Likkutei Torah · Parshas Re’eh · Maamar 9
ביאור הדברים בענין א״ת בניך שהוא בחי׳ אהבה…
Uma explicação de “Não leia banayich”
A ideia central
O amor (banayich, “teus filhos”) constrói os atributos emocionais a partir de Biná, mas Malchut, a “casa” que desce aos mundos inferiores, deve ser construída por bonayich, “teus construtores”: a Torá e o temor enraizados em Chochmá, cuja contenção permite que a luz de D'us chegue apenas onde há bitul. Acima de ambos, a tsedacá atrai a própria essência de D'us, o próprio Rei, para uma morada nos mundos inferiores.
O maamar em resumo
O maamar explica a leitura dos Sábios de Isaías 54:13: “Não leia banayich (teus filhos), mas bonayich (teus construtores).” Banayich é o amor, enraizado em Biná; bonayich é a construção de Malchut, que deve provir das guevurot, pois Malchut desce a mundos onde existem as kelipot. Essa contenção, a “linha de medida” que concede a luz de D'us somente na proporção do bitul, provém de Chochmá; por isso, os construtores são estudiosos da Torá, e seu temor completo está acima do amor. Os atos daqueles que estão abaixo podem acrescentar luz, assim como a Destruição a retirou. A segunda seção interpreta “verav shalom” segundo o acento tipchá: da multiplicidade de rav, de Esav, faz-se a paz, e a “floresta” torna-se uma “cidade”, pois as kelipot não têm domínio em Chochmá. A terceira seção acrescenta “por meio da tsedacá serás estabelecida”: a caridade atrai a luz circundante que protege a cidade e alcança Kéter, acima da oração (Biná) e da Torá (Chochmá). A parábola do Midrash sobre a matrona, que só fica plenamente alegre quando o próprio rei retorna, mostra que a tsedacá traz a essência de D'us, acima de todos os “filhos”.
Esquema
- Filhos e construtoresO amor (banayich) provém de Biná, enquanto Malchut é construída a partir das guevurot enraizadas no bitul de Chochmá, a linha de medida que impede que a luz chegue às kelipot. Os atos daqueles que estão abaixo podem acrescentar ou retirar luz, e a Torá, junto com o temor completo, reconstrói Jerusalém com luz acrescentada.¶1–2
- A paz feita da multiplicidadeVerav shalom: a multiplicidade de Esav é refinada e convertida em unidade por meio de Chochmá, onde as kelipot não têm domínio; o ayin suspenso de ya'ar e o ayin grande de Shemá; a Torá como “norte” e “ouro”; e a necessidade de banayich antes de bonayich.¶3–7
- Tsedacá e luz circundanteA caridade atrai a luz circundante que protege a cidade e traz “grande salvação”, como demonstram as festas de Tishrei; os três estágios correspondem a Biná, Chochmá e Kéter.¶8–9
- A parábola da matronaAs noras, as filhas e a própria Tsion são os três amores, com todo o coração, toda a alma e todo o poder; somente a vinda do próprio Rei, atraída por meio da tsedacá, proporciona alegria completa: uma morada para a essência de D'us embaixo.¶10–14
- A macieira entre as árvores da florestaAssim como o esplendor de Atsilut se destaca entre as hostes dos mundos inferiores, o esplendor “saltitante” do Infinito se destaca acima de Atsilut, e só vem após banayich e bonayich, por meio da tsedacá.¶15
Conceitos-chave
- banayich e bonayichבניך / בוניך
- “Teus filhos” e “teus construtores”: o amor enraizado em Biná e a construção de Malchut por meio da Torá e do temor enraizados em Chochmá.
- a linha de medida (kav hamiddah)קו המדה
- A Guevurá de Atik Yomin investida na Chochmá oculta, que distribui a luz de D'us a cada mundo e recipiente segundo seu bitul.
- autoanulação (bitul)ביטול
- Afastar o próprio senso de identidade diante de D'us; a condição para receber Sua luz, que se verifica plenamente em Chochmá e parcialmente nos mundos inferiores.
- verav shalomורב שלום
- Lido em duas etapas: rav, a multiplicidade e separação associadas a Esav, e a paz que dela se faz quando é refinada e convertida à unidade de D'us.
- luz interior e luz circundanteאור פנימי / אור מקיף
- A luz recebida interiormente (oração e Torá, Biná e Chochmá) e a luz grande demais para ser contida, que protege de fora (tsedacá, Kéter).
- tsedacáצדקה
- Caridade, a expressão geral e coletiva de todas as mitsvot; alcança Kéter e atrai a própria essência de D'us.
- Anochiאנכי
- A essência oculta de D'us, “melhor do que dez filhos”, revelada por meio da tsedacá para fazer uma morada nos mundos inferiores.
Filhos e construtores ¶1–2
1ביאור הדברים1 בענין א״ת [אל תקרי] בניך שהוא בחי׳ אהבה שנק׳ בן2 בחי׳ ז״א רובו מהחסדים אלא בוניך בנין הנוק׳ [הנוקבא] הוא מהגבורות כי מלכות יורדת בבי״ע ומחיה גם ק״נ [קליפת נוגה] ושלמטה מטה מנוגה.
Uma explicação do assunto de “Não leias banayich (teus filhos)” — que é o nível do amor, chamado “filho”, o nível de Zeir Anpin (os atributos emocionais), cuja maior parte provém dos chassadim (bondades) —, “mas bonayich (teus construtores)”: a construção de Nukvá (o feminino) provém das guevurot (contenções), pois Malchut desce a Beriá, Yetsirá e Assiá e dá vida também à kelipat nogá, e ao que está muito, muito abaixo de nogá.
Este maamar é uma explicação adicional (biur) do discurso sobre o versículo “E todos os teus filhos (banayich) serão ensinados por Havayá”, que os Sábios leem como “Não leias banayich, teus filhos, mas bonayich, teus construtores”. “Filhos” representa o amor, que é Zeir Anpin, constituído em sua maior parte de chassadim (bondades); “construtores” representa a construção de Malchut (Nukvá), que provém das guevurot, as forças de contenção e limitação. A razão é que Malchut desce aos mundos inferiores e dá vida até mesmo, à distância, à kelipat nogá (a “casca luminosa”, uma mistura de bem e mal) e às kelipot ainda inferiores.
והנה בקדושה בחינת ביטול משא״כ בלעומת זה בחי׳ יש ואעפ״כ [ואף על פי כן] מחמת שקבלת שפעם מבחי׳ מל׳ דקדושה ע״כ קרו ליה אלקא דאלקייא3
Ora, na santidade há a qualidade da autoanulação (bitul), ao passo que naquilo que se opõe a ela há a qualidade de yesh (existência como algo); e, mesmo assim, como recebem seu sustento do nível de Malchut da santidade, por isso “chamam-No de D'us dos deuses”.
Na santidade, um ser reconhece que é nada diante de D'us (bitul); o domínio oposto à santidade vivencia a si mesmo como uma existência independente e separada (yesh). Ainda assim, até esse domínio extrai sua força vital de Malchut da santidade e, por isso, como diz o Talmud, “chamam-No de D'us dos deuses”: reconhecem-No como a fonte que está acima de seus próprios poderes.
והנה מצד עצמות א״ס אין תופס מקום להפריש שלא יומשך השפע רק במי שבטל דוקא כי כולא קמיה כלא חשיב
Ora, do ponto de vista da essência do Infinito (Ein Sof), não há lugar para fazer uma distinção e fazer com que o sustento seja atraído especificamente apenas para aquele que é anulado, pois “tudo diante Dele é considerado como nada”,
Do ponto de vista da própria essência de D'us, não há razão para favorecer um recipiente em detrimento de outro, pois diante Dele tudo, tanto o santo quanto o profano, é como nada. Portanto, a regra de que o fluxo se dirige apenas àquilo que é anulado não pode provir da própria Essência.
e “Se és justo, o que [Lhe dás]?”, etc. E, por isso, “a aranha se agarra com as mãos”, como é explicado no discurso que começa “E um homem lutou” e no discurso que começa “E aconteceu que, quando o Faraó enviou”.
As palavras de Eliú em Jó, “Se és justo, o que Lhe dás?”, expressam a mesma ideia: os atos de uma pessoa nada acrescentam à essência de D'us. Provérbios diz: “a aranha se agarra com as mãos, e está nos palácios do rei”; até uma criatura insignificante se instala no palácio do Rei, pois, do ponto de vista da Essência, nada é excluído. Dois outros discursos, “E um homem lutou” (Torah Ohr, Vayishlach) e “E aconteceu que, quando o Faraó enviou”, desenvolvem esse tema.
אך ע״י בחי׳ הגבורות שבמל׳ הוא ענין שמאן דוחה שלא יומשך לחיצונים שאין בהם ביטול רק בצמצום משום דמ״מ קרו לי׳ אלקא דאלקייא ועיקר השפע יומשך במי שבטל דהיינו בקדושה מלאכים ונשמות כו׳
Contudo, por meio do nível das guevurot que estão em Malchut, ocorre o afastamento pela esquerda, para que [o sustento] não seja atraído às forças externas, nas quais não há bitul, exceto numa medida contraída (tsimtsum) — pois, de todo modo, “chamam-No de D'us dos deuses” —, enquanto o sustento principal é atraído para aquele que é anulado, isto é, para a santidade: os anjos e as almas, etc.
A limitação provém, em vez disso, das guevurot que estão em Malchut, conforme dizem os Sábios: “a mão esquerda afasta” (e a direita aproxima); a palavra impressa shma'n evidentemente é smol, “a esquerda”, como cita a nota da Kehot. As guevurot retêm o fluxo das forças externas (as kelipot), nas quais não há bitul, de modo que recebam apenas uma medida contraída; não são inteiramente privadas dele, pois também elas “chamam-No de D'us dos deuses”. O fluxo principal dirige-se àquilo que é anulado diante de D'us: os anjos e as almas da santidade.
ולכן בנין המל׳ דוקא צ״ל מהגבורות לפי שיורדת בבי״ע ששם יש קליפות אבל באצילות לא יגורך רע9 כו׳
Portanto, a construção de Malchut especificamente precisa provir das guevurot, pois ela desce a Beriá, Yetsirá e Assiá, onde há kelipot; mas em Atsilut (Emanação), “o mal não habita contigo”, etc.
É por isso que Malchut precisa ser construída a partir das guevurot: ela desce a Beriá, Yetsirá e Assiá, onde existem kelipot, e necessita de uma força que limite e afaste. Em Atsilut, o Mundo da Emanação, não há mal algum (“o mal não habita contigo”); portanto, ali não é necessária essa proteção.
(וע׳ מ״ש בד״ה להבין ענין הברכות10 גבי ברכה אחרונה שכנגד חוה שהיא המל׳ חותם בברוך11 מה״ט [מהאי טעמא] משא״כ בברכה ראשונה שכנגד אדם שהוא ז״א א״צ [אין צריך / אינו צריך] לחותם מטעם הנ״ל וזהו והתקין לו ממנו בנין כו׳ בוניך כו׳)
(E veja o que está escrito no discurso que começa “Para compreender o significado das bênçãos”, a respeito da última bênção, que corresponde a Chavá, que é Malchut: ela termina com “Bendito” justamente por essa razão; ao passo que a primeira bênção, que corresponde a Adam, que é Zeir Anpin, não precisa terminar [com isso], pelo motivo mencionado acima. E este é [o significado de] “e preparou para ele, de si mesmo, uma construção”, etc.: bonayich, etc.)
Uma referência entre parênteses ao discurso de Torah Ohr sobre as bênçãos nupciais. Das duas bênçãos sobre a criação do homem, aquela que corresponde a Chavá (Malchut) também termina com “Bendito”, enquanto a que corresponde a Adam (Zeir Anpin) apenas começa com essa palavra; a bênção final, a chasimá (literalmente, “selo”), é necessária para Malchut porque ela desce ao lugar onde estão as kelipot. As palavras dessa bênção, “e preparou para ele, de si mesmo, uma construção”, aludem à construção de Malchut, que é bonayich.
והארה זו במל׳ באה מחכמה שהחכמה הוא בחי׳ ביטול ע״כ משם נמשך בחי׳ זו שלא יומשך אור א״ס רק במי שבטל כו׳
Esta iluminação em Malchut provém de Chochmá (sabedoria), pois Chochmá é o nível de bitul; portanto, é de lá que provém essa qualidade: que a Luz Infinita (Or Ein Sof) seja atraída apenas para aquele que é anulado, etc.
O poder de Malchut de dirigir o fluxo apenas para aquilo que é anulado provém de Chochmá. A própria Chochmá é bitul, a percepção de ser nada diante de D'us; dela provém, portanto, a regra de que a Luz Infinita repousa apenas onde há bitul.
וכמ״ש ע״פ הרע״מ [הרעיא מהימנא] פ׳ תשא אבנא למשקל בה12 דא יו״ד13 כו׳ וזהו שהחכמה נק׳ דין כמ״ש החייט14 כי זהו בחי׳ גבורות
Como é explicado a respeito da [passagem da] Raaya Mehemna, Parashat [Ki] Tissá: “Uma pedra para pesar: isto é o yud”, etc. E é por isso que Chochmá é chamada “julgamento” (din), como escreveu [Rabi Yehudá] Chayat: pois este é o nível de guevurot.
A Raaya Mehemna, ao tratar do meio siclo, interpreta “uma pedra para pesar” como o yud, a letra de Chochmá: Chochmá é o peso que mede a emanação. Por isso, Chochmá, embora seja uma fonte de bondade, também é chamada din (julgamento), como sustentava o cabalista Rabi Yehudá Chayat; medir é uma função de guevurá.
והיינו בחי׳ קו המדה שהוא בחינת גבורה עילאה דע״י [דעתיק יומין]15 המתלבשת בחכמה סתימאה שמשם שרש מדה זו שלא יומשך גילוי אור א״ס רק לפי ערך הביטול כו׳
Isto é, o nível da linha de medida (kav hamidá), que é o nível da Guevurá suprema de Atik Yomin, revestida na Chochmá oculta (Chochmá Stimaá); pois é daí que provém a raiz dessa medida: que a revelação da Luz Infinita seja atraída somente na proporção do bitul, etc.
Esse poder de medir é o kav hamidá, a “linha de medida”: a Guevurá suprema de Atik Yomin (o nível mais interior de Kéter), revestida na Chochmá oculta (Chochmá Stimaá). Daí provém o princípio de que a luz revelada de D'us é concedida somente na proporção do bitul do recipiente.
וזהו חכמת נשים בנתה ביתה16 בחכמה יבנה בית17 והמשכה ובנין זה ע״י עול תורה ובחי׳ יראה דאיתא ברע״מ [ברעיא מהימנא] דד׳ מדרגות הן דחילו ורחימו מל׳ וז״א ואח״כ רחימו ודחילו בינה וחכמה
E este é [o sentido de] “A sabedoria das mulheres constrói sua casa”; “Com sabedoria se constrói uma casa”. E essa atração e construção se dão por meio do jugo da Torá e do nível de temor; pois é declarado na Raaya Mehemna que há quatro níveis: dechilu e rechimu (temor e amor), [que são] Malchut e Zeir Anpin, e depois rechimu e dechilu (amor e temor), [que são] Biná e Chochmá.
Assim, Mishlei diz: “A sabedoria das mulheres constrói sua casa” e “Com sabedoria se constrói uma casa”: a “casa”, Malchut, é construída por Chochmá. Na pessoa, essa construção se dá por meio da aceitação do jugo da Torá e do temor. A Raaya Mehemna enumera quatro níveis, dechilu e rechimu (aramaico para temor e amor): o temor e o amor inferiores são Malchut e Zeir Anpin, e o amor e o temor superiores são Biná e Chochmá.
נמצא בחי׳ ז״א שנק׳ בניך בחי׳ בן אהבה שרשו מבינ׳ [מבינה] שהיא ג״כ בחי׳ רחימו והיינו אהבה זוטא ששרשה מאהבה רבה אכן יראה תתאה מל׳ שרשה18 מיראה עיאלה בחי׳ חכמה שהוא ביטול שלמעלה מבחי׳ אהבה
Conclui-se que o nível de Zeir Anpin, chamado banayich, o nível de “filho”, amor, tem sua raiz em Biná, que também é o nível de rechimu (amor); isto é, o amor menor (ahavá zutá), cuja raiz está no grande amor (ahavá rabá). Mas o temor inferior (yirá tataá), Malchut, tem sua raiz no temor supremo (yirá ilaá), o nível de Chochmá, que é um bitul superior ao nível do amor.
Conclui-se que o amor, Zeir Anpin, o “filho” (banayich), tem sua raiz em Biná: o amor menor (ahavá zutá) provém do grande amor (ahavá rabá). Mas o temor inferior, Malchut, tem sua raiz no temor supremo, Chochmá, um bitul superior a qualquer amor; assim, os “construtores” de Malchut atraem de uma raiz superior à dos “filhos”.
