Likkutei Torah · Parshas Rosh Hashanah · Maamar 3
להבין המשנה [רפ״ד דר״ה] י״ט של ר״ה שחל…
“Para compreender a Mishná: Quando o Yom Tov de Rosh HaShaná caiu em Shabat”
A ideia central
O shofar atrai o deleite de D'us para Sua Realeza a partir de uma fonte ainda mais elevada que o deleite do Shabat. Como o Shabat revela o deleite por si mesmo, os Sábios puderam deixar de lado o shofar no Shabat, na época do Segundo Templo, quando o nível mais elevado do shofar, enraizado em Biná, não podia se estender para além do Templo, “o portão do céu”; o lulav, uma atração de nível inferior, podia, e por isso não foi afetado.
O maamar em resumo
O maamar começa com uma questão haláchica: quando Rosh HaShaná caía no Shabat, o shofar era tocado somente no Templo, enquanto o lulav era tomado em toda parte no primeiro dia de Sucot; e por que os Sábios abririam mão de mitsvot tão elevadas por causa de um decreto dirigido aos negligentes? Para responder, o Alter Rebe explica Malchut. Diferentemente da unidade superior de causa e efeito, a Realeza cria seres separados que se curvam voluntariamente, e sua aceitação desperta a vontade e o deleite de D'us em ser Rei, formando Kéter Malchut, atraído pelas dez proclamações de Malchuyot. O shofar, um chifre de carneiro tocado como um clamor sem palavras vindo do ponto interior do coração, alcança a fonte desse deleite, que é revelada em Biná. No Shabat, o deleite de D'us na criação brilha por si mesmo, de modo que o shofar é menos necessário; ainda assim, o shofar atrai um deleite mais elevado, de Chochmá e Biná de Arich Anpin, por isso a Torá o ordena mesmo então. O decreto surgiu na época do Segundo Templo, ao qual faltava Biná e que só podia revelá-la dentro do Templo. O lulav, que atrai de Zeir Anpin para Nukvá, não foi afetado, e a ligação do shofar com o tribunal explica a ordenança de Rabban Yochanan ben Zakkai.
Esquema
- As questões: shofar e lulav no ShabatA decisão da Mishná de que o shofar era tocado no Shabat somente no Templo, a pergunta de Tosafot com base no lulav e por que os Sábios privariam até mesmo os justos de mitsvot tão elevadas.¶1
- Duas unidadesA unidade superior de causa e efeito, na qual o inferior permanece contido no superior, e a unidade inferior da criação a partir do nada, na qual um “algo” genuíno se curva à sua fonte; esta última é a essência de Malchut.¶2–3
- Realeza aceita voluntariamente e Kéter MalchutOs mundos recebem por meio da Realeza e, assim, existem como seres separados; a realeza, diferentemente do domínio, requer aceitação voluntária, concedida pela primeira vez por Adam em Rosh HaShaná. Essa aceitação desperta a vontade e o deleite de D'us em ser Rei, Kéter Malchut, atraído de Atik através das dez proclamações de Malchuyot; um trecho entre colchetes explica panai, “Minha face”, e o nome Rosh HaShaná.¶4–9
- O shofar: o carneiro e o som simplesO chifre do carneiro carrega o bitul do animal, enraizado em Tohu acima de Daat; a tekiah é um som sem palavras vindo do ponto interior do coração, acima das letras de Chochmá, e desperta Kéter; seu deleite é revelado em Biná e passa para Malchut.¶10–12
- Por que o shofar cede lugar ao ShabatNo Shabat, D'us “descansa”, como um artesão que terminou seu trabalho, e Seu deleite em tudo o que criou é revelado por si mesmo em Chochmá, de modo que o shofar não é necessário.¶13–14
- Por que a Torá ainda o ordena no ShabatO deleite tem níveis infinitos; o deleite do Shabat vem das sete Sefirot inferiores de Arich Anpin, a raiz do emanado, enquanto o shofar atrai de sua Chochmá e Biná, o nível mais baixo do Emanador, como o deleite de um rei com o filho que retorna de longe.¶15–19
- O Segundo Templo, o lulav e o tribunalAo Segundo Templo faltava o hei superior, Biná, e ele só podia revelá-la dentro de si, “o portão do céu”; por isso, o shofar foi deixado de lado fora do Templo. O lulav, de Zeir Anpin para Nukvá, ainda podia ser atraído em toda parte; e a raiz do shofar na Guevurá de Atik o vincula ao tribunal da ordenança de Rabban Yochanan ben Zakkai.¶20–22
Conceitos-chave
- A unidade superior e a unidade inferiorיחודא עילאה ויחודא תתאה
- Na unidade superior, o inferior está contido no superior como o efeito em sua causa, assim como as Sefirot de Atsilut são uma só; na unidade inferior, a criação surge como um “algo” separado a partir do nada, mas se curva à sua fonte. A Realeza pertence à unidade inferior.
- Realeza e domínioמלוכה וממשלה
- A realeza existe somente sobre aqueles que a aceitam voluntariamente; o domínio é um governo imposto contra a vontade dos súditos. D'us é chamado “Rei” por meio daqueles que cumprem Sua vontade.
- Kéter Malchutכתר מלכות
- A “coroa” de Malchut: a vontade e o deleite supernos investidos na Realeza, atraídos de Atik e Arich Anpin. Rosh HaShaná, “a cabeça do ano”, é a atração dessa coroa para baixo.
- O som simplesקול פשוט
- O som sem palavras do shofar vem do ponto interior do coração, acima das letras da fala, enraizadas em Chochmá; assim, desperta Kéter, que está acima de Chochmá.
- Os dois aspectos de Kéterב׳ בחינות שבכתר
- Kéter, o intermediário, contém o nível mais baixo do Emanador e a raiz do emanado. O deleite do Shabat vem do segundo; o shofar atrai do primeiro, que é muito mais elevado.
- O hei superior e o hei inferiorה׳ עילאה וה׳ תתאה
- As duas letras hei do Nome Havayá: Biná e Malchut. O Primeiro Templo estava no nível do hei superior e o Segundo, no do inferior; por isso, o deleite do shofar, revelado em Biná, não podia se espalhar por toda a terra na época do Segundo Templo.
As questões: shofar e lulav no Shabat ¶1
1להבין המשנה1 [רפ״ד דר״ה [דראש השנה]]2 י״ט של ר״ה [ראש השנה]3 שחל להיות בשבת במקדש היו4 תוקעין אבל לא במדינה5 ומפרש בגמרא משום גזרה דרבה שמא6 יוליכנו ד״א [ד׳ אמות] בר״ה [בראש השנה]7
Para compreender a Mishná [no início do quarto capítulo de Rosh HaShanah]: “Quando o Yom Tov de Rosh HaShanah caía no Shabat, no Templo tocavam [o shofar], mas não nas províncias.” E a Guemará explica [que isso se devia] ao decreto de Rabá: “para que alguém não o carregasse quatro côvados no domínio público”.
O maamar começa com a Mishná no início do quarto capítulo do tratado Rosh HaShanah: quando Rosh HaShanah caía no Shabat, o shofar era tocado no Templo, mas não “nas províncias”, isto é, em qualquer lugar fora dele. A Guemará atribui isso a um decreto do sábio Rabá: todos têm a obrigação de ouvir o shofar, mas nem todos sabem tocá-lo; por isso, alguém poderia carregá-lo pelo domínio público até um especialista, para aprender, o que é proibido no Shabat.
וי״ט ראשון של חג היו נוטלין את הלולב אפילו במדינה בזמן בהמ״ק [בית המקדש] משום די״ט הראשון הוא דאורייתא כו׳ וכבר הקשו התוס׳ [התוספות] רפ״ד דר״ה [דראש השנה] ורפ״ד דסוכה דמ״ש שופר מלולב8 ע״ש.
E [quando] o primeiro Yom Tov da Festa [caía no Shabat], tomavam o lulav mesmo nas províncias, na época do Templo Sagrado, porque o primeiro Yom Tov é [uma mitzvá] da Torá, etc. Tosafot já levantou a questão, no início do quarto capítulo de Rosh HaShanah e no início do quarto capítulo de Sukkah: em que o shofar difere do lulav? Veja ali.
O lulav era tratado de modo diferente: quando o primeiro dia de Sucot caía no Shabat, na época do Templo ele era tomado mesmo fora do Templo, pois o mandamento da Torá de tomar o lulav no primeiro dia se aplica em toda parte. Tosafot levanta a pergunta óbvia: o mesmo receio de carregar se aplica ao lulav; então, por que o shofar foi deixado de lado e o lulav, não?
עוד יש לעורר ולשום לב מה ראו חז״ל [חכמינו זכרונם לברכה] לעקור9 מ״ע [מצות עשה] דשופר ולולב אפילו ביום ראשון בגבולין עכ״פ [על כל פנים] אפילו בזמן שאין בהמ״ק [בית המקדש] משום גזרה דרבה בעלמא והלא החשש הוא להדיוטים10 וקלי
Além disso, cabe suscitar a questão e refletir: o que nossos Sábios, de abençoada memória, viram [como motivo] para abolir o mandamento positivo do shofar e do lulav, mesmo no primeiro dia, ao menos nas regiões periféricas, [e] mesmo numa época em que não há Templo Sagrado, apenas por causa do decreto de Rabá? Ora, a preocupação é [somente] com os incultos e os levianos
Além da questão legal, há uma questão mais profunda: por que os Sábios aboliriam um mandamento positivo da Torá — o shofar e até mesmo o lulav do primeiro dia — fora do Templo e, certamente, hoje em dia, quando não há Templo, apenas por causa de uma medida preventiva? O receio diz respeito somente aos “incultos” e aos “levianos”; um maamar posterior sobre esta passagem, citado nas notas da Kehot, explica que ambas as condições são necessárias: a pessoa não sabe tocar o shofar e é descuidada a ponto de esquecer que é Shabat.
הדעת11 ואיך מנעו המצוה לגמרי מכמה צדיקים גדולים וטובים12 ובפרט מצות שופר ולולב שהרבה כוונות תלויות בהם ליודעי דעת שנוגעים עד רום המעלות. אך להבין כל זה צריך להקדים תחלה שרש ענין השופר.
de espírito; como poderiam, então, impedir completamente a mitzvá de muitos tsadikim grandes e virtuosos, sobretudo as mitzvot do shofar e do lulav, das quais dependem muitas intenções (kavanot) para os conhecedores, [intenções] que alcançam as alturas mais elevadas? Porém, para compreender tudo isso, é preciso primeiro introduzir a raiz do assunto do shofar.
Como, então, os Sábios poderiam impedir completamente a mitzvá de grandes tsadikim, aos quais a preocupação não se aplica, sobretudo mitzvot como shofar e lulav, cujas kavanot — as intenções interiores conhecidas pelos mestres da Cabalá — alcançam os níveis espirituais mais elevados? Para responder, o Alter Rebbe primeiro explica a raiz do shofar.
O maamar começa com uma questão haláchica: o shofar não é tocado fora do Templo quando Rosh HaShanah cai no Shabat, mas o lulav era tomado fora do Templo quando o primeiro dia de Sucot caía no Shabat. Em seguida, a questão se aprofunda e se torna espiritual: por que renunciar a mitzvot tão elevadas, mesmo para os justos, por causa de um decreto dirigido aos descuidados? A resposta exige compreender primeiro a raiz do shofar.
Uma nota da Kehot cita Likkutei Sichos (vol. 12, p. 37) para a explicação interior desenvolvida por este maamar: não tocar o shofar no Shabat não significa, na verdade, deixar de lado a mitzvá, pois aquilo que o shofar atrai é atraído por si mesmo no Shabat. O maamar precisa essa ideia: o shofar alcança um nível ainda acima do deleite do Shabat; por isso, a própria Torá ainda o ordena no Shabat, e o decreto dos Sábios é explicado pelo estado espiritual da época do Segundo Templo.
Marei mekomot
- 1להבין המשנה · נאמר בשנת תקע״א. ראה ברשימת המאמרים שבסו״ס תק״ע ע׳ רצ. הנחת אדהאמ״צ נדפס בסידור רמ, ג. ראה שם ע׳ קס קטע ענין ב׳ בחי׳ מל׳, ובהערה בשולי הגיליון. ראה מאמר זה בשינויים באוה״ת דברים כרך ה ע׳ ב׳קו ואילך. כרך ו ע׳ ב׳תעו. ר״ה ע׳ א׳רצג ואילך. נתבאר בד״ה יו״ט של ר״ה תשל״ג (סה״מ מלוקט ח״ג ע׳ רצג ואילך).
- 2רפ״ד דר״ה · כט, ב.
- 3יו״ט של ר״ה · לכאורה תי׳ ”יו״ט” מיותר. וראה בלקו״ש חי״ט ע׳ 605 שכ׳ ”וי״ל דנפק״מ כשבאו עדים מן המנחה ולמעלה דיו״ט הוא למחר — גם תק״ש למחר” ע״ש.
- 4
- 5במקדש היו תוקעין אבל לא במדינה · ראה לקמן נז, ג במ״מ הטעם על פי נגלה.
- 6גזרה דרבה שמא · Rosh Hashanah 29b:10
- 7שמא יוליכנו ד״א בר״ה · בד״ה זה תשל״ג הנ״ל מחזק יותר הקושיא ”ובפרט עכשיו, שאין מצוי שיהי׳ רה״ר מה״ת [ובהערה מוסיף: ראה שו״ע אדה״ז או״ח הל׳ שבת סי׳ שמ״ה סי״א וש״נ. ולהעיר מהמשך יו״ט של ר״ה תש״ג בתחלתו ”איך דחו כו׳ שלא לבוא לידי חשש איסור שבות”] והגזירה שמא יעבירנו הוא רק שלא יבוא לאיסור דרבנן”.
- 8דמ״ש שופר מלולב · Tosafot on Rosh Hashanah 29b:5:1
- 9מה ראו חז״ל לעקור · בד״ה יו״ט של ר״ה תשמ״ג (נדפס בסה״מ מלוקט ח״א ע׳ תכא) מציין בהערה 5 שכן הוא הלשון בסידור, אבל באוה״ת ר״ה כרך ה ע׳ ב׳קט ובד״ה זה תרנ״ט. תרס״ה. תש״ג ועוד הלשון: איך דחו, ע״ש.
- 10והלא החשש הוא להדיוטים · וכ״ה בהמשך תרס״ו בתחלתו. וראה לקו״ש חל״ט ע׳ 193. ”אפ״ל שהקושיא היא למה עקרו את המצוה מאלו שאין לחשוש בהן שיעבירו ד״א — בשביל ההדיוטים כו׳ . . אבל בסידור [רמ, ג] ועוד — אינו מסיים ”והלא החשש הוא להדיוטים כו׳” ומזה משמע שהקושיא היא גם על מה שביטלו את המצוה מאלו שיש עליהם חשש זה. ומ״ש בלקו״ת [כאן] ובתרס״ו [בתחלתו] ”והלא החשש הוא כו׳” — היינו רק בכדי לחזק את הקושיא. ובהמשך ר״ה תש״ג בתחלתו מפורש: ועוד זאת כו׳” — לקו״ש ח״ז ע׳ 52 הערה 25.
- 11להדיוטים וקלי הדעת · ”ויש לומר: הדיוטים שאין יודעים דיני תק״ש. וקלי הדעת — שלכן יש לחשוש שיעבירו ד״א ברה״ר” — ד״ה יו״ט של ר״ה תשל״ג הנ״ל הערה 7. ”ומובן הדיוק בזה, שבכדי שיחול עליו החשש צ״ל בו שתי התנאים, שיהי׳ הדיוט, דהיינו אף שיודע שיש עליו חיוב לתקוע בשופר מ״מ אינו יודע איך לתקוע, שזהו מצב של הדיוטים וגם צריך להיות קל הדעת, ומצד קלות הדעת שלו יכול להיות שישכח על איסור שבת ויעבור ד״א ברה״ר” — ד״ה יו״ט של ר״ה תשל״ב (מהנחה בלתי מוגה).
- 12מה ראו . . גדולים וטובים · שההסבר בזה (בפנימיות הענינים), דמה שאין תוקעין בר״ה שחל בשבת אין זה דיחוי של (תוקף) מצות תקיעת שופר, אלא שאז אין צורך (כ״כ) בתקיעת שופר, כי ההמשכות שנמשכות ע״י תק״ש נמשכות הן ביום השבת מצ״ע בלא תקיעת שופר. — לקו״ש חי״ב ע׳ לז. ראה סידור רמ, ג ואילך. ד״ה יו״ט של ר״ה כ״ט אלול תשל״ט.
Duas unidades ¶2–3
2והוא ע״פ שיבואר ג״כ ענין בחי׳ מלכיות בר״ה [בראש השנה] שהוא ענין בחי׳ בנין הנוק׳ [הנוקבא] כידוע.
Isto será [compreendido] à luz do que também será explicado: o tema do nível de Malchuyot (os versículos da Realeza) em Rosh Hashaná, que é o tema do nível da construção de Nukvá (o feminino), como é sabido.
A resposta virá por meio do significado de Malchuyot, os versículos da Realeza de D'us recitados na oração de Musaf de Rosh Hashaná. Em termos cabalísticos, trata-se da “construção de Nukvá”: a reconstituição, a cada Rosh Hashaná, de Malchut de Atsilut, o atributo divino da Realeza que é a fonte dos mundos criados.
דהנה נודע ההפרש שבין יחודא עילאה ליחודא תתאה בהיות שיש ב׳ מיני השתלשלות1 הא׳ הנק׳ בלשון הפרדס בחי׳ עילה ועלול2 שכל עלול מוקף מעילתו
Pois é sabido que há uma diferença entre a unidade superior (yichudá ilaá) e a unidade inferior (yichudá tataá): há dois tipos de cadeia descendente dos mundos (hishtalshelut). O primeiro é o que, na linguagem do Pardes, é chamado de nível de causa e efeito, no qual cada efeito é circundado por sua causa;
Há duas maneiras pelas quais um nível superior traz à existência um nível inferior, e elas correspondem a dois tipos de unidade. A primeira, chamada no Pardes (a obra cabalística do Rabi Moshe Cordovero) de “causa e efeito”, é uma descida na qual o efeito nunca deixa sua causa: a causa o contém e o circunda por completo.
והוא ענין העיגולים שבע״ח [שבעץ חיים]3 שהעיגול העליון מקיף לכל צד להעיגול שבתוכו דהיינו שהעיגול שבתוכו הוא נכלל ובטל אליו4
e este é o tema dos círculos (iggulim) em Etz Chaim, onde o círculo superior circunda por todos os lados o círculo que está dentro dele; isto é, o círculo interno está incluído nele e anulado diante dele.
Etz Chaim, os ensinamentos do Arizal registrados pelo Rabi Chaim Vital, descreve a primeira emanação como círculos concêntricos (iggulim) de luz. Cada círculo externo circunda por todos os lados aquele que está dentro dele, de modo que o círculo interno está contido no externo e anulado diante dele.
והענין הוא עד״מ הרב שתופס ומשיג את כל השגת התלמיד המקבל ממנו מכל צד ופנה שמפני קוטן שכל והשגת התלמיד בעיני הרב נתפס ומוקף בשכל הרב המשפיע ונכלל בו כי בכלל מאתים מנה5
O tema é, por meio de uma analogia, [como] o mestre que apreende e compreende toda a compreensão do aluno que recebe dele, sob todos os ângulos e aspectos: como a inteligência e a compreensão do aluno são pequenas aos olhos do mestre, elas são apreendidas e circundadas pela inteligência do mestre que as transmite, e estão incluídas nela, pois “cem estão incluídos em duzentos”.
Uma analogia humana: o mestre apreende tudo o que o aluno compreende, sob todos os ângulos, porque a compreensão do aluno é pequena em comparação com a sua. Como diz o Talmud: “cem estão incluídos em duzentos”; a quantidade maior contém a menor.
ונמצא שהשגת התלמיד אינה בבחי׳ יש ודבר נפרד לעצמה רק שהיא כלולה ובטלה בהשגת הרב והב׳ שהעלול יוצא לידי גילוי בפ״ע [בפני עצמו] שזהו אינו
Conclui-se, portanto, que a compreensão do aluno não está no nível de um yesh (algo existente), de uma coisa separada em si; pelo contrário, está incluída e anulada na compreensão do mestre. E o segundo [tipo] é aquele em que o efeito vem à luz por si mesmo, o que não é
Assim, a compreensão do aluno não é, aos olhos do mestre, um “algo” (yesh) separado; está inteiramente contida na dele. O segundo tipo de descida é diferente: o efeito se manifesta como algo por direito próprio.
כמו התכללות העלול בתוך העלה כמו אותיות השכל הכלולים בשכל עד״מ אלא נהפוך הוא שהעילה מתלבשת בהעלם בתוך העלול
como a inclusão do efeito dentro da causa, como, por exemplo, as letras da inteligência incluídas na própria inteligência; ao contrário, a causa se reveste, de modo oculto, dentro do efeito,
No segundo tipo, o efeito não é absorvido em sua causa como as “letras” de um pensamento — as palavras internas nas quais ele toma forma — são absorvidas no próprio pensamento. Pelo contrário, aqui a causa se oculta dentro do efeito.
כמו כח המשכיל בשכל או שכל במדות וכה״ג [וכהאי גוונא] שהשכל או המדות הן הם היש ומורגשים וכח המשכיל או השכל שופע בהן בהעלם בבחי׳ אין כו׳
como o poder intelectual na inteligência, ou a inteligência nos atributos emocionais (midot), e casos semelhantes, nos quais a inteligência ou os atributos emocionais são eles próprios o yesh e são sentidos, enquanto o poder intelectual ou a inteligência flui dentro deles de modo oculto, no nível de ayin (nada), etc.
Os exemplos são o poder da alma de conceber ideias, oculto em cada ideia, e a inteligência oculta nas emoções. O que a pessoa sente é a ideia ou a emoção, que constitui o “algo” (yesh) perceptível; sua fonte flui dentro dela sem ser vista, como “nada” (ayin).
(וזהו כענין המבואר במ״א בההפרש שבין נוני ימא שהם מובלעים תמיד במקורם ואינו דבר נפרד ממנו שבהפרדם מהים הם מתים.
(E isto é semelhante ao tema explicado em outro lugar a respeito da diferença entre os peixes do mar, que estão sempre absorvidos em sua fonte e não são algo separado dela, de modo que, quando são separados do mar, morrem,
Uma ilustração entre parênteses: os peixes estão sempre imersos no mar, sua fonte, e não existem à parte dele, como demonstra o fato de morrerem quando são retirados da água. Eles representam o primeiro tipo de unidade, no qual o efeito permanece absorvido em sua causa.
