Likkutei Torah · Parshas Yom Kippur · Maamar 1
לבאר ענין יו״כ
Explicação sobre Yom Kippur
A ideia central
A negligência de um mandamento positivo obscurece apenas o “mundo revelado” (vav-hei), o amor que a pessoa desperta de baixo e que a própria teshuvá reacende; a transgressão de uma proibição bloqueia o “mundo oculto” (yud-hei), o amor concedido de cima, que somente a dimensão interior da vontade de D'us, revelada em Yom Kippur, pode restaurar. Assim, Yom Kippur é “Shabat Shabaton... para vocês”: mais elevado do que a volta face a face de Shabat, e revelado abaixo na fonte das almas de Israel.
O maamar em resumo
O Alter Rebe pergunta por que, segundo o Talmud, somente a teshuvá apaga a negligência de um mandamento positivo, enquanto uma proibição exige Yom Kippur, embora, em geral, os mandamentos positivos sejam mais importantes. Primeiro, ele define teshuvá como voltar face a face: o pecado não afasta a pessoa de D'us, que preenche todas as coisas e dá vida até mesmo ao pecador; faz com que ela Lhe volte as costas. Shabat mostra o que é a “face”: D'us Se retrai da dimensão exterior de Malchut, que cria os mundos, para Seu íntimo, e Israel, enraizado em Seu pensamento, ascende com Ele. Durante a semana, a pessoa “faz” esse Shabat por meio da oração, que eleva as mitsvot como um cipreste vergado que se endireita, enquanto a preocupação com as coisas do mundo arremessa a alma para longe. A alma tem dois fogos de amor: o amor natural concedido de cima e o amor que a pessoa acende ao contemplar como D'us renova a criação a cada instante. Os mandamentos positivos derivam de vav-hei, o mundo revelado e o despertar de baixo; as proibições, de yud-hei, o mundo oculto e o despertar do alto. A teshuvá reacende o primeiro; somente Yom Kippur, quando se desperta a dimensão interior da vontade de D'us, acima de ambos, restaura o segundo.
Esquema
- A pergunta e a teshuvá como volta face a facePor que a negligência de um mandamento positivo é perdoada imediatamente, enquanto uma proibição exige Yom Kippur? O pecado é voltar as costas, não afastar-se; a teshuvá volta a face. Shabat é o retraimento de D'us da dimensão exterior de Malchut para Seu íntimo, e Israel, que “surgiu no pensamento”, ascende com Ele: “como Eu sou, assim são eles”.¶1
- Fazer Shabat durante a semana: a oração e as mitsvot“Quem trabalhou na véspera de Shabat comerá”: a pessoa faz o Shabat na alma por meio da oração, a escada pela qual as mitsvot ascendem. Como um jovem cipreste flexível, que se curva e volta a se erguer, as mitsvot (Ani), vinculadas a medidas físicas, ascendem à sua fonte (Anochi); do lado oposto, a preocupação com as coisas do mundo transforma o sustento em “nosso deus” e arremessa a alma para longe. A oração, em lugar dos sacrifícios, acende um fogo no coração para consumir a alma animal.¶2
- Dois fogos de amor e a bênção “Bendito és Tu”O fogo vindo do céu é o amor natural da alma divina, colocado pelo “Aharon” do alto; o fogo trazido “do comum” é o amor aceso ao contemplar a criação renovada a cada instante. Essa é a volta da face, e a bênção “Bendito és Tu, Rei do mundo” pede que D'us, Rei somente por meio de Sua dimensão exterior, seja trazido à revelação e chamado de “Tu”.¶3
- Yud-hei e vav-hei; por que Yom Kippur é Shabat ShabatonOs mandamentos positivos provêm de vav-hei, o mundo revelado e o despertar de baixo, que a teshuvá restaura imediatamente; as proibições provêm de yud-hei, o mundo oculto e o despertar do alto, que elas bloqueiam. Em Yom Kippur, a dimensão interior da vontade de D'us, acima de ambos, é despertada por meio da confissão, e diante dela “a escuridão é como a luz”. Por isso, Yom Kippur é Shabat Shabaton, além de Shabat, e “para vocês”, revelado na fonte das almas de Israel.¶4
Conceitos-chave
- Voltar face a faceהחזרת פנים בפנים
- O pecado é representado como duas pessoas lado a lado, mas voltadas em direções opostas: D'us nunca está distante, mas a pessoa Lhe voltou as costas. A teshuvá, a contemplação e Shabat voltam a dimensão interior da alma para a dimensão interior de D'us.
- A dimensão exterior de Malchutחיצוניות מלכותו
- Todos os mundos recebem existência somente de um raio da soberania de D'us, Seu Nome “invocado sobre eles”, e não de Sua essência interior. Em relação a D'us, isso representa uma descida; em Shabat, Ele “descansa”, retraindo-Se para Seu íntimo.
- Ani e Anochiאני ואנכי
- Anochi é D'us enquanto oculto, o mundo oculto; Ani é a Torá e as mitsvot revestidas em medidas físicas abaixo. Como um cipreste flexível, curvado e que volta a se erguer, as mitsvot descem até os limites físicos e, por meio da oração, retornam à sua fonte.
- O fogo do alto e o fogo de baixoאש שלמעלה ואש שלמטה
- O fogo do alto é o amor natural (ahavá rabá) da alma divina, concedido de cima; o fogo de baixo é o amor que a pessoa acende por meio da contemplação, o despertar de baixo, também chamado de amor pequeno (ahavá zutá).
- Yud-hei e vav-heiי״ה ו״ה
- Os dois primeiros e os dois últimos pares de letras do Nome Havayá: yud-hei é o mundo oculto, fonte das 365 proibições; vav-hei é o mundo revelado, fonte dos 248 mandamentos positivos.
- A dimensão interior da vontade de D'usפנימיות רצונו
- O nível acima de yud-hei e vav-hei, despertado em Yom Kippur. Diante dele, “a escuridão é como a luz”; por isso, o pecado não ocupa lugar algum, e até mesmo a mancha de uma proibição é expiada.
- Shabat Shabatonשבת שבתון
- O título de Yom Kippur: uma ascensão além da ascensão de Shabat. Diferentemente de Shabat, cuja luz permanece acima (“uma convocação sagrada”), a luz de Yom Kippur é “para vocês”, revelada abaixo na fonte das almas de Israel.
A pergunta e a teshuvá como volta face a face ¶1
1לבאר ענין יו״כ [יום כפור].1 כתוב אחד אומר שבת שבתון הוא לכם23 וכתוב אחד אומר שבת שבתון היא לכם הנה ארז״ל [אמרו רבותינו זכרונם לברכה] עבר על מ״ע [מצות עשה] ושב לא זז משם עד שמוחלין לו עבר על מל״ת [מצות לא תעשה] תשובה תולה ויו״כ [ויום כפור] מכפר.4
Para explicar o assunto de Yom Kippur. Um versículo diz: “Ele (hu) é um Shabat de descanso completo (Shabat Shabaton) para vós”, e outro versículo diz: “Ela (hi) é um Shabat de descanso completo para vós.” Ora, nossos Sábios, de abençoada memória, disseram: “Se alguém transgrediu um mandamento positivo e fez teshuvá, não sai dali antes que lhe seja perdoado; se transgrediu um mandamento proibitivo, a teshuvá suspende [o julgamento], e Yom Kippur expia.”
O maamar se propõe a explicar Yom Kippur. Começa com dois versículos que chamam Yom Kippur de “um Shabat de descanso completo”: um emprega o pronome masculino hu, e o outro, o feminino hi; e cita a regra talmúdica (Yoma 86a): a transgressão de um mandamento positivo é perdoada assim que a pessoa faz teshuvá, mas, no caso da violação de uma proibição, a teshuvá apenas mantém o julgamento suspenso até que Yom Kippur complete a expiação.
ולהבין זה דהא מ״ע [מצות עשה] עדיפא שדוחה את ל״ת [לא תעשה]5 הנה כתיב שובו אלי ואשובה אליכם6 (במלאכי סי׳ ג׳)
Para compreender isso — pois, certamente, um mandamento positivo é superior, já que prevalece sobre uma proibição —, eis que está escrito: “Voltai a Mim, e Eu voltarei a vós” (em Malachi, capítulo 3),
A dificuldade é que, em geral, um mandamento positivo tem maior peso, pois pode prevalecer sobre uma proibição (Kehot remete a Yevamot 3b); por que, então, sua negligência é o pecado mais fácil de apagar? A resposta começa pelas palavras de Malachi, que descrevem a teshuvá como um movimento recíproco: quando voltamos, D'us volta para nós.
e está escrito: “Faze-nos voltar a Ti, Havayá, e voltaremos.” Isso é, por analogia, como voltar a ficar face a face. Pois está escrito: “Porque viraram para Mim as costas, e não o rosto”;
O versículo de Lamentações também fala de ser trazido de volta e de voltar. O Alter Rebe interpreta esse “voltar” como tornar-se novamente voltado para D'us; e a repreensão de Jeremias, segundo a qual Israel voltou para D'us “as costas”, descreve o pecado como virar-lhe as costas, não como afastar-se em distância.
ולא פנים שאפילו בשעת החטא לא שייך לומר עליו ית׳ שריחק ה׳ את האדם בריחוק מקום ממש
pois, mesmo no momento do pecado, não se pode dizer a respeito Dele, bendito seja, que D'us tenha afastado a pessoa por uma distância física real,
Jeremias fala de costas e rosto, não de distância. Mesmo enquanto a pessoa peca, D'us não a remove para algum lugar distante.
שהרי מכה״כ [מלא כל הארץ כבודו] ולית אתר פנוי מיני׳910 והוא הוא הנותן לאדם כח וחיות לחיות11 אפילו בשעת החטא ממש
pois, afinal, “a terra inteira está cheia de Sua glória” e “não há lugar vazio Dele”; e Ele próprio é Quem dá à pessoa poder e força vital para viver, mesmo no exato momento do pecado.
A presença de D'us preenche tudo: “a terra inteira está cheia de Sua glória” (Isaías 6:3, conforme Kehot), e “não há lugar vazio Dele” (Tikkunei Zohar). De fato, a própria vida com a qual o pecador comete o pecado vem de D'us naquele momento.
