Likkutei Torah · Parshas Nasso · Maamar 7
זאת חנוכת המזבח ביום המשח אתו מאת נשיאי…
“Esta é a dedicação do altar no dia em que foi ungido”
A ideia central
As oferendas e a prece elevam a alma animal: por meio da contemplação, seu próprio desejo, enraizado nos anjos da Carruagem, é despertado numa ardente paixão que supera o amor natural da alma divina. Todo novo começo assim requer primeiro uma “glória” abrangente, como o incenso e os preciosos recipientes dos príncipes, oferecidos no dia da unção, antes da “alimentação” regular do altar.
O maamar em resumo
A Torá diz que a dedicação dos príncipes ocorreu tanto “no dia” em que o altar foi ungido quanto “depois” dele. Para explicar isso, o maamar pergunta o que são as oferendas: o “pão” do altar, consumido pelo fogo do alto, sob a forma de um leão, que respondeu ao fogo trazido de baixo. A prece, que ocupa o lugar das oferendas, eleva a alma animal: os Pesukei deZimra e as bênçãos do Shemá, ao contemplar a grandeza de D'us e Seu amor por Israel, transformam seu próprio desejo ardente em amor a D'us no Shemá. Por isso a inclinação ao mal é “muito boa”: subjugada e transformada, ela produz a maior glória, como a luz que surge da escuridão. A alma animal pode fazer isso porque está enraizada no “homem” que se encontra nos Ofanim e Chayot, que se agitam diante do “santo” dos Serafim, uma revelação que ultrapassa sua compreensão; o tumulto deles suscita uma resposta do “homem” no Trono. A alimentação do altar é um nível interior; o incenso é abrangente. Um começo requer algo adicional e abrangente, como “Tributai glória a Havayá” precede as sete vozes. Assim, o incenso e os recipientes dos príncipes foram oferecidos no dia da unção, e suas oferendas animais, depois dele.
Esquema
- A pergunta: “no dia” ou “depois”?Um versículo situa a dedicação dos príncipes no dia da unção, outro, depois dela. Para responder, o maamar se volta às oferendas como o “pão” e a “alimentação” do altar, consumidos por um fogo celestial sob a forma de um leão.¶1–2
- A prece no lugar das oferendasA prece eleva a alma animal: um clamor do coração, um amor que deseja abandonar toda veste não dedicada a D'us e a sequência dos Pesukei deZimra e das bênçãos do Shemá, que mostram que D'us permanece sozinho e que Seu Nome repousa sobre Israel, até que seu desejo se torne amor a D'us no Shemá.¶3–7
- Por que o mal transformado é “muito bom”O anjo da morte, a inclinação ao mal, é “muito bom” quando subjugado, pois então a glória de D'us se eleva ao mais alto grau, como a luz que surge da escuridão. O amor ardente do penitente é ouro em comparação com a prata do amor natural, aceso pela fornalha dos louvores da prece.¶8–10
- A raiz da alma animal e o tumulto dos OfanimA alma animal humana provém do “homem” que se encontra nos Chayot e Ofanim. Ao ouvirem o “santo” triplo dos Serafim, uma revelação que ultrapassa sua compreensão, eles se agitam, enquanto os Serafim, em sua fonte, permanecem imóveis; esse tumulto abaixo atrai uma resposta do “homem” no Trono.¶11–12
- Dois fogos e dois tipos de oferendaO fogo de baixo atrai o fogo do alto, no Templo, na prece e na oferenda das almas feita por Michael. A “alimentação” do altar é um nível interior, enquanto o incenso — uma fragrância de que a alma desfruta, mas não o corpo — é abrangente; os altares interior e exterior correspondem ao coração interior e ao exterior.¶13–14
- Chinuch: o presente adicional de um começoO incenso dos príncipes no altar exterior foi uma iniciação única, chanucá como chinuch, semelhante ao presente dado a uma criança que começa a aprender. Do mesmo modo, “Tributai glória a Havayá” precede as sete vozes, e a honra precede a união do noivo e da noiva; os preciosos recipientes dos príncipes eram essa glória.¶15–17
- O óleo da unção e a respostaO óleo da unção, uma bebida misturada com fragrância, une o interior e o abrangente; por isso, as oferendas abrangentes pertencem ao dia da unção, e as oferendas de alimentação vêm depois dele. Isso também explica o Midrash segundo o qual se atribui a cada príncipe uma oferenda no primeiro dia e no último.¶18–19
Conceitos-chave
- a alma animalנפש הבהמית
- A alma que anima o corpo e seus impulsos. No ser humano, é uma alma inteligente, enraizada no “homem” que se encontra nos Chayot da Carruagem e, por isso, pode ser despertada para um amor a D'us mais intenso que o amor natural da alma divina.
- a alimentação do altarאכילת מזבח
- O consumo das oferendas sobre o altar pelo fogo do alto, o “leão que consome as oferendas”. É um nível interior, como o alimento ingerido, e, na prece, corresponde à elevação da alma animal.
- abrangente (makif)מקיף
- Uma luz grande demais para ser absorvida interiormente, que atua a partir do alto. O incenso, cuja fragrância é apreciada pela alma e não pelo corpo, é a oferenda abrangente; todo novo começo precisa primeiro de uma luz adicional como essa.
- tumultoרעש
- A agitação dos Ofanim e Chayot quando percebem uma revelação que ultrapassa sua compreensão. Sua contrapartida na alma é o amor ardente da alma animal, “com maior intensidade”.
- kadosh e kodeshקדוש / קדש
- Kodesh é a santidade essencial de D'us, além de toda relação com os mundos; kadosh, com um vav, é aquilo que é atraído para baixo a partir dela. As três ocorrências de “santo” são três etapas de descida, até que os mundos possam vir a existir.
- chinuch (iniciação)חינוך
- A dedicação (chanucá) do altar entendida como iniciação: o presente adicional que dá início a algo novo, após o qual basta a ordem regular.
- glóriaכבוד
- Uma iluminação adicional e abrangente, atraída para baixo antes de uma nova descida ou união, como em “Tributai glória a Havayá”, antes das sete vozes, e nos recipientes dos príncipes, feitos “para glória e esplendor”.
- subjugar a sitra achraאתכפיא סטרא אחרא
- Vencer e transformar a inclinação ao mal, por meio do que “a glória do Santo, bendito seja Ele, se exalta acima”; por isso ela é chamada “muito boa”.
A pergunta: “no dia” ou “depois”? ¶1–2
“Esta é a dedicação do altar no dia em que foi ungido, por parte dos príncipes de Israel”, etc.; e está escrito: “Esta é a dedicação do altar depois que foi ungido”.
O maamar começa com dois versículos do resumo da Torá sobre as oferendas dos príncipes na dedicação do altar do Santuário no deserto (Números 7:84 e 7:88). O primeiro diz que a dedicação foi “no dia em que foi ungido”; o segundo, alguns versículos adiante, diz que foi “depois que foi ungido”.
ויש להבין מ״ש בתחלה ביום המשח אותו דמשמע שהחנוכה של הנשיאים ומשיחת המזבח נעשה בפעם א׳ ושהם ענין א׳ דהא בהא תליא שהחנוכה עם המשיחה הם מישך שייך אהדדי.
Ora, é preciso compreender o que se diz primeiro: “no dia em que foi ungido”, o que implica que a dedicação dos príncipes e a unção do altar ocorreram ao mesmo tempo e constituem um único assunto, dependendo uma da outra, de modo que a dedicação e a unção estão estreitamente ligadas.
A primeira formulação sugere que a dedicação dos príncipes e a unção do altar ocorreram ao mesmo tempo e constituem um único assunto, estando cada uma ligada à outra. Isso introduz a questão que o maamar responderá.
O maamar começa com uma aparente contradição no relato da Torá sobre a dedicação do altar: “no dia em que foi ungido”, em contraste com “depois que foi ungido”.
A resposta vem no final do maamar (parágrafos 18–19): as oferendas abrangentes — o incenso e os recipientes dos príncipes — estão ligadas à própria unção e, por isso, são “no dia em que foi ungido”; já as oferendas que constituem o “alimento” do altar vieram “depois que foi ungido”.
Marei mekomot
- 1זאת חנוכת המזבח · הג״ה באוה״ת במדבר ע׳ רפט. ובכרך ד א׳תסב. (הגהות וקיצורים ביאור — שם ע׳ א׳תסו). לד״ה זה ראה ד״ה זאת חנוכת המזבח תר״מ. בגוכי״ק אדהצ״צ בהגה״ה על לקו״ת ברכה צז, א (בוך 1135 טז, א) נזכר: ”לכה דודי — זאת חנוכת מלאזני”. ואולי קאי על מאמר זה (וראה להלן בהוספות ברשימת הכתבי-יד).
- 2
- 3זאת חנוכת המזבח אחרי המשח אותו · Numbers 7:88
- 4זאת חנוכח המזבח ביום . . אחרי · Numbers 7:84
2ואח״כ [ואחר כך] כתיב אחרי המשח אותו דמשמע שהמשיחה היא ענין בפ״ע [בפני עצמו] והיתה צריכה להיות קודם החנוכה שהחנוכה של קרבנות הנשיאים לא היו רשאים להביא אלא אחר משיחת המזבח.
E depois está escrito: “depois de ter sido ungido”, o que implica que a unção é um assunto à parte e precisava ocorrer antes da inauguração, pois não lhes era permitido trazer as oferendas de inauguração dos príncipes senão depois da unção do altar.
O segundo versículo, “depois de ter sido ungido”, implica que a unção era um ato separado, que precisava vir primeiro. Os príncipes não tinham permissão para trazer suas oferendas de inauguração antes que o altar fosse ungido.
אבל אין ענין החנוכה של הנשיאים עם קרבנותיהם שייך כלל לענין משיחת המזבח שזה ענין בפ״ע [בפני עצמו] וזה ענין בפ״ע [בפני עצמו].
Mas o assunto da inauguração dos príncipes com suas oferendas não está de modo algum ligado ao assunto da unção do altar: este é um assunto à parte, e aquele é um assunto à parte.
Segundo essa leitura, a inauguração dos príncipes nada tem a ver com a unção: cada uma é um assunto em si. O maamar precisa mostrar como ambos os versículos são verdadeiros.
אך להבין זה צריך להבין תחלה ענין הקרבנות בכללם מה ענינם כי הנה הקרבנות נק׳ בשם לחם כמ״ש את קרבני לחמי1 לאשי וארז״ל [ואמרו רבותינו זכרונם לברכה] בשתי אכילות הכתוב מדבר2 אכילת אדם ואכילת מזבח.
Mas, para compreender isso, é preciso primeiro compreender o assunto das oferendas em geral: o que elas são. Pois as oferendas são chamadas de “pão”, como está escrito: “Minha oferenda, Meu pão para Minhas ofertas queimadas”; e nossos Sábios, de abençoada memória, disseram: “A Escritura fala de duas refeições: a refeição do homem e a refeição do altar.”
Antes de responder, o Alter Rebe explica o que são as oferendas. A Torá as chama de “pão” de D'us (Números 28:2), e os Sábios, ao interpretar o versículo “se for de fato comido”, dizem que a Escritura fala de dois tipos de refeição: a do homem e a do altar (Zevachim 13b).
אכילת מזבח היא שהיו מקריבים חלב ודם ע״ג [על גבי] המזבח והיה יורד אש מלמעלה3 כדמות אריה ותאכל את העולה4 ואת חלבי השלמים וזהו אריה דאכיל קרבנין56 הנז׳ [הנזכר] בזהר.7
A refeição do altar consistia em oferecer gordura e sangue sobre o altar, e descia fogo do alto, na forma de um leão, que consumia a oferta queimada e as gorduras das oferendas de paz; este é o “leão que devora as oferendas” mencionado no Zohar.
A “refeição” do altar era a queima da gordura e do sangue: descia fogo do céu na forma de um leão e consumia as oferendas, como quando o fogo desceu pela primeira vez na inauguração do Santuário (Levítico 9:24). O Zohar chama esse fogo celestial de “leão que devora as oferendas”.
O parágrafo aprofunda a questão e passa aos fundamentos: as oferendas como “pão” do altar e sua “refeição”.
O Talmud (Yoma 21b) inclui entre os milagres do fogo do altar o fato de que ele se agachava como um leão; também ensina que, embora descesse fogo do céu, era uma mitzvá trazer também fogo comum. O maamar desenvolve ambos os pontos no parágrafo 13, onde o fogo de baixo atrai o fogo do alto.
Marei mekomot
- 1את קרבני לחמי · Numbers 28:2
- 2בשתי אכילות הכתוב מדבר · Zevachim 13b:3
- 3והי׳ יורד אש מלמעלה · Yoma 21b
- 4ותאכל את העולה · Leviticus 9:24
- 5אריה דאכיל קרבנין · Zohar, Introduction 12:92–104
- 6אריה דאכיל קרבנין · Zohar, Vayikra 40:278–41:285
- 7ארי׳ דאכיל קורבנין הנז׳ בזהר · ח״א ו, ב. ח״ב רעח, ‘א. ח״ג יז, א. לג, א.
A prece no lugar das oferendas ¶3–7
3ויובן זה מענין התפלה שהיא כנגד הקרבנות1 ובהכרח שצ״ל [שצריך להיות / שצריך לומר / שצריך להבין] בתפלה ג״כ מעין בחי׳ הקרבנות ודוגמתם שלכן תיקנוה כנגד הקרבנות
Isso será compreendido a partir do tema da oração, que corresponde às oferendas. É necessário, portanto, que também haja na oração algo semelhante ao nível das oferendas e à sua imagem; por isso ela foi instituída para corresponder às oferendas;
O ponto será esclarecido por meio da oração, que os Sábios instituíram para corresponder às oferendas diárias (Berakhot 26b). Se a oração foi estabelecida em seu lugar, deve conter algo do que havia nas oferendas.
והיינו משום העלאת נפש הבהמית בתפלה שעיקרה בעבודה שבלב להפוך לבו מן הקצה אל הקצה ממה שהיה שקוע וטרוד כל היום במחשבות אדם ותחבולותיו2 ויצרי מעללי איש.
isto é, por causa da elevação da alma animal na oração, cuja essência está no serviço do coração: transformar o coração de um extremo ao outro, afastando-o de ter permanecido imerso e ocupado durante todo o dia com os pensamentos do homem, seus planos e as inclinações de suas ações;
O que a oração compartilha com as oferendas é a elevação da alma animal, a alma que anima o corpo e seus impulsos. A oração é o “serviço do coração”: transformar completamente o coração, afastando-o da absorção ao longo de todo o dia em pensamentos e planos humanos — expressão extraída da oração de Musaf de Rosh Hashaná.
איש איש כפי שיודע נגעי לבבו לצעוק אל ה׳ בצר לו בכל לב ונפש וכמ״ש צעק לבם3 וגו׳ [וגומר]
cada pessoa conforme conhece as aflições de seu próprio coração, para clamar a D'us em sua angústia, com todo o coração e toda a alma, como está escrito: “Seu coração clamou”, etc.;
Cada pessoa, conhecendo as aflições de seu próprio coração, clama a D'us em sua angústia, com todo o coração e toda a alma. As palavras fazem eco à oração de Shlomo na inauguração do Templo (I Kings 8:38) e ao versículo “Seu coração clamou” (Lamentations 2:18).
