Likkutei Torah · Parshas Tzav · Maamar 12
והניף ידו על הנהר בעים רוחו והכהו לשבעה…
“E Ele Agitará a Mão sobre o Rio”
A ideia central
No Êxodo, D'us dividiu o “mar”, a fala ocultadora de Malchut, para que Atsilut brilhasse nos mundos criados e a Torá das ações pudesse ser dada; no Futuro, Ele dividirá o “rio”, o ocultamento mais sutil do pensamento que flui do Éden, e o próprio Éden será revelado: a dimensão interior da Torá, que Mashiach ensinará como visão, e não como audição.
O maamar em resumo
Isaías prediz que D'us agitará a mão sobre o rio e o golpeará, dividindo-o em sete canais. O Alter Rebe contrasta isso com a divisão do Mar dos Juncos. O mar é Malchut, a fala divina, cujas letras ocultam a luz que carregam; no Êxodo, esse ocultamento se apartou, Beriá se uniu a Atsilut, cada uma das doze tribos ascendeu por seu próprio caminho à sua raiz, e assim a Torá pôde ser dada: as mitsvot, “hoje para cumpri-las”. O rio é Biná, o pensamento, que flui do Éden, mas ainda reveste Chochmá em letras. Quando for dividido, o próprio Éden será revelado: a dimensão interior da Torá e os motivos das mitsvot, que Mashiach ensinará como visão, assim como o Arizal viu em uma hora o que oitenta anos de fala não poderiam transmitir. Os sete canais são os Patriarcas e as Matriarcas, enraizados além do rio, por meio dos quais essa revelação chega a todo Israel, suscitada pela compaixão dos Patriarcas e pela teshuvá. Então, os rios que dividem, como o Nilo, já não serão necessários, e a terra se encherá do conhecimento de D'us.
Esquema
- O mar: a fala que ocultaO Mar dos Juncos é Malchut de Atsilut, a fala superna, cujas letras ocultam a luz que carregam dos mundos que não possuem sabedoria própria; a divisão do mar revelou o que estava oculto e uniu Beriá a Atsilut, com cada uma das doze tribos ascendendo à sua raiz entre os doze limites de Zeir Anpin.¶1–3
- Do mar ao rioA divisão do mar preparou o caminho para a Outorga da Torá, as mitsvot que atraem Atsilut aos mundos inferiores, “hoje para cumpri-las”; “amanhã, para receber sua recompensa” é a revelação da dimensão interior da Torá por meio de Mashiach, que a ensinará a todo o povo, e para isso o rio deve ser dividido.¶4–6
- O rio: o pensamento e a visão do ÉdenO rio é o Eufrates, Biná, o pensamento, que flui incessantemente do Éden, mas ainda é um revestimento de letras; o Gan Éden recebe somente por seu intermédio, e o próprio Éden não é visto. A revelação futura será a visão da própria Chochmá, assim como o Arizal apreendeu em uma hora o que oitenta anos não poderiam expressar, e como Moshê pediu para Israel; Mashiach a revelará.¶7–11
- Sete canais: os Patriarcas e as MatriarcasOs sete canais são os três Patriarcas e as quatro Matriarcas, em Atsilut e enraizados “além do rio” em Atik; por meio deles, a revelação de Mocha Stimaá chegará a todo Israel. Segundo o Ramaz, peshat, remez e derush retificam os mundos inferiores, enquanto sod retifica Atsilut; a “força de Seu vento” é o espírito de Mashiach, atraído por meio da teshuvá.¶12–14
- A compaixão e a ToráA compaixão das tribos pela alma no corpo atrai a compaixão de Yaakov e a Torá revelada; a compaixão dos Patriarcas atrairá a grande compaixão de Arich Anpin e a dimensão interior. A Árvore do Conhecimento como trigo, o trabalho de refinamento da Torá Oral, Adam antes do pecado e a agitação, em Shavuot, dos dois pães sobre os dois cordeiros.¶15–16
- A língua do Mar do EgitoO Nilo, Pishon, é um dos quatro rios que se dividem do Éden, a fonte da sabedoria do Egito e dos mundos separados e limitados; no Futuro, quando a fala de D'us for vista como una com Ele, eles não serão necessários. Uma segunda interpretação: os sete canais são os sete atributos e a fala, o rio é Biná, e sua própria luz preencherá os mundos inferiores.¶17–20
Conceitos-chave
- Mar e rioים ונהר
- O mar é Malchut, a fala divina, cujas águas estão reunidas e imóveis e cujas letras ocultam; o rio é Biná, o pensamento, que flui continuamente do Éden e é um revestimento mais sutil.
- A divisão do Mar dos Juncosקריעת ים סוף
- A remoção do ocultamento da fala, de modo que o oculto se tornou revelado e Beriá se uniu a Atsilut; isso preparou o caminho para a Outorga da Torá.
- Éden e o Jardimעדן וגן
- Éden é a própria Chochmá, que nenhum olho viu; o Jardim recebe dela somente por meio do rio de letras. No Futuro, o próprio Éden será revelado.
- Visão e audiçãoראיה ושמיעה
- A audição e a compreensão vêm por meio das letras; a visão apreende a própria essência, de uma só vez. A revelação futura da dimensão interior da Torá será visão.
- A dimensão interior da Toráפנימיות התורה
- Os motivos da Torá e das mitsvot, enraizados em Mocha Stimaá, acima de Atsilut, que Mashiach ensinará a todo o povo, com ascensões sem fim.
- A carruagem inferior e a carruagem superiorמרכבתא תתאה ומרכבתא עילאה
- As doze tribos, em Beriá e enraizadas em Zeir Anpin, são a carruagem inferior; os Patriarcas e as Matriarcas, em Atsilut e enraizados além do rio, são a carruagem superior e os sete canais.
- Compaixãoרחמנות
- A compaixão das tribos pela centelha de divindade que caiu no corpo atrai a compaixão de Yaakov e a Torá revelada; a compaixão dos Patriarcas atrairá a grande compaixão de Arich Anpin e a dimensão interior da Torá.
- PaRDeSפרד״ס
- Os quatro níveis de interpretação da Torá: peshat, remez e derush retificam os mundos inferiores, o “mundo da divisão”, enquanto sod retifica a própria Atsilut.
O mar: a fala que oculta ¶1–3
1והניף ידו על הנהר1 בעים רוחו והכהו לשבעה נחלים2 (בישעיה סי׳ י״ב) הנה ים סוף הוא בחי׳ מלכות3 דאצילות
“E Ele moverá Sua mão sobre o rio com a força de Seu vento e o dividirá em sete riachos” (Isaías, capítulo 12). Ora, o Mar de Juncos (Yam Suf) é o nível de Malchut (soberania) de Atsilut,
O maamar começa com a profecia de Isaías sobre a redenção final (Isaías 11:15 em nossas edições; o texto indica o capítulo 12): assim como D'us abriu o mar no Êxodo, um dia Ele moverá Sua mão sobre “o rio” e o dividirá em sete riachos para os exilados que retornam. Antes de tratar do rio, o Alter Rebe explica o mar do Êxodo: o Mar de Juncos é Malchut de Atsilut, a última das Dez Sefirot do Mundo da Emanação.
שהיא בחי׳ דבור העליון שהדבור הוא סופא דכל דרגין שבדבר ה׳ שמים נעשו4 וכל העשרה מאמרות הם המשכות מע״ס [מעשר ספירות] דאצילות ומתלבשים באותיות הדבור יהי אור5 הוא ההמשכה מבחי׳ חכמה כו׳
que é o nível da fala suprema; pois a fala é “o fim (sofa) de todos os níveis”, uma vez que “pela palavra de D'us foram feitos os céus”. E todos os Dez Enunciados são emanações das Dez Sefirot de Atsilut, revestidas nas letras da fala: “Haja luz” é a emanação do nível de Chochmá (sabedoria), etc.
Malchut é a “fala” de D'us, o mais baixo dos níveis divinos, e a palavra aramaica para “fim”, sofa, evoca o nome Yam Suf. O mundo foi criado por meio da fala divina, os Dez Enunciados, e cada enunciado conduz uma luz de uma das Dez Sefirot; “Haja luz”, por exemplo, conduz a luz de Chochmá.
והדבור הוא מעלים ומכסה על אור ההמשכה. כמו עד״מ [על דרך משל] באדם6 הנה אותיות הדבור הם כלי להשכל והמדות שהם נמשכים ומתלבשים בו.
Mas a fala oculta e encobre a luz que é emanada. Como, por exemplo, no ser humano: as letras da fala são um recipiente para o intelecto e os atributos emocionais (midot), que são atraídos para dentro dela e nela se revestem.
A fala conduz essa luz, mas também a encobre, como uma veste. A analogia humana esclarece o ponto: nossas palavras são o recipiente que leva nossas ideias e sentimentos aos outros.
אך מ״מ [מכל מקום] האותיות הם מעלימים על השכל שבתוכן ומצפינים אותו בתוכן שהרי הקטן אף שמבין כל האותיות והתיבות ואומרן היטב עכ״ז [עם כל זה] אינו מבין כלל ההשכלה שבתוך האותיות רק מי שהוא עצמו חכם מקודם
No entanto, as letras ocultam o intelecto que há dentro delas e o escondem em seu interior. Pois uma criança pequena, embora reconheça todas as letras e palavras e as pronuncie bem, ainda assim não compreende absolutamente o conceito contido nas letras; somente quem já é sábio por si mesmo
Contudo, essas mesmas palavras também ocultam aquilo que conduzem. Uma criança pequena pode ler e pronunciar cada palavra de um texto sábio e, ainda assim, não captar nada de seu sentido; somente alguém que já é sábio encontra a ideia dentro das palavras.
אזי מבין מתוך האותיות כו׳ אבל מהות האותיות עצמן הוא בחי׳ העלם לגבי מהות השכל והמדות.
então compreende a partir das letras, etc. Mas a essência das próprias letras é um nível de ocultação em relação à essência do intelecto e dos atributos emocionais.
Tal pessoa extrai o sentido das letras apenas porque traz consigo o próprio entendimento. Em si mesmas, as letras ocultam o intelecto e os sentimentos que contêm.
O parágrafo identifica o Mar de Juncos com Malchut de Atsilut, a “fala” divina por meio da qual os mundos foram criados, e mostra, com a analogia humana, que a fala, recipiente do pensamento e dos sentimentos, também oculta aquilo que conduz: suas letras só revelam o sentido a quem já é sábio.
O jogo de palavras com suf, “fim”, percorre todo o maamar: a fala é o fim de todos os níveis divinos, e o “mar” é onde esses níveis ficam ocultos. No Zohar sobre Pinchas, próximo ao trecho citado na nota de Kehot, Malchut é chamada “o fim das Dez Sefirot, Yam Suf”, o portão pelo qual se entra em toda a sabedoria. Outra nota remete a um discurso sobre este versículo, de 5747, que explica a diferença entre um rio e um mar, contraste que este maamar desenvolverá adiante.
Marei mekomot
- 1והניף ידו על הנהר · ראה מאמרי אדה״ז-פרשיות ע׳ רנד. ע׳ רסו. סידור רפט, א. שער האמונה פנ״ב. והחרים תרל״א. ראה ד״ה והניף — תשמ״ז דשם מבאר ההפרש בין נהר וים.
- 2
- 3ים סוף . . מלכות · Zohar III, 256b
- 4בדבר ה׳ שמים נעשו · Psalms 33:6
- 5יהי אור · Genesis 1:3
- 6וכמו עד״מ באדם · קטע מובא בסה״מ תרל״ח ע׳ י.
2ולכן למעלה שהתהוות החכמה דבי״ע [דבריאה יצירה עשיה] הוא רק מן הדבור עליון ולא כמו במשל שהלומד הוא חכם מקודם.1
Portanto, acima, visto que a Chochmá de Beriá, Yetsirá e Assiá vem a existir somente da fala superior, e não como na analogia, em que o estudioso já é sábio de antemão,
Acima, não há um “estudioso sábio”: a sabedoria encontrada nos mundos criados de Beriá, Yetsirá e Assiá vem a existir somente da fala superior. Ao contrário do leitor sábio da analogia, esses mundos não trazem consigo compreensão própria das letras.
הרי א״כ [אם כן] הדבור והאותיות דמל׳ [דמלכות] דאצי׳ [דאצילות] הם מעלימין ומצפינין על החב״ד [החכמה בינה ודעת] והמדות דאצילות המתלבשים בהדבור שלא יתגלה כלל בבריאה
segue-se, então, que a fala e as letras de Malchut de Atsilut ocultam e encobrem a Chochmá, a Biná e o Daat, bem como os atributos emocionais de Atsilut que estão revestidos na fala, de modo que nada disso seja revelado em Beriá,
Segue-se que a fala e as letras de Malchut de Atsilut ocultam completamente o intelecto — Chochmá, Biná e Daat — e os atributos emocionais de Atsilut que estão revestidos nelas. O que elas contêm não aparece de modo algum em Beriá.
כי אם איזו הארה מועטת מאד כמו בחי׳ האור הנמשך ע״י השערות כו׳ (ועמ״ש מזה בד״ה שניך כעדר הרחלים2)3 וזהו ענין ים שנקרא עלמא דאתכסיא.
exceto por um tênue resplendor, como o nível da luz que é atraída por meio dos cabelos etc. (e veja o que está escrito a respeito disso no discurso que começa com “Teus dentes são como um rebanho de ovelhas”). E esse é o sentido de “mar”, chamado “o mundo oculto” (alma de’iskasya).
Somente um tênue vislumbre atravessa, que a Cabalá compara à luz que passa pelos cabelos: os cabelos crescem da cabeça, mas transmitem apenas um vestígio de sua força vital. Por isso Malchut é chamada “mar”, o “mundo oculto”, pois o mar encobre tudo o que está dentro dele.
א״נ [אי נמי] מה שהדבור נק׳ העלם היינו לפי שמה שנמשך מהשכל ומתלבש בהדבור זהו רק חיצוניות השכל
Outra explicação: o motivo pelo qual a fala é chamada ocultação é que aquilo que é atraído do intelecto e revestido na fala constitui apenas a dimensão exterior do intelecto (chitsoniyut),
Uma segunda explicação de por que a fala oculta: o que passa do intelecto para a fala é apenas a camada exterior de uma ideia, a parte que pode ser expressa em palavras.
אבל פנימי׳ [פנימיות / פנימית] השכל א״א [אי אפשר] להתגלות כלל באותיות ודבור כו׳ (וכמ״ש במ״א בביאור ע״פ כי ביום הזה יכפר4).5
mas a dimensão interior do intelecto (pnimiyut) não pode de modo algum ser revelada em letras e fala etc. (como é explicado em outro lugar, na explicação do versículo “Pois neste dia ele expiará”).
O núcleo interior de uma ideia jamais pode ser expresso em letras e fala. O Alter Rebe se refere à sua explicação do versículo de Yom Kipur “Pois neste dia ele expiará”, em Likkutei Torah, Acharei.
וענין קריעת ים סוף היינו שמאתכסיא נעשה אתגליא דהיינו שלא יסתיר הדבור עליון על האורות עליונים המלובשים בו
E o sentido da abertura do Mar dos Juncos é que o oculto (iskasya) se torna revelado (isgalya); isto é, que a fala superior deixe de ocultar as luzes superiores que estão revestidas nela,
A abertura do mar inverte essa ocultação: o “mundo oculto” torna-se um “mundo revelado”. A fala superior já não oculta as luzes que carrega.
שהם השכל והמדות עד״מ [על דרך משל] שהם ע״ס [עשר ספירות] דאצילות כ״א [כי אם] שיתגלה ממש לנשמות דבריאה ג״כ כמו שהוא הגילוי באצילות.6
que são, por analogia, o intelecto e os atributos emocionais, isto é, as Dez Sefirot de Atsilut; mas, ao contrário, que sejam efetivamente reveladas também às almas de Beriá, tal como são reveladas em Atsilut.
Essas luzes são as Dez Sefirot de Atsilut, denominadas “intelecto e atributos emocionais” com base na analogia humana. Na abertura do mar, elas foram reveladas às almas de Beriá tal como são reveladas em Atsilut.
O parágrafo chega à conclusão: como os mundos criados não possuem sabedoria própria, as letras da fala divina ocultam Atsilut deles quase por completo; por isso Malchut é chamada “mar”, o mundo oculto. A abertura do mar é o momento em que o oculto se torna revelado e Atsilut brilha abertamente em Beriá.
São apresentados dois motivos para a ocultação da fala: os mundos criados não possuem sabedoria prévia com a qual possam ler as letras e, de todo modo, somente a dimensão exterior de uma ideia pode entrar em palavras. O discurso sobre “Teus dentes são como um rebanho de ovelhas”, mencionado nas notas, estabelece uma distinção relacionada: as almas de Atsilut são chamadas “homem”, enquanto as almas e os anjos de Beriá, Yetsirá e Assiá são chamados “animais”; eles recebem Daat somente por intermédio de Moshe, o pastor fiel.
Marei mekomot
- 1שהלומד הוא חכם מקודם · בסה״מ תרל״ח שם יש הוספה.
- 2
- 3בד״ה שניך כעדר הרחלים · לקו״ת שה״ש לו, ד ואילך.
- 4
- 5ע״פ כי ביום הזה יכפר · לקו״ת אחרי כח, ד.
- 6וענין קי״ס . . על האורות עליונים · ראה סה״מ תרל״ח ע׳ יב.
3ולהיות שענין קי״ס [קריעת ים סוף] הוא התחברות הבריאה עם האצי׳ [האצילות] ממש בלי פרסא ומסך המפסיק כו׳ לכן נקרע הים לי״ב קרעים12 כי
E como a abertura do Mar dos Juncos é a união de Beriá com Atsilut propriamente dito, sem a partição (parsa) e a cortina divisória, etc., por isso o mar se abriu em doze partes. Pois
Como a abertura do mar uniu Beriá com o próprio Atsilut, sem partição (parsa) nem cortina entre eles, o mar se abriu em doze partes. A partição é o limite que normalmente separa o Mundo divino de Atsilut dos mundos criados abaixo dele.
de fato, as tribos estão em Beriá e ali constituem, em termos gerais, doze níveis. Do mesmo modo, os anjos de Beriá são os “doze bois”, “e o mar estava sobre eles, por cima”.
Doze é o número de Beriá: as almas ali são as doze tribos, e os anjos são os “doze bois” que sustentavam a grande bacia no Templo de Shlomó, chamada “o mar”. O versículo “e o mar estava sobre eles, por cima” se ajusta exatamente: o “mar”, Malchut de Atsilut, repousa sobre os doze de Beriá.
