Torah Ohr · Parshas Tetzaveh · Maamar 3
ועשית ציץ זהב טהור ופתחת עליו פתוחי חותם קדש לה׳
“E farás uma lâmina de ouro puro”
A ideia central
A lâmina de ouro sobre a testa de Aharon é o resplendor de um grande amor que vem do alto. Amalek, a arrogância do eu, é uma divisória de ferro que o impede de chegar ao coração; a autoanulação de Moshe, por meio da Torá, rompe a divisória, e a vontade constante de apegar-se a D'us, que permanece na “testa” depois da oração, desperta a Vontade Suprema, fonte dos Treze Atributos de Misericórdia que suportam a iniquidade.
O maamar em resumo
A lâmina trazia a inscrição “Santo para Havayá”: Kodesh embaixo e o Nome acima; sobre a testa de Aharon, ela “suporta a iniquidade” e traz “favor” (ratzon). Tzitz significa resplendor: a luz do grande amor (ahavá rabá), um grande amor acima do entendimento que Aharon faz descer, diferente do amor que a pessoa produz por meio de Daat. Desde a Destruição, uma divisória de ferro feita de pecado o bloqueia, e D'us “espreita pelas grades” somente onde um coração quebrantado e pensamentos de teshuvá abrem fendas. A principal divisória é Amalek, a importância arrogante do eu, que se manifesta interiormente e nas vestes de quem busca honra; Amalek é “kes Yah”, encobrindo o yud-hei da contemplação para que nunca se torne o vav-hei do amor sentido. A solução são os “homens de Moshe”: a Torá estudada na autoanulação de Moshe, a sabedoria do próprio D'us dentro do estudante e Sua sombra ao redor dele, que derrota Amalek. A Torá e as mitsvot fazem descer Kodesh, a Chochmá superior; acima dela está Havayá, cujo primeiro nível, a vontade das vontades, responde do alto. O amor da oração se desvanece, mas sua impressão na “testa” — uma vontade constante e o assentimento do coração — pode durar o dia inteiro e desperta os Treze Atributos de Misericórdia, que suportam e transformam a iniquidade.
Esquema
- A lâmina e sua luzOs versículos suscitam três perguntas: Kodesh embaixo e Havayá acima, a expiação e o “favor” sobre a testa. Tzitz significa resplendor: o grande amor que vem do alto e que Aharon faz descer, acima do amor que nasce de Daat. D'us “espreita pelas grades” da divisória de ferro que o pecado ergueu depois da Destruição; um coração quebrantado e pensamentos de teshuvá abrem janelas e fendas nela.¶1–4
- Amalek, a divisóriaA principal divisória é Amalek, cabeça das nações: na alma, a arrogância insolente, interiormente e nas vestes de quem busca honra, que as vestes sacerdotais “para honra e esplendor” foram feitas para transformar. Amalek guerreou sem motivo, pois não podia suportar a grandeza alheia. Ele é “kes Yah”: o trono sem seu alef torna-se uma cobertura.¶5–8
- Yud e hei: o Nome encobertoA hei de Yah é a expansão da Luz Infinita para preencher e circundar os mundos; o yud é o tsimtsum que deve vir primeiro, assim como a hei é escrita traçando-se um yud. Na pessoa, yud-hei é a contemplação da grandeza de D'us, que deveria tornar-se vav-hei, amor revelado; Amalek a encobre, de modo que o coração entende, mas não é comovido.¶9–12
- Os homens de MosheAmalek só é derrotado pelos “homens de Moshe”, cuja qualidade é: “E o que somos nós?” A Torá deve ser “a Torá de Moshe”, estudada em autoanulação, sem criar um chalal; como Chochmá de D'us, que é bitul, ela remove o ocultamento do mundo e coloca Suas palavras dentro do estudante e Sua sombra ao redor dele. Assim, Moshe faz a lâmina: seu bitul rompe a divisória por meio de pensamentos de teshuvá.¶13–17
- O ouro, o selo e os dois níveis de HavayáO ouro é o amor ardente, acima do amor frio da prata. As gravações de um selo são as letras da Torá, as mesmas letras mesmo quando impressas em objetos físicos. A Torá e as mitsvot fazem descer Kodesh, a Chochmá superior, mas ela está abaixo de Havayá; a primeira Havayá, a vontade das vontades, suscita a segunda, fonte dos Treze Atributos. O despertar de baixo faz descer o despertar do alto, até que o amor se revele até mesmo na testa.¶18–22
- A testaAssim como o crânio cobre o cérebro, a testa cobre Daat, que na oração liga a alma a D'us com anseio e deleite. Esse amor se desvanece, precisa ser renovado diariamente e pode degenerar em autovalorização mundana; mas uma impressão permanece na testa, uma vontade simples e um assentimento que mantêm o trabalho casual e a Torá primordial. Essa vontade constante desperta a Vontade Suprema e os Treze Atributos de Misericórdia, que suportam a iniquidade: é assim que a lâmina expia.¶23–29
Conceitos-chave
- Tzitzציץ
- A lâmina de ouro sobre a testa do Sumo Sacerdote. O maamar interpreta a palavra como resplendor, como em “sua coroa resplandecerá” e “espreitando pelas grades”: a luz do grande amor que vem do alto.
- Grande amor (ahavá rabá)אהבה רבה
- Um amor a D'us acima de Daat, que o entendimento não pode produzir; Aharon, um dos sete pastores, faz com que desça. Também é chamado “o desejo do coração” (re’usa deliba).
- A divisória de ferroמחיצה של ברזל
- A barreira que, desde a Destruição, se interpõe entre Israel e seu Pai no Céu. Ela se interpõe aos que recebem, não a D'us, e é feita de pecado; a teshuvá abre nela janelas e fendas.
- Kes Yahכס י״ה
- A forma abreviada do trono e do Nome em Êxodo 17:16. Amalek, a arrogância, encobre o yud-hei da contemplação, para que ele não se torne o vav-hei do amor sentido no coração.
- Os homens de Mosheאנשי משה
- Aqueles que compartilham a autoanulação de Moshe: “E o que somos nós?” Somente eles derrotam Amalek, sobretudo por meio da Torá estudada como a sabedoria do próprio D'us.
- Kodesh embaixo, Havayá acimaקדש למ״ד למטה והוי׳ למעלה
- A disposição da lâmina. Kodesh é a Chochmá superior, que desce por meio da Torá e das mitsvot, o despertar de baixo; acima dela está Havayá, o despertar do alto.
- A vontade das vontades (ra’ava dera’avin)רעוא דרעוין
- A primeira Havayá, fonte da vontade de D'us de criar, que suscita a segunda Havayá e os Treze Atributos de Misericórdia que suportam a iniquidade.
- A testaמצח
- A cobertura sobre Daat. Depois da oração, ela conserva uma impressão (reshimu) do amor: uma vontade simples e o assentimento do coração para apegar-se a D'us, que podem durar o dia inteiro.
A lâmina e sua luz ¶1–4
1ועשית ציץ123 זהב טהור ופתחת עליו פתוחי חותם קדש לה׳. ואמרו רז״ל [רבותינו זכרונם לברכה] קדש למ״ד למטה456 והוי׳ למעלה.
“Farás uma placa frontal (tsits) de ouro puro e gravarás nela, como se grava um selo: ‘Santo para Havayá.’” E nossos Sábios, de abençoada memória, disseram: “Kodesh [e a letra] lamed abaixo, e Havayá acima.”
O maamar começa com o versículo que ordena fazer o tsits, a placa de ouro que o Sumo Sacerdote usava na testa, gravada com “Santo para Havayá”. Os Sábios descrevem a disposição das palavras: Kodesh junto com o lamed (o “para” de “para Havayá”) na linha de baixo, e o Nome Havayá sozinho na linha de cima. O maamar explicará por que a santidade fica “abaixo” e o Nome, “acima”.
ולהבין זה וגם להבין מ״ש והי׳ [והיה] על מצח אהרן ונשא אהרן את עון הקדשים7 וגו׳ [וגומר] שהציץ מכפר ונושא עון.
Para entender isso, e também compreender o que está escrito: “E estará sobre a testa de Aharon, e Aharon levará a iniquidade das coisas sagradas”, etc., isto é, que o tsits expia e leva a iniquidade.
O versículo seguinte diz que o tsits fica sobre a testa de Aharon e que, por meio dele, Aharon “leva a iniquidade das coisas sagradas”, as oferendas consagradas pelos Filhos de Israel. O Alter Rebe se propõe a explicar como essa placa expia e leva a iniquidade.
וסיפא דקרא והי׳ [והיה] על מצחו תמיד לרצון להם לפני הוי׳. שבמה שהוא נושא את הציץ על המצח נמשך רצון.
E o final do versículo [diz]: “E estará sempre sobre a sua testa, para favor (ratson) deles diante de Havayá”: pelo fato de levar o tsits sobre a testa, a vontade (ratson) é atraída para baixo.
O versículo termina dizendo que o tsits fica sobre a testa de Aharon “sempre, para favor (ratson) deles diante de Havayá”. A palavra hebraica ratson também significa “vontade”, e o maamar a entende nesse sentido: usar o tsits na testa atrai para baixo uma vontade divina, um favor do Alto.
Para entender esse assunto: (porém,) tsits deriva da expressão “seu diadema florescerá (yatsits)”; “espreitando (metsits) pelas frestas”; nets hachamá, “o nascer do sol”.
Antes de responder, o Alter Rebe explica a própria palavra tsits. Ela se relaciona a três expressões de luz que irrompe ou se manifesta: “seu diadema florescerá” (Salmos 132:18), “espreitando pelas frestas” (Cântico dos Cânticos 2:9) e nets hachamá, o instante em que surge a primeira luz do sol.
דהיינו הארת אור וזיו. והוא אור האהבה רבה הבאה מלמעלה11 שהיא בחי׳ אהרן זקן אהרן שיורד12 על פי מדותיו.13
Isto é, um brilho de luz e esplendor. E essa é a luz do grande amor (ahavá rabá) que vem do Alto, que é o nível de Aharon: “a barba de Aharon, que desce sobre a gola de suas vestes”.
Assim, o tsits significa a manifestação de um brilho de luz. Essa luz é ahavá rabá, um “grande amor” a D'us que vem do Alto, e não dos esforços da própria pessoa. É a qualidade de Aharon, retratada no salmo pela “barba de Aharon”, que desce: um amor que desce do Alto.
שאהרן הוא רועה משבעה רועים14 המפרנסים לכנס״י [לכנסת ישראל] המשכות אא״ס [אור אין סוף] ב״ה ואהרן הוא הממשיך בחי׳ אה״ר [אהבה רבה].
