Torah Ohr · Parshas Vayeira · Maamar 2
ארדה נא וגו׳
“Descerei agora [e verei]”
A ideia central
D'us sabe tudo de maneira “revelada e conhecida”, sem que Seu conhecimento entre naquilo que é conhecido. Os “olhos errantes” de D'us são os recipientes das Sefirot e os anjos, por meio dos quais o julgamento ascende de baixo; e “descerei e verei” é a descida de Chessed, que contempla os mesmos fatos e busca mérito.
O maamar em resumo
O maamar começa com perguntas sobre as palavras de D'us a respeito de Sodoma: por que “seu clamor” e “que chegou” estão no feminino, e por que D'us, que vê tudo do céu, precisa “descer e ver”. Para responder, o Alter Rebe aborda o problema dos filósofos: como o Uno simples pode conhecer inúmeros detalhes sem tornar-se múltiplo? A expressão dos Sábios “revelada e conhecida” responde a isso: o conhecimento de D'us não entra naquilo que conhece. Ainda assim, as Escrituras falam dos “olhos” de D'us que percorrem a terra. Esses olhos são os recipientes das Sefirot e os anjos, por meio dos quais os atos ascendem, enquanto a luz Infinita que está dentro deles conhece de maneira “revelada e conhecida”. Uma longa glosa distingue um Daat superior abrangente, que conhece sem reagir (a chave para a presciência e a livre escolha), de um Daat inferior nos recipientes, que traz recompensa e punição. Seguindo o Zohar, os “olhos” femininos são anjos de Malchut e do julgamento, e os masculinos são anjos de Zeir Anpin e de Chessed. O clamor de Sodoma ascendeu pelo canal feminino; “descerei e verei” é Chessed descendo, como quem vê, em vez de ouvir, para interpretar os mesmos fatos em favor do mérito.
Esquema
- As perguntas sobre o versículoPor que as formas femininas, e por que D'us precisa “descer e ver”; o clamor é o julgamento de Malchut.¶1
- “Revelada e conhecida”O problema dos filósofos acerca da providência e da multiplicidade; o conhecimento de D'us não entra naquilo que conhece; os olhos errantes suscitam uma nova pergunta, respondida por luzes e recipientes.¶2–3
- Os olhos como recipientesOs atos ascendem por meio dos anjos e dos recipientes de Malchut de Atsilut; o movimento errante pertence aos recipientes, enquanto a luz dentro deles conhece de maneira “revelada e conhecida”.¶4–7
- Glosa: Daat superior e inferiorUm Daat superior abrangente conhece sem reagir e é a fonte do perdão; o Daat inferior nos recipientes traz recompensa e punição; presciência e escolha; o “bom olho” de José e a perda dele por Sodoma.¶8–13
- Olhos femininos e masculinosSegundo o Zohar: os olhos femininos são anjos de Malchut, e os masculinos, anjos de Zeir Anpin; o clamor ascendeu por Malchut, e D'us desce com Chessed.¶14–17
- O julgamento e a bondade interpretam os mesmos fatosTodo caso pode ser argumentado em favor da culpa ou do mérito; o Dilúvio e a oferenda de Noé mostram Chessed transformando o mesmo raciocínio em mérito; “descerei” como luz direta que desce ao julgamento.¶18
- Ver e ouvirAs três linhas das Sefirot; ver provém da longa linha direita de Chochmá e Chessed, e ouvir, de Biná à esquerda; o clamor é ouvido, e D'us desce para ver.¶19–20
Conceitos-chave
- Revelada e conhecidaגלוי וידוע
- A expressão dos Sábios para o conhecimento de D'us: tudo está simplesmente revelado diante Dele, sem que Sua mente entre naquilo que conhece nem seja afetada por isso. Ela resolve como o Uno simples pode conhecer inúmeros detalhes.
- Luzes e recipientesאורות וכלים
- Cada sefirá tem um recipiente (o próprio atributo, como Chessed ou Guevurá, que limita e define) e uma luz dentro dele, um esplendor do Infinito que não é nenhum dos atributos.
- Os olhos errantes de D'usעיני ה׳ משוטטים / עיניו משוטטות
- Os recipientes das Sefirot e os anjos que deles recebem, por meio dos quais os atos dos que estão abaixo são observados e conduzidos para cima. A forma masculina refere-se a Zeir Anpin e Chessed; a feminina, a Malchut e ao julgamento.
- Daat superior e Daat inferiorדעת עליון ודעת תחתון
- O Daat superior é abrangente: conhece tudo sem fluir para dentro dos atributos, portanto não produz reação, e é a fonte do perdão. O Daat inferior está revestido nos recipientes e traz recompensa e punição.
- Luz direta e luz refletidaאור ישר ואור חוזר
- A luz que desce de cima para baixo (Chessed) e a luz que ascende de baixo para cima (guevurot). O clamor ascende como luz refletida; “descerei” é a luz direta de Chessed.
- Longa, curta e intermediáriaחד אריך וחד קציר וחד בינוני
- As três linhas das Sefirot: a linha direita da bondade alcança mais longe, a linha esquerda da severidade alcança somente os mais merecedores, e a linha central tem compaixão por quem dela necessita.
As perguntas sobre o versículo ¶1
1ארדה נא וגו׳. הנה הכצעקתה הוא לשון נקבה וכן הבאה. ועשו לשון נקבה ולשון זכר.1 וגם להבין מהו ארדה נא ואראה הלא משמים הביט2 ה׳.
“Descerei agora [e verei]” etc. Ora, “conforme seu clamor” (haktza’akasah) está no feminino, assim como “que chegou” (haba’ah); já “fizeram” (asu) é uma forma [comum] ao feminino e ao masculino. Também é preciso compreender o que significa “descerei agora e verei”: certamente “D'us olhou do céu para baixo”.
O maamar começa com as palavras de D'us antes da destruição de Sodoma (Gênesis 18:21): “Descerei agora e verei se fizeram tudo conforme o clamor que chegou até Mim.” O Alter Rebe observa uma particularidade gramatical: “seu clamor” e “que chegou” estão no feminino, enquanto “fizeram” está no plural. Ele acrescenta uma segunda pergunta: por que D'us precisaria “descer” e “ver”, se a Escritura diz que Ele olha do céu para baixo e vê tudo?
אך פי׳ הכצעקתה היינו הצעקה העולה מבחי׳ מדת הדין שהיא בחי׳ מדת מלכות שנק׳ דין דינא דמלכותא דינא3 רק שהוא דינא רפיא מלך במשפט יעמיד ארץ4 וז״ש הכצעקתה הבאה5 וכמ״ש בערב היא באה.6
Mas o significado de “conforme seu clamor” é: o clamor que se eleva do nível do atributo do julgamento, que é o nível do atributo de Malchut (soberania), chamado “lei”, [como em] “a lei do reino é lei”; trata-se, porém, de um julgamento brando, [como em] “O rei estabelece a terra pela justiça”. E este é [o significado de] “conforme seu clamor que chegou (haba’ah)”, como está escrito: “À noite, ela vinha (ba’ah)”,
A primeira resposta diz respeito às formas femininas. O clamor é a queixa do julgamento contra Sodoma, e o julgamento pertence a Malchut, a sefirá feminina, que a expressão talmúdica “a lei do reino é lei” associa à lei. Trata-se, contudo, de um julgamento “brando”, como o de um rei cuja justiça firma a terra em vez de destruí-la. Em seguida, o verbo feminino “veio” (ba’ah) é relacionado a outros versículos nos quais uma mulher “veio”, no feminino.
O parágrafo apresenta as perguntas do maamar — por que as formas femininas e por que D'us precisa “descer e ver” — e dá uma primeira chave: o “clamor” é a voz do julgamento que se eleva de Malchut, o atributo feminino.
Malchut é chamada “o reino” e é a raiz da lei e do julgamento; o termo do Zohar dina rafya, “julgamento brando”, distingue o julgamento de Malchut do julgamento rigoroso de Guevurá. A gramática feminina será posteriormente associada ao ensinamento do Zohar de que “Seus olhos percorrem” (no feminino) são os anjos de Malchut, enquanto “eles percorrem” (no masculino) pertence a Zeir Anpin.
Marei mekomot
- 1הנה הכצעקתה הוא לשון נקבה וכן הבאה, ועשו לשון נקבה ולשון זכר · במאמרי אדה״ז פרשיות ע׳ קו הקושיא ”מה שבתחלה אמר הכצעקתה לשון נקבה ולשון יחיד ואח״כ אמר עשו ל׳ רבים ולשון זכר”. ושם מוסיף עוד קושיא ”מהו ענין הירידה הזאת האיך שייך ירידה לפניו”. וראה שם בשולי העמוד מב׳ כת״י דשם נוסף עוד קושיא ”מה טעם תלה (הידיעה הכצעקתה) הירידה בצעקתה אם ירד דוקא ויראה כו׳” ע״ש בארוכה. ובאוה״ת בראשית כרך ד תשלו, א.
- 2הלא משמים הביט ה׳ · Psalms 33:13
- 3דינא דמלכותא דינא · Bava Kamma 113a:14–16
- 4מלך במשפט יעמיד ארץ · Proverbs 29:4
- 5
- 6בערב היא באה · Esther 2:14
“Revelada e conhecida” ¶2–3
2ורחל באה.1 וביאור הענין הנה מתחלה יש להקדים לשון השגור2 בדחז״ל גלוי וידוע לפני מי שאמר3 והיה העולם.4 גלוי וידוע דייקא.
[e] “E Rachel veio (ba’ah).” E, para explicar o assunto, primeiro é preciso introduzir a expressão comum nas palavras de nossos Sábios, de abençoada memória: “É revelado e conhecido diante d’Aquele que falou e o mundo veio a existir.” “Revelado e conhecido”, precisamente.
“E Rachel veio” completa a lista de versículos que usam o feminino “veio”. Em seguida, o Alter Rebe começa a explicação plena introduzindo uma expressão frequentemente encontrada no Talmud: “É revelado e conhecido diante d’Aquele que falou e o mundo veio a existir.” Ele enfatiza a formulação exata “revelado e conhecido”, que será a chave de toda a resposta.
כי הנה הפילוסופים נלאו להשיג ענין ההשגחה פרטית5 כמו אין אדם נוקף אצבעו מלמטה6 אא״כ מכריזין עליו מלמעלה דקשה להם כיון
Pois os filósofos se esforçaram em vão para compreender o conceito de Providência individual, como em “Uma pessoa não machuca o dedo abaixo, a menos que isso tenha sido proclamado a seu respeito no alto”; isso lhes é difícil, pois, uma vez que
Os filósofos tiveram dificuldade com a ideia de que D'us supervisiona cada detalhe do mundo, expressa na afirmação talmúdica de que uma pessoa nem sequer machuca o dedo sem que isso tenha sido decretado no alto.
