Likkutei Torah · Parshas Tazria · Maamar 6
בגמרא דב״מ פרק הפועלים קא מפלגי במתיבתא דרקיע…
Na Guemará, Bava Metzia, capítulo HaPoalim: “Disputavam na Academia do Firmamento…”
A ideia central
D'us é “o Santo, bendito seja Ele”: “santo” é Kéter, a luz que circunda todos os mundos, e “bendito”, Chochmá, a fonte da luz que os preenche. A Academia do Firmamento, cujo entendimento provém de Biná, ouviu a decisão de D'us, “pura”, apenas como um brilho oculto da luz que circunda; Rabbah bar Nachmani, cuja alma provinha daquela mesma radiância, pôde encontrar sua razão na própria Torá.
O maamar em resumo
O maamar explica o relato talmúdico de uma disputa na academia celestial sobre um caso duvidoso de tsaráat, no qual D'us disse “pura”, a academia disse “impura” e Rabbah bar Nachmani foi chamado para decidir. Primeiro, define o Nome “o Santo, bendito seja Ele”: “santo” é Kéter, a luz que circunda todos os mundos, e “bendito” é Chochmá, a fonte da luz que os preenche. O “firmamento” é Biná, o nível da compreensão, que brilha no Gan Éden Superior. O estudo da Torá, pronunciada em voz alta, atrai uma luz de acima da ordem dos mundos; foi assim que os Sábios realizaram milagres. Em seguida, o Alter Rebe explica, seguindo o Maguid, que os atributos só se unem por meio da Luz Infinita, que brilha constantemente em Tiféret (daí o Nome Havayá), mas está ausente da kelipat nogá. A tsaráat é o fechamento de Chochmá, que permite à nogá receber da “pele”; um caso duvidoso é puro porque essa impureza depende de ser conhecida. A academia, enraizada em Biná, conhecia a decisão de D'us, mas não a sua razão; Rabbah bar Nachmani, com uma centelha de Moshe, conhecia-a. O maamar termina com a questão haláchica de que “não está nos céus”.
Esquema
- A disputa no céu e o Nome “o Santo, bendito seja Ele”O relato do Talmud; como os Sábios realizavam maravilhas; “santo” é Kéter, sovev, e “bendito” é Chochmá, memalê; baruch como receptor (Malchut) e como fonte (Chochmá).¶1–4
- A Academia do FirmamentoO firmamento acima das chayot superiores é Biná, a compreensão “congelada” como gelo; ele brilha no Gan Éden Superior; o estudo da Torá por sua própria causa acrescenta luz ali, e a oração prepara para ele.¶5–8
- Torá, fala e milagresA Torá alegra o coração porque é una com D'us; a Torá pronunciada extrai sua luz oculta; os Sábios atraíram uma luz acima da ordem dos mundos, de modo que um rio pôde se dividir; as mitsvot existem em Atsilut, e as almas as estudam no Gan Éden.¶9–15
- A kelipat nogá de Atsilut e o Nome HavayáComo pode haver uma kelipá em Atsilut? Seguindo o Maguid, os atributos só se unem por meio da Luz Infinita, que Tiféret possui sempre e, por isso, leva o Nome Havayá; falta à nogá essa união e a verdadeira autoanulação, por isso ela é uma “casca”, metade boa e metade má.¶16–22
- A afecção e a lei do pelo brancoQuando a luz de Abá se retrai, a nogá recebe da “pele” de Zeir Anpin; o cohen atrai Abá novamente; o pelo branco significa, inicialmente, que a nogá recebe somente dos “cabelos”, e uma dúvida é pura porque essa impureza depende de ser conhecida.¶23–26
- Por que a Academia não conhecia a razãoA luz que circunda brilha no Gan Éden apenas de forma oculta; por isso, a Academia, enraizada em Biná, conhecia a decisão de D'us, mas não sua razão. A alma de Rabbah bar Nachmani, como a de Moshe, provinha daquela radiância; por isso, ele encontrou a razão na Torá.¶27–30
- O deleite de D'us no Gan Éden e a decisão haláchicaO deleite de D'us com os justos provém de Éden, acima do firmamento, e é merecido ao atrair a Coroa por meio da Torá; o Rambam decide “impura” porque a Torá “não está nos céus”, embora aqui, onde o próprio D'us disse “pura”, o caso talvez seja diferente.¶31–33
Conceitos-chave
- Santo e bendito (kadosh, baruch)קדוש ברוך
- As duas palavras do Nome “o Santo, bendito seja Ele”: “santo” é Kéter, separado acima da cadeia descendente e circundando os mundos; “bendito” é Chochmá, a fonte da qual a luz flui para baixo a fim de preenchê-los.
- A Academia do Firmamentoמתיבתא דרקיע
- O Gan Éden Superior, assim chamado por causa do “firmamento” acima das chayot superiores, que é Biná: o nível em que a percepção se fixa como compreensão, tal como a água congelada se torna gelo.
- Luz circundante e luz interiorאור מקיף ואור פנימי
- Uma luz grande demais para entrar num recipiente o circunda, mas ainda assim brilha nele de maneira oculta. A Academia percebeu a decisão de D'us apenas como esse brilho oculto.
- Inclusão mútua dos atributosהתכללות המדות
- Atributos opostos, como Chessed e Guevurá, só podem se unir por meio da Luz Infinita que brilha neles; Tiféret, que sempre a possui, leva o Nome Havayá.
- A kelipat nogá de Atsilutקליפת נוגה דאצילות
- Uma “casca” no nível de Atsilut, proveniente dos recipientes despedaçados de Tohu: ela recebe alguma luz divina, mas seus atributos permanecem separados, de modo que a Luz Infinita apenas a circunda.
- Segiru, “fechamento”סגירו
- A palavra do Targum para tsaráat: o fechamento da luz de Abá, Chochmá, para Zeir Anpin, que permite à nogá receber sustento da “pele”.
- “Não está nos céus”לא בשמים היא
- A lei é decidida pelos sábios abaixo, conforme a Torá tal como desceu para a luz interior, e não pelos níveis circundantes, os “céus”.
A disputa no céu e o Nome “o Santo, bendito seja Ele” ¶1–4
1בגמרא דב״מ [דבבא מציעא] פרק הפועלים1 קא מפלגי במתיבתא דרקיע אם בהרת קודמת לשער לבן טמא ואם שער לבן קודם לבהרת טהור2 ספק הקב״ה [הקדוש ברוך הוא] אמר טהור וכולהו מתיבתא דרקיע אמרי טמא ואמרי מאן נוכח.3
Na Guemará, [tratado] Bava Metzia, capítulo HaPoalim: “Discutiam na Academia Celestial (Mesivta deRakia): Se a mancha branca (baheret) precedeu o pelo branco, [é] impuro; e, se o pelo branco precedeu a mancha branca, puro. [Em caso de] dúvida, o Santo, bendito seja Ele, disse: ‘Puro’, e toda a Academia Celestial disse: ‘Impuro’. E disseram: ‘Quem decidirá?’”
O maamar começa com uma narrativa do Talmud (Bava Metzia 86a) sobre uma lei de tzaraat. Uma mancha branca (baheret) com pelos brancos é impura se a mancha surgiu primeiro e pura se os pelos surgiram primeiro; em caso de dúvida, D'us decidiu “puro”, enquanto toda a academia celestial decidiu “impuro”, e procuraram alguém para decidir entre eles.
נוכח רבה בר נחמני דאמר רבה בר נחמני אני יחיד בנגעים אני יחיד באהלות כו׳
“Rabbah bar Nachmani decidirá”, pois Rabbah bar Nachmani disse: “Sou único [nas leis] das afecções leprosas (nega’im); sou único [nas leis] da impureza das tendas (ohalos)”, etc.,
Escolheram Rabbah bar Nachmani, o Amora que se declarou único nas leis das afecções leprosas e da impureza das tendas. O Talmud prossegue contando que enviaram um mensageiro para levá-lo ao alto, mas o Anjo da Morte não podia aproximar-se dele enquanto ele não interrompesse o estudo.
עד אמר טהור טהור, ובגמ׳ [ובגמרא] במסכת נזיר (דס״ה ע״ב) פי׳ הטעם דאמר קרא לטהרו או לטמאו4 הואיל5 ופתח בו הכתוב בטהרה תחלה (והובא בהר״ש [בהרבי שמעון] ספ״ד [סוף פרק ד׳] דנגעים).
até “ele disse: ‘Puro, puro’”. E na Guemará, no tratado Nazir (65b), explica-se a razão: pois o versículo diz: “para declará-lo puro ou declará-lo impuro”; como a Escritura começou primeiro pela pureza. (Rabbeinu Shimshon cita isso no fim do capítulo 4 de Negaim.)
Quando sua alma estava partindo, ele disse: “Puro, puro”, concordando com a decisão de D'us. O Talmud em Nazir apresenta a razão: o versículo (Levítico 13:59) diz “para declará-lo puro ou declará-lo impuro”, mencionando primeiro a pureza, o que ensina que o caso duvidoso é puro.
וצריך להבין ענין התנאים ואמוראים שאנו רואים את המופתים העצומים6 שהיו יכולים לעשות כמו בר׳ [ברבי] פנחס בן יאיר
Agora, é preciso compreender a questão dos Tanaim e dos Amoraim: vemos os prodigiosos milagres que eram capazes de realizar, como no caso de Rabi Pinchas ben Yair
Apresentada a narrativa, o Alter Rebe levanta uma questão mais ampla: como os Tanaim (os Sábios da Mishná) e os Amoraim (os Sábios do Talmud) podiam realizar milagres tão prodigiosos? Seu primeiro exemplo é Rabi Pinchas ben Yair.
פ״ק [פרק קמא] דחולין7 שאמר גינאי נהרא חלוק לי8 מימיך ומיד נתקיים מה שבהתאסף יחד משה רבינו וששים רבוא ישראל גבי קריעת ים סוף היה זה פלא.
no primeiro capítulo de Chullin, que disse: “Ginai, rio, divide tuas águas para mim”, e imediatamente se cumpriu — algo que, quando Moshe, nosso mestre, e os seiscentos mil de Israel se reuniram, na abertura do Mar dos Juncos, foi um prodígio.
A caminho de resgatar cativos, Rabi Pinchas ben Yair ordenou ao rio Ginai que se dividisse, e assim aconteceu (Chullin 7a). A abertura do mar, um prodígio que ocorreu por Moshe junto com todos os seiscentos mil de Israel, aconteceu imediatamente para esse único homem.
וכן אמרו זוטרא דבכו מחיה מתים9 וזכו לכ״ז [לכל זה] ע״י עסק תורתם.10 וצריך לבאר תחלה פי׳ קריאת שם הקב״ה [הקדוש ברוך הוא] שקראו בו חז״ל [חכמינו זכרונם לברכה] את הבורא ית׳,11 וענין פי׳ מתיבתא דרקיע.
Também disseram: “O menor dentre vocês ressuscita os mortos.” E eles mereceram tudo isso por meio de seu empenho na Torá. Primeiro, é preciso explicar o significado do nome “o Santo, bendito seja Ele” (HaKadosh Baruch Hu), pelo qual nossos Sábios, de abençoada memória, chamaram o Criador, bendito seja Ele, e o significado de “Academia Celestial”.
Um segundo exemplo: o governante romano Antonino disse a Rebbi: “Sei que o menor dentre vocês ressuscita os mortos” (Avodah Zarah 10b). O Alter Rebe diz que os Sábios mereceram esses poderes por meio do estudo da Torá e anuncia dois pontos a explicar primeiro: o nome “o Santo, bendito seja Ele” e a expressão “Academia Celestial”.
והענין כי הנה קדוש הוא בחי׳ כתר12 (וכנודע מענין קדוש יהי׳ [יהיה] גדל פרע13 כו׳ שנאמר גבי נזיר14 וע״ש [ועיין שם] בלק״ת [בלקוטי תורה (להאריז״ל)]).
A explicação é a seguinte: “santo” (kadosh) corresponde ao nível de Kéter (a Coroa) (como se sabe do assunto de “será santo; deixará crescer os cabelos”, etc., dito a respeito do nazireu; e veja ali em Likkutei Torah do Arizal).
A explicação começa pelas duas palavras do Nome. “Santo” corresponde a Kéter, a Coroa, que está acima dos níveis ordenados; a prova é o nazireu, a quem a Torá chama “santo” no mesmo versículo que lhe ordena deixar crescer o cabelo (Números 6:5), e o leitor é encaminhado ao Likkutei Torah do Arizal sobre esse tema.
ואע״פ [ואף על פי] שלפעמים בחי׳ תפארת דאצילות נק׳ קדוש. זה הוא להיות כי שרש הת״ת [התפארת] הוא מבחי׳ כתר
E, embora o nível de Tiféret (beleza) do Mundo de Atsilut (Emanação) às vezes seja chamado “santo”, isso se deve ao fato de que a raiz de Tiféret provém do nível de Kéter
Uma objeção: Tiféret de Atsilut, o atributo da harmonia, também é às vezes chamada “santo”. A resposta é que a própria Tiféret tem sua raiz em Kéter; portanto, a santidade que possui provém dali.
(כי הוא מקו האמצעי15 ולכן מת״ת [מתפארת] דאימא נעשה כתר לז״א [לזעיר אנפין].16 ומת״ת [ומתפארת] דז״א [דזעיר אנפין] נעשה כתר לנוק׳ [לנוקבא]17 הרי כי התפארת שייך לבחי׳כתר) (ועיין ברבות פ׳ בלק18 ע״פ אשר בך אתפאר19 כו׳ עטרה ונתנה בראשו20 כו׳ ע״ש [עיין שם]).
(pois pertence à linha média; por isso, a Tiféret de Imá torna-se o Kéter de Zeir Anpin, e a Tiféret de Zeir Anpin torna-se o Kéter de Nukvá; assim, a Tiféret está relacionada ao nível de Kéter) (e veja Midrash Rabbah, Parshas Balak, sobre o versículo “em quem Me glorifico”, etc.: “uma coroa, e colocou-a sobre sua cabeça”, etc.; veja ali).
A Tiféret está na linha média das Sefirot, a coluna central que se estende diretamente até Kéter. No sistema do Arizal, isso se manifesta na transmissão dos níveis: a Tiféret de Imá torna-se o Kéter de Zeir Anpin, e a Tiféret de Zeir Anpin torna-se o Kéter de Nukvá. O Midrash também associa Israel, “em quem Me glorifico (espa’er)”, raiz da palavra tiféret, a uma coroa que o rei colocou sobre sua cabeça.
ועמ״ש מזה בביאור ע״פ הראיני את מראיך21 וגם כמו שיתבאר לקמן שבתפארת יש הארה גדולה מא״ס [מאין סוף] ב״ה יותר מבמדות חו״ג [חסד וגבורה] ועי״ז הוא הפועל התכללות מדות חו״ג [חסד וגבורה] כו׳
Veja o que está escrito sobre isso na explicação do versículo “Deixa-me ver teu semblante”; e também, como será explicado adiante, na Tiféret há uma grande irradiação do Infinito (Ein Sof), bendito seja Ele, maior do que nos atributos de Chessed e Guevurá, e é por meio dela que se realiza a inclusão mútua dos atributos de Chessed e Guevurá, etc.
O Alter Rebe remete à sua explicação de “Deixa-me ver teu semblante” (Cântico dos Cânticos 2:14) e antecipa um ponto desenvolvido mais adiante neste maamar: a Tiféret recebe uma irradiação do Infinito maior do que Chessed e Guevurá, e é essa irradiação que permite que esses dois atributos opostos se integrem um no outro.
והארה זו זהו מבחי׳ הכתר. (וכמ״ש בזהר ס״פ תרומה דקע״ה ב׳ ע״פ והבריח התיכון22 כו׳).
E essa irradiação provém do nível de Kéter. (Como está escrito no Zohar, no fim de Parshas Terumah, 175b, sobre o versículo “e a barra central”, etc.)
Essa irradiação adicional na Tiféret provém de Kéter. O Zohar interpreta a “barra central” do Tabernáculo, que passava “de uma extremidade à outra” por todas as tábuas, como Yaakov, o atributo de Tiféret, que mantém unidos os dois lados.
וכתר נק׳ קדוש דהיינו שהוא בחי׳ קדוש ומובדל ולמעלה מגדר ההשתלשלות. וברוך הוא בחי׳ חכמה23 שהוא ראשית ההשתלשלות וראשית הגילוי.24
Kéter é chamado “santo”, isto é, o nível do que é santo e separado, acima dos limites da cadeia descendente dos mundos (hishtalshelut). E “bendito” (baruch) é o nível de Chochmá (sabedoria), que é o início da hishtalshelut e o início da revelação.
Agora, definem-se as duas palavras. “Santo” significa separado: Kéter está acima dos limites da cadeia ordenada de níveis. “Bendito” é Chochmá, o primeiro ponto em que a divindade começa a se revelar e de onde começa a cadeia ordenada de descida.
נמצא קדוש הוא בחי׳ סוכ״ע [סובב כל עלמין] וברוך הוא בחי׳ ממכ״ע [ממלא כל עלמין].25 וע״כ [ועל כן] קראו חז״ל [חכמינו זכרונם לברכה] בשם זה הקב״ה [הקדוש ברוך הוא] שהוא ית׳ סוכ״ע [סובב כל עלמין] וממכ״ע [וממלא כל עלמין].262728
Conclui-se que “santo” é o nível da luz que circunda todos os mundos (sovev kol almin), e “bendito” é o nível da luz que preenche todos os mundos (memalê kol almin). Por isso, nossos Sábios, de abençoada memória, chamaram [a Ele] por esse nome, o Santo, bendito seja Ele: pois Ele, bendito seja, é sovev kol almin e memalê kol almin.
Assim, o nome “o Santo, bendito seja Ele” reúne as duas maneiras pelas quais D'us Se relaciona com os mundos: como “santo”, Ele os transcende e circunda todos (sovev); como “bendito”, Ele os preenche e lhes dá vida por dentro (memalê). Por isso os Sábios escolheram esse nome para o Criador.
O parágrafo começa com o relato talmúdico da disputa na Academia Celestial sobre um caso duvidoso de tzaraat e pergunta como os Sábios da Mishná e do Talmud podiam realizar milagres por meio da Torá. A resposta começa explicando o nome “o Santo, bendito seja Ele”: “santo” é Kéter, a luz que circunda todos os mundos, e “bendito” é Chochmá, a luz que os preenche.
As notas da Kehot mostram que esse tema reaparece: o Tzemach Tzedek o relaciona com Torah Ohr 49b, onde se atribui aos Tanaim, os Sábios da Mishná, a atração da Chochmá superna; e o maamar Padah VeShalom de 5726 do Rebe explica que a abertura do rio Ginai foi uma verdadeira inovação, uma mudança até mesmo na própria raiz e fonte do rio, pois aquilo que a Torá atrai está acima da cadeia descendente dos mundos (hishtalshelut), como este maamar explica mais adiante. O Zohar citado a respeito de Chochmá como “o princípio” (1:31b) afirma que a Coroa superna oculta vem primeiro, mas não é contada; por isso, o segundo nível, Chochmá, é chamado reshit.
Marei mekomot
- 1פרק הפועלים · דף פו, א.
- 2אם בהרת קודמת לשער לבן טמא ואם שער לבן קודם לבהרת טהור · Mishnah Negaim 4:11
- 3קא מפלגי במתיבתא דרקיע אם בהרת קודמת לשער לבן טמא ואם שער לבן קודם לבהרת טהור ספק הקב״ה אמר טהור וכולהו מתיבתא דרקיע אמרי טמא ואמרי מאן נוכח · Bava Metzia 86a:6–7
- 4
- 5
- 6ענין התנאים ואמוראים שאנו רואים את המופתים העצומים · באוה״ת ויקרא-ד ע׳ א׳נב מציין לתו״א מט, ב ”אך להיות נמשך חכמה עילאה . . הוא ע״י התנאים בעלי המשנה”. וראה גם אוה״ת ויקרא-ב ע׳ תקלא. כרך-ג ע׳ תתיז. שה״ש-ב ע׳ תפא. להעיר ממאמרי אדהאמ״צ ויקרא-ב ע׳ תמג ושם נוסף ”יותר מן הנביאים”. בענין המופתים העצומים, ראה ד״ה פדה בשלום תשכ״ו סעיף ד (סה״מ מלוקט ו׳ ע׳ מה).
- 7ברפב״י פ״ק דחולין · ז, א. ונתבאר בד״ה פדה בשלום תשכ״ו הנ״ל שהוא שינוי וחידוש גם לגבי שרשו ומקורו דהנהר.
- 8
- 9זוטרא דבכו מחי׳ מתים · Avodah Zarah 10b:6
- 10וזכו לכ״ז ע״י עסק תורתם · במאמרי אדה״א ויקרא-ב ע׳ תנז מבאר ”כי בחי׳ מס״נ שלהם על שקידת התורה לא הי׳ כמוהו עדיין” ע״ש.
- 11שם הקב״ה . . הבורא ית׳ · ע׳ שה״ש ד״ה ששים המה מלכות הב׳ רפ״ג (מ, ג) [כ]. בארוכה בדרך מצותיך קב, ב. אוה״ת פנחס ע׳ א׳רי. וראה גם בסה״מ תרל״ד ע׳ צז ואילך.
- 12קדוש הוא בחי׳ כתר · באוה״ת ויקרא-ג ע׳ א׳נג כ׳ ”וז״ל הפרדס קדוש הוא בכתר ובתפארת וביסוד, ה׳ ודברי הפרדס לכאורה מקורם מהזוהר פ׳ אמור” ע״ש.
- 13קדש יהי׳ גדל פרע · Numbers 6:5
- 14וכנודע מענין קדוש יהיה . . גבי נזיר · ראה אוה״ת ויקרא-א ע׳ קט.
- 15כי הוא מקו האמצעי · ראה אגה״ק סי׳ יב, ובליקוט פי׳ שם.
- 16מת״ת דאימא נעשה כתר לז״א · ע׳ ע״ח ש׳ מוחין דצלם רפ״ה ורפ״ז. ובש׳ דרושי הצלם דרוש ה — עט, ד. ובריש ש׳ מיעוט הירח פ״א. על״ק שה״ש מז, ג. [כ].
- 17ומת״ת דז״א נעשה כתר לנוק׳ · שם [ע״ח] ש׳ א״א ספ״ז. [כ].
- 18ברבות פ׳ בלק · כ, טז.
- 19אשר בך אתפאר · Isaiah 49:3
- 20אשר בך אתפאר כו׳ עטרה ונתנה בראשו · Bamidbar Rabbah 20:19
- 21בביאור ע״פ הראיני את מראיך · אולי הכוונה ללקו״ת שה״ש כ, ד.
- 22והבריח התיכון · Zohar, Terumah 94:908–96:918
- 23וברוך . . חכמה · ראה ג״כ סה״מ תקס״ה ע׳ קסה ובהנסמן לשם.
- 24חכמה . . וראשית הגילוי · Zohar I, 31b
- 25קדוש הוא בחי׳ סוכ״ע וברוך הוא בחי׳ ממכ״ע · ראה לקו״ת שה״ש כא, ב. דרך מצותיך מז, א. קב, ב. אוה״ת פנחס ע׳ א׳ריא.
- 26נתבאר בד״ה פדה בשלום תשכ״ו (סה״מ מלוקט-ו ע׳ מז) · ”שע״י עסק התורה שלהם נעשה שינוי וחידוש בהעולם [חידוש אמיתי שלא הי׳ גם בשורש ומקור העולם]”. ובהערה 22 שם ”כמובן ממ״ש בלקו״ת שם (כג, א) דזה שע״י התורה עשו מופתים הוא לפי שהגילוי שנמשך ע״י התורה הוא מלמעלה מהשתלשלות”.
- 27
- 28
2והנה בתיבת ברוך1 יש ג״כ שני פירושים. הא׳ מלשון והמלך שלמה ברוך2 שהפי׳ שהוא נתברך והיינו שמקבל הברכה עד שנעשה ברוך.
Agora, a palavra baruch (“abençoado”) também tem dois significados. O primeiro é no sentido de “e o rei Shlomo será abençoado”: isto é, ele foi abençoado — ou seja, recebe a bênção até tornar-se abençoado.
O Alter Rebe mostra agora que a própria palavra baruch tem dois sentidos. Em “e o rei Shlomo será abençoado” (I Kings 2:45), o sentido é passivo: alguém que recebeu uma bênção e, assim, tornou-se abençoado.
והפי׳ הב׳ היינו שהוא ברוך ר״ל [רוצה לומר] מקור הברכות שמברך את הכל וכמ״ש מזה ע״פ לבבתני אחותי כלה.3
O segundo significado é que Ele é baruch no sentido de fonte das bênçãos, Aquele que abençoa tudo; como é explicado a respeito do versículo “Capturaste meu coração, minha irmã, [minha] noiva”.
No segundo sentido, quando aplicado a D'us, baruch significa a fonte de todas as bênçãos, Aquele que abençoa tudo. Para mais detalhes, o Alter Rebe remete ao seu maamar sobre “Capturaste meu coração, minha irmã, noiva” (Song of Songs 4:9).
ושני הפי׳ אמת כי הנה אע״פ [אף על פי] שנת׳ [שנתבאר] דחכמה נק׳ ברוך וכמ״ש בפע״ח [בפרי עץ חיים]4 שיסוד אבא נק׳ ברוך5 מ״מ [מכל מקום] לפעמים נקרא המלכות ברוך
Ambos os significados são verdadeiros. Pois, embora tenha sido explicado que Chochmá (sabedoria) é chamada baruch, como está escrito em Pri Etz Chaim que Yessod de Abá é chamado baruch, não obstante, Malchut (soberania) às vezes também é chamada baruch,
Ambos os sentidos são verdadeiros e se aplicam a diferentes níveis. Chochmá é chamada baruch, e Pri Etz Chaim chama Yessod de Abá — o canal pelo qual Chochmá flui — de baruch; ainda assim, Malchut, a última das Sefirot, também é às vezes chamada baruch.
וזהו ענין והמלך שלמה ברוך (ועיין בזהר ר״פ בראשית ד״ג סע״א [סוף עמוד א] בענין אות ב׳ דהוא סימן ברכה6 ובזהר הרקיע שם שהיא בחי׳ מלכות כו׳. וכ״מ [וכן משמע] בזהר ר״פ ויגש דר״ה [דראש השנה] ע״ב7 ע״פ כי אתה אבינו)89
e este é o significado de “e o rei Shlomo será abençoado”. (Veja o Zohar no início de Parshas Bereishis, fim de 3a, sobre a letra beit, que é um sinal de bênção; e Zohar HaRakia ali, que a identifica com o nível de Malchut, etc. O mesmo também está implícito no Zohar no início de Parshas Vayigash, 205b, sobre o versículo “Pois Tu és nosso Pai”.)
Malchut é o “rei Shlomo” que é abençoado. O trecho entre parênteses reúne apoio do Zohar: no início de Bereishis, o mundo é criado com a letra beit, a letra da bênção, e o comentário Zohar HaRakia a identifica com Malchut; o início de Vayigash no Zohar, sobre “Pois Tu és nosso Pai” (Isaiah 63:16), implica o mesmo.
(ועיין במא״א [במאורי אור] אות ב׳ סל״ט10 וסל״ה11 ועיין בפ׳ פקודי דרס״א ע״א ובמק״מ [ובמקדש מלך] שם גבי ברוך).12
(Veja Me’orei Or, letra beit, seções 39 e 35; e veja Parshas Pekudei, 261a, e o Mikdash Melech ali, a respeito de baruch.)
Seguem-se outras referências: Me’orei Or, um léxico de termos cabalísticos, sob a letra beit, e o Zohar sobre Parshas Pekudei com o comentário Mikdash Melech, todos a respeito do significado de baruch.
והוא כפי׳ הא׳ דברוך היינו שהוא מתברך ומקבל הברכה וכך המלכות היא מקבלת הברכה וההמשכה מלמעלה
Isso corresponde ao primeiro significado de baruch, isto é, que é abençoado e recebe a bênção: assim também, Malchut recebe a bênção e o fluxo que é atraído de cima,
Malchut é baruch no primeiro sentido, o de receber: recebe a bênção e o fluxo que é atraído de cima.
והיינו מבחי׳ חכמה שהוא נק׳ ברוך כפי׳ הב׳ מקור הברכה והיינו ר״ת [ראשי תיבות] ברוך13 ר אש ומקור כל ברכה14 כמ״ש בפרדס15 בערך ברוך.1617
isto é, do nível de Chochmá, que é chamada baruch no segundo sentido, o de fonte da bênção. E este é o acrônimo de baruch: rosh u’mekor kol berachah, “a cabeça e a fonte de toda bênção”, como está escrito no Pardes, no verbete baruch.
Aquilo que Malchut recebe vem de Chochmá, que é baruch no segundo sentido, o de fonte da bênção. O Pardes, citando o Tikkunei Zohar, interpreta as letras de baruch como acrônimo de “a cabeça e a fonte de toda bênção”.
O parágrafo mostra que baruch tem um sentido receptivo (“abençoado”) e um sentido doador (“fonte da bênção”) e atribui cada um a um nível: Malchut é “abençoada” porque recebe, enquanto Chochmá, por meio de Yessod de Abá, é “abençoada” como cabeça e fonte de toda bênção.
