Likkutei Torah · Parshas Ki Seitzei · Maamar 3
ביאור כי תצא
Uma explicação de “Quando saíres”
A ideia central
O tzelem do homem, a “imagem de D'us”, tem três níveis, designados por suas letras: o tsadi, a divindade revestida na alma, que é a “mulher de bela aparência” cativa; o lamed, o mazal da alma que permanece acima como um makif; e o mem, um makif ainda mais elevado. As etapas da passagem da Torá sobre a mulher cativa descrevem como essa divindade cativa é reunida, libertada da “vestimenta” da kelipá e elevada por níveis cada vez mais altos de teshuvá.
O maamar em resumo
Esta explicação interpreta a passagem da Torá sobre a “mulher de bela aparência” cativa por meio das três letras de tzelem, a imagem de D'us. Em Zeir Anpin, o tsadi (noventa) é a luz interior das nove Sefirot, o lamed (trinta) é a luz circundante de Chochmá, Biná e Daat, e o mem (quarenta) é a luz circundante mais elevada de Kéter. Na alma, o tsadi é a divindade revestida nela, a mulher cativa, enquanto o lamed é o mazal acima, que “vê” e ouve o chamado celestial para retornar. A seção 2 reúne os poderes dispersos da alma por meio do desenraizamento da vontade e da confissão verbal, elevando-os à luz circundante, “acima dos teus inimigos”, assim como Ester escolheu o pátio interior. Uma teshuvá mais elevada provém do mazal, despertado pela Torá, que traz o temor mais elevado e a união da alma com a Torá. A seção 3 explica raspar a cabeça e cortar as unhas como renúncia aos excessos do intelecto e das emoções, sobretudo à astúcia excessiva para ganhar o sustento. Remover a vestimenta da cativa elimina o único makif da kelipá; habitar na casa traz o makif mais elevado; o choro e a união constituem a teshuvá suprema, o nível de Yom Kipur e Ne'ilá.
Esquema
- As três letras de tzelemSeguindo o Arizal, o tsadi de tzelem é a luz interior das nove Sefirot de Zeir Anpin, o lamed é o makif de Chochmá, Biná e Daat, e o mem é o makif mais elevado de Kéter. Na alma, o tsadi é a divindade que desce e se reveste nela, a “mulher de bela aparência”, e o lamed é o mazal acima, que ouve o chamado celestial para retornar e é chamado “bela de aparência”.¶1–3
- Reunir os cativos, acima dos inimigosOs poderes da alma, dispersos em pensamentos, palavras e atos mundanos, são reunidos por meio do desenraizamento da vontade e da confissão, que removem tanto a alma quanto o corpo do acusador criado pelo pecado. Eles são elevados ao makif, “acima dos teus inimigos”, onde as forças externas não têm domínio, assim como Ester só entraria no pátio interior. A elevação da essência dos poderes da alma requer uma teshuvá mais elevada, que começa no mazal e é atraída para baixo por meio da Torá e das mitsvot.¶4–5
- Torá, temor e a noivaO estudo da Torá desperta o mazal e traz o temor mais elevado, assim como os companheiros de Daniel tremeram diante do que somente o mazal deles viu. Então, “toma-a por esposa”: o tsadi da alma é a noiva da Torá, enquanto a Torá, que é Chochmá, é a noiva em relação ao mem da alma; o próprio mem da Torá é sua fonte, refletida nos quarenta dias de sua entrega e atraída para baixo pela bênção sobre a Torá.¶6–8
- Raspar a cabeça e cortar as unhasOs cabelos e as unhas são o excesso do intelecto e das emoções. Somente na santidade mais elevada, ou em um grande erudito da Torá, o próprio excesso é santo; os demais devem renunciar aos excessos de comida, vestuário e honra, e o baal teshuvá precisa de cercas. Na prática, o excesso do intelecto é a astúcia exagerada para ganhar o sustento: o trabalho é um recipiente para a bênção de D'us, mas confiar em estratagemas é como uma vestimenta comprida demais, que faz quem a veste tropeçar.¶9–11
- A vestimenta da cativa e a casaA kelipá tem um único makif, o “reflexo”, uma vontade acima da razão que arrasta a pessoa de um pecado a outro sem que ela perceba, mas não tem o segundo, a yechidá. Remover a vestimenta da cativa permite que o makif sagrado, o lamed, repouse sobre a alma, e habitar “em tua casa”, o makif mais elevado, torna a mudança permanente.¶12–13
- Choro e uniãoChorar por seu pai representa uma teshuvá ainda mais elevada: lágrimas de proximidade, e não de melancolia, como as de Rabi Akiva ao falar do Cântico dos Cânticos — o nível de Yom Kipur. “E serás seu marido” é mesirut nefesh, nefilat apayim e Ne'ilá, quando a contemplação da divindade é absorvida na profundidade do coração.¶14
Conceitos-chave
- tzelem, a imagem de D'usצלם אלקים
- O intermediário entre a divindade e a alma criada. Suas três letras designam três níveis: o tsadi, a luz interior revestida na alma; o lamed, uma luz circundante acima dela; e o mem, uma luz circundante ainda mais elevada.
- makif e makif do makifמקיף ומקיף למקיף
- Luzes circundantes, demasiado elevadas para entrar num recipiente, que o afetam de fora. A primeira (o lamed, a “vestimenta”) pode às vezes penetrar na luz interior; a segunda (o mem, a “casa”) nunca o faz.
- mazalמזל
- A parte da alma que permanece acima como um makif: “embora ele não veja, seu mazal vê”. Derivado da raiz de “fluir”, permite que a influência, o temor e o chamado à teshuvá fluam para baixo, até a alma no corpo.
- mulher de bela aparênciaאשת יפת תאר
- O tsadi de tzelem, a divindade que desce e fica cativa na alma e no corpo; a tarefa principal do serviço divino é elevá-la. O lamed mais elevado é chamado yefat to'ar, “bela de aparência”, por derivar de Tiféret.
- reflexo e reflexo de um reflexoבבואה ובבואה דבבואה
- Deriva da afirmação do Talmud sobre os demônios. A santidade possui os dois makifim, enquanto a kelipá tem somente o primeiro, uma vontade acima da razão, e carece do segundo, a yechidá, que não tem oposto.
- excesso do intelectoמותרי מוחין
- Aquilo que cresce para além do conteúdo essencial da mente, simbolizado pelos cabelos: só é santo nos níveis mais elevados ou num grande erudito; para os demais, é astúcia exagerada, sobretudo para ganhar o sustento, que deve ser “raspada”.
- teshuvá mais elevadaתשובה עילאה
- Retorno que alcança a essência dos poderes da alma, e não apenas suas vestimentas. Começa no mazal, é despertado pela Torá e culmina no choro de proximidade e em mesirut nefesh.
As três letras de tzelem ¶1–3
1ביאור כי תצא.12 ענין שהאדם נברא בצלם אלקי׳ וענין בבואה ובבואה דבבואה3 הנה כתיב ויברא אלקים את האדם בצלמו בצלם אלקים4 וגו׳. ומבואר בע״ח [בעץ חיים] ענין צ׳ דצלם5 ולמ״ד דצלם מ״ם דצלם.6
Explicação de “Quando saíres”: o tema de o homem ter sido criado à imagem de D'us (tzelem Elokim), e o tema de uma imagem refletida e de uma imagem refletida de uma imagem refletida (bavuá e bavuá dibavuá). Ora, está escrito: “E Elokim criou o homem à Sua imagem, à imagem de Elokim”, etc. E o tema do tsadi de tzelem, do lamed de tzelem e do mem de tzelem é explicado em Etz Chaim.
Este é um biur, uma “explicação” que desenvolve o maamar anterior, sobre o versículo “Quando saíres à guerra” (Deuteronômio 21:10) e a lei da Torá sobre a mulher cativa “de bela aparência”. Ele apresenta seus dois temas: o homem ter sido criado no tzelem, a “imagem”, de D'us, e o par talmúdico “imagem refletida” e “imagem refletida de uma imagem refletida”. Começa com o versículo de Gênesis e observa que Etz Chaim, o registro das ensinanças do Arizal feito pelo rabino Chaim Vital, explica cada uma das três letras da palavra tzelem (tsadi, lamed e mem) como um nível distinto.
A abertura enuncia o tema: a “imagem de D'us” na qual o homem foi criado, compreendida por meio das três letras da palavra tzelem, e a distinção talmúdica entre uma “imagem refletida” e uma “imagem refletida de uma imagem refletida”. Ambos serão usados para explicar a passagem da Torá sobre a mulher cativa de bela aparência.
A nota de Kehot registra que, na transcrição do Mitteler Rebe desta explicação (Sefer HaMaamarim 5565), a ensinança sobre as letras de tzelem é citada de Pri Etz Chaim, nas kavanos de Hoshana Rabbah, e não de Etz Chaim. Pri Etz Chaim de fato aborda ali o tzelem, junto com a “imagem refletida” e a “imagem refletida de uma imagem refletida”, razão pela qual os dois temas são anunciados juntos.
Marei mekomot
- 1ביאור כי תצא · הנחת כ״א אדמו״ר האמצעי בסה״מ תקס״ה ח״ב ע׳ תתלא. חלק ממאמר זה (עד להלן לז סע״א) נמצא ג״כ בשינויים אחדים בהמשך מים רבים תרל״ו פ׳ קפא-ב. וראה גם סה״מ תרל״ו ח״ב ע׳ רמח. מצות תגלחת המצורע בדרך מצותיך קד, ב.
- 2כי תצא · Deuteronomy 21:10
- 3בבואה ובבואה דבבואה · Yevamot 122a:9–10
- 4ויברא אלקים את האדם בצלמו בצלם אלקים · Genesis 1:27
- 5ומבואר בע״ח ענין צ׳ דצלם · בסה״מ תקס״ה ח״ב ע׳ תתלא מביא זה בשם ”בפע״ח בכוונות דהש״ר”. חלק מסעיף א נמצא באוה״ת פ׳ וישלח רמא, א. וראה גם באוה״ת פ׳ ואתחנן ע׳ ק ואילך.
- 6
2ובמבוא שערים שער ה׳ ח״א [חלק א׳] פי״ג כ׳ [כתב] המוחין דז״א הם בחי׳ נפש וחיות אל הז״א והוא דמות פרצוף זך ורוחני מאד שלם בי״ס [בי׳ ספירות]
E em Mevo She'arim, Sha'ar 5, Part 1, capítulo 13, está escrito: O intelecto (mochin) de Zeir Anpin (os atributos emocionais) é o nível de uma alma e força vital para Zeir Anpin; é a semelhança de uma configuração (partzuf), muito pura e espiritual, completa com dez Sefirot,
O Alter Rebe cita Mevo She'arim, uma apresentação clássica da Cabalá do Arizal. Zeir Anpin, a configuração dos seis atributos emocionais no Mundo de Atsilut, possui seu próprio intelecto (mochin), que lhe serve de alma: uma forma completa e muito refinada, com todas as dez Sefirot.
והוא מתפשט בתוך הכלים של ז״א בתוך גופו להחיותו והוא בחי׳ צלם א׳ שיש בו ג׳ בחי׳ כנגד ג׳ אותיות צלם. ל׳ [לשון] מ׳ מקיפים וצ׳ הוא אור פנימי.
e ele se estende dentro dos recipientes de Zeir Anpin, dentro de seu corpo, para lhe dar vida. E é o nível de um único tselem (imagem), que contém três níveis correspondentes às três letras de tselem: o lamed e o mem são makifim (luzes circundantes), e o tsadi é luz interior (or pnimi).
Esse intelecto semelhante a uma alma se estende para dentro dos recipientes de Zeir Anpin, seu “corpo”, e lhe dá vida; o conjunto é chamado de um único tselem (imagem). As três letras da palavra designam suas três partes: o tsadi é a luz interior que efetivamente entra nos recipientes, enquanto o lamed e o mem são makifim, luzes circundantes que permanecem acima e o influenciam de fora.
Citando Mevo She'arim, o parágrafo define o tselem de Zeir Anpin: seu intelecto, que lhe dá vida como uma alma, dividido pelas letras da palavra em luz interior (tsadi) e duas luzes circundantes (lamed e mem).
A distinção entre a luz interior (or pnimi), que é absorvida por um recipiente e assume sua medida, e a luz circundante (or makif), que é grande demais para ser absorvida e influencia o recipiente de fora, é fundamental no sistema do Arizal. O restante do maamar aplica essa divisão em três partes à alma humana.
3ופי׳ שהא״פ [שהאור פנימי] הוא בחי׳ צ׳1 היינו ט״ס [ט׳ ספירות] דז״א חב״ד [חכמה בינה ודעת] חג״ת [חסד גבורה תפארת] נה״י [נצח הוד יסוד] כל אחד כלול מעשר עולה צ׳. וכמ״ש במ״ח מסכת הגדלות ז״א פ״ג [פרק ג׳].
A explicação é: a luz interior é o nível da letra tsadi, isto é, as nove sefirot de Zeir Anpin — Chochmá (sabedoria), Biná (entendimento) e Daat (conhecimento); Chessed (bondade), Guevurá (contenção) e Tiféret (beleza); Nétsach (vitória), Hod (esplendor) e Yessod (fundamento) — cada uma incluída em dez, o que totaliza tsadi (noventa). Como está escrito em Mishnas Chassidim, no tratado sobre a Gadlut (maturidade) de Zeir Anpin, capítulo 3.
As letras são explicadas por seu valor numérico. Tsadi equivale a noventa: a luz interior são as nove sefirot de Zeir Anpin, de Chochmá a Yessod, cada uma incluindo todas as dez, ou seja, nove vezes dez. A fonte é Mishnas Chassidim, uma compilação dos ensinamentos do Arizal organizada à maneira da Mishná.
ולמ״ד הוא מקיף היינו ג׳ מוחין חב״ד [חכמה בינה ודעת] דאצי׳ אשר כל א׳ כלול מעשר עולה למ״ד אשר הוא בחי׳ מקיף לכללות הא״פ [האור פנימי] דט״ס [דט׳ ספירות] דז״א שהיא בחי׳ צ׳ ועמ״ש בביאור ע״פ ועשית ציץ23 גבי קדש למ״ד מלמטה.
E a letra lamed é um makif: isto é, os três mochin, Chochmá, Biná e Daat, de Atsilut (o Mundo da Emanação), cada um dos quais incluído em dez, o que totaliza lamed (trinta); ela é o nível de um makif para a luz interior das nove sefirot de Zeir Anpin como um todo, que é o nível da tsadi. E veja o que está escrito na explicação sobre o versículo “E farás um tsits”, a respeito de “Sagrado” [e da] lamed abaixo.
Lamed equivale a trinta: são os três mochin, Chochmá, Biná e Daat, de Atsilut, cada um incluindo dez, que se posicionam como um único makif sobre toda a luz interior de Zeir Anpin. O Alter Rebe remete à sua explicação em Torah Ohr sobre o tsits, a placa de ouro do Sumo Sacerdote, cuja inscrição “Sagrado para Havayá” foi disposta com “Sagrado” e a lamed na linha inferior.
והמ״ם הוא בחי׳ כתר מקיף הכללי כולל כל הד׳ בחי׳ כחב״ד [כחכמה בינה ודעת] (ע׳ [עיין] בכוונת ברכת כהנים ובקידוש דשבת)
E a letra mem é o nível de Kéter (a Coroa), o makif geral, que inclui os quatro níveis Kéter, Chochmá, Biná e Daat (veja a kavaná da Bênção Sacerdotal e [a] do Kidush de Shabat),
Mem equivale a quarenta: é Kéter, a Coroa, um makif geral que inclui quatro níveis — Kéter, Chochmá, Biná e Daat —, cada um composto por dez. O parêntese remete às kavanot (intenções místicas) da Bênção Sacerdotal e do Kidush de Shabat como outros lugares onde isso pode ser visto.