Pois Aharon é um pastor, um dos sete pastores que sustentam a Congregação de Israel (Knesset Yisrael), fazendo descer a Luz Infinita (Or Ein Sof), bendito seja Ele; e Aharon é aquele que faz descer o nível do grande amor (ahavá rabá).
Aharon é contado entre os “sete pastores” que sustentam o povo judeu, fazendo descer até ele o fluxo da Luz Infinita. Sua tarefa específica entre eles é fazer descer esse grande amor.
O parágrafo apresenta os versículos do tsits e suas questões: Kodesh abaixo e Havayá acima, a expiação e o “favor” sobre a testa. Em seguida, começa a resposta: tsits significa um brilho que se manifesta, a luz do grande amor que vem do Alto e que Aharon faz descer a Israel.
Torah Chaim, citado na nota da Kehot, data este maamar de 5566 (1805–06); ele se encontra entre os maamarim daquele ano, na caligrafia do Mitteler Rebe. Or HaTorah, também citado nas notas, observa que, como o tsits é Yesod de Abá (conforme afirma Me’orei Or), esse grande amor se assemelha ao amor que desce de Chochmá, o Chessed de Abá: um amor acima do intelecto que compreende.
Marei mekomot
- 1ועשית ציץ · ראה לעיל בציונים לכ״ק אדמו״ר זי״ע. הנחת כ״ק אדה״א בתו״ח תצוה [אותיות מרובעות] שנו, א. עוד הנחה בסה״מ תקס״ו ח״א. המאמר עם הגהות וקיצורים באוה״ת ע׳ א׳תרצ. ביאור ע׳ א׳תשיז. שייך לד״ה ועשית ציץ ע׳ א׳תשלב. [קיצורים] כרך ז ע׳ ב׳תשסו. כרך ח ע׳ ג׳פא. ראה גם סה״מ תרכ״ז (הוצאת תש״ס) ע׳ קנב. פלח הרמון שמות ע׳ שנ. ראה ד״ה זה בסה״מ תרנ״א ע׳ קלט. בתורת חיים הנ״ל מציין שהמאמר הוא משנת תקס״ו, וכן נמצא המאמר בגוכתי״ק אדה״א בין מאמרי שנת תקס״ו. וראה רשימת המאמרים בסה״מ תקס״ו הערה 13. אוה״ת ע׳ א׳תשיז.
- 2ועשית ציץ · Exodus 28:36
- 3יציץ · Rashi on Psalms 132:18
- 4קדש למ״ד למטה והוי׳ למעלה · Shabbat 63b:15–16
- 5קדש למ״ד למטה והוי׳ למעלה · Jerusalem Talmud Yoma 4:3–4
- 6קדש למ״ד למטה · Jerusalem Talmud Megillah 1:9
- 7והי׳ על מצח אהרן ונשא אהרן את עון הקדשים · Exodus 28:38
- 8ולהבין ענין זה · בתו״ח יש כאן עוד דיוקים: א) דממשמעות הכתובים משמע דלמשה נצטווה מעשה הציץ שהוא דוקא יעשנו, ב) ושהציץ יהי׳ דוקא על מצח אהרן. ע״ש.
- 9יציץ נזרו · Psalms 132:18
- 10מציץ מן החרכים · Song of Songs 2:9
- 11והוא אור האהבה רבה הבאה מלמעלה · באוה״ת ע׳ א׳תרצ העיר ע״ז ”לפמ״ש במא״א אות צ׳ סי״ט דציץ הוא יסוד אבא, א״כ אהבה רבה זו היא ע״ד אהבה הנמשכת מן החכמה שהוא ענין חסד דאבא והוא בחי׳ אהבה שלמעלה מהשכל המושג”. ע״ש. בלקו״ת שלח מג, ג מציין לכאן. וראה בפלח הרמון.
- 12זקן אהרן שיורד · Psalms 132:2
- 13זקן אהרן שיורד על פי מדותיו · Psalms 133:2
- 14שאהרן הוא רועה משבעה רועים · נסמן לעיל פב, א. לקו״ת בהעלותך כט, ג ואילך.
2והגם שהכל בידי שמים חוץ מיראת שמים.1 מ״מ [מכל מקום] יש אהבה ויש אהבה. יש אהבה שהיא למטה מן הדעת ותולדתה והיא בכח הנפש עצמה.
E embora “tudo esteja nas mãos do Céu, exceto o temor ao Céu”, há, não obstante, amor e amor. Há um amor que está abaixo do Daat (conhecimento), é fruto dele e se encontra na própria força da alma.
Os Sábios ensinaram que “tudo está nas mãos do Céu, exceto o temor ao Céu”: o temor e o amor a D'us dependem da escolha e do empenho da própria pessoa. Ainda assim, há dois tipos de amor. Um nasce do Daat, da compreensão e contemplação da pessoa, e por isso se encontra na própria força da alma.
ויש אה״ר [אהבה רבה] שהיא למעלה מן הדעת הוא בחי׳ אהרן הרועה וממשיך לכנס״י [לכנסת ישראל] והוא בחי׳ רעותא דלבא.
E há um grande amor (ahavá rabá), que está acima do Daat: este é o nível de Aharon, o pastor, que o faz descer [à] Congregação de Israel; e é o nível do desejo do coração (re’usa deliba).
O outro, o grande amor (ahavá rabá), está acima do Daat: a compreensão não pode produzi-lo, e ele vem do Alto. Fazê-lo descer ao povo judeu é o trabalho de Aharon como pastor; ele é chamado re’usa deliba, “o desejo do coração”, um anseio mais profundo do que o sentimento fundamentado na razão.
Embora o amor e o temor estejam nas mãos da própria pessoa, há dois tipos de amor: um que a pessoa produz por meio da compreensão e um grande amor acima da compreensão, que Aharon faz descer do Alto.
A nota da Kehot cita Sefer HaMaamarim 5627: se é assim, o amor e o temor dependem do serviço da pessoa, de baixo para cima. A nota também cita o Zohar (1:59a), que transmite o mesmo ensinamento em aramaico: tudo está nas mãos do Santo, bendito seja Ele, exceto ser justo ou perverso.
Marei mekomot
- 1שהכל בידי שמים חוץ מיראת שמים · Berakhot 33b:23–24
3וז״ש [וזהו שכתוב] לאהבה את1 ה׳ אלקיכם וגו׳ [וגומר]. ולא כתי׳ [כתיב] לאהוב אלא לאהבה שימשיך האדם את לבו לאהבה עליונה היא רעותא דלבא שיהי׳ [שיהיה] רצונו לה׳ לבדו ולדבקה בו בא״ס [באין סוף] ב״ה ממש.
E este é [o sentido de] “Amar Havayá, vosso D'us”, etc. Não está escrito le’ehov, mas le’ahavah: que a pessoa conduza seu coração ao amor superior, que é o desejo do coração (re’usa deliba), de modo que sua vontade seja somente por D'us e por apegar-se a Ele, ao próprio Infinito (Ein Sof), bendito seja Ele.
Isso explica o versículo “amar Havayá, vosso D'us”. Em vez do infinitivo usual le’ehov, a Torá escreve le’ahavah, que pode ser lido como “ao amor”: a pessoa deve conduzir seu coração ao amor superior, re’usa deliba, desejando somente o próprio D'us e apegar-se a Ele.
וכמ״ש מי לי בשמים2 וגו׳ [וגומר] פי׳ שמים ג״ע [גן עדן] העליון3 כו׳ דכולא קמי׳ [קמיה] כלא חשיב. אני הוי׳ לא שניתי4 ואתה הוא משנברא העולם ואתה הוא קודם שנבה״ע [שנברא העולם] כו׳.
Como está escrito: “Quem tenho eu nos céus?”, etc. “Céus” significa o Gan Eden superior, etc., pois tudo diante Dele é considerado como nada. “Eu, Havayá, não mudei”; e “Tu és Ele desde que o mundo foi criado, e Tu és Ele antes que o mundo fosse criado”, etc.
O salmista diz: “Quem tenho eu nos céus?” Até mesmo o Gan Eden superior, onde as almas recebem recompensa, nada significa para ele, pois diante de D'us tudo é considerado como nada. As citações que se seguem descrevem Aquele a quem esse amor busca: o próprio D'us, que não é alterado pela criação e é o mesmo antes e depois dela.
O versículo “amar” é interpretado como conduzir o coração ao amor superior, um desejo somente por D'us que não quer nem mesmo o Gan Eden superior, pois tudo diante Dele é como nada.
No discurso de Toldos citado na nota, explica-se que “céus e terra” neste salmo são o Gan Eden superior e o inferior, onde as almas se deleitam por meio do “rio que sai do Éden”; ainda assim, o amor da alma não se extingue com eles, pois o Gan Eden existe somente por um tempo.
Marei mekomot
- 1לאהבה את ה׳ אלקיכם · Deuteronomy 11:13
- 2מי לי בשמים · Psalms 73:25
- 3פי׳ שמים ג״ע העליון · ראה לעיל יז, ד.
- 4אני הוי׳ לא שניתי · Malachi 3:6
4ועל אהבה זו נאמר מציץ מן החרכים כי הנה זה עומד אחר1 כתלינו. שמשחרב בהמ״ק [בית המקדש]2 יש כותל ומחיצה של ברזל מפסקת בין ישראל לאביהם שבשמים.
E sobre este amor foi dito: “espreitando pelas frestas”, pois “eis que Ele está atrás de nossa parede”. Pois, desde que o Templo Sagrado foi destruído, há uma parede e uma divisória de ferro que separa Israel de seu Pai Celestial.
O amor superior é descrito no Cântico dos Cânticos: o Amado “está atrás de nossa parede… espreitando pelas frestas”. O Talmud ensina que, desde a destruição do Templo, uma parede de ferro se interpõe entre Israel e seu Pai Celestial; é essa parede que se interpõe entre nós e o brilho aberto desse amor.
כי הגם שאין דבר חוצץ לפניו ית׳3 ח״ו [חס ושלום] כי גם חשך לא יחשיך ממך4 הרי באמת לא אמרו בין אביהם שבשמים לישראל אלא בין ישראל לאביהם שבשמים. שהחציצה הוא בפני המקבלים.
Pois, embora nada se interponha diante Dele, bendito seja, D'us não o permita, pois “nem mesmo a escuridão é escura para Ti”, na verdade [os Sábios] não disseram “entre seu Pai Celestial e Israel”, mas “entre Israel e seu Pai Celestial”: a interposição está diante dos que recebem.
Nada pode ocultar coisa alguma de D'us, pois “nem mesmo a escuridão é escura para Ti”. Por isso os Sábios disseram que a parede está “entre Israel e seu Pai”, e não “entre o Pai e Israel”: a barreira está diante dos que recebem, não diante Dele.
