Likkutei Torah · Parshas Nasso · Maamar 1
נשא את ראש בני גרשון וגו׳
“Ergue a cabeça dos filhos de Gershon”
A ideia central
O Mishkan viajou pelo deserto para subjugar as kelipot revelando a divindade, e cada pessoa deve fazer o mesmo com o deserto de sua própria má inclinação. As três famílias de Levi que transportavam o Mishkan representam as etapas desse serviço: Merari, o temor inferior de permanecer de pé e a vontade anulada; Gershon, o amor que se estende a partir de Aharon; e Kehas, o temor superior que vem por meio da Torá.
O maamar em resumo
O maamar pergunta por que somente a contagem de Gershon diz “eles também” e por que somente seu serviço é “por ordem de Aharon”. Primeiro, explica as viagens: o deserto, morada das três kelipot, é estéril porque somente a santidade, enraizada no bitul, pode dar. A divindade revelada no Mishkan as subjugou por si mesma, preparando o caminho para o Futuro, quando até mesmo o ocultamento deste mundo cessará. Interiormente, cada judeu transforma seu coração em um Mishkan por meio da oração com o coração puro, e estende a divindade para baixo através de boas ações, subjugando assim a má inclinação. As vigas, cortinas e utensílios do Mishkan representam os níveis do serviço. As vigas verticais, transportadas por Merari, representam o silêncio e a anulação da vontade, alcançados pela amargura de um exame honesto de si mesmo: o temor inferior. As cortinas, transportadas por Gershon, representam o amor, que nasce no Shemá e se expressa em correr e retornar por meio das mitsvot. A Arca e os altares, transportados por Kehas, representam o temor superior por meio da sabedoria da Torá. O nome de Merari, mor duas vezes, une os dois temores. O amor de Gershon vem de Aharon, fonte do grande amor, cujo nun final se estende a cada alma. “Erguer a cabeça”, elevar a vontade à sua fonte, é próprio de Kehas e Gershon.
Esquema
- As perguntas e o motivo das viagens do MishkanSomente Gershon é contado com “eles também” e colocado “por ordem de Aharon”. O deserto é estéril porque é a fonte das três kelipot, que carecem de bitul e, portanto, não podem dar; as quarenta e duas viagens, correspondentes ao Nome de quarenta e dois, destinavam-se a subjugá-lo.¶1–4
- Subjugação agora, revelação no FuturoA divindade revelada fazia as kelipot derreterem, como a iskafya que deve preceder a is’hapcha. Diante da Essência de D'us nada pode ocultar, pois o mundo provém apenas de Sua fala; no Futuro, o ocultamento cessará até mesmo para a percepção física.¶5–8
- O Mishkan dentro da alma“Habitarei dentro deles” significa que cada judeu transforma seu coração em um Mishkan por meio da oração com o coração puro. A má inclinação é o deserto da alma, e é subjugada quando se estende a divindade para baixo, por meio de boas ações que não precisam esperar até que o mal seja completamente extirpado.¶9–14
- As vigas verticais e as cortinasAs vigas, “madeira de acácia, de pé”, como os anjos que permanecem de pé, representam o silêncio e a anulação da vontade, a primeira parada antes de começar a caminhada do amor. Merari chega a isso por meio da amargura e do temor inferior; as cortinas de techelet representam o amor arrebatador, a carne sobre os ossos, o serviço de Gershon.¶15–18
- Na oração: temor, amor e os seis atributosPesukei deZimra traz o temor inferior; o Shemá traz o amor por meio da contemplação de toda a criação como um único pensamento, uma veste que D'us assume para reinar. Esse amor consiste em seis atributos, expressos em correr e retornar e estendidos por meio das mitsvot, como mostram as cortinas dobradas em seis e o tachash.¶19–27
- Kehas, a Torá e o temor superiorA Arca continha as Tábuas ocultas, e a Menorá revelava sua luz; os altares representam os refinamentos realizados por meio de Chochmá. O temor inferior conduz à sabedoria, e a sabedoria ao temor superior, que vem depois do amor, assim como a Shemoneh Esreh vem depois do Shemá.¶28
- Merari: mor duas vezesAs duas mirras do Mishkan, no incenso e no óleo de unção, representam o temor inferior que se eleva e o temor superior que é estendido para baixo; Merari os une e, por isso, transportava as vigas.¶29–30
- Gershon “por ordem de Aharon”O amor de Gershon é estendido a partir de Aharon, alef-har-nun, a fonte do grande amor, cujo nun final alcança cada alma. Gershon afasta a alma animal; os levitas unem a Luz Infinita aos mundos, como as três mãos de “Suas mãos estabeleceram”.¶31–33
- Erguer a cabeçaA ascensão dos levitas depende da extensão para baixo realizada pelos kohanim. Erguer a cabeça, elevar a vontade inferior à vontade acima do intelecto por meio da Torá, é dito de Kehas e Gershon; o temor de Merari é a base a partir da qual se ascende a eles.¶34–35
Conceitos-chave
- subjugar o desertoהכנעת המדבר
- O deserto é a raiz das kelipot, que carecem de bitul e, por isso, não podem dar; as viagens do Mishkan o subjugaram revelando a divindade, e cada pessoa subjuga da mesma maneira o deserto interior de sua má inclinação.
- iskafya e is’hapchaאתכפיא ואתהפכא
- Subjugar o mal e transformar a escuridão em luz. A subjugação deve vir primeiro; ela é o caminho para a transformação, tanto na vida de cada pessoa quanto no futuro do mundo.
- permanecer de pé (amidá)עמידה
- A posição de pé das vigas e dos anjos: silêncio, anulação da própria vontade, a parada que precede o início da “caminhada” do amor.
- temor inferior e temor superiorיראה תתאה ויראה עילאה
- O temor inferior traz a anulação da vontade e conduz à sabedoria; o temor superior vem por meio da sabedoria da Torá e está acima do amor. Merari une os dois.
- correr e retornar (ratzo vashov)רצוא ושוב
- O amor que anseia elevar-se e a Luz Infinita que é estendida para baixo por meio das mitsvot; cada retorno desperta uma nova corrida.
- erguer a cabeçaנשיאת ראש
- Elevar a vontade inferior, que deriva do intelecto no corpo, à vontade acima do intelecto, sobretudo por meio da Torá.
As perguntas e o motivo das viagens do Mishkan ¶1–4
1נשא את ראש1 בני גרשון2 וגו׳ [וגומר]. יש להבין למה נאמר בבני גרשון גם הם וגם מ״ש בבני גרשון דוקא ע״פ אהרן ובניו3 תהיה כל עבודת בני הגרשוני ולא נאמר כן בבני קהת ומררי.
“Ergue a cabeça dos filhos de Gershon”, etc. É preciso compreender por que se diz dos filhos de Gershon “eles também”; e também [por que] se diz especificamente dos filhos de Gershon: “Por determinação de Aharon e de seus filhos será todo o serviço dos filhos dos gershonitas”, ao passo que nada semelhante é dito dos filhos de Kehas e Merari.
O maamar começa com o versículo em que D'us ordena a Moshe que conte a família levítica de Gershon (Numbers 4:22); “erguer a cabeça” é a expressão da Torá para fazer uma contagem. São levantadas duas perguntas: por que a contagem de Gershon acrescenta as palavras “eles também” e por que somente o serviço de Gershon é descrito como sendo “por determinação de Aharon e de seus filhos”, sem que algo semelhante seja dito dos filhos de Kehas e Merari.
אך הנה תחלה צריך להבין כללות ענין המשכן ונסיעתם במדבר. דהנה שרש טעם נסיעתם במדבר עם המשכן וכליו הי׳ [היה] כדי להכניע כח יניקת החיצונים ששרש יניקתם הוא במדבר דוקא.
Mas, primeiro, é preciso compreender o tema do Mishkan e de suas jornadas pelo deserto como um todo. Pois a razão fundamental de eles viajarem pelo deserto com o Mishkan e seus utensílios era subjugar a força das forças externas de se nutrirem, uma vez que a raiz da nutrição delas se encontra especificamente no deserto.
Antes de responder, o Alter Rebe apresenta o propósito das jornadas do Mishkan como um todo. As “forças externas” são as forças da kelipá, que se nutrem da santidade; a raiz delas está no deserto, e Israel viajava por ele com o Mishkan para quebrar esse poder.
O maamar apresenta suas perguntas sobre a família levítica de Gershon e, em seguida, passa ao tema subjacente: o Mishkan viajava pelo deserto para subjugar as forças da kelipá enraizadas ali.
A nota da edição Kehot relaciona várias transcrições deste discurso, entre elas a do Mitteler Rebbe, e cita a frase final de uma impressão antiga: o Alter Rebbe o pronunciou em um casamento em Zhlobin, sobre o trabalho do Mishkan, seu serviço e seu transporte.
Marei mekomot
- 1נשא את ראש · הנחת כ״ק אדהאמ״צ נדפס בסה״מ תקס״ז ע׳ קצב (וראה סה״מ הנחות הר״פ ע׳ מו). הגהות באוה״ת נשא ע׳ רלו (הקטעים שם הם מהנחת כ״ק אדה״א מסה״מ תקס״ז הנ״ל). רלח. כרך-ו ע׳ א׳תשלט. נדפס (בשינוים) בספר הר אפרים (להרב ר׳ אפרים זלמן ראזמאנן אבד״ק ניקאלייעב, אדעססא, תרנ״ז), ורשום שם בשער: דרוש א׳ . . אשר הרב המחבר ז״ל סדר . . כפי ששמע יוצאים מפיו הקדוש ז״ל [של רבנו הזקן]. ובפנים הספר כתוב: אמרות טהורות . . בפה קדוש .ֿ. שניאור זלמן יגדל שמו . . אשר סידר אותם אאמו״ר הרב ר׳ אפרים זלמן . . בעיר סמילא בשנת תק״ע לפ״ק. בסופו רשום: (נשלם הדרוש הנכבד שאמר אדמו״ר הרב הגדול מוהרש״ז על החתונה בעיר זלאבין על מעשה המשכן על עבודתו ועל משאו). וראה במאמרי אדהאמ״צ במדבר-א ע׳ קסז ואילך, שמיוסד על מאמר זה.
- 2נשא את ראש בני גרשון · Numbers 4:22
- 3ע״פ אהרן ובניו תהי׳ · Numbers 4:27
2ולכך במדבר אין שם גידול צמח ודשא כלל אלא שממון בלבד,1 כי ההשפעה היא מסט׳ [מסטרא] דקדושה דוקא ואתה מחיה את כולם.2
Por isso, no deserto não há crescimento algum de plantas ou de capim, apenas desolação; pois a emanação provém especificamente do lado da santidade: “e Tu dás vida a todos eles”.
O deserto é estéril porque todo crescimento e toda vida provêm da santidade, como diz o versículo a respeito de D'us: “Tu dás vida a todos eles” (Nehemias 9:6). Onde o lado da santidade não alcança, não há fluxo de vida, apenas desolação.
E está escrito: “Justo é Havayá.” O sentido de tsadik (justo) é alguém que concede e é mestre em tsedacá (caridade). E, da mesma forma, em todo o lado da santidade existe esse aspecto.
A palavra tsadik é entendida como alguém que dá tsedacá; assim, “Justo é Havayá” descreve D'us como Aquele que concede. A mesma característica de dar marca tudo o que pertence ao lado da santidade.
A esterilidade do deserto demonstra que a vida e a emanação fluem somente da santidade, cuja característica essencial é dar.
Uma nota na edição Kehot cita um discurso de 5563 que explica que as quarenta e duas jornadas ocorreram especificamente no deserto, para subjugar “o deserto das nações”, elevando suas “águas femininas” (mayin nukvin) ao “grande e terrível deserto”, o Mundo de Tohu. Tohu é chamado deserto e desolação porque sua luz era abundante e seus recipientes, poucos; por isso, existia apenas num estado de ascensão (ratzo) e bitul.
Marei mekomot
- 1במדבר . . שממון בלבד · וע׳ לקמן סד״ה וידבר ה׳ כו׳ נשא. ובד״ה נשא דש׳ תקס״ג בענין מ״ב מסעות במדבר דוקא להכניע מדבר העמים ע״י העלאת מ״ן שלהם לבחי׳ המדבר הגדול והנורא שהוא עולם התהו ל׳ שממה בחי׳ מדבר, שזה הי׳ מחמת ריבוי האור ומיעוט [ה]כלי ע״כ הי׳ רק בבחי׳ רצוא וביטול, וזה נק׳ מדבר ושממה כו׳. ע׳ ספר אור התורה פ׳ ח״ש (קלא, ב), ע״ש. [כ].
- 2ואתה מחי׳ את כולם · Nehemiah 9:6
- 3צדיק ה׳ · Psalms 11:7
- 4צדיק ה׳ · Psalms 145:17
3והנה בהקב״ה [בהקדוש ברוך הוא] החסד נמשך מצד הגדולה כמ״ש ארך אפים וגדל חסד.1 ובכל סטרא דקדושה החסד נמשך מצד הביטול שבטל לה׳ ונחשב לאין ואפס בעיניו לכן ראוי ליתן לזולתו שהוא חשוב יותר.
Ora, no Santo, bendito seja Ele, Chessed (bondade) decorre do aspecto da grandeza, como está escrito: “Tardio em irar-Se e grande em bondade.” E em todo o âmbito da santidade, a bondade decorre do aspecto da autoanulação (bitul): a pessoa se anula perante D'us e se considera como nada e nulidade aos próprios olhos; por isso, é apropriado [a ela] dar a outro, que é mais importante.
Em D'us, a bondade flui de Sua grandeza, e a expressão “grande em bondade” (Psalms 145:8) associa as duas. Nos seres criados do lado da santidade, a bondade flui do bitul: quem se considera como nada perante D'us vê os outros como mais dignos do que ele próprio e, assim, lhes dá.
O parágrafo distingue a fonte da bondade em D'us — Sua grandeza — de sua fonte nas criaturas santas: a autoanulação delas.
Marei mekomot
- 1ארך אפים וגדל חסד · Psalms 145:8
4וכמ״ש באברהם ואנכי עפר ואפר1 ולפיכך הי׳ [היה] עושה חסד עם כל בני2 אדם כו׳. משא״כ מי שהוא יש ודבר ואינו בטל צריך הכל לגרמיה ואינו בחי׳ משפיע.
Como está escrito a respeito de Avraham: “E eu sou pó e cinza”; e por isso ele fazia bondade com todas as pessoas etc. Em contrapartida, quem é um ser (yesh), uma coisa, e não está anulado, precisa de tudo para si e não está no nível de quem concede.
Avraham, que disse “E eu sou pó e cinza” (Genesis 18:27), é o modelo de bitul e, portanto, de bondade para com todos; a nota da Kehot remete ao Midrash (Bereshis Rabbah 49) sobre como ele acolhia todos os viajantes. Quem se considera um “ser” (yesh) separado precisa de tudo para si e não pode ser um doador.