ולעורר את האהבה לה׳ בתשוקה וצמאון לדבקה בו ית׳ עד שתחפץ להתפשט מלבושים צואים4 הן הן המחשבות והדבורים והמעשים אשר לא לה׳ המה.
e despertar o amor a D'us, com anseio e sede de apegar-se a Ele, bendito seja, até que [a alma] deseje despir-se das vestes imundas. Estas são precisamente os pensamentos, as palavras e as ações que não são para D'us,
O segundo movimento da oração é despertar amor e sede por D'us, até que a alma queira despir-se de suas “vestes imundas”, imagem de Zechariah 3:4. Essas vestes são os pensamentos, as palavras e as ações que não são dedicados a D'us.
הן בהיתר כו׳ שהן מלבושי נוגה שלפעמים עולה ונכללת בקדושה כאשר יפלס האדם מעגלי דרכיו5 שלא יהנה מהעוה״ז [מהעולם הזה] רק לש״ש [לשם שמים] להרחיב לבו ודעתו לה׳ ולתורתו כו׳
sejam eles coisas permitidas, etc., que são vestes de nogá; e [nogá] por vezes ascende e se inclui na santidade, quando a pessoa pondera os caminhos que percorre, de modo que desfrute deste mundo somente por amor ao Céu, para ampliar o coração e a mente para D'us e Sua Torá, etc.,
Isso inclui até mesmo as coisas permitidas, que estão revestidas de nogá, o âmbito intermediário que não é nem plenamente santo nem plenamente impuro. Nogá pode ser elevado à santidade quando a pessoa pondera seus caminhos e usa este mundo somente por amor ao Céu, para ampliar o coração e a mente para D'us e Sua Torá.
כמ״ש במ״א, משא״כ כשנמשך האדם אחר גופו לצורך עצמו ולהנאת עצמו מכוין אזי הוא יורד ונמשך למטה ומן ההיתר יסיתנו כו׳.678
como explicado em outro lugar. Mas, quando a pessoa se deixa conduzir pelo corpo, visando às próprias necessidades e ao próprio prazer, então desce e é arrastada para baixo, e, a partir do permitido, [a inclinação] a seduzirá, etc.
Mas, quando a pessoa segue o corpo em busca das próprias necessidades e do próprio prazer, afunda junto com ele. O “etc.” completa a conhecida afirmação: do permitido, a inclinação a conduz ao proibido.
A oração é apresentada como a contraparte interior das oferendas: nela, a alma animal é elevada por meio do clamor a D'us e de um amor que deseja despir toda veste que não seja dedicada a Ele.
A imagem das “vestes imundas”, por meio de Etz Chaim (Sha’ar 50, chapter 3), aparece em Tanya, chapter 9, onde a própria inclinação para o mal se torna inteiramente boa quando suas vestes — os prazeres deste mundo — são removidas. Aqui, a imagem é aplicada às coisas permitidas, que pertencem a nogá e podem elevar-se à santidade ou afundar nas kelipot impuras.
Marei mekomot
- 1התפלה שהיא כנגד הקרבנות · Berakhot 26b:5–6
- 2מחשבות אדם ותחבולותיו · תפלת מוסף דר״ה.
- 3צעק לבם · Lamentations 2:18
- 4מלבושים צואים · Zechariah 3:4
- 5יפלס אדם מעגלי דרכיו · Proverbs 4:25
- 6בחפלה שעיקרה עבודה שבלב · Taanit 2a:11
- 7
- 8
4וזהו ענין בחי׳ הנוגה כשהיא יורדת ונכללת למטה בקליפות הטמאות לגמרי ועד״ז [ועל דרך זה] ניתקן ענין התפלה.
E este é o tema do nível de nogá quando desce e se inclui abaixo nas kelipot totalmente impuras. De modo semelhante, foi ordenado o tema da oração.
É assim que nogá cai: quando é usada para o prazer egoísta, desce e é absorvida pelas kelipot totalmente impuras. A ordem da oração foi organizada segundo o mesmo modelo das oferendas, para elevar a alma animal passo a passo.
ומתחלה יסדר אדם1 שבחו של מקום בפסוקי דזמרה בגדולת ורוממות א״ס [אין סוף] ב״ה לעורר התשוקה והצמאון בנפש הבהמית לאסתכלא ביקרא דמלכא2 בסידור שבחיו איך שהוא ברוך שאמר והיה העולם
Primeiro, a pessoa deve dispor o louvor do Onipresente nos Pesukei deZimra (Versículos de Louvor), sobre a grandeza e a sublimidade do Infinito (Ein Sof), bendito seja Ele, a fim de despertar na alma animal o anseio e a sede de contemplar a glória do Rei, por meio da apresentação de Seus louvores: como Ele é bendito, “Aquele que falou, e o mundo veio a existir”,
O primeiro passo são os Pesukei deZimra, seguindo o ensinamento talmúdico de que primeiro se deve dispor o louvor de D'us e, depois, rezar (Avodah Zarah 7b). Seu propósito é despertar na própria alma animal o anseio “de contemplar a glória do Rei”, começando com Baruch She’amar, que bendiz D'us como “Aquele que falou, e o mundo veio a existir”.
דהיינו באמירה אחת ובמאמר א׳ כו׳, וכמ״ש בזהר3 במחשבה א׳ ברא את העולם4 שהוא צופה ומביט עד סוף5 כל הדורות וקורא הדורות מראש6 וכולם נסקרים בסקירה אחת כו׳,
isto é, com uma só fala e com uma só expressão, etc.; e como está escrito no Zohar: “Com um só pensamento Ele criou o mundo”, pois Ele observa e contempla até o fim de todas as gerações, “e chama as gerações desde o princípio”, e todas são examinadas de uma só vez, etc.;
O mundo veio a existir por meio de uma só expressão, e o Zohar diz que D'us o criou com um só pensamento. Num único olhar, Ele vê todas as gerações até o fim dos tempos, como diz a liturgia de Rosh Hashaná e como afirma Yeshayahu: Ele “chama as gerações desde o princípio” (Isaiah 41:4).
והוא יחיד חי העולמים מלך78 פי׳ יחיד שהוא לבדו הוא כמו קודם שנברא העולם וכמ״ש אתה הוא עד שלא9 נברא כו׳
e “Ele, o Único, a Vida dos mundos, Rei”. O sentido de “o Único” é que Ele está só, tal como [estava] antes de o mundo ser criado, como se diz: “Tu és Ele antes de [o mundo] ser criado”, etc.;
Baruch She’amar descreve D'us como “o Único, a Vida dos mundos, Rei”. “O Único” significa que Ele permanece só, exatamente como antes da Criação, como diz a oração da manhã: “Tu és Ele antes de o mundo ser criado”.
e como está escrito: “Eu, Havayá, não mudei”; isto é, mesmo depois de o mundo ter sido criado, “não há nada além d’Ele”, “e Tu és Ele, Havayá, sozinho”,
A declaração de Malachi, “Eu, Havayá, não mudei”, significa que a Criação não provocou nenhuma mudança n’Ele. Mesmo agora, “não há nada além d’Ele” (Deuteronomy 4:35), e “Tu és Ele, Havayá, sozinho” (Nehemiah 9:6).
כמו קודם שנברא העולם כי העולם אין תופס מקום כלל דכולא כלא ממש13 חשיבי לגביה.
como antes de o mundo ser criado; pois o mundo não ocupa lugar algum, uma vez que tudo é considerado como absolutamente nada em relação a Ele.
A Criação não ocupa nenhum “lugar” diante d’Ele, pois tudo é como nada em relação a Ele, como diz o Zohar. Por isso, Ele continua só, como antes da Criação.
לפי שאתה עשית את השמים ושמי כו׳ ואתה מחיה14 את כולם כו׳ וחי העולמים אינו
pois “Tu fizeste os céus e os céus dos…”, etc., “e Tu dás vida a todos eles”, etc. E “a Vida dos mundos” não é
O mesmo versículo de Nehemiah prossegue dizendo que Ele fez os céus e dá vida a todos eles. No entanto, o título “a Vida dos mundos” só se aplica a Ele enquanto “Rei”.
אלא בבחי׳ מלך שאין זה אלא לפי שנקרא שמו ומלכותו על המדינה כו׳ כמ״ש במ״א.
senão o nível de “Rei”: isso se dá somente porque Seu Nome e Sua soberania são proclamados sobre o reino, etc., como é explicado em outro lugar.
Um rei só é rei porque seu nome e seu governo são proclamados sobre um país. Do mesmo modo, o fato de D'us dar vida aos mundos pertence ao Seu “Nome” e à Sua soberania, e não à Sua essência, como o próximo parágrafo explica.
משובח ומפואר עדי עד פי׳ למעלה עד אין קץ ולמטה עד אין תכלית בעילוי אחר עילוי
“Louvado e glorificado para todo o sempre”: isto é, acima, sem fim, e abaixo, sem limite, em ascensão após ascensão.
“Louvado e glorificado para todo o sempre” é entendido como louvor sem limite em ambas as direções: interminável acima e ilimitado abaixo, elevando-se nível após nível.
עד אין קץ ותכלית כמ״ש הכל ירוממוך סלה15 וכל החיים יודוך סלה16 וקדושים בכל יום יהללוך סלה פי׳ סלה בלי הפסק17 עד רום המעלות.18
sem fim nem limite, como está escrito: “Todos Te exaltarão, selá”; “e todos os viventes Te agradecerão, selá”; “e os santos Te louvarão todos os dias, selá”. O significado de “selá” é: sem interrupção, até o mais elevado dos níveis.
As orações dizem que todas as criaturas O exaltam e louvam “selá”, e o Talmud ensina que “selá” significa sem interrupção (Eruvin 54a). Assim, seu louvor ascende sem pausa até os níveis mais elevados.
A ordem da oração começa assim: os louvores dos Pesukei deZimra mostram que D'us permanece só, como antes da Criação, e que dar vida aos mundos é apenas Seu “Nome” e Sua realeza, enquanto Seu louvor se eleva sem cessar.
O maamar examina atentamente a liturgia: “Único” significa que D'us permanece só, sem mudança; “Vida dos mundos” está subordinado a “Rei”; e “selá” indica a elevação ininterrupta do louvor. Isso prepara o contraste traçado em seguida entre Sua essência e a mera irradiação de Seu Nome.
Marei mekomot
- 1מתחלה יסדר אדם · Avodah Zarah 7b:18
- 2לאסתכלא ביקרא דמלכא · Zohar I, 38a
- 3וכמ״ש בזהר במח׳ א׳ · ח״ב כ, א. על״ק עקב (טז, ד). וש״נ.
- 4במחשבה א׳ ברא את העולם · Zohar, Shemot 49:354–50:364
- 5צופה ומביט עד סוף · תפלת מוסף דר״ה.
- 6קורא הדורות מראש · Isaiah 41:4
- 7יחיד חי העולמים מלך · ברכת ברוך שאמר.
- 8יחיד חי העולמים מלך · Siddur Ashkenaz, Weekday, Shacharit, Pesukei Dezimra, Barukh She'amar 2
- 9אתה הוא עד שלא נבה״ע · תפלת שחרית. ראה של״ה ג, ב.
- 10אני ה׳ לא שניתי · Malachi 3:6
- 11אין עוד מלבדו · Deuteronomy 4:35
- 12אתה הוא ה׳ לבדך · Nehemiah 9:6
- 13דכולא כלא ממש קמי׳ חשיבי · Zohar I, 11b
- 14אתה עשית . . ואתה מחי׳ · Nehemiah 9:6
- 15הכל ירוממוך סלה · ברכת יוצר דשבת.
- 16וכל החיים יודוך סלה · נוסח תפלת שמו״ע.
- 17סלה בלי הפסק · Eruvin 54a:12–13
- 18וקדושים בכ״י יהללוך סלה · שם.
5ונודע כמה מיני עליות בג״ע [בגן עדן] תחתון ועליון ונו״ן אלפים יובלות1 ושמיטין כו׳ שהרבה מיני עילויים מעילויים שונים והכל נמשך
E é sabido quantos tipos de ascensões existem no Gan Eden inferior e superior, e nos cinquenta mil jubileus e ciclos sabáticos, etc.: há muitos tipos de elevações, de diferentes graus; e tudo isso é extraído
As almas no Gan Eden inferior e superior ascendem por muitos tipos de ascensão, e a tradição fala de ascensões que abrangem “cinquenta mil jubileus” e ciclos sabáticos. O maamar agora indica de onde provêm todas essas diferentes elevações.
רק מבחי׳ שמו הגדול בחי׳ שמו ומלכותו שאין זה רק בחי׳ זיו והארה בלבד כו׳
somente do nível de Seu grande Nome, o nível de Seu Nome e de Sua soberania, que não é mais do que um nível de esplendor e iluminação apenas, etc.
Todas elas provêm somente de Seu “grande Nome”, Seu Nome e Sua soberania, que são apenas esplendor e brilho, e não Sua essência. Até mesmo as mais elevadas ascensões espirituais ocorrem dentro desse esplendor.
וכי נשגב שמו2 שאפי׳ [שאפילו] שמו הוא בבחי׳ לבדו רק הודו וזיוו של שמו על ארץ ושמים כו׳.
E “Seu Nome é exaltado”: até mesmo Seu Nome está no nível de “sozinho”; somente o esplendor e a radiância de Seu Nome estão “sobre a terra e os céus”, etc.
O versículo diz: “Seu Nome, sozinho, é exaltado; Seu esplendor está sobre a terra e os céus” (Salmos 148:13). Lido com atenção, até mesmo Seu Nome está “sozinho”, exaltado acima dos mundos; o que alcança a terra e os céus é somente o esplendor e a radiância do Nome.
Todos os mundos espirituais e suas ascensões sem fim derivam somente do esplendor do Nome de D'us, e até mesmo esse Nome permanece exaltado acima deles.
Sobre os “cinquenta mil jubileus”, a nota da Kehot remete ao Shach sobre Parshas Behar.
Marei mekomot
- 1ונו״ן אלפים יובלות · ראה ש״ך פ׳ בהר ס, ד.
- 2כי נשגב שמו . . וירם קרן · Psalms 148:13
6ואי לזאת תכלה ותכסוף אליו ית׳ נפש כל חי לדבקה בו ית׳ ובפרט בהזכירו כי נקרא שמו הגדול ומלכותו ית׳ עלינו ישראל בפרט וכמ״ש וירם קרן לעמו1 מגיד דבריו ליעקב23 כו׳
E por isso a alma de todo ser vivo anelará e aspirará por Ele, bendito seja, para apegar-se a Ele, bendito seja; e especialmente quando se recorda que Seu grande Nome e Sua soberania, bendito seja, são invocados sobre nós, Israel, em particular, como está escrito: “E ergueu o poder de Seu povo”, “Ele declara Suas palavras a Yaakov” etc.;
Ao contemplar isso, toda alma anseia apegar-se a D'us, ainda mais quando se recorda que Seu grande Nome e Sua realeza repousam sobre Israel em particular. Versículos recitados em Pesukei deZimra dizem isso: Ele ergueu o poder de Seu povo (Salmos 148:14) e declara Suas palavras a Yaakov (Salmos 147:19).
