Likkutei Torah · Parshas Masei · Maamar 4
אלה מסעי בנ״י כו׳ ויכתב משה את מוצאיהם…
“Estas são as jornadas dos filhos de Israel… E Moshe escreveu suas partidas segundo suas jornadas”
A ideia central
As quarenta e duas jornadas de Israel no deserto são as ascensões das almas: a alma desce ao corpo e ao mundo da kelipá para que, ao transformar o “algo” físico em “nada” por meio das mitsvot e da Torá, ascenda além de sua própria origem. A “escrita” de Moshe é a força que vem do Alto, de Chochmá, que torna possível essa ascensão.
O maamar em resumo
O maamar pergunta por que Números 33:2 primeiro diz “suas partidas segundo suas jornadas” e depois inverte a ordem, e por que enfatiza que Moshe escreveu. As quarenta e duas jornadas de Israel correspondem ao Nome de quarenta e duas letras; seu propósito oculto era subjugar o deserto, a origem das kelipot e o oposto de Jerusalém, para que cada judeu possa subjugar seu próprio corpo. Por que criar kelipot? Por meio das cem bênçãos diárias e das mitsvot, a pessoa transforma o “algo” físico em “nada” (bitul, o nível de Mah), e isso atrai o Infinito, que está acima do pensamento criativo de D'us, a origem da qual até as almas derivam. A caridade, o amor ilimitado da alma animal transformada e o estudo da Torá lishmá expressam isso, e é por isso que a alma desce ao corpo. Moshe, que é Chochmá, “escreveu” o selo da verdade de D'us, atraindo um despertar do Alto que capacita a ascensão; “suas partidas” é a origem das almas acima do pensamento, de onde vem essa força e para onde as jornadas retornam.
Esquema
- A pergunta e as quarenta e duas jornadasA ordem invertida do versículo e “Moshe escreveu”; as jornadas correspondem ao Nome de quarenta e duas letras e serviram para subjugar o deserto.¶1–2
- O deserto como origem da kelipáO deserto é o oposto de Jerusalém e a origem das kelipot; subjugá-lo permite que cada pessoa subjuguе seu corpo.¶3
- Por que criar kelipot: as bênçãosAs cem bênçãos; a forma direta de se dirigir a D'us e a referência oculta na terceira pessoa, a luz que preenche e a luz que circunda todos os mundos; as mitsvot como anulação do “algo”.¶4–5
- Amor ilimitado e bitulO amor da alma animal transformada não tem limites; a caridade e as mitsvot são bitul, o nível de Mah; as cem bênçãos transformam mah em meá.¶6–9
- Mitsvot e ToráAs mitsvot são membros e a Torá é alimento; a Torá estudada lishmá atrai a Luz Infinita para dentro da Torá.¶10–11
- A bênção antes de uma mitsvá e a descida da almaAs duas câmaras do coração; a alma desce para poder ascender, e as kelipot existem para essa ascensão; as jornadas são ascensões.¶12–13
- A escrita de Moshe: o selo da verdadeChochmá é o selo de D'us; Moshe, o acompanhante do Rei, atrai-o para baixo, enquanto Aharon eleva as almas.¶14–16
- O despertar do Alto e a origem das almasAs bênçãos e a Torá são um despertar do Alto; “partidas” é a origem das almas acima do pensamento, e as jornadas ascendem de volta a ela.¶17–18
Conceitos-chave
- Anulação do algoביטול היש
- Transformar o “algo” físico em “nada”, a essência de cada mitsvá; isso atrai o Infinito, que está acima do pensamento criativo de D'us.
- Mah e meáמ״ה / מאה
- Mah, “o quê”, é a autoanulação; as cem bênçãos diárias acrescentam um álef e o transformam em meá, “cem”, atraindo do nível mais oculto.
- Memalê e sovevממלא כל עלמין / סובב כל עלמין
- A luz que preenche todos os mundos (“Bendito és Tu”) e a luz que os circunda (“que nos santificou”), que juntas são “o Santo, bendito seja Ele”.
- O desertoמדבר
- A origem das kelipot, que apenas tomam (“dá, dá”), o oposto de Jerusalém, a origem da bênção; as jornadas de Israel o subjugaram.
- Despertar do Altoאתערותא דלעילא
- A iniciativa divina, atraída por Moshe, pelas bênçãos e pelo estudo da Torá, que capacita a própria ascensão da alma, o despertar de baixo.
- O selo da verdadeחותמו של הקב״ה אמת
- Chochmá, o selo de D'us: apenas uma “ação” em relação à Sua essência, mas o recipiente no qual Ein Sof repousa de maneira irrevogável.
A pergunta e as quarenta e duas jornadas ¶1–2
1אלה מסעי1 בנ״י [בני ישראל]2 כו׳ ויכתב משה את מוצאיהם למסעיהם כו׳ ואלה מסעיהם למוצאיהם3. וצ״ל למה גבי ויכתוב משה הקדים מוצאיהם למסעיהם ואח״כ הפך ואומר ואלה מסעיהם למוצאיהם.
“Estas são as jornadas dos filhos de Israel”, etc. “E Moshe escreveu suas partidas segundo suas jornadas”, etc., “e estas são suas jornadas segundo suas partidas.” É preciso entender por que, em “E Moshe escreveu”, [o versículo] colocou “suas partidas” antes de “suas jornadas” e, depois, inverteu a ordem e diz: “e estas são suas jornadas segundo suas partidas”.
O maamar começa com Bamidbar 33:1–2, que introduz a lista dos acampamentos de Israel no deserto. Na primeira metade do versículo 2, a ordem é “partidas” e depois “jornadas”; na segunda metade, ela se inverte: “jornadas” e depois “partidas”. O maamar pergunta por quê.
גם מהו ויכתוב משה כו׳ דמסתמא משה כתבו ככל התורה אשר הקב״ה אומר ומשה אומר וכותב.4
Também é preciso entender o que significa “E Moshe escreveu”, etc. Pois, presumivelmente, Moshe escreveu isso como toda a Torá, que o Santo, bendito seja Ele, diz, e Moshe diz e escreve.
Uma segunda pergunta: por que o versículo enfatiza que Moshe escreveu essa lista, quando Moshe escreveu toda a Torá? O Talmud (Bava Basra 15a) descreve como a Torá foi escrita: “o Santo, bendito seja Ele, diz, e Moshe diz e escreve”.
אך הענין כי הנה ענין המסעות שנסעו וחנו במדבר מ״ב פעמים עם הארון ויהי בנסוע כו׳
A explicação, porém, é a seguinte: as jornadas nas quais eles viajaram e acamparam no deserto quarenta e duas vezes com a Arca — “E aconteceu que, quando a Arca partia”, etc.,
A resposta começa pelas próprias jornadas. Israel viajou e acampou quarenta e duas vezes no deserto, e a Arca os acompanhava, conforme a Torá descreve nos versículos “Quando a Arca partia” e “quando ela repousava” (Bamidbar 10:35–36).
ובנוחה56 כו׳ רק שהארון נעשה אח״כ ומסעות הראשונות עד מדבר סיני נסעו בלא הארון שהם כנגד שם מ״ב אנא בכח גדולת ית״ץ כו׳
e “quando ela repousava”, etc. A Arca, porém, foi feita somente mais tarde, e nas primeiras jornadas, até o deserto do Sinai, eles viajaram sem a Arca — elas correspondem ao Nome de quarenta e duas [letras]: “Rogamos a Ti, pelo grande poder de Tua mão direita, liberta o cativo”, etc.
A Arca foi construída somente mais tarde; por isso, as primeiras jornadas, antes de Israel chegar ao Sinai, foram feitas sem ela. Ainda assim, todas as quarenta e duas jornadas correspondem ao Nome de quarenta e duas letras, o Nome cabalístico formado pelas iniciais das quarenta e duas palavras da prece Ana Bekoach (“Rogamos a Ti, pelo grande poder de Tua mão direita…”).
אף שהיה זה בסיבה מחמת חטא המרגלים שנגזרה גזירה להתעכב מ׳ שנה במדבר עכ״ז [עם כל זה] הרי הוא ית׳ הוא סיבת הסיבות.78
Embora isso tenha ocorrido por uma causa — por causa do pecado dos espiões, quando foi decretado que permanecessem retidos no deserto por quarenta anos —, ainda assim, Ele, bendito seja, é a Causa das causas.
Alguém poderia objetar que os quarenta anos de peregrinação foram simplesmente uma punição pelo pecado dos espiões, e não parte de um padrão espiritual planejado. O Alter Rebe responde que D'us é “a Causa das causas”: mesmo um acontecimento que tem uma causa visível tem Nele sua causa última; portanto, as jornadas têm um propósito próprio.
O parágrafo de abertura cita o versículo, formula duas perguntas — a inversão da ordem de “partidas” e “jornadas”, e por que está escrito “Moshe escreveu” — e começa a resposta: as quarenta e duas jornadas no deserto correspondem ao Nome de quarenta e duas letras e fazem parte do desígnio de D'us, embora tenham ocorrido por causa do pecado dos espiões.
A expressão “Causa das causas” vem de Patach Eliyahu, no Tikkunei Zohar (17a), onde D'us é invocado como “a Causa de todas as causas, que irriga a árvore com esse fluxo”. Aqui, significa que um decreto provocado por um pecado ainda pode realizar uma intenção superior.
Marei mekomot
- 1אלה מסעי · מאמר זה נזכר בכ״מ שהוא משנת תקע״א — ראה אוה״ת וישב ע׳ 2192. שמות ב׳תפד. תזריע תקד-ה. וילך א׳תנז. ברכה א׳תתפט. שה״ש רד. וראה גם אוה״ת על מארז״ל וענינים ע׳ רלח. הנחה אחרת מהמאמר בסה״מ תקע״א. ראה להלן צה, א ביאור נוסף למאמר זה. הגהות על מאמר זה נדפסו באוה״ת מסעי ע׳ א׳שעא. א׳שעה. קיצורים באוה״ת במדבר-ו ע׳ א׳תתקסה. ראה גם פ׳ מסעי ע׳ א׳שנט. לכללות המאמר ראה ד״ה להבין ענין כתיבת ס״ת תש״ל (נדפס בסה״מ מלוקט-א ע׳ פט ואילך).
- 2אלה מסעי בנ״י · Numbers 33:1
- 3
- 4הקב״ה אומר ומשה אומר וכותב · Bava Batra 15a:5
- 5ויהי בנסוע . . ובנוחה · Numbers 10:35
- 6ובנוחה · Numbers 10:36
- 7הוא ית׳ הוא סיבת הסיבות · ת״ז בהקדמה.
- 8הוא ית׳ הוא סיבת הסיבות · Tikkunei Zohar 17a:20–22
2והנה גם ע״פ הנגלה יש טעם לזה כדי שימצאו האוצרות לקיים מ״ש ובתים מלאים כל טוב12 כו׳ כמ״ש רז״ל [רבותינו זכרונם לברכה].3
Ora, também de acordo com a dimensão revelada [do ensinamento], há uma razão para isso: para que encontrassem os tesouros, cumprindo o que está escrito: “e casas cheias de toda sorte de coisas boas”, etc., como disseram nossos Sábios, de abençoada memória.
Mesmo no sentido simples da Torá, há uma razão para os quarenta anos. O Midrash diz que os cananeus esconderam seus tesouros em suas casas e que, durante todos os anos em que Israel esteve no deserto, os habitantes da terra construíam casas e plantavam vinhas, para que Israel encontrasse a terra repleta de bênçãos e se cumprisse a promessa de “casas cheias de toda sorte de coisas boas” (Deuteronômio 6:11).
וע״פ הנסתר נזכר בספרים שהוא כדי להכניע את המדבר הגדול והנורא45 ע״י מ״ב מסעות שנסעו וחנו כנס״י [כנסת ישראל] עם הארון שהם כנגד שם מ״ב כו׳.
E, de acordo com a dimensão oculta [do ensinamento], menciona-se nos livros que isso se deu para subjugar “o grande e terrível deserto” por meio das quarenta e duas jornadas nas quais a Congregação de Israel viajou e acampou com a Arca, que correspondem ao Nome de quarenta e duas [letras], etc.
No plano interior, cabalístico, os livros explicam que as quarenta e duas jornadas tinham o propósito de subjugar “o grande e terrível deserto” (Deuteronômio 1:19), a força espiritual que o deserto representa. As jornadas podiam realizar isso porque correspondem ao Nome de quarenta e duas letras.
O parágrafo apresenta duas razões para a longa jornada pelo deserto: uma simples — a terra estava sendo preparada, repleta de coisas boas para Israel — e outra oculta — subjugar o deserto por meio de quarenta e duas jornadas que correspondem ao Nome de quarenta e duas letras.
