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Likkutei Torah · Parshas Chukas · Maamar 1

וידבר הוי׳ וגו׳ זאת חקת התורה אשר צוה הוי׳ לאמר

“E Havayá falou… Este é o estatuto da Torá que Havayá ordenou, dizendo”

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A ideia central

A vaca vermelha é chamada “o estatuto da Torá” porque contém, de forma explícita e geral, os dois movimentos sobre os quais cada mitsvá se fundamenta: ratzo, a corrida da alma em direção a D'us, que é a queima da vaca até reduzi-la a cinzas, e shov, o retorno que atrai a Torá para baixo, representado pela água viva colocada num recipiente. Por meio dela, a raiz da Torá, suas “letras gravadas”, é atraída para a Torá Escrita e a Torá Oral, e a luz circundante de D'us se une à luz que preenche os mundos.

O maamar em resumo

O maamar pergunta por que o versículo diz “que Havayá ordenou” quando é o próprio D'us que fala, e por que uma mitsvá é chamada “o estatuto da Torá”. Entendendo chuká como “gravação”, ele situa acima da Torá Escrita uma raiz de “letras gravadas”, una à sua fonte, que a alma desceu para atrair ao mundo. Cada mitsvá conduz a pessoa a ratzo vashov, a corrida e o retorno das Chayot: o amor nasce da contemplação de que até o Mundo Vindouro nada é diante de D'us, e o temor, do conhecimento de que Ele está igualmente presente acima e abaixo. A vaca “recebe da esquerda”, assim como a alma animal; sua queima deixa apenas a força nua do desejo, como cinzas, que a teshuvá transforma em amor a D'us, elevando sham a shem ayin. A água viva é a Torá, que deve ser posta nos recipientes das mitsvot e pronunciada em voz alta, assim como o “verme” de Yaakov prevalece com sua boca. Por fim, “ordenou” significa “uniu”: a Havayá circundante se liga à que preenche, como o Shemá delineia o amor, as palavras da Torá e os recipientes das mitsvot.

Esquema

  1. As perguntas e as letras gravadasPor que “que Havayá ordenou”, e por que a vaca é “o estatuto da Torá”? Chuká significa gravação: a raiz da Torá, de letras gravadas, una à sua fonte, acima das letras escritas; o homem “faz” os estatutos ao atraí-los para baixo. As mitsvot conduzem a ratzo vashov: o amor nasce da contemplação de que até o Mundo Vindouro é uma única letra, e o retorno em temor, da contemplação de sovev kol almin.¶1–2
  2. Fogo e água: a vaca como forma geralA Torá é “uma lei de fogo” da “mão direita” de D'us: fogo e água. A queima da vaca é ratzo, e a água viva é shov, revelados nela como em nenhuma outra mitsvá. Assim como a seção de Eliezer, que é a união de Mah e Ban em forma geral, a vaca é a união da corrida e do retorno, do coração e do cérebro, enquanto cada mitsvá contém essa união de modo particular.¶3–8
  3. A queima: a alma animal e seu desejoA vaca “recebe da esquerda”, o lado de onde as forças externas extraem sua vitalidade por meio de muitas contrações; o mesmo ocorre com a alma animal. A queima da madeira deixa apenas a terra, sua matéria simples, enquanto a forma desaparece na fumaça: assim, subjugar os pensamentos, as palavras e os atos proibidos deixa a força nua do desejo, que pode ser transformada em amor a D'us. De sham, o lugar distante da kelipá, D'us é encontrado por meio da teshuvá, e esse lugar se torna shem ayin; a vaca purifica da “morte” da quebra.¶9–14
  4. A água viva e o vermeA água viva é a Torá, que flui de D'us, a fonte oculta, para os recipientes das mitsvot; as cinzas são misturadas a ela porque a corrida deve permanecer dentro do retorno. O verme escarlate lançado ao fogo é a força da boca: a oração e as palavras da Torá pronunciadas em voz alta, ditas com autoanulação, nas quais são colocadas as palavras de D'us e que afastam as forças externas. Quem é um verme aos próprios olhos torna-se um “homem”, alguém que dá.¶15–17
  5. Explicação do versículo“Estatuto” significa tanto a ordem de toda a Torá quanto sua gravação. A primeira Havayá é memalê kol almin, e a segunda, sovev kol almin; “ordenou” (tzivá) significa “uniu” (tzavta), de modo que a luz circundante se liga à luz que preenche por meio das palavras divinas. Uma parte das cinzas foi guardada como fonte permanente da corrida presente em cada mitsvá, e a primeira seção do Shemá delineia o amor, as palavras da Torá pronunciadas e as mitsvot práticas como recipientes.¶18–21

Conceitos-chave

Ratzo vashov (corrida e retorno)רצוא ושוב
Os dois movimentos da alma, provenientes das Chayot da visão de Ezequiel: ratzo, o anseio de elevar-se e ser absorvida em D'us, que é fogo no coração e provém de Biná; e shov, o retorno para atrair a luz de D'us para baixo, ao mundo, que é água no cérebro e provém de Chochmá. Cada mitsvá se fundamenta em ambos.
Letras gravadasאותיות החקיקה
Letras talhadas na própria pedra, em contraste com a tinta acrescentada ao pergaminho. Representam a Torá em sua raiz, inteiramente una à sua fonte, acima da Torá Escrita; chuká, “estatuto”, é interpretada como chakiká, “gravação”.
A força do desejoכח המתאוה
A capacidade nua de desejar, a “matéria simples” das emoções da alma animal. Ela não é má em si e tem sua raiz na santidade, no “rosto do boi” da Carruagem; quando seus revestimentos proibidos são queimados, como madeira reduzida a cinzas, pode ser transformada em amor a D'us.
Iskafya e is'hapcha (subjugar e transformar)אתכפיא ואתהפכא
Primeiro, subjuga-se o outro lado, recusando-lhe cada pensamento, palavra e ato; depois, a própria escuridão é transformada em luz, de modo que também a inclinação ao mal passa a amar D'us.
Água vivaמים חיים
Água de nascente que brota de uma fonte oculta e, por isso, representa a Torá, que flui de D'us, “a fonte de águas vivas”. Ela deve ser colocada “num recipiente”: as mitsvot práticas e as letras da Torá.
O verme Yaakovתולעת יעקב
A força de Israel, como a do verme, está na boca: a oração e as palavras da Torá pronunciadas em voz alta. Ela só atua com autoanulação — “sou um verme, e não um homem” — e então as próprias palavras de D'us estão na boca da pessoa.
Tzivá como tzavta (ordenar como unir)צוה מלשון צוותא
“Ordenou” é interpretado como “uniu”: a luz circundante, sovev kol almin, a segunda Havayá do versículo, liga-se à luz que preenche os mundos, memalê kol almin, a primeira, e é atraída para dentro dela.

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As perguntas e as letras gravadas ¶1–2

1וידבר הוי׳ וגו׳ [וגומר] זאת חקת התורה אשר צוה הוי׳ לאמר. וצ״ל [וצריך להיות / וצריך לומר / וצריך להבין] דהא כתיב תחלה וידבר הוי׳ שהקב״ה [שהקדוש ברוך הוא] הוא המדבר למשה זאת חקת התורה וא״כ [ואם כן] מהו אשר צוה הוי׳ הל״ל [הוה ליה למימר] אשר אני מצוה.

“E Havayá falou”, etc., “Este é o estatuto (chukat) da Torá que Havayá ordenou, dizendo.” Agora, é preciso compreender: primeiro está escrito “E Havayá falou”, [isto é,] o Santo, bendito seja Ele, é Quem fala a Moshe: “Este é o estatuto da Torá”. Se é assim, o que significa “que Havayá ordenou”? Deveria estar escrito: “que Eu ordeno”.

Explicação

O maamar começa com o versículo que introduz as leis da vaca vermelha. Como a Torá acabou de dizer que D'us está falando pessoalmente a Moshe, as palavras “que Havayá ordenou” parecem relatar a ordem de outra pessoa; na própria fala de D'us, o versículo deveria dizer “que Eu ordeno”.

גם להבין קצת ענין פרה אדומה שנאמר בה חקת התורה. אך הענין דהנה התורה נק׳ תורה שבכתב הקב״ה [הקדוש ברוך הוא] אומר ומשה כותב ודברי סופרים נק׳ תורה שבעל פה.

Também [é preciso] compreender um pouco a questão da vaca vermelha (pará adumá), a respeito da qual se diz “o estatuto da Torá”. A explicação é a seguinte: a Torá é chamada de Torá Escrita, pois “o Santo, bendito seja Ele, diz, e Moshe escreve”; e as palavras dos Sábios são chamadas de Torá Oral.

Explicação

Uma segunda pergunta: por que a vaca vermelha, uma única mitsvá, é chamada de “o estatuto da Torá”, como se representasse a própria Torá? A resposta começa com a conhecida divisão entre a Torá Escrita, as palavras que D'us proferiu e Moshe registrou, e a Torá Oral, as palavras dos Sábios.

אמנם חקת התורה לשון חקיקה (כמ״ש ברבות ר״פ זו חקה חקקתי), והיינו כמו שהתורה היא בשרשה ומקורה ששם היא בבחי׳ אותיות החקיקה שהוא מדרגה עליונה מבחי׳ התלבשותה במדרגת שנק׳ אותיות הכתב להיות נק׳ תורה שבכתב

Mas chukat ha-Torá é uma expressão que significa gravação (chakiká), como está escrito em [Midrash] Rabbah, no início desta parashá: “Este é um estatuto (chuká); Eu o gravei (chakakti)”. Isto é, [refere-se à Torá] tal como ela está em sua raiz e fonte, onde se encontra no nível das letras gravadas, que é um grau superior ao nível em que ela se reveste de letras escritas, de modo a ser chamada de Torá Escrita.

Explicação

O Midrash associa chuká (estatuto) a chakiká (gravação). O Alter Rebe emprega essa associação para apontar a um nível da Torá acima da Torá Escrita: a Torá em sua raiz, onde suas letras são “gravadas”, e não “escritas”.

כמו עד״מ [על דרך משל] בגשמיות באותיות הנכתבים ע״ג [על גבי] הקלף לבן הרי האותיות הם דיו שהוא דבר זר ונפרד מהקלף שלא היה לו שום שייכות מקודם אל הקלף רק שאח״כ [שאחר כך] כשכותב הספר בדיו ע״ג [על גבי] קלף נתאחדו והיו לאחדים.

Por exemplo, no plano físico: nas letras escritas sobre um pergaminho branco, as letras são tinta, uma substância estranha e separada do pergaminho, que antes não tinha relação alguma com ele; somente depois, quando se escreve o rolo com tinta sobre o pergaminho, eles se unem e se tornam um.

Explicação

As letras escritas são feitas de tinta, uma substância separada, sem relação alguma com o pergaminho até que o escriba a aplique nele. Mesmo depois de unidas, as letras continuam sendo algo acrescentado à superfície.

אבל אותיות החקיקה הם מיניה וביה והן דבר א׳ ממש עם האבן שנחקקו בו (ועמ״ש מענין זה בד״ה אם בחקתי תלכו ועמ״ש בד״ה שחורה אני ונאוה בענין שהתורה ניתנה באש שחורה ע״ג [על גבי] אש לבנה.

Mas as letras gravadas são da própria substância e estão nela; são verdadeiramente uma só coisa com a pedra em que foram gravadas. (E veja o que está escrito sobre esse assunto no maamar que começa “Se andardes segundo Meus estatutos”, e veja o que está escrito no maamar que começa “Sou negra e formosa”, sobre o fato de que a Torá foi dada como fogo negro sobre fogo branco.

Explicação

As letras gravadas são talhadas na própria pedra; portanto, são feitas da substância dela e são uma só coisa com ela. O parêntese remete o leitor a dois outros maamarim; o segundo explica a imagem dos Sábios da Torá dada como “fogo negro sobre fogo branco”: as letras e o fundo sobre o qual aparecem.

וזהו ענין תורה שבכתב. וממש״ש [וממה שכתוב שם] יובן ג״כ ענין פי׳ אותיות החקיקה דהיינו עד״מ [על דרך משל] האותיות שבנפש ע״ש [עיין שם]) וזהו זאת חקת התורה.

E esse é o conceito da Torá Escrita. E pelo que está escrito ali também se compreenderá o significado das letras gravadas, isto é, por meio de uma analogia, as letras que estão na alma; veja ali.) E esse é o significado de “Este é o estatuto da Torá”.

Explicação

Essa imagem descreve a Torá Escrita. O mesmo maamar também explica as letras gravadas por meio de uma analogia com a alma: letras que estão dentro da própria alma. Segundo o Alter Rebe, é a isso que se refere “o estatuto da Torá”.

כלומר שע״י מצות פרה אדומה שהיא חוקה (עיין בקהלת רבה ס״פ מי כהחכם וברבות בא פי״ט תצוה ר״פ ל״ח אמור ספ״ל נשא פי״ב דרמ״ט ע״ד [עמוד ד׳] פי״ג דרנ״ג ע״ד [עמוד ד׳])

Isto é, por meio da mitsvá da vaca vermelha, que é um estatuto (chuká) (veja Koheles Rabbah, no final da passagem “Quem é como o sábio”; e [Midrash] Rabbah: Bo, capítulo 19; Tetzaveh, início do capítulo 38; Emor, final do capítulo 30; Naso, capítulo 12, página 249, coluna d; capítulo 13, página 253, coluna d),

Explicação

A vaca vermelha é o chok por excelência, uma mitsvá cuja razão não é revelada, e o parêntese enumera Midrashim que a discutem. Em um deles, D'us diz a Moshe sobre a vaca: “É um estatuto, e decretei um decreto”; outro compara o estatuto da oferenda de Pêssach com o estatuto da vaca.

תמשיכו למעלה בחי׳ אותיות החקיקה של התורה להיות משם ממש יורד ונמשך בבחי׳ אותיות הכתב דהיינו בתשב״כ [בתורה שבכתב] ומתשב״כ [ומתורה שבכתב] יומשך גילוי זה בתשבע״פ [בתורה שבעל פה].

vocês atrairão do Alto o nível das letras gravadas da Torá, de modo que dali mesmo ele desça e se estenda ao nível das letras escritas, isto é, à Torá Escrita; e da Torá Escrita essa revelação será atraída para a Torá Oral.

Explicação

Esta é a primeira resposta do maamar: por meio da vaca vermelha, a pessoa atrai a raiz da Torá, o nível “gravado”, para que ele flua à Torá Escrita e, desta, à Torá Oral. Chukat ha-Torá é interpretado como “a gravação da Torá”, a fonte que essa mitsvá faz descer.

והיינו לפי שמצות פרה אדומה הוא כללות התורה כמשי״ת [כמו שיתבאר] ולזאת ירדה הנשמה ממקום כבודה בג״ע [בגן עדן] ונתלבשה בגוף החומרי כדי לעשות את התורה.

E isso porque a mitsvá da vaca vermelha é a expressão geral e coletiva da Torá, como será explicado. Por isso, a alma desceu do lugar de sua glória no Gan Éden e revestiu-se do corpo material, a fim de realizar a Torá.

Explicação

O motivo, explicado adiante, é que a vaca vermelha é a expressão geral e coletiva de toda a Torá. A alma desceu do Gan Éden para um corpo exatamente com esse propósito: “realizar” a Torá, isto é, fazê-la descer — expressão que o parágrafo seguinte retoma dos versículos sobre “cumprir” os estatutos.

O parágrafo 1 em resumo

O maamar pergunta por que o versículo diz “que Havayá ordenou” e por que a vaca vermelha é chamada de “o estatuto da Torá”. Começa a responder interpretando chuká como “gravação”: acima das “letras escritas” da Torá Escrita há um nível-raiz de “letras gravadas”, uma só coisa com sua fonte, e a vaca vermelha atrai essa raiz para baixo, à Torá Escrita e à Torá Oral.

Aprofundar

A tinta sobre o pergaminho e as letras talhadas na pedra são duas maneiras pelas quais uma expressão pode relacionar-se com sua fonte: como algo acrescentado a ela ou como a própria substância da fonte. De acordo com a nota de Kehot, um maamar de 5729 sobre este versículo explica que “a expressão geral e coletiva da Torá” aqui significa principalmente as mitsvot, pois ratzo vashov, a corrida e o retorno descritos no parágrafo seguinte, é o fundamento de todas as mitsvot, e a vaca vermelha é ratzo vashov.

Marei mekomot

  1. 1
    זאת חוקת התורה · הנחת כ״ק אדמו״ר האמצעי ממאמר זה נדפס בסה״מ תקס״ה ח״ב ע׳ תערב. הגהות באוה״ת חוקת ע׳ תשנט. תשס. וראה אוה״ת חוקת כרך ה׳ ע׳ א׳תרטז. א׳תריז.
  2. 2
  3. 3
  4. 4
    וידבר ה׳ . . זאת חקת · Numbers 19:1
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  6. 6
    הקב״ה אומר ומשה כותב · Bava Batra 15a:5
  7. 7
    בד״ה אם בחקתי תלכו · לקו״ת בחקותי מה, ד. סה״מ תקס״ד ע׳ קז. אוה״ת ויקרא-ג ע׳ תתקכא.
  8. 8
    בד״ה שחורה אני · לקו״ת שה״ש ד, ב.
  9. 9
    שחורה אני ונאוה · Song of Songs 1:5
  10. 10
  11. 11
    וברבות בא פי״ט · ”ד״א יהי לבי תמים בחוקיך זה חוקת הפסח וחוקת פרה אדומה, למה ששניהן דומין זה לזה, בזה נאמר זאת חקת הפסח ובזה נאמר זאת חקת התורה, ואי אתה יודע איזה חקה גדולה מזו” — אוה״ת חקת ע׳ תשעג. וראה שם ע׳ תתיב בארוכה.
  12. 12
    תצוה ר״פ ל״ח · ”כשהוא רוצה הוא קוראה לשון נקבה שנאמר ויקחו אליך פרה כו׳” — אוה״ת חקת ע׳ תשעד.
  13. 13
    אמור ספ״ל · ע״פ ולקחתם לכם ביום הראשון . . הרבה קיחות צויתי אתכם בשביל לזכותיכם אמרתי אליכם ויקחו אליך פרה אדומה תמימה” — אוה״ת חקת ע׳ תשעד.
  14. 14
    נשא פי״ב · ע״פ ויהי ביום כלות משה, ישראל נתקדשו בפרת חטאת שנאמר דבר אל בנ״י ויקחו אליך פרה אדומה וגו׳” — אוה״ת חקת ע׳ תשעה.
  15. 15
    פי״ג דרנ״ג ע״ד · ”ע״פ ביום השני הקריב נתנאל כו׳ הקריב את קרבנו אמר ר״פ בן יאיר למה הוסיף הקרב וחסר יו״ד, אלא כנגד פרה אדומה שעשו באותו היום” — אוה״ת חקת ע׳ תשעה.
  16. 16
    לפי שמצות פרה אדומה הוא כללות התורה · בד״ה זאת חוקת תשכ״ט הנ״ל מבאר ”הכוונה היא בעיקר למצות התורה [כמובן מהביאור בלקו״ת שם [נו, ב ואילך], דזה שמצות פרה אדומה הוא כללות התורה הוא כי יסוד כל המצוות הוא רצוא ושוב, ופרה אדומה הו״ע רצוא ושוב]”.
  17. 17
    בדרמ״צ מצות פרה אדומה (צט, ב) ז״ל · ביאור הדברים צריך להעתיק אי״ה מכתב ידי בביכעל המתחיל כי ביום הזה יכפר כו׳ את התורה ששמענו פ׳ פנחס על המשנה דמס׳ פרה הכל כשרים לקדש כו׳ וענין התולעת לא נת׳ שם אך נת׳ בתורה ע״פ וידבר ה׳ אל משה כו׳ זאת חוקת התורה וביאורה שנת תקס״ה כ״י כדו״ח הרב שי׳ [הוא הנדפס בסה״מ תקס״ה הנ״ל]. למאמר זה ראה גם ד״ה זה בסה״מ תרכ״ט ע׳ פה. סה״מ תרס״ה ע׳ רכד. המשך בששה״ק תער״ב ע׳ מא. לקו״ש חי״ג ע׳ 67. ד״ה לה״ע פרה בסה״מ תקס״ב-ב ע׳ שסח (וש״נ). ד״ה זאת חקת התורה פ׳ פרה תשמ״ו. ד״ה זאת התורה אדם תשמ״ז. ד״ה זאת חקת התורה תשמ״ה. תשמ״ח. ד״ה זאת חקת תשכ״ט (נדפס בקונטרס יב-יג תמוז תנש״א) בסה״מ מלוקט ח״ה. ביכעל קטן שמינית בויגין כת״י שתח״י באריכות יותר (קיד, ב) מבכאן [כ].
  18. 18
    ויצונו ה׳ לעשות את כל החקים · Deuteronomy 6:24
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  21. 21
  22. 22
  23. 23
  24. 24

2וזהו ויצונו ה׳ לעשות את כל החקים האלה כו׳ וזהו ועשיתם אתם וכתיב ושמרתם את חקתי כו׳

E isto é [o sentido de] “E Havayá nos ordenou cumprir todos estes estatutos”, etc. E isto é [o sentido de] “E os cumprireis”; e está escrito: “E guardareis Meus estatutos”, etc.,

Explicação

Esses versículos sobre “cumprir” os estatutos sustentam a afirmação de que a alma desceu “para fazer a Torá”. O verbo hebraico asá significa tanto “cumprir” como “fazer”, e o maamar o interpreta aqui como “fazer”.