ולכן בחי׳ בוניך דמל׳ הן נק׳ תלמידי חכמים כי בחכמה דוקא יבנה בית וזהו בחכמה יסד ארץ19
Portanto, os que estão no nível de bonayich, de Malchut, são chamados talmidei chachamim (discípulos dos sábios), pois é especificamente “com sabedoria” que “se constrói uma casa”. E este é [o sentido de] “Com sabedoria [Ele] fundou a terra”,
Por isso, os que estão no nível de bonayich, que constroem Malchut, são chamados talmidei chachamim, “discípulos dos sábios”, pois uma casa é construída especificamente por meio de Chochmá (sabedoria). Mishlei diz o mesmo: “Havayá fundou a terra com sabedoria”; a terra representa Malchut.
אבל כונן שמים שהוא בחי׳ בניך הוא בתבונה וכמ״ש זה ג״כ ע״פ מאמר הזח״ג [הזהר חלק ג] בפ׳ אמור (דף ק׳)
mas “estabeleceu os céus”, que é o nível de banayich, é “com entendimento”. E isto também é explicado a respeito do ensinamento do Zohar, Parte III, na Parashat Emor (fólio 100),
O mesmo versículo prossegue dizendo que Ele “estabeleceu os céus com entendimento”: os céus, os atributos emocionais de Zeir Anpin (banayich), provêm de Biná. O texto acrescenta que isso também é explicado a respeito de um ensinamento do Zohar na Parashat Emor; a nota da Kehot localiza essa explicação nos Biurei HaZohar do Rebe Mitteler.
a respeito de “E, além disso, é verdade [que ela é minha irmã]”, etc., e na Parashat Vayerá. E veja o discurso que começa “Para entender a razão pela qual a formação do homem foi diferente”, etc.; veja lá.
Esse ensinamento do Zohar trata das palavras de Avraham sobre Sarah: “E, além disso, é verdade que ela é minha irmã”; há também uma explicação adicional na Parashat Vayerá. O leitor é ainda encaminhado ao discurso de Torah Ohr sobre por que a formação do homem foi diferente, que relaciona as duas bênçãos nupciais às duas etapas da criação do homem.
והנה מבואר במ״א בפי׳ בונה ירושלשים24 הוי׳ שהוא בנין ע״ס [עשר ספירות] דמל׳ ממלכיות שבע״ס [שבעשר ספירות] דז״א כו׳
Ora, é explicado em outro lugar, a respeito do significado de “Havayá constrói Jerusalém”, que se trata da construção das dez Sefirot de Malchut a partir dos [aspectos de] Malchut nas dez Sefirot de Zeir Anpin, etc.
Em outro lugar, explica-se que “Havayá constrói Jerusalém” se refere à construção de Malchut, aqui chamada Jerusalém: cada uma das dez Sefirot de Malchut é construída a partir do aspecto de Malchut da sefirá correspondente de Zeir Anpin.
אך כח שיהיה בנין זה נמשך דוקא ממקום עליון יותר ועמ״ש בד״ה יו״ט [יום טוב] של ר״ה [ראש השנה] שחל להיות בשבת2526
Mas o poder para que essa construção ocorra é extraído especificamente de um lugar mais elevado. E veja o que está escrito no discurso que começa: “A festividade de Rosh HaShanah que cai em Shabat”.
No entanto, o poder que torna possível essa construção precisa vir de uma fonte mais elevada que Zeir Anpin. O discurso de Likkutei Torah sobre a Mishná a respeito de Rosh HaShanah que cai em Shabat é citado como referência.
(וע׳ בזח״א [בזהר חלק א] כ״ח א׳ ע״פ ויבן קל״ד א׳ קל״ט א׳. ובח״ג [ובחלק ג׳] פנחס דרכ״א א׳ ובפי׳ הרמ״ז [הרב משה זכות] שם).
(E veja o Zohar, Parte I, 28a, sobre [o versículo] “E Ele construiu”; 134a; 139a; e Parte III, Pinchas, 221a, e o comentário do Ramaz ali.)
O texto enumera outras passagens do Zohar sobre essa construção, entre elas a passagem sobre “E Havayá Elokim construiu a costela” (a construção de Chavá), e o comentário de Ramaz, Rabi Moshe Zacuto, sobre a passagem do Zohar em Pinchas.
והנה יש ג״כ ירושלים של מעלה מל׳ דא״ס יראה עילאה כו׳ ובפרדס שער מהות והנהגה פי״ג27 דירושלים של מעלה הוא בינה א״כ י״ל [יש לומר] פי׳ בונה
Ora, há também uma Jerusalém do Alto: a Malchut do Ein Sof, o temor superno, etc. E no Pardes, Shaar Mahus VeHanhagah, capítulo 13, [está escrito] que a Jerusalém do Alto é Biná. Sendo assim, pode-se dizer que o significado de “constrói Jerusalém”
Há também uma “Jerusalém do Alto”, que o texto identifica com a Malchut do Ein Sof, o temor superno; o Pardes Rimonim (no portão chamado “Essência e Conduta”) identifica-a com Biná. De qualquer modo, ela está acima da Jerusalém de baixo, e isso permite uma interpretação adicional de “constrói Jerusalém”.
ירושלים להמשיך תוספת אור מירושלים של מעלה מל׳ דא״ס בירושלים של מטה מל׳ דאצילות להיות כעיר שחוברה לה יחדיו28 היינו התחברות ירושלים של מעלה בירושלים של מטה כו׳
é atrair um acréscimo de luz da Jerusalém do Alto, a Malchut do Ein Sof, para a Jerusalém de baixo, a Malchut de Atsilut, para que seja “como uma cidade que está unida”, isto é, a união da Jerusalém do Alto com a Jerusalém de baixo, etc.
Segundo essa interpretação, “constrói Jerusalém” significa atrair luz adicional da Jerusalém do Alto, a Malchut do Ein Sof, para a Jerusalém de baixo, a Malchut de Atsilut. O Salmo chama Jerusalém de “uma cidade que está unida”: a Jerusalém superior e a inferior unidas como uma só.
והענין דהנה מבואר למעלה שיש בחי׳ קו המדה שעל ידו נמשך כל ההמשכות והמשכה זו לפי ערך הביטול
A explicação é a seguinte: foi explicado acima que existe o nível da linha de medida, por meio da qual todas as emanações são atraídas, e essa emanação é proporcional ao bitul.
Para mostrar como tal acréscimo é possível, o texto recorda a linha de medida: toda emanação da luz divina é medida por meio dela, sempre em proporção ao bitul do recipiente.
ולכן בחכמה דאצילות שורה אור א״ס לפי שהוא בבחי׳ ביטול ועד״ז בכל האצי׳ מאיר בחי׳29 חכמה
Por isso, a Luz Infinita (Or Ein Sof) repousa na Chochmá de Atsilut, pois ela se encontra num estado de bitul; e, do mesmo modo, em todo Atsilut brilha o nível de Chochmá.
Como a Chochmá de Atsilut é puro bitul, a Luz Infinita repousa nela, e Chochmá brilha por todo Atsilut; a nota da Kehot faz referência aqui ao Tikkunei Zohar.
אבל בבי״א [בבי״ע (בריאה יצירה עשיה)] שם אין מאיר הביטול ע״ד שהוא בחכמה דאצי׳ ביטול אמיתי רק ביטול היש ע״כ מתמעט ג״כ גילוי אור א״ס כו׳ ולכן בחי׳ מל׳ כשמתלבשת בבי״ע אין נמשך שם הגילוי אור א״ס כמו באצי׳.
Mas em Beriá, Yetsirá e Assiá o bitul não brilha como na Chochmá de Atsilut, onde há bitul verdadeiro, mas somente o bitul do yesh (de um ser que se sente como algo); por isso, a revelação da Luz Infinita também é reduzida, etc. E, portanto, quando o nível de Malchut se reveste em Beriá, Yetsirá e Assiá, a revelação da Luz Infinita não é atraída ali como em Atsilut.
Em Beriá, Yetsirá e Assiá não há o bitul verdadeiro da Chochmá de Atsilut, mas apenas bitul hayesh, a autoanulação de seres que ainda sentem que existem. A revelação da Luz Infinita é correspondentemente menor ali; por isso, quando Malchut se reveste nesses mundos, não traz a revelação que possui em Atsilut.
אך הנה הגם שמאמר קו המדה נמדד איך שיהיה הגילוי בכל עולם לפי ערכו כנ״ל הנה כ״ז [כל זה] היה בתחלת ההשתלשלות
No entanto, embora pelo dito da linha de medida tenha sido medido como seria a revelação em cada mundo, segundo o seu nível, como mencionado acima, tudo isso ocorreu no início da cadeia descendente dos mundos (hishtalshelut);
A linha de medida determinou, no início da cadeia dos mundos, quanta revelação cada mundo receberia, de acordo com seu nível. Mas essa distribuição inicial não encerra a questão.
אבל אח״כ מצד מעשה התחתונים יש שינוים בקו המדה לפעמי׳ [לפעמים] מאיר בתוספת גילוי אור בכל ההשתלשלות דאבי״ע [דאצילות בריאה יצירה עשיה] ע״י התגברות למטה תשובה ומע״ט [ומעשים טובים] ותורה
mas, depois, em virtude dos atos dos seres inferiores, há mudanças na linha de medida: às vezes ela brilha com uma revelação adicional de luz ao longo de toda a cadeia descendente dos mundos (hishtalshelut) de Atsilut, Beriá, Yetsirá e Assiá, por meio de um fortalecimento embaixo: teshuvá (retorno), boas ações e Torá
Depois, os atos daqueles que estão embaixo mudam a medida: quando as pessoas se fortalecem por meio da teshuvá, de boas ações, da Torá, da oração e da caridade, uma luz adicional brilha através dos quatro mundos: Atsilut, Beriá, Yetsirá e Assiá.
ותפלה וצדקה וכמ״ש סד״ה ראה ריח בני3031 ולפעמים מאיר בגרעון יותר כשלא אכשור דרי וכמ״ש בפע״ח [בפרי עץ חיים]32 בכוונת שבת שע״י חטא אדה״ר [אדם הראשון] ירדו העולמות הרבה כו׳
oração e caridade, como é explicado ao final do discurso que começa com “Vê, o aroma de meu filho”; e, às vezes, ela brilha com uma diminuição ainda maior, quando as gerações não são dignas, como está escrito em Pri Etz Chaim, nas intenções (kavanot) de Shabat, que, devido ao pecado de Adam, o primeiro homem, os mundos desceram muito, etc.,
Isso é explicado ao final do discurso “Vê, o aroma de meu filho”. Por outro lado, quando as gerações não são dignas, a luz se torna ainda mais diminuída: Pri Etz Chaim, nas intenções do Arizal para Shabat, afirma que o pecado de Adam fez com que todos os mundos descessem muito (a nota da Kehot remete a seu Portão da Oração, capítulos 6 e 7, e diz que não foi encontrada a formulação exata).
ואח״כ ע״י תשובתו ושבת נתקן כו׳ וכן בשעת חורבן ירושלים הסתלקות האור מזו״נ [מזעיר אנפין ונוקבא] כמ״ש קוב״כ [קודשא בריך הוא] סליק לעילא33 לעילא כו׳.343536
e, depois, por meio de sua teshuvá e de Shabat, isso foi reparado, etc. E, da mesma forma, na época da destruição de Jerusalém, [houve] uma retirada da luz de Zeir Anpin e Nukvá, como está escrito: “O Santo, bendito seja Ele, ascendeu cada vez mais alto”, etc.
Por meio da teshuvá de Adam e de Shabat, aquela descida foi reparada. Da mesma forma, na destruição de Jerusalém, a luz se retirou de Zeir Anpin e Nukvá, como diz o Zohar: “O Santo, bendito seja Ele, ascendeu cada vez mais alto”: o que as pessoas fazem embaixo altera a medida da luz revelada.
O maamar explica por que os Sábios leem “teus filhos” como “teus construtores”: o amor (Zeir Anpin) provém de Biná, mas Malchut é construída a partir das guevurot enraizadas em Chochmá, a medida que faz a luz de D'us chegar somente de acordo com o bitul e a retém das kelipot. Em seguida, mostra que essa medida pode mudar: os atos daqueles que estão abaixo podem acrescentar luz, atraindo-a da Jerusalém Superior para a Jerusalém inferior, ou diminuí-la.
A medida (kav hamidá) é a Guevurá de Atik Yomin revestida na Chochmá oculta; a passagem de Torah Ohr citada nas notas explica que Chochmá é a fonte dos birurim que separam o mal do bem, razão pela qual Chayat sustentava — e o Arizal elogiava a opinião — que Chochmá também contém juízo. As notas da Kehot relacionam a retirada da luz na Destruição ao Zohar (Part II, 7b and 20b).
Marei mekomot
- 1ביאור הדברים · הנחת כ״ק אדמו״ר האמצעי בסה״מ תקס״ז ע׳ של ורשום עליו ”ביאור שני באופן אחר”. ובע׳ שכד יש עוד ביאור. הוספות באוה״ת פ׳ ראה ע׳ תשפו. מה שנתבאר כאן בענין בנין המלכות מצוין בביאוה״ז להצ״צ כרך ב ע׳ תתקנו ”בנין המלכות מהגבורות (ע׳ ביאור וכל בניך, ובד״ה ויקחו אליך פרה איתא במשניות פ״א [ =לקו״ת פ׳ חקת] דף ס׳ סע״א. ובד״ה והניף את העומר פ״א בפ׳ אמור דף לו סע״א. ובפ׳ במדבר בד״ה וספרתם לכם פ״א. וביאור ע״פ כה תברכו ספ״א. ובביאור ע״פ שובה ישראל דרוש הראשון, ובת״א פ׳ וארא בד״ה וידבר אלקים כו׳ וארא. ובסידור ע״פ אד׳ שפתי תפתח)”.
- 2
- 3קרו לי׳ אלקא דאלקייא · Menachot 110a:11–13
- 4ואם צדקת · Job 35:7
- 5שממית בידים תתפש · Proverbs 30:28
- 6בד״ה ויאבק איש · תו״א כה, א.
- 7ויאבק איש · Genesis 32:25
- 8ויהי בשלח פרעה · Exodus 13:17
- 9לא יגורך רע · Psalms 5:5
- 10בד״ה להבין ענין הברכות · תו״א ו, ד.
- 11חותם בברוך · ראה אוה״ת בא ע׳ שב.
- 12וכמ״ש ע״פ . . אבנא למשקל בה · Zohar II, 187b
- 13אבנא למשקל בה דא יו״ד · Zohar, Ki Tisa 2:4–6
- 14שהחכמה נק׳ דין כמ״ש החייט · מובא גם בתו״א ה, ד. ושם מוסיף ”ושבחו האר״י ז״ל”. וראה לעיל חקת נט, א.
- 15בחי׳ קו המדה שהוא בחינת גבורה עילאה דע״י · ראה לעיל פ׳ נשא כז, ג.
- 16חכמת נשים בנתה ביתה · Proverbs 14:1
- 17בחכמה יבנה בית · Proverbs 24:3
- 18יראה תתאה מל׳ שרשה מיר״ע · וגם יר״ת (שבגילוי היא למטה גם מאהבה זוטא) שרשה ביר״ע (שלמעלה גם מאה״ר) — לקו״ש ח״ה ע׳ 367 הערה 102.
- 19בחכמה יסד ארץ · Proverbs 3:19
- 20ע״פ מאמר הזח״ג . . ע״פ וגם אמנה · ביאוה״ז לאדה״א פ, ג ואילך.
- 21וגם אמנה · Genesis 20:12
- 22ובפ׳ וירא · ביאוה״ז לאדה״א י, ב. ביאוה״ז להצ״צ ע׳ מב ואילך.
- 23בד״ה להבין הטעם שנשתנה יצירת האדם · תו״א ו, ג.
- 24בונה ירושלשים הוי׳ · Psalms 147:2
- 25בד״ה יו״ט של ר״ה שחל להיות בשבת · לקמן נו, א ואילך.
- 26יו״ט של ר״ה שחל להיות בשבת · Mishnah Rosh Hashanah 4:1
- 27ובפרדס שער מהות והנהגה פי״ג · נזכר לעיל פ׳ פקודי ד, א. ושם מעתיק גם פי׳ השל״ה. ובענין הפרדס ראה אוה״ת בראשית כרך ג תקלה, ב. פ׳ נצבים ע׳ א׳רכא.
- 28כעיר שחוברה לה יחדיו · Psalms 122:3
- 29בכל האצי׳ מאיר בחי׳ חכ׳ · ראה ת״ז ת״ו.
