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Likkutei Torah · Parshas Vayikra · Maamar 4

ולא תשבית מלח וגו׳

“E não deixarás de oferecer sal”

  • 3 parágrafos · 29 seções
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A ideia central

O sal não tem sabor próprio, mas realça o sabor daquilo com que entra em contato, porque tem sua raiz nas guevurot de Abá, que se transformam em bondades embaixo, e no poder refinador de Chochmá. Assim também, a sabedoria oculta da Torá, a Cabalá, não é “saboreada” em si, mas dá sabor a toda a Torá e a cada oferenda: é a aliança que une o Criador e a criação.

O maamar em resumo

O maamar explica por que toda oferenda deve ser salgada (Leviticus 2:13). O sal dá sabor à carne, embora não tenha sabor próprio. Sua raiz está nas guevurot de Abá: o sal é água, Chessed dentro de Chochmá, queimada pelo sol; aquilo que é guevurot para Abá torna-se chassadim para Imá, de modo que o sal retém em si, mas dá àquilo que está abaixo dele; e, como todos os sabores vêm de Chochmá, o sal dá sabor. A carne, cuja raiz está em Biná, a “mãe”, é adoçada por ele. O sal também representa “por meio de Chochmá são refinados”: como alguém que separa os alimentos, ou como o coalho no leite, ele separa o desperdício do alimento, extraindo o sangue da carne, sem estar presente no resultado. Sua raiz mais profunda é botzina dekardinusa, a linha de medida, que mede cada fluxo sem estar revestida nele; por isso, o sal sobre a mesa protege do sofrimento, pois os julgamentos só são adoçados em sua raiz. Na Torá, a Cabalá é o sal: oculta, mas toda a Torá a segue. O sal é “a aliança do seu D'us”, guardado para o Tempo Vindouro, cuja festa é a compreensão.

Esquema

  1. Sal: sem sabor, mas dando saborO sal tem sua raiz nas guevurot de Abá, que se tornam os chassadim de Imá; assim, dá sabor à carne, cuja raiz está em Biná, embora ele próprio não tenha sabor. Como alguém que separa os alimentos ou o coalho que transforma o leite em queijo, ele refina sem estar presente no resultado, pois “por meio de Chochmá são refinados”. Sua raiz mais profunda é botzina dekardinusa, a linha de medida; por isso, ele adoça os julgamentos em sua raiz e protege do sofrimento.¶1
  2. A Cabalá, o sal da ToráA sabedoria da Cabalá é o sal da Torá: oculta e encoberta, não apreendida como “sabor” da maneira como a Torá revelada o é.¶2
  3. Sal em cada oferenda: a aliançaAinda assim, a sabedoria oculta dá sabor a tudo, pois os mundos são conduzidos pela dimensão interior da Torá, e toda a Torá foi dita de acordo com a Cabalá. As oferendas refinam a alma animal por meio de Chochmá; por isso, o sal as acompanha. Ele é a aliança que une o Criador e a criação, a “aliança de sal” guardada para o Tempo Vindouro, cuja festa é a compreensão.¶3

Conceitos-chave

As guevurot de Abáגבורות דאבא
Os poderes de contenção dentro de Chochmá. Em relação a Abá, são contenção; mas, quando se estendem até Imá (Biná), tornam-se bondades. É por isso que o sal, cuja raiz está ali, não tem sabor próprio, mas dá sabor.
“Por meio de Chochmá são refinados” (bechochmah isbreru)בחכמה אתברירו
O princípio de que o bem é separado do mal pelo poder de Chochmá, que permanece fora daquilo que refina, como alguém que separa os alimentos ou o coalho que transforma o leite em queijo. O sal, que extrai o sangue da carne, representa esse princípio.
Botzina dekardinusa e a linha de medida (kav hamiddah)בוצינא דקרדוניתא, קו המדה
A Guevurá de Atik Yomin revestida em Mocha Stima’ah, que mede como e quanto de cada luz e recipiente é atraído para baixo, sem estar revestida naquilo que mede. É a raiz mais profunda do sal.
Mazlaמזלא
O fluxo do qual Abá extrai seu sustento, cuja raiz está em Mocha Stima’ah. Seu valor numérico, 78, é igual ao de melach (sal).
Adoçamento na raizאין הגבורות נמתקין אלא בשרשן
As severidades só são suavizadas em sua fonte. Portanto, o sal, raiz de todas as guevurot, pode adoçá-las; é por isso que é colocado sobre a mesa para proteger do sofrimento.
A sabedoria da Cabaláחכמת הקבלה
A dimensão interior da Torá. Ela é oculta e não é apreendida como “sabor”; ainda assim, a condução dos mundos e toda a Torá revelada a seguem, assim como o sal dá sabor ao pão e à carne.
Aliança de salברית מלח
O vínculo entre o Criador e os seres criados, estabelecido pelo poder refinador de Chochmá: “uma aliança eterna de sal”, guardada para o Tempo Vindouro, quando a festa dos justos será a compreensão que alcançarão.

