Likkutei Torah · Parshas Chukas · Maamar 11
ביאור ע״פ על כן יאמרו המושלים באו חשבון
Uma explicação sobre o versículo “Por isso dizem os moshlim: ‘Vinde a Cheshbon’”
A ideia central
Cheshbon, “o cálculo do mundo”, é a medida de luz divina distribuída por meio das Guevurot, da linha de medida e de Malchut, a fala divina; mas a Torá, enraizada na própria Chochmá superna, e as mitsvot, sobretudo a caridade, atraem uma “grande contagem” que transcende toda medida, a luz transcendente do “Seu grande Nome”. A oração, tzelotá, “inclina” essa luz para baixo como Kéter, enquanto “a cidade de Sichon” é sua contraparte: a fala atraída para o lado da kelipá.
O maamar em resumo
Este Biur complementa o maamar sobre Números 21:27, que o Talmud interpreta como “Vinde, calculemos o cálculo do mundo”. O cálculo oculto do Zohar é a linha de medida, as Guevurot de Abá, que atribuem a cada mundo sua medida de divindade conforme a quantidade de Chochmá nele revelada, sendo Chochmá a autoanulação na qual somente a Luz Infinita se manifesta. Este mundo, onde Chochmá está mais oculta, é o lugar onde a Torá, a própria Chochmá superna e “a parábola do Ancião”, atrai uma revelação que transcende a cadeia dos mundos; as mitsvot fazem o mesmo. Malchut, a fala divina, é chamada cheshbon: suas combinações de letras dividem a força vital entre incontáveis criaturas. A “grande contagem” da caridade, porém, atrai a luz transcendente, os 370 luminares do “Seu grande Nome”, de modo que Israel fique “além da medida”. Uma pessoa também faz dois cálculos: um balanço noturno de seus atos e a contemplação da grandeza de D'us. “A cidade de Sichon” é a oração, tzelotá e sichá, que “inclina” a Luz Infinita para que se torne Atik Yomin e Kéter, a morada da Shechiná; diante dela está a “cidade” da fala atraída para a kelipá, que a palavra de D'us e o estudo da Torá fazem descer.
Esquema
- O cálculo ocultoO cálculo oculto do Zohar, a linha de medida e as Guevurot de Abá, atribui a cada mundo sua medida de divindade conforme o grau de Chochmá, o nível de autoanulação, que nele se revela.¶1–3
- A Torá: a parábola do AnciãoEste mundo, o ocultamento mais profundo, é o lugar onde a Torá, a própria Chochmá superna, atrai uma revelação que transcende a cadeia dos mundos. Interpretados como “aqueles que falam parábolas”, os moshlim são os que se ocupam da Torá, a parábola e vestimenta do Ancião; as mitsvot fazem o mesmo.¶4–5
- O cálculo de Malchut e a grande contagemMalchut, a fala divina, é cheshbon: por meio de suas combinações de letras, a força vital se divide entre incontáveis criaturas, sem que duas sejam iguais. A “grande contagem” da caridade atrai a luz transcendente do “Seu grande Nome”, os 370 luminares das Sefirot, que por sua vez contém níveis cada vez mais elevados.¶6–7
- Além da contagem; dois cálculos no serviçoAo ser atraída para Malchut, a grande contagem faz com que Israel fique “além da medida”. No serviço de uma pessoa há dois cálculos: o balanço noturno de seus atos e a contemplação da grandeza de D'us e das mitsvot, que atraem a própria Luz Infinita.¶8
- A cidade de Sichon: a oraçãoA oração, tzelotá, “inclinar”, é “Yehi ratzon”, que atrai Kéter: Malchut de cada nível superior torna-se Atik Yomin e Kéter do nível abaixo, e isso constitui a morada da Shechiná. Perturbar a oração de alguém inverte esse processo: “a Rocha é deslocada de seu lugar”.¶9–10
- Sichá e sua contraparteA oração é sichá, e D'us “Se volta” e “acena” em resposta. Sua contraparte é a “cidade” de letras atraídas para a kelipá, como a cidade da Geração da Dispersão, que a fala de D'us e o estudo da Torá por uma pessoa fazem descer; “Ele conta ao homem o que é sua fala”.¶11
Conceitos-chave
- O cálculo do mundo (cheshbono shel olam)חשבונו של עולם
- A interpretação talmúdica de “Vinde a Cheshbon”; no Biur, a medida de luz divina atribuída a cada mundo, determinada pelas Guevurot e pela linha de medida.
- A linha de medida (kav hamidah)קו המדה
- Aquilo que “pesa” a quantidade de Chochmá e, portanto, de divindade que cada nível recebe; a “pedra para pesar” do Raaya Mehemna, o yud.
- A grande contagem (cheshbon gadol)חשבון גדול
- A atração, por meio das mitsvot e sobretudo da caridade, da luz transcendente, “Seu grande Nome”, que está além da ordem medida de Malchut.
- Os 370 luminares (shin-ayin nehorin)ש״ע נהורין
- Os numerosos luminares superiores da grande contagem: Chochmá, Biná e Daat, cem cada uma (300, shin), e as sete Sefirot inferiores, dez cada uma (70, ayin).
- Tzelotáצלותא
- A palavra aramaica para oração, de uma raiz que significa “inclinar”: a oração inclina a irradiação da Luz Infinita para baixo, para que se torne Kéter do mundo inferior.
- Atik Yominעתיק יומין
- O aspecto superior de Kéter, formado a partir de Malchut do nível acima dele; o nome implica mover e transferir, como em “quem move montanhas”.
- A cidade de Sichonעיר סיחון
- Interpretada como oração (sichá, si'ach) e, em sua contraparte, como a “cidade” da fala atraída para o lado da kelipá, onde cada combinação de letras é uma “casa” e a fala como um todo é uma “cidade”.
O cálculo oculto ¶1–3
Uma explicação sobre o versículo: “Por isso dizem os moshlim: ‘Vinde a Cheshbon.’”
Este título introduz um Biur, uma explicação complementar, sobre Números 21:27, um versículo a respeito de Cheshbon, a capital de Sichon, rei dos emoritas. O Talmud (Bava Basra 78b) o interpreta homileticamente: os moshlim são “aqueles que governam sua inclinação”, e “Vinde a Cheshbon” significa “Vinde, calculemos a conta do mundo”, pois cheshbon significa uma conta.
O título: uma explicação do versículo “Por isso dizem os moshlim: ‘Vinde a Cheshbon’”, que o Biur interpretará como a “conta do mundo” e também como a “parábola” da Torá.
A palavra moshlim comporta os dois sentidos empregados pelo Biur: deriva de moshel, governante (os “que governam sua inclinação” do Talmud), e de mashal, parábola, o sentido simples que o Biur aborda no parágrafo 5.
Marei mekomot
- 1
2ושרש הדברים בפי׳ וענין חשבונו של עולם הוא על פי מה שכתוב בזהר פרשה פקודי (דרכ״ה סע״ב [סוף עמוד ב]) ת״ח [תא חזי] אית מדידו טמיר וגניז.
Ora, a raiz dessas ideias, quanto ao significado e à essência de “a conta do mundo”, baseia-se no que está escrito no Zohar, Parashat Pekudei (fim de 225b): “Vem e vê: há uma medida oculta e encoberta;
O Alter Rebe fundamenta “a conta do mundo” no Zohar sobre Parashat Pekudei, que, ao explicar por que Israel, como a areia do mar, não está sujeito a ser contado, descreve uma “medida” oculta e uma “conta” oculta. O Zohar as chama de “o mistério e o fundamento de tudo, acima e abaixo”.
ואית חושבן דקיימא אגניזו טמיר וגניז1 והוא בחי׳ קו המדה וכן בלק״ת [בלקוטי תורה (להאריז״ל)] פרשה וירא פי׳ חשבון אבא מחשבה עילאה ה״ג [חמש גבורות] דאבא כו׳
e há uma conta que permanece oculta, escondida e encoberta.” Este é o nível da linha de medida (kav hamidá). Assim também, no Likkutei Torah do Arizal, Parashat Vayera, [ele] explica: “Cheshbon (conta) é Abá, o pensamento supremo; as cinco Guevurot de Abá”, etc.
A conta oculta é identificada com o kav hamidá, a “linha de medida”, termo cabalístico para aquilo que determina a medida da luz divina em cada nível. O Likkutei Torah do Arizal também identifica cheshbon com Abá, a configuração de Chochmá, como “pensamento supremo” (machshavá compartilha a raiz de cheshbon), e especificamente com as cinco Guevurot de Abá.