- 30סד״ה ראה ריח בני · תו״א כ, ד.
- 31ראה ריח בני · Genesis 27:27
- 32וכמ״ש בפע״ח · ש׳ התפלה פ״ו ובפ״ז. ובדיוק כמ״ש כאן ל״מ. [כ].
- 33קוב״ה סליק לעילא · זח״ב (ז, ב. כ, ב). [כ].
- 34ובד״ה ויהי בשלח · תו״א סא, א.
- 35שמאל דוחה · Sotah 47a:6–7
- 36
2ועי״ז לא נתמלאה צור אלא1 כו׳ וזהו פי׳ בוניך בנין ירושלים להמשיך תוספת אור בבחי׳ מל׳ מקור דבי״ע עד שיהיה גם למטה גילוי אור א״ס ממש וכמ״ש לע״ל [לעתיד לבוא]2 ובאו במערות צורים מפני פחד3 ה׳ כו׳
E, por meio disso, “Tiro foi preenchida somente [pela ruína de Jerusalém]”, etc. E este é o significado de bonayich: a construção de Jerusalém, para atrair um acréscimo de luz ao nível de Malchut, a fonte de Beriá, Yetsirá e Assiá, até que também abaixo haja uma revelação da própria Luz Infinita (Or Ein Sof), conforme está escrito a respeito do Tempo Vindouro: “E entrarão nas cavernas das rochas, por causa do terror de Havayá”, etc.
Quando a luz se retirou na Destruição, o lado oposto se encheu: os Sábios dizem que Tiro só se tornou plena pela ruína de Jerusalém. Bonayich, a reconstrução de Jerusalém, inverte isso ao atrair luz adicional para Malchut, a fonte de Beriá, Yetsirá e Assiá, até que a própria Luz Infinita seja revelada também abaixo. Isaías descreve essa revelação: diante do terror da majestade de D'us, os que se opõem a Ele se esconderão nas cavernas das rochas (tzurim, palavra que ecoa Tzor, Tiro).
ובנין זה הוא ע״י עול תורה ועמ״ש ע״פ אריתי מורי עם בשמי4 וזהו ג״כ ענין יראה שלם שנמשך ע״י התורה ועמ״ש ע״פ שימני כחותם56 בענין
E esta construção se dá por meio da aceitação do jugo da Torá; e veja o que está escrito sobre [o versículo] “Recolhi minha mirra com minhas especiarias”. E este é também o conceito de “temor completo” (yirah shalem), que é atraído por meio da Torá; e veja o que está escrito sobre [o versículo] “Põe-me como um selo”, a respeito de
Esta reconstrução se dá por meio da aceitação do jugo da Torá, conforme explicado no discurso sobre “Recolhi minha mirra com minhas especiarias” (Cântico dos Cânticos 5:1). Também é chamada yirah shalem, “temor completo”; tradicionalmente, as duas palavras são ouvidas no nome Yerushalayim, e esse temor é atraído por meio da Torá. O texto então remete ao discurso sobre “Põe-me como um selo” (Cântico dos Cânticos 8:6).
חותם שוקע ויראה שממשיך מבחי׳ גבוה יותר מהמהשכה שעל ידי חותם בולט שמלמטה בחי׳ אהבה וזהו א״ת [אל תקרי] בניך בחי׳ אהבה אלא בוניך בחי׳ יראה שלם ע״י עסק התורה:
o selo rebaixado e o temor, que atraem de um nível mais elevado do que a atração realizada pelo selo saliente, que vem de baixo, do nível do amor. E este é [o significado de] “Não leia banayich”, o nível do amor, “mas bonayich”, o nível do temor completo, por meio do estudo da Torá.
Um selo pode ser gravado, com suas letras rebaixadas, ou em relevo, com suas letras salientes; aquele discurso associa o selo rebaixado ao temor, que atrai de um nível mais elevado, e o selo em relevo ao amor, que se eleva de baixo. Assim, a leitura dos Sábios, “não banayich, mas bonayich”, passa do amor ao temor completo que vem por meio do estudo da Torá.
O parágrafo conclui a primeira seção: assim como a Destruição permitiu que as forças exteriores se enchessem, bonayich, a construção de Jerusalém por meio da Torá e do temor, atrai luz adicional para Malchut, até que a luz de D'us seja revelada abaixo. Esse temor completo atrai de um nível mais elevado que o amor, e por isso os Sábios leem banayich como bonayich.
O temor aqui referido é o temor sublime da primeira seção, o bitul de Chochmá que está acima do amor; por isso ele pode atrair de um nível mais elevado que o amor, que se eleva de baixo como a impressão de um selo em relevo.
Marei mekomot
- 1לא נתמלאה צור אלא · Megillah 6a:16
- 2וכמ״ש לע״ל · Isaiah 2:19
- 3במערות צורים מפני פחד ה׳ כו׳ · וגו׳. [כ]. אבל באוה״ת פ׳ ראה ע׳ תשפ נכתב ג״כ ”כו׳”. ושם יש הגהה לכאן.
- 4אריתי מורי עם בשמי · Song of Songs 5:1
- 5ע״פ שימני כחותם · לקמן שה״ש.
- 6שימני כחותם · Song of Songs 8:6
A paz feita da multiplicidade ¶3–7
3ב והנה ע״י בחי׳ בוניך נמשך בחי׳ ורב שלום1 שמבחי׳ ורב נעשה שלום וזהו שהנגינה בתיבת ורב הוא טפחא שיהיה מפורש ומובן באומרו ורב שהוא בהבדל ענין בפ״ע [בפני עצמו] כידוע בטעם נגינת הטפחא שהוא הבדלת וסיום ענין
2. Ora, por meio do nível de bonayich, é atraído o nível de verav shalom (“e grande paz”): do nível de verav se faz a paz. E é por isso que a cantilação da palavra verav é uma tipchá: para que fique explícito e compreendido, ao dizer verav, que ela se distingue como um assunto à parte, como se sabe a respeito da nota de cantilação tipchá, que separa e encerra um assunto.
Começa a segunda seção. Bonayich faz surgir “e grande paz” (verav shalom), continuação do versículo “E todos os teus filhos serão ensinados por Havayá, e grande será a paz de teus filhos”, que o texto interpreta em duas etapas: de verav, “muito”, faz-se a paz. Isso é apoiado pela cantilação: verav leva uma tipchá, um acento que marca uma pausa e encerra uma frase.
ואם לא היה נגינת הטפחא מבדלת היה הכונה דקאי ורב אל ענין השלום כפשוטו דהיינו שלום רב.
Se a tipchá não separasse, a intenção seria que verav se referisse à paz em seu sentido simples, isto é, “grande paz”.
Sem essa pausa, verav simplesmente descreveria a paz como “grande paz”, uma grande medida de paz. O acento separador mostra que verav também tem um significado próprio.
אבל עכשיו הפי׳ ורב הוא ענין בפ״ע [בפני עצמו] היינו בחי׳ עשו טורי דפרודא רשות הרבים אלא מבחי׳ ורב זה נעשה שלום שיתברר ויוכלל בבחי׳ היחוד וזהו רב להושיע.2
Mas, agora, o significado é que verav é um assunto à parte; isto é, o nível de Essav, “as montanhas da separação”, o domínio da multidão (reshut harabim). Mas desse nível de verav se faz a paz: ele será depurado e incluído no nível da unidade. E este é [o significado de] “grande (rav) para salvar”.
Lido por si só, rav, “muito”, representa multiplicidade e divisão: Essav, chamado “as montanhas da separação”, e reshut harabim, o domínio da multidão dispersa, em contraste com a unidade da santidade. A promessa é que essa própria multiplicidade será depurada e incluída na unidade de D'us, tornando-se paz; por isso, Isaías, ao descrever a vinda de D'us de Edom, a terra de Essav, chama-O “grande (rav) para salvar”.
O parágrafo abre a segunda seção: bonayich faz surgir “verav shalom”, que o acento tipchá divide em duas etapas: primeiro, verav, a multiplicidade e separação de Essav; depois, a paz que a depura e a inclui na unidade de D'us.
Marei mekomot
- 1ורב שלום · Isaiah 54:13
- 2רב להושיע · Isaiah 63:1
4והנה ענין עתיד חזיר ליטהר1 דהנה כתיב יכרסמנה חזיר מיער2 והע׳ [והעיין] תלויה34 היא בחי׳ ז״ת [ז׳ תחתונות] דאימא ששם היה השבה״כ [השבירת הכלים]
Ora, [quanto] à questão de que “o porco está destinado a tornar-se puro”: está escrito: “O javali da floresta o devora”, e o ayin [de “floresta”] é suspenso; ele corresponde ao nível das sete Sefirot inferiores de Imá, onde ocorreu a quebra dos recipientes,
O texto explica agora a afirmação de que, no futuro, até mesmo o porco, símbolo da impureza, se tornará puro. No versículo “O javali da floresta (miya’ar) o devora”, o ayin de ya’ar está escrito suspenso acima da linha, e o Midrash o interpreta: “se fores digno, do rio (ye’or); se não, da floresta (ya’ar)”. Esse ayin suspenso, cujo valor é setenta, corresponde às sete Sefirot inferiores de Imá (Biná), cada uma composta de dez, onde ocorreu a quebra dos recipientes.
דהיינו בשם ס״ג [שם ס״ג] שבבינה ז׳ מלכין דתהו משא״כ בחכמה לא היה שבה״כ [שבירת הכלים] כמ״ש ימותו ולא5 בחכמה כו׳ וזהו ג״כ ענין ע׳ רבתי דשמע ישראל6
isto é, no Nome Sag que está em Biná: os sete reis de Tohu; em Chochmá, porém, não houve quebra dos recipientes, como está escrito: “Eles morrem, e não pela sabedoria”, etc. E esta é também a questão do grande ayin de “Shema Yisrael”,
A quebra ocorreu no Nome Sag, o aspecto de Biná, onde se quebraram os “sete reis de Tohu”, os atributos do Mundo do Caos; em Chochmá não houve quebra, como diz Jó: “Eles morrem, e não pela sabedoria”. O ayin ampliado da primeira palavra de “Shema Yisrael” pertence ao mesmo tema.
כי בבינה הם אתוון רברבין והיינו כשנתקן משה״כ [משבירת הכלים] שזהו פי׳ שם ב״ן [שם ב״ן] ורפ״ח שנכללו בז״ת [בז׳ תחתונות] דאימא ע׳ רבתי כו׳.
pois em Biná estão as “letras grandes” (asvon ravrevin); isto é, quando [o que veio] da quebra dos recipientes é retificado. Pois este é o significado do Nome Ban e das 288 [centelhas], que foram incluídas nas sete Sefirot inferiores de Imá: o grande ayin, etc.
Em Biná, as letras são “grandes” (asvon ravrevin); assim, o ayin ampliado de Shema corresponde às sete Sefirot inferiores de Biná depois que o dano da quebra é reparado. Essa reparação consiste na inclusão do Nome Ban (valor 52) e das 288 centelhas nessas sete Sefirot de Imá.
O parágrafo explica por que o ayin suspenso de ya’ar, a floresta de onde vem o javali, está ligado à quebra dos recipientes nas sete Sefirot inferiores de Biná, e como sua reparação se expressa no grande ayin de Shema: esse é o significado da futura purificação do porco.
A mesma letra aparece duas vezes: suspensa em ya’ar, onde assinala as sete Sefirot inferiores de Imá como o lugar da quebra, e ampliada em Shema, onde assinala essas mesmas Sefirot depois de sua reparação pela inclusão de Ban e das 288 centelhas.
Marei mekomot
- 1ענין עתיד חזיר ליטהר · נסמן בלקו״ש חי״ב ע׳ 175.
- 2יכרסמנה חזיר מיער · Psalms 80:14
- 3והע׳ תלויה · Kiddushin 30a:11
- 4יכרסמנה חזיר מיער והע׳ תלויה · Vayikra Rabbah 13:5
- 5ימותו ולא בחכ׳ · Job 4:21
- 6שמע ישראל · Deuteronomy 6:4
5וגם הע׳ [העיין] דיער תלויה לפי שהחיצונים מקבלים בריחוק ע״י בחי׳ מקיף דלבונה שלכך יש י״א סממני קטרת12 ובקדושה עשר ולא תשע34
E também o áyin de ya’ar (floresta) fica suspenso porque as forças externas recebem de longe, por meio do nível da [luz] circundante da frankincense (levoná); por isso há onze especiarias no incenso, enquanto na santidade há “dez e não nove”.
Uma segunda razão pela qual o áyin de ya’ar fica suspenso: as forças externas (as kelipot) recebem sua força vital apenas de longe, por meio de uma luz circundante que nunca penetra nelas, associada aqui à frankincense (levoná). Por isso o incenso tem onze especiarias, uma além do “dez e não nove” da santidade, que Sefer Yetzirah diz a respeito das Sefirot: a medida adicional representa a força vital distante concedida ao que está fora da santidade.
וגם פי׳ יער היינו עולם המלאכים או עולם העשייה5 והנה לע״ל [לעתיד לבוא] בקץ הימין6 בב״א [במהרה בימינו אמן] שיקוים ואת רוח הטומאה אעביר7 כו׳
Além disso, o significado de ya’ar é o mundo dos anjos, ou o Mundo de Assiá (Ação). Ora, no Tempo Vindouro, no fim dos dias (ketz hayamin), que seja rapidamente em nossos dias, amên, quando [se cumprirá o versículo] “E removerei o espírito de impureza”, etc.,
Ya’ar, “floresta”, também é interpretado como o mundo dos anjos ou o Mundo de Assiá. No fim dos dias (ketz hayamin, uma expressão de Daniel), quando D'us cumprir Sua promessa por meio de Zechariah — “Removerei da terra o espírito de impureza” —, isso mudará.
וזהו אז אהפוך אל8 כו׳ זהו הפי׳ שמבחי׳ ורב נעשה שלום שיוכלל ביעקב גם המקיף הנ״ל.
este é [o significado de] “Então voltarei [aos povos]”, etc. Este é o significado de [a afirmação] de que, do nível de verav, faz-se a paz: que a [luz] circundante mencionada acima também será incluída em Yaakov.
A profecia de Zephaniah — “Pois então voltarei aos povos uma linguagem clara, para que todos invoquem o Nome Havayá” — descreve essa mudança. Este é o significado mais profundo de “do verav faz-se a paz”: até mesmo a luz circundante que agora concede força vital distante ao que está fora será incluída em Yaakov, o lado da santidade.
O parágrafo apresenta uma segunda razão para o áyin suspenso: a força vital distante e circundante que as kelipot recebem. Em seguida, mostra que, no futuro, quando a impureza for removida, até mesmo essa luz circundante será incluída na santidade: essa é a paz que se faz a partir de verav.
Marei mekomot
- 1יש י״א סממני קטרת · Keritot 6a:22–23
- 2י״א סממני קטרת · Jerusalem Talmud Yoma 4:6–7
- 3עשר ולא תשע · ס״י פ״א, מ״ד.
- 4עשר ולא תשע · Sefer Yetzirah 1:4
- 5יער . . או עולם העשי׳ · מא״א אות יו״ד, ס״כ.
- 6קץ הימין · Daniel 12:13
- 7ואת רוח הטומאה אעביר · Zechariah 13:2
- 8אז אהפוך אל · Zephaniah 3:9
6ומזה יובן עוד דלהיות ורב שלום הוא דוקא ע״י בוניך כי בחכמה דוקא אתברירו לפי שמשם אין להם יניקה שיניקתם מבחי׳ יער ז״ת [ז׳ תחתונות] דאימא
Disso também se compreenderá que a abundância de paz só se realiza por meio de “seus construtores” (bonayich), pois é especificamente “por meio de Chochmá (sabedoria) que eles são refinados”, uma vez que dali não recebem sustento; seu sustento provém do nível de ya’ar, as sete Sefirot inferiores da Imá,
Isso explica por que a abundância de paz se realiza especificamente por meio de bonayich, os construtores que atuam através de Chochmá. As kelipot recebem sustento de ya’ar, as sete Sefirot inferiores da Imá, onde ocorreu a quebra, mas não têm qualquer domínio sobre Chochmá; assim, em Chochmá, podem ser separadas e refinadas, conforme a máxima cabalística: “por meio de Chochmá elas são refinadas”.
mas não em Chochmá, etc. Portanto, por meio de Chochmá realiza-se a retificação, e do nível de ya’ar (floresta) faz-se ir (cidade), etc. E veja o que está escrito sobre [o versículo] “Amarrando seu jumentinho (iroh) à videira”, etc.
Como Chochmá está além do alcance das kelipot, a retificação realiza-se por meio dela, e ya’ar, a “floresta”, torna-se ir, uma “cidade”: as mesmas letras, em nova ordem. O texto remete ao discurso sobre a bênção de Yaakov a Yehudá: “Amarrando seu jumentinho (iroh) à videira”, em que iroh é entendido tanto como um jumento selvagem quanto como a cidade de D'us.