וכתיב כי יעקב בחר לו45 יה ישראל לסגולתו ואומרים ברוך ה׳ אלקי ישראל67 דייקא אזי תתעורר השמחה בלב איש ישמח ישראל בעושיו89 בשמחה גדולה לאלקים
e está escrito: “Pois Yah escolheu Yaakov para Si, Israel como Seu tesouro”; e dizemos: “Bendito seja Havayá, o D'us de Israel”, [Israel] especificamente. Então a alegria despertará no coração da pessoa: “Que Israel se alegre em seu Criador”, com grande alegria por D'us,
Os Salmos dizem que D'us escolheu Yaakov e Israel como Seu tesouro, e nas orações O bendizemos como “o D'us de Israel”, nomeando Israel especificamente. Isso desperta alegria no coração: “Que Israel se alegre em seu Criador” (Salmos 149:2).
שהשרה שכינתו בתוכנו וינהו כל10 בית ישראל אחרי ה׳ ואח״כ [ואחר כך] ברכות ק״ש [קריאת שמע] איך שהמלאכים מקדישים כו׳ ואהבת עולם אהבתנו חמלה גדולה ויתירה11 פי׳ יתירה מהמלאכים כו׳ כמ״ש בסש״ב [בספר של בינונים].
que fez Sua Shechiná (Presença Divina) habitar em nosso meio; “e toda a casa de Israel ansiou por Havayá”. E depois [vêm] as bênçãos do Shemá: como os anjos santificam etc.; e “Com amor eterno Tu nos amaste… com grande e extraordinária compaixão”, “extraordinária” significando maior que a dos anjos etc., como é explicado em Sefer Shel Beinonim (Tanya).
A alegria é em D'us, que fez Sua Shechiná habitar entre Israel, de modo que toda a casa de Israel anseia por Ele (I Samuel 7:2). Depois vêm as bênçãos antes do Shemá: a primeira descreve a santificação dos anjos, e a segunda, Ahavas Olam, fala da “grande e extraordinária compaixão” de D'us, que o Tanya explica como excedendo Sua proximidade com os anjos.
Os louvores de Pesukei deZimra e as bênçãos do Shemá conduzem a alma do anseio à alegria, ao perceber que o Nome de D'us repousa sobre Israel e que Seu amor por eles excede até mesmo Seu amor pelos anjos.
No Tanya, capítulo 49, o Alter Rebbe explica “grande e extraordinária compaixão” como excedendo a proximidade com D'us de todas as hostes celestiais, e como a razão pela qual Ele contraiu Sua luz infinita em mundos finitos, para aproximar Israel Dele. Aqui, essa é a última etapa antes do próprio Shemá.
Marei mekomot
- 1וירם קרן לעמו · Psalms 148:14
- 2מגיד דבריו ליעקב · שם קמז, יט.
- 3מגיד דבריו ליעקב · Psalms 147:19
- 4כי יעקב בחר לו י״ה · שם קלה, ד.
- 5כי יעקב בחר לו יה ישראל לסגולתו · Psalms 135:4
- 6ברוך ה׳ אלקי ישראל · שם קו, מח.
- 7ברוך ה׳ אלקי ישראל · Psalms 106:48
- 8ישמח ישראל בעושיו · שם קמט, ב.
- 9ישמח ישראל בעושיו · Psalms 149:2
- 10וינהו כל ב״י אחרי ה׳ · I Samuel 7:2
- 11חמלה גדולה ויתירה · Tanya, Likkutei Amarim 49:11
7ומזה יעלה ויבא ויגיע למס״נ [למסירות נפש] בק״ש [בקריאת שמע] באחד ואהבת בכל לבבך בשני יצריך,1 דהיינו שגם כח המתאוה שבנפש הבהמית שבאדם המתאוה לדברים גשמיים
E, a partir disso, ele se elevará, chegará e alcançará o autossacrifício (mesirut nefesh) no Shemá, em “Um”, e em “Amarás... com todo o teu coração”, com ambas as tuas inclinações; isto é, que até mesmo a faculdade do desejo da alma animal no homem, que deseja coisas físicas
A partir disso, a pessoa alcança o autossacrifício na palavra “Um” do Shemá e, então, o amor expresso em “com todo o teu coração”, que os Sábios interpretam como “com ambas as tuas inclinações”, a boa e a má (Berakhot 54a). Isso significa que até mesmo o anseio da alma animal por coisas físicas é incluído nesse amor.
וצרכי גופו בתענוגות בני אדם ישוב אל2 ה׳ ויחפוץ בקרבת אלקים כי טוב שהוא מקור כל התענוגים וחיי החיים ב״ה ואזי יתענג על3 ה׳ ממש.
e as necessidades de seu corpo, nos prazeres humanos, voltarão a D'us e desejarão a proximidade de D'us, pois isso é bom, uma vez que Ele é a fonte de todos os deleites e a Vida da vida, bendito seja; então, ele verdadeiramente se deleitará em D'us.
O desejo da alma animal pelos prazeres do corpo volta-se a D'us e passa a desejar a proximidade Dele, pois Ele é a verdadeira fonte de todo prazer e a Vida de toda vida. Então, a pessoa verdadeiramente se deleita em D'us.
A ascensão da oração chega ao ápice no Shemá, onde a própria força do desejo da alma animal se transforma em amor a D'us, a fonte de todo deleite.
Este é o sentido interior do “comer” do altar: a alma animal é oferecida e consumida no amor. Os parágrafos seguintes explicam por que essa transformação é chamada “muito boa”, para além do amor da alma divina.
Marei mekomot
- 1ואהבת בכל לבבך בשני יצריך · Deuteronomy 6:5
- 2ישוב אל ה׳ · Isaiah 55:7
- 3יתענג על ה׳ · Psalms 37:4
Por que o mal transformado é “muito bom” ¶8–10
8וע״ז [ועל זה] דרשו רז״ל [רבותינו זכרונם לברכה] בפסוק וירא אלקים1 את כל אשר עשה והנה טוב מאד טוב זה מלאך חיים2 מאד זה מ״ה [שם מ״ה]3 כו׳
E a respeito disso nossos Sábios, de abençoada memória, interpretaram o versículo: “D'us viu tudo o que havia feito, e eis que era muito bom”: “‘Bom’ — este é o anjo da vida; ‘muito’ — este é o anjo da morte”, etc.
Os Sábios interpretam “muito bom”, ao final do relato da Criação, como incluindo o anjo da morte: “bom” é o anjo da vida; “muito” é o anjo da morte (Bereshit Rabbah 9:10). O maamar usa esse ensinamento para mostrar o que se ganha quando a alma animal é transformada.
ולכאורה יפלא הרי הוא המ״ה [השם מ״ה] הוא היצה״ר [היצר הרע] ומה היא טובתו ולא עוד אלא שנק׳ טוב מאד יותר ממלאך החיים.
À primeira vista, isso é espantoso: afinal, o anjo da morte é a má inclinação; então, em que consiste sua bondade? E não apenas isso: ele é chamado “muito bom”, mais do que o anjo da vida.
Isso causa perplexidade, pois o próprio anjo da morte é a má inclinação. Como pode ser bom, e ainda mais “muito bom”, superior ao anjo da vida?
אלא הענין הוא שאין טובתו של היצה״ר [היצר הרע] כשהוא בתקפו אלא כד אתכפיא סט״א [סטרא אחרא]4 כו׳ דהיינו
Mas a questão é que a bondade da má inclinação não se manifesta quando ela está em sua força, mas sim “quando a sitra achra (o outro lado) é subjugada”, etc.; isto é,
A má inclinação é boa não enquanto está forte, mas quando é subjugada, conforme a expressão do Zohar: “quando a sitra achra é subjugada”. Seu valor reside em ser vencida e transformada.
שכאשר כח המתאוה שבלב האדם שמנפשו הבהמית מתהפך וישוב לאהבת ה׳ בכל לבבו שאזי גם היצה״ר [היצר הרע] שמשכנו בלב ששם משכן נפש הבהמית בחלל השמאלי
quando a faculdade do desejo no coração da pessoa, que provém de sua alma animal, é transformada e retorna ao amor a D'us com todo o seu coração, então até mesmo a má inclinação, cuja morada é no coração — pois ali, na cavidade esquerda, encontra-se a morada da alma animal —,
Quando o desejo no coração da pessoa, que provém da alma animal, é transformado em amor a D'us com todo o seu coração, a própria má inclinação se transforma. Ela habita no coração, na cavidade esquerda, onde reside a alma animal.
הנה מלאך רע בע״כ [בעל כרחך]5 יענה אמן ומסכים ומתרצה להודות על האמת כי הוא ית׳ חיי החיים ומקור התענוגים ואליו יאתה להיות כלתה נפשו לה׳6 בתשוקה וצמאון כו׳.
então “o anjo mau, contra a própria vontade, responde Amém” e concorda, dispondo-se a reconhecer a verdade: que Ele, bendito seja, é a Vida das vidas e a fonte dos deleites, e que a Ele convém que a alma anseie por D'us com desejo e sede, etc.
Então, na expressão do Talmud, “o anjo mau, contra a própria vontade, responde Amém” (Shabbat 119b). Ele concorda que D'us é a Vida das vidas e a fonte de todo prazer, e que é justo que a alma anseie por Ele com desejo e sede (ver Psalms 84:3).
A transformação da alma animal explica por que a má inclinação pode ser chamada “muito boa”: depois de subjugada e voltada ao amor a D'us, ela própria reconhece a verdade.
A interpretação midráshica de “muito bom” é compreendida aqui à luz do princípio do Zohar segundo o qual a subjugação da sitra achra provoca a maior revelação da glória de D'us, que o próximo parágrafo explicita.
Marei mekomot
- 1וירא אלקים · Genesis 1:31
- 2טוב זה מלאך חיים · ב״ר פט, י. ילקוט בראשית (ר׳ טז). ובזח״ב (סח, ב. קנ, א. קסג, א) [כ].
- 3טוב זה מלאך חיים מאד זה מ״ה · Bereshit Rabbah 9:10
- 4כד אתכפיא סט״א · Zohar II, 128b
- 5מלאך רע בע״כ · Shabbat 119b:3
- 6כלתה נפשי לה׳ · Psalms 84:3
9ובעבור זה אסתלק יקרא דקוב״ה [דקודשא בריך הוא] לעילא1 כי זה הוא תכלית המכוון בבריאת העולמות להיות יתרון זה בנפש הבהמית השבה אל ה׳ כיתרון ה אור הבא מן החושך כנודע וכמ״ש במ״א.
E por isso “a glória do Santo, bendito seja Ele, se eleva ao alto”; pois este é o propósito último da criação dos mundos: que haja essa superioridade na alma animal que retorna a D'us, assim como a superioridade da luz que vem da escuridão, como é sabido e explicado em outro lugar.
Quando a sitra achra é subjugada, “a glória do Santo, bendito seja Ele, se eleva ao alto”, como prossegue o Zohar. Esse é o próprio propósito da criação dos mundos: a superioridade especial de uma alma animal que retorna a D'us, assim como a superioridade da luz que surge da escuridão (Eclesiastes 2:13).
ולכן הוא טוב מאד יותר ממלאך החיים שהוא בעצמו ממקור החיים והטוב, אבל מלאך רע שירד למדרגת מות ורע כשנתהפך לבחי׳ טוב וחיים הוא מעולה יותר כמשל יתרון האור כו׳
Portanto, isso é “muito bom”, mais do que o anjo da vida, que, por si mesmo, provém da fonte da vida e do bem; mas o anjo mau, que desceu ao nível da morte e do mal, quando é transformado no nível do bem e da vida, é superior, como na analogia da superioridade da luz, etc.
O anjo da vida é bom por sua origem, de modo que sua bondade não acrescenta nada de novo. O anjo mau havia caído ao nível da morte e do mal; por isso, quando é transformado em bondade e vida, supera o anjo da vida, assim como a luz que surge da escuridão é uma luz maior.
[ועמ״ש מזה בד״ה אלה מסעי2 וע׳ [ועיין] בזהר ר״פ יתרו דס״ח ע״ב34 ובפ׳ בהעלותך דף קנ״ג סע״ב [סוף עמוד ב] ומ״ש לקמן ע״פ והיה הבן הבכור לשניאה]5
[E veja o que está escrito sobre isso no discurso que começa “Estas são as jornadas”; veja também o Zohar, no início da Parashat Yitrô, página 68b, e na Parashat Behaalotechá, página 153, final do lado b; e o que está escrito abaixo sobre o versículo “E o filho primogênito pertence à odiada”.]
A nota entre colchetes remete o leitor a outras discussões: o maamar “Estas são as jornadas”, na Parashat Massê, duas passagens do Zohar e o maamar sobre “E o filho primogênito pertence à odiada”, na Parashat Ki Tetsê.
וגם כמ״ש בזה״ק [בזהר הקדוש] במקום שבע״ת [שבעלי תשובה] כו׳ דמשכין לי׳6 בחילא יתיר7 שהוא מחמת יותר תגבורת כו׳
E também, como está escrito no sagrado Zohar: “No lugar onde estão os baalei teshuvá”, etc., pois eles atraem isso “com força maior”; isto é, por causa de uma intensidade maior, etc.
O Zohar também explica a afirmação de que os baalei teshuvá estão num lugar ao qual os perfeitamente justos não podem chegar: eles atraem isso “com força maior”. Isso se deve à maior intensidade de seu amor.
שכאשר האהבה בתגבורת מבחי׳ רשפי אש האהבה8 היא כמעלת הזהב על הכסף היא האהבה שבטבעה כתולדתה שנמשלה למים משוך אחריך כמים9 כו׳.10
Pois, quando o amor é intenso, a partir do nível de “labaredas de fogo”, esse amor se compara à superioridade do ouro sobre a prata — [a prata] sendo o amor que está na natureza [da alma], tal como ela nasceu, e que é comparado à água: “atraído após Ti como a água”, etc.
O amor intenso, como “labaredas de fogo” (Cântico dos Cânticos 8:6), está para o amor natural assim como o ouro está para a prata. O amor natural e inato da alma é comparado à água, que é atraída para D'us, nas palavras da oração pela chuva em Shemini Atséret.
A alma animal transformada proporciona a maior revelação da glória de D'us, como a luz que surge da escuridão; seu amor, como o dos baalei teshuvá, é um amor ardente que supera o amor natural da alma divina, assim como o ouro supera a prata.
Likkutei Torah, Bamidbar, citado na nota, apresenta a mesma ideia: as emoções da alma animal são, por natureza, mais fortes do que as da alma divina, assim como um animal é mais forte do que um homem; por isso, quando são voltadas para D'us, são “muito boas”. Sua raiz está nas faces do leão e do boi na Carruagem, tema desenvolvido na seção seguinte.