ועיין במא״א [במאורי אור] אות חי״ת סעיף ע״ה [עליו השלום] כי הגבורות הם נותנים קצבה ומדה לכל סדר השתלשלות. כמה יהיה גילוי אלקות בכל עולם לפי ערכו ותכונתו.
E veja Me'orei Or, letra Ches, seção 75. Pois são as Guevurot que concedem uma quota e uma medida a toda a ordem da cadeia descendente dos mundos (hishtalshelut): quanto da revelação da divindade haverá em cada mundo, de acordo com seu nível e sua natureza.
Ao remeter a Me'orei Or, uma obra cabalística organizada pelas letras do alfabeto, o Alter Rebe apresenta o motivo: as Guevurot, forças de contenção e limitação, atribuem a cada mundo sua medida, de modo que a divindade revelada nele corresponda a seu nível e sua natureza. “Conta”, portanto, é a quota medida da luz divina ao longo de toda a cadeia dos mundos.
O parágrafo apresenta a raiz cabalística da “conta”: uma medida oculta no Divino (a conta oculta do Zohar, a linha de medida e as Guevurot de Abá) que atribui a cada mundo sua medida de revelação divina.
No Zohar, essa medida “nunca é conhecida”: não se sabe em que se baseia seu mistério, nem em que se baseia o mistério daquela conta. A ligação feita pelo Arizal entre cheshbon e Abá, “pensamento supremo”, repousa na raiz comum ח-ש-ב de cheshbon (conta) e machshavá (pensamento).
Marei mekomot
- 1ת״ח אית מדידו טמיר וגניז. ואית חושבן דקיימא אגניזו טמיר וגניז · Zohar, Pekudei 14:88–96
3והנה ידוע כי גילוי אור א״ס [אין סוף] ב״ה הוא ע״י התלבשותו בספי׳ [בספירה / בספירות] חכמה שהוא בחי׳ אין וביטול משא״כ ביש אין אור א״ס [אין סוף] מתגלה
Ora, é sabido que a revelação da Luz Infinita (Or Ein Sof), bendito seja Ele, ocorre por meio de Seu revestimento na sefirá de Chochmá (sabedoria), que é o nível de áyin (nada) e de autoanulação (bitul); ao passo que, no yesh (algo), a Luz Infinita não se revela,
A Luz Infinita só pode revelar-se naquilo que é “nada” diante dela, e Chochmá é o nível de áyin, de completa autoanulação. Tudo o que se sente como um yesh, uma existência por si mesma, não pode acolher essa revelação.
כי אין אני והוא1 כו׳ וע״כ [ועל כן] חשבונו של עולם כמה יהיה הגילוי בכל עולם זהו לפי ערך התגלות החכמה כי האמת שכולם בחכמה עשית2
pois “Eu e ele não podemos” etc. Portanto, “o cálculo do mundo” — quanto de revelação haverá em cada mundo — depende da medida da revelação de Chochmá. Pois a verdade é que “Tu fizeste todos com sabedoria”;
O Talmud diz que, a respeito de uma pessoa arrogante, D'us declara: “Eu e ele não podemos habitar juntos no mundo.” Portanto, o “cálculo” de cada mundo — quanto de divindade ele recebe — depende de quanto Chochmá se revela nele, pois, como diz o versículo, tudo foi feito com Chochmá.
אך אין התלבשות החכמה בכולם בשוה ובמקום שהחכמה מרובה שם הוא מדרגה היותר עליונה ובמקום שמתמעט ומתצמצם נעשה למטה מטה כו׳
mas o revestimento de Chochmá não é igual em todos eles. Onde Chochmá é abundante, ali se encontra o nível mais elevado; e onde ela diminui e se contrai, torna-se cada vez mais inferior etc.
Chochmá está presente em tudo, mas não em igual medida: onde é abundante, o nível é mais elevado; e onde diminui e se contrai, o nível desce cada vez mais.
והשוקל בחי׳ חכמה הוא ענין קו המדה כמו שכתוב במ״א על פי מאמר הרע״מ [הרעיא מהימנא] ר״פ תשא אבנא למשקל בה דא יו״ד כו׳ וזהו ענין חשבונו של עולם.
E aquilo que pesa o nível de Chochmá é o conceito da linha de medida (kav hamidá), conforme escrito em outro lugar acerca da declaração do Raaya Mehemna, no início de Parshas Tisa: “Uma pedra para pesar com: esta é a letra yud” etc. Este é o significado de “o cálculo do mundo”.
A linha de medida é aquilo que “pesa” quanto de Chochmá cada nível recebe; o Raaya Mehemna a chama de “uma pedra para pesar com” e a identifica com a letra yud, a letra de Chochmá. Essa medida de Chochmá é “o cálculo do mundo”.
A revelação divina repousa sobre Chochmá, o nível de autoanulação; a distribuição medida de Chochmá entre os mundos, pesada pela linha de medida, é “o cálculo do mundo”.
Marei mekomot
- 1אין אני והוא · Sotah 5a:14
- 2
A Torá: a parábola do Ancião ¶4–5
4והנה בעולם הזה שהוא ההעלם היותר אחרון מצד סדר ההשתלשלות וחושך כפול ומכופל שמצד סדר ההשתלשלות מתמעט מאד גילוי החכמה וההשגה כו׳
Ora, este mundo, que é o último ocultamento segundo a ordem da cadeia descendente dos mundos (hishtalshelut), e uma escuridão duplicada e redobrada (pois, segundo a ordem da hishtalshelut, a revelação de Chochmá (sabedoria) e da compreensão é grandemente reduzida etc.):
Este mundo físico se encontra no próprio fim da cadeia dos mundos: é o ponto de maior ocultamento, uma “escuridão duplicada e redobrada”, onde, na ordem habitual, a revelação de Chochmá e a compreensão da Divindade são as mais tênues.
הנה הוא עולם המעשה להמשיך בו גילוי אור א״ס [אין סוף] ב״ה למעלה מההשתלשלות והגילוי שבעולמות העליונים
é o mundo da ação, no qual se deve fazer descer uma revelação da Luz Infinita (Or Ein Sof), bendito seja Ele, acima da hishtalshelut e da revelação que há nos mundos superiores.
No entanto, este mesmo mundo é “o mundo da ação”, onde os atos podem fazer descer uma revelação da Luz Infinita que transcende toda a cadeia dos mundos e supera aquilo que os mundos superiores recebem.
והיינו על ידי מתן תורה שהתורה שרשה ויסודתה בהררי קדש1 חכמה עילאה ממש אשר על זה אמרו אורייתא וקב״ה [וקודשא בריך הוא] כולא חד מה שאין כן גילוי החכמה בעולמות עליונים הוא רק הארה מבחי׳ חכמה עילאה.
Isto é, por meio da Entrega da Torá; pois a raiz e o fundamento da Torá estão “nos montes sagrados”, na própria Chochmá suprema (Chochmá ilaá), a respeito da qual disseram: “A Torá e o Santo, bendito seja Ele, são inteiramente um”; ao passo que a revelação de Chochmá nos mundos superiores é apenas um raio do nível da Chochmá suprema.
Isso se dá por meio da Torá entregue no Sinai, cuja raiz é a própria Chochmá suprema, de modo que “a Torá e o Santo, bendito seja Ele, são inteiramente um”; os mundos superiores recebem apenas um raio de Chochmá. “Nos montes sagrados” faz alusão a Salmos 87:1: “Seu fundamento está nos montes sagrados.”
O mundo mais baixo, onde Chochmá está mais oculta, é o lugar em que a Torá, enraizada na própria Chochmá suprema, faz descer uma revelação superior a qualquer coisa que os mundos recebam em sua ordem.
Marei mekomot
- 1ויסודתה בהררי קדש · Psalms 87:1
5ואי לזאת על ידי עסק התורה ממשיכים למטה גילוי מלמעלה מסדר השתלשלות וזהו ונחשב חשבונו של עולם להמשיך ברכה והמשכה ממקור בחי׳ חשבון דקו המדה מחשבה עילאה כו׳
Assim, por meio do estudo da Torá, atrai-se para baixo uma revelação de acima da ordem da cadeia descendente dos mundos (hishtalshelut). E este é o sentido de “vamos calcular o cálculo do mundo”: atrair bênção e fluxo da fonte do nível do cálculo da linha de medida, o pensamento sublime etc.
Portanto, o estudo da Torá traz a este mundo uma revelação que está além de toda a cadeia dos mundos. Este é o sentido mais profundo da expressão talmúdica “vamos calcular o cálculo do mundo”: atrair bênção da própria fonte do cálculo, o pensamento sublime que está na raiz da linha de medida.
