Torah Ohr · Parshas Beshalach · Maamar 5
לסוסתי ברכבי פרעה דמיתיך רעיתי
“À minha égua nos carros do Faraó te comparei, minha amada”
A ideia central
As letras das palavras de uma pessoa são “cavalos” que a levam para além de sua própria compreensão: as “letras femininas” da oração ascendem de baixo e atraem as “letras masculinas” da Torá, nas quais a própria essência de D'us vem preencher o mundo. Acima de ambas está a abertura do Mar, um despertar do alto que nada vindo de baixo poderia suscitar, e que é a alegria de uma mitsvá.
O maamar em resumo
O Cântico dos Cânticos compara Israel aos cavalos do Faraó, e o Zohar conta como o Faraó primeiro colocou éguas diante de seus carros e depois inverteu a ordem. O Alter Rebe explica que as letras são “cavalos”: o intelecto conduz a fala, mas as palavras levam a pessoa para além do que o intelecto pode alcançar. As “letras femininas” são a ascensão da oração, um despertar de baixo, e atraem as “letras masculinas”, as letras da Torá, por meio das quais a luz infinita se revela embaixo, de modo que o próprio D'us preenche o céu e a terra, como no Sinai. A kelipá tem suas contrapartidas: a conversa fútil e a fala maldosa atraem um fluxo circundante de vaidade. O Faraó usou ambos os tipos de cavalos para arrastar Israel à kelipá, e D'us os inverteu para a santidade. Todos os dias, a pessoa sai do Mitsrayim, os limites do mundo: a contemplação nas orações da manhã desperta um amor sem limites no Shemá, que atrai amor do alto, de modo que as próprias palavras de D'us estejam em sua boca. Ainda mais elevada foi a abertura do Mar, quando a essência de D'us, para a qual o oculto e o revelado são iguais, foi revelada sem qualquer despertar de baixo. Essa é a alegria de uma mitsvá, por meio da qual Sua essência é atraída para baixo.
Esquema
- O versículo e os cavalosAs éguas e os garanhões do Faraó, e a mudança na ordem da condução de D'us no Êxodo e no Mar. As letras são cavalos que levam o intelecto para além de si mesmo; na oração, precisam da contemplação, e D'us deseja o temor que elas servem.¶1–2
- Letras femininas e masculinasA oração ascende de baixo e atrai para baixo as letras da Torá, por meio das quais o próprio D'us preenche o céu e a terra, como na Outorga da Torá.¶3–4
- Os cavalos da kelipáA conversa fútil e a fala maldosa atraem um fluxo circundante de vaidade das profundezas da kelipá. O Faraó procurou arrastar Israel à kelipá, e D'us inverteu seus cavalos para a santidade.¶5–7
- O Êxodo diárioCada mundo é Mitsrayim, um lugar de limites. A contemplação em Pesukei Dezimra e nas bênçãos anteriores ao Shemá, sobre anjos e almas incontáveis que vivem somente de Seu Nome, prepara o clamor do coração.¶8–11
- O amor de baixo e o amor do altoUm amor sem limites no Shemá atrai amor do alto; por meio das letras da Torá, as palavras de D'us estão na boca da pessoa, e o Shemá termina com a saída dos limites.¶12–13
- A abertura do MarUm despertar mais elevado do alto, não suscitado de baixo: a essência de D'us, acima da cadeia do oculto e do revelado, transformou o próprio mar em terra seca.¶14–16
- A alegria de uma mitsváA alegria de uma mitsvá alcança Sua essência. As mitsvot são os membros do Rei e a Torá, Seu corpo inteiro; no Mar, “Por que clamas a Mim?”, pois a questão dependia de Atika.¶17–20
Conceitos-chave
- Letras femininasאותיות נקבות
- A ascensão de baixo: as palavras da oração, nas quais a iniciativa própria da pessoa, um despertar de baixo, ascende em direção a D'us.
- Letras masculinasאותיות זכרים
- A atração para baixo vinda do alto: as letras da Torá, por meio das quais a luz infinita, que está além dos mundos, se revela embaixo.
- Um despertar de baixo, um despertar do altoאתערותא דלתתא, אתערותא דלעילא
- “Um espírito suscita um espírito”: a iniciativa humana atrai uma resposta divina. No Mar houve um despertar do alto que nada vindo de baixo poderia suscitar.
- Mitsrayim e meitzarimמצרים
- O Egito como os limites de cada mundo criado; o Êxodo diário é sair desses limites por meio de um amor “com todas as tuas forças”.
- A cadeia descendente dos mundos (hishtalshelut)השתלשלות
- Níveis ligados como uma cadeia, cada um oculto em relação ao que está abaixo dele e revelado em relação ao que está acima dele; a essência de D'us está acima de toda a cadeia.
- A alegria de uma mitsváשמחה של מצוה
- A alegria que alcança a própria essência de D'us, “mais do que a abundância de tudo”: a recompensa das mitsvot, revelada na abertura do Mar.
- Atikaעתיקא
- O nível do qual, segundo o Zohar, dependia a salvação no Mar; o maamar o chama de Essência do Emanador Supremo, além do alcance da oração.
O versículo e os cavalos ¶1–2
“À minha égua entre os carros do Faraó te comparo, minha amada.” Ora, “minha amada” é comparada aos cavalos do Faraó: assim como o Faraó primeiro colocou éguas,
O maamar começa com Cântico dos Cânticos 1:9, no qual D'us compara Sua amada, o povo de Israel, aos cavalos dos carros do Faraó. O Alter Rebe inicia com um detalhe do Êxodo, conforme narrado pelo Zohar: a princípio, o Faraó atrelou éguas à frente de seus carros.
ואח״כ היפך זכרים קודם לנקיבות כמ״ש בזהר פ׳ בשלח (ד׳ מז) כמו״כ בשעת יציאת מצרים נאמר וה׳ הולך לפניהם4 יומם וגו׳.
e depois inverteu [a ordem], colocando os machos antes das fêmeas, conforme está escrito no Zohar, Parshas Beshalach (fólio 47). Do mesmo modo, na época do Êxodo do Egito, está dito: “E D'us ia diante deles de dia”, etc.
Segundo o Zohar, o Faraó atrelou as éguas à frente, com os garanhões atrás delas; os garanhões avançavam atrás das éguas, enquanto estas se apressavam adiante. Quando se aproximou de Israel, ele trocou a ordem, colocando os garanhões à frente para combater. O Zohar, e depois dele o Alter Rebe, coloca ao lado disso uma mudança na ordem da condução de Israel pelo próprio D'us, começando pelo Êxodo, quando “D'us ia diante deles de dia” numa coluna de nuvem.
ואח״כ בשעת קריעת י״ס נאמר ויסע מלאך האלקים5 ההולך לפני מחנה כו׳ וילך מאחריהם כו׳. הנה צריך להבין מהו המשל והנמשל שנמשלה רעיתי לסוסי פרעה.
E depois, na época da abertura do Mar de Juncos, está dito: “E o anjo de Elokim, que ia diante do acampamento, partiu”, etc., “e foi para trás deles”, etc. Ora, é preciso compreender qual é a analogia e o que ela representa quando “minha amada” é comparada aos cavalos do Faraó.
No Mar, a ordem foi invertida: o anjo de Elokim, que ia diante do acampamento de Israel, partiu e foi para trás deles. Tendo diante de si essas duas inversões, o Alter Rebe pergunta o que realmente significa a comparação do povo judeu aos cavalos do Faraó.
הנה אותיות נקראו סוסים6 כמו הסוס שהאדם רוכב עליו ומוליכו כפי רצונו ואעפ״כ הסוס מוליך את האדם למקום רחוק7 מאד אשר בלתי אפשר להגיע לשם בלי סוס.
Ora, as letras são chamadas de cavalos. [Isso é] como um cavalo, que a pessoa monta e conduz conforme deseja; e, ainda assim, o cavalo leva a pessoa a um lugar muito distante, ao qual seria impossível chegar sem um cavalo.
A resposta começa com uma analogia: as letras, os elementos que compõem a fala, são chamadas de “cavalos”. O cavaleiro conduz seu cavalo para onde quer, mas o cavalo o leva muito além do lugar a que ele poderia chegar a pé.
כמו״כ השכל מנהיג את האותיות ורוכב עליהם שלפי ערך השכל כך הוא הדבור אעפ״כ ע״י האותיות מתעלה למעלה יותר מה שאין השכל יכול להשיג כלל.8
Assim também, o intelecto dirige as letras e monta sobre elas, pois a fala corresponde à medida do intelecto; apesar disso, por meio das letras a pessoa ascende mais alto, [até] aquilo que o intelecto não consegue alcançar de modo algum.
O mesmo ocorre com o intelecto e a fala: a mente dirige as palavras, e a pessoa fala de acordo com aquilo que compreende. No entanto, as palavras podem elevar a pessoa para além do que seu entendimento poderia alcançar por si só.
O parágrafo apresenta o versículo e o relato do Zohar sobre as éguas e os garanhões do Faraó, relaciona-os à mudança de ordem no Êxodo e no Mar, e começa a resposta: as letras são “cavalos” que levam o intelecto para além de seu próprio alcance.
As notas da Kehot citam outras transcrições deste maamar. Uma delas traz, em nome do Maguid, o ensinamento de que as letras são chamadas de cavalos; outra desenvolve a analogia com uma montanha alta que a pessoa não consegue escalar sozinha, mas à qual o cavalo a leva, “de modo que as letras são um veículo para o intelecto”; uma terceira afirma que as letras têm uma fonte e uma raiz muito elevadas e, por isso, levam seu cavaleiro a galope a um lugar alto.
