Likkutei Torah · Parshas Matos · Maamar 1
וידבר משה אל ראשי המטות וגו׳ איש כי…
E Moshe falou aos chefes das tribos
A ideia central
As mitsvot, realizadas com coisas físicas humildes cuja raiz é mais elevada que a alma, atraem a santidade de D'us, que está separada de todos os mundos; isso explica a sequência dos Sábios: abstinência, santidade, humildade e temor do pecado, o “Isto é o que” de Moshe e por que um voto deve estar ligado a algo consagrado.
O maamar em resumo
O maamar pergunta por que um voto deve estar ligado a um objeto consagrado e por que as leis dos votos foram dadas aos “chefes das tribos”. A resposta é apresentada por meio da sequência dos Sábios: a abstinência conduz à santidade, a santidade à humildade, e a humildade ao temor do pecado. Santidade significa estar separado: os mundos vivem apenas de um brilho da realeza de D'us, enquanto Sua essência está além deles. Ainda assim, por meio das mitsvot, essa santidade oculta chega até nós. O pão sustenta o homem porque a palavra divina dentro dele vem de uma raiz mais elevada; do mesmo modo, os objetos físicos das mitsvot vêm de uma raiz mais elevada que a alma, e por meio deles a Vontade Suprema é atraída para os mundos e para a alma como o “desejo do coração”, um amor que transcende o entendimento. Como a alma vive apenas por meio dessas coisas humildes, a santidade conduz à humildade, e a humildade permite à pessoa perceber até onde chega um pecado: isso é o temor do pecado. Moshe, o líder cuja autoanulação era completa, atrai essa influência; sua profecia, “Isto é o que”, veio de acima do tempo. Da mesma forma, um voto liga um objeto, pelo poder da fala, à sua raiz elevada e santa.
Esquema
- Votos e a sequência das virtudesPor que um voto deve ser feito “por meio de algo que foi objeto de voto”, por que foi dito aos chefes das tribos e a sequência dos Sábios, da abstinência ao temor do pecado.¶1–2
- Santidade: separada dos mundosParece que o temor a D'us deveria vir primeiro; a resposta começa com “que nos santificou com Seus mandamentos”. Os mundos vivem de um brilho da Malchut de D'us, enquanto Sua essência é santa, além de todo pensamento.¶3–6
- “Meu pão”: o alimento e sua raiz mais elevadaO alimento sustenta o homem por meio da palavra divina dentro dele e tem uma vantagem sobre ele, pois sua raiz, que caiu na quebra dos recipientes, é mais elevada que a dele.¶7–11
- A Vontade Suprema atraída por meio da açãoA luz que preenche os mundos, a “aparência de um homem”, recebe vida da Vontade Suprema por meio de mitsvot físicas e da fala da Torá, não por meio do pensamento; por isso, os bons atos superam o Mundo Vindouro.¶12–15
- O desejo do coração e “que nos santificou”Além do amor que nasce da contemplação, a Torá e as mitsvot trazem ahavá rabá, o desejo do coração, um amor mais elevado que a alma; a bênção sobre as mitsvot é explicada palavra por palavra, seguida de um resumo.¶16–19
- Humildade e temor do pecadoA santidade conduz à humildade, à verdadeira autoanulação como a de Moshe; a humildade leva à percepção de até onde chega um pecado, o que é temor do pecado; e tudo se apoia na abstinência, a teshuvá inferior.¶20–22
- Os chefes das tribosOs “chefes” que orientam as emoções da pessoa para o amor a D'us são o desejo do coração, atraído pela liderança e pela humildade de Moshe.¶23–24
- “Isto é o que”A profecia de Moshe veio da essência de D'us, acima do tempo, e, por meio do desejo do coração, o estudo da Torá da pessoa torna-se a própria palavra de D'us.¶25–26
- Votos: ligar o objeto à sua raiz santaA abstinência nasce ao se reconhecer a raiz elevada daquilo de que se abre mão; um voto liga isso a uma oferenda, atraindo santidade para o objeto por meio do poder da fala.¶27
Conceitos-chave
- Santidade (kedushá)קדושה
- Estar separado: a essência de D'us, além de todos os mundos, que nenhum pensamento pode apreender. Por meio das mitsvot, essa mesma santidade é atraída para os mundos e para a alma.
- Malchut (soberania)מלכות
- A realeza de D'us; um mero brilho dela confere existência e vida a todos os mundos. É uma “vestimenta” que D'us veste, não Sua essência.
- O que sai da boca de Havayáמוצא פי ה׳
- A palavra divina que sustenta toda criatura. Motzá significa tanto aquilo que já saiu como a fonte de onde provém.
- A Vontade Supremaרצון העליון
- A vontade divina acima de todos os mundos, a luz que circunda todos os mundos e a fonte da Torá e das mitsvot, em contraste com a vontade inferior que se reveste nos mundos.
- O desejo do coração (re’usa deliba)רעותא דליבא
- Ahavá rabá, um amor a D'us que transcende o entendimento, “com toda a tua força”, que vem do alto por meio da Torá e das mitsvot.
- Humildadeענוה
- Não ocupar lugar algum, ser como nada diante de D'us, como no “o que somos nós” de Moshe. Ela decorre do conhecimento de que a alma vive apenas por meio de coisas humildes.
- Temor do pecadoיראת חטא
- Temor da falta e do dano que um pecado causa no alto, alcançando a raiz de todas as raízes.
- Algo que foi objeto de votoדבר הנדור
- Um objeto consagrado, como uma oferenda, ao qual um voto deve estar ligado; essa ligação une o objeto proibido à sua raiz elevada e santa.
Votos e a sequência das virtudes ¶1–2
1וידבר משה אל ראשי המטות12 וגו׳ איש כי ידור נדר3 וגו׳. ואמרו בגמ׳ [בגמרא] עד שידור בדבר הנדור4 כגון שיאמר הרי עלי בשר זה כעולה ושלמים5 או שיאמר קונם בשר זה עלי שהקונם הוא לשון קרבן.6
“E Moshe falou aos chefes das tribos”, etc.; “Quando um homem fizer um voto”, etc. E a Guemará [nossos Sábios] disse: “até que faça um voto por meio de algo que foi objeto de voto” — por exemplo, que diga: “Esta carne é [proibida] para mim como um holocausto e ofertas de paz”, ou que diga: “Konam: esta carne [é proibida] para mim”, pois konam é uma expressão para korban (oferenda).
O maamar começa com os primeiros versículos da Parashat Matot (Números 30:2–3), nos quais Moshe ensina aos chefes das tribos as leis dos votos. A Guemará (Nedarim 13a) deduz dessas palavras que um voto só entra em vigor quando quem o pronuncia vincula o objeto a algo já consagrado, como quando diz que esta carne é para ele como uma oferenda. A palavra comum para voto, konam, substitui korban, “oferenda”; portanto, ela também vincula o objeto a uma oferenda.
O parágrafo cita os versículos que dão início às leis dos votos e a regra da Guemará de que um voto deve vincular o objeto proibido a algo consagrado, como uma oferenda.
A nota da Kehot acrescenta que o voto de que a Torá fala é, essencialmente, aquele que vincula o objeto a uma oferenda (Shulchan Aruch, Yoreh De’ah 204:1). Também cita o Mishneh LaMelech: um voto formulado apenas como “isto me é proibido” funciona porque é tratado como uma forma abreviada, e o ouvinte completa a frase como “como uma oferenda”. A nota extrai isso de uma alocução de Shabat Parashat Matot-Masei 5748 (nota 12).
Marei mekomot
- 1וידבר משה אל ראשי המטות · הנחת כ״ק אדמו״ר האמצעי נדפס בסה״מ תקס״ד ע׳ קפז.
- 2וידבר משה אל ראשי המטות · Numbers 30:2
- 3איש כי ידור נדר · Numbers 30:3
- 4עד שידור בדבר הנדור · Nedarim 13a:2–3
- 5הרי עלי בשר זה כעולה ושלמים · עיקר נדר האמור בתורה הוא שיתפיס בדבר הנדור, כגון שאומר ככר זה עלי כקרבן, ראה שו״ע יו״ד סד״ר ס״א. וראה משנה למלך ריש הל׳ נדרים שנדר בלשון איסור סתם (שלא התפיסו כקרבן) ”מדין יד הוא דמהני שכשהוא אומר הרי זה אסור עלי אנו גומרין דברים כקרבן” עיי״ש — משיחת ש״פ מטו״מ תשמ״ח הערה 12.
- 6לכללות המאמר ראה גם ד״ה זה בסה״מ תקס״ב ח״א ע׳ רלז [שם ההתחלה · וידבר ה׳ אל משה דבר אל ראשי המטות — וצ״ע]. ח״ב ע׳ תצט. תקס״ז ע׳ רפט. ס׳ מאמרי אדה״ז-פרשיות ח״ב ע׳ תרפח. אוה״ת מטות ע׳ א׳רנה ואילך. שם כרך-ה ע׳ א׳תרפב. כרך-ו ע׳ א׳תתקנד קיצור ללקו״ת. סה״מ תר״ל ע׳ רטז. במאמרי אדה״א פ׳ מטות ע׳ א׳תרצז רק חלק מהמאמר.
2ועל יסוד זה מוסד כל מסכת נדרים בפי׳ דבר הנדור. ולהבין ענין זה למה צריך להתפיס בדבר הנדור דוקא.
E sobre este fundamento se baseia todo o Tratado de Nedarim, na explicação de “uma coisa que foi objeto de voto”. E [é preciso] compreender este assunto: por que é necessário vincular [o voto] especificamente a uma coisa que foi objeto de voto?
O Alter Rebe observa que todo o Tratado de Nedarim se baseia nesta regra da “coisa que foi objeto de voto”. Ele pergunta por que um voto precisa estar vinculado a algo consagrado, em vez de simplesmente proibir o objeto declarando-o proibido.
E também [é preciso] compreender por que esta seção foi dirigida especificamente aos chefes das tribos. Ora, aprendemos em [Pirkei] Avot: “Os votos são uma cerca para a abstinência”.
Uma segunda pergunta: por que a seção sobre votos foi dirigida especificamente aos “chefes das tribos”? Ele inicia sua resposta com a Mishná em Avot (3:13), segundo a qual os votos são uma cerca protetora para a abstinência — afastar-se até mesmo de coisas que são permitidas.
Ora, eles disseram: “A abstinência conduz à santidade, a santidade conduz à humildade, e a humildade conduz ao temor do pecado”.
Esta sequência vem da Mishná no final de Sotah (9:15), a escada de crescimento espiritual de Rabi Pinchas ben Yair: a abstinência conduz à santidade, a santidade conduz à humildade, e a humildade conduz ao temor do pecado. O maamar explicará cada um desses degraus e, por meio deles, o significado dos votos.
O parágrafo apresenta as duas perguntas que o maamar responderá: por que um voto deve estar vinculado a um objeto consagrado e por que os votos foram ensinados aos chefes das tribos. Em seguida, introduz a escada dos Sábios, na qual a abstinência conduz à santidade, à humildade e ao temor do pecado.
A nota da Kehot cita uma palestra de Shabat Matos-Masei 5748 que resolve uma aparente contradição com a repreensão dos Sábios: “Acaso não basta para ti aquilo que a Torá proibiu, para que procures proibir outras coisas?” Há duas etapas: quem ainda não alcançou um nível elevado no serviço Divino precisa abster-se até mesmo daquilo que é permitido; quem já o alcançou pode contentar-se com aquilo que a Torá proíbe. Likkutei Torah, mais adiante em Matos (84b), estabelece uma distinção semelhante.
Marei mekomot
- 1תנן באבות נדרים סייג לפרישות · פ״ג, מי״ג.
- 2נדרים סייג לפרישות · ראה בארוכה משיחת ש״פ מטו״מ תשמ״ח שלכאורה מצינו סתירה במאמרי חז״ל ”לא דייך מה שאסרה לך התורה אלא שאתה מבקש לאסור עלך דברים אחרים” (בתמי׳), והתיווך בזה שמדובר אודות שתי דרגות שונות א) מי שעדיין לא הגיע לדרגא נעלית בעבודת ה׳, זקוק לפרוש גם מדברים המותרים קדש עצמך במותר לך, והב) מי שכבר הגיע לדרגא נעלית בעבודת ה׳ אז דייך מה שאסרה לך התורה ע״ש בארוכה. וראה לקמן פד, ב.
- 3פרישות מביאה לידי קדושה · סוף סוטה.
- 4פרישות מביאה לידי קדושה וקדושה מביאה לידי ענוה וענוה מביאה לידי יראת חטא · Mishnah Sotah 9:15
- 5
Santidade: separada dos mundos ¶3–6
3וצריך להבין למה יראת חטא באה אחר ענוה וקדושה כו׳ והלא כתיב ראשית חכמה יראת1 ה׳ [הגם שנתבאר במ״א ע״פ וידבר דעשרת הדברות2 בענין אם אין חכמה אין יראה3 אם אין יראה אין חכמה.4
E precisamos entender por que o temor ao pecado vem depois da humildade e da santidade etc. Não está escrito: “O princípio da sabedoria é o temor de Havayá”? [Embora isso tenha sido explicado em outro lugar, a propósito do versículo “E Ele falou”, dos Dez Mandamentos, em relação ao ensinamento: “Se não há sabedoria, não há temor; se não há temor, não há sabedoria”,
Se o temor ao pecado só aparece quase no alto da escala, depois da santidade e da humildade, como isso se concilia com Tehilim 111:10, que chama o temor de D'us de princípio da sabedoria? Entre colchetes, o Alter Rebe recorda que discutiu a Mishná “Se não há sabedoria, não há temor; se não há temor, não há sabedoria” (Avot 3:17) em outro maamar, sobre os Dez Mandamentos.
דיש ב׳ בחי׳ יראה. אך אין די בזה לתרץ הא דיראת חטא בא דוקא אחר ענוה וקדושה כו׳].
que há dois níveis de temor — mas isso não basta para resolver por que o temor ao pecado vem especificamente depois da humildade e da santidade etc.]
A resposta anterior era que há dois níveis de temor: um que é o princípio da sabedoria e outro, mais elevado, que só surge por meio da sabedoria. O Alter Rebe diz que isso ainda não explica por que o temor ao pecado, em particular, precisa vir depois da humildade e da santidade.
אך הענין דעיקר הקדושה הוא כמאמר אשר קדשנו במצותיו5 שהמצות הן העיקר והתכלית כמ״ש סוף דבר הכל נשמע את האלקים ירא ואת מצותיו שמור כי זה כל האדם6 וע״י המצות הוא אשר קדשנו.
Mas a explicação é que a essência da santidade está expressa na fórmula: “Que nos santificou com Seus mandamentos”; pois as mitzvos são a essência e o propósito, como está escrito: “O fim da questão, depois de tudo ter sido ouvido: teme a Elokim e guarda Seus mandamentos, pois isso é todo o homem.” E é por meio das mitzvos que Ele “nos santificou”.
A resposta começa com a bênção recitada sobre uma mitzvá: “Que nos santificou com Seus mandamentos”. A santidade principal vem por meio das mitzvos. Kohelet conclui que todo o propósito do homem é temer a D'us e guardar Seus mandamentos; portanto, as mitzvos são a essência e a finalidade, e constituem o canal pelo qual D'us nos santifica.
O parágrafo apresenta a dificuldade de que o temor de D'us é chamado de princípio da sabedoria, deixa de lado como insuficiente a resposta de que há dois tipos de temor e começa uma nova resposta: a essência da santidade é aquilo que vem por meio das mitzvos.
No maamar ao qual a nota se refere (Likkutei Torah, Bamidbar 16b–17a), o temor mais elevado surge quando a Luz Infinita é revelada à raiz da alma acima do corpo; a mente não consegue apreender essa revelação, que provoca tremor em vez de compreensão. Sobre esse temor se diz: “Se não há sabedoria, não há temor”, e ele vem por meio do estudo da Torá, que provém de Chochmá.
Marei mekomot
- 1ראשית חכמה יראת ה׳ · Psalms 111:10
- 2ע״פ וידבר דעשרת הדברות · לקו״ת במדבר טז, ב.
- 3אם אין חכמה אין יראה · אבות ג, יז.
- 4אם אין חכמה אין יראה אם אין יראה אין חכמה · Pirkei Avot 3:17
- 5דעיקר הקדושה הוא כמאמר אשר קדשנו במצותיו · ראה אוה״ת ויקרא-א ע׳ קלד ואילך שצריך ביאור דבגמרא פרק ערבי פסחים דף ק״ד ע״א משמע דשם קודש אינו ע״י שמקיים המצות לבד ע״ש.
- 6סוף דבר הכל נשמע . . כי זה כל האדם · Ecclesiastes 12:13
4וביאור ענין זה כי הנה קדוש פי׳ מובדל1 וכו׳ ומהו קדושת המצות זה נרמז בנוסח הברכה בא״י [ברוך אתה ה׳] אמ״ה [אלקינו מלך העולם] פי׳
E a explicação deste assunto é a seguinte: “santo” (kadosh) significa “separado”, etc. E o que é a santidade das mitsvot está aludido nas palavras da bênção: “Bendito és Tu, Havayá, nosso D'us, Rei do universo.” O significado é:
“Santo” significa separado, como Rashi explica sobre “Sereis santos” (Levítico 19:2), de acordo com a nota da Kehot. Para entender como as mitsvot tornam uma pessoa santa, o Alter Rebe volta-se às palavras iniciais de toda bênção: “Bendito és Tu, Havayá, nosso D'us, Rei do universo.”
כי מלך העולם הוא ע״ד מלכותך מלכות2 כל עולמים שחיות כל העולמות עליונים ותחתונים והתהוותם מאין ליש הוא ע״י מחשבה הקדומה שעלה ברצונו ית׳ אנא אמלוך כו׳. משא״כ קודם שנברא העולם היה הוא ושמו בלבד.34
“Rei do universo” tem o sentido de “Teu reinado é o reinado de todos os mundos”: a força vital de todos os mundos, superiores e inferiores, e seu vir a ser a partir do nada, como algo existente, dão-se por meio do pensamento primordial que surgiu em Sua vontade, bendito seja Ele: “Reinarei”, etc. Porém, antes de o mundo ser criado, havia somente Ele e Seu Nome.
D'us é chamado “Rei do universo” porque Seu reinado se estende sobre todos os mundos (Salmos 145:13): os mundos existem e vivem somente por meio do pensamento primordial em Sua vontade: “Reinarei”, Seu desejo de ser Rei. Antes da criação, havia somente “Ele e Seu Nome”, como diz Pirkei DeRabbi Eliezer; portanto, o reinado e os mundos pertencem a um nível de D'us, não à Sua essência.
O parágrafo define a santidade como separação e, a partir das palavras da bênção “Rei do universo”, mostra que os mundos recebem sua existência somente do reinado de D'us, enquanto, antes da criação, havia somente Ele e Seu Nome.
Malchut (soberania) é a última das Sefirot, o atributo por meio do qual D'us Se relaciona com os mundos como seu Rei. O maamar prepara um contraste entre esse nível exterior, que dá vida aos mundos, e a própria essência de D'us, que é “santa”, separada dos mundos.
Marei mekomot
- 1קדוש פי׳ מובדל · כפי׳ רש״י קדושים יט, ב. ראה תניא פ׳ מו. אגה״ת פ״י.
