Likkutei Torah · Parshas Shabbos Shuvah · Maamar 3
שובה ישראל עד הויה אלקיך כו׳
“Retorna, ó Israel, a Havayá, teu D’us”
A ideia central
Teshuvá não é apenas arrependimento pelo pecado, mas o retorno de todas as coisas à sua fonte; a partir da profundidade do coração, ela alcança a própria “face” de D’us, a Luz Infinita acima de Chochmá e da Torá, o único lugar de onde o pecado pode ser perdoado. Seu propósito é o temor: deixar de lado o próprio eu diante da realeza de D’us. E “Retorna até (ad)” significa devolver essa realeza à sua fonte, para que repouse permanentemente na alma.
O maamar em resumo
O maamar pergunta por que Hoshea diz “retorna ad Havayá”, em vez de simplesmente “a Havayá”. Primeiro, explica como D’us, que preenche todas as coisas, pode estar “perto” nos Dez Dias de Teshuvá e “retornar” a nós: a proximidade é uma questão de face e costas, e todo nível de divindade, assim como o pensamento, a fala e a ação da alma, tem dimensões exteriores e interiores. Shabat, quando a força vital dos mundos retorna ao pensamento de D’us, mostra o que é teshuvá: o retorno das coisas à sua fonte, razão pela qual até os justos fazem teshuvá. Sua essência é a teshuvá superior, que provém da profundidade do coração, um amor além da razão que busca a “face” de D’us, a Luz Infinita acima de Chochmá. Como o pecado macula a Torá, que é Chochmá, o perdão precisa vir de acima dela, “das profundezas”, evocado “como a água reflete o rosto”. O perdão é concedido em prol do temor, a anulação da existência criada diante da realeza de D’us, atraída por meio das bênçãos sobre as mitsvot e do Shemá. Essa realeza é chamada ad, eternidade; “Retorna, ó Israel, ad” significa devolvê-la à sua fonte, para que repouse permanentemente na alma.
Esquema
- A pergunta: por que “ad”?Por que o versículo diz “retorna ad Havayá”, em vez de “a Havayá”? A palavra shuvá significa tanto retornar a si mesmo quanto fazer outra coisa retornar.¶1
- Face e costasD’us, que preenche todas as coisas, está “perto” ou “distante” como duas pessoas quando se encaram ou se voltam de costas; o pecado atrai da “parte de trás” da santidade, e a teshuvá restaura a “face”. Assim como o pensamento, a fala e a ação da alma, a criação, a formação e a feitura de D’us (Beriá, Yetsirá, Assiá) são emanações com camadas exteriores e interiores, enquanto Ele mesmo não muda.¶2–5
- Shabat e teshuváNo Shabat, D’us “repousa” da fala e da ação, e os mundos vivem de Seu pensamento, à medida que a força vital retorna à sua fonte; por isso, שבת tem as mesmas letras que תשב, “retorna”. Teshuvá é o retorno das coisas à sua fonte, também para os justos, e sua essência é a teshuvá superior do coração interior, um amor além da razão que eleva o pensamento, a fala e a ação à sua raiz, acima do intelecto.¶6–10
- “Buscarei a Tua face, Havayá”A teshuvá superior atrai a “face” de D’us, a Luz Infinita acima de Chochmá, em comparação com a qual Chochmá e a Torá são “costas”. Como o pecado macula a Torá, o perdão vem “das profundezas” acima dela, evocado pela profundidade do coração e pela autoanulação, “como a água reflete o rosto”; então “Havayá me recolherá”.¶11–14
- “Para que sejas temido”O perdão, assim como a própria criação, existe em prol do temor: um mundo criado como um “algo” que deixa de lado a si mesmo diante da realeza de D’us, pois não há rei sem um povo. As bênçãos sobre as mitsvot e os dois versículos do Shemá atraem essa anulação, primeiro a unidade superior e depois a inferior, e os Dez Dias de Teshuvá a atraem para o ano inteiro.¶15–24
- Ad: a realeza eternaAd significa eternidade, que pertence a Malchut, a realeza de D’us no tempo, uma iluminação do Ein Sof sem fim. “Retorna, ó Israel, ad” significa devolver Malchut à sua fonte, para que a realeza de D’us repouse permanentemente na alma, “uma tenda que não será removida”.¶25–28
- “Tomai convosco palavras”O pecado é uma queda; o remédio são os Treze Atributos de Misericórdia, que estão acima de Chochmá e são evocados pela teshuvá que provém da profundidade do coração, que as palavras apenas trazem à luz. D’us, como “Tudo”, perdoa, pois nenhuma mácula alcança o que está acima de Chochmá. A teshuvá supera as oferendas, e nos Dez Dias o próprio D’us, não os anjos, recebe nossas orações, e alcançamos Sua “face”.¶29–34
Conceitos-chave
- Teshuvá superiorתשובה עילאה
- Teshuvá que provém da profundidade do coração, acima da razão: não é apenas arrependimento pelos pecados, mas o retorno da alma e de todas as coisas à sua fonte. É por isso que os justos também fazem teshuvá.
- A profundidade do coraçãoעומקא דליבא
- O ponto mais íntimo do coração, além do entendimento, como o pensamento de quem depende de algo para viver. Dele provêm a teshuvá superior e a prontidão para dar a vida pela unicidade de D’us.
- Face e costasפנים ואחוריים
- As dimensões interior e exterior da divindade: onde a luz de D’us é revelada em abundância há “face”; onde é contraída há “costas”. Em relação à Luz Infinita, até Chochmá e a Torá são “costas”.
- Pensamento, fala e açãoמחשבה דבור ומעשה
- As três emanações da alma e, acima, os mundos de Beriá, Yetsirá e Assiá: “Eu o criei, Eu o formei, Eu também o fiz”. No Shabat, o mundo vive somente do pensamento de D’us.
- “Das profundezas”ממעמקים
- A essência oculta de D’us, acima de Chochmá, fonte do perdão, que é trazida à revelação pela profundidade do coração humano, “como a água reflete o rosto”.
- Anulação do algoביטול היש
- O propósito da criação: um mundo que parece existir por si mesmo, mas deixa de lado a si próprio diante da realeza de D’us. Essa é a substância do temor.
- Unidade superior e inferiorיחודא עילאה ויחודא תתאה
- A unidade superior: tudo é como nada diante de D’us (“Havayá é Um”). A unidade inferior: o mundo existe, mas é anulado diante de Sua realeza (“Bendito seja o Nome da glória de Seu reino”).
- Adעד
- Eternidade: o nome da realeza de D’us, Malchut, tal como se revela no tempo sem fim. “Retornar ad” significa devolvê-la à sua fonte.
A pergunta: por que “ad”? ¶1
“Retorna, ó Israel, até (ad) Havayá, teu D'us”, etc. Para entender: o que [significa] a palavra ad (“até”)? Deveria ter dito: “Retorna a Havayá.” A explicação é a seguinte:
O maamar começa com Hosea 14:2, as primeiras palavras da haftará lida no Shabat Shuvá, o Shabat entre Rosh Hashaná e Yom Kipur. O profeta diz “retorna ad Havayá”, usando ad (“até, tanto quanto”) onde bastaria a forma mais simples le (“a”), e o maamar se propõe a explicar por quê.
הנה לשון שובה יש בו ב׳ פירושים. הא׳ כמשמעו שובה את3 עצמך.4 והב׳ כמו שובה ה׳ את שביתנו שהוא פועל יוצא.5
a palavra shuvá (“retorna”) tem dois sentidos. O primeiro é o que parece: retorna a ti mesmo. O segundo é como em “Retorna (shuvá), ó Havayá, o nosso cativeiro”, em que se trata de um verbo transitivo.
A palavra hebraica shuvá pode ser intransitiva, “retorna a ti mesmo”, ou transitiva, “traz de volta”, como em Psalms 126:4, “Retorna, ó Havayá, o nosso cativeiro”, em que se pede a D'us que traga os cativos de volta. Ambos os sentidos serão usados: a pessoa retorna a D'us e, ao final do maamar, algo é trazido de volta à sua origem.
A pergunta inicial é: por que o versículo diz “retorna até (ad) Havayá”, em vez de “retorna a Havayá”? Antes de responder, o Alter Rebe observa que a palavra shuvá tem dois sentidos: retornar a si mesmo e trazer algo de volta.
A nota de Kehot cita a transcrição deste maamar em Sefer HaMaamarim 5568, que emprega o sentido transitivo, de modo que “Shuvah Yisrael” é dirigido a D'us, pedindo-Lhe que faça Israel retornar. O Tzemach Tzedek, em Or HaTorah, registra que o maamar foi proferido no Shabat Shuvá de 5569 (1808) e que “ad”, aqui, é o nível de Malchut, que deve retornar à sua origem na Luz Infinita — como o maamar conclui.
Marei mekomot
- 1שובה ישראל עד · משבת שובה תקס״ט, בסה״מ תקס״ח ע׳ תכז — הנחת כ״ק אדמו״ר האמצעי (שם רק הענינים שמבוארים בסעיף א). ושם בע׳ תל ביאור על המאמר. רוב הביאור בתוס׳ הגהות נדפס ג״כ באוה״ת ש״ש ע׳ א׳תקכ. שם ע׳ א׳תקיד כתב שדרוש זה משבת שובה תקס״ט, ומבאר שכאן פי׳ ”שובה ישראל עד פי׳ להשיב בחי׳ עד הוא בחי׳ מל׳ למקורה ושרשה הוא אור א״ס ב״ה ממש” ע״ש הגהה על פי׳ עד. עוד הגהות באוה״ת כאן ע׳ א׳תקמ. וראה באוה״ת ויקרא כרך ד ע׳ א׳צה קיצורים לכאן. וראה גם ד״ה שובה ישראל תשל״ו (נדפס בסה״מ מלוקט ח״א ע׳ קסז). וד״ה שובה ישראל תש״מ (סה״מ מלוקט ח״א ע׳ שסה). וראה גם ד״ה מקושש עצים — סה״מ תרל״ג ח״ב ע׳ שלח.
- 2שובה ישראל עד ה״א · Hosea 14:2
- 3שובה ה׳ את שביתנו · Psalms 126:4
- 4שובה את עצמך · ”שהוא פועל עומד”. — סה״מ תקס״ח ע׳ תכז.
- 5שהוא פועל יוצא · (לשון מפעיל) — שפועל ההשבה באחר — ד״ה שובה תשד״מ. ”פועל יוצא שישוב ה׳ לדבר המושב שהן ישראל וגם כאן פי׳ שובה ישראל לא קאי על ישראל אלא לה׳ הוא אומר שישוב לישראל”. — סה״מ תקס״ח ע׳ תכז.
Face e costas ¶2–5
2ולהבין זה צ״ל מ״ש דרשו ה׳ בהמצאו קראוהו בהיותו קרוב שדרשו רז״ל [רבותינו זכרונם לברכה] על1 עשרת ימי תשובה שאז הוא בהמצאו והיותו קרוב וכמ״ש שובו אלי ואשובה אליכם.2
Para compreender isso, é preciso compreender o que está escrito: “Buscai Havayá quando Ele pode ser encontrado; invocai-O quando está próximo”, que nossos Sábios, de abençoada memória, interpretaram como referindo-se aos Dez Dias de Teshuvá, pois então Ele “pode ser encontrado” e “está próximo”; e como está escrito: “Retornai a Mim, e Eu retornarei a vós.”
Isaías 55:6 nos conclama a buscar D'us “quando Ele pode ser encontrado” e “quando está próximo”, e o Talmud (Rosh Hashanah 18a) aplica isso aos dez dias entre Rosh Hashaná e Yom Kipur. Malaquias 3:7 acrescenta que, quando retornamos a D'us, Ele retorna a nós.
ולכאורה לא שייך היותו קרוב ואשובה אליכם לגבי הקב״ה אשר מכה״כ [מלא כל הארץ כבודו] וכתיב את השמים ואת הארץ אני מלא3 ולית אתכר פנוי מיניה4 בשלמא לגבי האדם שייך שפיר לומר שובה אלי בשביל שנתרחק מקרבת אלהים לדבקה בו ית׳ ונמשך אחר ההפך.7
Ora, aparentemente, “estar próximo” e “Eu retornarei a vós” não se aplicam ao Santo, bendito seja Ele, de Quem [se diz]: “a terra inteira está cheia de Sua glória”; e está escrito: “Eu preencho os céus e a terra”, e “não há lugar vazio d’Ele”. É compreensível que, em relação a uma pessoa, seja inteiramente apropriado dizer “retornai a Mim”, pois ela se afastou da proximidade de D'us, de apegar-se a Ele, bendito seja, e foi atraída pelo oposto.
A dificuldade é que D'us preenche toda a existência, como dizem Jeremias 23:24 e Isaías 6:3, e como afirma o Tikkunei Zohar: “não há lugar vazio d’Ele”. É justo dizer a uma pessoa que retorne, pois, pelo pecado, ela se afastou da proximidade de D'us e seguiu o oposto.
אבל הקדוש ברוך הוא אשר מלא כל הארץ כבודו5 לא שייך עליו לומר שנתרחק שמכה״כ [שמלא כל הארץ כבודו] תמיד.
Mas, quanto ao Santo, bendito seja Ele, de cuja glória a terra inteira está cheia, não cabe dizer que Ele Se afastou, pois a terra inteira está sempre cheia de Sua glória.
Em contrapartida, não se pode dizer que D'us tenha Se afastado, pois Sua glória preenche a terra a cada instante. Então, o que pode significar que Ele está “próximo” em determinado momento e “retorna” em outro?
אך הענין שהוא כמשל ב׳ בני אדם שעומדים בקירוב מקום סמוכים זה אצל זה הנה כשהם פונים זה לזה פנים בפנים הרי קרובים ממש אבל אם א׳ הפך פניו מחבירו הרי קרובים נעשו רחוקים.6
A questão, porém, é como na analogia de duas pessoas que estão próximas uma da outra no espaço: quando se voltam uma para a outra, face a face, estão verdadeiramente próximas; mas, se uma vira o rosto para longe da outra, aquelas que estavam próximas tornam-se distantes.
A resposta começa com uma analogia: duas pessoas que estão lado a lado estão próximas quando se voltam uma para a outra; mas, se uma vira o rosto para longe da outra, tornam-se distantes sem que nenhuma delas se mova. Aqui, a proximidade diz respeito à orientação do rosto, não ao lugar.
O parágrafo apresenta a questão por trás de “Eu retornarei a vós”: uma pessoa pode afastar-se de D'us, mas D'us, que preenche tudo, não pode. A resposta começa com a imagem de duas pessoas lado a lado, cuja proximidade ou distância depende de estarem ou não voltadas uma para a outra.
A interpretação talmúdica de “Buscai Havayá quando Ele pode ser encontrado” como referência aos Dez Dias de Teshuvá explica por que este maamar, dito no Shabat Shuvá, se estrutura em torno desse versículo: a proximidade em questão não é espacial — o que nunca muda para D'us —, mas diz respeito à “face”, como os parágrafos seguintes explicam.
Marei mekomot
- 1שדרשו רז״ל על עשי״ת · Rosh Hashanah 18a:11–12
- 2שובו אלי ואשובה אליכם · Malachi 3:7
- 3את השמים ואת הארץ אני מלא · Jeremiah 23:24
- 4ולית אתכר פנוי מיניה · Tikkunei Zohar 91b:6
- 5מלא כל הארץ כבודו · Isaiah 6:3
- 6דרשו ה׳ בהמצאו · Isaiah 55:6
- 7ולית אתר פנו מיני׳ · ת״ז תנ״ז.
3וכך גבי עבודת כוכבים כתיב וסרתם ועבדתם אלהים אחרים1 דהיינו בחינת אחוריים וגם בכל עבירות כן הוא ברוחניות שהעובר על איזה עבירה יונק מבחי׳ אחוריים דקדושה ואינו ממשיך השפע מבחי׳ פנימיות
Assim também, a respeito da idolatria, está escrito: “e vos desviareis e servireis outros deuses (elohim acherim)”, isto é, o nível das costas (achorayim). E assim também ocorre espiritualmente com todas as transgressões: quem comete qualquer transgressão se nutre do nível das costas da santidade e não atrai o fluxo do nível interior (pnimiyut).
Deuteronômio 11:16 descreve a idolatria como “desviar-se”, voltando o rosto para longe de D'us; os deuses são chamados de acherim (“outros”), palavra associada a achorayim, “costas”. Espiritualmente, todo pecado age da mesma maneira: o pecador extrai sua vitalidade das “costas” da santidade, seu fluxo exterior, e não de sua dimensão interior.
אבל ע״י התשובה ואשובה אליכם בבחי׳ פנים להמשיך לו השפע מבחי׳ פנימית ולהבין איך שייך לפניו ית׳ לשון פנים ואחור.
Mas, por meio da teshuvá (retorno), “Eu voltarei para vós” na modalidade do rosto, para atrair a ele o fluxo do nível interior. Agora, para compreender como os termos “rosto” e “costas” podem se aplicar diante Dele, bendito seja:
A teshuvá volta a pessoa para D'us, e então D'us “retorna” a ela face a face, concedendo-lhe vida a partir da dimensão interior. Isso levanta a questão de como “rosto” e “costas” podem se referir a D'us.
והרי כתיב ג״כ וראית את אחורי2 ופני לא יראו שאפילו בקדושה עצמה יש בחי׳ אחוריים3 (ועמ״ש מזה בד״ה זכור את אשר עשה לך עמלק4 כו׳ בפ׳ תצוה).
pois também está escrito: “Verás Minhas costas, mas Meu rosto não será visto”, [o que mostra] que até na própria santidade existe o nível das costas. (E veja o que está escrito sobre isso no discurso que começa com “Lembra-te do que Amalek te fez”, etc., em Parshas Tetzaveh.)
Que a própria santidade possui rosto e costas é demonstrado pelas palavras de D'us a Moshe em Êxodo 33:23: “Verás Minhas costas, mas Meu rosto não será visto.” O texto remete o leitor à discussão desse assunto em Torah Ohr, no discurso sobre “Lembra-te do que Amalek te fez”, publicado com Parshas Tetzaveh.
הנה מבשרי אחזה5 שיש באדם מחשבה דיבור ומעשה שכולן הן התפשטות החיות מהנפש שבמעשה יש כח הפועל בנפעל
“Da minha carne contemplo”: na pessoa há pensamento, fala e ação, todos eles manifestações da força vital da alma; pois, na ação, o poder de quem age está naquilo que é feito.
Jó 19:26, “da minha carne contemplo D'us”, serve de base para aprender sobre os caminhos de D'us a partir do funcionamento da alma humana. A alma da pessoa se expressa por meio de três vestimentas — pensamento, fala e ação — e, mesmo na ação, o poder de quem age está presente naquilo que ele faz.
אך התפשטות החיות שבמעשה הוא בחי׳ חיצוניות מכח החיות שבנפש ובחי׳ הדיבור הוא פנימי יותר והמחשבה יותר פנימית ופנימית לפנימית במחשבה עצמה שיש מחשבה בעלמא שהיא בחי׳ חיצוני׳ לגבי בחי׳ המחשבה שנגעה עד הנפש
Entretanto, a manifestação da força vital na ação é o nível exterior (chitsoniyut) do poder da força vital da alma; a fala é mais interior, e o pensamento é ainda mais interior; e há uma dimensão interior da dimensão interior no próprio pensamento, pois há o mero pensamento, que é a dimensão exterior em relação ao pensamento que tocou a alma,
Essas vestimentas formam uma gradação: a ação é a mais exterior, a fala é mais interior e o pensamento é ainda mais interior. Mesmo no pensamento há camadas: o pensamento ocioso e superficial é exterior em comparação com o pensamento que alcança a própria alma.
כמו החושב בדבר שחייו תלויין בו שהמחשבה ההיא בעומקא דליבא ששם פנימית ותוכיות החיות ותוך תוכו.
como quando alguém pensa em algo de que sua vida depende: esse pensamento está na profundidade do coração (umka deliba), onde se encontram a interioridade e o núcleo da força vital, e o âmago de seu âmago.
O exemplo é pensar em algo de que a própria vida depende: um pensamento assim provém de umka deliba, expressão aramaica que significa “a profundidade do coração”, o núcleo mais íntimo da vida da pessoa. Essa expressão será central mais adiante, como fonte da teshuvá mais elevada.
Afastar-se de D'us é “costas”, enquanto a teshuvá restaura o “rosto”, de modo que o fluxo de D'us provenha de Sua dimensão interior, e não de Suas costas. Para mostrar o que rosto e costas significam na santidade, o Alter Rebbe parte da alma, cujo pensamento, fala e ação são camadas do exterior e do interior, até chegar à profundidade do coração.
A nota da Kehot cita a transcrição de 5568 deste maamar: “outros deuses” (elohim acherim) são assim chamados por causa de achorayim, “costas”, como escrevem os livros dos cabalistas. A mesma transcrição pergunta por que o versículo diz “vos desviareis”, em vez de “ireis e servireis”; este parágrafo responde: a idolatria é, antes de tudo, um voltar do rosto para longe.
Marei mekomot
- 1וסרתם ועבדתם אלהים אחרים · Deuteronomy 11:16
- 2וראית את אחורי · Exodus 33:23
- 3דהיינו בחי׳ אחוריים · וע״כ נק׳ אלקים אחרים לשון אחוריי״ם כמ״ש בספרי המקובלים — סה״מ תקס״ח שם.
- 4בד״ה זכור את אשר עשה לך עמלק · תו״א פד, ד.
- 5מבשרי אחזה · Job 19:26
4והנה כל הבחי׳ הללו הן בהתפשטות החיות מהנפש משא״כ הנפש עצמה שהיא למעלה מהתפשטות החיות אשר ממנה בתוך הגוף אינה מקבלת שום שינוי.
Ora, todos esses níveis estão na expansão da força vital que provém da alma; em contrapartida, a própria alma, que está acima da expansão da força vital que [dela] se estende para dentro do corpo, não sofre absolutamente nenhuma mudança.
Pensamento, fala e ação são todos emanações da força vital da alma para dentro do corpo. A própria alma está acima deles e não se altera pelo fato de pensar, falar ou agir.
וכך עד״מ יש בחי׳ מחשבה דבור ומעשה לפניו ית׳ הגם שנאמר1 כי לא מחשבותי מחשבותיכם2 וגם בבחי׳ הדיבור הרי מדיבור האדם אינו יכול להיות שום התהוות מה שאין כן בדבר ה׳ שמים נעשו3 כי הוא אמר4 ויהי.
