Torah Ohr · Parshas Lech Lecha · Maamar 3
ולא יקרא עוד שמך אברם והיה שמך אברהם…
Teu nome não será mais Avram
A ideia central
D'us deixou a criação inacabada para que o homem a aperfeiçoasse: as telas que ocultam a divindade tornam possível a existência do mundo e, por meio da circuncisão e do trabalho dos dias da semana realizado com santidade, o que estava oculto é revelado e o mundano é elevado ao Shabat.
O maamar em resumo
O maamar pergunta por que a circuncisão mudou o nome de Avram para Avraham. Seguindo o Midrash, tudo o que foi criado nos seis dias precisa ser aperfeiçoado pelo homem, assim como os tremoços amargos precisam ser adoçados. O Alter Rebe explica por quê: a criação é renovada a cada dia a partir do nada, e o físico só pode vir a existir por meio de telas (parsa), como a cortina diante do Santo dos Santos. Cada divisória dá origem a uma luz nova, derivada. Algumas telas permanecem dentro da santidade (“sagrado e sagrado”); a tela entre o sagrado e o mundano oculta a luz até que os mundos sintam-se separados de D'us, embora Ele continue a sustentá-los. Dentro do mundano, a semana judaica é “mundano preparado na pureza do sagrado”: o Shabat ilumina-a, mas ela precisa continuar velada para que o trabalho seja possível; por meio desse trabalho, o homem renova a criação e a eleva ao Shabat. A circuncisão é o mesmo aperfeiçoamento: Avram, o “pai elevado” oculto por trás de uma tela, torna-se Avraham, cujo hei acrescentado revela Chochmá e Biná (milá = mal mais Yud-Hei; “mal” significa fala e voltado para). Embaixo, a circuncisão revela a fonte da vida “para nossos filhos”, sem diminuir sua sublimidade.
Esquema
- A criação precisa ser aperfeiçoadaA circuncisão e o Midrash dos tremoços: D'us criou o mundo para ser completado pelo homem. A renovação diária precisa de uma tela, como a cortina do Templo, entre cada mundo.¶1
- A luz derivadaCada divisória produz uma luz nova, que não é da essência da primeira, até que resulte a matéria física.¶2
- Sagrado e mundanoAo contrário das telas dentro da santidade, a tela entre o sagrado e o mundano oculta tão completamente que os mundos sentem-se independentes, embora D'us continue a sustentá-los como “D'us dos deuses”.¶3
- A semana de trabalhoO mundano tornado sagrado: o Shabat ilumina os dias da semana, que precisam continuar velados para que o trabalho possa ser realizado; o labor renova a criação e é elevado ao Shabat.¶4
- Avram torna-se AvrahamAvram é a fonte elevada por trás de uma tela; a circuncisão (mal mais Yud-Hei) revela Chochmá e Biná, como a fala e o Chashmal, até o Tempo Vindouro.¶5–7
- A circuncisão no homemEmbaixo, a circuncisão e a periá revelam a fonte da vida “para nossos filhos”, preservando sua sublimidade; para os judeus, havdalá significa tornar sagrado o mundano.¶8
Conceitos-chave
- Tela / divisória (masach, parsa)מסך, פרסא
- Uma barreira pela qual a luz divina passa de um nível ao seguinte. Ela oculta a luz o suficiente para que algo novo e distinto venha a existir.
- Luz derivada (or shel toladah)אור של תולדה
- A luz nova que nasce do outro lado de uma divisória, derivada da primeira luz, mas não de sua essência.
- Sagrado e mundanoבין קדש לחול
- A tela mais profunda, que oculta a luz tão completamente que aquilo que está abaixo dela sente-se separado de D'us, ao contrário da separação entre “sagrado e sagrado”.
- Mundano preparado na pureza do sagradoחולין שנעשו על טהרת הקדש
- Atividade mundana permeada de santidade, como chol hamoed e a semana que recebe sua luz do Shabat, mas ainda velada o suficiente para que o trabalho seja possível.
- Aperfeiçoamento (tikkun)תקון
- A conclusão, pelo homem, de uma criação que D'us deliberadamente deixou inacabada, como adoçar tremoços amargos; a circuncisão é seu modelo.
- Milá: mal e Yud-Heiמילה – מל י״ה
- A circuncisão como revelação: Yud-Hei representa Chochmá e Biná, e “mal” significa falar e estar voltado para; assim, o que estava oculto torna-se manifesto.
A criação precisa ser aperfeiçoada ¶1
“Teu nome não será mais chamado Avram; antes, teu nome será Avraham, pois [fiz de ti] o pai de uma multidão de nações”, etc.
O maamar começa com as palavras de D'us a Avraham no pacto da circuncisão, quando a letra hei foi acrescentada a seu nome. A pergunta que está por trás de todo o maamar é por que a circuncisão deveria mudar seu nome e torná-lo “pai de uma multidão de nações”.
הענין כי הטעם למילה דכתיב אשר ברא אלקים לעשות לתקן3 שעדיין צריך תקון ע״י האדם כי הגם שכבר ברא אלקים את האדם לא בראו בשלימות
A explicação: o motivo da circuncisão [é que] está escrito: “que D'us criou para fazer”, [isto é,] aperfeiçoar, pois ainda precisa ser aperfeiçoado pelo homem. Pois, embora D'us já tenha criado o homem, não o criou completo.
O Alter Rebe interpreta a expressão “que D'us criou para fazer” como “criou para ser aperfeiçoado”: D'us deliberadamente deixou a criação inacabada para que o homem a completasse. A circuncisão é o modelo: o corpo feito por D'us é completado por um ato humano.
