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Likkutei Torah · Parshas Masei · Maamar 5

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“Uma explicação disso”

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A ideia central

Toda elevação requer antes uma atração para baixo. As jornadas no deserto, a bênção recitada antes de uma mitsvá e a “escrita” das jornadas por Moshe mostram que a luz do alto precisa primeiro descer para dar força à elevação; a escrita de Moshe é o “selo de verdade do Santo, bendito seja Ele”: a luz da Chochmá oculta, brilhando sem alteração em “a luz da face do Rei”, atraída para as almas por meio do estudo da Torá, para que possam retornar à sua fonte.

O maamar em resumo

O biur começa com as jornadas no deserto. Antes do Sinai não havia Arca, mas Moshe e Israel podiam subjugar o deserto próximo à terra habitada, como as kelipot ainda próximas à kelipat nogah; o deserto profundo, onde o mal está em sua força plena, necessitava da Arca. As quarenta e duas jornadas correspondem ao Nome de quarenta e dois, uma força de elevação que conta apenas seis aspectos de cada atributo e deixa de fora Malchut, a revelação, que o Ômer, uma atração para baixo, conta. Cada jornada tinha uma elevação e uma atração para baixo, assim como toda mitsvá; e, assim como a bênção vem “antes” do ato, a luz do alto precisa vir primeiro. Por isso, “Moshe escreveu suas partidas para suas jornadas”: sua escrita é “o selo do Santo, bendito seja Ele, é verdade”, a Chochmá oculta, da qual os Treze Atributos emanam apenas como o cabelo emana do cérebro; ela brilha sem alteração no sétimo tikun, a face descoberta, “a luz da face do Rei”. Revelada em Zeir Anpin e Malchut e atraída para baixo por meio do estudo da Torá, essa verdade dá às almas o bitul e a força para retornarem à sua fonte.

Esquema

  1. A Arca e os dois desertosAs jornadas antes do Sinai não precisaram da Arca: Moshe e Israel podiam subjugar por si mesmos o deserto próximo à terra habitada, como as kelipot próximas à nogah, por meio das mitsvot de Mará; já o deserto profundo, onde o mal está em sua força plena, necessitava da Arca. O deserto é a fonte das kelipot, em oposição a Jerusalém, e todo judeu subjuga seu corpo por iskafya ou is'hapcha. As quarenta e duas jornadas correspondem a Ana Bekoach, seis palavras em cada uma de sete linhas; por que, então, o Ômer conta sete?¶1–3
  2. O Nome de quarenta e dois e o ÔmerMalchut é o elo pelo qual cada nível se torna a fonte do seguinte. O Nome de quarenta e dois é elevação, como nas quarenta e duas palavras do amor do Shemá “com todas as tuas forças”; por isso, conta apenas a essência de cada atributo, que é anulada no Infinito. O Ômer é uma atração para baixo da “mão erguida” de Pêssach e conta também a Malchut de cada atributo. Uma observação entre parênteses distingue Ana Bekoach dos quarenta e dois das três “mãos”, e as jornadas mostram que uma elevação vem antes de toda atração para baixo.¶4–6
  3. A bênção antes da mitsváToda mitsvá atrai luz por meio do refinamento da kelipat nogah, mas primeiro a bênção atrai uma luz abrangente, “antes” do ato, que o eleva. As palavras da bênção delineiam as etapas: “Bendito és Tu” atrai para baixo; “que nos santificaste” é a elevação do ato; “e nos ordenaste”, a resposta interior. A Torá e as mitsvot são luzes e recipientes, e cada uma é superior à outra à sua maneira.¶7–9
  4. A escrita de Moshe e a Chochmá oculta“E Moshe escreveu suas partidas” é uma atração para baixo que dá força à elevação, e a escrita dele é o selo da verdade. A Chochmá oculta, acima de toda razão, transcende até os Treze Atributos, que emanam dela como o cabelo do cérebro, pois os atributos pressupõem um mundo. No sétimo tikun, “e verdade”, o cabelo cessa e a Chochmá oculta brilha sem alteração.¶10–13
  5. A luz da face do ReiAssim como o rosto de um sábio brilha com uma nova compreensão, a luz da face carrega a própria sabedoria: a “maçã entre as árvores da floresta”, o óleo que faz o rosto brilhar. A verdade nunca muda e nunca deixa de fluir, pois está enraizada em Atika, onde não há esquerda. Ela é chamada verdade somente quando revelada e, como um selo, está no exterior; ainda assim, estabelece tudo.¶14–20
  6. A verdade para Yaakov e a elevação das almasA verdade é revelada em Zeir Anpin por meio de seu olhar para a face de Arich Anpin e passa para Malchut, a fonte da criação, onde o selo produz seu efeito, como em Ne'ilah. Moshe, o padrinho do Rei, atraiu-a da fonte das almas, trazendo o bitul que lhes permite elevar-se “com todas as tuas forças”, como um pai que se inclina para erguer seu filho. Ela é atraída para baixo por meio do estudo da Torá; então, “suas jornadas para suas partidas” é a elevação de volta ao lar.¶21–24

Conceitos-chave

Kelipat nogahקליפת נוגה
A “casca luminosa”, uma mistura de bem e mal que se encontra entre a santidade e as três kelipot totalmente impuras. O que está próximo dela ainda pode ser refinado, assim como o deserto próximo à terra habitada podia ser subjugado sem a Arca.
O Nome de quarenta e doisשם מ״ב
A oração de quarenta e duas palavras Ana Bekoach, composta de sete linhas de seis palavras: uma força de elevação ao Infinito, que conta apenas a essência de cada atributo, e não sua revelação, sua Malchut.
Elevação e atração para baixoהעלאה והמשכה
Os dois movimentos de toda jornada e de toda mitsvá: elevar-se de baixo e a luz descer. Uma atração para baixo do alto precisa vir primeiro para tornar possível a elevação.
Makif (luz abrangente)מקיף
Uma luz elevada demais para entrar em um recipiente; ela o circunda e o eleva. A bênção sobre uma mitsvá a atrai “antes” (sobre) do ato.
Mayin nukvin e mayin duchrinמיין נוקבין ומיין דוכרין
As “águas femininas”, o despertar elevado de baixo, e as “águas masculinas”, a resposta vinda do alto em reação a ele, que brilha interiormente e provém de um nível superior ao do primeiro despertar.
A Chochmá ocultaחכמה סתימאה
A sabedoria acima de toda razão e compreensão, “sábia, mas não com uma sabedoria conhecida”. É como Ele é em Si mesmo, além dos atributos, que existem somente em relação aos mundos.
Os treze tikunim da barbaי״ג תיקוני דיקנא
A imagem da Idra para os Treze Atributos de Misericórdia, que emanam do cérebro oculto apenas como o cabelo, por meio de um fluxo contraído. No sétimo, “e verdade”, o cabelo cessa e a face se mostra.
O selo da verdadeחותמו של הקב״ה אמת
A luz da Chochmá oculta revelada na “face”, imutável e que nunca cessa. Como um selo, está no exterior, mas estabelece tudo; a “escrita” de Moshe a atrai para as almas.

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A Arca e os dois desertos ¶1–3

1ביאור על זה

Uma explicação sobre isso

Explicação

O título indica que o que segue é um biur, uma “explicação” que desenvolve as ideias do maamar anterior sobre as jornadas dos israelitas no deserto. Ele tratará das jornadas, do Nome de quarenta e duas letras e do versículo “E Moshe escreveu suas partidas conforme suas jornadas”.

O parágrafo 1 em resumo

O título abre um biur, um discurso explicativo que desenvolve o maamar anterior sobre as jornadas no deserto.

2הנה גבי המסעות כתיב ויהי בנסוע הארון ויאמר משה קומה ה׳ ויפוצו אויביך כו׳. וצ״ל ענין המסעות שהיו עד מתן תורה שלא היה עדיין הארון.

Ora, a respeito das jornadas, está escrito: “E aconteceu que, quando a Arca partia, Moshe dizia: ‘Levanta-Te, Havayá, e que Teus inimigos se dispersem’”, etc. É preciso compreender o sentido das jornadas que ocorreram até a Outorga da Torá, quando ainda não havia uma Arca.

Explicação

Sempre que a Arca partia, Moshe dizia: “Levanta-Te, Havayá, e que Teus inimigos se dispersem” (Numbers 10:35): a jornada da Arca era o que afastava as forças contrárias. Mas a lista das jornadas em Parshas Masei inclui aquelas realizadas antes da Outorga da Torá, quando a Arca ainda não havia sido construída. O que, então, subjugava aquelas forças naquela época?

אך הענין כי המסעות הראשונות היו במדבר הקרוב לישוב ולכן היו יכולים להכניעו משה רבינו ע״ה [עליו השלום] וישראל בעצמם

A explicação, porém, é que as primeiras jornadas ocorreram no deserto próximo a uma região habitada e, por isso, Moshe, nosso mestre, que a paz esteja com ele, e o próprio Israel podiam subjugá-lo,

Explicação

A resposta começa assim: as primeiras jornadas, do Egito ao Sinai, atravessaram um deserto próximo a uma região habitada. Ali, Moshe e o povo tinham força para subjugar por si mesmos “o deserto” e tudo o que ele representa.

הגם שלא היה עדיין הארון עמהם משא״כ המסעות שאח״כ בתוך המדבר הרחוק מישוב היה צריך כדי להכניעו גם לארון דייקא וזהו ויהי בנסוע הארון כו׳.

embora a Arca ainda não estivesse com eles. Mas, para as jornadas posteriores, no interior do deserto, longe de regiões habitadas, era necessário, para subjugá-lo, que também houvesse especificamente a Arca. E é este o sentido de “E aconteceu que, quando a Arca partia”, etc.

Explicação

As jornadas posteriores avançaram pelo interior do deserto, longe de qualquer povoado; ali, Moshe e Israel, sozinhos, não bastavam: era necessário que a própria Arca os conduzisse. Por isso, o versículo “quando a Arca partia” se refere àquelas jornadas.

O parágrafo 2 em resumo

O parágrafo pergunta como as jornadas anteriores ao Sinai, quando ainda não havia Arca, venceram as forças contrárias. A resposta é que o deserto próximo a regiões habitadas era menos poderoso e podia ser subjugado por Moshe e Israel, ao passo que o deserto profundo exigia a Arca.

Marei mekomot

  1. 1
    הנה גבי המסעות · באוה״ת במדבר-ו ע׳ א׳תתקסו בשינויים והוספות. ראה גם מאמרי אדה״א פ׳ מסעי ע׳ תתעב ואילך.
  2. 2

3וכן הענין ג״כ למעלה כי הנה נוגה היא הממוצע בין הקדושה ובין קליפות הטמאות כי היא כלולה מטוב ורע

E assim também é o assunto nos planos superiores. Pois Nogá (“brilho”) é o intermediário entre a santidade e as kelipot impuras, uma vez que é composta de bem e mal.

Explicação

O mesmo padrão se aplica agora ao âmbito espiritual. Uma kelipá (“casca”) é uma força que oculta a Divindade; a kelipat Nogá, a “casca brilhante”, é uma mistura de bem e mal e, por isso, situa-se entre a santidade e as três kelipot que são inteiramente impuras.

והוא מ״ש במרכבת יחזקאל רוח סערה וענן גדול ואש מתלקחת ונוגה לו סביב שאחר ק״נ [קליפת נוגה] מתחיל השתלשלות שלש קליפות הנ״ל שע״י ק״נ [קליפת נוגה] נמשך להם יניקה מהקדושה.

E é isso que está escrito na visão da Carruagem de Yechezkel: “um vento tempestuoso, uma grande nuvem e um fogo flamejante, e um brilho (Nogá) ao redor dela”. Pois depois da kelipat Nogá começa a cadeia descendente dos mundos (hishtalshelut) das três kelipot mencionadas acima, que recebem seu sustento da santidade por meio da kelipat Nogá.

Explicação

A visão da Carruagem de Yechezkel (Ezekiel 1:4) menciona um vento tempestuoso, uma grande nuvem e um fogo flamejante, e depois “um brilho (Nogá) ao redor dela”. Os três primeiros correspondem às três kelipot impuras; à medida que os níveis descem, elas vêm depois de Nogá, e todo sustento que recebem da santidade chega a elas somente por seu intermédio.

ולכן לא כולם שוים שהקרוב לנוגה יותר אין הרע בו בתוקף כ״כ [כל כך] כמו בהרחוק מנוגה

Portanto, elas não são todas iguais: naquela que está mais próxima de Nogá, o mal não é tão forte quanto naquela que está mais distante de Nogá.

Explicação

Assim, as kelipot impuras não são todas iguais. Quanto mais próxima uma delas está de Nogá, mais fraco é seu mal; quanto mais distante, mais forte.

(וז״ש [וזהו שכתוב] גבי עמלק ואחריתו עדי אובד וכמשנ״ת [וכמו שנתבאר] בד״ה חייב אינש לבסומי בפורי׳ [בפורים] ע״ש וזהו דלפעמים אמר שטן ופנינה לש״ש [לשם שמים] נתכוונו ובמ״א אמרו נתן עיניו במקדש ראשון כו׳ וכמ״ש במ״א).

(E este é [o sentido de] “e seu fim será perecer para sempre”, escrito a respeito de Amalek, conforme foi explicado no discurso que começa “A pessoa é obrigada a embriagar-se em Purim”; veja lá. E é por isso que, às vezes, foi dito: “O Satan e Peninah agiram em prol do Céu”, enquanto em outro lugar disseram: “Ele voltou os olhos para o Primeiro Templo”, etc., como é explicado em outro lugar.)

Explicação

Amalek, cujo “fim será perecer para sempre” (Numbers 24:20), é um exemplo do mal em sua forma mais intensa, que só pode ser destruído; o discurso de Purim aqui citado explica como a kelipá tem seu próprio “primeiro” e “último”. O Talmud diz em um lugar que o Satan e Peninah “agiram em prol do Céu” (Bava Basra 16a), e em outro que a inclinação para o mal “voltou os olhos para o Primeiro Templo” e o destruiu (Sukkah 52a): o primeiro caso fala do mal próximo de sua raiz; o segundo, do mal distante dela.

ולכן אותן המסעות שהיו במדבר הסמוך לישוב היינו התחלת השתלשלות קליפות הטמאות הקרובים עדיין לנוגה ע״כ היו יכולים ס״ר נש״י [נשמות ישראל] ומשה ואהרן להכניעם גם קודם מ״ת [מתן תורה] ע״י שבעה מצות שנצטוו במרה שמירת שבת וכבוד אב

Portanto, aquelas jornadas que ocorreram no deserto adjacente à região habitada — isto é, no início da cadeia descendente das kelipot impuras, que ainda estão próximas de Nogá — puderam ser subjugadas pelas seiscentas mil almas de Israel, por Moshe e Aharon, mesmo antes da Outorga da Torá, por meio das sete mitsvot que lhes foram ordenadas em Mará, da observância do Shabat e da honra ao pai

Explicação

As primeiras jornadas, junto à região habitada, correspondem ao início da descida das kelipot impuras, ainda próximas de Nogá. Assim, mesmo antes do Sinai, o povo, junto com Moshe e Aharon, pôde subjugá-las por meio das mitsvot dadas em Mará; o Talmud (Sanhedrin 56b) enumera dez mitsvot dadas ali: as sete ordenadas aos descendentes de Noach, às quais foram acrescentadas as leis civis, o Shabat e a honra aos pais.

ואם וכמו שנא׳ [שנאמר] בהם בדברות האחרונות כאשר צוך ה׳ אלקיך ופירש״י [ופירש רש״י] דכאשר צוך היינו במרה.

e à mãe, conforme se diz a respeito delas na versão posterior dos [Dez] Mandamentos: “como Havayá, teu D'us, te ordenou”; e Rashi explicou que “como te ordenou” se refere a Mará.

Explicação

A prova de que o Shabat e a honra aos pais foram ordenados em Mará é que, na segunda versão dos Dez Mandamentos (Deuteronomy 5), esses dois dizem “como Havayá, teu D'us, te ordenou”, e Rashi explica que isso se refere à ordem anterior em Mará.

אבל המסעות שנסעו אח״כ בתוך המדבר הרחוק מישוב ששם מדור הקליפות הרחוקים מנוגה שהם תוקף הרע היה צריך כדי להכניעם ע״י בנסוע הארון ויאמר משה כו׳.

Mas as jornadas que fizeram depois, no interior do deserto, longe da região habitada — onde habitam as kelipot distantes de Nogá, que são a plena força do mal —, para subjugá-las era necessário que isso se desse por meio de “quando a Arca partia, Moshe dizia”, etc.

Explicação

As jornadas posteriores avançaram pelo interior do deserto, morada das kelipot distantes de Nogá, onde o mal está em sua plena força. Para subjugá-las, eram necessárias a Arca e a proclamação de Moshe: “Levanta-te, Havayá”.

וכל עיקר הכוונה בענין המסעות במדבר הוא להכניע אותו לפי שהוא מקור הקליפות לעומת בחי׳ ירושלים בקדושה

E o propósito essencial de todas as jornadas no deserto é subjugá-lo, pois ele é a fonte das kelipot, oposta ao nível de Jerusalém na santidade.

Explicação

O propósito de todas as jornadas era subjugar o próprio deserto, pois o deserto é a fonte das kelipot. Ele corresponde, no âmbito da impureza, a Jerusalém no âmbito da santidade.

(ועיין בזהר תרומה קנ״ז א׳ תצוה קפ״ד א׳ ב׳ ובע״ח [ובעץ חיים] שער הארת המוחין זו״נ [זעיר אנפין ונוקבא] פ״ה)

(e veja o Zohar, Terumá, 157a; Tetsavê, 184a e b; e Etz Chaim, Sha'ar Haarat HaMochin (Portal da Iluminação dos Mochin) de Zeir Anpin e Nukvá, capítulo 5).

Explicação

O texto fornece suas referências. O Zohar sobre Terumá (2:157a) descreve como D'us dividiu a terra em áreas habitadas e desoladas, com a Terra Santa no centro, Jerusalém no centro da Terra e o Santo dos Santos no centro de Jerusalém; o texto também cita o Zohar sobre Tetsavê e o Portal da Iluminação dos Mochin, de Etz Chaim.

והוא סימן לדורות שעי״ז יוכל כל אחד מישראל לעבוד את ה׳ ולהכניע גופו באתכפיא או אתהפכא שזהו עיקר העבודה כו׳.

E isso é um sinal para as gerações: por meio disso, cada judeu pode servir a D'us e subjugar seu corpo, por meio de iskafya (subjugação) ou is'hapcha (transformação), que constitui a essência do serviço, etc.

Explicação

As jornadas são um sinal para cada geração: cada judeu pode subjugar seu corpo de uma de duas maneiras. Iskafya é conter os desejos do corpo; is'hapcha é transformá-los em santidade, o que o Zohar (1:4a, citado na nota da Kehot) louva como “transformar a escuridão em luz e o amargo em doce”.

והנה מ״ב מסעות הם כנגד שם מ״ב תיבות דאנא בכח גדולת כו׳ שהוא שבעה מדות עליונות חג״ת [חסד גבורה תפארת] נה״י [נצח הוד יסוד] ומלכות וכל אחת מהן כלולה מששה בחי׳ חג״ת [חסד גבורה תפארת] נה״י [נצח הוד יסוד] לבד

Ora, as quarenta e duas jornadas correspondem ao Nome de quarenta e duas palavras de “Ana bekoach gedulas” etc., que são os sete atributos superiores (midot): Chessed, Guevurá, Tiféret, Nétsach, Hod, Yessod e Malchut; cada um deles é composto apenas de seis aspectos: Chessed, Guevurá, Tiféret, Nétsach, Hod e Yessod.

Explicação

As quarenta e duas jornadas enumeradas na Parashat Masei correspondem à prece Ana Bekoach, um Nome composto por quarenta e duas palavras em sete linhas de seis palavras. Suas sete linhas são os sete atributos, de Chessed a Malchut, e as seis palavras de cada linha são seis aspectos — de Chessed a Yessod — dentro daquele atributo.

לכן הוא שבעה פסוקים וכל פסוק יש בו רק ששה תיבות שבחי׳ השביעית שבכל מדה אינה

Portanto, são sete versículos, e cada versículo tem apenas seis palavras, pois o sétimo aspecto dentro de cada atributo não está

Explicação

Assim, dentro de cada um dos sete atributos são contados apenas seis aspectos. O sétimo, Malchut dentro daquele atributo, é deixado de fora.

בחשבון דשם מ״ב וצ״ל מפני מה בספירת העומר הם מ״ט ימים דהיינו שכל מדה משבעה מדות עליונות כלולה משבעה שסופרין ג״כ בחי׳ מלכות שבכל מדה.

incluído na contagem do Nome de quarenta e dois. E é preciso compreender por que, na Contagem do Ômer, há quarenta e nove dias, isto é, cada um dos sete atributos superiores é composto de sete, pois também contamos o aspecto de Malchut dentro de cada atributo.

Explicação

Isso suscita uma pergunta. Na Contagem do Ômer contamos quarenta e nove dias, sete vezes sete; portanto, ali cada atributo inclui sua própria Malchut. Por que Malchut é contada ali, mas não no Nome de quarenta e dois?

O parágrafo 3 em resumo

O parágrafo relaciona os dois tipos de jornada ao mundo espiritual: o deserto próximo corresponde às kelipot ainda próximas da kelipat Nogá; o deserto profundo, ao mal em sua plena força; e o deserto como um todo é a fonte das kelipot, oposta a Jerusalém. Em seguida, relaciona as quarenta e duas jornadas ao Nome de quarenta e duas letras e pergunta por que esse Nome omite Malchut, enquanto a contagem do Ômer a inclui.

Aprofundar

Na passagem de Likkutei Torah sobre Chukas a que a nota de Kehot remete, o Alter Rebbe cita os mesmos dois ditos sobre o Satan e explica que a raiz do mal, aquilo que lhe dá vida, é boa; somente ao descer pela cadeia de níveis é que ela se torna mal completo. A gradação das kelipot segundo sua distância de Nogá expressa a mesma ideia.

Marei mekomot

  1. 1
    במרכבת יחזקאל רוח סערה · Ezekiel 1:4
  2. 2
    ואחריתו עדי אובד · Numbers 24:20
  3. 3
    בד״ה חייב אינש לבסומי · בתו״א צה, א.
  4. 4
    שטן ופנינה לש״ש נתכוונו · Bava Batra 16a:9–10
  5. 5
    נתן עיניו במקדש ראשון · סוכה נב, סע״א. ראה לעיל פ׳ חקת סב, א.
  6. 6
    נתן עיניו במקדש ראשון · Sukkah 52a:10
  7. 7
    שבעה מצות שנצטוו במרה · Sanhedrin 56b:22–23
  8. 8
    כאשר צוך ה׳ אלקיך · Deuteronomy 5:16
  9. 9
    היינו במרה · באוה״ת במדבר-ו ע׳ א׳תתקסז יש לכאן הוספה.
  10. 10
  11. 11
    או אתהפכא שזהו עיקר העבודה · Zohar I, 4a

O Nome de quarenta e dois e o Ômer ¶4–6

4והענין כי הנה בחי׳ מלכות הוא הממוצע מלכות דאצילות נעשה עתיק לבריאה ומלכות דבריאה עתיק ליצירה כו׳ ומלכות דא״ס עתיק לאצילות שבחי׳ מלכות לבד שבעליון יורדת להיו ת עתיק ומקור לתחתון.

A explicação é que o nível de Malchut é o intermediário: Malchut de Atsilut torna-se Atik (o “Ancião”) para Beriá, e Malchut de Beriá [torna-se] Atik para Yetsirá, etc., e Malchut do Infinito (Ein Sof) torna-se Atik para Atsilut. Pois somente o nível de Malchut do nível superior desce para tornar-se Atik e fonte do nível inferior.

Explicação

A resposta começa com Malchut, o último atributo de cada conjunto, que é o elo entre os níveis. A Malchut de cada mundo superior torna-se Atik, a raiz mais interior, do mundo abaixo dela: Malchut de Atsilut para Beriá, Malchut de Beriá para Yetsirá e Malchut do Infinito, à medida que Ele Se volta para o que está abaixo, para Atsilut; somente Malchut desce para tornar-se a fonte do nível seguinte.