ובין בריות שבארץ שהם בחי׳ יש ודבר נפרד מהארץ עיין מזה בביאורי הזהר פ׳ בשלח6 בד״ה עוד י״ל [יש לומר] מאמר הנ״ל באופן אחר. וע׳ באגה״ק [באגרת הקודש] סי׳ י״ד בפי׳ ארץ אשר כו׳ מראשית השנה.7
e as criaturas em terra, que estão no nível de yesh e de algo separado da terra. Veja sobre isso em Biurei HaZohar, Parshas Beshalach, no discurso que começa: “Pode-se ainda explicar o ensinamento mencionado acima de outra maneira.” E veja Iggeres HaKodesh, seção 14, sobre a explicação de “Uma terra que, etc., [...] desde o início do ano.”
As criaturas terrestres, em contraste, vivem sobre a terra como seres independentes, uma imagem do segundo tipo. A referência entre parênteses remete ao Biurei HaZohar sobre Parshas Beshalach e a Iggeres HaKodesh 14, que explica o versículo sobre a Terra de Israel, sobre a qual repousam os olhos de D'us “desde o início do ano”, como a “terra superior”, renovada com uma nova luz a cada Rosh HaShaná.
וא״ש [ואתי שפיר] לפי הנ״ל שעיקר בנין הנוק׳ [הנוקבא] שבר״ה [שבראש השנה] הוא בבחינת היותה ארץ שהוא יחו״ת [יחודא תתאה] להיות מאין ליש. משא״כ בחינת ים זהו בחינת יחודא עילאה וזהו ענין כי לאלקים מגיני ארץ8 מאד נעלה.
E, de acordo com o que foi dito acima, fica bem [compreendido] que a essência da edificação de Nukvá em Rosh HaShaná está no aspecto de ela ser “terra” (eretz), que é a unidade inferior: ser [trazida à existência] do nada para algo. Ao passo que o aspecto de “mar” é o aspecto da unidade superior. E este é o significado de “Pois os escudos da terra pertencem a Elokim; Ele é grandemente exaltado.”
Isso explica por que a edificação de Nukvá em Rosh HaShaná é descrita como “terra”: ela pertence à unidade inferior, a criação de algo a partir do nada, enquanto “mar” representa a unidade superior. O versículo “os escudos da terra pertencem a Elokim” se encaixa nisso: Elokim, o Nome associado à ocultação, é o “escudo” sobre a terra, enquanto D'us permanece “grandemente exaltado” acima dela.
וע״ש סי׳ כ׳9 היש הנפרד כו׳ לא מיניה ולא מקצתיה מהערך שמהעלול אל העילה וזהו לה׳ הארץ ומלואה10 כו׳ כי הוא על ימים יסדה11 כו׳ דהיינו להיות עכ״פ [על כל פנים] ביטול היש).
E veja ali, seção 20: “o yesh separado, etc.”, [não tem] nem a relação inteira nem sequer uma parte da relação do efeito com a causa. E este é [o significado de] “A terra e tudo o que a preenche pertencem a Havayá, etc., pois Ele a fundou sobre os mares, etc.”: isto é, que haja pelo menos a autoanulação do yesh.)
Iggeres HaKodesh 20 afirma que o yesh criado é tão separado que não possui sequer um vestígio da relação entre um efeito e sua causa. Ainda assim, o Salmo 24 diz que a terra pertence a D'us porque “Ele a fundou sobre os mares”: a existência separada repousa sobre a unidade superior, de modo que o yesh possa ao menos se anular diante Dele.
והנה על בחי׳ ראשונה א רז״ל [רבותינו זכרונם לברכה] קרסולי החיות כנגד כולן12 שוקי החיות כנגד כולן קרני החיות כו׳
Ora, a respeito do primeiro nível, nossos Sábios, de abençoada memória, disseram: “Os tornozelos dos Chayot equivalem a todos eles; as pernas dos Chayot equivalem a todos eles; os chifres dos Chayot, etc.”
Retorna-se ao primeiro tipo de unidade. O Talmud descreve as dimensões acima dos céus: os “tornozelos dos Chayot”, as criaturas sagradas da visão da Carruagem de Ezequiel, têm a medida de tudo o que está abaixo deles, e o mesmo ocorre com as pernas, e assim por diante, até os chifres.
שכל הגבוה גבוה מחבירו מקיף את חבירו עד שהתחתון בטל אליו ונחשב כלא ממש לגבי העליון
Pois tudo o que é mais elevado do que seu semelhante o circunda, até que o inferior se anula diante dele e é considerado como verdadeiramente nada em relação ao superior.
Este é o princípio por trás da descrição talmúdica: tudo o que é mais elevado circunda aquilo que está abaixo de si tão completamente que o inferior é absolutamente nada diante do superior.
ולכן אמרו שקרסולי ושוקי החיות שהן בחי׳ נה״י [נצח הוד יסוד] שהוא הבחינה היותר אחרונה שבחיות כוללות כל המדרגות שלמטה מהם וקרני החיות הן בבחי׳ כתר שבראש13 הוא כולל יותר כו׳
Por isso disseram que os tornozelos e as pernas dos Chayot, que correspondem ao nível de Nétsach, Hod e Yessod, o último nível dos Chayot, incluem todos os níveis abaixo deles; e os chifres dos Chayot, que correspondem ao nível da coroa (Kéter) sobre a cabeça, incluem ainda mais, etc.
Os tornozelos e as pernas correspondem a Nétsach, Hod e Yessod, as sefirot mais baixas dentro dos Chayot; ainda assim, até eles contêm tudo o que está abaixo deles. Os chifres, que se elevam acima da cabeça, correspondem a Kéter, a “coroa”, e contêm ainda mais.
וזו היא בחי׳ יחו״ע [יחודא עילאה] בע״ס [בעשר ספירות] דאצילות דאיהו וחיוהי חד1415 דהיינו יחוד וביטול התחתון בעליון שהגם שיש ע״ס [עשר ספירות] חכמה חסד כו׳
E este é o nível da unidade superior nas Dez Sefirot de Atsilut, onde “Ele e Suas forças vitais são um”: isto é, a união e a anulação do inferior no superior. Pois, embora haja Dez Sefirot — Chochmá, Chessed, etc. —,
É assim que funciona a unidade superior nas Dez Sefirot de Atsilut, sobre as quais o Tikkunei Zohar diz: “Ele e Suas forças vitais são um.” As Sefirot são distintas, mas cada nível inferior está unido ao nível acima dele e se anula nele.
וחסד ענף16 החכמה שנמשך מבחינת החכמה להיות נאצל גם בחינת החסד אין בחינה זו מורגשת להיות יש ודבר בפ״ע [בפני עצמו]
e Chessed é um ramo de Chochmá, extraído do nível de Chochmá para que também o nível de Chessed seja emanado, esse nível não é sentido como um yesh e algo por si só;
Chessed (bondade) se ramifica de Chochmá (sabedoria): é emanado de Chochmá. No entanto, não é sentido como algo independente.
רק שמ״מ חסד כלול ומוקף בבחי׳ החכמה והחכמה מקפת אותו מכל צד ופנה [וכמ״ש בד״ה יביאו לבוש17 מלכות בענין אברהם אבר מה
mas, ainda assim, Chessed está incluído e envolvido no nível de Chochmá, e Chochmá o envolve por todos os lados e ângulos. [Como é explicado no discurso que começa “Que tragam vestes reais”, a respeito de Avraham: ever mah (“um membro de mah”),
Chessed permanece inteiramente contido e circundado por Chochmá. O Alter Rebe cita o discurso de Torah Ohr “Que tragam vestes reais”, que interpreta o nome Avraham, o patriarca de Chessed, como ever mah, “um membro de mah”.
שהוא בחי׳ חסד נק׳ אבר וכלי להתלבשות בחי׳ חכמה כח מה והוא בטל לגבי החכמה כביטול העלול בעילתו]
pois ele, sendo o nível de Chessed, é chamado de membro e recipiente para a investidura do nível de Chochmá, koach mah (“o poder de mah”), e está anulado em relação a Chochmá, assim como o efeito está anulado diante de sua causa.]
As letras de Chochmá podem ser lidas como koach mah, “o poder de ‘quê?’”, a abertura de Chochmá que se anula a si mesma. Avraham, Chessed, é o “membro” ou recipiente por meio do qual esse poder de mah atua, e está anulado diante de Chochmá assim como o efeito está anulado diante de sua causa.
אבל בחינת יח״ת [יחודא תתאה] דמל׳ דאצי׳ בבי״ע הוא גילוי אור האלקי להוות הבריאה מאין ליש ודבר בפ״ע [בפני עצמו] ממש שהבריאה היא יש גמור בבחי׳ מוגבל שאין לו ערוך כלל וכלל לבחי׳ הבורא שהוא בלתי מוגבל
Mas o nível da unidade inferior, de Malchut de Atsilut em Beriá, Yetsirá e Assiá, é a revelação da luz divina para fazer a criação vir à existência a partir do nada (ayin) como algo (yesh), uma coisa verdadeiramente independente; pois a criação é um yesh completo, num estado limitado, que não tem absolutamente nenhuma comparação com o nível do Criador, que é ilimitado.
A unidade inferior é diferente: Malchut de Atsilut, ao irradiar nos três mundos inferiores de Beriá, Yetsirá e Assiá, faz a criação vir à existência a partir do nada como uma coisa verdadeiramente independente. Um ser criado é limitado, e o limitado não tem absolutamente nenhuma comparação com o Criador ilimitado.
ואם היה נמשך בבחי׳ עו״ע [עילה ועלול] הרי היה בבחי׳ בלתי גבול ג״כ אך אע״פ [אף על פי] שהוא הבריאה מאין ליש גמור עכ״ז [עם כל זה] היא בבחי׳ ביטול לאין
E, se tivesse sido emanada segundo a relação de causa e efeito, também seria ilimitada. Contudo, embora a criação seja a partir do nada como um yesh completo, ainda assim ela se encontra num estado de anulação (bitul) diante do ayin,
Se os mundos tivessem surgido como efeitos de uma causa, compartilhariam a ilimitação da causa. Mesmo assim, embora criados como um “algo” pleno a partir do nada, permanecem anulados diante do “nada”, a fonte divina que os faz vir à existência.
como em “e as hostes dos céus se prostram diante de Ti”, etc. E esta é a essência do nível de Malchut: que haja um yesh e que o yesh esteja anulado, etc.
A prece no livro de Nehemias diz: “as hostes dos céus se prostram diante de Ti”: seres independentes que se prostram por vontade própria. Esta é a essência de Malchut, a Realeza: deve haver um “algo”, um sujeito distinto do rei, e esse algo deve anular-se diante dele.
Para explicar o shofar, o Alter Rebe apresenta primeiro dois tipos de unidade: a unidade superior de causa e efeito, na qual o nível inferior permanece contido no superior (círculos, mestre e aluno, as forças vitais, as Sefirot de Atsilut), e a unidade inferior da criação a partir do nada, na qual a criatura é um “algo” genuíno que, apesar disso, se curva diante de sua fonte. Malchut, reconstruída a cada Rosh Hashaná, pertence ao segundo tipo: uma existência separada que aceita a Realeza de D'us.
Igueret HaKodesh 20, citado duas vezes nesta passagem, explica que um yesh criado não pode provir de nenhuma luz que se relacione com ele como uma causa com seu efeito, mas somente da própria essência de D'us, que, somente Ela, pode fazer surgir algo do nada absoluto. Por isso, a unidade inferior não é uma relação de causa e efeito, e a criatura, incapaz de perceber sua fonte, precisa ser levada a se curvar diante dela, assim como um povo aceita um rei.
Marei mekomot
- 1שיש ב׳ מיני השתלשלות · בארוכה נתבאר באוה״ת ואתחנן ע׳ קצז ואילך. ר״ה ע׳ א׳רצג. ראה לעיל פ׳ שלח לז, ג ואילך.
- 2בחי׳ עילה ועלול · בארוכה בסה״מ תרס״ה ע׳ עג ואילך. ראה שרש מצות התפילה פרק כג (קכח, א).
- 3והוא ענין העיגולים שבע״ח · ראה סה״מ תרנ״ט ע׳ יא.
- 4שהעיגול שבתוכו הוא נכלל ובטל אליו · ראה ביאוה״ז להצ״צ ע׳ ו. אוה״ת נשא ע׳ רנד.
- 5בכלל מאתים מנה · Bava Kamma 74a:11–13
- 6בביאורי הזהר פ׳ בשלח · לאדה״א מב, ג. וראה ביאוה״ז להצ״צ כרך א ע׳ רז ואילך.
- 7ארץ אשר כו׳ מראשית השנה · Deuteronomy 11:12
- 8כי לאלקים מגיני ארץ · Psalms 47:10
- 9וע״ש סי׳ כ׳ · הכוונה לאגה״ק סי׳ כ.
- 10לה׳ הארץ ומלואה · Psalms 24:1
- 11כי הוא על ימים יסדה · Psalms 24:2
- 12קרסולי החיות כנגד כולן · Chagigah 13a:4
- 13וקרני החיות הן בבחי׳ כתר שבראש · ובד״ה כי תשא תשל״א (נ׳ בקונטרס כ״ב שבט תנש״א) מבאר שצריך ביאור ”הרי זה שהקרן הוא למעלה מהראש הוא (לא רק מהמוח שבראש אלא) גם מהגולגולת” ע״ש בארוכה.
- 14דאיהו וחיוהי חד · ת״ז בהקדמה ד״ה פתח אליהו.
- 15דאיהו וחיוהי חד · Tikkunei Zohar 3b:2–3
- 16וחסד ענף החכ׳ · ראה מא״א אות ח׳, סמ״ה ובמקומות המצויינים ביאיר נתיב שם.
- 17בד״ה יביאו לבוש מל׳ · תו״א צ, א.
- 18וצבא השמים לך משתחוים · Nehemiah 6:6
- 19וצבא השמים לך משתחוים · Nehemiah 9:6
3קיצור ענין ההפרש בין יחו״ע [יחודא עילאה] ליחו״ת [ליחודא תתאה]. כמו בין עילה ועלול שהעלול מוקף מעילתו. ובטל אצלו. ובין יש מאין. וע׳ באגה״ק [באגרת הקודש] סי׳ כ׳:
Resumo: a questão da diferença entre a unidade superior e a unidade inferior: como [a diferença] entre causa e efeito, em que o efeito é circundado por sua causa e anulado diante dela, e [a diferença] entre algo que surge do nada. E veja Iggeres HaKodesh, seção 20.
Um resumo das duas unidades. Na unidade superior, como no caso de causa e efeito, o efeito é circundado por sua causa e anulado diante dela; na unidade inferior, algo é criado a partir do nada, conforme explicado em Iggeres HaKodesh 20.
O resumo reitera a distinção entre a unidade superior, de causa e efeito, e a unidade inferior, da criação a partir do nada.
Realeza aceita voluntariamente e Kéter Malchut ¶4–9
4ב ולהבין זה בתוספת ביאור הנה נודע שבחי׳ המל׳ היא בחי׳ הרוממות וההתנשאות שבודאי בבחי׳ ההתנשאות הרי האור מובדל ומרומם בערך והעולמות מקבלים רק מבחינת המלוכה כמ״ש מלכותך מלכות1 כל עולמים
2. Para compreender isso com uma explicação adicional: é sabido que o nível de Malchut é o nível de elevação e grandeza. Pois, certamente, no nível de elevação, a luz está separada e exaltada em relação aos mundos, e estes recebem somente do nível da Realeza, como está escrito: “Tua Realeza é a realeza sobre todos os mundos.”
A seção 2 explica a mesma ideia com mais detalhes, começando pela natureza de Malchut, a Realeza. Um rei é exaltado acima de seu povo e está separado dele; da mesma forma, os mundos recebem sua força vital somente da Realeza de D'us, e não diretamente de Seus outros atributos, como diz o versículo: “Tua Realeza é a realeza sobre todos os mundos.”
והיינו דבחינת מלכות דאצילות נעשה ע״י לבריאה כו׳ וע״כ בחינת החיות של העולמות הוא מבחינת יש מאין משא״כ אם היו מקבלים מבחינת ז״א בחינות המדות דאצילות עצמן
Isto é, o nível de Malchut de Atsilut torna-se Atik Yomin para Beriá, etc. Portanto, a força vital dos mundos está no modo de algo a partir do nada (yesh me'ayin); ao passo que, se recebessem do nível de Zeir Anpin, os próprios atributos emocionais (midot) de Atsilut,
Em termos cabalísticos, Malchut de Atsilut, a última sefirá do mundo da Emanação, torna-se Atik Yomin, a fonte interior oculta, do mundo de Beriá, que está abaixo dela. É por isso que as coisas criadas existem como “algo a partir do nada”. A alternativa — receber diretamente de Zeir Anpin, os atributos emocionais de Atsilut — é considerada a seguir.
כמו החסד שהוא עצמו יורד כו׳ היה בא בבחי׳ קירוב ע״ד עו״ע [עילה ועלול] וה״ז [והרי זה] כמו יש מיש כו׳ ולא היה בבחי׳ יש גמור ודבר בפ״ע [בפני עצמו]
como Chessed, que desce por si mesmo, etc., ela viria de maneira próxima, como causa e efeito, e isso seria como algo a partir de algo, etc., e não um yesh completo, uma coisa que existe por si mesma.
Se os mundos recebessem de um atributo como Chessed, que desce tal como é, a relação seria de proximidade, como causa e efeito: “algo a partir de algo”. Os mundos, então, não seriam uma existência verdadeira e independente.
אך לפי שמקבלים ע״י בחינת המל׳ שהיא בחי׳ התנשאות והסתלקות נעשה צמצום החיות הנמשך בהם עד שנתהוו בבחי׳ יש בגבול ותכלית כו׳
Mas, como recebem por meio do nível de Malchut, que é o nível de elevação e afastamento, ocorre uma contração (tsimtsum) da força vital que é atraída para eles, até que passaram a existir como um yesh, com limite e término, etc.
Como Malchut é, por natureza, elevada e afastada, como um rei que se mantém à parte, a força vital que passa por ela é contraída. O resultado são criaturas que existem como um “algo” limitado e finito.
ומ״מ הם בבחי׳ ביטול לאין שהיא המל׳ כי וכולם מקבלים עליהם עול2 מלכות שמים ומחמת אימת מלכות דאצילות נעשה בחינת ביטול היש
Não obstante, elas se encontram em estado de autoanulação (bitul) diante do ayin, que é Malchut, pois “todas aceitam sobre si o jugo do Reino dos Céus”; e, devido ao temor da Realeza de Atsilut, ocorre a autoanulação do yesh.
Contudo, a mesma Realeza que torna as criaturas separadas também as faz curvar-se. A bênção matinal que precede o Shemá diz sobre as hostes celestiais: “todas aceitam sobre si o jugo do Reino dos Céus”; e o temor do Rei anula a sensação da criatura de existir de maneira independente.
כי בחינת המלכות הם מקבלים עליהם ברצון כמ״ש שום תשים עליך מלך3 מדעתך ומרצונך כו׳
Pois elas aceitam sobre si o nível da Realeza de boa vontade, como está escrito: “Certamente estabelecerás um rei sobre ti”: por decisão própria e de livre vontade, etc.
Essa aceitação é voluntária. O mandamento da Torá, “Certamente estabelecerás um rei sobre ti”, implica que o rei é designado pela própria decisão e vontade do povo.
[כי ל׳ [לשון] מלוכה אינו נופל רק על המקבלים ברצון עול מלכותו משא״כ בלתי רצון נק׳ ממשלה שמושל בע״כ [בעל כרחך]4
[Pois o termo “realeza” (meluchá) só se aplica àqueles que aceitam de boa vontade o jugo de sua realeza; ao passo que, sem [a] vontade [deles], isso se chama “domínio” (memshalá), pois ele governa [sobre eles] contra a vontade deles.
A nota entre colchetes distingue meluchá, realeza, que só existe sobre aqueles que a aceitam de boa vontade, de memshalá, domínio, que é o governo imposto aos súditos contra a vontade deles.
ולכן בר״ה [בראש השנה] שאז נברא אדה״ר [אדם הראשון] שהוא בעל בחירה וקיבל עול מלכותו ית׳ ברצון אז נתגלה מדת מלכותו יתברך משא״כ קודם בריאת אדה״ר [אדם הראשון] שהיו
Portanto, em Rosh Hashaná, quando foi criado Adam, o primeiro homem, que tem livre-arbítrio e aceitou de boa vontade o jugo de Sua Realeza, bendito seja Ele, então se revelou Seu atributo de Realeza, bendito seja Ele; ao passo que, antes da criação de Adam, quando havia
A Realeza de D'us foi, portanto, revelada pela primeira vez em Rosh Hashaná, o dia em que Adam foi criado. Adam tinha livre-arbítrio e aceitou por vontade própria a Realeza de D'us.
רק בהמות וחיות שאינן בעלי בחירה5 לא היה עדיין התפשטות מדת מלכותו ית׳. וע״כ ג״כ בכל ר״ה [ראש השנה] צ״ל התחדשות מדת מלכותו ית׳] ומלכותו ברצון קבלו עליהם6 כו׳.
somente os animais domésticos e selvagens, que não possuem livre-arbítrio, ainda não haviam conhecido a expansão do atributo de Sua realeza, bendito seja Ele. E, portanto, também em cada Rosh Hashaná deve haver uma renovação do atributo de Sua realeza, bendito seja Ele.] E “Sua realeza aceitaram voluntariamente sobre si”, etc.
Antes de Adam, havia apenas animais, que não possuem livre-arbítrio; por isso, a realeza de D'us ainda não havia se estendido por toda a criação. É por isso que ela deve ser renovada em cada Rosh Hashaná. As palavras finais vêm da oração da noite, que diz, a respeito de Israel no Mar: “Sua realeza aceitaram voluntariamente sobre si”.
Malchut é elevação: como os mundos recebem sua força vital por meio da Realeza de D'us, e não diretamente de Seus atributos emocionais, eles existem como seres verdadeiramente separados, mas se curvam diante Dele. A verdadeira realeza exige aceitação voluntária; por isso, a Realeza de D'us só foi revelada quando Adam, dotado de livre-arbítrio, foi criado em Rosh Hashaná, e por isso ela precisa ser renovada a cada ano.
A nota de Kehot sobre “animais domésticos e selvagens” cita Or HaTorah, que acrescenta que os anjos também não têm livre-arbítrio; portanto, somente a aceitação voluntária do homem revela a Realeza de D'us. O Siddur im Dach, também citado nas notas, explica que a aceitação voluntária de um rei pelo povo se dá por meio da razão e do entendimento, enquanto o domínio é imposto à força, contra a vontade do súdito.