שהוא ית׳ יחיד ומיוחד אחד האמת וא״כ איך יתכן ידיעת הש״י הפרטים וההשגחה פרטי׳ לתת דעתו על ענינים רבים שהרי זה בחי׳ רבוי.789
Ele, bendito seja, é singular e único, o Um verdadeiro; então, como é possível o conhecimento de D'us acerca dos detalhes e a Providência individual, [como se Ele] atentasse para muitos assuntos, se isso constitui [um estado de] multiplicidade?
A dificuldade deles é que D'us é absolutamente um e simples. Conhecer incontáveis detalhes e cuidar de cada um parece exigir uma mente dividida entre muitas coisas, o que introduziria multiplicidade na unidade de D'us.
O parágrafo apresenta o problema filosófico que o maamar pretende resolver: como o Um absolutamente simples pode conhecer e supervisionar incontáveis detalhes sem se tornar múltiplo?
A mesma tensão entre a unidade simples de D'us e a multiplicidade da criação é discutida em Tanya, Shaar HaYichud VehaEmunah, ao qual remete a nota da Kehot. A resposta do Alter Rebe não negará a Providência, mas distinguirá a maneira pela qual D'us conhece da maneira pela qual uma pessoa conhece.
Marei mekomot
- 1ורחל באה · Genesis 29:9
- 2וביאור הענין . . יש להקדים לשון השגור · מכאן ואילך ראה ד״ה השמר לך תרל״ה כרך א ע׳ ב ואילך.
- 3בדחז״ל גלוי וידוע לפני מי שאמר והי׳ העולם · Eruvin 13b:3
- 4גלוי וידוע לפני מי שאמר והיה העולם · Kiddushin 31a:1
- 5כי הנה הפילוסופים נלאו להשיג ענין ההשגחה פרטית · Tanya, Sha’ar HaYichud 7:15
- 6אין אדם נוקף אצבעו מלמטה · Chullin 7b:15–16
- 7הכצעקתה הבאה · המשך הפסוק ארדה נא.
- 8בערב היא באה · Esther 2:14
- 9ולהעיר ממרז״ל בכ״מ · Shabbat 55a:8–9
3וחז״ל כיוונו לתרץ זה בדבור אחד באמרם גלוי וידוע לפני כו׳ שאין ידיעתו ית׳1 כדמיון ידיעת האדם איזו דבר שדעתו השיג
E nossos Sábios, de abençoada memória, pretenderam resolver isso numa única expressão, ao dizer: “É revelado e conhecido diante [d’Ele]” etc.; isto é, o conhecimento d’Ele, bendito seja, não é como o conhecimento que uma pessoa tem de alguma coisa, quando sua mente a apreendeu
A expressão dos Sábios “revelado e conhecido” responde aos filósofos em poucas palavras. O conhecimento de uma pessoa é diferente: primeiro ela não sabe algo; depois sua mente se volta para isso e o apreende.
הדבר ומתחלה לא ידעו וכשיודע הדבר הרי דעתו מלובשת בידיעה זו2 ומחשבה זו שנותן דעתו להשיגה וקודם ידיעתו היה דעתו פנוי וה״ז בחי׳ שינוי והתפעלות
— a coisa; de início, ela não a conhecia e, quando passa a conhecê-la, sua mente fica revestida desse conhecimento e desse pensamento, ao aplicar a mente para apreendê-la; antes de conhecê-la, sua mente estava livre. Isso constitui [um estado de] mudança e de ser afetado.
Quando uma pessoa passa a conhecer algo, sua mente fica envolvida naquele pensamento; antes, estava livre dele. Portanto, o conhecimento humano envolve mudança e ser afetado pelo objeto conhecido.
משא״כ למעלה ידיעתו ית׳ שיודע כל העולמות ופרטיהן אין הענין שדעתו מתלבשת ונתפסת בזה אלא
Acima, porém, não é assim. O conhecimento d’Ele, bendito seja, pelo qual conhece todos os mundos e seus detalhes, não significa que Sua mente esteja revestida neles e seja apreendida por eles; ao contrário,
O conhecimento de D'us sobre todos os mundos e seus detalhes não é assim: Sua mente não fica envolvida nem retida por aquilo que conhece.
ע״ד גלוי וידוע שהכל גלוי וידוע לפניו ית׳ ממילא וא״צ להיות נתפס ומתלבש בהדבר לידע
[é] da maneira de “revelado e conhecido”: tudo está revelado e conhecido diante d’Ele, bendito seja, automaticamente, e Ele não precisa ser apreendido pela coisa nem revestir-se nela para conhecê-la.
Tudo simplesmente está “revelado e conhecido” diante d’Ele, por si só. Ele não precisa voltar-se para a coisa e entrar nela para conhecê-la.
(במכש״כ ממה שמחיה ומהווה הדבר שלא ע״י התלבשות בהדבר כ״א על ידי היותו סוכ״ע. וכ״ש וק״ו שידיעת הדבר ופרטיו א״צ להיות ע״י התלבשות ותפיסה בהדבר כו׳)
(Isso é ainda mais evidente quando se considera que Ele dá vida à coisa e a faz existir não por estar revestido nela, mas por ser a luz que circunda todos os mundos (sovev kol almin). Com maior razão, pelo princípio de kal vachomer, conhecer a coisa e seus detalhes não precisa ocorrer por meio de revestir-se nela e ser apreendido por ela etc.)
Um argumento de apoio, um kal vachomer (a fortiori): D'us dá vida a cada criatura e a faz existir não entrando nela, mas como a luz que circunda todos os mundos, agindo sobre ela de fora. Se nem criar e sustentar uma coisa requer entrar nela, certamente conhecê-la também não.
וכיון שהוא גלוי וידוע אין שייך כלל קושייתם שהוא בחי׳ רבוי כי זה אינו רק במין ידיעת האדם שא״א לו לידע דבר כ״א ע״י שדעתו ומחשבתו מתלבשים בידיעת הדבר.
E, uma vez que é “revelado e conhecido”, a pergunta deles — de que isso constituiria [um estado de] multiplicidade — não se aplica de modo algum; pois isso só ocorre no tipo de conhecimento humano, no qual não é possível conhecer uma coisa a não ser que a mente e o pensamento estejam revestidos no conhecimento da coisa.
Como o conhecimento de D'us é “revelado e conhecido”, a objeção dos filósofos deixa de ter fundamento. A multiplicidade surge apenas no conhecimento humano, no qual a mente precisa entrar em cada coisa que conhece.
וזהו כי לא מחשבותי מחשבותיכם3 כו׳ כי הוא גלוי וידוע כו׳ (והמשכיל יבין דקות הדברים ולאו כל מוחא סביל דא).
E este é [o significado de] “Pois Meus pensamentos não são os pensamentos de vocês” etc.: porque é “revelado e conhecido” etc. (Quem for perspicaz compreenderá a sutileza destas ideias; nem toda mente pode suportá-la.)
O versículo de Isaías “Meus pensamentos não são os pensamentos de vocês” é entendido à luz disso: o conhecimento de D'us é de uma natureza completamente diferente do nosso. O Alter Rebe acrescenta que o ponto é sutil e nem toda mente consegue apreendê-lo.
והנה כתיב4 (זכרי׳ סי׳ ד׳) שבעה אלה עיני5 ה׳ המה משוטטים בכל הארץ וכתיב (ד״ה ב׳ י״ו ט׳) כי ה׳ עיניו משוטטות בכל הארץ.6
Ora, está escrito (Zechariá, capítulo 4): “Estes sete são os olhos de D'us; eles percorrem (meshotetim) toda a terra”; e está escrito (II Crônicas 16:9): “Pois D'us, Seus olhos percorrem (meshotetos) toda a terra”.
Começa agora uma nova pergunta. Dois versículos descrevem os “olhos” de D'us como “percorrendo” toda a terra; num deles, o verbo está no masculino (meshotetim), e no outro, no feminino (meshotetos).
ויש להבין דענין משוטטים ומשוטטות משמע שנמשך לראות ולעיין הדבר על ידי ראיה זו והרי זה כמו בחי׳ התלבשות בהדבר הנראה וידוע וזה לכאורה הפך ממ״ש בפי׳ גלוי וידוע.
É preciso compreender: a expressão “percorrem” (meshotetim, meshotetos) implica que [o olhar] se estende para ver e examinar a coisa por meio dessa visão; isso se assemelha ao estado de estar revestido na coisa que é vista e conhecida. À primeira vista, isso parece o oposto do que foi dito ao explicar “revelado e conhecido”.
“Percorrer” sugere sair para olhar e examinar as coisas, o que parece ser precisamente o envolvimento da mente na coisa que “revelado e conhecido” negava.
אך הענין כי נודע שבע״ס יש אורות וכלים7 כי בחי׳ חו״ג זהו בחי׳ כלי8 אבל האור הוא הארה מא״ס ב״ה דלאו מכל אינון מדות איהו כלל
A explicação, porém, é que, como se sabe, nas dez Sefirot há luzes e recipientes. Pois o nível de Chessed (bondade) e Guevurá (contenção) é o nível de um recipiente; a luz, porém, é uma irradiação do Infinito (Ein Sof), bendito seja, [de Quem se diz:] “Ele não é, de modo algum, nenhuma dessas qualidades”.
A resposta se baseia no ensinamento conhecido de que cada uma das dez Sefirot possui uma luz e um recipiente. Atributos como Chessed e Guevurá são os recipientes, enquanto a luz que há neles é uma irradiação do Infinito, que em Si mesmo não é nenhuma dessas qualidades, como diz o Tikkunei Zohar.
רק שהאור מתלבש בהכלי שהוא חו״ג ושאר המדות שהן נקראים בחינת כלים שהם מגבילים את האור ובהן
A luz, porém, reveste-se no recipiente, que é Chessed, Guevurá e os demais atributos, chamados de nível dos recipientes, pois limitam a luz. E neles
A luz reveste-se nos recipientes — os atributos de Chessed, Guevurá e os demais. São chamados recipientes porque dão à luz limites e definição.
ועל ידם נמשך האור להיות מחיה נבראים בע״ג להיות התהוות מיכאל וגבריאל מחנה מיכאל מקבלים מבחי׳ חסד9 וגבריאל מבחי׳ גבורה שא״א להיות המשכה זו מהאור עצמו כ״א ע״י הכלים.
e por meio deles a luz é atraída para baixo, a fim de dar vida a criaturas finitas, fazendo surgir Michael e Gabriel: o acampamento de Michael recebe do nível de Chessed, e Gabriel, do nível de Guevurá. Essa atração para baixo não pode provir da própria luz, mas somente por meio dos recipientes,
Por meio desses recipientes, a luz alcança criaturas finitas, como os anjos: o acampamento de Michael recebe de Chessed, e o de Gabriel, de Guevurá. Seres limitados não podem receber diretamente da luz ilimitada; ela precisa passar pelos recipientes.