עונותיכם היו מבדילין ביניכם וכו׳. שמונע את אור האהבה העליונה מישראל ואעפ״כ [ואף על פי כן] הוא מציץ מן החרכים וחלונות. חלונות הם חורים גדולים. וחרכים הם חורים קטנים וסדקים.
“Vossas iniquidades vos separaram”, etc.: [a divisória] que impede que a luz do amor superior chegue a Israel. E, apesar disso, Ele espreita pelas frestas e janelas. Janelas são aberturas grandes, e frestas são aberturas pequenas e rachaduras.
A barreira é aquela que Isaías menciona: “vossas iniquidades vos separaram [de vosso D'us]”. Ela impede que a luz do amor superior chegue, mas, ainda assim, D'us “espreita pelas frestas” e pelas janelas, aberturas grandes e pequenas.
דהיינו ע״י שבירת המחיצה לפתוח חלונות וחרכים שהם בחי׳ לב נשבר והרהורי תשובה הבאים לאדם לכל חד וחד לפום שיעורא דיליה:5
Isto é, quebrando a divisória para abrir janelas e frestas, que são o nível de um coração contrito e de pensamentos de teshuvá que sobrevêm à pessoa, a cada um segundo sua medida.
Essas aberturas são feitas ao se quebrar a divisória por meio de um coração contrito e de pensamentos de teshuvá, que sobrevêm a cada pessoa segundo sua própria medida. Por elas, a luz do amor superior brilha para dentro, em maior ou menor grau.
O amor superior é D'us “espreitando pelas frestas”: desde a Destruição, uma divisória de ferro feita de pecados está diante de Israel, mas um coração contrito e pensamentos de teshuvá abrem nela janelas e frestas para que o amor brilhe através delas.
Or HaTorah, citado na nota, traz a citação do Maharsha: desde a Destruição, a prece por misericórdia não é ouvida como antes, mas, para louvar D'us em Kedushá e Barchu, nem mesmo uma divisória de ferro separa Israel de seu Pai Celestial. A nota também remete a Tanya, Iggeres HaTeshuvah, capítulo 5: nada físico ou espiritual oculta coisa alguma diante de D'us, e são as iniquidades que separam.
Marei mekomot
- 1
- 2שמשחרב בהמ״ק · Berakhot 32b:7–8
- 3כי הגם שאין דבר חוצץ לפניו ית׳ · ראה תניא אגה״ת פ״ה. נזכר בלקו״ת בלק עג, ג.
- 4גם חשך לא יחשיך ממך · Psalms 139:12
- 5עונותיכם היו מבדילין · Isaiah 59:2
Amalek, a divisória ¶5–8
5והנה עיקר המסך המבדיל ומחיצה המפסקת הוא ראשית גוים עמלק1. שהוא ראש לשבעה גוים.2 וכתיב מלחמה לה׳ בעמלק3 מדר דר אפי׳ [אפילו] בזמן הזה שלא שייך מלחמת עמלק בגשמיות.
Ora, a principal tela que separa e divisória que interrompe é “Amalec, o primeiro entre as nações”, pois ele é o chefe das sete nações. E está escrito: “D'us trava uma guerra contra Amalec de geração em geração”: mesmo nesta época, quando não se aplica uma guerra física contra Amalec.
A principal barreira é Amalec, a quem Bilam chamou de “o primeiro entre as nações”, o chefe das sete nações de Canaã. A Torá diz que a guerra de D'us contra Amalec dura “de geração em geração”; portanto, continua mesmo agora, quando não há Amalec físico contra quem lutar.
מ״מ [מכל מקום] ברוחניות הנפש יש בחי׳ עמלק והיינו בחי׳ גסות הרוח בחוצפה וגבהות כמ״ש אם תגביה כנשר4 וגו׳ [וגומר] וממנה באות מדות רעות מבית ומבחוץ. מבית בפנימית הנפש גסות הלב ונצחנות וכיוצא בהן.
Não obstante, na vida espiritual da alma existe o aspecto de Amalec, isto é, a grosseria de espírito, com insolência e arrogância, como está escrito: “Ainda que te eleves como a águia”, etc. E dela provêm más características, de dentro e de fora. De dentro, na dimensão interior (pnimiyut) da alma: grosseria de coração, o impulso de vencer e coisas semelhantes.
Na alma, Amalec é a arrogância grosseira e insolente, o eu que “se eleva como a águia”. Dela crescem más características, de dentro e de fora; de dentro, na vida interior da alma, a arrogância, o impulso de vencer e coisas semelhantes.
A principal divisória é Amalec, o chefe das nações; na alma, Amalec é a arrogância insolente, raiz das más características de dentro e de fora.
Or HaTorah, citado na nota, usa isso para resolver uma dificuldade: Rashi e Ramban, em Balak, esforçam-se para explicar como Amalec é “o primeiro entre as nações”. As sete nações provêm do que caiu, na quebra dos recipientes, das sete sefirot inferiores, mas Amalec provém do que caiu de Daat, o chefe e a fonte das sefirot; e assim consta nos escritos do Arizal.
Marei mekomot
- 1
- 2ראשית גוים עמלק שהוא ראש לשבעה גוים · באוה״ת ע׳ א׳תרצד העיר ”כי רש״י והרמב״ן בפ׳ בלק נדחקו איך עמלק הוא ראשית גוים, אך ע״פ מ״ש אתי שפיר כי שבעה גוים נמשכים ממה שנפל בשבה״כ מז״ת, אך עמלק הוא מבחי׳ מה שנפל מהדעת והדעת הוא ראש ומקור להמדות כו׳ וכן איתא בכתבי האריז״ל”. ”היינו כי שבעה גוים נמשכים מז״ת שהם חג״ת כו׳ שהוא מה שנפלו ממדות דתהו בשבה״כ, משא״כ עמלק הוא ראשית להם כי הוא מבחי׳ הדעת שהוא ראש ומקור להמדות כו׳” — אוה״ת בלק ע׳ א׳נג. וראה בסה״מ תרכ״ז ע׳ קס.
- 3מלחמה לה׳ בעמלק · Exodus 17:16
- 4אם תגבי׳ כנשר · Obadiah 1:4
6ומבחוץ בבחי׳ חיצונית ההנהגת הגוף בפו״מ [בפועל ממש] ברדיפת הכבוד ומלבושי בגדי כבוד ותפארת ולהתנהג בכבוד ותפארת וכיוצא בהן.
E, exteriormente, na dimensão exterior (chitsoniyut): a conduta do corpo na prática, na busca de honra, ao vestir roupas de honra e esplendor, ao conduzir-se com honra e esplendor, e coisas semelhantes.
Exteriormente, Amalek se manifesta na maneira como a pessoa conduz o corpo: buscando honra, vestindo roupas de honra e esplendor e conduzindo-se com pompa.
ועל כוונה זו נעשו בגדי כהונה לכבוד ולתפארת1 לאהרן ולבניו וגו׳ [וגומר]. להיות בחי׳ אתהפכא מן היש ולגרמיה שהוא בחי׳ עמלק שהוא ענין הגדלת היש בכל דרכיו והנהגותיו.
E com esse propósito foram feitas as vestes sacerdotais “para honra e para esplendor”, para Aharon e seus filhos, etc.: para que houvesse a transformação (it’hapcha) do yesh e de viver para si mesmo, que é o nível de Amalek, isto é, a exaltação do yesh em todos os seus modos e condutas.
É por isso que as vestes sacerdotais foram feitas “para honra e para esplendor”: para transformar esse próprio impulso. As vestes de honra usadas no serviço a D'us transformam (it’hapcha) a autoexaltação do yesh, que constitui todo o modo de vida de Amalek.
A face exterior de Amalek é a busca de honra e de vestimentas esplêndidas; as vestes sacerdotais, feitas “para honra e para esplendor”, destinavam-se a transformar essa autoexaltação.
Marei mekomot
- 1
7וכך היתה מדתו של עמלק בזמן משה שהרי ישראל לא באו להלחם אתו ולא שמו לבם אליו
E tal era a característica de Amalek no tempo de Moshê: pois Israel não viera para lutar contra ele e não lhe dera atenção;
O ataque de Amalek no tempo de Moshê revela sua natureza: Israel não viera para lutar contra ele e não lhe dera atenção.
רק הוא מעצמו ומאיליו בא לעורר מלחמת חנם מפני גדולתן של ישראל והאותות והמופתים שלא הי׳ [היה] יכול לסבול שיהיה איזה דבר גדול מבלעדו.
em vez disso, ele veio por iniciativa própria e espontaneamente para provocar uma guerra sem motivo, por causa da grandeza de Israel e dos sinais e maravilhas, pois não podia suportar que houvesse algo grande além dele.
Ele veio por iniciativa própria para iniciar uma guerra sem motivo, porque não podia suportar a grandeza de Israel nem os sinais e maravilhas realizados em seu favor; nada grande podia existir além dele.
וככה הוא בכל אדם שלא יוכל לסבול מי שיהיה גדול ממנו בעיני אלהים ואדם1 כו׳. ועכ״פ [ועל כל פנים] שלא יהיה הוא קטן ושפל. לכן מיפה עצמו במלבושי כבוד כו׳.
E assim é com toda pessoa: ela não pode suportar que alguém seja maior do que ela “aos olhos de D'us e dos homens”, etc., e, de todo modo, [insiste] em não ser ela própria pequena e insignificante. Por isso, embeleza a si mesma com vestes de honra, etc.
O mesmo Amalek vive em cada pessoa: ela não pode suportar que alguém seja maior do que ela ou, pelo menos, insiste em não ser pequena. Por isso, veste-se com vestes de honra.
A guerra não provocada de Amalek revela sua essência: a intolerância diante de qualquer grandeza que não seja a sua; a mesma característica leva a pessoa a se revestir de honra.
Marei mekomot
- 1בעיני אלהים ואדם · Proverbs 3:4
8והנה בבחי׳ זו של עמלק נאמר כס1 י״ה שאין השם שלם2 ואין הכסא שלם. כסא הוא השראת המלך היושב על הכסא להיות ושכנתי בתוכם.3
Ora, acerca deste aspecto de Amalek, diz-se: “kes Yah” (“o trono de Yah”): o Nome não está completo, e o trono não está completo. Um trono (kisé) é a habitação do Rei que nele se senta, para que se cumpra: “E habitarei entre eles.”
Depois da guerra contra Amalek, o versículo diz “uma mão está sobre kes Yah”, escrevendo kes em vez da forma completa kisé (trono) e Yah em vez do Nome completo. Isso é interpretado como significando que, enquanto Amalek existir, nem o Nome de D'us nem Seu trono estarão completos. Um trono é o lugar onde um rei se senta e repousa: a imagem de D'us habitando entre Seu povo, “E habitarei entre eles”.