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Sal: sem sabor, mas dando sabor ¶1

1ולא תשבית מלח וגו׳ [וגומר]. הנה מלח הוא נותן טעם בדברים הנמלחים בו כמו הבשר. וכמ״ש בגמ׳ [בגמרא] פ״ק [פרק קמא] דברכות דף ה׳ סע״א [סוף עמוד א] ובמנחות דכ״א סע״א [סוף עמוד א], וכמ״ש היאכל תפל מבלי מלח

“E não deixarás de acrescentar sal”, etc. Ora, o sal dá sabor às coisas que são salgadas com ele, como a carne, conforme se afirma na Guemará, no primeiro capítulo de Berachot, fólio 5, fim do lado a, e em Menachot, fólio 21, fim do lado a; e como está escrito: “Pode-se comer o insípido sem sal?”

Explicação

O maamar começa com Levítico 2:13, que ordena que o sal acompanhe toda oferenda. Antes de explicar o versículo, o Alter Rebe declara um fato simples: o sal dá sabor ao que é salgado com ele, como a carne, conforme atestam a Guemará (Berachot 5a e Menachot 21a) e a pergunta de Iyov: “Pode-se comer o insípido sem sal?”

(וע׳ [ועיין] באדר״ז [באדרא זוטא] דרצ״ה ע״ב), שבלי מלח הוא בשר תפל שאין בו טעם וכשמולחים אותו במלח

(E veja-se a Idra Zuta, fólio 295b): pois, sem sal, a carne é insípida e não tem sabor; quando se salga com sal,

Explicação

O parêntese é uma referência do próprio Alter Rebe à Idra Zuta (“Assembleia Menor”), uma seção do Zohar em sua terceira parte. A frase em si dá continuidade ao que se observa na experiência: a carne sem sal é insípida e não tem sabor.

אזי נעשה בהבשר טעם שהמלח ממתקת את הבשר. והרי המלח עצמו אין בו טעם ואעפ״כ [ואף על פי כן] הוא פועל הטעם בהבשר.

então surge sabor na carne, pois o sal adoça a carne. No entanto, o próprio sal não tem sabor e, apesar disso, produz sabor na carne.

Explicação

Este é o enigma que o maamar se propõe a resolver. O sal “adoça” a carne e faz sobressair seu sabor, embora o próprio sal não seja algo que se coma por seu sabor. A questão é como pode produzir sabor em outra coisa.

והענין ששרש המלח הוא בחי׳ גבורות דאבא שהמלח הוא מתולדות המים שע״י חום השמש ששורפם נעשה המלח.

A explicação é que a raiz do sal é o nível das guevurot de Abá (Chochmá), pois o sal é um dos derivados da água: pelo calor do sol, que a queima, forma-se o sal.

Explicação

A resposta começa pela raiz espiritual do sal: as guevurot, as forças de contenção e rigor, em Abá, a sefirá de Chochmá em uma configuração completa. Sua origem física reflete isso, pois o sal se forma da água por meio do calor abrasador do sol: a bondade submetida a uma força de rigor.

ומים הוא בחי׳ חסד שבחכמה והמלח זהו בחי׳ גבורות ולכן היא חריף. (ועיין במא״א [במאורי אור] אות מ״ם סעיף ע״א).

E a água é o nível de Chessed (bondade) dentro de Chochmá (sabedoria), enquanto o sal é o nível das guevurot; por isso, é picante. (E veja-se Me’orei Or, letra mem, seção 71.)

Explicação

A água representa Chessed, o fluxo de bondade dentro de Chochmá, enquanto o sal — água queimada pelo sol — representa as guevurot; por isso o sal é picante. O parêntese remete a Me’orei Or, obra cabalística organizada segundo as letras do alfabeto, na letra mem.

והנה מבואר בע״ח [בעץ חיים] שמגבורות דאבא נעשו חסדים דאימא. פי׳ דהגם דלגבי אבא נחשב לבחי׳ גבורות עכ״ז [עם כל זה] כשנמשכים לאימא נחשבים בחינת חסדים לגבה.

Ora, está explicado em Etz Chaim que das guevurot de Abá se formaram os chassadim (bondades) de Imá (Biná). Isto é: embora, em relação a Abá, sejam considerados o nível das guevurot, quando são atraídos para Imá são considerados, em relação a ela, o nível dos chassadim.

Explicação

Etz Chaim, do Arizal, ensina que aquilo que são guevurot para Abá se torna chassadim (bondades) para Imá, a configuração de Biná. O fato de uma força ser considerada contenção ou bondade depende do nível em relação ao qual é medida: o que é uma contração em relação a Chochmá é um fluxo generoso em relação a Biná, que está abaixo dela.