עם היותן דרך כלל ארבע מחנות שכינה מיכאל גבריאל רפאל אוריאל. וכמ״ש ומשם יפרד5 והיה לארבעה ראשים.
Embora, em termos gerais, sejam os quatro acampamentos da Shechiná — Michael, Gavriel, Refael e Uriel —, conforme está escrito: “E dali se divide e se torna quatro cabeças”,
Em termos gerais, os anjos formam quatro acampamentos em torno da Shechiná, liderados por Michael, Gavriel, Refael e Uriel, assim como o rio do Éden se divide em quatro cabeças. Essa divisão em quatro é a primeira, mais abrangente.
מ״מ [מכל מקום] כל א׳ מתחלק לשלש כמו י״ב שבטים שהיו ד׳ דגלים6 וכל דגל יש בו ג׳ שבטים. והוא כמו ביד יש ג׳ פרקין וכן ברגל7 (וכמ״ש בזהר פ׳ ויחי דרמ״א ע״א).8
ainda assim, cada um se divide em três, como as doze tribos, que formavam quatro estandartes, cada estandarte com três tribos. E isso se assemelha à mão, que tem três articulações, e assim também à perna (conforme está escrito no Zohar, Parshas Vayechi, fólio 241a).
Cada um dos quatro se divide em três, formando doze: as doze tribos acampavam sob quatro estandartes, três tribos por estandarte, e cada braço e perna tem três articulações. O Zohar sobre Vayechi descreve as doze tribos exatamente dessa maneira, três para cada braço e cada coxa.
והנה הגם שהשבטים עצמן הם בבריאה מ״מ [מכל מקום] שרשן ומקורן י״ב גבולי אלכסון דז״א [דזעיר אנפין] דאצי׳ [דאצילות] (וכמ״ש במ״א סד״ה והנה אנחנו מאלמים9 אלומים ובביאור ע״פ יהודה אתה).10
Ora, embora as próprias tribos estejam em Beriá, sua raiz e fonte, não obstante, são os doze limites diagonais (gevulei alachson) de Zeir Anpin de Atsilut (conforme explicado em outro lugar, no final do discurso que começa “E eis que estávamos atando feixes”, e na explicação do versículo “Yehudá, tu”).
As próprias tribos pertencem a Beriá, mas sua raiz está em Atsilut, nos “doze limites diagonais” de Zeir Anpin, os atributos emocionais de Atsilut. Seis direções se encontram ao longo de doze arestas, e esses doze limites representam as doze maneiras pelas quais os seis atributos se combinam.
ולכן קי״ס [קריעת ים סוף] שהוא חיבור ועליית הבריאה באצילות ה״ז [הרי זה] התחברות ועליית הי״ב שבטים דבריאה בי״ב גבולי אלכסון דז״א [דזעיר אנפין] דאצי׳ [דאצילות] (ועמ״ש ע״פ וירד הגבול)
Portanto, a abertura do Mar dos Juncos, que é a união e ascensão de Beriá a Atsilut, é a união e ascensão das doze tribos de Beriá aos doze limites diagonais de Zeir Anpin de Atsilut (e veja o que está escrito sobre o versículo “E o limite descerá”);
Assim, a abertura do mar, que elevou Beriá a Atsilut, elevou cada uma das doze tribos à sua própria raiz entre os doze limites de Zeir Anpin. O Alter Rebe remete ao seu discurso sobre os limites da Terra de Israel, “E o limite descerá”.
ולכן נקרע הים לי״ב גזרים שכל שבט ושבט במסילתו יכוין כל חד לפום שיעורא דיליה11 (וכמ״ש בד״ה אלה פקודי המשכן12 בפי׳ ששם עלו שבטים שבטי13 יה כו׳):
e por isso o mar se abriu em doze trechos, para que cada tribo, em seu próprio caminho, dirigisse [sua intenção], “cada um segundo a sua medida” (conforme explicado no discurso que começa “Estes são os registros do Mishkan”, na explicação de “Pois ali subiram as tribos, as tribos de D'us”, etc.).
É por isso que cada tribo tinha seu próprio caminho através do mar: cada uma ascendeu à sua própria raiz, “cada um segundo a sua medida”. O versículo “Pois ali subiram as tribos, as tribos de D'us” descreve essa ascensão das tribos.
O parágrafo explica por que o mar se abriu em doze: a abertura uniu Beriá a Atsilut, e Beriá se organiza em grupos de doze — as doze tribos e os doze “bois” angélicos —, cada qual enraizado em um dos doze limites diagonais de Zeir Anpin; por isso, cada tribo precisava de seu próprio caminho para ascender à sua própria raiz.
Rashi sobre “Aquele que abriu o Mar dos Juncos em partes” (Psalms 136:13) e Pirkei DeRabbi Eliezer (chapter 42), ambos citados nas notas de Kehot, dizem que o mar se abriu em doze partes para as doze tribos; o maamar apresenta a razão interior. A passagem esclarecida em Beha’aloscha relaciona o mesmo Zohar sobre Vayechi com “Pois ali subiram as tribos”, explicando isso como a ascensão do Santo dos Santos de Beriá a Atsilut, até que se torna o próprio Atsilut.
Marei mekomot
- 1נקרע הים לי״ב קרעים · ראה רש״י תהלים קלה, יג. פדר״א פמ״ב (וברד״ל שם). מכילתא בשלח יד, טז. ראה מאמרי אדה״ז-פרשיות ח״א ע׳ רנט ואילך. סה״מ תרל״ה-א ע׳ רנו ואילך.
- 2לי״ב קרעים · Rashi on Psalms 136:13
- 3י״ב בקר והים עליהם · דברי הימים-ב ד, ד.
- 4
- 5ומשם יפרד והי׳ · Genesis 2:10
- 6י״ב שבטים שהיו ד׳ דגלים · Numbers 2:2
- 7כמו ביד יש ג׳ פרקין וכן ברגל · Zohar, Vayechi 64:651–65:661
- 8כמ״ש בזהר פ׳ ויחי דרמ״א ע״א · ראה ביאה״ז להצ״צ-א ע׳ תנג. זהר זה נזכר גם לקמן פ׳ בהעלותך לא, ב.
- 9
- 10יהודה אתה · Genesis 49:8
- 11כל חד לפום שיעורא דילי׳ · Zohar I, 103b
- 12
- 13ששם עלו שבטים שבטי יה · Psalms 122:4
Do mar ao rio ¶4–6
4ב וכל זה הוא ענין קריעת ים סוף שהוא בבחי׳ הדבור עליון. דהיינו שלא יעלים הדבור והאותיות כו׳.
2. E tudo isso diz respeito à abertura do Mar dos Juncos, que está no nível da fala superna; isto é, que a fala e as letras não ocultem etc.
Tudo o que foi dito até aqui diz respeito à abertura do Mar dos Juncos, que ocorre na fala superna, Malchut. Seu efeito foi que a fala e suas letras deixaram de ocultar aquilo que transmitem.
אמנם לע״ל [לעתיד לבוא] כתיב והניף ידו1 על הנהר והענין כי הנה קי״ס [קריעת ים סוף] היה צ״ל [צריך להיות / צריך לומר / צריך להבין] כדי שיוכל להיות אח״כ [אחר כך] קבלת התורה וכמארז״ל [וכמאמר רבותינו זכרונם לברכה] פ׳ בתרא דפסחים דקי״ח ע״א בפי׳ הים ראה וינוס2 ההרים רקדו.3
No entanto, sobre o Tempo Vindouro está escrito: “Ele agitará Sua mão sobre o rio”. A explicação é que a abertura do Mar dos Juncos precisava ocorrer para que, depois, pudesse haver o recebimento da Torá, como disseram nossos Sábios, de abençoada memória, no último capítulo de Pesachim, fólio 118a, ao explicar “O mar viu e fugiu”: “Os montes dançaram”.
Sobre o Futuro, porém, Isaías fala do rio, não do mar. Para explicar a diferença, o Alter Rebe mostra primeiro por que o mar precisou se abrir: isso preparou a Entrega da Torá, como a Guemará interpreta “O mar viu e fugiu” como a abertura do mar e “Os montes dançaram” como a Entrega da Torá.
ההרים רקדו קאי על מתן תורה כו׳4 כי עיקר ענין קיום המצות הוא שעי״ז ממשיכים שיהיה גילוי אור א״ס [אין סוף] למטה בבי״ע [בבריאה יצירה עשיה] כמו שמתגלה בע״ס [בעשר ספירות] דאצילות אשר שם איהו וחיוהי חד5 איהו וגרמוהי חד.
“Os montes dançaram” refere-se à Entrega da Torá etc. Pois o ponto essencial do cumprimento das mitsvot é que, por meio delas, fazemos descer uma revelação da Luz Infinita (Or Ein Sof) abaixo, em Beriá, Yetsirá e Assiá, tal como ela se revela nas Dez Sefirot de Atsilut, onde “Ele e Suas forças vitais são um; Ele e Seus recipientes são um”.
O propósito das mitsvot é fazer descer a Luz Infinita aos mundos criados de Beriá, Yetsirá e Assiá, com a mesma clareza com que ela brilha em Atsilut. Em Atsilut, D'us é um com as luzes, “Suas forças vitais”, e com os recipientes das Sefirot.
משא״כ בבי״ע [בבריאה יצירה עשיה] שהם עולמות הנפרדים בבחי׳ יש ודבר נפרד וע״י המצות שהם רמ״ח אברים דמלכא6 ממשיכים
Isso não ocorre assim em Beriá, Yetsirá e Assiá, que são mundos separados, no nível de algo (yesh), uma existência separada. E, por meio das mitsvot, que são “os 248 membros do Rei”, fazemos descer
Os mundos inferiores são “separados”: sentem-se como algo (yesh), uma existência própria. As mitsvot, chamadas “os 248 membros do Rei”, são os canais da vontade de D'us neles, assim como os membros executam a vontade da alma.
גילוי יחוד עליון שבאצילות שיהיה מתגלה עד״ז [על דרך זה] ממש גם בבי״ע [בבריאה יצירה עשיה] (וכמ״ש בת״א [בתורה אור] פ׳ בראשית בביאור ע״פ כי כאשר השמים החדשים7 ובד״ה משה ידבר)8
a revelação da unidade superna que existe em Atsilut, para que ela também se revele exatamente da mesma maneira em Beriá, Yetsirá e Assiá (como é explicado em Torah Ohr, Parshas Bereishis, na explicação do versículo “Pois, assim como os novos céus”, e no discurso que começa com “Moshe falava”).
Por meio das mitsvot, a unidade que se manifesta abertamente em Atsilut é feita descer e se revela da mesma maneira nos mundos inferiores. O Alter Rebe remete aos seus discursos em Torah Ohr sobre “Pois, assim como os novos céus” e “Moshe falava”.
ולכן היה צ״ל [צריך להיות / צריך לומר / צריך להבין] תחלה קי״ס [קריעת ים סוף] שהוא ענין בקיעת הפרסא המפסקת בין אצי׳ [אצילות] לבריאה עד שבנ״י [שבני ישראל] הלכו ביבשה בתוך הים ועי״ז היה יכול להיות אח״כ [אחר כך] קבלת התורה שמאצילות יומשך הגילוי בבי״ע [בבריאה יצירה עשיה].
Portanto, primeiro precisava haver a abertura do Mar dos Juncos, que consiste na ruptura da partição que separa Atsilut de Beriá, de modo que os filhos de Israel caminharam em terra seca no meio do mar; por meio disso, pôde haver depois o recebimento da Torá, para que a revelação descesse de Atsilut a Beriá, Yetsirá e Assiá.
É por isso que o mar precisou se abrir primeiro: a abertura rompeu a partição entre Atsilut e Beriá, de modo que Israel caminhou em terra seca no meio do mar. Só então a Torá pôde ser entregue, fazendo descer Atsilut aos mundos inferiores.
O parágrafo passa ao Futuro, quando será o “rio”, e não o mar, que se abrirá, e prepara o terreno explicando por que a abertura do mar precedeu a Entrega da Torá: as mitsvot destinam-se a fazer descer a unidade de Atsilut aos mundos inferiores separados, e para isso foi preciso primeiro romper a partição entre Atsilut e Beriá.
Igueret HaKodesh 20, para a qual remete uma nota da Kehot, começa com a mesma expressão e a explica: nas Dez Sefirot de Atsilut, “Suas forças vitais” são as luzes e “Seus recipientes” são os recipientes; todos são divindade, o que não ocorre em Beriá, Yetsirá e Assiá. A nota sobre Pesachim acrescenta, com base em Yahel Or, que Rashi relaciona ali os montes que dançaram à Entrega da Torá por meio do versículo “Por que saltam, ó montes de cumes elevados”.
Marei mekomot
- 1
- 2
- 3הים ראה וינוס ההרים רקדו · Psalms 114:3–4
- 4וכמארז״ל . . קאי על מתן תורה כו׳ · ”ופרש״י שנאמר למה תרצדון הרים גבנונים כו׳” — יהל אור ע׳ תמב.
- 5אשר שם איהו וחיוהי חד · ראה אגה״ק סי׳ כ בתחלתו ובליקוט פי׳ לשם.
- 6מצות שהם רמ״ח אברים דמלכא · ראה הנסמן לעיל בשלח ב, ג.
- 7
- 8משה ידבר · Exodus 19:19
5והנה ענין מ״ת [מתן תורה] הוא היום לעשותם1 בקיום המצות בפועל ממש ותלמוד תורה כנגד כולם.23 ולמחר לקבל שכרם4 היינו לע״ל [לעתיד לבוא] והוא ענין התגלות פנימית התורה וטעמי מצות וכדפרש״י [וכדפירש רש״י / וכדפירוש רש״י] ע״פ ישקני5 מנשיקות פיהו6
Ora, a Entrega da Torá é “hoje para cumpri-los”, mediante o cumprimento efetivo das mitsvot, e “o estudo da Torá equivale a todas elas”. E “amanhã, para receber sua recompensa” refere-se ao Tempo Vindouro; trata-se da revelação da dimensão interior (pnimiyut) da Torá e dos motivos das mitsvot, como Rashi explica sobre o versículo: “Que ele me beije com os beijos de sua boca”.
A Guemará interpreta “que lhes ordeno hoje, para cumpri-los” como: hoje, neste mundo, é para cumprir as mitsvot, e amanhã, no Tempo Vindouro, é para receber sua recompensa; o estudo da Torá equivale a todas as mitsvot juntas. O Alter Rebe identifica a recompensa com a revelação da dimensão interior da Torá e dos motivos das mitsvot, conforme Rashi explica sobre “Que ele me beije com os beijos de sua boca”: Israel confia que D'us voltará a Se revelar a eles, para revelar o segredo dos motivos da Torá e seus tesouros ocultos.
E esta é também a questão de Mashiach, sobre quem foi dito: “Eis que Meu servo será sábio; será exaltado e elevado”, etc., isto é, acima de Avraham e Yitschac, etc.,
O versículo de Isaías sobre o servo de D'us é interpretado como uma profecia sobre Mashiach, que revelará essa dimensão interior. Cada expressão do versículo o eleva acima de outra grande figura, começando por Avraham e Yitschac.
עד וגבה מאד אותיות אדם11 שיהיה למעלה מבחי׳ אדם הראשון ומבחי׳ מרבע״ה [משה רבינו עליו השלום]12 כמ״ש בספר הגלגולים פי״ט13 ושם פי׳ מאדם הראשון אחר שחטא וע׳ [ועיין] לקמן.14151617
até “e será muito (meod) elevado”: as letras de meod formam Adam, [o que significa] que ele estará acima do nível de Adam, o primeiro homem, e acima do nível de Moshe, nosso mestre, que a paz esteja sobre ele, como está escrito em Sefer HaGilgulim, capítulo 19. E ali isso é explicado como estando acima de Adam, o primeiro homem, depois que pecou. E veja adiante.
As palavras finais, “muito elevado”, colocam-no acima de todos, pois as letras de meod (מאד) são as mesmas de Adam (אדם): Mashiach estará acima de Adam e até mesmo de Moshe. Sefer HaGilgulim, o ensinamento do Ari sobre as reencarnações da alma, explica isso como acima de Adam após seu pecado; o maamar volta ao assunto adiante.
O parágrafo define as duas etapas: a Entrega da Torá trouxe “hoje para cumpri-los”, as mitsvot práticas e o estudo da Torá, enquanto o Tempo Vindouro, “amanhã, para receber sua recompensa”, trará, por meio de Mashiach, a revelação da dimensão interior da Torá e dos motivos das mitsvot; Mashiach estará acima de Adam e até mesmo de Moshe.
O Zohar citado nas notas interpreta “Eis que Meu servo será sábio” como dito sobre a lua, Malchut, no momento de sua renovação: “exaltado” pelo lado da luz superna, “elevado” pelo lado de Avraham, “alto” pelo lado de Yitschac, “muito” pelo lado de Yaakov. Uma longa nota de Likkutei Sichos resolve a aparente contradição com “não surgiu profeta como Moshe”: Moshe é insuperável em profecia, mas, no nível da alma e, portanto, no ensino da dimensão interior da Torá, a yechidá da Torá, Mashiach é maior.
Marei mekomot
- 1היום לעשותם · Deuteronomy 7:11
- 2ת״ת כנגד כולם · Shabbat 127a:15
- 3ותלמוד תורה כנגד כולם · Mishnah Peah 1:1
- 4ולמחר לקבל שכרם · Eruvin 22a:5–6
- 5כדפרש״י ע״פ ישקני · Song of Songs 1:2
- 6וכדפרש״י ע״פ ישקני מנשיקות פיהו · Rashi on Song of Songs 1:2–3
- 7וזהו ג״כ משיח · ראה בתרגום יב״ע עה״כ. באוה״ת נ״ך-א ע׳ רסה מציין לילקוט בשם תנחומא [ראה תנחומא באבער פ׳ תולדות יד]. ראה גם ד״ה והמשכילים יזהירו תש״כ.