כמו שא״א להיות השפעת כסף וזהב מהנשמה אא״כ מלובשת בגוף ונותנת הנשמה צדקה לעני ע״י היד הגשמי.
assim como não pode haver uma doação de prata e ouro pela alma a menos que ela esteja revestida num corpo, e a alma dê caridade ao pobre por meio da mão física.
Uma analogia: a alma não pode dar dinheiro a um pobre a menos que esteja revestida num corpo e use uma mão física. Do mesmo modo, a luz divina age sobre a criação somente por meio dos recipientes.
O parágrafo responde aos filósofos: D'us conhece de maneira “revelada e conhecida”, sem que Seu conhecimento entre naquilo que é conhecido. Em seguida, apresenta o desafio dos “olhos que percorrem” e começa a respondê-lo com a distinção entre as luzes e os recipientes das Sefirot.
Os recipientes são os próprios atributos; a luz não é definida por eles. Segundo a nota da Kehot, um maamar posterior diz que isso se aplica a Zeir Anpin, onde a luz assume a natureza dos recipientes, enquanto em Arich Anpin o recipiente é completamente anulado perante a luz. O kal vachomer baseado em sovev kol almin corresponde ao ensinamento de Tanya de que o poder criador de D'us age sobre o mundo sem estar contido nele.
Marei mekomot
- 1שאין ידיעתו ית׳ · ראה לקו״ת שה״ש כא, ב.
- 2הרי דעתו מלובשת בידיעה זו · ראה לקו״ת שה״ש כא, ב.
- 3כי לא מחשבותי מחשבותיכם · Isaiah 55:8
- 4והנה כתיב שבעה אלה · בלקו״ת ראה כד, א. שמע״צ צא, ד — מציין לכאן.
- 5שבעה אלה עיני ה׳ המה משוטטים בכל הארץ · Zechariah 4:10
- 6כי ה׳ עיניו משוטטות בכל הארץ · II Chronicles 16:9
- 7כי נודע שבע״ס יש אורות וכלים · במאמרי אדה״א בראשית ע׳ קפד מקשר זה אלמעלה וז״ל שם: ”אך באמת קושיא זו תפול גם כן על מציאות עשר ספירות דאצי׳ ממאצילן שהוא ג״כ בחי׳ התחלקות עשר מציאות פרטים . . ואיך נמצא זאת מבחי׳ אור א״ס הפשוט שהוא מופשט מגדר התחלקות מכל וכל” ע״ש. וראה פרשיות ע׳ קז. אוה״ת בראשית כרך ד תשלו, א.
- 8כי בחי׳ חו״ג זהו בחי׳ כלי · בד״ה אין עומדין תרס״ז (בהמשך תרס״ו ע׳ תפא) מפרש: והיינו בז״א לפי שהאור נעשה כמהות הכלים כו׳, אבל בא״א לית שמאלא בהאי עתיקא לפי שהכלי בטל לגמרי אל האור וה״ה כמהות האור כו׳ עכ״ל ע״ש.
- 9מחנה מיכאל מקבלים מבחי׳ חסד כו׳ · Zohar III, 235b
Os olhos como recipientes ¶4–7
4והנה כמו כן ע״י הכלים דע״ס הוא ג״כ בחי׳ העלאת הזכות וחוב של כל נברא
Ora, do mesmo modo, por meio dos recipientes das dez Sefirot também ocorre a elevação do mérito e da culpa de cada criatura.
Assim como a luz alcança a criação por meio dos recipientes, também o registro dos méritos e das faltas de cada criatura se eleva para o alto por meio deles.
כי ע״י שהאדם עובר עבירה קונה לו קטיגור אחד1 נעשה פגם וכתם באותו המלאך הממונה ע״ז כי יש מלאכים שמקבלים ממדה זו ויש ממדה זו כנ״ל בענין מיכאל וגבריאל כו׳
Pois, quando uma pessoa comete uma transgressão, “adquire para si um acusador”: produz-se uma mácula e uma mancha no anjo encarregado disso. Há anjos que recebem deste atributo e outros daquele atributo, como foi dito acima a respeito de Michael e Gabriel etc.
Um pecado, nas palavras da Mishná, “adquire um acusador”: deixa uma mácula no anjo encarregado daquele assunto. Há diferentes tipos de anjos; alguns recebem de Chessed e outros de Guevurá, como no caso de Michael e Gabriel.
ומלאך זה מעלה הדבר למלאך גבוה ממנו עד שמתעלה בכלים דע״ס דמלכות דאצי׳ המתלבשים בבי״ע ובתוך הכלי מלובש האור מא״ס ב״ה.
E esse anjo eleva o assunto a um anjo superior a ele, até que se eleve aos recipientes das dez Sefirot de Malchut de Atsilut, que se revestem [nos mundos de] Beriá, Yetsirá e Assiá; e, dentro do recipiente, está revestida a luz do Infinito, bendito seja.
Esse anjo transmite o assunto a um anjo superior, e assim por diante, até que alcance os recipientes de Malchut de Atsilut, que estão revestidos nos mundos inferiores de Beriá, Yetsirá e Assiá. Dentro desses recipientes está a luz do Infinito.
O parágrafo aplica os recipientes ao movimento ascendente: os atos de uma pessoa são comunicados para o alto por meio dos anjos e dos recipientes de Malchut de Atsilut, nos quais reside a luz Infinita.
Marei mekomot
- 1קונה לו קטיגור אחד · Pirkei Avot 4:11
5ונמצא ע״י הכלים מתעלה להאור א״ס ב״ה המלובש בהכלים דע״ס. ולכן נאמר ע״ז עיניו משוטטות שהוא בחי׳ הכלים דע״ס. וגם המלאכים המקבלים מהם1 נק׳ מארי דעיינין2 ויש מארי דאודנין.
Conclui-se que, por meio dos recipientes, [o assunto] se eleva à Luz Infinita (Or Ein Sof), bendito seja, que está revestida nos recipientes das dez Sefirot. Por isso se diz a respeito disso: “Seus olhos percorrem”, que corresponde ao nível dos recipientes das dez Sefirot. E os anjos que deles recebem também são chamados “senhores dos olhos”; há também “senhores dos ouvidos”.
Assim, um ato se eleva pelos recipientes até alcançar a Luz Infinita revestida neles. A expressão do versículo “Seus olhos percorrem” refere-se a esses recipientes, e os anjos que deles recebem são chamados “senhores dos olhos”, juntamente com outros chamados “senhores dos ouvidos”.
O parágrafo identifica os “olhos de D'us” que percorrem a terra com os recipientes das Sefirot e os anjos que deles recebem.
Marei mekomot
- 1וגם המלאכים המקבלים מהם · ראה ד״ה והר סיני תרנ״ג ע׳ רא.
- 2מארי דעיינין · ע׳ אוה״ת וירא כרך ד תשלו, א. פ׳ עקב ע׳ תקצז.
6והם משוטטים בכל הארץ כמאמר דע מה למעלה ממך1 עין רואה2 כו׳ ובהכלים שייך לומר משוטטים בבחינת התלבשות בהדבר.
E eles percorrem toda a terra, como na afirmação: “Saiba o que está acima de você: um olho que vê” etc. E é apropriado dizer que os recipientes “percorrem”, no sentido de se revestirem na coisa.
Esses “olhos” percorrem toda a terra, como diz a Mishná: “Saiba o que está acima de você: um olho que vê e um ouvido que ouve.” Falar de “percorrer”, indo até a coisa, é apropriado aos recipientes, que de fato entram naquilo que observam.
ובהם וע״י מתעלה הדבר בבחי׳ האור המלובש בתוכן מא״ס ב״ה והוא ע״ד גלוי וידוע3 שידיעה זו שבכלים דע״ס שעל ידי עיניו משוטטים היא בחי׳
E neles e por meio deles o assunto se eleva ao nível da luz do Infinito, bendito seja, revestida neles; isso se dá da maneira de “revelado e conhecido”: este conhecimento nos recipientes das dez Sefirot, que ocorre por meio de “Seus olhos percorrem”, é, da maneira de
Por meio dos recipientes, o assunto alcança a luz Infinita revestida neles. Nesse nível, o conhecimento obtido pelos olhos que percorrem é conhecido da maneira de “revelado e conhecido”.
גלוי וידוע לאור א״ס ב״ה המלובש בהכלים כיון שהאור באמת לאו מכל אינון מדות איהו כלל אע״פ שמלובש בהכלי כו׳.
“revelado e conhecido” para a Luz Infinita, bendito seja, revestida nos recipientes, pois a luz, na verdade, “não é, de modo algum, nenhuma dessas qualidades”, ainda que esteja revestida no recipiente etc.
Isso se deve ao fato de que a luz, embora revestida nos recipientes, não é, na verdade, nenhuma das qualidades. Portanto, o “percorrer” pertence somente aos recipientes, enquanto a luz que há neles conhece sem entrar em coisa alguma.
O parágrafo resolve a contradição: “percorrer” descreve os recipientes, que de fato entram naquilo que veem, enquanto a luz que há neles conhece da maneira de “revelado e conhecido”.
Marei mekomot
- 1דע מה למעלה ממך · אבות ב, א.
- 2דע מה למעלה ממך עין רואה · Pirkei Avot 2:1
- 3והוא ע״ד גלוי וידוע · בלקו״ת שה״ש כא, ב מציין לכאן. ראה ד״ה צהר תעשה תרע״ג.
7וזהו תירוץ לקושיית הפילוסופים שאין ידיעה והשגחה זו גורם בחי׳ רבוי כי ההשגחה ע״ד עיניו משוטטות הוא ע״י הכלים כנ״ל
E esta é a resposta à pergunta dos filósofos: esse conhecimento e essa providência não causam [um estado de] multiplicidade. Pois a providência no modo de “Seus olhos percorrem” se dá por meio dos recipientes, como foi dito acima;
Isso responde aos filósofos: a providência por meio dos “olhos que percorrem” não faz com que D'us seja múltiplo, porque essa providência opera por meio dos recipientes.
אבל הידיעה בא״ס ב״ה המלובש בהכלים מה שיודע ורואה מה שעיניו משוטטות הנה ידיעתו יתברך זו היא בבחי׳ גלוי וידוע1 כו׳:
mas o conhecimento do Infinito (Ein Sof), bendito seja Ele, que está revestido nos recipientes — aquilo que Ele conhece e vê daquilo sobre o qual Seus olhos percorrem —, esse conhecimento Seu, bendito seja, é no modo de “revelado e conhecido” etc.
