Likkutei Torah · Parshas Vayikra · Maamar 5
ביאור הדברים הנ״ל ע״פ ולא תשבית מלח וגו׳
Uma explicação do que foi dito acima, sobre “E não deixarás de acrescentar sal”
A ideia central
A essência da alma, que está acima do intelecto, une-se à essência de D'us por meio do estudo da Torá, pois a Luz Infinita está revestida na sabedoria da Torá. A Torá revelada é “pão”, cuja essência a mente pode apreender; a Torá interior é “sal”, que não tem sabor próprio, mas dá sabor ao conjunto, desperta o temor do pecado e refina e eleva a alma animal.
O maamar em resumo
Ao explicar o discurso anterior sobre o sal das oferendas, o maamar mostra primeiro que o intelecto, e até mesmo a vontade, são apenas recipientes para a essência da alma, uma luz simples; da mesma forma, a Chochmá superna é apenas um recipiente para a Luz Infinita, o que concilia a afirmação do Rambam — “Ele é o Conhecimento” — com a objeção do Maharal. Como a Luz Infinita repousa na sabedoria da Torá, vincular a mente a uma lei da Torá une a essência da alma à de D'us, assim como o autossacrifício. A oração e o Shemá devem vir primeiro, para que o coração deseje isso de verdade. A lei revelada, cujo tema físico a mente apreende plenamente, realiza isso da maneira mais completa; a Escritura, a Agadá e a Cabalá são apreendidas apenas quanto à sua existência, mas alcançam níveis mais elevados. Isso explica a divisão do estudo em terços e a imagem do pão, da carne e do sal. O sal, cuja raiz está nas Guevurot de Abá, destrói o mal, preserva o bem e adoça o julgamento; é a “aliança” que combina os mundos. O maamar explica por que a matsá, o “pão da pobreza” da fé simples, não leva sal, e termina com os marinheiros que abrem caminho pelo mar e com a Abertura do Mar.
Esquema
- A alma acima de seu intelectoO intelecto e a vontade são recipientes para a essência simples da alma; a Chochmá superna é um recipiente para a Luz Infinita; o Rambam e o Maharal estão ambos certos; a Yechidá tem sua raiz acima da Chochmá.¶1–4
- Autossacrifício e estudo da ToráO autossacrifício provém da essência da alma; como a Luz Infinita está revestida na sabedoria da Torá, o estudo da Torá une a essência da alma a D'us e assim corresponde a “com toda a tua força”.¶5–8
- Estudo da Torá em autoanulaçãoO estudo ininterrupto dos sábios; a Torá revestida em leis físicas; a autoanulação como o oposto de criar um “vazio”; o kav e a revelação futura; estudar em prol da Torá, precedendo o estudo com o Shemá e a oração, e associando-o à bondade.¶9–16
- Torá revelada e CabaláNa lei revelada, a mente apreende a essência da sabedoria de D'us; na Cabalá, apenas sua existência; Pri Etz Chaim relaciona a Escritura, a Mishná, o Talmud e a Cabalá aos quatro mundos; por que, então, estudar a Torá interior? A Escritura conta mesmo sem compreensão.¶17–22
- Escritura, Torá interior e os terços do estudoA Escritura atrai uma luz de cima da Chochmá somente por meio de suas letras; as Agadot e a Cabalá se incluem na Escritura; a divisão do estudo em terços; a Torá revelada como pão e carne, e a Torá interior como sal.¶23–30
- Sal, temor do pecado e a aliançaO Midrash desperta o temor do pecado; uma breve visão de um nível superior supera a essência de um nível inferior; o sal como aliança de amor acima da razão; o trigo e os chumtin; pão com sal, a sede do amor e o remédio da água; o sal das oferendas que refina a alma animal.¶31–39
- O sal que destrói e preservaAs Guevurot de Abá; basta salgar a oferenda da alma animal; o sal como água e fogo, Chessed e Guevurá; a luz azul que consome o que está separado e dá vida ao que está anulado; o sal de Elisha e as águas inferiores elevadas a águas vivas.¶40–48
- Adoçar o julgamento e o pão da pobrezaO sal cura as águas amargas da alma animal e adoça os julgamentos de Elokim; o sal como três Nomes Havayá, cholem e força; por que a matsá, o pão da pobreza e da fé simples, não leva sal até que Daat a enriqueça.¶49–57
- A aliança que combina os mundosO ensinamento do Maguid: a aliança de sal de Aharon combina os mundos; o Sinai como as núpcias do superior com o inferior; a noite de vigília e a matsá como a receptora à espera; o sal pertence às oferendas, depois que a luz é atraída para baixo.¶58–66
- Os marinheiros e a Abertura do MarAs almas atravessam o “mar” oculto em navios de Torá e mitsvot, conduzidos pelo fluxo divino; a aceitação do jugo do Céu precede a aceitação do jugo das mitsvot; a Abertura do Mar, pela luz de Kéter, transforma o mar em terra seca: o sétimo dia de Pessach.¶67–71
Conceitos-chave
- A essência da almaעצמיות הנפש
- A própria alma, uma luz simples acima de seus dez poderes; o intelecto, as emoções e até mesmo a vontade são apenas seus recipientes ou vestimentas.
- Chochmá como recipienteחכמה כלי לאור א״ס
- Até mesmo a Chochmá superna é apenas um recipiente para a Luz Infinita; contudo, em Atsilut, D'us é inteiramente uno com ela, de modo que a pessoa que apreende a sabedoria da Torá se une a D'us.
- Apreender a essência e conhecer a existênciaהשגת המהות וידיעת המציאות
- Na lei revelada, a mente apreende o que uma coisa é; na Cabalá e na Escritura, sabe apenas que algo existe, mas esse conhecimento alcança uma fonte mais elevada.
- Salמלח
- A Torá interior e o temor de D'us: não tem sabor próprio, mas dá sabor, destrói o mal e preserva o bem, adoça os julgamentos e é a “aliança” que combina o superior e o inferior.
- Pão da pobrezaלחם עני
- Matsá: o estágio da fé simples, sem compreensão, como a lua, que nada possui de si mesma e que mais tarde precisa ser enriquecida com Daat.
- O mundo oculto e o mundo reveladoעלמא דאתכסיא ועלמא דאתגליא
- O “mar” e a “terra seca”: o domínio da divindade oculta, atravessado nos navios da Torá e das mitsvot, e o domínio revelado em que vivemos.
A alma acima de seu intelecto ¶1–4
Uma explicação dos assuntos mencionados acima, à luz do versículo: “E não deixarás faltar o sal”, etc.
Este maamar é uma explicação adicional do discurso mencionado acima sobre Levítico 2:13: “E não deixarás faltar, sobre tua oferenda de farinha, o sal da aliança de teu D'us.” Seu objetivo é explicar mais plenamente as ideias ali apresentadas.
O título apresenta o maamar como uma explicação do discurso anterior sobre o versículo referente ao sal da aliança.
Segundo a nota da Kehot, este maamar é do ano 5571 (1810–11). Outra transcrição dele encontra-se em Sefer HaMaamarim 5571, baseada em um manuscrito de próprio punho do Tzemach Tzedek; uma versão com alterações do Tzemach Tzedek foi impressa em Or HaTorah, Inyanim, e parte dele aparece na série Mayim Rabbim de 5636.
Marei mekomot
- 1ביאור . . ולא תשבית · מאמר זה הוא משנת תקע״א. הנחה אחרת בסה״מ תקע״א מגוכתי״ק הצ״צ. מאמר זה בשינויים מכ״ק אדהצ״צ נדפס באוה״ת-ענינים ע׳ רפח, ומתחיל: ענין העבודה ומצות ת״ת. חלק מהמאמר נמצא ג״כ בהמשך מים רבים תרל״ו פרק קפה ראה בהנסמן להלן ד, ג שו״ה חכמתו.
- 2
2הנה בס׳ של בינונים פ״ג [פרק ג׳] נתבאר1 בענין הנפש שהיא כלולה מעשר בחינות כנגד ע״ס [עשר ספירות] עליונות2 כו׳, וכן פי״ב נת׳ [נתבאר] מהות ועצמות נפש3 האלהית שהן עשר בחינותיה4 כו׳.
Ora, no Sefer shel Beinonim [Tanya], capítulo 3, explica-se, a respeito da alma, que ela é composta de dez níveis correspondentes às dez Sefirot superiores, etc.; e, igualmente, no capítulo 12, explica-se a essência e o próprio ser da alma divina, que são seus dez níveis, etc.
O Alter Rebe começa por seu próprio Tanya, também chamado Sefer shel Beinonim (“Livro dos Intermediários”). Ali, o capítulo 3 afirma que cada alma é composta de dez poderes paralelos às dez Sefirot, e o capítulo 12 chama esses dez poderes de essência da alma divina.
אך באמת חסר שם ולא נתבאר איך שגם החכמה שהיא ראשית שבעשר בחינות הנ״ל הוא רק בחי׳ כלי בלבד לעצמיות ומהות הנפש.
Mas, na verdade, algo ficou faltando ali, e não se explicou como até mesmo Chochmá (sabedoria), que é o primeiro dos dez níveis mencionados acima, é apenas o nível de um recipiente, nada além disso, para a essência e o próprio ser da alma.
Aqui ele diz que aquela exposição deixou algo de fora: até mesmo Chochmá, o mais elevado dos dez poderes da alma, é apenas um recipiente para a verdadeira essência da alma, e não a própria essência.
כמו שהמוח הגשמי הוא רק כלי לכח השכל והחכמה המתפשט מהנפש. כך עד״ז [על דרך זה] כח השכל שבנפש הוא רק כלי למהות ועצמיות הנפש.5 (ועמ״ש בד״ה פתח אליהו).6
Assim como o cérebro físico é apenas um recipiente para o poder do intelecto e da sabedoria que se estende da alma, da mesma maneira o poder do intelecto na alma é apenas um recipiente para a essência e o próprio ser da alma. (E veja o que está escrito no discurso que começa com “Pasach Eliyahu” [“Eliyahu abriu”].)
A analogia é a seguinte: o cérebro físico é apenas o instrumento por meio do qual funciona o intelecto da alma; da mesma maneira, o intelecto é apenas o instrumento por meio do qual a essência da alma se expressa. O parêntese remete o leitor ao discurso “Pasach Eliyahu”, em Torah Ohr, onde isso é explicado.
אבל לא שהשכל הוא ממהות ועצמיות הנפש. שהרי השכל אינו שוה באדם בכל עת שפעמים צלול דעתו ופעמים לא כן עד שפעמים ידבר שטותים וא״כ [ואם כן] יש בהשכל שינויים רבים,
Mas não que o intelecto seja da essência e do próprio ser da alma. Pois o intelecto de uma pessoa não é o mesmo em todos os momentos: às vezes sua mente está lúcida e, às vezes, não; a ponto de, por vezes, ela falar disparates. Se é assim, há muitas mudanças no intelecto.
A prova de que o intelecto não é a essência da alma é que ele muda. Uma pessoa pensa com clareza em certos momentos e em outros não, podendo até falar disparates, enquanto a essência da alma não muda.
ולכן א״א [אי אפשר] לומר שהשכל הוא עצמיות הנפש ממש ושעצמיות הנפש הוא רק עשר בחינותי׳ [בחינותיה] שהן שכל ומדות או אפי׳ [אפילו] לומר שהיא מציאות א׳ והוא שכל
Portanto, é impossível dizer que o intelecto seja o próprio ser da alma, e que o próprio ser da alma consista apenas em seus dez níveis, que são intelecto e atributos emocionais (midot), ou mesmo dizer que ela seja uma única entidade e que [essa entidade] seja o intelecto.
Assim, não se pode identificar a alma com seu intelecto, defini-la como nada além de seus dez poderes de intelecto e emoção, nem sequer chamá-la de uma única faculdade que seja o intelecto.
אלא שהשכל הוא רק כלי לבד ואפילו בחי׳ רצון שיש בנפש למעלה מהשכל כמו ענין שתוק כך עלה7 כו׳ ג״כ נק׳ קרקפתא או גלגלתא דחפיא על מוחא שהוא גם כן בחי׳ כלי
Antes, o intelecto é apenas um recipiente, nada mais. E até mesmo o nível de vontade que há na alma, acima do intelecto, como no caso de “Silencia; assim surgiu [em pensamento]”, etc., também é chamado de karkafta, ou gulgalta (crânio) que cobre o cérebro, o que também constitui o nível de um recipiente.
Até mesmo a vontade, que está acima do intelecto, é apenas um recipiente. A expressão talmúdica “Silencia; assim surgiu em pensamento”, resposta de D'us a Moshe a respeito da morte de Rabi Akiva, expressa uma vontade que transcende as razões; na Cabalá, esse nível é chamado de karkafta ou gulgalta, o crânio que cobre o cérebro, imagem de algo que circunda o intelecto como um recipiente.
(ולכן אנו רואים שהשכל הולך ומתגדל שהתינוק שכלו קטן ביותר וכשמתגדל מעט מעט כך יתוסף הגדלת שכלו ומדותיו וזקני ת״ח [תלמיד חכם / תלמידי חכמים] כל מה שמזקינין דעתן מתיישבת89 כו׳.
(Portanto, vemos que o intelecto continua a crescer: o intelecto de um bebê é muito pequeno e, à medida que ele cresce pouco a pouco, também aumenta o desenvolvimento de seu intelecto e de seus atributos emocionais; e, quanto aos eruditos de Torá idosos, quanto mais envelhecem, mais sua mente se torna ponderada, etc.)
Uma prova baseada na experiência, entre parênteses: o intelecto cresce. A mente de um bebê é muito pequena e se desenvolve à medida que ele cresce; e a Mishná ensina que a mente dos eruditos de Torá idosos se torna mais ponderada com o passar dos anos.
והרי הנשמה היה בו גם מקטנותו ואם כן למה היה אז שכלו קטן. אלא הענין כי הנשמה עצמה היא למעלה מהשכל. והשכל הוא כח המתפשט ממנה וכדי שיהיה נמשך המשכה והתפשטות זה אל הגילוי הוא כשיש כלי להכיל
Ora, a alma já estava nele desde a infância; sendo assim, por que seu intelecto era então pequeno? O ponto, porém, é que a própria alma está acima do intelecto, e o intelecto é um poder que se estende dela. E, para que essa atração e extensão se revele, [isso ocorre] quando há um recipiente que a contenha,
Contudo, a alma está presente desde a infância; portanto, se o intelecto fosse a alma, um bebê teria uma mente plenamente desenvolvida. A resposta é que a própria alma está acima do intelecto; o intelecto é um poder que dela emana e só se revela na medida em que há um recipiente para recebê-lo.
דהיינו כלי המוח שהוא כלי לאור השכל אזי הכלי הוא ממשיך לתוכו גילוי אור וכח השכל ובקטן מצד קטנות מוחו השכל מאיר בקטנות מאד כו׳, אבל הנשמה עצמה מלובשת בו גם מקטנותו ותחלת התהוותו).
a saber, o recipiente do cérebro, que é um recipiente para a luz do intelecto. Então, o recipiente atrai para dentro de si a revelação da luz e da força do intelecto; e, numa criança pequena, devido à pequenez de seu cérebro, o intelecto brilha numa medida muito reduzida etc. Mas a própria alma está revestida nele desde a infância e desde o próprio início de sua formação.)
Esse recipiente é o cérebro. O cérebro pequeno da criança permite que brilhe apenas uma medida reduzida de intelecto, mas a própria alma está plenamente presente nela desde o momento em que começa a existir.
והנה מהות ועצמות הנפש היא חלק אלוה10 שאינו בגדר עשר בחינות שיש להן גדר מיוחד אלא אור פשוט כו׳,
Ora, a essência e o próprio ser da alma são “uma parte de D'us”, que não se encontra nos limites de dez níveis, cada um com uma definição específica; antes, [é] uma luz simples etc.
A essência da alma é “uma parte de D'us nas alturas” (Job 31:2). Ela não é definida pelas dez faculdades, cada uma das quais tem seu caráter particular, mas é luz simples e indivisa.
וכן כתב הגאון מהר״ל [מהרוצה לומר] מפראג זצ״ל [זכר צדיק לברכה] בהקדמתו לס׳ גבורות ה׳ ד״ג ע״ג [על גבי] וז״ל [וזה לשונו] ואולי יאמרו אם אין עצמותו שכל וגשם11 ח״ו [חס ושלום] לומר עליו אם כן מהו יתברך.
E assim escreveu o Gaon, o Maharal de Praga, de abençoada memória, em sua introdução ao livro Gevuros Hashem, folio 3, column c; estas são suas palavras: “Talvez digam: se Sua essência não é intelecto — e corpo, D'us nos livre de dizê-lo a respeito Dele —, então o que Ele é, bendito seja?”
O apoio vem do Maharal de Praga (Rabi Yehudah Loew), em sua introdução a Gevuros Hashem. Ele antecipa uma pergunta: se a essência de D'us não é intelecto, e Ele certamente não é um corpo, o que Ele é?
נשיב להם וכי הנשמה שבגוף האדם יוכל לעמוד על אמתתה. כל שכן וכל שכן בורא הכל שאין לשאול עליו קושיא זאת כי לא יראני האדם וחי12 עכ״ל [עד כאן לשונו].
Responder-lhes-emos: será que [alguém] pode conhecer a verdadeira natureza da alma que está no corpo de uma pessoa? Quanto mais, e quanto mais ainda, o Criador de tudo, a respeito de Quem não se pode fazer essa pergunta, pois “o homem não Me verá e viverá”.’ Fim de suas palavras.
O Maharal responde que a pessoa não pode apreender a verdadeira natureza nem mesmo de sua própria alma; quanto menos pode perguntar o que é o Criador, a respeito de Quem está dito: “O homem não Me verá e viverá” (Exodus 33:20).
הרי ביאר שהנשמה עצמה היא למעלה ממהות שכל. והנה כמ״כ [כמו כן] יובן מזה הנמשל למעלה (כמ״ש הגאון הנ״ל) בענין ע״ס [עשר ספירות] עליונות לגבי המאציל א״ס [אין סוף] ב״ה.
Assim, ele explicou que a própria alma está acima da essência do intelecto. Ora, do mesmo modo, a partir disso se compreenderá o análogo acima (como escreveu o Gaon mencionado acima), acerca das Dez Sefirot superiores em relação ao Emanador, o Infinito (Ein Sof), bendito seja Ele.
Das palavras do Maharal conclui-se que a alma está acima do intelecto. O Alter Rebe agora aplica isso ao que está acima: assim como a alma se relaciona com suas faculdades, o Infinito se relaciona com as Sefirot superiores.
או שכמו שהוא למעלה כך הוא למטה בנפש (כמ״ש נעשה אדם בצלמנו13 כו׳ דקאי על הנשמה ועיין בשל״ה [בשני לוחות הברית] ד״ט וד״י [וד׳ יסודות]) שאפילו בחי׳ חכמה עילאה דאצילות היא רק בחי׳ כלי לבד לאור א״ס [אין סוף] ב״ה,
Ou, dito de outra maneira: assim como é acima, assim é abaixo, na alma (como está escrito: “Façamos o homem à Nossa imagem” etc., o que se refere à alma; e veja-se o Shelah, folio 9 e folio 10). [Isto é,] até mesmo o nível da Chochmá superior de Atsilut é apenas o nível de um recipiente, nada além, para a Luz Infinita (Or Ein Sof), bendito seja Ele,
Ou, visto pelo outro lado, a alma abaixo reflete a ordem acima, pois “Façamos o homem à Nossa imagem” (Genesis 1:26) refere-se à alma. Até mesmo a Chochmá superior de Atsilut, a primeira das Sefirot, é apenas um recipiente para a Luz Infinita.
אבל אינה עצמיותו של המאציל ב״ה כי הוא פשוט בת כלית הפשיטות, משא״כ בחי׳ חכמה הוא איזה מהות וגדר מיוחד.
mas não é o próprio ser do Emanador, bendito seja Ele, pois Ele é simples com a máxima simplicidade, ao passo que o nível de Chochmá possui uma essência e uma definição específicas.
Chochmá não pode ser a essência de D'us, pois tem um caráter definido, enquanto D'us é absolutamente simples e está além de toda definição.
O parágrafo argumenta que o intelecto, e até mesmo a vontade, são apenas recipientes para a essência da alma, que é uma luz simples acima de seus dez poderes. Em seguida, aplica o mesmo princípio a D'us: até mesmo a Chochmá suprema é apenas um recipiente para a Luz Infinita.
Uma nota de Kehot acrescenta outra prova: uma essência não pode ser dividida, mas a alma possui intelecto e emoções, e o próprio intelecto se divide em Chochmá e Biná; portanto, essas faculdades não podem ser a essência indivisível da alma. O discurso “Pasach Eliyahu”, em Torah Ohr, explica por que Tanya ainda chama os poderes da alma de sua “essência”: isso se dá apenas em comparação com o pensamento, a fala e a ação, que são vestimentas totalmente separadas da alma. O intelecto e as emoções também são vestimentas, mas estão unidos à alma como os recipientes de Atsilut e, por isso, são chamados de “tikkunim”, as formas nas quais a alma se dispõe.
Marei mekomot
- 1הנה בס׳ של בינונים פ״ג נתבאר · ראה גם תו״א יג, ג. דרך מצותיך קנה, ב ובאוה״ת ענינים ע׳ קיג. קמג. ועוד.
- 2שהיא כלולה מעשר בחינות כנגד ע״ס עליונות · Tanya, Likkutei Amarim 3:1
- 3מהות ועצמות נפש האלקית · ראה סה״מ תקס״ב ע׳ קעט. סה״מ תרפ״ח ע׳ קטו.
- 4מהות ועצמות נפש האלהית שהן עשר בחינותיה · Tanya, Likkutei Amarim 12:3
- 5כח השכל שבנפש הוא רק כלי למהות ועצמיות הנפש · ”דהנה שכל ומדות אינם עצם הנפש, אלא לבושים להנפש, והראי׳ שהרי ידוע דכל עצם בלתי מתחלק, ומאחר ששייך שכל ומדות ובשכל גופא יש ג״כ חילוקים חו״ב, ומאחר שיש התחלקות מוכרח לומר שאינו עצם הנפש שהוא בלתי מתחלק”. — ראה בארוכה בסה״מ תרמ״ג ע׳ טו. ד״ה אשרינו תרצ״ו ע׳ 53. בארוכה באוה״ת בראשית כרך ג תקכא, א ואילך.
- 6בד״ה פתח אליהו · תו״א יג, ג.
- 7שתוק כך עלה · Menachot 29b
- 8וזקני ת״ח כל מה שמזקינין דעתן מתיישבת · סוף קנים.
- 9כל מה שמזקינין דעתן מתיישבת · Mishnah Kinnim 3:6
- 10חלק אלוה · Job 31:2
- 11ואולי יאמרו אם אין עצמותו שכל וגשם · Gevurot Hashem, Second Introduction to Gevurot Hashem 18
- 12
- 13כך נעשה אדם בצלמינו · Genesis 1:26
3ואנת חכים1 זהו השפלה וענוה שמשפיל א״ע [את עצמו] כביכול להיות מתלבש בחכמה ואזי איהו וחיוהי וגרמוהי חד2 ולא כמו התלבשות הנפש בשכל.
E “Tu és sábio”: isto é um rebaixamento e uma humildade, pois Ele Se rebaixa, por assim dizer, para Se revestir em Chochmá; então, “Ele, Suas forças vitais e Seus recipientes são um”, e [isso] não é como o revestimento da alma no intelecto.
O Tikkunei Zohar diz sobre D'us: “Tu és sábio, mas não com uma sabedoria conhecida”. O Alter Rebbe entende “Tu és sábio” como humildade divina: D'us Se rebaixa, por assim dizer, para Se revestir em Chochmá, e ali a união é completa (“Ele, Suas forças vitais e Seus recipientes são um”), ao contrário do modo como a alma se reveste em seu intelecto.
ומ״מ [ומכל מקום] הוא רק כלי כו׳. וכמ״ש בס׳ של בינונים דמ״ש הרמב״ם [הרבי משה בן מימון]3 הוא המדע והוא היודע4 כו׳
Não obstante, ela é apenas um recipiente, etc. E, como está escrito no Sefer shel Beinonim, o que o Rambam escreveu — “Ele é o Conhecimento e Ele é o Conhecedor”, etc. —
Ainda assim, Chochmá permanece apenas um recipiente. Tanya cita a afirmação do Rambam de que D'us “é o Conhecimento e o Conhecedor”, querendo dizer que Seu conhecimento é um com Ele.
והודו לו חכמי הקבלה, זהו דוקא בהתלבשות אור א״ס [אין סוף] ב״ה ע״י צמצומים רבים בכלים דחב״ד [דחכמה בינה ודעת] דאצי׳ [דאצילות] אך לא למעלה מהאצי׳ [מהאצילות] כו׳.
e os sábios da Cabalá concordaram com ele: isso se aplica especificamente ao revestimento da Luz Infinita (Or Ein Sof), bendito seja Ele, por meio de muitos tsimtsumim, nos recipientes de Chochmá, Biná e Daat de Atsilut, mas não acima de Atsilut, etc.
Tanya explica que essa união, aceita pelos cabalistas, ocorre somente onde a Luz Infinita Se reveste, por meio de muitos tsimtsumim, nos recipientes de Chochmá, Biná e Daat de Atsilut; acima de Atsilut, não se pode descrever D'us como sabedoria.
כי הנה בהקדמה לספר גבורות ה׳ שם השיג לגמרי עמ״ש הרמב״ם [הרבי משה בן מימון] שהוא המדע כו׳, וז״ל [וזה לשונו]
Pois, na introdução ao livro Gevuros Hashem, ali, [o Maharal] contestou completamente o que o Rambam escreveu, que Ele é o Conhecimento, etc.; e estas são suas palavras:
O Maharal, na introdução a Gevuros Hashem, rejeitou por completo a afirmação do Rambam, e o Alter Rebbe agora o cita.
אבל הוא ית׳ שקראו רז״ל [רבותינו זכרונם לברכה] בשם הקב״ה [הקדוש ברוך הוא] ולא נקרא השכל ב״ה כי אמיתת עצמותו לא נודע רק שהוא נבדל מכל גשם וגוף ומכל הנמצאים5
“Mas Ele, bendito seja, a Quem nossos Sábios, de abençoada memória, chamaram pelo nome ‘o Santo, bendito seja Ele’, e que não é chamado ‘o Intelecto, bendito seja Ele’: [isso] porque a verdade de Sua essência não é conhecida; sabe-se apenas que Ele é separado de toda matéria e corpo e de todos os seres existentes.”
Nas palavras do Maharal, os Sábios chamam D'us de “o Santo, bendito seja Ele”, nunca de “o Intelecto, bendito seja Ele”, porque Sua essência é desconhecida; tudo o que se sabe é que Ele é separado de tudo.
ועל זה נאמר הקדוש ב״ה שענין קדוש נאמר על מי שהוא נבדל כי הוא יתברך פשוט בתכלית הפשיטות כו׳ יעו״ש [יעויין שם] שהאריך להשיג לגמרי ע״ד [על דרך] הרמב״ם [הרבי משה בן מימון] הנ״ל.
E a isso se refere a expressão ‘o Santo, bendito seja Ele’, pois ‘santo’ se diz daquele que é separado; porque Ele, bendito seja, é simples com a mais absoluta simplicidade”, etc. Veja ali, onde ele se estende ao contestar completamente as palavras do Rambam mencionadas acima.
“Santo” (kadosh) significa separado. Assim, o próprio nome escolhido pelos Sábios expressa que D'us é absolutamente simples e está separado de toda definição, inclusive a de intelecto.
אמנם לפי קבלת האריז״ל [האר״י זכרונו לברכה] עולה שדברי שניהם אמת, דבא״ס [דבאין סוף] ב״ה עצמו לא שייך כלל לתאר בחי׳ חכמה כי החכמה נחשבת אצלו כמו עשי׳ [עשיה] ממש וכדברי הגאון מהר״ל [מהרוצה לומר] שלכן נק׳ הקב״ה [הקדוש ברוך הוא] כנ״ל.
No entanto, segundo a Cabalá do Arizal, de abençoada memória, conclui-se que as palavras de ambos são verdadeiras. Pois, quanto ao próprio Ein Sof, bendito seja Ele, não cabe de modo algum descrevê-Lo pelo nível de Chochmá, uma vez que, diante Dele, Chochmá é considerada como uma ação concreta (Assiá); e [isso corresponde] às palavras do Gaon, o Maharal, de que, por isso, Ele é chamado ‘o Santo, bendito seja Ele’, como mencionado acima.
A Cabalá do Arizal demonstra que ambas as posições são verdadeiras. Quanto ao próprio Ein Sof, o Maharal está certo, pois diante Dele até a sabedoria é como uma mera ação física; mas quando Ele Se reveste nas Sefirot de Atsilut, o Rambam está certo ao dizer que Ele e Seu conhecimento são um.
O parágrafo contrapõe a posição do Rambam, segundo a qual D'us é um com Seu conhecimento, à do Maharal, segundo a qual D'us está além do intelecto; com Tanya e o Arizal, mostra que ambas são verdadeiras, cada qual em seu próprio nível.
Tanya, capítulo 2, em sua gloss, traça a mesma distinção: a afirmação do Rambam, aceita pelos cabalistas, aplica-se à Luz Infinita quando Se reveste nos recipientes de Chochmá, Biná e Daat de Atsilut, mas não acima de Atsilut. Na passagem completa de Gevuros Hashem, o Maharal acrescenta que, como D'us é absolutamente simples e não tem definição, nada está verdadeiramente separado Dele.
Marei mekomot
- 1ואנת חכים · Tikkunei Zohar 17b:3–4
- 2איהו וחיוהי וגרמוהי חד · Tikkunei Zohar 3b:9–10
- 3וכמ״ש בס׳ של בינונים דמ״ש הרמב״ם · ראה בארוכה בדרך מצותיך מצות האמנת אלקות מו, ב. מצות עבד עברי פא, ב. פב, א בהג״ה שם. שורש מצות התפלה קל, ב ואילך.
- 4הוא המדע והוא היודע · Tanya, Likkutei Amarim 2:4–5
- 5שקראו רז״ל בשם הקב״ה ולא נקרא השכל ב״ה כי אמיתת עצמותו לא נודע רק שהוא נבדל מכל גשם וגוף ומכל הנמצאים · Gevurot Hashem, Second Introduction to Gevurot Hashem 14
4ומ״מ [ומכל מקום] בהתלבשות אור א״ס [אין סוף] ע״י צמצומים רבים בכלים דחב״ד [דחכמה בינה ודעת] דאצילות כיון דאיהו וחיוהי וגרמוהי חד בהון1 זהו מ״ש הרמב״ם [הרבי משה בן מימון] שהוא המדע והוא היודע כו׳ וכמאמר התיקונים אנת חכים2 ולא בחכמה ידיעא כו׳.
No entanto, no revestimento da Luz Infinita (Or Ein Sof), por meio de muitas contrações (tsimtsumim), nos recipientes de Chochmá, Biná e Daat de Atsilut, uma vez que “Ele, Suas forças vitais e Seus recipientes são um” neles, é a isso que se refere o que escreveu o Rambam: “Ele é o Conhecimento e Ele é o conhecedor”, etc.; e também o dito dos Tikkunim: “Tu és sábio, mas não com uma sabedoria conhecida”, etc.
O outro lado da conciliação: em Atsilut, onde a Luz Infinita se reveste em Chochmá, Biná e Daat por meio de muitas contrações, D'us é inteiramente uno com esses recipientes. Ali, é verdadeiro o enunciado do Rambam, “Ele é o Conhecimento e o conhecedor”, assim como o dos Tikkunei Zohar, “Tu és sábio, mas não com uma sabedoria conhecida”.
ואם כן מכ״ז [מכל זה] מובן מ״ש שהחכמה הוא רק כלי לאור א״ס [אין סוף] ב״ה:(והנה הגם שבתניא נתבאר3 שהנשמה נמשכה מבחי׳ חכמה שהוא המדע כו׳ כמו שהבן נמשך ממוח האב4 והחכמה היא בחי׳ כלי כנ״ל.
Se assim é, de tudo isso se entende o que foi dito: Chochmá é apenas um recipiente para a Luz Infinita, bendito seja Ele. (Ora, embora no Tanya seja explicado que a alma deriva do nível de Chochmá, que é “o Conhecimento”, etc., assim como um filho deriva do cérebro do pai, e Chochmá é o nível de um recipiente, como mencionado acima,
Portanto, Chochmá é apenas um recipiente para a Luz Infinita. Um longo parêntese agora aborda uma questão: o Tanya (capítulo 2) diz que a alma deriva de Chochmá, assim como um filho deriva do cérebro do pai; se Chochmá é apenas um recipiente, como pode a alma estar acima dela?
אך י״ל [יש לומר] כי אע״פ [אף על פי] שהחכמה היא בחי׳ כלי מ״מ [מכל מקום] שורה בה עכ״פ [על כל פנים] א״ס [אין סוף] ב״ה עצמו שלמעלה מהחכמה וכמ״ש בס׳ של בינונים פל״ה בהג״ה [בהגהה]
pode-se dizer que, embora Chochmá seja o nível de um recipiente, ainda assim, pelo menos, o próprio Infinito (Ein Sof), bendito seja Ele, que está acima de Chochmá, repousa nela, como está escrito em Sefer shel Beinonim, capítulo 35, na nota.
A resposta começa: embora Chochmá seja um recipiente, o próprio Infinito, que está acima de Chochmá, repousa nela, como explica a nota no Tanya, capítulo 35.
ולכן גם בהנשמה הנמשכת מכלי ח״ע [חכמה עילאה] מלובש גם כן הארה מבחי׳ האור המלובש בכלי הח״ע [החכמה עילאה] דאיהו וחיוהי חד. וכמ״ש באגה״ק [באגרת הקודש]5 משל גשמי לזה כמו בהטפה נמשך בה גם ממהות הנפש ועצמותה המלובשת במוחין
Portanto, também na alma, que deriva do recipiente da Chochmá suprema, está revestida uma irradiação do nível da luz revestida no recipiente da Chochmá suprema, pois “Ele e Suas forças vitais são um”. E, como está escrito em Iggeret HaKodesh, há uma analogia física para isso: assim como na gota [de sêmen] também se transmite [algo] da essência e do próprio ser da alma revestida nos mochin,
Assim, a alma, que deriva do recipiente da Chochmá suprema, também traz consigo uma irradiação da luz revestida nesse recipiente, pois D'us e Suas forças vitais são um. A analogia do Alter Rebe (em Kuntres Acharon do Tanya) é a gota de sêmen: diferentemente do pensamento comum, ela transmite algo da própria essência da alma do progenitor, tal como está revestida no cérebro.
ולכן מולידה בדומה לה ממש6 עכ״ל [עד כאן לשונו]. וזהו שנזכר לעיל שעצמיות ומהות הנשמה הוא למעלה מהשכל כו׳ והשכל אינו רק בחי׳ כלי לבד להנשמה עצמה.
“e, por isso, gera [uma descendência] que realmente se assemelha a ela”. Fim da citação. É a isso que se aludiu acima: a própria essência da alma está acima do intelecto, etc., e o intelecto é apenas o nível de um recipiente, nada mais, para a própria alma.
É por isso que um progenitor gera um filho verdadeiramente semelhante a si. Isso corresponde ao que foi dito acima: a essência da alma está acima do intelecto, e o intelecto é apenas seu recipiente.
אכן באמת בחי׳ יחידה היא נמשכה מלמעלה ממש מהחכמה, ועיין בזוהר ח״ג [חלק ג׳] נשא דקמ״א ע״ב ע״פ ויפח באפיו נשמת חיים7, ועיין בשע״ק [בשערי קדושה] להרח״ו [להרבי חיים ויטאל] ח״ג [חלק ג׳] ש״ב [של בינונים] שהיחידה שרשה מא״ק [מאדם קדמון]
Contudo, na verdade, o nível de Yechidá deriva de fato de acima de Chochmá. Veja o Zohar, Parte III, Naso, fólio 141b, sobre o versículo “E soprou em suas narinas o sopro da vida”; e veja Sha’arei Kedushah, de Rabi Chaim Vital, Parte III, Portão 2, onde se afirma que a raiz de Yechidá vem de Adam Kadmon,
Ainda assim, o nível mais elevado da alma, Yechidá (“a única”), vem realmente de acima de Chochmá. O texto remete ao Zohar, sobre “E soprou em suas narinas o sopro da vida” (Gênesis 2:7), e a Sha’arei Kedushah, de Rabi Chaim Vital, que situa a raiz de Yechidá em Adam Kadmon, o primeiro e mais elevado estágio da emanação.
והוא למעלה מעלה מהחכמה ועמ״ש על פסוק אלה מסעי89 בענין מוצאיהם למסעיהם,10 ועמ״ש במ״א11 על פסוק ולא אבה12 הוי׳ אלקיך לשמוע אל בלעם בענין האהבה מסותרת שהוא מבחי׳ קוצו של יו״ד שלמעלה מהחכמה כו׳):
e este está muito, muito acima de Chochmá. Veja o que está escrito sobre o versículo “Estas são as jornadas”, a respeito de “suas partidas segundo suas jornadas”; e veja o que está escrito em outro lugar sobre o versículo “Mas Havayá, teu D'us, não quis ouvir Bilam”, a respeito do amor oculto, que provém do nível da ponta (kots) do yud, que está acima de Chochmá, etc.)
Adam Kadmon está muito acima de Chochmá. O parêntese termina com duas referências cruzadas em Likkutei Torah: ao discurso sobre “Estas são as jornadas” (Masei) e ao discurso sobre “Mas Havayá, teu D'us, não quis ouvir Bilam”, que trata do amor oculto em cada judeu como proveniente da ponta do yud, o ponto acima de Chochmá.
O parágrafo completa a conciliação entre o Rambam e o Maharal: em Atsilut, D'us é uno com Chochmá, mas Chochmá continua sendo um recipiente. Um longo parêntese explica como a alma, que deriva de Chochmá, ainda assim contém a própria luz de D'us, e acrescenta que seu nível mais elevado, Yechidá, tem sua raiz inteiramente acima de Chochmá.
A analogia da gota vem de Kuntres Acharon do Tanya, no ensaio sobre Pri Etz Chaim: um pensamento comum transmite apenas uma irradiação do intelecto, que por sua vez é apenas uma veste da alma, enquanto a gota deriva da essência da alma tal como está revestida no cérebro; por isso, gera um ser semelhante a si. A passagem de Likkutei Torah sobre “suas partidas segundo suas jornadas” chama Adam Kadmon de “o Adam de Beriá”, Atik e Arich de “o Adam de Yetsirá” e Atsilut como um todo de “o Adam de Assiá”, em relação à própria Luz Infinita; isso mostra quão acima de Atsilut se encontra Adam Kadmon.