Marei mekomot
- 1אסתלק יקרא דקוב״ה לעילא · Zohar, Terumah 6:38–7:45
- 2בד״ה ואלה מסעי · ראה לקמן מסעי צא, ג.
- 3בזהר ר״פ יתרו דס״ח ע״ב · ראה גם לעיל פ׳ במדבר יט, א.
- 4בזהר ר״פ יתרו דס״ח ע״ב · Zohar, Yitro 1:28–39
- 5ע״פ והיה הבן הבכור לשניאה · פ׳ כי תצא.
- 6בזה״ק במקום שבע״ת כו׳ דמשכין לי׳ · ח״א קכט, ב.
- 7דמשכין לי׳ בחילא יתיר · Zohar, Chayei Sara 16:121–17:127
- 8רשפי אש האהבה · Song of Songs 8:6
- 9משוך אחריך כמים · ברכת גשם דשמע״צ.
- 10כיתרון האור הבא מן החושך · Ecclesiastes 2:13
10והאהבה כרשפי אש נולדה מהתבוננות זו שבתפלה ופסוד״ז [ופסוקי דזמרה] בסידור שבחיו של מקום בעומק דעתו בגדולת א״ס [אין סוף] ב״ה ורוממותו לאין קץ ובברכת יוצר ואהבת עולם כו׳
E o amor como labaredas de fogo nasce desta contemplação na oração e em Pesukei deZimra (os Versículos de Louvor), ao enumerar os louvores do Onipresente com a profundidade da mente, acerca da grandeza do Infinito (Ein Sof), bendito seja Ele, e de Sua exaltação sem fim, e na bênção “Que forma [a luz]” e em “Com amor eterno”, etc.,
Este amor ardente nasce da contemplação na oração: em Pesukei deZimra, ao enumerar os louvores de D'us com profunda reflexão sobre Sua grandeza infinita, e nas bênçãos que precedem o Shemá, Yotzer e Ahavat Olam.
עד שיגיע לקיום מס״נ [מסירות נפש] באחד וקיום ואהבת כו׳ כנ״ל וכמ״ש במ״א1 ע״פ מצרף לכסף2 וכור לזהב ואיש לפי מהללו, פי׳ שבאיש3 לפי מהללו בק״ש [בקריאת שמע] ותפלה
até que se alcance o cumprimento do autossacrifício (mesirut nefesh) em “Um” e o cumprimento de “Amarás”, etc., como mencionado acima; e como se explica em outro lugar a respeito do versículo “O cadinho é para a prata, e o forno para o ouro, e o homem é segundo o seu louvor”. Isto é, em “o homem é segundo o seu louvor”, no Shemá e na oração
A contemplação prossegue até que se alcance o autossacrifício em “Um” e o amor de “Amarás”. O Alter Rebe recorda sua explicação de “O cadinho é para a prata, e o forno para o ouro, e o homem é segundo o seu louvor” (Provérbios 27:21), na qual “o homem é segundo o seu louvor” se refere aos louvores do Shemá e da oração.
ופסוקי דזמרה נעשה מצרף וכור הן רשפי אש האהבה לכלות ולשרוף את כח המתאוה שבנפש הבהמית עד שישוב לאהבת ה׳ ולדבקה בו בתשוקה וצמאון ובכלות הנפש ממש:
e Pesukei deZimra tornam-se um cadinho e um forno: são as labaredas do fogo do amor, para consumir e queimar a força do desejo na alma animal, até que ela retorne ao amor a D'us e a apegar-se a Ele com anseio e sede, e com um verdadeiro esvaecer da alma.
Por meio desses louvores, vêm a existir o cadinho e o forno: as labaredas do fogo do amor, que queimam os desejos da alma animal até que ela retorne ao amor a D'us e anseie por apegar-se a Ele. Este é o fogo interior da oração, correspondente ao fogo sobre o altar.
O amor ardente provém da contemplação na oração, que age como um forno de refinador, queimando os desejos da alma animal e transformando-os em amor a D'us.
A associação do versículo entre prata e ouro remete ao parágrafo anterior, no qual o amor ardente é ouro e o amor natural da alma é prata; os louvores da oração são o forno no qual o desejo da alma animal é refinado.
Marei mekomot
- 1וכמ״ש במ״א · ראה תו״א קיא, ג. בסה״מ תקס״ג ע׳ קעז. כתובים-ב ע׳ ריח. תורת חיים שמות דף תתקסז, א. אוה״ת שמות כי תשא ע׳ א׳תתמג, א׳תתפה. שמות-ז ע׳ ב׳תשפז.
- 2מצרף לכסף · Proverbs 27:21
- 3פי׳ שבאיש · ראה סה״מ תרכ״ז ע׳ רכו.
A raiz da alma animal e o tumulto dos Ofanim ¶11–12
11ב והנה הכח הזה לנפש הבהמית שתתפעל מגדולת א״ס [אין סוף] ב״ה ורוממותו עד שתתלהט ותתלהב בתשוקה וצמאון לה׳ ולדבקה בו12
2. Ora, esse poder que a alma animal possui de ser despertada pela grandeza e sublimidade do Infinito (Ein Sof), bendito seja Ele, até inflamar-se e arder de anseio e sede por D'us e por apegar-se a Ele,
A segunda seção pergunta de onde a alma animal recebe o poder de ser tão profundamente despertada pela grandeza de D'us, a ponto de arder de anseio e sede por apegar-se a Ele. A questão diz respeito à própria alma animal, e não apenas à alma divina.
ית׳ עד שישוב ויתהפך כח המתאוה שבה לאהבת ה׳ הוא מפני ששרש נפש הבהמית שבאדם נלקחה מהאופנים וחיות הקדש שבמרכבה פני אריה ופני שור3 כו׳
bendito seja Ele, até que sua faculdade de desejar retorne e se transforme em amor a D'us, deve-se ao fato de que a raiz da alma animal no ser humano provém dos Ofanim e das Chayot sagradas da Carruagem, da face de um leão e da face de um boi etc.
Seu desejo pode até ser transformado em amor a D'us porque sua raiz está nos Ofanim e nas Chayot sagradas, os anjos da Carruagem Divina que Yechezkel viu, com as faces de um leão e de um boi (Ezekiel 1:10).
(הגם כי שרש כל נפש הבהמות הוא ג״כ מבחי׳ פני אריה פני שור ושרש נפש העופות מבחי׳ פני נשר כמ״ש במ״א, ובמה תפרד שרש וחיות נפש הבהמית שבאדם שבודאי אינה דומה לנפש שבבהמות ממש.
(Embora a raiz da alma de todos os animais também provenha do nível da face de um leão [e] da face de um boi, e a raiz da alma das aves provenha do nível da face de uma águia, como é explicado em outro lugar; em que, então, se distinguem a raiz e a força vital da alma animal no ser humano, visto que certamente ela não é semelhante à alma dos animais propriamente ditos?
Um longo parêntese apresenta uma dificuldade: as almas dos animais comuns também têm sua raiz nas faces do leão e do boi, e as das aves, na face da águia. Sendo assim, em que a alma animal de um ser humano difere, já que certamente não é como a alma de um animal?
שהרי נפש הבהמית שבאדם היא נפש המשכלת ומדברת שגדלה וגבהה מעלתה לאין קץ על נפש שבבהמות ממש שאינה אלא נפש חיה בלבד ואין ערוך לחי עם מדבר כנודע.
Pois a alma animal no ser humano é uma alma que pensa e fala, cujo nível é infinitamente superior e mais elevado que o da alma dos animais propriamente ditos, que é apenas uma alma vivente, e nada mais; não há comparação entre o animal e o ser falante, como é sabido.
A alma animal de uma pessoa é uma alma que pensa e fala, incomensuravelmente superior à alma meramente vivente de um animal. Não há comparação entre os níveis de “vivente” e de “falante” na criação.
אך הענין הוא שארבע חיות שבמרכבה ארבעה פנים לכל אחת מהנה ויש בכל אחת מהן דמות אדם וכמ״ש ודמות פניהם פני אדם ושרש וחיות נפש הבהמית שבאדם הוא מבחי׳ אדם שבחיות שבמרכבה
Mas a explicação é que cada uma das quatro Chayot da Carruagem tem quatro faces, e em cada uma delas há a semelhança de um homem, como está escrito: “E a semelhança de suas faces: a face de um homem”; e a raiz e a força vital da alma animal no ser humano provêm do nível do “homem” dentro das Chayot da Carruagem,
A resposta é que cada uma das quatro Chayot da Carruagem tem quatro faces, e cada uma inclui a semelhança de um homem. A alma animal humana tem sua raiz no “homem” que se encontra nessas Chayot.
כי גם בחי׳ פני שור ופני אריה כלולים מבחי׳ אדם וכמ״ש בזהר4 ושרש נפש הבהמות שמבחי׳ פני שור היינו מבחי׳ פני שור בעצם כו׳.5
pois mesmo os níveis da face de um boi e da face de um leão incluem o nível do homem, como está escrito no Zohar; ao passo que a raiz da alma dos animais, que provém do nível da face de um boi, provém do nível da própria face de um boi etc.
Mesmo as faces do boi e do leão incluem o aspecto do homem, como afirma o Zohar. Os animais comuns, em contraste, provêm da própria face do boi, sem esse elemento humano.
[ועמ״ש מזה בביאור ע״פ אני ישנה6 ובד״ה אם בחקתי תלכו7 ובד״ה בכ״ה בכסליו8 ובד״ה המגביהי לשבת]9 והנה האופנים וחיות הקדש10 ברעש גדול מתנשאים לעומת השרפים.11 וענין הרעש הוא מחמת ששומעים את השרפים שאומרים קדוש ג״פ [ג׳ פעמים] וזהו ענין לעומת השרפים.
[E veja-se o que está escrito a esse respeito na explicação do versículo “Estou dormindo”, no discurso que começa “Se caminhardes segundo Meus estatutos”, no discurso que começa “No dia vinte e cinco de Kislev” e no discurso que começa “Aquele que Se assenta nas alturas”.] Ora, “os Ofanim e as Chayot sagradas, com grande tumulto, elevam-se diante dos Serafim”. O tumulto deve-se ao fato de ouvirem os Serafim dizerem “sagrado” três vezes; e esse é o significado de “diante dos Serafim”.
Depois de indicar outras discussões, o texto cita a primeira bênção antes do Shemá: os Ofanim e as Chayot sagradas elevam-se “com grande tumulto” diante dos Serafim. Seu tumulto decorre de ouvirem os Serafim proclamar “sagrado” três vezes.
וביאור ענין זה כי הנה פי׳ וביאור מלת קדוש הוא לומר שהוא קדוש ומובדל בערך שאין לו ערך ויחוס בעלמין שאינו לא בגדר ממלא ולא בגדר סובב דלאו מכל מדות אלין12 כלל.13
A explicação disso é a seguinte: o sentido e a explicação da palavra “sagrado” (kadosh) é dizer que Ele é sagrado e separado, num grau sem comparação ou relação com os mundos; Ele não está dentro dos limites da luz que preenche [todos os mundos] (memalê), nem dentro dos limites da luz que circunda [todos os mundos] (sovev), pois Ele “não pertence de modo algum a nenhuma dessas qualidades”.
“Sagrado” (kadosh) significa separado e além de qualquer relação com os mundos; Ele não é nem a luz que os preenche nem a luz que os circunda. Como diz o Tikkunei Zohar a respeito de D'us, Ele “não pertence de modo algum a nenhuma dessas qualidades”.
אך קדוש בוי״ו הוא ענין המשכה מקדש עליון [ועיין מ״ש מזה בד״ה צאינה וראינה14 בענין שאו ידיכם קדש].
Mas kadosh, com um vav, é uma descida do kodesh supremo (santidade). [E veja o que está escrito sobre isso no discurso que começa “Ide e contemplai”, a respeito de “Erguei as mãos em santidade”.]
Kadosh, escrito com um vav, significa algo que desce do kodesh superior, a própria santidade, escrito sem vav. O vav acrescentado representa essa descida.
כי ענין קדש הוא מלה בגרמיה15 שהוא ענין עצמיות קדושת אור א״ס [אין סוף] ב״ה שכשמו כן הוא אין לו סוף ואין לו תכלה כו׳ ואין העולמות יכולים לקבל אור א״ס [אין סוף] ב״ה
Pois kodesh é algo em si mesmo: é a própria essência da santidade da Luz Infinita (Or Ein Sof), bendito seja Ele, que, tal como Seu nome, assim é: não tem fim nem limite, etc.; e os mundos não podem receber a Luz Infinita, bendito seja Ele,
Kodesh, “algo em si mesmo”, nas palavras do Zohar, é a própria essência da santidade da Luz Infinita, que não tem fim nem limite. Os mundos não poderiam receber essa luz tal como ela é.
כמו שהוא שהיו בטלים במציאות והיו כלא היו אלא ע״י צמצום גדול להמשיך התפשטות זיו והארה בלבד בבחי׳ קו וחוט כו׳ והוא ענין קדוש בוי״ו בבחינת המשכה
tal como ela é, pois eles seriam anulados da existência e seria como se nunca tivessem existido; isso só é possível por meio de um grande tsimtsum (contração), para fazer descer uma extensão de mero esplendor e iluminação na forma de um kav (linha de luz) e de um fio, etc.; e isso é kadosh, com um vav, no aspecto de uma descida.
Se a Luz Infinita se revelasse tal como é, os mundos seriam anulados da existência. Somente por meio de um grande tsimtsum desce um mero raio, como uma linha tênue (kav); essa descida é kadosh com um vav.
אך גם ההמשכה ההיא עדיין היא בבחי׳ קדוש ומובדל שאין העולמות יכולים להשיג עד שנעשה המשכה והארה דהארה והוא ענין קדוש השני המשכה והארה מקדוש הראשון. וכן ענין קדוש השלישי הוא ענין המשכה והארה דהארה שנמשך מקדוש הב׳.
Mas mesmo essa descida ainda está no estado de santidade e separação, que os mundos não podem apreender, até que se produza uma descida e uma iluminação de uma iluminação; e isso é o segundo “santo”, uma descida e iluminação do primeiro “santo”. Do mesmo modo, o terceiro “santo” é uma descida e uma iluminação de uma iluminação que desce do segundo “santo”.
Mesmo esse raio ainda é “santo e separado”, além do alcance dos mundos; por isso, precisa ser atenuado novamente, tornando-se um vislumbre de um vislumbre: esse é o segundo “santo”. O terceiro “santo” é um vislumbre ainda mais tênue, que desce do segundo.