והיינו בבחי׳ כסא באל״ף שאלופו של עולם שורה. משא״כ בהסתלקות האל״ף נעשה כס מלשון כסוי.
Isto é, no nível de kisé, com um alef, pois ali repousa o Senhor (Aluf) do mundo; ao passo que, quando o alef se retira, torna-se kes, termo relacionado a kisui (cobertura).
Kisé se escreve com um alef, a letra de Aluf, “Senhor”, pois ali repousa o Senhor do mundo. Sem o alef, torna-se kes, relacionado a kisui, “cobertura”: a presença de D'us fica encoberta, em vez de revelada.
Amalek é “kes Yah”: o trono sem seu alef torna-se uma cobertura, de modo que a habitação do Rei fica oculta, em vez de revelada.
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- 1כס י״ה · Exodus 17:16
- 2שאין השם שלם · ראה לקו״ת ראה יח, ג.
- 3ושכנתי בתוכם · Exodus 25:8
Yud e hei: o Nome encoberto ¶9–12
E esta cobertura está sobre o Nome Yah. Pois em cada um há o Nome Yah, como está escrito: “Minha força e meu cântico são Yah, e Ele Se tornou minha salvação.”
A cobertura de Amalek recai sobre o Nome Yah, as letras yud e hei, que estão presentes em cada um, como em “Minha força e meu cântico são Yah”. Os parágrafos seguintes explicam o que cada uma dessas duas letras representa.
כי הנה ה״א הוא בחי׳ התפשטות אורך ורוחב כו׳. והוא בחי׳ התפשטות והמשכות אור אין סוף ב״ה להיות סובב כל עלמין וממלא כל עלמין.
Pois o hei é o nível da expansão, [em] comprimento e largura etc.; e é o nível da expansão e da extensão da Luz Infinita (Or Ein Sof), bendito seja Ele, para ser a luz que circunda todos os mundos (sovev kol almin) e a luz que preenche todos os mundos (memalê kol almin).
O hei, uma letra traçada em comprimento e largura, representa a expansão: a Luz Infinita que se estende para circundar e preencher todos os mundos.
Cada pessoa tem o Nome Yah dentro de si; seu hei representa a expansão da Luz Infinita para circundar e preencher todos os mundos.
Marei mekomot
- 1עזי וזמרת י״ה · Exodus 15:2
10והיו״ד הוא בחי׳ צמצום ישת חשך סתרו1 שכדי להיות התפשטות המשכה להיות ממלא וסובב כ״ע [כל עלמין] אפי׳ [אפילו] עולמות עליוני׳ [עליונים] אין ערוך כו׳. וכמשל טפה נגד ים אוקיינוס ויותר מכן לאין קץ כו׳.
E o yud é o nível do tsimtsum (contração): “Ele fez da escuridão Seu esconderijo.” Pois, para que haja uma expansão do fluxo, a fim de preencher e circundar todos os mundos (memalê e sovev kol almin), mesmo os mundos superiores não têm comparação [com Ele], etc., como na analogia de uma gota em relação ao oceano — e infinitamente mais do que isso, etc.
O yud, a menor letra, um mero ponto, representa o tsimtsum, o ocultamento da luz de D'us, como em “Ele fez da escuridão Seu esconderijo”. Para que a luz se expandisse e preenchesse e circundasse os mundos, primeiro foi necessário contraí-la, pois nem mesmo os mundos mais elevados têm comparação com a Luz Infinita; são menos do que uma gota ao lado do oceano.
O yud é o tsimtsum: como até os mundos mais elevados são como nada diante da Luz Infinita, ela precisa primeiro ser contraída antes de poder preenchê-los e circundá-los.
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- 1ישת חשך סתרו · Psalms 18:12
11ולכך הוצרך להיות בחי׳ צמצום תחילה ואח״כ [ואחר כך] התפשטות כו׳. ולכן בתמונת האותיות בכתיבת שם הוי׳ תמונת ה׳ ראשונה של שם היא ג״כ עד״מ [על דרך משל] שמתחילה עושין היו״ד ואח״כ [ואחר כך] ממשיכי׳ [ממשיכים / ממשיכין] ממנה לרוחב ואורך למטה כו׳.1
Por isso, foi necessário que houvesse primeiro o nível de tsimtsum (contração) e, depois, expansão etc. Por isso, também na forma das letras ao escrever o Nome Havayá, a forma do primeiro hei do Nome é, por assim dizer, [feita de modo que] primeiro se faz o yud e, depois, dele se estende em largura e em comprimento para baixo etc.
É por isso que a contração vem primeiro e a expansão depois. A forma escrita do primeiro hei do Nome o demonstra: o escriba primeiro faz um yud e, em seguida, estende-o em largura e para baixo em comprimento.
A contração precede a expansão, assim como o hei do Nome é escrito fazendo-se primeiro um yud e, depois, estendendo-o.
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- 1כי הנה . . ואח״כ התפשטות · מובא באוה״ת בלק ע׳ תתקנג.
12ובחי׳ זו נמשכה בכל אדם להתבונן בגדולת א״ס [אין סוף] ב״ה איך שהוא ממכ״ע [ממלא כל עלמין] וסוכ״ע [וסובב כל עלמין] ואיך שכ״ז [שכל זה] אינו אלא בחינת צמצום כי אין ערוך כו׳.
E este nível é atraído para dentro de cada pessoa: contemplar a grandeza do Infinito (Ein Sof), bendito seja Ele, como Ele preenche todos os mundos (memalê kol almin) e circunda todos os mundos (sovev kol almin), e como tudo isso é apenas um nível de tsimtsum (contração), pois não há comparação etc.
O padrão de yud e hei está presente em cada pessoa como contemplação: pensar em como D'us preenche e circunda todos os mundos, e como até mesmo tudo isso é apenas uma contração de Sua luz, pois os mundos não têm comparação com Ele.
ומזה ישוב לאהבה את ה׳ ולדבקה בו ממש בבחינת אהבה העליונה. והיינו המשכת הוי״ו להיות בחינת ו״ה.
E, a partir disso, ele passará a amar D'us e a apegar-se verdadeiramente a Ele, no nível do amor superior. Isto é a atração da vav, para que se forme o nível de vav-hei.
A partir de tal contemplação, a pessoa deve chegar a amar D'us e a apegar-se a Ele com o amor superior. Em termos do Nome, isso é atrair a vav, para que o yud-hei do entendimento se revele como vav-hei, sentido no coração.
Mas Amalek é kes Yah: ele encobre o nível de yud-hei, para que este não se revele no nível de vav-hei, e não faça nascer o amor revelado em seu coração.
Amalek é “kes Yah”: ele encobre o yud-hei, para que não se revele como vav-hei, e o entendimento da pessoa não faça nascer um amor que se revele em seu coração.
שאף שלבבו יבין את כל זאת לא תתפעל הנפש ולא יאיר בה אור האהבה מחמת שנעשה מחיצה של ברזל המפסקת ומונעת את האור:
Pois, embora seu coração compreenda tudo isso, a alma não é despertada e a luz do amor não brilha nela, porque se formou uma divisória de ferro que separa e impede a passagem da luz.
Assim, a pessoa pode compreender tudo isso em seu coração e, ainda assim, não ser movida; a luz do amor não brilha em sua alma, porque a divisória de ferro a bloqueia.
A contemplação da grandeza de D'us (yud-hei) deve fazer nascer o amor revelado (vav-hei); Amalek, a divisória de ferro, encobre-o, impedindo que o entendimento alcance o coração.
A passagem de Likkutei Torah sobre Re’eh, citada no parágrafo 8, descreve o mesmo estado: no exílio, a vav-hei fica separada do yud-hei, de modo que a contemplação profunda não acende amor e temor no coração.
Marei mekomot
- 1אבל עמלק הוא כס י״ה · קטע מכאן מובא ביהל אור ע׳ תקס.
- 2כס י״ה · Exodus 17:16
Os homens de Moshe ¶13–17
13והעצה היעוצה לזה הנה במלחמת עמלק כתיב ויאמר משה וגו׳ [וגומר] בחר לנו אנשים.1 לנו דוקא שלכבוש מלחמת עמלק צריכים אנשי משה דוקא2 ובחי׳ משה הוא כמ״ש ונחנו מה3 בחינת בטול והתכללות לגמרי באוא״ס [באור אין סוף] ב״ה.4
E o conselho para isso é o seguinte: a respeito da guerra contra Amalek está escrito: “E Moshe disse”, etc.: “Escolhei para nós homens.” “Para nós”, especificamente, pois, para vencer a guerra contra Amalek, são necessários especificamente os homens de Moshe. E o nível de Moshe é como está escrito: “E o que somos nós?” — o nível de autoanulação (bitul) e de completa inclusão na Luz Infinita (Or Ein Sof), bendito seja Ele.
O remédio encontra-se no relato da guerra contra Amalek: Moshe disse a Yehoshua: “Escolhe para nós homens.” “Para nós” significa os próprios homens de Moshe: somente “homens de Moshe” podem derrotar Amalek. A qualidade de Moshe se expressa em suas palavras: “E o que somos nós?” — completa autoanulação (bitul), estando inteiramente absorvido na Luz Infinita.
A arrogância de Amalek só é vencida pelos “homens de Moshe”, aqueles que compartilham a autoanulação de Moshe: “E o que somos nós?”
Num discurso em 10 Shevat 5717, citado na nota da Kehot, o Rebe explicou que “homens de Moshe” são pessoas ligadas ao líder da geração, a extensão de Moshe em cada geração; e, quando há tais “homens de Moshe”, vem a ordem: “saí e lutai contra Amalek”.
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- 1ויאמר משה גו׳ בחר לנו אנשים · Exodus 17:9
- 2שלכבוש מלחמת עמלק צריכים אנשי משה דוקא · ראה סה״מ תרס״ה ע׳ ריט. ד״ה זכור תשל״ה.
- 3ונחנו מה · Exodus 16:7
- 4בשיחת מוצש״ק פ׳ בשלח י׳ שבט תשי״ז פי׳ כ״ק אדמו״ר זי״ע · אנשי משה — הם אנשים שקשורים עם נשיא הדור אתפשטותא דמשה בכל דרא ודרא . . ואז — כשישנם ”אנשי משה” — בא הציווי צא והלחם בעמלק.
14והנה כל התורה על שמו נק׳ תורת משה.1 תורה צוה לנו משה2 וגו׳ [וגומר]. והיינו שיהיה כל דרכי התור׳ [התורה] והעבודה ע״פ בחינת משה.
Ora, a Torá inteira é chamada pelo nome dele, “a Torá de Moshe”: “Moshe nos ordenou a Torá”, etc. Isto é, todos os caminhos da Torá e do [serviço] divino devem seguir o nível de Moshe.