ועפ״ז [ועל פי זה] יש לומר ג״כ פי׳ המושלים כפשוטו לשון משל והיינו כי התורה נקרא משל הקדמוני1
E, de acordo com isso, pode-se também explicar hamoshlim em seu sentido simples, como termo derivado de mashal (parábola). Isto é, a Torá é chamada “a parábola do Antigo” (meshal hakadmoni),
Uma segunda interpretação: moshlim em seu sentido simples, derivado de mashal, parábola. A Torá é chamada “a parábola do Antigo” (meshal hakadmoni), conforme a expressão em I Samuel 24:14.
שהיא משל ולבוש לבחי׳ קדמונו של עולם שהתגלותו הוא על ידי התורה שהיא חכמה עילאה כנ״ל וכמו שכתוב בד״ה חייב אינש לבסומי בפוריא ע״ש [עיין שם] מענין זה.
pois ela é uma parábola e uma veste para o nível do “Antigo do mundo”, cuja revelação se dá por meio da Torá, que é a Chochmá (sabedoria) sublime, como mencionado acima; e conforme está escrito no discurso que começa com “A pessoa é obrigada a se embriagar em Purim”; veja ali sobre este assunto.
Uma parábola reveste uma ideia profunda numa forma que o ouvinte pode apreender; assim, a Torá é a “veste” por meio da qual se revela o “Antigo do mundo”, a própria Luz Infinita, pois a Torá é a Chochmá sublime. O Alter Rebe desenvolve esse tema em seu discurso sobre Purim, em Torah Ohr.
ולכן על ידי זה בואו ונחשב חשבונו של עולם2 וכנ״ל. וכמ״כ [וכמו כן] על ידי קיום המצות.
Portanto, por meio disso, “vamos, calculemos o cálculo do mundo”, como mencionado acima. E o mesmo se dá por meio do cumprimento das mitsvot.
Assim, por meio da Torá, a “parábola”, realiza-se “Vamos, calculemos o cálculo do mundo”. O mesmo se aplica ao cumprimento das mitsvot, como explica o parágrafo seguinte.
O estudo da Torá atrai uma revelação de acima da cadeia dos mundos, da própria fonte do “cálculo”; e, entendidos como “aqueles que falam por parábolas”, os moshlim são os que se ocupam da Torá, a parábola e veste do Antigo. As mitsvot produzem o mesmo efeito.
Em Or HaTorah, citado na nota da Kehot, o Tzemach Tzedek distingue dois tipos de cheshbon: “o cálculo do mundo”, uma expressão de ocultação, a ordem da cadeia dos mundos estabelecida pela linha de medida; e um cálculo superior, a atração do nível de Kodesh (santidade) por meio das mitsvot — “que nos santificou com Seus mandamentos” —, muito acima de Malchut, “pois é santa e separada”.
Marei mekomot
- 1משל הקדמוני · I Samuel 24:14
- 2בואו ונחשב חשבונו של עולם · Bava Batra 78b:13–14
O cálculo de Malchut e a grande contagem ¶6–7
6והנה בענין מצות ל״ת [לא תעשה] מבואר למעלה שע״י אתכפיא סט״א [סטרא אחרא] אסתלק יקרא דקב״ה [דקודשא בריך הוא] בכולהו עלמין. וכן על ידי מ״ע [מצות עשה] דהנה במצות צדקה ארז״ל [אמרו רבותינו זכרונם לברכה] כל פרוטה מצטרפת לחשבון גדול.1
Ora, quanto às mitsvot proibitivas, foi explicado acima que, por meio de “a sitra achra (o outro lado) ser subjugada, a glória do Santo, bendito seja Ele, se eleva em todos os mundos”. E assim também por meio das mitsvot positivas; pois, a respeito da mitsvá da caridade, nossos Sábios, de abençoada memória, disseram: “Cada perutá se soma a um grande cálculo (cheshbon gadol).”
As mitsvot também fazem o “cálculo”. Sobre as proibições, foi explicado acima que, quando a sitra achra é subjugada, a glória de D'us se eleva em todos os mundos; quanto às mitsvot positivas, o Talmud diz, a respeito da caridade, que “cada perutá se soma a um grande cálculo”: pequenas moedas se acumulam e formam uma grande quantia.
כי הנה בחי׳ מל׳ [מלכות] דאצילות נקרא חשבון וכמ״ש בזהר פרשה פנחס (דר״כ ע״ב) וחשבון דא הוא עלמא דתליא בדבורא.2
Pois o nível de Malchut do Mundo de Atsilut (Emanação) é chamado cheshbon (cálculo), conforme está escrito no Zohar, Parashat Pinchas (220b): “E cheshbon: este é o mundo que depende da fala.”
A soma da caridade é chamada “cálculo” porque Malchut de Atsilut é chamada cheshbon. O Zohar, ao comentar Eclesiastes 9:10 (“não há obra nem cálculo”), explica cheshbon como “o mundo que depende da fala”, pois o cálculo depende da fala; e Malchut é a fala divina que cria os mundos.
כי הנה התחלקות החיות מאור א״ס [אין סוף] לכל העולמות ברבוי התחלקות המדרגות היש מספר לגדודיו3 ואין ב׳ ברואים שוים זהו מבחי׳ דבור העליון משינוי הצירופים.
Pois a divisão da força vital (chayut) da Luz Infinita (Or Ein Sof) para todos os mundos, com suas numerosas divisões de níveis (“Há acaso número para Suas legiões?”), sem que existam duas criaturas iguais, provém do nível da fala superior, da variação das combinações [das letras].
A força vital da Luz Infinita se divide em incontáveis níveis e criaturas distintas: “Há acaso número para Suas legiões?” (Jó 25:3), e não existem duas criaturas iguais. Essa diferenciação provém da fala superior, cujas letras se combinam de maneiras infinitamente variadas.
וכמ״ש במ״א בפרשה וארא ע״פ וידבר אלקים אל משה ויאמר אליו אני45 הוי׳ וע״פ ויעש דוד שם6 באגה״ק [באגרת הקודש].
Conforme está escrito em outro lugar, na Parashat Vaerá, sobre o versículo “E Elokim falou a Moshê e lhe disse: Eu sou Havayá”, e sobre o versículo “E David fez um nome”, em Igueret HaKodesh.
O Alter Rebe remete ao seu maamar sobre “E Elokim falou a Moshê”, em Torah Ohr, Parashat Vaerá, e à sua explicação de “E David fez um nome” (II Samuel 8:13), em Igueret HaKodesh, as cartas que constituem uma parte do Tanya, onde esse tema é abordado.
ולכן בחי׳ המל׳ [המלכות] שהוא בחי׳ הדבור עליון שם הוא החשבון וכמ״ש המוציא במספר צבאם7 לכולם בשם יקרא8 וע׳ [ועיין] מזה בזהר בראשית (דף ב׳ ע״א)
Portanto, é no nível de Malchut, que é o nível da fala superior, que se encontra o cálculo, conforme está escrito: “Aquele que faz sair seu exército por número, chama a todos pelo nome.” E veja a respeito disso no Zohar, Bereshit (página 2a).
Como Malchut é a fala superior, é ali que se encontra o “cálculo”: como diz Isaías 40:26, D'us “faz sair seu exército por número” e “chama a todos pelo nome”, associando o número ao chamado pelo nome, isto é, à fala. A introdução do Zohar (I, 2a) explica esse versículo.
וכתיב מונה מספר לכוכבים9 והוא בחי׳ התפשטות החיות בבחי׳ ממכ״ע [ממלא כל עלמין] לכל חד וחד כראוי לו לפי מזגו ותכונתו וזהו עיניך בריכות בחשבון.10
E está escrito: “Ele conta o número das estrelas.” Isso corresponde ao nível da expansão da força vital no modo da luz que preenche todos os mundos (memalê kol almin), a cada uma e a cada um conforme lhe convém, segundo sua composição e sua natureza. E isto é: “Teus olhos são piscinas em Cheshbon.”
Da mesma forma, “Ele conta o número das estrelas” (Salmos 147:4): a força vital se expande, como a luz que preenche todos os mundos, para cada criatura na medida que lhe é própria, adequada à sua composição e natureza. O versículo “Teus olhos são piscinas em Cheshbon” (Cântico dos Cânticos 7:5) é entendido como uma alusão a esse fluxo medido, proveniente do nível chamado cheshbon.
ועיין מה שכתוב בד״ה וספרתם לכם11 בענין שעורה שעור ה׳ ובד״ה וידבר אלקים את כל הדברים האלה לאמר12 כו׳.