ונודע שכל הטעמים נמשכים מחכמה כי טעמים הם בשם ע״ב [שם ע״ב] שהוא חכמה, ולכן המלח ששרשו מבחי׳ אבא הוא הנותן טעם בדבר הנמלח.

E é sabido que todos os sabores derivam de Chochmá, pois os sabores (te’amim) pertencem ao Nome Av (72), que é Chochmá. Portanto, o sal, cuja raiz provém do nível de Abá, é o que dá sabor àquilo que é salgado.

Explicação

Chochmá é a fonte de todo “sabor”. Na Cabalá, os te’amim (literalmente, “sabores”, e também o nome dos sinais de cantilação da Torá) pertencem ao Nome Av, o Nome Havayá escrito de forma que suas letras totalizem 72, correspondente a Chochmá; portanto, o sal, enraizado em Abá, é apto a dar sabor.

ומ״מ [ומכל מקום] הוא עצמו אין בו טעם. מפני שהוא מבחי׳ גבורות דאבא. לכן לפי שהוא מבחינת גבורות אין בו טעם, אבל הרי מבחי׳ גבורות דאבא נעשים חסדים דאימא.

Apesar disso, ele próprio não tem sabor, porque provém do nível das guevurot de Abá. Portanto, por provir do nível das guevurot, não tem sabor; mas, afinal, das guevurot de Abá formam-se os chassadim de Imá.

Explicação

Os dois lados do paradoxo provêm de uma mesma raiz. Como o sal provém das guevurot de Abá, uma contenção que retém, ele não tem sabor próprio; mas essas mesmas guevurot se tornam os chassadim de Imá e, assim, quando o sal atua sobre aquilo que está abaixo dele, dá sabor.

וזהו שמטעים הבשר, (וענין הבשר עבמ״ש [עיין במה שכתוב] ע״פ בהעלותך את הנרות חייך שלך גדול משלהם, וסד״ה והיה מדי חודש גבי יבא כל בשר להשתחוות.

E é por isso que ele dá sabor à carne. (Sobre o conceito de carne, veja o que está escrito sobre o versículo “Quando fizeres subir as lâmpadas”, “Por tua vida, o teu é maior que o deles”; e no fim do discurso que começa “E será, de lua nova em lua nova”, a respeito de “toda carne virá para prostrar-se”.

Explicação

Assim, o sal realça o sabor da carne. Um parêntese explica por que se trata especificamente da carne, apontando para dois maamarim: um sobre Números 8:2, acerca das palavras de D'us a Aharon, de que sua iluminação da Menorá é “maior que a deles”, isto é, as oferendas dos príncipes das tribos; e o final de um maamar sobre Isaías 66:23, “toda carne virá para prostrar-se”.

ויובן משם דהבשר שרשו מבחי׳ בינה. וכמארז״ל [וכמאמר רבותינו זכרונם לברכה] אודם מן האם שממנו בשר כו׳, ולכן הבשר נמתק ע״י המלח שחסדים דאימא נתהוו מגבורות דאבא כנ״ל).

Daí se entenderá que a carne tem sua raiz no nível de Biná (entendimento), como disseram nossos Sábios, de abençoada memória: “O vermelho vem da mãe, de onde provém a carne”, etc. Portanto, a carne é adoçada pelo sal, pois os chassadim de Imá vieram a existir das guevurot de Abá, como mencionado acima.)

Explicação

Desses maamarim aprende-se que a carne (basar, que também significa “carne” no sentido de “tecido corporal”) tem sua raiz em Biná, a “mãe”, como ensinam os Sábios: a mãe contribui com a substância vermelha da qual se forma a carne (Niddah 31a). Por isso o sal adoça especificamente a carne: as guevurot de Abá, raiz do sal, tornam-se os chassadim de Imá, o próprio nível em que a carne tem sua raiz.

ועוד שזהו כענין בחכמה אתברירו שחכמה הוא המברר כל הברורים להפריד הטוב מן הרע.

Além disso, isso é semelhante ao conceito de “por meio de Chochmá eles são refinados”: Chochmá é o que realiza todos os refinamentos (birurim), para separar o bem do mal.

Explicação

Uma segunda explicação relaciona o sal ao princípio cabalístico “por meio de Chochmá eles são refinados” (bechochmá itbareru). Refinamento (birur) significa separar o bem do mal que está misturado com ele, e é Chochmá que realiza essa separação.

והנה עד״מ [על דרך משל] האדם המברר אוכל מתוך פסולת או הפסולת מן האוכל הרי אין מהותו נמצא בהמתברר כ״א [כי אם] רק שעל ידו נעשה הבירור.