Marei mekomot
- 1מלכותך מלכות כ״ע · Psalms 145:13
- 2וכולם מקבלים עליהם עול מ״ש · ברכת יוצר.
- 3שום תשים עליך מלך · Deuteronomy 17:15
- 4מלוכה . . ברצון . . ממשלה שמושל בע״כ · ראה גם סידור עם דא״ח נג, ג ”שהרי המקבל מקבל עליו עול מלכות ברצון, ורצון זה בא ע״י התלבשות בטעם ודעת . . אבל הממשלה שהוא הנק׳ שליטה הוא בלתי רצון המקבל אלא ע״פ הכרח ובע״כ של המקבל הוא שולט עליו ומתנשא עליו” ע״ש. וראה ביהל אור ע׳ פה בישראל ענין המלוכה ובאומות העולם ממשלה ע״ש.
- 5בהמות וחיות שאינן בעלי בחירה · ראה אוה״ת ר״ה ע׳ א׳רצה ”וגם המלאכים”. וראה בד״ה מן המיצר תר״ס ע׳ ח.
- 6ומלכותו ברצון קבלו עליהם · ברכת אמת ואמונה. וראה לעיל מא, ד ובמ״מ לשם.
5והנה ע״י אתעדל״ת [אתערותא דלתתא] ביטול הרצון למדת מלכותו ית׳ לקבל מלכותו ברצון מעורר למעלה בחי׳ הרצון העליון במדת המלוכה להיות הרצון המאציל עליון ב״ה להתלבש במדת מלכותו ית׳ והוא הנק׳ התהוות כתר מלכות כידוע
Ora, por meio do despertar de baixo (isarusa dilesata), a autoanulação da [própria] vontade diante do atributo de Realeza de D'us, bendito seja, para aceitar Sua Realeza de bom grado, desperta acima o nível da vontade suprema no atributo de Realeza, de modo que a vontade do Emanador Supremo, bendito seja, se reveste em Seu atributo de Realeza, bendito seja. E isso é chamado de surgimento de Kéter Malchut (a Coroa da Realeza), como é sabido.
O despertar de baixo da pessoa, que deixa de lado a própria vontade e aceita de bom grado a Realeza de D'us, suscita uma resposta acima: a vontade suprema repousa no atributo de Realeza. Na Cabalá, isso é chamado de formação de Kéter Malchut, a “Coroa da Realeza”: Malchut recebe uma coroa de vontade divina.
(ועמ״ש בד״ה תקעו בחדש. שבכל השנה המשכה זו הוא על ידי הביטול בעסק התורה והמצות שהם רצונו וחכמתו ית׳ וזהו שמברכים על כל מצוה ברוך אתה ה׳ אלקינו מלך העולם כו׳ אך רצון עליון זה הוא המלובש בח״ע [בחכמה עילאה].
(E veja o que está escrito no discurso que começa com “Fazei soar o shofar na Lua Nova”: que, ao longo do ano, essa atração para baixo ocorre por meio do bitul no estudo da Torá e na prática das mitsvot, que são Sua vontade e Sua sabedoria, bendito seja. E é por isso que, ao cumprir cada mitsvá, recitamos a bênção: “Bendito és Tu, Havayá, nosso D'us, Rei do universo”, etc. Mas essa vontade suprema é aquela que está revestida na Chochmá superior (Chochmá Ilaá).
Entre parênteses, o Alter Rebe faz referência ao discurso “Fazei soar o shofar na Lua Nova”: ao longo do ano, essa atração para baixo provém do bitul no estudo da Torá e na prática das mitsvot, que expressam a vontade e a sabedoria de D'us. É por isso que a bênção sobre cada mitsvá chama D'us de “Rei do universo”; mas a vontade expressa nela é aquela que já está revestida na Chochmá superior.
ואמנם בר״ה [בראש השנה] ההמשכה מבחי׳ עליונה יותר שברצון עליון מה שאינו מלובש כלל בח״ע [בחכמה עילאה] וההמשכה זו הוא ע״י רצון עליון שבנפש והוא ענין קול השופר כו׳ ע״ש).
No entanto, em Rosh HaShaná, a atração para baixo provém de um nível ainda mais elevado da vontade suprema, aquele que não está de modo algum revestido na Chochmá superior; e essa atração ocorre por meio da vontade suprema da alma, e isso corresponde ao som do shofar, etc. Veja ali.)
Em Rosh HaShaná, atrai-se para baixo um nível mais elevado da vontade suprema, que não está revestido de modo algum na Chochmá. Ele é alcançado por meio da própria vontade mais profunda da alma, que está acima do intelecto, e sua expressão é o som sem palavras do shofar.
וביאור הדברים הנה עד״מ בנפש האדם אנו רואים שבכל מדותיו אין עיקר התפשטותם תלוי רק ע״פ הרצון והתענוג המלובש בבהם
A explicação do assunto é a seguinte: a título de analogia, vemos na alma humana que, em todos os seus atributos emocionais, sua expressão principal depende exclusivamente da vontade e do deleite que neles estão revestidos.
Uma analogia extraída da alma humana: os atributos emocionais de uma pessoa, como a bondade, só se manifestam na medida em que sua vontade e seu deleite estão investidos neles.
כמו שאף שמטבע הטוב להטיב1 מכל מקום אם אין רצונו מסכמת בהטבת והשפעת החסד זו מטעמו הכמוס להעלות כך ברצונו לא ישפיע כלל וכמ״כ [וכמו כן] במדת המלוכה לפניו יתברך
Por exemplo: embora seja da natureza do bom fazer o bem, ainda assim, se sua vontade não consentir em fazer esse bem e conceder essa bondade, por sua própria razão oculta para que isso surja em sua vontade, ele não concederá coisa alguma. O mesmo se dá com o atributo de Realeza diante d’Ele, bendito seja,
Mesmo uma pessoa cuja natureza é fazer o bem não dará nada se sua vontade não consentir, e pode reter o que daria por uma razão oculta própria. O atributo de Realeza de D'us funciona da mesma maneira.
שהיא בחי׳ ההתנשאות על זולתו תלוי ברצון המאציל ב״ה וזהו אמרו לפני מלכיות2 שצריך לעורר רצון עליון להיות בבחי׳ המלוכה
que é o nível de elevação acima dos outros: depende da vontade do Emanador, bendito seja. E é esse o sentido de “Dizei diante de Mim [versículos de] Realeza”: a vontade suprema precisa ser despertada para assumir o nível de Realeza,
A Realeza, por consistir em estar elevado acima dos outros, depende da vontade do Emanador de ser Rei. Por isso, o Talmud atribui a D'us as palavras: “Dizei diante de Mim [versículos de] Realeza, para que Me façais Rei sobre vós”: a vontade suprema precisa ser despertada para assumir a Realeza.
דהיינו התלבשות אור א״ס ב״ה בע״ס [בעשר ספירות] דמל׳ ע״כ או מרים עשרה פסוקים3 להביא המשכה מן התנ״ך [התורה נביאים כתובים] דאורייתא מחכמה נפקת4 כו׳ להיות נעוץ תחלתן בסופן56 כ״ע [כתר עליון] איהו כתר מל׳78 כו׳
isto é, o revestimento da Luz Infinita (Or Ein Sof), bendito seja, nas dez Sefirot de Malchut. Por isso, recitamos dez versículos, a fim de trazer uma atração para baixo do Tanach, pois “a Torá emana da Chochmá”, etc., para que “seu princípio esteja encravado em seu fim”: Kéter Elyon é Kéter Malchut, etc.
Concretamente, a Luz Infinita precisa revestir-se nas dez Sefirot de Malchut; por isso, recitam-se dez versículos de Realeza, extraídos das Escrituras, que emanam da Chochmá. Desse modo, “seu princípio está encravado em seu fim”, como diz Sefer Yetzirá a respeito das Sefirot, e o nível mais elevado, Kéter Elyon, é um com o mais baixo, Kéter Malchut, conforme diz Tikunei Zohar.
והנה כדי להמשיך בחי׳ ענג ורצון זה צריך בהכרח להמשיך ממקור כל התענוגים רעוא דכל רעוין דעתיקא סתימו דכל סתימין כו׳
Ora, para atrair para baixo esse deleite e essa vontade, é imprescindível atrair da fonte de todos os deleites, “a vontade de todas as vontades” de Atika, “o oculto de todos os ocultos”, etc.
Para atrair a vontade e o deleite para Malchut, é preciso alcançar sua fonte última: Atika, o nível mais interior de Kéter, que o Zohar chama de “a vontade de todas as vontades”, oculta além de tudo o que está oculto.
דהיינו שכך עלה ברצונו העליון במקור כל התענוגים הנעלם שיהיה ענג לפניו בבחי׳ מלוכה דוקא
Isto é, assim surgiu em Sua vontade supernal, na fonte oculta de todos os deleites, que houvesse deleite diante Dele especificamente [no estado de] soberania;
O ponto é que, dentro dessa fonte oculta de todos os deleites, surgiu na vontade de D'us obter deleite especificamente na soberania.
דהיינו להמשיך רצון וענג להיות רצון המאציל בזה שיהיה חפץ ומתענג בזה אנא אמלוך9 כו׳
isto é, fazer descer vontade e deleite, para que o Emanador queira isso: que deseje e Se deleite nisso — “Eu reinarei” etc.
Em outras palavras, é preciso fazer descer vontade e deleite para que D'us deseje ser Rei e Se deleite nisso, dizendo, por assim dizer: “Eu reinarei”.
ועיקר הענג שבמלוכה העליונה עד רום המעלות היינו שיהיה יש ושיהיה היש בטל בקבלת עול מלכותו ברצון כו׳ ועמ״ש מזה בד״ה צאינה וראינה גבי פי׳ במלך שלמה10 מלך שהשלום שלו.
E a essência do deleite na soberania supernal, até as alturas mais elevadas, é que haja um yesh, e que o yesh se anule ao aceitar voluntariamente o jugo de Sua soberania etc. E veja o que está escrito a esse respeito no discurso que começa com “Saí e contemplai”, na explicação de “o Rei Shlomo”: o Rei a quem pertence a paz.
O que proporciona deleite a D'us na soberania, mesmo no nível mais elevado, é um “algo” que se anula ao aceitar voluntariamente Seu jugo. O Alter Rebe faz referência ao seu discurso sobre o versículo “Saí e contemplai… o Rei Shlomo”, no qual Shlomo é entendido como “o Rei a quem pertence a paz”.
Aceitar de bom grado a Realeza de D'us desperta Sua vontade suprema para que se invista na Realeza, formando Kéter Malchut. Assim como os atributos de uma pessoa só agem na medida em que sua vontade está neles, a Realeza de D'us depende de Sua vontade, que precisa ser atraída de sua fonte mais profunda, o deleite de Atika; e aquilo que O deleita na Realeza é um “algo” que se autoanula.
Os dez versículos de Malchiyos correspondem às dez Sefirot de Malchut e, por provirem das Escrituras, que emanam da Chochmá, ligam o fim das Sefirot ao seu princípio, como na imagem de Sefer Yetzirá de uma chama ligada à sua brasa. O trecho entre parênteses contrasta a vontade expressa na Torá e nas mitsvot ao longo do ano, já revestida na Chochmá, com a vontade mais elevada alcançada em Rosh HaShaná por meio do shofar, que o maamar passa a explicar.
Marei mekomot
- 1שמטבע הטוב להיטיב · עמק המלך ש׳ שעשועי המלך רפ״א. שומר אמונים ויכוח שני, סי״ד.
- 2אמרו לפני מלכיות · Rosh Hashanah 16a:15–16
- 3אומרים עשרה פסוקים · Rosh Hashanah 32a:6–7
- 4דאורייתא מחכמה נפקת · Zohar II, 121a
- 5נעוץ תחלתן בסופן · ס״י פ״א, מ״ז.
- 6נעוץ תחלתן בסופן · Sefer Yetzirah 1:7
- 7כ״ע איהו כתר מל׳ · ת״ז בהקדמה (פתח אלי׳).
- 8כ״ע איהו כתר מל׳ · Tikkunei Zohar 17a
- 9אנא אמלוך · ע׳ נשא (כא, ד) וש״נ. [כ].
- 10
Ora, no início da criação dos mundos, o deleite e a vontade supernos foram atraídos por si mesmos, de Seu próprio lado, “pois Ele deseja a bondade”.
Quando os mundos foram criados pela primeira vez, a vontade e o deleite de D'us vieram por si mesmos, sem qualquer despertar de baixo, pois, como diz o profeta Micá, “Ele deseja a bondade”.
אבל אח״כ במעשה התחתונים תליא מילתא בהעלאת מ״ן [מיין נוקבין] לעורר רצון העליון ע״י ביטול רצון שלמטה כו׳ וזה נעשה בר״ה [בראש השנה] שאומרים י׳ מלכיות להיות בחי׳ בנין המל׳ ממקור הראשון
Mas, posteriormente, “a questão depende” das ações dos seres inferiores, da elevação de mayin nukvin (águas femininas) para despertar a vontade superna por meio da anulação da vontade de baixo, etc. E isso é feito em Rosh Hashaná, quando recitamos dez [versículos de] Malchuyot, para que haja a construção de Malchut a partir da fonte primordial,
Desde então, “a questão depende” do que os seres de baixo fazem: “a elevação de mayin nukvin (águas femininas)”, termo cabalístico para um despertar de baixo que evoca uma resposta do alto, alcançado aqui ao pôr de lado a própria vontade. Isso é feito em Rosh Hashaná por meio dos dez versículos de Malchuyot, que reconstroem Malchut a partir de sua própria fonte primordial.
דהיינו להמשיך כתר מל׳ שעי״ז עיקר בניינה [ומטעם הנ״ל שעיקר המדה תלויה בהמשכת הרצון ב״ה ועמ״ש מזה בד״ה בהעלותך שזהו ענין אל מול פני המנורה2 כו׳ דהיינו כתר שבמל׳.
isto é, atrair Kéter de Malchut, por meio do qual sua construção se realiza principalmente. [Pelo motivo mencionado acima: que o atributo depende principalmente da atração da vontade do Bendito. E veja o que está escrito a respeito disso no discurso que começa “Quando acenderes”, que este é o significado de “na direção da face da menorá”, etc., isto é, o Kéter dentro de Malchut.
Malchut é construída principalmente ao se atrair Kéter de Malchut, sua coroa de vontade, pois, conforme explicado, um atributo só atua por meio da vontade investida nele. Aqui se inicia um trecho entre colchetes: o Alter Rebe faz referência a seu discurso sobre Beha'alotcha, que explica “na direção da face da menorá” como o Kéter dentro de Malchut.
Na criação, o deleite de D'us em reinar veio espontaneamente, mas desde então depende do despertar de baixo. Em Rosh Hashaná, os dez versículos de Malchuyot atraem Kéter de Malchut, a vontade que reconstrói Malchut a partir de sua fonte primordial.
O trecho entre colchetes iniciado ao fim deste parágrafo prossegue pelos dois parágrafos seguintes: uma digressão sobre Kéter de Malchut como a “face” (panim) do Rei e sobre o nome “Rosh Hashaná”, cabeça do ano, antes de o argumento principal ser retomado.
Marei mekomot
- 1
- 2אל מול פני המנורה · Numbers 8:2
7ועמ״ש בביאור ע״פ יביאו לבוש מלכות1. גבי בחינת פני היא כתר מלכות לפי שהמלכות ל״ל [לית ליה / לית לה] מגרמה כלום ומקבלת מעשר מלכיות שלכן אומרים בר״ה [בראש השנה] יו״ד מלכיות וכתר מקבלת ממלכות שבכתר וזו היא בחי׳ פני.
E veja o que está escrito na explicação sobre o versículo “Que tragam vestes reais”, a respeito do nível de panai (“Minha face”): ele é Kéter Malchut, pois Malchut “não tem nada de si mesma” e recebe dos dez [níveis de] Malchut; por isso, em Rosh Hashaná, recitamos dez [versículos de] Malchuyot. E [ela] recebe seu Kéter da Malchut dentro de Kéter, e este é o nível de panai.
O trecho entre colchetes continua com uma citação da explicação do Alter Rebe sobre o versículo “Que tragam vestes reais” (Torah Ohr, Meguilat Ester). Malchut “não tem nada de si mesma”: tudo o que possui recebe dos dez níveis de Malchut; por isso, recitam-se dez versículos de Malchuyot, e sua coroa, Kéter Malchut, ela recebe da Malchut dentro de Kéter. Essa coroa é chamada panai, “Minha face”.
עכ״ל [עד כאן לשונו]. וז״ש [וזהו שכתוב] לך אמר לבי בקשו פני23 ועיין בהרמ״ז [בהרב משה זכות] פ׳ אמור (דצ״ג ע״ב) שפי׳ כן דהיינו כתר מל׳ והיינו ע״י את פניך הוי׳ אבקש.
Fim da citação. E isso [é o significado do que] está escrito: “De Ti meu coração disse: ‘Buscai Minha face’”; e veja o Ramaz sobre a Parashá Emor (93b), que explica assim, isto é, [como] Kéter Malchut. E isso é atraído por meio de “Tua face, Havayá, buscarei”,
Termina a citação, e o Alter Rebe a aplica ao versículo “De Ti meu coração disse: ‘Buscai Minha face’”: o Ramaz (Rabi Moshe Zacuto, comentarista do Zohar) explica “Minha face” como Kéter Malchut. Isso é atraído por meio da segunda parte do versículo: “Tua face, Havayá, buscarei”.
שהם ע״ס [עשר ספירות] שמיו״ד מלכיות שבהם נעשה בנין הנוק׳ [הנוקבא]. א״נ [אי נמי] את פניך הוי׳ היינו אורות אריך ועתיק כמש״ש [כמה שכתוב שם] הרמ״ז [הרב משה זכות]
que são as Dez Sefirot provenientes dos dez Malchuyot, por meio dos quais se dá a construção de Nukvá. Alternativamente, “Tua face, Havayá” refere-se às luzes de Arich e Atik, como escreve ali o Ramaz;
“Tua face, Havayá” refere-se às Dez Sefirot que provêm dos dez Malchuyot, os níveis a partir dos quais Nukvá, Malchut, é construída. Alternativamente, seguindo o Ramaz, “Tua face” significa as luzes de Arich Anpin e Atik, os níveis exterior e interior de Kéter.
והיינו לפי שמשם נמשך להיות הכתר שבמל׳ כנ״ל והוא הנק׳ פני. וזהו ענין ראש השנה.
e isso porque de lá é atraído [o que vem] a ser o Kéter dentro de Malchut, como mencionado acima, e é isso que se chama panai. E este é o significado de Rosh Hashaná:
Essas luzes são a fonte da qual é atraído o Kéter dentro de Malchut, e esse Kéter é chamado panai, “Minha face”. Isso também explica o nome Rosh Hashaná.
שנה הוא בחי׳ מל׳ וראש השנה היינו4 גלגלתא וכתר שבמל׳ וע׳ מזה בפי׳ הרמ״ז [הרב משה זכות] בפ׳ תצא (דרע״ז ע״ב)
o ano (shaná) é o nível de Malchut, e a cabeça do ano (Rosh Hashaná) é a Gulgalta (crânio) e o Kéter dentro de Malchut. E veja a respeito disso no comentário do Ramaz sobre a Parashá [Ki] Tetsê (277b).
“O ano” (shaná) é Malchut, e sua “cabeça” é a Gulgalta, o “crânio” ou coroa de Malchut. Rosh Hashaná é, portanto, o dia em que o Kéter de Malchut é atraído, como também escreve o Ramaz sobre a Parashá Ki Tetsê.
וזהו ענין תחלת מעשיך כי המל׳ היא בחינת עשייה שבאצילות ותחלת מעשיך היינו כתר דנוק׳ [דנוקבא] שהוא תחילת בחי׳ עשייה הנ״ל.
E este é o significado de “o começo de Tuas obras”: pois Malchut é o nível de Assiá (ação) dentro de Atsilut, e “o começo de Tuas obras” é o Kéter de Nukvá, que é o começo do nível de Assiá mencionado acima.
A oração de Rosh Hashaná chama esse dia de “o começo de Tuas obras”. Malchut é o nível de ação (Assiá) dentro de Atsilut, o atributo por meio do qual D'us cria os mundos, e o começo dessa ação é o Kéter de Nukvá.
וזכרון ליום ראשון י״ל [יש לומר] דהיינו כתר הכללי בחי׳ א״א שנק׳ יום ראשון שלמעלה מההשתלשלות כמ״ש סד״ה ביום השע״צ [השמיני עצרת].
E “uma lembrança do primeiro dia” pode ser explicado como o Kéter geral, o nível de Arich Anpin, que é chamado “o primeiro dia” por estar acima da cadeia descendente dos mundos (hishtalshelut), conforme está escrito no final do discurso que começa com “No dia de Shemini Atseret”.
A oração prossegue: “uma lembrança do primeiro dia”. O “primeiro dia” pode ser o Kéter geral, o nível de Arich Anpin, chamado “o primeiro dia” por estar acima da cadeia descendente dos mundos, conforme explicado no final do discurso sobre Shemini Atseret.
Continuando o trecho entre colchetes, o Alter Rebe identifica Kéter Malchut com panai, “Minha face”, no versículo “Buscai Minha face”, atraído das luzes de Arich Anpin e Atik. Com base nisso, ele interpreta o nome Rosh Hashaná, “a cabeça do ano”, como o Kéter de Malchut, e a oração “o começo de Tuas obras, uma lembrança do primeiro dia” como a atração dessa coroa do Kéter geral, que está acima.
Uma nota da Kehot cita o maamar do Rebe Rashab “Lecha Amar Libi” 5651, que se refere a esta passagem e a concilia com o Biurei HaZohar do Tzemach Tzedek, onde aquilo que deve ser atraído em Rosh Hashaná é descrito como a Gulgalta de Zeir Anpin, e não de Malchut.
Marei mekomot
- 1
- 2לך אמר לבי בקשו פני · תהלים כז, כ.
- 3
- 4וראש השנה היינו גלגתא וכתר שבמל׳ · ראה ביאוה״ז להצ״צ כרך א ע׳ תיא. ובארוכה בד״ה לך אמר לבי תרנ״א ע׳ טז מציין לכאן, ושם מציין לביאוה״ז להצ״צ כרך א ע׳ תיא דבר״ה צריכים להמשיך בחי׳ גלגלתא דז״א, ע״ש שמתווך בין ב׳ הפירושים. וראה לעיל מא, ג ובמ״מ לשם.