Aquilo que o Infinito, revestido nos recipientes, conhece do que os olhos observam não é um conhecimento que penetra nas coisas. É no modo de “revelado e conhecido”, sem multiplicidade.
O parágrafo conclui a resposta aos filósofos: o aspecto detalhado dos “olhos que percorrem” pertence aos recipientes, enquanto o conhecimento próprio de D'us permanece “revelado e conhecido”, sem ser afetado pela multiplicidade.
De acordo com uma análise posterior citada na nota da Kehot, o ponto aqui é que D'us não sabe o que acontece porque já viu os atos; Seu conhecimento provém de Si mesmo.
Marei mekomot
- 1שו״ה משוטטות — בבחי׳ גלוי וידוע · באוה״ת סידור ע׳ נ מציין לכאן. ענין הידיעה נתבאר בארוכה בספר הערכים-חב״ד ח״ד בערך אורות דספירות ”פשיטותם” ע׳ פד ואילך, ובמילואים שם ע׳ תקכו, שהכוונה כאן בתו״א דזה מה שהוא יודע הוא לא מצד שהוא רואה כבר את המעשים, כי אם שהידיעה היא מחמת עצמו, ע״ש. ראה ביאוה״ז להצ״צ כרך א ע׳ סה ואילך.
Glosa: Daat superior e inferior ¶8–13
8הגה״ה(ועיין בפרדס שער1 פ״ח ושער ד׳ פ״ט2 מענין זה ובזוהר פקודי רנ״ב ע״א ואלין עיני ה׳ כולהו נטלי אשגחותא כו׳ עיי״ש וברע״מ פ׳ שופטים ד׳ ער״ה סע״א.3 ויש להבין כיון דפי׳ עיני ה׳ הם הכלים דע״ס דאבי״ע והמלאכים.
Nota: (Veja Pardes, Sha'ar, capítulo 8, e Sha'ar 4, capítulo 9, sobre este assunto; e no Zohar, Pekudei, p. 252a: “E estes são os olhos de D'us; todos eles assumem a vigilância” etc.; veja ali; e em Ra'aya Mehemna, Parshas Shoftim, p. 275, fim da coluna a. Deve-se agora compreender: visto que o significado de “os olhos de D'us” são os recipientes das dez Sefirot de Atsilut, Beriá, Yetsirá e Assiá, e os anjos,
Começa aqui uma longa nota (hagahá), destacada do texto principal. Primeiro são indicados os lugares em que o assunto é discutido: o Pardes Rimonim de Rabi Moshe Cordovero e duas passagens do Zohar sobre “os olhos de D'us” que vigiam. Em seguida, a pergunta é formulada com maior precisão. “Os olhos de D'us” são os recipientes das Sefirot nos quatro mundos e os anjos.
א״כ איך שייך שהבורא ית׳ יצטרך לידע את כל הנבראים ע״י אמצעות הע״ס והרי היוצר עין הלא יביט4 בעצמו דבשלמא לענין ההשפעה והמשכת החיות בהנבראים הוצרך להיות ע״י הכלים דע״ס שאל״כ לא יוכלו הנבראי׳ לקבל
como, então, poderia o Criador, bendito seja, precisar conhecer todas as criaturas por intermédio das dez Sefirot? Afinal, “Aquele que forma o olho não verá?” por Si mesmo. É compreensível que, no que diz respeito ao fluxo da influência e à transmissão da força vital às criaturas, isso tivesse de ocorrer por meio dos recipientes das dez Sefirot, pois, de outro modo, as criaturas não poderiam recebê-la;
Se é assim, por que o Criador precisaria de intermediários para conhecer Suas criaturas? O salmista diz: “Aquele que forma o olho não verá?” por Si mesmo. É compreensível que a força vital tenha de passar pelos recipientes, pois as criaturas não poderiam recebê-la diretamente.
משא״כ לענין ידיעת השי״ת שיודע את כל הנבראי׳ אין שייך לומר כן ח״ו וא״כ למה צ״ל בחי׳ העינים שהם הכלים משוטטים כו׳ דהא בודאי הכל גלוי וידוע לפניו ית׳ בעצמו ביתר שאת שלא ע״י אמצעו׳הכלי׳ כלל:)
mas, no que diz respeito ao conhecimento de D'us, pelo qual Ele conhece todas as criaturas, não se pode dizer isso, D'us nos livre. Sendo assim, por que é necessário o nível dos olhos, que são os recipientes, percorrendo etc.? Pois certamente tudo está revelado e conhecido diante Dele próprio, bendito seja, em medida muito superior, sem qualquer mediação dos recipientes.)
O conhecimento, porém, não depende daquilo que as criaturas podem receber. Certamente D'us conhece tudo por Si mesmo, muito melhor e sem qualquer intermediário. Por que, então, falar de “olhos” que percorrem?
A explicação, porém, é conforme está escrito: “Pois D'us é um D'us de conhecimentos”: há dois níveis de Daat (conhecimento), o Daat superior e o Daat inferior. O Daat superior é o nível abrangente e da luz que circunda todos os mundos (sovev kol almin); isto é,
A resposta é que o versículo “D'us é um D'us de conhecimentos” emprega o plural, ensinando que há dois níveis de Daat. O Daat superior é “abrangente”: como a luz que circunda todos os mundos, relaciona-se com tudo a partir do alto, sem penetrar nas coisas.
כי יש בחי׳ דעת שיודע ורואה הכל רק שהדעת הוא בבחי׳ מקיף דהיינו שאינו מתפשט בהמדו׳ להיות התפעלות מהדבר שהוא יודע או רואה וכענין
há um nível de Daat que conhece e vê tudo, mas esse Daat está no modo abrangente; isto é, não se estende pelos atributos a ponto de [produzir] uma reação àquilo que conhece ou vê; como no caso
Esse Daat superior conhece e vê tudo, mas seu conhecimento não se estende aos atributos emocionais (como Chessed e Guevurá) e, portanto, não produz uma reação àquilo que conhece.
שנאמר לא הביט און ביעקב10 שאין הפי׳ שלא הביט כלל אלא כמ״ש וירא און ולא התבונן11 וכמ״ש אם צדקת מה תתן לו12 וע״ז נאמר טהור עינים מראות ברע13 שאין ראיתו הרע עושה רושם והתפעלות כלל
do que foi dito: “Ele não contemplou iniquidade em Yaakov”: isso não significa que não a tenha visto de modo algum, mas, como está escrito: “Ele vê a iniquidade e não a considera”; e como está escrito: “Se fores justo, que Lhe darás?” E a respeito disso foi dito: “És puro demais de olhos para contemplar o mal”: Sua visão do mal não deixa marca nem produz reação alguma,
Vários versículos ilustram esse ponto. “Ele não contemplou iniquidade em Yaakov” não significa que D'us não a veja, mas, como diz Iyov, Ele a vê e não se detém nela. “Se fores justo, que Lhe darás?” mostra que os atos humanos não O modificam; e “puro demais de olhos para contemplar o mal” significa que, nesse nível, ver o mal não deixa marca Nele.
pois “a lagartixa agarra-se com as mãos”. E dali provêm a fonte do perdão e da compaixão, pois nenhuma mácula chega até ali; e esse nível está acima dos recipientes das dez Sefirot.
O Alter Rebe cita o versículo sobre a lagartixa que “se agarra com as mãos”, sem explicá-lo. Como nenhuma mácula chega ao Daat superior, o perdão e a compaixão provêm dali; esse nível está acima dos recipientes das Sefirot.
רק הפגם והשכר והעונש הוא נמשך ע״י הדעת המתפשט ונמשך במדות ונק׳ דעת תחתון והוא המתלבש בבחי׳ ממכ״ע היינו בכלים דע״ס דאבי״ע16
Somente a mácula, a recompensa e a punição são transmitidas pelo Daat que se estende e penetra nos atributos, chamado Daat inferior; é ele que está revestido no nível da luz que preenche todos os mundos (memalê kol almin), isto é, nos recipientes das dez Sefirot de Atsilut, Beriá, Yetsirá e Assiá.
A mácula, a recompensa e a punição pertencem ao Daat inferior, que se estende aos atributos. Ele está revestido na luz que preenche todos os mundos, isto é, nos recipientes das Sefirot dos quatro mundos.
ולכן ידיעה זו היא ע״י בחי׳ עיני ה׳ שהם הכלים והמדות שעי״ז נמשך ההתפעלות שכר ועונש שהפגם מגיע בהכלים דייקא
Portanto, esse conhecimento se dá por meio do nível dos “olhos de D'us”, que são os recipientes e os atributos; por meio deles é transmitida a reação de recompensa e punição, pois a mácula atinge precisamente os recipientes;
É por isso que o conhecimento por meio dos “olhos de D'us” — os recipientes e os atributos — acarreta recompensa e punição: a mácula causada pelo pecado atinge os próprios recipientes.
ao passo que, por meio do conhecimento que está no Daat superior, não por meio dos recipientes das dez Sefirot, embora tudo esteja revelado e conhecido, nenhuma reação decorre disso etc.
O Daat superior, que não opera por meio dos recipientes, também conhece tudo; contudo, nada do que conhece produz uma reação de recompensa ou punição.
A nota pergunta por que D'us, que conhece tudo por Si mesmo, “veria” por meio dos recipientes, e responde distinguindo dois níveis de Daat: o Daat superior, abrangente, que conhece sem reagir, e o Daat inferior, revestido nos recipientes, por meio do qual vêm a mácula, a recompensa e a punição.
Os dois níveis de Daat correspondem a sovev kol almin e memalê kol almin. A nota da Kehot remete ao Zohar (Idra Zuta) a respeito dos dois níveis de Daat; uma passagem relacionada de Likkutei Torah explica que o Daat superior provém de Kéter e não é limitado por nenhum recipiente. A mesma passagem acrescenta que esse nível superior é a própria fonte do perdão, pois a mácula não o alcança.
Marei mekomot
- 1ועיין בפרדס שער · במאמרי אדה״ז פרשיות ח״א ע׳ קז ”וכמבואר בפרדס בכמה דוכתי שא״א לתרץ קושיות הפילוסופי׳ וכל המבוכים שנבוכו בענין ההשתלשלו׳ מאחה״פ אם לא ע״י חכמת הקבלה וע״כ נק׳ בחי׳ ע״ס דאצי׳ בזוהר בשם רזא דמהימנותא קדישא כידוע”.