ולכן במדבר הם נחש שרף ועקרב ג״ק [ג׳ קליפות]3 ששם מקור הקליפות שהם יש ודבר נפרד ואין בהם בחי׳ הביטול לכן אין ממנו שום השפעה,
Portanto, no deserto há “cobra, serpente abrasadora e escorpião”, as três kelipot (cascas), pois ali está a fonte das kelipot, que são um ser, uma coisa separada, e não possuem nenhum aspecto de bitul; por isso, não provém delas absolutamente nenhuma influência.
A Torá descreve o deserto como o lugar da “cobra, serpente abrasadora e escorpião” (Deuteronomy 8:15), que a Cabalá identifica com as três kelipot impuras. As kelipot são autoafirmação sem bitul, de modo que nada flui delas; por isso o deserto, sua fonte, é estéril.
והנה לכך הי׳ [היה] נסיעת הארון וישראל במדבר כדי להכניע את המדבר ולכך נשאו את המשכן במ״ב מסעות4 שהוא בחי׳ שם מ״ב.5
E é por isso que a Arca e Israel viajavam pelo deserto: para subjugar o deserto. Por isso, carregaram o Mishkan em quarenta e duas jornadas, que correspondem ao nível do Nome de quarenta e duas [letras].
As jornadas de Israel com a Arca tinham por finalidade subjugar essa fonte. Foram quarenta e duas jornadas, enumeradas na Parshas Masei, correspondentes ao Nome de quarenta e duas letras, um Nome divino de elevação e de separação entre o bem e o mal.
O bitul faz de um ser um doador, enquanto a autoafirmação faz dele alguém que toma; por isso, o deserto, morada das três kelipot, é estéril, e as quarenta e duas jornadas tinham por finalidade subjugá-lo.
A edição da Kehot cita os discursos do Mitteler Rebbe, que explicam que, por meio do Nome de quarenta e duas, ocorre a elevação e o refinamento do bem em relação ao mal. Por isso, a oração Ana B’choach, estruturada com base nesse Nome, é recitada no Shema da hora de dormir, para elevar a alma para fora das câmaras de kelipat nogah, e também antes de Kabbalas Shabbos, quando os mundos se elevam.
Marei mekomot
- 1ואנכי עפר ואפר · Genesis 18:27
- 2הי׳ עושה חסד עם כל בנ״א · Bereshit Rabbah 49:4
- 3נחש שרף ועקרב ג״ק · Deuteronomy 8:15
- 4במ״ב מסעות · המפורטים בפ׳ מסעי.
- 5שהוא בחי׳ שם מ״ב · במאמרי אדה״א כאן ע׳ קסח מבאר שענין שם מ״ב שעל ידו יהי׳ בחי׳ ההעלאה ובירור הטוב מן הרע, ושלכן אומרים בק״ש שעל המטה אנא בכח להעלות הנשמה מהיכלות דק״נ. וכן אומרים לפני קבלת שבת שהוא עליות העולמות ע״ש. וראה במ״מ לשם.
Subjugação agora, revelação no Futuro ¶5–8
5והיינו ע״י גילוי אלקות שהי׳ [שהיה] במשכן כשנשאו אותו במדבר ממילא נכנעו וכמ״ש כהמס דונג1 וגו׳ [וגומר] [ועמ״ש מזה ע״פ אלה מסעי].2
Isto é: por meio da revelação da Divindade que havia no Mishkan, quando o transportavam pelo deserto, eles eram subjugados por si mesmos, como está escrito: “Como a cera se derrete”, etc. [E veja o que está escrito sobre isso a respeito do versículo “Estas são as jornadas”.]
As kelipot não eram combatidas diretamente: a Divindade revelada no Mishkan fazia com que se derretessem por si mesmas, como a cera diante do fogo (Salmos 68:3). O trecho entre colchetes refere-se ao maamar sobre “Estas são as jornadas”, na Parashá Masei.
ותועלת הכנעה זו היתה ענין הכנה לע״ל [לעתיד לבוא] שיוכל להיות גילוי אלקות בעולם השפל שלנו כמ״ש ונגלה כבוד3 ה׳ וגו׳ [וגומר]
E o benefício dessa subjugação consistia em ser uma preparação para o Tempo Vindouro, para que pudesse haver uma revelação da Divindade em nosso mundo inferior, como está escrito: “E a glória de Havayá será revelada”, etc.;
A subjugação do deserto também preparou o caminho para o Tempo Vindouro, quando a Divindade será revelada abertamente até mesmo neste mundo inferior, conforme promete Isaías 40:5.
שע״י שנכנע תחלה מקור ההסתר והיש יוכל להיות בו אח״כ [אחר כך] הגילוי לע״ל [לעתיד לבוא] [ואפ״ל [ואפשר לומר] שהוא כענין שבעבודת ה׳
pois, quando primeiro é subjugada a fonte da ocultação e do yesh, pode depois haver nela a revelação no Tempo Vindouro. [E pode-se dizer que isso é semelhante ao que ocorre no serviço a D'us
A fonte da ocultação e da autoafirmação (yesh) deve primeiro ser subjugada; só então a revelação poderá manifestar-se nela mais tarde. O Alter Rebbe acrescenta uma comparação com o serviço pessoal a D'us.
צ״ל [צריך להיות / צריך לומר / צריך להבין] תחלה בחי׳ אתכפיא בכדי שעי״ז יוכל לבא אח״כ [אחר כך] לבחי׳ ומדרגת אתהפכא חשוכא לנהורא, ובלי בחי׳ אתכפיא תחלה לא יוכל לבא לבחי׳ אתהפכא חשוכא כו׳.
no qual primeiro deve haver o nível de iskafya (subjugação), para que, por meio disso, se possa depois alcançar o nível e o grau de is’hapcha chashocha linehora (transformar a escuridão em luz); e, sem primeiro haver o nível de iskafya, não se pode alcançar o nível de is’hapcha chashocha, etc.
No serviço pessoal, iskafya significa conter à força os impulsos da alma animal, enquanto is’hapcha significa transformá-los, de modo que a própria escuridão se torne luz. Não se pode alcançar a transformação sem passar primeiro pela subjugação.
כמ״כ [כמו כן] עד״ז [על דרך זה] כדי שלע״ל [שלעתיד לבוא] יהיה גילוי אלקות ממש בעולם השפל שיהפך החשך לאור ממש כמ״ש לעת
Do mesmo modo, para que no Tempo Vindouro haja uma revelação efetiva da Divindade no mundo inferior, de modo que a escuridão se transforme em luz efetiva, como está escrito: “Naquele tempo, à tarde
A mesma ordem se aplica ao mundo como um todo: para que a escuridão deste mundo se torne luz efetiva no futuro, ela deve primeiro ser subjugada. Zacarias 14:7 fala dessa luz futura.
ערב4 יהיה אור לכך הוצרך להיות תחלה בחינת הכנעת המדבר כו׳, ועמ״ש ע״פ אלה מסעי בע״א [באופן אחר] שעי״ז יש כח ביד האדם להכניע הגוף שלו כו׳].
haverá luz”; por isso, foi necessário que primeiro houvesse o nível da subjugação do deserto, etc. E veja o que está escrito sobre o versículo “Estas são as jornadas”, de outra maneira: que, por meio disso, a pessoa recebe força para subjugar o próprio corpo, etc.]
A subjugação do deserto durante as jornadas constituiu essa primeira etapa. O maamar sobre “Estas são as jornadas” também explica, de outro ângulo, que essas jornadas conferem a cada pessoa a força para subjugar o próprio corpo.
A Divindade revelada subjugou as kelipot do deserto, e essa subjugação (iskafya) prepara o caminho para a futura transformação (is’hapcha) da escuridão do mundo em luz.
Marei mekomot
- 1כהמס דונג · Psalms 68:3
- 2ע״פ אלה מסעי · לקמן פח, ב.
- 3ונגלה כבוד ה׳ · Isaiah 40:5
- 4לעת ערב יהי׳ אור · Zechariah 14:7
6וענין הגילוי הזה שיהיה לע״ל [לעתיד לבוא] הוא כי הנה באמת הרי קמיה עצמותו ית׳ אין שום בחי׳ הסתר והעלם כלל.
E o sentido desta revelação que haverá no Tempo Vindouro é o seguinte: na verdade, diante de Sua própria Essência, bendito seja, não há absolutamente nenhum aspecto de ocultação ou ocultamento.
A revelação futura não mudará nada em D'us, pois diante de Sua Essência não há ocultação nem mesmo agora. A ocultação existe apenas do lado dos seres criados.
כי קמיה כולא כלא חשיבי1 ואין שינוי כלל בין קודם שנברא העולם לאחר הבריאה. כי גם עתה הוא אחד יחיד ומיוחד
Pois “diante Dele, tudo é considerado como nada”, e não há mudança alguma entre antes de o mundo ser criado e depois da criação. Pois também agora Ele é Um, Único e Singular,
A expressão do Zohar, “diante Dele, tudo é considerado como nada”, significa que o mundo não altera em nada o estado de D'us. Ele é Um, Único e Singular depois da criação, assim como antes dela.
כמו קודם שנבה״ע [שנברא העולם] מאחר שכל עיקר התהוות הנבראים יש מאין הוא רק מבחי׳ אותיות הדבור בדבר ה׳ שמים נעשו.2
como antes de o mundo ser criado, pois toda a formação dos seres criados, algo a partir do nada, provém apenas do nível das letras da fala: “Pela palavra de Havayá foram feitos os céus.”
A razão é que a criação de “algo a partir do nada” provém somente da fala divina: “Pela palavra de Havayá foram feitos os céus” (Psalms 33:6). A fala é uma expressão exterior, não a própria Essência; portanto, criar por meio dela não causa mudança alguma Nele.
A ocultação é real apenas para as criaturas; diante da Essência de D'us, nada O oculta, pois o mundo foi criado somente por meio de Sua “fala”.
Marei mekomot
- 1קמי׳ כולא כלא חשיב · Zohar I, 11b
- 2בדבר ה׳ שמים נעשו · Psalms 33:6
7ועד״מ [ועל דרך משל] הדבור באדם שהוא בטל וטפל לגבי המחשבה ובלתי תופס מקום כלל וכלל רק אצל השומע הוא שהדבור
A título de analogia: a fala de uma pessoa é anulada e secundária em relação ao pensamento, e não ocupa lugar algum, absolutamente; somente para quem ouve é que a fala
A analogia: a fala de uma pessoa é secundária em relação ao seu pensamento e, para quem fala, nada acrescenta nem ocupa lugar algum. Somente quem ouve recebe as palavras pronunciadas como algo real.
נתפס ליש ודבר, וכך למעלה בחי׳ אותיות הדבור ביו״ד מאמרות12 לגבי הנבראים מהם יש מאין הם בבחי׳ יש. אבל לגבי עצמותו ית׳ הם בטלים כלא.
é apreendida como algo e uma coisa. Assim também no Alto: o nível das letras da fala nas Dez Alocuções, em relação aos seres criados [a partir delas] como algo a partir do nada, está no nível de yesh; mas, em relação à Sua Essência, bendita seja, elas são anuladas como nada.
Assim também a “fala” de D'us — as Dez Alocuções por meio das quais o mundo foi criado (Avos 5:1) — é um “algo” real somente do ponto de vista das criaturas que dela provêm. Em relação à Sua Essência, ela é anulada como nada.
A analogia da fala, que é real para quem ouve, mas nada para quem fala, mostra como o mundo é real para as criaturas, mas nada diante de D'us.
Marei mekomot
- 1ביו״ד מאמרות · אבות רפ״ה.
- 2ביו״ד מאמרות · Pirkei Avot 5:1
8ולכך אע״פ [אף על פי] שמצד בחי׳ התגלות אותיות הדבור נראה העולם לבחי׳ יש ודבר לעינינו, אבל אצלו ית׳ אין הסתר והעלם כלל וע״כ [ועל כן] לע״ל [לעתיד לבוא] שיתגלה כבוד ה׳ שהוא בחי׳ גילוי עצמיות אלקות
Portanto, embora, do ponto de vista da revelação das letras da fala, o mundo apareça aos nossos olhos como algo existente e como uma coisa, para Ele, bendito seja, não há absolutamente nenhum ocultamento nem ocultação. Por isso, no Tempo Vindouro, quando “a glória de Havayá será revelada”, que é o nível da revelação da própria essência da Divindade,
Como o mundo é formado pelas letras reveladas da fala divina, ele nos parece algo separado e independente, embora para D'us não haja ocultamento algum. No Tempo Vindouro, “a glória de Havayá será revelada”, isto é, a própria essência da Divindade será revelada.
אזי ממילא לא יסתיר שום הסתר כלל ויהיה גילוי אלקות גם בעשייה עד שיראו כל בשר1 אפילו בהשגת שכלו הגשמיות. וכדי שיהיה גילוי זה לע״ל [לעתיד לבוא] הוצרך להיות נסיעת המשכן במדבר להכניע אותו כנ״ל:
então, por si só, nenhum ocultamento ocultará coisa alguma, e haverá uma revelação da Divindade também no Mundo de Assiá (Ação), até que toda a carne veja, mesmo pela compreensão de seu intelecto físico. E, para que haja essa revelação no Tempo Vindouro, foi necessário que o Mishkan viajasse pelo deserto, a fim de subjugá-lo, como mencionado acima.
Então o ocultamento deixará de ocultar, e a Divindade será vista até mesmo em Assiá, o mundo mais inferior, por meio da compreensão humana física: “toda a carne verá”. As viagens do Mishkan, que subjugaram o deserto, foram a preparação para isso.
A revelação futura eliminará até para a mente física a aparência de separação do mundo, e a subjugação do deserto foi sua preparação.
Marei mekomot
- 1עד שיראו כל בשר · Isaiah 40:5
O Mishkan dentro da alma ¶9–14
9ב והנה זה היה ענין נסיעת המשכן בפועל ממש בבחי׳ עולם וכמ״כ [וכמו כן] הוא גם עכשיו ברוחניות בבחי׳ נפש.
2. Ora, este era o sentido das viagens do Mishkan em ato concreto, no plano do mundo; e o mesmo ocorre também agora, espiritualmente, no plano da alma.
A seção 2 passa do Mishkan histórico ao seu paralelo interior. O que aconteceu fisicamente no deserto acontece agora, espiritualmente, na alma.
כי יש בחי׳ משכן בפרט בכל אחד ואחד וכל פרטי הענינים שבו הכל יש בנפש האדם.
Pois há um aspecto de Mishkan em cada indivíduo, e todos os detalhes que nele se encontram também estão presentes na alma do homem.
Cada indivíduo tem seu Mishkan pessoal, e cada detalhe do Mishkan tem uma contraparte na alma humana.
דהנה כתיב ועשו לי מקדש1 ושכנתי בתוכם וארז״ל [ואמרו רבותינו זכרונם לברכה] בתוכו לא נאמר2 אלא בתוכם לפי שכאו״א [שכל אחד ואחד] מישראל צריך לעשות בחי׳ משכן בנפשו.3
Pois está escrito: “E farão para Mim um Santuário, e habitarei dentro deles”; e nossos Sábios, de abençoada memória, disseram: Não está escrito “dentro dele”, mas “dentro deles”, pois cada um e cada uma de Israel deve fazer um aspecto de Mishkan em sua alma.