Me’orei Or (sec. 35, citado na nota da Kehot) associa berachah a Imma Ila’ah, a “bacia superior”, na qual se reúnem as águas de Chochmá e que abençoa Malchut, a “bacia inferior”, imagem desenvolvida no parágrafo seguinte. O Zohar sobre Pekudei (261a) diz que a Shechiná é chamada baruch quando contém todas as bênçãos atraídas para ela.
Marei mekomot
- 1והנה בתיבת ברוך · מכאן נמצא גם באוה״ת סידור ע׳ קפב.
- 2והמלך שלמה ברוך · I Kings 2:45
- 3ע״פ לבבתני אחותי כלה · לקו״ת שה״ש כח, ד.
- 4וכמ״ש בפע״ח · שער הברכות פ״א-ב.
- 5יסוד אבא נק׳ ברוך · Pri Etz Chaim, Gate of Blessings 2:1
- 6אות ב׳ דהוא סימן ברכה · Zohar, Introduction 6:28–38
- 7וכ״מ בזהר ר״פ ויגש דר״ה ע״ב · ”שלכן נברא העולם בבית שיש בו סימן ברכה ולא נברא באלף בגין דלא למיהב דוכתא לסט״א דאקרי ארור” — ביאה״ז להצ״צ-א ע׳ תקעב ע״ש שלכאורה אינו מובן הלא האלף בכתר והב׳ בחכמה א״כ איך ארור יש לו יניקה ע״ש.
- 8כי אתה אבינו · Zohar, Vayigash 1:1–2:15
- 9כי אתה אבינו · Isaiah 63:16
- 10ועיין במא״א אות ב׳ סל״ט · מובא באוה״ת בראשית-ג דף תקנא, ב עם הגהות.
- 11סל״ה · וז״ל ברכה מצד אימא עילאה בריכה העליונה (ע׳ בסידור בדרוש ברכת הזימון. ובזהר ס״פ בא דמ״ב ע״ב מענין מקור מעין ים) ששם מימי החכמה נאספים לתוכה (ועיין זח״ב ס״פ בשלח דס״ג ע״ב כד ע״ק סדכ״ס בעי לברכא כו׳ אשרי כולא ואכליל כולא בהאי עמיקא עילאה) המברכת למ׳ בריכה התחתונה כו׳ עכ״ל. אוה״ת בראשית כרך-ג דף תקנא, ב. מובא גם באוה״ת שמות ע׳ פג.
- 12שם גבי ברוך · Zohar, Pekudei 52:796–807
- 13ר״ת ברוך · ת״ז ת״ע (קב, ב). [כ].
- 14ר״ת ברוך ר אש ומקור כל ברכה · Pardes Rimmonim 23:2:32
- 15כמ״ש בפרדס ערך ברוך · בשער ערה״כ.
- 16
- 17
3וכמו בריכה שממשיכים ממנה מים לכל אלא שהבריכה היינו ההמשכה שכבר נמשך מבחי׳ חכמה שנק׳ ברוך מקור הבריכה. וז״ש [וזהו שכתוב] בזהר איהו ברוך ואיהי ברכה.12
É como uma piscina (berechah), da qual se tira água para todos; contudo, a piscina é o fluxo que já foi atraído do nível de Chochmá, chamado baruch, a fonte da piscina. Este é [o sentido de] o que está escrito no Zohar: “Ele é baruch, e Ela é berachah.”
Uma piscina (berechah) é um reservatório do qual se tira água para todos. Malchut é como essa piscina: ela contém um fluxo que já desceu de Chochmá, a fonte da piscina. Por isso, o Zohar diz: “Ele é baruch e Ela é berachah”: o doador masculino e a receptora feminina.
פי׳ איהי המל׳ [המלכות] נקרא ברכה שהיא בחי׳ ממכ״ע [ממלא כל עלמין] מלכותך מלכות כל עולמים3 איהו היינו יסוד אבא נק׳ ברוך כי הוא מקור המשפיע בבחי׳ ממכ״ע [ממלא כל עלמין].
Isto é: “Ela”, Malchut, é chamada berachah (“bênção”), pois corresponde ao nível da luz que preenche todos os mundos (memalê kol almin): “Teu reinado (malchut) é um reinado sobre todos os mundos.” “Ele”, isto é, Yessod de Abá, é chamado baruch, pois é a fonte daquilo que concede no nível de memalê kol almin.
O Alter Rebe interpreta assim as palavras do Zohar: “Ela”, Malchut, é a bênção que preenche e vivifica todos os mundos, como em “Teu reinado é um reinado sobre todos os mundos” (Psalms 145:13); “Ele”, Yessod de Abá, é a fonte da qual flui essa luz imanente.
אכן למעלה מהחכמה אין יכול לבוא כלל בבחי׳ ממכ״ע [ממלא כל עלמין] רק סוכ״ע [סובב כל עלמין] כי אינו יכול לבוא בהתגלות כלל להיות בבחי׳ ממלא
Mas o que está acima de Chochmá não pode de modo algum vir no nível de memalê kol almin, mas somente como a luz que circunda todos os mundos (sovev kol almin), pois não pode de modo algum vir à revelação para estar no nível de “preencher”;
Acima de Chochmá, em Kéter, a luz não pode entrar nos mundos como uma luz imanente, que os “preenche”. Ela só pode relacionar-se com eles como uma luz circundante (sovev), pois não pode revelar-se abertamente dentro deles.
רק הוא סובב ומקיף והארתו זורחת בהעלם כידוע שאור הפנימי ואור המקיף דבקים זה בזה.
ela apenas circunda e envolve, e seu brilho resplandece de forma oculta; como se sabe, a luz interior e a luz circundante estão ligadas uma à outra.
Essa luz circunda em vez de entrar, e seu efeito no interior permanece oculto. Isso é possível porque, como ensina a Cabalá, a luz interior e a luz circundante estão ligadas uma à outra.
אך כי אור המקיף אינו מאיר בתוך הכלי בבחי׳ פנימי׳ [פנימיות / פנימית] וגילוי כי אורו גדול ואין הכלי מגביל אורו כלל
Contudo, a luz circundante não brilha dentro do recipiente de maneira interior e revelada, pois sua luz é grande, e o recipiente não limita de modo algum sua luz;
A luz circundante não pode brilhar abertamente dentro de um recipiente, pois é grande demais para que qualquer recipiente possa contê-la ou delimitá-la.
אך אעפ״כ [אף על פי כן] הארה מאור המקיף זורח בתוך הכלי בהעלם שהרי המקיף מצחצח חצי הכלי מבחוץ4 כמ״ש במ״א.
ainda assim, um brilho da luz circundante resplandece dentro do recipiente de forma oculta, pois a luz circundante lustra metade do recipiente por fora, como é explicado em outro lugar.
Ainda assim, algo dela penetra de maneira oculta: os escritos do Arizal, citados nas notas, descrevem a luz circundante como lustrando por fora a metade externa do recipiente. Essa ideia, de que a luz circundante está presente no interior de forma oculta, torna-se central mais adiante neste maamar.
O parágrafo completa a imagem: Malchut é a “piscina” da bênção que preenche os mundos, e Yessod de Abá é sua fonte; aquilo que está acima de Chochmá, por sua vez, apenas circunda os mundos. Ainda assim, sua luz também os alcança de forma oculta, pois a luz circundante lustra o recipiente por fora.
Nas duas passagens do Zohar (2:162a e 3:264b), baruch é o “ponto supremo” de onde fluem todas as bênçãos, e berachah é sua contraparte feminina, chamada ali de Mundo Vindouro; o Alter Rebe aplica esse par a Yessod de Abá e Malchut. A nota da Kehot acrescenta a observação de Or HaTorah, baseada no Zohar 2:63b, de que em Biná as bênçãos brilham a partir de Atik.
Marei mekomot
- 1וז״ש בזהר איהו ברוך ואיהי ברכה · Zohar II, 162a
- 2איהו ברוך ואיהי ברכה · Zohar, Vaetchanan 14:87–95
- 3מלכותך מלכות כל עולמים · Psalms 145:13
- 4המקיף מצחצח חצי הכלי מבחוץ · ע׳ ע״ח ריש ש׳ הכללים וסוף ש׳ השתל׳ י״ס. ובש׳ עקודים רפ״ב. וע׳ ש׳ עתיק רפ״ד. וע׳ תו״א מג״א בי׳ יביאו לבוש מלכות ושם בהוספות פ׳ ויקהל בי׳ ע״פ קחו מאתכם תרומה סי׳ ב׳. [כ].
Este é [o sentido de] “E Chochmá (sabedoria) é encontrada a partir de ayin (nada)”: pois Chochmá é o início da revelação e, por isso, a partir de Chochmá se aplica o aspecto da cadeia descendente dos mundos (hishtalshelut).
O versículo de Jó (28:12), geralmente lido como uma pergunta — “Onde se encontra a sabedoria?” — é lido aqui como uma afirmação: Chochmá é encontrada “a partir de ayin”, a partir do nada. Chochmá é o primeiro ponto da revelação, de modo que a cadeia ordenada da descida começa com ela.
שהבינה מקבלת מהחכמה ומבינה נמשך במדות דרך עילה ועלול ולכן נק׳ חכמה ברוך אבל החכמה מהכתר כתיב מאין תמצא שלא כדרך השתלשלות
Pois Biná (entendimento) recebe de Chochmá, e de Biná [o fluxo] é estendido aos atributos emocionais (midot) pelo modo de causa e efeito; por isso, Chochmá é chamada “bendita”. Mas sobre Chochmá [tal como provém] de Kéter está escrito: “é encontrada a partir de ayin”, não pelo modo de hishtalshelut;
De Chochmá para baixo, tudo segue como causa e efeito: Biná recebe de Chochmá, e os atributos emocionais, de Biná; por isso Chochmá é chamada “bendita”, a fonte do fluxo. Mas a própria Chochmá não provém de Kéter por meio de uma etapa desse tipo; ela emerge “a partir do nada”, sem proporção entre ambos.
ולכן נאמר תמצא כו׳ וגם הכתר נמשך ממל׳ [ממלכות] דא״ס [דאין סוף] שהוא רק בחי׳ אור וזיו מהמאציל עצמו2 וכמשל הזיו שאינו פועל שינוי בהעצמיות כו׳
por isso se diz “é encontrada”, etc. E também Kéter (a Coroa) é estendido da Malchut do Infinito (Ein Sof), que é apenas um nível de luz e resplendor do próprio Emanador, como na analogia do resplendor, que não provoca mudança na essência, etc.
A palavra “encontrada” sugere algo que aparece, em vez de algo produzido por uma causa. Kéter, por sua vez, provém da Malchut, o aspecto mais baixo do Infinito, que é apenas uma luz e um resplendor do Emanador; e um resplendor, como a luz que irradia de sua fonte, não altera a essência de que provém.
(ולכן קראוהו חז״ל [חכמינו זכרונם לברכה] הקב״ה [הקדוש ברוך הוא] שהוא בחי׳ סוכ״ע [סובב כל עלמין] מה שלמעלה מההשתלשלות וע״כ [ועל כן] נק׳ קדוש ועל זה נזכר לשון הודאה מודים אנחנו לך34 וכמ״ש מענין ברכה והודאה בביאור ע״פ אתה הצבת5 כל גבולות ארץ6 ובד״ה יהודה אתה7 ובחי׳ ממכ״ע [ממלא כל עלמין] הוא מה שנמשך ע״ד [על דרך] ההשתלשלות ונק׳ ברוך.
(Por isso nossos Sábios, de abençoada memória, chamaram-No o Santo, bendito seja Ele: Ele é o nível da luz que circunda todos os mundos (sovev kol almin), aquilo que está acima de hishtalshelut; por isso é chamado “santo”. A Seu respeito emprega-se a expressão de reconhecimento: “Nós Te reconhecemos” (modim anachnu lach), como se explica a respeito de bênção e reconhecimento na explicação do versículo “Tu estabeleceste todos os limites da terra” e no discurso que começa “Yehudá, tu…”. E o nível da luz que preenche todos os mundos (memalê kol almin) é aquilo que é estendido pelo modo de hishtalshelut, e é chamado “bendito”.
Este parêntese aplica a ideia ao Nome. “Santo” é o nível de sovev, acima da cadeia descendente, e a resposta a ele é o reconhecimento, “Nós Te reconhecemos” (I Crônicas 29:13), que, em Chassidut, é a resposta àquilo que está além do entendimento; “bendito” é memalê, a luz que desce pela cadeia. O Alter Rebe remete a dois discursos que explicam a diferença entre bênção e reconhecimento.
ולפי שהסובב מאיר בממלא רק שהארתו זורחת בהעלם ע״כ [על כן] ב׳ הבחי׳ קדוש ברוך הכל שם א׳ שהוא ית׳ סוכ״ע [סובב כל עלמין] וממכ״ע [וממלא כל עלמין]. ועמ״ש סד״ה את שבתותי תשמרו8 בפי׳ אני הוי׳ דכולא חד ע״ש [עיין שם].
E como a luz que circunda brilha na luz que preenche, embora seu resplendor brilhe de maneira oculta, os dois níveis, “santo” [e] “bendito”, são, portanto, um único Nome: que Ele, bendito seja, é sovev kol almin e memalê kol almin. Veja o que está escrito no fim do discurso que começa “Guardai os Meus Shabatot”, sobre o significado de “Eu sou Havayá”, que tudo é um; veja lá.
Como a luz que circunda de fato brilha na luz que preenche, embora de forma oculta, “santo” e “bendito” não são dois Nomes, mas um só: D'us é, ao mesmo tempo, sovev e memalê. O Alter Rebe cita sua explicação de “Eu sou Havayá” no discurso “Guardai os Meus Shabatot”, segundo a qual tudo é um.
ולכאורה י״ל [יש לומר] שזהו ענין ג׳ בחי׳ שבקדושה קדוש ברוך ימלוך. קדוש בחי׳ כתר וממנו נמשך בחכמה וזהו ברוך ואח״כ [ואחר כך] נמשך לבחי׳ מל׳ [מלכות] כענין והמלך שלמה ברוך9 וזהו ימלוך.
À primeira vista, pode-se dizer que esta é a ideia dos três níveis da Kedushá: “Santo”, “Bendito”, “Ele reinará”. “Santo” é o nível de Kéter; dele [o fluxo] é estendido a Chochmá, e isso é “Bendito”; depois, é estendido ao nível de Malchut (soberania), como em “e o rei Shlomo será bendito”, e isso é “Ele reinará”.
Uma sugestão provisória: as três expressões da oração de Kedushá — “Santo, santo, santo”, “Bendita seja a glória” e “Ele reinará” — poderiam corresponder a Kéter, Chochmá e Malchut, à medida que a luz desce de Kéter a Chochmá e, em seguida, a Malchut, que é chamada “bendita” no versículo sobre o rei Shlomo.
אך בזהר הרקיע בפ׳ בראשית שם פי׳ ענין ימלוך שהוא בחי׳ המשכה עליונה בפ״ע [בפני עצמו] מלבד בחי׳ המשכה דברוך כו׳. וב׳ בחי׳ ברוך הנ״ל זהו ג״כ ענין פותח בברוך וחותם בברוך המבואר במ״א בד״ה להבין ענין הברכות):10
No entanto, no Zohar HaRakia, na porção de Bereshit, ali se explica que “Ele reinará” é um fluxo superior por si só, além do fluxo de “Bendito”, etc. E os dois aspectos de baruch mencionados acima também correspondem à ideia de “começar com baruch e terminar com baruch”, explicada em outro lugar, no discurso que começa “Para entender a ideia das bênçãos”.)
Mas o Zohar HaRakia explica “Ele reinará” como um fluxo superior separado, não simplesmente como o sentido receptivo de “bendito”; por isso, a sugestão fica em aberto. Os dois sentidos de baruch também explicam por que muitas bênçãos começam e terminam com baruch, conforme explica o Alter Rebe em seu discurso “Para entender a ideia das bênçãos”.
O parágrafo fundamenta as duas palavras do Nome na ordem das Sefirot: Chochmá, “encontrada a partir do nada”, dá início à cadeia de causa e efeito e é “bendita”, enquanto Kéter, acima dela, é “santo”. Como a luz que circunda brilha de modo oculto na luz que preenche, “Santo” e “Bendito” são um único Nome.
O discurso de Torah Ohr citado no fim explica que os Homens da Grande Assembleia instituíram as bênçãos na época do Segundo Templo para estender uma revelação da fé que, na época do Primeiro Templo, brilhava abertamente nas almas de Israel; a bênção faz com que aquilo que está acima da compreensão seja “bendito”, isto é, estendido para baixo. A nota de Kehot remete à discussão do Rebe (Likkutei Sichos vol. 7, p. 309) sobre a expressão dupla “luz e resplendor” usada aqui para a Malchut do Infinito.
Marei mekomot
- 1והחכמה מאין תמצא · Job 28:12
- 2שהוא רק בחי׳ אור וזיו מהמאציל עצמו · ראה לקו״ש ח״ז ע׳ 309 בכפל הלשון אור וזיו.
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- 4
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A Academia do Firmamento ¶5–8
2. O significado de “a Academia do Firmamento” é o seguinte: está escrito: “E havia a aparência de um firmamento sobre as cabeças dos seres viventes (chayot), semelhante à cor do gelo”, etc.
A seção 2 explica o termo “a Academia do Firmamento”. A chave é a visão da Carruagem de Ezequiel: acima das cabeças dos seres viventes (chayot) havia a aparência de um firmamento, semelhante a um gelo impressionante (Ezequiel 1:22).
ויש חיוון תתאין וחיוון עילאין חיוון תתאין הם המרכבה דבי״ע [דבריאה יצירה עשיה] מחנה מיכאל מחנה גבריאל והרקיע שעל ראשיהם זהו מבחי׳ מלכות דאצילות וחיוון עילאין הם האבות
Há chayot inferiores e chayot superiores. As chayot inferiores são a Carruagem dos [mundos de] Beriá (Criação), Yetsirá (Formação) e Assiá (Ação), o acampamento de Michael [e] o acampamento de Gavriel; e o firmamento acima de suas cabeças provém do nível de Malchut (soberania) do Mundo de Atsilut (Emanação). As chayot superiores são os Patriarcas,
Há dois grupos de chayot. As chayot inferiores são os anjos da Carruagem nos mundos de Beriá, Yetsirá e Assiá, os acampamentos dos anjos Michael e Gavriel; e o firmamento acima deles é Malchut de Atsilut. As chayot superiores são os Patriarcas.
אברהם יצחק ויעקב חג״ת [חסד גבורה תפארת] דאצי׳ [דאצילות] והרקיע שעל ראשם הוא בחי׳ בינה וכמ״ש בזהר בפ׳ ויקהל דרי״ג סע״א [סוף עמוד א] ע״פ השמים שמים23 ב׳ בחי׳ שמים היינו שמים עילאין ושמים תתאין והוא ב׳ בחי׳ רקיע הנ״ל.4
Avraham, Yitzchak e Yaakov, [que são] Chessed (bondade), Guevurá (contenção) e Tiféret (beleza) de Atsilut, e o firmamento acima de suas cabeças é o nível de Biná (entendimento). Como está escrito no Zohar, Parashat Vayakhel, no final de 213a, sobre o versículo “Os céus, os céus”: dois níveis de céus, isto é, os céus superiores e os céus inferiores, que são os dois níveis de firmamento mencionados acima.
Avraham, Yitzchak e Yaakov representam Chessed, Guevurá e Tiféret de Atsilut, e o firmamento acima deles é Biná. O Zohar encontra dois céus na expressão “Os céus, os céus” (Salmos 115:16): os céus superiores e os céus inferiores, correspondentes a esses dois firmamentos.
O parágrafo identifica o “firmamento” da Academia do Firmamento: acima dos anjos inferiores, o firmamento é Malchut de Atsilut; acima das “chayot superiores”, os Patriarcas, que são Chessed, Guevurá e Tiféret de Atsilut, o firmamento é Biná.
A passagem do Zohar citada (Vayakhel, 213a) fala de um oitavo firmamento oculto, “o firmamento sobre as chayot superiores”, que não tem cor, e interpreta “Os céus são céus para D'us” como uma referência a ele. O Rebe Maharash, citado na nota da Kehot, explica que esse firmamento não é contado entre os sete firmamentos e está acima deles.
Marei mekomot
- 1ודמות על ראשי החי׳ · Ezekiel 1:22
- 2השמים שמים · Zohar, Vayakhel 25:353–363
- 3השמים שמים · Psalms 115:16
- 4בזהר פ׳ ויקהל דרי״ג סע״א · נתבאר במאמרי אדה״א ויקרא-ב ע׳ תסט ואילך.
6וכמ״ש בפרדס ערך רקיע ועמ״ש מענין זה ע״פ הנותן שלג כצמר12 והטעם שנק׳ הבינה רקיע3 הוא כמבואר במ״א ע״פ הללוהו ברקיע עוזו45 ענין ג׳ בחי׳ אור מים רקיע שהם ג׳ בחי׳ כח״ב [כתר חכמה בינה]6
Como está escrito no Pardes, na entrada “rakia” (“firmamento”); e veja-se o que está escrito sobre este tema a respeito do versículo “Ele dá neve como lã”. A razão pela qual Biná (entendimento) é chamada “firmamento” é explicada em outro lugar, a respeito do versículo “Louvai-O no firmamento de Sua força”: trata-se dos três níveis — luz, água [e] firmamento — que são os três níveis Kéter, Chochmá e Biná.
O Pardes, enciclopédia cabalística de Rabi Moshe Cordovero, discute o termo rakia. Em outro lugar, sobre “Louvai-O no firmamento de Sua força” (Salmos 150:1), o Alter Rebe explica que luz, água e firmamento, criados nos dois primeiros dias da Criação, correspondem a Kéter, Chochmá e Biná; por isso Biná é chamada “firmamento”.
כי עד״מ [על דרך משל] באדם האור הוא בחי׳ מקור החכמה ונק׳ משכיל שהוא מקור השכל ומה שאח״כ [שאחר כך] נמשך ממנו גילוי השכל נק׳ מים ואח״כ [ואחר כך] כשבא השכל לידי השגה ממש נק׳ רקיע.
Pois, por meio de uma analogia com o ser humano, a “luz” é o nível da fonte da sabedoria, chamada maskil, que é a fonte do intelecto; aquilo que depois se estende dela, a revelação do intelecto, é chamado “água”; e, depois, quando o intelecto chega à compreensão efetiva, é chamado “firmamento”.
A analogia diz respeito à mente humana. A “luz” é a fonte da percepção intelectual, o maskil, a faculdade que concebe ideias; o primeiro fluxo de percepção que dela emana é “água”; e, quando essa percepção se torna algo plenamente compreendido, é “firmamento”.
כי רקיע הוא כמ״ש רקיע כעין הקרח7 שהקרח היינו מה שנגלדו המים כי הנה מים ניידי. משא״כ הקרח א״א [אי אפשר] לשנותו ולהטותו.
Pois “firmamento” é como está escrito: “um firmamento com a aparência do gelo”: gelo é água que se solidificou. A água se move, ao passo que o gelo não pode ser mudado nem desviado.
Por que “firmamento”? Porque o firmamento de Ezequiel é “como gelo”, água que se solidificou. A água flui e pode ser desviada em qualquer direção, ao passo que o gelo é fixo, assim como uma ideia, uma vez compreendida, se torna firme e estabelecida.
O parágrafo explica por que Biná é chamada “firmamento”: na sequência luz, água, firmamento (Kéter, Chochmá, Biná), o firmamento é o estágio em que a percepção intelectual fluida se torna compreensão fixa, como a água que congela e vira gelo.
O Tzemach Tzedek (Or HaTorah sobre Nach, citado nas notas) resume esta seção: Biná, chamada rakia, é a fonte do Gan Éden Superior, chamado Academia do Firmamento, cujos membros compreendem de acordo com o que lhes flui de Biná; mas o Santo, bendito seja Ele, é Kéter, chamado “santo”, e Chochmá, chamada “bendito”, ambos acima de Biná. Por isso, a Academia declarou “impuro”, enquanto D'us declarou “puro”.
Marei mekomot
- 1ע״פ הנותן שלג כצמר · ראה סידור סג, ד. סה״מ תקס״ז ע׳ קכט ואילך.
- 2
- 3והטעם שנק׳ הבינה רקיע · ראה בביאה״ז להצ״צ-ב ע׳ תרמא במה שכתוב שם דכה״כ הוא בינה.
- 4ע״פ הללוהו ברקיע עוזו · Song of Songs 4:4
- 5הללוהו ברקיע עוזו · Psalms 150:1
- 6ענין ג׳ בחי׳ אור מים רקיע שהם ג׳ בחי׳ כח״ב · מובא באוה״ת נ״ך-א ומבאר ”ושם פ״ב [= הכוונה לכאן] דענין אמר ר״ת אור מים רקיע הוא כח״ב ובינה נק׳ רקיע היא מקור ג״ע העליון הנק׳ מתיבתא דרקיע ושם ענין קוב״ה אומר טהור וכולהו מתיבתא דרקיע אמרי טמא כי המתיבתא משיגים ע״פ מה שנשפע להם מהבינה הנק׳ רקיע, אבל קודב״ה הוא בחי׳ כתר הנק׳ קדוש וחכמה הנק׳ ברוך שלמעלה מבחי׳ בינה” ע״ש. בענין אור מים רקיע, ראה ביאוה״ז להצ״צ ע׳ תכב. סה״מ תרמ״ד ע׳ קצו. ובד״ה ואתה תצוה תרע״ה (בהמשך תרע״ב כרך ב ע׳ תתצ).
- 7
Assim também, quando o intelecto já foi atraído ao nível da compreensão, ele é chamado “gelo” etc. Veja o que está escrito no discurso que começa “No oitavo dia, enviou”, a respeito de “Ele lança o Seu gelo como migalhas”.
O intelecto compreendido é como gelo: solidificado e fixo. O Alter Rebe remete ao seu discurso de Shemini Atseret sobre “Ele lança o Seu gelo como migalhas” (Salmos 147:17), no qual a bondade suprema, comparada à água, “congela” ao descer, para que cada pessoa possa apreendê-la segundo sua própria medida.
ולכן בינה מקננא בכורסייא45 שהוא המאיר בג״ע [בגן עדן] העליון וע״ז [ועל זה] נאמר ונהר יוצא מעדן6 להשקות את הגן כי דוקא לאחר שנמשך בבחי׳ בינה והשגה אז יוכל להאיר לנשמות בג״ע [בגן עדן].
Por isso, “Biná (entendimento) aninha-se no Trono”, que é o que ilumina no Gan Eden Superior. A esse respeito, está dito: “E um rio sai do Éden para regar o jardim”; pois somente depois de [a luz] ser atraída ao nível de Biná e da compreensão ela pode iluminar as almas no Gan Eden.
Daí a expressão do Tikkunei Zohar, “Biná aninha-se no Trono”: é Biná que ilumina no Gan Eden Superior. “Um rio sai do Éden para regar o jardim” (Gênesis 2:10): somente depois que a luz passa para Biná e para a compreensão ela pode alcançar as almas no jardim.
משא״כ בחי׳ חכמה הוא עדיין למעלה מההשגה (ועיין מזה בביאור ע״פ וידבר כו׳ אנכי7 כו׳ ובד״ה ראה אנכי נותן)89
Ao passo que o nível de Chochmá (sabedoria) ainda está acima da compreensão (veja a esse respeito a explicação do versículo “E [D'us] falou... ‘Eu sou...’” e o discurso que começa “Vê, eu dou”).
Chochmá, em contraste, ainda está acima da compreensão: é um lampejo de percepção que ainda não foi apreendido. O Alter Rebbe remete às suas explicações sobre a Outorga da Torá (“E D'us falou... Eu sou”) e sobre “Vê, eu dou” (Deuteronômio 11:26).
ולכן נק׳ ג״ע [גן עדן] העליון מתיבתא דרקיע כי רקיע נק׳ בחי׳ בינה שהוא הרקיע שע״ג [שעל גבי] חיוון עילאין כנ״ל והתפשטותה והמשכתה להאיר בג״ע [בגן עדן] העליון נק׳ מתיבתא דרקיע ודוקא מבחי׳ בינה שהוא בחי׳ רקיע
Por isso, o Gan Eden Superior é chamado “a Academia do Firmamento”: pois o nível de Biná é chamado “firmamento”, sendo o firmamento que está sobre os chayót superiores, como mencionado acima; e sua expansão e sua atração para iluminar no Gan Eden Superior são chamadas “a Academia do Firmamento”. E especificamente a partir do nível de Biná, que é o nível de “firmamento”,
É por isso que o Gan Eden Superior é chamado “a Academia do Firmamento”: sua luz provém de Biná, o firmamento acima dos chayót superiores, à medida que Biná se expande e é atraída para iluminar o Gan Eden.
דהיינו כשנמשך האור בגדר השגה מזה יוכל להיות נמשך הג״ע [הגן עדן] שיהיו נהנין מזיו השכינה10 בבחי׳ השגה ממש
isto é, quando a luz é atraída para os limites da compreensão, a partir disso pode ser atraído o Gan Eden, para que [as almas] desfrutem do esplendor da Shechiná (Presença Divina) por meio da compreensão efetiva
O Gan Eden existe somente onde a luz entrou nos limites da compreensão, pois sua recompensa consiste em as almas “desfrutarem do esplendor da Shechiná” (Berachot 17a) por compreenderem efetivamente a divindade.