Marei mekomot
- 1דאיהו וחיוהי וגרמוהי חד בהון · Tikkunei Zohar 3b:9–10
- 2
- 3שבתניא נתבאר · פ״ב.
- 4כמו שהבן נמשך ממוח האב · Tanya, Likkutei Amarim 2:2
- 5וכמ״ש באגה״ק · בקו״א ד״ה להבין מ״ש בפע״ח [קנז, א]. [כ]. וראה בליקוט פי׳ שם.
- 6בהטפה נמשך בה גם ממהות הנפש ועצמותה המלובשת במוחין ולכן מולידה בדומה לה ממש · Tanya, Part V; Kuntres Acharon 4:31
- 7
- 8על פסוק אלה מסעי · לקו״ת מסעי צה, א.
- 9אלה מסעי · Numbers 33:1
- 10מוצאיהם למסעיהם · Numbers 33:2
- 11ועמ״ש במ״א ע״פ ולא אבה · לקו״ת כי תצא לח, ג. אוה״ת כי תצא ע׳ תתקפב ואילך.
- 12ולא אבה הוי׳ אלקיך לשמוע אל בלעם · Deuteronomy 23:6
Autossacrifício e estudo da Torá ¶5–8
5ב והנה לפיכך בחי׳ ומדרגת מס״נ [מסירות נפש] שהוא ענין הביטול במציאות ממש לא״ס [לאין סוף] ב״ה נמשך דוקא מצד עצמיות הנפש שלמעלה מהשכל שבטלה לעצמיות א״ס [אין סוף] ב״ה שלמעלה מעלה גם כן מהחכמה1 כביטול הנר באבוקה.
2. Portanto, o nível e o grau do autossacrifício (mesirut nefesh), que consiste na autoanulação (bitul) da própria existência diante do Infinito (Ein Sof), bendito seja Ele, provêm especificamente da própria essência da alma, que está acima do intelecto e se anula diante da própria essência do Infinito, bendito seja Ele, que também está muitíssimo acima de Chochmá, tal como a anulação de uma vela diante de uma tocha.
A seção 2 extrai a consequência prática. O autossacrifício (mesirut nefesh), o completo afastamento da própria existência diante de D'us, provém somente da essência da alma, que está acima do intelecto e se curva diante da essência de D'us, que está acima de Chochmá, assim como a chama de uma vela se perde diante de uma tocha.
אבל לא די בבחי׳ השכל שבנפש לבד מאחר שאינו רק כלי וגם מקור החכמה הוא כלי בלבד לאלקות. וזהו בכל נפשך2 ממש ולא בחינת לבושים לבד מודומ״ע [מחשבה דבור ומעשה],
Mas o nível do intelecto na alma, por si só, não basta, pois é apenas um recipiente; e até mesmo a fonte de Chochmá é apenas um recipiente para a divindade. E é isso que significa “com toda a tua alma”, literalmente, e não apenas o nível dos revestimentos: pensamento, fala e ação.
O intelecto, por si só, não pode produzir isso, pois é apenas um recipiente; e até mesmo a fonte de Chochmá é apenas um recipiente para a divindade. Portanto, “com toda a tua alma” (Deuteronômio 6:5) significa a própria alma, e não apenas seus revestimentos de pensamento, fala e ação.
(ובזה מתורץ למה לא נמצא בתורה טעם על מס״נ [מסירות נפש]3 רק על אהבה כמ״ש לאהבה את4 ה׳ אלהיך כו׳ כי הוא חייך5 אלא שהוא מפני שהמס״נ [שהמסירות נפש] נמשך מצד הבחי׳ שלמעלה מהשכל א״כ [אם כן] איך שייך לומר ע״ז טעם ושכל).
(Isso esclarece por que não se encontra na Torá uma razão para o autossacrifício, mas apenas para o amor, como está escrito: “Amarás Havayá, teu D'us”, etc., “pois Ele é a tua vida”. Isso se deve ao fato de que o autossacrifício provém do nível que está acima do intelecto; sendo assim, como se poderia falar de uma razão e de um raciocínio para isso?)
Isso explica por que a Torá apresenta uma razão para amar D'us (“pois Ele é a tua vida”, Deuteronômio 30:20), mas nenhuma para o autossacrifício: este provém de um nível acima do intelecto, portanto não se pode apresentar uma razão para ele.
ועפ״ז [ועל פי זה] יובן גם כן ענין ותלמוד תורה כנגד כולם,67 וגם מ״ש ודברת בם8 מיד לאחר בכל מאדך דמאדך
Com base nisso, também se compreenderá o conceito de “o estudo da Torá equivale a todos eles”, e também o que está escrito: “E falarás delas”, imediatamente após “com toda a tua força”; pois “tua força”
Daqui surgem duas perguntas. Por que o estudo da Torá “equivale a todas” as mitsvot (Mishná Peá 1:1)? E por que o Shemá diz “E falarás delas”, referindo-se ao estudo da Torá, logo depois de “com toda a tua força”?
היינו אה״ר [אהבה רבה] בלי גבול ליכלל וליבטל בא״ס [באין סוף] ב״ה ואיך תתיישב צמאון אה״ר [אהבה רבה] זו ע״י ודברת בם כו׳ גם בפי׳ בכל נפשך שהוא מס״נ [מסירות נפש] ממש.
é um grande amor (ahavá rabá) sem limites, para ser incorporado e anulado no Ein Sof, bendito seja Ele; como, então, a sede desse grande amor será saciada por meio de “E falarás delas”, etc.? [O mesmo se aplica] também à interpretação de “com toda a tua alma” como autossacrifício literal.
“Com toda a tua força” é um amor ilimitado, que anseia ser absorvido em D'us. Como o estudo da Torá pode satisfazer tal sede? A mesma pergunta se aplica a “com toda a tua alma”, entendido como autossacrifício literal.
וידוע דיש גם כן עוד פי׳ דבכל נפשך היינו ג׳ לבושי הנפש מחשבה ודיבור ומעשה לקשרם במודומ״ע [במחשבה דבור ומעשה] של הקב״ה [הקדוש ברוך הוא] ע״י עסק התורה ומצות.
E é sabido que há também outra interpretação: “com toda a tua alma” significa os três revestimentos da alma — pensamento, fala e ação —, para vinculá-los ao pensamento, à fala e à ação do Santo, bendito seja Ele, por meio do estudo da Torá e do cumprimento das mitsvot.
Há uma segunda interpretação, bem conhecida: “com toda a tua alma” significa os três revestimentos da alma — pensamento, fala e ação —, que a pessoa vincula ao pensamento, à fala e à ação de D'us por meio da Torá e das mitsvot.
ואם כן איך ב׳ פירושים אלו שבתיבות בכל נפשך שייכים זל״ז [זה לזה]. והענין כי התורה היא חכמתו ית׳9 שבאצי׳ [שבאצילות] שבה מלובש אור א״ס [אין סוף] ב״ה ממש,
Sendo assim, como essas duas interpretações das palavras “com toda a tua alma” se relacionam? A explicação é que a Torá é a sabedoria de D'us, bendito seja Ele, em Atsilut, na qual está revestida a própria Luz Infinita (Or Ein Sof), bendito seja Ele,
Como se relacionam as duas interpretações — autossacrifício e vinculação dos revestimentos? A resposta começa pela própria Torá: ela é a sabedoria de D'us em Atsilut, e a própria Luz Infinita está revestida nela.
(ולכן נקרא התורה משל הקדמוני10 שהיא בחי׳ ח״ע [חכמה עילאה] שהוא כלי לאור א״ס [אין סוף] ב״ה שהוא קדמונו של עולם כמ״ש מזה בדרוש פורים)11
(Por isso a Torá é chamada “a parábola do Ancião”: ela é o nível de Chochmá superior, que é um recipiente para a Luz Infinita, bendito seja Ele, que é “o Ancião do mundo”, conforme explicado a respeito disso no discurso de Purim.)
Por isso a Torá é chamada “a parábola do Ancião” (I Samuel 24:13): ela é Chochmá superior, o recipiente para a Luz Infinita, “o Ancião do mundo”. O texto se refere ao discurso de Purim em Torah Ohr.
וחכמה דאצילות נתלבשה בחכמה דבי״ע [דבריאה יצירה עשיה] כדי להתלבש בהלכות הערוכות לפנינו שהם מדברים בענינים גשמיים דעשייה פיאה תרומות ומעשרות כו׳ יציאות השבת כו׳.
E a Chochmá de Atsilut revestiu-se na Chochmá de Beriá, Yetsirá e Assiá, a fim de revestir-se nas leis dispostas diante de nós, que tratam de questões físicas de Assiá: o canto do campo, as ofertas alçadas e os dízimos etc., as transferências [de um domínio para outro] no Shabat etc.
Essa sabedoria sublime desceu através da sabedoria dos mundos inferiores até revestir-se em leis práticas sobre coisas físicas, como o canto do campo, as dádivas sacerdotais e os dízimos, e as transferências no Shabat.
וכשהאדם לומד התורה ומבין ומשיג איזו הלכה לאשורה הרי חכמתו מתקשרת בחכמתו ית׳ שבהלכה זו. והיו לאחדים מכל צד ופנה12 כמ״ש בס׳ של בינוני׳ ח״א [חלק א׳] פ״ה.
E quando uma pessoa estuda Torá, compreende e apreende corretamente alguma lei, sua sabedoria fica ligada à sabedoria d’Ele, bendito seja, que está nessa lei. “E tornam-se um, de todos os lados e ângulos”, conforme está escrito no Sefer shel Beinonim, Parte I, capítulo 5.
Quando uma pessoa compreende verdadeiramente uma lei da Torá, sua mente se torna uma com a sabedoria de D'us contida nessa lei. Tanya, capítulo 5, chama isso de uma união maravilhosa, “de todos os lados e ângulos”.
O parágrafo demonstra que o autossacrifício provém da essência da alma, acima do intelecto, e em seguida pergunta como o estudo da Torá, um ato intelectual, pode satisfazer esse amor ilimitado. Começa então a resposta: a Torá é a própria sabedoria de D'us, na qual está revestida a Luz Infinita, e que é transmitida em leis práticas, de modo que compreender uma lei une a mente à sabedoria de D'us.
O discurso de Torah Ohr para Purim, ao qual o texto se refere, explica “o Ancião” como a própria Luz Infinita, acima dos níveis de preenchimento e de circundamento dos mundos, que são apenas um reflexo relacionado aos mundos. A passagem paralela de Torah Ohr sobre o autossacrifício acrescenta que “pois Ele é a tua vida” não pode ser sua razão, uma vez que o autossacrifício significa abrir mão da própria vida; ele provém do amor oculto acima de Daat.
Marei mekomot
- 1שלמעלה מעלה גם כן מהחכמה · נתבאר באוה״ת ויקרא-ב ע׳ תקצו.
- 2בכל נפשך · Deuteronomy 6:5
- 3טעם על מס״נ · ראה תו״א צט, ב. הערת כ״ק אדמו״ר בסה״מ ה׳תש״ט ע׳ 121.
- 4לאהבה את ה׳ אלהיך כו׳ כי הוא חייך · Deuteronomy 30:20
- 5לאהבה את ה״א . . כי הוא חייך · Deuteronomy 30:2
- 6ות״ת כנגד כולם · פאה א, א.
- 7ותלמוד תורה כנגד כולם · Mishnah Peah 1:1
- 8ודברת בם · Deuteronomy 6:7
- 9והענין כי התורה היא חכמתו ית׳ · מכאן עד להלן ו, רע״א נמצא ג״כ בשינויים אחדים בהמשך מים רבים תרל״ו פרקים קפו-קפט. וראה שם ח״ב ס״ע תקיג ואילך.
- 10נקרא התורה משל הקדמוני · ראה אוה״ת וארא ע׳ קנב.
- 11כמ״ש מזה בדרוש פורים · תו״א צח, ב. ראה בלקו״ש ח״ז ע׳ 26 ואילך למה נזכר כאן בלשון בדרוש פורים. ע״ש בארוכה.
- 12והיו לאחדים מכל צד ופנה · Tanya, Likkutei Amarim 5:6–7
6והנה מבואר למעלה1 שעם היות הנשמה עצמה היא למעלה מהשכל מכל מקום עכ״פ [על כל פנים] השכל הוא כלי לעצמות הנשמה.
Ora, foi explicado acima que, embora a própria alma esteja acima do intelecto, ainda assim, pelo menos, o intelecto é um recipiente para a própria essência da alma.
Recapitula-se o que foi demonstrado acima: a alma está acima do intelecto, mas o intelecto é um recipiente para a essência da alma, que se reveste nele.
וכן למעלה אע״פ [אף על פי] שאור א״ס [אין סוף] ב״ה הוא למעלה מגדר ובחי׳ חכמה אפילו מבחי׳ ח״ע [חכמה עילאה] דאצילות מ״מ [מכל מקום] מלובש הוא בח״ע [בחכמה עילאה] שהחכמה היא
Assim também no Alto: embora a Luz Infinita (Or Ein Sof), bendito seja Ele, esteja acima da definição e do nível de Chochmá, até mesmo do nível da Chochmá superior de Atsilut, ainda assim ela se reveste na Chochmá superior, pois Chochmá é
O mesmo ocorre no Alto: o Or Ein Sof está além de Chochmá, até mesmo da Chochmá de Atsilut, mas se reveste na Chochmá superior.
דוקא כלי לאור א״ס [אין סוף] ב״ה כמ״ש הטעם בס׳ של בינונים פל״ה בהג״ה [בהגהה] וכיון שכן הרי על ידי התקשרות ויחוד חכמה ושכל של הנשמה בחכמה שבתורה
especificamente um recipiente para a Luz Infinita, bendito seja Ele, como se explica a razão disso em Sefer shel Beinonim, capítulo 35, na glosa. Sendo assim, por meio da ligação e união da sabedoria e do intelecto da alma com a sabedoria que está na Torá,
Chochmá é o único recipiente no qual repousa o Or Ein Sof, como explica a glosa em Tanya, capítulo 35. Isso tem uma consequência para a união do intelecto da alma com a sabedoria da Torá, que as palavras seguintes explicitam.
שהיא חכמתו ית׳ עי״ז ממילא נעשה ג״כ התכללות ויחוד עצמיות הנשמה שלמעלה מהשכל באור א״ס [אין סוף] ב״ה ממש שלמעלה מעלה מבחי׳ ח״ע [חכמה עילאה] כיון דאור א״ס [אין סוף] ב״ה מלובש בח״ע [בחכמה עילאה] אשר היא הלכה זו.
que é Sua sabedoria, bendito seja Ele, por meio disso ocorre também, por si só, a inclusão e união da própria essência da alma, que está acima do intelecto, com o próprio Or Ein Sof, bendito seja Ele, que está muito, muito acima do nível da Chochmá superior; pois o Or Ein Sof, bendito seja Ele, está revestido na Chochmá superior, que é esta lei.
Como a Torá é a sabedoria de D'us, na qual o próprio Or Ein Sof está revestido, a pessoa que une sua mente a uma lei da Torá une, por meio disso, a própria essência de sua alma, que está acima do intelecto, à essência de D'us, que está muito acima de Chochmá.
Como a alma se reveste em seu intelecto e D'us se reveste na sabedoria da Torá, a união dos dois intelectos traz consigo a união da essência da alma com a essência do Or Ein Sof.
A glosa em Tanya, capítulo 35, explica por que Chochmá é o recipiente para o Or Ein Sof: o Ein Sof é o Verdadeiro Único, só, sem nada além Dele, e esse é o nível de Chochmá, conforme o Alter Rebe ouviu de seu mestre.
Marei mekomot
- 1והנה מבואר למעלה · במים רבים תרל״ו שם: והנה נת״ל בפ׳ קפ״ה (ושם בפקפ״ה נמצא לשון הלקו״ת במדבר טז, סע״ב בשינויים אחדים).
7וגם נשמת האדם שלמעלה מהשכל שלו מלובשת בכח השכל שהרי הנפש נק׳ נפש המשכלת. א״כ [אם כן] בהתקשרות ויחוד שכל האדם בחכמת התורה.
A alma humana também, que está acima de seu intelecto, está revestida na faculdade do intelecto, pois a alma é chamada “a alma intelectiva”. Sendo assim, na ligação e união do intelecto de uma pessoa com a sabedoria da Torá,
A alma humana também está revestida em sua faculdade do intelecto; por isso é chamada “a alma intelectiva”. Essa é a base do que ocorre quando o intelecto de uma pessoa se une à sabedoria da Torá.
נעשה גם כן יחוד עליון יותר מזה והוא התכללות עצמיות הנשמה בעצמיות אור א״ס [אין סוף] ב״ה.1
também se produz uma união ainda mais elevada do que essa, a saber, a inclusão da própria essência da alma na própria essência da Luz Infinita (Or Ein Sof), bendito seja Ele.
Então também ocorre uma união mais elevada: a própria essência da alma é absorvida na própria essência da Luz Infinita. Assim, por meio do estudo da Torá, a pessoa alcança o mesmo nível do autossacrifício.
O estudo da Torá une não apenas o intelecto ao intelecto, mas também a essência da alma à essência de D'us; por isso, pode corresponder ao amor ilimitado de “com toda a tua força”.
Numa nota, o Rebe acrescenta que essa união da essência da alma por meio do estudo da Torá ocorre quando o estudo é precedido pela leitura do Shemá e pela oração, com a disposição de entregar a própria alma em “Um”. O próprio maamar afirma isso adiante: quem diz “tenho apenas Torá” não possui nem mesmo Torá, pois a inclusão da alma na Luz Infinita por meio do estudo depende do desejo sincero do coração por essa autoanulação.
Marei mekomot
- 1התכללות ויחוד עצמות הנשמה בעצמות אור א״ס · ראה לקו״ש-טו ע׳ 3 הערה 28 שמבאר שזהו ע״י הקדמת ק״ש ותפלה למס״נ באחד שאז כשעוסק בתורה כו׳ נעשה ג״כ יחוד והתכללות עצמיות הנפש כו׳ (ראה לקמן ה, א).
8וכ״ז [וכל זה] נעשה דוקא על ידי התקשרות השכל בחכמת התורה וזהו שאיתא דאורייתא היא היכלא עילאה דקוב״ה [דקודשא בריך הוא].1
E tudo isso ocorre especificamente por meio da ligação do intelecto com a sabedoria da Torá. É isso que se afirma: a Torá é a câmara superior do Santo, bendito seja Ele.
Essa união da essência da alma com D'us só se dá por meio da ligação do intelecto com a sabedoria da Torá. Por isso o Zohar chama a Torá de “câmara superior” do Santo: o lugar onde Ele próprio habita.
ואע״פ [ואף על פי] שהאדם אינו מרגיש כלל התכללות זו בשעת עסקו בתורה ועיקר עסקו וטרדתו הוא בהחכמה להשיגה ולא עוד
E embora a pessoa não sinta de modo algum essa inclusão enquanto está ocupada com a Torá, e sua ocupação e concentração principais estejam na sabedoria, para compreendê-la — e não apenas isso,
Uma objeção: ao estudar Torá, a pessoa não sente nada dessa união. Está ocupada tentando compreender o conteúdo, e esse esforço preenche sua mente.
אלא שאפשר שיתערב מקצת ישות באמצע אם השכיל בטוב כו׳ מ״מ [מכל מקום] מאחר שעיקר כוונתו לשמה ובתורת ה׳ דוקא חפצו2
mas é possível que um pouco de sentimento de importância própria (yeshut) se misture ao longo do caminho, caso tenha compreendido bem etc.; apesar disso, como sua intenção principal é estudar por amor a ela mesma, e “seu desejo está” especificamente “na Torá de D'us”,
Pior ainda: se compreende bem, pode sentir um pouco de orgulho. O que importa, porém, é que sua intenção principal seja estudar por amor à própria Torá, pois seu “desejo está na Torá de D'us” (Salmos 1:2).
לכן עצמיות נשמתו נכללת בא״ס [באין סוף] ב״ה ואע״ג [ואף על גב] דאיהו לא חזי3 מזליה חזי. (ועמ״ש מכל זה בד״ה וידבר אלקים גבי חג השבועות4 ע״ש [עיין שם]).
por isso, a própria essência de sua alma é incluída no Infinito (Ein Sof), bendito seja Ele; e embora ele não veja, seu mazal vê. (E veja o que está escrito sobre tudo isso no discurso que começa com “E D'us falou”, para a festa de Shavuot; veja lá.)
Portanto, a essência de sua alma continua absorvida em D'us. O Talmud diz dos homens que estavam com Daniel e não viram sua visão, mas foram tomados de temor: “Embora não tenham visto, seu mazal viu”; a raiz da alma no alto percebe aquilo que a pessoa embaixo não percebe. O parêntese remete ao discurso de Shavuot “E D'us falou”, em Likkutei Torah.
ובזה יובן איך שני הפי׳ דבכל נפשך מישך שייכי אהדדי וגם דשייך ודברת בם תיכף לובכל מאדך.
Com isso se compreenderá como as duas interpretações de “com toda a tua alma” estão ligadas entre si, e também como “E falarás delas” está ligado imediatamente a “e com toda a tua força”.
Agora as duas perguntas são respondidas. As duas interpretações de “com toda a tua alma” — autossacrifício e ligação das vestimentas da alma por meio da Torá — pertencem uma à outra, assim como “E falarás delas” vem depois de “com toda a tua força”.
כי המס״נ [המסירות נפש] ליבטל ולהכלל בא״ס [באין סוף] ב״ה ובעסקו בתורה גם כן מתכללת נשמתו בא״ס [באין סוף] ב״ה כו׳
Pois o autossacrifício (mesirut nefesh) consiste em anular-se e ser incluído no Infinito, bendito seja Ele; e, ao ocupar-se com a Torá, também sua alma é incluída no Infinito, bendito seja Ele, etc.
Autossacrifício significa anular-se e ser absorvido em D'us; o estudo da Torá também leva a alma a essa mesma absorção em D'us.
לכן ענין ודברת בם הוא המרוה צמאון האה״ר [האהבה רבה] דבכל מאדך ליבטל וליכלל בא״ס [באין סוף] ב״ה (ועמ״ש מענין עסק התורה בד״ה כי ביום הזה יכפר56 בפי׳ והיו הדברים האלה7 כו׳ ודברת בם ע״ש [עיין שם]):
Portanto, “E falarás delas” é o que sacia a sede do grande amor (ahavá rabá) de “com toda a tua força”: anular-se e ser incluído no Infinito, bendito seja Ele. (E veja o que está escrito sobre a ocupação com a Torá no discurso que começa com “Pois neste dia ele expiará”, na explicação de “E estas palavras serão” etc., “e falarás delas”; veja lá.)
Assim, o estudo da Torá é o que satisfaz o amor ilimitado de “com toda a tua força”, a sede de ser absorvido em D'us. O texto remete ao discurso sobre “Pois neste dia ele expiará”, que explica “E estas palavras serão… e falarás delas”.
O parágrafo responde às perguntas levantadas anteriormente: como o estudo da Torá une a essência da alma a D'us, mesmo quando quem estuda não o sente, ele satisfaz o mesmo anseio que o autossacrifício e, portanto, vem corretamente depois de “com toda a tua força”.
O discurso de Shavuot “E D'us falou”, em Likkutei Torah (Bamidbar), explica que uma faculdade intelectual, mesmo depois de se estender da alma como uma faculdade distinta, continua una com a alma, de modo que a alma recebe o nome dessa faculdade — “a alma intelectual”. Do mesmo modo, a força vital que é atraída do Or Ein Sof para os mundos continua una com sua fonte.
Marei mekomot
- 1דאורייתא היא היכלא עילאה דקוב״ה · Zohar II, 200a
- 2ובתורת ה׳ דוקא חפצו · Psalms 1:2
- 3ואע״ג דאיהו לא חזי · Megillah 3a:14
- 4בד״ה וידבר . . גבי חג השבועות · לקו״ת במדבר טז, א. סה״מ תקס״ח ע׳ קג.
- 5בד״ה כי ביום הזה יכפר · לקו״ת אחרי כז, א.
- 6
- 7והיו הדברים האלה · Deuteronomy 6:6
Estudo da Torá em autoanulação ¶9–16
9ג וזהו הטעם לעוצם השקידה בתלמוד תורה של חכמי המשנה והגמרא אשר זה היה עבודתם כל הימים לא פסק פומי׳ [פומיה] מגירסא. ומהדר תלמודי׳ [תלמודיה] מתלתין יומין1 לתלתין יומין וגם רשב״י [רבי שמעון בר יוחאי] כנז׳ [כנזכר] בשבת פ׳ במה מדליקין.234
3. E esta é a razão da imensa dedicação ao estudo da Torá por parte dos sábios da Mishná e da Guemará, para os quais esse era o serviço durante todos os seus dias: “sua boca não cessava de estudar” e “ele revisava seu estudo a cada trinta dias”; e também por parte de Rabi Shimon bar Yochai, como é mencionado em [o tratado] Shabbos, no capítulo Bameh Madlikin.
A seção 3 tira uma conclusão: é por isso que os sábios da Mishná e do Talmud estudavam com tamanha intensidade, sem jamais interromper e revisando todo o seu estudo a cada trinta dias (como o Talmud relata a respeito de Rav Sheshes), e é também por isso que Rabi Shimon bar Yochai, conforme relata o Talmud no segundo capítulo de Shabbos, dedicava-se inteiramente à Torá.
A dedicação incessante dos sábios ao estudo é explicada pelo que acabou de ser demonstrado: o estudo da Torá une a essência da alma a D'us.
A passagem paralela em Mayim Rabbim acrescenta o relato do Talmud em Shabbos (33b): no início, quando Rabi Shimon bar Yochai apresentava uma dificuldade, Rabi Pinchas ben Yair respondia-lhe de doze maneiras; e, por fim, quando Rabi Pinchas apresentava uma dificuldade, Rabi Shimon respondia-lhe de vinte e quatro maneiras. Também faz referência a “a Torá deles é sua ocupação” (Shabbos 11a) e a Rabbeinu Yonah, que inclui Rabi Shimon entre aqueles que revisavam o estudo a cada trinta dias.
Marei mekomot
- 1ומהדר תלמודי׳ מתלתין יומין · Pesachim 68b:13
- 2רשב״י . . במה מדליקין · במים רבים שם: רשב״י מעיקרא כי הוה מקשי רשב״י קושי׳ הוה מפרק לי׳ רפב״י י״ב פירוקי ולבסוף כי הוה מקשי רפב״י קושי׳ הוה מפרק לי׳ רשב״י כ״ד [כ״ה בגוכי״ק. ובהנדפס שם: כ״ה] פרוקי כנז׳ בשבת פרק במה מדליקין דל״ג ע״ב. וע׳ (יא, א) תורתן אומנתן. ורבינו יונה ריש מס׳ ברכות קחשיב גם רשב״י שהי׳ מתלתין יומין לתלתין יומין ול״מ. [כנראה כוונתו לברכות ח, א ד״ה אלא ושם רשב״י לא הי׳ מתפלל אלא משנה לשנה]. [כ].
- 3
- 4
10וגם בזוהר נז׳ [נזכר] מארי מתניתא ומארי קבלה מועטים1 היו ומהו הלימוד סדר זרעים בצמח הארץ וסדר טהרות אבות הטומאה כו׳
E também no Zohar são mencionados os “mestres da Mishná”, e os mestres da Cabalá eram poucos. E qual era o estudo? A Ordem de Zeraim, sobre o que cresce da terra, e a Ordem de Taharot, sobre as fontes primárias de impureza, etc.
O Zohar também fala dos “mestres da Mishná”, enquanto os mestres da Cabalá eram poucos. E o que estudavam os mestres da Mishná? As leis da agricultura (a Ordem de Zeraim) e da pureza ritual (a Ordem de Taharot).
שהם הכל מדברים בענינים גשמיים אלא לפי שבהם נתלבשה חכמתו ית׳ ע״י התלבשות בחכמה דבריאה כו׳
Todos esses tratam de assuntos físicos; mas [eram estudados] porque Sua sabedoria, bendito seja Ele, estava revestida neles, por meio de seu revestimento na Chochmá de Beriá, etc.,
Todos esses tratam de assuntos físicos. Eles os estudavam porque a sabedoria de D'us está revestida neles, tendo descido por meio da sabedoria dos mundos inferiores.
כנ״ל ובתוכה שורה אור א״ס [אין סוף] ב״ה, וזהו עיקר התכלית להמשיך גילוי אור א״ס [אין סוף] ב״ה שלמעלה מהאצי׳ [מהאצילות].
como mencionado acima, e dentro dela repousa a Luz Infinita (Or Ein Sof), bendito seja Ele. E este é o propósito principal: atrair para baixo a revelação da Luz Infinita, bendito seja Ele, que está acima de Atsilut.
Dentro dessa sabedoria repousa a própria Luz Infinita. O propósito mesmo do estudo é atrair para baixo a revelação da Luz Infinita que está acima de Atsilut.
O estudo das leis práticas e físicas era o principal trabalho dos sábios, porque a sabedoria de D'us, e dentro dela a Luz Infinita, está revestida nelas.
Marei mekomot
- 1מארי קבלה . . מועטים היו · במים רבים שם: מועטים המה.
11וגם המלאכים בקשו1 התורה בשביל זה ולא ניתנה להם אלא לישראל דוקא להמשיך גילוי אור הסוכ״ע [הסובב כל עלמין] בעה״ז [בעולם הזה] דוקא
Também os anjos pediram a Torá por esse motivo; no entanto, ela não lhes foi dada, mas especificamente a Israel, para fazer descer a revelação da luz que circunda todos os mundos (sovev kol almin) especificamente neste mundo.
Os anjos pediram a Torá por esse mesmo motivo (Shabbos 88b), mas ela foi dada somente a Israel, para que também a luz que circunda — grande demais para entrar nos mundos — fosse revelada neste mundo inferior.
ולכן נתלבשה התורה בענינים גשמיים דוקא.2 בכדי שאח״כ [שאחר כך] בתחה״מ [בתחיית המתים] שהוא תכלית הבריאה יהי׳ [יהיה] גילוי זה לנשמות שבגופים דוקא.
Por isso, a Torá foi revestida especificamente de assuntos físicos, para que, depois, na Ressurreição dos Mortos, que é o propósito da criação, essa revelação se manifeste especificamente às almas em corpos.
É por isso que a Torá está revestida de assuntos físicos: para que, na Ressurreição dos Mortos, o objetivo da criação, essa revelação chegue às almas em corpos.
A Torá foi dada a almas em corpos e revestida de leis físicas para que a luz mais elevada fosse revelada neste mundo, culminando na Ressurreição.
Marei mekomot
- 1וגם המלאכים בקשו תורה · Shabbat 88b:7
- 2בענינים גשמיים דוקא · ראה המשך תער״ב ח״ב ס״ע שסג.
12והיינו ע״י ביטול הנפש והתכללותה באור א״ס [אין סוף] ב״ה עכשיו ע״י עסק התורה כנ״ל1 שלא להיות בבחי׳ יש בפ״ע [בפני עצמו]
E isto se dá por meio da autoanulação (bitul) da alma e de sua inclusão na Luz Infinita (Or Ein Sof), bendito seja Ele, agora, por meio do estudo da Torá, como mencionado acima: não estar no estado de um “algo” (yesh) por si mesmo,
Essa revelação é alcançada agora por meio da autoanulação da alma no estudo da Torá: não se sentir um “algo” (yesh) separado e independente.
אלא להיות בטל לאור א״ס [אין סוף] ורצונו וחכמתו שזהו עסק התורה וכמ״ש ולא תחללו2 שלא לעשות בחי׳ חלל והעלם אור א״ס [אין סוף] ב״ה.
mas estar anulado à Luz Infinita, à Sua vontade e à Sua sabedoria, que constituem o estudo da Torá. E, como está escrito: “E não profanareis” (techalelu): não fazer um vazio (chalal) e um ocultamento da Luz Infinita, bendito seja Ele.
Em vez disso, a pessoa deve estar anulada à luz, à vontade e à sabedoria de D'us, que é o que representa o estudo da Torá. O Alter Rebe interpreta “E não profanareis” (velo techalelu) como “não façais um vazio” (chalal), um lugar do qual a luz de D'us fica oculta.
שהוא ית׳ אינו שורה במי שהוא יש ודבר שאין אני והוא יכולים לדור3 בעולם א״כ [אם כן] גורם בחי׳ חלל שמסתלק אור א״ס [אין סוף] ב״ה ממנו כו׳.
Pois Ele, bendito seja, não repousa sobre quem é um “algo” e uma entidade, porque “Eu e ele não podemos habitar juntos no mundo”; se assim é, ele causa [um estado de] vazio, pois a Luz Infinita, bendito seja Ele, se retira dele, etc.
D'us não repousa sobre quem se sente uma entidade separada; o Talmud diz a respeito dos arrogantes: “Eu e ele não podemos habitar juntos no mundo.” Tal pessoa cria um “vazio”, do qual a Luz Infinita se retira.
O parágrafo define a condição interior do estudo da Torá: a autoanulação, oposta a fazer de si mesmo um “algo” separado que afasta a luz de D'us.
Marei mekomot
- 1עסק התורה כנ״ל · בהמשך מים רבים שם: כנ״ל פקפ״ו. ע״ש.
- 2ולא תחללו · Leviticus 22:32
- 3שאין אני והוא יכולים לדור · Sotah 5a:14–15
13והנה ידוע שלהיות התהוות העולמות נעשה חלל ומקום פנוי1 ואח״כ [ואחר כך] נמשך קו לתוך מקום החלל, וענין החלל הוא העלם האור והקו היא בחי׳ הגלוי.
Ora, é sabido que, para que os mundos viessem a existir, foram criados um vazio (chalal) e um espaço vazio; depois, uma linha (kav) foi estendida para dentro do lugar do vazio. O vazio representa a ocultação da luz, e o kav, o nível da revelação.
Contexto do ensinamento do Arizal sobre a criação: para abrir espaço para os mundos, a luz de D'us foi retirada, deixando um “vazio” ou espaço vazio; em seguida, uma fina “linha” (kav) de luz foi estendida para dentro dele. O vazio representa a ocultação da luz; o kav, sua revelação.
אך כיון שהגילוי מעט רק עד״מ [על דרך משל] בבחי׳ קו וחוט לבד ע״כ [על כן]2 ברבוי ההשתלשלות העולמות נעשה למטה בחי׳ העלם והסתר, וגם כי הארת הקו מסתיים במלכות דאצי׳ [דאצילות] אלא שאח״כ [שאחר כך] נמשך ובוקע דרך הפרסא.
Mas, como a revelação é pequena — apenas, por assim dizer, na forma de uma linha e de um fio —, em consequência das numerosas etapas da cadeia descendente dos mundos (hishtalshelut), surgem abaixo a ocultação e o encobrimento; além disso, a irradiação do kav termina em Malchut de Atsilut, embora depois se estenda adiante e atravesse a divisória (parsa).
Como essa revelação é apenas uma fina linha, ela vai sendo progressivamente ocultada à medida que desce pelos numerosos mundos. Sua irradiação termina em Malchut de Atsilut e, somente depois, atravessa a “divisória” (parsa) que separa Atsilut dos mundos inferiores.
אמנם לע״ל [לעתיד לבוא] יהי׳ [יהיה] גילוי אור א״ס [אין סוף] שלמעלה מהצמצום וחלל ולא יהי׳ [יהיה] עוד הגילוי בבחי׳ קו אלא עצמות אור א״ס [אין סוף] יתגלה ולא יהיה עוד חלל והפסק כלל.
No entanto, na Era Vindoura, haverá uma revelação da Luz Infinita (Or Ein Sof), que está acima do tsimtsum e do vazio. A revelação já não terá a forma de um kav; ao contrário, a própria essência da Luz Infinita será revelada, e não haverá mais vazio nem qualquer interrupção.
Na Era Vindoura, será revelada a Luz Infinita anterior ao tsimtsum: não uma fina linha, mas a própria essência da luz, sem vazio nem interrupção.
O parágrafo contrapõe a revelação atual da luz de D'us — uma fina linha que penetra um vazio e se torna cada vez mais tênue abaixo — à revelação futura da essência da luz, acima do tsimtsum.
A passagem de Likkutei Torah mencionada na nota da Kehot cita um comentário: o “vazio” não está literalmente vazio, pois nele permanece uma impressão (reshimu) da luz; ele é chamado vazio apenas em relação ao Infinito.
Marei mekomot
- 1נעשה חלל ומקום פנוי · ראה לקמן נא, ב ואילך.
- 2כיון — ע״כ · במים רבים שם (ע׳ ריא): א״כ. אבל הוא טה״ד שם ובגוכי״ק דמים רבים הוא כהנדפס כאן.
14והגילוי יהיה למטה דוקא. משא״כ עכשיו שהקו מסתיים באצי׳ [באצילות] כו׳ והא בהא תליא שכשהגילוי רק בבחי׳ קו ע״כ [על כן] הולך ומתמעט וכמשל החבל שבראשו עב והולך ומתקצר כו׳
E a revelação ocorrerá especificamente embaixo; ao passo que agora o kav termina em Atsilut, etc. Uma coisa depende da outra: quando a revelação se dá apenas na forma de um kav, por isso ela vai diminuindo continuamente, como na analogia de uma corda que é grossa na extremidade superior e vai se afinando, etc.,
No futuro, a revelação alcançará os níveis inferiores, ao passo que agora o kav termina em Atsilut. As duas coisas estão ligadas: uma revelação que vem na forma de uma linha vai diminuindo continuamente, como uma corda grossa na extremidade superior que vai se afinando.
עד שמסתיים באצי׳ [באצילות] משא״כ כשהגילוי הוא עצמיות האור שלא בבחי׳ קו הנה מעלה ומטה שוין,
até terminar em Atsilut; ao passo que, quando a revelação é da própria essência da luz, e não na forma de um kav, o acima e o abaixo são iguais.
Assim, a linha de luz se esgota em Atsilut. Mas, quando a própria essência da luz é revelada, não como uma linha, o acima e o abaixo são iguais.
(וכמ״ש בד״ה זכור את יום השבת1 גבי פי׳ קוינו כו׳ ולעתיד כו׳ ע״ש [עיין שם]), וגילוי זה לע״ל [לעתיד לבוא] הוא ע״י עסק התורה עכשיו בבחי׳ ביטול שבחכמת התורה שורה ומלובש אור א״ס [אין סוף] אלא שהוא בבחי׳ קו.