O parágrafo explica por que a abundância de paz exige bonayich: as kelipot recebem sustento das sete Sefirot inferiores de Biná, mas não de Chochmá; por isso, somente por meio de Chochmá podem ser refinadas e a “floresta” pode transformar-se em “cidade”.
Marei mekomot
- 1ע״פ אסרי לגפן עירה · תו״א מז, א.
- 2אסרי לגפן עירה · Genesis 49:11
De acordo com isso, compreenderemos o que é dito no Midrash Rabbah sobre [o versículo] “Rav lachem (já tivestes o bastante)”, etc.: “voltai-vos para o norte”; “‘para o norte’ significa nada além de palavras da Torá”.
Enquanto contornavam a terra de Essav, D'us lhes disse: “Já rodeastes esta montanha por tempo suficiente (rav lachem); voltai-vos para o norte (tsafoná).” O Midrash interpreta tsafoná como “escondei-vos” na Torá: se Essav ameaçar, refugiai-vos na Torá, pois “tsafoná significa somente Torá”. O texto usa isso para mostrar que rav, a multiplicidade de Essav, é superada por meio da Torá.
והיינו כי מצפון זהב יאתה4 בחינת יראה יראו את5 ה׳ ראשית חכמה יראת6 ה׳ והוא בחי׳ תורה שנא׳ [שנאמר] בה הנחמדים מזהב7 וכמ״ש ברבות בראשית פי״ו8
Isto é, pois “do norte vem o ouro”: o nível do temor, “Temei Havayá”, “O princípio da sabedoria é o temor a Havayá”; e este é o nível da Torá, sobre a qual foi dito: “São mais desejáveis que o ouro”; e como é dito em Bereishis Rabbah, capítulo 16,
“Do norte vem o ouro”, de Jó, associa o norte ao ouro, e o ouro é o nível do temor, como em “Temei Havayá” e “O princípio da sabedoria é o temor a Havayá”. A Torá é “mais desejável que o ouro”; assim, norte, ouro, temor e Torá estão relacionados. O texto também remete a Bereishis Rabbah, capítulo 16.
כי אם אין חכמה אין יראה910 ועיקר בחינת זהב הוא תשבעפ שהיא בחי׳ כמעלת הזהב על הכסף כמ״ש במ״א בענין בינה יתירה ניתנה באשה11 כו׳
pois “se não há sabedoria, não há temor”. E o nível principal do ouro é a Torá Oral, que corresponde à superioridade do ouro sobre a prata, como é explicado em outro lugar a respeito de “Foi dada à mulher uma compreensão adicional”, etc.,
Como diz a Mishná em Avot: “Se não há sabedoria, não há temor”; o temor depende da sabedoria da Torá. O ouro em seu sentido mais pleno é a Torá Oral, que supera a Torá Escrita assim como o ouro supera a prata; e o texto remete à explicação, em outro lugar, da afirmação dos Sábios de que “foi dada à mulher uma compreensão adicional”, sendo a mulher um símbolo de Malchut e da Torá Oral.
e como no assunto de “As palavras dos Sofrim (escribas) me são agradáveis”, no discurso que começa com “Sou negra, mas formosa”; e sofer (escriba) é o nível de Chochmá, pois “por meio da Chochmá são refinados”.
Os Sábios também dizem que “as palavras dos Sofrim”, os mestres da Torá Oral, são mais doces que o vinho da Torá; esse tema é explicado no discurso “Sou negra, mas formosa”. Sofer, “escriba”, simboliza Chochmá, por meio da qual todas as coisas são refinadas e separadas.
ולכן מזה נמשך שיהיה בחי׳ רב לכם וע״ד שנזכר למעלה שהתורה נקרא עוז ותושיה כו׳26
Portanto, disso resulta o nível de rav lachem, à semelhança do que foi mencionado acima: a Torá é chamada “força e sabedoria sólida (tushiyá)”, etc.
Por meio dessa Torá, chega-se ao nível de rav lachem: a multiplicidade de Essav já não se opõe a Israel. Como foi dito anteriormente, a Torá é chamada “força (oz) e sabedoria sólida (tushiyá)”; a nota da Kehot relaciona oz à alma divina e tushiyá à alma animal, e cita o Zohar Chadash, segundo o qual, no início, a Torá “enfraquece” a pessoa enquanto ela luta contra sua má inclinação, mas, depois que se habitua a ela, a Torá lhe traz alegria e força.
(ועיין בזח״ב [בזהר חלק ב׳] תרומה קמ״ח א׳ ע״פ תפוחי זהב במשכיות כסף151617 וברבות ר״פ ויגש ובפרש״י [ובפירש רש״י / ובפירוש רש״י] במשלי סי׳ כ״ה י״א ובשל״ה [ובשני לוחות הברית] בתחלתו ד׳ ג׳ ע״א)
(E veja o Zohar, Parte II, Terumah, 148a, sobre [o versículo] “Maçãs de ouro em engastes de prata”; e o Midrash Rabbah, no início de Parshas Vayigash; e o comentário de Rashi sobre Proverbs, capítulo 25, [versículo] 11; e o Shelah, no início, fólio 3a.)
Uma lista entre parênteses de outras fontes: o Zohar sobre “Maçãs de ouro em engastes de prata” (Proverbs 25:11), o Midrash Rabbah no início de Vayigash, Rashi sobre esse versículo e o início do Shelah. A imagem do versículo, de ouro engastado em prata, corresponde aos dois níveis da Torá aqui tratados.
פי׳ הוא ענין אורייתא סתים וגליא18 והכל אחד כי תשבע״פ [תורה שבעל פה] נק׳ ארץ זבת חלב ודבש וכמש״ל [וכמה שלמטה] בד״ה היום הזה בפ׳ כי תבא.
O significado é o conceito de “a Torá é oculta e revelada”, e tudo é um; pois a Torá Oral é chamada “uma terra que mana leite e mel”, como é explicado abaixo, no discurso que começa com “Este dia”, em Parshas Ki Savo.
Este é o ensinamento do Zohar de que “a Torá é oculta e revelada”, e, ainda assim, tudo é um: suas profundezas ocultas e seus ensinamentos revelados constituem uma só Torá. A Torá Oral é chamada “uma terra que mana leite e mel”, como é explicado no discurso “Este dia”, em Parshas Ki Savo.
E este é [o significado] do que está escrito sobre David: “ruivo, de belos olhos”; pois a construção de Malchut vem de Guevurá (contenção), “ruivo”; mas, apesar disso, “de belos olhos”,
Assim, as Escrituras descrevem David, que personifica a realeza (Malchut), como “ruivo, de belos olhos”. “Ruivo”, a cor vermelha, corresponde a Guevurá, pois Malchut é construída a partir das guevurot; contudo, ele também tinha “belos olhos”.
כי גבורה זה אמיתית החסד וע״ד ענין קו המדה גבורה דע״י [דעתיק יומין] המתלבשת במו״ס [במוחא סתימאה] טלא דבדולחא21 כעין הבדולח גוון לבן אלא דגווני סומקי אתחזי ביה כו׳.
pois esta Guevurá é, na verdade, Chessed (bondade). Isso segue a ideia da linha de medida: a Guevurá de Atik Yomin, que se reveste na Mocha Stima'ah (o cérebro oculto), o “orvalho de cristal”, semelhante à aparência do cristal, de cor branca, mas “tons vermelhos são vistos nele”, etc.
Os “belos olhos” mostram que esta Guevurá é, em sua essência, verdadeira bondade: sua contenção serve ao bem. Ela é como a linha de medida, a Guevurá de Atik Yomin revestida no cérebro oculto (Mocha Stima'ah), que o Zohar descreve como “o orvalho de cristal”: branco como o cristal, mas com tons vermelhos visíveis em seu interior.
(E veja o Zohar, Parte III, Tazria, 51a; 56a; 84a; 262b.) Porém, para que haja bonayich, primeiro é preciso haver banayich,
Uma referência entre parênteses a outras passagens do Zohar (Parte III, 51a, 56a, 84a e 262b). Em seguida, o passo seguinte: bonayich, a construção por meio da Torá e do temor, requer que primeiro haja banayich, os “filhos”, o nível do amor.
que é Biná (entendimento): o “correr e retornar” (ratzo vashov) na oração, etc. “Eles abençoaram sobre a Torá”: baruch (“abençoado”) é o Yessod de Abá, para que seja atraído para dentro da Torá, o vav, os seis atributos (midot) de Zeir Anpin, etc.
Banayich é Biná, expressa no “correr e retornar” (ratzo vashov) da oração: o anseio da alma de elevar-se e seu retorno para servir embaixo, conforme as palavras de Ezequiel sobre os seres viventes. As palavras “eles abençoaram sobre a Torá” remetem ao ensinamento dos Sábios de que a Terra foi perdida porque não abençoaram primeiro sobre a Torá: baruch, “abençoado”, é o Yessod de Abá, o canal proveniente de Chochmá que deve ser atraído para dentro da Torá, a letra vav, os seis atributos de Zeir Anpin. A nota da Kehot cita o léxico cabalístico Meorei Or: “Baruch é o nome do Yessod de Abá, unido dentro do Yessod de Imá.”
O parágrafo usa o ensinamento do Midrash de que “norte” significa Torá para mostrar que a Torá, o ouro e o temor, enraizados em Chochmá, superam o rav de Essav; interpreta “ruivo, de belos olhos”, a respeito de David, como Guevurá que é, na verdade, bondade, e então retorna à etapa anterior, banayich, o amor da oração.
A imagem do orvalho de cristal une o parágrafo: a Guevurá de Atik Yomin dentro da Chochmá oculta é um cristal branco que revela o vermelho, assim como o ruivo de David vinha acompanhado de belos olhos e assim como o ouro do temor procede da Chochmá da Torá.
Marei mekomot
- 1מ״ש ברבות ע״פ רב לכם כו׳ · רבות דברים פ״א, יט.
- 2רב לכם כו׳ פנו לכם צפונה · Deuteronomy 2:3
- 3פנו לכם צפונה ואין צפונה אלא דברי תורה · Devarim Rabbah 1:19
- 4מצפון זהב יאתה · Job 37:22
- 5יראו את ה׳ · Psalms 34:10
- 6ראשית חכמה יראת ה׳ · Psalms 111:10
- 7הנחמדים מזהב · Psalms 19:11
- 8ברבות בראשית פי״ו · הלשון נעתק באוה״ת פ׳ תצוה ע׳ א׳תריג. וראה יהל אור ע׳ עא.
- 9אם אין חכמה אין יראה · אבות ג, יז.
- 10אם אין חכמה אין יראה · Pirkei Avot 3:17
- 11בינה יתירה ניתנה באשה · Niddah 45b:11–12
- 12ערבים עלי ד״ס · Avodah Zarah 35a:6
- 13ערבים עלי דברי סופרים · Shir HaShirim Rabbah 1:8
- 14בד״ה שחורה אני · לקמן שה״ש ט, ג.
- 15תפוחי זהב במשכיות כסף · Proverbs 25:11
- 16תפוחי זהב במשכיות כסף · Zohar, Terumah 34:396–35:406
- 17תפוחי זהב במשכיות כסף · Rashi on Proverbs 25:11
- 18אורייתא סתים וגליא · Zohar III, 98b
- 19אדמוני עם יפה עינים · שמואל-א ט, מב.
- 20אדמוני עם יפה עינים · I Samuel 16:12
- 21במו״ס טלא דבדולחא · מבואר בביאוה״ז להצ״צ כרך ב ע׳ שלח. וראה אוה״ת נ״ך כרך ב ע׳ א׳נז.
- 22עיין זח״ג תזריע נ״א א׳ נ״ו א׳ · הלשון נעתק באוה״ת פ׳ תרומה ע׳ א׳תקא.
- 23פ״ד א׳ · ראה לעיל פ׳ שלח מג, א.
- 24רצוא ושוב · Ezekiel 1:14
- 25ברוך יסוד אבא · ”ברוך נק׳ יסוד אבא המיוחד תוך יסוד אימא ונק׳ שביל ונתיב דאעיל בה” — מאו״א אות ב, לט, מובא באוה״ת בראשית כרך ג תקנא, ב עם הגהות, ונזכר לעיל פ׳ תזריע כב, ג.
- 26שהתורה נק׳ עוז ותושיה · עוז לנה״א ותושי׳ לנה״ב. ע׳ בזהר חדש במדה״נ בראשית (ו, ב. [ה, ב]) התורה נק׳ תושיה בתחילה ואח״כ גבורה כו׳ בתחלה [. .] מתשת כחו של אדם מפני שיש לו להלחם עם יצה״ר ולכתת כל גופו בבית המדרש עד שירגיל אותו בתורה כיון שהוא רגיל כו׳ יש לו שמחה וגבורה כו׳. ע״ש. [כ].
Tsedacá e luz circundante ¶8–9
8ג ואח״כ בצדקה תכונני1 כי כ״ז [כל זה] הוא בנין המל׳ בבחינת א״פ [אור פנימי] אבל להיות שמירה ישמור עיר הוא המשכת מקיפים שנמשכים ע״י הצדקה רחמים כו׳
3. E depois: “Pela tsedacá serás estabelecida.” Pois tudo isso é a construção de Malchut na qualidade de luz interior (or pnimi); mas, para que haja a proteção de “guarda a cidade”, é preciso atrair luzes abrangentes (makifim), que são atraídas por meio da caridade (tsedacá), da compaixão etc.
A terceira seção passa ao versículo seguinte: “Pela tsedacá serás estabelecida.” Banáyich e bonáyich constroem Malchut como luz interior, uma luz que entra e é absorvida; mas, para proteger a “cidade” das forças exteriores, como em “se Havayá não guardar a cidade”, são necessárias luzes abrangentes (makifim), atraídas por meio da caridade e da compaixão.
והמקיף דוחה יניקת החיצונים2 (ועיין ע״פ אם ה׳ לא יבנה34 כו׳ ישמר עיר5678 ביומא די״ט סע״ב [סוף עמוד ב]9 וברבות בתחלת פתיחתא דאיכה זח״ב [זהר חלק ב׳] פ׳ בא ל״ט א׳ תרומה קס״ד א׳ פקודי רכ״ו א׳ ח״א [חלק א׳] ויצא קנ״א ב׳)10
E a luz abrangente repele a nutrição das forças exteriores. (E veja sobre [o versículo] “Se Havayá não construir”, etc., “guarda a cidade”, em Yoma, no fim de 19b; e no Midrash Rabbah, no início da Pesichta de Eichah; no Zohar, Parte II, Parshas Bo, 39a; Terumah, 164a; Pekudei, 226a; Parte I, Vayeitzei, 151b.)
Uma luz abrangente, grande demais para ser contida, afasta as forças exteriores, impedindo que elas recebam nutrição. O parêntese enumera lugares que tratam de “Se Havayá não construir a casa… se Havayá não guardar a cidade”: o Talmud em Yoma, que relata que esse versículo era recitado para manter o Sumo Sacerdote ocupado durante a noite que antecedia Yom Kipur; o início do Midrash sobre Eichah; e várias passagens do Zohar.
וזהו אני מדבר בצדקה רב להושיע11 (בישעיה ס״ג [שם ס״ג]) פי׳ אני מדבר זהו ענין התורה שהיא ודברי אשר שמתי בפיך12 וכדי שיבא לבחי׳ זו זהו ע״י וכל בניך למודי13 הוי׳.
E este é [o sentido de] “Eu, que falo em tsedacá, grande para salvar” (em Isaías, capítulo 63). O sentido é: “Eu, que falo” refere-se à Torá, que é “e Minhas palavras, que pus em tua boca”; e chegar a esse nível se dá por meio de “E todos os teus filhos serão ensinados por Havayá”.
A declaração de Isaías, “Eu, que falo em tsedacá, grande para salvar”, é interpretada aqui assim: “Eu, que falo” é a Torá, as palavras de D'us postas na boca de Israel, como diz Isaías em outro lugar: “Minhas palavras, que pus em tua boca”. Chega-se a esse nível por meio de “E todos os teus filhos serão ensinados por Havayá”, isto é, pelo estudo da Torá.
ואח״כ בצדקה תכונני ואזי רב להושיע והיינו ע״י בחי׳ ורב שלום כנ״ל וזהו זורע צדקות ומצמיח ישועות14 ועיין בד״ה המגביהי לשבת15 ועיין זח״ג [זהר חלק ג] אמור פ״ט א׳.
E depois: “Pela tsedacá serás estabelecida”, e então “grande para salvar”, isto é, por meio do nível de verav shlom, como mencionado acima. E este é [o sentido de] “que semeia atos de tsedacá e faz brotar salvações”. E veja no discurso que começa com “Quem está entronizado nas alturas”; e veja o Zohar, Parte III, Emor, 89a.