אשר יעשה אותם האדם שהאדם הוא העושה אותן למצות וחוקים שממשיך אותן מבחי׳ אותיות החקיקה בבחינת תורה שבכתב ועי״ז וחי בהם

“que o homem cumprir”: pois o homem é aquele que os transforma em mitsvot e estatutos, ao atraí-los do nível das letras gravadas para o nível da Torá Escrita; e, por meio disso, “viverá por eles”.

Explicação

“Que o homem cumprir” significa que o homem transforma os estatutos em mitsvot: ele os atrai das letras gravadas, a raiz da Torá, para baixo, até a Torá Escrita. Por meio disso, “viverá por eles”, recebendo vida daquilo que atraiu para baixo.

וזהו ירידת הנשמות בגוף ירידה צורך עליה ועשיה והמשכה זו היינו ע״י אתעדל״ת [אתערותא דלתתא] וכמ״ש ואהבת בכל לבבך כו׳, ועי״ז אח״כ [אחר כך] והיו הדברים האלה אשר אנכי מצוך כו׳

E isto é [o propósito de] a descida das almas ao corpo: uma descida em prol de uma ascensão. E essa realização e atração para baixo se dão por meio de um despertar de baixo (isarusa dilesata), como está escrito: “E amarás… com todo o teu coração”, etc.; e, por meio disso, depois, “E estas palavras que Eu te ordeno estarão”, etc.

Explicação

É por isso que as almas descem aos corpos: a descida possibilita uma ascensão maior. A atração para baixo depende de um despertar de baixo, do amor da própria pessoa por D'us “com todo o seu coração”; depois disso vêm “estas palavras que Eu te ordeno”, a Torá atraída para baixo até ela.

(וזהו ע״ד [על דרך] שנת׳ [שנתבאר] סד״ה זכור את יום השבת לקדשו וכתיב שמור כו׳ גבי וכדי להעלות התורה ולקשרה באור א״ס [אין סוף] ב״ה ממש שלמעלה מבחי׳ אדם כו׳ ע״ש [עיין שם] גם כמ״ש סד״ה נר חנוכה כו׳

(E isto segue a linha do que foi explicado no final do discurso iniciado por “Lembra-te do dia de Shabat para santificá-lo; e está escrito: ‘Guarda’”, etc., a respeito de “e para elevar a Torá e ligá-la à própria Luz Infinita (Or Ein Sof), bendito seja Ele, que está acima do nível de Adam”, etc.; veja ali. Também conforme está escrito no final do discurso iniciado por “A lâmpada de Chanucá”, etc.,

Explicação

O parêntese compara isto ao final do discurso de Torah Ohr sobre “Lembra-te do dia de Shabat”, a respeito de elevar a Torá e ligá-la à Luz Infinita, que está acima do nível chamado Adam (homem). Ali, explica o trecho de Torah Ohr, não há absolutamente nenhuma divisão entre doador e receptor.

מזוזה מימין שאותיות התורה שרשן למעלה מעלה מבחי׳ התורה ונמשך משם בחי׳ תוספת אור באור התורה והיינו ע״י ההעלאה של נר מצוה וע״י אותיות התפלה כו׳ ע״ש [עיין שם], וענין האותיות שלמעלה מהתורה עצמה היינו בחי׳ אותיות החקיקה).

“A mezuzá à direita”: a raiz das letras da Torá está muito, muito acima do nível da Torá, e de lá uma luz adicional é atraída para a luz da Torá; e isto se dá por meio da elevação de “uma mitsvá é uma lâmpada” e por meio das letras da oração, etc.; veja ali. E as letras que estão acima da própria Torá são o nível das letras gravadas.)

Explicação

O discurso sobre Chanucá em Torah Ohr explica que as letras da Torá têm sua raiz muito acima da própria Torá, e que de lá se atrai uma luz adicional para a Torá, elevando-se as mitsvot (“uma mitsvá é uma lâmpada”) e as letras da oração. Essas letras acima da Torá, conclui o parêntese, são o que este maamar chama de letras gravadas.

ולהבין איך יהיה ביכולתם להמשיך המשכה עליונה זו וגם מה שייכות ענין זה שהוא כללות התורה למצות פרה אדומה דוקא.

E [é necessário] compreender como eles poderão atrair para baixo essa atração tão elevada; e também qual é a relação entre este assunto, que constitui a expressão geral e coletiva da Torá, e a mitsvá da vaca vermelha especificamente.

Explicação

Restam duas perguntas: como um ser humano pode atrair para baixo um nível tão elevado, e por que essa atração para baixo, que diz respeito à Torá inteira, estaria ligada especificamente à vaca vermelha?

והענין דהנה מבואר במ״א (בפ׳ יתרו בד״ה וכל העם רואים את הקולות) שכללות ענין המצות הוא שעי״ז נמשך לאדם בחי׳ ומדרגת מ״ש בחיות הקדש והחיות רצוא ושוב

E a explicação é a seguinte: está explicado em outro lugar (na Parashat Yitrô, no discurso iniciado por “E todo o povo via os sons”) que o propósito das mitsvot em geral é que, por meio delas, se atraia para a pessoa o nível e o grau daquilo que está escrito a respeito dos Chayot sagrados: “E os Chayot corriam e voltavam (ratzo vashov)”.

Explicação

A resposta começa com o discurso de Torah Ohr sobre a entrega da Torá: as mitsvot, em conjunto, conduzem a pessoa ao estado dos Chayot sagrados, os anjos da visão de Ezequiel, que “corriam e voltavam” (ratzo vashov). Ratzo é a corrida da alma em direção a D'us; shov é seu retorno, como as linhas seguintes explicam.

וזהו מ״ש באברהם הלוך ונסוע והוא מ״ש בס״י [בספר יצירה] ואם רץ לבך שוב לאחד, רץ לבך

E isto é o que está escrito a respeito de Avraham: “indo e viajando”; e é o que se diz no Sefer Yetzirah: “E se teu coração corre, retorna ao Um.” “Teu coração corre”:

Explicação

O “ir e viajar” de Avraham e o “se teu coração corre, retorna ao Um” do Sefer Yetzirah descrevem os mesmos dois movimentos. O maamar explica agora o primeiro: “teu coração corre”.

כי בינה ליבא שע״י ההתבוננות בגדולת ה׳ איך כי ביו״ד נברא העוה״ב [העולם הבא] שאפילו עוה״ב [עולם הבא] שהוא תענוג אין קץ

pois “Biná (entendimento) é o coração”: por meio da contemplação da grandeza de D'us, de como “com o yud foi criado o Mundo Vindouro”, de modo que até mesmo o Mundo Vindouro, que é um deleite sem fim,

Explicação

“Biná é o coração”: a contemplação, que é o trabalho de Biná, desperta os sentimentos do coração. Contempla-se que todo o Mundo Vindouro, um deleite sem fim, foi criado com o yud, a menor letra.

וכמאמר מוטב דלידייניה כו׳ נמשך רק מאות א׳ דכלא חשיב ממש לגבי עצמות א״ס [אין סוף] ב״ה

como no dito: “Melhor que seja julgado”, etc., provém de apenas uma letra, que é verdadeiramente considerada como nada em relação à essência do Infinito (Ein Sof), bendito seja Ele.

Explicação

O deleite do Mundo Vindouro é tão grande que Rabi Meir disse a respeito de Acher: “Melhor que seja julgado” e então entre nele. No entanto, tudo isso provém de uma única letra, que nada é em comparação com a própria essência de D'us.

וזהו כי עמך מקור חיים שבחי׳ מקור חיים ג״ע [גן עדן] ועוה״ב [ועולם הבא] הוא רק עמך בחי׳ טפל כו׳

E este é [o sentido de] “Pois contigo está a fonte da vida”: o nível da “fonte da vida”, Gan Eden e o Mundo Vindouro, está somente “contigo”, como algo secundário, etc.,

Explicação

Os Salmos dizem: “Contigo está a fonte da vida.” Gan Eden e o Mundo Vindouro, a “fonte da vida” das almas, estão somente “contigo”: junto a D'us, como algo secundário a Ele.

ובטל לגבי מהו״ע [מהותו ועצמותו] ית׳ ועי״ז יומשך הרצוא והתשוקה אליו ית׳ ממש ליכלל וליבטל בו ית׳ וכמ״ש מי לי בשמים ועמך לא חפצתי כו׳

e está anulado em relação à Sua essência e ao Seu ser, bendito seja Ele. E, por meio disso, serão despertados o correr e o anseio em direção a Ele próprio, bendito seja Ele, para ser incluído e anulado Nele, bendito seja Ele, como está escrito: “Quem tenho eu nos céus? E contigo não desejo”, etc.

Explicação

Perceber que até mesmo Gan Eden nada é diante da essência de D'us faz a alma correr e ansiar somente por Ele, para ser absorvida e anulada Nele. É assim que o maamar interpreta “Quem tenho eu nos céus? E contigo não desejo”: nem mesmo aquilo que está “contigo”.

פי׳ אפילו בחי׳ ג״ע [גן עדן] שנק׳ עמך מקור חיים לא חפצתי רק אליו ית׳ ממש, ורצוא זה נק׳ רץ לבך שהוא בחי׳ יסוד האש שבלב, ואח״כ [ואחר כך] שוב לאחד ונמשך מחמת

Isto é: nem mesmo o nível de Gan Eden, chamado “contigo está a fonte da vida”, desejo; desejo somente a Ele próprio, bendito seja Ele. E esse correr é chamado “teu coração corre”, que é o nível do elemento do fogo no coração. Depois vem [“retorna ao Um”], que é despertado por causa de

Explicação

O próprio Gan Eden, “contigo está a fonte da vida”, não é o que a alma deseja; ela deseja o próprio D'us. Esse correr é “teu coração corre”, o elemento do fogo no coração; depois vem o segundo movimento, “retorna ao Um”.

ההתבוננות בסכ״ע [בסובב כל עלמין] אשר אין לפניו מעלה ומטה ועולמות העליונים עם העשייה גשמיות שוין אצלו ית׳ כמ״ש את השמים ואת הארץ אני מלא א״כ [אם כן] לא שייך רצוא ועליה כי הוא

a contemplação da luz que circunda todos os mundos (sovev kol almin), diante da qual não há acima nem abaixo, e os mundos superiores, juntamente com o mundo físico de Assiá (Ação), são iguais para Ele, bendito seja Ele, como está escrito: “Eu preencho os céus e a terra”. Sendo assim, não se aplicam o correr e a ascensão, pois Ele

Explicação

O retorno decorre da contemplação de D'us como sovev kol almin, a luz que circunda todos os mundos, para a qual não há acima nem abaixo: os mundos mais elevados e este mundo físico são iguais diante Dele, como em “Eu preencho os céus e a terra”. Se Ele está igualmente presente em toda parte, não há lugar mais elevado para onde correr.

נמצא למטה כמו למעלה וכל העליות ילכו מחיל אל חיל זהו שייך רק בבחי׳ ממכ״ע [ממלא כל עלמין] כו׳

Se encontra abaixo assim como acima; e todas as ascensões, “vão de força em força”, aplicam-se somente ao nível da luz que preenche todos os mundos (memalê kol almin), etc.

Explicação

Ele está tão presente abaixo quanto acima. Subir “de força em força” pertence somente a memalê kol almin, a luz que preenche cada mundo segundo sua medida, de modo que um mundo recebe mais do que outro.

ואדרבה בחי׳ גילוי זה דסכ״ע [דסובב כל עלמין] יהיה לע״ל [לעתיד לבוא] למטה דוקא, וזהו ולא תוסיף קום שא״צ [שאין צריך / שאינו צריך] עליות כי יהיה הגילוי למטה ע״י קיום התורה ומצות בעשייה

Ao contrário: essa revelação de sovev kol almin ocorrerá, no Tempo Vindouro, especificamente abaixo. E este é [o sentido de] “e ela não se levantará mais”: não há necessidade de ascensões, pois a revelação estará abaixo, por meio do cumprimento da Torá e das mitsvot em Assiá.

Explicação

Na verdade, a revelação de sovev kol almin está destinada a chegar, no Tempo Vindouro, especificamente abaixo, por meio do cumprimento efetivo da Torá e das mitsvot neste mundo mais inferior. O maamar interpreta “ela não se levantará mais” assim: não haverá necessidade de subir, pois a revelação estará aqui embaixo.

ולכן נמשך מזה בחי׳ שוב והוא בחי׳ יראה וביטול שלמעלה מבחי׳ אהבה והוא בחי׳ יסוד המים שבמוח חכמה כח מ״ה [מה] שלמעלה מבחי׳ בינה ליבא כו׳.

Portanto, disso se estende o nível de “retorno” (shov); ele é o nível de temor e autoanulação (bitul), que está acima do nível do amor; e é o nível do elemento da água no cérebro, Chochmá (sabedoria), koach mah (a potência do “quê”), que está acima do nível de “Biná é o coração” etc.

Explicação

Assim, o retorno (shov) decorre dessa contemplação. Ele é temor e autoanulação, superiores ao amor: o elemento da água no cérebro, Chochmá, lida como koach mah, “a potência do quê”, acima de Biná, o entendimento que desperta o coração.

O parágrafo 2 em resumo

O parágrafo explica como o homem “faz” os estatutos, atraindo para baixo a raiz da Torá por meio de seu próprio serviço, e introduz a ideia central do maamar: as mitsvot conduzem a pessoa a ratzo vashov, a correr em direção a D'us com amor (fogo no coração, proveniente de Biná) e a retornar com temor e autoanulação (água no cérebro, Chochmá), pois a luz que circunda todos os mundos deve ser revelada aqui embaixo.

Aprofundar

Os dois movimentos decorrem de duas contemplações. Ao perceber que até mesmo o Mundo Vindouro é uma única letra, nada diante da essência de D'us, a alma anseia por abandonar tudo por Ele (ratzo); ao perceber que, como sovev kol almin, Ele está igualmente presente acima e abaixo, ela retorna para servi-Lo aqui (shov). Por isso, a revelação do Mundo Vindouro está ligada às mitsvot realizadas neste mundo físico, e por isso o amor, proveniente de Biná, é colocado abaixo do temor e do bitul, provenientes de Chochmá.

Marei mekomot

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Fogo e água: a vaca como forma geral ¶3–8

3ועמ״ש מזה בד״ה וידעת היום. אך איך יבא האדם לבחי׳ זו הוא ע״י קיום המצות

E veja o que está escrito sobre isso no discurso que começa com “E saberás neste dia”. Mas como pode a pessoa chegar a esse nível? Por meio do cumprimento das mitsvot,

Explicação

O texto remete a uma discussão mais completa no discurso “E saberás neste dia” (em Likkutei Torah, Vaetchanan). Em seguida, responde à primeira pergunta: a pessoa chega a ratzó vashov por meio da prática das mitsvot.

דכתיב מימינו אש דת ימינו הוא בחי׳ מים וגם אש דת שכלולים מב׳ בחי׳ אלו ועי״ז יבא האדם לבחי׳ רצוא ושוב שהן בחי׳ אש ומים כו׳

como está escrito: “De Sua mão direita, uma lei de fogo”. “Sua mão direita” é o nível da água, e [é] também “uma lei de fogo”, [isto é,] que são compostas desses dois níveis. E, por meio disso, a pessoa chegará ao nível de ratzó vashov (correr e retornar), que são os níveis de fogo e água, etc.,

Explicação

A Torá é “uma lei de fogo”, dada “de Sua mão direita”. A mão direita corresponde ao nível da água, e a própria lei é fogo; assim, a Torá e suas mitsvot contêm ambos. Por meio delas, a pessoa chega a ratzó, que é fogo, e a shov, que é água.

שהן כללות התורה שעד״ז [שעל דרך זה] הוסדו כל המצות שהוא רק שיהיה בחינת העלאת מ״ן [מיין נוקבין] דהיינו אתעדל״ת [אתערותא דלתתא] והמשכת מ״ד [מיין דוכרין] בחי׳ אתעדל״ע [אתערותא דלעילא].

que constituem a expressão geral e coletiva da Torá; pois foi segundo esse padrão que todas as mitsvot foram estabelecidas: que haja o nível de elevação de mayin nukvin (águas femininas), isto é, um despertar de baixo (isarusa dilesata), e a atração de mayin duchrin (águas masculinas), o nível de um despertar do alto (isarusa dileila).

Explicação

Fogo e água, correr e retornar, são o padrão geral de toda a Torá. Cada mitsvá é estruturada de modo que a pessoa eleve “águas femininas” (mayin nukvin), seu próprio despertar de baixo; em resposta, “águas masculinas” (mayin duchrin), um despertar do alto, são atraídas para ela.

O parágrafo 3 em resumo

O parágrafo responde como a pessoa pode alcançar ratzó vashov: por meio das mitsvot, que, assim como a Torá dada como “uma lei de fogo” da “mão direita” de D'us, combinam fogo e água e são todas estruturadas segundo o padrão de elevar águas femininas de baixo e atrair águas masculinas do alto.

Aprofundar

Na Cabalá, mayin nukvin são as “águas” que o receptor eleva, expressando seu anseio de receber; mayin duchrin são o fluxo que o doador envia do alto em resposta. A elevação corresponde a ratzó, e a atração do alto corresponde a shov; assim, a estrutura de cada mitsvá repete o correr e retornar das Chayot.

Marei mekomot

  1. 1

4והנה מצות פרה אדומה הוא כללות ענין זה דבחי׳ הרצוא ושוב, הרצוא זהו ענין שריפת הפרה לאפר.