וכדאיתא במדרש רבה4 (פ׳ בראשית פ׳ י״א) ששאל על המילה5 אם חביבה היא המילה למה נברא האדם ערל6 והיתה התשובה שכל מה שנברא7 בשימ״ב צריכים עשייה ותקון וכמו התורמסין שצריכין תיקון.8910
Como se encontra no Midrash Rabá (Parshat Bereshit, capítulo 11): [alguém] perguntou a respeito da circuncisão: “Se a circuncisão é tão preciosa, por que o homem foi criado incircunciso?” E a resposta foi que tudo o que foi criado nos seis dias da Criação precisa de [mais] elaboração e aperfeiçoamento, assim como os tremoços precisam ser aperfeiçoados.
No Midrash, um filósofo pergunta por que o primeiro homem não recebeu a circuncisão, se ela é tão querida, e a resposta é que tudo o que foi feito nos seis dias da Criação precisa de mais trabalho, assim como os tremoços amargos precisam ser adoçados antes de poderem ser comidos. O tremoço se torna a imagem, neste maamar, do aperfeiçoamento da criação.
ולהבין המשל איך הוא דומה לנמשל. הנה נודע מאמר המחדש בטובו11 בכל יום תמיד מע״ב
E [precisamos] entender como a analogia se assemelha àquilo que ilustra. Ora, é conhecida a declaração: “Que, em Sua bondade, renova a cada dia, continuamente, a obra da Criação”.
Agora é preciso aplicar a parábola: em que sentido o próprio mundo se assemelha a um corpo inacabado ou a um tremoço amargo? O Alter Rebe começa pela bênção matinal antes do Shemá, que diz que D'us renova a obra da Criação a cada dia.
תמיד הוא החדוש יש מאין וענין התהוות יש וגשמי מאין ורוחני א״א להיות כך רק ע״י בחינ׳ מ״ש והבדילה הפרוכת12 לכם בין הקודש כו׳
“Continuamente” é a renovação de algo a partir do nada. E o surgimento de algo [tangível] e físico a partir do nada e espiritual não pode ocorrer senão por meio do nível daquilo que está escrito: “A cortina separará para vós entre o Sagrado”, etc.
“Continuamente” significa que a criação não é um acontecimento passado, mas um contínuo trazer algo à existência a partir do nada. Para que algo tangível e físico surja daquilo que é espiritual, é preciso algo semelhante à cortina do Mishkan, que separava o Sagrado do Santo dos Santos.
כי בהמ״ק שם היה מקור ההשפעה וגילוי השכינה13 בקדה״ק ולהיות ההשפעה נמשך משם ולהלאה לא היה ע״י גילוי כל כך
Pois no Beit HaMikdash, ali, no Santo dos Santos, estava a fonte do fluxo [da influência divina] e a revelação da Shechiná (Presença Divina). E, para que o fluxo fosse conduzido dali em diante, não poderia ser por meio de uma revelação tão intensa,
No Beit HaMikdash, a presença de D'us era revelada abertamente no Santo dos Santos, e dali a bênção fluía para o mundo. Mas, se o fluxo emanasse com a mesma transparência, nada distinto de D'us poderia vir à existência.
כי א״כ היה הכל אחד רק שנמשך ע״י מסך מבדיל והוא הפרוכת המבדיל בין קדה״ק ששם הי׳ גילוי השכינה לבחי׳
pois, nesse caso, tudo seria um. Em vez disso, ele é conduzido por meio de uma tela separadora: esta é a cortina que separa o Santo dos Santos, onde havia a revelação da Shechiná, do nível de
Sob uma revelação plena, tudo permaneceria absorvido em D'us, “tudo um”, sem espaço para um mundo que se sente existente. Por isso, o fluxo passa por uma tela separadora, representada pela cortina diante do Santo dos Santos.
קדש ופרכת ת״א פרסא וכמה בחי׳ פרוכת הי׳ בבהמ״ק ומשכן שכל ההשתלשלות מעולם ועד עולם הוא ע״י מסך פרסא מפסיק בין כל עולם כו׳.14
o Sagrado. E “parochet” (cortina), o Targum de Onkelos traduz como “parsa” (partição). Havia vários tipos de cortina no Beit HaMikdash e no Mishkan, pois toda a cadeia descendente dos mundos (hishtalshelut), de um mundo a outro, ocorre por meio de uma tela, uma partição que interrompe entre cada mundo, etc.
O texto observa que o Targum aramaico traduz “parochet” como “parsa”, termo que a Cabalá usa para as partições entre os mundos. As várias cortinas do Mishkan e do Beit HaMikdash refletem que cada etapa da descida, de um mundo ao seguinte, passa por uma partição desse tipo.
O parágrafo relaciona a mudança do nome de Avraham à circuncisão, cita o Midrash segundo o qual tudo o que foi criado ainda precisa ser aperfeiçoado pelo homem e introduz a tela (parsa) por meio da qual o físico é continuamente renovado a partir do espiritual.
Na Cabalá, a parsa é sobretudo a partição abaixo de Atsilut, que o separa de Beriá, Yetsirá e Assiá; aqui, o Alter Rebe generaliza seu papel para uma partição entre cada mundo e aquele que está abaixo dele. O próprio Midrash menciona os tremoços junto com a mostarda e o trigo e conclui que até o homem precisa ser aperfeiçoado.