Assim também, por meio de uma analogia, há os níveis de pensamento, fala e ação diante d’Ele, bendito seja, embora esteja dito: “Pois Meus pensamentos não são os pensamentos de vocês”; e também quanto à fala: da fala de uma pessoa não pode resultar nenhuma criação, ao passo que “pela palavra de Havayá foram feitos os céus”, “pois Ele falou, e veio a existir”.
Por analogia, também se diz que D'us tem pensamento, fala e ação, embora Isaías 55:8 diga que Seus pensamentos não são como os nossos. Sua fala também é diferente da nossa: as palavras humanas nada criam, enquanto a palavra de D'us fez os céus existirem (Salmos 33:6, 9).
מ״מ דבררה תורה כלשון בני אדם מחשבה5 דבור ומעשה לגבי הקב״ה היינו מ״ש בראתיו יצרתיו אף עשיתיו.6 [עמ״ש מזה בד״ה מי מנה].7
Não obstante, a Torá fala na linguagem das pessoas: pensamento, fala e ação em relação ao Santo, bendito seja Ele, são aquilo que está escrito: “Eu o criei, Eu o formei, também o fiz”. [Veja o que está escrito sobre isso no discurso que começa com “Quem contou”.]
O princípio de que “a Torá fala na linguagem das pessoas” (Berachos 31b) permite que usemos esses termos humanos para D'us. Os três aparecem em Isaías 43:7: “Eu o criei” (pensamento), “Eu o formei” (fala), “também o fiz” (ação); o texto remete ao tratamento mais completo em Likkutei Torah, Balak.
בראתיו בחי׳ מחשבה כי בריאה היא מאין ליש כך המחשבה היא מאין שלא נולדו ונתהוו בחי׳ אותיות קודם המחשבה ואותיות המחשבה הן בבחי׳ העלם.
“Eu o criei” é o nível do pensamento, pois a criação (Beriá) é do nada para algo; assim também, o pensamento é do nada, pois as letras não nasceram nem vieram a existir antes do pensamento, e as letras do pensamento estão em estado de ocultação.
Beriá, “criação”, significa algo a partir do nada, e o pensamento é semelhante: antes do pensamento, não há letras. Mesmo depois que o pensamento tem letras, elas permanecem ocultas dentro da pessoa.
וכך בחינת הבריאה היא להיות עלמין סתימין דלא אתגליין89 (כמו עד״מ אותיות המחשבה שאינן נפרדים. משא״כ אותיות הדבור שיוצא ההבל לחוץ. ועמ״ש בד״ה אז ישיר בפ׳ בשלח).
Assim também, o nível de Beriá é constituir “mundos ocultos que não são revelados” (como, por meio de uma analogia, as letras do pensamento, que não estão separadas, ao passo que, com as letras da fala, o sopro sai para fora. E veja o que está escrito no discurso que começa com “Então [Moshê] cantou”, na Parashat Beshalach).
Por isso, o Mundo de Beriá é chamado de “mundos ocultos que não são revelados”, expressão da oração de Eliyahu na introdução ao Tikkunei Zohar. As letras do pensamento não estão separadas de quem pensa, ao passo que a fala sai com o sopro; o texto remete ao discurso “Az Yashir” em Torah Ohr, Beshalach.
ויצרתיו בחינת עולם הדבור להיות שהדיבור הוא גילוי ההעלם שבמחשבה ונקרא יצרתיו מלשון צורה שמצייר החומר ההיולי שהוא בבחי׳ ההעלם והצורה הוא גילוי להחומר
“Eu o formei” é o nível do mundo da fala, pois a fala é a revelação do que está oculto no pensamento; e é chamada de yetzartiv (“Eu o formei”), da palavra tzurá (“forma”), que molda a matéria primordial (hyle), que está em estado de ocultação, sendo a forma a revelação da matéria.
“Eu o formei” (yetzartiv) é o Mundo de Yetsirá, o nível da fala, que revela o que o pensamento mantém oculto. A palavra deriva de tzurá, “forma”: a forma molda a matéria primordial, chamada pelo nome grego filosófico hyle, que em si mesma não tem forma e está oculta; assim, a forma é sua revelação.
ואף עשיתיו הוא עולם המעשה ונקרא בלשון אף שהתלבשות המחשבה בבחי׳ המעשה אינה כהתלבשותו בבחי׳ הדבור ששם מתלבשת ממש עד שהיו לאחדים.
E “também o fiz” é o mundo da ação; e é chamado pela palavra af (“também”) porque a investidura do pensamento na ação não é como sua investidura na fala, onde ele está verdadeiramente investido, a ponto de se tornarem um.
“Também o fiz” é o Mundo de Assiá, o nível da ação, e a palavra adicional af (“também”) assinala um passo adicional para baixo. O pensamento entra na fala tão plenamente que ambos se tornam um, mas não entra na ação dessa maneira.
משא״כ המעשה הוא דבר נפרד וכל זה בהתפשטות החיות להיות גילוי העולמות שהם מבחי׳ זיו והארה בלבד.
Em contrapartida, a ação é algo separado. Tudo isso se dá na expansão da força vital, para que haja uma revelação dos mundos, que provêm apenas do nível de um esplendor e de uma iluminação.
Um ato permanece separado de quem o realizou. Os três níveis pertencem à força vital que se expande de D'us e traz os mundos à existência revelada; os mundos são apenas um esplendor e um brilho de Sua luz.
משא״כ בא״ס ב״ה עצמו לית מחשבה תפיסא ביה כי אני10 הוי׳ לא שניתי ונמצא שיש כמה בחי׳ אחוריים וחיצוני׳ לגבי פנימית המלובשת בתוכן ופנימית לפנימית עד רום המעלות:11
Ao contrário, do próprio Infinito (Ein Sof), bendito seja Ele, “nenhum pensamento pode apreendê-Lo”, pois “Eu, Havayá, não mudei”. Conclui-se que há muitos níveis de posterioridade e de dimensão exterior em relação à dimensão interior que está revestida neles, e uma dimensão interior dentro da dimensão interior, até as alturas mais elevadas.
A própria essência de D'us, o Infinito, está além de tudo isso: nenhum pensamento pode apreendê-Lo e, como diz Malaquias 3:6, “Eu, Havayá, não mudei”, assim como a alma não se altera por sua emanação. Há, portanto, muitos níveis de posterioridade e de dimensão exterior, cada um com uma dimensão interior dentro de si, e uma dimensão interior dentro da dimensão interior, sem fim.
Assim como o pensamento, a fala e a ação da alma são emanações que deixam a própria alma inalterada, a criação, a formação e a feitura de D'us (os mundos de Beriá, Yetsirá e Assiá) são emanações de Sua luz, enquanto Ele próprio não muda. Isso estabelece uma escala do exterior ao interior, das costas à face, ascendendo sem fim.
A associação dos três verbos de Isaías 43:7 com Beriá, Yetsirá e Assiá é corrente na Cabalá; aqui, eles são relacionados ao pensamento, à fala e à ação a fim de definir “costas” e “face” como graus de revelação. A edição da Kehot registra leituras variantes neste parágrafo: “embora, na verdade, esteja dito” em vez de “embora esteja dito”, e “pessoas, e de fato pensamento” em vez de “pessoas: pensamento”.
Marei mekomot
- 1הגם שנאמר · הגם שבאמת נא׳. [כ].
- 2כי לא מחשבותי מחשבותיכם · Isaiah 55:8
- 3בדבר ה׳ שמים נעשו · Psalms 33:6
- 4כי הוא אמר ויהי · Psalms 33:9
- 5אדם מחשבה · אדם והרי מח׳. [כ].
- 6בראתיו יצרתיו אף עשיתיו · Isaiah 43:7
- 7ועמ״ש מזה בד״ה מי מנה · לעיל פ׳ בלק סז, א.
- 8עלמין סתימין דלא אתגליין · ת״ז בהקדמה (פתח אלי׳).
- 9עלמין סתימין דלא אתגליין · Tikkunei Zohar 17a:11–12
- 10כי אני הוי׳ לא שניתי · Malachi 3:6
- 11דברה תורה כל׳ בנ״א · Berakhot 31b:13–15
(Resumo: uma explicação da dimensão interior e do aspecto posterior; “Eu o criei, Eu o formei, Eu também o fiz”.)
Uma breve linha de resumo impressa ao final da seção: ela explicou a face e o aspecto posterior (o interior e o exterior) na Divindade, usando os três verbos de Isaías 43:7 para pensamento, fala e ação.
O resumo da primeira seção: o significado do interior e do aspecto posterior, e os três níveis: “Eu criei, Eu formei, Eu também fiz”.
Marei mekomot
- 1
Shabat e teshuvá ¶6–10
6ב והנה בשבת כתיב כי ששת ימים עשה1 וגו׳. וביום השביעי שבת. ולכאורה אינו מובן2 שהרי הוא ית׳ מחדש בכל יום מע״ב [מעשה בראשית]
2. Ora, com relação ao Shabat, está escrito: “Pois em seis dias Ele fez”, etc., “e no sétimo dia descansou”. À primeira vista, isso não se compreende, pois Ele, bendito seja, renova a obra da criação todos os dias,
A segunda seção começa com Shemot 31:17: D'us fez o mundo em seis dias e descansou no sétimo. A dificuldade é que D'us nunca deixa de criar: Ele renova a obra da criação todos os dias, como diz a oração da manhã.
וגם בשבת מחדש להיות השפעת והמשכת החיות שאילו היה מסתלק כרגע ח״ו [חס ושלום] היה העולם חוזר לאין ואפס ולכן אומרים גם בשבת המחדש בטובו.3
e também no Shabat Ele a renova, de modo que haja a concessão e a extensão da força vital; pois, se ela fosse retirada por um instante, D'us nos livre, o mundo voltaria ao nada e à nulidade. Por isso, também no Shabat dizemos: “Aquele que, em Sua bondade, renova”.
Se a força vital criadora fosse retirada mesmo por um instante, o mundo deixaria de existir; portanto, ela também precisa continuar no Shabat. Por isso, a oração matinal do Shabat, na bênção de Yotser, também diz que D'us “renova em Sua bondade”. O que significa, então, “Ele descansou”?
אך הענין דכתיב כי ששת ימים עשה דייקא דהיינו מה שנתפשט ונמשך החיות ע״י בחי׳ עשייה אבל בשבת שבת מבחינת התלבשות בבחי׳ עשייה וגם לא נתלבש בבחי׳ הדיבור שהם עשרה מאמרות שבהם4 נברא העולם5
Porém, a explicação é que está escrito especificamente: “Pois em seis dias Ele fez”; isto é, a força vital se expandiu e foi estendida por meio do nível de ação (Assiá). Mas, no Shabat, Ele descansou do nível de estar revestido no nível de ação, e também não esteve revestido no nível da fala, que são as Dez Declarações pelas quais o mundo foi criado.
A resposta está na palavra “fez” do versículo: durante os seis dias, a força vital desceu por meio do nível de ação. No Shabat, D'us descansou de estar revestido na ação e também de estar revestido na fala, as Dez Declarações pelas quais, como afirma a Mishná em Avot, o mundo foi criado.
ולכן כתיב ממצוא חפצך ודבר דבר6 וארז״ל [ואמרו רבותינו זכרונם לברכה] שלא יהא דיבורך של שבת7 כו׳ והיינו כי להיות בצלם אלקים ברא את האדם8 לכך צריך לשבות בשבת מפני
Por isso está escrito: “de buscar os teus interesses e falar palavras”, e nossos Sábios, de abençoada memória, disseram: “que tua fala no Shabat não seja [como a fala dos dias de semana]”, etc. Isto é: como “à imagem de D'us Ele criou o homem”, o homem também precisa descansar no Shabat, pois
Esta é a fonte de uma lei do Shabat: Isaías 58:13 ordena que nos abstenhamos no Shabat de “buscar os teus interesses e falar palavras”, e o Talmud (Shabat 113b) deriva daí que nossa fala no Shabat não deve ser como a fala dos dias de semana. Como o homem foi feito à imagem de D'us (como consta em Bereshit 9:6), seu descanso decorre do descanso de D'us.
כי בו שבת9 הקב״ה והקב״ה שבת מבחינת הדיבור כי ששת ימים עשה היינו ע״י עשרה מאמרות וביום השביעי שבת מהם
nele o Santo, bendito seja Ele, descansou; e o Santo, bendito seja Ele, descansou do nível da fala: “Pois em seis dias Ele fez”, isto é, por meio das Dez Declarações, “e no sétimo dia descansou” delas;
O próprio descanso de D'us foi um descanso da fala: os seis dias de “fazer” foram as Dez Declarações, e no sétimo dia Ele cessou de pronunciá-las. Assim, o homem, feito à Sua imagem, abstém-se no Shabat da fala própria dos dias de semana.
אלא התלבשות אור א״ס ב״ה להוות ולהחיות הברואים ולדש בטובו מאין ליש בשבת בוא בבחי׳ המחשבה לבדה שהוא עולם הבריאה1314
mas o revestimento da Luz Infinita (Or Ein Sof), bendito seja Ele, para trazer as criaturas à existência e lhes dar vida, e para renová-las em Sua bondade, do nada para algo, ocorre no Shabat apenas no nível do pensamento, que é o Mundo de Beriá (Criação).
A criação não cessa no Shabat: a Luz Infinita continua a trazer as criaturas à existência, dar-lhes vida e renová-las do nada. Mas, no Shabat, ela está revestida apenas no “pensamento” de D'us, o nível do Mundo de Beriá, e não na fala ou na ação.
ולכן נמשכה נשמה יתירה בשבת10 דהיינו מעולם הבריאה (עיין בזח״א [בזהר חלק א] פ׳ נח דע״ה ע״ב ע״פ שער החצר הפנימית11 ובמק״מ [ובמקדש מלך] שם בשם הפע״ח [הפרי עץ חיים] ועמ״ש בד״ה והיה מדי חדש בחדשו)
Por isso, uma alma adicional (neshamá yeterá) é estendida no Shabat, isto é, do Mundo de Beriá (veja o Zohar, Parte I, Parashat Noach, 75b, sobre [o versículo] “O portão do pátio interno”, e o Mikdash Melech ali, em nome do Pri Etz Chaim; e veja o que está escrito no discurso que começa “E acontecerá, de lua nova em lua nova”),
Isso explica a “alma adicional” que, segundo o Talmud (Beitsá 16a), a pessoa recebe no Shabat: ela vem de Beriá. O texto remete ao Zohar sobre o “portão do pátio interno” de Ezequiel, que fica fechado durante os seis dias da semana e se abre no Shabat; ao comentário do Mikdash Melech ali, que cita o Pri Etz Chaim; e ao próprio discurso sobre Isaías 66:23.
שהוא עולם הנשמות ומשם נמשך גם כן שפע וחיות העוה״ז הגשמי׳ [הגשמיים / הגשמיות / הגשמית] שבבחינת העשיה. ולכן ארז״ל [אמרו רבותינו זכרונם לברכה] דיבור אסור הרהור מותר12
que é o mundo das almas; e de lá também se estendem o fluxo e a força vital do mundo físico, que está no nível de Assiá. Por isso nossos Sábios, de abençoada memória, disseram: “A fala é proibida; o pensamento é permitido”.
Beriá é o mundo das almas e, no Shabat, até o mundo físico de Assiá recebe de lá sua força vital. Por isso, como diz o Talmud (Shabat 113b), a fala própria dos dias de semana é proibida no Shabat, mas pensar nesses assuntos é permitido: o Shabat é o dia do pensamento.
אבל אין זה בדרך התלבשות אלא בחינת עשיה הוא בבחי׳ ביטול לגבי בחי׳ המחשבה הנ״ל.
Mas isso não ocorre por meio de vestimenta; antes, o nível da ação encontra-se em estado de autoanulação (bitul) em relação ao nível do pensamento mencionado acima.
O mundo físico ainda recebe força vital no Shabat, mas não porque o pensamento de D'us esteja revestido nele, como nos dias de semana. Antes, o nível da ação encontra-se em estado de bitul, anulado diante do nível do pensamento que o sustenta.
O “descanso” de D'us no Shabat não pode significar que a criação cessa; significa que a luz criadora se retira de seus revestimentos de ação e fala e sustenta o mundo somente por meio do pensamento, o nível de Beriá. Isso explica a alma adicional do Shabat e as leis que limitam a fala, mas permitem o pensamento.
O Zohar citado pelo texto (Parte I, 75b) diz que o portão do pátio interno fica fechado nos dias de semana para que o profano não se sirva do sagrado, e se abre no Shabat e em Rosh Chodesh, quando o mundo recebe sustento dele e todos os dias da semana se ligam ao Shabat. As notas da Kehot registram discussões posteriores: Sefer HaMaamarim 5633 explica que o mundo físico, uma vez trazido à existência por meio da fala e da ação, pode ser sustentado no Shabat pelo pensamento; e o Likkutei Sichos do Rebe acrescenta que, no Shabat, a força vital provém da dimensão interior do pensamento.
Marei mekomot
- 1כי ששת ימים עשה ה׳ · Exodus 31:17
- 2ולכאורה אינו מובן · ראה לקמן שה״ש בד״ה שה״ש הא׳. תורת שמואל — תרכ״ז ע׳ רמ.
- 3המחדש בטובו · ברכת יוצר.
- 4עשרה מאמרות שבהם נבה״ע · ראה אבות רפ״ה.
- 5עשרה מאמרות שבהם נברא העולם · Pirkei Avot 5:1
- 6ממצוא חפצך ודבר דבר · Isaiah 58:13
- 7שלא יהא דיבורך של שבת · Shabbat 113b:1
- 8בצלם אלקים ברא את האדם · Genesis 9:6
- 9כי בו שבת · Genesis 2:3
- 10נמשכה נשמה יתירה בשבת · Beitzah 16a:11–12
- 11שער החצר הפנימית · Zohar, Noach 43:361–44:373
- 12דיבור אסור הרהור מותר · Shabbat 113b:1
- 13בשבת הוא בבחי׳ המחשבה · מובא באוה״ת ויקרא כרך ד ע׳ א׳קמ. [ובהוצאת תשנ״ג בכרך ב ע׳ תריב]. באוה״ת במדבר כרך ה ע׳ א׳תרד ובסה״מ תרל״ג ח״ב ע׳ שלט מבאר ”שאע״פ שנתבאר שאם לא הי׳ התלבשות המחשבה בדבור ומעשה לא הי׳ נתהוה גשמיות העשי׳ מ״מ מתקיימים בשבת ע״י המחשבה כיון שכבר נתהוו ע״י הדבור ועשייה בתחלה”. ע״ש. בהמשך תער״ב ח״ב ע׳ א׳עה מציין שמכאן ”נראה שהעולם אינו מקבל בשבת מהדבור כ״א ממחשבה”. וראה גם בד״ה אני לדודי תרכ״ט ע׳ שכח.
- 14בשבת הוא בבחי׳ המחשבה לבדה · ומה שצריך להתירוץ שבשבת מקבלים העולמות חיות מבחי׳ המחשבה — הוא בכדי לבאר, שבשבת ישנה גם ההשפעה בפנימיות העולמות, הנמשכת מבחי׳ המחשבה — ועל זה מתרץ, שהחיות בשבת הוא מבחי׳ פנימיות המחשבה. — לקו״ש ח״ט ע׳ 221. ראה המשך בששה״ק תער״ב ח״ב ע׳ א׳עה.
Por esta razão, há versões da bênção de Yotzer no Shabat nas quais não se diz “Quão numerosas são as Tuas obras”, etc., pois no Shabat não há revestimento no nível de Assiá.
Durante a semana, a bênção de Yotzer que precede o Shemá da manhã inclui “Quão numerosas são as Tuas obras, Havayá” (Psalms 104:24), e alguns ritos de oração omitem essa frase no Shabat. O raciocínio deles decorre do que foi dito pouco antes: no Shabat, D'us não Se reveste na ação; portanto, pareceria incorreto falar de Suas “obras”.
אבל באמת הנוסחא העיקרית2 לומר גם בשבת מה רבו מעישך כי גם בחי׳ מחשבה הוא בחי׳ עשיה לגבי קוב״ה [קודשא בריך הוא] ואפילו בחינת חכמה
Mas, na verdade, a versão principal é dizer também no Shabat “Quão numerosas são as Tuas obras”, pois o nível do pensamento também é o nível da ação em relação ao Santo, bendito seja Ele, e até mesmo o nível de Chochmá (sabedoria),
O Alter Rebe determina que a versão principal também a diz no Shabat. Em relação ao próprio D'us, até mesmo Seu “pensamento” e até mesmo Chochmá, a mais elevada das Sefirot, contam como “ação”, algo que Ele fez.
conforme está escrito: “Tu fizeste todas elas com sabedoria.” Contudo, “Tu és sábio”: isto é, Ele Se reveste no nível de “sábio”; e mesmo isso não é “com uma sabedoria conhecida”, etc.
A prova vem do mesmo versículo: “Tu fizeste todas elas com sabedoria”; portanto, também a sabedoria está entre as coisas feitas. D'us é chamado “sábio”, como na oração de Eliyahu em Tikkunei Zohar, apenas porque Se reveste em sabedoria; e mesmo então, “não com uma sabedoria conhecida”.
Uma consequência prática: como no Shabat D'us não Se reveste na ação, alguns ritos omitem “Quão numerosas são as Tuas obras” das orações do Shabat. O Alter Rebe determina que a frase seja dita, pois, diante de D'us, até mesmo o pensamento e a sabedoria são Suas “obras”.
As notas de Kehot registram que o Rebe Maharash cita essa determinação em Sefer HaMaamarim 5629, onde ela é chamada de “a versão verdadeira”.
Marei mekomot
- 1ולזה יש נוסחאות בברכת יוצר · מובא בסה״מ תרכ״ט הנ״ל.
- 2הנוסחא העיקרית · בסה״מ תרכ״ט שם: הנוסחא האמיתית.
- 3כולם בחכמה עשית · Psalms 104:24
- 4אנת הוא חכים · Tikkunei Zohar 17b:3–4
8והנה לשון שביתה שנאמר אצל הקב״ה כי בו שבת הוא עד״מ כאדם השובת ונח ממלאכתו אשר עשה שבשעת מעשה היה שכלו ומחשבתו מלובשים במעשה ההיא ואח״כ כששובת חזרו שכלו ומחשבתו למקורן.
Ora, o termo “repousar” que é dito a respeito do Santo, bendito seja Ele — “pois nele repousou” — é, por analogia, como uma pessoa que repousa e cessa o trabalho que realizou: enquanto o executava, seu intelecto e pensamento estavam investidos nesse trabalho; depois, quando repousa, seu intelecto e pensamento retornam à sua fonte.