ובזה יוכל להיות בחי׳ הוי׳ להיות כל הנמצאים העליונים שישיגו יקר תפארת גדולתו ורוממותו לאין קץ באיזה השגה ותפיסה ויתענגו על ה׳ בהשגתם תענוג נפלא [ועמ״ש מענין ג״פ [ג׳ פעמים] קדוש בביאור ע״פ אחרי16 ה׳ אלקיכם תלכו
E, por meio disso, pode haver o nível de Havayá, de modo que existam todos os seres superiores, que apreenderão o precioso esplendor de Sua grandeza e exaltada sublimidade infinitas com alguma medida de compreensão e apreensão, e se deleitarão em D'us, por meio de sua compreensão, com um deleite extraordinário. [E veja o que está escrito a respeito das três vezes “santo” na explicação do versículo “Após Havayá, vosso D'us, caminhareis”,
Somente então pode haver “Havayá”, isto é, a criação dos seres superiores, que podem apreender algo da grandeza de D'us e sentir nela um deleite extraordinário. Assim, o versículo “Santo, santo, santo é Havayá Tzevaot” delineia a descida da santidade essencial de D'us até os mundos criados.
ובד״ה רני ושמחי17 בת] ואעפ״כ [ואף על פי כן] נק׳ צבאות אות הוא בצבא דיליה18 שאי נו בבחי׳ השגה אלא עד״מ [על דרך משל] בבחי׳ אות אחת מענין שלם בהשכלה והשגה שלימה שהאות ההוא אין לו ערך להיות נק׳ עליו כלל שם השגה אלא רמז בעלמא.
e no discurso que começa “Exulta e alegra-te, ó filha”.] Ainda assim, Ele é chamado Tzevaot: “Ele é um ot (sinal) em Seu tzavá (hoste)”. Isto é, não se trata de compreensão, mas, por analogia, é como uma única letra de uma ideia inteira, compreendida e apreendida plenamente; pois essa letra não tem qualquer proporção com a ideia, de modo que se possa aplicar a ela o termo “compreensão”; é apenas uma alusão.
Ainda assim, D'us é chamado Tzevaot, lido como “Ele é um ot (sinal) em Sua hoste”: aquilo que as hostes apreendem é como uma única letra (ot) de uma ideia inteira. Uma letra isolada não proporciona compreensão real alguma da ideia; é apenas uma alusão.
וכך הוא ענין השגת העולמות ואפילו עולמות עליונים מאחר שהן בבחי׳ נבראים ומחודשים מאין ליש אין להם תפיסה והשגה בו ית׳ בעצמו ובכבודו שאתה הוא עד שלא נברא העולם כו׳
E assim é a compreensão dos mundos: mesmo os mundos superiores, por serem criaturas, trazidas novamente à existência a partir do nada, não têm apreensão nem compreensão d'Ele, bendito seja, tal como Ele é em Si mesmo e em Sua glória: “Tu és Ele antes que o mundo fosse criado”, etc.;
Assim ocorre com todos os mundos, até mesmo os mais elevados: por serem criaturas, trazidas do nada à existência, não podem apreender D'us tal como Ele é em Si mesmo, como era antes da Criação.
ואין להם תפיסה אלא בחיות המתפשט בעולמות להחיותם ולהוותם מאין ליש שהוא בבחי׳ אות אחת ביו״ד נברא העוה״ב [העולם הבא]19 ובה׳ העוה״ז [העולם הזה] ואין להם השגה אלא בבחי׳ יו״ד כו׳.
eles apreendem somente a força vital que se expande pelos mundos para lhes dar vida e trazê-los à existência a partir do nada, que está no estado de uma única letra: “Com o yud foi criado o Mundo Vindouro, e com o hei, este mundo”; e eles compreendem somente o nível do yud, etc.
Eles apreendem somente a força vital que se expande por eles para sustentá-los, semelhante a uma única letra. O Talmud afirma que este mundo foi criado com a letra hei e o Mundo Vindouro, com o yud (Menachos 29b); mesmo as criaturas mais elevadas não apreendem além do nível do yud.
והנה כאשר האופנים שומעים את השרפים אומרים כן מרעישים בקול רעש גדול מחמת ששומעים דבר גדול שהוא למעלה מהשגתם שאינו נתפס ונקלט בהשגתם בבחי׳ פנימית
Agora, quando os Ofanim ouvem os Serafim dizerem isso, fazem grande tumulto com o som de um grande tumulto, porque ouvem algo grandioso, acima de sua compreensão, que não é apreendido nem assimilado por seu entendimento de maneira interior,
Quando os Ofanim ouvem os Serafim proclamar “santo”, são tomados por um grande tumulto. O que ouvem está muito acima de sua compreensão e não pode ser assimilado interiormente.
רק בבחי׳ מקיף שאין כח בבחי׳ כלי השגתם להכיל ההשגה הגדולה והנוראה ההיא אלא נשאר עליהם בבחי׳ מקיף ומ״מ [ומכל מקום] בבחי׳ מקיף משיגים שיש דבר גדול ונורא ונמשך מזה רשימו לבחי׳ פנימית להיות בבחי׳ רעם ורעש לבד
mas somente de maneira abrangente (makif); pois os recipientes de seu entendimento não têm capacidade para conter essa compreensão grandiosa e temível, e ela permanece sobre eles como algo abrangente. Ainda assim, de maneira abrangente, apreendem que há algo grandioso e temível, e disso uma impressão (reshimu) se estende ao nível interior, de modo que há apenas trovão e tumulto.
Isso permanece acima deles como uma luz abrangente (makif), grande demais para os recipientes de seu entendimento. Ainda assim, percebem que há algo grandioso e temível, e sua impressão penetra no interior, produzindo apenas trovão e tumulto.
כי כל דבר חידוש שאינו מושג בשכל רק שמ״מ [שמכל מקום] שומע בבחי׳ מקיף ונכנס רשימו לבחי׳ פנימי׳ [פנימיות / פנימית] נעשה מזה התפעלות בבחי׳ פנימי׳ [פנימיות / פנימית] לומר ראה זה חדש הוא20 שאין כח בשכלו לתפוס ולהשיג הדבר ההוא
Pois, diante de qualquer coisa nova que não é apreendida pelo intelecto, mas que, ainda assim, se ouve de maneira abrangente, e cuja impressão entra no nível interior, surge daí uma comoção interior, que leva a dizer: “Vê, isto é novo”, pois seu intelecto não tem capacidade para apreender e compreender essa coisa
É assim que funciona qualquer coisa verdadeiramente nova: quando não se consegue compreendê-la, mas ela é percebida de além, sua impressão produz uma excitação interior que diz: “Vê, isto é novo” (Eclesiastes 1:10). A mente é agitada precisamente porque não consegue apreender a coisa.
כמו שהוא בעצמו ומזה מתהוה הרעש שמחמת גודל עוצם הפלאת הדבר הנורא שאין כח בשכלו לתפוס כו׳ יתהוה לו רעש גדול כו׳
tal como ela é em si mesma. E disso surge o tumulto: por causa da grande intensidade do caráter extraordinário da coisa temível, que o intelecto não tem capacidade para apreender etc., surge nele um grande tumulto etc.
O assombro diante de algo tão extraordinário que a mente não consegue conter é o que produz o grande tumulto.
והשרפים לפי ששרשם ממקום הרעש ההיא כמ״ש שרפים עומדים ממעל לו21 ואין השגה זו חידוש אצלם כל כך [והוא ענין מארז״ל [מאמר רבותינו זכרונם לברכה] גבי ישעיה כבן כרך שראה22 את המלך כו׳ וכמ״ש במ״א] לכן אינם מרעישים כי
Mas os Serafim, como sua raiz provém do lugar daquele tumulto, conforme está escrito: “Serafim estavam acima Dele”, e essa compreensão não é tão nova para eles [e este é o sentido da afirmação de nossos Sábios, de abençoada memória, a respeito de Yeshayahu: “como um habitante da cidade que viu o rei” etc., conforme explicado em outro lugar], por isso não fazem tumulto; pois
Os Serafim estão “acima Dele” (Isaías 6:2), na fonte dessa revelação; por isso, ela não é tão nova para eles e não fazem tumulto. De modo semelhante, os Sábios comparam Yeshayahu, que descreve brevemente a visão, a um habitante da cidade que vê o rei com frequência (Chagigah 13b).
לכן נק׳ שמם שרפים שכבר נשרפו כו׳ [וכיוצא בזה גבי חברי דניאל שלא השיגו המראה רק דמזלייהו חזי23 נפלה חרדה גדולה עליהם יותר מדניאל שראה את המראה כמ״ש במ״א].24
por isso são chamados pelo nome de Serafim, pois já foram consumidos pelo fogo etc. [Algo semelhante ocorreu com os companheiros de Daniel: não perceberam a visão; somente “seu mazal viu”, e, ainda assim, um grande tremor se abateu sobre eles, mais do que sobre Daniel, que viu a visão, conforme explicado em outro lugar.]
São chamados Serafim, “os que ardem”, porque já foram consumidos por sua proximidade a D'us. De modo semelhante, os companheiros de Daniel não viram a visão, mas seu mazal, a fonte de sua alma no alto, a viu, e eles ficaram mais aterrorizados do que o próprio Daniel (Megillah 3a).
ולפי שנה״ב [שנפש הבהמית] שרשה מבחי׳ אופנים וחיות ע״כ [על כן] יש בה הכח הזה שתתפעל בבחי׳ רעש. וזהו ענין בחילא יתיר. טוב מאוד יותר מבחי׳ אהבת הנה״א [הנפש האלקית] בעצמה:)25
E como a raiz da alma animal provém do nível dos Ofanim e dos Chayot, ela tem, portanto, essa capacidade de ser agitada com tumulto. E este é o sentido de “com força maior”: “muito bom”, mais do que o nível do amor da própria alma divina.)
Como a alma animal tem sua raiz nos Ofanim e nos Chayot, ela também tem a capacidade de ser agitada em tumulto. Essa é a “força maior” mencionada anteriormente, e a razão pela qual seu amor é “muito bom”, superior ao amor da própria alma divina.
ג והנה ע״י הרעש נעשה כמים הפנים לפנים26 כן לב האדם לאדם. פי׳ האדם27 לאדם כי יש אדם שעל דמות הכסא28 דמות כמראה אדם.
3. Ora, por meio do tumulto, ocorre: “Assim como a água reflete um rosto para outro rosto, assim o coração do homem para o homem.” O sentido de “do homem para o homem” é que há um “homem” sobre a semelhança do trono: “uma semelhança como a aparência de um homem.”
A terceira seção: o tumulto produz “Assim como a água reflete um rosto para outro rosto, assim o coração do homem para o homem” (Provérbios 27:19). Há um “homem” acima, sobre o Trono, como Yechezkel viu: “uma semelhança como a aparência de um homem” (Ezequiel 1:26).
ויש בחי׳ אדם שמתחת לכסא ואפילו הג׳ חיות פני אריה פני שור פני נשר הם בבחי׳ אדם וכמ״ש במרכבת יחזקאל ודמות פניהם29 פני אדם כו׳
E há um nível de “homem” abaixo do trono; até mesmo as três Chayot — a face de um leão, a face de um boi [e] a face de uma águia — estão no nível de “homem”, como está escrito na Carruagem de Yechezkel: “E a semelhança de suas faces: a face de um homem”, etc.,
Há também um “homem” abaixo do Trono: as próprias Chayot, cujas faces incluem todas a face de um homem, como na visão da Carruagem de Yechezkel.
לארבעתן כו׳ [ועיין מזה בזהר פ׳ במדבר דקי״ח ע״ב30 ובפי׳ הרמ״ז [הרב משה זכות] שם ובזהר פ׳ תזריע
“para as quatro”, etc. [E veja sobre isso no Zohar, Parashat Bamidbar, página 118b, e no comentário do Ramaz (Rabi Moshe Zacuto) ali; e no Zohar, Parashat Tazria,
O versículo continua: “para as quatro”: a face humana está em todas as quatro Chayot. O trecho entre colchetes remete o leitor ao Zohar sobre Bamidbar, com o comentário do Ramaz ali, e ao Zohar sobre Tazria.
דמ״ח סע״א [סוף עמוד א] ובפ׳ בראשית די״ח סע״ב [סוף עמוד ב]]31 וכמים הפנים לפנים כן לב האדם שלמעלה על הכסא לאדם שמתחת לכסא באתעדל״ת [באתערותא דלתתא] דיליה בבחי׳ רעש גדול כנ״ל.
página 48, final do lado a; e na Parashat Bereishit, página 18, final do lado b.] E “assim como a face [corresponde] à face na água, assim o coração do” “homem” que está acima, sobre o trono, [corresponde] ao “homem” que está abaixo do trono, por meio de seu despertar de baixo, à maneira de um grande tumulto, como mencionado acima.
Assim como uma face se reflete na água, o “homem” acima corresponde ao “homem” abaixo. O despertar de baixo, o grande tumulto dos Ofanim e da alma animal que tem sua raiz neles, suscita uma resposta do “homem” sobre o Trono.
A alma animal pode ser transformada porque sua raiz está nos anjos da Carruagem, cujo “tumulto” diante de uma revelação além de sua compreensão lhes dá — e também a ela — um amor de “força maior”; e esse tumulto abaixo suscita uma resposta do “homem” no Trono acima.
As três vezes “sagrado” são entendidas como três estágios de descida da santidade essencial de D'us (kodesh) até a luz que traz os mundos à existência; Torah Ohr, sobre “Cantai e alegrai-vos”, relaciona-as às três primeiras letras do Nome Havayá, sendo a hei final a fala, fonte dos mundos. O contraste entre a serenidade dos Serafim e a agitação dos Ofanim corresponde ao contraste entre o amor natural da alma divina e o amor ardente da alma animal.
Marei mekomot
- 1ולדבקה בו · Deuteronomy 11:21
- 2ולדבקה בו · Deuteronomy 30:20
- 3פני ארי׳ פני שור · Ezekiel 1:10
- 4וכמ״ש בזהר · ח״ג (קיח, ב. מח, סע״א). [כ].
- 5מבחי׳ פני שור בעצם כו׳ · ראה לעיל בהוספות יח, ג בהערות שנעתקו מכ״ק אדמו״ר מוהרש״ב נ״ע.
- 6בביאור ע״פ אני ישנה · לקמן שה״ש לה, א ואילך.
- 7ובד״ה אם בחקתי תלכו · לעיל בחקתי מז, ג. וראה במ״מ לשם.
- 8זבד״ה בכ״ה בכסלו · תו״א וישב כט, ב ואילך.
- 9ובד״ה המגביהי לשבת · תו״א לח, ב.
- 10האופנים וחיות הקודש · ברכת יוצר. ההפרש בין אופנים לשרפים ראה גם לקמן פ׳ שלח מז, א. האזינו עד, ג. סה״מ תקס״ב ע׳ מו ואילך. אוה״ת תרומה ע׳ א׳קסד ואילך.
- 11האופנים וחיות הקדש ברעש גדול מתנשאים לעומת השרפים · Siddur Ashkenaz, Weekday, Shacharit, Blessings of the Shema, First Blessing before Shema 6–8
- 12דלאו מכל מדות אלין · ת״ז בהקדמה (פתח אלי׳).
- 13דלאו מכל מדות אלין כלל · Tikkunei Zohar 17b:5–7
- 14בד״ה צאינה וראינה · לקמן שה״ש כא, ג.
- 15קדש הוא מלה בגרמי׳ · Zohar III, 94b
- 16בביאור ע״פ אחרי ה׳ · לקמן פ׳ ראה כ, ד ואילך.