- 2מלכותך מלכות כ״ע · Psalms 145:13
- 3הי׳ הוא ושמו בלבד · פדר״א רפ״ג. וראה ת״ז ת״ה קרוב לסופו. הק׳ השל״ה בתחילתה.
- 4היה הוא ושמו בלבד · Pirkei DeRabbi Eliezer 3:2–3
5והנה כתיב אני ה׳ לא שניתי1 שגם אחר שנברא העולם אין לפניו שום שינוי ח״ו [חס ושלום] אלא אתה הוא קודם2 שנברא העולם ואתה הוא לאחר כו׳.
Ora, está escrito: “Eu, Havayá, não mudei”; isto é, mesmo depois de o mundo ter sido criado, não há diante Dele mudança alguma, D'us nos livre; antes, “Tu és Ele antes de o mundo ter sido criado, e Tu és Ele depois”, etc.
Malachi 3:6 afirma que D'us não muda: a criação do mundo não provocou mudança alguma Nele. A liturgia diz o mesmo: “Tu és Ele antes de o mundo ter sido criado, e Tu és Ele depois”.
וכמ״ש אני ראשון ואני אחרון ומבלעדי אין3 אלקים (בישעיה סי׳ מ״ד ו׳), פי׳ אני ראשון קודם שנברא העולם ואני אחרון לאחר שיכלו ימות המשיח וחיי העוה״ב [העולם הבא] שאז יהיה4 הוא ושמו בלבד כמו שהיה קודם שנברא העולם.
E, como está escrito: “Eu sou o primeiro e Eu sou o último, e além de Mim não há Elokim” (em Isaiah, chapter 44:6). Isto é: “Eu sou o primeiro” — antes de o mundo ter sido criado; “e Eu sou o último” — depois de terem chegado ao fim os dias de Mashiach e a vida do Mundo Vindouro, pois então haverá somente Ele e Seu Nome, como havia antes de o mundo ter sido criado.
Isaiah 44:6 é interpretado como uma afirmação sobre o tempo. “Primeiro” refere-se ao período anterior à criação; “último”, ao período depois de os dias de Mashiach e o Mundo Vindouro terem chegado ao seu termo, quando haverá novamente somente Ele e Seu Nome.
וגם מבלעדי פי׳ באמצעות בין מה שהיה ובין מה שיהיה דהיינו מה שהוא בבחי׳ הוה בעת וזמן בריאת העולם וחיותו וקיומו מששת ימי בראשית שית אלפי שני5 כו׳.
E também “além de Mim” significa “no meio”, entre o que foi e o que será — isto é, aquilo que se encontra no estado presente, durante o tempo e o período da criação do mundo, de sua força vital e de sua existência, desde os seis dias da Criação, “seis mil anos”, etc.,
A palavra mibaladai, que em geral significa “além de Mim”, é interpretada aqui como “no meio”: todo o período entre “primeiro” e “último”, a existência presente do mundo desde os seis dias da Criação ao longo de seus “seis mil anos” (Rosh Hashanah 31a). O parágrafo seguinte completa a ideia: mesmo nesse período, “não há Elokim”, não há verdadeiro ocultamento diante de D'us.
O parágrafo demonstra, a partir de Malachi e Isaiah, que a criação não muda D'us: antes dela, depois dela e durante todo o período de sua existência, tudo está diante Dele como se somente Ele e Seu Nome existissem.
A nota da Kehot cita a pergunta do Tzemach Tzedek em Or HaTorah: as almas são eternas, como o próprio Likkutei Torah ensina; então, como pode haver “somente Ele e Seu Nome” no fim? Ele explica que então será revelada a autoanulação de todas as coisas, ao contrário do que ocorre agora; a luz brilhará sem barreiras e, talvez, sem a mediação dos anjos.
Marei mekomot
- 1אני ה׳ לא שניתי · Malachi 3:6
- 2אתה הוא קודם שנבה״ע · נוסח התפלה.
- 3
- 4לאחר שיכלו ימות המשיח . . שאז יהי׳ הוא ושמו בלבד · באוה״ת במדבר כרך-ו ע׳ א׳תתקנד כ׳ וצ״ע דהא הנשמות משמע שהם נצחיים . . כמ״ש בלק״ת ד״ה את שבתותי תשמרו ספ״א, ומפרש שר״ל שאז יהי׳ גלוי הביטול ולא כמו עכשיו ויאיר שלא ע״י מסכים, וגם אפשר לא ע״י מלאכים ע״ש.
- 5שית אלפי שני · Rosh Hashanah 31a:8–9
6וימות המשיח ותחה״מ [ותחיית המתים] הכל לפניו ית׳ כאלו הוא ושמו בלבד ואין אלקים והסתר כו׳ וכמאמר ומבלעדיך אין לנו מלך אלא אתה1 שאין זה אלא בבחי׳ מלך שמלך הוא העולם
e os dias de Mashiach e a Ressurreição dos Mortos: tudo está diante Dele, bendito seja, como se houvesse somente Ele e Seu Nome, e não houvesse Elokim nem ocultação etc. E, como diz a prece: “E além de Ti não temos rei senão Tu”; pois isso existe apenas no aspecto de “Rei”, porque “Rei” é o mundo,
Os dias de Mashiach e a Ressurreição também pertencem a esse período em que, diante de D'us, há somente Ele e Seu Nome; “não há Elokim” significa que não há ocultação, pois Elokim é o Nome da ocultação. As palavras da prece Nishmat, “além de Ti não temos rei”, mostram que o mundo existe somente dentro do aspecto de D'us como Rei, pois o mundo é Seu reino.
ואין העולם דבר נפרד חוץ ממנו ח״ו [חס ושלום] ומלכותך מלכות2 כל עולמים שמתפשט למעלה עד אין קץ ולמטה עד אין תכלית ולארבע סטרין מלך מלך וימלוך ואינו
e o mundo não é uma realidade separada [e] exterior a Ele, D'us não o permita. E “Teu reinado é o reinado de todos os mundos”, que se estende para cima sem fim, para baixo sem limite e nas quatro direções — “Ele é Rei, foi Rei e será Rei” —, e não é nada
Como o mundo é Seu reino, não é uma realidade separada, exterior a Ele. Seu reinado (Salmos 145:13) se estende sem fim para cima, para baixo e nas quatro direções, como dizem as palavras litúrgicas: “Ele é Rei, foi Rei e será Rei”.
אלא זיו והארה ממדת מלכותו ית׳ המתפשט ומתלבש בעולמות עליונים ותחתונים להוות אותם מאין ליש ולהחיותם ולקיימם.
senão um esplendor e uma iluminação do atributo de Sua Malchut (soberania), bendito seja, que se estende e se reveste nos mundos superiores e inferiores, para trazê-los à existência a partir do nada, dar-lhes vida e sustentá-los.
No entanto, todo esse reinado é apenas um esplendor, uma irradiação, do atributo de Malchut (soberania) de D'us. Essa irradiação penetra os mundos superiores e inferiores, cria-os a partir do nada, mantém-nos vivos e os sustenta.
(E veja sobre o tema “Eu sou o primeiro” etc., em [Midrash] Rabbah, Vayishlach, seção 81) (fólio 90d): “O que é verdade (emet)?” etc. E o mesmo consta na Parshas Devarim (fólio 286b),
Aqui começa um longo parêntese de fontes sobre “Eu sou o primeiro e Eu sou o último”. Bereshit Rabbah (81:2) ensina que a palavra emet, “verdade”, é formada pela primeira letra do alfabeto (alef), pela letra do meio (mem) e pela última letra (tav), aludindo a “Eu sou o primeiro e Eu sou o último”. O Alter Rebbe observa que o Midrash sobre Devarim traz o mesmo ensinamento.
ובשה״ש [ובשיר השירים]7 ע״פ לסוסתי ברכבי (ד״י [ד׳ יסודות] ע״ג) ועמ״ש בפי׳ ואמת ה׳ לעולם בד״ה ביום השמיני עצרת89 ובביאור ע״פ אלה מסעי.10
e em Shir HaShirim [Rabbah], sobre o versículo “À minha égua entre os carros” (fólio 10c). E veja o que está escrito sobre o significado de “E a verdade de Havayá é para sempre” no discurso que começa “No oitavo dia, uma assembleia”, e na explicação sobre o versículo “Estas são as jornadas”.
O mesmo ensinamento aparece em Shir HaShirim Rabbah, sobre “À minha égua entre os carros” (Cântico dos Cânticos 1:9). O Alter Rebbe também remete à explicação de “a verdade de Havayá é para sempre” (Salmos 117:2) no discurso de Shemini Atzeres, e à explicação sobre “Estas são as jornadas” na Parshas Masei.
עוד מענין אני ראשון כו׳ ברבות תולדות11 (פס״נ ס״ט ד׳). פ׳ בא ר״פ ט״ו ע״פ ראשון הוא לכם1213 (דקכ״ט ע״ג [עמוד ג׳]).
Ainda sobre o tema “Eu sou o primeiro” etc.: em [Midrash] Rabbah, Toldos (seção 63, fólio 69d); Parshas Bo, início da seção 15, sobre o versículo “Será o primeiro para vocês” (fólio 129c);
Outras fontes sobre “Eu sou o primeiro”: Bereshit Rabbah (63:8), sobre o nascimento de Esav, onde D'us diz “Revelar-Me-ei primeiro a ti”, citando “Eu sou o primeiro”; e Shemos Rabbah (15:1), que interpreta “Será o primeiro para vocês” (Êxodo 12:2) como uma alusão a D'us, que é chamado “Primeiro”.
קדושים (ס״פ כ״ד). זח״ב [זהר חלק ב׳] תרומה (קנ״ח סע״א [סוף עמוד א]) ס״פ מצורע (דנ״ו א׳) ת״ז [תיקוני זהר] תקון ה׳ (דט״ז ע״א)
Kedoshim (fim da seção 24); Zohar II, Terumah (158, fim do lado a); fim da Parshas Metzora (fólio 56a); Tikkunei Zohar, Tikkun 5 (fólio 16a);
A seção 24 de Vayikra Rabbah, sobre Kedoshim, termina com o versículo “Eu sou o primeiro e Eu sou o último”. A lista acrescenta então passagens do Zohar e do Tikkunei Zohar que, segundo a nota da Kehot, o Tzemach Tzedek copiou em seu Or HaTorah.
סוף תקון י״ט (דמ״א ע״ב) תקון ס״ט (דק״ח)14 ועמש״ל [ועיין מה שכתוב לעיל] בביאור ע״פ אני דפ׳ ציצית15 וזהו ה׳ מלך גאות לבש16 שאינו
fim do Tikkun 19 (fólio 41b); Tikkun 69 (fólio 108). E veja o que foi escrito acima na explicação sobre “Eu” na seção de tzitzis. E isto é [o significado de] “Havayá reina; revestiu-Se de majestade”: que isso não é nada
Depois de mais referências ao Tikkunei Zohar e de uma remissão à explicação anterior da palavra “Eu” na seção de tzitzis (Likkutei Torah, Shelach), o argumento principal é retomado. Salmos 93:1, “Havayá reina; revestiu-Se de majestade”, mostra que o reinado é algo que D'us veste, uma vestimenta, e não Sua essência.
אלא בבחי׳ לבוש ועמ״ש מזה בד״ה יונתי בחגוי,1718 ונק׳ זיו השכינה19 פי׳ מה ששוכן ומתלבש בעולמות עליונים ותחתונים להיות ממכ״ע [ממלא כל עלמין] אין זה
mas no nível de uma vestimenta. E veja o que está escrito sobre isso no discurso que começa com “Minha pomba, nas fendas”. E é chamada “o esplendor da Shechiná (a Presença Divina)”: isto é, aquilo que habita e se reveste nos mundos superiores e inferiores, para ser a luz que preenche todos os mundos (memalê kol almin) — isso não é nada
A realeza é uma vestimenta, como explicado no discurso “Minha pomba, nas fendas da rocha” (Likkutei Torah, Shir HaShirim). Esse esplendor é chamado “o esplendor da Shechiná”, nome relacionado a shochen, “habita”: é a luz que habita nos mundos e os preenche, chamada memalê kol almin.
אלא ע״י זיו והארה בלבד וזיו זה והארה זו נמשכה ממדת מלכותו ית׳20 ממחשבת אנא אמלוך,
senão por meio de mero esplendor e iluminação. E esse esplendor e essa iluminação são atraídos do atributo de Sua Malchut, bendito seja Ele — do pensamento “Reinarei”.
A luz que preenche os mundos é apenas um esplendor, não a essência de D'us. Ela provém de Seu atributo de Malchut, do pensamento primordial “Reinarei”, Sua vontade de ser Rei sobre os mundos.
אבל בו בעצמו ובכבודו ית׳ לית מחשבה תפיסא ביה כלל2122 סתימא דכל סתימין23 ועליו נאמר ישת חשך סתרו24 שאין העולמות עליונים ותחתונים יכולים לקבל זיו והארה ממנו ית׳ מעצמותו ומהותו ממש כביכול
Mas, quanto a Seu próprio Ser e Sua glória, bendito seja Ele, “nenhum pensamento pode apreendê-Lo de modo algum”; [Ele é] “o mais oculto de todos os ocultos”, e a respeito Dele está dito: “Ele fez das trevas Seu esconderijo”; pois os mundos superiores e inferiores não podem receber Dele, bendito seja Ele, esplendor e iluminação provenientes de Sua própria essência e ser, por assim dizer,
O próprio Ser de D'us está além de todo pensamento, como diz a prece de Eliyahu em Tikkunei Zohar: “Nenhum pensamento pode apreender-Te de modo algum”, e como expressa a frase “o mais oculto de todos os ocultos”. Tehilim 18:12, “Ele fez das trevas Seu esconderijo”, descreve isso: os mundos não podem receber luz alguma de Sua própria essência.
pois Ele é santo e separado, etc., e “não podemos comparar Sua santidade à d’Ele”, e “não há comparação contigo”, etc. [E veja o que está escrito sobre isso na Parshat Va’eirá, sobre o versículo
É isso que significa “santo”: a essência de D'us está separada de todos os mundos. Duas passagens da liturgia expressam isso: o hino Yigdal, “não podemos comparar Sua santidade à d’Ele”, e a bênção da manhã de Shabat, “não há comparação contigo”.
“Portanto, dize aos filhos de Israel”, etc., e na Parshat Beshalach, sobre o versículo “Então Moshe cantou”, a respeito do significado de “não podemos comparar Sua santidade à d’Ele”.]
O trecho entre colchetes remete a dois discursos em Torah Ohr, sobre “Portanto, dize aos filhos de Israel” (Va’eirá) e sobre “Então Moshe cantou” (Beshalach). Como cita a nota da Kehot, o último explica que nem mesmo Sua santidade, que é separada, “pode ser comparada a Ele”, pois Ele não pertence de modo algum à categoria dos mundos.
O parágrafo distingue dois níveis: o reinado de D'us, que é apenas uma irradiação que preenche e sustenta os mundos como uma vestimenta, e Sua essência, que nenhum pensamento pode apreender e nenhum mundo pode receber; essa separação é o que significa “santo”.
O Tzemach Tzedek cita esta passagem em Or HaTorah (Bereishis, vol. 3, 558a), resumindo que as mitsvot práticas refinam nogah, cuja raiz está no mundo de Tohu, e assim atraem a Vontade Suprema, Kéter Elyon. Em seguida, pergunta: se somente os anjos e os mundos recebem sua força vital de Malchut, enquanto as almas têm sua raiz na “porção de D'us”, que elevação as mitsvot acrescentam? Ele discute isso extensamente ali.
Marei mekomot
- 1ומבלעדיך אין לנו מלך אלא אתה · תפלת נשמת.
- 2
- 3ועיין מענין אני ראשון ברבות וישלח פ׳ פ״א · ”מהו אמת אלף בראשון של אותיות מ״ם באמצע תיו בסוף ע״ש אני ראשון ואני אחרון ומבלעדיך אין אלקים” — אוה״ת נ״ך-א ע׳ רמב ואילך.
- 4אני ראשון · Bereshit Rabbah 63:8
- 5אני ראשון · Vayikra Rabbah 24:9
- 6מהו אמת · Bereshit Rabbah 81:2
- 7וכ״ה בפ׳ דברים . . ובשה״ש · ראה באוה״ת נ״ך ע׳ רמג.
- 8בד״ה ביום השמיני עצרת · ראה לקמן שמע״צ פד, ד.
- 9ביום השמיני עצרת · Numbers 29:35
- 10אלה מסעי · Numbers 33:1
- 11ברבות תולדות פס״ג · ע״פ ויצא הראשון אדמוני בזכות ולקחתם לכם ביום הראשון אני נגלה לכם ראשון שנאמר אני ראשון כו׳ וכעין זה בפ׳ בא” — אוה״ת נ״ך-א ע׳ רמב. וכ״ה באוה״ת ויקרא-א ע׳ רעט. אוה״ת בא ע׳ רסא.
- 12ראשון הוא לכם · Exodus 12:2
- 13ראשון הוא לכם · Shemot Rabbah 15:1
- 14קדושים (ס״פ כ״ד) . . זח״ב תרומה (קנ״ח סע״א) . . תקון ס״ט (דק״ח) · נעתקו באוה״ת נ״ך-א ע׳ רמג.
- 15בביאור ע״פ אני דפ׳ ציצית · לעיל פ׳ שלח מח, א.
- 16ה׳ מלך גאות לבש · Psalms 93:1
- 17בד״ה יונתי בחגוי · לקו״ת שה״ש יז, א.
- 18יונתי בחגוי · Song of Songs 2:14
- 19ונק׳ זיו השכינה · יז, א.
- 20וזיו זה . . נמשכה ממדת מלכותו ית׳ · מובא באוה״ת בראשית-ג דף תקנח, א וז״ל ”מבואר בלקו״ת בד״ה ראשי המטות כי חיות כל העולמות הוא מבחי׳ מלכותו ית׳ אבל במהותו ועצמותו ית׳ לית מחשבה תפיסא בי׳ וזהו ענין קדוש ומובדל ועז״נ ישת חושך סתרו וע״י תומ״צ נמשך מקדושה זו ממש ונק׳ לכו לחמו בלחמי והיינו לפי שכל המצות מעשיות הם בירור בחי׳ נוגה ששרשו מעולם התהו וממשיך עי״ז רצון עליון שהוא בחי׳ כתר עליון כו׳ ע״ש, אך עדיין אינו מובן זה שחיות כל העולמות הוא מבחי׳ מלכותו ית׳ בלבד היינו המלאכים ושאר העולמות אבל הנשמות מצד עצמן ג״כ שרשן מבחי׳ כי חלק ה׳ עמו . . וא״כ מהו העלי׳ ע״י המצות, ע״ש בארוכה.
- 21לית מחשבה תפיסא בי׳ כלל · ת״ז בהקדמה (פתח אלי׳).
- 22לית מחשבה תפיסא ביה כלל · Tikkunei Zohar 17a:10–12
- 23סתימא דכל סתימין · ראה שם.
- 24ישת חשך סתרו · Psalms 18:12
- 25הוא קדוש · [נכתב ממעל] הוא ית׳ קדוש. [כ].