והוא בחי׳ מקיף למקיף שהמקיף הראשון שהוא בחי׳ ל׳ [לשון] יוכל להתלבש לפעמים ליכנס בתוך הא״פ [האור פנימי] והכלים4 משא״כ המ׳ שהוא בחי׳ מקיף למקיף כו׳
e é o nível de um makif para o makif. Pois o primeiro makif, que é o nível da lamed, pode às vezes revestir-se e entrar na luz interior e nos recipientes; ao passo que a mem, que é o nível de um makif para o makif, etc.
A mem é, portanto, um “makif para o makif”, uma luz envolvente que circunda até mesmo a lamed. A diferença entre eles é que a lamed, o primeiro makif, pode às vezes revestir-se e entrar na luz interior e nos recipientes, enquanto a mem não.
ומ״מ ב׳ מקיפים אלו דל׳ [דלשון] מ׳ הם לבד ענין הכתר דז״א5 ומאירים עליו מרחוק יותר מבחי׳ הכתר דז״א כמ״ש במ״ח שם פ״ו
Apesar disso, esses dois makifim da lamed e da mem são distintos do Kéter de Zeir Anpin e iluminam-no de longe, mais longe do que o nível do Kéter de Zeir Anpin, como está escrito em Mishnas Chassidim, ali, capítulo 6.
Ambos os makifim são distintos do próprio Kéter de Zeir Anpin. Eles iluminam Zeir Anpin de mais longe do que o seu próprio Kéter, como Mishnas Chassidim escreve no capítulo 6 do mesmo tratado.
(ועיין מענין מקיף ומקיף למקיף בפ׳ שמות בביאור ע״פ הבאים ישרש יעקב67 ובמ״ש במ״א ע״פ חנכת הבית לדוד89 בענין לבוש ובית כו׳ וע׳ לקמן פ׳ נצבים בפי׳ לא בשמים היא10 ולא מעבר לים היא11 כו׳ בחי׳ מקיף ומקיף דמקיף כו׳ ע״ש)
(E, sobre o tema do makif e do makif para o makif, veja Parashat Shemot, na explicação sobre o versículo “Os que vierem, Yaakov criará raízes”, e o que está escrito em outro lugar sobre o versículo “...a inauguração da Casa, de David”, a respeito de uma veste e uma casa, etc. E veja adiante, em Parashat Nitsavim, sobre o significado de “Ela não está nos céus... e não está além do mar”, etc.: o nível de um makif e de um makif do makif, etc.; veja ali.)
Este parêntese enumera outros discursos sobre o makif e o makif do makif: Torah Ohr sobre Shemot; o discurso sobre o salmo da inauguração da Casa, no qual os dois são uma “veste” e uma “casa”; e Likkutei Torah sobre Nitsavim, a respeito de “Ela não está nos céus, nem está além do mar”.
וכן יובן למעלה יותר מריש כל דרגין הנה הא״פ [האור פנימי] הוא בחי׳ הקו כו׳ (וע׳ בביאור ע״פ יביאו לבוש מלכות1213 כו׳)
E assim também se compreenderá num nível ainda mais elevado, acima do “Cabeça de todos os níveis”: a luz interior é o nível do kav (linha de luz), etc. (E veja a explicação sobre o versículo “Que tragam vestes reais”, etc.)
A mesma estrutura existe num nível ainda mais elevado, acima do “Cabeça de todos os níveis”: ali, a luz interior é o kav, a linha tênue de luz que é atraída para o espaço deixado pelo tsimtsum, e, por implicação, os níveis envolventes estão além dela. O Alter Rebe remete à sua explicação em Torah Ohr sobre “Que tragam vestes reais” (Esther 6:8).
Ora, do mesmo modo, também a respeito da alma do homem está dito: “E Elokim criou o homem à Sua imagem, à imagem de Elokim”, conforme o que foi explicado acima.
Agora o Alter Rebe aplica tudo isso à alma humana. O versículo “E Elokim criou o homem à Sua imagem” significa que a alma também possui um tsélem composto de tsadi, lamed e mem.
ועיקר ענין הצלם הוא להיות ממוצע16 בין אלהות לנשמה כי הנשמה הוא בחי׳ נברא יש מאין ע״י התלבשות האור במל׳ דעשי׳ [דעשיה] בכלים.
E o ponto essencial do tzelem é ser um intermediário entre a Divindade e a alma. Pois a alma está no nível de um ser criado, algo a partir do nada, [trazido à existência] por meio da luz que se reveste em recipientes, na Malchut (soberania) de Assiá (Ação).
A função principal do tzelem é ligar a Divindade à alma. A alma é um ser criado, trazido à existência “algo a partir do nada” por meio da luz divina que se reveste em recipientes na Malchut de Assiá; por isso, algo deve estar entre ela e a Divindade.
וכ״זה [וכל זה] הוא עדיין אלקות כו׳ ולהיות התהוות הנשמה שהיא נברא הוא ע״י הצלם אלקים ומתחלק לב׳ בחי׳ צ׳ דצלם
E tudo isso ainda é Divindade, etc. E, como a alma, que é um ser criado, vem à existência por meio da imagem de D'us (tzelem Elokim), ela se divide em dois níveis: o tsadi de tzelem,
A luz, mesmo nesse estágio, ainda é Divindade, enquanto a alma é algo criado; por isso, a alma vem à existência por meio do tzelem, a “imagem de D'us”, que se divide em dois níveis. O primeiro deles é o tsadi.
היינו בחי׳ אלקות שבתוך הנשמה (וע׳ בע״ח [בעץ חיים] שמ״א פ״ג [פרק ג׳]) ולמ״ד בחי׳ מקיף וזהו בחי׳ מזלא הנז׳ [הנזכר] בדרז״ל [בדברי רבותינו זכרונם לברכה] מזליה חזי.17
isto é, o nível de Divindade que está dentro da alma (e veja Etz Chaim, Sha'ar 41, capítulo 3); e o lamed, o nível de um makif. E este é o nível do mazal mencionado nas palavras de nossos Sábios, de abençoada memória: “seu mazal vê”.
O tsadi é a Divindade dentro da alma; o lamed é um makif que está acima dela. Esse makif é aquilo que o Talmud chama de mazal da pessoa: “Embora ele não veja, seu mazal vê” (Megillah 3a), uma parte da alma que percebe o que a própria pessoa não percebe.
שמשם נמשך בחי׳ צ׳ להתלבש בנשמה וכנודע ממאמר הבעש״ט [הבעל שם טוב]18 נ״ע [נשמתו עדן] בענין הב״ק [הבת קול] שמכרזת שובו בנים19 דקשה מי הוא השומע20 כו׳. וא״כ מהו הפעולה מהכרוז.
Pois de lá o nível do tsadi é atraído para baixo, para se revestir na alma. E, como se sabe pelo ensinamento do Baal Shem Tov, cuja alma está no Éden, a respeito da voz celestial (bat kol) que proclama: “Retornai, ó filhos”: pois é difícil — quem é que a ouve? etc. E, sendo assim, o que a proclamação realiza?
Do mazal, o tsadi é atraído para baixo e se reveste na alma. O Alter Rebbe cita a pergunta do Baal Shem Tov sobre a voz celestial que clama “Retornai, ó filhos” (Chagigah 15a): se ninguém a ouve, o que ela realiza?
אלא היינו דמזליה חזי הכרוז ומזה נמשך ג״כ הרגשה בנשמה שבגוף שנמשך לה מלמעלה מבחי׳ מזליה וע״כ נק׳ מזל שממשיך ההזלה וההשפעה
A resposta é que o seu mazal vê a proclamação, e, por meio disso, uma sensação também é transmitida à alma que está no corpo, sendo atraída a ela de cima, do nível de seu mazal. Por isso, é chamada mazal, pois atrai o fluxo (hazalah) e a influência
A resposta é que o mazal da pessoa ouve o chamado, e, a partir dele, uma sensação alcança a alma que está no corpo: um despertar do alto cuja origem ela desconhece. Por isso, é chamada mazal, da raiz de “fluir” (nozel): ela permite que a influência flua para baixo até a alma.
(ועמ״ש בד״ה האזינו השמים21 בפירוש ונוזלים מן לבנון כו׳) והמזל הוא בחי׳ אלקות שאינו מתלבש בנפש כלל
(e veja o que está escrito no discurso que começa com “Escutai, ó céus”, sobre o significado de “e correntes (nozlim) do Líbano”, etc.). E o mazal é o nível de Divindade que não se reveste na alma de modo algum,
O parêntese remete ao discurso “Escutai, ó céus”, mais adiante em Likkutei Torah, sobre “correntes (nozlim) do Líbano” (Cântico dos Cânticos 4:15), da mesma raiz que mazal. O próprio mazal é Divindade que não se reveste na alma de modo algum.
שהוא למעלה ממדרגת מלאך וכמ״ש הרח״ו [הרבי חיים ויטאל] בשער הקדושה והנבואה שהמדרגה הגדולה שבכולם הוא גילוי הנשמה שלו עצמו שהוא למעלה ממדרגת גילוי אליהו22 והיינו בחי׳ הנשמה שלמעלה מן הגוף למ״ד דצלם.
pois está acima do nível de um anjo; como escreveu Rabi Chaim Vital em Sha'ar HaKedushah VehaNevuah, o maior de todos os níveis é a revelação da própria alma, que está acima do nível da revelação de Eliyahu. E este é o nível da alma que está acima do corpo, o lamed de tzelem.
O mazal está acima de um anjo. Rabi Chaim Vital escreveu que a maior de todas as revelações é a revelação da própria alma, superior até mesmo a uma revelação de Eliyahu, o profeta; essa alma acima do corpo é o lamed de tzelem.
ונק׳ בחי׳ יפת תואר23 שהוא מז״א עצמו (ר״ל [רוצה לומר] למעלה מבחי׳ מל׳ וע׳ בזח״א [בזהר חלק א]) (פ׳ ויחי דרמ״ה) ע״פ שימני כחותם24 בגין דאינון אתיין מסטרא דדכורא25 כו׳.
E é chamado o nível de “bela de forma” (yefas to'ar), pois provém do próprio Zeir Anpin (isto é, acima do nível de Malchut; e veja o Zohar, Parte I) (Parshas Vayechi, fólio 245), sobre o versículo “Coloca-me como um selo”: “pois eles vêm do lado masculino”, etc.
O lamed também é chamado yefas to'ar, “bela de forma”, porque deriva do próprio Zeir Anpin, acima de Malchut. O Zohar, ao comentar “Coloca-me como um selo sobre teu coração” (Cântico dos Cânticos 8:6), diz que as almas dos justos abaixo despertam o amor acima “pois vêm do lado do Rei, do lado masculino”, isto é, de Zeir Anpin.
וע׳ מ״ש לעיל פ׳ בשלח סד״ה וה׳ הולך לפניהם26 יומם27 במש״ש [במה שכתוב שם] ישראל נעשו אז למעלה מבחי׳ שכינה כו׳
E veja o que está escrito acima, na Parashat Beshalach, ao final do discurso que começa com “E Havayá ia adiante deles durante o dia”, no que está escrito ali: Israel então se elevou acima do nível da Shechiná (Presença Divina), etc.,
O Alter Rebe faz referência ao seu discurso de Torah Ohr sobre “E Havayá ia adiante deles durante o dia” (Êxodo 13:21). Ele explica que, na abertura do mar, Israel se elevou acima do nível da Shechiná, a Presença Divina associada a Malchut.
ועל דמות הכסא28 כו׳ לך הוי׳ הגדולה והגבורה והתפארת29 תפארת עיקר שהוא בחי׳ גוונין ש״ע [ש״ע (370)] נהורין30 כו׳
e “sobre a aparência do trono”, etc. “Tua, Havayá, é a grandeza, o poder e a beleza”: Tiféret (beleza) é o atributo principal, pois é o nível das cores, “370 luzes”, etc.
A expressão de Ezequiel “sobre a aparência do trono” (Ezequiel 1:26) aponta para um nível acima do trono, onde, como diz a parte 22, permanece o lamed da alma. Em “Tua, Havayá, é a grandeza, o poder e a beleza” (1 Crônicas 29:11), Tiféret, “beleza”, é o atributo principal, pois é o domínio das cores e das “370 luzes” que, na Idra Rabba, Zeir Anpin recebe de Arich Anpin: essa é a beleza de yefas to'ar.
וזה נמשך מבחי׳ למד שהוא חב״ד [חכמה בינה ודעת] וכמ״ש חכמת אדם תאיר פניו313233 עד״מ שצהבו פניו מהשכלת שכל חדש34 שהשכל החדש נמשך מבחי׳ משכיל שהוא הארת המקיף וזהו ענין יאר ה׳ פניו תרין תפוחין כו׳
E isso é extraído do nível do lamed, que é Chochmá, Biná e Daat; como está escrito: “A sabedoria do homem faz seu rosto brilhar” — por exemplo, quando o rosto de alguém se ilumina ao apreender uma nova ideia; pois a nova ideia é extraída do nível daquele que a concebe (maskil), que é o fulgor do makif. E esse é o significado de “Que Havayá faça resplandecer Seu rosto”: os dois pomos, etc.
Essa beleza é extraída do lamed, o intelecto: “A sabedoria do homem faz seu rosto brilhar” (Eclesiastes 8:1), assim como o rosto se ilumina quando se apreende uma nova ideia. Uma nova ideia provém do maskil, a faculdade que concebe ideias, que é o fulgor do makif; esse é o significado de “Que Havayá faça resplandecer Seu rosto”, na Bênção Sacerdotal (Números 6:25), e dos “dois pomos”, termo do Zohar para as faces da face divina.
(הנז׳ [הנזכר] באד״ר [באדרא רבא] וכמ״ש ג״כ בפע״ח [בפרי עץ חיים] בכוונות ברכת כהנים בפי׳ יאר ה׳ פניו כו׳ שהוא המשכה מבחי׳ ל׳ [לשון] מ׳ דצלם כו׳ ועמ״ש מענין תפארת סד״ה יונתי בחגוי35 ובד״ה אם בהרת קדמה)36 והמ״ם הוא מא״א [מאריך אנפין] כו׳ כנ״ל.
(mencionados na Idra Rabba; e como também está escrito em Pri Etz Chaim, nas intenções da Bênção Sacerdotal, a respeito do significado de “Que Havayá faça resplandecer Seu rosto”, etc., que isso é uma extensão proveniente do nível do lamed e do mem do tzelem, etc.; e veja o que está escrito sobre Tiféret ao final do discurso que começa com “Minha pomba, nas fendas”, e no discurso que começa com “Se a mancha clara precedeu”). E o mem vem de Arich Anpin, etc., como mencionado acima.
O parêntese cita a Idra Rabba do Zohar e as intenções da Bênção Sacerdotal em Pri Etz Chaim, que explicam “Que Havayá faça resplandecer Seu rosto” como luz estendida a partir do lamed e do mem do tzelem; também cita dois discursos sobre Tiféret. O mem, o makif superior, vem de Arich Anpin, a dimensão exterior de Kéter, conforme foi dito acima, quando o mem foi chamado de Kéter.
והצ׳ הוא בחי׳ אשת יפ״ת [יפת תאר] שיורד ומתלבש כו׳ ועיקר העבודה להעלות צ׳ דצלם אשת יפ״ת [יפת תאר].
E o tzadi é o nível de “uma mulher de bela aparência” (eshet yefat to'ar), que desce e se reveste, etc. E a essência do serviço Divino é elevar o tzadi do tzelem, a mulher de bela aparência.
O tzadi, a divindade que desce e se reveste na alma e no corpo, é a “mulher de bela aparência” mencionada na passagem da Torá. A tarefa principal do serviço Divino é elevar esse tzadi de volta.
וכמ״כ [וכמו כן] למעלה הצ׳ יורד למטה במל׳ ונק׳ אשת יפ״ת [יפת תאר] והלמ״ד נשאר למעלה ועל דמות הכסא
E, da mesma forma, acima: o tzadi desce para baixo, para Malchut, e é chamado “uma mulher de bela aparência”, enquanto o lamed permanece acima, e “sobre a aparência do trono” —
O mesmo ocorre acima, nas Sefirot: o tzadi desce para Malchut, onde é chamado de mulher de bela aparência, enquanto o lamed permanece acima, “sobre a aparência do trono”.