- 2ושער ד׳ פ״ט · Pardes Rimmonim 4:10–11
- 3וברע״מ פ׳ שופטים ד׳ ער״ה סע״א · Zohar, Shoftim 3:11–4:20
- 4היוצר עין הלא יביט · Psalms 94:9
- 5אך הענין כמ״ש · קטע מכאן נעתק בסה״מ תרכ״ט (הוצאת תשנ״ב) ע׳ לה בשינוי סדר עם הוספות וביאורים.
- 6כי אל דעות ה׳ · I Samuel 2:3
- 7שיש ב׳ בחי׳ בדעת · Zohar III, 291a
- 8שיש ב׳ בחי׳ בדעת · Zohar, Idra Zuta 19:87–22:95
- 9שיש ב׳ בחי׳ בדעת . . מקיף וסוכ״ע · ראה לקו״ת ראה כד, א. שמע״צ צא, ד. ובכ״מ.
- 10לא הביט און ביעקב · Numbers 23:21
- 11וירא און ולא התבונן · Job 11:11
- 12אם צדקת מה תתן לו · Job 35:7
- 13טהור עינים מראות ברע · Habakkuk 1:13
- 14שממית בידים תתפש · Proverbs 30:28
- 15ומשם מקור הסליחה · סה״מ תרנ״ג שם ”ואדרבה משם נמשך הסליחה כו׳ והיא הנותנת מפני שאין הפגם נוגע שם לכן נמשך משם להיות סליחות עוונות למלאות הפגמים כו׳”.
- 16היינו בכלים דע״ס דאבי״ע · ראה המשך תער״ב ח״ג ע׳ א׳שסט. שמציין לכאן ”מבו׳ [= הכוונה לכאן] דבהכלים דאצי׳ מגיע הפגם והוא בבחי׳ יודע היינו בבחי׳ התלבשות כו׳”. וראה שם ע׳ א׳רכח.
- 17הגה״ה · בלקו״ת שה״ש ל, ב מציין לכאן.
- 18
9ותדע שכן הוא מענין ידיעה ובחירה שאין הידיעה שהשי״ת יודע שזה יהיה צדיק או רשע מכרחת את הבחירה כלל.1 ואיך הוא.
E pode-se saber que assim é pelo assunto do conhecimento e do livre-arbítrio: o conhecimento pelo qual D'us, bendito seja, sabe que alguém será justo ou perverso não força de modo algum a escolha. Como isso se explica?
A prova vem do problema clássico da presciência divina e do livre-arbítrio: D'us sabe se uma pessoa será justa ou perversa, mas esse conhecimento não força sua escolha. Como isso é possível?
אלא לפי שידיעה זו שהש״י יודע הכל מקודם אשר נעשה זהו בבחי׳ דעת עליון שלא ע״י הכלים דע״ס
Isso ocorre porque esse conhecimento, pelo qual o Santo, bendito seja Ele, sabe tudo antes de acontecer, pertence ao nível do Daat superior, não aos recipientes das dez Sefirot.
O conhecimento de D'us sobre o que acontecerá, antes que aconteça, pertence ao Daat superior, que não opera por meio dos recipientes das Sefirot.
דהא עיני ה׳ משוטטים לראות המעשה שכבר נעשה שזה נראה לבחי׳ המלאכים והכלים דבי״ע שנעשה עי״ז פגם וכתם בהמלאך כו׳ וכנ״ל
Pois “os olhos de D'us percorrem” para ver o ato que já foi realizado; isso é visto pelo nível dos anjos e pelos recipientes de Beriá, Yetsirá e Assiá, e assim se produz uma mácula e uma mancha no anjo etc., como foi dito acima;
“Os olhos de D'us percorrem” para ver um ato somente depois que foi realizado: o ato é visto pelos anjos e pelos recipientes dos mundos inferiores, deixando uma mácula no anjo, como foi explicado acima.
משא״כ הידיעה שהקב״ה יודע העתיד ומעשה האדם קודם שנעשה אינו על ידם כלל כ״א ידיעה זו היא במקום גבוה מאד בחי׳ דעת עליון ולהיות דעת זה בחי׳ מקיף אינו מכריח את הבחירה שאין האדם מתפעל מזה
ao passo que o conhecimento pelo qual o Santo, bendito seja Ele, conhece o futuro e os atos de uma pessoa antes de serem realizados não se dá por meio deles de modo algum. Esse conhecimento está, antes, num lugar muito elevado, no nível do Daat superior; e, como esse Daat é abrangente, não força a escolha, pois a pessoa não é afetada por ele,
A presciência não se dá por meio deles, mas no nível muito elevado e abrangente do Daat superior. Por ser abrangente, não age sobre a pessoa, e sua escolha permanece livre.
כמו שלא נמשך מדעת זה התפעלות אפי׳ בהמדות עליונים חו״ג להיות מזה שכר ועונש כנ״ל.
assim como desse Daat não se transmite reação nem mesmo aos atributos superiores, Chessed e Guevurá, para que disso decorram recompensa e punição, como foi dito acima.
Assim como esse Daat não provoca reação nem mesmo nos atributos superiores de Chessed e Guevurá, de modo que dele não decorram recompensa ou punição, tampouco força a pessoa aqui embaixo.
O parágrafo mostra que os dois níveis de Daat também respondem ao problema da presciência e do livre-arbítrio: a presciência pertence ao Daat superior abrangente, que não age sobre a pessoa e, por isso, não a força.
A nota da Kehot acrescenta, com base num maamar posterior, que a presciência não pode forçar a escolha, pois se faz a pessoa jurar que será justa.
Marei mekomot
- 1מכרחת את הבחירה כלל · ”שהרי משביעין אותו תהא צדיק” — סה״מ תרכ״ט ע׳ כט.
10ושיהי׳ שכר ועונש זהו דוקא ע״י דעת תחתון שע״י הכלים והעינים.1 ועיין בפרדס ש״ד פ״ט בענין ידיעה ובחירה2 שכ׳ כי יש חילוק בידיעה קודם שיחטא האדם אעפ״י שעתיד לחטוא. לאחר שחטא כו׳ ע״ש.
E a existência de recompensa e punição se dá especificamente por meio do Daat inferior, que opera pelos recipientes e pelos olhos. Veja Pardes, Sha'ar 4, capítulo 9, a respeito do conhecimento e da escolha, onde se escreve que há uma diferença entre o conhecimento [de D'us] antes que a pessoa peque — embora venha a pecar no futuro — e depois que pecou etc.; veja ali.
A recompensa e a punição provêm somente do Daat inferior, que opera por meio dos recipientes e dos “olhos”. O Alter Rebbe remete novamente ao Pardes Rimonim, que distingue entre o conhecimento de D'us antes que a pessoa peque, mesmo que venha a pecar, e Seu conhecimento depois que ela pecou.
O parágrafo vincula a recompensa e a punição ao Daat inferior e relaciona isso à distinção de Cordovero entre o conhecimento antes e depois de um pecado.
Marei mekomot
- 1דוקא . . שע״י הכלים והעינים · שע״י הכלים והמדות שלשם מגיע הפגם ומשם נמשך השכר והעונש שזהו ע״י ירידתו והשפלתו בבחי׳ ד״ת בחי׳ ממכ״ע היינו בכלים דע״ס דאבי״ע — סה״מ תרכ״ט ע׳ ל.
- 2ועיין בפרדס ש״ד פ״ט בענין ידיעה ובחירה · Pardes Rimmonim 4:9
11ולפמ״ש יובן כי הידיעה קודם שיחטא זהו בבחי׳ דעת עליון וכנ״ל.
E, de acordo com o que foi dito, compreender-se-á que o conhecimento antes que a pessoa peque pertence ao nível do Daat superior, como foi dito acima.
De acordo com o que foi exposto, o conhecimento de D'us sobre um pecado antes que ele seja cometido pertence ao Daat superior.
וז״ש בפ׳ שמות וירא אלקים את בנ״י1 וידע אלקים פי׳ לא שנתחדש׳ הידיעה אלא שמקודם היה בדעת עליון שלא נמשך מזה התפעלות להיות עונש לפרעה ושכר לישראל
E este é o sentido do que se diz em Parshas Shemos: “E D'us viu os filhos de Israel, e D'us soube.” Isso não significa que o conhecimento tenha sido adquirido então; antes, até aquele momento ele pertencia ao Daat superior, do qual não se transmitia reação que trouxesse punição para o Faraó e recompensa para Israel.
O versículo “E D'us viu os filhos de Israel, e D'us soube” não significa que D'us tenha aprendido algo novo. Ele sempre soube, mas no Daat superior, que não produzia reação — nem punição para o Faraó, nem recompensa para Israel.
וע״י וירא אלהים ע״י בחי׳ עיני ה׳ לראות המעשה כשכבר נעשה בפועל עי״ז וידע אלקים שנמשך בחי׳ הדעת תחתון המתפשט במדות להיות שכר ועונש.
E por meio de “E D'us viu”, isto é, pelo nível dos “olhos de D'us”, que veem o ato depois que já foi efetivamente realizado, deu-se então “e D'us soube”: transmitiu-se o nível do Daat inferior, que se estende aos atributos, para que houvesse recompensa e punição.
Quando “D'us viu”, por meio dos “olhos de D'us”, o ato efetivamente realizado, então “D'us soube”: entrou em ação o Daat inferior, que se estende aos atributos e traz recompensa e punição.
O parágrafo interpreta o versículo “D'us viu... e D'us soube” como a passagem do Daat superior, que não reage, ao Daat inferior, que acarreta recompensa e punição.
Marei mekomot
- 1וירא אלקים את בנ״י · Exodus 2:25
12והנה השגחה זו מבחי׳ דעת עליון ע״ז נאמר עין ה׳ אל יראיו1 וכתיב עין בעין נראה2 כדפי׳ באד״ר דף ק״ל ע״א3 וע״ש דיוסף הצדיק זכה לזה וזהו
Ora, a respeito desta providência proveniente do Daat superior foi dito: “O olho de D'us está voltado para os que O temem”; e está escrito: “Olho a olho [Tu] foste visto”, conforme explicado na Idra Rabba, p. 130a; veja ali que Yossef, o justo, mereceu isso, e este é o sentido de
A providência proveniente do Daat superior é expressa por “O olho de D'us está voltado para os que O temem” e “olho a olho”. A Idra Rabba explica esses versículos e diz que Yossef mereceu esse nível.
“Filho frutífero acima do olho”. Ele mereceu isso por meio de “E Yossef sustentou”; e este é o sentido de “Quem tem bom olho será abençoado, pois deu de seu pão ao pobre”; veja ali.
Yossef é chamado “filho frutífero acima do olho”, um filho ligado ao “olho” superior. Mereceu isso por sustentar sua família, conforme está escrito: “Quem tem bom olho será abençoado, pois deu de seu pão ao pobre”.