אלא שהוא עד״מ כמו שני בנ״א [בני אדם] שעומדים זה אצל זה בקירוב מקום רק שזה מחזיר פניו לכאן
Mas é, por analogia, como duas pessoas que estão lado a lado, próximas uma da outra, mas uma delas volta o rosto para este lado
A analogia é a de duas pessoas lado a lado, sem distância física entre elas, mas voltadas em direções opostas.
וזה מחזיר פניו לכאן לפי שאין ביניהם קירוב הלבבות וע״י התשובה חוזר להיות פב״פ [פנים בפנים] [ועמ״ש מזה בד״ה שובה ישראל]
e a outra volta o rosto para aquele lado, pois não há proximidade de coração entre elas. E, por meio da teshuvá, voltam a ficar face a face. [E veja o que está escrito a esse respeito no discurso que começa com “Retorna, ó Israel”.]
O que as separa não é o espaço, mas a falta de proximidade de coração; assim também, o pecado desvia o rosto da pessoa de D'us, e a teshuvá o volta para Ele, restabelecendo a relação face a face. O trecho entre colchetes remete o leitor a um discurso sobre o chamado de Hoshea: “Retorna, ó Israel”, onde esse tema é desenvolvido.
וביאור ענין זה יובן במ״ש ושמרו בני ישראל את השבת12 כי הנה ענין השבת שבו שבת ה׳ כי ששת ימים עשה ה׳ את השמים ואת הארץ כו׳
A explicação desse assunto será compreendida pelo que está escrito: “E os filhos de Israel guardarão o Shabat.” Pois o assunto do Shabat, no qual D'us descansou, [é o seguinte]: “Pois em seis dias Havayá fez os céus e a terra”, etc.;
Para explicar o significado de “face a face”, o maamar se volta ao Shabat, que Israel recebe o mandamento de “guardar”. Primeiro, explica o que é o Shabat para D'us, que “descansou” depois de criar os céus e a terra em seis dias.
דהיינו שהשפיל א״ע [את עצמו] כביכול וצמצם בעשרה מאמרות13 יהי רקיע14 כו׳ בששת ימי המעשה לברוא ולהוות ולהחיות רוח שפלים15 בבחינת חיצוניות מלכותו ית׳ לבד
isto é, Ele Se rebaixou, por assim dizer, e Se contraiu [a Si mesmo] nas dez declarações — “Haja um firmamento”, etc. — durante os seis dias da Criação, para criar, trazer à existência e “dar vida ao espírito dos humildes”, somente por meio do nível da dimensão exterior (chitsoniyut) de Sua soberania (Malchut), bendito seja Ele,
A Criação durante os seis dias envolveu D'us “rebaixando-Se”, por assim dizer, e contraindo Seu poder criador nas dez declarações de Gênesis, como “Haja um firmamento”. O que dá vida aos mundos criados, descritos pela expressão de Isaías “o espírito dos humildes”, é somente a dimensão exterior de Sua soberania (Malchut), e não Seu ser interior.
כדכתיב מלכותך מלכות כל עולמים שהתהוות כל עולמים וחיותם אינו אלא מבחי׳ מלכותו ית׳ ואינו כדמיון הנשמה המחיה את הגוף שמתלבשת בתוכו להחיותו ויש לה התפעלות ממקרי ושנוי הגוף כו׳
conforme está escrito: “Tua realeza é a realeza de todos os mundos”: a existência de todos os mundos e sua força vital (chayut) provêm somente do nível de Sua soberania, bendito seja Ele. Isso não é como a alma que dá vida ao corpo, que se reveste nele para dar-lhe vida e é afetada pelos acontecimentos e pelas mudanças do corpo, etc.;
O versículo chama a realeza de D'us de “a realeza de todos os mundos”: todos os mundos e sua força vital provêm somente de Sua Malchut. Isso é diferente de uma alma, que entra no corpo ao qual dá vida e é afetada por tudo o que acontece com ele.
משא״כ אני הוי׳ לא שניתי16 כתיב שאין בו שום שינוי ח״ו [חס ושלום] מצד רבוי הנבראים וכמאמר אתה הוא עד שלא17 נברא העולם כו׳ לפי שאינו מתלבש בתוך העולמות להחיותם בבחי׳ פנימיות מהותו ועצמותו ית׳
ao passo que está escrito: “Eu, Havayá, não mudei”: não há Nele mudança alguma, D'us não o permita, em consequência da multiplicidade dos seres criados; como diz a declaração: “Tu és o mesmo antes de o mundo ter sido criado”, etc. Pois Ele não Se reveste nos mundos para dar-lhes vida por meio da dimensão interior (pnimiyut) de Seu ser e essência, bendito seja Ele,
D'us, em contraste, declara: “Eu, Havayá, não mudei”: trazer incontáveis criaturas à existência não provoca mudança alguma Nele, como diz a liturgia, que Ele é o mesmo antes e depois da Criação do mundo. Isso ocorre porque Ele não investe Seu ser e essência interiores nos mundos para dar-lhes vida.
אלא רק התפשטות זיו והארה ממנו ית׳ שעלה ברצונו להיות מלך עליהם והוא חיותם וקיומם מה שנקרא שמו עליהם וכמ״ש הודו על ארץ ושמים18 כו׳
mas somente uma extensão de esplendor e iluminação provenientes Dele, bendito seja Ele, pois foi Sua vontade ser Rei sobre eles. E isso constitui sua força vital e sua existência: o fato de Seu Nome ser chamado sobre eles; conforme está escrito: “Seu esplendor está sobre a terra e os céus”, etc.
O que os mundos recebem é somente um esplendor (ziv) que se estende Dele, pois Ele quis ser seu Rei; o fato de Seu Nome ser “chamado sobre eles” é, por si só, sua vida e existência. O versículo diz: “Seu esplendor (hod) está sobre a terra e os céus”: somente um esplendor, que paira sobre eles.
והתפשטות זו נחשבת ירידה והשפלה גדולה לגבי הקב״ה בבחי׳ פנימיותו וביום השבת נתעלה בבחי׳ פנימית א״ס
E essa extensão é considerada uma grande descida e rebaixamento em relação ao Santo, bendito seja Ele, do ponto de vista de Sua dimensão interior. E no dia de Shabat Ele Se eleva à dimensão interior do Infinito (Ein Sof),
Mesmo esse esplendor exterior representa uma grande descida do ponto de vista da dimensão interior de D'us. No Shabat, Ele retorna a elevar-Se, por assim dizer, à dimensão interior do Infinito (Ein Sof).
ב״ה וה״ז [והרי זה] נק׳ בחי׳ שביתה אצלו עד״מ כאדם המדבר שבשעה שהוא מדבר מצמצם שכלו ומורידו בהדבורים וכאשר אינו רוצה לדבר פוסק ושובת
bendito seja Ele; e isso é chamado o nível de “descanso” da parte Dele. A título de analogia, é como uma pessoa que fala: enquanto fala, ela contrai seu intelecto e o faz descer às palavras; quando não quer falar, para e descansa,
Esse recolhimento para o interior é o que se entende por “descanso” de D'us no Shabat. A analogia é a de alguém que fala: enquanto fala, restringe seu intelecto às palavras; quando decide parar de falar, “descansa”.
והרי אז עלה שכלו למקורו אשר שם משכן החכמה19 כן ויותר מכן לאין קץ ותכלית מתעלה ביום השבת למעלה ממדרגת החכמה שנחשבת כעשי׳ [כעשיה] גופני׳ כמ״ש כולם בחכמה עשית20
e então, eis que seu intelecto retornou à sua fonte, onde se encontra a morada da sabedoria. Assim, e infinitamente mais, sem fim nem limite, [D'us] Se eleva no dia de Shabat acima do nível de Chochmá, que é considerada como um ato físico de fazer, conforme está escrito: “Tu fizeste todos eles com sabedoria”;
Quando alguém deixa de falar, seu intelecto retorna à sua fonte na mente. A elevação de D'us no Shabat é infinitamente maior: ela vai ainda acima de Chochmá, que, em relação a Ele, não é mais do que um ato físico de fazer, como diz o versículo: “Tu fizeste todos eles com sabedoria”.
אלא כמאמר אנת חכים ולא בחכמה ידיעא2122 כו׳ ולפי שישראל עלו במחשבה2324 וכמאמר ואתה נפחת25 בי26 ומאן דנפח כו׳ וארז״ל [ואמרו רבותינו זכרונם לברכה] מאין באת2728 כו׳
mas, como diz a declaração: “Tu és sábio, mas não com uma sabedoria cognoscível”, etc. E como Israel surgiu no pensamento [de D'us], conforme diz a declaração: “E Tu a insuflaste em mim”, e “quem sopra”, etc.; e nossos Sábios, de abençoada memória, disseram: “De onde (me'ayin) vieste?”, etc.
A oração de Eliyahu em Tikkunei Zohar diz sobre D'us: “Tu és sábio, mas não com uma sabedoria cognoscível”, pois Ele está além de Chochmá. Israel, por sua vez, “surgiu no pensamento” antes da Criação (Bereshit Rabbah 1:4), e a alma foi “insuflada” na pessoa a partir do ser mais íntimo de D'us; a pergunta da Mishná, “De onde (me'ayin) vieste?”, é entendida aqui como “de Ayin”.
[פי׳ מבחינת אין שהוא מקור החכמה כמ״ש והחכמה מאין תמצא29 וכמ״ש בפ׳ במדבר ועמ״ש ע״פ האזינו השמים]30 שבחי׳ ומדרגת ישראל גבוה מאד נעלה מבחי׳ התפשטות חיצונית מלכותו ית׳
[Isto é: do nível de Ayin (nada), que é a fonte de Chochmá, como está escrito: “E a sabedoria é encontrada a partir de Ayin (me’ayin)”; conforme explicado na Parashá de Bamidbar; e veja também o que está escrito sobre o versículo “Escutai, ó céus”.] — pois o nível e a condição de Israel são muito elevados, acima do nível da extensão exterior de Sua soberania, bendito seja Ele.
Ayin (“nada”) é o nível acima de Chochmá, sua fonte, e as palavras de Jó “a sabedoria é encontrada a partir de Ayin” são interpretadas nesse sentido. Por isso, a raiz de Israel é muito mais elevada do que a extensão exterior de Malchut, que dá existência aos mundos.