Marei mekomot
- 1לסוסתי ברכבי פרעה · הנחת כ״ק אדמו״ר האמצעי בסה״מ תקס״ז ע׳ מ, רק חלק קטן. עוד הנחה במאמרי אדה״ז כתובים כרך ב (הוצאה שני׳) ע׳ קיז. עוד הנחה בהנחת הר״פ ע׳ יג. ראה לעיל בציונים לכ״ק אדמו״ר זי״ע. הג״ה באוה״ת בשלח ע׳ תקעז. ראה מאמרי אדה״ז כתובים כרך ב ע׳ ע. והנחת הר״פ בס׳ הנחות הר״פ ע׳ ח. בבוך 1113 גוכתי״ק הצ״צ נמצאים קיצורים וכנראה שהם שייכים לד״ה לסוסתי. ב. אותיו׳ נקבות וזכרים תפלה ותורה מכה״כ גלוי סובב (אך התורה משל הקדמוני וגלוי א״ס בתורה ע״י אותיו׳ ואתא מרבבו׳ קדש לכן תרכב על סוסיך אך תחלה צ״ל תפלה העלא׳ כו׳). ג. זלעו״ז — לכן הולך לפניהם כו׳ (ע״י התקשרו׳ בתפלה מתבטלי׳ המ״ז אותיו׳ נוקבין וכן ע״י עסק התורה דוכרין דקדושה מתבטלי׳ הרהורי׳ רעי׳) — כי י׳ חבל נחלתו וע״י עליי׳ שרש נש״י ממילא מתעלי׳ כו׳. ד. כמ״כ בכל יום יצ״מ מהתקשרו׳ הבלי עולם השכל מלך ושריו וושט ורידין תאוו׳. ויצ״מ ק״ש ע״י התבוננו׳ פד״ז הריבוי קדושי׳ נמשכי׳ רק משמך לא כח הפועל בנפעל לא שניתי המרומם לבדו והמתנשא מימות עולם. אלקי׳ חיים ומלך עולם. ומ״מ בלי גבול הקדושי׳ כו׳ לכן צעק לבי לצאת מגבול ק״ש מאדך סוסי׳ נוקבין ומזה והא״ש לאהבה אייתי רוח והחיות רו״ש ונתתי מטר יושב ושונה כנגדו ודברת הנהגה מלכתא אשר אנכי כו׳ וזהו אני כו׳.
- 2לסוסתי ברכבי פרעה · Song of Songs 1:9
- 3לסוסתי ברכבי פרעה · Zohar, Beshalach 5:63–7:71
- 4וה׳ הולך לפניהם · Exodus 13:21
- 5ויסע מלאך האלקים · Exodus 14:19
- 6אותיות נקראו סוסים · ראה בס׳ הנחות הר״פ ע׳ א בשם הה״מ.
- 7שו״ה האדם — הסוס מוליך את האדם למקום רחוק · בהנחת הר״פ ע׳ ח מביא המשל ”ד״מ הר גבוה ונישא אשר האדם לבדו לא יוכל לילך והסוס נושא אותו לשם כמו״כ אותי׳ הם מרכב לגבי השכל”.
- 8שו״ה שאין השכל — להשיג כלל · בבוך 1824 נוסף: ”(והנה יש שני מיני אותיות אותיות זכרים ואותיות נקבות והיינו סוסים זכרים וסו׳ נקבות)”. בהנחת הר״פ ע׳ ט מוסיף אחר הענין להשיג כלל ”וכמבואר לעיל ג״כ מזה בזהר פ׳ ויחי קצת באריכות מקור ושרש האותיות מאד נעלה ולבעבור זה אותי׳ נק׳ סוסים שהם מביאים במרוצה את רוכבו למקום גבוה ונעלה” — מה שכתב לעיל פ׳ ויחי, הכוונה להמאמר שנדפס בהנחת הר״פ ע׳ א, והנחת אדה״א בס׳ תקס״ז ע׳ יא, ובתוספות הגהות מכ״ק הצ״צ באוה״ת בראשית כרך א ע׳ תתשמב, ב.
2והיינו ע״י אותיות התפלה.1 אך אעפ״כ צ״ל התבוננות ג״כ. אם לא מי שערכו פחות מלהתבונן כלל שלזה בהכרח להעמיק אף בהאותיות לבד
Isto é, por meio das letras da oração. Ainda assim, também é preciso haver contemplação; a menos que [se trate de] alguém cuja estatura seja demasiado pequena para contemplar, caso em que é necessário aprofundar-se até mesmo apenas nas letras,
Os cavalos que conduzem a pessoa para além de seu intelecto são as letras das palavras da oração. Ainda assim, a oração também requer contemplação (hitbonenut) da grandeza de D'us; somente quem não é capaz de contemplar de modo algum precisa concentrar toda a sua profundidade nas próprias palavras.
כמ״ש בא אתה2 וכל ביתך אל התבה וע״י האותיות יכול לעלות כאשר יבואר לקמן בעז״ה.
como está escrito: “Vem, tu e toda a tua casa, para dentro da arca”; e, por meio das letras, ele pode ascender, como será explicado adiante, com a ajuda de D'us.
D'us disse a Noach que entrasse na teivá, a arca; no ensinamento chassídico, teivá também é entendida como “palavra”, de modo que o versículo se torna um chamado para entrar por inteiro nas palavras da oração. Por meio das próprias letras, tal pessoa pode elevar-se, e o Alter Rebe promete explicar isso mais adiante.
אך אעפ״כ כתיב לא בגבורת3 הסוס יחפץ כו׳ שאעפ״כ אין רצון וחפץ ה׳ שורה בבחי׳ האותיות כנ״ל שהם רק בחי׳ שוקיים כ״א רוצה ה׳ את יראיו4 כו׳:
Mas, ainda assim, está escrito: “Não deseja a força do cavalo” etc.: isto é, apesar de tudo, a vontade e o desejo de D'us não repousam no nível das letras mencionadas acima, que são apenas o nível das “pernas”; antes, “D'us deseja aqueles que O temem” etc.
No entanto, as letras não são o objetivo. O salmo diz que D'us “não deseja a força do cavalo, nem quer as pernas do homem; D'us deseja aqueles que O temem”: as letras são apenas “pernas”, o meio de locomoção, enquanto a vontade de D'us repousa no temor a Ele ao qual elas servem.
O parágrafo identifica os “cavalos” com as letras da oração, exige que elas sejam acompanhadas de contemplação e ressalta que o desejo de D'us não está nas próprias letras, mas no temor a Ele.
Uma transcrição citada nas notas da Kehot explicita essa conexão: “Vem, tu e toda a tua casa, para dentro da arca” significa por meio das letras da oração, que são chamadas de cavalos. Uma glosa em Or HaTorah acrescenta que o “ir” da alma só ocorre quando ela se reveste na alma animal, ao passo que os anjos são chamados de “parados”.
Marei mekomot
- 1והיינו ע״י אותיות התפלה · בהנחת הר״פ ע׳ ט ”והנה כתיב בא אתה וכל ביתך אל התיבה, היינו ע״י אותיות התפלה הנק׳ סוסים”. באוה״ת פ׳ בשלח ע׳ תקעז נמצא הג״ה השייך לכאן: והנה הילוך זה דוקא ע״י התלבשות בנה״ב, משא״כ המלאכים נק׳ עומדים כי סוס שבו וע״י ההילוך היינו לפי שהוא משם ס״ג שלמעלה משם מ״ה, ועיין בד״ה ונתתי לך מהלכים, ובביאור ע״פ וקבל היהודים, עכ״ה. ראה גם הוספות לכש״ט (הוצאת קה״ת) סי׳ ז ואילך.
- 2בא אתה · Genesis 7:1
- 3לא בגבורת · Psalms 147:10
- 4רוצה ה׳ את יראיו · Psalms 147:11
Letras femininas e masculinas ¶3–4
3והנה יש ב׳ מיני אותיות1 אותיות זכרים ואותיות נקבות אותיות נקבות היינו ההעלאה שממטה למעלה ע״י האותיות הנ״ל באתעדל״ת ועי״ז באתעדל״ת אתעדל״ע
Ora, há dois tipos de letras: letras masculinas e letras femininas. As letras femininas são a elevação de baixo para cima por meio das letras mencionadas acima, mediante um despertar de baixo; e, por meio disso, de um despertar de baixo [vem] um despertar do alto,
O Alter Rebe distingue agora dois tipos de letras. As “letras femininas” são o movimento de baixo para cima, a iniciativa humana da oração; esse despertar de baixo suscita uma resposta do alto.
pois “um espírito traz um espírito e atrai um espírito” (pois é próprio do homem ir à procura de uma mulher): uma atração de cima para baixo, do nível da luz que circunda todos os mundos (sovev kol almin),
O princípio do Zohar, “um espírito traz um espírito e atrai um espírito”, significa que um despertar abaixo atrai um despertar correspondente do alto; a observação entre parênteses acrescenta a imagem talmúdica de que é próprio do homem procurar uma mulher. O que desce em resposta provém de sovev, a luz que circunda todos os mundos, em vez de penetrar neles.
שהוא בלי גבול דלית מחשבה תפיסא ביה4 למעלה מהשגה להיות בחי׳ גלוי למטה ע״י סוסים זכרים והיינו באותיות התורה להיות השמים והארץ אני מלא5 ממש.
que é ilimitada, pois “nenhum pensamento pode apreendê-Lo”, acima da compreensão, de modo que se revele abaixo por meio de cavalos masculinos, isto é, por meio das letras da Torá, para que se concretize, de fato: “Os céus e a terra Eu preencho.”
Essa luz é infinita, além do alcance de qualquer pensamento. Ela se revela abaixo por meio dos “cavalos masculinos”, as letras da Torá, para que as palavras de D'us, “Os céus e a terra Eu preencho”, se concretizem de fato.
דהנה לכאורה תמוה לפעמים כתיב מכה״א כבודו6 שאינו רק כבודו ולא מהותו ועצמותו ולפעמים אמר השמים והארץ אני מלא דהיינו מהו״ע שהוא בחי׳ אני ממש.
Pois, à primeira vista, isso causa perplexidade: às vezes está escrito: “Toda a terra está cheia de Sua glória”, o que se refere apenas à Sua glória, e não ao Seu próprio ser e essência; e, às vezes, Ele disse: “Os céus e a terra Eu preencho”, isto é, Seu próprio ser e essência, que é o nível do próprio “Eu”.
Eis a dificuldade: o versículo de Isaías diz que “Toda a terra está cheia de Sua glória”, o que se refere apenas a um esplendor de D'us, e não à Sua essência; já em Jeremias, D'us diz: “Eu preencho os céus e a terra”, falando de Si mesmo. Qual das duas afirmações é verdadeira?