A prova vem do versículo “habitarei dentro deles” (Exodus 25:8): está escrito “dentro deles”, e não “dentro dele”, ensinando que todo judeu deve fazer uma morada para D'us dentro de sua própria alma. As notas da Kehot citam esse ensinamento de Reishis Chochmah e do Shelah, e o Rebe explica que ele acrescenta ao sentido simples do versículo, sem substituí-lo.
O Mishkan e suas viagens têm uma contraparte pessoal e interior: cada judeu deve fazer de sua alma um Mishkan.
Marei mekomot
- 1ועשו לי מקדש · Exodus 25:8
- 2בתוכו לא נאמר · כ״ה בכ״מ בדא״ח. ולע״ע לא מצאתיו אלא בראשית חכמה (שער האהבה פ״ו קרוב לתחלתו). ובשל״ה (ש׳ האותיות אות ל׳. מסכת תענית רד״ה מענין העבודה. פ׳ תרומה חלק תו״א — שכה, ב. שכו, ב. — ועוד). (הערת כ""ק אדמו״ר בס׳ המאמרים ה׳תש״ח ע׳ 132). ראה לקו״ש חכ״ו ע׳ 83 הערה 49. שם ע׳ 173 הערה 45. לקו״ש-לא ע׳ 237 בהערות. ראה לקו״ש-כו ע׳ 170 הערה 31. נתבאר בד״ה אלה פקודי המשכן תש״ל (נ׳ בסה״מ מלוקט ח״ה ע׳ קצט).
- 3לעשות בחי׳ משכן בנפשו · בלקו״ש חכ״ו ע׳ 83 מפרש שאין זה עוקר פי׳ הפסוק ממשמעותו ופשוטו (דאין מקרא יוצא מידי פשוטו), אלא שזה מוסיף על הפי׳ הכללי שכל אחד צריך לעשות מקום להשראת שכינתו ית׳ בנפשו פנימה ע״ש.
10והיינו להמשיך בחי׳ גילוי אלקות בנפשו בעבודה שבלב זו תפלה12 כשיהיה לבבו טהור כמ״ש לב טהור ברא לי אלקים3 כו׳ וכמ״ש בר לבב כו׳
Isto é, atrair para sua alma uma revelação da Divindade por meio do “serviço do coração, que é a prece”, quando seu coração estiver puro, como está escrito: “Cria em mim um coração puro, ó D'us”, etc., e como está escrito: “puro de coração”, etc.;
Transformar a alma em um Mishkan significa atrair para ela uma revelação da Divindade por meio da prece, que os Sábios chamam de “serviço do coração”. Isso requer um coração puro, como em “Cria em mim um coração puro, ó D'us” (Psalms 51:12).
דכאשר לבבו טהור מכל סיג4 בלתי לה׳ לבדו אזי נקרא משכן לשכון בו גילוי אור ה׳ וכמ״ש נקי כפים ובר לבב כו׳
pois, quando seu coração estiver puro de toda impureza, sem nada que não seja para D'us somente, então ele é chamado de Mishkan, para que a revelação da luz de D'us nele habite; e como está escrito: “limpo de mãos e puro de coração”, etc.,
Um coração livre de toda mistura, dedicado somente a D'us, é chamado de Mishkan, um lugar onde a luz de D'us habita. Psalms 24 descreve aquele que pode subir à montanha de D'us: “limpo de mãos e puro de coração”.
ישא ברכה5 מאת6 ה׳ דפי׳ ברכה הוא המשכת גילוי אלקות בנפשו כו׳ [וזהו ג״כ משארז״ל [מה שאמרו רבותינו זכרונם לברכה] טהרה מביאה לידי קדושה78 ע׳ [עיין] בר״ח].
“receberá uma bênção de Havayá”; pois o significado de “bênção” é atrair para sua alma uma revelação da Divindade, etc. [E é também isto que disseram nossos Sábios, de abençoada memória: “A pureza conduz à santidade.” Veja em Reishis Chochmah.]
Essa pessoa “receberá uma bênção de Havayá” (Psalms 24:5), e “bênção” (berachá), aqui, significa atrair a Divindade para a alma. O ensinamento dos Sábios, “a pureza conduz à santidade”, expressa a mesma ideia: um coração purificado faz com que a santidade nele habite.
A prece com um coração puro transforma a alma em um Mishkan, onde habita a revelação da Divindade.
Marei mekomot
- 1בעבודה שבלב זו תפלה · Taanit 2a:11
- 2בעבודה שבלב זו תפלה · Sifrei Devarim 41:18–19
- 3לב טהור ברא לי אלקים · Psalms 51:12
- 4טהור מכל סיג · ראה לקמן כו, ד. ואתחנן י, א.
- 5נקי כפים . . ישא ברכה · Psalms 24:4
- 6ישא ברכה מאת ה׳ · Psalms 24:5
- 7טהרה מביאה לידי קדושה · ספ״ג דשקלים. [כ].
- 8טהרה מביאה לידי קדושה · Jerusalem Talmud Shekalim 3:3:5
11ועי״ז ידחה ויכניע ג״כ ההסתר של נה״ב [נפש הבהמית] המסתיר ומבדיל ונראה לו העולם לבחי׳ יש ודבר נפרד והיינו מפני גסות חומר נפשו הבהמית.
E, por meio disso, também afastará e submeterá a ocultação da alma animal, que encobre e separa, [e pela qual] o mundo lhe parece algo existente por si e uma coisa separada; isso se deve à grosseria da matéria de sua alma animal.
A ocultação da alma animal faz o mundo parecer uma realidade independente, separada de D'us, e decorre da grosseria da natureza material da alma animal. A oração com o coração puro repele essa ocultação.
אבל כשלבבו זך וברור יראה בעין שכלו איך שאין מסתיר באמת וכמו שהוא למעלה דקמי׳ [דקמיה] כלא כו׳.
Mas, quando seu coração é puro e refinado, ele verá com o olho de seu intelecto como, na verdade, nada encobre; assim como é acima, pois “diante Dele [tudo é] como nada”, etc.
Com o coração refinado, a pessoa percebe com o olho de sua mente que nada realmente encobre D'us, assim como acima, “diante Dele tudo é como nada”.
כי ע״י זכות לבו נמשך גילוי אלקות גם בבחי׳ ההסתר וההעלם שלא יסתיר, וזהו כמו שהי׳ [שהיה] נסיעת המשכן בבחי׳ מדבר שעי״ז הי׳ [היה] מכניע את המדבר כו׳.
Pois, por meio da pureza de seu coração, uma revelação da Divindade é atraída também ao nível da ocultação e do encobrimento, de modo que não encubra. E isso se assemelha à jornada do Mishkan no nível do deserto, por meio da qual ele submetia o deserto, etc.
A pureza do coração atrai a Divindade para os próprios lugares de ocultação, de modo que eles deixam de encobrir. Esse é o equivalente interior da jornada do Mishkan pelo deserto, submetendo-o.
Na alma, assim como no deserto, a Divindade revelada submete a ocultação da alma animal, de modo que o mundo já não parece separado de D'us.
12וכך הוא בנפש עכשיו הכנעת היצה״ר [היצר הרע] שהוא ג״כ בחי׳ מדבר שהוא ארץ לא זרועה1 דהיינו המעשים והדבורים והמחשבות אשר לא לה׳ המה כו׳
E assim também ocorre agora na alma: subjugar a má inclinação, que também está no nível do deserto, que é “uma terra não semeada”, isto é, os atos, as palavras e os pensamentos que não são para D'us etc.
Na alma, o “deserto” é a má inclinação: como “uma terra não semeada” (Jeremias 2:2), ela não produz nada de sagrado. Consiste nos atos, nas palavras e nos pensamentos que não são dedicados a D'us.
E este é [o sentido de] “onde nenhum homem (adam) habitou”. O sentido de adam é o que está escrito: “E sobre a semelhança do trono havia uma semelhança com a aparência de um homem (adam)” etc.:
Jeremias (2:6) também chama o deserto de lugar “onde nenhum homem (adam) habitou”. Aqui, adam é entendido como o “Homem” supremo que Ezequiel viu sobre a semelhança do trono divino (Ezequiel 1:26), isto é, a presença revelada de D'us.
לא ישב שם כי ועשו לי מקדש ושכנתי בתוכם5 כתיב כמ״ש מזה בד״ה אני לדודי.
Ele “não habitou ali”, pois está escrito: “E farão para Mim um Santuário, e habitarei dentro deles”; como está escrito a esse respeito no discurso que começa com “Eu sou do meu amado”.
A presença de D'us não habita naquele deserto, pois Ele habita somente onde se faz um Santuário para Ele: “e habitarei dentro deles”. O texto remete ao tratamento mais completo desse tema no discurso que começa com “Eu sou do meu amado”.
A má inclinação é o deserto próprio da alma, um lugar estéril onde a presença de D'us não habita até que ali se faça um Santuário.
Marei mekomot
- 1ארץ לא זרועה · Jeremiah 2:2
- 2אשר לא ישב אדם שם · שם ב, ו. ותי׳ אשר לי׳ שם [כ].
- 3לא ישב אדם שם · Jeremiah 2:6
- 4ועל דמות הכסא דמות כמראה אדם · Ezekiel 1:26
- 5ועשו לי מקדש ושכנתי בתוכם · Exodus 25:8
13וע״כ [ועל כן] צריך להכניע בחינת מדבר זה שהוא היצר הרע והיינו ע״י המשכת גילוי אלקות בנפשו.
Portanto, é preciso subjugar esse aspecto de deserto, que é a inclinação para o mal; isso se faz atraindo para dentro da alma uma revelação da Divindade.
Assim como o Mishkan subjugou o deserto, a pessoa deve subjugar sua inclinação para o mal; isso também se realiza atraindo para dentro da alma uma revelação da Divindade.
[ובמ״א נתבאר בענין בה״א [בית הלל אומרים] כלה נאה וחסודה1 שלא יהיה ההמשכה לפי ההעלאה אלא אדרבה תחלה יהי׳ [יהיה] ההמשכה מלמעלה למטה
[E em outro lugar é explicado, a respeito do tema “Beit Hilel dizem: ‘Uma noiva bela e graciosa’”, que a atração para baixo não deve ocorrer de acordo com a elevação; ao contrário, primeiro deve haver a atração para baixo, de cima para baixo;
A passagem entre colchetes recorda um ensinamento apresentado em outro lugar sobre o elogio nupcial de Beit Hilel, “uma noiva bela e graciosa”, do Talmud. Ali se explica que a luz divina deve ser atraída para baixo primeiro, de cima, em vez de apenas na proporção da elevação da própria pessoa.
דהיינו שהמעשה הטוב יהיה אפילו קודם לסור מרע2 בדקות ולא ימתין בועשה טוב עד שיהיה תחלה סור מרע בתכלית.
isto é, que a boa ação venha mesmo antes de afastar-se do mal em [suas formas] sutis, e que a pessoa não espere para “fazer o bem” até que primeiro tenha “se afastado do mal” por completo.
Na prática, a pessoa deve praticar boas ações mesmo antes de eliminar todo vestígio sutil do mal. Não é preciso concluir “afastar-se do mal” antes de começar a “fazer o bem” (Salmos 34:15).
A inclinação para o mal é subjugada atraindo a Divindade para baixo; na prática, as boas ações não precisam esperar até que o mal tenha sido completamente extirpado.
Marei mekomot
- 1כלה נאה וחסודה · Ketubot 17a:1
- 2סור מרע · Psalms 34:15
14והיינו משום שעי״ז ההמשכה שבועשה טוב אזי ממילא יפלו כל החיצונים כי מעט אור דוחה הרבה מן החושך ויבוא לסור מרע בתכלית כו׳,
Isso porque, por meio dessa extensão que ocorre ao “fazer o bem”, todas as forças externas cairão por si mesmas, pois um pouco de luz afasta muita escuridão; e a pessoa chegará a “afastar-se do mal” por completo, etc.
A razão é que a luz atraída por meio das boas ações faz as forças externas caírem por si mesmas, pois um pouco de luz afasta muita escuridão. Por fim, isso leva a pessoa a afastar-se completamente do mal.
ועד״ז [ועל דרך זה] הוא ענין מסעות המשכן במדבר שע״י המשכת גילוי אלקות. ממילא נכנעו הקליפות כמ״ש ויהי בנסוע הארון1 כו׳ וינוסו משנאיך כו׳.
E o mesmo se dá com as jornadas do Mishkan no deserto: por meio da extensão de uma revelação da Divindade, as kelipot (cascas) eram subjugadas por si mesmas, como está escrito: “E aconteceu que, quando a Arca partia”, etc., “e que fujam os que Te odeiam”, etc.
As jornadas do Mishkan funcionavam da mesma maneira: quando a Arca partia, Moshê dizia: “Levanta-Te, Havayá, e que Teus inimigos sejam dispersos, e que fujam diante de Ti os que Te odeiam” (Numbers 10:35). A revelação da Divindade fazia as kelipot fugirem sem combate.
וכך בחי׳ זו בנפש שע״י המשכת אלקות מלמעלה למטה במעשה הטוב ובעסק התורה ותפלה אזי ממילא יכנע גשמיות הגוף ונה״ב [ונפש הבהמית] כו׳].
E assim também é esse aspecto na alma: por meio da extensão da Divindade de cima para baixo, através da boa ação e da dedicação à Torá e à oração, a materialidade do corpo e a alma animal serão então subjugadas por si mesmas, etc.]
Também na alma, a extensão da Divindade para baixo por meio das boas ações, do estudo da Torá e da oração subjuga naturalmente a materialidade do corpo e a alma animal.
É a luz revelada, e não uma luta direta, que faz a escuridão ceder, tanto nas jornadas do Mishkan quanto na alma.
Marei mekomot
- 1ויהי בנסוע הארון · Numbers 10:35
As vigas verticais e as cortinas ¶15–18
15והנה במשכן היו ג׳ דברים קרשי המשכן ויריעות המשכן והכלים היינו ארון ומנורה ומזבח כו׳.
Ora, no Mishkan havia três elementos: as tábuas do Mishkan, as cortinas do Mishkan e os utensílios, isto é, a Arca, a Menorá e o Altar, etc.
O Mishkan tinha três componentes: as tábuas verticais que formavam suas paredes, as cortinas estendidas sobre elas e os utensílios, como a Arca, a Menorá e o Altar. O maamar associará cada um a um nível do serviço divino e a uma família dos levitas.
והנה תחלה י״ל [יש לומר] ענין הקרשים1 שנק׳ עצי שטים עומדים2 שהם ע״ד [על דרך] שהמלאכים נק׳ עומדים,3 כמ״ש
Ora, primeiro podemos explicar o assunto das tábuas, chamadas “madeira de acácia, de pé”, o que corresponde ao fato de os anjos serem chamados “os que estão de pé”, como está escrito,
As tábuas são chamadas “madeira de acácia, de pé” (Êxodo 26:15), e o Alter Rebe relaciona isso aos anjos, que são chamados “os que estão de pé”. Um maamar anterior, em Bechukosai, explica que são assim chamados porque cada um permanece fixo em um nível.