Ora, a título de analogia: uma pessoa que separa o alimento dos resíduos, ou os resíduos do alimento — sua essência não está presente naquilo que é separado; apenas a separação é realizada por seu intermédio.

Explicação

Uma analogia do cotidiano: uma pessoa que separa o alimento dos resíduos nada de si introduz no alimento; ela é apenas aquela por cujo intermédio ocorre a separação. Assim também, Chochmá provoca o refinamento sem estar presente naquilo que é refinado.

וכן עד״מ [על דרך משל] הבירור של הגבינה מה שנברר האוכל מתוך הפסולת דהיינו מן הקום ומי חלב ונעשה גבינה והיינו ע״י עור הקיבה שנותנים בה כידוע.

Assim também, a título de analogia, ocorre no processo de fazer queijo, no qual o alimento é separado dos resíduos, isto é, do kum e do soro, e se transforma em queijo; isso ocorre por meio da membrana do estômago que se coloca nele, como é sabido.

Explicação

Uma analogia mais próxima é a fabricação de queijo. Coloca-se no leite um pedaço da membrana do estômago (coalho), e o alimento se separa dos resíduos — o kum e o soro, que ficam para trás — e se transforma em queijo.

והנה עצמיות הטעם של עור הקיבה אינו נמצא ונרגש לא בהגבינה ולא בהקום (כ״א [כי אם]) אעפ״כ [אף על פי כן] הוא פועל הבירור שמתברר האוכל מהפסולת וישתנה למעליותא.

Ora, o sabor essencial da membrana do estômago não está presente nem é sentido, nem no queijo nem no kum (mas, ainda assim); apesar disso, ela provoca o refinamento, de modo que o alimento seja separado dos resíduos e se transforme para melhor.

Explicação

O sabor próprio do coalho não é sentido nem no queijo nem no líquido; ainda assim, ele provoca a separação e transforma o leite para melhor. As palavras “mas, ainda assim” aparecem entre parênteses no hebraico; a frase está completa sem elas.

וכך הוא ענין בחכמה אתברירו שמברר הבירורים שיהיה נפרד הטוב מן הרע. מה שמקודם היה הטוב מעורב ברע

E assim é o conceito de “por meio de Chochmá eles são refinados”: ela realiza os refinamentos para que o bem seja separado do mal. Pois antes o bem estava misturado com o mal,

Explicação

Agora a analogia é aplicada: Chochmá realiza os refinamentos para que o bem seja separado do mal. Antes disso, o bem estava misturado com o mal, e a parte seguinte apresenta a consequência.

לכן לא היה בו טעם עד״מ [על דרך משל] וע״י החכמה נעשה הבירור ויופרדו הסיגים והפסולת אז נתגלה הטוב כו׳.

por isso, a título de analogia, não tinha sabor; e, por meio de Chochmá, ocorre o refinamento, os resíduos e as impurezas são separados, e então o bem é revelado, etc.

Explicação

Enquanto estava misturado com o mal, o bem não tinha “sabor”, isto é, nenhuma qualidade que pudesse ser percebida. Quando Chochmá separa as impurezas e os resíduos, o bem se revela.

וזהו ג״כ ענין המלח שהמלח מפליט הדם מן הבשר שמברר הפסולת מן האוכל לפי ששרשו מגבורות דאבא דבחכמה אתברירו ולכן אף שבעצמו אין בו טעם עכ״ז [עם כל זה] הוא פועל טעם בהבשר.

Este também é o sentido do sal: o sal extrai o sangue da carne, isto é, separa o resíduo do alimento, porque sua raiz está nas Guevurot de Abá, pois “por meio de Chochmá eles são depurados”. Portanto, embora em si mesmo não tenha sabor, ainda assim confere sabor à carne.

Explicação

O sal faz exatamente isso: extrai o sangue da carne, separando o que não pode ser comido do que pode, como no processo de salgamento da carne para torná-la kosher. Como o sal tem sua raiz nas Guevurot de Abá, às quais se aplica a expressão “por meio de Chochmá eles são depurados”, ele confere sabor à carne embora não tenha sabor próprio.

ע״ד [על דרך] הבירור וטעם הגבינה ע״י המחבץ כו׳ (ועמ״ש עוד מענין מלח בביאור ע״פ והיה לכם לציצית בפי׳ ברית מלח עולם היא כו׳ ע״ש [עיין שם]).

De modo semelhante à depuração e ao sabor do queijo por meio do agente coagulante, etc. (E veja-se também o que está escrito sobre o tema do sal na explicação do versículo “E será para vós um tsitsit”, na interpretação de “É uma aliança eterna de sal”, etc.; veja-se ali.)