Marei mekomot
- 1ולא יקרא עוד שמך אברם · Genesis 38:4
- 2ולא יקרא עוד שמך אברם · Genesis 17:5
- 3אשר ברא אלקים לעשות לתקן · Bereshit Rabbah 11:7
- 4במדרש רבה · ראה גם מד״ר ס״פ וישלח ס״פ פ״ג התבן והקש כו׳ המתינו עד שתבוא הגורן כו׳. מובא באוה״ת לך לך כרך ד ע׳ תשטו, א. תשכח, ב. ומבואר באוה״ת יתרו כרך ז ע׳ ב׳תש.
- 5ששאל על המילה · ראה דרך מצותיך ח, ב.
- 6למה נברא האדם ערל · ראה לקו״ש חכ״ה ע׳ 14 הערה 9 בענין שאדה״ר נולד מהול ע״ש.
- 7שכל מה שנברא · ראה ספר המאמרים תש״ג ע׳ 100.
- 8והיתה התשובה . . שצריכין תקון · באוה״ת לך לך כרך ד תשטז, א מבאר ”ועדיין אינו מובן כי למה נברא שיהי׳ צריך תיקון” ע״ש וראה שם תשיז, א שמבאר שלכאורה הכוונה כדי שיהי׳ שייך עבודת האדם באתעדל״ת ע״ש בארוכה (המאמר הנ״ל הוא הגהות לסידור שער המילה קמה, א). וראה בסה״מ תרכ״ז ע׳ שיב. (הוצאת תש״ס) ע׳ שלה. בלקו״ש חכ״ה ע׳ 14 נתבאר איך לתווך זה עם מארז״ל עולם על מליאתו נברא ע״ש באריכות.
- 9התורמסין שצריכין תיקון · ראה באוה״ת יתרו כרך ז׳ ע׳ ב׳תש.
- 10שכל מה שנברא בשימ״ב צריכים עשייה ותקון וכמו התורמסין שצריכין תיקון · Bereshit Rabbah 11:6
- 11המחדש בטובו · בסידור מביא ראיה זה אחר הענין ”אור של תולדה”, ושם מוסיף ”מה שאנו אומרים המחדש בטובו בכל יום מע״ב כו׳ דלכאורה מה זו חידוש יש בהשמים וארץ מיום לחבירו”.
- 12והבדילה הפרוכת · Exodus 26:33
- 13ששם הי׳ גילוי השכינה · ע׳ בסידור בד״ה ביאור למ״ש בסש״ב פנ״ב.
- 14מפסיק בין כל עולם כו׳ · בסה״מ תקס״ו מפרש ”שע״י שעברה דרך פרסא נשתנה למהות יש מחודש מה שלא היה מקדם שבחי׳ השפע שקודם הפרסא נק׳ לגבי בחי אין”. ע״ש בארוכה.
A luz derivada ¶2
2וזהו ענין המחדש בטובו שהתהוות מאין ליש הוא ע״י חדוש דהיינו ע״י מסך ופרסא נעשה אור חדש אור של תולדה1 ואין זה ממהות אור הראשון2 וכשיורד ומשתלשל נעשה עוד פרסא עד שנתהוה גשמיות ממש:3
E este é o significado de “Que, em Sua bondade, renova”: o surgimento de algo a partir do nada ocorre por meio de renovação. Isto é, por meio de uma tela e de uma partição surge uma luz nova, uma luz que é descendente, e ela não é da essência da primeira luz. E, à medida que desce e se encadeia, surge outra partição, até que venha à existência a própria materialidade.
É por isso que a bênção fala de “renovação”: quando a luz passa por uma partição, o que surge do outro lado não é a luz original, apenas diminuída, mas uma luz nova que nasce dela, como um filho que é distinto de seu pai. Cada partição adicional produz mais uma luz nova, até que venha à existência a matéria física.
O parágrafo explica a “renovação” diária da criação: cada partição dá origem a uma luz nova, derivada, e uma sequência de partições conduz até o físico.
A nota da Kehot explica por que a luz é chamada “nova”: a partição a transforma em relação ao que era antes, de modo que, em relação à luz acima da partição, ela é algo novo. Em Torah Ohr, Vayera, a mesma ideia é ilustrada pela parábola de um mestre, da qual nasce uma nova compreensão no aluno.
Marei mekomot
- 1אור חדש אור של תולדה · ראה לקמן יד, ג. סידור קמה ב. סה״מ תקס״ט ע׳ ג. ביאוה״ז לאדהאמ״צ יז, א. סיום ר״ה תרס״ג. ביאור זה שנק׳ אור של תולדה מצויין ריבוי פעמים בדא״ח לכאן. וכן הלשון בסידור קמה, ב. אבל בסה״מ תקס״ו כתב המניח הרה״ק ר׳ משה בן אדה״ז שהמשכת השפע דזיו השכינה ב״ה מהיכל ק״ק מצטרך להיות דרך מעביר הפרוכת” אבל לקמן בהביאור שם ע׳ סא מזכיר ענין ”אור של תולדה”.
- 2ואין זה ממהות אור הראשון · ראה אוה״ת בראשית כרך ד תשיח, א. ובספר הערכים-חב״ד כרך ג טור שפו הערה 6 שלכאורה הכוונה הוא שהטעם על מה שהאור הנמשך ע״י הפרסא נקרא ”אור חדש” הוא לפי שע״י הפרסא משתנה האור מכמו שהי׳ קודם וממילא הוא חידוש לגבי האור שלפני הפרסא, ע״ש.