ולכן נאמר ושמרו בנ״י [בני ישראל] את השבת31 להתקדש בקדושתו ית׳ להיות שבת לה׳ אלקיך32 כו׳ וכתיב ביני ובין בני33 ישראל אות היא כו׳ כלומר כמוני כמוהם כביכול
Por isso se diz: “E os filhos de Israel guardarão o Shabat”, para serem santificados com Sua santidade, bendito seja Ele, de modo que seja “um Shabat para Havayá, teu D'us”, etc. E está escrito: “Entre Mim e os filhos de Israel é um sinal”, etc.; isto é, por assim dizer, como Eu sou, assim são eles.
Como a raiz de Israel está na dimensão interior de D'us, eles recebem a ordem de guardar o Shabat: serem santificados com Sua própria santidade, para que o dia seja verdadeiramente “um Shabat para Havayá”. O versículo “Entre Mim e os filhos de Israel é um sinal” é interpretado como uma afirmação de semelhança: assim como D'us repousa no Shabat, eles também repousam.
וזהו ששת ימים תעבוד34 כו׳ בבחי׳ חיצוני׳ עשי׳ [עשיה] כדי פרנסתו וביום השביעי שבת לה׳ להיות מתעלה במקורא דכולא להבטל אליו ולדבקה בו ית׳
E este é [o sentido de] “Seis dias trabalharás”, etc.: no nível da ação exterior, para obter o sustento; “e no sétimo dia [haverá] um Shabat para Havayá”: ser elevado à Fonte de tudo, anular-se diante Dele e apegar-se a Ele, bendito seja Ele.
A semana de uma pessoa espelha a de D'us: durante os seis dias, ela trabalha no âmbito da ação exterior para ganhar o sustento, assim como o poder criador de D'us se manifesta exteriormente. No sétimo dia, ela ascende à Fonte de tudo, colocando-se de lado diante de D'us (bitul) e apegando-se a Ele.
(ועמ״ש מענין זה בפ׳ שמות ע״פ כי טובים דויך כו׳ וזהו ענין החזרת פנים בפנים דהיינו גילוי פנימית הנשמה ורעותא דליבא ליבטל אליו ית׳ בבחי׳ פנימיות א״ס ב״ה):3536
(E veja o que está escrito sobre esse assunto na Parashá de Shemot, sobre o versículo “Pois o teu amor é melhor”, etc. E este é o sentido de voltar face a face: isto é, a revelação da dimensão interior da alma e do desejo do coração (re’uta deliba) de anular-se diante Dele, bendito seja Ele, no nível da dimensão interior do Infinito (Ein Sof), bendito seja Ele.)
Após remeter a um maamar sobre “Pois o teu amor é melhor”, na Parashá de Shemot, o parágrafo define “voltar face a face”: a alma revela sua dimensão interior e o desejo do coração de anular-se inteiramente diante de D'us. Essa volta interior alcança a própria dimensão interior de D'us, a dimensão interior do Ein Sof, assim como ocorre no Shabat.
O parágrafo apresenta a pergunta do maamar — por que a negligência de um mandamento positivo é perdoada imediatamente, enquanto uma proibição requer Yom Kippur — e estabelece seu fundamento: a teshuvá é um voltar “face a face” com D'us, explicado por meio do Shabat, quando D'us se retira de Sua atividade criativa exterior e entra em Sua dimensão interior, e Israel, cuja raiz está em Seu pensamento, ascende com Ele.
O parágrafo estabelece um par de conceitos que percorre todo o maamar: as “costas” de D'us são a extensão exterior de Malchut, que sustenta os mundos, e Seu “rosto” é Sua dimensão interior, revelada no Shabat. A pessoa também tem um modo exterior de ação, próprio dos dias da semana, e um ponto interior da alma; “face a face” significa o encontro entre a dimensão interior da alma e D'us. Segundo a nota de Kehot, as primeiras edições trazem “onde se encontra a morada da contemplação (hisbonenus)” em vez de “sabedoria” na analogia do orador.
Marei mekomot
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- 31ושמרו בנ״י את השבת · Exodus 31:17
- 32שבת להוי׳ אלקיך · Exodus 20:10
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Fazer Shabat durante a semana: a oração e as mitsvot ¶2
2ב אך הנה ארז״ל [אמרו רבותינו זכרונם לברכה] מי שטרח בע״ש [בערב שבת] יאכל1 כו׳ לכך כתיב ושמרו בני ישראל את השבת לעשות כו׳
2. Contudo, nossos Sábios, de abençoada memória, disseram: “Quem se esforçou na véspera de Shabat comerá”, etc. Por isso está escrito: “E os filhos de Israel guardarão o Shabat, para fazê-lo”, etc.:
A afirmação talmúdica de que somente “quem se esforçou na véspera de Shabat comerá” no Shabat (Avodah Zarah 3a) ensina que é preciso preparar-se para o Shabat durante a semana. O Alter Rebe entende o mesmo no versículo, que ordena a Israel não apenas guardar o Shabat, mas também “fazê-lo”.
כלומר שישמור מחול לשבת גם לתקן בעצמו ולעשות בנפשו את השבת שיהיה באמת כך והשמירה הזאת לעשות את השבת בנפשו בימות החול הוא על ידי התפלה כי
isto é, que o guarde desde os dias da semana, preparando-se para o Shabat, e também retifique a si mesmo e faça o Shabat em sua alma, para que ele seja realmente assim. E essa guarda — fazer o Shabat na própria alma durante os dias da semana — realiza-se por meio da oração. Pois
“Guardar” é entendido como vigiar e preparar-se durante os dias da semana para o Shabat: a pessoa deve trabalhar sobre si mesma para que a elevação interior do Shabat realmente ocorra em sua própria alma. Essa “criação do Shabat” durante a semana realiza-se por meio da oração.
הנה בתקונים אמרו כי התפלה היא סולם2 מוצב ארצה3 וראשו מגיע השמימה4 ומלאכי אלהים5 עולים ויורדים בו6 מלאכי אלהים הם המצות
nos Tikkunim disseram que a oração é “uma escada apoiada na terra, cujo topo alcança os céus, e os anjos de D'us sobem e descem por ela”. Os “anjos de D'us” são as mitsvot,
O Tikkunei Zohar interpreta a escada de Yaakov, apoiada na terra e cujo topo alcança os céus, como sendo a oração. Os “anjos de D'us” que sobem e descem por ela são aqui identificados com as mitsvot.
שהם מלאכים שלוחי דמלכא וכמ״ש בתנחומא פ׳ ויגש היו מכבדין את המצות שהן שלוחי ושלוחו של אדם7 כמותו89 (ועמ״ש מזה ג״כ בד״ה ויקרא אל משה).
pois são anjos, “mensageiros do Rei” (sheluchei de'malka), conforme está escrito no Tanchuma, Parshas Vayigash: “Honrem as mitsvot, pois são Meus mensageiros, e o agente de uma pessoa é como ela mesma.” (E veja também o que está escrito a esse respeito no discurso que começa com “E Ele chamou Moshe”.)
Em hebraico, malach (anjo) significa mensageiro, e as mitsvot são mensageiras de D'us; no Tanchuma, D'us diz a Israel que as honre por esse motivo, pois “o agente de uma pessoa é como ela mesma” (Mishnah Berakhot 5:5). O parêntese remete ao discurso sobre “E Ele chamou Moshe” para uma explicação adicional.
ובמקורם הם אברים דמלכא1011 והיינו עד״מ כמו שע״י אברי הגוף מתפשט הנשמה לפעול פעולתה כך ע״י המצות נמשך ומתפשט גילוי אלהותו ית׳ ועלייתן למעלה למקורן הוא ע״י התפלה
E em sua fonte elas são “membros do Rei” (evarim de'malka). Isto é, por analogia: assim como a alma se estende por meio dos membros do corpo para realizar sua ação, também por meio das mitsvot a revelação de Sua Divindade, bendito seja Ele, é atraída e se estende. E sua ascensão ao alto, à sua fonte, dá-se por meio da oração.
Em sua fonte, as mitsvot são “membros do Rei”: assim como a alma age por meio dos membros do corpo, a revelação de D'us é atraída e se expressa por meio das mitsvot. As próprias mitsvot retornam à sua fonte por meio da oração.
(ועמ״ש בפ׳ שלח בפי׳ וזכרתם את כל מצות ה׳) ולבאר ענין זה הנה חז״ל [חכמינו זכרונם לברכה] תקנו לומר קודם כל מצוה אק״ב [אשר קדשנו במצותיו] שע״י המצות מתעלים בקדש העליון
(E veja o que está escrito em Parshas Shelach, na explicação de “E vocês se lembrarão de todos os mandamentos de Havayá”.) Para explicar esse assunto: nossos Sábios, de abençoada memória, instituíram que antes de cada mitsvá se diga: “Que nos santificou com Seus mandamentos”, pois por meio das mitsvot [somos] elevados à santidade suprema.
A bênção recitada antes de uma mitsvá, “Que nos santificou com Seus mandamentos”, demonstra que as mitsvot elevam aqueles que as cumprem à santidade suprema. O parêntese remete a um discurso em Parshas Shelach sobre “E vocês se lembrarão de todos os mandamentos de Havayá”.
והענין הוא דהנה כתיב אני כברוש רענן12 כו׳ פי׳ ברוש הוא מין ארז שעדיין לא הזקין
O assunto é o seguinte. Está escrito: “Sou como um cipreste verdejante (berosh)”, etc. A explicação é que um berosh é uma espécie de cedro que ainda não envelheceu,
A frase de Hoshea, “Sou como um cipreste verdejante”, fornece a imagem de como as mitsvot ascendem. O berosh é descrito como um cedro jovem, que ainda não endureceu com a idade.
והוא רך ורענן כשהוא בלחותו שאז יכולים לכופפו למטה ובשביל שהוא גבוה שבאילנות וכשמניחין עליו איזה דבר כשנכפף למטה
e é macio e viçoso enquanto ainda conserva a umidade, de modo que então pode ser curvado para baixo. E, por ser a mais alta das árvores, quando algo é colocado sobre ele enquanto está curvado para baixo,
Por ser jovem e estar cheio de seiva, o berosh pode ser curvado até o chão. E, por ser a árvore mais alta, aquilo que se coloca sobre ele enquanto está curvado será elevado a grande altura.
