “revelado”, sentido abertamente no coração.
O parágrafo identifica o vinho e o leite como dois aspectos da Torá e introduz os dois amores, ahavat olam e ahavá rabá, que o maamar irá relacionar a eles.
Likkutei Torah sobre Shemini Atzeret, citado na nota da Kehot, explica que “sem dinheiro e sem preço” é dito a respeito do estudo da Torá porque a Torá vem sobretudo como um presente do alto, ao passo que as mitsvot são cumpridas mediante o pagamento de um preço completo, como um despertar de baixo.
Marei mekomot
- 1לכו שברו ואכלו · Isaiah 55:1
- 2יש ב׳ אהבות · ראה תניא פ׳ מד. תורת שלום שיחת שמח״ת תרס״ח ע׳ 87. מכ׳ כ״ק אדמו״ר מהוריי״צ נ״ע נדפס בסוף קונטרס העבודה.
- 3שו״ה אמרו — כי בתורה · וכ״ה באוה״ת ויחי שסה, ב. אבל בבוך 414: כי הנה בתורה.
Ahavat olam: amor extraído dos mundos ¶3–8
3ואה״ר היא אהבה המסותרת. ולהבין למה נק׳ האהבה המסותרת בשם אה״ר. אך הנה אה״ע היא האהבה שנלקחה מעולמות דהיינו מחמת התבוננות איך שהוא ית׳1 מחדש בטובו כו׳.
E ahavá rabá é o amor oculto. Para compreender por que o amor oculto é chamado de ahavá rabá: ora, ahavat olam é o amor que provém dos mundos, isto é, da contemplação de como Ele, bendito seja, “renova em Sua bondade”, etc.,
Ahavá rabá é chamada de amor oculto porque permanece encoberta na alma. Antes de explicar por que é chamada de “amor grande”, o Alter Rebbe define ahavat olam: um amor que nasce da contemplação dos mundos, de como D'us “renova em Sua bondade” Sua criação, nas palavras da bênção matinal que precede o Shemá.
ומהווה מאין ליש בכל יום2 מבחי׳ מל׳ ית׳ כי מלכותך מכ״ע3 כתיב שכל עולמים עליונים ותחתונים הם חיים וקיימים מבחי׳ מלכותו ית׳ ממכ״ע וסוכ״ע ואתה מחיה את כולם.45
e faz com que passem a existir, do nada à existência, a cada dia, a partir do nível de Sua Malchut (soberania), bendito seja. Pois está escrito: “Teu reinado é o reinado de todos os mundos”: todos os mundos, superiores e inferiores, vivem e existem a partir do nível de Sua Malchut, bendito seja — da luz que preenche todos os mundos (memalê kol almin) e da luz que circunda todos os mundos (sovev kol almin) — “e Tu dás vida a todos eles”.
D'us faz os mundos passarem do nada à existência a cada dia por meio de Sua Malchut, Sua soberania; como diz o versículo, Seu reinado é “o reinado de todos os mundos”. Tanto a luz que preenche os mundos quanto a que os circunda provêm desse nível, e a contemplação disso dá origem a ahavat olam.
O parágrafo começa a definir os dois amores: ahavat olam é o amor que provém da contemplação de como todos os mundos são criados e mantidos vivos pela Malchut de D'us.
Aqui, até mesmo a luz que circunda todos os mundos é descrita como proveniente de Malchut, a última das qualidades divinas. Tudo o que os mundos recebem, inclusive a luz que os circunda, é apenas uma extensão da soberania de D'us; isso prepara o contraste com ahavá rabá, cuja raiz é o próprio D'us, além de todos os mundos.
Marei mekomot
- 1שו״ה האהבה — איך שהוא ית׳ · בבוך 414 ליתא תי׳ אלו.
- 2שו״ה מחדש — בכל יום · בבוך 633: ליתא.
- 3מלכותך מכ״ע · Psalms 145:13
- 4ואתה מחי׳ את כולם · Nehemiah 9:6
- 5שו״ה כי — עליונים ותחתונים · בבוך 633 ליתא.
4ואינו כדמיון הנשמה שמחיה את הגוף. שהחיות מתפשט ומתלבש בגוף ממש להחיותו. כי הוא ית׳ קדוש ומובדל כו׳. רק התפשטות בחי׳ שם בלבד. דהיינו מחמת כי מלך שמו נק׳ עליהם.
E isso não é como a alma que dá vida ao corpo, cuja força vital se difunde e se reveste no próprio corpo para lhe dar vida. Pois Ele, bendito seja, é santo e separado etc. Trata-se apenas da extensão do nível de um nome, isto é, porque Seu nome “Rei” é chamado sobre eles.
A maneira como D'us dá vida aos mundos não é como a alma dá vida ao corpo, quando a vitalidade da alma efetivamente se difunde pelo corpo e nele se reveste. D'us permanece santo e separado dos mundos; o que se estende a eles é apenas Seu “nome”, uma mera expressão d'Ele, pois Ele é chamado seu Rei.
O parágrafo esclarece como D'us dá vida aos mundos: não entrando neles como a alma entra no corpo, mas somente por meio de Seu “nome”, a extensão de Sua soberania.
5וכמאמר ישתבח שמך לעד פי׳ לעד עד אין קץ כו׳. וע״ז אנו אומרים איש״ר מברך לעלם ולעלמי עלמיא יתברך. פי׳ שאנו מתפללים ומבקשים שיהיה שם זה בבחי׳ ברכה והמשכה מההעלם אל הגילוי.
Como na afirmação: “Que Teu nome seja louvado para sempre (la’ad)”: “para sempre” significa sem fim, etc. E a esse respeito dizemos: “Amém, que Seu grande Nome seja bendito para todo o sempre e por todas as eternidades (le’alam ule’almei almaya); que seja bendito.” Isto é: rezamos e pedimos que esse Nome esteja no nível de bênção e de emanação, passando do ocultamento à revelação.
“Que Teu nome seja louvado para sempre”, das orações matinais, significa que a extensão de Seu nome não tem fim. Na resposta ao Kadish, “Que Seu grande Nome seja bendito”, o Alter Rebe interpreta “bendito” como emanação: pedimos que esse Nome, agora oculto, seja trazido à revelação.
דהיינו שלא יהי׳ בבחי׳ העלם והסתר פנים אצלינו בידיעת אנשים מלומדה1 בלבד שאין זה אלא בבחי׳ הודאה. אבל בחי׳ ברכה היא בחי׳ גילוי ממש במוחו ולבו באמת לאמתו.
Isto é, que para nós não permaneça no estado de ocultamento e de ocultação da Face, conhecido apenas como algo “aprendido de homens, por repetição”, o que não passa do nível de reconhecimento. Mas o nível de bênção é o de uma revelação efetiva na mente e no coração, em absoluta verdade.
O perigo é que a soberania de D'us permaneça oculta para nós, conhecida apenas como algo aprendido, como na expressão de Isaías “mandamento de homens aprendido por repetição”; tal conhecimento não passa de reconhecimento. “Bênção” significa que ela é verdadeiramente revelada na mente e no coração da pessoa.
O parágrafo interpreta “Que Seu grande Nome seja bendito” como uma prece para que o Nome de D'us, Sua soberania sobre os mundos, passe de um fato oculto que apenas reconhecemos a uma revelação sentida na mente e no coração.
Marei mekomot
- 1אנשים מלומדה · Isaiah 29:13
6ושיהי׳ גילוי זה נמשך לעלם ולעלמי עלמיא אפי׳ בעולמות התחתונים כמו בעוה״ז הגשמי וכענין שנאמר ברוך ה׳ אלקי ישראל12 מן העולם ועד העולם.3
E que esta revelação seja estendida “ao mundo e aos mundos dos mundos” (le’alam ule’almei almaya), até mesmo aos mundos inferiores, como este mundo físico; conforme está dito: “Bendito seja D'us, o D'us de Israel, de mundo a mundo.”
A expressão aramaica le’alam ule’almei almaya, geralmente entendida como “para todo o sempre”, é lida aqui como “ao mundo e aos mundos dos mundos”: pedimos que a revelação alcance todos os mundos, até mesmo este mundo físico. O versículo “Bendito seja D'us… de mundo a mundo” expressa a mesma ideia.
ועד״ז תקנו כל פסוד״ז מב״ש עד ק״ש להאריך ולהרחיב הדבור בשבחו4 של מקום איך שמלכותו הוא מכ״ע.