A Torá inteira recebe o nome de Moshe, “a Torá de Moshe”, e está escrito: “Moshe nos ordenou a Torá”. Isso significa que todo o estudo da Torá e o serviço divino de uma pessoa devem seguir o modo de Moshe.
וכמארז״ל [וכמאמר רבותינו זכרונם לברכה] כל האומר אין לי אלא תורה3 אפי׳ [אפילו] תורה אין לו.4 רק שצריך להיות תורת משה בבחינת בטול באוא״ס [באור אין סוף] ב״ה לגמרי.
Como disseram nossos Sábios, de abençoada memória: “Quem diz: ‘Não tenho nada além da Torá’, não tem sequer Torá.” Pelo contrário, deve ser a Torá de Moshe, no nível da autoanulação (bitul) completa na Luz Infinita (Or Ein Sof), bendito seja Ele.
Os Sábios disseram que quem afirma: “Não tenho nada além da Torá” não tem sequer Torá. A Torá deve ser “a Torá de Moshe”: estudada com completa autoanulação diante da Luz Infinita, e não considerada uma conquista própria.
A Torá é “a Torá de Moshe” porque deve ser estudada com a autoanulação de Moshe; considerar a Torá uma posse própria é não ter Torá alguma.
Or HaTorah, citado na nota, traz o Yalkut ao final de Malachi: a Torá é chamada pelo nome de Moshe porque ele deu a vida por ela.
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- 1נק׳ תורת משה · ראה אוה״ת נ״ך ע׳ תקסא. באוה״ת כרך ז ע׳ ב׳תשסז ”ע״י שנתן נפשו עלי׳” בילקוט סוף מלאכי. וראה בסה״מ תרכ״ז ע׳ תסח עוד ביאור למה נק׳ התורה תורת משה.
- 2תורה צוה לנו משה · Deuteronomy 33:4
- 3כל האומר אין לי אלא תורה · בלקו״ת במדבר ד, ב. מציין לכאן.
- 4כל האומר אין לי אלא תורה אפי׳ תורה אין לו · Yevamot 109b:4–5
15וכמ״ש ולא תחללו1 שלא להיות בחינת חלל. כמאמר דוחק רגלי השכינה2 כביכול אלא כמאמר אתה הוא עד שלא נבה״ע [נברא העולם] ואתה הוא משנבה״ע [משנברא העולם].
Como está escrito: “E não profanareis (sechalelu)”, [isto é,] não estar no estado de um vazio (chalal), como na expressão “empurrar os pés da Shechiná (Presença Divina)”, por assim dizer; mas, antes, como na expressão: “Tu és Ele antes de o mundo ter sido criado, e Tu és Ele desde que o mundo foi criado”:
O versículo “Não profanareis o Meu santo Nome” é interpretado como “não façais um chalal, um espaço vazio”: não agir como se houvesse um lugar vazio de D'us. O Talmud diz que quem caminha com arrogância “empurra os pés da Shechiná”, como se não houvesse lugar para Ela; em vez disso, a pessoa deve viver segundo “Tu és Ele antes de o mundo ter sido criado, e Tu és Ele desde que o mundo foi criado”.
הוא ממש בלי שום שינוי דכמו שהי׳ [שהיה] עד שלא נבה״ע [נברא העולם] ממלא את הכל וגם המקום הזה שנברא בו העולם כך עתה כו׳.
Ele verdadeiramente, sem nenhuma mudança; pois, assim como antes de o mundo ter sido criado Ele preenchia tudo, inclusive este próprio lugar no qual o mundo foi criado, assim também [é] agora, etc.
D'us é verdadeiramente o mesmo, sem nenhuma mudança: assim como, antes da criação, Ele preenchia tudo, inclusive o próprio lugar onde o mundo agora existe, assim é também agora.
A autoanulação de Moshe significa não transformar a presença de D'us em ausência por meio da afirmação de si mesmo, e saber que Ele preenche a criação agora exatamente como fazia antes dela.
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- 1ולא תחללו · Leviticus 22:32
- 2דוחק רגלי השכינה · Berakhot 43b:19–20
16ואיך הוא זה והרי העולם מעלים כו׳ אלא היינו ע״י עסק התורה דאורייתא מחכמה נפקת וכתיב הוי׳ בחכמה יסד1 וגו׳ [וגומר]
Mas como isso é possível, se o mundo oculta etc.? Ao contrário, isso se dá por meio do estudo da Torá, pois a Torá emana de Chochmá (sabedoria), e está escrito: “Havayá fundou [a terra] com Chochmá” etc.;
Como pode não haver ocultação, se o mundo claramente oculta D'us? Por meio do estudo da Torá: a Torá provém de Chochmá, a sabedoria de D'us, como em “Havayá fundou a terra com Chochmá”.
שבחכמה שורה אא״ס [אור אין סוף] ב״ה שהחכמה היא היא בחינת בטול כח מ״ה [מה] ולכך גם האדם שלומד התורה הרי בכל דבר הלכה או אגדה שלומד מלובש בה בחי׳ חכמה
pois em Chochmá repousa a Luz Infinita (Or Ein Sof), bendito seja Ele, uma vez que a própria Chochmá é o nível da autoanulação (bitul), ko’ach mah (“a potência do ‘quê’”). Portanto, também para a pessoa que estuda Torá, em cada assunto — seja halachá ou agadá — que estuda, está revestido o nível de Chochmá,
A Luz Infinita repousa em Chochmá porque Chochmá é autoanulação: a expressão é lida como ko’ach mah, “a potência do ‘quê’”, uma força que não se percebe como algo. Assim, em cada lei ou ensinamento que a pessoa estuda, Chochmá está revestida.
שבה מלובש אוא״ס [אור אין סוף] ב״ה וא״כ [ואם כן] הוא בבחי׳ בטול בשעת עסק התורה לחכמתו ית׳ ואין מעלים ומסתיר מאחר שאין נראה ליש ודבר נפרד בפ״ע [בפני עצמו] רק שהיא חכמתו ית׳ הבטלה אליו ואין עוד מלבדו.2
no qual está revestida a Luz Infinita, bendito seja Ele. Sendo assim, durante o estudo da Torá, ele se encontra num estado de autoanulação perante Sua sabedoria, bendito seja Ele, e nada oculta nem encobre, pois [a Torá] não se apresenta como algo (yesh), uma coisa separada em si mesma, mas [somente] como Sua sabedoria, bendito seja Ele, que está anulada perante Ele, e “não há nada além Dele”.
Como a Luz Infinita está revestida nessa Chochmá, quem estuda se anula perante a sabedoria de D'us enquanto estuda. Então nada oculta D'us, pois a Torá não se apresenta como algo separado, mas como Sua sabedoria, anulada perante Ele: “não há nada além Dele”.
O estudo da Torá remove a ocultação do mundo, pois a Torá é a Chochmá de D'us, ela própria pura autoanulação, na qual repousa a Luz Infinita.
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- 1הוי׳ בחכמה יסד · Proverbs 3:19
- 2ואין עוד מלבדו · Deuteronomy 4:35
17ועל זה נאמר ואשים דברי בפיך1 דברי ממש ופי׳ דברי בפיך היינו בחי׳ פנימית. ובצל ידי כסיתיך הן בחי׳ מקיפים שאוא״ס [שאור אין סוף] ב״ה שורה ומתגלה בו בבחי׳ פנימי׳ [פנימיות / פנימית] ובחי׳ מקיף
E a respeito disso foi dito: “Pus Minhas palavras em tua boca”: Minhas palavras, literalmente. E o significado de “Minhas palavras em tua boca” é o nível da [luz] interior (pnimi); e “à sombra de Minha mão te cobri” é o nível das [luzes] abrangentes (makifim): que a Luz Infinita (Or Ein Sof), bendito seja Ele, repousa e Se revela nele tanto no nível da [luz] interior quanto no nível da [luz] abrangente;
Isaías diz: “Pus Minhas palavras em tua boca, e à sombra de Minha mão te cobri.” As palavras da Torá são as próprias palavras de D'us, uma luz interior que aquele que estuda assimila; “à sombra de Minha mão” é a luz abrangente que o envolve. Assim, a Luz Infinita repousa sobre ele e Se revela nele, dentro e ao redor.
וע״י כן הוא כובש מלחמת עמלק שהוא היש כו׳ כי ביטול זה הוא הפך היש והוא המכניע ומשבר המחיצה של ברזל2 כו׳
e, por meio disso, ele prevalece na guerra contra Amalek, que é o yesh, etc.; pois essa autoanulação (bitul) é o oposto do yesh, e é ela que subjuga e rompe a divisória de ferro, etc.
Esse bitul é o oposto do yesh de Amalek, o eu inflado; por isso, vence a guerra contra ele e rompe a divisória de ferro.
וזהו ועשית ציץ3 דקאי על משה שהוא הוא העוש׳ [העושה] את הציץ להיות יציץ נזרו4 של אור האהבה רבה להיות מציץ מן החרכים5 וזורח
E este é [o significado de] “E farás um tzitz”, que se refere a Moshe: é ele quem faz o tzitz, para que “sua coroa brilhe (yatzitz)” com a luz do grande amor (ahavá rabá), “espreitando (meitsits) pelas treliças” e irradiando;
Assim, “Farás um tzitz” é dirigido a Moshe: é ele quem faz o tzitz, o brilho do grande amor, para que ele “espreite pelas treliças” e irradie.
ע״י עשיית חרכים וחלונות שבירת המחיצה שהן הרהורי תשובה מבחי׳ בטול אנשי משה וכמ״ש בחר לנו6 וגו׳ [וגומר] כנ״ל.7
por meio da construção de treliças e janelas, a ruptura da divisória, que são pensamentos de teshuvá provenientes do nível da autoanulação dos homens de Moshe, como está escrito: “Escolhe para nós”, etc., conforme mencionado acima.
Ele irradia através de treliças e janelas, aberturas na divisória criadas por pensamentos de teshuvá que provêm da autoanulação dos homens de Moshe, como em “Escolhe para nós homens”.
A Torá põe as palavras de D'us dentro daquele que estuda e Sua luz ao redor dele; essa autoanulação derrota Amalek e, assim, Moshe, por meio de seus homens, faz o tzitz, abrindo a divisória para que o grande amor irradie.
Isso responde à pergunta levantada na versão deste maamar em Torah Chaim (nota sobre o parágrafo 1): por que o versículo diz que o próprio Moshe deve fazer o tzitz.
Marei mekomot
- 1ואשים דברי בפיך · Isaiah 51:16
- 2והוא המכניע ומשבר המחיצה של ברזל · בלקו״ת נשא כה, א מציין לד״ה זה.