(ועמ״ש בד״ה לך לך11 ועיין בסש״ב [בספר של בינונים] ח״ב [חלק ב׳] ספ״ה ועיין בזהר הרקיע פ׳ ויקהל בדף רי״ב א׳).
(Veja o que está escrito no discurso que começa “Vai para ti” (Lech lecha); veja Sefer Shel Beinonim (Tanya), Parte II, final do capítulo 5; e veja Zohar HaRakia, Parshas Vayakhel, no fólio 212a).
O parêntese apresenta referências adicionais: o discurso “Vai para ti” (Lech lecha), Tanya, Parte II (Shaar HaYichud VehaEmunah), final do capítulo 5, e Zohar HaRakia sobre Parshas Vayakhel.
והנה הזוכים למדרגה זו דמתיבתא דרקיע שהוא בחי׳ גבוה מאד ששרשו רקיע דע״ג חיוון עילאין היינו בינה דאצי׳ [דאצילות] המאיר בג״ע [בגן עדן] העליון וקב״ה [וקודשא בריך הוא] אתי לאשתעשע עמהן בג״ע [בגן עדן] שהוא הארת כתר וחכמה דאצילות.
Ora, aqueles que merecem esse grau da Academia do Firmamento, que é um nível muito elevado, cuja raiz é o firmamento sobre os chayót superiores, isto é, Biná de Atsilut, que ilumina no Gan Eden Superior, e [para quem] “o Santo, bendito seja Ele, vem deleitar-Se com eles” no Gan Eden — o que corresponde à irradiação de Kéter e Chochmá de Atsilut:
Aqueles que alcançam a Academia do Firmamento ocupam um nível muito elevado: sua raiz é Biná de Atsilut. Mais elevada ainda é a condição descrita como o Santo, bendito seja Ele, vindo deleitar-Se com os justos no Gan Eden; ela corresponde a uma irradiação de Kéter e Chochmá de Atsilut, acima de Biná.
כ״ז [כל זה] הוא בחי׳ עליונה מאד והיינו ע״י עסק התורה לשמה. שעי״ז ממשיכים תוספת אור בג״ע [בגן עדן] כמ״ש דרכיה דרכי נועם12 וכמ״ש בד״ה ראו כו׳.13
tudo isso é um nível muito elevado, alcançado por meio do estudo da Torá em prol dela mesma. Por meio disso, atrai-se luz adicional no Gan Eden, como está escrito: “Seus caminhos são caminhos de agradabilidade”, e como é explicado no discurso que começa “Vede...”, etc.
Tudo isso é alcançado por meio do estudo da Torá em prol dela mesma, que acrescenta luz no Gan Eden. A Torá é chamada “caminho” (“Seus caminhos são caminhos de agradabilidade”, Provérbios 3:17), e o Alter Rebe remete ao seu discurso “Vede que D'us vos deu o Shabat”, que explica por que a Torá e as mitsvot são chamadas caminhos.
O parágrafo explica o nome “Academia do Firmamento”: o Gan Eden Superior recebe sua luz de Biná, o “firmamento”, porque ali as almas desfrutam da divindade por meio da compreensão; já o deleite do Santo, bendito seja Ele, com os justos corresponde a uma irradiação mais elevada de Kéter e Chochmá. Ambos são alcançados pelo estudo da Torá em prol dela mesma.
A expressão completa do Tikkunei Zohar é “Imma Ilaá aninha-se no Trono, nas três Sefirot superiores” (23a), e o Tzemach Tzedek (Biurei HaZohar, citado nas notas) identifica o Trono da Glória com Biná. Em Likkutei Torah, Shir HaShirim 4d, o Alter Rebe remete a este discurso: o Gan Eden Superior é chamado rakia, e a luz de D'us só o alcança por meio de muitas contrações.
Marei mekomot
- 1בד״ה ביום השמיני שלח · לקו״ת שמע״צ פז, ב.
- 2ביום השמיני שלח · I Kings 8:66
- 3משליך קרחו כפתים · Psalms 147:17
- 4בינה מקננא בכורסיא · ת״ז ת״ו כג, א. וע׳ ע״ח ש׳ ס׳ אבי״ע ספ״ג. [כ].
- 5בינה מקננא בכורסייא · Tikkunei Zohar 23a:10–11
- 6ונהר יוצא מעדן · Genesis 2:10
- 7בביאור ע״פ וידבר כו׳ אנכי · Numbers 17:1
- 8ובד״ה ראה אנכי נותן · לקו״ת ראה יח, א ”ומבואר שם שזהו בחי׳ חכמה כח מה שלמעלה מההבנה וההשגה כו׳” — אוה״ת נ״ך-א ע׳ תרצט.
- 9ראה אנכי נותן · Deuteronomy 11:26
- 10שיהיו נהנין מזיו השכינה · Berakhot 17a:12
- 11בד״ה לך לך · תו״א יא, א.
- 12דרכי׳ דרכי נועם · Proverbs 3:17
- 13בד״ה ראו · לקו״ת בשלח א, א.
8וזה היה כל עסק התנאים והאמוראים ורב יהודה הי׳ [היה] מצלי מתלתין יום1 לתלתין יום, כי הנה ענין התורה והתפלה2 היינו שהתפלה היא
Essa era toda a ocupação dos Tanaim e dos Amoraim; e Rav Yehudá costumava rezar [somente] uma vez a cada trinta dias. Pois o assunto da Torá e da oração é que a oração é
O estudo da Torá desse tipo era toda a ocupação dos Tanaim e dos Amoraim. O Talmud registra que Rav Yehudá rezava somente uma vez a cada trinta dias (Rosh HaShanah 35a); o Alter Rebe agora explica como a Torá e a oração se relacionam.
כמו עד״מ [על דרך משל] הקדמה והכנה לעסק התורה שהתפלה היא להתבונן בגדולת א״ס [אין סוף] ב״ה איך שלגדולתו אין חקר3 ואיך שכל השתלשלות העולמות מריש כל דרגין עד סוף כל דרגין מקור התהוותם וחיותם הוא
como, por meio de uma analogia, um prefácio e uma preparação para a ocupação com a Torá. Pois a oração consiste em contemplar a grandeza do Infinito (Ein Sof), bendito seja Ele: como “Sua grandeza é insondável” e como toda a cadeia descendente dos mundos (hishtalshelut), desde o início de todos os níveis até o fim de todos os níveis, tem como fonte de sua existência e de sua força vital
A oração é o prefácio e a preparação para o estudo da Torá. Sua essência é a contemplação da grandeza infinita de D'us (“Sua grandeza é insondável”, Salmos 145:3) e de como todos os mundos, do nível mais elevado ao mais baixo, passam a existir e vivem de um único fulgor de Sua luz.
רק מהארה אחת לבד שהיא רק עד״מ [על דרך משל] כטפה נגד הים ויותר מזה אין ערוך כו׳,
somente de um único fulgor, que, por meio de uma analogia, é apenas como uma gota em comparação com o mar; e, além disso, [não há comparação], etc.;
Esse fulgor é para Ele como uma gota em comparação com o mar; e mesmo essa analogia é insuficiente, pois, na verdade, não há comparação alguma.
ולכן כל הקרוב יותר קמי׳ [קמיה] ית׳ הוא יותר בבחי׳ ביטול מפני דקמיה דייקא כולא כלא חשיב ולית מחשבה תפיסא ביה כלל.
e, portanto, tudo o que está mais próximo diante Dele, bendito seja, encontra-se em maior estado de autoanulação (bitul), pois é especificamente “diante Dele” que “tudo é considerado como nada”, e “nenhum pensamento pode apreendê-Lo de modo algum”.
Assim, quanto mais próximo de D'us está um nível, mais ele se anula (bitul) diante Dele, pois é precisamente “diante Dele” que “tudo é considerado como nada”, e nenhum pensamento pode apreendê-Lo de modo algum.
O parágrafo começa a explicar como o estudo da Torá eleva a alma a níveis tão elevados: a oração é a preparação, uma contemplação da grandeza infinita de D'us, diante da qual todos os mundos equivalem a uma única gota; por isso, tudo o que está mais próximo Dele se anula mais diante Dele.
O Tsemach Tsedek (Derech Mitzvosecha 103a, citado nas notas) acrescenta que Rabi Chiya bar Abba também revia seu estudo a cada trinta dias (Berachos 38b).
Marei mekomot
- 1ור״י הי׳ מצלי מתלתין יום · Rosh Hashanah 35a:8–9
- 2ענין התורה והתפלה · נתבאר בסה״מ תרל״ה-א ע׳ רכז ואילך.
- 3לגדולתו אין חקר · Psalms 145:3
Torá, fala e milagres ¶9–15
9ומהתבוננות זו יומשך הדאגה והמרירות ע״ד [על דרך] משארז״ל [מה שאמרו רבותינו זכרונם לברכה] אין מוסרין רזי תורה1 אלא למי שלבו דואג בקרבו. דבודאי אין ר״ל [רוצה לומר] עצבות ח״ו [חס ושלום] שהעצבות הרחיקו מאד חכמי האמת.23
Desta contemplação decorrerão preocupação e amargura, conforme o que disseram nossos Sábios, de abençoada memória: “Os segredos da Torá são transmitidos somente a quem tem o coração preocupado dentro de si.” Certamente isso não significa tristeza, D'us não o permita, pois os mestres da verdade mantiveram-se muito afastados da tristeza.
A contemplação durante a oração traz preocupação e amargura, e o Talmud (Chagigá 13a) estabelece como condição um coração assim: os mistérios da Torá são transmitidos somente a quem “tem o coração preocupado dentro de si”. O Alter Rebe enfatiza que isso não é tristeza, que os cabalistas, “os mestres da verdade”, rejeitaram por completo.
אלא ר״ל [רוצה לומר] מה שידאוג לבו ויתמרמר ממה שא״א [שאי אפשר] להשיג גילוי עצמיות אלקותו ית׳ כי גם הגילוי שבעולמות עליונים הוא רק כטפה א׳ לבד כו׳
Antes, significa que seu coração ficará preocupado e amargurado por ser impossível alcançar uma revelação da essência de Sua divindade, bendito seja Ele; pois até mesmo a revelação nos mundos superiores é apenas como uma única gota, etc.,
A preocupação é um anseio: o coração sofre por não poder alcançar uma revelação da própria essência de D'us, pois até toda a revelação nos mundos superiores é apenas uma gota em comparação com Ele.
כנ״ל. משא״כ בחי׳ א״ס [אין סוף] ב״ה ממש לית מחשבה תפיסא ביה כלל. וכ״ז [וכל זה] הוא ענין התפלה.
como mencionado acima; em contrapartida, o próprio Infinito (Ein Sof), bendito seja Ele, está além de toda apreensão do pensamento. Tudo isso constitui o assunto da oração.
O próprio Infinito está além de qualquer pensamento. Contemplar isso, juntamente com a amargura que daí decorre, é o serviço da oração.
וכמ״ש מזה בד״ה והיה מדי חדש בחדשו45 כו׳ בפי׳ וענין חולת אהבה. והנה בעסק התורה נאמר פקודי הוי׳ ישרים משמחי לב.
Como se explica a esse respeito no discurso que começa com “E acontecerá que, de uma Lua Nova à outra”, etc., na explicação do sentido de “enferma de amor”. Ora, a respeito da ocupação com a Torá, está dito: “Os preceitos de D'us são retos, alegrando o coração.”
O Alter Rebe remete ao seu discurso sobre “de uma Lua Nova à outra” (Isaías 66:23), que descreve a Comunidade de Israel nos dias da semana como “enferma de amor”, ansiando por D'us. Em contraste, o estudo da Torá é descrito pelo versículo “Os preceitos de D'us são retos, alegrando o coração” (Salmos 19:9).
(ועמ״ש בד״ה צו כו׳ את קרבני6 בפ׳ פנחס) ומדקאמר משמחי משמע שמתחלה לא היה כן והיינו מפני שלבו דואג בקרבו ע״ד [על דרך] הנ״ל.
(Veja também o que está escrito no discurso que começa com “Ordena… Minha oferenda”, na parashá de Pinchas.) E, como diz “alegrando”, entende-se que antes não era assim, isto é, porque seu coração está preocupado dentro de si, conforme mencionado acima.
“Alegrando” implica que antes o coração não estava alegre: ele chegava ao estudo da Torá preocupado e amargurado pela contemplação da oração. O parêntese remete ao discurso “Ordena… Minha oferenda”, em Likkutei Torah, Pinchas.
ואעפ״כ [ואף על פי כן] ע״י עסק התורה ישמח לבו והיינו כי אע״ג [אף על גב] דלגדולתו אין חקר7 ולית מחשבה תפיסא ביה כלל.
Apesar disso, por meio da ocupação com a Torá, seu coração se alegrará. Isso porque, embora “Sua grandeza seja insondável” e “nenhum pensamento possa apreendê-Lo de modo algum”,
Ainda assim, o estudo da Torá alegra esse mesmo coração, embora a grandeza de D'us seja insondável e nenhum pensamento possa apreendê-Lo.
אבל ע״י עסק התורה שהנפש היא תפיסא בה אזי עי״ז היא תפיסא ומתלבשת בהקב״ה [בהקדוש ברוך הוא] ממש דאורייתא וקב״ה [וקודשא בריך הוא] כולא חד89 וכמ״ש בבינונים ח״א [חלק א׳] פ׳ ד׳ ה׳ ע״ש [עיין שם].1011
pela ocupação com a Torá, que a alma de fato apreende, ela, por meio disso, apreende e se reveste do próprio Santo, bendito seja Ele; pois “a Torá e o Santo, bendito seja Ele, são inteiramente um”, como está escrito em [Sefer Shel] Beinonim, Parte I, capítulos 4 [e] 5; veja lá.
A razão é que a alma pode apreender a Torá e, como a Torá e D'us são um, ao apreender a Torá ela apreende e se reveste do próprio D'us. Tanya, capítulos 4 e 5, explica como a mente que apreende um ensinamento da Torá se une à vontade e à sabedoria de D'us.
O parágrafo contrapõe a oração e a Torá: a contemplação, na oração, da infinitude de D'us deixa o coração preocupado e cheio de anseio, enquanto o estudo da Torá o alegra, pois a Torá, que a alma pode apreender, é uma com D'us; assim, por meio dela, a alma O apreende de fato.
No discurso citado de V’Zos HaBerachah (97b), o estado de “enferma de amor” durante os dias da semana é comparado ao de um aldeão tomado de reverência pela grandeza do rei por ser algo novo para ele; o Shabat, por sua vez, é como a experiência do morador da cidade, para quem isso não é novidade e que simplesmente se deleita com o esplendor da glória do rei.
Marei mekomot
- 1אין מוסרין רזי תורה · Chagigah 13a:6
- 2שהעצבות הרחיקו מאד חכמי האמת · ראה אגה״ק סי׳ יא.
- 3שהעצבות הרחיקו מאד חכמי האמת · Tanya, Iggeres HaKodesh 11:4
- 4בד״ה והי׳ מידי חדש בחדשו · לקו״ת ברכה צז, ב.
- 5והיה מדי חדש בחדשו · Isaiah 66:23
- 6צו כו׳ את קרבני · Numbers 28:2
- 7לגדולתו אין חקר · Psalms 145:3
- 8דאורייתא וקוב״ה כולא חד · Zohar I, 24a
- 9דאורייתא וקב״ה כולא חד · Tanya, Likkutei Amarim 4:5
- 10פקודי ה׳ ישרים · Psalms 19:9
- 11בד״ה צו . . בפ׳ פנחס · לקו״ת פנחס עח, ב.
10ועמ״ש מזה בפ׳ אחרי ע״פ כי ביום הזה יכפר12 כו׳. וזהו ענין ישראל מתקשראן באורייתא3 ואורייתא בקוב״ה [בקודשא בריך הוא]
Veja o que está escrito sobre isso na parashá Acharei, acerca do versículo “Pois neste dia ele fará expiação”, etc. E este é o significado de “Israel está ligado à Torá, e a Torá ao Santo, bendito seja Ele”:
O Alter Rebe refere-se ao seu discurso sobre “Pois neste dia ele fará expiação” (Levítico 16:30). A Torá liga o judeu a D'us, como diz o Zohar: Israel está ligado à Torá, e a Torá ao Santo, bendito seja Ele.
וכמו הקשר שמחבר שני דברים נפרדים להיות קשורים ומיוחדים יחד בקשר אמיץ וחזק כמו ונפש יהונתן נקשרה4 בנפש דוד.
como um nó, que une duas coisas separadas, de modo que fiquem atadas e unidas por um vínculo firme e forte, como em “E a alma de Yehonatan se ligou à alma de David”.
Um nó une firmemente duas coisas separadas, como o vínculo entre as almas de Yehonatan e David (I Samuel 18:1). Assim, a Torá ata a alma a D'us.
והנה מצות הקריאה בדבור בד״ת [בדברי תורה] הוא כי הנה מבואר בס״י [בספר יצירה] שעשר ספירות בלי מה5 כשלהבת קשורה בגחלת6 ועד״מ [ועל דרך משל] השלהבת כשהיא בתוך הגחלת היא בבחי׳ העלם
Ora, [a razão da] mitzvá de ler em voz alta, com palavras, as palavras da Torá é a seguinte. É explicado no Sefer Yetzirah que “as dez Sefirot sem substância (beli mah) são como uma chama ligada a uma brasa”. A título de analogia, enquanto está dentro da brasa, a chama encontra-se num estado de ocultação
Agora o maamar explica por que a Torá deve ser pronunciada em voz alta. Sefer Yetzirah (1:7) compara as dez Sefirot a “uma chama ligada a uma brasa”: a chama dentro de uma brasa incandescente está presente, mas oculta.
(ועמ״ש סד״ה כי ביום הזה יכפר7 בענין בחי׳ צור עליון צור חיינו שהוא מקור ההויות כו׳) וכדי להמשיך השלהבת מההעלם אל הגילוי הוא ע״י רוח הנופח בכח.8
(veja o que está escrito ao final do discurso iniciado com “Pois neste dia ele fará expiação”, a respeito do nível da Rocha Suprema, “a Rocha de nossas vidas”, que é a fonte de tudo o que vem a existir, etc.); e fazer a chama sair da ocultação e passar à revelação é realizado por meio de um sopro (ruach) que sopra com força.
O trecho entre parênteses refere-se ao discurso sobre Yom Kipur a respeito da Rocha Suprema, fonte de toda existência. Soprar com força sobre uma brasa é o que faz a chama oculta sair e se revelar.
וכך עד״מ [על דרך משל] ע״י הבל פה של המדבר ד״ת [דברי תורה] שהוא בחי׳ לרוח ממללא910 עי״ז ממשיך אור התורה ממקורה מההעלם אל הגילוי
Da mesma forma, a título de analogia, por meio do sopro da boca de quem pronuncia palavras da Torá, que corresponde ao nível de “espírito que fala” (ruach memalela), ele faz a luz da Torá ser atraída de sua fonte, da ocultação para a revelação
Do mesmo modo, o sopro de quem pronuncia palavras da Torá — o “espírito que fala” que Onkelos diz que D'us deu ao homem (Gênesis 2:7) — faz a luz da Torá sair de sua fonte oculta e passar à revelação.
(ועיין באגה״ק [באגרת הקודש] סד״ה ויעש דוד שם גבי ובאורייתא מתקיים עלמא כו׳ כי בדבורם ממשיכים כו׳).
(veja Igueret HaKodesh, ao final da seção iniciada com “E David fez um nome”, a respeito de “e por meio da Torá o mundo é sustentado”, etc.: pois, por meio de sua fala, eles fazem descer, etc.).
O trecho entre parênteses cita Igueret HaKodesh sobre “por meio da Torá o mundo é sustentado”: aqueles que estudam fazem descer luz divina por meio de sua fala.
וזהו שמברכים נותן התורה לשון הוה.11 כי רוח שרשו גבוה מאד כמ״ש עד יערה עלינו רוח ממרום,12 וכמ״ש בס״י [בספר יצירה] עשר ספירות כו׳
É por isso que abençoamos [D'us como] “Aquele que dá a Torá”, no tempo presente. Pois a raiz do ruach (sopro) é muito elevada, como está escrito: “até que um espírito (ruach) seja derramado sobre nós do alto”; e como está escrito no Sefer Yetzirah: “as dez Sefirot”, etc.,
É por isso que a bênção sobre a Torá diz “Aquele que dá a Torá”, no tempo presente: a entrega prossegue sempre que a Torá é pronunciada. O ruach (sopro, espírito) tem uma raiz muito elevada, como em “até que um espírito seja derramado sobre nós do alto” (Isaías 32:15).
כשלהבת קשורה בגחלת כו׳ אחת רוח אלקים חיים13 כו׳ שע״י הרוח נמשך אח״כ [אחר כך] גם בחי׳ אש שהוא גילוי בחי׳ השלהבת כו׳ ע״ש [עיין שם].
“como uma chama ligada a uma brasa”, etc., “Um: o espírito do D'us vivo”, etc.; pois, por meio do espírito, também é atraído depois o nível do fogo, que é a revelação do nível da chama, etc.; veja lá.
No Sefer Yetzirah, depois de comparar as Sefirot a uma chama ligada a uma brasa, o primeiro dos elementos é “o espírito do D'us vivo” (1:9), e o fogo vem em seguida: o espírito faz surgir o fogo, a chama revelada. Assim, o sopro da fala revela a luz oculta na Torá.
O parágrafo explica por que a Torá deve ser estudada em voz alta: a Torá liga Israel a D'us como um nó; e, assim como o sopro sobre uma brasa faz surgir sua chama oculta, o sopro da fala faz a luz da Torá passar da ocultação à revelação. Por isso, abençoamos D'us como Aquele que “dá” a Torá, no tempo presente.
O Rebe Rashab (Hemshech 5672, citado nas notas) resume a ideia: “isto é, o sopro da fala faz a luz da Torá sair da ocultação e passar à revelação”. Em Likkutei Torah, Sukkos (81c), o Alter Rebe relaciona a bênção no tempo presente a “E pus Minhas palavras em tua boca”: D'us dá a Torá todos os dias, e quem estuda é como alguém que apenas responde depois do que o próprio D'us diz.
Marei mekomot
- 1ע״פ כי ביום הזה יכפר · לקמן כה, ג.
- 2כי ביום הזה יכפר · Leviticus 16:30
- 3ישראל מתקשראן באורייתא · Zohar III, 73a
- 4ונפש יהונתן נקשרה · I Samuel 18:1
- 5ע״ס בלי מה · ס״י פ״א, מ״ז. ראה גם באוה״ת פ׳ פינחס ע׳ א׳קמז.
- 6עשר ספירות בלי מה כשלהבת קשורה בגחלת · Sefer Yetzirah 1:7
- 7סד״ה כי ביום הזה יכפר · לקמן כו, ג.
- 8והנה מצות הקריאה בדבור בד״ת . . ע״י רוח הנופח בכח · ”והיינו דרוח הדבור מוציא אור התורה מהעלם לגילוי כו׳” — המשך תער״ב ח״ג ע׳ א׳תו.
- 9לרוח ממללא · Genesis 2:7
- 10לרוח ממללא · Onkelos Genesis 2:7
- 11נותן התורה לשון הוה · ראה לקמן סוכות פא, ג. סה״מ תר״ל ע׳ ריא.
- 12עד יערה עלינו רוח ממרום · Isaiah 32:15
- 13אחת רוח אלקים חיים · Sefer Yetzirah 1:9
11ועמ״ש סד״ה ביום השמע״צ [השמיני עצרת]1 גבי ואשים דברי בפיך2 כו׳ מוצא פי3 ה׳ כו׳ ועמ״ש סד״ה ענין ק״ש [קריאת שמע] בפי׳ קורא בתורה.4 אך רוח זה הכל לפי מה שהוא אדם.
Veja o que está escrito no final do discurso que começa com “No oitavo dia, Atzeret”, a respeito de “E pus Minhas palavras em tua boca” etc. [e] “o que sai da boca de D'us” etc.; e veja o que está escrito no final do discurso que começa com “O significado da recitação do Shemá”, sobre o sentido de “aquele que lê na Torá”. Contudo, esse sopro (ruach) depende inteiramente de quem é a pessoa.
Referências adicionais: o discurso de Shemini Atzeret sobre “E pus Minhas palavras em tua boca” (Isaías 51:16) e “o que sai da boca de D'us” (Deuteronômio 8:3), e o discurso sobre o Shemá, acerca de “aquele que lê na Torá”. A medida da luz que o sopro da fala faz surgir depende, porém, de quem está falando.
והתנאים ואמוראים5 שהיו מבחי׳ מוחין דגדלות היה בכחם להמשיך בדיבורם בחי׳ גילוי אור התורה והשלהבת כו׳ שהוא בחי׳ שם הוי׳ כמ״ש כי הוי׳ אלקיך אש אוכלה הוא.6
E os Tanaim e Amoraim, que pertenciam ao nível do intelecto amadurecido (mochin de gadlut), tinham o poder de atrair, por meio de sua fala, a revelação da luz da Torá e da chama etc., que é o nível do Nome Havayá, como está escrito: “Pois Havayá, teu D'us, é um fogo consumidor.”
Os Tanaim e Amoraim, cujo intelecto estava no nível de “intelecto amadurecido” (mochin de gadlut), podiam fazer surgir, por meio de sua fala, a própria chama da Torá, o Nome Havayá, sobre o qual está dito: “Havayá, teu D'us, é um fogo consumidor” (Deuteronômio 4:24).
O poder da Torá falada depende de quem fala; os Sábios da Mishná e do Talmud, com seu intelecto amadurecido, revelavam por meio de suas palavras o “fogo” da Torá, o próprio Nome Havayá.
Marei mekomot
- 1סד״ה ביום השמע״צ · לקו״ת שמע״צ פד, ב.
- 2ואשים דברי בפיך · Isaiah 51:16
- 3מוצא פי ה׳ · Deuteronomy 8:3
- 4סד״ה ענין ק״ש בפי׳ קורא בתורה · לקו״ת ואתחנן יב, ג.
- 5והתנאים ואמוראים · ראה אוה״ת בראשית קכט, ב.
- 6כי ה״א אש אוכלה הוא · Deuteronomy 4:24
12וע״כ [ועל כן] היו יכולים לעשות נסים ומופתים גדולים. וזהו דאמר רפב״י [רבי פנחס בן יאיר]1 גינאי חלוק לי מימיך. והיינו כי ים ויבשה הוא עלמא דאתכסיא ועלמא דאתגליא והיינו ההעלם והגילוי שבסדר ההשתלשלות.
Portanto, eles podiam realizar grandes milagres e prodígios. Este é [o sentido de] o que disse Rabi Pinchas ben Yair: “Ginai, divide tuas águas para mim.” Isto é: o mar e a terra seca são o mundo oculto (alma de’iskasya) e o mundo revelado (alma de’isgalya), isto é, o ocultamento e a revelação dentro da ordem da cadeia descendente dos mundos (hishtalshelut).
É assim que os Sábios podiam realizar milagres, e o rio Ginai mostra como. Na Cabalá, o mar e a terra seca representam o mundo oculto (alma de’iskasya) e o mundo revelado (alma de’isgalya), os níveis oculto e revelado dentro da cadeia descendente.
אבל גילוי אור א״ס [אין סוף] שנמשך ע״י התורה הוא מלמעלה מסדר ההשתלשלות וקמי׳ [וקמיה] שוין ההעלם והגילוי שבהשתלשלות העולמות כו׳ שהוא בחי׳ למקצה השמים ועד קצה2 כו׳.
Mas a revelação da Luz Infinita (Or Ein Sof), que é atraída por meio da Torá, vem de acima da ordem da hishtalshelut; diante dela, o ocultamento e a revelação na cadeia dos mundos são iguais, etc. Esta é a qualidade de “de uma extremidade dos céus até a outra extremidade”, etc.
A Luz Infinita que a Torá atrai vem de acima de toda a cadeia, e diante dela o oculto e o revelado são iguais. Este é o nível que o versículo chama de “de uma extremidade dos céus até a outra” (Deuteronômio 4:32).
O parágrafo explica os milagres dos Sábios: a luz que a Torá deles atraía vinha de acima da ordem dos mundos, onde o “mar” oculto e a “terra seca” revelada são iguais; assim, por sua palavra, um rio podia se transformar em terra seca.
A nota da Kehot cita dois maamarim do Rebe (Shir HaMaalos 5722 e Padah VeShalom 5726), que encontram dois aspectos na história: uma mudança e inovação no rio que não existiam nem mesmo em sua raiz e fonte, refletindo a qualidade da oração; e o fato de que a mudança ocorreu por meio da ordem de Rabi Pinchas ben Yair, refletindo a qualidade da bênção.
Marei mekomot
- 1וזהו דאמר רפב״י · Chullin 7a:2–3
- 2למקצה השמים ועד קצה · Deuteronomy 4:32
Como está escrito no Zohar, Parashat Terumá, final de 137a: “O limite dos céus: este é o mundo superior”; ele é o nível do mundo oculto, etc.
O Zohar (2:137a) interpreta “o limite dos céus” como “o mundo superior”, que é o mundo oculto: mesmo o domínio oculto tem um “limite”, uma fronteira.