Seguindo essa mesma linha, [os Sábios] instituíram todos os Pesukei deZimrah, desde Baruch She’amar até a leitura do Shemá, para falar longamente e de modo expansivo em louvor ao Onipresente — sobre como Sua Malchut é “a realeza de todos os mundos”.
Os Sábios instituíram os Pesukei deZimrah, os salmos e louvores das orações da manhã, desde Baruch She’amar até o Shemá, com esse propósito: deter-se longamente em como a soberania de D'us se estende sobre todos os mundos, para que aquele que reza venha a senti-la.
O parágrafo explica que os Pesukei deZimrah foram concebidos para atrair essa revelação para dentro da pessoa, por meio da contemplação prolongada da soberania de D'us.
Marei mekomot
- 1ברוך ה׳ אלקי ישראל · קו, מח.
- 2
- 3ברוך ה׳ אלקי ישראל מן העולם ועד העולם · Psalms 106:48
- 4שו״ה ולהרחיב — בשבחו · בבוך 633: בפסוקי שבחו.
E [eles descrevem] como Ele é santo e separado etc., até que isso se fixe “no íntimo do homem e [em] seu coração profundo”. E, por meio disso, ele chegará ao cumprimento da leitura do Shemá: “Ouve, ó Israel”.
Os Pesukei deZimrá também descrevem como D'us permanece santo e separado dos mundos sobre os quais governa; essa contemplação deve prosseguir até se fixar profundamente na pessoa, “no íntimo do homem e em seu coração profundo”. Isso a prepara para cumprir corretamente o Shemá.
שמע לשון הבנה3 להתבונן כי ה׳ אחד פי׳ אחד ז׳ רקיעים4 וארץ וד׳ רוחות העולם5 בטלים אל האל״ף הוא אלופו של עולם.
“Ouve” é um termo que denota entendimento: contemplar que “D'us é Um”. “Um” (echad) significa que os sete céus e a terra, e as quatro direções do mundo, estão anulados diante do álef, que é o Mestre (aluf) do mundo.
“Shemá”, ouve, também significa entender; assim, o Shemá exige contemplar que D'us é Um. A palavra echad (Um) escreve-se álef (1), chet (8) e dálet (4): o oito representa os sete céus e a terra, o quatro representa as quatro direções, e tudo está anulado diante do álef, que representa o aluf, o Mestre do mundo.
O parágrafo mostra como a contemplação dos Pesukei deZimrá conduz ao Shemá, cujo “Um” significa que todos os céus, a terra e as quatro direções estão anulados diante de D'us.
O Shulchan Aruch determina que, ao dizer “Echad”, prolonga-se o chet para coroar D'us sobre os céus e a terra, e o dálet para pensar que somente Ele governa as quatro direções. O maamar de abertura de Torah Ohr, ao qual a nota da Kehot se refere, também explica “Shemá” como entendimento.
Marei mekomot
- 1בקרב איש ולב עמוק · Psalms 64:7
- 2שמע ישראל · Deuteronomy 6:4
- 3שמע לשון הבנה · נסמן לעיל א, א. לח, ב.
- 4אחד ז׳ רקיעים · שו״ע או״ח סס״א ס״ו.
- 5אחד ז׳ רקיעים וארץ וד׳ רוחות העולם · Shulchan Arukh, Orach Chayim 61:6
8וכמו שיש בגשמיות ז׳ רקיעים כו׳. כך ברוחניות יש כמה מדרגות זו למעלה מזו וכולם בטלים אליו ית׳ רק שברוך שם כו׳.
E assim como na dimensão física há sete céus, etc., também na dimensão espiritual há muitos níveis, um acima do outro, e todos são anulados diante Dele, bendito seja Ele — apenas que [há] “Bendito seja o Nome”, etc.
Assim como o mundo físico tem sete céus, os mundos espirituais têm muitos níveis, um acima do outro, e todos são anulados diante de D'us. O que ainda lhes permite existir como mundos é “Bendito seja o Nome da glória de Seu reino”, recitado após o primeiro versículo do Shemá.
שמבחי׳ דלי״ת רבתי דאחד נמשך בחי׳ ברכה והמשכה להיות בחי׳ שם כבוד מלכותו כו׳. ועי״ז יגיע למדרגת ואהבת.
Pois do nível do dalet grande de “Um” é atraído o nível de bênção e influxo, para que se torne o nível de “o Nome da glória de Seu reino”, etc. E, por meio disso, ele alcançará o nível de “E amarás”.
O dalet grande de “Echad”, escrito em tamanho maior na Torá, é a fonte da qual o “Nome” de D'us é atraído aos mundos como “o Nome da glória de Seu reino”. Essa contemplação conduz a pessoa ao versículo seguinte: “E amarás”.
פי׳ ואהבת הוא מלשון רצון.1 דהיינו שיהי׳ רצונך שהוי׳ יהיה אלקיך בכל לבבך בשני יצריך2 יצ״ט ויצה״ר לאהפכא חשוכא כו׳
“E amarás” (ve’ahavta) é um termo que significa vontade. Isto é, que a tua vontade seja que Havayá seja o teu D'us, “com todo o teu coração” — com tuas duas inclinações, a inclinação para o bem e a inclinação para o mal — para transformar a escuridão [em luz], etc.:
“Ve’ahavta”, “e amarás”, está relacionado à palavra que significa vontade (avá, querer). O mandamento é que tua vontade seja que Havayá seja o teu D'us, “com todo o teu coração”, que os Sábios interpretam como referindo-se às duas inclinações, para que até mesmo a inclinação para o mal seja transformada da escuridão em luz.
שיעקור רצונו מהבלי עולם להיות לו שינוי רצון ולהפך רצונו לה׳ אחד וכמ״ש מי לי בשמים3 ועמך לא חפצתי בארץ:4
que ele arranque sua vontade das vaidades do mundo, de modo que sua vontade mude, e dirija sua vontade ao D'us Único; como está escrito: “Quem tenho eu nos céus? E contigo nada desejo na terra.”
Isso significa arrancar a própria vontade das vaidades do mundo, até que o próprio desejo se transforme e se volte somente para D'us. O salmista expressa isso: “Quem tenho eu nos céus? E contigo nada desejo na terra.”
O parágrafo mostra como a contemplação da anulação dos mundos diante de D'us conduz a “E amarás”: uma mudança de vontade, na qual o coração nada deseja além de D'us.
Likkutei Torah sobre Beha’aloscha, citado na nota da Kehot, explica que a vontade é o núcleo interior das emoções: aquilo que a pessoa deseja determina o que lhe dá prazer ou o que ela consegue suportar; portanto, o mandamento de amar é um mandamento de transformar a própria vontade. A nota também cita um resumo que Or HaTorah acrescenta aqui, definindo ahavat olam como o amor extraído dos mundos, por meio do qual a pessoa arranca sua vontade das vaidades do mundo.
Marei mekomot
- 1ואהבת הוא מלשון רצון · Song of Songs 7:1
- 2בכל לבבך בשני יצריך · Deuteronomy 6:5
- 3מי לי בשמים · Psalms 73:25
- 4
Ahavá rabá: o amor oculto ¶9–12
9והנה כ״ז הוא בחי׳ אה״ע שאומרים אהבת עולם אהבתנו. פי׳ אהבתנו שאהבה זו היא מתלבשת בתוך נפשנו.
Ora, tudo isso é o nível de ahavat olam, como dizemos: “Com amor eterno (ahavat olam) Tu nos amaste (ahavtanu).” O sentido de “ahavtanu” é que esse amor se reveste dentro de nossa alma,
Tudo isso descreve ahavat olam, mencionada na bênção “Com amor eterno (ahavat olam) Tu nos amaste (ahavtanu).” O Alter Rebe se apoia na palavra “ahavtanu”, cujo sufixo significa “nos”: esse amor se reveste dentro de nossa alma.
שהנפש יכולה להיות כלי להגביל ולהלביש את האהבה זו בתוכה ממש להיות תוכה רצוף אהבה1 זו. אבל אה״ר היא בשרש הנפש במקור חוצבה כי חלק2 הוי׳ ממש עמו.34
pois a alma pode ser um recipiente para conter e revestir esse amor verdadeiramente dentro de si, de modo que “seu interior esteja incrustado de amor” — desse amor. Mas ahavá rabá está na raiz da alma, na fonte de onde foi esculpida, pois “Seu povo” é literalmente “uma porção de Havayá”.
Ahavat olam cabe dentro da alma, que pode contê-la plenamente, de modo que a alma esteja “incrustada de amor”, expressão do Cântico dos Cânticos. Ahavá rabá, porém, está enraizada na própria fonte da alma, pois a alma é “uma porção de Havayá”, literalmente uma parte de D'us.
