Likkutei Torah · Parshas Va’eschanan · Maamar 3
ביאור ואתחנן
Uma explicação de “E supliquei” (Vaetchanan)
A ideia central
A súplica de Moshe para entrar na Terra era um pedido para atrair à Congregação de Israel uma revelação de “visão”: um despertar do alto, enraizado em Chochmá e nos Treze Atributos de Misericórdia, que não depende de nenhum despertar de baixo. Ele atraiu apenas “audição” e uma luz circundante; a revelação interior da visão aguarda o Tempo Vindouro.
O maamar em resumo
O Biur começa com a fórmula da bênção: “Bendito” atrai o Nome Havayá de acima da cadeia descendente dos mundos, assim como Chochmá vem de Kéter como “algo a partir do nada”. Israel o atrai para baixo, refinando centelhas por meio da prece e das mitsvot (mayin nukvin), o que suscita mayin duchrin do alto. A bênção recitada antes de uma mitsvá, instituída pelos Sábios, “os olhos da congregação”, atrai de um nível mais elevado: o “olhar” de Arich Anpin e Atik, que confere força à própria união e está acima da troca entre Tohu e Tikkun. Moshe, Yessod de Abá, cujo nível é Chochmá e visão, quis atrair essa visão à Terra e colocar Malchut face a face, mas atraiu apenas “audição”; a visão está reservada para Mashiach. Sua súplica, vaeschanan, pediu um presente gratuito dos Treze Atributos de Misericórdia acima do Nome Havayá; por isso, ele mencionou Ado-nai e Havayá, as duas “terras dos vivos”. Ver a Terra de longe conferiu-lhe apenas uma luz circundante, como a bênção sobre as mitsvot; a luz interior requer um despertar de baixo. Até a Torá só é recebida plenamente depois da prece, e o desejo mais profundo de Moshe era a visão dentro do estudo da Torá.
Esquema
- TítuloO maamar é uma explicação da súplica de Moshe: “E supliquei”.¶1
- Bênção, olhar e a visão de Moshe“Bendito” atrai Havayá de acima da cadeia descendente dos mundos; a bênção sobre as mitsvot atrai do “olhar” de Arich Anpin e Atik, acima de mayin nukvin e mayin duchrin. Moshe quis atrair essa visão à Terra, mas atraiu apenas a audição, e a visão será revelada por meio de Mashiach.¶2
- O presente gratuito dos Treze AtributosVaeschanan pede um presente gratuito da misericórdia acima do Nome Havayá; os Nomes Ado-nai e Havayá são as raízes das duas terras dos vivos, e “deixa-me atravessar” é a passagem dos Treze Atributos para a Terra.¶3
- “Teu D'us” e “nosso D'us”; luz circundante e luz interiorMoshe, no nível de Biná e Chochmá, diz “teu D'us” a respeito de Zeir Anpin e Nukvá. Ver a Terra de longe atraiu apenas um makif, como a bênção sobre as mitsvot, enquanto a luz interior requer um despertar de baixo; até a Torá só é recebida plenamente depois da prece.¶4
Conceitos-chave
- Visão e olhar (re'iyah, histaklus)ראיה / הסתכלות
- Uma apreensão do todo de uma só vez, acima da compreensão passo a passo; acima de Atsilut, é a maneira pela qual a união recebe força. É uma luz circundante, não absorvida interiormente.
- Despertar do alto e despertar de baixoאתערותא דלעילא / אתערותא דלתתא
- A iniciativa divina e a iniciativa humana. A maior parte do fluxo do alto responde ao serviço humano; o nível mais elevado vem por si só, acima de qualquer despertar humano.
- Mayin nukvin e mayin duchrinמיין נוקבין / מיין דוכרין
- “Águas femininas” e “masculinas”: a oferenda ascendente de centelhas refinadas por meio da prece e das mitsvot, e o fluxo do alto que lhe responde. Pertencem a Tohu e Tikkun.
- Parsa (partição)פרסא
- A partição entre Kéter e Chochmá que faz com que a emergência de Chochmá seja “algo a partir do nada”; no Nome Havayá, ela é o yud.
- Os Treze Atributos de Misericórdiaי״ג מדות הרחמים
- A grande misericórdia acima do Nome Havayá, a fonte de Atsilut, revelada em Tishrei. A súplica de Moshe a atrai.
- Luz circundante e luz interiorאור מקיף / אור פנימי
- A luz que envolve sem ser absorvida, como ver de longe ou a bênção sobre uma mitsvá, e a luz que entra e é assimilada, como entrar na Terra ou cumprir a própria mitsvá.
Título ¶1
O título identifica este maamar como um Biur, uma “explicação”, sobre as palavras iniciais da parashá, o pedido de Moshe: “E roguei a Havayá naquele momento” (Deuteronômio 3:23). O Biur inteiro interpreta esse pedido e seu desejo de ver a Terra como uma solicitação para atrair uma revelação do alto para a Congregação de Israel.
O título introduz uma explicação do pedido de Moshe para entrar na Terra, o versículo que abre a Parashat Vaetchanan.
A nota da Kehot registra que este maamar aparece em Sefer HaMaamarim 5564 como a transcrição (hanachá) do Mitteler Rebe e, novamente, em Or HaTorah do Tzemach Tzedek sobre Vaetchanan, com variantes e glosas adicionais.
Marei mekomot
- 1ביאור ואתחנן · בסה״מ תקס״ד ע׳ רג — הנחת כ״ק אדמו״ר האמצעי. בשינויים והגהות אחרות באוה״ת פ׳ ואתחנן ע׳ נח.
- 2
Bênção, olhar e a visão de Moshe ¶2
2הנה ענין בא״י [ברוך אתה ה׳] שבברוך שאמר שהוא ענין ובטובו מחדש כו׳. כי הנה שם הוי׳ הוא באצילות
Ora, o assunto de “Bendito és Tu, Havayá” em Baruch She'amar é o assunto de “E em Sua bondade Ele renova”, etc. Pois o Nome Havayá está no Mundo de Atsilut (Emanação),
O Biur começa com a fórmula “Bendito és Tu, Havayá” da oração matinal Baruch She'amar e a relaciona a “E em Sua bondade Ele renova”, palavras da bênção que precede o Shemá matinal, sobre D'us renovar a criação. Seu ponto de partida é que o Nome Havayá pertence a Atsilut, o mundo mais elevado, ainda uno com D'us.
והנה מחכמה ואילך הוא בחינת השתלשלות משא״כ החכמה מאין מצא1 שלא בבחי׳ השתלשלות כי יש פרסא המפסיק בין חכמה לכתר (וע׳ בזהר פרשה נח)
e, de Chochmá (sabedoria) em diante, trata-se do nível da cadeia descendente dos mundos (hishtalshelut); Chochmá, porém, “é encontrada a partir do nada (ayin)”, não pelo processo da hishtalshelut, pois há uma parsa (partição) que separa Chochmá de Kéter (a Coroa) (e veja no Zohar, Parshas Noach)
De Chochmá (sabedoria) para baixo, cada nível surge do nível acima dele por meio de uma descida gradual. A própria Chochmá, porém, “é encontrada a partir do nada (ayin)” (Jó 28:12): uma parsa, uma partição, separa-a de Kéter (a Coroa), acima dela, de modo que ela não emana de Kéter por simples continuidade.
(דס״ה א׳) ובמ״ש בביאור ע״פ כי ביום הזה יכפר2 בפרשת אחרי וכל זה אחר הצמצום ומקום פנוי כו׳
(65a), e no que está escrito na explicação sobre o versículo “Pois neste dia ele fará expiação”, em Parshas Acharei. E tudo isso ocorre após o tsimtsum (contração) e o espaço vazio, etc.
O texto remete ao Zohar sobre Parshas Noach (65a), que fala de uma cortina desse tipo, e à sua própria explicação sobre “Pois neste dia ele fará expiação” (Levítico 16:30), em Parshas Acharei. Acrescenta que tudo isso ocorre após o tsimtsum, a contração original da Luz Infinita que deixou um “espaço vazio” para os mundos.
וע׳ בסש״ב [בספר של בינונים] ח״ב [חלק ב׳] פ״ט בהג״ה [בהגהה] שעל ידי זה משתנה השפע למהות אחר ולא בבחי׳ השתלשלות עילה ועלול שמחכמה ולמטה כו׳
E veja Sefer Shel Beinonim [o Tanya], Parte II, capítulo 9, na nota: por meio disso, o fluxo (shefa) se transforma em outra essência, e não pelo processo de uma cadeia (hishtalshelut) de causa e efeito, como ocorre de Chochmá para baixo, etc.
No Tanya, Parte II, capítulo 9, uma nota fala do tsimtsum pelo qual a luz é contraída para revestir-se nos recipientes das Sefirot. Por meio de tal contração, diz o texto, o fluxo se torna algo de essência diferente, em vez de um efeito que dá continuidade à sua causa, como ocorre de Chochmá para baixo.
ולכן נקרא החכמה לגבי הכתר יש מאין וזהו ענין ובטובו מחדש ממש יש מאין והיינו ע״י יו״ד דשם הוי׳ שהוא בחי׳ הפרסא כו׳
Portanto, Chochmá, em relação a Kéter, é chamada “algo a partir do nada” (yesh me'ayin). E este é o assunto de “E em Sua bondade Ele renova”: verdadeiramente algo a partir do nada. Isto é, por meio do yud do Nome Havayá, que é o nível da parsa, etc.
Devido a essa ruptura, Chochmá, em relação a Kéter, é “algo a partir do nada”, e é isso que significa “Ele renova”: uma criação verdadeiramente nova. No Nome Havayá, a partição que torna isso possível é o yud, sua primeira letra.
(ע׳ [עיין] מק״מ [מקדש מלך] שם שפי׳ דפרסא היינו מוחא סתימאה וי״ל [ויש לומר] דהיינו קרומא דאתחפייא על מו״ס [מוחא סתימאה] דאתכסייא האי ח״ס [חכמה סתימאה] בההוא קרומא ע״כ נק׳ הקרומא פרסא.