O Zohar (2:157a) diz que não havia no mundo região desolada tão poderosa quanto aquele deserto, onde a sitra achra dominava, e que Israel rompeu seu poder durante os quarenta anos que passou ali, como está escrito: “que te conduziu pelo grande e terrível deserto”. Essa é a razão oculta que o Alter Rebe cita dos “livros”.
Marei mekomot
- 1ובתים מלאים כל טוב · Deuteronomy 6:11
- 2ובתים מלאים כל טוב · Sifrei Devarim 38:10
- 3כדי שימצאו האוצרות . . כמ״ש רז״ל · Vayikra Rabbah 17:6
- 4
- 5המדבר הגדול והנורא · Zohar, Terumah 51:558–52:565
O deserto como origem da kelipá ¶3
3ולהבין מהו ענין הכנעה זאת להמדבר הלא הוא שממה ואין דר בו. אך הענין הוא
E, para compreender o que é essa submissão do deserto — acaso ele não é desolado, sem ninguém que nele habite? A explicação, porém, é
A pergunta é: como se pode falar em submeter um deserto, um lugar vazio onde ninguém vive? A resposta que vem a seguir trata o deserto como uma realidade espiritual, e não apenas como uma paisagem.
כי המדבר נק׳ מדבר העמים1 שהוא מקור יניקת כל הקליפות והוא לעומת בחינת ירושלים שהוא המקור לכל העולם כולו בקדושה כי זה שער השמים2 שנמשך שם ההשפעה מלמעלה
que o deserto é chamado “o deserto das nações”, a fonte de onde todas as kelipot extraem seu sustento. Ele é o oposto do aspecto de Jerusalém, que é a fonte para o mundo inteiro em santidade, pois “esta é a porta dos céus”, onde o fluxo que vem do alto é atraído para baixo;
O profeta o chama de “deserto das nações” (Ezequiel 20:35), e o Alter Rebe explica que o deserto é a fonte da qual todas as kelipot — as forças que ocultam a santidade — extraem seu sustento. Ele é o oposto de Jerusalém, a fonte da bênção sagrada para o mundo inteiro, o lugar que Yaakov chamou de “a porta dos céus” (Gênesis 28:17), por onde desce o fluxo de D'us.
כי שם צוה3 ה׳ את הברכה ומשם היו מקבלים כל הארצות (וכמ״ש בזהר פ׳ תרומה דקנ״ז ע״א ועיין עוד בזהר פ׳ יתרו דע״ט א׳)
pois “ali Havayá ordenou a bênção”, e de lá todas as terras recebiam (como está escrito no Zohar, Parshas Terumah, fólio 157, lado a; e veja também no Zohar, Parshas Yisro, fólio 79, lado a).
Jerusalém é onde “Havayá ordenou a bênção” (Salmos 133:3), e de lá todas as outras terras recebiam sua porção. O Alter Rebe cita o Zohar, que descreve toda a bondade e o sustento do mundo habitado como descendo de lá.
Por isso Jerusalém está no centro do mundo habitado. E “D'us fez um oposto ao outro”: o aspecto do deserto é a fonte de todas as kelipot.
Por ser a fonte da bênção, Jerusalém está no centro do mundo habitado, como também diz o Midrash. E, visto que “D'us fez um oposto ao outro” (Eclesiastes 7:14), a santidade tem uma contraparte: o deserto, fonte de todas as kelipot.
ולכן הוא ארץ מלחה אשר לא יעשה פרי7 כו׳ כי בקדושה מיהב יהבי8910 משקל לא שקלי וכמ״ש ואתה מחיה את כולם11 שתמיד נמשכים השפעות החיות.
Por isso, ele é “uma terra salgada, que não produz frutos”, etc. Pois, na santidade, “dar, dão; tomar, não tomam”, como está escrito: “e Tu dás vida a todos eles”; os fluxos de força vital descem constantemente.
Por isso o deserto é estéril, uma terra salgada que não produz frutos. A santidade, por sua natureza, dá e não toma de volta, como diz o Talmud, e D'us “dá vida a todos eles” (Neemias 9:6) constantemente; uma terra que nada produz é o oposto da santidade.
ולהיפך בקליפה כתיב הב הב12 שמבקשים הכל בשביל עצמם לגרמיה1314 ואינן משפיעים לזולתם (ועיין מענין הב הב בזהר פ׳ קדושים ד״פ ע״ב ובפי׳ הרמ״ז [הרב משה זכות] שם ובאדרא דנשא קל״ה סע״א [סוף עמוד א] ובפ׳ וירא דק״י ע״ב ובפ׳ בשלח דנ״ו ע״א)
Em contrapartida, a respeito da kelipá está escrito: “Dá, dá!”: elas procuram tudo para si mesmas, para o próprio benefício, e não dão aos outros (e, sobre o tema de “Dá, dá”, veja o Zohar, Parshas Kedoshim, fólio 80, lado b, e o comentário do Ramaz ali; e a Idra de Naso, fólio 135, fim do lado a; e Parshas Vayera, fólio 110, lado b; e Parshas Beshalach, fólio 56, lado a).
A kelipá é o inverso da santidade: como a sanguessuga, cujas filhas clamam “Dá, dá!” (Provérbios 30:15), toma tudo para si e nada dá aos outros. O Alter Rebe cita vários lugares do Zohar em que se discute esse “Dá, dá”.
ולכן עפר מדבר פסול לכיסוי הדם לפי שאינו מגדל צמחים15 כו׳ כמ״ש בגמרא.16 וע״י שנסעו בו בנ״י [בני ישראל] הכניעו אותם ומעשה אבות הוא פעולה לבנים17 עד
Por isso, a terra do deserto é imprópria para cobrir o sangue, pois não faz crescer plantas, etc., como está dito na Guemará. E, ao viajarem por ele, os filhos de Israel as submeteram; e o feito dos pais produz efeito para os filhos até
A lei judaica reflete isso: não se pode usar terra do deserto para cobrir o sangue de uma ave ou de um animal silvestre abatido, porque a Mishná permite cobrir somente com terra capaz de fazer crescer plantas. Quando Israel viajou pelo deserto, submeteu as kelipot que ali se encontravam, e o que aqueles pais fizeram produz efeito sobre seus descendentes.
סוף כל הדורות שמחמת זה יש ביכולת האדם להכניע הגוף שלו שהוא משכא דחויא מבחי׳ הקליפות הן בעוון חוללתי18 ובחטא יחמתני אמי שתחלת הווייתו הוא מן תאוה19 כו׳
o fim de todas as gerações: por causa disso, a pessoa tem a capacidade de submeter o próprio corpo, que é “a pele da serpente”, proveniente do aspecto das kelipot — “Eis que fui formado em iniquidade, e em pecado minha mãe me concebeu”, pois o início de sua formação provém do desejo, etc.,
Por aquela geração ter submetido a fonte da kelipá, todo judeu das gerações posteriores pode submeter o próprio corpo, que provém da kelipá e é chamado “a pele da serpente”. Como diz David: “Fui formado em iniquidade, e em pecado minha mãe me concebeu” (Salmos 51:7): a existência física da pessoa começa com o desejo físico.
וכמ״ש ברבות תזריע פי״ד [פרק י״ד / פרשה י״ד] כלום נתכוין20 כו׳ וכדי שיסכים גם הגוף לרצון הנפש אלקית בבחי׳ ואהבת21 כו׳ זהו ע״י שכבר נכנע המקור שלהם
Como está escrito em Midrash Rabbah, Tazria, capítulo 14: “Será que ele teve a intenção...?”, etc. E, para que também o corpo consinta com a vontade da alma divina, no nível de “E amarás...”, etc., isso se dá porque a fonte deles já foi subjugada.
O Midrash sobre Tazria explica o versículo de David: seu pai não teve a intenção de trazê-lo ao mundo, mas agiu em busca do próprio prazer. O consentimento do corpo em servir a D'us, até o ponto de “Amarás Havayá, teu D'us” (Deuteronômio 6:5), só é possível porque a fonte das kelipot já havia sido subjugada no deserto.
אבל לולי זה לא היה יכולת בשום אופן לאדם להתגבר על גופו ונפשו הבהמית כ״א לפי שכבר נכנע המקור שלהם לכן גם הענפים יהיו נכנעים ע״י האדם כו׳ והיינו ע״ד כלל ופרט22 כו׳:2324
Mas, não fosse isso, uma pessoa não teria capacidade alguma de superar seu corpo e sua alma animal. Antes, é porque a fonte deles já foi subjugada que também os ramos serão subjugados por meio da pessoa, etc. E isso segue a ideia de “geral e particular”, etc.
Sem isso, ninguém poderia superar seu corpo e sua alma animal. Como a raiz já foi subjugada, os ramos — o corpo e a alma animal de cada pessoa — também podem ser subjugados; o Alter Rebbe chama isso de uma relação de “geral e particular”, na qual aquilo que foi feito à fonte geral alcança cada particular.
O parágrafo explica o que significa submeter o deserto: o deserto é a fonte espiritual das kelipot, o oposto de Jerusalém, fonte da bênção. As viagens de Israel por ele submeteram essa fonte, e isso permite que cada pessoa, desde então, submeta o próprio corpo e a própria alma animal.
O Zohar sobre Terumah (2:157a) descreve a Terra Santa como o centro do mundo e Jerusalém como seu centro, de onde desce todo o sustento, enquanto o deserto é o ermo onde domina a sitra achra. A imagem da kelipá como “Dá, dá” aparece no Zohar sobre Kedoshim (3:80b), que aplica a imagem da sanguessuga dos Provérbios às forças que “nunca se saciam”, e na Idra (3:135a), que a associa ao nome da cidade edomita Dinhavah, “din havah”, um julgamento que diz “dá”.
Marei mekomot
- 1מדבר העמים · Ezekiel 20:35
- 2זה שער השמים · Genesis 28:17
- 3כי שם ציוה ה׳ את הברכה · Psalms 133:3
- 4ולכן ירושלים הוא באמצע הישוב · פס״ר י, ב. ע׳ תנחומא קדושים (סי׳ יו״ד) ירושלים באמצעיתה של א״י. וכ״ה בזח״ב (קנז, א). [כ].
- 5ירושלים הוא באמצע הישוב · Midrash Tanchuma, Kedoshim 10:1
- 6בחי׳ מדבר הוא מקור כל הקליפות · Zohar, Terumah 51:558–52:565
- 7ארץ מלחה אשר לא יעשה פרי · Chullin 88b
- 8בקדושה מיהב יהבי · Taanit 25a:4
- 9הב הב · Zohar, Kedoshim 1:6–3:13
- 10הב הב · Zohar, Idra Rabba 23:167–24:177
- 11ואתה מחי׳ את כולם · Nehemiah 9:6
- 12בקליפה כתיב הב הב · Proverbs 30:15
- 13הכל בשביל עצמם לגרמיה · ביהל אור ע׳ תרחצ כ׳ דכאן משמע שהם בבחי׳ לגרמי׳ ושם משמע שנקראו נדיבים, ומתרץ ”דלק״מ שנדיבות זו של היצה״ר והקליפות הוא לגרמי׳ שעי״ז ממשיך לו חיות ויניקה כו׳”. באוה״ת פ׳ מסעי ע׳ א׳שעא יש הג״ה לכאן.
- 14שמבקשים הכל בשביל עצמם לגרמי׳ · ראה ת״ז ת״ו.
- 15שאינו מגדל צמחים · Chullin 88a:7
- 16כמ״ש בגמרא · ע׳ חולין (פח, א) במתני׳. ושם (פח, ב). ובתוד״ה אלא. וע״ע טוש״ע יו״ד (סוס״י כח). [כ].
- 17ומעשה אבות הוא פעולה לבנים · Bereshit Rabbah 70:6
- 18הן בעוון חוללתי · Psalms 51:7
- 19שו״ה ובחטא — מן תאוה · באוה״ת פ׳ מסעי ע׳ א׳שעב יש הג״ה לכאן.
- 20כלום נתכוין · Vayikra Rabbah 14:5
- 21ואהבת · Deuteronomy 6:5
- 22כלל ופרט · באוה״ת פ׳ מסעי שם נמצא הג״ה לכאן.
- 23ואת זלעו״ז עשה האלקים · Ecclesiastes 7:14
- 24
Por que criar kelipot: as bênçãos ¶4–5
4ב אך עדיין צ״ל למה היתה זאת מאת ה׳ לברוא הקליפות ושאח״כ יצטרכו להכניעם לא יהיה לא הא ולא הא.
2. Mas ainda é preciso compreender por que isso veio de D'us: criar as kelipot, para que depois fosse necessário subjugá-las. Que não houvesse nem uma coisa nem outra!
A seção 2 começa com uma questão mais profunda: por que D'us criou as kelipot, se depois elas precisam ser subjugadas? Pareceria melhor não haver nem as kelipot nem o trabalho de subjugá-las.