- 26שאין העולמות . . כי הוא קדוש ומובדל · מובא באוה״ת ויקרא-א ע׳ ריז, ושם מציין גם לפי׳ אחר המובא בלקו״ת שה״ש ד, ג. וראה גם אוה״ת בראשית-ב דף שט, ב.
- 27ולא נערוך אליו קדושתו · תפלת יגדל.
- 28ואין ערוך לך · ברכת יוצר דשבת.
- 29לכן אמור לבני ישראל · Exodus 6:6
- 30אז ישיר משה · Exodus 15:1
- 31ע״פ אז ישיר . . מענין פי׳ ולא נערוך אליו קדושתו · תו״א סב, ד: פי׳ שאפילו קדושתו שהוא קדוש ומובדל כו׳ לא נערוך אליו לפי שאינו בגדר עלמין כלל.
- 32ואמת ה׳ לעולם · Psalms 117:2
- 33
“Meu pão”: o alimento e sua raiz mais elevada ¶7–11
7ב אך עכ״ז [עם כל זה] אל ה׳ ויאר לנו1 הארה רבה ועצומה מקדושה עליונה הזאת הנפלאה והנעלמה ע״י המצות שנתן לנו כי
2. Mas, apesar disso, “Havayá é D'us, e Ele nos iluminou”: uma iluminação grande e poderosa desta santidade suprema, maravilhosa e oculta, por meio das mitsvot que Ele nos deu. Pois
Aqui começa a seção 2. Embora a santidade de D'us esteja separada de todos os mundos, o Salmo 118:27 diz: “Havayá é D'us, e Ele nos iluminou”: por meio das mitsvot que Ele nos deu, chega até nós uma grande iluminação daquela santidade oculta.
הנה בתורה ומצות נאמר לכו לחמו בלחמי2 והנה לחמו פי׳ לפי שהתורה היא לחם ומזון לנפש
sobre a Torá e as mitsvot, está dito: “Vinde, comei do Meu pão.” Ora, “comei” é explicado pelo fato de que a Torá é pão e alimento para a alma,
A Torá e as mitsvot são descritas em Provérbios 9:5 como o convite da sabedoria: “Vinde, comei do Meu pão.” É fácil compreender que a Torá seja chamada de pão: ela alimenta a alma.
כמו הלחם הגשמי שהוא מזון לגוף כו׳. אבל מ״מ לחמי צריך ביאור וכי לאכילה ושתיה כו׳.
assim como o pão físico é alimento para o corpo, etc. Mas, ainda assim, “Meu pão” precisa de explicação: seria, então, [uma questão] de comer e beber, etc.?
Assim como o pão alimenta o corpo, a Torá alimenta a alma. Mas por que “Meu pão”, como se o pão fosse de D'us? D'us não come nem bebe, portanto a expressão precisa ser explicada.
O parágrafo abre a segunda seção: a santidade oculta brilha para nós por meio das mitsvot, e o versículo “Vinde, comei do Meu pão” suscita a questão de como a Torá e as mitsvot podem ser chamadas de pão do próprio D'us.
A Guemará citada na nota da Kehot (Chagigah 14a) interpreta “todo o sustento do pão” como os mestres do Talmud, citando “Vinde, comei do Meu pão”: o estudo da Torá é o pão que sustenta.
Marei mekomot
- 1א-ל ה׳ ויאר לנו · Psalms 118:27
- 2לכו לחמו בלחמי · Proverbs 9:5
8וביאור הדבר הוא ע״ד מארז״ל [מאמר רבותינו זכרונם לברכה] רעייתי פרנסתי12 ישראל מפרנסין3 כו׳, ועמ״ש מזה בד״ה יונתי הנ״ל.
E a explicação do assunto segue a linha do dito de nossos Sábios, de abençoada memória: “Minha amada” (rayasi) [significa] “Minha provedora” (parnasasi); “Israel provê”, etc. Veja também o que está escrito a respeito disso no discurso que começa com “Minha pomba”, mencionado acima.
O Midrash (Shir HaShirim Rabbah sobre 1:9) interpreta ra’yasi, “Minha amada”, como se derivasse da raiz “alimentar”: Israel são os provedores de D'us, que O “alimentam” por meio das oferendas diárias. O Zohar também diz que Israel provê para seu Pai no Céu; é nesse sentido que as mitsvot são “Meu pão”.
והענין כי הנה המאכל שהוא דצ״ח [דומם צומח חי] מחיה את האדם שהוא מדבר שהוא במדרגה יותר גבוה מהמאכל ואיך מחיה אותו המאכל,
E o assunto é o seguinte: o alimento, que pertence aos reinos inanimado, vegetal e animal, dá vida ao homem, que é um ser falante e está num nível superior ao do alimento. Como, então, o alimento lhe dá vida?
Para explicar como algo pode “alimentar” D'us, o Alter Rebe começa examinando a alimentação comum. O alimento provém dos reinos inanimado, vegetal e animal, enquanto o homem pertence ao reino “falante”, o mais elevado; como, então, algo inferior pode dar vida a algo superior?
אך ע״ז נאמר כי על כל מוצא פי4 ה׳ יחיה האדם שמוצא פי ה׳ הוא החיות של המאכל והם העשרה מאמרות שבהם5 נברא העולם6 שבמאמר
Mas a respeito disso foi dito: “Pois o homem vive de tudo o que sai da boca de Havayá”: “o que sai da boca de Havayá” é a força vital do alimento, e são as Dez Falas pelas quais o mundo foi criado — pois pela fala
Deuteronômio 8:3 responde: o homem vive não do pão em si, mas de “tudo o que sai da boca de Havayá”, a palavra criadora de D'us que está no alimento. Essa palavra é uma das Dez Falas pelas quais o mundo foi criado (Avos 5:1).
תדשא הארץ נברא הצומח ובמאמר תוצא הארץ7 נפש חיה8 נבראו הבע״ח [הבעלי חיים] וכח וחיות המאמר ההוא תמיד מלובש בו להחיותו ולקיימו והוא הוא המחיה את האדם. אך הרי גם האדם נברא במאמר נעשה אדם.910
“Que a terra faça brotar” foi criada a vegetação, e pela fala “Que a terra produza seres vivos” foram criados os animais; e o poder e a força vital daquela fala estão sempre revestidos nela, para lhe dar vida e sustentá-la, e é isso que dá vida ao homem. Mas o homem também foi criado por uma fala: “Façamos o homem”.
Cada tipo de alimento foi criado por sua própria fala em Gênesis 1, e essa fala permanece revestida nele a todo instante, mantendo-o na existência; é essa palavra divina que efetivamente nutre a pessoa que o come. Mas isso suscita uma nova pergunta: o homem também foi criado por uma fala, “Façamos o homem”.
O parágrafo começa a explicar “Meu pão” a partir da interpretação dos Sábios de “Minha amada” como “Minha provedora” e da questão de como o alimento, inferior ao homem, pode dar-lhe vida: a resposta é a fala divina revestida no alimento.
Marei mekomot
- 1מארז״ל רעיתי פרנסתי · שהש״ר א׳ סד״ה לסוסתי.
- 2רעייתי פרנסתי · Shir HaShirim Rabbah 1:14
- 3ישראל מפרנסין · Zohar III, 7b
- 4כי על כל מוצא פי ה׳ · Deuteronomy 8:3
- 5העשרה מאמרות שבהם נבה״ע · אבות רפ״ה.
- 6העשרה מאמרות שבהם נברא העולם · Pirkei Avot 5:1
- 7תדשא הארץ . . תוצא הארץ · Genesis 1:11
- 8תוצא הארץ נפש חיה · Genesis 1:24
- 9נעשה אדם · שם א, כו.
- 10נעשה אדם · Genesis 1:26
9ויש בו ג״כ מוצא פי ה׳ ולמה צריך להמאכל שיחיה אותו. אבל הענין כי הנה כתיב אחור וקדם צרתני12 אחור למעשה בראשית3 וכו׳ שהאדם באמת הוא אחרון במעשה בראשית בזמן
E ele também tem em si “o que sai da boca de Havayá”; por que, então, precisa de alimento para lhe dar vida? A questão, porém, é a seguinte: está escrito: “Por trás e pela frente Tu me formaste” — “por trás” [por último] na obra da Criação etc. Pois o homem é, de fato, o último na obra da Criação quanto ao tempo,
Se o homem tem sua própria expressão divina, por que precisa de alimento? A resposta começa com Salmos 139:5, “Por trás e pela frente Tu me formaste”, que a Guemará (Eruvin 18a) interpreta assim: o homem foi o último na obra da Criação. De fato, o homem foi criado por último, no sexto dia.
וגם במעלה מצד גופו ונפשו הבהמית כמאמר יתוש קדמך45 שכל הדברים דצ״ח [דומם צומח חי] אע״פ [אף על פי] שירדו מטה מטה מאד בעשייה גשמיות להיות יש ודבר גשמי מ״מ אינם דבר נפרד לגמרי
e também quanto à posição, no que diz respeito a seu corpo e à sua alma animal, como diz o dito: “Um mosquito veio antes de ti”. Pois todos os elementos inanimados, vegetais e animais, embora tenham descido muito, muito baixo ao mundo físico de Assiá (Ação), tornando-se uma existência separada (yesh) e uma coisa física, ainda assim não são algo completamente separado,
Ele também é “o último” quanto à posição, no que diz respeito a seu corpo e à sua alma animal, como diz o Midrash: “Um mosquito veio antes de ti” (Vayikra Rabbah 14:1; Sanhedrin 38a). Os elementos inanimados, as plantas e os animais, embora tenham descido à existência física, nunca se tornam inteiramente separados de D'us.
כמו האדם שיכול להיות נפרד לגמרי ח״ו [חס ושלום] ועובר6 על רצונו ית׳7 למרות עיני כבודו8 ועיין בס׳ ש״ב [של בינונים] פכ״ד, רק מצד עילוי נשמתו ונפשו האלקית לבדה הוא קדם במעלה יתירה על כל הנבראים
como o homem, que pode tornar-se completamente separado, que D'us não permita, e transgredir Sua vontade, bendito seja Ele, “desafiando Seus olhos gloriosos” — veja Sefer Shel Beinonim [o Tanya], capítulo 24. Somente em virtude da eminência de sua neshamá e unicamente de sua alma divina é que ele está “à frente”, com uma superioridade incomparável sobre todas as criaturas.
O homem, em contraste, pode tornar-se completamente separado, que D'us não permita, ao transgredir a vontade de D'us, como explica o capítulo 24 do Tanya. Somente sua alma divina o coloca “à frente”, em primeiro lugar entre todas as criaturas.
וגם מצד גופו ונפשו החיונית יש לו מעלה יתירה על הדצ״ח [הדומם צומח חי] ברוח חיים שבו שהיא נפש המדברת והמשכלת והמאמרות סדרן ממטה למעלה מתחלה תדשא הארץ9
E também no que diz respeito a seu corpo e à sua alma vital, ele tem uma superioridade incomparável sobre os elementos inanimados, vegetais e animais, por meio do espírito de vida que há nele, que é a alma falante e intelectiva. E a ordem das expressões segue de baixo para cima: primeiro, “Que a terra faça brotar”,
Até mesmo seu corpo e sua alma vital têm uma vantagem sobre os reinos inferiores, por causa de sua alma falante e pensante. A ordem da Criação em Gênesis 1 segue de baixo para cima, começando pelas plantas.
שהוא להיות הצומח ואח״כ ישרצו המים10 דגים שאינן בכלל בשר ואח״כ תוצא הארץ נפש חיה ובהמה11 ואח״כ נעשה אדם.12
isto é, que a vegetação venha a existir; depois, “Que as águas fervilhem” — os peixes, que não estão incluídos na [categoria da] carne; depois, “Que a terra produza seres vivos” e o gado; e, por fim, “Façamos o homem”.
Depois das plantas vieram os peixes, que o Alter Rebe observa não serem considerados “carne”; em seguida, os animais terrestres e, por último, o homem. O lugar do homem no fim dessa ordem ascendente corresponde ao fato de estar “por trás”, por último, na obra da Criação.
O parágrafo explica que, na ordem da Criação, o homem é o último, tanto no tempo quanto, no que diz respeito a seu corpo e à sua alma animal, em posição, pois somente ele pode rebelar-se contra D'us; apenas sua alma divina o coloca em primeiro lugar.
Marei mekomot
- 1אחור וקדם צרתני · תהלים קלט. ה.
- 2אחור וקדם צרתני · Psalms 139:5
- 3אחור למעשה בראשית · Eruvin 18a:17–18
- 4יתוש קדמך · Sanhedrin 38a:13
- 5יתוש קדמך · Vayikra Rabbah 14:1
- 6להיות — ועובר · ויעבור. [כ].
- 7ועובר על רצונו ית׳ · Tanya, Likkutei Amarim 24:6
- 8למרות עיני כבודו · Isaiah 3:8
- 9תדשא הארץ · Genesis 1:11
- 10ישרצו המים · Genesis 1:20
- 11תוצא הארץ נפש חיה ובהמה · Genesis 1:24
- 12נעשה אדם · Genesis 1:26
10והנה כל זה הוא בבחי׳ ירידת המדרגות והתהוות השתלשלותם מאין ליש, אבל במקורם ושרשם למעלה מעלה מסדר ההשתלשלות
Ora, tudo isso se refere à descida dos níveis e ao surgimento de sua cadeia descendente (hishtalshelut), do nada para algo. Porém, em sua fonte e raiz, muito acima da ordem da cadeia descendente dos mundos,
Tudo isso descreve a ordem da criação à medida que ela desce, etapa por etapa, do nada para algo. Nas raízes das coisas, muito acima dessa cadeia descendente, a ordem se inverte.
הנה הוא להיפך שבחי׳ נפש אלקית שבאדם הוא1 בחינת אחור לגבי מקור וחיות הגוף ונפש הבהמית שנלקחו ממדרגות עליונות וגבוהות מאד
ocorre o inverso: o nível da alma divina no homem está “por detrás” em relação à fonte e à força vital do corpo e da alma animal, que foram extraídos de níveis muito elevados e sublimes,
Na raiz, a alma divina está “por detrás”, isto é, abaixo, em comparação com a fonte do corpo e da alma animal, que provêm de níveis muito elevados. Assim, as palavras do Salmo, “por detrás e por diante”, aplicam-se nas duas direções.
אלא שנפלו בשבירת הכלים כנודע ושם הוא חיות הדצ״ח [הדומם צומח חי] גבוה ונעלה במעלה יתירה אלא שנפלו למטה יותר בחיות מצומצם מאד
mas eles caíram na quebra dos recipientes, como é sabido. E ali se encontra a força vital do inanimado, do vegetal e do animal, elevada e sublime em grau extraordinário; contudo, eles caíram mais abaixo, numa força vital muito contraída,
Esses níveis muito elevados caíram na “quebra dos recipientes”, a explicação cabalística de como os recipientes do mundo primordial de Tohu não conseguiram conter suas grandes luzes, quebraram-se e caíram numa existência inferior. A fonte dos minerais, das plantas e dos animais também é muito sublime; no entanto, eles caíram mais abaixo, para uma forma de vida muito contraída.
כמו דומם וצומח כו׳ וכמשל מנפילת החומה שעליון שבה נופל למטה יותר בריחוק מקום יותר כנודע.
como o inanimado e o vegetal etc. — conforme a analogia de um muro que desaba: sua parte mais alta cai mais abaixo, a uma distância maior, como é sabido.
É por isso que os reinos mais baixos, como as pedras e as plantas, têm a força vital mais contraída. Quando um muro desaba, as pedras do alto caem mais longe: quanto mais elevada a origem, mais baixo é o ponto da queda.
O parágrafo mostra que, na raiz, a ordem da criação se inverte: o corpo, a alma animal e os reinos inferiores provêm de níveis muito elevados, que caíram até os níveis mais baixos na quebra dos recipientes.
Essa inversão explica as palavras do Salmo, “por detrás e por diante”: no que diz respeito ao corpo e à alma animal, o homem é o último; contudo, a raiz deles é mais elevada que a da alma divina. Isso também prepara o ponto posterior do maamar: coisas físicas usadas para as mitsvot podem atrair luz de um nível mais elevado que o da própria alma.
Marei mekomot
- 1שבחי׳ נפש אלקית שבאדם הוא בחי׳ אחור לגבי מקור וחיות הגוף ונה״ב · מובא ביהל אור לקאפיטל קלט ע״פ אחור וקדם ומציין גם ”ובהביאור שם פ״ב כי ס״ג הוא למעלה ממ״ה, והרי עולם התיקון הוא ע״י מסכים ומיעוט האור, ובד״ה שובה ישראל עד נת׳ שהחכמה נק׳ אחור כמ״ש חכם באחור ישבחנה” ע״ש.
11ולפיכך המאכל שהוא מדצ״ח [מדומם צומח חי] מחיה את האדם ויש לו יתרון מעלה על האדם שהאדם צריך להמאכל למלאות די מחסורו אשר יחסר לו1 מבלעדי הלחם והמאכל משא״כ המאכל אין צריך להאדם.
Portanto, o alimento, que pertence aos domínios inanimado, vegetal e animal, dá vida ao homem e tem uma superioridade sobre ele: pois o homem necessita do alimento para suprir “o suficiente para sua necessidade, aquilo de que carece”, sem pão e alimento; ao passo que o alimento não necessita do homem.
Como o alimento provém de uma raiz mais elevada que a do homem, ele tem superioridade sobre este: o homem depende do alimento para suprir aquilo de que carece (nas palavras de Deuteronômio 15:8), enquanto o alimento não depende do homem.
וזהו כי על כל מוצא פי ה׳ כי מוצא יש לו ב׳ פירושים מוצא מה שכבר יצא מפי ה׳ התפשטות החיות מרוח פיו בעשרה מאמרות שנברא העולם ומוצא לשון מקור וחיי החיים
E este é [o sentido de] “Pois por tudo o que sai (motza) da boca de Havayá”: motza tem dois sentidos. Motza [significa] aquilo que já saiu da boca de Havayá — a extensão da força vital que emana do sopro de Sua boca nas Dez Enunciações pelas quais o mundo foi criado. E motza também é um termo que significa fonte, e a Vida de toda vida,
Isso explica o versículo “por tudo o que sai (motza) da boca de Havayá”. Motza tem dois sentidos; o primeiro é aquilo que já saiu da boca de D'us: a força vital que se difundiu nas Dez Enunciações da criação.
כמו מוצא מים2 שהוא המקור הנובע המעיין דהיינו המקור שממנו יצאו העשרה מאמרות שבמקורן ושרשן הדצ״ח [הדומם צומח חי] מאד נעלה ונמשכים ומשתלשלים ויורדים למטה עליהם ממדריגות עליונות ולפיכך יחיה האדם:
como em motza mayim (uma nascente de água), que é a fonte borbulhante, o manancial — isto é, a fonte da qual emanaram as Dez Enunciações, em cuja fonte e raiz os domínios inanimado, vegetal e animal são extremamente elevados; e eles são atraídos para baixo, descem elo por elo e vêm sobre eles, provenientes de níveis superiores. E por isso “o homem vive”.
O segundo sentido é “fonte”, como em motza mayim, uma nascente de água: o manancial do qual emanaram as Dez Enunciações, onde os domínios inferiores têm sua raiz elevada. Como o alimento conduz até o homem a vida proveniente dessa fonte superior, “o homem vive” por meio dele.