Depois da Torá vem a tsedacá, e com ela “grande para salvar”: a salvação que vem por meio de verav shlom, o refinamento da multiplicidade descrita acima. A bênção anterior ao Shemá da manhã louva D'us como “Aquele que semeia atos de tsedacá e faz brotar salvações”, ligando a tsedacá à salvação; o texto também remete ao discurso de Torah Ohr “Quem está entronizado nas alturas” e ao Zohar.
וז״ש [וזהו שכתוב] לדוד ה׳ אורי וישעי1617 ממי אירא כו׳ כי דוד וירושלים בחינה א׳ כמ״ש לא בחרתי בעיר כו׳
E este é [o sentido de] o que está escrito: “De David: Havayá é minha luz e minha salvação; de quem terei medo?” etc. Pois David e Jerusalém correspondem a um mesmo nível, como está escrito: “Não escolhi cidade”, etc.,
Assim, David diz: “Havayá é minha luz e minha salvação; de quem terei medo?” David e Jerusalém correspondem a um mesmo nível, Malchut, como as Escrituras associam a escolha de David à escolha de Jerusalém.
“mas escolhi David” (em I Kings, capítulo 8); e está escrito: “E escolhi Jerusalém”, etc., “e escolhi David” (em II Chronicles, capítulo 6).
Em Kings, D'us diz que não escolheu nenhuma cidade, mas escolheu David; em Chronicles, as mesmas palavras dizem que Ele escolheu Jerusalém e escolheu David. Lidos em conjunto, os versículos apresentam o rei e a cidade como um só.
והנה ה׳ אורי היינו מה שנמשך בבחי׳ אור וגילוי ממש הוא בחי׳ א״פ [אור פנימי] וישעי הוא המשכת או״מ [אור מקיף]20 ועי״ז ורב להושיע.
Ora, “Havayá é minha luz” é aquilo que é atraído como luz e revelação efetivas, o nível de luz interior; “e minha salvação” é a atração da luz abrangente (or makif); e por meio disso, “grande para salvar”.
“Minha luz” é a luz interior, a revelação recebida internamente, a construção de banáyich e bonáyich; “minha salvação” é a luz abrangente, que protege a partir de fora. Por meio dessa luz abrangente vem “grande para salvar”, a salvação trazida pela tsedacá.
(וע׳ מזה בזח״ג [בזהר חלק ג] במדבר קי״ט א׳ וברבות אמור פכ״א).21 והנה בר״ה [בראש השנה] הוא בנין עולם הדבור ועיין ברבות
(E veja sobre isso o Zohar, Parte III, Bamidbar, 119a, e o Midrash Rabbah, Emor, capítulo 21.) Ora, em Rosh HaShanah ocorre a construção do mundo da fala; e veja o Midrash Rabbah,
O Zohar em Bamidbar explica “Havayá é minha luz”: quem está unido à luz do alto não teme nem os seres superiores nem os inferiores; e o Midrash interpreta “minha luz” como Rosh HaShanah e “minha salvação” como Yom Kipur (a nota de Kehot diz que o capítulo pertence a Acharei, e não a Emor). Em Rosh HaShanah, o “mundo da fala”, Malchut, é construído de novo, e o texto remete a outras passagens do Midrash.
כי תשא פמ״ו וס״פ עקב ע״פ ועת כנוס אבנים22 והוא בחי׳ בוניך בחכמה יבנה בית23 ויבן את הצלע24 וגם כי פי׳ יראה שלם ושלום
Ki Sisa, capítulo 46, e no final de Eikev, sobre [o versículo] “e um tempo para ajuntar pedras”. E este é o nível de bonayich: “Com sabedoria se edifica uma casa”; “E Ele construiu a costela”. Também quanto ao significado de yirá, shalem e shalom:
Entre eles está um Midrash sobre “um tempo para ajuntar pedras” (Eclesiastes 3:5), ajuntando as pedras para uma construção. Esta construção de Rosh HaShaná é bonayich, como em “Com sabedoria se edifica uma casa” e “Ele construiu a costela”, a construção de Chavá, que representa Malchut; o texto então começa a explicar as três palavras yirá, shalem e shalom.
הנה יראה הוא בחי׳ ר״ה [ראש השנה] וע׳ זח״ג [זהר חלק ג] תרומה (קל״ה25 א׳) ע״פ וזאת התרומה כו׳ זהב26 ברזא דיומא דראש השנה27 כו׳ מצפון זהב יאתה28 כו׳.
yirá (temor) é o nível de Rosh HaShaná. E veja o Zohar, Parte III, Terumah (135a), sobre [o versículo] “E esta é a oferenda”, etc.: “O ouro, no mistério do dia de Rosh HaShaná”, etc., “Do norte vem o ouro”, etc.
Yirá, temor, é Rosh HaShaná. O Zohar sobre “E esta é a oferenda… ouro” diz que o ouro alude ao dia de Rosh HaShaná, e Jó diz: “Do norte vem o ouro”; a nota da Kehot indica que este Zohar está na Parte II, onde se encontra Terumah.
והוא בחי׳ יראה כנ״ל. ושלם בחי׳ יוהכ״פ [יום הכפורים] שאזי מתמלאים כל הפגמים ע״י ההמשכה עליונה ממקורא דכולא אנת הוא שלימותא דכולהו2930 וגם שלום לרחוק31 שנעשה קרוב32
E este é o nível do temor, como mencionado acima. E shalem (completo) é o nível de Yom Kipur, quando todas as imperfeições são reparadas por meio da emanação superior a partir da Fonte de tudo, “Tu és a perfeição de todos eles”; e também “paz para aquele que está distante”, que se torna próximo,
O ouro é o nível do temor, como explicado acima. Shalem, “completo”, é Yom Kipur, quando cada imperfeição é reparada por meio de uma emanação da Fonte de tudo, a quem o Tikkunei Zohar se dirige com as palavras: “Tu és a perfeição de todos eles”; e shalom é “paz para aquele que está distante”, que se aproximou.
דהיינו בחי׳ תשובה וכן מלמעלה למטה ארז״ל [אמרו רבותינו זכרונם לברכה] ע״פ קראוהו בהיותו קרוב33 אלו עשי״ת [עשרת ימי תשובה]34 וגם מזה נמשך בחי׳ סוכות שנק׳ סוכת שלומך35
isto é, o nível de teshuvá (retorno). E igualmente de cima para baixo, como disseram nossos Sábios, de abençoada memória, sobre [o versículo] “Invocai-O enquanto Ele está próximo”: estes são os Dez Dias de Teshuvá. E também deles se estende o nível de Sucot, que é chamada “a sucá da Tua paz”.
A aproximação de quem estava distante é teshuvá, e também D'us Se aproxima de cima: os Sábios interpretam “Invocai-O enquanto Ele está próximo” como os Dez Dias de Teshuvá entre Rosh HaShaná e Yom Kipur. Daí vem Sucot, que a oração da noite chama de “a sucá da Tua paz”.
ולכן מקריבים בסוכות ע׳ [עיין] פרים36 שהוא ע״ד בחי׳ ורב שלום וע׳ בהרמ״ז [בהרב משה זכות] ס״פ פינחס גבי להשתחוות לה׳ בחג הסוכות37
Portanto, em Sucot são oferecidos setenta touros, o que corresponde ao nível de verav shlom. E veja o Ramaz no final da Parashat Pinchas, a respeito de “prostrar-se diante de Havayá na festa de Sucot”.
A paz de Sucot é verav shlom: os setenta touros oferecidos ao longo da festa correspondem às setenta nações, segundo o Talmud, à multidão (rav) que é conduzida à paz. O texto também remete ao Ramaz sobre a profecia de Zecharyá de que as nações subirão para se prostrar diante de D'us e celebrar a festa de Sucot.
E também nessa época se dá muita tsedacá; veja o que está escrito no discurso que começa “E farei [as tuas janelas] de kadkod” e no final do discurso que começa “Tsion”, etc., “por meio da tsedacá”. Isto é, para que “por meio da tsedacá serás estabelecida”.
Em Sucot também se dá muita caridade, como explicado nos discursos sobre “Farei as tuas janelas de kadkod” e “Tsion será redimida pela justiça, e os que retornam a ela, pela tsedacá”. Tudo isso é para que se cumpra “por meio da tsedacá serás estabelecida”.
A terceira seção: depois de banáyich e bonáyich, que constroem Malchut como luz interior, a tsedacá atrai a luz abrangente que protege a “cidade” das forças exteriores e traz “grande para salvar”. As festas de Tishrei mostram a mesma ordem: temor em Rosh HaShanah, plenitude em Yom Kipur e paz em Sucot, com suas setenta oferendas e abundante caridade.
A associação de “minha luz” à luz interior e de “minha salvação” à luz abrangente também aparece em Biurei HaZohar do Mitteler Rebe, como registra a nota de Kehot; o Tzemach Tzedek, citando essa obra em Yahel Or, acrescenta a interpretação do Alshich de “minha salvação” como livramento da inclinação ao mal.
Marei mekomot
- 1בצדקה תכונני · Isaiah 54:14
- 2והמקיף דוחה יניקת החיצונים · באוה״ת פ׳ ראה ע׳ תשפ יש הגהה לכאן.
- 3אם ה׳ לא יבנה · Psalms 127:1
- 4
- 5אם ה׳ לא יבנה כו׳ ישמר עיר · Zohar, Bo 6:141–7:151
- 6אם ה׳ לא יבנה כו׳ ישמר עיר · Zohar, Terumah 68:685–70:694
- 7אם ה׳ לא יבנה כו׳ ישמר עיר · Zohar, Pekudei 14:96–15:105
- 8אם ה׳ לא יבנה כו׳ ישמר עיר · Zohar, Vayetzei 13:86–14:92
- 9ביומא די״ט סע״ב · הלשון מובא ביהל אור ע׳ תצג.
- 10וברבות . . ויצא קנ״א ב׳ · ראה יהל אור ע׳ תצד ואילך.
- 11
- 12ודברי אשר שמתי בפיך · Isaiah 59:21
- 13וכל בניך למודי הוי׳ · Isaiah 54:13
- 14זורע צדקות ומצמיח ישועות · ברכת יוצר.
- 15בד״ה המגביהי לשבת · ראה תו״א לח, ד.
- 16ה׳ אורי וישעי · Zohar, Bamidbar 3:38–5:46
- 17ה׳ אורי וישעי · Vayikra Rabbah 21:4
- 18לא בחרתי בעיר כו׳ ואבחר בדוד · I Kings 8:16
- 19ואבחר בירושלים כו׳ ואבחר בדוד · II Chronicles 6:6
- 20אורי . . בחי׳ א״פ וישעי הוא המשכת או״מ · כ״ה גם בביאוה״ז לאדה״א פז, ג. מובא ביהל אור ע׳ צח ושם מוסיף פי׳ האלשיך שפי׳ וישעי להושיע מיצה״ר ע״ש.
- 21וברבות אמור פכ״א · ראה הלשון ביהל אור ע׳ צז. (ושם מציין לפ׳ אחרי וכן צ״ל כאן).
- 22ועת כנוס אבנים · Ecclesiastes 3:5
- 23בחכמה יבנה בית · Proverbs 24:3
- 24ויבן את הצלע · Genesis 2:22
- 25זח״ב תרומה קל״ה א׳ · ראה גם אוה״ת פ׳ וישב רנג, ב.
- 26וזאת התרומה כו׳ זהב · Exodus 25:3
- 27וזאת התרומה כו׳ זהב ברזא דיומא דראש השנה · Zohar, Terumah 13:153–14:164
- 28מצפון זהב יאתה · Job 37:22
- 29אנת הוא שלימותא דכולהו · ראה ת״ז בהקדמה (פתח אלי׳).
- 30אנת הוא שלימותא דכולהו · Tikkunei Zohar 17b:2–3
- 31שלום לרחוק · Isaiah 57:19
- 32שלום לרחוק שנעשה קרוב · Berakhot 34b:17–18
- 33קראוהו בהיותו קרוב · Isaiah 55:6
- 34קראוהו בהיותו קרוב אלו עשי״ת · Yevamot 49b
- 35סוכת שלומך · ברכת השכיבנו.
- 36מקריבים בסוכות ע׳ פרים · Numbers 29:13
- 37להשתחוות לה׳ בחג הסוכות · Zechariah 14:16
- 38ושמתי כדכד · Isaiah 54:12
- 39ציון כו׳ בצדקה · Isaiah 1:27
- 40לדוד ה׳ אורי · Psalms 27:1
- 41בזח״ג קי״ט א׳ · ”פתח ואמר ה׳ אורי וישעי וגו׳ כיון דברנש אסתכל ואתאחד בנהורא דלעילא וקוב״ה אנהר עליה לא דחיל מעלאין ותתאין כד״א ועליך יזרח ה׳ וכבודו וגו׳” — ביאוה״ז לאדה״א פז, ג. מובא גם ביהל אור ע׳ צח.
9והנה כללות ג׳ בחינות אלו בניך בוניך בצדקה תכונני1 הם ג׳ בחי׳ כח״ב [כתר חכמה בינה] כסדרן מלמטה למעלה בניך בינה בן י״ה
Ora, esses três níveis em seu conjunto — banayich, bonayich e “por meio da tsedacá serás estabelecida” — são os três níveis de Kéter, Chochmá e Biná, em sua ordem de baixo para cima: banayich é Biná, ben Yah (“filho de Yah”),
As três etapas, banayich, bonayich e tsedacá, correspondem a Biná, Chochmá e Kéter, em ordem ascendente. Banayich é Biná: a palavra Biná é grafada com as letras de ben (“filho”) e Yah, o Nome composto de yud e hei.
והוא עסק התפלה בוניך חכמה עסק התורה והם בחי׳ או״פ [אור פנימי] ואח״כ בצדקה תכונני בחי׳ כתר כי תרי״ג מצות דאורייתא עם ז׳ מצות דרבנן הם תר״ך עמודי אור2 שמבחי׳ כתר3
e isso é o serviço da oração; bonayich é Chochmá, o estudo da Torá; e estes são o nível da luz interior. Depois, “por meio da tsedacá serás estabelecida” é o nível de Kéter (a Coroa), pois as 613 mitsvot da Torá, juntamente com as sete mitsvot dos Sábios, são os 620 pilares de luz que provêm do nível de Kéter,
Biná é o serviço da oração, do qual nasce o amor; bonayich é Chochmá, o estudo da Torá; ambos são luz interior. Tsedacá é Kéter, a Coroa: os 613 mandamentos da Torá e os sete rabínicos totalizam 620, os “620 pilares de luz” de Kéter, palavra cujo valor numérico é 620.
והוא או״מ [אור מקיף] מלשון כותרת ונודע דכללות המצות4 נקרא צדקה ועמ״ש בד״ה כה תברכו56 בענין ג׳ הברכות יברכך יאר ישא7 והם ג״כ כענין ג׳ בחינות אלו.
e este é a luz que circunda, do termo koséret (uma letra capitular em forma de coroa). E é sabido que as mitsvot em sua expressão geral e coletiva são chamadas tsedacá. Veja também o que está escrito no discurso que começa “Assim abençoareis”, a respeito das três bênçãos, “Que Ele te abençoe”, “Que Ele faça brilhar” e “Que Ele eleve”; estas também correspondem a esses três níveis.
Kéter é a luz que circunda: o termo está relacionado a koséret, a letra capitular em forma de coroa que fica no alto de uma coluna e a envolve, em vez de penetrar nela. As mitsvot tomadas em conjunto são chamadas tsedacá (a nota da Kehot recorda que o Talmud Yerushalmi chama a caridade simplesmente de “a mitsvá”), e as três bênçãos sacerdotais — “Que Ele te abençoe”, “Que Ele faça brilhar” e “Que Ele eleve” — correspondem aos mesmos três níveis.
ועיין בהרמ״ז [בהרב משה זכות] פ׳ שלח (דקנ״ט8 א׳) גבי ויברא אלקים את האדם בצלמו9 תלת עלמין אית ליה לקוב״ה [לקודשא בריך הוא] דאיהו גניז בגווייהו10 שהם ג״כ שלשה בחינות הנ״ל שכנגדם נאמר קדוש קדוש קדוש11 יעו״ש [יעויין שם].
Veja também o Ramaz sobre Parashat Shelach (fólio 159a), a respeito de “E Elokim criou o homem à Sua imagem”: “O Santo, bendito seja Ele, tem três mundos nos quais está oculto”; estes também são os três níveis mencionados acima, aos quais corresponde a declaração “Santo, santo, santo”; veja lá.