Ora, a mitzvá da vaca vermelha é sua expressão geral e coletiva (klalus) deste assunto do nível de ratzo vashov. O ratzo (corrida) é a queima da vaca até reduzi-la a cinzas,

Explicação

A vaca vermelha é agora apresentada como ratzo vashov em sua forma geral e completa. Queimar a vaca até reduzi-la a cinzas corresponde ao ratzo, a corrida da alma para o alto.

והשוב זהו ענין ונתן עליו מים חיים אל כלי. ולכן נאמר בה דייקא זאת חקת התורה.

e o shov (retorno) é [o sentido de] “e porá sobre ela água viva num recipiente”. Por isso, é especificamente a respeito dela que se diz: “Este é o estatuto da Torá”.

Explicação

Pôr “água viva”, água fresca de nascente, sobre as cinzas num recipiente corresponde ao shov, o retorno. É por isso que esta mitzvá, em particular, é chamada “o estatuto da Torá”.

(ועמ״ש בד״ה וקבל היהודים גבי שאין כח בנפש להכיל כו׳ כ״א [כי אם] בבחי׳ רצוא ושוב והיינו כמ״ש בזח״ג [בזהר חלק ג]) (האזינו דרפ״ח ע״ב) ועל האי אקרי כו׳ והחיות רצוא ושוב.

(E veja o que está escrito no discurso que começa com “E os judeus aceitaram sobre si”, a respeito [da ideia] de que a alma não tem capacidade para conter etc., exceto por meio de ratzo vashov; e isso corresponde ao que está escrito no Zohar, Parte III) (Haazinu, página 288b): “E por isso é chamada”, etc., “E as Chayot corriam e retornavam”.

Explicação

O parêntese remete ao discurso de Torah Ohr sobre “E os judeus aceitaram sobre si”, que explica que a alma não pode conter a luz divina senão por meio da corrida e do retorno. O Zohar diz o mesmo sobre a Cabeça superna, que nenhuma sabedoria pode apreender: a seu respeito se diz “E as Chayot corriam e retornavam”.

והנה הגם שבכל מצוה יש בחי׳ זו אך לא בא בחינה זו בביאור וגילוי גמור בכל המצות כמו במצות פרה אדומה.

Ora, embora haja este nível em toda mitzvá, ele não se manifesta com plena clareza e revelação em todas as mitzvot como na mitzvá da vaca vermelha,

Explicação

Toda mitzvá contém ratzo vashov, mas, na maioria das mitzvot, isso está oculto. Na vaca vermelha, manifesta-se plenamente.

שכל ענינה הוא ב׳ בחינות אלו דרצוא ושוב שזהו ענין האפר והמים חיים, ולפיכך הוא נק׳ חקת התורה.

cujo conteúdo inteiro são estes dois níveis de ratzo vashov, isto é, as cinzas e a água viva. Por isso, ela é chamada “o estatuto da Torá”.

Explicação

Todo o procedimento da vaca vermelha consiste nestes dois elementos, as cinzas e a água viva, revelando assim abertamente o padrão de toda a Torá. É por isso que ela é chamada “o estatuto da Torá”.

O parágrafo 4 em resumo

A vaca vermelha revela abertamente os dois movimentos que estão na base de todas as mitzvot: a queima até reduzi-la a cinzas é ratzo, e a água viva posta sobre as cinzas é shov. É por isso que somente ela é chamada “o estatuto da Torá”.

Aprofundar

A passagem do Zohar citada vincula ratzo vashov aos limites da compreensão: diante de um nível que nenhuma sabedoria pode conter, as Chayot só podem dirigir-se a ele e retornar; o Zohar interpreta “Foge para o teu lugar” no mesmo sentido. Essa alternância é a maneira pela qual uma alma finita pode conter uma luz que a ultrapassa.

Marei mekomot

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    וקבל היהודים · Esther 9:23
  4. 4
    ועל האי אקרי כו׳ והחיות רצוא ושוב · Zohar, Idra Zuta 1:29–4:37
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    והחיות רצוא ושוב · Ezekiel 1:14

5וזהו ע״ד [על דרך] משנ״ת [מה שנתבאר] במ״א ע״פ והאיש משתאה לה בענין מארז״ל [מאמר רבותינו זכרונם לברכה] יפה שיחתן של עבדי בתי אבות מתורתן של בנים שהרי פרשה של אליעזר כפולה בתורה והרבה גופי תורה לא נתנו אלא ברמיזה.

E isso segue a linha do que foi explicado em outro lugar, a propósito do versículo “E o homem a contemplava”, acerca da afirmação de nossos Sábios, de abençoada memória: “A conversa dos servos das casas dos Patriarcas é mais bela do que a Torá dos filhos; pois a passagem de Eliezer é repetida na Torá, enquanto muitos princípios essenciais da Torá foram transmitidos apenas por alusão.”

Explicação

O texto compara isso com um maamar sobre “E o homem a contemplava”, a respeito de Eliezer, servo de Avraham, junto ao poço. Explica a afirmação dos Sábios de que a conversa dos servos dos Patriarcas é “mais bela” do que a Torá de seus descendentes: a história de Eliezer é contada duas vezes em detalhe, enquanto muitas leis essenciais são apenas insinuadas.

O parágrafo 5 em resumo

É apresentada uma comparação: a Torá relata extensamente a missão de Eliezer, embora muitas leis essenciais sejam transmitidas apenas por alusão. O parágrafo seguinte explica a razão, que também esclarecerá a vaca vermelha.

Marei mekomot

  1. 1
    והאיש משתאה לה · Genesis 24:21

6והיינו לפי שפרשה של אליעזר הוא ענין התחברות שם ב״ן [שם ב״ן] לשם מ״ה [שם מ״ה] והיינו תשבע״פ [תורה שבעל פה] עם תשב״כ [תורה שבכתב]

E isso porque a passagem sobre Eliezer trata da união do Nome Ban (52) com o Nome Mah (45), isto é, da Torá Oral com a Torá Escrita;

Explicação

A razão apresentada ali: a missão de Eliezer, trazendo uma esposa para Yitschac, representa a união do Nome Ban (52) com o Nome Mah (45), os aspectos receptor e doador. Em termos da Torá, trata-se da união da Torá Oral com a Torá Escrita.

והוא כללות החיבור דמ״ה [דשם מ״ה] וב״ן [ושם ב״ן] ובכל המצות הוא דרך פרטי, שיחוד זה במצוה זו הוא בחינה פרטית כו׳ ע״ש [עיין שם].

e ela constitui a expressão geral e coletiva da união de Mah e Ban, ao passo que, em todas as mitsvot, isso ocorre de maneira particular, pois essa união, em determinada mitsvá, é um nível particular, etc.; veja ali.

Explicação

A história de Eliezer é a expressão geral e coletiva dessa união, razão pela qual a Torá se detém nela. Cada mitsvá efetua a mesma união, mas apenas de maneira particular e parcial.

O parágrafo 6 em resumo

A passagem sobre Eliezer trata da união de Mah e Ban, da Torá Escrita e da Torá Oral, em sua forma geral, ao passo que cada mitsvá efetua apenas uma parte particular dela.

Aprofundar

Mah (45) e Ban (52) são duas grafias do Nome Havayá com suas letras expandidas, com alef e com hei. Mah está associado a Zeir Anpin, o doador, e à Torá Escrita; Ban, a Malchut, a receptora, e à Torá Oral. A união deles é o que toda mitsvá deve realizar.

Marei mekomot

  1. 1
    ביו״ד נברא העוה״ב · Menachot 29b:13–14

7וכענין זה יובן ג״כ בפרה אדומה שעליה נאמר חקת התורה שהיא ג״כ כללות התורה. דהיינו שע״י האפר ומים חיים הוא כללות חיבור הרצוא ושוב שזהו ענין יחוד מ״ה [שם מ״ה] וב״ן [ושם ב״ן].

Do mesmo modo, também se compreenderá a respeito da vaca vermelha, da qual se diz “o estatuto da Torá”, que ela também é sua expressão geral e coletiva: por meio das cinzas e da água viva, há a expressão geral e coletiva da união de ratzo e shov, que é a união de Mah e Ban.

Explicação

A vaca vermelha também é a expressão geral e coletiva da Torá: suas cinzas e sua água viva unem ratzo a shov, e essa união é, ela própria, a união de Mah e Ban.

והוא ג״כ כענין התחברות הלב והמוח שיסוד האש הוא בלב וזהו אם רץ לבך. ויסוד המים הוא במוח והוא בחי׳ שוב ושיתחברו יחד זהו ענין חיבור הרצוא ושוב ועמ״ש בד״ה החלצו מאתכם כו׳.

E isso também é semelhante à união do coração e do cérebro: pois o elemento do fogo está no coração, e este é “se teu coração corre”; o elemento da água está no cérebro, e este é o nível de “retorno”; e sua união é a união de ratzo e shov. Veja também o que está escrito no discurso que começa “Armai-vos dentre vós”, etc.

Explicação

Na pessoa, a mesma união ocorre na ligação entre o coração e o cérebro: o fogo, que é a corrida, está no coração (“se teu coração corre”), e a água, que é o retorno, está no cérebro. O texto remete ao discurso “Armai-vos dentre vós”, em Likkutei Torah, para mais detalhes.

O parágrafo 7 em resumo

Assim como a porção de Eliezer, a vaca vermelha representa uma união em sua expressão geral: de ratzo e shov, de Mah e Ban e, na pessoa, do coração e do cérebro.

Aprofundar

O discurso citado descreve essa união de opostos como “paz”: a esquerda (Guevurá) incluída na direita (Chessed), uma união que provém de uma luz acima da cadeia descendente dos mundos, de modo que os dois, embora sejam em si opostos, tornam-se verdadeiramente um.

Marei mekomot

  1. 1
    אם רץ לבך · Sefer Yetzirah 1:8
  2. 2
    בד״ה החלצו מאתכם · לקו״ת מטות פו, ג.
  3. 3
    החלצו מאתכם · Numbers 31:3

8והנה בכל המצות יש ג״כ בחי׳ אש ומים ולכן ע״י קיום כל מצוה יבא האדם לבחי׳ רצוא ושוב כי גם כל אבר כלול מהלב ומוח.

Ora, em todas as mitsvot há também o nível do fogo e da água; por isso, por meio do cumprimento de cada mitsvá, a pessoa chegará ao nível de ratzo vashov, pois cada membro também é composto pelo coração e pelo cérebro.

Explicação

Cada mitsvá contém fogo e água e, por isso, leva a pessoa a ratzo vashov. Do mesmo modo, cada membro do corpo contém algo tanto do coração quanto do cérebro.

אמנם שם הוא בחינה פרטית, אבל במצות פרה אדומה הוא כללות יחוד זה וכמו חיבור ויחוד המוח והלב עצמן כו׳.

Ali, porém, trata-se de um nível particular; mas, na mitsvá da vaca vermelha, está a expressão geral e coletiva dessa união, como na própria união e conjunção do cérebro e do coração, etc.

Explicação

Em um único membro, a união do coração e do cérebro é apenas parcial. A vaca vermelha é como a união do próprio cérebro e do coração: a união em sua forma geral.

ועמ״ש עוד בפ׳ שלח בד״ה והיה לכם לציצית בענין אש יו״ד ואש ה״א דשם מבואר ג״כ איך ע״י המצות נמשך יחוד זה כו׳ ע״ש [עיין שם]:

E veja-se também o que está escrito mais adiante, na Parashat Shelach, no discurso que começa com “E será para vós como tsitsit”, a respeito do fogo do yud e do fogo do hei, onde também se explica como essa união é atraída por meio das mitsvot, etc.; veja-se ali.

Explicação

O texto remete ao discurso sobre tsitsit em Likkutei Torah, Shelach, a respeito do “fogo do yud” e do “fogo do hei”: ish (homem) e ishá (mulher) contêm ambos esh (fogo), com um yud em um e um hei na outra. Esse discurso também explica como as mitsvot atraem essa união para baixo.

O parágrafo 8 em resumo

Cada mitsvá une fogo e água de uma maneira particular, assim como cada membro une coração e cérebro; a vaca vermelha é a união em sua forma geral, como o próprio coração e o cérebro.

Marei mekomot

  1. 1
    בד״ה והי׳ לכם לציצית · לקו״ת שלח מד, ד.
  2. 2
    והיה לכם לציצית · Numbers 15:39
  3. 3
    אש יו״ד ואש ה״א · Sotah 17a:2–3

A queima: a alma animal e seu desejo ¶9–14

9ב ועתה יש להבין ענין שריפת הפרה איך שזהו בחי׳ רצוא. והענין דאיתא בזהר (פ׳ חקת דק״פ ע״ב) פרה דקבילת מן שמאלא ומאן הוא לשמאלא שור כד״א [כמה דאת אמר] ופני שור מהשמאל

2. Agora é preciso compreender o sentido da queima da novilha: como ela corresponde ao nível de ratzó. A explicação é que está dito no Zohar (Parashat Chukat, p. 180b): “A novilha recebe do lado esquerdo. E quem está à esquerda? O boi, como está escrito: ‘E o rosto de um boi à esquerda.’”

Explicação

A seção 2 explica por que a queima da novilha corresponde a ratzó. O Zohar diz que a novilha “recebe do lado esquerdo”, do boi, pois, na visão da Carruagem de Ezequiel, “o rosto de um boi” está à esquerda.

כי שמאל דוחה וימין מקרבת ויש למעלה בחי׳ ימין ושמאל תפרוצי שמבחי׳ ימין נמשך ההשפעה בהתגלות אור וזהו ימין מקרבת

Pois “a esquerda afasta, e a direita aproxima”. E, no Alto, há os níveis de “à direita e à esquerda te expandirás”: do nível da direita, a influência flui com uma revelação de luz, e isso é “a direita aproxima”.

Explicação

A expressão dos Sábios “a esquerda afasta, e a direita aproxima” descreve duas maneiras pelas quais a influência Divina é concedida. Da direita, a influência vem abertamente, com luz revelada, aproximando quem a recebe.

ולכן א״א [אי אפשר] להחיצונים לקבל יניקה מבחי׳ ימין כי ההשפעה הבאה בבחי׳ ההתקרבות והחיבה אינו רק לסט׳ [לסטרא] דקדושה וכמ״ש אהבתי אתכם אמר ה׳

Por isso, é impossível que as forças externas recebam sustento do nível da direita, pois a influência que vem por meio da proximidade e do afeto destina-se somente ao lado da santidade, como está escrito: “Eu vos amei, diz Havayá”,

Explicação

Como a direita concede com proximidade e afeto, somente o lado da santidade recebe dela; as forças externas, que se opõem à santidade, não podem extrair dela. “Eu vos amei, diz Havayá” mostra que esse amor se destina ao lado da santidade.

וכתיב יאר פניו אתנו משא״כ הקליפות אינם מקבלים רק מבחי׳ אחוריים דהיינו כמאן דשדי בתר כתפין ולזאת אין להם יניקה מבחי׳ ימין מקרבת כ״א [כי אם] אדרבה ימינך ה׳ תרעץ אויב כתיב

e está escrito: “Que Ele faça resplandecer Sua face sobre nós.” As kelipot, porém, recebem somente do nível do “costas” (achoraim), isto é, como alguém que lança [algo] por cima do ombro. Por isso, não recebem sustento do nível de “a direita aproxima”; pelo contrário, está escrito: “Tua mão direita, Havayá, despedaça o inimigo.”

Explicação

O resplendor da “face” de D'us representa proximidade. As kelipot recebem somente das “costas”, como algo lançado por cima do ombro, sem olhar; longe de alimentar o inimigo, a mão direita de D'us o “despedaça”.

(ולכן בחורבן בהמ״ק [בית המקדש] כתיב השיב אחור ימינו כו׳ ועמ״ש בד״ה ואהיה אצלו אמון בענין וימינך מקרב חיקך כלה) כ״א [כי אם] יניקתם הוא מבחי׳ שמאל כי

(Por isso, na destruição do Templo Sagrado, está escrito: “Ele retirou Sua mão direita”, etc.; e veja o que está escrito no discurso que começa “Então eu estava junto d'Ele como um protegido”, sobre o tema de “Tua mão direita, tira-a de dentro de Teu seio e consome [os inimigos]”.) Ao contrário, o sustento delas provém do nível da esquerda, pois

Explicação

Por isso, quando o Templo foi destruído e o inimigo prevaleceu, as Escrituras dizem que D'us “retirou Sua mão direita”. O texto também remete ao discurso “Então eu estava junto d'Ele como um protegido”, sobre o apelo para que D'us tire Sua mão direita “de dentro de Teu seio” e consuma o inimigo.

הנה שמאל דוחה שההשפעה שמקו השמאל אינו בבחינת ודרך ימין שמקרבת כ״א [כי אם] בבחי׳ דחייה שדוחה את ההשפעה

“a esquerda afasta”: a influência da linha da esquerda não segue o modo e o caminho da direita, que aproxima; ao contrário, segue o modo de afastar, afastando a influência.

Explicação

A esquerda “afasta”: sua concessão não aproxima, mas repele, de modo que aquilo que concede chega distante de quem concede.

ולכן ע״י רבוי הצמצומים דחייה אחר דחייה יוכל להיות שיקבלו ג״כ החיצונים וזהו ענין פרה דקבילת משמאלא

Por isso, mediante numerosas contrações, um afastamento após o outro, pode acontecer que também as forças externas recebam. E este é o sentido de “a novilha recebe da esquerda”.

Explicação

Por meio de numerosas contrações, um afastamento após o outro, a influência se reduz e se distancia a tal ponto que até as forças externas podem recebê-la. É isso que o Zohar quer dizer ao afirmar que a novilha “recebe da esquerda”.

(ועיין בפי׳ הרמ״ז [הרב משה זכות] שם ובלק״ת [ובלקוטי תורה (להאריז״ל)] ס״פ חקת וע׳ [ועיין] בזח״ב [בזהר חלק ב׳] פקודי דף רכ״ד ע״ב ובפי׳ הרמ״ז [הרב משה זכות] שם ובזהר בפ׳ אחרי דע״ט ע״ב מענין יניקת החיצונים מקו השמאל) וזהו ענין מצות פרה אדומה לתקן ענין זה.

(Veja o comentário do Ramaz ali, o Likkutei Torah do AriZal no fim de Parashat Chukat; veja também o Zohar, Parte II, Pekudei, p. 224b, e o comentário do Ramaz ali; e o Zohar, em Parashat Acharei, p. 79b, sobre o sustento das forças externas a partir da linha da esquerda.) E este é o propósito da mitzvá da novilha vermelha: retificar esse assunto.

Explicação

O trecho entre parênteses apresenta outras fontes sobre as forças externas que extraem sustento da linha da esquerda. Como cita o Ramaz (Rabi Moshe Zacuto) na nota de Kehot, nenhuma kelipá provém da direita; a própria esquerda, ao se estender para baixo, torna-se escória. A novilha vermelha vem reparar isso.

ושבע הזיות נכח פני אהל מועד היינו להעלות פנימיותה שהוא בחי׳ הטוב שנמשך ונתפשט בתוכה מבחינת פני שור שבמרכבה ולהחזירו ולהעלותו לשרשו ואח״כ [ואחר כך] שריפת הפרה לעשותה אפר.

E as sete aspersões “em direção à frente da Tenda do Encontro” destinam-se a elevar sua dimensão interior (pnimiyut), que é o nível do bem que foi atraído e se difundiu dentro dela a partir do nível da face do boi na Carruagem, e a fazê-lo retornar e elevá-lo à sua raiz. E depois [vem] a queima da novilha, para transformá-la em cinzas.