O parágrafo conclui que o alimento sustenta o homem por causa de sua raiz mais elevada e interpreta motza no versículo de duas maneiras: a palavra divina já pronunciada e a fonte superior da qual essa palavra flui.
Marei mekomot
- 1די מחסרו אשר יחסר לו · Deuteronomy 15:8
- 2כמו מוצא מים · Isaiah 58:11
A Vontade Suprema atraída por meio da ação ¶12–15
12ג והנה ככל הדברים האלה וככל המשל הזה בחיות הלחם הגשמי המחיה את הגוף אדם הגשמי.
3. Ora, de acordo com todas essas palavras e com toda essa analogia da força vital do pão físico, que dá vida ao corpo do homem físico,
Aqui começa a seção 3. Tudo o que foi dito sobre o pão físico dar vida ao corpo humano serve como analogia.
assim também, está escrito: “Pois o homem vive de tudo o que sai da boca de Havayá” — o Homem acima; isto é, o que está escrito: “E sobre a semelhança do trono havia uma semelhança como a aparência de um homem.”
O versículo “o homem vive de tudo o que sai da boca de Havayá” também se aplica ao “Homem” acima. Trata-se da figura que Ezequiel viu sobre o trono: “uma semelhança como a aparência de um homem” (Ezekiel 1:26).
כי נק׳ אדם3 מלשון אדמה לעליון4 כי כמו שבאדם למטה יש רמ״ח אברים כו׳ שבהם ועל ידם מתחלק החיות שבתוכו העין רואה כו׳
Pois é chamado adam (homem), da expressão “serei como (adameh) o Altíssimo”. Assim como no homem abaixo há 248 membros, etc., nos quais e por meio dos quais a força vital dentro dele se divide — o olho vê, etc. —,
O nível acima é chamado adam, “homem”, com base em Isaiah 14:14: “serei como (adameh) o Altíssimo”, pois é a semelhança do Altíssimo. No ser humano abaixo, a força vital divide-se entre 248 membros, cada qual com sua função, como o olho, que vê.
כך למעלה התפשטות החיות הוא בריבוי התחלקות הנבראים מלאכים ונשמות בכמה מיני מדרגות ממדרגות שונות כמ״ש עיני5 ה׳ כו׳ אזני6 ה׳ כו׳
assim também, acima, a extensão da força vital se dá pela multiplicidade das divisões dos seres criados — anjos e almas — em muitos tipos de níveis, de diferentes níveis, como está escrito: “Os olhos de Havayá”, etc.; “Os ouvidos de Havayá”, etc.,
Do mesmo modo, a força vital divina acima se divide nos muitos tipos e níveis de seres criados, anjos e almas. Por isso, as Escrituras falam dos “olhos de Havayá” e dos “ouvidos de Havayá”.
שיש מלאכים ונשמות שנקראים כך והתפשטות החיות של כל אחד ואחד כפי מדריגתו ומזגו ותכונתו נק׳ בשם אדם שהוא בחי׳ ממכ״ע [ממלא כל עלמין].7
pois há anjos e almas que são assim chamados. E a extensão da força vital de cada um, de acordo com seu nível, seu temperamento e sua natureza, é chamada pelo nome adam; este é o nível da luz que preenche todos os mundos (memalê kol almin).
Alguns anjos e almas são chamados por esses nomes, como “olhos” ou “ouvidos” de D'us. A força vital divina que se estende por todos eles, cada qual segundo seu nível e sua natureza, é chamada “Homem”; ela é a luz que preenche todos os mundos, memalê kol almin.
ולכן כתיב כמראה אדם ולא בחי׳ אדם עצמו ממש8 [ועמ״ש עוד מזה בפ׳ משפטים קכ״ב9 א׳ ועמ״ש בד״ה ויראו כו׳ ותחת רגליו1011 כו׳ ע״ש].
E, por isso, está escrito “como a aparência de um homem”, e não o próprio nível do Homem em si. [E veja o que está escrito mais sobre isso em Parshas Mishpatim, 122a, e veja o que está escrito no discurso que começa com “E viram”, etc., “e debaixo de Seus pés”, etc.; veja ali.]
Por isso Ezequiel diz apenas “como a aparência de um homem”: a luz que preenche os mundos é apenas uma aparência do Homem, não o próprio Homem acima. O trecho entre colchetes remete ao Zohar sobre Mishpatim (122a) e ao discurso de Torah Ohr sobre “E viram o D'us de Israel, e debaixo de Seus pés”, para mais informações.
O parágrafo aplica a analogia do pão ao “Homem” acima: a força vital divina que se estende por todas as criaturas, chamada “como a aparência de um homem”, é a luz que preenche todos os mundos.
As notas da Kehot remetem ao Tikkunei Zohar (introdução, 6b; Tikkun 22, 66a), sobre a diferença entre “como a aparência de um homem” e o próprio Homem.
Marei mekomot
- 1כי על כל מוצא פי ה׳ יחיה האדם · Deuteronomy 8:3
- 2ועל דמות הכסא · Ezekiel 1:26
- 3נק׳ אדם מל׳ אדמה לעליון · ראה לעיל פ׳ במדבר יג, ב. וראה בהנסמן במאמרי אדה״א במדבר-ג ע׳ א׳קא.
- 4אדמה לעליון · Isaiah 14:14
- 5עיני ה׳ · Psalms 34:16
- 6אזני ה׳ · Numbers 11:1
- 7נק׳ בשם אדם שהוא בחי׳ ממכ״ע · ראה ד״ה פתח אלי׳ — תרנ״ח ע׳ יב ושם מציין לעיין בד״ה ויטע אשל תר״ל ע׳ יז.
- 8כמראה אדם ולא . . ממש · ע׳ בהקדמת ת״ז (ו, ע״ב). שם (תכ״ב) ד׳ סו, א. [כ].
- 9משפטים קכ״ב א׳ · ראה גם אוה״ת פ׳ ואתחנן ע׳ פו. שבועות ע׳ קלב.
- 10בד״ה ויראו כו׳ ותחת רגליו · תו״א עז, א. ראה בספר הערכים-א טור תרפב.
- 11ויראו כו׳ ותחת רגליו · Exodus 24:10
13והנה חיות הנמשך1 לבחי׳ ומדריגה זו להיות ממכ״ע [ממלא כל עלמין] ולהחיות רוח שפלים2 הוא מבחי׳ מוצא פי ה׳ הוא מקור עליון וראשיתא דכולא בחי׳ סוכ״ע ונק׳ רצון העליון
Ora, a força vital que é atraída para este nível e grau — para ser a luz que preenche todos os mundos (memalê kol almin) e “reviver o espírito dos humildes” — provém do nível de “o que sai da boca de Havayá”, que é a fonte suprema e “o princípio de tudo”, o nível da luz que circunda todos os mundos (sovev kol almin), e é chamado de Vontade Suprema.
A força vital da luz que preenche todos os mundos, que revive “o espírito dos humildes” (Isaías 57:15), provém de um nível mais elevado: a fonte da palavra divina, “o princípio de tudo”, a luz que circunda todos os mundos. Esse nível superior é chamado de Vontade Suprema.
כי אית רצון3 ואית רצון ורצון העליון הוא פי׳ שעליון על כל העולמות שאינו יכול להתלבש תוך עלמין כלל
Pois “há vontade e há vontade”. E “Vontade Suprema” significa que ela é suprema em relação a todos os mundos, não podendo revestir-se nos mundos de modo algum,
Há dois níveis de vontade divina: “há vontade e há vontade”. A Vontade Suprema está acima de todos os mundos e não pode entrar neles de modo algum.
שהוא סתימא דכל סתימין ולית מחשבה תפיסא ביה כלל ורצון התחתון הוא מה שמתלבש תוך עלמין כו׳, והנה רצון העליון הוא מקור התורה והמצות,
pois ela é “o mais oculto de todos os ocultos”, e “nenhum pensamento pode apreendê-Lo de modo algum”; ao passo que a vontade inferior é aquela que se reveste nos mundos, etc. Ora, a Vontade Suprema é a fonte da Torá e das mitsvot.
A Vontade Suprema é absolutamente oculta, além do alcance de qualquer pensamento, enquanto a vontade inferior é aquela que se reveste nos mundos. A fonte da Torá e das mitsvot é a Vontade Suprema.
ולכן נק׳ לחמי ורעיתי פרנסתי שע״י אתערותא דלתתא אתעדל״ע [אתערותא דלעילא] להמשיך חיות ממקור וחיי החיים מבחי׳ סוכ״ע לבחינת ממכ״ע [ממלא כל עלמין] ואתעדל״ת [ואתערותא דלתתא] זו הוא ע״י מעשה המצות דוקא בעשייה גשמיות,
E por isso é chamada de “Meu pão” e “Minha amada — Minha provedora”: pois, por meio de um despertar de baixo [vem] um despertar do alto, para atrair força vital da Fonte e Vida de toda vida, do nível da luz que circunda todos os mundos ao nível da luz que preenche todos os mundos. E esse despertar de baixo ocorre especificamente por meio da prática das mitsvot, em ação física,
É por isso que as mitsvot são chamadas de “pão” de D'us e de “provedores” de Israel: o “despertar de baixo” do ser humano suscita um “despertar do alto”, atraindo vida da luz que circunda os mundos para a luz que os preenche. Esse despertar de baixo consiste na prática física das mitsvot.
וגם ע״י דבור התורה דעקימת שפתים הוי מעשה משא״כ הרהור לאו כדיבור דמי45 והרהור לא עביד מידי6 מפני שכח המעשה והדבור נלקח7
e também por meio da fala da Torá, pois “o movimento dos lábios é [considerado] uma ação”; ao passo que “o pensamento não é como a fala” e “o pensamento nada realiza”. Pois a força da ação e da fala é recebida
Falar palavras da Torá também conta, pois o Talmud determina que mover os lábios é uma ação. O mero pensamento não conta: “o pensamento não é como a fala” (Berachos 20b), e “o pensamento nada realiza”, como diz o Zohar. A força da ação e da fala provém da alimentação, como explica a parte seguinte.
מכח האכילה שאוכל שעי״ז מתחזק כחו לדבר ולעשות וכח האכילה בשרשו ומקורו הוא יותר גבוה ונעלה מאשר תוכל נפשו שאת לפי מקור חוצבו כנ״ל.
da força da alimentação que a pessoa ingere, por meio da qual se fortalece sua capacidade de falar e agir. E a força da alimentação, em sua raiz e fonte, é mais elevada e sublime do que aquilo que a alma pode suportar de acordo com a fonte de onde foi talhada, como mencionado acima.
O alimento fortalece a capacidade da pessoa de falar e agir. A força do alimento tem sua raiz num nível mais elevado do que a própria fonte da alma, como explicado acima; assim, a fala e a ação podem atrair algo de um nível que a alma não poderia alcançar por si mesma.
O parágrafo identifica a fonte da palavra divina com a Vontade Suprema, fonte da Torá e das mitsvot, que não pode entrar nos mundos, e explica que somente a ação física e a fala, fortalecidas pela elevada raiz do alimento, podem atraí-la para baixo.
Os dois níveis de vontade correspondem às duas luzes descritas anteriormente: a vontade inferior é a luz que preenche todos os mundos, entrando em cada um e dando-lhe vida conforme sua medida, enquanto a Vontade Suprema é a luz que os circunda. A Torá e as mitsvot provêm da vontade superior; por isso, podem atraí-la para baixo.
Marei mekomot
- 1והנה חיות הנמשך · תוכן הדברים מכאן מובא באוה״ת ויקרא-ב ע׳ תקסח.
- 2ולהחיות רוח שפלים · Isaiah 57:15
- 3אית רצון · בזה״ק ל״מ. [כ]. מובא בכ״מ בדא״ח בשם הזהר. וראה הערת כ״ק אדמו״ר בסה״מ תש״ט ע׳ 113. וראה בארוכה במאמרי אדה״א כאן ע׳ א׳תשט.
- 4הרהור לאו כדיבור דמי · ברכות כ, סע״ב.
- 5הרהור לאו כדיבור דמי · Berakhot 20b:20–21
- 6והרהור לא עביד מידי · Zohar III, 105a
- 7דעקימת שפתיו הוה מעשה · Bava Metzia 90b:13–14
14וכך יוכל להיות עי״ז אתעדל״ע [אתערותא דלעילא] ממעלה מעלה מבחי׳ סוכ״ע וכן מעשה המצות עצמן כגון אתרוג ולולב כו׳
E assim, por meio disso, pode haver um despertar do alto, do nível mais elevado, do nível da luz que circunda todos os mundos (sovev kol almin). O mesmo se aplica ao próprio ato das mitsvot, como o etrog e o lulav etc.:
Como a fala e a ação extraem sua força vital da elevada raiz dos alimentos, elas podem provocar um despertar do alto, do nível mais elevado: a luz que circunda todos os mundos. O mesmo se aplica aos objetos usados para as mitsvot, como o etrog e o lulav.
שהאתרוג הוא מאכל בפ״ע [בפני עצמו] וכן הלולב הוא צומח עכ״פ [על כל פנים] ויש להם מעלה יתירה שבהם ועל ידם יומשך אתעדל״ע [אתערותא דלעילא] מבחינה עליונה וגבוה מאד.
pois o etrog é, por si só, um alimento, e o lulav também é, pelo menos, uma planta; ambos possuem uma virtude especial, pois neles e por meio deles será atraído um despertar do alto, de um nível muito superior e elevado.
O etrog é, por si só, um alimento, e o lulav é, pelo menos, uma planta; por isso, também provêm da elevada raiz dos reinos inferiores. É por isso que o cumprimento das mitsvot com eles pode atrair um despertar do alto, de um nível muito elevado.
O parágrafo estende o princípio aos objetos das mitsvot: como elementos como o etrog e o lulav têm uma raiz muito elevada, as mitsvot realizadas com eles atraem luz do nível que circunda todos os mundos.
15וכן צמר הציצית ומעות הצדקה וכו׳ משא״כ הרהור ומחשבה הוא בחינת חשב מ״ה [שם מ״ה]12 שהוא בחי׳ אדם עצמו ואין כח לאתערותא זו להמשיך חיים עליונים כל כך.
E igualmente a lã dos tsitsit e as moedas da caridade, etc. Em contrapartida, a reflexão e o pensamento (machshavá) estão no nível de “chashav Mah”, que é o próprio nível de Adam, e esse despertar não tem força para atrair vida superna em tal medida.
Outros objetos de mitsvot, como a lã dos tsitsit e as moedas dadas para a caridade, também provêm dos reinos inferiores e compartilham sua elevada raiz. O pensamento é diferente: o Zohar lê machshavá, “pensamento”, como chashav Mah, e Mah tem o valor numérico de Adam (45); portanto, o pensamento está no nível do próprio homem. Como não se eleva além do homem, não pode atrair vida superna em tal grau.
וזהו יפה שעה אחת בתשובה3 ומע״ט [ומעשים טובים] בעוה״ז מכל חיי העוה״ב [העולם הבא]4 כי העוה״ב [העולם הבא] הוא שנהנים מזיו השכינה הוא זיו והארה מרובה ותוספת
E este é [o sentido de] “Uma hora de teshuvá (retorno) e boas ações neste mundo é melhor do que toda a vida do Mundo Vindouro”. Pois o Mundo Vindouro é aquele em que “desfrutam do esplendor da Shechiná (Presença Divina)”, que é um esplendor e uma iluminação abundantes, e um acréscimo
Isso explica a Mishná: “Uma hora de teshuvá e boas ações neste mundo é melhor do que toda a vida do Mundo Vindouro” (Avos 4:17). A Guemará (Berachos 17a) descreve o Mundo Vindouro como aquele em que os justos desfrutam do esplendor da Shechiná, uma revelação abundante que acrescenta deleite às almas.
תענוג הנשמות בגילוי בבחי׳ ממכ״ע [ממלא כל עלמין] הנק׳ בשם שכינה ששוכן ומתלבש בעולמות והנה הכח והחיות הנמשך לבחינת ממכ״ע [ממלא כל עלמין] מבחי׳ סוכ״ע הוא נעשה ע״י תשובה ומע״ט [ומעשים טובים] כנ״ל.
ao deleite das almas, em revelação, no nível da luz que preenche todos os mundos (memalê kol almin), chamada pelo nome de Shechiná, pois ela habita e se reveste nos mundos. E a força e a força vital atraídas ao nível da luz que preenche todos os mundos, a partir do nível da luz que circunda todos os mundos (sovev kol almin), são produzidas por meio da teshuvá e das boas ações, como mencionado acima.
Esse deleite é uma revelação da luz que preenche todos os mundos, chamada Shechiná porque “habita” (shochen) nos mundos. A luz adicional que ela recebe vem da luz que circunda os mundos, e é atraída por meio da teshuvá e das boas ações neste mundo.
נמצא שהם העושים הזיו והתענוג שבג״ע [שבגן עדן]. ולכן גדלה מעלתם מכל חיי העוה״ב [העולם הבא] שהם הם הממשיכים חיי העוה״ב [העולם הבא] כנ״ל:5
Conclui-se que são elas que produzem o esplendor e o deleite do Gan Eden. Portanto, sua superioridade é maior do que toda a vida do Mundo Vindouro, pois são elas mesmas que atraem a vida do Mundo Vindouro, como mencionado acima.
Assim, a teshuvá e as boas ações são o que produzem o esplendor e o deleite do Gan Eden. Por isso, uma hora dedicada a elas é superior a toda a vida do Mundo Vindouro: elas são a própria causa dessa vida.
O parágrafo contrapõe as mitsvot físicas ao mero pensamento e explica por que uma hora de teshuvá e boas ações neste mundo supera o Mundo Vindouro: elas atraem a própria luz de que as almas desfrutam ali.
Aqui se esclarece o sentido de “Meu pão”: a revelação no Gan Eden, a luz que preenche os mundos, recebe um acréscimo de luz da luz que a circunda e está acima dela; essa luz é atraída somente por meio das ações realizadas aqui embaixo. Aquilo de que as almas desfrutam no alto é “alimentado” pelas mitsvot deste mundo.
Marei mekomot
- 1ומחשבה . . חש״ב מ״ה · זח״א (כד, א). [כ].
- 2חשב מ״ה · Zohar, Bereshit 17:193–18:204
- 3יפה שעה אחת בתשובה · אבות ד, יז.
- 4יפה שעה אחת בתשובה ומע״ט בעוה״ז מכל חיי העוה״ב · Pirkei Avot 4:17
- 5העולם הבא הוא שנהנין · Berakhot 17a:12
O desejo do coração e “que nos santificou” ¶16–19
16והנה לפי שהתורה והמצות הם בחי׳ רצון העליון לכך יש להם כח להמשיך לנפש האדם ג״כ בחי׳ רצון העליון
Ora, como a Torá e as mitsvot são o nível da Vontade Suprema, elas têm, portanto, o poder de atrair também para a alma do homem o nível da Vontade Suprema.
Como a Torá e as mitsvot são a Vontade Suprema, elas também podem atrair para a alma humana uma “vontade suprema” correspondente. A alma também tem dois níveis de vontade.