שרפים עומדים4 וכמ״ש במדרש שיר ה שירים רבה סוף פסוק צאינה וראינה למעלה שרפים עומדים אף למטה עצי שטים עומדים,5 ופי׳ שרפים עומדים היינו
“serafins de pé”; e como está escrito no Midrash Shir HaShirim Rabbah, ao final [do comentário sobre] o versículo “Saí e vede”: Acima, “serafins de pé”; assim também abaixo, “madeira de acácia, de pé”. E o significado de “serafins de pé” é
Isaías viu “serafins de pé” acima de D'us (Isaías 6:2), e o Midrash estabelece uma correspondência entre ambos: acima, os serafins estão de pé; abaixo, estão de pé as tábuas de acácia. O Alter Rebe explica agora o significado de os anjos estarem de pé.
כמאמר ואשר משרתיו כולם עומדים ברום עולם ומשמיעים ביראה כו׳ (ועיין בזהר תרומה דף קס״ט ע״א ודק״ע ע״א).
conforme a declaração: “E todos os Seus ministros estão de pé nas alturas do universo e proclamam com temor”, etc. (Veja também o Zohar, Terumah, fólio 169a e fólio 170a.)
Essa posição de pé é descrita na bênção que precede o Shemá matinal: os ministros de D'us “estão todos de pé nas alturas do universo e proclamam com temor”. O parêntese remete o leitor ao Zohar sobre a Parashá Terumah.
והענין הוא כי אין עמידה אלא שתיקה6 ופי׳ שתיקה היינו בחי׳ ביטול העצמות מכל וכל,
E o assunto é que “estar de pé” nada mais é que silêncio; e o significado de silêncio é o nível da completa autoanulação (bitul) do próprio ser,
Os Sábios ensinam que “estar de pé” significa silêncio (Sotah 39a). Interiormente, o silêncio é a completa autoanulação do próprio ser.
isto é, o nível da autoanulação da vontade: que a pessoa não tenha outra vontade além da vontade pelo D'us único; como está escrito: “E, além de Ti, nada desejo”, etc.
Concretamente, trata-se da autoanulação da própria vontade, de modo que a pessoa não deseje nada além de D'us, conforme o versículo: “E, além de Ti, nada desejo” (Salmos 73:25).
As tábuas verticais do Mishkan, assim como os anjos que estão de pé, representam o silêncio e a autoanulação da própria vontade diante de D'us.
A edição da Kehot observa que Or HaTorah explica que esse silêncio alcança o nível mais elevado dentro de Kéter.
Marei mekomot
- 1והנה תחלה י״ל ענין הקרשים · קטע מכאן מובא בסה״מ תרל״ה-ב ע׳ שסב.
- 2עצי שטים עומדים · Exodus 26:15
- 3שהמלאכים נק׳ עומדים · ראה לעיל פ׳ בחקותי מה, א.
- 4שרפים עומדים · Isaiah 6:2
- 5למעלה שרפים עומדים אף למטה עצי שטים עומדים · Shir HaShirim Rabbah 3:11:2
- 6אין עמידה אלא שתיקה · Sotah 39a:2
- 7ועמך לא חפצתי · Psalms 73:25
- 8במדרש שהש״ר ס״פ צאינה וראינה · בסה״מ תרל״ה שם מציין למד״ר פ׳ תרומה.
- 9
16וכמארז״ל [וכמאמר רבותינו זכרונם לברכה] בטל רצונך12 כו׳ [ע׳ [עיין] באגה״ק [באגרת הקודש] ד״ה להשכילך בינה].34 והטעם שנק׳ בחי׳ זו עמידה הוא
E, como disseram nossos Sábios, de abençoada memória: “Anule a sua vontade”, etc. [Veja em Igueret HaKodesh, a passagem que começa com “Para dar-lhe entendimento”.] E a razão pela qual esse nível é chamado de “estar de pé” é
A anulação da vontade é o “Anule a sua vontade diante da vontade Dele” da Mishná (Avot 2:4), tratado na carta 11 de Igueret HaKodesh do Tanya. O Alter Rebe explica agora por que esse estado é chamado de “estar de pé”.
que, quando ele tem amor e apego a D'us, isso é o nível de caminhar; e, como está escrito a respeito de Avraham: “indo e viajando”, etc.
O amor a D'us e o apego a Ele são movimento, um “caminhar” em Sua direção, como no caso de Avraham, que foi “indo e viajando” (Gênesis 12:9).
אך קודם שיגיע לבחי׳ הילוך ואהבה זו צ״ל [צריך להיות / צריך לומר / צריך להבין] תחלה בחי׳ עמידה זאת היינו לעמוד ולשתוק
Mas, antes de alcançar esse nível de caminhar e de amor, é preciso primeiro chegar a esse nível de estar de pé, isto é, parar e permanecer em silêncio
Antes de se poder caminhar no amor, é preciso primeiro estar de pé: parar e permanecer em silêncio.
מן התפשטות והילוך שבלעומת זה, והן הרצונות זרות שהאדם רוצה וחפץ ומשתוקק לדברים זרים זהו נק׳ ג״כ הילוך ע״ד [על דרך] מ״ש ויבא הלך7 לאיש העשיר8
diante da expansão e do caminhar do lado oposto; e esses são os desejos estranhos, pelos quais a pessoa quer, deseja e anseia por coisas estranhas. Isso também é chamado de “caminhar”, conforme o que está escrito: “E veio um viajante (helech) ao homem rico”
Estar de pé significa afastar-se do caminhar do lado oposto: os desejos estranhos pelos quais a pessoa anseia por coisas alheias à santidade. As Escrituras também chamam isso de caminhar, como na parábola do “viajante (helech) que veio ao homem rico”.
(בש״ב [בשל בינונים] י״ב ד׳) שהוא ההילוך דלעומת זה וזהו הלך שהולך ומתחזק שמתחלה הוא כאורח כו׳ ע״ש [עיין שם] בפרש״י [בפירש רש״י / בפירוש רש״י].
(II Samuel 12:4), que é o caminhar do lado oposto. E esse é o sentido de “helech” (viajante): aquele que vai avançando e se fortalecendo, pois, no início, é como um hóspede, etc.; veja ali o comentário de Rashi.
Na parábola de Natan, o viajante é a má inclinação. Rashi explica ali que primeiro ela é chamada de viajante, depois de hóspede e, por fim, de dono da casa, pois vai se fortalecendo continuamente.
וצ״ל [וצריך להיות / וצריך לומר / וצריך להבין] משלחי רגל השור והחמור910 דהיינו למנוע הילוך של היצה״ר [היצר הרע] (כדאיתא בגמרא פ״ק [פרק קמא] דע״ז דף11 ה׳ ע״ב ובפרש״י [ובפירש רש״י / ובפירוש רש״י] שם ועיין זח״ב [זהר חלק ב׳] שמות ד״ה סע״ב [סוף עמוד ב]12 בשלח דס״ד סע״ב [סוף עמוד ב] ובהרמ״ז [ובהרב משה זכות] ר״פ מקץ).
E é preciso ser daqueles “que enviam o pé do boi e do jumento”, isto é, conter o caminhar da má inclinação (como consta na Guemará, no primeiro capítulo de Avodá Zará, fólio 5b, e no comentário de Rashi ali; e veja Zohar, Parte II, Shemot, fólio 5, no fim do lado b; Beshalach, fólio 64, no fim do lado b; e no Ramaz, no início da Parashá Mikêts).
O Talmud interpreta “os que enviam o pé do boi e do jumento” (Isaías 32:20) como aqueles em cujas mãos é entregue a má inclinação. Aqui, isso significa deter o caminhar da má inclinação.
וכדי שיתהפך מהילוך זה להיות ההילוך באלקות הוא ע״י שיבא תחלה לבחינת עמידה והוא בחי׳ ביטול רצון [וכנ״ל שע״י אתכפיא הוא הדרך לבוא לבחי׳ אתהפכא כו׳ ועמ״ש בד״ה קחו מאתכם תרומה. בפ׳ ויקהל].1314
E, para que ele se transforme desse caminhar, de modo que seu caminhar passe a ser na Divindade, isso se dá chegando primeiro ao nível de estar de pé, que é o nível de anulação da vontade [e, como mencionado acima, a iskafya (subjugação) é o caminho para chegar ao nível de is’hapcha (transformação), etc.; e veja o que está escrito no discurso que começa com “Tomai de entre vós uma oferta”, na Parashá Vayakhel].
Para transformar esse caminhar em um caminhar na Divindade, é preciso primeiro chegar ao estado de estar de pé, que é a anulação da vontade. Essa é a mesma regra mencionada acima: a subjugação (iskafya) é o caminho para a transformação (is’hapcha).
Estar de pé significa primeiro deter o movimento para fora dos desejos estranhos; somente essa anulação da vontade abre o caminho para o movimento do amor a D'us.
A edição Kehot cita os discursos do Rebe Mitteler sobre essa passagem: essa anulação provém somente do bitul da própria essência, e não de qualquer despertar de amor e apego.
Marei mekomot
- 1וכמארז״ל בטל רצונך · אבות פ״ב מ״ד. ובמאמרי אדה״א כאן ע׳ קעב מפרש ”וזהו רק מצד בחי׳ הביטול בעצם דוקא שלא מחמת התפעלות אהבה ודביקו׳ כלל”.
- 2בטל רצונך · Pirkei Avot 2:4
- 3ועיין באגה״ק ד״ה להשכילך בינה · סי׳ יא. ובסה״מ תרל״ה-ב ע׳ שסב מביא כאן קיצור מהאגה״ק.
- 4ע׳ באגה״ק ד״ה להשכילך בינה · Tanya, Iggeres HaKodesh 11:1
- 5הלוך ונסוע · Genesis 19:2
- 6הלוך ונסוע · Genesis 12:9
- 7ויבא הלך · Rashi on II Samuel 12:4
- 8
- 9משלחי רגל השור והחמור · Isaiah 32:20
- 10משלחי רגל השור והחמור · Avodah Zarah 5b:3–4
- 11בגמרא פ״ק דע״ז דף ה׳ ע״ב · ”שיצרם מסור בידם מפסוק משלחי רגל השור והחמור” — סה״מ תרל״ה-ב ע׳ שסג.
- 12זח״ב שמות ד״ה סע״ב · Zohar, Shemot 8:60–10:67
- 13בד״ה קחו מאתכם תרומה בפ׳ ויקהל · תו״א פט, ג ”שע״י אתכפיא יכול לבוא לבחי׳ אהפכא” — סה״מ תרל״ה שם.
- 14והיינו בחי׳ ביטול הרצון · ראה גם באוה״ת בראשית כרך ה׳ דף תתקפה, ב ומבאר שם שענין השתיקה מגיע בבחי׳ העליונה שבכתר.
17וזה היה ענין קרשים עומדים ועמידה וביטול רצון זה נמשך ע״י יראה וזהו כולם עומדים1 ברום עולם ומשמיעים ביראה.
E este era o sentido das tábuas “em pé”. Esta posição ereta e a anulação da vontade são atraídas por meio do temor; e este é [o significado de] “todos estão de pé nas alturas do universo e proclamam com temor”.
As tábuas em pé representam essa anulação da vontade, que vem por meio do temor, assim como os anjos “estão de pé... e proclamam com temor”.
וזה היה ענין עבודת בני מררי נושאי הקרשים שכדי לבוא לבחי׳ יראה ועמידה זו זהו ע״י המרירות בהיותו ממארי דחושבנא על ימי חלדו אשר רובם ככולם בחושך ילך כו׳
E este era o sentido do serviço dos filhos de Merari, os carregadores das tábuas: para alcançar esse nível de temor e de posição ereta, é preciso passar pela amargura (merirut), tornando-se um dos “senhores do balanço” dos dias de sua vida, a maioria dos quais, quase todos, “transcorre em trevas”, etc.;
A família de Merari, que carregava as tábuas, representa o caminho para esse temor: a amargura (merirut), pois o nome Merari significa amargo. A pessoa se torna um dos “senhores do balanço”, que examinam com honestidade como a maioria de seus dias transcorreu em escuridão espiritual.
ועי״ז מעורר רחמים רבים שיוכל לבוא לבחינת בטל רצונך וכמ״ש מזה ע״פ קול דודי2 בענין על מצות ומרורים3 כו׳ ע״ש [עיין שם],
e, por meio disso, desperta grande compaixão, para que possa alcançar o nível de “Anula a tua vontade”; e, conforme está escrito a respeito disso no versículo “A voz do meu Amado”, sobre o tema de “com matsot e ervas amargas”, etc.; veja ali.
Essa amargura desperta grande compaixão divina, permitindo que a pessoa alcance “Anula a tua vontade”. O texto remete à discussão sobre “matsot e ervas amargas” no maamar sobre “A voz do meu Amado”.
והנה מזה נמשך אח״כ [אחר כך] לבא למדרגת האהבה והרצון לה׳ בבחי׳ כלות הנפש וזהו ענין היריעות תכלת וארגמן4 כו׳
E, a partir disso, a pessoa é depois conduzida a alcançar o grau de amor e vontade por D'us, no estado de expiração da alma (kelot hanefesh); e este é o sentido das cortinas de “azul (techelet) e púrpura”, etc.,
A partir desse temor, a pessoa é depois conduzida ao amor e ao desejo por D'us, até a expiração da alma em anseio (kelot hanefesh). Esse amor é representado pelas cortinas do Mishkan, tecidas de “azul (techelet) e púrpura”.
pois techelet é uma expressão de kilayon (expiração): “Minha carne e meu coração expiram”. E veja o que está escrito sobre o tema de “Minha carne expira” no discurso que começa com “O Cântico dos Cânticos”.
Techelet está associado a kilayon, “expiração”, como em “Minha carne e meu coração expiram” (Psalms 73:26), o anseio da alma até a expiração. O maamar sobre “O Cântico dos Cânticos” desenvolve esse significado.
A amargura do exame honesto de si mesmo, o serviço de Merari, conduz ao temor e à anulação da vontade; daí provém o amor que expira, simbolizado pelas cortinas de techelet.
Marei mekomot
- 1וזהו כולם עומדים ביראה · מכאן ואילך ראה בסה״מ תרל״ה שם.
- 2ע״פ קול דודי · לקו״ת שה״ש יד, ד.
- 3על מצות ומרורים · Numbers 9:11
- 4תכלת וארגמן · Exodus 26:1
- 5כלה שארי ולבבי · Psalms 73:26
- 6בד״ה שיר השירים · לקו״ת שה״ש א, א.
18והוא החופה על הקרשים שהוא בחי׳ הביטול רצון הנ״ל. והוא ג״כ כדמיון שיש באדם עצמות ויש בשר וגידים1 החופפים עליהם.
E esta é a cobertura sobre as tábuas, que corresponde ao nível da autoanulação da vontade mencionado acima. Isso também se assemelha ao que ocorre no ser humano: há ossos, e há carne e tendões que os cobrem.
As cortinas, que representam o amor, estendem-se sobre as tábuas, que representam a autoanulação da vontade. O corpo humano oferece um paralelo: os ossos por baixo, cobertos pela carne e pelos tendões.