- 3ועשית ציץ · Exodus 28:36
- 4יציץ נזרו · Psalms 132:18
- 5מציץ מן החרכים · Song of Songs 2:9
- 6בחר לנו · Exodus 17:9
- 7ואשים דברים בפיך . . ובצל ידי כסיתיך · ישעי׳ נא. טז.
O ouro, o selo e os dois níveis de Havayá ¶18–22
18וציץ זה הוא זהב טהור הוא בחי׳ מעלת הזהב על הכסף. ושתיהן הן בחי׳ אהבה
E este tzitz é de ouro puro: [este] é o nível da superioridade do ouro sobre a prata. Ambos representam o amor,
O tzitz é de ouro puro, que ocupa um nível superior ao da prata. Ambos os metais representam o amor.
como está escrito: “Minha é a prata, e Meu é o ouro”, etc.; somente, a prata representa a frieza, e o ouro representa as “chamas de fogo” do amor.
Ambos pertencem a D'us — “Minha é a prata, e Meu é o ouro” —, mas a prata representa um amor frio e sereno, enquanto o ouro representa um amor como “chamas de fogo”. O tzitz, o grande amor que vem do alto, é do tipo ardente.
O ouro do tzitz representa o amor ardente, acima do amor mais frio simbolizado pela prata.
Marei mekomot
- 1לי הכסף ולי הזהב · Haggai 2:8
- 2רשפי אש האהבה · Song of Songs 8:6
19ופתחת עליו פתוחי חותם.1 הן אותיות התורה כי חותמו של הקב״ה [הקדוש ברוך הוא] אמת2 ואין אמת אלא תורה.34
“E gravarás sobre ela as gravações de um selo”: estas são as letras da Torá, pois “o selo do Santo, bendito seja Ele, é a verdade”, e “não há verdade senão a Torá”.
A gravação no tsits representa as letras da Torá. O Talmud chama o selo de D'us de “verdade”, e o Talmud de Jerusalém afirma que a verdade é a Torá; assim, as letras da Torá são o Seu selo.
ונק׳ בחי׳ חותם כי התורה אשר לפנינו שנתלבשה בענינים גשמיים היא היא בחי׳ חותם כדמיון האותיות שנחקקים5 על השעוה שאינו מערך ומהות האותיות שבמחשבה או בדבור רק מ״מ [מכל מקום] הן אותיות עצמן שנצטיירו ונתגשמו כו׳.
E ela é chamada de nível de um selo porque a Torá que temos diante de nós, que se revestiu de assuntos físicos, é ela própria o nível de um selo, como letras impressas na cera, que não são da mesma ordem e essência que as letras no pensamento ou na fala; ainda assim, são as próprias letras, que tomaram forma e se tornaram físicas, etc.
A Torá que temos, revestida de assuntos físicos, é como a impressão de um selo na cera: não é da mesma ordem que as letras no pensamento ou na fala, mas, ainda assim, são verdadeiramente as mesmas letras, às quais foi dada forma e que se tornaram físicas.
A Torá tal como a temos é o selo de D'us impresso em assuntos físicos: inferior à sua fonte, mas constituída pelas mesmas letras.
Sefer HaMaamarim 5627, citado na nota, desenvolve a imagem: não se podem ler as letras gravadas numa pedra preciosa por causa de seu brilho até que sejam impressas na cera, onde sua aspereza as torna claramente visíveis; ainda assim, as letras na cera são exatamente as mesmas que estão na pedra. Assim, embora revestida de coisas físicas, a Torá é, em sua raiz, exatamente como é no alto.
Marei mekomot
- 1ופתחת עליו פתוחי חותם · Exodus 28:36
- 2חותמו של הקב״ה אמת · Shabbat 55a:12
- 3ואין אמת אלא תורה · ירושלמי ר״ה ג, ח.
- 4ואין אמת אלא תורה · Jerusalem Talmud Rosh Hashanah 3:9
- 5כדמיון האותיות שנחקקים · Gittin 20a
20וכך הנה כתיב בצלמנו כדמותנו1 דקאי על התורה שבע״פ [שבעל פה] שהיא בחי׳ דמות ודמיון בעלמא שהיא בחי׳ חותם עד״מ [על דרך משל] כאותיות הנחקקין על השעוה כו׳
E assim está escrito: “À nossa imagem, conforme a nossa semelhança”, o que se refere à Torá Oral, que é apenas o nível de semelhança e aparência, sendo o nível de um selo, por analogia, como letras impressas na cera etc.
“À nossa imagem, conforme a nossa semelhança” é aplicado à Torá Oral, que é apenas uma “semelhança” da sabedoria superior, como a impressão de um selo na cera.
אעפ״כ [אף על פי כן] יסודתה בהררי קדש2 העליון ח״ע [חכמה עילאה] שבכל הלכה כו׳ וע״י זה נמשך בחי׳ קדש העליון בעסק התורה והמצות בבחי׳ פנימי׳ [פנימיות / פנימית] ומקיפין שהתורה היא פנימית והמצות הן לבושין ומקיפין
Apesar disso, “seu fundamento está nos montes da santidade”, no Kodesh superno, a Chochmá superior (Chochmá Ilaá) que se encontra em cada halachá etc. E por meio disso o nível do Kodesh superno é atraído para baixo pelo envolvimento com a Torá e as mitsvot, no aspecto de luz interior e luzes abrangentes: pois a Torá é interior, e as mitsvot são vestimentas e luzes abrangentes,
Ainda assim, seu fundamento está “nos montes da santidade”: o Kodesh superno, a Chochmá superior presente em cada lei. Por meio disso, essa santidade superna é atraída para baixo quando a pessoa se ocupa da Torá e das mitsvot: a Torá como luz interior, e as mitsvot como vestimentas e luzes abrangentes.
כמאמר אשר קדשנו במצותיו והנה המשכה זו היא בחי׳ קדש למ״ד למטה והוי׳ למעלה שבחי׳ קדש עדיין היא נק׳ למטה מבחי׳ הוי׳ כי
como na bênção: “que nos santificou com Suas mitsvot”. Ora, essa atração para baixo é o nível de “Kodesh [e a letra] lamed abaixo, e Havayá acima”, pois o nível de Kodesh ainda é denominado “abaixo” do nível de Havayá. Pois
Por isso, a bênção “que nos santificou com Suas mitsvot”: as mitsvot trazem santidade. Essa atração para baixo é o “Kodesh abaixo” do tsits; pois, por mais elevada que seja, a santidade ainda está abaixo do nível de Havayá.
הנה יש ב׳ בחי׳3 הוי׳ כמ״ש ויעבר הוי׳ על פניו4 ויקרא הוי׳ הוי׳ ופסיק טעמא בינייהו כי הן ב׳ בחי׳ כי ענין הוי׳ מורה שהוא מהוה כל ההוויות מאין ליש5 כו׳
há dois níveis de Havayá, como está escrito: “E Havayá passou diante dele e proclamou: Havayá, Havayá”; e a cantilação faz uma pausa entre eles, pois são dois níveis. Com efeito, o significado de Havayá indica que Ele faz todos os seres (havayot) virem à existência, do nada para algo etc.,
Há dois níveis de Havayá, como nos Treze Atributos: “Havayá, Havayá”, em que a cantilação separa os dois Nomes. O Nome Havayá exprime “fazer vir à existência” (mehaveh): D'us traz todos os seres à existência a partir do nada.
ע״י שעלה ברצונו כך ויש מקור ושרש לזה להיות עולה כך ברצונו ולהיות מקור להוות כל ההוויות והוא הוי׳ הראשון שהוא לרצון לפני הוי״ה הב׳ ונק׳ רעוא דרעוין:6
porque assim surgiu em Sua vontade; e há uma fonte e raiz para isso, para que surgisse assim em Sua vontade e se tornasse uma fonte para fazer todos os seres virem à existência: essa é a primeira Havayá, que é “para a vontade antes” da segunda Havayá, e é chamada “a vontade das vontades” (ra’avá dera’avin).
Ele os faz vir à existência porque isso surgiu em Sua vontade. Essa vontade tem sua própria fonte: a primeira Havayá, que é “para a vontade antes” da segunda Havayá, e é chamada “a vontade das vontades”.
A Torá e as mitsvot atraem para baixo o Kodesh, a Chochmá superior; acima dele, porém, está Havayá, e, dentro da própria Havayá, há um primeiro nível, a vontade das vontades, que precede a Havayá que cria.
O discurso de Beshalach citado na nota também trata dos dois Nomes de Havayá: uma Havayá inferior, que faz os mundos virem à existência a partir do nada, e uma superior. Or HaTorah, citado na nota, explica mehaveh como fazer vir à existência tudo o que existe, pois tudo o que existe pode ser chamado hoveh, como em “Sê (hoveh) senhor de teus irmãos” (Genesis 27:29).
Marei mekomot
- 1בצלמנו כדמותינו · Genesis 1:26
- 2יסודתה בהררי קדש · Psalms 87:1
- 3כי הנה יש ב׳ בחי׳ הוי׳ · ראה לעיל פ׳ בשלח סא, ד.
- 4ויעבר ה׳ על פניו · Exodus 34:6
- 5שהוא מהוה כל ההוויות מאין ליש · ”ר״ל שהוא מהוה כל הנמצאות, כי כל דבר שנמצא ונברא שייך לקרותו הוה מלשון הוה גביר לאחיך בפ׳ תולדות כז, כט” — אוה״ת תצוה ע׳ א׳תשיא.
- 6הוי׳ הראשון . . הב׳ ונק׳ רעוא דרעוין · ראה בכ״ז בארוכה בד״ה נשא את ראש תער״ב.
21וזהו ויקרא1 הוי׳ הוי׳. שהוי׳ הא׳ קורא וממשיך הוי׳ הב׳ להיות נאצלות ומתגלות י״ג מכילין דרחמי שהן מקורות כל ההוויות2 וכל ההשתלשלות ובחי׳ הוי׳ הא׳ הוא למעלה מעלה מבחי׳ קדש ונקרא רעוא דרעוין.
E isto [é o sentido de] “E Ele chamou: Havayá, Havayá”: a primeira Havayá chama e faz emanar a segunda Havayá, para que os Treze Atributos de Misericórdia (yud-gimmel mechilin derachamei) sejam emanados e revelados; eles são as fontes de todos os seres e de toda a cadeia descendente dos mundos (hishtalshelut). E o nível da primeira Havayá está muito, muito acima do nível de Kodesh, e é chamado “a vontade das vontades” (ra’ava dera’avin).
Assim, “E Ele chamou: Havayá, Havayá” significa que a primeira Havayá faz surgir a segunda, para que os Treze Atributos de Misericórdia sejam emanados e revelados; estes são as fontes de todos os seres e de toda a cadeia dos mundos. A primeira Havayá, muito acima de Kodesh, é a vontade das vontades.