כי גם בנפש האדם למטה ג״כ אית רצון ואית רצון שיש שמעורר את רצון והאהבה הטבעית המסותרת שבנפשו לגלותה מההעלם אל הגילוי לדבקה בו ית׳ מחמת התבוננות בגדולתו ית׳ המחיה חיים
Pois também na alma do homem aqui embaixo “há vontade e há vontade”. Há o caso em que a pessoa desperta a vontade e o amor natural oculto em sua alma, para fazê-lo sair da ocultação e chegar à revelação, a fim de apegar-se a Ele, bendito seja, por meio da contemplação de Sua grandeza, bendito seja, Ele que dá vida aos viventes,
O primeiro é a vontade que a pessoa desperta por si mesma. Ao contemplar a grandeza de D'us, ela traz à luz o amor natural por D'us oculto em sua alma e passa a desejar apegar-se a Ele. Essa contemplação se detém em D'us como Aquele que dá vida a tudo o que vive.
que é a luz que preenche todos os mundos (memalê kol almin), na medida que sua alma pode suportar, “cada um segundo a sua própria medida”; e este é o nível de “e com toda a tua alma”.
Essa grandeza que dá vida é a luz que preenche todos os mundos, que cada pessoa apreende somente até onde sua alma pode suportar, “cada um segundo a sua medida” (Zohar 1:103a). Esse amor corresponde a “com toda a tua alma” (Deuteronômio 6:5), um amor medido pela capacidade da alma.
אך יש רצון שהוא למעלה הימנו ומבקשי ה׳ יבינו כל3 שלפעמים תתלהב ותתלהט הנפש באהבה רבה עזה ועצומה בבחי׳ ובכל מאדך מאד יותר מכדי מדת הנפש בהשגתה באור פני ה׳
Mas há uma vontade que está acima dela — e “os que buscam Havayá compreendem tudo” —, pois às vezes a alma se inflama e arde com um amor abundante (ahavá rabá), forte e poderoso, no nível de “e com toda a tua força (me’odecha)”: muito mais (me’od) do que a medida da alma em sua apreensão da luz da face de D'us,
Acima dela há uma vontade superior, como está escrito: “os que buscam Havayá compreendem tudo” (Provérbios 28:5). Às vezes, a alma arde com ahavá rabá, um amor grandioso e poderoso, correspondente a “com toda a tua força (me’od)”: um amor “muito” além da medida da alma e daquilo que ela apreende da luz de D'us.
אלא מחמת ביטול השגתה דלית מחשבה תפיסא ביה סתימא דכל סתימין והוא בחי׳ רעותא דליבא דלית מחשבה תפיסא ביה
mas por causa da anulação de sua apreensão, pois “nenhum pensamento pode apreendê-Lo”, “o mais oculto de todos os ocultos”. E este é o nível do desejo do coração (re’uta deliba), que nenhum pensamento pode apreender,
Esse amor não provém do entendimento, mas do silêncio do entendimento, da percepção de que nenhum pensamento pode apreender D'us. Ele é chamado re’uta deliba, “o desejo do coração”, um anseio que, em si, está além do pensamento.
והוא בחי׳ אהבה רבה שלמעלה מעלה מהעולמות שאינה יכולה להתלבש תוך עלמין אלא כמו שכתוב מי לי בשמים4 ועמך לא חפצתי בארץ.
e este é o nível de ahavá rabá, que está muito, muito acima dos mundos e não pode revestir-se dentro deles; antes, como está escrito: “Quem tenho eu nos céus? E contigo, nada desejo na terra.”
Essa ahavá rabá está muito acima dos mundos e não pode ser contida neles. O Salmo 73:25 a expressa: “Quem tenho eu nos céus? E contigo, nada desejo na terra”, um anseio pelo próprio D'us e por nada que haja em qualquer mundo.
משא״כ האהבה הבאה מחמת התבוננות והשגה בגדולתו יתברך נק׳ אהבת עולם כנודע ואהבה רבה זו שהיא בחינת רעותא דליבא היא באה מלמעלה על ידי התורה והמצות
Ao passo que o amor que provém da contemplação e da apreensão de Sua grandeza, bendito seja, é chamado ahavat olam (“amor eterno”), como se sabe. E essa ahavá rabá, que é o nível do desejo do coração, vem do alto por meio da Torá e das mitsvot,
O amor que nasce da contemplação da grandeza de D'us é chamado ahavat olam, nome que a Chassidut relaciona a olam, “mundo”, pois ele se desenvolve a partir da contemplação da vida de D'us nos mundos. Já a ahavá rabá, o desejo do coração, vem do alto, concedida por meio da Torá e das mitsvot.
que são elas próprias a Vontade Suprema — Sua vontade e Sua sabedoria, bendito seja. [Como também foi escrito acima a respeito do versículo “Quem contou o pó de Yaakov” e do versículo “E agora, que cresça, rogo-Te”.]
A Torá e as mitsvot são a própria vontade e sabedoria de D'us e, por isso, podem conceder esse amor. O trecho entre colchetes remete a discussões do mesmo tema a respeito de “Quem contou o pó de Yaakov” (Números 23:10) e “E agora, que cresça, rogo-Te” (Números 14:17).
O parágrafo distingue dois amores na alma: ahavat olam, que nasce da contemplação da grandeza de D'us e é limitado pela apreensão da alma, e ahavá rabá, o “desejo do coração” que está além do entendimento e vem do alto por meio da Torá e das mitsvot.
Os dois amores correspondem aos dois níveis de vontade acima: o amor que provém da contemplação corresponde à luz que preenche todos os mundos, enquanto o desejo do coração corresponde à Vontade Suprema, que não pode revestir-se nos mundos. Assim, “há vontade e há vontade” tanto no alto quanto na alma.
Marei mekomot
- 1כל חד וחד לפום שיעורא דילי׳ · Zohar I, 103a
- 2ובכל נפשך · Deuteronomy 6:5
- 3ומבקשי ה׳ יבינו כל · Proverbs 28:5
- 4מי לי בשמים · Psalms 73:25
- 5לעיל ע״פ מי מנה · פ׳ בלק סז, ד.
- 6מי מנה עפר יעקב · Numbers 23:10
- 7ועתה יגדל נא · Numbers 14:17
17וזו היא בחינת הלחם והמזון שנעשה לנפש האדם ע״י התורה והמצות שהמוצא פי ה׳ שהוא מקור התורה והמצות עליו יחיה האדם1 ותחיה נפשו במקור וחיי החיים ית׳ דלית מחשבה תפיסא ביה כו׳,
E este é o nível do pão e do alimento que são feitos para a alma do homem por meio da Torá e das mitsvot: “aquilo que sai da boca de Havayá”, que é a fonte da Torá e das mitsvot, é aquilo pelo qual “o homem vive”, e sua alma viverá na Fonte e Vida de toda vida, bendito seja Ele, a Quem “nenhum pensamento pode apreender”, etc.
Este amor é o “pão” que a Torá e as mitsvot fazem para a alma. Como sua fonte é “aquilo que sai da boca de Havayá”, a alma vive por meio dele, na própria Fonte da vida, além do alcance de todo pensamento.
ואין רעותא דליבא זו באה דוקא מחמת ההתבוננות איך שהתורה נותנת חיים ואיך נמשך החיות רק
E esse desejo do coração não surge especificamente da contemplação de como a Torá dá vida e de como a força vital é atraída para baixo; ao contrário,
O desejo do coração não depende de primeiro compreender como a Torá dá vida ou como essa vida é atraída para baixo. Ele surge de outra maneira, como mostra a comparação a seguir.
כמו המאכל שמחיה את האדם בגשמיות אף אם אינו מבין האיך המאכל מתעכל ונהפך לדם ואיך תשוב להיות בשר כבשרו ואיך הוא כח הדוחה הפסולת כו׳
assim como o alimento dá vida ao homem fisicamente, mesmo que ele não compreenda como o alimento é digerido e transformado em sangue, como se torna carne como a sua carne, nem como funciona a força que expulsa os resíduos [do corpo], etc.,
O alimento físico mantém a pessoa viva mesmo que ela nada saiba sobre como é digerido, transformado em sangue e depois em carne, ou sobre como o corpo expulsa os resíduos. Seu efeito não depende da compreensão da pessoa.
אלא ממילא יחיה האדם כך בחי׳ רעותא דליבא זו נמשכה מאליה וממילא ע״י קיום התורה והמצות.
mas o homem vive naturalmente — assim, este nível do desejo do coração é atraído por si mesmo e naturalmente, por meio do cumprimento da Torá e das mitsvot.
Assim como a pessoa vive do alimento naturalmente, o desejo do coração surge por si mesmo em quem cumpre a Torá e as mitsvot. A compreensão não é uma condição prévia para isso.
O parágrafo explica que este amor superior é o pão da alma: surge por si mesmo por meio do cumprimento da Torá e das mitsvot, assim como o alimento nutre sem que quem come compreenda como isso acontece.
Marei mekomot
- 1יחיה האדם · Deuteronomy 8:3
18וזהו אשר קדשנו במצותיו שע״י המצות נמשך קדושה עליונה מבחי׳ קדוש ומובדל דהיינו מה שאינו יכול להתלבש תוך עלמין הוא בחי׳
E isto é [o significado de] “que nos santificou com Seus mandamentos”: por meio das mitsvot, uma santidade suprema é atraída do nível de “santo e separado” — isto é, aquilo que não pode revestir-se nos mundos, que é o nível de
Agora se pode explicar a bênção “que nos santificou com Seus mandamentos”. Por meio das mitsvot, a santidade é atraída do nível que é “santo e separado”, o nível que não pode revestir-se nos mundos.
רצון העליון כנ״ל לקדש אותו ג״כ שיומשך לנפש האדם גילוי הארה זו בנפשו להיות האהבה ורצון העליון שבנפש שהוא בחינת רעותא דליבא ואהבה רבה הנ״ל.
Vontade Suprema, como mencionado acima — para santificá-lo também: que a revelação dessa iluminação seja atraída à alma do homem, para dentro de sua alma, de modo que haja nela o amor e a Vontade Suprema, que são o nível do desejo do coração e do grande amor mencionados acima.
Esse nível é a Vontade Suprema. Sua luz é atraída para a alma da pessoa e também a santifica, tornando-se nela um amor e uma “Vontade Suprema” próprios: o desejo do coração, ahavá rabá.
וזהו ועשיתם את כל מצותי1 והייתם קדושים לאלקיכם שע״י המצות יהיה שורה בכם קדושה העליונה ממש להיות קדושה זו שוה לאלקיכם
E isto é [o significado de] “E cumprireis todos os Meus mandamentos e sereis santos para vosso D'us”: por meio das mitsvot, a própria santidade suprema repousará sobre vós, de modo que essa santidade seja igual à do vosso D'us.
Bamidbar 15:40, “Cumprireis todos os Meus mandamentos e sereis santos para vosso D'us”, é interpretado como significando que, por meio das mitsvot, a própria santidade suprema de D'us repousa sobre a pessoa. Sua santidade torna-se, por assim dizer, igual à de seu D'us.
(ועמ״ש בפי׳ לשון קדושה ע״פ מקושש עצים2 בפ׳ שלח) וזהו ענין הברכה ברוך הוא המשכה להיות הוי׳ שמהווה כל הויות
(E veja o que está escrito sobre o significado do termo “santidade” no versículo “o que recolhia lenha”, na Parashat Shelach.) E este é o sentido da bênção: “Bendito” (baruch) significa uma atração para baixo, para que haja Havayá, que traz todas as existências à existência,
O texto remete à explicação do termo “santidade” no discurso sobre aquele que recolhia lenha, na Parashat Shelach. Em seguida, interpreta palavra por palavra a bênção: baruch, “bendito”, significa uma atração para baixo, para que Havayá, o Nome que traz toda a existência à existência, se revele.
דהיינו שרש ומקור כל ההתהוות שיהיה בחי׳ אלקינו שיתאחד עמנו באחדות אחד למהוי אחד באחד3 ע״י אשר
isto é, a raiz e a fonte de toda a existência: que seja o nível de “nosso D'us”, que Ele Se una a nós numa única unidade, “para ser um com Um”, por meio de “Quem” (asher),
Havayá é a raiz e a fonte de toda a existência, e a bênção pede que Ele Se torne “nosso D'us”, unido a nós “para ser um com Um”, na expressão do Zohar. Isso ocorre por meio da palavra asher, “Quem”.
שהוא בחי׳ עונג העליון שמשם נמשך להיות קדשנו בקדושתו ממש ע״י מצות יו בקדש העליון שהוא למעלה מעלה מבחי׳ עלמין שמזה נמשך רעותא דליבא לנפש
que é o nível do deleite supremo, do qual se atrai para que “nos santificou” com a própria santidade de D'us, por meio de “Seus mandamentos” (mitsvotav — mitsvot-yud-vav), na santidade suprema (kodesh), muito acima do nível dos mundos; dela é atraído o desejo do coração para a alma.
Asher é interpretado como o nível do deleite supremo, do qual vem “nos santificou” com a própria santidade de D'us. O texto divide mitsvotav, “Seus mandamentos”, em “mitsvot” e nas letras yud-vav, relacionando-as à santidade suprema, muito acima dos mundos, da qual o desejo do coração chega à alma.
ואזי נקרא נפש האדם עצמה בחינת אחור לגבי רעותא דליבא הנמשך לו שהוא בחי׳ קדם מקדמונו של עולם:
E então a própria alma do homem é chamada de nível de “atrás” em relação ao desejo do coração que é atraído para ela, o qual é o nível de “antes”, proveniente do Primordial do mundo.
Então, a própria alma é considerada “atrás” em comparação com o desejo do coração que recebe, o qual é “antes”, vindo do Primordial do mundo. Aplica-se novamente “atrás e antes”: aquilo que chega à alma por meio das mitsvot é mais elevado do que a própria alma.
O parágrafo interpreta palavra por palavra a bênção “que nos santificou com Seus mandamentos”: por meio das mitsvot, a santidade separada dos mundos — a Vontade Suprema — é atraída para a alma como o desejo do coração, um amor mais elevado do que a própria alma.
Marei mekomot
- 1ועשיתם את כל מצותי · Numbers 15:40
- 2מקושש עצים · Numbers 15:32
- 3למהוי אחד באחד · Zohar II, 135a
19קיצור. פי׳ אקב״ו [אשר קדשנו במצותיו וצונו] כי חיות כל העולמות הוא רק מבחי׳ מלכותו ית׳ אבל במהותו ועצמותו ית׳ לית מחשבה תפיסא וזהו ענין קדוש מובדל.
Resumo. O significado de “que nos santificou com Seus mandamentos e nos ordenou”: a força vital de todos os mundos provém somente do nível de Sua Malchut (soberania), bendito seja Ele; mas, quanto a Seu ser e essência, bendito seja Ele, “nenhum pensamento pode apreendê-Lo”. Este é o significado de “santo”: separado.
Este é um resumo da discussão até aqui. A bênção “que nos santificou com Seus mandamentos e nos ordenou” significa que os mundos vivem somente da Malchut de D'us, enquanto Sua essência está além do pensamento; essa separação é Sua santidade.
וע״י התומ״צ [התורה ומצות] נמשך מקדושה זו ממש כי הנה כתיב לכו לחמו בלחמי1 ופי׳ לחמי היינו דכמו שהאדם מקבל חיות מהלחם לפי ששרשו מבחינת מוצא פי ה׳ מוצא היינו מקור.
E, por meio da Torá e das mitsvot, há uma transmissão que provém desta própria santidade. Pois está escrito: “Vinde, comei do Meu pão”; e o significado de “Meu pão” é o seguinte: assim como o homem recebe força vital do pão porque sua raiz provém do nível de “o que sai (motzá) da boca de Havayá” — motzá significa fonte —
Por meio da Torá e das mitsvot, algo dessa própria santidade é transmitido, como sugere “Vinde, comei do Meu pão”. O pão sustenta a pessoa porque sua raiz está em “o que sai da boca de Havayá”, sendo que motzá significa “fonte”.
כן בחי׳ ממכ״ע [ממלא כל עלמין] הנק׳ כמראה אדם2 נמשך לבחינה זו חיות מבחי׳ רצון עליון הסוכ״ע והיינו ע״י התורה ומצות שנתלבשו בעשייה שבהן ועל ידן נמשך רצון העליון וזהו ענין רעיתי פרנסתי ולחמי.
assim também, quanto ao nível da luz que preenche todos os mundos (memalê kol almin), chamado “como a aparência de um homem”: a força vital é transmitida a esse nível a partir do nível da Vontade Suprema, a luz que circunda todos os mundos (sovev kol almin); e isso ocorre por meio da Torá e das mitsvot, que se revestiram na ação, e nas quais e por meio das quais a Vontade Suprema é transmitida. Este é o significado de “Minha amada, Minha provedora” e “Meu pão”.
Da mesma forma, a luz que preenche todos os mundos, chamada “como a aparência de um homem”, recebe sua força vital da Vontade Suprema, a luz que circunda tudo. Ela a recebe por meio da Torá e das mitsvot, que se revestem em ações físicas; por isso, elas são chamadas de “pão” de D'us e Israel, Seus “provedores”.
ומהמשכה זו נמשך ג״כ לנפש האדם בחינת רצון העליון לבא לבחינת ובכל מאדך3 אהבה רבה וזהו אק״ב [אשר קדשנו במצותיו] והייתם קדושים:4
E, a partir dessa transmissão, o nível da Vontade Suprema também é transmitido à alma do homem, para que ela alcance o nível de “e com todo o teu poder”: ahavá rabá. Este é o significado de “que nos santificou com Seus mandamentos” e “Sereis santos”.
A partir dessa transmissão, a Vontade Suprema também chega à alma humana, elevando-a ao nível de “com todo o teu poder”, ahavá rabá. Este é o significado de “que nos santificou com Seus mandamentos” e “Sereis santos”.
Resumo: os mundos vivem da realeza de D'us, enquanto Sua santidade está além deles; a Torá e as mitsvot transmitem essa santidade, assim como o pão transmite força vital a partir de sua fonte, aos mundos e à alma, como ahavá rabá.
Marei mekomot
- 1לכו לחמו בלחמי · Proverbs 9:5
- 2כמראה אדם · Ezekiel 1:26
- 3ובכל מאדך · Deuteronomy 6:5
- 4והייתם קדושים · Numbers 15:40
Humildade e temor do pecado ¶20–22
20ד והנה קדושה זו מביאה לידי ענוה שהיא שפלות האדם בערך נפשו ונשמתו יען אשר אין חיות ושפע לנפשו ממקור ומוצא פי ה׳ אלא ע״י דברים שפלים גשמיים ממש
4. Ora, esta santidade conduz à humildade, que consiste na pequenez que a pessoa sente em relação à sua nefesh e à sua neshamá, pois não há força vital nem fluxo para sua alma provenientes da Fonte, “daquilo que sai da boca de Havayá”, senão por meio de coisas inferiores, efetivamente físicas,
A seção 4 começa: a santidade conduz à humildade. Aqui, humildade é o sentimento de pequenez da pessoa em relação à sua alma, pois ela só pode receber vida da Fonte divina por meio de coisas inferiores e físicas.
כמו האתרוג וצמר הציצית וקלף התפילין וכה״ג [וכהאי גוונא] כל מצות מעשיות או ע״י הדבור בהם הוא ת״ת [תלמוד תורה] וכו׳ וענוה זו מביאה לידי יראת חטא1
como o etrog, a lã dos tsitsit e o pergaminho dos tefilin, e, de modo semelhante, todas as mitsvot práticas; ou por meio da fala a respeito delas, que é o estudo da Torá, etc. E essa humildade conduz ao temor do pecado.