- 8הנה ישכיל עבדי · Isaiah 52:13
- 9עבדי ירום · Targum Jonathan on Isaiah 52:13
- 10היינו מאברהם ויצחק · Zohar I, 181b
- 11מאד אותיות אדם · Zohar III, 246b
- 12שיהי׳ למעלה מבחי׳ אדם הראשון ומבחי׳ מרבע״ה · ראה לקמן מסעי פט, ב-ג. ובסוף שה״ש מט, ג ואילך. וכ״ה בפי׳ בתנחומא תולדות כ, שלכאורה הוא נגד הידוע שלא קם כמשה. הנה כמה חלוקי ענינים בזה, היינו ענין הנבואה, המלוכה, ידיעת התורה כו׳ וכו׳, ומה שלא קם כמשה מוסכם בנוגע למעלת הנבואה, וכמובא ג״כ ברמב״ם [הל׳] תשובה פ״ט ה״ב. וגם מזה יעויין בר״ה (כא, ב) אבל במלכים קם, משא״כ במעלת הנשמה, עיין לקו״ת סוף שה״ש הנ״ל, שמעלת משיח גדולה יותר. ובמילא אין סתירה שכן הוא גם בנוגע ללימוד התורה, ובפרט תורתו של משיח שהוא הענין דישקני מנשיקות פיהו, פנימיות התורה, יחידה שבתורה, שזהו מתאים לשייכות משיח ליחידה הכללית, משא״כ משה ששייכותו הוא למדריגת חי׳, וכמובא בשער הפסוקים פ׳ ויחי ובכ״מ. וראה ג״כ מנחות (כט, ב) דלא ידע מאי קאמרי — לקו״ש חכ״א ע׳ 351.
- 13בספר הגלגולים פי״ט · ראה ביאורו באוה״ת נ״ך ע׳ רסה. ד״ה באתי לגני תשי״א בסופו.
- 14סד״ה והנה אנחנו · תו״א כח, ח.
- 15ובביאור ע״פ יהודה אתה · תו״א מה, ד.
- 16ע״פ וירד הגבול · לקו״ת מסעי צד, א ואילך.
- 17בד״ה אלה פקודי המשכן · לקו״ת פקודי ד, א.
6ועיין בהרמ״ז [בהרב משה זכות] ס״פ בא1 ור״פ ואתחנן בדף ר״ס ע״ב גבי משה הוי שירותא ובפ׳ כי תצא2 דרע״ו סע״ב [סוף עמוד ב] בד״ה כימי צאתך3 והוא ילמד דעת לכל העם בהשגת פנימית התורה.
E veja o Ramaz (Rabi Moshe Zacuto), no fim da Parashá Bo e no início da Parashá Va’etchanan, no fólio 260b, a respeito de “Moshe foi o princípio”; e na Parashá Ki Seitzei, fólio 276, fim do lado b, na passagem que começa “Como nos dias da tua saída”. E ele [Mashiach] ensinará conhecimento a todo o povo, na compreensão da dimensão interior da Torá.
O Ramaz, Rabi Moshe Zacuto, grande comentarista do Zohar, fala de Mashiach em vários lugares: sobre as palavras do Zohar “Moshe foi o princípio”, que prosseguem e denominam o Rei Mashiach “o fim”, e sobre o versículo “Como nos dias da tua saída do Egito, mostrar-lhe-ei maravilhas”. O Alter Rebe declara a conclusão: Mashiach ensinará a todo o povo a dimensão interior da Torá.
כ״א [כי אם] לפי פשוטו שילמוד תורה הנגלות לנו4 ולבנינו.5 אינו מובן איך יוכל האחד לשאת ריבוא רבבות6 אנשים
Pois, se [fosse] segundo seu sentido simples, que ele ensinará a Torá das “coisas reveladas, [que são] para nós e para nossos filhos”, não se entende como uma só pessoa poderia abarcar miríades e miríades de pessoas;
Isso não pode referir-se à Torá revelada, às “coisas reveladas” que pertencem “a nós e a nossos filhos”. Um homem não poderia ensinar pessoalmente às incontáveis miríades de Israel.
ועוד והלא אז בתח״ה [בתחיית המתים] יקומו מרבע״ה [משה רבינו עליו השלום] גם כל הגדולים שכבר יודעים את כל התורה כו׳.
e, além disso, certamente então, na Ressurreição dos Mortos, Moshe, nosso mestre, que a paz esteja sobre ele, se levantará, assim como todos os grandes sábios, que já conhecem toda a Torá, etc.
Além disso, na Ressurreição dos Mortos, Moshe e todos os grandes sábios se levantarão, e eles já conhecem toda a Torá revelada. Não precisariam que Mashiach a ensinasse a eles.
אלא הענין כי אז יהיה הלימוד בפנימית התורה שארוכה מארץ מדה7 ויש בה עליות רבות לאין קץ ותכלית.
Mas a explicação é que então o estudo será da dimensão interior da Torá, que é “mais extensa que a terra em medida” e na qual há muitas ascensões, sem fim nem limite.
Portanto, o ensinamento de Mashiach deve ser a dimensão interior da Torá, que é infinita, “mais extensa que a terra em medida”. Nela há sempre um nível mais elevado ao qual ascender, de modo que até os maiores terão algo a aprender.
אך הנה כמו שכדי להיות קבלת התורה בהיום לעשותם הי׳ [היה] צ״ל [צריך להיות / צריך לומר / צריך להבין] תחלה קי״ס [קריעת ים סוף] כך כדי להיות התגלות פנימי׳ [פנימיות / פנימית] התורה לע״ל [לעתיד לבוא] צ״ל [צריך להיות / צריך לומר / צריך להבין] והניף ידו על הנהר.8
Mas, assim como, para que houvesse o recebimento da Torá no sentido de “hoje para praticá-los”, foi necessário que primeiro ocorresse a abertura do Mar de Juncos, assim também, para que haja a revelação da dimensão interior da Torá no Tempo Vindouro, é necessário que se cumpra “Ele agitará Sua mão sobre o rio”.
Isso completa a analogia: a abertura do mar teve de ocorrer antes da entrega da Torá das ações práticas, e “agitar Sua mão sobre o rio” deverá ocorrer antes que a dimensão interior da Torá seja revelada no Futuro.
O parágrafo demonstra que o ensinamento de Mashiach será a dimensão interior da Torá, e não suas leis reveladas, pois uma só pessoa não poderia ensinar a Torá revelada a todo o povo, e os sábios ressuscitados já a conhecem; e apresenta a analogia: assim como o mar se abriu antes do Sinai, o rio deverá se abrir antes daquela revelação futura.
O Ramaz, conforme uma nota da Kehot o cita de Sefer HaMaamarim 5635, interpreta as cinco expressões de “Eis que Meu servo será sábio” como os cinco níveis da alma, de nefesh a yechidá, e afirma que ninguém ainda alcançou yechidá, mas que Mashiach, filho de David, a alcançará. No Zohar que comenta, Moshe é “o princípio” e o Rei Mashiach, “o fim”, quando a plenitude será encontrada no alto e embaixo e “D'us será Um e Seu Nome, Um”.
Marei mekomot
- 1ועיין בהרמ״ז ס״פ בא · מ, ב. ”שיהי׳ גדול מאדה״ר גם לפני החטא שהרי פי׳ שבפסוק ישכיל עבדי יש בו חמשה לשונות ישכיל ירום נשא וגבה מאד שהם כנגד ה׳ בחי׳ נרנח״י, ופי׳ שלבחי׳ יחידה עדיין לא זכה אדם מעולם (כן פי׳ מאמר הזח״ג פ׳ ואתחנן דר״ס ע״ב מאן הוה סיומא ע״ש) כ״א משיח בן דוד יזכה לזה” — סה״מ תרל״ה-א ע׳ רסו.
- 2ובפ׳ כי תצא דף רע״ו סע״ב · מובא גם באוה״ת שה״ש-ב ע׳ תרמט.
- 3כימי צאתך · Micah 7:15
- 4שילמוד תורה הנגלות לנו · ראה שער האמונה פנ״ו. בסה״מ תרס״ו ע׳ י. ובסה״מ — קונטרסים-א קמו, א: היינו שיתגלה מהות התורה כמו שהיא בבחי׳ מהות ועצמות אין סוף.
- 5הנגלות לנו ולבנינו · Deuteronomy 29:28
- 6ריבוא רבבות · ראה בשער האמונה פנ״ו אלפי אלפים רבבות לאין שיעור. וראה עשרה שאלות לרס״ג (נדפס בתורתן של ראשונים הורביץ פראנקפורט תרמ״ב) השאלה השלישית — לקו״ש חי״ט ע׳ 19 הערה 42.
- 7ארוכה מארץ מדה · Job 11:9
- 8משה הוי שירותא · Zohar, Vaetchanan 2:9–4:17
O rio: o pensamento e a visão do Éden ¶7–11
7והוא נהר פרת1 דכתיב ביה והנהר הרביעי הוא פרת23 וארז״ל [ואמרו רבותינו זכרונם לברכה] פרק בתרא דבכורות דנ״ה ע״ב הוא דמעיקרא דהיינו בחי׳ ונהר היוצא מעדן
E este é o rio Perat (Eufrates), sobre o qual está escrito: “E o quarto rio é o Perat”; e nossos Sábios, de abençoada memória, disseram no último capítulo de Bechorot, fólio 55b: “É aquele desde o princípio”, isto é, o nível de “E um rio sai do Éden”,
O rio da profecia de Isaías é o Eufrates, o quarto dos rios que fluem do Éden. A Guemará afirma que o Eufrates “é aquele desde o princípio”, o mesmo rio mencionado na Criação; portanto, esse rio corresponde ao nível de “um rio sai do Éden”.
והוא בחינת בינה שהיא בחי׳ מחשבה שלמעלה מהדבור וע״כ [ועל כן] נק׳ נהר4 שהמחשבה אינה נחה ושוקטת ונמשכת תמיד.
e este é o nível de Biná (entendimento), que é o nível do pensamento, acima da fala. Por isso é chamado “rio”, pois o pensamento não repousa nem fica imóvel, mas flui continuamente.
O rio é Biná, o nível do pensamento, que é superior à fala. O pensamento nunca repousa, pois a mente está sempre pensando em algo, assim como um rio flui sem parar.
וע״כ [ועל כן] נק׳ נהר שנמשך תמיד מלשון ונהרו אליו כל הגוים5 משא״כ הים נק׳ מקוה המים6 דקוו וקיימו והוא בחי׳ הדבור כו׳ וזהו ונהר יוצא מעדן7 שיוצא ונמשך תמיד מבחי׳ עדן.
Por isso é chamado nahar (rio), porque flui continuamente, conforme a expressão “e todas as nações fluirão (venaharu) para ele”. Em contrapartida, o mar é chamado “ajuntamento (mikvê) das águas”, pois elas se ajuntam e permanecem imóveis; e este é o nível da fala, etc. E isto é “E um rio sai do Éden”: ele sai e flui continuamente do nível de Éden.
A palavra hebraica nahar, “rio”, relaciona-se a venaharu, “fluirão”, expressão que indica um fluxo contínuo. O mar, em contraste, é “o ajuntamento das águas”: água que se reúne e fica parada; isso corresponde à fala, que contém seu conteúdo em palavras fixas. Assim, “um rio sai do Éden” significa que o pensamento flui continuamente do Éden, a fonte que está acima dele.
O parágrafo identifica o rio da profecia como o Eufrates, o rio que “sai do Éden”, e o interpreta como Biná, o pensamento, que flui sem cessar como um rio, em contraste com o mar, a fala, cujas águas estão reunidas e imóveis.
O discurso de Likkutei Torah sobre Shir HaShirim mencionado nas notas desenvolve a mesma imagem: o pensamento flui do intelecto e nunca repousa nem por um instante, mas, por si só, não produz efeito tangível, ao contrário da fala e da ação, que deixam uma impressão.
Marei mekomot
- 1והוא נהר פרת · Radak on Isaiah 11:15
- 2והנהר הרביעי הוא פרת · Genesis 2:14
- 3
- 4מחשבה . . נק׳ נהר · ראה גם תו״א נח ט, ב. סה״מ תקס״ו ע׳ קט. לקמן שה״ש יז, ג.
- 5ונהרו אליו כל הגוים · Isaiah 2:2
- 6הים נק׳ מקוה המים · Genesis 1:10
- 7ונהר יוצא מעדן · Genesis 2:10
8והנה המחשבה היא ג״כ בחי׳ אותיות והם ג״כ רק בחי׳ לבושי׳ [לבושין / לבושים] לעצם החכמה כמו הדבור אלא שהוא לבוש פנימי יותר
Ora, o pensamento também é o nível das letras, e estas também são apenas vestimentas da essência de Chochmá (sabedoria), como a fala; somente, é uma vestimenta mais interior.
O pensamento também é constituído de letras: pensamos em palavras, apenas silenciosamente. Essas letras também são vestimentas que revestem a essência de Chochmá, o próprio lampejo da percepção, embora o pensamento seja uma vestimenta mais interior do que a fala.
אבל מ״מ [מכל מקום] הוא ג״כ בחי׳ לבוש והעלם לגבי עצמיות הח״ע [החכמה עילאה] ע״ד [על דרך] הנ״ל באותיות הדבור רק שאין ההעלם כמו באותיות הדבור.
Contudo, ainda assim, também é uma vestimenta e um ocultamento em relação à própria essência da Chochmá superior (Chochmá Ilaá), conforme explicado acima a respeito das letras da fala; somente, o ocultamento não é tão [grande quanto] o das letras da fala.
Assim, o pensamento também oculta a essência da Chochmá superior, como a fala, porém em menor grau. Isso prepara o ponto sobre o rio: mesmo depois que o mar é fendido, permanece um ocultamento adicional — as letras do pensamento.
O parágrafo acrescenta que o pensamento, embora mais elevado do que a fala, também é constituído de letras e, portanto, também é uma vestimenta que oculta a própria essência da Chochmá superior, apenas em menor grau do que a fala.
9ועמ״ש מענין זה בביאור ע״פ ששים המה מלכות1 גבי ענין פנימית וחיצונית וענין והניף ידו על הנהר כו׳ היינו שיהיה התגלות עצמיות עדן העליון שלא
E veja o que está escrito sobre esse assunto na explicação do versículo “Sessenta são as rainhas”, a respeito da dimensão interior e da exterior. E o sentido de “Ele agitará Sua mão sobre o rio”, etc., é que haverá uma revelação da própria essência do Éden superior; não
O Alter Rebe remete à sua explicação de “Sessenta são as rainhas” quanto aos aspectos interior e exterior. Em seguida, define a futura “agitação da mão sobre o rio”: a própria essência do Éden superior será revelada.
כמו שנמשך עכשיו בג״ע [בגן עדן] ע״י הנהר שהוא ע״י האותיות והאותיות מלבישים ומעלימים ואין זה תפיסת והשגת עצמיות בחי׳ עדן.
como é atualmente atraído ao Gan Éden por meio do rio, isto é, por meio das letras; e as letras revestem e ocultam, e isso não constitui uma apreensão e compreensão da própria essência do nível de Éden.
Hoje, o Gan Éden, o mundo das almas, recebe do Éden somente por meio do “rio”, isto é, por meio das letras do pensamento; as letras revestem e ocultam. Portanto, as almas ali não apreendem a própria essência do Éden.
O parágrafo define a futura divisão do rio: ela revelará a própria essência do Éden superior, que mesmo agora o Gan Éden recebe somente por meio das letras ocultadoras do “rio”.
Marei mekomot
- 1ששים המה מלכות · Song of Songs 6:8
10ולכן ארז״ל [אמרו רבותינו זכרונם לברכה] ספ״ה דברכות1 שעל עדן נאמר עין לא ראתה2 ושמא תאמר הוא גן הוא עדן3 תלמוד לומר ונהר יוצא מעדן להשקות את הגן.4
Portanto, nossos Sábios, de abençoada memória, disseram no fim do capítulo 5 de Berachos que, a respeito de Eden, está dito: “Olho algum viu”; e, para que não digas que o Jardim é Eden, a Escritura ensina: “E um rio sai de Eden para regar o Jardim.”
A Guemará diz que “Olho algum viu, ó D'us, exceto Tu” se refere a Eden, que jamais foi visto pelos olhos de qualquer criatura; e, para que não se pense que o Jardim e Eden são a mesma coisa, o versículo os distingue: um rio sai de Eden para regar o Jardim.
והיינו משום שאין ההמשכה בג״ע [בגן עדן] רק באמצעית האותיות דבחי׳ נהר הנ״ל שהאותיות הם מעלימים כו׳
Isso se deve ao fato de que a emanação para o Gan Eden ocorre somente por intermédio das letras do nível do “rio” mencionado acima, e as letras ocultam etc.,
Por isso Eden permanece invisível até mesmo para as almas no Jardim: o Jardim é regado somente pelo “rio”, as letras do pensamento, e as letras ocultam.
והגילוי הוא רק הארה בעלמא אבל ע״י והניף ידו על הנהר כו׳ יבואו לגילוי בחי׳ עדן ממש
e a revelação é apenas um mero raio. Mas, por meio de “Ele agitará a mão sobre o rio” etc., elas chegarão à revelação do próprio nível de Eden.
O que chega agora ao Gan Eden é apenas um vislumbre. Quando D'us “agitar a mão sobre o rio”, as almas chegarão à revelação do próprio Eden.
וזהו פי׳ אראנו נפלאות5 אראנו דייקא בבחי׳ ראיה ממש שלמעלה מבחי׳ שמיעה והבנה שהיא ע״י אותיות לכן אינו דומה כלל שמיעה6 לראיה.
Este é o significado de “Eu lhe mostrarei maravilhas”: “Eu lhe mostrarei” especificamente, no nível da visão real, que está acima do nível da audição e do entendimento, que se dão por meio das letras. Portanto, a audição não se compara de modo algum à visão.
A profecia de Michá sobre o Futuro diz “Eu lhe mostrarei maravilhas”, usando a linguagem da visão. A audição e o entendimento se dão por meio das letras, mas a visão apreende a própria coisa; como dizem nossos Sábios, a audição não se compara à visão.
O parágrafo explica por que Eden é “invisível” mesmo no Gan Eden: o Jardim recebe somente por meio do rio das letras, que ocultam; no Futuro, quando o rio for golpeado, o próprio Eden será revelado, e por isso essa revelação é descrita como visão, que supera a audição.
A nota da Kehot cita a Mechilta sobre Yisro (19:9) e o Lekach Tov sobre Shelach a respeito da afirmação de que a audição não se compara à visão.
Marei mekomot
- 1ספ״ה דברכות · לד, ב.
- 2עין לא ראתה יעשה למחכה לו · Isaiah 64:3
- 3
- 4ונהר יוצא מעדן להשקות את הגן · Genesis 2:10
- 5אראנו נפלאות · Micah 7:15
- 6אינו דומה כלל שמיעה לראי׳ · ראה מכילתא יתרו יט, ט. לקח טוב שלח יג, יח.
11וענין ראיה זו בבחי׳ חכמה עצמה ממש יובן ע״ד [על דרך] מ״ש בפע״ח [בפרי עץ חיים] שער ק״ש [קריאת שמע] שעל המטה פ״א
Esta visão, no próprio nível de Chochmá, será compreendida à luz do que está escrito em Pri Etz Chaim, Shaar Kriat Shemá she’al hamitá, capítulo 1,
O Alter Rebe ilustra essa “visão” da própria Chochmá com uma história sobre o Arizal, registrada em Pri Etz Chaim, no capítulo sobre o Shemá recitado antes de dormir.