הנה כשחוזר לאיתנו מגביה את הדבר ההוא למקום גבוה מאד וכך הוא עד״מ בחינת אני כי יש בחי׳ אנכי ובחי׳ אני בחי׳ אנכי מי שאנכי
então, quando retorna à sua plena força, eleva aquela coisa a um lugar muito elevado. Assim também é, por meio de uma analogia, o nível de Ani (“Eu”). Pois há o nível de Anochi (“Eu”) e o nível de Ani. O nível de Anochi é “Quem Eu sou” (mi she'anochi),
Quando a árvore vergada volta à sua posição, lança para muito alto o que está sobre ela. Isso, diz o maamar, é o nível chamado Ani (“Eu”), em contraste com Anochi (“Eu”): Anochi, “Quem Eu sou”, é o próprio ser oculto de D'us.
דהיינו בחי׳ עלמא דאתכסיא ובחי׳ אני הוא בחי׳ תומ״צ [תורה ומצות] בבחי׳ למטה כשמתלבשים בענינים גשמיים ומגבילים הענינים לתת שיעור וקצבה לענייני המצות גשמיים
isto é, o nível do mundo oculto (alma de'iskasya). E o nível de Ani é o nível da Torá e das mitsvot tal como existem embaixo, quando estão revestidas de assuntos físicos e estabelecem limites para esses assuntos, dando medida e limite aos aspectos físicos das mitsvot,
Anochi é o mundo oculto (alma de'iskasya), D'us tal como está oculto. Ani é a Torá e as mitsvot tal como existem embaixo, revestidas de objetos físicos e sujeitas às medidas e aos limites exatos da halachá.
כמו מי רביעית נוטלין לידים1314 כו׳ (ועמ״ש בד״ה כי המצוה הזאת מענין אנכי ואני) והוא כמשל הברוש רענן שנכפף למטה וחוזר למעלה למקורא עילאה דכולא
como em “Uma revi'it de água [é usada] para lavar as mãos”, etc. (E veja o que está escrito no discurso que começa com “Pois este mandamento” a respeito de Anochi e Ani.) E é como a analogia do cipreste viçoso, que se curva para baixo e retorna para cima, à Fonte suprema de tudo.
Um exemplo é a regra de que é necessária uma revi'it (uma medida pequena e fixa) de água para lavar as mãos (Mishná Yadayim 1:1). Como o cipreste, a mitsvá se curva ao ser revestida por medidas físicas e depois volta a se elevar à Fonte suprema de tudo, elevando consigo aquilo que foi colocado sobre ela.
וכן בזה לעו״ז [לעומת זה] נאמר ולא נאמר עוד15 אלהינו למעשה ידינו כי כמו שהמצות מתעלים ע״י העלאות פנימיות לבבות כללות נש״י [נשמות ישראל]
E, de modo correspondente, no lado oposto, está dito: “E não diremos mais ‘nosso deus’ à obra de nossas mãos.” Pois, assim como as mitsvot se elevam por meio da elevação da dimensão interior (pnimiyut) dos corações das almas de Israel em sua expressão geral e coletiva,
O mesmo movimento tem uma imagem correspondente “no lado oposto”, indicada pelas palavras de Hoshea: “não diremos mais ‘nosso deus’ à obra de nossas mãos”. Primeiro, o lado sagrado: as mitsvot se elevam por meio da elevação da dimensão interior dos corações de todo o povo de Israel.
כמאמר עלה במחשבה16 כו׳ ולכן אומרים אלקינו פי׳ שהוא כח חיותנו ושאליו אנחנו משתחוים ומודים בבחי׳ ביטול.
conforme a expressão “subiu ao pensamento”, etc.; por isso dizemos “nosso D'us”, isto é, Ele é a força de nossa vida, e é a Ele que nos curvamos e a quem reconhecemos em estado de autoanulação (bitul).
As almas de Israel “subiram ao pensamento” antes da Criação (Bereshit Rabbah 1:4); por isso, o coração interior delas se eleva, e chamamos D'us de “nosso D'us”: Ele é a fonte de nossa vida, diante de Quem nos curvamos em autoanulação. Assim, o “deus” de uma pessoa é aquilo diante do que ela verdadeiramente inclina a mente e o coração.
והנה ארז״ל [אמרו רבותינו זכרונם לברכה] פרק לפני אידיהן (דף ח׳ סע״א [סוף עמוד א]) ישראל שבחו״ל [שבחוץ לארץ] עובדי כוכבים בטהרה הם כי ההשתחואה לעבודת כוכבים17 הוא שמשתחוה וכופף ראשו לכוכבים ומזלות
Ora, nossos Sábios, de abençoada memória, disseram no capítulo Lifnei Eideihen (fólio 8, final da página a): “Os judeus que estão fora da Terra são adoradores de estrelas em pureza.” Pois a adoração das estrelas consiste em curvar-se e inclinar a cabeça diante das estrelas e constelações (mazalot).
O Talmud diz que os judeus fora da Terra servem à idolatria “em pureza” (Avodah Zarah 8a), isto é, sem o saberem. Para explicar isso, o Alter Rebe define a adoração das estrelas: inclinar a cabeça diante das estrelas e constelações.
והנה כתי׳ [כתיב] וממגד תבואות שמש18 שהתבואות גדלים מן השמש וכן שאר כל עניני עולם הזה אין לך עשב מלמטה19 שאין לו כוכב מלמעלה20
E está escrito: “E com a abundância das colheitas do sol”; as colheitas crescem por causa do sol. O mesmo ocorre com todos os demais aspectos deste mundo: “Não há abaixo uma haste de erva que não tenha acima uma estrela”,
A bênção de Moshe fala das colheitas que provêm do sol, e o Midrash diz que cada haste de erva abaixo tem uma estrela acima (Bereshit Rabbah 10:6). Todas as coisas físicas recebem seu fluxo por meio dos corpos celestes.
שהוא המזל שממנו נשפע הדבר וכשאדם מטריד מחשבתו ולבו רק בעניני עולם הזה כל הימים הוא מוריד שכלו שבראשו21 לדבר הנשפע מכוכבים ומזלות ונעשה גם הם בחי׳ אלהינו למעשה ידינו
que é o mazal de onde a coisa recebe seu fluxo. E, quando uma pessoa ocupa seus pensamentos e seu coração apenas com os assuntos deste mundo todos os seus dias, ela rebaixa o intelecto que tem na cabeça até uma coisa que recebe seu fluxo das estrelas e constelações, e estas também se tornam o nível de “nosso deus” à obra de nossas mãos.
Cada coisa recebe seu fluxo por meio de seu próprio mazal (estrela ou constelação). A pessoa que preenche seus pensamentos e seu coração, todos os seus dias, com preocupações mundanas rebaixa seu intelecto, a “cabeça”, até as coisas que recebem seu fluxo das estrelas; isso constitui uma forma interior de curvar-se diante delas. Assim, elas também se tornam “nosso deus” à obra de nossas mãos.
כי מעשה ידינו שהוא עסק הפרנסה נעשה מזה בחי׳ אלהים אחרים וזהו ואת נפש אויבך יקלענה22 בתוך כף הקלע שאע״פ [שאף על פי] שהדבר שהוא מלובש בו בענינים גשמיים נראה לעין שהוא מן העבירות שאדם דש בעקביו
Pois da “obra de nossas mãos”, que é a ocupação de ganhar o sustento, forma-se o nível de “outros deuses”. E isto [é o significado de] “E a alma de teus inimigos Ele arremessará, como que da cavidade de uma funda”: embora aquilo em que ele está revestido, nos assuntos materiais, pareça aos olhos ser uma das transgressões que a pessoa calca com os calcanhares,
Ganhar o sustento (“a obra de nossas mãos”) pode transformar-se em “outros deuses”. A prece de Abigail para que a alma dos inimigos de David fosse “arremessada” (I Samuel 25:29) descreve o que isso faz à pessoa, embora tal ocupação pareça uma falta menor, uma daquelas que a pessoa “calca com os calcanhares”.
הנה הוא דומה למשל קליעת האבן23 שמקלעין אותו ע״י כף הקלע למקום רחוק מאד עד שנעשה כאלו עובד כוכבים
ainda assim, é comparável à analogia de arremessar uma pedra, lançada com a cavidade de uma funda para um lugar muito distante, até que ele se torna como alguém que adora as estrelas.
Seu efeito é como o de uma pedra lançada por uma funda, que cai muito longe. A alma é arremessada para tão longe de sua fonte que é como se a pessoa adorasse as estrelas.
והנה עליית המצות העיקר הוא ע״י התפלה לפי שאז הוא שעת הכושר ומתגלה ומתעלה בחי׳ פנימית נקודת הלב בכללות נש״י [נשמות ישראל] בתשיקה ודביקה באלהים חיים וזהו מארז״ל [מאמר רבותינו זכרונם לברכה] תפלות במקום קרבנות תקנום24
Ora, a ascensão das mitsvot ocorre principalmente por meio da prece, pois esse é o momento propício, e o nível da dimensão interior do ponto do coração, nas almas de Israel como um todo, é revelado e elevado, em anseio e apego ao D'us vivo. E isto corresponde à declaração de nossos Sábios, de abençoada memória: “Instituíram as preces em lugar das oferendas.”
As mitsvot ascendem principalmente por meio da prece, o momento propício em que o ponto interior do coração de todo Israel é revelado e se eleva em anseio por apegar-se a D'us. Por isso os Sábios dizem que as preces foram instituídas em lugar das oferendas (Berakhot 26b).
כי כמו הקרבן שהיו מקריבין הבהמה שתהא נשרפת באש שע״ג [שעל גבי] המזבח וכך צריך לעורר את האהבה בתפלה ברשפי אש25 שלהבת מתלהבת בלבו כי יסוד האש הוא בלב26 ולשרוף ולכלות את נה״ב [נפש הבהמית] שבו כו׳:272829
Pois, assim como na oferenda se oferecia o animal para que fosse queimado no fogo sobre o altar, assim também é preciso despertar o amor na prece com lampejos de fogo, com uma chama ardente no coração — pois o elemento do fogo está no coração —, e queimar e consumir a alma animal que há nele, etc.
Assim como o animal da oferenda era queimado pelo fogo sobre o altar, na prece é preciso acender o amor a D'us com “lampejos de fogo” no coração, que é a sede do elemento do fogo. Essa chama queima e consome a alma animal que há nele.