O parágrafo contrasta os dois amores: ahavat olam cabe na capacidade da alma, ao passo que ahavá rabá provém da raiz da alma no próprio D'us.
Marei mekomot
- 1תוכה רצוף אהבה · Song of Songs 3:10
- 2כי חלק הוי׳ ממש עמו · Deuteronomy 32:9
- 3
- 4
10ואני הוי״ה לא שניתי1 כתיב שהוא ית׳ למעלה מגדר עלמין ואין ערוך אליו ית׳ כלל אפי׳ כמשל טפה מים אוקיינוס.
Está escrito: “E Eu, Havayá, não mudei”: pois Ele, bendito seja, está acima dos limites dos mundos, e não há qualquer comparação com Ele, bendito seja, — nem mesmo como na analogia de uma gota [em comparação com] as águas do oceano.
As palavras de Malachi, “Eu, Havayá, não mudei”, ensinam que D'us está inteiramente além dos mundos e não é afetado por eles. Os mundos não têm qualquer comparação com Ele, nem mesmo a comparação de uma gota com o oceano.
שעם היות שהוא חלק קטן מאלף אלפי אלפים ורבי רבבות. עכ״ז שייך איזה ערך ויחוס במהותו הדומה לו שגם מהות הטפה היא מים כמו הים הגדול ממש.
Pois, embora [a gota] seja uma parte minúscula, [uma] entre milhares de milhares de milhares e miríades de miríades, ainda assim há alguma comparação e relação em virtude de sua essência, que se assemelha [à do oceano]: pois a essência da gota também é água, exatamente como o grande mar.
Uma gota é minúscula em comparação com o oceano, mas compartilha a natureza do oceano: ambas são água. Entre D'us e os mundos não há sequer esse ponto em comum.
משא״כ אליו ית׳ אין ההשתלשלות ערוך כלל ולכך האהבה שנלקחה מבחי׳ זו אינה מתלבשת ממש תוך הנפש ואין הנפש יכולה להגבילה
Mas não é assim com Ele, bendito seja: a cadeia descendente dos mundos (hishtalshelut) não tem qualquer comparação [com Ele]. Por isso, o amor que é extraído deste nível não está verdadeiramente revestido na alma, e a alma não pode contê-lo;
Como a raiz da alma está no próprio D'us, que está além de todos os mundos, o amor extraído dessa raiz excede a capacidade da alma. A alma, um recipiente com limites, não pode contê-lo.
אלא היא בבחי׳ מסותרת והיא באה לידי גילוי בבחי׳ בכל מאדך2 כו׳. (וע׳ בתניא ס״פ מ״ג3 ועי׳ ג״כ פ׳ י״ט):4
em vez disso, ele permanece num estado oculto e vem à revelação no nível de “com toda a tua força” (bechol me’odecha), etc. (Veja Tanya, final do capítulo 43; e veja também o capítulo 19.)
Por essa razão, ele permanece oculto e é chamado de amor oculto; quando é revelado, manifesta-se como “com toda a tua força” (me’od, “muito”), um amor sem medida. O Alter Rebe remete o leitor a Tanya, capítulos 43 e 19, onde esses amores são discutidos.
O parágrafo explica por que ahavá rabá permanece oculta: ela provém da essência de D'us, que não tem relação com os mundos, de modo que a alma não pode contê-la; ela só se revela como amor ilimitado, “com toda a tua força”.
O capítulo 43 de Tanya descreve ahavá rabá como amor de deleite, que vem do alto como um presente, e ahavat olam como o amor que nasce da compreensão da grandeza de D'us, que preenche e circunda todos os mundos. O capítulo 19 descreve o amor oculto da alma divina, que por sua natureza anseia por ser absorvida em sua fonte, como uma chama atraída para o alto.
Marei mekomot
- 1ואני ה׳ לא שניתי · Malachi 3:6
- 2בכל מאדך · Deuteronomy 6:5
- 3בתניא ס״פ מ״ג . . י״ט · ראה לקו״ת במדבר ט, ד. בתו״א דפוס א׳ נדפס ההגהה באותיות רגילות. בבוך 414. 633 ליתא ההגהה.
- 4
11והנה ההפרש1 שבין אה״ע לאה״ר הוא כי אה״ע הבאה מחמת התבוננות ועומק מחשבתו יש לה הפסק שאם לבבו פונה לדברים אחרים וטרוד במחשבתו בעסקי עולם אזי חולפת ועוברת ממנו כו׳
Ora, a diferença entre ahavat olam e ahavá rabá é a seguinte: ahavat olam, que decorre da contemplação e da profundidade do pensamento da pessoa, está sujeita a interrupção; pois, se seu coração se volta para outras coisas e seu pensamento fica ocupado com assuntos mundanos, ela então passa e se afasta dela etc.
Ahavat olam depende da contemplação e, por isso, dura somente enquanto a mente está voltada para ela. Quando a pessoa se volta para outros assuntos e fica absorvida pelos negócios mundanos, esse amor se desvanece.
משא״כ האה״ר שבשרש נפשו ממקור חוצבה2 אין לה הפסק3 שגם אם לבבו פונה לדברים אחרים הרי אין בזה לעומת זה45 להיות לעומת האהבה הזאת להטרידה ולהפסיקה.
Não é assim com a ahavá rabá que está na raiz de sua alma, na fonte da qual ela foi talhada: ela não sofre interrupção. Pois, mesmo que seu coração se volte para outras coisas, não há nisso um “um oposto ao outro”, [nada] que se coloque diante desse amor para perturbá-lo e interrompê-lo.
A ahavá rabá, enraizada na fonte da alma, nunca é interrompida. Cada nível de santidade tem uma contraparte oposta a ele, “um oposto ao outro”, mas esse amor não tem nenhuma; assim, nada pode se colocar contra ele para perturbá-lo ou interrompê-lo.
O parágrafo apresenta a diferença prática: ahavat olam pode ser interrompida por distrações, ao passo que ahavá rabá, por não ter uma contraparte oposta, não pode ser interrompida.
A nota de Kehot explica que este é o amor da yechidá da alma, seu nível mais íntimo, e cita o comentário do Tzemach Tzedek em Likkutei Torah (Ki Seitzei), que afirma que nada se opõe à yechidá.
Marei mekomot
- 1והנה ההפרש · באוה״ת פנחס ע׳ א׳קנז מביא קטע מכאן, ומהביאור דלקמן. בלקו״ת במדבר ט, ד. בלק סח, ב מציין לכאן. וראה בהנסמן לעיל מז, א.
- 2ממקור חוצבה · באוה״ת שם נוסף ”כי חלק ה׳ ממש עמו ואני ה׳ לא שניתי כתיב כו׳” לכן.
- 3שאה״ר אין לה הפסק · בסה״מ תרמ״א ע׳ קלג: בתו״א ד״ה חכלילי כ׳ שאה״ר אין לה הפסק, ובד״ה ועשית ציץ [=פג, ג] שאה״ר יש לה הפסק אחר התפילה, אך אהבה רבה זו שהיא אהבה בתענוגים שאפ״ל שהכהן יכול להמשיך זה מחמת שזהו כנהא ברעו״ד כמ״ש רבינו ז״ל, אך ע״י הציץ שעשה משה י״ל שודאי נמשך כי משה גם מדחה בחי׳ הלעו״ז דעמלק, וע״י שהי׳ נושא תמיד הציץ בודאי לא היה הפסק, ע״כ.
- 4אין בזה לעומת זה · הכוונה לאהבה דבחי׳ יחידה, הגהת כ״ק אדמו״ר הצ״צ לקו״ת תצא לז, ג. וראה בספר הערכים-חב״ד כרך א׳ ערך אהבה מסותרת במילואים הערה 380 מהביאור באוה״ת דברים ע׳ לג.
- 5לעומת זה · Ecclesiastes 7:14
Portanto, esse amor permanece como um reshimu (impressão), de modo que sua lembrança fique gravada no coração, “sem jamais vacilar, para todo o sempre”.
Como nada se opõe a ele, esse amor permanece na alma como um reshimu, uma impressão, com sua lembrança gravada no coração e jamais apagada, “sem jamais vacilar, para todo o sempre”. Ele está sempre presente, embora oculto.