O parágrafo 4 em resumo

Malchut é o ponto em que cada nível superior desce para tornar-se a fonte do seguinte; por isso, é o aspecto de descida e revelação. Essa é a chave para compreender por que a contagem do Ômer, que atrai a luz para baixo, a conta.

5והנה שם מ״ב הוא בחי׳ עליות מלמטה למעלה שלכן בפ׳ שמע יש בה מ״ב תיבות מואהבת עד ובשעריך.

Ora, o Nome de quarenta e dois é o nível das ascensões de baixo para cima; por isso, a seção do Shemá contém quarenta e duas palavras, desde “E amarás” até “e em teus portões”.

Explicação

O Nome de quarenta e dois é uma força de ascensão, elevando de baixo para cima. Por isso, a primeira seção do Shemá, de “E amarás” até “e em teus portões”, contém quarenta e duas palavras.

ולכאורה אינו מובן דהא פ׳ שמע הוא חסד ואהבת ושם מ״ב הוא גבורה אלא מפני שאהבה דפ׳ שמע נאמר בכל מאדך בלי גבול הכלי והוא בחי׳ העלאה והיינו ע״י שם מ״ב.

À primeira vista, isso não se compreende, pois a seção do Shemá é Chessed e “E amarás”, enquanto o Nome de quarenta e dois é Guevurá. Mas [isso se deve ao fato de que], a respeito do amor da seção do Shemá, está dito: “com toda a tua força (me’odecha)”, sem o limite de um recipiente; e este é o nível da elevação, que se dá por meio do Nome de quarenta e dois.

Explicação

Isso parece estranho: a primeira seção do Shemá, que trata do amor, pertence a Chessed, enquanto o Nome de quarenta e dois pertence a Guevurá. A resposta é que seu amor é “com toda a tua força”, um amor sem o limite de qualquer recipiente; e um amor ilimitado como esse é uma ascensão, conduzida pelo Nome de quarenta e dois.

משא״כ בפ׳ והיה אם שמוע שלא נאמר בכל מאדך והוא בחי׳ המשכה הוא שם ע״ב [שם ע״ב] וכמ״ש במ״א.

Em contrapartida, na seção “E será, se escutardes”, em que não está dito “com toda a tua força” e que é o nível da emanação para baixo, trata-se do Nome de setenta e dois, como explicado em outro lugar.

Explicação

A segunda seção, “E será, se escutardes”, não diz “com toda a tua força”. Ela trata de uma emanação para baixo, e isso corresponde ao Nome de setenta e dois.

O parágrafo 5 em resumo

O parágrafo estabelece que o Nome de quarenta e dois é uma força de ascensão, demonstrando isso pelas quarenta e duas palavras da primeira seção do Shemá, cujo amor “com toda a tua força” é ilimitado e, portanto, se eleva.

Aprofundar

O maamar de Likkutei Torah sobre Va’eschanan, ao qual a nota remete, apresenta a mesma dificuldade e responde de outra maneira: as luzes e os recipientes trocaram de lugar, de modo que a luz de Chessed repousa no recipiente de Guevurá e a luz de Guevurá, no recipiente de Chessed.

Marei mekomot

  1. 1
    בפ׳ שמע יש בה מ״ב תיבות · פע״ח שער הק״ש פי״ח.
  2. 2
    ולכאורה אינו מובן · ראה לקו״ת פ׳ ואתחנן יב, ד. שרש מצות התפלה פרק יב ואילך.
  3. 3
    בכל מאדך · Deuteronomy 6:5
  4. 4
    והיה אם שמוע · Deuteronomy 11:13

6ולפיכך השבעה מדות דשם מ״ב כלולים כ״א רק מששה בחי׳ שהם בחי׳ העצמיות של כל מדה והם המתעלים משא״כ הבחינה שביעית שבכל מדה שהוא ענין גילוי המדה כו׳

Portanto, cada uma das sete midot do Nome de quarenta e dois é composta de apenas seis aspectos, que são o aspecto da essência de cada midá e são aquilo que ascende; ao passo que o sétimo aspecto de cada midá é a revelação da midá etc.

Explicação

Isso responde à pergunta. Os seis aspectos contados em cada midá do Nome de quarenta e dois são a própria essência daquela midá, e são eles que ascendem; o sétimo aspecto, sua Malchut, é a revelação da midá para fora, e a ascensão não a inclui.

והיינו לפי שהעליות הוא באור א״ס ב״ה שהוא סתימו דכל סתימין שתהיינה הז׳ מדות בטלים בו ית׳ דלאו מכל אינון מדות איהו כלל כמ״ש לך ה׳ הגדולה כו׳

Isso se deve ao fato de que as ascensões se dão na Luz Infinita (Or Ein Sof), bendito seja Ele, que é “o mais oculto de todos os ocultos”, de modo que as sete midot ficam anuladas Nele, bendito seja Ele, pois “Ele não é nenhuma dessas midot”, como está escrito: “Tua, Havayá, é a grandeza” etc.

Explicação

A ascensão se dá na Luz Infinita, “o mais oculto de todos os ocultos”, na qual as midot ficam anuladas, pois “Ele não é nenhuma dessas midot”. O versículo “Tua, Havayá, é a grandeza” (I Chronicles 29:11), que prossegue nomeando as midot uma a uma, fala delas como pertencendo inteiramente a Ele.

והוא הפך מבחי׳ גילוי המדה שהוא בחי׳ יש כו׳ (ואפשר דלכן שם מ״ב הוא ג״כ בהויות דע״ב [דשם ע״ב] ס״ג [שם ס״ג] מ״ה [שם מ״ה] משא״כ בשם ב״ן [שם ב״ן] אין בו בחי׳ מ״ב כמ״ש בע״ח [בעץ חיים] שער כסה״כ [כסא הכבוד] ספ״ז ובפע״ח [ובפרי עץ חיים] שער הקדישים פ״א

E isso é o oposto do nível da revelação da midá, que é o nível de yesh (existência separada) etc. (E talvez por isso o Nome de quarenta e dois também esteja nas Havayot de Av, Sag e Mah, ao passo que no Nome Ban não há aspecto de quarenta e dois, como está escrito em Etz Chaim, Sha'ar Kisei HaKavod (o Portão do Trono da Glória), fim do capítulo 7, e em Pri Etz Chaim, Sha'ar HaKaddishim, capítulo 1:

Explicação

A revelação é o oposto da anulação: uma midá que se manifesta para fora torna-se um yesh, algo com existência própria. O parêntese sugere que é por isso que o Nome de quarenta e dois se encontra nas grafias de Havayá chamadas Av, Sag e Mah, mas não em Ban, conforme declaram Etz Chaim e Pri Etz Chaim.

כי שם מ״ב הוא בחינות עליות וזהו הפך שם ב״ן [שם ב״ן] שהוא בחי׳ מל׳ להיות גילוי כו׳. ועיין בפע״ח [בפרי עץ חיים] ש״ו [שער ו׳] פ״ד בענין ראשו כתם פ״ז [פרק ז׳] מ״ה [שם מ״ה] מ״ב כו׳ ועיין במק״מ [במקדש מלך] פ׳ שמות)

pois o Nome de quarenta e dois é o nível das ascensões, e isso é o oposto do Nome Ban, que é o nível de Malchut, cuja função é revelar etc. E veja Pri Etz Chaim, Sha'ar 6, capítulo 4, sobre “Sua cabeça é como o ouro mais puro (kesem paz)”: paz (87) é Mah (45) [e] quarenta e dois etc. E veja Mikdash Melech, Parshas Shemos.)

Explicação

O Nome de quarenta e dois representa a ascensão, ao passo que Ban é o Nome de Malchut, cuja função é revelar; por isso, os dois não se combinam. Pri Etz Chaim (no Portão dos Cânticos, conforme o identifica a nota da Kehot) interpreta “Sua cabeça é como o ouro mais puro (kesem paz)” da seguinte maneira: paz equivale a 87, que corresponde a Mah (45) e quarenta e dois juntos.

(בדף ח׳) גבי עטרת פז. ועמ״ש בענין קי״ס [קריעת ים סוף] סד״ה הים ראה וינוס ההרים רקדו כו׳ ע״ש.

(no fólio 8), sobre “uma coroa de ouro puro (paz)”. E veja o que está escrito a respeito da Abertura do Mar de Juncos, no final do discurso que começa “O mar viu e fugiu; as montanhas saltaram” etc.; veja lá.

Explicação

Para mais informações, o texto remete a Mikdash Melech sobre “uma coroa de ouro puro (paz)” e ao final de um discurso em Likkutei Torah sobre a abertura do mar, “O mar viu e fugiu”.

אבל ספירת העומר הוא בחי׳ המשכות היום יום א׳ כו׳ יום לשון הארה וגילוי שנמשך מאצילות לבריאה ומבריאה ליצירה ומיצירה לעשיה עד שנמשך בנפש האדם

Mas a Contagem do Ômer é o nível de emanações para baixo: “Hoje é o primeiro dia” etc. “Dia” é uma expressão que designa iluminação e revelação, que se estendem do Mundo de Atsilut a Beriá, de Beriá a Yetsirá e de Yetsirá a Assiá, até se estenderem à alma da pessoa.

Explicação

O Ômer é o oposto do Nome de quarenta e dois: trata-se de uma emanação para baixo. A contagem de cada noite, “Hoje é o primeiro dia”, usa a palavra “dia”, que representa luz e revelação, como em “D'us chamou à luz ‘dia’” (Genesis 1:5); essa luz se estende através dos quatro mundos até a alma humana.

ולכן בכל מדה סופרין ז׳ בחינות שהרי העיקר בזה הוא להיות גילוי והמשכה למטה שזהו בחי׳ השביעית שבכל מדה גילוי המדה (וגם עומר שעורים הוא שם ב״ן [שם ב״ן]).

Portanto, em cada midá contam-se sete aspectos, pois o principal aqui é haver revelação e emanação para baixo, e isso é o sétimo aspecto de cada midá: a revelação da midá. (Além disso, o Ômer de cevada é o Nome Ban.)

Explicação

Como o propósito do Ômer é trazer a luz para baixo e revelá-la, cada midá é contada com seu sétimo aspecto, sua Malchut, que é a revelação da midá. O parêntese acrescenta que o Ômer, uma oferenda de cevada, é o Nome Ban, o Nome de Malchut.

ומהיכן מתחילים לספור מיום ראשון של פסח והוא עצמו אינו מהמספר כי הוא מקור שממנו ממשיכים האורות שהוא ענין הספירה היום יום כנ״ל

E de onde começamos a contar? Do primeiro dia de Pêssach; contudo, ele próprio não faz parte da contagem, pois é a fonte da qual as luzes são emanadas para baixo, que é o sentido da contagem: “Hoje é o dia...” como mencionado acima.

Explicação

A contagem começa no primeiro dia de Pêssach, mas esse dia não é contado. Ele é a fonte da qual são emanadas para baixo as luzes dos quarenta e nove dias.

כי ביום א׳ דפסח כתיב ובני ישראל יוצאים ביד רמה פי׳ שהוא בבחינת רוממות למעלה מהחכמה.

Pois, a respeito do primeiro dia de Pêssach, está escrito: “E os filhos de Israel saíam com mão erguida (beyad ramah)”; isto significa que se trata do nível da elevação (romemus), acima de Chochmá (sabedoria).

Explicação

A respeito daquele primeiro dia, a Torá diz que os israelitas saíram “com mão erguida” (Êxodo 14:8). O maamar interpreta isso como um nível de elevação acima de Chochmá, acima do próprio intelecto.

וזהו וספרתם לכם ממחרת השבת פי׳ מבחינה שלמעלה מהשבת ששבת הוא מוחין דאבא ויד רמה הוא בחינה שלמעלה מזה, ומבחינה זו תספרו מ״ט יום להיות בכל מדה ז׳ בחינות דוקא.

E isto é “E contareis para vós desde o dia seguinte ao Shabat”: isto é, a partir de um nível que está acima do Shabat. Pois o Shabat é o intelecto (mochin) de Abá, e “mão erguida” é um nível acima disso; e desse nível contareis quarenta e nove dias, de modo que em cada atributo haja especificamente sete aspectos.

Explicação

Assim, “desde o dia seguinte ao Shabat” (Levítico 23:15) significa a partir do nível acima do Shabat. O Shabat é o intelecto (mochin) de Abá, isto é, de Chochmá; a “mão erguida” é ainda mais elevada, e dali são atraídos sete aspectos para cada atributo, quarenta e nove dias ao todo.

(ועיין לעיל בד״ה לבאר ענין המסעות נתבאר ענין שם מ״ב דמסעות שהם ו׳ מדות כל אחד כלול מז׳, והוא אינו כמש״כ [כמה שכתוב] שהם ז׳ מדות כ״א [כל אחד / כל אחת] כלול מששה.

(E veja acima, no discurso que começa “Para explicar o assunto das jornadas”, onde foi explicado o assunto do Nome de quarenta e dois das jornadas como seis atributos, cada um composto de sete; e isso não é como foi escrito [aqui], que são sete atributos, cada um composto de seis.)

Explicação

Uma observação entre parênteses sobre uma aparente contradição. O discurso anterior, “Para explicar o assunto das jornadas”, descreveu o Nome de quarenta e dois das jornadas como seis atributos de sete cada, ao passo que aqui são sete atributos de seis cada.

ויש לומר עפמ״ש [על פי מה שכתוב] בפע״ח [בפרי עץ חיים] שער הקדישים רפ״ב וז״ל [וזה לשונו] כי שם מ״ב של כוונת הקדיש אינו שם מ״ב הנודע אצלנו שהוא אנא בכח רק שם מ״ב דהויות כו׳

E pode-se dizer, conforme o que está escrito em Pri Etz Chaim, Sha'ar HaKaddishim, início do capítulo 2, nestas palavras: “Pois o Nome de quarenta e dois da intenção (kavanah) do Kadish não é o Nome de quarenta e dois conhecido por nós, que é Ana Bekoach, mas sim o Nome de quarenta e dois das Havayás”, etc.

Explicação

A resolução vem de Pri Etz Chaim: o Nome de quarenta e dois intencionado no Kadish não é o familiar Ana Bekoach, mas outro Nome de quarenta e dois, composto de Havayás, formas de escrita do Nome.

וע״ש דמ״ב דהוויות היינו ג׳ ידות יד הגדולה יד החזקה יד הרמה אשר כל יד הוא ב׳ פעמים ז׳. נמצא מ״ב דהויות היינו ו׳ בחינות כל אחד כלולה מז׳.

E veja ali que os quarenta e dois das Havayás são as três mãos: a mão grande, a mão forte e a mão erguida, sendo cada mão duas vezes sete. Portanto, os quarenta e dois das Havayás são seis aspectos, cada um composto de sete.

Explicação

Esse Nome são as três “mãos” da Torá: “a mão grande” (Êxodo 14:31), “a mão forte” (Êxodo 6:1) e “a mão erguida” (Êxodo 14:8). A palavra yad, “mão”, equivale a catorze, duas vezes sete; portanto, as três mãos são seis grupos de sete, quarenta e dois ao todo.

והיינו מה שפי׳ שם בענין שם מ״ב. וענין ג׳ ידות אלו מבואר במ״א בדרוש פורים גבי כי יד על כס כו׳. ועמ״ש מזה ג״כ בביאור ע״פ נשא את כו׳ ע״ש.

E isto é o que foi explicado ali a respeito do Nome de quarenta e dois. O assunto dessas três mãos é explicado em outro lugar, no discurso de Purim sobre “Pois uma mão está sobre o trono”, etc. E veja também o que está escrito a esse respeito na explicação do versículo “Faz a contagem (Naso et)”, etc.; veja ali.

Explicação

Assim, o discurso anterior tratava desse segundo Nome. As três mãos são explicadas no discurso de Purim sobre “Pois uma mão está sobre o trono” (Êxodo 17:16) e na explicação de “Faz a contagem” na Parashá Naso.

ומה שפי׳ כאן בענין שם מ״ב זהו אנא בכח כו׳. ועיין עוד מענין שם מ״ב בפע״ח [בפרי עץ חיים] גבי כוונת פ׳ ראשונה דק״ש [דקריאת שמע] שבה שם מ״ב מבואר דשם מ״ב הוא בראש ז״א בכח״ב [בכתר חכמה בינה] כו׳. ועיין בזהר פ׳ תרומה)

E aquilo que foi explicado aqui a respeito desse Nome de quarenta e dois é Ana Bekoach, etc. Veja também mais sobre o assunto do Nome de quarenta e dois em Pri Etz Chaim, a respeito da intenção da primeira seção do Shemá, na qual aparece o Nome de quarenta e dois; ali se explica que o Nome de quarenta e dois está na cabeça de Zeir Anpin, em Kéter, Chochmá e Biná, etc. E veja o Zohar, Parashá Terumá.)

Explicação

Aqui, em contraste, o Nome de quarenta e dois significa Ana Bekoach. Pri Etz Chaim, ao tratar da primeira seção do Shemá, situa o Nome de quarenta e dois na cabeça de Zeir Anpin, em seu Kéter, Chochmá e Biná.

(דקל״ב ע״ב) שמא דמ״ב אתוון רזא דיליה אבהן דקא מתעטרן בעלמא עילאה כו׳ עד דעתעטרא באין סוף ועמ״ש ע״ז בפרדס שער שלשים פ״ז [פרק ז׳].

(132b): “O Nome de quarenta e duas letras: seu segredo são os Patriarcas, que são coroados no mundo superior”, etc., até “que é coroado no Ein Sof”. E veja o que está escrito a respeito disso em Pardes, Sha'ar 30, capítulo 7.

Explicação

O Zohar (2:132b) chama o Nome de quarenta e duas letras de segredo dos Patriarcas, coroados no mundo superior até serem coroados no Infinito, e acrescenta que ele “sobe e não desce”: um Nome de ascensão. O Pardes (Sha'ar 30, capítulo 7) comenta isso.

ועיין עוד בזהר פ׳ אחרי (דע״ח א׳) וברע״מ [וברעיא מהימנא] פרשת בהר (דק״ח ע״ב) ובהרמ״ז [ובהרב משה זכות] ר״פ תצא ובפ׳ בראשית (דף ד׳ ע״א).

E veja também o Zohar, Parashat Acharei (78a), o Raaya Mehemna, Parashat Behar (108b), o Ramaz no início de Parashat Teitzei e em Parashat Bereishit (folio 4a).

Explicação

Outras fontes sobre o Nome de quarenta e dois: o Zohar sobre Acharei, o Raaya Mehemna sobre Behar e o Ramaz (Rabbi Moshe Zacuto) no início de Teitzei e sobre Bereishit.

והנה המסעות היה בכל אחד מהם חנייה אחר כך והוא המשכות האור למטה להכניע הקליפות

Ora, cada uma das jornadas era seguida por um acampamento, e isso é a descida da luz para baixo, a fim de subjugar as kelipot.

Explicação

Retomando as jornadas: cada jornada era seguida por um acampamento. O acampamento era uma descida da luz para subjugar as kelipot daquele lugar.

אך כדי שיהיה ההמשכה ממקום עליון מאד שעי״ז יוכנעו לזאת היה תחלה ההעלאה וכן בשם מ״ב שש כנפים כו׳

Mas, para que a descida viesse de um lugar muito elevado, de modo que, por meio dela, fossem subjugadas, primeiro era necessário haver uma elevação. O mesmo ocorre com o Nome de quarenta e dois: “seis asas” etc.

Explicação

Mas, para que a luz viesse de um lugar muito elevado, com força suficiente para subjugá-las, primeiro tinha de haver uma elevação; por isso, a partida precedia o acampamento. O texto vê o mesmo padrão no Nome de quarenta e dois e nas “seis asas” dos serafins (Isaías 6:2).

(ובשתים יעופף ובשתים דוקא העלאה והמשכה וזהו ג״כ ענין לוים וכהנים ובד״ה לבאר ענין המסעות נתבאר בענין קומה הוי׳ ויפוצו אויביך כו׳ שגם ע״י ההעלאה היה הכנעת הקליפות ע״ש):

(“E com duas voava” — especificamente “com duas”: elevação e descida. Isso também corresponde aos levitas e aos kohanim. E, no discurso que começa “Para explicar o tema das jornadas”, explicou-se, a respeito de “Levanta-Te, Havayá, e que Teus inimigos se dispersem” etc., que também por meio da elevação as kelipot eram subjugadas; veja ali.)

Explicação

Entre essas asas, “com duas voava”: especificamente duas, elevação e descida. O texto vê esse mesmo par nos levitas e nos kohanim e recorda que o discurso anterior mostrou que a própria elevação — “Levanta-Te, Havayá” — também subjugava as kelipot.

O parágrafo 6 em resumo

O parágrafo responde à pergunta: o Nome de quarenta e dois é uma ascensão ao Infinito, onde as midot ficam anuladas; por isso, seu sétimo aspecto, a revelação, é deixado de fora. O Ômer é uma emanação para baixo, por isso conta os sete aspectos de cada midá, começando pela “mão erguida” de Pêssach. Em seguida, retorna às jornadas: cada emanação para baixo deve ser precedida por uma ascensão.

Aprofundar

O longo parêntese resolve uma contradição com o discurso anterior ao distinguir dois Nomes de quarenta e dois: Ana Bekoach, composto de sete linhas de seis palavras, e o quarenta e dois das Havayot mencionado no Kadish, três “mãos” de catorze (o valor de yad), seis grupos de sete. A descrição do Zohar do Nome de quarenta e duas letras como aquele que “ascende e não desce”, e é coroado no Infinito, condiz com sua função aqui como poder de ascensão.

Marei mekomot

  1. 1
    בפע״ח ש״ו פ״ד · שער הזמירות. ראה גם אוה״ת פ׳ ויחי (בראשית-ב) ע׳ שפז, ב.
  2. 2
    ראשו כתם · Song of Songs 5:11
  3. 3
    פ״ז מ״ה מ״ב · באוה״ת פ׳ מסעי ע׳ א׳שעד יש הג״ה לכאן. וראה בכרך ו ע׳ א׳תתקסח.
  4. 4
    עטרת פז · Psalms 21:4
  5. 5
    סד״ה הים ראה · לקו״ת צו טז, ד. וראה באוה״ת במדבר-ו ע׳ א׳תתקסח השייכות לכאן.
  6. 6
  7. 7
    ובנ״י יוצאים ביד רמה · Exodus 14:8
  8. 8
    וספרתם לכם ממחרת השבת · Leviticus 23:15
  9. 9
    ז׳ בחינות דוקא · באוה״ת פ׳ מסעי ע׳ א׳שעד יש הג״ה לכאן.
  10. 10
    לעיל בד״ה לבאר ענין המסעות · פט, ד ואילך. ושם מוסיף שדרוש זה הוא אחרון. וראה בסה״מ תרכ״ז (הוצאת תשנ״ט) ע׳ קח.
  11. 11
    יד החזקה · Exodus 6:1
  12. 12
    יד הגדולה יד החזקה יד הרמה · Exodus 14:31
  13. 13
    בדרוש פורים גבי כי יד על כס · תו״א צה, ג.
  14. 14
    בביאור ע״פ נשא · לעיל כג, ב.
  15. 15
    ועיין בזהר פ׳ תרומה (דקל״ב ע״ב) · הלשון נעתק באוה״ת פ׳ מסעי ע׳ א׳שנא. ובפ׳ משפטים א׳קטו.
  16. 16
    שמא דמ״ב אתוון רזא דיליה אבהן דקא מתעטרן בעלמא עילאה · Zohar, Terumah 10:106–116
  17. 17
  18. 18
    לך ה׳ הגדולה · I Chronicles 29:11
  19. 19
    יום ל׳ הארה · Genesis 1:5
  20. 20

A bênção antes da mitsvá ¶7–9

7ב והנה מבואר בפנים דענין מוצאיהם למסעיהם ומסעיהם למוצאיהם יש להבין מענין ברכת המצות, דהנה כמו שבמסעות היה נסיעה וחנייה כך במעשה המצוה יש ג״כ העלאה והמשכה

2. Ora, é explicado no texto principal que a questão de “suas partidas para suas jornadas” e “suas jornadas para suas partidas” pode ser compreendida a partir da questão da bênção sobre as mitsvot. Pois, assim como nas jornadas havia uma partida e um acampamento, também na realização de uma mitsvá há elevação e atração para baixo.