8והיינו שממל׳ שבכתר נמשך להיות כתר שבמל׳ כנ״ל. ועיין בע״ח [בעץ חיים] שער א״א ספ״ב [סוף פרק ב׳] דהמל׳ שרשה למעלה מט״ס [מט׳ ספירות] דא״א עצמן אלא מבחינת עתיק1 כו׳ וזהו זכרון ליום ראשון.
Isto é, da Malchut dentro de Kéter é extraído [aquilo que vem] a ser o Kéter dentro de Malchut, como mencionado acima. Veja também Etz Chaim, Shaar Arich Anpin, no fim do capítulo 2, onde se afirma que a raiz de Malchut é mais elevada do que as nove Sefirot do próprio Arich Anpin; ela provém, antes, do nível de Atik, etc. E isto é “uma lembrança do primeiro dia”.
O Kéter dentro de Malchut é extraído da Malchut dentro de Kéter, o aspecto mais baixo da Coroa. Etz Chaim ensina que a raiz de Malchut se encontra acima das nove Sefirot de Arich Anpin, em Atik, e que essa raiz é o “primeiro dia” de que Malchut “se lembra” em Rosh Hashaná.
ועמ״ש בפי׳ המלות ע״פ ארוממך2 אלקי המלך]3 כי הנה ר״ה [ראש השנה] זה היום תחלת מעשיך זכרון ליום ראשון4 וע״כ נק׳ ר״ה [ראש השנה] ראש גילוי החיות דרך כללות על כל השנה.
Veja também o que está escrito na explicação das palavras sobre o versículo “Eu Te exaltarei, meu D'us, o Rei.”] Pois Rosh Hashaná é “este dia, o começo de Tuas obras, uma lembrança do primeiro dia”; por isso, Rosh Hashaná é chamado de cabeça da revelação da força vital (chayut), em sua expressão geral e coletiva, para o ano inteiro.
O colchete se fecha com uma referência à explicação das palavras da oração “Eu Te exaltarei, meu D'us, o Rei”, feita pelo Alter Rebe. O argumento principal recomeça: Rosh Hashaná é “o começo de Tuas obras” e, portanto, é a “cabeça” (rosh) do ano, de onde a força vital do ano inteiro é revelada em sua expressão geral e coletiva.
O trecho entre colchetes termina fundamentando o Kéter de Malchut em Atik, acima de Arich Anpin, e o argumento principal recomeça: Rosh Hashaná, “o começo de Tuas obras”, é a cabeça de onde se revela a força vital do ano inteiro.
Marei mekomot
- 1דהמל׳ שרשה למעלה מט״ס דא״א עצמן אלא מבחינת עתיק · Sefer Etz Chaim 13:2
- 2ועמ״ש בפי׳ המלות ע״פ ארוממך · סדור עם דא״ח מו, א ואילך.
- 3ארוממך אלקי המלך · Psalms 145:1
- 4זה היום תחלת מעשיך זכרון ליום ראשון · Rosh Hashanah 27a:15–16
9וכח זה ניתן לישראל להיותם מקבלים מלכותו ית׳ ברצון משא״ כ בבחי׳ שנקרא מושל וממשלתך בכל דור ודור1 אפילו דור המבול ודור הפלגה שמרדו בה׳2 מ״מ מלכותו בכל משלה3 כתיב ובחי׳ ממשלה בע״כ [בעל כרחך]
E esse poder foi concedido a Israel, pois aceita de bom grado a Sua realeza, bendito seja Ele. Isso não ocorre no nível em que Ele é chamado “governante”: “e Teu domínio se estende por todas as gerações”. Até mesmo sobre a geração do Dilúvio e a geração da Dispersão, que se rebelaram contra D'us, está escrito: “Sua realeza governa sobre tudo”; e o nível de domínio é exercido contra a vontade [deles].
O poder de aceitar de bom grado a realeza de D'us foi concedido a Israel. O “domínio” de D'us se estende por todas as gerações, até mesmo à geração do Dilúvio e à geração da Dispersão — os construtores da Torre de Babel —, que se rebelaram contra Ele. Também sobre eles “Sua realeza governa (mashalá) sobre tudo”, mas esse domínio lhes é imposto contra a vontade.
ולכן אפי׳ [אפילו] בלעם אמר לא אוכל לעבור את פי4 ה׳ כי רוח המושל5 עליו יעלה בע״כ [בעל כרחך] (ועיין בפ׳ מקץ קצ״ה ע״א)6
Por isso, até mesmo Bilam disse: “Não posso transgredir a palavra de Havayá”, pois “o espírito do governante” se eleva sobre ele contra a sua vontade. (E veja Parshas Mikeitz, 195a.)
Até mesmo Bilam teve de admitir: “Não posso transgredir a palavra de Havayá”; o “espírito do governante” se elevou sobre ele contra a sua vontade, o que é domínio, e não realeza. O Alter Rebbe faz referência ao Zohar sobre Parshas Mikeitz (195a), que, como observa Yahel Or, indica que “rei” é Zeir Anpin e “governante dos povos” é Malchut.
אבל להיות נק׳ בשם מלך לקבל ברצון נעשה ע״י עושי רצונו דוקא [ועמ״ש בד״ה אתם נצבים בפי׳ למען הקים אותך לו לעם]:7
Mas ser chamado pelo nome “Rei”, aceito de bom grado, ocorre especificamente por meio daqueles que fazem a Sua vontade. [E veja o que está escrito no discurso que começa “Vós estais de pé”, sobre a explicação de “a fim de estabelecer-te como povo para Ele”.]
Mas ser chamado “Rei”, um governante aceito de bom grado, só se torna possível por meio daqueles que fazem a Sua vontade. O Alter Rebbe faz referência ao seu discurso “Vós estais de pé”, no qual explica o versículo “a fim de estabelecer-te como povo para Ele”.
A aceitação voluntária da realeza de D'us é um dom de Israel. Sobre os demais — até mesmo as gerações rebeldes e Bilam —, D'us exerce domínio, governando contra a vontade deles; o nome “Rei” só se estabelece por meio daqueles que fazem a Sua vontade.
A nota de Kehot cita Yahel Or, onde o Tzemach Tzedek observa que, no Zohar sobre Mikeitz, “rei” se refere a Zeir Anpin e “governante dos povos” a Malchut; assim, a distinção entre realeza e domínio também aparece entre as próprias Sefirot.
Marei mekomot
- 1וממשלתך בכל דור ודור · Psalms 145:13
- 2אפי׳ דור המבול ודור הפלגה שמרדו בה׳ · Bereshit Rabbah 5:1
- 3מלכותו בכל משלה · Psalms 103:19
- 4לא אוכל לעבור את פי ה׳ · Numbers 22:18
- 5רוח המושל · Ecclesiastes 10:4
- 6ועיין בפ׳ מקץ קצ״ה ע״א · ביהל אור ע׳ תרפה מציין דשם ”משמע מלך הוא ז״א ומושל עמים זהו המל׳”.
- 7למען הקים אותך לו לעם · Deuteronomy 29:12
O shofar: o carneiro e o som simples ¶10–12
10קיצור. מל׳ רוממות ומ״מ נמשך ביטול ומלכותו ברצון קבלו. ועי״ז מעוררים הרצון שיומשך להיות כתר דנוק׳ [דנוקבא] והמשכה זו צ״ל מא״א [מאריך אנפין] ועתיק רצון ותענוג העליון.
Resumo: Malchut é exaltação e, ainda assim, dela se extrai autoanulação (bitul), e “aceitaram voluntariamente o Seu reinado”. Por meio disso, desperta-se a vontade, para que seja atraída e se torne o Kéter de Nukvá; essa atração deve vir de Arich Anpin e Atik, a vontade e o deleite supremos.
Resumo da seção 2: Malchut é exaltação e, ainda assim, provoca a autoanulação, como em “aceitaram voluntariamente o Seu reinado”. Essa aceitação desperta a vontade que se torna o Kéter de Nukvá, e essa vontade deve ser atraída de Arich Anpin e Atik, a vontade e o deleite supremos.
3. Ora, toda essa atração do deleite e da vontade supremos para o atributo do reinado, desde a fonte de todos os deleites, ocorre por meio do shofar, que é de carneiro.
A seção 3 explica o papel do shofar: toda essa atração da vontade e do deleite supremos para o Reinado, desde sua fonte mais profunda, ocorre por meio do shofar, que é um chifre de carneiro, conforme ensina o Talmud: “Toquem diante de Mim um shofar de carneiro”.
והענין כי הנה שרש נפש הבהמה הוא מבחי׳ פני אריה פני שור3 כו׳ שבמרכבה ששרשם מבחי׳ בהמות בהררי אלף4 שמבחי׳ התהו
A explicação é a seguinte: a raiz da alma de um animal provém do nível de “a face de um leão” e “a face de um boi” etc., na Carruagem (Merkavá), cuja raiz provém do nível de “os animais sobre mil montanhas”, que pertence ao nível de Tohu (caos).
Por que o chifre de um animal? As almas dos animais têm sua raiz em “a face de um leão” e “a face de um boi”, figuras da Carruagem de Ezequiel, cuja própria raiz é “os animais sobre mil montanhas”: o mundo de Tohu, o mundo primordial de luzes intensas.
והנה ידוע שמפני שהאורות דתהו היו בריבוי ותוקף גדול לא יכלו הכלים לסבול האור וע״כ נפלו הכלים ונשברו ומקום נפילתן היה בעולם הבריאה והן הן המרכבה דפני אריה פני שור כו׳
Ora, é sabido que, como as luzes de Tohu eram muito abundantes e intensas, os recipientes não conseguiam suportar a luz; por isso, os recipientes caíram e se quebraram, e o lugar de sua queda foi o Mundo de Beriá. São eles próprios a Carruagem de “a face de um leão”, “a face de um boi” etc.
Em Tohu, as luzes eram tão abundantes e intensas que os recipientes não conseguiam contê-las e se quebraram: foi a “quebra dos recipientes”. Os recipientes quebrados caíram no Mundo de Beriá e se tornaram a “face de um leão” e a “face de um boi” da Carruagem.
ולכן טבע הבהמה בבחי׳ ביטול גדול יותר מהאדם [ועמ״ש בזה בפ׳ אמור בד״ה והניף הכהן5 אותם כו׳ על שני כבשים כו׳] מפני שהאדם יש לו דעת מעולם התיקון
Portanto, a natureza do animal está num estado de bitul maior do que a do ser humano [e veja o que está escrito a esse respeito na Parashat Emor, no discurso que começa “E o cohen os agitará etc., sobre os dois cordeiros” etc.], pois o ser humano tem Daat, do mundo de Tikun (retificação),
Assim, o animal tem mais bitul, autoanulação, do que o ser humano, que tem Daat, uma mente própria, proveniente de Tikun, o mundo retificado de recipientes equilibrados. A observação entre colchetes remete ao discurso da Parashat Emor sobre a agitação dos dois cordeiros de Shavuot.
אבל הבהמה הוא למטה מן הדעת והיינו מפני שרשה שהוא למעלה מן הדעת מבחי׳ עולם התהו כו׳
ao passo que o animal está abaixo de Daat; e isso se deve à sua raiz, que está acima de Daat, no nível do mundo de Tohu etc.
O animal está abaixo de Daat, sem compreensão autoconsciente, precisamente porque sua raiz em Tohu está acima de Daat.
ולכן תוקעין בשופר של בהמה דוקא שיש בה בחי׳ ביטול יותר לעורר בחי׳ ביטול שלמעלה מן הדעת והיא עצמו הטעם בענין התקיעה
Portanto, toca-se especificamente um shofar de animal, que tem um nível maior de bitul, para despertar o nível de bitul que está acima de Daat. E essa é também a razão da própria tekiah (o toque):
É por isso que o shofar deve provir de um animal: seu bitul maior desperta o bitul que está acima de Daat. A mesma razão explica a natureza do próprio toque.
שהוא קול פשוט היוצא מהבל הלב שעדיין לא בא לידי גילוי באותיות כלל מפני שהוא מבחי׳ פנימית נקודת הלב שאינו בא כלל לידי גילוי אותיות עדיין
é um som simples que sai do sopro do coração, o qual ainda não chegou a se revelar de modo algum em letras, pois provém do nível da dimensão interior do ponto do coração, que ainda não chega de modo algum a se revelar em letras.
A tekiah é um som simples, um sopro do coração ainda não moldado em letras ou palavras, pois provém do ponto interior do coração, mais profundo do que a fala.
כי האותיות שרשם בחכמה שבממוח ובחי׳ הבל הזה היוצא בבחינת קול פשוט הוא בבחינת פנימית נקודת הלב שלמעלה מהחכמה שבמוח כו׳
Pois a raiz das letras está na Chochmá que se encontra no cérebro, enquanto este sopro que sai como um som simples está no nível da dimensão interior do ponto do coração, que está acima da Chochmá do cérebro etc.
As letras têm sua raiz na Chochmá, o intelecto do cérebro, enquanto o sopro simples do shofar vem do ponto interior do coração, que está acima até mesmo da Chochmá.
וביאור זה הנה ידוע שיש ב׳ מיני קול הא׳ הנקרא קול הדבור שגם הוא יוצא מהבל הלב
A explicação disso é a seguinte: sabe-se que há dois tipos de som. O primeiro é chamado de som da fala, que também sai do sopro do coração,
Há dois tipos de som que vêm do sopro do coração. O primeiro é o som da fala.
אך הוא מבחי׳ חיצונית הלב שהן בחינות המדות שבלב הנמשכות מהמוחין דחו״ב [דחכמה ובינה] עד למטה מן הדעת שהדעת ממשיך השכל שבמוח אל הלב.
mas provém do nível da dimensão exterior (chitsoniyut) do coração, que são os atributos emocionais (midot) no coração, extraídos do intelecto (mochin) de Chochmá e Biná até abaixo de Daat, pois Daat conduz ao coração o intelecto que está no cérebro.
A fala vem da dimensão exterior do coração, suas emoções, moldadas por Chochmá e Biná e conduzidas ao coração por Daat. É por isso que a fala assume a forma de letras.
אבל בחי׳ קול פשוט היוצא מהבל הפנימי שבעומקא דלבא שהוא למעלה מן השכל להיותו פנימית הרצון שבלתי מוגבל בשכל שלכן הוא קול פשוט וכמו צעקה פתאומית שבאה מנקודת עומק הלב להיות ההתפעלות בעצם הנפש ממש
Mas o nível do som simples sai do sopro interior nas profundezas do coração, que está acima do intelecto, pois é a dimensão interior da vontade, que não é limitada pelo intelecto; por isso é um som simples, como um grito súbito que vem do ponto mais profundo do coração, sendo o despertar na própria essência da alma,
O som simples vem do sopro interior nas profundezas do coração, da vontade interior que o intelecto não limita. Por isso, permanece sem palavras, como um grito súbito que vem da própria essência da pessoa.
כמו צעק לבם אל6 ה׳ ובחינת צעקה זו היא למעלה משרש האותיות שבחכמה [ועמ״ש מזה באריכות ג״כ בד״ה תקעו בחדש הנ״ל] וע״י שתוקעים בו תקיעה
como em “Seu coração clamou a D'us”. E esse clamor está acima da raiz das letras, que se encontra na Chochmá [e veja também o que se explica extensamente a esse respeito no maamar que começa com “Soai o shofar na Lua Nova”, mencionado acima]. E, ao soar uma tekiah
Lamentações diz: “Seu coração clamou a D'us”; um clamor assim vem de acima da raiz das letras na Chochmá. O mesmo é explicado extensamente no maamar “Soai o shofar na Lua Nova”.
של מצוה בקול פשוט וברעותא דלבא שבבחי׳ למעלה מן הדעת ולמעלה מבחי׳ אותיות מעורר ג״כ למעלה בחי׳ כתר שלמעלה מהחכמה ודעת ונמשך ענג בבחינת מלוכה להיות מתענג מביטול היש
de uma mitzvá, com um som simples e com o desejo do coração (re'usa deliba), que está num nível acima de Daat e acima do nível das letras, também se desperta no Alto o nível de Kéter (a Coroa), que está acima da Chochmá e de Daat, e deleite é atraído para o nível da realeza, de modo que Ele Se deleite com a autoanulação do yesh.
Ao soar uma tekiah da mitzvá com esse som simples e esse desejo interior, acima de Daat e das letras, desperta-se no Alto o nível de Kéter, que transcende Chochmá e Daat. Então, o deleite flui para a realeza: D'us Se deleita com a autoanulação do yesh.
ולכן תוקעים בשופר שצדו7 א׳ קצר והב׳ רחב ע״ד שנאמר מן המצר קראתי8 י״ה ענני במרחב י״ה וד״ל [ודי למבין].
Por isso se soa um shofar cuja extremidade é estreita e a outra, larga, conforme o que foi dito: “Da estreiteza clamei a Yá; Yá me respondeu com amplidão.” E isso basta para quem compreende.
O formato do shofar, estreito numa extremidade e largo na outra, ecoa o versículo: “Da estreiteza clamei a Yá; Yá me respondeu com amplidão.” A nota da Kehot remete ao Talmud e ao Shulchan Aruch, que determinam que é inválido soar um shofar ao contrário, pela extremidade larga.
Após resumir a seção 2, a seção 3 explica por que o shofar atrai o deleite de D'us para o Reinado: o chifre de carneiro carrega o bitul do animal, cuja raiz está em Tohu, acima de Daat, e a tekiah sem palavras provém do ponto interior do coração, acima das letras de Chochmá. Esse clamor simples desperta o Kéter acima, para que D'us Se deleite num yesh que se anula.
O paradoxo do animal — abaixo de Daat porque sua raiz está acima de Daat — reflete o princípio de que aquilo que caiu mais baixo provém do lugar mais elevado: os recipientes quebrados de Tohu continham outrora luzes grandes demais para qualquer recipiente. A nota da Kehot remete o leitor ao discurso sobre Shavuot na Parashat Emor, no qual a agitação dos dois cordeiros pelo cohen os eleva à sua raiz e fonte, para que se anulem e se unam à Luz Infinita.
Marei mekomot
- 1השופר שהוא של איל · Rosh Hashanah 26b:7–8
- 2של איל · Rosh Hashanah 16a:16
- 3פני אריה פני שור · Ezekiel 1:10
- 4בהמות בהררי אלף · Psalms 50:10
- 5בפ׳ אמור בד״ה והניף הכהן · לעיל פ׳ אמור לז, ב.
- 6צעק לבם אל ה׳ · Lamentations 2:18
- 7בשופר שצדו א׳ קצר · Rosh Hashanah 27b:1–2
- 8מן המצר קראתי · Psalms 118:5
11והיינו תקיעה ראשונה שהיא המשכה מלמעלה למטה שמתענג מביטול היש כנ״ל אמנם תקיעה אחרונה היא העלאה ממטה למעלה ע״י קדימת השברים והתרועה
E isto é a primeira tekiá, que é uma descida de cima para baixo, de modo que Ele Se deleita com a autoanulação do yesh, como mencionado acima. A última tekiá, porém, é uma elevação de baixo para cima, por meio dos shevarim e da teruá que a precedem,
A primeira tekiá, tocada antes dos sons quebrados, faz descer o deleite de cima, de modo que D'us Se deleita com o yesh que se autoanula. A última tekiá, tocada depois dos shevarim e da teruá, é o contrário: uma ascensão de baixo para cima.
שהם בבחי׳ שמאל דוחה והתעוררות רחמים רבים כמ״ש במ״א וכמ״ש בכוונת שהתקיעות והשברים הם לבטל היצה״ר [היצר הרע] כו׳ [ועכ״ז [ועם כל זה] יובן הפסוק כי קרוב אליך הדבר1 כו׳ לעשותו.
que estão no nível de “a mão esquerda repele” e do despertar de abundante misericórdia, conforme explicado em outro lugar, e como está escrito nas Kavanos: as tekiot e os shevarim servem para anular a má inclinação, etc. [E, com tudo isso, compreender-se-á o versículo: “Pois a palavra está perto de ti, etc., para fazê-la”.
Os shevarim e a teruá, os sons quebrados e entrecortados, expressam “a mão esquerda repele”, o lado rigoroso que afasta o mal, e despertam abundante misericórdia; as Kavanos do Arizal dizem que esses sons servem para anular a má inclinação. Abre-se agora um colchete para explicar o versículo “Pois a palavra está perto de ti… para fazê-la”.
פי׳ הדבר היינו2 ה׳ דבר מל׳ דאצילות לעשותו להיות בנין הנוק׳ [הנוקבא] שנק׳ ג״כ עשייה שבאצי׳ כנ״ל ועמ״ש בד״ה והיה מדי חדש.
O sentido é: “a palavra” é a palavra de D'us, Malchut de Atsilut; “para fazê-la” significa que haja a construção de Nukvá, que também é chamada de Assiá (ação) dentro de Atsilut, como mencionado acima. E veja o que está escrito no discurso que começa com “E será, de uma Lua Nova à seguinte”.
“A palavra” é a palavra de D'us, Malchut de Atsilut, a fala divina que cria; “para fazê-la” é a construção de Nukvá, que corresponde ao nível da ação (Assiá) dentro de Atsilut. O Alter Rebe remete ao seu discurso “E será, de uma Lua Nova à seguinte”.
כי דבור לשון הנהגה והמשכה כו׳ להתלבש גם בעשייה גשמיות כו׳ וזהו ענין ששת ימי המעשה3 משא״כ בשבת כתיב ממצוא חפצך ודבר דבר4 כו׳.
Pois “fala” (dibur) é uma expressão de condução e de descida, etc., para revestir-se também na ação física, etc.; e este é o conceito dos seis dias de ação (maassê). Em contrapartida, a respeito de Shabat está escrito: “de buscar os teus próprios interesses e falar palavras”, etc.]
Fala (dibur) também significa conduzir e dirigir: a fala divina guia o mundo e reveste-se até mesmo na ação física. Por isso, os dias da semana são chamados “os seis dias de ação”, enquanto, a respeito de Shabat, o profeta diz que se deve abster “de buscar os teus próprios interesses e falar palavras”.
A primeira tekiá faz descer o deleite de D'us; a última, depois dos sons quebrados que afastam o mal e despertam misericórdia, eleva a pessoa. Em seguida, o trecho entre colchetes interpreta “Pois a palavra está perto de ti… para fazê-la” como Malchut, a palavra criadora de D'us, construída por meio da ação — a fala que repousa em Shabat.
A expressão de Ezequiel “os seis dias de ação”, à qual remete a nota da Kehot, vem de sua visão do futuro Templo: o portão do pátio interno voltado para o leste permanece fechado durante os seis dias de ação e é aberto em Shabat e na Lua Nova.
Marei mekomot
- 1כי קרוב אליך הדבר · Deuteronomy 30:14
- 2הדבר היינו ה׳ דבר מל׳ דאצי׳ · ראה מא״א אות ד, סעיף ד.