(Veja o Mikdash Melech ali, que explica que a parsa é Mocha Stima'ah (o cérebro oculto). E pode-se dizer que isso significa a membrana que se estende sobre Mocha Stima'ah, pois esta Chochmá oculta é coberta por aquela membrana; por isso, a membrana é chamada parsa.
O Mikdash Melech, comentário sobre o Zohar, identifica a parsa com Mocha Stima'ah, o “cérebro oculto”. O Alter Rebe sugere que, mais precisamente, isso se refere à membrana sobre esse cérebro, que vela a Chochmá oculta em seu interior.
וגם פי׳ שם עוד בחי׳ פרסא שלמעלה גם ממו״ס [ממוחא סתימאה] גם בפרדס שער הצחצחות פ״ו פי׳ דהפרסא היינו הכתר בעצמו כו׳ וזהו דהיו״ד דשם הוי׳ הוא בחינת הפרסא כי היו״ד וקוצו הוא חכמה וכתר)
Ele também explica ali outro nível de parsa, situado ainda acima de Mocha Stima'ah. Também no Pardes, Shaar HaTzachtzachos, capítulo 6, explica-se que a parsa é o próprio Kéter, etc. E este é [o significado de] o yud do Nome Havayá ser o nível da parsa: pois o yud e sua ponta (kotz) são Chochmá e Kéter.)
O Mikdash Melech também fala de uma parsa ainda mais elevada, e o Pardes (Shaar HaTzachtzachos, capítulo 6) identifica a parsa com o próprio Kéter. É por isso que o yud de Havayá é a parsa: o yud é Chochmá, e a pequena ponta acima dele é Kéter.
וזהו ענין זרע ברך3 הוי׳ שממשיכים גילוי שם הוי׳ למטה דהיינו מלמעלה מהשתלשלות והיינו על ידי אתעדל״ת [אתערותא דלתתא] בירורי רפ״ח ניצוצין בתפלה שהוא בחי׳ העלאת מ״ן [מיין נוקבין] ויצעקו אל4 ה׳ כו׳
E este é o assunto de “a descendência que Havayá abençoou”: eles atraem a revelação do Nome Havayá para baixo, isto é, de acima da hishtalshelut. E isso se dá por meio de um despertar de baixo (itaruta deletata): as elevações (birurim) das 288 centelhas na oração, que constituem o nível de elevar mayin nukvin (águas femininas), [como em] “E clamaram a Havayá”, etc.
Isaías 61:9 chama Israel de “a descendência que Havayá abençoou”; à luz de “Bendito és Tu”, o texto entende isso como Israel atraindo para baixo a revelação de Havayá, de acima da cadeia dos mundos. Fazem isso de baixo, refinando as 288 centelhas caídas na oração, que “eleva águas femininas” (mayin nukvin), a oferenda ascendente que suscita uma resposta, como em “clamaram a Havayá” (Salmos 107:6).
וכן העשייה דמעשה המצות קלף התפילין כו׳ הם בירורי רפ״ח ועי״ז נמשך מ״ד [מיין דוכרין] משרשו מח״ס [מחכמה סתימאה].
Assim também, a fabricação envolvida no cumprimento das mitsvot — o pergaminho dos tefilin etc. — constitui refinamentos dos 288; e, por meio disso, são atraídas de sua raiz, da Chochmá oculta, águas masculinas (mayin duchrin).
As mitsvot físicas refinam as mesmas 288 centelhas; por exemplo, fabricar o pergaminho dos tefilin transforma algo material em um objeto sagrado. Em resposta, “águas masculinas” (mayin duchrin), o fluxo que vem do alto, são atraídas de sua raiz na Chochmá oculta.
והנה ענין ברכת המצות הוא המשכת אתעדל״ע [אתערותא דלעילא] לפני אתעדל״ת [אתערותא דלתתא] ולכן הוא עובר לעשייתן.5 והמשכה זו שרשה מבחי׳ שאין אתעדל״ת [אתערותא דלתתא] מגעת שם
Ora, o assunto da bênção sobre as mitsvot é a atração de um despertar do alto (isarusa dileila) antes do despertar de baixo; por isso, ela é [recitada] “antes de sua realização” (over la'asiyasan). Essa atração tem sua raiz em um nível que o despertar de baixo não alcança,
A bênção sobre uma mitsvá atrai um despertar do alto antes de a pessoa agir; por isso, os Sábios determinaram que ela seja recitada “antes de sua realização” (over la'asiyasan). Sua raiz está em um nível que nenhum despertar de baixo pode alcançar.
וזהו שהברכות תקנו אותם החכמים שהם עיני העדה6 בחי׳ עיניך יונים והוא ע״ד מ״ש בע״ח [בעץ חיים] (שער א״א פי״ד [פרק י״ד / פרשה י״ד])
e é por isso que as bênçãos foram instituídas pelos Sábios, que são “os olhos da congregação”, o nível de “teus olhos são pombas”. Isso corresponde ao que está escrito em Etz Chaim (Shaar Arich Anpin, capítulo 14):
Por essa razão, as bênçãos foram instituídas pelos Sábios, chamados “os olhos da congregação” (conforme Números 15:24), e que são os “olhos” de “teus olhos são pombas”, em Cântico dos Cânticos. O texto compara isso ao que Etz Chaim ensina sobre o poder do olhar.
שע״י הסתכלו או״א [אבא ואימא]7 או זו״נ [זעיר אנפין ונוקבא] בא״א או הסתכלות א״א בהם נמשך אליהם כח הזווג כו׳ והענין כי הזווג דמ״ן [דמיין נוקבין] ומ״ד [ומיין דוכרין] הוא רק באצילות לבד
que, por meio do olhar de Abá e Imá (Chochmá e Biná), ou de Zeir Anpin e Nukvá, para Arich Anpin, ou do olhar de Arich Anpin para eles, o poder da união (zivug) é atraído até eles etc. A explicação é que a união das águas femininas (mayin nukvin) e das águas masculinas (mayin duchrin) ocorre somente em Atsilut;
Etz Chaim (Shaar Arich Anpin, capítulo 14) fala dos partzufim de Abá e Imá, ou de Zeir Anpin e Nukvá, olhando para Arich Anpin, ou sendo contemplados por ele, e recebendo daí o poder para a união (zivug). A união por meio de mayin nukvin e mayin duchrin, um intercâmbio de fluxo ascendente e descendente, existe somente em Atsilut.
אבל למעלה מאצי׳ שם היחוד בבחי׳ הסתכלות לבד מפני שממקום גבוה כ״כ [כל כך] א״א להיות הגילוי רק ע״י בחי׳ ראיה לבד (וכמ״ש בסוף ביאור חכלילי עינים)8
mas, acima de Atsilut, a união ocorre somente por meio do olhar, pois, de um lugar tão elevado, a revelação só pode acontecer através da visão (como está escrito no fim da explicação sobre “Vermelho de olhos”).
Acima de Atsilut não existe esse intercâmbio; ali, a união ocorre somente por meio do olhar, pois, de um nível tão elevado, a revelação só pode acontecer através da visão. O texto remete ao fim de sua explicação sobre “Vermelho de olhos” (Gênesis 49:12).
ובחי׳ הסתכלות זו שנמשך ההארה ממצחא דעתיקא לזו״נ [לזעיר אנפין ונוקבא] הוא גורם יחוד מ״ן [מיין נוקבין] ומ״ד [ומיין דוכרין] דזו״נ [דזעיר אנפין ונוקבא] כי להיות היחוד הוא ע״י המשכת המוחין חחלה
E esse olhar, por meio do qual a irradiação é atraída da testa de Atika para Zeir Anpin e Nukvá, provoca a união de mayin nukvin e mayin duchrin de Zeir Anpin e Nukvá; pois a união ocorre primeiro por meio da atração do intelecto (mochin),
A irradiação atraída por esse olhar da “testa” de Atika (Atik Yomin) para Zeir Anpin e Nukvá provoca a união deles por meio de mayin nukvin e mayin duchrin. Pois qualquer união depende, primeiro, de o intelecto (mochin) ser atraído para os partzufim.
כמו עד״מ למטה הקטן אינו מוליד9 לפי שאין לו דעת10 שהמוחין שלו הם בקטנות ואינן בשלימות וכשנעשה גדול ומתחזקין המוחין שלו ונגדלים
como, por exemplo, no plano inferior: um menor não procria porque não possui Daat (conhecimento), pois seu intelecto está em um estado de pequenez e não é completo; quando se torna adulto e seu intelecto se fortalece e amadurece,
A analogia vem da vida humana: um menor não pode procriar (Sanhedrin 68b) porque não possui Daat; seu intelecto ainda é pequeno e incompleto. Ao crescer, ele se fortalece e amadurece.
אזי יש בו כח ההולדה וכך עד״מ יחוד עליון הוא ע״י המשכת מוחין עליונים לאו״א [לאבא ואימא] וזו״נ [וזעיר אנפין ונוקבא]
então ele possui a capacidade de procriar. Assim também, por exemplo, a união superna ocorre por meio da atração do intelecto superno para Abá e Imá e para Zeir Anpin e Nukvá.
Quando sua mente amadurece, ele possui a capacidade de procriar. Assim também, no alto, a união superna depende de o intelecto superior ser atraído para Abá e Imá e para Zeir Anpin e Nukvá.
וזה נמשך בהם ע״י ההסתכלות דא״א שעי״ז נמשך בהם הארה גדולה כמ״ש בע״ח [בעץ חיים] שם ובמ״מ מסכת זיווג או״א [אבא ואימא] לכן עי״ז נמשך בהם הכח לזיווג כו׳
E isso é atraído para eles por meio do olhar de Arich Anpin, pois, por meio disso, uma grande iluminação é atraída para eles, como está escrito em Etz Chaim, ali, e em Mishnas Chassidim, Tratado Zivug Abba ve-Imma; por isso, por meio disso, é atraído para eles o poder para a união, etc.