הנה כתיב ועתה ישראל מה12 ה׳ אלקיך שואל מעמך כ״א ליראה כו׳ וארז״ל [ואמרו רבותינו זכרונם לברכה] אל תקרי מה אלא מאה3 ברכות שחייב אדם לברך כו׳.
Ora, está escrito: “E agora, Israel, o que (mah) Havayá, teu D'us, pede de ti, senão que O temas”, etc.; e nossos Sábios, de abençoada memória, disseram: não leias mah (“o que”), mas meá (“cem”) — as cem bênçãos que a pessoa é obrigada a recitar, etc.
A resposta começa com um versículo e sua interpretação talmúdica: “O que (mah) Havayá, teu D'us, pede de ti” (Deuteronômio 10:12) é lido como “cem” (meá), as cem bênçãos que a pessoa deve recitar todos os dias (Menachot 43b). A palavra mah se tornará uma chave para toda a resposta.
דהנה הברכה יש בה נוכח ונסתר (ועיין מזה בפע״ח [בפרי עץ חיים] שער הברכות פרק שני) בא״י [ברוך אתה ה׳] היינו נוכח4
Pois uma bênção contém tanto o tratamento direto quanto a forma oculta [na terceira pessoa] (veja também sobre isso em Pri Etz Chaim, Sha’ar HaBerachos, capítulo dois). “Bendito és Tu, Havayá” é tratamento direto,
Toda bênção combina duas formas de expressão: dirige-se a D'us diretamente (“Bendito és Tu”) e, em seguida, fala d'Ele na terceira pessoa oculta (“que nos santificou”); o Alter Rebe remete aos ensinamentos do Arizal em Pri Etz Chaim a esse respeito. “Bendito és Tu” é o tratamento direto.
כי ואתה מחיה את כולם ע״י אותיות שמא׳ ועד תי״ו ובמחשבה א׳ ברא את כל העולם שבו רבוא רבבות ברואים לאין קץ ותכלית גבוה מעל13
pois “Tu dás vida a todos” por meio das letras, de alef a tav, e com um único pensamento Ele criou o mundo inteiro, no qual há miríades sobre miríades de criaturas, sem fim nem limite, “acima de
O tratamento direto corresponde à Divindade que dá vida a toda a criação por meio das “letras” divinas, de alef a tav, pelas quais tudo é formado. Com um único pensamento divino, o mundo inteiro foi criado, com sua multidão interminável de criaturas, cada nível mais elevado que o seguinte.
גבוה5 כמ״ש וקדושים בכל יום יהללוך סלה שאחר שאומרים סדר קדושה של המלאכים שאומרים קדוש וברוך כו׳ אח״כ אומרים וקדושים הם הנשמות יהללוך סלה לאין קץ6 כו׳
acima”, como está escrito: “E os santos Te louvam todos os dias, selá”: depois de recitarmos a ordem da Kedushá dos anjos, que dizem “Santo” e “Bendito”, etc., dizemos em seguida: “E os santos” — isto é, as almas — “Te louvam, selá”, sem fim, etc.
A oração “E os santos Te louvam todos os dias, selá” vem depois da Kedushá dos anjos, com “Santo” e “Bendito”; o Alter Rebe interpreta “santos” como as almas, cujo louvor é “selá”, sem fim. Assim, também as almas ascendem sem fim, de nível em nível.
הגם שבספרים לא נזכר אלא ב׳ בחי׳ ג״ע [גן עדן] התחתון ועליון ואף גם על ג״ע [גן עדן] תחתון אמרו באחר מוטב דלידייניה7 כו׳
Embora nos livros sejam mencionados apenas dois níveis, o Gan Eden inferior e o superior, e mesmo a respeito do Gan Eden inferior disseram sobre Acher: “É melhor que seja julgado”, etc.,
Os livros geralmente mencionam apenas dois níveis de Gan Eden, o inferior e o superior. Ainda assim, até mesmo a entrada no Gan Eden inferior exige julgamento prévio, como disse Rabi Meir a respeito de Acher (Elisha ben Avuyah): “É melhor que seja julgado” e depois entre no Mundo Vindouro (Chagigá 15b).
וק״ו [וקל וחומר] על ג״ע [גן עדן] העליון ובאמת יש עוד רבבות מדרגות בעילוי אחר עילוי לאין קץ ות״ח [ותלמיד חכם / ותלמידי חכמים] אין להם מנוחה89 כו׳ וגם במלאכים אלף אלפין גדוד10 א׳ והגדודים אין להם מספר והכל נמשך ממחשבה אחת
quanto mais a respeito do Gan Eden superior — na verdade, há ainda miríades de níveis, uma elevação acima da outra, sem fim, e “os estudiosos da Torá não têm repouso”, etc. Também entre os anjos, “mil milhares” constituem uma tropa, e as tropas são incontáveis. E tudo isso provém de um único pensamento.
Se até mesmo o Gan Eden inferior é tão elevado, mais ainda o superior; e, na verdade, há inúmeros níveis além dele, razão pela qual “os estudiosos da Torá não têm repouso” nem mesmo no Mundo Vindouro (Berachot 64a). Os anjos também são incontáveis: “mil milhares” constituem apenas uma tropa (Chagigá 13b). E tudo isso surgiu de um único pensamento divino.
ולכן הכל כלא חשיב קמיה ית׳11 כמו עד״מ באדם מחשבה א׳ הוא כלא חשיב אפילו
Por isso, tudo é considerado como nada diante d'Ele, bendito seja — como, por exemplo, numa pessoa, um único pensamento é considerado como nada, mesmo
Portanto, toda a criação é “como nada” diante de D'us. A analogia é que, numa pessoa, um único pensamento é como nada mesmo em comparação com a própria faculdade do pensamento.
רק נגד כח המחשבה שהן כ״ב אותיות שבנפש המדברת שיוכל לחשוב בהן מחשבות לאין קץ ותכלית, ואצ״ל [ואין צריך לומר] לגבי עצמות הנפש שגם כללות כח המחשבה הוא רק לבוש לבד כו׳.121415
meramente em relação ao poder do pensamento, que são as vinte e duas letras da alma falante, com as quais se pode pensar pensamentos sem fim nem limite; e, não é preciso dizer, em relação à essência da alma, pois até mesmo o poder do pensamento como um todo é apenas uma vestimenta etc.
O poder do pensamento, composto pelas vinte e duas letras da alma humana, pode produzir pensamentos sem fim; por isso, um pensamento nada representa em comparação com ele. Quanto mais em comparação com a essência da alma, para a qual até mesmo todo o poder do pensamento é apenas uma vestimenta.
O parágrafo pergunta por que D'us criou as kelipot e começa a resposta por meio das cem bênçãos: o “Tu” de uma bênção dirige-se à Divindade que cria e vivifica todos os mundos; ainda assim, toda a criação, por mais vasta que seja, provém de um único “pensamento” divino e é como nada diante d'Ele.
A ideia de que todos os mundos provêm de um único pensamento aparece no Midrash HaNe’elam do Zohar (2:20a): “todos os mundos surgiram em um único pensamento, e com esse pensamento todos foram criados”, o que ele relaciona a “Tu fizeste todos eles com sabedoria”. A expressão do Zohar “tudo diante d'Ele é considerado como nada” (1:11b) situa a analogia de um único pensamento no âmbito da faculdade de pensamento da alma.
Marei mekomot
- 1ועתה ישראל מה ה׳ אלקיך · שם י, יב.
- 2ועתה ישראל מה ה׳ אלקיך שואל מעמך כ״א ליראה · Deuteronomy 10:12
- 3אל תקרי מה אלא מאה · Zohar, Terumah 2:12–4:23
- 4בא״י היינו נוכח · באוה״ת פ׳ מסעי שם נמצא הג״ה לכאן.
- 5גבוה מעל גבוה · Ecclesiastes 5:7
- 6סלה לאין קץ · Eruvin 54a:12–13
- 7מוטב דלדייני׳ · Chagigah 15b:3
- 8ות״ח אין להם מנוחה · סוף ברכות. וש״נ.
- 9ות״ח אין להם מנוחה · Berakhot 64a:12–13
- 10אלף אלפין גדוד א׳ והגדודים אין להם מספר · Chagigah 13b:13
- 11הכל כלא חשיב קמי׳ ית׳ · Zohar I, 11b
- 12וארז״ל א״ת מה אלא מאה · Menachot 43b:15–17
- 13ובמחשבה אחת ברא את כל העולם · Zohar II, 20a
- 14וקדושים בכ״י יהללוך סלה · נוסח התפלה.
- 15אלף אלפים . . מספר · חגיגה יג, סע״ב.
5וזהו ענין הבקשה ברוך אתה ברכה הוא המשכה וגילוי בחינות אותיות המחשבה היינו הכ״ב אותיות עצמן כח המחשבה כו׳ ונק׳ אתה לשון נוכח כי זהו המשכת בחי׳ ממכ״ע [ממלא כל עלמין].
E este é o significado do pedido “Bendito és Tu”: bênção é uma atração e revelação dos aspectos das letras do pensamento, isto é, das próprias vinte e duas letras, a força do pensamento, etc. E é chamada “Tu”, uma forma de tratamento direto, pois isto é a atração do nível da luz que preenche todos os mundos (memalê kol almin).
O Alter Rebe explica agora as duas partes de uma bênção. “Bendito” significa atrair e revelar as “letras do pensamento” divinas, o poder criativo que traz os mundos à existência; diz-se “Tu”, dirigindo-se a D'us diretamente, porque isto é a Divindade que preenche todos os mundos (memalê kol almin), presente em cada criatura e dando-lhe vida.
ואח״כ אשר קדשנו בלשון נסתר1 הוא בחי׳ סוכ״ע שהמחשבה היא בטלה לגבי עצמיות אור א״ס ב״ה וכמו בנפש ביטול מחשבה לגבי השכל שגם כח המחשבה הוא
E depois, “que nos santificou”, na forma oculta [da terceira pessoa], é o nível da luz que circunda todos os mundos (sovev kol almin), onde o pensamento é anulado diante da própria essência da Luz Infinita (Or Ein Sof), bendito seja Ele. Assim como na alma [há] a anulação do pensamento diante do intelecto, pois até mesmo a força do pensamento é
“Que nos santificou” fala de D'us na terceira pessoa oculta, porque se refere à Divindade que circunda todos os mundos (sovev kol almin), diante de cuja essência até mesmo o “pensamento” criativo é anulado. A alma humana oferece um paralelo: o pensamento da pessoa é anulado diante de seu intelecto.
רק בחי׳ לבוש הנפש משא״כ השכל הוא מבחי׳ עצמיות הנפש ואצ״ל [ואין צריך לומר] לגבי למעלה מהשכל וק״ו [וקל וחומר] לגבי עצמיות הנפש, וכך הוא ביטול המחשבה לגבי הרצון עליון שלמעלה מהמחשבה, ויש גם למעלה מהרצון כו׳
apenas o nível de uma vestimenta da alma, ao passo que o intelecto é da essência da alma; e nem é preciso dizer [que o pensamento é anulado] diante do que está acima do intelecto, e com muito mais razão diante da essência da alma. Assim também é a anulação do pensamento diante da Vontade Suprema, que está acima do pensamento; e há também [o que está] acima da vontade, etc.
O pensamento é apenas uma vestimenta da alma, ao passo que o intelecto pertence à essência da alma; acima do intelecto estão os poderes superiores e a própria essência. Do mesmo modo, o pensamento criativo de D'us é anulado diante da Vontade Suprema, que está acima do pensamento, e há algo ainda superior à vontade.
וע״י המצות שהם רצון2 עליון ממשיכים גילוי א״ס ב״ה, דהיינו המשכת בעל הרצון בעל המחשבה
E por meio das mitsvot, que são a Vontade Suprema, atrai-se uma revelação do Infinito (Ein Sof), bendito seja Ele — isto é, a atração do Senhor da vontade, o Senhor do pensamento.
As mitsvot são a própria Vontade Suprema; portanto, ao cumpri-las, a pessoa atrai uma revelação do Infinito: não apenas o pensamento criativo, mas Aquele que possui a vontade e o pensamento.
(והנה במ״א נתבאר שזהו ענין שבחרו רז״ל [רבותינו זכרונם לברכה]3 לקרוא את הבורא ית׳ בשם הקב״ה יותר מבשאר שמות והיינו לפי שקדוש וברוך זהו ענין ב׳ בחי׳ אלו דסוכ״ע וממכ״ע [וממלא כל עלמין] כמ״ש מזה בד״ה קא מיפלגי במתיבתא דרקיע4 אם בהרת5 כו׳
(Ora, foi explicado em outro lugar que este é o motivo pelo qual nossos Sábios, de abençoada memória, escolheram chamar o Criador, bendito seja Ele, pelo nome “o Santo, bendito seja Ele” mais do que por outros nomes: porque “Santo” e “Bendito” são esses dois níveis, a luz que circunda todos os mundos e a luz que preenche todos os mundos, como está escrito a respeito disso no discurso que começa “Disputavam na Academia Celestial: se a mancha branca”, etc.,
Entre parênteses, o Alter Rebe recorda por que os Sábios chamam D'us de “o Santo, bendito seja Ele”: “Santo” corresponde à luz que circunda todos os mundos, e “Bendito”, à luz que os preenche. Ele desenvolveu isso em seu discurso sobre o relato talmúdico da disputa na Academia Celestial (Bava Metzia 86a).