- 3ששת ימי המעשה · Ezekiel 46:1
- 4ממצוא חפצך ודבר דבר · Isaiah 58:13
12ובפיך היינו ע״י השופר ובלבבך רעו״ד [רעותא דליבא] ואומרו כי קרוב אליך כו׳ היינו שאתם קרובים זל״ז [זה לזה]
“Em tua boca”: isto é, por meio do shofar; “e em teu coração”: o desejo do coração (re'usa deliba). E a expressão “Pois [ela] está perto de ti” etc. significa que vocês estão próximos um do outro,
O versículo prossegue: “em tua boca e em teu coração”: “em tua boca” é o shofar, e “em teu coração” é o desejo interior do coração que o anima. “Perto de ti” significa que as duas partes, Malchut e Zeir Anpin, estão próximas uma da outra.
כי הנוק׳ [הנוקבא] נק׳ אחותי לז״א שהוא הנק׳ ישראל כי שרית1 כו׳. וגם שבנינה הוא מט׳ [מטה] מלכיות שלו.
pois Nukvá é chamada “minha irmã” em relação a Zeir Anpin, que é chamado Yisrael, “pois lutaste” etc. E, além disso, sua construção se dá a partir das nove Malchuyot dele.
Nukvá é chamada “minha irmã” em relação a Zeir Anpin, que é chamado Yisrael por causa do versículo “pois lutaste” com D'us; e Nukvá é construída a partir das nove Malchuyot de Zeir Anpin. Assim, “a palavra”, Malchut, está próxima de “ti”, Yisrael.
ועוד כי שרש אותיות הדבור שמח״ע [שמחכמה עילאה] היינו ג״כ מקדמות השכל שלמעלה מהשכל המושג כמ״ש באגה,ק ע״פ ויעש דוד שם2 וא״כ עם היות שהמשכת
Além disso, a raiz das letras da fala, que provém da Chochmá superior (sabedoria), também se encontra na “precedência do intelecto” (kadmus hasechel), que está acima do intelecto apreendido, conforme está escrito em Iggeres HaKodesh, a respeito do versículo “E David fez um nome”. Portanto, embora a extensão
Além disso, as letras da fala provêm da Chochmá superior, que, por sua vez, tem sua origem na “precedência do intelecto” (kadmus hasechel), a fonte do pensamento que precede qualquer ideia que se possa apreender, conforme explica Iggeres HaKodesh 5 a respeito do versículo “E David fez um nome”.
הרצון וכתר דמל׳ צ״ל נמשך מא״א [מאריך אנפין] שלמעלה גם מהחכמה עכ״פ [על כל פנים] קרובים הם זל״ז [זה לזה] ועמ״ש סד״ה כי המצוה הזאת כו׳ מענין זה דכי קרוב אליך הדבר.
da vontade e de Kéter de Malchut tenha de provir de Arich Anpin, que está acima até mesmo de Chochmá, ainda assim estão próximos um do outro. E veja o que está escrito ao final do discurso iniciado com “Pois esta mitzvá” etc., a respeito deste assunto de “Pois a palavra está perto de ti”.
Portanto, embora a vontade e Kéter de Malchut tenham de provir de Arich Anpin, que está acima de Chochmá, a fala e sua fonte estão próximas uma da outra, pois a fala também tem sua raiz acima do intelecto apreendido. O Alter Rebe remete ao final de seu discurso “Pois esta mitzvá”, sobre o mesmo versículo.
Outra possibilidade: conforme está escrito (em Zechariá, capítulo 4): “E eis um candelabro de ouro” etc., “Esta é a palavra de Havayá”; e o candelabro é Knesset Yisrael (a Congregação de Israel).
Uma interpretação alternativa se baseia na visão de Zechariá de um candelabro de ouro, a respeito do qual o anjo diz: “Esta é a palavra de Havayá”. O candelabro é Knesset Yisrael, a Congregação de Israel.
ובמ״א נת׳ [נתבאר] שיש במל׳ ב׳ פרצופים פרצוף הפנימי נקרא כנס״י [כנסת ישראל] והחיצון זהו הדבור וזהו כי קרוב אליך הדבר וזהו ג״כ ענין ישראל עלו5 במחשבה6 והמחשבה עם הדבור קרובים זל״ז [זה לזה]].
E em outro lugar foi explicado que em Malchut há dois partzufim (configurações): o partzuf interior é chamado Knesset Yisrael, e o exterior é a fala. E este é o sentido de “Pois a palavra está perto de ti”. Este também é o sentido de “Yisrael surgiu no pensamento”: o pensamento e a fala estão próximos um do outro.]
Malchut tem duas configurações: uma interior, chamada Knesset Yisrael, e outra exterior, que é a fala. “A palavra está perto de ti” significa que a fala está próxima de sua contraparte interior, assim como “Yisrael surgiu no pensamento”, e o pensamento e a fala estão próximos um do outro; aqui se fecha o trecho entre colchetes.
והנה מבואר בפע״ח [בפרי עץ חיים] שסוד השופר הוא בבינה7 כי התלבשות ומקום גילוי התענוג הוא בבינה וכנודע כי התגלות עתיק הוא בבינה8
Ora, está explicado em Pri Etz Chaim que o mistério do shofar está em Biná (entendimento), pois o revestimento e o lugar da revelação do deleite estão em Biná; e, como se sabe, a revelação de Atik se dá em Biná.
O argumento principal é retomado. Pri Etz Chaim ensina que o mistério do shofar está em Biná, porque o deleite se reveste e se revela em Biná; como se sabe, Atik, o deleite interior de Kéter, revela-se em Biná.
(ועמ״ש מזה בפ׳ לך לך גבי ה׳ דאברהם ע״ש] ולכן הוא בחי׳ עוה״ב [עולם הבא] והיינו מפני שהיא בחי׳ השגה ועיקר התגלות התענוג הוא בהשגה9 דוקא כמו עדמ״מ [עד״מ] למטה באדם כשנופל לו איזה השגה ושכל חדש באיזו עמקות הוא מתמלא תענוג
(E veja o que está escrito a esse respeito em Parshat Lech Lecha, sobre o hei de Avraham; consulte ali.) Portanto, ela é o nível do Mundo Vindouro; isso porque é o nível da compreensão, e a revelação principal do deleite ocorre especificamente na compreensão. A título de analogia, em relação ao homem neste mundo: quando lhe ocorre uma compreensão, uma ideia nova e profunda, ele se enche de deleite.
Depois de remeter à sua explicação sobre a letra hei acrescentada ao nome de Avraham, o Alter Rebe esclarece por que Biná é chamada Mundo Vindouro: ela é compreensão, e o deleite se revela sobretudo por meio da compreensão. Quando uma pessoa apreende uma ideia nova e profunda, enche-se de deleite.
אמנם עיקר התגלות וההתפשטות התענוג בשלימות הוא דוקא אח״כ כשמשיג העמקות הזאת בהרחבת שכלו ורוחב בינתו דוקא וכמ״כ [וכמו כן] הוא למעלה שהתענוג עליון מלובש בחכמה הנקרא עדן שהוא עצם דבר המושג כמו שהוא עדיין בעצמותו
No entanto, a revelação principal e a expansão plena do deleite ocorrem especificamente depois, quando ele apreende essa profundidade com a amplitude de seu intelecto e a vastidão de seu entendimento. Assim também é no Alto: o deleite supremo está revestido em Chochmá, chamada Éden, que é a essência daquilo que é apreendido, tal como ainda se encontra em sua própria essência;
O deleite pleno vem depois, quando essa percepção se desenvolve em amplitude e detalhes. Assim também é no Alto: o deleite supremo está revestido em Chochmá, chamada Éden, a essência de uma ideia antes de ela se desdobrar.
אמנם שם הוא בהעלם ועיקר התגלותו כשנמשך בבחי׳ בינה שהיא בחי׳ השגה בהתפשטות אורך ורוחב כו׳.
mas ali ele está oculto, e sua revelação principal ocorre quando é atraído ao nível de Biná, que é o nível da apreensão, em uma expansão de comprimento e largura, etc.
Em Chochmá, o deleite está oculto; ele se revela quando flui para Biná, a faculdade que desdobra uma ideia em “comprimento e largura”.
ולכן השופר הוא ג״כ בבינה שהתגלות התענוג הנמשך ע״י השופר הוא בבינה ומשם מקבל הדבור שהוא בחי׳ מל׳ בדבר ה׳ שמים נעשו10 להיות ענג במדת המל׳ ג״כ:)11
Portanto, o shofar também está em Biná, pois a revelação do deleite atraído por meio do shofar ocorre em Biná; e de lá a fala recebe, sendo esta o nível de Malchut: “Pela palavra de Havayá foram feitos os céus”, para que haja deleite também no atributo de Malchut.
É por isso que o shofar pertence a Biná: o deleite que ele atrai é revelado ali. De Biná, o deleite passa à fala, que é Malchut, como em “Pela palavra de Havayá foram feitos os céus”, para que também a Realeza seja preenchida de deleite.
O trecho entre colchetes se encerra: a fala, Malchut, está próxima de sua fonte na vontade e na Chochmá superior, assim como a fala está próxima do pensamento. Em seguida, o argumento principal situa o shofar em Biná, onde o deleite oculto de Chochmá e de Atik se revela por meio do entendimento e de onde passa a Malchut.
As notas de Kehot remetem ao Zohar (3:178b) para a revelação de Atik em Biná e ao Zohar (2:90a) para Chochmá como Éden. As duas etapas da analogia — o lampejo de deleite diante de uma nova percepção e o deleite mais completo quando ela é apreendida em toda a sua amplitude — correspondem a Chochmá e Biná. Por isso, o shofar, que revela o deleite, é situado em Biná.
Marei mekomot
- 1כי שרית · Genesis 32:29
- 2ויעש דוד שם · Tanya, Iggeres HaKodesh 5:1
- 3והנה מנורת זהב · Zechariah 4:2
- 4זה דבר ה׳ · Zechariah 4:6
- 5ישראל עלו במח׳ · ב״ר רפ״א.
- 6ישראל עלו במחשבה · Bereshit Rabbah 1:4
- 7בפע״ח שסוד השופר הוא בבינה · שער השופר פ״א-ב.
- 8התגלות עתיק הוא בבינה · Zohar III, 178b
- 9ועיקר התגלות התענוג הוא בהשגה · ראה אוה״ת פ׳ עקב ע׳ תקמד.
- 10בדבר ה׳ שמים נעשו · Psalms 33:6
- 11בחכ׳ הנק׳ עדן · Zohar II, 90a
Por que o shofar cede lugar ao Shabat ¶13–14
13קיצור. והמשכה זו ע״י השופר קול פשוט פנימית הלב שלמעלה מהשכל ומעורר כמ״כ [כמו כן] רצון העליון שלמעלה מהחכמה והיינו ע״י שופר של איל דוקא הבהמה יש בה ביטול ממדרגות עליונות.
Resumo: Esta extensão ocorre por meio do shofar, um som simples, a dimensão interior do coração, que está acima do intelecto; e ele também desperta a vontade suprema, que está acima de Chochmá. Isso ocorre especificamente por meio de um shofar de carneiro: o animal possui bitul proveniente de níveis superiores.
Resumo da seção 3: o som simples do shofar provém do ponto interior do coração, acima do intelecto, e desperta a vontade suprema, acima de Chochmá. Deve ser o chifre de um carneiro, pois o bitul do animal provém de níveis superiores.
ובפע״ח [ובפרי עץ חיים] שהשופר בבינה כי התגלות עתיק הוא בבינה:ד ומעתה יבואר1 למה אין תקיעת שופר דוחה שבת והוא
E em Pri Etz Chaim: o shofar está em Biná, porque a revelação de Atik ocorre em Biná. 4. Agora será explicado por que o toque do shofar não prevalece sobre o Shabat. Isso se deve
O resumo termina com o ensinamento de Pri Etz Chaim de que o shofar está em Biná, onde Atik é revelado. A seção 4 então retoma a pergunta inicial: por que o toque do shofar não prevalece sobre o Shabat.
ao fato de que o tema do Shabat é aquilo que está escrito: “pois nele repousou”, etc.; “E os céus e a terra foram concluídos”, etc.; “E Elokim concluiu no sétimo dia”, etc.
A resposta está na natureza do Shabat, tal como descrita em Bereshit: D'us “repousou” nele, e “os céus e a terra foram concluídos… e Elokim concluiu no sétimo dia”.
כמו עד״מ באדם כששובת ונח מאיזו מלאכת עבודה שהיה שכלו ומחשבתו מלובשת באותה מלאכה לעיין בכל פרטי המלאכה בהתחכמות כו׳
Como, por exemplo, no caso de uma pessoa que cessa e descansa de algum trabalho no qual seu intelecto e pensamento estavam investidos, examinando todos os detalhes da tarefa com engenhosidade, etc.:
Uma analogia: alguém ocupado com um trabalho investe nele seu intelecto e pensamento, elaborando habilmente todos os seus detalhes.
וכששובת אזי מתעלה השכל וחוזר למקורו ומתפשט מהתלבשותו כו׳ ואזי נמשך לו תענוג משלימות המלאכה
quando cessa, o intelecto se eleva, retorna à sua fonte e se desprende de seu envolvimento, etc.; então, o deleite lhe advém da conclusão do trabalho.
Quando para, sua mente se eleva de volta à sua fonte, livre de sua absorção no trabalho, e ele sente deleite com o produto concluído.
ולכן בסיום מסכתא עושין סעודה4 מחמת התענוג שבא בגמר והשלמת לימודו דוקא וכך עד״מ הוא למעלה שבששת ימי בראשית היו ירידות והמשכות המדות עליונות
É por isso que, ao concluir um tratado, faz-se uma refeição festiva, devido ao deleite que surge especificamente com o término e a conclusão do estudo. E assim também, por analogia, ocorre no Alto: nos seis dias da Criação houve descidas e extensões dos atributos emocionais supremos (midot)
É por isso que se faz uma refeição festiva ao concluir um tratado: o deleite surge com a conclusão do estudo. Assim também ocorre no Alto: durante os seis dias da Criação, os atributos emocionais de D'us desceram e foram estendidos para criar o mundo.
לברוא בהן השמים והארץ וכל צבאם יום ראשון במאמר יהי אור ירד ונמשך במדת החסד [ומדת הגבורה כלולה בה להגביל שפעה ובתוכן מלובשת בחי׳ חכמה
para criar por meio deles os céus, a terra e todas as suas hostes. No primeiro dia, com a declaração “Haja luz”, [ela] desceu e foi estendida no atributo de Chessed [e o atributo de Guevurá está incluído nele, para limitar seu fluxo, e dentro deles está investido o nível de Chochmá,
No primeiro dia, a declaração “Haja luz” foi estendida por meio de Chessed, a bondade, com Guevurá, a contenção, incluída nele para limitar o fluxo; Chochmá estava investida em ambos.
להיות ההשפעה ע״פ גזירת החכמה] יום ב׳ יהי רקיע5 ממדת הגבורה כו׳ ואח״כ בשבת כשוישבות ביום השביעי שנח ממלאכתו כביכול ונתעלו מדותיו וחכמתו ית׳ בעצמותו
para que a influência ocorra de acordo com o decreto de Chochmá]; no segundo dia, “Haja um firmamento”, a partir do atributo de Guevurá, etc. Depois, no Shabat, quando “Ele repousou no sétimo dia”, pois repousou de Sua obra, por assim dizer, Seus atributos e Sua sabedoria, bendito seja, elevaram-se à Sua essência,
Chochmá assegura que o fluxo siga seu “decreto” sábio. A declaração do segundo dia, “Haja um firmamento”, proveio de Guevurá, e assim por diante; então, no Shabat, quando D'us “repousou”, Seus atributos e Sua sabedoria retornaram à Sua essência, por assim dizer.
ואזי ויכל אלקים ביום השביעי ויכל הוא מלשון כלתה נפשי67 פי׳ שנמשך בחינת התענוג העליון ומתגלה בכל אשר פעל ועשה בשימ״ב [בששת ימי בראשית] הנ״ל וכמו שכתוב
então: “E D'us completou (vayechal) no sétimo dia”. Vayechal deriva da expressão “minha alma anseia (kalsah)”: isto é, o deleite supremo é atraído para baixo e revelado em tudo o que Ele realizou e fez nos seis dias da Criação mencionados acima; e como está escrito,
Então: “E D'us completou (vayechal) no sétimo dia”: vayechal é entendido como relacionado a kalsah, “anseio”, como em “minha alma anseia”. O deleite supremo é atraído para baixo e revelado em tudo o que foi feito durante os seis dias.
והנה טוב מאד8 כו׳ וג״פ [וג׳ פעמים] ביום השביעי9 הוא כנגד ג׳ בחינות שהתענוג מתלבש בהם בינה הוד יסוד כו׳
“e eis que era muito bom”, etc. E as três ocorrências de “no sétimo dia” correspondem aos três níveis nos quais o deleite se reveste: Biná, Hod, Yessod, etc.
Trata-se do deleite de “e eis que era muito bom”. As três menções ao “sétimo dia” nos versículos correspondem às três sefirot nas quais esse deleite se reveste: Biná, Hod e Yessod.
וז״ש [וזהו שכתוב] בע״ח [בעץ חיים]10 ששבת הוא גילוי מוחין דאבא11 וכמ״ש ושמרתם את השבת12 כו׳ כי קדש היא לכם
E é isso que está escrito em Etz Chaim: que o Shabat é a revelação dos mochin de Abá; e como está escrito: “Guardareis o Shabat, etc., pois ele é sagrado (kodesh) para vós”,
Daí o ensinamento do Arizal (encontrado em Pri Etz Chaim, como observa a nota da Kehot) de que o Shabat revela os mochin de Abá, isto é, Chochmá, como em “Guardareis o Shabat… pois ele é sagrado (kodesh) para vós”; kodesh é um nome para Chochmá.
כי התענוג הנמשך הוא מתלבש בחכמה שלכן נקרא עדן בכתוב והוא עד״מ הנ״ל כשנופל לאדם איזו השכלה מתמלא בתענוג כו׳ כנ״ל.
pois o deleite que é atraído para baixo reveste-se em Chochmá, que por isso é chamada Éden nas Escrituras. E isso é semelhante à analogia mencionada acima: quando surge a uma pessoa algum insight, ela se enche de deleite, etc., como mencionado acima.
O deleite do Shabat reveste-se em Chochmá, razão pela qual as Escrituras chamam Chochmá de “Éden”, deleite. É como a pessoa da analogia, que se enche de deleite quando lhe ocorre um insight.
A seção 4 começa a responder por que o toque do shofar não prevalece sobre o Shabat. O Shabat é o “repouso” de D'us após a Criação: como um artesão que conclui seu trabalho, Seus atributos retornam à sua fonte, e revela-se um deleite supremo por tudo o que Ele criou, investido em Chochmá.
A nota da Kehot sobre “o Shabat é a revelação dos mochin de Abá” observa que isso se encontra não em Etz Chaim, mas em Pri Etz Chaim (Portão do Shabat, caps. 21 e 19) e no Likkutei Torah do Arizal sobre Bereshit. Interpretar vayechal como “anseio” segue o Targum Yerushalmi citado pelo Baal HaTurim, conforme registra outra nota da Kehot.
Marei mekomot
- 1יהי אור · Genesis 1:3
- 2כי בו שבת · Genesis 2:3
- 3ויכולו השמים והארץ גו׳ ויכל אלקים · Genesis 2:1
- 4בסיום מסכת עושין סעודה · Kohelet Rabbah 1:1
- 5יהי רקיע · Genesis 1:6
- 6ויכל הוא מלשון כלתה נפשי · ראה בעל הטורים במקומו בשם תרגום ירוש׳. אור החיים שם.
- 7כלתה נפשי · Psalms 84:3
- 8והנה טוב מאד · Genesis 1:31
- 9וג״פ ביום השביעי · Genesis 2:2
- 10וז״ש בע״ח · בפע״ח ש׳ השבת (פכ״א) ושם בפי״ט להמעיין. אבל בע״ח ל״מ — וע״ע בלקוטי תורה מאריז״ל פ׳ בראשית (יב, א) ד׳ ווילנא (תר״ם). [ד״ה ונבאר מעלת אדה״ר]. [כ].
- 11מוחין דאבא · Pri Etz Chaim, Gate of the Sabbath 21:2
- 12ושמרתם את השבת · Exodus 31:14
14ולכן כתיב ממצוא חפצך ודבר דבר1 כי הדבור מתעלה בחכמה שהרי התענוג הוא מן הדבור של המאמרות יהי אור יהי רקיע כו׳.
Portanto, está escrito: “de buscar os teus negócios e falar palavras”, pois a fala ascende a Chochmá; pois o deleite provém da fala das enunciações “Haja luz”, “Haja um firmamento” etc.
É por isso que Isaías diz que, no Shabat, deve-se abster de “falar palavras”: no Shabat, a fala ascende a Chochmá. O deleite do Shabat é o deleite na fala divina da criação, as enunciações “Haja luz”, “Haja um firmamento”.
ואם כן הוא שבשבת נמשך מצד עצמו גילוי תענוג עליון שמתענג מכל אשר עשה ממילא אינו נצרך לשופר2 שהוא ג״כ
E, sendo assim, visto que no Shabat uma revelação de deleite supremo é atraída por si mesma, pois Ele Se deleita em tudo o que criou, conclui-se que não há necessidade do shofar, que também é
Como no Shabat o deleite supremo é revelado por si mesmo, com D'us Se deleitando em tudo o que criou, não há necessidade do shofar.
רק ענין המשכת התענוג במדת המלוכה וע״כ נדחה מ״ע [מצות עשה] של שופר בשבת [ומה גם לפמ״ש [לפי מה שכתוב] בזהר בשלח (דס״ג ע״ב) ובפ׳ יתרו (דפ״ח ע״א)3 בענין
somente um meio de atrair deleite para o atributo da Realeza. Portanto, o mandamento positivo do shofar é suspenso no Shabat. [Ainda mais segundo o que está escrito no Zohar, Beshalach (63b), e na Parshas Yisro (88a), a respeito
O propósito do shofar também é somente atrair deleite para a Realeza, o que já ocorre no Shabat; portanto, sua mitsvá pode ser suspensa no Shabat. O trecho entre colchetes acrescenta apoio do Zohar sobre Beshalach e Yisro.
דהא כל שיתא יומין מתברכין מיומא שביעאה4 שהיא הבינה כמ״ש במק״מ [במקדש מלך] שם5 א״כ גם שבת הוא בחי׳ התגלות עתיק שבבינה אשר זהו בחינת השופר]:67
de que “todos os seis dias são abençoados a partir do sétimo dia”, que é Biná, conforme está escrito no Mikdash Melech, ali. Sendo assim, o Shabat também é o nível da revelação de Atik em Biná, que é o nível do shofar.]