Explicação

Antes de a novilha ser queimada, seu sangue é aspergido sete vezes “em direção à frente da Tenda do Encontro”. Isso eleva o bem que há dentro dela, que veio da “face do boi” na Carruagem, de volta à sua raiz; somente depois a novilha é queimada até virar cinzas.

הענין דהנה עד״מ [על דרך משל] כששורפים עצים ועי״ז נעשים אפר שהאפר הוא מהותו ועצמותו של העץ הנשרף

A explicação é a seguinte: a título de analogia, quando a madeira é queimada e, por isso, se transforma em cinzas, estas são o próprio ser e a essência da madeira queimada;

Explicação

Para explicar a queima, o maamar usa uma analogia: quando a madeira queima, as cinzas que restam são a própria essência da madeira.

כי הכל הי׳ [היה] מן העפר רק שנרכבו בו עוד ג׳ יסודות אש רוח מים אל העפר שהוא עצמותו וע״י השריפה באש

pois “tudo veio do pó”; apenas outros três elementos — fogo, ar e água — foram combinados com a terra, que é sua essência. E, por meio da queima no fogo,

Explicação

“Tudo veio do pó”: a terra é a essência da madeira, e fogo, ar e água apenas se combinaram com ela. A queima os separa.

אזי ג׳ יסודות אמ״ר [אש מים רוח] שהיו בהעץ חלפו וכלו בעשן המתהוה מהרכבתן ויסוד הד׳ שהי׳ [שהיה] בעץ שזהו עצמותו

os três elementos — fogo, água e ar — que havia na madeira se dissipam e são consumidos na fumaça que se forma de sua combinação; e o quarto elemento que havia na madeira, que é sua essência,

Explicação

No fogo, os outros três elementos deixam a madeira e desaparecem na fumaça produzida por sua combinação. O quarto elemento, a terra, que é a essência da madeira, permanece.

שהוא העפר שבו הוא הנשאר קיים והוא האפר והוא ג״כ ענין חומר וצורה שבכל דבר יש חומר וצורה.

isto é, a terra que há nela, é o que permanece existente, e ela é as cinzas. E isso também corresponde à questão da matéria e da forma, pois em tudo há matéria e forma.

Explicação

O que permanece é a terra que há na madeira: as cinzas. A mesma distinção pode ser expressa em termos de matéria e forma, que existem em todo objeto físico.

והחומר הפשוט של העץ הוא יסוד העפר וג׳ היסודות אר״מ [אש רוח מים] הן רק הצורה של העץ וע״י שריפת העץ נשאר רק עצם החומר שלו הפשוט כו׳.

A matéria simples da madeira é o elemento terra, e os três elementos — fogo, ar e água — são apenas a forma da madeira; e, por meio da queima da madeira, permanece apenas a essência de sua matéria simples, etc.

Explicação

A terra é a matéria simples da madeira, e os outros três elementos lhe conferem sua forma particular. A queima remove a forma e deixa apenas a matéria simples; o parágrafo seguinte aplica isso à alma.

O parágrafo 9 em resumo

A seção 2 começa a explicar por que a queima da novilha corresponde a ratzó. A novilha “recebe da esquerda”, o lado por meio do qual as forças externas recebem força vital, mediante numerosas contrações; a mitzvá retifica isso elevando primeiro o bem interior da novilha à sua raiz e, em seguida, queimando-a até virar cinzas, que, como as cinzas da madeira, são sua matéria simples depois que sua forma desaparece.

Aprofundar

A analogia das cinzas como essência da madeira queimada também aparece em Iggeres HaKodesh (seção 15), onde explica as palavras de Avraham: “Sou pó e cinzas”. Matéria e forma são termos da filosofia medieval, como no Rambam: todo corpo abaixo dos céus é composto de matéria e forma, e sua matéria, dos quatro elementos.

Marei mekomot

  1. 1
    ועתה יש להבין · לסעיף זה ראה סה״מ תרכ״ט (הוצאת תשנ״ב) ע׳ קא ואילך.
  2. 2
    פרה דקבילת מן שמאלא ומאן הוא לשמאלא שור · Zohar, Chukat 3:16–4:25
  3. 3
    ופני שור מהשמאל · Ezekiel 1:10
  4. 4
    שמאל דוחה וימין מקרבת · Sotah 47a:6–7
  5. 5
    ימין ושמאל תפרוצי · Isaiah 54:3
  6. 6
    אהבתי אתכם אמר ה׳ · Malachi 1:2
  7. 7
    יאר פניו אתנו · Psalms 67:2
  8. 8
    ימינך ה׳ תרעץ אויב · Exodus 15:6
  9. 9
    השיב אחור ימינו · Lamentations 2:3
  10. 10
    בד״ה ואהי׳ אצלו אמון · Numbers 18:4
  11. 11
    ואהיה אצלו אמון · Proverbs 8:30
  12. 12
    וימינך מקרב חיקך כלה · Psalms 74:11
  13. 13
    ובלקו״ת ס״פ חקת · להאריז״ל.
  14. 14
    בזח״ב פקודי דף רכ״ד ובפי׳ הרמ״ז שם · ”כי הימין אין ממנה קליפה אבל השמאל עצמו בהתפשטותו למטה נעשה סיגים”. ביאה״ז להצ״צ-א ע׳ שעג. ובכרך-ב ע׳ תתנב ד״ה אמר לצפון תני — תר״ן ע׳ שצ. ראה גם לקמן נז, ג.
  15. 15
    ושבע הזיות נוכח פני אהל מועד · Numbers 19:4
  16. 16
    שהאפר הוא מהותו . . של העץ · ראה אגה״ק סי׳ טו. אוה״ת יתרו ע׳ תתכו.
  17. 17
    הכל הי׳ מן העפר · Ecclesiastes 3:20
  18. 18
    חומר וצורה · במו״נ להרמב״ם בשלישי פכ״ב ובח״א (פי״ז) ובפ״א מח׳ פרקים שלו. [כ]. ראה הל׳ יסוה״ת רפ״ד.
  19. 19

10והנה כך עד״מ [על דרך משל] בעבודת ה׳ יש בחי׳ עד״ז [על דרך זה] והוא כי הנפש הבהמית נשתלשלה ג״כ מפני שור מהשמאל כמו בחי׳ פרה דקבילת משמאלא.

Ora, também no serviço a D'us há, por analogia, um nível semelhante: a alma animal também descendeu de “a face de um boi à esquerda”, como o nível de “uma novilha, que recebe da esquerda”.

Explicação

A analogia agora se volta ao serviço da pessoa a D'us. A alma animal, fonte dos impulsos naturais da pessoa, também provém de “a face de um boi à esquerda”, como a novilha que “recebe da esquerda”.

וכמו שמבחי׳ פרה נמשך אחר כך ההשפעה לחיצונים כך מן המדות דנה״ב [דנפש הבהמית] נמשך החשק והתאוה לתענוגי עוה״ז [עולם הזה] בהיתר או באיסור ח״ו [חס ושלום],

E, assim como do nível da novilha a influência é depois transmitida às forças externas, também dos atributos emocionais (midot) da alma animal emanam o desejo e a ânsia pelos prazeres deste mundo, sejam eles permitidos ou proibidos, D'us não o permita.

Explicação

Assim como o fluxo da novilha prossegue até as forças externas, as emoções da alma animal também dão origem ao desejo pelos prazeres deste mundo, sejam eles permitidos ou proibidos.

והנה כשהאדם חושק וחפץ לדבר מעניני עוה״ז [עולם הזה] הגשמי הנה אותו הדבר הוא כלי להרצון והתשוקה שבלב האדם

Ora, quando uma pessoa deseja e quer algo dentre as coisas deste mundo físico, esse objeto é um recipiente para a vontade e o anseio que há em seu coração;

Explicação

Quando uma pessoa quer algo deste mundo, o próprio objeto se torna um “recipiente” para a vontade e o anseio em seu coração: é aquilo de que a vontade se apodera e no qual toma forma.

וכן אותיות המחשבה והדבור שמהרהר ומדבר איך להשיג הדבר הן ג״כ כלים להרצון ההוא וכ״ש [וכל שכן] המעשה שהן כולם בחי׳ כלים ולבושים להרצון גם הם

e, da mesma forma, as letras do pensamento e da fala com as quais ela pensa e fala sobre como obter esse objeto também são recipientes para essa vontade, e mais ainda o é a ação; pois todos eles são o nível de recipientes e vestimentas para a vontade. E eles também [são]

Explicação

Assim também são os pensamentos e as palavras com os quais ela planeja como obtê-lo, e ainda mais o ato de obtê-lo. Todos são recipientes e vestimentas nos quais a vontade se reveste.

כמו צורה לחומר לעצם הרצון שהוא עד״מ [על דרך משל] כמו החומר הפשוט והם הם הצורה להיות רוצה כך וכך כו׳.

como a forma em relação à matéria, [forma] em relação à essência da vontade, que, por analogia, é como a matéria simples; e são eles que constituem a forma, [para que ele] queira isto ou aquilo, etc.

Explicação

Nos termos da analogia da madeira, esses recipientes são a “forma”, e a própria vontade é a “matéria simples”. Os recipientes dão à vontade indeterminada sua forma específica: querer isto ou aquilo.

O parágrafo 10 em resumo

A analogia da queima é aplicada à alma. A alma animal, assim como a novilha, provém da esquerda, e seus desejos, assim como o fluxo da novilha, podem se estender aos prazeres mundanos; em cada desejo, a própria vontade é a matéria simples, enquanto o objeto desejado e os pensamentos, palavras e atos relacionados a ele constituem sua forma.

Marei mekomot

  1. 1
    מפני שור מהשמאל · Ezekiel 1:10
  2. 2
    פרה דקבילת משמאלא · Zohar, Chukat 3:16–4:25

11והנה עצם הרצון אף שכשנתלבש בתאוה רעה הוא רע גמור מ״מ [מכל מקום] אין מהות כח הזה חטא ורע מצד עצם עצמותו

Ora, quanto à essência da vontade: embora, quando se reveste de um desejo mau, seja inteiramente má, a natureza deste poder, contudo, não é pecado nem mal em sua própria essência;

Explicação

A vontade em si, mesmo quando se liga a um desejo mau e se torna inteiramente má, não é má em sua essência.

שהרי עצם מהותו הוא רק כח המתאוה והרי הוא יכול להיות כח המתאוה לטוב כמו שהוא עכשיו מתאוה לרע.

pois sua natureza essencial é apenas um poder de desejar, e ele pode ser um poder que deseja o bem, assim como agora deseja o mal.

Explicação

Em si, ela é apenas uma capacidade de desejar, e essa mesma capacidade poderia desejar o bem, assim como agora deseja o mal.

אלא שהרע הוא מה שהטה והמשיך כח המתאוה להיות מתאוה לרע ונעשה בו הצורה רע מאד ונתלבש בלבושים צואים עד שנמשך לסור ממ״ע [ממצות עשה] או להתאוות לאיסור.

O mal, porém, consiste em terem desviado e conduzido o poder de desejar a desejar o mal; a forma que nele se constituiu tornou-se muito má, e ele se revestiu de vestimentas imundas, até ser levado a afastar-se dos mandamentos positivos ou a cobiçar o que é proibido.

Explicação

O mal reside na direção que lhe foi dada: foi inclinado ao mal, assumiu uma “forma” má e vestiu “roupas imundas”, até levar a pessoa a negligenciar os mandamentos positivos ou a cobiçar o que é proibido.

אבל מצד כח המתאוה בעצמו הרי יש בכח זה להפוך לבבו מן הקצה אל הקצה להיות מתאוה ואוהב וחפץ לדבקה בה׳ וכמ״ש נפשי אויתיך

Mas, quanto ao próprio poder de desejar, esse poder pode transformar seu coração de um extremo ao outro: fazê-lo desejar, amar e querer apegar-se a D'us, conforme está escrito: “Minha alma, eu Te desejei”,

Explicação

Como a própria capacidade não é má, ela pode ser transformada por completo, de um extremo ao outro, em anseio por apegar-se a D'us. As palavras de Isaías, “Minha alma, eu Te desejei”, expressam esse anseio.

כמו שאוהב ומתאוה לחיי נפשו כו׳ כי באמת כח המתאוה שבנה״ב [שבנפש הבהמית] מצד עצמו שרשו ויסודתו בקדושה עליונה מבחי׳ פני שור שבמרכבה כנ״ל וכמ״ש במ״א ע״פ

assim como uma pessoa ama e deseja a vida de sua alma, etc. Pois, na verdade, o poder de desejar da alma animal, em si, tem sua raiz e seu fundamento na santidade suprema, no nível da face do boi da Carruagem, como mencionado acima, e conforme explicado em outro lugar sobre o versículo

Explicação

O anseio por D'us pode ser como o desejo de uma pessoa por sua própria vida. O poder de desejar da alma animal tem sua raiz na santidade, na “face do boi” da Carruagem Divina; o texto remete ao discurso sobre “Quando saíres” (à guerra), para mais detalhes.

כי תצא כו׳ אלא שבירידות המדרגות ונפילתן בשבה״כ [בשבירת הכלים] נמשך שיהיה כח המתאוה גם לדבר עבירה ולזאת כשישוב אל ה׳ יוכל להפוך לבו מן הקצה

“Quando saíres”, etc. Ocorreu apenas que, com a descida dos níveis e sua queda na quebra dos recipientes (shevirat hakeilim), o poder de desejar passou a dirigir-se também a algo pecaminoso. Portanto, quando a pessoa retorna a D'us, pode transformar seu coração de um extremo

Explicação

Ele passou a desejar o pecado somente porque, na quebra dos recipientes, os níveis caíram e desceram. Portanto, quando uma pessoa retorna a D'us, pode transformar por completo o seu coração.

אל הקצה שגם כח המתאוה שהיה מלובש בתאוה רעה ישוב לאהבת ה׳ כמו שהי׳ [שהיה] בשרשו בבחי׳ פני שור כו׳.

ao outro, de modo que até mesmo o poder de desejar que estava revestido de um desejo mau retorne ao amor a D'us, como era em sua raiz, no nível da face do boi, etc.

Explicação

Até mesmo o poder que estava revestido de um desejo mau retorna ao amor a D'us, como era em sua raiz, na “face do boi”.

משא״כ המעשה רע אשר מתאוה לו מחמת שהוא באמת רע גמור מצד עצמו א״א [אי אפשר] לו להתכלל בקדושה ואין לה תקנה אלא ביטולה והעברתה מן העולם.

Não é assim com o ato mau que a pessoa deseja: como ele é, de fato, inteiramente mau em si mesmo, não pode ser incluído na santidade, e não há remédio para ele senão sua anulação e remoção do mundo.

Explicação

O próprio ato mau é diferente: é mau por sua natureza e não pode ser absorvido na santidade. Só pode ser anulado e removido do mundo.

O parágrafo 11 em resumo

A vontade que está na raiz dos desejos da alma animal não é má em si: é um poder de desejar, enraizado na santidade, que caiu no mal por meio da quebra dos recipientes. Por isso, quem retorna a D'us pode transformá-la completamente em amor a D'us, enquanto o próprio ato mau só pode ser eliminado.

Aprofundar

Kuntres HaAvodah, citado na nota da Kehot, qualifica este ensinamento: dizer que o poder de desejar não é mau em essência significa apenas que ele não tem forma má própria; isso não o torna bom e, por sua natureza, ele é atraído por coisas materiais. Quase as mesmas palavras que aparecem aqui encontram-se em Likkutei Torah sobre Rosh Hashanah, que também cita “com todo o teu coração, com ambas as tuas inclinações”.

Marei mekomot

  1. 1
    כח המתאוה · ראה לקמן ר״ה סא, ד. נתבאר בסה״מ תרס״ד ע׳ רטו.
  2. 2
    שהרי עצם מהותו . . לטוב · בקונטרס העבודה פ״ה מציין ”מ״ש בכ״ד שכח המתאווה בעצם אינו רע וכמ״ש בלקו״ת ד״ה זאת חוקת התורה זהו רק שאין בו ציור רע בעצם, אבל מ״מ אינו טוב, ואדרבא בטבעו הוא נמשך לענינים חומריים”.
  3. 3
    נפשי אויתיך · Isaiah 26:9
  4. 4
    כמו שאוהב ומתאוה לחיי נפשו · Numbers 8:3
  5. 5
    ע״פ כי תצא · לקו״ת תצא לד, ג ואילך.
  6. 6
    כי תצא · Deuteronomy 21:10

12וכמ״ש כ״ז [כל זה] בד״ה להבין פי׳ הפסוק מי אל כמוך גבי ענין נושא עון ועובר על פשע.

Como tudo isso é explicado no discurso que começa com “Para entender o significado do versículo ‘Quem é um D'us como Tu’”, a respeito de “Aquele que carrega a iniquidade e passa por cima da transgressão”.

Explicação

O texto se refere ao discurso em Likkutei Torah, Rosh Hashanah, sobre “Quem é um D'us como Tu, que carrega a iniquidade e passa por cima da transgressão”, onde tudo isso é explicado mais detalhadamente.

וזהו ענין שריפת הפרה שישאר רק האפר שהוא ענין עצם המדות דנה״ב [דנפש הבהמית] דהיינו בחי׳ כח המתאוה עד״מ [על דרך משל] כנ״ל שהוא החומר הפשוט

E este é [o significado] da queima da novilha, para que reste apenas a cinza, que representa a essência dos atributos emocionais (midot) da alma animal, isto é, o nível da força do desejo, que, a título de analogia, como mencionado acima, é a matéria simples;

Explicação

A queima da novilha, da qual resta apenas a cinza, representa o seguinte: o que permanece das emoções da alma animal é somente sua essência, a força pura do desejo, a “matéria simples” da analogia.

אבל הצורה והלבושים צואים שהי׳ [שהיה] כח המתאוה מלובש בהן יהיו חולפים וכלים לגמרי דהיינו שלא יהי׳ [יהיה] כח המתאוה מלובש בהן עוד לא במחשבה שיסיח דעתו לגמרי מלחשוב ולדבר בזה וכ״ש [וכל שכן] במעשה ח״ו [חס ושלום].

mas a forma e as vestes imundas nas quais a força do desejo estava revestida passarão e serão completamente consumidas. Isto é, a força do desejo não estará mais revestida nelas, nem mesmo no pensamento, pois ele afastará completamente [o assunto] de sua mente, [deixando] de pensar e falar a respeito dele, e muito menos de praticá-lo, D'us nos livre.

Explicação

Sua “forma”, as vestes imundas nas quais estava revestida, deve ser completamente consumida: a pessoa não deve sequer pensar ou falar sobre o que é proibido, e certamente não deve praticá-lo.

ולהיות עוצם עיניו מראות ברע וכדומה לאכפיא לסט״א [לסטרא אחרא] לעשות ההפך ונגד תאות נפש הבהמית בכל החושים ראיה ושמיעה כו׳ ובמחשבה דבור ומעשה.

E [ele deve] “fechar os olhos para não ver o mal”, e coisas semelhantes: subjugar a sitra achra (o outro lado), fazendo o contrário e agindo contra o desejo da alma animal em todos os sentidos — visão, audição etc. — e no pensamento, na fala e na ação.

Explicação

Ele deve “fechar os olhos para não ver o mal” e coisas semelhantes, subjugando o outro lado ao agir contra os desejos da alma animal com todos os sentidos, e no pensamento, na fala e na ação.