Esse intelecto chega até eles por meio do olhar de Arich Anpin, que lhes traz uma grande iluminação e, com ela, o poder para a união. O texto cita Etz Chaim e Mishnas Chassidim, Tratado Zivug Abba ve-Imma, a esse respeito.
ולכן עד״ז תקנו חכמים שנק׳ עיני העדה11 את ברכת המצות שהוא המשכת הכח להיות אתעדל״ת [אתערותא דלתתא] ואתע דל״ע [אתערותא דלעילא] שע״י מעשה המצות
Portanto, de modo semelhante, os Sábios, chamados “os olhos da congregação”, instituíram a bênção sobre as mitsvot, que consiste na atração do poder para que haja o despertar de baixo e o despertar do alto que vêm por meio da prática das mitsvot,
De modo semelhante, os Sábios, “os olhos da congregação”, instituíram a bênção sobre as mitsvot. A bênção atrai o poder que possibilita tanto o despertar de baixo quanto o despertar do alto que vêm por meio da prática das mitsvot.
שהם בחי׳ מ״ן [מיין נוקבין] ומ״ד [ומיין דוכרין] שיש במעשה המצוה והמשכה זו דהברכ׳ היא מבחי׳ עיני העדה דוקא שיש בכחם להמשיך בחי׳ הסתכלות דעתיקא בזו״נ [בזעיר אנפין ונוקבא] שהוא הכח לזיווג מ״ן [מיין נוקבין] ומ״ד [ומיין דוכרין]
que são os mayin nukvin e mayin duchrin presentes na prática da mitsvá. E essa atração da bênção provém especificamente do nível de “os olhos da congregação”, que têm o poder de atrair o olhar de Atika para Zeir Anpin e Nukvá; esse é o poder para a união de mayin nukvin e mayin duchrin.
A prática de uma mitsvá envolve tanto mayin nukvin quanto mayin duchrin. O poder da bênção de uni-los provém dos Sábios enquanto “olhos”, pois eles podem atrair o olhar de Atika para Zeir Anpin e Nukvá.
כי בחי׳ ההסתכלות הוא למעלה מהמ״ן [מהמיין נוקבין] והמ״ד [והמיין דוכרין] עצמן שהם מבחי׳ תהו ותיקון והשבירה היה בעולם הנקודים ובירורי ניצוצים משבה״כ [משבירת הכלים] זהו ענין המ״ן [המיין נוקבין] ועי״ז נמשך מ״ד [מיין דוכרין] מעולם התיקון וזהו ענין אתעדל״ת [אתערותא דלתתא] ואתעדל״ע [ואתערותא דלעילא] שע״י אתעדל״ת [אתערותא דלתתא].
Pois o nível do olhar está acima dos próprios mayin nukvin e mayin duchrin, que pertencem aos níveis de Tohu e Tikun: a quebra ocorreu no Mundo de Nekudim, e o refinamento das centelhas provenientes da quebra dos recipientes é o mayin nukvin; por meio disso, mayin duchrin é atraído do Mundo de Tikun. Esse é o despertar de baixo e o despertar do alto que vem por meio do despertar de baixo.
O olhar está acima das duas águas, que pertencem a Tohu e Tikun: os recipientes se quebraram no Mundo de Nekudim (Tohu); elevar as centelhas dessa quebra é mayin nukvin, e mayin duchrin responde a isso a partir do Mundo de Tikun. Esse é o padrão habitual do despertar de baixo e do despertar do alto que lhe corresponde.
אבל בחי׳ עקודים הוא למעלה מהשבירה והתיקון. ומשם הוא ענין האתעדל״ע [האתערותא דלעילא] שלמעלה מאתעדל״ת [מאתערותא דלתתא] ועיין מה שכתוב ע״פ אכלוהו היום1213 בענין מן וזהו ענין ההסתכלות כו׳ אשר משם שורש ענין ברכת המצות
Mas o nível de Akudim está acima da quebra e de Tikun. De lá provém o despertar do alto que está acima do despertar de baixo. Veja também o que está escrito sobre o versículo “Comam-no hoje”, a respeito do maná. Esse é o conceito do olhar, etc., do qual se origina a bênção sobre as mitsvot.
O Mundo de Akudim, que precedeu a quebra, está acima tanto da quebra quanto da reparação; de lá vem um despertar do alto que não depende de um despertar de baixo. Esse nível superior, que o texto também aborda a propósito do maná e de “Comam-no hoje” (Êxodo 16:25), é o “olhar” que constitui a raiz das bênçãos sobre as mitsvot.
(וע׳ מ״ש במ״א בד״ה להבין מארז״ל [מאמר רבותינו זכרונם לברכה] ע״פ כי טובים דודיך14 מיין15 ערבים עלי דברי סופרים יותר מיינה של תורה דקאי על ברכת המצות כו׳ ועמ״ש עוד מענין ערבים עלי ד״ס ע״פ ושאבתם מים בששון)1617
(Veja também o que está escrito em outro lugar, no discurso que começa “Para compreender o dito de nossos Sábios, de abençoada memória”, sobre o versículo “Pois o teu amor é melhor do que o vinho”: “As palavras dos escribas são mais doces para mim do que o vinho da Torá”, que se refere à bênção sobre as mitsvot, etc.; e veja ainda o que está escrito sobre “As palavras dos escribas são mais doces para mim”, a propósito do versículo “E tirareis água com alegria”.)
São citados mais dois discursos. Um trata de “Pois o teu amor é melhor do que o vinho” (Cântico dos Cânticos 1:2) e do dito de que as palavras dos escribas são mais doces do que o vinho da Torá, aplicado às bênçãos sobre as mitsvot, que são uma instituição rabínica; o outro trata de “Tirareis água com alegria” (Isaías 12:3).
והנה זהו ענין בקשת משה אעברה נא ואראה את הארץ.18 כי משה הוא יסוד אבא וחכמה היא בחי׳19 ראיה20 וז״ש [וזהו שכתוב] במשה וירא ראשית לו21 ועד רום המעלות בכל העולמות הוא כן
Ora, esse é o sentido do pedido de Moshe: “Deixa-me atravessar, por favor, e ver a terra.” Pois Moshe é o Yessod de Abá, e Chochmá é o nível da visão. É isso que está escrito a respeito de Moshe: “E viu para si o primeiro”; e assim é até o mais elevado dos níveis, em todos os mundos.
Agora o texto aplica tudo isso ao pedido de Moshe: “Deixa-me atravessar, por favor, e ver a terra” (Deuteronômio 3:25). Moshe é o Yessod de Abá, o canal de Chochmá, e Chochmá está associada à visão; por isso se diz a respeito dele: “E viu para si o primeiro (reishit)” (Deuteronômio 33:21). Isso se aplica em todos os níveis, até os mundos mais elevados.
והנה בחי׳ מל׳ היתה בבחינת אב״א [אחור באחור] כ״ז [כל זה] משך דור המדבר (וע׳ בע״ח [בעץ חיים] של״א ושל״ז רפי״ו)
Ora, Malchut (soberania) permaneceu no estado de costas com costas durante todo o período da geração do deserto (veja Etz Chaim, Shaar 31, e Shaar 37, início do capítulo 16).
Durante os quarenta anos no deserto, Malchut esteve “costas com costas” com Zeir Anpin, sem a união plena face a face. O texto remete a Etz Chaim, portões 31 e 37, a esse respeito.
ומרבע״ה [ומשה רבינו עליו השלום] רצה שיהיה החזרת פב״פ [פנים בפנים] שזהו ענין בואם לארץ על ידו דוקא ע״י ואראה את הארץ שימשיך בה מבחי׳ ראיה והסתכלות הנ״ל שהוא בחי׳ אתעדל״ע [אתערותא דלעילא] שלמעלה מאתעדל״ת [מאתערותא דלתתא]22
E Moshe, nosso mestre, que a paz esteja sobre ele, desejava que houvesse o retorno face a face; e este é o sentido de eles entrarem na Terra precisamente por seu intermédio, por meio de “e que eu veja a terra”: que ele atraísse para ela do nível de visão e contemplação mencionado acima, que é o nível do despertar do alto, acima do despertar de baixo.
Moshe desejava colocá-los face a face, e por isso a entrada do povo na Terra deveria ocorrer por seu intermédio. Ao ver a Terra, ele atrairia para ela a visão e a contemplação descritas acima: um despertar do alto que está além de qualquer despertar de baixo.
(וע׳ מענין בחי׳ ראיה בע״ח [בעץ חיים] שער אח״פ [אוזן חוטם פה] פרק א׳ ופרק ג׳ ועמ״ש ע״פ השמים כסאי23 כו׳ ואל זה אביט24 כו׳)
(E, sobre o nível de visão, veja Etz Chaim, Shaar Ozen-Chotem-Peh [ouvido, nariz e boca], capítulo 1 e capítulo 3; e veja o que está escrito sobre o versículo “Os céus são Meu trono”, etc., “mas a este olharei”, etc.)
Para saber mais sobre a visão, o texto cita o portal do ouvido, nariz e boca (Ozen-Chotem-Peh) de Etz Chaim, capítulos 1 e 3. Também faz referência ao discurso sobre “Os céus são Meu trono … mas a este olharei” (Isaías 66:1–2).
ויובן קצת ענין בחי׳ ראיה מהו ברוחניות ממ״ש בפע״ח [בפרי עץ חיים] שט״ז פ״א שפעם א׳ נכנס ר׳ [רבי] אברהם הלוי אצל האריז״ל [האר״י זכרונו לברכה] ומצאו
E pode-se compreender um pouco o que é o nível de visão em termos espirituais a partir do que está escrito em Pri Etz Chaim, Shaar 16, capítulo 1: certa vez, Rabi Avraham HaLevi entrou na presença do Arizal, de abençoada memória, e o encontrou
Para dar uma ideia do que é a “visão” espiritual, o texto relata um episódio de Pri Etz Chaim (portal 16, capítulo 1). Certa vez, Rabi Avraham HaLevi entrou na presença do Arizal e o encontrou dormindo.