Para explicar o que significa “repousar” em relação a D'us, o Alter Rebe usa a imagem de uma pessoa que interrompe o trabalho. Enquanto trabalha, sua mente e seu pensamento estão absorvidos na tarefa; quando para, retornam à sua fonte dentro dela.
וגם המעשה ההיא כלולה בהם שבשכלו ומחשבתו יש ג״כ בחי׳ המעשה דהיינו בחי׳ מעשה שבשכל
E esse trabalho também está incluído neles, pois em seu intelecto e pensamento há igualmente o nível da ação, isto é, o nível da ação que está no intelecto:
O trabalho concluído não é simplesmente deixado para trás: permanece incluído em sua mente como “ação no intelecto”, ou seja, como compreensão do que realizou.
שהוא מתבונן בשכלו על המעשה שעשה והרי עולה החיות המתפשט ושכלו ומחשבתו שנתלבש במעשה וחוזר להתכלל במקורו הוא השכל והמחשבה.
ele contempla em seu intelecto o trabalho que realizou; assim, a força vital que se difundiu, seu intelecto e pensamento que estavam investidos no trabalho, ascendem e retornam para serem incluídos em sua fonte, que é o intelecto e o pensamento.
Quando reflete sobre o que fez, a força vital que se estendeu para a ação retorna, ascendendo e sendo absorvida em sua fonte: seu intelecto e pensamento.
וכך עד״ז בשבת עולה החיות שנמשך בששת ימי המעשה בע״מ [בעשרה מאמרות] שנברא העולם לבחי׳ המחשבה (דהיינו שעלמין דאתגליין מקבלים החיות ממקום שמקבלים עלמין סתימין ונקרא חצר הפנימית הפונה קדים1 ועלמין סתימין מתעלים יותר כו׳)2
Da mesma maneira, em Shabat, a força vital que foi estendida durante os seis dias de trabalho, por meio das Dez Expressões pelas quais o mundo foi criado, ascende ao nível do pensamento (isto é, os mundos revelados recebem força vital do lugar de onde os mundos ocultos a recebem, e este é chamado “o pátio interior voltado para o oriente”; e os mundos ocultos ascendem ainda mais alto, etc.).
Assim também em Shabat: a força vital que fluiu para o mundo durante os seis dias da semana, por meio das Dez Expressões, retorna ao nível do pensamento. Então os mundos revelados recebem do mesmo lugar que os mundos ocultos, que Yechezkel 46:1 chama de “o pátio interior voltado para o oriente”, e os mundos ocultos ascendem ainda mais.
Por isso, שבת (Shabat) contém as letras de תשב (tashev, “retorna”), pois o conceito de Shabat e o conceito de teshuvá são um só: o retorno das coisas à sua fonte e raiz. Pois
As letras de Shabat (שבת) podem ser rearranjadas para formar tashev (תשב), “retorna”: Shabat é o retorno de todas as coisas à sua fonte, exatamente o que significa teshuvá. A nota da Kehot remete ao Midrash em que Adam, ao saber do poder da teshuvá, entoou o salmo do dia de Shabat.
הנה תשובה אינה מעבירות שבידו דוקא אלא תשובה היא להשיב נפשו5 שירדה מטה מטה ונתלבשה בדברים גשמיים אל מקורה ושרשה לדבקה בו ית׳ לבטל רצונו מפני רצון עליון
teshuvá não se refere necessariamente às transgressões que tem em seu poder; antes, teshuvá é devolver sua alma, que desceu cada vez mais baixo e foi investida em coisas físicas, à sua fonte e raiz, para apegar-se a Ele, bendito seja, anulando sua vontade diante da Vontade Suprema.
Em sua essência, teshuvá não é apenas o arrependimento pelos pecados. É o retorno da alma, que desceu a um corpo e às coisas físicas, à sua fonte, para apegar-se a D'us e deixar de lado a própria vontade diante da Sua.
ולכן ניתקנו עשרת ימי תשובה ויוהכ״פ [ויום הכפורים] גם לצדיקים גמורים6 כי זה כל האדם7 ועיקר התשובה הוא
Por isso, os Dez Dias de Teshuvá e Yom Kipur foram instituídos também para os completamente justos, pois “este é o todo do homem”. E a essência da teshuvá é
É por isso que os Dez Dias de Teshuvá e Yom Kipur foram instituídos até mesmo para os completamente justos, que não têm pecados dos quais se arrepender. Retornar à própria fonte é, nas palavras de Kohelet 12:13, “o todo do homem”.
כמו שכתוב לך אמר לבי בקשו פני8 כו׳ פי׳ פנימית הלב9 שהלב אומר בקשו פני (ועמ״ש בד״ה כי תשמע בקול10 בענין חצר הפנימית ומפתחות הפנימיות)
como está escrito: “A Ti disse meu coração: ‘Buscai Minha face’”, etc. O significado é a dimensão interior (pnimiyut) do coração: o coração diz: “Buscai Minha face”. (E veja o que está escrito no discurso que começa com “Pois ouvirás a voz”, a respeito do pátio interior e das chaves interiores.)
O coração da teshuvá é o versículo de Tehilim 27:8: “A Ti disse meu coração: ‘Buscai Minha face’”. “Face” é interpretada como a dimensão interior do coração, como também explica o Tanya (Igueret HaKodesh 4); o texto remete ao discurso sobre “Pois ouvirás a voz” (Likkutei Torah, Re'eh), a respeito do pátio interior e das chaves interiores.
והוא בחי׳ תשובה עילאה11 מעומקא דליבא כאדם המעמיק במוחו ולבו ומחשבתו בדבר שחייו תלויין בו ונוגע עד הנפש ממש.12
Este é o nível da teshuvá superior (teshuvá ilaá), que brota da profundidade do coração, como uma pessoa que aprofunda sua mente, seu coração e seu pensamento em um assunto do qual depende sua vida e que toca a própria alma.
Esta é a “teshuvá superior” (teshuvá ilaá), que vem da profundidade do coração (umka deliba), como o pensamento de alguém cuja vida depende de um assunto, descrito no parágrafo 3. Ela toca a própria alma, e não apenas a mente.
כך ישים אל לבו אהבת ה׳ מקרב איש ולב עמוק13 כמ״ש מי לי בשמים14 ועמך לא חפצתי בארץ כלה שארי ולבבי15 וגו׳.
Assim, a pessoa deve pôr no coração o amor a D'us, “do íntimo do homem e de um coração profundo”, como está escrito: “Quem tenho eu nos céus? E contigo, nada desejo na terra. Minha carne e meu coração se consomem”, etc.
A pessoa deve trazer seu amor a D'us a essa profundidade, “o íntimo do homem e um coração profundo” (Salmos 64:7). Sua expressão está em Salmos 73:25–26: não desejar nada nos céus nem na terra além de D'us, até que “minha carne e meu coração se consomem” de anseio.
O “repouso” de D'us é o retorno da força vital dos mundos à sua fonte no pensamento, assim como a mente da pessoa retorna a si mesma depois do trabalho; por isso, Shabat e teshuvá compartilham suas letras e seu significado. Teshuvá é o retorno da alma à sua fonte, e sua essência é a teshuvá superior do coração interior, que busca a “face” de D'us.
Tanya (Igueret HaTeshuvá, fim do cap. 10), citado na nota da Kehot, chama Shabat de nível de teshuvá superior, pois em Shabat os mundos ascendem à sua fonte. As notas da Kehot também remetem o leitor a Likkutei Torah, Achrei, onde teshuvá é definida como o retorno da alma divina à fonte da qual foi talhada, como era antes de descer ao corpo.
Marei mekomot
- 1חצר הפנימית הפונה קדים · Ezekiel 46:1
- 2ועלמין סתימין מתעלים יותר כו׳ · ראה לקו״ש חי״א ע׳ 88.
- 3שבת אותיות תשב · ראה ב״ר ספכ״ב (ביפ״ת שם). ע׳ סש״ב באגה״ת (סופ״י). [כ].
- 4שענין שבת וענין תשובה · Bereshit Rabbah 22:13
- 5אלא תשובה היא להשיב נפשו · ראה גם לעיל פ׳ אחרי כה, ג. פ׳ ראה כד, ד.
- 6גם לצדיקים גמורים · ראה לעיל בלק עד, א שהתשובה [היא בחי׳ תשובה עילאה] אין ר״ל עבירות ח״ו. ראה גם תו״א עה, א. וראה המובא בלקו״ש חי״ט ע׳ 401 הערה 13.
- 7כי זה כל האדם · Ecclesiastes 12:13
- 8לך אמר לבי בקשו פני · Psalms 27:8
- 9פי׳ פנימית הלב · ראה אגה״ק סי׳ ד.
- 10בד״ה כי תשמע בקול · לעיל פ׳ ראה כג, ב.
- 11בחי׳ תשובה עילאה · ראה לעיל תצא לו, ג. סה״מ תרס״ד ע׳ שנד ואילך.
- 12והוא בחי׳ תשובה . . עד הנפש ממש · ראה אוה״ת כי תצא ע׳ תתקכח.
- 13מקרב איש ולב עמוק · Psalms 64:7
- 14מי לי בשמים · Psalms 73:25
- 15כלה שארי ולבבי · Psalms 73:26
9והיינו אהבה רבה לי טעם ודעת כי אהבה הנלקחה מטעם ודעת המושג ומובן בהתבוננות שכלו ורוח בינתו אין בה עומק כ״כ [כל כך] להיות כלה שארי ולבבי כ׳ [כתב]
Isto é, “grande amor” (ahavá rabá) sem razão e conhecimento. Pois o amor derivado da razão e do conhecimento, apreendido e compreendido por meio da contemplação do próprio intelecto e da força de entendimento, não tem profundidade suficiente para que se diga: “Minha carne e meu coração se consomem”, etc.;
Esse amor profundo é ahavá rabá, “grande amor”, que está além da razão. O amor produzido pela contemplação é real, mas está limitado pelo entendimento que o produziu e não pode alcançar o ponto de “minha carne e meu coração se consomem”.
רק היא אהבה רבה שלמעלה מטעם ודעת שאינו רוצה ליפרד מיחודו ית׳ כי חלק הוי׳ ממש עמו1 וע״כ יש בכח ל ישראל למסור נפשו2 באחד3
somente o grande amor que está acima da razão e do conhecimento, no qual a pessoa não quer separar-se da unidade d’Ele, bendito seja, pois “uma porção de Havayá”, verdadeiramente, está “com ele”. Por isso, está ao alcance de todo judeu entregar a alma ao declarar [que D'us é] Um.
O grande amor é a recusa da alma em separar-se da unidade de D'us, pois ela é verdadeiramente “uma porção de Havayá” (Deuteronômio 32:9). Por essa razão, todo judeu pode entregar a vida pela unidade de D'us, como na palavra “Um” do Shemá.
והיא היא בחי׳ תשובה וחזרת הדברים למקורן כי כמו שיש מחשבה דבור ומעשה בפו״מ [בפועל ממש] כך יש כל בחי׳ הללו בשכל
E isso mesmo é o nível de teshuvá e o retorno das coisas à sua fonte. Pois, assim como há pensamento, fala e ação na prática concreta, também todos esses níveis existem no intelecto
Esse amor é, por si mesmo, teshuvá: o retorno das coisas à sua fonte. Para demonstrá-lo, o Alter Rebe observa que pensamento, fala e ação existem não apenas na prática concreta, mas também no intelecto.
(שבחי׳ מעשה שבשכל זהו כענין בחי׳ שכל המעשיי׳ [המעשיי] הנזכר בשמונה פרקים להרמב״ם [להרבי משה בן מימון]4 דהיינו השכל שבעשייה איך לעשות מלאכת מחשבת כו׳ שזהו בחי׳ האחרונה שבשכל ונקרא עשייה שבשכל כו׳ וכמ״ש במ״א.
(o nível de ação no intelecto é semelhante ao nível do “intelecto prático” mencionado nos Oito Capítulos do Rambam, isto é, o intelecto presente na execução: como realizar um trabalho especializado (melechet machshevet), etc.; esse é o último nível do intelecto e é chamado ação no intelecto, etc., como explicado em outro lugar.)
Entre parênteses, ele identifica a “ação no intelecto” com aquilo que o Rambam, no primeiro de seus Oito Capítulos, chama de intelecto prático: o conhecimento necessário para realizar trabalhos especializados. É o nível mais baixo do intelecto.
והנה הנמשל מזה למעלה כי הנה מחודומ״ע [מחשבה דבור ומעשה] הן בי״ע ומדומ״ע [ומדבור ומעשה] שבחכמה היינו בי״ע דאצילות כי דרך כלל אצי׳ הוא בחי׳ חכמה.5
Ora, o paralelo disso nos mundos superiores é o seguinte: pensamento, fala e ação são Beriá, Yetsirá e Assiá; e pensamento, fala e ação dentro de Chochmá são Beriá, Yetsirá e Assiá de Atsilut, pois, de modo geral, Atsilut corresponde ao nível de Chochmá.
Nos mundos superiores, o paralelo é que pensamento, fala e ação correspondem aos mundos de Beriá, Yetsirá e Assiá. Como Atsilut, em seu conjunto, corresponde a Chochmá, o pensamento, a fala e a ação dentro de Chochmá são a Beriá, a Yetsirá e a Assiá de Atsilut.
אך יש באצילות עצמו ג״כ בי״ע וכמ״ש בביאור ע״פ ועתה יגדל נא6 ומודומ״ע [ומחשבה דבור ומעשה] שלמעלה מהשכל זהו מ״ש בע״ח [בעץ חיים] דא״ק [דאדם קדמון]7 נקרא אדם דבריאה כו׳ ונקרא מחשבה הקדומה8 ועיין בזח״א [בזהר חלק א] נח)
Mas também dentro do próprio Atsilut há Beriá, Yetsirá e Assiá, como explicado no Biur sobre “E agora, peço-te, que se engrandeça [o poder]”. E o pensamento, a fala e a ação que estão acima do intelecto são aquilo que está escrito em Etz Chaim: Adam Kadmon é chamado “o Adam de Beriá”, etc., e é chamado “o pensamento primordial”; veja também o Zohar, Parte I, Noach
O próprio Atsilut também contém sua própria Beriá, Yetsirá e Assiá, como explica o Biur do texto sobre “E agora, peço-te, que se engrandeça o poder de meu Senhor” (Números 14:17). Há até pensamento, fala e ação acima do intelecto: Etz Chaim chama Adam Kadmon, o nível acima de Atsilut, de “o Adam de Beriá” e “o pensamento primordial”.
(דס״ה ע״א) ועמ״ש בביאור ע״פ את שבתותי תשמרו וע״פ ראיתי והנה מנורת זהב.9 וכך כל בחי׳ הללו הן במקורן ושרשן
(65a). Veja também o que está escrito no Biur sobre “Guardareis Meus Shabatot” e sobre “Vi, e eis um candelabro de ouro”. Assim, todos esses níveis existem em sua fonte e raiz,
O Zohar citado (Parte I, 65a) descreve o “pensamento supremo” voltando-se para a vontade oculta que está acima dele, e o texto remete aos seus Biurim sobre “Guardareis Meus Shabatot” e sobre o candelabro de ouro de Zacarias. A conclusão é que todos esses níveis existem em sua fonte e raiz.
שהוא למעלה מן השכל וע״י התשובה מעומקא דליבא שלמעלה מהשכל עולה גם החיות שבמחשבה דו״מ [דבור ומעשה] ונכלל למעלה מן השכל:
que está acima do intelecto; e, por meio da teshuvá que provém da profundidade do coração, a qual está acima do intelecto, também a força vital presente no pensamento, na fala e na ação ascende e é incluída acima do intelecto.
Essa raiz está acima do intelecto. A teshuvá que provém da profundidade do coração, também ela acima do intelecto, eleva a força vital do pensamento, da fala e da ação da pessoa até essa raiz, assim como no Shabat os mundos ascendem à sua fonte.
O amor profundo do coração interior é “grande amor”, além da razão: a disposição de entregar a vida pela unidade de D'us; e ele próprio é teshuvá. Como o pensamento, a fala e a ação têm sua fonte acima do intelecto, tanto na pessoa quanto nos mundos superiores, a teshuvá que provém da profundidade do coração eleva todos eles àquela fonte.
A correspondência entre pensamento, fala e ação e os mundos se repete em cada nível: Beriá, Yetsirá e Assiá abaixo de Atsilut; seus correspondentes dentro de Atsilut; e, acima dele, Adam Kadmon, “o pensamento primordial”. Para “Atsilut é Chochmá”, a nota da Kehot remete ao final de Tikkun 6 do Tikkunei Zohar e ao Mikdash Melech sobre o Zohar, Parte II, 220b. Sobre entregar a alma ao pronunciar “Um”, remete ao Bach sobre o Tur, Orach Chaim 61, e ao Pri Etz Chaim, que relaciona isso a “Retorna, ó Israel, até (ad) Havayá, teu D'us”.
Marei mekomot
- 1כי חלק הוי׳ . . עמו · Deuteronomy 32:9
- 2
- 3למסור נפשו באחד · ראה ב״ח או״ח רסס״א. פע״ח ש׳ הק״ש פי״ב.
- 4בשמונה פרקים להרמב״ם · פ״א, ואין הל׳ שם כן. [כ].
- 5אצי׳ הוא בחי׳ חכמה · ראה ת״ז סת״ו. מק״מ להזח״ב רך, ב.
- 6ועתה יגדל נא · Numbers 14:17
- 7מ״ש בע״ח דא״ק נק׳ אדם דבריאה · נשא ענף ב-ד וריש ש״ג. [כ]. ראה לעיל פ׳ מסעי צה, א. אוה״ת בלק ע׳ תתקסב ואילך.
- 8מחשבה הקדומה · Zohar, Noach 15:121–16:131
- 9ראיתי והנה מנורת זהב · Zechariah 4:2
10(קיצור ענין וביום השביעי שבת1 מבחי׳ אשר עשה ונמשך החיות מבחי׳ מחשבה שהוא חצר הפנימית ולכן שבת אותיות תשב. בקשו פני פנימית הלב):
(Resumo: o assunto de “E no sétimo dia descansou” diz respeito ao nível de “que Ele fez”; e a força vital é atraída do nível do pensamento, que é o pátio interno. Por isso, שבת (Shabat) contém as mesmas letras que תשב (tashuv). “Buscai Minha face”: a dimensão interior do coração.)
Uma linha de resumo que encerra a segunda seção. Ela recorda seus pontos: no Shabat, D'us descansou de “fazer”; então, o mundo recebe sua vida do pensamento divino (o “pátio interno”); שבת contém as mesmas letras que תשב (“retorna”); e “Buscai Minha face” significa a dimensão interior do coração.
Resumo da segunda seção: o Shabat como retorno da força vital ao pensamento, sua ligação com a teshuvá e a teshuvá que vem do coração interior.
Marei mekomot
- 1
“Buscarei a Tua face, Havayá” ¶11–14
3. Ora, por meio disso, é atraído [o cumprimento de] “Teu rosto, Havayá, buscarei”: “Teu rosto” é o nível da dimensão interior (pnimiyut) do Altíssimo; “Que Havayá faça resplandecer Seu rosto sobre ti”. E o nível de
A terceira seção: a teshuvá que vem do íntimo do coração atrai uma resposta da própria dimensão interior de D'us. Esse é o “rosto” em “Teu rosto, Havayá, buscarei” (Salmos 27:8), e o rosto que resplandece na Bênção Sacerdotal: “Que Havayá faça resplandecer Seu rosto sobre ti” (Números 6:25).
פנים למעלה הוא אור א״ס ב״ה שלמעלה מהחכמה ונקרא פנים עד״מ כמו שבאדם עיקר החיות הוא בפניו ששם התגלות כל החושים ראיה ושמיעה ריח ודבור.
“rosto” no alto é a Luz Infinita (Or Ein Sof), bendito seja Ele, que está acima de Chochmá. E ela é chamada “rosto” por analogia: assim como, numa pessoa, a força vital principal está no rosto, pois ali se revelam todos os sentidos — visão e audição, olfato e fala —,
“Rosto” no alto significa a Luz Infinita, que está acima de Chochmá. A analogia é o rosto de uma pessoa, onde sua vida se manifesta mais: ali se revelam todos os sentidos — visão, audição, olfato e fala.
משא״כ העורף יש בו חיות מועט ומצומצם מאד עד שנחשב בבחי׳ דומם לגבי החיות הנמשך בפנים כך הוא למעלה מה
ao passo que a nuca tem muito pouca força vital, extremamente limitada, a ponto de ser considerada como inanimada em comparação com a força vital atraída para o rosto. Assim é no alto: aquilo que
A nuca, em contraste, tem tão pouca vida que, comparada com a do rosto, é quase como matéria inanimada. A mesma distinção se aplica no alto.
שמתגלה בו חיות ואור א״ס ב״ה בגילוי רב נקרא בחי׳ פנים לגבי בחי׳ אחוריים ובחי׳ חיצוני׳ שאין מתגלה בהן
na qual a força vital e a Luz Infinita, bendito seja Ele, se revelam com grande intensidade é chamada de nível de “rosto”, em relação ao nível das costas e ao nível da dimensão exterior (chitsoniyut), nos quais se revela
Onde a vida e a luz de D'us se revelam em abundância, isso é chamado de “rosto”; onde se revela apenas uma pequena força vital, contraída, isso é chamado de “costas” ou dimensão exterior.
אלא חיות מועט ומצומצם וחיצוני׳ עליון נעשה פנימית תחתון וכמה בחי׳ זו למעלה מזו זו פנימית מזו עד רום המעלות את פניך הוי׳ הוא גילוי אור א״ס ב״ה בעצמו ובכבודו הסוכ״ע
apenas uma força vital pequena e muito limitada. E a dimensão exterior do nível superior torna-se a dimensão interior do nível inferior; há muitos níveis, um acima do outro, cada um mais interior que o outro, até o mais elevado dos níveis. “Teu rosto, Havayá” é a revelação da própria Luz Infinita, bendito seja Ele, em Sua própria glória, a luz que circunda todos os mundos (sovev kol almin),
Esses termos são relativos: a dimensão exterior de um nível superior torna-se a dimensão interior do nível abaixo, e assim por diante, por muitos graus. O “rosto” que David buscava é a revelação da própria Luz Infinita, a luz que circunda todos os mundos e é grande demais para penetrar neles.