O parágrafo 12 em resumo

A queima da novilha representa a submissão dos desejos da alma animal: a força pura do desejo permanece, como a cinza, enquanto sua “forma” — todo pensamento, palavra e ato ligados ao que é proibido — é completamente consumida.

Aprofundar

O discurso citado interpreta “carrega a iniquidade” como D'us elevando aquilo que ainda pode ser elevado, e “passa por cima da transgressão” como passando por cima daquilo que é grosseiro demais para ascender, de modo que Sua bondade não seja impedida. Da mesma forma, a força do desejo pode ser elevada, enquanto as vestes proibidas precisam ser removidas.

Marei mekomot

  1. 1
    בד״ה להבין — מי א-ל כמוך · לקו״ת ר״ה ס, ד ואילך.
  2. 2
    מי אל כמוך · Micah 7:18
  3. 3
    עוצם עיניו מראות ברע · Isaiah 33:15
  4. 4
    לאכפיא לסט״א · Zohar II, 128b

13והנה ע״י אתכפיא זה שמבטל הכלים שבהם מלובש הרצון זה ולהיות דוחה אותן ממנו לגמרי ה״ז [הרי זה] עד״מ [על דרך משל]

Ora, por meio dessa submissão (iskafya), na qual ele anula os recipientes nos quais essa vontade está revestida e os afasta completamente dela, isso é, por analogia,

Explicação

Essa submissão (iskafya), na qual a pessoa rejeita e afasta todos os recipientes em que o desejo estava revestido, corresponde, na analogia, à queima.

כמו שריפת הפרה שהג׳ יסודות אר״מ [אש רוח מים] שהיו בדרך הרכבה בה חלפו וכלו ע״י השריפה ונשאר רק עצמותה שהוא האפר.

como a queima da novilha, na qual os três elementos — fogo, ar e água — que estavam nela combinados se dissipam e são consumidos pela queima, restando apenas sua essência, que são as cinzas.

Explicação

Na queima da novilha, o fogo, o ar e a água combinados com sua essência são consumidos, e somente as cinzas, sua essência, permanecem.

כך כשנפרדו הלבושים צואים מודומ״ע [מחשבה דבור ומעשה] דהאיסור מן הנה״ב [הנפש הבהמית] ונשאר רק עצם כח המתאוה דנה״ב [דנפש הבהמית] כאשר הוא בעצמותו ואינו מורכב ומלובש במודומ״ע [במחשבה דבור ומעשה] דאיסור וזהו בחי׳ האפר

Assim também, quando as vestes impuras — o pensamento, a fala e a ação relativos ao que é proibido — são separadas da alma animal, resta apenas a essência da força de desejo da alma animal tal como é em si mesma, sem estar combinada nem revestida pelo pensamento, pela fala e pela ação relativos ao que é proibido: este é o nível das cinzas.

Explicação

Quando os pensamentos, as palavras e os atos proibidos são removidos da alma animal, o que resta é a força pura do desejo, já não revestida de nada proibido. Estas são as “cinzas”.

ואזי יוכל להפוך אח״כ [אחר כך] כח המתאוה זה מהקצה אל הקצה מאהבה רעה לאהבת ה׳ וכמ״ש ואהבת בכל לבבך בשני יצריך, שגם היצה״ר [היצר הרע] ישוב לאהבת ה׳ ממש

Então ele poderá, posteriormente, transformar essa força de desejo de um extremo ao outro, de um amor mau para o amor a D'us, conforme está escrito: “E amarás... com todo o teu coração”, “com as duas inclinações”: até mesmo a má inclinação retornará ao próprio amor a D'us.

Explicação

Então a pessoa pode transformar completamente essa força, de um amor mau para o amor a D'us. A Mishná interpreta “com todo o teu coração” como “com as duas inclinações”: também a má inclinação deve amar a D'us.

והיינו שמבחי׳ אתכפיא יבא לבחינת אתהפכ א חשוכא לנהורא וזהו ענין שמע ישראל שם ע׳ [עיין].

Isto é, do nível da submissão (iskafya) ele chegará ao nível de transformar as trevas em luz (it’hapchá). E este é o significado de “Shemá Israel”: shem áyin.

Explicação

Este é o passo de iskafya, a submissão do outro lado, para it’hapchá, a transformação das trevas em luz. O texto alude a isso em “Shemá Israel”, cuja primeira palavra é lida como duas: shem áyin.

דהנה ע׳ רבתי זהו ז׳ מדות דקדושה הכלולים מיו״ד והן ע׳ [שבעים] נפש דיעקב וע״י שבה״כ [שבירת הכלים] שהי׳ [שהיה] בז׳ מדות הנ״ל בחי׳ ז׳ מלכין קדמאין דתהו דארץ אדום וימלוך וימת כו׳ נתהוו מזה המדות רעות ג״כ ע׳ [עיין] בחי׳.

Pois o áyin maiúsculo representa os sete atributos emocionais de santidade, cada um composto de dez; eles são as setenta almas de Yaakov. E, por meio da quebra dos recipientes que ocorreu nesses sete atributos — o nível dos sete reis primordiais de Tohu, da “terra de Edom”, “e reinou... e morreu” etc. —, surgiram daí também os atributos maus, em setenta níveis.

Explicação

O áyin maiúsculo de Shemá (ayin significa setenta) representa os sete atributos emocionais de santidade, cada um composto de dez, que também correspondem às setenta almas da família de Yaakov. Quando esses sete atributos se quebraram, no mundo de Tohu representado pelos reis de Edom que “reinaram” e “morreram”, surgiram setenta atributos maus correspondentes a eles.

O parágrafo 13 em resumo

Depois que as vestes proibidas são removidas (iskafya), a força pura do desejo, as “cinzas”, pode ser transformada em amor a D'us (it’hapchá). O áyin maiúsculo de Shemá alude a isso: aos setenta atributos sagrados e aos setenta atributos maus que surgiram de sua quebra.

Aprofundar

Na leitura cabalística, os reis de Edom em Gênesis 36, cada um dos quais “reinou” e depois “morreu”, correspondem aos sete atributos do mundo de Tohu, cujos recipientes não puderam conter sua luz e se quebraram. Suas centelhas caídas são a fonte dos atributos maus, e elevá-las de volta à sua raiz é o trabalho de transformar as trevas em luz.

Marei mekomot

  1. 1
    ואזי יוכל להפוך אח״כ · ראה לקמן פ׳ ואתחנן ב, ג. ולעיל פ׳ שלח מ, ב. אוה״ת סידור ע׳ נט.
  2. 2
    ואהבת בכל לבבך · Deuteronomy 6:5
  3. 3
    ואהבת בכל לבבך בשני יצריך · ברכות פ״ט, מ״ה.
  4. 4
    בכל לבבך בשני יצריך · Mishnah Berakhot 9:5
  5. 5
    אתהפכא חשוכא לנהורא · Zohar III, 267a
  6. 6
    חשוכא לנהורא · Zohar, Introduction 9:48–10:56
  7. 7
    שמע ישראל · Deuteronomy 6:4
  8. 8
    ע׳ נפש דיעקב · Genesis 46:27
  9. 9
    דארץ אדום · Genesis 36:31
  10. 10
    וימלוך וימת · שם לו, לב-לג והלאה.
  11. 11
    וימלוך וימת · Genesis 36:32–33

14וצריך לברר המדות רעות ולהעלותן לשרשן לבחי׳ ע׳ רבתי, ועמ״ש מזה בד״ה וכל בניך למודי גבי ענין ורב שלום, וזהו שם ע׳ [עיין].

É preciso refinar os atributos maus (midot) e elevá-los à sua raiz, ao nível do áyin maiúsculo; veja o que está escrito sobre isso no discurso que começa “E todos os teus filhos serão discípulos de Havayá”, a respeito de “e grande será a paz”. E isso é Shem Áyin.

Explicação

Os atributos maus devem ser refinados, separando-se deles o bem, e elevados de volta à sua raiz no áyin maiúsculo, os setenta atributos sagrados. O texto remete ao discurso sobre “E todos os teus filhos serão discípulos de Havayá, e grande será a paz de teus filhos” e, em seguida, explica a expressão Shem Áyin.

דהנה כתיב ובקשתם משם את ה׳ כו׳ משם דייקא כמ״ש קראו שם פרעה מלך מצרים,

Pois está escrito: “E de lá buscarás Havayá”, etc.; “de lá” (misham), especificamente, como está escrito: “Clamaram ali: ‘Faraó, rei do Egito’”,

Explicação

O versículo diz: “E de lá buscarás Havayá”: de lá (misham), especificamente. No versículo “Clamaram ali: ‘Faraó, rei do Egito’”, sham, “ali”, é o lugar do Faraó, o domínio oposto à santidade.

כי לשון שם הוא מקום הסט״א [הסטרא אחרא] כי לשון זה הוא דבר שיכול ממש להראות באצבעו אשר יאמר עליו

pois o termo sham (“ali”) designa o lugar da sitra achra (o outro lado). O termo zeh (“isto”) [designa] algo para o qual se pode realmente apontar com o dedo e dizer

Explicação

Sham, “ali”, indica algo distante e, portanto, designa o lugar do outro lado. Zeh, “isto”, é usado para algo que está bem diante da pessoa, para o qual ela pode apontar com o dedo e dizer: “Isto é.”

כי הוא זה וא״א [ואי אפשר] לומר כך רק על הקב״ה [הקדוש ברוך הוא] כמ״ש זה אלי ואנוהו כו׳ כי מלא כל הארץ כבודו, אבל מקום ומשכן הקליפות הוא רחוק מאד

“que isto é”; e isso não pode ser dito senão do Santo, bendito seja Ele, como está escrito: “Este é meu D'us, e eu O glorificarei”, etc., pois “a terra inteira está cheia de Sua glória”. Mas o lugar e a morada das kelipot (as cascas) estão muito distantes;

Explicação

Somente D'us pode verdadeiramente ser chamado “isto”, como no Cântico do Mar: “Este é meu D'us”, pois “a terra inteira está cheia de Sua glória” e Ele está presente em toda parte. As kelipot, em contraste, estão muito distantes Dele.

לכן נק׳ שם כלומר עמוק מאד למטה וז״ש [וזהו שכתוב] ושם ימותו שהוא מקום המיתה ושבה״כ [ושבירת הכלים] כו׳ וזהו ובקשתם משם את ה׳ אלקיך ומצאת כו׳ כי לית אתר פנוי מיניה

por isso é chamado sham (“ali”), isto é, muito profundamente abaixo. E este é [o sentido de] “E ali morrerão”: trata-se do lugar da morte e da quebra dos recipientes (shevirat hakeilim), etc. E este é [o sentido de] “E de lá buscarás Havayá, teu D'us, e O encontrarás”, etc., pois “não há lugar vazio Dele”.

Explicação

Assim, o lugar das kelipot é chamado “ali”: muito profundamente abaixo. “E ali morrerão” mostra que esse é o lugar da morte e da quebra dos recipientes; ainda assim, de lá é possível buscar D'us e encontrá-Lo, pois não há lugar vazio Dele.

ולכן גם מבחי׳ שם יוכלו למצוא את ה׳ ע״י ובקשתם את ה׳ לצעוק אל ה׳ בצר לו מעומקא דליבא ובחי׳ תשובה. ועמ״ש מענין זה ע״פ וישב יעקב וע״פ אני לדודי.

Portanto, também do nível de sham poderão encontrar D'us, por meio de “buscarás Havayá”: clamando a D'us em sua aflição, do fundo do coração, e pelo nível de teshuvá (retorno). Veja também o que está escrito sobre esse assunto a respeito do versículo “E Yaakov estabeleceu-se” e do versículo “Eu sou do meu Amado”.

Explicação

Mesmo desse lugar mais baixo, a pessoa pode encontrar D'us buscando-O: clamando a Ele em sua aflição, do fundo do coração, o que é teshuvá. O texto remete às discussões sobre “E Yaakov estabeleceu-se” e “Eu sou do meu Amado”.

ואזי אתהפכא חשוכא לנהורא ומבחי׳ שָׁם נעשה שֵׁם ע׳ שמתעלה החיות לשרשו וזהו ענין שריפת הפרה לאפר כו׳ כנ״ל,

Então, a escuridão é transformada em luz, e do nível de sham torna-se Shem Áyin, pois a força vital é elevada à sua raiz. E este é [o sentido de] queimar a novilha até reduzi-la a cinzas, etc., como mencionado acima.

Explicação

Então a escuridão se transforma em luz: a força vital que havia caído “ali” (sham) é elevada à sua raiz e torna-se Shem Áyin, parte dos setenta atributos sagrados. É isso que a queima da novilha até reduzi-la a cinzas realiza.

(והיינו כמ״ש בפע״ח [בפרי עץ חיים] שם רפ״ח ניצוצין ושם ב״ן [שם ב״ן] בגימט׳ [בגימטריא] שם והם מתעלים לשרשן בע׳ רבתי ז״ת [ז׳ תחתונות] דס״ג [דשם ס״ג], ועיין מ״ש בפ׳ וישלח סד״ה ויאבק איש כו׳.

(E isso corresponde ao que está escrito em Pri Etz Chaim: sham, as 288 centelhas e o Nome Ban (52) [juntos] equivalem, em valor numérico, a sham; e eles se elevam à sua raiz no áyin maiúsculo, as sete [Sefirot] inferiores do Nome Sag (63). Veja também o que está escrito na Parashá Vayishlach, no fim do discurso que começa “E um homem lutou”, etc.)

Explicação

Pri Etz Chaim explica que as centelhas caídas, em número de 288, juntamente com o Nome Ban (52), somam 340, o valor numérico de sham. Elas se elevam à sua raiz no áyin maiúsculo, que são as sete Sefirot inferiores do Nome Sag.

וזהו שהפרה באה לטהר טומאת מת היינו בחי׳ שבה״כ [שבירת הכלים] דזמ״ל [דז׳ מלכים] הנ״ל שנק׳ וימת כו׳ מאן דנפיל מדרגי׳ [מדרגיה] אקרי מית ועמ״ש ע״פ ויאכילך את המן כו׳ וזהו שקורין פ׳ פרה קודם ר״ח [ראש חודש] ניסן ליטהר ולבא לבחי׳ יציאת מצרים כו׳ ועיין ברבות בא פי״ט):

E é por isso que a novilha vem purificar da impureza dos mortos: isto é, o nível da quebra dos recipientes dos sete reis mencionada acima, que é chamado “e morreu” etc., pois “aquele que cai de seu nível é chamado morto”. E veja o que está escrito sobre o versículo “E Ele te alimentou com o maná” etc. É por isso que a Parashá da Novilha é lida antes de Rosh Chodesh Nissan: para purificar-se e chegar ao nível do Êxodo do Egito etc. E veja [Midrash] Rabbah, Bo, capítulo 19.

Explicação

É por isso que a novilha vermelha purifica da impureza da morte: ela repara a “morte” dos sete reis, a quebra dos recipientes, pois “aquele que cai de seu nível é chamado morto”. É também por isso que a Parashá da Novilha é lida antes de Rosh Chodesh Nissan: para purificar-se e estar pronto para o Êxodo, conforme o Midrash citado relaciona a novilha à oferenda de Pêssach.

O parágrafo 14 em resumo

Os atributos maus devem ser refinados e elevados ao áyin maiúsculo. O parágrafo lê Shema como Shem Áyin: de sham, “ali”, o lugar distante das kelipot e da quebra, ainda se pode buscar e encontrar D'us por meio da teshuvá, e a força vital caída é elevada para se tornar Shem Áyin. Esse é o trabalho das cinzas da novilha, que purificam da “morte” da quebra.

Aprofundar

Pri Etz Chaim (Portão da Recitação do Shema, cap. 9) conta os níveis “posteriores” caídos como 288 centelhas, quatro vezes 72, e acrescenta o Nome Ban, a “face” de Malchut, que também desceu: 288 + 52 = 340, o valor de שם. Tudo o que precisa ser adoçado se une a Malchut e é chamado por esse nome; no Shema, pretende-se atrair para ele luz do áyin maiúsculo, as sete Sefirot inferiores de Biná.

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A água viva e o verme ¶15–17

15ג והנה בחי׳ שריפת הפרה לאפר הוא להיות ואהבת בכל לבבך בשני יצריך והוא בחי׳ רצוא אם רץ לבך יסוד האש שבלב ואח״כ [ואחר כך] צ״ל [צריך להיות / צריך לומר / צריך להבין] בחי׳ שוב

3. Ora, o nível da queima da novilha até reduzi-la a cinzas é para que haja “Amarás… com todo o teu coração”, “com ambas as tuas inclinações”; este é o nível de ratzo, “se teu coração corre”, o elemento do fogo no coração. E depois deve haver o nível de shov,

Explicação

A seção 3 passa à segunda etapa, a água viva. A queima até virar cinzas representava amar D'us “com ambas as tuas inclinações”, o ratzo do fogo no coração; depois disso, deve vir o shov, o retorno.

והוא ענין מ״ש ונתן עליו מים חיים אל כלי דכמו מים חיים הם הנובעים מתחת הארץ שמקורם הוא בהעלם בתוך הארץ ונמשכים מההעלם אל הגילוי כך

e este é o sentido do que está escrito: “e colocará sobre ela água viva num recipiente”. Pois, assim como a água viva é [água] que brota de debaixo da terra, cuja fonte está oculta dentro da terra e é conduzida da ocultação à revelação, assim

Explicação

Esta é a “água viva num recipiente” colocada junto às cinzas. Água viva é água de nascente, que sobe de uma fonte oculta nas profundezas da terra e chega à superfície.

הנה הוא ית׳ נק׳ מקור מים חיים כי הוא סתימו דכל סתימין וטמירו דכל טמירין אנכי מי שאנכי וממנו ית׳ נמשך בחי׳ מים חיים היא התורה

Ele, bendito seja, é chamado “a fonte de água viva”, pois é “o oculto de todos os ocultos” e “o encoberto de todos os encobertos”, “Eu sou quem sou”; e Dele, bendito seja, é atraído o nível de água viva, que é a Torá,

Explicação

Assim, D'us é chamado “a fonte de água viva”, pois Ele é totalmente oculto, “o oculto de todos os ocultos”, o “Eu” de “Eu sou quem sou”. Dele flui a “água viva”, que é a Torá.

שהיא בחי׳ חכמה עילאה שנאמר בה והחכמה תחיה ולכן נאמר ימותו ולא בחכמה. כי החכמה היא בחי׳ עץ חיים.

que é o nível da Chochmá superior, sobre a qual está dito: “e a sabedoria dá vida”; por isso, está dito: “Eles morrem, e não pela sabedoria”. Pois Chochmá é o nível da Árvore da Vida.

Explicação

A Torá é a Chochmá superior, e a sabedoria “dá vida”; sobre aqueles que perecem, diz-se que morrem “não pela sabedoria”. Chochmá é a Árvore da Vida.

אך הנה המשכה זו דמים חיים הוא אל כלי דוקא שהם מעשה המצות שהם בחי׳ כלים

No entanto, esta condução da água viva para baixo é especificamente “para dentro de um recipiente”: estes são os atos das mitsvot, que constituem o nível dos recipientes.

Explicação

Mas a água viva deve ser colocada “num recipiente”: as mitsvot praticadas são os recipientes que recebem e contêm o fluxo atraído da fonte da Torá.

כי רמ״ח מ״ע [מצות עשה] נק׳ רמ״ח אברים דמלכא שכל מצוה ומצוה היא בחי׳ כלי מיוחד לגילוי אור כמו בתפילין הגילוי בבחי׳ מוחין ובצדקה בבחי׳ חסד כו׳

Pois as 248 mitsvot positivas são chamadas “os 248 membros do Rei”, porque cada mitsvá é o nível de um recipiente específico para a revelação da luz: assim, nos tefilin, a revelação se dá no nível do intelecto (mochin), e na tsedacá, no nível de Chessed (bondade), etc.