E veja o que está escrito no maamar que começa com “E contareis para vós”, a respeito de se'orá (cevada) como shiur hei (a medida de hei), e no maamar que começa com “E Elokim falou todas estas palavras, dizendo”, etc.
Mais dois maamarim abordam esse tema: um sobre a contagem do Ômer (“E contareis para vós”, Levítico 23:15), que interpreta se'orá, a cevada da oferta do Ômer, como shiur hei, “a medida de hei”; e outro sobre “E Elokim falou todas estas palavras, dizendo” (Êxodo 20:1), o início dos Dez Mandamentos.
וז״ש [וזהו שכתוב] בזהר פרשה פקודי (דרכ״ה ע״ב) ואית ליה לבר קדש אחרא לתתא דקיימא תחותיה וקאים בחושבנא כו׳
E isto é [o significado de] que está escrito no Zohar, Parashat Pekudei (225b): “E tem, fora, outro Kodesh (Santo) abaixo, que está sob ele e existe em cálculo”, etc.
O Zohar sobre Pekudei diz que o Kodesh (Santo) supremo se eleva acima de tudo, mas tem “fora, outro Kodesh abaixo, que está sob ele e existe em cálculo” e número. A santidade superior está além da contagem; a inferior está sujeita ao cálculo.
והיינו בחי׳ מל׳ [מלכות] דאצילות מקור דבי״ע [דבריאה יצירה עשיה] כו׳ ע״ש [עיין שם] וע׳ [ועיין] מ״ש לקמן ע״פ מי מנה13 כו׳ ומספר כו׳.
Isto é, o nível de Malchut de Atsilut, a fonte de Beriá, Yetsirá e Assiá, etc.; veja ali. E veja o que está escrito adiante sobre o versículo “Quem pode contar”, etc., “e o número”, etc.
Esse Kodesh inferior é Malchut de Atsilut, a fonte dos três mundos inferiores de Beriá, Yetsirá e Assiá. Um maamar posterior, sobre “Quem pode contar o pó de Yaakov, e o número da quarta parte de Israel” (Numbers 23:10), desenvolve esse tema.
והנה כ״ז [כל זה] החשבון הוא התחלקות החיות להיות ריבוי הנבראים וע״ז [ועל זה] נאמר מה רבו מעשיך.14 אבל חשבון גדול הוא כמ״ש הללוהו כרוב גודלו.1516
Ora, toda essa contagem é a divisão da força vital, para que se torne a multidão de criaturas; e a respeito disso está dito: “Quão numerosas são as Tuas obras!” Mas a grande contagem é como está escrito: “Louvai-O segundo a abundância de Sua grandeza.”
Toda a contagem descrita até aqui é a divisão da força vital na multidão de criaturas, sobre a qual Tehilim 104:24 diz: “Quão numerosas são as Tuas obras!” A “grande contagem” é algo diferente, aludido em Tehilim 150:2: “Louvai-O segundo a abundância de Sua grandeza.”
כי גודלו היינו התגלות אור א״ס [אין סוף] ב״ה ממש מבחי׳ סוכ״ע [סובב כל עלמין] וכרוב גודלו היינו שיש בזה ג״כ ריבוי
Pois “Sua grandeza” é a revelação da própria Luz Infinita (Or Ein Sof), bendito seja Ele, a partir do nível da luz que circunda todos os mundos (sovev kol almin); e “segundo a abundância de Sua grandeza” significa que também nisso há uma multiplicidade
“Sua grandeza” é a própria Luz Infinita, revelada a partir do nível de sovev kol almin, a luz que transcende os mundos. “A abundância de Sua grandeza” significa que mesmo essa luz transcendente contém uma multiplicidade de níveis.
בחי׳ גבוה מעל גבוה וכנודע שמה שעכשיו הוא סובב ומקיף יומשך לע״ל [לעתיד לבוא] בבחי׳ פנימי ויומשכו מקיפים עליונים גבוהים יותר כו׳
de níveis, um mais elevado que o outro; como é sabido, aquilo que agora circunda e envolve será atraído para baixo, na Era Vindoura, em modalidade interior, e serão atraídas luzes envolventes ainda mais elevadas e sublimes, etc.,
Esses níveis se elevam uns acima dos outros. O princípio conhecido é que aquilo que agora é uma luz envolvente será atraído para dentro, na Era Vindoura, como uma luz interior, e então serão atraídas acima dela luzes envolventes ainda mais elevadas.
como está escrito em outro lugar sobre o versículo “E acontecerá naquele dia que um grande shofar será tocado”, etc. E essa emanação provém do nível de “Seu grande Nome”.
Isso é explicado no maamar sobre “E acontecerá naquele dia que um grande shofar será tocado” (Isaiah 27:13). A “grande contagem” das mitsvot é atraída de “Seu grande Nome”, o nível da luz transcendente.
Por meio das mitsvot, especialmente da caridade, realiza-se um “grande cálculo”: não apenas a distribuição medida da força vital, por meio de Malchut, a fala divina, entre incontáveis criaturas, mas também a atração da Luz Infinita transcendente, que contém em si níveis cada vez mais elevados, a partir de “Seu grande Nome”.
O Zohar sobre Pekudei contrapõe o Kodesh supremo, além de todo número, ao Kodesh inferior, que “existe em cálculo e número”, e compara Israel à “areia do mar, que não pode ser medida nem contada”, sendo eles próprios chamados Kodesh. O Alter Rebe identifica o Kodesh inferior com Malchut de Atsilut, a fonte dos mundos, e o “grande cálculo” das mitsvot com uma luz que provém de além dela.
Marei mekomot
- 1כל פרוטה מצטרפת לחשבון גדול · Bava Batra 9b:1
- 2וחשבון דא הוא עלמא דתליא בדבורא · Zohar, Pinchas 21:135–24:143
- 3היש מספר לגדודיו · Job 25:3
- 4
- 5וידבר אלקים אל משה ויאמר אליו אני הוי׳ · Exodus 6:2
- 6ויעש דוד שם · II Samuel 8:13
- 7המוציא במספר צבאם · Zohar, Introduction 4:12–5:21
- 8המוציא במספר צבאם לכולם בשם יקרא · Isaiah 40:26
- 9מונה מספר לכוכבים · Psalms 147:4
- 10עיניך בריכות בחשבון · Song of Songs 7:5
- 11וספרתם לכם · Leviticus 23:15
- 12וידבר אלקים את כל הדברים האלה לאמר · Exodus 20:1
- 13מי מנה · Numbers 23:10
- 14מה רבו מעשיך · Psalms 104:24
- 15הללוהו כרוב גודלו · שם קנ, ב.
- 16הללוהו כרוב גודלו · Psalms 150:2
- 17ע״פ והי׳ ביום ההוא · לקמן ר״ה נח, ב.
- 18והיה ביום ההוא יתקע בשופר גדול · Isaiah 27:13
- 19
7וזהו ענין חשבון גדול התגלות בחי׳ רוב גודלו ריבוי האורות עליונים. והמשכה זו הוא ע״י המצות וכמ״ש זורע צדקות מצמיח ישועות1 בחי׳ ש״ע [ש״ע (370)] נהורין אשר נמשכים מבחי׳ חשבון גדול
E este é o significado da “grande contagem”: a revelação do nível da “abundância de Sua grandeza”, a multiplicidade das luzes superiores. E esta atração para baixo se dá por meio das mitsvot, como está escrito: “Ele semeia atos de justiça, faz brotar salvações (yeshuot)”: o nível das 370 luzes (shin-ayin nehorin), que são atraídas do nível da grande contagem.
A “grande contagem” é a revelação da “abundância de Sua grandeza”, as numerosas luzes superiores contidas na luz transcendente, e é atraída para baixo por meio das mitsvot. A bênção matinal que precede o Shemá diz: “Ele semeia atos de justiça, faz brotar salvações”: as “salvações” (yeshuot, palavra que contém as letras shin-ayin, 370) são o nível das “370 luzes”, que provêm da grande contagem.
ולכן ג׳ בחי׳ חב״ד [חכמה בינה ודעת] הם כל א׳ כלול ממאה וזהו השי״ן וגם ז״ת [ז׳ תחתונות] כל א׳ כלול מיו״ד
Portanto, os três níveis de Chochmá (sabedoria), Biná (entendimento) e Daat (conhecimento) são cada um composto de cem, e isto corresponde ao shin [300]; e cada uma das sete inferiores [Sefirot] é composta de dez,
O número 370 segue a estrutura das Sefirot: cada uma das três Sefirot intelectuais, Chochmá, Biná e Daat, inclui cem, totalizando 300, o valor da letra shin; e cada uma das sete Sefirot emocionais inclui dez, totalizando 70.