- 17ובד״ה רני ושמחי · תו״א לו, ב.
- 18צבאו׳ אות הוא בצבא דילי׳ · Chagigah 16a
- 19ביו״ד נברא העוה״ב · Menachot 29b:13–14
- 20ראה זה חדש הוא · Ecclesiastes 1:10
- 21שרפים עומדים ממעל לו · Isaiah 6:2
- 22ישעי׳ כבן כרך שראה · Chagigah 13b:5
- 23חברי דניאל . . דמזלייהו חזי · Megillah 3a:13–14
- 24כמ״ש במ״א] · ראה תניא פרק כג.
- 25מבחי׳ אהבת הנה״א בעצמה · קיצור — באוה״ת במדבר-ד ע׳ א׳תסב.
- 26כמים הפנים לפנים · Proverbs 27:19
- 27פי׳ האדם · ראה אוה״ת בשלח ע׳ תעז ואילך.
- 28על דמות הכסא · Ezekiel 1:26
- 29ודמות פניהם · Ezekiel 1:10
- 30בזהר פ׳ במדבר דקי״ח ע״ב · Zohar, Bamidbar 3:27–38
- 31ובפ׳ בראשית די״ח סע״ב · Zohar, Bereshit 7:70–8:83
12ופי׳ פניהם פני אדם1 היינו שבפנימיותם דבחי׳ אופנים וחיות הוא בחי׳ אדם וכמ״כ [וכמו כן] בנה״ב [בנפש הבהמית] שבאדם בפנימיותה היא נפש השכלית.
E o significado de “seus rostos: o rosto de um homem” é que, na dimensão interior (pnimiyut) dos Ofanim e Chayot, há o nível de “homem”; e o mesmo ocorre com a alma animal no homem: em sua dimensão interior, ela é a alma intelectual.
O rosto de um homem nos Chayot significa que sua dimensão interior é “homem”. Assim também ocorre com a alma animal na pessoa: em seu núcleo, ela é a alma intelectual.
ועמ״ש בד״ה וספרתם לכם2 בענין ופניהם וכנפיהם3 שהטעם על ופניהם הוא בזקף גדול שהוא הפסק להפסיק בין ופניהם לוכנפיהם כו׳
E veja o que está escrito no discurso que começa com “E contareis para vós”, a respeito de “seus rostos e suas asas”: o sinal de cantilação sobre “e seus rostos” é um zakef gadol, que é uma pausa, para separar “e seus rostos” de “e suas asas” etc.;
O maamar “E contareis para vós”, sobre a contagem do Ômer, explica as palavras de Yechezkel: “e seus rostos e suas asas estavam separados acima” (Ezekiel 1:11). O sinal de cantilação sobre “e seus rostos” é um zakef gadol, uma nota de pausa que separa os rostos das asas.
ע״ש [עיין שם] ועי״ז אתעדל״ת [אתערותא דלתתא] בבחי׳ הנה״ב [הנפש הבהמית] והשכלית זהו בחי׳ לב האדם התחתון אל האדם כו׳4 נמשך אתעדל״ע [אתערותא דלעילא] מלמעלה. וביאור ענין אתעדל״ע [אתערותא דלעילא] זו יובן ג״כ בענין הקרבנות.
veja lá. E por meio desse despertar de baixo na alma animal e na alma intelectual — este é o nível do “coração do” “homem” inferior voltado para o “homem” etc. —, um despertar do alto é atraído de cima. A explicação desse despertar do alto também será compreendida a partir do tema dos sacrifícios.
Por meio desse despertar de baixo, na alma animal e na alma intelectual, o “coração” do homem inferior se volta para o “homem” acima, e um despertar do alto é atraído em resposta. Esse despertar do alto pode ser compreendido por meio dos sacrifícios.
כי הנה הקרבנות להקריב חלב ודם של הבהמה ע״ג [על גבי] המזבח הוא ג״כ בחי׳ העלאה דנפש הבהמה ששרשה מחיות ואופנים מבחי׳ פני שור כו׳.
Pois os sacrifícios — oferecer a gordura e o sangue do animal sobre o altar — também constituem um nível de elevação da alma do animal, cuja raiz provém dos Chayot e dos Ofanim, do nível do rosto de um boi etc.
Oferecer no altar a gordura e o sangue de um animal também eleva a alma do animal, cuja raiz está nos Chayot e nos Ofanim, no rosto do boi.
O núcleo interior da alma animal é humano e intelectual; seu despertar de baixo, assim como a elevação de um animal sobre o altar, atrai um despertar do alto.
Marei mekomot
- 1פניהם פני אדם · Ezekiel 1:10
- 2בד״ה וספרתם לכם · לעיל פ׳ במדבר י, א.
- 3ופניהם וכנפיהם · Ezekiel 1:11
- 4בחי׳ לב האדם התחתון אל האדם כו׳ · באוה״ת במדבר-ד ע׳ א׳תסב יש הגה״ה לכאן.
Dois fogos e dois tipos de oferenda ¶13–14
13והנה היו מביאים אש שלמטה ועי״ז נחית אשא עילאה אריה דאכיל קרבנין12 אריה מלך3 שבחיות להתכלל באש שלמעלה.
Ora, traziam fogo de baixo e, por meio disso, descia o fogo Supremo — o “leão que devora as oferendas”, o leão, rei dos animais (chayot) — para ser incluído no fogo do alto.
No Templo, trazia-se de baixo fogo comum para o altar e, por meio dele, descia o fogo do alto, o “leão que devora as oferendas”. O leão é o “rei dos animais” (Chagigah 13b), e o fogo de baixo era absorvido pelo fogo do alto.
וכך ג״כ בתפלה בהעלאת נה״ב [נפש הבהמית] יש ג״כ ב׳ בחי׳ אשות הנ״ל העלאה והמשכה וכ״ז [וכל זה] נק׳ אכילת מזבח וכן הענין ג״כ למעלה בנשמות שמיכאל כה״ג [כהן גדול] מקריב4 ע״ג [על גבי] המזבח5
Assim também na oração, ao elevar a alma animal, há igualmente os dois níveis de fogo mencionados acima: uma elevação e uma descida; e tudo isso é chamado de “consumo do altar”. O mesmo ocorre também no alto, com as almas que Michael, o Cohen Gadol (Sumo Sacerdote), oferece sobre o altar;
A oração envolve os mesmos dois fogos: a elevação da alma animal de baixo e a descida do fogo do alto; ambos são chamados de “consumo” do altar. O mesmo ocorre nos céus: o anjo Michael, o Cohen Gadol celestial, oferece as almas sobre o altar Supremo.
כי הנשמות הן בחי׳ נבראים מאין ליש וע״י מיכאל נקרבים למעלה מעלה ליכלל באצי׳ [באצילות] דאיהו וחיוהי6 וגרמוהי חד:7
pois as almas estão no nível dos seres criados, [trazidas] do nada à existência; e, por meio de Michael, são oferecidas cada vez mais alto, para serem incluídas em Atsilut, onde “Ele, Suas forças vitais e Seus recipientes são um”.
As almas são seres criados, trazidos à existência a partir do nada; por meio de Michael, são elevadas cada vez mais alto, até serem absorvidas em Atsilut, o mundo em que D'us, Suas forças vitais e Seus recipientes são um.
Os dois fogos da oferenda, o de baixo e o do alto, manifestam-se na oração e nos céus, onde Michael eleva as almas à unidade de Atsilut.
A respeito da oferenda das almas por Michael, a nota da Kehot cita o Zohar (3:33a; 1:80a) e Tosafos no final de Menachos. “Ele, Suas forças vitais e Seus recipientes são um” provém da introdução do Tikkunei Zohar (3b), onde descreve as Dez Sefirot de Atsilut.
Marei mekomot
- 1ארי׳ דאכיל קרבנין · Zohar I, 6b
- 2אריה דאכיל קרבנין · Zohar, Vayikra 40:278–41:285
- 3ארי׳ מלך שבחיוח · Chagigah 13b:5–6
- 4בנשמות שמיכאל כה״ג מקריב · Zohar III, 33a
- 5שמיכאל כה״ג מקריב ע״ג המזבח · Zohar, Tzav 20:135–145
- 6באצי׳ דאיהו וחיוהי · ת״ז בהק׳ (ג, ב). באוה״ת במדבר-ד ע׳ א׳תסב נמצא הג״ה וקיצור לכאן.
- 7דאיהו וחיוהי וגרמוהי חד · Tikkunei Zohar 3b:9–10
14והנה הקרבת הקרבנות ע״ג [על גבי] המזבח נק׳ בשם אכילה כמארז״ל [כמאמר רבותינו זכרונם לברכה] בשתי אכילות הכתוב מדבר1 א׳ אכילת אדם וא׳ אכילת מזבח לפי שהיא בחי׳ פנימית2 אכלתי יערי עם דבשי3 (ועמ״ש בד״ה ואם האכל יאכל בפ׳ שלח).4
Ora, a oferta dos sacrifícios sobre o altar é chamada de “comer”, como disseram nossos Sábios, de abençoada memória: “A Escritura fala de duas formas de comer: uma, a comida do homem, e outra, a comida do altar”, pois isso é um nível interior: “Comi meu favo de mel com meu mel” (e veja o que está escrito no discurso que começa com “E, se for comido de fato”, na Parashá Shelach).
O consumo das ofertas pelo altar é chamado de “comer” (Zevachim 13b) porque corresponde a um nível interior: assim como o alimento, é absorvido. Por isso, o versículo diz: “Comi meu favo de mel com meu mel” (Cântico dos Cânticos 5:1).
אבל יש בחינה אחרת והיא בחי׳ מקיף שהיא ענין הקטרת שהוא רק ריח שהנשמה נהנית ממנו ולא הגוף56 שאינו נכנס בגוף כלל בבחי׳ פנימית רק בבחי׳ מקיף מלמעלה7
Mas há outro nível, o nível abrangente (makif), que corresponde ao incenso: trata-se apenas de uma fragrância, da qual a alma desfruta, mas não o corpo, pois ela não penetra de modo algum no corpo interiormente, mas apenas o afeta de maneira abrangente, de cima.
Há outro nível, o abrangente (makif): o incenso. Segundo os Sábios, é da fragrância que a alma desfruta, e não o corpo (Berakhot 43b); ela não penetra no corpo interiormente, mas o afeta de cima.
(ונתבאר מזה בביאור ע״פ באתי לגני8 גבי אריתי מורי וכמו שהחוטם הוא למעלה מהחיך כו׳. ועמ״ש ע״פ ראה ריח בני בפ׳ תולדות9 ע״ש [עיין שם] בענין העלאת מ״ן [מיין נוקבין] שבבחי׳ מקיף, ועיין בזהר ס״פ ויקהל)
(Isso foi explicado na explicação do versículo “Vim ao Meu jardim”, a respeito de “Recolhi minha mirra”, e também na comparação com o nariz, que está acima do palato, etc. Veja também o que está escrito sobre o versículo “Vê, a fragrância de meu filho”, na Parashá Toldot; veja ali a respeito da elevação de mayin nukvin (águas femininas) que se dá de maneira abrangente. E veja no Zohar, no fim da Parashá Vayakhel.)
Isso é explicado no discurso sobre “Vim ao Meu jardim”, a respeito de “Recolhi minha mirra”, e também na imagem do nariz, órgão do olfato, situado acima do palato, órgão do paladar. O discurso sobre “Vê, a fragrância de meu filho” trata da elevação de mayin nukvin, o anseio ascendente da alma, como um nível abrangente.
(דרי״ט10 א׳) מענין קטרת ובפ׳ בהעלותך (דקנ״א ע״ב) ושם מבואר ג״כ מענין מזבח הפנימי ומזבח החיצון
(p. 219a), a respeito do incenso; e na Parashá Beha’aloscha (p. 151b), onde também se explicam o altar interior e o altar exterior,
O Zohar trata do incenso no fim de Vayakhel e em Beha’aloscha, onde também explica o altar interior, sobre o qual se queimava o incenso, e o altar exterior, que recebia os sacrifícios de animais.
והיינו בחינת פנימית הלב וחיצונית הלב ועמ״ש בד״ה מי מנה עפר יעקב11 בענין ויחד לבבנו כו׳
isto é, o nível interior (pnimiyut) do coração e o nível exterior (chitsoniyut) do coração. E veja o que está escrito no discurso que começa com “Quem contou o pó de Yaakov”, a respeito de “e unifica nosso coração”, etc.;
Os altares interior e exterior correspondem às dimensões interior e exterior do coração. Mais sobre isso encontra-se no discurso sobre “Quem contou o pó de Yaakov”, a respeito da prece “e unifica nosso coração”.
ע״ש [עיין שם] ועמ״ש עוד מענין קטרת לעיל ע״פ נשא את ראש בני גרשון,12 ובד״ה בכ״ה בכסלו13 וע׳ [ועיין] מ״ש הרמ״ז [הרב משה זכות] ס״פ בא14 ע״פ הרע״מ [הרעיא מהימנא] שם ד״מ ע״ב.
veja ali. E veja também o que está escrito acima a respeito do incenso, sobre o versículo “Eleva a cabeça dos filhos de Gershon”, e no discurso que começa com “No vigésimo quinto de Kislev”; e veja o que escreve o Ramaz (Rabi Moshe Zacuto) no fim da Parashá Bo, a respeito da Raaya Mehemna ali, página 40b.
Seguem outras referências sobre o incenso: o maamar anterior nesta parashá, sobre “Eleva a cabeça dos filhos de Gershon”; o discurso “No vigésimo quinto de Kislev”; e o Ramaz sobre a Raaya Mehemna no fim da Parashá Bo.
Distinguem-se dois tipos de oferta: o “comer” do altar, que é um nível interior, e o incenso, um nível abrangente cuja fragrância é desfrutada pela alma, mas não pelo corpo; eles correspondem aos altares interior e exterior e às dimensões interior e exterior do coração.
O Tzemach Tzedek, ao citar esta passagem em Or HaTorah, apresenta uma dificuldade: a própria alma é uma luz interior no corpo; portanto, se a alma desfruta da fragrância, como ela pode ser abrangente? Ele responde que ela é abrangente apenas em relação ao corpo, enquanto para a alma constitui um deleite real.
Marei mekomot
- 1בשתי אכילות הכתוב מדבר · Zevachim 13b:3
- 2לפי שהיא בחי׳ פנימית · ראה באוה״ת שה״ש-ב ע׳ תפג.
- 3אכלתי יערי עם דבשי · Song of Songs 5:1
- 4בד״ה ואם האכל יאכל בפ׳ שלח · לקמן מא, ד ואילך.
- 5אבל יש בחינה אחרת והיא בחי׳ מקיף . . שהנשמה נהנית ממנו ולא הגוף · מובא באוה״ת ויקרא-א ע׳ רצב וכתב ע״ז ”וצ״ע שהרי הנשמה עכ״פ נהנית ממנו והנשמה היא אור פנימי המלובש תוך הגוף. וא״כ הא״פ נהנה מן הריח רק הגוף אינו נהנה ממנו, וא״כ איך הוא מקיף, אלא צ״ל רק להגוף נחשבו מקיף אבל להנשמה הגם שהיא או״פ זהו הנאה ממש” ע״ש.