Explicação

Seção 2 do biur. O maamar principal afirmou que “suas partidas para suas jornadas” e “suas jornadas para suas partidas” (Numbers 33:2) podem ser compreendidas a partir da bênção sobre uma mitsvá: assim como cada jornada tinha uma partida e um acampamento, toda mitsvá tem uma elevação e uma atração para baixo.

והיינו שהמשכת אור א״ס ב״ה שנמשך ע״י מעשה המצוה כמו טלית וציצית המשכת המקיף ובחי׳ ל״ב נתיבות חכמה ובתפילין המשכת מוחין.

Isto é: a atração para baixo da Luz Infinita (Or Ein Sof), bendito seja Ele, que é atraída por meio da realização da mitsvá — como no talit e nos tsitsit, com a atração da luz abrangente (makif) e do nível dos trinta e dois caminhos de Chochmá; e, nos tefilin, com a atração do intelecto (mochin).

Explicação

Por meio do ato de uma mitsvá, a Luz Infinita é atraída para baixo: por meio do talit e dos tsitsit, uma luz abrangente (makif) e os trinta e dois caminhos de Chochmá; por meio dos tefilin, o intelecto (mochin).

הנה המשכה זו הוא ע״י בירור ק״נ [קליפת נוגה] שהקלף דתפילין והצמר דציצית נלקחו מק״נ [מקליפת נוגה] וע״י קיום המצוה מבררים ק״נ [קליפת נוגה] ומעלים הניצוצים לשרשן.

Ora, essa atração para baixo ocorre por meio da depuração (birur) de kelipat nogá. Pois o pergaminho dos tefilin e a lã dos tsitsit foram retirados de kelipat nogá; e, por meio do cumprimento da mitsvá, depuramos kelipat nogá e elevamos as centelhas à sua raiz.

Explicação

Essa luz vem por meio da depuração de kelipat nogá. O pergaminho dos tefilin e a lã dos tsitsit provêm de animais, que pertencem a nogá; ao utilizá-los para uma mitsvá, depuramos nogá e elevamos suas centelhas de santidade à sua raiz.

O parágrafo 7 em resumo

Começa a segunda seção do biur: assim como nas jornadas, toda mitsvá tem uma elevação e uma atração para baixo; e a luz que uma mitsvá atrai para baixo vem por meio da depuração de kelipat nogá.

Marei mekomot

  1. 1
    מוצאיהם למסעיהם ומסעיהם למוצאיהם · Numbers 33:2

8והנה כדי שיהיה בירור והעלאה זו צ״ל תחלה המשכה מלמעלה כי אלמלא עוזרו כו׳ אתעדל״ע [אתערותא דלעילא] לעורר אתעדל״ת [אתערותא דלתתא]

Ora, para que esta depuração e elevação ocorram, é preciso primeiro haver uma emanação do alto, pois “se Ele não o ajudasse”, etc.: um despertar do alto, para despertar um despertar de baixo.

Explicação

Antes que qualquer depuração e elevação possam ocorrer, é preciso primeiro haver uma emanação do alto. Como dizem os Sábios a respeito da luta da pessoa com sua má inclinação: “se Ele não o ajudasse”, ela não conseguiria prevalecer; primeiro vem um despertar do alto, que desperta o despertar de baixo.

וזהו ענין ברכת המצות שהוא המשכת המקיף היינו הארת סוכ״ע שהוא המעלה ומגביה כו׳ (ועמ״ש במ״א בפ׳ מקץ בד״ה המגביהי לשבת כו׳ שכל בחי׳ מקיף הוא המעלה למעלה)

E este é o sentido da bênção sobre as mitsvot: ela é a emanação do envolvente [makif], isto é, a iluminação da luz que circunda todos os mundos (sovev kol almin), que é o que eleva e faz subir, etc. (E veja o que está escrito em outro lugar, na Parashat Mikêts, no discurso que começa “Aquele que Se eleva para habitar”, etc., que todo nível de makif é o que eleva para o alto.)

Explicação

A bênção recitada antes de uma mitsvá é essa primeira emanação. Ela faz descer uma luz envolvente (makif), uma irradiação da luz que circunda todos os mundos, e é o makif que eleva as coisas, como explica o discurso mencionado no texto sobre “Aquele que Se eleva para habitar” (Salmos 113:5).

ולכן הברכות על המצות הם מדרבנן שהם המשכת מקיפים וע״ז ארז״ל [אמרו רבותינו זכרונם לברכה] ערבים עלי ד״ס עלי דוקא שהוא בחי׳ מקיף כו׳ וכמ״ש במ״א (בפ׳ שמות).

Por isso, as bênçãos sobre as mitsvot são rabínicas, pois são a emanação dos envolventes (makifim). E a esse respeito nossos Sábios, de abençoada memória, disseram: “São preciosas para mim (alai) as palavras dos Escribas”; “para mim” especificamente, pois isso corresponde ao nível de makif, etc., como é explicado em outro lugar (na Parashat Shemot).

Explicação

É por isso que as bênçãos sobre as mitsvot são rabínicas, “palavras dos Escribas”: elas fazem descer makifim. E é por isso que os Sábios fazem a Congregação de Israel dizer que as palavras dos Escribas são preciosas “sobre (alai) mim”: “sobre” significa acima e ao redor, a linguagem de makif.

וזהו ענין מארז״ל [מאמר רבותינו זכרונם לברכה] כל המצות מברך עליהן עובר לעשייתן דלכאורה הל״ל [הוה ליה למימר] כפשוטו קודם לעשייתן. ולמה אמרו לשון עובר ונצרכו אח״כ להוכיח דהאי עובר לישנא דאקדומי הוא אלא

E este é o sentido do ensinamento de nossos Sábios, de abençoada memória: “Sobre todas as mitsvot, recita-se a bênção over la'asiyasan (passando adiante da sua realização).” Pois, à primeira vista, deveria ter dito simplesmente “antes (kodem) da sua realização”. Por que usaram o termo over, de modo que depois precisaram provar que esse over significa ir adiante? Em vez disso,

Explicação

O Talmud (Pesachim 7b) diz que se recita uma bênção sobre cada mitsvá over la'asiyasan, “antes de realizá-la”, e depois precisa provar que over significa “antes”. Por que não usar simplesmente kodem, a palavra usual para “antes”?

כי עובר לעשייתן הפי׳ שהוא בחי׳ מקיף למעשה המצוה המעלה העשייה (וכענין מ״ש נחלה עבר על נפשנו עמ״ש מזה סד״ה להבין ענין הפסוק מי אל כמוך, וכענין פי׳ עובר לסוחר באד״ר [באדרא רבא])

over la'asiyasan significa que ela corresponde ao nível de makif da realização da mitsvá, que eleva o ato (como no que está escrito: “a torrente teria passado (avar) sobre nossa alma”; veja o que está escrito a esse respeito ao final do discurso que começa “Para compreender o sentido do versículo ‘Quem é um D'us como Tu’”; e como na explicação de “passando para o mercador (over lasocher)” na Idra Rabá)

Explicação

Pois over, “passando”, também tem o sentido de passar por cima e envolver: a bênção é um makif sobre o ato e o eleva. Compare “a torrente teria passado sobre nossa alma” (Salmos 124:4) e a interpretação da Idra Rabá de “passando para o mercador (over lasocher)” (Gênesis 23:16).

(קכ״ח ב׳) ועיין בספר קול ברמה שם מלשון סחור סחור כו׳ וכענין ויעבור ה׳ על פניו כו׳, ועיין בזהר פ׳ לך לך דע״ט ע״ב.

(128b), e veja o livro Kol BeRamah, ali: do termo sechor sechor (“ao redor, ao redor”), etc.; e como em “E Havayá passou (vaya'avor) diante de sua face”, etc. E veja o Zohar, Parashat Lech Lechá, 79b.

Explicação

O Kol BeRamah, comentário sobre a Idra, relaciona socher, “mercador”, a sechor, o aramaico para “ao redor”. “E Havayá passou diante de sua face” (Êxodo 34:6) é outro “passar” desse tipo, e o texto acrescenta a referência ao Zohar sobre Lech Lechá.

וזהו ג״כ ענין ההפרש בין ההמשכה שבתחלה לעורר המ״ן [המיין נוקבין] ובין המשכת מ״ד [מיין דוכרין] שנמשך אח״כ ע״י העלאת המ״ן [המיין נוקבין], שההמשכה ההיא שאח״כ מאיר ומתגלה בבחי׳ פנימית משא״כ ההמשכה שבתחלה מאיר רק בבחינת מקיף וחיצוניות

E este também é o sentido da diferença entre a emanação inicial, para despertar os mayin nukvin (águas femininas), e a emanação dos mayin duchrin (águas masculinas), que é atraída depois por meio da elevação dos mayin nukvin: essa emanação posterior brilha e se revela de maneira interior, ao passo que a emanação inicial brilha somente na modalidade de makif e da dimensão exterior (chitsoniyut).

Explicação

Isso também explica dois tipos de emanação. A primeira, que desperta os mayin nukvin (as “águas femininas”, o despertar de baixo), brilha somente como makif, a partir do exterior; a segunda, os mayin duchrin (“águas masculinas”), que vêm em resposta aos mayin nukvin elevados de baixo, brilha interiormente e se revela.

וכמו וימינו תחבקני שמחבקה בחיצוניותה ועי״ז אשה מזרעת ומעלה מ״ן [מיין נוקבין] ועי״ז נמשך אח״כ מ״ד [מיין דוכרין] טפת דכר בפנימיותה להיות מזה הולדה

Como em “e Sua mão direita me abraça”: ele a abraça exteriormente e, por meio disso, “a mulher emite sêmen” e eleva mayin nukvin; e, por meio disso, os mayin duchrin, a gota masculina, são depois atraídos para o seu interior, de modo que daí venha a ocorrer o nascimento.

Explicação

A analogia vem do Cântico dos Cânticos: “e Sua mão direita me abraça” (2:6). O primeiro abraço é exterior e desperta a resposta da própria mulher, sua “elevação de mayin nukvin”; só então o fluxo interior é atraído para ela, e dele nasce uma criança.

וגם ע״י שאשה מזרעת תחלה יולדת זכר לפי שהמשכת מ״ד [מיין דוכרין] ואתעדל״ע [ואתערותא דלעילא] הנמשך ע״י קדימת האתעדל״ת [האתערותא דלתתא] הוא מבחי׳ גבוה יותר מהאתעדל״ע [מהאתערותא דלעילא] שבתחלה.

E também, quando “a mulher emite sêmen primeiro, dá à luz um menino”, isso ocorre porque a descida de mayin duchrin e o despertar do alto que é atraído por meio da precedência do despertar de baixo provêm de um nível mais elevado do que o despertar do alto inicial.

Explicação

O Talmud diz: “Se a mulher emitir sêmen primeiro, dará à luz um menino” (Berachos 60a). Nos termos deste maamar, a resposta do alto que vem depois de um despertar de baixo provém de um nível mais elevado do que o primeiro despertar do alto, que o precedeu.

O parágrafo 8 em resumo

O parágrafo explica por que a bênção vem antes da mitsvá: um despertar do alto precisa primeiro despertar o despertar de baixo. A bênção faz descer uma luz envolvente que eleva o ato, enquanto a resposta que vem depois do ato brilha interiormente e provém de um nível mais alto.

Aprofundar

Torah Ohr sobre Shemot, ao qual remete a nota de Kehot, afirma isso explicitamente: por meio da própria mitsvá, a luz interior é atraída para os recipientes, enquanto a bênção atrai o makif, que é mais elevado. Por isso, “over la'asiyasan” se assemelha a “over lasocher”, e as palavras dos Escribas são preciosas “sobre mim”, e não “para mim”.

Marei mekomot

  1. 1
    המגביהי לשבת · Psalms 113:5
  2. 2
    ערבים עלי ד״ס · Shir HaShirim Rabbah 2:6–7
  3. 3
    ערבים עלי ד״ס · Avodah Zarah 35a:6
  4. 4
    וכמ״ש במ״א (בפ׳ שמות) · בתו״א נג, ב.
  5. 5
    כל המצות מברך . . לישנא דאקדומי הוא · Pesachim 7b:9–10
  6. 6
    ויעבור ה׳ על פניו · Exodus 34:6
  7. 7
    נחלה עבר על נפשנו · Psalms 124:4
  8. 8
    סד״ה להבין . . מי אל כמוך · לקו״ת דרושים לר״ה סב, ב.
  9. 9
    עובר לסוחר · Zohar, Idra Rabba 3:14–6:25
  10. 10
    מלשון סחור סחור · באוה״ת במדבר-ו א׳ ע׳תתקסט ושם ”בס׳ קול ברמה שם דתרגום סביב סחור וזהו עובר לסוחר שהוא בחי׳ מקיפים עליונים”.
  11. 11
    וימינו תחבקני · Song of Songs 2:6
  12. 12
    שאשה מזרעת תחלה · Berakhot 60a:14

9וכ״ז [וכל זה] מבואר בענין ברכת המצות שהברכה יש בה לשון נוכח ברוך אתה כו׳ והוא ההמשכה לעורר המ״ן [המיין נוקבין] ואח״כ לשון נסתר אשר קדשנו במצותיו שלשון נסתר מורה על בחי׳ גבוה יותר כענין הוא עשנו

Tudo isso é explicado a respeito da bênção sobre as mitsvot. A bênção contém a segunda pessoa — “Bendito és Tu” etc. —, e isso é a descida que desperta os mayin nukvin; depois, vem a terceira pessoa — “que nos santificou com Seus mandamentos” —, pois a terceira pessoa indica um nível mais elevado, como em “Ele nos fez”.

Explicação

A formulação de toda bênção sobre uma mitsvá revela as etapas. Ela começa na segunda pessoa, “Bendito és Tu”, a primeira descida que desperta os mayin nukvin; prossegue na terceira pessoa, “que nos santificou com Seus mandamentos”, pois referir-se a D'us como “Ele” aponta para um nível elevado demais para ser abordado diretamente, como em “Ele nos fez” (Salmos 100:3).

והיינו ההעלאת מ״ן [מיין נוקבין] של מעשה המצוה שעולה למעלה מעלה וכמ״ש בענין עלי באר כו׳ אח״כ וצונו הוא ענין המשכת מ״ד [מיין דוכרין] שנמשך אח״כ ע״י העלאת המ״ן [המיין נוקבין]

Isto é, a elevação dos mayin nukvin da realização da mitsvá, que sobe cada vez mais alto, conforme explicado a respeito de “Sobe, ó poço” etc. Depois, “e nos ordenou” refere-se à descida dos mayin duchrin, que são atraídos em seguida por meio da elevação dos mayin nukvin.

Explicação

Aquele nível mais elevado é alcançado pelos mayin nukvin que o ato da mitsvá eleva muito alto, conforme explicado a respeito de “Sobe, ó poço” (Números 21:17). Então, “e nos ordenou” são os mayin duchrin que descem em resposta.

כי וצונו לשון צוותא והתחברות שנמשך המ״ד [המיין דוכרין] בבחי׳ פנימיות כו׳ (וכמ״ש בלק״ת [בלקוטי תורה (להאריז״ל)] פ׳ בראשית בסוף ההקדמה לטעמי מצות שע״י המצוה נעשה יחוד זו״נ [זעיר אנפין ונוקבא]).

Pois vetzivanu (“e nos ordenou”) é um termo ligado a tzavta (companheirismo) e união, pois os mayin duchrin são atraídos de maneira interior etc. (conforme está escrito no Likkutei Torah do Arizal, Parashat Bereshit, ao final da introdução a Taamei HaMitzvos: por meio da mitsvá, realiza-se a união de Zeir Anpin e Nukvá).

Explicação

Vetzivanu, “e nos ordenou”, é interpretado como tzavta, “companheirismo” e união: a luz que responde é atraída para o interior. O Likkutei Torah do Arizal acrescenta que cada mitsvá efetua a união de Zeir Anpin e Nukvá.

וכ מ״כ הוא ג״כ בענין הקרבנות שהן בחי׳ העלאת מ״ן [מיין נוקבין] מנפש הבהמית שבנוגה כו׳ ועי״ז נמשכים ויורדים מ״ד [מיין דוכרין] (עיין באגה״ק [באגרת הקודש] בד״ה למה נסמכה).

O mesmo ocorre também com os sacrifícios, que correspondem à elevação dos mayin nukvin da alma animal que está em nogá etc.; e, por meio disso, os mayin duchrin são atraídos e descem (veja Iggeres HaKodesh, no discurso que começa “Por que foi justaposto”).

Explicação

Os sacrifícios atuam da mesma maneira. Um sacrifício animal eleva os mayin nukvin da alma animal, cuja raiz está em nogá; em resposta, os mayin duchrin descem. O texto remete à carta em Iggeres HaKodesh que começa “Por que foi justaposto”.

אך ג״כ כדי שיהיה העלאת מ״ן [מיין נוקבין] הוא ע״י הכהן המקריב שהוא חסד עליון הנמשך להעלות המ״ן [המיין נוקבין] כו׳.

Mas também aqui, para que haja a elevação dos mayin nukvin, isso ocorre por meio do Cohen que oferece [o sacrifício], o qual é o Chessed supremo atraído para elevar os mayin nukvin etc.

Explicação

Contudo, essa elevação também ocorre por meio do Cohen que oferece o sacrifício, e o Cohen é o Chessed supremo que desce. Mais uma vez, é uma descida do alto que possibilita a ascensão.

וענין ההפרש בין תורה למצות שארז״ל [שאמרו רבותינו זכרונם לברכה] ויתר הקב״ה כו׳ ולא ויתר על ביטול תורה שהתורה היא בחי׳ אברים הפנימים שבהם תולה עיקר החיות ונקיבתם במשהו.

E quanto à diferença entre Torá e mitsvot, como disseram nossos Sábios, de abençoada memória: “O Santo, bendito seja Ele, relevou” etc., “mas não relevou a negligência da Torá”: pois a Torá corresponde aos órgãos internos, dos quais depende a força vital principal e cuja perfuração [os invalida] mesmo na menor medida.

Explicação

Agora, a diferença entre Torá e mitsvot. O Talmud Yerushalmi (Chagigá 1:7) diz que D'us relevou até mesmo a idolatria, a imoralidade e o derramamento de sangue, mas não a rejeição da Torá, pois a Torá é como os órgãos internos, dos quais depende a vida e cuja menor perfuração já impede o animal de viver (treifá).

והמצות רמ״ח אברים דמלכא הם בחי׳ אברים החיצונים. הענין הוא כי יש למעלה אורות וכלים

E as mitsvot, “os 248 órgãos do Rei”, correspondem aos órgãos externos. A explicação é que, no alto, há luzes e recipientes.

Explicação

As mitsvot, chamadas “os 248 órgãos do Rei”, são como os membros externos. Isso se deve ao fato de que, no alto, há luzes e recipientes.

והנה התורה שהיא בחי׳ חכמה ושכל היינו שהיא מבחי׳ אורות והמצות שהן בחי׳ עשייה היינו שהן מבחי׳ כלים

Ora, a Torá, que corresponde a Chochmá e ao intelecto, pertence ao nível das luzes; e as mitsvot, que correspondem à ação, pertencem ao nível dos recipientes.

Explicação

A Torá, que é sabedoria e entendimento, pertence às luzes; as mitsvot, que são atos, pertencem aos recipientes.

(ועיין בע״ח [בעץ חיים] שמ״א פ״ז [פרק ז׳] דיחוד אור א״ס בחכמה נק׳ איהו וחיוהי חד ונודע דחיוהי פי׳ אורות וגרמוהי פי׳ כלים).

(E veja Etz Chaim, Sha'ar 41, capítulo 7, onde se afirma que a união da Luz Infinita com Chochmá é chamada “Ele e Suas forças vitais são um”; e é sabido que “Suas forças vitais” significa luzes, e que garmohi significa recipientes.)

Explicação

Etz Chaim chama a união da Luz Infinita com Chochmá de “Ele e Suas forças vitais são um”. “Suas forças vitais” são as luzes, e garmohi, na expressão correspondente “Ele e Seus recipientes são um”, são os recipientes.

אך לפי שמ״מ שרש הכלים למעלה מן האורות. לכן פעמים אמרו שהמצות הם למעלה מהתורה וכל הלומד שלא לעשות נוח לו שנתהפכה שלייתו כו׳

Mas, como, apesar disso, a raiz dos recipientes é mais elevada do que as luzes, por isso, por vezes, disseram que as mitsvot são mais elevadas do que a Torá, e que “quem estuda sem a intenção de praticar, teria sido melhor para ele que sua placenta se tivesse virado”, etc.

Explicação

A raiz dos recipientes é mais elevada do que as luzes. Por isso os Sábios, por vezes, colocam as mitsvot acima da Torá e dizem que quem estuda sem a intenção de praticar teria sido melhor se sua placenta tivesse se virado sobre seu rosto (Vayikra Rabbah 35:7), de modo que jamais tivesse nascido.

כי המצות שהן מבחי׳ כלים הן לגבי התורה שהיא בחי׳ האורות כמשל השליא שמקפת את הולד שנוצרה תחלה מהטפה

Pois as mitsvot, que pertencem ao nível dos recipientes, são, em relação à Torá, que pertence ao nível das luzes, como a placenta que envolve a criança e que se formou primeiro, a partir da gota.

Explicação

As mitsvot estão para a Torá como a placenta está para a criança: ela envolve a criança e se formou primeiro, a partir da gota. Assim também, os recipientes envolvem as luzes e as precedem.

(וכמ״ש באגה״ק [באגרת הקודש] ד״ה איהו וחיוהי כו׳ וזהו גם כן ענין כברייתו של עולם ברישא חשוכא שהוא שרש הכלים והדר נהורא בחי׳ אורות ועמ״ש מענין זה בביאור ע״פ וקבל היהודים כו׳).

(Como está escrito em Iggeres HaKodesh, no discurso que começa “Ele e Suas forças vitais”, etc. Este é também o sentido de “como na criação do mundo: primeiro, a escuridão”, que é a raiz dos recipientes, “e depois, a luz”, o nível das luzes. E veja o que está escrito sobre este assunto na explicação do versículo “E os judeus assumiram”, etc.)

Explicação

Iggeres HaKodesh explica isso na carta “Ele e Suas forças vitais”. O mesmo se aplica à afirmação talmúdica “como na criação do mundo: primeiro, a escuridão, depois, a luz” (Shabbos 77b): a escuridão, que veio primeiro, é a raiz dos recipientes, e a luz corresponde às luzes.

והענין כי התורה הוא בחי׳ פנימיות והמצות הן בחי׳ חיצוניות אך שהוא חיצוניות עליון שלפיכך לא יוכל להתגלות רק החיצוניות כענין שתוק כך עלה במחשבה והוא בחי׳ גלגלתא

A explicação é que a Torá corresponde à dimensão interior (pnimiyut), e as mitsvot, à dimensão exterior, mas esta é uma dimensão exterior superna; por isso, só a dimensão exterior pode ser revelada, como na afirmação “Cala-te! Assim surgiu no pensamento”; e este é o nível de Gulgalta (o crânio).

Explicação

A Torá é a dimensão interior, e as mitsvot, a exterior; mas a dimensão exterior delas é tão elevada que somente seu exterior pode ser revelado, como na resposta de D'us a Moshe: “Cala-te! Assim surgiu no pensamento” (Menachos 29b). Este é o nível de Gulgalta, o “crânio”, a cobertura do intelecto superno.

ולכן לפי שהן חיצוניות עליון מאד ע״כ מצד זה הן למעלה מהתורה (ועמ״ש בפ׳ מקץ בענין שמונה נסיכי אדם)

Por isso, por serem uma dimensão exterior extremamente elevada, sob este aspecto são mais elevadas do que a Torá (e veja o que está escrito em Parshas Mikeitz sobre o assunto dos “oito príncipes dos homens”),

Explicação

Sob este aspecto, como uma dimensão exterior extremamente elevada, as mitsvot são mais elevadas do que a Torá. O texto remete à discussão sobre os “oito príncipes dos homens” (Micah 5:4), em Parshas Mikeitz.