A primeira Havayá, a vontade das vontades, faz surgir a segunda, a fonte dos Treze Atributos de Misericórdia e de toda a criação.
Or HaTorah, citado na nota, acrescenta que os Treze Atributos, embora sejam níveis muito elevados, ainda pertencem ao nível de “mundo”, como está escrito: “Lembra-Te de Tuas misericórdias e de Tuas bondades, pois são de outrora (me’olam).”
Marei mekomot
- 1ויקרא הוי׳ הוי׳ · Exodus 34:6
- 2י״ג מכילין דרחמי שהן מקורות כל ההוויות · ”כי באמת יג״מ הרחמים אף שהן מדרגות עליונות מאד מ״מ הן שייכים לבחי׳ עולם כמ״ש זכור רחמיך וחסדיך כי מעולם המה” — אוה״ת תצוה ע׳ א׳תשיא.
22וע״י עסק התורה והמצות הנ״ל בבחי׳ הנ״ל נמשך שיהי׳ [שיהיה] קדש למ״ד למטה היא בחי׳ אתעדל״ת [אתערותא דלתתא] והוי״ה למעלה היא אתעדל״ע [אתערותא דלעילא]
E, por meio do estudo da Torá e do cumprimento das mitsvot mencionados acima, da maneira indicada, resulta “Kodesh [e a letra] lamed abaixo”, que corresponde ao nível do despertar de baixo (isarusa dilesata), e “Havayá acima”, que corresponde ao despertar do alto (isarusa dileila).
Por meio da Torá e das mitsvot, conforme descrito, concretizam-se as duas linhas do tsitsit: “Kodesh abaixo” é o despertar de baixo, o serviço da própria pessoa; “Havayá acima” é o despertar do alto que responde a ele.
כי על ידי עסק התורה שהיא חכמתו ורצונו יתברך הרי כמים הפנים1 כו׳ ורוח אייתי רוח ואמשיך רוח רצון עליון רעוא דרעוין
Pois, por meio do estudo da Torá, que é Sua sabedoria e vontade, bendito seja Ele, “como a água [reflete] o rosto”, etc., e “o espírito atrai o espírito e faz descer o espírito”: a Vontade Suprema, a vontade das vontades (ra’ava dera’avin).
Como a Torá é a sabedoria e a vontade de D'us, estudá-la funciona como o reflexo na água, rosto correspondendo a rosto: o espírito da pessoa atrai um espírito do alto, a Vontade Suprema, a vontade das vontades.
ועל ידי זה נעשה גלוי רעותא דלבא ואור האהבה עליונה בנפש בלי מסך מבדיל מחיצה מפסקת כו׳ עד שיהי׳ [שיהיה] על מצח אהרן2 ג״כ גילוי בחי׳ זו:
E, por meio disso, revela-se o desejo do coração (re’usa deliba) e a luz do amor superior na alma, sem tela separadora [ou] divisória que interrompa, etc., até que também haja uma revelação desse nível sobre a testa de Aharon.
Isso revela o desejo do coração e a luz do amor superior na alma, sem nenhuma divisória no caminho, até que se revele também sobre a “testa de Aharon”.
A Torá e as mitsvot, o despertar de baixo, despertam o despertar do alto, a vontade das vontades, que revela o amor superior na alma sem qualquer divisória, até mesmo sobre a testa.
Likkutei Torah sobre Tazria, citado na nota do parágrafo 1, define Havayá “acima” como o nível que o despertar de baixo não alcança; aqui, ele é atraído para baixo como o despertar do alto que responde a esse despertar.
Marei mekomot
- 1כמים הפנים · Proverbs 27:19
- 2על מצח אהרן · Exodus 28:38
A testa ¶23–29
23וביאור ענין המצח הוא כמו עד״מ [על דרך משל] בגשמיו׳ [בגשמיות] שיש בתלת חללי דגלגלתא תלת מוחין חב״ד [חכמה בינה ודעת]. ויש גולגלתא דחפיא על מוחא.
A explicação do assunto da testa: assim como, por analogia, no plano físico há três cérebros — Chochmá, Biná e Daat — nas três cavidades do crânio, e há um crânio que cobre o cérebro.
Para explicar a testa, o Alter Rebbe usa o corpo como analogia: o crânio tem três cavidades que contêm três “cérebros”, Chochmá, Biná e Daat, e o crânio os cobre.
כך ברוחני׳ [ברוחניים] הנה המוחין הם חב״ד [חכמה בינה ודעת] והדעת הוא הכח המקשר את חכ׳ [חכמה] ובינה להיות תקועה בחוזק בל ימוט שכאשר נגמר בכח חכמתו ובינתו בגדולת א״ס [אין סוף] ב״ה כך תהא נפשו קשורה בה׳ לבדו.
Assim também no plano espiritual: o intelecto (mochin) é Chochmá, Biná e Daat, e Daat é a força que une Chochmá e Biná, para que [a matéria] fique firmemente fixada, sem jamais vacilar; de modo que, assim como [a matéria] foi concluída pela força de sua Chochmá e Biná a respeito da grandeza do Infinito (Ein Sof), bendito seja Ele, assim também sua alma esteja ligada somente a D'us.
Também na alma, o intelecto é Chochmá, Biná e Daat. Daat une Chochmá e Biná para que aquilo que foi compreendido permaneça firmemente fixado; depois que a pessoa apreendeu a grandeza de D'us, Daat liga sua alma somente a D'us, da mesma maneira.
A analogia do crânio e de seus três cérebros introduz Daat, a força que liga à alma aquilo que a mente compreendeu.
24והנה במוחין דחב״ד [דחכמה בינה ודעת] שם הוא גילוי אא״ס [אור אין סוף] ב״ה בהתבוננות בסדר התפלה וכיוצא בה איך שברוך שאמר והי׳ [והיה] העולם ויחיד ומיוחד וחי העולמים מלך וישתבח שמך כו׳.
Ora, no intelecto (mochin) de Chochmá, Biná e Daat há a revelação da Luz Infinita (Or Ein Sof), bendito seja Ele, por meio da contemplação na ordem da oração e do que é semelhante: como “Bendito seja Aquele que falou, e o mundo veio a ser”, “Único e singular, Vida dos mundos, Rei” e “Que Teu Nome seja louvado”, etc.
Durante a oração, o intelecto revela a Luz Infinita, quando a pessoa contempla as palavras que pronuncia na ordem das orações: “Bendito seja Aquele que falou, e o mundo veio a ser”, “Único e singular, Vida dos mundos, Rei” e “Que Teu Nome seja louvado”.
וכך הוא התקשרות הדעת בגילוי עוצם התשוקה והתענוג. אך יש בחי׳ גלגלתא דחפי׳ [דחפיא] על מוחא וכנגד הדעת הוא המצח שהוא הכסוי על הדעת להעלים גלוי הדעת וההתקשרות.
E assim é a ligação de Daat: com a revelação da intensidade do anseio e do deleite. Mas há o nível do “crânio que cobre o cérebro”; e, correspondendo a Daat, está a testa, que é a cobertura sobre Daat, ocultando a revelação de Daat e a ligação.
Daat então liga a pessoa a D'us com intenso anseio e deleite. Mas, assim como o crânio cobre o cérebro, a testa, que corresponde a Daat, é uma cobertura sobre Daat que oculta essa revelação e essa ligação.
Na oração, Daat liga a alma a D'us com anseio e deleite; a testa é a cobertura sobre Daat que depois oculta essa ligação.
25ולכן אחר התפלה חולפת ועוברת כו׳ וצריך לחזור ולהתפלל בכל יום1 לעורר את האהבה וע״ז [ועל זה] נאמר והיו הדברים האלה2 אשר אנכי מצוך היום.
Portanto, depois da oração, [o amor] passa e se desvanece etc., e é preciso orar novamente todos os dias para despertar o amor. E a respeito disso foi dito: “E estas palavras, que Eu te ordeno hoje, serão.”
Por isso, o amor despertado na oração se desvanece quando a oração termina, e é preciso orar novamente a cada dia para despertá-lo. O versículo fala de “estas palavras, que Eu te ordeno hoje”.
ואמרו רז״ל [רבותינו זכרונם לברכה] בכל יום3 יהיו בעיניך כחדשים לחדש את האהבה. כי לפי שהוא ית׳ מחדש בכ״י [בכל יום] תמיד מע״ב [מעשה בראשית] לכך גם האהבה מתחדשת כו׳.
E nossos Sábios, de abençoada memória, disseram: “Todos os dias, sejam aos teus olhos como novos”: para renovar o amor. Pois, uma vez que Ele, bendito seja, renova continuamente a obra da criação todos os dias, também o amor se renova etc.
Os Sábios interpretam “hoje” como ensinando que as palavras devem ser novas aos teus olhos todos os dias; aqui, isso significa renovar o amor. Uma vez que D'us renova a obra da criação todos os dias, também o amor se renova.
Como o amor despertado na oração se desvanece, é preciso renová-lo todos os dias, assim como D'us renova a criação todos os dias.
Marei mekomot
- 1בכל יום יהיו בעיניך · Sifrei Devarim 33:1
- 2והיו הדברים האלה · Deuteronomy 6:6
- 3בכל יום יהיו בעיניך כחדשים · Deuteronomy 6:6
26והנה כאשר לבבו פונה זה לכרמו כו׳ יכול להיות מן הנפילים להמשיך לבו אחר תענוגי עוה״ז [עולם הזה] שהן רבוי והגדלת היש.
Ora, quando seu coração se volta para “este, à sua vinha”, etc., ele pode tornar-se um dos caídos (nefilim), atraindo seu coração para os deleites (taanug) deste mundo, que são a multiplicação e a ampliação da existência própria (yesh).
Quando as pessoas deixam a oração e se voltam, cada uma, “à sua vinha”, isto é, aos próprios assuntos, a pessoa pode cair, atraindo seu coração para os prazeres deste mundo, que apenas multiplicam e inflam o eu (yesh).
וכתי׳ [וכתיב] תועבת ה׳ כל גבה לב1 אפי׳ [אפילו] בחי׳ חיצוני׳ שהן הנהגת הלבושין כנ״ל וארז״ל [ואמרו רבותינו זכרונם לברכה] אין אני והוא יכולים לדור2 כאחת.
E está escrito: “Todo coração altivo é abominação para D'us” — mesmo o nível exterior, que é a conduta das vestimentas mencionada acima. E nossos Sábios, de abençoada memória, disseram: “Eu e ele não podemos habitar juntos.”
A Escritura chama todo coração altivo de abominação para D'us, e isso inclui o tipo exterior descrito acima, a conduta de vestir-se em busca de honra. O Talmud diz que, a respeito do arrogante, D'us declara: “Eu e ele não podemos habitar juntos.”