אך שניהם אמת שבאמת אני מלא ממש. אך איך יוכל להתלבש בעולם הגשמי והשפל ומלא קליפות זהו
Mas ambas são verdadeiras, pois, na verdade, “Eu preencho”, de fato. Mas como Ele pode Se revestir no mundo físico e baixo, repleto de kelipot (cascas)? Isso é
Ambas são verdadeiras: o próprio ser de D'us preenche o mundo. A verdadeira questão é como Sua essência pode Se revestir num mundo físico e baixo, repleto de kelipot, as forças que ocultam a santidade.
por meio de “Toda a terra está cheia de Sua glória”, e “não há glória senão a Torá”. Kavod (glória) tem o valor numérico de trinta e dois, e estes são os trinta e dois caminhos de Chochmá (sabedoria), que é a sabedoria da Torá;
A resposta está em Sua “glória”, e a Mishná ensina que “não há glória senão a Torá”. A palavra kavod (כבוד, glória) tem o valor numérico de trinta e dois (20+2+6+4), correspondente aos trinta e dois caminhos da sabedoria, que são a sabedoria da Torá.
כי אורייתא מחכמה נפקת910 ועי״ז יוכל להיות את השמים ואת הארץ אני מלא ממש ע״י התלבשותו באותיות התורה שהם אותיות זכרים המשכה מלמעלה למטה
pois “a Torá provém de Chochmá”. E, por meio disso, pode haver, de fato, “Os céus e a terra Eu preencho”, por Ele Se revestir nas letras da Torá, que são letras masculinas, uma atração de cima para baixo.
Como diz o Zohar, a Torá provém de Chochmá. Como D'us Se reveste nas letras da Torá, as “letras masculinas” que atraem a luz para baixo, Seu próprio ser pode preencher os céus e a terra.
וכמארז״ל כל היושב ושונה11 הקב״ה קורא ושונה כנגדו12 היינו מה שהוא קדוש ומובדל שאף בחי׳ חכמה נחשבת אצלו כבחי׳ עשי׳ גשמיית כמ״ש כלם בחכמה עשית13 ויומשך ויתגלה למטה ע״י אותיות התורה.14
E como disseram nossos Sábios, de abençoada memória: “Quem quer que se sente e estude, o Santo, bendito seja Ele, lê e estuda diante dele.” Isto é: Aquele que é santo e separado, diante de Quem até o nível de Chochmá é considerado como o nível da ação física (Assiá), como está escrito: “Tu fizeste todos eles com sabedoria”, é atraído e revelado abaixo por meio das letras da Torá.
O ensinamento de Tanna Devei Eliyahu, segundo o qual, quando uma pessoa estuda Torá, D'us estuda diante dela, demonstra essa atração para baixo. D'us está tão acima do mundo que até Chochmá é, para Ele, como a ação física, como diz o versículo: “Tu fizeste todos eles com sabedoria”; ainda assim, Ele Se revela abaixo por meio das letras da Torá.
O parágrafo define as letras femininas, a elevação da oração de baixo para cima, e as letras masculinas, que atraem para baixo a luz infinita; e mostra como o próprio ser de D'us preenche o mundo ao Se revestir nas letras da Torá.
Numa passagem paralela de Torah Ohr (Vayeshev, 30b), o Alter Rebe explica “Sua glória” como o revestimento de D'us; relaciona kavod = 32 aos trinta e dois caminhos da sabedoria, porque a Luz Infinita está revestida em Chochmá; e cita o mesmo versículo: “Tu fizeste todos eles com sabedoria.” A expressão “nenhum pensamento pode apreendê-Lo” vem da oração de Eliyahu no Tikkunei Zohar (Patach Eliyahu); neste maamar, ela é identificada com sovev.
Marei mekomot
- 1והנה יש ב׳ מיני אותיות · ראה אוה״ת פ׳ בשלח ע׳ תרכה. המשך תרס״ו ע׳ רז ואילך [שם מיוסד על תו״ח בשלח קנ, א ואילך].
- 2רוח אייתי רוח · Zohar II, 162b
- 3דרכו של איש לחזר · Kiddushin 2b:13–14
- 4דלית מחשבה תפיסא ביה · Tikkunei Zohar 17a:10
- 5השמים והארץ אני מלא · Jeremiah 23:24
- 6מכה״א כבודו · Isaiah 6:3
- 7ואין כבוד אלא תורה · אבות ו, ג.
- 8ואין כבוד אלא תורה · Pirkei Avot 6:3
- 9אורייתא מחכמה נפקת · Zohar II, 121a
- 10אורייתא מחכמה נפקת · Zohar, Yitro 21:378–22:389
- 11כל היושב ושונה · ראה תדב״א רבה רפי״ח.
- 12כל היושב ושונה הקב״ה קורא ושונה כנגדו · Tanna DeBei Eliyahu Rabbah 18:1–2
- 13כלם בחכמה עשית · Psalms 104:24
- 14כבוד בגימט׳ ל״ב · ראה גם לעיל ל, ב. לקו״ת שה״ש מז, ג.
E é por isso que, a respeito da Outorga da Torá, está dito: “Quando cavalgas sobre Teus cavalos”, etc. Isto é, o nível dos cavalos machos mencionados acima.
A imagem de Chavacuc de D'us cavalgando sobre Seus cavalos é aplicada à Outorga da Torá. Esses são os “cavalos machos”: as letras da Torá, que conduzem a luz de D'us para baixo, até o mundo.
וזהו מדלג על ההרים2 מקפץ כו׳ שהוא בבחי׳ דילוג ממקום למקום והיינו המשכה מלמעלה מבחי׳ סובב שיומשך ויתגלה למטה כמ״ש וירד ה׳ על הר סיני3 וכל העם רואים4 את הקולות כו׳.
E este é [o sentido de] “saltando sobre as montanhas, pulando”, etc.: trata-se de um salto de um lugar a outro, isto é, de uma emanação do alto, do nível da luz que circunda todos os mundos (sovev kol almin), para que ela seja estendida e revelada abaixo; como está escrito: “E D'us desceu sobre o Monte Sinai”, e “Todo o povo viu as vozes”, etc.
O Cântico dos Cânticos descreve o amado “saltando sobre as montanhas, pulando sobre as colinas”: um salto passa por cima dos lugares intermediários. Assim, no Sinai, a luz de sovev kol almin, que está além da descida ordenada dos mundos, desceu diretamente: “D'us desceu sobre o Monte Sinai”, e o povo “viu as vozes”, percebendo o que normalmente só se ouve.
O parágrafo identifica os cavalos machos com a Outorga da Torá, quando a luz infinita de D'us saltou por cima de todos os níveis e foi revelada no Sinai.
Marei mekomot
- 1כי תרכב על סוסיך · Habakkuk 3:8
- 2מדלג על ההרים · Song of Songs 2:8
- 3וירד ה׳ על הר סיני · Exodus 19:20
- 4וכל העם רואים · Exodus 20:15
Os cavalos da kelipá ¶5–7
5והנה זה לעו״ז עשה האלקים1 כמו שבקדושה יש ב׳ בחי׳ סוסים הנ״ל אתוון נוק׳ ואתוון דכורין מלמעלה למטה וממט׳ למעלה.
Ora, “D'us fez uma coisa oposta à outra”: assim como na santidade há os dois tipos de cavalos mencionados acima, as letras femininas e as letras masculinas, de cima para baixo e de baixo para cima.
Kohelet diz que D'us fez uma coisa oposta à outra: tudo o que existe na santidade tem uma contraparte no lado oposto. Na santidade há dois tipos de cavalos: as letras femininas, que ascendem de baixo, e as letras masculinas, que descem de cima.
כמו״כ בקליפות יש ג״כ ב׳ בחינות האותיות והיינו שע״י התקשרותו להבלי עולם בדב״ט ומכ״ש לה״ר והוא בחי׳ אותיות נקבות הנה האותיות מוליכים אותו למקום רחוק מאד.
Da mesma forma, também nas kelipot há dois tipos de letras. Isto é: por meio do apego da pessoa às vaidades do mundo, em conversas fúteis, e muito mais ainda em fala maldosa, que corresponde ao nível das letras femininas, as letras a conduzem a um lugar muito distante.
As kelipot, as forças que ocultam a Divindade, também possuem ambos os tipos. Suas “letras femininas” são as palavras que a pessoa emprega nas vaidades do mundo, em conversas fúteis e, muito mais ainda, em fala maldosa; como o cavalo da analogia, essas letras a conduzem para longe, mas para longe da santidade.
O parágrafo se volta para o lado oposto à santidade, que também possui suas letras femininas: palavras de conversas fúteis e de fala maldosa, que afastam a pessoa de D'us.
Marei mekomot
- 1זה לעו״ז עשה האלקים · Ecclesiastes 7:14
6והיינו לעומק הקליפות בחי׳ מקיף שלהם שנק׳ פרעה עורף1 כו׳ להמשיך עליו המשכה מלמעלה מבחינת המקיף שלהם להקיפו ולהלבישו
Isto é, até a profundidade das kelipot (cascas), ao nível de sua luz circundante, que é chamado Faraó, “a nuca” (oref), etc.: atrair sobre ele um fluxo do alto, do nível de sua luz circundante, para envolvê-lo e revesti-lo.
As palavras vãs conduzem a pessoa à profundidade das kelipot, ao seu makif, seu nível circundante. No ensinamento do Arizal, esse nível é chamado Faraó, cujo nome contém as letras de הערף, “a nuca” (a parte de trás do pescoço); daí um fluxo desce sobre a pessoa, envolvendo-a e revestindo-a.
והוא בחי׳ הבל ורעות רוח ונעשים לבושים צואים עליו והוא בחי׳ סוסים זכרים אותיות זכרים שנעשים ע״י אותיות נקבות הנ״ל כי בההפוך אמר ג״כ רוח אייתי רוח2 וכו׳.
E este é o nível de “vaidade e perseguição do vento”, e tornam-se vestes maculadas sobre ele. E este é o nível dos cavalos machos, letras masculinas, que vêm a existir por meio das letras femininas mencionadas acima; pois também se diz, a respeito do lado oposto: “um espírito traz um espírito”, etc.
O que o envolve é “vaidade e perseguição do vento”, e isso se torna vestes maculadas sobre ele. Esta é a versão da kelipá dos “cavalos machos”: um fluxo do alto, provocado pelas próprias “letras femininas” da pessoa, pois a regra “um espírito traz um espírito” também se aplica ao lado oposto.