O texto remete ao comentário do Ramaz sobre a afirmação do Zohar de que D'us “tem três mundos nos quais está oculto”. Estes são os mesmos três níveis, e a tripla declaração “Santo, santo, santo” corresponde a eles.
ועפ״ז [ועל פי זה] אפשר להבין המשל הנזכר ברבות בשה״ש [בשיר השירים] ס״פ נגילה ונשמחה בך12 למטרונה כו׳ אמרו לה באו בניך אמרה מאי איכפת לי תשמחנה כלותי13 כו׳ ע״ש.
Com base nisso, pode-se compreender a parábola citada no Midrash Rabá sobre o Cântico dos Cânticos, ao final [da passagem sobre] “Alegremo-nos e exultemos em ti”: “É como uma matrona”, etc. “Disseram-lhe: ‘Teus filhos chegaram.’ Ela disse: ‘Que importância isso tem para mim? Que minhas noras se alegrem’”, etc.; veja lá.
Essa chave desvenda uma parábola do Midrash sobre “Alegremo-nos e exultemos em ti”: uma matrona cujo marido, o rei, partiu para além-mar com seus filhos e genros. Ao lhe dizerem “Teus filhos chegaram”, ela respondeu: “Que importância isso tem para mim? Que minhas noras se alegrem”; os parágrafos seguintes decifram a parábola por meio dos três níveis.
O parágrafo associa as três etapas às três Sefirot mais elevadas: banayich é Biná (oração) e bonayich é Chochmá (Torá), ambas luz interior, enquanto tsedacá é Kéter (as mitsvot em seu conjunto), luz que circunda. Essa chave desvendará a parábola da matrona no Midrash.
O Pardes relaciona os 620 pilares de luz de Kéter à oração de Rabi Nechunyá ben HaKaná; associá-los às 613 mitsvot da Torá e às sete rabínicas mostra que as mitsvot em seu conjunto alcançam o nível acima de Chochmá, razão pela qual a tsedacá, sua expressão geral, é colocada aqui acima do estudo da Torá.
Marei mekomot
- 1בצדקה תכונני · Isaiah 54:14
- 2תרי״ג . . תר״ך עמודי אור · פרדס ש״ח, פ״ג. ע״ל בחקותי (מז, ב). וש״נ. [כ].
- 3תר״ך עמודי אור שמבחי׳ כתר · Pardes Rimmonim 8:5–6
- 4דכללות המצות נק׳ צדקה · Tanya, Likkutei Amarim 37:11–12
- 5בד״ה כה תברכו · לעיל פ׳ נשא.
- 6כה תברכו · Numbers 6:23
- 7יברכך יאר ישא · Numbers 6:24–26
- 8ועיין בהרמ״ז פ׳ שלח דקנ״ט א׳ · מובא גם לעיל פ׳ קדושים ל, ג. וראה ביהל אור ע׳ תנד ההפרש בין פי׳ הרח״ו להרמ״ז ע״ש.
- 9ויברא אלקים את האדם בצלמו · Genesis 1:27
- 10תלת עלמין אית ליה לקוב״ה דאיהו גניז בגווייהו · Zohar, Sh'lach 6:39–8:49
- 11קדוש קדוש קדוש · Isaiah 6:3
- 12נגילה ונשמחה בך · Song of Songs 1:4
- 13נגילה ונשמחה בך למטרונה כו׳ אמרו לה באו בניך אמרה מאי איכפת לי תשמחנה כלותי · Shir HaShirim Rabbah 1:11–12
A parábola da matrona ¶10–14
10והענין דהנה כתיב כשושנה בין החוחים1 כן רעיתי בין הבנות פי׳ שהנשמות נקראו בנות ירושלים או בנות ציון.
A explicação: está escrito: “Como o lírio entre os espinhos, assim é minha amada entre as jovens.” O sentido é que as almas são chamadas “filhas de Jerusalém” ou “filhas de Tsion”,
A explicação da parábola começa com “Como o lírio entre os espinhos, assim é minha amada entre as jovens”. As “jovens” são as almas individuais, chamadas “filhas de Jerusalém” ou “filhas de Tsion”.
וכמ״ש בד״ה שחורה אני ונאוה בנות ירושלים2 וסד״ה צאינה וראינה בנות ציון3 אך רעיתי הוא כנס״י [כנסת ישראל] מקור הנשמות
conforme explicado no discurso que começa com “Sou negra, mas formosa, ó filhas de Jerusalém” e no final do discurso que começa com “Saí e vede, ó filhas de Tsion”; mas “minha amada” é a Congregação de Israel (Knesset Yisrael), a fonte das almas.
Assim é explicado nos discursos “Sou negra, mas formosa, ó filhas de Jerusalém” e “Saí e vede, ó filhas de Tsion”. “Minha amada”, em contrapartida, é Knesset Yisrael, a Congregação de Israel como um todo, a fonte de onde vêm todas as almas.
E veja o que está escrito sobre [o versículo] “Uma só é ela”, etc. A explicação do assunto é a seguinte: sabe-se que há três amores: “com todo o teu coração”, “e com toda a tua alma” e “e com todas as tuas forças”,
O texto se refere ao discurso sobre “Uma só é ela, minha pomba” e então apresenta o ponto central: o Shemá fala de três amores, “com todo o teu coração, com toda a tua alma e com todas as tuas forças”, três níveis ascendentes de amor a D'us.
conforme explicado o significado deles no discurso que começa com “Sua mão esquerda está sob minha cabeça”, [em] “Quando levantares a cabeça dos filhos de Israel” e no discurso que começa com “Os céus são Meu trono”.
Esses três amores são explicados em outros discursos: “Sua mão esquerda está sob minha cabeça”, “Quando levantares a cabeça dos filhos de Israel” e “Os céus são Meu trono”.
O parágrafo começa a decifrar a parábola: as almas individuais são as “jovens”, Knesset Yisrael, sua fonte, é “minha amada”, e o ponto central são os três amores do Shemá: com todo o coração, toda a alma e todas as forças.
Marei mekomot
- 1כשושנה בין החוחים · Song of Songs 2:2
- 2שחורה אני ונאוה בנות ירושלים · Song of Songs 1:5
- 3צאינה וראינה בנות ציון · Song of Songs 3:11
- 4אחת היא · Song of Songs 6:9
- 5בכל לבבך ובכל נפשך ובכל מאדך · Deuteronomy 6:5
- 6שמאלו תחת לראשי · Song of Songs 2:6
- 7כי תשא את ראש בני ישראל · Exodus 30:12
- 8השמים כסאי · Isaiah 66:1
11והנה בחי׳ בכל לבבך הוא בחי׳ כלה שארי ולבבי1 נכספה וגם כלתה נפשי2 לחצרות ה׳ וזהו הנק׳ כלותי ע״ש [על שם] בחי׳ כלה כלתה נפשי ועמ״ש מזה בד״ה וארשתיך לי.34
Ora, o nível de “com todo o teu coração” é o nível de “minha carne e meu coração desfalecem (kalah)” e também de “minha alma anseia e desfalece (kalsah) pelos átrios de Havayá”; e isso é chamado “minhas noras” (kalosai), por alusão ao nível de kalah, “minha alma desfalece”. Veja também o que está escrito sobre isso no discurso que começa “E Eu te desposarei para Mim”.
O amor “com todo o teu coração” é o anseio da alma, como em “minha carne e meu coração desfalecem” e “minha alma anseia e desfalece pelos átrios de Havayá”. Por isso essas almas são chamadas kalosai, “minhas noras”, de kalah, “desfalecer”; o discurso “E Eu te desposarei para Mim” explica que Knesset Israel é chamada kallah, “noiva”, pelo mesmo motivo.
O parágrafo identifica o primeiro amor, “com todo o teu coração”, com o anseio da alma pelos “átrios de Havayá” e, assim, explica por que o Midrash chama essas almas de kalosai, “noras”.
Marei mekomot
- 1כלה שארי ולבבי · Psalms 73:26
- 2נכספה וגם כלתה נפשי · Psalms 84:3
- 3בד״ה וארשתיך לי · Numbers 8:2
- 4וארשתיך לי · Hosea 2:21
12ומדרגת בכל נפשך בחי׳ אליך ה׳ נפשי אשא1 וגם התקשרות כחות הנפש השכל ומדות ומחדומ״ע [ומחשבה דיבור ומעשה] בתורה ומצות ובעיון תפלה
E o nível de “com toda a tua alma” é o aspecto de “A Ti, Havayá, elevo minha alma”, e também a ligação das forças da alma — o intelecto, os atributos emocionais (midot), o pensamento, a fala e a ação — à Torá e às mitsvot, e à oração meditativa,
O amor “com toda a tua alma” é “A Ti, Havayá, elevo minha alma”: ligar todas as forças da pessoa — seu intelecto, suas emoções, seu pensamento, sua fala e sua ação — à Torá e às mitsvot, e à oração meditativa.
שהוא ההתקשרות בחכמתו ורצונו ית׳ והוא בחי׳ עליונה יותר מבחי׳ לחצרות ה׳ כי אורייתא היא היכלא עילאה דקוב״ה [דקודשא בריך הוא]2 בחי׳ בית המלכות שהמלך דר בו בקביעות
isto é, a ligação à Sua sabedoria e à Sua vontade, bendito seja Ele. Este é um nível mais elevado do que “pelos pátios de Havayá”, pois a Torá é “o palácio supremo do Santo, bendito seja Ele”, o aspecto da casa real na qual o Rei habita permanentemente,
Isso significa ligar-se à própria sabedoria e vontade de D'us, que é o que a Torá representa; por isso, é mais elevado do que ansiar pelos “pátios”. O Zôhar chama a Torá de “o palácio supremo do Santo, bendito seja Ele”, a casa real onde o Rei habita permanentemente.
היינו השראת אור א״ס ב״ה בחכמה עילאה מה שלמעלה מבחי׳ חצרות ה׳ שהמלך נכנס שם לפרקים לבד כענין רוכב על כרוב קל שלו ושאט בח״י אלפים עולמות.3
isto é, o repousar da Luz Infinita (Or Ein Sof), bendito seja Ele, na Chochmá suprema, que está acima do nível dos “pátios de Havayá”, aos quais o Rei entra apenas de tempos em tempos, como no versículo: “Ele cavalga sobre Seu querubim veloz e percorre dezoito mil mundos.”
Nessa imagem, a casa do Rei é a Luz Infinita repousando na Chochmá suprema, enquanto os “pátios” são lugares aos quais Ele entra apenas ocasionalmente, como diz o Talmud: à noite, D'us “cavalga sobre Seu querubim veloz e percorre dezoito mil mundos”. A Torá proporciona uma ligação constante; os pátios conhecem apenas uma visita passageira.
אך חי׳ בכל מאדך היא בחינת מס״נ [מסירות נפש] ורעותא דלבא שלמעלה מהשכל שע״ז אמרו יש קונה עולמו בשעה45 א׳ ועמ״ש בד״ה היום הזה כו׳
Mas o nível de “com toda a tua força” é o autossacrifício (mesirut nefesh) e a vontade do coração (re'uta deliba), que estão acima do intelecto; a respeito disso, disseram: “Há quem adquire seu mundo em uma única hora.” E veja o que está escrito no discurso que começa com “Neste dia”, etc.,
Amar “com toda a tua força” (meod, além de toda medida) é autossacrifício e a “vontade do coração” (re'uta deliba), que está acima da razão. A respeito disso, os Sábios disseram: “Há quem adquire seu mundo em uma única hora”, e o texto remete ao discurso sobre “Neste dia, Havayá, teu D'us te ordena”.
מצוך6 וע״ז נאמר כן רעיתי בין הבנות7 יפה את8 כתרצה הוא בחי׳ רצון העליון שלמעלה מהחכמה וע״ז אמרו לא זז מחבבה עד שקראה אמי9 בעטרה שעטרה לו אמו10 שכינתא עילאה.
“te ordena”. A respeito disso, foi dito: “Assim é minha amada entre as filhas”; “És bela como Tirtsá”, que é o nível da vontade suprema, acima da Chochmá. A respeito disso, disseram: “Ele não cessou de afeiçoar-se a ela até chamá-la ‘Minha mãe’”, “com a coroa com que sua mãe o coroou”: a Shechiná suprema.
A respeito desse amor, foi dito: “Assim é minha amada entre as filhas”: ela é “bela como Tirtsá”, palavra relacionada a ratzon, vontade — a vontade suprema, acima da Chochmá. O Midrash diz que D'us “não cessou de afeiçoar-se a ela até chamá-la ‘Minha mãe’”, elevando-a além de “filha” e “irmã”, como em “a coroa com que sua mãe o coroou”: a Shechiná suprema.
O parágrafo descreve os dois amores mais elevados: “com toda a tua alma”, que liga todas as forças à Torá, à sabedoria de D'us e ao Seu palácio permanente; e “com toda a tua força”, o autossacrifício acima da razão, que alcança a vontade suprema, acima da Chochmá, chamada pelo Midrash de “Minha mãe”.
Marei mekomot
- 1אליך ה׳ נפשי אשא · Psalms 25:1
- 2אורייתא היא היכלא עילאה דקוב״ה · Zohar II, 200a
- 3רוכב . . ושאט בח״י אלפים עולמות · Avodah Zarah 3b:13
- 4יש קונה עולמו בשעה א׳ · ע״ז י, סע״ב.
- 5יש קונה עולמו בשעה א׳ · Avodah Zarah 10b:15–16
- 6היום הזה כו׳ מצוך · Deuteronomy 26:16
- 7כן רעיתי בין הבנות · Song of Songs 2:2
- 8יפה את רעיתי כתרצה · Song of Songs 6:4
- 9לא זז מחבבה עד שקראה אמי · Shir HaShirim Rabbah 3:11
- 10בעטרה שעטרה לו אמו · Song of Songs 3:11
13וזהו ענין המשל למטרונה וכלותי ובנותי.1 ואמרו באו בניך היינו בחי׳ ירידות והמשכות נשמות דאצילות וכל בניך למודי2 הוי׳ ששרש גילוי זה היא מבחי׳ בינה דאצילות תשמחנה כלותי
E este é o sentido da parábola da matrona, e de “minhas noras” e “minhas filhas”. Disseram: “Teus filhos chegaram”: isto é, o nível das descidas e dos influxos das almas de Atsilut; “E todos os teus filhos serão ensinados por Havayá”, sendo a raiz desta revelação o nível de Biná de Atsilut. “Que minhas noras se alegrem”:
Agora, a parábola é decifrada. “Teus filhos chegaram” é a descida das almas de Atsilut; “E todos os teus filhos (banayich) serão ensinados por Havayá” é uma revelação cuja raiz está em Biná de Atsilut. A resposta da matrona, “Que minhas noras se alegrem”, designa aquelas que recebem essa revelação.
היינו בחינת הנשמות דבי״ע שאהבתן בבחי׳ כלתה נפשי לחצרות3 ה׳ ע״כ תשמחנה ותתרווה צמאונן בגילוי זה שמבחי׳ וכל בניך אשר בינה נקראת חצר הפנימית הפונה קדים.4
isto é, o nível das almas de Beriá, Yetsirá e Assiá, cujo amor está no nível de “minha alma anseia pelos pátios de Havayá”; por isso, elas se alegrarão e terão sua sede saciada por esta revelação do nível de “E todos os teus filhos”, pois Biná é chamada “o pátio interior que dá para o oriente”.
As “noras” (kalos) são as almas de Beriá, Yetsirá e Assiá, cujo amor é o anseio (kalsah) expresso em “minha alma anseia pelos pátios de Havayá”; a revelação de banayich, proveniente de Biná, sacia sua sede. Biná é chamada “o pátio interior que dá para o oriente”, portanto, é precisamente o “pátio” pelo qual anseiam.
O parágrafo decifra as duas primeiras etapas da parábola: os “filhos” são a revelação de Biná por meio de banayich, e as “noras” que se alegram com ela são as almas de Beriá, Yetsirá e Assiá, cujo amor é o anseio expresso em “com todo o teu coração”.
Marei mekomot
- 1למטרונה וכלותי ובנותי · Shir HaShirim Rabbah 1:11
- 2וכל בניך למודי הוי׳ · Isaiah 54:13
- 3כלתה נפשי לחצרות ה׳ · Psalms 84:3
- 4חצר הפנימית הפונה קדים · Ezekiel 46:1
14ואח״כ אמרו לה באו חתנך1 לכאורה בניך עדיפי וא״כ מה מוסיף אלא כי חתנך זהו מארי דאורייתא2 בחי׳ בוניך וכענין ביום חתונתו3 זה מתן תורה
Depois, disseram-lhe: “Chegaram seus genros.” Aparentemente, seus filhos são superiores; nesse caso, o que isso acrescenta? Mas “seus genros” são os mestres da Torá, o nível de bonayich, como em “‘No dia de seu casamento’: isso é a Outorga da Torá.”