אך כיצד תהיה אה״ר זו בבחי׳ גילוי שיעלה ויגיע למדרגת בכל מאדך2 ע״ז אמרו נכנס יין יצא סוד3 היא התורה שנק׳ בשם יין.4
Mas como esse grande amor (ahavá rabá) poderá se revelar, elevando-se e alcançando o nível de “com toda a tua força”? A esse respeito disseram: “O vinho entra, e o segredo sai”: [o vinho] é a Torá, chamada “vinho”.
A pergunta é como esse amor oculto pode vir à luz, alcançando o nível de “com toda a tua força”. A resposta retoma a declaração inicial: “O vinho entra, e o segredo sai”; o vinho é a Torá.
O parágrafo observa que o grande amor (ahavá rabá) permanece sempre na alma como uma impressão e pergunta como ele pode se revelar, respondendo que o “vinho” da Torá faz sair esse “segredo”.
Marei mekomot
- 1בל תמוט עולם ועד · Psalms 104:5
- 2בכל מאדך · Deuteronomy 6:5
- 3נכנס יין יצא סוד · Eruvin 65a:19–20
- 4כיצד תהי׳ אה״ר זו · ראה לקו״ת שה״ש ד״ה צאינה וראינה (השני).
O vinho da Torá revela o segredo ¶13–14
13וכמארז״ל ערבים עלי ד״ס1 יותר מיינה של תורה כי על האהבה נאמר וירא אלקים את האור כי טוב2 ואמרו רז״ל כי טוב לגנוז בתורה.34
Como disseram nossos Sábios, de abençoada memória: “As palavras dos Escribas me são mais agradáveis do que o vinho da Torá.” Pois, a respeito do amor, está escrito: “E D'us viu a luz, que era boa”; e nossos Sábios, de abençoada memória, disseram: “que era boa” — para ser ocultada na Torá.
Os Sábios chamam a Torá de “vinho”, como em sua afirmação de que as palavras dos Escribas são mais caras do que o vinho da Torá. A luz que D'us viu “que era boa” é identificada com o amor, e os Sábios dizem que ela foi ocultada na Torá; assim, a Torá contém a luz oculta do amor.
וכשנכנס יינה ש״ת יצא סוד הוא אור האהבה הגנוז מההעלם אל הגילוי להיות אצלו גילוי האה״ר המושרשת בשרש נפשו במקור חוצבה בבחי׳ בכל מאדך וע״ז נא׳ פותח את ידיך.5
E, quando o vinho da Torá entra, o segredo — que é a luz oculta do amor — sai da ocultação para a revelação, de modo que nele se revele o ahavá rabá enraizado na raiz de sua alma, na fonte de onde ela foi talhada, no nível de “com toda a tua força”. E a respeito disso está escrito: “Tu abres a Tua mão (yadecha).”
Quando o vinho da Torá entra numa pessoa, a luz oculta do amor emerge para a revelação, e o ahavá rabá enraizado em sua alma se revela como amor “com toda a tua força”. O versículo “Tu abres a Tua mão” alude a isso.
יודי״ך הן הם בחי׳ הצמצומים רבים ועצומים מאא״ס ב״ה להיות השתלשלות המדרגות מעילה לעלול כו׳.6
“Yudecha” (“Teus yuds”): estes são os níveis de tsimtsumim (contrações), numerosos e poderosos, provenientes da Luz Infinita (Or Ein Sof), bendito seja Ele, para que haja a cadeia descendente dos mundos (hishtalshelut) dos níveis, da causa ao efeito, etc.
A palavra yadecha, “Tua mão”, é lida como yudecha, “Teus yuds”. A pequena letra yud representa a contração (tsimtsum): as numerosas e grandes contrações da Luz Infinita que permitem a descida em cadeia dos níveis, da causa ao efeito.
O parágrafo explica que o amor oculto é a luz escondida na Torá, revelada quando o “vinho” da Torá entra na alma, e começa a interpretar “Tu abres a Tua mão” como a abertura das contrações divinas.
Os Sábios ensinam que a luz do primeiro dia foi ocultada para os justos; Likkutei Torah, citado na nota da Kehot, diz que ela foi ocultada na Torá e que, às vezes, ascende além da alma da pessoa e, às vezes, desce para dentro dela. O encerramento do biur sobre este maamar em Torah Ohr retorna aos “yuds” de “Tu abres a Tua mão”.
Marei mekomot
- 1כמארז״ל ערבים עלי ד״ס · נסמן לקמן נב, ד.
- 2וירא אלקים את האור כי טוב · Genesis 1:4
- 3כי טוב לגנוז בתורה · Chagigah 12a:10–11
- 4לגנוז בתורה · Zohar, Terumah 37:415–38:424
- 5פותח את ידיך · Psalms 145:16
- 6שו״ה יין — על האהבה · בבוך 414: על אור האהבה.
14ומקור התהוות העולמות מאין ליש מרצה״ע ב״ה וע״י התורה שהיא חכמתו ורצונו ית׳ פותח את היודי״ן והצמצומים להיות גילוי1 רצה״ע ב״ה.
E a fonte da formação dos mundos, do nada para algo, provém da Vontade Suprema, bendito seja Ele. E, por meio da Torá, que é Sua sabedoria e Sua vontade, bendito seja Ele, [Ele] abre os yudim e as contrações, para que haja uma revelação da Vontade Suprema, bendito seja Ele.
A criação do nada tem sua fonte na Vontade Suprema de D'us, que está oculta por trás das contrações. A Torá, sendo a sabedoria e a vontade de D'us, “abre” esses yudim, para que Sua vontade seja revelada.
ומשביע לכל חי2 דהיינו בכל חיות ואור המתפשט בעולמות מריש כל דרגין כו׳. להיות בהם בחי׳ רצון שיהי׳ שורה ומתגלה בהם בחי׳ רצה״ע ב״ה ונמשך לנפש האדם ג״כ שיהי׳ מתגלה בו רצה״ע שבנפשו
“E satisfaz todo ser vivente”: isto é, em toda a força vital e luz que se estende pelos mundos, desde o princípio de todos os níveis, etc., deve haver o nível da vontade — que o nível da Vontade Suprema, bendito seja Ele, repouse neles e seja revelado. E ela também se estende à alma do homem, para que a Vontade Suprema presente em sua alma seja revelada nele,
O versículo prossegue: “e satisfaz todo ser vivente [com] vontade”. Isso significa que, em toda a vida e luz nos mundos, desde o nível mais elevado para baixo, a vontade de D'us deve repousar e ser revelada; e, dentro da pessoa, deve ser revelada a Vontade Suprema presente em sua própria alma.
דהיינו האה״ר המושרשת בשרש נפשו למעלה מכדי שתוכל הנפש שאת מאחר שהרצ״ע בא אצלו לידי גילוי למטה בלבושי הנפש דבור ומעשה ע״י דבור בת״ת ומעשה המצות ולכן אמרו רז״ל ששואלים את האדם קבעת עתים לתורה.34
isto é, o grande amor enraizado na raiz de sua alma, acima da capacidade da alma de suportá-lo; pois a Vontade Suprema veio a se revelar nele embaixo, nas vestimentas da alma — fala e ação — por meio da fala no estudo da Torá e da ação das mitsvot. Por isso nossos Sábios, de abençoada memória, disseram que se pergunta à pessoa: “Você fixou horários para a Torá?”
A vontade presente na alma é o grande amor enraizado em sua fonte, acima da capacidade da alma de contê-lo. Ele se revela quando a Vontade Suprema se manifesta nas vestimentas exteriores da alma — fala e ação — por meio da pronúncia de palavras da Torá e da prática das mitsvot; por isso, no julgamento, pergunta-se à pessoa se ela fixou horários para a Torá.
שעי״ז יעורר את האהבה מלמעלה בשרש נפשו שאינה מתלבשת בשום כלי המעלים ומסתיר שאין כמוה ולא דוגמתה בזלעו״ז הנ״ל ואין לה הפסק שאפי׳ בעסקו בשאר ענינים תהיה אהבה זו תקועה בלבו.
Pois, por meio disso, ele despertará o amor do alto na raiz de sua alma, que não está revestido em nenhum recipiente que o oculte e esconda; não há nada como ele, nem qualquer semelhança com ele, no “um em oposição ao outro” mencionado acima; e ele não sofre interrupção, de modo que, mesmo quando estiver ocupado com outros assuntos, esse amor permanecerá firme em seu coração.
O estudo regular da Torá desperta o amor do alto na raiz da alma, um amor que não está revestido em nenhum recipiente que o oculte e para o qual não há correspondente no lado oposto. Portanto, ele não sofre interrupção: mesmo quando a pessoa está ocupada com outras coisas, esse amor permanece firme em seu coração.