משא״כ אור א״ס [אין סוף] ב״ה אין שייך בו בחי׳ קצה ח״ו [חס ושלום] שאינו בבחי׳ גבול ח״ו [חס ושלום]. ולכן ע״י המשכת האור שע״י התורה פעל שהנהר חלק לו מימיו כו׳
Ao contrário, em relação à Luz Infinita (Or Ein Sof), bendito seja Ele, a noção de um “limite” não se aplica, D'us não o permita, pois ela não é limitada, D'us não o permita. Portanto, por meio da extensão da luz que vem através da Torá, ele fez com que o rio dividisse suas águas para ele, etc.,
A Luz Infinita não tem nenhum “limite”. Assim, a luz estendida por meio da Torá pôde fazer com que o rio se dividisse.
כענין הפך ים ליבשה2 שעלמא דאתכסיא ועלמא דאתגליא שוין נגד המשכה זו שמלמעלה מסדר ההשתלשלות וכמ״ש במ״א ע״פ
como em “Ele transformou o mar em terra seca”: pois o mundo oculto e o mundo revelado são iguais em relação a essa extensão, que vem de acima da ordem da cadeia descendente dos mundos (hishtalshelut); como é explicado em outro lugar sobre o versículo
Como em “Ele transformou o mar em terra seca” (Salmos 66:6): diante dessa luz, que está acima da ordem dos mundos, o oculto e o revelado são iguais, e assim o mar pode se tornar terra.
כי טובים דודיך מיין3 כו׳ (ועמ״ש סד״ה ואלה שמות4 ובד״ה באתי לגני56 בענין עמקו מחשבותיך7 ובד״ה ואהיה אצלו אמון8 בענין זמירות היו לי חקיך9 כו׳).13
“Pois o teu amor é melhor do que o vinho”, etc. (Veja o que está escrito no final do discurso que começa com “E estes são os nomes”, e no discurso que começa com “Vim ao Meu jardim”, sobre “Teus pensamentos são muito profundos”, e no discurso que começa com “E eu estava com Ele como um amon”, sobre “Teus estatutos foram cânticos para mim”, etc.)
O Alter Rebe faz referência a seus discursos sobre “Pois o teu amor é melhor do que o vinho” (Cântico dos Cânticos 1:2), “E estes são os nomes”, “Vim ao Meu jardim” (sobre “Teus pensamentos são muito profundos”) e “E eu estava com Ele como um amon” (sobre “Teus estatutos foram cânticos para mim”).
והנה הנשמות האלו הם הזוכים ללמוד במתיבתא דרקיע כי הנה התורה ישנה ג״כ באצי׳ [באצילות] ובבי״ע [ובבריאה יצירה עשיה]
Ora, essas almas são as que merecem estudar na Academia do Firmamento. Pois a Torá existe também no Mundo de Atsilut (Emanação) e em Beriá, Yetsirá e Assiá,
O maamar retorna à Academia: as almas que estendem essa luz por meio da Torá são as que estudam na Academia do Firmamento. A Torá existe não apenas neste mundo, mas em todos os mundos, de Atsilut até Beriá, Yetsirá e Assiá.
כמו עד״מ [על דרך משל] מצות ציצית שהיא מצמר הכבשים וענין זה באצי׳ [באצילות]10 היינו כמ״ש והכשבים הפריד יעקב11 וכתיב ושער רישי׳ [רישיה] כעמר נקא12 וכמ״ש במ״א, וכן ד׳ פרשיות דתפילין הם באצי׳ [באצילות] ד׳ מוחין כו׳
como, por exemplo, a mitsvá de tsitsit, que é feita da lã das ovelhas; e esse assunto em Atsilut corresponde ao que está escrito: “E Yaakov separou os cordeiros”; e também está escrito: “e os cabelos de Sua cabeça eram como lã limpa”, como é explicado em outro lugar. Do mesmo modo, as quatro seções dos tefilin são, em Atsilut, os quatro mochin, etc.,
Os tsitsit são feitos de lã de ovelha; em Atsilut, isso corresponde aos “cordeiros” que Yaakov separou (Gênesis 30:40) e aos “cabelos como lã limpa” do Ancião dos Dias (Daniel 7:9). As quatro seções dos tefilin correspondem em Atsilut aos quatro mochin: Chochmá, Biná e os dois aspectos de Daat.
וקשר של תפלין שהוא ד׳ הוא למעלה בחי׳ חיצוניות מל׳ [מלכות] דתבונה והוא שכמו למטה הרצועות עושין מעור החיצון. משא״כ הקלף שכותבין עליו הפרשיות נעשה ע״י גרירה ותיקון של העור כו׳.
e o nó dos tefilin, que tem a forma da letra dalet, é, no Alto, o nível da dimensão exterior (chitsoniyut) de Malchut de Tevuná. É como ocorre abaixo: as correias são feitas da camada exterior do couro, ao passo que o pergaminho sobre o qual se escrevem as seções é feito raspando e preparando o couro, etc.
O nó dos tefilin da cabeça, com a forma da letra dalet, corresponde acima à dimensão exterior de Malchut de Tevuná, um aspecto inferior de Biná. Também abaixo, as correias são feitas da camada exterior do couro, enquanto o pergaminho das seções é feito raspando e refinando a pele.
O parágrafo conclui a explicação do milagre — diante da Luz Infinita, o oculto e o revelado são iguais — e retorna à Academia: essas almas estudam a Torá tal como ela existe em Atsilut, onde cada mitsvá tem uma contrapartida superior, como demonstram os tsitsit e os tefilin.
Em Likkutei Torah, Emor (39a), citado na nota, o Alter Rebe explica “E Yaakov separou os cordeiros”: Yaakov, a barra central, estende de Kéter e Chochmá para Zeir Anpin; “separou” significa que ele estendeu isso ao mundo da separação, de modo que a autoanulação superior também alcance os mundos inferiores.
Marei mekomot
- 1קצה השמים דא עלמא עילאה · Zohar, Terumah 16:192–202
- 2הפך ים ליבשה · Psalms 66:6
- 3כי טובים דודיך מיין · Song of Songs 1:2
- 4סד״ה ואלה שמות · אולי הכוונה לתו״א נב, ד ואילך.
- 5ובד״ה באתי לגני · לקו״ת שה״ש לא, ד ואילך.
- 6באתי לגני · Song of Songs 5:1
- 7עמקו מחשבותיך · Psalms 92:6
- 8ואהיה אצלו אמון · Proverbs 8:30
- 9זמירות היו לי חקיך · Psalms 119:54
- 10וענין זה באצי׳ · ראה אוה״ת ויקרא-ב ע׳ תקצא ואילך.
- 11והכשבים הפריד יעקב · Genesis 30:40
- 12ושער רישי׳ כעמר נקא · Daniel 7:9
- 13ובד״ה ואהי׳ אצלו אמון · לקו״ת במדבר יז, ד.
14וכך למעלה הקשר היא בחי׳ הלבוש החיצון שבמל׳ [שבמלכות] דתבונה שהיא בחי׳ לבוש המחשבה. ויש כמה בחי׳ בלבושים דמחשבה1 עד״מ [על דרך משל] באדם כשמחשבתו היא בדבר חכמה בחכמה אלקית
Assim também acima, o nó é o nível do revestimento exterior de Malchut (soberania) de Tevuná, que é o nível do revestimento do pensamento. Há vários níveis nos revestimentos do pensamento. A título de analogia, no ser humano: quando seu pensamento se ocupa de um assunto de sabedoria, de sabedoria divina,
Acima, o nó é o revestimento exterior de Malchut de Tevuná, chamado “revestimento do pensamento”. Para explicar isso, o Alter Rebe volta-se aos revestimentos do pensamento no ser humano, que variam conforme aquilo em que se pensa.
שהיא התורה ה״ז [הרי זה] בחי׳ לבוש פנימי שבמחשבה שנפשו מלובשת במחשבה זו שהיא מאד נעלה, ופעמים חושב חכמות אחרים הנצרכים לחכמת התורה2
que é a Torá, isso constitui o nível de um revestimento interior do pensamento, pois sua alma está revestida nesse pensamento, que é muito elevado. Às vezes, ele pensa em outros ramos da sabedoria necessários à sabedoria da Torá,
Pensar na sabedoria divina, a Torá, é o revestimento interior do pensamento, no qual a alma está revestida de algo muito elevado. Pensar em outros ramos do conhecimento de que a Torá necessita é um revestimento inferior.
כמו תכונה או דקדוק וכה״ג [וכהאי גוונא] והם לבושים בינונים ופעמים חושב בענינים גשמיים שהם לבושים גסים שבמחשבה כו׳.
como astronomia ou gramática e coisas semelhantes; estes são revestimentos intermediários. E, às vezes, pensa em assuntos materiais, que são os revestimentos grosseiros do pensamento, etc.
A astronomia e a gramática, que servem à Torá, são revestimentos intermediários; pensamentos sobre assuntos materiais são os revestimentos grosseiros, mais exteriores, do pensamento.
O parágrafo explica o “revestimento exterior” do pensamento por meio de uma analogia: o pensamento de uma pessoa tem revestimentos interiores, intermediários e grosseiros, conforme se ocupe da Torá, de conhecimentos que servem à Torá ou de assuntos materiais.
Tanya, no final do capítulo 8 (citado na nota), afirma que outros ramos da sabedoria são permitidos quando usados como instrumento para ganhar o sustento a fim de servir a D'us, ou quando se sabe empregá-los no serviço de D'us ou em Sua Torá; por isso, Rambam e Ramban se dedicaram a eles.
Marei mekomot
- 1ויש כמה בחי׳ בלבושים דמחשבה · ראה אמרי בינה שער הק״ש פל״א ואילך. לקו״ש ח״ז ע׳ 310.
- 2חכמות אחרים הנצרכים לחכמת התורה · Tanya, Likkutei Amarim 8:9–10
15וכמ״כ [וכמו כן] עד״ז [על דרך זה] יובן למעלה שבמל׳ [שבמלכות] דתבונה יש ג׳ עורות פנימי׳ [פנימיות / פנימית] אמצעי׳ וחיצוניות. והיינו ג׳ בחי׳ לבושים לאור הבינה
Da mesma forma, compreender-se-á o que ocorre no Alto: em Malchut de Tevuná há três peles — interior, intermediária e exterior —, isto é, três níveis de vestimentas para a luz de Biná,
A mesma estrutura existe no Alto: Malchut de Tevuná, o aspecto inferior de Biná, possui três “peles” — interior, intermediária e exterior —, que são três vestimentas para a luz de Biná.
וכמו שבמחשבה יש ג״כ בחי׳ מחדומ״ע [מחשבה דיבור ומעשה] כמ״ש במ״א ובחי׳ לבוש החיצון זהו הנק׳ קשר של ד׳ שבתפלין שהוא עד״מ [על דרך משל] עור החיצון כו׳ והוא בחי׳ לבוש החשמ״ל1 שמחיצוניות בינה כו׳.
assim como também no pensamento há os níveis de pensamento, fala e ação, conforme explicado em outro lugar. E o nível da vestimenta exterior é o que se chama o nó em forma de dalet dos tefilin, que, por analogia, é a pele exterior, etc.; e é o nível da vestimenta do Chashmal, que provém da dimensão exterior (chitsoniyut) de Biná, etc.
Isso corresponde ao pensamento de uma pessoa, que também possui aspectos de pensamento, fala e ação. A vestimenta mais exterior é o nó dos tefilin da cabeça, a “pele exterior”; em termos cabalísticos, é a vestimenta chamada Chashmal, palavra da visão de Yechezkel, que provém da dimensão exterior de Biná.
והנה אמרז״ל [אמרו רבותינו זכרונם לברכה] אשרי מי שבא לכאן2 ותלמודו בידו (ועמ״ש בפי׳ ענין זה ע״פ כי תבואו3 אל הארץ4 בפ׳ בהר) שעי״ז זוכה ללמוד ג״כ בג״ע [בגן עדן] מהו ענין ציצית ותפילין באצילות כו׳ וכן בכל המצות.
Ora, nossos Sábios, de abençoada memória, disseram: “Feliz daquele que chega aqui com seu estudo na mão” (e veja o que está escrito sobre o significado disso no versículo “Quando chegardes à terra”, na Parashat Behar): por meio disso, ele merece também estudar no Gan Éden o que são tsitsit e tefilin em Atsilut, etc., e assim também todas as mitsvot.
Os Sábios disseram: “Feliz daquele que chega aqui com seu estudo na mão” (Pesachim 50a). O Alter Rebe explica que quem estudou neste mundo as leis de tsitsit e tefilin merece estudar no Gan Éden o que eles são em Atsilut, e o mesmo se aplica a cada mitsvá; ele remete ao seu maamar sobre “Quando chegardes à terra” (Likkutei Torah, Behar).
אך יש כמה מקומות למעלה שלומדים שם וכמ״ש בזהר ועמ״ש בפ׳ מקץ בד״ה מזוזה מימין5 ונ״ח משמאל6 בענין וידבר שלשת אלפים משל7 כו׳ ומתיבתא דרקיע הם הנשמות שבג״ע [שבגן עדן] העליון אשר שם מאיר חב״ד [חכמה בינה ודעת] דאצילות כנ״ל:
No entanto, há vários lugares no Alto onde se estuda, conforme está escrito no Zohar; e veja o que está escrito na Parashat Mikêts, no maamar que começa “A mezuzá à direita e a lâmpada de Chanucá à esquerda”, sobre “E ele proferiu três mil parábolas”, etc. E a Academia Celestial são as almas no Gan Éden Superior, onde brilham Chochmá, Biná e Daat do Mundo de Atsilut, como mencionado acima.
Há vários lugares de estudo no Alto, conforme descrito pelo Zohar. A Academia Celestial são as almas do Gan Éden Superior, onde brilham Chochmá, Biná e Daat de Atsilut; o Alter Rebe também remete ao seu maamar de Chanucá em Torah Ohr, sobre as “três mil parábolas” de Shlomo (I Kings 5:12).
O parágrafo conclui o exemplo dos tefilin — o nó é a vestimenta exterior de Biná, o Chashmal — e explica que quem estudou as mitsvot neste mundo aprende seu significado sublime no Gan Éden; a Academia Celestial é o Gan Éden Superior, iluminado por Chochmá, Biná e Daat de Atsilut.
No maamar de Torah Ohr citado (Mikeitz 42b), a mezuzá, colocada à direita, representa uma elevação de baixo para cima, como as mitsvot, enquanto a lâmpada de Chanucá, à esquerda, representa a descida da luz da Torá, pois os gregos procuraram fazer Israel esquecer a Torá.
Marei mekomot
- 1לבוש החשמ״ל · ראה תו״א יב, ד. סה״מ תקס״ב ע׳ רנג ואילך. אוה״ת ויקרא נז.
- 2אשרי מי שבא לכאן · Pesachim 50a:7–8
- 3ע״פ כי תבואו · לקו״ת בהר מ, ד.
- 4כי תבואו אל הארץ · Leviticus 25:2
- 5בד״ה מזוזה מימין · תו״א מב, ב.
- 6מזוזה מימין ונ״ח משמאל · Shabbat 22a:2
- 7וידבר שלשת אלפים משל · I Kings 5:12
A kelipat nogá de Atsilut e o Nome Havayá ¶16–22
16ג ומעתה נחזור לעניננו להבין ענין לימוד זה דבהרת איך שייך למעלה בג״ע [בגן עדן].1 אך הנה מתחלה צ״ל [צריך להיות / צריך לומר / צריך להבין] מה דאיתא בע״ח [בעץ חיים] שמ״ח ושמ״ט פ״ג [פרק ג׳] שקליפת נוגה דאצי׳ [דאצילות] היא טו״ר [טוב ורע] חציה טוב וחציה כלפי חוץ רע.
3. Agora voltemos ao nosso assunto, para compreender esta questão do estudo da bahéret: como ela se aplica no alto, no Gan Eden? Mas, primeiro, é preciso compreender o que consta em Etz Chaim, Shaar 48 e Shaar 49, capítulo 3: que a kelipat nogá de Atsilut é boa e má; metade dela é boa, e a metade voltada para fora é má.
A seção 3 retorna à questão principal: como as leis da bahéret, uma afecção física, podem ser estudadas no Gan Eden? Primeiro, apresenta-se uma dificuldade cabalística: o Etz Chaim do Arizal fala da kelipat nogá, a “casca luminosa”, até mesmo em Atsilut, metade dela boa e a metade voltada para fora má.
דלכאורה אין זה מובן כלל איך שייך כלל לומר קליפת נוגה דאצילות הלא נודע פי׳ אצי׳ [אצילות] שהוא בחי׳ אלקות כמבואר במ״א2 שהוא מלשון ויאצל מן הרוח3 דגבי משה.
Pois, aparentemente, isso não é compreensível de modo algum: como se pode sequer falar de uma kelipat nogá do Mundo de Atsilut (Emanação)? Sabe-se que o significado de Atsilut é o nível da Divindade, conforme explicado em outro lugar, e que a palavra deriva da expressão “e Ele retirou (vaya’etzel) do espírito”, dita a respeito de Moshê.
Isso é difícil de compreender, pois Atsilut significa a própria Divindade. A palavra deriva da expressão “e Ele retirou (vaya’etzel) do espírito” (Números 11:25), dita a respeito do espírito retirado de Moshê e transmitido aos anciãos — uma emanação que permanece próxima à sua fonte e unida a ela.
A seção 3 propõe explicar como as leis da bahéret se aplicam no Gan Eden e começa com uma dificuldade: como pode haver uma kelipá, metade dela má, em Atsilut, que é a própria Divindade?
Marei mekomot
- 1איך שייך למעלה בג״ע · ראה אוה״ת ויקרא-ב ע׳ תעג.
- 2שו״ה הלא — כמבואר במ״א · ראה תו״א יד, א.
- 3ויאצל מן הרוח · Numbers 11:25
17וא״כ [ואם כן] איך שייך לומר קליפות דאצי׳ [דאצילות]. ומכ״ש [ומכל שכן] ענין חציה רע. עוד צ״ל [צריך להיות / צריך לומר / צריך להבין] מה דאיתא בזהר1 ובע״ח [ובעץ חיים] שער לאה ורחל פ״ז [פרק ז׳]. שסיבת הנגעים הוא מחמת הסתלקות אור אבא.
Se assim é, como se pode falar de kelipot (cascas) de Atsilut? E, mais ainda: como pode haver nelas uma metade má? Também é preciso compreender o que está declarado no Zohar e em Etz Chaim, Shaar Leah and Rachel, capítulo 7: que a causa das aflições (nega’im) é a retirada da luz de Abá.
A dificuldade se torna ainda mais aguda: kelipot em Atsilut, e metade delas má! Surge uma segunda questão: o Zohar e o Arizal (Shaar Leah and Rachel, cap. 7) dizem que as aflições de tzara’at são causadas pela retirada da luz de Abá, isto é, de Chochmá.
וזהו דתרגום צרעת סגירותא23 שכאשר נעלם ונסגר אור אבא ואינו מאיר בז״א [בזעיר אנפין] אז נמשך ובא בחי׳ הנגע.
Por isso o Targum traduz tzara’at como segiruta (“fechamento”): quando a luz de Abá fica oculta e bloqueada, sem brilhar em Zeir Anpin (os atributos emocionais), a aflição é atraída e vem.
Por isso o Targum traduz tzara’at como segiru, “fechamento”: a aflição vem quando a luz de Abá fica bloqueada e não brilha em Zeir Anpin, os atributos emocionais.
ולכן נאמר והובא אל הכהן4 כי כהן שרשו מחכמה שתיקון הנגע הוא ע״י שממשיכים בחי׳ אור אבא
Por isso está dito: “e ele será levado ao kohen”, pois a raiz do kohen está em Chochmá (sabedoria); a cura da aflição se dá ao atrair para baixo a luz de Abá,
Por isso a Torá diz que o afligido “será levado ao kohen” (Leviticus 13:2): a raiz do kohen está em Chochmá, e a cura consiste em atrair novamente para baixo a luz de Abá.
וזהו ע״י הכהן (וע׳ [ועיין] בזח״א [בזהר חלק א] בראשית ל״א א׳ ע״פ לעומת המסגרת. דא הוא אתר סגיר דלא פתיחא5 היינו חכ״ע [חכמה עילאה] שנק׳ עדן עין לא ראתה.6
e isso se dá por meio do kohen. (Veja o Zohar, Parte I, Bereishis, 31a, sobre o versículo “diante da moldura (misgeres)”: “Este é um lugar fechado, que não está aberto”, isto é, Chochmá Suprema, chamada Éden, [sobre a qual se diz:] “nenhum olho viu”;
O longo parêntese reúne uma fonte de apoio. O Zohar (1:31a) interpreta “a moldura” (misgeres) como “um lugar fechado, que não está aberto”: Chochmá Suprema, chamada Éden, sobre a qual se diz “nenhum olho viu” (Isaiah 64:3).
בר בשביל חד דקיק פי׳ בסה״מ [בספר הדרת מלך] סי׳ קט״ז דהיינו יסוד דאבא דאתיידע בגניזו לגביה דהיינו שמאיר בבינה ובזו״נ [ובזעיר אנפין ונוקבא]. וכמ״ש בע״ח [בעץ חיים] שמ״ז פ״ג [פרק ג׳] בפי׳ כולם בחכמה עשית.7
“a não ser por uma trilha estreita”, que é explicado em Sefer Hadras Melech, seção 116, como Yessod de Abá, “que é conhecido em ocultação em relação a ele”; isto é, ele brilha em Biná e em Zeir Anpin e Nukvá. E como está escrito em Etz Chaim, Shaar 47, capítulo 3, a respeito do significado de “Tu fizeste todos eles com Chochmá”:
Ele se abre apenas por “uma trilha estreita”, que Sefer Hadras Melech explica como Yessod de Abá, por meio do qual Chochmá brilha em Biná, em Zeir Anpin e em Nukvá. O Arizal explica do mesmo modo “Tu fizeste todos eles com Chochmá” (Psalms 104:24).
כי באצילות אור א״ס [אין סוף] מתלבש בחכמה ועל ידו מאיר בכל האצי׳ [האצילות] כו׳. אכן פי׳ סגירותא היינו שנסגר אור אבא לגמרי ואינו מאיר גם ע״י שביל דקיק הנ״ל.
que em Atsilut a Luz Infinita (Or Ein Sof) se reveste em Chochmá e, por meio dela, brilha em todo Atsilut, etc. Mas o sentido de segiruta é que a luz de Abá fica completamente bloqueada e não brilha nem mesmo por meio da trilha estreita mencionada acima.
Em Atsilut, a Luz Infinita se reveste em Chochmá e, por meio dela, brilha em tudo o mais. Segiru, “fechamento”, significa que a luz de Abá fica totalmente bloqueada e não brilha nem mesmo por aquela trilha estreita.
וע״דמש״ש בע״ח [בעץ חיים] שהבריאה אינה מקבלת רק מהבינה לבד כו׳ ע״ש [עיין שם] וכשנסגר אור אבא עד״ז [על דרך זה] מבחי׳ ז״א [זעיר אנפין] דאצי׳ [דאצילות] מזה נמשך בחי׳ הנגע ועיין במא״א [במאורי אור] אות נון סעיף ז׳.
Isso segue a linha do que está escrito ali em Etz Chaim, que Beriá recebe apenas de Biná, etc.; veja ali. E quando a luz de Abá fica bloqueada dessa maneira em relação ao nível de Zeir Anpin de Atsilut, disso é atraído o nível da aflição. Veja também Me’orei Or, letra nun, seção 7.
Assim como o Arizal diz que o Mundo de Beriá recebe apenas de Biná, quando a luz de Abá fica bloqueada em relação a Zeir Anpin de Atsilut, Zeir Anpin permanece apenas com Biná, e disso resulta a aflição. O leitor também é remetido a Me’orei Or.
והתיקון לזה הוא ע״י הכהן י״ל [יש לומר] ע״ד [על דרך] מ״ש בזח״ב [בזהר חלק ב׳] יתרו ס״ז ב׳ שהכהן משמש וממשיך מבחי׳ קדש הקדשים8 שהם ג״ר [ג׳ ראשונות] כח״ב [כתר חכמה בינה] ובפ׳ עקב דף רע״א סע״א [סוף עמוד א] גבי ברוך אתה.
A cura disso por meio do kohen pode ser explicada à luz do que está escrito no Zohar, Parte II, Yisro, 67b: que o kohen serve e atrai para baixo do nível do Santo dos Santos, que são as três primeiras [Sefirot], Kéter, Chochmá e Biná; e em Parshas Eikev, fólio 271a, final, sobre “Bendito és Tu”:
Por que o kohen é a cura: segundo o Zohar (2:67b), o kohen serve e atrai para baixo do Santo dos Santos, que o Alter Rebbe identifica com as três primeiras Sefirot, Kéter, Chochmá e Biná.
“Tu (Atá) és kohen para sempre”: o nível do kohen, chamado Atá (“Tu”), atrai do nível de Baruch (“Bendito”), a Chochmá Superior etc. E veja também na Parashat Balak, 193b.)
O Zohar sobre Eikev (3:271a) interpreta a fórmula da bênção “Bendito és Tu” por meio de “Tu és kohen para sempre” (Salmos 110:4): o kohen, chamado atá (“Tu”), atrai de baruch (“Bendito”), a Chochmá Superior. Assim, o kohen atrai de Chochmá.
אבל כאשר נסגר ונעלם אור אבא שהוא בחי׳ חכמה עילאה אזי אע״פ [אף על פי] שיאיר אור הבינה בז״א [בזעיר אנפין] עכ״ז [עם כל זה] יכול להיות התהוות הנגעים
Mas, quando a luz de Abá, que é o nível da Chochmá Superior, se fecha e fica oculta, então, embora a luz de Biná brilhe em Zeir Anpin, ainda assim podem surgir aflições
Quando a luz de Abá, a Chochmá Superior, se fecha, podem surgir aflições mesmo que a luz de Biná ainda brilhe em Zeir Anpin.
(כי בינה דינין מתערין מינה11 יען שהוא מקור ליש כו׳) וגם זה לכאורה תמוה איך יכול להיות שאע״פ [שאף על פי] שיאיר אור הבינה אעפ״כ [אף על פי כן] יוכל להיות הנגע.
(pois “de Biná despertam julgamentos”, já que ela é a fonte do yesh (existência) etc.). Isso também parece, à primeira vista, difícil de compreender: como pode acontecer que, embora a luz de Biná brilhe, ainda assim surja a aflição?
Biná, por si só, não basta, pois “de Biná despertam julgamentos” (Zohar 3:10b): ela é a fonte do yesh, da existência separada. Ainda assim, o Alter Rebe pergunta como pode surgir uma aflição enquanto a luz de Biná brilha.
ונקדים מ״ש בע״ח [בעץ חיים]12 דשם אל בחסד ושם אלקים בגבורה ושם13 הוי׳ בתפארת והרי שם הוי׳ הוא ראשון וגדול מכל השמות ולמה תפארת
Comecemos com o que está escrito em Etz Chaim: o Nome Kel está em Chessed, o Nome Elokim em Guevurá e o Nome Havayá em Tiféret. Ora, o Nome Havayá é o primeiro e o maior de todos os Nomes; por que, então, Tiféret,
Para responder, ele primeiro traz o ensinamento do Arizal de que o Nome Kel está em Chessed, Elokim em Guevurá e Havayá em Tiféret. Mas Havayá é o primeiro e o maior dos Nomes.
שהוא שלישי בסדר המשכת המדות עליונות שסדרן חג״ת [חסד גבורה תפארת] הנה הוא נק׳ בשם עליון וגבוה מספירת חסד שהוא ראשון בהמדות.
que é o terceiro na ordem da manifestação dos atributos superiores, cuja ordem é Chessed, Guevurá, Tiféret, é designado por um Nome mais elevado e superior ao da sefirá de Chessed, que é a primeira entre os atributos?
Por que, então, Tiféret, terceiro na ordem Chessed, Guevurá, Tiféret, leva um Nome mais elevado que Chessed, a primeira dos atributos? A resposta explicará a aflição.
O parágrafo apresenta uma segunda questão: a tzara’at decorre do bloqueio da luz de Abá (Chochmá) e é curada pelo kohen, que atrai Chochmá para baixo; ainda assim, as aflições surgem mesmo enquanto Biná brilha. Para explicar isso, o Alter Rebbe pergunta por que Tiféret, e não Chessed, porta o Nome supremo, Havayá.
O Zohar (3:49b) explica a tzara’at como “o fechamento da luz suprema, o fechamento da bondade suprema, que não desce ao mundo”; e diz que o kohen abaixo está preparado “para abrir esse fechamento” e acender as lâmpadas, de modo que as bênçãos se encontrem acima e abaixo e a aflição passe.
Marei mekomot
- 1דאיתא בזהר · ח״ג מז, א. מט, ב [כ].