Essas coisas inferiores são os objetos das mitsvot, como o etrog, a lã dos tsitsit e o pergaminho dos tefilin, bem como todas as mitsvot práticas, ou as palavras da Torá pronunciadas a respeito delas. Essa humildade, por sua vez, conduz ao temor do pecado.
(בר״ח [בראשית חכמה] שער הענוה2 פ״א הביא דענוה איהי שכינתא עילאה. והנה פי׳ וענין שכינתא עילאה נתבאר בד״ה שיר השירים34 שהוא ענין הביטול דיחודא עילאה.
(Em Reishit Chochmá, Shaar HaAnavá [O Portal da Humildade], capítulo 1, ele cita que a humildade é a Shechiná superior (Presença Divina). Ora, o significado e o conceito da Shechiná superior foram explicados no discurso iniciado por “O Cântico dos Cânticos”: trata-se da autoanulação (bitul) da unidade superior (yichudá ilaá).
Começa aqui um longo parêntese. A obra ético-cabalística Reishit Chochmá (O Portal da Humildade, capítulo 1) diz que a humildade é a “Shechiná superior”, e o discurso sobre “O Cântico dos Cânticos” explica a Shechiná superior como o bitul da “unidade superior”, na qual tudo é como nada diante de D'us.
ועפ״ז [ועל פי זה] י״ל [יש לומר] פי׳ ענוה היינו שהוא מחזיק עצמו לאין ממש כמו שהוא קמי׳ [קמיה] ית׳ דכולא קמי׳ [קמיה] כלא חשיב5 ועמ״ש בד״ה קטנתי6 מכל החסדים.7 ועמ״ש בד״ה ארץ הרים ובקעות89 בענין חותם שוקע ביטול ענוה שלמעלה מהאהבה.
E, com base nisso, pode-se dizer que humildade significa considerar-se verdadeiramente como nada, tal como se é diante d’Ele, bendito seja, pois “tudo diante d’Ele é considerado como nada”. E veja o que está escrito no discurso iniciado por “Tornei-me pequeno diante de todas as bondades”. E veja o que está escrito no discurso iniciado por “Uma terra de montanhas e vales”, a respeito do “selo côncavo”: a autoanulação da humildade, que está acima do amor.
Assim, humildade significa considerar-se verdadeiramente como nada, tal como se é diante de D'us, pois “tudo diante d’Ele é considerado como nada” (Zohar). O texto remete à carta “Tornei-me pequeno diante de todas as bondades” e ao discurso sobre “Uma terra de montanhas e vales”, no qual o “selo côncavo”, o bitul da humildade, é considerado superior ao amor.
ועפ״ז [ועל פי זה] א״ש [אתי שפיר] מ״ש בספרים10 בענין ענוה שהיא ביטול והכנעה להקב״ה דלכאורה אינו מובן וכי צריך לומר זה שהאדם בריה שפלה ואפלה יקטין א״ע [את עצמו] לגבי הבורא ית׳.
E, com base nisso, compreende-se o que está escrito nos livros a respeito da humildade — que ela é autoanulação e submissão ao Santo, bendito seja Ele. Pois, à primeira vista, isso não se entende: será preciso dizer que o homem, uma criatura inferior e obscura, deve fazer-se pequeno diante do Criador, bendito seja Ele?
Isso explica o que “os livros” dizem sobre a humildade: que ela é bitul e submissão diante de D'us; a nota da Kehot aponta para obras como Midrash Tanchuma e Reishit Chochmá. À primeira vista, parece desnecessário dizê-lo, pois é óbvio que uma criatura inferior deve sentir-se pequena diante do Criador.
אכן לפי הנ״ל א״ש [אתי שפיר] דפי׳ וענין ענוה זו דשייך מהאדם לגבי הקב״ה היינו שלא יהיה תופס מקום כלל אלא כלא חשיב ממש. ועד״ז נאמר במשה והאיש משה ענו מאד11 כי במשה נאמר ונחנו מה12 ועיין בגמרא)
No entanto, à luz do que foi dito acima, compreende-se: o significado e o conceito dessa humildade que se aplica ao homem diante do Santo, bendito seja Ele, é que ele não ocupe lugar algum, mas seja considerado, de fato, como nada. E é nesse sentido que se diz de Moshe: “E o homem Moshe era muito humilde”, pois a respeito de Moshe foi dito: “E o que somos nós?” E veja no Talmud)
À luz do que foi dito acima, porém, a humildade em questão não é apenas sentir-se pequeno: é não ocupar lugar algum, sendo verdadeiramente como nada diante de D'us. Essa é a humildade de Moshe, de quem se diz: “O homem Moshe era muito humilde” (Números 12:3), e que declarou: “E o que somos nós?” (Êxodo 16:7).
(ספ״ו דחולין דפ״ט א׳) גדול מה שנאמר במשה כו׳ שביטול דמשה היה למעלה מבחינת הביטול דואנכי עפר ואפר1314 כי הוא מ״ה [שם מ״ה] ממש וזהו עניו מאד ועיין בפ׳ שלח (קס״ג סע״ב [סוף עמוד ב]).
(fim do capítulo 6 de Chullin, fólio 89a): “Maior é o que foi dito a respeito de Moshe”, etc.: a autoanulação de Moshe estava acima do nível da autoanulação expressa por “E eu sou pó e cinzas”, pois ele era, de fato, mah (“o quê”); e isso é “muito humilde”. E veja na Parashá Shelach (163, fim do lado b).
O Talmud (Chullin 89a) diz que o que Moshe declarou é maior do que o que Avraham declarou: Avraham chamou a si mesmo de “pó e cinzas”, o que ainda é algo, enquanto Moshe disse “o que somos nós”, isto é, nada. Moshe era verdadeiramente mah, “o quê”, e esse é o sentido de “muito humilde”.
והנה שכינתא עילאה היא בינה15 ולפ״ז [ולפי זה] וענוה מביאה לידי יראת חטא הוא בחי׳ חכמה שהיא יראה עילאה.
Ora, a Shechiná superior é Biná (entendimento); portanto, “e a humildade conduz ao temor do pecado” corresponde ao nível de Chochmá (sabedoria), que é o temor superior.
Na Cabalá, a Shechiná superior é Biná; assim, se a humildade é a Shechiná superior, o temor ao qual ela conduz está no nível de Chochmá, chamado “temor superior”. Nessa leitura, a ascensão vai de Biná a Chochmá.
וריב״ל [ורבי יהושע בן לוי] דס״ל [דסבירא ליה / דסבירא להו] ענוה גדולה מכולן16 י״ל [יש לומר] זהו כמ״ש בר״ח שם ועוד ימצא הענוה אפילו בכתר כו׳ והוא נקרא אין להיותו מחשיב עצמו לאין נגד המאציל עכ״ל [עד כאן לשונו].
E quanto a Rabi Yehoshua ben Levi, que sustenta que “a humildade é maior do que todas”: pode-se dizer que isso corresponde ao que está escrito ali em Reishit Chochmá: “Além disso, a humildade se encontra até mesmo em Kéter (a Coroa), etc., e este é chamado de Ayin (Nada), por considerar-se nada diante do Emanador.” Fim da citação.
Rabi Yehoshua ben Levi sustenta que “a humildade é maior do que todas” (Avodah Zarah 20b), acima de todos os demais degraus. Reishit Chochmá explica por quê: a humildade existe até mesmo em Kéter, a Coroa, que é chamado Ayin, “Nada”, por considerar-se nada diante do Emanador.
O parágrafo explica que a santidade atraída por meio das mitsvot físicas inferiores desperta humildade e, num longo parêntese, define a humildade como verdadeira autoanulação — o “o que somos nós” de Moshe —, enraizada na Shechiná superior e até em Kéter.
Na Cabalá, há uma Shechiná superior e uma inferior, Biná e Malchut (Pardes Rimonim, Portal 23); o discurso sobre “O Cântico dos Cânticos” as relaciona à unidade superior e à unidade inferior. Portanto, a humildade como Shechiná superior é o bitul da unidade superior, na qual os mundos são como nada, e não apenas o da unidade inferior, na qual D'us está presente dentro deles.
Marei mekomot
- 1וענוה זו מביאה לידי יראת חטא · ראה לקו״ש-יג ע׳ 36.
- 2בר״ח שער הענוה · הלשון נעתק באוה״ת בראשית כרך-ב דף רנט, א. ושם הענין יותר באריכות.
- 3בד״ה שיר השירים · לקו״ת שה״ש א, ב.
- 4שיר השירים · Song of Songs 1:1
- 5דכולא קמי׳ כלא חשיב · Zohar I, 11b
- 6בד״ה קטנתי · אגה״ק סי׳ ב.
- 7קטנתי מכל החסדים · Genesis 32:11
- 8בד״ה ארץ הרים ובקעות · לקו״ת פ׳ עקב יז, ד.
- 9ארץ הרים ובקעות · Deuteronomy 11:11
- 10מ״ש בספרים · ע׳ תנחומא צו (סי׳ יג) שפל וסבלן. ובלקח טוב פ׳ בהעלתך [פ׳ יב, ג]. וע׳ בר״ח ש׳ הענוה פ״א. על״ק נצבים (ר״ד מח). [כ].
- 11והאיש משה ענו מאד · Numbers 12:3
- 12ונחנו מה · Exodus 16:7
- 13
- 14ואנכי עפר ואפר · Genesis 18:27
- 15שכינתא עילאה היא בינה · Pardes Rimmonim 23:21
- 16ענוה גדולה מכולן · Avodah Zarah 20b:11
E veja o que está escrito na explicação sobre o versículo “Quem contou”, a respeito de “negro (ukam) é kedem (anterior)”, etc.; este é também o sentido de “Ele fez da escuridão Seu esconderijo”.
O texto remete à explicação de “negro (ukam) é kedem” no maamar sobre “Quem contou”, na Parashat Balak. Ele relaciona isso a “Ele fez da escuridão Seu esconderijo” (Salmos 18:12), o ocultamento da essência de D'us descrito anteriormente.
ועמ״ש מענין ענוה סד״ה שוש אשיש3 כי הנה את זה לעומת זה עשה האלקים4 שכמו שבקדושה עשיית המצות הוא מעלה את האדם
E veja o que está escrito sobre a humildade, no final do maamar que começa com “Muito me alegrarei”. Pois “D'us fez isto corresponder àquilo”: assim como, na santidade, a prática das mitsvot eleva a pessoa
Depois da referência à humildade no final do maamar “Muito me alegrarei”, o argumento principal é retomado com Eclesiastes 7:14: “D'us fez isto corresponder àquilo”, de modo que a santidade e seu oposto correspondem entre si. A prática de uma mitsvá eleva a pessoa, fazendo-a atrair vida sublime.
להמשיך חיים עליונים מבחי׳ רצון העליון כמ״כ [כמו כן] להיפך בעבירה כתיב ונכרתה הנפש ההיא מלפני אני5 ה׳ פי׳ אני ה׳ מה
para atrair vida sublime do nível da Vontade Suprema, assim também, inversamente, a respeito de uma transgressão está escrito: “Aquela alma será extirpada de diante de Mim; Eu sou Havayá.” O sentido de “Eu sou Havayá” é que Ele
Assim como uma mitsvá atrai vida da Vontade Suprema, uma transgressão alcança uma altura igualmente elevada, mas na direção oposta. A respeito de uma transgressão, a Torá diz: “Aquela alma será extirpada de diante de Mim; Eu sou Havayá” (Levítico 22:3), e o Alter Rebe explica cada expressão.
שהוא מהווה כל הויות להחיות כל העולמות וכל הנבראים ומלפני כלומר למעלה מבחי׳ ומדריגה זו שם מגיע הפגם והעונש של העבירה שהכרת תכרת6 בשרש כל השרשים וצריך להיות לאדם יראת חטא.
faz existir todas as existências, para dar vida a todos os mundos e a todos os seres criados; e “de diante de Mim” significa acima deste nível e grau: é ali que chegam a mácula e a punição da transgressão, de modo que “será completamente extirpada” na raiz de todas as raízes. Por isso, a pessoa deve ter temor do pecado.
“Eu sou Havayá” refere-se a D'us como Aquele que faz existir toda a existência e dá vida a todos os mundos; “de diante de Mim” designa um nível ainda mais elevado. A mácula e a punição do pecado chegam até lá, de modo que a “extirpação” (caret) toca a raiz de todas as raízes. Por isso, a pessoa deve ter temor do pecado.
פי׳ יראה מחמת החטא והחסרון והפגם שנעשה למעלה כ״כ [כל כך] וחטא הוא לשון חסרון ופגם שלשון חטא נופל אפילו על ביטול מ״ע [מצות עשה] ודקדוקי סופרים שעכ״פ [שעל כל פנים] יש חסרון ופגם. משא״כ עון הוא על ל״ת [לא תעשה] כו׳.
Isto é, temor por causa do pecado, da falta e da mácula que são causados no Alto em tamanha medida. Chet (pecado) é um termo que significa falta e mácula; a palavra chet aplica-se até mesmo à omissão de um mandamento positivo e aos pormenores estabelecidos pelos Sábios, pois, de qualquer modo, há uma falta e uma mácula. Avon (iniquidade), em contrapartida, refere-se às proibições, etc.
Temor do pecado significa temer a falta e a mácula que o pecado causa no Alto. A palavra chet, “pecado”, significa falta, como mostra a nota de Kehot a partir do comentário de Rashi sobre 1 Reis 1:21; por isso, aplica-se até mesmo à omissão de um mandamento positivo ou de um pormenor rabínico. Avon, “iniquidade”, por sua vez, é usado para a transgressão de uma proibição.
O parágrafo apresenta a imagem inversa das mitsvot: um pecado chega acima até mesmo do nível de Havayá, à raiz de todas as raízes; e o temor do pecado é o temor da falta e da mácula que ele causa ali.
Em Likkutei Torah sobre Nitsavim, citado na nota, deixar de cumprir uma mitsvá positiva é chamado chet, “falta”, porque isso impede a “semeadura” na terra sublime que uma mitsvá realiza; já transgredir uma proibição é chamado avon, de “torcer”, pois nutre as forças externas à santidade.
Marei mekomot
- 1מי מנה · Numbers 23:10
- 2ישת חשך סתרו · Psalms 18:12
- 3שוש אשיש · Isaiah 61:10
- 4את זה לעומת זה עשה האלקים · Ecclesiastes 7:14
- 5ונכרתה הנפש ההיא מלפני אני ה׳ · Leviticus 22:3
- 6הכרת תכרת · Numbers 15:31
22והנה יראת חטא בבחינה זו באה אחר ענוה וקדושה דוקא דהיינו אחר שיתקדש בקדושה העליונה הבאה מלמעלה ע״י המצות ויבא למדרגת ענוה שיכיר שפלות נפשו
Ora, o temor ao pecado nesse sentido surge especificamente depois da humildade e da santidade — isto é, depois que a pessoa é santificada pela santidade suprema que vem do Alto por meio das mitsvot e alcança o nível da humildade, reconhecendo a baixeza de sua alma;
Agora se responde à pergunta inicial. O temor ao pecado nesse sentido só surge depois da santidade e da humildade: primeiro, a pessoa é santificada pelas mitsvot com a santidade que vem do Alto; depois, alcança a humildade e reconhece a baixeza de sua alma.
אזי יכיר וירגיש ג״כ בזה לעומת זה1 כמה גדול עונש החטא והפגם שמגיע למעלה ויהיה לו יראה גדולה מחמת החטא והפגם (ועמ״ש עוד בפי׳ וענין יראת חטא בד״ה אלה מסעי).2
então também reconhecerá e sentirá, por meio disso — “isto em oposição àquilo” — quão grande é o castigo pelo pecado e a mácula que chega ao Alto, e sentirá grande temor por causa do pecado e da mácula. (Veja também o que está escrito mais adiante sobre o significado e a natureza do temor ao pecado, no discurso que começa com “Estas são as jornadas”.)
Então, “isto em oposição àquilo”, poderá perceber quão grande é a mácula e o castigo que um pecado causa no Alto, e um grande temor ao pecado se apoderará dele. O texto remete a uma explicação adicional no discurso “Estas são as jornadas”.
אך קדושה וענוה זו אינה באה אלא אחר מדרגות הפרישות שהוא להפריד הרע שבנפש הבהמית מקליפות נוגה וקדש את עצמך במותר לך3
Mas esta santidade e humildade só surgem depois dos níveis de abstinência, que consistem em separar o mal que há na alma animal das kelipot (cascas) de nogá, e em “santificar-se naquilo que lhe é permitido”;
A santidade e a humildade só surgem depois da abstinência: separar o mal que há na alma animal, que provém da kelipat nogá, a “casca translúcida” na qual o bem e o mal estão misturados. Trata-se da afirmação do Talmud: “Santifica-te naquilo que te é permitido” (Yevamos 20a).
והוא בחינת תשובה תתאה כמארז״ל [כמאמר רבותינו זכרונם לברכה] תשובה ומע״ט [ומעשים טובים]4 כו׳ שבלא תשובה תחלה אין המעשים טובים ומאירים מלשון את האור כי טוב5 כו׳.
e este é o nível da teshuvá inferior, como disseram nossos Sábios, de abençoada memória: “teshuvá e boas ações” etc.; pois, sem teshuvá antes, as ações não são “boas” nem resplandecentes — conforme a expressão “a luz, que era boa” etc.
A abstinência é a “teshuvá inferior”, como a Mishná associa “teshuvá e boas ações” (Avos 4:11): sem teshuvá primeiro, as ações não são verdadeiramente “boas”. Aqui, “boa” significa resplandecente, como em “D'us viu a luz, que era boa” (Genesis 1:4).
O parágrafo responde à pergunta inicial: o temor ao pecado, entendido como temor à mácula que um pecado causa no Alto, só pode surgir depois da santidade e da humildade; estas, por sua vez, exigem abstinência, a teshuvá inferior.
A ordem da sequência fica agora clara: a abstinência, a teshuvá inferior, separa o mal; as mitsvot, agora resplandecentes, trazem a santidade suprema; a santidade conduz à humildade, à percepção de que a alma vive apenas por meio de coisas baixas; e a humildade, “isto em oposição àquilo”, permite à pessoa perceber até onde chega um pecado — o que constitui o temor ao pecado.
Marei mekomot
- 1בזה לעומת זה · Ecclesiastes 7:14
- 2אלה מסעי · Numbers 33:1
- 3וקדש את עצמך במותר לך · Yevamot 20a:15
- 4תשובה ומע״ט · Pirkei Avot 4:11
- 5את האור כי טוב · Genesis 1:4
Os chefes das tribos ¶23–24
E, com tudo o que foi dito acima, compreender-se-á o que está escrito: “E Moshe falou aos chefes das tribos (matot)”. Matot está relacionado à expressão “Ele inclina (mateh) para a bondade”,
Com tudo isso, pode-se explicar o versículo de abertura. Matot, “tribos”, está relacionado à expressão talmúdica “Ele inclina (mateh) para a bondade”, dita a respeito de D'us inclinar os pratos da balança do julgamento para a misericórdia.