וכמו בנשמה שמתחלקת לב׳ בחינות הארה שמתפשטת בגוף ומה שנשאר למעלה בבחי׳ מקיף שממנה באין ההשפעות והארות הנשמה כו׳ (ועיין בזהר ר״פ במדבר):3738
assim como na alma, que se divide em dois níveis: um raio que se estende pelo corpo, e aquilo que permanece acima como makif, de onde vêm as influências e iluminações da alma, etc. (E veja o Zohar, no início da Parashat Bamidbar.)
Do mesmo modo, a alma se divide em duas partes: um raio que se estende pelo corpo e a parte maior, que permanece acima como makif e envia para baixo as influências e iluminações da alma. O Alter Rebe faz referência ao início do Zohar sobre Bamidbar (3:117a, conforme indica a página no maamar anterior), que interpreta a repetição de “à Sua imagem… à imagem de D'us” como dois níveis.
O parágrafo decifra as três letras de tsélem: tsadi (noventa) é a luz interior das nove sefirot de Zeir Anpin; lamed (trinta) é o makif de Chochmá, Biná e Daat; e mem (quarenta) é o makif mais elevado de Kéter. Em seguida, aplica isso à alma: a tsadi é a Divindade revestida na alma, a “mulher de bela aparência” que deve ser elevada, enquanto a lamed é o mazal da pessoa no alto, de onde fluem a percepção e o chamado à teshuvá.
A nota de Kehot sobre a parte 4 cita Hemshech 5672 (vol. 1, ch. 244): a lamed pode entrar na luz interior porque Chochmá, Biná e Daat são luz interior em sua essência e são um makif apenas em relação aos mochin próprios de Zeir Anpin; a isso compara “o mazal torna sábio”, luz adicional proveniente do poder do maskil. Likkutei Torah sobre Shir HaShirim (24a) apresenta, no mesmo espírito, o ensinamento do Baal Shem Tov sobre a voz celestial: os pensamentos de teshuvá que surgem em uma pessoa sem que ela os tenha provocado são essa voz, um despertar do alto.
Marei mekomot
- 1שהא״פ הוא בחי׳ צ׳ · ראה אוה״ת ויקרא כרך ב ע׳ תשיב.
- 2ועמ״ש בביאור ע״פ ועשית ציץ · תו״א פד, א.
- 3ועשית ציץ · Exodus 28:36
- 4בחי׳ ל׳ יוכל להתלבש לפעמים ליכנס בתוך הא״פ והכלים · ”וי״ל להיות שזהו בחי׳ מוחין חב״ד שהן בחי׳ או״פ בעצם רק שהן בחי׳ מקיף לגבי מוחין דז״א (ועמ״ש בסידור ע״פ השמים מספרים מענין עצמות המוחין ומוחין שבמדות) ע״כ נכנסים לפעמים בתוך האו״פ כו׳, ונראה שם בהביאור שזהו כענין מזל מחכים . . דהיינו בחי׳ תוס׳ אור וגילוי מכח המשכיל שנקרא מזל” — המשך בששה״ק תער״ב ח״א פרק רמד.
- 5ענין הכתר דז״א · בהמשך מים רבים שם נוסף: וע׳ מענין כתר דז״א בד״ה כי על כל כבוד חופה [לקו״ת סוף שה״ש].
- 6בביאור ע״פ הבאים ישרש יעקב · תו״א נד, ג.
- 7
- 8ע״פ חנוכת הבית לדוד · סידור עם דא״ח ולקמן פ׳ ברכה צח, ד.
- 9חנכת הבית לדוד · Psalms 30:1
- 10לא בשמים היא · Deuteronomy 30:12
- 11ולא מעבר לים היא · Deuteronomy 30:13
- 12בביאור ע״פ יביאו לבוש מלכות · תו״א צב, ב.
- 13יביאו לבוש מלכות · Esther 6:8
- 14ויברא אלקים את האדם בצלמו בצלם אלקים · Genesis 1:27
- 15ויברא אלקים את האדם בצלמו בצלם אלקים · Zohar, Bamidbar 1:1–7
- 16ועיקר ענין הצלם הוא להיות ממוצע · ראה מאמרי אדה״א פ׳ תצא ע׳ תקה.
- 17מזליה חזי · Megillah 3a:13–14
- 18ממאמר הבעש״ט · ראה לקמן פ׳ האזינו עא, ד. שה״ש טז, ד. ראה ג״כ כש״ט (הוצאת קה״ת) סקמ״ו. סרנ״ה. סש״ס. לקמן שה״ש כד, א. ובהנסמן בסה״מ תרל״ו ח״ב ע׳ תפח.
- 19הב״ק שמכרזת שובו בנים · Chagigah 15a:6
- 20מי הוא השומע · וכ״ה להדיא בס׳ חרדים לבסוף. [כ].
- 21בד״ה האזינו השמים · לקמן עא, ד.
- 22גילוי הנשמה . . למע׳ ממדרגת גילוי אליהו · בהמשך מים רבים (הנסמן לעיל בריש הביאור) נוסף: וע׳ במ״א בד״ה כל העוסק בתורה בלילה שהאר״י ז״ל זכה לזה ע״י בחי׳ שמחה של מצוה ע״כ (ראה גם שם ע׳ רז. וסה״מ תרל״ו ח״ב ע׳ תקיב). וראה ביאור בזה בד״ה להבין מ״ש בזהר תמיד בענין עסק התורה בלילה בביאוה״ז להצ״צ כרך א ע׳ קצו.
- 23יפת תואר · Deuteronomy 21:11
- 24שימני כחותם · Song of Songs 8:6
- 25בגין דאינון אתיין מסטרא דדכורא · Zohar, Vayechi 72:742–751
- 26סד״ה הולך לפניהם · תו״א סה, א.
- 27
- 28ועל דמות הכסא · Ezekiel 1:26
- 29לך הוי׳ הגדולה והגבורה והתפארת · I Chronicles 29:11
- 30ש״ע נהורין · ראה תו״א מח, א.
- 31חכמת אדם תאיר פניו · Ecclesiastes 8:1
- 32חכמת אדם תאיר פניו · Jerusalem Talmud Shabbat 8:6–7
- 33יאר ה׳ פניו · Numbers 6:25
- 34שצהבו פניו מהשכלת שכל חדש · Menachot 18a:5–6
- 35יונתי בחגוי · Song of Songs 2:14
- 36אם בהרת קדמה · Mishnah Negaim 4:11
- 37בזהר ר״פ במדבר · ראה לעיל לו, א. אוה״ת פ׳ ואתחנן ע׳ ק.
- 38
Reunir os cativos, acima dos inimigos ¶4–5
4ב והנה בסדר העלאה זו מתחילה ושבית שביו1 דהיינו בהתפשטות הארת הנפש במודומ״ע [במחשבה דבור ומעשה] של הבלי העולם פיזור הנפש
2. Ora, na ordem desta elevação, ela começa com “e tomarás seus cativos como cativos”: isto é, com a propagação do brilho da alma no pensamento, na fala e na ação das vaidades do mundo — a dispersão da alma;
A seção 2 descreve a elevação em etapas, seguindo o versículo. Ela começa com “e tomarás seus cativos como cativos” (Deuteronômio 21:10): primeiro, resgata-se a luz da alma que se dispersou nas vaidades mundanas por meio do pensamento, da fala e da ação, o que o Alter Rebe chama de “dispersão da alma”.
והיינו כחותיה והארותיה שנתפזרו ע״י מודומ״ע [מחשבה דבור ומעשה] דמילין דהדיוטא וכנודע מענין החלומות וכף הקלע שהם התפשטות הארת הנפש במודומ״ע [במחשבה דבור ומעשה] שלא נאבד כו׳ והארות אלו נתפזרו בכמה לבושין
isto é, seus poderes e brilhos, que se dispersaram por meio do pensamento, da fala e da ação em assuntos corriqueiros (milin dehedyota); como se sabe pelo tema dos sonhos e do kaf hakela, a cavidade da funda, que são [um aspecto da] propagação do brilho da alma no pensamento, na fala e na ação, o qual não se perde etc. E esses brilhos se dispersaram em muitas vestimentas,
São os poderes da alma, dispersos por pensamentos, falas e atos comuns e mundanos. O Alter Rebbe compara os sonhos e o kaf hakela, a “cavidade da funda” por meio da qual, segundo o ensinamento cabalístico, uma alma é purificada, a processos conhecidos relacionados a essa luz dispersa, para que nada dela se perca; nesse ínterim, ela se dispersou em muitas “vestimentas”.
וצריך לקבצם ועל זה נאמר משם יקבצך2 כו׳ (ובפי׳ משם. עיין בד״ה אני לדודי) והקיבוץ היינו ע״י עקירת הרצון וגם ע״י וידוי דברים
e é preciso reuni-los. A respeito disso, está dito: “De lá Ele te reunirá” etc. (Sobre o significado de “de lá”, veja o discurso que começa com “Eu sou do meu amado”.) E a reunião se dá por meio do abandono da vontade e também por meio da confissão verbal;
Essas luzes dispersas precisam ser reunidas, como promete o versículo: “De lá Havayá, teu D'us, te reunirá” (Deuteronômio 30:4). A reunião ocorre de duas maneiras: abandonando a vontade que desejou o que era errado e por meio da confissão verbal.
שהרי הם בחינת אותיות הנפולין וע״י אותיות אשמנו בגדנו כו׳ מעלים האותיות. ולכן לא די בעקירת הרצון לבד כ״א ג״כ וידוי דברים.
pois elas são do nível das letras caídas, e, por meio das letras de “Pecamos, traímos” etc., elevam-se as letras. Portanto, não basta abandonar somente a vontade; também é necessária a confissão verbal.
A confissão é necessária porque os poderes dispersos são “letras caídas”, as letras de fala e pensamento impróprios; ao pronunciar as letras da confissão, “Pecamos, traímos”, essas letras são elevadas. Assim, abandonar a vontade não basta por si só.
A seção 2 inicia a ordem da elevação: os poderes da alma, dispersos pelo pensamento, pela fala e pela ação mundanos, são “os cativos” que precisam ser reunidos e elevados, por meio do abandono da vontade e da confissão verbal, que eleva as “letras caídas”.
As duas etapas correspondem às duas maneiras pelas quais a luz da alma se desviou: a vontade, que é interior, e as letras do pensamento e da fala, que são suas vestimentas. Cada uma deve ser corrigida em seu próprio meio: a vontade, abandonando-a, e as letras, pronunciando outras letras.
Marei mekomot
- 1
- 2משם יקבצך · Deuteronomy 30:4
5ועוד כי הנה מכל עון נברא קטיגור1 א׳ ויש בו ג״כ נפש וגוף. הנפש נעשה מן התאוה והרצון שלבו נתאוה לדבר ההוא. והגוף נעשה מהמעשה ההוא או מהדבור כו׳.
Além disso, de cada pecado é criado um acusador, que também possui alma e corpo. A alma é formada pelo desejo e pela vontade, pois seu coração desejou aquela coisa; e o corpo é formado pelo ato, ou pela fala etc.
Há ainda outra razão para serem necessárias as duas etapas: a Mishná ensina que quem comete uma transgressão adquire um acusador (Avos 4:11), e esse acusador possui alma e corpo. Sua alma é formada pelo desejo que levou ao pecado, e seu corpo, pelo ato ou pelas palavras.
ולכן כדי להיות מחיתי כעב פשעיך2 כו׳ הוא ג״כ ע״י ב׳ דברים שע״י עקרית הרצון מוציא הנפש וע״י וידוי דברים נמחה הגוף כו׳.
Portanto, para que se cumpra “Apaguei suas transgressões como uma nuvem” etc., também são necessárias duas coisas: ao se erradicar a vontade, retira-se a alma; e, pela confissão verbal, apaga-se o corpo etc.
Assim, para que o pecado seja apagado, como em “Apaguei suas transgressões como uma nuvem” (Isaiah 44:22), são necessárias ambas as coisas. Erradicar a vontade remove a alma do acusador, e a confissão verbal apaga seu corpo.
וההעלאה הוא3 לבחי׳ למ,ד דצלם בחי׳ מקיפים שהמקיף מסמא עיני החיצונים שלכן אחיזתם בין פנימי למקיף ואחוריהם למקיף שאין יכולים להסתכל בא״מ [באור מקיף] שהוא מסמא עיניהם. וזהו על אויביך דהיינו למקום שאין האויבים שולטים4 כו׳
E a elevação é ao nível do lamed do tzelem, o nível dos makifim (luzes circundantes), pois o makif cega os olhos das forças externas (chitsonim). Por isso, elas se agarram entre a [luz] interior e o makif, ficando de costas para o makif, pois não conseguem contemplar a luz circundante (Or Makif), uma vez que ela as cega. E este é o sentido de “acima de seus inimigos” (al oyvecha): isto é, a um lugar onde os inimigos não têm domínio etc.
As forças dispersas são elevadas ao lamed do tzelem, às luzes circundantes. As forças externas não conseguem ficar de frente para uma luz circundante, que as cega; por isso, agarram-se apenas ao espaço entre a luz interior e o makif, de costas para ele. É assim que o Alter Rebbe interpreta “Quando saíres à guerra al oyvecha”: não apenas “contra seus inimigos”, mas “acima de seus inimigos”, a um lugar onde eles não têm poder.
(ובזה יש לתרץ קושיא במ״ש אסתר למרדכי כל עבדי המלך כו׳ יודעים אשר כל איש ואשה אשר יבוא אל המלך אל החצר הפנימית אשר לא יקרא כו׳ ואני לא נקראתי5 כו׳.
(E com isso é possível resolver uma dificuldade no que Ester disse a Mordechai: “Todos os servos do rei” etc. “sabem que qualquer homem ou mulher que se aproximar do rei, no pátio interno, sem ser chamado” etc.; “e eu não fui chamada” etc.
Numa longa digressão, o Alter Rebbe usa esse princípio para resolver uma dificuldade no Livro de Ester. Mordechai pediu a Ester que intercedesse diante do rei, e ela respondeu que qualquer pessoa que entrasse no pátio interno do rei sem ser chamada seria condenada à morte, e que ela não havia sido chamada (Esther 4:11).
דלכאורה אין זה תירוץ כלל דהרי עכ״פ [על כל פנים] יכלה לבוא אל החצר החיצונה ונערי המלך יגידו אליו מי בחצר וכמ״ש והמן בא לחצר בית המלך6 החיצונה לאמר למלך כו׳.
Pois, aparentemente, isso não é resposta alguma, já que, de qualquer modo, ela poderia ter ido ao pátio externo, e os servos do rei teriam informado a ele quem estava no pátio, como está escrito: “E Haman havia chegado ao pátio externo da casa do rei para falar ao rei” etc.
Isso parece não ser resposta, pois ela poderia ter ido ao pátio externo, onde os servos a anunciariam ao rei. Foi o que Haman fez quando chegou ao pátio externo para falar com o rei (Esther 6:4).
אך אסתר קיימה כמ״ש בתורה כי תצא למלחמה צ״ל על אויביך דהיינו למקום שאין האויבים שולטים והוא בחינת חצר הפנימית משא״כ בבחינת חצר החיצונה הרי שם יש אחיזה למהן ג״כ כמ״ש והמן בא לחצר כו׳ החיצונה כנ״ל.
Mas Ester cumpriu o que está escrito na Torá: “Quando saíres à guerra”, é preciso que seja “acima de seus inimigos”, isto é, a um lugar onde os inimigos não têm domínio, que corresponde ao nível do pátio interno. Já no nível do pátio externo, Haman também tem domínio, como está escrito: “E Haman havia chegado ao pátio” etc., “o externo”, como mencionado acima.
A resposta é que Ester observou o princípio da Torá segundo o qual a guerra deve ser travada “acima de seus inimigos”, no pátio interno, onde eles não conseguem se agarrar. No pátio externo, Haman também tinha domínio, como mostra o versículo ao descrevê-lo ali.