Desviar-se da oração para as ocupações mundanas pode levar a pessoa a cair na autoexaltação, que D'us abomina e junto à qual não pode habitar.
Marei mekomot
- 1תועבת ה׳ כל גבה לב · Proverbs 16:5
- 2אין אני והוא יכולים לדור · Sotah 5a:14
27וכמ״ש אין דעת1 אלהים בארץ שכאשר הוא מושקע בארציות וחומריות אין בו דעת אלהים והתקשרות. אך כ״ז [כל זה] הוא בבחי׳ עכו״ם [עובדי כוכבים ומזלות] שנקראו כך ע״ש [על שם] שהם אומות ומקורות לכל עניני עוה״ז [עולם הזה].
Como está escrito: “Não há conhecimento de D'us na terra”: quando está imerso na mundanidade e na materialidade, não há nele conhecimento de D'us nem vínculo [com Ele]. Mas tudo isso corresponde ao nível dos akum (“adoradores das estrelas e constelações”), assim chamados porque são nações (umot) e fontes de todos os assuntos deste mundo.
“Não há conhecimento de D'us na terra” descreve uma pessoa imersa na mundanidade, sem conhecimento de D'us e sem vínculo com Ele. Essa imersão total pertence ao nível denominado akum, “adoradores das estrelas e constelações”, nome que o texto explica assim: “são nações e fontes de todos os assuntos deste mundo”. Além de “fontes”, o termo impresso umot (“nações”) talvez queira dizer imot (“mães”): as estrelas e constelações, objeto dessa adoração, seriam então as “mães” e fontes de todos os assuntos mundanos.
משא״כ בבחי׳ ישראל יכול להיות עצת חכמינו ז״ל [זכרונו לברכה / זכרונם לברכה] עשה מלאכתך עראי2 וטפל לבד בבחי׳ קרירות כמו שכפאו שד כו׳.
Em contrapartida, no nível de Israel, pode-se [seguir] o conselho de nossos Sábios, de abençoada memória: “Faça de seu trabalho algo ocasional”, mantendo-o apenas como ocupação secundária, com frieza, como alguém que é compelido por um demônio etc.
No nível de Israel, em contrapartida, a pessoa pode seguir o conselho dos Sábios de fazer do trabalho algo ocasional e secundário, ocupando-se dele com frieza, como se fosse compelida. Como indica a palavra “nível”, o texto contrapõe duas maneiras de a pessoa se posicionar em relação ao mundo.
Estar inteiramente imerso nos assuntos mundanos, sem conhecimento de D'us, pertence ao nível dos akum; no nível de Israel, a pessoa pode manter o trabalho como algo ocasional e secundário.
Marei mekomot
- 1אין דעת אלקים בארץ · Hosea 4:1
- 2עשה מלאכתך עראי · אבות פ״א מ״ט.
28וזהו והי׳ [והיה] על מצח אהרן1 שגם אחר התפלה שחולפת ועוברת האהבה מ״מ [מכל מקום] נשאר רשימו על בחי׳ מצח שהוא כיסוי שעל הדעת
E este é [o sentido de] “E estará sobre a testa de Aharon”: mesmo depois da oração, quando o amor passa e se desvanece, ainda assim permanece uma impressão (reshimu) no nível da testa, que é a cobertura sobre Daat,
Este é o sentido de “sobre a testa de Aharon”: depois da oração, o amor se desvanece, mas uma impressão (reshimu) dele permanece na testa, a cobertura sobre Daat.
דהיינו בחינת חיצוניות החב״ד [החכמה בינה ודעת] והוא ענין רצון פשוט לדבקה בו ית׳ בלי עומק התבוננות כבשעת התפלה רק הסכמת הלב מחיצוניות הדעת אחר אשר נגמר בדעתו כך בשעת התפלה
isto é, o nível da dimensão exterior (chitsoniyut) de Chochmá, Biná e Daat. E isso é uma vontade simples de apegar-se a Ele, bendito seja, sem a profundidade da contemplação que há no momento da oração, mas apenas o assentimento do coração, proveniente da dimensão exterior de Daat, depois de ele ter concluído assim em seu Daat no momento da oração;
Essa impressão é o nível exterior do intelecto: uma vontade simples de apegar-se a D'us, sem a contemplação profunda da oração; é o assentimento do coração que decorre daquilo que a pessoa concluiu durante a oração.
כי הגם שגילוי עוצם התשוקה והתענוג שבדעת חלף ועבר אחר התפלה מ״מ [מכל מקום] רשימו ניכר להיות רצון והסכמת הלב לדבקה בו ית׳ ולהיות מלאכתו עראי וטפל ותורתו קבע ועיקר.
pois, embora a revelação da intensidade do anseio e do deleite (taanug) que há em Daat tenha passado e desaparecido depois da oração, ainda assim permanece uma impressão perceptível [que o leva] a ter vontade e o assentimento do coração para apegar-se a Ele, bendito seja, e a fazer de seu trabalho algo casual e secundário, e de sua Torá algo fixo e principal.
O intenso anseio e deleite passam, mas permanece uma impressão perceptível: vontade e assentimento para apegar-se a D'us, que mantêm o trabalho casual e secundário, e a Torá fixa e principal.
A testa retém o que resta do amor da oração: uma vontade simples e o assentimento do coração, que mantêm D'us como prioridade ao longo do dia.
Marei mekomot
- 1והי׳ על מצח אהרן · Exodus 28:38
E essa vontade e esse assentimento podem ser constantes. E este é [o significado de] “E estará sobre sua testa continuamente, para ser favorável (ratzon) a eles diante de Havayá”:
Essa vontade e esse assentimento podem perdurar o dia inteiro; por isso o versículo diz que o tzitz está sobre sua testa “continuamente, para ser favorável (ratzon)”.
שע״י אתעדל״ת [אתערותא דלתתא] זו אתערותא דלעילא לעורר רצה״ע [רצון העליון] רעוא דרעוין והתגלות בחי׳ הוי״ה המקור אל הי״ג מדה״ר [מדות הרחמים] שעי״ז הגילוי רצה״ע [רצון העליון] הוא נושא עון הקדשים ואתהפכא כו׳.
pois, por meio deste despertar de baixo (isarusa dilesata), [vem] um despertar do alto (isarusa dileila), para despertar a Vontade Suprema, a vontade das vontades (ra’ava dera’avin), e a revelação do nível de Havayá que é a fonte dos Treze Atributos de Misericórdia; pois, por meio dessa revelação da Vontade Suprema, ela “carrega a iniquidade das coisas sagradas”, e [há] transformação (it’hapcha), etc.
Esse despertar de baixo desperta um despertar do alto: a Vontade Suprema, a vontade das vontades, e a revelação de Havayá que é a fonte dos Treze Atributos de Misericórdia. Essa revelação “carrega a iniquidade das coisas sagradas” e a transforma.
וכנודע שי״ג מדה״ר [מדות הרחמים] רחום וחנון2 נושא עון כו׳ נמשכות מבחי׳ רצון העליון. והיינו כשיהיה גילוי רצון זה גם על בחי׳ מצח אהרן (כי זה לעומת זה3 מצח אשה זונה)45
Como é sabido, os Treze Atributos de Misericórdia — “compassivo e gracioso”, “que carrega a iniquidade”, etc. — são atraídos do nível da Vontade Suprema. E isto ocorre quando essa revelação da vontade também se manifesta no nível da testa de Aharon (pois há “um oposto ao outro”: “testa de mulher devassa”),
Os Treze Atributos — “compassivo e gracioso… que carrega a iniquidade” — emanam da Vontade Suprema e são revelados quando a vontade também está presente na testa. Na observação entre parênteses, o Alter Rebe assinala o oposto: assim como há uma testa sagrada, há também “testa de mulher devassa”, insolente e sem vergonha.
משא״כ כשאין הגילוי רצון אלא בחב״ד [בחכמה בינה ודעת] דהיינו בשעת תפלה לבדה בשעת התבוננות ולא כל היום כולו:
o que não ocorre quando a revelação da vontade se dá apenas em Chochmá, Biná e Daat, isto é, somente no momento da oração, durante a contemplação, e não ao longo do dia inteiro.
Isso não ocorre quando a vontade é revelada apenas no intelecto, durante a oração e a contemplação, e não o dia inteiro.
Uma vontade constante na testa, um despertar de baixo, desperta a vontade das vontades e os Treze Atributos de Misericórdia, que carregam e transformam a iniquidade: assim o tzitz expia.
Isso fecha o círculo iniciado no parágrafo 1: o tzitz traz “favor” (ratzon) e “carrega a iniquidade” porque a vontade constante que permanece na testa após a oração desperta a Vontade Suprema, da qual emanam os Treze Atributos de Misericórdia.
Marei mekomot
- 1והי׳ על מצחו תמיד לרצון להם לפני הוי״ה · Exodus 28:38
- 2רחום וחנון · Exodus 34:6
- 3זה לעומת זה · Ecclesiastes 7:14
- 4(כי זה . . מצח אשה זונה) · מוסגר זה נמצא גם בכת״י מאמרי אדה״ז.
- 5מצח אשה זונה · Jeremiah 3:3
Terminou o maamar?
Marque-o como estudado; ele conta para a semana e para o siyum do ano.
Na avodá
Contemplar a grandeza de D'us durante a oração até que ela se transforme em amor, e saber que o que impede o entendimento de chegar ao coração é Amalek, a arrogância do eu, tanto interiormente quanto na busca de honra. Estudar Torá como a sabedoria do próprio D'us, em autoanulação, rompendo assim essa divisória e abrindo-a por meio de pensamentos de teshuvá. Quando a oração termina e seu calor se desvanece, conservar a impressão que ela deixa: uma vontade simples e constante de apegar-se a D'us, para que, durante o dia inteiro, o trabalho permaneça casual e secundário, e a Torá, fixa e primordial.
Perguntas para conversar
- Por que o maamar insiste que a divisória de ferro se interpõe “entre Israel e seu Pai no Céu”, e não na direção oposta? O que isso diz sobre onde recai o trabalho de removê-la?
- Como é possível compreender plenamente a grandeza de D'us e, ainda assim, não sentir nada? Como o maamar explica isso por meio das letras yud-hei e vav-hei e da imagem de “kes Yah”?
- Por que o estudo da Torá, em particular, é a resposta a Amalek, e qual é a diferença entre “a Torá de Moshe” e a pessoa que diz: “Não tenho nada além da Torá”?
- A santidade (Kodesh) está escrita abaixo do Nome na lâmina. O que significa dizer que até mesmo a santidade que desce por meio da Torá e das mitsvot está “abaixo” de Havayá, e o que está acima dela?
- O que permanece na “testa” depois que o amor da oração se desvanece, e como algo tão simples pode expiar e “suportar a iniquidade”?