A seguir vem: “Chegaram seus genros.” Como os filhos pareceriam mais próximos do que os genros, o que isso acrescenta? A resposta: os genros (chatanim) são os mestres da Torá, bonayich, pois os Sábios interpretam “o dia de seu casamento (chunassó)” como a Outorga da Torá.
והוא ההמשכה מחכמה עילאה והוא אצילות בכלל ולמעלה מהבינה שהוא בחי׳ מקור הבריאה וגם חכמה היא היכלא עילאה דקוב״ה [דקודשא בריך הוא] שלמעלה גם מחצר הפנימית4 כנ״ל ומ״מ השיבה תשמחנה בנותי היינו נפש דאצילות כנזכר בד״ה
E isso é a emanação da Chochmá superior, que é Atsilut em geral e está acima de Biná, o nível da fonte de Beriá; e Chochmá também é “o palácio superior do Santo, bendito seja Ele”, que está acima até mesmo do pátio interno, como mencionado acima. Ainda assim, ela respondeu: “Que minhas filhas se alegrem”; isto é, a nefesh de Atsilut, como mencionado no discurso que começa
A Torá é emanada da Chochmá superior, que é Atsilut como um todo e está acima de Biná, a fonte de Beriá; ela é “o palácio superior”, acima até mesmo do pátio interno. Mesmo assim, a matrona diz apenas: “Que minhas filhas se alegrem”, sendo as filhas a nefesh de Atsilut, como explicado no discurso “Quando saíres para a guerra”.
כי תצא5 בענין יהבין ליה ברתא דמלכ א וע״ז אמרו לא זז מחבבה עד שקראה בתי והנה אבא יסד ברתא6 וע״כ תשמחנה בגילוי זה שמבחי׳ חכמה הנמשך ע״י התורה
“Quando saíres”, a respeito de “dão-lhe a filha do Rei”; e sobre isso disseram: “Ele não cessou de estimá-la até chamá-la ‘Minha filha’.” Ora, “Abá fundou a filha”; por isso elas se alegram com esta revelação do nível de Chochmá, que é emanada por meio da Torá.
Esse discurso explica a expressão “dão-lhe a filha do Rei”, e o Midrash diz que D'us primeiro chamou Israel de “Minha filha”. Como o Zohar ensina que “Abá (Chochmá) fundou a filha”, são as filhas que se alegram com a revelação de Chochmá emanada por meio da Torá.
Mas o nível da própria Tsiyon é o nível da Shechiná superior: “Ele não cessou de estimá-la até chamá-la ‘Minha mãe’”; “Uma só é ela, minha pomba.”
A própria Tsiyon, a matrona, é a Shechiná superior, sobre quem o Midrash diz que D'us não cessou de estimá-la até chamá-la “Minha mãe”. Ela é “Uma só é ela, minha pomba”, o amor singular que transcende as filhas.
והוא רעותא דלבא בכל מאדך11 בחי׳ יחידה המקבלת מבחי׳ יחיד1213 שלמעלה מבחינת בניך ובוניך וכנזכר במ״א בענין חסידים הראשונים שהיו שוהים בתפלתם תשעה שעות ביום14 כו׳ ע״ש (ועיין זח״ב [זהר חלק ב׳] ר״פ משפטים צ״ד ב׳ קכ״ב א׳)
E isso é a vontade do coração (re'usa deliba), “com todo o teu poder”, o nível de yechidá, que recebe do nível de Yachid (o Singular), que está acima do nível de banayich e bonayich; como mencionado em outro lugar a respeito dos primeiros piedosos, que passavam nove horas por dia em oração etc.; veja ali. (E veja o Zohar, Parte II, no início de Parashat Mishpatim, 94b; 122a.)
Seu amor é a vontade do coração, o amor “com todo o teu poder”, a yechidá, o ponto único e mais interior da alma, que recebe de D'us como o Yachid, o Singular, acima tanto de banayich quanto de bonayich. Os primeiros piedosos, que passavam nove horas por dia em oração, são um exemplo desse amor.
ולכן לא נתרווה צמאונה בגילוי זה של הנשמות שמבחי׳ חכמה וכמ״ש במ״א סד״ה מים רבים שע״ז נאמר אם יתן איש זה הקב״ה את כל הון ביתו באהבה15 והוא חכמה עילאה שנק׳ הון ביתו בוז יבוזו לו
Portanto, sua sede não é saciada por esta revelação das almas do nível de Chochmá, como explicado em outro lugar, ao final do discurso que começa “Muitas águas”: a esse respeito está dito: “Se um homem”, isto é, o Santo, bendito seja Ele, “oferecesse toda a riqueza de sua casa por amor”, que é a Chochmá superior, chamada “a riqueza de Sua casa”, “seria totalmente desprezada”.
Assim, a revelação de Chochmá por meio da Torá não sacia sua sede. O discurso “Muitas águas” interpreta “Se um homem oferecesse toda a riqueza de sua casa por amor, seria totalmente desprezada” como D'us oferecendo Chochmá, “a riqueza de Sua casa”, a uma alma cujo amor é somente por Ele, e essa alma desprezando qualquer coisa que não seja Ele.
והיינו אהבה רבה דבכל מאדך למהותו ועצמותו ית׳ דוקא אשר גם החכמה עצמה כעשי׳ [כעשיה] נחשבת16 לגבי אור א״ס ב״ה ממש בשגם שבחי׳ ביום חתונתו זה מ״ת [מתן תורה]17 הרי ארז״ל [אמרו רבותינו זכרונם לברכה] נובלות חכמה שלמעלה תורה18 אלא ע״י32
Isto é, o grande amor (ahavá rabá) de “com todo o teu poder”, dirigido especificamente à Sua própria essência e ser, bendito seja Ele, diante do qual até a própria Chochmá é considerada como Assiá em relação à própria Luz Infinita (Or Ein Sof), bendito seja Ele; ainda mais porque, quanto ao nível de “‘No dia de seu casamento’: isso é a Outorga da Torá”, nossos Sábios, de abençoada memória, disseram: “A Torá é o fruto caído da sabedoria superior.” Mas, por meio de
Este é o grande amor com todo o poder, dirigido à própria essência de D'us, diante da qual até Chochmá é considerada mera Assiá, “ação”. Ainda mais a Torá: embora sua Outorga seja “o dia de seu casamento”, os Sábios chamam a Torá de “fruto caído (novlot) da sabedoria superior”, um desdobramento inferior dela.
“Eis que teu rei vem a ti; ele é justo e vitorioso (tsadik venoshá)”: este é o nível de “Não sou eu melhor para ti do que dez filhos?”, a emanação do nível de Anochi (“Eu”), “Quem sou Eu”,
O que de fato a satisfaz é: “Eis que teu rei vem a ti, justo e vitorioso (tsadik venoshá)”: o próprio Rei, não Seus filhos nem Seus genros. É o nível das palavras de Elkaná a Chaná: “Não sou eu melhor para ti do que dez filhos?” — uma emanação de Anochi, “Eu”, D'us tal como é em Si mesmo.
דהיינו ההמשכה מאור א״ס ב״ה ממש שלמעלה מעלה מבחי׳ אצילות להיות דירה בתחתונים מה שלמעלה מעלה מבחינת הנשמות כי הוא גילוי אור א״ס ב״ה ממש שאין לנשמות ערוך אליו כלל
Isto é, a extensão desde a própria Luz Infinita, bendito seja Ele, que está muito, muito acima do nível de Atsilut, para que haja uma morada nos mundos inferiores — algo que está muito, muito acima do nível das almas; pois é a revelação da própria Luz Infinita, bendito seja Ele, em relação à qual as almas não têm absolutamente nenhuma comparação.
Esta é a própria Luz Infinita, muito acima de Atsilut, revelada para que D'us tenha “uma morada nos mundos inferiores”. Ela está muito acima de tudo aquilo que as almas podem alcançar, pois elas não têm absolutamente nenhuma comparação com ela.
והיינו ע״י הכתר עליון מל׳ דא״ס המחבר גילוי אור א״ס ב״ה ממש אל הנאצלים וע,ז נאמר הלא אנכי טוב לך מעשרה בנים (בשמואל א׳ סי׳ א׳)
Isto é, por meio de Kéter (a Coroa) supremo, a Malchut de Ein Sof, que conecta a revelação da própria Luz Infinita, bendito seja Ele, aos seres emanados. A respeito disso, está dito: “Acaso não sou melhor para ti do que dez filhos?” (em I Samuel, capítulo 1).
Isso vem por meio de Kéter supremo, a Malchut de Ein Sof, o nível que liga a própria Luz Infinita às Sefirot emanadas. É isso que o versículo quer dizer com “Acaso não sou melhor para ti do que dez filhos?”
פי׳ אנכי מי שאנכי סתימו דכל סתימין הרי המשכה זו טוב לך מההמשכה שמבחי׳ חו״ב [חכמה ובינה] ע״י בניך ובוניך וכמ״ש בפסיקתא ע״פ הלא אנכי טוב לך אני אין כתיב כאן
O significado é: Anochi, “Quem Eu sou”, o mais oculto de todos os ocultos; esta extensão é melhor para ti do que a extensão do nível de Chochmá e Biná por meio de banayich e bonayich; como está escrito no Pesikta sobre [o versículo] “Acaso não sou melhor para ti”: “Aqui não está escrito ani (eu),
Anochi é a essência oculta de D'us, “o mais oculto de todos os ocultos”; uma extensão a partir dela é melhor do que tudo o que vem de Chochmá e Biná por meio de banayich e bonayich, os “dez filhos”. O Midrash salienta o mesmo ponto com base na formulação: a Escritura diz Anochi, não ani.
אלא אנכי כו׳ כמד״א [כמה דאת אמר] אנכי הוי׳ אלקיך עכ״ל [עד כאן לשונו] וכן הוא בשוחר טוב (בשמואל ספ״א [סוף פרק א׳] ובילקוט) ועמ״ש בד״ה טוב לחסות בהוי׳ מבטוח באדם.22
mas Anochi”, etc., “como está dito: ‘Anochi (Eu sou) Havayá, teu D'us.’” Fim da citação. E assim também consta em Shocher Tov (sobre Samuel, fim do capítulo 1, e no Yalkut). E veja o que está escrito no discurso que começa “É melhor refugiar-se em Havayá do que confiar no homem”.
O Midrash continua: “como está dito: Anochi Havayá, teu D'us”, as palavras com que D'us Se revelou no Sinai, dizendo a Chana, em essência, que seu Criador seria sua porção. O texto cita fontes paralelas e remete ao discurso “É melhor refugiar-se em Havayá do que confiar no homem”.
והנה על ענין גילוי זה השיבה הא חדותא שלימא כו׳ שיהיה דירה בתחתוני׳ [בתחתונים] וזהו שוש אשיש בה׳23 ותגל נפשי כו׳
Ora, a respeito desta revelação ela respondeu: “Esta é a alegria completa”, etc., que haja uma morada nos mundos inferiores. E este é [o significado de] “Regozijar-me-ei grandemente em Havayá; minha alma exultará”, etc.;
Quando lhe dizem que o próprio rei chegou, a matrona diz: “Esta é a alegria completa”: a própria presença de D'us, uma morada nos mundos inferiores. “Regozijar-me-ei grandemente em Havayá”, de Isaías, expressa essa alegria no próprio D'us.
ע״ש וזהו ע״י בצדקה תכונני24 שעי״ז נמשך בחי׳ צדיק ונושע ועמ״ש סד״ה מים רבים הנ״ל ובד״ה
veja ali. E isso se dá por meio de “por meio da tsedacá serás estabelecida”, pois por meio dela é estendido o nível de “justo e vitorioso”. E veja o que está escrito no final do discurso que começa “Muitas águas”, mencionado acima, e no discurso que começa
Esta revelação vem por meio de “por meio da tsedacá serás estabelecida”: a caridade estende o nível de “justo e vitorioso”, o próprio Rei. O texto remete novamente ao discurso “Muitas águas” e a outro discurso.
והנה מנורת זהב25 בענין זה איך שהמצות בשרשן הם למעלה מהתורה ומ״ש מזה סד״ה וה׳ הולך לפניהם יומם26 שע״ז נאמר שם
“E eis um candelabro de ouro”, sobre este assunto: como as mitsvot, em sua raiz, são superiores à Torá; e o que está escrito a respeito disso no final do discurso que começa “E Havayá ia adiante deles de dia”, sobre o qual está dito:
Esse discurso, “E eis um candelabro de ouro”, explica como as mitsvot, em sua raiz, são superiores à Torá; por isso, a tsedacá, as mitsvot em seu conjunto, alcança além do estudo da Torá. O discurso “E Havayá ia adiante deles de dia” diz o mesmo e aplica a isso o versículo “Ali nos regozijaremos Nele”.
נשמחה בו27 ממש וע׳ מענין צדיק ונושע ברבות משפטים ספ״ל28 ועמ״ש בד״ה בכ״ה בכסליו29 בענין וילבש צדקה כשריון וכובע ישועה בראשו30 וסד״ה וילבש צדקה.313334
“Ali nos regozijaremos Nele”, Nele realmente. E veja sobre o assunto de “justo e vitorioso” em Midrash Rabbah, Mishpatim, fim do capítulo 30; e veja o que está escrito no discurso que começa “No dia vinte e cinco de Kislev”, sobre o assunto de “Ele vestiu a tsedacá como uma cota de malha, e um elmo de salvação sobre a cabeça”, e no final do discurso que começa “Ele vestiu a tsedacá”.
“Nele” (bo) significa no próprio D'us, e não apenas naquilo que vem Dele: a alegria que a matrona chama de completa. O texto acrescenta fontes sobre “justo e vitorioso” e sobre “Ele vestiu a tsedacá como uma cota de malha, e um elmo de salvação sobre a cabeça”, onde caridade e salvação são associadas.
O parágrafo conclui a parábola: os “genros” são os mestres da Torá (bonayich), cuja revelação de Chochmá alegra as “filhas”, as almas de Atsilut; mas a própria Tsiyon, cujo amor é “com todo o seu poder”, só se alegra plenamente quando o próprio Rei vem — a revelação da essência de D'us, emanada por meio da tsedacá para estabelecer uma morada nos mundos inferiores.
Anochi, a palavra que inicia os Dez Mandamentos, aponta para a essência de D'us, além das Sefirot; o contraste do Midrash entre Anochi e ani torna-se a diferença entre os “dez filhos” de Chochmá e Biná e a Essência que vem por meio das mitsvot, cuja raiz, diz o texto, é mais elevada do que a Torá.
Marei mekomot
- 1אמרו לה באו חתנך · Shir HaShirim Rabbah 1:11
- 2מארי דאורייתא · Tikkunei Zohar 1b:4–5
- 3ביום חתונתו · Song of Songs 3:11
- 4חצר הפנימית הפונה קדים · Ezekiel 46:1
- 5בד״ה כי תצא · לקמן לו, א.
- 6אבא יסד ברתא · Zohar III, 256b
- 7לא זז מחבבה עד שקראה אמי · שמו״ר ס״פ נב. ובילקוט שה״ש ר׳ תתקפו. ופסדר״כ ויהי ביום כלות משה. וע׳ מדרש חזית שה״ש (ספ״ג). ובמד״ר (פי״ב סי׳ יו״ד [כ]). ועל״ק נצבים (מד, ד). [כ].
- 8לא זז מחבבה עד שקראה אמי · Shemot Rabbah 52:5
- 9לא זז מחבבה עד שקראה אמי · Shir HaShirim Rabbah 3:11
- 10אחת היא יונתי · Song of Songs 6:9
- 11בכל מאדך · Deuteronomy 6:5
- 12יחידה המקבלת מבחי׳ יחיד · ראה ע״ח שער דרושי אבי״ע (שעמ״ב), פ״א.
- 13יחידה המקבלת מבחי׳ יחיד · Sefer Etz Chaim 42:3
- 14חסידים הראשונים שהיו שוהים בתפלתם תשעה שעות ביום · Berakhot 32b:24–25
- 15את כל הון ביתו באהבה · Song of Songs 8:7
- 16החכמה עצמה כעשי׳ נחשבת · ראה תניא ח״א פ״ב בהגהה. ח״ב פ״ט. ובליקוט פירושים ומ״מ — חיטריק לתניא שם.
- 17ביום חתונתו זה מ״ת · Taanit 26b:6–7
- 18נובלות חכמה שלמעלה תורה · Bereshit Rabbah 44:17
- 19הנה מלכך יבא לך · Zechariah 9:9
- 20הלא אנכי טוב לך מעשרה בנים · I Samuel 1:8
- 21אנכי מי שאנכי · נסמן לעיל פינחס פ, ב.