ומזה יבא לידי ודברת בם56 כו׳ (וע׳ באגה״ק ד״ה איתא רפ״ד דמגלה7 ודאשתמש בתגא כו׳ במי ששונה הלכות8 כו׳ יעו״ש):
E, a partir disso, ele chegará a “e falarás delas”, etc. (Veja Iggeres HaKodesh, a seção que começa com “Consta no início do quarto capítulo de Meguilá: ‘E aquele que faz uso da coroa’, etc.” — a respeito de quem estuda halachot, etc.; veja ali.)
A partir disso, ele chega a “e falarás delas”, falando palavras da Torá em todos os momentos. O Alter Rebe remete à epístola de Iggeres HaKodesh que começa com o ensinamento talmúdico sobre “aquele que faz uso da coroa”, explicado como aquele que faz uso de uma pessoa que estuda halachot.
O parágrafo explica que a Torá, a vontade de D'us, abre as contrações, de modo que o estudo e as mitsvot revelem na alma a Vontade Suprema: o grande amor que nunca sofre interrupção.
A nota de Kehot cita um resumo que Or HaTorá acrescenta aqui: o grande amor é o anseio da alma por sua fonte, o próprio Infinito, que está além de todos os mundos; ele provém da essência de D'us, e não da anulação dos mundos, e por isso é chamado de grande amor. Isso responde à pergunta levantada no início: por que o amor oculto é chamado de “grande”.
Marei mekomot
- 1שו״ה פותח — להיות גילוי · בבוך 414: להיות המשכת גילוי.
- 2ומשביע לכל חי · Psalms 145:16
- 3ששואלים את האדם קבעת עתים לתורה · Shabbat 30a
- 4קבעת עתים לתורה · Shabbat 31a:11
- 5לידי ודברת בם · באוה״ת ויחי שם נוסף קיצור: (נת׳ ענין אה״ר שהיא אהבה המסותרת ומושרשת בנפשו מצד מקור חוצבה כי חלק ה׳ עמו ולזאת תכסוף למקורה שהוא א״ס ב״ה עצמו שאינו בגדר עלמין כלל, ונמצא אהבה זו נלקח׳ מצד עצמות אא״ס ולא מצד ביטול העלמין ולכן נק׳ אה״ר שאינה מתיישבת בלב ואין לה לעומת זה ויציאתה לא הגלוי הוא ע״י עסק התורה שהיא רצון העליון ועי״ז מתגלה אה״ר זו שהיא בחי׳ רצה״ע שבנפשו). ע״כ.
- 6ודברת בם · Deuteronomy 6:7
- 7וע׳ באגה״ק ד״ה איתא רפ״ד דמגלה · סי׳ כט. וכן בכמה מקומות מציין הצ״צ כן לד״ה זה, ולא מסמן לד״ה אחעט״ב.
- 8
Vermelho nos olhos: amor em deleites ¶15–17
Com isso se compreenderá o versículo: “Olhos avermelhados pelo vinho”. “Olhos” é como está escrito: “Meus olhos estão sempre voltados para D'us”; “Eis que o olho de D'us está voltado para os que O temem”.
Agora o versículo pode ser explicado. “Olhos” remete a “Meus olhos estão sempre voltados para D'us” e a “o olho de D'us está voltado para os que O temem”: um olhar recíproco entre a pessoa e D'us.
והוא בחי׳ לאסתכלא ביקרא דמלכא3 דהיינו שיאיר בלבו אור האהבה לה׳ בבחי׳ ראיה היא בחי׳ אהבה בתענוגים שהיא מדרגה העולה על כולנה למעלה מאה״ר ואה״ע
Este é o nível de “contemplar a glória do Rei”, isto é, que a luz do amor a D'us brilhe no coração à maneira da visão, que é o nível do amor com deleite — um nível que supera todos os demais, acima de ahavá rabá e ahavat olam.
Essa contemplação é “contemplar a glória do Rei”: a luz do amor a D'us brilha no coração como a visão, e isso é chamado amor com deleite. É superior tanto a ahavá rabá quanto a ahavat olam.
(וצ״ע בתניא פמ״ג4 משמע דאה״ר היא אהבה בתענוגים. וצ״ל שיש ב׳ בחינות אה״ר הא׳ האהבה הנז׳ בתניא פי״ט כשבאה לידי גילוי כשאינה בבחינת גילוי התענוג.
(Isso requer exame à luz do Tanya, capítulo 43, que parece indicar que ahavá rabá é amor com deleite. É preciso dizer que há dois níveis de ahavá rabá. O primeiro é o amor mencionado no Tanya, capítulo 19, quando vem à revelação, sem estar no nível de deleite revelado.)
Numa nota entre parênteses, o Alter Rebe apresenta uma dificuldade: o Tanya, capítulo 43, identifica ahavá rabá com amor com deleite, enquanto aqui o amor com deleite é superior a ela. Ele resolve isso distinguindo dois níveis de ahavá rabá; o primeiro é o amor oculto descrito no Tanya, capítulo 19, quando se revela, mas sem deleite revelado.
וגדולה ממנה היא אה״ר בתענוגים. ועיין במ״א ע״פ אחותי רעיתי יונתי5 כו׳. שם נתבאר אחותי היא מצד אהבה טבעית ויונתי היא אהבה בתענוגים) וכענין שכתוב עיניך יונים6 כמו זוג יונים שמסתכלים תמיד זע״ז ומתענגים כו׳.
Maior do que ela é ahavá rabá com deleite. Veja em outro lugar, sobre “Minha irmã, minha amada, minha pomba”, etc.; ali se explica que “Minha irmã” corresponde ao amor natural, e “Minha pomba”, ao amor com deleite.) Como está escrito: “Teus olhos são pombas”: como um par de pombas que contempla constantemente uma à outra e se deleita, etc.
O nível superior é ahavá rabá com deleite, isto é, amor com deleite. Ele cita sua explicação, em outro lugar, sobre “Minha irmã, minha amada, minha pomba”: “irmã” corresponde ao amor natural; “pomba”, ao amor com deleite. O texto principal retoma então com “Teus olhos são pombas”, pois as pombas se contemplam constantemente e sentem deleite nisso.
כך יהיה קשר האהבה בדביקות נפלא ועצום עד שיהיו עיניו ולבו כל הימים רק לאסתכלא ביקרא דמלכא. וכמ״ש בזהר7 ע״פ הסבי עיניך8 כו׳ דמוקדין ליה בשלהובין דרחימותא.
Assim será o vínculo de amor, numa união maravilhosa e poderosa, até que seus olhos e seu coração estejam, todos os dias, voltados unicamente a “contemplar a glória do Rei”. Como está escrito no Zohar sobre “Desvia teus olhos”, etc.: “que O incendeiam com chamas de amor”.
O vínculo de amor da pessoa com D'us também deve ser tão intenso que seus olhos e seu coração estejam sempre voltados a contemplar a glória do Rei. O Zohar, ao comentar “Desvia teus olhos”, descreve olhos que incendeiam D'us com chamas de amor.
שתהא האהבה מתלהבת ומתלהטת בלב איש להתענג על ה׳ מרוב כל עד שאין כח בנפשו להגביל את האהבה בלב רק בבחינת ראיה מבחוץ (ועיין במ״א ע״פ עיניך יונים9 וע״פ הראיני את מראיך):1011
Isto é, que o amor arda e se inflame no coração da pessoa, para deleitar-se em D'us mais do que em tudo [o mais], até que sua alma não tenha força para conter o amor no coração, a não ser como visão exterior. (Veja em outro lugar, sobre “Teus olhos são pombas” e sobre “Deixa-me ver tua aparência”.)
O amor arde com tamanha intensidade, enquanto a pessoa se deleita em D'us acima de tudo, que a alma não tem força para contê-lo no coração; ela se relaciona com ele apenas como visão, que percebe algo que permanece fora de si. O Alter Rebe remete às suas explicações, em outros lugares, sobre “Teus olhos são pombas” e “Deixa-me ver tua aparência”.
O parágrafo interpreta os “olhos” do versículo como amor com deleite, a contemplação da glória do Rei, que supera tanto ahavat olam quanto ahavá rabá, pois é grande demais para ser contido no coração.
A nota de Kehot registra que Or HaTorah apresenta a mesma dificuldade em relação ao capítulo 43 do Tanya. Torah Chaim, citado em outra nota, entende o comentário do Zohar sobre “Desvia teus olhos” como a resposta de D'us à alma que se elevaria em chamas de amor: Seu verdadeiro desejo é uma morada nos mundos inferiores por meio da Torá e das mitsvot, não a absorção da alma no alto.