- 3פרסא עד שנתהוה גשמיות ממש · ענין הפרסא הוא כדי שבי״ע יהי׳ ביכולת לקבל האור. ראה סה״מ תרל״ט ח״א ע׳ קעט בהנחת כ״ק מהורש״ב.
Sagrado e mundano ¶3
No entanto, há vários tipos de telas separadoras. Pois há outro nível, [sobre o qual] dizemos ao término do Shabat: “Que separa entre o sagrado e o profano”.
Agora, uma distinção. As telas descritas até aqui separam níveis dentro da santidade; a bênção de havdalá nomeia outro tipo: a separação entre o sagrado e o profano.
שהוא מסך מבדיל גמור ואינו דומה לפרסא שמפסיק בין הקודש לקדה״ק שזהו דרך השתלשלות אותו אור עצמו שנתגשם
Esta é uma tela separadora completa, diferente da partição que interrompe entre o Sagrado e o Santo dos Santos, pois aquela é o modo pelo qual a mesma luz desce na cadeia descendente dos mundos (hishtalshelut), tornando-se mais material,
A cortina entre o Sagrado e o Santo dos Santos permite que a mesma luz desça e se torne mais grosseira. O que está além dela continua sendo aquela luz, apenas numa forma inferior.
וגם לאחר הפרסא הוא קודש (וע״ד שמבדילין במ״ש ליו״ט המבדיל בין קדש לקדש) משא״כ בין קדש לחול הוא מסך שמעלים ומסתיר האור עד שנעשה נפרד ממש
e mesmo depois da partição continua sendo sagrado (à maneira da havdalá que se diz quando um Yom Tov segue o Shabat: “Que separa entre o sagrado e o sagrado”). Não é assim entre o sagrado e o profano: essa é uma tela que oculta e encobre a luz até que [aquilo que está além dela] se torne efetivamente separado,
Por isso, aquilo que está além de uma partição desse tipo continua sagrado, como na havdalá dita quando um Yom Tov segue o Shabat, que separa “o sagrado do sagrado”. A tela entre o sagrado e o profano oculta a luz tão completamente que aquilo que está abaixo dela se vivencia como uma existência separada.
כמו היכלות החיצונים4 המגביהים א״ע לומר לי יאורי5 כו׳ אלא שואתה מחיה את כולם6 וקרו ליה אלהא דאלהיא7 ואינן כופרים ממש
como os palácios exteriores, que se exaltam dizendo: “Meu rio é meu”, etc., mas “Tu lhes dás vida a todos”, e eles O chamam “o D'us dos deuses”, sem negá-Lo abertamente.
Os “palácios exteriores” são os mundos fora da santidade, que a versão do Sidur explica como os setenta ministros celestiais das nações. Eles se exaltam como se tivessem surgido por si mesmos, à semelhança da jactância do Faraó: “Meu rio é meu”; no entanto, D'us lhes dá vida, e o Talmud diz que O chamam “D'us dos deuses”: admitem a existência de um D'us supremo e não O negam abertamente.
וזהו הודו לאלקי האלקי׳8 כל״ח שלעולם חסדו והשפעתו מעולם ועד עולם עד שהוא בבחי׳ אלקי האלקים במקום ההעלם וההסתר והחושך ועל מסך מבדיל זה נאמר אלביש שמים קדרות9 וכו׳:
E este é [o significado de] “Dai graças ao D'us dos deuses, pois Sua bondade é le'olam (para sempre)”: Sua bondade e Seu fluxo [se estendem] de mundo em mundo, até que Ele esteja no nível de “D'us dos deuses”, no lugar da ocultação, do encobrimento e da escuridão. E a respeito desta tela separadora está dito: “Visto os céus de negrume”, etc.
O Alter Rebe interpreta “Sua bondade é le'olam” como “para os mundos”: a bondade de D'us alcança de mundo em mundo, até mesmo a ocultação mais profunda, onde Ele é conhecido apenas como o D'us acima dos deuses deles. Essa cobertura espessa é a tela descrita por Isaías: “Visto os céus de negrume”.
O parágrafo distingue dois tipos de tela: a partição dentro da santidade, pela qual a mesma luz desce, e a tela entre o sagrado e o profano, que oculta tão profundamente que os mundos passam a se sentir independentes de D'us, embora Ele os sustente.
O Sidur, citado na nota da Kehot, diz que o cilício deste versículo é feito de peles, não de tecido, sendo uma cobertura mais densa, de modo que os setenta ministros se tornam tão separados que pretendem se rebelar. O Tzemach Tzedek, citando o comentário Yefeh Anaf sobre o Midrash, relaciona essa veste ao lamento “não vimos nossos sinais”.
Marei mekomot
- 1אך יש כמה מיני מסכים המבדילין · בסידור קמה, ב ובאוה״ת כאן תשטו, ב מבאר ”מ״מ הוא רק הבדלה בין קודש לקודש שגם אחר הפרסא הוא קודש” וע״ז בא הביאור מענין המבדיל בין קודש לחול.
- 2עוד בחינה שאומרים במוצאי שבת · ראה דרך מצותיך מצות מילה ז, ב.
- 3
- 4כמו היכלות החיצונים · בסידור קמה, ג מבאר הענין בע׳ שרים.
- 5לי יאורי · Ezekiel 29:3
- 6ואתה מחי׳ את כולם · Nehemiah 9:6
- 7וקרו לי׳ אלהא דאלהיא · Menachot 110a:5–6
- 8הודו לאלקי האלקי׳ · Psalms 136:2
- 9אלביש שמים קדרות · Isaiah 50:3
A semana de trabalho ¶4
Ora, dentro deste nível do profano há dois níveis. O primeiro: o profano completo, os palácios de Nogá, que O chamam “o D'us dos deuses”, como mencionado acima.