(Como está escrito no discurso que começa “Lembra-te do dia de Shabat”, a respeito da explicação de “Esperamos (kivinu)”, etc., e “no Tempo Vindouro”, etc.; veja lá.) E essa revelação no Tempo Vindouro vem por meio do estudo da Torá agora em estado de autoanulação (bitul), pois na sabedoria da Torá repousa e está revestida a Luz Infinita (Or Ein Sof), embora esteja na forma de um kav.
O parêntese remete ao discurso sobre Shabat em Torah Ohr, que relaciona “kivinu” (“esperamos”) ao kav e afirma que, no futuro, como em Shabat, o acima e o abaixo serão iguais. Essa revelação futura é provocada pelo estudo da Torá agora em autoanulação, pois a Luz Infinita está revestida na sabedoria da Torá, embora apenas na forma de um kav.
וע״י הביטול של הנפש האדם שעצמיות הנפש נכללת בבחי׳ ביטול בהקו אור א״ס [אין סוף] שבתורה גורם וממשיך התגלות עצמיות האור שלמעלה מהקו והחלל כו׳,
E, por meio da autoanulação da alma da pessoa — quando a própria essência da alma é incluída, em estado de autoanulação, no kav da Luz Infinita que está na Torá —, ela provoca e atrai a revelação da própria essência da luz, que está acima do kav e do espaço vazio, etc.,
Quando a alma da pessoa se anula e sua essência é absorvida no kav da luz que está na Torá, ela atrai a essência da luz que está acima do kav e do espaço vazio.
(כי ביטול היש מעורר מאד למעלה לכן ביטול זה של הנפש והחב״ד [והחכמה בינה ודעת] שלה ולבושיה מו״ד [מחשבה ודבור] בעסק התורה בבחי׳ ולא תחללו גורם להמשיך תוספת אור בהתורה.
(Pois a autoanulação do “algo” (yesh) desperta intensamente o Alto. Portanto, essa autoanulação da alma, de sua Chochmá, Biná e Daat, e de suas vestimentas de pensamento e fala, no estudo da Torá à maneira de “E não profanareis”, provoca o acréscimo de luz na Torá.
A razão, no parêntese: a autoanulação embaixo desperta uma grande resposta no Alto. Quando a alma, seu intelecto e suas vestimentas de pensamento e fala se anulam no estudo da Torá (“não profanareis”), mais luz é atraída para a Torá.
וזהו פי׳ עוסק בתורה לשמה ר״ל [רוצה לומר] לשם התורה עצמה.2 שהרי עכשיו מלובש בה רק קו מאור א״ס [אין סוף] וע״י עסק האדם בתורה לשמה גורם התגלות אור א״ס [אין סוף] שלמעלה מהקו כו׳, ועמ״ש סד״ה ויקח קרח).3
E este é o significado de “ocupar-se com a Torá por sua causa” (lishmá): isto é, por causa da própria Torá. Pois agora somente um kav da Luz Infinita está revestido nela, e, por meio do estudo da Torá por sua própria causa, a pessoa provoca a revelação da Luz Infinita que está acima do kav, etc. E veja o que está escrito ao final do discurso que começa “E Korach tomou”.)
É isso que significa “estudar a Torá por sua própria causa” (lishmá): fazê-lo por causa da própria Torá, para atrair para dentro dela a luz que está acima do kav e que agora brilha nela apenas como uma linha. O parêntese remete ao final do discurso “E Korach tomou”.
ומ״מ [ומכל מקום] ארז״ל [אמרו רבותינו זכרונם לברכה] כל האומר אין לי אלא תורה אפילו תורה אין לו,4 כי בכדי שיהיה נעשה התכללות הנפש באור א״ס [אין סוף] ב״ה בעסק התורה ברעותא דלבא תליא מלתא שיחפוץ באמת בביטול זה.
Ainda assim, nossos Sábios, de abençoada memória, disseram: “Quem diz: ‘Não tenho nada além da Torá’ não tem sequer Torá.” Pois, para que ocorra a inclusão da alma na Luz Infinita, bendito seja Ele, por meio do estudo da Torá, a questão depende do desejo do coração: que a pessoa deseje verdadeiramente essa autoanulação.
Ainda assim, o estudo da Torá por si só não basta: o Talmud diz que quem afirma “Não tenho nada além da Torá” não tem sequer Torá. A absorção da alma em D'us por meio do estudo depende do desejo sincero do coração por essa autoanulação.
O parágrafo mostra que o estudo da Torá em autoanulação atrai, agora e no futuro, a essência da luz que está além do kav; isso, porém, depende de um coração que deseje verdadeiramente anular-se perante D'us.
Tanya, capítulo 5, explica por que a Torá é o lugar dessa união: uma lei da Torá é a própria vontade e sabedoria de D'us; assim, quando a mente apreende uma lei e se reveste nela, apreende e se reveste na vontade de D'us. O discurso sobre Korach acrescenta que a Torá por si só não basta; o temor e o amor também precisam ser atraídos do Alto, por meio das mitsvot.
Marei mekomot
- 1בד״ה זכור את יום השבת · תו״א ע, ד: ולעתיד יהי׳ בחי׳ שבת מעלה ומטה שוין עכ״ל.
- 2ר״ל לשם התורה עצמה · Tanya, Likkutei Amarim 5
- 3סד״ה ויקח קרח · לקו״ת קרח נה, א.
- 4כל האומר . . תורה אין לו · Yevamot 109b:4–5
15והיינו ע״י קדימת ק״ש [קריאת שמע] ותפלה וכמ״ש האריז״ל [האר״י זכרונו לברכה] למס״נ [למסירות נפש] באחד.1 דלכאורה הרי מס״נ [מסירות נפש] הוא באומרו ובכל נפשך.
E isto se dá por meio da precedência [do estudo da Torá] da recitação do Shemá e da oração, como escreveu o Arizal, de abençoada memória: entregar a própria alma (mesirut nefesh) em [“Um”]. Pois, aparentemente, o autossacrifício ocorre quando se diz: “e com toda a tua alma”.
Esse desejo é despertado pela recitação do Shemá e pela oração antes do estudo, com a intenção do Arizal de entregar a própria alma a D'us ao pronunciar a palavra “Um” (Echad). Mas poderia parecer que o autossacrifício se refere ao versículo seguinte: “e com toda a tua alma”.
אלא כי ענין מס״נ [מסירות נפש] באחד היינו הביטול עצמיות נפש האלקית שלמעלה מהשכל כו׳. וענין מס״נ [מסירות נפש] דובכל נפשך היינו שגם נפש הבהמית תסכים לזה בבחי׳ אתכפייא ואתהפכא
Mas o autossacrifício em “Um” consiste na autoanulação da própria essência da alma divina, que está acima do intelecto etc.; e o autossacrifício de “e com toda a tua alma” consiste em que também a alma animal concorde com isso, mediante a subjugação e a transformação (iskafya e is’hapcha),
A resposta distingue dois níveis. O autossacrifício em “Um” é a autoanulação da essência da alma divina, acima do intelecto; o autossacrifício em “com toda a tua alma” consiste em que até mesmo a alma animal concorde, primeiro sendo subjugada (iskafya) e depois transformada (is’hapcha).
והיינו ע״י ההתבוננות כו׳, ולזאת אח״כ [אחר כך] כשעוסק בתורה ומתקשר שכלו בחכמתו ית׳ שבתורה. נעשה ג״כ יחוד והתכללות עצמיות הנפש באור א״ס [אין סוף] ב״ה ממש המלובש בח״ע [בחכמה עילאה].
e isto se dá por meio da contemplação etc. Portanto, depois, quando a pessoa se ocupa da Torá e seu intelecto se liga à Sua sabedoria, bendito seja Ele, que está na Torá, também se produz uma união e inclusão da própria essência da alma na própria Luz Infinita (Or Ein Sof), bendito seja Ele, que está revestida na Chochmá Suprema.
A alma animal é conduzida a isso por meio da contemplação da grandeza de D'us. Depois de se preparar dessa maneira, quando a pessoa estuda Torá e liga sua mente à sabedoria de D'us nela contida, a essência de sua alma se une à Luz Infinita revestida na Chochmá Suprema.
A oração e o Shemá, com o autossacrifício em “Um” e o consentimento da alma animal em “com toda a tua alma”, despertam no coração o desejo que permite ao estudo posterior da Torá unir a essência da alma a D'us.
A nota da Kehot apresenta a fonte do Arizal em Pri Etz Chaim, o Portão da Recitação do Shemá, capítulo 12, e também remete ao Bach sobre Orach Chaim, no início da seção 61.
Marei mekomot
- 1וכמ״ש האריז״ל למס״נ באחד · ראה פע״ח שער הק״ש פי״ב. ב״ח או״ח ר״ס סא. אוה״ת תרומה ס״ע א׳שסז.
16וכמ״ש אם ישים אליו לבו1 כו׳. והגם שבדברי רז״ל [רבותינו זכרונם לברכה] נז׳ [נזכר] הלשון כל האומר אין לי אלא תורה2 אפילו תורה אין לו אלא תורה וגמילות חסדים.
E como está escrito: “Se ele dirigir seu coração a Ele”, etc. E embora nas palavras de nossos Sábios, de abençoada memória, a formulação mencionada seja: “Quem diz: ‘Não tenho senão Torá’ não tem sequer Torá; mas sim Torá e atos de bondade,”
O versículo “Se ele dirigir seu coração a Ele” (Jó 34:14) sustenta a ideia de que tudo depende do desejo do coração. Mas a declaração completa dos Sábios acrescenta que quem tem “somente Torá” não tem sequer Torá, e que são necessárias “Torá e atos de bondade”.
הנה ודאי דגמילות חסדים הוא כפשוטו ממש כי תכלית חכמה תשובה ומעשים טובים והלומד ואינו עושה3 נוח לו שתהפך שלייתו4 ע״פ.
certamente os atos de bondade são entendidos em seu sentido efetivo e literal, pois “o propósito da sabedoria é teshuvá e boas ações”, e “aquele que estuda e não pratica, melhor lhe teria sido que sua placenta lhe tivesse sido virada sobre o rosto”.
Ali, os atos de bondade são entendidos literalmente, pois “o propósito da sabedoria é teshuvá e boas ações” (Berachos 17a), e o Talmud de Jerusalém diz que seria melhor para quem estuda sem praticar nunca ter nascido, com a placenta virada sobre o rosto.
אמנם באמת גם עיון תפלה5 הוא בכלל גמ״ח [גמילות חסדים] כדאיתא בגמ׳ [בגמרא] ופרש״י [ופירש רש״י / ופירוש רש״י] בשבת דקכ״ז (ועמ״ש בד״ה וכל בניך למודי67 ה׳ בענין בניך ובוניך):8
Contudo, na verdade, a concentração na oração (iyun tefilá) também está incluída nos atos de bondade, conforme consta na Guemará e Rashi explica em [tratado] Shabat, fólio 127. (E veja o que está escrito no discurso que começa com “E todos os teus filhos serão ensinados por D'us”, a respeito de “teus filhos” [e] “teus construtores”.)
No entanto, o Talmud em Shabat (127a), conforme Rashi o explica, inclui a concentração na oração entre as coisas que pertencem aos atos de bondade. Assim, a oração também é a parceira necessária do estudo da Torá. O parêntese remete ao discurso de Likkutei Torah sobre “E todos os teus filhos serão ensinados por D'us”, com a interpretação dos Sábios de “teus filhos” (banayich) como “teus construtores” (bonayich).
O parágrafo concilia a expressão dos Sábios “Torá e atos de bondade” com a afirmação do maamar de que o estudo da Torá precisa ser precedido pela oração: a oração concentrada é, ela própria, considerada entre os atos de bondade, embora também sejam necessários atos de bondade em seu sentido literal.
O discurso de Likkutei Torah sobre “E todos os teus filhos” parte do ensinamento dos Sábios de que os estudiosos da Torá aumentam a paz no mundo, interpretado a partir de “não leias ‘teus filhos’, mas ‘teus construtores’”, e pergunta por que é necessária essa releitura.
Marei mekomot
- 1אם ישים אליו לבו · Job 34:14
- 2אלא תורה וגמ״ח · ראה הערת כ״ק אדמו״ר בסה״מ תש״ח ע׳ 266.
- 3והלומד ואינו עושה · ירוש׳ פ״א דשבת ה״ב יעו״ש. [כ].
- 4והלומד ואינו עושה נוח לו שתהפך שלייתו · Jerusalem Talmud Shabbat 1:2
- 5עיון תפלה · Shabbat 127a:14
- 6בד״ה וכל בניך למודי ה׳ · לקו״ת ראה כט, א ואילך.
- 7וכל בניך למודי ה׳ · Isaiah 54:13
- 8תכלית חכ׳ תשובה · Berakhot 17a:11
Torá revelada e Cabalá ¶17–22
17ד והנה מכ״ז [מכל זה] יובן שמעלה ומדרגה זו שבעסק התורה ששכל האדם העוסק בתורה מתקשר ומתאחד בחכמתו ית׳.
4. Ora, de tudo isso se compreenderá esta virtude e este grau do estudo da Torá: o intelecto da pessoa que se ocupa da Torá fica ligado e unido à Sua sabedoria, bendito seja Ele,
A seção 4 tira uma conclusão adicional de tudo o que foi dito: o poder especial do estudo da Torá é que a mente de quem estuda se liga e se torna uma só com a sabedoria de D'us.
ועי״ז נכלל עצמיות הנפש באור א״ס [אין סוף] ב״ה המלובש בחכמתו ית׳ זהו דייקא בעסק התורה הנגלות לנו שהם שיתא סדרי משנה המדברים מכשר ופסול טמא וטהור וחייב וזכאי כו׳
e, por meio disso, a própria essência da alma fica incluída na Luz Infinita (Or Ein Sof), bendito seja Ele, que está revestida em Sua sabedoria, bendito seja Ele. Isso ocorre especificamente no estudo das [partes da] Torá que nos são reveladas, isto é, as seis ordens da Mishná, que tratam do que é apto e impróprio, impuro e puro, obrigado e isento, etc.
Por meio disso, a essência da alma é absorvida na Luz Infinita, revestida na sabedoria de D'us. Isso ocorre especificamente na Torá revelada, as seis ordens da Mishná, que determinam o que é apto ou impróprio, puro ou impuro, obrigado ou isento.
לפי שהם נתלבשו בעשיה ר״ל [רוצה לומר] שחכמתו יתברך שבאצי׳ [שבאצילות] שבתוכה אור א״ס [אין סוף] ב״ה1 נסעה וירדה עד2
Pois elas estão revestidas em Assiá; isto é, Sua sabedoria, bendito seja Ele, em Atsilut, dentro da qual está a Luz Infinita, bendito seja Ele, viajou e desceu até
A razão é que essas leis estão revestidas no mundo da ação. A sabedoria de D'us em Atsilut, com a Luz Infinita dentro dela, “viajou e desceu” passo a passo.
שנתלבשה בדברים גשמיים שבעניני עוה״ז [עולם הזה] בכדי שהאדם הלומד ההלכה יהיה שכלו משיג ותופס מהות ועצמיות החכמה שבההלכה מכיון שמדברת בענינים גשמיים שמהותן מושג.
revestir-se em coisas físicas, nos assuntos deste mundo, para que o intelecto da pessoa que estuda a lei possa apreender e captar a essência e o próprio ser da sabedoria contida na lei, uma vez que ela trata de assuntos físicos, cuja essência é apreensível.
Ela desceu até revestir-se em coisas físicas deste mundo, para que a pessoa que estuda a lei possa apreender a própria essência da sabedoria nela contida, pois ela trata de assuntos físicos, cuja essência a mente humana pode apreender.
A união plena da mente com a sabedoria de D'us e, por meio dela, da alma com a Luz Infinita, é alcançada na Torá revelada, pois nela a sabedoria de D'us desceu até assuntos físicos que a mente pode apreender de fato.
Marei mekomot
- 1שבתוכה אור א״ס ב״ה · במים רבים שם (ע׳ ריב) ליתא תיבות אלו.
- 2נסעה וירדה עד · שם: נסעה וירדה כנ״ל בחכ׳ דבי״ע עד.
18ולכן נעשה התקשרות ויחוד אמיתי שכל האדם בחכמה שבההלכה וכיון שהיא חכמתו ית׳ ממש המיוחדת במאציל׳ [במאצילה] א״ס [אין סוף] ב״ה רק שנתלבשה בלבושי׳ [בלבושין / בלבושים] כו׳
Portanto, dá-se uma verdadeira união e ligação do intelecto da pessoa com a sabedoria contida na lei. E, visto que ela é, de fato, a sabedoria Dele, bendito seja, unida ao seu Emanador, o Infinito (Ein Sof), bendito seja, apenas revestida em vestimentas etc.,
Assim, a mente de quem estuda une-se verdadeiramente à sabedoria contida na lei. E essa sabedoria é a própria sabedoria de D'us, una com o Infinito, apenas revestida em vestimentas.
ע״כ [על כן] עי״ז נעשה ג״כ היחוד העליון שעצמיות נשמתו נכללת בעצמות אור א״ס [אין סוף] המלובש בח״ע [בחכמה עילאה] המלובשת בהלכה זו.
por isso, por meio disso, dá-se também a união superior: a própria essência de sua alma é incluída na própria essência da Luz Infinita (Or Ein Sof), revestida na Chochmá sublime, que por sua vez está revestida nesta lei.
Por conseguinte, dá-se a união superior: a essência da alma é absorvida na essência da Luz Infinita, revestida na Chochmá sublime, que, por sua vez, está revestida nesta lei.
אבל בלימוד חכמת הקבלה1 הואיל שחכמתו ית׳ שבענינים אלו מלובשת בעניינים רוחניים כמו בתיקון פרצופי האצי׳ [האצילות] או בבי״ע [בבריאה יצירה עשיה] בבריאת שרפים וחיות2 כו׳ נשמות ומלאכים ג״ע [גן עדן] העליון וג״ע [וגן עדן] התחתון כו׳
Mas, no estudo da sabedoria da Cabalá, visto que a sabedoria Dele, bendito seja, nesses assuntos está revestida em assuntos espirituais, como na organização (tikun) dos partzufim de Atsilut, ou, em Beriá, Yetsirá e Assiá, na criação de serafins e chayot etc., almas e anjos, o Gan Eden superior e o Gan Eden inferior etc.,
A Cabalá é diferente. Nela, a sabedoria de D'us está revestida em temas espirituais: a organização dos partzufim (os “semblantes”, configurações das Sefirot) de Atsilut e, nos mundos inferiores, a criação de anjos como serafins e chayot, de almas e do Gan Eden superior e inferior.
הרי האדם הלומד זה דהיינו ידיעת סדר ההשתלשלות שבע״ח [שבעץ חיים] אין יד שכלו משיג מהות חכמה זו ששכל האדם אינו משיג המהות רק בעשיה ולא מהות הרוחניות איך ומה הוא רק מציאותו,
a pessoa que estuda isso, isto é, o conhecimento da ordem da cadeia descendente dos mundos (hishtalshelut) em Etz Chaim, não consegue apreender com seu intelecto a essência dessa sabedoria; pois o intelecto humano apreende a essência somente em Assiá, e não a essência do espiritual — como e o que ele é —, mas apenas sua existência.
Quem estuda isso, a ordem dos mundos tal como descrita em Etz Chaim, não consegue apreender a essência dessa sabedoria. A mente humana apreende o que uma coisa é apenas no mundo físico; das coisas espirituais, pode saber somente que existem, não como ou o que são.
ולכן כשחכמתו ית׳ מלובשת בעשיה משיג מהותם ממש כמו בד׳ רשוית לשבת משיג היטב מהות רה״י [רשות היחיד] ומהות רה״ר [רשות הרבים].
Portanto, quando a sabedoria Dele, bendito seja, está revestida em Assiá, ele apreende sua essência propriamente dita; por exemplo, quanto aos quatro domínios de Shabat, apreende bem a essência do domínio privado e a essência do domínio público.
Assim, quando a sabedoria de D'us está revestida em assuntos físicos, a mente os apreende plenamente: nas leis de Shabat, por exemplo, compreende exatamente o que é um domínio privado e o que é um domínio público.
משא״כ כשהחכמה מדברת בענינים רוחניים שאין מהותן מושג כלל היינו בלימוד הקבלה אין שכלו תופס ומשיג ומתקשר כ״כ [כל כך] במהות חכמתו ית׳.
Ao contrário, quando a sabedoria trata de assuntos espirituais, cuja essência não pode ser apreendida de modo algum — isto é, no estudo da Cabalá —, seu intelecto não apreende, não compreende nem se liga tanto à essência da sabedoria Dele, bendito seja,
Mas, quando a sabedoria trata de assuntos espirituais, como na Cabalá, cuja essência não pode ser apreendida de modo algum, a mente não apreende a essência da sabedoria de D'us da mesma maneira.
רק במציאות׳ [במציאותה] ולא במהות׳ [במהותה] ואין זה יחוד והתקשרות כמו בנגלה ששכל האדם תופס ומשיג מהות חכמתו ית׳ ולא מציאותה לבד.
mas apenas sua existência, e não sua essência. E isso não é uma união e ligação como [aquela] na Torá revelada, na qual o intelecto da pessoa apreende e compreende a essência da sabedoria Dele, bendito seja, e não somente sua existência.
Ela alcança apenas a existência dessa sabedoria, não sua essência. Portanto, a união não é como a união na Torá revelada, na qual a mente apreende a própria essência da sabedoria de D'us.
O parágrafo explica por que a Torá revelada proporciona uma união mais plena do que a Cabalá: na lei relativa ao mundo físico, a mente apreende a própria essência da sabedoria de D'us, enquanto nos assuntos espirituais pode saber apenas que ela existe.
Marei mekomot
- 1המלובשת — חכמת הקבלה · במים רבים שם: חכמת הקבלה עד״מ.
- 2בבריאת שרפים וחיות · במים רבים שם: בבחי׳ שרפים וחיות. ובסה״מ תרל״ו ח״ב (הנחות כ״ק אדמו״ר מוהרש״ב נ״ע) ע׳ תקיז: אפי׳ בבריאה כמו בשרפי׳ חיות ואופנים. וראה להלן ה, ג שו״ה ית׳.
19ולכן עי״ז דוקא נעשה ג״כ התכללות עצמיות נשמתו באור א״ס [אין סוף] המלובש בחכמתו יתברך שהשיג מהותה ממש.
Portanto, é especificamente por meio disso que também se dá a inclusão do próprio ser de sua alma na Luz Infinita (Or Ein Sof), que está revestida em Sua sabedoria, bendito seja Ele, cuja essência mesma ele apreendeu,
É por isso que é especificamente por meio da Torá revelada que a essência da alma é absorvida na Luz Infinita revestida na sabedoria de D'us, cuja essência o estudioso apreendeu verdadeiramente.
שבתוכה א״ס [אין סוף] ב״ה. משא״כ בלימוד ידיעת סדר ההשתלשלות שהשיג רק מציאות מחכמתו ית׳ ולא המהות ממש.
dentro da qual está o Infinito (Ein Sof), bendito seja Ele; o que não ocorre no estudo do conhecimento da ordem da cadeia descendente dos mundos (hishtalshelut), em que ele apreendeu apenas a existência de Sua sabedoria, bendito seja Ele, e não a essência mesma.
O Infinito está dentro dessa sabedoria. Em contrapartida, ao estudar a ordem dos mundos, o estudioso apreende apenas a existência da sabedoria de D'us, não sua essência.
A conclusão: a essência da alma se une a D'us por meio da sabedoria que se apreende verdadeiramente, isto é, a lei revelada, mais do que por meio do conhecimento cabalístico dos mundos.
20וזהו מ״ש בפע״ח [בפרי עץ חיים] דקבלה1 היא באצילות ותלמוד הוא בבריאה ומשנה ביצי׳ [ביצירה] ומקרא הוא בעשי׳ [בעשיה].2 דלכאורה תמוה שהרי משנה ותלמוד הן תשבע״פ [תורה שבעל פה] ודאי כולם נמשכו מחכמה דאצי׳ [דאצילות] וכ״ש [וכל שכן] המקרא תשב״כ [תורה שבכתב],
E isto é o que está escrito em Pri Etz Chaim: a Cabalá está em Atsilut, o Talmud em Beriá, a Mishná em Yetsirá e a Escritura em Assiá. À primeira vista, isso é intrigante: pois a Mishná e o Talmud são a Torá Oral, [e] certamente ambos derivam da Chochmá de Atsilut; com muito mais razão a Escritura, a Torá Escrita.
Apoio em Pri Etz Chaim, que atribui cada modalidade de estudo da Torá a um mundo: a Cabalá a Atsilut, o Talmud a Beriá, a Mishná a Yetsirá e a Escritura a Assiá. Isso é intrigante, pois toda a Torá, tanto a Escrita quanto a Oral, provém da Chochmá de Atsilut.
אלא דר״ל [דרוצה לומר] בבחי׳ ההתלבשות שבמקרא נתלבשה ח״ע [חכמה עילאה] גם בעשי׳ [בעשיה] שעיקר הקפידא הוא על תמונת האותיות ושיהיה הקלף כדין כו׳ ובתגין שבהם נרמזו רזין דאורייתא3 שלא יוכלו להתלבש בדיבור
A explicação é que isso se refere ao nível de vestimenta: na Escritura, a Chochmá suprema revestiu-se também em Assiá, pois a exigência principal diz respeito à forma das letras e a que o pergaminho esteja de acordo com a lei, etc., bem como às coroas (tagin), nas quais estão aludidos os segredos da Torá, que não poderiam revestir-se na fala
A resposta: essa atribuição descreve onde cada modalidade está revestida. A Escritura está revestida até mesmo no mundo da ação, pois suas leis essenciais dizem respeito à forma física das letras, à validade do pergaminho e às coroas (tagin) sobre as letras, que aludem a segredos da Torá que não poderiam ser expressos em palavras.
אלא ע״י עשי׳ [עשיה] כמו לחכימא ברמיזא4 כו׳ ומשנה ותלמוד הן נתלבשו ביצי׳ [ביצירה] ובריאה שהוא בחי׳ אותיות הדבור והחכמה שבהן.
mas somente por meio da ação (Assiá), como em “para o sábio, um sinal”, etc. A Mishná e o Talmud, por sua vez, revestiram-se em Yetsirá e Beriá, que correspondem ao nível das letras da fala e à sabedoria nelas contida.
Esses segredos só poderiam ser transmitidos por meio de uma forma física, como um sinal para o sábio. A Mishná e o Talmud estão revestidos em Yetsirá e Beriá, que correspondem às letras da fala e à sabedoria expressa por elas.
משא״כ קבלה היא באצי׳ [באצילות] דהיינו שאין מהות חכמה זו מושגת למטה כיון שלא נתלבשה בבריאה ויצי׳ [ויצירה] כמו משנה ותלמוד.
A Cabalá, em contrapartida, está em Atsilut; isto é, a essência desta sabedoria não é apreendida abaixo, pois ela não se revestiu em Beriá e Yetsirá como a Mishná e o Talmud.
A Cabalá “está em Atsilut”: sua sabedoria não desceu a Beriá e Yetsirá, os mundos da compreensão e da fala, como aconteceu com a Mishná e o Talmud; por isso, sua essência não é apreendida abaixo.
לכן אין מושג רק מציאותה ולא מהותה משא״כ משנה ותלמוד מושג מהות חכמתו ית׳ שבהן.
Portanto, apreende-se apenas sua existência, e não sua essência; ao passo que, na Mishná e no Talmud, apreende-se a essência da sabedoria Dele, bendito seja, que neles está.
Assim, na Cabalá apreende-se apenas a existência da sabedoria, ao passo que, na Mishná e no Talmud, apreende-se a essência da sabedoria de D'us que neles está.
A correspondência de Pri Etz Chaim entre Cabalá, Talmud, Mishná e Escritura e os quatro mundos é entendida como uma descrição de até que ponto cada modalidade desceu e, portanto, de quanto de sua essência pode ser apreendido abaixo.
A nota de Kehot indica que a passagem de Pri Etz Chaim se encontra no Portão da Conduta do Estudo (Sha’ar Hanhagas HaLimud).
Marei mekomot
- 1וזהו מ״ש בפע״ח דקבלה · מכאן עד להלן ה, ב שו״ה ע״ש, ליתא במים רבים שם.
- 2בפע״ח דקבלה היא באצילות . . בעשי׳ · שער הנהגת הלימוד.
- 3ובתגין שבהם נרמזו רזין דאורייתא · ראה לקו״ש חי״ט ע׳ 423 הערה 32. חל״ט ע׳ 149 הערה 34.
- 4לחכימא ברמיזא · Zohar I, 26b
21וזהו ענין משנה ביצירה כו׳ שעי״ז מושג מהותן. אך להבין לפ״ז [לפי זה] תוכן ענין לימוד פנימית התורה
E este é o sentido de “Mishná em Yetsirá” etc.: por meio disso, sua essência é apreendida. Mas, de acordo com isso, é preciso compreender o conteúdo do estudo da dimensão interior (pnimiyut) da Torá,
“Mishná em Yetsirá” significa que, por meio da descida da Mishná à fala, sua essência pode ser apreendida. Isso suscita uma pergunta sobre o estudo da dimensão interior da Torá, a Cabalá.
שהאריכו בזהר ותיקונים ובע״ח [ובעץ חיים] בחיוב לימוד זה1 וכמ״ש ג״כ בספר ראשית חכמה בהקדמה ובשל״ה [ובשני לוחות הברית] במסכת שבועות שלו בפרק נר מצוה הפליג מאד במעלת לימוד זה.
pois no Zohar, nos Tikkunim e em Etz Chaim discorreram longamente sobre a obrigação desse estudo, como também está escrito no livro Reishit Chochmá, na introdução; e o Shelah, em seu Tratado de Shavuot, no capítulo Ner Mitzvá, exaltou sobremaneira a virtude desse estudo.
O Zohar, os Tikkunei Zohar e Etz Chaim insistem na obrigação de estudá-la, e Reishit Chochmá, em sua introdução, e o Shelah, em seu Tratado de Shavuot, capítulo Ner Mitzvá, elogiam-na grandemente; o que, então, esse estudo alcança?
Tendo situado a Torá revelada acima da Cabalá quanto à união que ela alcança, o maamar pergunta por que os cabalistas tanto insistem no estudo da Torá interior.
Marei mekomot
- 1לימוד פנימיות התורה . . בחיוב לימוד זה · ראה גם סה״מ תקס״ה ע׳ ד (ובהנסמן שם).
22ויובן ענין זה בהקדים תחלה ענין שליש במקרא. כי הנה ענין הלימוד במקרא אינו ע״ד [על דרך]
Esta questão será compreendida introduzindo primeiro o tema de “um terço em Escritura”. Pois o estudo da Escritura não se dá da mesma maneira que
A resposta começa com a instrução do Talmud de dedicar “um terço” do estudo à Escritura. O estudo da Escritura é diferente em sua natureza.
לימוד משנה ותלמוד שהעיקר הוא להשיג החכמה שבהן שעי״ז יתקשר שכל האדם בחכמה זו שבתורה כו׳ אלא דצריך ג״כ להוציא הדברים בדיבור פה דוקא
o estudo da Mishná e do Talmud, em que o principal é apreender a sabedoria contida neles, para que, por meio disso, o intelecto da pessoa se ligue a essa sabedoria da Torá etc.; contudo, também é necessário expressar as palavras especificamente pela fala da boca;
Na Mishná e no Talmud, o principal é apreender a sabedoria, de modo que a mente se ligue à sabedoria da Torá; as palavras também devem ser pronunciadas em voz alta.
אבל מ״מ [מכל מקום] אם אומר ההלכה ואינו מבין אינו נחשב לו ללימוד כלל כמ״ש במ״א סי׳ נ׳, משא״כ בעסק המקרא ותשב״כ [ותורה שבכתב] אם מוציא בשפתיו אע״פ [אף על פי] שאינו מבין אפי׳ [אפילו] פי׳ המלות מפני
mas, apesar disso, se alguém recita a lei e não a compreende [ela], isso não lhe é considerado estudo de modo algum, como está escrito no Magen Avraham, seção 50. Já no estudo da Escritura e da Torá Escrita, se alguém a pronuncia com os lábios, mesmo sem compreender sequer o significado das palavras, por ser
Recitar uma lei sem compreendê-la não conta de modo algum como estudo (como determina o Magen Avraham, seção 50). Com a Escritura, a Torá Escrita, é diferente, como explicam as palavras seguintes.
שהוא ע״ז [על זה] ה״ז [הרי זה] מקיים מצות ולמדתם, שלפיכך כל ע״ה [עם הארץ] מברך ברכת התורה בשחר לפני הפסוקים
ignorante, cumpre assim a mitsvá de “e as estudareis”. Por isso, toda pessoa ignorante recita a bênção sobre a Torá pela manhã antes dos versículos,
Mesmo quem não compreende as palavras por ser ignorante cumpre a mitsvá do estudo da Torá ao pronunciá-las. Por isso, toda pessoa ignorante recita a bênção sobre a Torá pela manhã antes de recitar os versículos.
וכן כשעולה לס״ת [לספר תורה], וכ״כ [וכמו כן] בפרדס שכ״ז [שכל זה] פ״א1 גבי לימוד המקרא שגם מי שלא יבין לחבר התיבות גם הוא אם יעסוק בו יומם ולילה שכרו אתו ופעולתו לפניו כו׳,
e igualmente quando é chamada para a leitura da Torá. E assim está escrito no Pardes, Portão 27, capítulo 1, a respeito do estudo da Escritura: mesmo quem não compreende como juntar as palavras, se também se dedicar a ela dia e noite, “sua recompensa está com ele e sua retribuição diante dele” etc.;
Ele também diz isso quando é chamado para a leitura da Torá. Pardes Rimonim (Portão 27, capítulo 1) também afirma que mesmo quem não consegue juntar as palavras, se se dedica à Escritura dia e noite, recebe plenamente sua recompensa.
ואדרבה כתב והלומד בתורה לדעת כמי שלומד בספר זכרונות כו׳ הלואי שלא יפסיד כו׳ ע״ש [עיין שם].
e, pelo contrário, escreveu: “E aquele que estuda a Torá [somente] para saber, como quem estuda por um livro de crônicas etc., oxalá não venha a perder” etc.; veja ali.
Pelo contrário, acrescenta o Pardes, aquele que estuda a Torá apenas para obter informação, como quem lê um livro de história, pode acabar perdendo por isso.
O estudo da Escritura é uma mitsvá por meio das próprias palavras, mesmo sem compreendê-las, ao contrário da Mishná e do Talmud, cujo estudo requer apreender sua sabedoria. Isso prepara a resposta sobre o estudo da Torá interior.
Marei mekomot
- 1בפרדס שכ״ז פ״א · ולהעיר מפמ״ג שם. — לקו״ש שם.
Escritura, Torá interior e os terços do estudo ¶23–30
23והענין כי הנה מה שבא מהתשב״כ [מהתורה שבכתב] בהתגלות בתשבע״פ [בתורה שבעל פה] דהיינו ידיעת איך ומה לעשות הציצית והתפילין כו׳
A explicação é a seguinte. Aquilo que da Torá Escrita vem à revelação na Torá Oral, a saber, o conhecimento de como e o que fazer [com] os tsitsit e os tefilin etc.,
Começa aqui a explicação do estudo da Escritura. A Torá Escrita menciona mitsvot como tsitsit e tefilin; como confeccioná-los e usá-los é revelado somente na Torá Oral.
עד״מ [על דרך משל], זהו התלבשות אור א״ס [אין סוף] בבחי׳ חכמה וח״ע [וחכמה עילאה] נתלבשה בח״ת [בחכמה תתאה] עד שנתלבשה בחכמה דבריאה יצירה ומשם נתלבשה בהלכות דתשבע״פ [דתורה שבעל פה] עד שנתלבשה החכמה להיות מושג ונתפס בשכל אנושי.
por exemplo, isso é o revestimento da Luz Infinita (Or Ein Sof) no nível de Chochmá (sabedoria): a Chochmá superna revestiu-se na Chochmá inferior, até revestir-se na Chochmá de Beriá [e] Yetsirá; de lá, revestiu-se nas leis da Torá Oral, até que a sabedoria se revestiu de modo a poder ser apreendida e captada pelo intelecto humano.
Essa revelação segue o percurso delineado acima: a Luz Infinita reveste-se na Chochmá superna, que desce através da Chochmá inferior e da sabedoria dos mundos de Beriá e Yetsirá até as leis da Torá Oral, onde a mente humana pode apreendê-la.
אמנם יש בתורה דברים שלא ניתנו להתלבש למטה בחכמה ושכל כלל וכמו ויוסף הורד מצרימה1 ויקנהו פוטיפר,
No entanto, há coisas na Torá que não foram destinadas a revestir-se abaixo em sabedoria e intelecto de modo algum, como: “E Yossef foi levado para o Egito, e Potifar o comprou”.
Mas algumas partes da Torá nunca foram destinadas a revestir-se numa sabedoria que a mente possa apreender. Um exemplo é a narrativa literal: “E Yossef foi levado para o Egito, e Potifar o comprou” (Gênesis 39:1).
(ועיין בפ׳ המשניות להרמב״ם [להרבי משה בן מימון] פרק חלק2 וז״ל [וזה לשונו] ואין הפרש בין ובני חם כוש3 ומצרים. ושם אשתו מהיטבאל.45 ותמנע היתה פלגש.67 ובין אנכי8 ה׳ אלקיך. ושמע ישראל9 כי הכל מפי הגבורה),
(E veja o Comentário do Rambam sobre a Mishná, capítulo Chelek; estas são suas palavras: “E não há diferença entre ‘E os filhos de Cham: Kush e Mitsráyim’, ‘O nome de sua esposa era Mehetavel’, ‘E Timná era concubina’, e ‘Eu sou Havayá, teu D'us’ e ‘Ouve, ó Israel’; pois tudo procede da boca do Todo-Poderoso”.)
O Rambam, em seu Oitavo Princípio da Fé (em seu comentário ao capítulo Chelek do tratado Sanhedrin), afirma que não há diferença de santidade entre genealogias e relatos simples, como “os filhos de Cham” ou “Timná era concubina”, e “Eu sou Havayá, teu D'us” ou o Shemá: tudo foi transmitido por D'us.
שבחי׳ ההמשכה מאור א״ס [אין סוף] המרומז באותיות אלו וספור זה לא יוכל להתלבש כלל בחכמה ושכל.
Pois o nível do influxo da Luz Infinita aludido nestas letras e nesta narrativa não pode revestir-se de modo algum em sabedoria e intelecto.
A luz divina que essas letras e narrativas carregam não pode ser expressa em termos de sabedoria e intelecto.