- 6ריח שהנשמה נהנית ממנו ולא הגוף · Berakhot 43b:3
- 7בבחי׳ מקיף מלמעלה · באוה״ת במדבר-ד ע׳ א׳תסב נמצא הג״ה לכאן.
- 8בביאור ע״פ באתי לגני · לקו״ת שה״ש לג, א.
- 9ע״פ ראה ריח בני בפ׳ תולדות · תו״א כ, ד.
- 10בזהר ס״פ ויקהל (דרי״ט א׳) · מובא גם לעיל כב, ד. אוה״ת בראשית-א דף קנב, א. תצוה ע׳ תשס.
- 11בד״ה מי מנה עפר יעקב · לקמן סז, ג.
- 12ע״פ נשא את ראש בני גרשון · לעיל כב, ד.
- 13ובד״ה בכ״ה בכסלו · תו״א כט, ד. וראה באוה״ת במדבר-ד ע׳ א׳תסה מה שהעתיק מתו״א.
- 14וע׳ מ״ש הרמ״ז ס״פ בא · ראה לעיל כב, ד. ובמ״מ לשם.
Chinuch: o presente adicional de um começo ¶15–17
15והנה הקטרת לא היתה קריבה על מזבח החיצון כ״א [כי אם] על מזבח הפנימי.1 אך ורק בנשיאים היתה הוראת שעה שהקריבו קטרת ע״ג [על גבי] מזבח החיצון.
Ora, o incenso não era oferecido no altar externo, mas somente no altar interno. Apenas no caso dos príncipes houve uma determinação excepcional para aquela ocasião, permitindo-lhes oferecer incenso sobre o altar externo.
Normalmente, o incenso era queimado somente no altar interno, de ouro, dentro do Santuário. Apenas para os príncipes houve uma determinação especial para aquela ocasião, permitindo-lhes oferecê-lo no altar externo.
Isso foi para a dedicação do altar. O termo chanucá (dedicação) deriva da palavra chinuch (educação), como em: “Educa o jovem segundo o seu caminho”;
Isso foi para a dedicação do altar. A palavra chanucá, “dedicação”, está relacionada a chinuch, “educação”, como em: “Educa o jovem segundo o seu caminho” (Provérbios 22:6).
והיינו כמשל התינוק שמחנכין אותו ללמוד נותנין לו מתנה יתירה כדי להרגילו להתחיל בלימוד משא״כ כשהוא כבר הרגיל א״ע [את עצמו] והתחיל כו׳.
isto é, como na analogia da criança pequena que é treinada para estudar: dão-lhe um presente adicional para acostumá-la a começar a estudar; ao passo que, quando ela já se acostumou e começou, etc.
Quando uma criança começa a ser treinada para estudar, dão-lhe um presente adicional para acostumá-la a começar; quando ela já está habituada a estudar, isso deixa de ser necessário. A dedicação do altar é uma iniciação semelhante.
A oferta de incenso dos príncipes no altar externo foi um ato excepcional de dedicação: chanucá no sentido de chinuch, o incentivo adicional oferecido no início.
A nota da Kehot remete a outros tratamentos da ideia de chanucá como chinuch: Shaarei Orah, do Rebe Mitteler, sobre Chanucá; um maamar de 5635; e discursos do Rebe em Likkutei Sichos.
Marei mekomot
- 1כ״א על מזבח הפנימי · ראה הגהה לכאן באוה״ת במדבר-ד ע׳ א׳תסד.
- 2מלשון חינוך · וראה גם בשערי אורה ד״ה בכ״ה בכסלו פל״ז. סה״מ תרל״ה-ב ע׳ של ואילך. לקו״ש חכ״ה ע׳ 383 ואילך. וראה לקו״ש חל״ב ע׳ 105 הערה 72.
- 3חנוך לנער ע״פ דרכו · Proverbs 22:6
16והיינו שהחינוך ללמוד אינו ע״י הלימוד בלבד שזהו דבר ההוה לו תמיד אלא שמחנכין אותו ע״י איזו תוספת
Isto é, o treinamento [de uma criança] para estudar não se dá apenas por meio do estudo, que é algo habitual para ela em todos os momentos; em vez disso, ela é treinada por meio de algum acréscimo,
O treinamento de uma criança para estudar não decorre apenas do estudo, que constitui sua rotina diária habitual. É preciso algo a mais.
כמו איזו התקרבות או איזו מתנה כו׳ אך לאחר שכבר חינכו אותו די בדבר ההוה תמיד והיינו משום שכל התחלות קשות.
como alguma demonstração de proximidade ou algum presente, etc. Mas, depois que ela já foi treinada, basta o que é habitual. E isso se deve ao fato de que “todos os começos são difíceis”.
Esse algo a mais pode ser uma demonstração de proximidade ou um presente. Uma vez treinada a criança, a rotina basta, pois “todos os começos são difíceis”, e apenas no início é necessário esse auxílio adicional.
ולכן כדי שתהיה ההתחלה צ״ל [צריך להיות / צריך לומר / צריך להבין] ע״י חינוך. (וכמ״ש במ״א בד״ה בכ״ה בכסלו1 הנ״ל בענין חנוך לנער ע״פ דרכו).
Portanto, para que haja um começo, ele deve ocorrer por meio do chinuch (educação). (Como é explicado em outro lugar, no maamar que começa com “No dia vinte e cinco de Kislev”, mencionado acima, a respeito de “Educa o jovem segundo o seu caminho”.)
Assim, todo começo deve ocorrer por meio do chinuch, uma iniciação. O Alter Rebe refere-se ao seu maamar de Chanucá, “No dia vinte e cinco de Kislev”, sobre o versículo “Educa o jovem segundo o seu caminho”.
וזהו ג״כ ענין הבו לה׳ כבוד כו׳ ואחר כך קול ה׳ על המים23 כו׳ ז׳ קולות ופי׳ קול הוא המשכה כמו קול גשמי היוצא מן הלב אל הדבור
E este também é o sentido de “Tributai a Havayá glória”, etc., e depois “A voz de Havayá está sobre as águas”, etc., as sete vozes. O sentido de “voz” é uma extensão, como a voz física que sai do coração e se transforma em fala;
O Salmo 29 segue o mesmo padrão: primeiro “Tributai a Havayá glória” e, somente depois, as sete “vozes de Havayá”, começando por “A voz de Havayá está sobre as águas”. “Voz” significa uma extensão, assim como a voz física leva o sentimento do coração à fala.
והנה הוא המחבר המדה שבלב עם הדבור להיות נראים ונתגלים אופן המדות שבלב למהות אחר בדבור וה״ז [והרי זה] בחי׳ ירידה ממהות מדה למהות דבור.
pois é ela que une o atributo do coração à fala, de modo que a forma dos atributos emocionais (midot) no coração se torne visível e revelada em outro modo, na fala; e isso constitui um nível de descida do modo de um atributo ao modo da fala.
A voz liga o sentimento do coração à fala, de modo que a emoção se torne visível em outra forma, como palavras. É uma descida de um modo — a emoção — a outro — a fala.
וירידה והמשכה זו היא ע״י הקול. ועד״ז [ועל דרך זה] כל ירידה והמשכה ממהות למהות אחר נק׳ בשם קול.
E essa descida e extensão se dão por meio da voz. De modo semelhante, toda descida e extensão de um modo a outro é chamada “voz”.
Essa descida ocorre por meio da voz; por isso, qualquer descida de um modo de existência a outro é chamada “voz”.
וזהו ענין קלא פנימאה דלא אשתמע45 הוא בחי׳ המשכה משכל למדות כו׳ (ועמ״ש מזה בשה״ש [בשיר השירים] ע״פ קול דודי67 הנה זה בא).
E este é o sentido de “a voz interior que não se ouve”: ela é o nível de uma extensão do intelecto aos atributos emocionais, etc. (E veja o que é escrito sobre isso em Shir HaShirim, a respeito do versículo “A voz do meu amado! Eis que ele vem”.)
A “voz interior que não se ouve” do Zôhar é a extensão do intelecto à emoção, antes que qualquer coisa chegue à fala. O maamar sobre “A voz do meu amado” em Shir HaShirim trata disso extensamente.
וזהו ענין ז׳ קולות שהם ז׳ בחינות המשכות וירידות בז׳ המדות. מים הוא חסד וכח הוא בחי׳ גבורה כו׳.
E este é o sentido das sete vozes: elas são sete níveis de extensão e descida aos sete atributos. “Água” é Chessed (bondade), e “força” é o nível de Guevurá (contenção), etc.
As sete vozes do salmo são sete extensões aos sete atributos emocionais. A voz “sobre as águas” corresponde a Chessed; a voz “com força”, a Guevurá; e assim por diante, ao longo dos sete.
וההמשכה הוא מעלמא דאתכסיא89 שלמעלה מהמדות (וכענין שבעה ושבעה מוצקות10 לנרות ששבעת הנרות הן שבעה מדות והמוצקות הן המשכות ממד רגות עליונות להמדות ע׳ [עיין] בזהר ס״פ מקץ)11 (דר״ד סע״ב [סוף עמוד ב])12 ועמ״ש בד״ה כי עמך מקור חיים.
E a extensão para baixo vem do mundo oculto (alma de’iskasya), que está acima dos atributos (como no assunto de “sete, e sete tubos para as lâmpadas”: as sete lâmpadas são os sete atributos, e os tubos são extensões de níveis superiores para os atributos; veja o Zohar, no final de Parshas Mikeitz) (p. 204, final do lado b). E veja o que está escrito no discurso que começa “Pois contigo está a fonte da vida”.
Essas extensões para baixo vêm do “mundo oculto” (alma de’iskasya), o nível acima dos atributos. Da mesma forma, Zecharias viu sete lâmpadas com sete tubos que as alimentavam (Zecharias 4:2): as lâmpadas são os sete atributos, e os tubos lhes trazem luz de níveis superiores, como explica o Zohar no final de Mikeitz.
וכ״ה עוד בזהר דשבעה מוצקות הן שבעה הבלים כו׳ ועיין מענין שבעה הבלים בזהר פ׳ תזריע דמ״ז ע״ב13 וכל המשכה הוא ע״י שם הוי׳ יו״ד צמצום כו׳
E assim também consta no Zohar: os sete tubos são sete havalim (sopros), etc.; e veja sobre o assunto dos sete havalim no Zohar, Parshas Tazria, p. 47b. E toda extensão para baixo ocorre por meio do Nome Havayá: o yud é tsimtsum (contração), etc.
O Zohar também chama os sete tubos de “sete havalim”, sete sopros. Toda extensão para baixo ocorre por meio do Nome Havayá, cuja primeira letra, o yud, representa o tsimtsum, a contração.
ולכן בכדי שיהיה ירידה והשפלה זו מבחי׳ שם הוי׳ בז׳ קולות האלו מקדימים בחי׳ הבו לה׳ כבוד הוא ענין מקיף והארה יתירה כדי להיות נמשך אח״כ [אחר כך] הז׳ קולות.
Portanto, para que ocorra essa descida e rebaixamento do nível do Nome Havayá para essas sete vozes, vem primeiro o nível de “Dai glória a Havayá”: trata-se de algo abrangente (makif) e de uma iluminação adicional, para que depois as sete vozes possam ser estendidas para baixo.
Portanto, para trazer essa descida do Nome Havayá para as sete vozes, o salmo diz primeiro: “Dai glória a Havayá”. A glória é uma iluminação abrangente e adicional, que torna possível a descida.
והכבוד הזה צריך להמשיך מתחלה קודם הז׳ קולות14 (בר״ח [בראשית חכמה] פ״ב [פרק ב׳] משער היראה הביא מהרע״מ [מהרעיא מהימנא] פ׳ פנחס דרנ״ה ע״ב בענין הראני נא את כבודך15 שהוא בחי׳ כתר עליון כו׳ וע׳ [ועיין] בזהר בהעלותך דקנ״ד16 א׳ בענין קרנו תרום בכבוד17
E essa glória deve ser estendida para baixo desde o início, antes das sete vozes. (Em Reishis Chochmah, capítulo 2 de Shaar HaYirah, ele cita o Raaya Mehemna, Parshas Pinchas, p. 255b, sobre o assunto de “Mostra-me, por favor, Tua glória”, que é o nível do Kéter supernal (a Coroa), etc.; e veja o Zohar, Beha’aloscha, p. 154a, sobre o assunto de “Seu chifre será exaltado em glória”;
Essa glória deve ser estendida para baixo antes das sete vozes. Reishis Chochmah cita o Raaya Mehemna, segundo o qual a “glória” de “Mostra-me, por favor, Tua glória” é o Kéter supernal (a Coroa); e o Zohar, em Beha’aloscha, discute “Seu chifre será exaltado em glória”.
והיינו כי פי׳ הבו לה׳ כבוד היינו איך שבאמת למעלה הוא היש וכולא קמיה כלא ממש חשיבא ועמ״ש בביאור ע״פ כי ביום הזה יכפר מענין כבוד חכמים ינחלו18 כו׳ ע״ש [עיין שם])
isto é, o significado de “Dai glória a Havayá” é que, na verdade, acima, Ele é a existência (yesh), e “tudo diante Dele é considerado como verdadeiramente nada”. E veja o que está escrito na explicação do versículo “Pois neste dia ele expiará”, sobre o assunto de “Os sábios herdarão glória”, etc.; veja lá.)
“Dai glória a Havayá” significa reconhecer que, acima, na verdade, somente Ele existe verdadeiramente, e tudo diante Dele é como nada. A explicação de “Pois neste dia ele expiará” desenvolve essa ideia em relação a “Os sábios herdarão glória”.
וכן הוא הענין שנותנין מתנה לכבוד חתן וכלה לפי שנעשה יחוד חדש כי חתן חות דרגא וכלה כלתה נפשי ממטה למעלה.
E assim também se dá quando se oferece um presente em honra (kavod) do noivo e da noiva: isso ocorre porque se estabelece uma nova união. Pois chasan (noivo) significa “descer um nível” (chas darga), e kallah (noiva) significa “minha alma anseia” (kalsah nafshi), de baixo para cima.
O mesmo vale para o presente oferecido em honra do noivo e da noiva: o casamento deles é uma nova união. O Alter Rebe interpreta chasan (noivo) como uma descida de nível, de cima, e kallah (noiva) como o anseio da alma para ascender, de baixo para cima.
והם שני הפכים שמתייחדים וכדי להמשיך יחוד חדש כזה צריך להמשיך תחלה בחי׳ כבוד שהיא תוספת הארה בבחי׳ מקיף.
Eles são dois opostos que se unem; e, para estender para baixo uma nova união como essa, é preciso primeiro estender para baixo o nível de kavod (glória), que é uma iluminação adicional em forma abrangente.
Noivo e noiva são dois opostos — descida e ascensão — que se unem. Para realizar uma nova união como essa, é preciso primeiro estender para baixo kavod, honra ou glória: uma iluminação adicional e abrangente.