כי חצר החיצונה הוא המשכת החיות לחיצוניות העולמות כמ״ש בפ׳ במדבר ע״פ וארשתיך לי7 כו׳ וע׳ בד״ה ונתתי לך מהלכים8 בפי׳ תשמור את חצרי כו׳ דלכך צריך שמירה כו׳.
Pois o pátio externo corresponde à extensão da força vital (chayus) à dimensão exterior (chitsoniyut) dos mundos, como está escrito na Parashat Bamidbar, sobre o versículo “E me desposarei contigo” etc.; e veja o discurso que começa “E te darei lugares por onde caminhar”, sobre o sentido de “guardarás os Meus pátios” etc., que é por isso que se faz necessária a proteção etc.
O pátio externo representa a força vital que se estende à dimensão exterior dos mundos, onde as forças opostas podem se agarrar. O Alter Rebbe remete a seus discursos sobre “E me desposarei contigo” (Hosea 2:21) e sobre “guardarás os Meus pátios” (Zechariah 3:7), que explicam por que esse pátio precisa ser protegido.
אך חצר הפנימית הוא בחי׳ מפתחות הפנימית וכמ״ש בפ׳ ראה בד״ה כי תשמע שהוא המשכת אור א״ס ב״ה מבחי׳ סוכ״ע וז״ש [וזהו שכתוב] שער החצר הפנימית9 הפונה קדים.
Mas o pátio interno corresponde às chaves interiores, como está escrito na Parashat Re'eh, no discurso que começa “Se ouvires”: trata-se da extensão da Luz Infinita (Or Ein Sof), bendito seja Ele, do nível da luz que circunda todos os mundos (sovev kol almin). E este é o sentido do que está escrito: “O portão do pátio interno voltado para o leste (kadim)”,
O pátio interno corresponde às “chaves interiores”: nele se estende a luz do sovev kol almin do Ein Sof, a luz que circunda todos os mundos. O Alter Rebbe cita seu discurso em Re'eh e o versículo de Ezequiel: “o portão do pátio interno voltado para o leste (kadim)” (Ezekiel 46:1).
שהוא פונה לבחי׳ קדמונו של עולם. וע״ז נא׳ [נאמר] סגור יהיה כו׳ וביום השבת יפתח וכמ״ש במ״א ע״פ ויקהל משה10 כו׳.
pois ela está voltada para o nível do Primordial do mundo (Kadmono shel olam). A respeito disso, foi dito: “ficará fechada”, etc., “e no dia de Shabat será aberta”; como está escrito em outro lugar, a propósito do versículo “E Moshe reuniu”, etc.
A palavra para leste, kadim, é interpretada como kadmon, “o Primordial do mundo”. Esse portão “ficará fechado” nos dias da semana e será aberto no Shabat, tempo de uma revelação superior; o discurso sobre “E Moshe reuniu” (Exodus 35:1) desenvolve essa ideia.
ולכן הוכרחה לבוא דוקא אל החצר הפנימית שהוא בחי׳ על אויביך אשר משם נמשך נצוח המלחמה לה׳ בעמלק11 כו׳) וכ״ז [וכל זה] הוא בחי׳ העלאות התפשטות פיזור הנפש במודומ״ע [במחשבה דבור ומעשה] שהן לבושים.
Por isso, ela teve de vir especificamente ao pátio interior, que é o nível de “acima dos teus inimigos”, de onde provém a vitória da “guerra de Havayá contra Amalek”, etc.) E tudo isso é o nível da elevação da expansão dispersa da alma para o pensamento, a fala e a ação, que são vestimentas.
É por isso que Ester teve de vir especificamente ao pátio interior: ele é o nível de “acima dos teus inimigos”, a fonte da vitória na “guerra de Havayá contra Amalek” (Exodus 17:16), e Haman era de Amalek. Ao fechar o parêntese, o Alter Rebe diz que tudo isso diz respeito a elevar as vestimentas exteriores da alma, isto é, seu pensamento, fala e ação dispersos.
אבל להעלות עצמיות הצ׳ שהוא בחי׳ חב״ד [חכמה בינה ודעת] חג״ת [חסד גבורה תפארת] נה״י [נצח הוד יסוד] צ״ל תשובה יותר עילאה כי כמה מדרגות יש בתשובה
Mas, para elevar a própria essência do tsadi, que é o nível de Chochmá (sabedoria), Biná (entendimento) e Daat (conhecimento), Chessed (bondade), Guevurá (contenção) e Tiféret (beleza), Nétsach (vitória), Hod (esplendor) e Yessod (fundamento), é necessária uma teshuvá (retorno) mais elevada; pois há muitos níveis de teshuvá
Elevar a própria essência do tsadi, os nove poderes do intelecto e das emoções da alma, e não suas vestimentas, exige uma teshuvá mais elevada. A teshuvá tem muitos níveis.
(עיין בד״ה האזינו השמים12 הנ״ל בענין שבת אותיות תשב ומי שטרח13 בע״ש [בערב שבת] היינו התפלה שבכל יום כו׳ שהיא ג״כ בחי׳ תשובה כו׳ עי״ז יבוא לבחי׳ תשובה דשבת.
(veja o discurso que começa com “Escutai, ó céus”, mencionado acima, sobre o fato de que Shabat contém as letras de tashev (“retorna”), e de que “quem se esforçou na véspera do Shabat” é a oração de cada dia, etc., que também é um nível de teshuvá, etc.; por meio disso, ele chegará ao nível da teshuvá do Shabat.
O trecho entre parênteses cita o discurso “Escutai, ó céus”: a palavra Shabat contém as letras de tashev, “retorna”, e a expressão talmúdica “quem se esforçou na véspera do Shabat [comerá no Shabat]” refere-se às orações diárias. A oração é, por si só, uma espécie de teshuvá e conduz à teshuvá do Shabat.
ויש עוד בחי׳ שבת שבתון שלמעלה גם מבחי׳ תשובה דשבת כו׳ ע״ש ומשם יובן למש״כ [למה שכתוב]) והיינו ע״י המשכת למ״ד דצלם בחי׳ מזל14 שצריך להתחיל מבחי׳ מזל
Há ainda outro nível, Shabat Shabaton, que está acima até mesmo do nível da teshuvá do Shabat, etc.; veja lá, e de lá se compreenderá o que está escrito [aqui].) E isso se dá por meio da extensão do lamed de tzelem, o nível de mazal; é preciso começar pelo nível de mazal,
Há um nível ainda mais elevado, Shabat Shabaton, acima da teshuvá do Shabat. Essa teshuvá superior vem por meio da extensão do lamed de tzelem, o mazal, e o processo deve começar pelo mazal.
והיינו ע״י תורה ומצות מצות הם כתר ותורה חכמה אורייתא מחכמה נפקת כו׳ וכתיב חכמת אדם תאיר פניו15 ועי״ז יאר פניו אתנו סלה16 להיות גילוי פנימית הלב.17
e isso se dá por meio da Torá e das mitsvot. As mitsvot correspondem a Kéter (a Coroa), e a Torá, a Chochmá — “a Torá provém de Chochmá”, etc. E está escrito: “A sabedoria do homem faz seu rosto brilhar”; e, por meio disso, “Que Ele faça Seu rosto brilhar sobre nós, selá”, para que haja a revelação da dimensão interior (pnimiyut) do coração.
O mazal é estendido por meio da Torá e das mitsvot: as mitsvot correspondem a Kéter, a vontade, e a Torá, a Chochmá, como em “a Torá provém de Chochmá”. Assim como “A sabedoria do homem faz seu rosto brilhar” (Ecclesiastes 8:1), também “Que Ele faça Seu rosto brilhar sobre nós” (Psalms 67:2): a dimensão interior do coração é revelada.
O parágrafo explica por que são necessárias tanto a erradicação da vontade quanto a confissão: o acusador criado pelo pecado possui alma e corpo. Explica também por que as forças da alma precisam ser elevadas à luz circundante, “acima de seus inimigos”, onde as forças externas não podem alcançá-las, ilustrando isso com a escolha de Ester pelo pátio interno. Em seguida, afirma que elevar a essência das forças da alma requer uma teshuvá superior, que começa no mazal e é atraída por meio da Torá e das mitsvot.
O princípio segundo o qual as forças externas se agarram entre a luz interior e a circundante, “de costas para o makif”, explica por que a luz circundante protege: aquilo para o qual elas não conseguem se voltar, elas não conseguem obter. A digressão sobre Ester aplica esse princípio à história: ela só se aproximaria do rei onde Haman não tinha domínio, no pátio interno voltado para kadim, o Primordial, o lugar “acima de seus inimigos”.
Marei mekomot
- 1מכל עון נברא קטיגור א׳ · ראה אבות ד, יא
- 2מחיתי כעב פשעיך · Isaiah 44:22
- 3וההעלאה הוא · וע׳ במג״א [מגן אבות ברדיטשוב תרס״ב] ראה הא׳ סי״ג [כט, ד] באריכות. [כ].
- 4שאין האויבים שולטים · ראה אוה״ת שה״ש ד״ה לריח שמניך סעי׳ ג.
- 5כל עבדי המלך . . ואני לא נקראתי · Esther 4:11
- 6והמן בא לחצר בית המלך · Esther 6:4
- 7וארשתיך לי · Hosea 2:21
- 8ונתתי לך מהלכים · Zechariah 3:7
- 9שער החצר הפנימית · Ezekiel 46:1
- 10ויקהל משה · Exodus 35:1
- 11המלחמה לה׳ בעמלק · Exodus 17:16
- 12האזינו השמים · Deuteronomy 32:1
- 13מי שטרח · Avodah Zarah 3a
- 14למ״ד דצלם בחי׳ מזל · ראה המשך תער״ב פרק רמד.
- 15
- 16יאר פניו אתנו סלה · Psalms 67:2
- 17
Torá, temor e a noiva ¶6–8
6וז״ש [וזהו שכתוב] לך אמר לבי בקשו פני1 את פניך ה׳ אבקש כו׳. וע׳ מ״ש בד״ה וידבר אלקים2 את3 כל הדברים האלה לאמר גבי אם אין חכמה אין יראה.45
E isto é [o significado de] “Pois por Ti meu coração disse: ‘Buscai Minha face’; a Tua face, Havayá, buscarei”, etc. E veja o que está escrito no discurso que começa “E D'us falou todas estas palavras, dizendo”, a respeito de “Se não há sabedoria, não há temor”.
Este é o significado de “Pois por Ti meu coração disse: ‘Buscai Minha face’; a Tua face, Havayá, buscarei” (Psalms 27:8): buscar a “face” (panim) de D'us, que o parágrafo relaciona à dimensão interior (pnimiyut) mencionada há pouco. O Alter Rebe remete ao seu discurso sobre “E D'us falou todas estas palavras” (Exodus 20:1), que explica a Mishná “Se não há sabedoria, não há temor” (Avos 3:17).
Pois este é o assunto do temor superior (yirá ilaá), que é atraído do nível de “seu mazal vê”, como é mencionado a respeito dos companheiros de Daniel: “mas um grande tremor caiu sobre eles”.
O temor mencionado ali é o temor superior, que provém do nível de “seu mazal vê”. O Talmud diz isso a respeito dos companheiros de Daniel: eles não viram a visão, mas “um grande tremor caiu sobre eles” (Daniel 10:7), porque seu mazal a viu.
וגילוי זה בבחי׳ מזלייהו נמשך ע״י עסק התורה שעי״ז תתעורר שרש נשמתו למעלה בחינת מזליה ולכן אם אין חכמה אין יראה.
E esta revelação, no nível de seu mazal, é atraída por meio do estudo da Torá; pois, por meio disso, a raiz de sua alma no alto, o nível de seu mazal, é despertada. Por isso, “Se não há sabedoria, não há temor”.
Esta revelação do mazal vem por meio do estudo da Torá, que desperta a raiz da alma no alto. Portanto, “Se não há sabedoria”, isto é, Torá, “não há temor”: o temor superior depende de a Torá despertar o mazal.
O parágrafo mostra que o temor superior provém do mazal, a raiz da alma no alto, como no caso dos companheiros de Daniel, que tremeram diante daquilo que apenas seu mazal viu; e que esse mazal é despertado pelo estudo da Torá. Daí: “Se não há sabedoria, não há temor”.
O temor superior descrito aqui não é o medo das consequências, mas o estremecimento da raiz da alma diante da Divindade que ela percebe, sentido mesmo quando a pessoa nada vê. Como o mazal é o lamed de tzelem, que corresponde a Chochmá, Biná e Daat, é apropriado que a sabedoria — a Torá — seja aquilo que o desperta.
Marei mekomot
- 1
- 2בד״ה וידבר אלקים · Numbers 16:1
- 3
- 4אם אין חכמה אין יראה · אבות ג, יז.
- 5אם אין חכמה אין יראה · Pirkei Avot 3:17
- 6מזלייהו חזי · Sanhedrin 94a:2–3
- 7אבל חרדה גדולה נפלה עליהם · Daniel 10:7
7והנה עי״ז ולקחת לך לאשה12 שהצ׳ דצלם נקרא אשה לגבי תורה שהתורה הוא החתן ביום חתונתו3 זה מ״ת [מתן תורה].
Agora, por meio disso, “e a tomarás para ti como esposa”: pois o tsadi do tsélem é chamado “esposa” em relação à Torá, pois a Torá é o noivo — “no dia de seu casamento”: isto é, a Outorga da Torá.
Por meio desse temor superior vem “e a tomarás para ti como esposa” (Deuteronômio 21:11). O tsadi do tsélem é a “esposa” em relação à Torá, o noivo, conforme a Mishná interpreta “no dia de seu casamento” (Cântico dos Cânticos 3:11) como a Outorga da Torá.
ולפעמים נקרא התורה כלה א״ת [אל תקרי] מורשה4 אלא מאורשה567 והיינו לגבי מ׳ דצלם (עיין בביאור ע״פ ששים המה מלכות89 כו׳ אחת היא יונתי10 כו׳ וע״פ יונתי11 בחגוי הסלע12 וצ״ל מ״ש בזח״ג [בזהר חלק ג] נשא)
E, às vezes, a Torá é chamada noiva: “Não leia morashá (‘herança’), mas me’orasá (‘desposada’)”; e isso é em relação ao mem do tsélem. (Veja a explicação sobre o versículo “Há sessenta rainhas”, etc., “Minha pomba é única”, etc., e sobre o versículo “Minha pomba, nas fendas da rocha”. E [assim] é preciso explicar o que está escrito no Zohar, Parte III, Nasso)
Em outro lugar, a Torá é chamada noiva: o Talmud lê “A Torá que Moshe nos ordenou é uma herança (morashá)” como me’orasá, “desposada”. O Alter Rebbe diz que, em relação ao mem do tsélem, o makif superior, a Torá é a noiva; ele se refere aos seus discursos sobre “Há sessenta rainhas … minha pomba é única” e “Minha pomba, nas fendas da rocha” e, com isso, explica uma afirmação do Zohar.
(fólio 134a), a respeito de “Tudo depende do mazal, até mesmo um rolo da Torá no Heichal (santuário)”: isso implica que a Torá também contém o nível de um makif, chamado mazala;
O Zohar (Idra Rabá, em Nasso) diz que “tudo depende do mazal, até mesmo um rolo da Torá no Heichal”. Isso implica que a Torá também tem acima de si um makif, chamado mazala.
והיינו בחי׳ מ׳ שהתורה עצמה היא בחינת חכמה ובפ׳ בהעלותך (דקנ״ב ע״א) ונשמתא לנשמתא15 כו׳
e esse é o nível do mem, pois a própria Torá é o nível de Chochmá (sabedoria). E na parashá Behaalotecha (fólio 152a): “e a alma da alma”, etc.
O makif da Torá é o mem, enquanto a própria Torá é Chochmá. O Zohar em Behaalotecha também fala da “alma da alma”: a Torá é a alma, e acima dela há uma “alma da alma” superior.