O próprio profano tem dois níveis. O primeiro é o profano por inteiro: os “palácios de Nogá”, o domínio de kelipat nogá (a casca translúcida que mistura o bem com o mal), que, como dito, reconhece D'us apenas de longe como “D'us dos deuses”.
הב׳ הוא בחי׳ חולין שנעשו על טהרת הקדש חולו של מועד דהיינו שנמשך הארה מקדושה בחי׳ בטול גם בהחול וכמו ע״י שמירת שבת יש הארה בששת ימי החול מבחי׳ קדושת השבת.
O segundo é o nível de “coisas profanas preparadas segundo a pureza do sagrado”, [como] os dias profanos da festividade (chol hamoed). Isto é, uma iluminação da santidade, o nível de autoanulação (bitul), é atraída também para o profano; assim como, por meio da observância do Shabat, há uma iluminação nos seis dias da semana que provém do nível da santidade do Shabat:
O segundo é o profano permeado de santidade. A expressão vem da halachá: alimentos comuns manipulados segundo as regras de pureza dos alimentos sagrados. Chol hamoed, os dias úteis de uma festividade, é o modelo: dias de trabalho que ainda carregam a santidade da festividade, assim como o Shabat ilumina os dias da semana.
ג׳ ימים הראשונים משבת שעברה וג׳ ימים אחרונים משבת הבא וזה נמשך לישראל בששת ימי המעשה2 מקדושת שבת להיות כל מעשיהם בחול
os três primeiros dias desde o Shabat passado e os três últimos dias em direção ao Shabat seguinte. E isso é transmitido ao povo judeu nos seis dias de trabalho a partir da santidade do Shabat, para que todos os seus atos no profano sejam
A semana é dividida em duas: de domingo a terça-feira se recebe do Shabat que passou; de quarta a sexta-feira, do Shabat que virá. Desse modo, a própria atividade de um judeu durante a semana pode carregar santidade.
ע״ד חולין שנעשו עטה״ק (וזהו ענין הבדלה במו״ש ברוך המבדיל כו׳ הברכה היא המשכה שיהיו החולין נעשי׳ עטה״ק)3 וע״ז נאמר ששת ימים תעשה מעשיך4 וכו׳
à maneira de “coisas profanas preparadas segundo a pureza do sagrado”. (E este é o significado da havdalá ao término do Shabat, “Bendito… Que separa”, etc.: a bênção é uma transmissão, para que as coisas profanas sejam preparadas segundo a pureza do sagrado.) E a respeito disso está dito: “Seis dias farás o teu trabalho”, etc.
Assim, a havdalá não é apenas uma separação, mas também uma bênção; na Chassidut, bênção significa uma transmissão. Ela introduz santidade na semana, para que os dias de trabalho se tornem “preparados segundo a pureza do sagrado”. O versículo “Seis dias farás o teu trabalho” é interpretado como uma incumbência de fazer isso.
וצריך להיות ששת ימי המעשה דוקא ע״י ההעלם ומסך (המבדיל בין קדש לחול) שאל״כ היה בטול ממש
E os seis dias de trabalho precisam ocorrer especificamente por meio da ocultação e da tela (que separa entre o sagrado e o profano), pois, caso contrário, haveria autoanulação efetiva,
Ainda assim, os dias de trabalho precisam permanecer velados, com a tela em seu lugar. Do contrário, a santidade os sobrepujaria e os levaria à completa autoanulação, sem que fosse possível trabalhar.
וכמו ענין תפלת שמו״ע בהשתחוואו׳ וכמו שא״א להרים יד לפני המלך כו׳ ומאן דמחוי במחוג קמי מלכא5 כו׳.
como no caso da oração de Shemoneh Esreh com suas inclinações, e assim como é impossível erguer a mão diante do rei, etc., e “quem faz um gesto com o dedo diante do rei”, etc.
Compare-se a Shemoneh Esreh, na qual se permanece de pé e se inclina diante de D'us como diante de um rei: na presença de um rei não se pode erguer a mão nem mesmo apontar um dedo. A revelação plena não deixa espaço para a ação.
ובאמת כתי׳ יגיע כפיך כי תאכל6 ע״י ל״ט מלאכות הזורע והחורש והקוצר כו׳ דהיינו שע״י המעשה ממשיך הוי״ה חדשה והתהוות דבר חדש להיות המחדש בטובו מעשה בראשית דוקא וזהו אשר ברא אלקים לעשות.
Na verdade, está escrito: “Quando comeres o fruto do labor de tuas mãos”, por meio das trinta e nove categorias de trabalho — semear, arar, colher, etc. Isto é, por meio da ação se atrai uma nova Havayá e o surgimento de algo novo, para que haja especificamente “Que, em Sua bondade, renova a obra da Criação”. E este é [o significado de] “que D'us criou para fazer”.
A Torá louva comer do fruto do labor das próprias mãos, as trinta e nove categorias de trabalho criativo, porque, por meio do trabalho, a pessoa traz algo novo à existência, assim como D'us “renova” a criação. Esse é o significado de “que D'us criou para fazer”: D'us criou, e a elaboração do homem completa.