שהוא עיקר החיות שאין ערוך אליו ית׳ כלל עכד שבחי׳ ח״ע [חכמה עילאה] נחשבת לגבי אור א״ס ב״ה עצמו הסוכ״ע בבחי׳ עשיה גשמי׳ [גשמיים / גשמיות / גשמית] ובחי׳ דומם.
que é a essência da vida, sem que haja qualquer comparação com Ele, bendito seja, a ponto de o nível da Chochmá superior (Chochmá Ilaá) ser considerado, em relação à própria Luz Infinita, bendito seja Ele, a luz que circunda todos os mundos, como ação física e como o nível do inanimado.
Essa luz é a verdadeira essência da vida e está além de qualquer comparação. Em relação a ela, até mesmo a Chochmá superior, a sabedoria de Atsilut, equivale a mera ação física, como o inanimado.
וזהו שביקש דהע״ה [דוד המלך עליו השלום] את פניך הוי׳ אבקש (עיין מזה בהרמ״ז [בהרב משה זכות] פ׳ אמור בדף צ״ג ע״ב)3
E é isso que pediu David, o rei, que a paz esteja com ele: “Teu rosto, Havayá, buscarei” (veja sobre isso o Ramaz, Parashat Emor, página 93b):
Foi isso que pediu o rei David quando disse: “Teu rosto, Havayá, buscarei”. O texto remete ao Ramaz (Rabi Moshe Zacuto), em seu comentário sobre o Zohar, Parashat Emor.
להיות בנפשו גילוי הארת אור א״ס ב״ה ממש יאר ה׳ פניו אליך הארת פנים מרצון העליון שלמעלה מהחכמה
que haja em sua alma uma revelação da iluminação da própria Luz Infinita, bendito seja Ele. “Que Havayá faça resplandecer Seu rosto sobre ti”: o resplendor do rosto provém da Vontade Suprema, que está acima de Chochmá.
David pediu que a própria Luz Infinita fosse revelada em sua alma. O “rosto resplandecente” da Bênção Sacerdotal também é uma luz da Vontade Suprema, que está acima de Chochmá.
כי חכמה היא בחי׳ יו״ד4 אשר אות יו״ד הוא נקודה שהוא בחי׳ צמצום וכל סדר ההשתלשלות שהוא התפשטות גדולת א״ס ב״ה בריבוא רבבות מדריגות ועולמות אין מספר
Pois Chochmá é o nível do yud, e a letra yud é um ponto, que corresponde ao nível do tsimtsum (contração); e toda a ordem da cadeia descendente dos mundos (hishtalshelut), que é a expansão da grandeza do Infinito (Ein Sof), bendito seja Ele, em miríades sobre miríades de níveis e mundos sem número,
Chochmá é inferior àquela vontade: é representada pela letra yud, um mero ponto, que simboliza a contração. Toda a cadeia de mundos é o desdobramento da grandeza de D'us em níveis e mundos incontáveis.
הנה במקום גדולתו שם אתה מוצא ענותנותו5 כי אימתי אקרי גדול כשהוא בעיר אלקינו6 כו׳ דהיינו בחי׳ צירופי אותיות כי אותיות הן המשכות מלשון אתא כו׳.
eis que “no lugar de Sua grandeza, ali encontras Sua humildade”; pois “quando Ele é chamado grande? Quando está na cidade de nosso D'us”, etc., isto é, o nível das combinações de letras; pois as letras (otiyot) são emissões, da palavra aramaica asa (“veio”), etc.
No entanto, essa própria grandeza é uma descida: como diz o Talmud (Megillah 31a), onde se encontra a grandeza de D'us, encontra-se Sua humildade. O Zohar diz que D'us é chamado “grande” quando está “na cidade de nosso D'us”, o que o Alter Rebe interpreta como Sua descida às combinações de letras, uma vez que otiyot (“letras”) está relacionado à palavra aramaica asa, “veio”, que significa uma emissão para baixo.
A teshuvá que vem do íntimo do coração atrai o “rosto” de D'us: a Luz Infinita acima de Chochmá, que circunda todos os mundos e diante da qual até Chochmá é “costas” e inanimada. O rei David buscou esse rosto, e a Bênção Sacerdotal pede que ele resplandeça; em contraste, toda a cadeia dos mundos, embora seja a grandeza de D'us, constitui uma descida.
A nota da Kehot remete o leitor a Likkutei Torah, Rosh Hashanah, que distingue a Vontade Suprema quando revestida na Chochmá superior — atraída durante todo o ano por meio da Torá e das mitsvot — de um nível da Vontade que não está de modo algum revestido em Chochmá, atraído em Rosh Hashanah. O Zohar (Parte III, 5a) explica “Grande é Havayá … na cidade de nosso D'us” como significando que o Santo, bendito seja Ele, é chamado grande quando a Comunidade de Israel está com Ele.
Marei mekomot
- 1את פניך הוי׳ אבקש · Psalms 27:8
- 2יאר ה׳ פניו אליך · Numbers 6:25
- 3עיין מזה בהרמ״ז . . צ״ג ע״ב · ראה לעיל נו, ג.
- 4חכמה היא בחי׳ יו״ד · ראה קה״י ערך יו״ד בתחלתו.
- 5במקום גדולתו שם אתה מוצא ענוותנותו · Megillah 31a:12–13
- 6אימתי אקרי גדול כשהוא בעיר אלקינו · Zohar III, 5a
12וזהו וחכם באחור ישבחנה.1 שכל בחי׳ השבח של גדולתו ית׳ והתפשטותו שבבחי׳ חכמה הוא בחי׳ אחוריים לגבי בחי׳ הפנימי׳ [הפנימיות / הפנימית] שהוא רצון העליון ב״ה הסוכ״ע.
E este é [o significado de] “e o sábio a louva por detrás”: todo nível de louvor à Sua grandeza, bendito seja Ele, e à Sua expansão, que está no nível de Chochmá, é o aspecto do “por detrás” em relação ao nível interior, que é a Vontade Suprema, bendito seja Ele, a luz que circunda todos os mundos (sovev kol almin).
Mishlei 29:11 diz que o sábio “a aquieta depois” (be’achor yeshabchenah), e o Alter Rebe interpreta isso como “a louva por detrás”. Todo louvor à grandeza de D'us, tal como se manifesta por meio de Chochmá, é louvor ao Seu “por detrás”, em comparação com o nível interior, a Vontade Suprema que circunda todos os mundos.
וזהו וראית את אחורי כי מרע״ה [משה רבינו עליו השלום] זכה לתורה ואורייתא מחכמה נפקת.2 אבל ופני לא יראו3 שגילוי אור א״ס ב״ה עצמו הסוכ״ע שלמעלה מהתורה
E este é [o significado de] “Verás Minhas costas”: pois Moshe, nosso mestre, que sua memória seja uma bênção, mereceu a Torá, e “a Torá procede de Chochmá”. Mas “Meu rosto não será visto”: pois a revelação da própria Luz Infinita, bendito seja Ele, a luz que circunda todos os mundos, que está acima da Torá,
Isso explica Shemot 33:23: Moshe viu as “costas” de D'us, pois recebeu a Torá, e “a Torá procede de Chochmá”, como diz o Zohar. O “rosto” de D'us, a Luz Infinita acima da Torá, não podia ser visto.
והוא מקור התורה אינו מתגלה בבחי׳ ראיה והשגה כי לית מחשבה תפיסא ביה כלל4 אלא בבחינת תשובה כי עמך הסליחה.5
e é a fonte da Torá, não se revela por meio da visão e da compreensão, pois “nenhum pensamento pode apreendê-Lo de modo algum”, mas somente por meio da teshuvá: “Pois contigo está o perdão”.
Essa luz, a fonte da Torá, não pode ser alcançada pela visão ou pela compreensão, pois “nenhum pensamento pode apreendê-Lo de modo algum”. Ela é alcançada por meio da teshuvá, como diz Tehilim 130:4: “Pois contigo está o perdão”.
פי׳ שבחי׳ הסליחה הוא בבחי׳ עמך ממש כי משם לוקחה ונמשכה כמ״ש ממעמקים קראתיך67 הוי׳ פי׳ קראתיך כאדם הקורא
Isto é, o nível do perdão está no próprio nível de “contigo”, pois é de lá que ele é tomado e atraído para baixo, como está escrito: “Das profundezas clamei a Ti, Havayá”. Isto é, “clamei a Ti” como uma pessoa que chama
O perdão vem do próprio “contigo”, do próprio ser de D'us. Tehilim 130:1, “Das profundezas clamei a Ti”, descreve como ele é atraído para baixo: por meio de um chamado, como quem chama um amigo que está distante.
לחבירו ממקום למקום כך קורא וממשיך בחינת גילוי הוי׳ ממעמקים מבחינת ישת חשך סתרו8 סתימא דכל סתימין ומשם קראתיך להיות גילוי בחי׳ הוי׳
seu companheiro de um lugar para outro: assim, chama-se e atrai-se o nível da revelação de Havayá “das profundezas”, do nível de “Ele fez da escuridão Seu esconderijo”, o mais oculto de todos os ocultos; e de lá, “clamei a Ti”, para que haja uma revelação do nível de Havayá.
Aquele que faz teshuvá chama a revelação de Havayá para cima, “das profundezas”, o nível absolutamente oculto que Tehilim 18:12 chama de “Ele fez da escuridão Seu esconderijo”, o mais oculto de todos os ocultos. De lá, ele a chama para que se revele.
כי בחי׳ ממעמקים עצמה א״א לבא לידי גילוי כ״א בבחי׳ הוי׳ שהוא צמצום המשכה והתפשטות כו׳
Pois o próprio nível de “das profundezas” não pode chegar à revelação, exceto no nível de Havayá, que é contração, atração para baixo e expansão, etc.,
O que está “nas profundezas” só pode ser revelado por meio do Nome Havayá, cujas letras representam contração, atração para baixo e expansão. O que está oculto precisa ser contraído e canalizado para poder aparecer.
וכמ״ש במ״א וקריאה והמשכה זו היא מחמת כמים הפנים לפנים9 להיות בחי׳ ממעמקים עומקא דליבא באתעדל״ת [באתערותא דלתתא] ועי״ז אתערותא דלעילא ג״כ בחי׳ ממעמקים וכשם שמלמעלה למטה א״א לבא בחי׳ ממעמקים לידי גילוי אלא בבחינת צמצום והתפשטות כו׳.
como é explicado em outro lugar. E este chamado e esta atração para baixo ocorrem porque “como a água [reflete] o rosto, assim o rosto”: assim, o nível de “das profundezas”, a profundidade do coração, está no despertar de baixo; por meio disso, também o despertar do alto é o nível de “das profundezas”. E, assim como de cima para baixo o nível de “das profundezas” não pode chegar à revelação, exceto no nível de contração e expansão, etc.,
Mishlei 27:19 diz: “Como a água reflete o rosto, assim é o coração do homem para o homem.” Quando o despertar de baixo de uma pessoa vem da profundidade de seu coração, ele desperta um despertar do alto, a partir das próprias “profundezas” de D'us; e, assim como a revelação do alto requer contração e expansão, também a resposta de baixo.
כך צ״ל ב אתערותא דלתתא כמים הפנים לפנים ממטה למעלה ג״כ בחי׳ צמצום שהוא בחי׳ הסתקלות לסלק ולבטל א״ע [את עצמו] שלא יעשה בשביל עצמו
assim também, no despertar de baixo, “como a água reflete o rosto”, de baixo para cima, deve haver igualmente o nível de contração, que é o nível de retraimento: afastar-se e anular a si mesmo, para não agir em benefício próprio.
O despertar de baixo também precisa de uma “contração”: a pessoa se retrai e se anula, para que já não aja em benefício próprio. Essa remoção de si mesma é a contrapartida humana da contração de D'us.
ומזה יבא למדריגת ממעמקי׳ [ממעמקים] ומשם נמשך מחילת עוונות כי הפגם הוא שפוגם בתורה שהיא חכמתו ית׳ וכך חייבה חכמתו להיות זו מ״ע [מצות עשה] וזו מל״ת [מצות לא תעשה]
E disso ele chegará ao nível das “profundezas”, e de lá é atraído o perdão dos pecados. Pois a mácula consiste em macular a Torá, que é a sabedoria de D'us, bendito seja; e foi assim que Sua sabedoria determinou: que esta fosse uma mitzvá positiva e aquela, uma mitzvá proibitiva.
Por meio dessa autoanulação, a pessoa alcança as “profundezas”, a fonte do perdão dos pecados. O pecado é uma mácula na Torá, que é a sabedoria de D'us; foi essa sabedoria que determinou quais atos são mitzvot positivas e quais são proibições.
אבל למעלה מהחכמה שם אין פגם מגיע כי שממית בידים תתפש10 והיא בהיכלי מלך והעובר על התורה שהיא בחי׳ חכמה צריך להמשיך ממקום עליון למעלה מן החכמה היא בחי׳ ממעמקים
Mas acima de Chochmá, nenhuma mácula chega até lá, pois “a aranha se agarra com as mãos, e está nos palácios do rei”. E quem transgride a Torá, que é o nível de Chochmá, precisa atrair de um lugar mais elevado, acima de Chochmá, que é o nível das “profundezas”,
Nenhuma mácula chega acima de Chochmá. Provérbios 30:28, sobre a aranha que está “nos palácios do rei”, é citado para isso: aquilo que chega aos palácios não chega ao Rei que está acima deles. Portanto, quem transgrediu a Torá, que é Chochmá, precisa atrair de um lugar mais elevado, das “profundezas” acima de Chochmá.
וכמו עד״מ אם נתקלקל מוצא מים צריך לחפור בעומק המעיין לתקן וכך אנת הוא ממלא כל
como, por exemplo, se a saída de uma fonte fosse danificada, seria preciso cavar na profundidade da fonte para repará-la. E assim: “Tu és Aquele que preenche todos os
A analogia é a seguinte: quando a saída de uma fonte é danificada, ela é reparada cavando-se mais fundo, na própria profundidade da fonte. A mesma ideia aparece na prece de Eliyahu no Tikkunei Zohar: D'us “preenche todos os Nomes” e é “a completude de todos eles”.
שמהן11 ואנת הוא שלימו דכולהו12 פי׳ ממלא כל שמהן שהתורה כולה היא שמותיו של הקב״ה13 שכמו שע״י שם האדם אשר יקרו לו
Nomes, e Tu és a completude de todos eles.” O sentido de “preenche todos os Nomes” é que a Torá inteira é os Nomes do Santo, bendito seja Ele. Pois, assim como, por meio do nome de uma pessoa, pelo qual a chamam,
Os “Nomes” são a Torá: a Torá inteira consiste nos Nomes do Santo, bendito seja Ele, como diz o Zohar e como mostra a nota da Kehot com base na introdução do Ramban ao seu comentário sobre a Torá. Um nome é aquilo pelo qual as pessoas chamam alguém.
הנה ע״י קריאה זו נמשך האדם ופונה אל הקורא כך התורה היא בחי׳ שם להקב״ה להיות קוראין וממשיכין גילוי אלקותו ית׳ ע״י התורה
eis que, ao ser chamada, a pessoa é atraída e se volta para quem a chama, assim também a Torá é o nível de um nome para o Santo, bendito seja Ele, de modo que, por meio da Torá, chamamos e atraímos a revelação de Sua divindade, bendito seja.
Quando uma pessoa é chamada pelo nome, ela se volta para quem a chama. Assim também, a Torá é o “nome” de D'us: por meio de seu estudo e cumprimento, nós O chamamos e atraímos Sua divindade.
כי רמ״ח מצות הן רמ״ח אברין דמלכא14 שבהם נמשך חיות ואור א״ס ב״ה כמו שבאברי האדם עד״מ נמשך הדם הוא הנפש15
Pois as 248 mitzvot são os 248 membros do Rei, por meio dos quais são atraídas a força vital e a Luz Infinita, bendito seja Ele, assim como, por exemplo, o sangue, que é a alma, circula pelos membros de uma pessoa.
O Tikkunei Zohar chama as 248 mitzvot positivas de “os 248 membros do Rei”. Por meio delas fluem a vida e a luz de D'us, assim como o sangue circula pelos membros de uma pessoa; “o sangue é a alma” (Deuteronômio 12:23).
ולכן ע״י התורה נמשך אור א״ס ב״ה אבל מי שהעביר את הדרך ופגם בתורה הנה זאת תקונו לשוב אל ה׳ ממעמקים מעומקא דליבא.
Portanto, por meio da Torá, é atraída a Luz Infinita, bendito seja Ele. Mas quem se desviou do caminho e maculou a Torá tem esta retificação: retornar a D'us “das profundezas”, da profundidade do coração.
A Torá e as mitzvot são, portanto, o canal habitual da Luz Infinita. Quem se desviou e maculou esse canal precisa repará-lo a partir de além dele, retornando a D'us “das profundezas”, da profundidade do coração, que alcança o nível que “preenche todos os Nomes”.
Chochmá, e a Torá que dela procede, são as “costas” de D'us; Seu “rosto” não pode ser visto, mas o perdão vem de lá e é alcançado por meio da teshuvá “das profundezas”. Como o pecado macula a Torá, que é Chochmá, sua reparação precisa vir de acima de Chochmá: a profundidade do coração da pessoa que faz teshuvá, quando acompanhada de autoanulação, desperta as próprias profundezas de D'us, “como a água reflete o rosto”.
O Zohar chama toda a Torá de um Nome sagrado de D'us (Parte II, 87a; Parte III, 73a), e a nota da Kehot acrescenta a introdução do Ramban a seu comentário sobre a Torá e Likkutei Torah, Pinchas. Por isso, uma mácula na Torá precisa Daquele que “preenche todos os Nomes” e “completa todos eles”, a Luz Infinita acima dos Nomes. O paralelo entre a contração de D'us no alto e o retraimento da pessoa embaixo é a aplicação, neste parágrafo, de “como a água reflete o rosto”.
Marei mekomot
- 1וחכם באחור ישבחנה · Proverbs 29:11
- 2ואורייתא מחכמה נפקת · Zohar II, 121a
- 3
- 4לית מחשבה תפיסא ביה כלל · Tikkunei Zohar 17a:10–12
- 5כי עמך הסליחה · Psalms 130:4
- 6וזהו חכם . . ממעמקים קראתיך ה׳ · מובא באוה״ת ואתחנן ע׳ רסה. ראה גם אוה״ת ויקרא כרך ב ע׳ תרע״ד. שה״ש כרך ב ע׳ תרסט.
- 7ממעמקים קראתיך ה׳ · Psalms 130:1
- 8ישת חשך סתרו · Psalms 18:12
- 9כמים הפנים לפנים · Proverbs 27:19
- 10שממית בידים תתפש · Proverbs 30:28
- 11אנת הוא ממלא כל שמהן · ת״ז בהקדמה (פתח אלי׳).
- 12אנת הוא ממלא כל שמהן ואנת הוא שלימו דכולהו · Tikkunei Zohar 17b:2–3
- 13שהתו׳ כולה היא שמותיו של הקב״ה · Zohar II, 87a
- 14רמ״ח מצות הן רמ״ח אברין דמלכא · ראה ת״ז ת״ל.
- 15הדם הוא הנפש · Deuteronomy 12:23
Como está escrito: “E clamaram a Havayá em sua aflição”; então, ele atrai da profundidade suprema o nível da a Luz Infinita (Or Ein Sof), bendito seja Ele, Ele próprio, a luz que circunda todos os mundos (sovev kol almin),
Salmos 107:6, “E clamaram a Havayá em sua aflição”, é o clamor que vem da profundidade do coração. Por meio dele, aquele que retorna atrai da profundidade suprema a própria Luz Infinita, a luz que circunda todos os mundos.
כי הוא הממלא כל שמהן ואיהו שלימו דכולהו ועי״ז משלים וממלא כל החסרונות והפגמים. וזהו כי אבי ואמי עזבוני3 וה׳ יאספני כי
pois Ele é Aquele que “preenche todos os Nomes” e “é a perfeição de todos eles”; por meio disso, completa e preenche todas as deficiências e imperfeições. E este é [o sentido de] “Pois meu pai e minha mãe me abandonaram, mas Havayá me acolherá.” Pois
Porque essa luz “preenche todos os Nomes e completa todos eles”, como citado acima, ela pode preencher toda falta e reparar toda imperfeição na Torá. Salmos 27:10 expressa isso: “Pois meu pai e minha mãe me abandonaram, mas Havayá me acolherá.”
הנה הנשמה מתחלקת לעשר בחינות ומדרגות ז׳ מדות וג׳ שכליים והן נמשכות מלמעלה מבחי׳ לך הוי׳ הגדולה והגבורה כו׳ ז׳ מדות וכן השכלים כי ה׳ יתן חכמה4 מפיו דעת ותבונה.
a alma se divide em dez níveis e graus: sete atributos emocionais (midot) e três faculdades intelectuais. Eles são atraídos do Alto: os sete atributos, do nível de “Tua, Havayá, é a grandeza e o poder”, etc.; e também as faculdades intelectuais: “Pois Havayá concede sabedoria; de Sua boca vêm o conhecimento e o entendimento.”
Para explicar o versículo, o Alter Rebe descreve as dez faculdades da alma: sete atributos emocionais e três faculdades intelectuais. Elas derivam dos próprios atributos de D'us: as emoções, daqueles enumerados em I Chronicles 29:11 (“Tua, Havayá, é a grandeza e o poder …”); o intelecto, de Proverbs 2:6 (sabedoria, conhecimento e entendimento).
Ora, os atributos emocionais em seu conjunto — amor e temor — são chamados pelos nomes “filho” e “filha”: pois, a respeito do amor, está dito: “Ele Se lembrou (zachar) de Sua bondade”; e, a respeito do temor, está dito: “uma mulher que teme Havayá.”
O amor e o temor, que incluem todas as emoções, são chamados “filho” e “filha”. O amor é o filho, como em Salmos 98:3: “Ele Se lembrou (zachar) de Sua bondade”; zachar também significa “masculino”. O temor é a filha, como em Provérbios 31:30: “uma mulher que teme Havayá.”
(וזהו שאמרו רז״ל [רבותינו זכרונם לברכה] בת בתחלה סימן יפה לבנים7 כי ראשית והתחלת העבודה הוא להמשיך עליו בחי׳ יראה וכמ״ש בזהר ע״פ בזאת יבא אהרן8 כו׳ וכמ״ש במ״א) והשליים נק׳ בשם אב
(Este é o sentido do que disseram nossos Sábios, de abençoada memória: “Uma filha primeiro é um bom sinal para os filhos”; pois o início e o começo do [serviço divino] é atrair para si o nível do temor, como é explicado no Zohar sobre “Com isto Aharon virá”, etc., e como é explicado em outro lugar.) E as faculdades intelectuais são chamadas pelos nomes “pai”
Em um parêntese, a declaração talmúdica “uma filha primeiro é um bom sinal para os filhos” (Bava Basra 141a) é entendida assim: o serviço divino deve começar com o temor, a “filha”, e os “filhos”, o amor, vêm depois; o Zohar diz o mesmo sobre “Com isto Aharon virá” (Levítico 16:3). As faculdades intelectuais, por sua vez, são chamadas “pai” e “mãe”.