- 2צרעת סגירותא · Zohar, Tazria 20:87–22:96
- 3צרעת סגירותא · Zohar, Tazria 25:134–27:143
- 4והובא אל הכהן · Leviticus 13:2
- 5דא הוא אתר סגיר דלא פתיחא · Zohar, Bereshit 32:330–35:339
- 6עין לא ראתה · Isaiah 64:3
- 7כולם בחכמה עשית · Psalms 104:24
- 8קדש הקדשים · Zohar, Yitro 1:8–18
- 9אתה כהן לעולם · Zohar, Eikev 1:2–12
- 10אתה כהן לעולם · Psalms 110:4
- 11בינה דינין מתערין מינה · Zohar III, 10b
- 12מ״ש בע״ח · ש׳ השמות פ״ג ופ״ו. וע׳ בפרדס להרמ״ק ז״ל ש׳ השמות פ״ה (א-ל) שם אלקים שם (פ״ז-ח) ושם הוי׳ בת״ת (שם פ״י וי״א) ובזח״ג (רצו, א). [כ].
- 13שם אל בחסד ושם אלקים בגבורה ושם הוי׳ בתפארת · Zohar, Vayikra 24:160–170
18ותירץ ע״ז [על זה] המגיד זצוק״ל [זכר צדיק וקדוש לברכה]1 כי הלא ידוע שענין שבה״כ [שבירת הכלים] שהיה בעולם התהו הוא מחמת שהיה כל מדה בפני עצמה
O Maguid, que a memória do justo e santo seja uma bênção, respondeu a isso: como é sabido, a quebra dos recipientes (shevirat hakeilim), ocorrida no Mundo de Tohu (Caos), deu-se porque cada atributo permanecia por si só,
A resposta vem do Maguid de Mezritch, mestre do Alter Rebe. A quebra dos recipientes no Mundo de Tohu (“Caos”) ocorreu porque cada atributo permanecia isolado.
ולא היה התכללות המדות זה עם זה וענין עולם התיקון הוא שנעשה התכללות המדות שזה צריך לזה חסד כלול עם גבורה וגבורה עם חסד וע״י מה נעשה ההתכללות
e não havia inclusão mútua dos atributos uns nos outros. O conceito do Mundo de Tikun (Retificação) é que se estabeleceu a inclusão mútua dos atributos, de modo que um precisa do outro: Chessed incluído com Guevurá, e Guevurá com Chessed. E por meio de que se estabelece essa inclusão mútua?
No Mundo de Tikun (“Retificação”), os atributos incluem-se mutuamente: cada um precisa do outro, de modo que Chessed contém Guevurá e Guevurá contém Chessed. Mas como podem opostos se unir?
שהרי התכללות זו הוא ענין חיבור ב׳ הפכים חו״ג [חסד וגבורה] אש ומים הנה זהו ע״י הארת אור א״ס [אין סוף] המאיר בהן שעי״ז הם בבחי׳ ביטול לאור א״ס [אין סוף] ב״ה המאיר בהן ועי״ז יוכלו להתחבר יחדיו.
Pois essa inclusão mútua consiste na união de dois opostos, Chessed (bondade) e Guevurá (contenção), fogo e água. Isso ocorre por meio do brilho da Luz Infinita (Or Ein Sof) que ilumina neles; por meio disso, eles se encontram num estado de autoanulação (bitul) diante da Luz Infinita, bendito seja Ele, que ilumina neles, e assim podem unir-se.
Chessed e Guevurá são opostos, como água e fogo. Só podem unir-se por meio da Luz Infinita que brilha neles; diante dela, ambos se anulam (bitul), e nessa autoanulação compartilhada podem unir-se.
וזהו ענין עושה שלום במרומיו2 והיינו שלא תהיה כל מדה בתגבורת עד שלא תוכל להתחבר עם מדה שכנגדה כמו שהיה בעולם התהו כ״א [כי אם] שתתכלל ג״כ עם הפכה מחמת הביטול כו׳.
Este é o significado de “Ele faz a paz em Suas alturas”: que nenhum atributo seja tão dominante a ponto de não poder unir-se ao atributo oposto, como ocorria no Mundo de Tohu; ao contrário, que também se inclua com seu oposto, em virtude da autoanulação, etc.
“Ele faz a paz em Suas alturas” (Jó 25:2): nenhum atributo domina a ponto de excluir seu oposto, como aconteceu em Tohu; por meio da autoanulação, cada um inclui seu oposto.
O parágrafo apresenta o princípio do Maguid: Tohu se quebrou porque cada atributo permanecia isolado, ao passo que Tikun consiste na inclusão mútua de atributos opostos, possibilitada somente pela Luz Infinita que brilha neles, diante da qual se anulam e, assim, podem unir-se.
Marei mekomot
- 1ותירץ ע״ז המגיד זצוק״ל · מובא גם בביאוה״ז ח, ג. ראה מגיד דבריו ליעקב (הוצאת קה״ת) בהוספות סי׳ כט וסי׳ לו. ראה גם יהל אור ע׳ תקנב. אוה״ת בראשית תרסז, א. ד״ה מצה זו תר״ם ע׳ עב. בהנסמן במאמרי אדה״ז-פרשיות דלהלן.
- 2עושה שלום במרומיו · Job 25:2
19והנה עם היות כי מדות חו״ג [חסד וגבורה] דאצי׳ [דאצילות] מאיר בהן אור א״ס [אין סוף] ב״ה כי איהו וגרמוהי חד12 אעפ״כ [אף על פי כן] נק׳ כל מדה בשם בפ״ע [בפני עצמו] היינו זה בחי׳ חסד
Ora, embora a Luz Infinita (Or Ein Sof), bendito seja Ele, brilhe nos atributos de Chessed e Guevurá de Atsilut, pois “Ele e Seus recipientes” são um (ihu vegarmohi chad), ainda assim cada atributo é chamado por um nome próprio: este é o nível de Chessed,
Mesmo em Atsilut, onde a Luz Infinita brilha nos atributos (como diz o Tikunei Zohar: “Ele e Seus recipientes” são um), cada atributo ainda tem seu próprio Nome e identidade. Um deles é o atributo de Chessed.
ולכן הוא שם אל כדכתיב חסד אל כל היום וזה הוא בחי׳ גבורה ונק׳ שם אלקים הרי מ״מ [מכל מקום] הם ב׳ בחי׳ הפכיים3
e, por isso, é o Nome Kel, como está escrito: “A bondade de Kel dura o dia inteiro”; e este é o nível de Guevurá, chamado pelo Nome Elokim. Assim, afinal, são dois níveis opostos.
Chessed traz o Nome Kel, como em “A bondade de Kel dura o dia inteiro” (Psalms 52:3), e Guevurá traz o Nome Elokim. Portanto, continuam sendo duas qualidades opostas.
והיינו משום דכאשר מאיר אור א״ס [אין סוף] ב״ה בהמדות עליונות בבחי׳ גילוי רב אזי דוקא נעשה ההתכללות ויחוד המדות להיות לאחדים ממש.
Isso se deve ao fato de que somente quando a Luz Infinita, bendito seja Ele, brilha nos atributos supernos com grande revelação é que ocorre a inclusão mútua e a unificação dos atributos, de modo que se tornam verdadeiramente um.
A razão é que somente quando a Luz Infinita brilha nos atributos com grande revelação eles se incluem mutuamente e se unem, tornando-se verdadeiramente um; caso contrário, cada um conserva seu próprio caráter.
O parágrafo aprofunda o princípio do Maguid: mesmo em Atsilut, Chessed (Kel) e Guevurá (Elokim) permanecem distintos e opostos; tornam-se verdadeiramente um somente quando a Luz Infinita brilha neles com grande revelação.
Marei mekomot
- 1איהו וגרמוהי חד · תקו״ז בהקדמה ג, ב.
- 2איהו וגרמוהי חד · Tikkunei Zohar 3b:9–10
- 3חסד א-ל כל היום · Psalms 52:3
20וזהו פי׳ הוי׳ אחד1 שהוא ענין להיות יחוד המדות ממש שלא יהיו ענפין מתפרדין והיינו ע״י המשכת אור א״ס [אין סוף] ב״ה בהם דלאו מכל אינון מדות2 איהו כלל3
Este é o significado de “Havayá é Um”: que os atributos estejam verdadeiramente unidos, de modo que não sejam “ramos separados”; isso ocorre pela extensão da Luz Infinita (Or Ein Sof), bendito seja Ele, para dentro deles, pois “Ele não é nenhum desses atributos”.
Este é o significado de “Havayá é Um” (Deuteronômio 6:4): os atributos tornam-se verdadeiramente um, e não “ramos separados”, por meio da Luz Infinita que é estendida para dentro deles; pois, como diz o Tikkunei Zohar, Ele próprio não é nenhum desses atributos.
כי החי״ת מורה על ז׳ רקיעים והארץ שהוא בחי׳ מעלה ומטה והד׳ הוא ד׳ רוחות העולם4 מזרח מערב צפון ודרום
Pois o chêt [de echad] significa os sete firmamentos e a terra, que correspondem à dimensão do alto e do baixo, e o dálet representa as quatro direções do mundo: leste, oeste, norte e sul;
As leis da recitação do Shemá explicam as letras de echad, “um”: o chêt, cujo valor é oito, representa os sete firmamentos e a terra, o alto e o baixo; e o dálet, cujo valor é quatro, representa as quatro direções do mundo.
והיינו בחי׳ ששה קצוות ששרשן מששה מדות עליונות וע״י גילוי אור א״ס [אין סוף] ב״ה בהן שזהו ענין אלף אלופו של עולם מתייחדי׳ [מתייחדים] באחד ממש
isto é, as seis extremidades, cuja raiz está nos seis atributos supernais. E, por meio da revelação da Luz Infinita, bendito seja Ele, dentro delas — que corresponde ao álef, Aluf, o Mestre do mundo —, elas se tornam verdadeiramente uma.
Juntas, essas são as seis extremidades, enraizadas nos seis atributos supernais. O álef, lido como aluf, “Mestre” do mundo, representa a Luz Infinita revelada dentro delas, que as une para que sejam verdadeiramente “uma”.
אמנם כאשר אין מאיר בהן א״ס [אין סוף] ב״ה בגילוי רב רק כפי בחי׳ האור השייך להמדה ההיא בפרט אזי הן המדות חסד בחי׳ בפ״ע [בפני עצמו] וגבורה בפ״ע [בפני עצמו].
Entretanto, quando o Infinito (Ein Sof), bendito seja Ele, não brilha nelas com grande revelação, mas apenas segundo o nível de luz que pertence àquele atributo específico, então os atributos são Chessed, um nível por si só, e Guevurá, por si só.
Normalmente, cada atributo recebe apenas a luz que lhe pertence, e então Chessed e Guevurá permanecem separados, cada qual por si só.
רק כאשר נצרך שיהיה התכללות אז מאיר בהן אור א״ס [אין סוף] בגילוי רב יותר מכפי מדתם5 ועי״ז תוכלל המדה בהפכה להיות לאחדים ממש
Somente quando é necessária a inclusão mútua é que a Luz Infinita brilha neles com grande revelação, além da medida própria de cada um; por meio disso, o atributo pode ser incluído em seu oposto, de modo que se tornem verdadeiramente um.
Quando é necessária a inclusão mútua, a Luz Infinita brilha neles além da medida própria de cada um; então, cada atributo é incluído em seu oposto, e eles se tornam verdadeiramente um.
נמצא אור א״ס [אין סוף] ב״ה אין מאיר בהם בתמידות (ר״ל [רוצה לומר] בגילוי רב) רק לפרקים בעת רצון כאשר נצרך שיתכללו זה בזה ביחוד גמור.
Conclui-se que a Luz Infinita, bendito seja Ele, não brilha neles continuamente — isto é, com grande revelação —, mas apenas de tempos em tempos, num momento de favor, quando é necessário que se incluam mutuamente em completa união.
Assim, em Chessed e Guevurá, essa grande revelação não é constante. Ela ocorre apenas de tempos em tempos, num “momento de favor”, quando eles precisam se unir em completa unidade.
והנה יחוד והתכללות זו בין המדות חו״ג [חסד וגבורה] הוא ע״י התפארת שמדתו הוא שהוא ממוצע בין חו״ג [חסד וגבורה]
Ora, essa união e inclusão mútua entre os atributos de Chessed (bondade) e Guevurá (contenção) ocorre por meio de Tiféret (beleza), cujo atributo é mediar entre Chessed e Guevurá,
A união de Chessed e Guevurá ocorre por meio de Tiféret, cuja própria natureza é mediar entre eles.
והוא בחי׳ התכללות ובו הוא שנמשך ומאיר ההארה מא״ס [מאין סוף] ב״ה בגילוי רב וכמשנ״ת [וכמו שנתבאר] למעלה דת״ת [דתפארת] נק׳ קדוש ע״ש [על שם] שנמשך בו מבחי׳ כתר שהוא למעלה מסדר ההשתלשלות
e Tiféret é o nível da inclusão mútua; é nele que a irradiação do Infinito, bendito seja Ele, é estendida e brilha com grande revelação. Como foi explicado acima, Tiféret é chamado “santo” porque nele é estendido algo do nível de Kéter (a Coroa), que está acima da ordem da cadeia descendente dos mundos (hishtalshelut)
Tiféret é a própria inclusão mútua, e nele é estendida, com grande revelação, a irradiação do Infinito. Como explicado no início do maamar, Tiféret é chamado “santo” porque recebe de Kéter, que está acima da ordem descendente.
(וע׳ [ועיין] באג״ה [באגרת הקודש] בד״ה והיה מעשה הצדקה שלום67 ובזח״ב [ובזהר חלק ב׳] תרומה קע״ה ב׳ ע״פ והבריח התיכון)8 וע״י גילוי זה נעשה התכללות ההפכיים דהיינו שהוא המחבר חו״ג [חסד וגבורה] וממשיך בהם גילוי זה.
(Veja Iggeres HaKodesh, na seção que começa “E a obra da tsedaká será paz”, e o Zohar, Parte II, Terumah, 175b, sobre o versículo “e a barra do meio”). E, por meio dessa revelação, ocorre a inclusão mútua dos opostos; isto é, ela une Chessed e Guevurá e introduz neles essa revelação.
As referências são a Iggeres HaKodesh, sobre “E a obra da tsedaká será paz” (Isaías 32:17), e ao Zohar, sobre “a barra do meio”. Essa revelação é o que une os opostos, Chessed e Guevurá, e introduz neles a luz.
ונמצא א״כ [אם כן] מאחר שכל בחי׳ ומהות מדת התפארת הוא ענין התכללות המדות ביחוד גמור ממש מוכרח שיהיה בו הארת אור א״ס [אין סוף] בתמידות מאחר שזהו מדת ת״ת [תפארת]
Conclui-se, então, que, uma vez que toda a natureza e essência do atributo de Tiféret (beleza) consiste na inclusão mútua dos atributos em uma unidade completa e verdadeira, necessariamente deve haver nele, constantemente, o brilho da Luz Infinita (Or Ein Sof), pois esse é o atributo de Tiféret,
Como toda a essência de Tiféret é a união dos atributos, deve haver nele constantemente o brilho da Luz Infinita, e não apenas em certos momentos.
היינו ההתכללות (ועי׳ [ועיין] בהרמ״ז [בהרב משה זכות] פ׳ יתרו בדף ע״ח והנה בכל תפארת יש כללות חו״ג [חסד וגבורה] כאחד כו׳).
isto é, a inclusão mútua (e veja o Ramaz, Parshas Yisro, no fólio 78: “Ora, em todo Tiféret, Chessed e Guevurá estão englobados juntos como um só”, etc.).
O atributo de Tiféret consiste precisamente na inclusão mútua. O Ramaz (Rabi Moshe Zacuto) observa, em seu comentário sobre o Zohar, que em todo Tiféret Chessed e Guevurá estão englobados juntos como um só.
וההתכללות אין יכול להיות בלתי הארת אור א״ס [אין סוף] ולכן נק׳ תפארת בשם עליון וגבוה מכל המדות היינו שם הוי׳ מאחר שמוכרח שיהיה בו גילוי אור א״ס [אין סוף] בתמידות (ועמ״ש בד״ה החלצו)9
E a inclusão mútua não pode existir sem o brilho da Luz Infinita. Portanto, Tiféret é chamado por um Nome mais elevado e mais sublime do que todos os atributos, a saber, o Nome Havayá, pois necessariamente deve haver nele, constantemente, uma revelação da Luz Infinita (e veja o que está escrito no discurso que começa “Armai-vos”).
A inclusão mútua é impossível sem a Luz Infinita, e Tiféret a possui constantemente; por isso, Tiféret porta o Nome mais elevado, Havayá. Isso responde à pergunta de por que Tiféret, e não Chessed, porta esse Nome.
משא״כ בחו״ג [בחסד וגבורה] שאין בהם הארת אור א״ס [אין סוף] עד״ז [על דרך זה] שבת״ת [שבתפארת] רק בעת שנמשך היחוד שזהו ענין אמליכתיה למעלה ולמטה ולד׳ רוחות שאזי נעשה התכללות המדות שיתכללו זב״ז [זה בזה] ביחוד גמור ולא בתמידות כנ״ל:101112
Já em Chessed e Guevurá não há o brilho da Luz Infinita da mesma maneira que em Tiféret, exceto no momento em que a unidade é atraída para baixo, que é o assunto de “Tu O proclamaste Rei acima, abaixo e nas quatro direções”: pois então ocorre a inclusão mútua dos atributos, de modo que se incluam uns nos outros em unidade completa; mas não constantemente, como mencionado acima.
Chessed e Guevurá recebem a Luz Infinita dessa maneira somente quando a unidade é atraída para baixo, como quando se proclama D'us Rei “acima, abaixo e nas quatro direções” no Shemá (Berachos 13b). Então, unem-se, mas não constantemente.
O parágrafo explica por que Tiféret recebe o Nome Havayá: os atributos só se tornam um por meio de uma grande revelação da Luz Infinita, que Chessed e Guevurá recebem apenas de tempos em tempos, enquanto Tiféret, cuja essência é uni-los, a recebe constantemente.
No discurso sobre Matot citado (Likkutei Torah, Matot 86a), o Alter Rebe relaciona isso ao pecado do ódio gratuito na época do Segundo Templo: a discórdia é o oposto da santidade divina, que consiste em unidade e inclusão mútua, como em “Havayá é Um” e “Ele e Seus recipientes são um”; por isso Hilel chamou “O que é odioso para ti, não faças ao teu próximo” de fundamento de toda a Torá.
Marei mekomot
- 1הוי׳ אחד · Deuteronomy 6:4
- 2דלאו מכל אינון מדות · ת״ז בהקדמה.
- 3דלאו מכל אינון מדות איהו כלל · Tikkunei Zohar 17b:5–7
- 4החי״ת מורה על ז׳ רקיעים והארץ שהוא בחי׳ מעלה ומטה והד׳ הוא ד׳ רוחות העולם · Shulchan Arukh HaRav, Orach Chayim 61:6
- 5בגילוי רב יותר מכפי מדתם · ראה בד״ה באתי לגני תשל״ח (סה״מ מלוקט-ג ע׳ סא הערה 43).
- 6והיה מעשה הצדקה שלום · Isaiah 32:17
- 7והיה מעשה הצדקה שלום · Tanya, Iggeres HaKodesh 12:1
- 8והבריח התיכון · Zohar, Terumah 94:908–96:918
- 9בתמידות — בד״ה החלצו · לקו״ת מטות פו, א.
- 10ביחוד — כנ״ל · ראה להלן בהוספות להערות וציונים.
- 11ח׳ מורה על ז״ר וארץ . . אלופו ש״ע · סמ״ק קד. שו״ע או״ח סס״א ס״ו. שו״ע אדמה״ז שם.
- 12אמליכתי׳ למע׳ . . רוחות · Berakhot 13b:15–16
21והנה עפ״ז [על פי זה] יובן ענין ק״נ [קליפת נוגה] דאצילות שנק׳ בשם קליפה הגם שהוא12 בבחי׳ אצילות ומאחר שהוא בבחי׳ אצילות הרי עכצ״ל [על כרחך צריך לומר] שהיא מקבלת הארת אלקות ואעפ״כ [ואף על פי כן] נק׳ בשם ק״נ [קליפת נוגה].
Agora, com base nisso, será compreendida a questão da kelipá nogá (a casca luminosa) do Mundo de Atsilut (Emanação): ela é chamada de kelipá, embora esteja no nível de Atsilut; e, uma vez que está no nível de Atsilut, necessariamente recebe uma irradiação da Divindade e, mesmo assim, é chamada de kelipá nogá.
Com isso, pode-se compreender a kelipá nogá de Atsilut. Ela pertence a Atsilut e, portanto, necessariamente recebe alguma irradiação divina; ainda assim, é chamada de kelipá, uma casca.
והענין כי בחי׳ התכללות שיש בע״ס [בעשר ספירות] דאצילות שמאיר הארת אור א״ס [אין סוף] ועי״ז הם מתכללים זע״ז [זה עם זה / זה על זה] כנ״ל זו הבחינה אינה כלל בנוגה דאצילות.
A explicação é a seguinte: a inclusão recíproca que existe nas dez Sefirot de Atsilut, nas quais brilha a irradiação da Luz Infinita (Or Ein Sof), fazendo com que se incluam umas nas outras, como mencionado acima, é um nível que não está de modo algum presente na nogá de Atsilut.
O que caracteriza as Sefirot da santidade de Atsilut é sua inclusão recíproca, provocada pela irradiação da Luz Infinita que nelas brilha. Essa qualidade está inteiramente ausente da nogá de Atsilut.
אלא שהמדות שבק״נ [שבקליפת נוגה] דאצי׳ [דאצילות] הם ענפין מתפרדין שהחסד אינו מתכלל עם הגבורה ואינן מתייחדין כלל זה עם זה.
Ao contrário, os atributos da kelipá nogá de Atsilut são “ramos separados”: Chessed não se inclui com Guevurá, e eles não se unem um ao outro de modo algum.
Na nogá, os atributos são “ramos separados”: seu Chessed não inclui Guevurá, e os dois não se unem de modo algum.
O parágrafo resolve a primeira questão: a kelipá nogá pode existir em Atsilut porque, embora receba uma irradiação divina, carece da inclusão recíproca que a Luz Infinita produz; por isso, seus atributos permanecem separados.
Marei mekomot
- 1שהוא — מאיר עליהם בבחי׳ מקיף לבד · ראה המשך תער״ב סעי׳ רי.
- 2שהוא — ע״פ ראה ריח בני · תו״א כ, ג.
22וכנודע שהפסולת משבה״כ [משבירת הכלים] דעולם התהו נפל בק״נ [בקליפת נוגה] וראשיתם ק״נ [קליפת נוגה] דאצילות והרי בעולם התהו לא היה בחי׳ התכללות וכ״ש [וכל שכן] אחר שבה״כ [שבירת הכלים] כו׳.
Como é sabido, o resíduo da quebra dos recipientes (shevirat hakeilim) do Mundo de Tohu caiu na kelipá de nogá, sendo a kelipá de nogá de Atsilut a primeira delas; e no Mundo de Tohu não havia interinclusão, e muito menos depois da quebra dos recipientes, etc.
Como ensina o Arizal, os fragmentos dos recipientes quebrados de Tohu caíram na kelipá de nogá, sendo a nogá de Atsilut o nível mais elevado dela. Desde o início, em Tohu não havia interinclusão, e menos ainda depois que seus recipientes se quebraram.
ולכן אין אור א״ס [אין סוף] נמשך ומתלבש בהן כלל ע״ד [על דרך] התלבשותו באצי׳ [באצילות] דקדושה מחמת שאינן כלי לגילוי אור א״ס [אין סוף] שאינו שורה אלא במקום הביטול ובמקום ההתכללות כו׳
Portanto, a Luz Infinita (Or Ein Sof) não é atraída para dentro delas nem se reveste nelas de modo algum, como se reveste em Atsilut de santidade, pois elas não são recipientes para a revelação da Luz Infinita, que repousa apenas onde há autoanulação (bitul) e interinclusão, etc.;
Assim, a Luz Infinita não se reveste nessas kelipot como se reveste em Atsilut de santidade. Elas não são recipientes para ela, pois ela repousa somente onde há autoanulação e interinclusão.
רק שהוא מאיר עליהם בבחי׳ מקיף לבד וכמ״ש במ״א ע״פ ראה ריח בני1 כו׳ וע״כ [ועל כן] נקראו קליפות שהקליפה היא שאין לה טעם ולחלוחית כו׳
ela apenas brilha sobre elas como uma luz abrangente (makif), conforme explicado em outro lugar a respeito do versículo “Vê, o aroma de meu filho”, etc. Por isso são chamadas kelipot, pois uma kelipá (casca) é algo que não tem sabor nem umidade, etc.,
Ela brilha sobre elas somente de fora, como uma luz abrangente, conforme explicado a respeito de “Vê, o aroma de meu filho” (Gênesis 27:27). Por isso são chamadas kelipot: como a casca de uma fruta, não têm sabor nem umidade.
כמו בהפרי (וי״ל [ויש לומר] כי שם מ״ה [שם מ״ה] נק׳ שקיו דאילנא23 בחי׳ לחלוחית והמשכת אור א״ס [אין סוף] שעי״ז נעשה התכללות אמיתי׳ [אמיתית] להיות לאחדים עד״מ [על דרך משל] טבע המים לדבק שחלקי הקמח נעשים גוש אחד ע״י המים.
como ocorre com a fruta. (Pode-se dizer que o Nome Mah é chamado “a irrigação da árvore”: o nível da umidade e da extensão da Luz Infinita, por meio da qual se dá a verdadeira interinclusão, de modo que se tornam um; a título de analogia, a água tem a propriedade de unir, pois as partículas de farinha se tornam uma só massa por meio da água.
O parêntese acrescenta uma imagem cabalística: o Nome Mah é chamado “a irrigação da árvore” no Tikkunei Zohar; é a umidade da Luz Infinita que produz a verdadeira união. Assim como a água une partículas de farinha numa massa, essa umidade une os atributos.
וגילוי זה היינו ע״י שמתחלה הם בבחי׳ תיקון ע״ד [על דרך] רך כקנה4 כו׳ שעי״ז אח״כ [אחר כך] קוב״ה [קודשא בריך הוא] שרי באתר שלים והוא גילוי שם מ״ה [שם מ״ה] מלגיו דאיהואורח אצילות ואיהו שקיו דאילנא כו׳
E essa revelação se dá porque, primeiro, eles se encontram num estado de retificação (tikun), à maneira de “flexível como o junco”, etc.; assim, depois, “o Santo, bendito seja Ele, habita num lugar íntegro”; e essa é a revelação interior do Nome Mah, “que é o caminho de Atsilut e a irrigação da árvore”, etc.
Essa revelação ocorre quando os atributos são primeiro retificados, tornando-se “flexíveis como o junco” (Taanis 20b), em vez de rígidos. Então “o Santo, bendito seja Ele, habita num lugar íntegro”, e o Nome Mah, “o caminho de Atsilut”, revela-se em seu interior.
משא״כ בק״נ [בקליפת נוגה] דאצי׳ [דאצילות] שהוא מבחי׳ עולם התוהו מבחי׳ שבה״כ [שבירת הכלים] שאין בהם ההתכללות כלל וגם הביטול הוא בבחי׳ יש כנודע מענין ראו מ״ה [שם מ״ה]5 שעושה יש ודבר מהביטול שלו כו׳.
Não é assim, porém, com a kelipá de nogá de Atsilut, que deriva do Mundo de Tohu, do nível da quebra dos recipientes, nos quais não há interinclusão alguma; além disso, até mesmo sua autoanulação está na modalidade de yesh (existência própria), como se sabe a respeito do conceito de “Vede Mah (‘o quê’)!”, que faz de sua própria autoanulação um yesh, uma “coisa”, etc.
A nogá de Atsilut provém de Tohu e da quebra, onde não há interinclusão alguma; até mesmo sua autoanulação constitui uma forma de autoafirmação: ela faz de seu próprio “nada” uma “coisa”.
ע״כ [על כן] אין נמשך בהם כלל בחי׳ שם מ״ה [שם מ״ה] מלגיו ולכן נק׳ קליפות שאין בהם לחלוחית מבחי׳ שקיו דאילנא כו׳)
Portanto, o nível interior do Nome Mah não é de modo algum atraído para dentro delas; por isso são chamadas kelipot, pois não têm umidade proveniente do nível da “irrigação da árvore”, etc.)
Assim, o Nome Mah, a umidade interior, não chega de modo algum a essas kelipot, que são chamadas cascas por lhes faltar a umidade da “irrigação da árvore”.
ומק״נ [ומקליפת נוגה] דאצי׳ [דאצילות] נמשך אח״כ [אחר כך] בבי״ע [בבריאה יצירה עשיה] בחי׳ יש ממש וצבא השמים כו׳. ובזה יובן ג״כ מה דאיתא שק״נ [שקליפת נוגה] חצי׳ [חציה] טוב וחצי׳ [וחציה] רע.6
E da kelipá de nogá de Atsilut é depois atraído para dentro de Beriá, Yetsirá e Assiá o nível de yesh efetivo, bem como “o exército dos céus”, etc. Com isso também se compreenderá o que se afirma: que a kelipá de nogá é metade boa e metade má.
Da nogá de Atsilut provêm, nos mundos inferiores, a existência separada real (yesh) e “o exército dos céus”, as forças celestes. Isso também explica como a nogá pode ser metade boa e metade má.
והענין כנודע שהתהוות הרע הוא מחמת שבה״כ [שבירת הכלים] שהי׳ [שהיה] בעולם התהו והשבירה הי׳ [היה] מחמת שהיו ענפין מתפרדין ומזה נתהווה אח״כ [אחר כך] בהשתלשלות בחי׳ הרע.