גבי האריז״ל [האר״י זכרונו לברכה] שבשעת השינה ביום השבת שמע בישיבה של מעלה בפ׳ בלק ובלעם דברים נפלאים מה שלא יכול לפרשם בשמונים שנים רצופים.
a respeito do Arizal, de abençoada memória: enquanto dormia durante o dia de Shabat, ouviu, na Academia Celestial, acerca da porção de Balak e Bilam, coisas maravilhosas que não poderia explicar em oitenta anos consecutivos.
Durante seu sono de Shabat, o Arizal ouviu, na Academia Celestial, ensinamentos maravilhosos sobre a porção de Balak e Bilam; ele disse que não poderia explicá-los nem em oitenta anos de fala contínua.
וזה תמוה לכאורה איך יכול לתפוס במחשבתו בשעה א׳ מה שצריך לומר בדבור פ׳ שנה עם היות
À primeira vista, isso causa espanto: como poderia ele apreender em seu pensamento, numa hora, aquilo que precisaria de oitenta anos para ser dito em palavras? Mesmo admitindo
Isso parece impossível: como poderia ele assimilar, numa hora de pensamento, aquilo que levaria oitenta anos para ser expresso em palavras?
שהאותיות המחשבה נק׳ אתוון רברבין1 לפי שבמחשבה משיג במעט זמן מה שצריך ע״ז [על זה] בדבור זמן רב ועיין בזח״ב [בזהר חלק ב׳] תרומה דקל״ב א׳
que as letras do pensamento são chamadas “letras grandes” (atvan ravrevan), pois no pensamento se apreende em pouco tempo o que exige muito tempo na fala; veja também o Zohar, Parte II, Terumá, fólio 132a
É verdade que as letras do pensamento são chamadas “letras grandes”, pois o pensamento apreende rapidamente aquilo que a fala transmite lentamente. O Zohar sobre Terumá trata dessas “letras grandes”.
(שלכך בשבת אומרים א״ב [אל״ף בי״ת] אל אדון כו׳ שכל אות יש בו ד׳ או ה׳ תיבות כו׳ לפי שא״ב [שאל״ף בי״ת] זה הוא מבחי׳ אתוון רברבין כו׳ דהיינו מחשבה כו׳)
(por isso, em Shabat, recitamos o alef-bet de “Kel Adon” etc., no qual cada letra tem quatro ou cinco palavras etc., pois esse alef-bet pertence ao nível das “letras grandes” etc., isto é, ao pensamento etc.);
Por isso, o cântico de Shabat Kel Adon, organizado segundo o alef-bet, dá a cada letra quatro ou cinco palavras, enquanto a versão dos dias da semana dá uma única palavra a cada letra: Shabat corresponde ao nível do pensamento, das “letras grandes”, em que cada letra contém mais.
מ״מ [מכל מקום] היינו שמשיג במחשבה ברבע שעה2 מה שצריך לדבר שעה או שתים. אבל שישיג במחשבה בשעה א׳ מה שצריך לומר ס׳ או פ׳ שנה3 זהו נמנע.
todavia, isso significa que no pensamento se apreende em quinze minutos o que levaria uma ou duas horas para dizer. Mas apreender em pensamento, numa hora, aquilo que levaria sessenta ou oitenta anos para dizer é impossível.
Isso, porém, explica apenas uma proporção modesta: quinze minutos de pensamento para uma ou duas horas de fala. Compreender em uma hora o que levaria sessenta ou oitenta anos de fala é impossível.
אבל הענין הוא שהשגתו היה בבחי׳ ראיה דהיינו ראיית עצמיות החכמה ולא כמו שמתלבשת בבינה והשגה בבחי׳ אותיות והיא למעלה מעלה מבחי׳ השכל
A explicação, porém, é que sua apreensão se deu no nível da visão, isto é, da visão da própria essência de Chochmá, e não tal como ela se reveste em Biná e na compreensão, sob a forma de letras. Isso está muito, muito acima do nível do intelecto
A resposta é que a apreensão do Arizal não foi pensamento, mas “visão”: ele viu a própria essência de Chochmá, antes de ela se revestir em Biná, na compreensão e nas letras.
כמו שמלובש בהשגה ואותיות עד שיתכן שמה שמשיג בבחי׳ ראיית החכמה בשעה ושתים כשירצה להלבישה באותיות יצטרך ע״ז [על זה] זמן ס׳ או פ׳ שנה וכענין השתלשלות הזמן מלמעלה מהזמן דאלף שנה בעיניך4 כיום אתמול כו׳
tal como ele se reveste na compreensão e nas letras; a ponto de ser possível que aquilo que se apreende pelo nível da visão de Chochmá em uma ou duas horas exija sessenta ou oitenta anos para ser revestido em letras. É como a descida do tempo a partir do que está acima do tempo, [como em] “Pois mil anos, aos Teus olhos, são como o dia de ontem” etc.
A Chochmá em si está muito acima do intelecto tal como este se reveste em letras; assim, aquilo que se vê em uma hora pode exigir uma vida inteira para ser posto em palavras. Isso se assemelha à maneira como o próprio tempo desce daquilo que está acima do tempo: “Mil anos, aos Teus olhos, são como o dia de ontem.”
ועד״ז [ועל דרך זה] ביקש משה אעברה נא ואראה5 את הארץ כי במשה כתיב וירא ראשית לו67 ורצה משה להמשיך בחינה זו בכנ״י [בכנסת ישראל] שנקראת ארץ חפץ8 ולא פעל
Da mesma maneira, Moshe pediu: “Deixa-me atravessar, por favor, e ver a terra”, pois sobre Moshe está escrito: “E ele viu a primeira [porção] para si”; e Moshe queria atrair esse nível para a Comunidade de Israel (Knesset Yisrael), que é chamada “uma terra de deleite”, mas não conseguiu.
O pedido de Moshe para entrar na Terra era dessa natureza. Moshe possuía a visão de Chochmá, pois “viu a primeira [porção]”, reishit, um nome para Chochmá; ele queria atrair essa visão para a Comunidade de Israel, chamada “uma terra de deleite”, mas D'us não permitiu.
ולכן נאמר ועתה ישראל שמע9 כו׳ כ״א [כי אם] לעתיד יהיה גילוי בחי׳ זו בכנס״י [בכנסת ישראל] ע״י משיח
Por isso está dito: “E agora, Israel, ouve”, etc.; mas somente no Futuro haverá a revelação desse nível na Comunidade de Israel, por meio de Mashiach.
Assim, Moshe disse a Israel: “E agora, Israel, ouve”: em seu tempo, eles podiam apenas ouvir, não ver. Somente no Futuro Mashiach revelará esse nível de visão a toda a Comunidade de Israel.
(וע׳ [ועיין] בזח״ג [בזהר חלק ג] ואתחנן דר״ס ע״ב ע״פ אתה החלות1011 כו׳ ועמ״ש מזה ג״כ בביאור ע״פ והניף הכהן12 אותם על לחם הביכורים13 בסופו) ועל דרך גילוי זה הוא שיהיה גילוי טעמי המצות לע״ל [לעתיד לבוא]
(E veja o Zohar, Parte III, Va’eschanan, fólio 260b, sobre o versículo “Começaste”, etc.; e veja também o que está escrito a respeito disso na explicação do versículo “E o kohen os moverá junto com o pão dos primeiros frutos”, no final). E é segundo essa modalidade de revelação que haverá, no Tempo Vindouro, a revelação das razões das mitsvot.
No Zohar, sobre “Começaste a mostrar a Teu servo”, Moshe é “o começo” e o Rei Mashiach, “o fim”, a conclusão. Da mesma maneira de visão, as razões das mitsvot serão reveladas no Tempo Vindouro.
ולכן נאמר ע״ז [על זה] עין לא ראתה כו׳ יעשה למחכה לו14 וע׳ [ועיין] זהר פ׳ ואתחנן דף רס״ז ע״ב יעשה מאן15 כו׳
Por isso se diz a respeito disso: “Olho algum viu”, etc., “[o que] Ele fará por aquele que O espera”. E veja o Zohar, Parshas Va’eschanan, fólio 267b: “‘Ele fará’: quem?”, etc.
É por isso que a recompensa do Futuro é chamada “aquilo que olho algum viu”. O Zohar pergunta quem é que “fará” isso e responde que é o Atik oculto, o nível mais elevado, do qual tudo depende.
וזה הוא שילמוד משיח.16 וע״ז [ועל זה] נאמר הנה ישכיל עבדי17 כו׳ שיש בבחי׳ זו ג״כ עליות לאין קץ כו׳:1819
E isso é o que Mashiach ensinará. E a respeito disso está dito: “Eis que Meu servo será sábio”, etc., pois também nesse nível há ascensões sem fim, etc.
Essa visão de Chochmá é o que Mashiach ensinará, e a respeito dela Isaías diz: “Eis que Meu servo será sábio”. Mesmo nesse nível há ascensões sem fim.
O parágrafo explica a futura “visão” por meio do sonho do Arizal: aquilo que ele apreendeu em uma hora levaria oitenta anos para ser dito, algo que nenhuma rapidez do pensamento pode explicar; portanto, deve ter sido uma visão da essência de Chochmá, acima das letras. Moshe procurou trazer essa visão ao povo de Israel, mas não conseguiu; Mashiach a revelará, juntamente com as razões das mitsvot.
Uma nota de Kehot registra uma declaração ouvida do Tsêmach Tsêdek: em seis minutos de pensamento, apreende-se aquilo que leva uma hora para ser dito; um chassid que estava presente relacionou isso à Mishná: o mundo foi criado por dez pronunciamentos, embora um só pudesse ter bastado, portanto um pronunciamento contém dez. Outra nota, de Likkutei Sichos, explica que na visão se vê toda a questão de uma só vez, em seu aspecto geral e em todos os seus detalhes.
Marei mekomot
- 1אתוון רברבין · Zohar, Terumah 10:97–106
- 2ברבע שעה · וכפי ששמעתי מכאאמו״ר נ״ע ששמע מרבו אדמו״ר הצ״צ נבג״מ במחשבה ששה מינוט מה שצריך לדבר ע״ז שעה א׳ ואמר ע״ז רבי הרה״ח ר׳ נטע ממאנעסטרישצישנא שהי׳ שם ג״כ שהמקור לדה״ק מהמשנה דפ״ה דאבות בעשרה מאמרות נבה״ע והלא במאמר א׳ יכול כו׳ נמצא כי מאמר א׳ כולל עשרה. ודפח״ח. [כ].
- 3ס׳ או פ׳ שנה · ראה סה״מ תש״א ע׳ 133.
- 4אלף שנה בעיניך · Psalms 90:4
- 5אעברה נא ואראה · Deuteronomy 3:25
- 6וירא ראשית לו · שם לג, כא.
- 7וירא ראשית לו · Deuteronomy 33:21
- 8ארץ חפץ · Malachi 3:12
- 9ועתה ישראל שמע · Deuteronomy 4:1
- 10אתה החלות · Deuteronomy 3:24
- 11אתה החלות · Zohar, Vaetchanan 2:9–4:17
- 12בביאור ע״פ והניף הכהן · ראה לקמן אמור טל, ג.
- 13והניף הכהן אותם על לחם הביכורים · Leviticus 23:20
- 14עין לא ראתה כו׳ יעשה למחכה לו · Isaiah 64:3
- 15יעשה מאן · Zohar, Vaetchanan 21:142–23:151
- 16וזה הוא שילמוד משיח · שיהי׳ באופן של ראי׳ (לקו״ת צו יז, א-ב. שער האמונה פ״ט. סד״ה וידבר אלקים (השני) תרצ״ט, ועוד), שבראי׳ רואה בבת אחת את כל הדבר כולו, בכללותו ובכל פרטיו (ראה ש׳ האמונה שם פנ״ט) — ראה לקו״ש חכ״א ע׳ 37 הערה 64.
- 17הנה ישכיל עבדי · Isaiah 52:13
- 18בשמונים שנה · ועל״ק שמיני ד״ה לויתן (יח, ג) ובי׳ ואתחנן ספ״א (ג, ג) וד״ה ביום השמע״צ כנישין פ״ד (פה, ד). וע׳ ריש ביאור תורה צוה בפ׳ ברכה (צה, ב) וסוף ביאור והניף בפ׳ אמור (טל, ג). [כ]. וראה בארוכה בסה״מ על פרשיות שם. סה״מ תקס״ד ע׳ שכט בהע׳ לע׳ רג.
- 19האבות הן הן המרכבה · Bereshit Rabbah 47:6
Sete canais: os Patriarcas e as Matriarcas ¶12–14
12ג ומעתה יובן ג״כ מה שנאמר והכהו לשבעה נחלים כנגד ג׳ אבות וד׳ אמהות. כי
3. Com isso também se compreenderá o que está dito: “E Ele o dividirá em sete riachos”, correspondentes aos três Patriarcas e às quatro Matriarcas. Pois
A terceira seção explica os “sete riachos”: eles correspondem aos três Patriarcas, Avraham, Yitzchak e Yaakov, e às quatro Matriarcas, Sarah, Rivkah, Rachel e Leah. Assim como o mar se abriu em doze caminhos para as doze tribos, o rio se dividirá em sete para os Patriarcas e as Matriarcas.
הנה הי״ב שבטים הם בבריאה ונק׳ מרכבתא תתאה. אבל האבות הן הן המרכבה1 היינו מרכבתא עילאה דאצי׳ [דאצילות] והיינו שהם חג״ת [חסד גבורה תפארת] דאצי׳ [דאצילות]
as doze tribos estão em Beriá e são chamadas de “a carruagem inferior” (merkavtá tataá). Mas “os Patriarcas são eles próprios a carruagem”, isto é, a carruagem superior (merkavtá ilaá) de Atsilut; ou seja, eles são Chessed, Guevurá e Tiféret de Atsilut
As tribos, em Beriá, são “a carruagem inferior”: como uma carruagem, conduzem a vontade de D'us sem vontade própria. Os Patriarcas são “a carruagem superior”, em Atsilut: correspondem a Chessed, Guevurá e Tiféret de Atsilut — o amor de Avraham, o temor de Yitzchak e a compaixão de Yaakov.
(וכמ״ש במ״א בד״ה ענין האבות הן הן המרכבה2 כו׳. ע״ש [עיין שם]. וכן האמהות הם באצי׳ [באצילות]. ועמ״ש ע״פ וישכם לבן34 בענין האבות והשבטים ובפ׳ במדבר סד״ה וידבר כו׳ שאו5 כו׳ למשפחותם לבית אבותם6 ע״ש [עיין שם]).
(como é explicado em outro lugar, no maamar que começa com “O significado de ‘os Patriarcas são eles próprios a carruagem’”, etc.; veja lá. E igualmente as Matriarcas estão em Atsilut. E veja o que está escrito sobre o versículo “E Lavan se levantou cedo”, a respeito dos Patriarcas e das tribos; e em Parshat Bamidbar, no final do maamar que começa com “E [D'us] falou”, etc., “Façam a contagem”, etc., “segundo suas famílias, segundo a casa de seus pais”; veja lá.)
O parêntese indica onde isso é explicado: no maamar de Torah Ohr sobre “Os Patriarcas são eles próprios a carruagem”, no maamar sobre “E Lavan se levantou cedo”, a respeito dos Patriarcas e das tribos, e no final do maamar de Bamidbar sobre o censo “segundo a casa de seus pais”. Acrescenta que as Matriarcas também estão em Atsilut.
והנה כמו שהשבטים עם היות שהן עצמן בבריאה עכ״ז [עם כל זה] יש להן שרש ומקור באצילות שלמעלה מהבריאה. אלא דשם הוא רק שרשן ומקורן לבד.
Ora, assim como as tribos, embora elas próprias estejam em Beriá, têm, não obstante, uma raiz e uma fonte em Atsilut, que está acima de Beriá — só que ali se encontram apenas sua raiz e sua fonte,
As tribos têm uma raiz em Atsilut, mas ali há apenas uma raiz. Sua própria existência está em Beriá.
אבל הן עצמן בבריאה וכמאמר נשמה שנתת בי טהורה היא78 ואח״כ [ואחר כך] אתה בראתה יש מאין ואין ערוך הבריאה לגבי אצי׳ [אצילות]
elas próprias, porém, estão em Beriá, como na afirmação: “A alma que colocaste em mim é pura”; e depois, “Tu a criaste”, como algo a partir do nada (yesh me’ayin), e a criação não tem comparação com Atsilut;
Isso se assemelha à bênção matinal: “A alma que colocaste em mim é pura”, tal como se encontra em sua raiz, e então “Tu a criaste”, como um ser criado, algo a partir do nada. Um ser criado não tem comparação com Atsilut.
ולכן כדי שיתחברו הן עצמן עם שרשן ממש שיהיה גילוי האצי׳ [האצילות] ממש בהם זהו דייקא ע״י קי״ס [קריעת ים סוף] ולכן נקרע לי״ב גזרים כנ״ל.
portanto, para que elas próprias se unam à sua verdadeira raiz, de modo que a própria revelação de Atsilut se manifeste nelas, isso ocorre especificamente por meio da abertura do Mar dos Juncos; por isso ele se abriu em doze partes, como mencionado acima.
Para que as próprias tribos se unissem à sua raiz, com Atsilut revelado nelas, foi necessário que o mar se abrisse. Por isso ele se abriu em doze partes, um caminho para cada tribo.
וכך הוא בענין האבות שהן עצמן בז״ת [בז׳ תחתונות] דאצילות אבל שרשן ומקורן כתיב בעבר הנהר ישבו אבותיכם9 כו׳ כי ז״א [זעיר אנפין] בעתיקא אחיד ותליא10 (ועמ״ש בביאור ע״פ אם בחקתי תלכו).1112
Assim também é com os Patriarcas: eles próprios estão nas sete [Sefirot] inferiores de Atsilut, mas, quanto à sua raiz e fonte, está escrito: “Além do rio habitaram vossos pais”, etc.; pois Zeir Anpin está ligado a Atiká e depende dela (e veja o que está escrito na explicação do versículo “Se caminhardes em Meus estatutos”).
Os Patriarcas encontram-se num nível superior: eles próprios estão nas sete Sefirot inferiores de Atsilut, mas sua raiz está “além do rio”, acima de Biná, em Atik, a dimensão interior de Kéter. Pois Zeir Anpin, os atributos emocionais, está ligado a Atiká e depende dela.