Marei mekomot
- 1עיני תמיד אל ה׳ · Psalms 25:15
- 2הנה עין ה׳ אל יראיו · Psalms 33:18
- 3לאסתכלא ביקרא דמלכא · Zohar II, 47b
- 4וצ״ע בתניא פמ״ג · ראה אוה״ת ויחי כרך ב שסח, ב. שלכאורה המבואר בתו״א כאן דאהבה בתענוגים היא למעלה מאה״ר, סותר למ״ש בתניא פ׳ מג שאה״ר היא אהבה בתענוגים ע״ש. וראה יהל אור ע׳ תיח.
- 5אחותי רעיתי יונתי · Song of Songs 5:2
- 6עיניך יונים · Song of Songs 1:15
- 7וכמ״ש בזהר · Zohar III, 84a
- 8הסבי עיניך · Song of Songs 6:5
- 9במ״א ע״פ עיניך יונים · ראה לקו״ת שה״ש יד, ב.
- 10וע״פ הראיני את מראיך · אולי הכוונה להנדפס במאמרי אדה״ז כתובים כרך ב ע׳ קכ.
- 11הראיני את מראיך · Song of Songs 2:14
16וזהו ענין חכלילי עינים. פירוש אדמומית העינים1 שאודם העינים הוא מחמת תוקף רשפי אש2 דמוקדין ליה בשלהוביתא כו׳.
Este é o significado de “olhos avermelhados”: a vermelhidão dos olhos, pois ela provém da intensidade das “centelhas de fogo” que “O incendeiam com chamas”, etc.
Esta é a “vermelhidão dos olhos” mencionada no versículo: olhos avermelhados pela intensidade das “centelhas de fogo” do amor que, nas palavras do Zohar, incendeiam D'us. O vermelho de chachlili é o fulgor desse amor nos deleites.
E este é o nível da qualidade especial e da elevação de Shabat: “Então te deleitarás”, etc., “e chamarás o Shabat de deleite”. Mas “aquele que trabalhou na véspera de Shabat”, etc.
O amor nos deleites pertence a Shabat, sobre o qual Isaías diz: “Então te deleitarás em D'us” e “chamarás o Shabat de deleite”. Mas, como dizem os Sábios, “aquele que trabalhou na véspera de Shabat comerá em Shabat”: o deleite precisa ser preparado de antemão.
ולכן צריך כל ימות החול ליגע את נפשו. לעורר את האה״ר ואה״ע. וע״י זה יגיע לבחינת האהבה בתענוגים המתגלית בשבת.
Portanto, durante todos os dias da semana, é preciso esforçar-se com a própria alma para despertar ahavá rabá e ahavat olam; e, por meio disso, chegará ao nível do amor nos deleites, que se revela em Shabat.
Durante os dias da semana, portanto, a pessoa precisa esforçar-se com a própria alma para despertar ahavá rabá e ahavat olam. Esse esforço a conduz, em Shabat, ao amor nos deleites que então se revela.
O parágrafo identifica a “vermelhidão dos olhos” com o amor nos deleites, o amor que se revela em Shabat e que a pessoa alcança ao esforçar-se durante a semana nas duas formas de amor.
Uma nota de Kehot cita Or HaTorah, que traz em nome do Maguid que há dois tipos de vermelhidão: uma é Guevurá, e a outra vem do vinho e é alegria. A vermelhidão do versículo é “proveniente do vinho”, a vermelhidão da alegria e do amor.
Marei mekomot
- 1פירוש אדמומית העינים · באוה״ת כאן שסט, א מביא בשם המגיד נ״ע כי יש ב׳ מיני אדמומית א׳ הוא גבורה והב׳ הוא מיין שהוא שמחה. מובא באוה״ת נ״ך ע׳ שי.
- 2רשפי אש · Song of Songs 8:6
- 3אז תתענג כו׳ וקראת לשבת עונג · Isaiah 58:14
- 4וקראת לשבת ענג · Isaiah 58:13
- 5מי שטרח בע״ש · Avodah Zarah 3a:10
Ora, tudo isso provém do nível e do grau do vinho: o vinho da Torá. E isto é “chachlili”: “todo paladar (chech) que prova diz: ‘Para mim, para mim’ (li li).”
Tudo isso provém do vinho, o vinho da Torá. O Talmud interpreta chachlili como chech li li: “todo paladar que o prova diz: ‘Para mim, para mim’.”
לפי שיתגלה בחי׳ חיך הטועם את היין דהיינו בחי׳ חכמה וטעמי מצות שהם בחי׳ תענוג העליון.
Pois será revelado o nível do paladar que prova o vinho, isto é, o nível de Chochmá e os motivos (taamim, “sabores”) das mitsvot, que são o nível do deleite supremo.
O paladar que prova o vinho é Chochmá e os motivos das mitsvot (taamim, que também significa “sabores”), o deleite supremo. Quando estes são revelados, a pessoa prova a doçura da sabedoria de D'us.
וע״י כן נתעלה בעילוי אחר עילוי2 לי לי עד רום המעלות (פי׳ חיך הטועם זהו בחי׳ אהבה בתענוגים המתגלה בשבת שהוא בחי׳ שם ע״ב דחכמה
E, por meio disso, ele se eleva, ascensão após ascensão, “para mim, para mim”, até as alturas supremas. (Isto é: “o paladar que prova” é o nível do amor em deleites, revelado no Shabat, que é o nível do Nome AB (72) de Chochmá;
Por meio desse sabor, ele se eleva, ascensão após ascensão, dizendo “para mim, para mim”, até as alturas supremas. Numa nota entre parênteses, o Alter Rebe identifica o paladar que prova com o amor em deleites revelado no Shabat, o nível do Nome divino AB (a forma expandida de Havayá cujo valor numérico é 72), que pertence a Chochmá.
ואזי אומר לי לי ב״פ דהיינו שנכללו בו ב׳ אהבות הנ״ל אה״ר ואה״ע שהם מ״ה וב״ן דמ״ה מברר ב״ן וע״י יחוד מ״ה וב״ן מתגלה בשבת בחי׳ הגבוה משניהם והוא בחי׳ שם ע״ב אהבה בתענוגים):34
e então diz “para mim, para mim” duas vezes, isto é, os dois amores mencionados acima, ahavá rabá e ahavat olam, estão incluídos nele. Estes são MaH (45) e BaN (52), pois MaH refina BaN; e, por meio da união de MaH e BaN, revela-se no Shabat o nível mais elevado que ambos, o nível do Nome AB: o amor em deleites.)
O “para mim, para mim” duplicado representa os dois amores contidos no amor em deleites: ahavá rabá corresponde ao Nome MaH (45), e ahavat olam, ao Nome BaN (52). MaH refina BaN, e, por meio da união deles no Shabat, revela-se o nível superior de AB: o amor em deleites.
O parágrafo remonta o amor em deleites ao vinho da Torá e ao sabor de Chochmá, interpretando “para mim, para mim” como os dois amores que se elevam juntos ao amor superior revelado no Shabat.
O biur deste maamar em Torah Ohr, citado na nota de Kehot, explica que a duplicação de “li li” representa duas ascensões, de ahavá rabá e ahavat olam (MaH e BaN), que se elevam ao Nome AB, onde se revelam Atik e Arich, os níveis interior e exterior de Kéter. As quatro formas expandidas de Havayá, AB, SaG, MaH e BaN, correspondem a Chochmá, Biná, Zeir Anpin e Malchut.
Marei mekomot
- 1כל חיך הטועם אומר לי לי · Ketubot 111b:17
- 2שיתגלה בחי׳ חיך . . בעילוי אחר עילוי עד רום המעלות · נעתק באוה״ת פ׳ ויחי שעה, א. ומשם נראה שכאן הלשון מתוקן או הוספה ע״י הצ״צ. אבל נמצא בבוך 633 כמו שנדפס כאן.
- 3המוסגר · (פי׳ חיך . . בתענוגים): ליתא בבוך 414. 633. בבוך 414 אחר תי׳ המעלות נוסף: עד אין קץ. באוה״ת ויחי שם בסוף העמוד: אחותי רעייתי, לק״א פמ״ג. (נת׳ פי׳ חכלילי עינים הוא תוקף האהבה בבחי׳ לאסתכלא ביקרא דמלכא בבחי׳ תענוג עצום, והכל בא ע׳י יינה של תורה כנ״ל שנכנס יין יצא סוד, ואהבה זו שבתענוגים גדולה מאה״ר ואה״ע הנ״ל וזהו חך הטועם מתיקות ותענוג הנ״ל אומר לי לי שנכללי׳ בו ב׳ אהבות דלעיל אה״ע ואה״ר וזהו בשבת אז תתענג על ה׳).