ועד״ז י״ל [יש לומר] המדרש בשה״ש [בשיר השירים] רבה16 ע״פ אם יתן איש את כל הון17 ביתו באהבה18 שאמר ר׳ [רבי] יוחנן לר׳ [לרבי] חייא בר אבא שמכרתי דבר שניתן לששת ימים כו׳
E, nessa linha, pode-se explicar o Midrash em Shir HaShirim Rabbah sobre o versículo “Se um homem desse toda a riqueza de sua casa por amor”, no qual Rabi Yochanan disse a Rabi Chiya bar Abba: “Vendi algo que foi dado em seis dias”, etc.,
Nessa linha, pode-se explicar o Midrash sobre “Se um homem desse toda a riqueza de sua casa por amor” (Cântico dos Cânticos 8:7). Rabi Yochanan, que havia vendido seus campos para estudar Torá, disse a Rabi Chiya bar Abba que vendera algo que foi dado em seis dias.
“como está dito: ‘Pois em seis dias [Ele] fez’; mas a Torá foi dada em quarenta dias, como está dito: ‘E ele esteve ali com Havayá quarenta dias.’”
O mundo foi feito em seis dias (Êxodo 20:11), mas a Torá foi dada ao longo de quarenta dias, os quarenta dias em que Moshe esteve na montanha “com Havayá” (Êxodo 34:28).
דענין ארבעים יום י״ל [יש לומר] כנגד בחי׳ כחב״ד [כחכמה בינה ודעת] הנקרא מ״ם כנ״ל ועמ״ש במ״א גבי מזמור לתודה21 הריעו22 לה׳ כל הארץ בענין התודה שהיו בה ארבעים חלות כו׳ ע״ש.23
Pois, quanto ao significado dos quarenta dias, pode-se dizer que correspondem ao nível de Kéter, Chochmá, Biná e Daat, chamado mem, como mencionado acima. E veja o que está escrito em outro lugar a respeito de “Um salmo de agradecimento: Gritai a Havayá, toda a terra”, sobre a oferenda de agradecimento, que tinha quarenta pães, etc.; veja ali.
O Alter Rebbe sugere que os quarenta dias correspondem a Kéter, Chochmá, Biná e Daat, chamados mem, cujo valor numérico é quarenta: o próprio makif da Torá. Ele também se refere à sua explicação de “Um salmo de agradecimento” (Salmos 100:1), sobre os quarenta pães da oferenda de agradecimento.
O parágrafo explica “e a tomarás como esposa”: o tsadi da alma é a noiva e a Torá, o noivo; contudo, em relação ao mem da alma, a Torá é a noiva. A afirmação do Zohar “tudo depende do mazal, até mesmo um rolo da Torá” mostra que a Torá também tem um makif, o mem, que o Alter Rebbe identifica nos quarenta dias da Outorga da Torá.
O Zohar em Behaalotecha (152a) descreve vestimenta, corpo, alma e “alma da alma”: a alma é Tiferet Yisrael, a própria Torá, e a alma da alma é Atika Kadisha. Isso se encaixa no ponto do maamar: a própria Torá é Chochmá, enquanto acima dela está um makif, o mem, de onde ela foi dada.
Marei mekomot
- 1ולקחת לך לאשה כו׳ ולפעמים נק׳ · ראה אוה״ת בשלח ע׳ תקכו.
- 2ולקחת לך לאשה · Deuteronomy 21:11
- 3ביום חתונתו · Mishnah Ta'anit 4:8
- 4מורשה · Deuteronomy 33:4
- 5א״ת מורשה אלא מאורשה · Berakhot 57a:4
- 6מורשה אלא מאורשה · Pesachim 49b:10–11
- 7מורשה אלא מאורשה · Shemot Rabbah 33:7
- 8בביאור ע״פ ששים המה מלכות · לקמן שה״ש לט, ד.
- 9
- 10אחת היא יונתי · Song of Songs 6:9
- 11וע״פ יונתי · לקמן שה״ש טז, ד.
- 12יונתי בחגוי הסלע · Song of Songs 2:14
- 13הכל תלוי במזל · Numbers 16:2
- 14הכל תלוי במזל אפילו ספר תורה בהיכל · Zohar, Idra Rabba 17:147–21:157
- 15ונשמתא לנשמתא · Zohar, Beha'alotcha 12:56–13:65
- 16המדרש בשה״ש רבה · ראה גם אוה״ת פ׳ דברים ע׳ יח.
- 17
- 18אם יתן איש את כל הון ביתו באהבה · Song of Songs 8:7
- 19כי ששת ימים עשה · Exodus 20:11
- 20ויהי שם עם ה׳ ארבעים יום · Exodus 34:28
- 21ועמ״ש במ״א גבי מזמור לתודה · בסידור עם דא״ח שם. ובאוה״ת פ׳ דברים ע׳ יט.
- 22
- 23זח״ג קנ״ב א׳ · ראה אוה״ת נ״ך כרך א ע׳ תקנה.
8וא״כ לכאורה אינו מובן מש״כ [מה שכתוב] שהתורה נקרא מאורשה לגבי בחי׳ מ״ם שבנשמה אך י״ל [יש לומר] דמה שבתורה עצמה יש ג״כ בחי׳ מ״ם היינו מקור ושרש התורה שמשם ניתנה וכמ״ש במ״א בפי׳ וממדבר מתנה1 סד״ה צאינה וראינה.2
Se assim é, aparentemente não se compreende o que foi escrito: que a Torá é chamada “desposada” em relação ao nível de mem da alma. Mas pode-se dizer que [o fato de] a própria Torá também possuir um nível de mem se refere à fonte e à raiz da Torá, de onde ela foi dada, como está escrito em outro lugar, a respeito do significado de “E do deserto, Mattanah (um presente)”, no final do discurso que começa com “Saí e vede”.
Uma dificuldade: se a própria Torá possui um mem, como pode ser chamada “desposada” em relação ao mem da alma? A resposta é que o mem da Torá é sua fonte e raiz, de onde ela foi dada, como o Alter Rebe explica a respeito de “E do deserto, Mattanah” (Números 21:18), no final de seu discurso “Saí e vede”.
אבל התורה עצמה היא בבחי׳ חכמה אורייתא מחכמה נפקת כו׳. וזהו ענין ברכו בתורה תחלה34 שהוא על המשכת אור א״ס בח״ע [בחכמה עילאה]:
Mas a própria Torá está no nível de Chochmá (sabedoria) — “a Torá procede de Chochmá”, etc. Este é o sentido de abençoar primeiro sobre a Torá: isso diz respeito à atração da Luz Infinita (Or Ein Sof) para a Chochmá superior (Chochmá Ilaá).
A própria Torá é Chochmá, como em “a Torá procede de Chochmá”; portanto, em relação ao mem da alma, ela é a noiva. Este é o sentido de abençoar primeiro sobre a Torá, como enfatiza o Talmud: a bênção atrai a Luz Infinita para a Chochmá superior, a fonte da Torá.
O parágrafo resolve a dificuldade suscitada pelo mem da própria Torá: esse mem é a fonte superior da Torá, de onde ela foi dada, enquanto a Torá tal como a temos é Chochmá, a noiva. A bênção sobre a Torá é o que atrai a Luz Infinita para essa Chochmá.
Assim, a bênção antes do estudo liga a Torá tal como é estudada, que é Chochmá, à sua raiz superior, o nível que o maamar chama de mem. O ensinamento do Talmud de que a Terra foi perdida “porque não abençoaram primeiro sobre a Torá” mostra quanto depende dessa ligação.
Marei mekomot
- 1וממדבר מתנה · Numbers 21:18
- 2צאינה וראינה · Song of Songs 3:11
- 3ברכו בתורה תחלה · Bava Metzia 86a
- 4ברכו בתורה תחלה · Bava Metzia 85b:1
Raspar a cabeça e cortar as unhas ¶9–11
9ג וגלחה את ראשה.1 מותרי מוחין כי הנה במדרגות העליונות דקדושה המותרי מוחין הוא בחי׳ קדושה עליונה שהוא בחי׳ י״ג מדה״ר [מדות הרחמים] שהן נמשכין מבחי׳ שערות כו׳ משא״כ בלוים והעבירו תער2 כו׳.
3. “E ela rapará a cabeça”: [isto é] o excedente do intelecto (mosarei mochin). Pois, nos níveis supremos da santidade, o excedente do intelecto é um nível de santidade suprema, o nível das Treze Qualidades de Misericórdia, que fluem do nível dos cabelos, etc.; ao passo que, no caso dos levitas, “passarão a navalha”, etc.
A seção 3 volta-se para “e ela rapará a cabeça” (Deuteronômio 21:12). O cabelo é o “excedente do intelecto” (mosarei mochin), aquilo que cresce para além do conteúdo essencial da mente. Nos níveis mais elevados da santidade, esse excedente é, ele próprio, santidade suprema: as Treze Qualidades de Misericórdia fluem dos “cabelos” supremos. Em um nível inferior, porém, é diferente: na consagração dos levitas, eles tinham de “passar a navalha” por todo o corpo (Números 8:7).
A seção 3 começa: rapar a cabeça significa remover o “excedente do intelecto”. Somente na santidade suprema tal excedente é, ele próprio, santo; ali, as Treze Qualidades de Misericórdia fluem dos “cabelos” supremos. Em um nível inferior, como no caso dos levitas, é preciso rapá-lo.
Uma nota da Kehot remete aos discursos do Alter Rebe de 5565, que também abordam a diferença entre os levitas, que rapavam o cabelo, e o nazir, que deixa o cabelo crescer. O contraste se ajusta ao ponto deste parágrafo: rapar ou deixar crescer o cabelo depende de o “excedente” estar ou não em um nível no qual é santo.
Marei mekomot
- 1וגלחה את ראשה · Deuteronomy 21:12
- 2והעבירו תער · Numbers 8:7
10והוא עד״מ כמכו שיחת חולין של ת״ח [תלמיד חכם / תלמידי חכמים]1 כו׳ והיינו לת״ח [לתלמיד חכם / לתלמידי חכמים] דייקא2 משא״כ לשארי אנשים הם דברי הבאי
A título de analogia, é como a conversa mundana dos estudiosos da Torá etc.; e isso se aplica especificamente a um estudioso da Torá, ao passo que, para as demais pessoas, são palavras vazias,
Uma analogia: o Talmud ensina que até mesmo a conversa casual dos estudiosos da Torá requer estudo (Sukkah 21b). Isso se aplica especificamente a um estudioso da Torá; a conversa casual das demais pessoas são simplesmente palavras vazias.
והיינו לפי שהת״ח [שהתלמיד חכם / שהתלמידי חכמים] הוא בבחי׳ מוחין דגדלות לכך אף השיחת חולין שלו שזהו כמו מותרי מוחין ימצא בהם טוב וקדושה
e isso porque o estudioso da Torá está no nível do intelecto maduro (mochin degadlut). Portanto, até mesmo sua conversa mundana, que é como o excedente do intelecto, conterá bem e santidade.
Um estudioso da Torá vive no nível do intelecto maduro (mochin degadlut). Assim, até mesmo seu excedente — sua conversa casual, que é como o “excedente do intelecto” — contém bem e santidade.
וזהו ענין ועלהו לא יבול3 אפילו בחי׳ העלין שהם אינם עיקר הפרי אעפ״כ [אף על פי כן] כו׳ שלגודל חכמתו לכך גם בשיחת חולין שלו מלובש חכמה מה שאין כן לשארי אנשים
E esse é o sentido de “e sua folha não murchará”: até mesmo o nível das folhas, que não são o principal, o fruto — apesar disso etc. Pois, devido à grandeza de sua sabedoria, até mesmo em sua conversa mundana está revestida a sabedoria, o que não ocorre com as demais pessoas
Este é o versículo que o Talmud cita para fundamentar o ensinamento: “e sua folha não murchará” (Salmos 1:3); até mesmo as folhas, que não são o fruto, têm valor. Rashi explica ali — como cita a nota da Kehot — que até mesmo os resíduos da árvore são necessários, e o mesmo vale para a conversa dos estudiosos. Como a sabedoria do estudioso é grande, ela se reveste até mesmo de suas palavras comuns.
(והוא קרוב לענין מ״ש במ״א גבי ענין משלי שלמה דדוקא שלמה היה יכול להלביש השכל במשל גשמי וכן ר׳ [רבי] מאיר ולכן אמרו משמת ר״מ [רבי מאיר] בטלו מושלי משלים45 כו׳. וע׳ בפרשת לך לך בד״ה והבדילה הפרכת).6
(e isso se aproxima do que está escrito em outro lugar a respeito das parábolas de Shlomo: somente Shlomo podia revestir o intelecto numa parábola física, e o mesmo se dava com Rabi Meir; por isso disseram: “Quando Rabi Meir morreu, cessaram os contadores de parábolas” etc. E veja Parshas Lech Lecha, no discurso que começa “E a cortina separará”).
Isso se assemelha ao que se diz sobre as parábolas do rei Shlomo: somente Shlomo podia revestir a sabedoria numa parábola física, e Rabi Meir também podia. A respeito dele, a Mishná ensina que, quando morreu, cessaram os contadores de parábolas (Sotah 9:15). O Alter Rebbe também remete a seu discurso em Lech Lecha, que começa “E a cortina separará”.
ולכן עד״ז אמרו ע״ה [עם הארץ] אסור לאכול בשר7 שהבשר שהוא מותרות מפיל אותו משא״כ צדיק אוכל לשובע נפשו8 כו׳ וכן עד״ז בבגדים
Portanto, nessa mesma linha, os Sábios, de abençoada memória, disseram: “É proibido ao am ha’aretz comer carne”, pois a carne, que é um excedente, faz com que ele caia; ao passo que “o justo come para a satisfação de sua alma” etc. E o mesmo se aplica, nessa mesma linha, às roupas:
Da mesma maneira, o Talmud diz que um am ha’aretz não pode comer carne (Pesachim 49b): para ele, a carne, um luxo além do necessário, provoca uma queda, ao passo que “o justo come para satisfazer sua alma” (Provérbios 13:25). O mesmo se aplica às roupas.
הנה בכה״כ כתיב ועשית בגדי קדש9 לאהרן אחיך לכבוד ולתפארת כי כה״ג [כהן גדול] שהוא מבחי׳ חכמה כח מה בחי׳ ביטול לכך כבוד חכמים ינחלו.10
a respeito do Kohen Gadol está escrito: “E farás vestes sagradas para Aharon, teu irmão, para honra e beleza”; pois o Kohen Gadol, que procede do nível de Chochmá (sabedoria) — koach mah (“o poder do ‘quê’”), o nível de autoanulação (bitul) —, por isso “os sábios herdarão honra”.
A respeito do Kohen Gadol está escrito: “Farás vestes sagradas para Aharon, teu irmão, para honra e beleza” (Êxodo 28:2). Ele procede de Chochmá, interpretada como koach mah, “o poder do ‘quê’”, um estado de autoanulação; por isso, a honra lhe é apropriada: “os sábios herdarão honra” (Provérbios 3:35).
משא״כ לשארי אנשים הרי התאוה והכבוד מוציאין את האדם11 מן העולם12 (וכמ״ש בפ׳ אחרי ע״פ כי ביום הזה יכפר13 כו׳) וכה״ג [וכהאי גוונא] הבעל תשובה צריך לסיגופים.
Ao passo que, para as demais pessoas, “o desejo e a honra tiram o homem do mundo” (como está escrito em Parshas Acharei, a respeito do versículo “Pois neste dia Ele expiará” etc.). E, do mesmo modo, o baal teshuvá precisa de mortificações:
Para as demais pessoas, “o desejo e a honra tiram o homem do mundo” (Avos 4:21), como o Alter Rebbe explica em seu discurso sobre “Pois neste dia Ele expiará” (Levítico 16:30). Do mesmo modo, um baal teshuvá precisa de sigufim, práticas de abnegação.
תשובת הגדר שלא יפול ח״ו [חס ושלום] משא״כ מי שלא חטא כו׳. וזהו וגלחה את ראשה. דהיינו המותרות ולהסתפק בהכרחי:14
teshuvá da cerca (teshuvat hageder), para que não venha a cair, D'us nos livre; ao passo que quem não pecou etc. E este é o sentido de “e ela raspará a cabeça”: isto é, os excedentes, e contentar-se com o necessário.