שהיה ישן והקיץ ואמר ששמע בישיבה של מעלה סודות ורזין עילאין בפרש בלק ובלעם שאם הי׳ [היה] דורש שמונים שנה רצופים יומם ולילה לא יוכל להשלים.
dormindo. Ele despertou e disse que ouvira, na Academia Celestial, segredos e mistérios sublimes sobre a porção de Balak e Bilaam, de tal modo que, se ensinasse durante oitenta anos consecutivos, dia e noite, não conseguiria terminar.
Ao despertar, o Arizal disse que ouvira segredos da porção da Torá de Balak e Bilaam na Academia Celestial. Eram tão vastos que oitenta anos de ensinamento ininterrupto, dia e noite, não seriam suficientes para concluí-lo.
ואיך הוא זה שישיג בשני שעות מה שצריך זמן פ׳ שנה25 ויותר לאומרם. הענין כי השגה וגילוי זה נק׳ בחי׳ ראיה שהוא למעלה מבחי׳ תבונה והשגה ממש
Ora, como é possível que ele apreendesse em duas horas aquilo que exigiria oitenta anos ou mais para ser dito? A explicação é que essa apreensão e revelação são chamadas de nível de visão, que está acima do nível de entendimento (tevuná) e da compreensão propriamente dita.
Como poderia apreender em duas horas aquilo que levaria oitenta anos para ser dito? Porque essa apreensão é “visão”: ver o todo de uma só vez, acima do entendimento e da compreensão graduais.
(וכמ״כ [וכמו כן] יש ב׳ בחי׳ אלו בהשגות עליונות למעלה בג״ע [בגן עדן] ג״כ מה שהוא נמשך בחי׳ השגה ממש ומה שהוא למעלה מההשגה ונקרא וה׳ עליהם יראה ויצא כברק חצו26 בבחי׳ ברק המבריק על השגתו.
(Da mesma forma, também existem esses dois níveis nas apreensões superiores, acima, no Gan Eden: aquilo que se estende como compreensão propriamente dita e aquilo que está acima da compreensão, chamado “E Havayá será visto sobre eles, e Sua flecha sairá como relâmpago”, à maneira de um relâmpago que lampeja sobre sua compreensão.)
Os mesmos dois níveis existem nas apreensões das almas no Gan Eden: a compreensão propriamente dita e aquilo que está acima dela. Esse nível superior é descrito por “Havayá será visto sobre eles, e Sua flecha sairá como relâmpago” (Zacarias 9:14): um lampejo sobre a compreensão.
וכמ״ש על פ׳ אז ישיר ישראל כו׳ עלי באר27 כו׳ וכן איתא בע״ח [בעץ חיים] שער אח״פ [אוזן חוטם פה] פ״ג [פרק ג׳] דראיה היא בחי׳ מקיף כו׳ ועד״ז יובן ענין השגת האריז״ל [האר״י זכרונו לברכה] הנ״ל שהיא בבחי׳ ראיה כו׳.
Como está escrito sobre o versículo “Então Israel cantou”, etc., “Brota, ó poço”, etc. E assim também consta em Etz Chaim, Shaar Ozen-Chotem-Peh, capítulo 3, que a visão é o nível de um makif (luz abrangente), etc. Desse modo, compreender-se-á a apreensão do Arizal mencionada acima, que era pelo modo da visão, etc.
O texto remete ao discurso sobre “Então Israel cantou … Brota, ó poço” (Números 21:17) e a Etz Chaim (portal Ozen-Chotem-Peh, capítulo 3), onde se afirma que a visão é um makif, uma luz abrangente que não é assimilada interiormente. A apreensão do Arizal era desse tipo.
וזהו ענין וירא ראשית לו ובחי׳ זו רצה להמשיך בכנס״י [בכנסת ישראל] וזהו ענין ואראה את הארץ כו׳ ועיין מה שכתוב מענין זה בביאור ענין קי״ס [קריעת ים סוף]28 ושם נתבאר שזהו בחי׳ עדן והוא שיתגלה לע״ל [לעתיד לבוא] ע״י משיח וז״ש [וזהו שכתוב] בזהר ואתחנן)
E este é o sentido de “E ele viu o princípio para si”; esse é o nível que ele desejava atrair para a Congregação de Israel (Knesset Yisrael), e este é o sentido de “e que eu veja a terra”, etc. Veja também o que está escrito sobre este assunto na explicação do Splitting of the Sea of Reeds; ali se explica que este é o nível de Eden, e que ele será revelado no Tempo Vindouro por meio de Mashiach. E é isto o que se diz no Zohar, Va'eschanan.)
Essa “visão” é o que significa “Ele viu o princípio para si”, e Moshe desejava atraí-la para a Congregação de Israel ao ver a Terra. A explicação do Splitting of the Sea, em Likkutei Torah, Tzav, chama esse nível de Eden, que será revelado por meio de Mashiach no Tempo Vindouro.
(דר״ס ע״ב)29 סיומא מלכא משיחא הוא30 כו׳ ע״ש וז״ש [וזהו שכתוב] במשה ועתה ישראל שמע31 כו׳ כי לא פעל המשכת בחי׳ ראיה הנ״ל בכנס״י [בכנסת ישראל] אלא בחי׳ שמיעה. אכן לע״ל [לעתיד לבוא] יתגלה בחי׳ זו כנ״ל:323334
(260b): “A conclusão é o Rei Mashiach”, etc.; veja ali. E isto é o que está escrito a respeito de Moshe: “E agora, Israel, ouve”, etc., pois ele não realizou a atração do nível da visão mencionado acima para a Congregação de Israel, mas somente o nível da audição. Contudo, no Tempo Vindouro, este nível será revelado, como mencionado acima.
O Zohar sobre Vaetchanan (260b) diz que Moshe foi o começo e que “a conclusão é o Rei Mashiach”. Por isso, Moshe disse a Israel: “E agora, Israel, ouve” (Deuteronômio 4:1): ele podia atrair para o povo somente a “audição”, não a “visão”, que será revelada no Tempo Vindouro.
A bênção sobre as mitsvot, instituída pelos Sábios, que são chamados “os olhos da congregação”, atrai um despertar do alto cuja raiz está no “olhar”, mais elevado do que a troca de mayin nukvin e mayin duchrin própria de Tohu e Tikun. Moshe, Yessod de Abá, desejou atrair essa “visão” para a Terra, mas atraiu apenas a “audição”; a visão aguarda o Tempo Vindouro e Mashiach.
A estrutura segue o Arizal: a união por meio de mayin nukvin e mayin duchrin pertence a Atsilut, o Mundo de Tikun, enquanto, acima dele, a revelação ocorre somente pelo olhar, como afirma Etz Chaim (Shaar Arich Anpin 14) a respeito de Abá e Imá contemplando a testa de Arich Anpin. A nota da Kehot remete o leitor a Hemshech 5672, vol. 3, do Rebe Rashab, para uma exposição extensa desse ensinamento. O discurso de Torah Ohr citado a respeito de “mais doce para mim” explica que uma mitsvá atrai uma luz interior, enquanto sua bênção atrai uma luz circundante, ponto ao qual o texto retorna na seção final.
Marei mekomot
- 1החכמה מאין מצא · Job 28:12
- 2כי ביום הזה יכפר · Leviticus 16:30
- 3זרע ברך הוי׳ · Isaiah 61:9
- 4ויצעקו אל ה׳ · Psalms 107:6
- 5עובר לעשייתן · Pesachim 7b:9–10
- 6עיני העדה · Numbers 15:24
- 7שע״י הסתכלו או״א או זו״נ בא״א · Sefer Etz Chaim 13:14
- 8חכלילי עינים · Genesis 49:12
- 9הקטן אינו מוליד · Sanhedrin 68b:8–10
- 10שאין לו דעת · Yevamot 104b:8–9
- 11חכמים שנק׳ עיני העדה · נסמן לעיל ב, ד.
- 12ע״פ אכלוהו היום · תו״א בשלח סה, ג.
- 13אכלוהו היום · Exodus 16:25
- 14ע״פ כי טובים דודיך · תו״א שמות נג, ב.
- 15כי טובים דודיך מיין · Song of Songs 1:2
- 16ע״פ ושאבתם מים בששון · לקמן דרושים לסוכות פ, ב.
- 17ושאבתם מים בששון · Isaiah 12:3
- 18אעברה נא ואראה את הארץ · Deuteronomy 3:25
- 19וחכמה היא בחי׳ ראי׳ · ראה פרדס שער ערכי הכנויים מערכת ראי׳.
- 20וחכמה היא בחי׳ ראיה · Pardes Rimmonim 23:20:1
- 21וירא ראשית לו · Deuteronomy 33:21
- 22שימשיך בה מבחי׳ ראיה . . שלמעלה מאתעדל״ת · מובא באוה״ת ויקרא כרך א ע׳ יח.
- 23השמים כסאי · Isaiah 66:1
- 24ואל זה אביט · Isaiah 66:2
- 25שפעם א׳ נכנס ר׳ אברהם . . פ׳ שנה · וע׳ לעיל פ׳ צו ד״ה והניף ספ״ה (יז, ב). וש״נ. [כ]. ראה בסה״מ תקס״ד ע׳ שכט בהערה לע׳ רג, מאמרי אדה״ז — פרשיות ע׳ תסד. באוה״ת כאן ע׳ נט-ס מובא הסיפור בשינויים בכמה פרטים.
- 26
- 27אז ישיר ישראל כו׳ עלי באר · Numbers 21:17
- 28בביאור ענין קי״ס · ד״ה והניף לעיל פ׳ צו יז, א. אוה״ת ואתחנן ע׳ קז ”בד״ה הנה ענין ים סוף”. וראה במ״מ לכת״י שבכמה כת״י נרשם התחלה זו לד״ה והניף הנ״ל.
- 29בזהר ואתחנן דר״ס ע״ב · בג״כ משה שירותא הוא בעלמא ואיתימא מאן הוה סיומא כו׳ סיומא דמלכא משיחא הוא” — אוה״ת ואתחנן ע׳ קז.