O parágrafo mostra como a pessoa “faz” o Shabat dentro de si durante a semana: por meio da oração, que eleva as mitsvot — a revelação de D'us revestida em medidas físicas — de volta à sua Fonte, como um cipreste curvado que se ergue de novo. Também descreve o movimento oposto, no qual a preocupação com os assuntos mundanos transforma o sustento em “outros deuses” e arremessa a alma para muito longe.
Duas imagens de movimento enquadram o parágrafo: o cipreste (berosh), curvado para baixo e que se ergue de novo para elevar aquilo que está sobre ele, e a funda, que arremessa uma pedra para muito longe. A primeira é o caminho sagrado das mitsvot: Ani desce à medida física e retorna a Anochi por meio da oração; a segunda é seu correspondente do lado oposto. A oração como substituta das oferendas conecta este parágrafo ao próximo, que fala do fogo sobre o altar.
Marei mekomot
- 1מי שטרח בע״ש יאכל · Avodah Zarah 3a:10
- 2בתקונים אמרו כי התפלה היא סולם · Zohar I, 266b
- 3התפלה היא סולם מוצב ארצה · Zohar, Addenda, Volume III 13:164–178
- 4
- 5מלאכי אלהים · Tikkunei Zohar 83a:1
- 6סולם מוצב ארצה וראשו מגיע השמימה ומלאכי אלהים עולים ויורדים בו · Genesis 28:12
- 7ושלוחו של אדם כמוהו · ברכות ספ״ה. וש״נ.
- 8היו מכבדין את המצות שהן שלוחי ושלוחו של אדם כמותו · Midrash Tanchuma, Vayigash 6:2
- 9ושלוחו של אדם כמותו · Mishnah Berakhot 5:5
- 10ובמקורם הם אברים דמלכא · Zohar II, 118a
- 11אברים דמלכא · Tikkunei Zohar 75a:4
- 12אני כברוש רענן · Hosea 14:9
- 13מי רביעית נוטלין לידים · ריש ידים (נותנין).
- 14מי רביעית נוטלין לידים · Mishnah Yadayim 1:1
- 15ולא נאמר עוד אלקינו למעשה ידינו · Hosea 14:4
- 16עלה במחשבה · Bereshit Rabbah 1:4
- 17כי ההשתחואה לעבודת כוכבים · ראה לעיל סד, ד. אוה״ת יתרו ע׳ תתקיז ואילך.
- 18וממגד תבואות שמש · Deuteronomy 33:14
- 19אין לך עשב מלמטה · Bereshit Rabbah 10:6
- 20אין לך עשב מלמטה שאין לו כוכב מלמעלה · Zohar, Addenda, Volume I 1:1
- 21וכשאדם מטריד מחשבתו ולבו . . מוריד שכלו שבראשו · מובא באוה״ת דרושים לש״ש ע׳ א׳תפא.
- 22ואת נפש אויבך יקלענה · I Samuel 25:29
- 23למשל קליעת האבן · ראה אוה״ת ויקרא כרך ב ע׳ תפב ואילך.
- 24תפלות במקום קרבנות תקנום · Berakhot 26b:14
- 25ברשפי אש · Song of Songs 8:6
- 26יסוד האש הוא בלב · Tanya, Likkutei Amarim 3:11
- 27
- 28
- 29
Dois fogos de amor e a bênção “Bendito és Tu” ¶3
3ג והנה כתיב ונתנו בני אהרן הכהן אש1 על המזבח וארז״ל [ואמרו רבותינו זכרונם לברכה] אע״פ [אף על פי] שאש יורד מן השמים מצוה להביא מן ההדיוט2 כי גם למעלה יש בחי׳ אהרן שנותן בחי׳ אש בכנס״י [בכנסת ישראל]
3. Ora, está escrito: “E os filhos de Aharon, o Cohen, colocarão fogo sobre o altar”, e nossos Sábios, de abençoada memória, disseram: “Embora desça fogo do céu, é uma mitsvá trazer [fogo] do comum (hedyot).” Pois também acima há o nível de Aharon, que coloca o nível do fogo na Congregação de Israel (Knesset Israel).
A Torá ordena aos sacerdotes que coloquem fogo sobre o altar, e os Sábios (Eruvin 63a) explicam que, embora descesse fogo do céu, também é uma mitsvá trazer fogo comum, feito pelo homem. O Alter Rebe aplica ambos os fogos à alma: também acima há um “Aharon” que coloca fogo na Congregação de Israel.
כי אהרן הוא שושבינא דמטרוניתא345 והוא מז׳ הרועים6 המשפיעים גילוי אלהותו ית׳ במקור נשמות ישראל ובחי׳ אש שלמעלה היא אהבה הטבעית אהבה רבה שבנפש האלהית7 הכלולה בחכמה שבנפשו8
Pois Aharon é “o padrinho da Rainha” (shushvina de'matronisa), e é um dos sete pastores que concedem a revelação de Sua Divindade, bendito seja Ele, à fonte das almas de Israel. E o nível do fogo acima é o amor natural, o grande amor (ahavá rabá) da alma divina, que está incluído na Chochmá de sua alma
No Zohar, Aharon é “o padrinho da Rainha”, aquele que acompanha Malchut, a Congregação de Israel, até o Rei; e é um dos sete pastores que canalizam a Divindade para a fonte das almas. O fogo do alto é o amor natural, ahavá rabá, que toda alma divina possui por sua própria natureza, enraizado na Chochmá da alma.
(עיין בסש״ב [בספר של בינונים] פי״ח י״ט ומ״ש באגה״ק [באגרת הקודש] בד״ה אין ישראל נגאלין אלא בצדקה ועמ״ש בפ׳ עקב9 בד״ה ולהבין שרש טעם קישור וחיבור ושייכות ברית ותורה ועמ״ש בד״ה שחורה אני כו׳ ששזפתני השמש כו׳ ע״ש)
(veja Sefer Shel Beinonim, capítulos 18 e 19; e o que está escrito em Igueret HaKodesh, na passagem que começa “Israel só será redimido por meio da caridade”; e veja o que está escrito na Parashá Ekev, no discurso que começa “Para compreender a raiz da razão do vínculo, conexão e relação entre aliança e Torá”; e veja o que está escrito no discurso que começa “Sou negra”, etc., “pois o sol me bronzeou”, etc.; veja lá),
O parêntese encaminha o leitor ao Tanya (Sefer Shel Beinonim), capítulos 18 e 19, onde se explicam esse amor natural oculto e sua raiz na Chochmá. Também remete a Igueret HaKodesh e a dois discursos em Likkutei Torah.
אשר איננה מתלבשת כלל בלבושי הנפש החיונית והיא מתלהבת ומתלהטת במס״נ [במסירות נפש] על ק״ה ממש וליפרד מן הפתילה הוא הגוף שנאחזת בו כשלהבת העולה מאליה לדבקה
que não se reveste de modo algum nas vestes da alma vital; e ela arde e se inflama com autossacrifício (mesirut nefesh) pela santificação efetiva do Nome de D'us, e para separar-se do pavio — isto é, do corpo — ao qual está ligada, como uma chama que sobe por si mesma, a fim de apegar-se
Esse amor não se reveste de modo algum nas faculdades da alma vital que anima o corpo, e arde com a disposição para o autossacrifício efetivo pela santificação do Nome de D'us. Como a chama de uma vela que se esforça para subir, afastando-se do pavio, ela anseia por deixar o corpo e apegar-se a D'us.
בו ית׳ ומצוה להביא מן ההדיוט אש שלמטה ע״י התבוננות בגדולת ה׳ כל חד לפום שיעורא דיליה1011 ולהלהיב לבו ונפשו לעבודת ה׳ וההתבוננות המוליד אהבה עזה שהיא כרשפי אש הוא כאשר מתבונן בדבר חדש
a Ele, bendito seja Ele. E “é uma mitsvá trazer do comum” o fogo de baixo, por meio da contemplação da grandeza de D'us, cada qual de acordo com sua própria medida, e inflamar seu coração e sua alma para o serviço de D'us. E a contemplação que dá origem a um amor intenso, semelhante a chispas de fogo, é quando se contempla algo novo,
“Trazer fogo do comum” é o fogo que a pessoa acende por si mesma, contemplando a grandeza de D'us, cada qual conforme sua capacidade — na expressão do Zohar —, até que o coração e a alma ardam. A contemplação que produz um amor intenso e ardente é a contemplação de algo novo.
כמו שאנו רואים בחוש שכאשר רואה דבר חידוש מתפעל מאד וכך ארז״ל [אמרו רבותינו זכרונם לברכה] בכל יום1213 יהיו בעיניך כחדשים והוא כאשר יתבונן המשכיל כי באמת חדשים לבקרים14 כו׳
como vemos claramente que, quando alguém vê algo novo, fica profundamente comovido. E assim disseram nossos Sábios, de abençoada memória: “Todos os dias, devem estar aos teus olhos como novos.” E isso ocorre quando a pessoa ponderada contempla que, de fato, “eles se renovam a cada manhã”, etc.,
As pessoas ficam profundamente comovidas pelo que é novo; por isso, os Sábios ensinaram que os mandamentos devem parecer novos aos olhos da pessoa todos os dias (Rashi sobre Deuteronômio 26:16). A pessoa ponderada percebe que a criação é realmente “nova a cada manhã” (Lamentações 3:23).
ומחדש בכל יום תמיד מע״ב [מעשה בראשית] מאין ליש ובהתחשך החשך של לילה ויסתלק ונעשה אור של יום וכך יראה האדם בעצמו שבלילה ישן וחיותו מסתלק ממנו ובקומו נעשה בריה חדשה
e renova todos os dias, continuamente, a obra da Criação, do nada em algo; e, quando a escuridão da noite se torna mais intensa e depois se retira, surge a luz do dia. Assim, a pessoa verá em si mesma: à noite dorme e sua força vital se retira dela; ao se levantar, torna-se uma nova criatura.
D'us renova a criação todos os dias, do nada; a escuridão da noite se retira e surge a luz de um novo dia. A pessoa vê o mesmo em si: durante o sono, sua força vital se retira e, ao despertar, ela é como uma nova criatura.