Essas práticas de abnegação são teshuvat hageder, uma “cerca” que o impede de cair novamente; quem não pecou não precisa delas. Este é o sentido de “ela raspará a cabeça”: abandonar os excedentes e contentar-se com o necessário.
O exemplo da conversa casual do estudioso mostra que o “excedente” só é santo para aquele cujo intelecto é elevado; para os demais, os excessos de comida, vestimentas e honra provocam uma queda. Por isso, o baal teshuvá precisa “raspar a cabeça”: abandonar os excedentes e contentar-se com o necessário.
As notas da Kehot citam Or HaTorah, segundo o qual talmid chacham significa “estudante” e receptor da Chochmá superior, que é bitul; citam também os discursos de 5565, segundo os quais a conversa casual de quem não é estudioso é de fato “excremento”, palavras inteiramente ociosas. Likkutei Torah sobre Nitzavim (52b) aplica o mesmo ensinamento ao cabelo: como a conversa casual, ele é um fluxo contraído, não a essência da mente; contudo, no nível mais elevado, o cabelo é santidade sublime, as Treze Atributos de Misericórdia chamadas tikkunei dikna.
Marei mekomot
- 1שיחות חולין של ת״ח · Sukkah 21b:8–9
- 2והיינו לת״ח דייקא · ”והנה ענין ת״ח הפי׳ שהוא תלמיד ומקבל מחכמה עילאה שהיא בחי׳ ביטול” — אוה״ת נ״ך כרך ב ע׳ תתקיז. ”אבל באדם אחר שאינו ת״ח שיחת חולין שלו ומלתא דבדיחותא שלו הוא מותרות ונובלות ממש דהיינו דברים בטלים לגמרי” — סה״מ תקס״ה ע׳ תתלז.
- 3ועלהו לא יבול · Psalms 1:3
- 4משמת ר״מ בטלו מושלי משלים · סוף סוטה.
- 5בטלו מושלי משלים · Mishnah Sotah 9:15
- 6והבדילה הפרכת · Exodus 26:33
- 7ע״ה אסור לאכול בשר · Pesachim 49b:3
- 8צדיק אוכל לשובע נפשו · Proverbs 13:25
- 9ועשית בגדי קודש · Exodus 28:2
- 10כבוד חכמים ינחלו · Proverbs 3:35
- 11התאוה והכבוד מוציאין את האדם · אבות ד, כא.
- 12התאוה והכבוד מוציאין את האדם מן העולם · Pirkei Avot 4:21
- 13כי ביום הזה יכפר · Leviticus 16:30
- 14
11ועשתה את צפרניה.1 היינו מותרי המדות2 חסד דרועא ימינא אברהם שיצא ממנו3 כו׳ שאחיזתם הוא בצפרנים פסולת. אך פי׳ וגלחה את ראשה.4
“E fará as unhas”: isto é, o excesso dos atributos emocionais (midot) — Chessed (bondade), “o braço direito”, Avraham, “de quem saiu”, etc. — pois o que se apega a eles está nas unhas, o refugo. Mas o significado de “E rapará a cabeça”
“E fará as unhas” refere-se ao excesso dos atributos emocionais. Chessed, o “braço direito”, é o atributo de Avraham; contudo, de Avraham saiu Yishmael (Pesachim 56a), um exemplo do refugo de Chessed. As forças externas se apegam a esse refugo, assim como às unhas. O Alter Rebe agora explica o que significa, na prática, “rapar a cabeça”.
דהיינו מותרי מוחין הוא ענין ההתחכמות היתירה במילי דעלמא. והוא ע״ד מ״ש לא לחכמים לחם.5 כי הגם דכתיב וברכך ה׳ אלקיך בכל אשר תעשה.
— isto é, o excesso do intelecto (mosarei mochin) — consiste na esperteza excessiva em assuntos mundanos. Isso corresponde ao que está escrito: “O pão não é para os sábios”. Pois, embora esteja escrito: “E Havayá, teu D'us, te abençoará em tudo o que fizeres”,
O excesso do intelecto consiste em esperteza excessiva nos assuntos mundanos, a respeito da qual Kohelet diz: “O pão não é para os sábios” (Ecclesiastes 9:11). No entanto, a Torá também diz: “Havayá, teu D'us, te abençoará em tudo o que fizeres” (Deuteronomy 15:18), o que parece exigir esforço.
שהברכה וההמשכה נמשך בכל אשר תעשה דוקא שהוא כלי וסיבה שבזה יומשך לו מה שנקצב לו בר״ה [בראש השנה]6 ויוה״כ [ויום הכפורים] פרנסה משא״כ אם ישב בטל
[isto é,] que a bênção e o fluxo são atraídos especificamente “em tudo o que fizeres”, o que constitui um recipiente e um meio pelo qual aquilo que lhe foi destinado em Rosh HaShanah e Yom Kippur — seu sustento — será atraído para ele; ao passo que, se ficar ocioso
Esse versículo significa que a bênção vem especificamente por meio de “tudo o que fizeres”: o trabalho da pessoa é o recipiente e o meio pelo qual chega até ela o sustento que lhe foi destinado em Rosh HaShanah e Yom Kippur (Beitzah 16a). Em contrapartida, quem fica ocioso não cria esse recipiente.
ולא יעסוק כלל באיזה פרנסה לא יומשך ההמשכה בגשמיות והיינו משום שבעוה״ז הגשמי נמשך ההשפעה בלבוש והסתר עד שאותותינו לא ראינו7
e não se dedicar de modo algum a qualquer meio de sustento, o fluxo não será atraído para a realidade física. Isso ocorre porque, neste mundo físico, a influência é atraída revestida e encoberta, a ponto de “não vermos nossos sinais”
Se a pessoa não trabalha de modo algum, a bênção não assume forma física. Neste mundo físico, a influência divina vem revestida e encoberta, a tal ponto que “não vemos nossos sinais” (Psalms 74:9).
(וכמ״ש במ״א בד״ה ומרדכי יצא89 כו׳ ע״ש ובד״ה וברכך10 הנ״ל וע׳ ג״כ בפ׳ מסעי בד״ה לבאר ענין המסעות11 במש״ש [במה שכתוב שם] לכן שם אל אד׳ המחיה עשייה כו׳)
(como está escrito em outro lugar, no discurso que começa “E Mordechai saiu”, etc.; veja ali; e no discurso que começa “E Ele te abençoará”, mencionado acima. Veja também Parshas Masei, no discurso que começa “Para explicar o significado das jornadas”, no trecho em que está escrito: portanto, o Nome E-l Ado-nai, que dá vida a Assiá, etc.).
O Alter Rebe remete a seus discursos sobre “E Mordechai saiu” (Esther 8:15) e “E Ele te abençoará”, bem como a Likkutei Torah, Masei, sobre o Nome divino E-l Ado-nai, que dá vida ao Mundo de Assiá (Ação).
אך מ״מ ההשפעה עצמה נמשך מלמעלה וברכך ה׳ בכל כו׳ אלא שהאדם מחויב לעשות כלי שבזה יומשך הברכה לפי שכך הוא סדר ההמשכה כנ״ל.
Não obstante, a própria influência é atraída do Alto — “E Havayá te abençoará em tudo”, etc. —; a pessoa, porém, tem a obrigação de criar um recipiente por meio do qual a bênção será atraída, pois essa é a ordem do fluxo, como mencionado acima.
Ainda assim, a própria bênção vem do Alto, como diz o versículo: “Havayá te abençoará”. A pessoa precisa apenas criar um recipiente para ela, pois essa é a ordem pela qual o fluxo divino desce.
אך ריבוי ההתחכמות בזה הוא מותרי מוחין אשר ע״ז נאמר לא לחכמים לחם. כי בזה מראה שעולה על דעתו שהסיבה והלבוש ההוא והתחבולה היא עיקרית בהשפעה זו והוא בחי׳ נפרד כו׳
Mas a esperteza excessiva nisso é o excesso do intelecto, a respeito do qual se diz: “O pão não é para os sábios”. Pois, com isso, ele demonstra que lhe ocorre que essa causa, esse revestimento e esse estratagema são o elemento essencial dessa influência; e esse é o nível de [ser] separado, etc.
Acumular esperteza no trabalho é o “excesso do intelecto”, a respeito do qual foi dito: “O pão não é para os sábios”. Isso mostra que a pessoa pensa que os meios, o “revestimento” e o estratagema é que realmente produzem a bênção; e esse é um estado de separação de D'us.
(וכמ״ש בד״ה שובה ישראל12 כו׳ שעי״ז גורם להיות לו לב האבן כו׳ ע״ש) והוא כמשל מי שתופר לו לבוש כמדה הצריך הוא טוב
(como está escrito no discurso que começa “Retorna, ó Israel”, etc., que, por meio disso, ele faz com que tenha um coração de pedra, etc.; veja ali). É como na analogia de alguém que costura para si uma roupa: se ela tiver exatamente a medida necessária, será boa;
Essa atitude produz um “coração de pedra”, como é explicado no discurso “Retorna, ó Israel” (Hosea 14:2). A analogia é a de uma roupa: aquela que é costurada na medida de que a pessoa precisa é boa.
אבל אם מאריך אותו יותר מדאי גורם שיפול מחמתו ח״ו [חס ושלום]. (והא דארז״ל [דאמרו רבותינו זכרונם לברכה] נדה) (דף ע׳ [עיין])13 מה יעשה אדם ויתעשר14 ירבה בסחורה כו׳
mas, se o alonga demais, isso faz com que caia por causa dele, D'us não o permita. E quanto ao que disseram nossos Sábios, de abençoada memória (Niddah, folio 70): “O que deve fazer uma pessoa para enriquecer? Que aumente seu comércio”, etc. —
Uma roupa comprida demais faz quem a veste tropeçar, e a sagacidade excessiva nos negócios produz o mesmo efeito. O Alter Rebe então aborda o conselho do Talmud (Niddah 70b): “O que deve fazer uma pessoa para enriquecer? Que aumente seu comércio.”
זהו כמש״ש [כמה שכתוב שם] כשמבקש רחמים מיי שהעושר שלשו על עושר אז ודאי צריך ג״כ לעשות לבוש וכלי שיוכל לשרות בזה הברכה.
isso é como está dito ali: quando pede misericórdia Àquele a quem pertence a riqueza, para obter riqueza, então certamente também precisa fazer uma roupa e um recipiente nos quais a bênção possa repousar.
O Talmud continua ali dizendo que muitos fizeram isso sem sucesso; portanto, é preciso pedir misericórdia Àquele a quem pertence a riqueza. O Alter Rebe explica que, quando uma pessoa reza por riqueza, também precisa fazer uma roupa e um recipiente para que a bênção possa repousar.
וגם זאת רק ירבה15 בסחורה ולא ריבוי ההתחכמות יותר מדאי וההעמקה דאדרבה לא לחכמים לחם כו׳
E mesmo isso, apenas “que aumente seu comércio”, e não que haja sagacidade e investigação profunda em excesso, pois, ao contrário, “o pão não pertence aos sábios”, etc.
Mesmo nesse caso, o Talmud diz apenas “que aumente seu comércio”, e não que haja sagacidade excessiva e investigação profunda. Estas, conforme a expressão “o pão não pertence aos sábios”, atuam contra ele.
וכ״ש [וכל שכן] מי שאינו אץ להתעשר רק מסתפק בהכרחי או אף אם רוצה להתעשר אלא שלא בקש רחמים ע״ז אז רבוי הסחורה ג״כ ה״ל [הוה ליה] כלבוש ארוך יותר מדאי כו׳.
E quanto mais no caso de alguém que não tem pressa de enriquecer, mas se contenta com o necessário; ou mesmo se deseja enriquecer, mas não pediu misericórdia por isso: então, muito comércio também lhe é como uma roupa comprida demais, etc.
Quanto mais isso se aplica a quem não tem pressa de enriquecer e se contenta com o que necessita, ou a quem deseja riqueza, mas não rezou por ela. Para essa pessoa, muito comércio é como uma roupa comprida demais.
אלא דכשמבקש רחמים ע״ז אז לא סגי בלי שירבה בסחורה כמש״ש [כמה שכתוב שם] בגמ׳ [בגמרא] דהא בלא הא לא סגי.
Mas, quando pede misericórdia por isso, não basta sem que aumente seu comércio, como está dito ali na Guemará: “uma coisa sem a outra não basta”.
Somente quando reza por riqueza é necessário aumentar o comércio. Como conclui o Talmud: “uma coisa sem a outra não basta”; a oração e o esforço caminham juntos.
והיינו מטעם הנ״ל שההשפעה בעשייה נמשך על ידי לבוש כו׳ בכל אשר תעשה. וזהו ענין וגלחה את ראשה המותרי מוחין הנ״ל
E isso se deve à razão mencionada acima: a influência em Assiá (Ação) é atraída por meio de uma roupa, etc. — “em tudo o que fizeres”. E este é o sentido de “ela raspará a cabeça”: o excesso do intelecto mencionado acima
A razão é a mencionada acima: em Assiá, o mundo da ação, a influência divina chega por meio de uma roupa, “em tudo o que fizeres”. Este é o sentido de “ela raspará a cabeça”: remover o excesso do intelecto.
(שהם נמשלו לבחינת שערות שמהם יניקת החיצונים ע״ד שער באשה ערוה16 משא״כ בתורה כתיב סלסלה ותרוממך17 כי התורה שרשה מח״ע [מחכמה עילאה] וכתר עליון אשר משם ההמשכה דייקא ע״י בחי׳ שערות כו׳.
(que são comparados ao nível dos cabelos, dos quais as forças externas extraem sustento, à maneira de “o cabelo de uma mulher é nudez”; ao passo que, a respeito da Torá, está escrito: “Exalta-a (salseleha) e ela te elevará”, pois a raiz da Torá está na Chochmá superior (Chochmá Ilaá) e no Kéter supremo, de onde o fluxo desce especificamente por meio do nível dos cabelos, etc.;
O parêntese final explica por que esse excesso é comparado ao cabelo: as forças externas extraem sustento do cabelo, como indica a expressão do Talmud “o cabelo de uma mulher é nudez” (Berachos 24a). A respeito da Torá, em contraste, está escrito “Exalta-a (salseleha)” (Proverbs 4:8), palavra associada a enrolar, como se faz com o cabelo, pois a Torá tem sua raiz na Chochmá superior e no Kéter supremo, cujo fluxo desce especificamente por meio dos “cabelos”.
שאל״כ [שאם לא כן] לא יוכלו העולמות לקבל כו׳. ועיין מ״ש במ״א ס״פ לך לך בד״ה שרי אשתך1819 והנה למעלה כך היא המדה כו׳ ע״י צמצום דוקא כו׳ משא״כ למטה בבחי׳ שרה כו׳
pois, caso contrário, os mundos não poderiam receber, etc. E veja o que está escrito em outro lugar, no final de Parshas Lech Lecha, no discurso que começa “Sarai, tua esposa”: “Agora, acima, essa é a medida”, etc., “especificamente por meio do tsimtsum (contração)”, etc.; “ao passo que abaixo, no nível de Sarah”, etc.,
Sem essa contração em “cabelos”, os mundos não poderiam receber a luz. O Alter Rebe cita seu discurso sobre “Sarai, tua esposa” (Genesis 17:15): acima, uma nova vitalidade surge especificamente por meio do tsimtsum (contração), ao passo que abaixo, no nível de Sarah, a ordem é inversa.
הוא להיפך ממש כו׳ וע׳ בפ׳ תצוה בד״ה ועשית בגדי קדש2021 במש״ש [במה שכתוב שם] אבל בחי׳ ורב חסד כו׳ ודרך גילוי זה והמשכה זו כו׳ הוא כמ״ש כשמן ה טוב על ראש יורד על הזקן כו׳ ע״ש.
“é exatamente o contrário”, etc. E veja Parshas Tetzaveh, no discurso que começa com “E farás vestes sagradas”, no que está escrito ali: “Mas o nível de ‘e abundante em bondade’”, etc., “e o modo desta revelação e desta emanação”, etc., “é como está escrito: ‘Como o óleo bom sobre a cabeça, que desce pela barba’”, etc.; veja ali.