- 30סיומא מלכא משיחא הוא · Zohar, Vaetchanan 2:9–4:17
- 31ועתה ישראל שמע · Deuteronomy 4:1
- 32בע״ח שע״י הסתכלות . . כח הזווג . . בחי׳ ראי׳ לבד · ראה בארוכה המשך בששה״ק תער״ב ח״ג ע׳ א׳ת ואילך.
- 33ובמ״ח מס׳ זיווג או״א · פ״א אות ד.
- 34
O presente gratuito dos Treze Atributos ¶3
3ב וזהו ואתחנן1 אל2 ה׳ שהוא ענין מתנת חנם. והמגיד נ״ע [נשמתו עדן] פי׳3 במ״ש (במדבר י״א ה׳) זכרנו את הדגה אשר נאכל במצרים חנם4.
2. E este é [o sentido de] “E supliquei (va’eschanan) a Havayá”: trata-se de uma dádiva gratuita (matnat chinam). E o Maguid, de abençoada memória, explicou o que está escrito (Números 11:5): “Lembramo-nos do peixe que comíamos no Egito de graça (chinam).”
A seção 2 entende “E supliquei (va’eschanan) a Havayá” (Deuteronômio 3:23) como um pedido de dádiva gratuita (matnat chinam); va’eschanan compartilha sua raiz com chinam, “de graça”. O Maguid explicou isso por meio de “Lembramo-nos do peixe que comíamos no Egito de graça” (Números 11:5).
דפרש״י [דפירש רש״י / דפירוש רש״י] חנם מן המצות5 דהיינו שנמשך השפע ממקום גבוה שלמעלה מאתעדל״ת [מאתערותא דלתתא] אשר אין מגיע לשם העלאת מ״ן [מיין נוקבין] ממעשה המצות
Rashi explica: “De graça, sem mitsvot”; isto é, o fluxo foi atraído de um lugar elevado, acima do despertar de baixo, que não é alcançado pela elevação de mayin nukvin (águas femininas) decorrente da realização das mitsvot
Rashi explica “de graça” como “sem mitsvot”. O Maguid entende que, no Egito, o fluxo provinha de um nível acima de qualquer despertar de baixo, que não pode ser alcançado pelas mayin nukvin elevadas pela realização das mitsvot.
(Veja o Zohar, Parashat Behar, 108a; e veja o que está escrito sobre o versículo “E estas são as leis”, etc.: “e, no sétimo ano, sairá livre, de graça (chinam)”; veja lá.)
O Zohar sobre Behar (108a) entende “de graça” como “sem uma bênção”, pois no Egito eles não estavam sujeitos a nenhum jugo do Alto. O texto também remete ao discurso sobre “E estas são as leis”, a respeito do servo hebreu que “no sétimo ano sairá livre, de graça (chinam)” (Êxodo 21:2).
והנה כתיב חנון ורחום הוי׳ וכתיב הוי׳ רחום וחנון והענין שיש בחי׳ מדת רחמים הנמשכת משם הוי׳ וא״ז נאמר הוי׳ רחום וחנון כו׳
Ora, está escrito: “Gracioso e compassivo é Havayá”, e está escrito: “Havayá é compassivo e gracioso”. A explicação é que existe o nível do atributo da misericórdia que é atraído do Nome Havayá, e a respeito dele se diz: “Havayá é compassivo e gracioso”, etc.;
Dois versículos apresentam as mesmas palavras em ordens diferentes: “Gracioso e compassivo é Havayá” e “Havayá é compassivo e gracioso”. Quando o Nome vem primeiro, o versículo fala da misericórdia que flui do Nome Havayá.
אך יש בחי׳ רחמים שלמעלה משם הוי׳ שהם בחי׳ רחמים גדולים וע״ז נאמר חנון ורחום הוי׳ שהקדים בחי׳ חנון ורחום להיות הוי׳ (וכמ״ש במ״א ע״פ אשירה להוי׳8 ע״ש)
mas existe um nível de misericórdia acima do Nome Havayá, que é o nível da grande misericórdia (rachamim gedolim); a respeito dele se diz: “Gracioso e compassivo é Havayá”, colocando primeiro o nível de “gracioso e compassivo”, para que Havayá venha a existir (como está escrito em outro lugar, sobre o versículo “Cantarei a Havayá”; veja lá).
Quando “gracioso e compassivo” vem antes do Nome, essas qualidades denotam “grande misericórdia”, um nível acima de Havayá, do qual o próprio Havayá provém. O texto remete ao discurso sobre “Cantarei a Havayá”, em Torah Ohr, a esse respeito.
והיינו פי׳ ואתחנן אל ה׳ ולא נאמר כדכתיב גבי שלמה אשר התחננתי לפני9 הוי׳ מפני שבחי׳ החנון שנאמר בשלמה היא למטה משם הוי׳ וכענין הוי׳ רחום וחנון
E este é o sentido de “E supliquei a Havayá”; não está escrito, como a respeito de Shlomo: “que supliquei diante de Havayá”, pois o nível da graça mencionado em relação a Shlomo está abaixo do Nome Havayá, como em “Havayá é compassivo e gracioso”;
Assim, “supliquei a Havayá”, de Moshe, difere de “que supliquei diante de Havayá”, de Shlomo (1 Reis 8:59). A graça da súplica de Shlomo está abaixo do Nome, como em “Havayá é compassivo e gracioso”.
אבל ואתחנן אל ה׳ היינו שמשה המשיך מבחי׳ י״ג מדות הרחמים מקור האצילות אל בחי׳ הוי׳.
mas “E supliquei a Havayá” significa que Moshe atraiu do nível das Treze Atributos da Misericórdia, a fonte de Atsilut, para o nível de Havayá.
A súplica de Moshe, “a Havayá”, atraiu das Treze Atributos da Misericórdia, a fonte de Atsilut, para baixo, ao Nome Havayá. Essa é a misericórdia que está acima do Nome.
וזהו אל הוי׳ בעת ההיא שהוא בחי׳ זו״נ [זעיר אנפין ונוקבא] שע״י כח המשכה זו נמשך ונעשה יחוד זו״נ [זעיר אנפין ונוקבא] וכנז״ל [וכנזכר לעיל]
E este é o sentido de “a Havayá, naquele tempo”, que é o nível de Zeir Anpin e Nukvá: por meio da força desta atração, a união de Zeir Anpin e Nukvá é atraída e concretizada, como mencionado acima
“A Havayá, naquele tempo” refere-se a Zeir Anpin e Nukvá juntos. A força que Moshe atraiu para baixo provoca sua união, como no olhar descrito na seção anterior.
(ועפ״ז [ועל פי זה] יובן ג״כ מ״ש בספ״ד [בספרא דצניעותא]) (תרומה קע״ז10 א׳) בהאי זמנא אד׳11 ה׳ אתה החלות121314 כו׳
(E segundo este princípio, também se entenderá o que é dito no Sifra deTzniusa) (Terumah 177a): “Neste tempo, ‘Ado-nai Havayá, Tu começaste’ etc.”,
O Sifra deTzniusa, uma seção do Zohar (Terumah 177a), aplica as palavras de Moshe “Ado-nai Havayá, Tu começaste” (Deuteronômio 3:24) a um “tempo” específico. O texto diz que aquilo que acabou de explicar esclarece esta passagem.
דקאי על התגלות י״ג מדות הרחמים שבחדש תשרי ע״ש דלכאורה אינו מובן15 איך מרומז כאן ענין התגלות ההוא ולפמש״כ [ולפי מה שכתוב] א״ש [אתי שפיר]
o que se refere à revelação dos Treze Atributos de Misericórdia no mês de Tishrei; veja lá. Pois, à primeira vista, não se entende como a questão daquela revelação está aludida aqui; mas, segundo o que foi escrito, isso se esclarece:
O Zohar relaciona estas palavras à revelação dos Treze Atributos de Misericórdia no mês de Tishrei. À primeira vista, não está claro como as palavras de Moshe fazem alusão a isso, mas, à luz do que foi dito acima, a questão se esclarece.
כי זהו ענין אתה החלות דר״ל [דרוצה לומר] שאתה הוא המחיל מעצמך כי הוא בחי׳ אתעדל״ע [אתערותא דלעילא] שלמעלה מאתעדל״ת [מאתערותא דלתתא] והיינו ענין י״ג מדות הרחמים
pois este é o significado de “Tu começaste”: isto é, Tu és Aquele que começa por iniciativa própria, pois este é o nível do despertar do alto (isarusa dileila), que está acima do despertar de baixo; e esta é a questão dos Treze Atributos de Misericórdia.
“Tu começaste” significa que D'us começa por iniciativa própria: um despertar do alto que não espera um despertar de baixo. É isso que representam os Treze Atributos de Misericórdia.
וזהו ג״כ ענין ואתחנן כנ״ל וענין מ״ש ב׳ שמות אלו אד׳ ה׳ אתה החלות יובן עפמ״ש [על פי מה שכתוב] במ״א ע״פ כי כארץ תוציא צמחה1617 כו׳
E esta é também a questão de “E eu supliquei”, como mencionado acima. E por que estes dois Nomes são ditos, “Ado-nai Havayá, Tu começaste”, será entendido conforme o que está escrito em outro lugar sobre o versículo “Pois, assim como a terra faz brotar seu crescimento” etc.,
Isto também é o que significa “Eu supliquei”. Por que os dois Nomes Ado-nai e Havayá aparecem juntos é explicado no maamar sobre “Pois, assim como a terra faz brotar seu crescimento … assim Ado-nai Havayá fará brotar a justiça e o louvor” (Isaías 61:11).
כן אד׳ ה׳ יצמיח צדקה ותהלה שב׳ שמות אלו שם אד׳ הוא המאיר בר״ה [בראש השנה] ושם הוי׳ בניקוד אלקים הוא המאיר ביוה״כ [ביום הכפורים] והם המצמיחים וממשיכים אור וגילוי י״ג מדות הרחמים כו׳ ע״ש ועוי״ל [ועוד יש לומר] כי
“assim Ado-nai Havayá fará brotar a justiça e o louvor”: desses dois Nomes, o Nome Ado-nai é aquele que brilha em Rosh HaShaná, e o Nome Havayá com as vogais de Elokim é aquele que brilha em Yom Kipur; e são eles que fazem brotar e atraem a luz e a revelação dos Treze Atributos de Misericórdia etc.; veja lá. E também se pode dizer que,
Lá, os dois Nomes são relacionados às Grandes Festas: Ado-nai brilha em Rosh HaShaná, e Havayá, escrito com as vogais de Elokim, brilha em Yom Kipur; juntos, fazem brotar e descer a luz dos Treze Atributos. Em seguida, o texto apresenta outra explicação.