ולכן ההמשכה היא רק ע״י האותיות והפסוקים בלבד כי נעוץ סופן בתחלתן10 כו׳, ולכן גם מה שלא נתלבש בחכמה דהיינו שהוא מבחי׳ כתר שלמעלה מהחכמה
Portanto, o influxo ocorre somente por meio das letras e dos versículos, pois “seu fim está encravado em seu princípio” etc. Portanto, mesmo aquilo que não se revestiu em Chochmá, isto é, aquilo que provém do nível de Kéter (a Coroa), que está acima de Chochmá,
Assim, o influxo é atraído somente por meio das próprias letras e dos versículos. Sefer Yetsirá diz a respeito das Sefirot que “seu fim está encravado em seu princípio”: o nível mais baixo, as letras em si, está ligado ao mais elevado, Kéter, que está acima de Chochmá.
(כי אורייתא מחכמה נפקת.1112 נפקת דייקא שהתגלותה הוא מבחי׳ חכמה אבל שרשה בעצם למעלה מהחכמה וכמ״ש לעיל בד״ה ויקרא אל משה,
(pois “a Torá provém de Chochmá”: “provém” especificamente, isto é, sua revelação vem do nível de Chochmá, mas sua raiz em essência está acima de Chochmá, como está escrito acima no maamar que começa “E Ele chamou Moshê”;
Um parêntese: o Zohar diz: “a Torá provém de Chochmá”. O Alter Rebe enfatiza “provém”: a Torá é revelada a partir de Chochmá, mas sua raiz está acima de Chochmá, como explicado no maamar “E Ele chamou Moshê”, anteriormente em Likkutei Torah.
ולכן מה שנתלבש ממנה בבחי׳ חכמה הוא רק הארה ע״י שערות וצמצומים כי אבא יונק ממזלא כו׳ אבל עצם האור שבכתר לא יוכל להתלבש בחכמה).
e, portanto, aquilo dela que se revestiu no nível de Chochmá é apenas um raio de luz, por meio de “cabelos” e contrações, pois “Abá recebe sustento do mazal” etc.; mas a essência da luz em Kéter não pode revestir-se em Chochmá),
Aquilo da Torá que se reveste em Chochmá é apenas um raio estreito, transmitido por meio de “cabelos” e contrações, como ensina a Cabalá: “Abá (Chochmá) recebe sustento do mazal” (um canal que vem de Kéter). A essência da luz em Kéter não pode revestir-se em Chochmá.
ואעפ״כ [ואף על פי כן] נמשך הוא ג״כ ע״י האותיות שבתשב״כ [שבתורה שבכתב] ולכן נקרא מקרא שקורא וממשיך התגלות אור א״ס [אין סוף] ע״י האותיות אף שאינו משיג כלל,13 ועמ״ש מענין אותיות התורה איך ששרשן למעלה מהחכמה בד״ה נר חנוכה כו׳
Não obstante, também ele é atraído por meio das letras da Torá Escrita. Por isso ela é chamada Mikrá (Escritura), pois se chama e atrai a revelação da Luz Infinita por meio das letras, embora não se compreenda nada. Veja também o que está escrito sobre as letras da Torá, cujo enraizamento está acima de Chochmá, no discurso que começa “A lâmpada de Chanucá” etc.,
Ainda assim, aquela luz mais elevada também é atraída por meio das letras da Torá Escrita. Por isso a Escritura é chamada Mikrá, de *kara*, “chamar”: o leitor chama a luz por meio das letras, mesmo sem compreendê-las. O texto se refere ao discurso sobre Chanucá, que trata do enraizamento das letras da Torá acima de Chochmá.
כדי שתהא מזוזה מימין14 כו׳ ע״ש [עיין שם] וסד״ה צאינה וראינה גבי בעטרה שעטרה15 שהעטרה נעשה מאבנים טובות הוא בחי׳ אותיות התורה,
“para que a mezuzá fique à direita” etc.; veja ali; e, no final do discurso que começa “Saí e vede”, a respeito de “com a coroa com que [sua mãe] o coroou”, a coroa, feita de pedras preciosas, corresponde ao nível das letras da Torá.
Esse discurso trata da regra talmúdica de que a lâmpada de Chanucá é colocada à esquerda, “para que a mezuzá fique à direita”. O texto também se refere ao discurso “Saí e vede” (Cântico dos Cânticos 3:11), que explica “a coroa com que sua mãe o coroou”, feita de pedras preciosas, como as letras da Torá.
(וכמארז״ל [וכמאמר רבותינו זכרונם לברכה] כל התורה שמותיו של הקב״ה [הקדוש ברוך הוא]. ועד״ז [ועל דרך זה] יובן16 מארז״ל [מאמר רבותינו זכרונם לברכה] יפה שיחתן של עבדי אבות מתורתן של בנים17 כו׳ כי הן המשכות ממקור התורה
(Como disseram nossos Sábios, de abençoada memória: “Toda a Torá são nomes do Santo, bendito seja Ele.” E, com isso, compreender-se-á o dito de nossos Sábios, de abençoada memória: “A conversa dos servos dos Patriarcas é mais bela que a Torá dos filhos” etc.; pois aquelas são emanações da fonte da Torá
Outro trecho entre parênteses: “Toda a Torá são nomes do Santo”, de modo que suas letras carregam Sua luz, independentemente de seu sentido simples. Isso explica o Midrash segundo o qual “a conversa dos servos dos Patriarcas é mais bela que a Torá dos filhos”, pois essas narrativas emanam da fonte da Torá.
כמו שהוא עדיין למעלה מבחינת חכמה, וע״כ [ועל כן] האריכה התורה הרבה בסיפור מעשה דאליעזר עבד אברהם כו׳ יותר מבכמה גופי תורה מתורתן של בנים כו׳.
tal como ela ainda está acima do nível de Chochmá. Por isso, a Torá se estendeu bastante no relato do episódio de Eliezer, servo de Avraham etc., mais do que em muitos fundamentos da Torá que fazem parte da “Torá dos filhos” etc.
Essas narrativas vêm da fonte da Torá tal como ela está acima de Chochmá. Por isso, a Torá conta longamente a história de Eliezer, servo de Avraham, mais do que muitas leis fundamentais, que constituem a “Torá dos filhos”.
ועד״ז [ועל דרך זה] הוא ענין סיפור ויוסף הורד מצרימה כו׳ כנ״ל. והמשכה זו הוא ע״י האותיות דוקא. ולכן אף ע״ה [עם הארץ] שאינו מבין פי׳ המלות ממשיך משא״כ בתשבע״פ [בתורה שבעל פה] שנתלבשה בחכמה לכך כשאינו מבין אינו ממשיך
Do mesmo modo, é o caso do relato “E Yosef foi levado ao Egito” etc., como mencionado acima. Essa emanação se dá especificamente por meio das letras. Portanto, mesmo uma pessoa inculta, que não entende o significado das palavras, atrai [essa luz]. Já na Torá Oral, que está revestida de Chochmá, quando não entende, não atrai.
O relato de Yosef descendo ao Egito segue o mesmo princípio. Essa luz é atraída somente por meio das letras; assim, mesmo uma pessoa inculta, que não compreende as palavras, atrai-a. Na Torá Oral, que está revestida de Chochmá, sem compreensão nada é atraído.
אבל בתשב״כ [בתורה שבכתב] ממשיך אף שאינו מבין ואינו תלוי כ״כ [כל כך] בהבנת הפי׳ יען מקור המשכה זו הוא מלמעלה מהחכמה כו׳ והיינו ע״י האותיות ולכן נק׳ תשב״כ [תורה שבכתב] מקרא שקוראים וממשיכים ע״י האותיות ועמ״ש מענין מקרא סד״ה ענין ק״ש [קריאת שמע]).
Mas, na Torá Escrita, a pessoa atrai mesmo sem compreender, e isso não depende tanto da compreensão do significado, porque a fonte dessa emanação está acima de Chochmá etc.; ela se dá por meio das letras. Por isso a Torá Escrita é chamada Mikrá, pois se chama e se atrai por meio das letras. Veja também o que está escrito sobre Mikrá, no final do discurso que começa “O significado da recitação do Shemá”.)
Na Torá Escrita, atrai-se a luz mesmo sem compreensão, pois sua fonte está acima de Chochmá e ela vem por meio das letras. Daí o nome Mikrá, “chamar”. O texto se refere ao final do discurso sobre o Shemá, que trata mais detalhadamente de Mikrá.
והנה בכלל לימוד המקרא הוא ג״כ לימוד האגדות שהרי רוב האגדות הם על הפסוקים ומעט מוסר וגם הם אין מושגים ובכלל מקרא יחשב.
Ora, o estudo das Aggadot também está incluído, em geral, no estudo da Escritura, pois a maioria das Aggadot trata dos versículos, e há nelas um pouco de instrução ética; elas também não são compreendidas, e são consideradas parte da Escritura.
As Aggadot, ensinamentos não jurídicos do Talmud e do Midrash, pertencem à Escritura: a maioria comenta versículos, e há nelas também um pouco de instrução ética; elas tampouco são compreendidas em sua essência.
Ora, o estudo da dimensão interior (pnimiyut) da Torá também está incluído, em geral, na Escritura, pois o Midrash do Zohar trata dos versículos da Torá.
A Torá interior, a Cabalá, também pertence à Escritura, pois o Zohar é um Midrash sobre os versículos da Torá. Isso inicia a resposta à questão sobre o estudo da Torá interior.
O parágrafo explica que a Torá Escrita contém uma luz que provém de acima de Chochmá e é atraída somente por meio de suas letras, mesmo sem compreensão; por isso, seu estudo conta também para quem não entende. As Aggadot e a Cabalá são classificadas junto com a Escritura.
Uma nota da Kehot cita o Or HaTorah do Tsemach Tsedek, que usa isso para explicar a afirmação dos Sábios de que estudar a Escritura é “uma medida e não uma medida”: diferentemente da Mishná e do Talmud, nos quais a essência da sabedoria de D'us é apreendida, na Escritura apreendem-se somente as letras, à semelhança de saber que algo existe sem saber o que é, como ocorre na Cabalá. A expressão do Zohar “a Torá provém de Chochmá” aparece em vários lugares, que a nota enumera.
Marei mekomot
- 1ויוסף הורד מצרימה · Genesis 39:1
- 2פרק חלק · ב”היסוד השמיני”.
- 3ובני חם כוש · Genesis 10:6
- 4ושם אשתו מהיטבאל · שם לו, לט.
- 5ושם אשתו מהיטבאל · Genesis 36:39
- 6ותמנע היתה פלגש · שם לו, יב.
- 7ותמנע היתה פלגש · Genesis 36:12
- 8ואין הפרש בין ובני חם כוש ומצרים ושם אשתו מהיטבאל ותמנע היתה פלגש ובין אנכי ה׳ אלקיך ושמע ישראל כי הכל מפי הגבורה · Rambam on Mishnah Sanhedrin 10:1
- 9שמע ישראל · Deuteronomy 6:4
- 10נעוץ סופן בתחלתן · Sefer Yetzirah 1:7
- 11אורייתא מחכמה נפקת · Zohar, Beshalach 28:377–388
- 12אורייתא מחכמה נפקת · Zohar, Yitro 21:378–22:389
- 13מקרא שקורא . . ע״י האותיות אף שאינו משיג כלל · באוה״ת על מארז״ל וענינים ע׳ רצג מציין: ובזה יובן מארז״ל [ב״מ לג, א] העוסקי׳ במקרא מדה ואינה מדה כי לא כמו משנה ותלמוד השגת מהות חכמתו משא״כ במקרא שאין החכמה מושג רק האותיו׳ וזהו כעין השגת המציאו׳ ולא המהות כמו בקבלה. [וראה ד״ה העוסק במקרא בס׳ מאמרי אדה״ז הקצרים ע׳ שנד].
- 14כדי שתהא מזוזה מימין · Shabbat 22a:2
- 15בעטרה שעטרה · Song of Songs 3:11
- 16ובין — הגבורה · במים רבים שם (ע׳ ריג): הגבורה כו׳.
- 17יפה שיחתן של עבדי אבות מתורתן של בנים · Bereshit Rabbah 60:8
- 18אנכי ה׳ אלקיך · Exodus 20:2
- 19אורייתא מחכ׳ נפקת · זח״ב (סב, א. פה, א) וזח״ג (קפב, א). [כ].
24ועוד שגם בלימוד רזין דאורייתא אינו משיג רק המציאות מההשתלשלות ולא המהות. א״כ [אם כן] אינו דומה למשנה ותלמוד
Além disso, mesmo no estudo dos segredos da Torá, apreende-se apenas a existência da cadeia descendente dos mundos (hishtalshelut), e não sua essência. Portanto, não é como a Mishná e o Talmud,
Outra razão pela qual a Torá interior pertence ao âmbito das Escrituras: mesmo ao estudar os segredos da Torá, apreende-se apenas que a cadeia dos mundos existe, não o que ela é. Por isso, ela difere da Mishná e do Talmud.
שמשיג מהות חכמתו ית׳ ובלימוד ההשתלשלות אינו משיג כלל מהות חכמה זו מהו בחי׳ אופנים וחיות ושרפים וכ״ש [וכל שכן] למעלה יותר כו׳. אלא רק ידיעת המציאות.
nos quais se apreende a essência de Sua sabedoria, bendito seja Ele; ao passo que, no estudo da cadeia descendente dos mundos, não se apreende de modo algum a essência dessa sabedoria — o que é o nível dos ofanim, chayot e serafim —, e muito menos [o que está] acima, etc.; apreende-se apenas o conhecimento de [sua] existência.
Na Mishná e no Talmud, apreende-se a essência da sabedoria de D'us. Ao estudar a ordem dos mundos, não se pode apreender o que são realmente os anjos chamados ofanim, chayot e serafim, muito menos qualquer coisa superior; pode-se apenas saber que existem.
O estudo cabalístico proporciona o conhecimento de que os mundos espirituais existem, mas não de sua essência; por isso, assemelha-se ao estudo das Escrituras, e não ao da Mishná e do Talmud.
25ואעפ״כ [ואף על פי כן] דבר גדול הוא מאד כיון דא״א [דאי אפשר] להיות בזה השגת המהות. וה״ז [והרי זה] כמו שבמקרא אע״פ [אף על פי] שא״א [שאי אפשר] להיות ההשגה בבחי׳ חכמה כיון ששרשה למעלה מהחכמה
Ainda assim, é algo muito grandioso, pois é impossível apreender sua essência. Isso se assemelha à Escritura: embora não seja possível compreendê-la no nível de Chochmá, visto que sua raiz está acima de Chochmá,
Ainda assim, saber que esses níveis existem é algo muito grandioso, precisamente porque sua essência não pode ser apreendida. Isso se assemelha à Escritura, que não pode ser compreendida como sabedoria, pois sua raiz está acima de Chochmá.
לכן גם מה שאומר האותיות דבר גדול ועצום הוא אף שאותיות הוא רק בחי׳ האחרונה ונקרא בחי׳ דומם לגבי השכל כו׳. כמ״כ [כמו כן] ידיעת המציאות מהפנימית אע״פ [אף על פי] שאינו משיג כלל המהות דבר גדול הוא עד להפליא.
por isso, até mesmo dizer as letras é algo grandioso e poderoso, embora as letras sejam apenas o nível final e sejam chamadas de nível inanimado em relação ao intelecto, etc. Do mesmo modo, conhecer a existência da dimensão interior, embora não se apreenda de modo algum sua essência, é algo grandioso, verdadeiramente maravilhoso.
Assim como é grandioso simplesmente enunciar as letras da Escritura, embora as letras sejam o nível mais baixo, como o “inanimado” em relação ao intelecto, também é verdadeiramente maravilhoso saber que as realidades interiores existem, sem apreender sua essência.
O estudo da Torá interior é valorizado pela mesma razão que o estudo da Escritura: ele conecta a pessoa àquilo que está além da compreensão.
26ועיין זח״ג [זהר חלק ג] פ׳ אחרי דע״ג א׳ ג׳ דרגין אינון מתקשרין דא בדא,1 ועמ״ש מזה בד״ה כי קרוב אליך הדבר מאד,2
E veja o Zohar, Parte III, Parashat Acharei, fólio 73a: “Três níveis estão ligados uns aos outros.” Veja também o que está escrito a esse respeito no discurso que começa: “Pois a coisa está muito próxima de ti”.
O Zohar diz que três níveis estão ligados entre si: o Santo, a Torá e Israel. O texto se refere ao discurso “Pois a coisa está muito próxima de ti”, em Likkutei Torah.
והנה כיון שהתורה היא הממוצע המקשר ומחבר נש״י [נשמות ישראל] להקב״ה [להקדוש ברוך הוא], והממוצע יש בו שני בחינות סתים וגליא א״כ [אם כן] בחי׳ הפנימיות הנק׳ סתים הוא המקשר ומחבר בחי׳ פנימיות של הנשמה לבחי׳ פנימיות אלהותו ית׳.
Ora, visto que a Torá é o intermediário que vincula e une as almas de Israel ao Santo, bendito seja Ele, e que o intermediário possui dois aspectos, oculto e revelado (satim e galya), então o aspecto interior, chamado oculto, é o que vincula e une o aspecto interior da alma ao aspecto interior de Sua Divindade, bendito seja Ele.
A Torá é o intermediário que vincula as almas de Israel a D'us e, como qualquer intermediário, possui um lado oculto e um lado revelado. Seu lado oculto, a Torá interior, vincula a dimensão interior da alma à dimensão interior de D'us.
Isso apresenta o papel especial da Torá interior: como o lado oculto do intermediário entre Israel e D'us, ela une a alma mais íntima a D'us em Seu aspecto mais íntimo.
O discurso “Pois a coisa está muito próxima de ti” explica que, por meio do estudo da Torá, “quem lê e estuda, o Santo lê e estuda diante dele”: a leitura (da Escritura) corresponde à Chochmá suprema e à Torá Escrita; o estudo (da Torá Oral), à Chochmá inferior; e todas essas emanações da Luz Infinita dependem do estudo da Torá por Israel aqui embaixo.
Marei mekomot
- 1דרגין אינון מתקשרין דא בדא · Zohar, Achrei Mot 49:296–50:305
- 2כי קרוב אליך הדבר מאד · Deuteronomy 30:14
E veja o Zohar, Parte III, Behaalotecha, [fólio] 152a. E veja o que está escrito sobre o versículo “As bondades de D'us, pois não cessamos”, a respeito da existência de dois níveis de Chessed (bondade).
O texto remete ao Zohar em Behaalotecha (3:152a), que chama as narrativas simples da Torá de seu “manto”, sob o qual se encontram seu corpo e sua alma. Também remete ao discurso sobre “As bondades de D'us, pois não cessamos”, que fala de dois níveis de Chessed, um oculto e outro revelado.
ועד״ז [ועל דרך זה] יובן קצת ענין סוכ״ע [סובב כל עלמין] וממכ״ע [וממלא כל עלמין] סתים וגליא כו׳, ועמ״ש בד״ה שובה ישראל2 בענין מ״ש אם יהיה אלקים עמדי3 כו׳
Dessa maneira, compreender-se-á um pouco o assunto da luz que circunda todos os mundos (sovev kol almin) e da luz que preenche todos os mundos (memalê kol almin), oculto e revelado, etc. E veja o que está escrito no discurso que começa “Retorna, ó Israel”, sobre o que está escrito: “Se Elokim estiver comigo”, etc.,
O mesmo par, oculto e revelado, ajuda a explicar os dois modos da luz de D'us: a luz que circunda todos os mundos, que permanece oculta, e a luz que os preenche, que é revelada. O texto remete ao discurso “Retorna, ó Israel”, sobre as palavras de Yaakov: “Se Elokim estiver comigo”.
והיה הוי׳ לי לאלקים,4 ועמ״ש מענין סתים וגליא סד״ה להבין ענין לחם משנה. ועמ״ש מזה בביאור ע״פ לריח שמניך.5
“então Havayá será Elokim para mim”. E veja o que está escrito sobre o assunto do oculto e do revelado ao final do discurso que começa “Para compreender o assunto do pão duplo (lechem mishneh)”; e veja o que está escrito sobre isso na explicação do versículo “Pois o aroma de teus óleos”.
Esse versículo termina com “então Havayá será Elokim para mim”: o Nome transcendente tornando-se o imanente. O texto também remete aos discursos sobre o pão duplo de Shabat e sobre “Pois o aroma de teus óleos” (Cântico dos Cânticos 1:3), que tratam do oculto e do revelado.
(ועוי״ל [ועוד יש לומר] בענין מעלת העסק בפנימיות עפמ״ש [על פי מה שכתוב] באגה״ק [באגרת הקודש] בד״ה להבין מ״ש בפע״ח [בפרי עץ חיים] דלימוד פנימיות כוונת המצות לא גרע מלימוד הלכותיה ואדרבה כו׳ אף שאינו משיג המהות6 עכ״ל [עד כאן לשונו], ור״ל [ורוצה לומר] מפני שהמצוה מושג מהותה
(Pode-se ainda dizer, quanto à virtude de ocupar-se com a dimensão interior (pnimiyut), de acordo com o que está escrito em Iggeret HaKodesh, no discurso que começa “Para compreender o que está escrito em Pri Etz Chaim”, que o estudo da dimensão interior, as intenções das mitsvot, “não é inferior ao estudo de suas leis; pelo contrário, etc., embora não se apreenda a essência”. Fim da citação. Isto é, uma vez que a essência da mitsvá é apreendida,
Um longo parêntese acrescenta outra resposta sobre o valor do estudo da Torá interior. Em Kuntres Acharon do Tanya (que o texto chama de Iggeret HaKodesh), o Alter Rebe escreveu que estudar o significado interior das mitsvot não é inferior a estudar suas leis, mesmo sem apreender sua essência; a razão é que a própria mitsvá é apreendida.
לכן ידיעת סודות המצוה אף שאינו משיג המהות לא גרע כו׳. ואף שכ׳ [שכתב] שם משא״כ בסדר ההשתלשלות אף אם השיג המציאות לא עדיף מצד עצמו כלימוד המצות שמשיג ותופס המהות כו׳.
portanto, o conhecimento dos segredos da mitsvá, embora não se apreenda a essência, não é inferior, etc. E embora ele tenha escrito ali que não é assim com a ordem da cadeia descendente dos mundos (hishtalshelut): mesmo que se tenha apreendido [sua] existência, isso não é, em si, superior ao estudo das mitsvot, no qual se apreende e se capta a essência, etc.,
Como a mitsvá é apreendida, conhecer seus segredos não é inferior, mesmo sem apreender sua essência. O mesmo ensaio diz que conhecer a ordem dos mundos é diferente: saber apenas que existem não é, por si, superior ao estudo das mitsvot, no qual se apreende a essência.
הרי מסיק אח״כ [אחר כך] אלא שידיעת המציאות מההשתלשלות היא ג״כ מצוה רמה ונשאה ואדרבה עולה על כולנה כמ״ש וידעת היום.7 דע את אלקי אביך8 כו׳.
ele conclui depois: “mas o conhecimento da existência da cadeia descendente dos mundos também é uma mitsvá elevada e sublime; pelo contrário, supera todas elas, como está escrito: ‘E saberás neste dia’, [e] ‘Conhece o D'us de teu pai’, etc.,
Ainda assim, o ensaio conclui que saber que a cadeia dos mundos existe é, por si, uma mitsvá elevada, ainda maior que as demais, cumprindo “E saberás neste dia” (Deuteronômio 4:39) e “Conhece o D'us de teu pai” (I Crônicas 28:9).
ומב יאה ללב שלם כו׳ שהוא העיקר. ור״ל [ורוצה לומר] כמ״ש ויצונו ה׳ לעשות את כל החוקים האלה ליראה את ה׳ אלהינו. הרי תכלית התומ״צ [התורה ומצות] הוא לבא ללב שלם שהוא ליראה את ה׳,
e leva a um “coração íntegro”, etc., que é o principal.” Isto é, como está escrito: “E D'us nos ordenou cumprir todos estes estatutos, para temer Havayá, nosso D'us”: portanto, o propósito da Torá e das mitsvot é chegar a um coração íntegro, que é temer a D'us.
Esse conhecimento leva a um “coração íntegro”, que é o principal. O Alter Rebe explica isso pelo versículo “E D'us nos ordenou cumprir todos estes estatutos, para temer Havayá, nosso D'us” (Deuteronômio 6:24): o objetivo da Torá e das mitsvot é alcançar um coração íntegro, que é o temor a D'us.
ולכן ארז״ל [אמרו רבותינו זכרונם לברכה] שהתורה נק׳ תרעא לדרתא9 לגבי יראה כו׳ והיינו לגבי יראה עילאה וכמ״ש בסש״ב [בספר של בינונים] ס״פ כ״ג והשגת המציאות הוא להפשיט מגשמיות רק שזו היא מצוה א׳ מתרי״ג והאדם צריך לקיים כל התרי״ג כו׳
Por isso, nossos Sábios, de abençoada memória, disseram que a Torá é chamada de “portão para o pátio” em relação ao temor, etc., isto é, em relação ao temor superior, como está escrito em Sefer shel Beinonim, ao final do capítulo 23. E a apreensão de [sua] existência serve para despir a materialidade; porém, isso é apenas uma mitsvá entre as 613, e a pessoa precisa cumprir todas as 613, etc.
Por isso, os Sábios chamam a Torá de “portão para o pátio” do temor, isto é, do temor superior, como explica o Tanya, capítulo 23. Saber que os mundos superiores existem ajuda a despir uma perspectiva material; mas essa é apenas uma das 613 mitsvot, e a pessoa precisa cumprir todas elas.
לכך צריך להרבות בלימוד כל התרי״ג וקיומן בפ״מ [בפועל ממש] במודומ״ע [במחשבה דבור ומעשה] כו׳ א״כ [אם כן] הרי בידיעת ההשתלשלות אף שאינו משיג כלל המהות מקיים מצות וידעת כו׳ ולא גרע מלימוד ההלכות):10
Portanto, é preciso dedicar-se amplamente ao estudo de todas as 613 mitzvot e ao seu cumprimento efetivo, em pensamento, fala e ação etc. Assim, ao conhecer a cadeia descendente dos mundos, mesmo sem apreender de modo algum sua essência, cumpre-se a mitzvá de “E saberás” etc., e isso não é inferior ao estudo das leis.)
Portanto, é preciso estudar todas as mitzvot extensamente e cumpri-las em pensamento, fala e ação. Ainda assim, conhecer a ordem dos mundos, mesmo sem apreender sua essência, cumpre a mitzvá de “E saberás” e não é inferior ao estudo das leis.
O parágrafo acrescenta fontes sobre os aspectos oculto e revelado da Torá e da luz de D'us. Um longo parêntese, baseado no Kuntres Acharon do Tanya, mostra que estudar a Torá interior cumpre sua própria mitsvá de conhecer D'us e conduz a um coração íntegro, embora não substitua o estudo e a prática de todas as mitsvot.
O discurso de Likkutei Torah sobre “Pois o aroma de teus óleos” apresenta a mesma divisão em três partes: na Mishná e no Talmud, apreende-se a essência da sabedoria de D'us, revestida de assuntos físicos, enquanto nas narrativas da Escritura ela não é apreendida de modo algum. Ele cita o Zohar em Behaalotecha, segundo o qual o sentido simples das narrativas da Torá é “o manto da Torá”, e o comentário de Rabi Moshe Zacuto, segundo o qual uma narrativa como a dos reis de Edom aconteceu conforme relatada, mas oculta os segredos do mundo de Tohu. Uma nota da Kehot registra que algumas edições do Tanya leem “uma mitsvá grande e exaltada”, enquanto a tabela de correções do Tanya, seguida aqui, lê “uma mitsvá elevada e exaltada”.
Marei mekomot
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- 5לריח שמניך · Song of Songs 1:3
- 6דלימוד פנימיות כוונת המצות לא גרע מלימוד הלכותיה ואדרבה כו׳ אף שאינו משיג המהות · Tanya, Part V; Kuntres Acharon 4:24
- 7וידעת היום · Deuteronomy 4:39
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- 9תרעא לדרתא · Shabbat 31b:1
- 10ויצונו ה׳ לעשות את כל החוקים האלה ליראה את ה׳ אלהינו · Deuteronomy 6:24
28ה ועפ״ז [ועל פי זה] יתורץ מה שנדחקו גדולי המפרשים בפי׳ מימרא זו דלעולם ישלש אדם שנותיו שליש במקרא שליש במשנה שליש בתלמוד1 דהר״ן [דהרבינו נסים] ספ״ק [סוף פרק קמא] דע״ז [דעבודה זרה] כ׳ [כתב] ולאו דוקא שישליש ימותיו בשוה כו׳.
5. De acordo com isso, [a dificuldade] com que os grandes comentaristas se debateram ao explicar esta afirmação será resolvida: “A pessoa deve sempre dividir seus anos em três: um terço dedicado à Escritura, um terço à Mishná e um terço ao Talmud.” Pois o Ran, no final do primeiro capítulo de Avodah Zarah, escreveu: “E não significa que deva dividir seus dias em partes exatamente iguais”, etc.
A seção 5 aplica tudo isso a uma difícil afirmação talmúdica: a pessoa deve dividir seus anos em três, dedicando um terço à Escritura, um terço à Mishná e um terço ao Talmud. O Ran (Rabbeinu Nissim), ao comentar o primeiro capítulo de Avodah Zarah, escreveu que isso não significa porções exatamente iguais.
והרמב״ם [והרבי משה בן מימון] פ״א מהל׳ [מהלכות / מהלכה] ת״ת [תלמוד תורה] ס״ל [סבירא ליה / סבירא להו] דישלש היינו לשלישים שוים ממש אלא דנתכוין לתרץ קושיית הר״ן [הרבינו נסים] במ״ש שזהו בתחלת למודו של אדם אבל כשיגדיל בחכמה כו׳ ויקרא בעתים מזומנים תשב״כ [תורה שבכתב]2 כו׳.
E o Rambam, no capítulo 1 das Leis do Estudo da Torá, sustenta que “dividir em três” significa dividir em três partes realmente iguais; mas sua intenção foi resolver a dificuldade do Ran com aquilo que escreveu: que isso se aplica ao início do aprendizado da pessoa, “mas, quando ela crescer em sabedoria”, etc., “deverá ler a Torá Escrita em ocasiões determinadas”, etc.
O Rambam, nas Leis do Estudo da Torá, entende que se trata de três partes verdadeiramente iguais, mas responde à dificuldade do Ran limitando essa regra ao início do aprendizado: depois que a pessoa tiver crescido em sabedoria, lerá a Torá Escrita apenas em ocasiões determinadas.
O maamar aborda a divisão talmúdica do estudo em três partes e a dificuldade levantada pelos comentaristas, que será resolvida pela distinção entre a Escritura e a Torá interior.
Marei mekomot
- 1לעולם ישלש אדם שנותיו שליש במקרא שליש במשנה שליש בתלמוד · Avodah Zarah 19b:1–2
- 2כשיגדיל בחכמה כו׳ ויקרא בעתים מזומנים תשב״כ · Mishneh Torah, Torah Study 1:12
29ולפ״ז [ולפי זה] דוחק קצת לשון לעולם ישלש כו׳ וגם מה שהקשו בגמ׳ [בגמרא] מי ידע כמה חיי. דמזה משמע דכל שני חייו ישלש כו׳.
De acordo com isso, a expressão “sempre dividir em três”, etc., fica um tanto forçada, assim como a pergunta feita na Guemará: “Acaso se sabe quanto tempo ele viverá?”, da qual se depreende que, durante todos os anos de sua vida, ele deve dividir em três, etc.
Segundo a interpretação do Rambam, a palavra “sempre” fica forçada, assim como a pergunta da Guemará: “Acaso se sabe quanto tempo ele viverá?”, que implica que a divisão se aplica à vida inteira da pessoa.
ורי״ו בשם הרמ״ה כתב דלא אמרו זה אלא לדורות ראשונים כו׳ כמ״ש בב״י [בבית יוסף]. אמנם לפמ״ש [לפי מה שכתוב] א״ש [אתי שפיר] דבתחלת למודו של אדם ישלש השליש במקרא ממש לבדו.
E Rabbeinu Yerucham escreveu em nome do Ramá que isso foi dito apenas a respeito das gerações antigas, etc., como está escrito no Beit Yossef. Contudo, de acordo com o que foi explicado [aqui], a questão se resolve bem: no início do estudo de uma pessoa, ela deve dedicar o terço somente ao texto da Escritura;
Rabbeinu Yerucham, citando o Ramá (Rabi Meir HaLevi Abulafia), conforme mencionado no Beit Yossef, limitou a regra às gerações anteriores. A abordagem do maamar resolve a questão de modo simples: no início do estudo, dedicar o terço à Escritura significa estudar somente o texto simples da Escritura.
דאע״ג [דאף על גב] שלתלמוד צריך זמן יותר מ״מ [מכל מקום] יש לו למהר ללמוד המקרא1 בתחלה ואחר שהגדיל בחכמה יש לו לקיים השליש במקרא בתשב״כ [בתורה שבכתב] עם מה שילמוד אח״כ [אחר כך] מפנימיות התורה והאגדות2 שזה נכלל הכל בשליש במקרא כנ״ל,
pois, embora o Talmud exija mais tempo, ainda assim ela deve apressar-se em estudar primeiro a Escritura. E, depois de ter crescido em sabedoria, deve cumprir o terço da Escritura com a Torá Escrita, juntamente com aquilo que estudará posteriormente da dimensão interior da Torá e das Aggadot, pois tudo isso está incluído no terço da Escritura, como mencionado acima.
Embora o Talmud exija mais tempo, deve-se primeiro estudar rapidamente a Escritura. Mais tarde, depois de crescer em sabedoria, a pessoa cumpre o terço da Escritura com a Torá Escrita, juntamente com a Torá interior e as Aggadot, que também contam como Escritura, conforme explicado acima.
(ואפשר דגם לימוד מדרש רבה ושאר המדרשים3 הוא בכלל השליש במקרא שהרי בפ״ק [בפרק קמא] דברכות דף י״א ע״ב משמע בהדיא בגמ׳ [בגמרא] ופרש״י [ופירש רש״י / ופירוש רש״י] דמדרש הוא קרוב למקרא כו׳ לפי שהם מדרשי מקראות.
(E é possível que o estudo de Midrash Rabá e dos outros Midrashim também esteja incluído no terço da Escritura; pois, no primeiro capítulo de Berachot, fólio 11b, está claramente implícito na Guemará e no comentário de Rashi que o Midrash é próximo da Escritura, etc., pois são interpretações dos versículos.
Este parêntese sugere que Midrash Rabá e os outros Midrashim também contam como Escritura, pois a Guemará em Berachot (11b), com Rashi, considera o Midrash próximo da Escritura, por ser uma interpretação dos versículos.
וכ״מ [וכן משמע] בנדרים דל״ו סע״ב [סוף עמוד ב] ואף שבהלכות ת״ת [תלמוד תורה] מבואר דמדרש תורה שהוא ספרא וספרי וכה״ג [וכהאי גוונא] הן בכלל שליש במשנה היינו מפני שהן הלכות וגופי התורה כמו המשנה משא״כ לימוד הרבות שהן אגדות שעל המקרא4 ומוסר ה׳ אפשר שזה נכלל בשליש במקרא.
E assim também parece em Nedarim, fólio 36, final do lado b. Embora nas Leis do Estudo da Torá esteja explicado que o Midrash da Torá — isto é, o Sifra, o Sifrei e obras semelhantes — está incluído no terço da Mishná, isso se deve ao fato de conterem leis e princípios fundamentais da Torá, como a Mishná; já o estudo dos Midrashim Rabá, que são Aggadot sobre a Escritura e ensinamentos morais de D'us, talvez esteja incluído no terço da Escritura.
Nedarim (36b) sugere o mesmo. As leis do estudo da Torá incluem os Midrashim haláchicos (Sifra e Sifrei) no terço da Mishná, mas isso é porque contêm leis; já o Midrash Rabá, que consiste em Aggadá sobre os versículos e ensinamentos morais, talvez pertença ao terço da Escritura.
ולכן אתי שפיר דלעולם ישלש אדם5 כו׳. והנה ענין לעולם ישלש אדם מה שחלקו זה לשלישים י״ל [יש לומר] כדכתיב ולכבודי בראתיו6 יצרתיו אף עשיתיו. ואין כבוד אלא תורה.78
Portanto, fica bem compreendida a afirmação “a pessoa deve sempre dividir em três”, etc. Quanto à questão de “a pessoa deve sempre dividir em três”, isto é, por que dividiram esse estudo em três partes, pode-se explicar de acordo com o que está escrito: “Por Minha glória Eu o criei, Eu o formei e também Eu o fiz”; e “não há glória senão a Torá”.
Assim, “sempre” está correto: a divisão se mantém por toda a vida. Por que em três partes? Por causa do versículo “Por Minha glória Eu o criei, Eu o formei e também Eu o fiz” (Isaías 43:7), e da afirmação de que “glória” significa Torá (Avot 6:3): os três verbos correspondem a três mundos.
והנה תלמוד בבריאה ומשנה ביצירה וכתיב יוצר אור ובורא חושך.9 ולכן ארז״ל [אמרו רבותינו זכרונם לברכה] במחשכים הושיבני זה תלמוד בבלי. ומקרא בעשיה.10
Ora, o Talmud corresponde a Beriá e a Mishná, a Yetsirá; e está escrito: “Aquele que forma a luz e cria a escuridão”. Por isso nossos Sábios, de abençoada memória, disseram: “‘Ele me colocou em lugares escuros’: isto se refere ao Talmud Babilônico”. E a Escritura corresponde a Assiá.
O Talmud corresponde a Beriá (“criou”) e a Mishná, a Yetsirá (“formou”), conforme “Aquele que forma a luz e cria a escuridão” (Isaías 45:7); o Talmud Babilônico é chamado de “lugares escuros” (Sanhedrin 24a), em correspondência com “cria a escuridão”. A Escritura corresponde a Assiá (“fez”).
והנה אף עשיתיו אף הוא בחינ׳ [בחינת / בחינה] רבוי שמרבה בחינ׳ [בחינת / בחינה] רביעית כמ״ש בד״ה מי מנה11 עפר יעקב12 כו׳ ע״ש [עיין שם], לכן בכלל שליש במקרא נכלל בחינה הרביעית שהוא לימוד פנימיות התורה.
Ora, em “também Eu o fiz”, a palavra “também” (af) expressa inclusão e acrescenta um quarto nível, como está escrito no discurso que começa com “Quem contou o pó de Yaacov”, etc.; veja ali. Portanto, no terço da Escritura também está incluído o quarto nível, que é o estudo da dimensão interior (pnimiyut) da Torá.