כמו שהגולגולת מקפת על המוח שהוא בחי׳ חכמה (ועיין בפע״ח [בפרי עץ חיים] שכ״ב פ״ה בדפוס שקלאב) אך מ״מ לפי שהתורה היא מבחי׳ מוחא בחי׳ חכמה שהוא בחי׳ פנימיות

assim como o crânio envolve o cérebro, que corresponde a Chochmá (e veja Pri Etz Chaim, Sha'ar 22, capítulo 5, na edição de Shklov). Mas, apesar disso, como a Torá pertence ao nível do moach (cérebro), ao nível de Chochmá, que corresponde à dimensão interior,

Explicação

Assim como o crânio envolve o cérebro, que é Chochmá, as mitsvot envolvem a Torá. A nota de Kehot sugere que a referência deveria ser Etz Chaim, Sha'ar HaMochin do Tzelem (Sha'ar 23, capítulo 1 e o final do capítulo 2), embora na edição de Shklov de 5560 conste como citado aqui. O texto passa então ao outro aspecto: a Torá provém do próprio cérebro, Chochmá, a dimensão interior.

לכן אמרו שהתורה היא למעלה מהמצות (ועמ״ש בפ׳ אחרי ע״פ כי ביום הזה יכפר כו׳ וגבי שבועות ע״פ וידבר אלקים)

por isso disseram que a Torá é mais elevada do que as mitsvot (e veja o que está escrito em Parshas Acharei sobre o versículo “Pois neste dia ele expiará”, etc., e, a respeito de Shavuot, sobre o versículo “E D'us falou”).

Explicação

Sob esse aspecto, como dimensão interior, os Sábios dizem que a Torá é maior do que as mitsvot. O texto remete aos discursos sobre “Pois neste dia ele expiará” (Leviticus 16:30), em Acharei, e sobre “E D'us falou”, para Shavuot.

ולכן התורה היא מזון לנפש שהתגלותה בג״ע [בגן עדן] בבחי׳ פנימית בטעם ושכל משא״כ מהמצות נעשים לבושים שאינן יכולים להאיר רק בדרך לבוש שהוא בחי׳ חיצוניות כו׳:

E, portanto, a Torá é alimento para a alma, cuja revelação no Gan Éden se dá de modo interior, com razão e intelecto; ao passo que das mitsvot são feitos vestuários, que podem brilhar somente à maneira de um vestuário, que é o nível da dimensão exterior etc.

Explicação

Assim, a Torá é o alimento da alma: no Gan Éden, ela é revelada interiormente, como razão e compreensão. As mitsvot tornam-se ali os vestuários da alma, que brilham somente como um vestuário, a partir do exterior; a nota da Kehot remete ao Zohar (2:210a) e a Etz Chaim (Gate 44, chapter 3) para isso.

O parágrafo 9 em resumo

O parágrafo interpreta a formulação da bênção como as etapas do processo: “Bendito és Tu” provoca a descida; “que nos santificou” é a ascensão do ato; e “e nos ordenou” é a resposta interior. Em seguida, explica por que tanto a Torá quanto as mitsvot são chamadas de superiores: a Torá é a luz interior, enquanto as mitsvot são recipientes, cuja raiz é mais elevada — uma dimensão exterior tão sublime que somente seu exterior pode se manifestar.

Aprofundar

As duas hierarquias não se contradizem. Do ponto de vista da revelação, a Torá, como Chochmá, é o núcleo interior, e as mitsvot são sua cobertura; do ponto de vista de sua raiz, os recipientes provêm da Gulgalta, o “crânio” acima do intelecto supremo, e por isso são mais elevados, assim como a escuridão precedeu a luz na Criação e a placenta se forma antes da criança. A nota da Kehot acrescenta que a formulação do Talmud Yerushalmi é “a rejeição da Torá”, como no início da Pesichta de Eichah Rabbah.

Marei mekomot

  1. 1
    הוא עשנו · Psalms 100:3
  2. 2
    וכמ״ש בענין עלי באר · ראה לקו״ת חקת סד, סע״ב.
  3. 3
    עלי באר · Numbers 21:17
  4. 4
    שארז״ל ויתר הקב״ה · ירוש׳ פ״א דחגיגה ה״ז, שם אי׳ ”על מאסם בתורה”, יעו״ש. וכ״ה ריש פתיחתא דאיכ״ר. [כ].
  5. 5
    ויתר הקב״ה כו׳ ולא ויתר על ביטול תורה · Jerusalem Talmud Chagigah 1:7
  6. 6
    וכל הלומד . . נוח לו שנתהפכה שלייתו · Vayikra Rabbah 35:7
  7. 7
    וכמ״ש באגה״ק · דף קלא, א.
  8. 8
    כברייתו של עולם · Shabbat 77b:8
  9. 9
    וקבל היהודים · Esther 9:23
  10. 10
    שתוק כך עלה במחשבה · Menachot 29b:5
  11. 11
    שמונה נסיכי אדם · Micah 5:4
  12. 12
    בפע״ח שכ״ב פ״ה · צ״ל ע״ח ש׳ מוחין דצלם שהוא שכ״ג פ״א וספ״ב, כנלע״ד. [כ]. ובדפוס שקלאוו תק״ס הוא [בע״ח] כמו שנסמן בפנים.
  13. 13
    כי ביום הזה יכפר · Leviticus 16:30
  14. 14
    התורה היא מזון . . מהמצות נעשים לבושים · Zohar II, 210a

A escrita de Moshe e a Chochmá oculta ¶10–13

10ג ומעתה נחזור לעניננו לענין המסעות שהיה בהם נסיעה וחנייה העלאה והמשכה. וכמו שבמצות צ״ל עוד המשכה בתחלה כדי להיות ההעלאה וזהו ענין ברכת המצות עובר לעשייתן.

3. E agora voltemos ao nosso tema, o assunto das jornadas, nas quais havia partida e acampamento, elevação e atração para baixo. Assim como, no caso das mitsvot, também deve haver uma atração para baixo no início, para que possa ocorrer a elevação — e este é o sentido da bênção sobre as mitsvot, que deve preceder sua realização (over la’asiyasan),

Explicação

A seção 3 retorna às jornadas. No caso das mitsvot, a atração para baixo deve vir primeiro: a bênção é recitada “antes” do ato, para que a elevação possa suceder; o texto agora aplica a mesma ordem às jornadas.

כמו כן הוא בענין המסעות. וזהו ענין ויכתוב משה את מוצאיהם למסעיהם שהוא המשכה תחלה מלמעלה מבחי׳ מוצאיהם דנש״י [דנשמות ישראל] למסעיהם היינו ליתן כח ועוז להיות ההעלאה.

assim também ocorre com as jornadas. Este é o sentido de “E Moshe escreveu suas partidas para suas jornadas”: primeiro, uma atração para baixo vinda do Alto, do nível das partidas das almas de Israel, “para suas jornadas”, isto é, para conceder força e vigor a fim de que a elevação possa ocorrer.

Explicação

Trata-se de “E Moshe escreveu suas partidas para suas jornadas” (Números 33:2): primeiro há uma atração para baixo vinda do Alto, da “partida”, a fonte das almas de Israel, “para suas jornadas”, concedendo ao povo a força necessária para elevar-se.

ופי׳ ויכתוב משה היינו חותמו של הקב״ה אמת (עיין ברבות שמות פ׳ ה׳ ע״פ חסד ואמת נפגשו ואמת זה משה ועיין בהרמ״ז [בהרב משה זכות] פ׳ ואתחנן) (דרס״א ע״א) וזו משה אמת כו׳

E o sentido de “E Moshe escreveu” é que “o selo do Santo, bendito seja Ele, é a verdade” (ver Shemot Rabbá, parashá 5, sobre o versículo “A bondade e a verdade se encontraram”: “e a verdade é Moshe”; e ver o Ramaz sobre Parashat Vaetchanan) (261a): “E este é Moshe, a verdade”, etc.;

Explicação

A “escrita” de Moshe é “o selo do Santo, bendito seja Ele, é a verdade”. O texto cita o Midrash (Shemot Rabbá 5) sobre “A bondade e a verdade se encontraram”, que identifica a verdade com Moshe, e o Ramaz sobre Vaetchanan, que afirma o mesmo.

ע״ש, וגם ויכתוב היינו כמו כתב סופר שבמשנה סוף גיטין ופי׳ בגמרא חתם סופר וכן בקרא וכתב דגבי ספר כריתות לפ״ד ר׳ [רבי] מאיר בגמרא פירושו חתמו כו׳.

veja lá. Além disso, “escreveu” é como em “o escriba escreveu”, na Mishná, no final de Guitin, que a Guemará explica como “o escriba assinou”; e, igualmente, no versículo “e ele escreverá”, a respeito do documento de divórcio, segundo a opinião de Rabi Meir na Guemará, seu sentido é “ele assinará”, etc.

Explicação

“Escrever” também pode significar assinar, que é o que faz um selo. A Mishná, no final de Guitin, considera válido um documento de divórcio descrito como “o escriba escreveu, e uma testemunha”; a Guemará interpreta isso como “o escriba assinou”. E, quanto ao versículo “e ele escreverá”, relativo ao documento de divórcio, a Guemará explica que significa assinar, segundo Rabi Meir, que sustenta que as testemunhas que assinam efetivam o divórcio.

ויובן בהקדים כי יש ב׳ בחי׳ חכמה וכמ״ש באד״ר [באדרא רבא] (קכ״ח ב׳) היינו כי חכמה דאצילות אתפשט ונפיק לל״ב שבילין וע״ז נאמר ונהר יוצא מעדן

Isso será compreendido com a introdução de que há dois níveis de Chochmá, como está escrito na Idra Rabá (128b): isto é, a Chochmá de Atsilut se expande e se manifesta em trinta e dois caminhos; a seu respeito foi dito: “E um rio sai do Éden”.

Explicação

Para explicar esse selo, o texto primeiro introduz dois níveis de Chochmá. A Chochmá revelada de Atsilut se expande em trinta e dois caminhos, como afirma a Idra Rabá; a isso corresponde “um rio sai do Éden” (Gênesis 2:10).

אך חכמה סתימאה הוא בחי׳ דלא אתפתח שהוא למעלה מהשכל וההשגה וזהו ענין שתוק כך עלה במחשבה (מנחות כ״ט ב׳) שאין הפי׳ כך עלה בלי טעם ח״ו [חס ושלום].

Mas a Chochmá oculta (Chochmá Stimaá) é o nível que “não se abriu”, estando acima do intelecto e da compreensão. Este é o sentido de “Cala-te! Assim surgiu no pensamento” (Menachot 29b), o que não significa que tenha surgido assim sem motivo, D’us nos livre.

Explicação

Acima dela encontra-se a Chochmá oculta (Chochmá Stimaá), que “não se abriu”: ela está além do intelecto e da compreensão. Quando D’us disse a Moshe: “Cala-te! Assim surgiu no pensamento” (Menachot 29b), isso não significava que não houvesse motivo, D’us nos livre.

אלא שהטעם ההוא נעלם מאד ולא ניתן להשגה עד שנראה למטה כי אין טעם ברצון, והוא בחי׳ חכמה סתימאה

Ao contrário, esse motivo está profundamente oculto e não pode ser compreendido, a tal ponto que, abaixo, parece que não há motivo na vontade; e este é o nível da Chochmá oculta

Explicação

O motivo existe, mas está tão profundamente oculto que não pode ser apreendido de modo algum; por isso, abaixo, parece que a vontade não tem motivo. Esse motivo oculto é a Chochmá oculta.

(שנק׳ מחשבה בזהר פ׳ נח) (דס״ה ע״ב) ועמ״ש מזה בביאור ע״פ אם בחקותי ובד״ה ענין ק״ש [קריאת שמע].

(que é chamada “pensamento” no Zohar, Parashat Noach) (65b). Veja também o que foi escrito a esse respeito na explicação do versículo “Se seguirdes Meus estatutos” e no discurso que começa com “O sentido da recitação do Shemá”.

Explicação

O texto observa que o Zohar sobre Noach chama essa Chochmá oculta de “pensamento”. Também remete às explicações sobre “Se seguirdes Meus estatutos” e “O sentido da recitação do Shemá”.

ולכן גם משה שקיבל התורה ואורייתא מחכמה נפקת הוא בחי׳ חכמה דאצי׳ לא יוכל להשיג כלל הטעם שבמחשבה העליונה שהיא בחי׳ א״ס שכל העולמות דאבי״ע [דאצילות בריאה יצירה עשיה] אינן ערוך אליו ית׳.

Portanto, mesmo Moshe, que recebeu a Torá — e “a Torá emana de Chochmá” —, sendo este o nível de Chochmá de Atsilut, não poderia apreender de modo algum a razão no Pensamento superno, que é o nível do Infinito (Ein Sof), diante de Quem todos os mundos de Atsilut, Beriá, Yetsirá e Assiá não têm comparação, bendito seja Ele.

Explicação

Assim, mesmo Moshe, que recebeu a Torá, a qual “emana de Chochmá” (Zohar 2:121a) — a Chochmá de Atsilut —, não poderia apreender a razão nesse Pensamento superno. Ela pertence ao Infinito, diante de Quem os quatro mundos não têm comparação.

(וזהו ענין מאד עמקו מחשבותיך וכדלקמן). והנה י״ג מדות הרחמים שהן י״ג ת״ד [תיקוני דיקנא] הן נמשכים ממוחא סתימאה

(E este é o sentido de “Muito profundos são os Teus pensamentos”, como [será explicado] adiante.) Ora, as Treze Atributos de Misericórdia, que são os treze tikkunim da barba (tikkunei dikna), emanam do cérebro oculto (Mocha Stima'ah).

Explicação

Isso corresponde a “Muito profundos são os Teus pensamentos” (Salmos 92:6), que será explicado adiante. Ora, as Treze Atributos de Misericórdia, chamadas na Idra de treze tikkunim (arranjos) da barba, emanam desse cérebro oculto, o Mocha Stima'ah.

(ולכן גם למטה באדם צמיחת הזקן הוא אחר שיש לו גדלות המוחין וכמבואר בש״ע א״ח [אורח חיים]) (סי׳ נ״ג ס״ח) שהשנים שראוי להתמלאות בהם זקנו הוא אחר עשרים שנה.

(Por isso, também abaixo, no ser humano, o crescimento da barba ocorre depois que ele alcança a maturidade intelectual (gadlut hamochin), como é explicado no Shulchan Aruch, Orach Chaim) (seção 53, parágrafo 8): a idade em que é apropriado que a barba se complete é depois dos vinte anos.

Explicação

Também abaixo, a barba de um homem só se completa depois que ele alcança a maturidade intelectual: o Shulchan Aruch (Orach Chaim 53) menciona que a idade em que a barba se completa é depois dos vinte anos. A nota da Kehot acrescenta Maseches Soferim e o Tur e Shulchan Aruch sobre Choshen Mishpat.

ומבואר בע״ח [בעץ חיים] סוף שכ״ד בענין הטעם דלמכור בנכסי אביו עד שיהיה בן עשרים שנה שאז נתיישבה דעתו כמ״ש בגמרא (ב״ב [בבא בתרא] קנ״ו ב׳) ובהרמב״ם [ובהרבי משה בן מימון]

E isso é explicado em Etz Chaim, no final do Sha'ar 24, a respeito da razão [pela qual não se pode] vender os bens de seu pai antes de completar vinte anos, pois então sua mente está assentada, como está escrito na Guemará (Bava Basra 156b) e no Rambam:

Explicação

Etz Chaim, no final do Sha'ar 24 (Derushei HaTzelem, como o identifica a nota da Kehot), explica a regra de que não se pode vender terras herdadas do pai antes dos vinte anos, quando a mente está assentada, conforme determinam o Talmud (Bava Basra 156a; o texto impresso traz 156b) e o Rambam.

והיינו לפי שאז נמשכים בו ב׳ מקיפים דאבא ל׳ [לשון] מ׳ כו׳ ואחר שנכנסו אלו המקיפים אז נתמלא זקנו כמ״ש בפע״ח [בפרי עץ חיים] ש״י [שער י׳] פ״ו שלכך אומרים יג״מ [י״ג מדות] אחר שמ״ע [שמונה עשרה] כו׳.

pois então os dois makifim (luzes circundantes) de Abá, o lamed e o mem, etc., são atraídos para dentro dele; e, depois que esses makifim entram, sua barba se completa, como está escrito em Pri Etz Chaim, Sha'ar 10, capítulo 6: é por isso que as Treze Atributos são recitadas depois da Shemoneh Esreh, etc.

Explicação

Segundo isso, aos vinte anos, as duas luzes circundantes (makifim) de Abá, o lamed e o mem, entram nele, e só então sua barba se completa. Pri Etz Chaim apresenta esse motivo para que as Treze Atributos sejam recitadas depois da Shemoneh Esreh.

אך מ״מ המשכתן ממו״ס [ממוחא סתימאה] הוא רק בבחי׳ שערות לבד והיינו לפי כי הגם שהן מדות עליונות מאד מ״מ להיות התהוות בחי׳ מדות מאור א״ס ב״ה דלאו מכל אלין מדות איהו כלל, אינו

Entretanto, sua emanação do cérebro oculto ocorre apenas na forma de cabelos. Isso porque, embora sejam atributos muito elevados, para que o nível dos atributos venha a existir a partir da Luz Infinita (Or Ein Sof), bendito seja Ele, de Quem se diz: “Ele não é nenhum desses atributos”, isso não é possível

Explicação

No entanto, as Treze Atributos emanam do cérebro oculto apenas como os cabelos, por meio de um mero gotejamento. Por mais elevados que sejam, os atributos não podem simplesmente vir a existir a partir da Luz Infinita, da qual o Tikkunei Zohar diz: “Ele não é nenhum desses atributos”.

אלא ע״י צמצומים עצומים כי הרי לא שייך בחי׳ מדות רחום וחנון, אלא א״כ שייך בחי׳ עולם ובריות שתפול עליהם מדת הרחמים.

[senão] por meio de contrações imensas (tsimtsumim). Pois o nível dos atributos “Compassivo e Gracioso” não se aplica a menos que também exista o nível de um mundo e de seres criados, sobre os quais possa incidir o atributo da misericórdia.

Explicação

Eles só vêm a existir por meio de contrações imensas (tsimtsumim). Um atributo como “compassivo e gracioso” não faz sentido a menos que haja um mundo, com seres criados sobre os quais possa incidir a compaixão.

O parágrafo 10 em resumo

Ao retornar às jornadas, o parágrafo identifica a “escrita” de Moshe com o selo da verdade e começa a explicá-la por meio de dois níveis de Chochmá: a Chochmá revelada de Atsilut e a Chochmá oculta, acima da razão. Os Treze Atributos de Misericórdia emanam da Chochmá oculta apenas como os cabelos emanam da cabeça, mediante uma grande contração, pois os atributos pressupõem a existência de um mundo.

Aprofundar

A barba, imagem dos Treze Atributos, aparece ao longo da Idra: os cabelos recebem do cérebro apenas um fluxo contraído; assim, por mais elevados que sejam, os atributos permanecem distantes da Chochmá oculta. O sinal haláchico de que a barba se completa aos vinte anos, quando os makifim de Abá entram, é a maneira como Etz Chaim relaciona o sinal corporal a esse estágio espiritual.

Marei mekomot

  1. 1
    חסד ואמת נפגשו · Psalms 85:11
  2. 2
  3. 3
    שבמשנה סוף גיטין · פד, ב. [כ].
  4. 4
    ופי׳ בגמרא חתם סופר · שם פח, א.
  5. 5
    חתם סופר · Gittin 88a:10–12
  6. 6
    פירושו חתמו · שם ג, ב. כא, ב.
  7. 7
    פירושו חתמו · Gittin 21b
  8. 8
    אתפשט ונפיק לל״ב שבילין · Zohar, Idra Rabba 3:14–6:25
  9. 9
    ונהר יוצא מעדן · Genesis 2:10
  10. 10
  11. 11
    בביאור ע״פ אם בחקותי · לקו״ת פ׳ בחקותי מז, א.
  12. 12
    ובד״ה ענין ק״ש · לקו״ת ואתחנן יא, ג.
  13. 13
    אורייתא מחכמה נפקת · Zohar II, 121a
  14. 14
    מאד עמקו מחשבותיך · Psalms 92:6
  15. 15
    אחר עשרים שנה · ראה מס׳ סופרים פי״ד הי״ז. טושו״ע חו״מ סל״א סעי׳ א-ב.
  16. 16
    בע״ח סוף שכ״ד · שער דרושי הצלם.
  17. 17
    למכור בנכסי אביו עד שיהיה בן עשרים שנה · Bava Batra 156a:3–4
  18. 18
    ובהרמב״ם · הל׳ מכירה פ״ט הי״ג.
  19. 19
    בפע״ח ש״י פ״ו · ראה לעיל פ׳ במדבר ב, א. אוה״ת בראשית-ז דף תשפ, ב. המשך מים רבים — תרל״ו פמ״ד. וראה במאמרי אדה״א ויקרא-ב ע׳ תקכה.
  20. 20
    דלאו מכל אלין מדות · ת״ז בהקדמה (פתח אלי׳).
  21. 21
    דלאו מכל אלין מדות איהו כלל · Tikkunei Zohar 17b:5–7
  22. 22

11וכמ״ש באוצ״ח [באוצרות חיים] בתחלתו כי אם אין בעולם מי שיקבל רחמים ממנו איך יקרא רחום. וזהו זכור רחמיך ה׳ וחסדיך

Como está escrito no início de Otzros Chaim: pois, se não houvesse ninguém no mundo para receber misericórdia d’Ele, como poderia Ele ser chamado de Misericordioso? E isto é: “Lembra-Te de Tuas misericórdias, Havayá, e de Tuas bondades,

Explicação

Otzros Chaim explica: se não houvesse ninguém no mundo para receber misericórdia, como poderia D'us ser chamado de Misericordioso? Por isso, o versículo diz: “Lembra-Te de Tuas misericórdias, Havayá, e de Tuas bondades” (Psalms 25:6).

כי מעולם המה שהמדות אלו הם בגדר עלמין וכמ״ש במ״א שאפילו בחי׳ סוכ״ע זהו בגדר עלמין וא״כ לגבי מהותו ועצמותו ית׳ שאינו בגדר עלמין כלל.

pois elas são me'olam (“desde o mundo”)”: esses atributos estão dentro dos limites dos mundos; e, como é explicado em outro lugar, até mesmo o nível da luz que circunda todos os mundos (sovev kol almin) está dentro dos limites dos mundos. Sendo assim, em relação ao Seu Ser e à Sua Essência, bendito seja, que não estão de modo algum dentro dos limites dos mundos.

Explicação

O versículo termina com “pois elas são me'olam”, geralmente traduzido como “desde a antiguidade”, mas aqui lido como “desde o mundo”: esses atributos existem dentro dos limites dos mundos. Até mesmo a luz que circunda todos os mundos ainda se relaciona com os mundos; portanto, eles não podem descrever o próprio Ser de D'us, que está inteiramente além dos mundos, como o próximo parágrafo explica.

O parágrafo 11 em resumo

O versículo “Lembra-Te de Tuas misericórdias … pois elas são me'olam” mostra que os atributos de misericórdia pertencem ao âmbito dos mundos, abaixo da Essência de D'us.

Marei mekomot

  1. 1
    זכור רחמיך ה׳ · Psalms 25:6

12וגם עכשיו אפילו שנתהוו העולמות מ״מ כולא קמיה כלא חשיב דהיינו שבאמת הוא לבדו הוא

E mesmo agora, embora os mundos tenham vindo à existência, ainda assim, “tudo diante Dele é considerado como nada”, isto é, na verdade, somente Ele é,

Explicação

Mesmo agora que os mundos existem, “tudo diante Dele é considerado como nada” (Zohar 1:11b). Na verdade, somente Ele existe.

כמו קודם שנברא העולם וכל הנבראים בטלים במציאות כביטול זיו השמש כשהוא תוך גוף השמש ואין נופל עליהם שם יש כלל כמ״ש באריכות בסש״ב [בספר של בינונים] ח״ב [חלק ב׳] פ״ג [פרק ג׳] וח״א [וחלק א׳] פ״כ.

como antes de o mundo ser criado, e todos os seres criados são anulados em sua própria existência, tal como a anulação do brilho do sol quando se encontra dentro do corpo do sol; e o termo yesh (algo existente) não se aplica a eles de modo algum, como é explicado extensamente em Sefer Shel Beinonim, Parte II, capítulo 3, e Parte I, capítulo 20.