ובחי׳ העצמות זהו היסוד2 שעליהם נבנה הבשר והגידין והוא בחי׳ כל עצמותי תאמרנה3 ה׳ מי כמוך כו׳, בחי׳ ביטול רצון וזה צ״ל [צריך להיות / צריך לומר / צריך להבין] באדם כל היום
E o nível dos ossos é o fundamento sobre o qual se constroem a carne e os tendões; e corresponde ao nível de “Todos os meus ossos dirão: ‘Havayá, quem é como Tu?’”, etc.: o nível da autoanulação da vontade. E isso deve estar presente na pessoa durante todo o dia;
Os ossos são o fundamento sobre o qual se constroem a carne e os tendões, e correspondem a “Todos os meus ossos dirão: Havayá, quem é como Tu?” (Salmos 35:10), a autoanulação da vontade. Isso deve estar presente na pessoa durante todo o dia.
ומזה יבא אח״כ [אחר כך] לבחי׳ בשר וגידים הוא בחי׳ אהבה [כי בשר הוא יסוד האש4 וגידים בחי׳ דם ורוח] וזהו עבודת בני גרשון:
e, a partir disso, ele chegará depois ao nível da carne e dos tendões, que corresponde ao amor [pois a carne é do elemento fogo, e os tendões correspondem ao sangue e ao espírito]. E este é o serviço dos filhos de Gershon.
Sobre esse fundamento, ele pode então alcançar o amor, a “carne e os tendões”, pois a carne corresponde ao elemento fogo, e os tendões, ao sangue e ao espírito. Esse amor é o serviço dos filhos de Gershon, que transportavam as cortinas.
A autoanulação da vontade é o esqueleto do serviço divino, e o amor é sua carne; Merari transportava a primeira, nas tábuas, e Gershon, o segundo, nas cortinas.
A edição Kehot cita o Mitteler Rebbe: embora os ossos não possuam a força vital espiritual do sangue, que é a alma, são eles que mantêm toda a estrutura do corpo de pé.
Marei mekomot
- 1עצמות . . בשר וגידים · ראה לקמן פ׳ פנחס עז, ד ואילך.
- 2ובחי׳ העצמות זהו היסוד · ”אע״פ שאין בהם חיות הרוחני שבדם הוא הנפש כו׳ עכ״ז הן עיקר קיום מעמד ומצב כל בנין הגוף” מאמרי אדה״א כאן ע׳ קעג. נתבאר בארוכה בביאה״ז לאדה״א דף קכב, א ואילך. ביאה״ז להצ״צ כרך ב ע׳ תתרל. אוה״ת שופטים ע׳ תתנד.
- 3כל עצמותי תאמרנה · Psalms 35:10
- 4כי בשר הוא יסוד האש · ראה לקו״ת פ׳ בהעלותך לא, ג. פ׳ פנחס עז, ד. בפ׳ ברכה צז, ד.
Na oração: temor, amor e os seis atributos ¶19–27
19ג והנה בעבודת ה׳ בתפלה בחי׳ ביטול רצון הנ״ל צ״ל [צריך להיות / צריך לומר / צריך להבין] ע״י התעוררות יראה תתאה בפסוד״ז [בפסוקי דזמרה] וברכת יוצר אור1 בסיפורו מיראת
3. Ora, no serviço a D'us por meio da oração, o nível de anulação da vontade mencionado acima deve ocorrer mediante o despertar do temor inferior (yirá tataá) em Pesukei deZimra (Versículos de Louvor) e na bênção “Que forma a luz”, ao se relatar o temor
A seção 3 aplica isso à oração. A anulação da vontade ocorre por meio do temor inferior, despertado em Pesukei deZimra e na bênção “Que forma a luz”, que descreve como os anjos permanecem em temor e autoanulação.
וביטול המלאכים, ולבוא לבחי׳ הילוך ואהבה הוא ע״י התבוננות באמרו אהבת עולם כו׳ שמע ישראל2 כו׳ שהוא בחי׳ היכל האהבה פי׳ שמע ל׳ [לשון] הבנה3 כידוע.
e a autoanulação dos anjos; e chegar ao nível de caminhar e amar se dá por meio da contemplação, ao dizer “Com amor eterno”, etc., “Ouve, Israel”, etc., que corresponde ao nível do Palácio do Amor. O significado de Shemá (“Ouve”) é o de entendimento, como é sabido.
O “caminhar” do amor ocorre por meio da contemplação na bênção “Com amor eterno” e no Shemá, que corresponde ao Palácio do Amor. Shemá (“ouve”) também significa “entende”; portanto, sua recitação requer contemplação.
A ordem da oração matinal espelha o Mishkan: os Versículos de Louvor e a bênção sobre os anjos conduzem ao temor inferior e ao estado de estar de pé, enquanto o Shemá com sua bênção conduz ao amor.
Marei mekomot
- 1וברכת יוצר אור · באוה״ת כאן פ׳ נשא ע׳ רלט מציין שכאן מפרש באופן אחר ממה שנתבאר לעיל פ׳ במדבר ב, ג, ע״ש.
- 2שמע ישראל · Deuteronomy 6:4
- 3שמע ל׳ הבנה · I Samuel 3:10
20והוא ענין ההתבוננות בגדולת ה׳ איך שכל העולמות כולם ג״ע [גן עדן] עליון ותחתון וגם מה שעתיד להיות באלף השביעי1 לעתיד לבוא וגם עד נ׳ אלפים יובלות2 כולם עלו במחשבה א׳ לבד קמי׳ [קמיה] עצמותו ית׳
E este é o assunto da contemplação da grandeza de D'us: como todos os mundos — o Gan Éden superior e o inferior, bem como aquilo que está destinado a existir no sétimo milênio, no Tempo Vindouro, e também até cinquenta mil jubileus — todos surgiram em um único pensamento diante de Sua própria Essência, bendita seja;
A contemplação é da grandeza de D'us: todos os mundos, o Gan Éden inferior e o superior, o sétimo milênio do Tempo Vindouro e até os cinquenta mil jubileus surgiram diante Dele em um único pensamento. Tudo o que existirá algum dia é, para Ele, apenas um pensamento.
וכמאמר צופה ומביט עד סוף כל הדורות3 והבטה זאת במחשבה א׳ היא לבד כמ״ש בזהר ובמדרש4 דבמחשבה א׳ ברא הקב״ה [הקדוש ברוך הוא] כל העולמות.
e, como diz o dito: “Ele contempla e observa até o fim de todas as gerações”; e essa observação ocorre em um único pensamento, como está escrito no Zohar e no Midrash: com um único pensamento, o Santo, bendito seja Ele, criou todos os mundos.
É isso que a oração de Rosh Hashaná quer dizer ao afirmar que D'us “contempla e observa até o fim de todas as gerações”: Seu olhar é um único pensamento. O Zohar e o Midrash dizem igualmente que, com um único pensamento, Ele criou todos os mundos.
Contemplar que toda a criação, ao longo de todas as suas eras, é um único pensamento diante de D'us é a meditação da qual nasce o amor.
Marei mekomot
- 1באלף השביעי לע״ל · Rosh Hashanah 31a
- 2נ׳ אלפים יובלות · ראה לקו״ת שה״ש ג, ד וש״נ.
- 3צופה ומביט עד סוף כל הדורות · זכרונות במוסף דר״ה.
- 4בזהר ובמדרש · על״ק עקב (טז, ד). וש״נ. [כ]. ראה הנסמן לקמן בשה״ש ט, ב. שבכמה מקומות מצויין לזהר פ׳ שמות ובכמה מקומות לבראשית. ובכ״מ למדרש הנעלם ע״ש. וראה גם לקמן פ׳ נצבים מז, ג: ובמדרש. במאמרי אדה״א כאן ע׳ קעה: ”וזהו שנק׳ בזהר ובל׳ רז״ל”.
21ועד״מ [ועל דרך משל] המחשבה באדם התחתון שאינה רק בחי׳ לבוש לבד לנפש וכ״ש [וכל שכן] למעלה כי לא מחשבותי מחשבותיכם1 כתיב [ועמ״ש בזה בד״ה רני ושמחי2 בת בפ׳ מקץ].
A título de analogia: o pensamento no homem inferior não é senão o nível de uma vestimenta para a alma; e muito mais acima, pois está escrito: “Pois Meus pensamentos não são os pensamentos de vocês.” [E veja o que está escrito sobre isso no discurso que começa “Canta e alegra-te, ó filha”, na Parashá de Mikêts.]
Mesmo numa pessoa, o pensamento é apenas uma vestimenta, uma expressão exterior, da alma; muito mais acima, onde “Meus pensamentos não são os pensamentos de vocês” (Isaías 55:8). Assim, o “pensamento” de D'us de criar os mundos não é mais do que uma vestimenta para Ele.
וזהו ה׳ מלך גאות לבש3 דהיינו מה שעלה במחשבה לפניו להאציל ולברוא העולמות אבי״ע [אצילות בריאה יצירה עשיה] בכדי שיהיה הוא ית׳ מלך על עם הנה מחשבה זו הוא מה שנתלבש בלבוש.
E este é [o significado de] “Havayá reina; Ele Se revestiu de majestade”: isto é, o que surgiu em pensamento diante Dele — emanar e criar os mundos de Atsilut (Emanação), Beriá (Criação), Yetsirá (Formação) e Assiá (Ação), para que Ele, bendito seja, fosse Rei sobre um povo —, esse pensamento é aquilo com que Ele Se revestiu, como numa vestimenta.
Isso explica “Havayá reina; Ele Se revestiu de majestade” (Salmos 93:1). O pensamento de D'us de fazer existir os quatro mundos, para que Ele pudesse ser Rei sobre um povo, é uma vestimenta que Ele vestiu, não Sua Essência.
שאינו כמו הרצון והמחשבה במלך ב״ו [בשר ודם] שרוצה למלוך על עבדיו שעבדיו הם מהות ודבר גם בזולת מלכותו עליהם ע״כ [על כן] שייך רצון למלך למלוך עליהם.
Pois não é como a vontade e o pensamento de um rei de carne e sangue que deseja reinar sobre seus servos: seus servos são uma entidade e algo mesmo à parte de seu reinado sobre eles; portanto, é aplicável que o rei tenha vontade de reinar sobre eles.
O desejo de um rei humano de governar é natural, porque seus súditos existem independentemente de seu governo. Portanto, o desejo de reinar sobre eles tem um significado real para ele.
משא״כ למעלה שהעולמות כולם מתהווים יש מאין ממנו ית׳ ע״י רצון זה א״כ [אם כן] כדי שיהיה רצון זה למלוך עליהם הוא רק ע״ד [על דרך] בחי׳ לבוש שמתלבש ברצון ומחשבה זו.
Ao contrário, acima, todos os mundos passam a existir como algo a partir do nada, por meio Dele, bendito seja, através dessa vontade; assim, para que exista essa vontade de reinar sobre eles, isso só pode ocorrer à maneira de uma vestimenta: Ele Se reveste dessa vontade e desse pensamento.
Acima, porém, os mundos passam a existir do nada somente por meio dessa própria vontade. Uma vontade de reinar sobre seres que só existem por força dessa vontade pode ser apenas uma vestimenta que D'us veste.
A vontade e o pensamento de D'us de reinar sobre os mundos são apenas uma vestimenta que Ele veste, ao contrário de um rei humano, cujos súditos existem à parte de seu governo.
Marei mekomot
- 1כי לא מחשבותי מחשבותיכם · Isaiah 55:8
- 2בד״ה רני ושמחי · תו״א לו, א.
- 3ה׳ מלך גאות לבש · Psalms 93:1
Por isso está dito: “Havayá reina; revestiu-Se de majestade”: isto é, o pensamento supremo que surgiu diante d’Ele — “Eu reinarei” — é apenas um nível de vestimenta.
O versículo diz “revestiu-Se de majestade” para ensinar que o pensamento supremo “Eu reinarei” é apenas uma vestimenta.
וזהו יביאו לבוש מלכות3 אשר לבש בו המלך שהמלכות הוא רק בחי׳ לבוש לבד. [אך יביאו לבוש מלכות כתיב דבאתעדל״ת [דבאתערותא דלתתא] תליא מילתא להמשיך רצונו ית׳ במחשבה זו והיינו ע״י קיום התומ״צ [התורה ומצות].
E este é [o sentido de] “Que tragam vestes reais com as quais o rei se vestiu”: Malchut (soberania) é apenas um nível de vestimenta. [Mas está escrito “Que tragam vestes reais”, pois a questão depende de um despertar de baixo, para atrair Sua vontade, bendito seja Ele, para esse pensamento; e isso se dá por meio do cumprimento da Torá e das mitsvot.
A ordem de Ester “Que tragam vestes reais com as quais o rei se vestiu” (Esther 6:8) também mostra que a realeza (Malchut) é apenas uma vestimenta. Como está dito “que tragam”, a vestimenta depende do que se faz embaixo: por meio da Torá e das mitsvot, atraímos a vontade de D'us para esse pensamento de reinar.
A realeza de D'us é uma vestimenta, e nossa Torá e nossas mitsvot, como despertar de baixo, atraem Sua vontade para ela.
Marei mekomot
- 1ה׳ מלך גאות לבש · Psalms 93:1
- 2אנא אמלוך · ועל״ק בבי׳ (כא, ד). וש״נ. [כ].
- 3יביאו לבוש מלכות · Esther 6:8
23וזהו ענין המשכן ושכנתי בתוכם וזהו ענין הפעם ילוה אישי אלי1 כו׳ היינו המשכת אור א״ס [אין סוף] להיות נמשך בבחי׳ מחשבה זו כמשי״ת [כמו שיתבאר] לקמן], וזהו ההתבוננות בשמע ישראל2 ה׳ אלקינו.
E este é o significado do Mishkan: “e habitarei dentro deles”; e este é o significado de “Desta vez meu marido se unirá (yilaveh) a mim”, etc.: isto é, a atração da Luz Infinita (Or Ein Sof), para que seja atraída ao nível deste pensamento, como será explicado adiante.] E esta é a contemplação em “Ouve, Israel: Havayá é nosso D'us (Elokeinu).”
O Mishkan — “habitarei dentro deles” — é a atração da Luz Infinita para dentro deste revestimento de pensamento, e as palavras de Leah, “desta vez meu marido se unirá a mim” (Gênesis 29:34), expressam essa mesma união. Na oração, é nisso que se contempla ao dizer “Ouve, Israel: Havayá é nosso D'us.”
פי׳ שהוא מתלבש במחשבה זו. וזהו אלקינו בחי׳ צמצום ואח״כ [ואחר כך] אומרים בשכמל״ו [ברוך שם כבוד מלכותו לעולם ועד] שמברכים וממשיכים בחי׳ מל׳ [מלכות] גם בעולמות בי״ע [בריאה יצירה עשיה].
O significado é que Ele Se reveste neste pensamento. E este é o sentido de “Elokeinu”: o nível do tsimtsum (contração). Depois, diz-se: “Bendito seja o Nome da glória de Seu reino para todo o sempre”, pois se abençoa e se atrai o nível de Malchut também para os mundos de Beriá, Yetsirá e Assiá.