Todo novo começo necessita de uma luz adicional e abrangente: o presente dado à criança, a “glória” que precede as sete vozes do Salmo 29 e o presente oferecido ao noivo e à noiva demonstram, todos, que o kavod deve preceder uma nova descida ou união.
As sete vozes do Salmo 29 são entendidas como os sete atributos emocionais, estendidos do mundo oculto acima deles por meio do Nome Havayá. A “glória”, que a Raaya Mehemna associa ao Kéter supremo, vem primeiro como a luz abrangente que torna possível essa descida.
Marei mekomot
- 1בד״ה בכ״ה בכסלו · תו״א כט, ד. וראה גם לקו״ת נשא צח, א. ברכה צח, ב ואילך.
- 2הבו לה׳ כבוד . . קול ה׳ על המים · Psalms 29:1
- 3קול ה׳ על המים · Psalms 29:3
- 4קלא פנימאה דלא אשתמע · זח״א (נ, ב) [כ].
- 5קלא פנימאה דלא אשתמע · Zohar, Bereshit 83:235–86:248
- 6בשה״ש ע״פ קול דודי · לקו״ת שה״ש טו, ב.
- 7
- 8עלמא דאתכסיא · זח״א (יח, א. קנב, א. קנח, ב). ובזח״ב (כט, ב). [כ].
- 9מעלמא דאתכסיא · Zohar, Bereshit 6:60–7:70
- 10שבעה ושבעה מוצקות · Zechariah 4:2
- 11בזהר ס״פ מקץ · Zohar, Miketz 15:261–269
- 12בזהר ס״פ מקץ (דר״ד סע״ב) · בענין שבעה ושבעה מוצקות ראה אוה״ת ויקרא-א ע׳ רעט. ביאוה״ז להצ״צ-ב ע׳ תתעז.
- 13בזהר פ׳ תזריע דמ״ז ע״ב · ראה אוה״ת ויקרא-א ע׳ רפ ואילך. ובביאוה״ז להצ״צ-ב ע׳ תתעז ואילך. ע׳ תתפא ואילך נזכר גם לעיל פ׳ במדבר יב, ד.
- 14להמשיך מתחילה קודם הז׳ קולות · באוה״ת במדבר-ד ע׳ א׳תסה נמצא הגה״ה.
- 15הראני נא את כבודך · Exodus 33:18
- 16בזהר בהעלותך דקנ״ד א׳ · Zohar, Beha'alotcha 15:87–16:94
- 17קרנו תרום בכבוד · Psalms 112:9
- 18כבוד חכמים ינחלו · Proverbs 3:35
17ועד״ז [ועל דרך זה] הקריבו הנשיאים בחנוכת המזבח קערות ומזרקי כסף וכפות זהב אף שמנחת נדבה מביאה בכפיפה מצרית1 רק הנשיאים עשו לכבוד ולתפארת
E, da mesma forma, na inauguração do altar, os príncipes ofereceram tigelas e bacias de prata e colheres de ouro, embora uma oferenda voluntária de farinha seja trazida numa cesta egípcia; os príncipes, porém, fizeram isso “para glória e esplendor”.
Como o presente que inicia uma criança, os príncipes trouxeram tigelas e bacias de prata e colheres de ouro na inauguração do altar. Uma oferenda voluntária de farinha podia ser trazida numa simples cesta egípcia, mas os príncipes fizeram isso “para glória e esplendor”.
וזה היה ג״כ ענין הקרבת הקטרת על מזבח החיצון שאינו דבר ההוה כלל שדבר ההוה היינו קרבנות תמידין כו׳ רק כמו שמחנכין התינוק ע״י מתנה יתירה דוקא.
E este também era o sentido de oferecer o incenso sobre o altar externo, o que de modo algum era uma prática regular — a prática regular eram as oferendas diárias, etc. —, mas sim, como se educa uma criança pequena especificamente por meio de um presente adicional.
Queimar incenso sobre o altar externo também estava fora do habitual, pois o serviço regular ali eram as oferendas diárias. Era o presente adicional de uma inauguração, como o presente dado a uma criança que começa a aprender.
כך היה ענין הקרבת הקטרת שהוא המשכת בחי׳ מקיפים וכך הוא ענין הכבוד שעי״ז יוכל להיות אח״כ [אחר כך] סדר הקרבנות תמידין כסדרן2 וכו׳ זהו ענין חינוך המזבח כנודע:3
Assim era o sentido da oferta do incenso, que consiste em atrair o nível das [luzes] circundantes (makifim); e assim também é o sentido da glória, por meio da qual depois podia haver a ordem das oferendas, “as oferendas diárias segundo sua ordem”, etc. Este é o sentido da inauguração do altar, como é sabido.
O incenso atraía a luz circundante, e assim também a glória dos utensílios preciosos; por meio deles, a ordem regular das oferendas podia prosseguir. É isso que significa a inauguração do altar.
Os utensílios preciosos dos príncipes e o incenso oferecido por eles sobre o altar externo constituíam a “glória” adicional e circundante da inauguração, que tornou possível o serviço regular que veio depois.
Numa nota citada pela Kehot (Likkutei Sichos, vol. 7, p. 205), o Rebe aborda a afirmação de que uma oferenda voluntária de farinha pode ser trazida numa cesta egípcia, embora o Talmud (Sotah 14b) considere tal recipiente impróprio por causa de “Ofereça-o agora ao seu governador”. Citando o Kesef Mishneh, ele explica que essa desqualificação não decorre da Torá.
Marei mekomot
- 1שמנחת נדבה מביאה בכפיפה מצרית · בלקו״ת נשא (כט, ב) שמנחת נדבה מביאה בכפיפה מצרית, שזהו דלא כמפורש בסוטה (יד, ב) דפסול — הרי מפורש שם שהטעם דהקריבהו נא לפחתך גו׳, ואיסור זה אינו מן התורה (כס״מ הל׳ איס״מ פ״ב ה״י (ודלא כי״א מהאחרונים דאסור מה״ת — דלפ״ז אינו מובן הא דעניים מביאים בכורים בסלי נצרים של ערבה (בכורים פ״ג מ״ח) שבודאי פחותים מנצרי דקל (דהיינו כפיפה מצרית, כפרש״י בסוטה שם) דסברת הקריבהו שייך גם באינו קרב על המזבח ממש, וק״ל)) — לקו״ש ח״ז ע׳ 205.
- 2תמידין כסדרן · תפלת מוסף.
- 3זהו ענין חינוך המזבח כנודע · קיצור באוה״ת במדבר-ד ע׳ א׳תסה.
O óleo da unção e a resposta ¶18–19
18אך כדי להיות המשכת קטרת שהוא בחי׳ מקיף צ״ל [צריך להיות / צריך לומר / צריך להבין] משיחת המזבח בשמן המשחה. כי שמן המשחה הוא ממוצע בין פנימי למקיף
Mas, para que haja a atração do incenso, que é o nível do envolvente (makif), é preciso ungir o altar com o óleo da unção. Pois o óleo da unção é um intermediário entre o interior e o envolvente;
Para que a luz envolvente do incenso pudesse ser atraída, primeiro era preciso ungir o altar com o óleo da unção. O óleo é um intermediário entre o nível interior e o envolvente.
כי שמן הוא משקה ובשמן המשחה היה מעורב בשמים ראש1 מר דרור קנמן בשם2 כו׳ שהוא ענין הריח הרי שהיה תערובות בחי׳ פנימי ומקיף.
pois o óleo é uma bebida, e no óleo da unção foram misturadas “especiarias escolhidas: mirra fluida… canela aromática”, etc., que dizem respeito à fragrância; assim, havia uma mistura dos níveis do interior e do envolvente.
O óleo é uma bebida, algo que é ingerido, como o nível interior; contudo, no óleo da unção foram misturadas especiarias aromáticas, mirra e canela (Êxodo 30:23), e a fragrância é o nível envolvente. Assim, o óleo da unção combina o interior e o envolvente.
O óleo da unção, uma bebida misturada com fragrância, faz a ligação entre o interior e o envolvente, razão pela qual precisava preceder o incenso.
Quanto às especiarias misturadas no óleo da unção, a nota da Kehot remete à obra Derech Mitzvosecha, do Tzemach Tzedek.
Marei mekomot
- 1היה מעורב בשמים ראש · ראה דרך מצותיך עב, ב.
- 2בשמים ראש מר דרור וקנמן בשם · Exodus 30:23
19ומ״מ [ומכל מקום] בחי׳ מקיף נקרב ביום המשח שהכל בחי׳ א׳. משא״כ שאר הקרבנות שהם אכילת המזבח ולזבח השלמים כל הבקר לעולה1 כו׳ היה אחרי המשח.
Apesar disso, o nível abrangente foi oferecido “no dia em que foi ungido”, pois tudo constitui um único nível. Já as demais oferendas, que são o alimento do altar — “e para o sacrifício das oferendas de paz”, “todo o gado para a oferenda de elevação” etc. — foram oferecidas “depois que foi ungido”.
Como o óleo da unção inclui o nível abrangente, as oferendas abrangentes pertencem à própria unção e podiam ser trazidas “no dia em que foi ungido”, como um único assunto. As oferendas que constituem o “alimento” do altar, as oferendas de paz e “todo o gado para a oferenda de elevação” (Numbers 7:87), foram trazidas “depois que foi ungido”.
שמתחלה היה צ״ל [צריך להיות / צריך לומר / צריך להבין] בחי׳ המקיף לחינוך ואח״כ [ואחר כך] היתה אכילת המזבח ולכך בקרבנות שהם אכילת המזבח כתיב אחרי המשח אותו. ובקטרת והבאת הקערות שהם בבחי׳ מקיף ובחי׳ כבוד כתיב ביום המשח.2
Pois, primeiro, era necessário haver o nível abrangente para a inauguração (chinuch), e depois veio o alimento do altar. Portanto, a respeito das oferendas que constituem o alimento do altar está escrito “depois que foi ungido”; e, a respeito do incenso e da apresentação das tigelas, que pertencem ao aspecto abrangente e ao nível da glória, está escrito “no dia em que foi ungido”.
Primeiro veio o nível abrangente para a inauguração, e só depois o alimento do altar. Por isso, a Torá diz “depois que foi ungido” a respeito das oferendas de alimento, e “no dia em que foi ungido” a respeito do incenso e das tigelas, que pertencem ao nível abrangente e ao nível da glória. Isso responde à pergunta com que o maamar começou.
(ואפשר עד״ז [על דרך זה] יש לפרש מ״ש ברבות נשא פרשה י״ג וז״ל [וזה לשונו] כתיב זאת חנוכת המזבח ביום המשח אותו והלא קערה אחת היתה ומזרק אחד היה וכף אחת היתה ביום המשח אותו3 מה ת״ל קערות כסף שתים עשרה וגו׳ [וגומר]
(E talvez se possa explicar nessa mesma linha o que se diz em [Midrash] Rabbah, Nasso, seção 13; estas são suas palavras: “Está escrito: ‘Esta é a inauguração do altar no dia em que foi ungido.’ Mas, no dia em que foi ungido, não havia apenas uma tigela, uma bacia e uma colher? Por que, então, o versículo diz ‘doze tigelas de prata’ etc.?
O Alter Rebbe sugere que isso também explica um Midrash (Bamidbar Rabbah 13:9). Ele pergunta: no dia da unção, foi trazida apenas uma tigela, uma bacia e uma colher; por que, então, o versículo fala de doze?
אלא העלה עליהם כאלו כולם הקריבו ביום ראשון וביום אחרון4 עכ״ל [עד כאן לשונו]. וכ״ה עוד שם פ׳ י״ד ובשה״ש [ובשיר השירים] ע״פ כולך יפה רעיתי56
“Em vez disso, Ele os considerou como se todos tivessem oferecido no primeiro dia e no último dia.” Fim da citação. E o mesmo se encontra também ali, seção 14, e em [Midrash] Shir HaShirim, sobre o versículo “Tu és toda bela, minha amada”.
O Midrash responde que D'us os considerou como se todos tivessem oferecido no primeiro dia e no último dia. O mesmo ensinamento aparece em Bamidbar Rabbah 14 e em Shir HaShirim Rabbah, sobre “Tu és toda bela, minha amada”.
והיינו שבחי׳ הקטרת והבאת הקערות של כולם הוא בבחי׳ ביום המשח אותו וע״ז [ועל זה] אמר כאילו הקריבו כולם ביום ראשון ובחי׳ הקרבנות ולזבח השלמים הוא בכולן בבחי׳ אחרי המשח אותו וזהו וביום אחרון):
Isto é, o nível do incenso e da apresentação das tigelas de todos eles pertence ao aspecto de “no dia em que foi ungido”; a isso se refere a afirmação “como se todos tivessem oferecido no primeiro dia”. Já o nível das oferendas — “e para o sacrifício das oferendas de paz” — pertence, para todos eles, ao aspecto de “depois que foi ungido”; e isso corresponde a “e no último dia”.)
O incenso e as tigelas de todos os príncipes são considerados como “no dia em que foi ungido”, isto é, no primeiro dia; as oferendas de paz de todos eles são consideradas como “depois que foi ungido”, isto é, no último dia. Assim, ambos os versículos se aplicam a cada príncipe.
O maamar resolve a pergunta inicial: as oferendas abrangentes pertencem ao dia da unção, enquanto as oferendas que constituem o “alimento” vêm depois dela. Isso também explica o Midrash, segundo o qual cada príncipe é considerado como tendo oferecido no primeiro dia e no último.
Marei mekomot
- 1כל הבקר לעולה · Numbers 7:87
- 2כתיב ביום המשח · באוה״ת במדבר-ד ע׳ א׳תסו נמצא הג״ה לכאן.
- 3והלא קערה אחת היתה ומזרק אחד היה וכף אחת היתה ביום המשח אותו · Bamidbar Rabbah 13:9
- 4העלה עליהם כאלו כולם הקריבו ביום ראשון וביום אחרון · Bamidbar Rabbah 14:13
- 5
- 6ובשה״ש ע״פ כולך יפה רעיתי · Shir HaShirim Rabbah 4:7:1
Terminou o maamar?
Marque-o como estudado; ele conta para a semana e para o siyum do ano.
Na avodá
Na prece, exponha os louvores de D'us nos Pesukei deZimra e nas bênçãos do Shemá com profundidade de pensamento, até que o desejo da própria alma animal por prazeres físicos se transforme em amor a D'us ao dizer “Um” e “Amarás… com todo o teu coração”. Use também as coisas permitidas somente por causa do Céu, para que sejam elevadas à santidade e não o arrastem para baixo.
Perguntas para conversar
- Por que o amor da alma animal transformada é chamado “muito bom”, mais do que o próprio amor da alma divina?
- Como a diferença entre os Serafim e os Ofanim explica o poder especial da alma animal?
- Em que sentido a “alimentação” do altar é um nível interior e o incenso, um nível abrangente?
- Por que todo começo precisa de uma luz adicional e abrangente, e onde o maamar encontra esse padrão?
- Como a distinção entre oferendas abrangentes e interiores resolve a questão de ter sido “no dia em que foi ungido” e “depois de ter sido ungido”?