עד הקב״ה אומר טהור כו׳ ע״ש ולכן נגד ב׳ בחי׳ הללו בא בהברכה לשון נכח בברוך אתה ולשון נסתר באשר קדשנו כו׳ והיינו פי׳ הקדוש ברוך הוא)
até “o Santo, bendito seja Ele, diz: puro”, etc.; veja ali. Portanto, em correspondência com esses dois níveis, a bênção emprega a forma de tratamento direto em “Bendito és Tu” e a forma oculta [da terceira pessoa] em “que nos santificou”, etc. E este é o significado de “o Santo, bendito seja Ele”.)
Naquele relato, a Academia Celestial discutiu uma lei de tsaraat até que “o Santo, bendito seja Ele, diz: puro”. Como a bênção deve alcançar ambos os níveis, ela combina o tratamento direto (“Bendito és Tu”) com a terceira pessoa oculta (“que nos santificou”); juntos, eles expressam o significado do nome “o Santo, bendito seja Ele”.
והכח הזה במצות הוא לפי שנשפלו במעשה וסוף מעשה6 במחשבה תחלה וכמ״ש צחוק עשה לי7 אלהים שם אלהים דייקא הגורם להיות בחי׳ יש הוא העושה צחוק ותענוג למעלה ע״י הביטול ש היש בטל אח״כ
E este poder das mitsvot se deve ao fato de elas terem descido até a ação, e “o último na ação foi o primeiro no pensamento”. Como está escrito: “Elokim fez-me rir”: especificamente o Nome Elokim, que causa o nível de algo (yesh), é o que provoca riso e deleite no Alto, por meio da anulação, quando esse algo é posteriormente anulado.
As mitsvot possuem esse poder porque descem até a ação física, e, como diz o hino Lecha Dodi, “o último na ação foi o primeiro no pensamento”: aquilo que vem por último na execução estava primeiro na intenção de D'us. As palavras de Sara, “Elokim fez-me rir” (Genesis 21:6), ensinam que o Nome Elokim, que permite à criação existir como um “algo” aparentemente separado, provoca riso e deleite no Alto quando esse “algo” é posteriormente anulado.
וזהו לויתן זה יצרת8 כו׳ פי׳ לויתן לשון התחברות שהוא התחברות יש לאין שהגשמיות בטל לרוחניות יצרת לשחק בו שמזה נעשה שחוק וחדוה למעלה (ועמ״ש פ׳ פנחס בד״ה צו9 את בנ״י [בני ישראל] כו׳).
E este é o sentido de “Leviatã, que formaste”, etc. Isto é, Leviatã denota união: é a união do algo com o nada, pois a materialidade é anulada diante da espiritualidade. “Formaste para brincar com ele”: disso surgem o riso e a alegria no Alto (e veja o que está escrito na Parashá Pinchas, no discurso que começa “Ordena aos filhos de Israel”, etc.).
O versículo “Leviatã, que formaste para brincar com ele” (Psalms 104:26) expressa a mesma ideia. O Alter Rebe interpreta o nome Leviatã como “união” (assim como Lea chamou Levi, dizendo: “desta vez meu marido se unirá a mim”, Genesis 29:34): a união do “algo” físico com o “nada” divino; e o “brincar” de D'us, Seu riso e alegria, decorre dessa união.
וזהו אל תהי ברכת הדיוט10 קלה11 כו׳ פי׳ שהוא ההעלאות מענינים גשמיים שבעוה״ז שהן נק׳ מילין דהדיוטא12 ואל תהי קלה
E isto é: “Que a bênção de uma pessoa simples não seja considerada insignificante”, etc. Isto é, são as elevações provenientes de assuntos físicos deste mundo, chamados “palavras de uma pessoa simples”; “e que não seja considerada insignificante”,
Os Sábios disseram: “Que a bênção de uma pessoa simples não seja considerada insignificante aos teus olhos” (Megillah 15a). O Alter Rebe interpreta “a bênção de uma pessoa simples” como a elevação que provém dos assuntos físicos e cotidianos deste mundo, que o Zohar chama de “palavras de uma pessoa simples”.
כי ע״י ביטול היש עי״ז דוקא נעשה הברכה וההמשכה מלמעלה ולכן נק׳ ברכת הדיוט כו׳
pois, por meio da autoanulação do algo — especificamente por meio disso — sobrevêm a bênção e a emanação do alto. Por isso ela é chamada “a bênção de uma pessoa simples”, etc.
Essa “bênção” não deve ser considerada insignificante, pois é justamente a autoanulação do “algo” físico que faz descer a bênção do alto. É por isso que ela é chamada “a bênção de uma pessoa simples”.
[ועיין מענין ברכת הדיוט ברע״מ [ברעיא מהימנא] נשא (קכ״א ב׳) ור״פ תצא ובפי׳ הרמ״ז [הרב משה זכות] שם ושם ועמ״ש בד״ה ושאבתם מים1314 בענין אע״פ [אף על פי] שהאש יורד מלמעלה מצוה להביא מן ההדיוט].
[E veja sobre o tema da “bênção de uma pessoa simples” em Raaya Mehemna, Naso (fólio 121, lado b), no início de Parshas Teitzei e no comentário do Ramaz sobre ambos os trechos; e veja o que está escrito no discurso que começa “E tirareis água”, a respeito do ensinamento de que, embora o fogo desça do alto, é uma mitsvá trazer [fogo] de uma pessoa simples.]
Esta nota entre colchetes remete o leitor a Raaya Mehemna sobre Naso, ao início de Parshas Teitzei e ao comentário do Ramaz sobre ambos os trechos, bem como ao discurso “E tirareis água”. Esse discurso trata do ensinamento de que, embora o fogo descesse do céu sobre o altar, ainda assim é uma mitsvá trazer fogo comum.
וזהו יסוד כל המצות כמו צדקה שנותן ממונו שייגע עליו בכל רמ״ח אברים ונותנו לעני ועושה מיש לאין ולכן ארז״ל [אמרו רבותינו זכרונם לברכה] בכל מאדך בכל ממונך.151617
E este é o fundamento de todas as mitsvot. Por exemplo, a tsedacá: a pessoa dá seu dinheiro, pelo qual trabalhou com todos os seus 248 membros, e o entrega a um pobre; assim, transforma o algo em nada. Por isso nossos Sábios, de abençoada memória, disseram: “com toda a tua força (me’odecha)” — “com todo o teu dinheiro”.
Este é o fundamento de todas as mitsvot, e a tsedacá o demonstra com especial clareza: a pessoa doa o dinheiro pelo qual trabalhou arduamente com todo o corpo e, assim, transforma seu “algo” em “nada”. É por isso que a Mishná interpreta “com toda a tua força” (me’odecha) como “com todo o teu dinheiro”.
O parágrafo explica a fórmula da bênção: “Bendito és Tu” atrai a Divindade que preenche todos os mundos, e “que nos santificou”, a Divindade que os circunda, alcançada por meio das mitsvot, a vontade de D'us. As mitsvot têm esse poder porque descem até a ação física, onde a anulação do “algo” físico traz alegria e bênção no Alto.
O Raaya Mehemna sobre Naso (3:121b) cita “não consideres leviana a bênção de um homem comum”, chamando de “homem comum” diante de seu Mestre o anjo Michael, o sumo sacerdote no Alto. O Zohar sobre Beha’alotcha (3:149b) diz que um rei não se rebaixaria a contar “palavras de um homem comum”; portanto, os relatos da Torá não podem ser meras histórias. O Alter Rebe aplica a expressão às questões físicas que a pessoa eleva.
Marei mekomot
- 1אשר קדשנו בלשון נסתר · ראה הערת כ״ק אדמו״ר בסה״מ ה׳ש״ת ע׳ 148.
- 2וע״י המצות שהם רצון העליון · קטע מכאן מובא בסה״מ תרל״ג ח״א ע׳ עדר.
- 3שבחרו רז״ל · ברכות (ו, א-ב. ז, א-ב). ב״מ (פו, א). [כ].
- 4בד״ה קא מיפלגי במתיבתא דרקיע · לקו״ת פ׳ תזריע כב, ג.
- 5קא מיפלגי במתיבתא דרקיע אם בהרת · Bava Metzia 86a:6–7
- 6סוף מעשה במח׳ תחלה · פיוט לכה דודי.
- 7צחוק עשה לי אלקים · Genesis 21:6
- 8לויתן זה יצרת · Psalms 104:26
- 9פ׳ פינחס בד״ה צו · לעיל עז, ג. בסה״מ תרל״ג ע׳ ערה מבאר ענין השחוק.
- 10ברכת הדיוט · Zohar, Nasso 1:4–3:17
- 11אל תהי ברכת הדיוט קלה · Berakhot 7a:4
- 12נק׳ מלין דהדיוטא · Zohar III, 149b
- 13בד״ה ושאבתם מים · לקמן לקו״ת סוכות עט, ב.
- 14ושאבתם מים · Isaiah 12:3
- 15בכל מאדך בכל ממונך · Zohar III, 267a
- 16בכל מאדך בכל ממונך · Mishnah Berakhot 9:5
- 17לויתן ל׳ התחברות · Genesis 29:34
Amor ilimitado e bitul ¶6–9
6ובאמת פי׳ מאדך הוא האהבה בלי גבול אך הענין ששניהם אמת. כי הנה ארז״ל [אמרו רבותינו זכרונם לברכה] טוב זה יצ״ט [יצר טוב]1 מאד זה יצה״ר [יצר הרע],2 והטעם
Na verdade, o significado de “com toda a tua força” (me’odecha) é amor sem limites. Mas a explicação é que ambas as interpretações são verdadeiras. Pois nossos Sábios, de abençoada memória, disseram: “‘Bom’ — isto é a inclinação para o bem; ‘muito’ (me’od) — isto é a inclinação para o mal.” E a razão
Na verdade, o Alter Rebe diz que “com todo o teu me’od” significa amor sem limites, pois me’od quer dizer “muito”, além de toda medida; contudo, a interpretação “com todo o teu dinheiro” também é verdadeira. A relação está no ensinamento dos Sábios de que, em “muito bom” (Gênesis 1:31), “bom” é a inclinação para o bem e “muito” é a inclinação para o mal.
כי הנפש עם היות שהיא חלק אלוה ממעל מ״מ היא מוגבלת3 והאהבה שלה היא בבחי׳ גבול ומדה וא״א לה להגיע לבחי׳ מאד שהוא בלי גבול ולהתכלל בא״ס ב״ה שאין לו תחלה ותכלה
é que a alma, embora seja “uma parte de D'us acima”, é, ainda assim, limitada, e seu amor tem medida e limite; por isso, não lhe é possível alcançar o nível de me’od (“muito”), que é sem limites, nem ser incluída no Infinito (Ein Sof), bendito seja Ele, que não tem princípio nem fim,
A razão é que a alma divina, embora seja “uma parte de D'us acima”, é, ainda assim, um ser criado e limitado; portanto, o amor que lhe é próprio tem medida. Por si só, ela não pode alcançar o me’od ilimitado nem ser incluída no Infinito, que não tem princípio nem fim.
אלא ע״י נפש הבהמית דוקא כאשר גם היא נהפכת ממרירו למיתקא4 וחפיצה וחשקה לדבקה בו ית׳ שאהבה זו היא בלי גבול.5
a não ser especificamente por meio da alma animal, quando também ela é transformada de amargor em doçura e deseja e anseia apegar-se a Ele, bendito seja; pois esse amor é sem limites.
Somente a alma animal, quando também ela se transforma de amargo em doce e passa a ansiar por D'us, produz amor sem limites. É por isso que a inclinação para o mal é chamada me’od: uma vez transformada, sua força se torna um amor sem limites.
O parágrafo mostra que ambas as interpretações de “com toda a tua força” são verdadeiras: me’od é amor sem limites, e esse amor provém especificamente da alma animal depois de transformada, pois o amor próprio da alma divina é limitado.
A introdução do Zohar (1:4a) louva aqueles que “transformam a escuridão em luz e provam o amargo como doce”; daí provém a expressão “de amargor em doçura”. O Zohar sobre Yisro (2:68b) também interpreta “bom” e “muito”, em “muito bom”, como o anjo da vida e o anjo da morte.
Marei mekomot
- 1טוב זה יצ״ט · Zohar II, 68b
- 2טוב זה יצ״ט מאד זה יצה״ר · Kohelet Rabbah 3:11:3
- 3חלק — מוגבלת · על״ק בדרושים לר״ה (סב, ד). [כ].