O Zohar diz que todos os seis dias são abençoados a partir do sétimo, que o Mikdash Melech, um comentário sobre o Zohar, identifica com Biná. Se o Shabat é Biná, ele já contém a revelação de Atik em Biná, precisamente o nível que o shofar revela.
Como, no Shabat, o deleite de D'us na criação é revelado por si mesmo, o shofar, cuja função é atrair deleite para a Realeza, não é necessário e, portanto, é suspenso. O ensinamento do Zohar de que os seis dias são abençoados a partir do sétimo, identificado com Biná, mostra que o Shabat já contém o nível do shofar.
Uma nota da Kehot cita um discurso de 5728 que, por sua vez, cita Or HaTorah: “no Shabat, não há tanta necessidade do shofar”. Portanto, a mitsvá continua existindo quando Rosh HaShanah cai no Shabat, mas sem a mesma força que num dia de semana, razão pela qual cede à preocupação de que alguém possa transportar o shofar por quatro côvados no domínio público.
Marei mekomot
- 1ממצוא חפצך ודבר דבר · Isaiah 58:13
- 2אינו נצרך לשופר · ”אבל באוה״ת ר״ה ע׳ א׳תלח ”בשבת אינו צריך כ״כ לתקיעת שופר”. ולהעיר, דעפ״ז מובן זה שגם בר״ה שחל בשבת ישנה המצוה דתק״ש, אלא שאינה בתוקף כ״כ כבר״ה שחל בימי השבוע (לפי שבשבת אין צריך כ״כ לתק״ש). ולכן היא נדחית מפני החשש שמא יעבירנו ד׳ אמות ברה״ר” — ד״ה והי׳ תשכ״ח הערה 13. ובלקו״ש חי״ט ע׳ 540 ואילך איך הוא ע״פ נגלה.
- 3ובפ׳ יתרו דפ״ח ע״א · ראה באוה״ת פ׳ בשלח ע׳ תרלח.
- 4דהא כל שיתא יומין מתברכין מיומא שביעאה · Zohar, Yitro 26:441–27:453
- 5מיומא שביעאה שהיא הבינה כמ״ש במק״מ שם · ראה באוה״ת פ׳ בשלח ע׳ תרלו שמבאר זה. בענין שבת שנק׳ בינה מצויין לזוהר זה לעיל פ׳ צו יא, א. פ׳ אמור לו, ב. מד, ב. וראה גם אוה״ת ויקרא כרך ג ע׳ תתקטו. בראשית דף ס, ב.
- 6בזהר פ׳ בשלח דס״ג ע״ב · בכל יומא ויומא מתברך עלמא מההוא יומא עילאה דהא כל שיתא יומין מתברכין מיומא שביעאה וכל יומא יהיב מההוא ברכה דקביל ביומא דיליה” — אוה״ת פ׳ בשלח ע׳ תרלו. ונזכר גם לעיל פ׳ שלח ב, ג. ולעיל פ׳ נצבים מו, ב. וראה ספר השיחות תש״נ ע׳ 78.
- 7
Por que a Torá ainda o ordena no Shabat ¶15–19
15אך להבין מה שמן התורה מצוה וחיוב אפי׳ [אפילו] לתקוע בשבת אלא שחז״ל [שחכמינו זכרונם לברכה] אסרו משום גזרה דרבה.
Mas [ainda devemos] compreender por que, segundo a lei da Torá, há uma mitzvá e uma obrigação de tocar [o shofar] mesmo no Shabat, e somente nossos Sábios, de abençoada memória, o proibiram por causa do decreto de Rabá.
Agora, o outro lado da questão: se o shofar não é necessário no Shabat, por que a própria Torá ainda ordena tocá-lo nesse dia, de modo que somente o decreto dos Sábios o proíbe?
הנה באמת יש כמה בחינות בענין התענוג1 לאין קץ ותכלית ויותר ממ״ש בע,ח בענין סדר ההשתלשלות וכמ״ש בהקדמת הרח״ו [הרבי חיים ויטאל] עצמו שאינו מזכיר כ״א כטפה מן הים כו׳
Na verdade, há muitos níveis no que diz respeito ao deleite, sem fim nem limite, mais do que aquilo que está escrito em Etz Chaim sobre a ordem da cadeia descendente dos mundos (hishtalshelut); como o próprio Rabi Chaim Vital escreve em sua introdução, que menciona apenas uma gota do mar, etc.
A resposta começa com a variedade infinita do deleite. Há incontáveis níveis de deleite, mais do que os expostos em Etz Chaim em sua descrição da cadeia descendente dos mundos; o próprio Rabi Chaim Vital escreve em sua introdução que registra apenas uma gota do mar.
דהנה גם בגשמיות אנו רואים שהתענוג בנפש הוא ביתר שאת ויתר ריבוי מדרגות משאר כחות הנפש וכנראה בעליל שיש תענוגים רבים לאין קץ ותכלית
Pois mesmo no âmbito físico vemos que o deleite na alma tem maior intensidade e uma variedade muito maior de níveis do que as demais faculdades da alma; como é claramente evidente, há muitos deleites, sem fim nem limite.
Mesmo na experiência humana, o deleite tem mais níveis do que qualquer outra faculdade da alma: há incontáveis tipos de prazer.
כי יש הרבה מיני תענוג בחוש הטעם בחיך יטעם אוכל23 או משקה בהרבה מינים מינים ממינים שונים וכל א׳ מובדל ומשונה מחבירו בטעמו וכיוצא בזה בחוש הריח
Pois há muitos tipos de deleite no sentido do paladar, quando “o paladar prova” alimento ou bebida, em muitos tipos e variedades diferentes, cada um distinto e diferente dos demais em seu sabor; e o mesmo ocorre com o sentido do olfato;
Só o paladar já tem incontáveis tipos, cada alimento e bebida com seu sabor próprio e distinto, como diz Iyov: “o paladar prova o alimento”; e o mesmo se dá com o olfato.
וכן בדבור שמתענג מצחות הלשון והמליצה בהגיון או דקדוק או אפילו במלתא דבדיחותא וכן בשמיעה מקול נאה או כלי זמר ערב וכיוצא וכן בראיה יש תענוגים רבים שונים כנודע ועאכ״ו [ועל אחת כמה וכמה] בכחות רוחניים כמו השכל כו׳ וכיוצא.
e também na fala, na qual se sente deleite pela fluência da língua e pela eloquência, pela lógica ou pela gramática, ou até mesmo por uma observação espirituosa; e também na audição, por meio de uma bela voz ou de um instrumento musical agradável, e coisas semelhantes; e também na visão há muitos deleites diferentes, como é sabido. E isso certamente se aplica ainda mais às faculdades espirituais, como o intelecto, etc., e coisas semelhantes.
A fala proporciona deleite pela eloquência, pela lógica, pela gramática ou até por uma observação espirituosa; a audição, por uma bela voz ou pela música; e a visão, por muitos prazeres. As faculdades espirituais, como o intelecto, têm ainda mais.
Para explicar por que a Torá ordena tocar o shofar mesmo no Shabat, o Alter Rebe primeiro demonstra que o deleite tem níveis infinitos: até o prazer humano — no paladar, no olfato, na fala, na audição, na visão e, sobretudo, no intelecto — apresenta mais variedades do que qualquer outra faculdade da alma.
16ומזה יכול המשכיל לצייר עוצם הריבוי בתענוג אלקי מאחר שנודע דכללות התענוג שבענינים דהאי עלמא הוא רק פסולת ותמצית דתמצית מתענוג האלקי וכמארז״ל [וכמאמר רבותינו זכרונם לברכה] ר״ע [רבי עקיבא] שחק ואמר אם לעוברי1 רצונו2 כו׳
A partir disso, a pessoa ponderada pode conceber a imensa multiplicidade do deleite divino, pois é sabido que o deleite contido, em seu conjunto, nas coisas deste mundo é apenas o refugo e o extrato do extrato do deleite divino; como disseram nossos Sábios, de abençoada memória: “Rabi Akiva riu e disse: ‘Se para os que transgridem Sua vontade, etc.’”
A partir disso, uma pessoa ponderada pode imaginar a vastidão do deleite divino, pois todos os deleites deste mundo são apenas o refugo, “o extrato do extrato”, do deleite divino. O Talmud conta que Rabi Akiva, diante da prosperidade de Roma, riu e disse: se é assim para os que transgridem Sua vontade, quanto mais para os que cumprem Sua vontade.
וכמ״ש במ״א ועאכ״ו [ועל אחת כמה וכמה] למקור התענוג העליון שהוא בודאי רב הכמות והאיכות לאין קץ ותכלית וביתר שאת ויתר עז3 מכל הי״ס [הי׳ ספירות] שלמעלה עד״מ הנ״ל דחוש התענוג שבנפש שגדול מאד ורב כחו יותר מכל כחות הנפש כנ״ל.
e como está escrito em outro lugar. E quanto mais a fonte do deleite supremo, que certamente é ilimitada em quantidade e qualidade, sem fim nem limite, e “maior em eminência e maior em força” do que todas as dez Sefirot acima, segundo a analogia mencionada acima do sentido do deleite na alma, que é muito grande e tem mais força do que todas as faculdades da alma, como mencionado acima.
Se o mero resíduo do deleite divino é tão grande, sua fonte certamente é ilimitada em quantidade e qualidade, “maior em eminência e maior em força” do que todas as dez Sefirot. Assim também na alma, o sentido do deleite é mais poderoso do que todas as suas outras faculdades.
Como todo prazer mundano é apenas um resíduo distante do deleite divino, a fonte desse deleite deve ser infinitamente grande, superando todas as Sefirot, assim como o sentido do deleite supera as outras faculdades da alma.
A nota da Kehot remete a Likkutei Torah, Sh'lach, onde se explica o riso de Rabi Akiva: se até o refugo do deleite supremo, que caiu nas kelipot, é tão grande, quanto mais o deleite supremo interior que brilha na Torá e nas mitsvot.
Marei mekomot
- 1ר״ע שחק ואמר אם לעוברי כו׳ כמ״ש במ״א · מכות כד, סע״א. ראה לעיל פ׳ שלח מז, א. וראה גם פ׳ בהעלותך לג, ד.
- 2אם לעוברי רצונו · Makkot 24a:33–24b:1
- 3שאת ויתר עז · Genesis 49:3
17ולכן נק׳ בחי׳ מקור התענוגים למעלה בשם אריך אנפין לפי שמתפשט באריכות הרבה כנ״ל. ועמ״ש ע״פ ואתה מרבבות קדש.12
Portanto, o nível da fonte dos deleites no alto é chamado pelo nome de Arich Anpin (a Face Longa), porque se estende por grande extensão, como mencionado acima. E veja o que está escrito sobre o versículo: “E Ele veio das miríades de santidade.”
Por isso, a fonte do deleite é chamada Arich Anpin, a “Face Longa”: ela se estende sem limite. O Alter Rebe se refere ao seu maamar sobre o versículo “E Ele veio das miríades de santidade.”
משא״כ המדות דאצילות נקרא זעיר אנפין לפי שהם מעטי הכמות ובבחי׳ קיצור בעצם מציאותן ועד״מ ממדות שבלב האדם אהוי״ר [אהבה ויראה] שהם כחות מצומצמים וקצרים בעצם מציאותן ואינן בערך אורך המציאות של התענוג כנ״ל.
Em contraste, os atributos emocionais (midot) de Atsilut são chamados Zeir Anpin (os atributos emocionais), porque são pequenos em quantidade e breves em sua própria existência; como, a título de analogia, os atributos emocionais no coração de uma pessoa — amor e temor —, que são forças contraídas e breves em sua própria existência e não se comparam à duração da existência do deleite, como mencionado acima.
Em contraste, os atributos emocionais de Atsilut são chamados Zeir Anpin, a “Face Pequena”, porque são limitados por sua própria natureza, assim como o amor e o temor de uma pessoa são contraídos e breves em comparação com a vasta extensão do deleite.
Os nomes das configurações refletem essa diferença: Arich Anpin, a fonte do deleite, é “longo” porque o deleite se estende sem limite, enquanto Zeir Anpin, os atributos emocionais, é “pequeno”, limitado em sua própria existência, como o amor e o temor humanos.
No maamar sobre “das miríades de santidade”, o Alter Rebe explica que a raiz da Torá está nas “miríades” (revavot), muito acima do nível de “cem”, e que somente de lá ela pode descer até mesmo às mitsvot físicas, como sucá e tefilin.
Marei mekomot
- 1ועמ״ש ע״פ ואתה מרבבות קדש · לקמן פ׳ ברכה צג, ג.
- 2ואתה מרבבות קדש · Deuteronomy 33:2
18והנה בחי׳ המשכת התענוג שיתענג ממדת המלוכה הנמשך ע״י השופר הוא מבחי׳ מובדלת מבחי׳ התענוג המאיר בשבת שהמתענג מחמת כי וירא אלקים את כל אשר עשה1
Ora, o deleite que é atraído para que Ele Se deleite com o atributo da realeza, por meio do shofar, provém de um nível distinto daquele do deleite que brilha no Shabat, no qual Ele Se deleita porque “D'us viu tudo o que havia feito,
Este é o ponto principal: o deleite na realeza atraído pelo shofar provém de um nível inteiramente distinto do deleite que brilha no Shabat, que é o deleite de D'us em Sua criação, como quando “D'us viu tudo o que havia feito”.
והנה טוב מאד כנ״ל כי התענוג הנמשך בשבת הוא מה שמתלבש בחכמה דאצילות כנ״ל בפי׳ ושמרתם את שבת2
e eis que era muito bom”, como mencionado acima. Pois o deleite atraído no Shabat é aquele que se reveste na Chochmá de Atsilut, como mencionado acima na explicação de “Guardareis o Shabat,
O deleite do Shabat — “e eis que era muito bom” — reveste-se na Chochmá de Atsilut, conforme explicado acima a respeito do versículo “Guardareis o Shabat”.
כי קדש היא כו׳ ובחכמה מתלבש חסד דא״א כידוע דאו״א [דאבא ואימא] מלבישים לזרועות דא״א3 אבא בחסד אחיד ותלי4 ואימא בגבורה5 כמ״ש אני בינה לי גבורה6 כו׳
pois ele é santo”, etc. E na Chochmá reveste-se o Chessed de Arich Anpin, como se sabe: Abá e Imá (Chochmá e Biná) revestem os braços de Arich Anpin; “Abá está ligado e suspenso ao Chessed”, e Imá, à Guevurá, conforme está escrito: “Eu sou Biná; a Guevurá é minha”, etc.
Na Cabalá, Abá e Imá (Chochmá e Biná de Atsilut) revestem os “braços” de Arich Anpin: Abá está ligado ao Chessed deste, e Imá, à sua Guevurá, conforme a expressão “Eu sou Biná; a Guevurá é minha”. Assim, o deleite do Shabat, na Chochmá, provém do Chessed de Arich Anpin, uma de suas sete Sefirot inferiores.
אבל ע״י השופר נמשך מבחי׳ בינה דא״א שלמעלה מערך התענוג דז״ת [דז׳ תחתונות] דא״א והוא המתלבש בבינה דאצילות שסוד השופר הוא בבינה כנ״ל (ועיין במק״מ [במקדש מלך] ר״פ שמות)
Mas, por meio do shofar, [o deleite] é atraído do nível de Biná de Arich Anpin, que está além de qualquer comparação com o deleite das sete inferiores [Sefirot] de Arich Anpin; é esse deleite que se reveste na Biná de Atsilut, pois o segredo do shofar está em Biná, como mencionado acima. (E veja Mikdash Melech, no início da Parashat Shemot.)
O shofar atrai de um nível mais elevado, a Biná de Arich Anpin, que transcende as sete Sefirot inferiores; esse nível se revela na Biná de Atsilut, o lugar do shofar. O Alter Rebe faz referência ao Mikdash Melech, no início de Shemot.
(בדף ג׳ ע״א) ע״פ תשורי מראש אמנה7 דא גרון. מש״ש [מה שכתוב שם] בשם האוצ״ח [האוצרות חיים] ומ״ש בביאורי הזהר שם8 פירוש וענין בינה דא״א.
(no fólio 3a), sobre o versículo “Olha do cume de Amaná”: “isto é a garganta”; o que está escrito ali em nome de Otzros Chaim e o que está escrito ali em Biurei HaZohar sobre o significado e a natureza da Biná de Arich Anpin.
Ali, o Mikdash Melech comenta a interpretação do Zohar de “Olha do cume de Amaná” como “a garganta”, o lugar da Biná de Arich Anpin. O parêntese também remete a Otzros Chaim, citado ali, e a Biurei HaZohar sobre a mesma passagem.
ועיין בפי׳ הרמ״ז [הרב משה זכות] ר״פ קרח9 ד״ה כמה עילאין פתגמי אורייתא ועפמ״ש [ועל פי מה שכתוב] הרמ״ז [הרב משה זכות] שם יובן מ״ש במשנה פ״ג [פרק ג׳] דר״ה [דראש השנה] שופר כו׳ ופיו מצופה זהב כי זהב רומז לבינה דאריך כמ״ש הרמ״ז [הרב משה זכות] שם
E veja o comentário do Ramaz, no início da Parashat Korach, sobre a passagem que começa “Quão elevados são os ditos da Torá”; e, à luz do que o Ramaz escreve ali, será compreendido o que está dito na Mishná, capítulo 3 de Rosh HaShanah: “O shofar, etc., e sua embocadura é revestida de ouro”; pois o ouro alude à Biná de Arich [Anpin], como escreve o Ramaz ali.
O Ramaz, no início da Parashat Korach, explica Chochmá e Biná de Arich Anpin. À luz de seu comentário, compreende-se a regra da Mishná de que a embocadura do shofar de Rosh HaShanah deve ser revestida de ouro: o ouro alude à Biná de Arich Anpin, a fonte alcançada pelo shofar.
ולכן גם בשבת מצוה לתקוע מד״ת [מדת] לפי שממשיכים הארת תענוג יותר עליון מבחי׳ התענוג דשבת כנ״ל
Por isso, também no Shabat há uma mitzvá, segundo a lei da Torá, de tocar [o shofar], pois [por meio dele] é atraída uma irradiação de deleite superior ao nível do deleite do Shabat, como mencionado acima.
É por isso que a Torá ordena tocar o shofar mesmo no Shabat: ele atrai um deleite superior ao próprio deleite do Shabat.
(ועיין מ״ש בד״ה ביום השמע״צ [השמיני עצרת]10 גבי יפה שעה אחת בתשובה11 שיש שני מיני תענוג לפני המלך האחד בעשיית המצות והשני כשרואה את בנו בא מרחוק שיש זמן רב אשר לא ראהו וכראות המלך את הבן נתמלא חדוה ותענוג
(E veja o que está escrito no discurso que começa “No dia de Shemini Atseret”, a respeito de “Melhor é uma hora de teshuvá”: que há dois tipos de deleite diante do Rei; um, na realização das mitzvot, e o segundo, quando Ele vê Seu filho vindo de longe, a quem não vê há muito tempo; e, quando o rei vê o filho, enche-se de alegria e deleite.
O parêntese compara os dois deleites ao discurso sobre Shemini Atseret, a respeito de “Melhor é uma hora de teshuvá”: o rei se deleita com a obediência do filho, mas muito mais quando o vê voltar de longe, após longa ausência.
וכן בנמשל אע״פ [אף על פי] שנתרחק האדם בחטאיו מ״מ ע״י תשובה נתקרב למקורו ושרשו כו׳ ע״ש ועד״ז יש לומר ההפרש בין התענוג המתגלה בשבת שמתענג מכל אשר עשה זהו כעין המין הראשון
E assim também no correspondente: embora a pessoa tenha se afastado por causa de seus pecados, ainda assim, por meio da teshuvá, é aproximada de sua fonte e raiz etc.; veja ali. E, nessa linha, pode-se explicar a diferença: o deleite revelado no Shabat, no qual Ele Se deleita em tudo o que fez, é como o primeiro tipo;
Assim também, a pessoa que se desviou pelo pecado e retorna por meio da teshuvá é aproximada de sua raiz. O deleite do Shabat, em tudo o que D'us fez, é como o primeiro tipo: o deleite nas mitsvot.
אמנם התענוג שע״י השופר שהוא בחינת תשובה זהו כענין כמשל שרואה את בנו בא ממרחק שהוא פנימיות תענוג יותר וכמו שכתוב מזה בד״ה שוש אשיש)12
mas o deleite que vem por meio do shofar, que é o nível da teshuvá, é como na analogia de alguém que vê seu filho vindo de longe, o que constitui um deleite mais interior; e assim está escrito a esse respeito no discurso que começa com “Muito me regozijarei”.)
O deleite do shofar é a teshuvá, como o rei que vê seu filho retornar de longe: um deleite mais interior, conforme também explicado no discurso “Muito me regozijarei”.
ושרש הענין הוא כי ידוע שהכתר הוא הממוצע בין המאציל לנאצלים וכל ממוצע יש בו בחי׳ מזה
A raiz do assunto é a seguinte: é sabido que Kéter é o intermediário entre o Emanador e os emanados, e todo intermediário contém algo de cada um desses lados,
A raiz da distinção é que Kéter é o intermediário entre o Emanador, D'us em Si, e as Sefirot emanadas; como qualquer intermediário, contém algo de ambos os lados.
ומזה שלכך הוא יכול לחברם ולהוריד שפע מזה לזה וכמ״כ [וכמו כן] הכתר יש בו בחי׳ התחתונה שבמצאיל
e é por isso que pode uni-los e fazer descer o fluxo de um para o outro. Do mesmo modo, Kéter contém o nível inferior do Emanador,
É assim que pode uni-los e transmitir o fluxo de um para o outro. Portanto, Kéter contém o nível inferior do Emanador.
וגם הוא שרש להנאצלים והבחי׳ הא׳ שבו שהיא התחתונה שבמאציל גדלה וגבההה מעלתה על בחי׳ ב׳ שבו שהיא שרש הנאצלים
e também é a raiz dos emanados. E o primeiro nível nele, o nível inferior do Emanador, é maior e mais elevado em estatura do que o segundo nível nele, que é a raiz dos emanados.
Kéter também é a raiz das Sefirot emanadas. Seu primeiro aspecto, o nível inferior do Emanador, é muito mais elevado do que seu segundo aspecto, a raiz dos emanados.