Explicação

O sal age como o agente coagulante, que depura o leite e dá sabor ao queijo. O parêntese remete a uma exposição mais completa sobre o sal na explicação (biur) de Números 15:39, a respeito de tsitsit, onde o Alter Rebe explica por que o sacerdócio de Aharon é chamado “uma aliança eterna de sal” (Números 18:19).

ושרש של בחי׳ מלח הוא בחי׳ בוצינא דקרדוניתא שהוא בחי׳ קו המדה. כי מלח בגימ׳ [בגימטריא] מזלא ואבא יונק ממזלא, ושרש מזלא נמשך ממו״ס [ממוחא סתימאה] שבו מלובש גבורה דע״י [דעתיק יומין] שנק׳ בוצינא דקרדוניתא.

A raiz do nível do sal é o nível de botzina dekardinusa, que é o nível da linha de medida (kav hamidá). Pois melach (sal) tem o mesmo valor numérico que mazalá, e Abá recebe seu fluxo vital de mazalá; e a raiz de mazalá se estende de Mocha Stimaá (o cérebro oculto), no qual está revestida a Guevurá de Atik Yomin, chamada botzina dekardinusa.

Explicação

A raiz mais profunda do sal é botzina dekardinusa, termo do Zohar para a fonte oculta de julgamento que mede tudo o que se segue, chamada linha de medida (kav hamidá). A ligação é numérica: melach (sal) e mazalá, o fluxo do qual Abá recebe seu sustento, têm ambos o valor de 78; e mazalá tem sua raiz em Mocha Stimaá, o cérebro oculto de Arich Anpin, no qual está revestida a Guevurá de Atik Yomin — a própria botzina dekardinusa.

וענין קו המדה שהוא המודד לכל המשכות האורות וכלים איך וכמה יומשך (וזהו ענין מ״ש אורך היריעה האחת שמנה ועשרים באמה.

O sentido da linha de medida é que ela mede todos os fluxos de luzes e recipientes: como e em que medida devem ser estendidos. (E este é o sentido do que está escrito: “O comprimento de uma cortina será de vinte e oito côvados”:

Explicação

A linha de medida determina a medida de cada fluxo de luz e de cada recipiente: de que forma e em que quantidade ele é estendido. O Alter Rebe ilustra isso com as cortinas do Mishkan, cada uma com “vinte e oito côvados” (Êxodo 26:2).

שנמדד באמה היא בחי׳ קו המדה, ועד״מ [ועל דרך משל] האמה שמודדין בו שאף שנותן מדה לכל הדברים מ ״מ הוא עצמו אינו מלובש בם כו׳).

o fato de ser medido “por côvados” corresponde ao nível da linha de medida. A título de analogia: o côvado com o qual se mede; embora dê a medida a todas as coisas, ainda assim ele próprio não está revestido nelas, etc.)

Explicação

O côvado pelo qual a cortina é medida representa a linha de medida. Uma régua dá a cada objeto sua medida, mas não se torna parte daquilo que mede, assim como o sal confere sabor sem ser um alimento.

ולכן צריכין להניח מלח על השלחן להגין מן היסורין כי מפני שהוא שרש כל הגבורות ע״כ [על כן] הוא ממתיק הדינים שאין הגבורות נמתקין אלא בשרשן:

Portanto, é necessário colocar sal sobre a mesa para proteger dos sofrimentos, pois, sendo ele a raiz de todas as Guevurot, adoça os rigores (dinim), uma vez que as Guevurot só são adoçadas em sua raiz.

Explicação

Isso explica o costume de colocar sal sobre a mesa durante a refeição, para proteger contra o sofrimento. Os rigores (dinim) só são suavizados em sua fonte; por isso, o sal, raiz de todas as Guevurot, pode adoçá-los. Isso recorda a Guemará citada no início, segundo a qual o sal adoça a carne, assim como o sofrimento expia os pecados de uma pessoa (Berachos 5a).

O parágrafo 1 em resumo

O parágrafo inicial explica como o sal, que não tem sabor próprio, dá sabor à carne: ele está enraizado nas guevurot de Abá, que se tornam os chassadim de Imá, e expressa o princípio de que “por meio de Chochmá, eles são refinados”, separando o bem do mal sem estar presente no resultado. Sua raiz mais profunda é botzina dekardinusa, a linha de medida; assim, o sal, raiz de todas as guevurot, adoça os julgamentos.

Aprofundar

O número 78, compartilhado por melach e mazla, também corresponde a três vezes 26, o valor de Havayá; segundo a nota da Kehot, Or HaTorah interpreta isso como “três Havayás, três guevurot que adoçam”. Em Tanya, Igueret HaKodesh 28, o nível de “por meio de Chochmá, eles são refinados” é identificado com a Chochmá suprema, a Mocha Stima’ah de Arich Anpin, por meio da qual o Mundo de Tikun foi refinado a partir de Tohu: o mesmo cérebro oculto em que, aqui, a raiz do sal está revestida.