ואם המולידים המדות כנודע שהמדות נולדו ונתהוו מן השכליים.9 והנה מי שהעביר את הדרך ופגם בתורה שהיא10 חמתו יתברך נקרא אבי ואמי עזבוני
e “mãe”, que dão à luz os atributos emocionais, pois é sabido que os atributos emocionais nascem e passam a existir a partir das faculdades intelectuais. Ora, aquele que se desviou do caminho e maculou a Torá, que é a sabedoria Dele, bendito seja, é chamado “meu pai e minha mãe me abandonaram”;
Eles são “pai” e “mãe” porque as emoções nascem do intelecto. Aquele que maculou a Torá, que é a sabedoria de D'us, danificou a fonte da qual dependem seu intelecto e suas emoções; por isso diz: “Meu pai e minha mãe me abandonaram.”
אבל מ״מ וה׳ הוא גילוי א״ס ב״ה עצמו ממש יאספני דהיינו שיאסף ויקבץ כל חלקי הנפש למעלה מעלה מבחי׳ התחלקותם כי ההתחלקות הוא מחכמה ולמטה.11
mas, não obstante, “e Havayá”, que é a revelação do próprio Infinito, bendito seja Ele, literalmente, “me acolherá”: isto é, Ele reunirá e congregará todas as partes da alma, muito acima do nível de sua divisão, pois a divisão começa em Chochmá e abaixo.
Ainda assim, “Havayá”, o próprio Infinito, “me acolherá”: Ele reúne todas as faculdades dispersas da alma a partir de um nível muito acima de sua divisão. A divisão da alma em faculdades distintas começa somente a partir de Chochmá.
אבל למעלה מן החכמה שם הן בבחינת התכללות12 ועיין מ״ש ע״פ וה׳ יגיה חשכי1314 והיינו ע״י כמים הפנים לפנים בהיות הנפש ג״כ בבחי׳ התכללות במס״נ [במסירות נפש] ממש
Mas, acima de Chochmá, elas se encontram em estado de inclusão. (E veja o que está escrito sobre “E Havayá ilumina minhas trevas”.) E isso ocorre por meio de “como a água [reflete] o rosto, face a face”, quando a alma também se encontra em estado de inclusão, por meio do autossacrifício (mesirut nefesh) efetivo,
Acima de Chochmá, todas as faculdades estão incluídas umas nas outras. Essa reunião proveniente do Alto é despertada “como a água reflete o rosto, face a face”, quando a própria alma se torna una por meio do mesirut nefesh efetivo; o texto remete à sua discussão de “E Havayá ilumina minhas trevas”.
שהוא למעלה מטעם ודעת כנ״ל ואותה אנו מבקשים אל תסתר פניך15 ממני בחי׳ פנימית הנ״ל.
que está acima da razão e do conhecimento, como mencionado acima. E é isto que pedimos: “Não escondas de mim a Tua face”, o nível da dimensão interior (pnimiyut) mencionado acima.
O autossacrifício está acima da razão e do conhecimento, como explicado no parágrafo 9. É isto que pedimos em Salmos 27:9: “Não escondas de mim a Tua face”, isto é, que não retenhas de mim a Tua dimensão interior.
אל תט באף עבדך פי׳ שלא תטה את עבדך לבחי׳ אף עשיתיו שהוא התפשטות בחי׳ חיצונית החיות אלא מבחי׳ פנימית כי עמך הסליחה כו׳:1617
“Não afastes o Teu servo com ira (af)”: isto é, não dirijas o Teu servo ao nível de “Eu também (af) o fiz”, que é a expansão do nível da dimensão exterior (chitsoniyut) da força vital; antes, que seja do nível da dimensão interior, “pois contigo está o perdão”, etc.
O versículo continua: “Não afastes o Teu servo com ira (af).” O Alter Rebbe interpreta af como o af de “Eu também (af) o fiz” (Isaías 43:7), a dimensão exterior da força vital: pedimos que não sejamos tratados a partir do nível exterior, mas do interior, onde “contigo está o perdão”.
O clamor que vem da profundidade do coração atrai a Luz Infinita que “preenche todos os Nomes” e repara o que o pecado maculou. Salmos 27:10 o expressa: o intelecto (“pai e mãe”) pode ter sido perdido por causa do pecado, mas o próprio D'us reúne as faculdades da alma a partir de um nível acima de Chochmá, em resposta à própria reunião da alma por meio do mesirut nefesh.
Em outro lugar de Likkutei Torah (Shemini Atzeres), o mesmo versículo é interpretado, nos detalhes, de outro modo: o amor natural da alma é o “pai”, Zeir Anpin e Nukvá de Atsilut são o pai e a mãe da alma, e “Havayá me acolherá” refere-se à raiz da alma, sua yechidá; o Rebe observa, em Likkutei Sichos, que essa interpretação é, em linhas gerais, semelhante à daqui, apenas “de uma maneira um tanto diferente”. O Tzemach Tzedek acrescenta que, como a divisão começa em Chochmá, há certa medida de julgamento em Chochmá. O Zohar citado na nota da Kehot (Part II, 85a) diz que a Torá é composta de Chochmá e Biná, “a instrução de teu pai” e “o ensinamento de tua mãe”.
Marei mekomot
- 1ויצעקו אל ה׳ בצר להם · Psalms 107:6
- 2
- 3כי אבי ואמי עזבוני · Psalms 27:10
- 4כי ה׳ יתן חכמה · Proverbs 2:6
- 5זכר חסדו · Psalms 98:3
- 6אשה יראת ה׳ · Proverbs 31:30
- 7בת תחלה סימן יפה לבנים · Bava Batra 141a:4
- 8בזאת יבא אהרן · Leviticus 16:3
- 9שהמדות . . מן השכליים · ע׳ סש״ב ח״א (פ״ג). [כ].
- 10מי שהעביר את הדרך ופגם בתורה שהיא חכמתו יתברך נקרא אבי ואמי עזבוני · וראה לקמן שמע״צ (פט, ב) שפירוש זה הוא (בכללות) כהפירוש שבלקו״ת שמע״צ פג, ב ורק שהוא ”בענין אחר קצת”. — לקו״ש ח״ז ע׳ 231.
- 11כי ההתחלקות הוא מחכמה ולמטה · ”ולכן יש בחכמה קצת דין כמ״ש החייט”. — אוה״ת פ׳ פינחס ע׳ א׳רכ.
- 12אבל למעלה מן החכמה . . התכללות · באוה״ת פ׳ משפטים ע׳ א׳קפו מציין על זה ”ואסיפה זו פי׳ בלק״ת שם [— הכוונה לכאן] בבחי׳ שאין שם התחלקות כלל דהיינו למעלה מן החכמה, וזהו ע״ד שנתבאר בתו״א בהביאור ע״פ וקבל היהודים וקבל בלשון יחיד כו׳. ע״ש”.
- 13
- 14וה׳ יגיה חשכי · II Samuel 22:29
- 15אל תסתר פניך · Psalms 27:9
- 16לך ה׳ הגדולה · I Chronicles 29:11
- 17והשכליים נק׳ בשם או״א · Zohar II, 85a
14(קיצור. ענין את פניך הוי׳ אבקש. הארת פנים שלמעלה מהחכמה וחכם באחור ישבחנה. והיא בחי׳ מ״ש ופני לא יראו ומ״מ כי עמך ממש הסליחה. כי אבי ואמי עזבוני וה׳ יאספני):
(Resumo: o assunto de “Buscarei a Tua face, Havayá”; o brilho da face que está acima de Chochmá, e “o sábio a louvará por detrás”; este é o nível do que está escrito: “Minha face não será vista”; e, ainda assim, “contigo”, verdadeiramente, “está o perdão”; “Pois meu pai e minha mãe me abandonaram, mas Havayá me acolherá.”)
Uma linha de resumo que encerra a terceira seção: a “face” acima de Chochmá, que David buscou e que não pode ser “vista”, mas da qual provém o perdão; e D'us acolhendo a alma quando seu “pai e sua mãe” a abandonaram.
Resumo da terceira seção: a teshuvá que brota do fundo do coração alcança a “face” de D'us acima de Chochmá, fonte do perdão.
“Para que sejas temido” ¶15–24
15ד והנה תכלית המכוון מתשובה בעומקא דליבא זו להיות בקשו פני ואת פניך הוי׳ כנ״ל הוא מ״ש
4. Ora, o propósito último desta teshuvá (retorno) que brota da profundidade do coração, para que haja “Buscai Minha face” e “Tua face, Havayá”, como mencionado acima, é o que está escrito:
A quarta seção pergunta qual é o propósito desta teshuvá que brota da profundidade do coração e que alcança a própria “face” de D'us.
כי עמך הסליחה למען תורא1 פי׳ שעיקר גילוי הסליחה הוא כדי להיות גילוי בחינת יראתו ית׳ ולקיים שום תשים עליך מלך.2
“Pois contigo está o perdão, para que sejas temido.” Isto é: o principal [propósito] da revelação do perdão é que se revele o nível do temor a Ele, bendito seja, e que se cumpra: “Certamente estabelecerás um rei sobre ti.”
A resposta está no final de Salmos 130:4: “Pois contigo está o perdão, para que sejas temido.” O perdão se revela para que o temor a D'us também se revele, cumprindo-se “Certamente estabelecerás um rei sobre ti” (Deuteronômio 17:15), aceitando D'us como Rei.
O propósito do perdão e da teshuvá que o atrai é o temor a D'us: a aceitação de Sua soberania.
Marei mekomot
- 1כי עמך הסליחה למען תורא · Psalms 130:4
- 2שום תשים עליך מלך · Deuteronomy 17:15
16וזהו תכלית המכוון במעשה בראשית. כמ״ש והאלקים עשה שייראו מלפניו1 סוף דבר הכל נשמע2 את האלקים ירא3 וגו׳ כי זה כל האדם.
E este é o propósito último da obra da Criação, como está escrito: “E D'us fez [com que] temessem diante Dele”; “O fim da questão, tudo foi ouvido: teme a D'us”, etc., “pois isto é o homem inteiro”.
O temor também é o propósito da própria Criação: “D'us fez com que temessem diante Dele” (Eclesiastes 3:14), e “O fim da questão… teme a D'us… pois isto é o homem inteiro” (Eclesiastes 12:13).
פי׳ שהאדם שעל דמות4 העסא כמראה אדם מלמעלה היינו בחינת התורה שהיא רמ״ח מצות רמ״ח אברין דמלכא.
Isto é: o “homem” que está sobre a semelhança do trono, “com aparência de homem, visto de cima”, ou seja, o nível da Torá, que corresponde às 248 mitsvot, os 248 membros do Rei,
O Alter Rebe interpreta “homem”, em “o homem inteiro”, como o “Homem” supernal que Yechezkel viu sobre a semelhança do trono (Yechezkel 1:26). Esse “Homem” é a Torá, cujas 248 mitsvot positivas são os 248 “membros” do Rei.
A Criação, assim como o perdão, existe em prol do temor; e o “Homem” supernal sobre o trono — a Torá com suas mitsvot — é o propósito último desse temor.
Marei mekomot
- 1והאלקים עשה שיראו מלפניו · Ecclesiastes 3:14
- 2סוף דבר הכל נשמע · קהלת יד, יג.
- 3סוף דבר הכל נשמע את האלקים ירא · Ecclesiastes 12:13
- 4שעל דמות הכסא כמראה אדם · Ezekiel 1:26
17ושס״ה ל״ת [לא תעשה] כנגד שס״ה גידין וכל בחינות הללו נמשכו למטה בשביל גילוי מדת היראה שהוא בחי׳ ביטול רצון מפני
e as 365 proibições, correspondentes aos 365 tendões. E todos esses níveis foram atraídos para baixo a fim de revelar o atributo do temor, que é o nível de anular [a própria] vontade diante
As 365 proibições da Torá correspondem aos 365 tendões do corpo. Toda essa estrutura foi atraída para baixo a fim de revelar o temor, que significa pôr de lado a própria vontade diante da vontade do Rei.
רצון המלך העליון הן בסור מרע והן בועשה טוב לעשות הכל מה שהוא נגד רצונו וטבעו של האדם ולהפוך את לבו מן הקצה אל הקצה.
da vontade do Rei Supremo, tanto em “afastar-se do mal” quanto em “fazer o bem”: fazer tudo o que contraria a vontade e a natureza da pessoa e transformar seu coração de um extremo ao outro.
Tanto ao evitar o mal quanto ao fazer o bem, a pessoa age contra a própria vontade e natureza, transformando completamente seu coração.
Como está escrito: “E Havayá nos ordenou cumprir todos estes estatutos, para temer”, etc. (E em Kohelet Rabbá, sobre “Sei que tudo o que D'us faz”:
Deuteronômio 6:24 diz que D'us ordenou os estatutos “para temer Havayá, nosso D'us”. Em seguida, um parêntese cita Kohelet Rabbá sobre Eclesiastes 3:14.
א״ר [אמר רבי] יודן גדולה היא היראה ששמים וארץ לא נבראו אלא בזכות היראה הה״ד [הדא הוא דכתיב] והאלקים עשה שייראו מלפניו. א״ר [אמר רבי] ירמיה גדולה היא היראה ששני ספרים שכתב שלמה לא חתמן אלא ביראה הה״ד [הדא הוא דכתיב])
Rabi Yudan disse: Grande é o temor, pois o céu e a terra só foram criados pelo mérito do temor, como está escrito: “E D'us fez [assim] para que temam diante Dele.” Rabi Yirmiyah disse: Grande é o temor, pois os dois livros que Shlomo escreveu foram concluídos por ele somente com temor, como está escrito)
No Midrash, Rabi Yudan afirma que o céu e a terra só foram criados pelo mérito do temor, e Rabi Yirmiyah observa que o Rei Shlomo concluiu ambos os seus livros com o temor.
(בספר משלי סס״י [סוף סימן] ל״א) שקר החן והבל4 היופי אשה יראת5 ה׳ היא תתהלל.6 ובסיפרא הדין כתיב סוף דבר הכל נשמע את האלקים ירא.7
(no livro de Mishlei, no fim do capítulo 31): “A graça é falsa e a beleza é vã; a mulher que teme Havayá, ela será louvada.” E neste livro está escrito: “O fim da questão, depois de tudo ter sido ouvido: teme a D'us.”
Mishlei termina com “a mulher que teme Havayá, ela será louvada” (31:30), e Kohelet termina com “O fim da questão… teme a D'us” (12:13).
ועיין מענין יראת ה׳ היא תתהלל פ״ב [פרק ב׳] דסנהדרין (ד״כ ע״א). וברבות שמות פ׳ א׳ ע״פ ותיראן המילדות ובספר חסידים סי׳ קנ״ח.
E veja, a respeito do tema “a mulher que teme Havayá, ela será louvada”, o segundo capítulo de Sanhedrin (20a); e Shemot Rabbá, seção 1, sobre “E as parteiras temeram”; e Sefer Chasidim, seção 158.
O texto apresenta outras fontes sobre Mishlei 31:30: o Talmud (Sanhedrin 20a), que aplica o louvor do temor a gerações e indivíduos específicos; o Midrash (Shemot Rabbá), sobre as parteiras no Egito que temeram a D'us; e Sefer Chasidim §158, que enumera dezoito versículos sobre o temor, incluindo este.
כי הנה תכלית בריאת העולמות8 מאין ליש הוא כדי שיהיה יש ויהיה היש בטל. והיינו בדמת מלכותו ית׳ כי אין מלך בלא עם91011 כו׳.
Pois o propósito da criação dos mundos, do nada para algo, é que haja um algo e que esse algo se anule. Isto é, [para] o Seu reinado, bendito seja Ele, pois “não há rei sem povo”, etc.
Por que o temor é o propósito: D'us criou os mundos do nada para que houvesse um “algo”, uma existência aparentemente independente, que então se põe de lado diante Dele. Este é o significado do reinado, pois “não há rei sem povo”: um rei precisa de súditos distintos dele, que aceitem seu governo.
Todas as 613 mitsvot, assim como os membros e tendões do corpo, existem para revelar o temor, isto é, pôr de lado a própria vontade diante do Rei; o Midrash e os finais dos livros de Shlomo confirmam isso. A razão é que o propósito da criação é haver um “algo” que se anule, pois não há rei sem povo.
O princípio “não há rei sem povo” é citado pela nota da Kehot a partir de Rabbeinu Bachya (sobre Gênesis 38:30 e o início de Balak). No comentário de Bachya a Balak, um governante sem povo perde o título de rei; neste maamar, o mundo criado é o “povo” que torna possível o reinado de D'us.
Marei mekomot
- 1ויצונו ה׳ לעשות את כל החוקים · Deuteronomy 6:24
- 2
- 3ידעתי . . יעשה האלקים · Ecclesiastes 3:14
- 4
- 5שקר החן והבל היופי אשה יראת ה׳ היא תתהלל · Proverbs 31:30
- 6יראת ה׳ היא תתהלל · Sefer Chasidim 158:1
- 7סוף דבר הכל נשמע את האלקים ירא · Ecclesiastes 12:13
- 8כי הנה תכלית בריאת העולמות . . בא״ס ב״ה ממש · מובא אוה״ת שמות ע׳ פח.
- 9אין מלך בלא עם · בחיי וישב לח, ל. ור״פ בלק. ועוד.
- 10אין מלך בלא עם · Rabbeinu Bahya, Bereshit 38:30
- 11אין מלך בלא עם · Rabbeinu Bahya, Bamidbar 22:2
18ומלכותך מלכות כל עולמים שהעולמות וההעלם היא רק מבחינת מלכותך ואין התכלית להיות העלם אלא
“Teu reinado é um reinado sobre todos os mundos (olamim)”: os mundos e o ocultamento (he’elem) provêm apenas do nível de Teu reinado; e o propósito não é que haja ocultamento, mas sim
Tehilim 145:13 diz: “Teu reinado é um reinado sobre todos os mundos.” A palavra hebraica para “mundos”, olamim, está relacionada a he’elem, “ocultamento”: tanto os mundos quanto o ocultamento de D'us neles provêm de Seu reinado, Malchut, mas o ocultamento não é o objetivo.
כדי שיתגלה מלכותו ית׳ ובהתגלות כבוד מלכותו ית׳ הרי זה ביטול היש לבחי׳ מלכותו המיוחדת בו בא״ס ב״ה ממש וכל זה מפני שכך עלה ברצונו להיות נח״ר [נחת רוח] בביטול היש ואתכפייא דסט״א [דסטרא אחרא].1
que Seu reinado, bendito seja Ele, seja revelado. E, na revelação da glória de Seu reinado, bendito seja Ele, há a anulação da existência perante o nível de Seu reinado, que está unido a Ele, ao próprio Infinito (Ein Sof), bendito seja Ele. E tudo isso ocorre porque assim surgiu em Sua vontade: que houvesse satisfação (nachat ruach) na anulação da existência e na subjugação da sitra achra (o outro lado).
O objetivo é que Seu reinado seja revelado; quando isso acontece, o “algo” é anulado diante de Sua Malchut, que é una com o Infinito. D'us quis isso: Ele tem “satisfação” quando o algo é anulado e a sitra achra, o lado oposto à santidade, é subjugada.
Os mundos provêm da Malchut de D'us e O ocultam, mas seu propósito é que Seu reinado seja revelado neles, anulando a sensação de existência independente; isso é o que proporciona satisfação a D'us.
Marei mekomot
- 1מלכותך מכ״ע · Psalms 145:13
19וזהו צחוק עשה לי אלקים1 שמדת אלקים והצמצום2 להיות יש מאין הוא בשביל בחי׳ צחוק שיהיה לעתיד לבא כל השומע יצחק לי לעתיד בביטול היש ונגלה כבוד3 ה׳ כו׳
E este é [o significado de] “Elokim fez-me rir”: o atributo de Elokim e o tsimtsum (contração), para que haja algo a partir do nada, existem em função do nível de riso que haverá no tempo vindouro: “todo aquele que ouvir rirá comigo”, no tempo vindouro, quando o algo for anulado, “e a glória de Havayá será revelada”, etc.
As palavras de Sara ao nascer Yitschac — “Elokim fez-me rir; todo aquele que ouvir rirá comigo” (Genesis 21:6) — são interpretadas como uma afirmação sobre a criação. O Nome Elokim, o poder de contração que faz surgir algo a partir do nada, existe em função do “riso” do tempo vindouro, quando o algo será anulado e “a glória de Havayá será revelada” (Isaiah 40:5).
והיינו ע״י עסק תורתנו ועבודתנו כל ימי משך הגלות שעיקר כוונת המצות בסור מרע ובעשה טוב להיות בחי׳ בטל רצונך45 הנ״ל ועי״ז נעשה ביטול היש בכל יום מעט מעט.
Isto é, por meio do estudo da nossa Torá e do nosso serviço durante todos os dias do exílio; pois o propósito principal das mitzvot, tanto em “afasta-te do mal” quanto em “faz o bem”, é que haja o nível de “anula a tua vontade”, mencionado acima; e, por meio disso, a anulação do algo ocorre todos os dias, pouco a pouco.
Esse futuro é alcançado por meio do estudo da Torá e do serviço divino durante todo o exílio. O propósito de cada mitzvá, positiva ou negativa, é “anula a tua vontade” (Avos 2:4); assim, o algo é anulado um pouco mais a cada dia.
אך בר״ה [בראש השנה] ועשי״ת [ועשרת ימי תשובה] שהם כללות השנה צריך להמשיך כללות ביטול זה להיות המשכת הביטול על כל השנה.
Mas, em Rosh Hashanah e nos Dez Dias de Teshuvá, que são a expressão geral e coletiva (klalus) do ano, é preciso atrair essa anulação em sua expressão geral e coletiva, para que a atração da anulação se estenda ao longo de todo o ano.
Rosh Hashanah e os Dez Dias de Teshuvá contêm o ano inteiro em sua forma geral. Portanto, é preciso atrair neles essa anulação em sua forma geral, para que ela se estenda por todo o ano.