Explicação

É exatamente como antes da Criação: todas as coisas criadas são anuladas em sua própria existência, como um raio de luz solar enquanto ainda está dentro do corpo do sol, onde não constitui de modo algum algo à parte. Sefer Shel Beinonim (Tanya), Parte II, capítulo 3, e Parte I, capítulo 20, explica isso extensamente.

א״כ קמיה ית׳ ממש כמו שהוא לבדו הוא לא שייך כלל מדות אלו אף שהם מדות היותר עליונים דמ״מ מעולם המה.

Se assim é, diante Dele, bendito seja, tal como Ele verdadeiramente é — somente Ele —, esses atributos não se aplicam de modo algum, embora sejam os atributos mais elevados, pois, ainda assim, “eles são meolam (do mundo)”.

Explicação

Portanto, diante Dele, tal como Ele verdadeiramente é, nem mesmo os atributos mais elevados se aplicam, pois ainda são “do mundo”. Eles existem somente em relação aos mundos.

משא״כ בחי׳ חכמה סתימאה הוא בחי׳ חכים ולא בחכמה ידיעא שהוא כמו שהוא ית׳ לבדו הוא גם אלו לא ברא העולמות כלל (עיין מזה סד״ה ואלה שמות).

Ao passo que o nível da Chochmá oculta é o nível de “Ele é sábio, mas não com uma sabedoria conhecida”, que corresponde ao modo como Ele, bendito seja, é somente Ele, mesmo que não tivesse criado os mundos de modo algum (veja-se a respeito disso o final do discurso que começa com “E estes são os nomes”).

Explicação

A Chochmá oculta é diferente. Ela é “sábia, mas não com uma sabedoria conhecida” (Tikkunei Zohar 17b): uma sabedoria que corresponde ao que Ele é em Si mesmo, como seria mesmo que não tivesse criado mundo algum.

וזהו פי׳ וענין קדש מלה בגרמיה המבואר בזהר אמור (דף צ״ד) שהיא בחינה שאינה שייכה לעולמות כלל והיינו מלה בגרמיה.

E este é o significado e o sentido de “Kodesh (santidade) é algo em si mesmo”, explicado no Zohar, Emor (fólio 94): trata-se de um nível que não tem relação alguma com os mundos; isto é “algo em si mesmo”.

Explicação

Este é o significado da afirmação do Zohar: “Kodesh (santidade) é algo em si mesmo” (Zohar 3:94b). Trata-se de um nível que não tem relação alguma com os mundos.

ולא כמו המדות שהם תוארים פעול מאחרים כמ״ש בהג״ה [בהגהה] באוצ״ח [באוצרות חיים] בתחלתו בשם המפרשים. ולכן המשכת י״ג מדות מח״ס [מחכמה סתימאה] אינה

E não é como os atributos, que são descrições suscitadas por outros, como está escrito na glosa no início de Otzros Chaim, em nome dos comentaristas. Portanto, a extensão das Treze Atributos a partir da Chochmá oculta não é

Explicação

Os atributos, em contraste, são descrições que surgem por causa de outros, daqueles que os recebem, como afirma a glosa no início de Otzros Chaim, em nome dos comentaristas. Assim, as Treze Atributos se estendem da Chochmá oculta apenas de maneira limitada, como explica a parte seguinte.

אלא בבחי׳ י״ג ת״ד [תיקוני דיקנא] עד״מ שהשערות אין להם ערך ויחוס כלל עם המוחין שבראש ואין עיקר חיות המוחין מתפשט בהם כלל

senão à maneira dos treze tikunim da barba. A título de analogia, os cabelos não têm comparação nem relação alguma com o intelecto (mochin) na cabeça, e a força vital principal do intelecto não se estende a eles de modo algum;

Explicação

Eles surgem somente à maneira dos treze tikunim da barba. O cabelo não tem relação com o intelecto na cabeça, e a verdadeira força vital do intelecto não se estende a ele.

שהרי אם יחתוך האדם שער ראשו לא ירגיש המוח כאב כלל שאין מתפשט בהם אלא הארה מצומצמת בעלמא להיות להם רק יניקה ואחיזה במוחין.

pois, se uma pessoa cortar os cabelos da cabeça, o cérebro não sentirá dor alguma, visto que somente um tênue brilho contraído se estende a eles, de modo que tenham apenas sustento proveniente do cérebro e um ponto de ligação com ele.

Explicação

Quando uma pessoa corta os cabelos, o cérebro não sente dor, pois somente um tênue brilho contraído chega até eles. Isso basta apenas para que os cabelos recebam sustento do cérebro e se mantenham ligados a ele.

כך הוא עד״מ ההארה הנמשכת מח״ס [מחכמה סתימאה] להיות התהוות יג״מ [י״ג מדות] שהן מקור לבחי׳ עלמין אבי״ע [אצילות בריאה יצירה עשיה] כו׳

Assim também, por meio de uma analogia, é a iluminação extraída da Chochmá oculta para o surgimento dos Treze Atributos, que são a fonte do nível dos mundos de Atsilut, Beriá, Yetsirá e Assiá etc.;

Explicação

Da mesma forma, apenas um vislumbre é extraído da Chochmá oculta para fazer surgir os Treze Atributos. Estes, por sua vez, são a fonte dos mundos de Atsilut, Beriá, Yetsirá e Assiá.

ולהיות התהוות בחי׳ יש ושהיש בטל כו׳ הוא רק מבחי׳ זיו והארה בעלמא ע״י צמצוצים עצומים כו׳ (ועיין בסש״ב [בספר של בינונים] ח״ב [חלק ב׳] פ״ט בהג״ה [בהגהה]).

e o surgimento do nível de yesh (existência), bem como a anulação do yesh etc., provém apenas do nível de um mero fulgor e brilho, por meio de contrações imensas etc. (e veja Sefer Shel Beinonim, Parte II, capítulo 9, na nota).

Explicação

Para criar um yesh, algo que parece existir por si mesmo, e então anular esse yesh, basta um mero fulgor, transmitido por meio de contrações imensas. O texto cita uma nota em Tanya, Parte II, capítulo 9.

וזהו זכור רחמיך כו׳ שהזכרון אינו שייך אלא על דבר הרחוק ממנו במקום או במעלה כו׳, וזהו מה גדלו מעשיך ה׳ מאד עמקו מחשבותיך כי

E isto é “Lembra-Te de Tuas misericórdias” etc., pois a lembrança só se aplica a algo que está distante de alguém em lugar ou em nível etc. E isto é “Quão grandes são Tuas obras, Havayá; muito profundos são Teus pensamentos”. Pois

Explicação

É por isso que o versículo diz “Lembra-Te de Tuas misericórdias”: só se lembra daquilo que está distante, em lugar ou em nível, e os atributos estão distantes de Sua Essência. Do mesmo modo: “Quão grandes são Tuas obras, Havayá; muito profundos são Teus pensamentos” (Salmos 92:6).

הנה התהוות כל העולמות עליונים ותחתונים אבי״ע [אצילות בריאה יצירה עשיה] אשר זהו ענין מה גדלו מעשיך הוא מהמדות עליונות שהם מקורות לבחי׳ עלמין. והם לגבי מחשבתו ית׳ כמו שער האדם לגבי מוחין שלו עד״מ.

o surgimento de todos os mundos, superiores e inferiores, de Atsilut, Beriá, Yetsirá e Assiá — que é o significado de “Quão grandes são Tuas obras” — provém dos atributos supernos, que são fontes do nível dos mundos. E eles, em relação ao Seu Pensamento, bendito seja, são como o cabelo de uma pessoa em relação ao seu cérebro, por meio de uma analogia.

Explicação

Todos os mundos, superiores e inferiores — “Tuas obras” — provêm dos atributos supernos, as fontes dos mundos. E esses atributos estão para o Seu Pensamento assim como o cabelo de uma pessoa está para o seu cérebro.

א״כ מזה נתבונן גדולת עומק מחשבתו ית׳ ומעלתה לאין קץ ותכלית על מעלת חיות כל העולמות כו׳ ועיין מזה באג״ה [באגרת הקודש] בסופו ד״ה דוד זמירות קרית להו.

Se assim é, disso podemos contemplar a grandeza da profundidade de Seu Pensamento, bendito seja, e sua superioridade, sem fim nem limite, sobre o nível da força vital de todos os mundos etc. E veja a esse respeito, no final de Iggeres HaKodesh, o discurso que começa: “David, tu os chamaste de cânticos”.

Explicação

Disso se pode contemplar quão infinitamente profundo é Seu Pensamento, muito além da força vital de todos os mundos. O texto remete à carta no final de Iggeres HaKodesh que começa: “David, tu os chamaste de cânticos”.

O parágrafo 12 em resumo

O parágrafo distingue a Chochmá oculta dos atributos. Os atributos, mesmo os mais elevados, existem somente em relação aos mundos e se originam da Chochmá oculta como o cabelo se origina do cérebro; já a Chochmá oculta corresponde ao que Ele é em Si mesmo. Isso explica “Lembra-Te de Tuas misericórdias” e “Teus pensamentos são muito profundos”.

Aprofundar

As expressões do Zohar “Kodesh é algo em si mesmo” e do Tikkunei Zohar “sábio, mas não com uma sabedoria conhecida” designam o mesmo nível: uma Chochmá que não é uma relação com algo exterior a ela. Em contraste, os atributos recebem seus nomes em função do efeito que têm sobre outros, razão pela qual pressupõem um mundo.

Marei mekomot

  1. 1
    כולא קמי׳ כלא חשיב · Zohar I, 11b
  2. 2
    חכים ולא בחכ׳ ידיעא · ת״ז שם.
  3. 3
    חכים ולא בחכמה ידיעא · Tikkunei Zohar 17b:3–4
  4. 4
    קדש מלה בגרמיה · Zohar, Emor 24:111–25:123
  5. 5
    זכור רחמיך · Psalms 25:6
  6. 6
    מה גדלו מעשיך · Psalms 92:6

13והנה תיקון השביעי מי״ג ת״ד [תיקוני דיקנא] הוא ואמת שהוא מדה השביעי דיג״מ [די״ג מדות] שאמר משה. ויש להבין על דרך שהקשה בזהר ר״פ ויקרא ואי תימא שאר אתוון לאו אינון אמת כו׳.

Ora, o sétimo dos treze tikunim da barba é “e verdade” (ve’emet), que é o sétimo atributo dos Treze Atributos que Moshe pronunciou. E é preciso compreender, à luz da pergunta levantada pelo Zohar no início da Parashat Vayikra: “E se disseres: as outras letras não são verdade?” etc.

Explicação

O sétimo dos treze tikunim da barba é “e verdade”, o sétimo dos Treze Atributos que Moshe pronunciou (Êxodo 34:6). Mas não são todos os atributos verdadeiros? O Zohar, no início de Vayikra, faz uma pergunta semelhante ao chamar a letra vav de “sinal de verdade”: acaso as outras letras não são verdade?

אך הענין כי בתיקון השביעי נמשך ומתגלה אור הח״ס [החכמה סתימאה] שלא ע״י צמצום דבחי׳ שערות וכמ״ש באדרא (קל״א ע׳ [עיין] וקל״ג ב׳) תיקונא שביעאה פסיק שערא ואתחזין תרין תפוחין כו׳

A explicação, porém, é que no sétimo tikun a luz da Chochmá oculta é atraída e revelada, não por meio da contração do nível dos cabelos, conforme está escrito na Idra (131 e 133b): “O sétimo tikun: os cabelos cessam, e aparecem duas maçãs”, etc.;

Explicação

A resposta é: no sétimo tikun, a luz da Chochmá oculta resplandece sem a contração dos cabelos. A Idra diz: “O sétimo tikun: os cabelos cessam, e aparecem duas maçãs” — as duas faces descobertas.

הה״ד [הדא הוא דכתיב] באור פני מלך חיים, פי׳ פסיק שערא היינו כמו שבפנים אין שום צמיחת שערות וע״כ נקרא בחי׳ זו ואמת היינו גילוי האמת

como está escrito: “Na luz da face do Rei há vida.” O sentido de “os cabelos cessam” é que, na face, não cresce cabelo algum; por isso, este nível é chamado “e verdade”, isto é, a revelação da verdade,

Explicação

A Idra aplica a este tikun o versículo “Na luz da face do Rei há vida” (Provérbios 16:15). “Os cabelos cessam” significa que a própria face não tem crescimento de cabelos; assim, este nível é “verdade”: a verdade revelada tal como é.

כמו שהוא לבדו הוא ואין זולתו וזו היא מדרגת החכמה שנק׳ מלה בגרמיה וכמ״ש בסש״ב [בספר של בינונים] פל״ה בהג״ה [בהגהה] שמעתי ממורי כו׳

tal como Ele é, sozinho, e não há outro além Dele. Este é o nível de Chochmá, chamado “uma coisa em si”, conforme está escrito em Sefer Shel Beinonim, capítulo 35, na nota: “Ouvi de meu mestre”, etc.;

Explicação

Essa verdade consiste em que somente Ele existe e não há nada além Dele; é o nível de Chochmá, chamado “uma coisa em si”. Tanya, capítulo 35, traz uma nota sobre isso que começa: “Ouvi de meu mestre”.

ע״ש ובחי׳ זו נמשך ומתגלה בתיקון הז׳ כיון שבו מאיר אור הח״ס [החכמה סתימאה] שלא ע״י צמצום השערות.

veja ali. E este nível é atraído e revelado no sétimo tikun, pois nele resplandece a luz da Chochmá oculta, não por meio da contração dos cabelos.

Explicação

Este nível é revelado no sétimo tikun porque ali a luz da Chochmá oculta resplandece sem passar pelos cabelos.

משא״כ בשאר תיקונים שהם בחי׳ המדות אף שהם מדות היותר עליונות ורב חסד כו׳ מ״מ כיון ששייכים לבחי׳ עלמין אין בהם גילוי עצמיות חכמה סתימאה שהוא

Diferentemente dos outros tikunim, que correspondem ao nível dos atributos — embora sejam os atributos mais elevados, “abundante em bondade”, etc. —, como dizem respeito ao nível dos mundos, neles não há revelação da essência da Chochmá oculta, que é

Explicação

Os outros tikunim são os atributos. Mesmo os mais elevados, como “abundante em bondade”, dizem respeito aos mundos; por isso, neles não se revela a essência da Chochmá oculta.

כמו שהוא לבדו הוא אחד האמת ואין עוד כלל והיינו לפי שההמשכה רק ע״י בחי׳ שערות כנ״ל,

que Ele é, sozinho, o único verdadeiro, e não há absolutamente nada além Dele. Isso se deve ao fato de que a atração ocorre apenas por meio do nível dos cabelos, como mencionado acima.

Explicação

Essa essência consiste em que somente Ele é o único verdadeiro e não há absolutamente nada além Dele. Ela não se manifesta nos outros tikunim porque a luz deles é atraída apenas por meio dos cabelos.

(וקרוב לזה כתב הרמב״ם [הרבי משה בן מימון] בפי׳ אמת וז״ל [וזה לשונו] הוא שהנביא אומר וה׳ אלקים אמת, כלומר אין שם מצוי אמת מלבדו כמותו שכל הנמצאים צריכים לו והוא ברוך הוא אין צריך להם ולא לאחד מהם לפיכך אין אמיתתו כאמיתת אחד מהם עכ״ד [עד כאן דבריו])

(E algo próximo disso escreveu o Rambam ao explicar “verdade”; estas são suas palavras: “É isso que o profeta diz: ‘E Havayá, Elokim, é verdade’; isto é, não há nenhum ser verdadeiro além Dele que seja como Ele, pois todos os seres precisam Dele, enquanto Ele, bendito seja, não precisa deles nem de nenhum deles. Portanto, Sua verdade não é como a verdade de nenhum deles.” Até aqui, suas palavras.)

Explicação

O Rambam (Leis dos Fundamentos da Torá 1:4) afirma algo semelhante: “E Havayá, Elokim, é verdade” (Jeremias 10:10) significa que nada mais é verdadeiro como Ele, pois tudo precisa Dele e Ele não precisa de nada. A nota da Kehot indica que a citação reúne palavras da halachá 4 e palavras da halachá anterior, e observa que o autor escreveu precisamente “até aqui, suas palavras”, e não “até aqui, sua formulação”.

(ועיין ברבות וישלח פרשה פ״א מענין חותמו של הקב״ה אמת ובשה״ש [ובשיר השירים] רבה ע״פ לסוסתי ברכבי שהוא ע״ש אני ראשון ואני אחרון כו׳ ועמ״ש מזה בד״ה ראשי המטות):

(E veja Bereishit Rabbah, Vayishlach, parashá 81, sobre o tema de “o selo do Santo, bendito seja Ele, é a verdade”, e Shir HaShirim Rabbah, sobre o versículo “À minha égua entre os meus carros”, que esse nome se deve a “Eu sou o primeiro e Eu sou o último”, etc. E veja o que está escrito sobre isso no discurso que começa com “Os chefes das tribos”.)

Explicação

O Midrash diz: “o selo do Santo, bendito seja Ele, é a verdade” (Bereishit Rabbah sobre Vayishlach, e Shir HaShirim Rabbah sobre “À minha égua”). Emet é escrita com a primeira, a intermediária e a última letras do alfabeto, por causa de “Eu sou o primeiro e Eu sou o último”.

O parágrafo 13 em resumo

O parágrafo explica por que o sétimo tikun da barba é chamado “verdade”: nele, os cabelos cessam e a face se mostra; assim, a luz da Chochmá oculta resplandece sem contração e revela que somente Ele é verdadeiro. Os outros tikunim, por serem atributos ligados aos mundos, não podem revelar isso.

Aprofundar

A nota da Kehot remete aos Biurei HaZohar do Tzemach Tzedek e ao Or HaTorah, que explicitam a pergunta feita aqui: por que o sétimo tikun, especificamente, é chamado “e verdade”? A própria Idra chama o sexto tikun, “abundante em bondade”, de “Chessed da verdade” do Ancião dos Anciãos; o maamar retoma isso adiante.

Marei mekomot

  1. 1
    ואמת · Exodus 34:6
  2. 2
    על דרך שהקשה בזהר · ראה ביאוה״ז להצ״צ ח״א ע׳ שיד. אוה״ת פ׳ מסעי (כרך ו) ע׳ א׳תתקעג מפרש הקושיא ”וכך צ״ל כאן בענין הי״ג ת״ד למה תיקון השביעי דייקא נק׳ ואמת”.
  3. 3
    תיקונא שביעאה פסיק שערא ואתחזין תרין תפוחין · Zohar, Idra Rabba 10:73–11:89
  4. 4
    באור פני מלך חיים · Proverbs 16:15
  5. 5
    כתב הרמב״ם · ריש ה׳ יסוה״ת (פ״א, ה״ד) עד תי׳ כמותו, [שבשו״ה אין] ומתי׳ שכל הנמצאים וכו׳ עד אחד מהם [שבשו״ה מהם] הוא מלעיל מזה (בה״ג). ומדויק היטיב שכ׳ אדמו״ר בלשונו הזהב עכ״ד ולא עכ״ל, והמבין יבין. [כ]. ראה ד״ה כל המרחם — תש״ט סעיף א.
  6. 6
    הוא שהנביא אומר וה׳ אלקים אמת · Mishneh Torah, Foundations of the Torah 1:4
  7. 7
    וה׳ אלקים אמת · Jeremiah 10:10
  8. 8
  9. 9

A luz da face do Rei ¶14–20

14ד וענין פי׳ ההארה שבתיקון השביעי שנק׳ באור פני מלך יובן ע״ד דאיתא צהבו פניו של רבי אבהו מחמת שמצא תוספתא חדתא (וכ״ה בנדרים) (דמ״ט ב׳) גבי ר׳ [רבי] יהודא חכמת אדם תאיר פניו

4. O significado da iluminação no sétimo tikun, chamada “na luz da face do Rei”, será compreendido à luz do que é relatado: o rosto do Rabi Abahu brilhou porque ele encontrara uma nova Tosefta (e assim também consta em Nedarim) (49b), a respeito do Rabi Yehudá: “A sabedoria do homem faz seu rosto brilhar”.

Explicação

A seção 4 pergunta o que é a iluminação do sétimo tikun, “a luz da face do Rei”. A resposta começa com os sábios: o Talmud de Jerusalém relata que o rosto do Rabi Abahu brilhou porque ele encontrara uma Tosefta, e a Guemará em Nedarim relata que o rosto do Rabi Yehudá brilhava, explicando isso com as palavras: “A sabedoria do homem faz seu rosto brilhar” (Eclesiastes 8:1).

ולכן הי׳ [היה] פניו צהובין הרי אור החכמה והשכל מאיר פניו ממש, והגם דמה שתאיר פניו אינו רוחני

Por isso seu rosto brilhava; assim, a luz da sabedoria e do intelecto ilumina literalmente o rosto. E, embora aquilo que ilumina seu rosto não seja espiritual

Explicação

Seu rosto brilhava porque a luz da sabedoria e do entendimento ilumina literalmente o rosto. Esse brilho não é algo espiritual, como o próprio pensamento.

כמו השכל שבמוח כ״א הארה גשמיות מ״מ היא למעלה הרבה מבחי׳ היניקה מהמוח שבשערות שהם רק מותרי מוחין לבד

como o intelecto no cérebro, mas, antes, uma iluminação física; ainda assim, ela está muito acima do nível da nutrição que os cabelos recebem do cérebro, pois estes são apenas o excedente do intelecto (mochin),

Explicação

É um brilho físico, ao contrário do intelecto no cérebro. Ainda assim, está muito acima da nutrição que os cabelos recebem do cérebro, pois os cabelos são apenas o excedente do intelecto.

וגם שהם רק בחי׳ צומח לבד שאינן ערוך לעצמות בחי׳ המדבר משא״כ הארה שהחכמה תאיר פניו הרי היא נמשכת דוקא מעצמיות החכמה ממש שלפי שמצא תוספתא חדתא ע״כ דוקא יאירו פניו

e que, além disso, são apenas do nível vegetal, sem qualquer comparação com a essência do nível falante. Em contrapartida, a iluminação pela qual a sabedoria faz seu rosto brilhar é extraída especificamente da própria essência da sabedoria: é precisamente por ele ter encontrado uma nova Tosefta que seu rosto brilharia.

Explicação

Os cabelos também são apenas do nível “vegetal”, algo que cresce, sem relação com a essência do ser humano enquanto ser “falante”. Já o brilho do rosto, em contraste, provém da própria essência da sabedoria: foi precisamente por ele ter encontrado um novo ensinamento que seu rosto brilhou.

וגם שההארה היא בפנים שזהו עיקר מקום גילוי החיות כו׳, ועד״מ זה יובן למעלה ענין באור פני מלך חיים שהוא התגלות הארה עליונה מחכמה סתימאה ממש למעלה מעלה מבחי׳ שערות כו׳.

Além disso, a iluminação está no rosto, que é o principal lugar onde a força vital se revela, etc. E, por meio desta analogia, compreender-se-á acima o significado de “Na luz da face do Rei há vida”: trata-se da revelação de uma iluminação sublime proveniente da Chochmá oculta, a própria Chochmá, muito, muito acima do nível dos cabelos, etc.

Explicação

O brilho também aparece no rosto, o principal lugar onde a vida se revela. Assim, acima, “a luz da face do Rei” é uma iluminação revelada proveniente da própria Chochmá oculta, muito acima do nível dos cabelos.

וזהו כי באור פניך נתת לנו תורת חיים. (ולכן אע״ג [אף על גב] דתיקון ג׳ מי״ג ת״ד [תיקוני דיקנא] ג״כ פנוי משערות כמ״ש בזהר)

E é isso que significa: “Pois na luz de Tua face nos deste uma Torá de vida”. (Por isso, embora o terceiro dos treze tikunim da barba também esteja livre de cabelos, como está escrito no Zohar)

Explicação

É isso que dizemos na bênção Sim Shalom: “Pois na luz de Tua face nos deste uma Torá de vida”. O parêntese observa que, segundo o Zohar, o terceiro tikun da barba também está livre de pelos.

(שם קל״א א׳) מ״מ שאני תיקון השביעי שבו נמשך ומתגלה אור הח״ס [החכמה סתימאה] כמו שחכמת אדם תאיר פניו פניו דייקא ע״כ נק׳ ואמת.