- 4
Brancura dos dentes por causa do leite ¶18–21
“E brancos os dentes por causa do leite.” O sentido é que os dentes são o que tritura o alimento para que ele seja digerido em suas entranhas; por meio disso, torna-se sustento para o corpo;
A segunda parte do versículo, “brancos os dentes por causa do leite”, começa pelo que os dentes fazem. Os dentes trituram o alimento para que ele possa ser digerido e sustentar o corpo.
משא״כ כשלא ילעוס ויטחון המאכל בשיניו לא יבא לידי עכול כלל ולא יהיה לו למזון ולשובע.
ao passo que, quando não mastiga e não tritura o alimento com os dentes, ele não chega a ser digerido de modo algum, nem se torna alimento e satisfação para ele.
O alimento engolido sem ser mastigado não é digerido e não proporciona sustento nem satisfação. O parágrafo seguinte aplica isso ao serviço divino.
O parágrafo introduz a imagem dos dentes: o alimento precisa ser triturado antes de poder sustentar.
Marei mekomot
- 1ולבן שינים מחלב · Genesis 49:12
19וכך עד״מ כדי שיהי׳ מזון לרמ״ח אברין דמלכא שתהא נפשו מרכבה אליהם שיתאחד ממש עם הנפש צ״ל בבחי׳ שינים הטוחנות ומפררות
Assim também, por meio de uma analogia: para que haja alimento para “os 248 membros do Rei”, de modo que sua alma seja uma carruagem para eles e se una verdadeiramente à alma, é necessário o nível dos dentes que trituram e esmagam,
As 248 mitsvot positivas são chamadas “os 248 membros do Rei”. Para que o serviço de uma pessoa sirva de alimento real para eles, de modo que sua alma se torne uma “carruagem” para eles e esteja inteiramente unida a eles, ela precisa do equivalente espiritual dos dentes que trituram e fragmentam as coisas.
דהיינו לפרר ולברר כל מעשיו ודבוריו ומחשבותיו1 ולדקדק ולפשפש בהן ולהיות ממארי דחושבנא לשקול כל דרכיו ולפלס מעגלותיו.
isto é, fragmentar e separar todas as suas ações, palavras e pensamentos, examiná-los com rigor e escrutínio, e estar entre os “mestres da prestação de contas”, pesando todos os seus caminhos e medindo suas veredas.
Os “dentes” são o autoexame: fragmentar e separar todas as ações, palavras e pensamentos, examiná-los com rigor e escrutínio e estar entre os “mestres da prestação de contas”, que pesam todos os seus caminhos e medem suas veredas.
O parágrafo aplica a analogia: para que o serviço divino da pessoa nutra sua alma, ela precisa “mastigá-lo” por meio de um cuidadoso autoexame.
Marei mekomot
- 1שו״ה שינים — מעשיו ודבוריו ומחשבותיו · בבוך 633: מעשיו ומחשבותיו.
20ונק׳ בלשון הגמ׳ מדקדק במעשיו שעי״כ יהיה בבחי׳ עכול בנפש שהטוב יקבל למזון ולשובע והפסולת המעורב תערובת זר ופסולת ידחה לחוץ.
Na linguagem da Guemará, isso é chamado de “meticuloso em seus atos”. Por meio disso, haverá uma espécie de digestão na alma: o bem será assimilado como alimento e satisfação, enquanto o que é inútil, misturado — uma mistura estranha e refugo — será expelido para fora.
A Guemará chama essa pessoa de “meticulosa em seus atos”. Por meio desse exame, seu serviço é “digerido” na alma: o bem é assimilado como alimento, e a mistura estranha que se incorporou a ele é expelida como refugo.
וכן בענין בירורי המדות אוי״ר כל חד לפום מאי דמשער בלבי׳12 ושוקל במאזני שכלו כיצד היא האהבה האמיתית לה׳.
Assim também, no que diz respeito ao refinamento dos atributos emocionais (midot), amor e temor: “cada um segundo o que mede em seu coração”; ele pesa na balança de seu intelecto o que é o verdadeiro amor a D'us.
O mesmo se aplica ao refinamento do amor e do temor de cada um. Cada pessoa, “segundo o que mede em seu coração”, avalia com seu intelecto o que é o verdadeiro amor a D'us.
O parágrafo descreve a “digestão” do autoexame: separar o bem do refugo nos próprios atos e refinar o amor e o temor a D'us.
A expressão do Zohar “cada um segundo o que mede em seu coração” vem de seu comentário sobre “Seu marido é conhecido às portas”; Likkutei Torah sobre Bamidbar, citado na nota da Kehot, explica que cada pessoa conhece D'us segundo a profundidade de sua contemplação e aquilo que seu coração pode suportar.
Marei mekomot
- 1כל חד לפום מאי דמשער בלבי׳ · Zohar I, 129b
- 2כל חד לפום מאי דמשער בלבי׳ · Zohar, Vayera 9:153–164
21וכיצד היא בחי׳ אתהפכא חשוכא כו׳ באמת לאמתו להיות מייגע א״ע ביגיעת הנפש לבא למדרגה זו שיהיה נקבע בלבו באמת לאמתו בלי דמיונות כו׳
E [ele pondera] qual é, em verdade absoluta, o nível de “transformar a escuridão [em luz]”, etc.: esforçar-se com o trabalho da alma para alcançar esse nível, de modo que isso fique verdadeiramente estabelecido em seu coração, sem fantasias, etc.
Ele também deve ponderar o que significa, de fato, “transformar a escuridão em luz” e esforçar-se com sua alma para alcançar esse nível. A mudança precisa estar verdadeiramente estabelecida em seu coração, e não ser fruto da imaginação.
וכיוצא בזה כמה דרכים הידועים למבקשי ה׳ יבינו כל1 מאליהם שצריך לדקדק ולפשפש כו׳2 ולהיות מייגע עצמו3 כו׳.
E há muitos caminhos semelhantes a esse, conhecidos por “aqueles que buscam D'us”, que “compreenderão tudo” por si mesmos: é preciso examinar e investigar cuidadosamente, etc., e esforçar-se, etc.
Há muitos caminhos assim, conhecidos por aqueles que buscam D'us, que os reconhecerão por si mesmos. Todos exigem exame cuidadoso, autoavaliação e esforço; esse é o trabalho dos “dentes”.
אך אח״כ יגיע לבחי׳ ומדרגת החלב. כמו שהחלב עד״מ מגדל את הולד להיות אבריו נגדלים.
Mas, depois, ele alcançará o nível e o grau do leite. Assim como o leite, por analogia, faz o bebê crescer, de modo que seus membros cresçam,
Depois do esforço vem o nível do leite. O leite faz o bebê crescer, de modo que seus membros se desenvolvam.
כך בחי׳ החלב של תורה מגדל את מדותיו אהוי״ר כו׳ להיות לו אוי״ר היותר גדולים בגדלות המוחין
assim também o nível do leite da Torá faz crescer seus atributos emocionais (midot), o amor e o temor, etc., de modo que ele tenha o maior amor e temor, com a maturidade do intelecto (gadlut hamochin).
O “leite” da Torá também faz crescer as emoções da pessoa — seu amor e temor a D'us — até que alcancem o grau máximo, decorrente de um intelecto amadurecido e expandido (gadlut hamochin).
(שהאברים הם המדות ועיקרם הם חג״ת נה״י ובחי׳ חב״ד שבתוכן המקיימות אותן וכל א׳ מג׳ מיני בחינות אלו כלולה מכל הנ״ל הרי פ״א. וכל בחי׳ נחלקת לג׳ בחי׳ ראש תוך סוף הרי רמ״ג. ושרשם ה״ח המגדילים הרי רמ״ח).4
(Pois os membros são os atributos emocionais, sobretudo Chessed, Guevurá, Tiféret, Nétsach, Hod e Yessod, bem como o nível de Chochmá, Biná e Daat que há dentro deles e os sustenta; e cada um desses três tipos de níveis contém todos os elementos mencionados acima, perfazendo 81. Cada nível se divide em três níveis — cabeça, meio e fim — perfazendo 243. E sua raiz são os cinco Chassadim (bondades) que fazem crescer, perfazendo 248.)