ומזה יובן דבעון סדום שפגמו בזה ע״כ נמנע מהם גלוי בחי׳ עליונה זו הממתיק כל הדינים בחי׳ ורב חסד7 כו׳:
E disso se compreenderá que, por causa do pecado de Sedom, no qual macularam essa qualidade, foi-lhes negada a revelação deste nível superior, que adoça todos os julgamentos — o nível de “abundante em bondade” etc.
Em contraste, o pecado de Sedom maculou precisamente essa qualidade, e assim lhes foi negada a revelação desse nível superior, a “abundância em bondade” que adoça todos os julgamentos.
O parágrafo relaciona o Daat superior à generosidade: o “bom olho” de Yossef lhe proporcionou essa providência superior, enquanto o pecado de Sedom os afastou dela.
A ligação com Sedom retoma o tema do maamar: o texto sugere que Sedom maculou a própria qualidade do “bom olho” que dá pão ao pobre e, por isso, perdeu o nível de “abundante em bondade”, que de outro modo teria adoçado os julgamentos contra eles.
Marei mekomot
- 1עין ה׳ אל יראיו · Psalms 33:18
- 2עין בעין נראה · Numbers 14:14
- 3כדפי׳ באד״ר דף ק״ל ע״א · ראה המשך תער״ב ח״ב ע׳ א׳לא.
- 4בן פורת עלי עין · Genesis 49:22
- 5ויכלכל יוסף · Genesis 47:12
- 6טוב עין הוא יבורך · Proverbs 22:9
- 7ורב חסד · Exodus 34:6
13(ע״כ הגה״ה):
(Fim da glosa.)
Isso assinala o fim da longa glosa que começou no parágrafo 8; o texto principal é retomado.
Fim da glosa.
Olhos femininos e masculinos ¶14–17
14והנה בזוהר בסבא דמשפטים דק״ז1 ע״א פי׳ מ״ש עיניו משוטטות אלין נוקבין ומ״ש המה משוטטים אלין דכורין וכ״ה בזוהר ויחי דרמ״א סע״א23 דפי׳ משוטטים הם בתקוני שכינתא לתתא כו׳ היינו
Agora, no Zohar, no Saba deMishpatim, p. 107a, explica-se que o que está escrito: “Seus olhos vagueiam (meshotetot)” — são femininos; e o que está escrito: “eles vagueiam (meshotetim)” — são masculinos. E assim também no Zohar, Vayechi, p. 241, fim da coluna a, onde se explica que “vagueiam (meshotetim)” se refere aos adornos da Shechiná abaixo, etc. Isto é,
O Zohar distingue os dois versículos: “Seus olhos vagueiam” (feminino) refere-se a forças femininas, e “eles vagueiam” (masculino), a forças masculinas. Outra passagem do Zohar diz que os que “vagueiam” servem aos adornos da Shechiná abaixo.
כי יש מלאכים שהם מז״א ויש מלאכים שהם ממלכות4 כמ״ש הרח״ו עמ״ש בזוהר ר״פ שמות דף ד׳ ע״א בענין איש וביתו באו56 וז״ל נ״ב7 ת״ת ומלכות ור״ל המלאכים שמן הז״א והמלאכים שמן המל׳ עכ״ל המק״מ שם.
há anjos que provêm de Zeir Anpin e há anjos que provêm de Malchut, como escreveu Rabi Chaim Vital sobre o que está escrito no Zohar, no início da Parashat Shemot, p. 4a, acerca de “cada homem veio com sua família”; e estas são suas palavras: “Nota: Tiféret e Malchut; isto é, os anjos que provêm de Zeir Anpin e os anjos que provêm de Malchut.” Até aqui, as palavras do Mikdash Melech ali.
Há, portanto, dois tipos de anjos: os que provêm de Zeir Anpin (o masculino) e os que provêm de Malchut (o feminino). O Alter Rebe cita isso do Mikdash Melech, um comentário sobre o Zohar, que registra a observação de Rabi Chaim Vital sobre “cada homem veio com sua família”: o “homem” é Tiféret e a “família” é Malchut, isto é, os anjos de cada um.
De volta ao texto principal, o parágrafo usa o Zohar para explicar as formas masculina e feminina de “vaguear”: elas se referem a anjos de Zeir Anpin e a anjos de Malchut.
Segundo um maamar posterior citado na nota da Kehot, esses “olhos” masculinos e femininos são anjos de Atsilut, formados do aspecto exterior dos recipientes de Zeir Anpin e de Malchut de Atsilut.
Marei mekomot
- 1בזהר . . דמשפטים דק״ז · באוה״ת נ״ך כרך א ע׳ תקטו מעתיק לשון הזוהר עם ביאור. ובסה״מ תרכ״ט ע׳ ל.
- 2וכ״ה בזהר ויחי דרמ״א סע״א · באוה״ת נ״ך שם ע׳ תקיד מעתיק הלשון.
- 3וכ״ה בזוהר ויחי דרמ״א סע״א · Zohar, Vayechi 64:651–65:661
- 4כי יש מלאכים שהם מז״א ויש מלאכים שהם ממלכות · ראה בהמשך תער״ב ח״ג ע׳ א׳תע, ואולי הכוונה לכאן, שכ׳ ”לפמ״ש בתו״א בד״ה ארדה נא הב׳ נר׳ שהם מלאכים דאצי׳ וכמ״ש באגה״ק שם [סי׳ כ] דמחיצוניות הכלים די״ס דאצי׳ שהן אלקות נבראו ההיכלות כו׳ וגם גופות המלאכים דאצי׳ שהן בחי׳ יש כו׳, די״ל דעיניו משוטטים ועיניו משוטטות שהן בחי׳ דכורין ונוקבין מבחי׳ ז״א ומל׳ כמ״ש בד״ה ארדה נא הנ״ל הן המלאכים המתהווים מבחי׳ חיצוניות הכלים דזו״נ דאצי׳ כו׳” ע״ש. וראה שם ע׳ א׳תח מה שלפעמים נאמר משוטטים ולפעמים משוטטות ע״ש.
- 5בזוהר ר״פ שמות דף ד׳ ע״א בענין איש וביתו באו · Zohar, Shemot 5:33–6:39
- 6איש וביתו באו · Exodus 1:1
- 7עמ״ש — וז״ל נ״ב · בסה״מ תרכ״ט שם: וז״ל המק״מ נ״ב.
15והמלאכים שהם בתקוני שכינתא היא בחי׳ מלכות דאצי׳ נק׳ נוקבין וכמש״ש בזוהר ד׳ רמ״ז ע״א בפי׳ בנות צעדה למיהוי עלי שור.1 בנות צעדה.
E os anjos que estão nos adornos da Shechiná, que é o nível de Malchut de Atsilut, são chamados femininos; como se diz ali no Zohar, p. 247a, na explicação de “As filhas avançaram, para estar sobre o muro” (banot tsa'adá alê shur): “‘As filhas avançaram’ (tsa'adá):
Os anjos que estão nos “adornos da Shechiná”, que é Malchut de Atsilut, são chamados femininos. O Zohar demonstra isso a partir do versículo “as filhas avançaram (tsa'adá) sobre o muro”, na bênção de Yaacov a Yossef.
צעדות מיבעי לי׳ אלא ההוא עין דכתיב לעילא ומאן איהו עין משפט כו׳ ואיהו עין צעדה ופסעת למיטל בנות לתקונהא והיינו בנות צעדה ולא בנים
deveria estar escrito tsa'adot (no plural). Em vez disso, [trata-se d]aquele olho mencionado acima; e qual é? O olho da justiça, etc.; e ele avança e caminha para tomar filhas como seus adornos. E é por isso que [está escrito] ‘as filhas avançaram’, e não ‘os filhos’. ”
O Zohar observa que o verbo está no singular, embora “filhas” esteja no plural. Explica que o sujeito é “o olho” mencionado anteriormente, “o olho da justiça”, que avança para tomar “filhas” como seus adornos. Por isso o versículo diz “filhas”, e não “filhos”.
פי׳ שההשגחה הנמשכת ע״י הע״ס דמלכות דאצי׳ שהיא בחי׳ עין משפט ע״ש מלך במשפט יעמיד ארץ2 הוא נמשך ומתלבש בהמלאכים הנקראים בנות שהם בחי׳ נוקבין.
Isto é, a Providência que se estende por meio das dez Sefirot de Malchut de Atsilut, que é o nível do “olho da justiça”, em referência a “Pela justiça o rei firma a terra”, estende-se e se reveste nos anjos chamados “filhas”, que são o nível feminino.
O Alter Rebe explica: a Providência que vem por meio das Sefirot de Malchut de Atsilut, chamada “o olho da justiça” porque Malchut é o rei que governa com justiça, reveste-se em anjos chamados “filhas”, os anjos femininos.
O parágrafo usa o Zohar sobre “as filhas avançaram” para mostrar que a Providência de Malchut, “o olho da justiça”, atua por meio de anjos femininos.
Marei mekomot
- 1בנות צעדה למיהוי עלי שור · Genesis 49:22
- 2מלך במשפט יעמיד ארץ · Proverbs 29:4
16וזהו בנות צעדה שהמל׳ צועדת על הבנות עלי שור1 לראות ולהשגיח מעשה התחתונים וע״ז נאמר עיניו משוטטות לשון נוקבא. וזהו ענין הכצעקתה הבאה אלי.2
E este é [o sentido de] “as filhas avançaram”: Malchut avança sobre as filhas, “sobre o muro”, para ver e observar os atos dos seres inferiores. E a isso se refere “Seus olhos vagueiam (meshotetot)”, no feminino. E este é o sentido de “segundo o clamor que chegou a Mim”,
Agora a imagem do Zohar é aplicada: Malchut “avança sobre” suas “filhas”, os anjos femininos, para observar os atos daqueles que estão abaixo. Este é o sentido de “Seus olhos vagueiam” no feminino, e também a razão pela qual o versículo do maamar fala de “seu clamor” no feminino.
לשון נקבה שהיא בחי׳ מלכות שנק׳ דינא דמלכותא והוא העלאת הפגם ע״י המלאכים שמבחי׳ מל׳ והכלים דע״ס דבחי׳ מל׳ הבאה אלי לאא״ס ב״ה המלובש בע״ס דאצי׳.
no feminino, que é o nível de Malchut, chamada “a lei do reino”; e trata-se da elevação da mancha por meio dos anjos que pertencem ao nível de Malchut e dos recipientes das dez Sefirot do nível de Malchut, “que chegou a Mim”: ao Or Ein Sof, bendito seja Ele, que está revestido nas dez Sefirot de Atsilut.