Explicação

As 248 mitsvot positivas são “os 248 membros do Rei”: cada mitsvá é um recipiente para uma revelação específica da luz Divina, assim como cada membro serve a uma faculdade particular. Os tefilin revelam a luz do intelecto; a tsedacá revela a luz de Chessed, a bondade.

(ועמ״ש בד״ה ראיתי והנה מנורת זהב ובד״ה וקבל היהודים) וכן אותיות התורה הם ג״כ בחי׳ כלים כו׳.

(E veja o que está escrito no discurso que começa “Vi, e eis que um candelabro todo de ouro”, e no discurso que começa “E os judeus aceitaram sobre si”.) Da mesma forma, as letras da Torá também constituem o nível dos recipientes, etc.

Explicação

O texto remete a dois discursos para uma explicação mais ampla: “Vi, e eis que um candelabro todo de ouro” e “E os judeus aceitaram sobre si”; acrescenta que as letras da Torá também são recipientes para sua luz.

(ועמ״ש בפ׳ מקץ בד״ה נר חנוכה כו׳ ומזוזה מימין כו׳). וכ״ז [וכל זה] הוא בחי׳ שוב לאחד

(E veja o que está escrito na Parashat Mikets, no discurso que começa “A lâmpada de Chanucá”, etc., “e a mezuzá à direita”, etc.) Tudo isso constitui o nível de “retorno ao Uno”,

Explicação

Outra referência remete ao discurso sobre Chanucá, a respeito da “mezuzá à direita”. Toda essa condução para baixo por meio da Torá e das mitsvot é o “retorno ao Uno”, o shov.

והיינו שלאחר בחי׳ הרצוא שהוא ענין אפר הפרה צ״ל [צריך להיות / צריך לומר / צריך להבין] בחי׳ שוב להמשיך גילוי אור א״ס [אין סוף] ב״ה מלמעלה למטה ע״י עסק התומ״צ [התורה ומצות] והמשכה זו היא ממקור מים חיים ממש שהוא בחי׳ מקור התורה א״ס [אין סוף] ב״ה

Isto é, depois do nível de ratso, que é o assunto das cinzas da novilha, deve haver o nível de shov: atrair para baixo a revelação da Luz Infinita (Or Ein Sof), bendito seja Ele, de cima para baixo, por meio do estudo da Torá e do cumprimento das mitsvot. E essa atração para baixo provém da própria fonte das águas vivas, que é o nível da fonte da Torá, o Infinito (Ein Sof), bendito seja Ele.

Explicação

Depois do ratso, as cinzas, deve vir o shov: atrair a Luz Infinita para baixo, ao mundo, por meio do estudo da Torá e do cumprimento das mitsvot. Esse fluxo provém da própria fonte das águas vivas, o Infinito, que é a fonte da própria Torá.

כי רוח אייתי רוח ואמשיך רוח שע״י אם רץ לבך כו׳ ואתהפכא חשוכא לנהורא דנה״ב [דנפש הבהמית] שזהו בחי׳ תשובה עי״ז ממשיך מבחי׳ מקור מים חיים כו׳

Pois “o espírito traz espírito e atrai espírito”: por meio de “se o teu coração corre”, etc., e da transformação da escuridão da alma animal em luz, que é o nível da teshuvá (retorno), atrai-se, por meio disso, do nível da fonte das águas vivas, etc.

Explicação

A afirmação do Zohar, “o espírito traz espírito e atrai espírito”, explica como isso ocorre: a corrida do coração e a transformação da escuridão da alma animal em luz, que é a teshuvá, elevam-se de baixo e atraem, em resposta, um fluxo da fonte das águas vivas.

ולכן צ״ל [צריך להיות / צריך לומר / צריך להבין] נתינת האפר ע״ג [על גבי] המים כי גם אחר בחי׳ שוב מ״מ [מכל מקום] צ״ל [צריך להיות / צריך לומר / צריך להבין] ניכר רישומו של הרצוא כי צ״ל [צריך להיות / צריך לומר / צריך להבין] תמיד רצוא ושוב וכמ״ש במ״א בד״ה וכל העם רואים כו׳.

Por isso, as cinzas devem ser colocadas sobre a água: pois, mesmo depois do nível de shov, ainda assim a marca do ratso deve permanecer reconhecível, porque deve haver sempre ratso vashov, como se explica em outro lugar, no discurso que começa com “E todo o povo viu”, etc.

Explicação

Por isso as cinzas são colocadas junto com a água: mesmo no retorno, a marca da corrida deve permanecer, pois deve haver sempre tanto corrida quanto retorno. O texto faz referência ao discurso “E todo o povo viu”.

בשגם כי האפר והרצוא הוא הגורם המשכת המים חיים ממקור מים חיים כנ״ל (ועמ״ש בד״ה ואהיה אצלו אמון בענין אני תורתך שעשעתי ועמ״ש במ״א ע״פ הזהר פ׳ תזריע)

Ainda mais, pois as cinzas e o ratso são o que provocam a atração das águas vivas desde a fonte das águas vivas, como mencionado acima. (E veja o que está escrito no discurso que começa com “Então eu estava junto a Ele como um educando”, a respeito de “Eu me deleitava com a Tua Torá”; e veja o que está escrito em outro lugar sobre o Zohar, Parshas Tazria.)

Explicação

Além disso, as cinzas, a corrida, são o que atraem as águas vivas de sua fonte. O parêntese remete ao discurso “Então eu estava junto a Ele como um educando”, sobre “Eu me deleitava com a Tua Torá”, e a uma explicação de uma passagem do Zohar em Parshas Tazria.

(דמ״ט א׳) בענין הזה עליהם מי חטאת שיורי טלא דבדולחא כו׳ ועמ״ש בביאור ע״פ ששים המה מלכות כו׳ אחת היא יונתי כו׳.

(página 49a), a respeito de “aspergir sobre eles as águas de purificação”, “os restos do orvalho de cristal”, etc. E veja o que está escrito na explicação sobre “Há sessenta rainhas”, etc., “Minha pomba é única”, etc.

Explicação

Essa passagem do Zohar fala das “águas de purificação” aspergidas sobre os levitas como “os restos do orvalho de cristal”. Outra referência é à explicação de “Há sessenta rainhas… Minha pomba é única”.

ובזה יובן ג״כ מ״ש ולקח הכהן עץ ארז ואזוב ושני תולעת והשליך אל תוך שרפת הפרה.

Com isso também se compreenderá o que está escrito: “E o kohen tomará madeira de cedro, hissopo e lã escarlate (shni tola'as), e os lançará no meio da queima da novilha.”

Explicação

A mesma ideia explica os três elementos lançados no fogo da novilha: madeira de cedro, hissopo e “escarlate”, shni tola'as, literalmente, o carmesim do verme.

דהנה כתיב אל תיראי תולעת יעקב מתי ישראל וארז״ל [ואמרו רבותינו זכרונם לברכה] מה תולעת זו אינה מכה ארזים

Pois está escrito: “Não temas, verme (tola'as) Yaakov, homens de Israel”; e nossos Sábios, de abençoada memória, disseram: “Assim como este verme só golpeia os cedros

Explicação

Isaías chama Israel de “verme (tola'as) Yaakov”. Os Sábios explicam: assim como o pequeno verme vence o poderoso cedro apenas com a boca, também a força de Israel está na boca.

אלא בפיה כך ישראל אין להם אלא תפלה כו׳ וכן בדיבור התורה וכמארז״ל [וכמאמר רבותינו זכרונם לברכה] (במ״ק [במועד קטן] דט״ז ע״ב)

com a boca, assim Israel não tem nada além da oração”, etc. E o mesmo se aplica à fala da Torá, como disseram nossos Sábios, de abençoada memória (em Moed Katan, página 16b).

Explicação

A arma de Israel é a oração, o poder da boca. O mesmo se aplica às palavras da Torá pronunciadas, como afirma o Talmud a respeito do rei David.

גבי דוד כשהיה יושב ועוסק בתורה היה מעדן עצמו כתולעת וכמארז״ל [וכמאמר רבותינו זכרונם לברכה] ע״פ הקל קול יעקב כו׳ וע׳ [ועיין] מזה בזהר ס״פ וישלח (דקע״ח א׳) ובפ׳ תרומה (דקל״ט א׳).

Quanto a David: quando se sentava e se ocupava com a Torá, tornava-se suave como um verme; e, como disseram nossos Sábios, de abençoada memória, sobre o versículo “A voz é a voz de Yaakov”, etc. Veja também sobre isso o Zohar, no fim da Parashat Vayishlach (página 178a) e na Parashat Terumah (página 139a).

Explicação

Quando David se sentava e estudava Torá, “tornava-se suave como um verme”. O texto acrescenta o ensinamento dos Sábios sobre “A voz é a voz de Yaakov” e duas passagens do Zohar sobre o mesmo tema.

והענין כי עסק התורה הנק׳ מים חיים צ״ל [צריך להיות / צריך לומר / צריך להבין] בדבור דוקא וכמ״ש ודברת בם ולא סגי בהגיון במחשבה לבד. וכנודע ג״כ שכל המצות צריך לקיימן במעשה ודבור ומחשבה.

A explicação é que a dedicação à Torá, chamada de água viva, deve ocorrer especificamente por meio da fala, como está escrito: “e falarás delas”; a meditação apenas no pensamento não basta. Como também é sabido, todas as mitsvot devem ser cumpridas por meio da ação, da fala e do pensamento.

Explicação

O estudo da Torá, a “água viva”, deve ser pronunciado em voz alta: “e falarás delas”; pensar nela apenas não é suficiente. De fato, cada mitsvá deve ser cumprida por meio da ação, da fala e do pensamento.

וגם המצות שאינן נוהגות אלא בפני הבית שא״א [שאי אפשר] לקיימן במעשה אבל בדבור אפשר לקיימן וכמארז״ל [וכמאמר רבותינו זכרונם לברכה] כל העוסק בתורת עולה כאלו הקריב עולה כו׳.

E mesmo as mitsvot que se aplicam somente enquanto o Templo existe, e que não podem ser cumpridas por meio da ação, podem ser cumpridas por meio da fala, como disseram nossos Sábios, de abençoada memória: “Quem se dedica ao estudo da Torá sobre a oferenda de elevação é considerado como se tivesse oferecido uma oferenda de elevação”, etc.

Explicação

Mesmo as mitsvot que se aplicam somente enquanto o Templo existe, e que não podem ser realizadas na prática, podem ser cumpridas por meio da fala: quem estuda as leis da oferenda de elevação é considerado “como se a tivesse oferecido”.

והענין הוא שע״י הדבור בד״ת [בדברי תורה] נמשך ומתלבש כח הדבור העליון בפי המדבר וכמ״ש ודברי אשר שמתי בפיך וכמ״ש במ״א בכמה דוכתי,

A explicação é que, ao falar palavras de Torá, o poder da fala superior é atraído para baixo e se reveste na boca de quem fala, como está escrito: “e Minhas palavras, que pus em tua boca”; e como é explicado em outros lugares, em diversas ocasiões.

Explicação

A razão é que, quando alguém pronuncia palavras de Torá, a própria fala superior de D'us é atraída para baixo e se reveste em sua boca, como em “Minhas palavras, que pus em tua boca”.

(ועמ״ש בפ׳ יתרו בד״ה בחדש השלישי בפי׳ לאמר דתחלת עשרת הדברות ועמש״ש [ועיין מה שכתוב שם] סד״ה משה ידבר ועמ״ש סד״ה ביום השמיני עצרת גבי ואשים דברי בפיך ובצל ידי כסיתיך ובד״ה וארשתיך לי בענין פי׳ את ה׳ האמרת היום כו׳

(Veja também o que está escrito na Parashat Yitro, no discurso que começa “No terceiro mês”, sobre o significado de “dizendo” (lemor) no início dos Dez Mandamentos; veja também o que está escrito ali, no fim do discurso que começa “Moshe falará”; e o que está escrito no fim do discurso que começa “No oitavo dia, uma assembleia”, a respeito de “E pus Minhas palavras em tua boca, e à sombra de Minha mão te cobri”; e no discurso que começa “E te desposarei para Mim”, sobre o significado de “Declaraste hoje que Havayá”, etc.;

Explicação

Uma longa digressão enumera discursos sobre o poder da Torá falada: sobre “dizendo” no início dos Dez Mandamentos; sobre “Moshe falará”; sobre “Pus Minhas palavras em tua boca, e à sombra de Minha mão te cobri”; e sobre “Declaraste hoje que Havayá”.

ומ״ש סד״ה להבין מ״ש ביום השמיני עצרת גבי תען לשוני אמרתך ועמ״ש מענין הדבור בד״ת [בדברי תורה] בד״ה קא מיפלגי במתיבתא דרקיעא אם בהרת קדמה כו׳. וע׳ [ועיין] בזהר ס״פ משפטים)

e o que está escrito no fim do discurso que começa “Para compreender o que está escrito: ‘No oitavo dia, uma assembleia’”, a respeito de “Minha língua responderá à Tua palavra”; e veja o que está escrito sobre falar palavras de Torá no discurso que começa “Discutiram na Academia Celestial: se a mancha branca precedeu”, etc. Veja também o Zohar no fim da Parashat Mishpatim)

Explicação

A sequência menciona o discurso sobre “Minha língua responderá à Tua palavra”, aquele sobre a discussão na Academia Celestial a respeito de a mancha branca ter precedido, e uma passagem do Zohar no fim da Parashat Mishpatim.

(דקכ״ג א׳) בענין דעת גניז בפומא כו׳ ומ״ש ע״ז [על זה] בספר מבוא שערים (שער שלישי ח״ב [חלק ב׳] פ״ג [פרק ג׳]) ועיין ברבות

(página 123a), sobre o assunto de “Daat está oculta na boca”, etc.; e o que está escrito a esse respeito no livro Mavo She'arim (Sha'ar 3, parte 2, capítulo 3); e veja [Midrash] Rabbah,

Explicação

Essa passagem do Zohar diz que Daat, o conhecimento, está “oculta na boca”, e a obra cabalística Mavo She'arim discute o assunto. Em seguida, cita-se o Midrash sobre Ki Sisa.

כי תשא פמ״א [פרק מ״א / פרשה מ״א] גבי נתן לו מתוך פיו כו׳ מפיו דעת כו׳ ע״ש [עיין שם] ועמ״ש בד״ה ויאמר כו׳ מי שם פה לאדם כו׳ ועיין בסש״ב [בספר של בינונים] ח״א [חלק א׳] ספ״ה.

Ki Sisa, capítulo 41, a respeito de “Deu-lhe de dentro de Sua boca”, etc., “de Sua boca, conhecimento”, etc.; veja ali. E veja o que está escrito no discurso que começa “E disse”, etc., “Quem deu boca ao homem”, etc. Veja também Sefer Shel Beinonim, Parte I, fim do capítulo 5.

Explicação

O Midrash diz que D'us deu a Torá a Moshe “de dentro de Sua boca”, como um pai que dá ao filho amado um bocado de sua própria boca, citando “de Sua boca, conhecimento e entendimento”. As referências adicionais são ao discurso sobre “Quem deu boca ao homem” e ao fim do capítulo 5 de Tanya (Sefer Shel Beinonim).

וז״ש [וזהו שכתוב] למען תהיה תורת ה׳ בפיך כו׳ בפיך דייקא וזהו ענין תולעת יעקב שכחו בפיו דייקא.

E este é [o sentido de] o que está escrito: “para que a Torá de Havayá esteja em tua boca”, etc.: “em tua boca” especificamente. E este é [o sentido de] “Yaakov, o verme”, cuja força está especificamente em sua boca.

Explicação

Assim, o versículo diz que a Torá deve estar especificamente “em tua boca”. Este é “Yaakov, o verme”: como o verme, a força de Israel está na boca.

O parágrafo 15 em resumo

A seção 3 explica o shov. A “água viva” é a Torá, que flui de D'us, a fonte oculta, e deve ser recebida “num recipiente”: as mitsvot e as letras da Torá. As cinzas acompanham a água porque a corrida deve permanecer dentro do retorno, e é a própria corrida que atrai a água para baixo. O “verme escarlate” lançado ao fogo introduz então o poder da boca: a oração e as palavras faladas da Torá, nas quais se reveste a própria fala de D'us.

Aprofundar

As duas etapas da novilha vermelha correspondem à teshuvá e à Torá: a queima é o ratzo da alma, que se eleva de baixo na teshuvá, e a água viva é a Torá atraída de cima para dentro dos recipientes das mitsvot. Como “espírito desperta espírito”, o despertar de baixo é o que convoca o fluxo de cima; por isso, as cinzas devem estar presentes na água.

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16וזהו עיקר בחי׳ מדבר. וכמ״ש במב״ש [במבוא שערים] שם כי ההבדל בין חי מדבר לחי בלתי מדבר הוא בפה כו׳.

E esta é a essência do nível de medaber (o ser falante). Como está escrito em Mavo She'arim, ali, a diferença entre um ser vivo que fala e um ser vivo que não fala está na boca etc.

Explicação

É o poder da boca que faz do ser humano um medaber, um “ser falante”, o mais elevado entre os tipos de criação. Como diz Mavo She'arim, o que distingue uma criatura falante das demais criaturas vivas é a boca.

אך הכח הזה היינו כשיהיה הדבור בד״ת [בדברי תורה] בבחי׳ ביטול כמ״ש ולא תחללו כו׳ שלאלעשות חלל ומסך מבדיל.

Mas esse poder [se manifesta] quando a fala em palavras de Torá está num estado de autoanulação (bitul), como está escrito: “E não profanareis” etc. — isto é, não fazer um vazio (chalal) e uma tela separadora.

Explicação

Mas a boca só possui esse poder quando as palavras de Torá são pronunciadas com autoanulação. “Não profanareis” (techalelu) é interpretado como “não façais um vazio” (chalal): a importância própria cria uma brecha, uma tela que separa a pessoa de D'us.

וזהו בחי׳ תולעת היינו שיהיה בבחי׳ ביטול בבחי׳ נבזה בעיניו נמאס ואנכי תולעת ולא איש ועי״ז יהיה הכח בפיו כשמדבר דברי תורה להיות ואשים דברי ממש בפיך ועי״ז יהיה עצום כח פיו לגרש ולהפריד יניקת החיצונים

E este é o nível do verme: que ele esteja num estado de autoanulação, no nível de “humilde aos próprios olhos, desprezado”, e “Mas eu sou um verme e não um homem”. Por meio disso, haverá poder em sua boca quando falar palavras de Torá, de modo que “E pus as Minhas palavras”, literalmente, “em tua boca”; e, por meio disso, o poder de sua boca será vigoroso para expulsar e separar a nutrição das forças externas

Explicação

Essa autoanulação é a qualidade do verme: ser humilde aos próprios olhos, como disse David: “Sou um verme e não um homem”. Então, as palavras de D'us são verdadeiramente colocadas na boca da pessoa, e sua fala tem força para afastar as forças externas e cortar sua nutrição.