Marei mekomot

  1. 1
    ולא תשבית מלח · נדפס בשינויים בסה״מ תקס״ד ע׳ פו ומתחיל: ענין המלח. וראה ג״כ סה״מ תקס״ג ח״ב ע׳ תרפח. קיצור לקמן נ, ג.
  2. 2
    ולא תשבית מלח · Leviticus 2:13
  3. 3
  4. 4
    פ״ק דברכות דף ה׳ סע״א · נתבאר באוה״ת ויקרא-א ע׳ רכז.
  5. 5
    היאכל תפל מבלי מלח · Job 6:6
  6. 6
  7. 7
    שהמלח מתולדות המים · ”וכן מלח הארץ מחמת יחוד השמש בתגבורת נתהוו׳ העפר מלוח” — סה״מ תקס״ג-ב ע׳ תרפח. וראה באוה״ת ויקרא-א ע׳ רכז מציין לבחיי בשם הרמב״ן ע״פ לא תשבית מלח. וראה באוה״ת שם ע׳ רלח.
  8. 8
    (ועיין במא״א אות מ״ם סעיף ע״א) · נזכר באוה״ת ויקרא-א ע׳ רלא ”מלח גימט׳ ג׳ הויות ג׳ גבורות הממתקות”.
  9. 9
    מבואר בע״ח · ע׳ ש׳ הכללים (פ״י). [כ].
  10. 10
    מבואר בע״ח שמגבורות דאבא נעשו חסדים דאימא · Sefer Etz Chaim, Shaar HaKlalim 10:2
  11. 11
    הטעמים נמשכים מחכמה · ראה ע״ח שער אבי״ע רפ״א. אוה״ת ראה ע׳ ב׳מח.
  12. 12
    ע״פ בהעלותך את הנרות · לקו״ת לא, ג.
  13. 13
    סד״ה והיה מדי חודש · לקו״ת ברכה צז, ד.
  14. 14
    יבא כל בשר להשתחוות · Isaiah 66:23
  15. 15
    אודם מן האם · Niddah 31a:18
  16. 16
    בחכמה אתברירו · ע׳ ע״ח שער מוחין דצלם (רפ״ח) ובש׳ מ״ן ומ״ד (ריש דרוש א׳ מזח״ב פקודי (רנד, ב) במחשבה אתברירו ושם (סוף דרוש ג׳) ושם ש׳ אנ״ך (פ״ט), וע׳ אגה״ק סי׳ כ״ח כ׳ בכ״ד בזהר [בדוכתי טובא בזוה״ק] בחכ׳ כו׳ ול״מ. [כ]. וראה לקמן בהנסמן לפ׳ צו דף יג, ב. וראה לקמן אמור לד, ג. נשא כא, א. ספר המאמרים תש״ח ע׳ 206 הערה יא.
  17. 17
    בחכמה אתברירו · Sefer Etz Chaim 39:2
  18. 18
  19. 19
    בביאור ע״פ והיה לכם לציצית · ראה לקו״ת שלח מו, ג.
  20. 20
    ברית מלח עולם היא · Numbers 18:19
  21. 21
    בחי׳ בוצינא דקרדוניתא · Zohar I, 15a
  22. 22
    בוצינא דקרדוניתא שהוא בחי׳ קו המדה · Zohar, Bereshit 7:70–8:83
  23. 23
    אורך היריעה האחת · Exodus 26:2
  24. 24

A Cabalá, o sal da Torá ¶2

2והנה כמו״כ [כמו כן] יש בחי׳ זו גם כן בתורה, שבחי׳ חכמת הקבלה היא גם כן בבחי׳ המלח.

Ora, da mesma forma, este nível também existe na Torá: o nível da sabedoria da Cabalá também corresponde ao sal.

Explicação

A imagem do sal agora se estende à Torá. A sabedoria da Cabalá, a parte oculta da Torá, é o “sal” da Torá.

שהיא בעצמה נסתרה ונעלמה שאינה מושגת בבחינת טעם ממש כמו שיש לנו השגה וטעם בהנגלות לנו.

Pois ela própria está oculta e escondida, não sendo apreendida como um sabor propriamente dito, assim como temos compreensão e sabor naquilo que nos foi revelado.

Explicação

Como o sal, a Cabalá não é “saboreada” em si: seu tema está oculto e escondido, e ela não é apreendida com o tipo de compreensão e deleite que temos nas partes reveladas da Torá. A formulação ecoa Deuteronômio 29:28: “As coisas ocultas pertencem a Havayá, nosso D'us, e as reveladas, a nós e a nossos filhos.”

O parágrafo 2 em resumo

O parágrafo aplica à Torá a imagem do sal: sua sabedoria oculta, a Cabalá, é como o sal, escondida e não apreendida como “sabor”, ao contrário da Torá revelada.