A forma feminina aponta para Malchut, o atributo da “lei do reino”. “O clamor que chegou a Mim” é o relato da mancha, elevado pelos anjos de Malchut e pelos recipientes de Malchut, até alcançar o Or Ein Sof revestido nas Sefirot de Atsilut.
O parágrafo responde à primeira pergunta do maamar: as formas femininas “seu clamor” e “que chegou” mostram que a acusação contra Sodoma subiu pelo canal feminino da Providência — os anjos e os recipientes de Malchut, o atributo do julgamento.
Isso une a abertura do maamar (Malchut como “a lei do reino”) ao ensinamento do Zohar sobre os “olhos” femininos e masculinos. O clamor ascende pelo caminho descrito nos parágrafos 4 e 5, por meio dos anjos e dos recipientes de Malchut de Atsilut.
Marei mekomot
- 1בנות צעדה . . עלי שור · Genesis 49:22
- 2הכצעקתה הבאה אלי · Genesis 18:21
17ועז״נ ארדה נא ואראה ע״י מדת החסד וכנודע שז״א רובו חסדים אנפוי דמלכא נהירין שהוא
E a isso se refere “Descerei agora e verei”: por meio do atributo de Chessed. E, como se sabe, Zeir Anpin é composto em sua maior parte de chassadim (bondades), [como em] “o rosto do Rei resplandece”, que é
A resposta de D'us, “Descerei agora e verei”, vem por meio de Chessed. Zeir Anpin, a configuração masculina dos atributos emocionais, é composto em sua maior parte de bondade; o Zohar o descreve como o rosto resplandecente do Rei.
מ״ש עיני ה׳ הם משוטטים ל׳ זכר שהם בחי׳ דכורין שהוא בחי׳ חסד ואראה הכצעקתה כו׳ שאולי ע״י מדת החסד ימצא להם זכות.
o que está escrito: “os olhos de D'us, eles vagueiam (meshotetim)”, no masculino; são o nível masculino, que é o nível de Chessed. “E verei se, segundo o clamor dela”, etc.: talvez, por meio do atributo de Chessed, se encontre mérito para eles.
Este é o sentido de “os olhos de D'us, eles vagueiam”, no masculino: os anjos de Zeir Anpin, que pertencem a Chessed. “E verei” significa que talvez, por meio de Chessed, se encontre algum mérito para Sodoma.
O parágrafo explica “Descerei agora e verei” como a resposta de D'us ao clamor do julgamento com a Providência masculina de Chessed, que procura mérito.
O julgamento e a bondade interpretam os mesmos fatos ¶18
18וכמבואר באדר״ז דרצ״ג ע״ב1 שבחי׳ ההשגחה ע״י בחי׳ עיניו משוטטות ל׳ נוקבא הוא בחי׳ דין וההשגחה שע״י בחי׳ עיני ה׳ המה משוטטים הוא בחי׳ רחמים כו׳ ע״ש.
E, como se explica na Idra Zuta, p. 293b, a Providência por meio do nível de “Seus olhos vagueiam (meshotetot)”, no feminino, é o nível do julgamento; e a Providência por meio do nível de “os olhos de D'us, eles vagueiam (meshotetim)” é o nível da compaixão, etc.; veja ali.
A Idra Zuta afirma explicitamente que os “olhos” femininos são julgamento e os “olhos” masculinos são compaixão.
והענין שהוא עד״מ כמ״ש ושפטו העדה2 והצילו העדה.3 עדה שופטת ועדה מצלת.4 לפי שבכל דבר יוכל ללמד זכות וחובה
E o assunto é, a título de analogia, como está escrito: “E a congregação julgará... e a congregação salvará”: uma congregação que julga e uma congregação que salva. Pois em todo caso é possível argumentar em favor do mérito e da culpa.
Uma analogia com o tribunal: a Torá fala do tribunal tanto julgando quanto salvando, pois todo caso oferece motivos tanto para condenar quanto para absolver.
וע״כ ארז״ל פסילנא לי׳ לצורבא מרבנן5 לדינא דחביב עלי כגופאי ואין אדם רואה חוב לעצמו הרי
E por isso nossos Sábios, de abençoada memória, disseram: “Desqualifico-me [de julgar] um estudioso da Torá, pois ele me é tão querido quanto meu próprio corpo”; e “a pessoa não vê culpa em si mesma”. Portanto,
O Talmud registra que um sábio se desqualificou de julgar um estudioso da Torá que lhe era “tão querido quanto meu próprio corpo”, pois a pessoa não vê culpa em si mesma.
אע״פ שהוא חייב באמת אינו רואה עליו חובה שמחמת קירוב הדעת והחביבות מוצא מקום ללמד זכות
embora ele seja realmente culpado, não se vê culpa nele; pois, devido à proximidade e ao afeto, encontra-se uma maneira de argumentar em favor do mérito.
O amor e a proximidade levam a mente a encontrar motivos para absolver, mesmo quando há culpa real.
משא״כ למי שאינו חביב עליו כ״כ הי׳ מלמד חובה וכמ״ש וכל יצר מחשבות לבו רק רע6 כו׳
ao passo que, em relação a alguém que não lhe é tão querido, argumentaria em favor da culpa; como está escrito: “e toda inclinação dos pensamentos de seu coração era somente má”, etc.;
Em relação a alguém menos querido, os mesmos fatos são interpretados como culpa. Assim, antes do Dilúvio, a Escritura diz que “toda inclinação dos pensamentos de seu coração era somente má”.
e disso resultou: “E D'us disse: ‘Apagarei o homem’”, etc. Vê-se, pois, que, por a inclinação dos pensamentos de seu coração ser somente má, foi levado a argumentar em favor da culpa.
Dessa avaliação veio o decreto “Apagarei o homem”: a inclinação má foi tomada como motivo para condená-lo.
ואח״כ בפ׳ נח כתיב ויאמר ה׳ אל לבו9 לא אוסיף לקלל עוד את האדמה בעבור האדם
E depois, na Parashat Noach, está escrito: “E D'us disse em Seu coração: ‘Não voltarei a amaldiçoar a terra por causa do homem,
Depois do Dilúvio, na Parashat Noach, D'us diz que nunca mais amaldiçoará a terra por causa do homem.
כי יצר לב האדם רע מנעוריו הרי שמסברא זו עצמה שיצר לב האדם רע מצא ללמד זכות שלא יוסיף לקלל את האדמה בעבור האדם
pois a inclinação do coração do homem é má desde a sua juventude.” Vê-se, então, que foi justamente com esse raciocínio — que a inclinação do coração do homem é má — que encontrou uma maneira de argumentar em favor do mérito, para não voltar a amaldiçoar a terra por causa do homem.
D'us apresenta a razão: “pois a inclinação do coração do homem é má desde a sua juventude”. O mesmo fato — que a inclinação do homem é má — torna-se agora motivo para agir com indulgência.
והיינו לפי שהי׳ התגלות מדת החסד ע״י וירח ה׳ את ריח הניחוח10 שבקרבן שהקריב נח המשיך גילוי מדת החסד ללמד זכות בזו הסברא עצמה שנמשך תחלה ללמד חובה ע״י מדה״ד.
E isso se deve à revelação do atributo de Chessed por meio de “E D'us sentiu o aroma agradável”: através da oferenda que Noach trouxe, ele atraiu uma revelação do atributo de Chessed, para argumentar em favor do mérito com o mesmo raciocínio que antes fora levado a argumentar em favor da culpa por meio do atributo do julgamento.
A mudança veio por uma revelação de Chessed: quando D'us “sentiu o aroma agradável” da oferenda de Noach, Chessed foi atraído, e o mesmo raciocínio que o julgamento usara para condenar tornou-se motivo para absolver.
וזהו ענין החילוק בין ב׳ בחינות השגחות הנ״ל (ועמ״ש במ״א ע״פ לעשות הישר בעיני1112 ה׳ אלקיך). וזהו פי׳ ארדה נא.
E esta é a diferença entre os dois níveis de Providência mencionados acima. (E veja o que está escrito em outro lugar sobre o versículo “para fazer o que é reto aos olhos de D'us, teu D'us”.) E este é o sentido de “Descerei agora”:
Esta é a diferença entre os dois tipos de Providência, o feminino do julgamento e o masculino de Chessed. O Alter Rebe remete a outra discussão sobre “para fazer o que é reto aos olhos de D'us” e, em seguida, volta a explicar “Descerei agora”.
כי צעקתה היא הבאה מלמטה למעלה שהוא בחי׳ גבורות ואו״ח ולזה נאמר ארדה נא לשון ירידה הוא מלמעלה למטה דהיינו בחי׳ או״י שהוא בחי׳ חסד להשגיח במדת החסד ללמד זכות.
pois “seu clamor” é aquilo que vem de baixo para cima, que é o nível das guevurot (severidades) e da luz refletida (or chozer); por isso está escrito “Descerei agora”, uma expressão de descida, de cima para baixo, isto é, o nível da luz direta (or yashar), que é o nível de Chessed, para observar com o atributo de Chessed, a fim de argumentar em favor do mérito.
O “clamor” sobe de baixo para cima, como a “luz refletida” (or chozer) das severidades. “Descer” é de cima para baixo, como a “luz direta” (or yashar), que é Chessed: D'us desce com Chessed para procurar mérito.
ואראה הכצעקתה הבאה אלי עשו13 דהיינו אם עוונם גדול מנשוא כ״כ עד שגם ע״פ החסד לא יוכל למצוא זכות אז כלה. ואם לא. פי׳ אולי ע״י החסד יוכל ללמד זכות כו׳.
“E verei se, segundo o clamor que chegou a Mim, eles agiram”: isto é, se o pecado deles é tão grande, tão impossível de suportar que nem mesmo segundo Chessed se pode encontrar mérito, então haverá destruição (kalah). “E, se não”: isto significa que talvez, por meio de Chessed, se possa argumentar em favor do mérito, etc.
O versículo termina com “se agiram de todo” (kalah). O Alter Rebe interpreta assim: se o pecado deles é tão grande que nem mesmo Chessed pode encontrar mérito, haverá destruição (kalah); “e, se não”, talvez Chessed ainda possa encontrar mérito.
וז״ש במדרש ארדה נא ממדה״ר למדה״ד1415 ובזוהר דק״ה ע״ב16 ארדה נא מדרגא דרחמי לדרגא דדינא17 ר״ל להמשיך רחמים ממדה״ר אל בחי׳ מדה״ד ואראה כו׳.
E é isso que se diz no Midrash: “Descerei agora”: do atributo de misericórdia ao atributo de julgamento; e no Zohar, p. 105b: “Descerei agora: do nível de misericórdia ao nível de julgamento”; isto é, atrair misericórdia do atributo de misericórdia para o nível do atributo de julgamento — “e verei”, etc.