תורמוסין צריכין תקון להפוך מרירו למיתקו להיות מי שטרח7 בע״ש יאכל בשבת שיתעלה הכל בבחי׳ שבת
Os tremoços precisam ser aperfeiçoados, transformando seu amargor em doçura, para que “quem se esforçou na véspera do Shabat comerá no Shabat” e tudo seja elevado ao nível do Shabat.
Voltamos aos tremoços do Midrash: a amargura do mundo é adoçada pelo trabalho humano, como diz o Talmud: somente quem se preparou na sexta-feira come no Shabat. É o esforço durante a semana que, por fim, é elevado ao Shabat.
כי שבת היא מנוחה בחי׳ בטול כמו שמו״ע וא״א להיות כולו שבת כמו כולו שמו״ע רק תחלה להיות ימי החול כו׳.
Pois Shabat é repouso, o nível da autoanulação, como a Shemoneh Esreh; e não é possível que tudo seja Shabat, assim como não é possível que tudo seja Shemoneh Esreh; antes, primeiro precisam vir os dias profanos, etc.
Shabat é repouso, um estado de autoanulação como a Shemoneh Esreh, e a vida não pode consistir apenas disso. Primeiro precisam vir os dias da semana, com sua ocultação, e então eles são elevados.
O parágrafo divide o profano entre o profano por inteiro e o profano permeado de santidade. A semana de trabalho do povo judeu pertence ao segundo tipo: por meio de seu labor, o homem renova e aperfeiçoa a criação, preparando-a para ser elevada ao Shabat.
A nota da Kehot remete ao Sidur e a Derech Mitzvosecha, que perguntam como “Seis dias farás o teu trabalho” pode ser uma ordem para realizar trabalho físico. A resposta implícita aqui é que o próprio trabalho aperfeiçoa a criação, adoçando os “tremoços” do mundo.
Marei mekomot
- 1היכלות דנוגה · ראה מק״מ לזח״ב דף רכז, א בשם נ״ב מהרח״ו.
- 2
- 3ברוך המבדיל . . שיהיו החולין נעשי׳ עטה״ק · להעיר מספר המאמרים ת״ש ד״ה ויקם עדות ביעקב ע׳ 57: ברוך אתה המבדיל . . כי אפשר לברר.
- 4ששת ימים תעשה מעשיך · Exodus 23:12
- 5ומאן דמחוי במחוג קמי מלכא · Pesachim 57b
- 6יגיע כפיך כי תאכל · Psalms 128:2
- 7מי שטרח בערב שבת · Avodah Zarah 3a:10
Avram torna-se Avraham ¶5–7
5ותקון זה הוא ג״כ בחי׳ המילה כי עד שלא נימול אברהם היה שמו אברם אב הוא בחי׳ ראשית הגילוי יש מאין
E este aperfeiçoamento também é o aspecto da circuncisão. Pois, antes de Avraham ser circuncidado, seu nome era Avram. “Av” (pai) é o nível da primeira revelação de algo a partir do nada,
A circuncisão é o mesmo tipo de aperfeiçoamento. Antes dela, Avraham se chamava Avram, e “Av” (pai) representa a fonte de todo o fluxo, a primeira revelação de algo a partir do nada.
שהוא מקור ההשפעה נק׳ בשם אב1 והיה בבחי׳ רם על כל גוים כו׳ מפני שהיה ע״י מסך.
que, sendo a fonte do fluxo, é chamada pelo nome “pai”. E ela estava no estado de “ram” (elevado), “acima de todas as nações”, etc., porque era por meio de uma tela.
“Ram” (elevado) descreve essa fonte tal como se encontra acima do mundo, “acima de todas as nações”, pois ela passava por uma tela e permanecia oculta delas.
O parágrafo aplica a ideia ao primeiro nome de Avram: “Av-ram” é a fonte do fluxo, que permanece elevada e oculta por trás de uma tela.
Marei mekomot
- 1נק׳ בשם אב והי׳ בבחי׳ רם · ראה אוה״ת בראשית כרך ד פ׳ לך לך תרפט, ב.
6וע״י המילה נק׳ אברהם אב המון גוים להוסיף התכללות ניצוצות כי להיות ההארה בגלוי גמור עד שיתקרב הניצוץ ליכלל תחת כנפי השכינה הוא ע״י המילה כי מילה אותיות מל123 י״ה הם חו״ב.
E, por meio da circuncisão, ele foi chamado Avraham, “pai de uma multidão de nações”, para acrescentar a inclusão de centelhas. Pois é por meio da circuncisão que a iluminação se torna plenamente revelada, até que a centelha se aproxime para ser incluída sob as asas da Shechiná. Pois milá (circuncisão) divide-se nas letras mal [e] Yud-Hei, que são Chochmá e Biná.
Com a hei acrescentada, ele se torna “pai de uma multidão de nações”: sua influência passa a alcançar o exterior, reunindo as centelhas de santidade entre as nações, até que elas venham “sob as asas da Shechiná”, expressão usada para quem se une ao povo judeu. A palavra milá (מילה) divide-se em mal (מל) e nas letras Yud-Hei, que representam Chochmá e Biná.
ומל הוא ל׳ התגלות4 כי מל מלשון ממללא שהדבור הוא המגלה את החכמה להיות החכמה יוצאת מכח אל הפועל ומההעל׳ אל הגילוי
E “mal” é um termo de revelação, pois “mal” deriva da palavra “memalela” (fala), porque a fala é o que revela a sabedoria, fazendo com que a sabedoria passe do potencial ao efetivo e da ocultação à revelação.
“Mal” está relacionado ao aramaico “memalela”, fala. A fala traz ao aberto a sabedoria oculta; assim, a circuncisão significa a revelação de Chochmá e Biná.