וזהו העיי״ן וכמ״ש בע״ח [בעץ חיים] שער א״א [אריך אנפין] פט״ו [פרק ט״ו / פרשה ט״ו] והרמ״ז [והרב משה זכות] פרשה בראשית (בדף ד׳ סע״ב [סוף עמוד ב]) דהיינו בחי׳ ריבוי האורות כו׳
e isto corresponde ao ayin [70], como está escrito em Etz Chaim, Sha'ar Arich Anpin, capítulo 15, e pelo Ramaz (Rabi Moshe Zacuto), Parashat Bereshit (no fim da página 4b): isto é, o nível da multiplicidade de luzes, etc.
Esses setenta correspondem à letra ayin, formando juntos shin-ayin, 370. O Alter Rebe cita Etz Chaim, do Arizal, e o Ramaz (Rabi Moshe Zacuto), em seu comentário sobre o Zohar, que explicam que o número expressa uma multiplicidade de luzes.
וע״ש [ועיין שם] בע״ח [בעץ חיים] בשם האדרא (דקכ״ח ע״ב) שהם בחי׳ ש״ע רבוא נהורין. ועמ״ש מענין חשבון גדול בביאור ע״פ וספרתם לכם2 ובד״ה והיה לכם לציצית.3
E veja ali em Etz Chaim, em nome da Idra (128b), que elas são o nível das “370 miríades de luzes”. E veja o que foi escrito sobre o tema da grande contagem na explicação sobre “E contareis para vós”, e no discurso que começa “E será para vós tsitsit”.
Etz Chaim cita a Idra (Zohar III, 128b) a respeito das “370 miríades” de luzes. O tema da grande contagem também é tratado no Biur sobre a contagem do Omer e no discurso sobre tsitsit, ambos em Likkutei Torah.
וזהו ענין בואו חשבון דקאי על המצות כמארז״ל [כמאמר רבותינו זכרונם לברכה]4 ונחשב חשבונו של עולם הפסד מצוה כנגד שכרה כו׳
E este é o significado de “Vinde a Cheshbon”, que se refere às mitsvot, como disseram nossos Sábios, de abençoada memória: “e calculemos a contagem do mundo: a perda de uma mitsvá em comparação com sua recompensa”, etc.;
Este é o significado interior de “Vinde a Cheshbon”: refere-se às mitsvot, conforme o Talmud interpreta: “Vinde, calculemos a contagem do mundo: a perda de uma mitsvá em comparação com sua recompensa.”
דהיינו כמו בצדקה כל פרוטה מצטרפת לחשבון גדול5 דייקא שממשיך גילוי אור א״ס [אין סוף] ב״ה6 הסוכ״ע [הסובב כל עלמין] בחי׳ שמו הגדול.
isto é, como ocorre com a tsedacá: “cada perutá se junta a uma grande contagem” — “grande” precisamente —, pois ela atrai para baixo uma revelação da Luz Infinita (Or Ein Sof), bendito seja Ele, a luz que circunda todos os mundos (sovev kol almin), o nível de “Seu grande Nome”.
Como ocorre com a tsedacá, na qual “cada perutá se junta a uma grande contagem”, a palavra “grande” é exata: a mitsvá atrai para baixo a Luz Infinita transcendente, sovev kol almin, o nível de “Seu grande Nome”.
A “grande contagem” é a abundância de luzes superiores que as mitsvot atraem para baixo, expressa pelo número 370 (shin-ayin): as três Sefirot superiores, com cem cada uma, e as sete inferiores, com dez cada uma. Esta é a contagem de “Vinde a Cheshbon”, uma atração para baixo da luz transcendente, “Seu grande Nome”.
Igueret HaKodesh 3, para a qual remete a nota da Kehot, explica a mesma afirmação talmúdica: a tsedacá, maior do que todas as mitsvot, atrai da Luz Infinita no nível de sovev kol almin, que se torna uma vestimenta e uma luz envolvente (Or Makif) para as dez Sefirot de cada um dos quatro mundos. A Idra Rabá, na página citada, fala da extensão do Rosto “a 370 miríades de mundos”.
Marei mekomot
- 1זורע צדקות מצמיח ישועות · ברכת יוצר.
- 2בביאור ע״פ וספרתם לכם · Numbers 11:4
- 3ובד״ה והי׳ לכם לציצית · לעיל פ׳ שלח מג, ד.
- 4כמארז״ל · Bava Batra 78b:13–14
- 5כל פרוטה מצטרפת לחשבון גדול · Bava Batra 9b:1
- 6שממשיך גילוי אור א״ס ב״ה · אגה״ק סי׳ ג.
Além da contagem; dois cálculos no serviço ¶8
8והמשכה זו היא בבחי׳ מדת מלכותו ית׳ מקור דבי״ע [דבריאה יצירה עשיה] הנקראת חשבון וזהו בואו חשבון. ועד״ז [ועל דרך זה] הוא ג״כ בכל המצות וע״ז [ועל זה] נאמר והיה מספר בני1 ישראל כו׳
E essa extensão dirige-se ao nível do atributo de Malchut (soberania) de D'us, bendito seja Ele, a fonte de Beriá, Yetsirá e Assiá, que é chamado cheshbon (cômputo); e isso é “Vinde a Cheshbon”. O mesmo se dá também com todas as mitsvot; e a respeito disso foi dito: “E o número dos filhos de Israel será”, etc.,
A luz do grande cômputo é estendida a Malchut, a soberania de D'us, fonte dos três mundos inferiores, que é chamada cheshbon; isso é “Vinde a Cheshbon”. Todas as mitsvot fazem o mesmo, e a respeito disso Hoshea 2:1 diz: “E o número dos filhos de Israel será como a areia do mar”.
אשר לא ימד ולא יספר לפי שממשיכים מבחינת חשבון גדול כו׳ וכמ״ש בביאור ע״פ מי מנה הנ״ל.
“que não poderá ser medida nem contada”: pois eles estendem a partir do nível do grande cômputo, etc.; como está escrito na explicação sobre “Quem pode contar”, mencionada acima.
O versículo continua: “que não poderá ser medida nem contada”: Israel, embora contados, estão além da contagem, pois, por meio das mitsvot, estendem a partir do grande cômputo, que transcende toda medida. O Biur sobre “Quem pode contar” desenvolve essa ideia.
והנה בעבודת ה׳ צ״ל [צריך להיות / צריך לומר / צריך להבין] ג״כ ב׳ בחי׳ חשבון. הא׳ כמ״ש בזהר פ׳ קרח (דקע״ח א׳) דבכל ליליא וליליא עד לא ישכב ועד לא נאים.
Ora, no serviço a D'us também devem existir dois níveis de cômputo. O primeiro é como está escrito no Zohar, Parashat Korach (178a): que, a cada noite, antes de se deitar e antes de adormecer,
No serviço pessoal a D'us também há dois tipos de cômputo. O primeiro é o exame de consciência noturno descrito pelo Zohar sobre Parashat Korach, feito todas as noites antes de a pessoa se deitar e adormecer.
בעי בר נש למעבד חושבנא מעובדוי דעבד כל ההוא יומא ויתוב מינייהו ויבעי עלייהו רחמי2 כו׳ וכמו שכתוב ענין זה באריכות בסש״ב [בספר של בינונים] פכ״ט.
a pessoa deve fazer um cômputo dos atos que praticou durante todo aquele dia, arrepender-se deles e pedir misericórdia a respeito deles, etc.; esse assunto é tratado extensamente em Sefer Shel Beinonim, capítulo 29.
A pessoa revê os atos de todo o dia, arrepende-se do que fez de errado e pede misericórdia. Tanya, capítulo 29, trata disso extensamente, exortando até mesmo quem está livre de pecados graves a estar entre os “senhores do cômputo”.
והב׳ הוא המחשבה וההתבוננות בגדולת א״ס [אין סוף] ב״ה ומלכותו למעלה עד אין קץ3 ולמטה עד אין תכלית כו׳ ואשר קדשנו במצותיו שהם המשכות אור א״ס [אין סוף] ב״ה ממש כו׳:4
E o segundo é pensar e meditar sobre a grandeza do Infinito (Ein Sof), bendito seja Ele, e sobre Sua soberania, acima sem fim e abaixo sem limite, etc.; e sobre o fato de que Ele “nos santificou com Seus mandamentos”, que são extensões da própria Luz Infinita (Or Ein Sof), bendito seja Ele, etc.