Aprofundar

Mais adiante em Likkutei Torah (Bechukosai, 50c), o Alter Rebe remete a este discurso: contemplar como D'us preenche e circunda todos os mundos não apreende Sua essência, nem mesmo a essência da Chochmá suprema, “mas apenas sua existência, e não sua essência, como explicado no discurso ‘E não deixarás de acrescentar sal’”.

Marei mekomot

  1. 1
    חכמת הקבלה · ראה אוה״ת ויקרא-א ע׳ רכו.
  2. 2
    בהנגלות לנו · Deuteronomy 29:28

Sal em cada oferenda: a aliança ¶3

3ואעפ״כ [ואף על פי כן] המלח הוא הנותן טעם בכל המאכלים גם בלחם גם בבשר. שכל הנהגות העולמות הוא ע״פ פנימי׳ [פנימיות / פנימית] התורה וכל התורה נאמרה ע״פ הקבלה.

E, no entanto, o sal é o que dá sabor a todos os alimentos, tanto ao pão quanto à carne. Pois toda a condução dos mundos segue a dimensão interior (pnimiyut) da Torá, e toda a Torá foi enunciada de acordo com a Cabalá.

Explicação

Embora a sabedoria oculta não tenha “sabor” próprio, assim como o sal ela dá sabor a tudo, tanto ao pão quanto à carne. A razão é que os mundos são conduzidos de acordo com a dimensão interior da Torá, e toda a Torá revelada foi transmitida de acordo com a Cabalá; assim, a sabedoria oculta dá forma a tudo isso.

וכן גם באדם העוסק בתורה הוא כן שהמלח הוא נותן טעם בלחם ובשר כו׳. וכמ״ש כולם בחכמה עשית וע״כ [ועל כן] גם בקרבנות נאמר ולא תשבית מלח כו׳.

E assim também ocorre com a pessoa que se ocupa da Torá: o sal dá sabor ao pão e à carne, etc. Como está escrito: “Todos eles fizeste com sabedoria”; e, portanto, também a respeito das oferendas está dito: “Não omitirás o sal”, etc.

Explicação

O mesmo se aplica à pessoa que estuda Torá: o “sal” dá sabor ao seu “pão e carne”. Como está escrito: “Todos eles fizeste com sabedoria” (Salmos 104:24), Chochmá atua em tudo; por isso, o sal, que corresponde ao nível de Chochmá, deve acompanhar as oferendas.

כי בחכמה אתברירו והקרבנות המה ענין בירור נפש הבהמית כו׳ ונק׳ המלח ברית אלקיך ברית הוא בחינת התקשרות הבורא עם הנבראים שההתקשרות הוא ע״י בחי׳ זו דבחכמה אתברירו כו׳.

Pois “por meio de Chochmá eles são refinados”, e as oferendas dizem respeito ao refinamento da alma animal, etc. E o sal é chamado “a aliança do teu D'us”: uma aliança é o nível do vínculo entre o Criador e os seres criados, e esse vínculo se dá por meio deste nível de “por meio de Chochmá eles são refinados”, etc.

Explicação

As oferendas refinam a alma animal, e todo refinamento se dá por meio de Chochmá; por isso o sal lhes é associado. O versículo chama o sal de “a aliança do teu D'us” porque uma aliança une duas partes — aqui, o Criador e Suas criações — e esse vínculo se estabelece por meio do poder de refinamento de Chochmá.

(ועיין בזח״א [בזהר חלק א] ויחי דרמ״א ע״ב. ועיין בספר עמה״מ [עמק המלך] שער י״ד פי״ד [פרק י״ד / פרשה י״ד] דף פ״ד ע״ד [עמוד ד׳] שפי׳ עד״ז [על דרך זה] בשם ר׳ [רבי] יהודה חסיד בספר האורה מארז״ל [מאמר רבותינו זכרונם לברכה] פ״ה דב״ב [דבבא בתרא] דף ע״ד [על דרך] ע״ב)

(E veja o Zohar, Parte I, Vayechi, fólio 241b. Veja também o livro Emek HaMelech, Sha’ar 14, capítulo 14, fólio 84d, que explica dessa maneira, em nome de Rabbi Yehudah Chasid, em Sefer HaOrah, a declaração de nossos Sábios, de abençoada memória, no capítulo 5 de Bava Basra, fólio 74b.)

Explicação

O Alter Rebbe acrescenta duas referências. No Zohar (Vayechi, 241b), o sal é chamado de “a aliança do teu D'us” porque limpa e adoça o que é amargo, tornando-o saboroso; Emek HaMelech, uma obra cabalística, explica da mesma maneira uma declaração dos Sábios, em nome de Rabbi Yehudah Chasid, em Sefer HaOrah.