(ali, 131a), ainda assim, o sétimo tikun é diferente, pois nele a luz da Chochmá oculta é atraída e revelada, assim como “a sabedoria do homem faz seu rosto brilhar” — seu rosto, especificamente; por isso é chamado “e verdade”.

Explicação

O Zohar (3:131a) descreve o terceiro tikun como um caminho abaixo do nariz, onde os pelos cessam. Mas o sétimo é diferente, pois nele a luz da Chochmá oculta é atraída para o próprio rosto e revelada, como em “a sabedoria do homem faz seu rosto brilhar”; por isso é chamado “e verdade”.

וכן בתורה כתיב תורת אמת היתה בפיהו אמת קנה כו׳. והרמ״ז [והרב משה זכות] ר״פ ויקרא כתב שדעת דעתיק המאיר ברישא דאריך מאיר בתיקון השביעי דדעת אסהיד באנפין כו׳.

E, da mesma forma, a respeito da Torá está escrito: “Uma Torá de verdade estava em sua boca”, e “Adquire a verdade”, etc. O Ramaz escreveu, no início de Parshat Vayikra, que o Daat de Atik, que brilha na cabeça de Arich, brilha no sétimo tikun, pois “o Daat testemunha no rosto”, etc.

Explicação

Da mesma forma, a Torá é chamada verdade: “Uma Torá de verdade estava em sua boca” (Malaquias 2:6) e “Adquire a verdade” (Provérbios 23:23). O Ramaz escreve que o Daat de Atik, que brilha na cabeça de Arich Anpin, brilha no sétimo tikun, pois “o Daat testemunha no rosto”.

O parágrafo 14 em resumo

Por meio da imagem do rosto de um sábio que brilha ao alcançar uma nova compreensão, o parágrafo explica o sétimo tikun: os cabelos recebem apenas um fluxo limitado do cérebro, mas o brilho do rosto provém da própria essência da sabedoria; assim, “a luz da face do Rei” revela a Chochmá oculta.

Aprofundar

A nota da Kehot registra que o Talmud de Jerusalém e Vayikra Rabbah chamam aquilo que o Rabi Abahu encontrou de “uma Tosefta antiga”, enquanto o texto aqui diz “uma nova”. No Talmud de Jerusalém (Shabat 8:1), os alunos do Rabi Yochanan viram o rosto do Rabi Abahu brilhar; o Rabi Yochanan perguntou que novo ensinamento ele ouvira, e ele respondeu: “uma Tosefta antiga”. Então o Rabi Yochanan aplicou a ele as palavras: “A sabedoria do homem faz seu rosto brilhar”.

Marei mekomot

  1. 1
    צהבו פניו של ר׳ אבהו · Shabbat 8a
  2. 2
    תוספתא חדתא · וכ״ה בנדרים בירושלמי ובויק״ר ”תוספתא עתיקא”.
  3. 3
    חכמת אדם תאיר פניו · Ecclesiastes 8:1
  4. 4
    חכמת אדם תאיר פניו · Jerusalem Talmud Shabbat 8:6–7
  5. 5
    חכמת אדם תאיר פניו · Nedarim 49b:9
  6. 6
    באור פני מלך חיים · Proverbs 16:15
  7. 7
    כי באור פניך נתת לנו · ברכת שים שלום.
  8. 8
    תורת אמת היתה בפיהו · Malachi 2:6
  9. 9
    אמת קנה · משלי (כג, כג).
  10. 10
    אמת קנה · Proverbs 23:23

15ועיין מ״ש במבוא שערים ש״ג ח״ב [חלק ב׳] פ״ב [פרק ב׳] והנה בעתיק אין בו שערות כו׳. וזהו ענין כתפוח בעצי היער דפי׳ הרח״ו [הרבי חיים ויטאל] הובא בספר נשמת דוד על

E veja o que está escrito em Mevo She'arim, Sha'ar 3, Part 2, capítulo 2: “Ora, em Atik não há cabelos”, etc. Este é o sentido de “Como uma maçã entre as árvores da floresta”, conforme explicou Rabi Chaim Vital, citado no livro Nishmas David sobre

Explicação

Mevo She'arim afirma que em Atik não há cabelos. Isso explica “Como uma maçã entre as árvores da floresta” (Cântico dos Cânticos 2:3), conforme Rabi Chaim Vital explicou, citado no livro Nishmas David sobre o Cântico dos Cânticos.

שיר השירים בעצי היער הם שערות דדיקנא והתפוח הוא תיקון השביעי ובו מתגלית הארה כל שבעה תיקונין דגלגלתא. כן דודי ז״א כו׳ כי הארת פנים דא״א מאיר בפנים דז״א כדלקמן.

o Cântico dos Cânticos: “as árvores da floresta” são os cabelos da barba, e “a maçã” é o sétimo tikun, no qual se revela a iluminação dos sete tikunim da Gulgalta. “Assim é o meu amado” é Zeir Anpin, etc., pois a iluminação da face de Arich Anpin brilha na face de Zeir Anpin, como [será explicado] adiante.

Explicação

“As árvores da floresta” são os cabelos da barba, e “a maçã” é o sétimo tikun, no qual se revela a luz dos sete tikunim da Gulgalta. “Assim é o meu amado” é Zeir Anpin, pois a luz da face de Arich Anpin brilha na face de Zeir Anpin, como será explicado.

O parágrafo 15 em resumo

O versículo “Como uma maçã entre as árvores da floresta” é entendido como a “maçã” sem cabelos do sétimo tikun entre os cabelos da barba, cuja luz então brilha na face de Zeir Anpin.

Marei mekomot

  1. 1

16ומה שנמשלו לעצי היער היינו כמו שהשערות עד״מ הם רק בחי׳ צומח לבד שבמדבר ואינן ערוך למהות האדם עצמו בחי׳ מדבר

E a razão de serem comparados às árvores da floresta é que os cabelos, a título de analogia, pertencem apenas ao nível vegetativo dentro do ser falante e não têm qualquer comparação com a própria essência da pessoa, o nível do ser falante.

Explicação

Os cabelos são comparados às árvores da floresta porque são “vegetativos”, como as plantas, enquanto a pessoa é um ser “falante”. Os cabelos não têm relação com aquilo que a pessoa realmente é.

ואמנם תיקון הז׳ נק׳ תפוח שיש בו טוב טעם ומראה וריח וכך ההארה דבחי׳ אור פני כו׳

Mas o sétimo tikun é chamado “maçã”, pois tem bondade de sabor, aparência e fragrância; e assim também a iluminação do nível da “luz do rosto” etc.,

Explicação

O sétimo tikun é chamado “maçã” porque a maçã é boa em sabor, aparência e fragrância. Do mesmo modo, o brilho da “luz do rosto” transmite a própria sabedoria, e não apenas um mero gotejar dela.

שחכמת אדם ממש תאיר פניו כו׳ להצהיל פנים משמן הוא בחי׳ שמן משחת קדש שהוא ח״ס [חכמה סתימאה] כו׳.

pois a própria sabedoria do homem ilumina seu rosto etc.; “para fazer o rosto brilhar com óleo” é o nível do “óleo da unção sagrada”, que é a Chochmá oculta etc.

Explicação

“Para fazer o rosto brilhar com óleo” (Salmos 104:15): o óleo é o “óleo da unção sagrada” (Êxodo 30:25), que representa a Chochmá oculta. Assim, o rosto resplandece por ser iluminado pela própria Chochmá oculta.

וזהו ענין תפארת שיבה (משלי ט״ז ל״א) שהוא בחי׳ הדרת פנים עמ״ש מזה במ״א בפ׳ וישב בד״ה בכ״ה בכסלו וע״ש פי׳ עטרת תפארת שיבה

E este é o sentido de “a glória dos cabelos brancos” (Provérbios 16:31), que é o nível do “esplendor do rosto” (hadras panim). Veja o que está escrito sobre isso em outro lugar, na Parashá Vayeshev, no discurso que começa “No vigésimo quinto de Kislev”, e veja ali a explicação de “os cabelos brancos são uma coroa de glória”:

Explicação

Isso também é “a glória dos cabelos brancos” (Provérbios 16:31), que é “o esplendor do rosto” (hadras panim). O discurso de Chanucá “No vigésimo quinto de Kislev”, em Torah Ohr, explica como “os cabelos brancos são uma coroa de glória” se relaciona com isso.

שהוא ענין כובע ישועה להמשיך בחי׳ הדרת פנים, וכ״ז [וכל זה] בדרך צדקה תמצא שבה ועל ידה נמשך בחי׳ עטרת תפארת (ע׳ [עיין] בזהר ח״ג [חלק ג׳] מ״ב ב׳ ודל״ו סע״א [סוף עמוד א])

que é o sentido de “um elmo de salvação”, para fazer descer o nível do esplendor do rosto; e tudo isso “se encontra no caminho da tzedaká (justiça)”, pois nela e por meio dela faz-se descer o nível da “coroa de glória” (veja o Zohar, Parte III, 42b, e 36, final do lado a).

Explicação

Ali, isso é chamado “um elmo de salvação” (Isaías 59:17), que faz descer o esplendor do rosto. O versículo prossegue: “encontra-se no caminho da tzedaká”, pois por meio da justiça e da caridade faz-se descer a “coroa de glória”; o texto cita o Zohar, Parte III, 42b e 36a.

ועיין באג״ה [באגרת הקודש] סד״ה וילבש צדקה כשריון ועמ״ש בביאור ע״פ שוש אשיש כו׳ כי הלבישני בגדי ישע כו׳.

E veja Iggeres HaKodesh, no final do discurso que começa “E vestiu a tzedaká como uma couraça”, e veja o que está escrito na explicação do versículo “Muito me alegrarei” etc., “pois Ele me vestiu com vestes de salvação” etc.

Explicação

Para mais, o texto remete à carta em Iggeres HaKodesh sobre “vestiu a tzedaká como uma couraça” e à explicação de “Muito me alegrarei… pois Ele me vestiu com vestes de salvação” (Isaías 61:10).

והנה בפי׳ האדרא מתלמידי האריז״ל [האר״י זכרונו לברכה] בספר קול ברמה פי׳ ענין ואמת לפי שאינו משתנה כלל וכבר נודע שכל אמת תליא בעתיקא עכ״ל [עד כאן לשונו], פי׳ כמ״ש אני הוי׳ לא ש ניתי שאין שום שינוי כו׳

Ora, no comentário sobre a Idra escrito pelos discípulos do Arizal, de abençoada memória, no livro Kol BeRamah, explica-se que “e verdade” significa que não muda de modo algum; “e já se sabe que toda verdade depende de Atika”. Fim da citação. O sentido é conforme está escrito: “Eu, Havayá, não mudei”; isto é, não há mudança alguma etc.

Explicação

Kol BeRamah, um comentário sobre a Idra escrito pelos discípulos do Arizal, explica “e verdade” como aquilo que nunca muda, acrescentando que “toda verdade depende de Atika”. Trata-se de “Eu, Havayá, não mudei” (Malaquias 3:6).

וגם ע״ד מוצא מים אשר לא יכזבו מימיו הרי האמת הוא שאין שום הפסק להשפעתו לאפוקי נהרות המכזבים בפ״ח [בפרק ח׳] דמסכת פרה.

E também à maneira de “uma fonte de água cujas águas não falham (yechazvu)”: assim, a verdade consiste em que não há interrupção alguma em seu fluxo, em contraste com “rios que falham”, no capítulo 8 do tratado Parah.

Explicação

A verdade também é como “uma fonte de água cujas águas não falham” (Isaías 58:11): seu fluxo nunca cessa. O contrário são “águas que falham”, cursos d’água que secam, os quais a Mishná (Parah 8:9) declara impróprios para a água de purificação.

וזהו שאמרה השונמית לאלישע אל תכזב בשפחתך. דאין ר״ל [רוצה לומר] שלא האמינה לדבריו אלא דכוונתה שלא יומשך נשמתו ממקום שאין לו קיום והמשכה.

E é isto que a mulher shunamita disse a Elisha: “Não enganes (techazev) tua serva.” Pois isso não significa que ela não acreditasse em suas palavras; sua intenção era, antes, que a alma de seu filho não fosse atraída de um lugar que não tem permanência nem continuidade.

Explicação

A mulher shunamita disse a Elisha: “Não enganes tua serva” (II Kings 4:16). Ela não duvidava de suas palavras; pedia que a alma de seu filho não viesse de uma fonte sem permanência, que poderia falhar.

ויובן עפמ״ש [על פי מה שכתוב] בענין זה בזהר בשלח (דמ״ד ע״ב). וז״ש [וזהו שכתוב] דכל אמת תליא בעתיקא כי למטה בז״א שיש ימינא ושמאלא

Isto será compreendido de acordo com o que está escrito sobre esse assunto no Zohar, Beshalach (44b). E é isto que ele diz: “Toda verdade depende de Atika”, pois, abaixo, em Zeir Anpin, onde há direita e esquerda,

Explicação

O Zohar sobre Beshalach (2:44b) diz que a criança morreu porque foi dada a ela, e não ao marido, ficando assim ligada ao lado feminino, onde a morte aguarda. “Toda verdade depende de Atika”, pois abaixo, em Zeir Anpin, há um lado direito e um lado esquerdo.

לכן לפעמים מדת הדין מעכבת וגורם מניעת השפע ח״ו [חס ושלום]. משא״כ בע״ק [בעתיקא קדישא] דלית שמאלא בהאי עתיקא ע״כ אין שום הפסק ומניעה להשפעתו

por isso, às vezes, o atributo de julgamento retém e causa a suspensão do fluxo, D'us nos livre. Diferentemente, em Atika Kadisha, visto que “não há esquerda neste Atika”, não há absolutamente nenhuma interrupção nem retenção de seu fluxo.

Explicação

Onde há um lado esquerdo, o atributo de julgamento pode reter o fluxo, D'us nos livre. Em Atika Kadisha “não há esquerda” (Zohar 3:129a); portanto, nada jamais interrompe ou retém seu fluxo.

וזהו ענין מקור מים חיים שתמיד נובעים, וע״ז ארז״ל [אמרו רבותינו זכרונם לברכה] כל מקום שנאמר לי אין לו הפסק לעולם וכמ״ש במ״א בענין וארשתיך לי לעולם כו׳ וזהו אהבת עולם אהבתנו כו׳, ועיין מ״ש בפ׳ יתרו בד״ה

E este é o conceito de “uma fonte de águas vivas”, que sempre brota. Sobre isso, nossos Sábios, de abençoada memória, disseram: “Todo lugar em que se diz ‘para Mim’ não tem interrupção para sempre”, como é explicado em outro lugar a respeito de “E desposar-te-ei para Mim para sempre”, etc.; e isto é “Com amor eterno Tu nos amaste”, etc. Veja também o que está escrito na Parshas Yisro, no discurso que começa com

Explicação

Isto é “a fonte de águas vivas” (Jeremiah 2:13), que sempre brota. Os Sábios disseram que, onde quer que se diga “para Mim”, isso nunca cessa (Vayikra Rabbah 2:2), como em “E desposar-te-ei para Mim para sempre” (Hosea 2:21); e assim dizemos: “Com amor eterno Tu nos amaste”.

הנה להבין שרש ענין מתן תורה בפי׳ וענין כי לא אדם הוא להנחם, ולכן נק׳ בחי׳ זו אמת.

“Agora, para compreender a raiz do conceito da Outorga da Torá”, a respeito do significado e do conceito de “Pois Ele não é um homem, para que se arrependa”. E por isso este nível é chamado “verdade”.

Explicação

O texto remete ao discurso na Parshas Yisro sobre a raiz da Outorga da Torá, a respeito de “Pois Ele não é um homem, para que se arrependa” (I Samuel 15:29). Por todas essas razões, este nível é chamado “verdade”.

O parágrafo 16 em resumo

O parágrafo desenvolve a imagem: os cabelos são como árvores da floresta, ao passo que o sétimo tikun é uma maçã fragrante, e o rosto é iluminado pela Chochmá oculta. Em seguida, explica “verdade” como aquilo que nunca muda e cujo fluxo jamais cessa, enraizado em Atika, onde não há lado esquerdo que retenha o fluxo.

Aprofundar

A passagem de Likkutei Torah sobre Matot, à qual remete a nota de Kehot, reúne esses temas: o filho da mulher shunamita veio do lado feminino, um lugar sujeito a mudanças; as águas que falham são impróprias para a água de purificação, que requer água viva, como a da Árvore da Vida, “um lugar que não muda”; e “Eu, Havayá, não mudei” expressa a essência da verdade.

Marei mekomot

  1. 1
    מדבר — ומראה וריח · ע׳ מג״א [מגן אבות ברדיטשוב תרס״ב] ר״פ תולדות. [כ].
  2. 2
    להצהיל פנים משמן · Psalms 104:15
  3. 3
    שמן משחת קודש · Exodus 30:25
  4. 4
    שהוא ח״ס · מאו״א אות ק׳ ס״ז ובי״נ שם. וראה הערת כ״ק אדמו״ר בספר המאמרים ה׳תש״ח ע׳ 163.
  5. 5
    בד״ה בכ״ה בכסלו · תו״א כט, ג. ובשערי אורה שער חנוכה יד, א. ראה אוה״ת נ״ך-א ע׳ תריב.
  6. 6
  7. 7
    כובע ישועה · Isaiah 59:17
  8. 8
    באג״ה סד״ה וילבש צדקה · סי׳ ג׳ (קד, א).
  9. 9
    בביאור ע״פ שוש אשיש · לקו״ת פ׳ נצבים מט, ד.
  10. 10
    כי הלבישני בגדי ישע · Isaiah 61:10
  11. 11
    מוצא מים אשר לא יכזבו מימיו · Isaiah 58:11
  12. 12
    אל תכזב בשפחתך · II Kings 4:16
  13. 13
    בזהר בשלח · ראה לעיל פ׳ מטות פג, ד.
  14. 14
    דכל אמת תליא בעתיקא · ראה יהל אור קיט, פט.
  15. 15
    דלית שמאלא בהאי עתיקא · Zohar III, 129a
  16. 16
    מקור מים חיים · Jeremiah 2:13
  17. 17
    כל מקום שנאמר לי · Vayikra Rabbah 2:2
  18. 18
    וכמ״ש במ״א בענין וארשתיך לי לעולם · לעיל פ׳ במדבר ט, ג.
  19. 19
    וארשתיך לי לעולם · Hosea 2:21
  20. 20
    אהבת עולם אהבתנו · ברכת ק״ש של שחרית.
  21. 21
    כי לא אדם הוא להנחם · I Samuel 15:29
  22. 22
    אני ה׳ לא שניתי · Malachi 3:6
  23. 23
    בפ״ח דמס׳ פרה · מ״ט.
  24. 24
    כ״מ שנא׳ לי אין לו הפסק · ויק״ר פ״ב סי׳ ב. ובקה״ר פ״ז. וע׳ בלקח טוב ר״פ תרומה. ושם בתנחומא ובילקוט. וע׳ ספרי בהעלותך פצ״ב [יא, טז] ”קיים לעולם ולעולמי עולמים”. וע׳ במדרש שמואל פי״ט, יעו״ש. [כ].
  25. 25
  26. 26
  27. 27

17והנה מזה יובן תוספת ביאור למה שנתבאר למעלה דח״ס [דחכמה סתימאה] עצמה היא בחי׳ דלאו מכל אלין מדות איהו כלל

Ora, a partir disso se compreenderá uma explicação adicional do que foi explicado acima: que a Chochmá oculta em si mesma é o nível de “Ele não é nenhuma dessas qualidades”,

Explicação

Isso acrescenta ao que foi dito acima: a própria Chochmá oculta é o nível de “Ele não é nenhuma dessas qualidades”, como diz o Tikkunei Zohar. Esse nível é a verdade.

וזהו בחי׳ אמת, אין הכוונה ח״ו [חס ושלום] שמבחי׳ אמת לא נמשכו הפעולות והטובות הבאות מהמדות רחום וחנון לפי דכולא קמיה כלא חשיב.

e este é o nível da verdade. A intenção não é, D'us nos livre, que os atos e os benefícios provenientes dos atributos “Compassivo e Gracioso” não emanem do nível da verdade, porque “tudo diante Dele é considerado como nada”.

Explicação

Mas isso não significa, D'us nos livre, que a verdade não conceda nenhuma das bondades que provêm de “compassivo e gracioso”, como se, por “tudo diante Dele ser considerado como nada”, nada emanasse Dele para os mundos.

דחלילה לחשוב כן וכמ״ש הרמב״ם [הרבי משה בן מימון] שכל הנמצאים לא נמצאו אלא מאמתת המצאו דייקא. וכנ״ל דפי׳ אמת היינושאין טובו והשפעתו פוסק לעולם ולא יכזבו מימיו ח״ו [חס ושלום].

Pois seria impossível pensar assim, como escreveu o Rambam: tudo o que existe existe somente em virtude da verdade de Sua existência, especificamente. E, como mencionado acima, o significado de “verdade” é que Sua bondade e Sua influência jamais cessam, e “suas águas não falham”, D'us nos livre.

Explicação

D'us nos livre. Como escreve o Rambam (Leis dos Fundamentos da Torá 1:1), tudo o que existe existe somente em virtude da verdade de Sua existência; e verdade, conforme explicado acima, significa que Sua bondade nunca cessa, como águas que nunca falham.

וכן מבואר בזהר באריכות שם (דקל״ג ב׳) וכל טיבו לא פסיק כו׳ וכדכתיב באור פני מלך חיים, רק הכוונה שההשפעה והאור נמשך שלא ע״ד ההשפעה הנמשכת מבחי׳ מדות שהעולמות תופסים מקום עד ששייך שם מדות אלו,

E assim está explicado extensamente no Zohar ali (133b): “e toda a Sua bondade não cessa”, etc., como está escrito: “Na luz do semblante do Rei há vida”. A intenção, porém, é que a influência e a luz emanam não da maneira da influência que procede do nível dos atributos, no qual os mundos ocupam um lugar, a ponto de esses atributos se aplicarem ali,

Explicação

A Idra diz isso extensamente: “e toda a bondade não cessa” (Zohar 3:133b), como em “Na luz do semblante do Rei há vida”. O ponto é apenas que essa influência não vem da maneira como os atributos concedem, o que pressupõe mundos que ocupam um espaço próprio e, portanto, requerem atributos.

אלא שבאות כל הטוב והאור שלא ע״י בחי׳ התפעלות המדות כלל, וזהו ענין באור פני מלך חיים

mas, ao contrário, todo o bem e a luz vêm sem qualquer despertar (hispa'alut) dos atributos; e este é o significado de “Na luz do semblante do Rei há vida”.

Explicação

Ao contrário, todo o bem e a luz vêm sem qualquer despertar (hispa'alut) dos atributos. Isso é “Na luz do semblante do Rei há vida”.

וזהו ענין דבחי׳ אמת היינו לא שניתי שאין שום שינוי והתפעלות כו׳ והוא מקור הטוב דכל טיבו לא פסק כו׳

E este é o significado de que o nível da verdade é “Eu não mudei”: não há mudança nem despertar algum, etc.; e ele é a fonte do bem, pois “toda a Sua bondade não cessa”, etc.

Explicação

Assim, o nível da verdade é “Eu não mudei” (Malaquias 3:6): não há mudança nem despertar algum. E ele também é a fonte de todo o bem, pois “toda a bondade não cessa”.

והגם שבאמת גם המדות דאצילות אינן כלל מערך וסוג המדות דבי״ע ואין המדה בחי׳ התפעלות ושינוי ח״ו [חס ושלום] וכמ״ש באג״ה [באגרת הקודש] ד״ה להבין משל ומליצה בשם המגיד נ״ע [נשמתו עדן] בפי׳ מ״ש אברהם ואנכי עפר ואפר כו׳ ע״ש.

E embora, na verdade, mesmo os atributos de Atsilut não sejam de modo algum da ordem e da espécie dos atributos de Beriá, Yetsirá e Assiá, e o atributo [ali] não seja uma questão de despertar e mudança, D'us nos livre, como está escrito em Iggeres HaKodesh, no discurso que começa “Para compreender a parábola e a alegoria”, em nome do Maguid, cuja alma está no Éden, explicando o que Avraham disse: “E eu sou pó e cinzas”, etc.; veja ali.