A criação por meio do Nome Elokim existe em função da alegria futura, quando a existência criada será anulada e a glória de D'us será revelada; o serviço diário alcança isso pouco a pouco, e os Dez Dias de Teshuvá atraem essa anulação para todo o ano.
A nota da Kehot remete às fontes indicadas no início do primeiro maamar de Shabat Shuvah em Likkutei Torah, que aborda o atributo de Elokim e o tsimtsum como produtores de um mundo de separação, e o Nome Havayá prevalecendo sobre o Nome Elokim.
Marei mekomot
- 1צחוק עשה לי אלקים · Genesis 21:6
- 2שמדת אלקים והצמצום · נסמן לעיל סד, ג.
- 3ונגלה כבוד ה׳ · Isaiah 40:5
- 4בטל רצונך · אבות פ״ב, מ״ד.
- 5בטל רצונך · Pirkei Avot 2:4
20ולזאת צריך להמשיך מבחי׳ פנים העליונים את פניך הוי׳ אבקש ממעמקים קראתיך הוי׳ שהוא מאור א״ס ב״ה הסוכ״ע שלמעלה מן החכמה והתורה.
Portanto, é preciso atrair do nível da Face Suprema: “Buscarei Tua face, Havayá”; “Das profundezas clamei a Ti, Havayá”, que provém da Luz Infinita (Or Ein Sof), bendito seja Ele, a luz que circunda todos os mundos (sovev kol almin), que está acima de Chochmá e da Torá.
Para provocar essa anulação da existência criada ao longo de todo o ano, é preciso atrair da “face” suprema de D'us, a luz buscada em “Buscarei Tua face, Havayá” e “Das profundezas clamei a Ti”. Essa é a Luz Infinita que circunda todos os mundos, acima de Chochmá e da Torá.
וזהו ענין ברכת המצות שתיקנו חז״ל [חכמינו זכרונם לברכה] לומר קודם כל מצוה ברוך אתה כו׳ לפי שצ ריך להמשיך בחי׳ מלך העולם ע״י עשיית המצות בשביל
E este é o sentido da bênção sobre as mitsvot, que nossos Sábios, de abençoada memória, instituíram recitar antes de cada mitsvá: “Bendito és Tu”, etc. Pois é preciso atrair o nível de “Rei do mundo” por meio da realização das mitsvot, em razão de
Isso explica a bênção que os Sábios instituíram antes de cada mitsvá: “Bendito és Tu, Havayá, nosso D'us, Rei do mundo, que nos santificou com Seus mandamentos...”. A realização de uma mitsvá atrai D'us como “Rei do mundo”.
אשר קדשנו במצותיו ונמשך בחי׳ ביטול היש להיות התגלות כבוד מלכותו שלא יהיה העולם מעלים ומסתיר החיות שבו עד שנראה בעיני גשמי׳ [גשמיים / גשמיות / גשמית] ליש ודבר בפ״ע [בפני עצמו]
“que nos santificou com Seus mandamentos”; e é atraído o nível da anulação do algo (bitul hayesh), para que se revele a glória de Sua realeza: que o mundo não oculte nem esconda a força vital que nele há, a ponto de parecer aos olhos físicos um algo e uma existência por si mesma,
Como D'us “nos santificou com Seus mandamentos”, cada mitsvá atrai a anulação da existência criada, de modo que Sua realeza seja revelada. Então o mundo deixará de ocultar a força vital divina que há nele, a qual agora faz com que pareça, aos olhos físicos, uma existência independente.
אלא יהיה מלך העולם שהתגלות העולם יהיה בבחי׳ מלך ויבין כל היצור כי העולם הוא בחי׳ מלך בלבד ומלך ועולם הם דבר א׳ ממש וכמ״ש בע״ח [בעץ חיים]1
mas, em vez disso, seja “Rei do mundo”: que a revelação do mundo se dê no nível de “Rei”, e que toda criatura compreenda que o mundo é somente o nível de “Rei”, e que Rei e mundo são, de fato, uma só coisa. Como está escrito em Etz Chaim
Em vez disso, o mundo deve ser “Rei do mundo”: toda criatura deve compreender que o mundo nada mais é do que uma expressão da realeza de D'us, de modo que Rei e mundo sejam verdadeiramente um. O Alter Rebe traz apoio de Etz Chaim.
שהארץ הלזו החומריות הוא מלכות דמלכות דעשיה2 פי׳ שהתהוותה מאין ליש תמיד בכל רגע הוא ע״י הארה והשפעת מל׳ דמל׳ דעשי׳ [דעשיה]. ולזאת בטלה היא במציאות בהשגה וידיעה שמלמעלה למטה וכמ״ש באריכות בסש״ב [בספר של בינונים] שער היחוד והאמונה.3
que esta terra material é Malchut de Malchut de Assiá, isto é, que sua formação do nada em algo ocorre continuamente, a cada instante, por meio da iluminação e influência de Malchut de Malchut de Assiá. Por isso, ela é anulada em sua existência na compreensão e no conhecimento que vêm de cima para baixo, como é explicado extensamente em Sefer Shel Beinonim, Sha'ar HaYichud VehaEmunah.
Etz Chaim chama nossa terra material de “Malchut de Malchut de Assiá”, o nível mais baixo do mundo mais baixo, que é trazida à existência do nada a cada instante pela luz desse nível. Vista de cima, ela não tem, portanto, existência própria, como explica extensamente Sha'ar HaYichud VehaEmunah, do Tanya.
A anulação da impressão de que o mundo possui existência independente precisa ser atraída do nível mais elevado, a “face” de D'us, acima da Torá. É isso que a bênção recitada antes de cada mitsvá realiza: ela atrai “Rei do mundo”, revelando que o mundo, constantemente criado do nada, é um com seu Rei.
A fonte em Etz Chaim (Sha'ar 43, ch. 1, segundo a nota da Kehot) fala da terra mais baixa como Malchut de Malchut de Assiá e como os recipientes exteriores de todos os mundos. Sha'ar HaYichud VehaEmunah, do Tanya, explica que uma criação renovada do nada a cada instante é, da perspectiva de D'us, anulada em sua própria existência.
Marei mekomot
- 1וכמ״ש בע״ח · שמ״ג ציור עולמות אבי״ע (פ״א). [כ].
- 2שהארץ הלזו החומריות הוא מלכות דמלכות דעשיה · Sefer Etz Chaim 43:1
- 3בסש״ב שער היחוד והאמונה · במפתח המקומות שהובא בהם ס׳ התניא — נדפס בס׳ המפתחות לספרי דא״ח דאדה״ז, ע׳ 327 בסופו, מציין ע״ז: ”פ׳ ג׳-ו׳ ?”.
21והנה התהוות העולם הוא רק בשביל אין מלך בלא עם כו׳. ואי לזאת מקדימים ואומרים ברוך אתה.
Ora, a existência do mundo é somente em razão de “não há rei sem povo”, etc. E por isso dizemos primeiro: “Bendito és Tu,”
O mundo existe somente porque “não há rei sem povo”: a realeza de D'us necessita de um mundo distinto Dele, que aceite Seu domínio. Por isso, a bênção sobre uma mitsvá começa com “Bendito és Tu”.
כלומר שיהא ברוך ונמשך ממקור הברכות מאור א״ס ב״ה הסוכ״ע ביטול זה וכנודע שביטול היש הגשמי היותר תחתון במדרגה הוא ע״י הארה והמשכה היותר עליונה
isto é, que essa anulação seja “abençoada”, atraída da fonte das bênçãos, da Luz Infinita (Or Ein Sof), bendito seja Ele, a luz que circunda todos os mundos (sovev kol almin). Como é sabido, a anulação da existência física, que é a mais baixa em grau, ocorre por meio da mais elevada iluminação e atração
“Abençoado” (baruch) é entendido como “atraído”: pedimos que essa anulação seja atraída da fonte de todas as bênçãos, da Luz Infinita que circunda todos os mundos. Pois a coisa mais baixa, a existência física, só pode ser anulada pela luz mais elevada.
(ועמ״ש בפ׳ בראשית בד״ה להבין הטעם1 כו׳ ובד״ה ולהבין בתוספת ביאור2 ענין וייצר כו ע״ש ועמ״ש בפ׳ תצוה סד״ה ועשית בגדי קדש ותכלית וסוף הברכה כו׳ ועמ״ש במק״מ [במקדש מלך] פ׳ צו)
(e veja o que está escrito em Parashat Bereishis, no maamar que começa “Para entender a razão”, etc., e no maamar que começa “E para entender, com uma explicação adicional do tema de ‘E Ele formou’”, etc.; veja lá. E veja o que está escrito em Parashat Tetzaveh, no final do maamar que começa “E farás vestes sagradas”: o propósito e o fim da bênção, etc. E veja o que está escrito no Mikdash Melech, Parashat Tzav)
O parêntese enumera os lugares em que isso é explicado: dois maamarim em Torah Ohr, Bereishis, sobre por que o corpo do homem foi formado de maneira diferente da dos demais seres e sobre “E Havayah Elokim formou o homem”; o final do maamar de Torah Ohr “E farás vestes sagradas” (Tetzaveh), sobre o propósito e o fim da bênção; e o comentário do Mikdash Melech sobre o Zohar, Tzav.
(בדף כ״ו ע״ב)3 שהוא בא ממקום גבוה כו׳ שה״ס [שהר סיני] בשכמל״ו [ברוך שם כבוד מלכותו לעולם ועד] כו׳ ע״ש ולכן כדי לבא לבחי׳ זו שיהיה גילוי מלכותו
(na página 26b), que vem de um lugar elevado, etc., o que constitui o mistério de “Bendito seja o Nome da glória de Seu reino para todo o sempre”, etc.; veja lá. E, portanto, para alcançar esse nível, que haja uma revelação de Sua realeza,
O Mikdash Melech explica ali que isso vem de um lugar muito elevado, o significado místico de “Bendito seja o Nome da glória de Seu reino para todo o sempre”. Portanto, a revelação da realeza de D'us no mundo físico exige uma preparação.
ית׳ בבחי׳ ביטול היש הגשמי צריך להקדים בחינת תשובה עילאה את פניך הוי׳ אבקש וממעמקים קראתיך הוי׳ כמים הפנים ע״י עומק הלב למסור נפשו באחד.
que Ele seja louvado, no nível da anulação da existência física, é preciso primeiro alcançar o nível da teshuvá superior: “Buscarei a Tua face, Havayá”; “Das profundezas clamei a Ti, Havayá”; “como a água [reflete] face a face”, pela profundidade do coração, para entregar a própria alma em [declarar D'us] Um.
Para revelar a realeza de D'us no mundo físico, é preciso primeiro alcançar a teshuvá superior: buscar a face de D'us desde a profundidade do coração, “como a água reflete face a face”, a ponto de estar pronto para entregar a própria vida ao proclamar o “Um” do Shemá.
Como a existência mais baixa, a física, só pode ser anulada pela luz mais elevada, a bênção sobre uma mitsvá começa com “Bendito és Tu”, atraindo essa luz para baixo; e, para recebê-la, é preciso primeiro alcançar a teshuvá superior que brota da profundidade do coração.
O princípio de que o nível mais baixo só é alcançado por meio do mais elevado reaparece ao longo da Chassidut. Aqui, ele explica por que os Dez Dias de Teshuvá, com a teshuvá que vem da profundidade do coração, são o momento de atrair a anulação do mundo físico para todo o ano.
Marei mekomot
- 1בד״ה להבין הטעם · תו״א ג, ד.
- 2ובד״ה ולהבין בתוספות ביאור · תו״א ד, א.
- 3ועמ״ש במק״מ פ׳ צו (בדף כ״ו ע״ב) · ראה גם לעיל פ׳ שלח מ, א.
22וזהו ענין יחודא עילאה תחלה בק״ש [בקריאת שמע] הוי׳ אלקינו הוי׳ אחד אחד ממש דכולא קמי׳ [קמיה] כלא1 וכאין ממש ואח״כ יחודא תתאה בשכמל״ו [ברוך שם כבוד מלכותו לעולם ועד] שנראה ונתגלה בחי׳ יש אך היש בטל לאין בשביל התגלות כבוד מלכותו ית׳.2
E este é o conceito da unidade superior (yichudá ilaá) que vem primeiro, no Shemá: “Havayá é nosso D'us, Havayá é Um”, verdadeiramente Um, pois tudo diante Dele é como nada, verdadeiramente como inexistente; e, depois, a unidade inferior (yichudá tataá), em “Bendito seja o Nome da glória de Seu reino para todo o sempre”, na qual o nível de algo é visto e revelado; contudo, aquilo que existe é anulado ao nada, para que se revele a glória de Sua soberania, bendito seja Ele.
A mesma ordem aparece no Shemá. Primeiro vem a unidade superior (yichudá ilaá): “Havayá é nosso D'us, Havayá é Um”, verdadeiramente Um, pois tudo diante Dele é como nada. Depois vem a unidade inferior (yichudá tataá), em “Bendito seja o Nome da glória de Seu reino para todo o sempre”: a existência criada é vista, mas é anulada para que Sua soberania se revele.
Os dois versículos do Shemá expressam as duas unidades: a superior, na qual nada existe à parte de D'us, e a inferior, na qual o mundo existe, mas é anulado diante de Sua soberania; a unidade superior deve vir primeiro.
O Zohar citado na nota da Kehot (Parte I, 11b) diz que o temor verdadeiro é temer D'us porque Ele é a raiz de todos os mundos e “tudo diante Dele é considerado como nada”. A unidade superior do primeiro versículo do Shemá é a fonte da unidade inferior de “Bendito seja o Nome”.
Marei mekomot
- 1דכולא קמי׳ כלא · Zohar I, 11b
- 2הוי׳ אלקינו הוי׳ אחד · Deuteronomy 6:4
23וכן בברכת המצות ברוך אתה אומרים תחלה הוי׳ אלקינו כלומר שיהיה אלקינו ואנחנו נהי׳ [נהיה] בטלים אליו ית׳ כביטול הרגל לגבי הראש.
Assim também, na bênção sobre as mitsvot, dizemos primeiro: “Bendito és Tu, Havayá, nosso D'us”; isto é, que Ele seja nosso D'us e que nós sejamos anulados diante Dele, bendito seja Ele, assim como o pé é anulado em relação à cabeça.
A bênção sobre uma mitsvá segue a mesma ordem: antes de “Rei do mundo”, dizemos “Havayá, nosso D'us”, pedindo que Ele seja nosso D'us e que sejamos anulados diante Dele. Essa anulação é como a do pé em relação à cabeça: o pé não tem vontade própria e simplesmente segue a cabeça.
וכך ישראל לי ראש1 וברא כרעא דאבוה2 דהביטול הזה הוא בבחינת אחדות ממש שמתאחד ומתכלל באור א״ס ב״ה ומוסר נפשו להעלותה למעלה כמו שהיתה טרם ירידתה שהיתה כלולה במאצילה ב״ה ביחוד גמור.
E assim: “Israel é para Mim uma cabeça”, e “o filho é a perna de seu pai”; pois essa anulação está no nível da verdadeira unidade: a pessoa se torna uma com a Luz Infinita (Or Ein Sof), bendito seja Ele, e entrega sua alma para elevá-la ao alto, tal como era antes de sua descida, quando estava incluída em seu Emanador, bendito seja Ele, em unidade completa.
Duas expressões transmitem essa ideia: “Israel é uma cabeça para Mim” e “o filho é a perna de seu pai”. Trata-se de anulação como união: a alma se torna uma com a Luz Infinita e se entrega, elevando-se ao estado em que se encontrava antes de sua descida, quando estava inteiramente incluída em sua Fonte.
ומזה נמשך אח״כ להיות מלך העולם ביטול היש כעבד לפני מלך כי לי בני3 ישראל עבדים עבדי הם לי דייקא שגם בחינת עבד הוא בבחינת לי ועבדי ועיין מ״ש ע״פ ועתה יגדל נא בפ׳ שלח:
E disso é atraído, em seguida, “Rei do mundo”: a anulação do existente, como a de um servo diante de um rei. Pois “os filhos de Israel são servos para Mim; são Meus servos” — “para Mim”, especificamente —, pois também o nível de servo está no nível de “para Mim”. E veja o que está escrito sobre “E agora, peço, que se engrandeça [o poder]”, na Parashat Shelach.
Dessa união decorre “Rei do mundo”: a anulação do eu criado, como a de um servo diante de seu rei. Levítico 25:55 diz que os filhos de Israel são servos “para Mim”, e o Alter Rebe enfatiza “para Mim”: mesmo como servos, continuam pertencendo a D'us. O texto remete ao discurso sobre Números 14:17, na Parashat Shelach.
A bênção sobre uma mitsvá expressa primeiro a unidade superior, “Havayá, nosso D'us”: a união da alma com D'us, como a de um membro com a cabeça. Dessa unidade decorre a unidade inferior, “Rei do mundo”: a anulação do servo diante de seu rei.
Marei mekomot
- 1ישראל לי ראש · ע״ל שלח (מח, ב). וש״נ. [כ].
- 2וברא כרעא דאבוה · ע״ל (יב, ג). [כ]. וש״נ.
- 3כי לי בנ״י עבדים · Leviticus 25:55
24(קיצור ופי׳ כי עמך הסליחה למען תורא שתכלית המכוון מהמשכות העליונות הנ״ל הוא למען תורא והאלקים עשה שייראו מלפיו והוא ביטול היש. וזהו ענין ברכות המצות):
(Resumo e explicação de “Pois contigo está o perdão, para que sejas temido”: a intenção última das emanações do alto mencionadas acima é “para que sejas temido”, e “D'us fez [com que] temam diante Dele”; isso é a autoanulação (bitul) da existência criada. Esse é o sentido das bênçãos sobre as mitsvot.)
Uma linha de resumo que encerra a quarta seção: o propósito do perdão e das emanações do alto é o temor, que é a autoanulação da existência criada; é isso que as bênçãos sobre as mitsvot expressam.
O resumo da quarta seção: o perdão é “para que sejas temido”, e o temor é a autoanulação do próprio ser, atraída por meio das bênçãos sobre as mitsvot.
Ad: a realeza eterna ¶25–28
25ה והנה בחי׳ זו שהיא התגלות כבוד מלכותו להיות יש מאין שיהא היש בטל לאין נק׳ בשם עד
5. Ora, este nível — que é a revelação da glória de Sua realeza, para que haja algo a partir do nada, de modo que o algo seja anulado ao nada — é chamado pelo nome ad,
A quinta seção retorna à pergunta inicial sobre a palavra ad. O nível descrito há pouco — a realeza de D'us revelada num mundo criado a partir do nada, cuja existência é anulada diante Dele — é chamado ad.
pois ad é um termo que denota eternidade, como em “Não sereis envergonhados nem humilhados, por toda a eternidade (ad olmei ad)”; “Para todo o sempre (le'adei ad) Ele reinará.”
Ad denota eternidade, como em Isaías 45:17, “por toda a eternidade” (ad olmei ad), e no cântico Melech Elyon, “para todo o sempre Ele reinará”.
והנה בדבר שהוא תחת הזמן ממש אין נמשך בבחי׳ נצחיות ובדבר שהוא למעלה מהזמן בבחי׳ א״ס שם לא שייך לשון נצחיות ועולמות שלשון זה אינו נופל כ״א בבחי׳ וגדר זמן שיומשך זמן רב כ״כ [כל כך]
Ora, numa coisa que está realmente sujeita ao tempo, não há prolongamento no sentido de eternidade; e, numa coisa que está acima do tempo, no nível do Infinito, não se aplicam os termos “eternidade” e “mundos”, pois esses termos só se aplicam ao nível e aos limites do tempo, isto é, a algo que perdura por um período tão longo;
A eternidade é uma categoria paradoxal. O que está inteiramente dentro do tempo não é eterno, e o que está inteiramente acima do tempo — o Infinito — também não é chamado eterno, pois eternidade significa durar por um período muito longo.
אבל מה שאינו בבחי׳ וגדר הזמן שם לא שייך המשך הזמן כלל אלא היה הוה ויהיה הכל א׳ ולא שייך בחי׳ זו ולשון זה עולמיות ונצחיות
mas, quanto ao que não está no nível e nos limites do tempo, ali a extensão do tempo não se aplica de modo algum; antes, “foi”, “é” e “será” são todos um só. E este nível e este termo, a permanência e a eternidade, não se aplicam
Para o que está além do tempo, passado, presente e futuro são um só; por isso, “perdurar” não se aplica de modo algum.
אלא בבחי׳ מלכותו יתברך שהוא בבחינת וגדר הזמן מלך מלך וימלוך כמ״ש בסש״ב [בספר של בינונים] ח״ב [חלק ב׳] פ״ז [פרק ז׳].
senão ao nível de Sua realeza, bendito seja Ele, que está no nível e nos limites do tempo: “Ele é Rei, foi Rei e reinará”, como é explicado em Sefer Shel Beinonim, Parte II, capítulo 7.
A eternidade se aplica somente a Malchut, a realeza de D'us, que se relaciona com o tempo, conforme diz a oração: “Havayá é Rei, Havayá foi Rei, Havayá reinará.” Tanya (Parte II, cap. 7) explica que o próprio tempo e o espaço provêm da Malchut de D'us.
Ad, “eternidade”, é o nome da realeza de D'us tal como se revela na criação: a eternidade não pertence nem ao que está simplesmente no tempo nem ao que está além do tempo, mas a Malchut, que se relaciona com o tempo e, ainda assim, perdura sem fim.
A nota da Kehot registra que uma explicação deste maamar, sobre ad como termo de eternidade, se encontra num volume manuscrito conhecido como “Buch Fertel”, e remete ao maamar “Shuvah”, do Rebe, de 5744.
Marei mekomot
- 1עד הוא לשון נצחית · ביאור על ד״ה שובה ישראל עד ל׳ נצחי ע׳ בוך פערטעל שתח״י (כג, א). [כ]. ראה ד״ה שובה — תשד״מ.
- 2לא תבשו ולא תכלמו עד עולמי עד · Isaiah 45:17
- 3לעדי עד ימלוך · פיוט מלך עליון.
26ואעפ״כ [ואף על פי כן] הרי היא הארת א״ס ב״ה שכשמו כן הוא אין לו סוף1 כו׳ וכך בעבודת האדם בגילוי אור
E, apesar disso, ela é uma iluminação do Infinito (Ein Sof), bendito seja Ele, que é exatamente como Seu Nome: Ele não tem fim etc. E assim também, no serviço do homem, por meio da revelação da Luz
No entanto, Malchut é uma iluminação do Infinito, e “Ele é exatamente como Seu Nome”: Ein Sof significa “sem fim”. Por isso, a realeza relacionada ao tempo perdura sem fim.