אלא דהיינו ששרשן משם אבל מ״מ [מכל מקום] הן עצמן בז״ת [בז׳ תחתונות] דאצי׳ [דאצילות]. ועמ״ש בביאור ע״פ שימני כחותם1314 בענין רצועות דתפילין דהלמ״מ [דהלכה למשה מסיני] שיהיו שחורות15 דייקא ע״ש [עיין שם].
Apenas, isso significa que sua raiz provém dali; ainda assim, eles próprios estão nas sete [Sefirot] inferiores de Atsilut. E veja o que está escrito na explicação do versículo “Põe-me como um selo”, a respeito das correias dos tefilin, que, por uma lei transmitida a Moshe no Sinai, devem ser especificamente pretas; veja lá.
Sua raiz está lá, mas eles próprios permanecem nos atributos emocionais de Atsilut. O Alter Rebe também remete à sua explicação de “Põe-me como um selo”, na qual as correias pretas dos tefilin, exigidas por uma lei transmitida a Moshe no Sinai, são explicadas como provenientes de uma raiz tão elevada que só pode descer na cor preta.
אכן לעתיד ע״י והניף ידו על הנהר כו׳ אזי יתעלו האבות והאמהות להיות בהן הגילוי שלמעלה מאצי׳ [מאצילות] בחי׳ בעבר הנהר כו׳ והיינו בחי׳ ז״ת [ז׳ תחתונות] דע״י [דעתיק יומין].16
Contudo, no Futuro, por meio de “E Ele agitará Sua mão sobre o rio”, etc., os Patriarcas e as Matriarcas serão elevados, de modo que neles haverá a revelação que está acima de Atsilut, o nível de “além do rio”, etc.; isto é, o nível das sete [Sefirot] inferiores de Atik Yomin.
No Futuro, quando D'us “agitar Sua mão sobre o rio”, os Patriarcas e as Matriarcas serão elevados à sua raiz. A luz acima de Atsilut, “além do rio”, as sete Sefirot inferiores de Atik Yomin, será então revelada neles.
ולכן והכהו לז׳ נחלים שגם כל ישראל יקבלו הגילוי זה ע״י האבות ואמהות כו׳ (ועמ״ש מזה בביאור ע״פ בהעלותך17 את הנרות כו׳ יאירו שבעת הנרות18 ובד״ה ראיתי והנה מנורת זהב19 כולה.20
E, portanto, “E Ele o golpeará em sete riachos”: também todo Israel receberá essa revelação por meio dos Patriarcas e das Matriarcas, etc. (e veja o que está escrito a esse respeito na explicação do versículo “Quando elevares as lâmpadas”, etc., “as sete lâmpadas iluminarão”, e no discurso que começa “Vi, e eis um candelabro todo de ouro”.
Por meio deles, a revelação chegará a todo Israel: esse é o rio golpeado em sete riachos, um canal através de cada um dos sete. O trecho entre parênteses remete às explicações das sete lâmpadas da menorá, que representam os sete pastores que fazem descer a Divindade a todo Israel.
ועמ״ש בפ׳ וישלח ע״פ ויעבר את מעבר יבק2122 כו׳ ע״ש [עיין שם]) והנה עי״ז יוכל להיות אח״כ [אחר כך] התגלות פנימית התורה טעמי תורה שהוא התגלות מוחא סתימאה.
E veja o que está escrito na Parashá Vayishlach, sobre o versículo “E ele atravessou o vau do Yabbok”, etc.; veja lá.) Ora, por meio disso poderá ocorrer, posteriormente, a revelação da dimensão interior da Torá, os motivos da Torá, que é a revelação de Mocha Stima’ah (o cérebro oculto).
Em Torah Ohr, sobre Vayishlach, a travessia do Yabbok por Yaakov é explicada em termos semelhantes, com a raiz dos Patriarcas “além do rio”. Por meio dessa revelação, serão revelados a dimensão interior da Torá e os motivos da Torá; trata-se da revelação de Mocha Stima’ah, a Chochmá oculta de Arich Anpin.
משא״כ תורה הנגלית היא מחב״ד [מחכמה בינה ודעת] דז״א [דזעיר אנפין]. (ועמ״ש סד״ה אני23 ה׳ אלקיכם דפ׳ ציצית בענין בתורת ה׳ חפצו ובתורתו24 כו׳ ע״ש [עיין שם]).
Ao passo que a Torá revelada provém de Chochmá, Biná e Daat de Zeir Anpin. (E veja o que está escrito no final do discurso que começa “Eu sou D'us, seu D'us”, da seção de tsitsit, a respeito de “seu desejo está na Torá de D'us, e em sua Torá”, etc.; veja lá.)
Em contraste, a Torá revelada provém do intelecto de Zeir Anpin, um nível inferior. O trecho entre parênteses remete a um discurso sobre “Eu sou D'us, seu D'us”, ao final da seção de tsitsit, a respeito do versículo “seu desejo está na Torá de D'us”.
ולכן כדי להיות גילוי זה צ״ל [צריך להיות / צריך לומר / צריך להבין] ע״י שיעברו ביבשה את הנהר הנ״ל ואז יתגלה מה שלמעלה מאצי׳ [מאצילות] דהיינו מו״ס [מוחא סתימאה] בבי״ע [בבריאה יצירה עשיה] ממש.
Portanto, para que essa revelação ocorra, é necessário que se atravesse em terra seca o rio mencionado acima; então, o que está acima de Atsilut, isto é, Mocha Stima’ah, será revelado nos próprios mundos de Beriá, Yetsirá e Assiá.
Assim, para que a dimensão interior seja revelada, é necessário atravessar o rio em terra seca, como o mar foi atravessado no Êxodo. Então, o nível acima de Atsilut, Mocha Stima’ah, será revelado até mesmo nos mundos inferiores.
E veja o que está escrito a respeito dessa revelação na explicação do versículo “Pois assim como os novos céus”, mencionado acima, e na explicação do versículo “Pois sobre toda a glória haverá um dossel”.
O Alter Rebe remete a mais duas explicações dessa revelação futura: sobre “Pois assim como os novos céus” e sobre “Pois sobre toda a glória haverá um dossel”.
O parágrafo explica os sete riachos como os três Patriarcas e as quatro Matriarcas: assim como as tribos, em Beriá, foram unidas à sua raiz em Atsilut pelos doze caminhos do mar, também, no Futuro, os Patriarcas e as Matriarcas, em Atsilut, serão unidos à sua raiz acima de Atsilut, “além do rio”; por meio deles, essa revelação — a dimensão interior da Torá proveniente de Mocha Stimaá — alcançará todo Israel.
A passagem elucidada em Torah Ohr sobre Vayishlach afirma isso explicitamente: o rio é Biná, a raiz dos Patriarcas está “além do rio”, em Kéter, e dali eles foram atraídos para o outro lado do rio, Zeir Anpin de Atsilut. A passagem em Nitsavim acrescenta que os Patriarcas têm sua raiz em Chessed, Guevurá e Tiféret de Atik, a fonte da luz atraída pelos treze tikkunei dikná.
Marei mekomot
- 1האבות הן הן המרכבה · Bereshit Rabbah 47:6
- 2בד״ה ענין האבות הן הן המרכבה · תו״א עב, ד ואילך.
- 3ע״פ וישכם לבן · תו״א כג, ד.
- 4וישכם לבן · Genesis 32:1
- 5סד״ה וידבר כו׳ שאו · לקו״ת במדבר ג, א.
- 6שאו כו׳ למשפחותם לבית אבותם · Numbers 1:2
- 7נשמה שנתת בי טהורה היא · ברכת אלקי נשמה.
- 8נשמה שנתת בי טהורה היא · Berakhot 60b:4
- 9בעבר הנהר ישבו אבותיכם · Joshua 24:2
- 10ז״א בעתיקא אחיד ותליא · Zohar III, 291a
- 11בביאור ע״פ אם בחקתי תלכו · לקו״ת בחקותי מז, א.
- 12אם בחקתי תלכו · Leviticus 26:3
- 13בביאור שימני כחותם · לקו״ת שה״ש מו, ד.
- 14שימני כחותם · Song of Songs 8:6
- 15רצונות דתפלין דהלמ״מ שיהיו שחורות · Menachot 35a:6–7
- 16הנהר — בחי׳ ז״ת דע״י · ראה לקמן נצבים נג, א. זאת הברכה צו, ג. וצ״ע דבפרשת נצבים מציין לד״ה אם בחוקותי — ספר הערכים-חב״ד א׳ טור יט הערה י.
- 17בביאור ע״פ בהעלותך · לקו״ת בהעלותך לא, ב.
- 18בהעלותך את הנרות כו׳ יאירו שבעת הנרות · Numbers 8:2
- 19ובד״ה ראיתי והנה מנורת זהב · לקו״ת בהעלותך לג, ב.
- 20ראיתי והנה מנורת זהב כולה · Zechariah 4:2
- 21ע״פ ויעבר את מעבר יבק · תו״א כה, א.
- 22ויעבר את מעבר יבק · Genesis 32:23
- 23סד״ה אני ה׳ אלקיכם · לקו״ת שלח מט, ב.
- 24בתורת ה׳ חפצו ובתורתו · Psalms 1:2
- 25כי כאשר השמים החדשים · Isaiah 66:22
- 26ובביאור ע״פ כי על כל כבוד חופה · לקו״ת שה״ש מח, א.
- 27כי על כל כבוד חופה · Isaiah 4:5
13ויש לומר ג״כ ע״פ מ״ש הרמ״ז [הרב משה זכות] פ׳ בראשית1 דף ד׳ סע״ב [סוף עמוד ב] וז״ל [וזה לשונו] נודע כי פרדס מתקן אבי״ע [אצילות בריאה יצירה עשיה] סוד מתקן אצילות פשט רמז דרוש מתקן בי״ע [בריאה יצירה עשיה] כו׳
Também se pode explicar [isso] de acordo com o que escreveu o Ramaz em Parashat Bereshit, fólio 4, fim do lado b; estas são suas palavras: “É sabido que PaRDeS retifica Atsilut, Beriá, Yetsirá e Assiá: sod (o segredo) retifica Atsilut; peshat, remez e derush (o sentido simples, a alusão e a exposição) retificam Beriá, Yetsirá e Assiá”, etc.,
O Ramaz descreve os quatro níveis de interpretação da Torá, PaRDeS, como retificando os quatro mundos: sod, o segredo, retifica Atsilut, enquanto peshat, remez e derush, o sentido simples, a alusão e a exposição, retificam os três mundos inferiores, Beriá, Yetsirá e Assiá.
שהם עולם הפירוד כו׳ עכ״ל [עד כאן לשונו] ופי׳ מתקן בי״ע [בריאה יצירה עשיה] שלא יהיו בבחי׳ פירוד אלא שיהיו ג״כ בבחינת ביטול כמו באצילות.
“que são o mundo da separação”, etc.; fim da citação. E o significado de “retifica Beriá, Yetsirá e Assiá” é que não estejam num estado de separação, mas que também estejam num estado de autoanulação (bitul), como em Atsilut.
Os mundos inferiores são “o mundo da separação”, onde cada coisa se sente separada. Sua retificação consiste em se anularem perante D'us, como Atsilut.
וגילוי תיקון זה יהיה לע״ל [לעתיד לבוא] ע״י מעשינו עכשיו שאז כל בי״ע [בריאה יצירה עשיה] יתכלל בתוך האצי׳ [האצילות] (כמ״ש הרמ״ז [הרב משה זכות] פ׳ ואתחנן שם)
E a revelação dessa retificação ocorrerá no Tempo Vindouro, por meio de nossos atos de agora; pois então toda Beriá, Yetsirá e Assiá estará incluída em Atsilut (como o Ramaz escreve em Parashat Vaetchanan, ali).
Essa retificação será revelada no Futuro, como fruto de nossos atos de agora, quando todos os mundos inferiores estarão incluídos em Atsilut. O Ramaz diz isso em seu comentário sobre Vaetchanan.
וזהו ענין ונהר יוצא מעדן להשקות את הג״ן סדרים דאורייתא2 ומשם יפרד.3 פי׳ יפרד שזהו תיקון לעולם הפירוד.
E este é o significado de “E um rio sai do Éden para regar o Jardim (haGaN)”: as cinquenta e três (GaN) porções (sedarim) da Torá; “e de lá se divide (yipared)”. O significado de “se divide” é que isso constitui uma retificação para o mundo da separação.
O versículo “um rio sai do Éden para regar o Jardim” contém uma alusão: a palavra haGaN, “o Jardim”, tem valor numérico cinquenta e três, tomado aqui como o número das porções (sedarim) da Torá. “De lá se divide”, yipared, alude à retificação do mundo da separação (pirud).
והיינו ע״י פר״ד פשט רמז דרוש4 שהם בי״ע [בריאה יצירה עשיה] שבאצילות הנמשכים מבחי׳ נהר הנ״ל והו״ע [והוא ענין] התורה שנאמר בה ולכבודי בראתיו יצרתיו5 אף עשיתיו כמש״ל [כמה שכתוב לעיל] בביאור ע״פ ולא תשבית מלח67 כו׳ ע״ש [עיין שם].
Isto é, por meio de PaRaD, peshat, remez e derush, que são Beriá, Yetsirá e Assiá dentro de Atsilut, emanadas do nível do “rio” mencionado acima; e este é o assunto da Torá, a respeito da qual foi dito: “Por Minha glória Eu a criei, Eu a formei, também Eu a fiz”, como explicado acima na explicação do versículo “E não deixarás de oferecer o sal”, etc.; veja ali.
As letras de yipared, פרד, são as iniciais de peshat, remez e derush, que são “Beriá, Yetsirá e Assiá dentro de Atsilut” e emanam do “rio”. Por meio delas, a Torá, a respeito da qual foi dito “Por Minha glória Eu a criei, Eu a formei, também Eu a fiz”, retifica os três mundos inferiores.
אך ענין תיקון עולם האצי׳ [האצילות] היינו שיאיר בו גילוי אור א״ס [אין סוף] ב״ה מפנימיות עתיק זהו ע״י פנימית התורה הנק׳ סוד הוי׳ ליראיו
Mas a retificação do Mundo de Atsilut consiste em que nele brilhe a revelação da Luz Infinita (Or Ein Sof), bendito seja Ele, proveniente da dimensão interior de Atik; isso se dá por meio da dimensão interior da Torá, chamada “o segredo de D'us é para os que O temem”.
Sod, a dimensão secreta da Torá, retifica o próprio Atsilut, fazendo brilhar nele a Luz Infinita proveniente da dimensão interior de Atik. Esta é a dimensão interior da Torá, “o segredo de D'us para os que O temem”.
ועל תיקון זה נאמר והניף ידו על הנהר שהרי בבחי׳ ונהר יוצא נאמר ומשם יפרד שהוא מקור דבי״ע [דבריאה יצירה עשיה] ותיקונם,
E a respeito dessa retificação foi dito: “E Ele moverá Sua mão sobre o rio”; pois, sobre o nível de “E um rio sai”, foi dito: “e de lá se divide”, que é a fonte de Beriá, Yetsirá e Assiá e de sua retificação;
Essa retificação superior é “E Ele moverá Sua mão sobre o rio”. O rio, fonte de “de lá se divide”, é apenas a fonte dos mundos inferiores e de sua retificação.
אבל תיקון האצילות הוא ע״י בחי׳ שלמעלה מהנהר הנ״ל וזהו והכהו לשבעה נחלים ע״ד [על דרך] ונחל עדניך תשקם8 גילוי בחי׳ עדן עצמו כו׳ והיינו כי הנהר זהו מחשבה
mas a retificação de Atsilut se dá por meio de um nível acima do rio mencionado acima. E isto é “E Ele o golpeará, transformando-o em sete correntes”, à maneira de “E do curso de Tuas delícias (adanecha) Tu lhes darás de beber”: a revelação do próprio nível de Éden, etc. Isto é, o rio é o pensamento,
Atsilut é retificado por um nível acima do rio, e isto é o golpe que transforma o rio em sete correntes: como “o curso de Tuas delícias”, adanecha, palavra relacionada a Éden, elas transmitem a revelação do próprio Éden. O rio, em contraste, é o pensamento.
והנה מודומ״ע [מחשבה דבור ומעשה] הם בי״ע [בריאה יצירה עשיה] וכמ״ש בד״ה שובה ישראל עד910 ויש מודומ״ע [מחשבה דבור ומעשה] באצי׳ [באצילות] והן בי״ע [בריאה יצירה עשיה] שבאצילות.11
E pensamento, fala e ação são Beriá, Yetsirá e Assiá, como é explicado no discurso que começa com “Retorna, ó Israel, até”; e há pensamento, fala e ação em Atsilut, que são a Beriá, a Yetsirá e a Assiá dentro de Atsilut.
Pensamento, fala e ação correspondem a Beriá, Yetsirá e Assiá, e Atsilut também possui seu próprio pensamento, fala e ação: “a Beriá, a Yetsirá e a Assiá dentro de Atsilut”. Deles emanam peshat, remez e derush.
Com base no Ramaz, o parágrafo oferece outra explicação: peshat, remez e derush, aludidos em yipared, “se divide”, emanam do rio e retificam os mundos inferiores, enquanto sod, a dimensão interior da Torá, provém de acima do rio e retifica o próprio Atsilut; essa retificação superior é o golpe futuro que transformará o rio em sete correntes.
A explicação de “E não deixarás de oferecer o sal”, à qual o texto se refere, chama de “sal” o estudo da dimensão interior da Torá: diferentemente do pão e da carne, a Torá revelada, cuja essência se apreende, o sal não tem sabor próprio, pois, por ora, sabe-se apenas que a essência interior existe, sem apreendê-la, até que a dimensão interior da Torá seja revelada no Futuro.
Marei mekomot
- 1מ״ש הרמ״ז פ׳ בראשית · מובא גם באוה״ת בראשית-א דף יא, א.
- 2הג״ן סדרים דאורייתא · Zohar I, 104b
- 3ונהר יוצא מעדן להשקות את הג״ן סדרים דאורייתא ומשם יפרד · Genesis 2:10
- 4והיינו ע״י פר״ד פשט רמז דרוש · ראה שיחת ש״פ דברים תשמ״ו.
- 5ולכבודי בראתי יצרתיו · Isaiah 43:7
- 6בביאור ע״פ ולא תשבית מלח · לעיל ה, ד.
- 7ולא תשבית מלח · Leviticus 2:13
- 8ונחל עדניך תשקם · Psalms 36:9
- 9בד״ה שובה ישראל עד · לקו״ת ש״ש סו, ב.