- 4נהפכת ממרירו למיתקא · Zohar I, 4a
- 5חלק אלו-ה ממעל · Job 31:2
7וכמשל מרוצת המים כשבוקעים ההסתר שהיה מסתיר ומעכב ומונע את מרוצתם שאז הוא בתגבורת עצומה כו׳.
É como a analogia do ímpeto da água quando ela rompe o ocultamento que a encobria, continha e impedia seu fluxo: então ela irrompe com força imensa, etc.
Uma analogia: a água retida por um obstáculo acumula força e, ao rompê-lo, precipita-se com enorme potência. Assim também a alma animal: quando aquilo que a ocultava e a continha é rompido, seu amor por D'us irrompe sem limites.
והיינו ג״כ ענין א׳ עם משנ״ת [מה שנתבאר] לעיל שע״י ביטול היש דוקא הוא שנתעורר למעלה בחי׳ א״ס.
E isso também é um mesmo assunto que aquilo que foi explicado acima: é especificamente por meio da anulação do ser existente que o nível do Infinito (Ein Sof) é despertado no alto.
Este é o mesmo princípio explicado anteriormente: o Infinito é despertado no alto especificamente por meio da anulação do “ser existente” físico. Em ambos os casos, romper a barreira do próprio eu libera algo ilimitado.
Uma analogia para explicar por que o amor da alma animal transformada não tem limites: a água que rompe um obstáculo irrompe com grande força. É o mesmo princípio mencionado anteriormente: anular o “ser existente” desperta o Infinito no alto.
8וזהו ענין הממון בבחי׳ בכל מאדך וכמ״ש צדקה תרומם1 גוי שעי״ז תבוא נה״ב [נפש הבהמית] לבחי׳ בכל מאדך כו׳.
E este é o sentido do dinheiro estar no nível de “com toda a tua força (me’odecha)”, como está escrito: “A caridade exalta uma nação”; pois, por meio disso, a alma animal chega ao nível de “com toda a tua força” etc.
É por isso que o dinheiro pertence a “com toda a tua força”. Provérbios diz: “A caridade exalta uma nação”, e o Alter Rebe interpreta isso como a caridade elevando a alma animal ao nível do amor ilimitado.
ועד״ז הוא כל מעשה המצות מיש לאין והם היפוך מבחי׳ מדבר שהוא הב הב2 ולא להשפיע כו׳
Da mesma forma, toda a realização das mitsvot transforma algo em nada, e elas são o oposto do aspecto do deserto, que diz: “Dá, dá!”, e não concede, etc.
As mitsvot também transformam o “algo” físico em “nada”, entregando-o a D'us. Isso é exatamente o oposto do deserto, a fonte da kelipá, que diz: “Dá, dá!”, mas nada concede.
וזהו מה ה׳ אלקיך שואל מעמך3 פי׳ מה היינו בחי׳ ביטול לעשות מיש אין דהיינו שלא יהיה נחשב יש ודבר בפ״ע [בפני עצמו] לומר כך אני רוצה
E este é [o sentido de] “O que (mah) Havayá, teu D'us, pede de ti”: mah, “o que”, é o nível de autoanulação (bitul) — transformar algo em nada; isto é, que a pessoa não seja considerada algo, uma entidade por si mesma, a ponto de dizer: “Isto eu quero
Aqui, o Alter Rebe retoma “O que (mah) Havayá, teu D'us, pede de ti”. Mah significa bitul: fazer de si mesmo “nada”, não se considerar uma entidade independente, com exigências próprias.
וזה איני רוצה כו׳ כ״א להיות משים עצמו כשיריים45 שלא יתפוס מקום כלל כאלו הוא אין ואפס ממש וזהו בחי׳ מ״ה [שם מ״ה].
e isto eu não quero” etc.; mas, em vez disso, que faça de si mesmo como sobras, de modo que não ocupe espaço algum, como se fosse verdadeiramente nada e nulidade. E este é o nível de Mah.
Em vez disso, a pessoa deve considerar-se como “sobras” — a imagem talmúdica da humildade (Rosh Hashanah 17b) —, sem ocupar espaço algum, como se fosse nada. Este é o nível de Mah, o “que” que D'us pede da pessoa.
A caridade e todas as mitsvot transformam o “algo” físico em “nada”, o oposto do “dá, dá” do deserto. Essa autoanulação é o sentido de “O que (mah) D'us pede de ti”: considerar-se nada.
O Talmud (Rosh Hashanah 17a–b) interpreta “o remanescente de Sua herança”, em Miqueias, como aquele “que faz de si mesmo como sobras”, origem da imagem de não ocupar espaço algum.
Marei mekomot
- 1צדקה תרומם · Proverbs 14:34
- 2הב הב · Proverbs 30:15
- 3מה ה׳ אלקיך שואל מעמך · Deuteronomy 10:12
- 4משים עצמו כשיריים · ר״ה יז, ריש ע״ב.
- 5משים עצמו כשיריים · Rosh Hashanah 17b:1–3
9ועמ״ש סד״ה מה טובו. וכדי לבוא לבחי׳ מה וביטול תיקנו מאה ברכות שהם המשכות מלמעלה בנפש בחי׳ אתעדל״ע [אתערותא דלעילא] הנותן כח להיות אתעדל״ת [אתערותא דלתתא] וביטול היש.
E veja o que está escrito no final do discurso que começa com “Quão boas”. E, para alcançar o nível de Mah e a autoanulação (bitul), instituíram cem bênçãos, que são emanações do Alto para dentro da alma, o nível de um despertar do alto, que concede a força para que haja um despertar de baixo e a anulação da existência.
O Alter Rebe faz referência ao final de seu discurso “Quão boas”. Para conduzir a pessoa ao bitul, os Sábios instituíram cem bênçãos diárias; cada uma delas atrai a Divindade do Alto para dentro da alma, e esse despertar do alto dá à pessoa a força para seu próprio despertar de baixo e sua autoanulação.
עמ״ש בד״ה ואתחנן מענין ברכת המצות וגם שע״י מאה ברכות נמשך אח״כ להיות מבחי׳ מ״ה [שם מ״ה] בחי׳ מאה בתוספת אות א׳ שמקור המשכה זו הוא מבחי׳
Veja o que está escrito no discurso que começa com “E supliquei”, sobre o tema da bênção pelas mitsvot, e também que, por meio das cem bênçãos, é depois atraída [a força] para que o nível de Mah se torne o nível de meá (“cem”), com o acréscimo da letra alef; pois a fonte dessa emanação é o nível
Ele também faz referência ao discurso “E supliquei”, sobre as bênçãos pelas mitsvot. Por meio das cem bênçãos, mah (“o quê”, bitul) torna-se meá (“cem”): as mesmas letras, com o acréscimo de um alef, pois a fonte dessa emanação é o nível mais oculto.
שהוא סתימו דכל סתימין וכמ״ש בזהר פ׳ חיי שרה (דקכ״ג ע״א)1 בענין מאה ברכאן מאתר עילאה סתימא דכל סתימין2 כו׳ ועמ״ש מזה בפ׳ תולדות בביאור ע״פ מים רבים בסופו,
que é “o mais oculto de todos os ocultos”, como está escrito no Zohar, Parashat Chayei Sarah (fólio 123, lado a), sobre o tema das cem bênçãos: “do lugar superno, o mais oculto de todos os ocultos”, etc. E veja o que está escrito sobre isso em Parashat Toldot, no final da explicação sobre o versículo “Muitas águas”.
O Zohar sobre Chayei Sarah (123a) relaciona as cem bênçãos diárias com “o lugar superno, o mais oculto de todos os ocultos”. O Alter Rebe também faz referência ao final de sua explicação sobre “Muitas águas”, em Parashat Toldot.
וזהו ענין אל״ף אותיות פלא, ועיין בפע״ח [בפרי עץ חיים] שער הברכות פ״א ולהיות המשכה זו הוא ע״י בחי׳ ביטול היש שנמשך מבחי׳ מ״ה [שם מ״ה]
E este é o significado de alef, cujas letras formam pele (“maravilha”). E veja Pri Etz Chaim, Sha’ar HaBerachos, capítulo 1. E, como essa emanação ocorre por meio do nível da anulação da existência, que é atraída do nível de Mah,
A letra alef, quando escrita por extenso (alef-lamed-pei), contém as mesmas letras que pele, “maravilha”, o nível oculto que está além da apreensão; acrescentá-la a mah produz meá. Como essa emanação depende do bitul, que flui do nível de Mah, perder esse bitul é insensatez, conforme explica a parte seguinte.
ולכן ארז״ל [אמרו רבותינו זכרונם לברכה] איזהו שוטה המאבד3 מה שנותנין לו כו׳ וכמ״ש במ״א ולכן כל גיאה שהוא היפך מבחי׳ מ״ה [שם מ״ה] נקרא שוטה כו׳.4
por isso nossos Sábios, de abençoada memória, disseram: “Quem é um tolo? Aquele que perde o que lhe é dado”, etc., como está explicado em outro lugar. E, por isso, todo arrogante, que é o oposto do nível de Mah, é chamado de tolo, etc.
Os Sábios disseram que um tolo é “aquele que perde o que lhe é dado” (Chagigah 4a); segundo a nota da Kehot, o Maguid de Mezeritch explicou que se trata de quem perde o brilho do Nome Mah dentro de si. Portanto, todo orgulhoso, por ser o oposto de Mah, é chamado de tolo.
As cem bênçãos, instituídas para conduzir a pessoa ao bitul (Mah), atraem um despertar do alto proveniente do nível mais oculto, de modo que mah se torne meá. O orgulho, por ser o oposto de Mah, é portanto insensatez: a perda daquilo que foi dado à pessoa.
O Zohar sobre Chayei Sarah (1:123a) explica os “cem anos” de Sarah por meio do mistério das cem bênçãos recitadas diariamente, pelas quais o Santo, bendito seja Ele, é incluído “do lugar superno, o mais oculto de todos os ocultos”. O Zohar sobre Terumah (2:127a) chama o nível inferior de Mah e acrescenta: “não leia mah, mas meá”, pois todos os níveis superiores estão completos ali.
Marei mekomot
- 1וכמ״ש בזהר פ׳ חיי שרה דקכ״ג ע״א · נתבאר באוה״ת פ׳ שמות ע׳ פב. אוה״ת נ״ך-ב ע׳ א׳מז.
- 2מאה ברכאן מאתר עילאה סתימא דכל סתימין · Zohar, Chayei Sara 5:23–6:28
- 3איזהו שוטה המאבד · Chagigah 4a:1–2
- 4מה היינו בחי׳ ביטול לעשות מיש אין · מובא בביאוה״ז להצ״צ ח״א ע׳ עט. ובאוה״ת בראשית-א דף קכא, ב.
Mitsvot e Torá ¶10–11
10והנה מבואר לעיל שכל מעשה המצות הוא בחי׳ ביטול היש ועי״ז נמשך בהם ג״כ גילוי א״ס ב״ה מלמעלה למטה.
Ora, foi explicado acima que toda a prática das mitzvot corresponde ao nível da autoanulação do existente e que, por meio disso, uma revelação do Infinito (Ein Sof), bendito seja Ele, também é atraída para elas de cima para baixo.
Como explicado acima, cada mitzvá é um ato de anulação do “existente” físico; por meio dela, uma revelação do Infinito é atraída para as mitzvot, de cima para baixo.
ולכן נק׳ רמ״ח אברים1 כמשל האבר שהוא כלי לחיות הנפש ות״ת [ותלמוד תורה] כנגד כולם23 כי ותורתך בתוך מעי4 כתיב שהיא בחי׳ מזון לנפש.
Por isso, elas são chamadas de “248 membros”, à semelhança de um membro, que é um recipiente para a força vital da alma. E “o estudo da Torá equivale a todos eles”, pois está escrito: “e Tua Torá está dentro de minhas entranhas”; ela é o nível de alimento para a alma.
É por isso que os 248 mandamentos positivos são chamados de “membros” (o Tikkunei Zohar os chama de membros do Rei): um membro é um recipiente para a força vital da alma, e cada mitzvá é um recipiente para a divindade. O estudo da Torá, que “equivale a todos eles” (Mishnah Peah 1:1), é diferente: é alimento — “Tua Torá está dentro de minhas entranhas” (Psalms 40:9) —, nutrindo a alma por dentro.
As mitzvot são “membros”, recipientes para os quais a divindade é atraída, enquanto o estudo da Torá é “alimento” que nutre a alma interiormente. Isso prepara o contraste entre os dois no parágrafo seguinte.
Marei mekomot
- 1נק׳ רמ״ח אברים · ראה ת״ז ת״ל.
- 2ות״ת כנגד כולם · פאה א, א.