שהוא ענין להטות ולהפוך המדות שבנפש שיהי׳ [שיהיה] כלפי חסד ואהבת את ה׳ לדבקה בו45 והמטים ומהפכים הם בחינת הראשים
que consiste em inclinar e transformar os atributos emocionais (midot) da alma, para que se voltem à bondade e a “amarás Havayá”, “para apegar-se a Ele”. E aqueles que inclinam e transformam [esses atributos] são o nível dos “chefes”,
As “tribos” são aquilo que inclina e transforma as emoções da pessoa para a bondade, em direção a “amarás Havayá… para apegar-se a Ele”. O que inclina e transforma as emoções dessa maneira são os “chefes”.
שהם בחינת רעותא דליבא שנמשך מבחינת משה הוא בחינת דעת עליון וקדש העליון שלמעלה מעלה מבחינת עלמין ובחי׳ משה הוא המנהיג
que são o nível do desejo do coração, que se estende do nível de Moshe, o nível de Daat superior e da santidade superior (kodesh), muito acima do nível dos mundos. E o nível de Moshe é o líder
Os “chefes” são o desejo do coração, que se estende do nível de Moshe: Daat superior e a santidade superior, muito acima dos mundos. Moshe é o líder de Israel nesse sentido.
(כי וידבר מלשון ידבר עמים תחתינו6 לשון הנהגה) וממשיך בחינה זו להיות רעותא דליבא (ועיין עוד מענין ראשים בפ׳ פנחס) (דרנ״ג ע״ב) ע״פ שאו שערים ראשיכם7 גם
(pois vayedaber, “e falou”, deriva da expressão “Ele subjuga (yadber) povos sob nós”, um termo de liderança), e ele faz com que esse nível desça para tornar-se o desejo do coração. (Veja também sobre o assunto dos “chefes” em Parshas Pinchas) (fólio 253b), a respeito do versículo “Erguei, ó portais, vossas cabeças”. Além disso,
Vayedaber, “e falou”, está relacionado a yadber em “Ele subjuga povos sob nós” (Psalms 47:4), um termo de liderança; assim, Moshe “falou” conduzindo e fazendo esse nível descer ao desejo do coração. O texto acrescenta uma referência a Parshas Pinchas (253b), sobre “Erguei, ó portais, vossas cabeças” (Psalms 24:7).
כי משה הוא בחי׳ ונחנו מ״ה [מה]8 בחי׳ עניו מאד9 ולכן וידבר משה כו׳ ועמ״ש סד״ה משה ידבר וסד״ה מראיהם ומעשיהם:10
pois Moshe é o nível de “E nós somos Mah”, o nível de “muito humilde”; por isso, “E Moshe falou…”. E veja o que está escrito no final do discurso que começa “Moshe falaria”, e no final do discurso que começa “Sua aparência e suas obras”.
Moshe também podia fazer isso descer porque personificava “E nós somos Mah”, a humildade absoluta, “muito humilde”. O texto remete aos finais de dois discursos de Torah Ohr, “Moshe falaria” e “Sua aparência e suas obras”, para mais explicações.
O parágrafo explica o versículo de abertura: os “chefes das tribos” são o desejo do coração que orienta as emoções da pessoa para o amor a D'us, desejo esse que Moshe faz descer. Sua liderança e humildade absoluta ligam Israel à santidade superior.
As duas razões se complementam: como líder, Moshe faz descer o nível superior; e sua humildade, por ser “o que”, torna-o um canal apropriado, pois, como Likkutei Torah explica em outro lugar, a Luz Infinita repousa e se revela somente naquilo que se anula diante dela.
Marei mekomot
- 1משה ידבר · Exodus 19:19
- 2וידבר משה אל ראשי המטות · Numbers 30:2
- 3מטה כלפי חסד · Rosh Hashanah 17a:2–3
- 4לדבקה בו · Deuteronomy 11:22
- 5לדבקה בו · Deuteronomy 30:20
- 6ידבר עמים תחתינו · Psalms 47:4
- 7שאו שערים ראשיכם · Psalms 24:7
- 8ונחנו מ״ה · Exodus 16:7
- 9עניו מאד · Numbers 12:3
- 10מראיהם ומעשיהם · Ezekiel 1:16
Resumo: O tema de “a santidade conduz à humildade, e a humildade conduz ao temor do pecado”; e o tema de “E Moshe falou aos chefes das tribos.”)
Este resumo retoma os dois temas da seção 4: como a santidade conduz à humildade, e a humildade, ao temor do pecado; e o significado de “E Moshe falou aos chefes das tribos.”
Um breve resumo da seção 4.
Marei mekomot
- 1קדושה מביאה לידי ענוה וענוה מביאה לידי יראת חטא · Mishnah Sotah 9:15
“Isto é o que” ¶25–26
25ה לאמר זה הדבר1 כו׳. וארז״ל [ואמרו רבותינו זכרונם לברכה] שכל הנביאים נתנבאו בכה נוסף עליהם משה שנתנבא בזה2 כו׳.
5. “Dizendo: Esta é a coisa”, etc. E nossos Sábios, de abençoada memória, disseram que todos os profetas profetizaram com “Assim” (koh); Moshe os superou, pois profetizou com “Esta” (zeh), etc.
A seção 5 explica as palavras seguintes do versículo: “dizendo: Esta é a coisa”. Rashi, citando o Sifrei, diz que todos os profetas profetizaram com “Assim diz D'us”, ao passo que Moshe os superou, profetizando com “Esta é a coisa”.
והענין דכתיב נעשה אדם בצלמנו כדמותנו3 כדמותנו הוא בחינת ממכ״ע [ממלא כל עלמין] דכ״ף הדמיון כמו הדמות כו׳,
E o assunto é o seguinte: está escrito: “Façamos o homem à Nossa imagem, conforme a Nossa semelhança”. “Conforme a Nossa semelhança” é o nível da luz que preenche todos os mundos (memalê kol almin), pois o kaf de comparação [significa] “como a semelhança”, etc.;
Em “Façamos o homem à Nossa imagem, conforme a Nossa semelhança” (Gênesis 1:26), “conforme a Nossa semelhança” é a luz que preenche todos os mundos. A letra kaf, “conforme”, indica uma comparação: algo que é apenas como a semelhança, e não a própria coisa.
משא״כ בצלמנו הוא בחי׳ גילוי עצמותו ית׳ ממש כביכול (ועיין מזה לקמן בד״ה אלה מסעי4 הנ״ל ובד״ה כי ביום הזה יכפר).5
ao passo que “à Nossa imagem” é o nível da revelação da própria essência de D'us, bendito seja Ele, por assim dizer. (E veja sobre isso adiante, no discurso que começa com “Estas são as jornadas”, mencionado acima, e no discurso que começa com “Pois neste dia Ele expiará”.)
“À Nossa imagem”, sem o kaf, é a revelação da própria essência de D'us, por assim dizer. O texto remete aos discursos “Estas são as jornadas” e “Pois neste dia Ele expiará” para mais detalhes.
והנה ע״י רעותא דליבא למעלה מבחינת כח הנפש נעשה עי״ז אתערותא דלעילא גילוי בחינת עצמותו ית׳ למעלה מבחי׳ עלמין מה שאינו יכול להתלבש תוך עלמין וכמ״ש ואשים דברי בפיך6 דברי ממש.
Ora, por meio do desejo do coração, que está acima do nível do poder da alma, provoca-se assim um despertar do alto: uma revelação do nível de Sua essência, bendito seja Ele, acima do nível dos mundos, que não pode revestir-se dentro dos mundos. Como está escrito: “E pus Minhas palavras na tua boca” — Minhas próprias palavras.
O desejo do coração, que está além dos próprios poderes da alma, provoca um despertar do alto: uma revelação da essência de D'us, que está acima dos mundos e não pode revestir-se neles. Assim, Isaías 51:16 diz: “Pus Minhas palavras na tua boca”: as próprias palavras de D'us.
O parágrafo começa a explicar “Esta é a coisa”: “conforme a Nossa semelhança” é a luz que preenche os mundos; “à Nossa imagem” é a essência de D'us; e o desejo do coração atrai essa essência, de modo que as próprias palavras de D'us estejam na boca da pessoa.
O texto contrapõe o koh dos profetas, “assim”, ao kaf de comparação em kidmuseinu: ambos se referem a uma semelhança. O zeh de Moshe, “esta”, assim como “à Nossa imagem”, aponta para a própria essência.
Marei mekomot
- 1לאמר זה הדבר · Numbers 30:2
- 2שכל הנביאים נתנבאו בכה נוסף עליהם משה שנתנבא בזה · Rashi on Numbers 30:3
- 3נעשה אדם בצלמנו כדמותנו · Genesis 1:26
- 4אלה מסעי · Numbers 33:1
- 5כי ביום הזה יכפר · Leviticus 16:30
- 6ואשים דברי בפיך · Isaiah 51:16
26והיינו לאמר זה הדבר1 כו׳ דהיינו באמירת כאו״א [כל אחד ואחד] פרשה שבתורה או נביאים וכתובים הלכות ואגדות יהיה זה הדבר עצמו שנאמר מאז ומקדם.
E isto é [o significado de] “Dizendo: Esta é a coisa”, etc.: isto é, quando cada pessoa disser uma seção da Torá, ou dos Profetas e dos Escritos, leis e agadot, será esta própria coisa que foi dita há muito tempo, desde outrora.
“Esta é a coisa” aplica-se agora ao estudo da Torá. Quando alguém recita uma seção da Torá, dos Profetas ou dos Escritos, ou leis e agadot, pode ser a própria palavra que D'us falou há muito tempo.
Como está escrito: “E estas palavras que Eu te ordeno hoje estarão”, etc., “e falarás delas”, etc.: estas próprias palavras
Deuteronômio 6:6–7 diz o mesmo: “Estas palavras que Eu te ordeno hoje estarão… e falarás delas.” As palavras em questão são as próprias palavras que Moshe pronunciou.
שאמר משה באותו יום יהיו אצלך ודברת בם עצמם לפי שע״י בחינת רעותא דליבא נמשך בחינה מה שלמעלה מבחינת עלמין ושם הוא למעלה מן הזמן
que Moshe disse naquele dia estarão contigo, e “falarás delas”, dessas próprias [palavras]. Pois, por meio do nível do desejo do coração, atrai-se um certo nível daquilo que está acima do nível dos mundos, e ali ele está acima do tempo.
As próprias palavras que Moshe disse naquele dia devem estar com cada pessoa, e ela fala essas mesmas palavras. Isso é possível porque o desejo do coração atrai um nível acima dos mundos, que também está acima do tempo; assim, as palavras de “hoje” não ficam relegadas ao passado.
(ועמ״ש ע״פ קול דודי הנה זה בא4 וסד״ה והגדת לבנך5 בענין בעבור זה וסד״ה בחדש השלישי6 כו׳ ביום הזה)7 ושם היה בחינת נבואתו של משה שהוא היה בחינת קדש העליון למעלה מבחינת עלמין
(E veja o que está escrito sobre o versículo “A voz do meu amado! Eis que ele vem”, e no final do discurso que começa com “E contarás a teu filho”, sobre o tema de “por causa disto”, e no final do discurso que começa com “No terceiro mês”, etc., “neste dia”.) E ali havia o nível da profecia de Moshe, pois ele era o nível da santidade suprema (kodesh), acima do nível dos mundos.
O texto faz referência aos discursos sobre “A voz do meu amado! Eis que ele vem”, sobre “E contarás a teu filho” (a respeito de “por causa disto”) e sobre “No terceiro mês… neste dia”; todos se voltam para a palavra “isto”. A profecia de Moshe provinha desse nível, a santidade suprema acima dos mundos.
ולכן ארז״ל [אמרו רבותינו זכרונם לברכה] שהיה פרוש מן האשה8 משא״כ כל הנביאים כו׳ (וע׳ מזה בפ׳ ויצא) (דקנ״ב ב׳) ו במק״מ [במקדש מלך] שם ובפ׳ בראשית (כ״ב9 א׳)
E por isso nossos Sábios, de abençoada memória, disseram que ele se separou de [sua] esposa, ao contrário do que ocorreu com todos os outros profetas, etc. (E veja a respeito disso na Parashá Vayetze) (fólio 152b), e no Mikdash Melech ali, e na Parashá Bereshit (22a);
Por isso, dizem os Sábios, Moshe se separou de sua esposa, ao passo que os outros profetas não o fizeram (Shabat 87a). O texto remete ao Zohar sobre Vayetze (152b) e Bereshit (22a), e ao comentário Mikdash Melech ali.
וביארו הרמ״ז [הרב משה זכות] פ׳ ואתחנן10 (דר״ס סע״ב [סוף עמוד ב]) גבי רב לך11 כו׳ וע׳ בפ׳ בלק (קפ״ז ב׳).
e o Ramaz explicou isso na Parashá Vaetchanan (fólio 260, final do lado b), a respeito de “Basta para ti”, etc. E veja a Parashá Balak (187b).
O Ramaz (Rabi Moshe Zacuto) explica isso sobre o Zohar de Vaetchanan, a respeito de “Basta para ti”. Segundo a nota da Kehot, ele explica que Moshe se separou porque podia atrair a união interior, mais elevada que a de Yaakov e Rachel, que faz descer almas.
ומכ״ז [ומכל זה] יובן איך שנבואתו היה מבחינת שלמעלה מגדר זמן שבחי׳ הזמן אין לו יחס רק במדת מלכותו ית׳ בחי׳ כדמותנו בחינת עלמא דנוקבא כו׳
E de tudo isso se compreenderá como a profecia dele provinha de um nível acima dos limites do tempo; pois o nível do tempo só tem relação com o atributo de Sua Malchut (soberania), bendito seja Ele — o nível de “à Nossa semelhança”, o nível do “mundo da Nukvá (o feminino)”, etc.,
Tudo isso mostra que a profecia de Moshe provinha de um nível acima do tempo. O tempo se relaciona apenas com o atributo de Malchut de D'us, o nível de “à Nossa semelhança”, chamado “o mundo da Nukvá (o feminino)”.
דהיינו כשנעשית מקור לבי״ע ועיין בפ׳ ויחי (דרמ״ו סע״א [סוף עמוד א] וע״ב)12 ועמ״ש בד״ה יונתי בחגוי הסלע13 בפי׳ קומי לך רעיתי.
isto é, quando ela se torna a fonte para [os mundos de] Beriá (Criação), Yetsirá (Formação) e Assiá (Ação). E veja a Parashá Vayechi (fólio 246, final do lado a, e lado b), e veja o que está escrito no discurso que começa com “Minha pomba, nas fendas da rocha”, sobre o significado de “Levanta-te, minha amada”.
Malchut se relaciona com o tempo quando se torna a fonte dos mundos inferiores de Beriá, Yetsirá e Assiá. O texto remete ao Zohar sobre Vayechi e ao discurso “Minha pomba, nas fendas da rocha”, sobre “Levanta-te, minha amada”.
ומשם יובן בתוספת ביאור מש״כ [מה שכתוב] שע״י רעותא דליבא דייקא נמשך שיהיה עסק התורה בבחינת לאמר זה הדבר כו׳.
E daí se compreenderá, com uma explicação adicional, o que foi escrito: que é precisamente por meio do desejo do coração que se faz com que o estudo da Torá seja da maneira de “Dizer: Esta é a coisa”, etc.
A partir daquele discurso, pode-se compreender mais plenamente por que é precisamente o desejo do coração que faz com que o estudo da Torá de uma pessoa seja “Esta é a coisa”, a própria palavra de D'us.
איש כי ידור נדר14 וגו׳ עד שידור בדבר הנדור.15 הענין כי הנה נדרים סייג לפרישות.161718192021222324252627282930313233343536373839
“Quando um homem fizer um voto”, etc.: “até que faça um voto por meio de algo que foi objeto de voto”. O assunto é o seguinte: “Os votos são uma cerca para a abstinência”.
O maamar agora retorna à sua primeira pergunta, a respeito dos votos. “Quando um homem fizer um voto” exige que se faça um voto “por meio de algo que foi objeto de voto”, e a explicação começa com a Mishná: “Os votos são uma cerca para a abstinência”.
O parágrafo aplica “Esta é a coisa” ao estudo da Torá: por meio do desejo do coração, que alcança acima do tempo, a Torá de uma pessoa torna-se a própria palavra de D'us, tal como Moshe a ouviu, pois a profecia de Moshe provinha de acima dos mundos; em seguida, o texto retorna à questão dos votos.
O tempo passa a existir com Malchut, como fonte dos mundos inferiores; aquilo que está acima de Malchut está acima do tempo. Por isso, palavras atraídas do nível de “à Nossa imagem”, acima de Malchut, não ficam limitadas ao momento em que foram pronunciadas pela primeira vez.
Marei mekomot
- 1לאמר זה הדבר · Numbers 30:2
- 2והיו הדברים . . ודברת בם · Deuteronomy 6:6
- 3ודברת בם · Deuteronomy 6:7
- 4קול דודי הנה זה בא · Song of Songs 2:8
- 5והגדת לבנך · Exodus 13:8
- 6סד״ה בחדש השלישי · תו״א פ׳ יתרו.
- 7בחדש השלישי כו׳ ביום הזה · Exodus 19:1
- 8שהי׳ פרוש מן האשה · Shabbat 87a:2
- 9ובפ׳ בראשית (כ״ב א׳) · ”משה אתפרש מאתתי׳ כו׳ לבתר אתדבק רוחא ברוחא עילאה כו׳” — אוה״ת ויקרא כרך-ב ע׳תשי.
- 10וביארו הרמ״ז פ׳ ואתחנן · ”גבי ורב לך דאזדווג בשכינתי׳ בענין הטעם שמשה פרש א״ע מן האשה כי הי׳ בו כח להמשיך יחוד הפנימי שלמעלה מבחי׳ יחוד יעקב ורחל שהוא יחוד דו״נ להוליד נשמות ע״ש” — אוה״ת ויקרא-ב ע׳ תשי.
- 11רב לך · Deuteronomy 3:26
- 12בפ׳ ויחי (דרמ״ו סע״א וע״ב) · ראה הלשון עם הגהות באוה״ת בראשית-ו דף תתשמב, ב.
- 13יונתי בחגוי הסלע · Song of Songs 2:14
- 14איש כי ידור נדר · Numbers 30:3
- 15עד שידור בדבר הנדור · Nedarim 13a:2–3
- 16נדרים סייג לפרישות · Pirkei Avot 3:13
- 17ואנכי עפר ואפר · Genesis 18:27
- 18שכינתא עילאה היא בינה · פרדס שכ״ג, פכ״א. קה״י בערכו.
- 19בר״ח שם · נעתק גם באוה״ת בראשית-ב דף רנט, ב. ושם בכרך-א דף צד, א.
- 20בביאור ע״פ מי מנה · לעיל פ׳ בלק.
- 21סד״ה שוש אשיש · לקו״ת פ׳ נבים מז, ד ואילך.
- 22את זלעו״ז עשה האלקים · Ecclesiastes 7:14
- 23ונכרתה הנפש ההיא מלפני · Leviticus 22:3
- 24והחסרון והפגם שנעשה למעלה · ראה ד״ה ע״כ יאמרו תרצ״א (בסה״מ קונטרסים ח״א) פ״א. ובכ״מ.