A partir disso, compreenderá que assim também ocorre com todas as criaturas do mundo e que sua força vital está em “correr e retornar” (ratzo vashov). E quando vir com os olhos e seu coração compreender
Disso se compreende que a força vital de toda criatura está em “correr e retornar” (ratzo vashov, conforme Ezequiel 1:14), sendo constantemente retirada e renovada. A parte termina quando a pessoa começa a ver isso com os olhos e a apreendê-lo com o coração.
que “veja, isto é novo”; então ele inflamará seu coração e dirigirá seu coração e sua alma a Ele, como está escrito: “Seu coração clamou.”
Quando a pessoa percebe que “veja, isto é novo” (Eclesiastes 1:10), seu coração se inflama, e ela volta seu coração e sua alma para D'us. O versículo “seu coração clamou” (Lamentações 2:18) descreve esse clamor do coração.
וזהו ענין החזרת פנים כי כמו שיש עורף ופנים בגוף כן יש בנשמה והוא כמו ענין הנ״ל שגם קודם שישים האדם הדברים האלה אל לבו
E este é o conceito de voltar o rosto. Pois, assim como há costas e rosto no corpo, também há na alma. E é semelhante ao conceito mencionado acima: mesmo antes de a pessoa levar essas coisas ao coração,
Essa contemplação é o “voltar do rosto” mencionado no início: a alma, como o corpo, tem costas e rosto. Mesmo antes de a pessoa refletir, os fatos já são como descritos acima.
הנה באמת כך הוא שמחיה ומהווה19 מאין ליש ומחדש בטובו בכל יום תמיד מע״ב [מעשה בראשית]20 ולא שייך לומר שהוא רחוק מה׳ ח״ו [חס ושלום]
na verdade, é assim: Ele dá vida e faz existir do nada algo, e, em Sua bondade, renova a obra da Criação a cada dia, continuamente; e não se pode dizer que [a pessoa] esteja distante de D'us, que D'us não o permita.
D'us dá vida a todas as coisas, faz com que existam do nada e renova continuamente a Criação; portanto, a pessoa nunca pode estar realmente distante Dele. A nota da Kehot compara com o Pardes Rimonim, que afirma que dar vida e fazer existir são uma única e mesma coisa.
אלא שהוא כמשל אדם ההופך ערפו לחבירו ומחזיר פניו ממנו ואח״כ אם ישים ללבו הדברים הנ״ל הרי הוא
Mas é como na analogia de alguém que vira as costas para seu companheiro e desvia o rosto dele. Depois, se levar ao coração as coisas mencionadas acima, ele será
A pessoa que não reflete é como alguém que virou as costas para um amigo que está ao seu lado. Quando leva essas coisas ao coração, volta-se para encará-lo.
כמו שמחזיר פניו לחבירו ועד״ז תקנו נוסח התפלה ברוך אתה מלך העולם פי׳ כי כל העולמות נמשכו מבחי׳ מלך.
como alguém que volta o rosto para seu companheiro. Seguindo essa mesma ideia, instituíram a fórmula da oração: “Bendito és Tu, Rei do mundo.” Isto significa que todos os mundos foram emanados do nível de Rei,
A fórmula das bênçãos segue a mesma ideia: “Bendito és Tu, Rei do mundo.” A palavra “Rei” indica que todos os mundos emanam do nível de Malchut (soberania) de D'us.
כמ״ש מלכותך מלכות21 כל עולמים והוא בחינת חיצוניות לבד להיות נק׳ עליהם שמו ומלכותו לבד ומבקשים שיהיה ברוך אתהע והיניו כמ״ש ברוך ה׳ אלהי ישראל מהעולם ועד העולם22
como está escrito: “Teu reinado é o reinado de todos os mundos”; e este é apenas o nível da dimensão exterior (chitsoniyut), de modo que somente Seu Nome e Sua soberania são denominados sobre eles. E pedimos que seja “Bendito és Tu”. Isto é, como está escrito: “Bendito é Havayá, o D'us de Israel, desde o mundo até o mundo”
Malchut é somente a dimensão exterior: o Nome e a soberania de D'us são apenas “denominados” sobre os mundos. Ao dizer “Bendito és Tu”, pedimos algo a mais, como no versículo “Bendito é Havayá… desde o mundo até o mundo” (Salmos 41:14), entendido como uma emanação do mundo oculto para o mundo revelado.
(Veja o Zohar, no início de Parshas Terumah, fólio 126b; e em Parshas Emor, fólio 100b, “porque duas luzes”, etc.; e fólio 99a, a respeito de “desde o mundo”);
O parêntese cita três passagens do Zohar: no início de Terumah, sobre os dois mundos unidos como um (“mundo e mundo”); em Emor, que Yom HaKippurim está no plural porque duas luzes brilham como uma; e em Emor, sobre a palavra “desde o mundo” (me'olam).
דהיינו שיתברך ויומשך ממקורא עילאה ראשיתה דכולא מהעלם אל הגילוי אשר יאמר עליו כי הוא זה25 אתה בלשון נוכח דהיינו שישוב אלינו בבחי׳ פנים על ידי שובנו פנינו אליו כנ״ל:262728
isto é, que Ele seja abençoado e emanado da Fonte suprema, o princípio de tudo, do ocultamento à revelação, de modo que se diga a Seu respeito: “Este é Ele” — “Tu”, na forma de tratamento direto; isto é, que Ele volte para nós na condição de rosto, por meio de voltarmos nosso rosto para Ele, como mencionado acima.
O pedido é que D'us seja abençoado, isto é, emanado da Fonte suprema e do ocultamento à revelação, até que se possa apontar e dizer “este é Ele” (Êxodo 22:8) e dirigir-se a Ele como “Tu”. Isso significa que D'us volta Seu rosto para nós, o que ocorre quando voltamos nosso rosto para Ele.
O parágrafo descreve dois fogos de amor na alma: o amor natural que vem do alto e o fogo “comum” que a pessoa acende ao contemplar como D'us renova continuamente a criação. Essa contemplação é o voltar do próprio rosto para D'us, e a bênção “Bendito és Tu” pede a resposta: que D'us, que é Rei do mundo apenas por Sua dimensão exterior, volte Seu rosto para nós e seja tratado como “Tu”.
O fogo do céu e o fogo trazido “do comum” correspondem ao amor natural concedido do alto (ahavá rabá) e ao amor produzido pela contemplação; o parágrafo seguinte usa essa dupla para explicar como os mandamentos positivos e proibitivos diferem quando são transgredidos. As passagens do Zohar sobre os dois mundos e as duas luzes preparam a distinção, no parágrafo seguinte, entre o mundo oculto e o mundo revelado.
Marei mekomot
- 1ונתנו בני אהרן הכהן אש · Leviticus 1:7
- 2מצוה להביא מן ההדיוט · Eruvin 63a:15
- 3אהרן שושבינא דמטרוניתא · Zohar III, 20a
- 4אהרן הוא שושבינא דמטרוניתא · Zohar, Korach 5:22–7:29
- 5אהרן הוא שושבינא דמטרוניתא · Zohar, Chukat 3:16–4:25
- 6והוא מז׳ הרועים · ראה תיקונים שבז״ח קד, א.
- 7אהבה הטבעית אהבה רבה שבנפש האלהית · Tanya, Likkutei Amarim 19:14
- 8בחכמה שבנפשו · Tanya, Likkutei Amarim 18:7
- 9ועמ״ש בפ׳ עקב · לעיל טז, ג.
- 10כל חד לפום שיעורא דילי׳ · Zohar I, 103a
- 11כל חד לפום שיעורא דיליה · Zohar, Vayera 9:153–164
- 12בכל יום יהיו בעיניך כחדשים · Deuteronomy 6:6
- 13בכל יום יהיו בעיניך כחדשים · Rashi on Deuteronomy 26:16
- 14חדשים לבקרים · Lamentations 3:23
- 15וחיותם רצוא ושוב · Ezekiel 1:14
- 16יראה בעיניו ולבבו יבין · Isaiah 6:10
- 17ראה זה חדש הוא · Ecclesiastes 1:10
- 18צעק לבם · Lamentations 2:18
- 19שמחי׳ ומהוה · להעיר מפרדס ש״ו, פ״ח, ר״ח ש׳ הקדושה ספ״ז. של״ה ש׳ האותיות מא׳ ג-ד (מח, ב). ושם אות ס (ע, א).
- 20שמחיה ומהווה מאין ליש ומחדש בטובו בכל יום תמיד מע״ב · Pardes Rimmonim 6:8
- 21
- 22מהעולם ועד העולם · Zohar, Terumah 1:1–2:12
- 23בגין דתרין נהורין · Zohar, Emor 38:202–40:226
- 24גבי מעולם · Zohar, Emor 38:188–192
- 25אשר יאמר עליו כי הוא זה · Exodus 22:8
- 26ומחדש בכי״ת מעשה בראשית · ברכת יוצר.
- 27ומחדש בכי״ת . . מאין ליש · באחד מהכתבי-יד בהם נמצא מאמר זה, רשום כאן על צד הגליון הגהה בכת״י הרה״ח וכו׳ מוהרא״י ריבלין: ”(ע׳ לק״ת ד״ה כי ביום הזה יכפר (א) אות ב׳ ך״ו א׳ וד״ה זה מעשה המנורה מקשה ל״ג א׳)”.
- 28ברוך ה׳ אלקי ישראל · Psalms 41:14
Yud-hei e vav-hei; por que Yom Kippur é Shabat Shabaton ¶4
4. Ora, está escrito: “Este é Meu Nome para sempre”: shmi (“Meu Nome”), junto com yud-hei, soma 365 etc. Pois as mitsvot positivas emanam do nível de vav-hei,
O maamar responde agora à pergunta inicial. Sobre o versículo “Este é Meu Nome para sempre”, o Zohar ensina que shmi (“Meu Nome”, numericamente 350), junto com as letras yud-hei (15), soma 365, o número das proibições; enquanto zichri (“Minha lembrança”, 237), junto com vav-hei (11), soma 248, o número das mitsvot positivas. Assim, as mitsvot positivas emanam do vav-hei do Nome Havayá.