O parágrafo completa o paralelo na kelipá: palavras ociosas e más atraem sobre a pessoa, das profundezas da kelipá, um fluxo circundante de vaidade, que a reveste como vestes maculadas.
Quanto a Faraó como “a nuca”, a nota da Kehot remete à Likkutei Torah do Arizal, no início de Vayeshev e de Shemos, e a muitos outros lugares.
Marei mekomot
- 1שנק׳ פרעה עורף · ראה לקו״ת להאריז״ל ר״פ וישב ור״פ שמות. ובכ״מ.
- 2רוח אייתי רוח · Zohar, Terumah 64:660–66:669
7והנה פרעה רדף אחר ישראל בשעת יצ״מ כמ״ש וירדף פרעה שרצה להוריד ולהמשיך את נש״י לתוך עומק הקליפות.
Ora, o Faraó perseguiu Israel na época do Êxodo do Egito, como está escrito: “E o Faraó perseguiu”; pois ele queria rebaixar e atrair as almas de Israel para as profundezas das kelipot (cascas).
A perseguição de Israel pelo Faraó após o Êxodo é entendida como uma tentativa de arrastar as almas de Israel para as profundezas da kelipá.
וע״כ העמיד סוסים נקבות תחלה בכדי שעי״ז יהי׳ המשכה מלמעלה ג״כ מעומק הקליפות כי דרכו של איש1 כו׳.
Por isso, ele colocou primeiro as éguas, para que, por meio disso, também houvesse uma atração de cima, das profundezas das kelipot, pois “é o caminho do homem”, etc.
Foi por isso que ele colocou as éguas primeiro: para provocar, de sua parte, um despertar de baixo que atraísse um fluxo das profundezas da kelipá, assim como “é o caminho do homem” procurar uma mulher.
אך הקב״ה הפך ועשה את הסוסים שני אותיות האלו באלקות בכדי להיות המשכת אלקות למטה כנ״ל.
Mas o Santo, bendito seja Ele, inverteu [isso] e fez com que os cavalos — estas duas [espécies de] letras — fossem santidade, para que houvesse uma atração da divindade para baixo, como mencionado acima.
D'us fez fracassar o plano do Faraó: fez com que ambos os tipos de “cavalos”, as letras femininas e as masculinas, atuassem na santidade, para que a divindade fosse atraída para o mundo.
E este é [o sentido de] “E D'us ia diante deles durante o dia”, etc.; e depois, na ocasião da abertura do Mar dos Juncos, deu-se o contrário: “E o anjo partiu e foi atrás deles”, como mencionado acima.
Essa inversão aparece nos versículos: no Êxodo, D'us ia diante de Israel; no mar, a ordem se inverteu, e o anjo partiu e foi atrás deles. A mudança na ordem da condução divina reflete a mudança que o Faraó fez com seus cavalos.
O parágrafo aplica a analogia ao próprio Êxodo: o Faraó tentou usar os dois tipos de cavalos para arrastar Israel para a kelipá, mas D'us inverteu isso e os usou para atrair a divindade para baixo.
O resumo deste maamar, escrito de próprio punho pelo Tsêmach Tsédec e citado nas notas da Kehot, acrescenta que, por meio da ligação com D'us na oração, as letras femininas opostas são anuladas; e, por meio do estudo da Torá, as letras masculinas da santidade, os pensamentos maus são anulados.
Marei mekomot
- 1כי דרכו של איש · Kiddushin 2b:8–9
- 2וה׳ הולך לפניהם יומם · Exodus 13:21
- 3ויסע מלאך וילך מאחריהם · Exodus 14:19
O Êxodo diário ¶8–11
8והנה כ״ז הוא ע״פ תורה. וכמו״כ הוא ע״פ עבודת ה׳ כי הנה בכל נפש ישראל צ״ל בכל יום בחי׳ יצ״מ וקי״ס כמ״ש למען תזכר את יום צאתך1 מארץ מצרים וגו׳.
Ora, tudo isso se aplica à Torá. E o mesmo se aplica ao serviço a D'us: pois em cada alma judaica deve haver, todos os dias, o aspecto do Êxodo do Egito e da abertura do Mar de Juncos, como está escrito: “Para que te lembres do dia em que saíste da terra do Egito”, etc.
O Alter Rebe passa do relato da Torá ao serviço interior de cada judeu: cada dia deve ter seu próprio Êxodo do Egito e sua própria abertura do Mar. A Torá ordena lembrar o dia do Êxodo “todos os dias de tua vida”.
וכמארז״ל בכל יום יהיה בעיניך כאלו היום יצאת מאמ״צ וגם בק״ש אומרים בכל יום אני הוי״ה אלקיכם2 כו׳
E, como disseram nossos Sábios, de abençoada memória: todos os dias, deve parecer aos teus olhos como se tivesses saído da terra do Egito hoje. E também no Shemá dizemos todos os dias: “Eu sou Havayá, teu D'us”, etc.,
Os Sábios ensinam que a pessoa deve ver-se todos os dias como se tivesse saído do Egito naquele mesmo dia. O Shemá, recitado diariamente, termina com as palavras de D'us: “Eu sou Havayá, teu D'us, que te tirou da terra do Egito”.
מארץ מצרים כו׳ וגם באמוי״צ נאמר וים סוף להם בקעת כו׳ שצ״ל בכל יום שני בחינות הנ״ל
“da terra do Egito”, etc. E também em Emet Veyatsiv se diz: “E o Mar de Juncos Tu abriste para eles”, etc. Pois devem existir, todos os dias, os dois aspectos mencionados acima.
A bênção que vem depois do Shemá da manhã, Emet Veyatsiv, também fala da abertura do Mar. Portanto, tanto o Êxodo quanto o Mar fazem parte da oração de cada dia.
כי כל העולמות נק׳ מצרים שהם מבחי׳ מצרים וגבולי׳ כמו מן הארץ לרקיע מהלך ת״ק שנה3 כו׳
Pois todos os mundos são chamados Mitsrayim (Egito), uma vez que são da natureza de meitsarim (estreitos) e limites, como em “Da terra ao firmamento há uma jornada de quinhentos anos”, etc.,
Por que isso é necessário todos os dias? Mitsrayim, Egito, é interpretado como meitsarim, estreitos e limites, e cada mundo criado é limitado. O Talmud mede até mesmo a distância da terra ao firmamento como uma jornada de quinhentos anos: imensa, mas finita.
וכן שית אלפי שנין45 הוי עלמא כו׳ וגלות מצרים נק׳ ההתקשרות בזה העולם הגשמי והמוגבל6 ומלך מצרים נק׳ השכל של הבלי העולם.7
e, da mesma forma, “O mundo existe por seis mil anos”, etc. O exílio do Egito é o nome dado ao apego a este mundo físico e limitado, e “o rei do Egito” é o nome dado ao intelecto ocupado com as vaidades do mundo.
O tempo também é limitado: o mundo existe por seis mil anos. O exílio interior no Egito é o apego da pessoa a este mundo físico e limitado, e “o rei do Egito” é o intelecto ocupado com suas vaidades.
O parágrafo transforma a história em serviço diário: cada mundo é Mitsrayim, um lugar de limites, e o exílio da pessoa é seu apego a um mundo limitado, governado por um intelecto dedicado às suas vaidades.
As notas da Kehot citam o texto paralelo em Or HaTorah, que acrescenta que esse é o significado de Mitsrayim, derivado de meitsarim, “estreitos e limites”, e explica “o rei do Egito” como a sabedoria da kelipá.
Marei mekomot
- 1למען תזכר את יום צאתך · Deuteronomy 16:3
- 2אני הוי״ה אלקיכם · Numbers 15:41
- 3מן הארץ לרקיע מהלך ת״ק שנה · Chagigah 13a:3
- 4שית אלפי שנין הוי עלמא · ראש השנה לא, ג.
- 5שית אלפי שנין הוי עלמא · Rosh Hashanah 31a:8–9
- 6בזה העולם הגשמי והמוגבל · באוה״ת פ׳ בא כרך ז ע׳ ב׳תריא מוסיף: ”(דזהו פי׳ מצרים לשון מצרים וגבולים, וע׳ בלקו״ת בשה״ש בד״ה קול דודי)”.
- 7ומלך מצרים נק׳ השכל של הבלי העולם · באוה״ת שם ”(א״כ מפרש מלך מצרים חכמה דקליפה)”. ע״ש עוד.
9וכשנעשה התקשרות לזה העולם כ״כ בחוזק עד שהוא בלי שכל כלל בלי טעם ודעת נק׳ אז וימת מלך מצרים
E quando o apego a este mundo se torna tão forte que fica inteiramente desprovido de intelecto, sem razão nem conhecimento, isso é então chamado “E o rei do Egito morreu”.
O Alter Rebe descreve um estágio ainda mais profundo do Egito interior: o vínculo de uma pessoa com o mundo pode se tornar tão forte que já não segue raciocínio algum. Isso é chamado “o rei do Egito morreu”: o intelecto mundano, o “rei”, já não governa, e o apego não tem razão por trás de si.
E então, “Os filhos de Israel suspiraram por causa do trabalho, e clamaram”: isto é, ocorre, no Shemá, que “seu coração clamou”, no nível de “e com toda a tua força”, que não tem limite;
No versículo, depois que o rei do Egito morreu, os filhos de Israel suspiraram por causa do trabalho e clamaram. No serviço de uma pessoa, isso é o clamor do coração no Shemá, no nível de “com toda a tua força” (bechol me’odecha), um amor que não conhece limites.
דהיינו לצאת מן החושך וגבול הנק׳ מצרים רק להיות צעק לבם למהותו ועצמותו ממש והוא בחי׳ יצ״מ. אך איך יבא לבחי׳ בכל מאדך הנ״ל. הנה זהו ע״י התבוננות בפסוד״ז מב״ש וכו׳.4
isto é, sair da escuridão e da limitação chamadas Mitsráyim, apenas para que seu coração clame ao próprio Ser e Essência de D'us. E este é o nível do Êxodo do Egito. Mas como se chega ao nível de “com toda a tua força” mencionado acima? Isso se dá por meio da contemplação em Pesukei Dezimra, desde Baruch She’amar em diante, etc.