הנה באברהם אצל ברית בין הבתרים כשנאמר לו לתת לך את הארץ הזאת הזכיר גם כן ב׳ שמות אלו אד׳ הוי׳ במה אדע18
eis que, no caso de Avraham, na Aliança entre as Partes, quando lhe foi dito “para dar a ti esta terra”, ele também mencionou estes dois Nomes: “Ado-nai Havayá, como saberei
Na Aliança entre as Partes, quando D'us prometeu a Avraham “para dar a ti esta terra” (Gênesis 15:7), Avraham também usou ambos os Nomes em sua resposta: “Ado-nai Havayá, como saberei …”
que a herdarei?” Isso porque estes dois Nomes são, eles próprios, a raiz da “terra dos viventes”, que é chamada “as terras dos viventes”: duas terras, Malchut (soberania) e Biná (entendimento).
A pergunta de Avraham, “… que a herdarei?” (Gênesis 15:8), dizia respeito à Terra. Os dois Nomes são a raiz da “terra dos viventes”, que as Escrituras chamam no plural de “as terras dos viventes”: duas terras, Malchut e Biná.
כדפי׳ בפרדס בעה״כ [בערכי הכינויים] ערך ארץ21 וכמ״ש ע״פ וללבן שתי בנות2223 והן הן ב׳ שמות הנ״ל כנודע וע׳ מענין בארצות החיים24 בזהר ס״פ תרומה (דקע״ח סע״ב [סוף עמוד ב])25
Conforme explicado no Pardes, Erchei HaKinuyim, verbete “Eretz” (terra); e conforme está escrito sobre o versículo “E Lavan tinha duas filhas”; e elas são os dois Nomes mencionados acima, como é sabido. Veja também sobre a questão de “nas terras dos viventes” no Zohar, no fim de Parshas Terumah (fim de 178b).
O Pardes (Erchei HaKinuyim, em “Eretz”) diz que “a terra dos viventes” se aplica tanto a Biná quanto a Malchut. O texto também remete ao seu maamar sobre “E Lavan tinha duas filhas” (Gênesis 29:16), no qual Leah e Rachel são essas duas “terras”, e ao Zohar no fim de Terumah (178b).
ולכן משה שביקש ליכנס לארץ לכן הזכיר ג״כ ב׳ שמות אלו דייקא ועיין עוד מענין אתה החילות בפ׳ שמות (י״ג26 א׳) פ׳ שלח (קע״ד27 א׳)
E assim, Moshe, que pediu para entrar na Terra, mencionou especificamente também esses dois Nomes. Veja ainda sobre o assunto de “Tu começaste” em Parashat Shemot (13a), Parashat Shelach (174a),
Ao pedir para entrar na Terra, Moshe usou, portanto, os mesmos dois Nomes. O texto também remete o leitor às discussões do Zohar sobre “Tu começaste” em Parashat Shemot (13a) e Shelach (174a).
ומענין ואתחנן בפ׳ פינחס (רכ״ו28 א׳ ודר״ס ע״ב) וענין אעברה נא יש לפרש ג״כ על המשכות י״ג מדות הרחמים וע״ד שפי׳ פ׳ לך לך (דע״ט ע״ב)
e sobre o assunto de “E roguei” em Parashat Pinchas (226a, e 260b). “Deixa-me, por favor, atravessar” também pode ser explicado como referindo-se à atração dos Treze Atributos de Misericórdia, seguindo a explicação de Parashat Lech Lecha (79b)
Também se remete ao Zohar sobre “E roguei” em Pinchas (226a) e Vaetchanan (260b). “Deixa-me atravessar” também pode referir-se à atração dos Treze Atributos de Misericórdia, seguindo o Zohar sobre Lech Lecha (79b).
sobre o que está escrito: “E Avram atravessou a terra”: aqui está escrito “atravessou”, e lá está escrito: “E Havayá passou diante dele e proclamou”, etc.;
Esse Zohar relaciona “E Avram atravessou a terra” (Genesis 12:6) com “E Havayá passou diante dele e proclamou” (Exodus 34:6), o versículo que introduz os Treze Atributos de Misericórdia. A palavra comum “passou” une os dois.
ע״ש בפי׳ הרמ״ז [הרב משה זכות] וכך הפי׳ כאן בענין אעברה נא להמשיך מבחי׳ ויעבור כו׳ אל הארץ והיינו ע״י ואראה כו׳ וכנ״ל.33
veja ali o comentário do Ramaz. E este é também o sentido aqui, no assunto de “Deixa-me, por favor, atravessar”: atrair para a Terra do nível de “E Ele passou”, etc.; e isso se dá por meio de “e deixa-me ver”, etc., como mencionado acima.
O texto se refere ao comentário do Ramaz sobre aquele Zohar. Assim, o pedido de Moshe, “deixa-me atravessar”, significa atrair para a Terra a “passagem” dos Treze Atributos, o que deveria ocorrer por meio de sua visão dela.
A súplica de Moshe, va’eschanan, pede uma dádiva gratuita das Treze Atributos da Misericórdia, acima do Nome Havayá: um despertar do Alto que não depende de um despertar de baixo. Por isso, ele mencionou Ado-nai e Havayá, raízes das duas “terras dos viventes”, Malchut e Biná, buscando atrair essa misericórdia para dentro da Terra.
O discurso de Torah Ohr sobre “Cantarei a Havayá” chama a misericórdia que precede o Nome em “Gracioso e compassivo é Havayá” de treze medidas da misericórdia, a fonte de Atsilut: uma compaixão sem proporção com seu objeto, que é atraída para o Nome Havayá por meio de um despertar de baixo, mediante tsedacá e mishpat. A nota de Kehot cita o Zohar sobre Pinchas: quem deseja unir as letras precisa de súplica e rogo; por isso Moshe disse “E supliquei a Havayá”, mencionando o Nome Ado-nai.
Marei mekomot
- 1ואתחנן · Zohar, Pinchas 42:237–57:348
- 2ואתחנן אל ה׳ · Deuteronomy 3:23
- 3והמגיד נ״ע פי׳ · ראה גם אוה״ת שה״ש ע׳ תשמח, וע׳ א׳ג.
- 4
- 5חנם מן המצות · Rashi on Numbers 11:5:1
- 6ואלה המשפטים · Exodus 21:1
- 7
- 8ע״פ אשירה להוי׳ · תו״א סג, ב.
- 9אשר התחננתי לפני הוי׳ · I Kings 8:59
- 10מ״ש בספ״ד (תרומה קע״ז א׳) · נעתק באוה״ת ואתחנן ע׳ קיט ע״ש.
- 11בהאי זמנא אד׳ ה׳ אתה החלות · Zohar, Sifra DiTzniuta 2:13–3:26
- 12אד׳ ה׳ אתה החלות · Deuteronomy 3:24
- 13אתה החילות · Zohar, Shemot 22:213–23:222
- 14אתה החילות · Zohar, Sh'lach 45:309–314
- 15דלכאורה אינו מובן · ראה שם באוה״ת.
- 16ע״פ כי כארץ תוציא צמחה · לקמן פ׳ נצבים נא, א.
- 17כי כארץ תוציא צמחה · Isaiah 61:11
- 18לתת לך . . במה אדע · Genesis 15:7
- 19במה אדע כי אירשנה · Genesis 15:8
- 20הארץ החיים · Pardes Rimmonim 23:1:213
- 21בפרדס בעה״כ ערך ארץ · ”ארץ החיים יתייחס על מל׳ ובינה המל׳ שמקבלת מעץ החיים שהוא ז״א ע״י היסוד הנקרא אל חי” — אוה״ת בראשית כרך ה תתצה, א.
- 22ע״פ וללבן שתי בנות · תו״א כב, ד.
- 23
- 24בארצות החיים · Psalms 116:9
- 25בזהר ס״פ תרומה (דקע״ח סע״ב) · ביהל אור ע׳ תמד על הפסוק בארצות החיים מעתיק מהזהר: ”יהי רקיע ויהי מבדיל בין מים למים בין קדש ובין קדה״ק בין עתיקא לז״א וסמוך לזה אתהלך לפני ה׳ בארצות החיים משמע כנ״ל דב׳ ארצות הא׳ הגילוי מז״א שהוא ענין חיים הב׳ מע״ק חיי החיים כו׳”. ”בענין יהי רקיע כו׳ והיינו כי בבינה נמשך ממו״ס” — אוה״ת בראשית כרך ה תתצה, א. ובהקיצור שם ”ב׳ ארצות החיים מל׳ נקראת ארץ החיים שמקבלת החיים מז״א הנק׳ עץ החיים ובינה נק׳ ארץ החיים שמקבלת מבחי׳ כי עמך מקור חיים והוא בחי׳ שלמעלה מעץ החיים”.
- 26בפ׳ שמות (י״ג א׳) · נעתק באוה״ת ואתחנן ע׳ קיט.
- 27פ׳ שלח (קע״ד א׳) · נעתק באוה״ת ואתחנן ע׳ קיט.
- 28בפ׳ פינחס (רכ״ו א׳ ודר״ס ע״ב) · ”זח״ג פנחס דרכ״ו א׳ ומאן דבעי לייחדא אתוון צריך בתחנה ובתחנונים. ובג״ד ואתחנן אל ה׳ באד׳ לשכינתא בתחנונים ולקב״ה ברחמי כו׳” — אוה״ת ואתחנן ע׳ קיח.