Ele também cita seu discurso sobre “E farás vestes sagradas” (Exodus 28:2): o nível de “abundante em Chessed (bondade)” (rav chesed) desce como “o óleo bom sobre a cabeça, que desce pela barba” (Psalms 133:2), isto é, através dos pelos da barba.
E veja Parshas Emor, no discurso que começa com “E serei santificado no meio”, etc., e Parshas Nitzavim, na explicação sobre o versículo “Pois, assim como a terra faz brotar seu crescimento”, etc.)
Duas outras referências encerram o parêntese: o discurso em Emor que começa com “E serei santificado no meio [dos filhos de Israel]” (Leviticus 22:32), e a explicação em Nitzavim sobre “Pois, assim como a terra faz brotar seu crescimento” (Isaiah 61:11).
O parágrafo explica o excesso dos atributos emocionais — as unhas — e, em seguida, o excesso do intelecto — os cabelos: a esperteza excessiva nos assuntos mundanos. A pessoa deve criar um “recipiente” para a bênção de D'us por meio do trabalho comum; mas confiar em estratagemas significa pensar que os meios produzem a bênção. É como uma roupa comprida demais, que faz a pessoa tropeçar.
A nota de Kehot registra que, nos discursos de 5565 e nos discursos do Mitteler Rebbe sobre esta passagem, o Alter Rebe acrescenta: “Ainda assim, a pessoa é julgada todos os dias”, como dizemos no Birkat Hamazon: “e nos sustenta sempre, todos os dias, em todo momento e em toda hora”. A observação entre parênteses sobre os cabelos inverte a imagem: embaixo, os cabelos são o lugar de onde as forças externas recebem seu sustento; mas, na raiz da Torá, o fluxo vem especificamente por meio dos “cabelos”, assim como o nascimento no Alto se dá por meio do tsimtsum.
Marei mekomot
- 1ועשתה את צפרניה · Deuteronomy 21:12
- 2ועשתה את צפרניה היינו מותרי המדות · ראה אוה״ת שה״ש כרך ב ע׳ תלח. וראה בסידור ק, ג ההפרש בין מותרי מוחין למותרי מדות.
- 3אברהם שיצא ממנו · Pesachim 56a:7
- 4אך פי׳ וגלחה את ראשה · מובא באוה״ת ויקרא ע׳ קכה.
- 5לא לחכמים לחם · Ecclesiastes 9:11
- 6שנקצב לו בר״ה · Beitzah 16a
- 7אותותינו לא ראינו · Psalms 74:9
- 8בד״ה ומרדכי יצא · תו״א צג, א.
- 9ומרדכי יצא · Esther 8:15
- 10ובד״ה וברכך · סה״מ תקס״ה ח״ב ע׳ תרמח. דרך מצותיך קו, א.
- 11בד״ה לבאר ענין המסעות · לעיל פ׳ מסעי פט סע״ב.
- 12שובה ישראל · Hosea 14:2
- 13והא דארז״ל נדה דף ע׳ · וראה בארוכה בדרך מצותיך קו, ב ואילך.
- 14
- 15וגם זאת רק ירבה · ראה דרך מצותיך קז, ב. הקדמת אדה״א לדרך חיים.
- 16שער באשה ערוה · Berakhot 24a:17
- 17סלסלה ותרוממך · Proverbs 4:8
- 18בד״ה שרי אשתך · תו״א יג, ב.
- 19שרי אשתך · Genesis 17:15
- 20בד״ה ועשית בגדי קודש · תו״א פב, ב.
- 21ועשית בגדי קדש · Exodus 28:2
- 22ונקדשתי בתוך · Leviticus 22:32
- 23כי כארץ תוציא צמחה · Isaiah 61:11
- 24וברכך ה״א בכל אשר תעשה · Deuteronomy 15:18
- 25כשמן הטוב על הראש · Psalms 133:2
A vestimenta da cativa e a casa ¶12–13
12והסירה את שמלת שביה.1 שמלה הוא בחי׳ מקיף ויש מקיף גם בזלעו״ז [בזה לעומת זה] כי בבואה דבבואה23 לית להו
“E ela retirará a vestimenta de seu cativeiro”: uma vestimenta corresponde ao nível de um makif (luz abrangente). Também há um makif no lado oposto, pois “eles não têm uma sombra de uma sombra”,
“E ela retirará a vestimenta de seu cativeiro” (Deuteronômio 21:13): a vestimenta envolve o corpo e, por isso, representa um makif. O lado oposto, a kelipá, também possui um makif, como o Talmud afirma a respeito dos demônios: eles não têm uma “sombra de uma sombra” (Yevamot 122a).
אבל בבואה לחודא אית להו (ועיין מזה בפע״ח [בפרי עץ חיים] בכוונת הושענא רבה4 אך שם נת׳ [נתבאר] ענין בבואה דבבואה באופן אחר)
“mas uma sombra, por si só, eles têm” (e veja a esse respeito Pri Etz Chaim, na intenção de Hoshana Rabá; ali, porém, a questão da sombra de uma sombra é explicada de outra maneira);
A mesma passagem talmúdica afirma que eles têm uma “sombra” por si só. Pri Etz Chaim também trata da sombra e da sombra de uma sombra, nas kavanot de Hoshana Rabá, mas as explica de maneira diferente.
והיינו כמבואר למעלה שבקדושה יש ב׳ מקיפים ל׳ [לשון] מ׳ והם בחינת מקיף ומקיף דמקיף והם בחינת חיה יחידה שהם ב׳ מקיפים ונר״נ [ונפש רוח נשמה] הם פנימים וע׳ בפי׳ הרמ״ז [הרב משה זכות] פנחס (דר״כ סע״א [סוף עמוד א])5
e isso corresponde ao que foi explicado acima: na santidade há dois makifim, o lamed e o mem, que são o nível de um makif e de um makif do makif; correspondem a Chayá e Yechidá, que são dois makifim, enquanto Néfesh, Ruach e Neshamá são níveis interiores. Veja também o comentário do Ramaz sobre Pinchas (fólio 220, final do lado a),
Na santidade há dois makifim, o lamed e o mem: um makif e um makif do makif. Na alma, eles são Chayá e Yechidá, seus dois níveis abrangentes, enquanto Néfesh, Ruach e Neshamá são seus níveis interiores; o Alter Rebe remete ao comentário do Ramaz sobre o Zohar, Pinchas (220a).
a respeito daquele que responde “Amém, que Seu grande Nome seja bendito” com toda a sua força; e veja o que está escrito na explicação sobre o versículo “Pois, assim como os novos céus”.
O comentário do Ramaz ali trata do ensinamento sobre aquele que responde “Amém, que Seu grande Nome seja bendito” com toda a sua força (Shabat 119b). O Alter Rebe também remete à sua explicação de “Pois, assim como os novos céus” (Isaías 66:22).
ובקליפה אין להם בחי׳ בבואה דבבואה שהוא בחי׳ המקיף למקיף. וז״ש [וזהו שכתוב] ומכפירים יחידתי8 שהוא יחדה ממש שאין לה לעומת זה בקליפות.9
E na kelipá não há o nível da sombra de uma sombra, que é o makif do makif. E este é [o sentido de] “e dos jovens leões, minha única (yechidati)”: pois ela é verdadeiramente única, sem qualquer correspondente oposto a ela nas kelipot.
A kelipá não possui a “sombra de uma sombra”, o makif do makif. Por isso, a Yechidá da alma é chamada “minha única” (Salmos 35:17): ela é verdadeiramente única, sem correspondente na kelipá.
אבל בחי׳ בבואה לחודא היינו מקיף א׳ יש להם (ובזה יתורץ איזה דרושים הסותרים לכאורה זא״ז [זה אל זה / זה את זה] דבמ״א נת׳ [נתבאר] דבחי׳ אהבה רבה אין כנגדה לעומת זה כמ״ש ע״פ חכלילי עינים1011 כו׳
Mas o nível de uma sombra, por si só — isto é, um makif — eles têm. (Com isso se conciliam alguns discursos que, à primeira vista, se contradizem: pois em um lugar é explicado que o nível do grande amor (ahavá rabá) não tem correspondente oposto a ele, como está escrito sobre o versículo “Seus olhos estão vermelhos”, etc.;
A kelipá tem, sim, a “sombra” por si só, um makif. Isso, observa o Alter Rebe, concilia dois discursos que parecem contradizer-se; o primeiro, sobre “Seus olhos estão vermelhos” (Gênesis 49:12), diz que ahavá rabá, o “grande amor”, não tem correspondente na kelipá.
ובמ,א נת׳ [נתבאר] שכמו כן בקליפה יש מבחי׳ הרצון שלמעלה מהשכל שהוא עומק ההתקשרות בהבלי העולם כו׳ וכמ״ש בד״ה ושמתי כדכד1213 כו׳ בעין ומכפירים יחידתי. ולפמש״כ [ולפי מה שכתוב] א״ש [אתי שפיר] דבחי׳ מקיף א׳ יש להם ובחי׳ מקיף היינו מה שלמעלה מהשכל.
e em outro lugar é explicado que também na kelipá há algo do nível da vontade que está acima do intelecto, que é a profundidade do apego às vaidades do mundo, etc., como está escrito no discurso que começa “E farei [tuas janelas] de kadkod”, etc., a respeito de “e dos jovens leões, minha única”. De acordo com o que foi escrito [aqui], isso se entende bem: eles têm um makif, e o nível de makif é aquilo que está acima do intelecto.
O segundo discurso, sobre “E farei [tuas janelas] de kadkod” (Isaías 54:12), afirma que a kelipá possui algo da vontade que está acima do intelecto: um apego profundo e irracional às vaidades do mundo. A resolução é que a kelipá tem um makif, e makif é aquilo que está acima do intelecto.
אך בחי׳ מקיף השני שהוא עיקר בחי׳ המקיף עליון בחי׳ יחידה ממש והוא נקרא תעלומות לב14 לית להו רק בקדושה יש בחי׳ זו כו׳)
Mas o nível do segundo makif, que é a essência do nível do makif supremo, o próprio nível de Yechidá, e que é chamado “os recessos ocultos do coração” — isso eles não têm; somente na santidade existe esse nível, etc.)
O que falta à kelipá é o segundo makif, a essência do makif supremo, a própria Yechidá, chamada “os recessos ocultos do coração” (Salmos 44:22); esse nível existe somente na santidade. Portanto, o amor que não tem correspondente pertence a esse segundo makif.
E este é o nível da letra lamed. Este é o sentido de “uma transgressão conduz a outra transgressão” e de “se uma pessoa se contamina um pouco, é contaminada muito”.
O makif da kelipá corresponde à letra lamed. Isso explica a mishná “uma transgressão conduz a outra transgressão” (Avos 4:2) e a afirmação do Talmud “se uma pessoa se contamina um pouco, é contaminada muito” (Yoma 39a): uma atração que envolve a pessoa de fora de sua percepção.
(עיין בר״ח פ׳ ד׳ משער הקדושה) והיינו מה שאינו מרגיש בנפשו שזה נמשך לו מבחי׳ המקיף דקליפה.
(Veja Reishis Chochmah, capítulo 4 do Portão da Santidade.) Isto é, ele não sente em sua alma que isso lhe é atraído do nível do makif da kelipá.
O Alter Rebe se refere a Reishis Chochmah, Portão da Santidade, capítulo 4. A pessoa não sente que essa atração lhe vem do makif da kelipá, pois um makif atua fora da percepção consciente.
וזהו ענין והסירה את שמלת שביה שצ״ל הסרת המקיף דקליפה בכדי שישרה המקיף דקדושה בחי׳ למ״ד כנ״ל:
E este é o sentido de “e ela removerá a veste de seu cativeiro”: é preciso remover o makif da kelipá, para que repouse o makif da santidade, o nível da letra lamed, como mencionado acima.
“Ela removerá a veste de seu cativeiro”: é preciso remover o makif da kelipá para que o makif da santidade, a letra lamed, possa repousar sobre a pessoa.
O parágrafo interpreta “a vestimenta de seu cativeiro” como o makif da kelipá. A kelipá tem um makif — a vontade acima do intelecto, que arrasta a pessoa de um pecado a outro sem que ela o perceba —, mas não o segundo, a Yechidá. Por isso, a vestimenta da kelipá precisa ser retirada para que o makif da santidade, o lamed, repouse sobre a alma.
Pri Etz Chaim (Portão do Lulav, capítulo 5) explica os dois “reflexos” de outra maneira: a pessoa tem um proveniente do masculino e outro do feminino, enquanto os demônios, que provêm somente do masculino, não têm o segundo. A resolução apresentada aqui — a kelipá tem uma vontade acima do intelecto, mas não a Yechidá — explica tanto por que o apego às vaidades pode ser mais profundo do que a razão quanto por que o ponto mais íntimo da alma, a Yechidá, não tem oposto na kelipá.
Marei mekomot
- 1והסירה את שמלת שביה · Deuteronomy 21:13
- 2בבואה דבבואה · Yevamot 122a:9–10
- 3בבואה דבבואה · Pri Etz Chaim, Gate of Lulav 5:1
- 4בפע״ח בכוונת הושענא רבה · שער הלולב פרק ה.
- 5בפי׳ הרמ״ז פנחס דר״כ סע״א · ראה גם לקמן לט, ג. נ, ב. חקת סה, ד.
- 6העונה אמן יהא שמיה רבא מברך בכל כחו · Shabbat 119b:5
- 7כי כאשר השמים החדשים · Isaiah 66:22
- 8ומכפירים יחידתי · Psalms 35:17
- 9שהוא יחידה ממש שאין לה לעומת זה בקליפות · ראה גם מאמרי אדה״א דברים ח״ב ס״ע תקמב ואילך.
- 10ע״פ חכלילי עינים · תו״א מז, ב. וראה בספר הערכים-חב״ד כרך א ערך אהבה מסותרת במילואים הערה 380 — מהביאור באוה״ת דברים ע׳ לג.
- 11חכלילי עינים · Genesis 49:12
- 12בד״ה ושמתי כדכד · לעיל פ׳ ראה כה, א ואילךם.
- 13ושמתי כדכד · Isaiah 54:12
- 14תעלומות לב · Psalms 44:22
- 15עבירה גוררת עבירה · אבות פ״ד מ״ב.
- 16עבירה גוררת עבירה · Pirkei Avot 4:2
- 17אדם מטמא עצמו מעט · Yoma 39a:3–4
13וישבה בביתך.1 בקביעות שתתיישב היטב בנפש בל תמוט לעולם ועד.2 (ועוי״ל [ועוד יש לומר] בפי׳ והבאתה אל תוך ביתך3 כו׳ וישבה בביתך כו׳.
“E ela habitará em tua casa”: permanentemente, para que se fixe bem na alma e jamais seja removida, para todo o sempre. (E ainda se pode dizer, quanto ao sentido de “e a trarás para dentro de tua casa”, etc., [e] “e ela habitará em tua casa”, etc.:
“E ela habitará em tua casa” (Deuteronômio 21:13) significa permanência: a mudança deve fixar-se firmemente na alma, de modo que ela jamais vacile. Em seguida, um parêntese oferece uma interpretação adicional de “e a trarás para dentro de tua casa” (Deuteronômio 21:12) e “ela habitará em tua casa”.
היות ב׳ בחי׳ מקיפים הנ״ל נקראים ג״כ לבוש ובית אשר הלבוש הוא בחי׳ מקיף הקרוב ובית הוא מקיף למקיף וענין ב׳ מקיפים אלו בקדושה מבואר ג״כ לעיל פ׳ ואתחנן ע״פ וזאת המצוה4 כו׳
pois os dois níveis de makifim (luzes circundantes) mencionados acima também são chamados de vestimenta e casa — a vestimenta é o nível do makif próximo, e a casa é o makif do makif. O assunto desses dois makifim na santidade também é explicado acima, na parashá Vaetchanan, sobre o versículo “E este é o mandamento”, etc.;
Os dois makifim descritos acima também são chamados de “vestimenta” e “casa”: a vestimenta é o makif próximo, o lamed, e a casa é o makif do makif, o mem. O Alter Rebe observa que isso também é explicado em Likkutei Torah, Vaetchanan, sobre “E este é o mandamento” (Deuteronômio 6:1).