A explicação, como é sabido: o mal veio a existir por causa da quebra dos recipientes no Mundo de Tohu, e a quebra ocorreu porque eles eram “ramos separados”; disso, posteriormente, veio a existir o nível do mal na cadeia descendente dos mundos (hishtalshelut).
O mal veio a existir por meio da quebra dos recipientes de Tohu, e eles se quebraram porque seus atributos eram “ramos separados”. Disso, mais tarde, surgiu o mal na cadeia descendente dos mundos.
והנה משבה״כ [משבירת הכלים] דעולם התהו נפלו בנוגה דאצילות ולכן אף שמקבלת מאצילות וע״כ [ועל כן] חציה דכלפי פנים הוא טוב
Ora, da quebra dos recipientes do Mundo de Tohu, [fragmentos] caíram na nogá de Atsilut. Portanto, embora ela receba de Atsilut e, por isso, sua metade voltada para dentro seja boa,
Fragmentos dos recipientes quebrados caíram na nogá de Atsilut. Como ela recebe de Atsilut, sua metade interior é boa.
אך מחמת שגם בחציה זו אין בה בחי׳ ההתכללות כלל וממילא אין מאיר בה גילוי אור א״ס [אין סוף] בבחינת פנימי כנ״ל
ainda assim, como mesmo nessa metade não há absolutamente interinclusão, consequentemente a revelação da Luz Infinita (Or Ein Sof) não brilha nela de maneira interior, como mencionado acima,
Mas mesmo essa metade interior carece de interinclusão, de modo que a Luz Infinita não brilha dentro dela de maneira interior.
לכן יכול להיות שחציה כלפי חוץ רע (וכמו שמעולם התהו נתהוו הקליפות כו׳. ובזה יובן מארז״ל [מאמר רבותינו זכרונם לברכה] ברבות ס״פ נשא ס״פ י״ד ע״פ ולא קם נביא עוד בישראל כמשה.7
por isso, sua metade voltada para fora pode ser má (assim como as kelipot vieram a existir do Mundo de Tohu etc.). Com isso se compreenderá o que nossos Sábios, de abençoada memória, disseram no Midrash Rabbah, no fim de Parshas Naso, fim da seção 14, sobre o versículo: “E nunca mais se levantou em Israel um profeta como Moshe”:
Portanto, sua metade voltada para fora pode ser má, assim como as kelipot surgiram de Tohu. O parêntese então se volta ao Midrash sobre “Nunca mais se levantou um profeta em Israel como Moshe” (Deuteronômio 34:10).
בישראל לא קם אבל באו״ה [באיסור והיתר] קם כו׳ זה בלעם בן בעור8 כו׳ והנה נבואת משה היה מאצילות. וא״כ [ואם כן] איך באו״ה [באיסור והיתר] קם נביא כמשה. אלא הענין שנבואת בלעם היה מק״נ [מקליפת נוגה] דאצילות כו׳):
“Em Israel não se levantou, mas entre as nações do mundo se levantou”, etc.; “este é Bilaam, filho de Beor”, etc. Ora, a profecia de Moshe vinha de Atsilut. Sendo assim, como se levantou entre as nações do mundo um profeta como Moshe? A explicação é que a profecia de Bilaam vinha da kelipá nogá de Atsilut etc.)
O Midrash diz que entre as nações se levantou um profeta: Bilaam. Como a profecia de Moshe vinha de Atsilut, como poderia Bilaam igualá-la? A resposta: a profecia de Bilaam vinha da kelipá nogá de Atsilut, no nível de Atsilut, mas fora da santidade.
O parágrafo explica por que a nogá de Atsilut é uma “casca”: ela provém dos recipientes quebrados de Tohu e carece de interinclusão e de verdadeira autoanulação; por isso, a Luz Infinita apenas a circunda. Sua metade interior é boa porque recebe de Atsilut, ao passo que sua metade exterior pode ser má; assim se entende como a profecia de Bilam pôde rivalizar com a de Moshé.
O próprio Midrash (Bamidbar Rabbah 14:20) apresenta uma razão para que surgisse um profeta entre as nações: para que elas não alegassem que, se tivessem tido um profeta como Moshé, teriam servido a D'us. Em seguida, enumera as diferenças entre a profecia de Moshé e a de Bilam.
Marei mekomot
- 1ראה ריח בני · Genesis 27:27
- 2נק׳ שקיו דאילנא · ת״ז בהקדמה.
- 3שקיו דאילנא · Tikkunei Zohar 17a:19–22
- 4רך כקנה · Taanit 20b:3
- 5כנודע מענין ראו מ״ה · ועל״ק פ׳ בהר ד״ה את שבתותי רפ״ה [כ]. להלן מג, א וש״נ.
- 6שק״נ חצי׳ טוב וחצי׳ רע · ע״ח שמ״ט.
- 7ולא קם נביא עוד בישראל כמשה · Deuteronomy 34:10
- 8בישראל לא קם אבל באו״ה קם כו׳ זה בלעם בן בעור · Bamidbar Rabbah 14:20
A afecção e a lei do pelo branco ¶23–26
23ד ועפ״ז [ועל פי זה] יובן ג״כ מש״ל [מה שכתוב לעיל] בשם הזהר וע״ח [ועץ חיים] שבהסתלקות אור אבא מז״א [מזעיר אנפין] הוא סיבת התהוות הנגע,
4. Com isso também se compreenderá o que foi dito acima em nome do Zohar e de Etz Chaim: que a retirada da luz de Abá de Zeir Anpin (os atributos emocionais) é a causa do surgimento da aflição.
A seção 4 resolve a segunda questão: por que a retirada da luz de Abá de Zeir Anpin causa tzaráat, conforme dizem o Zohar e Etz Chaim.
והענין כי התלבשות אור א״ס [אין סוף] הוא בחכמה דוקא כמ״ש בסש״ב [בספר של בינונים] פרק ל״ה בהג״ה [בהגהה] ולכן כדי שיהי׳ [שיהיה] התכללות גמור בז״א [בזעיר אנפין] הוא ע״י גילוי אור אבא
A explicação é a seguinte: a Luz Infinita (Or Ein Sof) reveste-se especificamente em Chochmá (sabedoria), como está escrito em Sefer Shel Beinonim (Tanya), capítulo 35, na nota; portanto, a completa interinclusão em Zeir Anpin ocorre por meio da revelação da luz de Abá.
A Luz Infinita reveste-se especificamente em Chochmá (Tanya, capítulo 35, na nota). Assim, a união completa dos atributos em Zeir Anpin, que depende da Luz Infinita, ocorre por meio da revelação de Abá, que é Chochmá.
(והגם שהוא ע״י תפארת היינו כמ״ש בפע״ח [בפרי עץ חיים]1 גבי קדוש דיוצר דפי׳ שת״ת [שתפארת] הנק׳ וי״ו עולה ומקבל הארה מחכמה עילאה הנק׳ קדש ועי״ז נק׳ קדוש. ועמ״ש מזה בביאור ע״פ ונקדשתי בתוך בנ״י [בני ישראל]23 בפ׳ אמור.
(E embora isso ocorra por meio de Tiféret, é conforme está escrito em Pri Etz Chaim a respeito do kadosh da bênção de Yotzer: a explicação é que Tiféret, chamada vav, sobe e recebe uma irradiação da Chochmá Superior, chamada kodesh, e por isso é chamada kadosh. Veja o que está escrito a esse respeito na explicação do versículo “E serei santificado entre os filhos de Israel”, na Parashá Emor.
Uma objeção: anteriormente, a união foi atribuída a Tiféret. A resposta vem de Pri Etz Chaim, a respeito da palavra kadosh na bênção de Yotzer: Tiféret, a letra vav, sobe para receber da Chochmá Superior, chamada kodesh, e assim se torna kadosh, kodesh com um vav; até mesmo Tiféret une os atributos em virtude de Chochmá.
והגם דלעיל אמרנו דקדוש נק׳ הת״ת [התפארת] ע״ש [על שם] שמקבל מבחי׳ כתר היינו כי אור הכתר מאיר באצי׳ [באצילות] ע״י חכמה עילאה כמ״ש בע״ח [בעץ חיים] דאור א״ס [אין סוף] מתלבש באצי׳ [באצילות] בחכמה4 לבדו כו׳)
E embora tenhamos dito acima que Tiféret é chamada “santa” por receber do nível de Kéter, isso se deve ao fato de que a luz de Kéter brilha em Atsilut por meio da Chochmá Superior, como está escrito em Etz Chaim: a Luz Infinita reveste-se em Atsilut somente em Chochmá, etc.)
Anteriormente, Tiféret foi chamada “santa” por receber de Kéter; mas a própria luz de Kéter brilha em Atsilut somente por meio da Chochmá Superior, pois, como diz Etz Chaim, a Luz Infinita reveste-se em Atsilut somente em Chochmá.
ולכן כאשר מאיר אור אבא שבו מלובש אור א״ס [אין סוף] ב״ה ועי״ז נעשה ההתכללות ויחוד ע״ס [עשר ספירות] דאצי׳ [דאצילות] אזי עי״ז לא תוכל קליפת נוגה דאצי׳ [דאצילות] להיות לה יניקה מבחי׳ עור אדם העליון
Portanto, quando brilha a luz de Abá, na qual está revestida a Luz Infinita, bendito seja Ele, e por meio disso ocorre a interinclusão e a união das Dez Sefirot de Atsilut, a kelipá nogah de Atsilut não pode então receber vitalidade do nível da pele do Homem Supremo,
Assim, quando brilha a luz de Abá, portadora da Luz Infinita, e as Dez Sefirot de Atsilut se unem, nogah de Atsilut não pode receber vitalidade da “pele” do Homem Supremo, a camada exterior de Zeir Anpin.
דהיינו בחי׳ ז״א [זעיר אנפין] לפי שבה אין מאיר שום הארת אור א״ס [אין סוף] שיתכללו יחד כי שרש נוגה הוא משבה״כ [משבירת הכלים] מעולם התהו שאין בה התכללות.
isto é, do nível de Zeir Anpin; pois nela [nogah] não brilha nenhuma irradiação da Luz Infinita que faça com que [seus atributos] se incluam uns nos outros, uma vez que a raiz de nogah provém da quebra dos recipientes do Mundo de Tohu, no qual não há interinclusão.
Nogah não tem domínio sobre um Zeir Anpin unido, porque a própria nogah, cuja raiz está nos recipientes quebrados de Tohu, não possui interinclusão nem irradiação da Luz Infinita que a una.
אמנם בהסתלקות אור אבא מז״א [מזעיר אנפין] ואזי לא יש בחי׳ התכללות במדות דאצילות וכנ״ל שעיקר ההתכללות הוא ע״י הארת אור א״ס [אין סוף] שמאיר ע״י החכמה.
No entanto, quando a luz de Abá se retira de Zeir Anpin, já não há interinclusão nos atributos de Atsilut, como mencionado acima, pois a interinclusão ocorre principalmente por meio da irradiação da Luz Infinita que brilha através de Chochmá.
Mas, quando a luz de Abá se retira de Zeir Anpin, os atributos de Atsilut perdem sua interinclusão, que depende da Luz Infinita brilhando por meio de Chochmá.
A seção 4 explica por que a retirada de Abá causa a aflição: os atributos só se unem por meio da Luz Infinita, que brilha através de Chochmá. Enquanto Abá brilha, nogah, que carece de interinclusão, não tem domínio sobre Zeir Anpin; quando Abá se retira, os atributos perdem sua união.
No discurso sobre Emor citado (33b), o Alter Rebe interpreta “E serei santificado entre os filhos de Israel” como a preparação do recipiente: o ponto interior do coração arde em direção à santidade de D'us, como os Serafim; depois, “Eu sou D'us, que os santifica” faz essa santidade descer a todas as mitsvot, assim como recipientes de prata são primeiro aquecidos no fogo e só então moldados.
Marei mekomot
- 1היינו כמ״ש בפע״ח · שער הק״ש פ״ב.
- 2ע״פ ונקדשתי בתוך בנ״י · לקמן בפ׳ אמור לג, ב.
- 3ונקדשתי בתוך בנ״י · Leviticus 22:32
- 4כמ״ש בע״ח דאור א״ס . . בחכמה · ש׳ ס׳ אבי״ע פ״ו. ובסש״ב ח״א פל״ה בהגה. [כ].
24ואזי מחמת שאין בה התכללות זו אזי יוכל להיות יניקה לק״נ [לקליפת נוגה] דאצי׳ [דאצילות] מעור המל׳ [המלכות] או מז״א [מזעיר אנפין]. וזהו ענין הנגע שהוא מה שיונקים ק״נ [קליפת נוגה] דאצילות יניקה מעור זו״נ [זעיר אנפין ונוקבא] דאצילות.
E então, como essa inclusão mútua não está presente, a kelipá nogá de Atsilut pode receber sustento da “pele” de Malchut ou de Zeir Anpin. Este é o sentido da aflição: a kelipá nogá de Atsilut recebe sustento da “pele” de Zeir Anpin e de Nukvá de Atsilut.
Quando falta essa união em Zeir Anpin, a kelipá nogá de Atsilut pode receber sustento da “pele” de Malchut ou de Zeir Anpin. Essa é a aflição nos mundos superiores: a kelipá nogá alimenta-se da “pele” de Zeir Anpin e de Nukvá de Atsilut.
ולכן התיקון לזה הוא והובא אל הכהן1 שהוא המשכת אור אבא שהוא דוחה החיצונים והיינו שלא יהיה יניקת הקליפות רק משערות דנוק׳ [דנוקבא]2 ולא מהעור עצמו.
Portanto, a correção para isso é “e será levado ao cohen”, que consiste em fazer descer a luz de Abá, que repele as forças externas, de modo que as kelipot recebam sustento somente dos pelos de Nukvá, e não da própria pele.
Assim, a correção é “será levado ao cohen” (Levítico 13:2): fazer descer a luz de Abá, que repele as forças externas, para que as kelipot recebam sustento somente dos “pelos” de Nukvá, e não da própria pele.
O parágrafo define a aflição nos mundos superiores como o sustento que a kelipá nogá de Atsilut recebe da “pele” de Zeir Anpin e de Nukvá quando Abá se retrai; a correção do cohen consiste em fazer Abá descer novamente, de modo que a kelipá nogá possa receber sustento somente dos “pelos”.
O Rebe Rashab (no maamar Amar LiTzafon Teni, 5650, citado nas notas) observa que, aqui, repelir a aflição por meio da luz de Abá significa que as kelipot recebem sustento somente dos pelos de Nukvá, e não da pele; ele também indica outros lugares em que isso é explicado de outra maneira.
Marei mekomot
- 1והובא אל הכהן · Leviticus 13:2
- 2שלא יהי׳ יניקת הקליפות רק משערות דנוק׳ · בד״ה אמר לצפון תני — תר״ן ע׳ שצ כ׳ דכאן מבואר שדחיית הנגע נעשה ע״י אור אבא הוא שלא ינקו מהעור כ״א מהשערות דנוקבא, ומציין לכמה מקומות שמבואר באופן אחר ע״ש.
25והנה הנגע הוא בהרת לבנה1 ועד״מ [ועל דרך משל] למטה באדם הוא ענין הסתלקות הדם מאותו מקום כי הדם הוא הנפש.2
Ora, a aflição é uma bahéret branca. A título de analogia, abaixo, no ser humano, isso corresponde à retirada do sangue daquele lugar, pois “o sangue é a alma”.
A aflição é uma mancha branca (Levítico 13:4). No corpo humano, a brancura significa que o sangue se retirou daquele lugar; e “o sangue é a alma” (Deuteronômio 12:23), o veículo da vida.
ועמ״ש בביאור בשעה שהקדימו3 נעשה4 ובד״ה לסוסתי5 וכך למעלה בחי׳ החכמה תחיה והוא בחי׳ אדם א׳ דם ובהסתלקות אור אבא הוא ענין הסתלקות בחי׳ והחכמה תחי׳ מאותו בחי׳ עור.
Veja o que está escrito na explicação de “Quando puseram ‘faremos’ antes”, e no discurso que começa com “À minha égua”. Assim também acima: o nível de Chochmá é “e a Chochmá dá vida”, e este é o nível de Adam, alef [junto a] dam (“sangue”); e a retirada da luz de Abá corresponde à retirada do nível de “e a Chochmá dá vida” daquele nível de pele.
Acima, Chochmá é aquilo que “dá vida” (Eclesiastes 7:12), e adam, “homem”, é alef unido a dam, “sangue”: Chochmá dentro do sangue. A retirada de Abá é a retirada dessa Chochmá que dá vida daquela “pele”. O Alter Rebe remete a dois discursos para mais detalhes.
וזהו ענין הבהרת ועמ״ש מזה ג״כ סד״ה ביום השמע״צ [השמיני עצרת]6 שהבהרת הוא ענין שמעכב ההשפעה והמשכת החיות וע׳ [ועיין] במא״א [במאורי אור] אות ב׳ ס״ח.
E este é o significado da bahéret. Veja também o que está escrito a esse respeito no final do discurso que começa com “No oitavo dia, Atseret”: a bahéret é aquilo que impede o fluxo da influência e a extensão da força vital. Veja também Me’orei Or, letra beit, seção 8.
Essa é a bahéret: ela impede o fluxo da influência e da força vital, como explicado no final do discurso de Shemini Atseret.
ואח״כ [ואחר כך] כשיש שער לבן יונקי׳ [יונקים] ק״נ [קליפת נוגה] מהעור ע״י השער לבן כו׳ ולכן צריך הסגר (ופי׳ וענין עור יובן ע״ד [על דרך] שנת׳ [שנתבאר] למעלה בענין פי׳ קשר של תפילין למעלה שהוא מבחי׳ עור כו׳.
Depois, quando há um pelo branco, as kelipot nogá recebem sustento da pele por meio do pelo branco, etc.; por isso, é necessária a reclusão. (O significado e o conceito de “pele” serão compreendidos à luz do que foi explicado acima sobre o significado do nó dos tefilin acima, que é do nível de pele, etc.)
Então, quando aparece um pelo branco, nogá recebe sustento da pele por meio do pelo, motivo pelo qual a pessoa afetada deve ser colocada em reclusão. A “pele” acima deve ser compreendida à semelhança do nó dos tefilin explicado anteriormente, que pertence ao nível de pele.
ועד״ז [ועל דרך זה] יובן גם כאן פי׳ וענין יניקת ק״נ [קליפת נוגה] דאצילות מעור דז״א [דזעיר אנפין]. ועיין בע״ח [בעץ חיים] בדרוש הנגעים שם7 ולכן תמורת ג׳ אורות אשר8 יוצאין ומתקנין את לאה ורחל כו׳
Da mesma forma, também aqui se compreenderá o significado e o conceito de as kelipot nogá de Atsilut receberem sustento da pele de Zeir Anpin. Veja Etz Chaim, no discurso sobre as aflições, ali: “E, portanto, em lugar de três luzes que saem e retificam Leah e Rachel”, etc.,
Da mesma forma, nogá de Atsilut recebe sustento da “pele” de Zeir Anpin. A discussão do Arizal sobre as aflições em Etz Chaim fala de luzes que saem para retificar Leah e Rachel, duas configurações da Malchut feminina.
ואל תתמה בזה כי הנגע אינו טומאה בעצמה רק בחי׳ דינא קשיא כו׳ ע״ש [עיין שם] והיינו שמהנגע נמשך אח״כ [אחר כך] יניקה לק״נ [לקליפת נוגה] דאצילות כו׳ וזהו הטומאה כשמטמאים הנגע ועיין בהרמ״ז [בהרב משה זכות] ס״פ תזריע).
“e não se espante com isso, pois a aflição não é impureza em si, mas apenas um nível de julgamento severo”, etc.; veja ali. Isto é: da aflição, posteriormente, estende-se sustento para as kelipot nogá de Atsilut, etc.; e isso é a impureza quando a aflição é declarada impura. Veja também o Ramaz no final de Parshat Tazria.)
Etz Chaim acrescenta que a aflição não é impureza em si, mas apenas julgamento severo. A impureza é o sustento que nogá recebe posteriormente dela; é isso que se quer dizer quando a aflição é declarada impura.
ובזה יובן ענין אם שער לבן קודם לבהרת טהור כי כך הוא הדבר שיש יניקה לק״נ [לקליפת נוגה] דאצי׳ [דאצילות] משערות דנוק׳ [דנוקבא]
Com isso, compreender-se-á o significado de “se o pelo branco precedeu a bahéret, é puro”. Pois assim é: as kelipot nogá de Atsilut de fato recebem sustento dos pelos de Nukvá,
Agora se pode explicar a lei: se o pelo branco apareceu antes da mancha, a pessoa é pura. Pois nogá de Atsilut sempre recebe algum sustento dos “pelos” de Nukvá.
כי מאחר שהקב״ה [שהקדוש ברוך הוא] ברא אותן ממילא מוכרח להיות להם יניקה והיינו מבחי׳ השפעה אחרונה דאצי׳ [דאצילות].
pois, uma vez que o Santo, bendito seja Ele, as criou, é necessariamente preciso que recebam sustento, a saber, do último fluxo de influência de Atsilut,
Como D'us criou as kelipot, elas precisam necessariamente de algum sustento, que provém do último fluxo de influência de Atsilut.
דהיינו בחי׳ שערות שהן גדילי׳ [גדילים] מהעור והשערות הוא בחי׳ היותר אחרונה ולמטה מטה מהעור שהרי מהעור יצא דם ע״י נקב
Isto é, o nível dos pelos, que crescem da pele. Os pelos são o nível mais inferior de todos, abaixo até mesmo da pele; pois da pele sai sangue por meio de uma perfuração.
Esse fluxo final é o “pelo”, que cresce da pele e está abaixo dela. A pele ainda contém vida: quando é perfurada, sai sangue.
(וא״כ [ואם כן] מלובש בו עצמיות האור והחיות מבחי׳ ח״ע [חכמה עילאה] המלובש בהדם ועיין בלק״ת [בלקוטי תורה (להאריז״ל)] פ׳ וירא9 גבי ענין הדפק כו׳) משא״כ השערות
(e, portanto, a própria essência da luz e da força vital do nível de Chochmá suprema, que está revestida no sangue, está revestida nela; e veja Likkutei Torah do Arizal, Parashat Vayera, sobre o assunto do pulso, etc.), o que não ocorre com os pelos.
Assim, a pele contém a própria essência da luz e da vida de Chochmá suprema, que está revestida no sangue; o Likkutei Torah do Arizal sobre Vayera aborda isso em conexão com o pulso. O pelo não contém essa vida.
ולכן מהשערות ניתן להם יניקה וכיון ששער לבן קדמה לבהרת אין להם יניקה בהעור רק מהשערות ולכן הוא טהור.
Portanto, é-lhes concedida nutrição dos pelos; e, como o pelo branco veio antes da bahéret, eles não recebem nutrição da pele, mas somente dos pelos, e por isso é puro.
Assim, é permitido às kelipot receber nutrição do pelo. Se o pelo branco veio primeiro, elas extraem nutrição somente do pelo, e não da pele, e a pessoa é pura.
אבל אם בהרת קדמה לשער לבן היינו שיש יניקה לנוגה דאצי׳ [דאצילות] מעור הנוק׳ [הנוקבא] כי תרגום צרעת סגירו.10 סגירו דנהורא11 שהן מוחין דאבא שלא נתגלו בזו״נ [בזעיר אנפין ונוקבא].12
Mas, se a bahéret veio antes do pelo branco, isso significa que Nogá de Atsilut recebe nutrição da pele de Nukvá; pois o Targum traduz tsaraat como segiru, “o fechamento da luz”, que são os mochin de Abá que não foram revelados em Zeir Anpin e Nukvá.
Mas, se a mancha veio primeiro, Nogá está extraindo nutrição da própria “pele” de Nukvá. O Targum chama tsaraat de segiru, e o Zohar a chama de “o fechamento da luz”: os mochin de Abá que não foram revelados em Zeir Anpin e Nukvá.
O parágrafo relaciona a lei à estrutura superna: a mancha branca é a retirada da vida de Chochmá da “pele”, e o pelo branco é o canal pelo qual nogá recebe sustento. Se o pelo apareceu primeiro, nogá recebe sustento apenas dos “pelos”, sua porção final designada, e a pessoa é pura; se a mancha apareceu primeiro, nogá se alimenta da própria pele, e a pessoa é impura.
Uma nota da Kehot registra que a formulação em Etz Chaim é “luzes, etc., que”, em vez de “três luzes que”. No discurso sobre Bamidbar citado (14c), o Alter Rebe explica que as leis da Torá têm sua raiz nos “pelos” de Gulgalta, o nível exterior de Kéter, que provêm de sua sabedoria oculta, ao passo que as mitsvot provêm da brancura entre os pelos.
Marei mekomot
- 1בהרת לבנה · Leviticus 13:4
- 2כי הדם הוא הנפש · Deuteronomy 12:23
- 3בביאור בשעה שהקדימו · לקו״ת במדבר יד, ג.
- 4בשעה שהקדימו נעשה · Shabbat 88a:7–8
- 5לסוסתי · Song of Songs 1:9
- 6סד״ה ביום השמע״צ · לקו״ת שמע״צ פו, א.
- 7בדרוש הנגעים שם · ש׳ לאה ורחל פ״ז. [כ].
- 8ג׳ אורות אשר · אורות כו׳ אשר. [כ].
- 9בלקו״ת פ׳ וירא · ראה הלשון באוה״ת שה״ש-ב ע׳ תפו. נזכר גם לעיל פ׳ פקודי ז, ד. פ׳ אמור לח, ב. סה״מ תקס״ה-א ע׳ תלג. לבן — במ״א ע״פ עד הגל:
- 10צרעת סגירו · Onkelos Leviticus 13:2
- 11סגירו דנהורא · Zohar, Tazria 25:134–27:143
- 12החכ׳ תחי׳ · Ecclesiastes 7:12
26וזהו ענין הבהרת שהיא המעכבת סיבוב והילוך והתפשטות הנפש והחיות במקום זה. וברוחניות למעלה זהו ענין עיכוב ומניעת התגלות המוחין דאבא כו׳ וכן ענין כל הד׳ מראות נגעים.1
Este é o significado da bahéret: ela impede a circulação, o fluxo e a expansão da alma e da força vital naquele lugar. E, espiritualmente, no alto, isso corresponde à retenção e à prevenção da revelação do intelecto (mochin) de Abá, etc.; e o mesmo se aplica às quatro aparências de aflições.
A bahéret, uma mancha branca, impede o fluxo de vida para aquele lugar. No alto, corresponde à retenção da revelação dos mochin, o intelecto de Abá; o mesmo se aplica às quatro aparências de aflições enumeradas na Mishná.
ולכן כשהבהרת קדמה לשער לבן אזי יונק ק״נ [קליפת נוגה] דאצי׳ [דאצילות] מעצמיות עור הנוק׳ [הנוקבא] ע״י השער לבן כו׳ שהיניקה נק׳ ע״ש [על שם] שער לבן
Portanto, quando a bahéret precedeu o pelo branco, a kelipá nogá (a casca luminosa) de Atsilut recebe vitalidade da própria essência da pele de Nukvá por meio do pelo branco, etc., sendo essa vitalidade denominada pelo pelo branco.
Assim, quando a mancha surgiu antes do pelo branco, a nogá de Atsilut recebe vitalidade da própria substância da “pele” de Nukvá. Isso ocorre por meio do pelo branco, que dá nome a essa vitalidade.
(כי זה לעומ״ז [לעומת זה] עשה2 וכנודע מענין לבן ויעקב שיש לובן העליון בקדושה בגדי לבן ושער רישי׳ [רישיה] כעמר נקא.3 ולעומת זה ג״כ לבן דקליפה כו׳ וכמ״ש בפרדס ש״ג פ״ז [פרק ז׳] וכמ״ש ג״כ במ״א ע״פ עד הגל4 כו׳)
(Pois “Ele fez um em oposição ao outro”, como se sabe a respeito de Lavan e Yaakov: há a brancura suprema na santidade, as vestes brancas e “os cabelos de Sua cabeça eram como lã limpa”; e, em oposição a ela, há também o “branco” (lavan) da kelipá, etc., como está escrito no Pardes, Shaar 3, capítulo 7, e como também é explicado em outro lugar sobre o versículo “O monte é testemunha”, etc.).
Santidade e kelipá refletem-se uma na outra: “D'us fez um em oposição ao outro” (Eclesiastes 7:14). Há uma brancura santa — as vestes brancas do Cohen Gadol e os cabelos “como lã limpa” do Ancião dos Dias (Daniel 7:9) — e, em oposição a ela, o “branco” da kelipá, representado por Lavan (“branco”) em contraste com Yaakov.
והנה מק״נ [מקליפת נוגה] דאצי׳ [דאצילות] נמשך אח״כ [אחר כך] גם בעשיי׳ [בעשייה] ששם הם עומקי׳ [עומקים] הקליפות. ולכן אם בהרת קודמת לשער לבן הוא טמא וצריך תיקון ע״י הסגר כו׳.
Ora, dessa kelipá nogá de Atsilut [a vitalidade] é depois também atraída para Assiá, onde se encontram as profundezas das kelipot. Portanto, se a bahéret precedeu o pelo branco, a pessoa é impura e necessita de retificação por meio da quarentena, etc.