Havayá, a existência infinita de D'us, reveste-se neste pensamento, e “nosso D'us” (Elokeinu) é a contração (tsimtsum) que torna isso possível. “Bendito seja o Nome da glória de Seu reino para todo o sempre” então atrai Sua Malchut para baixo, aos mundos inferiores de Beriá, Yetsirá e Assiá.
(ועמ״ש סד״ה ביום השמיני שלח).34 ומהתבוננות זו נולד ונמשך בחי׳ ואהבת והאהבה הוא ענין היריעות דרך כלל כמשי״ת [כמו שיתבאר]
(E veja o que está escrito ao final do discurso que começa com “No oitavo dia, ele enviou [o povo].”) E desta contemplação nasce e é atraído o nível de “E amarás”; e o amor é, de modo geral, o significado das cortinas, como será explicado;
O parêntese refere-se a um discurso sobre “No oitavo dia, ele enviou o povo”, que a nota da Kehot identifica, com ressalvas, como um maamar para Shemini Atzeret. Desta contemplação nasce o amor de “E amarás”; de modo geral, esse amor corresponde às cortinas do Mishkan.
mas, em particular, elas são os seis atributos emocionais (midot), como está escrito a respeito dos anjos: “Com duas cobriria o rosto”, etc., “e com duas voaria”, isto é, corrida e retorno (ratso vashov).
Em detalhe, o amor tem seis aspectos, os seis atributos emocionais, como as seis asas dos serafins (Isaías 6:2). Seu voo é “corrida e retorno” (Ezequiel 1:14): o anseio de ascender e, depois, o retorno para baixo.
Contemplar o Infinito revestido no pensamento da realeza dá origem ao amor, que, de modo geral, corresponde às cortinas e, em detalhe, consiste em seis atributos que se movem em corrida e retorno.
Marei mekomot
- 1הפעם ילוה אישי אלי · Genesis 29:34
- 2שמע ישראל ה׳ אלקינו · Deuteronomy 6:4
- 3סד״ה ביום השמיני שלח · אולי הכוונה ללקו״ת שמע״צ פח, א.
- 4ביום השמיני שלח · I Kings 8:66
- 5בשתים יכסה פניו · Isaiah 6:2
- 6רצוא ושוב · Ezekiel 1:14
Portanto, o Nome de quarenta e duas [letras] tem sete versículos, e cada um deles contém seis palavras. E este é [o sentido de] que está escrito sobre as cortinas: “linho fino (shesh) e púrpura”, etc.:
O Nome de quarenta e duas letras é a prece Ana B’choach: sete linhas de seis palavras cada, correspondentes aos seis atributos. As cortinas eram feitas de shesh, “linho fino”, palavra que também significa “seis”.
שית גוונין ומכסה עורות תחשים34 שתרגומו ססגונא5 וארז״ל [ואמרו רבותינו זכרונם לברכה] [פ״ב [פרק ב׳] דשבת דכ״ח] ששש בגונין הרבה היינו ששה מדות הנ״ל [ועמ״ש בענין רצוא ושוב בפסוק וקבל היהודים6 כו׳].
seis cores. E a cobertura de peles de tachash, que o Targum traduz como sasgona, e sobre a qual nossos Sábios, de abençoada memória, disseram [capítulo 2 de Shabat, fólio 28] que se alegra (sas) com muitas cores: isto é, os seis atributos mencionados acima. [E veja o que está escrito sobre o tema de correr e retornar no versículo “E os judeus aceitaram”, etc.]
As “seis cores” e as peles de tachash apontam para os mesmos seis atributos: o Targum chama o tachash de sasgona, e o Talmud explica que ele “se alegrava (sas) com muitas cores” (Shabat 28a). O trecho entre colchetes remete a Torah Ohr, sobre “E os judeus aceitaram”, a respeito de correr e retornar.
O número seis, na prece Ana B’choach, nas cortinas de linho e no tachash de muitas cores, aponta para os seis atributos de amor.
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- 1שם מ״ב יש בו ז״פ · תפלת אנא בכח.
- 2שש וארגמן · Exodus 26:1
- 3ומכסה עורות תחשים · Exodus 26:14
- 4
- 5ססגונא · Onkelos Exodus 26:14
- 6בפסוק וקבל היהודים · תו״א צו, ג.
25וענין רצוא ושוב באדם הרצוא הוא האהבה והשוב הוא המשכת אור א״ס [אין סוף] ב״ה ע״י מצות מעשיות שהן רמ״ח אברין דמלכא
E o conceito de correr e retornar na pessoa: correr é o amor, e retornar é atrair a Luz Infinita (Or Ein Sof), bendito seja Ele, por meio das mitsvot práticas, que são “os 248 membros do Rei”,
Na pessoa, correr (ratso) é o amor da alma, que anseia elevar-se; retornar (shov) é atrair a Luz Infinita para baixo por meio das mitsvot práticas. As mitsvot são chamadas “os 248 membros do Rei”.
כמו האבר שהוא כלי לגילוי האור והחיות כו׳ וע״י המשכה זו שהאדם ממשיך עליו גילוי השראת אור א״ס [אין סוף] ב״ה ע״י המצות
como um membro, que é um recipiente para a revelação da luz e da força vital, etc. E, por meio dessa atração, pela qual a pessoa atrai para si a revelação da presença imanente da Luz Infinita, bendito seja Ele, por meio das mitsvot,
Assim como um membro é o recipiente por meio do qual se revela a força vital da alma, cada mitsvá é um recipiente para a luz de D'us. Ao cumprir as mitsvot, a pessoa atrai para si a presença imanente da Luz Infinita.
כמאמר אשר קדשנו במצותיו הנה עי״ז חוזר ומתעורר אה״ר [אהבה רבה] בנפש האדם [ע׳ [עיין] מ״ש בפסוק ראשי המטות]1 וזהו משכני אחריך נרוצה.2
como na bênção: “Que nos santificou com Seus mandamentos”; por meio disso, o grande amor (ahavá rabá) volta a despertar na alma da pessoa [veja o que está escrito sobre o versículo “Os chefes das tribos”]; e este é [o significado de] “Atrai-me; após Ti correremos”.
Este é o significado da bênção “Que nos santificou com Seus mandamentos”. A atração para baixo, por sua vez, volta a despertar grande amor na alma, como em “Atrai-me; após Ti correremos” (Cântico dos Cânticos 1:4): primeiro D'us atrai, e então a alma corre.
O amor é o correr para o alto, e as mitsvot são o retornar para baixo; cada retorno desperta um novo correr.
Marei mekomot
- 1ע׳ מ״ש בפסוק ראשי המטות · לקמן פא, א.
- 2משכני אחריך נרוצה · Song of Songs 1:4
26וכתיב אהבת עולם אהבתיך1 ע״כ [על כן] משכתיך חסד וגו׳ [וגומר]. ונמצא יש רצוא אחר השוב ושוב אחר הרצוא,
E está escrito: “Com amor eterno te amei; por isso te atraí com bondade”, etc. Segue-se que há um correr depois do retornar, e um retornar depois do correr.
Jeremias 31:2: “Com amor eterno te amei; por isso te atraí com bondade” mostra que o amor atraído do Alto, por sua vez, atrai a alma. Assim, o correr e o retornar sucedem-se num ciclo contínuo.
וזהו ענין בני גרשון שנשאו2 היריעות3 היינו המשכת אה״ר [אהבה רבה] הנמשך ע״י קיום המצות באהבת עולם שהוא הרצוא שקודם השוב כו׳.
E este é o sentido dos filhos de Gershon, que carregaram as cortinas: isto é, a atração para baixo do grande amor, que é atraído por meio do cumprimento das mitsvot, para o amor eterno (ahavat olam), que é o correr que precede o retornar, etc.
Os filhos de Gershon carregaram as cortinas (Números 3:25–26), que representam o grande amor atraído por meio do cumprimento das mitsvot para o amor eterno. Esse amor eterno é o “correr” que precede o “retornar”.
O correr e o retornar se alternam, e o serviço de Gershon, representado pelas cortinas, é o amor que as mitsvot atraem para baixo.
Marei mekomot
- 1אהבת עולם אהבתיך · Jeremiah 31:3
- 2בני גרשון שנשאו את היריעות · Numbers 3:25
- 3בני גרשון שנשאו היריעות · Numbers 3:25–26
27וגם היריעות הם מקיפים כמו שהמצות הם לבושים לנפש.12 נמצא עבודת בני מררי נושאי הקרשים3 שהן בחי׳ עצי שטים עומדים זהו יראה תתאה שממנה נמשך בחי׳ העמידה וביטול רצון.
E também as cortinas são luzes abrangentes (makifim), assim como as mitsvot são vestimentas para a alma. Portanto, o serviço dos filhos de Merari, que carregavam as vigas — o nível de “madeira de acácia, de pé” — é o temor inferior, do qual deriva o nível de firmeza e a anulação da vontade.
As cortinas também são makifim, luzes abrangentes, assim como as mitsvot são “vestimentas” para a alma, conforme ensina Etz Chaim. Em resumo: as vigas de Merari, “madeira de acácia, de pé”, são o temor inferior, fonte da firmeza e da anulação da vontade.
As cortinas são vestimentas abrangentes, como as mitsvot, e as vigas de Merari representam o temor inferior, a base de toda a estrutura.
Marei mekomot
- 1שהמצות הם לבושים לנפש · ע״ח שמ״ד, פ״ג.
- 2שהמצות הם לבושים לנפש · Sefer Etz Chaim 44:3
- 3בני מררי נושאי הקרשים · Numbers 3:36
Kehas, a Torá e o temor superior ¶28
28ואח״כ [ואחר כך] בחי׳ בני גרשון נושאי היריעות היינו התחברות ב׳ בחי׳ אהבה אהבת עולם ואהבה רבה.
E depois [vem] o nível dos filhos de Gershon, os que carregavam as cortinas: isto é, a união de dois níveis de amor, o amor eterno (ahavat olam) e o grande amor (ahavá rabá).
Em seguida vem Gershon, que carregava as cortinas: a união de dois amores, o amor eterno (ahavat olam) e o grande amor (ahavá rabá).
ועבודת בני קהת נושאי הארון והמזבחות1 כו׳ זהו בחי׳ יראה עילאה שהיא למעלה גם מבחי׳ אה״ר [אהבה רבה], כי
E o serviço dos filhos de Kehas, os que carregavam a Arca e os altares, etc., é o nível do temor superior (yirá ilaá), que está acima até mesmo do nível do grande amor. Pois
Kehas, que carregava a Arca e os altares, representa o temor superior (yirá ilaá), que está ainda acima do grande amor.
הנה בארון היה גנוז הלוחות2 כדכתיב מגלה עמוקות מני חשך3 כמ״ש עמקו מחשבותיך4 והגילוי היה ע״י המנורה וכמ״ש ותורה אור5 שנמשך בחי׳ אור וגילוי מבחי׳ ההעלם דישת חשך סתרו6
na Arca estavam ocultas as Tábuas, como está escrito: “Ele revela coisas profundas das trevas”; como está escrito: “Profundos são os Teus pensamentos”; e a revelação se dava por meio da Menorá, conforme está escrito: “e a Torá é luz”: o nível de luz e revelação que é extraído do nível de ocultação de “Ele fez das trevas o Seu esconderijo”
As Tábuas estavam ocultas na Arca, como em “Ele revela coisas profundas das trevas” (Jó 12:22) e “Profundos são os Teus pensamentos” (Salmos 92:6). Sua luz era revelada por meio da Menorá: “e a Torá é luz” (Provérbios 6:23), uma luz extraída da ocultação de “Ele fez das trevas o Seu esconderijo” (Salmos 18:12).
(ועמ״ש בד״ה ששת ימים7 תאכל מצות בפי׳ ויהי הענן והחשך ויאר8 כו׳). והנה בחכמה אתברירו910 כי כל התורה היא לברר בירורים וזהו ענין המזבחות.
(e veja o que está escrito no maamar iniciado com “Seis dias comerás matsot”, na explicação de “E havia a nuvem e a escuridão, e ela iluminava”, etc.). Ora, “por meio de Chochmá são refinados”, pois toda a Torá existe para efetuar refinamentos (birurim); e esse é o sentido dos altares.
O parêntese remete a um maamar sobre “Seis dias comerás matsot”. Os altares representam o refinamento (birurim): por meio de Chochmá, o bem é separado do mal, e toda a Torá existe para realizar isso.
ולכן היה זה משא בני קהת שהוא כמ״ש ולו יקהת עמים.11 יתכנשון עממיא12 כו׳ שהוא ענין הבירורים. וע״י חכמה נמשך ג״כ בחי׳ יראה עילאה.
Por isso, essa era a carga dos filhos de Kehas, conforme está escrito: “E a ele será a reunião (yikhat) dos povos”: “os povos se reunirão”, etc., que é o assunto dos refinamentos. E por meio de Chochmá também é atraído o nível do temor superior,
É por isso que Kehas carregava esses objetos: a bênção de Yaakov, “a ele será a reunião (yikhat) dos povos” (Gênesis 49:10), traduzida como “os povos se reunirão”, tem a mesma raiz do nome Kehas e significa reunir, isto é, refinar. Chochmá também suscita o temor superior.
כנודע ממאמר אם אין יראה אין חכמה13 אם אין חכמה אין יראה14 דמתחלה צ״ל [צריך להיות / צריך לומר / צריך להבין] יראה תתאה דאם אין יר״ת [יראה תתאה] א״א [אי אפשר] לבוא לבחי׳ החכמה וזהו בחי׳ הקרשים הנ״ל.
como se sabe do ensinamento: “Se não há temor, não há sabedoria; se não há sabedoria, não há temor”: primeiro deve haver temor inferior, pois, se não há temor inferior, é impossível chegar ao nível de Chochmá; e esse é o nível das tábuas mencionado acima.
A Mishná “Se não há sabedoria, não há temor; se não há temor, não há sabedoria” (Avot 3:17) é entendida como referindo-se a dois tipos de temor. Primeiro vem o temor inferior, sem o qual não se pode alcançar Chochmá; esse é o nível das tábuas.
ואח״כ [ואחר כך] אם אין חכמה אין יראה עילאה שכדי לבוא ליראה עילאה זהו ע״י התורה דמחכמה נפקת1516 (וכמשנ״ת [וכמו שנתבאר] לעיל בד״ה וידבר אלקים את כל הדברים האלה),17
E depois: se não há sabedoria, não há temor superior; pois, para chegar ao temor superior, é por meio da Torá, que “provém de Chochmá” (como foi explicado acima, no maamar iniciado com “E D'us falou todas estas palavras”).
Então Chochmá, a Torá que “provém de Chochmá”, conduz ao temor superior: sem sabedoria não há temor superior. O texto remete à explicação anterior no maamar “E D'us falou todas estas palavras”.
נמצא בחי׳ בני קהת זהו יראה עילאה שלאחר אה״ר [אהבה רבה] וזהו בחי׳ שמו״ע [שמונה עשרה] שאחר ואהבת דק״ש [דקריאת שמע]:
Conclui-se que o nível dos filhos de Kehas é o temor superior que vem depois do grande amor; e esse é o nível da Shemoneh Esreh, que vem depois de “E amarás” do Shemá.