A palavra “também” (af), em “também Eu o fiz”, acrescenta algo: um quarto nível, conforme explicado no discurso “Quem contou o pó de Yaacov”. Assim, no terço dedicado à Escritura está incluído esse quarto nível: o estudo da Torá interior.
וזהו שארז״ל [שאמרו רבותינו זכרונם לברכה] והביאו הרמב״ם [הרבי משה בן מימון] בפי׳ המשניות ספ״ה דאבות ע״פ אף חכמתי עמדה לי13 חכמתי שלמדתי באף עמדה לי14 כו׳).
E é isso que disseram nossos Sábios, de abençoada memória, e que o Rambam trouxe em seu Comentário sobre a Mishná, ao final do capítulo 5 de Avot, a respeito do versículo “Também (af) minha sabedoria permaneceu comigo”: “A sabedoria que aprendi com af [ira] permaneceu comigo”, etc.)
O Midrash sobre “Também (af) minha sabedoria permaneceu comigo” (Eclesiastes 2:9), citado pelo Rambam ao final de seu comentário sobre Avot, capítulo 5, interpreta o versículo como “a sabedoria que aprendi com af” (literalmente, “com ira”, isto é, com esforço) “permaneceu comigo”.
והנה מכ״ז [מכל זה] יובן בתוספת ביאור ענין ולא תשבית מלח15 כו׳ שלימוד הפנימית נק׳ בשם מלח שהמלח ממתקת הבשר.
Ora, a partir de tudo isso compreender-se-á, com explicação adicional, a questão de “E não retirarás o sal”, etc.: que o estudo da dimensão interior é chamado de “sal”, pois o sal adoça a carne,
Agora, o versículo inicial volta ao tema. A Torá interior é chamada de “sal” porque o sal realça o sabor da carne.
אף שאין בו טעם בעצמו כמו הבשר, וכך הנגלה שבתורה נמשל ללחם כמ״ש לכו לחמו בלחמי.16171819202122232425262728293031
embora ele próprio não tenha sabor, ao contrário da carne. E assim, a parte revelada da Torá é comparada ao pão, como está escrito: “Vinde, comei do meu pão”,
O sal não tem sabor próprio, como a carne. A Torá revelada, por sua vez, é comparada ao pão: “Vinde, comei do meu pão” (Provérbios 9:5).
O parágrafo resolve a dificuldade quanto à divisão do estudo em três partes: mais tarde na vida, o terço da Escritura inclui as Aggadot e a Torá interior. Em seguida, fundamenta os três terços no versículo “Eu o criei… Eu o formei… também Eu o fiz” e começa a explicar o sal do versículo inicial como a Torá interior.
Uma nota de Kehot mostra que a sugestão sobre Midrash Rabá (partes 4–5) aparece quase palavra por palavra nos Biurei HaZohar do Tsemach Tsedek, que acrescenta que a Guemará em Berachot apresenta uma opinião segundo a qual a bênção sobre a Torá é necessária para a Escritura e o Midrash, mas não para a Mishná e o Talmud. Outra nota cita o Or HaTorá do Tsemach Tsedek: a Escritura está “em Assiá” porque, justamente por sua grandeza, ela desce e se reveste até o mundo da ação; e, a respeito de “a sabedoria que aprendi com af”, o empenho e o esforço trazem a força interior do ocultamento à revelação.
Marei mekomot
- 1בכלל לימוד המקרא . . לימוד האגדות · ראה הערת כ״ק אדמו״ר לעיל בהוספות יט, א.
- 2השליש במקרא . . מפנימי׳ התורה והאגדות · ראה לקו״ש חי״ח ע׳ 439.
- 3ואפשר דגם לימוד מדרש רבה ושאר המדרשים . . מדרשי המקראות · בביאה״ז להצ״צ-ב ע׳ תרכ ”צ״ע בה׳ ת״ת שהן בכלל משנה, אבל בפ״ק דברכות די״א ע״ב נלע״ד ראי׳ למה שכתבתי דמבואר שם מגמ׳ ופרש״י דמדרש קרוב למקרא לפי שהן מדרשי המקראות, ולכן יש מ״ד שם בגמ׳ דלמקרא ומדרש צריך לברך ברכת התורה ולא משנה וגמרא, אלא דהמסקנא צריך לברך על כולם, אבל עכ״פ מבואר דמדרש שייך למקרא וצ״ע בנדרים דל״ז ע״א גבי ומלמדו מדרש כו׳ ואכמ״ל” ע״ש.
- 4
- 5לעולם ישלש אדם · Avodah Zarah 19b:1–2
- 6ולכבודי בראתי · Isaiah 43:7
- 7ואין כבוד אלא תורה · Zohar III, 253b
- 8ואין כבוד אלא תורה · Pirkei Avot 6:3
- 9יוצר אור ובורא חושך · Isaiah 45:7
- 10ומקרא בעשי׳ · באוה״ת בראשית כרך-ו דף תתרל, ב מציין לכאן ומוסיף ”שמובן ענין פי׳ מקרא בעשיי׳ לפי שמקרא לרוב מעלתו יורד ומתלבש עד העשיי׳” ע״ש. וראה אוה״ת במדבר כרך-ו ע׳ א׳תקסב. ובליקוט פי׳ לתניא פרק מ.
- 11בד״ה מי מנה · בבי׳ פ״ג. [כ]. פ׳ בלק סט, ד. וראה לקו״ש-כ ע׳ 226.
- 12מי מנה עפר יעקב · Numbers 23:10
- 13אף חכמתי עמדה לי · Ecclesiastes 2:9
- 14חכמתי שלמדתי באף עמדה לי · Kohelet Rabbah 2:9
- 15ולא תשבית מלח · Leviticus 2:13
- 16לכו לחמו בלחמי · Proverbs 9:5
- 17בד״ה כי קרוב אליך הדבר · לקו״ת נצבים מו, א.
- 18ע״פ חסדי ה׳ כי לא תמנו · אגה״ק ס״י.
- 19בד״ה שובה ישראל · לקו״ת ש״ש סד, ד.
- 20סד״ה להבין ענין לחם משנה · תו״א סו, ד.
- 21בביאור ע״פ לריח שמניך · לקו״ת שה״ש ג, ג.
- 22שידיעת — רמה ונשאה · בתניא שלפנינו: רבה ונשאה. וכ״ה בהמשך מים רבים שם (רבה). אבל ראה לוח התיקון לתניא שצ״ל: רמה (וש״נ לסה״מ אתהלך לאזניא ע׳ קסה). וכ״ה בסה״מ תרל״ו ח״ב ע׳ תקיח. וראה בליקוט פי׳.
- 23וידעת היום · Deuteronomy 4:39
- 24דע את אלקי אביך · דברי הימים-א כח, ט.
- 25ויצונו ה׳ לעשות · Deuteronomy 6:24
- 26שהתורה נק׳ תרעא לדרתא · Shabbat 31b:1
- 27והיינו לגבי יר״ע וכמ״ש בסש״ב · ראה סה״מ תרל״ו ח״ב ע׳ שו.
- 28ועפ״ז יתורץ מה שנדחקו · מכאן עד להלן ה, ד שו״ה ביאור ליתא במים רבים שם.
- 29אמרז״ל במחשכים . . זה תלמוד בבלי · Sanhedrin 24a:18–19
- 30וזהו שאמרז״ל · בקה״ר ב, ט. [כ].
- 31
30וגם לבשר כמ״ש במ״א ע״פ זאת הפעם עצם מעצמי ובשר מבשרי.1 דקאי על תשבע״פ [תורה שבעל פה]. וכן בגמ׳ [בגמרא] ב״ב [בבא בתרא] דכ״ב אמרו אכלו בישרא שמינא בי רבא2.
e também à carne, como está escrito em outro lugar, a respeito do versículo: “Desta vez, osso dos meus ossos e carne da minha carne”, que se refere à Torá Oral. E assim também disseram na Guemará, Bava Basra, fólio 22: “Comeram carne gordurosa na casa de Rava.”
A Torá revelada também é comparada à carne. Em outro lugar, “osso dos meus ossos e carne da minha carne” (Gênesis 2:23) é explicado como se referindo à Torá Oral, e o Talmud (Bava Basra 22a) chama de “carne gordurosa” a Torá estudada na casa de Rava.
והיינו כמו הלחם והבשר יש בהן טעם וממש כך בלימוד הנגלה שבתורה יש בה השגת המהות ממש משא״כ בלימוד הפנימי׳ [הפנימיות / הפנימית] שאין בזה
Isto é: assim como o pão e a carne têm sabor e substância, também no estudo da parte revelada da Torá há uma apreensão efetiva da essência; ao passo que, no estudo da dimensão interior (pnimiyut), há nisso
O pão e a carne têm sabor e substância; assim também, na Torá revelada, a mente apreende verdadeiramente a essência da sabedoria. Na Torá interior, é diferente.
רק ידיעת המציאות ולא השגת המהות והמהות נסתר ונעלם ואינו מושג כלל להיות בבחי׳ טעם ממש כמו הנגלה עד לע״ל [לעתיד לבוא] שיתגלה פנימית התורה.3
apenas conhecimento da existência, e não uma apreensão da essência. A essência está oculta e escondida e não é apreendida de modo algum, de forma a ter sabor efetivo como a parte revelada, até o Tempo Vindouro, quando a dimensão interior da Torá será revelada.
Ali, tem-se apenas conhecimento de que as coisas existem, e não uma apreensão do que são; por isso, ela não tem sabor próprio, como o sal. Essa essência permanecerá oculta até o Tempo Vindouro, quando a Torá interior será revelada.
O pão e a carne, que têm sabor e substância, correspondem à Torá revelada, cuja essência é apreendida; o sal, que não tem sabor próprio, mas realça o sabor da carne, corresponde à Torá interior, cuja essência só será saboreada no futuro.
A nota da Kehot remete a Rashi sobre Cântico dos Cânticos 1:2, a respeito da revelação futura da Torá interior.
Marei mekomot
- 1זאת הפעם עצם מעצמי ובשר מבשרי · Genesis 2:23
- 2
- 3לע״ל שיתגלה פנימית התורה · ראה רש״י שה״ש א, ב.
Sal, temor do pecado e a aliança ¶31–39
31ולכן נמשל למלח לומר שעם היות שאין בו טעם עכ״ז [עם כל זה] הוא דייקא הנותן טעם בהבשר.
Por isso, é comparada ao sal: embora não tenha sabor, é precisamente ela que dá sabor à carne.
O sal não tem sabor próprio, mas é ele que dá sabor à carne. Assim também a Torá interior, cuja essência não pode ser apreendida, dá “sabor” à Torá revelada.
וז״ש [וזהו שכתוב] רז״ל [רבותינו זכרונם לברכה] באדר״ן [באבות דרבי נתן] ס״פ כ״ט וכ״ה ג״כ ברבות כל מי שיש בידו מדרש ואין בידו הלכות לא טעם
E é isso que disseram nossos Sábios, de abençoada memória, em Avot deRabbi Natan, no final do capítulo 29 (e o mesmo consta também no Midrash Rabbah): “Quem tem Midrash em mãos, mas não tem leis em mãos, não provou
A afirmação dos Sábios em Avot deRabbi Natan (também no Midrash Rabbah) serve de apoio a isso. Ela contrapõe “Midrash” (aqui, a Torá interior) a “leis” (a Torá revelada).
טעם של חכמה כל מי שיש בידו הלכות ואין בידו מדרש לא טעם טעם של יראת חטא, פי׳ שהלכות נק׳ טעם של חכמה לפי שבהן
o sabor da sabedoria; quem tem leis em mãos, mas não tem Midrash em mãos, não provou o sabor do temor ao pecado.” O sentido é que as leis são chamadas “o sabor da sabedoria” porque nelas
Quem tem apenas Midrash não provou a sabedoria, e quem tem apenas leis não provou o temor ao pecado. As leis são chamadas “o sabor da sabedoria” por uma razão que será explicada a seguir.
ועל ידן מושג המהות חכמתו ית׳ שנתלבשה בהלכה זו משא״כ בלימוד הפנימיות הנק׳ מדרש אין מושג המהות ממש ולכן נק׳ שלא טעם טעם של חכמה פי׳ המהות ממש.
se apreende, por meio delas, a essência de Sua sabedoria, bendito seja Ele, que foi revestida nesta lei; ao passo que, no estudo da dimensão interior (pnimiyut), chamada Midrash, a essência propriamente dita não é apreendida. Por isso se diz que “não provou o sabor da sabedoria”, isto é, a essência propriamente dita.
Nas leis, apreende-se a própria essência da sabedoria de D'us, revestida na lei. Na Torá interior, chamada “Midrash”, a essência não é apreendida; por isso, diz-se daquele que tem apenas Midrash que “não provou o sabor da sabedoria”, ou seja, sua essência propriamente dita.
A imagem do sal, que não tem sabor, mas dá sabor, é explicada por meio do contraste dos Sábios entre “Midrash” e “leis”: as leis dão o sabor da sabedoria, pois nelas se apreende a essência da sabedoria de D'us.
32ועכ״ז [ועם כל זה] מי שיש בידו הלכות ואין בידו מדרש לא טעם טעם של יראת חטא כי אף שבלימוד המדרש אין מושג
E, apesar disso, aquele que possui leis, mas não possui Midrash, “não provou o sabor do temor ao pecado”. Pois, embora no estudo do Midrash se apreenda
No entanto, aquele que possui leis sem Midrash carece do sabor do temor ao pecado. O que o estudioso apreende no Midrash, a Torá interior, é limitado.
רק הארה מ״מ [מכל מקום] זו ההארה מביאה לידי יראת חטא ועמ״ש מענין פי׳ יראת חטא סד״ה וידבר משה אל ראשי המטות.12
apenas um fulgor, ainda assim esse fulgor conduz ao temor ao pecado. E veja o que está escrito sobre o significado do temor ao pecado, ao final do discurso que começa com “E Moshe falou aos chefes das tribos”.
Ele apreende apenas um fulgor, e não a essência, mas esse fulgor o conduz ao temor ao pecado. O texto remete ao final do discurso sobre “E Moshe falou aos chefes das tribos” para explicar o que é o temor ao pecado.
A Torá interior, embora proporcione apenas um vislumbre, conduz ao temor ao pecado, que a Torá revelada, por si só, não proporciona.
O discurso sobre Matos termina com um resumo da sequência apresentada pelos Sábios: a santidade conduz à humildade, e a humildade, ao temor ao pecado.
Marei mekomot
- 1סד״ה וידבר משה אל ראשי המטות · לקו״ת מטות פא, ד.
- 2וידבר משה אל ראשי המטות · Numbers 30:2
33ועוד כי אף שזהו רק הארה הנה היא הארה מבחי׳ הפנימיות כי אורייתא סתים וגליא,
Além disso, embora isso seja apenas um reflexo, é um reflexo do nível da dimensão interior (pnimiyut), pois a Torá é oculta e revelada.
Além disso, embora o Midrash ofereça apenas um reflexo, trata-se de um reflexo do lado interior e oculto da Torá; a Torá tem tanto um lado oculto quanto um lado revelado.
והנה ארז״ל [אמרו רבותינו זכרונם לברכה] חכם עדיף מנביא1 אף שהנביא משיג המהות ממש בבחי׳ ראייה משא״כ החכם אינו משיג המהות כ״א [כי אם] ידיעת המציאות.
Ora, nossos Sábios, de abençoada memória, disseram: “Um sábio é superior a um profeta”, embora o profeta apreenda a essência propriamente dita, à maneira da visão, ao passo que o sábio não apreende a essência, mas apenas conhece a existência,
Uma comparação: os Sábios disseram que “um sábio é superior a um profeta”, embora o profeta veja a essência daquilo que percebe, como com os olhos, enquanto o sábio sabe apenas que isso existe.
Um reflexo do lado oculto da Torá pode valer mais do que a essência de seu lado revelado, assim como o sábio, que apenas conhece, supera o profeta, que vê.
Marei mekomot
- 1ארז״ל חכם עדיף מנביא · Bava Batra 12a:14–15
34וכמ״ש באג״ה [באגרת הקודש] בד״ה עוטה אור כשלמה.1 אעפ״כ [אף על פי כן] חכם עדיף מנביא לפי שמשיג תעלומות חכמה מה שלא ניתנו להתגלות בנבואה.
Como está escrito em Iggeret HaKodesh, no discurso que começa com “Envolto em luz como num manto”. Não obstante, o sábio é superior ao profeta, pois apreende “os mistérios da sabedoria”, que não foram destinados a ser revelados por meio da profecia.
Iggeret HaKodesh, na carta sobre “Envolto em luz como num manto”, explica isso: o sábio é superior porque apreende “os mistérios da sabedoria”, que não podem ser revelados por meio da profecia.
א״כ [אם כן] אף ההארה מבחי׳ עליונה יש בה מעלה יתירה מהמהות שבבחי׳ שלמטה, וכה״ג [וכהאי גוונא] נתבאר בענין מצות ל״ת [לא תעשה] ומ״ע [ומצות עשה] סד״ה חייב אינש לבסומי בפוריא.23
Sendo assim, até mesmo uma irradiação de um nível superior tem uma virtude maior que a essência de um nível inferior. Algo semelhante é explicado a respeito das proibições e dos mandamentos positivos, no final do discurso que começa com “A pessoa é obrigada a embriagar-se em Purim”:
Assim, até mesmo uma mera irradiação de um nível superior supera a essência de um nível inferior. O discurso de Purim “A pessoa é obrigada a embriagar-se” apresenta uma ideia semelhante a respeito das proibições e dos mandamentos positivos.
Enuncia-se o princípio: uma irradiação de um nível superior supera a essência de um nível inferior. É por isso que a Torá interior, apreendida apenas em vislumbres, é tão valiosa.
No discurso de Purim, as proibições correspondem às primeiras letras do Nome, yud e hei, e os mandamentos positivos às últimas, vav e hei; a “embriaguez” de Purim, uma anulação da compreensão, alcança a teshuvá (retorno) superior, que se eleva acima de ambas.
Marei mekomot
- 1עוטה אור כשלמה · Psalms 104:2
- 2סד״ה חייב איניש לבסומי בפוריא · תו״א צה, ד.
- 3חייב אינש לבסומי בפוריא · Megillah 7b:7–8
35וגדול כח גילוי כו׳ ע״ש [עיין שם] וכענין ברכה והודאה שאף שההודאה אין בה השגת המהות אעפ״כ [אף על פי כן] היינו לפי
“E grande o poder da revelação”, etc.; veja lá. E [isso se assemelha] ao assunto da bênção e do reconhecimento (hodaá): embora no reconhecimento não haja apreensão da essência, ainda assim [ele é superior]; isto é, porque
A referência termina com “grande é o poder da revelação”. Outra comparação: o reconhecimento (hodaá, como em “Modim”) não envolve apreensão da essência de D'us, e, ainda assim, é superior à bênção.
שהיא בבחינה דלית מחשבה תפיסא ביה12 כמ״ש במ״א בביאור ע״פ אתה הצבת כל גבולות ארץ34 ובד״ה אלה פקודי המשכן,56 גם ע״ד [על דרך] שארז״ל [שאמרו רבותינו זכרונם לברכה]
está no nível sobre o qual se diz: “nenhum pensamento pode apreendê-Lo”, como está escrito em outro lugar, na explicação sobre o versículo “Tu estabeleceste todos os limites da terra” e no discurso que começa “Estes são os registros do Mishkan”. Também segundo o que nossos Sábios, de abençoada memória, disseram:
É superior porque alcança o nível em que “nenhum pensamento pode apreendê-Lo” (Tikkunei Zohar), conforme explicado nos discursos sobre “Tu estabeleceste todos os limites da terra” e “Estes são os registros do Mishkan”. Outra comparação vem de uma lei sobre objetos perdidos.
אבידת אביו ואבידת רבו7 של רבו קודמת אף שמהאב נמשך בו המהות ממש שהטפה היא מהמוח מהעצמיות ממש ומהרב אין נמשך בו מהות ועצמיות ממש
“[Se] o objeto perdido de seu pai e o objeto perdido de seu mestre [estão diante dele], o de seu mestre tem precedência”; embora do pai seja transmitida a ele a própria essência, pois a gota provém do cérebro, da própria essência, enquanto do mestre não é transmitida a ele a própria essência
Se alguém encontra tanto o objeto perdido de seu pai quanto o de seu mestre, o do mestre vem primeiro. No entanto, recebeu do pai a própria essência, pois a semente provém do cérebro do pai, ao passo que do mestre não recebeu essência.
רק הארת השכל המלובש בהדבור כו׳, אעפ״כ [אף על פי כן] זו ההארה שהיא התורה גבוה מעצמיות החכמה שבנפש כמ״ש בתניא ח״א [חלק א׳] פ״ה.
mas apenas um raio do intelecto revestido na fala, etc. Ainda assim, esse raio, que é a Torá, é superior à própria essência da sabedoria na alma, como está escrito no Tanya, Parte I, capítulo 5.
Do mestre, recebeu apenas a luz do intelecto revestida na fala. Mesmo assim, essa luz, a Torá, está num nível superior à essência da sabedoria na alma, como explica o Tanya, capítulo 5.
Mais dois exemplos do princípio: o reconhecimento, que não apreende, alcança um nível superior ao da bênção; e o mestre, que transmite apenas um raio da Torá, tem precedência sobre o pai, que transmite a própria essência.
Marei mekomot
- 1דלית מחשבה תפיסא בי׳ · ת״ז בהקדמה.
- 2דלית מחשבה תפיסא ביה · Tikkunei Zohar 17a:10–12
- 3בביאור ע״פ אתה הצבת כל גבולות ארץ · סידור שה, ד. אוה״ת נ״ך ב ע׳ תתקנט.
- 4אתה הצבת כל גבולות ארץ · Psalms 74:17
- 5ובד״ה אלה פקודי המשכן · לעיל לקו״ת פקודי ג, א ואילך.
- 6אלה פקודי המשכן · Exodus 38:21
- 7אבידת אביו ואבידת רבו · Bava Metzia 33a:8–9
36ובמסכת סופרים פט״ו [פרק ט״ו / פרשה ט״ו] ה״ח [ה׳ חסדים] הובא בספר ערכי הכינויים מבואר דהמקרא נמשל למלח. וא״ש [ואתי שפיר] ג״כ ע״פ מה שנת׳ [שנתבאר] לעיל,
E no Tratado Soferim, capítulo 15, halachá 8, citado no livro Erchei HaKinuyim, explica-se que a Escritura é comparada ao sal. Isso também se compreende bem à luz do que foi explicado acima.
O Tratado Soferim, citado em Erchei HaKinuyim, compara a Escritura ao sal. Isso se ajusta ao que foi explicado acima: a Escritura, assim como a Torá interior, não é apreendida em sua essência, mas confere sabor ao restante.
ולכן נק׳ המלח ג״כ ברית אלקיך1 פי׳ ע״ד [על דרך] מ״ש לעברך בברית2 ה׳ אלקיך שהוא בחי׳ התקשרות ואהבה רבה ונפלאה למעלה מהשכל
Por isso, o sal também é chamado “a aliança do teu D'us”. O sentido é semelhante ao que está escrito: “para entrares na aliança de Havayá, teu D'us”, que corresponde ao nível de vínculo e de um amor grande e maravilhoso, acima do intelecto,
Por isso, o sal é chamado “a aliança do teu D'us” (Levítico 2:13). Uma aliança, como em “para entrares na aliança de Havayá, teu D'us” (Deuteronômio 29:11), é um vínculo de amor grande e maravilhoso, acima da razão.
וכמו כריתת ברית, ועמ״ש מזה בד״ה אתם נצבים34 ובד״ה מקושש עצים,56 והמשכת אהבה רבה זו בנפש נמשך ע״י עסק התורה וכמש״ל [וכמה שכתוב לעיל] שע״י עסק התורה מתקשרת באור א״ס [אין סוף] ב״ה הסוכ״ע [הסובב כל עלמין].
como na celebração de uma aliança. (E veja o que foi escrito a esse respeito no discurso que começa com “Vós estais de pé” e no discurso que começa com “Recolhendo lenha”.) E a atração desse grande amor para dentro da alma ocorre por meio do estudo da Torá, como foi escrito acima: por meio do estudo da Torá, [a alma] se vincula à Luz Infinita (Or Ein Sof), bendito seja Ele, que circunda todos os mundos (sovev kol almin).
É como dois amigos que fazem uma aliança para que seu amor perdure acima de qualquer razão. Esse grande amor é atraído para dentro da alma por meio do estudo da Torá, que vincula a alma à Luz Infinita que circunda todos os mundos.
ועפ״ז [ועל פי זה] יש לפרש מארז״ל [מאמר רבותינו זכרונם לברכה] פ״ב [פרק ב׳] דחגיגה די״ב ע״ב ע״פ הקוטפים מלוח עלי שיח78 (באיוב סי׳ למ״ד)
À luz disso, pode-se interpretar o dito de nossos Sábios, de abençoada memória, no capítulo 2 de Chagigá, fólio 12b, sobre o versículo: “Os que colhem malvách junto aos arbustos (alei siach)” (em Jó, capítulo 30):
Isso explica a interpretação talmúdica (Chagigá 12b) de “Os que colhem malvách junto aos arbustos (alei siach)” (Jó 30:4).
שפוסקים מד״ת [מדברי תורה] ועוסקים בדברי שיחה הרי שד״ת [שדברי תורה] נק׳ מלוח,ועמ״ש בזה רש״י [רבי שלמה יצחקי] פ״ק [פרק קמא] דע״ז [דעבודה זרה] ד״ג ע״ב, ולפי מש״כ [מה שכתוב] י״ל [יש לומר] כפשוטו.
“os que interrompem palavras de Torá e se ocupam com palavras de conversa fútil (sichá)”. Assim, as palavras da Torá são chamadas “salgadas” (maluach). E veja o que Rashi escreveu a esse respeito no primeiro capítulo de Avodá Zará, fólio 3b; e, segundo o que foi escrito [aqui], pode-se explicar o versículo em seu sentido simples.
O Talmud aplica o versículo àqueles que interrompem o estudo da Torá para conversar frivolamente (sichá). Portanto, as palavras da Torá são “salgadas”. Rashi aborda isso em Avodá Zará 3b, mas, de acordo com o maamar, o versículo pode ser entendido em seu sentido simples: a Torá é sal.
וזהו ג״כ ענין מארז״ל [מאמר רבותינו זכרונם לברכה] פ״ב [פרק ב׳] דשבת דל״א סע״א [סוף עמוד א] קבעת עתים לתורה9 כו׳ פלפלת בחכמה כו׳ ואפילו הכי אי יראת ה׳ היא אוצרו10 אין אי לא לא.
E esse também é o sentido do dito de nossos Sábios, de abençoada memória, no capítulo 2 de Shabat, fólio 31, no final do lado a: “Estabeleceste horários para a Torá?” etc. “Discutiste os assuntos da sabedoria?” etc. “E, ainda assim, se ‘o temor de D'us é seu tesouro’, sim; se não, não.”
A mesma ideia aparece no relato talmúdico do julgamento após a morte (Shabat 31a): pergunta-se à pessoa se estabeleceu horários para a Torá e se se dedicou à sua análise, mas tudo isso só conta se “o temor de D'us é seu tesouro” (Isaías 33:6).
משל לאדם שאמר לשלוחו העלה לי כור חיטין לעלייה הלך והעלה לו אמר ליה עירבת לי בהן קב חומטין אמר ליה לאו,א״ל [אמר ליה] מוטב שלא העליתה.1112
É como um homem que disse a seu agente: “Sobe para mim um kor de trigo ao andar superior.” Ele foi e o subiu para ele. O homem lhe perguntou: “Misturaste para mim um kav de chumtin nele?” Ele respondeu: “Não.” Disse-lhe: “Teria sido melhor se não o tivesses subido.”
A parábola: o agente de um homem subiu um kor de trigo, mas não misturou nele um kav de chumtin (que Rashi explica como terra salgada); o dono disse que teria sido melhor não o subir de modo algum.
O sal, chamado “a aliança do teu D'us”, representa o amor acima da razão que o estudo da Torá desperta; e as imagens talmúdicas das palavras de Torá “salgadas” e do trigo que necessita de chumtin mostram que a Torá precisa desse sal: o temor de D'us.
O discurso de Likkutei Torah sobre “Vós estais de pé” explica a aliança por meio de dois amigos que fazem uma para que seu amor nunca cesse, mesmo quando a razão o faria terminar, como se tivessem se tornado uma só carne.
Marei mekomot
- 1ברית אלקיך · Leviticus 2:13
- 2לעברך בברית ה׳ אלקיך · Deuteronomy 29:11
- 3בד״ה אתם נצבים · לקו״ת נצבים מד, ב.
- 4אתם נצבים · Deuteronomy 29:9
- 5ובד״ה מקושש עצים · לקו״ת שלח מב, ג.
- 6מקושש עצים · Numbers 15:32
- 7
- 8הקוטפים מלוח עלי שיח · Avodah Zarah 3b:14
- 9קבעת עתים לתורה · Shabbat 31a:11
- 10יראת ה׳ היא אוצרו · Isaiah 33:6
- 11
- 12
37והענין כי חטה הוא כ״ב אתוון1 דאורייתא. ולכן מ״ת [מתן תורה] בשבועות בכורי קציר חטים.2 וכמ״ש במ״א באריכות בד״ה וספרתם לכם34 כו׳ ע״ש [עיין שם].
A explicação é que “trigo” (chitá) corresponde às vinte e duas letras da Torá. Por isso, a Entrega da Torá ocorreu em Shavuot, a festa das “primícias da colheita do trigo”, como é explicado longamente em outro lugar, no discurso que começa com “E contareis para vós”, etc.; veja ali.
“Trigo” (chitá, חטה) tem valor numérico 22, o número de letras da Torá. Por isso, a Torá foi entregue em Shavuot, a festa das “primícias da colheita do trigo”, como explica o discurso sobre “E contareis para vós”.
וקב חומטין פרש״י [פירש רש״י / פירוש רש״י] ארץ מלחה, והוא ענין ולא תשבית מלח כו׳ וזהו שנזכר עירבת לי בהן קב חומטין דתיבת לי מיותר.
E “um kav de chumtin”, Rashi explica como terra salgada; isso corresponde a “Não deixarás faltar o sal”, etc. É por isso que se menciona: “Misturaste para mim um kav de chumtin?” — pois as palavras “para mim” são supérfluas.
Rashi explica chumtin como terra salgada, que corresponde ao sal de “Não deixarás faltar o sal”. Na parábola, as palavras “Misturaste para mim” contêm um “para mim” supérfluo.
אלא דר״ל [דרוצה לומר] שע״י שיראת ה׳ היא אוצרו אזי התורה והחטים הם לי ונק׳ תורת5 ה׳ וכמ״ש והייתם לי6 כו׳ כי לי בנ״י [בני ישראל]7 כו׳ משא״כ תורה בלא יראה כו׳:
Mas isso significa que, por meio de “o temor de D'us ser o seu tesouro”, a Torá e o trigo são então “para Mim”, e ela é chamada “a Torá de D'us”, como está escrito: “E sereis Meus”, etc., “Pois os filhos de Israel são Meus”, etc.; ao passo que a Torá sem temor, etc.
A ideia é que, quando o temor de D'us é o tesouro da pessoa, sua Torá e seu “trigo” são “para Mim”, isto é, para D'us, e são chamados “a Torá de D'us”, como em “sereis Meus” e “os filhos de Israel são Meus”. A Torá sem temor não o é.
A parábola é decifrada: o trigo é a Torá, o chumtin é o sal, isto é, o temor de D'us, e somente com ele a Torá é verdadeiramente de D'us.
Uma passagem paralela em Likkutei Torah (Sh’lach) acrescenta que, segundo o Arizal, o sal são três Guevurot adoçadas; que מלח contém as mesmas letras de לחם, “pão”, e tem o valor numérico de מזלא; e que sua raiz está nas Guevurot de Abá, razão pela qual ele extrai o sangue e a impureza da carne, “pois por meio de Chochmá elas são refinadas”.
Marei mekomot
- 1חטה הוא כ״ב אתוון · Zohar III, 188b
- 2בכורי קציר חטים · Exodus 34:22
- 3בד״ה וספרתם לכם · לקו״ת במדבר יא, ג. וראה לקמן פ׳ שלח מו, ג.
- 4וספרתם לכם · Leviticus 23:15
- 5תורת ה׳ · Psalms 1:2
- 6והייתם לי · Exodus 19:5
- 7כי לי בנ״י · Leviticus 25:55
38ו והנה פי׳ וכל קרבן מנחתך במלח תמלח1 קאי על המנחה ואח״כ [ואחר כך] על כל קרבנך תקריב מלח היינו בכל הקרבנות כולם.
6. Ora, “E toda oferta da tua oblação de farinha temperarás com sal” refere-se à oblação de farinha; e, em seguida, “Em todas as tuas ofertas oferecerás sal”, isto é, em todas as ofertas, sem exceção.
A seção 6 retoma o versículo. Sua primeira parte, “toda oferta da tua oblação de farinha temperarás com sal”, refere-se à oblação de farinha; a última, “em todas as tuas ofertas oferecerás sal”, refere-se a todas as ofertas.
כי הנה המנחה שהיא סולת ושמן זהו ענין עסק התורה חטה כ״ב אתוון דאורייתא וצריכה מלח כנ״ל,
Pois a oblação de farinha, que consiste em farinha fina e óleo, corresponde ao estudo da Torá: “trigo”, as vinte e duas letras da Torá; e ela necessita de sal, como mencionado acima.
A oblação de farinha, feita de farinha fina e óleo, representa o estudo da Torá, pois o trigo corresponde às vinte e duas letras da Torá; assim como a Torá, ela necessita de sal.
E é isto que significa: “Pão com sal comerás”: “pão” é o estudo das partes reveladas [da Torá], Mishná e Talmud; “com sal comerás” é a Escritura e as agadot, etc.,
Esta é a afirmação da Mishná: “Pão com sal comerás” (Avos 6:4): o pão é a Torá revelada, Mishná e Talmud, e o sal é a Escritura e as agadot, como explicado acima.
כנ״ל, ואמר אח״כ [אחר כך] ומים במשורה תשתה כי המלח גורם הצמאון היינו להיות צמאה לך נפשי4 שהוא הפלגת האהבה בבחי׳ כלתה נפשי.56
como mencionado acima. E, em seguida, diz: “e água beberás com medida”; pois o sal provoca sede, isto é, estar no estado de “Minha alma tem sede de Ti”, que é a intensidade do amor na condição de “minha alma desfalece de anseio”.
Em seguida vem “e água beberás com medida”: o sal provoca sede, como a alma que “tem sede de Ti” (Psalms 63:2), num amor intenso em que a alma “desfalece de anseio” (Psalms 84:3).
A oblação de farinha com sal representa o estudo da Torá com sua dimensão interior, e a sede provocada pelo sal representa o intenso amor da alma por D'us, que deve ser equilibrado pela “água” mencionada em seguida.
Marei mekomot
- 1וכל קרבן מנחתך במלח תמלח · Leviticus 2:13
- 2פת במלח תאכל · אבות ו, ד.
- 3פת במלח תאכל · Pirkei Avot 6:4
- 4צמאה לך נפשי · Psalms 63:2
- 5כלתה נפשי · שם פד, ג.
- 6כלתה נפשי · Psalms 84:3
39והעצה לזה הוא בחי׳ מים שהם המרוים הצמאון והוא ענין אם רץ לבך שוב123 לאחור [לאחד בכי״ק [בכתב יד קדשו]]4 והקרבנות
E o remédio para isso é o nível da água, que sacia a sede; este é o sentido de “Se teu coração corre, volta para trás” [no manuscrito sagrado: “para o Um”]. E as oferendas,
O remédio para essa sede é a “água”, que a sacia. Este é o ensinamento “Se teu coração corre, volta”: ao anseio da alma deve seguir-se um retorno. O trecho entre colchetes apresenta a leitura do manuscrito: “volta para o Um”. As oferendas queimadas serão explicadas a seguir.
שהם בשר העולה הוא ענין בירור והעלאת נפש הבהמית וכמ״ש בד״ה צו את בנ״י [בני ישראל] ואמרת אליהם5 את קרבני לחמי6 מענין עצמות גידין ובשר של קרבן העולה שהבשר שרשו מן הדם שבלב והוא ענין המדות שבנפש הבהמית
que são a carne da oferenda queimada, correspondem ao refinamento e à elevação da alma animal, conforme está escrito no discurso que começa “Ordena aos filhos de Israel e dize-lhes: Minha oferenda, Meu pão”, a respeito dos ossos, tendões e carne da oferenda queimada: a carne tem sua raiz no sangue que está no coração, e isso corresponde aos atributos emocionais (midot) da alma animal,
As oferendas queimadas representam o refinamento e a elevação da alma animal. No discurso sobre “Minha oferenda, Meu pão”, explicam-se os ossos, os tendões e a carne da oferenda queimada; a carne provém do sangue do coração, que corresponde às emoções da alma animal.
וצריך להפכן מן הקצה אל הקצה כו׳, וע״כ [ועל כן] צריך לזה מלח דוקא שהוא מגבורות דאבא ובחכמה אתברירו.7
e é preciso transformá-los de um extremo ao outro, etc. Por isso, é necessário especificamente o sal, pois ele provém das Guevurot de Abá, e “por meio de Chochmá eles são refinados”.
Essas emoções precisam ser completamente transformadas. Para isso, é necessário o sal, pois ele provém das Guevurot de Abá, Chochmá, e o Zohar afirma que “por meio de Chochmá eles são refinados”.
A água responde à sede de amor, fazendo a alma retornar à sua tarefa neste mundo inferior; e o sal, cuja raiz está em Chochmá, é necessário para todas as oferendas, pois refina as emoções da alma animal.
O maamar anterior em Likkutei Torah (Vayikra 4a) explica “por meio de Chochmá eles são refinados” com a imagem do coalho, que separa o queijo do soro sem que seu próprio sabor esteja presente em nenhum dos dois; assim, Chochmá separa o bem do mal. Explica também que a carne é adoçada pelo sal porque os Chassadim de Imá surgiram das Guevurot de Abá.
Marei mekomot
- 1אם רץ לבך שוב · ת״ז בהק׳ (ז, א). ושם אי׳ בהמוקפים (כ״א לאחד). [כ]. בס״י פ״א הגי׳ ”למקום”.