Dessa nogá de Atsilut, essa vitalidade estende-se para baixo, até Assiá, onde as kelipot são mais profundas. Assim, se a mancha surgiu primeiro, a pessoa é impura e necessita do remédio da quarentena.
ספק קוב״ה [קודשא בריך הוא] אמר טהור. וכולהו מתיבתא דרקיע אמרי טמא.5 כי ע״פ ההשגה של המתיבתא הרי כך הוא דין תורה דכל ספיקא דאורייתא לחומרא.6
[Num caso de] dúvida, “o Santo, bendito seja Ele, disse: ‘Puro’, e toda a Academia Celestial disse: ‘Impuro’.” Pois, segundo a compreensão da Academia, essa é a lei da Torá: toda dúvida relativa a uma lei da Torá é [decidida] com rigor.
Agora, a própria divergência: no caso duvidoso, D'us disse “puro”, e a Academia disse “impuro”. A Academia baseou-se na regra geral de que uma dúvida relativa a uma lei da Torá é decidida com rigor (Beitzah 3b).
אבל הקב״ה [הקדוש ברוך הוא] אמר טהור היינו שכאן אין מטמא אא״כ [אלא אם כן] ודאי הבהרת קדמה אבל אם הוא ספק שאין נודע לנו אם הבהרת קדמה טהור הוא.
Mas o Santo, bendito seja Ele, disse: “Puro”; isto é, neste caso, a pessoa não se torna impura a menos que seja certo que a bahéret veio primeiro. Mas, se há dúvida e não se sabe se a bahéret veio primeiro, ela é pura.
A decisão de D'us significa que, neste caso, a pessoa só se torna impura se for certo que a mancha surgiu primeiro; se isso não é sabido, ela é pura.
אף שיוכל להיות שהבהרת קדמה מ״מ [מכל מקום] כאן הוא גזה״כ [גזירת הכתוב] שכל שהוא ספק אצלנו ולא נודע לנו שהבהרת קדמה אינו טמא.
Embora seja possível que a bahéret tenha surgido primeiro, ainda assim, neste caso, há um decreto da Escritura de que aquilo que é duvidoso para nós — quando não se sabe que a bahéret surgiu primeiro — não torna a pessoa impura.
Embora a mancha possa de fato ter surgido primeiro, a Escritura decreta que, neste caso, a dúvida não torna a pessoa impura.
והיינו או משום שכל שלא נודע שהבהרת קדמה אין נמשך להם יניקה יותר מהראוי או שלא יהיה מיניקה זו התעוררות דינים
Isso se deve ou ao fato de que, enquanto não se sabe que a bahéret surgiu primeiro, não lhes é atraída mais vitalidade do que a apropriada, ou ao fato de que dessa vitalidade não resultará um despertar de julgamentos.
São apresentadas duas razões: enquanto isso não é sabido, as kelipot não recebem mais vitalidade do que lhes cabe; ou a vitalidade que recebem não desperta julgamentos.
(ויש למצוא קצת טעם לזה בהא דבידיעה תליא מילתא בספק זה שבטומאת צרעת, והוא ע״פ מ״ש הרמ״ז [הרב משה זכות] ס״פ תזריע וז״ל [וזה לשונו] והבן ענין גדול שאין טומאת הצרעת ככל שאר טומאות שזו אין טומאתה נודעת ולא מטמאה עד שיבוא הכהן כנודע כו׳ עכ״ל [עד כאן לשונו].
(Pode-se encontrar alguma razão para isso no fato de que, nesta dúvida relativa à impureza de tzaraat, a questão depende do conhecimento, com base no que o Ramaz escreve no fim da Parashat Tazria. Estas são suas palavras: “Compreenda uma questão importante: a impureza de tzaraat não é como todas as demais impurezas, pois sua impureza não é conhecida, e ela não torna impuro até que venha o cohen, como é sabido”, etc. Fim da citação.
O apoio vem do Ramaz (Rabi Moshe Zacuto): tzaraat difere de todas as demais impurezas, pois não é impura até que venha o cohen e sua impureza se torne conhecida. Sua impureza depende do conhecimento.
וע״ש [ועיין שם] הטעם ע״פ הע״ח [העץ חיים]. וא״כ [ואם כן] הרי אפי׳ [אפילו] בצרעת שהיא ראויה להיות ודאי טמא עכ״ז [עם כל זה] גזה״כ [גזירת הכתוב] הוא שאינה מטמא עד שיבוא הכהן ויוודע טומאתה מהכהן כו׳,
Veja ali a razão, de acordo com Etz Chaim. Sendo assim, mesmo no caso de tzaraat que deveria ser certamente impura, ainda assim é um decreto da Escritura que ela não torna impuro até que venha o cohen e sua impureza se torne conhecida por meio do cohen, etc.;
Assim, mesmo um caso que deveria ser certamente impuro não é impuro até que o cohen o conheça e o declare, por decreto da Escritura; o Ramaz explica por quê, com base em Etz Chaim.
לכן שפיר י״ל [יש לומר] הטעם דספק זה טהור משום דכל שהוא ספק ולא נודע שהבהרת קדמה טהור), וכה״ג [וכהאי גוונא] הוא ענין ספק ממזר7 דארז״ל [דאמרו רבותינו זכרונם לברכה] ממזר ודאי לא יבא8 אבל ספק ממזר כשר מדאורייתא לבוא בקהל:
portanto, pode-se bem dizer que a razão pela qual esta dúvida é pura é que tudo o que é duvidoso, quando não se sabe que a baheret surgiu primeiro, é puro.) Algo semelhante ocorre no caso de um mamzer duvidoso, como disseram nossos Sábios, de abençoada memória: um mamzer certo não poderá entrar [na congregação], mas, segundo a lei da Torá, um mamzer duvidoso é apto a entrar na congregação.
Conclui-se que um caso desconhecido, isto é, duvidoso, é puro. O mesmo princípio aparece no caso de um mamzer duvidoso: a Torá impede apenas um mamzer certo de entrar na congregação, ao passo que, segundo a lei da Torá, um duvidoso pode entrar (Kiddushin 73a).
O parágrafo aplica a análise à halachá e à divergência no alto: quando a mancha surge primeiro, a nogá se alimenta da pele de Nukvá e a pessoa é impura. A Academia aplicou a regra geral de que dúvidas relativas à Torá são tratadas com rigor, mas D'us decidiu “puro”, pois a impureza de tzaraat depende de isso ser sabido, como no caso do mamzer duvidoso.
A nota da Kehot registra que essa comparação entre o caso duvidoso de tzaraat e o mamzer duvidoso também é mencionada nas responsas do Tsemach Tsedek (Even HaEzer, sec. 327).
Marei mekomot
- 1הד׳ מראות נגעים · Mishnah Negaim 1:1
- 2זה לעומ״ז עשה · Ecclesiastes 7:14
- 3ושער רישי׳ כעמר נקא · Daniel 7:9
- 4עד הגל · Genesis 31:52
- 5ספק קוב״ה אמר טהור. וכולהו מתיבתא דרקיע אמרי טמא · Bava Metzia 86a:7–8
- 6ספיקא דאורייתא לחומרא · Beitzah 3b:6–7
- 7וכה״ג הוא ענין ספק ממזר · ענין זה נזכר בשו״ת צמח צדק חלק אהע״ז סי׳ שכז (בהוצאת תשנ״ה).
- 8ממזר ודאי לא יבא · Kiddushin 73a
Por que a Academia não conhecia a razão ¶27–30
27ה אך להבין הענין שהמתיבתא דרקיעא אע״פ [אף על פי] שזכו לגילוי זה דקוב״ה [דקודשא בריך הוא] אמר טהור. עכ״ז [עם כל זה] הטעם לא ידעו1 עד שאמרו מאן נוכח כו׳.
5. Mas é preciso compreender: embora a Academia Celeste tenha merecido essa revelação, quando o Santo, bendito seja Ele, disse “Puro”, ainda assim não conheciam a razão, de modo que disseram: “Quem decidirá?”, etc.
A seção 5 pergunta: se a Academia teve o mérito de ouvir D'us dizer “puro”, por que não conhecia a razão e precisou que alguém decidisse?
והענין כי הנה מבואר למעלה כי התנאים ואמוראים היו תורתם אומנתם הכל להמשיך מכתר עליון מלמעלה למטה מבחי׳ סוכ״ע [סובב כל עלמין] לבחי׳ מל׳ [מלכות] שהוא בחי׳ ממכ״ע [ממלא כל עלמין].
A explicação é a seguinte. Como foi explicado acima, para os Tanaim e Amoraim, cuja ocupação era a Torá, tudo consistia em fazer descer do Kéter Supremo, de cima para baixo: do nível da luz que circunda todos os mundos (sovev kol almin) ao nível de Malchut (soberania), que é o nível da luz que preenche todos os mundos (memalê kol almin).
Como explicado anteriormente, os Tanaim e Amoraim, cuja ocupação inteira era a Torá, faziam descer a luz do Kéter Supremo, do nível abrangente (sovev), para Malchut, o nível que permeia (memalê).
והנה בחי׳ סוכ״ע [סובב כל עלמין] א״א [אי אפשר] שיאיר בהכלי בהתגלות ממש בהשגה אפילו בג״ע [בגן עדן] עד תח״ה [תחיית המתים] (וכמ״ש באגה״ק [באגרת הקודש] ד״ה נודע דבאתעדל״ת [דבאתערותא דלתתא] כו׳ ע״ש [עיין שם]), רק הארתו מאיר בהעלם
Ora, o nível de sovev kol almin não pode brilhar no recipiente em revelação efetiva, de modo compreensível, nem mesmo no Gan Éden, até a Ressurreição dos Mortos (como está escrito em Igueret HaKodesh, na seção que começa “É sabido que, por meio de um despertar de baixo”, etc.; veja ali); somente sua irradiação brilha de forma oculta,
Mas a luz abrangente não pode ser revelada abertamente num recipiente, de modo compreensível, nem mesmo no Gan Éden, até a Ressurreição dos Mortos, como explica Igueret HaKodesh. Somente sua irradiação brilha ali de maneira oculta.
כי מחמת שהאור פנימי והאור מקיף הם דבקים יחד זה עם זה לכן הארה מן המקיף זורח בפנימי בהעלם וכמש״ל [וכמה שכתוב לעיל]
pois, como a luz interior e a luz abrangente estão unidas uma à outra, uma irradiação da luz abrangente brilha de forma oculta na luz interior, como foi escrito acima
Isso é possível porque as luzes interior e abrangente estão unidas uma à outra; assim, a luz abrangente brilha na luz interior de forma oculta, como explicado no início.
(ועמ״ש בביאור ע״פ יביאו לבוש מלכות23 בענין שהמקיף מצחצח חצי הכלי כו׳. ועי׳ [ועיין] בפע״ח [בפרי עץ חיים] בשער השבת פי״ב בענין סכך הסוכה שצ״ל [שצריך להיות / שצריך לומר / שצריך להבין] לכתחלה בענין שיהיו כוכבים נראים מתוכו שהם ניצוצי החסדים המאירים ממקומם דרך הנקבים כו׳
(Veja o que está escrito na explicação do versículo “Tragam uma veste real”, a respeito de como a luz abrangente lustra metade do recipiente, etc. E veja Pri Etz Chaim, Shaar HaShabbos, capítulo 12, sobre o revestimento (sechach) da sucá, que idealmente deve ser disposto de modo que as estrelas sejam visíveis através dele: elas são centelhas dos chassadim (bondades), que brilham de seu lugar através das aberturas, etc.;
O parêntese cita o discurso sobre “Tragam uma veste real” (Esther 6:8), a respeito de como a luz abrangente lustra metade do recipiente. Pri Etz Chaim diz que o revestimento da sucá, que representa as luzes abrangentes, idealmente deve permitir que as estrelas sejam vistas através dele; as estrelas são centelhas de bondade que brilham pelas aberturas.
והסכך הוא בחי׳ מקיפים כנודע אלא שמ״מ [שמכל מקום] הארת המקיף מאיר בהא״פ [בהאור פנימי] וזהו ענין הנקבים כו׳ ועמ״ש באגה״ק [באגרת הקודש] ע״פ וילבש צדקה כשריון)4 וידוע כי היום לעשותם5 ולמחר לקבל שכרם.6
e o sechach é o nível das luzes abrangentes, como é sabido; contudo, a irradiação da luz abrangente brilha na luz interior, e esse é o significado das aberturas, etc. Veja também o que está escrito em Igueret HaKodesh sobre o versículo “E vestiu a tsedacá como uma couraça”.) Ora, é sabido que “hoje é para praticá-las, e amanhã para receber sua recompensa”.
As aberturas no revestimento mostram que a luz abrangente ainda brilha na luz interior. Em seguida, vem o princípio central: “Hoje é para praticá-las, e amanhã para receber sua recompensa” (Eruvin 22a): este mundo é para cumprir as mitsvot; o próximo, para receber sua recompensa.
ולכן בג״ע [בגן עדן] כשלמדו התורה שם ע״ד [על דרך] קיבול שכר הנה עם היות כי אע״פ [אף על פי] שאור המתגלה בג״ע [בגן עדן] הוא מבחי׳ ממכ״ע [ממלא כל עלמין].
Portanto, no Gan Éden, quando estudavam a Torá ali como forma de receber recompensa, embora a luz revelada no Gan Éden seja do nível de memalê kol almin,
No Gan Éden, onde se estuda a Torá como recompensa, a luz revelada pertence ao nível que permeia (memalê).
אעפ״כ [אף על פי כן] מחמת שהא״מ [שהאור מקיף] שהוא סוכ״ע [סובב כל עלמין] זורח בהא״פ [בהאור פנימי] לכן ראו אור הזורח מסוכ״ע [מסובב כל עלמין] והיינו קוב״ה [קודשא בריך הוא] אומר טהור.
ainda assim, como a luz abrangente, que é sovev kol almin, brilha na luz interior, eles viram a luz que brilha de sovev kol almin; e isso é “o Santo, bendito seja Ele, diz: ‘Puro’”.
No entanto, como a luz abrangente brilha de forma oculta na luz interior, as almas ali também perceberam a luz de sovev; é isso que significa “o Santo, bendito seja Ele, diz: ‘puro’”.
A seção 5 começa a explicar por que a Academia ouviu a decisão de D'us, mas não sua razão: a luz revelada no Gan Éden pertence ao nível que permeia, e a luz abrangente que a Torá dos Sábios fazia descer brilha ali apenas de forma oculta; a Academia percebeu isso como “o Santo diz: ‘puro’”.
O Rebe (Kuntres Torah Chadashah Me’iti Teitzei, 5751, citado nas notas) pergunta como a Academia poderia decidir contra aquilo que ouviu D'us dizer. Ele responde que a decisão precisava seguir o próprio entendimento deles: como não apreenderam a razão de D'us, tinham de decidir conforme o que seu entendimento aceitava; ele remete a esta passagem.
Marei mekomot
- 1הטעם לא ידעו · ”לכאורה כששומעים שהקב״ה אומר כך, איך אומרים דלא כהקב״ה — אלא כיון שהפס״ד שלהם צ״ל ע״פ דעתם, לכן, כשלא השיגו בדעתם הטעם של הקב״ה, הוכרחו לפסוק כפי שמתקבל בדעתם (ראה לקו״ת תזריע כד, ב ואילך)” — קונטרס בענין תורה חדשה מאתי תצא — תנש״א הערה 61.
- 2ע״פ יביאו לבוש מלכות · תו״א צב, ב.
- 3יביאו לבוש מלכות · Esther 6:8
- 4וילבש צדקה כשריון · Isaiah 59:17
- 5היום לעשותם · Deuteronomy 7:11
- 6ולמחר לקבל שכרם · Eruvin 22a:5–6
28וכנ״ל שקדוש הוא בחי׳ כתר סוכ״ע [סובב כל עלמין] אשר ע״פ הארת הכתר והחכמה שמאיר בג״ע [בגן עדן] דין הוא שספק זה טהור אכן לא השיגו
Como mencionado acima, “santo” é o nível de Kéter (a Coroa), sovev kol almin; e, de acordo com o brilho de Kéter e Chochmá que ilumina no Gan Éden, a lei é que essa dúvida é pura. Contudo, eles compreenderam
Como dito no início, “santo” é Kéter, a luz que circunda todos os mundos. Pelo brilho de Kéter e Chochmá que ilumina no Gan Éden, o caso duvidoso é puro, mas a Academia apreendeu apenas uma parte disso.
רק גילוי הרצון שכך טהור אבל האור והפנימי׳ [והפנימיות / והפנימית] והטעם של הרצון מדוע ספק זה הוא טהור לא השיגו.
somente a revelação da vontade — que é puro; mas não compreenderam a luz, a dimensão interior e a razão da vontade: por que essa dúvida é pura.
Eles apreenderam apenas a vontade revelada, segundo a qual é puro, mas não a luz interior nem a razão dessa vontade.
והיינו מחמת כי התגלות הנ״ל הוא מבחי׳ מקיף וסוכ״ע [וסובב כל עלמין] שאינו זורח בהא״פ [בהאור פנימי] רק בהעלם ולא בהתגלות ממש
Isso se deve ao fato de que essa revelação provém do nível envolvente e de sovev kol almin, que ilumina a luz interior apenas de forma oculta, e não em revelação efetiva
Isso se deve ao fato de que a revelação provinha do nível envolvente, que ilumina a luz interior apenas de modo oculto, e não abertamente.
(ולכן השיגו הפסק דין שספק זה טהור אכן הטעם שהוא הפנימיות לא השיגו וכמו ע״ד [על דרך] גולגלת׳ [גולגלתא] דחפיא על מוחא.
(e, por isso, compreenderam a decisão de que essa dúvida é pura, mas não compreenderam a razão, que é a dimensão interior; como na imagem do “crânio (Gulgalta) que cobre o cérebro”.
Assim, conheciam a decisão, mas não sua razão interior. A imagem é a do “crânio que cobre o cérebro”: o nível exterior de Kéter, a Gulgalta, cobre sua sabedoria interior e oculta.
שמו״ס [שמוחא סתימאה] שהוא פנימי׳ [פנימיות / פנימית] הכתר לא יכול לבא בגילוי כלל עד לע״ל [לעתיד לבוא] שיתגלו טעמי תורה1 והגילוי שבתורה שלפנינו הוא מבחי׳ גלגלתא שהוא הרצון בחי׳ חיצוניות כו׳ אלא שזהו בהיום לעשותם
Pois o cérebro oculto (Mocha Stima’ah), que é a dimensão interior de Kéter, não pode vir à revelação de modo algum até o Tempo Vindouro, quando as razões da Torá serão reveladas; e a revelação da Torá tal como a temos provém do nível da Gulgalta, que é a vontade, o nível da dimensão exterior (chitsoniyut), etc. Mas isso se aplica a “hoje, para cumpri-los”.
A Mocha Stima’ah, o cérebro oculto e a dimensão interior de Kéter, será revelada somente no Tempo Vindouro, quando as razões da Torá forem reveladas. A Torá revelada a nós agora provém da Gulgalta, a vontade de D'us, o nível exterior: ela nos diz o que fazer, a tarefa de “hoje”.
אך כמ״כ [כמו כן] בג״ע [בגן עדן] הגם שהוא בחי׳ לקבל שכרם אבל להיות ששם הגילוי מבחי׳ ממכ״ע [ממלא כל עלמין] ומבחינת סוכ״ע [סובב כל עלמין] אינו מאיר כ״א [כי אם] בבחי׳ העלם מה שהמקיף זורח הארה בא״פ [באור פנימי].
Assim também no Gan Éden: embora seja o nível de “receber sua recompensa”, visto que a revelação ali provém do nível de memalê kol almin, e do nível de sovev kol almin brilha apenas, de forma oculta, o brilho que a luz envolvente projeta na luz interior,
O Gan Éden é o lugar de “receber a recompensa”; contudo, sua revelação é do nível imanente, e a luz envolvente brilha ali apenas ocultamente, por meio daquilo que irradia na luz interior.
לכן ענין גילוי זה שאינו גילוי גמור היינו ע״ד [על דרך] הגילוי מבחי׳ גלגלתא דחפיא על מו״ס [מוחא סתימאה] שידעו הפסק דין שכך טהור והטעם שמבחי׳ מו״ס [מוחא סתימאה] לא השיגו כלל)
por isso, essa revelação, que não é uma revelação completa, é semelhante à revelação do nível da Gulgalta que cobre a Mocha Stima’ah: eles conheciam a decisão de que é puro, mas não compreenderam de modo algum a razão, que provém do nível da Mocha Stima’ah.)
Assim, a revelação ali era incompleta, como a Gulgalta que cobre a Mocha Stima’ah: conheciam a decisão, “puro”, mas não sua razão, que pertence ao cérebro oculto.
ואדרבה ע״פ ההשגה שבמתיבתא דרקיעא שהוא מבחי׳ ממכ״ע [ממלא כל עלמין] כנ״ל שהרקיע הוא מבחי׳ בינה כו׳. הנה ע״פ השגה זו אמרו כלהו טמא כדין ספיקא דאורייתא לחומרא.
Ao contrário: de acordo com a compreensão na Academia do Firmamento, que provém do nível de memalê kol almin, como mencionado acima — pois o firmamento é do nível de Biná (entendimento), etc. —, segundo essa compreensão, todos disseram: “impuro”, conforme a lei de que uma dúvida relativa a uma lei da Torá deve ser decidida com rigor.
A compreensão deles, proveniente de Biná, o “firmamento”, no nível de memalê, conduziu-os à conclusão oposta: “impuro”, segundo a regra de que uma dúvida relativa a uma lei da Torá é tratada com rigor.
אמרו מאן נוכח נוכח רבה בר נחמני2 דאמר רב״נ [רבה בר נחמני] אני יחיד בנגעים כו׳ ולכן ידע הדין על מקורו.
Disseram: “Quem decidirá? Rabbah bar Nachmani decidirá”, pois Rabbah bar Nachmani disse: “Sou único nas [leis das] aflições de tzaraat”, etc.; e, por isso, conhecia a lei em sua origem.
Assim, perguntaram quem decidiria, e a resposta foi Rabbah bar Nachmani, “único nas aflições de nega’im”, que conhecia a lei em sua origem, como explica o parágrafo seguinte.
O parágrafo explica por que a Academia conhecia a decisão de D'us, mas não sua razão: a decisão provinha do nível envolvente de Kéter, que ilumina no Gan Éden apenas de forma oculta, como a Coroa exterior que cobre o cérebro oculto. Segundo sua própria compreensão, proveniente de Biná, eles decidiram que era “impuro”; por isso precisaram de Rabbah bar Nachmani, que conhecia a lei em sua fonte.
Marei mekomot
- 1לע״ל שיתגלו טעמי תורה · ראה רש״י שה״ש א, ב.
- 2מאן נוכח נוכח רבה בר נחמני · Bava Metzia 86a:7–8
29ומצא פסוק ודרש שגם בתורה כתוב שאין טמא אא״כ [אלא אם כן] ודאי בהרת קדמה אבל ספיקו טהור.
E encontrou um versículo e o interpretou: também está escrito na Torá que não há impureza, a menos que certamente a bahéret tenha surgido primeiro; mas, em caso de dúvida, é puro.
Rabbá bar Nachmani encontrou um versículo e o interpretou: a própria Torá ensina que a pessoa é impura somente quando é certo que a mancha surgiu primeiro, ao passo que, em caso de dúvida, é pura. Esta é a derivação de “para declará-lo puro ou para declará-lo impuro”, citada no início do maamar.
משא״כ לפי השגת המתיבתא דרקיעא לא מצאו זה בתורה שיהיה ספיקו טהור רק ששמעו ע״ד [על דרך] קיבול שכר בג״ע [בגן עדן] שקוב״ה [שקודשא בריך הוא] אמר טהור.
Ao passo que, segundo a compreensão da Academia Celestial, eles não encontraram na Torá que, em caso de dúvida, deveria ser puro; apenas ouviram, como recompensa no Gan Éden, que o Santo, bendito seja Ele, disse: “Puro”.
A Academia não encontrou tal ensinamento na Torá. Apenas ouviram, como parte de sua recompensa no Gan Éden, que D'us disse “puro”.
אבל לפי השגתם בתורה נראה להם שהוא טמא והיינו לפי שהשגתם בג״ע [בגן עדן] הוא מבחי׳ ממכ״ע [ממלא כל עלמין] כו׳.
Mas, segundo a compreensão que tinham da Torá, parecia-lhes que era impuro; isso se deve ao fato de que sua compreensão no Gan Éden provém do nível da luz que preenche todos os mundos (memalê kol almin), etc.
Segundo sua própria compreensão da Torá, o caso parecia impuro, porque sua compreensão no Gan Éden provém do nível imanente, memalê kol almin.
O parágrafo contrapõe Rabbá bar Nachmani, que encontrou na Torá a fonte para que o caso duvidoso fosse considerado puro, à Academia, que apenas ouviu a decisão de D'us e, segundo sua própria compreensão, considerou o caso impuro.
30ועפ״ז [ועל פי זה] נראה להם שספק זה צ״ל [צריך להיות / צריך לומר / צריך להבין] טמא כנ״ל. ומה שלמעלה מבחי׳ השגה נק׳ עדן שע״ז [שעל זה] ארז״ל [אמרו רבותינו זכרונם לברכה] עין לא ראתה1 כו׳ והיא בחי׳ המקיף רק מ״מ [מכל מקום] מה שזורח המקיף בבחי׳ פנימי בהעלם זה ראו בג״ע [בגן עדן]
De acordo com isso, pareceu-lhes que essa dúvida devia ser considerada impura, como mencionado acima. O que está acima do nível da compreensão é chamado Éden, a respeito do qual nossos Sábios, de abençoada memória, disseram: “Olho algum viu”, etc.; esse é o nível da luz que circunda todos os mundos (sovev kol almin). No entanto, aquilo que a luz circundante faz brilhar interiormente, de modo oculto, foi o que eles viram no Gan Éden;
O que está acima da compreensão é chamado Éden, a respeito do qual se diz: “Olho algum viu” (Isaías 64:3; Berachos 34b): o nível circundante. O que a Academia viu no Gan Éden foi apenas o brilho oculto daquela luz circundante dentro da luz interior.
לכן השיגו שקוב״ה [שקודשא בריך הוא] אמר טהור אבל טעם ע״ז [על זה] לא השיגו כי המקיף אין זורח בהא״פ [בהאור פנימי] והכלי רק בבחי׳ העלם.
por isso compreenderam que o Santo, bendito seja Ele, dissera “Puro”, mas não compreenderam a razão disso, pois a luz circundante brilha na luz interior e no recipiente somente de modo oculto.
Assim, compreenderam que D'us dissera “puro”, mas não por quê, pois a luz circundante brilha na luz interior e no recipiente somente de modo oculto.
אכן רב״נ [רבה בר נחמני] שהוא יחיד בנגעים פי׳ שמדרגתו הוא מבחי׳ הארה זו עצמה ממש מה שהמקיף זורח בהא״פ [בהאור פנימי] וע״כ [ועל כן] נק׳ יחיד
Mas Rabbah bar Nachmani, que era “único em nega’im”, isto é, cuja posição provinha do próprio nível dessa radiância, daquilo que a luz circundante faz brilhar na luz interior; por isso é chamado “único”,
Rabbah bar Nachmani era “único em nega’im” porque sua própria alma provinha daquela radiância, do brilho da luz circundante na luz interior.
שהוא למעלה ממדרגת שאר כל החכמים שהם מבחי׳ הא״פ [האור פנימי] ומה שהמקיף זורח בהא״פ [בהאור פנימי] הוא בבחי׳ העלם מהם,
pois estava acima do nível de todos os outros sábios, cujas almas provinham do nível da luz interior e para os quais aquilo que a luz circundante faz brilhar na luz interior permanecia oculto;
Isso o situava acima de todos os outros sábios, cujas almas provinham da luz interior e aos quais a radiância da luz circundante permanecia oculta.
אבל רב״נ [רבה בר נחמני] הוא עצמו מבחי׳ הארה זו דהא״מ [דהאור מקיף] מה שזורח בהא״פ [בהאור פנימי] כו׳ וע״כ [ועל כן] מצא טעמו ממש2 שע״פ הדין הכתוב ומפורש בתורה צ״ל [צריך להיות / צריך לומר / צריך להבין] ספק זה טהור הואיל ופתח בו הכתוב בטהרה תחלה3 כו׳.
mas o próprio Rabbah bar Nachmani provinha do nível dessa radiância da luz circundante, daquilo que brilha na luz interior, etc. Por isso encontrou a razão propriamente dita: segundo a lei escrita e explicitamente declarada na Torá, essa dúvida deve ser considerada pura, “pois a Escritura começou primeiro pela pureza”, etc.
Como ele próprio pertencia àquela radiância, pôde encontrar a razão propriamente dita na Torá escrita: a dúvida é pura “pois a Escritura começou primeiro pela pureza” (Nazir 65b).