- 3ות״ת כנגד כולם · Mishnah Peah 1:1
- 4ותורתך בתוך מעי · Psalms 40:9
11ולכן ארז״ל [אמרו רבותינו זכרונם לברכה] ויתר הקב״ה1 על עבודת כוכבים וג״ע [וגילוי עריות] וש״ד [ושפיכות דמים] ולא ויתר על ביטול תורה23 לפי שהמצות מעשיות הם בחי׳ המשכה באברים החיצונים
Portanto, nossos Sábios, de abençoada memória, disseram: o Santo, bendito seja Ele, tolerou a idolatria, as relações proibidas e o derramamento de sangue, mas não tolerou o abandono do estudo da Torá. Pois as mitsvot práticas correspondem ao nível da extensão para os membros externos;
Os Sábios (Talmud de Jerusalém, Chaguigá 1:7; Eichah Rabbah) dizem que D'us tolerou até mesmo a idolatria, as relações proibidas e o derramamento de sangue, mas não o abandono do estudo da Torá. O Alter Rebe explica por quê: as mitsvot práticas atraem a divindade para os “membros externos”.
ולכן ויתר עליהם עד״מ בגשמיות כי גם כשהוא מחוסר אבר חיצוני יכול הוא לחיות רק שיהיה בעל מום כו׳, ולא ויתר על ביטול תורה שהוא בחי׳ אברים הפנימים ונקיבתם במשהו4 כו׳
por isso, Ele as tolerou — a título de analogia em termos físicos: mesmo quando uma pessoa perde um membro externo, pode continuar viva, apenas ficará com uma deficiência, etc. Mas Ele não tolerou o abandono do estudo da Torá, que corresponde ao nível dos órgãos internos, cuja perfuração, mesmo que mínima, [é fatal], etc.
Em termos físicos, uma pessoa que perde um membro externo ainda pode viver, embora fique com uma deficiência; a Torá, porém, é como os órgãos internos, nos quais, segundo as leis que determinam se um animal é trefá, uma perfuração de qualquer tamanho é fatal. Assim, o abandono do estudo da Torá interrompe a vida interior da alma.
ואמנם עסק התורה צ״ל ג״כ בבחי׳ ביטול הנ״ל, וכמ״ש במ״א שלכך נאמר ודברת בם5 סמוך לובכל נפשך ובכל מאודך6 כו׳
No entanto, o estudo da Torá também deve ser realizado com a autoanulação (bitul) mencionada acima, como é explicado em outro lugar: é por isso que “e falarás delas” aparece imediatamente após “com toda a tua alma e com todo o teu poder”, etc.
Também o estudo da Torá deve ser feito com o bitul descrito acima. Por isso, “e falarás delas” (Deuteronômio 6:7) vem logo após “com toda a tua alma e com todo o teu poder” (6:5): o estudo deve vir acompanhado de autoanulação.
ועי״ז ממשיך גילוי אור א״ס ב״ה בהתורה ונק׳ עוסק בתורה לשמה78 ר״ל [רוצה לומר] לשם התורה עצמה להמשיך בה גילוי אור א״ס שלמעלה מהחכמה
Por meio disso, atrai-se para a Torá uma revelação da Luz Infinita (Or Ein Sof), bendito seja Ele; e isso é chamado “estudar a Torá por sua causa (lishmá)”, isto é, por causa da própria Torá: atrair para dentro dela uma revelação do Or Ein Sof, que está acima de Chochmá (sabedoria).
Quando estudada com bitul, a Torá torna-se um recipiente no qual é atraído o Or Ein Sof, que está acima de Chochmá; esse é o significado de estudar a Torá lishmá. O Alter Rebe interpreta lishmá como “por causa da própria Torá”: atrair a luz de D'us para dentro dela.
וזהו שארז״ל [שאמרו רבותינו זכרונם לברכה] על שלא ברכו בתורה תחלה910 ולא אמרו על התורה כי פי׳ ברכו בתורה היינו המשכת11 אור א״ס בתוך התורה כו׳:
E é isso que nossos Sábios, de abençoada memória, disseram: “porque não abençoaram primeiro na Torá” — e não disseram “sobre a Torá” — pois o significado de “abençoar na Torá” é atrair o Or Ein Sof para dentro da Torá, etc.
O Talmud (Bava Metzia 85b) diz que a terra foi perdida “porque não abençoaram primeiro na Torá”, e não diz “sobre a Torá”. Como uma bênção (berachá) significa atrair para baixo, a formulação dos Sábios refere-se a atrair o Or Ein Sof para dentro da própria Torá.
O parágrafo explica por que abandonar o estudo da Torá é mais grave até mesmo do que os pecados capitais: a Torá é a vida interior da alma. Quando estudada com bitul, seu propósito é atrair o Or Ein Sof para dentro da Torá; isso é o significado de “lishmá” e de “abençoar na Torá”.
O Talmud de Jerusalém continua: “Oxalá tivessem Me abandonado, mas guardado a Minha Torá”, pois o fermento nela os teria aproximado de Mim. A versão de Eichah Rabbah, “a luz nela os teria feito voltar ao bem”, é citada mais adiante neste maamar.
Marei mekomot
- 1ויתר הקב״ה · ירושלמי חגיגה פ״א, ה״ז. פתיח׳ איכ״ר, ב. על״ק (צב, סע״ג). וש״נ. [כ].
- 2ויתר הקב״ה על עבודת כוכבים וג״ע וש״ד ולא ויתר על ביטול תורה · Jerusalem Talmud Chagigah 1:7
- 3ויתר הקב״ה על עבודת כוכבים וג״ע וש״ד ולא ויתר על ביטול תורה · Eikhah Rabbah, Petichta 2
- 4אברים הפנימים ונקיבתם במשהו · חולין רפ״ג. וראה רש״י שם.
- 5ודברת בם · Deuteronomy 6:7
- 6ובכל נפשך ובכל מאודך · Deuteronomy 6:5
- 7עוסק בתורה לשמה · אבות רפ״ו.
- 8עוסק בתורה לשמה · Pirkei Avot 6:1
- 9על שלא ברכו בתורה תחלה · Nedarim 81a:4–5
- 10על שלא ברכו בתורה תחלה · Bava Metzia 85b:1
- 11פי׳ ברכו . . היינו המשכת אוא״ס בתוך התורה · ראה לקמן פ׳ ראה כט, א. אוה״ת ואתחנן ע׳ רנג.
A bênção antes de uma mitsvá e a descida da alma ¶12–13
12ג וכן הוא ענין הברכה שלפני המצות בא״י [ברוך אתה ה׳] אלקינו מלך העולם שמתחלה הוא המשכת א״ס ב״ה בנפש האדם
3. Assim também é o sentido da bênção recitada antes das mitsvot: “Bendito és Tu, Havayá, nosso D'us, Rei do universo”: primeiro, há a extensão do Infinito (Ein Sof), bendito seja, para dentro da alma do homem.
A seção 3 aplica o mesmo padrão à bênção recitada antes de uma mitsvá. Suas primeiras palavras, “Bendito és Tu, Havayá, nosso D'us”, primeiro atraem o Infinito para dentro da própria alma da pessoa.
E isto é “Havayá, nosso D'us”, o que implica que [Ele é] nosso. E isso se dá por meio de “com todo o teu coração”: que haja uma revelação da Divindade nas duas cavidades do coração,
“Nosso D'us” significa que D'us Se torna nosso, revelado em nosso interior. Isso ocorre por meio de “com todo o teu coração”, uma revelação da Divindade nas duas cavidades do coração.
דהיינו חלל השמאלי מלא דם בחי׳ גבורות ומרירות מימי שנותינו בהם3 שבעים שנה וכל מגמתנו וחפצנו בעניני גשמיים בפרנסה
isto é, a cavidade esquerda, cheia de sangue — o nível das guevurot (severidades) e da amargura por “os dias de nossos anos são setenta anos”, enquanto todo o nosso empenho e desejo estão em assuntos materiais, no sustento,
Na cavidade esquerda, cheia de sangue e associada às guevurot (severidades), a revelação assume a forma de amargura: a pessoa reflete que toda a sua vida é apenas de “setenta anos” (Psalms 90:10), e, ainda assim, todos os seus objetivos são materiais, ganhar o sustento.
ולעזוב לבניו אחריו וכי בשביל זה ירדה נשמתו בעוה״ז כו׳4 אשר בהתבונן בזה יתמרמר לבו מאד אך זהו בחלל אחד הוא השמאלי.
e deixar [algo] para seus filhos depois dele — e foi para isso que sua alma desceu a este mundo?, etc. — de modo que, ao contemplar isso, seu coração se torne muito amargurado. Mas isso ocorre em uma só cavidade, a esquerda.
Ele pergunta a si mesmo se sua alma desceu a este mundo apenas para ganhar dinheiro e deixá-lo para seus filhos, e esse pensamento torna seu coração muito amargurado. Mas essa amargura está em apenas uma cavidade, a esquerda.
A bênção antes de uma mitsvá primeiro atrai a Divindade para a alma (“Havayá, nosso D'us”) por meio do serviço a D'us com as duas cavidades do coração; na cavidade esquerda, isso assume a forma de amargura por uma vida dedicada a preocupações materiais.
Marei mekomot
- 1בכל לבבך · Deuteronomy 6:5
- 2שיהי׳ גילוי אלקות בב׳ חללי הלב · מכאן עד תי׳ ”להיות מזה מרירות גשמיים” מובא בשרש מצות התפלה פרק מב, עם הוספות והגהות.
- 3ימי שנותינו בהם · Psalms 90:10
- 4וכי בשביל זה ירדה נשמתו בעוה״ז כו׳ · בשרש מצות התפלה שם מוסיף הג״ה ”(שהיתה עומדת לפני ה׳ וירדה בגוף ירידה צורך עלי׳ ע״י אתכפיא ואתהפכא והי׳ ראוי להיות כל מגמתו ותשוקתו בזה לאשתאבא כו׳ ונהפוך הוא שכל תשוקתו וחפצו בעניני עוה״ז)”. ע״ש.
13וחלל הימני מלא רוח חיים הוא בחינת שמחת הנפש ע״י מצות ה׳ שהם רצונו ית׳ שנתלבש בעשייה וע״ז נאמר ישמח ישראל בעושיו1 כו׳.
E a câmara direita, plena do sopro de vida, é o nível da alegria da alma por meio das mitsvot de D'us, que são Sua vontade, bendito seja Ele, revestida na ação; e a respeito disso foi dito: “Que Israel se alegre em seu Criador”, etc.
A câmara direita, “plena do sopro de vida”, contém a alegria da alma nas mitsvot, que são a vontade de D'us revestida na ação física. A respeito disso está dito: “Que Israel se alegre em seu Criador” (Psalms 149:2).
וזהו בבינונים2 והם הגורמים להיות כמ״כ [כמו כן] גם בצדיקים אלא שהוא באופן אחר כי הצדיקים אין בהם רע כלל להיות מזה מרירות גשמיים
E isso se dá com os beinonim (intermediários); são eles que fazem com que algo semelhante ocorra também nos tsadikim, embora de maneira diferente: pois não há mal algum nos tsadikim que pudesse dar origem a uma amargura física;
Essa amargura e alegria pertencem aos beinonim, pessoas que ainda têm uma inclinação para o mal com a qual lutar; e o Alter Rebe diz que, por meio deles, algo semelhante ocorre nos tsadikim. Estes, porém, não têm mal algum dentro de si, de modo que seu serviço não pode assumir a forma de amargura física.
רק שהוא בחי׳ פחד ויראה מה׳ ומהדר גאונו ואח״כ השמחה היא בחי׳ אהבה בתענוגים3 כו׳
em vez disso, há o nível de temor e reverência a D'us e ao esplendor de Sua majestade, e depois a alegria é o nível do “amor com deleites”, etc.
Para os tsadikim, o lado esquerdo é o temor e a reverência diante da majestade de D'us, e sua alegria é o “amor com deleites” (Song of Songs 7:7). Trata-se do mesmo serviço de duas faces, mas num plano superior.
וזהו הוי״ה אלקינו ואח״כ מלך העולם הוא ההמשכה בחיצוניות העולמות אשר מלך שמו נק׳ עליהם.
E isso é “Havayá, nosso D'us”. E, depois, “Rei do mundo” é a emanação para a dimensão exterior (chitsoniyut) dos mundos, sobre os quais Seu nome “Rei” é chamado.
Tudo isso está incluído em “Havayá, nosso D'us”: D'us revelado na alma. Em seguida, “Rei do mundo” faz descer a Divindade à dimensão exterior dos mundos, sobre os quais Seu nome é chamado Rei.