O segundo cômputo consiste em meditar sobre a grandeza do Infinito e Sua soberania, “acima sem fim e abaixo sem limite”, e sobre o fato de que Ele “nos santificou com Seus mandamentos”, que estendem a própria Luz Infinita. A nota da Kehot identifica a origem de “acima sem fim” no Zohar Chadash sobre Parashat Yisro.
A luz do grande cômputo é estendida a Malchut, chamada cheshbon, de modo que Israel, embora contado, está “além da medida”. No serviço pessoal há dois cômputos: o exame noturno dos próprios atos e a meditação sobre a grandeza de D'us e sobre as mitsvot, que estendem a própria Luz Infinita.
O Zohar sobre Pekudei, citado anteriormente neste Biur, compara Israel à areia do mar, que “não tem número e não se encontra em cômputo nem em medida”, e cita “que não poderá ser medida nem contada”.
Marei mekomot
- 1והי׳ מספר בנ״י · Hosea 2:1
- 2דבכל ליליא וליליא עד לא ישכב ועד לא נאים. בעי בר נש למעבד חושבנא מעובדוי דעבד כל ההוא יומא ויתוב מינייהו ויבעי עלייהו רחמי · Zohar, Korach 7:29–8:37
- 3למעלה עד אין קץ · ז״ח פ׳ יתרו. [כ].
- 4
A cidade de Sichon: a oração ¶9–10
9וענין עיר סיחון דקאי על התפלה כי התפלה נק׳ צלותא וכמ״ש בדניאל [ו׳ י״א] ומצלא ומודה1 כו׳ ויעתר יצחק2 תרגומו וצלי יצחק.3
E o assunto da “cidade de Sichon” refere-se à oração, pois a oração é chamada tzelotá, como está escrito em Daniel [6:11]: “e orava (umtsalê) e agradecia”, etc.; e “E Yitzchak suplicou” é traduzido no Targum como “E Yitzchak orou (vetsalê).”
A parte final do versículo, “seja construída a cidade de Sichon”, é agora aplicada à oração. Em aramaico, a oração é chamada tzelotá: Daniel “orava (metsalê) e agradecia”, e Onkelos traduz “E Yitzchak suplicou” como “E Yitzchak orou (vetsalê).”
והענין כי מצלי הוא לשון הטייה4 כמו אצלי ודוך (בגמ׳ [בגמרא] ספ״ק [סוף פרק קמא] דביצה). וכן תרגום לא תטה משפט5 לא תצלי.6
A explicação é que metsalê é um termo que significa inclinar, como em “inclinar e triturar” (atslei vedoch) (no Talmud, ao final do primeiro capítulo de Beitzah). Da mesma forma, o Targum traduz “Não distorcerás a justiça” como lo satslei.
A raiz de tzelotá significa inclinar ou desviar, como em “inclinar e triturar”, expressão do Talmud (Beitzah, ao final do primeiro capítulo), e como Onkelos traduz “Não distorcerás a justiça” (Deuteronômio 16:19) por lo satslei. A oração, portanto, é um “inclinar-se”.
והנה התפלה הוא כענין יהי רצון שממשיכים ועושים בחי׳ רצון ורצון הוא בחי׳ כתר וזהו ענין סנד״ל [סנדלפון] קושר כתרים7 לקונו מתפלותיהן של ישראל, וכמ״ש ע״פ מה יפו פעמיך8 בנעלים9 ובד״ה נר חנוכה10 כו׳
Ora, a oração é da natureza de “Yehi ratzon” (“Que haja vontade”): por meio dela se atrai e se faz surgir o nível da vontade (ratzon), e vontade é o nível de Kéter (a Coroa). Este é o sentido de “Sandalphon tece coroas para seu Criador a partir das orações de Israel”, como está escrito a respeito do versículo “Como são belos os teus passos nas sandálias”, e no discurso que começa “A lâmpada de Chanucá”, etc.,
A oração é como dizer “Yehi ratzon”, “Que haja vontade”: ela atrai e faz surgir uma vontade divina, e vontade é Kéter, a Coroa. Daí o ensinamento de que o anjo Sandalphon “tece coroas para seu Criador” (Chagigá 13b) a partir das orações de Israel: as orações tornam-se Kéter.
מזוזה מימין11 כו׳, והנה המשכת בחי׳ כתר הוא שממל׳ [שממלכות] דאצי׳ [דאצילות] נעשה עתיק יומין וכתר לבריאה
“a mezuzá à direita”, etc. Ora, a atração do nível de Kéter consiste em que Malchut (soberania) do Mundo de Atsilut (Emanação) se torna Atik Yomin (o Ancião dos Dias) e Kéter para Beriá;
O Alter Rebe remete a seus discursos sobre “Como são belos os teus passos nas sandálias” (Cântico dos Cânticos 7:2), sobre a lâmpada de Chanucá e sobre a mezuzá. Atrair Kéter significa que Malchut de Atsilut se torna Atik Yomin, o aspecto superior de Kéter, para o Mundo de Beriá.
וכן ממל׳ [ממלכות] דא״ס [דאין סוף] נעשה עתיק יומין וכתר לאצילות וכמ״ש בע״ח [בעץ חיים] שמ״א פ״ג [פרק ג׳]12 שהכתר הוא הממוצע כו׳.13
e, da mesma forma, Malchut do Infinito (Ein Sof) se torna Atik Yomin e Kéter para Atsilut, como está escrito em Etz Chaim, Sha'ar 41, chapter 3, que Kéter é o intermediário, etc.
Do mesmo modo, Malchut do Infinito (Ein Sof), o nível inferior do Ein Sof, torna-se Atik Yomin e Kéter para Atsilut. O Arizal (Etz Chaim, Sha'ar 41, chapter 3) explica que Kéter é o intermediário entre o Emanador e o emanado.
“A cidade de Sichon” alude à oração, chamada tzelotá, “inclinação”. A oração é “Yehi ratzon”: ela atrai a vontade, Kéter, o nível em que Malchut de um mundo superior se torna Atik Yomin e Kéter do mundo abaixo.
Em Likkutei Torah, Bechukotai, o Alter Rebe explica a decisão do Arizal: Kéter contém o nível inferior do Infinito, Atik Yomin, que emana o segundo nível de Kéter, Arich Anpin, a raiz oculta das dez Sefirot. A nota da Kehot sobre “Yehi ratzon” remete a um discurso do Alter Rebe proferido num casamento em 5568, que o Tzemach Tzedek cita a esse respeito.
Marei mekomot
- 1ומצלא ומודה · Daniel 6:11
- 2ויעתר יצחק · Genesis 25:21
- 3וצלי יצחק · Onkelos Genesis 25:21
- 4כי מצלי הוא לשון הטייה · בסה״מ תרכ״ט ע׳ יב: איתא בטור ברקת צלותא הוא לשון הטי׳.
- 5לא תטה משפט · Deuteronomy 16:19
- 6לא תצלי · Onkelos Deuteronomy 16:19
- 7סנד״ל קושר כתרים · Chagigah 13b:4
- 8ע״פ מה יפו פעמייך · לקמן שה״ש מג, ג ואילך.
- 9מה יפו פעמיך בנעלים · Song of Songs 7:2
- 10ובד״ה נר חנוכה · תו״א מב, ב.
- 11מזוזה מימין · Shabbat 22a:2
- 12וכמ״ש בע״ח שמ״א פ״ג · Song of Songs 8:4
- 13כענין יהי רצון · באוה״ת במדבר כרך-ו ע׳ א׳תתק מציין ”ע׳ בזה בפ׳ בשלח תקס״ח בחתונה”. נדפס בהנחת הר״פ ע׳ פז. ובסה״מ תקס״ח ע׳ מד.
10וזהו ענין שהתפלה נק׳ צלותא לשון הטיה שממשיכים ומטים כביכול הארת אור א״ס [אין סוף] ב״ה שיהיה נמשך להיות בבחי׳ כתר לאצילות וזהו ג״כ פי׳ עתיק יומין מלשון המעתיק הרים.1
E é por isso que a oração é chamada tzelotá, termo que significa inclinação: a pessoa atrai e inclina, por assim dizer, o esplendor da Luz Infinita (Or Ein Sof), bendito seja Ele, para que seja atraído e se torne o nível de Kéter (a Coroa) para Atsilut. Este é também o significado de Atik Yomin: vem da expressão “que desloca (hamáatik) montanhas”,
A oração é chamada tzelotá, “inclinação”, porque inclina, por assim dizer, um esplendor da Luz Infinita para baixo, para que se torne Kéter para Atsilut. O nome Atik Yomin tem o mesmo sentido: atik significa “deslocado”, como em “que desloca (hamáatik) montanhas” (Jó 9:5).