Tal amor irrompe para fora da escuridão e dos limites de “Mitsráyim” e clama somente ao próprio Ser e Essência de D'us; este é o Êxodo diário do Egito. A pessoa chega a isso por meio da contemplação em Pesukei Dezimra, os salmos de louvor recitados a partir de Baruch She’amar, antes do Shemá.
O parágrafo descreve o Êxodo diário: do apego mais profundo ao mundo surge o clamor do coração no Shemá, um amor “com toda a tua força”, sem limites, ao qual a pessoa chega por meio da contemplação nas orações da manhã.
Likkutei Torah sobre Re’eh remete a esta mesma passagem do maamar: como D'us fez um oposto ao outro, também o outro lado possui uma vontade acima da razão; assim, uma pessoa pode desejar coisas mundanas com uma força que ultrapassa toda razão. O texto prossegue identificando o amor “com toda a tua força” com a yechidá, o nível mais elevado da alma, pois me’od, “força”, não tem limite.
Marei mekomot
- 1וימת מלך מצרים ואזי ויאנחו בנ״י מן העבודה ויזעקו · Exodus 2:23
- 2צעק לבם · Lamentations 2:18
- 3ובכל מאדך · Deuteronomy 6:5
- 4שו״ה הבלי — וכשנעשה התקשרות · ראה לקו״ת ראה כה, א.
E o principal está nas bênçãos do Shemá, as “duas que o precedem” etc.; isto é: “Criador dos seres sagrados, que Teu Nome seja louvado para sempre.” Ora, “para sempre” significa sem limite.
A contemplação principal ocorre nas duas bênçãos que precedem o Shemá. A primeira fala de D'us como “Criador dos seres sagrados” e diz “que Teu Nome seja louvado para sempre (laad)”; o Alter Rebe interpreta “para sempre” como “sem limite”.
כי הנה הארץ הגשמית היא בבחי׳ גבול ממש אבל ברוחניות והיינו מלאכים ונשמות הם בלי גבול ממש כמ״ש היש מספר לגדודיו2 כו׳ שהם בלי גבול.
Pois a terra física é verdadeiramente limitada; mas, na espiritualidade — isto é, os anjos e as almas —, há seres verdadeiramente sem limite, como está escrito: “Acaso há número para as Suas legiões?” etc., pois são sem limite.
A terra física é limitada, mas os seres espirituais — anjos e almas — são incontáveis, como diz Iyov: “Acaso há número para as Suas legiões?”
O parágrafo aponta para as bênçãos que precedem o Shemá, que descrevem os anjos e as almas, seres incontáveis, louvando o Nome de D'us “para sempre”.
Marei mekomot
- 1בשתים שלפניה · Mishnah Berakhot 1:4
- 2היש מספר לגדודיו · Job 25:3
11ועי״ז ישתבח שמך לעד שחיותם אינו אלא מבחי׳ שמו לבד שאינו כמו כח הפועל בנפעל1 שמתלבש ממש בנפעל בבחי׳ שינוי אבל לפניו אין שינוי כלל.
E, por meio disso, “seja louvado para sempre o Teu Nome”: pois a força vital deles provém somente do nível do Seu Nome, que não é como o poder do artífice naquilo que é feito, que está realmente revestido na coisa feita, de maneira que sofre mudança; mas diante Dele não há mudança alguma.
Todos esses seres ilimitados recebem sua força vital somente do “Nome” de D'us, uma expressão Dele, e não de Sua essência. Não é como um artesão cujo poder entra em sua obra e se altera por causa dela: D'us não é alterado de modo algum pela criação.
כמ״ש אני הוי״ה לא שניתי2 כו׳ המרומם לבדו מאז שכמו שקודם בריאת העולמו׳ היה הוא מרומם לבדו כן עתה הוא בלי שינוי כלל המתנשא מימו״ע רק חיות כל העולמות אינו
Como está escrito: “Eu, Havayá, não mudei”, etc. “Aquele que, sozinho, era exaltado desde outrora”: assim como antes da criação dos mundos somente Ele era exaltado, também agora Ele permanece sem mudança alguma, “Aquele que é elevado desde os dias da antiguidade”. Contudo, a força vital de todos os mundos não é nada
As palavras de Malachi, “Eu, Havayá, não mudei”, afirmam isso, assim como as palavras da oração matinal, “Aquele que, sozinho, era exaltado desde outrora […] Aquele que é elevado desde os dias da antiguidade”: assim como Ele era único antes da criação, assim também é agora.
אלא מבחי׳ שמו נק׳ עליהם שהוא מלך עליהם כמאמר אלקים חיים ומלך עולם3 היינו שמחיה כל העולמות רק בבחי׳ שהוא מלך עליהם שמו לבד ואעפ״כ הוא בלי גבול ששמו הוא ג״כ בלי גבול.
senão do nível do Seu Nome, que é invocado sobre eles, pois Ele é Rei sobre eles, como se diz: “o D'us vivo e Rei eterno”; isto é, Ele dá vida a todos os mundos somente no aspecto de ser Rei sobre eles, somente por meio de Seu Nome. E, ainda assim, isso é ilimitado, pois também Seu Nome é ilimitado.
Os mundos vivem porque Seu Nome é “invocado sobre eles” como seu Rei; Jeremias O chama de “o D'us vivo e Rei eterno”, que lhes dá vida como Rei. No entanto, também Seu Nome é ilimitado, e por isso os seres que sustenta são incontáveis.
וזהו בורא קדושים ישתבח שמך לעד כו׳ כנ״ל אבל מהותו ועצמותו רם ומתנשא כו׳:
E este é o sentido de “Criador de seres santos, seja louvado para sempre o Teu Nome”, etc., como explicado acima; mas Seu próprio ser e essência é elevado e exaltado, etc.
Este é o sentido da bênção: os “seres santos” ilimitados louvam somente Seu Nome, enquanto Seu próprio ser e essência é elevado e exaltado acima de tudo.
O parágrafo explica que toda a criação, inclusive os anjos e as almas incontáveis, recebe vida somente do Nome de D'us, enquanto Ele próprio permanece imutável e exaltado acima de tudo.
Mais adiante, em Torah Ohr (Meguilat Ester), o Alter Rebe explica que “criar” implica a presença do poder do artífice na coisa feita, o que se aplica somente aos Nomes de D'us; sobre Sua essência, diz-se: “Ele ordenou, e foram criados”; e até mesmo o nível de sovev é somente “Seu Nome”.
Marei mekomot
- 1כח הפועל בנפעל · ראה לקמן צו, ג במ״מ.
- 2אני ה׳ לא שניתי · Malachi 3:6
- 3אלקים חיים ומלך עולם · Jeremiah 10:10
O amor de baixo e o amor do alto ¶12–13
12והנה אחר שיתבונן כל זאת ואזי ממילא יתעורר מזה בק״ש להיות ואהבת כו׳. בכל מאדך1 בלי גבול לצאת מהחשך כו׳
Ora, depois que a pessoa contempla tudo isso, naturalmente será despertada por isso, na recitação do Shemá, para que haja “E amarás”, etc., “com toda a tua força”, sem limite, a fim de sair da escuridão, etc.
Depois de contemplar que toda a criação, por mais vasta que seja, é apenas Seu Nome, a pessoa é despertada, na recitação do Shemá, para “Amarás… com toda a tua força”: um amor sem limite, que busca sair da escuridão da limitação.
ורק להיות צעק לבם למהותו ועצמותו ממש באתעדל״ת והוא בחי׳ אתוון נוקבין ועי״ז באתעדל״ת אתעדל״ע לעורר האהבה למעלה ג״כ והוא פ׳ שניה שבק״ש שהוא לאהבה את2 ה׳ אלקיכם וגו׳
e somente para que “seu coração clame” ao Seu próprio ser e essência, por meio de um despertar de baixo. Este é o nível das letras femininas. E, por meio disso, por um despertar de baixo [vem] um despertar do alto, para despertar também o amor no alto. Esta é a segunda passagem do Shemá, que diz “para amar Havayá, teu D'us”, etc.
O coração clama somente à essência de D'us; esse é o despertar de baixo, as “letras femininas”. Ele atrai um despertar do alto, o amor do lado de D'us, expresso na segunda passagem do Shemá pelas palavras “para amar Havayá, teu D'us”.
דאינו לשון שם דבר כמו לאהוב רק לאהבה לעשו׳ אהבה למעלה שיומשך אלקות למטה הוי״ה אלקיך ממש.
Pois não é um substantivo verbal como le’ehov (“amar”), mas le’ahavá: fazer surgir amor no alto, para que a Divindade seja atraída para baixo: Havayá, verdadeiramente teu D'us.
O Alter Rebe interpreta le’ahavá não como o verbo “amar”, mas como “para o amor”: fazer surgir amor no alto, para que a Divindade desça e Havayá, o Nome que transcende o mundo, torne-se verdadeiramente “teu D'us”.
דהנה לאו מכל אלין מדות כלל3 ואיך יהיה אהבה למעל׳ רק ע״י אתעדל״ת בבחי׳ אהבה מלמטה אתוון נוקבין ואהבת וגו׳ אזי ממילא נעשה אהבה למעלה ג״כ כי רוח אייתי רוח4 כו׳.
Pois [Ele] “não é de nenhum desses atributos”; como, então, poderia haver amor no alto? Somente por meio de um despertar de baixo, na forma de amor de baixo, as letras femininas, “E amarás”, etc.; então, naturalmente, também surge amor no alto, pois “um espírito traz outro espírito”, etc.
D'us em Si mesmo “não é de nenhum desses atributos”: o amor e os demais atributos não se aplicam a Ele. O amor no alto surge somente em resposta ao nosso amor de baixo, segundo o princípio de que “um espírito traz outro espírito”.
O parágrafo mostra como a contemplação conduz ao amor sem limites da primeira passagem do Shemá, um despertar de baixo que suscita o amor do alto, expresso na segunda passagem.