וע׳ בד״ה השמים כסאי5 בענין איזה בית כו׳ ובשאר דוכתי. וז״ש [וזהו שכתוב] כאן על וראית בשביה6 אשת יפ״ת [יפת תאר] כו׳ שהוא להפך עצמות המדות בחי׳ צ׳ כנ״ל הנה שמירה זו הוא ע״י והבאתה אל תוך ביתך בחי׳ מקיף העליון כו׳
e veja o discurso que começa com “Os céus são Meu trono”, sobre o assunto de “Que casa”, etc., bem como em outros lugares. E [a respeito] do que está escrito aqui sobre “e vês entre os cativos uma mulher de bela aparência”, etc., que trata de transformar a essência dos atributos emocionais (midot), o nível do tsadi, como mencionado acima: essa proteção se dá por meio de “e a trarás para dentro de tua casa”, o nível do makif superior, etc.;
Isso também é discutido no discurso sobre “Os céus são Meu trono… que casa poderíeis construir para Mim” (Isaías 66:1), entre outros lugares. A passagem da mulher cativa trata de transformar a essência dos atributos emocionais, o tsadi; para proteger essa mudança, é necessário “trazê-la para dentro de tua casa”, o makif superior.
וגם המקיף דבחי׳ ל׳ [לשון] שנק׳ לבוש שלכך בלעו״ז [בלעומת זה] נקרא שמלת שביה וצ״ל והסירה שמלת שביה שעי״ז ישרה הלבוש ומקיף דקדושה כו׳ מ״מ צריך להיות וישבה בביתך דוקא וכמשנ״ת [וכמו שנתבאר] ע״פ וזאת המצוה כו׳ לשמר כו׳ ושמרת כו׳ ע״ש):
e quanto ao makif do nível do lamed, que é chamado de vestimenta — por isso, no lado oposto, é chamado de “vestimenta de seu cativeiro”, e é preciso que “ela remova a vestimenta de seu cativeiro”, para que, por meio disso, repousem a vestimenta e o makif da santidade, etc. —, ainda assim, é necessário que “ela habite em tua casa” especificamente; conforme foi explicado sobre o versículo “E este é o mandamento”, etc., “para guardar”, etc., “e guardarás”, etc.; veja ali.)
Remover “a vestimenta de seu cativeiro” permite que a vestimenta sagrada, o makif do lamed, repouse sobre a pessoa, mas isso não basta. Também é necessário que “ela habite em tua casa”, o makif superior, conforme explicado sobre “E este é o mandamento… para guardar… e guardarás”.
“Ela habitará em tua casa” significa que a mudança se torna permanente. À luz dos dois makifim, a vestimenta corresponde ao lamed e a casa ao mem: remover a vestimenta do cativeiro permite que a vestimenta sagrada repouse sobre a alma, mas proteger os atributos transformados exige o makif superior, a “casa”.
Os versículos seguem, em ordem, as letras de tzelem: o tsadi, os atributos da alma, é a mulher cativa; o lamed é a vestimenta, primeiro a vestimenta do cativeiro e depois a vestimenta sagrada; e o mem é a casa na qual a transformação é preservada.
Marei mekomot
- 1וישבה בביתך · Deuteronomy 21:13
- 2בל תמוט לעולם ועד · Psalms 104:5
- 3והבאתה אל תוך ביתך · Deuteronomy 21:12
- 4וזאת המצוה · Deuteronomy 6:1
- 5השמים כסאי · Isaiah 66:1
- 6וראית בשביה · Deuteronomy 21:11
Choro e união ¶14
14ובכתה את אביה.1 היא בחי׳ תשובה עילאה2 יותר וכנודע ממ״ש האריז״ל [האר״י זכרונו לברכה] מי שאינו בוכה3 בר״ה [בראש השנה] ויוהכ״פ [ויום הכפורים] אין נשמתו שלימה ואין בכיה זו באה מצד מרה שחורה.
“E ela chorará por seu pai”: este é o nível de uma teshuvá ainda mais elevada, como se sabe pelo que disse o Arizal, de abençoada memória: quem não chora em Rosh Hashaná e Yom Kipur tem a alma incompleta. E esse choro não provém da melancolia (mará shechorá),
“E ela chorará por seu pai” é uma teshuvá ainda mais elevada. O Arizal disse que quem não chora em Rosh Hashaná e Yom Kipur tem a alma incompleta, mas esse choro não provém da melancolia.
אלא כענין שאמרו רז״ל [רבותינו זכרונם לברכה] גבי רבי עקיבא שכשהשיג סודות התורה בשיר השירים זלגו עיניו דמעות והיא מעלה האמורה לעתיד לבא בבכי יבואו4 כו׳ שהיא מדרגה גדולה כי והנה נער בוכה5 ותחמול עליו.
mas, antes, é semelhante ao que nossos Sábios, de abençoada memória, disseram a respeito de Rabi Akiva: quando ele apreendeu os segredos da Torá no Cântico dos Cânticos, seus olhos derramaram lágrimas. E esta é a virtude mencionada para o Tempo Vindouro — “Virão com choro”, etc. — que é um nível elevado; pois “e eis que um menino chorava, e ela teve compaixão dele”.
É como as lágrimas de Rabi Akiva, que lhe correram dos olhos quando apreendeu os segredos da Torá no Cântico dos Cânticos: lágrimas de proximidade, não de tristeza. Esta é a virtude prometida para o futuro: “Virão com choro” (Jeremias 31:9); e é como o menino Moshe: “e eis que um menino chorava, e ela teve compaixão dele” (Êxodo 2:6).
והוא בחי׳ יוהכ״פ [יום הכפורים]. (ועמ״ש מענין בכייה בפ׳ וישלח סד״ה ויקח מן הבא בידו6 מנחה7 כו׳ ובד״ה וקבל היהודים89 במש״ש [במה שכתוב שם]. אך לע״ל [לעתיד לבוא] נאמר עין בעין יראו10 לפי שאז נאמר בבכי יבואו כו׳ ע״ש).
E este é o nível de Yom Kipur. (E veja o que está escrito sobre o assunto do choro em Parshat Vayishlach, no fim do discurso que começa “E tomou do que lhe veio à mão um presente”, etc., e no discurso que começa “E os judeus aceitaram”, no trecho ali escrito: mas, no Tempo Vindouro, está dito: “Olho a olho verão”, porque então está dito: “Virão com choro”, etc.; veja ali.)
Este choro é o nível de Yom Kipur. O Alter Rebe remete a seus discursos de Torah Ohr sobre “E tomou do que lhe veio à mão um presente” (Gênesis 32:14) e “E os judeus aceitaram” (Ester 9:23): no futuro, “olho a olho verão” (Isaías 52:8), porque então “virão com choro”.
ואח״כ תבא אליה ובעלתה היינו ענין מס״נ [מסירות נפש] והוא ענין נפילת אפים11 ובחינת נעילה שהוא גמר העליות כמ״ש במ״א12
E, depois, poderás aproximar-te dela e tomá-la por esposa: isto é o assunto do autossacrifício (mesirut nefesh); e corresponde a prostrar-se com o rosto por terra (nefilat apayim) e ao nível de Ne’ilá, que é a culminação das ascensões, como está escrito em outro lugar
“E, depois, poderás aproximar-te dela e tomá-la por esposa” é mesirut nefesh, a entrega completa de si. Corresponde a nefilat apayim, “prostrar-se com o rosto por terra” na oração, e a Ne’ilá, a oração de encerramento de Yom Kipur, a culminação de todas as ascensões.
(וע׳ בפע״ח [בפרי עץ חיים] בענין נפילת אפים וע׳ מ״ש במ״א ע״פ לריח שמניך1314 שכנ״י [שכנסת ישראל] נק׳ כלה וכשמאיר אור אלקות בנש״י [בנשמות ישראל] בתוך לבו בעומק לבו זה נק׳ כד קבילת דכר כו׳ וע׳ מ״ש במ״א ע״פ עיני כל1516 איך יש בחי׳ ארוסה ונשואה.
(e veja Pri Etz Chaim sobre o assunto de prostrar-se com o rosto por terra; e veja o que está escrito em outro lugar sobre o versículo “Pois o aroma de teus óleos”, que a Comunidade de Israel (Knesset Yisrael) é chamada de noiva, e, quando a luz da divindade brilha nas almas de Israel, no interior do coração, na profundidade do coração, isso é chamado “quando ela recebe o macho”, etc. E veja o que está escrito em outro lugar sobre o versículo “Os olhos de todos”, sobre como há o nível de noiva prometida e o de esposa:
O trecho entre parênteses cita Pri Etz Chaim sobre nefilat apayim e o discurso sobre “Pois o aroma de teus óleos” (Cântico dos Cânticos 1:3): a Comunidade de Israel é chamada de noiva, e, quando a luz da divindade brilha na profundidade do coração de um judeu, isso é chamado “quando ela recebe o macho”. Cita também o discurso sobre “Os olhos de todos” (Salmos 145:15), que distingue o noivado do casamento.
דהיינו כשההתבונונת נקלט בעומק הלב ע״ד בכל לבי דרשתיך17 זהו הנק׳ בחי׳ נשואין וז״ש [וזהו שכתוב] נודע בשערים בעלה18 כו׳. ומזה יובן מש״כ [מה שכתוב] ובעלתה היינו ענין מס״נ [מסירות נפש] כו׳ וע׳ בפ׳ מטות סד״ה ואשה כי תדר19 כו׳):20
isto é, quando a contemplação é absorvida na profundidade do coração, à maneira de “Com todo o meu coração eu Te busquei”, isso é chamado de nível de casamento; e este é [o sentido de] “Seu marido é conhecido às portas”, etc. E disso se compreenderá o que foi escrito: que “tomá-la por esposa” é o assunto do autossacrifício, etc. E veja Parshat Matot, no fim do discurso que começa “E, se uma mulher fizer um voto”, etc.)
O casamento ocorre quando a contemplação é absorvida na profundidade do coração, como em “Com todo o meu coração eu Te busquei” (Salmos 119:10); por isso, “Seu marido é conhecido às portas” (Provérbios 31:23), que o Zohar interpreta como “de acordo com o que ele mede em seu coração”. “Tomá-la por esposa”, a união completa, é, portanto, autossacrifício; o Alter Rebe também remete a seu discurso “E, se uma mulher fizer um voto” (Números 30:4), em Matot.
“E ela chorará por seu pai” é uma teshuvá ainda mais elevada: lágrimas que não provêm da melancolia, mas da proximidade, como as de Rabi Akiva diante do Cântico dos Cânticos; este é o nível de Yom Kipur. “Tomá-la por esposa” é mesirut nefesh, como em nefilat apayim e Ne’ilá, quando a contemplação da divindade é absorvida na própria profundidade do coração, como no casamento após o noivado.
Uma nota da Kehot cita Likkutei Sichos: aqui, a declaração do Arizal é citada sem a palavra “quem” (kol), diferentemente do fim do maamar anterior, porque esta passagem exclui o choro proveniente da melancolia; portanto, o beinoni e o perverso não estão incluídos. Likkutei Torah sobre Nasso (24b) cita esta passagem, segundo a qual “tomá-la por esposa” é mesirut nefesh, nefilat apayim e Ne’ilá, “a culminação das ascensões”.
Marei mekomot
- 1ובכתה את אביה · Deuteronomy 21:13
- 2ובכתה . . בחי׳ תשובה עילאה · ראה בארוכה במאמרי אדה״א כאן ע׳ תקמו ואילך.
- 3ממ״ש האריז״ל מי שאינו בוכה · ראה לעיל לו, ג ובמ״מ לשם. ”וכ״כ [— לעיל] לו, ג (אלא ששם אינו שולל הענין דמרה שחורה”. לקו״ש ח״ט ע׳ 208 הערה 36 ומציין לעיין בהערה 41 ”ע״פ מ״ש בפנים [— לקו״ש שם] מובן מה שבלקו״ת שם [— כאן] (לז, ד) הובא הלשון ”מי שאינו בוכה כו” (בהשמטת תיבת ”כל”) — אף שלפנ״ז (לו, ג) איתא ”כל מי כו׳” [ובפרט שבשני המקומות מבאר שבכי׳ זו היא כענין שאמרו גבי ר״ע. ויתירה מזו: מאמר הב׳ הוא ביאור על המאמר דלפניו] — כי בהביאור (לז, ד) ששולל הבכי׳ שמצד מ״ש הרי בינוני ורשע אינם בכלל זה [וי״ל שזהו גם הטעם מה שבלקו״ת נצבים (מה, ד) משמיט תיבת ”כל” — כי הבכי׳ (שמבאר שם) על ”הפגם והחסרון” אינה שייכת בצדיק. אבל בדרושי ר״ה (נה, ד) ובד״ח שם כותב ”כל כו׳” כי הבכי׳ על מה שהנשמה ”ירדה ממקום כבודה ונתגשמה” (ועד״ז בד״ח [יג, ב] שייכת בכולם] משא״כ בהמאמר (לו, ג) שמפרש את מאמר האריז״ל אבל אינו שולל עוד פירוש כותב כל מי” ע״ש עוד בארוכה.
- 4בבכי יבואו · Jeremiah 31:9
- 5והנה נער בוכה · Exodus 2:6
- 6סד״ה ויקח מן הבא בידו · תו״א כו, א.
- 7ויקח מן הבא בידו מנחה · Genesis 32:14
- 8ובד״ה וקבל היהודים · תו״א צו, ג.
- 9וקבל היהודים · Esther 9:23
- 10עין בעין יראו · Isaiah 52:8
- 11והוא ענין נפילת אפים · ראה אוה״ת קרח ע׳ תשז.
- 12ואח״כ תבא אליה . . ענין מס״נ . . כמ״ש במ״א · מובא לעיל פ׳ נשא כד, ב.
- 13ע״פ לריח שמניך · Song of Songs 2:4
- 14לריח שמניך · Song of Songs 1:3
- 15ע״פ עיני כל · לעיל פ׳ מטות פה, ב ואילך.
- 16עיני כל · Psalms 145:15
- 17בכל לבי דרשתיך · Psalms 119:10
- 18נודע בשערים בעלה · Proverbs 31:23
- 19ואשה כי תדר · Numbers 30:4
- 20גבי ר׳ עקיבא . . זלגו עיניו דמעות · Zohar I, 98b
Terminou o maamar?
Marque-o como estudado; ele conta para a semana e para o siyum do ano.
Na avodá
Reúna o que se dispersou em pensamentos, palavras e atos vãos, desenraizando o desejo e recitando a confissão em voz alta, e eleve-o a um nível em que as forças opostas não tenham domínio. Estude Torá para despertar a raiz da alma acima, da qual provêm o temor mais elevado e uma teshuvá mais profunda. Ao ganhar o sustento, prepare um recipiente honesto para a bênção de D'us por meio do trabalho comum e da oração, mas não confie em estratagemas nem se exceda; contente-se com o necessário, e que aquele que tropeçou estabeleça cercas para si. Torne a mudança permanente e aspire ao choro de proximidade e à entrega total de Ne'ilá.
Perguntas para conversar
- Por que a alma precisa de um intermediário, o tzelem, entre ela e a divindade, e como o tsadi e o lamed dividem esse papel?
- Segundo a pergunta do Baal Shem Tov, quem ouve a voz celestial que chama: “Retorna”, e o que isso sugere sobre os pensamentos de teshuvá que surgem espontaneamente numa pessoa?
- Por que são necessários tanto o desenraizamento da vontade quanto a confissão verbal, e como a imagem da alma e do corpo do acusador explica isso?
- Onde passa a linha divisória entre preparar um recipiente para a bênção e o “excesso do intelecto” ao ganhar o sustento, e como a oração altera o quadro na recomendação do Talmud sobre enriquecer?
- Como o choro de “ela chorará por seu pai” difere do choro de melancolia, e por que está ligado a Yom Kipur e a mesirut nefesh?