ולכן לע״ל דכתי׳ אז אהפך אל עמים5 שפה ברורה כתי׳ וראו כל בשר יחדיו6 כי פי ה׳ דבר מחמת שיהי׳ גילוי בחי׳ דבור התגלות אלקות7 התגלות חכמה:
E, portanto, a respeito do Tempo Vindouro, sobre o qual está escrito: “Então tornarei clara a linguagem dos povos”, está escrito: “E toda carne juntamente verá que a boca de Havayá falou”, porque haverá a revelação do nível da fala, a revelação da Divindade, a revelação de Chochmá.
Os profetas anunciam que, no Tempo Vindouro, os povos terão uma “linguagem clara” e “toda carne” verá que D'us falou. Essa será a revelação plena da fala divina, que é a revelação da Divindade e de Chochmá.
A circuncisão acrescenta a hei e revela o que estava oculto: Chochmá e Biná vêm à luz por meio da “fala”, alcançando até mesmo as centelhas entre as nações — revelação que se completará no Tempo Vindouro.
As notas da Kehot rastreiam a divisão de milá em mal e Yud-Hei até o Arizal (Etz Chaim e Ta'amei HaMitzvos, Lech Lecha) e ao Tikkunei Zohar, conforme citado em Sefer HaMaamarim 5633. Likkutei Torah, Pinchas cita esta própria passagem.
Marei mekomot
- 1מילה אותיות מל י״ה · טעמי המצות ס״פ לך לך, ע״ח שער לג פ״ג. מובא בלקו״ת פינחס עט, ג.
- 2מילה אותיות מל י״ה · Tikkunei Zohar, Tikkun 22 · 65b:4–5
- 3מילה אותיות מל י״ה · Sefer Etz Chaim 33:3
- 4ומל הוא ל׳ התגלות · מובא בלקו״ת פינחס עט, ג.
- 5אז אהפך אל עמים · Zephaniah 3:9
- 6וראו כל בשר יחדיו · Isaiah 40:5
- 7ולכן לע״ל . . מחמת שיהי׳ גילוי בחי׳ דבור התגלות אלקות · מובא באוה״ת נ״ך כרך א ע׳ ק ומוסיף ע״ז ”וכמ״ש בלקו״ת פ׳ צו בד״ה והיה אור הלבנה פ״א שעכשיו הוא בחי׳ נאלמתי דומיה כו׳”.
7וגילוי זה למעלה הוא בבחי׳ חשמל עתים חשות1 דהיינו שלפעמים הוא בבחי׳ העלם סייג לחכמה שתיקה23 ועתים ממללות בחי׳ דבור וגילוי
E esta revelação acima está no aspecto de Chashmal: “às vezes silencioso” (chashot), isto é, às vezes está em estado de ocultação — “a cerca da sabedoria é o silêncio”; “e às vezes falando” (memalelot), o nível da fala e da revelação.
O Talmud interpreta Chashmal, o resplendor da visão de Ezequiel, como “chash” (silêncio) e “mal” (fala): às vezes silencioso, às vezes falando. Assim, a revelação acima se alterna: às vezes é contida no silêncio, “a cerca da sabedoria”, e às vezes se expressa na fala.
וגם מל מלשון והוא ישב ממולי4 שהוא פי׳ נגדי כלומר דבר שנראה כאילו הוא לנוכח עיניו.
Além disso, “mal” deriva da expressão “e ele habita diante de mim” (mimuli), explicada como “de frente para mim”; isto é, algo que parece estar diante dos olhos.
“Mal” também significa “oposto”, como nas palavras de Balak sobre Israel, que “habita diante de mim”. Revelação significa algo colocado bem diante dos olhos, visto face a face.
O parágrafo acrescenta mais dois sentidos de “mal”: a alternância entre silêncio e fala em Chashmal, e “de frente”, de modo que a revelação é algo visto diante dos olhos.
A transcrição em Sefer HaMaamarim 5566, citada na nota da Kehot, explica Chashmal como o “correr e retornar” dos anjos: às vezes estão silenciosos, em verdadeira autoanulação. Esta passagem não aparece na versão do Sidur.
Marei mekomot
- 1בבחי׳ חשמל עתים חשות · Chagigah 13b:1–2
- 2סייג לחכמה שתיקה · אבות ג, יג.
- 3סייג לחכמה שתיקה · Pirkei Avot 3:13
- 4והוא ישב ממולי · Numbers 22:5
A circuncisão no homem ¶8
E abaixo, no homem inferior — pois está escrito: “Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança” — há também uma barreira sobre o órgão transmissor, que está no estado de “ram” (elevado).
A ideia agora desce ao homem aqui embaixo, feito “à imagem de D'us”, de modo que seu corpo espelha a estrutura acima. Também nele há uma barreira — o prepúcio — sobre o órgão por meio do qual a vida é transmitida à geração seguinte; como o “ram” de Avram, a fonte do fluxo está coberta e oculta.
הנסתרות לה׳ אלקינו2 חו״ב והנגלות לנו ולבנינו שע״י המילה נעשה נגלות לנו ולבנינו שהגילוי אינו אלא בבחי׳ לבנינו שהוא בחי׳ הולדה כי
“As coisas ocultas pertencem a Havayá, nosso D'us”: [estas são] Chochmá e Biná; “e as coisas reveladas pertencem a nós e a nossos filhos”: por meio da circuncisão, tornam-se “reveladas para nós e para nossos filhos”, pois a revelação existe somente no aspecto de “para nossos filhos”, que é o aspecto da geração de filhos.