Explicação

É verdade que até os atributos de Atsilut são em nada semelhantes às emoções dos mundos inferiores e não envolvem mudança ou despertar, D'us nos livre. Iggeres HaKodesh explica isso na carta “Para compreender a parábola e a alegoria”, citando o Maguid sobre as palavras de Avraham: “Eu sou pó e cinzas” (Gênesis 18:27).

O parágrafo 17 em resumo

O parágrafo previne um mal-entendido: chamar a Chochmá oculta de “verdade”, acima dos atributos, não significa que ela retenha a bondade. Todo o bem emana dela sem cessar, mas não por meio do despertar dos atributos que se relacionam com os mundos.

Aprofundar

A primeira halachá do Rambam fundamenta o ponto: tudo o que existe recebe sua existência da verdade de Sua existência. Portanto, o nível da verdade, embora transcenda os atributos, é a fonte de todo bem e o concede sem ser movido, conforme “Eu não mudei”.

Marei mekomot

  1. 1
    דלאו מכל אלין מדות · ת״ז בהק׳ (פתח אלי׳). [כ].
  2. 2
    דלאו מכל אלין מדות איהו כלל · Tikkunei Zohar 17b:5–7
  3. 3
    וכמ״ש הרמב״ם שכל הנמצאים · הל׳ יסוה״ת פ״א, ה״א.
  4. 4
    שכל הנמצאים לא נמצאו אלא מאמתת המצאו · Mishneh Torah, Foundations of the Torah 1:1
  5. 5
    ולא יכזבו מימיו · Isaiah 58:11
  6. 6
    וכל טיבו לא פסיק · Zohar, Idra Rabba 15:134–17:147
  7. 7
    באור פני מלך חיים · Proverbs 16:15
  8. 8
    לא שניתי · Malachi 3:6
  9. 9
    ואנכי עפר ואפר · Genesis 18:27

18ועמ״ש מזה בפ׳ יתרו בדרוש הראשון שע״פ זכור את יום השבת כו׳ ועמ״ש במ״א בד״ה פתח אליהו בפ׳ וירא שהשתלשלות המדות דבי״ע ממדות דאצילות הוא ע״ד משארז״ל [מה שאמרו רבותינו זכרונם לברכה] אין לך כל עשב כו׳

E veja-se o que está escrito a esse respeito em Parashat Yitró, no primeiro discurso sobre o versículo “Lembra-te do dia de Shabat”, etc.; e veja-se o que está escrito em outro lugar, no discurso que começa “Eliyahu abriu”, em Parashat Vayerá: a cadeia descendente dos mundos (hishtalshelut) dos atributos de Beriá, Yetsirá e Assiá a partir dos atributos de Atsilut segue o princípio do que nossos Sábios, de abençoada memória, disseram: “Não há sequer uma folha de erva”, etc.;

Explicação

O texto remete ao primeiro discurso sobre “Lembra-te do dia de Shabat”, em Parashat Yitró, e a “Eliyahu abriu”, em Parashat Vayerá. Ali explica-se que os atributos dos mundos inferiores descendem dos atributos de Atsilut conforme a afirmação dos Sábios: “Não há sequer uma folha de erva que não tenha um mazal no alto que a golpeia e lhe diz: ‘Cresce’” (Bereishis Rabbah 10:6).

ע״ש וכ״ש [וכל שכן] וק״ו [וקל וחומר] המדות שלמעלה מהאצילות שגבהו דרכיהן למעלה מעלה מהמדות דאצילות וכמ״ש במ״א ע״פ ה׳ יחתו מריביו.

veja-se ali. E com maior razão, a fortiori, os atributos que estão acima de Atsilut, cujos caminhos se elevam muito, muito acima dos atributos de Atsilut, conforme explicado em outro lugar sobre o versículo “Havayá: os que contendem com Ele serão quebrados”.

Explicação

Se até os atributos de Atsilut estão muito acima dos atributos dos mundos inferiores, com maior razão os atributos acima de Atsilut, cujos caminhos são ainda mais elevados. O texto remete à explicação sobre “Havayá: os que contendem com Ele serão quebrados” (I Samuel 2:10).

אך עכ״ז [עם כל זה] לגבי אמתת אור א״ס ב״ה בעצמו לא שייך כלל גם מהות מדות שלמעלה מהאצי׳ כנ״ל והמשכת הי״ג מדות הוא ע״י בחי׳ שערות כו׳

Mas, ainda assim, em relação à verdade do próprio Or Ein Sof, bendito seja Ele, nem mesmo a essência dos atributos que estão acima de Atsilut se aplica de modo algum, como mencionado acima; e a emanação das Treze Atributos se dá por meio do nível dos cabelos, etc.,

Explicação

Ainda assim, em relação à verdade do próprio Or Ein Sof, nem mesmo os atributos acima de Atsilut se aplicam. As Treze Atributos são emanadas como cabelos, conforme explicado acima.

כנ״ל וזהו הטוב כי לא כלו רחמיך שבחינת ובטובו הוא עדיין למעלה מהמדות הנק׳ כי לא כלו רחמיך שהן יג״מ [י״ג מדות]

como mencionado acima. E isto é “O Bom, pois Tuas misericórdias não terminaram”: pois o nível de “e em Sua bondade” ainda está acima dos atributos chamados “pois Tuas misericórdias não terminaram”, que são as Treze Atributos;

Explicação

Isto explica as palavras da bênção de Modim: “O Bom, pois Tuas misericórdias não terminaram”. “Bondade”, como em “e em Sua bondade”, está acima dos atributos, enquanto “Tuas misericórdias” são as Treze Atributos.

אלא שמבחי׳ ובטובו נמשכים היג״מ [הי״ג מדות] להיות כי לא כלו רחמיך ופי׳ כי לא כלו היינו כמ״ש באדרא (דקל״ג ע״ב)

mas, do nível de “e em Sua bondade”, emanam as Treze Atributos, para que haja “pois Tuas misericórdias não terminaram”. E o sentido de “não terminaram” é o que está escrito na Idra (133b),

Explicação

Dessa bondade emanam as Treze Atributos, de modo que “Tuas misericórdias não terminaram”. O sentido de “não terminaram” é explicado por meio da Idra.

דחסד דעתיק הוא חסד דקשוט דהיינו חסד של אמת ופי׳ תלמידי האריז״ל [האר״י זכרונו לברכה] שאינו נפסק לעולם כו׳.

que o Chessed de Atik é “Chessed da verdade” (chesed dikeshot), isto é, bondade de verdade; e os discípulos do Arizal, de abençoada memória, explicaram que ela nunca cessa, etc.

Explicação

A Idra (Zohar 3:133b) chama o Chessed de Atik de “Chessed da verdade” (chesed dikeshot), e os discípulos do Arizal explicam que ele nunca cessa. É uma bondade que nunca falha.

ואפשר ג״כ הפי׳ שתיקון ואמת עם היותו למעלה מהמדות אעפ״כ [אף על פי כן] מאיר ג״כ הארתו בכל המדות וכמ״ש חסד ואמת נפגשו

E talvez o sentido também seja que o tikun “e verdade”, embora esteja acima dos atributos, ainda assim ilumina com seu fulgor todos os atributos, conforme está escrito: “Chessed e verdade se encontraram”;

Explicação

Talvez também se queira dizer que o tikun “e verdade”, embora esteja acima dos atributos, ilumina todos eles. Isto corresponde a “Chessed e verdade se encontraram” (Psalms 85:11).

וזהו ענין כתפוח בעצי היער כנ״ל ולכן נקרא החסד חסד דקשוט חסד של אמת ממש.

e isto é o significado de “Como uma maçã entre as árvores da floresta”, como mencionado acima. Por isso, o Chessed é chamado “Chessed da verdade”, bondade de verdade efetiva.

Explicação

Isto também corresponde a “Como uma maçã entre as árvores da floresta”: a luz da maçã alcança os cabelos ao seu redor. Por isso, o Chessed é chamado “Chessed da verdade”, bondade de verdade efetiva.

O parágrafo 18 em resumo

O parágrafo ordena os níveis: os atributos de Atsilut estão muito acima dos dos mundos inferiores, e os atributos acima de Atsilut são ainda mais elevados; contudo, nem mesmo estes se aplicam ao Infinito. O texto entende “O Bom, pois Tuas misericórdias não terminaram” como a bondade acima dos atributos que flui para dentro deles, e “Chessed da verdade” como a bondade iluminada pelo tikun da verdade.

Aprofundar

A nota de Kehot registra que a sugestão de que o tikun “e verdade” ilumina todos os atributos é citada no Or HaTorah do Tzemach Tzedek sobre Vayikra. Na própria Idra, o “Chessed da verdade” do Ancião dos Anciãos é o sexto tikun, aquele que precede imediatamente as simples “maçãs” do sétimo.

Marei mekomot

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19וזהו ענין חותמו של הקב״ה אמת כי הנה עיקר בחי׳ אמת היינו כשמשיג החכמה ויודע שכן הוא משא״כ כשהיא עדיין בבחי׳ העלם ועין לא ראתה הרי אין ידוע האמת,

E este é o sentido de “o selo do Santo, bendito seja Ele, é a verdade”. Pois a essência do nível da verdade é quando se apreende a sabedoria e se sabe que assim é; ao passo que, enquanto ela ainda está oculta e “nenhum olho viu”, a verdade não é conhecida.

Explicação

Agora: “o selo do Santo, bendito seja Ele, é a verdade”. A verdade em seu sentido pleno existe quando a sabedoria é apreendida e se sabe que assim é; enquanto permanece oculta, “nenhum olho viu” (Isaías 64:3), e a verdade não é conhecida.

ולכן חכמה סתימאה עצמה כמו שהיא נעלמת ולא שכיח ולא אתפתח אין שייך לקרותה עדיין אמת עד שנמשך ממנה הארה וגילוי בבחי׳ תרין תפוחין שהוא בחי׳ אור פני מלך.

Portanto, a Chochmá oculta em si, tal como está escondida — “não é encontrada nem revelada” — ainda não pode ser chamada verdade; isso só ocorre quando dela se estende uma iluminação e revelação no nível dos “dois pomos”, que é o nível da “luz da face do Rei”.

Explicação

Assim, a Chochmá oculta em si, “não é encontrada nem revelada”, ainda não pode ser chamada verdade. Ela se torna verdade quando sua luz se estende e é revelada nos “dois pomos”, a luz da face do Rei.

O parágrafo 19 em resumo

A verdade requer revelação: a Chochmá oculta é chamada verdade somente quando brilha na face, os “dois pomos” do sétimo tikun.

Marei mekomot

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    חותמו של הקב״ה אמת · נסמן לעיל צא, ד.
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    ועין לא ראתה · Isaiah 64:3

20וע״כ נק׳ חותמו כמו חותם האדם שהוא רק בחי׳ עשייה. וכך עד״מ ההארה שבפנים היא כמו עשייה לגבי עצם החכמה שבמוח האדם שממנה תאיר פניו.

E por isso é chamado “Seu selo”, como o selo de uma pessoa, que é apenas o nível da ação. E assim, a título de analogia, a iluminação no rosto é como a ação em relação à essência da sabedoria no cérebro de uma pessoa, da qual seu rosto resplandece.

Explicação

É por isso que é chamado Seu “selo”. O selo de uma pessoa é apenas um ato, algo exterior; assim também, o brilho no rosto é como um ato em comparação com a própria sabedoria no cérebro, da qual o rosto resplandece.

אלא שמ״מ הרי החותם הוא קיום על כל דבר והכל הולך אחר החיתום. וכמ״כ [וכמו כן] למעלה בחי׳ הארת פנים נמשך מכח עצמיות הח״ס [החכמה סתימאה] כנ״ל במשל

Mas, ainda assim, o selo é o que estabelece cada assunto, e “tudo segue o selo”. E, da mesma forma, acima, o nível da iluminação do rosto é extraído do poder da essência da Chochmá oculta, como mencionado acima na analogia;

Explicação

No entanto, é o selo que dá validade a um documento, e “tudo segue o selo” (Berachos 12a). Da mesma forma, a luz do rosto provém do poder da própria essência da Chochmá oculta, como mostrou a analogia.

לכן הגם שנחשב בחי׳ עשייה לגבי מהות ועצמיות הח״ס [החכמה סתימאה] מ״מ זהו קיום הכל וזהו ענין וחתמנו בספר החיים וחתמנו בספר פרנסה כו׳ כי באור פני מלך חיים:

portanto, embora seja considerado o nível da ação em relação ao ser e à essência da Chochmá oculta, ainda assim é o que estabelece tudo. E este é o sentido de “e sela-nos no livro da vida”, “e sela-nos no livro do sustento” etc., pois “na luz do rosto do rei há vida”.

Explicação

Assim, embora seja considerado “ação” em comparação com a própria Chochmá oculta, é o que estabelece tudo. É por isso que rezamos: “e sela-nos no livro da vida”, “no livro do sustento”, pois “na luz do rosto do rei há vida”.

O parágrafo 20 em resumo

A luz do rosto é chamada “selo” porque, como um selo, é algo exterior, um ato, em comparação com a sabedoria da qual provém; ainda assim, tudo depende dela, pois tudo segue o selo.

Marei mekomot

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    והכל הולך אחר החיתום · Berakhot 12a:15–17
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    באור פני מלך חיים · Proverbs 16:15

A verdade para Yaakov e a elevação das almas ¶21–24

21ה והנה כתיב תתן אמת ליעקב פי׳ יעקב הוא ז״א ובו הוא עיקר בחי׳ אמת כי היג״מ [הי״ג מדות] אל רחום כו׳ ואמת כו׳

5. Ora, está escrito: “Darás verdade a Yaakov.” Isto significa que Yaakov é Zeir Anpin, e nele se encontra o nível principal da verdade. Pois os Treze Atributos — “D'us, compassivo”, etc., “e verdade”, etc. —

Explicação

A seção 5 começa com “Darás verdade a Yaakov” (Micah 7:20). Yaakov representa Zeir Anpin, os atributos emocionais, e nele se encontra o nível principal da verdade.

שאמר משה היינו שהמשיך היג״מ [הי״ג מדות] מא״א [מאריך אנפין] לז״א להיות גם בו י״ג מדות (כמ״ש באדרא דנשא דקל״א ע״ב ודקל״ח ע״א) ואז נק׳ ואמת.

que Moshe pronunciou significa que ele atraiu os Treze Atributos de Arich Anpin para Zeir Anpin, para que também nele houvesse treze atributos (como está escrito na Idra de Naso, 131b e 138a); então ele é chamado “e verdade”.

Explicação

Quando Moshe pronunciou os Treze Atributos — “D'us, compassivo... e verdade” (Exodus 34:6) —, atraiu-os de Arich Anpin para Zeir Anpin, de modo que Zeir Anpin também possuísse treze atributos, como descreve a Idra de Naso. Então ele é chamado “e verdade”.

והגם שהאמת הוא למעלה בעתיקא ושם דייקא מקור האמת וכנ״ל אך אינו בגילוי עדיין אבל כשנמשך בז״א הוא מתגלה ואז שייך לקרותו ואמת שאז נודע האמת,

E embora a verdade esteja acima, em Atiká, e ali, especificamente, se encontre a fonte da verdade, como mencionado acima, ela ainda não está revelada. Porém, quando é atraída para Zeir Anpin, revela-se, e então pode ser chamada “e verdade”, pois é então que a verdade se torna conhecida.

Explicação

A própria verdade está acima, em Atiká, sua fonte, mas ali ainda não está revelada. Quando é atraída para Zeir Anpin, torna-se revelada e conhecida; somente então pode ser chamada verdade.

וזהו ענין אסתכלותא דז״א בפנים דא״א ועי״ז מקבל ק״נ [קליפת נוגה] ור״כ נהורין כו׳ (וע״ש בפ׳ נשא) (קל״א א׳) מתרי תפוחין כו׳

E este é o significado do olhar (istakluta) de Zeir Anpin para a face de Arich Anpin, por meio do qual recebe cento e cinquenta e duzentas e vinte luzes, etc. (e veja ali, na Parashat Naso) (131a): “Dos dois pomos”, etc.,

Explicação

Isso ocorre por meio do “olhar” de Zeir Anpin para a face de Arich Anpin, pelo qual recebe luzes — 150 e 220, que juntas constituem as 370 luzes daquela face. A Idra afirma que, dos dois belos pomos daquela face, a face de Zeir Anpin resplandece.

נהירין אנפוי דז״א וכ״ה דקל״ג ב׳ ודקל״ו ב׳ נהירין אנפוהי כו׳ ועיין (דקל״ה סע״ב [סוף עמוד ב]) ואריכין כו׳

“resplandece a face de Zeir Anpin”; e assim também em 133b e 136b: “sua face resplandece”, etc. E veja (135, fim do lado b): “e se alongam”, etc.,

Explicação

O texto cita mais duas passagens da Idra em que a face resplandece. E em 135b a Idra diz que, quando necessário, a face de Zeir Anpin se expande e se alonga (arich).

בגין דאשגח כו׳ והיינו שז״א נמשך לו ק״נ [קליפת נוגה] מהש״ע [מהש״ע (370)] נהורין שבפנים דא״א וע״כ נק׳ זעיר לפי שנשאר אר״ך אורות

“porque Ele olha”, etc. Isto é: 150 das 370 luzes da face de Arich Anpin são atraídas para Zeir Anpin; por isso ele é chamado Zeir (“pequeno”), pois restam arech (220) luzes

Explicação

A Idra diz que isso ocorre “porque ele olha” para a face do Ancião dos Anciãos e tem compaixão pelo mundo. Normalmente, Zeir Anpin recebe 150 das 370 luzes da face de Arich Anpin; por isso é chamado Zeir, “pequeno”, pois as 220 restantes são as luzes arech, “longas”.

מהש״ע [מהש״ע (370)] נהורין שלא נמשכו בו אכן לפעמים משפיע לו א״א כל הש״ע [הש״ע (370)] נהורין וזהו ואריכין כו׳ וע׳ בע״ח [בעץ חיים] סוף שער א״א ועיין באדר״ז [באדרא זוטא] דרפ״ח ב׳.

das 370 luzes que não foram atraídas para ele. Porém, às vezes Arich Anpin concede a ele todas as 370 luzes, e isso é “e se alongam”, etc. E veja Etz Chaim, final de Sha'ar Arich Anpin, e veja a Idra Zuta, 288b.

Explicação

Porém, às vezes Arich Anpin lhe concede todas as 370 luzes, e então sua face se torna “longa”. O texto remete ao final do Sha'ar Arich Anpin de Etz Chaim e à Idra Zuta.

O parágrafo 21 em resumo

A verdade se revela em Zeir Anpin quando Moshe atrai para ele os Treze Atributos de Arich Anpin. Isso ocorre por meio do olhar de Zeir Anpin para a face de Arich Anpin, da qual normalmente recebe 150 das 370 luzes e, às vezes, todas elas, quando sua face se torna “longa”.

Aprofundar

A Idra Rabba (3:135b) afirma que do crânio se estendem 150 miríades de mundos até sua face; por isso ele é chamado Zeir Anpin. Em um momento de necessidade, porém, sua face se expande e se alonga, “porque olha para a face do Ancião dos Anciãos e tem compaixão pelo mundo”. A nota da Kehot acrescenta que Or HaTorah especifica a referência a Etz Chaim como “o final do capítulo 15, isto é, quando ele olha para a testa de Arich Anpin”.

Marei mekomot

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    תתן אמת ליעקב · Micah 7:20
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    א-ל רחום · Exodus 34:6

22ועוד יש דברים בגו והוא כי מז״א נמשך ג״כ למל׳ שהיא מקור דבי״ע הארת פנים שנמשך בו מא״א [מאריך אנפין].

E há ainda mais neste assunto: de Zeir Anpin também se estende a Malchut, que é a fonte de Beriá, Yetsirá e Assiá, a iluminação da face que foi estendida a ele de Arich Anpin.

Explicação

Há ainda mais neste assunto. Zeir Anpin transmite a Malchut, a fonte dos mundos de Beriá, Yetsirá e Assiá, a luz da face que recebeu de Arich Anpin.

וזהו עיניך יונים כמו זוג יונים שמסתכלים תמיד זה על זה ומתענגים כו׳, וכך המל׳ מקבלת הארת פנים דז״א מה שמאיר בו פנים דא״א

E este é o sentido de “Teus olhos são pombas”: como um par de pombas que sempre se contemplam e se deleitam etc. Assim, Malchut recebe a iluminação da face de Zeir Anpin, aquilo que a face de Arich Anpin faz brilhar nele

Explicação

Este é o sentido de “Teus olhos são pombas” (Cântico dos Cânticos 1:15): assim como um par de pombas que sempre se contemplam com deleite, Malchut recebe a luz da face de Zeir Anpin, a luz que a face de Arich Anpin faz brilhar nele.

(וזהו ענין יאר ה׳ פניו אליך כדפי׳ באדרא פ׳ נשא) (קל״ג ב׳) ובזהר ואתחנן (דרס״א א׳) גבי פנים בפנים דבר כו׳ בפי׳ הרמ״ז [הרב משה זכות] שהפנים דא״א נתלבשו בפנים דז״א ודבר עמכם.

(e este é o sentido de “Que Havayá faça brilhar Sua face sobre ti”, conforme explicado na Idra, Parashat Nasso) (133b); e no Zohar, Vaetchanan (261a), sobre “Face a face Ele falou” etc., na explicação do Ramaz: a face de Arich Anpin revestiu-se na face de Zeir Anpin e falou com vocês.

Explicação

Este também é o sentido de “Que Havayá faça brilhar Sua face sobre ti” (Números 6:25), conforme explica a Idra. E o Ramaz explica o Zohar sobre “Face a face Ele falou” (Deuteronômio 5:4): a face de Arich Anpin revestiu-se na face de Zeir Anpin e, assim, falou com Israel.

ובמק״מ [ובמקדש מלך] פי׳ ז״א נתלבש במל׳ כו׳ והוא הארת פנים דא״א שנמשך לישראל ע״י זו״נ [זעיר אנפין ונוקבא] כו׳ ושם במל׳ הוא עיקר החותם וזהו שבנעילה דיוהכ״פ [דיום הכפורים] אומרים וחתמנו בספר החיים כו׳

E no Mikdash Melech explica-se: Zeir Anpin revestiu-se em Malchut etc.; e esta é a iluminação da face de Arich Anpin estendida a Israel por meio de Zeir Anpin e Nukvá etc. E ali, em Malchut, está o lugar principal do selo; por isso, na Ne’ilá de Yom Kipur, dizemos: “e sela-nos no livro da vida” etc.,

Explicação

O Mikdash Melech acrescenta que Zeir Anpin revestiu-se em Malchut, de modo que a luz da face de Arich Anpin chega a Israel por meio de Zeir Anpin e Nukvá. O selo se encontra principalmente em Malchut, razão pela qual, na Ne’ilá de Yom Kipur, dizemos: “e sela-nos no livro da vida”.

כי מל׳ דאצילות היא מקור הנבראים ועלייתה בנעילה הוא למעלה מעלה עד דיקנא דא״א ומבחי׳ הארת פנים נמשך בה בחי׳ חותמו של הקב״ה אמת וזהו תתן אמת ליעקב כו׳.

pois Malchut de Atsilut é a fonte dos seres criados, e sua ascensão na Ne’ilá alcança níveis cada vez mais elevados, até a barba de Arich Anpin; e, do nível da iluminação da face, estende-se a ela o nível de “o selo do Santo, bendito seja Ele, é verdade”. E este é o sentido de “Darás verdade a Yaacov” etc.

Explicação

Malchut de Atsilut é a fonte de todos os seres criados, e na Ne’ilá ascende até a barba de Arich Anpin. Da luz da face estende-se a ela “o selo do Santo, bendito seja Ele, é verdade”; este é o sentido de “Darás verdade a Yaacov”.

(לפ״ז [לפי זה] א״ש [אתי שפיר] כפשוטו שנק׳ חותם שהוא בחי׳ עשייה כי המל׳ היא בחי׳ עשייה שבאצי׳ לגבי הכתר שנק׳ אצילות שבאצילות.

(Assim, entende-se em seu sentido simples por que é chamado “selo”, que corresponde ao nível da ação: pois Malchut é o nível da ação dentro de Atsilut, em relação a Kéter, que é chamado Atsilut de Atsilut.