Kehas representa, portanto, o temor superior que vem depois do grande amor, assim como, na oração, a Shemoneh Esreh vem depois do amor de “E amarás” no Shemá.
As três famílias dos levitas correspondem às etapas do serviço: as tábuas de Merari representam o temor inferior, as cortinas de Gershon representam os dois amores, e a Arca e os altares de Kehas representam o temor superior que vem por meio da sabedoria da Torá.
Sobre “por meio de Chochmá são refinados”, a nota de Kehot diz que não foi encontrada a formulação exata e remete ao Zohar (Parte II, final de 254b), que fala de ser refinado no pensamento.
Marei mekomot
- 1בני קהת נושאי הארון והמזבחות · Numbers 3:31
- 2בארון הי׳ גנוז הלוחות · Exodus 25:21
- 3מגלה עמוקות מני חשך · Job 12:22
- 4עמקו מחשבותיך · Psalms 92:6
- 5ותורה אור · Proverbs 6:23
- 6ישת חשך סתרו · Psalms 18:12
- 7בד״ה ששת ימים · לעיל צו טו, ד.
- 8ויהי הענן והחשך ויאר · Exodus 14:20
- 9בחכמה אתברירו · נסמן לעיל פ׳ ויקרא ד, א. פ׳ צו יג, ב. לה״ק ל״מ [לשונו הקדוש לא מצאתי] (ע׳ זח״ב רנד, סע״ב) מבו׳ מחשבה ואיתבריר, יעו״ש. [כ].
- 10בחכמה אתברירו · Zohar, Pekudei 51:663–674
- 11ולו יקהת עמים · Genesis 49:10
- 12יתכנשון עממיא · ראה הנסמן במאמרי אדה״ז — פרשיות לע׳ תריא הערה כתרגומו.
- 13אם אין יראה אין חכמה · אבות ג, יז. ראה תניא פרק מב.
- 14אם אין יראה אין חכמה אם אין חכמה אין יראה · Pirkei Avot 3:17
- 15דמחכמה נפקת · Zohar II, 85a
- 16דמחכמה נפקת · Zohar, Mishpatim 20:500–502
- 17דמחכמה — לעיל בד״ה וידבר . . כל הדברים האלה · לעיל טו, ד ואילך.
Merari: mor duas vezes ¶29–30
29ד ואמנם מה שהיו בני מררי נושאים הקרשי׳ [הקרשים] היינו להעלות ולחבר יראה תתאה ביראה עילאה.
4. De fato, os filhos de Merari carregavam as vigas para elevar o temor inferior e uni-lo ao temor superior.
A seção 4 explica por que Merari carregava as vigas: sua tarefa era elevar o temor inferior e uni-lo ao temor superior.
דהנה שם מררי מורה על זה, כי הנה במשכן היו ב׳ פעמים מור אחד בשמים ראש מר דרור1 שבשמן המשחה, הב׳ בסממני הקטרת מור וקציעה.2
Pois o nome Merari indica isso: no Mishkan havia mirra (mor) em duas ocasiões: primeiro, em “os melhores aromas, mirra pura (mar dror)”, no óleo da unção; segundo, entre os ingredientes do incenso, “mirra e cássia”.
O nome Merari alude a isso, pois contém mor, mirra, duas vezes. A mirra aparece duas vezes no Mishkan: como “mirra pura” no óleo da unção (Êxodo 30:23) e como mirra entre os ingredientes do incenso (Kerisos 6a).
והענין כי המור נעשה מדם חיה3 שנק׳ ידוע4 כשנקרש הדם ונעשה בושם (ועמ״ש מזה בד״ה חייב אינש5 לבסומי בפוריא).6 והוא ענין אתכפיא ואתהפכא חשוכא לנהורא.
A explicação é que a mirra é produzida do sangue de um animal chamado yadua, quando o sangue coagula e se torna uma fragrância (e veja o que está escrito a esse respeito no discurso que começa com “A pessoa é obrigada a se embriagar em Purim”). Este é o conceito de iskafya (subjugação) e is’hapcha chashocha linehora (transformar a escuridão em luz).
A mirra provém do sangue de um animal chamado yadua, que coagula e se torna fragrante. O sangue transformado em fragrância representa o padrão de iskafya e is’hapcha: a escuridão é subjugada e transformada em luz.
וזהו ענין מור דסממני הקטרת שהוא ריח והעלאה ממטה למעלה וע״י העלאה זו מעורר המשכה מלמעלה למטה והוא מר דרור שבשמן המשחה שנק׳ מירא דכיא7 שהוא חכמת התורה שהוא ג״כ בחי׳ יראה עילאה.
Este é o conceito da mirra entre os ingredientes do incenso: ela é uma fragrância e uma elevação de baixo para cima; por meio dessa elevação, desperta-se um fluxo de cima para baixo, que é a “mirra pura” do óleo da unção, chamada mira dachya. Ela representa a sabedoria da Torá, que também é o nível do temor superior.
A mirra do incenso é a fragrância que ascende de baixo, uma elevação, e essa elevação desperta um fluxo do alto, a “mirra pura” do óleo da unção. O Targum a chama mira dachya; ela representa a sabedoria da Torá, que é o temor superior.
O nome Merari, com mor repetido duas vezes, alude às duas mirras do Mishkan: a mirra do incenso, correspondente ao temor inferior que ascende de baixo, e a mirra do óleo da unção, correspondente ao temor superior que flui do alto.
Marei mekomot
- 1בשמים ראש מר דרור · Exodus 30:23
- 2מור וקציעה · Keritot 6a:15
- 3המור נעשה מדם חיה · Tur, Orach Chayim 216:1
- 4המור נעשה מדם חי׳ שנק׳ ידוע · ראה טוא״ח סרט״ז בתחילתו.
- 5בד״ה חייב אינש · תו״א צו, א. וראה במראי מקומות שם.
- 6חייב אינש לבסומי בפוריא · Megillah 7b:7–8
- 7מירא דכיא · Onkelos Exodus 30:23
30והמור שבקטרת שהוא אתכפיא ואתהפכא דחשוכא לנהורא הוא בחי׳ יראה תתאה והוא הגורם המשכת יראה עילאה,
E a mirra do incenso, que é o iskafya (subjugação) e o is’hapcha (transformação) da escuridão em luz, é o nível do temor inferior; e é ela que provoca a extensão do temor superior.
A mirra do incenso, que subjulga a escuridão e a transforma em luz, é o temor inferior, e é ela que faz com que o temor superior seja estendido.
ולכן מררי היינו פי׳ ב״פ [ב׳ פעמים] מור דהיינו התחברות ב׳ בחי׳ מור הנ״ל. ולכן הם נשאו הקרשים שהוא ג״כ ענין חיבור יראה תתאה ביראה עילאה.
Portanto, Merari significa mor (mirra) duas vezes, isto é, a união dos dois níveis de mirra mencionados acima. E por isso eles carregavam as vigas, o que também representa a união do temor inferior com o temor superior.
Merari, entendido como mor duas vezes, une, portanto, os dois tipos de mirra: o temor inferior e o temor superior. Por isso os filhos de Merari carregavam as vigas, que também unem o temor inferior ao temor superior.
Tanto o nome de Merari quanto o fato de ele carregar as vigas expressam a união do temor inferior com o temor superior.
Gershon “por ordem de Aharon” ¶31–33
31וזהו ע״פ אהרן ובניו תהיה כל עבודת בני הגרשוני דדוקא גבי עבודת בני הגרשוני נאמר ע״פ אהרן,
E isto é [o significado de] “Por determinação de Aharon e de seus filhos será todo o serviço dos filhos de Gershon”: especificamente a respeito do serviço dos filhos de Gershon é dito: “Por determinação de Aharon”,
Responde-se agora à segunda pergunta da abertura: por que somente o serviço de Gershon é “por determinação de Aharon”.
כי עבודת בני גרשון שנשאו היריעות שהם בחי׳ מקיפים והוא להמשיך בחי׳ אהבה עליונה שהיא בחי׳ מקיף בששה מדות וגוונין שבמדות הנפש כנ״ל.
pois o serviço dos filhos de Gershon, que carregavam as cortinas, as quais são o nível dos makifim (luzes envolventes), consiste em atrair o nível do amor superno, que é o nível de um makif nas seis midot e nas cores que há nos atributos emocionais (midot) da alma, como mencionado acima.
As cortinas de Gershon são luzes envolventes (makifim), e sua tarefa é atrair um amor superno que envolve os seis atributos emocionais da alma e suas “cores”.
והמשכה זו היא דוקא ע״י אהרן שהוא הוא מקור האה״ר [האהבה רבה] ובחי׳ ורב חסד1 ולכן נק׳ אהרן א׳ ה״ר ן׳2 כי הר היא בחי׳ אהבה
E essa atração se dá especificamente por intermédio de Aharon, pois ele próprio é a fonte do grande amor (ahavá rabá) e do nível de “abundante em bondade”. Por isso, seu nome é chamado Aharon: alef, har, nun final; pois har (montanha) é o nível do amor,
Essa atração só pode vir por intermédio de Aharon, fonte do grande amor e do atributo divino “abundante em bondade” (Êxodo 34:6). Seu nome se decompõe em alef, har (montanha) e nun final, e “montanha” representa o amor.
ולכן אברהם אוהבי קראו הר3 אך אהרן מת בהר ההר4 שהיא אהבה עליונה יותר מבחי׳ אברהם (כמ״ש ע״פ ועשית בגדי קדש5 לאהרן כו׳)
e por isso Avraham, “que Me ama”, chamou-a “montanha”. Mas Aharon morreu no Monte da Montanha (Hor HaHar), que corresponde a um amor superior ao nível de Avraham (como está escrito a respeito do versículo “Farás vestes sagradas para Aharon”, etc.).
O Talmud diz que Avraham, a quem D'us chama “que Me ama” (Isaías 41:8), chamou o local do Templo de “montanha” (Pesachim 88a). Aharon morreu em Hor HaHar, “a montanha da montanha”, um amor ainda mais elevado que o de Avraham.
E isto é alef-har. O alef é o nível de pele (maravilha), que pertence aos atributos supernos acima do intelecto e que são chamados no Zohar “montanhas de trevas”.
O alef de “alef-har” é lido como pele, maravilha (as mesmas letras em ordem inversa): os atributos supernos acima do intelecto. O Zohar os chama de “montanhas de trevas”, pois estão além da compreensão.
ונו״ן הפשוטה היא בחי׳ ירידת והמשכת אור אה״ר [אהבה רבה] זו למטה לכל נש״י [נשמות ישראל] כי אהרן הוא משבעה רועים8 המפרנסים לנש״י [לנשמות ישראל].
E o nun final é o nível da descida e da atração da luz desse grande amor para baixo, a todas as almas de Israel, pois Aharon é um dos sete pastores que sustentam as almas de Israel.
O nun final, uma letra reta que se estende para baixo da linha, representa esse amor descendo a todas as almas de Israel. Aharon é um dos “sete pastores” que sustentam as almas de Israel.
ולכן בני גרשון שנשאו יריעות המשכן שהוא ג״כ העלאת והמשכת וחבור ב׳ בחי׳ אהבה אה״ע [אהבת עולם] ואה״ר [ואהבה רבה] היה זה דוקא ע״פ אהרן ובניו דאהרן הוא מקור בחי׳ אה״ר [אהבה רבה] ורב חסד.
Portanto, [no caso d]os filhos de Gershon, que carregavam as cortinas do Mishkan, as quais também representam a elevação, a atração e a união dos dois níveis de amor, amor eterno (ahavat olam) e grande amor, isso se dava especificamente “por determinação de Aharon e de seus filhos”, pois Aharon é a fonte do nível do grande amor e da “abundância de bondade”.
O transporte das cortinas por Gershon, que une o amor eterno ao grande amor, tinha, portanto, de se dar “por determinação de Aharon”, a fonte do grande amor.
ולכן נק׳ ג״כ גרשון בנו״ן פשוטה דייקא. (משא״כ גרשם שהוא במ״ם) שיש בו ג״כ מבחי׳ נון פשוטה דאהרן
Por isso, ele também é chamado Gershon, especificamente com um nun final (ao contrário de Gershom, que se escreve com um mem), pois também há nele [algo] do nível do nun final de Aharon;
O nome Gershon também termina com um nun final, ao contrário de Gershom, que termina com um mem. Isso mostra que Gershon compartilha algo do nun final de Aharon.
כי הנו״ן פשוטה רומז9 על ההמשכה למטה מטה וכדי שיהיה ההמשכה למטה היא ע״י בחי׳ עליונה יותר כנודע מענין ועברתי בארץ מצרים אני ולא מלאך.10 ע״כ [על כן] דוקא מבחי׳ אה״ר [אהבה רבה] דאהרן יוכל לימשך למטה בכל נפש .1112
pois o nun final alude à extensão para baixo, muito, muito abaixo; e, para que haja uma extensão para baixo, ela se dá por meio de um nível mais elevado, como se sabe pelo assunto de “E passarei pela terra do Egito”: “Eu, e não um anjo”. Portanto, é especificamente do nível do grande amor de Aharon que ele pode ser estendido para baixo, a cada alma.
O nun final aponta para uma extensão até os níveis mais baixos, e alcançar tão baixo exige uma fonte mais elevada, como no Êxodo, a respeito do qual a Hagadá diz: “Eu, e não um anjo” (Exodus 12:12). Assim, somente do grande amor de Aharon o amor pode alcançar cada alma abaixo.
O serviço de Gershon é “por determinação de Aharon” porque o amor que ele atrai provém de Aharon, fonte do grande amor; seu nome e seu nun final expressam um amor que desce a cada alma.
A nota da Kehot cita Torah Ohr sobre Tetsavê: Aharon, homem de bondade e Sumo Sacerdote, atrai o grande amor do Or Ein Sof para todas as almas de Israel, e suas vestes sacerdotais são as vestes desse amor.
Marei mekomot
- 1ורב חסד · Exodus 34:6
- 2אהרן א׳ ה״ר ן׳ · ראה ספר הערכים-חב״ד-ב טור סח.
- 3אברהם אוהבי קראו הר · Isaiah 41:8
- 4אהרן מת בהר ההר · Numbers 20:28
- 5ע״פ ועשית בגדי קדש · תו״א פב, א.
- 6ונק׳ בזהר טורי חשוכא · ח״ג רמט, ב. ועל״ק כאן (כג, א). ובשה״ש (טו, ג). [כ].
- 7טורי חשוכא · Zohar, Pinchas 104:696–105:706
- 8אהרן הוא משבעה רועים · תיקונים שבז״ח (קד, א). לקוטי שיחות ח״כ ע׳ 643.
- 9הנון פשוטה רומז · ראה מא״א אות נו״ן ס״א.
- 10ועברתי בארץ מצרים אני ולא מלאך · Zohar, Vayera 27:413–416
- 11גרשון הוא לשון גירושין · ראה לקו״ש חי״ג ע׳ 19.
- 12ועברתי באמ״צ אני ולא מלאך · Exodus 12:12
32והנה גרשון הוא לשון גירושין כי ימינך ה׳ דוקא תרעץ אויב.1 הוא בחי׳ נה״ב [נפש הבהמית] משא״כ מקו השמאל יש יניקה כו׳ גם היריעות והמקיף מסמא עיני החיצונים.