- 10שובה ישראל עד · Hosea 14:2
- 11סוד ה׳ ליריאיו · Psalms 25:14
14ויש עוד בחי׳ מאד עמקו מחשבותיך1 כו׳ הי ינו מודומ״ע [מחשבה דבור ומעשה] שלמעלה מהשכל ועד״ז [ועל דרך זה] יובן ענין גילוי בחי׳ שלמעלה מהנהר כו׳
E há ainda outro nível: “Teus pensamentos são muito profundos”, etc., isto é, pensamento, fala e ação que estão acima do intelecto. E, da mesma forma, será compreendida a revelação do nível que está acima do rio, etc.
Acima do pensamento, da fala e da ação comuns há um nível mais profundo: “Teus pensamentos são muito profundos” — pensamento, fala e ação que estão acima do intelecto. A revelação daquilo que está acima do rio deve ser compreendida da mesma maneira.
ופי׳ בעים רוחו יש לפרש ע״פ משארז״ל [מה שאמרו רבותינו זכרונם לברכה] ע״פ ורוח אלקים מרחפת על פני המים2 זהו רוחו של מלך המשיח34 המד״א [היך מה דאת אמר] ונחה עליו רוח5 הוי׳ (ברבות בראשית פ׳ ב׳ ור״פ תזריע)
E o significado de “com a força de Seu vento (rucho)” pode ser explicado de acordo com o que disseram nossos Sábios, de abençoada memória, sobre o versículo “E o espírito (ruach) de D'us pairava sobre a face das águas”: este é o espírito do Rei Mashiach, conforme está dito: “E o espírito de D'us repousará sobre ele” ([Midrash] Rabbah, Bereishit, seção 2, e no início de Tazria).
A expressão de Isaías “com a força de Seu vento (rucho)” é interpretada à luz do Midrash: “o espírito (ruach) de D'us pairava sobre a face das águas” é o espírito do Rei Mashiach, sobre quem se diz: “o espírito de D'us repousará sobre ele”. Assim, o vento que divide o rio é o espírito de Mashiach.
והנה במשה נאמר מן המים משיתיהו6 והוא מבחי׳ מים עליונים שמשם המשכות התורה הנגלות לנו כמים שיורדים7 מגבוה לנמוך
Ora, a respeito de Moshe está dito: “Pois eu o tirei da água”; ele é do nível das águas superiores, de onde provêm os influxos da Torá que nos é revelada, como a água que desce de um lugar alto para um lugar baixo.
Moshe recebeu seu nome de “Pois eu o tirei da água”: sua raiz está nas águas superiores, fonte da Torá revelada. A Torá é comparada à água, que flui de um lugar alto para um lugar baixo; assim, a Torá revelada desce até nós.
אך פנימיות התורה זהו בחי׳ ורוח אלקי׳ מרחפת ע״פ המים למעלה מבחי׳ מים כו׳ ועז״נ [ועל זה נאמר] והניף ידו על הנהר שהוא בחי׳ מים בעים רוחו מה שלמעלה מבחי׳ המים ועי״ז והכהו כו׳
Mas a dimensão interior da Torá corresponde ao nível de “E o espírito de D'us pairava sobre a face das águas”, acima do nível da água, etc. E a respeito disso está dito: “Ele moverá Sua mão sobre o rio”, que corresponde ao nível da água, “com a força de Seu vento (rucho)” — aquilo que está acima do nível da água; e, por meio disso, “Ele o golpeará”, etc.
A dimensão interior da Torá é o “espírito” que paira acima das águas, acima do nível da água. Assim, o rio, que é água, é golpeado “com a força de Seu vento”, um nível acima da água, e dividido em sete correntes.
וזהו נמשך ע״י התשובה שהיא ג״כ בחי׳ והרוח תשוב אל האלקים8 כמ״ש ע״פ האזינו השמים910 כו׳ ורוח אייתי רוח ואמשיך רוח להיות והניף כו׳ בעים רוחו כו׳:
E isso é atraído por meio da teshuvá (retorno), que também corresponde ao nível de “E o espírito retornará a D'us”, conforme está escrito a respeito do versículo “Escutai, ó céus”, etc.; e “um espírito traz um espírito e atrai um espírito”, para que se realize “Ele moverá”, etc., “com a força de Seu vento”, etc.
Essa revelação superior é atraída por meio da teshuvá, o retorno da alma à sua fonte: “E o espírito retornará a D'us”. Na expressão aramaica citada pelo texto, “um espírito traz um espírito”: o espírito que a pessoa eleva atrai um espírito do alto, “a força de Seu vento”.
O parágrafo explica “com a força de Seu vento”: Moshe, “tirado da água”, é a fonte da Torá revelada, que flui como água; já o espírito de Mashiach, que “pairava sobre a face das águas”, é a dimensão interior da Torá, acima da água. Esse espírito golpeará o rio, e é atraído por meio da teshuvá.
O discurso de Likkutei Torah sobre “Escutai, ó céus”, ao qual o texto se refere, explica a teshuvá como “E o espírito retornará a D'us, que o deu”: a alma, exalada por D'us como o hálito que sai da boca, tornou-se um ser separado, e a teshuvá é seu retorno à fonte. O próprio Midrash sobre “o espírito de D'us pairava” prossegue perguntando por qual mérito virá esse espírito de Mashiach, e responde a partir de “sobre a face das águas”: pelo mérito da teshuvá, que é comparada à água.
Marei mekomot
- 1מאד עמקו מחשבותיך · Psalms 92:6
- 2ורוח אלקים מרחפת על פני המים · Genesis 1:2
- 3זהו רוחו של מלך המשיח · Bereshit Rabbah 2:4
- 4זהו רוחו של מלך המשיח · Vayikra Rabbah 14:1
- 5ונחה עליו רוח הוי׳ · Isaiah 11:2
- 6מן המים משיתיהו · Exodus 2:10
- 7כמים שיורדים · Taanit 7a:8–9
- 8והרוח תשוב אל האלקים · Ecclesiastes 12:7
- 9ע״פ האזינו השמים · לקו״ת האזינו עא, ג.
- 10האזינו השמים · Deuteronomy 32:1
A compaixão e a Torá ¶15–16
15ד ולתוספת ביאור שייכות ענין והכהו לשבעה נחלים דייקא לגילוי פנימית התורה שיהיה לעתיד הענין עפמ״ש [על פי מה שכתוב] בד״ה וישכם לבן הנ״ל שמדתו של יעקב אבינו ע״ה [עליו השלום] היא בחי׳ הרחמים1 העליונים תפארת2 דאצי׳ [דאצילות]
4. Para explicar mais detalhadamente a relação entre “E Ele a golpeará em sete riachos” e, especificamente, a revelação da dimensão interior da Torá que ocorrerá no Futuro: a explicação segue o que está escrito no discurso que começa com “E Lavan levantou-se de manhã cedo”, mencionado acima: o atributo de Yaakov, nosso pai, que sua memória seja uma bênção, é o nível da compaixão suprema, Tiféret (beleza) de Atsilut;
A quarta seção explica por que a revelação da dimensão interior da Torá está ligada aos sete riachos, aos Patriarcas e às Matriarcas. Ela começa com o discurso sobre “E Lavan levantou-se de manhã cedo”: o atributo de Yaakov é a compaixão suprema, Tiféret de Atsilut.
והיינו שאפי׳ [שאפילו] על כל העולמות עליונים שייך ונופל בחי׳ רחמנות כו׳ ומדרגת השבטים יוצאי ירך יעקב הם במדרגה שלמטה ממנו
isto é, mesmo em relação a todos os mundos superiores, a compaixão se aplica e é pertinente, etc. E o grau das tribos, “aqueles que saíram dos lombos de Yaakov”, é um grau inferior ao dele;
A compaixão de Yaakov é tão elevada que se estende até mesmo aos mundos superiores, pois até eles são ínfimos em comparação com D'us. As tribos, seus filhos, encontram-se num grau abaixo do dele.
דהיינו לעורר רחמים רבים על ניצוץ אלקות השורה בנפשו איך שירדה פלאים כו׳ כי הרחמנות הוא לפי ערך הדעת כו׳ (ועמ״ש סד״ה את הכבש אחד תעשה בבוקר וגו׳ [וגומר]).
isto é, despertar grande compaixão pela centelha de divindade que habita na própria alma, considerando como ela desceu de modo tão extraordinário, etc.; pois a compaixão corresponde à medida do conhecimento (Daat), etc. (E veja o que está escrito ao final do discurso que começa com “Oferecerás um cordeiro pela manhã”, etc.)
A compaixão deles é aquela descrita no Tanya: despertar grande compaixão pela centelha de divindade na própria alma, que caiu tão longe de sua fonte. A compaixão é proporcional ao conhecimento: quanto melhor a pessoa conhece a elevada origem da alma, mais sente sua queda.
ומזה יובן למה קי״ס [קריעת ים סוף] היה לי״ב גזרים לי״ב שבטים כי עכשיו שייך רחמנות של השבטים על ירידת הנשמה בגוף כו׳
Com isso, compreender-se-á por que a abertura do Mar de Juncos ocorreu em doze partes, para as doze tribos: porque, agora, aplica-se a compaixão das tribos pela descida da alma ao corpo, etc.,
Por isso o mar se abriu em doze partes, para as doze tribos: em nossa época, a compaixão pertinente é a das tribos pela alma que desceu a um corpo.
שבעולם העשייה ההעלם וההסתר הרבה מאד משא״כ בעולמות עליונים וכנודע מענין אף עשיתיו3 כו׳ אבל לעתיד שיזדכך עולם העשייה ונגלה כבוד4 ה׳ שיהיה הגילוי בעשייה
pois no Mundo de Assiá (Ação) a ocultação e o encobrimento são muito grandes, ao contrário do que ocorre nos mundos superiores, como se sabe pelo assunto de “Também a fiz”, etc. Mas, no Futuro, quando o Mundo de Assiá for refinado e “a glória de D'us será revelada”, de modo que a revelação em Assiá seja
O mundo físico de Assiá oculta D'us mais do que qualquer outro, e por isso a descida da alma até ele exige tamanha compaixão; os mundos superiores não O ocultam tanto. No Futuro, Assiá será refinado e “a glória de D'us será revelada” nele, tal como acima.
כמו למעלה א״כ [אם כן] אז לא שייך הרחמנות זו על הירידה בעשייה יותר מהבריאה כ״א [כי אם] הרחמנות של האבות עצמן שאפילו על עולמות העליונים שייך ונופל בחי׳ רחמנות כו׳
como [é] acima, então já não se aplicará essa compaixão pela descida a Assiá mais do que pela descida a Beriá; antes, [haverá] a compaixão dos próprios Patriarcas, pois mesmo em relação aos mundos superiores a compaixão se aplica e é pertinente, etc.
Então não haverá motivo especial para a compaixão pela descida a Assiá, em vez de a Beriá. O que permanecerá será a compaixão dos próprios Patriarcas, que se estende até mesmo aos mundos superiores.
והנה כמו שבאתעדל״ת [שבאתערותא דלתתא] של רחמנות השבטים ממשיכים אתעדל״ע [אתערותא דלעילא] רחמים שלמעלה יותר דהיינו רחמים של האבות עצמן
Ora, assim como, por meio do despertar de baixo da compaixão das tribos, atrai-se um despertar do alto de uma compaixão ainda mais elevada, isto é, a compaixão dos próprios Patriarcas,
A compaixão das tribos é um despertar de baixo, uma iniciativa humana, e atrai um despertar do alto: a compaixão mais elevada dos Patriarcas.
כמו למשל השבט של אילן שכופפין אותו שאזי נמשך עי״ז גם כל האילן עצמו ועי״ז נמשך גילוי אלקות ע״י התורה ומצות והוא המשכה שע״י התורה שלפנינו המשכת חכמה עילאה כו׳
como, por exemplo, o ramo (shevet) de uma árvore que se curva para baixo; com isso, a própria árvore inteira é também puxada. E por meio disso, a revelação da divindade é atraída pela Torá e pelas mitsvot. Esta é a atração que ocorre por meio da Torá que temos diante de nós: a atração da Chochmá suprema (Chochmá Ilaá), etc.,
É como curvar um ramo de uma árvore, puxando consigo a árvore inteira; shevet significa tanto “tribo” quanto “ramo”. Assim, a compaixão das tribos atrai consigo a compaixão dos Patriarcas e, por meio dela, a divindade é atraída pela Torá e pelas mitsvot, isto é, a Chochmá suprema contida na Torá que temos.
וכמ״ש במ״א סד״ה מי מנה עפר יעקב56 שלהיות המשכת התורה הוא ע״י בחי׳ רחמים דיעקב וכדלקמן כך לע״ל [לעתיד לבוא] ע״י גילוי הרחמנות של האבות עצמן
E como é explicado em outro lugar, no final do discurso que começa com “Quem contou o pó de Yaakov”, a transmissão da Torá se dá por meio do nível da compaixão de Yaakov, como [será explicado] adiante; assim também, no Tempo Vindouro, por meio da revelação da compaixão dos próprios Patriarcas
O Alter Rebe se refere ao discurso sobre “Quem contou o pó de Yaakov”, que explica que a Torá é transmitida por meio da compaixão de Yaakov. No Tempo Vindouro, a compaixão dos próprios Patriarcas será revelada em todas as almas de Israel.
בכל נש״י [נשמות ישראל] ימשיכו עי״ז אתעדל״ע [אתערותא דלעילא] מבחי׳ רחמים גדולים דא״א [דאריך אנפין] שלמעלה גם מחג״ת [מחסד גבורה תפארת] דאצי׳ [דאצילות] וכמ״ש וברחמים גדולים אקבצך7 וכתיב וחסדי מאתך לא ימוש8 וחסדי דייקא כו׳
em todas as almas de Israel, eles atrairão, por meio disso, um despertar do alto do nível da grande compaixão de Arich Anpin, que está acima até mesmo de Chessed, Guevurá e Tiféret de Atsilut; como está escrito: “E com grande compaixão Eu te reunirei”; e está escrito: “Mas Minha bondade não se afastará de ti” — “Minha bondade” especificamente, etc.
Essa compaixão atrairá um despertar do alto de uma fonte ainda mais elevada: a “grande compaixão” de Arich Anpin, acima dos atributos de Atsilut. Isaías fala dela: “com grande compaixão Eu te reunirei” e “Minha bondade não se afastará de ti”, com ênfase em “Minha bondade”.
ועי״ז יומשך התגלות פנימית התורה שהיא בחי׳ מו״ס [מוחא סתימאה] שלמעלה מחכמה דאצילות כו׳ ועפ״ז [ועל פי זה] י״ל [יש לומר] מה שארז״ל [שאמרו רבותינו זכרונם לברכה] עץ הדעת חטה היתה.
E, por meio disso, será atraída a revelação da dimensão interior da Torá, que é o nível de Mocha Stima’ah, acima da Chochmá de Atsilut, etc. E, com base nisso, pode-se explicar o que nossos Sábios, de abençoada memória, disseram: “A Árvore do Conhecimento era trigo.”
Por meio disso, será revelada a dimensão interior da Torá, enraizada em Mocha Stima’ah, acima da Chochmá de Atsilut. A mesma ideia explica a afirmação dos Sábios de que a Árvore do Conhecimento era trigo.
O parágrafo relaciona os sete riachos à dimensão interior da Torá por meio da compaixão: a compaixão das tribos pela descida da alma ao corpo atraiu a compaixão de Yaakov e, com ela, a Torá revelada, razão pela qual o mar se abriu em doze partes; no Futuro, a compaixão dos próprios Patriarcas, revelada em cada alma, atrairá a grande compaixão de Arich Anpin e, com ela, a dimensão interior da Torá.
A passagem do Tanya citada nas notas (capítulo 45) descreve a compaixão das tribos: despertar grande compaixão diante de D'us pela centelha de divindade que dá vida à alma, a qual desceu de sua fonte, a Vida de toda vida, e está revestida na “pele da serpente”, distante da luz do semblante do Rei. O discurso sobre “Quem contou a poeira de Yaakov” explica que o estudo da Torá é como a poeira, impossível de contar, pois é a própria vontade de D'us, a unidade superior.
Marei mekomot
- 1שמדתו של יעקב . . רחמים · Tanya, Likkutei Amarim 45:1–2
- 2יעקב . . תפארת · Zohar I, 157b
- 3אף עשיתיו · Isaiah 43:7
- 4ונגלה כבוד ה׳ · Isaiah 40:5
- 5סד״ה מי מנה עפר יעקב · לקו״ת בלק סח, ב.
- 6מי מנה עפר יעקב · Numbers 23:10
- 7וברחמים גדולים אקבצך · Isaiah 54:7
- 8וחסדי מאתך לא ימוש · Isaiah 54:10
16וקשה דבמ״א מבואר דחטה היינו כ״ב אותיות התורה.1 ואיך נק׳ עץ הדעת. אך הענין כמבואר במ״א בד״ה בשעה שהקדימו2 ישראל נעשה לנשמע3 דהתשב״כ [דהתורה שבכתב] היא עץ חיים ותשבע״פ [ותורה שבעל פה] נק׳ בזהר אילנא דטו״ר [דטוב ורע].
Mas isto é difícil, pois em outro lugar se explica que “trigo” (chitá) são as vinte e duas letras da Torá; então, como pode ser chamado de Árvore do Conhecimento? A explicação, porém, é como se esclarece em outro lugar, no maamar que começa “Na ocasião em que Israel antepôs ‘faremos’ a ‘ouviremos’”: a Torá Escrita é a Árvore da Vida, enquanto a Torá Oral é chamada no Zohar de “árvore do bem e do mal”.
A dificuldade é a seguinte: em outro lugar, afirma-se que “trigo” (chitá, חטה) corresponde às vinte e duas letras da Torá, o valor numérico da palavra; como, então, a Árvore do Conhecimento pode ser trigo? A resposta encontra-se no maamar sobre Israel ter anteposto “faremos” a “ouviremos”: a Torá Escrita é a Árvore da Vida, e o Zohar chama a Torá Oral de “árvore do bem e do mal”.
ולא שהיא ח״ו [חס ושלום] עץ הדעת טו״ר [טוב ורע]. כי תשבע״פ [תורה שבעל פה] היא מל׳ [מלכות]4 דאצילות דאיהו וגרמוהי חד.
Não que ela seja, D'us não o permita, a Árvore do Conhecimento do bem e do mal, pois a Torá Oral é Malchut de Atsilut, na qual “Ele e Seus recipientes” são um.
Isso não significa que a própria Torá Oral seja bem e mal, D'us não o permita: ela é Malchut de Atsilut, inteiramente una com D'us. O Tikkunei Zohar, citado nas notas, afirma que Malchut é a “boca”, chamada de Torá Oral.