שהוא בחי׳ עלמא דאתגליא ומל״ת [ומצות לא תעשה] נמשכים מבחינת י״ה שהוא בחי׳ עלמא דאתכסיא [וזהו ענין מהעולם ועד העולם ועמ״ש מענין מ״ע [מצות עשה] ומל״ת [ומצות לא תעשה] בביאור ע״פ שימני כחותם]4
que é o nível do mundo revelado (alma de'isgalya); e as mitsvot proibitivas emanam do nível de yud-hei, que é o nível do mundo oculto (alma de'iskasya). [Este é o sentido de “de mundo a mundo”. E veja o que está escrito sobre as mitsvot positivas e proibitivas na explicação do versículo “Põe-me como um selo”.]
Vav-hei, as duas últimas letras do Nome, é o “mundo revelado”; yud-hei, as duas primeiras, é o “mundo oculto”. Portanto, as mitsvot positivas vêm do mundo revelado, e as proibições, do mundo oculto — os dois “mundos” do versículo “de mundo a mundo”, citado anteriormente. O trecho entre colchetes também remete à explicação de “Põe-me como um selo”.
והנה בעברו על א׳ ממ״ע [ממצות עשה] דאורייתא וענפיה דרבנן פוגם בו״ה משא״כ בעבור על ל״ת [לא תעשה] וענפיהן פוגם בי״ה
Ora, quando alguém transgride uma das mitsvot positivas da Torá e seus desdobramentos rabínicos, causa um defeito em vav-hei; ao passo que, quando transgride as proibições e seus desdobramentos, causa um defeito em yud-hei
Segue-se que deixar de cumprir uma mitsvá positiva, seja da Torá ou um de seus desdobramentos rabínicos, causa um defeito em vav-hei. Transgredir uma proibição causa um defeito no yud-hei superior.
(ועיין מ״ש בד״ה ראה אנכי5 בענין בחי׳ י״ה ובחי׳ ו״ה שיש בנפש ועמ״ש מזה ג״כ בד״ה ולא אבה67 הוי׳ אלקיך לשמוע אל בלעם)
(e veja o que está escrito no discurso que começa “Vede, Eu (Anochi)”, sobre o nível de yud-hei e o nível de vav-hei que existem na alma; e veja também o que está escrito a respeito disso no discurso que começa “Mas Havayá, teu D'us, não quis ouvir a Bilaam”).
O trecho entre parênteses remete a dois discursos em Likkutei Torah: “Vede, Eu [ponho diante de vós]”, na Parshat Re'eh, e “Mas Havayá, teu D'us, não quis ouvir a Bilaam”, na Parshat Ki Teitzei, que abordam yud-hei e vav-hei tal como se encontram na alma.
וביאור ענין זה כי לשון פגם הוא נקב שיש בו חסרון וכאשר מבטל מ״ע [מצות עשה] הוא עושה חסרון ומניעה שאינו מאיר עליו אור עלמא דאתגלייא
A explicação desse assunto é que o termo pegam (defeito) [denota] um furo, no qual há uma falta. Quando alguém deixa de cumprir uma mitsvá positiva, cria uma falta e um impedimento, de modo que a luz do mundo revelado não brilha sobre ele,
Pegam (defeito) significa literalmente um furo, um lugar onde algo está faltando. Deixar de cumprir uma mitsvá positiva cria uma lacuna que impede a luz do mundo revelado de brilhar sobre a pessoa.
דהיינו בחי׳ אתערותא דלתתא (והיא הנקרא ג״כ אהבה זוטא כמ״ש בפ׳ עקב8 שם) בחינת אש שלמטה שהוא ע״י התבוננות הנ״ל וכאשר עובר על מל״ת [מצות לא תעשה]
isto é, o nível de um despertar de baixo (que também é chamado de “o pequeno amor” (ahavah zuta), conforme explicado ali na Parshat Eikev), o nível do fogo de baixo, que vem por meio da contemplação mencionada acima. E quando alguém transgride uma mitsvá proibitiva,
Essa luz do mundo revelado é o despertar de baixo, também chamado de “pequeno amor” (ahavah zuta): o “fogo de baixo” que a pessoa acende por meio da contemplação descrita no parágrafo anterior. Transgredir uma proibição afeta algo mais elevado, como explica a parte seguinte.
הנה הוא מונע ומחסר אור העליון שלא יוכל האש שלמעלה שהוא אהבה הטבעית להתחזק בנפשו ולהוסיף אומץ אהבתו בסיוע של מעלה על אהבה דלתתא
ele impede e reduz a luz suprema, de modo que o fogo do alto, que é o amor natural, não possa se fortalecer em sua alma nem aumentar o vigor de seu amor, com a ajuda do alto, além do amor de baixo.
Transgredir uma proibição bloqueia a luz do alto, impedindo que o amor natural, o “fogo do Céu”, se fortaleça na alma. Normalmente, esse amor superior vem como ajuda do alto para reforçar o amor que a pessoa desenvolve de baixo.
Pois está escrito: “O mal não habitará junto a Ti”, e “vossas iniquidades separam” etc.; pois ele já foi arremessado para longe, como, a título de analogia, [com] a cavidade da funda mencionada acima.
“O mal não habitará junto a Ti” (Salmos 5:5) e “vossas iniquidades separam” (Isaías 59:2): o pecado separa a pessoa da luz do alto. Ela foi arremessada para longe, como na imagem da funda no segundo parágrafo.
ולכן לא יכול להמשיך אש האהבה וע״כ אם עבר על מ״ע [מצות עשה] ושב לא זז משם עד שמוחלין לו כי בעשותו תשובה התעוררות התשובה מועיל להלהיב אל נפשו אתעדל״ת [אתערותא דלתתא] שאבד בעונו
Portanto, ele não pode atrair para baixo o fogo do amor. E, por isso, se alguém transgrediu um mandamento positivo e fez teshuvá (retorno), “não se afasta dali antes de ser perdoado”: pois, ao fazer teshuvá, o despertar da teshuvá serve para acender em sua alma o despertar de baixo que ele perdeu por causa de seu pecado.
Tendo sido lançado para longe, ele não pode atrair para baixo o fogo do amor do alto. Isso explica por que a negligência de um mandamento positivo é perdoada de imediato: o próprio despertar da teshuvá reacende o despertar de baixo que o pecado lhe custou.
וזהו לא זז משם פי׳ שנשאר על עמדו ותיקן מה שעוות [וכנזכר לעיל שהתפלה בכל יום נק׳ סולם כו׳ ווב מלאכי אלקים שהם מעשה המצות עולים כו׳
E este é [o sentido de] “não se afasta dali”: isto é, permanece em seu lugar e consertou o que havia entortado. [Como mencionado acima, a oração de cada dia é chamada “uma escada”, etc., e nela “os anjos de D'us” — que são a realização das mitsvot — “sobem”, etc.;
“Não se afasta dali” significa que ele permanece onde estava e repara o dano ali mesmo. O trecho entre colchetes recorda a escada da oração diária, pela qual sobem as mitsvot, os “anjos de D'us”.
ולכן על ידי התפלה בכוונה בבחינת תשובה מתקן מה שעוות בביטול מ״ע [מצות עשה]]11 משא״כ כשעבר על ל״ת [לא תעשה] שפגם ומנע את אור העליון אתערותא דלעילא שאף אם יעורר באתערותא דלתדתא לא תוסיף תת כח12 האהבה עליונה
e, portanto, por meio da oração com intenção (kavaná), na modalidade de teshuvá, ele conserta o que havia entortado ao negligenciar um mandamento positivo.] Não é assim quando alguém transgride uma proibição: pois ele causou uma mácula e reteve a luz suprema, o despertar do alto (it’aruta dile’ela), de modo que, mesmo que desperte [a si mesmo] com um despertar de baixo, isso já não produzirá a força do amor supremo,
Assim, a oração feita com intenção e num espírito de teshuvá repara a negligência de um mandamento positivo. Uma proibição, porém, bloqueou o despertar do alto e, mesmo que a pessoa desperte a si mesma de baixo, o amor supremo já não “produzirá sua força”, nas palavras de Gênesis 4:12.
כי מנע אורה ולזאת תשובה תולה ויום הכפורים מכפר13 כי ביום הזה יכפר עליכם14 לפני ה׳ שמתעורר בחינת פנימיות רצונו ית׳
pois reteve sua luz. E, por isso, “a teshuvá suspende, e Yom Kipur expia”: pois “neste dia Ele expiará por vocês diante de Havayá”, uma vez que é despertado o nível da dimensão interior (pnimiyut) de Sua vontade, bendito seja Ele
Como bloqueou a luz que vem do alto, somente a teshuvá pode suspender o juízo, e Yom Kipur expia. Nesse dia (“neste dia Ele expiará por vocês diante de Havayá”, Levítico 16:30), é despertada a dimensão interior da vontade de D'us.
(que está acima do nível de yud-hei e do nível de vav-hei; e veja o que está escrito sobre isso ao final do discurso que começa “A pessoa é obrigada”, etc., “até que não saiba”, etc.),
A dimensão interior da vontade de D'us está acima tanto de yud-hei quanto de vav-hei, alcançando assim até mesmo a raiz das proibições. O trecho entre parênteses remete ao final do discurso de Purim em Torah Ohr sobre “A pessoa é obrigada [a beber] até que não saiba”.
pois então Ele “suporta a iniquidade e passa por cima da transgressão” e “purifica”, de modo que a iniquidade não ocupa lugar algum. E isso é chamado “como um cedro no Líbano”, etc.
Nesse nível, D'us “suporta a iniquidade e passa por cima da transgressão” (Miqueias 7:18), e o pecado não ocupa lugar algum. Esse nível é chamado “um cedro no Líbano” (Salmos 92:13).
(שהוא מדרגה עליונה יותר מבחי׳ ברוש רענן שע״י מעשה המצות וע׳ בזהר ויקרא) (די״ו ע״א)20 ובפ׳ לך לך (דפ״ב [דפרק ב׳] סע״א [סוף עמוד א])
(que é um nível mais elevado do que o nível de “um cipreste verdejante”, que vem por meio da realização das mitsvot; e veja o Zohar, Vayikra) (fólio 16a), e em Parshas Lech Lecha (fólio 82, final do lado a).
O cedro no Líbano é mais elevado do que o “cipreste verdejante” do segundo parágrafo, que representa a ascensão que vem da realização das mitsvot. O Zohar em Vayikra (3:16a) explica “Líbano” como o Éden supremo, sobre o qual se diz: “nenhum olho viu”; o Zohar em Lech Lecha também interpreta esse versículo.