ומלשון אשר העתיקו אנשי חזקיה2 שמעתיק מספר אל ספר. וכך הוא ההמשכה מבחי׳ מל׳ [מלכות] דא״ס [דאין סוף] להיות יהי רצון עתיק וכתר לאצילות כו׳.
e também da expressão “que os homens de Chizkiyahu copiaram (he’etiku)”, que significa transferir de um livro para outro. Assim também ocorre a atração do nível de Malchut do Infinito (Ein Sof), para que haja “Yehi ratzon”, Atik e Kéter para Atsilut, etc.
Ha’ataká também significa copiar, como em “os homens de Chizkiyahu copiaram” os provérbios (Provérbios 25:1), transferindo-os de um livro para outro. Do mesmo modo, Malchut do Infinito é “transferida” para baixo, tornando-se “Yehi ratzon”, Atik e Kéter para Atsilut.
ובזה יובן מארז״ל [מאמר רבותינו זכרונם לברכה] בפ״ק [בפרק קמא] דברכות (דף ה׳ סע״ב [סוף עמוד ב]) בענין כשלא המתין על חבירו המתפלל והניחו יחידי בבהכ״נ [בבית הכנסת] ולא עוד אלא שגורם לשכינה שתסתלק3 מישראל שנאמר ויעתק צור ממקומו.4
Com isso se compreenderá o ensinamento de nossos Sábios, de abençoada memória, no primeiro capítulo de Berachot (fim da página 5b), a respeito de quem não esperou por seu companheiro que estava rezando e o deixou sozinho na sinagoga: “E não somente isso, mas ele faz com que a Shechiná se afaste de Israel, como está dito: ‘E a Rocha é deslocada (vaye’etak) de seu lugar.’”
Isso explica o Talmud (Berachot 5b): quem deixa seu companheiro rezando sozinho na sinagoga “faz com que a Shechiná se afaste de Israel”, como está dito: “E a Rocha é deslocada (vaye’etak) de seu lugar” (Jó 18:4). O verbo vaye’etak deriva da mesma raiz que Atik.
כי ע״י התפלה הוא גורם המשכה מלמעלה למטה וזהו המשכת בחי׳ ע״י וכתר וזהו ענין השראת השכינה וכמ״ש מזה בביאור ע״פ שחורה אני5 ונאוה6 דבחי׳ מל׳ [מלכות] דאצי׳ [דאצילות] כשנעשים ע״י דבריאה זהו פי׳ שכינה ששוכן בבי״ע [בבריאה יצירה עשיה] כו׳
Pois, por meio da oração, a pessoa causa uma atração de cima para baixo, e esta é a atração do nível de Atik Yomin e Kéter; este é o significado da habitação da Shechiná (Presença Divina), como está escrito a respeito disso na explicação sobre “Sou negra e formosa”: o nível de Malchut de Atsilut, quando se torna Atik Yomin de Beriá, é o significado de Shechiná, que habita (shochen) em Beriá, Yetsirá e Assiá, etc.;
A oração atrai a luz de cima para baixo; essa é a atração de Atik Yomin e Kéter, e isso é a habitação da Shechiná. Como explicado no Biur sobre “Sou negra e formosa”, Malchut de Atsilut é chamada Shechiná quando se torna Atik Yomin de Beriá, “habitando” (shochen) nos mundos criados.
ע״ש [עיין שם] ולכן להפך מחמת שטרף תפלת חבירו נאמר ויעתק צור כו׳ שהוא הסתלקות השכינה ח״ו [חס ושלום].7
veja ali. Portanto, inversamente, por ter interrompido a oração de seu companheiro, diz-se: “E a Rocha é deslocada”, etc., o que significa o afastamento da Shechiná, D'us não o permita.
Assim, também é verdadeiro o contrário: quem interrompe a oração de seu companheiro inverte essa atração, e a mesma expressão, “a Rocha é deslocada”, passa então a significar o afastamento da Shechiná.
A oração “inclina” para baixo o esplendor da Luz Infinita, como sugere o nome Atik — derivado de “deslocar” e “transferir” —, tornando-se Kéter para o mundo abaixo; isso é a habitação da Shechiná. Interromper a oração de outra pessoa produz o contrário: “a Rocha é deslocada de seu lugar”.
No Biur sobre “Sou negra e formosa”, o Alter Rebe explica que Malchut de Atsilut, estando ali inteiramente unida à Luz Infinita, ainda não é chamada Shechiná; recebe esse nome quando se torna Atik de Beriá e se reveste em Arich Anpin de Beriá, a raiz das dez Sefirot de Beriá, de modo que a Divindade habite entre os seres criados.
Marei mekomot
- 1המעתיק הרים · Job 9:5
- 2אשר העתיקו אנשי חזקי׳ · Proverbs 25:1
- 3
- 4ויעתק צור ממקומו · Job 18:4
- 5בביאור ע״פ שחורה אני · Song of Songs 8:2
- 6שחורה אני ונאוה · Song of Songs 1:5
- 7בפ״ג דברכות · צ״ל בפ״ק דברכות.
Sichá e sua contraparte ¶11
11וזהו שנק׳ התפלה שיחה לשון הזזה. וזהו ג״כ ענין וישע ה׳ אל הבל. ל׳ [לשון] פנה והוא ענין הנ״ל בפי׳ צלותא לשון הטייה.
E é por isso que a oração é chamada sichá, termo que denota movimento. E este é também o significado de “E Havayá voltou-Se (vayisha) para Hevel”: uma expressão de voltar-se; e este é o assunto mencionado acima na explicação de tzelotá como expressão de inclinar-se.
A oração também é chamada sichá, que o Alter Rebbe entende como termo que denota movimento. Da mesma forma, “E Havayá voltou-Se (vayisha) para Hevel” (Gênesis 4:4): vayisha significa “voltou-Se”, a mesma ideia de tzelotá, “inclinar-se”, isto é, um voltar-se da luz divina em direção a quem ora.
ועד״ז [ועל דרך זה] י״ל [יש לומר] ג״כ פי׳ מארז״ל [מאמר רבותינו זכרונם לברכה] בשעה שישראל אומרים1 אמן יהא שמיה רבא הקב״ה [הקדוש ברוך הוא] מנענע ראשו וכמבואר ענין זה ס״פ שלח.2
De modo semelhante, pode-se também explicar o dito de nossos Sábios, de abençoada memória: “Quando Israel diz: ‘Amen, yehei shmei rabba’ (‘Amém, que Seu grande Nome seja’), o Santo, bendito seja Ele, acena com a cabeça”; como este assunto é explicado no final da Parashat Shelach.
Da mesma forma, pode-se compreender o dito do Talmud segundo o qual, quando Israel responde “Amém, que Seu grande Nome seja abençoado”, o Santo, bendito seja Ele, acena com a cabeça. Um discurso no final da Parashat Shelach, em Likkutei Torah, explica esse dito.
Mas pode-se dizer que o significado do aceno é que ele se assemelha a “E Havayá voltou-Se para Hevel”, como mencionado acima. E este é o significado de “como a doçura da fala (siách) da assembleia dos santos serafins”.
O aceno é o “voltar-Se” de D'us em direção a Israel, como em “Havayá voltou-Se para Hevel”. Este também é o significado da expressão da oração de Kedushá: “como a doçura da fala (siách) da assembleia dos santos serafins”.
דפי׳ שיח היינו כנ״ל בענין התפלה שנק׳ שיחו והנה יש לעומת זה ג״כ עיר סיחון והוא ע״ד [על דרך] מ״ש בדור הפלגה נבנה לנו עיר5 כו׳
Pois o significado de siách é o mencionado acima a respeito da oração, que é chamada sichô (sua fala). Ora, em oposição a isso há também “a cidade de Sichon”; e isso segue a ideia do que está escrito a respeito da Geração da Dispersão: “Construamos para nós uma cidade”, etc.;
Siách, assim como sichá, refere-se à oração, que é chamada sichô, “sua fala”. Em oposição a essa fala sagrada está “a cidade de Sichon”, à semelhança da cidade que a Geração da Dispersão se propôs a construir: “Construamos para nós uma cidade” (Gênesis 11:4).
como está escrito no Zohar, Parashat Noach (página 74a): “Estabeleçamos neste lugar uma cidade”, etc. (e ali, página 74b);
O Zohar, em Parashat Noach, descreve como eles chegaram a um vale que estava sob domínio estrangeiro e disseram: “Estabeleçamos neste lugar uma cidade”. O tema continua na página seguinte.