Ora, Gershon é uma expressão de guerushin (expulsão), pois “Tua mão direita, Havayá”, especificamente, “esmaga o inimigo”, o que corresponde ao nível da alma animal; ao passo que, da linha da esquerda, há uma extração de sustento etc. Além disso, as cortinas e a [luz] circundante cegam os olhos das forças externas.
O nome Gershon sugere guerushin, expulsão: a mão direita de D'us, Chesed, “esmaga o inimigo” (Exodus 15:6), a alma animal, ao passo que o lado esquerdo dá às kelipot um lugar de onde extrair sustento. As cortinas circundantes também cegam as forças externas.
וזהו מקדש אדני כוננו ידיך2 פי׳ שמדרגת הלוים הוא שהיו מחברים אור א״ס [אין סוף] בעולמות, שהרי באמת אין ערוך לך
E este é [o significado de] “O Santuário, Ado-nai, que Tuas mãos estabeleceram”. O significado é que o nível dos levitas consiste em unir a Luz Infinita (Or Ein Sof) aos mundos, pois, na verdade, “não há comparação contigo”.
“O Santuário, Ado-nai, que Tuas mãos estabeleceram” (Exodus 15:17) refere-se aos levitas, cujo nível consiste em unir a Luz Infinita aos mundos, embora, na verdade, os mundos não tenham comparação com Ele.
ולכן כדי שבאתעדל״ת [שבאתערותא דלתתא] יהיה3 אתעדל ״ע זהו ענין הלוים שהוא לשון חיבור כמ״ש הפעם ילוה אישי אלי.45 שהם הגורמים חיבור זה.
Portanto, para que por meio de um despertar de baixo haja um despertar do alto, este é o assunto dos levitas (Leviim), expressão que indica união, como está escrito: “Desta vez meu marido se unirá (yilavê) a mim”; pois são eles que promovem essa união.
Para que um despertar de baixo suscite um despertar do alto, são necessários os levitas: Levi significa união, como disse Leá: “desta vez meu marido se unirá a mim” (Genesis 29:34). São eles que promovem essa união.
Gershon expulsa as forças da alma animal, e os levitas como um todo unem a Luz Infinita aos mundos, fazendo a ponte entre aquilo que não tem comparação.
Marei mekomot
- 1ימינך ה׳ דוקא תרעץ אויב · Exodus 15:6
- 2מקדש אדני כוננו ידיך · Exodus 15:17
- 3כדי שבאתעדל״ת יהיה אתעדל״ע זהו ענין הלוים · ראה גם אוה״ת נשא ע׳ רלז. (הגהות למאמר זה).
- 4הפעם ילוה אישי אלי · ויצא כט, לד.
- 5הפעם ילוה אישי אלי · Genesis 29:34
33וזהו שהיו נושאים המשכן וכליו ואח״כ [ואחר כך] הי׳ [היה] חני׳ [חניה] העלאה והמשכה. וזהו מקדש אדני כוננו שיהיה גילוי אור א״ס [אין סוף] ב״ה למטה ושכנתי בתוכם, ידיך הם ג׳ ידות יד הגדולה יד החזקה1 יד הרמה.2
E é por isso [que] eles transportavam o Mishkan e seus recipientes, e depois havia o acampamento: elevação e atração para baixo. E este é [o significado de] “O Santuário, Ado-nai, estabeleceu”: que haja uma revelação da Luz Infinita, bendito seja Ele, embaixo — “e habitarei dentro deles”. “Tuas mãos” são três mãos: a mão grande, a mão forte e a mão elevada.
Os levitas transportavam o Mishkan, o que constitui uma elevação, e depois o assentavam no acampamento, o que constitui uma atração para baixo. “Tuas mãos”, no versículo, são as três mãos do Êxodo: a mão grande (Exodus 14:31), a mão forte (Exodus 6:1) e a mão elevada (Exodus 14:8).
יד הגדולה שהיא בחי׳ ורב חסד הוא ענין עבודת בני הגרשוני. ויד החזקה בחי׳ שמאלו תחת לראשי3 הוא בחי׳ בני מררי.
A mão grande, que é o nível de “e abundante em bondade”, corresponde ao serviço dos filhos de Gershon. E a mão forte, o nível de “Sua mão esquerda está sob minha cabeça”, é o nível dos filhos de Merari.
A mão grande, “abundante em bondade”, corresponde a Gershon. A mão forte, “Sua mão esquerda está sob minha cabeça” (Song of Songs 2:6), o lado esquerdo da contenção, corresponde a Merari.
ויד הרמה זהו בחי׳ בני קהת כי רמה לשון רוממות והוא בחי׳ בני קהת שהיו נושאים הארון והלוחות כו׳:
E a mão elevada é o nível dos filhos de Kehas; pois ramá (elevada) é uma expressão de exaltação, e este é o nível dos filhos de Kehas, que transportavam a Arca e as Tábuas, etc.
A mão elevada — ramá significa exaltação — corresponde a Kehas, que transportava a Arca e as Tábuas.
As três “mãos” que estabelecem o Santuário correspondem às três famílias levíticas: bondade a Gershon, força a Merari e exaltação a Kehas.
Marei mekomot
- 1יד החזקה · Exodus 6:1
- 2יד הגדולה, יד החזקה, יד הרמה · Exodus 14:31
- 3שמאלו תחת לראשי · Song of Songs 2:6
Erguer a cabeça ¶34–35
34והנה הכח להעלאה זו שע״י הג׳ לוים. א״א [אי אפשר] להיות כ״א [כי אם] ע״י המשכה בתחלה מלמעלה וזהו ע״י הכהנים,
Ora, a força para essa elevação, realizada por meio das três [famílias de] levitas, só pode vir por meio de uma emanação inicial do Alto; e isso se dá por intermédio dos cohanim.
A força dos levitas para elevar as coisas requer uma emanação prévia do Alto, que vem por intermédio dos cohanim.
ולכן לא היו הלוים מתחילים בעבודתם כ״א [כי אם] ע״י הכהנים כמ״ש ושמו איש איש על עבודתו כו׳ וכמ״ש במ״א (ועמ״ש עוד מענין ג׳ ידות בד״ה חייב אינש לבסומי1 בפוריא).
Por isso, os levitas não começavam seu serviço senão por intermédio dos cohanim, como está escrito: “E designarão cada homem para seu serviço”, etc., e como está escrito em outro lugar. (Veja também o que está escrito adiante sobre as três mãos, no discurso que começa: “A pessoa é obrigada a embriagar-se em Purim”.)
Por isso, os levitas só começavam seu trabalho quando os cohanim o designavam: “cada homem para seu serviço” (Numbers 4:19). O parêntese remete a Torah Ohr sobre Purim, para mais informações sobre as três mãos.
וזהו ענין נשא את ראש בני גרשון גם הם2 ומה שבבני מררי לא נאמר נשיאת ראש.
Este é o significado de “Ergue a cabeça dos filhos de Gershon, também eles”, e do fato de que não se diz “erguer a cabeça” a respeito dos filhos de Merari.
Isso também responde à primeira pergunta: por que no recenseamento de Gershon se diz “ergue a cabeça... também eles”, enquanto no de Merari não se fala em “erguer a cabeça”.
Veja em [Midrash] Rabbah, no início de Parshas Nasso: como Kehas estava entre os que carregavam a Arca, que é o Santo dos Santos, etc., e Gershon era sagrado,
O Midrash (Bamidbar Rabbah, no início de Nasso) explica que Kehas foi contado primeiro porque carregava a Arca, o Santo dos Santos, enquanto Gershon era “sagrado”.
דהיינו שהיה בכור5 וכתיב קדש לי כל בכור6 כו׳ משא״כ בבני מררי כו׳ ע״ש [עיין שם], ויש לפרש דהנה מבואר לעיל בפי׳ שאו את ראש7
isto é, era primogênito, e está escrito: “Consagra a Mim todo primogênito”, etc.; o que não se aplicava aos filhos de Merari, etc.; veja ali. E pode-se explicar da seguinte maneira: como foi explicado acima, a respeito do significado de “Ergue a cabeça”,
Gershon era sagrado por ser primogênito, e os primogênitos são sagrados: “Consagra a Mim todo primogênito” (Exodus 13:2); Merari não possuía nenhuma dessas distinções. O Alter Rebe acrescenta sua própria explicação, a partir do significado de “ergue a cabeça” apresentado anteriormente, em Bamidbar.
דהיינו לקשר בחי׳ רצון התחתון הנמשך מבחינת ראש ומוחין המלובשים בגוף ולחברו ולהעלותו לבחינת הרצון שלמעלה מן השכל שהוא מבחי׳ מזליה כו׳ (ע״ש [עיין שם] ר״פ במדבר).
isto é, vincular o nível da vontade inferior, que deriva do nível da cabeça e do intelecto (mochin) revestidos no corpo, uni-la e elevá-la ao nível da vontade que está acima do intelecto, proveniente do nível de “seu mazal”, etc. (Veja ali, no início de Parshas Bamidbar.)
Ali, erguer a cabeça significa vincular a vontade inferior, que provém do intelecto revestido no corpo, e elevá-la à vontade acima do intelecto, que provém da raiz superior da alma, chamada seu mazal.
והנה עיקר העלאה זו זהו ע״י עסק התורה שהיא בחי׳ רצון העליון וכמש״ש [וכמה שכתוב שם] בענין אחזתיו8 כו׳
Ora, a essência dessa elevação se dá por meio da dedicação à Torá, que é o nível da vontade suprema, como está escrito ali a respeito de “Eu o segurei”, etc.,
Essa elevação ocorre principalmente por meio do estudo da Torá, pois a Torá é a vontade suprema, conforme explicado ali a respeito de “Eu o segurei e não o deixei partir” (Song of Songs 3:4).
ובשאר דוכתי וכמש״ל [וכמה שכתוב לעיל] בד״ה וידבר אלקים את כל הדברים גבי אם אין חכמה אין יראה.9
e em outros lugares; e como foi explicado acima, no discurso que começa “E Elokim falou todas as palavras”, a respeito de “Se não há sabedoria, não há temor”.
Isso também foi explicado em outros lugares, inclusive no maamar “E Elokim falou todas estas palavras”, a respeito de “Se não há sabedoria, não há temor”.
Como erguer a cabeça significa elevar a vontade à sua fonte suprema, principalmente por meio da Torá, isso é dito a respeito de Kehas, que carregava a Arca, e de Gershon, mas não de Merari.
Marei mekomot
- 1בד״ה חייב אינש לבסומי · תו״א צה, ג.
- 2נשא את ראש בני גרשון גם הם · Numbers 4:22
- 3לפי שקהת הי׳ מטועני הארון · Bamidbar Rabbah 6:1
- 4קדש הקדשים · Exodus 26:33
- 5וגרשון . . בכור · Genesis 46:11
- 6קדש לי כל בכור · Exodus 13:2
- 7שאו את ראש · Numbers 1:2
- 8אחזתיו · Song of Songs 3:4
- 9ושמו אותם איש איש · Numbers 4:19
35ולכן גבי בני קהת שהיו טוענין את הארון שבו הלוחות נאמר נשא את ראש.1 וזהו ענין קדש הקדשים עמ״ש בד״ה וישב יעקב ובד״ה שבת שבתון.
Portanto, a respeito dos filhos de Kehat, que transportavam a Arca na qual estavam as Tábuas, está escrito: “Ergue a cabeça”. Este é o sentido do Santo dos Santos; veja o que está escrito no discurso que começa com “E Yaakov habitou” e no discurso que começa com “Um Shabat de completo repouso”.
Kehat transportava a Arca com as Tábuas, a própria Torá; por isso, a respeito deles, está escrito “ergue a cabeça”. Este é o significado do Santo dos Santos, abordado nos maamarim que começam com “E Yaakov habitou” e “Um Shabat de completo repouso”.
אלא שבבני גרשון שהיו נושאי היריעות שהוא ג״כ ענין התחברות אה״ע [אהבת עולם] באהבה רבה לכן נאמר בהם ג״כ נשא את ראש בני גרשון גם הם כו׳
Mas, quanto aos filhos de Gershon, que carregavam as cortinas — o que também corresponde à união do amor eterno com o grande amor —, por isso também se diz a respeito deles: “Ergue a cabeça dos filhos de Gershon, eles também”, etc.
As cortinas de Gershon, que correspondem à união do amor eterno com o grande amor, também fazem parte dessa elevação; por isso, também se diz a respeito deles: “ergue a cabeça… eles também”.
אבל עבודת בני מררי הוא בבחי׳ יראה הנמשכת מן הראש והמוחין לכך לא נאמר בהם נשיאת ראש אלא שעי״ז יבא אח״כ [אחר כך] לבחינת ומעלת קהת וגרשון שהוא ענין נשיאת ראש.2
Mas o serviço dos filhos de Merari está no nível do temor que se estende da cabeça e do intelecto; por isso, não se diz a respeito deles “erguer a cabeça”. Antes, por meio disso, chega-se posteriormente ao nível e à posição de Kehat e Gershon, que correspondem a “erguer a cabeça”.
O serviço de Merari é o temor que se estende da cabeça e do intelecto; por isso, não se diz a respeito deles “erguer a cabeça”. Ainda assim, por meio desse temor, chega-se depois à posição de Kehat e Gershon, à verdadeira elevação da cabeça.
O maamar conclui: “erguer a cabeça” é dito a respeito de Kehat e Gershon, que representam a Torá e o amor, enquanto o temor de Merari é o fundamento a partir do qual, posteriormente, se ascende até eles.
Marei mekomot
- 1נשא את ראש · Numbers 4:2
- 2שהוא ענין נשיאת ראש · ראה לקו״ש ח״י ע׳ 53.
Terminou o maamar?
Marque-o como estudado; ele conta para a semana e para o siyum do ano.
Na avodá
Transforme seu próprio coração em um Mishkan: reze com o coração puro e estenda a divindade para baixo por meio de boas ações, sem esperar até que o mal seja completamente extirpado, pois uma pequena luz afasta muita escuridão. Comece com o “permanecer de pé”: um exame honesto de si mesmo que traz amargura, temor inferior e anulação da vontade. A partir daí, a contemplação no Shemá faz nascer o amor, e o estudo da Torá traz o temor superior que ergue a cabeça.
Perguntas para conversar
- Por que o maamar diz que o bitul, e não a grandeza, é a fonte da bondade nos seres criados, e como isso explica a esterilidade do deserto?
- Por que a iskafya deve preceder a is’hapcha, e como a subjugação do deserto prepara a revelação do Futuro?
- Por que uma pessoa pode praticar o bem antes de ter se afastado completamente do mal, e o que isso ensina sobre a ordem do serviço divino?
- Como as vigas, as cortinas e a Arca correspondem ao temor inferior, ao amor e ao temor superior, e por que “erguer a cabeça” é dito somente de Kehas e Gershon?
- O que o nome de Aharon, alef-har-nun final, ensina sobre o motivo pelo qual o serviço de Gershon era “por ordem de Aharon”?