(וענין בחי׳ זו שנשמתו הוא מהארת המקיף י״ל [יש לומר] ע״ד [על דרך] מ״ש ע״פ אז ישיר משה4 בענין מן המים משיתיהו5 דגבי משה דהיינו מבחי׳ עלמא דאתכסייא שהוא בחי׳ סוכ״ע [סובב כל עלמין] משם נמשך נשמת משה
(O significado desse nível, isto é, de que sua alma provinha da radiância da luz circundante, pode ser compreendido à luz do que está escrito sobre o versículo “Então Moshe cantou”, acerca de “pois eu o tirei da água”, dito a respeito de Moshe: sua alma foi atraída de lá, do nível do mundo oculto, que é o nível da luz que circunda todos os mundos (sovev kol almin);
Uma alma assim pode ser compreendida a partir de Moshe. O maamar sobre “Então Moshe cantou” explica “pois eu o tirei da água” (Êxodo 2:10): a alma de Moshe veio da “água”, o mundo oculto, sovev kol almin.
והיינו מה שהמקיף זורח בפנימי שהרי מן המים משיתיהו ליבשה כו׳. ועמ״ש ג״כ ע״פ ואלה המשפטים67 שמשה שרשו מבחי׳ עגולים ומקיפים סוכ״ע [סובב כל עלמין] כו׳.
e isso é aquilo que a luz circundante faz brilhar na luz interior, pois “eu o tirei da água” para a terra seca, etc. Veja também o que está escrito sobre o versículo “E estas são as leis”, que a raiz de Moshe provém do nível dos círculos e das luzes circundantes, sovev kol almin, etc.
Ser tirado da água para a terra seca representa a luz circundante brilhando na luz interior. O maamar sobre “E estas são as leis” (Êxodo 21:1) também diz que a raiz de Moshe está nos “círculos” e nas luzes circundantes.
ועמ״ש בפ׳ יתרו סד״ה מראיהם ומעשיהם89 בפי׳ ענין משה שפיר קאמרת10 ומשם יובן שיכול להיות בחי׳ המשכת ניצוץ משה ממש ברבה בר נחמני וזהו שהי׳ [שהיה] ג״כ יחיד בבחי׳ זו דהיינו שהוא מבחי׳ הארת המקיף כו׳.)
Veja também o que está escrito na Parashat Yitró, no fim do maamar que começa com “Sua aparência e suas ações”, na explicação de “Moshe, falaste bem”; e daí se compreenderá que é possível que uma centelha propriamente dita de Moshe tenha sido atraída para Rabbah bar Nachmani. Por isso, ele também era “único” nesse nível, isto é, provinha do nível da radiância da luz circundante, etc.)
Os Amoraim diziam a um colega: “Moshe, falaste bem” (Shabbos 101b), e o maamar “Sua aparência e suas ações” mostra que uma centelha propriamente dita de Moshe pode ser atraída para um sábio. Assim, Rabbah bar Nachmani, com a centelha de Moshe, era “único” nesse nível da luz circundante.
(ועיין מ״ש מענין עדן בביאור ענין קי״ס [קריעת ים סוף] גבי והניף ידו על הנהר).1112 והנה לתוספת ביאור בענין קוב״ה [קודשא בריך הוא] אומר טהור י״ל [יש לומר] עפמ״ש [על פי מה שכתוב] בזהר פ׳ בא דל״ו ע״ב13 בשעתא דקוב״ה [דקודשא בריך הוא] אתחזי על גנתא14 כו׳ עד ולא מתפרש מעדן.
(E veja-se o que está escrito sobre o assunto de Éden na explicação do tema da abertura do Mar dos Juncos, a propósito de “Ele erguerá Sua mão sobre o rio”.) Ora, para uma explicação adicional do tema “o Santo, bendito seja Ele, diz: ‘Puro’”, pode-se dizer conforme o que está escrito no Zohar, Parashat Bo, 36b: “Quando o Santo, bendito seja Ele, aparece sobre o jardim”, etc., até “e não se separa de Éden”.
Para saber mais sobre Éden, o Alter Rebe remete à sua explicação da abertura do mar e do futuro “Ele erguerá Sua mão sobre o rio” (Isaías 11:15). Em seguida, acrescenta uma explicação do Zohar: “Quando o Santo, bendito seja Ele, aparece sobre o jardim… não se separa de Éden”.
נמצא שהתגלו׳ [שהתגלות] זו הוא מבחי׳ עדן שהוא בחי׳ חכמה וכתר משא״כ השגת המתיבתא דרקיעא בעצמם בג״ע [בגן עדן] הוא נמשך מבחי׳ בינה דאצי׳ [דאצילות] שהיא בחי׳ רקיע העליון כו׳.
Conclui-se que esta revelação provém do nível de Éden, que é o nível de Chochmá (sabedoria) e Kéter (a Coroa); ao passo que a compreensão da própria Academia Celeste em Gan Éden é extraída do nível de Biná de Atsilut, que é o nível do firmamento superior, etc.
Assim, a aparição de D'us no jardim provém de Éden, que corresponde a Chochmá e Kéter, enquanto a própria compreensão da Academia em Gan Éden provém de Biná de Atsilut, o firmamento superior.
אבל בחי׳ הגילוי דקב״ה [דקודשא בריך הוא] אתי לאשתעשע עם צדיקייא בג״ע [בגן עדן] זהו הגילוי מלמעלה מעלה מבחי׳ בינה.15
Mas o nível da revelação em que “o Santo, bendito seja Ele, vem deleitar-Se com os justos em Gan Éden” é uma revelação de muito acima do nível de Biná.
Portanto, a revelação em que “o Santo, bendito seja Ele, vem deleitar-Se com os justos em Gan Éden” está muito acima de Biná. Por isso, a Academia ouviu a decisão de D'us sem compreender sua razão.
O parágrafo explica por que somente Rabbah bar Nachmani podia decidir: a Academia, cuja compreensão provinha de Biná, percebeu a decisão de D'us apenas como um brilho oculto da luz circundante, ao passo que a alma de Rabbah bar Nachmani, como a de Moshe, provinha daquela própria radiância; por isso, ele pôde encontrar na própria Torá a razão da decisão.
O Rebe (Likkutei Sichos vol. 12, p. 68, citado nas notas) acrescenta que Rabbah bar Nachmani pôde decidir porque sua alma ainda estava revestida de um corpo físico; e o maamar do Alter Rebe Ushavsah de 5562 (impresso em Derech Mitzvosecha 167b) diz que somente aqueles que estão embaixo, revestidos de um corpo, têm o poder de decidir uma lei duvidosa, pois as kelipot ocultam essa lei, e aqueles que estão num corpo podem retificar e elevar aquilo que caiu na quebra.
Marei mekomot
- 1ארז״ל עין לא ראתה · Isaiah 64:3
- 2אבל רב״נ הוא עצמו מבחי׳ הארה זו דהא״מ מה שזורח בהא״פ כו׳ וע״כ מצא טעמו ממש · ראה לקו״ש-יב ע׳ 68 דזה שהי׳ יכול להכריע ולפסוק בזה הוא מפני שנשמתו למטה היתה מלובשת בגוף גשמי. ראה גם ד״ה פדה בשלום — תשמ״ו. ד״ה קדש ישראל — תשמ״ז. בד״ה ושבתה — תקס״ב (נדפס בדרך מצותיך קסז, ב) ”(ולפי שרבה הי׳ יחיד בנגעים ואהלות לכן שאלו ממנו ספק זה, כי לתחתונים דוקא יש כח זה לפסוק הדין שמסתפקים בו מחמת שהקליפות מעלימי׳ על הלכה זו והתחתונים יש בהן כח לברר ולהעלות מהשבירה לפי שהן מלובשים בגוף כו׳ כמ״ש באגה״ק בביאור מאמר הר״מ פ׳ נשא והמשכילים...)”.
- 3הואיל ופתח בו הכתוב בטהרה תחלה · Nazir 65b:5–6
- 4אז ישיר משה · Exodus 15:1
- 5מן המים משיתיהו · Exodus 2:10
- 6ע״פ ואלה המשפטים · תו״א עה, ד.
- 7ואלה המשפטים · Exodus 21:1
- 8סד״ה מראיהם ומעשיהם · תו״א סט, ג.
- 9מראיהם ומעשיהם · Ezekiel 1:16
- 10משה שפיר קאמרת · Shabbat 101b:3
- 11בביאור ענין קי״ס גבי והניף ידו על הנהר · ראה לעיל צו יז, א.
- 12והניף ידו על הנהר · Isaiah 11:15
- 13בזהר פ׳ בא דל״ו ע״ב · ראה גם לקמן שה״ש מח, ד.
- 14בשעתא דקוב״ה אתחזי על גנתא · Zohar, Bo 4:92–5:101
- 15
O deleite de D'us no Gan Éden e a decisão haláchica ¶31–33
31ועמ״ש ע״פ באתי לגני1 כו׳ וע״פ הזהר בפ׳ בראשית דכ״ז ע״ב2 אעשה לו עזר3 בענין מעלת גילוי זה דקב״ה [דקודשא בריך הוא] אתי כו׳.
Veja o que está escrito sobre o versículo “Vim ao Meu jardim”, etc., e sobre o Zohar em Parashat Bereshit, 27b, [a respeito de] “Farei para ele uma ajudante”, acerca da superioridade desta revelação: “o Santo, bendito seja Ele, vem”, etc.
A superioridade desta revelação — D'us vindo para deleitar-Se com os justos — é discutida no discurso “Vim ao Meu jardim” (Song of Songs 5:1) e no Zohar sobre “Farei para ele uma ajudante” (Genesis 2:18).
וזהו ג״כ כענין המבואר במ״א ע״פ ויהי קול מעל לרקיע.45 דפי׳ קול ר״ל [רוצה לומר] המשכה וגילוי מלמעלה מבחי׳ הרקיע והפרסא והוא מבחי׳ סכ״ע [סובב כל עלמין].
E isso também corresponde ao assunto explicado em outro lugar sobre o versículo “E houve uma voz acima do firmamento”: “voz” significa uma extensão e revelação de cima do nível do firmamento e da partição (parsa), e provém do nível da luz que circunda todos os mundos (sovev kol almin).
É como “uma voz acima do firmamento” (Ezekiel 1:25): a “voz” é uma revelação de cima do firmamento e da partição (parsa) entre os níveis, proveniente de sovev kol almin.
O parágrafo sustenta a ideia de que o deleite de D'us com os justos provém de cima do “firmamento”, comparando-o à “voz acima do firmamento” de Ezequiel, uma revelação proveniente de sovev kol almin.
Marei mekomot
- 1באתי לגני · Song of Songs 5:1
- 2וע״פ הזהר בפ׳ בראשית דכ״ז ע״ב · ביאה״ז לכ״ק אדה״א ב, ג.
- 3אעשה לו עזר · Genesis 2:18
- 4ע״פ ויהי קול מעל לרקיע · אוה״ת במדבר ע׳ א׳תכט. ובאוה״ת שמות-ח ע׳ א׳תתקעז עם הגהות.
- 5ויהי קול מעל לרקיע · Ezekiel 1:25
32וכך ענין גילוי זה היא מלמעלה משרש השגת המתיבתא דרקיע ששרש השגתם מבחי׳ רקיע העליון דבינה.
Assim também, esta revelação provém de acima da raiz da compreensão da Academia do Firmamento, cuja compreensão tem sua raiz no nível do firmamento superior de Biná (entendimento).
Esta revelação está acima da raiz da compreensão da Academia, que se encontra no firmamento superior, Biná.
אבל המשכה זו מבחי׳ עדן זהו מעל לרקיע כו׳ וכ״ז [וכל זה] נמשך להם ע״י שבעסק תורתם בהיום לעשותם המשיכו ג״כ מבחי׳ כתר עליון מבחי׳ סוכ״ע [סובב כל עלמין] ועי״ז זוכים ג״כ בג״ע [בגן עדן] לגילוי הארה זו להיות קב״ה [קודשא בריך הוא] אתי לאשתעשעא כו׳.
Mas esta emanação do nível de Éden está “acima do firmamento”, etc. Tudo isso lhes é concedido porque, ao estudarem Torá durante o “hoje, para cumpri-los”, também atraíram do nível de Kéter Supremo (a Coroa), do nível da luz que circunda todos os mundos (sovev kol almin); e, por isso, também merecem, no Gan Éden, a revelação desta irradiação, para que “o Santo, bendito seja Ele, venha deleitar-Se”, etc.
A emanação de Éden está “acima do firmamento”. Os Sábios a merecem por meio do estudo da Torá neste mundo, no tempo do “para cumpri-los”: atraíram do Kéter Supremo, do sovev, e assim merecem, no Gan Éden, que D'us “venha deleitar-Se” com eles.
(ועמ״ש בד״ה כי כאשר השמים1 החדשים2 בענין ויניחהו בג״ע [בגן עדן] לעבדה3 כו׳) עוי״ל [עוד יש לומר] עפמ״ש [על פי מה שכתוב] במ״א בד״ה צאינה וראינה45 בפי׳ שאו ידיכם קדש וברכו את6 הוי׳ כו׳.
(Veja o que está escrito no discurso que começa com “Pois, assim como os novos céus”, a respeito de “e colocou-o no Gan Éden para trabalhá-lo”, etc.) Pode-se explicar ainda com base no que está escrito em outro lugar, no discurso que começa com “Saí e vede”, sobre o significado de “Levantai as mãos em santidade e bendizei Havayá”, etc.
Referências adicionais: o discurso “Pois, assim como os novos céus” (Isaías 66:22), sobre “e colocou-o no Gan Éden para trabalhá-lo” (Gênesis 2:15). Outra explicação se baseia no discurso “Saí e vede” (Cântico dos Cânticos 3:11), sobre “Levantai as mãos em santidade e bendizei D'us” (Salmos 134:2).
וזהו שנק׳ הקב״ה [הקדוש ברוך הוא] ע״ש [עיין שם] באריכות וברכה זו הוא ע״י עסק התורה כמ״ש בזהר ויקרא די״ג א׳ ולכן מברכתם יבורכו גם הם אשר לכן הקב״ה [הקדוש ברוך הוא] אתי לאשתעשעא עם צדיקייא בג״ע [בגן עדן] כו׳.
E é por isso que Ele é chamado “o Santo, bendito seja Ele”; veja ali em detalhes. E esta bênção vem por meio do estudo da Torá, como está escrito no Zohar, Vayikra, 13a; por isso, “por causa da bênção deles, eles também serão abençoados”, e é por isso que o Santo, bendito seja Ele, vem deleitar-Se com os justos no Gan Éden, etc.
Ali se explica que o “Santo” deve ser abençoado, isto é, receber uma emanação; por isso D'us é chamado “o Santo, bendito seja Ele”. Esta bênção vem por meio do estudo da Torá, e aqueles que abençoam também são abençoados; assim, D'us vem deleitar-Se com os justos no Gan Éden.
וע׳ [ועיין] בהרמ״ז [בהרב משה זכות] פ׳ כי תצא בד׳ רע״ח א׳ כ׳ [כתב] מתיבתא דקב״ה [דקודשא בריך הוא] הוא בבריאה ששם ג״ע [גן עדן] העליון ומתיבתא דרקיע הוא ביצירה. (ועיין בזהר בפ׳ בלק דר״ג ע״ב).
E veja o Ramaz, Parshas Ki Seitzei, no fólio 278a; ele escreve que a Academia do Santo, bendito seja Ele, se encontra em Beriá, onde está o Gan Éden Superior, e a Academia do Firmamento se encontra em Yetsirá. (E veja o Zohar, Parshas Balak, 203b.)
O Ramaz situa a Academia do Santo, bendito seja Ele, em Beriá, onde está o Gan Éden Superior, e a Academia do Firmamento em Yetsirá.
והנה הרמב״ם [הרבי משה בן מימון] ספ״ב [סוף פרק ב׳] מהט״צ [מהלכות טומאת צרעת] פסק כהמתיבתא דספיקו טמא7 וכ׳ [וכתב] הכ״מ משום דת״ק ור׳ [ורבי] יהושע פליגי בזה ספ״ד [סוף פרק ד׳] דנגעים8 והלכה כת״ק ואע״ג [ואף על גב] דקוב״ה [דקודשא בריך הוא] אמר טהור לא בשמים היא9 כו׳.
Ora, o Rambam, no fim do capítulo 2 das Leis da Impureza de Tzaraat, decidiu conforme a Academia: sua dúvida é impura. E o Kesef Mishneh escreve que isso se deve ao fato de que o Tana Kama e o Rabi Yehoshua discordam a esse respeito no fim do capítulo 4 de Negaim, e a halachá segue o Tana Kama; e, embora o Santo, bendito seja Ele, tenha dito “Puro”, “a Torá não está no céu”, etc.
Agora, a questão prática da halachá. O Rambam (Leis de Tzaraat 2:9) decide conforme a Academia que a dúvida é impura; o Kesef Mishneh explica que a Mishná (Negaim 4:11) registra uma divergência entre o primeiro Tana e Rabi Yehoshua, que a halachá segue o primeiro Tana e que a declaração de D'us, “puro”, não decide a halachá, pois a Torá “não está no céu” (Deuteronômio 30:12).
אמנם בהר״ש [בהרבי שמעון] ספ״ד [סוף פרק ד׳] דנגעים משמע דהל׳ [דהלכות / דהלכה] כר׳ [כרבי] יהושע משום דקוב״ה [דקודשא בריך הוא] אמר טהור כו׳ הענין י״ל [יש לומר] ע״פ מ״ש במ״א בענין שארז״ל [שאמרו רבותינו זכרונם לברכה] על ר״מ [רבי מאיר]10 שהיה אומר על טמא טהור ומראה לו פנים כו׳
No entanto, do comentário de Rabênu Shimshon, no fim do capítulo 4 de Negaim, depreende-se que a halachá segue Rabi Yehoshua, porque o Santo, bendito seja Ele, disse “Puro”, etc. Pode-se explicar a questão com base no que está escrito em outro lugar a respeito do que nossos Sábios, de abençoada memória, disseram sobre Rabi Meir: ele declarava “puro” aquilo que era impuro e apresentava uma justificativa (panim) para isso, etc.;
Rabênu Shimshon, porém, dá a entender que a halachá segue Rabi Yehoshua porque D'us disse “puro”. Para explicar as duas opiniões, o Alter Rebe cita o que os Sábios disseram sobre Rabi Meir: ele podia declarar puro aquilo que era impuro e “apresentar uma justificativa” para isso (Eruvin 13b).
כי החכמה היא נמשכת מלמעלה דרך שערות שהם י״ג ת״ד [תיקוני דיקנא] זקן שקנה חכמה.11 שרש י״ג מדות שהתורה נדרשת12 בהם והשערות הם צמצומים.
pois a Chochmá é atraída de cima por meio de cabelos, que são os treze tikunei hadikná, as retificações da barba: zaken, “aquele que adquiriu sabedoria”, a raiz dos treze princípios pelos quais a Torá é interpretada; e os cabelos são contrações (tsimtsumim).
A sabedoria desce por meio dos “cabelos”, os treze tikunei hadikná da barba de Arich Anpin; zaken, “ancião”, escrito com as mesmas letras de zakan, “barba”, significa “aquele que adquiriu sabedoria” (Kiddushin 32b). Eles são a raiz dos treze princípios pelos quais a Torá é interpretada, e os cabelos são contrações, canais estreitos.
אבל כשהחכמה היא בכתר שם היא בהרחבה גדולה בחי׳ א״ס [אין סוף] וזהו ענין ומראה לו פנים שהי׳ [שהיה] מאיר וממשיך מבחי׳ הפנים דא״א [דאריך אנפין] שהוא פנוי משערות ולמעלה מבחי׳ הצמצומים (ועמ״ש מזה באריכות בביאור ע״פ אלה מסעי).1314
Mas quando a sabedoria está em Kéter, ali ela se encontra em grande expansão, no nível do Infinito (Ein Sof); este é o significado de “e lhe mostrava uma face”: ele irradiava e fazia descer do nível da Face (panim) de Arich Anpin, que está livre de cabelos e acima do nível das contrações (e veja o que está escrito sobre isso extensamente na explicação do versículo “Estas são as jornadas”).
Enquanto a sabedoria ainda está na Coroa, ela é ampla e ilimitada. Rabi Meir “mostrava uma face” porque extraía do nível da “Face” de Arich Anpin, que está livre de cabelos e acima de todas as contrações.
ע״כ [על כן] היה יכול לומר גם על הטמא טהור כו׳ וזה היה ענין ר״מ [רבי מאיר]. אבל רוב החכמים שבדורו לא15 היו משיגים התורה רק
Portanto, ele podia dizer até mesmo sobre o impuro: “puro” etc., e esse era o assunto de Rabi Meir. Mas a maioria dos sábios de sua geração compreendia a Torá somente
Assim, Rabi Meir podia declarar puro até mesmo o que era impuro. A maioria dos sábios de sua geração, porém, apreendia a Torá apenas de forma mais limitada.
כמו שכבר נמשכה בחכמה דאצי׳ [דאצילות] המקבלת ע״י שערות י״ג ת״ד [תיקוני דיקנא] וזהו נובלות חכמה16 שלמעלה תורה כו׳ וכמ״ש בביאור ע״פ תורה צוה לנו משה.17181920
tal como ela já havia sido atraída para a Chochmá de Atsilut, que recebe por meio dos cabelos dos treze tikunim da barba; e este é [o significado de] “o fruto imaturo da sabedoria superior é a Torá” etc., conforme explicado na explicação do versículo “Moshe nos ordenou a Torá”.
Eles a apreendiam somente tal como é atraída para a Chochmá de Atsilut por meio dos “cabelos”, os treze tikunim; essa Torá é “o fruto imaturo da sabedoria superior” (Bereishis Rabbah 17:5).
O parágrafo explica que os Sábios merecem que D'us venha deleitar-Se com eles no Gan Éden porque, por meio de sua Torá, atraem o Kéter; em seguida, passa à divergência haláchica: o Rambam decide “impuro”, pois a Torá “não está no céu”, enquanto Rabênu Shimshon segue a declaração de D'us, “puro”. O Alter Rebe começa a explicar isso recorrendo a Rabi Meir, cuja sabedoria provinha da “Face” superior às contrações.
O Talmud ali (Eruvin 13b) apresenta a razão pela qual a halachá não foi fixada conforme Rabi Meir: seus colegas não conseguiam apreender a profundidade de seu raciocínio — ponto que o parágrafo seguinte desenvolve. No discurso “Moshe nos ordenou a Torá” (Likkutei Torah, V’Zos HaBerachah 95a), o Alter Rebe explica que a Chochmá Suprema é “sábia, mas não com uma sabedoria que possa ser conhecida”, estando acima da compreensão, e que a Torá é seu “fruto ainda não amadurecido”, aquilo que dela é atraído.
Marei mekomot
- 1בד״ה כי כאשר השמים · ראה תו״א ב, ד.
- 2כי כאשר השמים החדשים · Isaiah 66:22
- 3ויניחהו בג״ע לעבדה · Genesis 2:15
- 4בד״ה צאינה וראינה · לקו״ת שה״ש כא, ב.
- 5צאינה וראינה · Song of Songs 3:11
- 6שאו ידיכם קדש וברכו את הוי׳ · Psalms 134:2
- 7דספיקו טמא · Mishneh Torah, Defilement by Leprosy 2:9
- 8ספ״ד דנגעים · במאמרי אדהאמ״צ ע׳ תפג מוסיף: ועיי׳ בתוס׳ יו״ט וכו׳.
- 9לא בשמים היא · Deuteronomy 30:12
- 10ארז״ל על ר״מ שהי׳ אומר · Eruvin 13b:3
- 11זקן שקנה חכמה · Kiddushin 32b:8
- 12יג״מ שהתורה נדרשת · ברייתא דר״י ת״כ ר״פ ויקרא.
- 13בביאור ע״פ אלה מסעי) · לקו״ת מסעי צג, א ואילך.
- 14אלה מסעי · Numbers 33:1
- 15רוב החכמים שבדורו לא היו משיגים התורה רק . . בחכ׳ דאצי׳ · ראה לעיל ד, א הערה שכל. וראה הערת כ״ק אדמו״ר במאמרי אדה״ז תקס״ב ע׳ שיד.
- 16נובלות חכמה שלמע׳ תורה · Bereshit Rabbah 17:5
- 17בביאור ע״פ תורה צוה לנו משה · לקו״ת ברכה צה, א ואילך.
- 18תורה צוה לנו משה · Deuteronomy 33:4
- 19
- 20
Portanto, não fixaram a lei de acordo com ele, pois “segue-se a maioria para decidir”; veja também o Midrash Tehilim sobre o versículo “As palavras de D'us”, etc.,
Por isso a lei não foi fixada conforme a opinião de Rabi Meir: “segue-se a maioria para decidir” (Exodus 23:2). O Midrash Tehilim, sobre “As palavras de D'us são palavras puras… refinadas sete vezes”, ensina que a Torá foi dada com quarenta e nove maneiras de argumentar “puro” e quarenta e nove maneiras de argumentar “impuro”, e que a decisão foi deixada à maioria.
מזוקק שבעתים3 כו׳ וזהו ענין לא בשמים היא4 כי שמים הם מקיפים דחיה ויחידה. והתורה כבר נמשכה מהמקיפים לתוך א״פ [אור פנימי] במדות דאצילות.
“refinadas sete vezes”, etc. E este é o significado de “ela não está nos céus”: pois “céus” são os níveis circundantes de chayá e yechidá, e a Torá já foi atraída dos níveis circundantes para a luz interior, nos atributos do Mundo de Atsilut (Emanação).
Isto é o que significa “ela não está nos céus”: “céus” são os níveis circundantes da alma, chayá e yechidá, enquanto a Torá já foi atraída deles para a luz interior, os atributos de Atsilut, onde a decisão é feita pelo entendimento.
ועפ״ז [ועל פי זה] יש לפרש דעת הרמב״ם [הרבי משה בן מימון] דפסק כת״ק. כי רבה שהיה יחיד בנגעים ואהלות היינו מבחי׳ המקיף דחיה יחידה.
Com base nisso, pode-se explicar a opinião do Rambam, que decidiu conforme o Tana Kama: Rabá, que era “singular em nega’im e ohalot”, provinha do nível da luz circundante de chayá [e] yechidá;
Isso explica a decisão do Rambam conforme o primeiro Tana: Rabá bar Nachmani, singular em nega’im e ohalot, atraía dos níveis circundantes de chayá e yechidá.
ואעפ״כ [ואף על פי כן] אחרי רבים להטות ומ״מ [ומכל מקום] באמת י״ל [יש לומר] דהכא שאני דאין זה דומה להא דאחרי רבים להטות דהיינו דוקא בפלוגתא דחכמי המשנה זע״ז [זה עם זה / זה על זה] אבל הכא שאני דקוב״ה [דקודשא בריך הוא] אומר טהור כו׳:
e, apesar disso, “segue-se a maioria para decidir”. Contudo, pode-se dizer, em verdade, que aqui o caso é diferente: isto não se compara ao princípio “segue-se a maioria para decidir”, que se aplica especificamente a uma disputa entre os sábios da Mishná; mas aqui o caso é diferente, pois o Santo, bendito seja Ele, diz: “Puro”, etc.
Ainda assim, a lei segue a maioria, cujo entendimento pertence à luz interior. Porém, o Alter Rebe sugere que este caso talvez seja diferente: “segue-se a maioria” rege disputas entre os próprios sábios, mas aqui o próprio D'us disse “puro”, o que apoiaria a opinião de Rabbeinu Shimshon.
O maamar conclui com a questão haláchica: segundo o princípio “ela não está nos céus”, a lei segue a maioria dos sábios, cujo entendimento é da Torá tal como foi atraída para a luz interior; por isso, o Rambam decide “impuro”. Ainda assim, o Alter Rebe sugere que um caso no qual o próprio D'us disse “puro” talvez seja diferente.
Marei mekomot
- 1אחרי רבים להטות · Exodus 23:2
- 2אחרי רבים להטות · Midrash Tehillim 12:3
- 3מזוקק שבעתים · Psalms 12:7
- 4לא בשמים היא · Deuteronomy 30:12
- 5במדרש תהלים ע״פ אמרות ה׳ · יב, ז.
Terminou o maamar?
Marque-o como estudado; ele conta para a semana e para o siyum do ano.
Na avodá
A oração é uma preparação para o estudo da Torá: contemplar a grandeza infinita de D'us, diante da qual todos os mundos são uma única gota, desperta um anseio e uma “preocupação” no coração que não é tristeza. O estudo da Torá então alegra esse coração, pois a alma pode apreender a Torá, e a Torá e D'us são um; assim, por meio dela, a alma apreende o próprio D'us. A Torá deve ser pronunciada em voz alta, pois o sopro da fala atrai sua luz oculta para a revelação, e deve ser estudada por sua própria causa, o que acrescenta luz no Gan Éden.
Perguntas para conversar
- Por que o maamar identifica “santo” com Kéter e “bendito” com Chochmá, e como isso explica a escolha dos Sábios do Nome “o Santo, bendito seja Ele”?
- Por que Biná é chamada de “firmamento”, e o que a imagem da água que congela e se torna gelo ensina sobre a compreensão?
- Como a contemplação na oração pode despertar uma “preocupação” que não é tristeza, e por que o estudo da Torá então alegra o coração?
- Segundo a resposta do Maguid, por que Tiféret, e não Chessed, leva o Nome Havayá, e como isso explica a kelipat nogá de Atsilut?
- Por que a Academia pôde ouvir D'us dizer “pura” e ainda assim não conhecer a razão, e o que tornou Rabbah bar Nachmani capaz de decidir?