- 2אם רץ לבך שוב · Tikkunei Zohar 7a:3
- 3אם רץ לבך שוב · Sefer Yetzirah 1:8
- 4לאחד בכי״ק · ניתוסף בהוצאת ווילנא תרס״ד. והכוונה לבוך גוכי״ק הצ״צ מלקו״ת מהדו״ק והוא בוך 1101-2.
- 5בד״ה צו את בנ״י ואמרת אליהם · לקו״ת פנחס עז, ד.
- 6צו את בנ״י ואמרת אליהם את קרבני לחמי · Numbers 28:2
- 7ובחכמה אתברירו · Zohar II, 154b
O sal que destrói e preserva ¶40–48
40ולכן ע״ה [עם הארץ] אסור לאכול בשר1 וכמ״ש מזה בד״ה בהעלותך את הנרות23 ופרש״י [ופירש רש״י / ופירוש רש״י] כשראה אהרן4 כו׳ יעו״ש [יעויין שם].
Portanto, uma pessoa sem instrução é proibida de comer carne, como está escrito a respeito disso no discurso que começa com “Quando fizeres subir as lâmpadas”, e [sobre] a explicação de Rashi: “Quando Aharon viu”, etc.; veja lá.
Como a elevação da alma animal requer o “sal” da Torá, o Talmud diz que uma pessoa sem instrução não pode comer carne: ela não consegue elevá-la. O texto faz referência ao discurso sobre “Quando fizeres subir as lâmpadas” e ao comentário de Rashi ali, segundo o qual Aharon ficou angustiado ao ver as oferendas dos príncipes.
ופי׳ גבורות דאבא הוא ע״ד [על דרך] לעולם ירגיז אדם5 יצ״ט [יצר טוב] על יצה״ר [יצר הרע] ועמ״ש ע״פ וגם אתה תדין את ביתי6 כו׳
E o significado das Guevurot de Abá é semelhante ao ensinamento: “A pessoa deve sempre incitar sua inclinação para o bem contra sua inclinação para o mal.” E veja o que está escrito sobre o versículo “E tu também julgarás a Minha casa”, etc.
As “Guevurot de Abá”, as severidades enraizadas em Chochmá, são explicadas à luz do conselho do Talmud de que a pessoa deve sempre incitar sua inclinação para o bem contra sua inclinação para o mal: uma força santa que luta contra o mal. O texto também faz referência ao maamar sobre “E tu também julgarás a Minha casa” (Zechariah 3:7).
וזהו שארז״ל [שאמרו רבותינו זכרונם לברכה] פ״ג [פרק ג׳] דמנחות דכ״א ע״א ע״פ במלח תמלח יכול תבונהו ופרש״י [ופירש רש״י / ופירוש רש״י] יכול יתן בו טעם כבינה7 המתקנת את האדם כו׳.
E é isso que nossos Sábios, de abençoada memória, disseram no capítulo 3 de Menachos, fólio 21a, a respeito do versículo “Com sal salgarás [a oferenda]”: “Poder-se-ia pensar: tevunehu”; e Rashi explica: “Poder-se-ia pensar que se deveria dar sabor a ela como o entendimento (Biná), que aperfeiçoa a pessoa”, etc.
O Talmud (Menachos 21a) pergunta, a respeito das palavras “com sal salgarás”, se alguém poderia pensar que se deve “tevunehu”, o que Rashi explica como dar à oferenda um sabor semelhante ao de Biná, o entendimento que aperfeiçoa a pessoa.
A raiz do sal nas Guevurot de Abá é explicada como a severidade santa de Chochmá, que luta contra a inclinação para o mal; em seguida, é apresentada a pergunta do Talmud sobre salgar a oferenda.
O discurso sobre “Quando fizeres subir as lâmpadas” explica que uma pessoa sem instrução não pode comer carne porque não consegue elevá-la, o que demonstra que a pessoa eleva o alimento que come; cada um dos príncipes elevou sua tribo por meio de sua oferenda.
Marei mekomot
- 1ע״ה אסור לאכול בשר · Pesachim 49b:3
- 2בד״ה בהעלותך את הנרות · לקו״ת בהעלותך לא, ג.
- 3בהעלותך את הנרות · Numbers 8:2
- 4כשראה אהרן · Rashi on Numbers 8:2
- 5לעולם ירגיז אדם · Berakhot 5a:2
- 6וגם אתה תדין את ביתי · Zechariah 3:7
- 7
41ולכאורה אינו מובן. אלא הענין כי בינה המתקנת את האדם קאי על נפש האלקית כי בינה היינו בן1 י״ה וכמ״ש ע״פ וכל בניך למודי הוי׳ וע״ז [ועל זה] נאמר יסובבנהו יבוננהו.2
À primeira vista, isso não se compreende. O ponto, porém, é que “o entendimento que aperfeiçoa a pessoa” se refere à alma divina; pois Biná (entendimento) é ben Yah (filho de Yah), como está escrito sobre o versículo “E todos os teus filhos serão instruídos por Havayá”; e a respeito disso foi dito: “Ele o cercou, deu-lhe entendimento” (yevonenehu).
A pergunta do Talmud é intrigante, por isso é interpretada da seguinte maneira: “Biná que aperfeiçoa a pessoa” refere-se à alma divina. Biná é lida como ben Yah, “filho de Yah” (como no maamar sobre “todos os teus filhos serão instruídos por Havayá”), e o versículo diz sobre Israel: “Ele o cercou, deu-lhe entendimento” (Deuteronômio 32:10).
וע״ז [ועל זה] אמרו יכול שאין קרבן נה״ב [נפש הבהמית] עולה לרצון אא״כ [אלא אם כן] תתהפך למעלת ומדרגת הביטול דנפש האלקית ממש, ובאמת זהו דבר הקשה
A respeito disso disseram: “Poder-se-ia pensar”: [poder-se-ia pensar] que a oferenda da alma animal não é aceita favoravelmente a menos que ela se transforme na própria virtude e no grau de autoanulação (bitul) da alma divina. Na verdade, isso é algo difícil,
Assim, a pergunta “poder-se-ia pensar” significa: poder-se-ia pensar que a oferenda da alma animal só é aceita se ela alcançar a plena autoanulação da alma divina? Isso seria muito difícil.
כי הנה״א [הנפש האלקית] היא חלק אלוה ממעל3 שנלקחה מפנימיות העולמות וע״כ [ועל כן] יש בה בחי׳ הביטול האמיתי
pois a alma divina é “uma parte de D'us acima”, que foi retirada da dimensão interior (pnimiyut) dos mundos e, por isso, possui o nível da verdadeira autoanulação
A alma divina é “uma parte de D'us acima”, retirada da dimensão interior dos mundos; por isso, a verdadeira autoanulação lhe é natural.
בטבעה להשתפך בחיק אביה אור א״ס [אין סוף] ב״ה משא״כ בנה״ב [בנפש הבהמית] שלוקחה מק״נ [מקליפת נוגה] כו׳ וכמשנ״ת [וכמו שנתבאר] בד״ה אדם כי יקריב מכם4 מן הבהמה כו׳ וזהו ת״ל תמלח.
por natureza, de derramar-se no seio de seu Pai, a Luz Infinita (Or Ein Sof), bendito seja Ele; o mesmo não se dá com a alma animal, que foi retirada da kelipá nogá etc., como foi explicado no maamar que começa “Quando alguém dentre vós trouxer uma oferenda, dentre os animais” etc. E é por isso que “o versículo ensina: temperarás”:
Por natureza, ela anseia por derramar-se em seu Pai, a Luz Infinita. A alma animal provém da kelipá nogá, a “casca luminosa” que mistura o bem e o mal, como explicado no maamar “Quando alguém dentre vós trouxer”. Assim, o versículo responde: “temperarás”, com sal.
שעכ״פ [שעל כל פנים] תוכל לבוא גם היא לבחינת ביטול היש כו׳. וזהו ענין ההפרש בין למסור נפשו באחד ובין בחינת בכל נפשך כו׳ כמש״ש [כמה שכתוב שם].
de modo que, ao menos, também ela possa alcançar o nível da autoanulação do yesh (“algo” que se percebe como existente) etc. E esse é o sentido da diferença entre entregar a própria alma em “Um” e o nível de “com toda a tua alma” etc., como está escrito ali.
Isso significa que também a alma animal pode, pelo menos, alcançar uma medida de autoanulação. Trata-se da mesma distinção que há entre entregar a própria alma em “Um” e “com toda a tua alma”, explicada acima.
A pergunta do Talmud — “poder-se-ia pensar… como Biná” — é entendida como uma indagação sobre se a alma animal precisa alcançar a autoanulação da alma divina. A resposta, “temperarás”, significa que, por meio do sal, ela pode alcançar a medida de autoanulação que lhe é própria.
O maamar “Quando alguém dentre vós trouxer uma oferenda”, o primeiro desta parashá, explica que todo judeu possui duas almas: a alma divina, enraizada no “Adam” da Carruagem, e a alma animal, retirada dos resíduos dos ofanim e enraizada na “face do boi”; a alma desce a fim de refinar a alma animal.
Marei mekomot
- 1בינה . . בן י״ה · Zohar III, 122a
- 2יסובבנהו יבוננהו · Deuteronomy 32:10
- 3חלק אלוה ממעל · Job 31:2
- 4בד״ה אדם כי יקריב מכם · לעיל ב, ב.
42והנה הרמב״ן [הרבי משה בן נחמן] בפי׳ החומש1 כאן כתב שהמלח הוא מים ובכח השמש הבא בהם יעשה מלח2 כו׳ והמים והאש באים בה כו׳
Ora, o Ramban, em seu comentário ao Chumash aqui, escreveu que o sal é água e que, pelo poder do sol que incide sobre ela, ela se torna sal, etc.; e nela estão presentes a água e o fogo, etc.,
O Ramban explica, sobre este versículo, que o sal é água que se tornou salgada pelo calor do sol; portanto, há nele tanto água quanto fogo.
ולכן תקיים הדבר וגם תכרית כמ״ש גפרית ומלח שרפה כל ארצה3 לא תזרע ולא תצמיח כו׳.
e por isso conserva uma coisa e também a destrói [it], como está escrito: “Enxofre e sal, uma terra abrasada; não será semeada nem fará brotar”, etc.
É por isso que o sal tanto conserva quanto destrói, como na descrição de uma terra devastada com “enxofre e sal” (Deuteronômio 29:22).
Segundo o Ramban, o sal combina água e fogo e, por isso, possui dois poderes opostos: conservar e destruir.
Marei mekomot
- 1והנה הרמב״ן בפי׳ החומש · ראה ביאורו באוה״ת ויקרא-א ע׳ רלא.
- 2שהמלח הוא מים ובכח השמש הבא בהם יעשה מלח · Ramban on Leviticus 2:13
- 3גפרית ומלח שרפה כל ארצה · Deuteronomy 29:22
43ועיין ברבינו בחיי שביאר דבריו1 דהיינו שכלול משני המדות חו״ג [חסד וגבורה] שבהם הנהגת העולם וקיומו כי מלך במשפט יעמיד ארץ.2
E veja Rabbeinu Bachya, que explicou suas palavras: isto é, que [o sal] é composto dos dois atributos, Chessed e Guevurá, pelos quais o mundo é conduzido e sustentado, pois “um rei estabelece a terra por meio da justiça”.
Rabbeinu Bachya explica o Ramban: o sal contém os dois atributos pelos quais o mundo é governado e mantido em existência, bondade e severidade, pois “um rei estabelece a terra por meio da justiça” (Proverbs 29:4).
והוא ע״ד [על דרך] הנזכר בזח״א [בזהר חלק א] דנ״א ע״א3 בענין תכלת דאכיל ושצי ות״ח [ותא חזי] אע״ג [אף על גב] דאורחא דהאי נהורא תכלא אוכמא לשיצאה4 כו׳ ואתם הדברים בה׳ אלקיכם חיים כו׳
Isso segue a linha do que é mencionado no Zohar, Parte I, folio 51a, a respeito do azul (techeles) que consome e destrói: “Vem e vê: embora o modo dessa luz azul-escura seja destruir, etc., ‘Mas vós, que vos apegais a Havayá, vosso D'us, estais vivos’”, etc.;
O Zohar (1:51a) diz o mesmo sobre a luz azul-escura (techeles) de uma chama, que consome; contudo, acrescenta: “Mas vós, que vos apegais a Havayá, vosso D'us, estais vivos” (Deuteronomy 4:4).
ע״ש [עיין שם] כי המל׳ [המלכות] נקרא נהורא תכלאארץ אוכלת יושביה5 והיינו שמכלה את הקוצים והרשעים שהם יש ודבר נפרד היא מכלה אותם
veja ali. Pois Malchut é chamada “a luz azul”, “uma terra que consome seus habitantes”: isto é, consome os espinhos e os perversos; aqueles que são um “algo” e uma entidade separada, ela os consome.
Malchut é essa luz azul, “uma terra que consome seus habitantes” (Numbers 13:32): ela consome os “espinhos”, os perversos, que se consideram entidades separadas.
אבל ואתם הדבקים6 ע״י שיש בכל אחד בחינת ביטול למס״נ [למסירות נפש] באחד עי״ז אדרבה חיים כו׳ וכענין הקב״ה [הקדוש ברוך הוא] מוציא חמה מנרתיקה7 צדיקים מתרפאים בה ורשעים נכוין בה.
Mas “vós, que vos apegais”, uma vez que cada um possui o nível de autoanulação, para entregar sua alma em “Um”, por meio disso, ao contrário, [estais] “vivos”, etc. E isso se assemelha ao assunto de “O Santo, bendito seja Ele, tira o sol de sua bainha: os justos são curados por ela, e os perversos são queimados por ela”.
Mas aqueles que se apegam a D'us, por meio da autoanulação de entregar sua alma ao dizer “Um”, recebem vida por isso. É como o sol que D'us tirará de sua bainha: ele cura os justos e queima os perversos (Nedarim 8b).
O duplo poder do sal expressa a dupla natureza de Malchut, a luz azul que consome: ela destrói o que se mantém separado como um “algo” à parte e dá vida àqueles que se anulam diante de D'us.
Marei mekomot
- 1ועי׳ ברבינו בחיי שביאר דבריו · ראה באוה״ת ויקרא ע׳ רכז.
- 2מלך במשפט יעמיד ארץ · Proverbs 29:4
- 3והוא ע״ד הנזכר בזח״א דנ״א ע״א · ראה לקמן פ׳ בשלח מה, ג. אוה״ת ויקרא-א ע׳ רלא.
- 4אע״ג דאורחא דהאי נהורא תכלא אוכמא לשיצאה · Zohar, Bereshit 86:248–263
- 5ארץ אוכלת יושביה · Numbers 13:32
- 6ואתם הדבקים · Deuteronomy 4:4
- 7הקב״ה מוציא חמה מנרתיקה · Nedarim 8b:6
44והנה נהורא תכלא תכלת שרשו מגבורות דאבא וכמ״כ [וכמו כן] המלח שרשו משם כנ״ל. לכן יש במלח ג״כ ב׳ הכחות
Ora, “a luz azul”, techelet, tem sua raiz nas Guevurot de Abá, e o sal também tem sua raiz ali, como mencionado acima. Portanto, o sal também possui os dois poderes;
A luz azul tem sua raiz nas Guevurot de Abá, e o sal também. Portanto, o sal também possui dois poderes.
דהיינו כמ״ש במ״א שהתורה נקרא עוז ותושיה1 פי׳ שנותן עוז כח וגבורה בנפש האלקית ומתשת כח נפש הבהמית.
isto é, como está escrito em outro lugar, a Torá é chamada “força e tushiyah”, o que significa que ela dá força, vigor e poder à alma divina e enfraquece (mateshes) a força da alma animal.
A Torá é chamada “força e tushiyah”: ela dá força à alma divina e, entendendo-se tushiyah como mateshes, “enfraquece”, enfraquece a alma animal.
והיינו על ידי כי בחכמה אתברירו הוא מברר נפש הבהמית ומפריד הרע ממנו כו׳ וז״ש [וזהו שכתוב] כי שמים כעשן נמלחו2 (בישעיה סי׳ נ״א ו׳).
Isso ocorre porque “por meio de Chochmá eles são refinados”: ela refina a alma animal e separa dela o mal, etc. E é isso que está escrito: “Pois os céus se dissolverão (nimlachu) como fumaça” (em Isaías, capítulo 51, [versículo] 6).
Isso ocorre porque “por meio de Chochmá eles são refinados”: a sabedoria refina a alma animal e separa dela o mal. Por isso, “os céus se dissolverão (nimlachu) como fumaça” (Isaías 51:6), verbo da mesma raiz que melach, sal.
והיינו כי שמים אש ומים3 והיינו המדות חו״ג [חסד וגבורה] ויש בהן זה לעומת זה4 שמים דקדושה כמ״ש השמים כסאי5 שהם המדות כשר פסול כו׳ ולעומת זה מדות הרעות נקרא שמים דקליפה.
Isto é: shamayim (céu) é esh e mayim (fogo e água), isto é, os atributos de Chessed e Guevurá; e neles há um oposto ao outro: os céus da santidade, como está escrito: “Os céus são Meu trono”, que são os atributos de apto, impróprio, etc.; e, em oposição a eles, os atributos maus são chamados os céus da kelipá.
Shamayim, “céus”, é interpretado como esh e mayim, “fogo e água”, as emoções de bondade e severidade. Há “céus” sagrados, como em “Os céus são Meu trono” (Isaías 66:1), e, em oposição a eles, os “céus” da kelipá, as emoções más.
O sal, assim como a Torá, fortalece a alma divina e enfraquece a alma animal; seu poder de “dissolver” dirige-se aos “céus” profanos, as emoções más.
A nota da Kehot indica o Zohar Chadash, Midrash HaNe’elam sobre Bereishis, como o lugar em que a Torá é chamada “força e tushiyah” nesse sentido.
Marei mekomot
- 1שהתורה נקרא עוז ותושי׳ · בז״ח במדרש הנעלם בראשית (ו, ב) [ה, ב] יעו״ש. מבו׳ הדבר כך. [כ].
- 2כי שמים כעשן נמלחו · Isaiah 51:6
- 3שמים אש ומים · Chagigah 12a:19–20
- 4זה לעומת זה · Ecclesiastes 7:14
- 5השמים כסאי · Isaiah 66:1
45וע״ז [ועל זה] נאמר והיו שמיך אשר על ראשך1 נחושת. וכמ״ש בת״ז [בתיקוני זהר] תקון ח׳ ובשל״ה [ובשני לוחות הברית] דפ״ח ע״ב בשער האותיות אות קו״ף בענין קונה שמים וארץ כו׳
E a respeito disso foi dito: “E os céus que estão sobre tua cabeça serão de cobre”, como está escrito em Tikkunei Zohar, Tikkun 8, e no Shelah, fólio 88b, no Portão das Letras, letra kuf, a respeito de “Aquele que adquire (koneh) os céus e a terra” etc.
A respeito dos céus impuros foi dito: “Os céus que estão sobre tua cabeça serão de cobre” (Deuteronômio 28:23), como explicam Tikkunei Zohar e o Shelah (sobre a letra kuf e “Aquele que adquire os céus e a terra”).
ועל זה נאמר כי שמים כעשן נמלחו ופרש״י [ופירש רש״י / ופירוש רש״י] לשון רקבון עיין בירמיה ל״ח י״ב בפרש״י [בפירש רש״י / בפירוש רש״י],
E a respeito disso foi dito: “Pois os céus se dissolverão (nimlachu) como fumaça”, e Rashi explica [que é] um termo que significa apodrecer; veja Rashi sobre Jeremias 38:12.
São estes os céus que “se dissolverão como fumaça”; Rashi explica nimlachu como apodrecer, como em Jeremias 38:12.
והיינו ע״י המלח דקדושה שמכלה ומכרית היש ודבר נפרד כו׳. ועיין מ״ש בד״ה זאת חקת התורה23 בענין להקריב אותיות להרקיב כו׳ ע״ש [עיין שם].4
E isso ocorre por meio do sal de santidade, que consome e destrói o “algo” (yesh) e a entidade separada etc. Veja também o que está escrito no discurso que começa com “Esta é a lei da Torá”, a respeito de lehakriv (oferecer) conter as letras de leharkiv (apodrecer) etc.; veja lá.
Esse apodrecimento é obra do sal sagrado, que destrói a sensação de ser uma existência separada. O texto se refere ao discurso sobre a vaca vermelha, “Esta é a lei da Torá”, no qual lehakriv, “oferecer”, é associado a leharkiv, “apodrecer”.
O sal de santidade faz apodrecer os “céus” impuros, as emoções más, assim como uma oferenda desfaz a existência separada.
O discurso sobre a vaca vermelha explica que a queima separa o mal misturado às centelhas de Tohu, deixando as “cinzas”, a essência pura; da mesma forma, é preciso queimar o mal misturado às emoções da alma animal, que provêm da kelipat nogah.
Marei mekomot
- 1והיו שמיך אשר על ראשך · Deuteronomy 28:23
- 2בד״ה זאת חוקת התורה · לקו״ת חקת נח, ד.
- 3זאת חקת התורה · Numbers 19:2
- 4
46והנה כמו שהמלח יש בו כח להכרית את הרע להיות שמים כעשן נמלחו כו׳. וע״ד [ועל דרך] שפי׳ בש״ך [בשפתי כהן (הש״ך)] ס״פ תצא בשם המדרש1 בענין תמחה את זכר עמלק מתחת השמים2 אתה מתחת השמים ואני מעל לשמים כו׳.
Ora, assim como o sal contém o poder de destruir o mal, de modo que “os céus se dissolverão como fumaça” etc., e conforme o que é explicado no Shach, ao final de [Parshat] Teitzei, em nome do Midrash, a respeito de “Apagarás a lembrança de Amalek de debaixo dos céus”: “Tu, de debaixo dos céus, e Eu, de acima dos céus” etc.,
O sal destrói o mal, assim como os céus “se dissolverão como fumaça”. O Shach cita um Midrash sobre “Apagarás a lembrança de Amalek de debaixo dos céus”: “tu” o apagarás embaixo, e D'us o apagará acima dos céus.
כמ״כ [כמו כן] יש בו כח לקיים את הטוב וכמ״ש גבי אהרן ברית מלח עולם3 וכן גבי דוד (ד״ה [דברי הימים] ב׳ י״ג ה׳), ועיין מזה ברבות ר״פ קדושים.
assim também ele contém o poder de sustentar o bem, como está escrito a respeito de Aharon: “uma aliança eterna de sal”, e igualmente a respeito de David (II Chronicles 13:5); veja também sobre isso em Rabbos, no início de [Parshat] Kedoshim.
O sal também preserva o bem: a aliança de D'us com Aharon é “uma aliança eterna de sal” (Numbers 18:19), e o mesmo se dá com David (II Chronicles 13:5).
והיינו שנותן טעם להיות טעמו וראו כי טוב4 ה׳ ונותן כח בנפש האלקית כנ״ל וגם
Isto é, ele dá sabor, para que se possa “provar e ver que D'us é bom”, e dá força à alma divina, como mencionado acima; e também
O sal dá sabor, como em “Provar e ver que D'us é bom” (Psalms 34:9), e fortalece a alma divina.
מהפך הטוב דנפש הבהמית להתעלות בקדושה שזהו ענין על כל קרבנך תקריב מלח כנ״ל. וכמ״ש לקמן שמלח לשון תערובות והפך והיינו שמהפך נה״ב [נפש הבהמית] ממרירו למיתקו:
transforma o bem da alma animal, elevando-o à santidade; esse é o sentido de “Sobre todas as tuas oferendas oferecerás sal”, como mencionado acima. E como está escrito adiante, melach (sal) é uma expressão que indica mistura e reversão; isto é, transforma a alma animal, da amargura à doçura.
Ele também transforma o bem que há na alma animal e o eleva à santidade; esse é o sentido de “sobre todas as tuas oferendas oferecerás sal”. Como explicado adiante, melach significa mistura e reversão: transforma a alma animal do amargo em doce.
O sal tanto destrói o mal quanto preserva e eleva o bem, transformando a alma animal da amargura à doçura.
Marei mekomot
- 1בשם המדרש · Zohar II, 66a
- 2תמחה את זכר עמלק מתחת השמים · Deuteronomy 25:19
- 3ברית מלח עולם · Numbers 18:19
- 4טעמו וראו כי טוב · Psalms 34:9
47ז וז״ש [וזהו שכתוב] גבי אלישע שריפא את מי יריחו ע״י מלח (במ״ב סי׳ ב׳ כ״א) וכמ״ש בזח״א [בזהר חלק א] דרמ״א ע״ב1 דאיהו ממרק ומבשם מרירו לאטעמא.23
7. E é isso que está escrito a respeito de Elisha, que curou as águas de Jericó por meio do sal (II Reis, capítulo 2, [versículo] 21), e conforme está escrito no Zohar, Parte I, fólio 241b, que ele “purifica e adoça a amargura, para dar sabor”.
A seção 7 menciona Elisha, que curou com sal as águas ruins de Jericó (II Reis 2:21). O Zohar (1:241b) diz que o sal “purifica e adoça a amargura, para dar sabor”.
ועוי״ל [ועוד יש לומר] בזה כי מים הרעים שרשם נמשך ע״י ההבדלה שהבדיל בין מים עליונים ובין מים תחתונים.
Pode-se dizer ainda a esse respeito que a raiz das águas ruins deriva da separação pela qual Ele separou as águas superiores das águas inferiores.
Uma explicação adicional: a raiz das “águas ruins” está na separação que D'us fez, no segundo dia da criação, entre as águas superiores e as inferiores.
ומזה נמשך הפסולת דמים שהם מים הרעים ע״ד [על דרך] מים המאררים4 כו׳ עיין זח״ב [זהר חלק ב׳] שמות ד״ו ע״א ובפ׳ נשא דקכ״ה ע״א ובפרדס בעה״כ [בערכי הכינויים] ערך מים בסופו ובמא״א [ובמאורי אור] אות מ׳ ססע״י [סוף סעיף] ט״ז,5
Dessa separação deriva a escória das águas, que são as águas ruins, à semelhança das “águas amargas que trazem a maldição” etc. (Veja o Zohar, Parte II, Shemot, fólio 6a, e na Parashat Nasso, fólio 125a; e no Pardes, em Erchei HaKinuyim, verbete “água”, ao final; e em Me’orei Or, letra mem, ao final da seção 16.)
Daquela separação veio a escória das águas — as “águas ruins” — à semelhança das “águas amargas que trazem a maldição” da sotá (Números 5). O texto fornece referências ao Zohar, ao Pardes e a Me’orei Or.
והנה רש״י [רבי שלמה יצחקי] פי׳ כאן ע״פ ולא תשבית מלח שהובטחו מים תחתונים ליקרב ע״ג [על גבי] המזבח במלח ובניסוך המים.6
Ora, Rashi explica aqui, com base no versículo “E não deixarás de oferecer sal”, que às águas inferiores foi prometido que seriam oferecidas sobre o altar, por meio do sal e da libação de água.
Rashi explica o versículo em questão: foi prometido às águas inferiores que seriam oferecidas sobre o altar, por meio do sal e da libação de água de Sucot.
Tanto o sal que curou as águas de Jericó quanto o sal das oferendas reparam as águas inferiores, que foram separadas das águas superiores.
Uma nota da Kehot cita o Or HaTorah do Tzemach Tzedek sobre “adoça a amargura”: Malchut é construída a partir das Guevurot, de modo que a força dos julgamentos provém dela — essa é a “amargura” —, e Yessod adoça seus julgamentos, assim como o Nome Mah refina o Nome Ban.
Marei mekomot
- 1בזח״א דרמ״א ע״ב · ראה גם אוה״ת ויקרא-ד ע׳ א׳סב.
- 2ומבשם מרירו לאטעמא · ראה אוה״ת ויקרא-א ע׳ רל: יש לפרש כי המל׳ בנינה מהגבורות ע״כ ממנה נמשך תוקף הדינים וזהו ענין המרירו, וע״י היסוד ממתיק דיני׳ גם זהו ע״ד מ״ה מברר ב״ן, ע״ש.
- 3ממרק ומבשם מרירו לאטעמא · Zohar, Vayechi 65:661–66:673
- 4מים המאררים · Numbers 5:18
- 5כי מים הרעים שרשם נמשך ע״י ההבדלה . . סעי׳ טז · ראה גם אוה״ת ויקרא-ד ע׳ פא.
- 6שהובטחו מים תחתונים ליקרב ע״ג המזבח במלח ובניסוך המים · Rashi on Leviticus 2:13
48והיינו שע״י המלח של הקרבן מתעלים המים תחתונים עד שנעשו בבחי׳ מים חיים. וז״ס [וזה סוד] רפואת מים הרעים דיריחו ע״י המלח
Isto é: por meio do sal da oferenda, as águas inferiores são elevadas até se tornarem águas vivas. Este é o segredo da cura das águas ruins de Jericó por meio do sal,
Por meio do sal da oferenda, as águas inferiores são elevadas até se tornarem “águas vivas”. Este é o sentido interior da cura das águas de Jericó por Elisha com sal.
שהוא שרש התיקון לבחי׳ מים תחתונים כו׳ עד שנעשו עי״ז בבחי׳ באר מים חיים כו׳.
que é a raiz da retificação das águas inferiores, etc., até que, por meio disso, elas se tornem “um poço de águas vivas”, etc.
O sal é a raiz da retificação das águas inferiores, até que elas se tornem “um poço de águas vivas”.
O sal retifica e eleva as águas inferiores, transformando águas ruins em águas vivas — o modelo da elevação daquilo que é inferior.
Adoçar o julgamento e o pão da pobreza ¶49–57
49וכמ״כ [וכמו כן] יובן ענין זה בנפש שבכדי לרפאות המים המרים דנה״ב [דנפש הבהמית] שנמשכת אחר תענוגי עוה״ז [עולם הזה] הנקרא בשם מרירו.
Da mesma forma, este assunto será compreendido na alma: para curar as águas amargas da alma animal, que é atraída pelos prazeres deste mundo, chamados de “amargura” (meriru),
O mesmo se aplica à pessoa. A alma animal é atraída pelos prazeres deste mundo, que o Zohar chama de “amargura”, pois seu fim é amargo; essas são suas “águas más”, que precisam ser curadas.
כמ״ש כי נופת תטופנה כו׳ ואחריתה1 מרה כלענה.2 וע׳ [ועיין] זח״ב [זהר חלק ב׳] ויקהל דר״ג ע״ב הנה זהו ע״י התורה שנקרא בשם מלח וכמ״ש רפאות תהי לשרך34
como está escrito: “Pois [seus lábios] gotejam mel”, etc., “mas seu fim é amargo como o absinto” (e veja o Zohar, Part II, Vayakhel, folio 203b); isso se dá por meio da Torá, que é chamada de “sal”, como está escrito: “Será cura para o teu umbigo”,
Provérbios diz sobre o prazer proibido que seus lábios “gotejam mel”, mas seu fim é “amargo como o absinto”. A cura é a Torá, chamada de sal, sobre a qual Provérbios diz: “Será cura para o teu umbigo”.
isto é, até mesmo “da tua cintura para baixo”, que está abaixo do firmamento que separa entre águas e águas, etc. Por isso, o sal é chamado de “a aliança do teu D'us”.
“Teu umbigo” é interpretado como alcançando até mesmo “da tua cintura para baixo”, o nível mais baixo, abaixo do firmamento que separou as águas superiores das inferiores. Por isso, o sal é chamado de “a aliança do teu D'us”.
כי שורש הדינים והמרירות נמשכים משם אלקים שיש בו ק״ך צירופים המשתלשלים למטה עד סוף העשיהומהם יונקים ק״ך צירופים דנוגה שבין שניהם נעשים מ״ר ב״פ [ב׳ פעמים] ק״ך וכחשבון עמלק.7
Pois a raiz dos julgamentos e da amargura provém do Nome Elokim, que possui 120 combinações que descem até o fim de Assiá; e delas recebem vitalidade as 120 combinações de Nogah, de modo que, juntas, somam 240, duas vezes 120, que é o valor numérico de Amalek.
Os julgamentos e a amargura provêm do Nome Elokim, cujas letras podem ser combinadas de 120 maneiras; essas combinações descem até o nível mais baixo do mundo da ação, e as 120 combinações de Nogah, a casca mista, recebem delas seu sustento. Juntas, somam 240, o valor numérico de Amalek (עמלק).
A Torá, como sal, cura as “águas amargas” da alma animal — os prazeres deste mundo — cuja raiz está nos julgamentos do Nome Elokim e em sua contraparte na kelipá, Amalek.
A nota da Kehot indica a fonte das 120 combinações e de sua soma, Amalek, em Me’orei Or (letter mem, section 92) e em Ya’ir Nesiv, que cita o Likkutei Torah do Arizal.
Marei mekomot
- 1נופת תטופנה . . ואחריתה · Proverbs 5:3
- 2ואחריתה מרה כלענה · Proverbs 5:4
- 3רפאות תהי לשרך · שם ג, ח.
- 4רפאות תהי לשרך · Proverbs 3:8
- 5מפלגך ולתתא · ועל״ק שה״ש ד״ה ששים המה גו׳ הא׳ פ״א וב׳ יעו״ש. [כ].
- 6רקיע המבדיל בין מים למים · Genesis 1:6
- 7מ״ר ב״פ ק״ך וכחשבון עמלק · מאו״א מ׳ סעי׳ צ״ב וביאיר נתיב בשם לקו״ת להאריז״ל.
50והמלח ממתיק הדינים הנ״ל ע״י שממשיך משרש ועיקר הגבורות דקדושה כו׳ ומקיים ומכרית כו׳ כנ״ל.
E o sal adoça os julgamentos mencionados acima, extraindo da raiz e da essência das Guevurot da santidade, etc.; e sustenta e destrói, etc., como mencionado acima.
O sal adoça esses julgamentos porque extrai da raiz das Guevurot sagradas; assim, tanto sustenta quanto destrói, como explicado acima.
ובכהאריז״ל [ובכתבי האריז״ל] אמר מלח כחשבון ג׳ שמות הוי׳ ולכן נאמר גבי אהרן ברית מלח עולם1 כי הכהנים מברכים את העם שלש ברכות שהן ג׳ שמות הוי׳ דיברכך יאר וישא,2 ששרשן גבוה מאד נעלה למעלה מההשתלשלות
E nos escritos do Arizal, de abençoada memória, ele disse que melach (sal) tem o valor numérico de três Nomes Havayá. Por isso, a respeito de Aharon, é dito: “uma aliança eterna de sal”, pois os cohanim abençoam o povo com três bênçãos, que são os três Nomes Havayá de “Que Ele te abençoe”, “Que Ele faça brilhar” e “Que Ele eleve”, cuja raiz é muito elevada, acima da cadeia descendente dos mundos (hishtalshelut),
Os escritos do Arizal observam que melach (מלח, 78) equivale a três vezes o Nome Havayá (26). Assim, a aliança de Aharon é “uma aliança de sal”: os cohanim abençoam o povo com três bênçãos, cada uma com o Nome Havayá, cuja raiz está muito acima da cadeia dos mundos.
ובזה הוא קיום העולם וזהו שנק׳ מלח שהוא קיום הדבר כו׳ ועם היות המלח הוא גבורה אך גם ברכת כהנים נקרא ששים גבורים3 ברבות נשא פי״א [פרק י״א].
e por meio disso o mundo é sustentado. E é por isso que é chamado sal, pois sustenta uma coisa, etc. E embora o sal seja Guevurá, a Bênção Sacerdotal também é chamada de “sessenta guerreiros (gibborim)”, em Rabbos, Naso, capítulo 11.
Por meio dessas bênçãos, o mundo é sustentado, e o sal é aquilo que preserva. Embora o sal seja rigor (Guevurá), o Midrash (Bamidbar Rabbah, Naso) também chama a Bênção Sacerdotal de “sessenta guerreiros”, indicando a severidade no serviço da bênção.
O sal, cujo valor numérico corresponde a três Nomes Havayá, está ligado à Bênção Sacerdotal tripla que sustenta o mundo; sua severidade é uma força sagrada que adoça o julgamento.
Marei mekomot
- 1ברית מלח עולם · Numbers 18:19
- 2דיברכך יאר וישא · Numbers 6:24–26
- 3ששים גבורים · Song of Songs 3:7
51וזהו פי׳ ברית אלקיך שהוא ענין ההמשכה משם הוי׳ בשם אלקים כו׳ שיהי׳ [שיהיה] בבחי׳ אלקיך ממש בבחי׳ גילוי בפנימיות. וכמארז״ל [וכמאמר רבותינו זכרונם לברכה] מה ברית האמור במלח, מלח ממתקת.1 דהיינו המתקת הדינין של שם אלקים.
E este é o significado de “a aliança do teu D'us (Elokecha)”: trata-se de atrair do Nome Havayá para o Nome Elokim, etc., para que esteja verdadeiramente no estado de “teu D'us”, revelado na dimensão interior. E, como disseram nossos Sábios, de abençoada memória: “Assim como a aliança mencionada a respeito do sal: o sal adoça”; isto é, o abrandamento dos julgamentos do Nome Elokim.
“A aliança do teu D'us” significa atrair o Nome transcendente Havayá para o Nome Elokim, de modo que D'us se torne “teu D'us”, revelado interiormente. A comparação do Talmud, “assim como a aliança do sal: o sal adoça” (Berachos 5a), significa abrandar os julgamentos do Nome Elokim.
O sal é “a aliança do teu D'us” porque atrai Havayá para Elokim e, assim, adoça o julgamento, fazendo com que D'us se revele de modo pessoal.
Marei mekomot
- 1מה ברית האמור במלח מלח ממתקת · Berakhot 5a:19
52ובת״ז [ובתיקוני זהר] תקון כ״א דף נ״ד ע״א1 מלח אותיות חלם ואותיות מחל כי חולם הוא הנקודה שבראשי אתוין שמורה על עליות המל׳ [המלכות] להיות עטרת תפארת כמ״ש בתו״א [בתורה אור] פ׳ נח סד״ה
E no Tikkunei Zohar, Tikkun 21, fólio 54a: melach (sal) contém as letras de cholem e as letras de mochel (perdoa). Pois o cholem é o ponto acima das letras, que indica a ascensão de Malchut, para tornar-se a coroa de Tiféret, como está escrito em Torah Ohr, Parashat Noach, no final do discurso que começa
O Tikkunei Zohar encontra em מלח (sal) as letras de חלם (cholem, o sinal vocálico escrito acima das letras) e de מחל (perdoa). O cholem acima das letras significa que Malchut ascende para tornar-se a coroa de Tiféret, como Torah Ohr explica em Parashat Noach.