(ועמ״ש בפ׳ מקץ בד״ה רני ושמחי בענין בחי׳ אחותי שהוא מדרגת מארי תורה. ושם בביאור ע״פ המגביהי לשבת בענין רב יהודה כולה תנוייה בנזיקין הוה)

(E veja o que está escrito na Parashat Miketz, no discurso que começa com “Canta e alegra-te”, sobre o nível de “minha irmã”, que é o grau dos mestres da Torá; e ali, na explicação sobre “Aquele que está entronizado no alto”, a respeito de Rav Yehudah, cujo estudo inteiro era em Nezikin),

Explicação

O parêntese remete a dois discursos na Parashat Miketz: um sobre “Canta e alegra-te”, a respeito do nível chamado “minha irmã”, os mestres da Torá; e outro sobre “Aquele que está entronizado no alto”, a respeito de Rav Yehudah, cujo estudo inteiro era sobre as leis dos danos (Nezikin).

וכמ״ש בפע״ח [בפרי עץ חיים] (שער ה׳ פ״ג [פרק ג׳]) בענין עולת תמיד עולת אותיות תולע והוא בחי׳ תולעת יעקב וע״ז [ועל זה] נאמר צו את בני ישראל כו׳ להקריב אותיות להרקיב כמו התולע שמכלה ומרקיב את עץ החזק כו׳

e como está escrito em Pri Etz Chaim (Sha'ar 5, capítulo 3), a respeito da oferta queimada contínua: olat (oferta queimada) tem as mesmas letras que tola (verme), e este é o nível de “o verme de Yaakov”. E a respeito disso está dito: “Ordena aos filhos de Israel” etc.: lehakriv (oferecer) tem as mesmas letras que leharkiv (apodrecer), como o verme que consome e apodrece a madeira resistente etc.

Explicação

Pri Etz Chaim observa que olat (oferta queimada) tem as mesmas letras que tola (verme), e lehakriv (oferecer), as mesmas letras que leharkiv (apodrecer). Como um verme que atravessa a madeira dura, a oferta corrói aquilo que se opõe à santidade.

ולכן ר״ת [ראשי תיבות] אנא בכח גדולת ית״ץ גימטריא תולע שע״י התורה ימינך נאדרי בכח שממשיך בחי׳ ח״ע [חכמה עילאה] בחסד דרועא ימינא כו׳

Portanto, as iniciais de “Ana b'choach gedulas yeminecha tatir tzerurah” (“Por favor, pelo grande poder de Tua mão direita, liberta o cativo”) têm o valor numérico de tola (verme): pois, por meio da Torá, “Tua mão direita é gloriosa em poder”, ao atrair o nível da Chochmá superior (Chochmá Ila'á) para Chessed (bondade), “o braço direito” etc.

Explicação

As iniciais da primeira linha da prece Ana B'choach equivalem a 506, o valor numérico de tola, “verme”. Essa linha fala da “mão direita” de D'us: por meio da Torá, a Chochmá suprema é atraída para Chessed, o braço direito, e “Tua mão direita é gloriosa em poder”.

ועי״ז נמשך להפריד יניקת החיצונים והוא גם כן מה שכתוב אחר כך קבל רנת עמך כו׳ ר״ת [ראשי תיבות] קר״ע שט״ן

E por meio disso é atraída [a força] para separar a nutrição das forças externas. E isso também corresponde ao que está escrito em seguida: “Kabel rinas amcha” (“Aceita o canto de Teu povo”) etc., cujas iniciais são kra Satan (“rasga Satan”);

Explicação

Esse poder separa as forças externas de sua nutrição. A linha seguinte de Ana B'choach, “Aceita o canto de Teu povo”, tem iniciais que formam kra Satan, “rasga Satan”.

כי כן בחי׳ לימוד התורה בפיו כשהוא בבחי׳ ביטול ע״ד [על דרך] ואנכי תולעת כו׳ להרקיב ולקרוע יניקת החיצונים שמסט׳ [שמסטרא] דשמאלא ע״ד [על דרך] פרה דקבילת משמאלא

pois assim é o nível do estudo da Torá com a boca, quando está num estado de autoanulação, à maneira de “Mas eu sou um verme” etc.: apodrecer e arrancar a nutrição das forças externas, que provém do lado esquerdo, à maneira de “uma novilha, que recebe do lado esquerdo”.

Explicação

A Torá pronunciada com autoanulação, como o verme, apodrece e arranca a nutrição que as forças externas extraem do lado esquerdo, o lado de que “a novilha recebe”.

וזהו ענין קרע שטן (וכמ״ש תהלים ע״א י״ג) יכלו שוטני נפשי, [ועמ״ש בפע״ח [בפרי עץ חיים] ובלק״ת [ובלקוטי תורה (להאריז״ל)] פרשה תרומה

E este é [o significado de] “rasga Satan”, como está escrito em Salmos 71:13: “Sejam consumidos os adversários (sotnei) da minha alma.” [E veja o que está escrito em Pri Etz Chaim e em Likkutei Torah do Arizal, Parashat Terumá,

Explicação

“Rasga Satan” alude ao versículo “Sejam consumidos os adversários (sotnei) da minha alma”. Uma nota entre colchetes acrescenta referências a Pri Etz Chaim e a Likkutei Torah do Arizal.

כי ג״כ ר״ת [ראשי תיבות] שועתנו קבל ושמע צעקתנו יודע תעלומות הוא גימטריא תולעת וענין זה י״ל [יש לומר] דקאי על דבור אותיות התפלה

cujas iniciais de “Shav'asenu kabel ushma tza'akasenu yode'a ta'alumos” (“Aceita nosso clamor e ouve nossa súplica, Tu que conheces os mistérios”) também equivalem, em valor numérico, a tola'at (verme); e pode-se dizer que este assunto se refere à fala das letras da oração,

Explicação

As iniciais da última linha de Ana B'choach — “Aceita nosso clamor e ouve nossa súplica, Tu que conheces os mistérios” — equivalem a 906, o valor de tola'at, “verme”. O texto sugere que isso se refere às letras pronunciadas na oração.

וכמו שארז״ל [שאמרו רבותינו זכרונם לברכה] ע״פ תולעת יעקב דקאי על התפלה וא״ש [ואתי שפיר] ענין השלכת תולעת שני לתוך שרפת הפרה שהוא בבחינת הרצוא שהוא בחי׳ תפלה.

como nossos Sábios, de abençoada memória, disseram sobre “Yaakov, o verme”, que isso se refere à oração. E [assim] fica bem entendido por que o verme escarlate (tola'at shani) é lançado à queima da novilha, que corresponde ao nível de ratzo, o qual é o nível da oração.

Explicação

Também os Sábios interpretam “Yaakov, o verme” como uma referência à oração. Isso explica por que o verme escarlate é lançado à queima da novilha: a queima corresponde a ratzo, e a oração também é ratzo, a corrida da alma para o alto.

כי בחי׳ זו דתולעת יעקב שייך בבחי׳ רצוא ובבחי׳ שוב דהיינו בדבור התפלה ובדברי תורה, ועיין בפרדס בעה״כ [בערכי הכינויים] ערך תולעת ובהרמ״ז [ובהרב משה זכות] פ׳ צו דכ״ז] ולכן השליכו לתוך שרפת הפרה עץ ארז ואזוב ושני תולעת כו׳

Pois este nível de “Yaakov, o verme” se aplica tanto ao nível de ratzo quanto ao nível de shov, isto é, à fala da oração e às palavras da Torá. E veja Pardes, em Erchei HaKinuyim, verbete tola'at, e o Ramaz sobre Parashat Tsav, página 27.] Portanto, lançaram à queima da novilha madeira de cedro, hissopo e lã escarlate, etc.;

Explicação

O “verme” corresponde aos dois movimentos: a ratzo, nas palavras da oração, e a shov, nas palavras da Torá. Após as referências a Pardes e ao Ramaz, o texto retoma a razão pela qual cedro, hissopo e escarlate são lançados ao fogo.

כי בחי׳ המדות עליונות נק׳ צומח וכנודע מענין עץ החיים ועץ הדעת כו׳ ויש בהם בחי׳ קטנות וגדלות וזהו עץ ארז הגדול שבצמחים ואזוב היותר קטן שבצמחים.

pois o nível dos atributos supernais (midot) é chamado “vegetação” (tzome'ach), como se sabe do conceito da Árvore da Vida e da Árvore do Conhecimento, etc.; e neles há os níveis de pequenez (katnut) e de grandeza (gadlut). E isso corresponde à madeira de cedro, a maior das plantas, e ao hissopo, a menor das plantas.

Explicação

Os atributos supernais são chamados “vegetação”, como no caso da Árvore da Vida e da Árvore do Conhecimento, e têm estados de pequenez e de grandeza. O cedro, a mais alta das plantas, e o hissopo, a menor, representam esses dois estados.

O parágrafo 16 em resumo

O poder da boca, que faz do ser humano um “ser falante”, depende da autoanulação, a qualidade do “verme”. A oração e a Torá pronunciadas dessa maneira, como o verme que derruba o cedro com a boca, cortam as forças externas que recebem do lado esquerdo; o verme escarlate no fogo representa a oração, que é ratzo, enquanto o cedro e o hissopo representam a grandeza e a pequenez dos atributos supremos.

Aprofundar

As guematrias citadas pelos cabalistas — nas quais as iniciais da primeira e da última linha de Ana B'choach equivalem a tola e tola'as, e as iniciais de sua segunda linha formam “rasga Satan” — apresentam a fala com autoanulação como a força que rompe o domínio da kelipá. É a autoanulação que permite que as próprias palavras de D'us sejam “postas em tua boca”, de modo que a fala da pessoa carregue a força delas.

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Ora, a ruptura dos recipientes ocorreu principalmente nas sete midot, e delas se desdobraram as sete midot da kelipá, cuja nutrição provém das sete midot Superiores. O verme escarlate apodrece a madeira da kelipá e separa a nutrição das forças externas do nível das midot da santidade, que são elas próprias o nível do crescimento vegetal na santidade, etc.

Explicação

A ruptura dos recipientes ocorreu principalmente nos sete atributos emocionais, e deles vieram as sete midot da kelipá, que extraem sua força vital das midot sagradas. O verme escarlate “apodrece” a madeira da kelipá e a separa das midot sagradas, o “crescimento vegetal” da santidade.

(ועיין בפע״ח [בפרי עץ חיים] שם איך יש ג״כ תולע בקליפה ואפשר שרפת התולעת שני רומז ג״כ ע״ז להתגבר תולע שבקדושה על תולע שבקליפה וכן בעץ ארז ואזוב כו׳ וע׳ [ועיין] בזח״ג [בזהר חלק ג] פ׳ מצורע) (דנ״ג ע״ב) מענין עץ ארז ואזוב.

(E veja em Pri Etz Chaim, ali, como também há um verme na kelipá; talvez a queima do verme escarlate também aluda a isso: que o verme da santidade prevaleça sobre o verme da kelipá; e o mesmo se aplica à madeira de cedro e ao hissopo, etc. Veja também o Zohar, Parte III, Parshas Metzora) (página 53b), sobre o assunto da madeira de cedro e do hissopo.

Explicação

Pri Etz Chaim também fala de um “verme” na kelipá, e o texto sugere que a queima do verme escarlate alude ao verme da santidade vencendo-o, e o mesmo se aplica ao cedro e ao hissopo. O Zohar sobre Metzora trata do cedro e do hissopo.

וזהו ג״כ פי׳ תולעת יעקב מתי ישראל פי׳ ע״י שמשים אדם את עצמו בעסקו בתורה ותפלה כתולעת להיות נבזה בעיניו נמאס

E este é também o significado de “Verme Yaacov, homens de Israel (mesei Yisrael)”: isto é, quando a pessoa se faz como um verme em seu empenho na Torá e na oração, para ser “vil aos próprios olhos, desprezado”,

Explicação

“Verme Yaacov, homens de Israel” descreve a pessoa que se faz como um verme em seu estudo da Torá e em sua oração, vil aos próprios olhos.

דהיינו שמשים א״ע [את עצמו] כשיריים הנה עי״ז יהיה בחי׳ מתי ישראל תרגום אונקלוס ע״פ כל עיר מתם גברייא כו׳

isto é, considera-se como sobras; por meio disso, estará no nível de mesei Yisrael; [pois] o Targum Onkelos, no versículo “toda cidade de homens (mesim)”, traduz [a palavra] como “homens” (gavraya), etc.,

Explicação

Aquele que se considera meras sobras torna-se “homem (mesei) de Israel”. Onkelos traduz mesim em “toda cidade de homens” como gavraya, “homens”.

דהיינו זכרים והוא כמ״ש במ״א בפי׳ למען תזכרו ועשיתם את כל מצותי שתהיו בבחי׳ זכרים ומשפיעים לעשות ולהמשיך האור בהמצות כו׳ וכדלעיל בפי׳ אשר יעשה אותם האדם כו׳:

isto é, machos. E isto é como se explica em outro lugar sobre o significado de “para que vos lembreis (tizkeru) e cumprais todos os Meus mandamentos”: que estejam no nível de machos (zecharim) e de doadores, para realizar e atrair a luz para dentro das mitsvot, etc., como [foi explicado] acima sobre o significado de “que o homem cumprirá”, etc.

Explicação

“Homens” aqui significa machos, isto é, doadores. Como se explica a respeito de “para que vos lembreis (tizkeru) e cumprais todos os Meus mandamentos”, cujo verbo compartilha a raiz de zachar, “macho”: essas pessoas tornam-se doadoras, que atraem a luz para as mitsvot, como em “que o homem cumprirá”, mencionado anteriormente.

O parágrafo 17 em resumo

O verme escarlate separa as forças externas das sete midot sagradas. E “Verme Yaacov, homens de Israel” ensina que quem se faz pequeno como um verme na Torá e na oração torna-se um “homem”, um doador que atrai luz para as mitsvot.

Aprofundar

O verme e o “homem” são uma única pessoa vista de dois ângulos: a autoanulação diante de D'us é o que torna a pessoa um doador para o mundo. Isso fecha o ciclo com os parágrafos iniciais, nos quais o homem “faz” os estatutos ao atrair sua luz para baixo.

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Explicação do versículo ¶18–21

18ד וזהו וידבר ה׳ אל משה ואל אהרן לאמר. זאת חקת התורה. דהנה כללות ענין מעשה

4. E isto é [o significado de] “E Havayá falou a Moshe e a Aharon, dizendo: Esta é a lei da Torá.” Pois, em termos gerais, o procedimento

Explicação

A seção 4 retorna ao versículo inicial, “E Havayá falou a Moshe e a Aharon, dizendo: Esta é a lei da Torá”, para interpretá-lo à luz de tudo o que foi explicado.

פרה אדומה הוא ב׳ ענינים הללו דבחי׳ הרצוא ובחי׳ השוב והנה על ב׳ ענינים אלו דרצוא ושוב הוסדה כל עיקר התורה והמצות.

da vaca vermelha consiste nesses dois aspectos: o nível de ratzo e o nível de shov; e foi sobre esses dois aspectos de ratzo e shov que se fundou toda a essência da Torá e das mitsvot.

Explicação

Todo o procedimento da vaca vermelha consiste em ratzo e shov, e esses dois aspectos são o fundamento de toda a Torá e de suas mitsvot.

ולכן נאמר ע״ז [על זה] זאת חקת התורה. כענין פי׳ חקות שמים וארץ דהיינו הנהגות שמים וארץ כו׳.

Por isso se diz a respeito dela: “Esta é a lei da Torá”, no sentido de “as leis do céu e da terra”, isto é, a ordem do céu e da terra, etc.

Explicação

Por isso ela é chamada “a lei (chukat) da Torá”, no sentido de “as leis do céu e da terra”, as leis que os ordenam. A vaca contém a ordem fundamental segundo a qual todas as mitsvot se desenrolam.

והוא ג״כ לשון חקיקה דהיינו להמשיך מקור התורה שהיא בחי׳ אותיות החקיקה להמשיך משם האור וההמשכה לבחי׳ חכמה עילאה שהיא תורה שבכתב וממנה לתשבע״פ [לתורה שבעל פה].

E também é um termo que significa gravação: isto é, fazer descer a fonte da Torá, que é o nível das letras gravadas, e fazer descer de lá a luz e o fluxo para o nível da Chochmá suprema, que é a Torá Escrita, e desta para a Torá Oral.

Explicação

Chok também significa “gravação”: a vaca faz descer da fonte da Torá, as letras gravadas, até a Chochmá suprema, que é a Torá Escrita, e de lá até a Torá Oral.

(ועיין בזהר חלק ב׳ ויקהל) (דף רי״ש ע״א) ועמ״ש ע״פ תקעו בחדש בענין כי חק לישראל הוא ג״כ מלשון חקיקה כו׳

(E veja o Zohar, Parte II, Vayakhel) (página 200a). E veja o que está escrito sobre o versículo “Toquem o shofar na Lua Nova”, a respeito de “Pois é uma lei (chok) para Israel”, expressão que também deriva do termo gravação, etc.,

Explicação

O texto remete ao Zohar sobre Vayakhel e à discussão aqui sobre “Toquem o shofar na Lua Nova… pois é uma lei (chok) para Israel”, onde chok também significa gravação.

ומ״ש לקמן גבי במחוקק במשענותם, ועוד יובן ענין המשכה זו שמבחי׳ אותיות החקיקה לבחינת תשב״כ [תורה שבכתב] ע״ד [על דרך] שנתבאר בד״ה תורה צוה.

e o que está escrito abaixo a respeito de “com o legislador (bimchokek), com seus cajados”. E também se compreenderá este fluxo do nível das letras gravadas ao nível da Torá Escrita à luz do que foi explicado no discurso que começa com “A Torá que [Moshe] ordenou”.

Explicação

Outras referências: à discussão abaixo sobre “com o legislador (mechokek), com seus cajados”, e ao discurso sobre “A Torá que [Moshe] ordenou”, que explica como as letras gravadas são levadas à Torá Escrita.

כי התורה נקרא נובלות חכמה שלמעלה אבל כדי שיומשך מבחי׳ עצמיות חכמה עילאה כו׳ ע״ש [עיין שם] וזהו ענין חקת התורה אשר צוה הוי׳ לאמר וכמשי״ת [וכמו שיתבאר].

Pois a Torá é chamada “o fruto caído da sabedoria suprema”; mas, para que haja um fluxo a partir do nível da própria essência da Chochmá suprema, etc., veja lá. E isto é o significado de “a lei da Torá que Havayá ordenou, dizendo”, como será explicado.

Explicação

Lá a Torá é chamada “o fruto caído da sabedoria suprema”, apenas um reflexo exterior da Chochmá; a questão é como fazer descer algo da própria essência da Chochmá. É disso que trata “a lei da Torá que Havayá ordenou”, como explica o parágrafo seguinte.

O parágrafo 18 em resumo

A seção 4 retorna ao versículo inicial. A vaca vermelha, cujo conteúdo inteiro é ratzo e shov, fundamento de todas as mitsvot, é “a lei da Torá” tanto como sua ordem regente quanto como sua “gravação”, a raiz da qual a Torá flui para a Torá Escrita e a Torá Oral.

Aprofundar

O discurso citado contrasta a Torá como “o fruto caído da sabedoria suprema”, que deriva apenas do aspecto posterior e exterior da Chochmá, com um fluxo proveniente da própria essência da Chochmá. As letras gravadas constituem essa raiz superior, e é a vaca vermelha que a alcança.

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  8. 8
    תורה צוה · Deuteronomy 33:4

19וזהו וידבר ה׳ אל משה ואל אהרן שהם מבחי׳ ונחנו מ״ה [מה] ח״ע [חכמה עילאה] כו׳ זאת חקת התורה להמשיך בח״ע [בחכמה עילאה] מבחי׳ אותיות החקיקה שלמעלה מהחכמה.