והנה זה שהחכמה מלבשת להארת התענוג היינו מבחי׳ ב׳ שבו שהוא שרש לנאצלים שהן הן ז״ת [ז׳ תחתונות] דא״א שמתלבשות באצילות כנ״ל דאו״א [דאבא ואימא] מלבישים כו׳
Ora, o fato de Chochmá revestir a irradiação do deleite significa que esta provém do segundo nível nele, que é a raiz dos emanados: as sete Sefirot inferiores de Arich Anpin, que se revestem em Atsilut, como mencionado acima, e que Abá e Imá revestem etc.
O deleite que Chochmá reveste — o deleite do Shabat — provém do segundo aspecto de Kéter: as sete Sefirot inferiores de Arich Anpin, que se revestem em Atsilut por meio de Abá e Imá.
אבלעל ידי השופר ממשיכים מבחי׳ הא׳ שבו שהוא בחי׳ תחתונה שבמאציל והיינו בחי׳ חו״ב [חכמה ובינה] דא״א שלמעלה מערך הז״ת [הז׳ תחתונות] דא״א אך מקום התגלותן הוא בבינה דאצי׳ כנ״ל:13
Mas, por meio do [deleite do] shofar, atrai-se do primeiro nível nele, que é o nível inferior do Emanador, isto é, o nível de Chochmá e Biná de Arich Anpin, que está além de qualquer comparação com as sete Sefirot inferiores de Arich Anpin; mas o lugar de sua revelação é na Biná de Atsilut, como mencionado acima.
O shofar atrai do primeiro aspecto de Kéter, o nível inferior do Emanador, que é Chochmá e Biná de Arich Anpin, além das sete Sefirot inferiores. Ainda assim, esse deleite mais elevado se revela na Biná de Atsilut.
O deleite atraído pelo shofar é de uma ordem diferente do deleite do Shabat. O Shabat revela o deleite na criação, revestido na Chochmá de Atsilut e proveniente das sete Sefirot inferiores de Arich Anpin, a raiz do que é emanado; o shofar atrai da Chochmá e da Biná de Arich Anpin, o nível mais baixo do próprio Emanador, como o deleite de um rei ao ver o filho retornar. Por isso, a Torá ordena tocar o shofar mesmo no Shabat.
As notas da Kehot remetem a expressão “Abá está ligado ao Chessed” ao Zohar sobre Bamidbar (118b), citado no início do Portão de Abá e Imá de Etz Chaim. Também citam Biurei HaZohar do Tsemach Tsedek sobre o Ramaz: o palato, Chochmá e Biná, encontra-se na garganta; e, de seu espaço intermediário, provém a fala — a Torá, o Daat de Atik.
Marei mekomot
- 1וירא אלקים את כל אשר עשה · Genesis 1:31
- 2ושמרתם את שבת · Exodus 31:14
- 3דאו״א מלבישים לזרועות דא״א · שער הנסירה בע״ח פ״ו. [כ].
- 4אבא בחסד אחיד ותלי · Zohar, Bamidbar 3:27–38
- 5אבא בחסד . . ואמא בגבורה · הובא בע״ח ריש ש׳ או״א ב׳ הזהר והוא בריש פ׳ במדבר (קיח, ב) ובזה״ל מסטר׳ דאבא אחיד ותלייא חסד עלאה מסטרא דאימא תלייא גבורה, יעו״ש. [כ].
- 6אני בינה לי גבורה · Proverbs 8:14
- 7תשורי מראש אמנה · Song of Songs 4:8
- 8ומ״ש בביאורי הזהר שם · לאדה״א לו, ד. וראה ביאוה״ז להצ״צ כרך א ע׳ קפח. כרך ב ע׳ תשסז.
- 9ועיין בפי׳ הרמ״ז ר״פ קרח . . פתגמי דאורייתא · ”בענין חו״ב דאריך ושם שחיך חכמה ובינה בגרון ומבין שניהם יוצא הדבור שהוא התורה דעת עתיק” — ביאוה״ז להצ״צ כרך ב ע׳ תשסז.
- 10בד״ה ביום השמע״צ · לקמן פד, א.
- 11יפה שעה אחת בתשובה · Pirkei Avot 4:17
- 12שוש אשיש · Isaiah 61:10
- 13
19קיצור. ולכן נדחה תקיעת שופר משום גזרה דרבה בשבת כי בשבתץ נמשך מצד עצמו גילוי תענוג עליון.
Resumo: Portanto, o toque do shofar é deixado de lado em Shabat por causa do decreto de Rabá, pois em Shabat uma revelação do deleite supremo é atraída por si mesma.
Resumo da seção 4: em Shabat, o deleite supremo se revela por si mesmo; por isso, o shofar pode ser deixado de lado devido ao decreto de Rabá.
ומ״מ מן התורה מצוה לתקוע גם בשבת לפי שהמשכת התענוג שע״י השופר בר״ה [בראש השנה] הוא מבחי׳ מובדלת מבחי׳ התענוג המאיר השבת:
Apesar disso, segundo a lei da Torá, há uma mitsvá de tocar o shofar também em Shabat, pois a atração do deleite por meio do shofar em Rosh Hashaná provém de um nível distinto do nível do deleite que ilumina o Shabat.
Ainda assim, segundo a lei da Torá, a mitsvá se aplica também em Shabat, pois o deleite que o shofar atrai em Rosh Hashaná provém de um nível distinto e superior ao deleite que brilha em Shabat.
O resumo apresenta os dois aspectos da resposta: o Shabat torna o shofar suficientemente desnecessário para que ceda ao decreto; ainda assim, o deleite superior que o shofar atrai faz com que ele continue sendo uma obrigação da Torá também em Shabat.
O Segundo Templo, o lulav e o tribunal ¶20–22
20ה אך אעפ״כ [אף על פי כן] ראו חכמים משום גזרה דרבה לדחות מ״ע [מצות עשה] זו בשבת והענין כי גזרה זו היתה בזמן בית שני1 כנודע בגמרא שרוב הגזירות והחומרות והסייגים2 היו בזמן בית שני דוקא
5. No entanto, os Sábios consideraram [adequado], por causa do decreto de Rabbah, deixar de lado este mandamento positivo no Shabat. A explicação é que esse decreto foi [promulgado] na época do Segundo Templo, como se sabe pelo Talmud, segundo o qual a maioria dos decretos, rigorosidades e salvaguardas foi estabelecida especificamente na época do Segundo Templo.
A seção 5 volta-se para o próprio decreto: por que os Sábios deixaram de lado um mandamento da Torá por causa do decreto de Rabbah? A resposta começa pela história: esse decreto, assim como a maioria dos decretos, rigorosidades e salvaguardas rabínicos, remonta à época do Segundo Templo.
והיינו מחמת שבבית שני לא היתה גאולה שלימה כי היו מלכי עובדי כוכבים מושלים עליהם כנודע
Isso se deve ao fato de que, no Segundo Templo, não houve uma redenção completa, pois reis que adoravam as estrelas governavam sobre eles, como se sabe.
Na época do Segundo Templo, a redenção foi incompleta: o povo judeu vivia sob o domínio de reis estrangeiros que adoravam ídolos.
וגם ארז״ל [אמרו רבותינו זכרונם לברכה] ע״פ וארצה בו ואכבד״ה3 חסר ה׳ (בחגי סימן א׳) שה׳ דברים חסרו בבית שני4 בראשון ארון וכפורת ונביאים כו׳.
E nossos Sábios, de abençoada memória, também disseram, a respeito do versículo “e nela me agradarei e serei honrado (ve’ikavdah)”, [escrito] sem o hei (em Chagai, capítulo 1), que faltavam no Segundo Templo cinco coisas que havia no Primeiro: a Arca e a cobertura, e os profetas, etc.
O Talmud observa que, no versículo de Chagai “e serei honrado” (ve’ikavdah), falta o hei final no texto escrito, aludindo a cinco coisas que havia no Primeiro Templo e faltavam no Segundo, entre elas a Arca com sua cobertura e o espírito sagrado da profecia.
A razão de tudo isso é que o Primeiro Templo provinha do nível do hei superior, Biná [como está escrito no Zohar, Shemot (fólio 9b);
A razão mais profunda: o Primeiro Templo correspondia ao “hei superior” do Nome Divino, que é Biná, conforme ensina o Zohar sobre Shemot.
וע״ש במק״מ [במקדש מלך] שפי׳ שגם המל׳ היתה אז במדרגת הבינה שהיא7 ה׳ עילאה ועמ״ש מזה סד״ה ששת ימים8 תאכל מצות9 ועיין עוד מזה במק״מ [במקדש מלך] פ׳ תרומה
e veja ali no Mikdash Melech, que explica que também Malchut estava então no nível de Biná, que é o hei superior; e veja o que está escrito sobre isso no final do discurso que começa com “Seis dias comerás matsot”; e veja também sobre isso no Mikdash Melech, Parshat Terumá,
O Mikdash Melech, um comentário sobre o Zohar, explica que, na época do Primeiro Templo, até Malchut estava no nível de Biná. O Alter Rebe também remete ao seu discurso “Seis dias comerás matsot” e ao Mikdash Melech sobre Parshat Terumá.
דקמ״ג ע״א ע״פ שה״ש [שיר השירים]] עלמא דחירות [ע׳ [עיין] זהר תצוה דקפ״ג סע״א [סוף עמוד א] ופ׳ אמור דצ״ב ע״ב ור״פ קרח וס״פ לך לך דצ״ה ע״ב] חירות משעבוד עו״ג [עובדי גלולים]
fólio 143a, sobre o Cântico dos Cânticos], o “mundo da liberdade” [veja o Zohar, Tetsavê, final do fólio 183a; e Parshat Emor, fólio 92b; e o início de Parshat Korach; e o final de Parshat Lech Lechá, fólio 95b]: liberdade da sujeição aos idólatras.
O Zohar chama Biná de “mundo da liberdade”; no Primeiro Templo, isso significava liberdade da sujeição às nações idólatras.
והיא בחי׳ עלמא דאתכסיא וע״כ היה בו הארון וכפורת שהם ג״כ מבחינה זו כמ״ש בע״ח [בעץ חיים] שער הארת המוחין זו״נ [זעיר אנפין ונוקבא] פ״ח [פרק ח׳]
E este é o nível do “mundo oculto” (alma de’iskasya); por isso, havia nele a Arca e a cobertura, que também pertencem a esse nível, como está escrito em Etz Chaim, Shaar He’arat HaMochin de Zeir Anpin e Nukvá, capítulo 8.
Biná também é o “mundo oculto” (alma de’iskasya). Por isso, o Primeiro Templo abrigava a Arca e sua cobertura, que Etz Chaim atribui a esse nível.
וכן הנביאים הם נו״ה [נצח והוד] דאימא דוקא וכמ״ש בשער היחודים פ״א בשם התיקונים ומבינה נביאים ואינון10 נו״ה [נצח והוד] כו׳
E igualmente os profetas são especificamente Nétsach e Hod de Imá, como está escrito em Shaar HaYichudim, capítulo 1, em nome dos Tikunim: “e de Biná, os profetas, e eles são Nétsach e Hod”, etc.
A profecia também provém de Biná: os profetas recebem de Nétsach e Hod de Imá, que é Biná, como diz o Tikkunei Zohar: “de Biná, os profetas, e eles são Nétsach e Hod.”
אבל בית שני חסר בחי׳ ה׳ עילאה ולא היה בו גילוי הה׳ דברים שהם מבחי׳ ה׳ עילאה מפני שהי׳ [שהיה] מבחי׳ ה׳ תתאה
Mas o Segundo Templo carecia do nível do hei superior, e nele não se revelavam as cinco coisas que pertencem ao nível do hei superior, pois ele estava no nível do hei inferior.
O Segundo Templo carecia do hei superior e estava no nível do hei inferior, Malchut. Por isso, as cinco coisas enraizadas em Biná não se revelavam nele.
ולכן לא היה בו חירות כו׳ ולכן גזרו בו חכמים כמה גזרות וסייגים שלא תהיה יניקת החיצונים משא״כ בבית ראשון בבחי׳ עלמא דאתכסייא
Por isso, não havia nele liberdade etc.; e, por isso, os Sábios decretaram nele muitos decretos e salvaguardas, para que as forças externas não extraíssem sustento. Isso não ocorria no Primeiro Templo, que estava no nível do mundo oculto:
Sem o “mundo da liberdade”, a época do Segundo Templo ficava espiritualmente exposta; por isso, os Sábios estabeleceram muitos decretos e salvaguardas para impedir que as forças externas extraíssem sustento da santidade. No Primeiro Templo, enraizado no mundo oculto, isso não era necessário.
אין שם שליטה וממשלה לס״א [לסטרא אחרא] כלל ומפני זה גזרו גם גזרה זו בבית שני לדחות מ״ע [מצות עשה] של תורה שלפי שחסר בו בחי׳ ה׳ עילאה דבינה
ali, a sitra achra não tem controle nem domínio algum. E por essa razão também decretaram esse decreto no Segundo Templo, deixando de lado um mandamento positivo da Torá: porque lhe faltava o nível do hei superior de Biná,
No mundo oculto, a sitra achra, as forças opostas à santidade, não tem domínio algum. Na época do Segundo Templo, porém, os Sábios também estabeleceram esse decreto, deixando de lado um mandamento da Torá, porque faltava o hei superior, Biná.
אזי אין מקום מוכן לגילוי והתלבשות עונג עליון דחו״ב [דחכמה ובינה] דא״א שלמעלה מז״ת [מז׳ תחתונות] הנמשך ע״י השופר שאינו שורה ומתלבש
não havia então um lugar preparado para a revelação e o revestimento do deleite supremo de Chochmá e Biná de Arich Anpin, que está acima das sete inferiores [Sefirot] e é atraído por meio do shofar, que repousa e se reveste
Sem Biná, não havia um lugar preparado para o deleite supremo de Chochmá e Biná de Arich Anpin, que está acima das sete Sefirot inferiores e que o shofar atrai para baixo.
אלא בבינה11 דאצי׳ כנ״ל שהוא בחי׳ הכלי לגילוי תענוג זה וכמש״ל [וכמה שכתוב לעיל] באריכות ולכן בשבת שבלא״ה [שבלאו הכי] נמשך בחי׳ הארת התענוג מז״ת [מז׳ תחתונות] פטור משופר
somente na Biná de Atsilut, como mencionado acima, que é o recipiente para a revelação desse deleite, conforme explicado acima em detalhe. Portanto, no Shabat, quando de todo modo se atrai a irradiação do deleite das sete inferiores [Sefirot], fica-se isento do shofar,
Esse deleite pode repousar somente em Biná de Atsilut, seu recipiente. Assim, no Shabat, que de todo modo atrai deleite das sete Sefirot inferiores, o shofar podia ser dispensado.
כי תענוג העליון מזה דהיינו מחו״ב [מחכמה ובינה] דא״א הנמשך ע״י השופר לא הי׳ [היה] נמשך כ״כ [כל כך] בזמן בית שני.
pois o deleite supremo, isto é, aquele de Chochmá e Biná de Arich Anpin, atraído por meio do shofar, não era atraído em tão grande medida na época do Segundo Templo.
O deleite supremo, de Chochmá e Biná de Arich Anpin, de todo modo não era atraído em grande medida na época do Segundo Templo; por isso, o decreto podia dispensar o shofar no Shabat.
אכן זהו במדינה אבל במקדש עצמו היו תוקעין דכתיב וזה שער השמים12 ופסוק זה נאמר על בהמ״ק [בית המקדש] בפרט שנק׳ שער השמים פי׳ כמו השער
Contudo, isso se aplica às províncias; mas no próprio Templo tocavam [o shofar], pois está escrito: “e esta é a porta dos céus”. Esse versículo foi dito especificamente a respeito do Templo Sagrado, que é chamado “a porta dos céus”; isto é, como uma porta,
No próprio Templo, porém, tocava-se o shofar mesmo no Shabat, pois o Templo é “a porta dos céus”, as palavras que Yaakov disse sobre o lugar onde ele seria erguido.
שהוא מקום פתוח לכניסה ויציאה ובו עצמו היה יכול להיות גילוי בחי׳ בינה דאצילות וברבות בשה״ש [בשיר השירים] ס״פ כמגדל דוד פי׳ מכון לשבתך13 מכוון נגד שבתך זה בהמ״ק [בית המקדש] שלמעלה14
que é um lugar aberto para entrar e sair; e nele próprio podia haver a revelação do nível de Biná de Atsilut. E no Midrash Rabbah sobre Shir Hashirim, no final da passagem “como a Torre de David”, explica-se “o lugar (machon) de Tua morada” como “alinhado (mechuvan) diante de Tua morada”: o Templo acima.
Uma porta é uma abertura para entrar e sair; por isso, no próprio Templo podia revelar-se Biná de Atsilut. O Midrash interpreta “o lugar (machon) de Tua morada” como “alinhado (mechuvan) diante de Tua morada”: o Templo acima.
ולכן היו תוקעין בו גם בשבת אבל להמשיך גילוי בחי׳ בינה בכל הגבולין מבהמ״ק [מבית המקדש] זה לא היה יכולת כ״כ [כל כך] בבית שני
Portanto, tocavam o shofar nele também no Shabat. Mas não havia tanta possibilidade de fazer a revelação do nível de Biná se estender deste Templo Sagrado a todas as regiões circunvizinhas, como havia no Segundo Templo.
Assim, o shofar era tocado no Templo mesmo no Shabat. Mas, na época do Segundo Templo, não era possível fazer Biná se estender do Templo ao restante da terra.
כמו בבית ראשון15 שעיקר יסודתו ושרשו היה בבחינת בינה דהיינו להמשיך בחי׳ בינה בכל הגבולין
como no Primeiro Templo, cuja principal fundação e raiz estava no nível de Biná, isto é, fazer o nível de Biná se estender a todas as regiões circunvizinhas.
No Primeiro Templo, isso era possível, pois sua fundação e raiz estavam em Biná, e seu propósito era fazer Biná se estender por toda a terra.
אבל בית שני לא היה יכולת להמשיך בינה אלא לגבי עצמו שהוא שער השמים ולא בכל הגבול ין.
Mas, no Segundo Templo, não havia possibilidade de fazer Biná se estender senão no que dizia respeito a ele próprio, pois ele é o portão do céu, e não a todas as regiões circunvizinhas.
O Segundo Templo podia revelar Biná somente dentro de si, como “o portão do céu”, e não por toda a terra; por isso, fora do Templo, o shofar era deixado de lado no Shabat.
(ועיין בסש״ב [בספר של בינונים] פנ״ג [פרק נ״ג] ההפרש בין בית ראשון לבית שני שבבית ראשון היה נמשך ומאיר מבחי׳ האור המקננן ומאיר בעולם הבריאה16 שהוא מבחי׳ בינה דאצילות משא״כ בבית שני כו׳
(E veja Sefer Shel Beinonim, capítulo 53, sobre a diferença entre o Primeiro Templo e o Segundo Templo: no Primeiro Templo, era atraída e brilhava [a luz] do nível da luz que nidifica e brilha no Mundo de Beriá, que provém do nível de Biná de Atsilut; o que não ocorria no Segundo Templo, etc.;
Um longo parêntese remete ao Tanya, capítulo 53: no Primeiro Templo, brilhava a luz que “nidifica” no Mundo de Beriá, o mundo oculto, e que provém de Biná de Atsilut; isso não ocorria no Segundo Templo.
ע״ש וכמ״ש במ״א בד״ה ביאור למ״ש בסש״ב [בספר של בינונים] פנ״ב17 נ״ג ועמ״ש סד״ה את שבתותי תשמרו18 גבי ומקדשי תיראו
veja lá. E como está escrito em outro lugar, no discurso que começa “Explicação do que está escrito em Sefer Shel Beinonim, capítulos 52 [e] 53”; e veja o que está escrito no final do discurso que começa “Guardareis Meus Shabatot”, a respeito de “e reverenciareis Meu Santuário”.
O Alter Rebe também remete a um discurso que explica os capítulos 52–53 do Tanya e ao final de seu discurso sobre “Guardareis Meus Shabatot… e reverenciareis Meu Santuário”.
ועוד יובן זה ע״פ מ״ש במ״א ע״פ ועתה יגדל נא19 כח אד׳20 כח היינו המילוי של שם הוי׳ כמ״ש בפע״ח [בפרי עץ חיים] גבי כוונת אישר״מ [אמן יהא שמיה רבא מברך]21 וענין המלוי הוא להיות ההמשכה וההשפעה משם הוי״ה למטה זהו ע״י המלוי.
Isso também será compreendido à luz do que está escrito em outro lugar sobre o versículo “E agora, que o poder de Ado-nai se engrandeça”: “poder” (koach) é o milui (forma expandida) do Nome Havayá, como está escrito em Pri Etz Chaim a respeito da intenção de “Amém, que Seu grande Nome seja bendito”; e o sentido do milui é que a extensão e a influência do Nome Havayá para baixo se dão por meio do milui.
Outra ilustração: no pedido de Moshê, “Que o poder (koach) de Ado-nai se engrandeça”, koach é o milui, a forma expandida do Nome Havayá, como explica Pri Etz Chaim sobre a intenção de “Amém, que Seu grande Nome seja bendito”. O fluxo do Nome alcança os níveis inferiores por meio de seu milui.
והרי פי׳ כח כפשוטו היניו הכח שבהעלם שלמעלה מהגילוי. והוא בחי׳ סוכ״ע. והיינו שכדי להיות בחי׳ התפשטות והמשכה למטה זהו ע״י כח יותר עליון כמו וידבר שלשת אלפים משל2223 דגבי שלמה כמ״ש בד״ה לך לך.
Ora, o sentido simples de “poder” é a força oculta que está acima da revelação, e esse é o nível da luz que circunda todos os mundos (sovev kol almin). Isto é: para que haja extensão e atração para baixo, isso ocorre por meio de um poder mais elevado, como no caso de Shelomô, sobre quem se diz: “e falou três mil parábolas”, conforme está escrito no discurso que começa “Vai-te”.
Em seu sentido simples, koach é uma força oculta, acima da revelação: sovev kol almin, a luz que circunda todos os mundos. Para que algo se estenda muito para baixo, é necessário um poder mais elevado, como no caso de Shelomô, cuja grande sabedoria lhe permitiu “falar três mil parábolas”, conforme explicado no discurso “Vai-te”.
ולכן נקרא המלוי בשם כח. ועד״ז יובן כאן שכדי להיות ההתפשטות וההמשכה דבחי׳ בינה מבהמ״ק [מבית המקדש] בכל הגבולין זהו דוקא ע״י בית ראשון24 ה׳ עילאה כו׳
Por isso, o milui é chamado “poder”. De modo semelhante, compreender-se-á aqui que a extensão e a atração do nível de Biná do Templo Sagrado a todas as regiões circunvizinhas se dão especificamente por meio do Primeiro Templo, o hei superior, etc.;
Por isso, o milui é chamado koach. Da mesma forma, para que Biná se estendesse do Templo por toda a terra, era necessário o Primeiro Templo, cuja raiz estava no hei superior.