ומעתה מובן ענין ירידות הנשמות4 בגוף שהוא צורך עלייה (כי הנשמות עם היות שעלו במחשבה5 הרי נמשכים מבחי׳ אותיות המחשבה וע״י ירידתן בגוף וביטול היש לאין ע״י ברכת הדיוט כו׳
A partir disso, compreende-se o sentido das descidas das almas ao corpo: elas se dão em vista de uma ascensão. (Pois as almas, embora tenham “surgido no pensamento”, ainda assim provêm do nível das letras do pensamento; e, por meio de sua descida ao corpo e da anulação do algo em nada através da “bênção de um homem comum”, etc.,
Agora se torna claro o propósito da descida da alma a um corpo: é uma descida em vista de uma ascensão. As almas “surgiram no pensamento” (Bereshis Rabbah 1:4), mas essa origem ainda é apenas o nível das “letras do pensamento” divino.
ממשיכים בחי׳ גילוי ממכ״ע [ממלא כל עלמין] וסוכ״ע בעל המחשבה כו׳ כנ״ל, ועיין בפ׳ וישב בד״ה כה אמר כו׳ ונתתי לך מהלכים בין העומדים6 כו׳) והיינו ע״י אתכפיא ואתהפכא.
elas fazem descer o nível de uma revelação da luz que preenche todos os mundos (memalê kol almin) e da luz que circunda todos os mundos (sovev kol almin), o Senhor do pensamento, etc., como mencionado acima. Veja também Parshas Vayeshev, no discurso que começa “Assim diz”, etc.: “e darei a você lugares para caminhar entre aqueles que estão de pé”, etc.) E isso se dá por meio da subjugação (iskafya) e da transformação (is’hapcha).
Por meio de sua descida ao corpo e da anulação do físico, através da “bênção de um homem comum”, as almas fazem descer a Divindade de além do pensamento: tanto a luz que preenche quanto a luz que circunda todos os mundos, o Senhor do pensamento. Isso ocorre por meio da subjugação da alma animal (iskafya) e de sua transformação (is’hapcha).
והוא הטעם אשר ברא ה׳ את הקליפות בכדי לעשות ולתקן שעי״ז7 יהיה העלייה הגדולה כו׳. וזהו אלה מסעי בנ״י [בני ישראל]. פי׳ עליותם ממטה למעלה. ואמר ויכתוב משה את מוצאיהם למסעיהם.
E essa é a razão pela qual D'us criou as kelipot: para que fossem trabalhadas e retificadas, e assim houvesse uma grande ascensão, etc. E isso é “Estas são as jornadas dos filhos de Israel”: isto é, suas ascensões de baixo para cima. E está dito: “E Moshe escreveu suas partidas segundo suas jornadas.”
Isso responde à pergunta da seção 2: D'us criou as kelipot para que, ao subjugá-las e retificá-las, houvesse uma grande ascensão. Isso é “Estas são as jornadas dos filhos de Israel”: suas ascensões de baixo para cima; e isso conduz de volta a “E Moshe escreveu.”
O parágrafo conclui a explicação da bênção (“Havayá, nosso D'us” e, depois, “Rei do mundo”) e responde por que D'us criou as kelipot: a alma desce ao corpo para que, ao subjugar e transformar seu aspecto físico, alcance além de sua própria origem no pensamento de D'us. Essas ascensões são as “jornadas dos filhos de Israel”.
O Midrash (Bereshis Rabbah 1:4) inclui Israel entre as coisas que “surgiram no pensamento” antes da criação. O maamar sustenta que a raiz das almas é ainda mais elevada, no Senhor do pensamento, como será dito no parágrafo 18.
Marei mekomot
- 1ישראל ישראל בעושיו · Psalms 149:2
- 2וזהו בבינונים . . וכמ״כ בצדיקים · ראה אוה״ת ויקרא-ב ע׳ תנה שבכל לבבך ובכל נפשך הוא בצדיקים.
- 3אהבה בתענוגים · Song of Songs 7:7
- 4הנשמות . . שעלו במח׳ · ב״ר רפ״א.
- 5שעלו במחשבה · Bereshit Rabbah 1:4
- 6ונתתי לך מהלכים בין העומדים · Zechariah 3:7
- 7לעשות ולתקן שעי״ז יהי׳ העלייה הגדולה · ראה אוה״ת דברים ע׳ כו.
A escrita de Moshe: o selo da verdade ¶14–16
14וענין ויכתוב היינו כמארז״ל [כמאמר רבותינו זכרונם לברכה] חותמו של הקב״ה אמת1 פי׳ כי החכמה נקראת אמת2 כי כשמשיג איזה דבר בהשכלתו אזי יודע שכן הדבר והוא האמת כו׳.
E quanto ao sentido de “E Moshe escreveu”, é como disseram nossos Sábios, de abençoada memória: “O selo do Santo, bendito seja Ele, é a verdade.” Isto é: Chochmá (sabedoria) é chamada verdade, pois, quando alguém apreende algo com seu intelecto, sabe então que a coisa é assim e que isso é a verdade etc.
Agora o Alter Rebe explica “E Moshe escreveu”. Os Sábios dizem: “O selo do Santo, bendito seja Ele, é a verdade” (Shabbos 55a), e a verdade é Chochmá, pois, quando uma pessoa apreende algo com seu intelecto, sabe que é assim.
ועמ״ש בסש״ב [בספר של בינונים] פל״ה בהג״ה [בהגהה] ונקראת חותם עד״מ החותם שהוא שם האדם הנכתב בדיו גשמי ע״ג [על גבי] הנייר
E veja o que está escrito em Sefer Shel Beinonim [o Tanya], capítulo 35, na nota. Ela é chamada selo por analogia ao selo que consiste no nome de uma pessoa escrito com tinta física sobre o papel.
Ele se refere à nota do Tanya, capítulo 35, que explica que a Luz Infinita se une até mesmo a Atsilut somente por meio de Chochmá, pois Ein Sof é a única existência verdadeira, e esse é o nível de Chochmá. Chochmá é chamada selo, como o nome de uma pessoa escrito a tinta sobre o papel, à maneira de uma assinatura.
והנה השם בעצם אינו ערוך לגבי עצמיות בעל השם וכ״ש [וכל שכן] וק״ו [וקל וחומר] כשנכתב בדיו שהיא רק בחי׳ עשייה גשמיות וכך בחי׳ חכמה הוא
Ora, o nome em si não se compara à essência daquele que o porta; quanto mais, e com muito mais razão, quando é escrito com tinta, que é apenas o nível da ação física. Assim também, o nível de Chochmá é
Um nome nada é em comparação com a própria pessoa, e um nome escrito com tinta, um ato físico, está ainda mais distante. Do mesmo modo, Chochmá, em relação a Ein Sof, é como uma ação física.
בחי׳ עשייה גשמיית לגבי א״ס ב״ה וכמ״ש כולם בחכמה עשית והרצון היא הנקרא שם שמו גימטריא רצון3 וחכמה היא החותם שהוא בחי׳ עשייה של השם.
o nível da ação física em relação ao Infinito (Ein Sof), bendito seja Ele, como está escrito: “Fizeste todos eles com sabedoria.” E a vontade é o que se chama “o nome” — shemo (“Seu nome”) tem o mesmo valor numérico que ratzon (“vontade”) — e Chochmá é o selo, que corresponde ao nível da ação do nome.
Como diz o versículo: “Fizeste todos eles com sabedoria” (Psalms 104:24); assim, Chochmá corresponde ao nível de “fazer”. A vontade de D'us é o “nome” (shemo, “Seu nome”, tem o valor numérico de ratzon, “vontade”: 346), e Chochmá é o selo, o ato de escrever esse nome.
אך מ״מ כמו בגשמיות החותם הוא קיום על כל דבר שיחייב עצמו שכאשר יחתום שוב אין לשנות
No entanto, assim como no plano físico o selo confirma tudo a que alguém se obriga, de modo que, uma vez selado, já não pode ser alterado,
Ainda assim, um selo tem grande força: uma assinatura confirma qualquer obrigação e, uma vez selado algo, isso não pode ser alterado.
וכמו בנעילת יוכ״פ [יום כפור / יום הכפורים] וחתמנו בספר חיים בספר פרנסה ושוב לא ישונה כן בחי׳ א״ס ב״ה שלמעלה מעלה מהחכמה שורה ומתלבש בחכמה,
e assim como em Ne’ilah de Yom Kippur dizemos: “E sela-nos no livro da vida”, no livro do sustento, e então isso não será alterado — assim também o nível do Infinito, bendito seja Ele, que está muito, muito acima de Chochmá, repousa e se reveste em Chochmá.
Assim, em Ne’ilah de Yom Kippur pedimos: “Sela-nos no livro da vida”, no livro do sustento, para que o julgamento não seja alterado. Da mesma forma, o Infinito, muito acima de Chochmá, repousa e Se reveste em Chochmá, que é Seu “selo”.
וזהו ויכתוב משה כי משה הוא שושבינא דמלכא ואהרן שושבינא דמטרוניתא45 המעלה אותה אל החתן כי אהרן היה מניף הלוים.67
E este é o sentido de “E Moshe escreveu”: Moshe é o acompanhante do Rei, e Aharon, o acompanhante da Rainha (Matronita), que a conduz até o Noivo, pois Aharon fazia os levitas serem elevados.
Assim, “Moshe escreveu” significa que Moshe fez descer esse selo. Segundo o Zohar, Moshe é o acompanhante do Rei, e Aharon, o acompanhante da Rainha, que a conduz até o Noivo; o papel de Aharon de elevar manifesta-se em sua ação de fazer os levitas serem elevados (Numbers 8:11).
“E Moshe escreveu” é explicado por meio da afirmação “O selo do Santo, bendito seja Ele, é a verdade”: Chochmá é o selo de D'us, uma mera “ação” em relação à Sua essência, mas o recipiente no qual Ein Sof repousa de maneira irrevogável. Moshe, o acompanhante do Rei, faz isso descer, enquanto Aharon eleva as almas.
O Raaya Mehemna (3:20a) identifica Moshe, o acompanhante do Rei, com Tiféret, e Aharon, o acompanhante da Rainha, com Malchut. A equivalência numérica de shemo e ratzon vem do Pri Etz Chaim do Arizal, conforme registra a nota da Kehot.
Marei mekomot
- 1חותמו של הקב״ה אמת · Shabbat 55a:12
- 2כי החכמה נקראת אמת · Tanya, Likkutei Amarim 35:7
- 3שמו גימטריא רצון · פע״ח (ש׳ הק״ש ספכ״ח). וע״ל פקודי (ז, רע״ד). [כ]. לעיל (בהר) מג, א.
- 4משה שושבינא דמלכא ואהרן . . דמטרוניתא · Zohar III, 20a
- 5משה הוא שושבינא דמלכא ואהרן שושבינא דמטרוניתא · Zohar, Shoftim 5:21–24
- 6אהרן הי׳ מניף הלוים · Numbers 8:11
- 7כולם בחכ׳ עשית · Psalms 104:24
Assim também as almas de Israel em seu conjunto: “Quando fizeres subir as lâmpadas” — a alma do homem é chamada “a lâmpada de Havayá” — e até onde é sua ascensão? Até “em direção à face da Menorá”.
As almas de Israel em seu conjunto são as “lâmpadas” de Números 8:2, pois “a alma do homem é a lâmpada de Havayá” (Provérbios 20:27). Sua ascensão, que Aharon promove, chega até “em direção à face da Menorá”.
המנורה ומשה הוא שושבינא דמלכא המשיך א״ס ב״ה מלמעלה למטה משל למלך שבעצמו אין דרכו לילך כך משה הוא המנהיג המשכת והתגלות אלקות תוך העולמות.
E Moshe é o acompanhante do Rei, que fez descer o Infinito (Ein Sof), bendito seja Ele, de cima para baixo — à maneira de um rei, que não costuma andar por si mesmo; assim, Moshe é quem conduz a descida e a revelação da Divindade dentro dos mundos.
O papel de Moshe é o inverso: como acompanhante do Rei, ele faz o Infinito descer de cima. Um rei não anda por si mesmo; por isso, Moshe conduz a descida e a revelação da Divindade aos mundos.
Aharon eleva as almas, as “lâmpadas”, em direção à sua fonte, enquanto Moshe faz a Divindade descer aos mundos, como um acompanhante que conduz um rei.
Marei mekomot
- 1בהעלותך את הנרות · שם ח, ב.
- 2בהעלותך את הנרות · Numbers 8:2
- 3נשמת אדם קרוי׳ נר ה׳ · Proverbs 20:27
16ולכן ויכתוב משה1 לפי שהוא מבחי׳ חכמה וירא ראשית לו23 כתב חותמו של הקב״ה אמת4 שהוא גילוי אור א״ס שבחכמה.
Portanto, “E Moshe escreveu”: por ser do nível de Chochmá (sabedoria) — “e viu o princípio para si” —, ele escreveu: “o selo do Santo, bendito seja Ele, é a verdade”, que é a revelação da Luz Infinita (Or Ein Sof) que está em Chochmá.