אלא ר״ל [רוצה לומר] שמתלבשת לברר עה״ד [עץ הדעת] טו״ר [טוב ורע] שהיא קליפת נוגה וכמשנ״ת [וכמו שנתבאר] באריכות באג״ה [באגרת הקודש] בד״ה ברע״מ [ברעיא מהימנא] פ׳ נשא והמשכילים יזהירו5 כו׳.
O sentido, antes, é que ela se reveste para refinar a Árvore do Conhecimento do bem e do mal, que é a kelipá nogá (a casca luminosa), conforme se explica extensamente em Iggeres HaKodesh, na carta que começa “No Raaya Mehemna, Parshas Naso: ‘E os sábios brilharão’”, etc.
Ela recebe esse nome porque trata do refinamento da Árvore do Conhecimento, a kelipá nogá, o domínio misto no qual o bem pode ser separado do mal: o que é permitido e proibido, puro e impuro. Isso é explicado extensamente em Iggeres HaKodesh 26 do Tanya.
והנה גם בתשב״כ [בתורה שבכתב] כתיב בשברי לכם מטה לחם.6 מטה לחם הוא עץ חיים ובשבירת לוחות ראשונות נשתלשלה ונתלבשה בדברים גשמיים כו׳
Ora, também a respeito da Torá Escrita está escrito: “Quando Eu quebrar para vós o cajado do pão.” “O cajado do pão” é a Árvore da Vida; com a quebra das primeiras Tábuas, ela desceu e se revestiu de assuntos materiais, etc.
A Torá Escrita também desceu: “Quando Eu quebrar para vós o cajado do pão” alude à quebra das primeiras Tábuas, após a qual a Torá, a Árvore da Vida, desceu e se revestiu de assuntos materiais.
(כמ״ש במ״א ע״פ זה בפ׳ בחקותי).7 והיינו שהרי כל התשבע״פ [התורה שבעל פה] מקבל מתשב״כ [מתורה שבכתב] והיא ביאור ופי׳ התשב״כ [התורה שבכתב].
(conforme explicado em outro lugar sobre este versículo, em Parshas Bechukosai). Isto é, toda a Torá Oral recebe da Torá Escrita, e é sua explicação e comentário.
Isso é explicado em Likkutei Torah sobre Bechukosai. A Torá Escrita desceu porque a Torá Oral, que trata de assuntos materiais, recebe dela e é sua explicação.
ולכן אדה״ר [אדם הראשון] לפני החטא היה למעלה מבחינה זו דבירור עה״ד [עץ הדעת] טו״ר [טוב ורע] כמ״ש בספר הגלגולים פי״ט שאדה״ר [שאדם הראשון] לפני החטא היה בחינה זו דמשיח ולמעלה ממדרגת משה (ועמ״ש ע״פ הן האדם8 היה כאחד ממנו9 כו׳)
Portanto, Adam, o primeiro homem, antes do pecado, estava acima deste nível de refinamento da Árvore do Conhecimento do bem e do mal, conforme está escrito em Sefer HaGilgulim, capítulo 19: antes do pecado, Adam encontrava-se no nível de Mashiach e acima do grau de Moshe (e veja o que está escrito sobre o versículo “Eis que o homem se tornou como um de nós”, etc.).
Antes do pecado, Adam estava acima de todo esse trabalho de separar o bem do mal. Sefer HaGilgulim afirma que, antes do pecado, Adam possuía o nível de Mashiach, acima de Moshe.
והנה מדור שלו היה בג״ע [בגן עדן] אשר ונהר יוצא מעדן10 כו׳ והיינו להמשיך בחי׳ עדן עצמו
Ora, sua morada era no Gan Eden, sobre o qual [está escrito]: “E um rio sai do Eden”, etc.; isto é, para fazer descer o nível do próprio Eden;
Sua morada era o Gan Eden, regado pelo rio que sai do Eden; isto é, fazia descer o próprio Eden.
והוא פנימית התורה שיתגלה לע״ל [לעתיד לבוא] ע״י משיח אשר זהו למעלה מבחי׳ אותיות כנ״ל בענין והניף ידו על הנהר כו׳. ומכ״ז [ומכל זה] יובן ג״כ ענין תנופת שתי הלחם ע״ג [על גבי] שני הכבשים11 בחג השבועות.
e este é a dimensão interior da Torá, que será revelada no Futuro Vindouro por meio de Mashiach e que está acima do nível das letras, conforme [explicado] acima a respeito de “E Ele moverá Sua mão sobre o rio”, etc. De tudo isso também se compreenderá o sentido da ondulação dos dois pães sobre os dois cordeiros na festa de Shavuot.
Eden é a dimensão interior da Torá, acima das letras, que Mashiach revelará quando D'us “mover Sua mão sobre o rio”. Tudo isso também explica a oferenda de Shavuot: os dois pães ondulados sobre os dois cordeiros.
כי שתי הלחם היינו תשב״כ [תורה שבכתב] ותשבע״פ [ותורה שבעל פה]12 והכבשים הם בחי׳ רחמים מדתו של יעקב שע״י המשכת רחמים אלו ממשיכים גילוי התורה
Pois os dois pães são a Torá Escrita e a Torá Oral, e os cordeiros são o nível da compaixão, o atributo de Yaakov; pois, por meio da extensão dessa compaixão, estende-se a revelação da Torá,
Os dois pães são a Torá Escrita e a Torá Oral, e os dois cordeiros são a compaixão, atributo de Yaakov. Estender essa compaixão estende a revelação da Torá.
שהיא בחי׳ לחם וכמ״ש ואשא אתכם על כנפי נשרים13 שהוא בחי׳ רחמים ועי״ז ואביא אתכם אלי (ועמ״ש ע״פ בהעלותך את הנרות14 בפי׳ וענין היתה לי דמעתי לחם15 כו׳)
que é o nível do pão; como está escrito: “E Eu vos carreguei sobre asas de águias”, que é o nível da compaixão, e, por meio disso, “E vos trouxe a Mim” (e veja o que está escrito sobre o versículo “Quando fizeres subir as lâmpadas”, na explicação do tema “Minhas lágrimas foram meu pão”, etc.).
A Torá é “pão”, e a compaixão a estende: “Eu vos carreguei sobre asas de águias”, que é compaixão, conduziu a “E vos trouxe a Mim”, no Sinai. O texto remete à explicação de “Minhas lágrimas foram meu pão”.
ואמנם תנופת הלחם והכבשים היינו להעלות התורה שהיא בחי׳ לחם חטה ולקשרה ולחברה באור א״ס [אין סוף] ב״ה בחי׳ עדן העליון ממש וכן להעלות הרחמים של האבות למקורן ושרשן בחי׳ רחמים גדולים כו׳
Mas a elevação do pão e dos cordeiros consiste em elevar a Torá, que é o nível do pão de trigo, e vinculá-la e uni-la à Luz Infinita (Or Ein Sof), bendito seja Ele, ao próprio nível do Éden supremo; e, da mesma forma, elevar a compaixão dos Patriarcas à sua fonte e raiz, o nível da grande compaixão, etc.
A elevação ergue a Torá, o “pão de trigo”, e a vincula à Luz Infinita, ao próprio Éden supremo; e eleva a compaixão dos Patriarcas à sua fonte, a grande compaixão.
(ועמ״ש מענין העלאה זו בד״ה זכור ושמור16 בדבור א׳ נאמרו. ושם בד״ה בענין האבות הן הן המרכבה) ולכן יש י״ג מדות שהתורה נדרשת בהן17 כנגד י״ג מדות הרחמים:
(E veja o que está escrito sobre o tema dessa elevação no discurso que começa com “‘Lembra’ e ‘Guarda’ foram ditos numa só declaração”, e ali, no discurso sobre o tema “Os Patriarcas são eles próprios a carruagem”.) E por isso há treze regras (midot) pelas quais a Torá é interpretada, correspondentes aos Treze Atributos (midot) da Compaixão.
Por isso, as treze regras pelas quais a Torá é interpretada correspondem aos Treze Atributos da Compaixão: a Torá é estendida por meio da compaixão e retorna a ela. O texto remete ao discurso sobre “Lembra” e “Guarda”, que trata da elevação e da extensão.
O parágrafo explica “a Árvore do Conhecimento era trigo”: a Torá Oral, cuja raiz está em Malchut de Atsilut, reveste-se para refinar o bem do mal; Adam, antes do pecado, como Mashiach, estava acima desse trabalho, no Eden, a dimensão interior da Torá. Em seguida, aplica todo o maamar à ondulação dos dois pães sobre os dois cordeiros em Shavuot, que eleva a Torá e a compaixão dos Patriarcas à sua raiz no Eden supremo e na grande compaixão.
O maamar sobre “Quando Eu quebrar para vós o cajado do pão”, citado nas notas, explica que a Torá é chamada de pão porque, assim como o grão, cuja raiz é muito elevada, mas que caiu para crescer como trigo, os segredos da Torá desceram a assuntos materiais com a quebra das primeiras Tábuas; e chitá equivale a vinte e dois, as letras da Torá. A explicação em Emor acrescenta que os dois pães representam a Torá Escrita e a Torá Oral, e que os cordeiros são ondulados para elevá-los à sua raiz, a fim de que sejam anulados e unidos à Luz Infinita.
Marei mekomot
- 1דחטה היינו כ״ב אותיות התורה · Numbers 10:4
- 2בד״ה בשעה שהקדימו · [במדבר] פ״ג יג, ג. [כ].
- 3בשעה שהקדימו ישראל נעשה לנשמע · Shabbat 88a:7–8
- 4תושבע״פ היא מל׳ דאצי׳ · ראה ת״ז בהקדמה.
- 5ברע״מ פ׳ נשא והמשכילים יזהירו · Tanya, Iggeres HaKodesh 26:1
- 6בשברי לכם מטה לחם · Leviticus 26:26
- 7כמ״ש בפ׳ בחקותי · לקמן מח, ב.
- 8ע״פ הן האדם · תו״א ו, א.
- 9הן האדם היה כאחד ממנו · Genesis 3:22
- 10ונהר יוצא מעדן · Genesis 2:10
- 11תנופת שתי הלחם ע״ג שני הכבשים · Leviticus 23:20
- 12שתי הלחם היינו תושב״כ ותשבע״פ · Zohar I, 260a
- 13ואשא אתכם על כנפי נשרים · Exodus 19:4
- 14ע״פ בהעלותך את הנרות · לקו״ת שם ל, ב.
- 15היתה לי דמעתי לחם · Psalms 42:4
- 16בד״ה זכור ושמור · תו״א עג, א.
- 17י״ג מדות שהתורה נדרשת בהן · ברייתא דר״י בת״כ ר״פ ויקרא.
A língua do Mar do Egito ¶17–20
17ה וזהו והחרים ה׳ את לשון ים מצרים1 (בישעיה סי׳ י״א) ופי׳ הרד״ק [הרבי דוד קמחי] דהיינו נהר מצרים2 שהוא הנילוס וכ״כ [וכן כתב] במצודת.
5. E isto é [o significado de] “E D'us destruirá a língua do Mar do Egito” (Isaías, capítulo 11). O Radak explica que se trata do rio do Egito, o Nilo; e assim está escrito no Metzudos.
A quinta seção aborda a primeira metade do versículo de Isaías: “E D'us destruirá a língua do Mar do Egito”. O Radak e o Metzudos explicam que esse “mar” é o rio do Egito, o Nilo.
והוא מ״ש ומשם יפרד והיה לארבעה ראשים. שם האחד פישון ופרש״י [ופירש רש״י / ופירוש רש״י] הוא נילוס3 נהר מצרים4 כו׳.
E isto é o que está escrito: “E dali ele se divide e se torna quatro cabeças. O nome de uma é Pishon”; e Rashi explica: “É o Nilo, o rio do Egito”, etc.
O Nilo é um dos quatro rios que saem do Éden: Rashi identifica Pishon, o primeiro deles, com o Nilo.
וכ״כ [וכן כתב] בזח״א [בזהר חלק א] לך לך פ״א ב׳ שלכן נאמר כגן ה׳ כארץ מצרים567 לפי שלשם נמשך אחד מד׳ נהרות היוצאים מג״ע [מגן עדן] היינו שם האחד פישון כו׳
E assim está escrito no Zohar, Parte I, Lech Lecha, fólio 81b: é por isso que se diz “Como o jardim de D'us, como a terra do Egito”, pois um dos quatro rios que saem do Gan Éden é levado até lá, a saber: “O nome de uma é Pishon”, etc.
O Zohar explica da mesma maneira por que a Torá compara o Egito ao “jardim de D'us”: um dos rios do Gan Éden, Pishon, flui até lá.
ובפ׳ חיי שרה דקכ״ה סע״א [סוף עמוד א] כ׳ [כתב] מאי שם האחד פישון המיוחד מכולם8 כו׳ ולפיכך היתה חכמת מצרים יותר מכל העולם כו׳
E na Parashá Chayei Sarah, fólio 125, fim do lado a, está escrito: “O que significa ‘O nome de uma (ha-echad) é Pishon’? A especial (ha-meyuchad) entre todas”, etc.; “e por isso a sabedoria do Egito era maior do que [a de] todo o mundo”, etc.
O Zohar interpreta “uma” (ha-echad) como “a especial”: Pishon é o mais seleto dos rios, e por isso a sabedoria do Egito superava a de todo o mundo.
שהרי גבי שבח דשלמה נאמר ותרב חכמת שלמה כו׳ ומכל חכמת מצרים9 (במ״א סי׳ ה).
Pois, a respeito do louvor de Shlomo, está dito: “E a sabedoria de Shlomo excedeu”, etc., “e toda a sabedoria do Egito” (I Reis, capítulo 5).
A prova está no louvor de Shlomo, cuja sabedoria excedia “toda a sabedoria do Egito”; a sabedoria do Egito era o padrão a ser superado.
והיינו לפי ששרש הנהר הנ״ל נמשך מנהר היוצא מעדן שהוא חו״ב [חכמה ובינה] כו׳ וזהו שאמרו אית מיא מגדלין חכימין10 כו׳ (ועיין ברבות ס״פ בלק יש מעיינותכו׳ וע׳ [ועיין] בהרמ״ז [בהרב משה זכות] פ׳ חיי שרה שם)
Isso ocorre porque a raiz desse rio é extraída do rio que sai do Éden, que é Chochmá e Biná, etc. E é isto que disseram: “Há águas que tornam sábios”, etc. (e veja [Midrash] Rabá, fim da Parashá Balak, “Há fontes”, etc.; e veja o Ramaz, Parashá Chayei Sarah, lá);
A sabedoria do Egito provém de seu rio, cuja raiz é o rio que sai do Éden, Chochmá e Biná. Como diz o Zohar, há águas que tornam sábios; o texto também remete ao Midrash no fim de Balak, “Há fontes”, e ao Ramaz sobre Chayei Sarah.
וע׳ [ועיין] במא״א [במאורי אור] אות ד׳ סכ״ה ד׳ נהרות הם או״א [אבא ואימא] זו״נ [זעיר אנפין ונוקבא] פישון באבא לשון פושו וסגו כי רבוי השפע יורד מהחכמה כולם בחכמה עשית11 כו׳.
e veja Me’orei Or, letra dalet, seção 25: “Os quatro rios são Abá e Imá, Zeir Anpin e Nukvá; Pishon está em Abá, da expressão pushu vesagu (cresceram e se multiplicaram), pois a abundância do fluxo desce de Chochmá: ‘Fizeste todos eles com sabedoria’”, etc.
Me’orei Or, um léxico cabalístico, associa os quatro rios a Abá e Imá, Zeir Anpin e Nukvá, e situa Pishon em Abá, isto é, Chochmá, fonte da abundância, como em “Fizeste todos eles com sabedoria”.
(ועי׳ [ועיין] מזה בת״ז [בתיקוני זהר] תיקון נ״ד דצ״א ע״א). אך עכ״ז [עם כל זה] מאחר שנאמר בהם ומשם יפרד והיה לארבעה ראשים.
(E veja sobre isso o Tikkunei Zohar, tikkun 54, fólio 91a.) Contudo, apesar disso, uma vez que está dito a respeito deles: “E dali ele se divide e se torna quatro cabeças”,
Ainda assim, o versículo diz a respeito dos quatro rios que, dali, o fluxo “se divide”.
א״כ [אם כן] הם מקור עולמות הנפרדים וכמ״ש בזח״א [בזהר חלק א] ויצא (קנ״ח א׳) ומשם יפרד כו׳ טורי דפרודא12 כו׳ וזהו שנקרא לשון ים מצרים פי׳ מצרים לשון מיצרים וגבולים.
então são a fonte dos mundos separados, como está escrito no Zohar, Parte I, Vayeitzei (fólio 158a): “E dali se divide”, etc., “montanhas de separação”, etc. Por isso é chamado “a língua do Mar de Mitsráyim”: o significado de Mitsráyim deriva da expressão meitzarim (estreitos) e limites,
Assim, os quatro rios são a fonte dos mundos separados; o Zohar os chama de “montanhas de separação”. Por isso o profeta chama o Nilo de “a língua do Mar de Mitsráyim”: Mitsráyim, Egito, está relacionado a meitzarim, estreitos e limites.
שהן בחי׳ בעלי גבול כמו מן הארץ לרקיע מהלך ת״ק שנה13 הן בגשמיות והן ברוחניות הוא בחי׳ מיצר וגבול כו׳ וע״כ [ועל כן] נק׳ ומשם יפרד להיות נראה ליש ודבר בפ״ע [בפני עצמו] כו׳
pois eles são o nível daquilo que tem limites, como em “da terra ao firmamento, a distância é uma jornada de quinhentos anos”; tanto no âmbito físico quanto no espiritual, trata-se do nível de um estreito e de um limite, etc. Por isso é chamado “E dali se divide”: para aparecer como algo (yesh) e como uma coisa independente, etc.;
Os quatro rios são a fonte de tudo o que tem limites, conforme os Sábios medem a distância da terra ao firmamento como uma jornada de quinhentos anos. Tanto as coisas físicas quanto as espirituais que deles provêm têm limites e, assim, aparecem como seres separados.
דהיינו שהם מקור השפע להתהוות בי״ע [בריאה יצירה עשיה] כו׳ כי הם מקבלים מבחי׳ הדבור והדבור באדם יוצא לחוץ להיות בבחי׳ דבר נפרד ממנו.
isto é, eles são a fonte do fluxo que dá origem a Beriá, Yetsirá e Assiá, etc. Pois recebem do nível da fala, e a fala de uma pessoa sai para fora, tornando-se uma coisa separada dela.
Eles são a fonte do fluxo que dá origem a Beriá, Yetsirá e Assiá, porque recebem da fala, que, por sua natureza, sai de quem fala e se torna algo separado dele.