Uma observação entre parênteses explica por que as emoções são chamadas de membros e chega aos 248 membros do corpo. As seis sefirot emocionais, juntamente com Chochmá, Biná e Daat que há dentro delas, formam nove; cada uma contém as nove (81); cada uma se divide em cabeça, meio e fim (243); e sua raiz, os cinco Chassadim que fazem crescer, completa 248.
וזהו רוחצות בחלב56 כו׳ שהחלב מרחיץ המדות ונהפכין ממהות למהות להיות נהפך לבו ונעשה כאיש אחר לגמרי בשינוי המדות כולן שוין לטובה.
E isto é “lavadas com leite”, etc.: o leite lava os atributos emocionais, e eles se transformam de uma essência em outra, de modo que seu coração se transforma e ele se torna como uma pessoa inteiramente diferente, com todos os seus atributos mudados, todos para o bem.
Esta é a imagem de Shir Hashirim dos olhos “lavados com leite”: o leite da Torá lava as emoções, transformando sua própria natureza. O coração da pessoa muda, e ela se torna como outra pessoa, com todos os seus traços voltados para o bem.
ומזה יומשך להיות לבן שינים שיהיה בהם בחי׳ לבנונית ובהירות בבירורי המדות בעילוי אחר עילוי עד רום המעלות7 בבחי׳ ראיה חושיית שלא ביגיעה יגיעת הנפש ויגיעת בשר רק מיד יגיע אליו כו׳.
E disso decorrerá o “branco dos dentes”: neles haverá a qualidade da brancura e da clareza no refinamento dos atributos, em ascensão após ascensão, até as alturas mais elevadas, como numa visão sensorial — não por meio de esforço, do esforço da alma e do esforço da carne; ao contrário, isso lhe chegará de imediato, etc.
Disso vem o “branco dos dentes”: o refinamento de suas emoções se torna claro e luminoso, elevando-se cada vez mais. Ele já não precisa esforçar-se e empenhar-se para ver a verdade; ela lhe chega de imediato, com a clareza da visão física.
וזה חכלילי כו׳ מיין כו׳ מחלב כו׳ ובחי׳ יין וחלב נעשה הכל בחי׳ חכלילי לי לי עד רום המעלות:8
E isto é “vermelho”, etc., “por causa do vinho”, etc., “por causa do leite”, etc.: os níveis do vinho e do leite tornam-se todos o nível de chachlili — “para mim, para mim” — até as alturas mais elevadas.
Assim, as partes do versículo se unem: os olhos vermelhos por causa do vinho e os dentes brancos por causa do leite tornam-se todos chachlili, “para mim, para mim”, elevando-se até as alturas mais elevadas.
O parágrafo completa a analogia: após o esforço da autoavaliação, o “leite” da Torá faz crescer o amor e o temor e transforma o coração, até que o refinamento venha sem esforço; então, tanto o vinho quanto o leite conduzem à ascensão do “para mim, para mim”.
Uma nota da Kehot cita Or HaTorah, que relaciona os trinta e dois dentes aos trinta e dois caminhos da sabedoria, extraídos de Chochmá para refinar as ações, e aos espiões enviados por Yehoshua e por Moshe: os espiões de Yehoshua representam o exame do pensamento, da fala e da ação; os de Moshe, o próprio refinamento das emoções. Likkutei Torah sobre Va’eschanan remete à explicação deste maamar sobre “lavadas com leite”.
Marei mekomot
- 1למבקשי ה׳ יבינו כל · Proverbs 28:5
- 2שצריך לדקדק ולפשפש כו׳ · בבוך 633 נוסף: ”וכ״ז הוא בחי׳ שינים, אך כ״ז הוא עדיין בחי׳ קטנות השכל מאחר שצריך לדקדק ולהיות מייגע עצמו כו׳”. ואולי זה השמטת הדפוס במילים הדומות.
- 3ולהיות מייגע עצמו · באוה״ת ויחי שם נוסף: וע״ל בביאור ע״פ אסרי לגפן דענין ל״ב שיניים הם ל״ב נתיבות שנמשכים מהחכמה לברר מעשיו כו׳ וע׳ במ״א בענין מרגלים ששלח יהושע וששלח משה שהוא בעבודה קרוב לענין זה כי מרגלי׳ דיהושע לרגל יריחו הוא בחי׳ מארי דחושבנא במודו״מ שמהם נעשו לבושי׳ לנפש הנק׳ יריחו, ודמשה היינו לברר המדות עצמן, וה״ע בחי׳ שיניים שמבררי׳ וטוחני׳ המודו״מ והמדות כו׳). ע״כ.
- 4(שהאברים . . הרי רמ״ח) · מוסגר זה ליתא בבוך 633.
- 5רוחצות בחלב · בלקו״ת ואתחנן ד, ג מציין לכאן.
- 6רוחצות בחלב · Song of Songs 5:12
- 7עד רום המעלות · באוה״ת ויחי שם: (נת׳ ענין שיניים שטוחנות ומבררות המודו״מ שלו לשקול דרכיו ולפלס מעגלותיו וכן בבירורי המדות אהוי״ר שתהי׳ האהבה אמיתי׳ כו׳ לייגע א״ע כו׳. והחלב של תורה מגדיל המדות שיהיו בגדלות המוחין ומזה יומשך ליבון השיניים שיהי׳ בהם בהירות בבירורי המדות בעילוי אחר עילוי שלא ביגיעה כו׳). קיצור. יש בחי׳ אה״ע ואה״ר, אה״ע היא האהבה הנלקח׳ מהתבוננות בביטול העולמות לגבי הבורא ית׳ שחיותן וקיומן רק מבחי׳ שם כבוד מלכותו וכו׳ ויומשך מזה שיעקור רצונו מהבלי עולם ולא יהי׳ לו רצון בלתי לה׳ לבדו. ואה״ר היא המוסתרת ומושרשת בנפשו מצד כי היא חלק אלוה ממעל והיא נלקחת מצד עצמות אור א״ס ב״ה שאין העלמין ערוך אליו כלל ואין שייך אפי׳ כטפה מהים כו׳ ולפיכך אין לאהבה זו בחי׳ לעומת זה כלל כי לא נמצא דוגמתה בעניני עוה״ז. והנה יציאתה אל הגילוי הוא ע״י שנכנס יינה של תורה בנפש שעי״ז יצא סוד שהיא אה״ר לגילוי לפי שהתורה היא בחי׳ גילוי רצה״ע וכתי׳ פותח את ידיך ומשביע לכל חי רצון וגילוי רצה״ע שבנפש הוא האה״ר הנ״ל. וזהו חכלילי עיניים הוא תוקף האהבה בתענוגים בחי׳ עיני תמיד אל ה׳ לאסתכלא ביקרא דמלכא והיא למעלה גם מאה״ר הנ״ל ובחי׳ זו מתגלה בשבת וקראת לשבת עונג וזהו ענין גילוי חך הטועם את היין הנ״ל שאור לי לי שנכללי׳ בזה אה״ר ואה״ע. ולבן שיניים היינו הטוחנות ומפררות המודו״מ שלו לשקול דרכיו כו׳ וכן בירורי המדות כו׳ הוא מחלב שמגדיל האיברים וכך חלב התורה מגדיל אהוי״ר ומזה יומשך ליבון השיניים שיהי׳ הבירור בהמדות בעילוי אחר עילוי שיהי׳ בהם לבנוני׳ ובהירות. ע״כ.
- 8
Terminou o maamar?
Marque-o como estudado; ele conta para a semana e para o siyum do ano.
Na avodá
Reserve horários fixos para o estudo da Torá, para que seu vinho faça emergir o amor oculto de sua alma e o mantenha consigo mesmo durante suas outras atividades. Durante a semana, esforce-se na contemplação e examine honestamente seus atos, palavras, pensamentos e sentimentos, para que seu amor por D'us seja verdadeiro e não imaginário; isso lhe permite alcançar o deleite do Shabat, e então o leite da Torá faz crescer seu amor e temor até que a transformação do coração se torne clara e sem esforço.
Perguntas para conversar
- Segundo o maamar, por que ahavat olam pode ser interrompido por assuntos mundanos, enquanto ahavá rabá não pode?
- Como a analogia de uma gota e do oceano demonstra por que a alma não pode conter ahavá rabá?
- O que significa dizer que a Torá “abre os yudim”, e como isso revela o amor oculto na alma?
- Por que o amor em deleites está ligado ao Shabat, e o que o esforço durante a semana tem a ver com isso?
- Qual é a diferença entre o trabalho dos “dentes” e o trabalho do “leite” no refinamento do amor e do temor?