ועמ״ש בפ׳ אחרי בענין בגדי לבן דכה״ג [דכהן גדול] ביום הכפורים שמלבין עונותיהם של ישראל ולזאת אנו מבקשים סלח לנו מחל לנו דהיינו שהוא
E veja o que está escrito em Parshas Acharei sobre as vestes brancas do Kohen Gadol em Yom Kipur, que tornam brancas as iniquidades de Israel. Por isso, pedimos: “Perdoa-nos, absolve-nos”; isto é, Ele
As vestes brancas usadas pelo Kohen Gadol em Yom Kipur, discutidas em Parshas Acharei, expressam o branqueamento dos pecados de Israel. É por isso que em Yom Kipur pedimos: “Perdoa-nos, absolve-nos”.
כמו עד״מ אדם המבקש מחבירו שלא ירגוז עליו עוד וישים אהבתו אליו דהיינו על ידי שאומרים אשמנו חטאנו ועל חטא כו׳
por meio de uma analogia: como uma pessoa que pede a seu companheiro que não se irrite mais com ela e volte a lhe dedicar seu amor. Isto é, por meio de dizermos: “Fomos culpados”, “Pecamos” e “Pelo pecado” etc.,
O pedido é como o de uma pessoa que pede a um amigo que deixe de se irritar com ela e volte a amá-la. Fazemos esse pedido por meio das confissões: Ashamnu (“Fomos culpados”) e Al Chet (“Pelo pecado”).
ומשפילים א״ע [את עצמו] ומפרסמים החטא ומודים שהוא שיקוץ ותיעוב ועי״ז אתכפיא סט״א [סטרא אחרא] וממילא אסתלק21 יקרא דקוב״ה [דקודשא בריך הוא] לעילא וישוב ירחמנו22 וכששב אהבתו אלינו מפנימיות רצונו ית׳
rebaixando-nos, tornando o pecado conhecido e admitindo que é repugnante e abominável. Com isso, a sitra achra (o outro lado) é subjugada e, por consequência, “a glória do Santo, bendito seja Ele, eleva-se ao alto”, e “Ele voltará a ter compaixão de nós”. E, quando Seu amor retorna a nós a partir da dimensão interior de Sua vontade, bendito seja Ele,
Confessar, humilhar-nos e admitir que o pecado é repugnante subjuga a sitra achra. Quando ela é subjugada, “a glória do Santo, bendito seja Ele, eleva-se ao alto” (Zohar 2:128b). Então, “Ele voltará a ter compaixão de nós” (Micah 7:19), pois Seu amor retorna a nós a partir da dimensão interior de Sua vontade.
אזי אין חטא ועון מבדילים עוד כי אין העונות מבדילים אלא ביניכם לבין אלהיכם דהיינו בבחי׳ אלהים שלכם
então o pecado e a iniquidade já não separam. Pois as iniquidades separam somente “entre vós e vosso D'us”, isto é, no nível de Elokim que é “vosso”;
Então o pecado já não separa, pois Isaías diz que as iniquidades separam somente “entre vós e vosso D'us”, isto é, no nível do Nome Elokim que se relaciona com “vós”. Elokim é D'us conforme Se oculta e age por meio de medida e limitação.
אבל בבחי׳ פנימי׳ [פנימיות / פנימית] רצונו ית׳ הרי לפניו כחשיכה כאורה23 (ועמ״ש סד״ה ולא אבה הנ״ל בענין ויהפוך כו׳ ע״ש)
mas, no nível da dimensão interior de Sua vontade, bendito seja Ele, diante d’Ele “a escuridão é como a luz”. (E veja o que está escrito ao final do discurso que começa “Mas [Havayá, teu D'us] não quis”, mencionado acima, a respeito do assunto “E [Ele] transformou” etc.; veja ali.)
Diante da dimensão interior de Sua vontade, “a escuridão é como a luz” (Psalms 139:12): ali, o pecado não faz diferença. O parêntese remete ao final do discurso sobre Bilam, a respeito de D'us transformar a maldição em bênção.
וזהו שבת שבתון דאפי׳ [דאפילו] לגבי שבת שהוא ענין החזרת פב״פ [פנים בפנים] הוא שבתון דהיינו שיש לו עילוי אחר עילוי ביתר שאת24
E este é [o significado de] “Shabat Shabaton”: pois, mesmo em relação ao Shabat, que consiste em voltar a estar face a face, ele é Shabaton, isto é, possui uma elevação após outra, com excelência ainda maior
É por isso que Yom Kippur é chamado “Shabat Shabaton”: o Shabat consiste no voltar a estar face a face, descrito no primeiro parágrafo, e Yom Kippur alcança um nível ainda mais elevado. É uma ascensão que ultrapassa a do Shabat, “com excelência ainda maior” (Genesis 49:3).
(ועמ״ש מענין זה סד״ה האזינו השמים ובד״ה שובה ישראל עד. ועיין מ״ש הרמ״ז [הרב משה זכות] בפי׳ הזהר פ׳ אמור)
(e veja o que está escrito sobre esse assunto ao final do discurso que começa “Ouvi, ó céus” e no discurso que começa “Retorna, ó Israel, até”. E veja o que o Ramaz (Rabbi Moshe Zacuto) escreveu no comentário sobre o Zohar, Parshas Emor)
O parêntese remete aos discursos sobre “Ouvi, ó céus” e “Retorna, ó Israel”, e ao Ramaz (Rabbi Moshe Zacuto), em seu comentário sobre o Zohar, Parshas Emor.
(דף צ״ג ע״ב) בענין את פניך הויט׳ [הוי׳] אהקש בקשו פני25 תמיד26 והגם שגם שבת נק׳ שבת שבתון27 מפני שיש שבת תתאה ושבת עילאה
(folio 93b), a respeito de “Teu rosto, Havayá, buscarei”, “Buscai sempre Meu rosto”. E, embora também se chame o Shabat de “Shabat Shabaton”, porque há um Shabat inferior e um Shabat superior,
O comentário do Ramaz, sobre Zohar 3:93b, trata de “Teu rosto, Havayá, buscarei” (Psalms 27:8), a busca constante pelo rosto de D'us. O maamar então apresenta uma dificuldade: o Shabat também é chamado “Shabat Shabaton”, pois há um Shabat inferior e um Shabat superior.
(ועמ״ש בפ׳ בהר ע״פ את שבתותי תשמרו ובפ׳ שלח סד״ה מקושש עצים כו׳) אך דשם כתיב מקרא קדש28 כלומר שנשאר בקודש העליון
(e veja o que está escrito em Parshas Behar, sobre o versículo “Guardareis Meus Shabatot”, e em Parshas Shelach, ao final do discurso que começa “O homem que recolhia lenha” etc.), contudo, ali está escrito “uma convocação sagrada” (mikra kodesh), isto é, permanece na santidade superior;
Depois de remeter aos discursos de Parshas Behar e Parshas Shelach, o maamar responde à dificuldade. Sobre o Shabat, o versículo acrescenta “uma convocação sagrada” (Leviticus 23:3), indicando que sua grande luz permanece acima, na santidade superior.
אבל כאן נאמר לכם דהיינו שיורד ומתגלה ההארה הגדולה ההיא למטה במקור נשמות ישראל כו׳:29
mas aqui diz “para vocês”, isto é, que aquela grande iluminação desce e se revela abaixo, na fonte das almas de Israel etc.
Quanto a Yom Kippur, porém, o versículo diz “para vocês”: aquela grande iluminação desce e se revela abaixo, na fonte das almas de Israel. Este é o significado de “um Shabat de repouso completo para vocês”, com o qual o maamar começou.
O parágrafo responde à pergunta inicial: as mitsvot positivas vêm de vav-hei, o mundo revelado e o despertar de baixo, que a própria teshuvá restaura; as proibições vêm de yud-hei, o mundo oculto e o despertar do alto, que somente a dimensão interior da vontade de D'us, revelada em Yom Kipur, pode restaurar. Por isso Yom Kipur é “Shabat Shabaton... para vós”: mais elevado que o Shabat e revelado às almas de Israel aqui embaixo.
O discurso de Torah Ohr sobre Purim citado aqui também associa “maldito seja Haman” à ocultação de yud-hei, as proibições, e “bendito seja Mordechai” a vav-hei, as mitsvot positivas, enquanto uma teshuvá superior (teshuvá ilaá) se eleva acima de ambos. Segundo a nota de Kehot, o Tsemach Tsedek cita este parágrafo em Or HaTorah e acrescenta que somente em Yom Kipur “Shabat Shabaton”, o nível de Atik Yomin, brilha na fonte das almas de Israel; no Shabat, não chega a brilhar ali, pois Malchut então ascende somente até Abá.
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- 21אתכפיא סט״א . . אסתלק · Zohar II, 128b
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- 28מקרא קדש · Leviticus 23:3
- 29
Terminou o maamar?
Marque-o como estudado; ele conta para a semana e para o siyum do ano.
Na avodá
Durante a semana, faça o Shabat em sua alma por meio da oração: contemple como D'us dá vida a tudo e renova a criação a cada instante, até que o coração se inflame e a face se volte para Ele, elevando assim as mitsvot à sua fonte; tenha o cuidado de não preencher a mente e o coração durante todo o dia com a busca do sustento, transformando “a obra de nossas mãos” em “nosso deus”. A negligência de um mandamento positivo é reparada imediatamente pela oração com espírito de teshuvá; para a mancha mais profunda causada pela transgressão de uma proibição, confesse em Yom Kippur, humilhe-se e reconheça que o pecado é repugnante, pedindo a D'us, como se pede a um amigo zangado, que volte a dirigir-lhe Seu amor.
Perguntas para conversar
- Por que o maamar insiste que o pecado faz a pessoa voltar as costas para D'us, em vez de afastá-la Dele, e o que isso implica sobre como funciona a teshuvá?
- Como a analogia do cipreste vergado explica a relação entre as medidas físicas das mitsvot (Ani) e sua fonte (Anochi)?
- O que são o “fogo vindo do céu” e o fogo trazido “do comum” na alma, e por que contemplar algo novo produz um amor mais forte?
- Por que a teshuvá pode restaurar o que se perdeu pela negligência de um mandamento positivo, mas somente suspender a punição por uma proibição, de acordo com a distinção entre vav-hei e yud-hei?
- De que modo Yom Kippur é mais elevado do que Shabat, e o que acrescentam as palavras “para vocês”?