O Midrash e o Zohar dizem que “Descerei” significa descer da misericórdia ao julgamento. O Alter Rebe explica isso como trazer misericórdia para dentro do atributo de julgamento, de modo que o próprio julgamento seja “visto” com misericórdia.
O parágrafo explica por que os dois tipos de Providência chegam a vereditos diferentes: os mesmos fatos podem ser interpretados em favor da culpa ou do mérito, e Chessed os interpreta em favor do mérito. “Descerei” é a descida de Chessed ao julgamento para procurar mérito para Sodoma.
O exemplo do Dilúvio mostra que Chessed não ignora os fatos; interpreta os mesmos fatos de outra maneira. “Or chozer” e “or yashar” são termos cabalísticos para a luz que sobe de baixo e a luz que desce de cima; o maamar os relaciona ao clamor feminino e à descida masculina.
Marei mekomot
- 1וכמבואר באדר״ז דרצ״ג ע״ב · Zohar, Idra Zuta 24:113–27:121
- 2ושפטו העדה · Numbers 35:24
- 3והצילו העדה · Numbers 35:25
- 4ושפטו העדה והצילו העדה עדה שופטת ועדה מצלת · מסעי לה, כד-כה. סנהדרין פ״א משנה א.
- 5פסילנא לי׳ לצורבא מרבנן · Shabbat 119a:1
- 6וכל יצר מחשבות לבו רק רע · Genesis 6:5
- 7ויאמר ה׳ אמחה את האדם · Genesis 6:7
- 8נמשך ללמד חובה · ראה לקו״ת אמור לט, א. שה״ש מז, ד. באוה״ת ענינים ע׳ קצז מציין לכאן.
- 9ויאמר ה׳ אל לבו · Genesis 8:21
- 10וירח ה׳ את ריח הניחוח · נח ח, כא.
- 11ע״פ לעשות הישר בעיני ה׳ · לקו״ת ראה כג, ד ואילך.
- 12לעשות הישר בעיני ה׳ אלקיך · Deuteronomy 13:19
- 13ואראה הכצעקתה הבאה אלי עשו · Genesis 18:21
- 14וז״ש במדרש ארדה נא ממדה״ר למדה״ד · ראה רמב״ן וירא יח, כ. הנסמן במאמרי אדה״א בראשית ע׳ קצו.
- 15וז״ש במדרש ארדה נא ממדה״ר למדה״ד · Ramban on Genesis 18:20
- 16ובזהר דק״ה ע״ב · בתורת חיים ר״פ וירא (צז, א): בזוהר [ח״א קה, ב] א׳ ע״ד המדרש הנ״ל וז״ל וכי לא הוה ידע קודב״ה דא׳ ארדה נא . . אלא ארדה נא מדרגא דרחמי לדרגא דדינא כו׳.
- 17ובזוהר דק״ה ע״ב ארדה נא מדרגא דרחמי לדרגא דדינא · Zohar, Vayera 12:201–14:212
Ver e ouvir ¶19–20
19והנה רש״י פי׳ בחומש ארדה נא למד לדיינים שלא יפסקו דיני נפשות אלא בראיה.1 והענין דאיתא בת״ז2 ואלין עשר ספירן אינון אזלין כסדרן3 חד אריך וחד קציר וחד בינוני.
Agora Rashi explica no Chumash, a respeito de “Descerei agora”: “[Isto] ensina que os juízes não devem decidir casos capitais senão após verem.” E a explicação é que se encontra no Tikkunei Zohar: “E estas dez Sefirot seguem sua ordem: uma longa, uma curta e uma intermediária.”
Rashi aprende de “Descerei e verei” que os juízes não podem decidir casos capitais sem ver por si mesmos. Para explicar por que a “visão” é importante, o Alter Rebe cita o Tikkunei Zohar: as Sefirot seguem sua ordem, “uma longa, uma curta e uma intermediária.”
פי׳ כי ע״ס נחלקי׳ לג׳ קוין קו הימין חח״נ נק׳ חד אריך כי החסד נמשך ומתפשט יותר
O significado é que as dez Sefirot se dividem em três linhas. A linha direita, Chochmá, Chessed e Nétsach, é chamada “uma longa”, pois Chessed se estende e se propaga mais.
As dez Sefirot formam três linhas. A linha direita, Chochmá, Chessed e Nétsach, é “longa” porque a bondade alcança longe.
ולכן גמ״ח בין לעניים בין לעשירים4 הרי שהחסד מתפשט יותר מהרחמים שעל העשיר אין שייך רחמנות כ״א על העני.
E, por isso, atos de bondade [são praticados] tanto com os pobres quanto com os ricos; assim, Chessed se estende mais do que a compaixão, pois a compaixão não se aplica ao rico, mas somente ao pobre.
O Talmud ensina que atos de bondade são praticados tanto com ricos quanto com pobres, ao passo que a compaixão se aplica somente aos pobres. Portanto, a bondade alcança mais longe do que a compaixão.
וקו השמאל בג״ה נק׳ חד קציר שאינו נמשך כ״א למי שהגון ביותר. וקו האמצעי נק׳ בינוני שמרחם על מי שנופל רחמנות.
E a linha esquerda, Biná, Guevurá e Hod, é chamada “uma curta”, pois se estende somente àquele que é extremamente merecedor. E a linha do meio é chamada “intermediária”, pois tem compaixão de quem se encontra numa situação que desperta compaixão.
A linha esquerda, Biná, Guevurá e Hod, é “curta”: alcança somente os mais merecedores. A linha do meio é “intermediária”: tem compaixão de quem se encontra numa situação que requer compaixão.
O parágrafo apresenta as três linhas das Sefirot e o alcance de cada uma: a longa linha direita de Chessed, a curta linha esquerda de Guevurá e a linha intermediária do meio, associada à compaixão.
Marei mekomot
- 1רש״י פי׳ בחומש ארדה נא למד לדיינים שלא יפסקו דיני נפשות אלא בראיה · Rashi on Genesis 18:21
- 2דאיתא בת״ז · בהקדמה (פתח אליהו).
- 3
- 4גמ״ח בין לעניים בין לעשירים · Sukkah 49b:11
20והנה יש ראיה ושמיעה הראיה נמשך מבחי׳ חכמה קו הימין ושמיעה מבינה קו השמאל. וכנודע מענין ראובן ושמעון1
Ora, há visão e há audição. A visão deriva do nível de Chochmá, a linha direita, e a audição, de Biná, a linha esquerda; como é sabido a respeito de Reuven e Shimon.
A visão e a audição correspondem aos dois lados: a visão, a Chochmá, à direita; a audição, a Biná, à esquerda. Isso é sabido pelos nomes Reuven (de “ver”) e Shimon (de “ouvir”).
ולכן הראי׳ היא מלמעלה למטה והשמיעה ממטה למעלה שהאותיות מתעלים ונכנסים לאוזן השומע ולזה ג״כ הראי׳ נשפלת למטה יותר מהשמיעה שרואה דבר גשמי
E, por isso, a visão vai de cima para baixo, enquanto a audição vai de baixo para cima, pois as letras se elevam e entram no ouvido de quem escuta. Também por esse motivo, a visão desce mais baixo do que a audição, pois vê uma coisa física,
A visão vai de cima para baixo, ao passo que a audição vai de baixo para cima, pois os sons se elevam até o ouvido. Assim, a visão alcança níveis mais baixos, chegando até mesmo aos objetos físicos.
משא״כ השמיעה היא רק קול ודבור כי הראי׳ היא מבחי׳ חד אריך וכנודע שיסוד אבא אריך כו׳.
ao passo que a audição capta somente a voz e a fala. Pois a visão provém do nível de “uma longa”, como é sabido que o Yessod de Abá é longo, etc.
A audição, em contrapartida, capta somente a voz e a fala. A visão pertence à linha “longa”; o Alter Rebe acrescenta o ensinamento cabalístico de que o Yessod de Abá (Chochmá) é longo.
וזהו מ״ש ארדה נא ואראה כי הכצעקתה הבאה זהו כמו בחי׳ שמיעה שמבחי׳ בינה ולכן היא הבאה מלמטה למעלה והוא בחי׳ קו השמאל אבל ארדה נא ואראה בבחי׳ ראיה שהוא בחי׳ חסדים כו׳:
E é isso o que está escrito: “Descerei agora e verei”, pois “de acordo com seu clamor, que chegou” é como o nível da audição, que provém do nível de Biná; por isso, ela vem de baixo para cima e é o nível da linha esquerda. Mas “Descerei agora e verei” está no nível da visão, que é o nível das chassadim (bondades), etc.
Aplicado ao versículo: “seu clamor, que chegou” é como a audição, que provém de Biná e se eleva de baixo, pelo lado esquerdo. “Descerei e verei” é a visão, que pertence à bondade. D'us responde ao clamor não apenas ouvindo, mas também “descendo e vendo” com Chessed.
O parágrafo conclui o maamar: o clamor é “ouvido” por meio do lado esquerdo do julgamento, enquanto “Descerei agora e verei” é a “visão” da longa linha direita de Chessed, que desce para encontrar mérito.
Isso também explica o ensinamento de Rashi: os casos capitais exigem “visão”, pois a visão provém de Chessed, que procura mérito, enquanto a simples “audição” de uma acusação provém do lado do julgamento.
Marei mekomot
- 1ושמעון · Genesis 29:33
Terminou o maamar?
Marque-o como estudado; ele conta para a semana e para o siyum do ano.
Na avodá
O maamar diz que José mereceu a providência superior, “o olho de D'us voltado para os que O temem”, por sustentar os outros: “aquele que tem um bom olho será abençoado, pois deu de seu pão ao pobre”. Sodoma maculou precisamente essa qualidade e foi privada dela. O maamar também mostra, a partir do juiz que ama aquele a quem julga, que a proximidade e a bondade encontram espaço para o mérito nos mesmos fatos que o julgamento condenaria.
Perguntas para conversar
- Em que “revelada e conhecida” difere da maneira como uma pessoa chega a conhecer algo, e por que essa diferença responde à pergunta dos filósofos sobre a multiplicidade?
- Se D'us conhece tudo por Si mesmo, por que as Escrituras falam de “olhos” que percorrem a terra? Que papel desempenham os recipientes e os anjos?
- Como os dois níveis de Daat explicam por que a presciência de D'us não obriga a pessoa a escolher livremente?
- O mesmo fato, de que “a inclinação do coração do homem é má”, leva primeiro ao Dilúvio e depois à promessa de D'us de nunca mais amaldiçoar a terra. O que mudou, segundo o maamar?
- Por que o maamar associa “descerei e verei” ao ato de ver, e não ao de ouvir, e o que isso sugere sobre a regra de Rashi de que os juízes devem ver por si mesmos?