Explicação

Isso também explica de modo simples por que a verdade é chamada “selo”, que corresponde a um ato: Malchut é o nível da “ação” dentro de Atsilut, em comparação com Kéter, chamado “Atsilut de Atsilut”.

ועיין בפע״ח [בפרי עץ חיים] שער תפלת ר״ה [ראש השנה] פ״ד בכוונת מלך עוזר ומושיע ומגן כי יש לה עתה אור כל הש״ע רבוי נהורין שבפנים דא״א כו׳ נמצא כו׳ ע״ש ועיין פע״ח [פרי עץ חיים] שער יוה״כ [יום הכפורים] פ״ה).

E veja Pri Etz Chaim, Sha’ar Tefilat Rosh HaShaná, capítulo 4, sobre a intenção de “Rei, Auxiliador, Salvador e Protetor”: que ela tem então a luz de todas as 370 miríades de luzes que estão na face de Arich Anpin etc.; conclui-se etc.; veja ali. E veja Pri Etz Chaim, Sha’ar Yom HaKippurim, capítulo 5.)

Explicação

Pri Etz Chaim, sobre a intenção de “Rei, Auxiliador, Salvador e Protetor” em Rosh HaShaná, diz que Malchut tem então a luz de todas as 370 miríades de luzes na face de Arich Anpin. O texto também cita Pri Etz Chaim sobre Yom Kipur.

וזהו ענין ויכתוב משה את מוצאיהם למסעיהם כי משה הוא שושבינא דמלכא שמנהיג המשכת אור א״ס והמשיך מבחי׳ מוצאיהם שהוא ענין מקור נשמות ישראל מלשון מוצא מים, והיינו כי

E este é o sentido de “Moshe escreveu suas partidas rumo às suas jornadas”. Pois Moshe é “o acompanhante do Rei” (shushvina demalka), que conduz a extensão da Luz Infinita (Or Ein Sof), e estendeu-a do nível de “suas partidas”, que é a fonte das almas de Israel, conforme o termo motza mayim (“uma fonte de água”). Isto é, porque

Explicação

Este é o sentido de “Moshe escreveu suas partidas rumo às suas jornadas”. Moshe é “o acompanhante do Rei”, que conduz a extensão da Luz Infinita, e estendeu-a de “suas partidas”, a fonte das almas de Israel, como em motza mayim, “uma fonte de água”.

הנה עצם הנשמות הם עלו במחשבה אכן מקורם הוא בעצמות א״ס ב״ה בעל המחשבה בעל הרצון.

As próprias almas “surgiram no pensamento”, mas sua fonte está na Essência do Infinito (Ein Sof), bendito seja Ele, o Senhor do pensamento, o Senhor da vontade.

Explicação

As próprias almas “surgiram no pensamento”, mas sua fonte é ainda mais elevada: a Essência do Infinito, o Senhor do pensamento e da vontade.

O parágrafo 22 em resumo

O parágrafo acompanha a luz da face mais adiante, de Zeir Anpin a Malchut, a fonte da criação, onde o “selo” se efetua, como na Ne’ilá. Em seguida, retoma o versículo: Moshe, o acompanhante do Rei, estendeu essa luz da fonte das almas, no Infinito.

Aprofundar

No maamar principal ao qual a nota da Kehot remete, Moshe é o acompanhante do Rei e Aharon, o acompanhante da Rainha, que a eleva ao Noivo. Moshe faz o Infinito descer aos mundos, e é ele quem “escreveu” porque pertence ao nível de Chochmá, onde “o selo do Santo, bendito seja Ele, é verdade” corresponde à revelação da Luz Infinita em Chochmá.

Marei mekomot

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23והמשכה זו ממוצאיהם הוא כדי למסעיהם שעי״ז יוכלו להתעלות מלמטה למעלה בבחי׳ בכל מאדך היינו להיות התגברות האהבה דנפש האלקית עד ש גם היצה״ר [היצר הרע]

E essa extensão a partir de suas partidas destina-se às suas jornadas: para que, por meio disso, possam ascender de baixo para cima no nível de “com toda a tua força” (me'odecha), isto é, para que se intensifique o amor da alma divina, até que até mesmo a inclinação ao mal

Explicação

Essa extensão a partir da fonte destina-se às suas jornadas: ela concede às almas a força para se elevarem de baixo para cima e amar “com toda a tua força”. Trata-se de um amor da alma divina tão intenso que vence até mesmo a inclinação ao mal.

ישוב לאהבת ה׳ שאז הוא בחי׳ טוב מאד, שכדי להיות העלאה זו צ״ל תחלה המשכת כח מלמעלה וכמ״ש ואנכי תרגלתי לאפרים קחם על זרועותיו שכאשר

se volte ao amor a D'us, pois então se encontra no nível de “muito bom”. Para que haja essa ascensão, é preciso primeiro que se estenda uma força do Alto, como está escrito: “E Eu ensinei Efraim a andar, tomando-os nos Meus braços”; pois quando

Explicação

Então, até mesmo a inclinação ao mal se volta ao amor a D'us, e torna-se “muito bom”. Tal ascensão requer primeiro uma extensão de força do Alto, como em “E Eu ensinei Efraim a andar, tomando-os nos Meus braços” (Hosea 11:3).

האב רוצה להגביה ולעלות בנו הקטן אליו הוא ע״י שמשפיל קומתו אליו ואז מגביהו על זרועותיו כו׳ ועמ״ש ע״פ זה בד״ה קדש ישראל בפ׳ פינחס.

um pai deseja erguer seu filho pequeno e elevá-lo até si, ele o faz abaixando-se até a altura dele; então o ergue nos braços, etc. Veja também o que está escrito sobre este versículo no discurso que começa “Israel é santo”, na Parashat Pinchas.

Explicação

Quando um pai deseja erguer seu filho pequeno até si, abaixa-se até ele e então o levanta nos braços. O texto remete ao discurso “Israel é santo”, na Parashat Pinchas, sobre este versículo.

(והנה הענין שהכח לההעלאה הוא ע״י ההמשכה מבחי׳ חותמו של הקב״ה אמת הוא מובן ממשנ״ת [ממה שנתבאר] למעלה דבחי׳ אמת היינו כמו שהוא לבדו הוא ואין זולתו

(Ora, compreende-se o motivo pelo qual a força para a ascensão vem da extensão a partir do nível de “o selo do Santo, bendito seja Ele, é verdade” com base no que foi explicado acima: que o nível da verdade é que Ele está sozinho e não há nada além Dele;

Explicação

Por que a força para ascender vem de “o selo do Santo, bendito seja Ele, é verdade”? Porque a verdade, conforme explicado acima, é que somente Ele existe e nada há além Dele.

ולכן חכמה עילאה נק׳ אמת לפי שזהו מדרגת החכמה שהיא בחי׳ ביטול ממש וכמ״ש בסש״ב [בספר של בינונים] פל״ה בהג״ה [בהגהה].

por isso, a Chochmá superior é chamada verdade, pois esse é o nível da Chochmá, que é o nível da anulação efetiva (bitul), como está escrito em Sefer Shel Beinonim, capítulo 35, na nota.

Explicação

Assim, a Chochmá superior é chamada verdade, pois a Chochmá é o nível da anulação completa (bitul), como explica o Tanya na nota ao capítulo 35.

ולכן מבחי׳ אמת נמשך המשכת הביטול ג״כ למטה להיות ביטול היש ולכן הכח להיות ההעלאה והביטול הוא ע״י ויכתוב משה שהמשיך גם למטה מבחינת אמת וכמ״ש ואמת ה׳ לעולם.

Portanto, do nível da verdade também se estende abaixo a anulação (bitul), para que haja a anulação do yesh (existência independente); e, por isso, a força para que ocorram a ascensão e a anulação (bitul) vem de “E Moshe escreveu”, pois ele estendeu também abaixo do nível da verdade, como está escrito: “E a verdade de Havayá é para sempre”.

Explicação

Da verdade, portanto, estende-se também abaixo a anulação (bitul), para anular o yesh, a sensação de existência independente da pessoa. A força para ascender e se anular vem de “E Moshe escreveu”, pois Moshe estendeu a verdade abaixo, como em “a verdade de Havayá é para sempre” (Psalms 117:2).

ועמ״ש עוד במ״א מענין המשכת הביטול מח״ע [מחכמה עילאה] למטה שעי״ז יהיה הכח להיות ביטול היש והוא ע״פ והיה לכם לציצית כו׳ ע״ש.

Veja também o que está escrito em outro lugar sobre a extensão da anulação (bitul) da Chochmá superior para baixo, para que, por meio disso, haja a força para a anulação do yesh; isso é explicado sobre o versículo “E será para vós como tsitsit”, etc.; veja ali.

Explicação

O texto remete à explicação sobre “E será para vós como tsitsit” (Numbers 15:39). Ali se trata da extensão da anulação (bitul) da Chochmá superior para baixo, para que o yesh possa ser anulado.

אך להבין ענין שמוצאיהם ושרשם של נש״י [נשמות ישראל] הוא מבחי׳ אמת, היינו כנ״ל שמוצאיהם ושרשם הוא בעצמות א״ס ב״ה בעל הרצון כו׳

Mas, para compreender que as partidas e a raiz das almas de Israel provêm do nível da verdade, isso é como foi mencionado acima: suas partidas e sua raiz estão na Essência do Infinito, bendito seja Ele, o Senhor da vontade, etc.,

Explicação

Por que a fonte e a raiz das almas de Israel são chamadas verdade? Porque, como foi dito, sua raiz está na Essência do Infinito, o Senhor da vontade.

שהוא בחי׳ מוצא מים אשר לא יכזבו מימיו שהוא בחי׳ אמת וכמ״ש אותי עזבו מקור מים חיים וגם כח היחוד דזו״נ [דזעיר אנפין ונוקבא] שמשם נמשכו הנשמות עצמן הוא בא ונמשך ע״י הסתכלות בא״א.)

que é o nível de “uma fonte de água cujas águas não falham”, que é o nível da verdade, como está escrito: “A Mim abandonaram, a fonte de águas vivas.” E também o poder da união de Zeir Anpin e Nukvá, da qual as próprias almas são extraídas, vem e é transmitido por meio do olhar para Arich Anpin.)

Explicação

Essa raiz é “uma fonte de água cujas águas não falham”, o nível da verdade, como em “A Mim abandonaram, a fonte de águas vivas” (Jeremias 2:13). E a própria união de Zeir Anpin e Nukvá, da qual provêm as almas, recebe seu poder do olhar para Arich Anpin.

(ועיין בזהר שלח קס״ג ב׳ אמת כלול דו״נ [דכר ונוקבא] כחדא כו׳ ועיין בזח״ב [בזהר חלק ב׳] בשלח נ״ז ב׳ יתרו פ״ט א׳ צ׳ סע״א [סוף עמוד א] בענין אמת ליעקב זח״א [זהר חלק א] לך לך צ״ו א׳ ח״ג [חלק ג׳] ויקרא י״ב ב׳ אחרי ע״ג ב׳ נשא קל״א ב׳ קל״ד א׳.

(E veja o Zohar, Shelach, 163b: “A verdade inclui o masculino e o feminino juntos”, etc. E veja o Zohar, Parte II, Beshalach, 57b; Yisro, 89a e 90, final do lado a, sobre o tema de “a verdade para Yaakov”; Zohar, Parte I, Lech Lecha, 96a; Parte III, Vayikra, 12b; Acharei, 73b; Naso, 131b e 134a;

Explicação

O texto enumera passagens do Zohar sobre a verdade, entre elas Shelach (3:163b): “A verdade inclui o masculino e o feminino juntos”, dito a respeito de “Darás a verdade a Yaakov”.

ואתחנן רס״ז א׳ האזינו רצ״ז א׳) ועמ״ש ע״פ ואלה המשפטים איך שמשה ממשיך הדעת לנש״י [לנשמות ישראל] והמשכה זו הוא ענין כי תקנה עבד עברי היינו מבחי׳ בעבר הנהר ישבו אבותיכם כו׳ ע״ש.

Va'eschanan, 267a; Ha'azinu, 297a.) E veja o que está escrito sobre o versículo “E estas são as leis”: como Moshe transmite Daat (conhecimento) às almas de Israel; e essa transmissão é o tema de “Se adquirires um servo hebreu (ivri)”, isto é, do nível de “Vossos pais habitaram do outro lado (ever) do rio”, etc.; veja lá.

Explicação

Depois da lista, o texto remete ao maamar sobre “E estas são as leis” (Êxodo 21:1), no qual Moshe transmite Daat às almas de Israel. Essa transmissão é “Se adquirires um servo hebreu (ivri)”, que provém de “Vossos pais habitaram do outro lado (ever) do rio” (Josué 24:2).

וזהו ענין מוצאיהם שמבחי׳ עבר הנהר כו׳ והמשכת הדעת הוא ממש מתיקון ואמת וכמ״ש הרמ״ז [הרב משה זכות] ר״פ ויקרא.

E este é o tema de “suas partidas”: elas provêm do nível de “do outro lado do rio”, etc.; e a transmissão de Daat vem, de fato, do tikun “e verdade”, como escreveu o Ramaz no início de Parshas Vayikra.

Explicação

Assim, “suas partidas” provêm do nível de “do outro lado do rio”, de além. E a transmissão de Daat vem do próprio tikun “e verdade”, como escreve o Ramaz no início de Vayikra.

O parágrafo 23 em resumo

A extensão a partir da fonte concede às almas a força para se elevarem com um amor “com toda a tua força”, assim como um pai se abaixa para erguer seu filho. A verdade concede essa força porque consiste em que somente Ele existe; estendê-la para baixo traz a anulação (bitul) que permite à pessoa elevar-se para além de si mesma.

Aprofundar

A nota de Kehot cita Or HaTorah sobre a leitura do Zohar de “Darás a verdade a Yaakov” como “incluindo juntos o masculino e o feminino” e registra sua observação de que muitas das referências do Zohar a versículos nesta obra foram extraídas do livro Beis Aharon, que lista, para cada versículo, os lugares em que o Zohar o menciona.

Marei mekomot

  1. 1
    בכל מאדך · Deuteronomy 6:5
  2. 2
    ואנכי תרגלתי לאפרים · Hosea 11:3
  3. 3
    בד״ה קדש ישראל בפ׳ פינחס · לעיל פ, ב.
  4. 4
    חכמה עילאה נק׳ אמת · ראה אוה״ת תצוה ע׳ א׳תשמז. יתרו ע׳ תתצד.
  5. 5
    וכמ״ש בסש״ב פל״ה בהג״ה · ראה שם בליקוט פירושים לתניא.
  6. 6
    והיה לכם לציצית · Numbers 15:39
  7. 7
    מוצא מים אשר לא יכזבו מימיו · Isaiah 58:11
  8. 8
    אותי עזבו מקור מ״ח · Jeremiah 2:13
  9. 9
    בזהר שלח קס״ג ב׳ · ”פי׳ תתן אמת ליעקב כלל דכר ונוק׳ כחדא כו׳ ומשם יובן ג״כ מ״ש בזח״ב נז, ב” — אוה״ת במדבר-ו ע׳ א׳תתקעח, ושם בע׳ א׳תתקעט אחר המ״מ מציין: ”(אמת ניתן לכתוב שהמראה מקומות בזהר על כמה פסוקים שנזכרו בחיבור זה נלקח מספר בית אהרן שמראה על כל פסוק מקום שנזכר בזהר בדף פלוני עמוד פלוני כו׳ עיין עליו)”. וראה גם באוה״ת פ׳ מסעי ע׳ א׳שעה.
  10. 10
    אמת כלול דו״נ כחדא · Zohar, Sh'lach 13:119–128
  11. 11
    ע״פ ואלה המשפטים · תו״א פ׳ משפטים.
  12. 12
  13. 13
    כי תקנה עבד עברי · Exodus 21:2
  14. 14
    בעבר הנהר ישבו · Joshua 24:2
  15. 15
    ואמת ה׳ לעולם · Psalms 117:2
  16. 16

24והנה המשכת אתערותא דלעילא זו דבחי׳ ויכתוב משה את מוצאיהם הוא ע״י עסק התורה וכמארז״ל [וכמאמר רבותינו זכרונם לברכה] המאור שבה מחזירן למוטב.

Ora, a descida deste despertar do alto, do nível de “E Moshe escreveu suas partidas”, ocorre por meio do estudo da Torá, como disseram nossos Sábios, de abençoada memória: “A luz que há nela os faz retornar ao bem.”

Explicação

Este despertar do alto, “E Moshe escreveu suas partidas”, é atraído por meio do estudo da Torá. Como disseram os Sábios a respeito da Torá: “A luz que há nela os faz retornar ao bem.”

ולכן נק׳ תורת אמת ובאור פניך נתת לנו תורת חיים. וזהו כתבם על לוח לבך דהיינו כדפי׳ בענין ויכתוב משה שהוא המשכת חותמו של הקב״ה.

Por isso ela é chamada “uma Torá de verdade”, e “à luz de Tua face Tu nos deste uma Torá de vida”. E isto é “Escreve-as sobre a tábua do teu coração”, isto é, conforme foi explicado a respeito de “E Moshe escreveu”: trata-se da descida do selo do Santo, bendito seja Ele.

Explicação

É por isso que ela é chamada “uma Torá de verdade”, e “à luz de Tua face Tu nos deste uma Torá de vida”. E “Escreve-as sobre a tábua do teu coração” é essa mesma escrita: a descida do selo do Santo, bendito seja Ele.

ועיין מ״ש בפ׳ בראשית סד״ה להבין ענין הברכות בפי׳ חתום תורה בלמודי כו׳ וזהו ענין חותם בברוך כו׳

E veja o que está escrito na Parashat Bereshit, ao final do discurso que começa “Para compreender o significado das bênçãos”, sobre a explicação de “Sela a Torá entre os meus discípulos”, etc.; e isto é o significado de selar com “Abençoado”, etc.;

Explicação

O texto remete ao final de seu discurso sobre as bênçãos na Parashat Bereshit, a respeito de “Sela a Torá entre os meus discípulos” (Isaías 8:16). Ali explica por que uma bênção é “selada” com “Abençoado”.

ע״ש (ועיין מזה בזהר ס״פ צו דל״ה א׳ ועמ״ש בפ׳ מקץ בד״ה רני ושמחי בת בפי׳ תתן אמת ליעקב כו׳ מימי קדם).

veja ali. (E a esse respeito, veja o Zohar, no final da Parashat Tzav, 35a; e veja o que está escrito na Parashat Mikêts, no discurso que começa “Canta e alegra-te, ó filha [de Tsion]”, sobre a explicação de “Darás a verdade a Yaakov”, etc., “desde os dias antigos”.)

Explicação

O texto também cita o Zohar, no final de Tzav, e seu discurso “Canta e alegra-te, ó filha de Tsion” (Zacarias 2:14), na Parashat Mikêts, sobre “Darás a verdade a Yaakov … desde os dias antigos”.

ועוד יובן ענין זה איך שהמשכה זו הוא ע״י עסק התורה עפמ״ש [על פי מה שכתוב] במ״א סד״ה וידבר דבמדבר סיני.

Além disso, compreender-se-á melhor como esta descida ocorre por meio do estudo da Torá, de acordo com o que está escrito em outro lugar, ao final do discurso que começa “E falou”, sobre “no deserto do Sinai”,

Explicação

O texto diz que a maneira pela qual o estudo da Torá provoca esta descida é explicada mais adiante, ao final de seu discurso sobre “E falou … no deserto do Sinai”.

ובד״ה וידבר דעשרת הדברות שע״י עסק התורה נמשך בחי׳ מזליה ומקור דהנשמה להיות בנשמה המלוב שת בגוף כו׳ ע״ש וזהו ממש ענין המשכה מבחי׳ מוצאיהם למסעיהם כו׳.

e no discurso que começa “E falou”, sobre os Dez Mandamentos: por meio do estudo da Torá, o nível de seu mazal e a fonte da alma são atraídos para que estejam na alma revestida no corpo, etc.; veja ali. E isto é precisamente o significado da descida do nível de “suas partidas para suas jornadas”, etc.

Explicação

Também é explicado no discurso sobre “E D'us falou”, dos Dez Mandamentos: por meio do estudo da Torá, o mazal da alma, sua raiz no alto, é atraído para a alma revestida no corpo. Esta é precisamente a descida de “suas partidas” para “suas jornadas”.

והנה אח״כ נאמר ואלה מסעיהם למוצאיהם היינו בחי׳ ההעלאה מלמטה למעלה (ועמ״ש ע״פ יונתי בחגוי כו׳ בפי׳ ולכי לך):

E depois é dito: “E estas são suas jornadas para suas partidas”, que corresponde ao nível da ascensão de baixo para cima. (E veja o que está escrito sobre o versículo “Minha pomba, nas fendas”, etc., a respeito da explicação de “e vai para ti”.)

Explicação

Então o versículo diz: “E estas são suas jornadas para suas partidas” (Números 33:2): a ascensão de baixo de volta à fonte. O texto remete à sua explicação sobre “Minha pomba, nas fendas da rocha” (Cântico dos Cânticos 2:14), a respeito das palavras “e vai para ti”.

O parágrafo 24 em resumo

A descida da fonte das almas, “E Moshe escreveu”, ocorre por meio do estudo da Torá, razão pela qual a Torá é chamada verdade. A segunda parte do versículo, “suas jornadas para suas partidas”, é então a ascensão da alma de volta à sua fonte.

Marei mekomot

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    כתבם על לוח לבך · Proverbs 3:3
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    כתבם על לוח לבך · Proverbs 7:3
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    חתום תורה בלמודי · Isaiah 8:16
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    תתן אמת ליעקב · Micah 7:20
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    ואלה מסעיהם למוצאיהם · Numbers 33:2
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    יונתי בחגוי · Song of Songs 2:14

Terminou o maamar?

Marque-o como estudado; ele conta para a semana e para o siyum do ano.

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Na avodá

O maamar extrai a própria lição: as jornadas são “um sinal para as gerações” de que todo judeu pode subjugar seu corpo, por iskafya ou por is'hapcha. A força para isso vem primeiro do alto, atraída para baixo sobretudo por meio do estudo da Torá, que escreve o selo da verdade “na tábua do teu coração”; com ela, a pessoa pode elevar-se em um amor “com todas as tuas forças”, até que mesmo a inclinação ao mal se volte a amar D'us.

Perguntas para conversar

  1. Por que Moshe e Israel podiam subjugar o deserto próximo à terra habitada sem a Arca, mas não o deserto profundo? O que isso ensina sobre as diferentes forças do mal?
  2. Por que o Nome de quarenta e dois conta apenas seis aspectos de cada atributo, enquanto o Ômer conta sete?
  3. Por que a bênção precisa vir antes da mitsvá, e o que expressam, respectivamente, “Bendito és Tu”, “que nos santificaste” e “e nos ordenaste”?
  4. Por que o sétimo tikun da barba, onde o cabelo cessa, é chamado “verdade”, e em que sentido a verdade é um “selo”?
  5. Como o estudo da Torá atrai para baixo a força que permite à pessoa elevar-se “com todas as tuas forças”?

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Índice

Likkutei Torahלקוטי תורה

Parshas Maseiמסעי

  1. 1אלה מסעי בני ישראל אשר יצאו…“These are the journeys of the children of Israel who went out…”
  2. 2אלה מסעי בני ישראל אשר יצאו…These Are the Journeys of the Children of Israel
  3. 3לבאר ענין המסעות במדברTo Explain the Journeys in the Wilderness
  4. 4אלה מסעי בנ״י כו׳ ויכתב משה…“These are the journeys of the children of Israel… And Moshe wrote their goings-forth according to their journeys”
  5. 5ביאור על זה“An explanation of this”
  6. 6וירד הגבול ומחה על כתף ים…“And the border shall descend and shall touch upon the shoulder of the Sea of Kinneres”
  7. 7לבאר הדברים בענין וירד הגבול הנה…To explain the matters concerning “And the border shall descend”
  8. 8ביאור עוד לענין מוצאיהם למסעיהם ומסעיהם…A Further Explanation of “Their Goings Forth to Their Journeys, and Their Journeys to Their Goings Forth”
  9. 9ענין נחלת יעקב“The Inheritance of Yaakov”
  10. 10איתא במדרש תהלים ע״פ אחת שאלתי…It Is Stated in Midrash Tehillim on “One Thing I Have Asked”