משא״כ בבית שני אף שבו עצמו היה יכול להיות גילוי בחי׳ בינה אבל להמשיך ממנו בכל הגבולין בחינה זו זה צ״ל ע״י בחי׳ גבוה יותר שלמעלה מהשתלשלות ועיין בסש״ב [בספר של בינונים] שם גבי ובבית שני כו׳
Ao passo que, no Segundo Templo, embora nele próprio pudesse haver uma revelação do nível de Biná, para estender esse nível a partir dele a todas as regiões periféricas era necessário recorrer a um nível mais elevado, acima da cadeia descendente dos mundos (hishtalshelut). E veja Sefer Shel Beinonim, ali, a respeito de “e no Segundo Templo” etc.,
No Segundo Templo, Biná podia ser revelada dentro do próprio Templo, mas estendê-la a toda a Terra exigia um nível acima da cadeia descendente dos mundos. O Tanya diz que, no Segundo Templo, a Shechiná repousava apenas “segundo a ordem da cadeia descendente dos mundos”.
כדרך ההשתלשלות כו׳ ועוד דוגמא לזה ממ״ש במ״א גבי ענין ברכת הזימון שבשביל ההמשכה להתחלקות לרבים צריך לעשות תחלה בחי׳ בריכה כו׳ כי כדי להשפיע לרבים צריך שיבוא האור בהארה גדולה כו׳ ע״ש.
“segundo a ordem da cadeia descendente dos mundos” etc. E outro exemplo disso se encontra no que está escrito em outro lugar a respeito da bênção do zimun: para que a influência se estenda e se divida entre muitos, é preciso primeiro formar uma “piscina” (berechá) etc., pois, para beneficiar muitos, a luz precisa vir com grande intensidade etc.; veja ali.
Outro exemplo: para a bênção do zimun, o convite à Graça após as Refeições feito por três pessoas ou mais, o fluxo precisa primeiro se reunir como numa “piscina” (berechá), antes de poder se dividir entre muitos. Para alcançar muitos, a luz precisa vir com grande intensidade.
ועד״ז יובן כאן ההפרש בין בית ראשון לבית שני לענין הגבולין כו׳ וד״ל [ודי למבין]) וכל זה הוא בשופר
E, seguindo essa mesma linha, será compreendida aqui a diferença entre o Primeiro Templo e o Segundo Templo quanto às regiões periféricas etc.; basta isso a quem entende.) Tudo isso se aplica ao shofar.
Do mesmo modo, a raiz mais elevada do Primeiro Templo permitia que Biná se estendesse a toda a Terra, enquanto a do Segundo Templo não. O parêntese se encerra e, com ele, a explicação do shofar.
אבל בלולב בזמן בהמ״ק [בית המקדש] היו נוטלין גם בגבולין ביום ראשון של חג שחל בשבת והענין
Mas, no caso do lulav, na época do Templo Sagrado, eles o pegavam também nas regiões periféricas, no primeiro dia da Festa que coincidia com Shabat. A explicação é
O lulav era diferente: na época do Templo, era levado também para fora do Templo mesmo quando o primeiro dia de Sucot coincidia com Shabat. A explicação vem a seguir.
כי לולב אותיות לו לב25 שהוא ענין המשכה מו״ק [מו׳ קצוות] דז״א אל הלב הוא כתר דנוק׳ [דנוקבא] שמתחיל מחזה דז״א
que lulav é composto pelas letras de lo lev (“um coração para ele”), o que corresponde à extensão das seis extremidades (vav ketzavot) de Zeir Anpin até o coração, que é o Kéter de Nukvá e começa a partir do peito de Zeir Anpin.
Lulav se escreve como lo lev, “um coração para ele”: o lulav estende os seis atributos emocionais (vav ketzavot) de Zeir Anpin até o “coração”, o Kéter de Nukvá, que começa no peito de Zeir Anpin.
כמו עד״מ בגשמיות מקור התהוות הדבור הוא מן החזה שממנו יוצא הבל הלב דרך הקנה ונעשה קול ומתחלק אח״כ בביטוי ה׳ מוצאות הפה להיות כ״ב אותיות אחה״ע מן הגרון כו׳
Como, por exemplo, no plano físico, a fonte da qual a fala passa a existir é o peito, de onde o sopro do coração sai pela traqueia e se torna voz; depois, sua articulação se divide pelos cinco pontos de articulação da boca, formando as vinte e duas letras: alef, ches, hei, ayin, que vêm da garganta etc.
No corpo, a fala começa no peito: o sopro do coração sobe pela traqueia e se torna voz, que os cinco órgãos de articulação da boca dividem nas vinte e duas letras, como as guturais alef, ches, hei e ayin, pronunciadas na garganta.
וכך הוא למעלה שבחי׳ דבור העליון הנק׳ בחי׳ נוק׳ [נוקבא] התחלת התהוותו הוא מחזה דז״א שהוא גילוי מדות עליונות דאצילות שבהם מקור הדבור ונקרא בשם כתר דנוק׳ [דנוקבא] וד״ל [ודי למבין].2627
E assim é no Alto: o nível da fala superna, chamado nível de Nukvá, começa a se formar a partir do peito de Zeir Anpin, que é a revelação dos atributos emocionais supernos (midot) de Atsilut, nos quais está a fonte da fala; e é chamado Kéter de Nukvá. Basta isso a quem entende.
Assim também é no Alto: a fala superna, que é Nukvá, começa no peito de Zeir Anpin, onde se revelam os atributos emocionais supernos de Atsilut, a fonte da fala. Esse começo é chamado Kéter de Nukvá.
A seção 5 explica por que os Sábios podiam deixar de lado o shofar no Shabat: o decreto remonta à época do Segundo Templo, que correspondia ao hei inferior e carecia de Biná, o “mundo da liberdade”; por isso, o deleite superior do shofar não podia ser estendido do Templo a toda a terra. No próprio Templo, “a porta do céu”, Biná ainda podia ser revelada, e ali o shofar era tocado. O lulav atrai apenas de Zeir Anpin para o Kéter de Nukvá; por isso, era levado também fora do Templo.
Uma nota da Kehot registra uma conciliação com a lei revelada (Likkutei Sichos, vol. 9, p. 68): ali se explica que o Templo é diferente porque “não há proibição rabínica (shevus) no Templo” (Rashi sobre Rosh Hashanah 29b); como, na época do Segundo Templo, os decretos eram necessários apenas porque Biná não brilhava, o próprio Templo, onde Biná ainda podia ser revelada, não precisava de tais decretos. As notas também citam a opinião do Talmud de Jerusalém de que, segundo a lei da Torá, o shofar não é tocado no Shabat fora do Templo.
Marei mekomot
- 1גזרה זו היתה בזמן בית שני · אבל דעת הירושלמי (ר״ה רפ״ד) משמע דמדאורייתא אין תוקעין בשבת במדינה. — לקו״ש ח״ט ע׳ 68 הערה 59.
- 2שרוב הגזירות והחומרות והסייגים · ראה באוה״ת בראשית כרך ג תקנא, א ואילך. תקעג, א בנוגע למאה ברכות שהתקין דוד. — לקו״ש חל״ד ע׳ 110 הערה 51. ”אף שמצינו גזירות גם לפנ״ז — ראה אנציקלופדי׳ תלמודית ערך גזירה ס״ע תקלב ואילך. וש״נ. — לקו״ש חכ״ז, ע׳ 37 הערה 7.
- 3וארצה בו ואכבד״ה · Haggai 1:8
- 4שה׳ דברים חסרו בבית שני · Yoma 21b:7
- 5בית ראשון היה מבחי׳ ה׳ עילאה בינה · באוה״ת נ״ך כרך א ע׳ שעה מציין ע״ז ”ויובן זה ע״ד שנתבאר ע״פ הזהר ר״פ ויצא דקמ״ח ע״א ע״פ קומה ה׳ לאנוחתיך שמקדש ראשון נק׳ מנוחה, ועמ״ש ע״פ וישב שלמה על כסא ה׳ שבימי שלמה קיימא סיהרא באשלמותא זהו הפי׳ דמקדש ראשון הוא ה׳ עילאה, ומקדש שני הוא ה׳ תתאה” ע״ש.
- 6כמ״ש בזהר שמות (ד״ט ע״ב) · בגין דגלותא קדמאה היה מבית ראשון ובית ראשון הוא רזא דה״א קדמאה (וה״א קדמה הוא בינה)” — אוה״ת שה״ש כרך א ע׳ קל. וראה שם שכ׳ שצ״ע על לקו״ת במדבר יג, ג דשם כ׳ ”בבחי׳ בית ראשון בחי׳ בראשית נמי מאמר הוא בחי׳ חכמה” ע״ש.
- 7שגם המל׳ היתה אז במדרגת הבינה שהיא ה׳ עילאה · בלקו״ש ח״ז ע׳ 173 הערה 33 מציין להמשך תרס״ו ע׳ קא ואילך.
- 8סד״ה ששת ימים · לעיל פ׳ צו טו, א.
- 9ששת ימים תאכל מצות · Deuteronomy 16:8
- 10
- 11שאינו שורה ומתלבש אלא בבינה · Rosh Hashanah 29b:5
- 12וזה שער השמים · Genesis 28:17
- 13מכון לשבתך · Exodus 15:17
- 14מכון לשבתך מכוון נגד שבתך זה בהמ״ק שלמעלה · Shir HaShirim Rabbah 4:4:8
- 15כמו בבית ראשון · ראה אוה״ת כי תשא ע׳ ב׳כב. לקו״ש חי״א ע׳ 137.
- 16האור המקננן ומאיר בעולם הבריאה · Tanya, Likkutei Amarim 53:2
- 17וכמ״ש במ״א בד״ה ביאור למ״ש בסש״ב פנ״ב · בסידור עם דא״ח אחר עלינו.
- 18את שבתותי תשמרו · Leviticus 26:2
- 19מ״ש במ״א ע״פ ועתה יגדל נא · תקס״ד עם הגהות באוה״ת שלח ע׳ תקב ואילך.
- 20ועתה יגדל נא כח אד׳ · Numbers 14:17
- 21בפע״ח גבי כוונת אישר״מ · ש׳ הקדישים פ״ד, ובמהד״ב שלפניו.
- 22וידבר שלשת אלפים משל · מ״א ה, יב.
- 23וידבר שלשת אלפים משל · I Kings 5:12
- 24בית ראשון ה׳ עילאה · מובא באוה״ת ר״ה ע׳ א׳תח ע״ש.
- 25לולב . . לו לב · Zohar I, 267b
- 26כי היו מלכי עו״כ מושלים עליהם · ”וגם ברוחניות לא היתה אז חירות אמיתית שלכן הוצרכו אז ל”כמה גזירות וסייגים (בכדי) שלא תהי׳ יניקת החיצונים” — לקו״ש ח״ט ע׳ 28 הערה 22. וראה שם בארוכה בענין התקנות שנתתקנו בבית שני מכיון שהיו לאחרי החורבן, ומצד עבודת המטה יש בהם מעלה לגבי כמו שהיו בבית ראשון ע״ש.
- 27
21והנה בחי׳ המשכה זו היא למטה הרבה במדרגה מהמשכה שע״י השופר הנ״ל כי גם השבת עצמו הוא יותר נעלה במדרגה מהמשכה זו
Ora, esta descida é muito inferior em nível à descida realizada por meio do shofar mencionado acima; pois até mesmo o próprio Shabat é superior, em nível, a esta descida,
A descida realizada pelo lulav é muito inferior à realizada pelo shofar; é inferior até mesmo à do próprio Shabat.
כי שבת הוא גילוי מוחין דאבא כמ״ש כי קדש היא לכם1 והלולב הוא המשכה מז״א לנוק׳ [לנוקבא]
pois o Shabat é a revelação dos mochin de Abá, como está escrito: “pois ela é santa para vocês”; e o lulav é uma descida de Zeir Anpin para Nukvá.
O Shabat revela os mochin de Abá, Chochmá (“pois ela é santa para vocês”), enquanto o lulav realiza uma descida apenas de Zeir Anpin, os atributos emocionais, para Nukvá.
אלא שאעפ״כ [שאף על פי כן] צריכים להמשכה זו גם בשבת להיות שגילוי והמשכה זו שע״י הלולב היא מבחי׳ פנימית שהוא המשכת הדעת
Não obstante, esta descida também é necessária no Shabat, uma vez que esta revelação e descida realizada por meio do lulav provém do nível interior, que é a descida de Daat,
Ainda assim, o lulav também é necessário no Shabat, pois aquilo que ele faz descer provém da dimensão interior: ele faz descer Daat, o núcleo interior das emoções.
(ועיין בפע״ח [בפרי עץ חיים] שער הלולב פ״ג [פרק ג׳]2 בדרוש הר״ר [הרחמים רבים] יוסף מערבי ועמ״ש מענין הדעת שהוא בחי׳ הפנימית בביאור ע״פ מים רבים בפ׳ תולדות ובד״ה לא הביט און ביעקב3 בפ׳ בלק) כמ״ש במ״א
(E veja Pri Etz Chaim, Shaar HaLulav, cap. 3, no ensinamento de Rabi Yosef Maaravi; e veja o que está escrito a respeito de Daat ser o nível interior, na explicação sobre o versículo “Muitas águas”, em Parashat Toldot, e no maamar que começa “Ele não viu iniquidade em Yaakov”, em Parashat Balak), como é explicado em outro lugar.
O Alter Rebe remete a Pri Etz Chaim, Shaar HaLulav, a um ensinamento de Rabi Yosef Maaravi e às suas próprias explicações sobre Daat como dimensão interior, a respeito de “Muitas águas” (Parashat Toldot) e de “Ele não viu iniquidade em Yaakov” (Parashat Balak).
אך עכ״פ [על כל פנים] מאחר שהמשכה זו היא למטה במדרגה היכולת היה אפי׳ [אפילו] בבית שני להמשיך בחינה זו אפילו גבולין כו׳
Mas, em todo caso, visto que esta descida é inferior em nível, era possível realizar esta descida até mesmo no Segundo Templo, até mesmo [nas] regiões periféricas, etc.
Como a descida do lulav é inferior, ela podia alcançar as regiões periféricas até mesmo na época do Segundo Templo. Por isso, o lulav era levado para fora do Templo no Shabat.
(כי הרי המשכה זו היא מז״א לנוק׳ [לנוקבא] אשר היא בחי׳ ה׳ תתאה משא״כ השופר עיקרו ה׳ עילאה כנ״ל אלא שממנה מקבל הדבור כו׳):
(Pois esta descida é de Zeir Anpin para Nukvá, que corresponde ao nível do hei inferior; ao passo que o shofar corresponde essencialmente ao hei superior, como mencionado acima, e é apenas a fala que recebe dele, etc.):
O lulav atua de Zeir Anpin para Nukvá, o hei inferior, nível que também estava presente no Segundo Templo. O shofar pertence essencialmente ao hei superior, Biná, e somente a partir dele transmite à fala, Malchut.
O lulav faz descer um nível inferior ao do shofar, inferior até mesmo ao do Shabat: de Zeir Anpin para Nukvá, o hei inferior. Seu conteúdo interior, Daat, também é necessário no Shabat; e, por pertencer ao hei inferior, podia ser levado a toda a terra mesmo na época do Segundo Templo. Por isso, o lulav era levado para fora do Templo no Shabat.
Isso completa a resposta à primeira pergunta de Tosafot: a diferença entre o shofar e o lulav não diz respeito apenas ao risco de carregá-los, mas também ao nível que cada um faz descer. A fonte do shofar no hei superior podia alcançar toda a terra somente por meio do Primeiro Templo; a fonte do lulav, no hei inferior, também estava disponível no Segundo Templo.
Marei mekomot
- 1כי קדש היא לכם · Exodus 31:14
- 2בפע״ח שער הלולב פ״ג · נתבאר בביאוה״ז להצ״צ כרך א ע׳ רעו.
- 3לא הביט און ביעקב · Numbers 23:21
22קיצור. ומ״מ בבית שני ה׳ תתאה לא היה אפשר להמשיך בגבולין מבחי׳ תענוג ההוא שע״י השופר מה שלמעלה מבחי׳ שבת כי המשכה זו בה׳ עילאה דוקא בית ראשון משא״כ בלולב.
Resumo: No entanto, no Segundo Templo, não era possível estender às regiões periféricas o nível da hei inferior, proveniente daquele deleite que vem por meio do shofar e está acima do nível de Shabat, pois essa extensão ocorre especificamente na hei superior, no Primeiro Templo — o que não se aplica ao lulav.
Resumo da seção 5: na época do Segundo Templo, não era possível estender por toda a Terra o nível da hei inferior, o deleite do shofar, que é superior ao de Shabat, pois isso requer a hei superior do Primeiro Templo; o nível do lulav, porém, podia ser estendido.
ובענין מה שהקשו עוד1 התוספות הא דגבי שופר התקין ריב״ז [רבן יוחנן בן זכאי] שיהיו תוקעין בכל מקום שיש בו ב״ד [בית דין]2 ובלולב לא אשתרי3 כלל יש לומר
Quanto ao que Tosafot perguntou ainda: a respeito do shofar, Rabban Yochanan ben Zakkai instituiu que ele fosse tocado em todo lugar onde houvesse um tribunal, ao passo que o lulav não foi permitido de modo algum; pode-se dizer
Tosafot também perguntou: após a destruição, Rabban Yochanan ben Zakkai instituiu que o shofar fosse tocado em Shabat onde quer que houvesse um tribunal, mas o lulav nunca foi permitido. O Alter Rebbe responde agora.
כי הענין של שרש בחי׳ הב״ד [הבית דין] הסמוכים עם ההמשכה שע״י השופר יש להם שייכות גדול זה לזה
que a questão da raiz dos tribunais de juízes ordenados e a extensão realizada por meio do shofar têm uma grande relação entre si.
A resposta: a extensão realizada pelo shofar e a raiz dos tribunais de juízes ordenados estão estreitamente relacionadas.
כי שרש ההמשכה שע״י [שעתיק יומין] השופר למתק הדינים הוא מגבורה דעתיק שבמו״ס [שבמוחא סתימאה] וזהו עצמו שרש ומקור של הב״ד [הבית דין] סמוכין כמ״ש הרמ״ז [הרב משה זכות] ר״פ תשא גבי דמתקדשת ע״פ ב״ד [בית דין] ע״ש
Pois a raiz da extensão realizada por meio do shofar, para adoçar os julgamentos, vem da Guevurá de Atik, que está na Mochá Stimaá (o cérebro oculto); e esta é também a própria raiz e fonte do tribunal de juízes ordenados, como escreve o Ramaz no início da Parashat [Ki] Tissá a respeito de [o mês] ser santificado pelo tribunal; veja ali.
A extensão realizada pelo shofar, que adoça os julgamentos, vem da Guevurá (severidade) de Atik, na Mochá Stimaá, “o cérebro oculto”, e essa também é a raiz do tribunal de juízes ordenados, como explica o Ramaz a respeito da santificação do novo mês pelo tribunal. Por isso, o shofar podia ser tocado onde quer que se reunisse um tribunal desse tipo.
אבל הלולב אין לו שייכות כ״כ [כל כך] לבחי׳ הב״ד [הבית דין] כי הוא המשכת החסדים וכנודע דבחינת ר״ה [ראש השנה] הוא ענין שמאלו תחת לראשי4 והוא יום הדין. אבל סוכות הוא בחינת וימינו תחבקני:
Mas o lulav não tem tanta relação com o tribunal, pois representa a extensão das chassadim (bondades); e, como se sabe, Rosh Hashaná corresponde a “Sua mão esquerda sob a minha cabeça”, sendo o Dia do Julgamento, ao passo que Sucot corresponde ao nível de “e Sua mão direita me abraça”.
O lulav estende as chassadim, as bondades, e tem pouca relação com o tribunal. Como se sabe, Rosh Hashaná, o Dia do Julgamento, corresponde a “Sua mão esquerda sob a minha cabeça”, enquanto Sucot corresponde a “Sua mão direita me abraça”.
O resumo reafirma por que, no Segundo Templo, era possível estender por toda a Terra o nível do lulav, mas não o do shofar. Em seguida, o Alter Rebbe responde à segunda pergunta de Tosafot: a instituição de Rabban Yochanan ben Zakkai vinculou o shofar ao tribunal porque ambos têm sua raiz na Guevurá de Atik, enquanto o lulav, que estende a bondade, não tem essa relação com o tribunal.
O versículo final apresenta as duas festas como um abraço: em Rosh Hashaná, a mão esquerda, o julgamento, sustenta a cabeça; em Sucot, a mão direita, a bondade, abraça. O shofar, que adoça o julgamento desde sua raiz na Guevurá de Atik, corresponde à primeira; o lulav, que estende as chassadim, à segunda.
Marei mekomot
- 1מה שהקשו עוד התו׳ · ר״ה רפ״ד.
- 2התקין ריב״ז שיהיו תוקעין בכל מקום שיש בו ב״ד · Mishnah Rosh Hashanah 4:1
- 3לא אשתרי · Tosafot on Rosh Hashanah 29b:5:1
- 4שמאלו תחת לראשי · Song of Songs 2:6
Terminou o maamar?
Marque-o como estudado; ele conta para a semana e para o siyum do ano.
Na avodá
Em Rosh HaShaná, coroa-se D'us aceitando voluntariamente Sua Realeza e deixando de lado a própria vontade; esse despertar de baixo suscita Sua vontade e Seu deleite em ser Rei. O shofar deve ser tocado com um som simples e o desejo do coração, um clamor que vem do ponto interior do coração, acima das palavras e do raciocínio; e esse retorno, como o de um filho que volta para casa de longe, proporciona a D'us um deleite mais íntimo até mesmo que o deleite do Shabat.
Perguntas para conversar
- Por que a verdadeira realeza exige súditos genuinamente separados, em vez de níveis contidos em sua fonte, como na unidade superior?
- Como a analogia do artesão que descansa após concluir seu trabalho explica por que o shofar não é necessário no Shabat?
- O que distingue o deleite do Shabat do deleite atraído pelo shofar, e como a parábola do filho do rei que retorna de longe ilustra essa diferença?
- Por que o Segundo Templo podia revelar Biná somente dentro de seus próprios muros, e como isso explica as diferentes decisões a respeito do shofar e do lulav?
- Por que um clamor sem palavras pode alcançar mais alto que as palavras, e o que isso sugere sobre a maneira de ouvir o shofar?