להבין הענין שתפלת הבעל עסק כו׳ שנקודה א׳ העליונה כולל בחינה התחתונה כו׳ ע״ש [עיין שם], ומשם נמשך המחילה ביוהכ״פ [ביום הכפורים] וכן הקרבנות באין לכפר ועלייה זו ע״י ברית מלח כו׳.
“Para compreender o assunto da oração de um homem de negócios”, etc.: que um único ponto superior inclui o nível inferior, etc.; veja ali. E dali vem o perdão (mechilá) em Yom Kipur; do mesmo modo, as oferendas vêm para expiar; e esta ascensão se dá por meio da aliança de sal, etc.
Esse discurso explica como um único ponto superior inclui o nível inferior. Dessa ascensão vêm o perdão em Yom Kipur e a expiação das oferendas, e ela é realizada por meio da aliança de sal.
גם פי׳ חלם לשון חיזוק כמו יחלמו בניהם2 (איוב סי׳ ל״ט ד׳) שפרש״י [שפירש רש״י / שפירוש רש״י] יחזקו. וכן ותחלימני והחייני (בישעיה ל״ח י״ו) פרש״י [פירש רש״י / פירוש רש״י] תבריאני ותחזקני.
Além disso, chalam significa fortalecimento, como em “Seus filhotes se fortalecem (yachlemu)” (Jó, capítulo 39, [versículo] 4), que Rashi explica como “se fortalecem”; e também “E Tu me restabelecerás (vesachalimeni) e me manterás vivo” (Isaías 38:16), [que] Rashi explica: “Tu me curarás e me fortalecerás”.
Chalam também significa força: “seus filhotes se fortalecem (yachlemu)” (Jó 39:4) e “Tu me restabelecerás (vesachalimeni)” (Isaías 38:16), como Rashi explica em ambos os casos.
ועד״ז [ועל דרך זה] פי׳ רבינו בחיי בפ׳ תצוה בענין אבן אחלמה וסגולת האבן הזאת שמחזקת את הלב כו׳.
De modo semelhante, Rabbeinu Bachya explica, em Parashat Tetzavê, a respeito da pedra achlamá, que a propriedade especial dessa pedra é fortalecer o coração, etc.
Rabbeinu Bachya também explica que a pedra achlamá do peitoral do Sumo Sacerdote é uma pedra que fortalece o coração.
E este fortalecimento corresponde ao que está escrito: “E Ele dará força ao Seu rei”; e também ao que está escrito sobre o versículo “E agora, que o poder de Ado-nai seja grande”, etc.
Essa força é como “Ele dará força ao Seu rei” (I Samuel 2:10), força concedida a Malchut, e como “Que o poder de Ado-nai seja grande” (Números 14:17), conforme explicado no discurso sobre esse versículo.
וזהו נמשך ג״כ מבחי׳ מלח שהוא הכח המעמיד ומקיים הדבר שזהו פי׳ ברית מלח עולם6 הנאמר גבי אהרן ס״פ קרח וגבי דוד (בדברי הימים ב׳ סי׳ י״ג ה׳).
E isso também é atraído do nível do sal, que é a força que sustenta e mantém uma coisa. Esse é o sentido de “uma aliança eterna de sal”, dita a respeito de Aharon no final de Parashat Korach e a respeito de David (em II Chronicles, capítulo 13, [versículo] 5).
Isso também provém do sal, a força que sustenta e preserva. Essa é a “aliança eterna de sal” estabelecida com Aharon (Números 18:19) e com David (II Chronicles 13:5).
ועמ״ש סד״ה שובה ישראל עד.7 להיות יחו״ת [יחודא תתאה] כמו יחו״ע [יחודא עילאה] בבחי׳ תרין, ריעין בחי׳ אהל בל יצען.8 וכמ״ש וארשתיך לי לעולם:910
E veja o que está escrito no final do discurso que começa “Retorna, ó Israel, até”: que a unidade inferior (yichudá tataá) seja como a unidade superior (yichudá ilaá), à maneira de “dois companheiros”, o nível de “uma tenda que não será removida”; e como está escrito: “E Eu te desposarei para Mim para sempre”.
O discurso “Retorna, ó Israel, até” explica o objetivo: que a unidade inferior, D'us dentro do mundo, se torne como a unidade superior, como dois companheiros inseparáveis, “uma tenda que não será removida”, conforme “E Eu te desposarei para Mim para sempre”.
O sal (מלח) é interpretado como cholem, o ponto que eleva Malchut para torná-la uma coroa; como mochel, perdão; e como força. Sua aliança torna permanente a união de D'us com o mundo.
O discurso de Likkutei Torah sobre “E agora, que o poder de Ado-nai seja grande” explica Ado-nai como a realeza de D'us, e “poder” como a Luz Infinita circundante, atraída por meio da aceitação de Sua realeza nas mitsvot, revelada do mesmo modo que a força da mão só se torna visível quando ela arremessa uma pedra. Uma nota de Kehot acrescenta que, pelo sentido da passagem, a referência ao Tikkunei Zohar aqui é ao fólio 47a nas edições atuais.
Marei mekomot
- 1תקון — נ״ד ע״א · לפננו ע״פ משמעות הענין הוא (דמ״ז, א). [כ].
- 2יחלמו בניהם · Job 39:4
- 3ויתן עוז למלכו · I Samuel 2:10
- 4ע״פ ועתה יגדל נא · אולי הכוונה לקו״ת שלח לט, ב. וראה באוה״ת פ׳ שלח ע״פ זה בארוכה.
- 5ועתה יגדל נא כח אדני · Numbers 14:17
- 6ברית מלח עולם · Numbers 18:19
- 7סד״ה שובה ישראל עד · לקו״ת ש״ש סז, ג.
- 8אהל בל יצען · Isaiah 33:20
- 9וארשתיך לי לעולם · Hosea 2:21
- 10
53ח והנה לפ״ז [לפי זה] צ״ל [צריך להיות / צריך לומר / צריך להבין] דגבי מצה כ׳ [כתב] הפוסקים שלא ליתן מלח בפת בפסח כמ״ש בטוש״ע [בטור ושולחן ערוך] סי׳ תנ״ה.
8. Ora, de acordo com isso, é preciso entender [por que], no que diz respeito à matsá, os decisores haláchicos escreveram que não se deve pôr sal na massa durante Pêssach, conforme está escrito no Tur e no Shulchan Aruch, seção 455.
A seção 8 levanta uma questão de lei judaica: os códigos (Tur e Shulchan Aruch, seção 455) dizem que não se deve pôr sal na massa da matsá durante Pêssach.
ולכאורה אינו מובן לפמשנ״ת [לפי מה שנתבאר] למעלה שורש ענין המלח מדוע יהיה שבמצה לא יהיה מלח וכמ״ש בגמרא פ״ח [פרק ח׳] דשבת דע״ט ע״א מצה כמשמעו דלא מליח1 כו׳,
À primeira vista, isso não se entende à luz do que foi explicado acima sobre a raiz do assunto do sal: por que a matsá não deve conter sal? E, conforme está escrito na Guemará, capítulo 8 de Shabat, fólio 79a: “matsá, como seu significado indica: isto é, não salgada”, etc.
Considerando tudo o que foi dito sobre o sal, por que a matsá não deve conter sal? O próprio Talmud (Shabat 79a) diz: “matsá, como seu nome indica, é sem sal”.
ובטו״ב סי׳ תנ״ה כתב לפי כי המלח הוא שורש הדין כו׳, ואין זה מספיק דאדרבה הוא מיתוק הדינים כנ״ל.
E no טו״ב, seção 455, ele escreveu [que é] porque o sal é a raiz do julgamento, etc. Mas isso não basta, pois, pelo contrário, o sal adoça os julgamentos, como mencionado acima.
Um comentário sobre essa seção explica que o sal é a raiz do julgamento. Isso não basta, pois o sal adoça o julgamento, conforme demonstrado acima.
Mas o assunto é explicado no Tikkunei Zohar, Tikkun 69, fólio 108a: “o pão da pobreza, sem sal”, etc., “porque é uma matsá partida”, etc.,
A resposta está no Tikkunei Zohar: o “pão da pobreza” não contém sal porque é uma matsá partida.
עד דתהא שלימה לא צריך לקרבא עלה מלח דאיהו חלם ומאי ניהו חלם אמצעי דכולהו עכ״ל [עד כאן לשונו], ופי׳ בכס״מ שכשהיא פרוסה היא אות דל״ת לשון דלות היינו לחם עוני.
“até que esteja inteira, não é necessário aproximar dela o sal, pois ela é cholem; e o que é cholem? O do meio entre todos eles.” Fim da citação. E o Kisei Melech explica que, quando está partida, ela é a letra dalet, um termo que significa pobreza (dalut), isto é, “pão da pobreza”.
O sal não é aproximado dela até que se torne inteira, pois o sal é o cholem, a linha do meio. O Kisei Melech explica que a matsá partida é a letra dalet, derivada de dalut, “pobreza”; daí “pão da pobreza”.
A lei de que a matsá não deve conter sal é explicada por meio do Tikkunei Zohar: a matsá é o “pão da pobreza”, um dalet partido, que não pode receber o sal até se tornar inteiro.
Uma nota da Kehot acrescenta que, nas edições atuais, essa passagem do Tikkunei Zohar está no fólio 110 e remete ao Or HaTorah do Tzemach Tzedek sobre Vayikra para uma discussão adicional.
Marei mekomot
- 1
- 2בת״ז — דק״ח ע״א · לפננו דק״י. [כ]. ראה גם אוה״ת ויקרא-א ע׳ רכט.
- 3לחם עני · Deuteronomy 16:3
54וצריך להשלימה באות ו׳ בתוכה שתהיה ה״א כו׳ ואז דוקא תקריב עליה מלח שהם ג׳ שמות הוי׳ שבחג״ת [שבחסד גבורה תפארת] עכ״ד [עד כאן דבריו].
E é preciso completá-la com a letra vav em seu interior, para que se torne um hei, etc.; e somente então se deve oferecer sal sobre ela, que são os três Nomes Havayá em Chessed, Guevurá e Tiféret. Fim de suas palavras.
Para completá-la, coloca-se um vav dentro do dalet, transformando-o em um hei. Somente então se oferece sal sobre ela: os três Nomes Havayá em Chessed, Guevurá e Tiféret.
והענין כי פי׳ לחם עני זהו ע״ד [על דרך] סיהרא לית לה מגרמה כלום1 ואזי היא בחי׳ עניה.
A explicação é que “pão da pobreza” corresponde à ideia de “a lua nada tem de seu”; então, ela se encontra no estado de pobreza.
“Pão da pobreza” é Malchut em seu estado de “a lua, que nada tem de seu”, recebendo apenas aquilo que lhe é dado; nesse estado, ela é “pobre”.
A matsá é o estado “pobre” de Malchut, que nada tem de seu; primeiro, ela precisa ser completada para então poder receber o sal.
Marei mekomot
- 1סיהרא לית לה מגרמה כלום · Zohar, Vayechi 81:824–82:836
55וכמ״ש בזח״א [בזהר חלק א] בראשית דל״ג1 א׳. ויחי דרמ״ט ע״ב. ואין עני אלא בדעת.2 וע״י קבלתה משמשא3 נפקא ממסכנותא היינו ע״י שנמשך בה הדעת מבחי׳ שמש הוי׳.
(Como está escrito no Zohar, Parte I, Bereshit, fólio 33a, [e] Vayechi, fólio 249b.) E “não há pobre senão em conhecimento”. E, ao receber do sol, ela sai de sua pobreza: isto é, quando Daat é atraído para ela do nível de “um sol, Havayá”.
O Zohar diz isso a respeito da lua, e o Talmud afirma: “O único pobre é aquele que é pobre em conhecimento” (Nedarim 41a). A lua sai de sua pobreza ao receber do sol, isto é, quando Daat é atraído para Malchut de “um sol, Havayá” (Salmos 84:12).
וכמ״ש ברע״מ [ברעיא מהימנא] ר״פ כי תשא העשיר דא עמודא דאמצעיתא. היינו קו האמצעי דעת תפארת ועמ״ש בד״ה וידעת היום4 והשבות כו׳. ומתחלה כשהיא רק בבחי׳ אמונה לבד נק׳ לחם עני.5
E como está escrito no Raaya Mehemna, no início da Parashat Ki Tissá: “‘O rico’: este é a coluna do meio”, isto é, a linha do meio, Daat [e] Tiféret. E veja o que está escrito no discurso que começa “E saberás hoje e levarás [isso] ao [teu coração]”, etc. E, a princípio, quando ela está apenas no estado de fé, é chamada “pão da pobreza”.
O Raaya Mehemna chama “o rico” de coluna do meio, a linha do meio de Daat e Tiféret. Antes de receber isso, enquanto tem apenas fé, Malchut é chamada “pão da pobreza”.
והנה תחלת העבודה צ״ל [צריך להיות / צריך לומר / צריך להבין] בבחי׳ אמונה לבד דווקא. וכמארז״ל [וכמאמר רבותינו זכרונם לברכה] בא חבקוק6 והעמידן על אחת שנאמר וצדיק באמונתו יחיה.7
Ora, o início do serviço divino deve ser especificamente no modo de fé apenas. E, como disseram nossos Sábios, de abençoada memória: “Chavakuk veio e as fundamentou em uma, como está dito: ‘E o justo viverá por sua fé’.”
O serviço divino deve começar apenas com fé. O Talmud diz que Chavakuk fundamentou todas as mitsvot em uma, “o justo viverá por sua fé” (Makkos 24a; Habacuque 2:4).
וכתיב פתחו שערים ויבוא גוי צדיק שומר אמונים8 (בישעיה סי׳ כ״ו ב׳). וכדפירש״י [וכדפירש רש״י] שם. וכתיב והיה אמונת עתיך חוסן ישועות9 (שם ל״ג ו׳).
E está escrito: “Abri os portões, para que entre uma nação justa, que guarda a fé” (em Isaías, capítulo 26, [versículo] 2), como Rashi explicou ali. E está escrito: “E a fé dos teus tempos será a força das salvações” (ali, 33:6).
Isaías também fala de “uma nação justa, que guarda a fé” (26:2), como Rashi explica ali, e diz: “a fé dos teus tempos será a força das salvações” (33:6).
וממנה יבוא אח״כ [אחר כך] לבחי׳ הדעת שהוא השגת פנימית התורה וכמארז״ל [וכמאמר רבותינו זכרונם לברכה] כל המקיים את התורה10 מעוני סופו לקיימה מעושר. בפ״ד דאבות.11 ופי׳ במדר׳ [במדרש] שמואל.
E, a partir dela, ele chegará depois ao nível de Daat, que é a compreensão da dimensão interior da Torá. E, como disseram nossos Sábios, de abençoada memória: “Quem cumpre a Torá na pobreza acabará por cumpri-la na riqueza” (no capítulo 4 de Avot). E isso é explicado no Midrash Shmuel
Da fé, a pessoa chega mais tarde a Daat, a compreensão da Torá interior. Assim, a Mishná diz: “Quem cumpre a Torá na pobreza acabará por cumpri-la na riqueza” (Avot 4:9), como explica o Midrash Shmuel.
דר״ל [דרוצה לומר] מעוני הדעת. סופו לקיימה מעושר הדעת שהוא ישפיע עליו מחכמתו כו׳ וזהו אם אין יראה אין חכמה אם אין חכמה12 אין יראה,13 וא״כ [ואם כן] איך יתחיל.
isto é, “na pobreza” de conhecimento, [e] “acabará por cumpri-la na riqueza” de conhecimento: Ele lhe concederá de Sua sabedoria, etc. E isso corresponde a: “Se não há temor, não há sabedoria; se não há sabedoria, não há temor”. Se é assim, como se deve começar?
Pobreza e riqueza, ali, significam pobreza e riqueza de conhecimento: aquele que serve com pouca compreensão receberá a sabedoria de D'us. Mas a Mishná também diz: “Se não há temor, não há sabedoria; e se não há sabedoria, não há temor”; por onde se pode começar?
אלא כי יש ב׳ בחי׳ יראה הא׳ יראה תתאה והיא תרעא לאעלאה, ולכן אם אין יראה אין חכמה.
Mas há dois níveis de temor. O primeiro é o temor inferior, e ele é “o portão para entrar”; portanto, “se não há temor, não há sabedoria”.
A resposta é que há dois tipos de temor. O temor inferior é “o portão para entrar”, o ponto de partida; por isso, sem temor não há sabedoria.
A matsá, o “pão da pobreza”, é o serviço por meio da fé simples; a partir dela, a pessoa chega a Daat, a “riqueza” da compreensão da Torá interior, começando pelo temor inferior, que é o portão para a sabedoria.
Marei mekomot
- 1בזח״א בראשית דל״ג א׳ · מובא באוה״ת ויקרא-ב ע׳ תמב.
- 2ואין עני אלא בדעת · Nedarim 41a:2–3
- 3שמש ה׳ · Psalms 84:12
- 4בד״ה וידעת היום · לקו״ת ואתחנן ד, א.
- 5כשהיא רק בבחי׳ אמונה לבד נק׳ לחם עני · ראה ד״ה השמים כסאי תשל״ו סעי׳ ג (סה״מ מלוקט-ג ע׳ קלד).
- 6בא חבקוק · Makkot 24a:27
- 7וצדיק באמונתו יחי׳ · Habakkuk 2:4
- 8פתחו שערים ויבוא גוי צדיק שומר אמונים · Isaiah 26:2
- 9והיה אמונת עתיך חוסן ישועות · Isaiah 33:6
- 10
- 11בפ״ד דאבות · מ״ט.
- 12אם אין יראה . . אם אין חכמה · אבות ג, יז (בסדר הפוך).
- 13אם אין יראה אין חכמה אם אין חכמה אין יראה · Pirkei Avot 3:17
56ואח״כ [ואחר כך] ע״י החכמה יזכה ליראה עילאה כו׳ ששם אין שייך חמוץ כו׳. וזהו שאמרו יאה עניותא לישראל.1 ור״ל [ורוצה לומר] שיהיה בעיניו נגד הקב״ה [הקדוש ברוך הוא] בבחי׳ עני מן הדעת ולהיות בבחי׳ אמונה.
E depois, por meio da sabedoria, merecerá o temor superior etc., onde não se aplica a fermentação (chimutz) etc. E é isso que disseram: “A pobreza convém a Israel”: isto é, a seus próprios olhos, diante do Santo, bendito seja Ele, deve estar na condição de alguém pobre de conhecimento e na condição de fé.
Por meio da sabedoria, a pessoa alcança então o temor superior, onde não há lugar para a “fermentação”, o inchaço do ego. É por isso que os Sábios dizem: “A pobreza convém a Israel”: diante de D'us, a pessoa deve considerar-se pobre de entendimento e permanecer na fé simples.
וכמ״ש בסש״ב [בספר של בינונים] ח״א [חלק א׳] פרק י״ח דכתיב פתי יאמין לכל דבר23 ואצל הקב״ה [הקדוש ברוך הוא] הכל כפתיים,4 וכמ״ש בהמות הייתי עמך5 וכתיב אדם ובהמה תושיע67 הוי׳ וארז״ל [ואמרו רבותינו זכרונם לברכה] פ״ק [פרק קמא] דחולין דף ה׳ ע״ב אלו בני אדם שהם ערומים בדעת
Como está escrito em Sefer shel Beinonim, Parte I, capítulo 18, a respeito do versículo: “O simples acredita em toda palavra”; e, diante do Santo, bendito seja Ele, todos são como simplórios. E como está escrito: “Eu era como um animal junto a Ti”; e está escrito: “Homem e animal Tu salvas, Havayá”; e nossos Sábios, de abençoada memória, disseram no primeiro capítulo de Chullin, fólio 5b: “São pessoas que são perspicazes no conhecimento
O Tanya, capítulo 18, cita “O simples acredita em toda palavra” (Provérbios 14:15) e diz que, diante de D'us, todos são como simplórios. Assim também: “Eu era como um animal junto a Ti” (Salmos 73:22). O Talmud interpreta “Homem e animal Tu salvas” (Salmos 36:7) como referindo-se a pessoas perspicazes no conhecimento.
כאדם הראשון ומשימים עצמם כבהמה דכאי רוח ע״ש [עיין שם] בפרש״י [בפירש רש״י / בפירוש רש״י]8 כו׳ וכ״כ [וכן כתב] ברבות פ׳ בשלח פכ״א ע״פ יונתי אמר הקב״ה [הקדוש ברוך הוא] אצלי הם כיונה פותה כל מה שאני גוזר עליהם עושים כו׳.
como Adam, o primeiro homem, e se fazem como um animal”: humildes de espírito; veja ali o comentário de Rashi etc. E assim está escrito em Rabbos, Parshas Beshalach, capítulo 21, sobre o versículo “Minha pomba”: “O Santo, bendito seja Ele, disse: Diante de Mim, eles são como uma pomba simples; tudo o que decreto sobre eles, fazem” etc.
São perspicazes como Adam, mas se fazem como um animal, humildes de espírito, conforme explica Rashi. O Midrash diz o mesmo: D'us chama Israel de “Minha pomba”, pois, diante Dele, são como uma pomba simples, que faz tudo o que Ele decreta.
O objetivo da fé não é a ignorância, mas a humildade: mesmo quem se torna sábio permanece diante de D'us como “pobre” e “simples”, como um animal que segue seu amo.
Um maamar posterior de Likkutei Torah (Bechukosai) aplica a mesma interpretação talmúdica de “homem e animal” à cevada, alimento dos animais, e às seis ordens da Mishná, que o Zohar chama de “seis medidas de cevada”.
Marei mekomot
- 1יאה עניותא לישראל · Chagigah 9b:12
- 2פתי יאמין לכל דבר · Proverbs 14:15
- 3פתי יאמין לכל דבר · Tanya, Likkutei Amarim 18:11
- 4ואצל הקב״ה הכל כפתיים · ראה המשך באתי לגני תש״י פ״ה ע׳ 117 ואילך. ובארוכה בד״ה באתי לגני תשט״ו פ״ד ואילך.
- 5בהמות הייתי עמך · Psalms 73:22
- 6אדם ובהמה תושיע · Psalms 36:7
- 7
- 8וארז״ל פ״ק דחולין . . ע״ש בפרש״י · ערומים בדעות כאדם הראשון ונמשכים אחריך כבהמה דכאי רוח. ראה גם לקמן בחקותי נ, ג.
57וע״כ [ועל כן] בענין חיוב אכילת מצה שהוא תחלת העבודה צ״ל [צריך להיות / צריך לומר / צריך להבין] לחם עוני דוקא שהוא בחי׳ אמונה ואתכפיא בלי שום טעם ודעת.
Portanto, no que diz respeito à obrigação de comer matzá, que é o início do serviço divino, ela deve ser especificamente “pão da pobreza”, que corresponde ao nível da fé e da submissão (iskafya), sem qualquer razão ou conhecimento.
Por isso, a matzá comida no início de Pessach, o começo do serviço divino, deve ser “pão da pobreza”: fé e auto-subjugação, sem razões nem compreensão.
וע״כ [ועל כן] אין ליתן בה מלח. שהמלח הוא נותן טעם להיות בחי׳ טעם ודעת שהוא גילוי פנימית התורה כו׳.
Portanto, não se deve pôr sal nela, pois o sal lhe dá sabor, fazendo surgir o nível do sabor e do conhecimento, que é a revelação da dimensão interior (pnimiyut) da Torá, etc.
É por isso que a matzá não leva sal: o sal lhe dá sabor, o sabor e a compreensão que acompanham a revelação da Torá interior, algo que pertence a uma etapa posterior.
וראשית העבודה צ״ל [צריך להיות / צריך לומר / צריך להבין] בבחי׳ לחם עוני דוקא. ולכן ישראל מונין ללבנה,1 אלא שאח״כ [שאחר כך] צריך להיות בה המשכת הדעת מבחינת שמשא
E o início do serviço divino deve ser especificamente na forma de “pão da pobreza”. Por isso, Israel conta segundo a lua. Mas, depois, é preciso que Daat seja atraída para ela a partir do nível do sol,
O serviço começa com “pão da pobreza” e, por isso, Israel conta seu calendário segundo a lua, que não tem luz própria. Depois, Daat deve ser atraída para ela a partir do “sol”.
וזהו ענין מצה עשירה, ועמ״ש בפי׳ רבת תעשרנה פלג אלקים2 בד״ה והיה מספר בנ״י [בני ישראל] כחול הים34 כו׳ ואזי מבחי׳ דל״ת נעשית ה׳ ועמ״ש בזה סד״ה המגביהי לשבת5 כו׳:6
e este é o conceito de “matzá rica”. Veja o que está escrito na explicação de “Tu a enriqueces grandemente; o regato de D'us”, no discurso que começa “E o número dos filhos de Israel será como a areia do mar”, etc.; então, do nível da letra dalet ela se torna uma hei. Veja também o que está escrito sobre isso no final do discurso que começa “Aquele que Se eleva para sentar”, etc.
Isso é “matzá rica”, matzá feita com mais do que farinha e água. O texto remete aos discursos sobre “Tu a enriqueces grandemente” e “Aquele que Se eleva para sentar”: então, a dalet da pobreza torna-se uma hei.
A matzá sem sal é a primeira etapa do serviço, a fé simples como a luz recebida da lua; mais tarde, Daat, proveniente do “sol”, enriquece-a, transformando a dalet da pobreza em uma hei.
O discurso de Torah Ohr sobre “Aquele que Se eleva para sentar” explica a dalet como dalit, “não tendo nada de próprio”, que se torna uma hei por meio do yud colocado dentro dela, assim como tzedek se torna tzedaká por meio de uma mitzvá. O discurso sobre “E o número dos filhos de Israel” fala das 620 mitzvot e das 600.000 almas, e do tempo em que seu número estará além de qualquer contagem.
Marei mekomot
- 1ישראל מונין ללבנה · Sukkah 29a:10
- 2רבת תעשרנה פלג אלקים · Psalms 65:10
- 3בד״ה והיה מספר בנ״י כחול הים · לקו״ת במדבר ה, ד.
- 4והיה מספר בנ״י כחול הים · Hosea 2:1
- 5המגביהי לשבת · Psalms 113:5
- 6סד״ה המגביהי לשבת כו׳ · תו״א לח, ד.
A aliança que combina os mundos ¶58–66
58ט וביאור הענין יש להקדים מ״ש באו״ת [באור תורה] פ׳ קרח1 בשם הה״מ [הרב המגיד] נ״ע [נשמתו עדן] וז״ל [וזה לשונו] והנה נאמר באהרן ברית מלח עולם2 הוא. הוא כתיב והקרי היא.
9. Para explicar o assunto, devemos primeiro introduzir o que está escrito em Or Torah, Parashat Korach, em nome do Maguid, de abençoada memória; eis suas palavras: “Ora, está dito sobre Aharon: ‘Ele (hu) é uma aliança eterna de sal’: está escrito hu, mas a leitura é hi.”
A seção 9 apresenta um ensinamento do Maguid de Mezritch, extraído de Or Torah: em “Ele é uma aliança eterna de sal” (Números 18:19), a palavra “ele” está escrita hu, a forma masculina, mas é lida hi, a forma feminina.
והנה ידוע שאהרן שושבינא דמטרוניתא3 והוא המקשר עולמות ע״י עבודת הקרבנות והקטורת שהוא לשון קשר. כי תרגום ותקשור על ידו4 בפ׳ וישב וקטרת על ידיה.
Ora, é sabido que Aharon é o acompanhante da Rainha (Matronita), e é ele quem une os mundos por meio do serviço das oferendas e do incenso (ketoret), termo que significa união; pois o Targum traduz “e ela amarrou em sua mão”, na Parashat Vayeshev, como “uketeras al yedeih”.
Aharon é “o acompanhante da Rainha” (a Shechiná), que une os mundos por meio das oferendas e do incenso. Ketoret, incenso, significa união: o Targum traduz “ela amarrou (vatikshor) em sua mão” (Gênesis 38:28) como “uketeras”.
Aharon, por meio das oferendas e do incenso, une os mundos; essa é a “aliança de sal” que lhe foi concedida.
Marei mekomot
- 1באו״ת פ׳ קרח · הוצאת קה״ת מו, ג.
- 2ברית מלח עולם · Numbers 18:19
- 3אהרן שושבינא דמטרוניתא · Zohar III, 20a
- 4ותקשור על ידו · Genesis 38:28
59וזהו פי׳ ברית מלח לשון עירוב כמו המלחים. היינו כדפרש״י [כדפירש רש״י / כדפירוש רש״י] בחומש פ׳ כי תשא ע״פ ממולח טהור קדש1 מעורב שיערב יפה יפה ואומר אני שדומה לו וייראו המלחים2 כו׳ שמהפכין כו׳ ע״ש [עיין שם].
E este é o significado de “aliança de sal (melach)”: um termo que significa mistura, como em hamalachim (os marinheiros). Isto é, conforme Rashi explicou no Chumash, na Parashat Ki Tissá, sobre o versículo “salgado (memulach), puro, santo”: “misturado; que se misture muito bem. E digo que algo semelhante é ‘E os marinheiros (hamalachim) temeram’, etc., pois eles revolvem [a água]”, etc.; veja ali.
“Aliança de sal” significa mistura, derivando da mesma raiz que malachim, “marinheiros”. Rashi explica que memulach, na descrição do incenso — “salgado (memulach), puro, santo” (Êxodo 30:35) — significa “bem misturado”, comparando-o a “E os marinheiros (hamalachim) temeram” (Jonas 1:5); os marinheiros são assim chamados porque revolvem a água com os remos.
A raiz de melach, sal, também significa mistura; assim, a aliança de sal é uma aliança para combinar as coisas.
Marei mekomot
- 1ממולח טהור קדש · Exodus 30:35
- 2וייראו המלחים · Jonah 1:5
60ופי׳ ברית מלח שכרת לו ברית שע״י עבודת הקרבנות יקשר ויערב העולם שהם כלל העולמות בא״ס [באין סוף] שהוא יהיה הממוצע והמחבר והמקשר העולמות זה בזה כו׳ וזהו עלה בכבש12 כו׳.
E o significado de “aliança de sal” é que Ele fez uma aliança com ele, segundo a qual, por meio do serviço das oferendas, ele ligaria e mesclaria o mundo — que é a expressão geral e coletiva de todos os mundos — ao Infinito (Ein Sof), tornando-se o intermediário que une e liga os mundos entre si, etc. E isto é “subiu pela rampa”, etc.,
A aliança de sal com Aharon consiste em que, por meio das oferendas, ele ligaria e mesclaria todos os mundos ao Infinito, servindo de intermediário que une os mundos entre si. A Mishná descreve o cohen subindo pela rampa do altar e contornando-o.
עד מערבית שהוא מדת אהרן ברית מלח שמערב העולמות כו׳, והנה הכתיב ברית מלח עולם הוא והקרי היא
até o [canto] ocidental (ma’aravis), que é o atributo de Aharon, a aliança de sal, que mescla (me’arev) os mundos, etc. Ora, a forma escrita é “uma aliança eterna de sal, hu”, e a leitura é hi,
Ele segue de canto em canto, terminando no canto ocidental (ma’aravis), que alude a me’arev, “mesclar”, a qualidade de Aharon. Em seguida, o texto volta à forma escrita hu e à forma lida hi.
כי למעלה הוא בהעלם גדול לכך כתיב הוא לשון נסתר אבל למטה כאשר בא תוך הקרי שהוא הדבור ושם הוא התגלות
pois, acima, isso está em grande ocultação; por isso, está escrito hu, termo que designa o oculto (nistar). Mas, abaixo, quando chega à leitura, que é a fala, ali há revelação;
Acima, a aliança está profundamente oculta; por isso, o texto escreve hu, palavra que, na gramática hebraica, designa o “oculto” (terceira pessoa). Abaixo, quando chega à fala, isto é, à leitura, ela se revela.
לכן נק׳ היא עכ״ל [עד כאן לשונו], וזהו שבקטורת נאמר ממולח כי הקטרת הוא ענין הקשר והעירוב כו׳.
por isso é chamada hi.” Fim da citação. E é por isso que, a respeito do incenso, se diz “salgado”, pois o incenso representa a ligação e a mescla, etc.
Assim, lê-se hi. É também por isso que o incenso é chamado de “salgado”: o incenso representa a ligação e a mescla.
Por meio das oferendas, Aharon liga os mundos ao Infinito; a aliança está oculta acima (hu) e revela-se abaixo, na fala (hi).
Marei mekomot
- 1עלה בכבש · זבחים ה, ג.
- 2עלה בכבש · Mishnah Zevachim 5:3
61וביאור ענין שמערב העולמות, כי הנה ארז״ל [אמרו רבותינו זכרונם לברכה] ביום חתונתו זו1 מתן תורה, וצ״ל [וצריך להיות / וצריך לומר / וצריך להבין] מהו פי׳ חתונתו, אך כי חיתון פירושו תערובות כמ״ש בת״י פ׳ עקב ז׳ ג׳.
A explicação de como ele mistura os mundos: nossos Sábios, de abençoada memória, disseram: “‘No dia de seu casamento’: isto se refere à Outorga da Torá.” É preciso entender o que significa “seu casamento”. Mas chitun (casamento) significa mistura, como está escrito no Targum Yerushalmi, Parshat Ekev, 7:3.
Como ele combina os mundos? A Mishná interpreta “no dia de seu casamento” (Cântico dos Cânticos 3:11) como a Outorga da Torá. Chitun, “casamento”, significa mistura, como o Targum traduz “não vos aparentareis” (Deuteronômio 7:3).
וא״כ [ואם כן] פי׳ ביום חתונתו היינו ענין תערובות והתקשרות העולם בא״ס [באין סוף] ב״ה ע״י התורה, והוא ע״פ מ״ש ברבות פ׳ וארא פי״ב ע״פ כל אשר חפץ2 ה׳ עשה אמר דוד אע״פ [אף על פי] שגזר הקב״ה [הקדוש ברוך הוא] השמים שמים לה׳3 כו׳
Se assim é, o significado de “no dia de seu casamento” é a mistura e a ligação do mundo com o Infinito (Ein Sof), bendito seja Ele, por meio da Torá. E isso está de acordo com o que está escrito em Rabbos, Parshat Vaerá, capítulo 12, sobre o versículo “Tudo o que D'us desejou, Ele fez”: “David disse: embora o Santo, bendito seja Ele, tenha decretado: ‘Os céus são céus de D'us’, etc.,
Assim, o “casamento” no Sinai foi a união do mundo com o Infinito por meio da Torá. O Midrash sobre “Tudo o que D'us desejou, Ele fez” (Salmos 135:6) diz que D'us havia decretado: “Os céus são céus de D'us” (Salmos 115:16), e a terra, para o homem.
כשבקש ליתן התורה בטל גזירה ראשונה ואמר התחתונים יעלו לעליונים והעליונים ירדו לתחתונים ואני המתחיל שנאמר וירד ה׳ על הר סיני.4
quando Ele quis dar a Torá, anulou o primeiro decreto e disse: ‘Os inferiores subirão aos superiores, e os superiores descerão aos inferiores, e Eu serei o primeiro a começar’, como está dito: ‘E D'us desceu sobre o Monte Sinai.’
Mas, quando Ele quis dar a Torá, anulou o decreto, de modo que os inferiores subissem aos superiores e os superiores descessem aos inferiores, começando Ele próprio: “E D'us desceu sobre o Monte Sinai” (Êxodo 19:20).
A Outorga da Torá foi um “casamento”, uma união dos mundos superiores e inferiores, que pôs fim à separação entre o céu e a terra.
Marei mekomot
- 1ביום חתונתו זו מ״ת · Taanit 26b:6–7
- 2כל אשר חפץ ה׳ עשה · Psalms 135:6
- 3השמים שמים לה׳ · Psalms 115:16
- 4וירד ה׳ על הר סיני · Exodus 19:20
E está escrito: “E a Moshe Ele disse: Sobe a D'us.” Assim: “Tudo o que D'us desejou, Ele fez nos céus e na terra.” Fim da citação.
E quanto à subida do que é inferior: “E a Moshe Ele disse: Sobe a D'us” (Êxodo 24:1). Assim, “tudo o que D'us desejou, Ele fez nos céus e na terra”.
ופי׳ ענין ירידה ועלייה יובן ממ״ש במ״א בד״ה ושמתי כדכד2 שמשותיך3 כדין וכדין4 כו׳ ועכ״פ [ועל כל פנים] הוא השתלשלות והמשכת האור מסוכ״ע [מסובב כל עלמין] בממכ״ע [בממלא כל עלמין] וזהו כי כל בשמים ובארץ5 דאחיד בשמיא וארעא כו׳ וזהו ענין ברית מלח עולם.
E o significado da descida e da subida será compreendido a partir do que está escrito em outro lugar, no discurso que começa com “E farei tuas janelas de kadkod”, “kedein ukedein” etc. De todo modo, trata-se da descida e da extensão da luz desde a luz que circunda todos os mundos (sovev kol almin) até a luz que preenche todos os mundos (memalê kol almin). E isto é “Pois tudo o que há nos céus e na terra”: “que se apega ao céu e à terra” etc. E este é o conceito de “uma aliança eterna de sal”.
A descida e a subida são explicadas no discurso sobre “Farei tuas janelas de kadkod”, lido no Talmud como “deste modo e daquele modo” (kedein ukedein). Em essência, a luz que circunda os mundos é atraída para dentro da luz que os preenche, e isto é a “aliança de sal”; pois “tudo o que há nos céus e na terra” é entendido como aquilo que se apega a ambos.
A união do alto e do baixo no Sinai é a extensão da luz que circunda para dentro da luz que preenche: a aliança eterna de sal que une o céu e a terra.
Marei mekomot
- 1ואל משה אמר עלה אל ה׳ · Exodus 24:1
- 2בד״ה ושמתי כדכד · לקמן פ׳ ראה כו, ד ואילך.
- 3ושמתי כדכד שמשותיך · Isaiah 54:12
- 4כדין וכדין · Bava Batra 75a:9
- 5כי כל בשמים ובארץ · I Chronicles 29:11
63והנה פי׳ ליל שמורים1 הוא ע״ד [על דרך] שמור לנוקבא2 היינו מה שהמקבל ממתין ומצפה ומייחל אל המשפיע כעני הצופה ומביט מתי יתן הבעה״ב [הבעל הבית] לידו מאומה כמ״ש סד״ה זכור את יום השבת3 כו׳
Ora, o significado de “uma noite de vigilância (leil shimurim)” segue a ideia de “shamor (guardar) é para Nukvá (o feminino)”: isto é, o receptor espera, antecipa e anseia pelo doador, como um pobre que observa e olha [para ver] quando o dono da casa colocará algo em sua mão, conforme está escrito no final do discurso que começa com “Lembra-te do dia de Shabat” etc.,
A noite de Pêssach é chamada “uma noite de vigilância (leil shimurim)” (Êxodo 12:42). O Zohar diz: “shamor é para o feminino”: o receptor espera e anseia pelo doador, como um pobre que observa o dono da casa, esperando que ele coloque algo em sua mão.