א״ס ב״ה על נפשו תכון מלכותו יתברך לעד הקרב האדם להיות גילוי כבוד מלכותו בבחי׳ בטל רצונך לנצח כל ימיו בל תמוט:
do Infinito, bendito seja Ele, sobre sua alma, que Sua realeza, bendito seja Ele, “se estabeleça” para sempre (la'ad) dentro da pessoa, para que haja uma revelação da glória de Sua realeza no nível de “anula tua vontade”, por toda a eternidade, todos os seus dias, “que não seja abalada”.
O mesmo se aplica ao serviço da pessoa. Quando a Luz Infinita é revelada em sua alma, a realeza de D'us se estabelece dentro dela “para sempre” (la'ad): uma constante “anula tua vontade” durante todos os seus dias, que nada pode abalar.
Como Malchut é um raio do Ein Sof sem fim, seu domínio é eterno; e, quando a Luz Infinita é revelada na alma da pessoa, a realeza de D'us se estabelece nela permanentemente.
Marei mekomot
- 1שכשמו כן הוא אין לו סוף · ראה אוה״ת ענינים ע׳ קמב שמציין לכאן. ראה שם בהערה בשולי הגליון.
27וזהו שובה ישראל עד.1 פי׳ להשיב בחי׳ עד היא בחי׳ התגלות כבוד מלכותו למקורה ושרשה הוא אור א״ס ב״ה ממש
E este é [o sentido de] “Retorna, ó Israel, até (ad)”: isto é, fazer retornar o nível de ad, que é o nível da revelação da glória de Sua realeza, à sua fonte e raiz, que é a própria Luz Infinita (Or Ein Sof), bendito seja Ele.
Agora é explicado o versículo inicial. “Retorna, ó Israel, ad” emprega shuvá em sentido transitivo: fazer retornar o nível de ad — a realeza de D'us tal como se revela no mundo — à sua fonte, a própria Luz Infinita.
כי הארת אור א״ס בבחי׳ התגלות מלכותו ית׳ שמאיר ומתגלה בבחי׳ מלך העולם שלא יהא העולם מעלים כו׳ תלוי בעבודת האדם בגילוי אור א״ס ב״ה על נפשו וכמארז״ל [וכמאמר רבותינו זכרונם לברכה] גלו לאדום שכינה עמהם.23
Pois a iluminação da Luz Infinita no nível da revelação de Sua realeza, bendito seja Ele — que brilha e se revela no nível de “Rei do mundo”, para que o mundo não encubra etc. — depende do serviço do homem, por meio da revelação da Luz Infinita, bendito seja Ele, em sua alma; e como disseram nossos Sábios, de abençoada memória: “Foram exilados para Edom; a Shechiná está com eles.”
O fato de o mundo encobrir ou revelar a realeza de D'us depende do serviço humano, da revelação da Luz Infinita na alma da pessoa. Como dizem os Sábios (Sifrei), aonde quer que Israel fosse exilado, até mesmo para Edom, a Shechiná os acompanhava: a presença de D'us no mundo acompanha a condição de Seu povo.
Isso responde à pergunta inicial: “Retorna, ó Israel, ad Havayá” significa fazer retornar ad — a realeza de D'us no mundo — à sua fonte na Luz Infinita. Esse retorno depende do serviço de cada judeu, pois a Shechiná compartilha o exílio de Israel.
A nota da Kehot também remete ao segundo maamar de Ki Teitzei em Likkutei Torah para a afirmação sobre a Shechiná no exílio. A nota inicial do maamar registra que o Tzemach Tzedek destacou esta interpretação de “ad” como Malchut retornando à sua fonte.
Marei mekomot
- 1שובה ישראל עד · Hosea 14:2
- 2גלו לאדום שכינה עמהם · ספרי במדבר לה, לד. ע״ל כי תצא הב׳ (לה, סע״ד). [כ].
- 3גלו לאדום שכינה עמהם · Sifrei Bamidbar 161:5
28וכך כשנמשך אחר גופו ונפשו הבהמית שמקליפת וסט״א [וסטרא אחרא] שניצוץ אלקות שבו הוא בגלות הגוף כו׳.
E assim também, quando ele é atraído por seu corpo e por sua alma animal, que provém de kelipá e da sitra achra (o outro lado), a centelha de divindade que há nele está no exílio do corpo, etc.
Assim como a Shechiná vai para o exílio junto com Israel, a pessoa que segue seu corpo e sua alma animal, que provêm de kelipá e da sitra achra, envia a centelha de divindade que há nela para o “exílio” no corpo.
והעיקר להשיבה1 בבחינת עד דהיינו שתהי׳ [שתהיה] הארה זו בה לנצח ולעולם ועד בל תמוט ולא שיהיה לפרקים ועתים מזומנים בלבד
E o principal é fazê-la retornar na condição de ad: isto é, que essa iluminação permaneça nela para a eternidade, para todo o sempre, sem jamais vacilar, e não apenas em intervalos e ocasiões determinadas;
O principal é fazê-la retornar “na condição de ad”: que a luz de D'us permaneça nele permanentemente, sem jamais vacilar, e não apenas em certos momentos. A nota da Kehot cita o Tzemach Tzedek, segundo o qual o nível que retorna aqui é o de Malchut.
רק תהיה יראת ה׳ על פניו בגילוי כבוד מלכותו ית׳ תמיד כי הארה שהיא לפרקים נק׳ בשם דודים רק להיות יחודא תתאה
mas que o temor a D'us esteja sempre diante de seu rosto, com a revelação da glória de Sua realeza, bendito seja Ele. Pois uma iluminação que vem em intervalos é chamada de dodim (“amantes”); ao contrário, [o objetivo é] que a unidade inferior (yichudá tataá) seja
O temor a D'us deve repousar constantemente sobre seu rosto, com a realeza de D'us sempre revelada para ele. Uma iluminação que vem e vai é chamada de dodim, “amantes”: eles anseiam um pelo outro, mas não estão sempre juntos.
כמו יחודא עילאה בחי׳ תרין ריעין דלא מתפרשין2 (וזהו כמ״ש אהל בל יצען ובל יסע יתדותיו לנצח)3 (בישעיה סי׳ ל״ג כ׳ [כתב]) והיינו
como a unidade superior (yichudá ilaá), o nível de “dois companheiros que nunca se separam” (e isto é o que está escrito: “uma tenda que não será removida, cujas estacas jamais serão arrancadas”) (Isaías, capítulo 33, [versículo] 20). E isto é
O objetivo é que a unidade inferior se torne como a unidade superior, que o Zohar chama de “dois companheiros que nunca se separam”. Isaías 33:20 descreve essa permanência: “uma tenda que não será removida, cujas estacas jamais serão arrancadas”.
כמו שכתוב בלק״ת [בלקוטי תורה (להאריז״ל)] בזכריה4 ע״פ ביום ההוא יהיה5 שבחי׳ ו״ה יהיו במדרגת י״ה כו׳ וממילא יהיה אהל בל יצען.
como está escrito no Likkutei Torah do Arizal sobre Zechariá, a respeito de “Naquele dia [Havayá] será [Um]”: o nível de vav-hei estará no grau de yud-hei, etc.; e, consequentemente, haverá “uma tenda que não será removida”,
O Likkutei Torah do Arizal sobre Zechariá 14:9, “Naquele dia Havayá será Um”, diz que, no futuro, as duas últimas letras do Nome, vav-hei, estarão no nível das duas primeiras, yud-hei. Então Malchut será uma “tenda” que nunca se move.
כמ״ש בעמה״מ [בעמק המלך] שער הששי ס״פ מ״ז וע׳ מזה בזח״א [בזהר חלק א] בראשית (נ״ג א׳). ויחי (דרל״ט א׳). וס״פ תשא (קצ״ד א׳).
como está escrito em Emek HaMelech, Gate Six, no final do capítulo 47. E veja sobre isso o Zohar, Part I, Bereishis (53a), Vayechi (239a) e o final de Tisa (194a).
O mesmo ensinamento aparece em Emek HaMelech, uma obra cabalística, e o texto lista três passagens do Zohar que o discutem.
והיינו כי עכשיו יש בבחי׳ מל׳ עליות וירידות ולכן נק׳ אהל מועד לשון זמן קצוב שמקדש ראשון עמד ת״י שנה כו׳ משא״כ לע״ל [לעתיד לבוא]6 לא יהיה שינויים כ״א בל יצען.
Isto é, atualmente há ascensões e descidas no nível de Malchut, e por isso ela é chamada de “Tenda do Encontro (ohel mo'ed)”, expressão que indica um tempo determinado, pois o Primeiro Templo permaneceu de pé por 410 anos, etc.; ao passo que, no tempo futuro, não haverá mudanças, mas sim: “não será removida”.
Atualmente, Malchut sobe e desce; por isso é chamada Ohel Mo'ed, a “Tenda do Encontro”, sendo mo'ed um tempo marcado, como o Primeiro Templo, que permaneceu de pé por 410 anos e depois caiu. No tempo futuro, não haverá tais mudanças.
E isto ocorrerá por meio da revelação do nível da luz que circunda todos os mundos (sovev kol almin), como é explicado a respeito disso no final do discurso que começa com “Conhece este dia e leva-o ao coração”, sobre o assunto de “e a terra se encherá de conhecimento”, etc.
Essa permanência virá da revelação da luz que circunda todos os mundos, que não muda. O texto remete ao discurso sobre “Conhece este dia” (Deuteronômio 4:39) e “a terra se encherá de conhecimento” (Isaías 11:9).
וזהו נאוה שאנן אהל בל יצען. כי נוה שאנן זהו ההמשכה מבחי׳ אני ה׳ לא שניתי9 כמ״ש באד״ר [באדרא רבא] (דקל״ז סע״א [סוף עמוד א])10 נוה שאנן לעתיק יומין אתמר.11
E este é [o significado de] “uma habitação tranquila, uma tenda que não será deslocada”. Pois “habitação tranquila” (naveh sha'anan) é a extensão que procede do nível de “Eu, Havayá, não mudei”, como está escrito na Idra Rabá (fim de 137a): “‘Habitação tranquila’ é dito a respeito de Atik Yomin.”
Isaías 33:20 chama Jerusalém de “uma habitação tranquila”. A Idra Rabá, no Zohar, diz que essa expressão se refere a Atik Yomin, o nível de “Eu, Havayá, não mudei” (Malachi 3:6), que está absolutamente além de qualquer mudança.
ומבחי׳ זו יומשך שיהיה אהל בל יצען כו׳ בל יסע יתדותיו. יתד הוא המקשר ומחבר האהל עם הארץ (כמ״ש רש״י [רבי שלמה יצחקי] בחומש ס״פ תרומה)12
E desse nível será estendida a condição de haver “uma tenda que não será deslocada”, etc., “cujas estacas nunca serão arrancadas”. Uma estaca é aquilo que prende e une a tenda ao solo (como Rashi escreve no Chumash, no fim de Terumá);
Desse nível imutável provém a tenda que jamais será deslocada. Rashi explica, no fim de Terumá, que as estacas prendem a tenda ao solo.
וזהו ענין כי כל בשמים ובארץ13 דאחיד בשמיא וארעא ועמ״ש סד״ה כי ההרים ימושו1415 גבי וברית שלומי לא תמוט.
e este é o significado de “pois tudo o que há nos céus e na terra”, “que mantém unidos os céus e a terra”. E veja o que está escrito no fim do discurso que começa “Pois os montes se afastarão”, a respeito de “e Minha aliança de paz não será deslocada”.
A estaca é, assim, semelhante ao que I Chronicles 29:11 chama de “tudo o que há nos céus e na terra”, entendido como “aquilo que mantém unidos os céus e a terra”. O texto remete ao discurso sobre Isaiah 54:10: “Pois os montes se afastarão [...] mas Minha aliança de paz não será deslocada”.
וזהו כי כה אמר רם ונשא שוכן עד.16 וכמ״ש ה׳ ימלוך לעולם ועד.17 וזהו ענין יהא שמיה רבא מברך לעלם ולעלמי עלמיא.
E este é [o significado de] “Pois assim diz o Alto e Exaltado, que habita para sempre (shochen ad)”. E como está escrito: “Havayá reinará para sempre e eternamente (le'olam va'ed)”. E este é o significado de “Que Seu grande Nome seja bendito para sempre e por toda a eternidade”.
Vários versículos falam dessa realeza eterna, ad: D'us, “que habita para sempre (ad)” (Isaiah 57:15); “Havayá reinará para sempre e eternamente” (Exodus 15:18); e o Kadish: “Que Seu grande Nome seja bendito para sempre e por toda a eternidade”.
דפירוש שמיה רבא היינו שמו הגדול שהוא בחי׳ אור א״ס ממש ולכן עי״ז יהיה הברכה וההמשכה לעלם ולעלמי עלמיא בבחי׳ בל יצען כו׳.
Pois o significado de shmei rabba é “Seu grande Nome”, que é o nível da própria Luz Infinita (Or Ein Sof); e, portanto, por meio disso, a bênção e a extensão serão “para sempre e por toda a eternidade”, à maneira de “não será deslocada”, etc.
“Seu grande Nome”, no Kadish, é a própria Luz Infinita. Uma bênção estendida dessa luz perdura “para sempre e por toda a eternidade”, como a tenda que não será deslocada.
E tudo isso se dá pelo poder da teshuvá; e este é [o significado de] “Retorna, ó Israel, até (ad)”. E veja a respeito de “Retorna, ó Israel” no Midrash Rabbah, Vayeshev, seção 84.
Tudo isso é alcançado por meio da teshuvá, e esse é o significado de “Retorna, ó Israel, até (ad)”. O Midrash citado (Bereshit Rabbah 84:19) diz que, por Reuven ter sido o primeiro a se arrepender, seu descendente Hoshea começaria com “Retorna, ó Israel”.
Fazer retornar “ad” significa tornar permanente a realeza de D'us na alma, em vez de intermitente: a unidade inferior tornando-se como a superior, Malchut como Biná, uma tenda que nunca será removida. Essa permanência provém da luz imutável que está acima de todos os mundos e é alcançada por meio da teshuvá.
O Zohar (Part III, 4a) distingue os “companheiros” (re'im), que estão sempre juntos — o par superior — dos “amantes” (dodim), que anseiam um pelo outro, mas não estão sempre juntos — o par inferior. O Tzemach Tzedek, citado na nota da Kehot, resume esta passagem: o nível de Malchut será como o nível de Biná, pois Abá e Imá são “dois companheiros”, como afirma o Likkutei Torah do Arizal sobre Zechariá. Em outra passagem do Likkutei Torah (Tzav), a mesma ideia é associada a “a luz da lua será como a luz do sol”: uma luz sem mudanças.
Marei mekomot
- 1והעיקר להשיבה · אוה״ת בראשית תקנו, א: (ר״ל בחי׳ מל׳).
- 2בחי׳ תרין ריעין דלא מתפרשין · Zohar II, 56a
- 3אהל בל יצען ובל יסע יתדותיו לנצח · Isaiah 33:20
- 4בלק״ת בזכריה · ראה לקו״ת פ׳ ואתחנן ע׳ פח. וראה שם ע׳ פט שמציין לכאן. אוה״ת פ׳ תצוה ע׳ א׳תקפג וז״ל ”ומבואר מזה בביאור ע״פ שובה ישראל עד שיהיה מדריגת המל׳ כמו מדריגת הבינה. שאו״א הם תרין ריעין וכמ״ש בלקו״ת בזכריה ע״פ ביום ההוא יהי׳”. ע״ש. לקו״ת זה נזכר לעיל פ׳ צו יא, ג. פ׳ במדבר יט, ג. פ׳ תבוא מג, ג. ר״ה נט, ד.
- 5ביום ההוא יהיה · Zechariah 14:9
- 6שמקדש ראשון עמד ת״י שנה כו׳ משא״כ לע״ל · ראה ביאוה״ז לאדה״א קא, ב. ובאוה״ת פ׳ ואתחנן ע׳ פח.
- 7וידעת היום והשבות · Deuteronomy 4:39
- 8ומלאה הארץ דעה · Isaiah 11:9
- 9אני ה׳ לא שניתי · Malachi 3:6
- 10כמ״ש באד״ר (דקל״ז סע״א) · ”מבואר באד״ר דקל״ז סע״א שהוא ע״י המשכת מו״ס דעתיקא, ובאדר״ז דרצ״ג סע״ב, ומזה יומשך שיהי׳ אהל בל יצען”. — אוה״ת פ׳ תצוה ע׳ א׳תקפג. ונזכר גם באוה״ת פ׳ ואתחנן ע׳ פט. וביהל אור ע׳ רלז.
- 11נוה שאנן לעתיק יומין אתמר · Zohar, Idra Rabba 29:209–220
- 12יתד הוא המקשר ומחבר . . ס״פ תרומה · נתבאר באוה״ת פ׳ תצוה ע׳ א׳תקפב ואילך.
- 13כי כל בשמים ובארץ · I Chronicles 29:11
- 14סד״ה כי ההרים ימושו · לעיל תצא מא, ב.
- 15כי ההרים ימושו · Isaiah 54:10
- 16כי כה אמר רם ונשא שוכן עד · Isaiah 57:15
- 17ה׳ ימלוך לעולם ועד · Exodus 15:18
- 18שובה ישראל · Bereshit Rabbah 84:19
- 19להיות יחוד״ת כמו יחו״ע . . אהל בל יצען · ראה באוה״ת פ׳ שלח ע׳ תקיח, דשם מפרש באופן אחר, ומוסיף ומ״מ אמת ג״כ כמש״ל. ע״ש.
“Tomai convosco palavras” ¶29–34
“Pois tropeçaste em tua iniquidade”: por causa do pecado, ele tropeça, como uma pessoa que tropeça com o pé e cai de cabeça. Assim: “Foram exilados para Edom; a Shechiná está com eles.”
Hosea 14:2 continua: “pois tropeçaste em tua iniquidade”. O pecado é um tropeço em que a pessoa tropeça e cai de cabeça, de modo que a parte mais elevada acaba embaixo; assim também, quando Israel pecou, a Shechiná foi com eles para o exílio em Edom.
והעצה היעוצה היא קחו עמכם דברים3 היינו התעוררות י״ג מדה״ר [מדות הרחמים] בעשי״ת [בעשרת ימי תשובה] שהם רחמים עליונים רחמים פשוטים מבחי׳ ויעבור הוי׳ על פניו4 והיא היא בחי׳ תשובה עילאה מעומקא דליבא ויצעקו אל ה׳ בצר להם עד
E o conselho dado é: “Tomai palavras convosco”, isto é, o despertar dos Treze Atributos de Misericórdia nos Dez Dias de Teshuvá, que são misericórdias supernais, misericórdias simples, do nível de “E Havayá passou diante de sua face” (al panav). E isso mesmo é o nível da teshuvá superior, que vem das profundezas do coração: “E clamaram a Havayá em sua aflição”, até
O conselho do profeta (Hosea 14:3) é “Tomai palavras convosco”, que o Alter Rebe identifica com os Treze Atributos de Misericórdia, despertados durante os Dez Dias de Teshuvá. São misericórdias supernais, “simples”, de “E Havayá passou diante de sua face” (Exodus 34:6), e são despertadas pela teshuvá superior do clamor que vem das profundezas do coração.
כי נוגע עד הנפש ממש וחייו תלויין בו ממש שהיא ההארה שלמעלה מטעם ודעת המושג ומובן בהתבוננות שכלו.
que isso toque a própria alma e que a própria vida dependa disso; trata-se da iluminação que está acima da razão e do conhecimento que são apreendidos e compreendidos por meio da contemplação do intelecto da pessoa.
Essa teshuvá alcança a própria alma, como quando a vida de alguém depende de algo. É uma iluminação acima da razão e do conhecimento que a pessoa apreende por meio da contemplação.
O pecado é uma queda em que o mais elevado se torna o mais baixo e a Shechiná vai para o exílio; o remédio é “Tomai palavras convosco”: os Treze Atributos de Misericórdia dos Dez Dias de Teshuvá, despertados pela teshuvá que vem das profundezas do coração.
A nota da Kehot remete ao maamar do Rebe “Shuvah Yisrael”, de 5736, sobre a imagem do tropeço.
Marei mekomot
- 1כי כשלת בעונך · Hosea 14:2
- 2שע״י עון נכשל כאדם הכושל רגלו · ראה ד״ה שובה ישראל תשל״ו (נדפס בסה״מ מלוקט ח״א).
- 3קחו עמכם דברים · Hosea 14:3
- 4ויעבור הוי׳ על פניו · Exodus 34:6
30וכן היג״מ [הי״ג מדות] הן למעלה מבחי׳ חכמה ודעת המושג ומובן. כי שאלו לחכמה1 הנפש החוטאת במה תתכפר2 ואמרה הנפש החוטאת היא תמות.
E, da mesma forma, os Treze Atributos estão acima do nível de Chochmá e do conhecimento (Daat) que podem ser apreendidos e compreendidos. Pois perguntaram à Sabedoria: “A alma que peca, como poderá ser expiada?” E ela respondeu: “A alma que peca, morrerá.”
Os Treze Atributos estão acima de Chochmá e Daat. O Talmud de Jerusalém (Makkos 2:6) relata que perguntaram à Sabedoria o que acontece com o pecador; na versão citada aqui, a Sabedoria responde: “A alma que peca, morrerá.”
כי החכמה מחייבת להיות זו מ״ע [מצות עשה] וזו מל״ת [מצות לא תעשה] ומי שעובר ע״ז ועושה נגד מה שהחכמה מחייבת ראוי לעונש כך וכך ככל העונשין הכתובים בתורה דאורייתא מחכמה נפקת.
Pois a Sabedoria determina que isto seja um mandamento positivo e aquilo, um mandamento proibitivo; e quem transgride isto e age contra o que a Sabedoria determina merece tal e tal punição, como todas as punições escritas na Torá, pois “a Torá emana de Chochmá”.
A Sabedoria determina quais atos são ordenados e quais são proibidos; por isso, quem transgride merece a punição estabelecida pela Torá. Isso decorre de a Torá emanar de Chochmá.
אבל י״ג מדה״ר [מדות הרחמים] שהם לרחם ולחון אע״פ [אף על פי] שאינו3 ראוי הגון וראוי מצד החכמה ונסלח לו הרי הן למעלה מבחי׳ חכמה ודעת.
Mas os Treze Atributos de Misericórdia, que consistem em ter misericórdia e conceder graça mesmo quando a pessoa não é merecedora, adequada nem digna segundo a perspectiva de Chochmá, e ela é perdoada, estão acima do nível de Chochmá e do conhecimento.