- 25וחטא הוא ל׳ חסרון · ראה מ״א א, כא ובפרש״י שם. לקו״ת פ׳ נצבים נא, א. סה״מ תרס״ד ע׳ שטז. ד״ה על כן יאמרו המושלים תרצ״א בתחלתו. ראה לקו״ש ח״ד ע׳ 1200 הערה 42. לקו״ש ח״כ ע׳ 318. ולהעיר מהקדמת דרך חיים לכ״ק אדמו״ר האמצעי.
- 26בד״ה אלה מסעי · פח, א-ב. שם, ד.
- 27וקדש א״ע במותר לך · Yevamot 20a:15
- 28תשובה ומע״ט · אבות פ״ד, מי״א. [כ].
- 29את האור כי טוב · Genesis 1:4
- 30ואהבת את ה׳ לדבקה בו · Deuteronomy 11:22
- 31ידבר עמים תחתינו · Psalms 47:4
- 32סד״ה משה ידבר · תו״א סח, ב ”פי׳ הענווה למעלה זהו ירידת אוא״ס ב״ה והתלבשותו בחכמה וחסד שהוא בחי׳ ירידה ושפלות לגבי אוא״ס ב״ה” — אוה״ת פ׳ וירא כרך-א צד, א.
- 33וסד״ה מראיהם ומעשיהם · תו״א פ׳ יתרו.
- 34שכל הנביאים . . בזה · ברש״י ר״פ מטות (מספרי [פי׳ קנג]). ובלקח טוב עה״ת. [כ].
- 35נעשה אדם בצלמינו כדמותנו · Genesis 1:26
- 36בד״ה אלה מסעי · פח, ג ואילך.
- 37דכ״ף הדמיון כמו הדמות · ראה באוה״ת פ׳ מטות ע׳ א׳שטז בזה.
- 38ובד״ה כי ביום הזה יכפר · אחרי כז, ב.
- 39ואשים דברי בפיך · Isaiah 51:16
Votos: ligar o objeto à sua raiz santa ¶27
27והנה פרישות הוא להיות קדש א״ע [את עצמו] במותר לך1 וכדי להיות מדריגה זו נטועה וקבועה בלבו באמת לאמתו צריך לעשות עצות בנפשו כענין שנתבאר למעלה בענוה שמביאה לידי יראת חטא
Ora, abstinência consiste em [agir conforme] “Santifica-te naquilo que te é permitido”. E, para que esse nível se enraíze e se fixe em seu coração com absoluta verdade, ele deve conceber conselhos em sua alma, à maneira do que foi explicado acima a respeito da humildade, que conduz ao temor do pecado:
Abstinência significa “Santifica-te naquilo que te é permitido” (Yevamos 20a). Para que ela se enraíze verdadeiramente no coração, a pessoa precisa refletir sobre isso, assim como foi explicado que a humildade conduz ao temor do pecado.
דהיינו שישפיל עצמו איך הדבר שרוצה לפרוש ממנו כגון הנודר מן הבשר כו׳ שהבשר וכיוצא בו הוא גבוה ממנו במעלה בשרשו ששרשו גבוה מאד נעלה מבחי׳ ומדרגות האדם
isto é, que se humilhe [considerando] como a coisa da qual deseja abster-se — por exemplo, quem faz um voto [de abster-se] de carne etc. — é superior a ele em posição, em sua raiz, pois sua raiz é muito elevada, acima do nível e das categorias do homem;
Ele deve humilhar-se refletindo que aquilo de que deseja abster-se, como a carne, é superior a ele em sua raiz. Sua raiz está muito acima do nível do homem.
אלא שבשבירת הכלים נפלו למטה מטה מן האדם בדצ״ח [בדומם צומח חי] אבל מ״מ הרי יש לו יתרון ומעלה שמחיה את האדם והאדם צריך לו
só que, na Quebra dos Recipientes, elas caíram muito, muito abaixo do homem, para os reinos inanimado, vegetal e animal. Ainda assim, ela possui uma vantagem e superioridade, pois dá vida ao homem, e o homem necessita dela,
Ela caiu abaixo do homem, nos reinos animal, vegetal e mineral, apenas em decorrência da Quebra dos Recipientes. Mesmo assim, conserva uma vantagem sobre ele: dá-lhe vida, e ele necessita dela.
והמאכל א״צ [אין צריך / אינו צריך] להאדם ואי לזאת אינו ראוי להורידו כ״כ [כל כך] בגשמיות להיות נהנה ממנו למלאות תאוות גופו ולהיות בזוללי בשר וסובאי יין2 כ״א להרחיב דעתו לה׳,
enquanto o alimento não necessita do homem. Portanto, não é adequado rebaixá-lo tanto à materialidade, deleitando-se com ele para satisfazer os desejos do corpo e colocando-se entre “os glutões de carne e os que se empanturram de vinho”, mas, antes, para ampliar a mente para D'us.
O alimento não necessita do homem; por isso, não é correto arrastá-lo à materialidade grosseira apenas para satisfazer os desejos do corpo, tornando-se um dos “glutões de carne e dos que se empanturram de vinho” (Provérbios 23:20). Deve-se comer para ampliar a mente para o serviço a D'us.
וכן דרך הנודרים לש״ש [לשם שמים] הוא מפני שרואים ירידתם מן הדבר שנודרים ממנו שהדבר ההוא גורם להם ירידה והטייה מאחרי ה׳ והיינו אחר שמורידים הדבר ההוא לגשמיות ממילא ממשיך ומוריד גם את הגוף האדם אחריו
E assim é o modo daqueles que fazem votos por amor ao Céu: eles percebem que a coisa da qual fazem voto provoca sua queda e os desvia de seguir D'us. Isto é, depois de rebaixarem essa coisa à materialidade, ela, por conseguinte, também atrai e rebaixa consigo o corpo do homem.
É por isso que as pessoas fazem votos por amor ao Céu: percebem que aquilo as rebaixa e as desvia de D'us. Depois de o rebaixarem à materialidade, isso também as arrasta para baixo.
(ועמ״ש בד״ה בהעלותך3 את הנרות4 בענין ע״ה אסור לאכול בשר5 ואף דהכא מיירי בת״ח [בתלמיד חכם / בתלמידי חכמים]. מ״מ נהי דאינו אסור מ״מ שייך שירא שלא ירד ממדרגתו כו׳) אבל באמת צריך לראות בשרשו איך ששרשו גבוה מאד נעלה.
(E veja o que está escrito no discurso que começa com “Quando acenderes as lâmpadas”, a respeito de “é proibido a um homem ignorante comer carne”. Embora aqui se trate de um estudioso da Torá, ainda que não lhe seja proibido, é pertinente que tema vir a decair de seu nível etc.) Mas, na verdade, ele deve contemplar sua raiz, como ela é muito elevada e exaltada.
O parêntese cita o discurso sobre “Quando acenderes as lâmpadas”, que explica a afirmação dos Sábios de que um homem ignorante não pode comer carne (Pesachim 49b). Aqui se trata de um estudioso da Torá, para quem a carne é permitida, mas ele ainda pode temer cair de seu nível; na verdade, porém, deve contemplar a elevada raiz da carne.
ועי״ז פירש ממנו. ולכן צריך הנודר לומר הרי זה כעולה וכקרבן שהן קודש ודבר הנדור ומופרש בשרשו הגבוה למעלה וכמ״ש
E, por meio disso, ele se afasta dela. Portanto, quem faz o voto deve dizer: “Isto é como um holocausto” e “como uma oferenda”, que são sagrados — uma coisa que foi objeto de voto e separada em sua elevada raiz, no alto. E conforme está escrito:
É o reconhecimento dessa raiz elevada que o leva a afastar-se dela. Por isso, quem faz um voto diz: “Isto é como um holocausto” ou “como uma oferenda”: as oferendas são sagradas e separadas em sua elevada raiz, no alto.
“Quando alguém pronunciar (yafli) um voto”: um termo que denota algo maravilhoso (mufla) e oculto, como se fizesse um voto pela vida do Rei, cuja raiz é a vida suprema, do nível da luz que circunda todos os mundos (sovev kol almin).
“Quando alguém pronunciar (yafli) um voto” (Números 6:2) emprega uma palavra que significa maravilhoso e oculto, como na expressão do Talmud: “o que é maravilhoso para ti… o que está oculto de ti” (Chagigah 13a). Assim, um voto é como se fosse feito pela vida do Rei, cuja raiz está na vida suprema da luz que circunda todos os mundos.
(ועיין מענין נדר בזח״ב [בזהר חלק ב׳] יתרו צ״א ב׳ משפטים קט״ו ב׳ פנחס דר״ה [דראש השנה] א׳ ב׳ ובפרדס ערך נדר9 ובמא״א [ובמאורי אור] אות10 נו״ן ס״ט רבות ויצא ר״פ ע׳ [עיין]11
(E veja, a respeito do tema do voto, Zohar II, Yisro, 91b; Mishpatim, 115b; Pinchas, fólio 255a–b; e no Pardes, verbete Neder (voto); em Me’orei Or, letra Nun, 69; [Midrash] Rabbah, Vayeitzei, início da seção 70;
O parêntese enumera fontes sobre votos no Zohar, no Pardes (verbete “Neder”), em Me’orei Or e no Midrash sobre Vayeitzei. A nota da Kehot corrige o fólio indicado para o Zohar sobre Pinchas, de 205 para 255.
כי תשא פמ״ג נשא פ״י [פרק י׳ / פרשה י׳] ע״פ כי יפליא באיכה בפסוק ישבו לארץ ידמו12 ובבחיי פ׳ יתרו)13 ומשם נשתלשלו כל בחי׳ אורות המקיפים שבעולמות עליונים
Ki Sisa, seção 43; Naso, seção 10, sobre o versículo “Quando ele pronunciar”; em Eichah, sobre o versículo “Sentam-se por terra, ficam em silêncio”; e em Bachya, Parshas Yisro.) E de lá desceram, elo após elo, todos os níveis das luzes circundantes (oros makifim) nos mundos superiores,
A lista prossegue com o Midrash sobre Ki Sisa e sobre Naso, Midrash Eichah sobre “Sentam-se por terra, ficam em silêncio” (Lamentações 2:10) e Rabbeinu Bachya sobre Yisro. Da vida superna do Rei descem todas as luzes circundantes dos mundos superiores.
וגם למטה באדם התחתון בבחינת הבל ודבור היוצא מהפה כידוע לי״ח (ועמ״ש מזה בד״ה וארשתיך לי).14
e também abaixo, no homem inferior, no nível do sopro e da fala que saem da boca, como é sabido pelos versados na sabedoria oculta. (E veja o que está escrito sobre isso no discurso que começa “E Eu te desposarei para Mim”.)
Abaixo, no homem, a luz circundante corresponde ao sopro e à fala que saem da boca, como sabem os versados na Cabalá. O texto remete ao discurso “E Eu te desposarei para Mim” para mais detalhes.
וזהו דבר הנדור15 שמקדיש הקרבן ואמר ה״ז [הרי זה] עולה או שלמים להמשיך בפיו קדושה עליונה מבחי׳ סוכ״ע מקור כל הקדושות וגם הנדרים שהן קונמות הן הקדש
E este é [o significado de] “uma coisa que é objeto de voto”: ele consagra a oferenda e diz: “Esta é uma oferenda queimada” ou “oferendas de paz”, para atrair, por meio de sua boca, santidade superna do nível da luz que circunda todos os mundos, a fonte de todas as santidades. Também os votos que são konamot são hekdesh (propriedade consagrada),
Isto é o que significa “uma coisa que é objeto de voto”: quando alguém consagra uma oferenda dizendo “Esta é uma oferenda queimada” ou “oferendas de paz”, sua boca atrai santidade superna da luz circundante, a fonte de toda santidade. Os votos feitos com konam também tornam o objeto hekdesh, propriedade consagrada.
כדאיתא בגמרא16 (וזהו כענין המבואר בד״ה כה תברכו1718 בפ׳ נשא בפי׳ ענין ויקרא האדם שמות19 כו׳ להעלותן עי״ז ולקדשן במקורן כו׳ ע״ש וכעין זה הוא ענין קונמות שמתפיסו בדבר הנדור וקדוש ועי״ז ממשיך בו קדושה עד שהן הקדש.
como consta na Guemará. (E isto se assemelha ao assunto explicado no discurso que começa “Assim abençoareis”, em Parshas Naso, sobre o significado de “E o homem deu nomes” etc. — elevá-los por meio disso e santificá-los em sua fonte etc.; veja lá. E semelhante a isso é o assunto dos konamot: ele o vincula a uma coisa que é objeto de voto e é sagrada e, por meio disso, atrai santidade para dentro dela, até que se tornem hekdesh.
A Guemará afirma que konamot são hekdesh (Nedarim 10a, conforme a nota da Kehot). O texto compara isso ao discurso “Assim abençoareis”, sobre Adão dar nomes às criaturas: ao nomeá-las, ele as elevou e santificou em sua fonte; de modo semelhante, um voto vincula um objeto a algo sagrado e atrai santidade para ele.
והכח הזה בפה האדם הוא ממש כענין הנ״ל דויקרא האדם שמות כו׳ ועוד נ׳ לומר כי הכח הזה הוא מעין ודוגמא הכח דלאמר זה הדבר20 הנזכר לעיל. שנמשך מבחי׳ וידבר משה אל ראשי המטות כו׳.
E este poder na boca do homem é, de fato, como o assunto mencionado acima de “E o homem deu nomes” etc. E parece que se pode dizer ainda que este poder é uma semelhança e um exemplo do poder de “Dizer: Esta é a coisa”, mencionado acima, que é atraído do nível de “E Moshe falou aos cabeças das tribos” etc.
Este poder da boca humana é o mesmo que o poder de Adão ao nomear as criaturas. É também um reflexo do poder de “Esta é a coisa”, atraído de Moshe ao falar aos “cabeças das tribos”.
וזהו שייכות ענין וידבר משה כו׳ לאמר זה הדבר לפ׳ נדרים ולכן עכשיו שנתמעטו הלבבות21 צריך לומר בלי נדר22 וכמ״ש במ״א):
E esta é a conexão entre o assunto de “E Moshe falou” etc., “dizendo: Esta é a coisa”, e a seção dos votos. Por isso, agora, quando os corações diminuíram, é preciso dizer “sem voto”, como está escrito em outro lugar.)
Esta é a conexão entre “E Moshe falou… dizendo: Esta é a coisa” e a seção sobre votos. Como os corações diminuíram agora, deve-se dizer “sem voto” (bli neder), conforme está escrito em outro lugar.
O parágrafo explica os votos: a abstinência se enraíza ao se reconhecer a origem elevada daquilo de que a pessoa se abstém, e um voto vincula o objeto a algo consagrado, atraindo santidade para ele por meio do poder da fala — um poder que provém das palavras de Moshé: “Esta é a coisa”.
A nota de Kehot cita uma palestra de Shabbos Matos-Masei 5748: as palavras finais parecem indicar que já não podemos atrair este nível; contudo, a lei é clara: um voto também tem efeito hoje, portanto elas devem querer dizer que a Torá se refere ao caso comum. Quanto à lei, a nota remete ao Tur e ao Shulchan Aruch (Yoreh De’ah 203:4).
Marei mekomot
- 1קדש א״ע במותר לך · Yevamot 20a:15
- 2בזוללי בשר וסובאי יין · Proverbs 23:20
- 3בד״ה בהעלותך · לעיל לא, ג.
- 4בהעלותך את הנרות · Numbers 8:2
- 5ע״ה אסור לאכול בשר · Pesachim 49b:3
- 6כי יפליא לנדור · Numbers 6:2
- 7לשון מופלא ומכוסה · כוונתו הק׳ לחגיגה (יג רע״א). וע׳ בת״ז דפוס זיטאמיר ה״פ [ה׳ פעמים] (קנא, ב). [תז״ח צה, א] קמט ריש ב [שם צד, ג] קנא, א [ב שם צו, ד] קנז, ב [שם ק, ד] קנח, א [שם קא, ג]). [כ].
- 8מופלא ומכוסה · Chagigah 13a:2
- 9ובפרדס ערך נדר · הלשון נעתק באוה״ת מטות ע׳ א׳רעו בענין שלשון נדר מלשון דירה.
- 10ובמאו״א אות נ׳ ס״ט · ”נדר אימא עילאה כו׳ ולכן נדר גימט׳ רמ״ח והואו היתירים ג׳ מוחין דז״א וג׳ לבושין שלהם כו׳” — ביאה״ז להצ״צ כרך-ב ע׳ תשעה.
- 11רבות ויצא ר״פ ע׳ · הלשון נעתק באוה״ת במדבר כרך-ו ע׳ א׳תתקנג.
- 12
- 13בזח״ב יתרו צ״א ב׳ . . ובבחיי פ׳ יתרו · מובא באוה״ת מטות ע׳ א׳רעג. א׳שלז.
- 14וארשתיך לי · Hosea 2:21
- 15שו״ה דר״ה · צ״ל רנ״ה. [כ].
- 16כדאיתא בגמרא · נדרים (י, א) ובכ״ד. [כ].
- 17בד״ה כה תברכו · לעיל פ׳ נשא כו, ב.
- 18כה תברכו · Numbers 6:23
- 19ויקרא האדם שמות · Genesis 2:20
- 20לאמר זה הדבר · Numbers 30:2
- 21ולכן עכשיו שנתמעטו הלבבות צ״ל בלי נדר · דמשמעות הענין (לכאורה) שעכשיו אין לנו כח להמשיך בחי׳ זו. אבל, כיון שהדין ברור דנדר חל גם עכשיו, עכצ״ל שלא זה כוונת הלקו״ת כ״א ע״ד שהתורה על הרוב תדבר ולכן צ״ל כו׳, וכיו״ב” — משיחת ש״פ מטו״מ תשמ״ח הערה 17 בשולי העמוד.
- 22צ״ל בלי נדר · ראה טושו״ע יו״ד סר״ג, ד. וראה לקו״ש-יג ע׳ 109.
Terminou o maamar?
Marque-o como estudado; ele conta para a semana e para o siyum do ano.
Na avodá
O próprio maamar extrai a lição. Para que a abstinência seja efetiva, a pessoa deve refletir que o alimento ou prazer de que abre mão tem uma raiz mais elevada que ela; portanto, não deve rebaixá-lo para servir aos seus desejos, mas usá-lo apenas para ampliar sua mente a fim de servir a D'us. Por meio de simples mitsvot físicas, ela atrai a santidade de D'us e chega à humildade; e a humildade permite-lhe perceber até onde chega um pecado, o que é temor do pecado. E, como os corações se enfraqueceram, deve dizer “sem voto”, em vez de fazer um voto.
Perguntas para conversar
- Por que o alimento, que é inferior ao homem, tem o poder de lhe dar vida, e como isso explica chamar as mitsvot de “pão” de D'us?
- Qual é a diferença entre o amor que vem da contemplação (ahavat olam) e o “desejo do coração” (ahavá rabá), e como surge cada um deles?
- Por que o temor do pecado deve vir depois da santidade e da humildade, se “o princípio da sabedoria é o temor de Havayá”?
- Como a humildade de Moshe, “o que somos nós”, se relaciona à sua profecia, “Isto é o que”, e o que isso significa para o estudo da Torá de cada pessoa?
- Por que um voto deve estar ligado a algo consagrado, e o que isso ensina sobre abster-se dos prazeres permitidos?