O parágrafo explica a primeira metade do versículo, “a língua do Mar do Egito”: trata-se do Nilo, Pishon, um dos quatro rios que se dividem a partir do rio do Éden e são a fonte da sabedoria do Egito; como esses rios recebem da fala e “se dividem”, são a fonte dos mundos separados e limitados, pois Mitzrayim significa “limites”.
No Zohar sobre Chayei Sarah, cada gota que sai do Éden carrega um espírito de sabedoria, e as águas que “tornam sábios” são gotas do Éden; quando foi decretado que a sabedoria do Egito se perderia, D'us tomou aquelas gotas de volta para o rio do Jardim do Éden.
Marei mekomot
- 1והחרים ה׳ את לשון ים מצרים · Isaiah 11:15
- 2נהר מצרים · Radak on Isaiah 11:15
- 3שם האחד פישון ופרש״י הוא נילוס · Genesis 2:11
- 4הוא נילוס נהר מצרים · Rashi on Genesis 2:11
- 5כגן ה׳ כארץ מצרים · לך יג, י.
- 6כגן ה׳ כארץ מצרים · Genesis 13:10
- 7כגן ה׳ כארץ מצרים · Zohar, Lech Lecha 12:106–113
- 8מאי שם האחד פישון המיוחד מכולם · Zohar, Chayei Sara 18:142–147
- 9ותרב חכמת שלמה כו׳ ומכל חכמת מצרים · I Kings 5:10
- 10אית מיא מגדלין חכימין · Zohar I, 125a
- 11כולם בחכמה עשית · Psalms 104:24
- 12ומשם יפרד כו׳ טורי דפרודא · Zohar, Vayetzei 23:231–24:243
- 13מן הארץ לרקיע מהלך ת״ק שנה · Chagigah 13a:3
18והגם כי למעלה אין שייך דבר שחוץ ממנו ית׳ היינו קמי׳ [קמיה] ית׳ אבל לגבי הברואים יש צמצומים רבים עד כאלו הן בבחי׳ דבר נפרד כו׳
E embora, no Alto, não haja nada fora Dele, bendito seja, isso é [tal como as coisas são] diante Dele, bendito seja; mas, em relação aos seres criados, há muitas contrações (tsimtsumim), até que é como se fossem coisas separadas etc.
No Alto, nada está verdadeiramente fora de D'us; a separação existe apenas do ponto de vista dos seres criados, por meio de muitas contrações que os fazem parecer separados.
ועמ״ש בד״ה וספרתם לכם12 בענין פי׳ וכנפיהם פרודות3 כו׳ דחיות המרכבה כו׳ לפי שנמשכים מארבעה מוצאות הדבור כו׳.
E veja o que está escrito no discurso que começa com “E contareis para vós”, sobre o significado de “E suas asas eram separadas (perudot)” etc., dito a respeito dos chayot (seres viventes) da carruagem etc., pois eles se originam das quatro articulações (motsaot) da fala etc.
Assim, na visão de Ezequiel, as asas dos chayot, os anjos que conduzem a carruagem divina, são “separadas” porque se originam das quatro articulações da fala, e a fala produz coisas separadas. O texto remete ao discurso sobre “E contareis para vós”.
Mas, no Tempo Vindouro, como está dito: “E a glória de D'us será revelada, e toda carne verá conjuntamente que a boca de D'us falou” (Isaías, capítulo 40)
A respeito do Tempo Vindouro, Isaías diz que “toda carne verá conjuntamente que a boca de D'us falou”.
(ועיין מזה ברבות פ׳ ויקרא פ״א7 זח״ב [זהר חלק ב׳] ס״פ משפטים קכ״ו א׳ ובת״א [ובתורה אור] פ׳ לך לך בד״ה ולא יקרא עוד שמך אברם)8
(E veja sobre isso [Midrash] Rabá, Parashat Vayikrá, seção 1; Zohar, Parte II, fim de Parashat Mishpatim, fólio 126a; e Torah Ohr, Parashat Lech Lechá, no discurso que começa com “E teu nome não será mais chamado Avram”),
O Midrash sobre Vayikrá contrapõe isso à situação atual, em que a Shechiná se revela somente a indivíduos; o Zohar, no fim de Mishpatim, diz que, no Futuro, todos verão a glória de D'us face a face. O texto também remete a Torah Ohr sobre a mudança do nome de Avram.
דהיינו שיהי׳ [שיהיה] גילוי בחי׳ הדבור עליון כמו שהוא אצלו ית׳ שאין הדבור היוצא ממנו בבחי׳ דבר נפרד כמו דבור האדם
isto é, haverá uma revelação do nível da fala superior tal como ela é Nele, bendito seja, na qual a fala que emana Dele não é algo separado, como a fala de um ser humano,
Isso significa que a fala superior será revelada tal como é no próprio D'us, onde não está separada Dele como a fala de uma pessoa está separada de quem fala.
אלא מיוחד בתכלית היחוד במהותו ועצמותו ית׳ גם אחר שיצא דבורו ית׳ אל הפועל בבריאת העולמות כמו שהיה מיוחד עמו קודם בריאת העולמות9 כו׳ (כמ״ש בס׳ ש״ב [של בינונים] פכ״א).
mas está unida em união absoluta à Sua essência e ao Seu ser, bendito seja, mesmo depois que Sua fala, bendito seja, se concretizou na criação dos mundos, assim como estava unida a Ele antes da criação dos mundos etc. (como está escrito em Sefer Shel Beinonim [o Tanya], capítulo 21).
Como explica o Tanya no capítulo 21, a fala de D'us permanece unida à Sua essência mesmo depois de se concretizar na criação dos mundos, exatamente como antes da Criação.
וזהו פי׳ וראו כו׳ כי פי ה׳ דבר כלו׳ [כלומר] שיהי׳ [שיהיה] התגלות הדבור עליון כמו שהוא בבחי׳ פי הוי׳ ממש ששם הדבור מיוחד במהותו ועצמותו ית׳ כך יהי׳ [יהיה] גילוי זה למטה וראו כל בשר יחדו גילוי זה.
E este é o significado de “E [toda carne] verá” etc., “que a boca de D'us falou”: isto é, haverá uma revelação da fala superior tal como ela é no nível da própria “boca de Havayá”, onde a fala está unida à Sua essência e ao Seu ser, bendito seja; assim será essa revelação aqui embaixo, e “toda carne verá conjuntamente” essa revelação.
Assim, “que a boca de D'us falou” significa que a fala será vista aqui embaixo tal como é na “boca de Havayá”, unida à Sua essência. Toda carne verá isso.
ועי״ז יהיה גלוי אחדותו ית׳ שבעולם האצי׳ [האצילות] גם למטה בעשייה כמ״ש ביום ההוא10 יהי׳ [יהיה] הוי׳ אחד ושמו אחד
E por meio disso será revelada também aqui embaixo, em Assiá, a unidade de D'us, bendito seja, que existe no Mundo de Atsilut; como está escrito: “Naquele dia, Havayá será Um e Seu Nome será Um”
Então, a unidade que está manifesta em Atsilut será revelada até mesmo em Assiá, como diz Zechariá: “Naquele dia, Havayá será Um e Seu Nome será Um”.
(ועמ״ש בזה סד״ה למנצח על השמינית). לכן אז א״צ [אין צריך / אינו צריך] לבחי׳ ד׳ נהרות הנ״ל שהשפע בא מהם בבחי׳ ומשם יפרד.
(E veja-se o que está escrito sobre isso no fim do discurso que começa com “Ao regente, sobre a Sheminit”.) Portanto, naquele tempo não será necessário o nível dos quatro rios mencionados acima, dos quais provém o fluxo na modalidade de “E dali se divide”;
Então não haverá necessidade dos quatro rios, pelos quais o fluxo vem de uma maneira que “se divide” e cria seres separados.
אלא יהי׳ [יהיה] גילוי והמשכת הנהר היוצא מעדן ממש מה שלמעלה מבחי׳ ומשם יפרד. וזהו והחרים ה׳ את לשון ים מצרים ות״י [ותרגום יונתן] ויבש11 כו׳.12
mas haverá a revelação e a extensão do próprio rio que sai do Éden, que está acima do nível de “E dali se divide”. E isto é: “D'us destruirá a língua do Mar do Egito”, que o Targum Yonasan [traduz] como “e Ele secará”, etc.
Em vez disso, será revelado o próprio rio do Éden, que está acima da divisão. Isto é a destruição da “língua do Mar do Egito”, que o Targum traduz como “Ele secará”: o canal que divide já não será necessário.
O parágrafo explica por que o Nilo será “destruído”: no Futuro, quando “toda carne verá que a boca de D'us falou”, a fala de D'us será revelada aqui embaixo como una com Sua essência; assim, os quatro rios que dividem o fluxo em mundos separados já não serão necessários, e o próprio rio do Éden será revelado.
O Midrash sobre Vayikrá, citado na nota de Kehot a partir de Or HaTorah, contrapõe a profecia de Moshe à dos demais profetas e conclui: neste mundo, a Shechiná se revela a indivíduos, mas no Tempo Vindouro, “toda carne verá conjuntamente”. O capítulo do Tanya citado no texto acrescenta que o ocultamento da fala de D'us existe apenas para os seres criados, que a recebem por meio de muitas contrações para não serem anulados.
Marei mekomot
- 1בד״ה וספרתם לכם · לקו״ת במדבר י.
- 2וספרתם לכם · Leviticus 23:15
- 3וכנפיהם פרודות · Ezekiel 1:11
- 4ונגלה כבוד ה׳ וראו כל בשר יחדו כי פי ה׳ דבר · Isaiah 40:5
- 5ונגלה כבוד ה׳ וראו כל בשר יחדו כי פי ה׳ דבר · Vayikra Rabbah 1:14
- 6ונגלה כבוד ה׳ וראו כל בשר יחדו · Zohar, Mishpatim 29:574–30:581
- 7ברבות פ׳ ויקרא פ״א · ”לפי שבעוה״ז השכינה נגלית על היחידים אבל לע״ל ונגלה כבוד ה׳ וראו כל בשר יחדיו כי פי ה׳ דבר” — אוה״ת נ״ך-א ע׳ רלג.
- 8ולא יקרא עוד שמך אברם · Genesis 17:5
- 9מיוחד בתכלית היחוד במהותו ועצמותו ית׳ גם אחר שיצא דבורו ית׳ אל הפועל בבריאת העולמות כמו שהיה מיוחד עמו קודם בריאת העולמות · Tanya, Likkutei Amarim 21:6
- 10ביום ההוא יהי׳ ה׳ אחד ושמו אחד · Zechariah 14:9
- 11ות״י ויבש · Targum Jonathan on Isaiah 11:15
- 12ובתו״א בד״ה ולא יקרא עוד שמך אברהם · ”בפי׳ כי פי ה׳ דבר” — אוה״ת נ״ך-א ע׳ רלג. וראה שם ס״ע צט-ק ”שיהי׳ גילוי בחי׳ דיבור והתגלות אלקות”.
19ולא עוד אלא והניף ידו על הנהר היינו הנהר היוצא מעדן ממש קודם בחי׳ ומשם יפרד1 כו׳ והכהו לשבעה נחלים2 וכמש״ל [וכמה שכתוב לעיל].
E não apenas isso, mas “Ele agitará Sua mão sobre o rio”, isto é, sobre o próprio rio que sai do Éden, antes do nível de “e de lá se divide”, etc.; “e o golpeará, transformando-o em sete riachos”, como explicado acima.
Além de remover o Nilo, D'us “agitará Sua mão sobre o rio” propriamente dito, o rio do Éden antes de se dividir, e o dividirá em sete riachos, como explicado anteriormente: por meio dos Patriarcas e das Matriarcas.
אך עוד י״ל [יש לומר] המכוון כי ז׳ נחלים הם ז״ת [ז׳ תחתונות] היינו המדות והדבור שבהם ועל ידם נמשך השפע והנהר הוא בינה שלמעלה מהמדות, והוא ענין שער החמשים דבינה שאינו מושג כלל.
Mas pode-se ainda dizer que a intenção é que os sete riachos são as sete Sefirot inferiores, isto é, os atributos emocionais (midot) e a fala que há neles, por meio dos quais o fluxo é atraído para baixo; e o rio é Biná (entendimento), que está acima dos atributos emocionais; e isto é o Portão Cinquenta de Biná, que não é compreendido de modo algum.
Uma interpretação adicional: os sete riachos são as sete Sefirot inferiores, os atributos emocionais juntamente com a fala que há neles, por meio dos quais o fluxo divino desce. O rio é Biná, que está acima deles, e, especificamente, seu Portão Cinquenta, o nível mais elevado do entendimento, que não pode ser apreendido de modo algum.
O parágrafo volta ao próprio rio e oferece uma segunda interpretação dos sete riachos: eles são as sete Sefirot inferiores, os atributos emocionais e a fala, enquanto o rio é Biná em seu Portão Cinquenta, que não pode ser conhecido.
Marei mekomot
- 1ומשם יפרד · Genesis 2:10
- 2והכהו לשבעה נחלים · Isaiah 11:15
20והמדות והדבור מקבלים משם רק הארה בעלמא כנודע מענין מי ברא אלה1 כו׳ ועמ״ש מזה ע״פ אלה פקודי המשכן משכן העדות.2
E os atributos emocionais e a fala recebem de lá apenas um mero raio de luz, como se sabe pelo tema de “Quem criou estes”, etc.; e veja o que está escrito a esse respeito sobre o versículo “Estas são as contas do Mishkan, o Mishkan do Testemunho”.
Os atributos emocionais e a fala recebem apenas um vislumbre de Biná. Esta é a explicação de “Quem criou estes”: na Cabalá, “Quem” (Mi) representa o nível oculto, Biná, e “estes” (Eleh), os atributos revelados que ela faz surgir; o texto remete ao maamar sobre “Estas são as contas do Mishkan”.
ולע״ל [ולעתיד לבוא] נאמר והכהו לשבעה נחלים3 היינו שאותו האור המאיר בבחי׳ הנהר עצמו יומשך ויתגלה בבחי׳ ז״ת [ז׳ תחתונות] שהם המדות והדבור המאירים ומתגלים בבי״ע [בבריאה יצירה עשיה] כו׳
E sobre o Tempo Vindouro está dito: “E Ele o dividirá em sete correntes”; isto é, a própria luz que brilha no nível do próprio rio será atraída para baixo e revelada no nível das sete inferiores [Sefirot], que são os atributos emocionais e a fala, que brilham e se revelam em Beriá, Yetsirá e Assiá, etc.
No Futuro, “Ele o dividirá em sete correntes”: a própria luz do rio, a própria Biná, fluirá para os sete atributos e a fala, e será revelada nos mundos inferiores.
(ועי׳ [ועיין] מזה בזח״א [בזהר חלק א] בראשית דנ״ב ע״א).4 וזהו ענין ומלאה הארץ דעה את56 ה׳ כמים לים מכסים7 כו׳.
(E veja sobre isso o Zohar, Parte I, Bereishit, fólio 52a.) E este é o significado de “E a terra se encherá do conhecimento de D'us, como as águas cobrem o mar”, etc.
O Zohar sobre Bereishit descreve sete luzes que atingem o mar por sete lados, cada lado se dividindo em sete correntes. Esta é a promessa de que “a terra se encherá do conhecimento de D'us, como as águas cobrem o mar”: o conhecimento de D'us preencherá até mesmo o nível mais baixo.
(E veja ainda, sobre o tema de “E D'us destruirá a língua do Mar do Egito”, em [Midrash] Rabbah, no início de Koheles, sobre o versículo “Vaidade das vaidades, disse Koheles”.)
O maamar termina remetendo ao Midrash no início de Koheles, sobre “Vaidade das vaidades”, para mais sobre “a língua do Mar do Egito”.
O parágrafo completa a segunda interpretação: agora, os atributos e a fala recebem apenas um vislumbre de Biná; mas, no Futuro, a própria luz do rio fluirá para as sete e será revelada nos mundos inferiores, de modo que “a terra se encherá do conhecimento de D'us, como as águas cobrem o mar”.
Uma nota da Kehot cita um maamar sobre esse versículo, de 5745: a revelação futura, no nível das “larguras do rio”, que é uma revelação muito grande, será atraída para baixo, até mesmo ao nível da “terra”. Anteriormente, em Tzav, o Alter Rebe relaciona o mesmo versículo ao Mishkan e às oferendas, que atraem para baixo a luz que circunda todos os mundos, “Eu preencho o céu e a terra”, tal como será revelada no Futuro.
Marei mekomot
- 1מי ברא אלה · Isaiah 40:26
- 2אלה פקודי המשכן משכן העדות · Exodus 38:21
- 3והכהו לשבעה נחלים · Zohar, Bereshit 87:276–88:288
- 4בזח״א בראשית דנ״ב ע״א · נעתק באוה״ת נ״ך-א ע׳ קצב.
- 5ומלאה הארץ דעה את ה׳ וגו׳ · שם יא, ט: כי מלאה הארץ [ראה לעיל יא, ב].
- 6ומלאה הארץ דעה את ה׳ כמים לים מכסים · Isaiah 11:9
- 7וזהו ענין ומלאה . . כמים לים מכסים · נתבאר בד״ה והחרים — תשמ״ה (מהנחה בלתי מוגה) ”וי״ל הכוונה דהגילוי דלע״ל בבחי׳ רחובות הנהר, שהוא גילוי גדול ביותר, יומשך למטה ביותר, ועד לבחי׳ ארץ” ע״ש.
- 8ברבות ריש קהלת · ראה אוה״ת נ״ך כרך-א ע׳ קצג.
- 9הבל הבלים אמר קהלת · Ecclesiastes 1:2
Terminou o maamar?
Marque-o como estudado; ele conta para a semana e para o siyum do ano.
Na avodá
O maamar menciona duas maneiras de atrair a revelação futura: teshuvá, o espírito que retorna a D'us e faz descer “a força de Seu vento”; e compaixão, despertando grande compaixão pela centelha de divindade na própria alma, que desceu tão baixo — um despertar de baixo que atrai a compaixão superior dos Patriarcas. Nossas ações agora, as mitsvot e o estudo da Torá, são o que ocasiona a retificação que será revelada no Tempo Vindouro.
Perguntas para conversar
- Por que a fala oculta aquilo que carrega, e em que o ocultamento do pensamento difere do da fala?
- Por que o mar se dividiu em doze caminhos, enquanto o rio será golpeado e dividido em sete canais?
- Qual é a diferença entre ouvir e ver, e como a experiência do Arizal no Shabat a ilustra?
- Por que o ensinamento de Mashiach deve ser a dimensão interior da Torá, e não suas leis reveladas?
- Como a compaixão pela própria alma atrai a Torá, e o que a compaixão dos Patriarcas atrairá no Futuro?