- 29ויעבר אברם בארץ · Genesis 12:6
- 30כתיב הכא ויעבר וכתיב התם ויעבר ה׳ על פניו · Zohar, Lech Lecha 9:60–10:68
- 31ויעבר ה׳ על פניו · Exodus 34:6
- 32בזהר פ׳ בהר דק״ח ע״א · ”כתיב זכרנו את הדגה אשר נאכל במצרים חנם בלא ברכה דלא הוו עלן במצרים עול דלעילא” — אוה״ת בהעלותך ע׳ שפה.
- 33
“Teu D'us” e “nosso D'us”; luz circundante e luz interior ¶4
Ora, com isso se compreenderá por que, na maior parte do Mishneh Torá [Deuteronômio], está escrito “Havayá, teu D'us”, enquanto no versículo “Ouve, Israel” está escrito “Havayá, nosso D'us”.
A mesma ideia explica um padrão em Deuteronômio (Mishneh Torá): em geral, Moshê diz “Havayá, teu D'us”, mas no Shemá diz “Havayá, nosso D'us” (Deuteronomy 6:4).
והענין דהוי׳ אלקיך היינו הלבשות אור א״ס במוחין דזו״נ [דזעיר אנפין ונוקבא] שמשם מקבלים כל נשמות ישראל ובאי הארץ.
A explicação é que “Havayá, teu D'us” significa a investidura da Luz Infinita (Or Ein Sof) no intelecto (mochin) de Zeir Anpin e Nukvá, de onde recebem todas as almas de Israel e aqueles que entraram na Terra.
“Havayá, teu D'us” é a Luz Infinita tal como está investida no intelecto (mochin) de Zeir Anpin e Nukvá. De lá recebem todas as almas de Israel, inclusive a geração que entrou na Terra.
אבל מרבע״ה [משה רבינו עליו השלום] שזכה לבינה2 נקרא איש אלקים3 שהיה למעלה מבחי׳ מל׳ דאצי׳ שהיא בחי׳ דבור והיה כבד פה4 שלא יכול להשפיל א״ע [את עצמו] בבחי׳ דבור רק שכינה מדברת מתוך גרונו של משה5
Mas Moshê, nosso mestre — que a paz esteja sobre ele —, que alcançou Biná (entendimento), é chamado “homem de D'us (ish Elokim)”, pois estava acima do nível de Malchut de Atsilut, que é o nível da fala; e era “pesado de boca”, pois não podia rebaixar-se ao nível da fala; em vez disso, a Shechiná (Presença Divina) falava de dentro da garganta de Moshê.
Moshê alcançou Biná (o Talmud diz que lhe foram concedidos todos os cinquenta portões do entendimento, exceto um, Rosh HaShanah 21b) e é chamado “o homem de D'us” (Deuteronomy 33:1), pois estava acima de Malchut de Atsilut, o nível da fala. Por isso era “pesado de boca” (Exodus 4:10): não podia rebaixar-se à fala, e a Shechiná falava de sua garganta.
ולכן אמר על מוחין דזו״נ [דזעיר אנפין ונוקבא] הוי׳ אלקיך דייקא כי משה עצמו זכה לבינה שמקבל מאו״א [מאבא ואימא] ששם גילוי אור א״ס יור כו׳ (וע׳ בע״ח [בעץ חיים] שער רחל ולאה ספ״ו ועיין בסה״מ [בספר הדרת מלך] סי׳ קנ״ו דפ״ו ע״ב)
Por isso, ao falar do intelecto de Zeir Anpin e Nukvá, disse especificamente “Havayá, teu D'us”, pois o próprio Moshê alcançou Biná e, assim, recebia de Abá e Imá (Chochmá e Biná), onde a Luz Infinita se revela mais, etc. (E veja Etz Chaim, Shaar Rachel and Leah, fim do capítulo 6; e veja Sefer Hadras Melech, seção 156, fólio 86b.)
Assim, ao falar do nível de Zeir Anpin e Nukvá, disse “teu D'us”: esse era o nível do povo, não o dele, pois Moshê estava em Biná e, portanto, recebia de Abá e Imá, onde a Luz Infinita se revela mais. O texto cita Etz Chaim (o Portão de Rachel e Leah) e Hadras Melech a esse respeito.
ואמנם בפסוק ראשון דק״ש [דקריאת שמע] שמע ישראל שהוא יחוד או״א [אבא ואימא] אמר הוי׳ אלקינו כו׳ וזהו שבמשה נאמר וירא ראשית לו6 הוא בחי׳ ח״ע [חכמה עילאה]
Entretanto, no primeiro versículo do Shemá, “Ouve, Israel”, que é a união de Abá e Imá, disse “Havayá, nosso D'us”, etc. E é por isso que se diz sobre Moshê: “E viu para si o princípio”: esse é o nível da Chochmá superior (Chochmá Ilaá).
No primeiro versículo do Shemá, que fala da união de Abá e Imá — um nível que também era dele —, disse “Havayá, nosso D'us”. Isso corresponde a “Viu para si o princípio (reishit)”: o nível de Moshê é a Chochmá superior (Chochmá Ilaá).
ולכן משה רצה וראאה את הארץ בחי׳ ארץ חפץ7 היא כנס״י [כנסת ישראל] שימשיך בה מבחי׳ זו דייקא.
Por isso Moshê desejou: “e deixa-me ver a Terra”, o nível de “uma terra desejável”, que é a Congregação de Israel, para que atraísse para ela especificamente desse nível.
Assim, Moshê desejou “ver a Terra”. A Terra é a Congregação de Israel, chamada “uma terra desejável” (Malachi 3:12), e ele queria atrair para ela precisamente desse nível de Chochmá.
אך לא פעל זאת שיעבור בארץ שאז היה משפיע בה בבחי׳ א״פ [אור פנימי] כ״א ראה אותה מרחוק שעי״ז הראי׳ [הראיה] מרחוק נמשך לה בחי׳ אור מקיף
Mas não conseguiu realizar isso — atravessar a Terra —, pois então teria lhe concedido por meio de uma luz interior (Or Pnimi); em vez disso, viu-a de longe, e por meio dessa visão à distância foi atraído para ela o nível da luz circundante (Or Makif),
Não lhe foi concedido atravessar a Terra, o que teria feito a luz penetrar nela interiormente (Or Pnimi). Ele apenas a viu de longe, e essa visão à distância atraiu para ela uma luz circundante (Or Makif).
ולא בחי׳ א״פ [אור פנימי] ממש והוא ענין ברכת המצות שהוא אתעדל״ע [אתערותא דלעילא] בבחי׳ מקיף עובר לעשייתן ע״ד עובר לסוחר8 כו׳
e não uma luz interior propriamente dita. Esse é o sentido da bênção sobre as mitsvot, que é um despertar do alto (itaruta dile'eila) na modalidade de um makif: “over la'assiyatan” (“antes de sua realização”), como em “over lasocher” (“corrente com o mercador”), etc.
Isso é semelhante à bênção sobre as mitsvot, um despertar do alto na modalidade de um makif. A palavra usada pelo Talmud para “antes” em “antes de sua realização” é over, a mesma palavra que em over lasocher, dinheiro “corrente com o mercador”, que passa de mão em mão (Genesis 23:16): uma luz que passa por cima e circunda, em vez de penetrar.
מה שאין כן להיות הגילוי אתעדל״ע [אתערותא דלעילא] בבחי׳ פנימי׳ [פנימיות / פנימית] ממש אינו אלא ע״י אתעדל״ת [אתערותא דלתתא] תחלה והוא הנמשך ע״י קיום המצו ועמ״ש בביאור ע״פ אלה מסעי9 כו׳
Ao passo que, para que a revelação do despertar do alto se dê de maneira verdadeiramente interior, isso só ocorre por meio de um despertar de baixo (isarusa dilesata) primeiro; e é isso que é atraído pelo cumprimento das mitsvot. E veja o que está escrito na explicação sobre o versículo “Estas são as jornadas”, etc.
Para que o despertar do alto seja revelado interiormente, é preciso primeiro um despertar de baixo: a prática efetiva das mitsvot. O texto remete à explicação sobre “Estas são as jornadas” (Numbers 33:1).
(וע׳ מ״ש בביאור ע״פ צאינה וראינה.10 והנה הגם שתורה צוה לנו משה11 מורשה והרי התורה היא אתעדל״ע [אתערותא דלעילא] שלמעלה מאתעדל״ת [מאתערותא דלתתא] וא״כ איך לא נתקיימה בקשה זו עכשיו וגם הרי כבר ניתנה התורה קודם שביקש משה ואתחנן כו׳
(E veja o que está escrito na explicação sobre o versículo “Saí e vede”. Ora, embora “Moshe nos ordenou a Torá, herança”, e a Torá seja um despertar do alto, acima do despertar de baixo, como, então, esse pedido não foi atendido agora? Além disso, a Torá já havia sido dada antes de Moshe pedir: “E roguei”, etc.
Numa longa digressão entre parênteses, depois de remeter à explicação sobre “Saí e vede” (Song of Songs 3:11), o texto apresenta uma pergunta. A Torá que Moshe nos deu (Deuteronomy 33:4) é, ela própria, um despertar do alto, acima de qualquer despertar de baixo; por que, então, o pedido dele não foi atendido por meio dela, sobretudo porque a Torá foi dada antes de ele rogar?
אלא הענין שהרי ארז״ל [אמרו רבותינו זכרונם לברכה] כל האומר אין לי אלא תורה12 אפילו תורה אין לו. כי גם המשכה זו שע״י התורה צ״ל ע״י שיתפלל תחלה מקרב איש ולב עמוק13 וכמ״ש במ״א שזהו ענין קומי לך רעיתי14 כו׳
Mas a explicação é a seguinte: nossos Sábios, de abençoada memória, disseram: “Quem diz: ‘Não tenho nada além da Torá’, nem mesmo Torá tem.” Pois também essa atração, que se dá por meio da Torá, precisa vir depois de se rezar primeiro “do íntimo do homem e de um coração profundo”, como está escrito em outro lugar: este é o sentido de “Levanta-te, vai, minha amada”, etc.:
Os Sábios disseram que quem afirma “Não tenho nada além da Torá” nem mesmo Torá tem (Yevamot 109b). Até mesmo a luz da Torá precisa ser precedida pela oração “do íntimo do homem e de um coração profundo” (Psalms 64:7); e isso é “Levanta-te, vai, minha amada” (Song of Songs 2:10).