E este é [o significado de] “E Havayá falou a Moshe e a Aharon”, que pertencem ao nível de “e o que (mah) somos nós”, a Chochmá superior (Chochmá Ilaá), etc.: “Este é o estatuto da Torá”, para atrair à Chochmá superior do nível das letras gravadas, que está acima da Chochmá.

Explicação

Agora o versículo é lido em detalhe. Moshe e Aharon disseram a respeito de si mesmos: “e o que somos nós”; essa é uma autoanulação absoluta, que corresponde à Chochmá superior. Por meio deles, “o estatuto da Torá” atrai para a Chochmá as letras gravadas que estão acima dela.

וזהו אשר צוה הוי׳ לאמר. כי הנה שם הוי׳ הראשון זהו בחי׳ ממכ״ע [ממלא כל עלמין] ביו״ד נברא העוה״ב [העולם הבא] כו׳

E este é [o significado de] “que Havayá ordenou, dizendo”. Pois o primeiro Nome Havayá é o nível da luz que preenche todos os mundos (memalê kol almin): “com o yud foi criado o Mundo Vindouro”, etc.;

Explicação

Isso responde à pergunta inicial sobre “que Havayá ordenou”. O Nome Havayá aparece duas vezes: o primeiro, em “E Havayá falou”, é memalê kol almin, a luz que preenche os mundos, o nível de “com o yud foi criado o Mundo Vindouro”.

ושם הוי׳ הב׳ זה הוא בחי׳ סוכ״ע [סובב כל עלמין] (ועיין בזח״ג [בזהר חלק ג] דקל״ח ע״ב. ובפי׳ האריז״ל [האר״י זכרונו לברכה] שם. ועמ״ש בד״ה וירא ישראל את היד בענין פי׳ ויאמינו בהוי׳).

e o segundo Nome Havayá é o nível da luz que circunda todos os mundos (sovev kol almin). (Veja o Zohar, Parte III, página 138b, e o comentário do Arizal ali; e veja o que está escrito no discurso que começa com “E Israel viu a mão”, sobre o significado de “e creram em Havayá”.)

Explicação

O segundo, em “que Havayá ordenou”, é sovev kol almin, a luz que circunda todos os mundos. O parêntese remete a uma passagem do Zohar e ao comentário do Arizal sobre ela, bem como ao discurso sobre “e creram em Havayá”, junto ao Mar.

ופי׳ צוה מלשון צוותא וחיבור שנתחבר ונמשך בחינת סוכ״ע [סובב כל עלמין] אל בחינת ממכ״ע [ממלא כל עלמין] וזהו לאמר המאמרות הן בחינת אותיות הנמשכים מחכמה בראשית נמי מאמר הוא ות״י בראשית בחכמתא כו׳,

E o significado de tsivá, “ordenou”, deriva do termo tsavta, “companheirismo” e união: que o nível de sovev kol almin se una e seja atraído ao nível de memalê kol almin. E este é o significado de lemor, “dizendo”: as expressões são o nível das letras atraídas da Chochmá; “Bereishit (No princípio) também é uma expressão”, e o Targum Yerushalmi [traduz] Bereishit como “com sabedoria”, etc.

Explicação

Tsivá, “ordenou”, é interpretado como tsavta, “união”: a luz que circunda os mundos une-se à luz que os preenche e é atraída para ela. Lemor, “dizendo”, refere-se às expressões Divinas, letras atraídas da Chochmá; conforme o Talmud considera “No princípio” uma expressão, e o Targum a traduz como “com sabedoria”.

וכמ״ש והיו הדברים האלה אשר אנכי מצוך שבבחי׳ הדברים האלה יהיה נמשך בחי׳ גילוי אנכי מי שאנכי סתימו דכל סתימין וזהו אנכי מצוך בבחי׳ צוותא והתקשרות ממש והוא מ״ש אשר צוה הויה לאמר.

E como está escrito: “E estas palavras que Eu (Anochi) te ordeno serão”: ao nível de “estas palavras” será atraído o nível da revelação de “Eu (Anochi) sou quem Eu sou”, “o oculto de todos os ocultos”. E este é o significado de “Eu te ordeno” (metsavecha): na forma de companheirismo (tsavta) e união efetiva. E isto é o que está escrito: “que Havayá ordenou, dizendo”.

Explicação

Da mesma forma, “estas palavras que Eu (Anochi) te ordeno”: o “Eu” oculto de “Eu sou quem Eu sou” deve ser revelado dentro de “estas palavras”, as palavras da Torá, unido a elas (metsavecha, de tsavta). Isso é “que Havayá ordenou, dizendo”: o Havayá que circunda os mundos uniu-se ao que os preenche por meio das palavras Divinas.

O parágrafo 19 em resumo

A pergunta inicial é respondida. “E Havayá falou” e “que Havayá ordenou” referem-se a dois níveis: a luz que preenche os mundos e a luz que os circunda. “Ordenou” (tsivá) significa “uniu” (tsavta); assim, o versículo diz que, por meio da vaca vermelha, a luz que circunda os mundos se une à luz que os preenche e é atraída para ela através do “dizer”, isto é, das letras atraídas da Chochmá.

Aprofundar

A mesma leitura explica “Eu (Anochi) te ordeno” no Shemá: Anochi, a essência oculta, liga-se a “estas palavras”, a Torá. As letras gravadas mencionadas no início do maamar são esse vínculo, no qual a fonte é una com sua expressão.

Marei mekomot

  1. 1
    ונחנו מה · Exodus 16:8
  2. 2
    וידבר ה׳ אל משה ואל אהרן שהם מבחי׳ ונחנו מ״ה ח״ע כו׳ זאת חקת התורה · Numbers 19:1–2
  3. 3
    בזח״ג . . ובפי׳ האריז״ל שם · ראה לקמן בתחילת הביאור ולעיל פ׳ שלח נא, ב.
  4. 4
    בד״ה וירא ישראל · תו״א סב, א.
  5. 5
    וירא ישראל את היד · Exodus 14:31
  6. 6
    בראשית נמי מאמר הוא · Rosh Hashanah 32a:19–20
  7. 7
    והיו הדברים האלה · Deuteronomy 6:6
  8. 8
    סתימו דכל סתימין · Zohar, Yitro 27:464–475
  9. 9

20והיינו ע״י ויקחו אליך פרה כו׳ שבחי׳ האפר זהו בחי׳ רצוא אם רץ לבך כו׳

E isso se dá por meio de “que tomem para ti uma novilha”, etc.; pois o nível das cinzas é o nível de ratzó: “se teu coração correr”, etc.,

Explicação

Essa união se dá por meio de “que tomem para ti uma novilha”: suas cinzas são ratzó, a corrida do coração.

בכה ארוץ גדוד כו׳ להיות ואהבת בכל לבבך בשני יצריך כו׳ ואח״כ [ואחר כך] שוב לאחד הוא בחי׳ מים חיים

“Contigo corro contra uma tropa”, etc., para que haja “E amarás… com todo o teu coração”, “com as duas inclinações”, etc. E, depois, “retorna ao Um”, que é o nível da água viva,

Explicação

“Contigo corro contra uma tropa” é outro versículo sobre correr; trata-se do amor a D'us com as duas inclinações. Depois vem “retorna ao Um”, que é a água viva.

דהיינו מ״ש והיו הדברים האלה אשר אנכי מצוך כו׳. שזהו יסוד כל התורה להיות בחי׳ רצוא ושוב.

isto é, o que está escrito: “E estas palavras que Eu te ordeno estarão”, etc. Pois este é o fundamento de toda a Torá: que haja o nível de ratzó vashov.

Explicação

A água viva é “estas palavras que Eu te ordeno”: a Torá que é atraída para baixo. Correr e retornar são o fundamento de toda a Torá.

O parágrafo 20 em resumo

A novilha vermelha produz essa união: suas cinzas são a corrida do amor com as duas inclinações, e sua água viva é o retorno — as palavras da Torá que são atraídas para baixo. Esses dois são o fundamento de toda a Torá.

Marei mekomot

  1. 1
    ויקחו אליך פרה · Numbers 19:2
  2. 2
    אם רץ לבך · נסמן לעיל נו, ב.
  3. 3
    אם רץ לבך · Sefer Yetzirah 1:8
  4. 4
    בכה ארוץ גדוד · Psalms 18:30
  5. 5
    ואהבת בכל לבבך בשני יצריך · Mishnah Berakhot 9:5
  6. 6
    והיו הדברים האלה אשר אנכי מצוך · Deuteronomy 6:6

21ובכל מצוה ג״כ יש בחי׳ זו דרך פרט. אך כללות בחי׳ זו הוא ענין זה דפרה כו׳.

E em cada mitzvá há também esse nível de forma particular; mas sua expressão geral e coletiva é este assunto da novilha, etc.

Explicação

Cada mitzvá contém, de forma particular, a dinâmica de correr e retornar, mas a novilha vermelha é sua expressão geral e coletiva.

ולכך הוא מעורר וממשיך בחי׳ חקת התורה להיות נמשך בתשב״כ [בתורה שבכתב] ותשבע״פ [ותורה שבעל פה], וזהו שאמר שלמה ע״ז [על זה] אמרתי אחכמה והיא רחוקה ממני. לפי שהיא מעוררת למעלה מעלה מהחכמה כו׳

Por isso, ela desperta e faz descer o nível de “estatuto da Torá”, para que seja transmitido à Torá Escrita e à Torá Oral. E é a respeito dela que Shlomo disse: “Eu disse: ‘Tornar-me-ei sábio’, mas ela está longe de mim”, pois ela desperta [um nível] muito, muito acima da sabedoria, etc.

Explicação

É por isso que ela faz descer “o estatuto da Torá”, sua raiz gravada, à Torá Escrita e à Torá Oral. As palavras de Shlomo a seu respeito — “Eu disse: ‘Tornar-me-ei sábio’, mas ela está longe de mim” — mostram que ela alcança um nível muito acima da sabedoria.

(ומשם נמשך בבחי׳ חכמה וכענין אאלפך חכמה כו׳ וזהו נוצר חסד לאלפים כו׳ ועמ״ש באגה״ק [באגרת הקודש] ד״ה למה נסמכה פ׳ מרים, וגם ענין אפר הפרה היינו שמבחינת פר ה׳ נעשה אפר שהוא בח י׳ פר אל״ף כמ״ש הפירוש בלק״ת [בלקוטי תורה (להאריז״ל)]).

(E de lá é transmitida ao nível de Chochmá (sabedoria), como no assunto de “Eu te ensinarei (a’alefcha) sabedoria”, etc.; e isto é “Ele preserva a bondade por milhares (alafim)”, etc. Veja também o que está escrito em Iggeres HaKodesh, no trecho que começa: “Por que a seção de Miriam foi colocada em seguida”, etc. Há também o assunto das cinzas da novilha: do nível de par-hei (pará, a novilha), elas se tornam efer (cinzas), que corresponde ao nível de par-alef, conforme explica o Likkutei Torah do Arizal.)

Explicação

Desse nível acima da sabedoria, a influência é transmitida à Chochmá. Os versículos citados compartilham a raiz alef: a’alefcha, “Eu te ensinarei”, e alafim, “milhares”; da mesma forma, pará, a novilha (par com hei), torna-se efer, cinzas (par com alef), como explica o Likkutei Torah do Arizal. O texto também faz referência a um trecho de Iggeres HaKodesh.

ובכל הנ״ל יובן מ״ש והיתה לעדת בנ״י [בני ישראל] למשמרת כו׳ שהוא לבד האפר שמקדשין ומזין ממנו עוד זאת היו מצניעין ממנו בחיל למשמרת כמבואר בפרש״י [בפירש רש״י / בפירוש רש״י] ובמשנה ספ״ג [סוף פרק ג׳] דפרה ובהרמב״ם [ובהרבי משה בן מימון].

Com tudo o que foi exposto, compreender-se-á o que está escrito: “E será para a congregação dos filhos de Israel como reserva”, etc.: além das cinzas usadas para santificar e aspergir, também se separava uma parte delas no cheil (a muralha) para guardá-la, como se explica no comentário de Rashi, na Mishná, ao final do capítulo 3 de [tratado] Parah, e no Rambam.

Explicação

Isso também explica por que uma parte das cinzas não era usada, mas separada “como reserva” no cheil, a muralha do Monte do Templo, conforme explicam Rashi, a Mishná e o Rambam.

והענין הוא לפי שבאמת בכל מצוה ומצוה יש בחי׳ רו״ש [רצוא ושוב] והכח לזה נמשך מבחי׳ מעשה דפרה שהאפר פרה זהו כללות בחי׳ הרצוא כו׳

A explicação é que, de fato, em cada mitzvá há o nível de ratzo e shov, e a força para isso é transmitida do nível da realização do rito da novilha; pois as cinzas da novilha são a expressão geral e coletiva do nível de ratzo, etc.

Explicação

Cada mitzvá contém correr e retornar, e a força para isso provém da novilha vermelha, cujas cinzas representam o correr em sua forma geral.

וע״ז [ועל זה] נאמר והיתה למשמרת כו׳, וזהו מבואר ג״כ בפ׳ ראשונה דק״ש [דקריאת שמע] ואהבת בכל לבבך ובכל נפשך כו׳

E a respeito disso foi dito: “E será como reserva”, etc. Isso também se explica na primeira seção do Shemá: “E amarás… com todo o teu coração e com toda a tua alma”, etc.:

Explicação

É por isso que parte das cinzas era guardada “como reserva”: elas preservam a fonte do correr para todas as mitzvot. A primeira seção do Shemá apresenta a mesma sequência, começando por “Amarás… com todo o teu coração e com toda a tua alma”.

זהו בחי׳ הרצוא ואח״כ [ואחר כך] והיו הדברים האלה זהו בחי׳ שוב כו׳ ושננתם לבניך ודברת בם כו׳,

isto é o nível de ratzo; e depois, “E estas palavras serão”, isto é o nível de shov, etc.; “E as ensinarás a teus filhos e falarás delas”, etc.,

Explicação

O amor é o correr; “E estas palavras serão” é o retornar; e “as ensinarás a teus filhos e falarás delas” refere-se à Torá pronunciada em voz alta.

והיינו שצ״ל [שצריך להיות / שצריך לומר / שצריך להבין] הדבור דייקא בתורה כנ״ל וקשרתם כו׳ וכתבתם כו׳ כי המים חיים צ״ל [צריך להיות / צריך לומר / צריך להבין] אל כלי דוקא שהוא מעשה המצות שהן בחי׳ כלים כו׳:

Isto significa que é necessário falar especificamente palavras de Torá, como mencionado acima; “E as atarás”, etc., “E as escreverás”, etc.; pois a água viva deve entrar especificamente “num recipiente”, que são os atos das mitzvot, que correspondem ao nível dos recipientes, etc.

Explicação

Como explicado acima, é necessário falar palavras de Torá. O Shemá prossegue com “as atarás” e “as escreverás”, pois a água viva deve entrar num recipiente: as mitzvot realizadas na prática.

O parágrafo 21 em resumo

A novilha vermelha, forma geral do correr e retornar, faz descer a raiz da Torá, acima da sabedoria, à Torá Escrita e à Torá Oral; por isso, parte de suas cinzas era guardada como fonte duradoura do correr presente em cada mitzvá. A primeira seção do Shemá percorre toda a sequência: o amor (correr), as palavras de Torá pronunciadas (retornar) e as mitzvot práticas como recipientes.

Aprofundar

O maamar termina onde começou: a alma desceu para “fazer” a Torá, e o Shemá mostra como isso ocorre. O correr do amor, o retornar nas palavras de Torá pronunciadas em voz alta e os recipientes das mitzvot, nos quais se derrama a água viva, juntos fazem descer ao mundo a raiz gravada da Torá.

Marei mekomot

  1. 1
    אמרתי אחכמה והיא רחוקה ממני · Ecclesiastes 7:23
  2. 2
    אאלפך חכמה · Job 33:33
  3. 3
    ונוצר חסד לאלפים · Exodus 34:7
  4. 4
    למה נסמכה פ׳ מרים · Tanya, Iggeres HaKodesh 28:2–3
  5. 5
    והיתה לעדת בנ״י למשמרת · Numbers 19:9
  6. 6
    בחיל למשמרת · Rashi on Numbers 19:9
  7. 7
    ואהבת בכל לבבך ובכל נפשך · Deuteronomy 6:5
  8. 8
    והיו הדברים האלה · Deuteronomy 6:6
  9. 9
    ושננתם לבניך ודברת בם · Deuteronomy 6:7
  10. 10
    המים חיים צ״ל אל כלי · Numbers 19:17
  11. 11

Terminou o maamar?

Marque-o como estudado; ele conta para a semana e para o siyum do ano.

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Na avodá

O amor a D'us deve nascer da contemplação de que até o Gan Éden e o Mundo Vindouro nada são diante Dele, e deve conduzir de volta ao estudo da Torá pronunciado em voz alta e às mitsvot praticadas, os recipientes de Sua luz. Os próprios desejos da pessoa não devem ser negados como se fossem maus em si: seus revestimentos proibidos — cada pensamento, palavra e ato proibidos — devem ser queimados, e então a força nua do desejo pode ser transformada em amor a D'us. E a fala na Torá e na oração só tem força quando a pessoa é humilde aos próprios olhos, como o verme.

Perguntas para conversar

  1. Por que uma letra gravada expressa sua fonte melhor do que uma letra escrita, e o que isso revela sobre a raiz da Torá?
  2. Que duas contemplações produzem ratzo e shov, e por que as cinzas devem permanecer na água, para que a corrida se mantenha dentro do retorno?
  3. Como a força do desejo pode “não ser má em si” enquanto o ato mau não tem remédio além de ser removido? O que essa distinção significa na prática?
  4. Por que o estudo da Torá deve ser pronunciado em voz alta, e por que a força da fala depende da autoanulação?
  5. Como interpretar tzivá (ordenou) como tzavta (união) responde à pergunta inicial do maamar sobre “que Havayá ordenou”?

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Índice

Likkutei Torahלקוטי תורה

Parshas Chukasחקת

  1. 1וידבר הוי׳ וגו׳ זאת חקת התורה…“And Havayah spoke… This is the statute of the Torah which Havayah commanded, saying”
  2. 2א ביאור ע״פ זאת חקת כו׳An explanation on “This is the statute,” etc.
  3. 3ויקחו אליך פרה אדומה“And they shall take to you a red heifer” (Numbers 19:2)
  4. 4תוספת ביאור מעט ע״פ ויקחו אליך…A brief additional explanation on “That they take to you a heifer” (Numbers 19:2)
  5. 5ויקחו אליך פרה אדומה תמימה אשר…“And let them take to you a red heifer, perfect” (Numbers 19:2)
  6. 6והזה הטהור על הטמא ביום השלישי…“And the pure one shall sprinkle upon the impure one on the third day and on the seventh day” (Numbers 19:19)
  7. 7ויעש משה נחש נחשת וישימהו על…“And Moshe made a copper serpent and set it upon the pole” (Numbers 21:9)
  8. 8אז ישיר ישראל את השירה הזאת…“Then Israel sang this song: Spring up, O well” (Numbers 21:17)
  9. 9ביאור ענין עלי באר כו׳An explanation of the matter of “Rise up, O well,” etc.
  10. 10על כן יאמרו המושלים באו חשבון…“Therefore the rulers will say: Come to Cheshbon” (Numbers 21:27)
  11. 11ביאור ע״פ על כן יאמרו המושלים…An explanation on the verse “Therefore the moshlim say: ‘Come to Cheshbon’”