Marei mekomot
- 1בכל מאדך · Deuteronomy 6:5
- 2לאהבה את ה׳ אלקיכם · Deuteronomy 11:13
- 3לאו מכל אלין מדות כלל · Tikkunei Zohar 17b:5–7
- 4רוח אייתי רוח · Zohar, Terumah 64:660–66:669
13וזהו והחיות רו״ש1 שהוא אותיות נקבות ואותיות זכרים וזה נקרא אותיות זכרים דהיינו המשכה מלמעלה למטה שיהיה הוי״ה אלקיך ממש
E este é [o significado de] “E os chayot (seres sagrados) corriam e voltavam”: isto é, letras femininas e letras masculinas. E estas são chamadas letras masculinas, ou seja, uma extensão de cima para baixo, para que Havayá seja verdadeiramente teu D'us.
Yechezkel viu os chayot, os seres sagrados, “correndo e voltando”. Sua corrida para cima são as letras femininas; seu retorno para baixo são as letras masculinas, a extensão que vem do Alto, para que Havayá se torne verdadeiramente “teu D'us”.
ועי״ז יכולים לומר אח״כ ונתתי עשב בשדך2 ונתתי מטר ארצכם3 וגו׳ דלכאורה איך אומרים ונתתי כו׳ אלא רק מחמת שנמשך מלמעלה להיות הוי״ה אלקיכם ממש
E por meio disso podemos dizer em seguida: “E darei erva em teu campo” e “Darei a chuva de vossa terra”, etc. Pois, aparentemente, como podemos dizer “E darei”? Somente porque isso foi estendido do Alto, para que Havayá seja verdadeiramente vosso D'us,
É por isso que, no segundo parágrafo do Shemá, a pessoa pode dizer as próprias palavras de D'us: “Darei chuva… darei erva.” Como pode uma pessoa falar na primeira pessoa de D'us? Somente porque a Divindade foi estendida do Alto.
וע״י התלבשותו באותיות התורה שהן אתוון דכורין שהקב״ה יושב ושונה כנגדו4 שקדוש ומובדל ממש מתלבש באותיות התורה להיות ואשים דברי בפיך5 ממש
e por meio de Seu revestimento nas letras da Torá, que são letras masculinas — pois o Santo, bendito seja Ele, “senta-se e estuda diante dele” —, Aquele que é verdadeiramente santo e apartado reveste-Se nas letras da Torá, de modo que se cumpra literalmente: “E pus Minhas palavras em tua boca”,
A extensão para baixo ocorre por meio das letras da Torá, as letras masculinas, nas quais D'us “senta-se e estuda diante” daquele que estuda. Então, as palavras de Yeshayahu, “Pus Minhas palavras em tua boca”, são literalmente verdadeiras: as próprias palavras de D'us estão na boca da pessoa.
como está escrito: “E falarás nelas”, e não foi dito: “E falarás elas”; isto é, “nelas”, literalmente. “Nossa Mishná é uma rainha”; “Quem são os reis? Os Sábios.” Isto é,
O Shemá diz vedibarta bam, “falarás nelas”, e não “falarás elas”: quem fala está dentro das palavras, e elas são de D'us. Na mesma linha vêm as expressões do Talmud: “Nossa Mishná é uma rainha” e “Quem são os reis? Os Sábios.”
כמו מלך שגוזר ומצוה על מדינתו ברצונו כך הם רבנן גוזרים על כשר פסול טמא וטהור שהוא דברי בפיך ממש
como um rei que decreta e ordena em seu país segundo sua vontade, assim os Sábios decretam o que é válido ou inválido, impuro ou puro; e isto é, literalmente, “Minhas palavras em tua boca”.
Como a palavra de um rei é lei em seu país, os Sábios determinam o que é válido ou inválido, impuro ou puro. Suas decisões carregam a vontade de D'us, pois Suas palavras estão em suas bocas.
E este é [o significado de] “Estas palavras que Eu” — Quem Eu sou — “te ordeno”, etc. E por meio disso podemos dizer em seguida: “E darei a chuva”, etc.
O Shemá diz: “Estas palavras que Eu (anochi) te ordeno”, e o Alter Rebe acrescenta: “Quem Eu sou”: Aquele que ordena é o próprio D'us. É por isso que podemos dizer em seguida, em Seu nome: “Darei a chuva.”
ובק״ש חותמים אני הוי״ה אלקיכם אשר הוצאתי אתכם מארץ מצרים11 שהוא בחי׳ יציאה מן מצרים וגבולים ורק להיות הוי״ה אלקיכם כו׳.
E no Shemá concluímos: “Eu sou Havayá, teu D'us, que te tirei da terra do Egito”, o que significa sair de meitzarim (estreitezas) e limites, e somente assim Havayá será teu D'us, etc.
O Shemá termina com: “Eu sou Havayá, teu D'us, que te tirei da terra do Egito”: sair de meitzarim, estreitezas e limites, para que somente Havayá seja “teu D'us”.
והוא אתעדל״ע אותיות זכרים שבאים אחרי אתעדל״ת אותיות נקבות כי דרכו של איש12 כנ״ל:
E isto é um despertar do Alto, letras masculinas, que vêm depois de um despertar de baixo, letras femininas, pois “é o caminho de um homem”, como mencionado acima.
Tudo isso é um despertar do Alto, as letras masculinas, que vem em resposta ao despertar de baixo, as letras femininas, pois “é o caminho de um homem” buscar uma mulher.
O parágrafo percorre a segunda metade do padrão: depois do amor que vem de baixo, a essência de D'us é estendida para baixo por meio das letras da Torá, para que a pessoa possa falar as próprias palavras de D'us, como ocorre no segundo e no terceiro parágrafos do Shemá.
Em outro trecho de Torah Ohr (Shemos, 49b), o Alter Rebbe explica por que as Mishnayot são comparadas a rainhas; e, no início da obra (Bereishis, 1a), ele interpreta “E estas palavras que Eu (anochi), Quem Eu sou, te ordeno” como a extensão da revelação de D'us por meio da qual a Torá vem a existir.
Marei mekomot
- 1והחיות רו״ש · Ezekiel 1:14
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- 4יושב ושונה כנגדו · Tanna DeBei Eliyahu Rabbah 18:1–2
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- 7מתניתין מלכתא · Beitzah 28b:14–15
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- 9הדברים האלה אשר אנכי · Deuteronomy 6:6
- 10אנכי מי שאנכי · נסמן לעיל א, א.
- 11אני הוי״ה אלקיכם אשר הוצאתי אתכם מארץ מצרים · Numbers 15:41
- 12כי דרכו של איש · Kiddushin 2b:8–9
A abertura do Mar ¶14–16
Mas há ainda outro despertar do alto: letras masculinas, que vêm sem serem absolutamente precedidas por um despertar de baixo, as letras femininas.
Há um despertar adicional do alto que nenhum despertar de baixo suscita: “letras masculinas”, sem que haja antes “letras femininas”.
והוא בחי׳ קריעת ים סוף כי הנה ענין ים הוא שכל מה שיש ביבשה יש בים3 שכל הברואים שיש בים ישנם ג״כ ביבשה
E este é o nível da abertura do Mar dos Juncos. Pois o conceito de mar é que tudo o que existe em terra firme também existe no mar: todas as criaturas que estão no mar também existem em terra firme,
Trata-se da abertura do Mar. O Talmud ensina que tudo o que existe em terra firme também existe no mar: os mesmos tipos de criaturas vivem em ambos.
אלא שבים הם נעלמים ומכוסים וביבשה הם באתגלייא כמו״כ למעלה ג״כ יש בחי׳ ים ובחי׳ יבשה עלמא דאתכסייא ועלמא דאתגלייא וכמו״כ באדם שהוא עולם קטן456 יש ג״כ שכל ומדות מחשבה דבור ומעשה.
só que no mar elas estão ocultas e encobertas, enquanto em terra firme estão reveladas. Da mesma forma, também acima há o nível de mar e o nível de terra firme: o mundo oculto (alma d’iskasya) e o mundo revelado (alma d’isgalya). E, da mesma forma, no homem, que é um pequeno mundo, também há intelecto e atributos emocionais (midot), pensamento, fala e ação.
No mar, elas estão cobertas pela água e ocultas; em terra, estão à vista de todos. Também acima há um “mar” e uma “terra firme”: o mundo oculto e o mundo revelado. E a pessoa, “um pequeno mundo”, possui a mesma estrutura em seu intelecto, suas emoções, seu pensamento, sua fala e sua ação.
שכל הוא בחי׳ עלמא דאתכסייא כי הוא בהעלם ומדות הם בחינת עלמא דאתגלייא שהם בחי׳ גלוי לגבי השכל.
O intelecto é o nível do mundo oculto, pois está oculto; e os atributos emocionais são o nível do mundo revelado, pois, em relação ao intelecto, constituem um nível de revelação.
O intelecto é o mundo oculto, atuante dentro da mente, e as emoções são o mundo revelado, que manifestam exteriormente o que o intelecto contém.
O parágrafo introduz um despertar superior do alto, não suscitado de baixo, e prepara-se para explicá-lo por meio da abertura do Mar: o mar e a terra firme representam o oculto e o revelado, tanto acima quanto no homem.
Likkutei Torah sobre Shir HaShirim cita esta passagem e acrescenta que tais emanações provêm do nível de Atik, e que de lá vêm o poder e a força para a elevação do “cavalo” do despertar de baixo.
Marei mekomot
- 1יש עוד אתעדל״ע . . שלא ע״י אתעדל״ת כלל · בלקו״ת שה״ש יא, ד מציין ע״ז: והיינו המשכות מבחינת עתיקא כו׳ ע״ש והנה משם הוא שנמשך הכח ועוז לעליית הסוס דאתעדל״ת.
- 2אך הנה יש עוד אתעדל״ע שהם אותיות זכרים · מובא באוה״ת תשא ע׳ א׳תתקסז. ובסה׳מ תרכ״ז ע׳ קנא.
- 3שכל מה שיש ביבשה יש בים · Chullin 127a:12–14
- 4באדם שהוא עולם קטן · Tikkunei Zohar, Tikkun 69 · 100a:6
- 5באדם שהוא עולם קטן · Midrash Tanchuma, Pekudei 3:3–4
- 6שהוא עולם קטן · Tikkunei Zohar 100a:6
15ומחשבה נק׳ ג״כ בחי׳ גילוי לגבי השכל ודבור הוא יותר בחי׳ גילוי אף לגבי המחשבה כמו״כ למעלה יש מחשבה
E também o pensamento é chamado de nível de revelação em relação ao intelecto; e a fala é um nível de revelação ainda maior, mesmo em relação ao pensamento. Assim também, acima, há pensamento.