- 22טוב לחסות בהוי׳ מבטוח באדם · Psalms 118:8
- 23שוש אשיש בה׳ · Isaiah 61:10
- 24בצדקה תכונני · Isaiah 54:14
- 25והנה מנורת זהב · Zechariah 4:2
- 26וה׳ הולך לפניהם יומם · Exodus 13:21
- 27שם נשמחה בו · Psalms 66:6
- 28ברבות משפטים ספ״ל · ראה אוה״ת במדבר ע׳ צד.
- 29בד״ה בכ״ה בכסלו · תו״א כד, ד.
- 30וילבש צדקה כשריון וכובע ישועה בראשו · Isaiah 59:17
- 31וסד״ה וילבש צדקה · אגה״ק סי׳ ג.
- 32נובלות חכ׳ שלמע׳ תורה · ב״ר (פמ״ד [יז]). וע׳ פי״ז, ב. וע״ל בחקותי (מז, ג). [כ].
- 33אנכי ה׳ אלקיך · Exodus 20:2
- 34
A macieira entre as árvores da floresta ¶15
15וזהו כתפוח בעצי היער1 כן דודי בין הבנים. פי׳ כענין אכלתי יערי עם דבשי2 שבחי׳ יערי זהו ענין יוצר אור ששם מבואר מענין המלאכים וכולם עומדים ברום עולם ודבשי הוא ק״ש [קריאת שמע] שמע ישראל3
E este é [o significado de] “Como uma macieira entre as árvores da floresta, assim é meu Amado entre os filhos”. O significado é semelhante ao assunto de “Comi meu ya’ri com meu mel”: o nível de ya’ri é o assunto de [a bênção] Yotzer Or, onde os anjos são descritos como “todos eles permanecem nas alturas do mundo”; e “meu mel” é a recitação do Shemá, “Ouve, ó Israel”,
O texto agora diz: “Como uma macieira entre as árvores da floresta, assim é meu Amado entre os filhos”. A “floresta” é explicada por meio de “Comi meu ya’ri com meu mel”: ya’ri, cujas letras são as mesmas de ya’ar, “floresta”, representa a bênção Yotzer Or, antes do Shemá, que descreve os anjos como “todos permanecendo nas alturas do mundo”; “meu mel” é o próprio Shemá.
כי האהוי״ר [האהבה ויראה] של נש״י [נשמות ישראל] נק׳ דבשי שהוא מבחי׳ פנימיות ויש בו מתיקות ועמ״ש מזה בד״ה באתי לגני ובד״ ה אני ישנה4 גבי רעיתי ועמ״ש בד״ה כנשר יעיר קנו56 בענין עליות המלאכים ע״י נש״י [נשמות ישראל] לאשתאבא בגופא דמלכא78
pois o amor e o temor das almas de Israel são chamados “meu mel”, uma vez que provêm do nível da dimensão interior (pnimiyut) e contêm doçura. Veja o que está escrito a esse respeito no discurso que começa “Vim ao meu jardim”, e no discurso que começa “Estou dormindo”, a respeito de “minha amada”; e veja o que está escrito no discurso que começa “Como a águia desperta seu ninho”, sobre a elevação dos anjos por meio das almas de Israel, “para serem absorvidos no corpo do Rei”.
O amor e o temor das almas de Israel são chamados “mel” porque provêm da dimensão interior e são doces, em contraste com os anjos de Yotzer Or. O texto remete a vários discursos, entre eles “Como a águia desperta seu ninho”, sobre como os anjos são elevados por meio das almas de Israel, “para serem absorvidos no corpo do Rei”.
וזהו ענין כתפוח בעצי היער וגם כי תפוח יש בו תלת גוונין910 שהם ג׳ מדות אהוי״ר [אהבה ויראה] ורחמים שמבחי׳ ג׳ אבות11 וג״כ ג׳ קווין תורה ועבודה וגמ״ח [וגמילות חסדים]1213 ופי׳ בעצי היער
E este é o significado de “como uma macieira entre as árvores da floresta”. Além disso, a maçã tem três cores, que são os três atributos: amor, temor e compaixão, provenientes do nível dos três Patriarcas; e também as três linhas: Torá, serviço Divino e atos de bondade (gemilut chassadim). E o significado de “entre as árvores da floresta”
Assim, a macieira entre as árvores da floresta representa o serviço das almas entre os anjos. As três cores da maçã, diz o Zohar, são os três atributos — amor, temor e compaixão —, os caminhos dos três Patriarcas, e também as três linhas sobre as quais, segundo a Mishná, o mundo se sustenta: Torá, serviço Divino e atos de bondade.
היינו שעי״ז נתקן ג״כ בחי׳ יער הנ״ל כמשנ״ת [כמו שנתבאר] למעלה בענין שמע שם ע׳ [עיין] והנה כמו שתפוח גבהה14 מעלתו מעצי היער ורשום וניכר בהם כי
é que, por meio disso, também se retifica o nível de ya’ar (floresta) mencionado acima, como foi explicado acima a respeito do Shemá, o áyin ali. Ora, assim como a macieira é mais alta do que as árvores da floresta e se destaca e é reconhecível entre elas, pois
Por meio disso, a própria “floresta” é retificada, conforme explicado acima acerca do áyin grande de Shemá. E, assim como a macieira se ergue acima das árvores da floresta e é reconhecível entre elas, também essa revelação se destaca.
הנה איתא תפוח גימ׳ [גימטריא] צבאות1516 והוא ענין שהמלאכים אומרים קדוש17 קדוש קדוש הוי׳ צבאות אות הוא בצבא שלו1819
consta que tapuach (maçã) tem o mesmo valor numérico que Tzevaot (hostes), e isso corresponde ao fato de os anjos dizerem: “Santo, santo, santo é Havayá das hostes (Tzevaot)”: “Ele é um sinal (ot) entre Suas hostes”,
O texto cita um ensinamento segundo o qual tapuach, “maçã”, tem o mesmo valor numérico que Tzevaot, “hostes”, o Nome que aparece na declaração dos anjos: “Santo, santo, santo é Havayá das hostes”. Os Sábios interpretam Havayá Tzevaot como “Ele é um sinal (ot) entre Suas hostes”: D'us se destaca entre Seus anjos como a macieira se destaca na floresta.
והיינו המשכת והתגלות הארת האצילות בבי״ע20 שהוא עצום מאד לכל צבא בי״ע וזהו ענין כתפוח בעצי היער
isto é, a extensão e revelação do esplendor de Atsilut em Beriá, Yetsirá e Assiá, que é extraordinariamente poderosa em relação a todas as hostes de Beriá, Yetsirá e Assiá; e este é o significado de “como uma macieira entre as árvores da floresta”.
Esse “sinal” é o esplendor de Atsilut revelado em Beriá, Yetsirá e Assiá, que se eleva acima de todas as suas hostes. Esta é a macieira entre as árvores da floresta.
כמו כן ויתר מכן לאין קץ הוא בחי׳ דודי בין הבנים פי׳ הבנים היינו בחי׳ בניך ובוניך שהוא ההמשכה מחו״ב [מחכמה ובינה] דאצילות
Do mesmo modo, e infinitamente mais, é o nível de “meu Amado entre os filhos”. O significado é que “os filhos” são o nível de banayich e bonayich, que consiste na extensão proveniente de Chochmá e Biná de Atsilut;
Assim também, e infinitamente mais, é “meu Amado entre os filhos”. Os “filhos” são banayich e bonayich, a extensão proveniente de Chochmá e Biná de Atsilut.
אבל בחי׳ דודי היא ההמשכה שלמעלה מעלה מסדר ההשתלשלות וכמ״ש קול דודי הנה זה בא21 מדלג על ההרים מקפץ כו׳
mas o nível de “meu Amado” é a extensão que vem de muito, muito acima da ordem da cadeia descendente dos mundos (hishtalshelut), como está escrito: “A voz do meu Amado! Eis que ele vem, saltando sobre as montanhas, pulando”, etc.,
Mas “meu Amado” é uma extensão proveniente de muito acima de toda a cadeia dos mundos. O Cântico dos Cânticos diz: “A voz do meu Amado! Eis que ele vem, saltando sobre as montanhas, pulando sobre as colinas”: Ele não desce passo a passo, mas salta.
דהיינו הדילוג מלמעלה מעלה מסדר ההשתלשלות וכמש״ל [וכמה שלמטה] בשה״ש [בשיר השירים] ע״פ קול דודי22 ע״ש בענין מדלג ומקפץ כו׳ דהיינו המשכת הארת המאציל א״ס ב״ה כשנמשך באצילות
Isto é, o salto desde muito, muito acima da ordem da cadeia descendente dos mundos (hishtalshelut), como explicado abaixo, em Shir HaShirim, sobre [o versículo] “A voz do meu amado”; veja ali, a respeito do assunto de “saltar” e “pular”, etc.: isto é, a extensão da irradiação do Emanador, o Infinito (Ein Sof), bendito seja Ele, quando é estendida em Atsilut.
Esse salto, explicado no maamar de Likkutei Torah sobre “A voz do meu amado”, é a irradiação do próprio Emanador, o Infinito, estendida em Atsilut sem passar pela ordem dos níveis.
כי יתר משאין ערוך בי״ע לאצילות יותר מזה לאין קץ אין ערוך האצילות לגבי א״ס ב״ה. ולכן בהתגלות הארה זו הוא עצום מאד לכל האצילות.
Pois, assim como Beriá, Yetsirá e Assiá não têm comparação com Atsilut, muito mais — infinitamente mais — Atsilut não tem comparação com o Infinito, bendito seja Ele. Portanto, quando essa irradiação se revela, ela é imensamente poderosa em relação a todo Atsilut.
Beriá, Yetsirá e Assiá não têm comparação com Atsilut, e Atsilut tem ainda menos comparação com o Infinito. Assim, quando a própria irradiação do Infinito se revela, ela se eleva sobre todo Atsilut como Atsilut se eleva sobre os mundos inferiores, e infinitamente mais.
ועמ״ש סד״ה ואתה מרבבות2324 גבי אות הוא ברבבה שלו ועיין בזח״ג [בזהר חלק ג] האזינו (רפ״ו ב׳) כתפוח כו׳ כך כו׳ אות הוא בכל חילא דלעילא.25
E veja o que está escrito no final do maamar que começa “E Ele veio das miríades”, a respeito de “Ele é um sinal entre Sua miríade”; e veja o Zohar, Parte III, Haazinu (286b): “Como uma macieira”, etc., “assim”, etc., “Ele é um sinal entre todas as hostes do alto”.
Os Sábios interpretam “E Ele veio das miríades de santidade” como “Ele é um sinal entre Sua miríade”, explicado no final do maamar sobre esse versículo. O Zohar, em Haazinu, aplica o mesmo à macieira: assim, D'us “é um sinal entre todas as hostes do alto”.
אך עכ״ז [עם כל זה] כתיב כן דודי בין הבנים שצריך להיות בתחלה וכל בניך למודי26 הוי׳ כנ״ל ואח״כ בחי׳ א״ת [אל תקרי] בניך אלא בוניך ואזי אח״כ בצדקה תכונני27 להיות קול דודי כו׳ מדלג כו׳ כנ״ל:
Contudo, apesar disso, está escrito: “Assim é meu amado entre os filhos”, pois primeiro é preciso que haja “E todos os teus filhos serão ensinados por Havayá”, como mencionado acima; depois, o nível de “Não leias banayich, mas bonayich”; e então, depois, “por meio da tsedacá serás estabelecida”, para que haja “A voz do meu amado”, etc., “saltando”, etc., como mencionado acima.
Ainda assim, o versículo diz “meu amado entre os filhos”: o Amado só vem quando os filhos já estão presentes. A ordem é primeiro “E todos os teus filhos serão ensinados por Havayá”, depois “não leias banayich, mas bonayich”, e então “por meio da tsedacá serás estabelecida”, o que traz “A voz do meu amado… saltando”.
O maamar conclui com “Como uma macieira entre as árvores da floresta, assim é meu Amado entre os filhos”: assim como Atsilut se destaca nos mundos inferiores, também o próprio esplendor do Infinito, que “salta” para além da cadeia dos mundos, se destaca acima de Atsilut; e ele vem somente depois de banayich e bonayich, por meio da tsedacá.
A “floresta” aqui fecha um círculo aberto na segunda seção: o áyin suspenso de ya’ar, do qual as forças exteriores extraem vitalidade, é retificado por meio do áyin grande do Shemá e do amor e temor das almas — a macieira entre as árvores da floresta.
Marei mekomot
- 1כתפוח בעצי היער · Song of Songs 2:3
- 2אכלתי יערי עם דבשי · Song of Songs 5:1
- 3שמע ישראל · Deuteronomy 6:4
- 4אני ישנה · Song of Songs 5:2
- 5בד״ה כנשר יעיר קנו · לקמן פ׳ האזינו עח, א דשם מבאר שמתחלה מקבלים הנשמות מן המלאכים אהוי״ר ואח״כ מתעלים יותר — אוה״ת שה״ש כרך א ע׳ קצז.
- 6כנשר יעיר קנו · Deuteronomy 32:11
- 7לאשתאבא בגופא דמלכא · זח״א (ריז, ב). [כ].
- 8לאשתאבא בגופא דמלכא · Zohar, Vayechi 19:134–20:147
- 9תפוח יש בו תלת גוונין · זח״ג (רפ, סע״ב), וביאה״ד ע׳ מג״א (מגן אבות ברדיטשוב תרס״ב] פ׳ תולדות ד״ה וירח. [כ].
- 10תפוח יש בו תלת גוונין · Zohar, Ki Teitzei 18:88–20:98
- 11תפוח . . שמבחי׳ ג׳ אבות · פרדס שער כג ערך תפוח שכן משמע בזח״ג דף מ, א ”אלא שנראה משם [מזח״ג הנ״ל] כי ג׳ אבות ג״כ נקראים תפוחים”. וראה אוה״ת שה״ש ע׳ קצז שכ׳ ”וזהו בחי׳ תפוח שיש בו ג׳ גוונין ג׳ אבות . . כמ״ש בזהר”.
- 12תורה עבודה וגמ״ח · אבות א, ב.
- 13תורה ועבודה וגמ״ח · Pirkei Avot 1:2
- 14שתפוח גבהה . . גימ׳ צבאו׳ · ע׳ זח״ג (עד, א. רפו, ב). וברמ״ז שם. ובמאו״א ערך תפוח ס״מ ע״ש. ובזח״א (פה, א). [כ]. ראה אוה״ת שה״ש ע׳ רי. שם כרך ג ע׳ תתעג וע׳ תתפא.
- 15תפוח גימ׳ צבאות · Zohar, Achrei Mot 51:315–53:323
- 16תפוח גימ׳ צבאות · Zohar, Lech Lecha 20:187–21:199
- 17שהמלאכים אומרים קדוש · Isaiah 6:3
- 18אות הוא בצבא שלו · ראה חגיגה טז. א. ובחי׳ אגדות מהרש״א שם. לפי גי׳ העין יעקב שם.
- 19אות הוא בצבא שלו · Chagigah 16a
- 20והיינו המשכת והתגלות הארת האצילות בבי״ע · ראה אוה״ת שה״ש כרך ג ע׳ תתפא. וראה שם ע׳ תתעד.
- 21קול דודי הנה זה בא · Song of Songs 2:8
- 22ע״פ קול דודי · לקמן שה״ש.
- 23סד״ה ואתה מרבבות · לקמן פ׳ ברכה צג, ג.
- 24ואתה מרבבות · Deuteronomy 33:2
- 25כתפוח כו׳ כך כו׳ אות הוא בכל חילא דלעילא · Zohar, Ha'Azinu 1:1–3:11
- 26וכל בניך למודי הוי׳ · Isaiah 54:13
- 27בצדקה תכונני · Isaiah 54:14
Terminou o maamar?
Marque-o como estudado; ele conta para a semana e para o siyum do ano.
Na avodá
O maamar apresenta uma ordem de serviço: primeiro, o amor na oração (banayich); depois, o jugo da Torá e seu temor (bonayich); e, então, uma caridade abundante, como em Sucot. Por meio da tsedacá, atrai-se ao mundo não apenas a luz de D'us, mas o próprio D'us, fazendo dele uma morada nos mundos inferiores.
Perguntas para conversar
- Por que Malchut, ao contrário de Zeir Anpin, deve ser construída a partir das guevurot, e como a linha de medida protege a santidade?
- Como os atos das pessoas abaixo podem acrescentar luz aos mundos ou diminuí-la?
- O que o acento tipchá em verav ensina sobre como se faz a paz a partir da multiplicidade?
- Por que, neste maamar, a tsedacá, que abrange todas as mitsvot, alcança um nível mais elevado do que o estudo da Torá?
- Na parábola da matrona, por que nem os filhos nem os genros lhe proporcionam alegria completa?