O versículo contrasta “as coisas ocultas”, que pertencem a D'us, com “as coisas reveladas”, que pertencem “a nós e a nossos filhos”. O Alter Rebe interpreta as coisas ocultas como Chochmá e Biná, que a circuncisão revela; e a revelação é “para nossos filhos”, na geração de filhos, o poder de trazer vida nova.
לכן כאשר נתוסף ה׳ באברהם מ״מ לא נעקר הרי״ש באברהם שעדיין הוא בחי׳ רם אלא שנתוסף בחי׳ ה׳ להיות בחי׳ רם זה בגילוי.
Por isso, quando o hei foi acrescentado a Avraham, o reish não foi, contudo, removido de Avraham, pois ele ainda está no estado de “ram” (elevado); apenas se acrescentou o nível do hei, para que esse nível de “ram” estivesse revelado.
Por isso, o hei acrescentado ao nome de Avraham não removeu o reish de “ram”: a fonte permanece elevada, mas agora se revela. A circuncisão não elimina a elevação; permite que ela resplandeça abertamente.
והנה המילה היא גילוי (ופריעה היא גילוי יותר כמו ופרע את ראש האשה.3 שחיטה מפורעת כו׳).
E a circuncisão é revelação (e a periá [descobertura] é uma revelação ainda maior, como em “e descobrirá a cabeça da mulher”; “um abate descoberto”, etc.).
A circuncisão em si é uma revelação, e a periá, a segunda etapa da mitsvá, na qual a fina membrana é retraída, revela ainda mais. O versículo sobre descobrir a cabeça da mulher e a expressão “um abate descoberto” mostram que a raiz de periá significa descobrir.
המסך המבדיל בין קדש לחול דישראל חולין שנעשו על טה״ק שהיא עיקר ההבדלה כי בשבעה4 הבדלות להבדיל בין הטמא כו׳ אין אנו אומרים לפי שא״צ כ״כ כי מאחר שמעבירים ההבדלה שבין קדש לחול כו׳:
A barreira que separa entre o sagrado e o mundano, para Israel, é “coisas mundanas preparadas na pureza do sagrado”, que constitui a separação principal. Pois, das sete separações, não dizemos “para separar entre o impuro”, etc., porque isso não é tão necessário; uma vez que se remove a separação entre o sagrado e o mundano, etc.:
Para o povo de Israel, a barreira entre o sagrado e o mundano não é a parede do que é inteiramente mundano, mas a fina barreira de “coisas mundanas preparadas na pureza do sagrado”; esta é a essência da havdalá. A passagem termina abruptamente, e a nota da Kehot registra o comentário do Rebe de que a redação precisa de certa correção.
O parágrafo aplica a ideia inteira ao homem: a circuncisão remove a barreira sobre a fonte da vida e revela Chochmá e Biná “para nossos filhos”, sem retirar a elevação da fonte. Para os judeus, a separação entre o sagrado e o mundano transforma-se em mundano santificado.
A nota da Kehot informa que as edições de Or HaTorah não contêm estas duas últimas linhas e que a versão de Or HaTorah termina antes do resumo, com o deleite sublime atraído para baixo ao elevar mayin nukvin (as “águas femininas”, a elevação de baixo) a partir do mundano preparado na pureza. A versão do Sidur termina com periá e “um abate descoberto”.
Marei mekomot
- 1נעשה אדם בצלמנו · Genesis 1:26
- 2הנסתרות לה׳ אלקינו · Deuteronomy 29:28
- 3ופרע את ראש האשה · Numbers 5:18
- 4שו״ה כי בשבעה · לעיל בהערות ותיקונים לכ״ק אדמו״ר זי״ע מציין ע״ז ”הל׳ צריך תיקון קצת”. ולהעיר שבכל האוה״ת שנדפסו [לאחר שכתב כ״ק אדמו״ר זי״ע הערה זו] ליתא שני שורות אלו. ובאוה״ת כרך ד תשכ, ב הסיום קודם הקיצור: ”אשר עונג העליון שנמשך ע״י העלאת מ״ן מבחי׳ החולין שנעשו על טה״ק. והנה אשר אותיות ראש שלמעלה מבחי׳ ראשית וזהו לעשות את השבת”. בסידור מסיים בתי׳ ”ופרע . . שחיטה מפורעת”.
Terminou o maamar?
Marque-o como estudado; ele conta para a semana e para o siyum do ano.
Na avodá
Os dias da semana não são um afastamento da santidade, mas sua oficina: a pessoa precisa realizar seu trabalho nos seis dias, mantendo a tela de ocultação, e ainda assim atrair para eles a luz do Shabat, para que seu labor se torne “mundano preparado na pureza do sagrado”. Com esse esforço, ela aperfeiçoa a criação, adoça sua amargura e a eleva ao Shabat.
Perguntas para conversar
- Por que D'us criaria um mundo e um corpo humano que deliberadamente precisam ser aperfeiçoados pelo homem?
- Como a “luz derivada” que nasce por meio de uma divisória difere da luz original, e por que essa diferença é necessária para a criação?
- O que distingue a tela “entre sagrado e sagrado” da tela “entre sagrado e mundano”?
- Por que os dias da semana precisam permanecer velados, em vez de estarem repletos de revelação como o Shabat ou a Shemoneh Esreh?
- Por que o hei acrescentado ao nome Avraham deixa intacto o reish de “ram”, e o que isso ensina sobre a revelação?