בענין פי׳ שמור כו׳ ע״ש [עיין שם] וכך הוא ענין ליל שמורים. אשר בחי׳ ליל הוא מדת החשך וההעלם ונמשך מבחי׳ ממכ״ע [ממלא כל עלמין].
sobre o significado de shamor etc.; veja ali. Assim também é o conceito de “uma noite de vigilância”: pois o nível de “noite” é o atributo da escuridão e do ocultamento, e provém do nível da luz que preenche todos os mundos (memalê kol almin).
O discurso sobre Shabat explica assim a palavra shamor. O mesmo se aplica à “noite de vigilância”: a noite é escuridão e ocultamento, que provêm da luz que preenche os mundos.
A noite de Pêssach é a noite de espera do receptor: Malchut, como um pobre, espera pelo doador.
Marei mekomot
- 1ליל שימורים · Exodus 12:42
- 2שמור לנוקבא · Zohar I, 48b
- 3סד״ה זכור את יום השבת · תו״א עא, ד.
64ובחי׳ זו היא בחי׳ שמורים ומצפה להמשכת האור מבחי׳ סוכ״ע [סובב כל עלמין] שהוא בלי גבול. ולכן נאמר שמורים לשון רבים ע״ש [על שם] התחברות משפיע ומקבל כמ״ש בזח״ב [בזהר חלק ב׳] פ׳ בא דל״ח ע״ב
E este nível é o de “vigília”, e aguarda a descida da luz do nível da luz que circunda todos os mundos (sovev kol almin), que é ilimitada. Por isso, diz-se shimurim no plural, em alusão à união entre quem concede e quem recebe, como está escrito no Zohar, Part II, Parshas Bo, folio 38b.
Aquela noite aguarda a luz circundante ilimitada. Shimurim está no plural porque une quem concede e quem recebe, como afirma o Zohar sobre Bo.
ולכן המצה היא דוקא לחם עני כעני הצופה ומביט כו׳ כנ״ל וכן פי׳ בפ׳ ויצא דקנ״ז ע״א בענין לחם עני מאן עני דא דוד מלכא1 דכתיב ביה כי עני ואביון אני.2
Portanto, a matsá é especificamente “pão da pobreza”, como um pobre que vigia e olha, etc., conforme mencionado acima. E assim é explicado em Parshas Vayetzei, folio 157a, a respeito do “pão da pobreza”: “Quem é o pobre? Este é o rei David, sobre quem está escrito: ‘Pois sou pobre e necessitado.’”
Assim, a matsá deve ser “pão da pobreza”, como o pobre que vigia. O Zohar sobre Vayetzei pergunta: “Quem é o pobre?” e responde: “O rei David”, que disse: “Pois sou pobre e necessitado” (Psalms 86:1); David é Malchut.
A “vigília” da noite de Pêssach é Malchut aguardando receber a luz ilimitada; a matsá, o pão do pobre, expressa esse estado.
Marei mekomot
- 1מאן עני דא דוד מלכא · Zohar, Vayetzei 23:200–225
- 2כי עני ואביון אני · Psalms 86:1
65והאי לחם עני אקרי מצה נוקבא בלא דכורא מסכנותא הוי. אתקריבו לגבי מצה בקדמיתא כיון דקריבו לון יתיר עייל לון קב״ה [קודשא בריך הוא] בדרגין אחרנין ואתחבר דכורא בנוקבא וכדין מצה כד אתחברת בדכורא אקרי מצוה בתוספת וא״ו עכ״ל [עד כאן לשונו].
E este “pão da pobreza” é chamado matsá: o feminino sem o masculino é pobreza. A princípio, foram aproximados da matsá; depois que Ele os aproximou ainda mais, o Santo, bendito seja Ele, conduziu-os a outros níveis, e o masculino uniu-se ao feminino. Então, quando a matsá se une ao masculino, é chamada mitsvá, com o acréscimo de um vav.” Fim da citação.
O Zohar prossegue: o “pão da pobreza” é a matsá, o feminino sem o masculino, e por isso é pobre. A princípio, Israel foi aproximado da matsá; quando foi aproximado ainda mais, D'us o elevou a níveis superiores e uniu o masculino ao feminino; então a matsá (מצה) recebe um vav e torna-se mitsvá (מצוה).
A matsá é Malchut sozinha, pobre e receptora; ao unir-se àquele que doa, torna-se mitsvá, completada pelo vav.
66ועמ״ש מענין וא״ו בד״ה הקל קול יעקב12 ומ״ש לקמן בד״ה ששת ימים תאכל מצות,34 וכיון שכן שבחי׳ מצה הוא דוקא לחם עני, שמשתמרת לקבל היחוד ואור העליון מבחי׳ סוכ״ע [סובב כל עלמין] קודם שנמשך האור.
(E veja o que está escrito sobre o assunto do vav no discurso que começa com “A voz é a voz de Yaakov”, e o que está escrito adiante no discurso que começa com “Durante seis dias comerás matsot”.) E, sendo assim, o nível da matsá é especificamente “pão da pobreza”, que aguarda receber a união e a luz superior do nível da luz que circunda todos os mundos (sovev kol almin), antes que a luz seja atraída para baixo,
O texto remete a seus discursos sobre “A voz é a voz de Yaakov”, a respeito do vav acrescentado, e sobre “Durante seis dias comerás matsot”. A matsá, “pão da pobreza”, é o estado de aguardar para receber a união e a luz circundante antes que ela seja atraída para baixo.
רק הוא בבחי׳ שמור לנוק׳ [לנוקבא], ולכן נוהגין שלא ליתן מלח במצה, שבחי׳ ברית מלח עולם זהו כאשר כבר נמשך האור ונעשה בחי׳ תערובות וזהו ע״י אהרן שושבינא דמטרוניתא כו׳,
[e] está somente no estado de “shamor para Nukvá”; por isso, o costume é não colocar sal na matsá. Pois o nível de “uma aliança eterna de sal” corresponde ao momento em que a luz já foi atraída para baixo e se estabeleceu um estado de mistura; e isso ocorre por meio de Aharon, o acompanhante nupcial da Rainha, etc.
Ainda se trata somente do estado de “shamor para o feminino”, de espera; por isso, a matsá não leva sal. A “aliança eterna de sal” pertence à etapa posterior à atração da luz para baixo e à mescla dos mundos, por meio de Aharon, o acompanhante nupcial da Rainha.
ומ״ש בדוד ברית מלח עולם5 זהו לאחר שרימם הקב״ה [הקדוש ברוך הוא] מלכותו ונמשך האור מבחי׳ סוכ״ע [סובב כל עלמין] בממכ״ע [בממלא כל עלמין] וכמ״ש דוד ארוממך אלקי המלך6 כו׳, אבל בבחי׳ מצה לחם עני א״צ [אין צריך / אינו צריך] ליתן מלח כו׳.
E o que se diz a respeito de David, “uma aliança eterna de sal”, refere-se ao momento posterior à exaltação de sua realeza pelo Santo, bendito seja Ele, e à atração da luz do nível da luz que circunda todos os mundos para a luz que preenche todos os mundos (memalê kol almin), como David disse: “Eu Te exaltarei, meu D'us, ó Rei”, etc. Mas, no nível da matsá, “pão da pobreza”, não é necessário colocar sal, etc.
Também a aliança de sal com David ocorreu depois que D'us exaltou sua realeza e atraiu a luz circundante para a luz que preenche todos os mundos, como David diz: “Eu Te exaltarei, meu D'us, ó Rei” (Psalms 145:1). Na etapa da matsá, a pobreza, não é necessário sal.
ומזה יובן איך מנהג ישראל תורה,7 ואח״כ [ואחר כך] בקרבנות שהוא ענין הקירוב והיחוד של המדרגות דממכ״ע [דממלא כל עלמין] וסוכ״ע [וסובב כל עלמין]8 בא המצוה ולא תשבית מלח9 כו׳ כדי להיות התקשרות והתחברות כו׳:
Disso se compreenderá como “o costume de Israel é Torá”. E, depois, no caso das oferendas, que dizem respeito à aproximação e à união dos níveis da luz que preenche todos os mundos e da luz que circunda todos os mundos, vem o mandamento: “Não omitirás o sal”, etc., para que haja ligação e união, etc.
Isso mostra como “o costume de Israel é Torá”: o costume de comer matsá sem sal reflete essa ordem interior. Depois, no caso das oferendas (korbanot, de karov, “próximo”), que aproximam as luzes que preenche e que circunda, vem o mandamento “não omitirás o sal”, para ligá-las e uni-las.
Explica-se o costume de não salgar a matsá: a matsá corresponde à etapa de espera, antes que a luz seja atraída para baixo, enquanto o sal, a aliança da mescla, pertence às oferendas, que unem as luzes circundante e que preenche.
A nota da Kehot reúne fontes para “o costume de Israel é Torá”: o Talmud de Jerusalém, Pesachim 4:1; Tosafos sobre Menachos 20b (“o costume de nossos pais”); Minhagim Yeshanim MiDura; e o Maharil, citado pelo Rema em Yoreh De’ah 376:4. O discurso “Um homem, quando dentre vós trouxer uma oferenda” explica que, por meio do despertar de baixo nas oferendas, um despertar do alto é atraído para baixo, o “aroma agradável para Havayá”.
Marei mekomot
- 1בד״ה הקל קול יעקב · סידור שער התפלה. אוה״ת בראשית כרך ד.
- 2הקל קול יעקב · Genesis 27:22
- 3לקמן בד״ה ששת ימים תאכל מצות · פ׳ צו יג, ב.
- 4ששת ימים תאכל מצות · Deuteronomy 16:8
- 5ומ״ש בדוד ברית מלח עולם · ראה דברי הימים-ב יג, ה.
- 6ארוממך אלקי המלך · Psalms 145:1
- 7מנהג ישראל תורה · Menachot 20b
- 8בקרבנות שהוא ענין הקירוב והיחוד של המדרגות דממכ״ע וסוכ״ע · רבינו בחיי תחלת פ׳ ויקרא. ראה לעיל ב, ב. אגה״ק סי׳ כח. אוה״ת פנחס א׳פז.
- 9ולא תשבית מלח · Leviticus 2:13
Os marinheiros e a Abertura do Mar ¶67–71
67י ועפ״ז [ועל פי זה] י״ל [יש לומר] ג״כ מה שפרש״י [שפירש רש״י / שפירוש רש״י] שהספנים נקראו מלחים1 ע״ש [על שם] שמהפכין את המים במשוטות כשמנהיגין את הספינה כו׳,
10. Com base nisso, pode-se também explicar o que Rashi explicou: os marinheiros são chamados malachim porque revolvem a água com os remos quando conduzem o navio etc.
A seção 10 retoma a explicação de Rashi de que os marinheiros são chamados malachim porque agitam a água com os remos enquanto conduzem o navio.
דהנה כתיב כה אמר ה׳ הנותן בים דרך2 (בישעי׳ [בישעיה] סי׳ מ״ג י״ו) פי׳ כי ים עלמא דאתכסיא והקב״ה [והקדוש ברוך הוא] נותן בו דרך שיוכלו הנשמות לעלות שם.
Pois está escrito: “Assim diz D'us, que abre um caminho no mar” (Isaías, capítulo 43, [versículo] 16). O sentido é que o mar é o mundo oculto (alma de’iskasya), e o Santo, bendito seja Ele, abre nele um caminho, para que as almas possam ascender ali.
Isaías fala de D'us, “que abre um caminho no mar” (43:16). O mar é “o mundo oculto”, a dimensão da divindade oculta, e D'us abre nele um caminho para que as almas possam elevar-se ali.
והיינו ע״י הספינות שהם הלבושים של תומ״צ [תורה ומצות] שבהן ועל ידן מתעלים בים היינו העלייה מבי״ע [מבריאה יצירה עשיה] לאצי׳ [לאצילות] כמ״ש בבה״ז [בביאורי הזהר] פ׳ בשלח דס״ז ע״א שיש נשמות הנק׳ נוני ימא וע״ד [ועל דרך] מן המים משיתיהו3
Isto é, por meio dos navios, que são as vestes da Torá e das mitsvot, nas quais e por meio das quais ascendem no mar — isto é, a ascensão de Beriá, Yetsirá e Assiá a Atsilut —, como está escrito em Biurei HaZohar, Parashat Beshalach, fólio 67a, que há almas chamadas “peixes do mar”, à semelhança de “pois eu o tirei da água”,
As almas viajam em “navios”, as vestes da Torá e das mitsvot, que as conduzem dos mundos inferiores a Atsilut. Biurei HaZohar fala de almas chamadas “peixes do mar”, como em “eu o tirei da água” (Êxodo 2:10).
שהם בעצם מעלמא דאתכסיא נשמות דאצילות אכן נשמות דבי״ע [דבריאה יצירה עשיה] שהם מיבשה מעלמא דאתגליא לא יוכלו לעלות בים כ״א [כי אם] ע״י הלבושים שהם הנק׳ ארבין, שם אניות יהלכון4 כו׳
que são, por essência, do mundo oculto, almas de Atsilut. Mas as almas de Beriá, Yetsirá e Assiá, que vêm da terra seca, do mundo revelado (alma de’isgalya), não podem ascender no mar senão por meio das vestes, chamadas “barcos” (arvin): “Ali navegam os navios” etc.
Essas almas pertencem por natureza ao mundo oculto; são almas de Atsilut. As almas dos mundos inferiores vêm da “terra seca”, o mundo revelado, e só podem atravessar o mar em “barcos”, as vestes: “Ali navegam os navios” (Salmos 104:26).
וע״ש [ועיין שם] דס״ט ע״ג [עמוד ג׳] שזהו ע״ד [על דרך] ויבא משה בתוך הענן5 כו׳ ועמ״ש מזה בתו״א [בתורה אור] פ׳ חיי שרה.
E veja ali, fólio 69, coluna c, que isto é semelhante a “E Moshe entrou no meio da nuvem” etc. E veja o que está escrito a esse respeito em Torah Ohr, Parashat Chayei Sarah.
Biurei HaZohar compara isso a “Moshe entrou no meio da nuvem” (Êxodo 24:18): entra-se no oculto somente dentro de uma cobertura. O texto também remete a Torah Ohr sobre Chayei Sarah.
ועוד יש פי׳ הנותן בים שהוא מל׳ [מלכות] דרך שממשיך בו ההמשכה מלמעלה היינו ע״י יסוד ז״א [זעיר אנפין] שממשיך בו מחב״ד [מחכמה בינה ודעת] שבחכמה מלובש אור א״ס [אין סוף] ב״ה
Há ainda outra explicação de “que abre no mar”: [o mar] é Malchut, e “um caminho” significa que Ele faz fluir nele o fluxo que vem do alto, isto é, por meio de Yessod de Zeir Anpin, que faz fluir nele a partir de Chochmá, Biná e Daat; pois em Chochmá está revestida a Luz Infinita (Or Ein Sof), bendito seja Ele.
Uma segunda interpretação: o “mar” é Malchut, e o “caminho” que há nele é o fluxo que vem do alto e é atraído para dentro dele por meio de Yessod de Zeir Anpin, que atrai de Chochmá, Biná e Daat; e em Chochmá está revestida a Luz Infinita.
(וכמ״ש מזה בזח״א [בזהר חלק א] בראשי׳ [בראשית] כ״ט סע״ב [סוף עמוד ב] מקץ קצ״ז ע״ב תרומה קל״ז סע״א [סוף עמוד א] ובסה״מ [ובספר הדרת מלך] סי׳ קי״ד קט״ו).6
(Como está escrito a esse respeito no Zohar, Parte I, Bereshit, [fólio] 29, fim do lado b; Miketz, 197b; Terumah, 137, fim do lado a; e em Sefer Hadras Melech, seções 114 [e] 115.)
O parêntese indica as passagens do Zohar e de Sefer Hadras Melech como fontes para essa interpretação.
וזהו משרז״ל [משרבותינו זכרונם לברכה] ברבות קדושי׳ [קדושים] פכ״ה ע״פ אחרי ה׳ אלהיכם תלכו7 וכי אפשר לב״ו [לבשר ודם] להלך אחר הקב״ה [הקדוש ברוך הוא]8 אותו שכתוב בו בים דרכך9 כו׳ אלא כו׳
E é isto que nossos Sábios, de abençoada memória, disseram em Rabbos, Kedoshim, capítulo 25, sobre o versículo “Após Havayá, vosso D'us, andareis”: “É possível que um ser de carne e sangue caminhe atrás do Santo, bendito seja Ele, sobre quem está escrito: ‘Teu caminho está no mar’ etc.? Mas...”
O Midrash, sobre “Após Havayá, vosso D'us, andareis” (Deuteronômio 13:5), pergunta como uma pessoa pode caminhar atrás de D'us, sobre quem está escrito: “Teu caminho está no mar” (Salmos 77:20).
ויטע ה׳ אלקים גן בעדן אף אתם כו׳ ע״ש [עיין שם], והמכוון כי התו׳ [התורה] נק׳ עץ חיים ונק׳ גן היינו ג״ן סדרים דאורייתא וכן המצות הם עצי הגן והפרדס (ברבות פ׳ כי תצא).
“‘E Havayá, D'us, plantou um jardim no Éden’: vocês também”, etc.; veja lá. A intenção é que a Torá é chamada “árvore da vida” e é chamada gan (jardim), isto é, os cinquenta e três (gan) segmentos da Torá; e, igualmente, as mitsvot são as árvores do jardim e do pomar (no Rabbos, Parshas Ki Seitzei).
A resposta parte de “E D'us plantou um jardim no Éden”: vocês também devem plantar. A Torá é chamada “árvore da vida” e “jardim” (gan, cujo valor numérico é 53, o número das porções semanais da Torá), e as mitsvot são as árvores do jardim.
וע״י קיום התומ״צ [התורה ומצות] יבואו לבחי׳ ומדרגת אחרי ה׳ אלקיכם תלכו מ״ש בו בים דרכך וכן הם יעלו עי״ז להיות להם דרך בים הנ״ל ועז״נ [ועל זה נאמר] דרכיה דרכי נועם כו׳
E, por meio do cumprimento da Torá e das mitsvot, chegarão ao nível e grau de “Após Havayá, vosso D'us, andareis”, acerca de Quem está escrito: “Teu caminho está no mar”; e, da mesma forma, por meio disso, elevar-se-ão, de modo que haja para eles um caminho no mar mencionado acima. E a respeito disso se diz: “Seus caminhos são caminhos de deleite”, etc.
Ao cumprir a Torá e as mitsvot, chega-se a “andar após” D'us, cujo “caminho está no mar”, e também se obtém um caminho através daquele mar. Por isso se diz da Torá: “Seus caminhos são caminhos de deleite”.
(משלי ג׳ י״ז) וזהו ושמרו דרך10 הוי׳ עמ״ש ע״ז [על זה] בת״א [בתורה אור] פ׳ בשלח בד״ה אשירה להוי׳11 ובד״ה מהלכים בין העומדים בענין אם בדרכי תלך12 כו׳.
(Provérbios 3:17). E isto é: “E guardarão o caminho de Havayá”; veja o que está escrito a esse respeito em Torah Ohr, Parshas Beshalach, no discurso que começa com “Cantarei a Havayá” e no discurso que começa com “Caminhando entre os que estão de pé”, sobre o tema de “Se andardes nos Meus caminhos”, etc.
Isto é: “guardarão o caminho de Havayá” (Gênesis 18:19), conforme explicado em Torah Ohr nos discursos sobre “Cantarei a Havayá” e “Caminhando entre os que estão de pé” (Zacarias 3:7).
אך הספינות והלבושים הנ״ל צריכים עוד לבחי׳ מלחים המנהיגים אותם בים וכמ״ש בזח״ב [בזהר חלק ב׳] מ״ח ב׳ בענין דאתי חד דברא בימא13 כו׳,
Mas os navios e as vestimentas mencionados acima ainda precisam do nível de marinheiros (malachim) que os conduzem no mar, como está escrito no Zohar, Parte II, [fólio] 48b, a respeito de “vem alguém que conduz no mar”, etc.,
No entanto, os navios — as vestimentas — ainda precisam de “marinheiros” para conduzi-los, como diz o Zohar sobre “alguém que conduz no mar”.
שהוא דוקא הנותן בים דרך ע״י שממשיך בו האור והשפע מאור א״ס [אין סוף] ב״ה כנ״ל וממתיק גבורות הגלים של הים אזי דוקא יוכלו הספינות לילך בו.14151617
que é precisamente “Aquele que abre um caminho no mar”, fazendo fluir para dentro dele a luz e a abundância da Luz Infinita, bendito seja Ele, como mencionado acima, e adoçando as severidades (Guevuros) das ondas do mar; somente então os navios poderão navegar nele.
Essa condução é D'us “abrindo um caminho no mar”: fazendo fluir para dentro dele a abundância da Luz Infinita e adoçando a severidade das ondas. Somente então os navios podem navegar.
A imagem da navegação é desenvolvida: o mar é o mundo oculto, os navios são as vestes da Torá e das mitsvot por meio das quais as almas ascendem através dele, e os “marinheiros” são o fluxo divino que acalma suas ondas e abre um caminho.
Uma nota da Kehot cita o Or HaTorah do Tzemach Tzedek: os marinheiros são chamados malachim, como em “os marinheiros temeram”, no sentido de “sal no mar”, que adoça os julgamentos do mar. Outra nota cita Sefer Hadras Melech, mencionado no Yahel Or do Tzemach Tzedek: “Teu caminho está no mar” é por meio de Yessod de Zeir Anpin, e “tua senda em muitas águas” é a união de Abá e Imá.
Marei mekomot
- 1שהספנים נקראו מלחים · מובא באוה״ת ויקרא-ד ע׳ א׳סב ”ולכן נק׳ הספנים מלחים כמ״ש ביונה סי׳ א׳ ה׳ וייראו המלחים כו׳ וזהו ע״ד מלחא בימא שממתיק דיני הים כו׳ כנ״ל, ועמ״ש מזה בהביאור ע״פ ולא תשבית” ע״ש.
- 2הנותן בים דרך · Isaiah 43:16
- 3מן המים משיתיהו · Exodus 2:10
- 4שם אניות יהלכון · Psalms 104:26
- 5ויבא משה בתוך הענן · Exodus 24:18
- 6ובסה״מ סי׳ קי״ד קט״ו · ”פי׳ בים דרכך היינו ע״י יסוד ז״א שע״ז נאמר הנותן בים דרך כו׳ ושבילך במים רבים יחוד או״א” — יהל אור ע׳ רעא, ע״ש.
- 7אחרי ה׳ אלהיכם תלכו · Deuteronomy 13:5
- 8וכי אפשר לב״ו להלך אחר הקב״ה · Vayikra Rabbah 25:3
- 9בים דרכך · Psalms 77:20
- 10ושמרו דרך הוי׳ · Genesis 18:19
- 11אשירה להוי׳ · Exodus 15:1
- 12אם בדרכי תלך · Zechariah 3:7
- 13דאתי חד דברא בימא · Zohar, Beshalach 10:95–105
- 14ברבות קדושים פכ״ה · ראה גם יהל אור ע׳ רעא.
- 15ויטע ה״א גן בעדן · Genesis 2:8
- 16התורה נקרא עץ חיים · ראה תנחומא מצורע ב. ועוד.
- 17
68וע״ז [ועל זה] רמזו רז״ל [רבותינו זכרונם לברכה] בירושלמי פ״ב [פרק ב׳] דשבת וברבות פ׳ בראשית פ״ו בחקתי פל״ה הנותן בים דרך מן העצרת ועד1 החג,
E a isso aludiram nossos Sábios, de abençoada memória, no Talmud de Jerusalém, capítulo 2 de Shabat, e no Midrash Rabbá, Parashat Bereshit, capítulo 6, [e] Bechukotai, capítulo 35: “‘Aquele que abre um caminho no mar’: desde Atseret até a Festa,”
Os Sábios insinuaram isso no Talmud de Jerusalém e no Midrash: “Aquele que abre um caminho no mar” refere-se ao período de Atseret (Shavuot) até a Festa (Sucot), quando os navios podem navegar.
והיינו ע״י שאזי נמשך דרך הוי׳, כי בעצרת הוא מתן תורה כו׳ ועי״ז נעשה בים דרך כו׳
isto é, porque então “o caminho de Havayá” é atraído para baixo; pois em Atseret ocorreu a Outorga da Torá, etc., e por meio disso abre-se um caminho no mar, etc.
Então “o caminho de Havayá” é atraído para baixo, pois a Torá foi outorgada em Shavuot, e por meio da Torá abre-se um caminho no mar.
ובעבודה זהו ע״ד [על דרך] מארז״ל [מאמר רבותינו זכרונם לברכה] מצות צריכות כוונה, והיינו כמארז״ל [כמאמר רבותינו זכרונם לברכה] שיקבל עליו עול מלכות שמים תחלה2 ואח״כ [ואחר כך] יקבל עליו עול מצות.
E, no serviço Divino, isso corresponde ao ensinamento de nossos Sábios, de abençoada memória: “As mitsvot requerem intenção”; isto é, conforme disseram nossos Sábios, de abençoada memória: “Que primeiro aceite sobre si o jugo do reinado dos Céus e, depois, aceite sobre si o jugo das mitsvot.”
No serviço de uma pessoa, isso corresponde ao ensinamento “as mitsvot requerem intenção” e à ordem da Mishná na leitura do Shemá: primeiro se aceita o jugo do reinado dos Céus e, em seguida, o jugo das mitsvot.
עול מלכות שמים ע״י ק״ש [קריאת שמע] למס״נ [למסירות נפש] באחד, עי״ז ממשיך דרך הוי׳ בבחי׳ ים מלמעלה למטה, כי ים דומה לרקיע3 כו׳ לכסה״כ [לכסא הכבוד] כו׳4 שזמנה משיכיר בין תכלת ללבן.5
O jugo do reinado dos Céus [é aceito] por meio do Shemá, entregando a própria alma em “Um”; por meio disso, atrai-se “o caminho de Havayá” para o nível de “mar”, de cima para baixo. Pois “o mar se assemelha ao firmamento”, etc., “ao Trono de Glória”, etc.; cujo horário é “desde quando se pode distinguir entre o azul (techelet) e o branco”,
O jugo dos Céus é aceito no Shemá, entregando-se a própria alma em “Um”; isso atrai “o caminho de Havayá” para o “mar”, de cima para baixo. O horário do Shemá começa quando se pode distinguir o techelet do branco, e o techelet se assemelha ao mar, que se assemelha ao firmamento.
O caminho pelo mar é aberto por meio da Torá outorgada em Shavuot e, no serviço de uma pessoa, pela aceitação do jugo dos Céus no Shemá, antes de assumir o jugo das mitsvot.
Uma nota da Kehot registra que, no manuscrito do Tsemach Tsedek (Buch 1122), o trecho que vai de “por meio disso” a “o Trono de Glória” está marcado para ser eliminado.
Marei mekomot
- 1
- 2שיקבל עליו עול מלכות שמים תחלה · Berakhot 13a:21
- 3ים דומה לרקיע · Chullin 89a:3–4
- 4עי״ז . . לכסה״כ כו׳ · בבוך 1122 גוכי״ק כ״ק אדמו״ר הצ״צ לקטע זה יש סימן למחיקה.
- 5משיכיר בין תכלת ללבן · Berakhot 9b:9
69ותכלת דומה לים כו׳ לכסה״כ [לכסא הכבוד] אשר עי״ז ממשיך הנותן בים דרך מלמעלה למטה, וכמ״ש בים דרכך ושבילך1 כו׳
E “o techelet se assemelha ao mar”, etc., “ao Trono de Glória”; por meio disso, atrai-se “Aquele que abre um caminho no mar” de cima para baixo; como está escrito: “Teu caminho está no mar, e Teu trilho”, etc.
O céu, por sua vez, se assemelha ao Trono de Glória. Por meio disso, o caminho é atraído para dentro do mar, de cima: “Teu caminho está no mar, e Teu trilho” (Psalms 77:20).
ואח״כ [ואחר כך] יקבל עליו עומ״צ [עול מצוות] שאזי ע״י המצות שהם הארבין2 דהיינו האניות יוכלו גם הנשמות להיות להם דרך בים כו׳.
E, depois, deverá aceitar sobre si o jugo das mitsvot; pois então, por meio das mitsvot, que são os “barcos”, isto é, as embarcações, também as almas poderão ter um caminho no mar, etc.
Depois, a pessoa aceita o jugo das mitsvot. As mitsvot são os “barcos”, as embarcações nas quais também as almas podem encontrar um caminho através do mar.
Aceitar o jugo do Céu abre, de cima, um caminho para dentro do mar, e as mitsvot são os barcos pelos quais as almas o percorrem de baixo.
Marei mekomot
- 1בים דרכך ושבילך · Psalms 77:20
- 2ע״י המצות שהם הארבין · מובא ביהל אור ע׳ תז.
70וע״כ [ועל כן] נק׳ הספנים מלחים ופרש״י [ופירש רש״י / ופירוש רש״י] שהוא ג״כ לשון תערובות שמהפכין את המים כו׳, ויש לפרש שהתערובות הוא שממשיכים דרך בים מלמעלה למטה להיות בים דרכך
Por isso, os marinheiros são chamados de malachim, e Rashi explicou que também é um termo que denota mistura, pois eles revolvem a água etc. Pode-se explicar que a mistura consiste em abrir um caminho no mar, de cima para baixo, para que se cumpra: “Teu caminho está no mar”;
Assim, os marinheiros são malachim, “misturadores”, como diz Rashi, pois revolvem a água. A “mistura” é o caminho que eles abrem no mar, vindo de cima, para que “Teu caminho esteja no mar”.
וכן מלמטה למעלה שיוכלו אנשי היבשה שמעלמא דאתגליא להתעלות למעלה להיות להם השגה בעלמא דאתכסיא,
e, igualmente, de baixo para cima, para que as pessoas da terra firme, que pertencem ao mundo revelado, possam ascender e alcançar o mundo oculto.
Eles também abrem um caminho de baixo para cima, para que as pessoas da “terra firme”, o mundo revelado, possam ascender e alcançar o mundo oculto.
אך קי״ס [קריעת ים סוף] הוא בחי׳ עליונה יותר שהים נעשה בו דרך יבשה ממש ואזי א״צ [אין צריך / אינו צריך] לארבין, וע״ד [ועל דרך] מ״ש במ״א ע״פ צאינה וראינה1 כו׳ צאינה מן הלבושים והיינו ע״י גילוי.
Mas a Abertura do Mar de Juncos é um nível ainda mais elevado: nela, o próprio mar se tornou um caminho de terra realmente firme, e então não há necessidade de barcos. É semelhante ao que está escrito em outro lugar a respeito do versículo “Saí e contemplai” etc.: “Saí” dos vestimentos — e isso ocorre por meio da revelação.
A Abertura do Mar foi ainda mais elevada: o próprio mar tornou-se terra firme, de modo que não foram necessários barcos. O discurso sobre “Saí e contemplai” interpreta isso como “saí” dos vestimentos, por meio da revelação.
בעטרה שעטרה לו אמו2 היינו אור הכתר שעי״ז הפך ים שהוא עלמא דאתכסיא להיות עלמא דאתגליא ממש
“Com a coroa com que sua mãe o coroou”: isto é, a luz de Kéter, por meio da qual Ele transformou o mar, que é o mundo oculto, no próprio mundo revelado;
Essa revelação é “a coroa com que sua mãe o coroou” (Cântico dos Cânticos 3:11): a luz de Kéter, que transformou o mar, o mundo oculto, no mundo revelado.
ואזי א״צ [אין צריך / אינו צריך] ללבושין הנק׳ ארבין שמפסיקין בין האדם לים החכמה שלא ניתן ליהנות מים החכמה כ״א [כי אם] ע״י לבוש ומשל החוצץ בינו ובין ים החכמה ע״ד [על דרך] ויבא משה בתוך הענן3 כו׳,
e então não há necessidade dos vestimentos chamados “barcos”, que se interpõem entre a pessoa e o mar da sabedoria. Pois não é possível usufruir do mar da sabedoria senão por meio de um vestimento e de uma parábola que se interponham entre a pessoa e o mar da sabedoria, à semelhança de “Moshe entrou no interior da nuvem” etc.;
Então não são necessários os “barcos”. Em geral, só se pode usufruir do “mar da sabedoria” por meio de um vestimento ou parábola que se interponha, como quando Moshe entrou no interior da nuvem.
אבל כאשר הפך ים ליבשה4 ממש לא יצטרך כלל ללבוש ומשל כ״א [כי אם] יהיה בו דרך כמו ביבשה ועז״נ [ועל זה נאמר] ובנ״י [ובני ישראל] הלכו ביבשה בתוך הים כו׳.
mas, quando Ele transformou o mar em terra realmente firme, não será de modo algum necessário um vestimento ou uma parábola; haverá nele um caminho, como em terra firme. Sobre isso está dito: “E os filhos de Israel caminharam em terra firme no meio do mar” etc.
Quando o mar se torna terra firme, não é necessário vestimento ou parábola; há nele um caminho, como em terra firme: “E os filhos de Israel caminharam em terra firme no meio do mar”.
Navegar pelo mar em barcos representa o serviço por meio de vestimentos; a Abertura do Mar, pela luz de Kéter, é uma revelação mais elevada, na qual o oculto se torna tão evidente quanto a terra firme.
O discurso de Likkutei Torah sobre “Saí e contemplai” explica a coroa como a vontade suprema, uma luz circundante, a “coroa da Torá”, superior ao “pão e ao vinho”; é a revelação da própria Luz Infinita circundante que brilhará no futuro, quando “os justos se sentarem com suas coroas sobre a cabeça”.
Marei mekomot
- 1ע״פ צאינה וראינה · ראה לקו״ת שה״ש כו, ג.
- 2בעטרה שעטרה לו אמו · Song of Songs 3:11
- 3ויבא משה בתוך הענן · Exodus 24:18
- 4הפך ים ליבשה · Psalms 66:6
71וזהו ששת ימים תאכל מצות1 וביום השביעי עצרת לה׳ אלקיך. פי׳ מצות בוא״ו זהו כשנמשך בבחי׳ מצה דלא מליח כו׳
E este é [o sentido de] “Durante seis dias comerás matsot, e no sétimo dia [haverá] uma assembleia (atseret) para Havayá, teu D'us.” A explicação: matsot [está escrito] com um vav; isso ocorre quando se atrai para o nível da matsá, que não é salgada etc.,
O maamar se encerra com o versículo “Durante seis dias comerás matsot, e no sétimo dia haverá uma assembleia para Havayá, teu D'us” (Deuteronômio 16:8). Aqui, matsot está escrito com um vav, indicando que a matsá sem sal, o “pão da pobreza”, recebe o vav.
בחי׳ וא״ו ונעשית בחי׳ מצוה, ועי״ז אח״כ [אחר כך] וביום השביעי נמשך בחי׳ עליונה יותר להיות הפך ים ליבשה,2
o nível do vav, e ela se torna o nível de mitsvá. E, por meio disso, depois, “no sétimo dia”, é atraído um nível ainda mais elevado, para que “Ele transformou o mar em terra seca”.
Com o vav, matsá (מצה) torna-se mitsvá (מצוה), como o Zohar disse acima. Depois disso, no sétimo dia de Pêssach, uma luz ainda mais elevada é atraída: a Abertura do Mar, quando “Ele transformou o mar em terra seca”.
וזהו ענין עצרת להוי׳ אלקיך ע״ד [על דרך] אחרי הוי׳ אלקיכם ממש תלכו מ״ש בו בים דרכך3 וא״צ [ואין צריך / ואינו צריך] ללבושים כו׳. והיינו כדפרש״י [כדפירש רש״י / כדפירוש רש״י] ע״פ הנותן בים דרך4 דקאי על קריעת ים סוף:
E este é o sentido de “uma assembleia para Havayá, teu D'us”, à maneira de “Após Havayá, vosso D'us, caminhareis” — literalmente —, a respeito de Quem está escrito: “Teu caminho está no mar”, e não há necessidade de vestimentas etc. E isso corresponde ao que Rashi explicou sobre o versículo “Aquele que abre um caminho no mar”: que ele se refere à Abertura do Mar de Juncos.
Isso é “uma assembleia para Havayá, teu D'us”: caminhar após o próprio D'us, cujo “caminho está no mar”, sem necessidade de vestimentas. Rashi explica “Aquele que abre um caminho no mar” como uma referência à Abertura do Mar de Juncos.
O maamar termina relacionando Pêssach aos temas que desenvolveu: os seis dias de matsá são a etapa de recepção, completada pelo vav; e o sétimo dia, a Abertura do Mar, é a revelação mais elevada, na qual o oculto se torna tão manifesto quanto a terra seca.
Marei mekomot
- 1ששת ימים תאכל מצות . . עצרת לה״א · Deuteronomy 16:8
- 2הפך ים ליבשה · Psalms 66:6
- 3בים דרכך · Psalms 77:20
- 4הנותן בים דרך · Rashi on Isaiah 43:16
Terminou o maamar?
Marque-o como estudado; ele conta para a semana e para o siyum do ano.
Na avodá
Antes de estudar Torá, a pessoa deve recitar o Shemá e rezar com a disposição de entregar a alma em “Um”, para que seu coração deseje de verdade anular-se diante de D'us; então, até mesmo o estudo no qual ela nada sente une sua alma a D'us. Deve estudar em prol da própria Torá, dedicar uma parte do estudo à Escritura, às Agadot e à Torá interior, e acrescentar ao aprendizado o “sal” do temor do Céu. O serviço começa com a fé simples e a aceitação do jugo do Céu, o “pão da pobreza”, e só então se eleva à compreensão.
Perguntas para conversar
- Por que o maamar insiste que o intelecto é apenas um recipiente para a alma, e como isso faz do estudo da Torá uma forma de autossacrifício?
- Como o estudo de uma lei prática sobre coisas físicas pode unir a pessoa a D'us de maneira mais plena do que o estudo dos mundos superiores na Cabalá?
- O que a imagem do sal, que não tem sabor próprio, mas dá sabor à carne, ensina sobre o lugar da Torá interior e do temor do Céu no aprendizado?
- Por que a matsá de Pessach deve ser o “pão da pobreza” sem sal, e o que isso ensina sobre onde começa o serviço divino?
- O que os navios, os marinheiros e a Abertura do Mar representam no serviço da pessoa a D'us?