בענין ומלחה לצדיקים לעתיד לבוא שהוא ענין ברית מלח עולם גנוזה לעתיד לבוא כו׳ והאכילה והסעודה היא ההשגה שישיגו כו׳:

a respeito de “e salgou-a para os justos no Mundo Vindouro”: isso diz respeito à “aliança eterna de sal”, guardada para o Mundo Vindouro, etc.; e a comida e o banquete são a compreensão que eles alcançarão, etc.

Explicação

A declaração provém de Bava Basra 74b: D'us matou a fêmea do Leviatã e salgou-a para os justos no Mundo Vindouro. Esse salgamento é uma “aliança eterna de sal”, guardada para o futuro; a comida e o banquete representam a compreensão que os justos alcançarão então.

O parágrafo 3 em resumo

A Cabalá, como o sal, dá sabor à Torá inteira e aos mundos que ela governa. Por isso, o sal acompanha cada oferenda, que refina a alma animal por meio de Chochmá, e por isso o sal é a “aliança” que une o Criador à criação, guardada para o Mundo Vindouro, cujo banquete é a compreensão.

Aprofundar

A passagem do Zohar, conforme citada na nota de Kehot, prossegue: “‘Pois D'us é justo; Ele ama a justiça’: isto é o sal no mar, e quem os separa atrai a morte sobre si; por isso, ‘não omitirás o sal’.” Antes, nessa mesma passagem, o sal é chamado de aliança sobre a qual o mundo se sustenta; sem ele, o mundo não poderia suportar a amargura.

Marei mekomot

  1. 1
    כולם בחכמה עשית · Psalms 104:24
  2. 2
    ולא תשבית מלח · Leviticus 2:13
  3. 3
    ונק׳ המלח ברית אלקיך · Zohar, Vayechi 65:661–66:673
  4. 4
    בזח״א ויחי דרמ״א ע״ב · ”כתיב לא תשבית מלח ברית אלקיך כו׳ בגין דאיהו ממרק ומבשם מרירא לאטעמא כו׳ כי צדיק ד׳ צדקות אהב דא מלחא בימא ומאן דפריש לון גרם לגרמי׳ מיתה בג״כ לא תשבית מלח עכ״ל” — אוה״ת קדושים-ד ע׳ א׳סב. מובא ביהל אור ע׳ כז. באוה״ת ויקרא-א ע׳ רל מעתיק לשון הזוהר הנ״ל ומפרש תי׳ ”ומבשם מרירא לאטעמא יש לפרש כי המל׳ בנינה מהגבורות ע״כ ממנה נמשך תוקף הדינים וזהו ענין המרירו, וע״י הסוד ממתיק דיניה” ע״ש באריכות. וראה שם ע׳ רכז.
  5. 5
    דב״ב — ע״ב) בענין · ראה הערת כ״ק אדמו״ר בהוספות — לעיל כ, ב.
  6. 6
    ומלחה לצדיקים לעתיד לבוא · Bava Batra 74b:6–7
  7. 7
    ברית מלח עולם · Numbers 18:19

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Na avodá

O maamar extrai uma lição para a pessoa que estuda Torá: a sabedoria oculta da Torá é o sal que dá sabor a toda ela. As oferendas representam o refinamento da alma animal, realizado por meio de Chochmá; por isso, o sal deve acompanhá-las. E o sal é colocado sobre a mesa para proteger do sofrimento, pois as severidades só são adoçadas em sua raiz.

Perguntas para conversar

  1. Como o sal, que não tem sabor próprio, pode ser a fonte do sabor da carne? Como o ensinamento de que as guevurot de Abá se tornam os chassadim de Imá responde a isso?
  2. Nas analogias de alguém que separa os alimentos e do coalho no queijo, qual é a relação entre aquele que refina e aquilo que é refinado? O que isso ensina sobre Chochmá?
  3. Por que a raiz do sal é a linha de medida, e o que o côvado demonstra a respeito dela?
  4. Em que sentido a sabedoria da Cabalá é o “sal” da Torá, e o que significa dizer que toda a Torá foi dita de acordo com ela?
  5. Por que o sal é chamado de “aliança”, e como a festa dos justos no Tempo Vindouro completa essa imagem?

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Índice

Likkutei Torahלקוטי תורה

Parshas Vayikraויקרא

  1. 1ויקרא אל משה וגו׳“And He called to Moshe”
  2. 2אדם כי יקריב מכם וגו׳“A man, when he brings near of you”
  3. 3לבאר הדברים ענין אדם כי יקריב…“To explain the words: ‘A man, when he brings near of you’”
  4. 4ולא תשבית מלח וגו׳“And you shall not omit salt”
  5. 5ביאור הדברים הנ״ל ע״פ ולא תשבית…An Explanation of the Above, on “And You Shall Not Omit the Salt”