Em contraste, os Treze Atributos demonstram misericórdia e concedem graça até mesmo a quem não é digno segundo a medida da sabedoria, e o perdoam. A nota da Kehot cita o Midrash (Shemos Rabbah, end of ch. 45) sobre “Terei graça de quem Eu tiver graça”: graça concedida gratuitamente a quem nada possui.
A Sabedoria, fonte da Torá, só pode julgar o pecador segundo o que ele merece; os Treze Atributos de Misericórdia perdoam até mesmo quem não merece e, portanto, devem provir de um nível acima de Chochmá.
No Talmud de Jerusalém, a Sabedoria responde: “O mal persegue os pecadores”; a Profecia responde: “A alma que peca, morrerá”; e o Santo, bendito seja Ele, responde: “Que faça teshuvá e seja expiado.” A nota da Kehot discute a versão citada aqui, que atribui a segunda resposta à Sabedoria, e indica outros lugares em que ela aparece, incluindo obras do Alter Rebbe e do Rebbe Maharash, bem como Likkutei Sichos do Rebbe.
Marei mekomot
- 1שאלו לחכמה · Jerusalem Talmud Makkot 2:6
- 2שאלו לחכמה הנפש החוטאת במה תתכפר · ראה ירוש׳ מכות פ״ב, ה״ו. יל״ש תהלים רמז תשב. וראה אודות גירסא זו בלקו״ש ח״ד ע׳ 1358 מווי העמודים לבן השל״ה פכ״א. ובסה״מ תרל״ו ח״ב ע׳ שצב (גירסא זו הובאה גם בסה״מ תקס״ב ח״ב ע׳ תקלא. תקס״ג ע׳ כ. תקס״ח ח״ב ע׳ תשיג. ס׳ מאמרי אדה״ז על פרשיות ח״ב ע׳ תרסט. וראה סה״מ תרל״ו שם ע׳ שי וע׳ שמו. לקו״ש ח״ח ע׳ 158. ועוד).
- 3לרחם ולחון אע״פ שאינו הגון · שמו״ר ספמ״ה.
31ולכן נאמר קחו עמכם דברים שהדברים הם עמכם כי עיקר התשובה בלב מקרב איש ולב עמוק עומקא דליבא שלמעלה מעלה מהשכל וההתבוננות.
Portanto, está dito: “Tomai convosco palavras”: as palavras estão convosco, pois a essência da teshuvá está no coração, “o íntimo do homem e um coração profundo”, a profundidade do coração, muito acima do intelecto e da contemplação.
Assim, “Tomai convosco palavras” significa que as palavras já estão “convosco”, dentro de vós. A essência da teshuvá está no coração, “o íntimo do homem e um coração profundo” (Salmos 64:7), muito acima do intelecto e da contemplação.
ואין התשובה באה מחמת התבוננות הדברים האלה אשר ישים אל לבו. כענין שתים ברכות שלפני ק״ש [קריאת שמע] שתיקנו כדי לקיים הק״ש [הקריאת שמע] אחד ואהבת והיינו ע״י התבוננות איך המלאכים מקדישים ואיך אהבת עולם אהבתנו
E a teshuvá não surge da contemplação dessas palavras que a pessoa traz ao coração, como [acontece] com as duas bênçãos que precedem o Shemá, instituídas para cumprir, no Shemá, “Um” e “E amarás”; isto é, por meio da contemplação de como os anjos santificam e de como “Com amor eterno nos amaste”.
A teshuvá não é produzida pela contemplação de ideias. É assim que o amor é produzido nas duas bênçãos que precedem o Shemá: a pessoa contempla como os anjos santificam D'us e como Ele ama Israel com “amor eterno”, a fim de cumprir no Shemá “Um” e “Amarás”.
(ונק׳ בחי׳ התבוננות זו דברים ע״ד ותן בלבנו בינה להבין1 כו׳ היינו להבין דבר מתוך דבר.2 תוך דבר היינו ממכ״ע [ממלא כל עלמין] וצ״ל מזה בחי׳ סוכ״ע כו׳ כמ״ש בד״ה השמים כסאי)3
(E este nível de contemplação é chamado “palavras”, à maneira de “E põe em nosso coração entendimento, para compreender”, etc.; isto é, compreender uma coisa a partir de outra. “Dentro de uma coisa” é a luz que preenche todos os mundos (memalê kol almin), e a partir dela é preciso [chegar] ao nível da luz que circunda todos os mundos (sovev kol almin), etc., como é explicado no discurso que começa “Os céus são Meu trono”.)
Essa contemplação é chamada “palavras”, como na bênção matinal “põe em nosso coração entendimento, para compreender”, e como na definição talmúdica de entendimento (Chagigá 14a): apreender uma coisa a partir de outra. Começa-se pela luz que preenche todos os mundos e chega-se à luz que os circunda; o texto remete ao discurso sobre Isaías 66:1.
אבל בתשובה שהיא מעומקא דליבא אין הדברים מעוררים דהיינו ההבנה וההשגה כי תשובה זו היא למעלה מהשגה והבנה. אלא הדברים הם רק כדי להיות עומקא דליבא זו יוצאת מהעלם אל הגילוי:
Mas, na teshuvá que provém da profundidade do coração, as palavras não despertam — isto é, o entendimento e a compreensão —, pois essa teshuvá está acima da compreensão e do entendimento. As palavras servem apenas para que essa profundidade do coração saia da ocultação para a revelação.
Mas a teshuvá que provém da profundidade do coração não é despertada pelo entendimento, pois está acima do entendimento. As “palavras” servem apenas para trazer à luz essa profundidade oculta do coração.
As “palavras” da teshuvá já estão dentro da pessoa: ao contrário do amor produzido pela contemplação antes do Shemá, a teshuvá que provém da profundidade do coração está acima do entendimento, e as palavras apenas ajudam a revelá-la.
A nota da Kehot identifica “põe em nosso coração entendimento” como a bênção matinal que precede o Shemá e acrescenta Sanhedrin 93b, junto com Chagigá 14a, como fonte de “compreender uma coisa a partir de outra”.
Marei mekomot
- 1ותן בלבנו בינה להבין · ברכת ק״ש של שחרית.
- 2היינו להבין דבר מתוך דבר · Chagigah 14a:12
- 3השמים כסאי · Isaiah 66:1
“Dize-Lhe: Perdoa toda iniquidade (kol tisa avon)”: pois Tu és “tudo” (kol) e a expressão geral e coletiva de tudo, isto é, o nível da Luz Infinita (Or Ein Sof), bendito seja Ele, a luz que circunda todos os mundos (sovev kol almin), que está acima de Chochmá.
O versículo continua: “Dize-Lhe: kol tisa avon”, geralmente entendido como “perdoa toda iniquidade”. O Alter Rebe o interpreta como “Tu, que és Tudo (kol), perdoa a iniquidade”: D'us como Aquele que abrange tudo, a Luz Infinita acima de Chochmá.
כי מחכמה ולמטה יש התחלקות לפרטות חכמה ומדות אבל למעלה מן החכמה אין שום התחלקות.
Pois, de Chochmá para baixo, há uma divisão em aspectos particulares — sabedoria e atributos emocionais (midot) —, mas acima de Chochmá não há divisão alguma.
De Chochmá para baixo, há uma divisão em aspectos particulares, ideias e emoções distintas. Acima de Chochmá, não há divisão alguma.
ולכן תשא עון כי אין פגם העון מגיע עד שם שלא פגם אלא בבחי׳ חכמה כנ״ל:
Portanto, “perdoa a iniquidade”, pois a mácula da iniquidade não chega até lá, uma vez que maculou somente o nível de Chochmá, como mencionado acima.
É por isso que Ele pode perdoar: a mácula do pecado jamais alcança o nível acima de Chochmá, pois o pecado danifica somente o nível de Chochmá, como explicado no parágrafo 12.
“Perdoa a iniquidade” é dirigido a D'us como o todo indiviso acima de Chochmá, onde a mácula do pecado não pode chegar; por isso, o perdão é possível.
Marei mekomot
- 1אמרו אליו כל תשא עון · Hosea 14:3
33ונשלמה פרים שפתינו.1 כי גדולה תשובה יותר מכל הקרבנות לפי שבקרבן נאמר קרבן להוי׳ אשה ריח ניחוח להוי׳23
“E ofereceremos [em lugar dos] novilhos [o sacrifício de] nossos lábios”: pois a teshuvá é maior do que todas as oferendas. Pois, a respeito de uma oferenda, está dito: “uma oferenda a Havayá”, “uma oferenda queimada, de aroma agradável a Havayá”,
O versículo termina: “ofereceremos novilhos com nossos lábios”: palavras em lugar das oferendas. A teshuvá é maior do que todas as oferendas, pois a respeito de uma oferenda está dito que ela é “a Havayá” (Levítico 1:2, 1:9), precisamente a formulação que o maamar contrapõe, em sua pergunta inicial, à expressão referente à teshuvá.
והיינו לפי שהקרבן הוא שמקריבים הבהמה ע״ג [על גבי] המזבח תמורת נפש הבהמית של האדם נפש תחת נפש ועכשיו שאין לנו קרבנות התפלה הוא במקום קרבן.4
isto é, porque uma oferenda significa que o animal é oferecido sobre o altar em lugar da alma animal da pessoa — uma alma por uma alma; e agora que não temos oferendas, a oração ocupa o lugar de uma oferenda.
Uma oferenda animal ocupa o lugar da alma animal da pessoa, “uma alma por uma alma”. Desde a destruição do Templo, a oração ocupa o lugar das oferendas, como afirma o Talmud (Berachos 26b).
ומיכאל עומד ומקריב נשמותיהן5 של ישראל.6 מיכאל כהנא רבא78 היא בחי׳ אהבה רבה הבאה מלמעל׳ [מלמעלה] למסור נפשו באחד.
E Michael permanece de pé e oferece as almas de Israel. “Michael, o Sumo Sacerdote” é o nível do “grande amor” (ahavá rabá) que vem do alto, para entregar a própria alma ao [declarar que D'us é] Um.
A tradição ensina que o anjo Michael oferece as almas de Israel sobre o altar celestial (Menachos 110a, com Tosafos ali), e o Zohar chama Michael de “o Sumo Sacerdote”. O Alter Rebe o identifica com o “grande amor” (ahavá rabá) que vem do alto e leva a alma a entregar-se no “Um” do Shemá.
A teshuvá é maior do que as oferendas, que alcançam apenas “a Havayá”; hoje, a oração ocupa o lugar delas, e a oferenda celestial das almas por Michael é o grande amor que leva a pessoa a entregar a própria alma pela unicidade de D'us.
O Zohar (Part III, 33a), citado na nota da Kehot, descreve Michael, o Sumo Sacerdote, como o “leão que consome as oferendas”, oferecendo as almas daqueles que retornam em teshuvá antes de sua morte; essa imagem reaparece no parágrafo seguinte.
Marei mekomot
- 1ונשלמה פרים שפתינו · Hosea 14:3
- 2קרבן לה׳, אשה ריח ניחוח לה׳ · Leviticus 1:2
- 3אשה ריח ניחוח להוי׳ · Leviticus 1:9
- 4התפלה היא במקום קרבן · Berakhot 26b:7
- 5ומיכאל עומד ומקריב נשמותיהן · Menachot 110a:9–11
- 6ומיכאל עומד ומקריב נשמותיהן של ישראל · Tosafot on Menachot 110a
- 7מיכאל כהנא רבא · Zohar II, 231a
- 8מיכאל כהנא רבא · Zohar, Tzav 20:135–145
34והנה כל השנה המשכה זו היא דרך השתלשלות על ידי המלאכים מיכאל כהנא רבא. אבל בעשי״ת [בעשרת ימי תשובה] דרשו את1 ה׳ בהמצאו כתיב שהיא המשכת אור א״ס ב״ה בעצמו שלא בדרך השתלשלות.
Ora, durante todo o ano, essa descida ocorre pela cadeia descendente dos mundos (hishtalshelut), por intermédio dos anjos, “Michael, o Sumo Sacerdote”. Mas, a respeito dos Dez Dias de Teshuvá, está escrito: “Buscai Havayá quando Ele Se deixa encontrar”, o que significa que a Luz Infinita (Or Ein Sof), bendito seja Ele, é atraída por Si mesmo, não pela via da hishtalshelut.
Durante todo o ano, a resposta de D'us à oração e ao serviço desce pela cadeia dos mundos e por intermédio dos anjos, como Michael, “o Sumo Sacerdote”. Mas, a respeito dos Dez Dias de Teshuvá, está escrito: “Buscai Havayá quando Ele Se deixa encontrar” (Isaías 55:6). Nesses dias, a própria Luz Infinita é atraída diretamente, sem intermediários.
ועמ״ש בד״ה אני לדודי בענין הרועה בשושנים2 רק ע״י בחי׳ תשובה עילאה שהוא מעומק הלב כנ״ל
E veja o que está escrito no maamar que começa com “Eu sou do meu amado”, a respeito daquele “que apascenta entre os lírios”. [Isso ocorre] somente por meio do nível da teshuvá superior, que provém da profundidade do coração, como mencionado acima;
O texto se refere ao seu maamar sobre “Eu sou do meu amado… que apascenta entre os lírios” (Cântico dos Cânticos 6:3). Essa descida direta ocorre somente por meio da teshuvá superior, que provém da profundidade do coração.
לכן ענין הקרבנות נעשה על ידינו עצחמן (וזהו שיוהכ״פ [שיום הכפורים] אסור בנעילת הסנדל345 וכמ״ש בשל״ה [בשני לוחות הברית]6 כי המנעל והסנדל מורה על המלאכים מט״ט [מטטרון] וסנדל שנק׳ נעל דשכינתא וביום הכפורים הוא למעלה מבחי׳ זו כו׳
por isso, a questão dos sacrifícios é realizada por nós mesmos. (E é por isso que, em Yom Kipur, é proibido calçar sandálias, como escreve o Shelah: o sapato e a sandália aludem aos anjos Metatron e Sandalfon, chamados “o sapato da Shechiná”, e Yom Kipur está acima desse nível, etc.;
Assim, nesses dias, nós mesmos oferecemos o “sacrifício”, sem os anjos. É por isso que é proibido calçar sapatos em Yom Kipur (Mishná Yoma 8:1): o Shelah escreve que o sapato e a sandália aludem aos anjos Metatron e Sandalfon, chamados “o sapato da Shechiná”, e Yom Kipur está acima desse nível.
ע״ש והיינו כי מט״ט [מטטרון] וסנדל קושר7 קשרים לקונו מתפלותיהן של ישראל8 שהן מעלים התפלות כמ״ש במ״א ע״פ מה יפו פעמיך בנעלים9 כו׳ וזהו ע״ד שבקרבנות היה אריה דאכיל קרבנין1011 כו׳.
veja ali. Isto é, Metatron e Sandalfon atam laços para seu Criador com as orações de Israel, pois elevam as orações, conforme explicado em outro lugar a respeito de “Quão belos são os teus passos calçados”, etc.; e isso se assemelha ao que havia em relação aos sacrifícios: “um leão que consome os sacrifícios”, etc.
Esses anjos elevam as orações de Israel. Nosso texto diz que eles “atam laços” (kesharim); a formulação do Talmud é que Sandalfon “ata coroas para seu Criador” (Chagigá 13b), e Tosafot explica que ele faz coroas com as orações dos justos. O texto compara isso ao “leão que consome os sacrifícios”, o fogo na forma de leão que o Zôhar descreve sobre o altar.
אמנם ביוהכ״פ [ביום הכפורים] אין צריך שיעלו התפלות ע״י המלאכים כ״א הקב״ה בעצמו מקבלן ועמ״ש במ״א בד״ה כנשר יעיר12 ובד״ה ואריה כבקר יאכלתבן כו׳) ונעשית עליה יתירה בעילוי אחר עילוי בבחי׳ ממעמקים.
No entanto, em Yom Kipur não é necessário que as orações sejam elevadas pelos anjos; em vez disso, o próprio Santo, bendito seja Ele, as recebe. E veja o que está escrito em outro lugar, no maamar que começa com “Como a águia desperta” e no maamar que começa com “E o leão, como o boi, comerá palha”, etc.) E é ocasionada uma elevação adicional, ascensão após ascensão, no nível de “das profundezas”.
Em Yom Kipur, as orações não precisam de anjos para elevá-las, pois o próprio D'us as recebe. O texto se refere aos seus maamarim sobre “Como a águia desperta o seu ninho” (Deuteronômio 32:11) e “o leão, como o boi, comerá palha”. Portanto, esses dias propiciam uma elevação adicional, cada vez mais alta, a partir “das profundezas”.
ופי׳ בעשרת ימי תשובה עד יוהכ״פ [יום הכפורים] שאז לפני הוי׳ תטהרו שמגיע לבחי׳ פני הוי׳ בחי׳ פנים הנ״ל. הגם דכתיב ופני לא יראו היינו שהפנים בעצמן אין באים לידי גילוי.13
E a explicação é que, durante os Dez Dias de Teshuvá, até Yom Kipur, quando “diante de (lifnei) Havayá sereis purificados”, alcança-se o nível da face (pnei) de Havayá, o nível da “face” mencionado acima. Embora esteja escrito: “Minha face não será vista”, isso significa que a própria face não chega a ser revelada;
Nos Dez Dias até Yom Kipur, dos quais se diz: “diante de (lifnei) Havayá sereis purificados” (Levítico 16:30), a pessoa alcança a “face” (pnei) de Havayá. O versículo “Minha face não será vista” significa apenas que a própria face não chega a ser revelada.
אבל הגילוי נמשך משם ממעמקים קראתיך להיות גילוי בחי׳ הוי׳ וגם ופני לא יראו בבחינת המשכה למטה אבל בבחינת העלאה את פניך הוי׳ אבקש:1415
mas a revelação é atraída de lá: “Das profundezas clamei a Ti”, para que haja uma revelação do nível de Havayá. E também “Minha face não será vista” se refere à modalidade de descida para baixo; porém, na modalidade de elevação, “a Tua face, Havayá, buscarei”.
Sua luz ainda é atraída de lá, “Das profundezas clamei a Ti”, e revelada por meio do Nome Havayá. Além disso, “Minha face não será vista” se refere à descida de cima para baixo; na ascensão de baixo para cima, por meio da teshuvá, pode-se dizer: “A Tua face, Havayá, buscarei”.
O maamar conclui com o aspecto singular dos Dez Dias de Teshuvá: durante todo o ano, a luz de D'us chega por intermédio dos anjos e da cadeia dos mundos; nesses dias, porém, por meio da teshuvá que provém da profundidade do coração, a própria Luz Infinita é atraída, e a pessoa oferece seu próprio “sacrifício”. A “face” que não pode ser revelada de cima pode ser alcançada de baixo, pela elevação.
A nota da Kehot registra um manuscrito no qual o maamar termina com linhas adicionais: referências à explicação do Zôhar sobre “bendito para todo o sempre (va'ed)” (Part II, 135b) e ao Zôhar no início de Va'eira sobre ad e “Uma mulher virtuosa é a coroa do marido”, vinculando-as à recitação em voz alta de “Bendito seja o Nome da glória de Seu reino” (em alguns manuscritos, em Ne'ilah de Yom Kipur) até “Shuvah ad”. Isso relacionaria o final do maamar à palavra ad, com a qual ele começou.
Marei mekomot
- 1דרשו את ה׳ בהמצאו · Isaiah 55:6
- 2אני לדודי בענין הרועה בשושנים · Song of Songs 6:3
- 3שיוהכ״פ אסור בנעילת הסנדל · יומא רפ״ח. הובא באו״ח סתרי״ד, ב. וראה גם ד״ה לה״ע שאין יוצאים במנעלים ביוה״כ במאמרי אדה״ז הקצרים ע׳ שלז. אוה״ת חנוכה ע׳ 606. ש״ש כרך ה׳ ע׳ ב׳קכב.
- 4יוהכ״פ אסור בנעילת הסנדל · Mishnah Yoma 8:1
- 5יוהכ״פ אסור בנעילת הסנדל · Shulchan Arukh, Orach Chayim 614:2
- 6וכמ״ש בשל״ה · במס׳ יומא פ׳ רע״א [רלז, ב] בשם הרמ״ק ז״ל. [כ].
- 7מט״ט וסנדל קושר כתרים לקונו · Chagigah 13b:4
- 8קושר קשרים לקונו מתפלותיהן של ישראל · Tosafot on Chagigah 15a:1–17a:1
- 9מה יפו פעמיך בנעלים · Song of Songs 7:2
- 10ארי׳ דאכיל קרבנין · Zohar I, 6b
- 11אריה דאכיל קרבנין · Zohar, Vayikra 40:278–41:285
- 12כנשר יעיר · Deuteronomy 32:11
- 13שהפנים בעצמן אין באים לידי גילוי · ראה ד״ה באתי לגני תשכ״ט סעי׳ ה (נדפס בקונטרס יו״ד שבט תשמ״ט).
- 14אבקש · Zohar II, 135b
- 15לפני ה׳ תטהרו · Leviticus 16:30
Terminou o maamar?
Marque-o como estudado; ele conta para a semana e para o siyum do ano.
Na avodá
Nos Dez Dias de Teshuvá, busque D’us a partir da profundidade do coração, como quem pensa em algo de que depende a própria vida, além de qualquer raciocínio, e deixe de lado sua própria vontade, para não agir em proveito próprio. Teshuvá não é somente pelos pecados: é o retorno da alma à sua fonte, e também cabe aos justos. Por meio dela, atraia a anulação do eu diante da realeza de D’us para o ano inteiro, renovada a cada bênção sobre uma mitsvá, para que o temor de D’us repouse sempre sobre você, e não apenas em certos momentos.
Perguntas para conversar
- Se D’us preenche todas as coisas, em que sentido Ele está “perto” durante os Dez Dias de Teshuvá, e como a imagem de duas pessoas que se encaram ou se voltam de costas responde a isso?
- Por que o maamar diz que Shabat e teshuvá são “uma coisa só”, e por que isso significa que até os completamente justos fazem teshuvá?
- Por que uma mácula na Torá só pode ser reparada a partir de acima de Chochmá, e como a autoanulação da pessoa alcança esse nível, “como a água reflete o rosto”?
- Como a bênção sobre uma mitsvá e os dois versículos do Shemá expressam a unidade superior e a inferior?
- Por que a eternidade (ad) pertence a Malchut, e não ao que está acima do tempo, e o que significaria que a realeza de D’us em sua alma fosse “ad”, em vez de “em certos momentos”?