Moshe personifica Chochmá, como sugere “viu o princípio (reishit) para si” (Deuteronômio 33:21), pois “o princípio é a sabedoria”. Assim, foi Moshe quem “escreveu” o selo da verdade, a revelação da Luz Infinita que está em Chochmá.
והמשיך זה למטה להיות בהם כח לעלות אל ה׳ ממטה למעלה כי א״א היה להם להתעלות תחלה בעצמן כי אלמלא עוזרו5 כו׳.
E ele fez com que isso se estendesse para baixo, para que tivessem a força de ascender a D'us, de baixo para cima. Pois lhes teria sido impossível elevar-se, a princípio, por si mesmos, pois “se Ele não o ajudasse”, etc.
Moshe fez com que essa força se estendesse para baixo, para que as almas pudessem ascender a D'us a partir de baixo, pois, por si mesmas, não poderiam sequer começar. Como diz o Talmud a respeito da luta da pessoa com sua inclinação: “se o Santo, bendito seja Ele, não o ajudasse, ela não poderia vencê-la” (Kiddushin 30b).
Moshe, que é Chochmá, “escreveu” o selo de D'us: fez com que a Luz Infinita que está em Chochmá se estendesse como um despertar do alto, sem o qual as almas jamais poderiam começar sua ascensão.
Marei mekomot
- 1ולכן ויכתוב משה · באוה״ת פ׳ מסעי ע׳ א׳שעב יש הג״ה לכאן.
- 2לפי שהוא מבחי׳ חכמה וירא ראשית לו · וכתיב ראשית חכמה.
- 3וירא ראשית לו · Deuteronomy 33:21
- 4חותמו של הקב״ה אמת · Shabbat 55a:12
- 5אלמלא עוזרו · Kiddushin 30b:7
O despertar do Alto e a origem das almas ¶17–18
17וזהו כענין ברכת המצות שהוא המשכת אתעדל״ע [אתערותא דלעילא] שיוכל להעלות הדבר גשמי שבו נעשה המצוה כו׳.
E isto é semelhante ao que ocorre com a bênção sobre as mitsvot: ela é a atração de um despertar do alto, para que se possa elevar o objeto físico com o qual se realiza a mitsvá etc.
A bênção sobre uma mitsvá funciona da mesma maneira: atrai um despertar do alto que permite à pessoa elevar o objeto físico com o qual realiza a mitsvá.
וכנזכר לעיל בפי׳ א״ת [אל תקרי] מ״ה [שם מ״ה] אלא מאה שע״י המאה ברכות נמשך כח להיות בחי׳ מ״ה [שם מ״ה] וביטול ועיין בפע״ח [בפרי עץ חיים] שער הברכות שם דגבי העלאה שע״י ברכת המצות הוא ג״כ ע״י שם מ״ב.
E como foi mencionado acima, ao explicar “não leia mah, mas meá”: por meio das cem bênçãos, atrai-se a força para que haja o nível de Mah e a autoanulação (bitul). Veja também Pri Etz Chaim, Sha’ar HaBerachos, onde se afirma que a elevação efetuada pela bênção sobre as mitsvot também ocorre por meio do Nome de quarenta e duas [letras].
Como explicado acima, as cem bênçãos conferem a força para alcançar Mah e bitul. Os ensinamentos do Arizal em Pri Etz Chaim acrescentam que a elevação alcançada por meio da bênção sobre uma mitsvá também se dá através do Nome de quarenta e duas letras.
וכך עד״ז ענין ויכתוב משה כו׳ דגבי מ״ב מסעות הוא המשכת אתעדל״ע [אתערותא דלעילא] שעי״ז יהיה ההעלאה.
Assim também, de modo semelhante, é o sentido de “E Moshe escreveu” etc., a respeito das quarenta e duas jornadas: trata-se da atração de um despertar do alto, por meio do qual ocorre a elevação.
Assim também, “E Moshe escreveu” as quarenta e duas jornadas: Moshe atraiu um despertar do alto, por meio do qual as jornadas — as ascensões das almas — puderam ocorrer. Isso relaciona as quarenta e duas jornadas ao Nome de quarenta e duas letras mencionado na primeira seção.
וכן עכשיו המשכה זו הוא על ידי עסק התורה וכמ״ש ותורה אור1 שהיא המאירה נפש
E, da mesma forma, hoje essa atração se dá por meio do estudo da Torá, como está escrito: “e a Torá é luz”; ela é o que ilumina a alma
Hoje, essa atração se dá por meio do estudo da Torá, como está escrito: “e a Torá é luz” (Provérbios 6:23): a Torá ilumina a alma.
האדם בחינת אתעדל״ע [אתערותא דלעילא] שיהיה בה כח לעלות באתעדל״ת [באתערותא דלתתא] (וכמ״ש ע״פ ואתחנן כו׳ ועיין בפ׳ תצוה בד״ה ועשית ציץ2 כו׳ פתוחי חותם כו׳).
do homem — o nível de um despertar do alto — para que ela tenha a força de ascender por meio de um despertar de baixo (como explicado a respeito do versículo “E supliquei” etc.; veja também Parashat Tetsavê, no discurso que começa “E farás uma placa” etc., “gravações de um selo” etc.).
A luz da Torá é um despertar do alto que dá à alma a força para elevar-se por meio de seu próprio esforço, um despertar de baixo. O Alter Rebe faz referência aos seus discursos “E supliquei” e “E farás uma placa” (Êxodo 28:36), cujo versículo fala das “gravações de um selo”.
ולכן ארז״ל [אמרו רבותינו זכרונם לברכה] (בפתיחתא דמדרש איכה) ע״פ ואותי עזבו ואת תורתי לא שמרו3 הלואי אותי עזבו ואת תורתי שמרו4 כו׳ המאור שבה היה מחזירן למוטב.
Por isso, nossos Sábios, de abençoada memória, disseram (na Pesichta de Midrash Eichah), a respeito do versículo “A Mim abandonaram e Minha Torá não guardaram”: “Quem dera tivessem Me abandonado e guardado Minha Torá” etc., pois “a luz que há nela os teria reconduzido ao bem”.
Por isso, os Sábios interpretam “A Mim abandonaram e Minha Torá não guardaram” (Jeremias 16:11) como “Quem dera tivessem Me abandonado e guardado Minha Torá, pois a luz que há nela os teria reconduzido ao bem” (Eichah Rabbah). A luz da Torá é o despertar do alto que torna possível o retorno.
והנה תחלה אמר ויכתוב5 מוצאיהם למסעיהם מוצאיהם היינו מקור נשמות ישראל כענין שנאמר וכמוצא מים6 אשר לא יכזבו מימיו.7
Ora, primeiro está escrito: “E ele escreveu suas partidas, conforme suas jornadas”. “Suas partidas” é a fonte das almas de Israel, como no que está escrito: “e como uma fonte de água cujas águas não falham”.
Retomando o versículo: “suas partidas” (motza’eihem) refere-se à fonte das almas de Israel, como no versículo de Isaías: “como uma fonte (motza) de água cujas águas não falham” (Isaías 58:11). O versículo menciona primeiro essa fonte, da qual se atrai a força para a jornada.
A “escrita” de Moshe é o despertar do alto que está na origem das quarenta e duas jornadas, como a bênção sobre uma mitsvá e como a luz da Torá hoje. “Suas partidas” é a fonte das almas, de onde provém essa força.
Marei mekomot
- 1ותורה אור · Proverbs 6:23
- 2ועשית ציץ · Exodus 28:36
- 3ואותי עזבו ואת תורתי לא שמרו · Jeremiah 16:11
- 4הלואי אותי עזבו ואת תורתי שמרו · Eikhah Rabbah, Petichta 2
- 5והנה תחלה אמר ויכתוב . . ר״ל הנסיעה וההעלאה שממטה · מובא באוה״ת שמות-ז ע׳ ב׳תקלה ושם הקשה: ”דלכאורה אין זה מובן מאחר דהעלי׳ הוא רק עד מוצאיהם דהיינו מקורן ושרשן א״כ מהו הירידה צורך עלי׳ שהרי מקודם ירידתן בגוף הי׳ שם מקורן ושרשן”. ע״ש.
- 6וכמוצא מים · Isaiah 58:11
- 7שעי״ז יהי׳ ההעלאה · באוה״ת פ׳ מסעי׳ ע׳ א׳שעב יש הג״ה לכאן.
18והוא למעלה מבחי׳ מחשבה כי אע״פ [אף על פי] שאמרו דישראל עלו במחשבה1 היינו ששם עלו עצמיות נשמות ישראל.
E isso está acima do nível do pensamento. Pois, embora tenham dito que “Israel ascendeu no pensamento”, isso significa que a essência das almas de Israel ascendeu ali.
A fonte das almas está acima do nível do pensamento. Quando os Sábios dizem que Israel “ascendeu no pensamento”, querem dizer que a essência das almas ascendeu ali, no pensamento de D'us.
אבל מקורן ושרשן הוא למעלה יותר בבחי׳ בעל המחשבה בעל הרצון2 ומשם המשיך הארה כדי להיות להם כח לעלות ממטה למעלה.3
Mas sua fonte e raiz estão ainda mais acima, no nível do Senhor do pensamento, o Senhor da vontade; e de lá Ele fez descer uma irradiação, para que tivessem a capacidade de ascender de baixo para cima.
Mas sua fonte e raiz estão ainda mais acima, Naquele que possui o pensamento e a vontade, o Senhor do pensamento e da vontade. De lá, Moshe fez descer uma irradiação que dá às almas a capacidade de ascender de baixo.
וזהו למסעיהם ר״ל [רוצה לומר] הנסיעה וההעלאה שממטה. ע״פ ה׳ פי׳ שהעליה הוא למעלה מבחי׳ פי ה׳ שהוא ממכ״ע [ממלא כל עלמין] ברוח פיו כל צבאם4 ואח״כ ואלה מסעיהם למוצאיהם5 ר״ל [רוצה לומר] זוהי העליה עד מוצאיהם ממטה למעלה:
E isso é “segundo suas jornadas”, isto é, a jornada e a elevação de baixo. “Por ordem de Havayá”: quer dizer que a ascensão está acima do nível da “boca de Havayá”, que é a luz que preenche todos os mundos (memalê kol almin) — “pelo sopro de Sua boca, todo o seu exército”. E depois, “e estas são suas jornadas segundo suas partidas”, isto é: essa é a ascensão até suas partidas, de baixo para cima.
Assim, “segundo suas jornadas” significa a ascensão de baixo, e “por ordem de Havayá” é entendido como uma ascensão para além da “boca de Havayá”, a fala divina de “pelo sopro de Sua boca, todo o seu exército” (Psalms 33:6), que é a luz que preenche todos os mundos. Então, “e estas são suas jornadas segundo suas partidas” descreve a ascensão até sua fonte.
O parágrafo completa a resposta à pergunta inicial: “suas partidas segundo suas jornadas” é a força que desce da fonte das almas, acima do pensamento de D'us, para possibilitar as jornadas; e “suas jornadas segundo suas partidas” é a ascensão das almas de volta à sua fonte, para além até mesmo da fala divina.
Marei mekomot
- 1דישראל עלו במחשבה · Bereshit Rabbah 1:4
- 2בעל הרצון · ראה לעיל פ׳ בהר מב, א מענין פי׳ בעל הרצון. ובפ׳ שלח נא, ד מענין לבעל החוטם. — כן מציין באוה״ת במדבר-ו ע׳ א׳תתקסה.
- 3לעלות ממטה למעלה · באוה״ת פ׳ מסעי ע׳ א׳שעג נמצא סיום מהמאמר לכאן.
- 4ברוח פיו כל צבאם · Psalms 33:6
- 5ואלה מסעיהם למוצאיהם · Numbers 33:2
Terminou o maamar?
Marque-o como estudado; ele conta para a semana e para o siyum do ano.
Na avodá
O maamar extrai a lição para cada judeu: é possível e necessário subjugar o próprio corpo e a alma animal, pois sua origem já foi subjugada no deserto. Isso se realiza por meio do bitul em cada mitsvá, sobretudo da caridade, doando aquilo pelo qual se trabalhou; por meio das cem bênçãos diárias; por meio do estudo da Torá por sua própria causa; e servindo a D'us com as duas câmaras do coração: amargura por uma vida dedicada a objetivos físicos e alegria nas mitsvot.
Perguntas para conversar
- Por que o versículo primeiro diz “suas partidas segundo suas jornadas” e depois inverte a ordem?
- Como pode o deserto, um lugar vazio, ser a origem das kelipot, e de que modo a jornada de Israel por ele ajuda a pessoa hoje?
- Por que somente a alma animal transformada, e não a alma divina, pode alcançar o amor “com toda a tua força”?
- Qual é a relação entre mah (“o quê”), meá (“cem”) e as cem bênçãos diárias?
- Por que Chochmá é chamada de “selo” de D'us, e o que significa dizer que Moshe o “escreveu”?