קומי לך זהו ענין התפלה ועי״ז אח״כ תהיה רעיתי בחי׳ לכו לחמו15 שהוא עסק התורה כמשנ״ת [כמו שנתבאר] ע״פ יונתי בחגוי הסלע16 כו׳ והגם שהתורה היא באמת המשכה ממקום שלמעלה מאתעדל״ת [מאתערותא דלתתא] אך שהוא כמ״ש ע״פ פתחי לי אחותי רעיתי.17
“Levanta-te, vai” é o sentido da oração; por meio dela, depois haverá “minha amada” (ra'yasi), o nível de “Vinde, comei do meu pão”, que é o estudo da Torá, conforme explicado sobre o versículo “Minha pomba, nas fendas da rocha”, etc. E embora a Torá seja, na verdade, uma atração proveniente de um lugar acima do despertar de baixo, ainda assim, é como está escrito sobre o versículo “Abre para Mim, minha irmã, minha amada”.
“Levanta-te, vai” é a oração; depois vem “minha amada” (ra'yasi), que o texto associa a “Vinde, comei do meu pão” (Proverbs 9:5), o estudo da Torá, conforme explicado sobre “Minha pomba, nas fendas da rocha” (Song of Songs 2:14). A Torá realmente provém de acima do despertar de baixo, mas atua como em “Abre para Mim, minha irmã, minha amada” (Song of Songs 5:2).
שארז״ל [שאמרו רבותינו זכרונם לברכה] פתחי לי כחודה של מחט ואני אפתח לך כפתחו של אולם שעם היו פתחו של אולם לא היה לו דלתות והוא פתוח תמיד שהוא רומז להמשכת אתעדל״ע [אתערותא דלעילא] שאינו תלוי במעשה התחתונים
Pois nossos Sábios, de abençoada memória, disseram: “Abre para Mim como o olho de uma agulha, e Eu abrirei para ti como a entrada do Salão (Ulam).” Ora, embora a entrada do Salão não tivesse portas e estivesse sempre aberta — o que alude à atração de um despertar do alto que não depende das ações dos seres inferiores —,
Os Sábios interpretaram esse versículo: D'us diz: “Abre para Mim como o olho de uma agulha, e Eu abrirei para ti como a entrada do Salão.” A entrada do Salão (Ulam) do Templo não tinha portas e estava sempre aberta, o que alude a um despertar do alto que não depende das ações daqueles que estão embaixo.
אך מ״מ אינה שורה ומתגלה אלא כשיש שלימות למטה שהרי א״א להגיע לפתחו של אולם עד שיפתח תחלה הפתחים שיש להן דלתות שהיו קודם האולם שזהו ענין אתעדל״ע [אתערותא דלעילא] פתחי לי כו׳.
Ainda assim, essa luz só repousa e se revela quando há completude embaixo; pois é impossível chegar à entrada do Salão antes de se abrirem primeiro as entradas que têm portas, situadas antes do Salão. Este é o sentido do despertar do alto: “Abre para Mim”, etc.
No entanto, essa luz só repousa e se revela quando há completude embaixo: não se pode chegar à entrada aberta do Salão sem antes abrir os portões com portas que ficam diante dela. Isso é “Abre para Mim”: a abertura embaixo que permite que o despertar do alto se manifeste.
וכך להיות מגיע להמשכת אור זה שע״י התורה שהיא אתעדל״ע [אתערותא דלעילא] מבחי׳ עליונה מאד הוא ע״י פתחי לי תחלה וה״ע [וזהו ענין] התפלה כו׳ ועם היות שגם ע״י התורה לבד גם בלי הקדם התפלה נמשך ג״כ המשכה עליונה מבחי׳ אתעדל״ע [אתערותא דלעילא] לבד
Da mesma forma, para alcançar a atração dessa luz que vem por meio da Torá, que é um despertar do alto proveniente de um nível extremamente elevado, é preciso primeiro “Abre para Mim”; e esse é o sentido da oração, etc. E embora, somente por meio da Torá, mesmo sem que a oração a preceda, também seja atraída uma atração elevada, do nível do despertar do alto por si só,
Do mesmo modo, para alcançar a luz extremamente elevada que vem por meio da Torá, é preciso primeiro “abrir”; e essa abertura é a oração. A Torá estudada sem oração prévia também atrai uma luz elevada, proveniente apenas do despertar do alto.
אך עכ״ז [עם כל זה] הרי נודע שיש מעלות ומדרגות אין קץ בהמשכה זו ולכן לא דמי התורה שקודם התפלה לעסק התורה שאחר התפלה כמ״ש במ״א שזהו מאמר אבא בנימין על תפלתי שתהא סמוכה למטתי18 כו׳ ועמ״ש סד״ה אדם כי יקריב מכם.19
Ainda assim, sabe-se que há infinitos níveis e graus nessa atração. Portanto, a Torá que precede a oração não se compara ao estudo da Torá que vem depois da oração, como está escrito em outro lugar: esse é o sentido da declaração de Abba Binyamin: “que minha oração esteja próxima da minha cama”, etc. E veja o que está escrito ao final do discurso que começa com “Quando alguém dentre vós trouxer uma oferta”.
No entanto, essa atração possui infinitos graus, de modo que a Torá estudada antes da oração não se compara à Torá estudada depois da oração. Esse é o tema da preocupação de Abba Binyamin de que sua oração estivesse próxima de sua cama (Berakhot 5b); o texto também remete ao final do discurso sobre “Quando alguém dentre vós trouxer uma oferta” (Leviticus 1:2).
אך עיקר בקשת משה היה להמשיך בחי׳ ראיה בעסק התורה על דרך מה שאמר דעה״ע גל עיני ואביטה נפלאות מתורתך:)2021
Mas a essência do pedido de Moshe era atrair o nível da visão para o estudo da Torá, à maneira do que disse o rei David, que a paz esteja sobre ele: “Abre meus olhos, para que eu contemple maravilhas da Tua Torá.”)
O pedido principal de Moshe, porém, era atrair a “visão” para o próprio estudo da Torá. É como a oração do rei David: “Abre meus olhos, para que eu contemple maravilhas da Tua Torá” (Salmos 119:18).
Moshê, em Biná e Chochmá, viu a Terra somente de longe e, assim, atraiu para ela uma luz circundante, como a bênção sobre as mitsvot; já a luz interior requer primeiro um despertar de baixo. Mesmo a Torá, que é um presente do alto, só é plenamente recebida depois da oração, e o desejo mais profundo de Moshê era trazer a “visão” ao estudo da Torá.
O Or HaTorah do Tzemach Tzedek (Nach, vol. 1, p. 368) cita a ideia de que ver de longe atrai apenas uma luz circundante e acrescenta que ela também se aplica à atração de Chochmá para Malchut. A imagem do Salão sem portas, ao qual só se chega pelos portões com portas que o precedem, expressa o equilíbrio do maamar: o despertar do alto não depende dos que estão embaixo, mas só repousa e se revela por meio do despertar de baixo.
Marei mekomot
- 1שמע ישראל · Deuteronomy 6:4
- 2מרבע״ה שזכה לבינה · Rosh Hashanah 21b
- 3נק׳ איש אלקים · Deuteronomy 33:1
- 4והי׳ כבד פה · Exodus 4:10
- 5שכינה מדברת מתוך גרונו של משה · Zohar III, 219a
- 6וירא ראשית לו · Deuteronomy 33:21
- 7ארץ חפץ · Malachi 3:12
- 8עובר לסוחר · Genesis 23:16
- 9אלה מסעי · Numbers 33:1
- 10צאינה וראינה · Song of Songs 3:11
- 11שתורה צוה לנו משה · Deuteronomy 33:4
- 12כל האומר אין לי אלא תורה · Yevamot 109b:4–5
- 13מקרב איש ולב עמוק · Psalms 64:7
- 14קומי לך רעיתי · Song of Songs 2:10
- 15לכו לחמו · Proverbs 9:5
- 16יונתי בחגוי הסלע · Song of Songs 2:14
- 17פתחי לי אחותי רעיתי · Song of Songs 5:2
- 18על תפלתי שתהא סמוכה למטתי · Berakhot 5b:21–22
- 19אדם כי יקריב מכם · Leviticus 1:2
- 20גל עיני ואביטה נפלאות מתורתך · Psalms 119:18
- 21שעי״ז הראיה מרחוק . . ולא אור פנימי ממש · מובא באוה״ת נ״ך כרך א ע׳ שסח ומוסיף ”וקאי גם כן על ההמשכה מחכמה במל׳”.
Terminou o maamar?
Marque-o como estudado; ele conta para a semana e para o siyum do ano.
Na avodá
O maamar extrai sua própria lição: a Torá, embora seja um presente do alto, só é recebida plenamente depois da prece que vem do fundo do coração, como em “Abre para Mim como o olho de uma agulha”. A Torá estudada depois da prece não se compara à Torá estudada antes dela, e o objetivo mais profundo é trazer “visão” ao próprio estudo: “Abre meus olhos, para que eu contemple maravilhas da Tua Torá”.
Perguntas para conversar
- Por que a bênção sobre uma mitsvá é recitada antes do ato, e o que a palavra sobre (“passando”) ensina sobre o tipo de luz que ela atrai?
- Como a “visão” difere da compreensão, conforme ilustra a história das duas horas de sono do Arizal?
- Por que Moshe disse “Havayá, teu D'us” ao longo de Deuteronômio, mas “Havayá, nosso D'us” no Shemá?
- Se a Torá é um presente do alto, por que a prece deve vir primeiro, e o que acrescenta a parábola da entrada aberta do Salão?
- Qual é a diferença entre “Supliquei a Havayá”, de Moshe, e “a quem supliquei diante de Havayá”, de Shlomo?