No ser humano, o pensamento é mais revelado que o intelecto, e a fala é ainda mais revelada. O mesmo se dá acima: há um “pensamento” divino.
ואף דכתיב כי לא מחשבותי מחשבותיכם1 עכ״ז הוא כערך האדם למטה שמחשבתו נק׳ העלם לגבי דבורו. כך למעלה יש בחי׳ העלם שהוא בחי׳ מחשבה.
E embora esteja escrito: “Pois Meus pensamentos não são como os pensamentos de vocês”, ainda assim, a comparação é com o homem aqui embaixo, cujo pensamento é chamado de ocultação em relação à sua fala. Assim também, acima, há um nível de ocultação, que é o nível do pensamento.
Os pensamentos de D'us não são como os nossos, como diz Isaías; ainda assim, a comparação se aplica neste aspecto: assim como o pensamento de uma pessoa está oculto em relação à sua fala, também o “pensamento” de D'us é um nível de ocultação em relação à Sua “fala”.
כמ״ש בזוהר כמה מחשבתין אית23 כו׳ שהוא מחשבה למחשבה שמה שנק׳ העלם לגבי למטה הימנו נק׳ בחי׳ גילוי לגבי מדרגה העליון ממנו
Como está escrito no Zohar: “Quantos pensamentos há”, etc.; isto é, pensamento em relação a pensamento. Pois aquilo que é chamado de ocultação em relação ao que está abaixo dele é chamado de nível de revelação em relação ao grau que está acima dele.
O Zohar fala de “quantos pensamentos há”, de pensamento acima de pensamento. Cada nível está oculto em relação ao que está abaixo dele e revelado em relação ao que está acima.
וכן גבוה מעל גבוה4 שהתחתון הוא בחי׳ גילוי לגבי העליון ממנו שהוא בחי׳ העלם ממנו וזה נק׳ השתלשלות העולמות שהוא כמו שלשלת שכ״א אחוז בחבירו.5
E assim também, “alto acima de alto”: o nível inferior é um nível de revelação em relação ao que está acima dele, que é um nível de ocultação em relação a ele. Isso é chamado de cadeia descendente dos mundos (hishtalshelut), que é como uma corrente (shalshelet), cada [elo] preso ao seguinte.
É isso que significa “alto acima de alto”: cada nível inferior é a revelação de um nível superior. Isso é chamado de hishtalshelut, termo derivado de shalshelet, “corrente”, pois cada nível está ligado ao seguinte, como os elos de uma corrente.
כמו כן השתלשלות כל העולמות שהוא גבוה מעל גבוה עילה ועלול העלם וגילוי כו׳ אבל לגבי מהותו ועצמותו עצמות המאציל שלמעלה מעלה מהשתלשלות העולמות
Assim também, a cadeia descendente de todos os mundos é “alto acima de alto”: causa e efeito, ocultação e revelação, etc. Mas, em relação ao Seu próprio ser e essência, à essência do Emanador, que está muito acima da cadeia descendente dos mundos,
Toda a ordem dos mundos está estruturada dessa maneira, como causa e efeito, ocultação e revelação. Mas a própria essência de D'us, o Emanador, está muito acima dessa cadeia.
שהם נעלמים אין שייך לפניו כלל מעלה ומטה גם חשך לא יחשיך ממך ולילה כיום יאיר6 כו׳:
que estão ocultos, não há absolutamente nenhuma relevância, diante Dele, para o alto e o baixo: “Nem mesmo a escuridão é escura para Ti, e a noite brilha como o dia”, etc.
Diante Dele, as distinções entre alto e baixo, oculto e revelado, não se aplicam de modo algum, como diz o Salmo: “Nem mesmo a escuridão é escura para Ti, e a noite brilha como o dia.”
O parágrafo descreve a cadeia dos mundos como uma sequência de ocultação e revelação, e situa a essência de D'us acima dela, onde oculto e revelado são iguais.
Em Likkutei Torah (Va’eschanan), o Alter Rebe explica a hishtalshelut como uma corrente cujos elos se prendem uns aos outros, luz e luz da luz, do intelecto às emoções, ao pensamento e à fala. Ele observa também que “Meus pensamentos não são como os pensamentos de vocês”, pois a fala de D'us cria, ao passo que a fala humana não pode fazê-lo.
Marei mekomot
- 1כי לא מחשבותי מחשבותיכם · Isaiah 55:8
- 2כמ״ש בזוהר כמה מחשבתין אית · Tikkunei Zohar, Tikkun 69 · 103a:6
- 3כמה מחשבתין אית · Tikkunei Zohar 115a:1
- 4גבוה מעל גבוה · Ecclesiastes 5:7
- 5כמו שלשלת שכ״א אחוז בחבירו · ראה לקו״ת ואתחנן יב, א. ברכה צח, ב. אוה״ת ואתחנן כרך ה ע׳ ב׳ד.
- 6גם חשך לא יחשיך ממך ולילה כיום יאיר · Psalms 139:12
16והנה בשעת קי״ס הי׳ התגלות מהותו ועצמותו ממש שלמעלה מהשתלשלות ועי״ז ים ויבשה שוין ממש ונעשה מים יבשה מהעלם גילוי
Ora, no momento da abertura do Mar dos Juncos, houve uma revelação do Seu próprio ser e essência, que está acima da cadeia descendente dos mundos (hishtalshelut); e, por meio disso, o mar e a terra seca foram verdadeiramente iguais, e do mar fez-se terra seca: do ocultamento, revelação.
Na abertura do Mar, a própria essência de D'us, que está acima de toda a cadeia dos mundos, foi revelada. Diante dela, o oculto (o mar) e o revelado (a terra seca) são iguais; assim, o próprio mar tornou-se terra seca: o oculto tornou-se revelado.
וזהו הפך ים ליבשה בנהר יעברו ברגל1 ויעברו בתוך הים ביבשה2 דייקא שההעלם נעשה גילוי ע״י גילוי עצמותו שהעלם וגילוי שוין ממש.
E este é [o sentido de] “Ele transformou o mar em terra seca; atravessaram o rio a pé”, e “Atravessaram o meio do mar”, especificamente “em terra seca”: o oculto tornou-se revelado por meio da revelação de Sua essência, pois ocultamento e revelação são verdadeiramente iguais.
Os versículos dizem isso precisamente: “Ele transformou o mar em terra seca”, e Israel atravessou “o meio do mar em terra seca”, dentro do próprio mar. O próprio ocultamento tornou-se revelação, pois, para a essência de D'us, ocultamento e revelação são verdadeiramente iguais.
O parágrafo explica a abertura do Mar como a revelação da essência de D'us, diante da qual o oculto e o revelado são iguais, de modo que o próprio mar se tornou terra seca.
Marei mekomot
- 1הפך ים ליבשה בנהר יעברו ברגל · Psalms 66:6
- 2ויעברו בתוך הים ביבשה · Nehemiah 9:11
A alegria de uma mitsvá ¶17–20
17וזהו שם נשמחה בו1 ממש במהותו ועצמותו ממש והוא בחי׳ שמחה של מצוה. כי הנה כתיב תחת אשר לא עבדת את ה׳ אלקיך בשמחה וכו׳
E este é [o sentido de] “Ali nos alegramos Nele”: verdadeiramente Nele, em Seu próprio ser e essência. Este é o nível da alegria de uma mitsvá. Pois está escrito: “Porque não serviste a Havayá, teu D'us, com alegria”, etc.,
O mesmo salmo prossegue: “ali nos alegramos Nele”: Nele, na própria essência de D'us, revelada no Mar. Este, diz o Alter Rebe, é o nível da alegria de uma mitsvá; e ele cita a repreensão da Torá por não servir a D'us com alegria.
מרוב כל2 שרוב כל נק׳ השתלשלות כל העולמות שהם רוב מאד כגלדי בצלים גבוה מעל גבוה כו׳
“…mais do que a abundância de tudo (merov kol)”; pois “a abundância de tudo” é o nome dado à cadeia descendente de todos os mundos, que são muito numerosos, como as camadas de uma cebola, cada vez mais elevados, etc.;
O versículo termina com merov kol, literalmente, “da abundância de tudo”. “A abundância de tudo” é a cadeia dos mundos, numerosos e dispostos em camadas como uma cebola, cada nível mais elevado que o inferior.
אבל השמחה של מצוה3 היא בבחי׳ עצמותו ממש שהוא מרוב כל למעלה מהשתלשלות כל העולמות.
mas a alegria de uma mitsvá está no nível de Sua própria essência, que é “mais do que a abundância de tudo”, acima da cadeia descendente de todos os mundos.
O Alter Rebe interpreta merov kol como “mais do que toda a abundância”: a alegria de uma mitsvá alcança a própria essência de D'us, que está além de toda a abundância dos mundos.
O parágrafo relaciona a alegria no Mar à alegria de uma mitsvá, que alcança a essência de D'us, além de toda a abundância da cadeia dos mundos.
Marei mekomot
- 1שם נשמחה בו · Psalms 66:6
- 2תחת אשר לא עבדת . . מרוב כל · Deuteronomy 28:47
- 3אבל השמחה של מצוה · ראה לקו״ת שה״ש ד״ה צאינה וראינה דרוש הראשון.
E isto é [o significado de] “E te alegrarás diante de Havayá, teu D'us”: este é o nível da alegria das mitsvot da Torá, que está “diante de Havayá”; por meio delas, atraímos [essa alegria] para baixo, etc.
A Torá ordena: “te alegrarás diante de Havayá, teu D'us”. A alegria das mitsvot da Torá está “diante de Havayá”, o que, neste contexto, aponta para a essência de D'us, que transcende até mesmo o Nome; por meio das mitsvot, ela é atraída para baixo.
כי הנה אנו אומרים אק״ב כו׳ דרמ״ח מצות הן רמ״ח אברים דמלכא2 והוא כמשל אברים של אדם
Pois, eis que dizemos: “que nos santificou com Suas mitsvot”, etc., uma vez que as 248 mitsvot são os 248 membros do Rei. E isso é como a analogia dos membros de uma pessoa:
Antes de cumprir uma mitsvá, abençoamos D'us como “Aquele que nos santificou com Suas mitsvot”. As 248 mitsvot são chamadas de 248 “membros do Rei”, e o Alter Rebe explica isso por meio de uma parábola sobre o corpo humano.