והיינו המשכת בחינת אותיות בסטרא דקליפה כמו לשון הרע ודומיהן ועמ״ש ע״פ זאת8 תהיה תורת המצורע9 כי כל צירוף נק׳ בית10 וכללות הדבור נק׳ עיר.
isto é, a extensão do nível das letras para o lado da kelipá (a casca), como na fala maledicente e semelhantes. E veja o que está escrito sobre o versículo “Esta será a lei do metzorá”: cada combinação [de letras] é chamada “casa”, e a fala em seu conjunto (klalus hadibbur) é chamada “cidade”.
A “cidade” do lado da kelipá consiste na extensão das letras para uma fala profana, como a fala maledicente. Conforme explicado sobre “Esta será a lei do metzorá” (Levítico 14:2), cada combinação de letras é chamada “casa”, e a fala em seu conjunto, “cidade”.
וע״ז [ועל זה] ארז״ל [אמרו רבותינו זכרונם לברכה] כעיר זה שמהלך אחר סיחה נאה11 כו׳ ועמ״ש בפ׳ ויחי ע״פ אסרי לגפן12 בפי׳ עירה.
E a respeito disso nossos Sábios, de abençoada memória, disseram: “como este ayir (jumento novo), que segue uma conversa agradável (sichá)”, etc. E veja o que está escrito na Parashat Vayechi sobre o versículo “Amarrando seu potro à videira”, na explicação de irô (seu potro).
O Talmud lê ir, “cidade”, como ayir, um jumento novo que “segue uma conversa agradável (sichá)”, imagem de quem segue sua inclinação. O discurso sobre “Amarrando seu potro (irô) à videira” (Gênesis 49:11) explica mais detalhadamente essa palavra.
ובפ׳ בשלח בד״ה לסוסתי ברכבי פרעה13 בענין אותיות שבלעומת זה כו׳ ועיין בזהר פ׳ בלק (דף קצ״ט סע״ב [סוף עמוד ב] ודף ר״א ע״ב)
E na Parashat Beshalach, no discurso que começa com “À minha égua entre os carros do Faraó”, sobre o assunto das letras do lado oposto, etc. E veja o Zohar, Parashat Balak (final da página 199b e página 201b);
Seguem-se mais duas referências: o discurso sobre “À minha égua entre os carros do Faraó” (Cântico dos Cânticos 1:9), a respeito das letras do lado oposto, e passagens do Zohar sobre a Parashat Balak.
E veja Etz Chaim, Sha'ar 48, capítulo 3, sobre a explicação de “Se te elevares como a águia, de lá te farei descer, diz Havayá”; e a explicação
Etz Chaim interpreta “Se te elevares como a águia, de lá te farei descer, diz Havayá” (Obadiah 1:4) como uma alusão à tentativa do lado impuro de ascender ao seu próprio Arich Anpin e extrair de lá. D'us o faz descer, pois, caso contrário, o mundo seria destruído.
שנאם ה׳ ודבורו הוא המוריד ומשפיל הקליפות היצה״ר [היצר הרע] וסט״א [וסטרא אחרא] וכך האדם ע״י עסקו בתורה כו׳ וכמ״ש בפ׳ מקץ בד״ה רני ושמחי בת17 כו׳.
é que “diz Havayá” — Sua fala — é o que faz descer e rebaixa as kelipot, a inclinação ao mal e a sitra achra (o outro lado); e assim também a pessoa, por meio de sua ocupação com a Torá, etc.; conforme está escrito em Parashat Mikets, no discurso que começa com “Canta e alegra-te, filha”, etc.
O Alter Rebe acrescenta que é “diz Havayá”, a fala de D'us, que faz descer e humilha as kelipot, a inclinação ao mal e a sitra achra; e, da mesma forma, a pessoa as faz descer ao ocupar-se com a Torá. Seu discurso sobre “Canta e alegra-te, filha de Tsion” (Zechariah 2:14) desenvolve esse tema.
וזהו ומגיד לאדם מה שיחו.18 דהיינו אם לא נתפתה ביצרו לימשך ח״ו [חס ושלום] באותיות ודבורים האסורים. כ״א [כי אם] שיחו הוא התורה שהיא בחי׳ מ״ה [שם מ״ה] כו׳ וכנ״ל:
E este é [o significado de] “E Ele declara ao homem qual é a sua fala (sicho)”: isto é, se ele não foi seduzido por sua inclinação a deixar-se levar, D'us não o permita, por letras e palavras proibidas, mas, ao contrário, sua fala é a Torá, que é o nível de Mah, etc., conforme mencionado acima.
Assim, “Ele declara ao homem qual é a sua fala” (Amos 4:13): revela-se à pessoa se ela se guardou de deixar-se levar por letras e palavras proibidas e se, em vez disso, sua fala foi a Torá. A Torá é o nível de Mah, que é a palavra mah, “o quê”, no versículo.
A oração também é sichá e siách, e o “voltar-Se” e o “aceno” de D'us são uma resposta a ela; em oposição, está “a cidade de Sichon”, a extensão das letras da fala para o lado da kelipá. A fala de D'us e o estudo da Torá por uma pessoa fazem essa cidade descer, e “Ele conta ao homem qual é sua fala”.
Na Guemará, a imagem do potro aparece duas vezes: “se uma pessoa se fizer como este potro que segue uma conversa agradável”; e, sobre “consumiu Ar de Moav”, “isto é aquele que segue sua inclinação, como este potro que segue uma conversa agradável”. O Zohar sobre Noach descreve os construtores voltando-se para um “domínio estrangeiro” a fim de estabelecer ali “uma cidade e uma torre”.
Marei mekomot
- 1בשעה שישראל אומרים איש״ר · Berakhot 3a:14
- 2ס״פ שלח · לעיל מח, א.
- 3וישע ה׳ אל הבל · Genesis 4:4
- 4כנועם שיח סוד שרפי קודש · נוסח קדושה.
- 5נבנה לנו עיר · Genesis 11:4
- 6וכמ״ש בזהר פ׳ נח · ראה בארוכה באוה״ת בראשית כרך-ג דף תרנה, א.
- 7נתקין באתר דא עיר · Zohar, Noach 42:341–43:361
- 8ע״פ זאת תהי׳ תורת המצורע · ראה לעיל פ׳ מצורע כד, ד.
- 9זאת תהיה תורת המצורע · Leviticus 14:2
- 10כי כל צירוף נק׳ בית · נתבאר בתו״א נו, ב ואילך.
- 11כעיר זה שמהלך אחר סיחה נאה · Bava Batra 78b:14–15
- 12אסרי לגפן · Genesis 49:11
- 13לסוסתי ברכבי פרעה · Song of Songs 1:9
- 14אם תגביהי כנשר · עובדי׳ (א, ד [תגבי׳]). [כ].
- 15אם תגביהי כנשר משם אורידך נאם ה׳ · Obadiah 1:4
- 16אם תגביהי כנשר משם אורידך נאם ה׳ · Sefer Etz Chaim 48:3
- 17רני ושמחי בת · Zechariah 2:14
- 18ומגיד לאדם מה שיחו · Amos 4:13
Terminou o maamar?
Marque-o como estudado; ele conta para a semana e para o siyum do ano.
Na avodá
O maamar apresenta dois cálculos para o serviço de uma pessoa: todas as noites, antes de dormir, fazer um balanço dos atos do dia, arrepender-se deles e pedir misericórdia; e contemplar a grandeza e a realeza infinitas de D'us, e o fato de Ele nos ter santificado com Seus mandamentos, que atraem a própria Luz Infinita. Por meio do estudo da Torá e das mitsvot, e sobretudo da caridade, na qual cada perutá se soma a uma grande contagem, atrai-se uma luz que transcende toda medida. É preciso também guardar a fala, afastando-a de palavras proibidas e preenchendo-a com Torá, pois “Ele conta ao homem o que é sua fala”.
Perguntas para conversar
- Por que a revelação da Luz Infinita depende de Chochmá, e por que este mundo, onde Chochmá está mais oculta, é o lugar onde a Torá atrai uma luz que transcende todos os mundos?
- Qual é a diferença entre o “cálculo” de Malchut, que divide a força vital entre as criaturas, e a “grande contagem” que a caridade atrai?
- Como Israel pode ser tanto contado (“o número dos filhos de Israel”) quanto estar “além da medida”?
- Como os significados de tzelotá (“inclinar”) e atik (“mover, transferir”) explicam o que a oração realiza, e por que perturbar a oração de outra pessoa “move a Rocha”?
- Quais são os dois cálculos no serviço de uma pessoa, e como cada um se relaciona com a explicação do maamar sobre o cálculo no Divino?