הנה הנשמה אין יכולים לאוחזה ולתופסה כלל רק אעפ״כ כשנוטלין את האדם בידו הימנית או השמאלית ומושכין אותו ממקום למקום.
Ora, a alma não pode ser segurada nem apreendida de modo algum; ainda assim, quando se toma uma pessoa pela mão direita ou pela esquerda e se a puxa de um lugar para outro,
Ninguém pode segurar a alma de outra pessoa. Mas, se alguém a toma pela mão direita ou pela esquerda e a puxa, ela o acompanha.
אזי נמשכה הנשמה ג״כ ממקום למקום אף שהנשמה בעצמה אין יכולים לאוחזה כלל רק שע״י שהתלבשות הנשמה היא בהאברים עי״כ נמשכה הנשמה ג״כ ממילא.
então também a alma é levada de um lugar para outro, embora a própria alma não possa ser segurada de modo algum; apenas, como a alma está revestida nos membros, por meio disso a alma também é levada junto, automaticamente.
A alma acompanha a pessoa, embora não possa ser segurada em si mesma, porque está revestida nos membros dela. Assim também, a essência de D'us não pode ser apreendida, mas é atraída por meio das mitsvot, os “membros” nos quais Ele está revestido.
O parágrafo explica como as mitsvot atraem a essência de D'us: elas são os “membros” do Rei e, assim como a alma se move junto com os membros nos quais está revestida, Ele é atraído por meio das mitsvot.
A passagem de Tikkunei Zohar a que a nota da Kehot se refere relaciona a bênção “que nos santificou” com os 248 mandamentos e fala de “cada membro do Rei”.
Marei mekomot
- 1ושמחת לפני ה׳ אלקיך · Deuteronomy 12:18
- 2דרמ״ח מצות הן רמ״ח אברים דמלכא · Tikkunei Zohar, Tikkun 30 · 74a:8
19וכמו״כ המצות הם אברין דמלכא כמו חסד דרועא ימינא1 שע״י הצדקה וחסד שנותנים למטה לעני ממשיכי׳ את עצמותו כביכול ע״י התלבשותו בבחי׳ חסד דרועא ימינא
Assim também, as mitsvot são “membros do Rei”. Por exemplo: “Chessed (bondade) é o braço direito”; por meio da caridade e da bondade oferecidas aqui embaixo a uma pessoa pobre, atrai-se para baixo Sua própria essência, por assim dizer, por meio de Seu revestimento no nível de Chessed, “o braço direito”.
Cada mitsvá corresponde a um “membro”. Na imagem cabalística, Chessed, a bondade, é o braço direito; assim, dar caridade e praticar a bondade para com uma pessoa pobre atrai para baixo a essência de D'us, por assim dizer, por meio de Seu revestimento em Chessed.
וכן גבורה דרועא שמאלא וכמארז״ל איזהו גבור הכובש את יצרו23 כמו לכבוש איזה תאוה כו׳ שעי״ז ממשיכים אותו מלמעלה ג״כ עי״ז. גבורה דרועא שמאלא.
E, da mesma forma, “Guevurá (contenção) é o braço esquerdo”, como disseram nossos sábios, de abençoada memória: “Quem é poderoso? Aquele que domina sua inclinação”; por exemplo, dominar algum desejo, etc.; pois, por meio disso, também se O atrai para baixo, do alto. Guevurá é o braço esquerdo.
Guevurá, contenção e força, é o braço esquerdo. A Mishná chama de poderoso aquele que domina sua inclinação, e superar um desejo também atrai D'us para baixo, por meio de Guevurá.
O parágrafo associa as mitsvot aos membros do Rei: a bondade para com os pobres atrai D'us para baixo por meio de Chessed, o braço direito; e dominar um desejo, por meio de Guevurá, o braço esquerdo.
Marei mekomot
- 1חסד דרועא ימינא · Tikkunei Zohar 17a:16–17
- 2איזהו גבור הכובש את יצרו · אבות ד, א.
- 3איזהו גבור הכובש את יצרו · Pirkei Avot 4:1
20וכן ת״ת עמודא דאמצעיתא שהוא בחי׳ תורה שהוא כמו שנוטלין את האדם בכל גופו. ועי״ז מוליכים אותו למקום שרוצים כמו״כ ע״י תורה ממשיכין את עצמותו כביכול למטה.
E igualmente, “Tiféret (beleza) é a coluna central”, que corresponde ao nível da Torá; isso é como tomar uma pessoa por todo o seu corpo e, assim, conduzi-la ao lugar desejado. Do mesmo modo, por meio da Torá, faz-se descer Sua essência, por assim dizer, aqui embaixo.
Tiféret, a coluna central, corresponde ao corpo como um todo e é a Torá. Tomar uma pessoa por todo o seu corpo leva-a por inteiro aonde se deseja; assim, por meio da Torá, a essência de D'us, por assim dizer, é atraída para baixo.
וזהו שמחה של מצוה שהוא מתן שכרן של מצות שהוא בחי׳ גלוי עצמותו שהי׳ אז התגלות בשעת קי״ס
E este é o júbilo de uma mitsvá, que é a concessão da recompensa pelas mitsvot, o nível da revelação de Sua essência, que se revelou então, na ocasião da abertura do Mar dos Juncos.
O júbilo de uma mitsvá é a concessão de sua recompensa: a revelação da essência de D'us. Essa revelação ocorreu na abertura do Mar.
וזהו שם נשמחה בו1 בעצמותו ממש והוא בחי׳ אתעדל״ע בחי׳ אותיות זכרים שבא שלא באתעדל״ת כלל כי אין אתעדל״ת יכול לעורר כלל.2
E este é [o sentido de] “Ali nos regozijaremos Nele”: em Sua própria essência. E este é o nível de um despertar do alto, o nível das letras masculinas, que vem sem ser provocado de modo algum por um despertar de baixo, pois um despertar de baixo não pode despertá-lo de modo algum.
Assim, o versículo “ali nos regozijaremos Nele” refere-se à Sua própria essência. Foi um despertar do alto, letras masculinas sem letras femininas que as precedessem, pois nenhum despertar de baixo pode suscitá-lo.
וזהו ויאמר ה׳ אל משה מה תצעק אלי3 בעתיקא תליא מילתא4 שהוא עצמות המאציל העליון שאין אתעדל״ת יכול לעורר כלל אלא ה׳ ילחם לכם ואתם תחרישון:5
E este é [o sentido de] “E D'us disse a Moshe: ‘Por que clamas a Mim?’”: “a questão depende de Atika (o Ancião)”, que é a Essência do Emanador Supremo, que nenhum despertar de baixo pode despertar de modo algum; antes, “D'us lutará por vocês, e vocês permanecerão em silêncio”.
Junto ao Mar, D'us disse a Moshe: “Por que clamas a Mim?”, e o Zohar explica que “a questão depende de Atika”, o Ancião, que o Alter Rebe identifica como a Essência do Emanador, além do alcance de qualquer oração. Por isso Israel foi instruído: “D'us lutará por vocês, e vocês permanecerão em silêncio”.
O parágrafo conclui o maamar: o estudo da Torá e o júbilo de uma mitsvá atraem a essência de D'us, que se revelou junto ao Mar como um despertar do alto, que nenhuma oração de baixo poderia suscitar.
A nota da Kehot remete a Torah Ohr sobre Toldos, onde o Alter Rebe afirma que as mitsvot práticas são muito elevadas em sua dimensão interior e em sua raiz, de modo que a Divindade que uma mitsvá atrai provém da própria mitsvá, e não do serviço da pessoa. Likkutei Torah sobre Shir HaShirim acrescenta que de Atika, ao qual nenhum despertar de baixo consegue chegar, provém a força para a própria elevação do despertar de baixo.
Marei mekomot
- 1שם נשמחה בו · Psalms 66:6
- 2כי אין אתעדל״ת יכול לעורר כלל · ע׳ לעיל בפ׳ תולדות כ, א: כי ענין המצות מעשיות הם הגבה למעלה מעלה בפנימיותם ושרשם. ע׳ לקו״ת בד״ה ואתחנן. וע׳ באוה״ת דרושים לר״ה ע׳ א׳שה.
- 3ויאמר ה׳ אל משה מה תצעק אלי · Exodus 14:15
- 4ויאמר . . מה תצעק אלי . . בעתיקא תליא מילתא · Zohar II, 48a
- 5ה׳ ילחם לכם ואתם תחרישון · Exodus 14:14
Terminou o maamar?
Marque-o como estudado; ele conta para a semana e para o siyum do ano.
Na avodá
Todos os dias, a pessoa deve sair de seu próprio Egito: por meio da contemplação em Pesukei Dezimra e nas bênçãos anteriores ao Shemá, ela chega ao amor a D'us “com todas as tuas forças” no Shemá, e esse amor atrai para baixo o amor de D'us. Suas palavras são cavalos: a conversa fútil e a fala maldosa a levam à kelipá, enquanto as letras da oração e da Torá a elevam, e, por meio da Torá, as próprias palavras de D'us estão em sua boca. Por meio de cada mitsvá — dar tsedacá, vencer um desejo, estudar Torá —, ela atrai para baixo a essência de D'us, e a alegria da mitsvá é sua recompensa.
Perguntas para conversar
- Por que o maamar chama as letras de “cavalos”, e em que sentido as palavras podem levar a pessoa para além de sua própria compreensão?
- O que distingue as “letras femininas” da oração das “letras masculinas” da Torá, e de que modo cada uma depende da outra?
- Por que o vínculo com o mundo é tão forte que, sem qualquer razão, é chamado de “o rei do Egito morreu”, e o que decorre disso no Shemá?
- Por que a abertura do Mar foi um despertar do alto que nada vindo de baixo poderia suscitar, e o que “Por que clamas a Mim?” ensina sobre a oração?
- Como a alegria de uma mitsvá é sua recompensa, e de que modo a parábola da alma e dos membros explica como uma mitsvá atrai D'us para baixo?